Marca do Património Europeu: "Reforçar o sentimento de pertença

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Cultura í 03-11-2010 - 14:34

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"A cultura une os jovens" "Temos necessidade e vontade de estreitar a distância entre as instituições europeias e os cidadãos"

A eurodeputada grega Chrysoula Paliadeli (S&D)

No dia 27 de Outubro, a comissão parlamentar da cultura e educação aprovou o relatório da eurodeputada grega Chrysoula Paliadeli sobre a Marca do Património Europeu, na sequência da proposta apresentada pela Comissão Europeia em Março deste ano. Bem-estar, sentimento de pertença, coexistência na diversidade, democracia, liberdade, coesão, simbolismo e educação são os valores fundamentais da Marca, que deverá ser atribuída às candidaturas nacionais seleccionadas por um painel de 13 peritos da UE.

Quais são os principais objectivos da proposta? CP: O principal objectivo é a coesão entre os cidadãos dos Estados-Membros da União Europeia, especialmente entre os jovens, e o interesse pelo bem-estar dos cidadãos. A cultura une os jovens ± o programa Erasmus é disso bom exemplo ± e transmite um sentimento de pertença a um grupo de pessoas que coexiste na sua diversidade. Por outro lado, a proposta prevê a cooperação entre os Estados-Membros, ou seja, França e Alemanha podem candidatar-se conjuntamente para a atribuição da Marca a um local que consubstancie uma determinada ideia. Temos necessidade e vontade de estreitar a distância entre as instituições europeias e os cidadãos dos pa ses da UE.
 

A Marca do Património Europeu equivale à Lista do Património Mundial da UNESCO? CP: Não. A UNESCO inclui na sua lista património tang vel e intang vel, pela sua beleza arquitectónica, estética ou natural. A Marca do Património Europeu é mais simbólica e está relacionada com valores e ideias como a democracia, a liberdade e a coexistência na diversidade, mais do que com a sua beleza ou caracter sticas estéticas.
     

Como será atribuída a Marca? CP: A n vel nacional, os s tios serão escolhidos por um grupo de peritos. Em seguida, as candidaturas serão analisadas pelo grupo de peritos da UE, que deverá analisar todas as candidaturas relacionadas com a mensagem da Marca: simbolismo, educação, coesão, aproximação dos cidadãos da União Europeia.
   

Prémio do Património Cultural da União Europeia de 2011 recompensa 27 exemplos notáveis de conservação, preservação e investigação no domínio do património histórico. Restituir a uma estação de comboios central o seu esplendor arquitectónico original, formar a próxima geração de curadores, recuperar um mosteiro desafectado: eis alguns exemplos do trabalho levado a cabo por milhares de voluntários e profissionais para manter viva a história europeia. São assim restaurados, conservados e preservados edifícios, estruturas, fortificações e artefactos representativos do património cultural europeu. A UE recompensa esses trabalhos anualmente através da atribuição dos prémios do património cultural, também designados por Prémios Europa Nostra . Este ano há 27 vencedores, 6 dos quais serão distinguidos com o ³grande prémio´ do património cultural, recebendo também 10 000 euros cada um. Os prémios são financiados pelo Programa Cultura da UE que já atribuiu, desde 2007, 26 milhões de euros ao co-financiamento de projectos no domínio do património. São também um investimento nas indústrias culturais e criativas europeias, que dão emprego a cerca de 8,5 milhões de pessoas e representam 4,5 % do PIB da UE.
Diversos percursos bem definidos dão-lhe a oportunidade de descobrir uma das mais ricas e genuínas cidades de Portugal. Venha descobrir o Porto. Ribeira - Património Histórico da Humanidade Descubra o charme e encanto do Porto passeando de barco no Rio Douro ou numa caminhada pela manhã, a Ribeira é um Bairro característico e interessante para visitar do Porto. O casario apertado entre ruas e ruelas, mantendo a traça e costumes de épocas passadas, permite num virar de esquina vislumbrar o Douro a cada momento. Casa do Infante - Monumento Nacional Edíficio histórico da Cidade do Porto, situado no coração da Ribeira, foi inicialmente D. Afonso IV que decidiu promover a construção de um armazém destinado à Alfândega. Posteriormente, foi Casa da Moeda, Contadoria da Fazenda, Casa do Selo e Celeiro público. A tradição que relaciona o nascimento do Infante D. Henrique com este local levou ao descerramento de uma lápide sobre a entrada principal, no ano de 1894. A Casa do Infante foi classificada como monumento nacional em 1924. Até à primeira metade do século XIX não foram realizadas obras de grande significado, tendo sido na década de 50 do sécul XX que sofreu um profundo restauro Pesquisas arqueológicas recentes, levaram à descoberta de um importante palácio romano e ao melhor conhecimento dos antigos edifícios da Coroa, desde o século XIV à actualidade. A importância dos achados determinou a criação de um Museu de sítio que funciona a par do Arquivo.

