You are on page 1of 5

Apontamentos de Filosofia da Linguagem TRACTATUS LOGICO-PHILOSOPHICUS, de Ludwig Wittgenstein A.

Ontologia Do simples (objecto) para o complexo (mundo)

1. O objecto (a coisa) é simples (2.02) e contém em si todas as suas possibilidades de disposição/relação
com os demais objectos (2.0121; 2.0123). Essas são as suas propriedades internas (2.01231).

2. Cada objecto situa-se no espaço lógico (2.013). Tudo o que pode acontecer ocorre no espaço lógico. 3. Os objectos estão em relação uns com os outros, no seio do espaço lógico (2.011). Todas as possibilidades dão-se
dentro dos limites da lógica (2.012; 2.0122). Portanto, as possibilidades de combinação lógica com os demais pertencem ao próprio objecto (2.0124; 2.014). Essa é a sua forma lógica (2.0141). 4. Não temos acesso às coisas em si, mas às relações lógicas que estabelecem reciprocamente (2.0121). Essa relação constitui um estado de coisas (2.01), ou seja, o facto (1.13). Num estado de coisas, os objectos estão em mútua relação de dependência (2.03). Porém, os estados de coisas são independentes entre si (2.061). Da existência de um estado de coisas (o facto positivo, ou a possibilidade concretizada) não se pode deduzir a existência doutro estado de coisas (2.06). Não há, por isso, relações de causalidade. 5. O mundo decompõe-se em factos (1.2). A totalidade dos factos (ou seja, das combinações efectivas entre as coisas, de acordo com uma estrutura lógica) determina o mundo. Portanto, o mundo é a totalidade dos factos, não das coisas (1.1). 6. O mundo é complexo. Os seus “átomos” (a substância) são os objectos (2.021). O sentido e a verdade do mundo são garantidos pelos objectos. A consistência do mundo depende dos objectos; a configuração do mundo é contingente (2.0271). A realidade total é o mundo (2.063).
Tal como Kant, Wittgenstein afirma que: a) a consistência/verdade das proposições reside na realidade apreendida sensivelmente; b) não temos acesso imediato às coisas (o númeno). O fenómeno, em Kant, passa aqui a ser visto como facto. No entanto, se, para Kant, a preocupação consistia na procura da fundamentação das condições (mentais) do conhecimento (epistemologia), Wittgenstein mostra-se sobretudo preocupado com as condições de possibilidade da descrição da realidade: lógica (ou filosofia da linguagem). Aqui, a universalidade está não nas categorias transcendentais de apreensão (estética transcendental) mas nesse outro espaço-tempo: Lógica. O facto de tanto sujeito como mundo estarem situados (e definidos) num espaço lógico e segundo uma determinada forma, garante a possibilidade da analogia e, por conseguinte, da verdade no conhecimento científico. Portanto, a realidade está aí (princípio realista). A verdade está em descrevê-la a partir do que lhe é específico: o modo como os seus átomos estão dispostos logicamente no espaço. Consequentemente, a verdade não é convencional mas factual. Assim sendo, as ciências naturais, porque essencialmente descritivas, têm como tarefa fundamental mostrar o modo como o mundo se apresenta. Caberá à filosofia a tarefa terapêutica de, ao nível da linguagem, garantir a assertividade das proposições (ou seja, zelar pelo seu sentido e verdade, dados pela referência aos factos possíveis e efectivos).

B. Teoria Pictórica (ou epistemologia)
Depois de estabelecer a sua ontologia (o que está fora do sujeito: o mundo), Wittgenstein desloca-se para a epistemologia (o que está dentro do sujeito) sem, todavia, incorrer numa psicologização do processo cognitivo. Assim como o mundo é o resultado da ordenação efectiva das coisas num espaço lógico, de acordo com uma forma lógica que lhes confere uma determinada estrutura (ou arranjo lógico), também a representação (a imagem) resulta do arranjo dos elementos simples (nomes) em expressões complexas (proposições). Se, no mundo, as coisas só são apreendidas numa relação lógica, na linguagem, os nomes só descrevem algo quando em relação uns com os outros (i. e, numa proposição). Por isto, também as imagens são factos lógicos (relações lógicas entre nomes, num espaço lógico, com uma dada estrutura). A verdade do mundo depende da sua substância. Assim, os factos lógicos (imagens) só serão verdadeiros se se referirem aos factos positivos (possíveis e existentes). Quando não, podem ser ou sem sentido (quando não se referem a nenhum facto) ou falsos (quando se referem a factos não-positivos, ou inexistentes). Ora, essa referência é uma referência lógica. Mundo e imagem têm em comum uma forma lógica. São ambos produto de combinações lógicas entre coisas simples (objectos ou nomes) num espaço lógico onde se jogam todas as possibilidades de estruturação (positiva ou não-positiva).

