A “e-Biblioteca de Babel” Contributos dos blogues culturais para uma ampliação da definição e prática do jornalismo cultural Dora Santos

Silva 1 Faculdade de Ciências Sociais e Humanas Universidade Nova de Lisboa Novembro de 2008

Resumo Reflectir sobre blogues culturais e o contributo que podem dar à definição e prática do jornalismo cultural implica considerar a complexidade do termo “cultura” e a sua evolução, no seio das indústrias culturais e criativas. É a partir desta relação entre conceitos ─ indissociáveis actualmente ─ que se torna possível constatar as vantagens que a complementaridade entre bloggers culturais e jornalistas culturais pode trazer à sociedade. Palavras e expressões-chave: “jornalismo cultural”; “blogues culturais”; “cultura”, “indústrias culturais”, “media sociais” e “indústrias criativas”.

ÍNDICE 1. Introdução – sobre o conceito de “cultura” 2. Influência das indústrias culturais e criativas no conceito de “cultura” 3. A cultura que o jornalismo cultural representa e mediatiza 4. Contributo dos blogues culturais para a ampliação da definição e prática do jornalismo cultural

1. Introdução – sobre o conceito de “cultura” A evolução do significado de “cultura” foi implicando uma maior complexidade, para a qual contribuíram, em larga escala, os meios de comunicação de massa,
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Mestranda na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade de Lisboa, na variante de “Cultura Contemporânea e Novas Tecnologias” do Mestrado em Ciências da Comunicação.

integrados num contexto de evolução tecnológica e do aparecimento das indústrias culturais e criativas. Até metade do século XX, foi preponderante a noção de cultura “clássica” ligada ao erudito e às artes superiores, tendência que ainda se verifica em alguns media culturais. Com a emergência da sociedade de massas, duas grandes concepções se articularam – uma emergente do pensamento marxista e outra liberal – com diferentes visões sobre a cultura de massas. Neste âmbito, destacam-se Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt, que, no célebre livro “A Dialéctica do Esclarecimento”, criam o conceito de indústria cultural, símbolo apocalíptico de “uma união forçada das esferas de arte superior e inferior, que permaneceram separadas durante milénios” (Adorno,1991: 98), e os Cultural Studies, que rompem com a distinção entre cultura de elite e cultura popular, não restringindo cultura à produção artística, mas incluindo todas as expressões e valores de um povo. Esta visão antropológica já tinha sido, aliás, dada por Edward B. Taylor: “Cultura é o complexo unitário que inclui o conhecimento, a crença, a arte, a moral, as leis e todas as outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade” (Ferin, 2002: 37). No entanto, quer apocalípticos quer integrados 2 admitem o papel determinante que os media tiveram e têm na cultura. Abraham Moles (1920-1992) afirma mesmo que a cultura é uma noção moderna que “só assumiu uma importância real a partir do dia em que os meios de comunicação a transformaram numa característica da sociedade – e também uma alavanca desta”. (Moles, 1974: 30, citado por Ferin: 2002: 131). A noção de cultura alterou-se, neste sentido, em função da “expansão dos media – inicialmente a imprensa e a rádio, posteriormente o cinema, a televisão e todas as indústrias culturais, nas quais se incluem os museus, as bibliotecas, os centros de documentação, etc. – que promovem a alteração e a multiplicação das instituições de socialização, assim como a diversificação das fontes de informação” (idem).

2. Influência das indústrias culturais e criativas no conceito de “cultura” A partir de meados dos anos 80, o termo “cultura” começou a ser indissociável das indústrias culturais e, nos finais dos anos 90, das indústrias criativas, no seio das quais os blogues culturais emergiram.

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“Apocalípticos e Integrados” é o título de um livro de Umberto Eco (Lisboa, Difel: 1991), representando as duas posições contrárias em relação à cultura de massas.

