Modelo de Solow, Res´ ıduo de Solow e Contabilidade do Crescimento

Roberto Ellery Jr.‡
Universidade de Bras´ ılia

Victor Gomes‡‡
Universidade Cat´lica o de Bras´ ılia

11 de mar¸o de 2003 c

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Modelo de Crescimento de Solow

Explicar os determinantes do crescimento de uma economia ´ um dos prine cipais desafios com que se depara a ciˆncia econˆmica. Associadas ao crese o cimento est˜o quest˜es que costumam prender a aten¸ao de todos que se a o c˜ dedicam ao tema, como por exemplo: 1. Quais os determinantes da riqueza de uma na¸ao? c˜ 2. Por que alguns pa´ s˜o mais ricos que outros? ıses a 3. Existe alguma tendˆncia natural para que a renda de todos os pa´ e ıses venham a se igualar? Para podermos tratar destas quest˜es precisamos de uma estrutura l´gica o o que nos ajude a conduzir a nossa an´lise, tal estrutura deve ser conter o que a acreditamos ser os principais fatores que podem explicar o crescimento de uma economia, deve ser de tal forma que todas as hip´teses que fizermos o fiquem bem claras, assim como devem estar claras todas as implica¸oes de c˜ nossas hip´teses. Uma maneira adequada e bastante popular de realizar esta o tarefa consiste no uso de modelos matem´ticos, estes modelos s˜o constru´ a a ıdos de forma que nos for¸am a explicitar as nossas hip´teses, nos obriga a manter c o a coerˆncia l´gica de nossos argumentos de forma a nos garantir que nossas e o
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ellery@unb.br victor@pos.ucb.br

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conclus˜es decorrem, de forma l´gica, de nossos argumentos. Embora moo o delos matem´ticos n˜o sejam a unica forma de garantir a consistˆncia l´gica a a ´ e o entre nossas hip´teses e nossas conclus˜es, s˜o a maneira mais simples e o o a segura de atingir este objetivo. O problema do crescimento econˆmico sempre esteve presente nas diso cuss˜es sobre economia sendo este problema, de forma question´vel, a princio a pal motiva¸ao do primeiro tratado sobre economia, chamado “Um Inqu´rito c˜ e sobre a Natureza e as Causas da Riqueza das Na¸oes”, escrito por Adam c˜ Smith e publicado em 1776, apesar deste livro tratar de pr´ticamente todos a os temas relacionados a economia o t´ ıtulo j´ denuncia a preocupa¸ao central a c˜ com problemas relacionados ao crescimento econˆmico. o No decorrer do tempo v´rios modelos matem´ticos foram constru´ a a ıdos para estudar o crescimento econˆmico por´m, apenas em 1956, apareceu um o e modelo que capaz de explicar o crescimento a partir do comportamento de firmas e fam´ ılias, e n˜o a partir de hip´teses ad hoc sobre a rela¸ao entre a o c˜ agregados macroeoconˆmicos. Este modelo foi devido a Robert Solow que o o apresentou em um artigo chamado “A contribution to the theory of economic growth”. O comportamento das fam´ ılias era trivial,1 de acordo com a teoria keynesiana da ´poca assumiu-se que as fam´ e ılias poupavam uma fra¸ao fixa c˜ da renda, ou seja, St = σYt (1) onde St representa a poupan¸a, Yt a renda e σ ∈ (0 1) representa a fra¸ao da c c˜ renda que ser´ poupada no per´ a ıodo t. Isto equivale a assumir que o agente representativo nesta economia trabalha um n´mero fixo de horas ht = 1, u poupa ou investe it = σyt , e consome ct = (1 − σ)yt , em cada per´ ıodo. Tal que h representa o total de horas de cada trabalhador, i o investimento, c o consumo e y a renda de cada agente. Da contabilidade nacional sabemos que o investimento, definido como o total de m´quinas, equipamentos, constru¸oes mais as varia¸oes nos estoques a c˜ c˜ das firmas, deve ser igual a poupan¸a a cada per´ c ıodo, ou seja It = St = σYt (2) tamb´m sabemos que por defini¸ao, o investimento representa a varia¸ao no e c˜ c˜ estoque de capital, ou seja Kt+1 = (1 − δ)Kt + It (3) onde δ ∈ (0, 1) representa a taxa de deprecia¸ao do estoque de capital, ou c˜ seja, a cada per´ ıodo o correspondente a δKt ´ depreciado. Esta equa¸ao ´ e c˜ e conhecida na literatura como a lei de movimento do capital.
Este problema foi resolvido em 1965 por David Cass (1965) e tamb´m por Tjalling e Koopmans (1965).
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junto com o estoque de capital c˜ c inicial (k0 ). Al´m disso. ou seja Ht = Nt . produto. Defini¸˜o 1 Um estado estacion´rio do sistema ´ uma solu¸ao para k = ca a e c˜ g(k). Fa¸a esta fun¸ao de produ¸ao c˜ c˜ c c˜ c˜ ser Yt = f (Ht . e existe um unico k ∗ > 0 tal que k ∗ = g(k ∗ ). por consequˆncia. investimento a e poupan¸a) assumirem um valor constante no tempo. Kt ). fazendo kt = AKNt e it = a ıvel t It . o consumo. e e etc. (4) Nesta economia existe um unico produto que as firmas produzem de ´ acordo com uma fun¸ao de produ¸ao agregada. temos que: At N t (1 + γ)(1 + η)kt+1 = (1 − δ)kt + it . isto nos permite escrever a equa¸ao (3) da seguinte forma: c˜ Kt+1 (1 − δ)Kt It = + ⇒ At+1 Nt+1 At+1 Nt+1 At+1 Nt+1 (1 − δ)Kt It Kt+1 = + ⇒ ⇒ At+1 Nt+1 (1 + γ)At (1 + η)Nt (1 + γ)At (1 + η)Nt Kt It Kt+1 = (1 − δ) + ⇒ (1 + γ)(1 + η) At+1 Nt+1 A t Nt A t Nt definindo a vari´vel por unidade de eficiˆncia como a vari´vel dividida pela a e a t m˜o-de-obra vezes o n´ de tecnologia. ou seja. determina o comportamento do estoque de capital por unidades de eficiˆncia e. consumo. Assim. c Nossas hip´teses implicam que. Dizemos que uma economia encontra-se no estado estacion´rio quando a todas as suas vari´veis (estoque de capital.. o g (0) > 1. o modelo ´ tem dois estados estacion´rios. (5) temos que: c˜ (1 + γ)(1 + η)kt+1 = (1 − δ)kt + σf (kt ) = g(kt ) (6) esta equa¸ao a diferen¸as de primeira ordem. g(0) = 0. de forma que Nt+1 = (1 + η)Nt e At+1 = (1 + γ)At . Aplicando o conceito de unidades e c˜ de eficiˆncia na fun¸ao de produ¸ao. determina como o produto. como mostrado na Figura 1.Considere que a popula¸ao cresce a uma taxa η e a tecnologia cresce a c˜ uma taxa γ. Assumimos por hip´tese que o trabalho empregado ´ o e idˆntico a popula¸ao. se comportam no tempo. temos que o produto por unidades de e c˜ c˜ eficˆncia ser´ dado por: e a yt = f (kt ) (5) considerando as equa¸oes (2). k = 0 e k = k ∗ . para todo a e 3 .

