Metodologia participativa como ferramenta e estratégia utilizada pela INCUBACOOP para a inclusão social de grupos populares em Recife - Pernambuco

Autoria: Horasa Maria Lima da Silva Andrade - horasa@uol.com.br Robson Campelo de Souza - robsonpesca@ig.com.br Elisangela de Moura Ramos - elysmramos@ig.com.br Instituição: Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, Brasil.

Resumo
As formas de conceber e se relacionar com o mundo pode remeter os empreendimentos e as pessoas a duas realidades, de um lado uma visão capitalista e de outro uma socialista. Tais concepções têm influência direta nas relações socioeconômicas, educativas, de trabalho, pessoais e ambientais. A lógica vigente num contexto global e local incentiva as práticas individualistas, e as políticas estabelecidas não atingem a todos, reforçando um contexto de exclusão que nega as formas de mercantilização da economia em contextos populares, liderada por aqueles que não estão inseridos num campo formal de trabalho. É neste cenário que o trabalho das incubadoras de cooperativas se insere como estratégia de viabilização do fortalecimento e da organização do trabalho coletivo. A incubadora de cooperativas populares da UFRPE, a Incubacoop, vem desenvolvendo desde 1999 um trabalho de apoio a grupos associativos, priorizando atualmente a atuação nas áreas de resíduos sólidos e de agricultura familiar, desenvolvendo uma metodologia participativa com enfoque na pesquisa-ação e na abordagem qualitativa. O processo metodológico contempla as fases de pré-incubação, planejamento e incubação. Dentre os resultados observados constatou-se um avanço ao optar por um processo seletivo que se estendia até o fechamento de um diagnóstico participativo, ocorrendo intervenções a partir do levantamento feito, sendo primordial a participação dos diferentes atores sociais, visualizando e compreendendo o contexto ao qual estão inseridos, para promoção de um planejamento para um desenvolvimento local e humano. O presente trabalho pretende contribuir na discussão do uso de metodologias participativas como ferramenta de inclusão social na atualidade.

Introdução Repensar a concepção de mundo, de sociedade e de formação de seres históricosociais vem se tornando cada vez mais uma necessidade da atualidade. Analisar a questão da globalização econômica, considerando os reflexos e impactos que a lógica capitalista tem gerado, vem despertando estudos que evidenciam aspectos micro-regionais e apontam para uma outra construção de uma lógica que vem de encontro a uma hegemonia capitalista de mercado. Vale ressaltar que os processos econômicos pautados em uma economia de mercado globalizada e capitalista não abrangem todos os processos, principalmente aqueles representados pela microeconomia, sendo fato também que nem todos os territórios são contemplados, tampouco é possível incluir as diversas atividades desenvolvidas pelas pessoas. Desta forma a economia globalizada além de afetar diretamente a vida das pessoas, requer uma mudança nos processos produtivos, pois vem gerando desigualdades e exclusão social, principalmente se for considerado o emprego formal.

