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QUADRO-síNTESE -ALBERTO
Motivos temáticosfTemas variedade e "eterna novidade do mundo"; integração e comunhão com a natureza; ob~~tivismo Ragã~ poesia deambulatória (passeios pelo campo); ~eis.m.o. - crença de que as cS?lsasnaturaÍS-Sao divinas. deuses; daí misticismo naturalista' predomínio das sensaç6es, sobretudo visuais: "Vi como um danado"; sensacionista' recusa do pensam~nto abstracto (pensar 'estãr doente dos
co!!i:7ilosofia não há árvores - há ideias, apenas); -

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CAEIRO

1. Um poeta
- ausência de grandes preocupa, ções estilísticas, nomeadamente a nível tónico: "escrevo a prosa
dos meus versos ";

-

c- v~?o livre; métrica inregular. A nível mortossintáctico e semântico: simetrias, paralelismos de construção; assíndetos; predomínio do presente do indicativo (modo do real); adjectivação pobre e sobretudo descritiva, ooiectivatü; , , vocabulário e imagística do campo semântico da natureza' li,!gu~gi3~~~':':lples,farQilLar, a~tot logias (linguagem próxima da infantil: "uma borboleta' é epenes

-

-

- das sensações ("Vi como um danado"); pre_dolJ)íol.Q,._do olhar nítido como um girassol e do tacto; - 0J?J~cti:\[~ta: recu~ da~losofia, do transcendente, do mis~mo subjectivlsta'(projecção do Eu nas coisas); - s"ênsaéTonisfã: prlrnâdo das sensações puras, não conti5J!S![âsyãío pensar; - nominalista: nomear as coisas é criar realidade, re,.Çriando avisão primitiva, originária, das coisas, pela lingua= ". ,~"" ~ , gem
~_~_ ••••• _ .bo<~

-

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2. No entanto ... um grande poeta metafísico

-

o!!!~~~

e

- recusa

dos poetas

"místicos"

Q!leJ.e_cüs.a.a.. metafísica ~nal, base religiosa/transcendente e opta pela adesão ao pereemento J2a.Q.ão__ cimL@Q.l,..Q2ill p aproximàçoes-cio francIscanlsmo (8. Francisco de Assis) e ao budisrno.(i) ,.- .. ."

'-as

(um "anti-Pascoaes"?);

- considera-se "o único poeta da natureza", "o argonauta das borboletale a flor é apenas' flor"); sensações verdadeiras"; , - frases simples ou coordenadas; - no entanto: contradições, cuja - pontuação predominantemente causa atribui à "doença" ou à lógica; necessidade de "falar a linguagem - a nível de figuras de estilo, predodos homens" ou à dificuldade de mínio d~~pa~~2~~~' , "aprender a desaprender" ou se ligam ao sentimento amoroso,

MetafLsfǺ'~ROis, e modo moderno. _-d ..... ..~_.~_.,~,_ .•..•. ~ _----,_.'
..
-.,'., '.,

.....


(esquema baseado noutros similares de António Morato e de José Manuel Meio) ,

3. Outros aspectos: um poeta-metáfora: "Sou um guarda,:dor de rebanhos", o "pastor amoroso" que surgiu ... contra , os simbolistas, saudosistas, paulistas-poetas "místicos" :, "que vêem ~isa~_Y..f!.,e"J~!.Fl~!isla". .•Ju~roçy!:.~JL~~x. , t~os-=-sen1raos-e des~~~.!J~:/ae!e.rna floviJ;jaC/&_,do ; r]JYndo"! ser á "erema cnança"; que. aceita as injustiças e 'as desigualdãa8s(2rpà'fLl"i:1eS'ão tão naturais como haver haver sol; que produz uma poesia de "grau zero" / (segü-rídõ JõSe- Augusto 8eabra) -:-o seu segredo consiste em "e@ir pOE}sia.,9..ª-.9Y,§3.Dyja_dfLílQesia" daí o "prosaísmo", equivalente formal da fuga ao olhar que projecta o Éú"naséoísas.

,Chuvaê

livro bonüo.

