MODELAGEM HIDROGEOMECÂNICA VIA MEF DE PROBLEMAS DE COMPACTAÇÃO DE RESERVATÓRIOS DE PETRÓLEO E SUBSIDÊNCIA DA SUPERFÍCIE Igor Fernandes Gomes Leonardo José

do Nascimento Guimarães Julliana de Paiva Valadares Fernandes gomes@ufpe.br leonardo@ufpe.br jullianapv@yahoo.com.br Centro de Tecnologia, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Pernambuco. Av. Acadêmico Hélio Ramos, s/n, Cidade Universitária, 50740-530, Recife - PE – Brasil.

Resumo. A injeção e extração de fluidos do reservatório causam variações de pressões, temperatura e saturações, que podem afetar o estado de tensões, levando a deformações na rocha reservatório e modificando sua porosidade e permeabilidade. Trata-se, portanto, de um problema acoplado onde o fluxo de fluidos no reservatório e o comportamento geomecânico da rocha se influenciam mutuamente. Neste artigo, apresenta-se um programa de elementos finitos concebido para simular fluxo de fluidos em reservatórios de petróleo sensíveis ao estado de tensões. Neste programa, as equações do problema de fluxo bifásico (conservação de massa de água e óleo no meio poroso) são resolvidas em conjunto com a equação de equilíbrio de tensões, que caracteriza o problema geomecânico. Apresenta-se um exemplo de aplicação onde a simulação de fluxo no reservatório é feita sem considerar e considerando o reservatório como um meio poroso deformável, com isso pôde-se quantificar o impacto do acoplamento geomecânico na produção de petróleo do reservatório durante a fase de produção primária. Palavras-chave: Acoplamento Geomecânico, Fluxo bifásico, Elementos Finitos.

entre outros fatores (Lewis et al. resulta num sistema de equações algébricas não-lineres onde diferentes esquemas de solução podem ser usados. a permeabilidade intrínseca (ou absoluta) da rocha. Esta deformação ocorre quando há variações no estado de tensões efetivas. as deformações ocorrem modificando as propriedades do meio. Por outro lado. este problema acoplado hidro-mecânico é representado por um sistema de equações não-lineares em derivadas parciais que. Neste caso. A influência do comportamento tensão-deformação da rocha neste problema também é avaliada. ou seja. Westhead. por sua vez. quando discretizado. 2002). o fenômeno de compactação também pode beneficiar a produção de hidrocarbonetos. Isto leva à alteração do estado de tensões no reservatório (redução da tensão efetiva com o aumento da poro-pressão) e nas rochas em torno dele. Do ponto de vista matemático. provenientes das equações de fluxo. As equações de fluxo são modificadas através da incorporação do termo de deformação da rocha. ocorrem devido a depleção ou pelo processo de injeção de água (Onaisi et al. Variações na poro-pressão. o problema de fluxo de fluidos em meios porosos deformáveis (Onaisi et al. Considerando a . a depender do tamanho e nível de acoplamento entre os problemas hidráulico e geomecânico. 2002. 2002). em alguns casos levam à ocorrência de fraturamento. retardando a queda das poro-pressões no reservatório durante a recuperação primária (Falcão. Para isso resolve-se o problema de fluxo bifásico de água e óleo (Dicks. abertura de falhas e danos aos poços. De fato. temperatura e saturação de água. Neste trabalho pretende-se estudar o problema de compactação do reservatório e seu efeito na produção primária dos fluidos. uma vez que esta pode ser um material elástico (deforma-se reversivelmente) ou elasto-plástico (deforma-se irreversivelmente). será considerada função da porosidade. 2005. principalmente em áreas sensíveis a variações no estado de tensões. Quando acentuadas. dadas pelo tensor de tensões totais menos o tensor esférico das poro-pressões. em conjunto com a equação de equilíbrio de tensões do problema geomecânio. Uma vez que as poro-pressões variam em cada ponto do reservatório à medida em que este é submetido aos diferentes regimes de fluxo ao longo de sua vida. 2005). Lewis et al. 2003). cujas incógnitas são os deslocamentos da rocha. um dos parâmetros chave do problema hidráulico. levando a mudanças de suas propriedades (matriz sólida). cujas incógnitas são a saturação de água ( s w ) e pressão de óleo ( p o ). 1993. Para resolver problemas dessa natureza. Samier et al. que por sua vez poderá variar quando o meio se deforma. Wan. o que pode gerar processos de deformações das rochas. 2003. quando no reservatórios há variações do estado de tensões efetivas. óleo e/ou gás) quanto das deformações ocorridas no processo de produção (Minkoff et al. Trata-se de um problema difícil devido à complexidade da física envolvida e pela geometria das formações rochosas.1. 2002. 1999. a interação entre a resposta geomecânica e o comportamento dos fluidos na rocha. 2003. Wan. 2003). a distribuição de pressões e impactando diretamente na produção de fluidos. 2005). é necessária a adoção de modelos constitutivos (mecânicos e hidráulicos) que levem em conta o fato do meio poroso (rocha reservatório) ser deformável. 2005). Heimsund. enquanto que a equação mecânica passa a incluir um termo de pressão e saturação. necessita da modelagem tanto do fluxo de fluido (água. A subsidência consiste no movimento das camadas acima do reservatório provocado pela perda de suporte decorrentes do processo de compactação. Bastian. vem sendo amplamente abordado em estudos numéricos do processo de produção de reservatórios de hidrocarbonetos (Tran et al. em um reservatório de hidrocarboneto. INTRODUÇÃO A determinação precisa da produção de um reservatório de petróleo. estas deformações podem causar a compactação do reservatório e subsidência que. 2002. Gai et al.

