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Direito da Empresa

O Cheque Sem Provisão

Mestrado em Gestão Universidade de Évora 2012

Docente: Prof. Dr. João Vaz Rodrigues Elaborado por: Duarte Miguel de Matos Metrogos Mestrando Nº9242

Índice

I – Introdução.................................................................................................................... 2 II – O Cheque ................................................................................................................... 3 2.1.) Apresentação ........................................................................................................ 3 2.2.) Regras Gerais ........................................................................................................ 4 III – O Cheque sem Provisão............................................................................................ 8 3.1.) Quadro Legal ........................................................................................................ 8 3.2.) Processo administrativo ........................................................................................ 8 3.2.1.) A Rescisão da Convenção de Cheque ............................................................ 9 3.2.2.) A LUR (Listagem de Utilizadores de cheque que oferecem Risco) ............ 10 3.3.) Processo Criminal ............................................................................................... 11 IV – Burla ou crime de emissão de cheque sem provisão? ............................................ 13 4.1.) Responsabilidade dos bancos ............................................................................. 15 V – Conclusão ................................................................................................................ 17 VI – Referências Bibliográficas ..................................................................................... 18

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Considera-se cheque sem provisão o cheque emitido. Até ao aparecimento dos pagamentos electrónicos era o meio de pagamento que melhor aliava segurança e facilidade de utilização a uma elevada utilização. que é a falta de um entendimento uniforme na jurisprudência no que diz respeito à classificação da emissão e entrega de cheque sem provisão como um crime de burla ou como um crime de emissão de cheque sem provisão e a responsabilidade dos principais intervenientes. a ser um dos mais utilizados. hoje em dia. Estes processos são tutelados pelo Decreto-Lei nº454/91. de 28 de Dezembro. 2 . vulgo Regime Jurídico do Cheque sem Provisão e serão abordados numa segunda fase do trabalho. em casos deste tipo. neste âmbito abordarei também a questão. bastante pertinente. Por último será feita uma pequena abordagem a um paradigma actual. mas não recente. este trabalho irá incidirá exclusivamente sobre o uso de cheque sem provisão e nos processos.. cuja conta não dispõe de fundos para o seu pagamento. Não obstante a enorme diversidade de temas relacionados com o cheque. dependente de queixa e mediante a verificação de determinadas condições). se centrará no uso do cheque sem provisão. Numa fase inicial é essencial fazer uma apresentação do cheque – dos conceitos inerentes ao mesmo e das suas regras gerais (definidas na LUC) – que permita criar bases de entendimento indispensáveis a uma mais fácil interpretação do tema principal que. o emissor e a entidade bancária sacada. o emissor deste tipo de cheque poderá incorrer em penalizações a dois níveis distintos: nível administrativo (rescisão da convenção de cheque e inibição do seu uso) e a nível judicial (procedimento criminal. que lhe estão inerentes..I – Introdução Ao longo dos anos o cheque tornou-se um elemento quase simbólico dos negócios e das trocas monetárias. como foi referido atrás. e continua. administrativo e penal. da falta de consenso no que diz respeito à existência de crime de burla no uso do cheque sem provisão.

Um crédito é. que um cheque é uma ordem de pagamento dada pelo sacador ao sacado. de forma bastante sintetizada. simplesmente confere ao beneficiário a expectativa de receber essa quantia. cit. cit. pág. aquando da apresentação do documento. tendo como base as ordens de pagamento emitidas pelos reis sobre os seus tesoureiro (exchecquer bill ou simplesmente cheque)” 2. O cheque insere-se na categoria de títulos de crédito. em Inglaterra que o cheque veio a encontrar maior consagração e pólo de desenvolvimento e irradiação. De realçar que o cheque não constitui. cujas raízes provêm da lettera di pagamento. facilitando largamente a circulação desses bens.. 453. o diferimento no tempo de uma contra prestação. Os títulos de crédito tornam mais simples. op. Especificando pode dizerse que se trata de um título cambial devido à sua origem histórica proveniente do contrato de câmbio. determinada quantia. um meio de pagamento. para que este pague ao beneficiário. Pupo Correia. pág. a troca de uma prestação presente por uma prestação futura. rápida e segura a circulação de riqueza e a concessão de crédito uma vez que permitem fazê-lo através da transmissão de um documento representativo dos bens em causa.. pp.1. Pode então dizer-se. Pupo Correia. “Foi. nele mencionado”. 2 3 3 .II – O Cheque 2. essencialmente. Comporta. 2007.) Apresentação A fim de abordar o tema do cheque sem provisão é importante primeiro perceber o que é o cheque. todavia. os intervenientes no cheque são: 1 Miguel J. Assim. dois pressupostos básicos: a confiança do credor na honestidade e solvabilidade do devedor 3 e o decurso do tempo entre a prestação actual do credor e a prestação futura do devedor. em que se fundamenta e como funciona. A. Pupo Correia. por isso. em si mesmo. literal e autónomo. 441. utilizada naquela época para dar ordem aos banqueiros para executar pagamentos por conta dos depósitos do ordenante. A definição mais corrente para título de crédito é-nos dada por Vivante: “documento necessário mas suficiente para o exercício do direito. existente na Idade Média 1. op. in “Direito Comercial – Direito da Empresa”. ou seja. 453 e ss.

