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Universidade Estadual Paulista

Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira
Departamento de Matem´atica
Campus de Ilha Solteira
Notas de Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
Jaime Edmundo Apaza Rodriguez
Edson Donizete de Carvalho
Ilha Solteira - SP, setembro de 2010
Sum´ario
2
Sum´ario
1 Introdu¸c˜ao 11
1.1 Introdu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
1.1.1 Um modelo matem´atico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.1.2 A constru¸c˜ao de modelos matem´aticos . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.2 Defini¸c˜oes B´asicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
1.3.1 Solu¸c˜oes Expl´ıcitas e Impl´ıcitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
1.4 Alguns Coment´arios
Adicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2 Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 37
2.1 Introdu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
2.4 Equa¸c˜oes Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
2.4.1 Fatores Integrantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
3
SUM
´
ARIO SUM
´
ARIO
2.5.1 Existˆencia e unicidade de solu¸c˜oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
2.5.2 Intervalo de defini¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
2.5.3 Solu¸c˜ao geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
2.5.4 Solu¸c˜oes impl´ıcitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
2.6 Aplica¸c˜oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
2.6.1 Aplica¸c˜oes na Mecˆanica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
2.6.2 Aplica¸c˜oes em Circuitos El´etricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 79
2.6.3 Aplica¸c˜oes na Geometria . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 84
2.6.4 Aplica¸c˜oes na Qu´ımica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86
2.6.5 Aplica¸c˜oes `a temperatura e desintegra¸c˜ao radiativa . . . . . . . . . 89
3 Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 95
3.1 Introdu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 96
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 102
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123
3.6 Redu¸c˜ao de Ordem . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 132
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 135
3.7.1 M´etodo dos Coeficientes Indeterminados . . . . . . . . . . . . . . . 135
3.7.2 M´etodo de Varia¸c˜ao dos Parˆametros . . . . . . . . . . . . . . . . . 144
3.8 Aplica¸c˜oes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
3.8.1 Vibra¸c˜oes Mecˆanicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
3.8.2 Circuitos El´etricos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163
3.8.3 Problemas Diversos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166
4
SUM
´
ARIO SUM
´
ARIO
4 Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem Superior 171
4.1 Introdu¸c˜ao . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 171
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 172
5
SUM
´
ARIO SUM
´
ARIO
6
Lista de Figuras
1.1 corpo em queda livre . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2 Pˆendulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
3.1 Joseph Louis Lagrange (1736-1813) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 145
3.2 Robert Hooke(1635-1703) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 154
7
LISTA DE FIGURAS LISTA DE FIGURAS
8
Lista de Tabelas
9
LISTA DE TABELAS LISTA DE TABELAS
10
Cap´ıtulo 1
Introdu¸c˜ao
1.1 Introdu¸c˜ao
Uma equa¸c˜ao da forma F(x, y, y

, · · · , y
(n)
) = 0, onde x ´e a (´ unica) vari´avel indepen-
dente e y = y(x) a vari´avel dependente, chama-se equa¸c˜ao diferencial ordin´aria. Para
alguns, o interesse intr´ınsico pelas equa¸c˜oes diferenciais ´e motivo suficiente para estud´a-
las; para a maioria, as poss´ıveis aplica¸c˜oes em outros ramos do conhecimento faz do tema
um assunto interessante.
Muitas leis gerais da F´ısica, Biologia e Economia encontram sua express˜ao natural
nessas equa¸c˜oes. V´arios princ´ıpios ou leis que regem o comportamento do mundo f´ısico s˜ao
proposi¸c˜oes ou rela¸c˜oes envolvendo uma taxa de varia¸ c˜ao segundo a qual certos fenˆomenos
acontecem. Expressas na linguagem matem´atica, as rela¸c˜oes s˜ao equa¸c˜oes e as taxas
s˜ao derivadas. Equa¸c˜oes contendo derivadas s˜ao equa¸c˜oes diferenciais. Portanto, para
compreender, resolver e investigar problemas envolvendo o movimento de fluidos, o fluxo
de corrente el´etrica em circuitos, a dissipa¸c˜ao de calor em objetos s´olidos, a propaga¸c˜ao e
detec¸c˜ao de ondas s´ısmicas, o aumento ou diminui¸c˜ao de popula¸c˜oes, entre muitos outros,
´e preciso ter um bom conhecimento sobre equa¸c˜oes diferenciais.
Por outro lado, quest˜oes da pr´opria matem´atica (Topologia e Geometria Diferencial,
C´alculo de Varia¸c˜oes e outras) s˜ao formuladas por equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias ou se
11
1.1 Introdu¸c˜ao Introdu¸c˜ao
reduzem a elas.
O estudo da equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias come¸cou com os m´etodos do C´alculo
Diferencial e Integral, descobertos por Isaac Newton(1642-1727) e por Gottifried Wilhelm
Leibnitz(1646-1716) , e elaborados no final do s´eculo XVII para resolver problemas mo-
tivados por considera¸c˜oes f´ısicas e geom´etricas. A evolu¸c˜ao destes m´etodos, tornou as
Equa¸c˜oes Diferenciais como um novo ramo da Matem´atica, e em meados do s´eculo XVIII
se transformou numa disciplina independente.
Neste momento, a busca e an´alise de solu¸c˜oes tornou-se uma finalidade pr´opria. Tamb´em
nesta ´epoca ficaram conhecidos os m´etodos elementares de resolu¸c˜ao (integra¸c˜ao) de v´arios
tipos de equa¸c˜oes diferencias, tais como as de vari´aveis separ´aveis (y