Bastian. Através desta teoria é possível mostrar que a compactação (plastificação da rocha) inicia-se nas vizinhanças do poço produtor e pode estender-se amplamente pelo reservatório. equação de estado e lei de Darcy (Ertekin et al. as equações que regem o problema são a de conservação de água e óleo para o meio poroso deformável: ∂ (φsα ρ α ) + ∇(ρ α qα + φsα ρ α u ) = 0 ∂t α = w. Samier et al. respectivamente. e com a adoção de condições iniciais e de contorno. Onaisi et al. como é o caso da compactação de reservatórios. ou seja. Estas equações são provenientes da combinação das equações de conservação de massa. Este método seqüencialimplícito para resolver os problemas de fluxo bifásico e geomecânico mostrou-se bastante eficiente quando aplicados a problemas de alto nível de acoplamento.1 Equações governantes de fluxo com acoplamento geomecânico. Sua aplicação requer o conhecimento detalhado do comportamento da rochareservatório (capacidade da rocha de suportar e transmitir esforços mecânicos e armazenar e conduzir fluidos nos poros) e dos fluidos (água. o modelo matemático a ser utilizado. FORMULAÇÃO MATEMÁTICA Para a formulação geral de um problema acoplado é necessária a definição das equações diferenciais parciais governantes dos fenômenos envolvidos. 1993.compactação do reservatório um processo irreversível. O fluxo de fluido com relação à fase sólida ( qα ) vem dado pela lei de Darcy: qα = − kk rα ~ (∇pα − ρα g ) (2) µα . onde a pressão e saturação nas equações de fluxo de água e de óleo são obtidas via método de Newton-Raphson. Chen et al. 2002. 2002. 2005) com as equações diferenciais discretizadas através do método dos elementos finitos. 2003. que pode ser w para a fase água e o para a fase óleo (Aziz. óleo e/ou gás) existentes em seu interior. 2. onde u é a velocidade de deslocamento da fase sólida. que corresponde ao fluxo do fluido com relação à configuração de referência (rocha indeformada). 2001). 1994. 2006) e φ é a porosidade da rocha. O esquema numérico de solução do problema de fluxo bifásico adotado neste trabalho foi o Totalmente Implícito (FULL IMPLICIT) (Schiozer. a elasto-plasticidade constitui-se numa teoria mais adequada para modelar o comportamento tensão-deformação da rocha reservatório quando submetida a elevados estados de tensões efetivas. Gai et al. No modelo de fluxo bifásico de água e óleo adotado neste trabalho. Cao. onde a cada interação de Newton-Rapshon as incógnitas são atualizadas simultaneamente em ambos problemas. O problema geomecânico é resolvido sequencialmente ao problema bifásico. No termo de fluxo tem-se a componente de deformação do meio poroso (Biot). 2. o (1) onde a saturação e densidade das fases são representados por sα e ρ α . O subscrito α representa a fase. 1999. com a aplicação de relações adicionais. A formulação matemática para problemas de fluxo multifásico em reservatórios consiste em equações de fluxo para todas fases que preenchem os vazios do reservatório. necessárias para complementar a descrição do fluxo.

