Capítulo 2

Curva tensão-deformação de engenharia e curva tensão-deformação verdadeira

2.1. Curva tensão-deformação de engenharia


A curva tensão-deformação de engenharia, na tração, não apresenta uma
informação verdadeira das características de deformação do material. Isto porque ela se
baseia inteiramente nas dimensões originais do corpo de prova, as quais são continuamente
alteradas durante o ensaio, a curva tensão-deformação de engenharia pode ser vista na
Figura 1.




















Figura 1: Diagrama tensão-deformação de engenharia dos aços estruturais, em escala
deformada
2.1.1 Tensão de Engenharia (o)

A tensão utilizada nessa curva é a tensão longitudinal média no corpo de prova.
Ela é obtida dividindo-se a carga pela área inicial da secção reta do corpo de prova.
0
A
P
= o
2.1.2 Deformação de Engenharia (c)

A deformação utilizada para curva de engenharia é a deformação linear média,
que é obtida pela divisão da elongação do comprimento útil do corpo de prova, δ= l − l
0
,
pelo seu comprimento original, conforme a seguir:

0 0
0
l
l
l
l l A
=
÷
= c

2.1.3 Resistência à tração, ou tensão máxima de engenharia (σ
t
)(LRT)

A resistência à tração, ou tensão máxima de engenharia, é a carga máxima
dividida pela secção transversal inicial do corpo de prova, é também chamada de limite de
resistência a tração (LRT)
A resistência à tração (σ
t
) é o valor mais freqüentemente citado dos resultados
de um ensaio de tração apesar de, na realidade, ser um valor com muito pouca importância
fundamental com relação à resistência do material. Para materiais dúcteis a resistência à
tração deveria ser considerada como uma medida da carga máxima que um metal pode
suportar com as condições muito restritas de carregamento uniaxial. Por muitos anos foi
costume basear a resistência de peças na resistência a tração, adequadamente reduzida por
um coeficiente de segurança. A tendência atual, no entanto, é de adotar, no projeto estático
de materiais dúcteis, a tensão limite de escoamento.
No entanto, por ser uma propriedade bem reprodutível e de fácil obtenção, ela é
útil para fins de especificações e para o controle de qualidade do produto. Correlações
empíricas entre a resistência à tração e propriedades tais como a dureza e resistência à
fadiga são geralmente bastante úteis. Para materiais frágeis, a resistência à tração é um
critério válido para projetos. Na figura 2 tem-se a curva tensão deformação na escala real
realizada em laboratórios de ensaios.





Figura 2: Diagrama tensão-deformação em escala real
2.1.4 Lei de Hooke

Na região elástica, área abaixo da seção reta da curva tem-se a
proporcionalidade entre a tensão de engenharia (σ) e a deformação de engenharia (c), de
acordo com a lei de Hooke, o coeficiente angular da reta (a), conforme observa-se na figura
3, é o módulo de elasticidade ou módulo de Young (E), sendo expresso por:

Lei de Hooke :
c
o
= E

















Figura 3: Coeficiente angular da seção reta, região elástica, na curva tensão x
deformação.

2.1.4.1 Módulo de elasticidade (E)

O módulo de elasticidade (E) ou Módulo de Young é uma medida de rigidez do
material. Quanto maior é módulo de elasticidade menor é a deformação elástica resultante
d,e uma determinada carga. Uma vez que o módulo de elasticidade é necessário para o
cálculo de deflexão de vigas e outros componentes, ele se torna um valor importante para
projetos.

2.1.4.1.1 Tensão limite de proporcionalidade (σ
p
) e tensão limite de escoamento (σ
0
)

A tensão limite de proporcionalidade (σ
p
) é a maior tensão na qual a tensão é
diretamente proporcional à deformação. A tensão limite de escoamento (σ
0
) é a tensão
necessária para produzir uma pequena quantidade específica de deformação plástica. A
definição usual dessa propriedade é o limite de escoamento convencional determinado pela
tensão correspondente à intersecção da curva tensão deformação com uma linha paralela à
porção elástica da curva tensãodeformação, deslocada de uma deformação específica. Na
o
c
reta da angular coef a E
a
. = =
A
A
=
c
o

maioria dos países, o deslocamento é normalmente especificado como uma deformação de
0,2 ou 0,1 por cento (ε= 0,002 ou 0,001)., conforme é mostrado na Figura 4.


