= f(y)g(x)), as
lineares (y

= f(x)y + g(x)), as de Bernoulli (y

= p(x)y + q(x)y
n
), as de Clairaut
(f(y

) +xy

= y), as de Riccati (y

= f
0
(x) +f
1
(x)y +f
2
(x)y
2
), tradicionalmente estuda-
dos em muitos cursos introdut´orios de c´alculo.
A natureza daquilo que era considerado solu¸c˜ao foi mudando gradualmente, num pro-
cesso que acompanhou e, as vezes, propiciou o desenvolvimento do pr´oprio conceito de
fun¸c˜ao. Inicialmente buscavam-se solu¸c˜oes expressas em termos de fun¸c˜oes elementares,
ou seja, polinomiais, racionais, trigonom´etricas e exponˆenciais. Posteriormente passou-se
a considerar satisfat´orio expressar a solu¸c˜ao na forma de uma integral (quadratura) con-
tendo opera¸c˜oes elementares envolvendo estas fun¸c˜oes, ainda que a mesma n˜ao admitisse
uma express˜ao em termos destas. Quando estes dois caminhos deixaram de resolver os
problemas focalizados, surgiram as solu¸c˜oes expressas por meio de s´eries infinitas (ainda
sem a preocupa¸c˜ao com a an´alise da convergˆencia das mesmas).
No final do s´eculo XVIII a Teoria das Equa¸c˜oes Diferenciais se transformou numa
das disciplinas matem´aticas mais importantes e o m´etodo mais efetivo para a pesquisa
cient´ıfica. As contribui¸c˜oes de Euler, Lagrange, Laplace e outros expandiram notavel-
mente o conhecimento dentro do C´alculo da Varia¸c˜oes, Mecˆanica Celeste, Teoria das
Oscila¸c˜oes, Elasticidade, Dinˆamica dos Flu´ıdos, etc. Nesta ´epoca se iniciou tamb´em a
descoberta das rela¸c˜oes das equa¸c˜oes diferenciais com as fun¸c˜oes de vari´avel complexa,
12
Introdu¸c˜ao 1.1 Introdu¸c˜ao
s´eries de potˆencias e trigonom´etricas e fun¸c˜oes especiais (conhecidas como de Bessel, etc.).
O grau que o conhecimento matem´atico atingiu nesta primeira fase ficou registrado na
obra de Euler: Institutiones Calculi Integrais em 4 volumes, o ´ ultimo deles publicado em
1794.
No s´eculo XIX os fundamentos da An´alise Matem´atica experimentaram uma revis˜ao
e reformula¸ c˜ao gerais visando maior rigor e exatid˜ao. Assim, os conceitos de limite,
derivada, convergˆencia de s´eries num´ericas e s´eries de fun¸c˜oes e outros processos infinitos
foram definidos em termos aritm´eticos. A integral, que no s´eculo anterior era concebida
como primitiva, foi definida como limite de uma sequˆencia de somas. Este movimento
de fundamenta¸c˜ao n˜ao deixou de atingir as equa¸c˜oes diferenciais. Enquanto no s´eculo
anterior procurava-se uma solu¸c˜ao geral para uma equa¸c˜ao diferencial dada, passou-se a
considerar como quest˜ao pr´evia em cada problema a existˆencia e unicidade de solu¸c˜oes
satisfazendo dados iniciais. Este ´e o problema de Cauchy (estudado, por exemplo, em
J. Sotomayor, Li¸c˜oes de Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias). Tomava-se ent˜ao uma ampla
classe de equa¸c˜oes diferenciais, como as lineares, por exemplo, para as quais a existˆencia e
unicidade das solu¸c˜oes estava aceita e procuravam-se propriedades gerais destas solu¸c˜oes a
partir de caracter´ısticas das fun¸c˜oes que definiam a equa¸c˜ao diferencial. Por outro lado, o
m´etodo de separa¸c˜ao de vari´aveis aplicado a certas equa¸c˜oes diferenciais parciais conduziu
a equa¸c˜oes ordin´arias que n˜ao admitem solu¸c˜oes em termos de fun¸c˜oes elementares con-
hecidas, como ´e o caso das equa¸c˜oes de Sturm-Liouville e das equa¸c˜oes de Fuchs (lineares
com coeficientes anal´ıticos complexos com singularidades isoladas regulares). As primeiras
fornecem um exemplo caracter´ıstico de um problema linear de contorno, enquanto que
as equa¸c˜oes Fuchsianas sistematizam v´arios tipos de equa¸c˜oes especiais surgidas original-
mente no s´eculo XVIII em trabalhos de Euler e Bernoulli e estudadas tamb´em por Gauss
e Riemann. Incluem equa¸c˜oes de relevˆancia da F´ısica-Matem´atica, como as de Bessel,
Legendre e Gauss (ou hipergeom´etrica).
Um marco de referˆencia fundamental na evolu¸c˜ao das equa¸c˜oes diferencias ´e o tra-
balho de Poincar´e: M´emoire sur les curbes d´efinies par une ´equation differentielle (1881)
13
1.1 Introdu¸c˜ao Introdu¸c˜ao
no qual s˜ao lan¸cadas as bases da Teoria Qualitativa das Equa¸c˜oes Diferenciais. Esta
teoria visa a descri¸c˜ao da configura¸c˜ao global das solu¸c˜oes e o efeito de pequenas per-
turba¸c˜oes das condi¸c˜oes iniciais (estabilidade). O estudo da estabilidade de um sistema,
de enorme importˆancia na tecnologia contemporanea, teve sua origem em quest˜oes de
Mecˆanica Celeste estudadas inicialmente por Newton, Lagrange e Laplace. A pergunta
´e se uma pequena perturba¸c˜ao na posi¸c˜ao e velocidade de um corpo celeste o coloca em
uma ´orbita que se afasta ou converge para a ´orbita original. O problema geral da esta-
bilidade foi simultaneamente estudado por Liapounov, que juntamente com Poincar´e que
´e considerado o fundador da Teoria Qualitativa das Equa¸c˜oes Diferenciais.
Outro aspecto da Teoria Qualitativa, tamb´em estudado por Poincar´e, visa descrever
o comportamento assint´otico das solu¸c˜oes e a estrutura de seus conjuntos limites. O
comportamento assint´otico de uma solu¸c˜ao se obtem quando se faz a vari´avel independente
(tempo) tender para infinito. O conjunto limite pode ser um ponto de equilibrio, uma
solu¸c˜ao peri´odica ou outro conjunto mais complicado.
Uma equa¸c˜ao diferencial que descreve algum fenˆomeno f´ısico ´e chamado, muitas vezes,
de modelo matem´atico do processo. Vale a pena ressaltar que mesmo as equa¸c˜oes difer-
enciais mais simples fornecem modelos ´ uteis de fenˆomeno f´ısicos importantes. Vamos
ilustrar isto com um exemplo na pr´oxima Se¸c˜ao.
1.1.1 Um modelo matem´atico
Suponha que um corpo, de massa m est´a caindo alto de um edif´ıcio como ilustra a
Figura 3.1.
Vamos formular uma equa¸c˜ao diferencial que descreve seu movimento.
Usaremos t para denotar o tempo e v = v(t) para representar a velocidade do objeto
em queda, como fun¸c˜ao de t. A escolha das unidades de medida ´e um tanto arbitr´aria;
assim, vamos medir o tempo t em segundos (s) e a velocidade v em metros por segundo
(m/s). Al´em disso, vamos supor que v ´e positiva quando o sentido do movimento ´e para
baixo.
14
Introdu¸c˜ao 1.1 Introdu¸c˜ao
Figura 1.1: corpo em queda livre
A lei f´ısica que rege o movimento de objetos ´e a segunda lei de Newton, expressa
pela equa¸c˜ao F = ma, onde F ´e a for¸ca total agindo sobre o objeto, m a massa e a sua
acelera¸c˜ao.
Neste caso, para manter as unidades de medida consistentes, teremos m em quilogra-
mas (kg), F em newtons (N) e a em metros por segundo ao quadrado (m/s
2
).
Como a =
dv
dt
, a equa¸c˜ao anterior se reescreve como
F = m
dv
dt
. (1.1)
Agora, existem for¸cas agindo sobre o objeto. A gravidade exerce uma for¸ca igual ao
peso do objeto, ou seja mg, onde g ´e a acelera¸c˜ao devida `a gravidade. Tamb´em existe uma
for¸ ca devido `a resistˆencia do ar, λv, proporcional `a velocidade, onde λ ´e uma constante
chamada de coeficiente da resistˆencia do ar.
Para escrever uma express˜ao para a for¸ca total F, lembramos que a gravidade age
15
1.1 Introdu¸c˜ao Introdu¸c˜ao
sempre para baixo, enquanto a resistˆencia do ar age para cima. Logo F = mg − λv e
assim substituindo na Equa¸c˜ao 1.1, temos:
m
dv
dt
= mg −λv. (1.2)
Esta equa¸c˜ao ´e um modelo matem´atico (simples) de um objeto em queda. Observamos
que o modelo cont´em trˆes constantes m, g, λ. As constantes m e λ dependem do objeto
em particular; por outro lado, a constante g ´e a mesma para todos os objetos.
Para resolver a equa¸c˜ao acima precisamos encontrar uma fun¸c˜ao v = v(t) que satisfa¸ca
a equa¸c˜ao. Isso n˜ao ´e dif´ıcil e ser´a mostrado mais pra frente. Entretanto, vamos ver o que
podemos descobrir sobre solu¸c˜oes sem, de fato, achar qualquer uma delas. Para ilustrar
melhor tal fato vamos atribuir alguns valores num´ericos para as vari´aveis m e λ. Supondo
m = 10 (Kg.) e λ = 2 (kg.m/s
2
), assim a equa¸c˜ao 1.1, torna-se
dv
dt
= 9, 8 −
v
5
. (1.3)
Agora, analizamos esta equa¸c˜ao do ponto de vista geom´etrico. Suponha v = 40, ent˜ao
dv/dt = 1, 8. Isso significa que a inclina¸c˜ao de uma solu¸c˜ao v = v(t) tem o valor 1, 8 em
qualquer ponto onde v = 40. Isto pode ser representado graficamente num plano carte-
siano tv, tra¸cando pequenos segmentos de reta com coeficiente angular 1, 8 em diversos
pontos ao longo da reta v = 40. Procedendo de igual forma com outros valores de v
obtemos no plano o que chama-se de um campo de dire¸c˜oes. O fato importante deste
campo de dire¸c˜oes ´e que cada segmento de reta ´e tangente ao gr´afico de uma solu¸c˜ao da
equa¸c˜ao 1.3.
Deste modo, mesmo n˜ao tendo encontrado qualquer solu¸c˜ao, podemos fazer dedu¸c˜oes
qualitativas sobre o comportamento das solu¸c˜oes. Por exemplo, se v for menor do que
certo valor cr´ıtico, ent˜ao todos os segmentos de reta tˆem coeficientes angulares positivos e
a velocidade do objeto em queda aumenta enquanto ele cai. Por outro lado, se v for maior
do que o valor cr´ıtico, ent˜ao os segmentos de reta tˆem coeficientes angulares negativos
16
Introdu¸c˜ao 1.1 Introdu¸c˜ao
e o objeto em queda vai diminuindo a velocidade `a medida que cai. Mas, qual ´e esse
valor cr´ıtico de v que separa os objetos cuja velocidade est´a aumentando daqueles cuja
velocidade est´a diminuindo? No caso da equa¸c˜ao acima, esse valor cr´ıtico (solu¸c˜ao de
equil´ıbrio) ´e v = 49 m/s, obtida de fazer dv/dt = 0. De fato, a fun¸c˜ao constante v = 49
´e a solu¸c˜ao de equil´ıbrio pois n˜ao varia com o tempo; esta corresponde a um equil´ıbrio
entre a gravidade e a resistˆencia do ar.
A abordagem feita no exemplo acima pode ser aplicada no caso geral e os resultados
s˜ao essencialmente os mesmos. Neste caso, a solu¸c˜ao de equ´ılibrio ´e v = mg/λ.
Os campos de dire¸c˜oes s˜ao ferramentas ´ uteis no estudo de solu¸c˜oes de equa¸c˜oes difer-
enciais da forma
dy
dt
= f(t, y), (1.4)
onde f ´e uma fun¸c˜ao dada de duas vari´aveis, alguma vezes chamada de fun¸c˜ao taxa
de varia¸c˜ao.
Para uma equa¸c˜ao do tipo acima, um campo de dire¸c˜oes pode ser constru´ıdo calculando
f em cada ponto de uma malha retangular consistindo em, pelo menos, algumas centenas
de pontos. Ent˜ao, em cada ponto da malha desenha-se um pequeno segmento de reta cujo
coeficiente angular ´e o valor da fun¸c˜ao f naquele ponto. Dessa forma, cada segmento de
reta ´e tangente ao gr´afico de uma solu¸c˜ao contendo aquele ponto. Um campo de dire¸c˜oes
desenhado em uma malha razoavelmente fina fornece uma boa id´eia do comportamento
global das solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao diferencial. A constru¸c˜ao de um campo de dire¸c˜oes ´e
um primeiro passo ´ util na investiga¸c˜ao sobre uma equa¸c˜ao diferencial.
´
E preciso fazer duas observa¸c˜oes. Para construir um campo de dire¸c˜oes, muitas vezes,
n˜ao precisamos resolver a equa¸c˜ao diferencial, bastando calcular a fun¸c˜ao f(t, y), (mesmo
para equa¸c˜oes diferenciais muito dif´ıceis). Por outro lado, desenhar um campo de dire¸c˜oes
´e uma tarefa para um computador pois implica c´alculos repetidos de valores da fun¸c˜ao
dada.
17
1.2 Defini¸c˜oes B´asicas Introdu¸c˜ao
1.1.2 A constru¸c˜ao de modelos matem´aticos
Para podermos fazer uso das equa¸c˜oes diferenciais em aplica¸c˜oes nas mais diversas
´areas do conhecimento, precisamos, primeiro, formular a equa¸c˜ao diferencial apropriada
que descreve, ou modela, o problema em quest˜ao. Cada problema ´e diferente um do outro
e a arte de modelar n˜ao ´e uma habilidade que pode ser reduzida a uma lista de regras.
Apesar disso, pode ser ´ util listar alguns passos do proceso a seguir:
(1) Identificar as vari´aveis independente e dependente (muitas vezes, a vari´avel indepen-
dente ´e o tempo).
(2) Escolher as unidades de medida. Esta escolha ´e arbitr´aria, mas algumas escolhas
podem ser mais convenientes do que outras.
(3) Usar alguma lei ou princ´ıpio b´asico que rege o problema em quest˜ao. Isto requer
alguma familiaridade com o campo de aplica¸c˜ao do problema.
(4) Expressar a lei ou princ´ıpio em fun¸c˜ao das vari´aveis escolhidas. Pode ser preciso usar
constantes f´ısicas ou parˆametros, com valores apropriados para eles. Tamb´em pode
ser ´ util usar vari´aveis auxiliares ou intermedi´arias.
(5) Verificar se cada parcela da equa¸c˜ao est´a nas mesmas medidas f´ısicas para ser con-
sistente do ponto de vista dimensional.
(6) Em casos mais complicados, o modelo pode envolver um sistema com v´arias equa¸c˜oes
diferenciais.
1.2 Defini¸c˜oes B´asicas
Defini¸c˜ao 1.2.1. Uma equa¸c˜ao que cont´em as derivadas de uma ou mais vari´aveis depen-
dentes em rela¸c˜ao a uma ou mais vari´aveis independentes ´e dita Equa¸c˜ao Diferencial.
As equa¸c˜oes diferenciais s˜ao classificadas quanto ao tipo em:
18
Introdu¸c˜ao 1.2 Defini¸c˜oes B´asicas
(1) Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias: s˜ao as que cont´em s´o derivadas ordin´arias de uma
ou mais vari´aveis dependentes com rela¸c˜ao a uma ´ unica vari´avel independente.
(2) Equa¸c˜oes Diferenciais Parciais: s˜ao as que cont´em as derivadas parciais de uma ou
mais vari´aveis dependentes em rela¸c˜ao a duas ou mais vari´aveis independentes.
Exemplo 1.2.1. (Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias)
(i)
dy
dx
−y + 1 = 0;
(ii) (y −x)dx + 4xdy = 0;
(iii)
du
dx
+
dv
dx
= x;
(iv)
d
2
y
dx
2
−2
dy
dx
+ 6y = 0.
Exemplo 1.2.2. (Equa¸c˜oes Diferenciais Parciais)
(i)
∂u
∂y
= −
∂v
∂x
;
(ii) x
∂u
∂x
+y
∂u
∂y
= u;
(iii)

2
u
∂x
2
=

2
u
∂t
2
−2
∂u
∂t
;
(iv)

2
v
∂x
2
+

2
v
∂y
2
+

2
v
∂z
2
= 0.
Observa¸c˜ao 1.2.1. Nestas notas de aulas estudaremos unicamente equa¸c˜oes diferenciais
ordin´arias.
As equa¸c˜oes diferenciais tamb´em s˜ao classificadas quanto a ordem. Definimos como
ordem de uma Equa¸c˜ao Diferencial como sendo ordem da derivada de maior ordem dada
na equa¸c˜ao.
Exemplo 1.2.3. (i)
d
2
y
dx
2
+ 5(
dy
dx
)
3
−4y = e
x
(EDO de segunda ordem);
19
1.2 Defini¸c˜oes B´asicas Introdu¸c˜ao
(ii) (y −x)dx + 4xdy = 0 ou 4x
dy
dx
+y = x, (EDO de primeira ordem);
Defini¸c˜ao 1.2.2. Se uma equa¸c˜ao diferencial pode-se racionalizar a respeito das derivadas
que cont´em e eliminar estas dos seus denominadores, o expoente da derivada de maior
ordem chama-se de grau da equa¸c˜ao diferencial.
Exemplo 1.2.4. (i) A equa¸c˜ao diferencial (y
′′
)
2/3
= 1 +y

pode-se racionalizar elevando
ao cubo ambos os membros, obtendo assim (y
′′
)
2
= (1 +y

)
3
. Portanto esta equa¸c˜ao
tem grau 2.
(ii) A equa¸c˜ao diferencial y
′′
+(y

)
2
= lny
′′
´e um exemplo de uma equa¸c˜ao cujo grau n˜ao
esta definido.
Em geral, uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria geral de n-´esima ordem ´e dada por
F(x, y, y

, y
′′
, · · · , y
(n)
) = 0. (1.5)
Como caso especial da equa¸c˜ao 1.6 temos a EDO a seguir dada pela Defini¸c˜ao 1.2.3.
Defini¸c˜ao 1.2.3. Uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria ´e dita linear se pode ser escrita na
forma
a
n
(x)y
(n)
+ a
n−1
(x)y
(n−1)
+· · · +a
1
(x)y

+a
0
(x)y = g(x). (1.6)
onde a
i
(x), ∀i = 1, . . . , n e g(x) s˜ao fun¸c˜oes reais.
As equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias lineares s˜ao caracterizadas por duas propriedades:
(i) y e todas suas derivadas s˜ao de primeiro grau (a potˆencia de cada termo envolvendo
y ´e 1).
(ii) Cada coeficiente na Equa¸c˜ao 1.6 depende apenas de x.
Defini¸c˜ao 1.2.4. Uma equa¸c˜ao diferencial que n˜ao ´e linear ´e dita n˜ao-linear.
20
Introdu¸c˜ao 1.2 Defini¸c˜oes B´asicas
Exemplo 1.2.5. (i) xdy +ydx = 0, EDO linear de primeira ordem;
(ii) y
′′
−2y

+y = 0, EDO linear de segunda ordem;
(iii) x
3
y
′′′
−x
2
y
′′
+ 3xy

+ 5y = e
x
, EDO linear de terceira ordem;
(iv) yy
′′
−2y

= x, EDO n˜ao-linear de segunda ordem ( um coeficiente depende de y);
(v) y
′′′
+ y
2
= 0, EDO n˜ao-linear de terceira ordem (y tem potˆencia 2).
Um problema f´ısico simples que leva a uma equa¸c˜ao diferencial n˜ao-linear ´e o problema
do pˆendulo. O ˆangulo θ que um pˆendulo de comprimento L oscilando faz com a dire¸c˜ao
vertical conforme a Figura 1.2
Figura 1.2: Pˆendulo
satisfaz a equa¸c˜ao
d
2
θ
dt
2
+
g
L
senθ = 0. (1.7)
A presen¸ca da parcela envolvendo senθ faz com que a equa¸c˜ao acima seja n˜ao-linear.
A teoria matem´atica e os m´etodos para resolver equa¸c˜oes lineares est˜ao bastante de-
senvolvidos. Em contraste, a teoria para equa¸c˜oes n˜ao-lineares ´e mais complicada e os
m´etodos de resolu¸c˜ao s˜ao menos satisfat´orios. Em vista disso, ´e auspicioso que muitos
problemas significativos levam a equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias lineares ou podem ser
aproximados por equa¸c˜oes lineares. Para o caso do pˆendulo, por exemplo, se o ˆangulo θ
for pequeno, ent˜ao senθ ≈ θ e assim a equa¸c˜ao anterior pode ser aproximada pela equa¸c˜ao
21
1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial Introdu¸c˜ao
d
2
θ
dt
2
+
g
L
θ = 0. (1.8)
Este processo de aproximar uma equa¸c˜ao n˜ao-linear por uma linear ´e chamado de lin-
eariza¸c˜ao e ´e extremamente ´ util para tratar equa¸c˜oes n˜ao-lineares. Apesar disto, existem
muitos fenˆomenos f´ısicos que n˜ao podem ser representados adequadamente por equa¸c˜oes
lineares.
A n´ıvel elementar ´e natural enfatizar as partes mas simples e diretas do assunto,
portanto na maior parte destas notas estaremos abordando as equa¸c˜oes lineares. No
entanto, no pr´oximo cap´ıtulo lidaremos com algumas equa¸c˜oes n˜ao-lineares.
Dado que o objetivo nestas notas ´e achar solu¸c˜oes para equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias,
vamos discutir acerca delas.
1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial
Defini¸c˜ao 1.3.1. Dizemos que uma fun¸c˜ao f definida em um intervalo I que tem n
derivadas cont´ınuas em I, as quais quando substitu´ıdas na Equa¸c˜ao 1.9
F(x, y, y