onde estas propriedades se relacionam através de curvas que relacionam a saturação de água com a pressão capilar. também preenchidos por fluidos (fluido aprisionado).2 Equações governantes do meio poroso deformável com acoplamento com as equações de fluxo O reservatório é considerado como um meio poroso deformável. juntamente com as mecânicas. os fluidos são imiscíveis. Minkoff et al. Por fim. há uma redistribuição das . neste caso da saturação de água. é função da saturação da fase molhante. serão apresentadas. Da mesma forma a saturação relacionase com a permeabilidade relativa das fases. As fases molhante e não molhante são. decorrente da produção de hidrocarbonetos. para um sistema bifásico. e com isso parte dos esforços. os fluidos encontram-se sob pressão. as condições inicial e de contorno.~ Onde g é o vetor de aceleração da gravidade e a permeabilidade relativa e viscosidade das fases são representadas por k rα e µα . Pode-se ainda expressar a equação de fluxo da fase por meio da definição de mobilidade do fluido λα . que consiste na relação entre a permeabilidade relativa e a viscosidade da fase: λα = k rα ( s w ) µ α (5) As considerações quanto aos fluidos presentes seguem o que o modelo Black-oil adota (Chen et al. No interior do reservatório. 2003. respectivamente. k é a permeabilidade intrínseca (ou absoluta) da rocha A porosidade φ e a permeabilidade intrínseca k . no caso analisado neste trabalho. isto é. 2003) . podem ser definidas como variáveis de acoplamento. 2006. pois são atualizadas pelo módulo geomecânico e introduzem nas equações de fluxo o efeito das deformações advindas do primeiro. onde grande parte dos seus poros é interligada (onde ocorre o fluxo de fluidos) e existem ainda poros isolados. Quando há a perda de pressão destes fluidos. superior à do meio externo. Sendo a saturação de uma fase a fração do volume dos poros que ela ocupa. que são propriedades do meio poroso. é suportada pela matriz rochosa e parte pela pressão nos poros da rocha (fluido pressurizado). respectivamente. logo não há transferência de massa entre as fases. devidos à atuação do peso próprio das camadas superiores do reservatório. definida pela descontinuidade entre as pressões das fases devido à tensão de interface entre os dois fluidos imiscíveis: pc (s w ) = po − p w (4) A pressão capilar. Li et al. 2. As relações adicionais advêm das definições das saturações das fases e da pressão capilar (como funções da saturação da água). as fases água e óleo. e o meio é considerado isotérmico. a soma de todas as saturações das fases que preenchem os poros do meio poroso (no caso bifásico: água e óleo) é igual a unidade: s w + s =1 o (3) A outra equação complementar refere-se à pressão capilar p c . que são necessárias para a obtenção da solução do modelo matemático.

