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I N T R O D U Z I N D O

H I D R O L O G I A

Capítulo

13
Medição de vazão
azão é o volume de água que passa por uma determinada seção de um rio dividido por um intervalo de tempo. Assim, se o volume é dado em litros, e o tempo é medido em segundos, a vazão pode ser expressa em unidades de litros por segundo (l.s-1). No caso de vazão de rios, entretanto, é mais usual expressar a vazão em metros cúbicos por segundo (m3.s-1), sendo que 1 m3.s-1 corresponde a 1000 l.s-1 (litros por segundo).

V

Escoamento permanente e uniforme em canais
O escoamento em rios e canais abertos é um fenômeno bastante complexo, sendo fortemente variável no espaço e no tempo. As variáveis fundamentais são a velocidade, a vazão, e o nível da água. Quando estas variáveis não variam ao longo do tempo em um determinado trecho do canal, o escoamento é chamado permanente. Quando as variáveis vazão, velocidade média e nível não variam no espaço o escoamento pode ser chamado de uniforme. A velocidade média de escoamento permanente uniforme em um canal aberto com declividade constante do fundo e da linha da água pode ser estimada a partir de equações relativamente simples, como as de Chezy e de Manning. A equação de Manning, apresentada a seguir, relaciona a velocidade média da água em um canal com o nível da água neste canal e a declividade.

R 3 ⋅S u= h n

2

1

2

onde u é a velocidade média da água em m.s-1; Rh é o raio hidráulico da seção transversal (descrito a seguir); S é a declividade (metros por metro, ou adimensional); e n é um coeficiente empírico, denominado coeficiente de Manning.

A Figura 13. 1 apresenta um perfil longitudinal de um canal escoando em regime permanente e uniforme.

Figura 13. 1: Perfil de um trecho de canal em regime de escoamento permanente e uniforme.

A Figura 13. 2 apresenta uma seção transversal do canal, supondo que o canal tem a forma retangular. A profundidade de escoamento é y e a largura do canal é B.

Figura 13. 2: Seção transversal de um canal em regime de escoamento permanente e uniforme.

Denomina-se perímetro molhado a soma dos segmentos da seção transversal em que a água tem contato com as paredes, isto é: P = B + 2y onde P é o perímetro molhado (m); B é a largura do canal (m); e y é a profundidade ou nível da água (m). O raio hidráulico é a relação entre a área de escoamento e o perímetro molhado, ou seja:

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Tipo de revestimento Vidro (laboratório) Concreto liso Canal não revestido com boa manutenção Canal natural Rio de montanha com leito rochoso n de Manning 0.075 a >1.075 0.020 0. O coeficiente n de Manning varia de acordo com o revestimento do canal. y é a profundidade e m = cotg α.y) e P o perímetro molhado. Canais de laboratório. e que o canal não é revestido mas está com boa manutenção. maior a velocidade média da água no canal. Canais com paredes muito rugosas.00 A vazão em um canal pode ser calculada pelo produto da velocidade média vezes a área de escoamento.. Das equações anteriores se deduz que quanto maior o nível da água y. Em um canal trapezoidal a área de escoamento é dada por A= (B + B + 2 ⋅ m ⋅ y ) ⋅ y 2 onde B é a largura da base. por exemplo. Tabela 13.Rh = A P onde A é a área (B.012 0. Alguns valores de n de Manning para diferentes tipos de canais são dados na tabela a seguir. podem ter valores relativamente baixos de n. revestidos de vidro . de acordo com a figura abaixo. 1: Valores de n de Manning para canais com diferentes tipos de revestimento de fundo e paredes (Hornberger et al. ou seja: R 3 ⋅S Q = u ⋅ A = A⋅ h n 2 1 2 EXEMPLO 1) Qual é a vazão que escoa em regime permanente e uniforme por um canal de seção transversal trapezoidal com base B = 5 m e profundidade y = 2 m. como os canais revestidos por pedras irregulares e os rios naturais com leito rochoso tem valores altos de n.024 a 0.01 0. considerando a declividade de 25 cm por km? Considere que a parede lateral do canal tem uma inclinação dada por m = 2. 143 . 1998).

