SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ

LEITURA COMO ELEMENTO MEDIADOR NO ENSINO DOS CONTEÚDOS ESCOLARES

Proposta de material didático apresentada pela professora Sheila Rossana Fernandes Corrêa Pavesi ao Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE da Secretaria de Estado da Educação do Paraná, vinculado à Universidade Estadual de Maringá, sob a orientação da Professora Doutora Nerli Nonato Ribeiro Mori, em cumprimento às atividades do PDE.

2007

...........................................................................15 Considerações finais............................................................................................................................16 Referências ...............11 Estratégias para o ensino direto do vocabulário............... Sugestões de atividades para o desenvolvimento da fluência........................................................SUMÁRIO Introdução.....................................14 Desenvolver o processo de compreensão...................................................................................6 • • • • • • • Critérios para a escolha dos textos.............................7 A Importância de ler com fluência........................................................................................13 Critérios para o ensino do vocabulário durante o processo de alfabetização e letramento.............................................................................................................................................18 .......................................................3 Texto: “Leitura como elemento mediador no Ensino dos Conteúdos Escolares”.................................................................................................................................9 Como o vocabulário afeta à compreensão..............

acirrando as diferenças sociais. a escola tem um papel fundamental na formação humana. no resgate de valores que contrariem esta expectativa de homem. Entendida como conseqüência das relações sociais capitalistas.. à cultura erudita e não à cultura popular”. ao saber sistematizado e não ao saber fragmentado. Os valores para esta sociedade são atitudes de competência multifuncionais. sua função a socialização dos conhecimentos historicamente construídos pela humanidade e a inserção deste sujeito no processo como produtor de conhecimento. que focam a leitura. profundidade e abrangência em busca da compreensão da realidade. o fracasso escolar confirma a reprodução dos ideários da sociedade capitalista.14). revelam pelos índices o caos em que a educação brasileira se encontra. 2005). As políticas públicas atuais numa perspectiva global neoliberal impõem à sociedade mudanças sócio-culturais significativas. transformando-o em um processo sem conteúdo. a capacidade de tomar decisões críticas com clareza. . capacidade adaptativas às transformações e resistência às adversidades.]. levando a uma reificação das relações sociais e o ser social. À escola caberia a tarefa de preparar os indivíduos para o processo de adaptação. perde os valores éticos e morais. Neste contexto histórico. p. O homem se desumaniza. que se justifica pela consolidação das péssimas condições de vida da “mercadoria” humana. A escola vem perdendo ao longo dos tempos seu foco. a interpretação e o raciocínio lógico-matemático. a falta de qualidade do ensino. “[. registrado pelas Avaliações Nacionais. Conforme evidencia Saviani (2003.. competitividade. individualismo. Analisando a leitura. vimos que o resultado da pesquisa que avalia alunos de 4ª e 8ª séries das escolas públicas num âmbito nacional em Língua Portuguesa. Tais reflexões são indispensáveis para o entendimento da sociedade em que vivemos marcadas por contradições sociais. a educação é analisada como uma das instituições que têm atuado a serviço do capital. Para a escola. A educação nesse contexto traduz o esvaziamento do trabalho educativo escolar. desvinculados aos interesses e necessidades educacionais na formação do homem para a efetiva cidadania. nosso objeto de estudo. consumismo exacerbado. apontam um cenário longe do ideal (Fonte: MEC/INEP. No entanto. escola diz respeito ao conhecimento elaborado e não o conhecimento espontâneo. O fracasso escolar acaba distanciando o aluno da possibilidade de apropriar-se da cultura e da ciência produzida historicamente pela humanidade.INTRODUÇÃO Os caminhos da Educação no Brasil vêm sendo trilhados por períodos e momentos históricos. às alienantes relações sociais que presidem o capitalismo contemporâneo. marcados por projetos políticos e econômicos.

capacidade de reflexão e abstração. Vygotsky ressalta a importância da interação estabelecida entre o adulto e a criança. é na linguagem. a linguagem. A apropriação do conhecimento manifesta-se na e pela interação social. interage e troca experiências. p. compreende a realidade em que está inserido e percebe o seu papel como participante da sociedade. O outro é o uso dessa tecnologia.Considerando as relações humanas um processo dinâmico. 1991a). oral. memória lógica. estão presentes todas as modalidades e representações materiais da linguagem. Como consta nos documentos oficiais Diretrizes Curriculares ( SEED. e nessa atividade o homem forma sua consciência individual. Soares (2007. mas se estende por toda a vida (SEED. Sendo assim. as interações sociais. consequentemente ampliando sua capacidade cognitiva e reestruturando funções psicológicas ( VYGOTSKY. raciocínio. a leitura é vista como co-produtora de sentidos. 2005). imagem em movimento. . atividades individuais e relações inter-pessoais.. São nessas trocas que a mediação sob forma de signos/instrumentos. linguagem é o pensamento objetivado. são dos homens de uma determinada época. que se manifesta em enunciações concretas. [. tendo em vista o multiletramento. Desta forma.]. que antes de serem individuais. É pela mediação que a consciência infantil deixa de ser guiada apenas pelo biológico e passa a ser orientada por necessidades. ampliam as possibilidades de compreensão e intervenção dos homens. propiciando diferentes formas de ver. Apenas com um desses passaportes não se entra no mundo da escrita”. interferem positivamente no desenvolvimento do indivíduo. 2005). capacidade de armazenamento. histórico e social. Pode-se entender que as práticas da linguagem. cujas formas se estabelecem de modo dinâmico com experiências reais de uso da língua. que é aprender a codificar e decodificar. escrita. gráficos e outras.38) assevera que a entrada no mundo da escrita se dá por dois meios: “Um é a tecnologia. Nessa aprendizagem mediada. assumem-se o texto verbal-oral e ou escrito e também as outras linguagens. adquire uma função básica na formação dos processos mentais como atenção voluntária. que o homem se reconhece humano. Tal ótica concebe a leitura como instauradora de diálogos. planificação mental. É importante ressaltar que o processo de ensino/aprendizagem da linguagem é um processo longitudinal que se inicia na alfabetização. como fenômeno de uma interlocução viva. de avaliar o mundo e de (re)conhecer o outro. Na concepção da linguagem assumida por estas Diretrizes (2005). análise. imagem. Numa perspectiva histórico-cultural. no processo de ensino e aprendizagem da língua. e o ensino sistemático constituem o principal meio através do qual o desenvolvimento avança. consolida-se no decurso da vida acadêmica e não se esgota no período escolar. Nesta dimensão dialógica. nas suas diferentes formas. como unidade básica. Por isso. perpassam todas as áreas da ação humana.. assim a linguagem ganha cada vez mais relevância.