e o resultado na Equação (6) obtém-se a forma estendida da equação de equilíbrio de tensões: ∇σ '−∇( p o − s w pc ) + b = 0 (9) Esta equação calcula a mudança no estado de tensões efetivas (tensão na rocha). pois ela é utilizada para a atualizar a porosidade e permeabilidade do meio poroso. conseqüentemente. Modelo constitutivo tensão-deformação. a tensão total relaciona-se com a tensão efetiva σ ' e com a poro-pressão p s conforme a Equação (7): σ = σ '+ p s (7) onde a poro-pressão pode ser definida como função das pressões pα e saturações sα das fases (Wan. cuja superfície de fluência é uma elipse no espaço p-q (tensões média e desviadora. A partir deste conceito define-se a deformação volumétrica na Equação (10). A partir das Equações (3) e (4) pode-se obter uma forma bastante simples e intuitiva para a pressão de porosos na rocha.u (10) A determinação da deformação volumétrica é fundamental. temos que as tensões internas deste corpo devem se contrapor às solicitações externas (forças de corpo). As equações que regem este fenômeno são descritas a seguir. sofre deformações. 2006). Relação deformação-deslocamento. definida através da projeção de . 1999). 2002. 2005. que tende a aumentar com o decréscimo da pressão de poro. Admitindo-se um corpo em equilíbrio. Tran et al. adotando-a como a média ponderada das pressões das fases tendo como pesos suas respectivas saturações: p s = ∑ sα pα = s o p o + s w p w = p o − s w p c α =1 nα (8) Substituindo a Equação (8) na Equação (7). Equações de equilíbrio de forças. Neste trabalho adota-se o modelo constitutivo Cam-Clay Modificado (Potts e Zdravković. respectivamente). 2005). do estado de tensões efetivas. este se desloca com relação a sua configuração inicial.tensões no reservatório e o meio rochoso passa a ser sobrecarregado e. Gomes. que tem sua aplicação na equação de fluxo acoplado Equação (1): ε v = ∇. Ao ocorrer variações no estado de tensões de um corpo. conseqüentemente. definindo suas variações em função da alteração do campo de pressões e. Isto se verifica através da equação de equilíbrio de tensões (Equação 6) definida pelo divergente do tensor de tensões σ totais somado ao vetor de forças de corpo b e igualado a zero: ∇σ + b = 0 (6) Seguindo o Princípio das Tensões Efetivas de Terzaghi. Estes deslocamentos são representados pelo vetor de deslocamentos u que está relacionado com tensor de deformações ε através das restrições cinemáticas do problema mecânico (Tran et la.

que se move com inclinação λ ao longo da linha de adensamento isotrópico (LCI) no espaço índice de vazios versus tensão média: e + λ ln( p ) = e1 (11) onde e1 é o índice de vazios para p=1: Ao descarregar-se o material. as deformações ocorridas no material.uma linha de estados críticos (LEC) passando pela origem do espaço p-q e com inclinação M. o mesmo segue a trajetória da linha de descompressão (LD) de inclinação κ . Este comportamento mecânico do reservatório modifica a porosidade. através da deformação volumétrica (Wan. A variação da porosidade é definida a partir da equação de conservação de massa de sólido. Este modelo é interessante para reproduzir o fenômeno de compactação de reservatórios pois sua superfície de fluência fechada limita os estados de compressão de maneira que. as propriedades de porosidade e permeabilidade do meio poroso funcionam como variáveis de acoplamento entre o módulo geomecânico e as equações de fluxo. Os estado de compressão é gerado no interior do reservatório justamente devido ao aumento da tensão efetiva causado pela diminuição das pressões dos fluido decorrente da abertura dos poços produtores. que é a maior tensão efetiva à qual a rocha já foi submetida. em função do vetor de velocidade de deslocamento da fase sólida u : .3 Efeitos de acoplamento entre o problema de fluxo e o modelo geomecânico. o material começa a deformar-se mais e de maneira irreversível. 2002). atingida a superfície de fluência. O modelo baseia-se no comportamento de um material submetido a um carregamento de compressão drenada isotrópico (σ '1 = σ ' 2 = σ '3 ) . tendo em vista que ambas são atualizadas quando se determina o novo estado de tensões efetivas e. Conforme já comentado. A deformação volumétrica elástica ε vp vem dada por: dε ve = κ dp 1+ e p (12) e a tensão de pré-adensamento p0 vem dada em função da deformação volumétrica ε vp através da seguinte lei de endurecimento isotrópico: dp 0 1+ e = dε vp . recuperando as deformações elásticas e e . que por sua vez é utilizada na determinação da permeabilidade intrínseca k do meio poroso. p0 λ −κ (13) O modelo se completa com a definição do módulo elástico volumétrico K e do módulo cisalhante G: K= 1+ e κ p (14) 2. O tamanho da superfície de fluência é dado pela tensão de pré-adensamento p 0 . conseqüentemente.

