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Quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

DCI

A boa arrecadação vem da forte entrada das PMEs na receita do governo federal
Retorno de serviços públicos é fraco
Mesmo com a alta carga tributária, de 35,13% do Produto Interno Bruto (PIB), e uma arrecadação de impostos que ultrapassa a marca de R$ 1,5 trilhão em 2011, o Brasil continua não aplicando de forma adequada os montantes arrecadados em serviços públicos prestados à população, para a melhoria da qualidade de vida. É o que revela o “Estudo sobre Carga Tributária/PIB X IDH”, concluído pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) no último dia 16 de janeiro. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil aparece na última posição entre os 30 países que registram maior carga tributária em todo o mundo. Para chegar a essa conclusão, o Instituto criou o Índice de Retorno de Bem Estar à Sociedade (Irbes), resultado da somatória da carga tributária segundo a tabela da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (Ocde) de 2010 e o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), conforme dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com a previsão do índice final para o ano de 2011. De acordo com os números da pesquisa, quanto maior é o valor do Irbes, melhor é o retorno da arrecadação dos tributos para a população. A Austrália lidera o ranking, sendo o país que melhor retorna os recursos arrecadados para o bem-estar da população, seguida pelos EUA, que caíram para a segunda posição em relação ao ano passado, e pela Coreia do Sul. Já o Japão e Irlanda, que ocuparam, respectivamente, a 2 e 3ª posição na pesquisa anterior, caíram para 4º e 5º lugar no ranking de 2012. ”O Brasil, com arrecadação altíssima e péssimo retorno desses valores à população em serviços como segurança, educação e saúde, fica atrás inclusive de países da América do Sul, como Uruguai, na 13ª posição, e Argentina, na 16ª colocação”, relata o presidente executivo do IBPT, João Eloi Olenike, que coordenou o estudo. Para o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), Luiz Fernando Nóbrega, ainda há um longo caminho a se percorrer. “Ainda é necessário mudar a cultura do brasileiro, a cultura da máquina governamental e a cultura de muitos contadores.” Para ele, a mudança é gradual e já começa a caminhar. “Os movimentos são fortes para que o governo perceba a necessidade de rever os gastos e de perceber que o excedente ainda é muito grande perante os tributos que pagamos no País”, concluiu.

são paulo

2012 promete ser um ano de mudanças dentro do setor de contabilidade. Deacordo comLuiz Fernando Nóbrega, presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o segmento contábil caminha à frente do de outros países da América no que diz respeito a organização e ferramentas de pagamento, e o que falta para o setor deslancharé a contra partida do governo federal no que diz respeito a carga tributária e simplificação dos trâmites legais. “Não há dúvida de que estamos entre os países mais avançados no setor de contabilidade. O queesperamos agoraéque sedesenvolva um processo mais fácil e menos burocrático, para que o contador tenha mais tempo para analisar separadamente cada ação, e agir melhor”, afirmou o executivo. De acordo com Nóbrega o papel do contador no Brasil está um pouco distorcido. “Hoje o contador não trabalha para o cliente mas para o governo”, disse ele, e continuou: “Uma desburocratizaçãoporparte dogovernoeliminaria uma série de informações redundantes que são constantemente enviadas”. A expectativa do executivo é de que este ano o setor cresça a cima do crescimento médio da economia —por volta de 5%— e o que puxará o segmento é a força do meio contábil, que sefaz cada vez mais necessário. “A profissão contábil adentra 2012 com uma expectativa ainda maior do que a de 2011. Estamos sendo cada vez mais reconhecidos pela sociedade com um papel de destaque no auxílio efetivo aos nossos clientes. As normas internacionais estão se consolidando tanto na área privada quanto na pública”, diz. E com a desburocratização também será importante para valorizar o profissional da área. “Quandoo governoperceberque há uma necessidade de rever formas de tributação, nós mudaremos toda a cultura do segmento”, assevera Nóbrega,e explica:“Feito isso, o profissional irá escrever mais, pensar mais, e as tributações serão mais justas, e o crescimento será latente, teremos escritórios que contratarão ainda mais, universidades formarão ainda mais e empresas perceberão a necessidadede profissionalizar este setor”, disse. De acordo com executivo um dos passos caminhados ano passado pelo mercado contabilista brasileiro, que resultará num cenário positivo para o setor, é o destaque do País na adequação

Divulgação/CRC

Luiz Fernando Nóbrega comenta o crescimento do setor contábil e as dificuldades encontradas para 2012