, · · · , y
(n)
) = 0 (1.9)
reduz a uma identidade, ´e denominada solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao diferencial no intervalo
dado.
O intervalo I pode ser do tipo I = (a, b), I = [a, b] ou I = (0, ∞).
Exemplo 1.3.1. (i) A fun¸c˜ao y =
x
4
16
´e uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao n˜ao-linear
dy
dx
=
xy
1/2
, no intervalo I = (−∞, +∞). !Verificar!.
(ii) A fun¸c˜ao y = xe
x
´e uma solu¸c˜ ao para a equa¸c˜ao linear y
′′
−2y

+y = 0, no intervalo
I = (−∞, +∞).
22
Introdu¸c˜ao 1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial
Observa¸c˜ao 1.3.1. (i) Nos Exemplos 1.3.1 [i] e [ii], a fun¸c˜ao y = 0 tamb´em satisfaz a
equa¸c˜ao dada, para todo x ∈ R. Esta solu¸c˜ao ´e conhecida como solu¸c˜ao trivial.
(ii) Nem toda equa¸c˜ao diferencial possui necess´ariamente uma solu¸c˜ao. Assim, as equa¸c˜oes
(y

)
2
+ 1 = 0 e (y

)
2
+y
2
+ 4 = 0 n˜ao possuem solu¸c˜oes reais.
(iii) A equa¸c˜ao de segunda ordem (y
′′
)
2
+ 10y
4
= 0 possui unicamente a solu¸c˜ao trivial
y = 0.
Em muitos casos, ´e preciso achar solu¸c˜oes de equa¸c˜oes diferenciais satisfazendo certas
condi¸c˜oes, chamadas condi¸c˜oes iniciais ou condi¸c˜oes de contorno. Estas condi¸c˜oes po-
dem se manifestar de modo completamente natural, como ocorre num problema f´ısico ou
material. Nestes casos, n˜ao s´o devemos nos perguntar se existe solu¸c˜ao, ou n˜ao, e se ex-
istem, ser´a que existem outras. Por exemplo, suponha a equa¸c˜ao diferencial xy

−2y = 0
e deseja-se achar uma solu¸c˜ao satisfazendo a condi¸c˜ao y(1) = 1. Temos que y = cx
2
´e
uma solu¸c˜ao geral. Para que seja satisfeita a condi¸c˜ao dada, devemos ter c = 1 e por-
tanto y = x
2
(solu¸c˜ao particular) que satisfaz a condi¸c˜ao dada. Se esta ´e a ´ unica solu¸c˜ao
satisfazendo essa condi¸c˜ao ´e uma quest˜ao ainda n˜ao respondida.
Para mostrar o importante papel das condi¸c˜oes na determina¸c˜ao da existˆencia de uma
solu¸c˜ao, consideremos o caso da mesma equa¸c˜ao anterior sujeita `a condi¸c˜ao y(0) = 1.
Considerando a solu¸c˜ao y = cx
2
, ´e claro que nenhum valor de c satisfaz essa condi¸c˜ao.
Das observa¸c˜oes acima, deduzimos que existem, pelo menos trˆes quest˜oes, a respeito
das equa¸c˜oes diferenciais:
(1) Existˆencia: Dada uma equa¸c˜ao diferencial, existe uma solu¸c˜ao satisfazendo certas
condi¸c˜oes dadas?
(2) Unicidade: Se existe solu¸c˜ao satisfazendo as condi¸c˜oes dadas, pode existir uma
outra solu¸c˜ao diferente que tamb´em as satisfa¸ca?
(3) Determina¸c˜ao: Se existem uma ou mais solu¸c˜oes satisfazendo as condi¸c˜oes dadas,
como fazer para determinar elas?
23
1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial Introdu¸c˜ao
A n´ıvel elementar, tende-se a ressaltar a terceira quest˜ao, evitando inclusive men-
cionar as duas primeiras. O motivo para fazˆe-lo ´e simples: os conhecimentos matem´aticos
necess´arios para responder essas quest˜oes de maneira completa est˜ao al´em daquilo que
geralmente ´e adquirido nos dois primeiros anos do ensino superior. Portanto, o f´ısico,
engenheiro ou outro cientista pode at´e desconhecer a existˆencia dessas quest˜oes.
´
E im-
portante que os alunos que v˜ao fazer uso de algumas equa¸c˜oes diferenciais saibam da
existˆencia de tais quest˜oes, mesmo sem ter atingido ainda os conhecimentos necess´arios
para compreendˆe-los.
Para perceber a sua importˆancia, suponha que foi poss´ıvel achar uma solu¸c˜ao sat-
isfazendo certas condi¸c˜oes.
´
E claro que a quest˜ao da existˆencia foi respondida afirma-
tivamente. Agora, ser´a conveniente pesquisar para saber se existem solu¸c˜oes diferentes
satisfazendo as condi¸c˜oes estabelecidas. Se existissem, isto significaria (se a equa¸c˜ao surgiu
de um problema pr´atico) que o sistema f´ısico ou material comporta-se de formas distin-
tas sob as mesmas condi¸c˜oes, o que de fato diria que a matem´atica n˜ao concorda com a
ciˆencia. Naturalmente, neste caso, haveria que pensar em revisar a equa¸c˜ao diferencial
at´e que os resultados concordem com os fatos f´ısicos.
Suponha, por outro lado, que foi poss´ıvel garantir definitivamente que n˜ao existe uma
solu¸c˜ao. Ent˜ao claramente n˜ao teria sentido perder tempo tentando encontrar um m´etodo
de achar a solu¸c˜ao.
Um dos objetivos destas notas consiste em fornecer uma introdu¸c˜ao a alguns dos mais
importantes problemas que surgem na ciˆencia e tecnologia e para ating´ı-lo ser´a preciso
mostrar como se resolvem equa¸c˜oes diferenciais que prov´em da formula¸c˜ao matem´atica
desses problemas. O leitor deve saber que existem trˆes etapas na resolu¸c˜ao te´orica dos
problemas cient´ıficos:
(1) Formula¸c˜ao matem´atica do problema cient´ıfico: As leis da ciˆencia, baseadas
naturalmente em experimentos, se expressam atrav´es de equa¸c˜oes diferenciais.
(2) Resolu¸c˜ao das equa¸c˜oes:
´
E preciso resolver essas equa¸c˜oes, sujeitas as condi¸c˜oes
estabelecidas pelo problema f´ısico, para determinar a solu¸c˜ao. Os m´etodos podem dar
24
Introdu¸c˜ao 1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial
uma solu¸c˜ao exata ou solu¸c˜ao aproximada. No estudo das solu¸c˜oes devem ser levadas em
conta as quest˜oes de existˆencia e unicidade.
(3) Interpreta¸c˜ao cient´ıfica das solu¸c˜oes: Interpretar o que aconte¸ ce fisicamente
a partir da solu¸c˜ao encontrada. Isto pode ser feito construindo tabelas ou gr´aficos para
comparar a teoria com a parte experimental.
1.3.1 Solu¸c˜oes Expl´ıcitas e Impl´ıcitas
Uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao 1.9 que pode ser escrita na forma y = f(x) ´e dita solu¸c˜ao
expl´ıcita.
Exemplo 1.3.2. (i) A fun¸c˜ao y = e
2x
´e uma solu¸c˜ao expl´ıcita para a equa¸c˜ao diferencial
dy
dx
= 2y.
(ii) A fun¸c˜ao y = xe
x
´e uma solu¸c˜ao expl´ıcita para a equa¸c˜ao diferencial y
′′
−2y

+y = 0.
Um rela¸c˜ao G(x, y) = 0 ´e uma solu¸c˜ao impl´ıcita para a equa¸c˜ao 1.9 num intervalo I
se define uma ou mais solu¸c˜oes expl´ıcitas em I.
Exemplo 1.3.3. (i) A rela¸c˜ao x
2
+ y
2
− 4 = 0 ´e uma solu¸c˜ao impl´ıcita para a equa¸c˜ao
dy
dx
= −
x
y
no intervalo (−2, 2). Observar que essa rela¸c˜ao define duas fun¸c˜oes
diferenci´aveis expl´ıcitas: y =

4 −x
2
e y = −

4 −x
2
em (−2, 2). Al´em disso,
notar que qualquer rela¸c˜ao da forma x
2
+y
2
−c = 0 satisfaz formalmente a equa¸c˜ao
dada, para qualquer constante c. Por´em, ´e claro que a rela¸c˜ao deve sempre fazer
sentido no conjunto R dos n´ umeros reais. Logo, por exemplo, a rela¸c˜ao x
2
+y
2
+1 = 0
n˜ao determina uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial dada.
(ii) A rela¸c˜ao y
3
−3x +3y −5 = 0 ´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial y
′′
+2y(y

)
2
= 0. De
fato, ao derivar a rela¸c˜ao a respeito de x temos
y

=
1
y
2
+ 1
, y
′′
= −
2y
(y
2
+ 1)
2
.
25
1.3 Solu¸c˜oes de uma Equa¸c˜ao Diferencial Introdu¸c˜ao
Logo, substituindo na equa¸c˜ao diferencial obtemos a identidade.
Agora, dada uma equa¸c˜ao diferencial, geralmente possui um n´ umero infinito de solu¸c˜oes.
Exemplo 1.3.4. (i) Por substitui¸c˜ao direta, pode-se verificar que qualquer fun¸c˜ao (curva)
da fam´ılia de solu¸c˜oes a um parˆametro y = ce
x
, onde c ´e uma constante arbitr´aria,
satisfaz a equa¸c˜ao
dy
dx
= 2y. A solu¸c˜ao trivial y = 0 ´e um membro desta fam´ılia de
solu¸c˜oes correspondente a c = 0.
(ii) A fam´ılia de fun¸c˜oes (curvas) y = cxe
x
, onde c ´e uma constante, ´e uma fam´ılia de
solu¸c˜oes da equa¸c˜ao y
′′
−2y

+y = 0.
(iii) Para qualquer valor da constante c, a fun¸c˜ao y =
c
x
+1 ´e uma fam´ılia de solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao diferencial de primeira ordem x
dy
dx
+ y = 1, no intervalo (0, ∞). De fato,
dy
dx
= −
c
x
2
, logo x
dy
dx
+y = x(
−c
x
2
) +
c
x
+ 1 = 1.
Assim, variando o parˆametro c obtemos uma infinidade de solu¸c˜oes. Em particular,
fazendo c = 0 obtemos a solu¸c˜ao constante y = 1.
Observar tamb´em que y =
c
x
+1 ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial dada em qual-
quer intervalo que n˜ao contenha a origem. A fun¸c˜ao y =
c
x
+ 1 n˜ao ´e diferenciavel
em x = 0.
(iv) As fun¸c˜oes y = c
1
cos4x e y = c
2
sen4x, onde c
1
, c
2
s˜ao constantes arbitr´arias,
s˜ao solu¸c˜oes para a equa¸c˜ao diferencial y
′′
+ 16y = 0. Tamb´em a fun¸c˜ao soma
y = c
1
cos4x +c
2
sen4x ´e solu¸c˜ao ! Verificar!
(v) As fun¸c˜oes y = e
x
, y = e
−x
, y = c
1
e
x
, y = c
2
e
−x
e y = c
1
e
x
+ c
2
e
−x
s˜ao todas
solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial linear de segunda ordem y
′′
− y = 0. Observar que
y = c
1
e
x
´e solu¸c˜ao para qualquer escolha de c
1
, mas y = e
x
+c
1
, c
1
̸= 0 n˜ao satisfaz
a equa¸c˜ao.
(vi) Qualquer fun¸c˜ao da fam´ılia de solu¸c˜oes a um parˆametro y = cx
4
´e uma solu¸c˜ao para
a equa¸c˜ao diferencial xy

−4y = 0. Por outro lado, a fun¸c˜ao
26
Introdu¸c˜ao
1.4 Alguns Coment´arios
Adicionais
y =
_
_
_
−x
4
, x < 0
x
4
, x ≤ 0
´e tamb´em solu¸c˜ao. Observar que esta fun¸c˜ao n˜ao pode ser obtida a partir de y = cx
4
por intermedio de um ´ unica escolha do par´ametro c.
1.4 Alguns Coment´arios
Adicionais
Quando resolvemos uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria do tipo F(x, y, y

) = 0, normal-
mente obtemos uma fam´ılia de curvas ou fun¸c˜oes G(x, y, c) = 0 contendo um parˆametro
arbitr´ario, tal que cada membro da fam´ılia ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial. Na reali-
dade, quando resolvemos uma equa¸c˜ao diferencial de n-´esima ordem F(x, y, y

, · · · , y
(n)
) =
0 esperamos obter uma fam´ılia de solu¸c˜oes a n-parˆametros G(x, y, c
1
, · · · , c
n
) = 0.
Uma solu¸c˜ao para uma equa¸c˜ao diferencial que independe de parˆametros arbitr´arios
´e dita solu¸c˜ao particular. Uma forma de obter uma solu¸c˜ao particular ´e escolher valores
espec´ıficos para os parˆametros na fam´ılia de solu¸c˜oes. Por exemplo, para a equa¸c˜ao
diferencial y

−y = 0 temos que y = ce
x
´e uma fam´ılia de solu¸c˜oes a um parˆametro. Para
c = 0, c = −2, c = 5 obtemos as solu¸c˜oes particulares y = 0, y = −2e
x
, y = 5e
x
.
As vezes, uma equa¸c˜ao diferencial possui uma solu¸c˜ao que n˜ao pode ser obtida especi-
ficando os parˆametros em uma fam´ılia de solu¸c˜oes. Tal solu¸c˜ao ´e dita solu¸c˜ao singular.
Exemplo 1.4.1. Para a equa¸c˜ao diferencial y