........... ....................   ... ... .. ....... .. .... ... ........ ................ . . ... .....   ... . . ... ..... ..... ....... ..   ............ σF (kt ) .. .. .. .... .. . .... . .   ......... .   ... ...  .......... .......   .......  . ...... .. ... ...   ....... ........ .. ........Figura 1: Modelo de Crescimento de Solow           [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]k                 ...... .... ....   ..........   .. . ... .. ... ...... . .......... .... ..   ................... . .... ..... ........... ... ... . .   ... ... . ... ....... ..... k0 k∗ kt 4 .... ...... ........... ... ............... .. . . . .......... .... ..............   .... .......... ........   ..   ... . .

353 e que a deprecia¸ao ´ de 10% ao ano. Assim. e que a tecnologia. e e δ c∗ ´ primeiro crescente e ent˜o decrescente em σ. este tipo de pol´ c ıtica foi perseguida em v´rios pa´ a ıses. Al´m disso. ou seja e c˜ e δ = 0. inclusive no Brasil. A Estes valores s˜o consistentes com os encontrados em Ellery Jr. c˜ Observando a Tabela 1 podemos chegar a duas conclus˜es importantes o sobre o modelo de Solow.. quando e a uma economia encontra-se nesta situa¸ao dizemos que ela atingiu o estado c˜ estacion´rio.2 c assuma tamb´m que a = 0.026. Gomes e Sachsida a (2002) para a economia brasileira. como forma de estimular o crescimento da economia.6% a. cres¸a a uma taxa de 2. Para diversos valores de s iremos calcular o comportamento do estoque de capital e do produto quando a economia parte de um estoque de capital igual a um. ou seja. η = 0. A k ∗ temos que σF (k ∗ ) = [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]k ∗ . 1. etc. Claramente. uma de car´ter mais te´rico e outra capaz de sugerir a o pol´ ıticas macroeconˆmicas. Suponha que a taxa de crescimento e da popula¸ao seja de aproximadamente 2% a. a A segunda conclus˜o diz respeito ao valor do produto no estado estaa cion´rio. A taxa de poupan¸a que e a c maximiza o consumo do estado estacion´rio pode facilmente ser mostrada a que satisfaz F (k ∗ ) = δ. 2 5 . ct → c∗ . Note que se o produto por unidade de eficiˆncia ´ e e constante o consumo e o investimento tamb´m devem ser constantes. Isto sugere que uma mae a neira de tornar um pa´ mais rico seria implementar pol´ ıs ıticas que aumentem a taxa de poupan¸a. Desta forma podemos dizer que em um a c˜ certo momento a economia chegar´ a uma situa¸ao onde todas as vari´veis a c˜ a medidas em unidades de eficiˆncia tornar-se-˜o constantes no tempo.4 A Tabela 1 mostra o resultado das simula¸oes. ou a proc˜ dutividade. que implica que a poupan¸a apenas rep˜e a deprecia¸ao e que a raz˜o capital-produto ´ k = σ . note que quanto maior a taxa de poupan¸a maior ser´ o produto a c a por unidades de eficiˆncia no estado estacion´rio. por enquanto basta saber que este valor ´ consistente com algumas observa¸oes reportadas para a economia brasileira e c˜ 4 O valor do estoque de capital inicial n˜o ´ relevante para este exerc´ a e ıcio.a.a.02 e γ = 0. visto e que ambos s˜o fra¸oes do produto. k ∗ ´ crescente em σ . A primeira conclus˜o ´ que a partir de um certo o a e per´ ıodo o estoque de capital e o produto por unidades de eficiˆncia chegam e a um valor constante. quando t → ∞. yt → y ∗ . kt → k ∗ (monotonicamente).. c o c˜ a e y δ e e tamb´m que c∗ = y ∗ − δk ∗ .k0 > 0. a demonstra¸ao c˜ deste resultado necessita um conhecimento de equa¸oes em diferen¸as e foge ao objetivo c˜ c destas notas. esta ´ a chamada “regra de ouro” da acumula¸ao de e c˜ capital de Phelps (veremos em detalhes na se¸ao ). 3 Mais adiante discutiremos o significado de a. c˜ Para entendermos o comportamento do modelo de Solow ser´ interesa sante considerar um exemplo num´rico.