em que tais habilidades já foram desenvolvidas. Ao final dos trabalhos espera-se que à contribuição das concepções teóricas dos pesquisadores que se destacam historicamente.No indivíduo adulto. contribuam à minimização das diferenças sócioculturais pela aprendizagem. desenvolver fluência. contribuir minimizando as dificuldades encontradas pelos professores que atuam nas salas de recursos com alunos de 5ª a 8ª séries que ainda apresentam defasagens no desenvolvimento da leitura resgatando questões como: O que é leitura. estratégias para desenvolver compreensão? Qual é a concepção de leitura nesta perspectiva? Contempla ainda em cada item. Para tanto. sugestões de atividades que possibilitem realizações significativas para o ensino/aprendizagem. ampliação do vocabulário. passa por diversos estágios que envolvem mudanças nas funções psicológicas. sua importância e que fatores incidem nesse processo? O que significa ser um bom leitor? Qual o papel do professor nesta perspectiva? Como instrumentalizar os quesitos fundamentais à uma boa leitura como. que necessitam de ser compreendidas pelos educadores. Mas durante a apropriação por parte da criança este processo não é automático. que se reorganizam em sistemas funcionais complexos. propondo-se tarefas e atividades planejadas e sistematizadas para que a aprendizagem tenha sucesso (LURIA. não é executado por nenhuma ação psicológica complexa.p. .95). bem como indicações bibliográficas que subsidiem o professor para estudos futuros. escolha do tema. tragam à tona mediações das aplicações nas práticas pedagógicas que objetivam resgatar a importância do ato educativo e da apropriação dos conteúdos elaborados. é reproduzido automaticamente por técnicas já aprendidas em estágios anteriores do desenvolvimento. o processo de ler e escrever. pretendemos com este material. 1994.

de prazer e de aprendizagem estimulando à compreensão da mensagem escrita. os conhecimentos sobre os processos envolvidos na leitura que concentram a aquisição do código. entendendo a leitura como produção de sentidos.” A condição ideal para o aprendizado da leitura nas palavras de Smith (1999.12) refere-se: a um material interessante disponível para o aluno que desperte seu interesse em ler e ter como guia um leitor mais experiente e colaborador que o oriente fornecendo .15). questões para todas as áreas. e que há uma inter-relação nos processos ascendentes (da letra ao texto) ou descendentes (dos conhecimentos e hipóteses globais à letra).LEITURA COMO ELEMENTO CONTEÚDOS ESCOLARES MEDIADOR NO ENSINO DOS No presente texto. formar leitores autônomos capazes de ampliar suas possibilidades lingüísticas. bem como propõe sugestões de atividades para prática escolar. demonstrando que a compreensão leitora passa por atividades e operações complexas nos diferentes níveis. Destacamos particularmente importantes.p. O texto estruturado em linguagem simples e objetiva faz uma relação entre o processo. Para que ocorra um bom ensino e aprendizagem da leitura no âmbito escolar é necessário combinar atividades que restabeleçam o sentido de prática social e cultural. O objetivo fundamental do processo de ensino da leitura é desenvolver a capacidade de compreensão. que é de responsabilidade da escola. Ensinar durante os processos de alfabetização e letramento é sistematizar instrumentos e técnicas específicas para que o aluno aprenda a ler e escrever incorporando para si um novo código social objetivando compreender e manter sua relação com o mundo. partindo do princípio de que a leitura é um processo dinâmico e interativo (KLEIMAN. 2004a). Conforme Guedes e Souza ( 1998. p. estrutura de diferentes gêneros. tendo como objetivo final o desenvolvimento da compreensão e utilização da linguagem como veículo de aprendizagem e conhecimento. mas uma forma didática de sistematização dos conceitos que se desenvolvem interligados e influenciando uns aos outros. serial. abordamos o tema leitura e seus aspectos mais importantes. utilizando diferentes textos com a finalidade de desenvolver possibilidades de comunicação. que não é natural mas decorrente de um bom processo de ensino e aprendizagem. fluência. Contemplamos o tema em um conjunto de questões que enfocam alguns conceitos e princípios sobre o aprendizado da leitura. ampliação do vocabulário. o leitor e às estratégias. fortalecendo redes e associações com o novo conhecimento e desenvolvendo novos processos psicológicos superiores. estratégias de metalinguagem e metacognição. fragmentado ou dissociado entre as categorias apresentadas. “ ler e escrever são tarefas da escola. Esta organização textual não implica em um processo linear. uma vez que são habilidades indispensáveis para a formação de um estudante. pelos quais avançam o conhecimento.