= xy
1/2
, uma fam´ılia de solu¸c˜oes a um
parˆametro ´e y =
_
x
2
4
+c
_
2
. Quando c = 0, a solu¸c˜ao resultante ´e y =
x
4
16
. Neste caso,
a solu¸c˜ao trivial y = 0 ´e uma solu¸c˜ao singular pois n˜ao pode ser obtida da fam´ılia de
solu¸c˜oes atrav´es de uma escolha do parˆametro c.
Se toda solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao F(x, y, y

, · · · , y
(n)
) = 0 no intervalo I pode ser obtida
da rela¸c˜ao G(x, y, c
1
, · · · , c
n
) = 0, para uma escolha apropriada dos parˆametros c
i
, i =
27
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias Introdu¸c˜ao
1, 2, · · · , n, dizemos que a fam´ılia de solu¸c˜oes a n-parˆametros ´e uma solu¸c˜ao geral (ou
completa) para a equa¸c˜ao diferencial. Este nome ´e mais usado no caso de equa¸c˜oes
diferenciais lineares. A representa¸c˜ao geom´etrica da solu¸c˜ao geral ´e uma fam´ılia infinita
de curvas, chamadas de curvas integrais. Cada curva integral est´a associada a um valor
particular da constante e ´e o gr´afico da solu¸c˜ao correspondente ´aquele valor.
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias
Estudaremos algumas propriedades das solu¸c˜oes das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias.
A fim de facilitar o nosso estudo, consideraremos um exemplo simples. Seja a fun¸c˜ao
x = asen2t +bcos2t, (1.10)
onde a, b s˜ao constantes. Derivando obtemos
dx
dt
= 2acos2t −2bsen2t, (1.11)
d
2
x
dt
2
= −4asen2t −4bcos2t. (1.12)
Das igualdades 1.11 e 1.12 temos que
d
2
x
dt
2
= −4x, (1.13)
que ´e uma equa¸c˜ao diferencial de segunda ordem.
´
E obvio que esta equa¸c˜ao foi obtida
da Equa¸c˜ao 1.10 eliminando as constantes a e b. Tamb´em ´e claro que a Equa¸c˜ao 1.10 ´e
solu¸c˜ao da Equa¸c˜ao 1.13. As constantes a e b n˜ao possuem valores espec´ıficos e a Equa¸c˜ao
1.10 ´e uma solu¸c˜ao geral da Equa¸c˜ao 1.13 quaisquer que sejam os valores das constantes.
Al´em disso, n˜ao ´e poss´ıvel substituir essas duas constantes por um n´ umero menor delas.
Ditas constantes s˜ao chamadas de constantes arbitr´arias essenciais.
28
Introdu¸c˜ao
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias
Assim, em geral, uma rela¸c˜ao contendo n constantes arbitr´arias conduzir´a a uma
equa¸c˜ao diferencial ordin´aria de n-´esima ordem ao eliminar as constantes.
Os matem´aticos conseguiram mostrar o seguinte resultado que apresentamos sem
demonstra¸ c˜ao
Teorema 1.5.1. Uma rela¸c˜ao entre uma vari´avel dependente e outra independente que
contenha n constantes arbitr´arias poder´a ser derivada de modo a obter uma equa¸c˜ao difer-
encial de ordem n na qual n˜ao existam constantes arbitr´arias.
Exemplo 1.5.1. Encontrar a equa¸c˜ao diferencial da rela¸c˜ao
y = ae
3x
+ be
−2x
+ce
2x
, (1.14)
onde a, b, c s˜ao constantes arbitr´arias.
Derivando a Rela¸c˜ao 1.14 temos
y

= 3ae
3x
−2be
−2x
+ 2ce
2x
. (1.15)
Eliminamos a constante b se multiplicarmos por 2 a requa¸c˜ao 1.14 e somarmos ´a
equa¸c˜ao 1.15. Assim obtemos
2y +y

= 5ae
3x
+ 4ce
2x
(1.16)
Derivando a equa¸c˜ao 1.16 temos
2y

+y
′′
= 15ae
3x
+ 8ce
2x
(1.17)
Multiplicando a equa¸c˜ao 1.16 por 3 e subtraindo a equa¸c˜ao 1.17 do resultado, obtemos
6y +y

−y
′′
= 4ce
2x
, (1.18)
que tem uma s´o constante arbitr´aria. Ao derivar a equa¸c˜ao 1.18 resulta em
29
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias Introdu¸c˜ao
6y

+y
′′
−y
′′′
= 8ce
2x
. (1.19)
Multiplicando a equa¸c˜ao 1.18 por 2 e subtraindo a equa¸c˜ao 1.20 do resultado, elimi-
namos a constante c e teremos
y
′′′
−3y
′′
−4y

+ 12y = 0, (1.20)
que ´e uma equa¸c˜ao diferencial de terceira ordem e cuja solu¸c˜ao ´e a equa¸c˜ao 1.14.
Observar que poderia se obter uma equa¸c˜ao diferencial de ordem maior que tenha como
solu¸c˜ao a rela¸c˜ao dada. Isto pode ser verificado derivando a equa¸c˜ao 1.20. Mas lembrar
que sempre devemos ter a ordem da equa¸c˜ao igual ao n´ umero de constantes arbitr´arias
(essenciais).
Exemplo 1.5.2. Encontrar uma equa¸c˜ao diferencial para a fam´ılia de todas as circun-
ferˆencias de raio 1 e centro em qualquer ponto (a, b).
A equa¸c˜ao dessa circunferˆencia ´e
(x −a)
2
+ (y −b)
2
= 1 (1.21)
Derivando a equa¸c˜ao 1.21 em rela¸c˜ao ´a x obtemos
2(x −a) + 2(y −b)y

= 0 (1.22)
Colocando em evidˆencia (x −a) e substituindo na equa¸c˜ao 1.21 teremos
(y −b)
2
(y

)
2
+ (y −b)
2
= 1, (1.23)
de modo que eliminamos a constante a.
Agora, para eliminar b, colocamos em evidˆencia (y −b), obtendo
y −b = ±[1 + (y

)
2
]
1/2
(1.24)
30
Introdu¸c˜ao
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias
Derivando e simplificando esta ´ ultima equa¸c˜ao resulta
y
′′
[1 + (y

)
2
]
3/2
= ±1 (1.25)
que ´e a equa¸c˜ao de segunda ordem pedida.
O leitor deve lembrar que o primeiro membro da equa¸c˜ao 1.25 ´e a curvatura de uma
curva plana. Assim, a equa¸c˜ao 1.25 estabelece que a curvatura de certa curva plana, num
ponto qualquer da curva, ´e igual a 1, em valor absoluto. Somente as circunferˆencias de
raio 1 possuem esta propriedade.
Nos Exemplos 1.5.1 e 1.5.2 podemos indagar se as solu¸c˜oes encontradas s˜ao as ´ unicas.
Em geral, dada uma rela¸c˜ao com n constantes arbitr´arias, ser´a a ´ unica solu¸c˜ao da sua
equa¸c˜ao diferencial correspondente de n-´esimo ordem?
A resposta ´e que n˜ao ´e necess´ario que isto ocorra. Podem existir solu¸c˜oes distintas
`a rela¸c˜ao dada (e casos particulares dela s˜ao obtidos atribuindo valores as constantes
arbitr´arias).
Considere a equa¸c˜ao
y = xy

+ (y

)
2
(1.26)
Verifica-se que y = cx + c
2
´e uma solu¸c˜ao. Rec´ıprocamente, a equa¸c˜ao dada ´e a
equa¸c˜ao diferencial da rela¸c˜ao y = cx + c
2
. No entanto, tamb´em se verifica que y = −
x
2
4
´e solu¸c˜ao, apesar de que n˜ao ´e poss´ıvel obter ela por medio de uma escolha da constante
c. Estes casos, pouco frequentes na pr´atica, podem aparecer e ´e bom lev´a-los em conta.
Os matem´aticos tem mostrado o seguinte resultado
Teorema 1.5.2. Sob certas condi¸c˜oes (de existˆencia e unicidade) uma equa¸c˜ao diferencial
de n-´esima ordem possue uma ´ unica solu¸c˜ao com n constantes arbitr´arias.
Como j´a vimos, esta solu¸c˜ao ´e a solu¸c˜ao geral.
31
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias Introdu¸c˜ao
A maioria das equa¸c˜oes diferenciais que trataremos possuem solu¸c˜oes ´ unicas satis-
fazendo certas condi¸c˜oes. No entanto, mostraremos atrav´es de um exemplo, a importˆancia
dos aspectos relativos a existˆencia e unicidade.
Considere a equa¸c˜ao diferencial
xy

−3y = 0 (1.27)
A solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao 1.27 ´e y = cx
3
, onde c ´e uma constante arbitr´aria.
Impondo a condi¸c˜ao y(1) = 1 ´e obtida a solu¸c˜ao (particular) y = x
3
.
N˜ao ´e dif´ıcil mostrar que
y =
_
_
_
ax
3
, x ≥ 0, (1.28)
bx
3
, x ≤ 0,
onde a, b s˜ao constantes, ´e uma solu¸c˜ao ”mais geral” que y = cx
3
. Escolhendo a = 1,
de modo a satisfazer a condi¸c˜ao y(1) = 1 e b = 0, a solu¸c˜ao (1.28) toma a forma
y =
_
_
_
x
3
, x ≥ 0, (1.29)
0, x ≤ 0,
Este exemplo mostra simplesmente a necessidade de se saber quando existe uma
solu¸c˜ao ´ unica. Mesmo sem demonstra¸c˜ao, apresentamos o resultado a seguir
Teorema 1.5.3. Considere a equa¸c˜ao de primeira ordem y

= F(x, y) e suponha que
F(x, y) satisfazendo as condi¸c˜oes (i) e (ii):
(i) F(x, y) ´e real, finita, univalente e continua em todos os pontos de uma certa regi˜ao R
do plano,
(i)
∂F(x, y)
∂y
´e real, finita, univalente e continua em R.
Ent˜ao existe em R uma ´ unica solu¸c˜ao y = f(x) que passa por um ponto dado de R.
32
Introdu¸c˜ao
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias
O Teorema 1.5.3 estabelece condi¸c˜oes suficientes para a existˆencia e unicidade de uma
solu¸c˜ao, ou seja, se s˜ao verificadas as condi¸c˜oes (i) e (ii) a, fica garantida a existˆencia
e unicidade. No entanto, as condi¸c˜oes n˜ao s˜ao necess´arias, ou seja, mesmo n˜ao sendo
satisfeitas as condi¸c˜oes, pode existir solu¸c˜ao ´ unica. Deve se observar que o teorema n˜ao
diz como achar a solu¸c˜ao. Para equa¸c˜oes de ordem superior existem resultados an´alogos.
Usando o Teorema, o ”dilema”do Exemplo anterior ficaria resolvido. A equa¸c˜ao equiv-
alente ´e
y

=
3y
x
sempre que x ̸= 0. Neste caso, F(x, y) =
3y
x
,
∂F
∂y
=
3
x
s˜ao reais, finitas, univalentes e
continuas em todos os pontos da regi˜ao x > 0 e portanto ´e poss´ıvel garantir a unicidade.
Do mesmo modo, ´e garantida a unicidade de solu¸c˜ao na regi˜ao x < 0. Mas, n˜ao existe
raz˜ao para supor a existˆencia de solu¸c˜ao ´ unica nas duas regi˜oes.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 1.5.1. Verifique se cada equa¸c˜ao diferencial a seguir ´e linear ou n˜ao-linear,
indicando sua ordem:
(i) (1 −x)y
′′
−4xy

+ 5y = cosx;
(ii) xy
′′′
−2(y

)
4
+y = 0,
(iii) yy

+ 2y = 1 +x
2
;
(iv) x
2
dy + (y −xy −xe
x
)dx = 0,
(v) x
3
y
(4)
−x
2
y
′′
+ 4xy

−3y = 0;
(vi) y
′′
+ 9y = seny,
(vii) y

= (1 + (y
′′
)
2
)
1/2
;
(viii) (senx)y
′′′
−(cosx)y

= 2.
33
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias Introdu¸c˜ao
Exerc´ıcio 1.5.2. Em cada caso verificar se a fun¸c˜ao dada ´e uma solu¸c˜ao da correspon-
dente equa¸c˜ao diferencial:
(i) y

−2y = e
3x
; y = e
3x
+ 10e
2x
,
(ii) y

+ 20y = 24; y =
6
5
_
1 −e
−20x
_
,
(iii) y

+y = senx; y =
1
2
senx −
1
2
cosx + 10e
−x
,
(iv) y

=

y
x
; y = (

x + c)
2
,
(v) y = 2xy

+y(y

)
2
; y
2
= c
1
_
x +
1
4
c
1
_
,
(vi) y

= 2

|y|; y = x|x|,
(vii) y

= (2 −y)(1 −y); ln(
2 −y
1 −y
) = x,
(viii) y

+ 2xy = 1; y = e
−x
2

x
0
e
t
2
dt + c
1
e
−x
2
,
(ix) xy

−2y = 0;
y =
_
_
_
−x
2
, x < 0
x
2
, x ≤ 0
(x) (y

)
2
= 9xy;
y =
_
_
_
0, x < 0
x
3
, x ≤ 0
Exerc´ıcio 1.5.3. Verificar que uma fam´ılia de solu¸c˜oes a um parˆametro para a equa¸c˜ao
diferencial y = xy

+ (y

)
2
´e y = cx +c
2
.
Determinar um valor de k para que y = kx
2
seja uma solu¸c˜ao singular para a equa¸c˜ao
diferencial.
Exerc´ıcio 1.5.4. (i) Verificar que uma fam´ılia de solu¸c˜oes a um parˆametro para a equa¸c˜ao
diferencial y = xy