3. onde neste trabalho utiliza-se uma relação exponencial entre estas propriedades (Eq. como a equação de Kozeny-Carman. dando assim continuidade ao processo. Um primeiro ponto a ser determinado. são necessários métodos numéricos estáveis. mas sim pela variação das propriedades mecânicas como a porosidade (Araújo. que calcula as pressões. Neste caso as incógnitas do problema de fluxo são utilizadas pela equação mecânica para atualizar o estado de tensões. Aplica-se o conceito de derivada material com relação à fase sólida (Bear.. é a escolha do tipo de acoplamento entre o simulador de fluxo e o módulo geomecânico. e o módulo geomecânico (em elementos finitos) que recebe as pressões calculadas e atualiza as tensões realimentando o simulador de fluxo com as novas porosidades e permeabilidades. eficientes e robustos para a obtenção de resultados fisicamente reais. o acoplamento em uma direção. onde não há a realimentação do simulador de fluxo.elástico. por exemplo. 1995) para resolver os sistemas de equações: .u] = 0 ∂t (15) Onde a densidade da fase sólida ρ s depende da compressibilidade da matriz sólida. 17) adotada no programa de elementos finitos CODE_BRIGHT (Olivella et al. Utiliza-se o acoplamento seqüencial-implícito entre as equações de fluxo e a equação mecânica. onde ambas as incógnitas são atualizadas a cada interação num mesmo passo de tempo até ambos sistemas (fluxo e geomecânico) atingirem a convergência. e o acoplamento total onde as incógnitas mecânica (deslocamento) e de fluxo (pressão e saturação) são resolvidas simultaneamente.∂ [(1 − φ )ρ s ] + ∇[(1 − φ )ρ s . que é uma simplificação do anterior. 2003) tais como a aproximação clássica com a compressibilidade da rocha. o acoplamento livre entre o simulador de fluxo (em volumes finitos). chegando-se a equação de variação da porosidade do meio: Substituindo na Equação (15) a Equação (10) obtém-se a equação de variação de porosidade em função da deformação volumétrica: dε Dφ (1 − φ ) Dρ s = + (1 − φ ) v dt ρ s dt dt (16) A determinação da permeabilidade do meio poroso é bastante complexa e.. 1972) na Equação (16). Muitas são as formas de acoplamento (Samier et al. usando apenas o simulador de fluxo. como já comentado. FORMULAÇÃO NUMÉRICA Para a solução do sistema de equações provenientes da discretização espaço-temporal. φi a porosidade inicial e b um parâmetro do material. Neste trabalho adotou-se o Método dos Elementos Finitos . 1995): k = k i exp[b(φ − φi )] (17) Onde k i é o tensor de permeabilidade inicial. não é possível determiná-la diretamente através do estado de tensões. quando se atinge um regime pós. calculando assim das deformações volumétricas ocorridas e atualizando a porosidade e permeabilidades do meio poroso. Utiliza-se o método de Newton-Raphson (Olivella et al.Galerkin para discretização do problema de fluxo-deformação de reservatórios de petróleo. 2002). Estes três últimos parâmetros são então utilizados nas equações de fluxo. Várias são as relações entre estas propriedades.