devido aos fracassos e limitações por não possuírem as habilidades necessárias de um bom leitor.p. Reconhecer palavras automaticamente é uma característica importante e necessária para ser um bom leitor. e ocorre o risco de o aluno não perceber na leitura uma função social que faz parte da sua vida como meio de expressão e comunicação. assevera que quando o texto causa desinteresse torna-se cansativo. não pode ser identificado como desenvolvimento. da organização do ambiente. mas sua realização eficaz resulta no desenvolvimento intelectual do aluno. estimulando seu aprendizado dará a essa criança a certeza que está avançando. . p. ler com fluência demanda passar por três critérios que são: precisão. o bom ensino é aquele que adianta os processos de desenvolvimento. tenha um conhecimento teórico-metodológico que oriente sua ação pedagógica para poder identificar e saber orientar seu aluno de maneira adequada na construção da leitura. o fracasso escolar ( CARVALHO. uma leitura rápida sem esforço para decodificar sem a necessidade de uma atenção especial do leitor ter nível de consciência. A construção do conhecimento se dá pela mediação feita por outros sujeitos.Quais critérios para a escolha dos textos? A escolha dos textos o tema e o seu significado. ler corretamente com precisão e rapidez e compreender o que lê. mas ler palavras individuais não caracteriza ler com fluência. Superando essas dificuldades com atividades que o ajudem a retomar o fluxo normal da escolaridade. 1. o ensino escolar. 2. no papel de leitor experiente. piadas. ou seja. música. optando por assuntos como. para os alunos que apresentam desinteresse ou até mesmo aversão pela leitura.condições para que se estabeleça a interlocução entre o leitor e o autor. rapidez e compreensão. a automaticidade se dá pela experiência em leitura e no reconhecimento das duas rotas de decodificação. Carvalho(2005).69). um assunto que torne mais atraente a leitura. ler com fluência significa.165). 2005. ou seja. Por isto é fundamental que o professor das diversas áreas. O outro social pode apresenta-se por meio de objetos. seus interesses. Para Vygotsky (1994). Portanto. esporte. pois sai de um ciclo vicioso em que o aluno não lê ou não compreende o que lê comprometendo as outras áreas do currículo escolar promovendo assim.O que significa ler com fluência e qual sua importância? De acordo com Oliveira (2003. esta habilidade se dá pela prática de leitura. uma regra de jogo. o aluno deixa de ter “medo” de ler. pelas vias fonológicas e lexical. do mundo cultural que rodeia o indivíduo. Ler fluentemente implica em automaticidade. são decisivos em qualquer momento do ensino sistemático da leitura sobretudo. O professor deverá conhecer este aluno para escolher temas relacionados com sua vida.

podendo ser letras. ocorre um comprometimento na capacidade de processar a compreensão do texto pelo cérebro. indicadores apresentam que para ler com eficácia. Segundo Oliveira (2003). para que o leitor consiga lembrar as primeiras palavras lidas e conseguir compreender o sentido do texto. De acordo com pesquisas em muitos países as taxas médias de fluência obtidas pelos alunos. isto é.O primeiro limite está na entrada das informações que chamamos de memória de curto prazo ou memória de trabalho. ou ler com compreensão.Como por exemplo. O sujeito usa conhecimentos anteriores sobre o tema. p. Se a leitura for muito devagar. primeiro pela ligação importante que esta estabelece entre o reconhecimento das palavras e a compreensão do seu significado num texto. o conteúdo passa a receber a ação de um outro tipo de memória.16). cuja capacidade não é limitada. mas essa quantidade tem limite. sendo o material significativo. O cérebro possui uma grande capacidade de processar informações. daí a importância do reconhecimento rápido de expressões e frases na leitura (Oliveira. são as seguintes: Final da 2ª série: Final da 3ª série: Final da 4ª série Final da 8ª série: 85 a 90 100 a 110 120 a 150 entre 200 e 250 ( Fonte: Oliveira. de um texto com assunto geral ou um tema familiar. conferi-la com o “dicionário mental” registrado na memória com aprendizados anteriores.Ter fluência na leitura se faz necessário por dois motivos. uma frase curta tem entre 5 ou 6 palavras. que auxiliam na compreensão do texto. Para que o cérebro consiga armazenar uma série de informações. uma frase de tamanho médio tem entre 10 a 12 palavras. Para haver compreensão é necessário também conhecer o significado da palavra. onde ficaria organizado todo o nosso conhecimento. Sem a fluência. sendo elaboradas e integradas em conjunto mais amplos ou de forma deliberada mediante regras mnemônicas. 2003). Um segundo motivo. Assim nas palavras de Kleiman (2004a. Essa memória tem a capacidade de armazenar informações de aproximadamente sete unidades. Outra limitação é o tempo em que a memória de curto prazo consegue guardar alguma informação. chamada de memória profunda ou memória à longo prazo. Estas frases precisam ser lidas em menos de dez segundos. com vocabulários a um nível de 10 a 11 anos de escolaridade.168) Podemos considerar um leitor adulto proficiente quando este lê com compreensão pelo menos 250 palavras por minuto. e concentrada somente na identificação das palavras a memória de curto prazo não consegue juntá-las e processá-las como unidade de sentido. o foco se volta para inferências e relações entre as idéias expressas pela palavra e o texto. afeta a rapidez do processamento destas informações. um leitor principiante necessita desenvolver um nível de precisão de . A organização das informações e a forma de como é elaborada. 2003. p. um leitor iniciante necessita de uma velocidade de leitura de pelo menos uma palavra por segundo. ler fluentemente libera a atenção. medidas em palavras por minuto. códigos ou palavras.