A indústria cultural, como entendida por Adorno, começou a ser questionada na década de 70 do século XX, em França, promovendo-se a sua pluralidade a partir daí. Grande parte das abordagens às indústrias culturais está resumida no livro de Rogério Santos, intitulado “Indústrias culturais. Imagens, valores e consumos” (2006). As indústrias culturais combinam “criação, produção e comercialização de conteúdos por natureza intangíveis e culturais, adicionam valor individual e social aos conteúdos e baseiam-se em conhecimento e trabalho intensivo, criam emprego e riqueza, alimentam a criatividade e desenvolvem a inovação nos processos de produção e comercialização”. Esta definição, dada pela Unesco, em 2006, seria o bastante para justificar a importância que as indústrias culturais têm na actualidade e das quais fazem parte os meios de comunicação, que, paralelamente, divulgam as próprias indústrias (Santos, 2006: 65). “A edição (jornais, revistas, livros, etc.), a música, a tecnologia audiovisual (cinema e televisão), a electrónica (multimédia), a indústria fonográfica (discos), videojogos e Internet” são os sectores que fazem parte das indústrias culturais, segundo Rogério Santos (2006: 65). Abre-se também a porta para o design, a arquitectura, as artes visuais e performativas, a moda, o desporto, a publicidade a o turismo cultural. David Hesmondhalgh (2002) dá um contributo fundamental para a compreensão das indústrias culturais e, naturalmente, da cultura. Estas são aquelas cuja principal actividade é produzir textos 3 , comunicar com uma audiência. Todos os bens culturais estão sujeitos a interpretação e a um consumo social. Neste sentido, o core business das indústrias culturais é a produção industrial e circulação de conteúdo simbólico e, por isso, incluem: a televisão e a rádio (e os novos canais por cabo e por satélite), a indústria cinematográfica (assim como vídeos e DVDs); a Internet e os seus conteúdos; a indústria discográfica (incluindo concertos); indústria editorial impressa e on-line (livros, cd-roms, serviços de informação, jornais e revistas); videojogos e jogos de computador; publicidade e marketing 4 . A cultura da Era da Informação é, precisamente, uma cultura gerada através das indústrias culturais e dos seus processos de inovação e produção. Tem a diferença de,

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David Hesmondhalgh (2007: 7) utiliza frequentemente a expressão “conteúdo simbólico” ou a palavra “textos” para se referir a todas as criações simbólicas emergentes das indústrias culturais por parte dos “criadores simbólicos”. Nesta definição, incluem-se, naturalmente, os jornalistas, bloggers e produtores de conteúdos culturais.

Embora não estejam incluídas na maior parte das definições de indústrias culturais, David Hesmondhalgh inclui a publicidade e o marketing, dado que são actividades que se centram na criação de textos e requerem o trabalho de criadores simbólicos.

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segundo Gustavo Cardoso (2006:39), ser caracterizada “por um maior poder exercido pelas necessidades culturais dos consumidores sobre as próprias indústrias culturais. Um poder cuja origem está no aumento da sua capacidade de interacção, nomeadamente pelo acesso a tecnologias como a Internet, e de assim gerar capital simbólico para o exercício de influência sobre as indústrias culturais”. Nos últimos anos, os activos criativos transformaram-se em elementos centrais para a produtividade e competitividade empresarial. Neste contexto, começou a discutirse a importância das indústrias criativas – sectores de actividade económica que colocariam a criatividade como elemento essencial na sua produção. As actividades criativas adquiriram uma maior importância económica e social com o surgimento da sociedade do conhecimento, composta por indústrias de música, audiovisual, design, software, moda, etc., que lidam com conteúdos simbólicos. Com isto, a propriedade intelectual passou a ser pensada como um elemento essencial de desenvolvimento de países e como vantagem competitiva. Para John Hartley (2005:5), as indústrias criativas combinam as artes criativas com as indústrias culturais – o exemplo mais flagrante é o entretenimento nos media. As primeiras descrevem, neste sentido, “a convergência conceptual e prática das artes criativas (talento individual) com as indústrias culturais (escala de massa), no contexto das novas tecnologias dos media, dentro da designada economia do conhecimento e para uso de cidadãos e consumidores interactivos”. Tomam, assim, “talentos criativos tradicionais nas áreas do design, da representação, da produção e da escrita, e combinam-nos com técnicas de produção e distribuição dos media (para escala) e com novas tecnologias interactivas (para personalização) de forma a criar e distribuir conteúdo criativo pelo sector de serviços da nova economia” (2004: 143). O método de produção não é industrial nem normalizado, mas, sim, baseado na inovação e em projectos – aqui John Hartley diferencia-se do conceito de indústrias culturais. Para Hartley, é importante o facto de as indústrias criativas combinarem as artes criativas com as indústrias culturais, porque esta mudança permite que as artes integrem as indústrias de larga escala como as de media e entretenimento, ultrapassando as velhas dicotomias de elite/massa, arte/entretenimento, patrocínio/comercial, alto/trivial. Os blogues culturais são um produto das indústrias culturais e criativas, tal como o é, hoje, o jornalismo cultural.