. .0511 1. . de acordo com a e defini¸ao de estado estacion´rio. . 050 . . .9697 0. .3604 . .9563 0. 0. .3305 . 1. 2.1808 . assumem um a o e 6 . .6139 1 1.0012 1.0022 1. .0127 1. 2. . . .5960 .0031 1. .0041 .8160 . .3026 .0176 1.5556 0. 1. esta ´ uma das principais cr´ c e ıticas ao Modelo de Solow e consiste em um problema te´rico que foi resolvido por David Cass e Tjalling Koopmans o em 1965. as pessoas n˜o decidem o quanto poupar. . trataremos c˜ a deste problema a seguir. .1137 .0476 1. a taxa de crescimento seria zero. . 1.0604 . .0127 1.0114 . 1. 1.2749 2. .8141 0. . 0. . . .0367 1.1421 1. . 075 . . 1. 0. adiante retornaremos a este t´pico. .3333 1. .15 s = 0.2749 2. o 1. 2. 025 . at´ porque.0127 . .0127 1 1. . O segundo fator importante ´ que o Modelo de e Solow assume que a taxa de poupan¸a ´ constante e determinada de forma c e ex´gena. 0.0900 1.0367 . 1.0989 1. . por hip´tese elas o a o apenas poupam uma determinada fra¸ao de sua renda. . . 1. 1. segundo o Modelo de c e Solow. .1919 1. 1. . . .1 Poupan¸a e Crescimento no Modelo de Solow c Na se¸ao anterior vimos que a partir de um certo momento no tempo as c˜ vari´veis macroeconˆmicas.5560 . . . .2749 1 1. .5467 . . . . 0.0367 1 1.8141 0.0033 1. . . . . . 1.1649 .9158 0.0116 . 098 099 100 1 0.1824 . .3333 ado¸ao deste tipo de pol´ c˜ ıtica nem sempre ´ bem sucedida.0334 1.2791 1.0126 . 1.8343 .0063 1. .0330 . .Tabela 1: Capital e Produto no Modelo de Solow s = 0. existem dois fatoe res que muitas vezes n˜o s˜o levados em conta e que podem comprometer as a a pol´ ıticas de incentivo a poupan¸a.0364 . .20 s = 0. . O primeiro ´ que. 0. 1. . nada pode ser afirmado e a quanto a taxa de crescimento da economia.0634 1. aumentos na taxa de poupan¸a levam a um crescimento do produto c por unidades de eficiˆncia no estado estacion´rio. .1823 1.0984 1. 2.6139 1.9441 .2739 . . . 0.5556 1 0.2614 . .1822 . 1. medidas em unidades de eficiˆncia. 1. .10 s = 0. 1. 1.0367 1. . .6134 .3333 1. ou seja.5593 . 1.0335 1. .9842 0. . . .6077 . . 1. 1.9555 0. . 0.1281 .3331 . .8802 0. .5557 0.6139 1.0091 1.25 ano capital produto capital produto capital produto capital produto 001 002 003 004 005 . . n˜o importa o que c˜ a aconte¸a.8484 .1823 1.8143 .1823 1 1.8141 1 1.

de fato.valor constante. continuar a ser explorado.5 a Afirmar que a economia sempre converge para o estado estacion´rio equia vale a dizer que. Uma sa´ tentadora seria argumentar que as economias ainda n˜o alıda a can¸aram seus estados estacion´rios. n˜o parece estar de acordo com a id´ia de falseabilidade que a c a e guia o m´todo cientifico. mesmo ap´s muitos anos e o da Revolu¸ao Industrial as economias ocidentais continuam a crescer. de outra forma podemos afirmar que. De fato. argumentar que a realidade n˜o se comporta de a acordo com previsto em um modelo porque as condi¸oes do modelo nunca c˜ s˜o alcan¸adas. e deve. no longo prazo. mas o exemplo da Tabela 1 sugere que a economia alcan¸a o estado c estacion´rio independente do estoque de capital inicial estar acima ou abaixo a do valor do estado estacion´rio. Em nossa an´lise estamos trabalhando com a a a vari´veis medidas em unidades de eficiˆncia. o produto de uma economia sempre vai parar de crescer. Apesar de tentadora esta alternativa n˜o resolve a nosso problema. a economia sempre converge para seu estado estacion´rio. por enquanto. N˜o proc˜ a a vamos.6 Uma alternativa muito mais interessante e consistente de abordar a quest˜o a do crescimento no Modelo de Solow ´ considerar as unidades em que as e vari´veis est˜o sendo medidas. n˜o nos a deparamos com estes problemas e o Modelo de Solow pode. o 5 7 . como c˜ conciliar este fato com o Modelo de Solow ´ o objetivo desta se¸ao. em outras e c˜ palavras procuramos saber como o Modelo de Solow explica o crescimento de longo prazo. definimos esta situa¸ao como estado estacion´rio. mas. e c˜ Mais adiante discutiremos melhor a quest˜o da convergˆncia para o estado estaa e cion´rio. Se tivessemos que seguir por este caminho seria e mais apropriado abandonar o Modelo de Solow sob o argumento de que ele n˜o explica a realidade. Este ´ um resultado estranho. no Moa delo de Solow. enquanto ao medir o desema e penho das economias costumamos usar vari´veis per-capita. a considere o produto medido por unidades de eficiˆnica: e yt = Yt A t Nt sabemos que o produto per-capita ´ igual ao produto dividido pela popula¸ao. que o estado estacion´rio s´ ocorre dec a a o pois de milhares de anos. a 6 Apesar de amplamente revisado o Modelo de Solow constinua sendo a referencia fundamental para o estudo do crescimento econˆmico. ora o fato da a vari´vel estar estacion´ria quando medida em unidades de eficiˆncia n˜o ima a e a plica que ela deva estar estacion´ria quando medida de forma per-capita. o Modelo de Solow apresenta s´rios proa e blemas e foi amplamente revisado desde 1956.

Yt Nt onde yt representa o produto per-capita. yt+1 = yt = y. medida em unidades de eficiˆncia. dito de outra forma. No curto prazo. o produto per capita ´ igual ao produto por unidade de eficiˆncia e e multiplicado pela vari´vel que mede o progresso tecnol´gico. no estado a estacion´rio. por´m. Desta forma podemos afirmar que quando uma economia se encontra no caminho de crescimento equilibrado o produto per-capita cresce a uma taxa igual a do progresso tecnol´gico. qual seja At . Podemos e e mostrar que todas as outras vari´veis medidas em termos per-capita crescem a a mesma taxa que o produto per-capita. A principal implica¸ao deste resultado ´ que c˜ e aumentar a taxa de poupan¸a n˜o aumenta a taxa de crescimento da econoc a mia no longo prazo. o que caracteriza uma situa¸ao c˜ conhecida como caminho de crescimento equilibrado. o Modelo de Solow o conclui que. Consideramos as duas defini¸oes ˆ c˜ temos que o produto per-capita pode ser escrito como: yt = ˆ y t = A t yt ˆ ou seja. uma vez e 8 . o aumento da taxa de poupan¸a leva a um aue c mento da taxa de crescimento da economia. a o Para determinar a taxa de crescimento do produto per-capita quando o produto por unidades de eficiˆncia encontra-se no estado estacion´rio. basta usar e a o fato que. Defini¸˜o 2 Uma economia encontra-se em um caminho de crescimento ca equilibrado quando todas as vari´veis macroeconˆmicas crescem a mesma a o taxa. o produto per-capita cresce a e a uma taxa γ. no estado estacion´rio. que ´ tamb´m a taxa de crescimento da tecnologia. Logo temos que. o produto per-capita ser´ tal que: a a yt = A t y ˆ yt+1 = At+1 y = (1 + γ)At y ˆ portanto temos que: yt+1 =1+γ yt (7) ou seja: De acordo com a equa¸ao (7) quando a economia encontra-se no estado c˜ estacion´rio. O motivo ´ simples. no longo prazo. a taxa de crescimento da economia (determinada pela taxa de crescimento do produto per-capita ser´ igual a taxa de a crescimento da produtividade.