Os critérios para avaliar fluência são: Precisão cerca de 90 %. que apresentam-se como um conjunto de palavras. supondo-se possuir um nível de complexidade fonética e vocabular compatível com o nível do leitor. e pelo menos 250 ao final do ensino médio. ao sentido das palavras. 2003. Torna-se capaz de prestar atenção à pontuação. ler livros adequados ao seu nível de desenvolvimento.169 3. isto significa errar no máximo uma a cada 20 palavras lidas. 120 no final da quarta série.171 4. podendo ser dirigida pelo professor ou leitores fluentes. a probabilidade de melhora da capacidade de decodificação e do nível de automaticidade é grande.1. sentenças ou frases. Só com experimentos o leitor começa a perceber sentidos nas palavras. ou 18 acertos a cada 20 palavras lidas. Compreensão compreender o significado de um texto lido nas condições acima. A fluência não é uma aquisição linear.Algumas sugestões para desenvolver a fluência: Observar os leitores iniciantes. 100 no final da terceira série. 150 a 200 no final da 8ª série. contribuindo com a precisão e a rapidez. Fonte Oliveira. Há três tipos de textos para o desenvolvimento da fluência: textos decodificáveis. cerca de 90 na segunda série. tom e ênfase pela forma que lê os diferentes tipos de textos. no ritmo. Fonte: Oliveira. é uma forma para compreender como se dá o desenvolvimento da fluência. Rapidez mínimo de 60 palavras por minuto ao final da primeira série. com . Porém. p. não basta ler. livros com vocabulário controlado.leitura de pelo menos 90 a 95%. A leitura inicial é lenta e trabalhosa. o uso de textos adequados também colaboram com o desenvolvimento da fluência. mas com o hábito e práticas adequadas.Escolha de textos: Dissemos anteriormente a importância para o aluno em processo de alfabetização e letramento. podendo aumentar a fluência. sobretudo do ponto de vista semântico. Pode ser um processo lento e gradual. textos estruturados que ajuda o aluno a antecipar e ler com mais fluência.Atividades adequadas para o desenvolvimento da fluência: 4. sem sentido. 2003 p. é o momento em que o leitor está aprendendo a decodificar as palavras e frases. ou ler qualquer texto. esta se desenvolve com muita prática de leitura.

com mais de 10% de palavras que não consegue decodificar. dígrafo ou combinação de letras que estão dificultando a leitura. ortográficas. ritmo e fluência. . esclarecer o vocabulário antes e/ou durante a leitura.Releitura: para que o aluno seja um bom leitor.temas de tal forma significativos que despertem o interesse para o aprendizado. etc). • • • • dificuldades fonológicas: orientação ao aluno à forma adequada de sintetizar sons e letras para facilitar o processo de decodificação. colaborando na sua auto-correção. deverá ler mais vezes o texto escolhido.Diagnóstico: podemos identificar o nível de erro.4. São de leitura relativamente fácil. etc) para o contexto geral ( afirmação. o professor pode. 2003. dificuldades ortográficas : chamar à atenção para a letra.o aluno lê. em que o leitor deve ter 95% de sucesso. Para efeito de leitura. 4. etc. Textos cujo nível de dificuldades deve ser de no máximo 90%. dificuldades semânticas : colaborando na compreensão do significado da palavra. diálogo. menos de um erro a cada 20 palavras. ou seja. textos para ensino de leitura. p. Esta prática colabora para diminuir os erros ortográficos. quem está falando. usar pistas como título. . 4. isto é. o aluno necessita ler muitos livros. 4. textos difíceis São os que frustram o aluno. usando procedimentos como: identifique textos usuais em livros para os alunos da série. ritmo e fluência. Esses textos são chamados “textos decodificáveis”. dificuldades de natureza pragmática: chamar à atenção para o contexto gramatical ( o texto fala de quem. dê o texto para os alunos lerem individualmente. semânticas ou pragmáticas. ilustração.Modelagem: considerada um processo básico no ensino da fluência.o professor lê para dar o exemplo de entonação.2. Essas dificuldades podem estar relacionadas às questões fonológicas. . as intervenções eficazes se dão na forma de pistas ou de perguntas que ajudam o aluno a encontrar a resposta.5. para que adquire proficiência na leitura. ou seja. especialistas apresentam três tipos de textos: textos para leitura independente. .173 4. sentido da história.o professor identifica as suas dificuldades e dá feedback. uma vez que o aluno terá o apoio do professor para lê-lo. com vocabulários e complexidade fonética adequado ao seu nível de leitura. Durante a leitura.Prática: consiste em estruturar o processo de aprendizagem para desenvolver fluência. quantos personagens.3. de entonação. um erro a cada 10 palavras. Fonte: Oliveira.