3. A cultura que o jornalismo cultural representa e mediatiza A definição de jornalismo cultural foi, assim, evoluindo paralelamente à de cultura, ajustando-se às suas duas concepções básicas: a “ilustrada” (que se restringia ao campo das belas-artes) e a antropológica, criada por E. B. Taylor e desenvolvida posteriormente por Richard Williams e outros estudiosos dos Cultural Studies. Como Rivera salienta, a primeira concepção tendeu a privilegiar meios específicos e selectivos, enquanto a segunda se infiltrou nos media em geral “de certa forma, como acontece hoje – através de suplementos, revistas, fascículos coleccionáveis, etc. – com uma variedade de ofertas culturais antes confinadas aos órgãos do primeiro tipo ou não reconhecidas de todo por eles” (2003: 16). 5 A partir da segunda metade do século XIX, com o surgimento do conceito antropológico de cultura, esta deixou de ser exclusiva das elites iluminadas e estendeuse ao povo, ficando conhecida como cultura popular. O jornalismo cultural começou a reflectir a dicotomia “cultura clássica” e “cultural antropológica”. Mais tarde, com o advento da cultura de massas, como já vimos desprezada por apocalípticos e eleita por integrados, levou o jornalismo cultural a encarrilar numa filosofia de entretenimento e lazer. Ao longo do século XX, a cultura de massas conjugou “os ideais de progresso humanista oriundos da cultura iluminista” (Alzamora, 2005; 27) e a diversidade de práticas e costumes da cultura popular, originando uma cultura a que Garcia Canclini intitulou de híbrida. Perante este cenário, o jornalismo cultural reflectiu este hibridismo e passou a interessar-se cada vez mais pelos produtos da cultura de massa. Todavia, hoje, a concepção de jornalismo cultural não é unânime nos media mundiais e portugueses. Algumas publicações optam por uma abordagem “clássica”; outras, por uma cultura de tendências e alargada aos produtos das indústrias culturais e criativas, como veremos nos capítulos posteriores. E isso verifica-se também em Portugal: ao mesmo tempo que a cultura aparece normalizada e subordinada à agenda de eventos e ao mercado das indústrias culturais, surgem novas instâncias de legitimação da cultura em revistas alternativas, que conseguem fidelizar públicos com propostas estimulantes e originais. São os casos da Egoísta, da NEO 2, da N&Style, da DIF, da Parq e de muitas outras também disponíveis on-line.

O jornalismo cultural é, segundo Jorge Rivera, “uma zona muito complexa e heterogénea de meios, géneros e produtos que abordam com objectivos criativos, reprodutivos e informativos os terrenos das belas-artes, as ‘belas-letras’, as correntes de pensamento, as ciências sociais e humanas, a chamada cultura popular e muitos outros aspectos que têm a ver com produção, circulação e consumo de bens simbólicos, sem importar a sua origem e o seu destino” (Rivera, 2003; 19). É nessa tradição que se insere Eliane Corti Basso para quem o jornalismo cultural deve levar à reflexão por parte do leitor não apenas da obra em questão, mas também sobre o contexto em que esta se insere. Para esta jornalista, o campo “transborda a análise e a divulgação dos produtos da chamada cultura ilustrada (literatura, pintura, escultura, teatro, música, arquitectura e cinema) e abrange a cultura popular, o comportamento social – formas de ser e se portar, e as ciências sociais, ajustadas em certa medida ao campo de produção jornalística” (Basso, 2007; 7). Para Rodriguez (2004; 7), o jornalista cultural tem de possuir “uma cultura geral que o permita identificar e correlacionar fenómenos, épocas, autores e obras significativas nas vertentes local e universal, segundo uma forte dose de observação e criatividade, e uma capacidade para sistematizar e sintetizar processos complexos numa fórmula comunicacional” 6 .