00025) = 18 ⋅ 3 2 1 2 0. Esta equação é fornecida pelo fabricante do molinete.s-1 Portanto. porém deve ser verificada periodicamente. Os molinetes são instrumentos projetados para girar em velocidades diferentes de acordo com a velocidade da água. as medições de velocidade podem ser feitas utilizando flutuadores. então a vazão no canal é dada por R 3 ⋅S Q = A⋅ h n 2 1 2 (1. A relação entre velocidade da água e velocidade de rotação do molinete é a equação do molinete.020. ou de grande carência de recursos.00025 m. A declividade de 25 cm por km corresponde a S = 0. com resultados muito menos precisos.3) ⋅ (0. que são pequenos hélices que giram impulsionados pela passagem da água.3 m.O perímetro molhado é dado por P = B + 2 ⋅ y 2 + (m ⋅ y ) 2 Portanto A = 18 m2 e P = 13. porque pode ser alterada pelo desgaste das peças. normalmente.m-1.o coeficiente de Manning para um canal não revestido com boa manutenção é de 0. a partir da medição de velocidade ou de nível.9 m. Os instrumentos mais comuns para medição de velocidade de água em rios são os molinetes. a vazão no canal é de 16.s-1. de forma indireta. 144 .9 m3.020 = 16. Medição de vazão A medição de vazão em cursos d’água é realizada. O raio hidráulico é Rh = 1.9 m3. Em situações de medições expeditas.

Para obter uma boa estimativa da velocidade média é necessário medir em várias verticais.20 m. normalmente. Por exemplo. apresenta o número de pontos de medição em uma vertical de acordo com a profundidade do rio e a Tabela 13. no centro da seção. (2001). A Tabela 13. A velocidade da água é. 5. 3: Molinete para medição de velocidade da água. adaptada de Santos et al. A Tabela 13.Figura 13. mesmo em rios com profundidade maior que 1. porém. utilizar apenas uma medição de velocidade pode resultar em uma estimativa errada da velocidade média. Em função desta variação da velocidade nos diferentes pontos da seção transversal. Da mesma forma. a velocidade medida junto à margem é inferior à velocidade média e a velocidade medida junto à superfície. Figura 13. 4 e a Figura 13. 2 mostra que são recomendados muitas medições na vertical. 4: Perfil de velocidade típico e pontos de medição recomendados. de acordo com a Figura 13. 145 . 3 apresenta o número de verticais recomendado para medições de vazão de acordo com a largura do rio. a velocidade é mais baixa junto ao fundo do rio do que junto à superfície. freqüentemente. as medições são feitas com apenas dois pontos na vertical. é superior à velocidade média. 2. e em vários pontos ao longo das verticais. maior no centro de um rio do que junto às margens.

00 > 4. 0.8 p 0. 2001).2.6 e 0. A integração do produto da velocidade pela área é a vazão do rio. 2: Número e posição de pontos de medição na vertical recomendados de acordo com a profundidade do rio (Santos et al. etc.) (Figura 13. Os pontos estão dispostos segundo linhas verticais com distâncias conhecidas da margem (d1. d2.2 e 0.60 0.5 1. a medição de vazão está baseada na medição de velocidade em um grande número de pontos. de acordo com a largura do rio (Santos et al. 7.00 a 4.Figura 13. 0.2. Profundidade (m) 0. d3. 0. 0.8 p e F Tabela 13.0 12.8 p 0.4.4.2. 0.0 6.3 0. Largura do rio (m) <3 3a6 6 a 15 15 a 30 30 a 50 50 a 80 80 a 150 150 a 250 > 250 Distância entre verticais (m) 0.60 a 1.0 Portanto.00 Número de pontos 1 2 3 4 6 Posição dos pontos 0.00 2.6 p 0. Considera-se que a velocidade média calculada numa vertical é válida numa área próxima a esta vertical de acordo com a Figura 13.8 p S.15 a 0. 3: Distância recomendada entre verticais. Tabela 13. 6).20 a 2. 146 .. 2001).6 e 0.0 2.0 3.0 4. 0.20 1. 0.6. 5: Seção transversal com indicação de verticais onde é medida a velocidade.0 8.