a partir de 2025 a economia volta a seu caminho de crescimento c˜ equilibrado. ` Podemos fazer um experimento num´rico para avaliar os efeitos de um e aumento na taxa de poupan¸a.35 e δ = 0.15. a Figura 2: Caminho de Crescimento Equilibrado com Mudan¸a em σ c 2. assuma tamb´m que a taxa de poupan¸a ´ e c e de 15%. Considere uma economia onde η = 0.25.02.33.5 1 0.que a maior taxa de poupan¸a leva a um maior n´ de produto per-capita c ıvel a economia dever´ crecer a uma maior taxa at´ encontrar o novo estado esa e tacion´rio. Na figura o produto per-capita est´ representado em escala logaa ritmica. representa o per´ ´ ıodo de transi¸ao.5 2 1. Por meio das equa¸oes (4) e (7) podemos c˜ determinar o comportamento do produto per-capita antes. de forma que a taxa de crescimento da economia ´ igual a inclina¸ao e c˜ 9 . que vai de 2010 a 2025. Uma vez que a economia alcan¸a este novo estado estacion´rio.10. a c a ou este novo caminho de crescimento equilibrado. s = 0.01 para 1. ou seja. que estar´ c˜ a associado ao novo estado estacion´rio.5 0 2000 2020 2040 2060 2080 2100 2120 Na Figura 2 assume-se que a mudan¸a na taxa de poupan¸a ocorreu em c c 2010. o produto per-capita volta a crescer a uma taxa igual a da produtividade. c Como vimos na Tabela 1 o produto por unidades de eficiˆncia saltar´ de e a aproximadamente 1. durante e depois da transi¸ao para o novo caminho de crescimento equilibrado.026. ou seja s = 0. a = 0. c γ = 0. a area hachureada. Suponha que o governo implementa uma pol´ ıtica que faz com que a taxa de poupan¸a suba para 25%.

por´m a taxa de poupan¸a e c n˜o influencia a taxa de crescimento no longo prazo. A Figura 2 ilustra o que foi discutido acima. Do n´ c˜ ıvel do consumo per-capita de estado estacion´rio temos a c∗ (σ) = F (k ∗ (σ)) − [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]k ∗ (σ) (8) A Figura 3 mostra a rela¸ao entre c∗ e σ que ´ determinada pela equa¸ao c˜ e c˜ ∗ (8). a economia s´ ir´ apresentar o o a um crescimento sustent´vel se for capaz de operar com tecnologias cada vez a mais produtivas. ou seja. A quantidade de consumo de estado estacion´rio c∗ a ser´ m´ximo quando a a ∂c∗ (σ) ∂F (k ∗ (σ)) dk ∗ dk ∗ = − [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)] =0 ∂σ ∂k ∗ dσ dσ Dado que c∗ = y ∗ −i∗ . a ent˜o a condi¸ao que determina kouro ´ a c˜ e ∂F (kouro ) = (1 + γ)(1 + η) − (1 − δ) ∂kouro 10 (9) . ou seja. Vamos a c ∗ ∗ representar esta rela¸ao por k (σ). A quantidade de c ´ crescente em σ para n´ e ıveis baixos de σ e decrescente para altos valores de σ. Se chamarmos o valor de k ∗ por kouro . a inclina¸ao da curva. de maneira que c˜ podemos enunciar a seguinte proposi¸ao: c˜ Proposi¸˜o 1 A taxa de poupan¸a ´ importante na determina¸ao do n´vel ca c e c˜ ı de renda e da taxa de crescimento de curto prazo. existe um unico valor de c˜ c˜ ´ estado estacion´rio k ∗ > 0 para cada valor da taxa de poupan¸a σ. fica f´cil perceber que a taxa de crescimento a a da economia. Desta forma. Quando consideramos a o longo prazo a taxa de crescimento da economia ser´ determinada apenas a pela taxa de crescimento tecnol´gico. s´ aumenta durante o per´ c˜ o ıodo de transi¸ao. que corresponde ao estoque de capital que maximiza o consumo de estado estacion´rio c∗ .2 A Regra de Ouro da Acumula¸˜o de Capital e a ca Ineficiˆncia Dinˆmica e a Para uma dada fun¸ao de produ¸ao e valores de δ. Em termos de pol´ ıtica econˆmica a proposi¸ao acima diz que a forma de o c˜ o governo aumentar a taxa de crescimento da economia ´ permitir que as e empresas adotem as melhores tecnologias.da curva no gr´fico. tal que dk (σ)/dσ > 0. Pol´ ıticas de gerenciamento macroeconˆmico que busquem o aumento da taxa de poupan¸a apenas afetar˜o o c a o crescimento da economia no curto prazo. 1.

