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PRINCÍPIOS INSTITUCIONAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

1 - Unidade Institucional

O princípio da unidade institucional significa que os membros do Ministério Público integram apenas um órgão, sob comando único. Nos dizeres de Jatahy1, os “[...] membros [do MP] não devem ser identificados na sua individualidade, mas sim como integrantes de um mesmo organismo, que tem a função de exercer as tarefas constitucionais que lhe foram deferidas pela Carta Magna”. Ressalta-se, contudo, que não existe unidade entre Ministérios Públicos de estados distintos, nem entre Ministério Público estadual e Ministério Público da União. Há, em verdade, conforme leciona Jatahy2, funções institucionais elencadas no texto constitucional que só podem ser exercida por um único ramo do Ministério Público.

1.1. Conflito de atribuição entre membros de Ministério Público

Tema de grande controvérsia doutrinária ao longo dos anos diz respeito a conflito de atribuições entre membros de Ministério Público distintos, como, por exemplo, entre membros de Ministérios Públicos de dois Estados da federação, ou entre membro de Ministério Público estadual e o Ministério Público da União. Considerando que não existe hierarquia entre os ramos do Ministério Público, quem seria competente para dirimir conflito de atribuições entre membros de instituições ministeriais distintas? Inicialmente o STF entendeu que o conflito de atribuições entre membros do Ministério público se tratava de “conflito virtual de jurisdição”, ou seja, “conflito entre membros do

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JATAHY, Carlos Roberto de Castro. Princípios Institucionais do Ministério Público. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p. 111. 2 Idem pg. 112

necessariamente. julgada em 28. nos termos do art. d. seja da competência do Superior Tribunal de Justiça [.9. existindo “conflito virtual de jurisdição” a competência para solvê-la será do STJ. ademais. em que membros de Ministério Público de dois Estados instauram inquérito civil sobre o mesmo fato. I. pois. “f”.70). “d”.70). Diante dessa constatação. I. da CF. voltou a apreciar a questão e entendeu que.3. por força da interpretação analógica do art. o STF. pois o inquérito civil pode ser arquivado. 102. 105. um futuro conflito de competência entre dois magistrados vinculados a tribunais diversos”3. veja-se o seguinte excerto. a incompetência do ProcuradorGeral da República para a solução do conflito. da CF.. não existindo “conflito virtual de jurisdição”.95). I. 105. Dessarte. a Suprema Corte seria competente para dirimir a questão. Tratando-se. 3 4 Jatahy pg. há conflito de atribuições sem que. Precedentes citados: CJ 5133/RS (DJU de 22. na Pet. a Corte apta a apreciar o conflito seria o STJ. Nesse caso.. 3528/BA.2 Ministério Público que anteciparia. Min. rel. Marco Aurélio. quando não configurado virtual conflito de jurisdição que. exista conflito de jurisdição.5. de conflito antecipado de competência entre magistrados vinculados a tribunais distintos. visto que poderia existir conflito de atribuições entre membros de Ministério Públicos distintos sem a existência de “conflito virtual de jurisdição”. Ocorre que a controvérsia não quedou-se totalmente solvida. Não existindo o referido conflito. em face da impossibilidade de sua interferência no parquet da unidade federada. necessariamente. A propósito. CJ 5267/GB (DJU de 4. 403/STF a respeito do referido julgado: CONFLITO DE ATRIBUIÇÕES E COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA DO SUPREMO.2005. 121 . nos termos do art. 121 Jatahy pg. MS 22042 QO/RR (DJU de 24.] Asseverou-se. Compete ao Supremo Tribunal Federal dirimir conflito de atribuições entre os Ministérios Públicos Federal e Estadual.5. da CF. retirado do informativo n. como no exemplo dado por Jatahy4. será competente o STF.

o entendimento doutrinário e jurisprudencial sedimentou-se no sentido de que os atos praticados pelo órgão ministerial destituído das atribuições necessárias pode ser aproveitado. . Maurício Correa. 6 Jatahy p. Min. sem solução de continuidade. 72. (STF .Geral de Justiça. A ratificação da denúncia. julgado em 29. Conforme explica Mello Junior. Contudo. A função de controle dos atos da Administração Pública pelo Ministério Público. tem sido o entendimento do STF e STJ: “[.. esse princípio não convola ato praticado por membro sem a devida atribuição para tanto. férias.HC n. desde que não se tenha burlado o Princípio do Promotor Natural e o ato seja ratificado pelo órgão ministerial munido das devidas atribuições. DJ 23.. presentando a Instituição em determinado ato processual.3 2 – Indivisibilidade Esse princípio expressa a legitimidade de substituição dos membros do Ministério Público uns pelos outros.10.HC N. é suficiente para afastar a alegação de ilegitimidade da parte.904/PB. assim. evitando-se. Entretanto. A indivisibilidade está intimamente ligada ao Princípio do Promotor Natural e à garantia da inamovibilidade6. se a denúncia do Promotor foi ratificada pelo Procurador.] 1. 127. a figura do promotor de exceção. Min.2000. Gilson Dipp. Rel. Rel. p.04. 5 MELLO JÚNIOR. Nesse sentido. “O princípio da indivisibilidade significa que quem está presente em qualquer processo é o Ministério Público por intermédio de um determinado promotor ou procurador de Justiça”5. validamente recebida pelo pleno do Tribunal de Justiça.1.564/PE. 10. Belo Horizonte: Editora Líder. Veja-se ainda: STJ . Ratificação da denúncia apresentada por autoridade ministerial incompetente. 2. Não há necessidade de oferecimento de nova inicial. 2001. 117. nos casos de licenças.1996)”. Funcionamento de Promotor sem atribuição O cerne do princípio da indivisibilidade reside na possibilidade de um promotor substituir o outro. João Cancio de. entre outros. afastamentos.

Atribuições e Regime Jurídico. o princípio da independência funcional limita a hierarquia entre o Chefe da Instituição e seus membros às questões administrativa da Instituição 8. 7 GARCIA. . 8 Jatahy. 131. Emerson. o princípio ora em apreço concede imunidade aos membro ministeriais quanto à responsabilidade civil por possíveis erros de atuação. A Ministério Público – Organização. 2005.4 3 – Independência Funcional Esse princípio preceitua que os membros do Ministério Público não estão subordinados a nenhum órgão ou poder. 67. Nos dizeres de Garcia. 2ª ed. “O ofício ministerial deve ser livremente exercido. somente rendendo obediência ao ordenamento jurídico e à consciência do membro do Ministério Público”7. mas seus atos processuais precisam sempre ser fundamentados. p. p. Por último. no âmbito do Ministério Público. Rio de Janeiro: Editora Lumen Juris. Importante ressaltar que.