Contador trabalha cada vez mais para o governo
De acordo com Luiz Fernando Nóbrega, presidente do CRC, o País é de referência na América Latina no quesito software, organização e desbude leis internacionais de tributação. “OBrasil se tornou umdos líderes mundiais do processo de convergência das normas contábeis, no ano passado.” Exemplo disso, explicou Nóbrega, foi a criação de um grupo do setor que representa a América Latina, e dá voz ao Brasil e países vizinhos sobre o setor. “Criamos ano passado o Grupo Latino-americano de Emisores de Normas de Información Financiera (Glenif), presidido por um brasileiro, Juarez Domingues Carneiro, que também é presidente do Conselho Fedaral de Contabilidade (CFC), dando voz efetiva aos países latinos dentro do International Accounting Standards Board (Iasb). Esta conquista permitirá uma transposi-

rocratização. Ele diz que esta é a saída para que o setor deslanche, ganhe ainda mais força e trabalhe em conjunto com as empresas e a sociedade.
uma economia de tempo valiosa que nos permitirá atuar em áreas mais nobres para os nossos clientes, áreas estas que possam gerar um maiorvalor comnossos serviços”, analisa.
Mudanças

ção interna muito melhor para as normais internacionai, haja vista nossa interferência no processo de elaboração destas.” Nóbrega afirmou ainda que o encaminhamento desta postura internacional resultará em promoção do profissionale da sociedadecomrelação aosetor.Eleexplica ainda que para este ano, as mudanças pleiteadas pelo CRC estão em âmbito nacional são as mesmas feitas há algum tempo. “Nosso pleito acaba se tornando um clichê, mas esperamos uma redução e simplificação da carga tributária, alémde umadesburocratização dos processos de constituição e licenciamento das empresas.” “Isso se traduz, para nós, profissionais da contabilidade, em

O executivo explica que há uma movimentação conjunta entre associações, empresas e contadores para pressionaro governo e mudar a realidade tributária do brasil. “Éuma açãoconjuntacom pressão por parte dos órgãos que representam o setor,além de empresas que buscam melhorias.” Um dos meios usados para isso, explica, é a Internet. “Já derrubamos algumas barreiras, mas ainda há muito que conquistar nesse meio ainda”, disse.

“Falamos de um futuro ainda mais promissor, de um setor que não cresce mais em razão de impasses do governo, então, percebemoscadavez maisaciênciado contador com relação a isso, e a busca por melhorias”, disse. “Damos assistência a todos os setores da economia, crescemos junto com todos eles”, afirmou Nóbrega, que acrescentou: “Para crescermos acima damédia, precisamos otimizar o trabalho do contador, precisamos que ele gaste mais tempo descrevendo, por escrito, a realidade de cada negócio,eassim atributaçãoserá mais justa”, afirmou.
Solução requer paciência

Para driblar os problemas e manter oritmo decrescimento asolução, deacordo comNóbrega, está em um trabalho “de formiguinha”, em conjunto com todos os públicos. “Não podemos esperar uma mudança brusca de última hora. Não funciona assim”, disse.

O executivo afirma que o setor contábil no Brasil ainda pensa com uma cabeça às vezes antiquada com relação a tributação. “Não é possível, muitas vezes, usar a mesma base de comparação para todos os impostos, há casos que precisam ser pensados e analisados separadamente.” A mudança, gradual, que já teve início, não tem prazo para ser resolvida,masnem tudoestáperdido. “O mercado está otimista, o Brasiljá temvozativa nospadrões mundiais do setor, e é uma questão de tempo paraque as coisas se resolvam. Precisamos apenas manter o ritmo e o empenho”, diz. O cenário se mostra tão positivo que novas áreas começam a surgir dentro da contabilidade. “Temos informações de novas categorias dentroda contabilidade, contratação de profissionais focados em análise, coisa que nunca existiu e abre um leque de opções para o emprego no setor.”
paula cristina

Afaltademãodeobra tambémédesafionosetor
Para driblar ausência de funcionários, firmas de contabilidade começam a contratar profissionais de outras áreas para atender a demanda do setor
são paulo