. . ... .... ..... . ... ... .. . . . .. .. ... .. .... .... ...Figura 3: Regra de Ouro da Acumula¸ao de Capital c˜ c∗ couro ... .. . . . σ1 .. 11 . .. O consumo por unidade de eficiˆncia.. ... .. .. . ´ igual a distˆncia vertical entre a fun¸ao de produ¸ao..... Todavia.. .. c... ..... . . .. . a taxa de poupan¸a correspondente ´ denominada σouro . . .. . .. . .. . porque e a tangente da fun¸ao de produ¸ao neste ponto ´ paralela a [(1 + γ)(1 + η) − c˜ c˜ e (1 − δ)]k... . .... . . ... . ..... ... . ...... ......... . . .... ..... ..... .... . . A taxa de poupan¸a que resulta em k ∗ = kouro ´ uma que faz a c e curva σF (k) cortar a reta [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]k no valor kouro . ..... .. .... . . .. . . e o n´ c e ıvel associado do consumo por unidades de eficiˆncia no estado estacion´rio ´ e a e dado por couro = F (kouro ) − [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]kouro ... ........ .. .. .... ..... .. .... .. ... . .. . . . ... . ... . . . . ..... ...... .. . . o valor do estoque de capital de estado c estacion´rio corresponde k ∗ a intersec¸ao entre a curva σF (k) e a reta [(1 + a c˜ γ)(1 + η) − (1 − δ)]k.... .... . originalmente formulada por Phelps (1966)..... .. .. ... . . σouro .. . .. .. .. Podemos argumentar que no presente c a 7 A fonte deste nome ´ a b´ e ıblica conduta da regra de ouro.. Quando uma taxa de poupan¸a ´ melhor do que outra? A resposta dic e reta para esta quest˜o seria endogeinizar esta escolha ao comportamento a das fam´ ılias. onde σ1 < σouro < σ2 . .... .... .. ... .... .... .. . ...7 Na Figura 4 mostramos como funciona a regra de ouro..... . ... . .. . ... .. .. podemos fazer uma breve an´lise de est´tica coma a parativa para endere¸ar esta quest˜o. . ...... .. . .... ... ... .. ..... . .. . ......... A condi¸ao da equa¸ao (9) ´ chamada a regra de ouro da acumula¸ao de c˜ c˜ e c˜ capital. .... ... .. ... ...... Para cada σ. ou seja. . . ...... .. seria a utiliza¸ao do modelo neocl´ssico de crescimento c˜ a Cass-Koopmans. . ... ..... . A figura considera trˆs taxas de poupan¸a e c poss´ ıveis............. .. . .. ... . ...... . ..... . ..... . σ2 ..... .. .. . . . . .. . . ... F (k). . . . ..... .... e e e a c˜ c˜ a curva de poupan¸a... .. .. O valor de c∗ ´ maximizado quando k ∗ = kouro . .... . . σouro σ Neste caso. . .

.... ......... .... ......   ......... ... .......... ..... ....... ...... ....... .. ......   .......... ... ...... .... ........ ....   ............... ..... ∂k ...........  c∗ ... ................ ........................ ....  .................. ..... . .... .. ... .. ..... ..... ............... ... . .......   ... ..... σ1 F (k) . ............... . . . .. ...... ....... .. .. ... ........ σ2 F (k)......... . . .... ..... ... ............ ....   ....... ...............   ......... ..... . . . ...... . . .. ..   . ..... .... .  ......   . ............... ........... ........... ... ............ ....... . .....   ∆c. ... . ...   F (k) ........ . ..... ...... . . .... .......... ............ .. ............ .. ..... .....   .... . .. ......................................... . .................... .. .................... .. ... .... ............... . .. ....... .. .... ...... ....   ...................... ...  .... ... ... ...................... .... .... ...... . . . σouro F (k) ................... ....... .. .......... ......   ... ..........   . ......... ........ . ................   .. ................. ...... .... .... .. ......... ..... . . ....... ....... . ..... . ..... . . .. ... . ........ .. .. ......... ....... .. ... . .. . ........... ........ . ...................Figura 4: A Regra de Ouro e a Ineficiˆncia Dinˆmica e a kt+1     [(1 + γ)(1 + η) − (1 − δ)]k  . ...... .   ......... . ...... .. ... ........... ............ ............ ........ couro .............  ... ..... .... ........ .. . .. . . .. ............... . .... ...... . . ... ...... ... ........... ............. ....... . ................... ......   .... .... ....... ... ..... ....... ............ .... ....   ............  . ∂F (k) ....... .. ........ ...... .... .. .... .......... ..... ... .... . ..... .........   .. . .. ....... .... ... ............. .................. .............. . ... . .. ......  .    ........ ....... .. . . ... ... .. . ... .. . ... ... ..... ..... ... ... .......... ................ .... ....................... ..   . .. ... .............. ...........   ∗ kouro k2 kt 12 ..................... ...... ..... . .... .... ............... . ..   ...... ......... . 2 . .... ...   . ... .. .. . ..... ... ....... ....... . ... . .. ........... ......................... . ............... .. .... .....

a taxa de poupan¸a ´ reduzida permanentea c e mente para σouro . o e Desta forma podemos afirmar que. Todavia. quando s > souro . e c˜ c Considere uma economia tal como descrita pela taxa de poupan¸a σ2 na c Figura 4. Neste caso. Uma vez que c∗ < couro . no sentido de que o consumo pode ser aumentado a em todos os pontos do tempo pela diminui¸ao da taxa de poupan¸a. da qual o Modelo de Solow ´ o grande inspirador. Imagine que. 2 conclu´ ımos que durante a transi¸ao para o novo estado estacion´rio o valor c˜ a de c sempre ser´ maior do que c∗ . ´ que a e e n˜o sabemos como medir a produtividade. pore que a trajet´ria do consumo por unidades de eficiˆncia permanece abaixo de o e trajet´rias alternativas em todos os pontos do tempo. o Se σ1 < σouro . a produtio a vidade ´ o determinante do desempenho de uma economia no longo prazo. e O problema desta conclus˜o. deve se notar que o aumento c da poupan¸a pode diminuir c ao inv´s de aument´-lo durante o per´ c e a ıodo de transi¸ao.contexto que uma taxa de poupan¸a que sempre exceda σouro ´ ineficiente c e porque maiores quantidades de consumo podem ser obtidas em todos os pontos do tempo atrav´s da redu¸ao da poupan¸a. Este ree sultado ´ comum a outros modelos onde a decis˜o de poupar ´ tomada de e a e forma end´gena mas que preservam as outras hip´teses do Modelo de Solow. O resultado final depende por tanto do valor que os indiv´ c˜ ıduos d˜o a ao consumo ao longo do tempo. como descrito na Figura 4. Portanto. quest˜o esta que apenas pode ser endere¸ada a c com o modelo de crescimento Cass-Koopmans. tal que kouro > k2 e c∗ < couro . n˜o devea e ıvel a a mos utilizar este modelo pois qualquer proposi¸ao cient´ c˜ ıfica deve poder ser 13 . que tamb´m foi obtida por Adam Smith. Uma c˜ c economia que poupa em excesso ´ dita ser dinamicamente ineficiente. o consumo por unidade de eficiˆncia aumenta e inicialmente em ∆c. c˜ c˜ e n˜o poder´ a ıamos mostrar que o Modelo de Solow est´ errado. a econoa 2 mia est´ super-poupando. Neste caso σ2 > σouro . 2 partindo do estado estacion´rio. se n˜o podemos medir a produtividade n˜o e a a podemos checar se a Proposi¸ao da se¸ao anterior ´ verdadeira e. a Este ´ um problema grave. como na Figura 4 ent˜o o montante do consumo por a unidades de eficiˆncia de estado estacion´rio pode ser aumentado por meio e a de um aumento da taxa de poupan¸a. 2 Res´ ıduo de Solow Anteriormente vimos que a taxa de crescimento de longo prazo de uma economia ´ determinada pela taxa de crescimento da produtividade. portanto. como j´ foi a a discutido se n˜o ´ poss´ mostrar que um modelo est´ errado. o o de fato podemos dizer que esta ´ uma conclus˜o comum a teoria neocl´ssica e a a do crescimento econˆmico. para os te´ricos neocl´ssicos.