+

1 + (y

)
2
´e y = cx +

1 +c
2
.
34
Introdu¸c˜ao
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias
(ii) Mostrar que a rela¸c˜ao x
2
+ y
2
= 1 define uma solu¸c˜ao singular para a equa¸c˜ao dada
no intervalo (−1, 1).
(iii) Como poderia se obter uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao y = xy

+f(y

)?. (Esta equa¸c˜ao
chama-se equa¸c˜ao de Clairaut.)
(iv)
´
E poss´ıvel aplicar o m´etodo para a equa¸c˜ao y = 2xy

+ (y

)
3
?
Exerc´ıcio 1.5.5. Sabemos que y =

4 −x
2
e y = −

4 −x
2
s˜ao solu¸c˜oes para
dy
dx
=

−x
y
no intervalo (−2, 2). Explicar por que a fun¸c˜ao
y =
_
_
_

4 −x
2
, −2 < x < 0


4 −x
2
, 0 ≤ x < 2,
n˜ao ´e uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao diferencial no intervalo dado.
Exerc´ıcio 1.5.6. Encontrar os valores de m para que a fun¸c˜ao y = e
mx
seja uma solu¸c˜ao
para cada equa¸c˜ao diferencial dada:
(i) y
′′
−5y

+ 6y = 0;
(ii) y
′′
+ 10y

+ 25y = 0.
Exerc´ıcio 1.5.7. Mostrar que as fun¸c˜oes y
1
= 2x + 2 e y
2
=
−x
2
2
s˜ao ambas solu¸c˜oes
da equa¸c˜ao y = xy

+ (y

)
2
/2. As fun¸c˜oes y = c
1
y
1
e y = c
2
y
2
, onde c
1
, c
2
s˜ao constantes
arbitr´arias, s˜ao tamb´em solu¸c˜oes? E a soma delas ´e tamb´em solu¸c˜ao?
Exerc´ıcio 1.5.8. (i) Mostrar que se y = y
1
(x) e y = y
2
(x) s˜ao duas solu¸c˜oes diferentes
da equa¸c˜ao y
′′
+3y

−4y = 0, ent˜ao y = c
1
y
1
(x) +c
2
y
2
(x) tamb´em ´e solu¸c˜ao, sendo
c
1
, c
2
constantes arbitr´arias.
(ii) Verificar que y = e
−4x
e y = e
x
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial dada em a) e
portanto, y = c
1
e
−4x
+c
2
e
x
´e tamb´em solu¸c˜ao.
35
1.5 Observa¸c˜oes relativas ´as solu¸c˜oes
das equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias Introdu¸c˜ao
(iii) Usando o resultado de (ii), determinar uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial satis-
fazendo as condi¸c˜oes y(0) = 5, y

(0) = 0.
Exerc´ıcio 1.5.9. Para que valores da constante m, a fun¸c˜ao y = e
mx
ser´a solu¸c˜ao da
equa¸c˜ao diferencial 2y
′′′
+y
′′
−5y

+ 2y = 0.
(i) Usar as id´eias do exercicio 8. para encontrar uma solu¸c˜ao que contenha trˆes con-
stantes c
1
, c
2
, c
3
.
(ii) Determinar uma solu¸c˜ao satisfazendo as condi¸c˜oes y(0) = 10, y

(0) = 9, y
′′
(0) = 1.
Exerc´ıcio 1.5.10. Mostrar que
y = e
x
2

x
1
e
−x
2
dx
´e uma solu¸c˜ao de y

= 1 + 2xy satisfazendo a condi¸c˜ao y(1) = 0.
Exerc´ıcio 1.5.11. Se y = y
1
(x) e y = y
2
(x) s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao y
′′
+ y
2
= 0,
tamb´em o ser´a a fun¸c˜ao y = y
1
(x) +y
2
(x)?.
Exerc´ıcio 1.5.12. (i) Mostrar que
d
2
y
dx
2
= −
d
2
x
dy
2
/
_
dx
dy
_
3
´e uma identidade.
Sugest˜ao: Derivar a respeito de x ambos membros de
dy
dx
= 1/
_
dx
dy
_
.
(ii) Usar o resultado de (i) para transformar a equa¸c˜ao diferencial
d
2
x
dy
2
+ (senx)
_
dx
dy
_
3
= 0
cuja vari´avel independente `e y, em outra cuja vari´avel independente seja x.
Exerc´ıcio 1.5.13. Mostrar que x = a(t −sent), y = a(1−cost), onde a ´e uma constante
n˜ao nula, ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial 1 + (y

)
2
+ 2yy
′′
= 0.
36
Cap´ıtulo 2
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.1 Introdu¸c˜ao
Neste cap´ıtulo trataremos de equa¸c˜oes diferenciais ordin´arias do tipo
y

= f(t, y), (2.1)
onde f ´e uma fun¸c˜ao de duas vari´aveis.
Qualquer fun¸c˜ao diferenci´avel y = ϕ(t) que satisfa¸ca a equa¸c˜ao 2.1 para todo t em
algum intervalo I, ´e dita solu¸c˜ao da EDO 2.1 em I.
Nosso objetivo ´e determinar se tais fun¸c˜oes existem e, caso existam, desenvolver
m´etodos para encontr´a-las. Para f arbitr´aria, n˜ao existe um m´etodo geral para resolver
a EDO (1) em termos de fun¸c˜oes elementares. Por isso, ser˜ao descritos v´arios m´etodos,
cada um aplic´avel a determinado tipo de equa¸c˜ao. Assim, estudaremos as equa¸c˜oes lin-
eares, as equa¸c˜oes separ´aveis e as equa¸c˜oes exatas , e no final do cap´ıtulo veremos algumas
aplica¸c˜oes .
37
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Se a fun¸c˜ao f que define a EDO 2.1 depende linearmente da vari´avel y, ent˜ao a Equa¸c˜ao
2.1 ´e dita equa¸c˜ao linear de primeira ordem.
Na Introdu¸c˜ao desta apostila, j´a tivemos algum contato com equa¸c˜oes do tipo
dy
dt
= −ay +b, (2.2)
onde a, b s˜ao constantes dadas.
Neste momento vamos considerar uma equa¸c˜ao linear de primeira ordem mais geral
poss´ıvel, na qual os coeficientes a, b sejam fun¸c˜oes de t, ou seja, equa¸c˜oes da forma
dy
dt
+p(t)y = g(t), (2.3)
onde p, g s˜ao fun¸c˜oes que depende da vari´avel t.
A equa¸c˜ao 2.2 pode ser resolvida por integra¸c˜ao direta, isto ´e, se reescrevemos a
equa¸c˜ao na forma
dy/dt
y −(b/a)
= −a (2.4)
integrando, iremos obter
ln|y −(b/a)| = −at +c, (2.5)
de onde segue que a solu¸c˜ao geral de 2.1 ´e
y = (b/a) +ce
−at
, (2.6)
sendo c ´e uma constante arbitr´aria.
Infelizmente, este m´etodo direto de solu¸c˜ao n˜ao ´e aplic´avel na equa¸c˜ao 2.3, de modo
que precisaremos de um novo m´etodo. O que usaremos a seguir ´e devido a Leibniz e
38
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
consiste em multiplicar a equa¸c˜ao 2.3 por uma determinada fun¸c˜ao µ(t), escolhida de tal
modo que a equa¸c˜ao resultante seja facilmente integr´avel. A fun¸c˜ao µ(t) ´e chamada fator
integrante, e a maior dificuldade do m´etodo ´e como encontr´a-la.
Vamos ilustrar o m´etodo com o seguinte Exemplo 2.2.1
Exemplo 2.2.1. Resolver a equa¸c˜ao
dy
dt
+ 2y = 3, (2.7)
encontrando um fator integrante.
Seja µ(t) o fator integrante. Ent˜ao multiplicamos a EDO 2.7 por µ(t), teremos
µ(t)
dy
dt
+ 2µ(t)y = 3µ(t). (2.8)
Por outro lado, observamos que
d
dt
[µ(t)y] = µ(t)
dy
dt
+
dµ(t)
dt
y, (2.9)
para podermos comparar com o primeiro membro da equa¸c˜ao 2.8, imporemos que a
fun¸c˜ao µ(t) satisfa¸ca a equa¸c˜ao 2.10
dµ(t)
dt
= 2µ(t). (2.10)
Portanto, para determinar o fator integrante µ(t), basta resolver a equa¸c˜ao 2.10, a
qual pode ser escrita na forma
dµ(t)/dt
µ(t)
= 2, (2.11)
que ´e equivalente a
d
dt
[ln|µ(t)| = 2. (2.12)
Assim, temos que:
39
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
ln|µ(t)| = 2t +c
0
, ou µ(t) = ce
2t
. (2.13)
Portanto, a fun¸c˜ao µ(t) encontrada ´e um fator integrante para a equa¸c˜ao 2.7. J´a que
n˜ao precisamos de um fator integrante mais geral, escolhemos c = 1 e usaremos µ(t) = e
2t
.
Voltando a equa¸c˜ao 2.7, multiplicamos pelo fator integrante e
2t
e obtemos
e
2t
dy
dt
+ 2e
2t
y = 3e
2t
, (2.14)
que ´e equivalente a
d
dt
(e
2t
y) = 3e
2t
. (2.15)
Integrando a equa¸c˜ao 2.16 obtemos a express˜ao
e
2t
y =
3
2
e
2t
+k, (2.16)
onde k ´e uma constante arbitr´aria. Finalmente, temos:
y =
3
2
+ke
−2t
. (2.17)
Observar em 2.17 que as solu¸c˜oes convergem para a solu¸c˜ao de equil´ıbrio y = 3/2, que
corresponde a k = 0.
Agora, vamos estender o m´etodo a outras classes de equa¸c˜oes. Primeiro, considere a
equa¸c˜ao 2.7 reescrita na forma
dy
dt
+ay = b. (2.18)
Seguindo o modelo do exemplo acima, temos que µ(t) = e
at
´e o fator integrante e a
solu¸c˜ao ´e dada por y = (b/a) +ce
−at
, j´a exibida no in´ıcio desta se¸c˜ao.
A seguir, vamos substituir a constante b por uma fun¸c˜ao dada g(t), de modo que a
equa¸c˜ao tem agora a forma
40
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
dy
dt
+ay = g(t). (2.19)
Dado que o fator integrante depende apenas do coeficiente de y, o fator integrante
para a equa¸c˜ao 2.19 ´e de novo, µ(t) = e
at
. Logo, multiplicando na equa¸c˜ao 2.19, obtemos
e
at
dy
dt
+ae
at
y = e
at
g(t), (2.20)
ou,
d
dt
_
e
at
y
_
= e
at
g(t). (2.21)
Integrando a equa¸c˜ao 2.21, resulta
e
at
y =

e
as
g(s)ds +c
0
, (2.22)
onde c
0
´e uma constante arbitr´aria.
Resolvendo a equa¸c˜ao 2.22 para y obtemos
y = e
−at

e
as
g(s)ds +c
0
e
−at
. (2.23)
Para muitas fun¸c˜oes simples g(s), a integral na equa¸c˜ao 2.23 pode ser calculada e a
solu¸c˜ao y pode ser expressa em termos de fun¸c˜oes elementares. No entanto, em casos
complicados, pode ser necess´ario deixar a solu¸c˜ao na forma da integral 2.23.
Exemplo 2.2.2. Resolver a equa¸c˜ao
dy
dt
+
10y
2t + 5
= 10, sujeita `a condi¸c˜ao y(0) = 0.
Solu¸c˜ao: Temos que um fator integrante ´e µ(t) = e

10dt
2t + 5
= (2t + 5)
5
.
Multiplicando a equa¸c˜ao diferencial dada por µ(t), resulta
d
dt
_
(2t + 5)
5
y
¸
= 10(2t + 5)
5
.
Integrando temos
41
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
y(2t + 5)
5
=
5
6
(2t + 5)
6
+c.
Para t = 0 temos y = 0. Logo resulta c = −
5
7
6
. Assim
y =
5
6
(2t + 5) −
5
6
6(2t + 5)
5
.
Exemplo 2.2.3. Num circuito el´etrico, a intensidade I da energia (medida em amperes)
´e dada pela equa¸c˜ao diferencial
dI
dt
+ 2I = 10e
−2t
. Sabendo que I(0) = 0, encontrar I(t).
Solu¸c˜ao: Um fator integrante ´e µ(t) = e

2dt
= e
2t
. Logo, ao multiplicar pela equa¸c˜ao,
temos
e
2t
_
dI
dt
+ 2I
_
= 10 ou
d
dt
_
e
2t
I
_
= 10
Segue que e
2t
I = 10t +c. Da condi¸c˜ao I(0) = 0 resulta c = 0 e assim
I(t) = 10te
−2t
.
Exemplo 2.2.4. Resolver a equa¸c˜ao
dy
dx
+ (ctgx)y = cosx.
Solu¸c˜ao: Temos como fator integrante µ(x) = e

ctgxdx
= senx. Agora, multiplicando
a equa¸c˜ao diferencial dada, pelo fator integrante, resulta em
senx
dy
dx
+ (cosx)y = senxcosx ou
d
dx
[(senx)y] = senxcosx
Integrando nesta ´ ultima express˜ao obtemos
(senx)y =

senxcosxdx =
sen
2
x
2
+c,
ou seja
y =
senx
2
+
c
senx
.
Exemplo 2.2.5. Resolver a equa¸c˜ao x
2
dy
dx
+xy = 2x
2
+ 1.
42
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Solu¸c˜ao: Podemos reescrever a equa¸c˜ao na forma
dy
dx
+
1
x
y = 2 +
1
x
2
. Assim, um
fator integrante ´e µ(x) = e

dx
x
= x. Logo, multiplicando x na equa¸c˜ao reescrita, temos
x
dy
dx
+y = 2x +
1
x
ou
d
dx
(xy) = 2x +
1
x
.
Finalmente, integrando nesta ´ ultima igualdade, obtemos y = x +
1
x
lnx.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 2.2.1. Resolver as seguintes equa¸c˜oes diferenciais
(a)
dy
dt
+
1
2
y = 2 +t, (b)
dy
dt
−2y = 4 −t, (c)
dy
dt
+
1
t
y = 1,
(d) t
dy
dt
+ 3y = t
2
, (e)
dy
dt