. e no Regime Jurídico do Cheque (RJC).O local de pagamento.Avalista – a pessoa que se responsabiliza. cit. salvo raras excepções): . que instituíram a Lei Uniforme sobre Letras e Livranças (LULL) e a Lei Uniforme sobre Cheques (LUC)».2.1930. 4 «…estes títulos foram dotados de um regime unificado internacionalmente. que será abordado no capítulo seguinte. pelo pagamento do cheque (embora a figura do avalista esteja prevista na LUC (Capítulo III) não é vulgar a sua intervenção neste título de crédito). transmite o benefício do cheque a outra pessoa. através das duas Convenções de Genebra de 7.Endossado – a pessoa que.. por endosso. Esta legislação encontra-se descrita na Lei Uniforme do Cheque (LUC). (Pupo Correia. por endosso. . As regras gerais do cheque encontram-se definidas na LUC 4. passa a ser o legítimo beneficiário do cheque. pp 454). .) Regras Gerais O uso generalizado do cheque não seria possível sem a existência de legislação que discipline o seu preenchimento. .A palavra “Cheque”.º1º e Art. .Beneficiário – a pessoa – nominalmente conhecida ou não (uma vez que poderá ser identificado no cheque ou não) – a favor de quem reverte o valor indicado no cheque (ao primeiro beneficiário do cheque chama-se também tomador).º2º da LUC) São requisitos obrigatórios do cheque (sem os quais o mesmo não produzirá efeitos.. Requisitos do cheque (Art. op. Abaixo encontram-se sintetizadas as que considero indispensáveis para obter uma imagem satisfatória dos aspectos caracterizadores deste título de crédito. .Sacador – a pessoa que ordena o pagamento do cheque (o titular da conta). .Endossante – a pessoa que.Sacado – a entidade a quem é ordenado que pague o cheque (o banco). regule os prazos para apresentação a pagamento.A data e o local de emissão. 2. 4 . tutele as situações de falta de provisão e crie a confiança indispensável ao uso de qualquer título de crédito.6. que abordarei neste capítulo. no todo ou em parte.

que poderá ser transmitido por tradição. ..º14º a 17º e Art.Nome do sacado.Assinatura do(s) sacador(es). O pagamento de um cheque com cruzamento geral apenas poderá ser feito pelo sacado a um seu cliente ou a um banqueiro (Art.º37º a 39º da LUC) São consideradas menções especiais de pagamento o cruzamento do cheque e a menção “Para levar em conta”.º25º e 27º do LUC) O pagamento de um cheque pode ser garantido. traçadas na face do cheque) ou especial (quando tem escrito. como se verá em seguida. por último. Assim. entre os dois traços. no todo ou em parte. no caso de um cheque nominativo “não à ordem” o mesmo apenas poderá ser transmitido por cessão ordinária de créditos (Art. De acordo com o Art. ou seja. através da simples entrega do mesmo a um novo beneficiário. conter o nome do beneficiário (obrigando por isso à identificação do seu apresentante) ou ao portador.º37º da LUC o cruzamento poderá ser geral (efectuando-se por meio de duas linhas paralelas. por um aval. O cheque nominativo poderá ser emitido “à ordem” ou “não à ordem”. ou seja. o nome de uma instituição de crédito). O pagamento de um cheque com cruzamento especial 5 .Mandato puro e simples de pagar uma quantia determinada. um cheque nominativo “à ordem” poderá ser transmitido por endosso completo (quando indicado o nome do próximo beneficiário) ou incompleto ou em branco (quando o portador se limita a colocar a sua assinatura no verso). . Cheques cruzados e cheques a levar em conta (Art. não havendo necessidade de identificação do beneficiário). Formas de emissão (Art-º5º da LUC) Seguindo a sua natureza de título de crédito. Formas de transmissão (Art. Aval (Art. sendo que o avalista é obrigado da mesma forma que a pessoa que garante.º 38º da LUC). O que se prende com a sua transmissibilidade. o cheque poderá ser nominativo.º20º da LUC) A forma de transmissão do cheque está directamente relacionada com as formas de emissão e mais uma vez reflecte a sua natureza de título de crédito. o cheque ao portador.º 577º e seguintes do Código Civil). quando não é definido o beneficiário (é pagável por simples apresentação.

