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ABANDONADOS PELO AMOR DE DEUS Isaías 59 Rev.

Alcenir Oliveira 27 de janeiro de 2012 ABANDONO DE DEUS O abandono e o desespero no sofrimento força o povo a expressar sua dor: Eis que a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. Isaías 59:1-4 O povo busca a Deus, ora, faz jejum mas não tem nenhum sinal, nem mesmo de que Deus está ouvindo sua inquietação. A reação do povo é de entender que Deus está indiferente à fatalidade deles; ou tornou-se um Deus impotente expresso nas palavras “mão encolhida, ouvido surdo”. Entrentanto, a pregação profética inverte a acusação. Em português coloquial brasileiro, “o tiro sai pela culatra”. Poderiamos criar um cenário para essa situação, sem nos importar com um estudo das implicações circunstanciais, temporais e pessoais dos escritos proféticos. O profeta andando pelas ruas, passando em frente alguma casa e ouvindo alguém reclamando que já não aguenta mais orar, jejuar, fazer sacrifícios, parecendo que Deus ficou surdo, mudo e aleijado, que suas mãos não os alcança mais. Mais adiante encontra um membro do conselho de anciãos cabisbaixo: “Shallom”, diz ele, mas a resposta não demonstra nenhuma paz no coração dele. Encontra então um grupo em alta discussão, quase brigando, com altos protestos – Parece que os sacerdotes não não sabem mais interceder orar pelo povo, os profetas só falam “blá-bláblá”. Então, o profeta pára e todos percebem que ele está cheio do Espírito e começa a falar “... Pois são os pecados de vocês que os separam do seu Deus, não as suas maldades que fazem com que ele se esconda de vocês e não atenda as suas orações. Vocês têm as mãos manchadas de sangue e os dedos sujos de crimes; vocês só sabem contar mentiras, e os seus lábios estão sempre dizendo coisas que não prestam. Não é para procurar a justiça que vão ao tribunal, e ninguém diz a verdade ao juiz. Todos confiam em mentiras e falsidades; inventam maldades e praticam crimes”.

E hoje. Será o povo de Deus hoje é diferente. O que passa pela cabeça e o coração da pessoa quando o fardo está pesado demais, quando o sofrimento toma conta, seja das dívidas que não se vê possibilidade de pagar, seja dos filhos que estão em conflito entre a igreja e os apelos pesados do mundo. A oração não está passando do telhado, como dizem. Deus já não está preocupado com gente insignificante. Às vezes, a pessoa ora, mas a fé está vacilando. Onde está Deus que não vem em nosso socorro ... Da mesma forma podemos perguntar se nos nossos tempos, na perspectiva do Evangelho de Cristo, Deus não se importa mais com o pecado, que o pecar não é “big deal”, pois depois de pecar faz-se uma oraçãozinha de confissão, pedindo de perdão e pronto, já está pronto para outra. Parece até que o diferença entre o crente e demais é que ele tem “licença para pecar”. O profeta fala de mãos contaminadas de sangue. Não creio que o crente chegaria a tal exagero, mas muitas vezes certas atitudes de repulsa e desprezo podem ter o mesmo significado de crime de morte. O DESASTROSO EFEITO DA FALSIDADE O profeta descreve a maneira como Deus nos vê quando a nossa humanidade corrupta e pecaminosa se manifesta de maneiro grosseira ... “Chocam ovos de áspide e tecem teias de aranha; o que comer os ovos dela morrerá; se um dos ovos é pisado, sai-lhe uma víbora. As suas teias não se prestam para vestes, os homens não poderão cobrir-se com o que eles fazem, as obras deles são obras de iniqüidade, obra de violência há nas suas mãos. Os seus pés correm para o mal, são velozes para derramar o sangue inocente; os seus pensamentos são pensamentos de iniqüidade; nos seus caminhos há desolação e abatimento. 8Desconhecem o caminho da paz, nem há justiça nos seus passos; fizeram para si veredas tortuosas; quem anda por elas não conhece a paz. Isaías 59:5-8 Ovos de serpente e teias de aranha – uma referência às intenções e projetos do ímpio. São igualmente danososo tanto para quem se alinha com eles quanto para os que se opõem. É como o ovo de serpente: quem come dele morre, quem nele pisa saí um filhote de cobra que vai lhe morder. As teias de aranha, produto da inteligência do ímpio, cujos pensamentos são dominados pela iniquidade, pelo mal, pelo pecado. Não tem valor, não serve para nada, não tem utilidade.