3199

ações de continuidade e de maior comprometimento com a qualidade de vida. com a família. Como estratégia de desenvolvimento local surgiu no Brasil a Rede de Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares . relacionados à concepção de mundo e ao sentido da vida. de maneira informal ou formal. minimizando ou excluindo os problemas causados pela pobreza. Se por um lado há uma visão mais hierarquizada. Concomitantemente. na UFRPE. O surgimento de uma experiência inovadora e plural como o projeto da Incubacoop. a manifestação desses trabalhadores por melhores condições humanas. vem construindo seus espaços de mercantilização dos produtos ali beneficiados. resistências. se deu num momento crítico do cenário pernambucano. A Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares é um projeto incorporado ao Programa de Associativismo para a Pesquisa. em espaços cedidos ou alugados. considerando toda uma visão sistêmica e a sua complexidade (DUVOISIN. atrelado à ausência de uma política pública local que beneficiasse uma classe trabalhadora excluída social e economicamente. com o ambiente natural e social. Ensino e Extensão sediado no Departamento de Educação da Universidade Federal Rural de Pernambuco. De forma mais abrangente. sentidos e significados atribuídos pelos atores sociais.UFRPE. nos quintais das residências. qualidade de vida. a discussão sobre organização econômica e social dos grupos populares e seus reflexos no desenvolvimento local. trabalho e cidadania através da tentativa de organização para o trabalho coletivo. dos planos e projetos de intervenção. tendo em 1999 uma experiência referencial através do projeto de incubação. por outro se estabelece uma visão na qual predomina a cooperação como eixo principal. se dera também emergente no cenário popular como resposta à crise instalada do capital. vem demonstrando que há outra racionalidade inspirada nas expectativas.ITCP’s. como uma iniciativa para o desenvolvimento de alternativas de emprego e geração de renda para as camadas populares excluídas do mercado de trabalho formal. com perspectivas de apoiar e dinamizar as manifestações coletivas econômicas produtivas. 2002). representado pela Incubadora de CooperativasIncubacoop. que tem nas formas associativas de organização social a criação de estratégias visando o desenvolvimento humano e a melhoria de qualidade de vida das comunidades. 3200 . marcado pelo desemprego e exclusão social. oposta à lógica capitalista e excludente. Em sua maioria as práticas humanas remetem para uma forma de perceber e agir fragmentada e assistemática nas quais predominam a lógica individual e pouco comprometida com o desenvolvimento humano e o desenvolvimento local. A incubadora se inseriu nesse contexto como perspectiva e estratégia de avanço para as mudanças desses modelos. que há anos em Pernambuco nas regiões. Ao se analisar o trabalho ao longo da história. sendo condição indispensável à participação dos diferentes atores e o envolvimento dos beneficiários dos projetos. com os outros. pois dentre as atividades que são desenvolvidas percebe-se que muitas delas vêm causando impactos socioambientais. o que tem exigido. tendo muitas vezes como princípio norteador o direito à vida e à cidadania. de certa forma. interesses. Tal pensamento reflexivo vem causando uma retomada à forma holística e complexa de se relacionar e referendar as práticas e processos de desenvolvimento. com a comunidade. Paralela a esta questão constata-se que é preciso fortalecer as formas de gestão e refletir sobre os modos de produção adotados pelos empreendimentos e pelas pessoas. na Universidade Federal Rural de Pernambuco. percebe-se que as relações que se estabelecem remetem a duas correntes. incluindo o desenvolvimento humano tem sido objeto de investigação e de atuação de diferentes segmentos e atores sociais interessados na promoção da inclusão social com possibilidade de geração de emprego e renda. urbano e rural. representadas em contextos populares.Esta nova lógica que vem se estabelecendo. pensar a questão socioambiental requer (re)pensar a lógica das relações estabelecidas consigo mesmo. do ponto de vista do trabalho. É contrapondo a este contexto que a sociedade atual começa a questionar a lógica cartesiana e linear que permeia o processo educativo e encontra-se presente nas práticas cotidianas. No Brasil.