Portanto. Outra prática que produz um efeito negativo aos alunos. devemos também observar os indicadores ritmo/ entonação e compreensão do texto. Durante o início do processo de alfabetização e letramento é importante a mediação do professor ou de um leitor proficiente com objetivos instrucionais específicos para uma leitura mais fluente. Leitura entre colegas colabora para desenvolver estratégias de metacognição quando um colega ajuda o outro à superar os problemas de leitura. Esse é o número de palavras por minuto lido pela média dos alunos. o texto torna-se difícil de acordo com a porcentagem de palavras não conhecidas. a compreensão é proporcional ao número de palavras conhecidas.De que forma o vocabulário afeta a compreensão? Qual é a função da leitura e do ensino no desenvolvimento do vocabulário? Sabemos que “conhecer o sentido das palavras” é o fator essencial para a compreensão da leitura. o domínio do vocabulário facilita a leitura diminuindo o tempo e tornando a leitura mais eficiente. Leituras em coro. 2003. repita o teste com o mesmo texto ao longo dos anos. Esta proposta de leitura não prepara os alunos para o texto escolhido. 5. ler em voz alta. e acabam por não compreenderem o sentido do que lêem. desenvolve estratégias importantes e necessárias para ser um bom leitor. Fonte: Oliveira. para verificar a mudança no ritmo de leitura de palavras corretas por minuto. p. principalmente no início do processo de alfabetização.para cada aluno anote: quantos minutos levou para ler. pessoas que dominam menos o vocabulário dependem mais do . 2003. tais atitudes incluem. rima e sentido. permite aos alunos menos fluentes acompanharem o ritmo e entonação na forma adequada da leitura.6.174 Para que o diagnóstico seja preciso. 4. a proposta de leitura silenciosa sem feedback. exige um bom preparo pelo leitor que deve ser acompanhado de feedback para ajudá-lo tornar-se mais fluente ( OLIVEIRA.175). Porém essa leitura deverá ser feita inicialmente pelo professor ou por um leitor fluente. além de retardar o ritmo de leitura dos leitores mais fluentes. quantos erros cometeu Tire a média dos erros e do tempo que os alunos levaram para ler. subtraia a média de erros do número total de palavras. Leituras dramatizadas também são adequadas para que o aluno perceba e desenvolva a entonação ao sentido do diálogo. pois. • • • • • • Leitura de textos relacionados com a tarefa escolar e com a vida na escola. é quando o professor escolhe um texto e convida-os a lerem frases ou parágrafos. Existem práticas em sala de aula que são ineficazes no desenvolvimento da fluência.p.Variações para leitura e atividades em classe. divida esse número pelo tempo. Leitura de textos literários. Leitura de poesias são adequadas para o ensino de ritmo.

Se um professor ensinar 10 palavras por dia e rever ao longo do ano. independe do nível de escolaridade ou da maturidade do indivíduo. apreendendo conceitos e definições de palavras. e identificar essas diferenças é característica de um bom leitor. No processo de aprendizagem. terá aprendido 7. sabendo empregá-las em diferentes circunstâncias. Números que ilustram a temática vocabulário: O vocabulário da Língua Portuguesa abrange mais de meio milhão de palavras. com uma velocidade de 100 palavras por minuto. é um exercício preciso e natural do cérebro humano. e testamos se as nossas hipóteses fazem sentido no contexto.. as crianças também estão adquirindo o conhecimento que as possibilita identificar à primeira vista centenas de rostos. apresenta-se duas categorias de vocabulário: • oral ( falar e ouvir) que é mais amplo nas pessoas. reconhecer a palavra pelo som ou letras. p.59) “ ao mesmo tempo. datas de aniversários. construímos hipóteses sobre o significado de cada palavra nova. Lendo textos adequados ao seu nível de leitura e compreensão.300 palavras.contexto para compreender as palavras.000 palavras no ano. terá aprendido 20 palavras novas por dia. número de telefones. Se ler durante todos os 365 dias do ano. nos textos e contextos diferentes. podemos ignorar entre seis a 15% das palavras de um texto e mesmo assim. identificar o sentido que a palavra representa no texto e o uso de referências (dicionários e glossários). De acordo com o texto. A aprendizagem do vocabulário e sua ampliação não é natural e nem automática. Segundo Oliveira (2003. Se aprender o sentido de apenas 10% dessas palavras. compreendê-lo no seu sentido geral mas. endereços e preços. 200 palavras novas por dia. para compreender um texto. ela lê um total de 2. Considera-se uma pessoa com bom domínio do vocabulário da nossa língua se conhecer no mínimo 50 ou 60 mil palavras e seus significados. .p. Significa que ensinou 2. identificar e ler a palavra corretamente.182). não é necessário conhecer todas as palavras. Este processo demanda níveis de complexidade mental crescente como.”.88).000 palavras por dia. lembrar idades. Porém. ou seja. bem como o seu uso. as palavras ensinadas. Uma criança que lê 20 minutos por dia. e quando fixam sua atenção às palavras individuais comprometem a compreensão do texto. no contato freqüente com palavras lidas e ouvidas. essa porcentagem depende também do tipo de texto que lemos. conhecer o significado da palavra. provavelmente encontrará cerca de 10% de palavras novas. O ensino do vocabulário implica em proporcionar condições para que o aluno continue a desenvolver e ampliar constantemente seu vocabulário oral e escrito. Fonte: Oliveira.3) Segundo Smith (1999.p.182. p. 2003.. Aprende-se vocabulário. cantar canções e aprender as regras de jogos. Conforme Smith (1999. • e escrito ( ler e escrever). milhares de objetos. uma palavra pode ter sentidos diferentes.