1. Fazemo-nos imagens dos factos (2.1). Essas imagens complexas são compostas por elementos simples (2.14).
Estes elementos, na imagem, correspondem aos objectos, no mundo (2.13): são os seus mandatários (2.131). A representação da realidade é possível pela relação de correspondência formal (ou lógica) entre os elementos das imagens e as coisas (2.1514) 2. As imagens são factos lógicos: os elementos simples relacionam-se segundo uma forma lógica (ou pictórica), que lhes garante uma dada estrutura (2.15): isomorfismo (2.131). A forma lógica (comum à composição do mundo e da imagem) garante a possibilidade de representação pictórica (2.17; 2.18; 2.19; 2.2). Nesse caso, estamos diante de uma imagem lógica (2.181) 3. No entanto, há limites para a representação: a) temos imagens dos factos, não das coisas em si; b) a própria lógica, enquanto tal, não é representável (2.172), uma vez que não podemos sair da lógica para a

uma situação possível no espaço lógico) (2. 4. . e não de qualquer postulado a priori (3. mas não se pode representar a si mesma porque não tem como se observar desde fora de si (2. O sentido de uma proposição vem da articulação lógica de um conjunto de sinais. A projecção contém os elementos do pensamento.262).023). O seu sentido só pode ser descrito por um sinal complexo: a proposição (3. Pensamento (ou imagem lógica) e Linguagem correspondem-se ao nível da estrutura lógica (3.0031). a imagem não é nem verdadeira nem falsa: só o é quando comparada com a realidade (2. Só os factos podem exprimir um sentido (3. no mundo. segundo uma estrutura lógico-sintáctica (3. Mundo. Portanto. traduz-se no pensamento. tal como no mundo.141). Assim.263). o princípio isomórfico. a linguagem (nome) pode denotar o objecto (3. O pensamento/imagem corresponde ao mundo.representar logicamente. O pensamento é a proposição com sentido (4).225). A compreensão dos sinais complexos depende da compreensão dos seus elementos simples (3. pelo que não pode ser descrito por um sinal simples (como um nome). 4.327. É por este princípio extrinsecista que Wittgenstein delimita o campo legítimo das ciências naturais (e do próprio conhecimento).026).015).13). por isso.22). as proposições são factos lógicos (3.317).1431). a proposição é clara e simples (4. esse é o campo próprio das ciências naturais. 4.003. Assim. Os pensamentos exprimem-se sensivelmente através de sinais proposicionais (3.01). Quando é verdadeira.203).31).04. mas não se confunde com os objectos. Implicitamente. Portanto. Se. a veracidade dos pensamentos depende da sua correspondência com o mundo. uma vez que muitos deles resultam do uso de linguagem sem sentido (ou seja. Os pensamentos (imagens lógicas dos factos) têm uma forma lógica (3.022. 2. sem correspondência entre proposição e facto) (4. não é a sintaxe que denota. Ou seja. 3. possibilitada pela forma lógica comum. Deste modo. O mundo é complexo (=facto). O sentido da proposição está na sua descrição correcta do facto (4.032). Tão-pouco os sinais têm sentido isoladamente. na linguagem (3.144.142). Afinal. 2. A representação é possível mediante a lei da projecção/tradução. como as línguas) e sinais (expressos por símbolos variáveis mas que denotam objectos determinados) (3. Compreendemos uma proposição quando compreendemos os seus elementos constitutivos simples (4. afirma-se que só há conhecimento de realidades observáveis (facto). Portanto. As proposições são complexas (3.174).03).223.32).203). 4. em si mesma. “Uma” porque.13). 2. A estrutura lógica de uma proposição não depende dos símbolos (variáveis) isolados. A filosofia está cheia de falsos problemas. Em si mesma. Filosofia do Conhecimento: Pensamento e Linguagem 1.201. A totalidade das proposições é a linguagem (4. os sinais proposicionais podem ser confundidos com palavras arbitrárias.02). Para representar (e comunicar o sentido).05).173).21).3). b) ser verdadeira ou falsa (se.225). C. não diz o que são (3. Tem como propriedade interna a possibilidade de combinação dos elementos que se referem ao facto (2. porque não descrevem nada da estrutura lógica do mundo dada pelos seus objectos em relação). 