op. Cheque pré-datado (Art. cit. Revogação do cheque (Art. por si só.mporta no entanto. O comprador não possui nenhuma garantia legal de que o vendedor honrará as datas acordadas para desconto de um cheque prédatado. mediante declaração escrita. Cheque visado Criado como forma de garantir ao beneficiário o recebimento da quantia inscrita e de obstar às consequências da destruição ou extravio deste 5. não obsta. Na hipótese de depósito do cheque pré-datado antes da data acordada entre as partes. na altura em que foi feito.º32º da LUC) O sacador poderá proceder à revogação (anulação) do cheque. assegurando o pagamento. poderá entrar com uma acção de danos materiais contra o beneficiário.só pode ser efectuado pelo sacador ao banqueiro designado ou a um seu cliente.457. O visto apenas garante que. senão haverá quebra de contrato entre as partes. I. Poderão haver excepções a esta regra nos casos em que. o sacador. a conta se encontrava provisionada no montante indicado.º1170º do Código Civil. A pedido do sacador. no caso de o cruzamento ser sobre o próprio sacado. A extinção deste prazo. Um cheque contendo a menção “Para levar em conta” (aposta transversalmente na sua face) terá que ser creditado necessariamente na conta de quem o apresenta uma vez que ao inserir esta menção o sacador ou o portador proíbe o seu pagamento em numerário (Art. Porém a data colocada no corpo do cheque deve ser respeitada pela pessoa que o recebe. caso o emitente venha a ter prejuízo causado decorrente da precipitação do depósito do cheque.º29º da LUC.. referir que esta só produz efeito depois de findo o prazo de apresentação definido no Art. dependendo do banco a decisão de colocar essa quantia em cativo até à data de pagamento do cheque. 6 .º28º da LUC).º39º da LUC). pp. transmita instruções 5 Pupo Correia. Uma vez que o cheque materializa uma ordem de pagamento à vista o mesmo será pago no dia em que é apresentado a pagamento. nos termos do nº2 do Art. independentemente da data de emissão em si inscrita (Art. Somente o banco não terá responsabilidade sobre o depósito antecipado de um cheque.º 28º da LUC) Trata-se de um cheque passado com data de emissão posterior. o Banco sacado insere uma menção de visto. ao pagamento do cheque.

tem efeitos imediatos. Neste caso estamos perante uma revogação por justa causa que. 7 . incapacidade acidental (quando o cheque é emitido num momento em que o sacador se encontra acidentalmente incapacitado ou impedido de exercer livremente a sua vontade) ou qualquer outra situação em que se manifeste falta ou vício na formação de vontade (quando o cheque é emitido em resultado de informação ou realidade adulterada por exemplo). coacção moral (cheque emitido sob ameaça).ao sacado no sentido de impedir o pagamento do cheque por motivo de roubo (apropriação indevida com recurso à violência). Passemos agora ao tema central do trabalho – o cheque sem provisão. furto (apropriação indevida sem recurso à violência). extravio (perda do cheque). por norma. devendo o motivo indicado pelo sacador ser aposto no verso do cheque.

º 1741-C/98 (2.ª Série).III – O Cheque sem Provisão 3. pelas instituições de crédito. Este sofreu nos últimos anos várias alterações com vista a melhorá-lo: . O RJC está definido no Decreto-Lei nº454/91. a inibição do seu uso. . aumentando as responsabilidades das instituições de crédito e do Banco de Portugal. autorizando ainda o acesso das instituições de crédito às informações relativas a esses utilizadores. Esta secção do trabalho remete-nos agora. Existe utilização indevida quando a instituição de crédito recusa fazer o pagamento do cheque por uma razão imputável ao sacador ou quando o banco se vê obrigado a fazer o pagamento do cheque.) Processo administrativo A utilização indevida do cheque poderá ter como consequência. de 19 de Novembro: deu nova redacção ao Decreto-Lei nº454/91. 11º e 11º-A). de 17 de Dezembro: procede à conversão de valores expressos em escudos para euros em legislação da área da justiça. nos quais o Banco de Portugal fixou os requisitos a observar na abertura de contas de depósito e no fornecimento de módulos de cheque e transmitiu instruções visando a aplicação uniforme do RJC.1. . de 24 de Abril: acrescenta a utilização de cheque após rescisão como motivo de inclusão na LUR. ou seja. O objectivo desta lei é descriminalizar o uso do cheque sem provisão através do aumento da responsabilidade das instituições de crédito na atribuição de livros de cheques aos clientes. estabelecendo. a obrigatoriedade de pagamento destes cheques.Lei nº 48/2005. . sem acção penal.2. principalmente. em contrapartida.º 1/98 e o Aviso n. para o segundo. a nível administrativo. mesmo 8 . 3. baseando-se esta numa relação de conhecimento e confiança entre as mesmas e o cliente.00€.Decreto-Lei nº 316/97. Também se revestem de extrema importância a Instrução n. devendo as mesmas refinar o nível de selectividade.Decreto-Lei nº 323/2001. 8º. de 29 de Agosto: procede à quarta alteração ao regime jurídico do cheque sem provisão (artigos 2º. os grandes pilares reguladores do cheque são a LUC (Lei Uniforme relativa ao Cheque) e o RJC (Regime Jurídico do Cheque sem Provisão). de 28 de Dezembro. determinando que deixa de ser penalmente tutelado o cheque emitido com valor inferior a 150.) Quadro Legal Tal como foi referido anteriormente.Decreto-Lei nº 83/2003.