o c´lculo da c a produtividade total dos fatores (PTF) ´ feito de forma residual. c˜ Se conhecermos o estoque de capital. Se pensarmos em um contador c˜ c˜ que deseje fechar o balan¸o de uma firma a produtividade total dos fatores c corresponderia a conta lan¸ada sobre a rubrica de outros. Basta isolar At na parte esquerda da equa¸ao. Tamb´m foi visto que. ou c˜ seja: Yt At = θ 1−θ (10) Kt Nt uma forma mais elegante. o que nem sempre ´ verdade. capital e trabalho. ou seja.testada. de calcular a produtividade total dos fatores seria tomar o logaritmo da equa¸ao (10). ou seja. de sua trajet´ria de o crescimento equilibrado. 2. quando a economia e encontra-se em uma trajet´ria de crescimento equilibrado. fazendo: c˜ ln At = ln Yt − θ ln Kt − (1 − θ) ln Nt (10 ) como em geral estamos interessados na taxa de crescimento de At o uso de (10 ) ´ mais recomendado que o de (10). c˜ At . Se considerarmos a fun¸ao de produ¸ao c˜ c˜ Cobb-Douglas descrita temos que: Yt = At Ktθ Nt1−θ A partir da equa¸ao podemos determinar a produtividade total dos fatores. Por tratar-se e de um residuo e pelo fato do m´todo de c´lculo ser devido a Solow ´ comum e a e chamar a produtividade total dos fatores de Res´ ıduo de Solow. Para resolver o problema da falta de uma medida de produtividade Solow (1957) sugeriu que esta fosse calculada como um res´ ıduo na fun¸ao de c˜ produ¸ao.1 Contabilidade do Crescimento Ap´s estudarmos o Res´ o ıduo de Solow podemos caracterizar os trˆs fatores e que s˜o respons´veis pelo n´ de produto de uma dada economia. de forma bem simples. mesmo que por pouco tempo. 14 . Entretanto a maioria das economias s˜o expostas o a a a choques que as retiram. e simples. que a partir de agora chamaremos c˜ ıvel de produtividade total dos fatores. a taxa de crescio mento da produtividade ´ quem determina o quanto todas as vari´veis mae a croeconˆmicas v˜o crescer. s˜o eles: a a ıvel a produtividade. a m˜oe a de-obra ocupada e o produto de uma economia podemos usar a fun¸ao de c˜ produ¸ao para obter o n´ de tecnologia. e Note que o c´lculo da produtividade toral dos fatores foi feito de forma a a que a fun¸ao de produ¸ao fosse observada.

Assim como no a caso do Res´ ıduo de Solow. ηk a taxa de crescimento da rela¸ao cac˜ pital/m˜o-de-obra e ηn a taxa de crescimento do emprego. γ a taxa de crescimento da produtividade.Neste caso seria interessante saber a contribui¸o de cada um dos fatores a acima para a taxa de crescimento de uma economia. ı Uma maneira simples de fazer a contabilidade do crescimento consiste em dividir todos os termos da fun¸ao de produ¸ao descrita na equa¸ao (??) pela c˜ c˜ c˜ popula¸ao. pela intensividade do uso do capital e pela propor¸ao de pesc˜ soas empregadas. Lt . Defini¸˜o 3 A Contabilidade do Crescimento nos permite determinar ca o quanto a produtividade. Uma pol´ ıtica de crescimento muito usada na Am´rica Latina nas d´cadas e e de 50. e c˜ a tamb´m chamado de intensividade do capital e o terceiro termo representa a e percentagem da popula¸ao empregada ou esfor¸o do trabalho. o capital e o trabalho contribuem para a taxa de crescimento de uma determinada economia em um dado per´odo de tempo. c˜ c A equa¸ao (11 ) nos mostra que o produto per-capita ´ determinado pela c˜ e produtividade. ´ poss´ determinar γ de e ıvel forma residual. da forma: ηq = γ + η k + η n (12) onde ηq representa a taxa de crescimento do produto per-capita. o c˜ primeiro termo do lado direito representa a produtividade total dos fatores. 8 15 . A taxa de crescimento do produto per-capita ser´ determia nada pela soma da taxa de crescimento de cada um dos trˆs termos descritos e acima8 . conhecidos ηq . 60 e 70 era promover a implanta¸ao de ind´strias intensivas em capic˜ u tal. de forma a obter: c˜ 1−θ Yt θ Nt = A t Kt Lt Lt (11) a equa¸ao (11) pode ser escrita da forma: c˜ Yt = At Lt Kt Nt θ Nt Lt (11 ) onde o termo do lado esquerdo da equa¸ao representa o produto per-capita. o termo entre parˆnteses representa a rela¸ao entre capital e m˜o de obra. ηk e ηn . Esta pergunta pode ser respondida por meio de um exerc´ chamado de Contabilidade do Cresciıcio mento. esta pol´ ıtica era inspirada em uma tese da Comiss˜o Econˆmica para a a o Para chegar a este resultado basta derivar a equa¸ao (11 ) em rela¸ao ao tempo e obter c˜ c˜ a taxa de crescimento do produto per-capita.

2 0.3 -0.8 1. ıses Tabela 2: Contabilidade do Crescimento na Am´rica Latina e Cresc.1 3.9 70s 0.7 0.0 4.9 1.Am´rica Latina (CEPAL) que propunha que tais ind´strias agregavam mais e u valor que as ind´strias que n˜o s˜o intensivas em capital.3 1.4 2. Como j´ foi a visto este tipo de crescimento s´ ´ sustent´vel no curto prazo9 . 2.1 1. via de regra.5 1.8 2.2 1.7 5.5 0.8 1.4 0.7 1.8 0.0 1. ou seja.4 0.8 2.2 -3.4 0. em particular.7 0.6 -1.4 Fonte: De Greg´rio e Lee (1999) o Como pode ser observado na Tabela 2 a experiencia de crescimento na Am´rica Latina deveu-se. a acumula¸ao de fatores.0 0. Produtividade Pa´ is Argentina Bol´ ıvia Brasil Chile Colombia Paraguai Uruguai Venezuela M´dia da A.0 2.0 2.8 0. de acordo com o Modelo de Solow.6 -0.9 2.8 80s -1.L.9 0.6 -2.6 1.7 5. ou seja.6 1. A Tabela 2 mostra a a a e Contabilidade do Crescimento para alguns pa´ latino-americanos.7 3.5 4.9 4.0 2.4 0. no Brasil.5 -0.8 -0. Um t´pico que ser´ discutido e o a mais adiante diz respeito a raz˜o da queda de produtividade nos anos 80 e a 90.2 1.6 1.2 4.8 1.5 6.0 60s 2.7 1. e Contribui¸ao do(a): c˜ Capital Trabalho 60s 3. os pa´ latino-americanos tiveram seus e ıses crescimento explicado quase que todo por maior uso do capital.4 1.6 60s 0. O resultado deste u a a tipo de pol´ ıtica ´ que.3 1. desta e c˜ forma.5 1.3 70s 0.5 9.2 5. o Modelo de Solow pode explicar o que ocorreu na Am´rica Latina e.0 0.5 80s 0.7 6.9 1.8 3.7 1.5 1.5 1.2 1.5 2.6 3. este crescimento n˜o poderia ser a sustentado.3 2.6 0. neste aspecto.0 3. o n´ c˜ ıvel de renda de uma 9 No longo prazo apenas ganhos de produtividade causam crescimento.9 1.6 2.2 1.1 1.5 1.3 0.0 -2.7 1.5 1.4 0.9 1.0 70s 2.2 Convergˆncia e Foi visto que a economia convergir´ para seu estado estacion´rio indepena a dentemente das suas condi¸oes iniciais.5 2.6 80s 0. principalmente.0 4.5 3.4 3.6 2.6 2.1 1.9 .5 1.2.5 8.2 60s 0.6 1. do Prod. As colunas referentes aos anos 80 mostram que.1 70s 3.6 -0.0 2.1 3.1 5. de forma que oe a a Am´rica Latina experimentou um grande crescimento neste per´ e ıodo que n˜o mostrou-se sustent´vel nas d´cadas de 80 e 90.9 0. 16 . teria de acabar.7 80s -2.1 2.

O debate se origina em Baumol (1986). que decorre do Modelo de Solow. se fosse escolhida uma amostra maior o reıses sultado de convergˆncia n˜o mais seria observado. investir menos. No extremo esta hip´tese corresponde a dizer ıses o que. O resultado de que. no longo prazo. a renda de todos os pa´ dever´ se igualar. ıses maiores que a de pa´ ricos. foi a hip´tese de clubes de convergˆncia. Este resultado decorre da hip´tese de rendimentos c˜ o decrescentes. de fato. ıses a Defini¸˜o 4 A Hip´tese da Convergˆncia diz que a taxa de crescimento ca o e de uma economia relaciona-se de forma inversa com a renda. ou ainda. para e a uma amostra grande de pa´ escolhidos ao acaso n˜o existe convergˆncia ıses a e tamb´m foi encontrado por outros economistas e pode ser considerado um e fato que deve ser explicado pela teoria do crescimento econˆmico. a medida que uma economia torna-se mais rica. ı Este resultado. neste trabalho o autor o usa uma amostra com 16 pa´ para mostrar a existˆncia de convergˆncia. Segundo esta hip´tese a taxa de o crescimento possui uma rela¸ao negativa com a riqueza de um determinado c˜ pa´ de forma que pa´ pobres tendem a apresentar taxas de crescimento ıs. ou seja. o rendimento deste tende a diminuir e. Desta forma. o desenvolvimento deste debate foi quem. a e 17 . De Long (1988) argumentou que o resultado obtido por Baumol deveu-se a escolha dos pa´ 10 . no longo prazo. a medida que uma economia acumula muito capital. note que n˜o a 11 existe nenhuma rela¸ao significativa entre a taxa de crescimento e o produto c˜ per-capita. ou seja.determinada economia n˜o depende das riquezas que esta possuia no inicio a do pocesso de acumula¸ao. portanto. ıses e e Entretanto. qual seja. induzindo as pessoas a acumular menos capital. ıses a A linha de regress˜o ´ praticamente horizontal. em uma economia com pouco capital o efeito contr´rio deve a ocorrer. torna-se menor. Por outro lado. a remunera¸ao do capital tende a c˜ cair. A Fio gura 5 mostra a rela¸ao entre a taxa de crescimento e o produto per-capita c˜ para um conjunto de 68 pa´ no per´ ıses ıodo entre 1955 e 1990. provocou um grande debate entre os economistas. o rendimento do capital deve ser alto de forma a induzir as pessoas a acumular muito capital. Uma maneira de conciliar o resultado obtido por De Long com o obtido por Baumol. de certa forma. investir muito. e Este resultado levou alguns economistas a estudar uma hip´tese conhecida o como convergˆncia entre a renda dos pa´ e ıses. de forma que. guiou o desenvolvimento das novas teorias do crescimento econˆmico. a renda de todos os pa´ses converge para o mesmo valor. sua taxa de crescimento. convergˆncia o e e 10 11 Baumos apenas considerou pa´ que atualmente s˜o desenvolvidos. em unidades de eficiˆncia.