Palácio da Bolsa - Monumento Nacional O Palácio da Bolsa, foi construído em estilo neoclássico na segunda metade do séc. XIX. Situa-se no centro histórico da Cidade do Porto. Inicialmente projectado para receber a Bolsa do Porto e transmitir pela sua grandiosidade, uma imagem de credibilidade que fizesse afluir investidores de outros países europeus, é hoje a sede da Associação Comercial do Porto. Aqui poderá visitar as antigas salas da Bolsa, a Assembleia Geral, a Sala dos Retratos e o famoso Salão Árabe. No entanto, não deixe de espreitar o jardim na parte de trás. É um dos monumentos mais visitados.

E se falamos de um «património comum europeu», como realidade a preservar, a verdade também é que estamos perante uma construção inédita e original baseada na extensão da dimensão tradicional do Estado de direito, no apelo à diversidade das culturas, no aprofundamento da soberania originária dos Estados-nações, na legitimidade dos Estados e dos povos, na criação de um espaço de segurança e de paz com repercussões culturais e numa maior partilha de responsabilidades nos dom nios económico e do desenvolvimento durável. Trinta anos depois de ter organizado o Ano Europeu do Património Arquitectónico, o Conselho da Europa continua a desempenhar um papel pioneiro na reflexão sobre o significado do Património nas nossas sociedades, em consonância com as preocupações universais da UNESCO, em especial quanto à necessidade de retirar consequências efectivas e positivas relativamente à diversidade cultural e ao conceito de Património imaterial. E a nova Convenção de Faro insere-se na linha das Convenções em vigor - de Granada de 1985, sobre o Património arquitectónico, de La Valetta de 1992, sobre o Património arqueológico, e de Florença de 2000, sobre a paisagem. Trata-se do culminar de uma reflexão levada a cabo pela comunidade cient fica e pelo Conselho da Europa, desde os anos 70, em matéria de «conservação integrada» dos bens culturais. Sem retornar a mecanismos de protecção já cobertos pelas Convenções precedentes, o novo texto insiste, como veremos, nas reflexões que ora publicamos, nas funções e no papel do Património. Trata-se de passar da perspectiva de «como preservar o Património, segundo que procedimento?», à questão do «porquê e para quem lhe dar valor?». E esta ideia concretizou-se no entendimento segundo o qual o conhecimento e a prática respeitantes ao Património cultural têm a ver, antes do mais, com o direito dos cidadãos participarem na vida cultural, de acordo com os princ pios do Estado de direito, conforme um conceito mais exigente de direitos e liberdades fundamentais. A Convenção considera, assim, o Património cultural como um valor e um recurso, que tanto serve o desenvolvimento humano em geral, como concretiza um modelo de

desenvolvimento económico e social assente no uso durável dos recursos, com respeito pela dignidade da pessoa humana. Estamos perante um instrumento de referência, apto a influenciar outros instrumentos jur dicos de âmbito nacional e internacional. Isto significa que se trata de um documento que, sem duplicar a acção da UNESCO (designadamente quanto ao conceito de Património imaterial), define objectivos gerais e identifica dom nios de acção, bem como direcções e pistas em cujo sentido as partes contratantes aceitam progredir, deixando a cada Estado a capacidade de escolha e a autonomia para optar pelos meios de realização melhor adaptados à sua organização constitucional, e à sua tradição pol tica e jur dica. Estamos, assim, diante de uma Convenção-Quadro, que, como veremos, não cria «direitos executórios» directamente aplicáveis nos pa ses, mas lança um processo de cooperação entre os Estados, convidando-os à actualização e ao progresso das suas pol ticas do Património em benef cio de toda a sociedade. Já a originalidade do conceito de «património comum da Europa» tem de ser vista como um elemento dinamizador de uma cidadania aberta. O «valor» surge, assim, no «horizonte da experiência histórica», fora de qualquer uma concepção abstracta. Património comum está, deste modo, na encruzilhada das várias pertenças e no ponto de encontro entre memória, herança e criação. Assim se entende a adopção de um mecanismo de acompanhamento e de balanço da cooperação entre os Estados signatários. Uma base de dados comum e um centro de recursos servirão as administrações num sentido de eficiência e de apoio às boas práticas. Indo mais longe do que outros instrumentos jur dicos e pol ticos e do que outras convenções, o texto visa prevenir ainda os riscos do uso abusivo do Património, desde a mera deterioração a uma má interpretação como «fonte de conflitos» (todos nos lembramos dos exemplos da Ponte de Mostar e de Dubrovnik). A cultura de paz e o respeito das diferenças obriga, no fundo, a compreender de maneira nova o Património cultural como factor de aproximação, de compreensão e de diálogo. A primeira parte desta obra resulta de uma reflexão pessoal suscitada pelo trabalho conjunto levado a cabo no grupo que foi constitu do no Conselho da Europa, e a que tive a honra de presidir, e que propôs ao Conselho de Ministros da Cultura do Conselho da Europa, sob a Presidência portuguesa, a Convenção-Quadro do Conselho da Europa sobre o valor do Património cultural na sociedade contemporânea, que foi aprovada no dia 27 de Outubro de 2005, na cidade de Faro. Acrescentei outros textos sobre alguns temas de cultura portuguesa, onde procurei ilustrar em concreto a importância da relação entre Património, Herança e Memória.