Figura 4: Determinação convencional da tensão de escoamento

2.1.4.2 Módulo de elasticidade transversal (G):

Corresponde à rigidez do material quando submetido a um carregamento de
cisalhamento, calculado por uma expressão semelhante à expressão:


¸
t
= G
t= tensão de cisalhamento ; ¸= deformação de cisalhamento

2.1.4.2.1 Coeficiente de Poisson (v):
O coeficiente de Poisson mede a rigidez do material na direção perpendicular àquela em
que a carga está sendo aplicada, conforme ilustra a Figura 5. O valor deste coeficiente é
determinado pela relação entre as deformações de na direção de aplicação de carga (c1) e a
deformação medida na direção perpendicular (c2 ou c3)

1
3
1
2
c
c
c
c
v ÷ = ÷ =





o
0

0,002






















Figura 5 – Deformações de engenharia (ou convencionais) experimentadas por uma
barra prismática submetida a um carregamento unidirecional (como em um ensaio de
tração), Fonte: Adaptado Helman e Cetlin (2002).

2.1.5 Ductibilidade
A ductibilidade é a capacidade que um material possui de se deformar sem se
romper. Em geral, as medidas de ductibilidade podem interessar de três maneiras:
1. Para indicar a extensão na qual um metal pode ser deformado sem fraturar em
operações de transformação mecânica como a laminação e a extrusão.
2. Para indicar ao projetista, de uma maneira geral, a capacidade de o metal escoar
plasticamente antes da fratura. Uma alta ductibilidade indica que o material é fortemente
propenso a se deformar de maneira localizada antes de se romper.
3. Para servir como um indicador da mudança do nível de impurezas ou condições de
processamento. Medidas de ductibilidade podem ser especificadas para avaliar a
“qualidade” do material ainda que não exista uma relação direta entre as mediadas de
ductibilidade e o desempenho em serviço.

As medidas convencionais de ductibilidade que são obtidas do teste de tração
são a deformação de engenharia na ruptura (ε
r
), normalmente chamada de elongação e a
redução de área na fratura (q).
3
2
1
c
1
tração
c
2
contração
c
3
contração
0
0
0 0
0
A
A A
q
l
l
l
l l
F
÷
=
A
=
÷
= c

Tanto o alongamento quanto a redução de área são normalmente expressas em
percentagem.

2.1.6 Resiliência
A resiliência é a capacidade de um material absorver energia quando deformado
elasticamente e liberá-la quando descarregado. É normalmente medida pelo módulo de
resiliência (Ur), que é a energia por unidade de volume necessária para tensionar o material
da tensão zero até a tensão de escoamento (σ
0
). A energia por unidade de volume para uma
tensão uniaxial é:
x x
U c o
2
1
0
=
A partir da definição acima, o módulo de resiliência é:

E E
U
r
2 2
1
2
1
2
0 0
0 0 0
o o
o c o = = =
Essa equação indica que o material ideal para resistir a cargas em aplicações onde o
material não deve sofrer deformação permanente, tais como, molas mecânicas, é um que
tenha uma tensão de escoamento alta e um módulo de elasticidade baixo.
A Tabela 1 fornece valores do módulo de resiliência para diversos materiais.
Tabela1: Módulos de resiliência (Ur) para vários materiais

Material Módulo de
elasticidade (E)
(kgf/mm
2
)
Tensão de
Escoamento (σ
0
)
(kgf/mm
2
)
Módulo de
resiliência (Ur)
(kgf/mm
2
)
Aço médio carbono 21.100 31,6 0,023
Aço-mola de alto carbono 21.100 98,4 0,22
Duro alumínio 7.400 12,65 0,012
Cobre 11.200 2,81 0,004
Borracha 0,11 0,21 0,21
Acrílico 351 1,41 0,003
Fonte: Dieter




2.1.7 Tenacidade
A tenacidade de um material é a sua capacidade para absorver energia antes de
se romper. A capacidade de suportar tensões ocasionais acima da tensão de escoamento
sem fraturar é particularmente desejável em peças como engate de vagões de carga,
engrenagens, correntes e ganchos de guindastes. A Figura 6 mostra um comparativo entre
dois materiais, um frágil e outro dúctil.












Figura 6: Comparativo da tenacidade de dois materiais um material frágil a esquerda
e outro dúctil a direita. O material dúctil absorve mais energia antes de romper se
comparado com o material frágil da curva à esquerda. Fonte: Callister
2.2 Curva tensão-deformação verdadeira

Em processo de conformação como a trefilação, a peça também experimenta
variações sensíveis na área da secção transversal. Assim sendo, são necessárias medidas de
tensão e deformação que se baseiem nas dimensões a cada instante. Na deformação
elástica, as variações dimensionais são pequenas o que torna desnecessárias estas
considerações. A figura 6 mostra a curvas tensão x deformação verdadeira e de engenharia.