A área de uma sub-seção. 7: Detalhe da área da seção do rio para a qual é válida a velocidade média da vertical de número 2. 6: Exemplo de medição de vazão em uma seção de um rio. como apresentada na Figura 13. d é a distância da vertical até a margem. a área da sub-seção da vertical 2 é dada por: 147 . 7 é calculada pela equação abaixo:  (d + d i +1 ) (d i −1 + d i )   (d − d i −1 )  Ai = pi ⋅  i −  = p i ⋅  i +1  2 2 2     onde o índice i indica a vertical que está sendo considerada.Figura 13. distâncias (d) e profundidades (p) – os pontos indicam as posições em que é medida a velocidade no caso de utilizar apenas dois pontos por vertical. p é a profundidade. Na anterior. Figura 13. com a indicação das verticais. por exemplo.

Considerase.45 0.s-1) 0.53 0.32 Velocidade a 0.54 2. Qual é a vazão total do rio? Qual é a velocidade média? Vertical 1 2 3 4 5 Distância da margem (m) 2.50 0.0 8.s-1) 0.82 Velocidade a 0.5x(di+1 – di-1) . Assim. (d − d 1 )  A2 = p 2 ⋅  3  2   As pequenas áreas próximas às margens que não são consideradas nas sub-seções da primeira nem da última vertical (Figura 13.0 5. vi é a velocidade média da vertical i.15 0. A vazão total é dada pela soma das vazões de cada sub-seção.0 22. A largura total do rio é de 23 m. Figura 13. para isso. a vazão total do rio é dada por: Q = ∑ vi ⋅ Ai i =1 N onde Q é a vazão total do rio. 148 .20 Para cada uma das verticais de medição é determinada a área da sub-seção correspondente.89 0. EXEMPLO 2) Uma medição de vazão realizada em um rio teve os resultados da tabela abaixo. que as velocidades medidas na vertical ocorrem em uma região retangular de profundidade pi e largura 0. N é o número de verticais e Ai é a área da sub-seção da vertical i.2xP (m. 8: As áreas sombreadas junto às margens não são consideradas na integração da vazão.87 0.75 0. 8) não são consideradas no cálculo da vazão.32 0.0 17.8xP (m.0 Profundidade (m) 0.01 2.23 0.70 1.