2
t
y = t
2
sen3t, (f)
dy
dt
=
1
t −3y
(∗).
Exerc´ıcio 2.2.2. A equa¸c˜ao
dy
dt
+ Py = Qy
n
, onde P = P(x), Q = Q(x) s˜ao fun¸c˜oes e
n ∈ Z
+
,
´e dita equa¸c˜ao de Bernoulli. Mostrar como se resolver quando n = 0 ou n = 1.
Exerc´ıcio 2.2.3. Na equa¸c˜ao
dy
dt
+Py = Qy
n
, se n ̸= 0, n ̸= 1, o m´etodo estudado nesta
se¸c˜ao n˜ao ´e aplic´avel. Mostrar que a mudan¸ca de vari´aveis v = y
1−n
resolve a equa¸c˜ao.
Exerc´ıcio 2.2.4. Aplicar o m´etodo do Exerc´ıcio 2.2.3 `a equa¸c˜ao
dy
dt
−y = xy
2
.
Exerc´ıcio 2.2.5. Resolver a equa¸c˜ao y
2
dx + (xy −x
3
)dy = 0.
Sugest˜ao: Transfomar a equa¸c˜ao no formato Bernoulli e fazer uso do Exerc´ıcio 2.2.3.
Exerc´ıcio 2.2.6. Resolver a equa¸c˜ao xy
′′
−3y

= 4x
2
. Sugest˜ao: Fa¸ca y

= v.
Exerc´ıcio 2.2.7. Mostrar que a equa¸c˜ao diferencial
dy
dt
+ Py = Qy lny, onde P =
P(x), Q = Q(x) s˜ao fun¸c˜oes, pode ser resolvida fazendo a mudan¸ca lny = v.
Exerc´ıcio 2.2.8. Resolver a equa¸c˜ao xy

= 2x
2
y +ylny. Sugest˜ao: Fa¸ca lny = v.
43
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Agora, vamos estender o m´etodo de fatores integrantes para a equa¸c˜ao
dy
dt
+p(t)y = g(t),
onde p, g s˜ao fun¸c˜oes dadas.
Multiplicando esta equa¸c˜ao por uma fun¸c˜ao µ(t), ainda n˜ao determinada, obtemos
µ(t)
dy
dt
+µ(t)p(t)y = µ(t)g(t). (2.24)
Seguindo o mesmo racioc´ınio do caso anterior, temos que
µ(t)
dy
dt
+µ(t)p(t)y =
d
dt
[µ(t)y],
impondo que
dµ(t)
dt
= µ(t)p(t).
Supondo, por enquanto, que µ(t) seja positiva, teremos
dµ(t)/dt
µ(t)
= p(t), ou seja, lnµ(t) =

p(t)dt +k.
Escolhendo k = 0, obtemos a fun¸c˜ao mais simples para µ, a saber
µ(t) = e

p(t)dt
.
Observar que µ(t) ´e positiva, para todo t.
Agora, voltando `a equa¸c˜ao 2.24, temos que
d
dt
[µ(t)y] = µ(t)g(t), de onde resulta que
µ(t)y =

u(s)g(s)ds +c,
e assim a solu¸c˜ao geral para a equa¸c˜ao 2.8 ´e dada por
44
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
y =

u(s)g(s)ds + c
u(t)
. (2.25)
Exemplo 2.2.6. Resolver o problema de valor inicial ty

+ 2y = 4t
2
, y(1) = 2.
Solu¸c˜ao:
Podemos escrever a equa¸c˜ao na forma y

+
2
t
y = 4t, onde p(t) =
2
t
, g(t) = 4t.
O fator integrante ´e µ(t) = e

2dt
t
= t
2
. Multiplicando a equa¸c˜ao acima por este fator
integrante, resulta
t
2
y

+ 2ty = 4t
3
ou
d
dt
(t
2
y) = 4t
3
.
Assim, t
2
y = t
4
+c ou y = t
2
+
c
t
2
.
A condi¸c˜ao y(1) = 2 implica c = 1. Finalmente temos y = t
2
+
1
t
2
, t > 0.
Observa¸c˜ao 2.2.1. Notar que p(t) =
2
t
tem uma descontinuidade em t = 0. A solu¸c˜ao
y = t
2
+
1
t
2
´e ilimitada e, quando t −→ 0
+
, se tem y −→ +∞. Este ´e o efeito da
descontinuidade infinita na origem. Portanto, a solu¸c˜ao y = t
2
+
1
t
2
, para t < 0, n˜ao ´e
parte da solu¸c˜ao do problema de valor inicial.
Exerc´ıcios:
Exerc´ıcio 2.2.9. Em cada caso a seguir, achar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
dado:
(a) y

−y = 2te
2t
, y(0) = 1, (b) ty

+ 2y = t
2
−t + 1, y(1) = 1/2, t > 0
(c) y

+
2
t
y =
cost
t
2
, y(π) = 0, t > 0, (d) t
3
y

+ 4t
2
y = e
−t
, y(−1) = 0.
Exerc´ıcio 2.2.10. Considere o problema de valor inicial y

+
1
2
y = 2cost, y(0) = 1.
Encontrar as coordenadas do primeiro ponto de m´aximo local da solu¸c˜ao, para t > 0.
45
2.2 Equa¸c˜oes Lineares com
Coeficientes Vari´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exerc´ıcio 2.2.11. Considere o problema de valor inicial y

+
2
3
y = 1 −
1
2
t, y(0) = y
0
.
Encontrar o valor de y
0
para o qual a solu¸c˜ao y = y(t) encosta no eixo t, mas n˜ao o
atravessa.
Exerc´ıcio 2.2.12. Encontrar o valor de y
0
para o qual a solu¸c˜ao do problema de valor
inicial y

−y = 1 + 3sent, y(0) = y
0
, permanece finita quando t −→∞.
Exerc´ıcio 2.2.13. Seja a equa¸c˜ao diferencial y

+ ay = be
−λt
, onde a, λ s˜ao constantes
positivas e b ∈ R. Mostrar que toda solu¸c˜ao y = y(t) da equa¸c˜ao diferencial dada tem a
propriedade que y −→0 quando t −→∞.
Exerc´ıcio 2.2.14. (Varia¸c˜ao dos Parˆametros) Considere o seguinte m´etodo de res-
olu¸c˜ao da equa¸c˜ao linear geral de primeira ordem
y

+p(t)y = g(t).
(a) Se g(t) ≡ 0, mostrar que a solu¸c˜ao ´e y = Ae


p(t)dt
, onde A ´e constante.
(b) Se g(t) ̸≡ 0, suponha que a solu¸c˜ao ´e da forma y(t) = A(t)e


p(t)dt
, onde A = A(t).
Substituindo y(t) na equa¸c˜ao diferencial dada, mostrar que A(t) deve satisfazer a
condi¸c˜ao A

(t) = g(t)e

p(t)dt
.
(c) Encontrar a fun¸c˜ao A(t) da equa¸c˜ao em (b). Logo substituir A(t) na equa¸c˜ao y =
A(t)e


p(t)dt
e determinar y = y(t). Verificar que a solu¸c˜ao obtida desta forma
coincide com a obtida no m´etodo descrito anteriormente. Esta t´ecnica ´e conhecida
como o m´etodo de Varia¸ c˜ao dos Parˆametros.
Exerc´ıcio 2.2.15. Usando o m´etodo descrito em 2.2.14, resolver
(a) y

−2y = t
2
e
2t
, (b) y

+
1
t
y = 3cost, t > 0.
46
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
Para uma equa¸c˜ao diferenci´avel do tipo
dy
dt
= ay + b, com a, b constantes, j´a vimos
um processo de integra¸ c˜ao direta. Vamos mostrar nesta se¸c˜ao que este processo pode-se
aplicar a uma classe muito maior de equa¸c˜oes diferenciais. Usaremos, por convˆeniencia,
x no lugar de t.
A equa¸c˜ao geral de primeira ordem ´e da forma
dy
dx
= f(x, y). (2.26)
Se a equa¸c˜ao 2.7 for n˜ao-linear, n˜ao existe um m´etodo universalmente aplic´avel. Vamos
considerar aqui uma subclasse de equa¸c˜oes de primeira ordem para as quais possa ser
aplic´avel um processo de integra¸c˜ao direta.
Para identificar esta classe de equa¸c˜oes, escrevamos a equa¸c˜ao 2.26 na forma
M(x, y) + N(x, y)
dy
dx
= 0. (2.27)
Sempre ´e poss´ıvel fazer isso. Basta definir M(x, y) = −f(x, y) e N(x, y) = 1 (de fato,
existem outras formas).
Se M = M(x) e N = N(y), a equa¸c˜ao 2.26 assume a forma
M(x) +N(y)
dy
dx
= 0. (2.28)
Esta equa¸c˜ao ´e dita separ´avel, pois se for escrita na forma diferencial
M(x)dx + N(y)dy = 0, (2.29)
ent˜ao as parcelas podem ser separadas pelo sinal de igualdade.
Exemplo 2.3.1. Resolver a equa¸c˜ao
dy
dx
=
x
2
1 −y
2
. (2.30)
47
2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Solu¸c˜ao:
Esta equa¸c˜ao pode ser escrita na forma
−x
2
+ (1 −y
2
)
dy
dx
= 0. (2.31)
Temos ent˜ao
d
dx
_

x
3
3
+y −
y
3
3
_
= 0.
Portanto,
−x
3
+ 3y −y
3
= c, (2.32)
com c constante ´e uma equa¸c˜ao para as curvas integrais da equa¸c˜ao 2.30. Assim, qualquer
fun¸c˜ao diferenci´avel y = ϕ(x), satisfazendo 2.32 ´e uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao 2.30.
Agora, voltamos `a equa¸c˜ao 2.28. Sejam H
1
, H
2
fun¸c˜oes, tais que
H

1
(x) = M(x), H

2
(y) = N(y). (2.33)
Ent˜ao, a equa¸c˜ao 2.29 tem a forma
H

1
(x) +H

2
(y)
dy
dx
= 0. (2.34)
Pela regra da cadeia, temos H

2
(y)
dy
dx
=
d
dx
(H
2
(y)). Logo, a equa¸c˜ao 2.34 fica da
forma
d
dx
[H
1
(x) +H
2
(y)] = 0. (2.35)
Integrando obtemos
H
1
(x) +H
2
(y) = c, (2.36)
onde c ´e uma constante. Assim, qualquer fun¸c˜ao diferenci´avel y = ϕ(x) satisfazendo
a rela¸c˜ao 2.36 ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2.28. Em outras palavras, a equa¸c˜ao 2.36
48
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
define a solu¸c˜ao impl´ıcitamente. As fun¸c˜oes H
1
, H
2
s˜ao primitivas arbitr´arias de M, N
respectivamente.
Se al´em da equa¸c˜ao diferencial, ´e dada uma condi¸c˜ao inicial y(x
0
) = y
0
, ent˜ao a solu¸c˜ao
da equa¸c˜ao 2.28, satisfazendo essa condi¸c˜ao ´e obtida fazendo x = x
0
, y = y
0
em 2.36. Isto
implica
H
1
(x
0
) +H
2
(y
0
) = c. (2.37)
Substituindo em 2.36 e tendo em conta que
H
1
(x) −H
1
(x
0
) =

x
x
0
M(s)ds
H
2
(y) −H
2
(y
0
) =

y
y
0
N(s)ds
obtemos
H
1
(x) −H
1
(x
0
) +H
2
(y) −H
2
(y
0
) = 0
Logo

x
x
0
M(s)ds +

y
y
0
N(s)ds = 0. (2.38)
A rela¸c˜ao 2.38 ´e uma representa¸c˜ao impl´ıcita da solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2.28 que satisfaz
a condi¸c˜ao inicial y(x
0
) = y
0
.
Exemplo 2.3.2. Resolver o problema de valor inicial
dy
dx
=
3x
2
+ 4x + 2
2(y −1)
, y(0) = −1,
e determinar o intervalo no qual a solu¸c˜ao existe.
Solu¸c˜ao:
Podemos escrever a equa¸c˜ao diferencial na forma
49
2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2(y −1)dy = (3x
2
+ 4x + 2)dx.
Integrando, obtemos y
2
= 2y = x
3
+2x
2
+2x +c, onde c ´e uma constante arbitr´aria.
A condi¸c˜ao y(0) = −1, implica c = 3. Portanto, a solu¸c˜ao (na forma impl´ıcita) ´e dada
por
y
2
= 2y = x
3
+ 2x
2
+ 2x + 3.
Em forma expl´ıcita, podemos obter
y = 1 ±

x
3
+ 2x
2
+ 2x + 4.
Destas duas solu¸c˜oes, apenas uma delas satisfaz a condi¸c˜ao inicial e ´e
y = 1 −

x
3
+ 2x
2
+ 2x + 4.
Para determinar o intervalo em que a solu¸c˜ao acima ´e v´alida, precisamos saber onde
que x
3
+ 2x
2
+ 2x + 4 > 0. Temos que x
3
+ 2x
2
+ 2x + 4 = 0 s´o se x = −2. Logo, o
intervalo procurado ´e x > −2.
Exemplo 2.3.3. Resolver o problema de valor inicial
dy
dx
=
ycosx
1 + 2y
2
, y(0) = 1.
Soulu¸c˜ao:
Temos que
1 + 2y
2
y
dy = cosxdx.
Integrando temos
ln|y| +y
2
= senx +c.
A condi¸c˜ao y(0) = 1 implica c = 1. Portanto, a solu¸c˜ao ´e dada implicitamente por
50
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
ln|y| +y
2
= senx + 1.
Observar que nenhuma solu¸c˜ao cruza o eixo x. Quando y = 0, a express˜ao ln|y| +y
2
=
∞, mas a espress˜ao senx + 1 nunca torna-se ilimitada. Assim, nenhum ponto do eixo x
satisfaz a igualdade ln|y| + y
2
= senx + 1. Portanto, a solu¸c˜ao sempre satisfaz o fato de
ser positiva.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 2.3.1. Resolver as equa¸c˜oes dadas
(a)
dy
dx
=
x −e
−x
y +e
y
, (b)
dy
dx
=
x
2
1 +y
2
.
Exerc´ıcio 2.3.2. Em cada caso a seguir, encontrar a solu¸c˜ao do problema da valor inicial
e determinar, pelo menos aproximadamente, o intervalo no qual a solu¸c˜ao est´a definida
(a) xdx + ye
−x
dy = 0, y(0) = 1, (b) y

= xy
3
(1 +x
2
)
−1/2
, y(0) = −2
(c) y

= 2x/(1 + 2y), y(2) = 0 (d) y

= (3x
2
−e
x
)/(2y −5), y(0) = 1
(e) sen2xdx +cos3ydy = 0, y(π/2) = π/3,
(f ) y
2
(1 −x
2
)
1/2
dy = arcsenxdx, y(0) = 0.
Exerc´ıcio 2.3.3. Resolver o problema de valor inicial
y

= 2(1 +x)(1 +y
2
), y(0) = 0
e determinar onde a solu¸c˜ao atinge seu valor m´ınimo.
Exerc´ıcio 2.3.4. Resolver a equa¸c˜ao
dy
dx
=
ay +b
cy + d
,
onde a, b, c, d s˜ao constantes.
51
2.3 Equa¸c˜oes Separ´aveis
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exerc´ıcio 2.3.5. (Equa¸c˜oes Homogˆeneas) Seja a equa¸c˜ao dy/dx = f(x, y). Se f(x, y)
pode ser escrita em fun¸c˜ao apenas da raz˜ao y/x, ent˜ao a equa¸c˜ao ´e dita homogˆenea. Tais
equa¸c˜oes sempre podem ser transformadas em equa¸c˜oes separ´aveis por uma mudan¸ca de
vari´avel dependente. O exercicio a seguir ilustra como resolver equa¸c˜oes de primeira
ordem homogˆeneas.
Considere a equa¸c˜ao
dy
dx
=
y −4x
x −y
. (∗)
(a) Mostrar que a equa¸c˜ao acima pode ser escrita na forma
dy
dx
=
(y/x) −4
1 −(y/x)
. (∗∗)
Logo ´e homogˆenea.
(b) Defina-se v = y/x, ou y = xv(x). Expressar dy/dx em fun¸c˜ao de x, v e dv/dx.
(c) Substituir y e dy/dx na equa¸c˜ao (**) pelas express˜oes encontradas no item (b)
que envolvem v e dv/dx. Mostrar que a equa¸c˜ao diferencial resultante ´e
x
dv
dx
=
v
2
−4
1 −v
. (∗ ∗ ∗)
Observar que esta equa¸c˜ao ´e separ´avel.
(d) Resolver a equa¸c˜ ao (***) para v em fun¸c˜ao de x.
(e) Encontrar a solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao (*).
Exerc´ıcio 2.3.6. Em cada caso seguinte, mostrar que a equa¸c˜ao diferencial ´e homogˆenea
e resolvˆe-la pelo m´etodo ilustrado em 2.3.5:
(a)
dy
dx
=
x
2
+xy +y
2
x
2
. (b)
dy
dx
=
4y −3x
2x −y
.
(c)
dy
dx
=
x
2
+ 3y
2
2xy
. (d)
dy
dx
= −
4x + 3y
2x +y
.
(e)
dy
dx
=
x + 3y
x −y
. (f )
dy
dx
=
x
2
−3y
2
2xy
.
52
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Vamos considerar agora uma classe de equa¸c˜oes conhecidas como equa¸c˜oes exatas,
para as quais tamb´em existe um m´etodo de solu¸c˜ao.
Para ilustrar a id´eia do m´etodo, consideremos a equa¸c˜ao diferencial
2x +y
2
+ 2xy
dy
dx
= 0. (2.39)
Esta equa¸c˜ao n˜ao ´e linear nem separ´avel; portanto, os m´etodos anteriormente estuda-
dos n˜ao s˜ao aplic´aveis. No entanto, observemos que a fun¸c˜ao φ(x, y) = x
2
+ xy
2
satisfaz
a seguinte condi¸c˜ao
2x + y
2
=
∂φ
∂x
, 2xy =
∂φ
∂y
. (2.40)
Portanto, a equa¸c˜ao diferencial pode ser escrita na forma
∂φ
∂x
+
∂φ
∂y
dy
dx
= 0. (2.41)
Supondo que y = y(x) e usando a regra da cadeia, a equa¸c˜ao 2.41 toma a forma

dx
=
d
dx
(x
2
+xy
2
) = 0. (2.42)
Logo, φ(x, y) = x
2
+ xy
2
= c, onde c ´e uma constante arbitr´aria, ´e a solu¸c˜ao geral de
2.39, dada impl´ıcitamente.
O passo chave na resolu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2.39 foi o fato de reconhecer de que existe uma
fun¸c˜ao φ que satisfaz a equa¸c˜ao 2.40.
Em geral, suponha que dada uma equa¸c˜ao diferencial
M(x, y) + N(x, y)
dy
dx
= 0. (2.43)
Conseguimos identificar a existˆencia de uma fun¸c˜ao φ tal que
53
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
∂φ
∂x
(x, y) = M(x, y),
∂φ
∂y
(x, y) = N(x, y), (2.44)
e tal que φ(x, y) = c, defina y = ϕ(x) implicitamente como uma fun¸c˜ao diferenci´avel
de x. Ent˜ao
M(x, y) +N(x, y)
dy
dx
=
∂φ
∂x
+
∂φ
∂y
dy
dx
=
d
dx
φ(x, ϕ(x)),
e a equa¸c˜ao diferencial 2.43, torna-se
d
dx
φ(x, ϕ(x)) = 0. (2.45)
Neste caso, a equa¸c˜ao 2.43 ´e chamada de equa¸c˜ao diferencial exata.
As solu¸c˜oes de 2.43, o sua equivalente 2.45, s˜ao dadas em forma impl´ıcita por
φ(x, y) = c, (2.46)
onde c ´e uma constante arbitr´aria.
No exemplo anterior foi f´acil ver que a equa¸c˜ao diferencial ´e exata, reconhecendo a
fun¸c˜ao φ, e portanto, achar a solu¸c˜ao. Em casos mais complicados, pode n˜ao ser t˜ao f´acil
fazer isto. O resultado a seguir fornece um m´etodo de como determinar, se uma equa¸c˜ao
diferencial ´e exata ou n˜ao.
Observa¸c˜ao 2.4.1. Este m´etodo de se encontrar uma fun¸c˜ao φ como solu¸c˜ao de uma
equa¸c˜ao na forma 2.43 ´e um recurso muito recorrente em C´alculo Vetorial. Ou seja dado
um campo vetorial F = (M, N) definido em um conjunto Ω ⊂ R
2
. Dizemos que o campo
vetorial F ´e conservativo em Ω, se existe uma fun¸c˜ao diferenci´avel φ : Ω −→ R tal que
▽(F) = dφ = (φ
x
, φ
y
). A fun¸c˜ao φ ´e dita fun¸c˜ao potencial associada ao campo F.
Teorema 2.4.1. Suponha que as fun¸c˜oes M, N, M
y
e N
x
, onde os ´ındices denotam
derivadas parciais, s˜ao cont´ınuas na regi˜ao retangular R : α < x < β, γ < y < δ.
Ent˜ao a equa¸c˜ao
54
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
M(x, y) + N(x, y)
dy
dx
= 0,
´e uma equa¸c˜ao diferencial exata em R se, e somente se,
M
y
(x, y) = N
x
(x, y), (2.47)
em cada ponto de R.
Isto significa que existe uma fun¸c˜ao φ satisfazendo as equa¸c˜oes
∂φ
∂x
(x, y) = M(x, y),
∂φ
∂y
(x, y) = N(x, y),
se, e somente se, M e N satisfazem a equa¸c˜ao 2.47.
Demonstra¸c˜ao
1) Vamos mostrar que, se existir uma fun¸c˜ao φ tal que as equa¸c˜oes 2.44 s˜ao satisfeitas,
ent˜ao a equa¸c˜ao 2.47 ´e satisfeita. Calculando M
y
e N
x
das equa¸c˜oes 2.44, obtemos
M
y
(x, y) = φ
xy
(x, y), N
x
(x, y) = φ
yx
(x, y). (2.48)
Como M
y
e N
x
s˜ao cont´ınuas, ent˜ao φ
xy
e φ
yx
s˜ao cont´ınuas e φ
xy
= φ
yx
. Assim ´e
v´alida a equa¸c˜ao 2.47.
2) Agora mostraremos que se M e N satisfazem a equa¸c˜ao 2.47, ent˜ao a equa¸c˜ao 2.43
´e exata. A demonstra¸c˜ao envolve a constru¸c˜ao de uma fun¸c˜ao φ satisfazendo as equa¸c˜oes
2.44:
∂φ
∂x
(x, y) = M(x, y),
∂φ
∂y
(x, y) = N(x, y).
Integrando a primeira destas equa¸c˜oes em rela¸c˜ao a x, mantendo y constante, temos
que
55
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
φ(x, y) =

M(x, y)dx +g(y). (2.49)
A fun¸c˜ao g ´e uma fun¸c˜ao arbitr´aria de y, fazendo o papel de uma constante. Precisa-
se, mostrar que sempre ´e poss´ıvel escolher g(y) tal que φ
y
= N. Da equa¸c˜ao 2.49, segue
que
φ
y
(x, y) =

∂y

M(x, y)dx +g

(y) =

M
y
(x, y)dx +g

(y).
Como φ
y
= N da igualdade acima, temos que
g

(y) = N(x, y) −

M
y
(x, y)dx. (2.50)
Para determinar a fun¸c˜ao g, devemos verificar que o lado direito da express˜ao 2.50
depende apenas de y. Para isto, derivamos em rela¸c˜ao a x e obtemos
N
x
(x, y) −M
y
(x, y) = 0,
que ´e justamente a equa¸c˜ao 2.46. Assim, 2.50 independe de x e basta uma integra¸c˜ao
para obter g(y). Logo, substituindo esta fun¸c˜ao em 2.49, obtemos, como solu¸c˜ao das
equa¸c˜oes 2.43,
φ(x, y) =

M(x, y)dx +
∫ _
N(x, y) −

M
y
(x, y)dx
_
dy. (2.51)
Isto finaliza a prova do Teorema.
Observar que a demonstra¸c˜ao acima cont´em um m´etodo para o c´alculo de φ(x, y) e,
portanto, para a resolu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial original 2.43. Tamb´em notar que a
solu¸c˜ao ´e dada implicitamente.
Exemplo 2.4.1. Resolver a equa¸c˜ao diferencial
(ycosx + 2xe
y
) + (senx +x
2
e
y
−1)
dy
dx
= 0.
56
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Temos que a equa¸c˜ao ´e exata pois
M
y
(x, y) = cosx + 2xe
y
= N
x
(x, y).
Logo existe φ(x, y) tal que
φ
x
(x, y) = ycosx + 2xe
y
, φ
y
(x, y) = senx +x
2
e
y
−1.
Integrando, em rela¸c˜ao a x, a primeira destas equa¸c˜oes, obtemos
φ(x, y) = ysenx +x
2
e
y
+g(y).
Fazendo φ
y
= N, resulta
φ
y
(x, y) = senx +x
2
e
y
+g

(y) = senx +x
2
e
y
−1.
Portanto, g(y) = −y. Assim obtemos
φ(x, y) = ysenx +x
2
e
y
−y.
Logo, as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao original s˜ao dadas implicitamente por
ysenx + x
2
e
y
−y = c.
Exemplo 2.4.2. Resolver a equa¸c˜ao
(3xy +y
2
) + (x
2
+ xy)
dy
dx
= 0.
Temos que:
M
y
(x, y) = 3x + 2y, N
x
(x, y) = 2x +y.
Assim, como M
y
̸= N
x
, a equa¸c˜ao dada n˜ao ´e exata. Para ver que ela n˜ao pode ser
resolvida pelo m´etodo descrito acima, vamos procurar a fun¸c˜ao φ tal que
57
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
φ
x
(x, y) = 3xy +y
2
, φ
y
(x, y) = x
2
+xy.
Integrando a primeira dessas equa¸c˜oes, em rela¸c˜ao a x, obtemos
φ(x, y) =
3
2
x
2
y + xy
2
+g(y),
onde g ´e uma fun¸c˜ao arbitr´aria que depende apenas de y. Agora, para ver se satisfaz
a segunda das equa¸c˜oes anteriores, calculamos φ
y
e igualamos a N. Desta forma temos
3
2
x
2
+ 2xy +g