4. Contributo dos blogues culturais para a ampliação da definição e prática do jornalismo cultural Os blogues culturais não substituem o jornalismo cultural, uma actividade profissional, com códigos específicos. Citando Orihuela, “os weblogs podem ser jornalismo, mas não por serem weblogs”. Numa altura em que, paralelamente aos media, milhares de cidadãos constroem conteúdos específicos sobre os mesmos temas, os jornalistas culturais não têm de olhar para os bloggers como rivais, porque não o são, mas, sim, como potenciais fontes de informação, numa perspectiva de complementaridade. É, de facto, uma oportunidade para o jornalista cultural ampliar e redefinir a sua prática, que nunca teve tantos conteúdos (independentemente da sua qualidade), fontes e meios à sua disposição. É certo que, e citando António Granado, há

poucos blogues especializados em Portugal, mas não só se tem verificado um crescimento significativo, como o jornalista cultural dispõe de dezenas de milhares de blogues internacionais, criados por cidadãos, pelas indústrias culturais e criativas em geral e, em particular, pelos próprios media e outros criadores simbólicos.

1. Os blogues culturais contribuem para a própria ampliação do conceito de cultura O cenário cultural actual não pode ser visto na óptica das grandes artes – nele coexistem produtos da alta e baixa cultura, conceitos já ultrapassados, e novas realidades provenientes das indústrias culturais e criativas. A gastronomia é uma prática cultural; o design transforma e modela a nossa percepção quotidiana; a moda não tem só a ver com vestuário, mas com um código criativo e cultural complexo. O universo artístico-cultural não se resume mais “a meia dúzia de acontecimentos para uma elite pensante, mas pluralizou-se em eventos massificados para públicos amplos e diversificados e ocupando todos os espaços urbanos” (Vargas, 2007; 7). Ora, neste contexto, os blogues culturais contribuem para a redefinição de directrizes editoriais e a ampliação da definição de jornalismo cultural, já que a diversidade de conteúdos culturais presentes em diversos sites, com milhares de visitantes, despertou a atenção dos editores para darem algo “novo”.

2. Os blogues culturais constituem boas fontes, quando credíveis Os jornalistas culturais não podem estar tão dependentes dos press releases e das agendas de eventos. Há que procurar mais fontes de informação, de forma que tenham um papel mais activo no alinhamento editorial da área cultural. Por outro lado, embora o jornalista cultural tenha de ter uma boa cultura geral, não pode saber tudo sobre tudo, logo os especialistas de várias temáticas culturais, que têm blogues onde partilham os seus saberes, são não só fontes, como bases de trabalho e pesquisa. Uma maior colaboração entre especialistas e jornalistas pode tornar o conteúdo mais rico e criativo. A título de exemplo, se um jornalista cultural quiser elaborar um artigo aprofundado sobre cibercultura em Portugal, pode aceder a dois ou três blogues (como http://blog.ciberesfera.com), ter algum poder de filtragem, e aperceber-se rapidamente de quem são os académicos na área, as conferências importantes, as comunidades e trabalhos mais valiosos. Naturalmente que o jornalista cultural não pode esgotar o seu

trabalho aí, mas é certamente um bom ponto de partida, muito mais difícil e moroso se não houvesse blogues.

3. Os blogues divulgam novos criadores simbólicos Se antes o trabalho de um criador simbólico só era conhecido quando publicado ou mediatizado pelos media, hoje, através de um blogue e da infinita rede que se pode gerar a partir daí, os novos criadores têm oportunidade de divulgar o seu trabalho, dando, consequentemente, oportunidade aos jornalistas culturais de o conhecerem. Pegando no exemplo da ilustração, uma arte visual que ainda ocupa pouco espaço nos media, mas que reúne talvez milhares de blogues em todo o mundo, a Ar.Co tem um blogue muito simples, com poucas funcionalidades (http://ilustracaobd.blogspot.com), no qual divulga exposições e trabalhos de alunos e ex-alunos. No entanto, a partir da selecção de links escolhida, é possível aceder a alguns dos mais prestigiados ilustradores nacionais e internacionais, publicados em diversas plataformas, como é o caso de Brian Cronin. Numa altura em que o jornalismo cultural se centra muito em perfis de novos criadores, os blogues constituem fontes de informação muito eficazes.