3.001). o nome é mandatário do objecto. como vimos. 9.328). porém.202). As demais áreas (estética. Mantém-se.41). 3.221). a tarefa da filosofia deveria ser de terapia da linguagem.261. As proposições vão-se complexificando progressivamente (3. ética. o sentido das proposições decorre da posição recíproca no espaço lógico dos vários elementos simples (3. o limite de representação: a proposição denota os objectos. as palavras não produzem conhecimento (ou seja.12). De facto.202). Salvaguarda-se assim a diferença entre mundo e linguagem. A linguagem tem sentido enquanto representa a realidade (4.01). a representação tem limites (3. como forma de garantir o seu uso com sentido (4.11). no uso depurado correspondem (segundo o princípio isomórfico) a objectos concretos.001). a projecção não é nem verdadeira nem falsa (3. 6. uma representação é sempre o reconhecimento de algo exterior (2. Sozinhas. a proposição é um lugar lógico (3. 4. podendo: a) referir-se ou não à realidade (sentido ou nãosentido). mas das relações lógicas estabelecidas entre os sinais (3.03. que projectam a sua estrutura lógica (3. a proposição tem que partilhar com o facto a sua estrutura lógica (4. A totalidade dos pensamentos verdadeiros é uma imagem do mundo.116): mostra o seu sentido. corresponde ou não a um facto positivo) (2. e não o objecto projectado (3. Tal como nas imagens. Permanece.01). filosófica) não produzem conhecimento. não têm sentido. mas a correspondência da proposição com a estrutura lógica do facto (3. Dentro dos limites do espaço lógico (3. 7. Ora. corresponde a estrutura lógica dos sinais.0141. 3.2). os pensamentos (complexos: as proposições) contêm todas as possibilidades de arranjo dos seus elementos atómicos (nomes) (3. dada pictoricamente (4.251. no uso corrente. tendo sentido. na proposição (3.33). Uma imagem representa pictorialmente a realidade quando representa factos (ou seja. 8.03). 3. Numa proposição há símbolos (expressões sensíveis arbitrárias. está sempre na dependência da realidade (2. A correspondência entre mundo e imagem. No entanto. “a imagem lógica dos factos é o pensamento” (3. 3. 5.14): contêm elementos simples (nomes/palavras) articulados logicamente. As proposições (e cada um dos seus elementos) são expressões de sentido: têm forma e conteúdo (3. É por meio dela que os 3. 3. À estrutura lógica dos objectos.

porque os estados de situação (=factos) que lhes subjazem são independentes entre si (2. tautologia e contradição não têm pertinência descritiva. A filosofia não se refere aos factos (logo. são mandatários dos objectos: correspondem-lhes/representam-nos). no mundo.134. A verdade da proposição depende da sua correspondência com um facto. Há dois limites fundamentais para a descrição/representação: a) não é possível representar a coisa em si. Como já vimos.1121). 4. 5. No entanto.411). é pensável e exprimível de forma clara (4. 5. A totalidade das proposições verdadeiras é toda a ciência natural (4.01. D. como tal.465). Portanto.116). arbitrária. Do mesmo modo.3). O sentido da proposição está na sua concordância/correspondência com os estados de coisas (=factos) (4. há algumas que se concretizam (=factos lógicos positivos). O universo de possibilidades de combinações (positivas/ existentes ou não) entre os objectos (de acordo com as suas propriedades internas) está condicionado pelo espaço lógico. Por isso. a proposição é complexa: faz-se da conexão e encadeamento de elementos simples (4. o domínio do que é pensável (=descritível) (4.115). e têm que ver com as possibilidades de disposição e interrelação lógica entre os objectos.1361).123). nada denotam. Tendo todas as proposições elementares poder-se-ia apontar a totalidade das possibilidades de combinação e. Há uma complexidade progressiva ao nível das proposições. A estatística/lógica pode elencar o conjunto de possibilidades de estruturas lógicas (tabelas de verdade) (4. Aquelas que corresponderem à estrutura lógica dos factos serão verdadeiras. a verdade prende-se com a descrição assertiva dos factos. Afinal.124. b) não é possível representar a lógica (4.131).12).1. porque a verdade dos acontecimentos não é uma questão de probabilidade mas de facto (5. 