adaptações ou

Os principais benefícios da Marca do Património Europeu serão: a criação de novas oportunidades de aprendizagem sobre o património cultural da Europa e os valores democráticos que sustentam a história e a integração europeias; um maior interesse pelo turismo cultural na Europa, o que trará benefícios econômicos; a adoção de critérios claros e transparentes para os Estados-Membros participantes; e a aplicação de procedimentos de seleção e de controle que garantirão a atribuição da marca unicamente aos sítios mais relevantes. A Marca do Patrimônio Europeu distingue-se de outras iniciativas relacionadas com o patrimônio cultural como a Lista do Património Mundial da UNESCO e os «itinerários culturais europeus» do Conselho da Europa, pelos aspectos seguintes: pretende distinguir sítios que tenham desempenhado um papel-chave na história da União Europeia; baseia a seleção desses sítios no seu valor simbólico europeu e não em critérios estéticos ou de qualidade arquitetônica; e procura realçar a dimensão educativa dos sítios, em especial para os jovens. Marca do Patrimônio Europeu ± Sítios previamente selecionados pelos Estados-Membros País/Sítios (1) BÉLGICA: Palácio dos Príncipes-Bispos de Liège, Museu de Cerâmica de Raeren (Comunidade Germanófona), Sítio Arqueológico de Ename, Sítio Arqueológico de Coudenberg BULGÁRIA: Sítio Arqueológico de Debelt, Monumento a Vassil Levski, Cidade Histórica de Rousse, Centro Musical Boris Christoff CHIPRE: Fortificações de Nicósia, Castelo de Kolossi, Sítio de Kourion, Circuito de 6 Igrejas com Frescos Bizantinos e Pós-Bizantinos de Troodos REPÚBLICA CHECA: Castelo de Ky n vart :;Zlín, Cidade de Tom á Bat'a;Mina de Carvão de Vítkovice, em Ostrava; Monumento a Antonín Dvo ák em Vysoká u P íbrami FRANÇA: Abadia de Cluny, Casa de Robert Schuma n, perto de Metz, Palácio dos Papas, Avinhão GRÉCIA: Acrópole de Atenas, Palác io de Knossos, Sítio Arqueológico de Poliochne, Sítio Bizantino de Monemvasia HUNGRIA: Castelo Real de Esztergom, Fortaleza de Szigetvár, Colégio e Grande Igreja Protestante de Debrecen, Palácio Real de Visegrado ITÁLIA: Casas onde nasceram Rossini, Puccini e Verdi, Casa onde nasceu Alcide De Gasperi, Ilha de Ventotene, Praça do Capitólio em Roma LETÔNIA: Centro Histórico de Riga, Palácio de Rund le, Cidade de Kuld ga LITUÂNIA: Obras de Mikalojus Konstantinas iurlionis, Centro Histórico de Kaunas, Planície

de emaitija e Colina de Crosses, Museu das Vítimas do Genocídio (1940-41) em Vílnius MALTA: Catacumbas de Rabat POLÔNIA: Estaleiros navais de Gda sk, Colina de Lech em Gniezno (Catedral, Igreja, Palácios, Museu, Catedral de São Venceslau e Santo Estanislau, Cracóvia e Cidade de Lublin PORTUGAL: Catedral de Braga, Convento de Jesus em Setúbal, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, Abolição da Pena de Morte ROMÊNIA: Sítio Arqueológico de Ístria, Palácio Cantacuzino em Bucareste, Ateneu Rome em Bucareste, Parque Brâncu i em Târgu Jiu ESLOVÁQUIA: Arquitectura Eclesiástica Pré-Românica, Igreja de Santa Margarida, Kop any, Castelo de ervený Kame , Túmulo do General Milan Rastislav tefánik em Bradlo ESLOVÊNIA: Igreja do Espírito Santo em Javorca, Hospital Franja em Dolenji Novaki, Cemitério de Zale em Liubliana ESPANHA: Arquivo da Coroa de Aragão, Real Mosteiro de Yust e Cabo Finisterra, Residência de Estudantes, Madrid SUÍÇA: Catedral de São Pedro em Genebra, Castelo de La Sarraz, Hospício de São Gotardo 1 : Estes sítios foram seleccionados pelos Estados-Membros no quadro da iniciativa intergovernamental. Para garantir a coerência geral da Marca do Património Europeu, os sítios na União Europeia que foram distinguidos no âmbito do sistema intergovernamental e desejam obter a nova marca deverão ser reavaliados à luz dos novos critérios.