por o cheque ser de valor não superior a 150. furto.2. 9 . A não regularização do cheque no prazo de 30 dias terá como consequência a rescisão da convenção de cheque (nº1 do Art.º8º do RJC. Verificada a falta de pagamento e uma vez notificada pelo banco ao emitente (através de carta indicando. de acordo com o nº2 e nº3 do Art. Esta medida foi tomada. 3. Esta obrigatoriedade poderá não se verificar quando.) A Rescisão da Convenção de Cheque A convenção de cheque é o contrato através do qual uma instituição de crédito e o(s) titular(es) de uma conta de depósito (ou seus representantes) acordam a movimentação da mesma através de cheque. no nº1 do Art.3º do RJC). tendo em conta as recomendações do Conselho da Europa e orientações de algumas legislações estrangeiras. O cheque considerar-se-á regularizado se: a) o portador o voltar a apresentar e receber o montante nele indicado. b) o sacador proceder a depósito.º1º do RJC) e a inclusão na Lista de Utilizadores de Cheque que oferecem Risco (nº1 do Art. o local e o termo do prazo para regularização da situação e as consequências da falta dessa regularização (nº2. 7 No caso de regularização de cheque de valor inferior a 150. As instituições de crédito são obrigadas a rescindir a convenção de cheque com quem ponha em causa o espírito de confiança que deve presidir à circulação do cheque pela sua utilização indevida. Art.8º. abuso de confiança ou apropriação ilegítima de cheque). Nos casos previstos nas alíneas b) e c) são devidos também juros moratórios desde a apresentação do cheque a pagamento.º1º-A do RJC). a instituição sacada recusar justificadamente o pagamento do cheque por motivo diferente da falta ou insuficiência de provisão (por exemplo. no prazo de 10 dias.º 8º a obrigatoriedade de pagamento pelas instituições de crédito dos cheques que apresentem falta ou insuficiência de provisão de montante não superior a 150. pago pelo banco de acordo com o disposto no nº1 do Art.º1º-A do RJC)) o mesmo deverá regularizar a situação (liquidando a importância indicada no cheque e procedendo à demonstração do seu pagamento junto do banco) no prazo de 30 dias consecutivos (nº1 do Art. por parte de todas as entidades abrangidas por tal decisão e à proibição 6 O Regime Jurídico do Cheque estabelece. à taxa legal. o emitente não incorre no pagamento de juros de mora. c) o sacador exibir prova do seu pagamento ao portador.00€. existência de sérios indícios de falsificação. obrigatoriamente.00€. à ordem do portador. com o intuito de contribuir para a redução do volume de criminalidade relacionada com o uso do cheque.não existindo provisão na conta.00€ 6. acrescida de 10 pontos percentuais 7. A rescisão deste contrato obrigará à devolução dos módulos de cheques fornecidos pelo banco e não utilizados. Em qualquer um dos casos o banco poderá avançar com o processo de rescisão de convenção de cheque (nº7 do Aviso 1741-C/98 do Banco de Portugal).1. fixada nos termos do Código Civil.

no entanto. o banco pagará o cheque. o banco terá em consideração. conforme nº1 do Art. as seguintes circunstâncias meramente indiciadoras (enunciadas no Aviso nº 1741-C/98 do Banco de Portugal): a) Declaração do titular emitente a assumir a responsabilidade exclusiva pela emissão do cheque não regularizado. 3. c) O titular não emitente ter cedido a sua quota ou renunciado à gerência em sociedade comercial. entre outras.2. 10 . salvo prova em contrário. singulares ou colectivas.º6º do RJC estabelece que a rescisão de convenção não impede que as contas sejam movimentadas através de cheques avulsos (visados ou não). a partir da data em que a notificação se considere efectuada 8. mesmo que o notificando não se encontre na morada indicada ou recuse recebê-la (nº2 do Art. Para tal. se existir provisão ou for de valor inferior a 150. cartões. As instituições de crédito deverão anular a rescisão relativamente aos cotitulares caso estes demonstrem que são alheios aos actos que a motivaram. e) O cheque não regularizado ser de montante anormal relativamente aos demais movimentos a débito na conta. f) Os titulares terem dissolvido sociedade civil.º5º do RJC. com as quais os bancos 8 A notificação deverá ser feita através de carta registada. Não poderá também ser recusado o pagamento de cheques com fundamento na rescisão da convenção de cheque ou no facto de o sacador se encontrar na LUR. etc.2.) A LUR (Listagem de Utilizadores de cheque que oferecem Risco) A LUR é difundida pelo Banco de Portugal junto das instituições de crédito e é constituída pelo conjunto de entidades. e considera-se efectuada.º5º do RJC. Caso o cheque seja apresentado a pagamento fora do prazo legal definido (Art. extensiva a cotitulares de outras contas nas quais o emitente do cheque também figure. Segundo o nº3 do Art.º1º do RJC a rescisão de convenção é extensiva a todos os co-titulares da conta a que diz respeito o cheque. b) Separação judicial ou divórcio dos titulares. d) O titular não emitente ter renunciado à titularidade ou representação na conta de depósitos em causa.º29º da LUC) deixará de estar provido de protecção legal e o seu emitente não poderá ser punido criminalmente nem ver rescindida a convenção do seu uso caso o cheque seja devolvido.de emitir cheques sobre a instituição de crédito que procede à rescisão. no terceiro dia posterior ao registo ou no primeiro dia útil seguinte (caso este não o seja). não sendo.00€. ordens de transferências. O Art.