0 2. governado por processos bastante aleatórios.s-1) Velocidade a 0. Com a curva-chave é possível transformar medições diárias de cota.2xP (m. guincho e barcos. pelo menos.82 3. permitam acompanhar as cheias e estiagens.0 2.13 A velocidade média é de 0.62 37 .87 0. as medições de vazão são realizadas com o objetivo de determinar a relação entre o nível da água do rio em uma seção e a sua vazão.66 10.s-1) 1 2.20 0.0 0.Vertical Distância da margem (m) Profundidade (m) Largura da vertical (m) Área da sub-seção (m2) Velocidade a 0.64 Total 23 37. Normalmente a medição de vazão em rios exige uma equipe de técnicos qualificados e equipamentos como molinete. mas sim de uma série de medições.0 4.s-1. pode ser necessária uma medição a cada minuto.23 0.45 0.75 0. distância e profundidade não justificam tanta precisão.53 0. É desejável que esta série estenda-se por.06 0.01 6. 149 . v= 23 .0 0.75 0.33 2 5. o que impede medições de vazão muito freqüentes.s-1. e é necessário que o intervalo de tempo entre medições seja adequado para acompanhar os principais processos que ocorrem na bacia.13 23. com rápidas respostas durante as chuvas.24 0.16 A vazão total é de 23.70 2.54 3. como a precipitação. de comportamento lento. Em um rio muito grande.2 m3.50 0.s-1 porque normalmente os erros das medições de velocidade.19 0.32 7.26 0. que são relativamente baratas.46 0.s-1) Velocidade média na vertical (m.56 4 17.63 2.91 3 8. alguns anos. Este valor pode ser arredondado para 23. A medição de vazão. Esta relação entre o nível (ou cota) e a vazão é denominada a curva-chave de uma seção. ou seja.71 8. Para caracterizar o comportamento hidrológico de um curso d’água ou de uma bacia não basta dispor de uma medição de vazão.0 2.0 1.62 m. em uma região montanhosa. isto é.89 0.s-1) Vazão na sub-seção (m3.16 m3.15 0.16 = 0 .8xP (m. A velocidade média é igual à vazão total dividida pela área total.32 0.50 1. conforme descrita no item anterior.0 16. em medições diárias de vazão. Em função disso. isto pode significar uma medição por semana. é um processo caro.72 5 22. Por outro lado.0 12. em um rio com uma área de drenagem pequena.62 0. A curva-chave O ciclo hidrológico é um processo dinâmico.

Figura 13. A Figura 13. e a e b são parâmetros ajustados por um critério. h0 é a cota quando a vazão é zero. como erros mínimos quadrados. médias e altas. de forma gráfica. que podem ser bastante rápidas e raramente coincidem com os dias programados para as medições de vazão. A Figura 13. 9: Dados de medição de vazão do rio do Sono. como a equação a seguir: Q = a ⋅ (h − h 0 )b onde Q é a vazão. 10 apresenta uma equação do tipo acima ajustada aos dados do rio do Sono. o resultado de 62 medições de vazão realizadas entre 1992 e 2002. Cada ponto no gráfico corresponde a uma medição de vazão. de 1992 a 2002. A curva chave é uma equação ajustada aos dados de medição de vazão. 150 . Observa-se que há mais medições de vazão na faixa de cotas e vazões baixas. no rio do Sono no posto fluviométrico Cachoeira do Paredão. h é a cota.Para gerar uma curva-chave representativa é necessário medir a vazão do rio em situações de vazões baixas. 9 apresenta. no Estado de Minas Gerais. Normalmente são utilizadas equações do tipo potência. Isto ocorre porque as vazões altas ocorrem apenas durante as cheias.

a mesma vazão pode ocorrer para cotas diferentes. Modificações artificiais. lago ou outro rio. a relação entre cota e vazão pode não ser unívoca. da cota local e da cota de jusante (Santos et al. dando-se preferência à instalação de postos fluviométricos em locais livres da influência da maré. mesmo após a definição da curva. É claro que esta alternativa é bastante trabalhosa e deve ser evitada. A curva chave de uma seção de rio pode se alterar com o tempo. também podem modificar a curva chave. Uma extrapolação da curva-chave é necessária quando as cotas observadas no posto fluviométrico superam as máximas cotas medidas simultaneamente às medições de 151 .. controla a vazão do rio e não é possível definir uma única curvachave. Extrapolação da curva-chave A curva-chave é a forma de obter informações sobre a vazão de um rio em um dado local com base na observação da cota da superfície da água neste mesmo local. localizado a jusante. Este problema pode ser superado gerando uma família de curvas-chave. através da combinação da vazão. O nível do rio. Em trechos de rios próximos à foz. e cotas iguais podem apresentar vazões diferentes. Por isto é necessário realizar medições de vazão regulares. isto é. 10: Equação do tipo potência ajustada aos dados de medição de vazão do rio do Sono de 1992 a 2002. o que simplifica a medição. lago ou oceano. junto ao mar. já que é mais fácil medir cotas do que vazões. como aterros e pontes. Nestes casos o escoamento no rio está sob controle de jusante. especialmente em rios de leito arenoso.Figura 13. 2001). ou do nível de jusante.