Porém. morfemas ( base central da palavra. o aluno aprende muito mais. diferenciando seu sentido tais como: os afixos ( prefixos e sufixos). Sabemos que a leitura é importante para o enriquecimento do vocabulário. mas não é suficiente para a ampliação das novas palavras. para que ele tenha uma rápida compreensão das palavras. O professor pode proporcionar atividades que estimulem o aluno a criar sentido em frases incompletas. . a saber: compreensão do sentido da palavra e os diferentes sentidos que a palavra apresenta em diferentes contextos. momento para aprender as mais diversas áreas do conhecimento. pistas morfológicas. 6. De acordo com Oliveira. Neste período em que o aluno está aprendendo a ler. Durante o período letivo o número de palavras apreendidas é limitado mas. “ ler é a maior fonte de enriquecimento de vocabulário”. conceitos. 2003. sendo esta a forma mais adequada para que os alunos aprendam palavras novas (p. etc. A aprendizagem ocorre quando o aluno estabelece relações. ouvindo leituras e lendo.Quais estratégias para ensino direto do vocabulário? Dissemos anteriormente que aprendemos à maioria das palavras de forma indireta. ouvindo o professor falar e ler para ele. Com estes objetivos. sujeito. exemplos e descrições que ajudam na compreensão do texto sem precisar parar a leitura para perguntar ou procurar no dicionário o sentido da palavra. A recuperação da palavra seu reconhecimento e o seu sentido se dão pela repetição e uso em diferentes contextos. portanto. característica própria do pensamento abstrato. é a menos parte de uma palavra) e as raízes. relacionando com a ordem das palavras numa frase. • usar informações sobre a própria palavra. identificar a palavra procurada e saber identificar qual dos sentidos dispostos é adequado para o contexto da leitura. conversando. importante para o desenvolvimento das categorias gramaticais ( verbo.Dois aspectos são essenciais e que dependem do bom ensino da leitura. repetições. durante o processo de alfabetização num período entre cinco e os seis primeiros anos escolares. A integração das palavras novas funciona devido à relação que o cérebro faz com as palavras ou imagens já conhecidas e armazenadas na forma de conexões. textos lidos pelo professor devem conter um vocabulário desafiante com um nível de dificuldade um pouco acima do que os alunos seriam capazes de ler e compreender por si só. é uma forma concreta e eficiente para ensinar o sentido das palavras e ensinar estratégias para a ampliação do vocabulário. Essas estratégias podem ser utilizadas em qualquer nível de ensino e em diferentes disciplinas. os textos e ou livros didáticos escolhidos deverão conter vocabulário relativamente fácil do ponto de vista fonético e semântico. com o objetivo de fortalecer as redes e mapas de relações das palavras estruturadas na mente. • usar pistas sintáticas. • usar o contexto.191). conhecer a ordem alfabética.) o uso de metalinguagem e de metacognição. a leitura abre caminhos para o aprendizado. Algumas estratégias para o ensino do vocabulário: • usar dicionário envolvendo atividades como. aproveitando as pistas trazidas como definições.

pronomes. adjetivos. advérbios.Quais critérios seguir para o ensino direto do vocabulário durante o processo de alfabetização e letramento? Critérios para o ensino do vocabulário são: • ensinar palavras importantes consideradas necessárias para a compreensão do texto. palavras de conteúdo. Compreender um texto é a finalidade natural de qualquer ato de leitura mas. sendo que estas podem ser ensinadas fora do contexto. objetivando níveis superiores de abstração e generalização. mas. do ponto de vista de vocabulário. portanto há uma relação dialética entre o leitor e o texto. ilustrações. durante ou depois da leitura de um texto. para desenvolver a compreensão global do texto. o leitor dispõe e baseia-se em seus conhecimentos para compreender o texto. são fundamentais numa dada situação. e esse novo significado permite-lhe elaborar. Durante a leitura. O leitor e o texto são elementos que interagem no processo de leitura. subtítulos. quando o . formato.• usar pistas externas. em que o sentido preciso depende do contexto e expressões idiomáticas em que o sentido do todo não está relacionado com a palavra propriamente dita. para extrair um significado. ou seja. a aprendizagem do sentido das palavras deve extrapolar o próprio texto. etc. O texto serve como ponto de partida para a ampliação e o aprofundamento do vocabulário. conjunções. bem como ensinar as palavras que têm sentido próprio. os fatores que incidem na compreensão relacionam-se com a intenção da leitura e com os conhecimentos prévios trazidos pelo leitor como conhecimento sobre o texto e sobre o mundo. nem sempre o leitor realiza uma interpretação que se ajusta à intenção do escritor. devendo ser ensinadas de forma contextualizada. mas que também colaboram na identificação do sentido das palavras. modificar e incorporar novos atributos em seus esquemas mentais. • ensinar palavras úteis como as palavras funcionais. 2002). título. como nomes. para um leitor proficiente esses processos se complementam. palavras homófonas ou homógrafas. Fazse importante mostrar e discutir o sentido das palavras no texto e formular possíveis frases em que esta palavra é aplicada no sentido do texto ou em novos sentidos. incluindo o gênero do texto.De que forma ensinar para desenvolver a compreensão? O processo de compreensão pode dar-se em quatro níveis. 8. etc. para o leitor. Consideramos uma palavra é difícil quando relacionamos ao que o aluno conhece ou não seu significado. etc. Estas estratégias devem fazer parte do quotidiano do professor podendo ser ensinadas antes. 7. portanto é interesse do planejamento educativo ensinar e desenvolver à compreensão ( COLOMERS E CAMPS. como em qualquer ato de comunicação. • ensinar palavras consideradas difíceis. que fazem sentido em contextos específicos como preposição. verbos. nas palavras de Colomers e Camps (2002). tais como: palavras com múltiplo sentido.