atuando como protagonistas em um propósito de (re)construção social e replicando uma nova concepção de mundo. a inclusão social de beneficiários de projetos deve perpassar também por uma nova ordem. com ênfase em um diagnóstico participativo e outra fase denominada de incubação onde acontece o projeto de intervenção específico para cada grupo. reforça a credibilidade em uma transformação a partir das expectativas. desejos e necessidades das camadas populares. na perspectiva de conhecer o contexto no qual encontram-se inseridos. O trabalho realizado pela Incubacoop além de promover a inclusão social e o fortalecimento da gestão do empreendimento coletivo procura conhecer e intervir no indivíduo. porém de forma conjunta entre proponente e beneficiário das propostas 3201 . área esta que remete a dois cenários: um relacionado ao meio ambiente e outro relacionado à inclusão social do trabalho.Compreender os processos de mudança que ocorrem no local e no global. de relações de trabalho e de lógica de mercado. Metodologia Transformação social implica em co-participação de diferentes atores sociais envolvidos no processo. No caso desse trabalho pretende-se discutir a importância da metodologia participativa. possibilitando a cidadania a estes grupos. portanto de um processo de reflexão-ação. Seguindo uma abordagem democrática e participativa. na família e na comunidade. característico dos processos de comunicação marcados pela participação ativa dos sujeitos envolvidos e pela valorização do saber local que se inter-relaciona ao saber científico. Nesta perspectiva é preciso sensibilizar as pessoas para a compreensão de que há uma lógica possível dentro de uma economia excludente: a economia global solidária que. Desta forma. comunica e vem tornando cada vez mais visível que é preciso empoderar uma parcela representativa de pequenos empreendimentos e de pessoas. sejam formais ou informais. especificamente sob a reflexão das vivências e atividades desenvolvidas nos grupos que atuam na área de resíduos sólidos. as situações que precisam de intervenção e as alternativas para superação. principalmente nos contextos populares. Foi a partir desta necessidade de compreensão dos processos transformadores que em uma nova fase da Incubacoop. na perspectiva de que as relações que se estabelecem possam atingir um grau de sustentabilidade que promova um equilíbrio sócioeconômico-ambiental. a metodologia participativa apresenta sua relevância no levantamento das necessidades locais e a mobilização dos atores sociais para o equacionamento das questões ambientais e sociais das comunidades. a participação deve ser concebida como um ato interativo entre os diversos atores sociais. utilizando em suas atividades as estratégias e metodologias participativas. a fim de tornar viáveis as atividades que desenvolvem. Trata-se. referenciada pela participação dos diferentes atores sociais. utilizando para esta finalidade a mediação e o ato comunicativo no processo de acompanhamento dos grupos. representada agora pela mudança no foco de atuação metodológica nos processos de pré-incubação e de incubação. Vista desta forma. no acompanhamento dos grupos populares. Metodologias participativas vêm dando suporte à concepção apresentada. No trabalho de acompanhamento dos grupos das duas áreas temáticas há um processo de pré-incubação. referenciadas no embasamento teórico da pesquisa-ação que procura conhecer e intervir em uma realidade. As discussões apresentadas pretendem contribuir para que se possa ampliar a discussão sobre o uso de metodologias participativas como ferramenta de trabalho que possibilita a inclusão social de grupos associativos em contextos populares. referendando desta forma um processo de desenvolvimento local. mais uma vez vem se estabelecendo uma proposta inovadora. a experiência da Incubacoop neste ano de 2005 vem sendo representada em duas áreas temáticas. uma relacionada às práticas da agricultura familiar e outra destinada ao acompanhamento de grupos na área de resíduos sólidos. atendendo à necessidade de compreensão dos processos de transformação a partir da ótica das camadas populares. respaldada nos princípios e ideários socialistas. No trabalho desenvolvido pela Incubacoop. gerando postos de trabalho e renda.