(~) Adjectivação descritiva: Um livra de capa azul; adjectivação vala t' 'U", . ra tva: m
Natureza?,

187

(1) Ver livro de Maria Helena Nery Garcez, Alberto CaeiroDescobridor Centro de Estudos Pessoanos, Porto,1985, (2) Poema XXXIId'O Guardadorde Rebanhos,

da

188

crê na "eterna novidade do mundo". Caeiro afirma: "fui o único poeta da natureza". Recusa o pensamento metaíísico. de simetrias. em frases predominantemente coordenadas. • Poeta do real objectivo. por isso. da forma e da existência. o mundo é sempre diferente. 'na sua simplicidade e paz. . aproveita cada momento da vida e cada sensação ptovocada. uso de paralelismos de construção. de acordo com a sua sabedoria não livresca) e de classes de palavras: pouca adjectivação. mas é sobretudo inteligência que discorre sobre as sensações. com a harmonia pagã e primitiva' da Natureza. presente ou futuro. negando mesmo a utilidade do pensamento. afirmando que "pensar é não compreender". Ao anular o pensamento metafísico e ao voltar-se apenas para a visão total perante o mundo. num discurso em verso livre. por isso. de comparações simples.versilibrismo. por isso.vocabulário simples e familiar. o poeta da realidade imediata ("Para além da realidade imediata não há nada") e do real objectivo. E porque só existe a realidade. . predomínio de substantivos concretos. personifica o sonho da reconciliação com o universo. sem passado. • Linguagem e estilo: . . "pensar é estar doente dos olhos". em estilo coloquial e espontâneo. fluente. / Mas· porque a amo. a íntelectualidade do seu olhar liberta-se dos preconceitos e volta-se para a contemplação dos objectos originais. o tempo é ausência de tempo. Daí o seu desejo de ínregracão e de comunhão com a Natureza . Ama a Natureza: "Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.ausência de preocupações estilísticas. que afecta Pessoa.. e confessa que existir é um facto maravilhoso. indisciplina formal e ritmo lento mas espontâneo. • Caeiro é o poeta da Natureza que está de acordo com ela e a vê na sua constante renovação.• Alberto Caeiro apresenta-se como um simples "guardador de rebanhos". apreciando a beleza das coisas na sua originalidade e na sua simplicidade. . repetições de .número reduzido de vocábulos (dando uma impressão de pobrezalexical. expressões longas.. • Para Caeiro.proximidade da linguagem do falar quotidiano. • Caeiro é um sensacionista. a quem só interessa o que capta pelas sensações e a quem o sentido das coisas é reduzido à percepção da cor. mas é o poeta da Natureza e do olhar. simples e natural. o poeta da simplicidade completa. • Para Caeiro. elimina a dor de pensar. que só se importa em ver de forma objectiva e natural a realidade com a qual contacta a todo o momento. • Caeiro constrói os seus poemas a partir de matéria não-poética. • Caeiro vê o mundo sem necessidade de explicações. Ver é conhecer e compreender o mundo. . Passeando e observando o mundo. uso de verbos no presente do indicativo (acções ocasionais) ou no gerúndio (sugerindo simultaneidade e arrastamento). sem princípio nem fim. coloquial. sempre múltiplo. e amo-a por isso". • Mestre de Pessoa e dos outros heterónimos. pois todos os instantes são a unidade do tempo. Caeíro dá especial importância ao acto de ver. pensa vendo e ouvindo. da clareza total e da objectividade das sensações. Vive de acordo com ela.

orru lar • predomínio da comparação • metáforas simples ..do presentebido .. E eu sei dar por isso muito bem . . ... Sou o Descobridor da Natureza . _ • ritmo espontaneo Nível morfo~~i~t6cti~~ ' .. me rica irrequ ar . I· predomínio. " "Ainda assim sou alguém. ... Porque trago ao Universo ele-próprio. ti b indicativo • aalec rvcçco po re e o lectiva b I" . verdadeiras.. " 3 Poeta da Natureza 4 Poeta antimetafísico Nível fónico . fi !ll L-J Poeta que deambuia peio campo ~ ~ 2 Poeta sensacionista objectivo ':Eo que vejo a cada momento . I f '1' • voca u ano slmp es. o Mestre 1/ ••• eu sou do tamanho do que vejo e nao do tamanho da minha altura .~ E aquilo que nunca antes eu tinha visto.. '.. 't . Trago ao Universo um novo Universo ..to 5 ALBERTO CAEIRO...Aceta. I • verso \rvre.. Sou o Argonauta das sensações. " "Sinto-me nascido a cada momento Para a eterna novidade do Mundo .