1. . A lógica não obriga: constata a partir das possibilidades de cada objecto. possível. a estatística não tem valor de verdade. O que é pensável.nomes podem ser mandatários dos objectos. relacionar-se de inúmeras formas lógicas. Então. mas não são objecto de descrição (4. 5.461).25). uma proposição só é verdadeira/falsa/sem sentido quando comparada com a realidade (4. 5.462). não podemos deduzir/inferir acerca das propriedades externas. pois.. pelo que não mostram nada do mundo (4.1).. 5. No entanto. devemos compreender as elementares (4. Precisamente por isso. de acordo com as suas propriedades internas. Por isso.2). 5. Para compreendermos as proposições gerais. da qual deve ser terapeuta (4. No entanto.124). determinar os próprios limites lógicos (4. As externas são contingentes. porque são condições a priori: o seu valor de verdade/falsidade é apenas mental: não resulta da necessária correspondência com o facto (4. no seio do espaço lógico.122. 2. e.153). a sua verdade está na correspondência com os factos positivos. o fundamento de verdade de “r” está contido no fundamento de verdade de “q”. 3. Ao apontar claramente os limites da linguagem com sentido. Wittgenstein distingue entre propriedades externas e internas. impossível (contradição) (4.135). “r” deriva/está contido em “q”. por si só. O mundo é a totalidade das proposições verdadeiras (4.063.22).5). 4.061. mas nunca fora delas (como se pudesse ser definida fora das proposições lógicas) (4. A dedução lógica é possível somente a respeito das propriedades internas. com isso.05.51). 6. Estatuto das Ciências e da Filosofia/Lógica 1.135). Portanto. 5. As internas são constitutivas. A verdade das proposições possíveis está na sua referência aos factos positivos. As proposições mais complexas radicam nas elementares.132). As possibilidades de verdade das proposições elementares (do tipo “a=b”) denotam as possibilidades da existência ou não existência dos factos (4. ou seja. a lógica consegue apontar uma forma geral da proposição: as coisas passam-se desta e desta maneira (4. própria das ciências naturais. 5. 4.. tal como o sentido de “r” pertence ao sentido de “q” (5. podemos inferir/deduzir a partir das suas estruturas lógicas o modo como ambas se relacionam no seio do espaço lógico (5. já que essas não decorrem de um imperativo lógico.461. não há uma relação de causalidade entre os casos/factos (5. essa correspondência entre estruturas lógicas só é válida quando estamos diante de duas proposições (5. 4. ocorre a priori (5. De uma proposição elementar isolada não podemos deduzir/inferir outra (5. A correspondência interna entre as proposições é possível através da forma lógica. No entanto. Por conseguinte.112). Os sinais denotam (i.06). os símbolos (idiomas.12).132.13). Esta possibilidade dedutiva é lógica e. Trata-se.133). Tal é possível pelo isomorfismo (4.114.101). diante de duas proposições. as proposições. a filosofia delimitará o domínio da ciência.) são apenas expedientes arbitrários dessa representação (4.2). Por este motivo. na linguagem.122). o fundamento de verdade duma proposição complexa pertence aos fundamentos de verdade das proposições mais elementares (5. Dentro desse universo de possibilidades. esse total lógico é variável (ou contigente) (4. de uma estrutura lógica dedutiva (5. não é uma doutrina: não produz conhecimento) mas à linguagem. Ou seja: os objectos.11). A forma lógica fica à mostra nas proposições. 5. os sinais (correspondentes aos objectos) podem-se articular de diversas formas lógicas. 3. Pertence à Psicologia a teoria do conhecimento (4.26. A graduação na teoria da probabilidade é: certo (tautologia). que é comum a todas as proposições (5. Ou seja.46.243).52). 2. 4.121.31. Portanto. Se o facto existir e a proposição lhe corresponder (mediante a estrutura lógica). podem.113. Essas propriedades internas (as possibilidades de estrutura lógica) estão na descrição. 4.121). e prendem-se com a existência efectiva. então a proposição é verdadeira (4.