Isto será verificado através de comparações entre os resultados obtidos em simulações de fluxo sem considerar o acoplamento geomecânico e considerando o acoplamento geomecânico. N.A. aplica-se a condição de deslocamento nulo nas fronteiras de simetria do reservatório.⎛ X k + 1. representando assim a rocha adjacente inferior (underburden) que. l + 1 − X k + 1. l ⎞ ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ k +1 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ∂X (18) Onde l é o índice da iteração. enquanto que nas outras fronteiras é aplicado um estado de tensões de 62 MPa que se encontra em equilíbrio com o estado de tensões iniciais que possui o mesmo valor. 4.¼ de Five-spot de reservatório tridimensional: geometria e malha de elementos finitos. o Jacobiano contendo as r(X) o resíduo definido pelas equações discretizadas e ∂r ∂X derivadas do resíduo com relação às incógnitas do problema. para ambos os casos. A malha de elementos finitos foi gerada com elementos hexaédricos com 1470 nós e 1092 elementos. ambas. apresenta rigidez bem superior a rocha do reservatório. X o vetor de incógnitas do problema. com análises do reservatório rígido.∂r ⎛ X k + 1 ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ . EXEMPLO NUMÉRICO Os exemplos de aplicação apresentados nesta seção têm como objetivo verificar o efeito qualitativo do acoplamento geomecânico no problema de fluxo bifásico durante a produção primária do reservatório. k o passo de tempo. . A mesma tensão é aplicada no topo do reservatório. l ⎞ = − r ⎛ X k + 1. e a segunda consiste no mesmo problema. Nesta aplicação foram simuladas duas situações. elástico e com plasticidade (Camclay): a primeira situação é o 1/4 de reservatório tridimensional unicamente com a produção primária. onde nesta última serão feitas análises elástica e elasto-plástica (Cam-Clay Modificado). 3000 m 60 m POÇO PRODUTOR 140 m 30 m 130 m (a) (b) Figura 1. porém com contribuição de aqüífero lateral. localizado a uma profundidade de 3000 metros do nível do mar (Figura 1). A geometria do reservatório é caracterizada por um volume de 140 metros de comprimento por 130 metros de largura e 60 metros de profundidade. onde estas tensões representam o confinamento imposto pelas rochas adjacentes ao reservatório (overburden e sideburden). em geral. Na base do reservatório é imposta a condição de deslocamento vertical nulo. Como condições de contorno mecânicas.

4x10-2 9. considerando o meio isotrópico.50 2. por um período de 1100 dias. Quando se define um limite para o estado de tensões atuante. levando a um aumento nas tensões efetivas e deformação do reservatório levando à redução da porosidade e permeabilidade do meio. .20 MPa. o efeito geomecânico no comportamento do fluido se torna mais considerável (aumento de cerca de 48% na produção de óleo).5 0 prod. 4. Inicia-se a apresentação destes resultados através da Figura (2) que compara entre as curvas de produção acumulada de água e óleo para as três considerações de reservatório consideradas. elástico e plástico (Camclay Modificado). O resultado final desse processo consiste no aumento da expulsão do fluido do interior destes poros no sentido do gradiente de pressão gerado da produção primária.5 2 1. causando a produção primária pela descompressão dos fluidos. Observa-se que o efeito geomecânico influencia positivamente na produção de óleo decorrente da compactação originada pela queda de pressões na zona do poço produtor.8x10-2 1. As viscosidades da água e óleo são na ordem de 1012 MPa.Quanto às condições iniciais.5 4 3.00 0. óleo: com acoplamento (camclay) prod. elástico e plástico.5 1 0. óleo: com acoplamento (elástico) prod. óleo: sem acoplamento prod.quando se adota um modelo com plasticidade.s. serão mostrados em seguida os resultados obtidos na simulação para as situações de reservatório rígido. Propriedades Mecânicas. A Tabela (1) mostra as propriedades mecânicas utilizadas nestes casos. à produção primária. a permeabilidade intrínseca κ adotada foi 1x10-16m².Comparação das curvas de produção de óleo e água para as situações de reservatório rígido. Propriedades Mecânicas Módulo de elasticidade E (MPa) Coeficiente de Poison ν Declividade da linha de descompressão κ Declividade da linha de compressão isotrópica λ Declividade da linha de estado crítico M Tensão media de pré-adensamento p 0 (MPa) Densidade da rocha (kg/m²) Valores no Reservatório 3000. água: sem acoplamento prod.32 Partindo-se das análises feitas.5 Produção acumulada (m³) 3 2.33 42. água: com acoplamento (camclay) x 10 4 0 200 400 600 Tempo (dias) 800 1000 1200 Figura 2. O estado de tensões inicial é de 20 MPa. ou seja. Tabela 1. O reservatório é submetido. o reservatório possui uma pressão inicial p igual a 10 MPa e saturação de água e óleo de 20% e 80%. com o poço produtor operando a uma pressão de fundo de poço de 0. e a porosidade do meio rochoso é de 20%. respectivamente. água: com acoplamento (elástico) prod.20 2.