Figura 6: Comparação entre as curvas tensão-deformação de engenharia e tensão
deformação verdadeira para um aço carbono AISI 1020 laminado à quente.
2.2.1 Tensão Verdadeira (o )
A tensão de engenharia (σ) é dada por:
0
A
P
= o
onde:
A
0
= área da secção inicial do CDP
P = carga para uma deformação de engenharia ε
Tensão verdadeira (o ) é dada por:
A
P
= o (2)
onde:
A = área no instante da carga P
P = carga para uma deformação verdadeira c
Considerando o volume constante tem-se: A l = A
0
l
0
, ou então:
A
A
l
l
0
0
= (3)
Pode-se escrever a equação (2)
A
A
A
F
0
0
= o (4)


Substituindo a equação (3) em (4):


0 0
l
l
A
F
= o (5)

Sabendo-se que a deformação de engenharia (ε) é calculada por:

0
0
l
l l ÷
= c (6)
ou então
c + =1
0
l
l
(7)
Substituindo (7) em (5) tem-se:

) 1 (
0
+ = c o
A
P
(8) ou ) 1 ( + = c o o (8a)
2.2.2 Deformação Verdadeira ( c )
A deformação verdadeira é definida como um acréscimo no comprimento por
unidade de comprimento (L) no instante do aumento de carga (P). Matematicamente fica:
l
dl
d = c logo temos
} }
=
l
l
l
dl
d
0
c

Procedendo-se com a integração, temos:
0
ln
l
l
= c (9)
Se considerarmos que a variação da densidade de um metal deformado plasticamente é
menor que 0,1%, podemos considerar que na região plástica o metal é incompressível, isto
é, o volume se mantém constante, temos:
A
0
l
0
= A l = cte

logo

A
A
l
l
0
0
=

substituindo-se em (9) tem-se:

A
A
0
ln = c (10)

Sabe-se que
0
0
l
l l ÷
= c e que pode ser escrito da seguinte forma:
c + =1
0
l
l
(11)

Substituindo-se (11) em (9) tem-se a relação entre tensão verdadeira e a de engenharia,
conforme a equação (12), a seguir:
) 1 ln( c c + = (12)
As expressões de o e c somente se aplicam até o ponto de carga máxima, quando tem-se
deformação uniforme, acima da carga máxima tem-se deformação não uniforme com a
formação do pescoço. Acima de Pmáx tem-se a expressão (12) escrita da seguinte
maneira
'
) ' 1 ln( c c + =

onde ε’ tem que ser medido.
2.3 Equação Exponencial –
2.3.1 Equação de Hollomon (1945)
O comportamento do material submetido à tração uniaxial pode ser escrito na forma:
n
Kc o = (13)
Onde: K - Coeficiente de resistência do material n - Coeficiente de encruamento do
material. Esta equação é válida do início do escoamento até o final da deformação
uniforme.
Na instabilidade plástica carga máxima dP=0 mas P = A . o diferenciando temos
dP = o dA + A do igualando-se dP a zero o dA + A do = 0
Logo:
A
dA d
÷ =
o
o

Como a conformação ocorre a volume constante
A
0
l
0
= Al = constante
Derivando-se temos:
dAl+dlA=0 → -dAl=dlA →
l
dl
A
dA
= ÷ portanto
o
o
c c
o
o d
d d
l
dl
mas
l
dl d
= ¬ = =
logo:
c
o
o
d
d
= (12)
Admitindo-se que o material obedeça a uma lei do tipo:
n
kc o = (13) Substituindo-se
(12)em (13) tem-se:
n
k
d
d
c
c
o
= (14) mas
1 ÷
=
n
nk
d
d
c
c
o
(15) substituindo-se (14) em (15) tem-se:

n n n nk k
n
n n n n n
= ¬ = ¬ = ¬ =
÷ ÷
c
c
c
c c c c c
1 1
Ponto crítico
Portanto n é a máxima deformação do material antes de ocorrer a estricção localizada.
Na tabela abaixo estão alguns valores de K e n para alguns materiais (Dieter,1988).
Metal Condição
Coef. de
encruamento(n)
Coef. de
Resistência(K)
(MPa)
Aço com 0,05 % C Recozido 0,26 530
SAE 4340 Recozido 0,15 640
Aço com 0,6 % C
Temp. e revenido a
540oC
0,10 1570
Aço com 0,6 % C
Temp. e revenido a
705oC
0,19 1230
Cobre Recozido 0,54 320
Latão 70/30 Recozido 0,49 900

2.3.2 Outras expressões

Apesar de ser a equação de Hollomon, a equação de encruamento mais utilizada existem
outras tais como:

Equação de LUDWIK (1909):
n
Kc o o + =
0

K = coeficiente de resistência segundo Ludwik n
L
= coeficiente de encruamento segundo
Ludwik

Equação de Swift (1952) :
n
K ) (
0
c c o + =
K = coeficiente de resistência segundo Swift n
L
= coeficiente de encruamento segundo
Swift.

Bibliografia

Cetlin, P, R. Fundamentos da conformação. 2ª. Ed. 2007
Apostila Unisanta Conformação Mecânica. Willy Ank de Morais. 2004
G. Dieter. Metalurgia Mecânica. 1981
Callister, W. Introdução a Ciência e Eng. Dos Materiais. 7ª. Ed.

Na figura 2 tem-se a curva tensão deformação na escala real realizada em laboratórios de ensaios. Para materiais frágeis. A tendência atual. δ= l − l0. conforme a seguir:  l  l0 l  l0 l0 2. por ser uma propriedade bem reprodutível e de fácil obtenção.3 Resistência à tração. ser um valor com muito pouca importância fundamental com relação à resistência do material. ou tensão máxima de engenharia (σt)(LRT) A resistência à tração. Figura 2: Diagrama tensão-deformação em escala real . a resistência à tração é um critério válido para projetos. no projeto estático de materiais dúcteis.1. no entanto.que é obtida pela divisão da elongação do comprimento útil do corpo de prova. adequadamente reduzida por um coeficiente de segurança. Para materiais dúcteis a resistência à tração deveria ser considerada como uma medida da carga máxima que um metal pode suportar com as condições muito restritas de carregamento uniaxial. Correlações empíricas entre a resistência à tração e propriedades tais como a dureza e resistência à fadiga são geralmente bastante úteis. Por muitos anos foi costume basear a resistência de peças na resistência a tração. é a carga máxima dividida pela secção transversal inicial do corpo de prova. é também chamada de limite de resistência a tração (LRT) A resistência à tração (σt) é o valor mais freqüentemente citado dos resultados de um ensaio de tração apesar de. é de adotar. a tensão limite de escoamento. pelo seu comprimento original. na realidade. No entanto. ou tensão máxima de engenharia. ela é útil para fins de especificações e para o controle de qualidade do produto.

2. Na . região elástica. ele se torna um valor importante para projetos.4 Lei de Hooke Na região elástica. área abaixo da seção reta da curva tem-se a proporcionalidade entre a tensão de engenharia (σ) e a deformação de engenharia ().1 Módulo de elasticidade (E) O módulo de elasticidade (E) ou Módulo de Young é uma medida de rigidez do material. Quanto maior é módulo de elasticidade menor é a deformação elástica resultante d. é o módulo de elasticidade ou módulo de Young (E). na curva tensão x deformação. A tensão limite de escoamento (σ0) é a tensão necessária para produzir uma pequena quantidade específica de deformação plástica.2.e uma determinada carga.1.4.angular da reta  Figura 3: Coeficiente angular da seção reta.4.1.1 Tensão limite de proporcionalidade (σp) e tensão limite de escoamento (σ0) A tensão limite de proporcionalidade (σp) é a maior tensão na qual a tensão é diretamente proporcional à deformação. Uma vez que o módulo de elasticidade é necessário para o cálculo de deflexão de vigas e outros componentes. o coeficiente angular da reta (a). deslocada de uma deformação específica.1. sendo expresso por: Lei de Hooke : E     a   E  a  coef . de acordo com a lei de Hooke. conforme observa-se na figura 3.1. 2. A definição usual dessa propriedade é o limite de escoamento convencional determinado pela tensão correspondente à intersecção da curva tensão deformação com uma linha paralela à porção elástica da curva tensãodeformação.

conforme é mostrado na Figura 4. O valor deste coeficiente é determinado pela relação entre as deformações de na direção de aplicação de carga (1) e a deformação medida na direção perpendicular (2 ou 3)    2  3 1 1 .001).2.002 Figura 4: Determinação convencional da tensão de escoamento 2.4.1 Coeficiente de Poisson (): O coeficiente de Poisson mede a rigidez do material na direção perpendicular àquela em que a carga está sendo aplicada. o deslocamento é normalmente especificado como uma deformação de 0. conforme ilustra a Figura 5.2 Módulo de elasticidade transversal (G): Corresponde à rigidez do material quando submetido a um carregamento de cisalhamento.1.1.1 por cento (ε= 0. calculado por uma expressão semelhante à expressão: G   tensão de cisalhamentodeformação de cisalhamento 2.002 ou 0.2 ou 0.4..maioria dos países. 0 0.

plasticamente antes da fratura. . As medidas convencionais de ductibilidade que são obtidas do teste de tração são a deformação de engenharia na ruptura (εr). Para indicar a extensão na qual um metal pode ser deformado sem fraturar em operações de transformação mecânica como a laminação e a extrusão.5 Ductibilidade A ductibilidade é a capacidade que um material possui de se deformar sem se romper. 2. Em geral. Para indicar ao projetista. processamento.1 tração  contração  contração 3 2 Figura 5 – Deformações de engenharia (ou convencionais) experimentadas por uma barra prismática submetida a um carregamento unidirecional (como em um ensaio de tração). a capacidade de o metal escoar 2.1. normalmente chamada de elongação e a redução de área na fratura (q). as medidas de ductibilidade podem interessar de três maneiras: 1. Para servir como um indicador da mudança do nível de impurezas ou condições de 3. de uma maneira geral. Uma alta ductibilidade indica que o material é fortemente propenso a se deformar de maneira localizada antes de se romper. Fonte: Adaptado Helman e Cetlin (2002). Medidas de ductibilidade podem ser especificadas para avaliar a “qualidade” do material ainda que não exista uma relação direta entre as mediadas de ductibilidade e o desempenho em serviço.

100 7. que é a energia por unidade de volume necessária para tensionar o material da tensão zero até a tensão de escoamento (σ0). é um que tenha uma tensão de escoamento alta e um módulo de elasticidade baixo. tais como. A energia por unidade de volume para uma tensão uniaxial é: 1 U 0   x x 2 A partir da definição acima.200 0. 2.65 2. Tabela1: Módulos de resiliência (Ur) para vários materiais Material Módulo de elasticidade (E) (kgf/mm2) Tensão de Escoamento (σ0) (kgf/mm2) Módulo de resiliência (Ur) (kgf/mm2) Aço médio carbono Aço-mola de alto carbono Duro alumínio Cobre Borracha Acrílico Fonte: Dieter 21. q l  l0 l  l0 l0 A0  AF A0 Tanto o alongamento quanto a redução de área são normalmente expressas em percentagem.11 351 31.400 11.003 .21 1.012 0. É normalmente medida pelo módulo de resiliência (Ur). A Tabela 1 fornece valores do módulo de resiliência para diversos materiais.6 Resiliência A resiliência é a capacidade de um material absorver energia quando deformado elasticamente e liberá-la quando descarregado. o módulo de resiliência é: 2 1 1  U r   0 0   0 0  0 2 2 E 2E Essa equação indica que o material ideal para resistir a cargas em aplicações onde o material não deve sofrer deformação permanente.81 0.4 12.023 0.004 0.21 0.6 98.1.41 0. molas mecânicas.22 0.100 21.

1. engrenagens. O material dúctil absorve mais energia antes de romper se comparado com o material frágil da curva à esquerda. correntes e ganchos de guindastes.2. Figura 6: Comparativo da tenacidade de dois materiais um material frágil a esquerda e outro dúctil a direita.7 Tenacidade A tenacidade de um material é a sua capacidade para absorver energia antes de se romper. um frágil e outro dúctil. Fonte: Callister . A Figura 6 mostra um comparativo entre dois materiais. A capacidade de suportar tensões ocasionais acima da tensão de escoamento sem fraturar é particularmente desejável em peças como engate de vagões de carga.

2. a peça também experimenta variações sensíveis na área da secção transversal.2 Curva tensão-deformação verdadeira Em processo de conformação como a trefilação. Assim sendo. Na deformação elástica. são necessárias medidas de tensão e deformação que se baseiem nas dimensões a cada instante. 2. as variações dimensionais são pequenas o que torna desnecessárias estas considerações. Figura 6: Comparação entre as curvas tensão-deformação de engenharia e tensão deformação verdadeira para um aço carbono AISI 1020 laminado à quente.2.1 Tensão Verdadeira (  ) A tensão de engenharia (σ) é dada por:   onde: A0 = área da secção inicial do CDP P A0 P = carga para uma deformação de engenharia ε Tensão verdadeira (  ) é dada por:   P (2) A . A figura 6 mostra a curvas tensão x deformação verdadeira e de engenharia.

