16

cultura

reconquista As intervenções de Luís Norberto Lourenço

9 de fevereiro de 2012

Luis Raposo e

Orquestra Típica Albicastrense

A opinião do político e do cidadão

Instituições contra afastamento
A Associação de Estudos do Alto Tejo e a Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Júnior fizeram chegar à redação missivas dando conta do descontentamento pela não recondução de Luís Raposo como diretor do Museu Nacional de Arqueologia. A AEAT aponta três razões, para não ficar indiferente a este facto. Primeiro, por amizade, depois, “pelo facto de ser nosso filiado embora esta razão seja menor e não deva ser interpretada como corporativa, um conceito que parece ser hoje mais representativo do que no Estado Novo”, diz o documento, mas, sobretudo, “pelo reconhecimento do estatuto de Luís Raposo como profissional e cidadão notável”. Segundo a associação, Luís Raposo “não tem sido apenas um bom funcionário e dirigente da administração pública, neste caso um diretor marcante do Museu Nacional de Arqueologia, tão variadas são as suas qualificações, demonstradas ao longo dos últimos 40 anos, na investigação científica, na museologia, na divulgação, no associativismo, no ensino e no debate público sobre a coisa política. Diríamos que uma personalidade tão multifacetada com esta, com capacidade de liderança, faz falta a Portugal”. Agora, como refere, ainda, a mesma nota, aguarda-se com expetativa as próximas decisões político-administrativas na área a Cultura. Já a Sociedade dos Amigos do Museu Francisco Tavares Proença Júnior de Castelo Branco para além de se mostrar solidária com Luís Raposo, fá-lo, igualmente, com Ana Margarida, ex-diretora do Museu albicastrense e que atualmente geria os destinos do Museu de Aveiro e que também não foi reconduzida. Neste sentido, tornam pública a tomada de posição da última Assembleia Geral destacando “o reconhecimento da divida que a região, a arqueologia, a Sociedade dos Amigos do Museu, até alguns individualmente, tinham para com os dois. Menos do que a afinal inviabilidade de concretização da proposta, o que me parece lhes trará algum conforto foi a manifesta unanimidade da Assembleia no desagrado pela situação e no apreço pela obra realizada”. Ambos agradeceram o interesse e amizade pela posição tomada.

Ana Margarida

Novo CD avança em 2012
Orquestra Típica Albicastrense (OTA) aprovou, dia 27 de Janeiro, por unanimidade, o seu plano de actividades e orçamento para 2012. Do plano previsto, destaca-se a realização de espectáculos pela Otinha – Orquestra Juvenil da OTA, mas também a gravação e apresentação de um novo CD, que deverá ser apresentado em Julho, por altura do 56.º aniversário da Orquestra. Antes de se terem iniciado os trabalhos, Carlos Salvado, maestro e presidente da direcção da OTA, propôs um voto de pesar e que fosse guardado um minuto de silêncio em memória de João Milhinhos, o tesoureiro da instituição, uma vez que foi esta a primeira assembleia geral após a sua morte. Joaquim Morão, presidente da assembleia geral da OTA, solidarizou-se com

A

C

este voto e lembrou que João Milhinhos sempre foi um elemento fundamental para a Orquestra. Ainda no período antes da ordem do dia, Carlos Salvado deu conta que, apesar de uma ligeira diminuição do número de alunos na Escola de Música, “esta continua a ter um papel preponderante na formação de jovens músicos”. É desta escola que têm saído os novos elementos da Orquestra Típica Albicastrense, mas também da Otinha, composta por 22 jovens, dos 11 aos 18 anos. É também na Escola de Música que nasceu e pratica a Orquestra Suzuki, de violinos, com 10 crianças, dos cinco aos 15 anos. Quanto aos números e contas, Joaquim Morão realçou a saúde financeira da OTA, o que se deve a um planeamento rigoroso e também à actividade da Escola de Música.