envolvem estratégias de metalinguagem. o foco da atenção passa ser o significado entre a nova informação e informações já existentes.212): • • • • nível fonológico e ortográfico: identificar palavras nível semântico: compreender o sentido das palavras. libertando-os da dependência do contexto do texto ou do professor. Monitorar a leitura é estar consciente de quando está entendendo.45) consideram dois tipos de carências que impossibilitam a construção de uma representação textual estruturada. Algumas atividades também. seu significado no contexto. • reler para compreender. daí vem à importância de o professor propiciar condições que exijam o envolvimento do aluno com o significado do texto.p. o uso adequado da palavra. nível sintático: compreender o sentido das sentenças. Colomer e Camps (2002. pois não reconhecem as estruturas textuais que relacionam as informações. monitoração consciente sobre a própria aprendizagem. • parafrasear para verificar se compreendeu. identificar quando não está entendendo e saber corrigir o problema. Tais estratégias também chamadas de estratégias de metacognição. 2003. 9.p. • qual é a dificuldade. apresentam dificuldades por não serem conscientes ou por não saberem como retificar tais problemas de interpretação. etc.Quais estratégias são específicas para desenvolver a compreensão? . O aluno deve usar estratégias que permitam saber: • onde está a dificuldade. nível contextual: compreender o sentido do texto no contexto. esses processos ocorrem em uma ordem apresentada abaixo (OLIVEIRA.aluno está aprendendo a ler.operações de supressão. a saber: • leitores que não dominam os níveis intermediários da informação do texto. Na proporção que o aluno adquire domínio nos níveis lingüísticos. dificuldades em realizar uma série de estratégias de síntese.vocabulário. num processo de influência mútua entre o leitor e o autor (KLEIMAN 2004a). leitores que não dominam as estratégias de controle de sua própria compreensão.Como o próprio leitor pode monitorar sua leitura ? É tarefa da escola ensinar aos alunos estratégias de como monitorar sua própria leitura. fornecem instrumentos básicos para promover aos alunos autonomia como bons leitores. generalização e construção da informação do texto. pois permitem ao aluno refletir sobre a própria língua. ignoram as marcas formais que podem impedi-lo de criar expectativas sobre as informações seguintes. • 10. • olhar na frente para buscar pistas.

perguntas formuladas pelo próprio aluno que podem ser para si mesmos ou para os colegas. • • • • • perguntas formuladas pelo professor que levem o aluno a pensar. quando e para que) usar estes diferentes recursos. resumos. a eficiência na leitura está ligada diretamente com o êxito escolar no processo de aquisição de conhecimentos. para isso o professor deve enfocar um objetivo específico em cada momento. estruturas e redes mentais tais como relacionar. que poderão ser antes e durante a leitura . avançando ou retrocedendo para encontrar ou retificar informações. leituras individuais características próprias de um leitor que controla seu próprio ritmo. considerada como uma situação de comunicação. que não é possível quando uma leitura coletiva em sala de aula. Cada gênero requer um tipo de leitura. A leitura oral. utilizar organizadores gráficos e semânticos. . assegurar se o aluno conhece o vocabulário. Portanto. seguido da representação de um conceito. saber o momento adequado ( como. CONSIDERAÇÕES FINAIS A leitura nas palavras de Alliende e Condemarín ( 2005. orientar sobre o que deve extrair do texto e quais estratégias usou para compreendê-lo. desenvolve habilidades necessárias à uma boa leitura. na pontuação e no dialeto do que no conteúdo (KLEIMAN. contrastar e armazenar a nova informação e o conhecimento anterior que possibilita associações e a maior capacidade de compreensão. É um tipo de leitura produtiva para fins de estudos. Se for lida em grupo deve ser preparada anteriormente pelo aluno para que conheça o texto e não se detenha na forma. quanto ao uso de estratégias de leitura e compreensão. que no primeiro momento corresponde a uma imagem ou a um objeto. . compartilha informações. Por outro lado. refletir. não devendo ser entendida simplesmente como oralização mecânica e ou somente para avaliação de um texto. Há dois tipos de leitura. o conhecimento verbal ou dicionário mental. Cada tipo de leitura atende a um determinado objetivo. classificar. identificar o propósito do texto. exercícios. disciplina de ensino e instrumento para o manejo das outras fases do currículo”.p.2004a). Para a leitura silenciosa o professor deve definir seu objetivo.Podemos considerar estratégias que permitem compreender o sentido das palavras como. na pronúncia. ao mesmo tempo. examinar. identificar a estrutura e características dos texto.13). a leitura silenciosa não permite ao professor dar feedback. é uma atividade interpretativa. “é a única atividade que constitui. O professor deve ter objetivos determinados para que haja engajamento cognitivo e afetivo por parte do aluno. silenciosa e oral.