e na maioria das vezes consegue.-0 pensar. É a simplicidade em Pessoa. nf}Qcrêem nada.quenão era c0n..egredo e partilhava do desejo de regressar aos únicos momentos de plenitude que tivera '. a. faz.." (Catarina Rebelo. familiar. qualquer metáfora e repetição são derivadas da sua essência de menino. procu:~n~o.fJ.1993)' '.I rer 5. pelo contrário.. mas porque ele era o próprio nascimento.. Nao e ?ns~a..toda a sua vida são os seus poemas.) A sua maneira de ser e de escrever coincidem na simplicidade.0. Mas nele predomina a alegr:!.fi§Lª.ssi~.2. Caeiro não PJ. • I Assim. 4.eXiste e pensa.. não porque fosse tudo concebido ixemeditedemente.f~~?O~§o.logo não podena ser pagão. busca da "eterna Inocência" de ser como um menino (ver poomal1l d 'O Guardador de Rebanhos). n~o acreditav~.e.. Caeiro é a etema criança . ' "Para Caeiro o real é a própria exterioridade . Por isso os as 189 190 .mas como do outro lado de Pessoa.e. como disse Reis.renunciandQ.çjQQ" . -~-~seus poemas são concretos e obiectivos._~ . (. Caeiro 'ú1ã(rQ~n~? __ ." pois este tem como único significado ser. (. . (Cláudia João. a "inconsCiência" da ceifeira e "a conSClenCla disso . os seus poemas são articulados em função do ritmo das ideias harmoniosas ajustado ao ritmo verbal ("procuro encostar as palavras às ideias"). mas.. nao e paga.Qas.. É do sonho que nasce a personagem e e da personagem que vive o sonho. 1993) . presente. de jovens leitores (ex-alunos de 12. na linguagem extremamente simples. . filho da Terra. Alvaro de Carllpos'cônsiderou que "Caeiro não era pagão. Trata-se como disse Campos..9.§idad~on__ / tade de entrega ao natUral e ao simples (ceifeira ou gato que brinca na rua).tenta. com quem vivia em s.. Por sua vf!. o paganismo." (Sónia Carvalho 1994)._à ~ a~~... eXlstIl:.!Y§!So.tcª§...!2-YD. mas na? cre em Deus. apenas com o seu conteúdo.~~?J!~~~3~is ete pqg~o. .) Caeiro é um poeta natural.s a Natureza só tem de ser e nada mes.o lado simples do Outro com quem brincava em criança.JIJ. em Deus. 1993) "Ceeiro era pagão porque era..j)O.~p~~q. . não se preocupa com o aspecto estilístico dos seus poemas.ª-~(!.âpã~~' da' Naturez~ -" e ~ ~atucez~ Ele não pensa .~l ª_Lumino.~_ºº~~_~~. OPINiÕES 0 . (Sara Morna. no "ser plural" de Pess~e~aê uma o~~~ __sºº~~lª. 11 .QJ?~ OL1.) Caeíro é a fonte onde tudo nasceu. (.§IJ)@. ter a ingenuidade e a curiosidade de olhar e sentir. U~ pagão. ano) "Alberto__ aeiro _er~o_p_agani§rrJ.e não devemos acrescentar-lhe impressões subjectivas.91 G pc>r. é uma pessoa que pensa. só .Efitia. De comum com o Pessoa ortónimo: busca de resposta à dorde pensar .a inf~ncia e os sonhos. não só da natureza . "Caeiro foi poeta sem vida . d_~um q.

t" cçmlorm~ o original e su..::::2~~~~::r· S8o: ~_ ~ _toa t:oo ..:.."_. \.TGfAl tÚCJiO() ~' \ __ ----------~" l2on!'e~16rt _--------1..b$tilui certldiío de NOK(neniO 1..~~ '-'-"- b l.4tdêndOl t... 7 9 '\:' )' G Cluerelllto Gblto Narraty" -. . _ Selo p/por gut'a ". I~ t.{ ~~do 000 de [s. ~ ~..e jotoc6pltl dooss~to 11.: . . CJ ~ A . Ideráadt\ CONrA\ Ar/o" 11.oS\JPERtO( CONSÇ RV~Q01LAJlJDANTf..J o 19 E~Cíi::!T.. MOltliid)}Lde.>'4 cl .\.-) o 0!~r10~ l~bÕ __ -----------de .P'rr.~!~tod~ o ".