Pequenas e médias empresas mudam o perfil do contabilista
são paulo

Assim como em tecnologia da informação e construção civil, o segmento de contabilidade também tem enfrentado dificuldade quando o assunto é mão de obra especializada. De acordo com Luiz Fernando Nóbrega, presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC), o retorno do exame de suficiência e os novos cursos para contabilistas trarão ao mercado profissionais mais preparados para atuação. “Voltamos com o exame no anopassado etivemos noprimeiro exame — que é semelhante ao dado pela Ordem dos Advogados do Brasil —aprovação na casa dos 30%, nosegundo testeo índicefoi de 50% isso mostra que há uma

melhora gradual no perfil do aluno que entra no mercado”, diz Nóbregadisse aindaque oexame tem a função de forçar toda a cadeia do setor, e nivelá-la por cima. “As universidades precisam se adequar a nova realidade do segmento,os alunosprecisamsaber que é necessário dedicação para poder exercer a profissão a empresa fica mais segura sobre quem está contratando”, disse. Ele afirma que a necessidade de mais mão de obra especializada acontece pelo crescimento acelerado do setor, que segue a cima do crescimento da economia. “As empresas às vezes precisam contratar profissionais deoutras árease depois tentar trazê-los para a contabilidade porque há poucos profissionais no mercado.” Nóbrega lembraque alunosde cursos de Administração, Direito e Comércio Exterior são alguns dos exemplos. “Temos casos de estudantesque começamemoutras áreas e depois passam para contabilidade por ser uma área em constante crescimento.” Quem precisou ampliar o leque

k PERFIL
«Falamos agora de um público mais jovem e mais antenado, mais atento às necessidades de mudanças e aos rumos do setor»
LUIZ FERNANDO NÓBREGA
PRESIDENTE, CRC

Perfil

de opção de profissionais paracrescer foi o sócio da Ardana & Netto, que passou a contratar profissionais de outras áreas e oferecer cursos de contabilidade. “Ano passado já esbarramos em muitas dificuldade para encontrar contadores de perfil mais jovem, ideal para o nosso foco de trabalho”, disse. “A solução encontrada”, explica o executivo, “foi contratar profissionais de áreas similares, comoa deadministração deempresas e ciências atuariais, e oferecer cursos técnicos no setor contábil. Hoje a empresa conta com 30 funcionários, sete dos quais não são contadores.

O perfil do contador brasileiro tem mudado muito nos últimos anos, a explicação, segundo Nóbregaestá ligadadiretamenteaos jovens que chegaram ao mercado de trabalho e trazem novos ideias para dentro dos escritórios. “Falamos agora de umpublico mais jovem e mais antenado, mais atendo às necessidades de mudanças e aos novos rumos do setor”, diz. E o perfil do aluno que vai para a universidade também é diferente. “Falamos de uma classe que, muitas vezes, vai iniciar a faculdade já trabalhando no ramo, já em contato com a profissão”. Isso, de acordo com ele, representa um perfil diferenciado, inclusive, para os cursos. “De fato podemos pensar em cursos de contabilidade que sejam feitos emEnsinoà Distância(EAD)porque falamos de alunos que já estão no mercado detrabalho, e encontram no EAD uma forma pratica e eficaz de conseguir uma graduação e se preparar ainda melhor para o mercado”, disse Nóbrega.
paula cristina

Fatia expressiva do mercado contábil, o setor que abrange as pequenas e médias empresas (PMEs), tem crescido de forma feroz. Sem números específicos o presidente do Conselho Regional de Contabilidade (CRC) Luiz Fernando Nóbrega enaltece a força do segmento. “Com certeza o setor é responsável por grande parte da atuação do setor contábil”, afirma. Outro papel importante que os PMEs representam para o setor é o perfil de mudança do pequeno e médio empresário. “Hoje notamos que os pequenos e médios são os mais interessados nas mudanças burocráticas e na facilitação do processo contábil”, diz. Entre cursos e palestras oferecidospeloCRC, umdospúblicos marcantes também tem este perfil. “Eles são interessados em conhecer o setor e entender melhor os caminhos para estar em dias com a questão tributária.” Entre as microempresas, o executivo lembra que ainda há

muito espaço para crescer. “Esse segmento representa um dos maiores empregadores do país e é ainda um tanto quanto carente de uma gestão mais profissional. Sem dúvida é um nicho de mercado que pode se muito explorado ainda”, disse. Exemplo disso, o escritório de contabilidade Ardana & Netto, forte na região de Salvador, viu seu negócio ganhar força neste mercado. “De fato, no começo, pensamos em buscar contas ligadas à grandes empresas, mas descobrimos no pequeno e médio empresário o caminho para crescermos”, explicou Sério Ardana, sócio da empresa, que espera fechar 2012 com crescimento na casa de 30%. Em 2011o escritóriofechou o ano com um faturamento de R$ 20 milhões e conta com 30 funcionários. “Atendemos agora mais de 50 pequenas e médias empresas, todas da região, que antes estavam fora do radar do governo e resolveram se legalizar”, disse o executivo.
paula cristina