Esta decisão poderá ser despoletada por requerimento da própria entidade ou por proposta de qualquer instituição de crédito. A pena principal aplicável ao crime de emissão de cheque sem provisão é a de prisão até 3 anos ou multa. no prazo de 15 dias. 11 .º 11º do RJC estipula que os mandantes (mesmo sendo empresas. O nº4 do Art. A responsabilidade criminal extingue-se caso a situação seja regularizada nos termos e prazos previstos no Art. contados a partir da data de entrada na listagem. O cheque passado num país diferente daquele em que é pagável deve ser apresentado respectivamente num prazo de vinte dias ou de setenta dias. Ao ser integrada na LUR a entidade ficará impedida de celebrar nova convenção de cheque durante 2 anos. 3. 1º-A. o Banco de Portugal pode decidir a remoção antes de decorrido este prazo se existirem circunstâncias ponderosas que justifiquem a necessidade de utilizar cheques (Art. caso o cheque seja de valor elevado 10. alínea a). Na falta de algum destes elementos o Ministério Público notificará o queixoso para. Contudo. cuja devolução por falta de provisão ou por outro qualquer motivo cause prejuízos patrimoniais o emitente poderá incorrer em processo judicial. etc.00€ apresentado a pagamento nos termos e prazos legais definidos no Art. do Código Penal. conforme o lugar de emissão e o lugar de pagamento se encontram situados na mesma ou em diferentes partes do mundo.3. à data de entrega do cheque ao tomador e aos respectivos elementos de prova (nº2 Art. Este processo dependerá de queixa. associações. para pena de prisão até 5 anos ou pena de multa até 600 dias. por parte do lesado. As instituições de crédito poderão também utilizá-la para avaliar o risco de crédito dos clientes.º4º do RJC).) são civil e solidariamente responsáveis pelo pagamento das multas e indemnizações em que os indivíduos.º11º-A do RJC).tenham rescindido a convenção de cheque por utilização indevida do cheque (nº1 do Art. incorram.) Processo Criminal Nos casos em que haja emissão de cheque de valor superior a 150. proceder à sua indicação (nº3 Art. 10 Considera-se cheque de valor elevado todo aquele que exceder o valor previsto no Art.º3º do RJC). Caso o cheque seja pago no intervalo de tempo entre o termo do prazo legal de pagamento e o início da audiência de julgamento em 1ª instância. 202º. na qualidade de seus representantes. Esta queixa deverá fazer referência aos factos que levaram à emissão do cheque. agravada.”. A divulgação desta listagem tem como principal objectivo informar o sistema bancário dos clientes com os quais não deverão celebrar convenção de cheque.º29º da LUC 9.º 11º-A do RJC). contra o emitente para se iniciar (nº1 do Art. a responsabilidade criminal manter-se-á mas a pena poderá ser especialmente 9 “O cheque pagável no país onde foi passado deve ser apresentado a pagamento no prazo de oito dias. 11º-A do RJC) e o seu julgamento competirá exclusivamente aos tribunais. pondo em causa o espírito de confiança que preside à sua circulação.