2 Deformação Verdadeira (  )   A deformação verdadeira é definida como um acréscimo no comprimento por unidade de comprimento (L) no instante do aumento de carga (P).onde: A = área no instante da carga P P = carga para uma deformação verdadeira  Considerando o volume constante tem-se: A l = A0 l0. ou então: A l  0 (3) l0 A Pode-se escrever a equação (2)   F A0 (4) A0 A Substituindo a equação (3) em (4): F l (5) A0 l 0   Sabendo-se que a deformação de engenharia (ε) é calculada por:  ou então l  l0 (6) l0 l  1   (7) l0 Substituindo (7) em (5) tem-se: P (  1) (8) ou    (  1) (8a) A0 2. Matematicamente fica: dl dl logo temos  d   d  l l l0 l .2.

temos:   ln l (9) l0 Se considerarmos que a variação da densidade de um metal deformado plasticamente é menor que 0.Coeficiente de encruamento do material. isto é. o volume se mantém constante. Esta equação é válida do início do escoamento até o final da deformação . conforme a equação (12).Procedendo-se com a integração.1 Equação de Hollomon (1945) ' O comportamento do material submetido à tração uniaxial pode ser escrito na forma:   K n (13) Onde: K .3 Equação Exponencial – 2. temos: A l  0 substituindo-se em (9) tem-se: l0 A A0 l0 = A l = cte logo   ln A0 (10) A Sabe-se que   l  l0 e que pode ser escrito da seguinte forma: l0 l  1   (11) l0 Substituindo-se (11) em (9) tem-se a relação entre tensão verdadeira e a de engenharia. a seguir:   ln(1   ) (12) As expressões de  e  somente se aplicam até o ponto de carga máxima.1%. acima da carga máxima tem-se deformação não uniforme com a formação do pescoço. quando tem-se deformação uniforme. Acima de Pmáx tem-se a expressão (12) escrita da seguinte maneira   ln(1   ' ) onde ε’ tem que ser medido. podemos considerar que na região plástica o metal é incompressível. 2.3.Coeficiente de resistência do material n .

e revenido a 705oC Recozido Recozido 0. Na instabilidade plástica carga máxima dP=0 mas P =  . Coef.54 0.49 1570 1230 320 900 . de encruamento(n) Coef.10 0. e revenido a 540oC Temp.6 % C Aço com 0.26 0.1988).05 % C SAE 4340 Aço com 0.uniforme.19 0. A diferenciando temos dP =  dA + A d  igualando-se dP a zero  dA + A d  = 0 Logo: d dA A   Como a conformação ocorre a volume constante A0l0 = Al = constante Derivando-se temos: dAl+dlA=0 → -dAl=dlA →  logo:   d (12) d Admitindo-se que o material obedeça a uma lei do tipo:   k n (13) Substituindo-se (12)em (13) tem-se: d dl dl d dA dl  portanto  mas  d  d   l l A l  d d  k n (14) mas  nk n 1 (15) substituindo-se (14) em (15) tem-se: d d k  nk n n 1    n n n 1 n  n    n Ponto crítico  n Portanto n é a máxima deformação do material antes de ocorrer a estricção localizada. Na tabela abaixo estão alguns valores de K e n para alguns materiais (Dieter.15 0. de Resistência(K) (MPa) 530 640 Metal Condição Aço com 0.6 % C Cobre Latão 70/30 Recozido Recozido Temp.

Introdução a Ciência e Eng. 7ª. Bibliografia Cetlin. Dos Materiais. 2ª. Dieter. W. Ed. Ed. Metalurgia Mecânica. .3. a equação de encruamento mais utilizada existem outras tais como: Equação de LUDWIK (1909):    0  K n K = coeficiente de resistência segundo Ludwik nL = coeficiente de encruamento segundo Ludwik Equação de Swift (1952) :   K ( 0   ) n K = coeficiente de resistência segundo Swift nL = coeficiente de encruamento segundo Swift. Willy Ank de Morais. 1981 Callister.2 Outras expressões Apesar de ser a equação de Hollomon.2. 2004 G. P. 2007 Apostila Unisanta Conformação Mecânica. Fundamentos da conformação. R.