consistindo em um período de decisão para continuidade ou não do acompanhamento dos grupos. políticas e socioculturais do conhecimento. além de capacitações e oficinas para a vivência e fortalecimento de trabalhos coletivos. • O desenvolvimento de atividades complementares e oficinas lúdico-educativas para o público direta e indiretamente atendido. Vasconcellos. Corresponde também em um suporte à gestão. E a fase de incubação. tendo as práticas associativas /cooperativas com eixo norteador de todas as propostas desenvolvidas. assessorando. • O estabelecimento de vínculos e definição de medidas de impactos que representassem concretamente sinais de superação dos problemas e/ou necessidades detectadas ou desejadas. fazendo constar de um plano participativo com foco no desenvolvimento estratégico de estabelecimento de ações.(Thiollent. de acompanhamento das atividades. de observação participante. a família e a comunidade.nesta fase se vivenciou a construção e a implementação do planejamento proposto com vistas à superação de obstáculos para o pleno desenvolvimento da atividade. 1998). respaldados nas recomendações e pareceres técnicos. o empreendimento. 1988. o coletivo. na comunidade e no empreendimento. o diagnóstico participativo utilizado pela Incubacoop e a construção do planejamento participativo. eleição de metas prioritárias. Assim. e foca sua atuação sob três grandes eixos: A pré-incubação. Nesta fase ocorre também a construção de indicadores de avaliação e de monitoramento que subsidiam a análise dos grupos acompanhados. possibilitando a participação numa visão emancipatória. construção e validação participativa de um projeto de intervenção que tem o plano de ação referendado a partir do diagnóstico realizado na fase de pré incubação. trabalhando na superação dos pontos frágeis observados e temáticas que possam vir a fortalecer as relações coletivas no grupo e as relações sociais de trabalho estabelecidas no empreendimento. processos de capacitação e assessoramento às necessidades observadas e às demandas e expectativas dos grupos. Para viabilização das ações previstas foram utilizadas como principais ferramentas de trabalho. É nesta perspectiva que a equipe que irá desenvolver o projeto na fase de incubação deverá continuar conduzindo todo o trabalho: diagnosticando. apresentando como principais estratégias: • A construção de um diagnóstico participativo e o estabelecimento de ações e metas prioritárias. oficinas educativas e temáticas. e legitimados no ato comunicativo de acompanhamento dos grupos. A Incubacoop vem utilizando metodologias participativas no desenvolvimento de suas atividades como estratégia de fortalecimento dos grupos. político-ideológico. O processo de planejamento. e considerando as dimensões históricas. Toda a proposta de atividade tem como referenciais as dimensões: tecnológica. econômica. éticas. contemplando em sua práxis o indivíduo.consistindo na devolução e análise do diagnóstico. técnicas de feedback. garantindo o desenvolvimento humano e local e legitimando a economia solidária. A Incubacoop desenvolveu uma programação de atividades com as pessoas e grupos assistidos. 3202 . do grupo e da gestão do empreendimento. organizacional. metas e resultados propostos. consubstanciando a autogestão dos empreendimentos e despertando o potencial de participação e de emancipação dos indivíduos. Dentre as técnicas e instrumentos utilizados encontram-se o diagnóstico participativo. no/do grupo.compreendendo uma fase introdutória ao processo que implica no estabelecimento de um diagnóstico pautado nas atividade desenvolvidas e os reflexos no e do indivíduo. • O processo de acompanhamento e de capacitação com perspectivas ao fortalecimento dos indivíduos. durante o processo: o mapeamento geográfico para a sistematização do ambiente de coleta. fortalecendo a gestão associativa dos empreendimentos. a metodologia que vem sendo utilizada pela incubadora pode ser replicada.

Percebeu-se que o nível de participação vem aumentando a partir de uma convivência mais intensa entre os cooperados e os técnicos e estagiários que acompanham o desenvolvimento das práticas. Este novo olhar reforça a necessidade de que é preciso compreender as relações existentes para além do empreendimento e considerar aspectos da subjetividade e de anos de um processo de exclusão social que reforça a cultura da pobreza. desenvolvendo competências e habilidades no indivíduo que o instrumentalize para utilizar os conhecimentos e habilidades necessárias para responder as necessidades da sociedade e às exigências de um mundo globalizado. dentre outros aspectos. o empreendimento mas também o indivíduo seja contemplado e emancipado. que priorizavam a interação. não gostando de ter a sua imagem associada 3203 . sendo desafios comuns aos grupos acompanhados o pouco conhecimento sobre a cadeia de resíduos sólidos. mobilizando capacidades e energias endógenas” (SANTOS. Nas atividades e oficinas que aconteceram envolvendo estas temáticas. respondendo inclusive aos padrões impostos pela globalização do mercado.Resultados e discussões A metodologia que vem sendo utilizada pela incubadora. a participação se dá nas três fases do processo metodológico. 