ou quando as cotas observadas são inferiores às menores cotas medidas simultaneamente às medições de vazão. quando ocorrem as grandes cheias o rio extravasa da sua calha normal. e a relação entre área da seção transversal e nível da água se modifica. 11: Curva chave com extrapolação para cotas acima de. 11. 152 . modificando diversos aspectos do escoamento. Figura 13. denomina-se extrapolação superior. a extrapolação é chamada inferior. Quando a extrapolação é para cotas observadas superiores às utilizadas na elaboração da curva-chave. inundando a região adjacente. Neste método considera-se que existe uma relação constante entre a vazão e o produto da área da seção vezes a raiz quadrada do raio hidráulico (como na equação de Chezy). Quando é para cotas inferiores às cotas utilizadas na elaboração da curva-chave. Existem vários métodos para extrapolação superior da curva-chave. A extrapolação superior de curvas-chave é muito importante porque dificilmente existirão medições de vazão coincidentes com as maiores cheias observadas.vazão. 670 cm (Sefione. Um dos métodos mais conhecidos e utilizados é chamado de método de Stevens. pelo alargamento da largura inundada. Nesta situação a rugosidade aumenta devido à presença de obstáculos e vegetação. 2002). como mostra a Figura 13. aproximadamente. Além disso.

12: Ilustração do princípio utilizado no Método de extrapolação da curva chave de Stevens (Sefione. 2002). Vertedores e calhas Em cursos d’água de menor porte é possível construir estruturas no leito do rio que facilitam a medição de vazão. Este é o caso das calhas Parshal e dos vertedores de soleira delgada. Vertedores de soleira delgada são estruturas hidráulicas que obrigam o escoamento a passar do regime sub-crítico (lento) para o regime super-crítico (rápido) para as quais a relação entre cota e vazão é conhecida. 13). o nível a água medido a montante com uma régua ou linígrafo pode ser utilizado para estimar diretamente a vazão (Figura 13.Figura 13. Assim. 153 .

As calhas Parshal são dimensionadas com diferentes tamanhos.Figura 13. 14). 13: Vertedor triangular para medição de vazão em pequenos cursos d’água. Um vertedor triangular de soleira delgada com ângulo de 90º (Figura 13. A principal vantagem das calhas e dos vertedores é que existe uma relação direta e conhecida. Figura 13. 14).5 onde Q é a vazão em m3. embora na maioria dos casos seja desejável a verificação em laboratório. 14: Vertedor triangular com soleira delgada em ângulo de 90º. A medição de nível é feita a montante da passagem pelo regime crítico. tem uma relação entre cota e vazão dada por: Q = 1.42 ⋅ h 2 .s-1 e h é a carga hidráulica em metros sobre o vertedor que é a distância do vértice ao nível da água (Figura 13. entre a vazão e a cota. e pode ser relacionada diretamente à vazão. de forma a permitir a medição em diferentes faixas de vazão. A Calha Parshal é um trecho curto de canal com geometria de fundo e paredes que acelera a velocidade da água e cria uma passagem por escoamento crítico. A calha ou o vertedor tem a 154 . ou facilmente calibrável. conforme indicado na Figura 13. Esta relação pode ser utilizada diretamente. por exemplo. medido a montante do vertedor. 13.

dispostos da maneira apresentada na figura. e recebendo de volta o eco do ultrasom. permite estimar a velocidade da água num volume de controle segundo três eixos. A 155 .desvantagem do custo relativamente alto de instalação. Estes medidores funcionam emitindo pulsos acústicos (ultrasom) em uma freqüência conhecida. Além disso. durante eventos extremos estas estruturas podem ser danificadas ou. refletido nas partículas imersas na água A diferença das freqüências dos sons emitidos e refletidos é proporcional à velocidade relativa entre o barco e as partículas imersas na água. até mesmo. com um emissor de ultrasom e três receptores. 16. perpendiculares aos sensores. A suposição básica desse método é que as partículas dissolvidas na água se deslocam com a mesma velocidade do fluxo. inutilizadas. Figura 13. Medição de vazão com equipamento Doppler Nos últimos anos as medições de velocidade de água com molinetes tem sido substituídas por medições de velocidade por efeito Doppler em ondas acústicas. 15: Calha Parshall para medição de vazão em pequenos córregos ou canais. Um sistema como o apresentado na Figura 13.

16. e do volume de controle para o qual é válida a medida de velocidade. ao abandono completo das medições com molinetes. e substituem os molinetes com grandes vantagens. transferem os dados de velocidade e calculam a vazão automaticamente. Estes instrumentos são chamados perfiladores. dos três receptores acústicos. desde a superfície até o fundo. Apesar disto. O medidor de velocidade pode ser utilizado com uma haste.partir destas componentes da velocidade no sistema de eixos do instrumento são calculadas as componentes transversal. Além disso. estes equipamentos vêm se tornando cada vez mais comuns. alguns medidores de velocidade usando o mesmo princípio do efeito Doppler são usados para estimar a velocidade em vários pontos de uma vertical e em várias verticais automaticamente. ou quando o curso d’água é pequeno. Figura 13. com muita rapidez. no escritório. longitudinal e vertical de velocidade na seção do rio. 16: Medidor de velocidade Doppler para pequenos cursos d’água. reduzindo substancialmente o tempo necessário para preencher planilhas no campo e para digitar estes dados. Em rios médios ou grandes. quando se deseja conhecer a velocidade de um ponto específico. 156 . estes instrumentos comunicam-se diretamente a microcomputadores. em poucos anos. porque permitem medir o perfil de velocidades. e possivelmente levarão. A grande desvantagem destes instrumentos é o custo de aquisição. como o ilutrado na Figura 13. com indicação do transmissor acústico. posteriormente.

esta faixa é relativamente grande. Figura 13. Para equipamentos de baixa freqüência. Para equipamentos de alta freqüência esta faixa é relativamente estreita. O impacto destas estimativas na exatidão das vazões medidas é 157 . adequados para rios profundos. a velocidade da água é medida em vários volumes de controle.No caso dos medidores perfiladores. lentamente. Os perfiladores podem ser utilizados acoplados a uma embarcação. A espessura desta faixa depende da freqüência com que trabalha o equipamento. cuja intensidade é maior do que o eco das partículas imersas na água e. A Figura 13. A faixa sem medições junto ao fundo ocorre porque nesta região começa a haver um efeito forte do eco junto ao fundo do rio. Observa-se que uma faixa próxima à superfície não apresenta medições válidas e uma faixa junto ao fundo (entre as linhas pretas) também não apresenta medições válidas. As medições acústicas são complementadas nestas faixas por estimativas baseadas em perfis teóricos de velocidade. A posição do volume de controle é controlada pelo tempo de viagem do pulso de ondas acústicas. que percorre a seção do rio de uma margem até a outra. 17. 17: Perfilador acústico por efeito Doppler para medir velocidade da água em várias posições. portanto. com base na resposta (eco) recebido do fundo do rio. A velocidade da embarcação é medida pelo próprio perfilador. O volume de controle aumenta de tamanho a medida que o local medido se afasta do instrumento. A faixa sem medições próxima à superfície deve-se ao fato que o aparelho precisa de um tempo mínimo para distinguir as respostas. tripulada ou não. 18 apresenta uma medição de vazão realizada com um perfilador acústico Doppler no rio Solimões (Amazonas) no posto fluviométrico de Manacapuru (AM). fácil de distinguir pelo aparelho. o que exige uma distância mínima até o primeiro volume de controle. como mostra a Figura 13.

A forma mais simples de regionalização hidrológica é o estabelecimento de uma relação linear entre vazão e área de drenagem da bacia. denominado ponto A. dá se o nome de regionalização hidrológica. no ponto B. Dados de um posto fluviométrico localizado no mesmo rio. Suponha que é necessário estimar a vazão média em um local sem dados localizado no rio Camaquã. Assim. 18: Resultado de medição de vazão com perfilador acústico Doppler no rio Solimões em Manacapuru (AM). A este procedimento.relativamente pequeno se o equipamento utilizado tiver uma freqüência compatível com a profundidade do rio. Figura 13. cuja área de drenagem é de 1000 km2 indicam uma vazão média de 200 m3. A área de drenagem no ponto A é de 1700 km2. muitas vezes é necessário estimar valores a partir de informações de postos fluviométricos próximos. A vazão média no ponto A pode ser estimada por Q A = QB ⋅ AA AB 158 . quando realizado de forma cuidadosa e detalhada.s-1. Estimativas de vazão em locais sem dados Normalmente não existem dados de vazão exatamente no local necessário.

Maiores detalhes podem ser encontrados em textos específicos. 1998). como a Q90 e a Q95. Obviamente. como Hidrometria Aplicada. mínimas e médias com a área da bacia e outras características físicas da região. este método tem muitas limitações e não pode ser usado quando a bacia for muito heterogênea quanto às características de relevo. solo e geologia. que tem aproximadamente as mesmas características geológicas e climáticas.onde AA é a área de drenagem do ponto A e AB é a área de drenagem do ponto B. Esta forma de estimativa pode ser aplicada também para estimar vazões mínimas. Leituras adicionais Este texto apresenta uma introdução às técnicas de medição de vazão e determinação da curva chave. A dissertação de mestrado de André Sefione. Em resumo. As relações normalmente são da forma apresentada na equação apresentada abaixo: Qref = a ⋅ A b onde a e b são constantes para uma região hidrológica homogênea. Métodos de regionalização mais complexos incluem variáveis como a precipitação média. clima. No que se refere à estimativa de vazão em locais sem dados uma leitura adicional interessante é o livro Regionalização de vazões (Tucci. características de comprimento e declividade do rio principal. (2001). Exercícios 1) O que é a curva-chave? 2) Para que servem as calhas Parshal? 159 . de Santos et al. intitulada Estudo comparativo de métodos de extrapolação superior de curvachave (disponível em http://www. Os detalhes da regionalização hidrológica são apresentados de forma aprofundada em livros como Tucci (1998).lume. isto é.br/handle/10183/3258). e QA é a vazão média no ponto A e QB é a vazão média no ponto B. e podem gerar informações relativamente confiáveis para locais sem dados.ufrgs. Para estimar vazões máximas em locais sem dados este método tende a superestimar as vazões quando a área de drenagem do ponto sem dados é maior do que a área de drenagem do ponto com dados. a regionalização de vazões busca identificar relações entre os valores de vazões máximas. tipos de solos e geologia.

43 0.48 1.78 0.3) Qual é a vazão que escoa em regime permanente e uniforme por um canal de concreto liso com seção transversal trapezoidal com largura da base B = 2 m e largura no topo de 5 m.27 0.25 0.02 2. Estime o valor dos coeficientes a. usando sua calculadora ou o software Excel.(h-h0)b a estes dados para gerar uma curva-chave.5 m.30 0. b e h0.52 0. com altura total de 2 m e com profundidade y = 1. Deseja-se ajustar uma equação do tipo Q = a.86 1. considerando a declividade de 15 cm por km? 4) Qual é a vazão que faria transbordar o canal do exercício anterior? 5) A tabela abaixo apresenta dados de medição de vazão em uma seção transversal de um rio. Q 0.45 h (cm) 54 73 58 75 67 73 68 44 64 49 58 59 160 .15 1.37 2.