Logo. O eu (filosoficamente falando) está fora do mundo descritível. A sucessão de diapositivos deve-se a condicionantes externas (isto é.4541). 5.63).632). 5.43). No limite. mas na sua estrutura formal (5.4711). No entanto. na Matemática. O solipsismo está certo quando afirma que todas as imagens do mundo são perspectivadas/contingentes (porque o mundo é sempre “o meu mundo”: a imagem progressiva do mundo que vai sendo construída a partir de proposições verdadeiras. A certeza funda-se no mundo. Com isto. relação de causalidade interna entre os factos.47. A complexificação (=operação) dá-se quando o resultado da relação entre várias proposições é uma outra proposição (5. subsiste a fronteira fenómeno – númeno de Kant.25). Objectos. essa descrição total é sempre e só lógica. a nossa imagem de mundo também tem limites: os da nossa linguagem (5. considerando as suas possibilidades internas de arranjos no espaço lógico. Assim sendo. As soluções para os problemas lógicos têm que ser simples (5. De certo modo.633). No entanto. Não há. Desta feita. 7. expressas numa determinada linguagem. Esse como prende-se com as propriedades internas. logo.Ou seja: o conhecimento do mundo não é hipotético mas descritivo. tem que corresponder de algum modo ao facto (isomorfismo) (5. o sentido da proposição possível está sempre na sua denotação da realidade.641). Portanto. Só acedemos ao que aparece directamente. só o seu resultado pode ter sentido (5. estas proposições lógicas. 9. Dentro de cada diapositivo há relação de mútua dependência lógica entre os objectos constitutivos. mas não é passível de descrição. Wittgenstein. Wittgenstein avança com uma noção positiva de conhecimento: só o que é descritível é passível de ser conhecido.442).4541). todas as operações lógicas estão já contidas na proposição elementar (5.121). Fundamentalmente. Estão por dentro (do mundo – objectos –.3) A operação.555). Wittgenstein compromete todas as generalizações científicas com a tarefa de permanente sujeição (como forma de correspondência) da linguagem ao mundo. Finalmente. então tem nele os seus fundamentos.156).4731).511). E os factos são sempre imediatos. esses problemas residem não no uso dos sinais. Porém. 5. posso também pressupor existência da sua negação (5. 13.526). mas mostra-se presente enquanto descreve (5. a priori e simples: a lógica. podemos descrever o mundo por meio de proposições totalmente generalizadas (5. sujeito e lógica só são acessíveis indirectamente. para ser verdadeira. Porém.524). . Ao nível lógico.4733). Se posso deduzir todos os resultados possíveis para uma proposição. Como já tínhamos apontado. A complexificação das proposições dá-se. podemos.471. de ambos – lógica). da linguagem – sujeito –. a essência do Mundo (5.46). porque a realidade do mundo está no modo como os seus elementos simples efectivamente se ordenam no espaço lógico. nada diz. porque a lógica não predetermina: apenas descreve. Em suma: os estados de situação (factos) são como instantâneos (princípio actualista: o mundo constrói-se frame by frame). a probabilidade só é lícita na ausência de certeza. Não pode ser descrito. A essência da proposição está na forma proposicional geral (lógica).5561). O sujeito é anterior a toda a descrição do mundo exterior. 5. Portanto. quando olhamos para o mundo. Só têm sentido as proposições que representem a realidade (5. 5. 5. 11. não pretende retirar o tempo da esfera da lógica. cujo sentido depende dessa referência aos objectos). A sua composição. 8. Igualmente. O conhecimento descritivo infere/deduz a partir da forma lógica subjacente numa configuração concreta do mundo. que não pode ser senão lógica (5. A essência da proposição é a essência da sua descrição. Dentro desta lógica positiva. Ainda assim.61). por isso. nada denotam (5. O conhecimento verdadeiro é factual. não é lícito perguntar-nos como será (isso é arbitrário) mas sim como é que os elementos deste mundo estão em relação. Se “p” resulta de “q”. devido aos conectores lógicos (o isomorfismo). Devido à estrutura lógica. Da operação resultam proposições (5. a lógica é a condição de possibilidade de descrição do mundo. a forma lógica permite que do elementar (objecto ou proposição) possamos deduzir o total (5. Por isso é a priori: toda a descrição e tudo o que é pensável é lógico (5. Tal representação é possível devido ao isomorfismo (5. não podemos deduzir logicamente como será o diapositivo seguinte. simplesmente pretende esclarecer que as probabilidades são uma forma precária de conhecimento. Profundamente. A lógica é anterior a qualquer experiência (5. as proposições complexas assentam nas proposições