1995). com foco nos princípios da pesquisa-ação e da abordagem qualitativa vem permitindo maior apropriação por parte dos grupos do contexto ao qual encontram-se inseridos. conforme cita Andrade (2004). como história do grupo. as formas de interação. um projeto de intervenção realizado por Santos. de acordo com Demo (2000). à luz de um marco referencial. gestão e cultura organizacional. é preciso que esta participação possibilite a emancipação. não podem deixar de considerar as formas de pensar e o cotidiano das pessoas para tomada de decisões e elaboração de programas e de planejamento que priorizem os atributos apresentados. as iniciativas para a autogestão do empreendimento apresentam-se ainda de maneira tímida. ambiente de coleta. a inexistência do acompanhamento e registro contábil do empreendimento. Nessa perspectiva. Sendo ainda observado que as relações interpessoais muitas vezes são comprometidas pela falta de credibilidade no trabalho coletivo e na falta de organização da gestão associativa do empreendimento. comercialização. respaldada em princípios e valores. dimensão político/ ideológica. para uma demonstração de que os processos educativos devem trabalhar as contradições do mundo contemporâneo. o que demonstra estar em consonância com uma visão humanista e transformadora. em Camaragibe. e sociedade. pôde-se constatar que. Nesse sentido a experiência da incubadora vem a ampliar esta concepção de participação emancipatória para que ocorra numa territorialidade onde a comunidade. O desenvolvimento local sustentável inclui a participação. além de contribuir para uma formação política numa perspectiva freiriana. RecifePernambuco corrobora com um aspecto comum no trabalho desenvolvido pela Incubacoop que considera que não é apenas garantir um espaço democrático de participação dos atores sociais. e deve ser entendido como “o processo de construção de oportunidades e de melhores condições de vida para populações locais. os gestores. sendo constatado que em sua maioria os membros dos grupos de resíduos sólidos desenvolvem a atividade por falta de oportunidades de atuarem em uma outra área. a necessidade de organização de um sistema de coleta dos resíduos sólidos. na atualidade. como comenta Gandin (1994) em seu livro sobre planejamento participativo ao citar que é preciso fazer um diagnóstico e. Vale destacar que na experiência que vem se desenvolvendo. histórias individuais. a busca e a apropriação do conhecimento. orientar um projeto de intervenção sistemático. representada principalmente pela comercialização. Este aumento da participação ocorreu principalmente por uma intencionalidade no ato comunicativo e na metodologia aplicada nas oficinas desenvolvidas. CALLOU. A opção metodológica aponta. à medida em que se contempla uma concepção de homem/mulher. Na fase de pré-incubação ficou evidenciado o quanto é relevante se fazer um diagnóstico que permita intervenções e acentue a percepção dos atores envolvidos no processo a respeito de temas considerados importantes nesta etapa. Nos grupos populares acompanhados. divisão de tarefas. especialmente das camadas mais populares.

a estratégia metodológica de se fazer um diagnóstico participativo com intervenções de curto prazo permitiu um fortalecimento dos grupos e como citado por uma componente de um grupo desincubado: A gente aprendeu muito com o trabalho da incubadora e toda vez que vocês vinham a gente se animava mais. a aquisição de conhecimentos numa visão complexa e sistêmica da realidade. mas não fomos em frente porque muitas coisas que vocês orientaram a gente não fez. fazendo-se necessário o planejamento das práticas e ações cotidianas. Conclusões • • • O processo metodológico que vem sendo consolidado pela Incubacoop contribui para o desenvolvimento do trabalho coletivo e o desenvolvimento de novas práticas que fortalecem a economia solidária. O uso de metodologia participativa possibilita o ato comunicativo. uma que despertou um forte impacto nos grupos foi a que denominamos de “encontrão”. fato inclusive que afeta a auto-estima e provoca uma