respectivamente). com o início da produção primária. 0. devido a queda de pressões.204 0.186 0 200 400 600 Tempo (dias) Poço Produtor 800 1000 1200 Figura 3.Permeabilidade x tempo: comparação entre o poço produtor e zonas de contorno do reservatório.Conforme comentado anteriormente.192 0. respectivamente). conforme mostrado nos gráficos. onde. o fato de manter-se um controle sobre o estado de . é gerado um fluxo de fluidos no sentido do poço produtor (de pressão prescrita inferior a do reservatório). Ao longo do reservatório.19 0.202 0. inferior à pressão inicial do reservatório.198 Porosidade 0. a porosidade e permeabilidade do reservatório têm seus valores reduzidos ao longo do período de produção (Figuras 3 e 4. as pressões decrescem com o tempo.196 Fronteira do reservatório extremidade do reservatório (com plastificação) extremidade do reservatório (elastico) poço produtor (com plastificação) poço produtor (elastico) 0. até que se chegue ao regime estacionário.188 0. De acordo com a Figura (5).194 0.que em zonas mais distantes. Logo.2 0. nas zonas próximas ao poço produtor estas reduções são mais consideráveis (7% e 50%. O gradiente de pressões no reservatório no sentido do poço produtor se deu em função da condição de pressão prescrita neste poço. o que afeta mecanicamente o comportamento do reservatório e suas propriedades. 11 x 10 -17 10 extremidade do reservatório (com plastificação) extremidade do reservatório (elástico) poço produtor (com plastificação) poço produtor (elástico) Permeabilidade (m²) 9 8 Poço Produtor Fronteira do reservatório 7 6 5 0 200 400 600 Tempo (dias) 800 1000 1200 Figura 4.Porosidade x tempo: comparação entre o poço produtor e zonas de contorno do reservatório.

331 camclay (t=1160 dias) 0. Finalmente. Por fim. . 25 extremidade do reservatório(com plastificação) extremidade do reservatório(elástico) extremidade do reservatório (sem acoplamento) poço produtor (com plastificação) poço produtor (elástico) poço produtor (sem acoplamento) 20 Pressão de Água (MPa) 15 Fronteira do reservatório Poço Produtor 10 5 0 0 200 400 600 Tempo (dias) 800 1000 1200 Figura 5.328 0.324 0. Observa-se que sobre o poço produtor ocorre uma maior compactação do reservatório em função da queda de pressão.326 0. a Figura (6) representa a compactação observada através do deslocamento vertical na superfície partindo da extremidade acima do poço produtor e estendendo-se até a outra extremidade do reservatório. enquanto que a Figura (8) mostra que ocorre plastificação em todo reservatório.Pressão x tempo: comparação entre o poço produtor e zonas de contorno do reservatório.33 0. fazendo com que seu declínio seja mais suave.325 Recalque Superficial (m) 0. faz com que haja uma conservação das pressões. o afundamento do topo do reservatório (situação de reservatório com plasticidade) pode ser visto na Figura (7).332 0 50 Distância ao poço produtor (m) 100 150 Fronteira do reservatório Poço Produtor Figura 6.327 0. onde isto pode ser verificado pela evolução da pressão de pré-adensamento.329 0.323 0. 0.Perfil de deslocamentos verticais ao longo do reservatório: bacia de compactação.tensões através da plasticidade.