respectivamente (nº7 do Art. Além disso. Esta consistirá na divulgação. a devolução de um cheque pré-datado não é considerada crime de emissão de cheque sem provisão (nº3 do Art.º10º do RJC). bem como a identificação do agente (nº 3 e nº 4). nos lugares destinados para o efeito (jornais locais e editais nos locais destinados pela junta de freguesia. Contudo. o juiz poderá ainda condená-lo em interdição do uso de cheques por um período mínimo de seis meses e máximo de 6 anos. uma vez que o cheque é um título de crédito pagável à vista (Art. Caberá novamente ao Banco de Portugal comunicar a todas as instituições de crédito a sentença que concede a reabilitação (nº9 do Art. Assim.º28º da LUC).00€) de modo a evitar a inibição do uso de cheques uma vez que o banco fica sub-rogado nos direitos do portador até ao limite da quantia paga (Art. o sujeito a quem tiver sido aplicada esta sanção tem a obrigação de restituir às instituições de crédito todos os módulos de cheques que estas lhe forneceram (e aos seus mandatários) e abster-se de os emitir.º11º do RJC).º 12º). todo aquele que seja julgado pelo crime de emissão de cheque sem provisão pode ainda incorrer em sanções acessórias.º12º). apesar de não ser punido criminalmente. nestes casos.º 12º do RJC. o nº1 do referido artigo identifica também a publicidade da decisão condenatória como meio de sanção. Para além da interdição do uso de cheque. 12 . os bancos procederão ao seu pagamento se existir provisão mesmo que este seja apresentado a pagamento antes da data de emissão inscrita no documento. O condenado em interdição do uso do cheque poderá ver a sua situação judicial regularizada se o seu comportamento nos 2 anos seguintes ao cumprimento da pena principal. fica sujeito à obrigação de regularização (caso o banco proceda ao pagamento do cheque por este ser de valor inferior a 150. As sanções acessórias passíveis de serem aplicadas. isolada ou cumulativamente.º 6º do RJC. que por sua vez informa todas as instituições de crédito de que devem abster-se de fornecer ao agente e seus mandatários módulos de cheques.º 12º do RJC). 11º do RJC). por exemplo) e por período não inferior a um mês. A interdição do uso do cheque é comunicada ao Banco de Portugal. No caso dos cheques pré-datados apresentados a pagamento antes da data de emissão definida não haverá consequências para o emitente em caso de devolução por falta ou insuficiência de provisão. Tal como foi referido atrás. Para além da pena de prisão ou de multa a que pode ser condenado. tornar razoável supor que o mesmo não voltará a cometer crimes da mesma natureza (nº8 do Art.atenuada (nº5 e nº6 do Art. ou seja. sob pena de praticar os crimes de desobediência e desobediência qualificada. de extracto no qual constem os elementos da infracção e as sanções aplicadas. estão legisladas no Art. com excepção dos casos previstos no Art.

ou causem a outra pessoa. levando-o a praticar actos que lhe causam a si (indivíduo B).º10º do Código Penal) e este não seja cumprido. O Art. com intenção de obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo. estando inserido no Livro II – Parte Especial.O procedimento criminal depende de queixa. havendo situações em que basta a mentira para que se verifique este tipo de crime).º e na alínea a) do artigo 207. prejuízo patrimonial. um sujeito que finge ser polícia e cobra multas aos condutores) ou por omissão – quando haja o dever de informação (de acordo com o Art. de forma astuciosa. O crime de burla é visado no Código Penal. prejuízo patrimonial é punido com pena de prisão até 3 anos ou com pena de multa. 4 . por meio de erro ou engano sobre factos que astuciosamente provocou. no Título II – Dos crimes contra o Património e no Capítulo III – Dos crimes contra o património em geral. pode configurar um crime de emissão de cheque sem provisão ou burla.Quem.º 217 do Código Penal estipula: “1 .De enaltecer que. por actos concludentes (comportamentos aparentemente idóneos mas que constituem um acto ilícito. 2 .A tentativa é punível.º” Estamos. bastando para isso que haja prejuízo patrimonial do lesado. induz em erro um indivíduo B. pretendendo obter para si ou para terceiro enriquecimento ilegítimo. O erro ou engano poderá ser feito por palavras (onde se incluem também os textos e os códigos gestuais. 3 . ou a outrem. tal como foi referido atrás. IV – Burla ou crime de emissão de cheque sem provisão? A entrega de um cheque sem provisão. perante um crime de burla quando. então. para pagamento de serviços ou bens. Considera-se enriquecimento ilegítimo o enriquecimento de um sujeito por consequência do empobrecimento de outrem não havendo causa justificativa desse enriquecimento. a existência (ou não existência) de procedimento criminal e a sua regularização não interfere com a existência e o decorrer de um processo administrativo de inibição do uso do cheque.É correspondentemente aplicável o disposto no artigo 206. por exemplo. Por erro entende-se a representação errónea de uma realidade concreta com o intuito de influenciar o comportamento/consentimento da vítima. aproveitando o estado de erro em que o sujeito já se encontra para tirar partido do mesmo. 13 . determinar outrem à prática de actos que lhe causem. De referir que não é necessário haver enriquecimento do agente para que se verifique um crime de burla. determinado sujeito A.