elementares. o sujeito é um limite do mundo (5. O mundo tem limite: o da totalidade dos objectos (expresso na correspondente totalidade de proposições elementares) (5.442). para Wittgenstein. Por isso estão sempre para lá dos limites do conhecimento. é contingente.6). A probabilidade é uma generalização (5.62. Pela lógica podemos estabelecer todos os resultados possíveis de uma operação feita com base numa determinada proposição (5.5151. no tempo. No entanto. a descrição é sempre heterorreferencial. No entanto. dedução/inferência não são exercícios de futurição mas de constatação das relações internas entre os objectos (e as suas representações) que configuram logicamente o mundo. através de operações de verdade (5.156) que reflecte o próprio limite da representação da realidade. A lógica estabelece as possibilidades e os limites da descrição do mundo.47. E a descrição só é possível à distância. Simplex sigillum veri (5. em cada diapositivo. precisamente a condição de possibilidade da liberdade).233. a imagem dessa proposição. A cada proposição corresponde uma função de verdade (5. esse eu interno não nos está acessível directamente.552): só assim pode garantir as condições de possibilidade da descrição (5. por si. O nosso mundo mostra-se. ao que está fora.233).3). o tempo é apenas uma sucessão de instantes. Radicalmente.442. 10. Portanto. com isto. está fora dos limites do conhecimento (5. não na linguagem. 12. O que é autorreferencial não pode ser descrito: mostra-se.3). em si. inferir/deduzir a disposição lógica dos objectos. a operaç ão de verdade com base em “q” contém os resultados de todas as suas proposições sucedâneas. porque não podemos sair de nós para nos descrevermos a nós mesmos (5. 5.

na medida em que estaria fora dele (6. apenas descreve as possibilidades lógicas de disposição dos objectos de acordo com as suas propriedades internas. O primeiro é dito. “Estar fora” significa. A solução das questões da ciência deixar-nos-ia diante do silêncio fundamental onde já não há perguntas porque já se superou a contingência do mundo (6. A morte é a cessação da vida/tempo. não há surpresas. tudo é contingente/casual. 3. A lógica não determina a sucessão dos factos (visto que não há causalidade interna). por isso é que não podemos descrever a lógica.43).4311). o quê é místico. mas a própria descrição (6. guarde-se silêncio. o que nelas interessa não é a sua possibilidade lógica de descrição do mundo (porque a lógica em si não é um conteúdo. as leis são princípios lógicos a priori. .421).1251). por isso é que não nos podemos descrever. então o presente pode ser lugar de eternidade (6. necessidade de facto (como suporia a indução) mas somente necessidade lógica (6. seria já uma visão mística. o “limite” exprime sobretudo anterioridade.52). No mundo. Ética. Por isso é que não acedemos aos objectos que configuram substancialmente o mundo. Cabe às ciências dizer o que pode ser dito (o mundo). Portanto. A solução do mundo não se diz no mundo (6. conhecemos todas as suas proposições (6. mostra-se (6. então “estar antes”.4). Ética e Estética estão fora do mundo: são transcendentais (6. 6. 6. E o sentido não é contigente.45). Simplesmente estão fora dos limites seja dos factos (plano da ordenação lógica dos objectos no espaço lógico). sendo a visão dos seus contornos/limites. o segundo.1264). Não existe. não significa ausência. A representação afirma algo do mundo porque lhe corresponde. à filosofia apontar para o uso denotativo (=com sentido) da linguagem. Por conseguinte. Conhecida a sintaxe lógica. Estética e Mística 1. não dizem nada (6. mas a condição de possibilidade do conhecimento: por isso é transcendental (6. 5. Nesta medida. pois.343). “tornar possível”. a vida não pode ser descrita: a sua solução está fora do tempo e do espaço (6. O “para lá”. A visão da totalidade do mundo. na ciência. No entanto.341. Por este motivo. Bem e mal não são indiferentes no destino do mundo. O como é descritivo. E.124). mas sim uma ferramenta). A demonstração apenas esclarece que assim é (6. em Wittgenstein.41). 2.4312).14. Uma vez que todas as proposições têm o mesmo valor (6. segundo o seu método próprio (6. A lógica não é uma doutrina. Mas se a eternidade for vista como intemporalidade.37). 4. São anteriores à experiência. seja da linguagem (plano da correspondência lógica dos objectos do mundo nas proposições do sujeito) (6. 15. na lógica (6.522). o sentido do mundo (absoluto) tem que estar fora do mundo (6.342). As proposições da ciência são só quando são aplicadas é que nos oferecem uma dada descrição do mundo. Sobre o que está antes/fora.13).432). Estar fora.36).