rotatividade intensa nos grupos. A estratégia metodológica adotada permite a visualização dos pontos fortes e situações de desafio gerando intervenções de curto prazo. pôde-se dizer que houve um melhor conhecimento e acompanhamento dos grupos na fase de pré-incubação. sendo elementos norteadores para a elaboração de projetos e processos de intervenção com perspectiva de desenvolvimento local. já vamos fazer um trabalho com a Pitu e com a Reciclart. além da necessidade atual da inclusão digital.ou restringida a “catadores de lixo”. que um havia ligado para o outro indicando uma articulação ou uma possível participação em eventos. permitindo inclusive intervenções de curto prazo.. sendo a visualização dos pontos fortes e situações de desafio apresentadas pelos grupos como o principal ponto facilitador para a elaboração de projetos e processos de intervenção para as fases subseqüentes de planejamento e de incubação. É relevante ainda destacar que a opção predeterminada de não fazer os “pacotes prontos de capacitação”. além de toda a riqueza de socialização das experiências. Dentre as oficinas realizadas. Em encontros posteriores era comum um grupo citar que havia visitado outro. favorecendo a • • 3204 . Um fator que deve ser considerado como significativo nos processos de incubação de grupos populares é que mesmo para os grupos que não passaram para a fase de planejamento e de incubação. que garantam direitos humanos básicos como à saúde e educação. A experiência desenvolvida referenda o papel da universidade como promotora do desenvolvimento local e de processo de extensão universitária. a família e a comunidade. Analisando a mudança na estratégia metodológica. Esta necessidade de planejar refletiu inclusive no próprio trabalho da incubadora que passou a assumir uma postura ainda mais reflexiva em sua prática. mas crescemos muito. percebe-se que é preciso incorporar nas práticas cotidianas dimensões sociais. A mudança metodológica representa avanços para o trabalho desenvolvido pela Incubacoop e para a rede de ITCP’s. Outro grande avanço foi contemplar nos projetos não apenas o empreendimento. Embora quando se trabalhe com empreendimentos possa se ter uma falsa concepção de que o desenvolvimento ocorre principalmente pelas vias econômicas. Estas necessidades junto com o fortalecimento do empreendimento é que podem dar mais visibilidade e sustentabilidade à economia solidária. generalizando os grupos e talvez os temas considerados comuns e necessários. na qual os membros dos grupos repassavam um dos seus pontos fortes para os outros grupos no processo de pré-incubação.. numa visão ampliada. poderá garantir a autogestão e desenvolver a autonomia tão necessária para a continuidade das ações. mas também o indivíduo. Estas oficinas tornaram-se fortes referências para despertar o inicio de um processo de protagonismo e de fortalecimento do trabalho em rede.

1988. RJ: Vozes. Educação ambiental: reflexões e práticas contemporâneas. R. Referências ANDRADE. social. A. 1998. p.autogestão e uma melhor visualização para os atores sociais envolvidos no processo dos pontos necessários a uma atuação planejada. D. P. religioso e governamental. M. 4. FREIRE. Petrópolis: Vozes. H. H. (Org). São Paulo: Cortez. 2000. p. 2004. 1994. THIOLLENT. 2002. M. 3205 . (Coleção Temas básicos). Petrópolis. A prática do planejamento participativo: na educação e em outras instituições. J. GANDIN. DEMO. A necessidade de uma visão sistêmica para a educação ambiental: conflitos entre o velho e o novo paradigmas.G. T. insuficiente e controversa. R. de. Pernambuco) por diferentes atores sociais: uma abordagem voltada para o planejamento e a educação ambiental. grupos e movimentos dos campos cultural. 123 p. M. L. M. A. Petrópolis. VASCONCELLOS. Recife: Bagaço. A pesquisa-ação em projetos de educação ambiental. 1996. 66f. Porto Alegre: Artmed. In: RUSCHEINSKY. P. I. Educação e Conhecimento: relação necessária. Extensão rural e desenvolvimento sustentável. 108 p. S. J. Estudo da percepção da paisagem do Parque da Jaqueira (Recife.(Org). Metodologia da pesquisa-ação. político. DUVOISIN. São Paulo: Paz e Terra. RJ: vozes. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. Estratégias de comunicação para o desenvolvimento local e os desafios da sustentabilidade.) Educação ambiental: abordagens múltiplas. A. SANTOS. 99-103. In: PEDRINI. 9-23. (Org. 148 p. T. ed. [Mestrado] Universidade Federal Rural de Pernambuco. S. 2003. In: LIMA. S.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful