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INTRODUÇÃO Sabe-se que os processos educacionais que ocorrem em nossa sociedade independente de especificidades, são alvos de muitas deliberações em congressos, seminários, palestras etc. Sabe-se também que dentre os mais debatidos recentemente, destaca-se a educação do campo, principalmente, por apresentar como fundamental reivindicação a luta por políticas públicas educacionais em consonância com suas realidades. Caldart (2004, p.23) quanto a essas discussões afirma que:

É necessário que todas as pessoas do campo tenham acesso à educação de qualidade, voltada aos interesses da vida no campo. Nisto está em jogo o tipo de escola, a proposta educativa que ali se desenvolve e o vinculo necessário desta educação com uma estratégia especifica de desenvolvimento para o campo.

Nessa perspectiva se insere o tema de minha pesquisa educação do campo e suas políticas: um olhar a partir da casa familiar rural de Moju – Pará. Trabalho de Conclusão do Curso de Pedagogia realizado na Universidade Federal do Pará – UFPA. O objetivo deste trabalho foi analisar, a partir de uma pesquisa de base documental e de campo, como se desenvolve as políticas públicas educacionais no âmbito da Secretaria de Estado de Educação do Pará - SEDUC, direcionada à CFR – Padre Sérgio Tonetto da comunidade de Jambuaçu no Município de Moju no Estado do Pará, de forma a pontuar o processo de inserção, funcionamento e trajetória da CFR no contexto das políticas públicas educacionais para o campo e também pontuar aspectos relevantes do Projeto Político Pedagógico desta referida escola. O interesse pelo tema surgiu de atividades realizadas no Grupo de Pesquisa HESPECF – Grupo de Estudo e Pesquisa em História, Educação, Sociedade e Política Educacional do Campo e Florestas localizado no ICED – Instituto de Ciências de Educação da UFPA, no âmbito do Projeto de Extensão1 intitulado “Partilhas Socioculturais por Políticas Públicas no Campo, Floresta e Rios”, também denominado Tapiri Pedagógico, que tem parceria com o Fórum Paraense de Educação do Campo. Participei do Projeto de Extensão como bolsista no período de um ano, iniciado no segundo semestre de 2010 e finalizado no primeiro semestre de 2011. Por meio deste tive a
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O projeto é coordenado pela professora e doutora Neila da Silva Reis, tendo como vice-coordenadores os professores Evanildo Estumano e Raimundo Leite da UFPA, dos quais fui bolsista no período de um ano, iniciado no segundo semestre de 2010 e finalizado no primeiro semestre de 2011.

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oportunidade de conhecer trabalhos desenvolvidos pelo Grupo de Pesquisa HESPECF e também pelo FPEC, Fórum este, que expressa em sua intencionalidade ao percurso de sua constituição desde o ano de 2004, objetivos de articular, apoiar, acompanhar, registrar e propor políticas educacionais para as escolas do campo. Assim, esta pesquisa é parte de um trabalho mais amplo a respeito da realidade da educação do campo realizado pelo grupo de pesquisa HESPECF, articulados a seus projetos de pesquisa e extensão, que tem por objetivo debater experiências de formação, pesquisas em educação e apresentar resultados de organizações e movimentos sociais, visando articular discussão e questões temáticas que subsidiem a elaboração de programas e políticas públicas educacionais que ampliem o alcance da educação em regiões rurais e florestais da Amazônia Paraense. Para a realização dos Tapiris Pedagógicos, o grupo realiza várias atividades de pesquisas por meio de levantamentos bibliográficos e documentais sobre políticas públicas educacionais para o campo, florestas e rios. Essas investigações são realizadas por meio eletrônicos e visitas em instituições de ensino como: SEDUC e Conselho Estadual de Educação. De acordo com as visitas, tive conhecimento sobre várias escolas do campo, dentre elas as Casas Familiares Rurais que me chamou bastante atenção pela forma de funcionamento embasada na Pedagogia da Alternância. Durante as pesquisas, compreendi que no contexto da realidade do campo existem muitas formas de resistência cultural ativa em função do desenvolvimento educacional no campo, conhecida como CEFFAs – Centros de Formação Familiares em Alternância que envolvem no Brasil três experiências significativas, que são: as EFAs – Escolas Famílias Agrícolas, as ECR – Escolas Comunitárias Rurais e as CFR – Casas Familiares Rurais. A partir desta última, é que me propus a pesquisar, em especial, questões de políticas públicas educacionais direcionadas a CFR Padre Sérgio Tonetto na comunidade de Jambuaçu no Município de Moju. Os princípios metodológicos desta pesquisa se desenvolveram em etapas. A primeira se constituiu de uma pesquisa bibliográfica, com a finalidade de conhecer o que autores que tratam a respeito de políticas públicas educacionais para o campo. Conforme Severino (2007, p. 122), uma pesquisa bibliográfica “[...] é aquela que se realiza a partir do registro disponível, decorrente de pesquisas anteriores, em documentos impressos como livros, artigos, teses etc.”. O levantamento bibliográfico visou contextualizar o objeto de pesquisa e ao mesmo tempo iniciar o processo de construção da estrutura teórica que deu suporte ao trabalho, construindo-se em todas as etapas desta pesquisa.

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A segunda etapa se constituiu de uma pesquisa documental na SEDUC, com intuito de ter informações sobre propostas de políticas públicas educacionais para o campo em especial para a Casa Família Rural Padre Sérgio Tonetto. Para Antônia Santos (2001, p. 29) pesquisa documental é:

Aquela que se ocupa de fontes de informação que ainda não receberam organização, tratamento analítico e publicação. São fontes documentais as tabelas estatísticas, relatórios de empresas, documentos informativos arquivados em repartições públicas, associações, igrejas, hospitais, sindicatos; fotografias, epitáfios, obras originais de qualquer natureza, correspondência pessoal ou comercial etc.

Depois de ter estudado os documentos da SEDUC, realizei a terceira etapa que se deu de uma entrevista semi-estruturada – Apêndice A e B – com o presidente da ARCAFAR do Estado do Pará, o qual é também coordenador administrativo das Casas Familiares Rurais no Conselho Estadual de Educação do Estado do Pará e coordenador da CFR de Jambuaçu; com o coordenador da educação do campo da SEDUC e com o coordenador pedagógico da Casa Familiar Rural de Jambuaçu do Município de Moju –PA. De acordo com Marconi e Lakatos (1986, p.70) é importante com relação ao aplicar uma entrevista semi-estruturada que:

Antes da realização da entrevista elaborar quais perguntas chaves devem ser levantadas, que categorias pretende visualizar requerendo um trabalho de planejamento prévio. A importância desse instrumento dá-se pela possibilidade de captar informações através das falas dos sujeitos que fazem parte de contexto pesquisado e não se trata de um procedimento sem objetivo.

Seguindo o que os autores alertam elaborei um roteiro de entrevista semi-estruturada para realizar a entrevista desejada. Na quarta etapa realizei uma pesquisa de campo na CFR Padre Sérgio Tonetto com a finalidade de ter um contato direto com sua realidade da CFR, conhecendo e analisando a existência de políticas públicas educacionais nesta escola. De acordo com Trujillo (1995 p.90) a pesquisa de campo:

Consiste na observação de fatos e fenômenos tal como ocorrem espontaneamente, na coleta de dados a eles referentes e nos registros variáveis que se presume relevantes, para analisá-los, tendo como objetivo de conseguir informações e/ou conhecimentos acerca de um problema.

Na quinta e última etapa comparei os dados oriundos das pesquisas realizadas, verificando e constatando proposições, relações, em busca da identificação operacional das

expondo as informações históricas sobre o processo de inserção das políticas públicas educacionais no procedimentos do ensino e aprendizagem dos alunos. p. possam inspirar e ao mesmo tempo fundamentar a elaboração de Políticas Públicas Educacionais eficazes para a população do campo. O terceiro. Sérgio Tonetto na comunidade de Jambuaçu no Município de Moju. conceituando o método educacional da pedagogia da alternância. O segundo traz uma perspectiva histórica da origem da Casa Familiar Rural na França. para melhor análise das informações. o primeiro capítulo apresenta um breve histórico da educação do campo explicando a diferença existente entre educação rural e educação do campo. de discurso. Uma vez que. E a consideração final. além da conclusão que busca expressar a relação dialógica entre a pesquisa realizadas nas instituições de ensino SEDUC e CFR. sendo valorizado muito além das quatro paredes de . Deslandes (1994. no Brasil e no Pará. cotidianamente deparamo-nos com a expansão do conhecimento educacional. Nesse parecer. Sérgio Tonetto. seus princípios metodológicos e instrumentos pedagógicos utilizados na dinâmica das casas familiares rurais. Por exemplo. Deslandes (1994) ressalta que para análise dos dados é importante bastante clareza sobre o que se deseja com os dados coletados. e último capítulo. O trabalho em questão deseja contribuir com pesquisas no âmbito das discussões e reflexões relacionadas aos estudos sobre as CFRs como lugar de educação e formação educacional para a população do campo. a qual busca induzir o exercício de reflexão e interrogação na tentativa de aumentar pesquisas diante desta temática e na expectativa de que as reflexões e proposições apresentadas no corpo do texto juntamente com contribuições dos autores que estudam a temática educação do campo. apresenta a experiência da pedagogia da alternância na CFR Pe. que neste caso se refere aos documentos de políticas públicas educacionais direcionadas à CFR Pe. as análises de conteúdo. ou análise dialética são procedimentos possíveis para a análise e interpretação dos dados e cada uma destas modalidades preconiza um tratamento diferenciado para a organização e sistematização dos dados.13 Políticas Públicas Educacionais na CFR Padre Sérgio Tonetto para melhor compreensão do que fora pesquisado. Assim sendo.43) considera que além de definir as técnicas utilizadas na pesquisa é necessário que organize e análise os dados coletados dizendo que: Deve-se descrever com clareza como os dados serão organizados e analisados. A partir dessa composição o trabalho está dividido em três capítulos.

Na perspectiva de refletir. jovens.14 uma sala de aula. principalmente no que se refere ao planejamento das diretrizes em relação ao Projeto Político Pedagógico . trabalhadores e famílias)? . interrogar e na tentativa de fomentar pesquisas diante da educação do campo procuro responder no corpo do texto os seguintes questionamentos: Qual a concepção de educação é desenvolvida na Casa Familiar Rural Padre Sérgio Tonetto em Jambuaçu? Quais as propostas pedagógicas do Estado apresentada para a Casa Familiar Rural Padre Sérgio Tonetto? Como as políticas educacionais do Estado atendem as demandas dos sujeitos do campo (professores.PPP das escolas do campo.

Isso se deu em função do processo de industrialização que ocorreram nas décadas de 20 e 30. isto é. preocupados com o crescimento do número de favelados nas periferias dos grandes centros urbanos.13): Nestes termos o ensino profissionalizante privilegiou a formação técnica. para solucionar esse problema o governo teve a estratégia de implantar escolas no campo. De acordo com o 2º Caderno da Secretaria de Educação Continuada. A contribuição da escola para o mercado de trabalho se realiza “na medida em que forma indivíduos eficientes. ela começa a ser visualizada e tratada nas políticas públicas apenas em meados do século XX”. Ou seja. sentimento este que gerou um grande fluxo de pessoas para a cidade em busca de escolarização com o intuito de se qualificar e ingressar no mercado de trabalho. a educação rural foi adotada pelo Estado como estratégia de contenção do fluxo migratório do campo para a cidade. De acordo com Saviani (2005. p. em detrimento do saber cientifico. ofertando uma educação que transmitia valores urbanos e desprezava a vida no campo. BREVE HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO DO CAMPO Ao longo da História da Educação brasileira é possível reconhecer. Assim. em seu art. a escola foi pensada fundamentalmente para diminuir o fluxo migratório e não para oferecer a educação de qualidade que a população do campo merece. para treinar os “sujeitos rústicos” e principalmente fixá-los no campo. o saber fazer. ela estará cumprindo sua função de equalização social”. estabeleceu que os poderes públicos instituirão e ampararão serviços e entidades que mantenham na zona rural escolas capazes de favorecer a adaptação do homem ao meio e o estimulo de vocação profissional. Em seguida de acordo com essas considerações a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional do ano de 1961. . que necessitavam de mão-de-obra especializada para lidar com a evolução das estruturas socio-agrárias do país. a pouca atenção dispensada pelo poder público em relação à educação do campo.15 1.105. p.2) “apesar de a educação campesina ser marcada ao longo do tempo pelo desprezo e pela atuação tardia e descontínua dos poderes públicos. p. em decorrência do crescente êxodo rural. De acordo com o imperativo acima. Segundo historiadores o processo de industrialização no Brasil provocou um grande inchaço populacional na cidade. Alfabetização e Diversidade – SECAD (2007. aptos a dar sua parcela de contribuição para o aumento da produtividade da sociedade. devido ao grande número de camponeses que viam na industrialização a oportunidade de emprego. nos relatos de vários autores. Pois segundo Amorim (2009.11): Na década de 60 a fim de atender aos interesses da elite brasileira.

as políticas educacionais desenvolvidas para a formação do filho do trabalhador era de formação inicial das primeiras letras e fundamentalmente o preparo para o trabalho.92). intelectuais ligados a caráter reprodutivista. para melhor compreensão da mudança no processo educacional no campo é necessário que se entenda a diferença existente entre Educação Rural e Educação do Campo. p. com emergência de valores da cidade. Nessa mesma época.43) afirma que esse contexto começa a ser questionado apontando para transformações educacionais quando comenta que “nos anos de 1960 Freire revolucionou a prática educativa. A educação do campo a partir das primeiras décadas do século XX apresentava-se como educação rural. Mas. p. Contrapondo a essa situação Leite (1999. tinha por principal finalidade formar esses sujeitos para as atividades agropecuárias. a segunda pretendia propor uma escola rural . com objetivos comuns tanto no meio urbano como na zona rural.16 Para o autor a educação oferecida à população do campo tinha caráter reprodutivista. no desenvolvimento da agricultura de exportação. com uma concepção de educação tradicional. Ou seja. com relação à educação rural acrescenta que: No ano de 1960. ao se reacender a questão ruralista no Brasil. tendo por suporte filosóficos-ideológicos os valores e o universo sociolingüísticos-cultural desses mesmos grupos”. Por sua vez.152) a população do campo era vítima da opressão e discriminação política. visto que além de querer fixar o homem ao meio rural. econômica e cultural. Segundo o autor a partir dos ensinamentos de Freire no processo de alfabetização de jovens e adultos como instrumento de emancipação do sujeito do campo começaram a se perceber traços de mobilizações por mudança na concepção de educação do campo. p. voltada para a questão de interesses das camadas sociais latifundiárias. Segundo Caldart (2004. a Educação rural foi vista como um dos fatores essenciais para a solução do problema da migração rural. apresentaram-se duas propostas diferenciadas à escola: a primeira pretendia inserir uma escola única. a educação oferecida para a população do campo neste período tinha um foco educacional totalmente diferente baseado nos interesses empresariais. Segundo historiadores a produção econômica se dava a partir dos interesses da classe dominante envolvida com interesses de segmentos da nascente burguesia nacional e interesses do capital que valorizava a preparação para o trabalho manual. Duarte (1995. criando os métodos de educação popular. Dessa forma. monocultura. os currículos eram pensados e elaborados com enfoque tecnicista para atender o processo de industrialização no campo e não o processo de formação dos sujeitos do campo. pois se privilegiava a formação técnica e não a formação humana e assim seguiu a educação no campo por muito tempo.

isto é. com objetivos próprios. o que colocou em discussão o próprio princípio da orientação concreta de cultura geral.17 diferenciada. afirmavam a vocação agrícola do Brasil. tendo este último como “superiores” ao saber manual. que apresentava a separação entre saberes e trabalhos intelectuais. Gramsci (2004) no século XX. 2004. tanto na cidade como no campo. Uma vês que sabe-se que a compreensão para a educação do campo deve ser enraizada na valorização do saber para a implementação do aprender colocando como ponto principal desse processo os elementos socioculturais dos sujeitos do campo. a escola técnica (a profissional. mas não a manual). que sua capacidade formativa era em grande parte baseada sobre o prestígio geral e tradicionalmente indiscutido de uma determinada forma de civilização (GRAMSCI. O desenvolvimento da base industrial. mas para solucionar o maior problema do estado. Alfabetização e Diversidade – SECAD (2007. ao passo que a clássica destinava-se as classes dominantes e os intelectuais. O autor faz neste imperativo uma retomada ao momento histórico para ressaltar como estava embasada a concepção educacional neste período que valorizava o preparo do indivíduo para as necessidades do mercado de trabalho. esse cenário de exclusão educacional em que viviam as populações do campo começou a ser questionada a partir das reivindicações das organizações da sociedade civil que levantavam bandeira do direito à educação de qualidade para a população do campo que primasse pelo desenvolvimento pleno do sujeito do campo. Na segunda proposta. da orientação humanista da cultura geral fundada sobre a tradição greco-romana. A partir de 1980. Desenvolveu-se. o inchaço populacional. p. Esta orientação. onde necessitariam de uma escola rural que se preocupasse fundamentalmente em fixar a população ao campo. 118). provoca uma constante necessidade de um novo tipo de intelectual urbano. p. uma vez posta em discussão foi destruída. se posiciona questionando sobre essa concepção educacional que reproduz desigualdades e dominações. não por questões educacionais relacionadas à valorização do espaço em detrimento de sua realidade. que articule teoria e prática durante o processo formativo dos alunos do campo assegurando que: A escola profissional destinava-se as classes instrumentais. pode-se dizer. já que o modelo de civilização para qual tendia o Brasil estava voltado para a indústria. reivindicando por uma educação integral.11). De acordo com o 2º Caderno da Secretaria de Educação Continuada. como via natural de desenvolvimento. A primeira proposta considerava o êxodo rural um fenômeno comum. ao lado da escola clássica. O autor apresenta a maior inquietação do Estado nos anos 60 de fixar o sujeito do campo ao campo. refere ainda sobre essa década que: .

A partir da luta e articulação dos movimentos sociais.O movimento social questiona o paradigma da educação rural e propõe a educação do campo como um novo paradigma para orientar as políticas e práticas pedagógicas ligadas aos trabalhadores do campo. reconhecendo-se como sujeito pertencente da sociedade em que vive. em essência. as organizações da sociedade civil. assegura que muitas deliberações que aconteceram no contexto da educação do campo devido: a ampliação do número de ocupações e assentamentos organizados pelo movimento dos sem terra – MST que reivindicavam por questões educacionais para os camponeses e trabalhadores rurais. 1094): Nos anos de 1980. as questões educacionais dos camponeses e trabalhadores rurais ficaram mais visíveis. com a ampliação do número de ocupações e assentamentos organizados no MST. portanto à cidadania propriamente dita. p. dentre eles o que mais se destacou. o direito à educação de qualidade. os direitos sociais e as necessidades próprias á vida dos camponeses. uma formação humana de direito harmônicos com sua realidade. O 1º artigo da Lei de Diretrizes e Bases da Educação – LDB assegura que: “a educação é o conjunto de processos formadores que passam pelo trabalho. p.1095).14) acrescenta que “toda educação escolar terá que vincular-se ao mundo do trabalho e a prática social e que esta deve ser a marca dos . A idéia era reivindicar e simultaneamente construir um modelo de educação sintonizado com as particularidades culturais. aos aspectos essenciais para a vida do ser humano no campo. pela escola e pelo movimento social” e Arroyo (2004. cooperação. o MST. A existência de um número reduzido de escolas e o trabalho com conteúdos caracterizados pela ideologia do Brasil urbano fizeram com que o movimento social iniciasse novas experiências e produzisse documentos mostrando as necessidades e as possibilidades na construção de uma política pública de educação do campo. o movimento dos sem terra reivindicavam por escolas no campo que valorizasse especificidades dessa localidade e não a ideologia do meio urbano. p. atualmente vem construindo com os sujeitos do campo. movidos pela existência de um número reduzido de escolas e o trabalho caracterizado pela ideologia do meio urbano.Questiona. Souza (2008. ou seja.18 De acordo com processo de resistência à ditadura militar e mais efetivamente a partir da década de 1980. De acordo com Souza (2008. pela família. especialmente as ligadas á educação popular. O autor refere que as iniciativas dos movimentos sociais fazem com que a população do campo se questione quanto aos seus direitos de cidadania dentro da sociedade. Ou seja. que ela seja vinculada à saúde. justiça. os interesses da classe dominante expresso no paradigma da educação rural e as contradições do modo de produção capitalista. incluindo a educação do campo na pauta dos temas estratégicos para a redemocratização do país. Dentre eles.

que lutam pela terra. uma proposta de educação que leva em consideração as experiências da vida familiar. por outro modelo de produção e por outra concepção de educação para a população do campo. Esses encontros. onde destacou que. Alfabetização e Diversidade – SECAD (2007) foram fortalecidas a partir das experiências do MST. De acordo com os autores é importante que a população do campo compreenda que não basta somente levar as crianças para a escola. mas os ultrapassa ao acolher em si os espaços pesqueiros. por meio de seu art. caiçaras. As discussões sobre educação do campo de acordo com o 2º Caderno da Secretaria de Educação Continuada. foram fundamentais para gerar as tais conferências. Reivindicações. é preciso que se verifique e avalie a educação que está sendo realizada com os pequenos. A educação do campo tratada como educação rural na legislação brasileira. O campo nesse sentido. Esse marco foi indicado antes da própria LDB 9. das minas e da agricultura. 2002. a que vem acontecendo nas casas familiares rurais. tem um significado que incorpora os espaços da floresta. A I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo foi a que fortaleceu o processo de inserção da educação do campo na agenda política. Ou seja. ribeirinhos e extrativistas. documentos dos movimentos sociais. flexibilizar a organização escolar. os quais apresentavam demandas significativas e coerentes para o processo de desenvolvimento da criança. Outro marco foi a aprovação das Diretrizes Operacionais para a Educação Básica nas Escolas do Campo. relacionando a teoria com a prática no processo de formação.1) . p. por meio de reivindicações de movimentos sociais. e da diversidade cultural das populações do campo.19 movimentos sociais”. mais do que um perímetro não urbano. da pecuária. 28 promulgou a possibilidade de adequação curricular e metodológica apropriado ao meio rural. um educar para a vida do sujeito do campo. que de certa forma. se ela está sendo vinculada ou não ao seu cotidiano. que desenvolve uma dinâmica educacional na pedagogia da alternância entre escola. com adequação do calendário escolar. valorizar e defender a dinâmica ocorrida nas escolas que valorizam esse educar como. são representadas nessa lei. o autor explica que só quem pode reivindicar essa marca são os sujeitos dos movimentos sociais. em especial na organização dos espaços públicos como o I Encontro Nacional de Educadores da Reforma Agrária em 1997 e a I Conferência Nacional por uma Educação Básica do Campo em 1998. Ou seja. é um campo de possibilidades que dinamizam a ligação dos seres humanos com a própria produção das condições da existência social e com as realizações de sociedade humana (DIRETRIZES. Dessa forma.394/96. por exemplo. família e trabalho. experiências.

A Lei assegura uma educação que valoriza o espaço de vida e resistência dos camponeses. com concepção de um projeto em que o espaço não é para produzir o lucro. que não precisa de educação nem de escolas porque precisa cada vez menos de gente. dentre elas uma política que garanta uma educação digna aos homens e mulheres que da terra fazem brotar os meios para a sua sobrevivência. formas. das minas e da agricultura. seu território. denominados de agronegócio. suas comunidades. para atender suas demandas. que expulsa as famílias. que é necessário que se tenha em foco o sentido atual do trabalho camponês. envolvendo também os espaços pesqueiros. A Educação do Campo nasceu tomando/precisando tomar posição no confronto de projetos de campo: contra a lógica do campo como lugar de negócio. nasceu afirmando que não se trata de qualquer política pública: o debate é de forma. p. como registra Caldart (2007. a afirmação da lógica da produção para a sustentação da vida em suas diferentes dimensões. e serem inseridos ao mercado. suas experiências de educação. ribeirinhos e extrativistas”. reforçada em lei é assim reconhecida como educação do campo. e não mais vinculada aos interesses do latifundiário.2): Nasceu como mobilização/pressão de movimentos sociais por uma política educacional para comunidades camponesas: nasceu da combinação das lutas dos Sem Terra pela implantação de escolas públicas nas áreas de Reforma Agrária com as lutas de resistência de inúmeras organizações e comunidades camponesas para não perder suas escolas. empresariais para fins de lucro ao capital que chega ao campo de maneira avassaladora. caiçaras. A Educação do Campo nasceu também como crítica a uma educação pensada em si mesma ou em abstrato. sociais e políticas deflagradas pelo desejo de posse da terra. que lutam para terem acesso e permanecerem na terra reconhecendo a importância do campo como o espaço de produção e reprodução material e simbólica das condições de existência. existe a forte necessidade de implantação de políticas públicas.25) confirma que “a educação do campo é uma educação que incorpora os espaços da floresta. uma educação voltada para o desenvolvimento territorial. da pecuária. seus sujeitos lutaram desde o começo para que o debate pedagógico se colasse à sua realidade. de construção de identidades. de vida acontecendo em sua necessária complexidade. A educação do campo de acordo com essa concepção. Nesse espaço de conflito entre forças econômicas. mas sim para valorizar e re-significar culturas e respeitar a especificidade e costumes do povo do campo.20 A educação do campo. conteúdo e sujeitos envolvidos. pois as lutas sociais trazem como fundamental objetivo a recuperação e o aprofundamento da . Souza (2009. de relações sociais concretas. necessidades. E ao nascer lutando por direitos coletivos que dizem respeito à esfera do público. sua identidade. Mançano Fernandes (2004) lembra com relação a prática efetiva da educação do campo. p.

O campo é espaço e território dos camponeses e dos quilombolas. 2004. ficando daí submetida a sistemas de acompanhamento e avaliação.1 Abordagens sobre Educação do Campo e Políticas Públicas Educacionais As políticas públicas educacionais assim como todo tipo de política tem uma trajetória que passou e passa por inúmeros processos de transformações. são implementadas. a sua identidade cultural. onde as pessoas podem morar trabalhar. do latifúndio e da grilagem de terra. 1. infelizmente é necessário. propor mudanças no rumo ou curso dessas ações (. Contudo. quando necessário. Imperativo este que se concretizará por meio de muitas reivindicações dentre elas as políticas públicas educacionais. projetos. 137) O autor ressalta que as populações do campo e o campo não devem ser vistos apenas como pessoas e lugar que geram fins lucrativos para a cidade. bases de dados ou sistemas de informação e pesquisas.. (Fernandes. após desenhadas e formuladas.. Quando postas em ação. p. onde residem pessoas que precisam ser reconhecidas. desdobram-se em planos. colocar o governo em ação e ou analisar essa ação (variável independente) e.) Políticas públicas.) lugar de vida. p.. De acordo com Souza (2006.21 definição de campo assegurando que ele deve ser reconhecido como: (.. estudar com dignidade de quem tem o seu lugar. O campo não é só o lugar da produção agropecuária e agroindústria. programas.26) políticas públicas é: O campo de conhecimento que busca ao mesmo tempo. valorizadas e respeitadas como em qualquer outro lugar dentro da sociedade. Mas para o melhor entendimento do que é reivindicado pela população do campo é necessário que se entenda o que são políticas publicas. . apesar de muitos desses responsáveis terem conhecimento de suas obrigações. influenciada por diversos contextos sociopolíticos. apresentando os principais responsáveis por essas ações. muitas lutas e reivindicações. para assegurar política pública consistente tanto para a cidade quanto para o campo. A autora remete às características fundamentais de uma política pública consistente em uma sociedade. O campo deve ser visto como um lugar de vida. No processo de políticas públicas educacionais para o campo é importante ressaltar que os responsáveis pelas transformações ocorridas são as pessoas comprometidas com a educação do campo que tentam sempre afirmar que ela não é um projeto acabado e sim um projeto que apresenta uma instigante trajetória que precisa ser questionada e trabalhada de forma efetiva na sociedade.

em seu artigo 105. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 4.NO: o povo tem direito a ser educado no lugar onde vive. em mercadoria. p. 14) refere que: Em defesa de políticas públicas de educação do campo os movimentos sociais carregam bandeiras da luta popular pela escola pública como direito social e humano e como dever do Estado. Ou seja. diz que lutar por políticas públicas é: Lutar por políticas públicas significa lutar pelo alargamento da esfera pública. p. A autora atenta para a questão das lutas e reivindicações por políticas públicas. que só tem acesso quem pode comprar. em um serviço. Nas últimas décadas os movimentos sociais vêm pressionando o estado e os diversos entes administrativos a assumir sua responsabilidade no dever de garantir escolas. DO: o povo tem direito a uma educação pensada desde o seu lugar e com a sua participação.064 de 1961. vinculada a sua cultura e ás suas necessidades humanas e sociais. recursos e políticas educativas capazes de configurar a especificidade da educação do campo. Caldart afirma que a única maneira de universalizarmos o acesso da população do campo à educação é promovendo e organizando os movimentos sociais em prol de uma luta direcionada as políticas públicas. Nesse momento entra novamente a questão da justiciabilidade do direito à educação dos povos do campo. movimentos que agucem estudos referentes às transformações sobre políticas públicas educacionais para o campo. lutar por políticas públicas é verificar e analisar as raízes das políticas que regem nossa sociedade analisando para onde vão. pois. Porque não se institui políticas enquanto elas não estão muito presentes no conjunto do imaginário da sociedade. Lutar por políticas públicas para educação do campo significa lutar para ampliar a esfera do Estado. p. Então. Molina (2008. é estudar as diretrizes e pareceres para constatar se tais contratos estão sendo colocados em prática como assegura os documentos. para não colocar a educação na esfera do mercado.149) acrescenta dizendo que: Um dos traços fundamentais que vem desenhando a identidade deste movimento por uma educação do campo é a luta do povo do campo por políticas públicas que garantam o seu direito á educação e a uma educação que seja no e do campo. lutar para que a educação não se transforme como querem muitos hoje. quem pode pagar. profissionais. como é possível constatar na fala dos autores é preciso que se tenham movimentos que mobilizem e conduza conferências e debates acerca das reivindicações.27). ressaltando que os responsáveis pelas movimentações além de carregar bandeiras precisam estar cientes pelo que reivindicam com essas deliberações.22 Sobre a questão de política pública educacional Caldart (2004. “estabeleceu que os poderes públicos instituirão e ampararão serviços e entidades que . Caldart (2004.

De acordo com o documento da SECAD em 1988 a lei nº 9. mais no aspecto integral sobre a educação do sujeito do campo. Silvério (2005. p. consolidou o compromisso do estado e da sociedade brasileira em promover a educação para todos. Somente a partir da Constituição de 1988 foi que a legislação brasileira relativa à educação passou a contemplar as especificidades das populações identificadas com o campo. Em complemento. antes disso a educação para essas populações era mencionada apenas para propor uma educação instrumental. a atual lei de diretrizes e bases da educação nacional lei nº 9. De acordo com o 2º Caderno da Secretaria de Educação Continuada. hoje Ministério de Desenvolvimento Agrário – MDA.394/96. tendo como referencial a direção política a favor da melhoria das condições de vida da comunidade local. realizado em Brasília no ano de 1997. Em 1998 também foi instituído o Programa Nacional de Educação da Reforma Agrária –PRONERA. a ser complementada pelos Sistemas Federal. Nesse contexto. garantindo o direito ao respeito e á adequação da educação ás singularidades culturais e regionais. assistencialista ou de ordenamento social.23 mantenham na zona rural escolas capazes de favorecer a adaptação do homem ao meio e ao estimulo de vocação profissionais”. que estabelece uma base comum a todas as regiões do País. p. a política pública de educação do campo foi criada na perspectiva de concretizar os anseios da grande maioria da população no acompanhamento do processo escolar. Mas. promovido pelo MST em parceria . Este parecer foi apresentado à população do campo com a finalidade dos poderes públicos se movimentarem e articularem principalmente a adaptação do homem ao campo e não para questões educacionais. não somente no aspecto profissionalizante. mudanças essas que expressam a correlação de forças entre os grupos que reivindicam por direitos educacionais dentre. 88) diz que “a constituição de 1988 representa para a população do campo um marco para a construção de uma sociedade inclusiva”. assegura uma educação para o povo do campo que esteja relacionada à cultura do campo. Estaduais e Municipais de ensino e determina a adequação da educação e do calendário escolar ás peculiaridades da vida rural de cada região. junto ao Ministério Extraordinário da Política Fundiária – MEPF.12): A partir desse contexto de mobilização social a constituição de 1988. Alfabetização e Diversidade – SECAD (2007. valorizando e desenvolvendo a sua realidade e um desses espaços que desempenha o exercício da educação são as Casas Familiares Rurais – CFR.394/96. segundo Gilmar Silva ( 2007) sua origem se deu no contexto do I Encontro Nacional de Educadoras e educadores da reforma Agrária (ENERA). dentre eles os movimentos sociais.

a exemplo. e enraizamento das políticas públicas para a educação do campo entre outros. o desenvolvimento de programas e ações governamentais no campo. instituições de ensino superior e movimentos sociais do campo para elevação de escolaridade de jovens e adultos em áreas de reforma agrária e formação de professores para as escolas localizadas em assentamentos.p. Contrariamente. em 1999. resultando na maioria das vezes em trabalhos não concretizados. mas infelizmente essas políticas educacionais se apresentam de forma muito superficial. p. com objetivo de promover ações educativas através de metodologias específicas à realidade sócio cultural do campo.13) o PRONERA é : Um programa de educação destinado ao atendimento das áreas da reforma agrária. Para ampliar e institucionalizar a participação dos movimentos sociais na formulação de políticas públicas para o campo foram criados. Segundo Caldart (2004. as Universidades e o Governo Federal. o que as escolas do campo reivindicam é uma política que reafirme e concretize a educação no campo de forma a implantar e segurar uma educação de qualidade e efetiva à população do campo. projetos e ou políticas compensatórias. disseminação. p. com vistas ao desenvolvimento rural sustentável. a existência de uma política de governo e não de Estado. o Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável para Agricultura Familiar – CONDRAF e do Ministério da Educação – MEC. no âmbito do MDA. 2): A educação para a população do meio rural nunca tivera políticas específicas. uma vez que este que representa uma parceria estratégica entre governo federal. Hoje. a Unesco. sem levar em conta as formas de viver e conviver dos povos do campo que ao longo da história foram excluídos enquanto sujeitos do processo educativo. já é possível verificar ações de políticas educacionais no campo. fruto de uma parceria entre os movimentos sociais.24 com a UNB. o Grupo Permanente de Trabalho de Educação do Campo – GPT. O autor explica que esse programa surgiu para reivindicar e afirmar a especificidade da população do campo. ações estas que não possibilitam a continuidade do processo educativo nessas localidades. Ou seja. esses são colegiados que trabalham com o governo federal para a institucionalização. dentre eles. devido a vários contextos. da criação e fechamento das CFRs). Passos e Carvalho (2004. De acordo com o texto apresentado na II Conferência Nacional de Educação do campo de Rocha. é necessário que se tenha: . em 2003.15). De acordo com o mesmo autor Gilmar Silva (2007. O atendimento a educação se deu através de campanhas. o Unicef e a CNBB.