Luís Norberto Lourenço apresenta textos soltos, uns já publicados, outros não

I

inema com… láudio Anaia
FILME: ESTRELAS

1 – The Lady- Um Coração Dividido 2 – Jogada de Risco 3 – Os Homens Que Odeiam as Mulheres 4 – Os Descendentes 5 – Três vezes 20 anos

ntervenções enquanto político ou enquanto cidadão e artigos de opinião publicados na imprensa regional e nacional integram o lote de crónicas que integram o livro “Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica”. São intervenções feitas em contexto académico, associativo, cultural, partidário, laboral ou outro qualquer. Assinado por Luís Norberto Lourenço, este livro foi apresentado sexta-feira, dia 3 de Fevereiro, no Património Lounge Bar, em Castelo Branco, uma tertúlia que contou com a presença do autor, mas também de Luís Raposo, director do Museu Nacional de Arqueologia, que prefaciou o livro e fez a sua apresentação, António Regedor, professor da Universidade Fernando Pessoa, e Pedro Salvado, investigador da Universidade

de Salamanca. “Muitos dos textos que integram o livro foram publicados, mas outros não, mas fazem sentido estar aqui reunidos, porque são intervenções pertinentes, que vão ao encontro de outros pontos de vista sobre vários temas em discussão na sociedade actual”. Apresentam-se por ordem cronológica e não temática, “porque não perdem o sentido”. A regionalização é um dos temas tratados nestas crónicas de Luís Norberto Lourenço e que, ainda hoje, é uma discussão em aberto. “Mas falo também do Museu Académico e do seu espólio, da Alma Azul, que deixou entretanto de ter um espaço físico na cidade, Belgais, um projecto que elogiei e entretanto terminou, em suma, relembro coisas que entretanto acabaram, dando por isso para fazer a com-

paração, mas outros textos continuam muito actuais”, explica o autor. A obra tem edição da Casa Comum das Tertúlias, inserida na Colecção “Rosa Sinistra”. Luís Norberto Lourenço é natural de Castelo Branco, onde concluiu o ensino secundário. É licenciado História, com pós-graduação em Educação e Organização de Bibliotecas. Iniciou em Lisboa a sua intervenção cívica, com a participação no Congresso “Portugal Que Futuro” e militância partidária em 1993, na JS e, depois, no PS, sendo co-fundador do boletim “Rosa Sinistra”, do núcleo de Belém desta juventude partidária. Tem escrito em vários fanzines, jornais e revistas, locais e nacionais, portuguesas e espanholas, blogues e em vários fóruns na Internet. Lídia Barata

Livro apresentado dia 17 em Castelo Branco

Jogada de Risco ****
Money Ball – Jogada de risco, com três nomeações para os Óscares deste ano é baseado na história verídica do General Manager dos Oakland Athletics um clube de basebol norte americano. Billy Beane ( Brad Pitt), que “ameaçou” mudar para sempre o jogo de baseball, tornando a sua equipa de baixo orçamento, numa das melhores da História daquela modalidade, o filme não se limita ao jogo, em si, mas sim em dar destaque ao perfil e a coragem de um homem que teve uma postura em pensar... diferente. A seu lado teve um jovem estudante de Yale (Hill) para quem o desporto se resumia a números e equações baseadas em pesquisas na internet . É dessa improvável combinação que surge uma história simplesmente memorável com resultados inesperados com sucessos. Para os apreciadores de desporto em geral, principalmente para os familiarizados com o sistema de recrutamento dos desportos norte-americanos, o filme é uma viagem ao submundo das contratações, dispensas e conflitos internos de um clube que, em teoria, pouco podia fazer contra o poder financeiro de outras equipas. Um bom filme de quatro estrelas que vale a pena assistir. (www.relances.blogspot.com)

Papas na biblioteca
O
livro “A Festas das papas de Alcains”, da autoria de Florentino Vicente Beirão é apresentado, no próximo dia 17 de fevereiro, pelas 18H30, na Biblioteca Municipal de Castelo Branco. O livro, editado pela Câmara de Castelo Branco e produzido pela RVJ – Editores, será apresentado por Maria Adelaide Salvado. Neste livro, o autor, ao longo desta obra, procura desvendar as origens dos bodos na Beira Baixa entroncando-os nas suas mais remotas raízes celtas e judaicas. Depois de apresentar os diversos bodos que se realizaram na Beira Baixa, sobretudo da raia e das encostas da Serra da Gardunha, a obra detém-se, sobretudo, sobre o secular bodo das papas de Alcains, procurando desvendar a sua origem local e as suas metamorfoses ao longo do tempo. Templários, milenaristas, monges, reis e rainhas, nobreza e povo são protagonistas que aparecem ao longo deste livro, ligados a estes bodos que foram, tanto acarinhados, como proibidos pela igreja, por supostos excessos. O autor assume ainda a tarefa de demonstrar, num estilo crítico e problematizante que ainda será possível recuperar, com as devidas adaptações à modernidade, a estrutura celebrativa, sacro-profana destes rituais comunitários. Um secular calor identitário, património imaterial da Beira, um pouco adormecido, mas que importa valorizar pelos poderes públicos, pela igreja e pelas comunidades locais.