4. Os blogues culturais estimulam o jornalista cultural Os jornalistas culturais têm de estar atentos à realidade que os rodeiam: as novas tendências da cultura, as mudanças e transformações culturais, as subculturas, etc. Os blogues actuam, neste caso, como sistemas de alerta. Um desses exemplos é o blog http.//thesartorialists.blogpost.com, já considerado pela Time Magazine um dos 100 influenciadores de design do mundo. O blogue reúne fotografias do célebre fotógrafo de moda e ex-estilista Scott Schuman de pessoas comuns que ele considera ter um estilo original – a chamada street fashion. Os exemplos não ficam por aqui: a cozinha de autor e a cultura vinícola, tão caras a Portugal, são temas de diversos blogues, a maior parte deles constituída por enófilos e enólogos (http://vinhoacopo.blogspot.com). Uma da características diferenciadores dos media sociais é a forma como escrita, imagem e vídeo se articulam, dando lugar a novos discursos e formas de comunicar. Essa “informação criativa” deve ser aproveitada e potenciada pelos jornalistas culturais.

5. Os blogues culturais ampliam os públicos da cultura

A ampliação do jornalismo cultural gera, com certeza, mais públicos do que aqueles interessados não somente em artigos sobre livros, cinema, música ou artes plásticas, mas, sim, noutros aspectos da cultura: arquitectura, modos de vida, património, gastronomia, etc. O público pode não querer ver telenovelas, por exemplo, mas decerto estará interessado nas repercussões que as mesmas têm na cultura portuguesa.

6. Os blogues culturais promovem uma maior interacção entre jornalistas e o público São numerosos os blogues de jornalistas que publicam neles aquilo que não podem ou não querem publicar nos media para os quais trabalham. E esses blogues de jornalistas tornam-se importantes focos de divulgação de novos criadores e comentários ao mundo em que vivemos. Acedendo ao blogue de Pedro Rolo Duarte (http://pedroroloduarte.blogs.sapo.pt), ficamos a conhecer também o blogue de Hugo Gonçalves, “Carrinho de Choque”, que o autor considera ser “um bom escritor que nunca deixou de ser também um bom jornalista”, os seus comentários à entrevista que TIM, vocalista dos Xutos & Pontapés, deu ao suplemento “Actual” do Expresso de 13 de Outubro, entre uma miríade de opiniões e informações.

7. Os blogues culturais permitem uma contextualização e aprofundamento dos conteúdos Os bloggers actuam como filtros dos conteúdos e promovem o intercâmbio de vários pontos de vista. Como agem em comunidade, quando surge um post sobre uma determinada temática, esse é apenas o começo de uma interacção entre bloggers que apenas querem dar uma opinião, mas também entre bloggers especializados, que constituem fontes credíveis sobre o assunto quer porque trabalham no meio quer porque é a sua área de saber. Além disso, ao contrário de um jornal ou revista, modelos que propõem “uma experiência de leitura circunscrita e potencialmente coerente”, um blogue “tende quase por definição a ‘levar para além de si’ o leitor, dirigindo-o para outras fontes, outras vozes” (Granieri, 2005: 40). É desta forma que o modelo dos blogues permite ao jornalista cultural entrar numa autêntica Biblioteca de Babel 7 , colectiva e hipertextual. E é por isso também que os links têm tanto valor na comunicação hipermediática.

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“A Biblioteca de Babel” é o título de um conto de Jorge Luis Borges.

8. Os blogues culturais contribuem para o alargamento da cultura alémfronteiras Não era fácil, antes dos media sociais, ter contacto com criadores simbólicos nórdicos, orientais ou australianos, pelo menos aqueles que estavam fora do circuito mediático. Agora, através de experiências divulgadas na primeira pessoa, é possível recolher vozes de todo o mundo – não só as mediatizadas, como também as anónimas.

9. Os blogues culturais tornam-se eles próprios valores-notícia A comunidade de bloggers tem uma cultura própria que não pode passar despercebida ao jornalista cultural. Alguns media já perceberam isso. O Público, por exemplo, reúne na rubrica “Blogues em Papel” cerca de quatro artigos, em média, publicados em blogues e tem a sua própria secção de bloggers convidados. O Diário de Notícias publicou, no passado 11 de Outubro, “Nos bastidores do mais velho blogger português”, um artigo que versa a vida de João Silva, fotógrafo da CGTP durante 29 anos, operador de câmara nos estúdios da Tobis e cujas memórias de uma vida de resistência ao fascismo foram sendo escritas na blogosfera, memórias essas convertidas no livro “Rocha Chenaider”. Em conclusão, o jornalista cultural não pode desperdiçar esta oportunidade não só de enriquecer a sua prática como contribuir para a educação cultural, de uma forma ampliada, da sociedade. Afinal, foi por isso que nasceu.

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