O autor refere que a realidade é parte fundamental e integrante no processo de ensino e aprendizagem do ser humano. Arroyo ressalta que é de fundamental relevância que se pense em uma educação do campo a partir do reconhecimento da imagem do ambiente rural enraizada em nossa . p. criando vínculo entre educação e terra. é a comunidade que responde pelo trabalho de fazer com que tudo o que pode ser vivido-e-aprendido da cultura seja ensinado com a vida. sua cultura e seus valores. sua maneira de ver e de se relacionar com o tempo. a quem compete a obrigação jurídica de viabilizar o direito à educação. seus modelos de organizar a família.394. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Ou seja. seus modos de ser mulher. que você pode usar em qualquer lugar. O processo educacional acontece em todos os espaços. É o exercício de viver e conviver o que educa. o poder público. aí é que está o educativo. no art. de seus modos de ser e de se formar como humano. A LDB – Lei nº 9. muito mais do que a escola.1º respalda o conceito de educação do campo assegurando que a educação deve “abranger os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. adolescente. portanto ela deve ser vinculada à cultura. nas instituições de ensino e pesquisa. criança. É importante ressaltar que lugar de criança não é apenas nas escolas. é preciso que se leve em consideração o espaço onde está inserido a escola. considerando o conjunto dos princípios estatuídos na constituição. na mesma direção outros autores que se debruçam sobre a questão educacional não cessam de fazer referência a esse ponto primordial para um bom desenvolvimento educacional. vida. no trabalho. E a escola de qualquer tipo é apenas um lugar e um momento provisório onde isto pode acontecer. o trabalho. do seu contexto. 47) reafirma esse imperativo legal ao garantir que: A educação do homem existe por toda parte e. Brandão (1993. As características de políticas públicas educativas para o campo apontadas pela autora mostram que a educação não deve ser vista como uma “receita de bolo”. à luta pela terra. Portanto. é o resultado da ação de todo meio sociocultural sobre os seus participantes. porque não podemos supor que só se educa na escola. adulto ou idoso. produção. jovem. cotidiano de existência. a terra. garantir a oferta deste direito a todos. ao projeto popular de desenvolvimento. com o meio ambiente. Fazer do povo do campo e dos seus processos de formação de políticas públicas educativas significa garantir o caráter popular destas políticas e sua articulação com um projeto de país e de campo.25 Uma política que parta dos diferentes sujeitos do campo. homem. na convivência humana. trabalho. deveria de acordo com esta lei. neste caso o lugar é o campo.

pré-modernos. São mencionados argumentos de que é de fundamental importância que se tenha um trabalho educativo de qualidade no campo e que para isso é necessário iniciativas . pré-científicos. De acordo com o exposto pelo autor é importante salientar que a educação não deve ser tratada de forma desconectada da realidade dessas populações. p. com direito à educação. Para Gilmar Silva (2007. Dai que o modelo de educação básica queira impor para campo currículos da escola urbana. que aumenta as oportunidades do desenvolvimento das pessoas e das comunidades e que avança na produção e na produtividade centradas em uma vida mais digna para todos e respeitadora dos limites da natureza.13). que amplia os postos de trabalho. uma vez que é bastante observado em encontros e conferências que articulam discussões e debates sobre a educação do campo. seja do campo ou da cidade”. 24) refere no mesmo sentido que “A escolarização não é toda a educação. portanto. quanto mais se afirma a especificidade do campo mais se confirma a especificidade da educação e da escola do campo: As reflexões que abarcam a complexidade dos problemas da educação do campo. que é a de sobrevivência no espaço rural. não podem ser compreendidas sem se analisar a dificuldade maior. p.18) “A população rural deve ser reconhecida como sujeitos de direitos” e. e a relação desta com a educação oferecida aos moradores do campo: A cultura hegemônica trata os valores. na sociedade brasileira. como saberes tradicionais. Caldart (2004. Segundo Caldart (2004. valorizados e socializados na sociedade em que estão inseridos.26 sociedade. as crenças. a impossível discussão sobre as lacunas da função do Estado para com as CFRs. como se campo e sua cultura pertencessem a um passado a ser esquecido e superado (ARROYO. É importante enfatizar que os sujeitos do campo e sua cultura necessitam ser reconhecidos. mas é um direito social fundamental a ser garantido – e hoje ainda vergonhosamente desrespeitado – para todo o nosso povo. Sabe-se que em nosso país muitas leis são criadas e que poucas são efetivamente concretizadas e dentre essas leis podemos citar as referentes às casas familiares rurais. p. 79). é importante que levemos em consideração essa realidade como ponto de partida na implementação de políticas públicas educacionais nas CFRs. É preciso educar para um modelo de agricultura que inclui os excluídos. E nunca a escolarização foi considerada tão importante como hoje. conseqüentemente cultural dessa população. encontram-se. p. como valores ultrapassados. Essa realidade precisa ser associada às precárias condições de vida e de exclusão em que as casas familiares rurais em geral. destacando desta forma o isolamento sociopolítico e geográfico e. saberes e valores urbanos. 2004. os saberes do campo de maneira romântica ou de maneira depreciativa.

De acordo com o artigo 2º da LDB . defender políticas publicas específicas para o campo não significa discriminá-lo ou pretender insistir numa postura dicotômica entre rural e urbano. nas instituições de ensino e pesquisa. Sabe-se que existe uma lei que ampara isso. o que é percebido é o interesse da população pela educação e a pouca ação do governo em articular políticas públicas educacionais. Mas.394/96 Dos Princípios e Fins da Educação Nacional. 49) ressalta que: um dos problemas do campo no Brasil hoje é a ausência de políticas públicas que garantam seu desenvolvimento em formatos adequados à melhoria da qualidade de vida das pessoas que ali vivem e trabalham. Como podemos perceber as Políticas Públicas Educacionais com relação ao campo existem. mas infelizmente o que observamos na fala dos expositores é a falta de ações educacionais para o campo. para a população do campo e valorizar a cultura local de forma concreta. mas que não é desenvolvida como deveria.Lei 9. inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. uma grande falta de compromisso com a população do campo. Caldart (2004. “a educação. o povo do poder público tem pensado muito pouco no campo. tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando. É importante que o poder público Municipal e Estadual entenda que as CFRs podem contribuir para acrescentar conhecimento de novos valores sociais. quando tenta cumprir a lei. os professores e a escola como um todo sofrem com a ausência de políticas efetivas do governo e do Estado para com a educação do campo. 129) acrescenta dizendo que: Na LDB está previsto que a educação deve abranger os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar. precisamos de políticas específicas para romper com o processo de descriminação. nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.Ao contrário no nosso caso. no trabalho. para fortalecer a identidade cultural negada aos diversos grupos que vivem no campo. dever da família e do Estado. . seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. porém se apresentam em alguns lugares somente nos papeis ou de forma superficiais. contudo. dentre elas destaco neste trabalho em especial a Casa Família Rural Pe. Sérgio Tonetto da comunidade de Jambuaçu do Município de Moju – PA. E enquanto isso as crianças. ou seja.27 tanto dos movimentos sociais quanto do Estado para sua efetivação. p. na convivência humana. No contexto atual do nosso país. Gilmar (2007. p. Ou seja. como se pode constatar a educação é para todos e precisa ser assegurada pelo Estado e ao mesmo tempo reivindicada pela população.

é necessário mudar a organização desta sociedade. políticos e grupos de segmento patronal ou de elites. resgatando ideais. ao decorrer dos tempos. se apresenta como uma perspectiva de mecanismos de inclusão social que visa promover o acesso aos direitos de cidadania. como se esta isoladamente tivesse autonomia para eliminar as desigualdades sociais. Para isto um caminho inicial pressupõe alargar domínios da educação para além dos muros escolares. como é possível observar na população do campo. 1. Esta visão liberal. desqualificando-os. que concebe ser a educação um aporte fundamental para o desenvolvimento humano. ela é lugar apenas para ler. de atribuir responsabilidade social à educação. a educação vem sendo percebida como uma das estratégias para enfrentar tanto os novos desafios gerados pelo avanço da tecnologia. a partir de sociabilidades do próprio lugar. como um lugar muito pobre em saberes e conhecimentos dos sujeitos nativos do lugar. nacional e internacional. ciências e cultura já quase esquecidas. Mas. isto se deve em primeiro lugar às condições econômicas de suas famílias que lhes impõe abandonar os estudos. É importante ressaltar também que nem . Segundo Arroyo (2004) “a escola precisa ser mais rica. as escolas do campo só oferecem os primeiros anos escolares. por meio de olhares de sujeitos institucionais. em segundo lugar. Segundo Gilmar Silva (2007. sem possibilitar condições de que saberes sejam repassados e criados por seus próprios sujeitos. é questionada por outra concepção de educação contra-hegemônica. quanto para superar a miséria do povo. Assim. mas esta sozinha na sociedade capitalista não tem autonomia para tal. às quatro primeiras séries do ensino fundamental.28 Nestes últimos anos. para a transformação social. como aportes para produção da ciência. para muitos. o conhecimento socialmente construído”. como se o saber de outros países e o da cidade fossem superiores e os corretos. ela precisa incorporar o saber. 41) com relação a condição educacional no campo ele afirma que: Os jovens e adultos do campo têm uma trajetória no que tange ao processo ensinoaprendizagem limitado aos primeiros anos escolares. tecnologias.2 Pontos para uma Perspectiva Curricular da Educação do Campo A escola do campo tem se apresentado. é o de assegurar a socialização do conhecimento da humanidade e de criar novos conhecimentos. p. fazendo com que mesmo aqueles que desejam continuar estudando não tenham espaço para tal. Ou seja. sabe-se que a escola é um lugar social muito mais que isso. isto continuamente em função de que o local não é inferior ao regional. a cultura. de forma a desvalorizar os saberes locais. para atuarem no trabalho junto com os demais familiares. escrever e contar. ou seja.

sendo compreendido na forma de construção e reconstrução. Segundo o PPP – Projeto Político Pedagógico das Casas Familiares Rurais. observa-se que a concepção dos saberes que a escola do campo vinha ensinando era: mexer com a enxada. de reconhecimento do sujeito. os próprios saberes escolares têm que estar redefinidos. A concepção do processo de formação em Alternância da CFR visa à produção e socialização do conhecimento articulado com as experiências sociais de trabalho e de vida dos alunos. levar para a feira. os currículos são pensados para cidade. Daí que o modelo de educação básica queria impor para o campo currículos da escola urbana. Ou seja. tendo como ponto de partida os temas geradores. Ou seja. Ou seja. condições mais dignas para viver no campo. Daí que as políticas educacionais. tem que vincular-se às matrizes culturais do campo.. não se deve separar tempo de cultura e tempo de conhecimento. logo o que vem sendo reivindicado e debatido nos eventos de educação do campo é a luta por um currículo que não reproduza os saberes do meio urbano no campo. é dinâmico. tecnologia. uma vez que este é lócus relacionando o conhecimento com os vários ramos da educação como: ciência. ordenar a vaca. e de formação.. Segundo Reis (2006. o modo de vida. das famílias e dos alunos. com a participação dos monitores. como fazedor de sua história campesina por meio da valorização do que faz. p. como se essas fossem construídas em si mesmas. . em geral. aos povos e sujeitos culturais que o movimento social recria. De acordo com a leitura de muitos autores que se dedicam ao estudo do histórico da Educação do Campo.271): O processo de construção da organização curricular das CFRs. saberes e valores urbanos como se o campo e sua cultura pertencessem a um passado a ser esquecido e superado. sem qualidade de extensão. Uma experiência humana sem mais sentido a ser superada pela experiência urbano industrial moderna. aprender apenas os conhecimentos necessários para a sobrevivência e para o bom resultado da produção para a dimensão econômica. A perspectiva curricular da educação do campo é de. o homem e a mulher do campo fossem uma espécie de extinção. para os saberes que encaminham para a emancipação do sujeito do campo dando espaço para a realização plena do ser humano como cidadão. a cultura. principalmente. os saberes no currículo do campo devem não somente preparar para a produção e o trabalho. essa visão utilitarista sempre justificou a escola do campo como um espaço para aperfeiçoar e introduzir novas tecnologias. colher. incorporando uma visão mais clara de seu conhecimento e da sua cultura. nem tudo que esta no currículo urbano é saber social. mas. plantar.29 todos os saberes sociais estão no saber escolar. Como se os valores. principalmente. O referido documento ressalta ainda que: A cultura hegemônica trata os valores as crianças os saberes do campo ou de maneira romântica ou de maneira depreciativa como valores ultrapassados.

352 de 04 de novembro de 2010. “os alunos não devem ser vistos como uma folha em branco” que não tem conhecimento. escrever e contar. O documento adverte que o campo não deve ser compreendido como um lugar que necessita ser moldado de acordo com as concepções e características do meio urbano. (p. Mas que também tem uma história que precisa ser pensada na construção do planejamento escolar.A valorização da identidade da escola do campo por meio de projetos pedagógicos com conteúdos curriculares e metodológicos adequados às reais necessidades dos alunos do campo. mas e principalmente para que eles possam correlacionar os ensinamentos aprendidos em sala de aula com o seu dia-a-dia. os currículos a os calendários a essas anormalidades. o Jovem e o adulto quando matriculado em uma escola. O decreto de nº 7.16). que dispõe sobre a política de educação do campo e o inciso IV do 2º artigo do PRONERA que trata sobre os princípios da educação do campo asseguram que: IV. É preciso que se valorize os conhecimentos a priores desses alunos. È preciso perceber que apenas o fornecimento de alfabetização de crianças. como ponto de partida no processo de ensino e aprendizado desses alunos. mas infelizmente o que se observa no decorrer da história é uma escola que olha seus alunos apenas como pessoas que precisam ler. o qual tem como principais protagonistas na construção da história campesina os próprios sujeitos que ali residem. jovens e adultos não é suficiente para promover inclusão social. De acordo com o decreto a lei é bem clara ao que compete aos princípios de educação do campo. O campo precisa ser respeitado e reconhecido como espaço social que apresenta sua própria natureza cultural. Outro fator muito importante que também é bastante esquecido é que cada aluno possui uma história que deve ser pensada na construção do Projeto Político Pedagógico da escola. já trazem com sigo o conhecimento de mundo de sua realidade que devem ser levados em consideração como ponto de partida para o processo educacional dessas pessoas. Não reconhecem a especificidade do campo. incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas. a escola. bem como flexibilidades na organização escolar. Uma das estratégias para quebrar a concepção de educação urbana enraizada na .30 para a produção industrial urbana e apenas lembram do campo quando lembram situações anormais e recomendam adaptar as propostas. não somente para alfabetizá-los. A criança. Paulo Freire (1992) já dizia em seu livro Pedagogia da Esperança. os quais têm como todo cidadão direito educacionais condizentes com sua realidade.

à possibilidade do jovem a valorizar o conhecimento que ele já possui. A experiência das CFRs em muitos aspectos contemplam a proposta colocada por Paulo Freire (2002. das idades. a adoção de medidas de baixo impacto ambiental e a sustentabilidade financeira e ecológica do modelo de produção agrária familiar. recuperando o humanismo pedagógico que foi enterrado por uma tecnologia imperativa e burocrática da escola nas políticas públicas educativas. O homem. Desenvolvimento este. que deve estar associado à formação e à atuação dos jovens no meio familiar.ao desenvolvimento local sustentável e solidário. do meio social. (2009. Segundo o documento as escolas do campo devem conhecer a historicidade concreta de cada aluno.12 ) apresenta quatro pilares formativo das Casas Familiares Rurais. que é expressão da classe social a qual os educandos pertencem. favorecendo a constituição de um projeto de vida. . haja uma superação do mesmo. o conhecimento da família. enfim. a criança precisam desenterrar sua história e as casas familiares vêm dar possibilidades dessa descoberta por meio da formação educacional. do coletivo. à permissão ao jovem do resgate de suas raízes. o seu desenvolvimento econômico. as experiências já vividas pelo jovem. O Projeto Político Pedagógico das CFRs. p. de sua história e a de sua localidade para que este possa valorizar seu espaço naquele meio. das raças. p.31 mentalidade do sujeito do campo “de que educação de qualidade é aquela que acontece na cidade e não no campo” é a proposta educacional desenvolvida na dinâmica das CFRs que é a pedagogia da alternância a qual apresenta como fundamental princípio o reconhecimento cultural do sujeito do campo de acordo com sua realidade. como alternativa para garantir sua sobrevivência no meio rural. da diversidade dos gêneros. que estão relacionados com as finalidades da formação e dos meios formativos de cada CFR que são: . . O que se propõe é que o conhecimento com o qual se trabalha na escola seja relevante e significativo para a formação do educando. É na Casa Familiar Rural que o processo educativo passa pelo conjunto de . o processo formativo dos jovens deve estar relacionado com a valorização da atividade rural familiar. não no sentido de anular esse conhecimento ou de sobrepor um conhecimento a outro.35). que diz: O que eu proponho é o trabalho pedagógico que a partir do conhecimento que o aluno traz. à formação integral do jovem. a mulher. . .E a Pedagogia da Alternância e todo o conjunto de ferramentas pedagógicas que a acompanha e que estão presentes em uma Casa Familiar Rural. Para que isso aconteça. que está relacionada com a necessidade de dar ao jovem rural a formação integral enquanto pessoa humana e despertando-o para o empreendedorismo e a necessidade de desenvolver seu meio.

roupas. . de vivências que o ser humano tem ao longo de sua vida. Por isso a CFR não separa produção de educação e educação de escola é o que será melhor apresentado no capítulo a seguir.32 experiências... Eles se produzem na medida em que produz é o processo em que ele se constitui no processo cultural. A população do campo não produz apenas alimento.

Historicamente o funcionamento da primeira experiência educativa foi numa casa adquirida pelas famílias. apresentando propostas. e ao longo do tempo estimulam a população do campo. O termo família corresponde ao fato de ser uma organização de famílias do meio rural que são vinculadas ao meio e espaço da experiência. Segundo Magalhães (2009) a Casa Familiar Rural – CFR. sem ser aplicada. em nível estadual. como política de estado. a cada vez mais questionar por direitos à educação no contexto de sua realidade. Para isso. buscam elementos para que tais legislações sejam efetivadas nas regiões e mesorregiões. O conceito Maison foi aplicado para diferenciar da escola que existia e não correspondia às necessidades do campo. exigindo direitos para uma educação básica de qualidade. PERSPECTIVA HISTÓRICA DA ORIGEM DA CASA FAMÍLIAR RURAL NO BRASIL2 O campo vem nesses últimos anos apresentando-se como um espaço de muitas realizações. ele fundou a primeira “Maison Familiale” ou Casa Familiar Rural. não se concretiza de fato. se identificando como principal instrumento de luta pela identidade e valorização cultural dos povos do campo. movimentos por uma educação do campo. que a partir da década de 1980. debates. Outras experiências no processo educacional. que garante. Eventos educacionais demandados pelos movimentos sociais. pelo Padre Abbér Granereau. na perspectiva de contribuição e emancipação do sujeito. como o MST. e o decreto 7. Mas.33 2. como as diretrizes operacionais para as escolas do campo. vem promovendo. pesquisada em 01 de novembro de 2011 do site . via legislação. Dentre essas experiências de educação se tem as Casas Familiares Rurais – CFR. em decorrência de ação de movimentos sociais. de modo a se ter conquistas. pároco de uma pequena capela localizada num lugar chamado SerignalPéboldol no interior da França.org/wiki/Casa_familiarrural. foi fundada no dia 21 de novembro de 1935.contribuíram para que as políticas educacionais tivessem visibilidade junto ao MEC. nasceu na França no ano de 1935 no povoado de Lot et Garonne. a lei. 2 As informações históricas dessa sessão foram obtidas por meio http://pt.352 de 04 de novembro de 2010. a afirmação da educação do campo. que trazem como método educativo a pedagogia da alternância.wikipedia.

foi criada a Associação Internacional dos Movimentos Familiares de Formação por Alternância – AIMFR. aliada à educação humana para filhos de agricultores. na época. interior do Estado de Pernambuco. vinculadas às secretarias de Educação de diversos estados. que por ser direcionado para as atividades urbanas. Iniciava assim a Educação por Alternância através das Casas Familiares Rurais – CFRs no Sul do Brasil. essa formação profissional. as primeiras interações com pessoas na região sul do Brasil foram iniciadas em 1985. a criação da Casa Familiar Rural de Riacho das Almas. Pierre Gilly contatou Euclides Scalco. em 1979 iniciaram-se os primeiros contatos com uma equipe de brasileiros. numa perspectiva da economia solidária. o primeiro grupo de jovens começou suas atividades em Barracão. cooperador Francês no Brasil. Esses trabalhos permitiram. com pessoas ligadas a SUDENE – Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste em particular do Pólo Nordeste. Na década de 1950. com sede em Paris. contatando diversas organizações. Em 1975. Ela realiza um congresso internacional da pedagogia da alternância a cada quatro anos e estabelece os princípios norteadores do movimento a nível internacional. Em 1989. e de Arapiraca. . começou a crescer e migrar para outros países da Europa. formação e profissionalização alternativa eficaz e concreta mais apropriada à realidade do campo. Esse modelo de educação tem como objetivo promover uma educação. a qual viajava pela França. levava os adolescentes campesinos a abandonar a terra e a necessidade de fazer chegar ao campo a evolução tecnológica de que precisavam.34 A iniciativa pela casa partiu de um grupo de pais agricultores que buscavam solucionar dois grandes problemas que eram: as questões relacionadas ao ensino regular. Magalhães (2009) relata que as CFRs foram criadas a partir da necessidade de criação de uma escola que correspondesse às demandas de pais e alunos e aos problemas vivenciados no campo. com a mesma concepção – formar jovens para provocar o desenvolvimento global do meio rural. no interior do Estado de Alagoas. incentivar a permanência do jovem na sua própria região. 1980. especialmente por meio do Seminário Franco-Brasileiro em Curitiba no Paraná. De acordo com o PPP – Projeto Político Pedagógico das Casas Familiares Rurais. Em seguida passou a viajar e fazer palestras na região sudoeste do Paraná. chefe da Casa Civil do Governador. Pierre Gilly viajou para o Brasil e iniciaram alguns trabalhos na região Nordeste. Expandindo-se para os cinco continentes. criando alternativas de trabalho e renda. Segundo Pierre Gilly. segundo ele. Após o evento. No ano seguinte.

em 1998. as Casas Familiares Rurais integram-se às ações. desde sua origem foram vários atores que se implicaram agricultores. mas todos partilhando o mesmo ideal e objetivos de promover o campo. De acordo com essa perspectiva as CFRs apresentam quatro objetivos que regem seu modelo de educação que são ( PPP. Com o crescimento e evolução desse modelo. De acordo com o Projeto Político Pedagógico das CFRs. mas aplicados em outras culturas. surgiram outras variações de casas familiares que mantém o mesmo princípio. com gestão comunitária. As CFRs são escolas de educação básica. pessoas da cidade e do campo. facilitando assim o acesso à profissionalização dos jovens e de suas famílias.35 Em março de 1994. no município de São Francisco do Sul. do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF. em 1984. as diretrizes dos planejamentos e do seus projetos pedagógicos que vinculam a formação de cidadãos trabalhadores rurais com o desenvolvimento social. detêm uma organização curricular diferenciada da escola do estado. As experiências educativas das casas familiares rurais chegaram ao Brasil por meio de membros da igreja católica na década de 1960. da Agricultura e do Abastecimento.( informações tiradas do PPP das CFRs) Segundo Duffaure (1993) e Nové-Josserand (1998). A primeira Casa Familiar Rural surgiu no Paraná. da Educação. a Casa Familiar do Mar. um ano depois. numa integração de ensino geral e técnico. a praticar os atos necessários à implantação do Projeto. em nível Federal. divergentes nas idéias. surge a primeira Casa Familiar do Mar. ligados à educação com a luta por uma vida pública social democrática. o Governo do Estado do Paraná aprovou o Programa da Casa Familiar Rural. situadas na região do Baixo Sul. econômico e sustentável. p.9): . nos municípios de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste. uma vez que propõe integrar aportes teóricos e práticos. através do Decreto 3106/94. das CFRs 2009. Em 1991. Às vezes. padres. e contribuindo com o aumento de ocupações produtivas e da renda no meio rural. onde ficam autorizadas as Secretarias de Estado do Desenvolvimento Urbano. que. Seus princípios são convergentes com os adotados pelas CFR. as CFRs foram implantadas nos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Em geral. O processo de implantação contou com discussão dos agricultores e envolvimento das comunidades e em Santa Catarina. possibilitando o crescimento das unidades implantadas no País. da Fazenda e do Planejamento. como a Casa Familiar do Mar que incentiva a aqüicultura. surge na Bahia a primeira casa Familiar Rural e. Em 2003.

e desenvolver a consciência de que é possível. conseqüentemente valorizem sua cultura local. refere que os objetivos das CFRs são principalmente oferecer aos jovens rurais uma formação integral adequada a sua realidade além de forma homens e mulheres em condições de exercerem plenamente a sua cidadania: É necessário que todas as pessoas do meio rural tenham acesso a uma educação de qualidade.Melhorar a qualidade de vida dos produtores rurais. de saúde e nutrição das comunidades. a proposta educativa que ali se desenvolve e o vinculo necessário desta educação com uma estratégia especifica de desenvolvimento para o campo. organizados a partir dos conhecimentos familiares. viabilizar uma agricultura sustentável. voltada aos interesses da vida no campo. . e através da pedagogia da alternância. 2. através da aplicação de conhecimentos técnico-científicos.Fomentar no jovem rural o sentido de comunidade. a intenção é fixar os alunos moradores rurais em sua região e para isso é necessário que eles aprendam a valorizar o que fazem. sem agressão e prejuízos ao meio ambiente.Desenvolver práticas capazes de organizar melhor as ações culturais.1 A casa família rural no Estado do Pará As discussões relacionadas ao modelo educacional das casas familiares rurais no Estado do Pará tiveram início no ano de 1994. permitindo a sua permanência neste espaço em condições dignas de vida. vivência grupal e desenvolvimento do espírito associativo. em um encontro em Altamira promovido pelo .23). Cada casa existente precisa tê-los como modelo em suas comunidades. . de transformação de comercialização. p. . Ou seja.36 . diferenciando-se apenas na questão da agricultura de cada região. Esses foram os desígnios pensados pelas casas familiares rurais no estado do Pará. Nisto está em jogo o tipo de escola. Caldart (2004.Oferecer formação integral adequada à realidade dos jovens que lhes permitam atuar como profissionais no campo. A autora ressalta que a casa familiar rural permite que os jovens do meio rural se qualifiquem e possam adaptar-se à evolução no campo em conjunto com a sua família e comunidade onde vivem. através de técnicas de produção adequadas.

Óbidos. Alenquer e Xinguara. As CFRs no Estado do Pará estão localizadas em diversos municípios do Estado. Uruará. Mocajuba. rompendo com as características da escola tradicional do meio rural (que traz o conhecimento pronto. são assessoradas pela coordenação das Associação Regional das Casas Familiares Rurais – ARCAFAR. com o apoio de diversas instituições sociais e governamentais. Cachoeira do Arari. Anapú. Mas foi no Município de Medicilândia que as discussões se concretizaram em 1995. as Casas Familiares Rurais se expandiram para outros municípios. Campus Altamira. distante da realidade dos alunos. da sociedade civil. Rurópolis. Brasil Novo. Juruti. Com a divulgação do sucesso da experiência de Medicilândia. Moju. que foi fundada em março de 2003 com a finalidade de organizar. Igarapé-Miri. lideranças políticas e educadores/as preocupados com a busca de alternativas educacionais para o meio rural. Tucuruí. existem 29 Casas Familiares Rurais no Estado. divididas nos municípios de Santarém. As Casas Familiares Rurais no Estado do Pará. potencializando o espírito organizativo dos agricultores). Conceição do Araguaia. sem fins lucrativos com personalidade jurídica própria que congrega os pais dos seus alunos. Santa Maria das Barreiras. que contou com apenas com 01 turma de 25 alunos inicialmente.pelo site do portal da educação do campo. em espaços como: assentamentos rurais. Cametá. A ARCAFAR é uma organização não governamental.37 Movimento pela Sobrevivência da Transamazônica – MPST e pela Universidade Federal do Pará . escolas ribeirinhas. localizada em Belém/PA. contribuindo na elaboração do plano de formação desses jovens. Pacajá. coordenar e apoiar as Casas Familiares Rurais em funcionamento e as em implantação evitando o isolamento das mesmas. acompanhando e promovendo o intercâmbio entre os princípios filosóficos e metodológicos das casas familiares rurais da região. Baião. foi fundada no Município de Medicilândia a primeira Casa Familiar Rural do Estado do Pará.UFPA. São Félix do Xingu. . Ourem.( PPP CFRs 2009). os quais realizaram um encontro para discutir a experiência. comunidades praianas. A ARCAFAR hoje organizada em Confederação Nacional é uma organização não estatal. colônias agrícolas. Essa experiência nasceu do anseio de agricultores/as. Placas. posteriormente sendo acompanhado pela Casa Familiar Rural de Pacajá. Oeiras do Pará. Altamira. Gurupá. Portel. De acordo com as informações pesquisadas em novembro de 2010. Um ano depois. Tucumã. além dos diversos municípios onde estão em cursos as discussões de implantação de novas Casas Familiares Rurais. comunidades rurais em fazenda e comunidades vicinais.

ENSINO VÍNCULO Altamira Anapu Barcarena Belterra Breves Brasil Novo Cametá 50 33 90 90 90 37 76 02 02 03 03 03 02 03 Fundamental Fundamental Fundamental _________ _________ Fundamental Fundamental Médio Médio Médio Médio Prefeitura Prefeitura CFR/SEDUC CFR/SEDUC CFR/SEDUC Prefeitura CFR/SEDUC . cedendo professores da rede pública Estadual nas áreas da Base Nacional Comum e mantêm convênios para a contratação de monitores que atuam na educação profissional. ela faz assumi o processo de escolarização da CFR. Em 1991. as casas famílias rurais integraram-se às ações. MUNICÍPIO ALUNOS TURMA N. Esses monitores são profissionais ligados à área de ciências agrárias e que contam com o apoio da ARCAFAR para a formação de acordo com os princípios da pedagogia da alternância.PRONAF. nos diversos Estados. minimizando o oportunismo e influências diversas. Ou seja. Quadro 1: Demanda dos alunos – Até outubro de 2010. a fim de que as comunidades assumam a decisão consciente e participativa dessa criação. Os princípios do PRONAF são convergentes com os adotados pelas CFR. O quadro a seguir mostra a demanda tanto dos alunos até outubro de 2010 no Estado do Pará em destaque o Munícípio de Moju e a comunidade de Jambuaçu. facilitando assim o acesso a profissionalização dos jovens e de suas famílias e contribuindo com o aumento de ocupações produtivas e da renda no meio rural.38 A função da ARCAFAR é representar e assessorar a implantação das CFR. A contratação dos profissionais para trabalharem nas casas muitas vezes é feita por indicações políticas. ENSINO N. em nível Federal do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar. onde encontra-se a Casa Familiar Rural “Padre Sérgio Tonetto” objeto desta referida pesquisa. possibilitando o crescimento de unidades implantadas no país.

39 Cachoeira do Arari Conceição do Araguaia Gurupá 62 02 Fundamental Médio Prefeitura 93 03 Fundamental Médio CFR/SEDUC 188 05 Fundamental Médio CFR/SEDUC /PREFEITU RA Prefeitura CFR/SEDUC FVPP/SEDU C Igarapé-Miri Itaituba Juruti 90 60 90 03 02 03 Fundamental Fundamental - Médio _________ Médio Medicilândia 14 01 Fundamental - FVPP/SEDU C CFR/Prefeit ura CFR/SEDUC Moju (Jambuaçú) Moju (Alto Moju) Mocajuba Óbidos Oeras do Pará Ourem Pacajá Placas Rurópolis Santarém 86 03 Fundamenta l Fundamental Médio 90 03 Médio 90 88 90 03 03 03 Fundamental Fundamental Fundamental Médio Médio Médio CFR/SEDUC CFR/SEDUC CFR/SEDUC 94 67 34 60 130 03 03 02 02 03 Fundamental Fundamental Fundamental Fundamental Fundamental Médio Médio Médio Médio CFR/SEDUC Prefeitura Prefeitura Prefeitura CFR/SEDUC .

br) acessado em 10 de setembro de 2011.200 Fonte: Portal da Educação do campo (www. .educampoparaense. além de respeitar a realidade do campo paraense. A pedagogia da alternância da rede CEFFAs é uma proposta educacional para a Educação no Campo que se propõe a desenvolver uma educação que estimula a diversidade cultural. ampliando a oferta educacional para o nível superior e também incentivar as famílias e jovens dessas localidades a experimentarem a dinâmica educacional dessas casas que é a Pedagogia da Alternância.2. É possível observar que existe um número bastante significativo da experiência do modelo educacional das Casas Familiares Rurais no Estado do Pará. O quadro apresenta em seu corpo os municípios que tem a experiência das casas familiares rurais. uma vez que permitem que os jovens não se distanciem de seu cotidiano. No entanto. é preciso ressaltar que ainda é necessário desenvolver melhor os níveis e as modalidades.40 Santa Maria das Barreiras São Félix do Xingu Tucumã Tucuruí Uruará 85 03 Fundamental Médio CFR/SEDUC 120 03 Fundamental Médio CFR/SEDUC 104 120 45 03 03 02 Fundamental Fundamental Fundamental Médio Médio Médio CFR/SEDUC CFR/SEDUC FVPP/SEDU C Prefeitura Total 2. Assim. níveis de ensino.org. 2. apontando a demanda de alunos.A Pedagogia da Alternância Uma das razões do sucesso das Casas Familiares Rurais deve-se ao fato dessas experiências utilizarem a Pedagogia da Alternância. as CFRs também utilizam as experiências familiares do educando como propulsora da proposta educativa. número de turmas. as novas turmas e vínculos até outubro de 2010. este que será melhor apresentado no tópico a seguir.

por meio de valorizar a pesquisa e a elaboração de projetos como princípios educativos. Conjugando dessa forma as experiências que a escola. fortalecem a economia familiar e ainda contribuem para a reconstrução e possibilidade para novos projetos aos agricultores /as. De acordo com Reis ( 2006. contribui para a melhoria nas condições de vida e de trabalho dos agricultores(as). Defende-se a partida de ida da realidade desta unidade familiar para se chegar ao conhecimento da realidade da comunidade. e a de volta para se ter a apreensão do movimento e das interligações e implicações. o processo de formação integral. o trabalho coletivo dos professores/as.41 Essa proposta não só articula teoria e prática. poi. Mas é importante salientar que o projeto de escola para o campo não se limita na educação prática em si mesma. de modo a estimular novos empreendimentos de forma a contribuir o replanejamento de atividades e gestão de outros projetos que possibilitam melhorar as condições de trabalho e vida no campo. Ademais do que é explanado pela autora o ensino. e principalmente numa formação humana e criativa da pessoa. a unificação.265): O ponto de partida para o sistema integrado teoria e prática é a unidade familiar assim. Pessoti (1995) ressalta também que a alternância pode ser vista como um recurso estrutural que permite a convergência. como também faz com que a família do educando se assuma como parte integrante do processo pedagógico. enraizada na cultura do campo. p. . 58) sobre alternância diz que: A alternância possibilita um diálogo que é fundamental para a formação do ser humano – o diálogo entre o mundo da escola e o mundo da vida. De acordo com a autora a dinâmica da teoria e prática como ponto principal da pedagogia da alternância enfatiza a reciprocidade no contexto da orientação na condução da vida profissional dos alunos.p. enfim uma escola que. a família e a localidade lhe proporcionam. organizar seu pensamento e mover-se nas relações sociais. se defende a perspectiva da formação escolar que conduza o jovem para ter a capacidade de entender o mundo. mais ampla. das famílias e de lideranças sociais. envolvendo o processo ação/teoria/ação. uma vez que permite períodos integrais de formação na Casa Familiar Rural (período de internato) e de experimentação na propriedade familiar. teoria e prática devem ser unificadas com especial atenção na correlação indissolúvel entre ambas e para a vida profissional do aluno. a teoria e a prática. Este princípio é compreendido no contexto do movimento das partes para o todo e do todo para as partes. propiciando vivências da práxis ação – reflexão – ação. De acordo com Silva (2007. esta é concebida como base para a construção do conhecimento. o universal e o específico.

ver. formar para a cidadania. a dinâmica das Casas Familiares Rurais afirma o método educacional da Pedagogia da Alternância como forma de organização escolar mais adequada aos ritmos do campo. levando em consideração todas as especificidades do sujeito do campo. tanto as oferecidas no âmbito das escolas como as vivenciadas no cotidiano do sujeito do campo. de averiguar o espaço familiar. julgar. das instancias políticas. como lócus de transmitir saberes e de realizar práticas tecnológicas. com recorte. p. refletir. explica que: A alternância não é uma mera justaposição de espaços e tempos. saber interpretar a realidade e poder transformá-la. pois os mesmos não sentiam motivações para freqüentar uma escola capaz de atender somente as especificidades educacionais para jovens agricultores. as práticas e o livro natural da vida. Esta modalidade de ensino não surgiu para formar alunos da mesma forma das escolas tradicionais. Segundo o PPP (2009) o modelo educacional da pedagogia da alternância surgiu na França em decorrência da insatisfação dos filhos dos agricultores. 10) com relação ao método da alternância. para o da família. O currículo integra esses dois pólos despertando nas consciências dos alunos.  Uma formação humanista com a finalidade de preparar para a vida e para o desenvolvimento pessoal e humanitário. A alternância para o autor é um método que vem para interligar as fontes educacionais. enfim. Essas insatisfações repercutiram em muitas discussões em prol de um modelo de educação que prioriza-se e valoriza-se a vida no campo. econômicas. Isso ocorre quando são aplicados com competência os instrumentos didáticos específicos. em termos. uns dedicados ao trabalho e outros ao estudo. ecológicas e culturais. de forma a valorizar o tempo escola e o da comunidade. analisar. comunidades. . descrever. ela baseia-se no método científico que valoriza o observar. Nosella (2007. agir ou questionar a sua realidade.  Uma educação geral para formar a personalidade. e técnicas. um projeto ousado de desenvolvimento nacional. O qual apresenta um currículo bastante diferenciado que segue as seguintes finalidades:  Uma formação técnica e profissional que prioriza as experiências. as observações nas comunidades. integrador dos recursos da cidade e do campo.42 De acordo com o Projeto Político Pedagógico das CFRs. experimentar.

. tendo esse fator como ponto principal no processo de ensino e. O autor remete a informação de que a experiência da pedagogia da alternância embasada no contexto da interdisciplinaridade requer dos sujeitos envolvidos. águas e florestas. ribeirinha. O exercício da interdisciplinaridade é o ir além das fronteiras das disciplinas conforme refere também Gadotti (2000. pois o método da alternância Segundo Gimonet (1998. A disciplina é a ciência e a disciplinaridade é a exploração do universo desta ciência. desenvolvê-lo e realiza um distanciamento reflexivo sobre a atividade desenvolvida.p. compreende-se que em seu funcionamento. a partir da contribuição das diversas ciências. uma vez que a diversidade cultural de cada localidade tem especificidades. e não apenas tecnológica em si mesma. e não se circunstanciar pelo modelo hegemônico. p. pois de acordo com Japiassu (1976. Assim. que sua prática pedagógica desenvolva a integração de todos os conteúdos. É necessário se definir o que é interdisciplinaridade. considerando o estudo e a pesquisa. ensino-aprendizagem centrado numa visão que aprendemos ao longo de toda vida. no trato ético com uso da terra. 222): Em termos metodológicos. é a alternância que possibilita o desenvolvimento do aluno para que ele possa apropriasse dos conhecimentos. também. Japiassu ressalta que a metodologia da educação do campo por meio da pedagogia da alternância tem como pressuposto um projeto societário de valorização da sustentabilidade ambiental e da igualdade econômica. as CFRs precisam sempre estar próximas às demandas de cada localidade. ponto de chegada. 81): Não é possível cultivar o campo do sujeito sem respeitar as suas raízes. dos monitores. os conteúdos precisam estar co-relacionados com a realidade dos alunos. a passagem de uma concepção fragmentada do conhecimento para uma concepção unitária do conhecimento. criar uma precisão terminologia para a disciplinaridade.43 enfatizando o respeito à cultura do sujeito do campo. de forma a não perder de vista. ressaltando a urgência de cultivar o campo do sujeito. a cultura na qual ele está inscrito. 47): A pedagogia da alternância é um método educacional que visa a uma formação teórica e prática global possibilitando o aluno construir seu projeto pedagógico. a prática pedagógica interdisciplinar implica em integração de conteúdos. priorizando a inclusão social. Ou seja. de modo a inserir modalidades tecnológicas e o sentido da vida camponesa. e principalmente. a disciplinaridade. pressupostos inerentes á formação completa para a educação básica. p. a inter-elação cultura geral e profissional. superação da dicotomia entre ensino e pesquisa. indígena.

ela surge para valorizar os conhecimentos advindos de gerações passadas. para se desenvolver meio rural. e dessa forma. que estão relacionados com as finalidades da formação dos educandos. observadas no seu meio. encontradas. professores e família. o conhecimento se constrói entre os educandos. no convívio com a família. 2. o processo de aprendizagem do jovem parte de situações vividas. e em sequência pedir-lhes que apliquem isto no terreno. Os quais são convencionados em quatro pilares formativos. mas agora embutidas nos saberes profissionais para que os jovens percebam a fundamental importância de ter um conhecimento pleno sobre o que antes se realizava somente para exportação. como financiamento. há necessidade de se ter condições adequadas. e projetos. observando como se constituem. Mas ao contrário. Elas passam a ser fontes de interrogações. suas etapas e singularidades.Princípios metodológicos da Casa Familiar Rural Para melhor entendimento da dinâmica ocorrente nas Casas Familiares Rurais. Segundo Forgeard (1999. onde o trabalho pedagógico é iniciado a partir do cotidiano dos educandos e o conhecimento adquirido no espaço escolar é levado para o contexto da família.3. que está relacionada com a necessidade de dar ao jovem rural a formação integral enquanto pessoa humana e a necessidade de desenvolver seu meio. para que o jovem tenha seu primeiro projeto. Podemos enumerar como primeira finalidade à formação integral do jovem. A pedagogia da alternância respeita os hábitos e os saberes daqueles que vivem no campo.67): A Alternância não consiste em dar aulas aos jovens. O autor explica que a pedagogia da alternância é uma educação que busca o não esquecimento e extinção das práticas e saberes culturais do povo do campo.44 A teoria está sempre em função de melhorar a qualidade de vida. de trocas e o CEFFA o ajuda a encontrar suas respostas. tornase necessário entender seus princípios. de modo a diversificar as atividades. Deste modo o modelo da Pedagogia da Alternância trabalha com a experiência concreta do aluno. no contato diário com as unidades de produção. p. Assim todo o processo educacional se constrói através dessa dinâmica onde os jovens. adultos permanecem um período nas Casas Familiares Rurais e outro. como se diversificam com novas culturas introduzidas e técnicas. com juros subsidiados. . com o conhecimento empírico e a troca de conhecimento com atores do sistema tradicional de educação juntamente com sua família.

Essa formação obtida pelo jovem deve valorizar o conhecimento que ele já possui o conhecimento da família. a qual. uma mandioca com preços ínfimos.45 Quais os jovens do campo que têm disponível mais de 10 habilidades para ser gestor e se beneficiar pelos resultados. como alternativa para garantir sua sobrevivência no meio rural. reformas. junto à direção. Desenvolvimento este. que É associado à formação e à atuação dos jovens no meio familiar. cabe a elas coordenar seus filhos durante a Sessão Família. A formação a partir da CFR. necessita ter em seu planejamento e realização. economia política e ciência política. reunidas por meio de associação de apoio. a adoção de medidas de baixo impacto ambiental e a sustentabilidade financeira e ecológica do modelo de produção agrária familiar. de forma a buscar raízes. Dentro da função pedagógica das famílias. o processo formativo dos jovens deve estar relacionado com a valorização. responder e acompanhar a . planos de ação para que o jovem se interesse em resgatar sua cultura identitária. os recursos e verbas recebidas para o funcionamento da escola. o seu desenvolvimento econômico. Outra finalidade prevista pela CFR é o desenvolvimento local sustentável e solidário. de temas de estudos e dos assuntos da área técnica a serem trabalhados. sua história e a da localidade. Além disso. deve favorecer a constituição de um projeto de vida. para que este possa valorizar seu espaço. para ele próprio elaborar projetos nas organizações da localidade em que vive. Os demais princípios desta escola são as famílias.Em relação com o desenvolvimento de formas técnicas e compreensão a formação deve estar interligada à afirmação pela cultura geral. os produtos. a atuação destas se dá na discussão em torno da formação de seus filhos. possibilita desenvolver noções de associativismo. na maioria da vezes é só uma roça. investimentos e todos os itens referentes à aplicação da verba. compreensão de economia. Além de tudo. opinar e aprovar obras. Para que isso aconteça. as experiências já vividas pelo jovem. compreensão e estimulo à atividade rural familiar. do meio social. Também perpassa pela esfera de poder das famílias o de indicação e aprovação de nomes para ocupar a direção da escola. A criação de uma Casa Familiar Rural está relacionada primeiramente com a vontade das famílias em criar uma associação e assumirem papéis na escola que estão entre o pedagógico e o administrativo. vinculada a cultura geral. enfim. participando com os professores na definição de um Plano de Formação. pois quem lucra é o atravessador. com papéis e responsabilidades específicas para as famílias. É papel administrativo das famílias o de gerir.

5). experimentar e transformar a realidade sócio-profissional de modo que novos conteúdos surjam. Dividindo com a escola as responsabilidades pertinentes ao funcionamento da escola e a formação dos filhos. Dessa vez com os conteúdos trabalhados de forma a que possa aplicar. pesquisa e descrição da realidade sócio-profissional do contexto no qual se encontra. p. incentivar novas ações dos jovens. As casas familiares rurais apresentam uma duração tempo para suas atividades que se desenvolvem durante três anos. Em um segundo momento. A participação associativa das famílias permite um entendimento do jovem como pessoa integrante de uma família participativa e o desenvolvimento de seu “espírito associativo e cooperativo e o fortalecimento de uma sociedade organizada” UNEFAB (2002. conceitua e interpreta os conteúdos identificados na etapa anterior. na observação e participação nas práticas técnicas. Mais do que isso. E no terceiro momento. sistematiza.46 pesquisa do Plano de Estudo. Dinâmica que acontece da seguinte forma: Os alunos permanecem duas semanas nas unidades de produção das famílias. podendo ser novamente trabalhadas no contexto escolar.escola – propriedade. 2. permite-se a participação popular no processo formativo da Casa Familiar Rural. observando também o exercício do meio profissional dos demais membros da família. ser um facilitador e parceiro do Projeto profissional do educando. com aulas teóricas e também práticas: 1. de organizações associativas. com ênfase. o aluno volta para a propriedade. Porém. em regime de internato. O quarto princípio é a Pedagogia da Alternância e todo o conjunto de ferramentas pedagógicas que a acompanha e que estão presentes em uma Casa Familiar Rural. Em um primeiro momento. 3. com a adoção do método da alternância. onde socializa. é feito um aprofundamento em torno da Pedagogia da Alternância e seu funcionamento na Casa Familiar Rural. na propriedade o aluno se volta para a observação. De acordo com a dinâmica das atividades exposta é importante ressaltar que durante as duas semanas na propriedade ou no meio profissional. A proposta desse modelo de educação é desenvolver um processo de ensinoaprendizagem contínuo em que o aluno percorra o trajeto propriedade . o aluno vai a escola. institucionais. como é um assunto mais amplo. e uma semana na casas familiar rural. no item V. de vizinhos. analisa. para novas questões são colocadas. reflete. o jovem realiza experiências da sua .

2) as famílias e a comunidade durante os períodos de Alternância são elementos muito fundamental para a educação pois: O envolvimento da comunidade é primordial para a consecução dos objetivos do projeto. os jovens colocam em comum com ajuda dos monitores os problemas e as situações levantadas na realidade. com participação efetiva acompanhando tanto nos trabalho dentro de sala de aula quanto. o projeto acaba despertando a iniciativa e a participação comunitária.Instrumentos Pedagógicos da Pedagogia da Alternância A pedagogia da alternância adota em seu funcionamento alguns instrumentos que são fundamentais para a dinâmica do aprendizado durante a formação.47 realidade. colocação em comum. buscam novos conhecimentos para compreender e explicar os fenômenos científicos. p. além de uma atuação conjunta por parte dos órgãos executivos e parceiros do projeto. caderno da . Os responsáveis pela organização. A partir daí. Essa prática educacional acontece de acordo com alguns instrumentos que são: 2. Através dos cursos profissionais com fichas pedagógicas que fazem parte da Pedagogia da Alternância são integradas a formação geral (interdisciplinaridade). baseada na realidade profissional dos jovens. dinamização das atividades docentes e pela elaboração em conjunto com os pais da Associação da CFR e Órgãos de um plano de formação que respeita o calendário agrícola local é uma equipe de monitores ligados as áreas de Ciências Agrárias. E ainda cria projetos de desenvolvimento regional oriundos das aspirações da população local e dos ensinamentos da casa familiar rural. Economia Doméstica. plano de estudo. A pedagogia da alternância segundo o autor surge da junção de responsabilidades e saberes da comunidade inserida nesse processo. a busca por soluções para os problemas da região. Os instrumentos são: Plano de formação. caderno de alternância. Assim a Pedagogia da Alternância. Segundo Passador (2000. ou seja " aprender a aprender ". E durante a semana na Casa Familiar Rural. é a forma de vinculação do conhecimento teórico e prático. a valorização do agricultor como cidadão e como profissional conseqüentemente. começa a se desenvolver o senso de responsabilidade pelas escolas. cuja implantação só acontece a partir da demanda da própria comunidade. Os monitores são agentes muito importantes no processo de ensino-aprendizagem dos alunos. disseminando assim novas técnicas nas comunidades. no projeto pessoal de cada jovem e também durante as visitas.4. a educação social e humana e o desenvolvimento do espírito de trabalho em grupo.

Vejamos a função e relevância de cada uma dessas particularidades para o bom funcionamento do modelo educacional Pedagogia da Alternância. estágios. já definido.48 realidade. . por meio de um roteiro de pesquisa para a realização de entrevista. caderno didático. Caderno da realidade É considerado o livro da vida de cada jovem. serões de estudo. O plano de formação se estabelece a partir dos temas geradores para cada alternância a serem desenvolvidas durante o ano letivo. visita as famílias e comunidade. Colocações em comum É o momento em que ocorre a socialização e sistematização da pesquisa proposta no plano de estudo. sob a orientação dos monitores. Plano de formação É a partir do plano de formação que se articulam todo o conjunto de instrumentos pedagógicos e atividades que compõem a aprendizagem e a formação por alternância. ou seja. O plano de formação deve ser articulado com base nos conteúdos definidos pela base Nacional comum do ensino fundamental e as necessidades levantadas pela comunidade que forma a associação da casa familiar rural. pois é onde é registrado as suas pesquisas e todas as atividades ligadas ao plano de estudo nos ciclos das alternâncias. a priore. a partir do planejamento dos temas geradores para a abordagem específica. monitores e alunos se reúnem para trocar experiências vividas durante as semanas na propriedade. visitas e viagens de estudo. É constituído individual e coletivamente pelos alunos. atividade relatório. no plano de formação. Não há uma organização rígida na realização das atividades. mas esse momento normalmente acontece logo após a chegada no ambiente escolar. Plano de estudo O plano de estudo caracteriza-se pela pesquisa que o jovem realiza no seu meio social. projeto profissional do jovem e avaliação.

Colocação externa São palestras e cursos complementares ao tema e são ministrados por profissionais colaboradores à casa familiar rural. Ou seja são aulas práticas sobre os assuntos de interesse dos alunos e também o espaço cultural. . Caderno didático É uma espécie de livro didático. Atividades de retorno São descrições apresentadas em relatórios das experiências e atividades concretas na família ou na comunidade. onde os alunos podem organizar atividades de lazer. consistindo em momentos de troca de experiências concretas.49 Viagens e visitas de estudos As viagens e visitas de estudo são atividades complementares ao tema gerador da alternância. elaborado para dar aprofundamento ao tema do plano de estudo. a partir do plano de estudo. Estágio O estágio compõe-se de atividades de vivências da prática em organizações sociais. serviços e empresas que se tornam colaboradores na formação dos jovens. Visitas às famílias e comunidades São atividades realizadas pelos monitores e professores para conhecer a comunidade na qual o jovem esta inserido. com a finalidade de acompanhar as famílias e jovens em suas atividades produtivas e sociais.

Caderno de acompanhamento da alternância É o documento de registro no qual o jovem faz anotações sobre o que é feito na escola e no meio profissional. Ou seja. conversas em grupo e troca de idéias. Avaliação As avaliações são contínuas e abrangem aspectos do conhecimento. incentivando nas pesquisas e também no engajamento social. das habilidades. Nesta atividade o jovem expõe seu plano de produção agrícola. a avaliação acontece para todos os seguimentos da casa. da convivência em grupo. concretizando a construção coletiva do conhecimento. durante a semana em que permanecem no espaço escolar. Esta ação ajuda na motivação dos alunos aos estudos.este momento é compartilhado pelo monitor e os educandos. família. Projeto profissional É um documento onde o jovem sistematiza um projeto que foi sendo construído ao longo dos anos em que recebeu a formação. de transformação da propriedade ou de serviços que pretende realizar. Este momento é muito importante principalmente para os alunos que tem uma maior dificuldade em se expressar na sala de aula. na integração e vida em grupo. da postura e também tem a oportunidade de avaliar a escola.50 Contato individual O contato individual é o momento onde os monitores conversam com cada aluno sobre as semanas na propriedade e outros assuntos com o objetivo de analisar como eles interpretam a sua própria realidade e também quais são suas expectativas em relação ao curso. Serões de estudos São momentos reservados para o debate sobre temas variados. É um instrumento de comunicação e avaliação entre escola-família. .escola.

51 Certificação A certificação dos alunos é de responsabilidades de cada Unidade de Formação-Casa Familiar Rural. relacionando a teoria com a prática de sua realidade. Dentre elas destaco a casa familiar rural Pe. Ou seja. a deficiência de ações dos órgãos públicos no projeto para essas casas. para que o processo de ensino e aprendizagem aconteça é necessário que esse modelo de educação emancipadora. No Estado do Pará existem 28 casas familiares rurais que desenvolvem suas práticas educacionais de acordo com a pedagogia da alternância. é importante salientar que cada uma desenvolve atividade de acordo com sua produção agrícola. hoje todas elas estão com processos de autorização em tramitação no Conselho Estadual de Educação do Estado do Pará. seja visto com muita seriedade pelos governantes responsáveis por essa administração em consonância tanto com os monitores por meio do assessoramento. Como foi possível observar na leitura dos instrumentos metodológicos da pedagogia da alternância. quanto com os alunos no implante de políticas públicas educacionais condizentes com a realidade do jovem do campo. Em 2008 o Conselho Estadual de Educação autorizou a validação dos estudos dos alunos das Casas Familiares Rurais. através da Resolução Nº456/2008. Dentre essas casas familiares rurais existem algumas que perpassam por muitas dificuldades em seus funcionamentos em detrimento de muitos fatores dentre eles a falta de políticas públicas educacionais. Sérgio Tonetto de Jambuaçu no Município de Moju no Estado do Pará. discussão essa que será aprofundada no capítulo a seguir. Mas. .

alvopesquisa.52 3. Desde os primeiros tempos coloniais esse rio foi percorrido por exploradores. Frei Miguel de Bulhões à região do Rio mojú. em julho de 1754.1904 e 1930 até que em 1935 readquiriu definitivamente a sua emancipação político-administrativa. De acordo com a historiografia oficial do município pesquisada na biblioteca do IBGE sua fundação se deu a partir da visita de D. Porém.094Km2. 279 de 23 de agosto de 1856. Ao norte faz limite com os municípios de Abaetetuba e Barcarena.1 Breve histórico do Município de Moju e Comunidade Quilombola de Jambuaçu. daí o nome amendrontador.asp 3. que criou o município de Mojú que foi elevada à Vila e município cuja instalação deu-se em 1871. mas foi a lei nº. O Município de Mojú está localizado na microrregião de Tomé-Açu.br/moju. ano este que ficou marcado como o início do processo de formação oficial dessa localidade. .com. mesorregião do nordeste paraense situado à margem direita do rio de mesmo nome e possui área correspondente a 9. que íam atrás das “drogas do sertão” e muitos deles não sobreviveram as expedições. segundo Ferreira (2003) significa “rio de cobras”. Fonte:http://www. A EXPERIÊNCIA DA CASA FAMILIAR RURAL NA COMUNIDADE DE JAMBUAÇU NO MUNICÍPIO DE MOJU Ilustração do mapa do Estado do Pará em destaque Município de Moju Mapa1. em virtude de dissenções políticas ocorridas nos períodos monárquicos e republicanos. A gênese da palavra Moju de origem Tupi. o município veio a ser extinto nos anos de 1887. ao leste com Tailândia e Acaráa e a Oeste com o Município de Igarapé-Miri. ao sul com o município de Breu Branco.

2 Breve histórico da Casa Familiar Rural Pe. Elizabeth F. sempre impulsionados pelas ameaças das empresas (REASA. 3. VALE) de invadirem as terras das comunidades. desde a década de 1970 até os dias atuais.53 O Terrítório Quilombola de Jambuaçu O território quilombola do Jambuaçu. região do Baixo Tocantins no Pará. diferente de outras experiências espalhada pelos municípios do Estado do Pará. a caça e a produção de farinha para consumo e venda. situa-se a 15km de Moju. em que as associações das famílias de Casa Familiar Rural se organizam a partir de um conjunto de famílias de certa localidade. que acontece em diferentes momentos históricos. em 20 de Outubro de 2011. MARBOGES. extrativismo de frutas. está relacionada diretamente com o processo de organização do Movimento das Associações Quilombolas do Território. Garcia) De acordo com o coordenador pedagógico Valmir da Natividade a criação da Casa Familiar Rural do Jambuaçu. Surgindo daí a necessidade dessas comunidades se . é habitado por grupos de trabalhadores rurais que têm como economia a agricultura familiar para auto-consumo. Fotografia-arquivo pessoal Mª. localizado a 32 Km da cidade de Belém. Sérgio Tonetto de Jambuaçu-Moju/Pará Figura 1: Vista da frente da Casa Familiar Rural Padre Sérgio Tonetto Fonte: pesquisa de campo. legalmente representada por doze associações das quais sete já possuem o título de domínio coletivo das terras. O terrítório é composto por 14 comunidades remanescentes de quilombos.

entre outras questões. o direito a terra. No decorrer das . aproximadamente na década de 1980. então. Em 2002 as comunidades têm suas terras invadidas pela. cultura e étnico das comunidades. causando sérios impactos ambientais. saúde. promovendo a auto-definição como remanescentes de quilombos. Esse processo de organização teve início. pondo a abaixo parte da floresta nativa. antecedendo a leitura da palavra que se deu o amadurecimento das comunidades em discutir seus problemas relacionados a questões como: educação. que impactos ambientais e territoriais essas invasões poderiam deixar. pois exigia certo conhecimento sobre “legislação agrária”. sobretudo por não terem como consumir a água e nem os peixes desses igarapés. discutindo os problemas que mais preocupava o povo. Os círculos de cultura também contribuíam no resgate histórico. principalmente. sob o acompanhamento da equipe de educadores da Comissão Pastoral da Terra – CPT. Companhia Vale do Rio Doce. entre outros. de modo que ela desviasse o projeto dos terrenos. Foi nesse movimento de fazer a leitura da realidade. conscientização política. uma vez que degradou e contaminou o rio Jambuaçu e seus afluentes. e organização das Comunidades do território. prejudicando famílias de todo território. realizando um trabalho de alfabetização. com o dendê e atualmente (2001 a 2010). quando as vilas e os pequenos povoados do Jambuaçu passam a se organizarem como Comunidades Eclesiais de Base e a investirem também nos Círculos de Cultura. com a instalação de minerodutos. Segundo o coordenador este último era o que mais preocupava. transporte e. que perdas as famílias poderiam ter. os órgãos do Estado responsáveis pela demarcação de terra. com os minerodutos e linha de transmissão de energia. Ocasionou a perda de 20% das terras do território. humanos e territoriais. tais como: no primeiro momento (1980). As discussões eram em torno do que isso poderia causar futuramente para as comunidades. trabalhava a conscientização política das pessoas. coordenado por um educador da própria comunidade que desenvolve um processo de alfabetização através do método Paulo Freire com palavras geradoras da realidade local. Os círculos de cultura consistem em pequenos grupos de pessoas jovens e adultos que não tiveram oportunidade de estudar e se alfabetizar. Desmatou uma vasta área de terra. a invasão das empresas. No primeiro momento as comunidades reagiram no sentido de barrar a passagem da Vale no território. uma vez que já previam possíveis perdas de suas terras e o “estrago” ambiental que iria causar.54 organizarem e lutarem em defesa de suas terras e de seus direitos. a Vale. Além de ajudar a ler as palavras.

salários para as famílias que tiveram perdas significativas de suas terras com os minerodutos e o linhão de transmissão de energia. O movimento passou a discutir as demandas que poderiam ser apresentadas e atendidas pela Vale. Essa proposta foi aceita pelas comunidades e confirmada pela CPT como uma experiência positiva. uma vez que muitos não estudavam por não disporem de condições para irem morar na cidade. quais seriam as responsabilidades da empresa. portanto. voltada para a valorização da cultura étnica e do desenvolvimento da Agricultura Familiar local. o papel de “o ator principal” do funcionamento da Casa Familiar . territoriais. da Prefeitura de Moju para com a manutenção projeto da CFR. projeto de produção e renda para as comunidades. Nas reuniões se discutiam vários assuntos sobre. perante a justiça. A última proposta foi sugerida pelas assessoras do Programa Raízes por já conhecerem uma experiência no Sul do Pará. A família assumiria. foram pra mais de 80 (oitentas) reuniões desde 2002 para tratar. No decorrer das reuniões surgiram várias propostas. a Casa Familiar Rural do Jambuaçu passa a ser um dos quesitos. Rio Ubá e Puacê. era repassado também orientações sobre como se dava a participação efetiva das famílias no processo de organização e funcionamento da CFR. através do Sr Leônidas Martins e o convocou para apresentar o projeto da Casa Familiar Rural às comunidades do território. que deveriam contribuir com 80% das despesas. A partir de então.55 reuniões e discussões trazidas pelos parceiros (CPT e Programa Raízes) constatou-se a impossibilidade de impedir o projeto da Vale. humanos causados pela referida empresa. entre outros assuntos. Foi então que a CPT manteve contato com a equipe da ARCAFAR-PARÁ. entre as Associações do Território e a Vale. pois as tubulações já estavam num processo bem avançado de instalação. do acordo feito. como: construção de um posto de saúde. poderia garantir a continuidade dos estudos para os filhos das famílias quilombolas. com uma boa estrutura. humana) e diferenciada. O funcionamento de uma CFR no território. tais como: como seria o acompanhamento da ARCAFAR durante o processo de criação e organização da Associação das Famílias da Casa Familiar Rural. cultural. pavimentação dos ramais. como a CFR deveria funcionar com a Pedagogia da Alternância. Além disso. no sentido que oportunizar aos jovens uma formação integral (política. como forma de compensação dos danos ambientais causados pela empresa. A partir de então se inicia um longo processo de mobilização e luta contra a Vale para uma possível negociação das compensações referente aos impactos ambientais. construção de pontes de concreto nos igarapés do Jambuaçu. sobre a implantação da CFR no território. ou seja. a recuperação dos igarapés e a construção de uma Casa Familiar Rural. A partir de então inicia um longo e exaustivo processo de negociações.

São Manoel. A sessão foi coordenada pelo então presidente do conselho das Associações Quilombolas o Sr. deram um importante passo na construção da Casa Familiar Rural do Jambuaçu. a saber. Paralelo as negociações externas. Conselho Fiscal: presidente –José Maria de Oliveira Valadares. Paulo Renito. Leônidas Martins para explicar aos presentes o que é casa familiar rural e como. Após os esclarecimentos. eleger os membros da diretoria. Suplentes – Malvina Aires de Almeida. Nélis Rodrigues Fagundes. tesoureiro.. Manoel de Almeida.Ireno Valadares de Jesus. e por fim empossá-los. o Sr. Bom Jesus do Centro Ouro. João Cupertino. (Informações obtidas do livro ata da BAMBAÊ). as comunidades reunidas em assembléia geral. acontecia o processo de organização da Associação das Famílias da CFR. No dia 15 de outubro de 2005. Santa Luzia do Traquateua e Sant‟ana do Baixo.56 Rural. conselho fiscal e os respectivos suplentes. juntamente com os membros da executiva. Esse importante passo da criação da CFR do Jambuaçu é construído com efetiva . por conta da renúncia do então presidente eleito Ireno Valadares de Jesus. Conceição do Mirindeua. pelo qual a entidade será regida. Comunidade Nossa senhora das Graças. Estanislau Corrêa Melo. com o nome fantasia de “Associação das Famílias da Casa Familiar Rural do território do Jambuaçu”. tesoureiro – Wilson de Souza Santos. funciona. Mais tarde essa diretoria foi alterada. membros do conselho fiscal e respectivos suplentes da entidade para assumirem o mandato de três anos. sendo devidamente analisadas e feitas também algumas considerações seguida de aprovações. O texto do estatuto foi sancionado com sete (07) capítulos e trinta e cinco (35) artigos. Santa Maria do Traquateua. Santa Maria do Jacundaí. sendo aceitos por todos os presentes. que convidou o Sr. baseado nas orientações apresentadas. normalmente. Manoel de Almeida conduziu a constituição da Associação das Famílias da Casa Família Rural. Em seguida os eleitos foram empossados neste mesmo ato. tesoureiro – Jacinto Rodrigues Campos. A Assembléia tinha por finalidade constituir a Associação das Famílias da Casa Família Rural. aprovar o seu estatuto. São Bernardino. Suplentes da executiva: secretária – Ana Maria dos santos Soares. O resultado da votação ficou constituído da seguintes forma: diretoria: presidente. Por fim o presidente do Conselho declarou aberto o processo de escolha dos nomes para os cargos de presidente. Santa Maria do Mirindeua. vice-presidente –Eloi de Jesus. Em seguida foi feita a leitura do estatuto. secretária – Maria do Carmo Coimar Amaral. dando ênfase na participação das famílias associadas no processo educacional da Pedagogia da Alternância. assumindo em seu lugar o vice-presidente Eloi de Jesus. Vila Nova. secretário e suplentes.

na mística. somente um ano depois foi aceito que visse funcionar na CFR. juntamente com o coordenador pedagógico e sua equipe de professores. tinham que se deslocarem para as cidades vizinhas. através de sua diretoria. também cedidos pela SEMED. Depois de terem resolvidos as questões de cunho administrativo. ARCAFAR-PA. o poder público municipal e estadual (através do programa Raízes) e a empresa Vale. mas ainda passou aproximadamente um ano e meio para funcionar. A coordenação pedagógica da Casa é assumida pelo pedagogo Marcos Victor. Prefeitura Municipal de Moju. já estava em etapa de finalização da obra. Com a Casa inaugurada se deu inicio aos trabalhos. a governanta Maria Olinda e a equipe de apoio. cada uma ficou responsável por uma comida típica. A Casa. acontece enfim a inauguração da Casa Familiar Rural Pe. Dia 18 de fevereiro de 2008 acontece a tão esperada inauguração da CFR Pe. Sérgio Tonetto do Jambuaçu. o que não foi aceito pelas lideranças no primeiro momento. o que contribuía para enfraquecimento da produtividade das famílias. Dessa forma. as quais fizeram questão de manter a originalidade da cultura quilombola. nos cantos. formada pelas famílias das comunidades quilombolas. onde para os adolescentes e jovens continuarem com os estudos (5ª a 8ª série e ensino médio) no território. assim ficou instituído que a Associação das Famílias da Casa Familiar Rural do Jambuaçu. sendo definidas as devidas responsabilidades que competiam a cada organização. cedido pela Secretaria Municipal de Educação. A prefeitura queria que a turma do Programa Saberes da Terra funcionasse na Casa Familiar Rural. administra. conduziram os trabalhos da CFR até julho de 2009. e assim celebrado convênio em minuta. Secretaria Municipal de Educação. Associações do Território. as referidas comunidades investiram na organização coletiva da CFR para tornar o era apenas um sonho. A partir de agosto do corrente ano. com uma turma de ensino fundamental. funcionando em alternância. Os poucos jovens que conseguiam se deslocar para a cidade. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Este foi transferido para a vila do Sarapuí. Sérgio Tonetto foi um evento construído coletivamente pelas comunidades. por compreenderem a problemática da educação no território.57 participação das comunidades. nos arranjos. Comissão Pastoral da Terra. Na tentativa de agilizar os encaminhamentos definidos em inúmeras reuniões. Portanto. considerando como uma necessidade urgente. por diversos fatores. As tarefas de limpeza e ornamentação foram realizadas em mutirão com a participação das comunidades mais próximas. Programa Raízes. o presidente Eloi de Jesus. que junto com a equipe de professores. uma realidade. um novo coordenador pedagógico assume os . organiza e executa as ações educativas da CFR. não mais retornavam para o meio rural. foi criado um convênio com diversas entidades.

bem como contribuído para a reafirmação e resistência da cultura afro. Contribuindo. Sérgio Tonetto conta com várias parcerias para manter o funcionamento e o desenvolvimento dos seus projetos. coordenadores. buscando interagir e relacionar o saber cientifica das várias áreas do conhecimento com os saberes empíricos das famílias. se hoje a Casa possui certa credibilidade e aos poucos está se tornando uma referencia no município. que incansavelmente acompanhou o povo quilombola em todos os momentos. Sergio da Comissão Pastoral da Terra. alunos. uma pedagoga e uma técnica agrícola. tem buscado ser um espaço de revitalização da identidade étnico-racial do povo quilombola. político. Desde o início de sua organização. . equipe da CFR também é ampliada. desde 1970 até 2007. seja econômico. IFPA. Secretaria Municipal de Educação. cultural. passaria à função de coordenador pedagógico para dar continuidade aos trabalhos. nas tradições. a Casa celebrou convênio com a SEDUC – Secretaria de Estado de Educação. política profissional e cultural das e dos jovens quilombolas. valorizando os saberes existentes na vida do povo. pedagógico. ressalta-se que o nome da Casa é uma justa homenagem ao Pe. EMATER. o que garantiria a implantação de duas turmas do ensino médio. através da Pedagogia da Alternância. isso se deve ao seu processo histórico de luta e resistência como foi construída. em fim um conjunto de pessoas que direta ou indiretamente contribuem para a sustentabilidade da CFR nos diversos aspectos. agora com novos desafios. para uma formação social. Por fim. nos valores humanos cultivado nos quilombos. no tempo escola e no tempo comunidade. A história da CFR do Jambuaçu é construída no dia-a-dia com os inúmeros atores que dela fazem parte. professores. entre outras. Ainda neste período (2° semestre de 2009). Através do referido convênio. as famílias associadas. Secretaria Municipal de Agricultura. na mística.58 trabalhos na Casa Familiar Rural. A CFR. o professor pedagogo Valmir Peres da Natividade. Visando desenvolver um processo de formação integrado. já fazia parte da equipe. profissional. contando com mais três profissionais (uma professora de história. UEPA. assim. no decorrer do seu funcionamento conquistou parcerias com: UFRA. A Casa Familiar Rural Pe. somando três turmas funcionando na CFR com a metodologia da Pedagogia da Alternância. funcionários de apoio. presente nas organizações. contou com a presença e apoio da CPT e ARCAFAR-PA. Portanto. Este também cedido pela prefeitura. nestes três anos.

O coordenador explica que o contrato ainda não foi renovado porque a SEDUC não tem recursos financeiros. Simão Jatene ainda não tinha assinado convênio com as CFRs. O coordenador afirma que até o mês de novembro de 2011. A qual teve recursos somente para a renovação de 12 (doze) CFRs. Coordenador da Educação do Campo/SEDUC). cópia do Estatuto da Associação da Casas Familiar Rural de Jambuaçu. as crises financeiras ocorridas no período de mandato de Ana Júlia Carepa período de 2007 à 2009. .3 A educação do campo no contexto da Casa Familiar Rural de Jambuaçu Neste tópico apresentarei os dados coletados durante a pesquisa como entrevistas e documentos. Na SEDUC conversei com coordenador da educação do campo o professor Ozemias Nogueira Cardoso. Na entrevista com o coordenador da Educação do campo sobre a questão da existência de políticas públicas educacionais para o campo e convênio da SEDUC com a CFR. cópia do modelo de minuta para novo convênio e o quadro das casas familiares rurais do Estado do Pará. dentre eles. devido a vários fatores. cópia do Convênio de nº 076/2009 da Casa Familiar Rural de Jambuaçu com a SEDUC. o qual cedeu para a realização da pesquisa os seguintes documentos: cópia da Nota Técnica da realização do Convênio de Cooperação Técnica em ERC. apoiando a formação de jovens e adultos agricultores através da pedagogia da alternância. mais que já teve durante um ano no governo de Ana Júlia Carepa pelo contrato que foi renovado no ano de 2009 e que foi finalizado no ano de 2010.O recurso repassado às CFRs é proveniente de fontes estadual e vem contribuindo no processo de escolarização de educando (a) do ensino fundamental e médio (Professor Ozemias Cardoso.59 3. ele assegurou que: O Estado atualmente não tem vínculo com a CFR . cópia do Plano de Trabalho da Casa Familiar Rural de Jambuaçu. 2º e 3º Termo Aditivo ao Convênio de Cooperação Técnica e Financeira nº 076/2009 celebrado entre a Casa Familiar Rural de Jambuaçu e SEDUC. Nesta pesquisa realizada com o professor Ozemias Cardoso ele explicou como se dá a parceria entre as CFRs com a SEDUC dizendo que: A parceria entre SEDUC e as casas Familiares Rurais se dá através da celebração de convênio para repasse de recursos às CFRs visando a melhor qualificação nos seus ambientes formativos. estabelecendo redes para o fortalecimento da política de educação do campo no Estado do Pará. cópia do Projeto da Casa Familiar Rural de Jambuaçu. devido o contrato ter validade de um ano e que o contrato com as casas familiares rurais deveriam ser assinados por Simão Jatene no ano de 2010( Coordenador da Educação do Campo/SEDUC). cópia do 1º.

pois o aluno da escola do campo apresenta uma realidade totalmente diferente da realidade dos alunos da cidade. conseqüentemente não conseguem dar continuidade aos processos educativos devido as constantes trocas de governo. Com relação ao processo educacional interligado com a realidade dos alunos do campo. o processo educacional no campo. onde o recurso será dividido para as escolas no campo. fazendo com que os mesmos se reconheçam como parte integrante e construtora da história brasileira. Outro ponto é a questão curricular. Mas infelizmente o que vem acontecendo é que a quantia enviada para a SAEM. deve ter como principal finalidade a construção social humana do povo do campo. E reconhecendo-se como fazedor dessa história.14) ressalta que “só pode se abrir a cultura universal sem perder a identidade própria. no período de formação desses alunos. ou seja. Regina Leite Garcia (2000. Segundo o coordenador do campo a ausência de parceria não se dá devido à falta de interesses da instituição por políticas públicas para o campo e sim por falta de recursos financeiros. Depois de analisados e aceitos a quantia é repassada para SAEM – Secretária Adjunta de Ensino – na SEDUC. pois é alegado que o custo dos alunos no campo é maior que o custo do aluno na cidade. quem se percebe como parte constituinte do patrimônio humano universal e percebe a sua cultura como parte da cultura universal e a cultura universal como parte da sua cultura particular”. p.60 De acordo com a fala do coordenador foi possível verificar que a dinâmica que acontece no processo financeiro deveria ser da seguinte forma: os coordenadores enviam o orçamento necessário para o funcionamento durante um ano de suas CFRs para a SEDUC e ela encaminha-o para o orçamento do Estado para serem analisados. a qual tem como princípio a fixação do aluno na escola em sistema de internato durante o processo de formação e isso para a SEDUC é muito caro. principalmente nas Casas Familiares Rurais. Realidade esta que precisa ser levada em consideração no planejamento escolar. Ou seja. devido o seu modelo educacional ser embasado na pedagogia da alternância. . Esse tipo de política para a educação do campo não é viável. não supri as necessidades das escolas do campo o que resulta no fechamento dessas escolas. reivindicará pelos direitos que todos almejam em uma sociedade excludente como uma educação efetiva. consistente e de qualidade no campo. interferindo não somente nas questões de conteúdos e livros didáticos elaborado pelo Estado e também na questão do calendário escolar. Praticamente todas as escolas do campo que apresentam dificuldade.

os quilombolas assistiram no decorrer das instalações ao assoreamento de igarapés e desaparecimento de peixes de maior porte. 58 famílias quilombolas foram diretamente atingidas perderam a maior parte de suas terras aptas para a agricultura. Em decorrência desta situação os quilombolas passaram a exigir que a companhia mineradora reparasse os danos causados às famílias e ao meio ambiente (Presidente da ARCAFAR/PA). estavam determinados a controlar os recursos naturais pertencentes ao território. para a passagem da Bauxita e uma a linha de transmissão cortam o território ao longo de 15 Km por uma largura que varia de 80 a 100 metros. a morte de castanheiras e outras árvores. ou seja. exterior ao seu território. prejuízos à atividade pesqueira pois as águas da bacia do rio Jambuaçu ficaram turvas pelo monstruosa mexida na terra. ao vazamento de caulim (contaminador do solo e da água). Quanto ao segundo caso. É possível constatar na fala do presidente que o conflito das comunidades com a companhia foi tanto territorial. destruição de pontes e estradas e . Na entrevista com o presidente da ARCAFAR Leônidas Martins ao responder a pergunta relacionada ao histórico da casa familiar rural remeteu a informação de que a criação da casa não aconteceu de forma passiva. quanto ambiental. Territorial. como fonte de riquezas. Durante a realização do projeto. Até que se renove o contrato com as CFRs o processo educacional nessas localidades fica prejudicado.Paragominas : um minueto . centenas de castanheiras foram abatidas. os conflitos em torno dos impactos. embora não quisessem ou pudessem controlar a extração do minério. outras foram envenenadas ou suas raízes ficaram definitivamente comprometidas pelas escavações. roças e plantios foram destruídos. e pela companhia . derrubar árvores e drenar os rios. acidente com moradores. E desta forma todas as 674 famílias sentiram na pele os efeitos trágicos do tal desenvolvimento. assegurou que ela surgiu de um grande conflito entre a Companhia Mineradora. os quilombolas. porque os quilombolas vêem à companhia mineradora como invasores causadores de descontinuidade prejudiciais no espaço natural e social onde se inscreve sua territorialidade e também porque articula dois grupos de interesses sobre os recursos naturais de um espaço que é visto pelos quilombolas como território. aconteceu devido a entrada da companhia mineradora no território de Jambuaçu em 2004 para a implantação do projeto Bauxita. com os quilombolas de Jambuaçu. como uma área com recursos minerais para serem explorados. ou seja. que provocou o desaparecimento dos peixes e o assoreamento de seis igarapés.61 pois quando terminado o mandato automaticamente é terminado o contrato e as escolas do campo ficam a espera do novo governo que dei continuidade aos projetos deixados. conta que: O conflito entre os quilombolas e a mineradora. Segundo o presidente da ARCAFAR a discussão se dá devido a dois fundamentais fatores que são: no primeiro caso se baseia nos problemas quanto à implantação de tubulações e de outros equipamentos que implicavam em revolver a terra.

mantiveram “detidos” três técnicos e um diretor da vale. divididos em uma horta orgânica. Tecnologia e meio ambiente do Estado do Pará e duas técnicas do programa Raízes. Valmir da Natividade. Ou seja. A luta dos quilombolas do território do Jambuaçu valeu a conquista de importantes benefícios. Prejuízos esses que afetaram o trabalho e o ganho produtivo das famílias. pois a escola só começou a existir. No relato do presidente é possível constatar que a luta por políticas públicas educacionais no campo ainda hoje não é levada em consideração pelos poderes públicos. o pagamento de uma multa no valor de 300 e cinqüenta mil reais. tendo em vista sua recuperação. de comum acordo entre as partes. um viveiro de mudas.a composição de uma comissão de seis componentes. com o objetivo de mapear as potencialidades produtivas do território e de apontar para projetos de produção e renda que garantam a autonomia produtiva e a qualidade de vida para as Populações Quilombolas do Território do Jambuaçu. o qual apresentou o histórico e o Projeto Político Pedagógico da CFR – Anexo 1 – foi possível observar na observação tanto do documento quanto do espaço que a escola dispõe de um ambiente escolar bastante harmônico com a natureza. os quilombolas cansados de reivindicar e não serem atendidos. um projeto paisagístico. a manutenção da Casa Familiar Rural-CFR com o valor de 100 mil reais durante 5 anos. para a realização de um minucioso levantamento sobre os danos causados ao meio ambiente. um espaço de cultivos convencionais . porque esperar que os órgãos públicos coloquem em prática o seu dever de assegurar o direito de educação à população do campo parece ser em vão. a preocupação não era a questão de educação para a população quilombola e sim o bem estar de quem fora atingido pela manifestação dos quilombolas. (Presidente da ARCAFAR/PA). por parte de uma instituição de comprovada competência e experiência. ao longo de seis meses. construção e manutenção de um posto de saúde e de construção de uma casas familiar rural a ser mantida. com a finalidade de pressionar a companhia a negociar . pelo período de dois anos.62 também impactos econômicos como comprometimento de roças e estradas. tais como: o pagamento de dois salários mínimos mensais. Sr. porque os interesses do grupo empresarial foram atingidos. uma farmácia. Na pesquisa de campo e entrevista realizada com o coordenador pedagógico da CFR Padre Sérgio Tonetto. O presidente da ARCAFAR acrescenta sobre o conflito dizendo que: Em Fevereiro de 2006. escolhidos pela companhia e os Quilombolas. sua correção e/ou a mitigação. O custeio de um estudo. para as 58 famílias mais atingidas. dois técnicos da SECTAM ( Secretaria Executiva de Ciência. De acordo com o coordenador pedagógico o local de instalação da CFR é uma área que possui em sua totalidade 40 mil metros quadrados. É claramente visto nesta fala que para se ter educação de qualidade no campo é preciso que a população do campo reivindique esse direito. Então esta ação desencadeou na assinatura de um termo de compromisso no qual a companhia se comprometia a reparar os prejuízos causados pela obra como: a recuperação das estradas e pontes do território. .

Garcia) O mesmo assegura que a Casa Familiar Rural Padre Sérgio Tonetto.63 de parceiros da CFR e pomar com cítricos. devido se constituir como uma instituição educativa pensada e construída no meio rural para os alunos do campo. duas salas de formação. uma motocicleta e uma caminhoneta para transporte de professores ao realizarem visita às famílias. pois tem como princípio fundamental desenvolver atividades a partir da realidade dos alunos. dormitórios masculinos e femininos. Essa . Elizabeth F. pessoal Mª. tendo como estrutura física disponibilizada para o uso comum dos jovens o espaço de leitura. seguindo a dinâmica da Pedagogia da Alternância. laboratório de informática (em implantação). A escola agrícola se diferencia de outras escolas por oferecer uma formação voltada para a realidade dos alunos do campo. ampla área gramada para atividades diversas. Fotografia-arquivo. em 20 de Outubro de 2011. ao acampamento de estágio e ao projeto profissional. Fonte: pesquisa de campo. cozinha e refeitório. desde sua fundamentação oferece aos alunos o Ensino Fundamental e Médio com Habilitação em Agricultura Familiar.

64 proposta pedagógica adotada pela instituição apresenta uma metodologia que altera períodos na escola e na comunidade denominados. Significa outra maneira de aprender. ele é produtor de seu próprio saber (GIMONET. cebolinha e feijão. maracujá e de legumes como: pimentão repolho. abacaxi. de período em situação sócio-profissional e em situação escolar. p. plantando e colhendo novas mudas tanto de frutas como: açaí. respectivamente. e. atualmente as atividades agrícolas começam a se ampliar por meio de um projeto realizado pela escola que tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre a agricultura familiar. 1999a. suas experiências e seus conhecimentos.. em comparação com a escola tradicional. ação e reflexão. ou seja. inverte a ordem dos processos. Segundo o coordenador pedagógico no primeiro ano da escola era ensinado apenas sobre o manejo para a produção da farinha. . 45). pupunha. associando teoria e prática. sendo trabalhadas na agricultura familiar. Ele é sujeito de sua formação. A casa possui uma grande horta onde os alunos colocam em prática as atividades que aprendem em sala de aula e que são condizentes com a realidade dos alunos. Gimonete (1999. O jovem ou o adulto em formação não é mais.] a Alternância. em segundo lugar. coentro. 45). mas um ator sócioprofissional que busca e que constrói seu próprio saber. Segundo o autor a Alternância representa o tempo e de local de formação. banana. melancia. Veja nas imagens a seguir como a horta está sendo organizada pelos alunos. aponta as principais características da pedagogia da alternância como sendo: [. o programa. p. um aluno que recebe um saber exterior. de se formar. colocando em primeiro lugar o sujeito que aprende.. neste caso. o empreender e o aprender dentro de um mesmo processo. tempo-escola e tempo-comunidade que funciona da seguinte forma: os alunos permanecem uma semana na escola – tempo escola – e duas semanas em suas respectivas propriedades – tempo comunidade – onde aplicam os conhecimentos adquiridos durante o tempo escola.

Fotografia-arquivo pessoal Mª. e o desenvolvimento do espírito de trabalho em grupo. Através dos cursos profissionais com fichas pedagógicas que fazem parte da Pedagogia da Alternância são integradas a formação geral (interdisciplinaridade). Assim a Pedagogia da Alternância. é a forma de vinculação do conhecimento teórico e prático (Coordenador pedagógico da CFR). com os profissionais e provoca reflexões. discute sua realidade com a família. e uma semana na Casa Familiar Rural. a educação social e humana. Elizabeth F. Para estudar na Casa Familiar Rural segundo o coordenador é preciso ser filho de agricultor e participar junto com os demais membros da comunidade na implantação do . com a adoção do método de alternância onde os jovens passam duas semanas na propriedade. planejam soluções e realiza experiências na sua realidade.65 Fonte: pesquisa de campo. em regime de internato. em 20 de Outubro de 2011. Durante as duas semanas na propriedade ou no meio profissional. baseada na realidade profissional dos jovens. buscam novos conhecimentos para compreender e explicar os fenômenos científicos. no meio profissional rural. o jovem realiza um Plano de Estudo. E durante a semana na Casa Familiar Rural. disseminando assim novas técnicas nas comunidades. os jovens colocam em comum com ajuda dos monitores os problemas as situações levantadas na realidade. Garcia) Durante a entrevista o coordenador pedagógico responde ao que se refere ao tempo em que os alunos passam para se formar na CFR dizendo que: A duração das atividades na CFR é de três anos.

26): “A educação do campo é uma educação que deve ser no e do campo . pela escolha do local e dos equipamentos e pela elaboração do "Plano de Formação". é possível verificar na consideração do coordenador que seguindo essa forma didática de aprendizado enraizado na realidade da população do campo. como sujeitos sociais frente às novas exigências. pois a existência desta CFR de acordo com os pareceres do coordenador só teve sua inserção devido a luta de movimentos sociais e não pelo mobilização dos órgãos públicos. p. não só do mercado. Do. voltado para as necessidades da região.A escola atualmente tem parceria com a empresa noruegueira IDI devido a VALE ter sido vendida para ela ( coordenador pedagógico da CFR). os sujeitos que participam dessa dinâmica estão se reconhecendo como sujeitos protagonistas de sua própria história. Aprendizado esse que repercute na valorização da cultura local. depois num período de um ano teve apoio da SEDUC no governo de Ana Júlia e depois parou. compreendendo dessa forma o campo como espaço de vida que pode ter uma educação de qualidade condizente com sua realidade como ressalta Caldart (2002. Com relação ao efeito do aprendizado dos conteúdos trabalhados em sala de aula para os alunos. Estão proporcionando aos agricultores familiares uma participação ativa como protagonistas no processo de sua construção. como também na preservação do meio ambiente e na melhoria da qualidade de vida (Coordenador Pedagógico da CFR). Ele fala que: Os jovens integrantes das CFR's estão tecendo uma nova agricultura familiar. pois asseguraram que a SEDUC não tinha recursos para poder fazer parceria. É possível perceber no depoimento do coordenador que a escola do campo é pouco percebida como direito da população do campo e como dever dos órgãos públicos no Estado do Pará.66 projeto. produzido através do projeto. e da prefeitura. porque „o povo tem o direito de ser educado no lugar onde vive‟.No. Então. por isso no governo de Jatene não se tem vinculo com o Estado. De acordo com o coordenador pedagógico da CFR sobre financiamento ele ressalta que: A casa no início tinha parceria somente da CVRD. Neste momento é observado o descaso e a falta de compromisso do Estado com a população do campo. o coordenador pedagógico fala que a dinâmica da pedagogia da alternância é uma metodologia de ensino que esta ajudando muito na questão do reconhecimento e valorização dos alunos e comunidades com relação ao espaço em que vivem. Mas é necessário que os alunos tenham concluído a quarta série do ensino fundamental e que sejam maiores de 14 anos. pois “o povo tem direito a uma educação . tramando a re-elaboração da sua especificidade histórica e cultural com o novo.

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pensada desde o seu lugar e com a sua participação, vinculada à sua cultura e às suas necessidades humanas e sociais”. É importante ressaltar sempre aos sujeitos do campo que sua forma de produzir e viver são muito importantes para o desenvolvimento não somente da população do campo, mas da população da cidade que necessitam de seus conhecimentos na agricultura para suas sobrevivências e a Casa Familiar Rural por meio da pedagogia da Alternância proporciona isso como resposta aos seus alunos. Sabe-se que a resposta de uma determinada coisa é dada depois de uma determinada pergunta a alguém. Segundo o coordenador na Casa Familiar Rural as perguntas surgiram durante as reuniões realizadas para a construção do Projeto Político Pedagógico da escola, uma vez, que fator muito importante na construção do planejamento escolar é que ele seja criado mediante a presença de todos os seguimentos da escola, colocando em primeiro plano a vida do aluno e da comunidade que ele esta inserido. De acordo com o coordenador pedagógico o PPP – Projeto Político Pedagógico da CFR foi realizado da seguinte forma:

Os temas foram definidos em algumas reuniões, juntamente com toda a comunidade. Nestas reuniões, foram levantados pelos membros da comunidade alguns temas que eles gostariam que fossem desenvolvidos na escola. Na reunião a comunidade definiu os temas a serem discutidos durante o processo educacional. Outra decisão muito importante foi a elaboração coletiva de um calendário escolar diferenciado das datas normalmente comemoradas nas escolas da cidade, porque o tempo das escolas do campo, são tempos bastante diferentes... (Coordenador Pedagógico da CFR V. N.).

De acordo com a LDB nº 9.394/96, as instituições escolares devem construir suas próprias propostas pedagógicas, prevendo em seu artigo 12, inciso I, que “os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de elaborar e exercer sua proposta pedagógica”. No caso da proposta da escola investigada, o Projeto Político Pedagógico foi construído de forma democrática, ou seja, foi dada abertura tanto aos alunos como comunidade para participarem da reunião do planejamento escolar, respeitando e valorizando a opinião e os interesses de todos que ali estavam presentes. Veiga (2001, p.9) com relação ao projeto político pedagógico conceitua tal documento dizendo que é importante todos os seguimentos escolares fazerem parte dessa construção, pois segundo ela o projeto pedagógico exige profunda reflexão sobre as finalidades da escola como a explicitação de seu papel social e a clara definição de caminhos, formas operacionais e ações a serem empreendidas por todos envolvidos com o processo educativo.

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A mesma autora acrescenta que é necessário que a escola tenha um projeto pedagógico, mas que ele seja de qualidade e apresenta as seguintes características para que se alcance tal objetivo:

a) Ser um processo participativo de decisões b) Preocupar-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que desvele os conflitos e as contradições; c) Explicitar princípios baseados na autonomia da escola, na solidariedade, entre seus agentes educativos e no estímulo à participação de todos no projeto comum e coletivo; d) Conter opções explícitas na direção da superação de problemas, no decorrer do trabalho educativo voltado para uma realidade específica; e) Explicitar o compromisso com a formação do cidadão. No que tange à execução, um projeto é de qualidade quando a) Nasce da própria realidade, tendo como suporte a explicitação das causas dos problemas e das situações nas quais problemas aparecem; b) è exeqüível e prevê as condições necessárias ao desenvolvimento e à avaliação; c) implica a ação articulada de todos os envolvidos com a realidade da escola; d) É construído continuamente, pois, como produto, é também processo, incorporando ambos numa interação possível (VEIGA, 2001, p.11).

De acordo com o Projeto político pedagógico da CFR de Jambuaçu (em Anexo),os objetivos e metas da escola foram assim definidos:

1- Desenvolver atividades educacionais amplas, ajudando o meio rural a acelerar o seu desenvolvimento sustentável e solidário sem perder os seus valores históricos e culturais. 2- Oferecer ao meio rural as condições para a formação de jovens que exerçam uma liderança motivados e preparados para estimular e orientar o desenvolvimento qualificado e solidário da sua comunidade. 3- Trabalhar na execução de ações que permitam a redução do êxodo rural, com ações que valorizem a pequena propriedade da região, bem como a atividade familiar desenvolvida. Isso através do projeto profissional do jovem ,que permita a difusão de novas tecnologias e a introdução de novos mecanismos de produção na propriedade familiar permitindo o aumento da renda familiar e a criação de perspectiva de vida e trabalho para o jovem no seu meio. 4- valorizar o homem e a mulher do campo, incentivando-o (a) participar da vida formativa dos filhos, a construir seu conhecimento as tradições familiares e a cultura local, bem como trabalhar a solidariedade entre agricultores. 5- Tonar o Jovem sujeito de sua própria história de vida, educando-o para a autonomia, para exercer seu papel de cidadão e para o compromisso com a sua localidade, além do mais apoiando na escolha de seu projeto de vida e na construção de sua identidade. 6- Ser um centro de formação e orientação do/a jovem do campo de agricultores para agricultores. 7- Sem fruto de uma pedagogia de ação e reflexão, que utiliza a alternância na família como estrutura fundamental. As famílias e as localidades envolvidas são a base do processo educativo, tendo como objetivo principal a integração solidária, num processo de educação participativa, fazendo da propriedade do meio familiar e solidário uma continuidade do processo educacional (CASA FAMILIAR RURAL DE JAMBUAÇU/PPP,2009,p. 17).

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Os objetivos e metas do Projeto Político Pedagógico de Jambuaçu elevam a escolarização dos alunos, fundamentada na concepção de educação como ato para desenvolver a capacidade reflexiva do jovem em consonância com as demandas da agricultura familiar. Segundo Reis (2006, p. 264):

O currículo das CFRs deve ser construído a partir da realidade dos alunos, visando à realização de uma aprendizagem significativa, que incorpora as experiências de trabalho nas unidades familiares, procurando articulá-las com o conhecimento científico de diversas áreas e, assim, tomar a formação em alternância como um instrumento para conduzir o aluno no cenário profissional da agricultura familiar.

De acordo com a proposta política pedagógica da escola a estrutura curricular tem como base os ciclos de formação, como objetivo consolidar a proposta propiciando uma ação pedagógica, onde se efetive a construção do conhecimento através de um conjunto de atividades. No projeto político pedagógico da CFR de Jambuaçu foi possível também observar que o trabalho pedagógico considera o princípio do desenvolvimento sustentável quando apresenta no primeiro item dos objetivos e metas o imperativo que assegurando que a escola vem “desenvolver atividades educacionais amplas, ajudando o meio rural a acelerar o seu desenvolvimento sustentável e solidário sem perder os seus valores históricos e culturais” (PPP.CFR de Jambuaçu,2009,p.16). Dessa forma compreende a interligação com outras dimensões da realidade, apresentando preocupação com o envolvimento da educação em alternância com as questões ambientais e humanas. Outro ponto que é observado na leitura do projeto político pedagógico é a questão da valorização da autonomia dos alunos, pois é assegurado no 5° tópico que necessário” tonar o Jovem sujeito de sua própria história de vida, educando-o para a autonomia, para exercer seu papel de cidadão e para o compromisso com a sua localidade, além do mais apoiando na escolha de seu projeto de vida e na construção de sua identidade”. Ou seja, é enfatizado no documento como forma de gestão democrática solidária e participativa, onde os autores principais do processo devem ser o jovem, a família, a comunidade. Diante do foi exposto é possível constatar que muitas escolas do campo estão seguindo com suas próprias pernas em função de uma educação de qualidade para a população do campo, mas nunca se esquecem de reivindicar seus direitos de cidadãos, de lutar por educação de qualidade em seu local de origem; como é ressaltado no trecho da música “Não vou sair do campo” de Gilvam Santos, que diz:

reivindicase políticas públicas educacionais que dêem garantia de continuidade educacional no campo. Contudo. valorização e reconhecimento do suor derramado na plantação e colheita de alimentos para alimentação de várias populações. . clamando por respeito.70 “Não vou sair do campo/Cultura e produção/ Sujeitos da cultura /A nossa agricultura /Pro bem da população/ Construir uma nação/ Construir soberania / Pra viver o novo dia / Com mais humanização” A letra da música reflete a não aceitação do povo do campo em buscar conhecimentos na cidade.

. como é assegurado pela legislação.71 4. que as movimentações por Políticas Públicas Educacionais para o Campo sempre tiveram iniciativas dos movimentos sociais dentro de nossa sociedade e como exemplo desse resultados têm-se a inserção da Casa Familiar Rural Padre Sérgio Tonetto de Jambuaçu. Outro fator bastante ressaltado neste trabalho foi a reivindicação da demanda do campo por uma educação que valorize todos os aspectos sócio culturais do campo em especial a história de cada aluno. A falta de renovação dos contratos reflete o descaso e a incerteza da continuidade do funcionamento de várias escolas do campo. Desse modo é inevitável ressaltar que as escolas do campo perpassam como uma escola de momento que não assegura uma educação integral aos seus alunos. No estudo deste trabalho foi possível observar que o início da trajetória da relação da CFR de Jambuaçu com a SEDUC foi marcada por aproximação no governo de Ana Júlia e atualmente apresenta distanciamento no governo de Simão Jatene. pois sem renovação as mesmas são obrigadas a interromper o seu processo educacional. As lutas por políticas públicas educacionais para o campo reivindicam por direitos educacionais de forma integral e não parcial. a partir da pesquisa documental e de campo. por direito a uma educação de qualidade. ao que se refere as Políticas Pública Educacional para o Campo. mas infelizmente não é o que acontece. foi possível constatar o que sempre é relatado no contexto histórico das escolas do campo. Um exemplo do distanciamento estatal com a educação do campo foi percebido no convênio entre a SEDUC e as CFRs do Estado do Pará. Ou melhor. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante da pesquisa realizada. resultando em reivindicações. a relação entre a Secretaria Estadual de Educação -SEDUC e Casas Familiares Rurais do Estado do Pará em recorte a CFR Padre Sérgio Tonetto de Jambuaçu no Município de Moju. pois o que foi observado na pesquisa é que o cenário educacional do campo é totalmente diferente do que é assegurado pelos artigos e incisos das legislações que competem a essa educação. Pois este tem como dever ser renovado a cada ano. fator este que implica muitas revoltas e descontentamento da população do campo. O qual precisa ser o principal ator na construção e planejamento do projeto político pedagógico das CFRs. por educação de qualidade no campo. De acordo com a pesquisa os órgãos estatais não se mobilizam como deveriam para a concretização de Políticas Públicas Educacionais para o Campo. que teve como objetivo analisar.

porque não levar em consideração a sua realidade? O aluno independente de o local onde a escola está inserido campo ou cidade é necessário que o Projeto Político Pedagógico das instituições educacionais tenha o aluno como centro desse planejamento. falta apenas que lhes dêem oportunidades. o seu meio social e sua cultura local. pois o que a população do campo deseja é estudar e seguir uma carreira.72 Sabe-se que a razão da existência da escola é o aluno e que sem ele a escola não existiria. . um lugar que relaciona o estudar com o viver. Ou seja. não somente dele mais de todos que fazem parte de seu processo formativo como a família e a comunidade. Ou seja. bem como reconhecer a diversidade de outros meios sociais e culturais. conhecendo seus direitos e se posicionando como sujeito crítico diante da sociedade. valorizando a si mesmo. Portanto. È necessário que governantes percebam que o contexto do campo tem necessidade de diversos profissionais para atuar no campo. que reconhece seus alunos como ator principal não somente da construção dos projetos da escola. conhecer a Casa Familiar Rural de Jambuaçu foi uma motivação que se deu inicialmente pelo encantamento em observar uma escola que desenvolvesse teorias articulados com a prática – exercício que aprendemos separadamente – uma escola em que os professores falam a mesma língua que os alunos. dar possibilidade e espaço para que o sujeito do campo se reconheça como protagonista de sua própria história educacional. mas e principalmente de sua própria história. Então se o aluno é o centro da escola. A dinâmica das Casas Familiares Rurais valoriza a participação do aluno no processo do planejamento educacional fazendo com que o mesmo seja capaz de reafirmar sua identidade.

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Qual seu nome completo e formação? 2º). As casas Familiares Rurais têm Projeto Político Pedagógico Geral e Específico? 5º). As Casas Familiares Rurais tem parceria com a SEDUC? 4º).76 APÊNDICE A: Roteiro de entrevista semi-estruturada realizada com o Coordenador Administrativo das Casas Familiares Rurais do Conselho Estadual do Pará e presidente da ARCAFAR/PA. Como funciona as Casa Familiares Rurais? 6º). Como se deu a inserção da Casa Familiar Rural de Jambuaçu? . 1º). Quantas Casas familiares Rurais existem no Estado do Pará? 3º).

1º) Qual o seu nome e formação? 2º) Como se deu a inserção da escola Padre Sérgio Tonetto em Jambuaçu? 3º) A escola tem convênio com o Estado? 4ª) A SEDUC(Secretária estadual de Educação) já se mobilizou quanto a questão de Políticas Públicas Educacionais para a Casa Familiar Rural de Jambuaçu? 5º) Quantas turmas existem atualmente na Casa e qual a demanda de alunos matriculados ? 6º) Qual atividade agrícola a Casa desenvolvendo durante a alternância? 7º) Qual o período de estudo para a formação dos alunos? 8º) Quantas turmas a escola já formou? 9º) A escola possui um Projeto Político Pedagógico? 10º) Quais foram os seguimentos que participaram da construção do Projeto Político Pedagógico da casa? 11º)Como se dá a dinâmica da Pedagogia da Alternância? 12º) A escola já teve algum avanço desde sua inserção? Quais? 13º) A dinâmica pedagógica Pedagogia da Alternância tem ajudado no firmamento do sujeito do campo no campo e também na valorização do trabalho do campo no imaginário tanto dos alunos como das famílias? .77 APÊNDICE B: Roteiro de entrevista semi-estruturada realizada com o Coordenador Pedagógico da casa familiar rural Padre Sérgio Tonetto de Jambuaçu-Moju-Pará.

78 ANEXO .