p. memória lógica. planificação mental. Para Facci (2004). para que a educação escolar desempenhe de fato suas funções é premente o conhecimento omnilateral e concreto sobre os indivíduos. ou não “nasceram” para o estudo. aumentando as dificuldades levando do aparente desinteresse até a evasão escolar. Segundo Martins (2007. excluídos do processo educacional. Por fim. Então. O processo de transformação perpassa pela mediação social. O importante fazer são proposições de estudos sistematizados das teorias educacionais que respondam às necessidades emergentes. é naturalizar a repetência e a evasão escolar como um fato social. consequentemente surgem obstáculos na aprendizagem dos conteúdos curriculares. tendo como suporte a concepção materialista histórica. portanto revelador da artificialidade e da aparência presentes nas supostas cisões entre subjetividade/objetividade. as situações adversas que perpassam a formação profissional do professor. bem como. quando a aprendizagem escolar é comprometida pela não compreensão na leitura. 7). Entretanto.118). análise. é o estudo. orienta e estimula processos internos de desenvolvimento do aluno para um patamar superior no processo de desenvolvimento ( KLEIMAN. porque não “gostam” de estudar. deixam de apropriar-se dos conhecimentos científicos produzidos historicamente pela humanidade. . ampliam as possibilidades de compreensão e intervenção dos homens ( VYGOTSKY. atenção voluntária. Na nossa sociedade. dados condicionados pela superação do pensamento mecanicista formal hegemônico em direção ao pensamento dialético. 1991). onde a valoração do conhecimento produzido pela humanidade é entendido como ideário fundante do processo ensino-aprendizagem. forma de relacionamento da criança com a realidade. pode ser a chave para este entrave. aceitar a falácia de que crianças fracassam ou jovens abandonam a escola. capacidade de reflexão e abstração. fazem com que o ensino se esvazie e o professor perca sua função e sua identidade. 2004b. acreditando que o ensino escolar e a mediação sistemática do professor. fator imprescindível por meio do qual desenvolvem-se as capacidades superiores. Um conhecimento. a atividade dominante da criança e do jovem. os processos cognitivos que constituem esta atividade são interrompidos. fortalecendo assim. os indivíduos que se encontram à margem do ensino escolar. as teorias pedagógicas que estão embutidas nos documentos oficiais transformam o processo ensino-aprendizagem em algo desprovido de conteúdo e sentido. consequentemente levando à humanização do ser social.“Elkonin e Leontiev afirmam que cada estágio de desenvolvimento da criança é caracterizado por uma relação determinada por uma atividade principal. Entretanto. a heterogeneidade cultural imposta pelas condições econômicas e sociais. dentre outras. p.A aprendizagem escolar fundamentada na leitura. e minimizem ou mudem a realidade educacional. portanto. é que nos impulsiona à estudar para compreender e propor inferências sobre quadro atual que se apresenta à educação escolar.

SOUZA. SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO.R.. Campinas: Caderno Cedes v. Texto e Leitor: Aspectos Cognitivos da leitura. PARANÁ. Campinas. KLEIMAN.B. 2001. T.62. Paulo Coimbra. Leitura e escrita são tarefas da escola e não só do professor de português. 9.Avaliação do Rendimento Escolar.( Orgs). Neiva O. Ensinar a ler. GUEDES. p.scielo.24. Ensinar a Compreender. Diretrizes Curriculares de Língua Portuguesa da Rede Pública de Educação Básica do Estado do Paraná.br/> Acesso em:10 out. 1994.Prova Brasil. J. 2002.B. Porto Alegre: Artmed. FACCI. LURIA. São Paulo: Ícone. 2007.11-20. ed. Secretaria de Educação Básica.S. n. Trad. A. ed.2007 OLIVEIRA . 2005. Mabel.V. 2007.Belo Horizonte. LEONTIEV. In: NEVES. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Elkonin e Vigotski. 2005. Marisa Eugênia Melillo . RJ: Vozes. tópicos e descritores.Universidade/ UFRGS. São Paulo: Casa do Psicólogo. Curitiba. 5. J. Jane Mari. A. ed. FACCI. Marilda Gonçalves Dias.Ler e escrever: compromisso de todas as áreas. Marilda Gonçalves Dias. 4.br/ Acesso em:out. 2004.85-102. Campinas. In: VIGOTSKII. p. Paulo C. Renita. Felipe. Alfabetizar e Letrar: Um diálogo entre a teoria e a prática. avaliação e desenvolvimento. MEC/INEP.Ministério da Educação. 8. Petrópolis.(orgs).REFERÊNCIAS ALLIENDE. Ernani Rosa. A. SP: Pontes. 2004 a. Linguagem. M. Disponível em: http://www.ed.. Fátima Murad. SEED. A. Algumas reflexões sobre o desenvolvimento omnilateral dos educandos. L.Porto Alegre: Artmed.Porto Alegre: Ed. CARVALHO. Psicologia Histórico-Cultural: contribuições para o encontro entre a subjetividade e a educação. Psicologia experimental e o desenvolvimento infantil.inep. Lígia Márcia. MARTINS. p. In: MEIRA. CAMPS. 2006. Iara C. A periodização do desenvolvimento psicológico individual na perspectiva de Leontiev. CONDEMARÍN. . MG: Alfa Educativa.117-134. 2.ABC do Alfabetizador. KLEIMAN. 2003. A leitura: teoria. 2004 b.2007. Ensino Fundamental: Matrizes de Referência.Disponível em: <http://www. Leitura: ensino e pesquisa.ed.N. KLÜSENER. Trad. SOUZA.R. Desenvolvimento e Aprendizagem.A. Trad. SP: Pontes.abr. A. COLOMER. LURIA. A. Maria Penha Villalobos. SCHÄFFER. GUEDES.

p. SP: Autores Associados.com. Periódico. Leitura Significativa. SOARES.1999.br. São Paulo: Martins Fontes. 2007.ed. Magda. L.38. 8.SAVIANI.revistaeducacao. 4. Ano 11 nº 121. Campinas. maio. Beatriz Affonso Neves.1991a . Revista Educação. VYGOTSKY.S.. 3. 2003. o grande desafio do ensino. A formação social da mente. Dermeval.ed. http://www. Leitura. Trad. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul Ltda. Frank. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações.ed. SMITH.revista ampliada.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful