Sistema eleitoral do Brasil

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Sistema eleitoral brasileiro é como chamamos o conjunto de sistemas eleitorais utilizados no brasil para eleger representantes e governantes. Nosso atual sistema é definido pela constituição de 1988 e pelo código eleitoral (Lei 4737 de 1965), além de ser regulado pelo TSE no que lhe for delegado pela lei. Na própria constituição já são definidos três sistemas eleitorais distintos, que são detalhados no código eleitoral: Eleições proporcionais para a Câmara dos Deputados, espelhado nos legislativos das esferas estadual e municipal, eleições majoritárias com 1 ou 2 eleitos para o Senado Federal e eleições majoritárias em dois turnos para presidente e demais chefes dos executivos nas outras esferas. A constituição define ainda em seu artigo XIV o "sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos", princípio que pauta os 3 sistemas eleitorais presentes no país[1]. •

Sistema majoritário
O sistema eleitoral majoritário é usado, no brasil, para eleger os chefes do executivo de todas as esferas (presidente, governador e prefeito), e também par as eleições ao Senado Federal. Nas eleições presidenciais o sistema empregado é de maioria absoluta, onde o eleito precisa obter mais de 50% dos votos válidos, desconsiderados os brancos e nulos, para ser eleito. Para garantir a obtenção dessa maioria num sistema pluripartidário, a eleição se realiza em dois turnos. O primeiro disputado pela totalidade dos candidatos, e o segundo disputado apenas pelos dois candidatos melhores colocados no primeiro pleito. O segundo turno só se realiza caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta no primeiro turno da eleição.[2] Este sistema é utilizado também nas eleições para governadores dos estados e prefeitos das cidades com mais de 200.000 eleitores.[3] O Senado Federal é renovado a cada quatro anos nas proporções de um terço numa eleição e dois terços na seguinte. Cada estado elege, por conseguinte, 1 ou 2 senadores a cada quatro anos. Por esse motivo, a eleição para o Senado se dá de forma majoritária dentro de cada estado, para escolher os senadores que representarão aquele estado. Quando apenas um candidato deve ser escolhido, usa-se a maioria relativa dos votos com eleições separadas para cada estado. Neste sistema, conhecido no mundo anglófono como First Past The Post em uma analogia às corridas de cavalo, cada eleitor vota em apenas um candidato e vence a eleição aquele que obtiver o maior número de votos, sem necessidade de segundo turno caso não obtenha maioria absoluta. Este sistema é também usado para eleger prefeitos das cidades com até 200.000 eleitores.[2] Nas eleições ao Senado onde dois senadores serão eleitos para cada estado, usa se o sistema de escrutínio majoritário plurinominal. Assim, os eleitores votam nos dois nomes de sua preferência e os dois candidatos com maior votação são eleitos. Não há peso ou precedência na ordem dada aos votos, por isso ao se escolher dois candidatos A e B não há diferença entre votar primeiro A e depois B ou primeiro B e depois A.[4]

Críticas
Outra característica dos sistemas majoritários no brasil é a formação de chapas: Os candidatos ao cargo de vice-presidente, vice-governador e vice-prefeito, bem como os dois suplentes de cada senador devem registrar sua candidatura junto com a candidatura do titular da chapa. Quando o eleitor vota, ele escolhe apenas o titular, sendo que o vice

Além disso. Nos sistemas desse tipo. Já em Roraima. Outra crítica ao sistema proporcional de lista aberta adotado no Brasil aponta a possibilidade de eleger representantes que obtiveram votação inferior a outros que não . apesar de amplamente empregado para o poder executivo em todo o mundo. Como o número de votos quase nunca é um múltiplo exato da proporção entre cadeiras e eleitores.[7]. em detrimento dos estados mais populosos. Sistema Proporcional Nas eleições para a Câmara dos Deputados e para os órgãos legislativos estaduais e municipais. Estes limites impediriam uma verdadeira proporcionalidade do voto.000 votos para eleger um deputado por São Paulo. valorando o voto nos estados com menor população. Cada partido então tem seus votos divididos por este quociente e obtém-se assim o quociente partidário. é criticado no caso do Senado pois alguns suplentes "usam" a imagem do titular para eventualmente assumir o cargo em seu lugar. Candidatos à Câmara só poderão ser votados no estado em que se lançam candidatos. na esfera federal. A parte inteira desse quociente corresponde ao número de vagas reservadas àquele partido. definidos de forma proporcional à população de cada um. a constituição impõe ainda os limites mínimo de 8 e máximo de 70 deputados para cada estado. uma violação do princípio "um homem. de forma separada. pela ordem. Este sistema.ou suplente é eleito automaticamente. um sistema de arredondamento e redistribuição das vagas não preenchidas precisa ser utilizado. Esta forma de cálculo é equivalente ao método D'Hondt com um cláusula de barreira no valor do quociente eleitoral.[6]. foram necessários mais de 333. a constituição federal preconiza o uso de um sistema proporcional[5]. O código eleitoral permite também a formação de coligações entre partidos para eleições proporcionais como forma de conseguir um maior número de cadeiras. ou nos termos da constituição de 1988. e estas vagas são distribuídas. aos candidatos mais votados daquele partido. e concorrerão apenas às cadeiras reservadas àquele estado. Além dessas restrições. por exemplo. a eleição deve ser realizada. mas se utiliza uma metodologia diferente para efetuar os cálculos. Este sistema é grosso modo equivalente ao método D'Hondt utilizado em portugal e diversos países europeus. a eleição era possível com apenas 17. em cada um dos estados e territórios. mas sim aos limites específicos impostos pela constituição no número de representantes de cada estado. Haveria. As vagas restantes são divididas usando-se o método de distribuição das sobras entre os partidos que houverem atingido o quociente eleitoral. dessa forma. cada partido obtém um número de vagas proporcionais à soma dos votos em todos os seus candidatos. um voto". Calculo do número de vagas O grande problema das eleições proporcionais é o calculo exato das proporções devidas a cada partido. onde os votos são nominais aos candidatos e as listas partidárias são compostas pelos membros mais votados de cada partido. Na eleição de 1998. No Brasil utiliza-se um método conhecido como quociente eleitoral para o calculo das proporções e outro conhecido como distribuição das sobras para ocupar as cadeiras não preenchidas pelo quociente eleitoral. um voto não teria "valor igual para todos" Esta crítica entretanto não se aplica diretamente ao sistema proporcional. especialmente no caso de partidos pequenos que não as obteriam sozinhos.000 votos. O quociente eleitoral é definido como o total de votos válidos dividido pelo número de vagas (este valor é equivalente ao quociente Hare). O código eleitoral brasileiro determina que o sistema proporcional utilizado é um sistema de lista aberta. Criticas ao sistema proporcional Entre os fatores mais criticados no sistema eleitoral proporcional brasileiro estão os limites mínimo e máximo para cada estado entre os deputados federais.

↑ http://www. Editora Globo. O método tem o nome do jurista belga que o inventou. ↑ http://www.shtm a b 3. com 1.br/eleitor/votacao. ↑ http://www. começando na unidade (isto é no número 1) seja maior. o método pode ser representado pelo fórmula . O processo de divisão prossegue até se esgotarem todos os mandatos e todas as possibilidades de aparecerem quocientes iguais aos quais ainda caiba um mandato. .2010/art_ 45_.tse. Em caso de igualdade em qualquer quociente. O método é usado em Portugal e em muitos outros países.gov. destinada a calcular a distribuição dos mandatos pelas listas concorrentes.html#pergunta2 4.br/legislacao/const/con1988/CON1988_13. ↑ 6. Utilizando representação matemática. Método D'Hondt Origem: Wikipédia.tse.gov. O método D'Hondt.gov. com 484 votos. com 275 votos.07. com 18. Elimar Damasceno. ↑ Saint-Clair. ↑ 5. obteve seis cadeiras para o partido apenas com os seus votos.112 votos. em que cada mandato é sucessivamente alocado à lista cujo número total de votos dividido pelos números inteiros sucessivos. O método consiste numa fórmula matemática.br/internet/institucional/glossarioeleitoral/termos/sistema_eleitoral_proporcional.se elegeram. quando o candidato Enéas Carneiro. O processo repete-se até todos os lugares estarem atribuídos.senado.htm http://www. ou algoritmo. com 673 votos. também conhecido como método dos quocientes ou método da média mais alta D'Hondt.clicrbs.br/internet/institucional/glossarioeleitoral/termos/sistema_eleitoral_majoritario.2010/art_ 14_.tre-ms.senado.br/legislacao/const/con1988/CON1988_13. Victor D'Hondt. Professor Irapuan Teixeira. Clóvis Revista Época. onde V é o número total de votos apurado para a lista e s o número de lugares já colocados na lista em cada iteração do cálculo.07.gov. o mandato é atribuído à lista menos votada.shtm 2. podendo até eleger candidatos que não obtiveram votos. Ildeu Araújo.gov.htm 8.br/anoticia/jsp/default. a enciclopédia livre. Um exemplo disso ocorreu nas eleições de 2002. 2002.573.htm http://www. Amauri Robledo Gasques. Os eleitos foram Enéas.417 votos. com 382 votos e Vanderlei Assis.com.tse. é um método para alocar a distribuição de deputados e outros representantes eleitos na composição de órgãos de natureza colegial.jsp? uf=2&local=18&section=Pol%EDtica&newsID=a3018522. [8] Referências 1. ↑ http://www.xml http://www.br/internet/institucional/glossarioeleitoral/termos/coligacao_partidaria. do PRONA. ↑ 7.gov.

Partido B . Outra variante permite que o eleitor determine a sequência de atribuição dos mandatos dentro de cada lista. e D .3. Apurados os votos. por um só voto. Ao contrário do que acontece em órgãos colegiais compostos por simples maioria. baseia-se na atribuição dos mandatos por forma a que a proporcionalidade entre os votos recebidos pelas listas seja reproduzida. correspondente ao quociente 3000 (7. sem descurar a introdução de um factor de discriminação positiva em relação às minorias.7. Exemplo prático (conversão dos votos em mandatos) O círculo eleitoral "X" tem direito a eleger 7 deputados e concorrem 4 partidos: A.1 deputado. Da aplicação do método de Hondt resulta a seguinte série de quocientes: Partido B C 7500 4500 3750 2250 2500 1500 1875 1125 Divisor 1 2 3 4 A 12000 6000 4000 3000 D 3000 1500 1000 750 No exemplo constante da tabela. B . a distribuição foi a seguinte: A . que assim elege o seu deputado.º e último eleito).º eleito) e 4000 (5. na composição do órgão eleito. A variante mais comum do Método de Hondt é o denominado Sistema HagenbachBischoff.000 votos. O método pode ser utilizado com o estabelecimento de limiares mínimos de eleição.O processo de Hondt. arrebatando. em que se permite a existência de um mecanismo de quotas na distribuição dos mandatos sem contudo perder a proporcionalidade. levam às seguinte distribuição: • Partido A . • • • . 6000 (3. B.º eleito) e 3750 (6.12. permitindo-lhe uma representação que a simples divisão aritmética dos votos lhes negaria. tal como o de o Saint-Laguë e outros similares.4. Partido D . igual aos votos obtidos pelo partido D. nos compostos utilizando estes métodos. outro método de determinação da representação proporcional também frequentemente utilizado. correspondentes aos quocientes 7500 (2. C .º eleito).500 votos.3 deputados.º eleito). o método de Hondt é menos vantajoso para os pequenos grupos do que o método de Sainte-Laguë. o mandato é atribuído ao menos votado. Apesar de favorável à representação das minorias. correspondentes aos quocientes 12000 (1. sendo os mandatos atribuídos à lista ocupados por ordem decrescente dos votos no candidato. isto é ao Partido D. correspondente ao quociente 4500 (4.º eleito).500 votos. os quocientes correspondentes a mandatos. tanto quanto possível. beneficiando da regra que em igualdade atribui o lugar à lista menos votada.2 deputados. as minorias em geral conseguem representação razoável.000 votos.º eleito). Partido C . assinaladas a negrito. C e D. sendo nesse caso eliminados de consideração os votos que recaiam nas listas cuja percentagem no total seja inferior ao mínimo estabelecido. Note-se que apesar do quociente resultante da divisão por 4 ser 3000.1 deputado. o lugar ao partido A.