Qual tem sido o resultado de nosso trabalho no reino. Será que estamos criando cobras ou aranhas no reino. As nossas obras, nosso trabalho, nossas ações nesta vida estão tendo alguma utilidade. Será que o reino que representamos para as pessoas desperta nelas desejo de fazer parte dele ou provoca repulsa. Como está o nosso testemunho neste mundo iníquo e mal. O profeta diz que fizeram para si caminhos, veredas tortuosas e quem anda por elas não tem paz – em outras palavras os pensamentos pecaminosos são gerados na mente, logo depois são colocados a caminho para serem executados. Veja o que diz Miquéias 2:1 “Ai daqueles que, à noite nas suas camas, intentam a iniqüidade e maquinam o mal”; pela manhã descobrem que “o poder de praticá-lo está em suas mãos!”, O PECADO INDIVIDUAL FAZ SOFRER A COMUNIDADE Por isso, está longe de nós o juízo, e a justiça não nos alcança; esperamos pela luz, e eis que há só trevas; pelo resplendor, mas andamos na escuridão. Apalpamos as paredes como cegos, sim, como os que não têm olhos, andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como nas trevas e entre os robustos somos como mortos. Todos nós bramamos como ursos e gememos como pombas; esperamos o juízo, e não o há; a salvação, e ela está longe de nós”. Isaías 59:9-13 O pecado é individual, mas as conseqüências podem ser comunitárias. Veja que o profeta passa a falar das conseqüecias do pecado incluindo-se na comunidade “está longe de nós”. Quando os membros da comunidade dos santos pecam, os que não pecaram sofrem também as conseqüências. Lembro de um caso em que o pastor de uma igreja no Brasil foi acusado de assédio a um grupo de mulheres. Havia a versão dos acusadores e a versão dos defensores. A igreja se dividiu em dois grupos. No final ninguém conseguiu provar nada. Entretanto, a igreja se dividiu e sofreu grandes conseqüências. Pecado houve, seja qual tenha sido, se assédio ou rebeldia por motivos políticos contra o pastor. O sofrimento chegou ao limite. Nesta fase do exílio, o povo estava confuso, inseguro, sentindo-se enfraquecido, desnorteado (tropeçamos ao meio-dia). Alguns estudiosos acreditam que o povo ainda estava no exílio, nesse momento das profecias de Isaías, outros que já tinham voltado. Mas o importante é notar o quebrantamento, a auto-estima, o

desânimo, a resignação diante de sua imagem desenhada pelo profeta e a convicção de estarem sofrendo as conseqüências de seus atos pecaminosos. Resignados pelo afastamento do Senhor, eles lamentam sua condição miserável, eles lamentam o seu próprio pecado. Há um cântico que diz o seguinte a respeito do crente: “Quem tem Jesus gosta de cantar, está sempre cantando mesmo quando não dá.Tropeça aqui, Oi, cai acolá; mas depressa levanta e começa a cantar”. Às vezes é tão difícil nossa caminhada que não dá prá cantar ... Às vezes sentimos o peso e as trapalhadas que cometemos que sentimos como que tendo os ossos quebrados como disse Davi no Salmo 32:3-5 “Enquanto calei os meus pecados, envelheceram os meus ossos pelos meus constantes gemidos todo o dia. Porque a tua mão pesava dia e noite sobre mim, e o meu vigor se tornou em sequidão de estio. Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado”. Essa era a situação do povo de Judá naquele momento. O Livro “The Interpreter’s Bible” diz o seguinte: “O andar tropeçando quando deveriamos andar confiante e de cabeça erguida é uma experiência comum para indivíduos, igrejas e nações. As trevas estão em parte em nós, em parte nos outros com quem interagimos na sociedade, e em parte nas circunstâncias às vezes selvagens de um mundo em mudança, em transição”. O quebrantamento é o princípio da salvação, do resgate, da redenção. É quando o pecador reconhece quão miserável, perdido, culpado, que não merece nada além do abandono, além de ser descartado da vida. O princípio da salvação em Cristo SE compõe de quatro passos: Em primeiro lugar, o pecador precisa reconhecer-se pecador, reconhecer-se culpado. Como uma pessoa pode ser redimida, ser retirado do lamaçal do pecado e se ela não se vê assim. Como pode pedir e receber perdão se ela não se sente culpada. É necessário reconhecer a culpa. Muitas pessoas se sentem santas, não acham que precisam pedir perdão pelos pecados. O próprio Apóstolo Paulo diz que é “o pior de todos”, veja 1 Timóteo 1:15 “O ensinamento verdadeiro e que deve ser crido e aceito de todo o coração é este: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o pior”. Também 1 João 1:8 e 10 diz que “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a

verdade não está em nós ... e ... Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. Em segundo lugar, o pecador precisa reconhecer que o único caminho é o perdão, do contrário está aniquilado. Na comunidade de Israel Deus exigia sacrifícios pelos pecados. Nós notamos no texto que o pecado do povo é tanto que só a graça e a misericórdia de Deus pode dar um jeito. Da mesma forma hoje, sob a nova aliança em Cristo, os nossos pecados são perdoados pela sua graça e misericórdia, não há penitências, despachos, peregrinação ou sacrifício de um elefante ou de uma baleia. Só no sangue do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo podemos ser lavados de toda culpa. Em terceiro lugar, o pecador precisa confessar sua culpa, e em seguida. E finalmente o pecador pedir o perdão simplesmente, porque não há nada que possa usar para pagar, porque o salário, ou o pagamento pelo pecado é a morte. Isso me lembra muito a pena de morte nos EUA. Nos últimos momentos antes da execução, há uma apelação ao governo do Estado por clemência, ou perdão. Se não for por misericórdia e graça, não há outro meio. A CONFISSÃO DE QUEM ESTÁ NO FUNDO DO POÇO Quando os ossos começam a secar pelo pecado, e a distância de Deus se torna perturbadora, não o que fazer senão confessar. Isaías relata que o povo começou a dizer “... as nossas transgressões se multiplicam perante ti, e os nossos pecados testificam contra nós; porque as nossas transgressões estão conosco, e conhecemos as nossas iniqüidades, como o prevaricar, o mentir contra o Senhor, o retirarmo-nos do nosso Deus, o pregar opressão e rebeldia, o conceber e proferir do coração palavras de falsidade. Pelo que o direito se retirou, e a justiça se pôs de longe; porque a verdade anda tropeçando pelas praças, e a retidão não pode entrar. Sim, a verdade sumiu, e quem se desvia do mal é tratado como presa”. Isaías 59: 13-15b A salvação começa a acontecer no momento em que reconhecemos a condição de pecador e ela nos incomoda, nos deixa inconformados com a condição. Aí então sentimos que a única saída é confessar, pagar pelas nossas culpas e sermos redimidos.

Há algo maravilhoso demais no perdão oferecido por Cristo, pois pecado não tem preço de pagamento, só condenação e a devida punição. O único meio de perdão, purificação, de justificação é a graça concedida no sangue de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo derramando na cruz do calvário. Nós confessamos os nossos pecados, e Jesus Cristo extende a nós a fiança, a moeda mais cara no mercado, o sangue do Cordeio de Deus que tira o pecado do mundo. Lembro de ver o testemunho de um criminoso logo depois do crime nos EUA: Você não se arrepende do que fez. Respondeu: não! Eu faria tudo de novo. A ira e a revolta contra a pessoa assassinada era tal que mesmo cumprindo a pena, que poderia ser de morte, ainda não justificaria arrependimento. A graça abundante, o perdão disponível, não barateia o pecado. Diante de Deus, seja nos tempos do povo de Judá, seja hoje sob a graça de Cristo, pecado tem o mesmo valor aos olhos de Deus. O salário, o preço do pecado é a morte! Quem pensa que nos tempos da graça há licença para pecar, não pertence ao Reino de Cristo! Há três tipos do pecado na confissão do povo de Judá: Pecado de apostasia pelo transgredir, negar e virar as costas à vontade DeusDeslealdade ou o afastamento de Deus, mesmo crendo nele, é a conduta que leva indivíduo, família, comunidade e nação ao caos. A fonte da vida está sempre jorrando de Deus. Deixando de prestar culto a Ele é interromper nosso relacionamento com Deus e estar sujeito a ter esse fluxo de vida sobre nós bloqueado. O pecado individual que é o pecado relacionado com os reclames do corpo, os desejos da carne, o pecado íntimo que despreza o que é agradável a Deus e faz o que não é. O indivíduo segue o direcionamento e o entendimento humano. O pecado social que é a indiferença com a justiça social. A vida em comunidade sempre teve a atenção maior de Deus, pois a humanidade tem por natureza a necessidade de que as pessoas em harmonia, em paz e se ajudando mutuamente. Jesus Cristo interpreta isso da forma mais completa: Amem até os vossos inimigos. Isto quer dizer que o amor ao próximo não tem limites. Esta foi a resposta sobre o perdão – até 70 vezes 7. As virtudes sociais compreendem justiça, retidão, compromisso com a verdade, integridade, honestidade. Em resumo - Amar ao próximo é parte do amar a Deus. O amor a Deus se anula, se não amarmos ao próximo

DEUS ESTENDE A MÃO A QUEM CONFESSA O profeta mostra que Deus se compadece daqueles que reconhecem que suas vidas não têm sido o que Ele espera que seja. Pronto para socorrer, para salvar, o “... Senhor viu isso e desaprovou o não haver justiça. Viu que não havia ajudador algum e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor; pelo que o seu próprio braço lhe trouxe a salvação, e a sua própria justiça o susteve. Vestiu-se de justiça, como de uma couraça, e pôs o capacete da salvação na cabeça; pôs sobre si a vestidura da vingança e se cobriu de zelo, como de um manto”, diz o profeta. Isaías 59:15c-17 O profeta não está falando do libertador humano que foi necessário para intervir e por termo ao exílio. É importante notar que a fatalidade do exílio está relacionada com o pecado, que os levou para a escravidão política, econômica, de nação contra nação. Aqui temos a escravidão do pecado; não é caso para intervenção humana, é para a intervenção de Deus. Felizes somos por não haver intervenção humana contra o pecado, pois na humanidade jamais encontraremos misericórdia como a misericórdia de Deus. Onde o pecado escravisa, não há lugar para ajuda humana, seja com relação ao indivíduo ou no âmbito social. Se Deus não intervier, não não haverá solução, não haverá salvação. Moisés, liderando um povo rude, entendia que com o pecador não dá para lidar sem a ajuda de Deus, por isso ele disse: “Se a tua presença não vai comigo, não nos faças subir deste lugar” Ex 33:15. QUANDO ABRIMOS A PORTA DE NOSSA VIDA PARA DEUS Quando o povo abre as portas de suas vidas para Deus, e se derramam em lágrimas de arrependimento, ele virá e fará morada no meio deles, como diz o profeta “Virá o Redentor a Sião e aos de Jacó que se converterem, diz o Senhor”. Isaías 59:20 O reconhecimento do pecado, o quebrantamento diante da vida de transgressão à vontade do Senhor, levando o povo a abrir a alma diante do Senhor e exclamar como Davi no Salmo 139 “Sonda-me ó Deus e conhece o meu coração” e ao mesmo tempo pedir o socorro espiritual de Deus; da mesma forma clamando como Davi no Salmo 51:9-12 “Esconde o rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniqüidades. Cria em mim, ó Deus, um

coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito voluntário”. Isso move o coração de Deus. E o Senhor virá como torrente impetuosa, impelida pelo Espírito do Senhor. O Senhor virá ao mesmo tempo como Juiz e Redentor. E então a salvação chega e entra porta adentro na nossa vida, transforma a nossa vontade, alinha nossa vontade com a vontade dele. Ele entra na nossa vida e mexe com nossa estrutura interior, com nossa alma, ele muda no nosso coração como clama Davi, transforma os nossos sentimentos, transforma nossos valores, transforma o nosso humor, transforma a nossa maneira de ver e de viver a vida. Ele entra na nossa vida e mexe com nossa estrutura exterior, com a nossa imagem, ele estampa em nós a sua imagem que ficou outrora manchada pelo pecado. Ele entra na nossa vida e mexe com nossa visão de mundo, agora nós passamos a ver como seres humanos sujeitos às mesmas adversidades da vida todos aqueles com quem nós vivemos. Ele entra em nossa vida e planta em nós não apenas o amor renovado por ele, mas também o amor ao próximo que vai se aperfeiçoar na medida do amor de Cristo. O Senhor então nos promete uma comunidade Espiritual dizendo: “ Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o Senhor: o meu Espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se apartarão dela, nem da de teus filhos, nem da dos filhos de teus filhos, não se apartarão desde agora e para todo o sempre, diz o Senhor”. Essa grande promessa é concretizada com a chegada do Reino de Deus em Cristo Jesus, e nele somos mais que vencedores.