estaríamos perante uma situação em que o agente deveria ser punido por crime de burla.º207º do Código Penal. e tal como está definido no nº4 do Art. convença o tomador do cheque da existência de provisão.” 11. de 28 de Dezembro. Germano Marques da Silva chegou a propor.º11º do RJC. no domínio do Direito Penal. se verificar a regra de que a lei especial prevalece sobre a lei geral. para que exista um crime de burla. de acordo com o que foi referido atrás. não basta que seja ocultada a falta de provisão na altura da entrega do cheque. Isto é. Na década de 90 o Prof. já que era entendimento que a punição do crime de emissão de cheque sem provisão constituía uma forma de execução do crime de burla. pragmaticamente.O crime de burla está inserido nos crimes semipúblicos uma vez que. “. O referido anteprojecto serviu de base ao Decreto-lei nº 316/97. ora constituindo um regime especial que crime de burla. No entanto. Teoricamente. Pinto in “Cheques sem Provisão – Regime Jurídico Anotado”. quando o agente do crime for cônjuge. Actualmente não existe consenso na jurisprudência no diz respeito a saber se estamos perante uma burla ou um crime de emissão cheque sem provisão quando é feita uma entrega de um cheque sem provisão para obtenção de um produto ou serviço.º206º do Código Penal (ver também nº4 do Art. do próprio preâmbulo do Decreto Lei nº 454/91 resulta expressamente que a aplicação das penas do crime de burla ao sacador do cheque sem provisão (…) é uma consequência material desse comportamento com os que integram aquela figura do direito clássico. tal como está estipulado no nº3 do Art. ou com ela viver em condições análogas às dos cônjuges. remetendo-se para o regime geral. por meio de conduta astuciosa. A pena aplicada ao agente poderá ser especialmente atenuada caso este proceda à restituição da coisa apropriada ou à reparação dos prejuízos causados. 105.. É certo que. adoptado. pp. passando o procedimento criminal a estar dependente de queixa e acusação particular quando se verifique uma das situações descritas na alínea a) do Art. descendente. para se verificar um crime de burla é necessário que o sacador. De facto.º217 do Código Penal. ora havendo proximidade material com aquele tipo de crime) um tratamento autónomo devido aos problemas e questões específicas que este suscita. não é isso 11 António A. uma vez que nela o legislador entendeu ser mais preciso na definição dos factos que dão forma ao ilícito. o procedimento criminal está dependente de queixa. parente ou afim até ao 2º grau da vítima. talvez por. no seu anteprojecto de alteração do Decreto-Lei nº 454/91. nos termos do Art. adoptante. embora o legislador tenha optado por conceder ao crime de emissão de cheque sem provisão (nas suas diversas modalidades. de 19 de Novembro. constituir um crime particular. Poderá.º217 do Código Penal). ascendente. pois quem recebe o cheque tem consciência da sua possível falta de provisão. a revogação da alínea a) do nº1 e nº2 do Art.º217º do Código Penal.. no entanto. T. sendo o cheque utilizado com meios astuciosos e nos termos descritos no Artigo 217º do Código Penal. 14 .

com dolo ou mera culpa. de 4 de Abril de 2008. 1999. De acordo com o autor 14 “o aspecto fulcral da burla por actos concludentes radica na circunstância de o sujeito activo. e/ou por meio de actos concludentes uma vez que. Almeida Costa (1999) 13. Processo 3965/04. de acordo com A. como. aos actos de tentativa de evasão ao pagamento dos mínimos obrigatórios por parte das instituições de crédito. em alguns casos. 15 . veicular uma visão falsa ou deturpada da realidade”. de resto. pág. Decisão que. o mesmo continua lesado caso o banco se recuse a efectuar o pagamento desse cheque. Assim.º483º do Código Civil estipula que: “Aquele que. de 28 de Abril de 2004. por exemplo. 13 14 A. violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação. Almeida Costa in “Comentário Conimbricense do Código Penal”. 1999. 304.º483º do Código Civil 12. uma vez que este deverá responder sempre pelos seus actos. faz todo o sentido tendo em conta o que foi referido anteriormente acerca da priorização da lei especial sobre a lei geral. pág. no qual o Tribunal qualifica o crime descrito como crime de emissão de cheque sem provisão apesar de. através da conduta. uma vez que. existindo um regime jurídico específico para este tipo de situação. Posto isto que há que indagar qual a responsabilidade da instituição de crédito.) Responsabilidade dos bancos Ao ser lesado o beneficiário do cheque. 302. não havendo legislação específica para este tipo de ilícito uma vez que o RJC não os aborda (na vertente de ilícito por uso indevido por parte do banco). nos termos do nº1 do Art. M. através da entrega de um cheque sem provisão por parte do sacador. no que respeita.que se verifica. M. infere nesse sentido.1. M. ao nível da responsabilidade civil extracontratual. aparentemente. os mesmos deverão seguir o regime geral. se pode verificar no Acórdão Uniformizador de Jurisprudência do Supremo Tribunal de Justiça nº 4/2008. Também o Acórdão do Tribunal da Relação do Porto. A. Processo: 0411116. existindo assim a possibilidade de serem enquadrados no crime de burla por meio de palavras. 12 O nº1 do Art. o mesmo reunir as características de um crime de burla. se pode considerar que mente ao cliente (sendo a mentira o suficiente para se afigurar o crime de burla). 4. Almeida Costa in “Comentário Conimbricense do Código Penal”. através de argumentações do género: “existe irregularidade do saque” ou “recebemos instruções para cancelar o cheque”.”. como de resto se poderá constatar no Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. “integram o crime de burla os casos em que a conduta do sujeito activo cria ou assegura / aprofunda o engano da vítima”. de 19 de Janeiro de 2005.