assumindo a fun¸ao de produ¸ao Cobba c˜ c˜ c˜ Douglas. o valor do produto c˜ a medido em unidades de eficiˆncia ´ determinado pelos parˆmetros do modelo. para isto basta impor a condi¸ao de a c˜ estado estacion´rio na equa¸ao (6). de forma a obter: (1 + γ)(1 + η)k = (1 − δ)k + sk θ o que implica: s k= (1 + γ)(1 + η) − (1 − δ) 1 1−α (13) de forma que o produto por unidades de eficiˆncia no estado estacion´rio ser´ e a a dado por: α 1−α s y= (14) (1 + γ)(1 + η) − (1 − δ) Como mostra a equa¸ao (14). c˜ δ.Figura 5: Rela¸ao entre Taxa de Crescimento e Riqueza. Segundo esta id´ia apenas pa´ que guardam determinadas cae ıses racter´ ısticas em comum tenderiam a convergir para o mesmo n´ de renda ıvel per-capita.1990 c˜ 7 6 5 Taxa de crescimento 1955 − 1990 4 3 2 1 0 −1 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 PIB per−capita em 1955 7000 8000 9000 10000 condicional. e da participa¸ao do capital. α. no estado estacion´rio. as preferˆncias das fam´ c˜ e ılias determinam a 18 . 1955 . e e a O tipo de tecnologia utilizada determina os valores da taxa de deprecia¸ao. Para entender esta id´ia pode ser interessante determinar o ese toque de capital do estado estacion´rio.

5 1.taxa de poupan¸a. os clubes de convergˆncia n˜o s˜o refutados pelas evidˆncias e e a a e emp´ ıricas.5 1. ou seja.5 −0. A proposta dos clubes de convergˆncia assume que e pa´ semelhantes tenderiam a dotar tecnologias semelhnates. γ. se os pa´ forem muitos diferentes n˜o h´ porque ıses a a esperar convergˆncia. de fato.5 1 0 0. possuir taxas ıses de poupan¸as pr´ximas uma das outras e dispor de sistemas institucionais que c o permitam o mesmo ritmo de ado¸ao tecnol´gicas. Figura 6: Clubes de Convergˆncia e 2 4 3.5 3 Taxa de crescimento 1955 − 1990 Taxa de crescimento 1955 − 1990 1 2. as diferen¸as entre as tecnoloa c gias utilizadas e entre as preferˆncias dos agentes determinariam a riqueza de e longo prazo da economia. Apesar do apelo emp´ e ırico dos clubes de convergˆncia e alguns autores buscaram ir mais al´m no problema de por que existem pa´ e ıses ricos pa´ pobres. A Figura 6 tamb´m mostra que a convergˆncia na c˜ e e Europa ocorre de forma mais velos que na Am´rica do Sul. ıses 19 . Ao contr´rio da hip´tese c˜ o a o de convergˆnica. os fatores institucionais determinam a taxa de crescimento c da produtividade. e A proposta dos clubes de convergˆncia tenta resolver o problema emp´ e ırico da ausˆncia de convergˆncia a partir da id´ia de que pa´ diferentes devem e e e ıses ser descritos por parˆmetros diferentes.5 2 0.5 0 1000 2000 3000 4000 PIB per−capita em 1955 5000 6000 7000 0 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 PIB per−capita em 1955 7000 8000 9000 10000 (a) Am´rica do Sul e (b) Europa Como pode ser observado nas figuras 6a e 6b existe um claro processo de convergˆncia tanto entre os pa´ da Europa quanto entre os pa´ da e ıses ıses Am´rica do Sul. ambas as figuras mostram retas de regress˜o com e a forte inclina¸ao negativa.

1999. Jos´ e Jong-Wha Lee. Romer (1990) sugere que a solu¸ao c˜ pode estar na existˆncia de Pesquisa & Desenvolvimento (P & D) e poder de e monop´lio. 2002. Bradford. “Productivity growth. and welfare: comment. Lucas (1988) aponta na dire¸ao das externalidades assoa e c˜ ciadas ao capital humano. 1995. North-Holland. “On the concept of optimal economic growth. Robert J. nesta linha de pesuisa surge a nova teoria do crescimento econˆmico. pp. Estas e outras teorias para explicar o crescimento de uma economia ser˜o estudadas a nas pr´ximos unidades. [4] De Greg´rio. 269–307. 1965. William. [6] Ellery Jr. finalmente. o Referˆncias e [1] Barro. [7] Koopmans.” American Economic Review 78 (5). 1988. nesta linha Roo mer (1986) sugere que externalidades associadas ao capital podem explicar a n˜o convergˆncia. “Productivity growth. December. 1986.. and welfare: what the long-run data show. deve ser alterada. [2] Baumol. a [5] De Long. Tjalling C. convergence. pp. “Optimum growth in a aggregative model of capital accumulation.” Review of Economic Studies. Victor Gomes e Adolfo Sachsida. convergence. N˜o-publicado. “Business cycle fluctuations in Brazil.” Revista Brasileira de Economia. David. Economic growth in Latin American: o e sources and prospects.” In: The Econometric Approach to Development Planning. 1072-1085. Economic Growth. McGraw-Hill. 20 . pp.” American Economic Review 76 (5). 32. e.Alguns autores argumentam que a hip´tese de rendimentos decrescentes o e sua implica¸— ao de as economias convergem para um estadoe stacion´rio. 233-240. Amsterdam. 1965. December. c a ou um caminho de crescimento equilibrado. Em outra dire¸ao Parente e Prescott (2000) sugerem que difeo c˜ ren¸as na tecnologia adotada pode ser a explica¸ao para a existˆncia de pa´ c c˜ e ıses pobres e pa´ ricos. [3] Cass. Roberto. e Xavier Sala-i-Martin. pp. 1138-1154. 56 (2). estes autores argumentam que estas diferen¸as nas tecıses c nologias adotadas decorrem de diferentes arranjos institucionais. New York.

“Technical change and the aggregate production function.” Quarterly Journal of Economics. “On the mechanics of economic development. [12] Solow. [13] Solow. 98 (5). Golden Rules of Economic Growth.” Review of Economics and Statistics.” Journal of Political Economy. [11] Romer. Prescott. [10] Phelps. Paul M. Robert E. Robert M. Stephen e Edward C. Cambridge. February. Cambridge. [9] Parente.” Journal of Monetary Economics. 2000. Reimpresso em Lectures on Economic Growth. S71-S102. 1988. pp. pp. MIT Press. August.. 2002. Barriers to Riches. New York. Norton. 65-94. “A contribution to the theory of economic growth. 21 . Edmund S. 1990. 1956. 312320. Robert M. 1957. “Endogenous technological change. 1966. Harvard University Press. Jr.[8] Lucas. 39. pp.