em torno de 5. levou a reduções na porosidade e permeabilidade do reservatório devidas a variações no estado de tensões decorrentes da queda de pressão do mesmo. tendo em vista que modelo elastoplástico leva a uma definição fisicamente mais realista do comportamento do meio poroso e à sua distribuição de tensões.. . Diante das análises feitas neste trabalho. O efeito da plastificação do reservatório. levou a produção de óleo superior à obtida ao considerar uma análise puramente elástica. Estas reduções levaram a compressão do fluido no interior do reservatório.30% na análise elastoplástica com relação à análise desacoplada. através da adoção do modelo de Cam-Clay. Figura 8. observou-se que os efeitos observados na consideração de um acoplamento geomecânico sobre a produção de óleo de um reservatório de petróleo são coerentes e influenciam na produção acumulada de fluidos.13%. aumentando assim a produção total de óleo em 9.Plastificação do reservatório: evolução da tensão de pré-adensamento (Modelo de Cam-Clay Modificado).Figura 7. O acoplamento totalmente implícito entre as equações de fluxo e o modelo mecânico.Bacia de compactação no reservatório.

obtivemos repostas bem coerentes e de grande eficácia em relação às respostas mecânicas esperadas. Dissertação de Mestrado (Engenharia civil) ..S. J. Agradecimentos O presente trabalho foi desenvolvido com recursos fornecidos pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Brasil). Heidelberg. Rio de Janeiro 2002. K. J. Bacon.. SpringerCo. reproduzindo o comportamento constitutivo elástico dos geomateriais com a evolução do dano. Em relação à irreversibilidade do processo de danificação.. A.N. E. First Conference on Interdisciplinary Topics (CIT-2004). S. M. 1993. vol. n. 1.. 1. esta condição foi cumprida para os casos simulados. Universität Kiel.. Large deflection problems analysed by means of finite elements. University of London. 1990. ou seja. eds. Notes for petroleum reservoir simulation. pois os fenômenos ocorrentes são dependentes deste acoplamento e só assim possam responder de forma satisfatória quanto ao comportamento do meio rochoso saturado. Paul. ou seja. Numerical computational of multiphase flows in porous media. New York 1972. In Smith... Nonlinear analysis of masonry structures. 191–200.B.Conclusões O dano age diretamente na degradação da rigidez da matriz rochosa. Methodology for the typical unification of access points and redundancy. Johnson.. G. J. june 1999. Por esta razão é necessária a consideração do acoplamento hidro-mecânico. 1988. How to Format a Paper. N.. 2004. Aziz. Utilizou-se os resultados obtidos pelo código numérico COMET para serem comparados com os nossos resultados do código CODE_BRIGHT. pp. REFERÊNCIAS Goodman. o processo de dano afeta na distribuição da poro-pressão e esta influencia na resistência do dano. PhD thesis. International Journal of Engineering. Dynamics of fluids in porous media. American Elsevier. Black.. Quanto aos resultados. Influência da variação da permeabilidade na estabilidade de poços de petróleo. 15–33. Addison-Wesley.A. W. M. Tan. W.. 1987. . Smith. J. Para a validação do modelo. & Rod. E.Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Satnford University. P. eds. Bastian. pp. Structural Mechanics in Details. In Wonder. The True Guide. foram feitos simulações numéricas do ensaio de Creep e relaxação de tensões. Silva. 51–70. Araújo.. pp. 1999. M. K. Bachy. & Kall. P. Bear. .

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