Processo 1608/08.º 1. quando esta não seja devidamente comprovada pelo mesmo. Ou seja. 15 vide Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. caso contrário o acto tomará a forma de crime de emissão de cheque sem provisão.º. Processo 34/09. Se. n. Caberá depois às autoridades judiciárias apurar a validade do pedido de revogação por justa causa. a alegação da existência de justa causa carece de ser demonstrada.1TBPCV. Processo 310/09. no entanto. de 01 de Junho de 2010. o sacador incorrerá na prática de um crime de emissão de cheque sem provisão.1TBPBL.0TBMIR. de acordo com o que está definido no Art. Caso a causa da comunicação seja justificada o sacador deve ser ilibado da autoria de crime de emissão de cheque sem provisão. 16 .C1. comunicando essas instruções ao banco através de declaração escrita. havendo. Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. Essa proibição deverá. roubo ou extravio do cheque o sacador deve proibir o pagamento do mesmo.º 9/2008. por motivo de ordem de revogação por justa causa do sacador.C1.C1. de 15 de Fevereiro de 2011. de 25 de Setembro de 2008. ser justificada. de 11 de Maio de 2010. a possibilidade de recurso. se chegar à conclusão de que a proibição do pagamento foi feita apenas com o intuito de evitar o pagamento do cheque. em regra. pelo contrário. competindo ao Tribunal o exercício da livre apreciação da prova de forma a avaliar a veracidade e adequabilidade dos elementos justificativos da revogação por justa causa.º342. veio fixar jurisprudência exactamente nesse sentido… Nos casos em que haja furto.Diz-nos a jurisprudência 15 que o banco será também responsabilizado pelos danos causados ao portador do cheque (independentemente do seu valor) caso recuse efectuar o pagamento do mesmo. O Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça n. dentro do prazo definido no artigo 29º da LUC. e Acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra. do Código Civil.

julgo também não ser de excluir a hipótese de criar legislação específica. da forma mais correcta possível. baseada na jurisprudência já existente. também o uso de cheques sem provisão se verificará enquanto este tipo de documento existir e circular e certamente irão ser lançados novos decretos-lei complementares e correctivos tendo sempre como objectivo manter o espírito de confiança que é a base em que assenta todo este conceito. viciante. Por último. Tentei. pelas suas características [transmissibilidade. À medida que avancei no trabalho fui adquirindo a clara percepção de que existem muitos mais assuntos que elevam ainda mais o interesse deste tema e que poderão ser aprofundados e a abundância de fontes de informação tornou a execução do mesmo de certa forma. que permita sair da esfera da responsabilização apenas ao nível civil e tornar o tratamento destes casos mais célere e assertivo. abordar os seus principais aspectos. para tutela das acções das instituições de crédito no que diz respeito à sua responsabilidade ao nível do pagamento do cheque. Por sua vez. como existe já para os emitentes (RJC). nível de especificidade na forma de pagamento e segurança no pagamento (uma vez que poderá ser avalizado ou visado)]. Apesar da sua antiguidade julgo que o cheque continuará a ser um elemento de grande relevância e bastante utilizado.V – Conclusão O uso do cheque sem provisão revelou-se simultaneamente um tema bastante mais interessante e bastante mais abrangente do que inicialmente previ. de forma a obter uma maior precisão na delimitação dos factos que poderão constituir o acto ilícito. principalmente ao nível do negócio com entidades colectivas. 17 .

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C1. Processo 310/09. Acórdão de 01 de Junho de 2010. Processo 1608/08.5TJCBR.C1.TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA. Acórdão de 19 de Janeiro de 2005.1TBPCV. Acórdão de 15 de Fevereiro de 2011. Acórdão de 19 de Janeiro de 2010. TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA. Processo 3310/08.0TBMIR. Acórdão de 28 de Abril de 2004.1TBPBL. Acórdão de 11 de Maio de 2010.C1. TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA. Processo 34/09. Processo 3965/04. TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA. Processo 0411116.C1. 19 . TRIBUNAL DA RELAÇÃO DE COIMBRA. TRIBUNAL DA RELAÇÃO DO PORTO.