(y) = x
2
+xy, ou g

(y) = −
1
2
x
2
−xy.
Como esta ´ ultima express˜ao depende tanto de x quanto de y, ´e imposs´ıvel resolvˆe-la
e achar g(y). Portanto, n˜ao existe a fun¸c˜ao φ.
2.4.1 Fatores Integrantes
As vezes, ´e poss´ıvel transformar uma equa¸c˜ao diferencial n˜ao exata numa exata, mul-
tiplicando por uma fator integrante adequado. Lembramos que esse procedimento j´a foi
usado anteriormente para resolver equa¸c˜oes lineares de primera ordem. Para investigar-
mos a possibilidade de implementarmos essa fato de forma mais geral, vamos mutiplicar
a equa¸c˜ao
M(x, y)dx +N(x, y)dy = 0 (2.52)
por uma fun¸c˜ao µ de modo que a equa¸c˜ao resultante
µ(x, y)M(x, y)dx +µ(x, y)N(x, y)dy = 0 (2.53)
seja exata. Pelo Teorema 2.4.1, a equa¸c˜ao 2.53 ´e exata se, e somente se,
(µM)
y
= (µN)
x
. (2.54)
58
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Como M e N s˜ao fun¸c˜oes dadas, temos que o fator integrante µ deve satisfazer a
equa¸c˜ao diferencial de primeira ordem

y
−Nµ
x
+ (M
y
−N
x
)µ = 0. (2.55)
Assim, se for poss´ıvel encontrar uma fun¸c˜ao µ satisfazendo a equa¸c˜ao 2.55, ent˜ao a
equa¸c˜ao 2.53 ser´a exata. Portanto, a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2.53 pode ser encontrada pelo
m´etodo descrito na primeira parte desta se¸c˜ao. A solu¸c˜ao encontrada dessa forma tamb´em
satisfaz a equa¸c˜ao 2.52, pois o fator integrante pode ser cancelado da equa¸c˜ao 2.53.
Agora, uma equa¸c˜ao diferencial da forma 2.55 pode ter mais de uma solu¸c˜ao. Se este
for o caso, qualquer uma das solu¸c˜oes pode ser usada como fator integrante para a equa¸c˜ao
2.52.
Infelizmente, a equa¸c˜ao 2.55, que determina o fator integrante µ, ´e, em geral, t˜ao dif´ıcil
de resolver quanto a equa¸c˜ao original 2.52. Embora, fatores integrantes sejam ferramentas
poderosas para a resolu¸c˜ao de equa¸c˜oes diferencias, eles s´o podem ser encontrados, na
pr´atica, em casos especiais.
Casos mais importantes:
Vamos determinar condi¸c˜oes necess´arias sobre M e N para que a equa¸c˜ao 2.52 tenha
um fator integrante.
(1) Se o fator integrante µ depende apenas de x. Neste caso temos
(µM)
y
= µM
y
, (µN)
x
= µN
x
+N

dx
.
Assim, para ser satisfeita a condi¸c˜ao (µM)
y
= (µN)
x
, ´e necess´ario que

dx
=
M
y
−N
x
N
µ. (2.56)
Se (M
y
−N
x
)/N depende apenas de x, ent˜ao existe um fator integrante µ que depende
apenas de x. Al´em disso, o fator µ ´e encontrado resolvendo a equa¸c˜ao 2.56, que ´e, ao
mesmo tempo, linear e separ´avel.
59
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
(2) Se o fator integrante µ depende apenas de y. Neste caso temos
(µM)
y
= µM
y
+M

dy
, (µN)
x
= µN
x
.
Assim, para ser satisfeita a condi¸c˜ao (µM)
y
= (µN)
x
, ´e necess´ario que

dy
=
N
x
−M
y
M
µ. (2.57)
Se (N
x
−M
y
)/M depende apenas de y, ent˜ao existe um fator integrante µ que depende
s´o de y. Al´em disso, o fator µ ´e encontrado resolvendo a equa¸c˜ao 2.57, que ´e, ao mesmo
tempo, linear e separ´avel.
Exemplo 2.4.3. Encontrar um fator integrante para a equa¸ c˜ao
(3xy +y
2
) + (x
2
+ xy)
dy
dx
= 0,
Em seguida, resolvˆe-la.
J´a vimos antes que esta equa¸c˜ao n˜ao ´e exata. Vamos verificar, ent˜ao se existe um fator
integrante que depende apenas de x. Calculando a express˜ao (M
y
−N
x
)/N e temos
M
y
(x, y) −N
x
(x, y)
N(x, y)
=
3x + 2y −(2x +y)
x
2
+ xy
=
1
x
.
Assim, existe um fator integrante µ que depende s´o de x e que satisfaz a equa¸c˜ao
diferencial

dx
=
µ
x
.
Portanto µ(x) = x. Logo, multiplicando a equa¸c˜ao original por este fator integrante,
obtemos
(3x
2
y + xy
2
) + (x
3
+x
2
y)
dy
dx
= 0.
60
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Esta ´ ultima equa¸c˜ao ´e agora exata e pelo m´etodo anterior, suas solu¸c˜oes est˜ao dadas
implicitamente por
x
3
y +
1
2
x
2
y
2
= c.
Observa¸c˜oes:
(a) Para a equa¸c˜ao do Exemplo 2.4.3, as solu¸c˜oes podem ser encontradas expl´ıcitamente
pois a express˜ao que determina a solu¸c˜ao ´e quadr´atica em y.
(b) Pode-se verificar que um outro fator integrante para a equa¸c˜ao do Exemplo 2.4.3
acima ´e
µ(x, y) =
1
xy(2x + y)
,
e que a mesma solu¸c˜ao ´e obtida, ´e claro, com maior dificuldade.
2) Uma curva, cuja inclina¸c˜ao est´a dada por
dy
dx
=
2xy
x
2
−y
2
passa pelo ponto (2, 1). Determinar a equa¸c˜ao dessa curva.
A equa¸c˜ao diferencial pode ser escrita na forma
2xy + (y
2
−x
2
)
dy
dx
= 0,
e verifica-se que n˜ao ´e exata. Vamos verificar que existe um fator integrante que
depende apenas de y. Para isso calculamos a express˜ao (N
x
−M
y
)/M e temos
N
x
(x, y) −M
y
(x, y)
M(x, y)
=
−2x −2y
2xy
= −
2
y
.
Assim, existe um fator integrante µ que depende s´o depende s´o de y e que satisfaz a
equa¸c˜ao diferencial
61
2.4 Equa¸c˜oes Exatas
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem

dy
= −
2
y
µ.
Portanto µ(y) = y
−2
. Logo, multiplicando a equa¸c˜ao original por este fator integrante,
obtemos
2x
y
+
y
2
−x
2
y
2
dy
dx
= 0.
Esta ´ ultima equa¸c˜ao ´e agora exata e pelo m´etodo anterior, suas solu¸c˜oes est˜ao dadas
implicitamente por
x
2
+y
2
= cy.
Para a curva integral passando pelo ponto (2, 1) resulta c = 5 e assim a solu¸c˜ao
procurada ´e x
2
+y
2
= 5y.
Exercicios
Exerc´ıcio 2.4.1. Em cada caso, determinar se as equa¸c˜oes dadas s˜ao ou n˜ao exatas.
Para as exatas, encontrar sua solu¸c˜ao
(a) (3x
2
−2xy + 2) + (6y
2
−x
2
+ 3)
dy
dx
= 0, (b)
dy
dx
= −
ax +by
bx +cy
,
(c) (e
x
seny −2ysenx) + (e
x
cosy + 2cosx)
dy
dx
= 0, (d) (y/x + 6x) + (lnx −2)
dy
dx
= 0.
Exerc´ıcio 2.4.2. Em cada caso a seguir, encontrar o valor de b para o qual a equa¸c˜ao
dada ´e exata e logo resolv´e-a usando esse valor
(a) (xy
2
+ bx
2
y)dx + (x +y)x
2
dy = 0, (b) (ye
2xy
+x)dx +bxe
2xy
dy = 0.
Exerc´ıcio 2.4.3. Mostrar que qualquer equa¸c˜ao separ´avel M(x) +N(y)y

= 0 tamb´em ´e
exata.
Exerc´ıcio 2.4.4. Em cada caso, mostrar que as equa¸c˜oes dadas n˜ao s˜ao exatas, mas
se tornam exatas ao serem multiplicadas pelo fator integrante dado. Depois resolver tais
equa¸c˜oes
62
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.4 Equa¸c˜oes Exatas
(a) x
2
y
3
= x(1 + y
2
)y

= 0, µ(x, y) =
1
xy
3
,
(b)
_
seny
y
−2e
−x
senx
_
dx +
_
cosy + 2e
−x
cosx
y
_
dy = 0, µ)(x, y) = ye
x
.
(c) ydx + (2x −ye
y
)dy = 0, µ(x, y) = y,
(d) (x + 2)senydx +xcosydy = 0, µ(x, y) = xe
x
.
Exerc´ıcio 2.4.5. Mostrar que se a express˜ao (N
x
− M
y
)/M = Q depende apenas de y,
ent˜ao a equa¸c˜ao diferencial M + Ny

= 0 possui um fator integrante da forma
µ(y) = exp

Q(y)dy.
Exerc´ıcio 2.4.6. Mostrar que se a express˜ao (N
x
− M
y
)/(xM − yN) = R(xy) depende
apenas de xy, ent˜ao a equa¸c˜ao diferencial M + Ny

= 0 possui um fator integrante da
forma
µ(xy) = e

R(u)du
,
onde u = xy.
Exerc´ıcio 2.4.7. Usar o exercicio anterior para resolver a equa¸c˜ao
(y
2
+xy + 1)dx + (x
2
+xy + 1)dy = 0.
Exerc´ıcio 2.4.8. Em cada caso, encontrar um fator integrante e resolver a equa¸c˜ao dada
(a) ydx + (2xy −e
−2y
)dy = 0, (b) y

= e
2x
+y −1,
(c) [4(x
3
/y
2
) + (3/y)]dx + [3(x/y
2
) + 4y]dy = 0.
Exerc´ıcio 2.4.9. Resolver a equa¸c˜ao diferencial (3xy + y
2
) + (x
2
+ xy)y

= 0, usando o
fator integrante µ(x, y) = [xy(2x +y)]
−1
.
Exerc´ıcio 2.4.10. A equa¸c˜ao diferencial de uma fam´ılia de curvas est´a dada por y

=
(x +y)/x. Encontrar a equa¸c˜ao de uma curva desta fam´ılia passando pelo ponto (3, 0).
63
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exerc´ıcio 2.4.11. Resolver a equa¸c˜ao (2x + 3y + 4)dx = (4x + 6y + 1)dy, usando a
substitui¸c˜ao v = 2x + 3y.
Exerc´ıcio 2.4.12. Resolver a equa¸c˜ao diferencial
dy
dx
=
2y
x
+
x
3
y
+ xtg
y
x
2
, usando a
substitui¸c˜ao y = vx
2
.
Exerc´ıcio 2.4.13. Resolver a equa¸c˜ao (2 +3xy
2
)dx −4x
2
ydy = 0, usando a substitui¸c˜ao
y = vx
n
e escolhendo adequadamente a constante
Exerc´ıcio 2.4.14. Resolver a equa¸c˜ao diferencial xyy

+y
2
= senx, fazendo a substitui¸c˜ao
y
2
= u.
Exerc´ıcio 2.4.15. Resolver a equa¸c˜ao diferencial y

= 2/(x + 2y −3), fazendo a substi-
tui¸c˜ao x + 2y −3 = v.
Exerc´ıcio 2.4.16. Resolver a equa¸c˜ao diferencial y

=

y +senx −cosx.
Sugest˜ao: Fazer

y +senx = v.
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Vamos discutir aqui algumas quest˜oes gerais sobre equa¸c˜oes diferenciais em rela¸c˜ao `a
linearidade e n˜ao-linearidade.
2.5.1 Existˆencia e unicidade de solu¸c˜oes
Um questionamento natural quando estamos procurando a solu¸c˜ao de uma EDO, ´e se
todo problema de valor inicial tem uma solu¸c˜ao. Primeiro, gostariamos de ter resposta, se
o problema admite solu¸c˜ao e, sendo assim, como obtˆe-la. Uma vez, obtida uma solu¸c˜ao,
devemos investigar se existem ou n˜ao outras solu¸c˜oes. Para equa¸c˜oes lineares, o Teorema
2.5.1 responde a essas quest˜oes.
64
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Teorema 2.5.1. Se as fun¸c˜oes p e g s˜ao cont´ınuas no intervalo I = (α, β) contendo o
ponto t = t
0
, ent˜ao existe uma ´ unica fun¸c˜ao y = ϕ(t) satisfazendo o problema de valor
inicial
y

+p(t)y = g(t), y(t
0
) = y
0
. (2.58)
Demonstra¸c˜ao:
J´a vimos que se a equa¸c˜ao 2.58 tem solu¸c˜ao, e est´a ´e dada por
y =

u(s)g(s)ds + c
u(t)
, (2.59)
onde
µ(t) = exp

p(s)ds. (2.60)
Podemos concluir que a equa¸c˜ao 2.58 tem que ter, de fato, solu¸c˜ao. Com efeito, como
p ´e cont´ınua para α < t < β, a fun¸c˜ao µ est´a definida nesse intervalo e ´e uma fun¸c˜ao
diferenci´avel n˜ao-nula. Multiplicando a equa¸c˜ao 2.58 por µ(t), obtemos
[µ(t)y]

= µ(t)g(t). (2.61)
Como ambas as fun¸c˜oes µ e g s˜ao cont´ınuas, a fun¸c˜ao µg ´e integr´avel e assim a
solu¸c˜ao 2.59 segue da equa¸c˜ao 2.61. Al´em disso, a integral de µg ´e diferenci´avel, de modo
que a fun¸c˜ao y, dada pela equa¸c˜ao 2.59, existe e ´e diferenci´avel no intervalo α < t < β.
Substituindo a solu¸c˜ao 2.59 na equa¸c˜ao 2.58 ou na equa¸c˜ao 2.61, pode-se verificar que
y satisfaz a equa¸c˜ao diferencial no intervalo α < t < β. Finalmente, a condi¸c˜ao inicial
determina o valor da constante c de maneira ´ unica, o que mostra que existe apenas uma
solu¸c˜ao do problema de valor inicial. Isto completa a demostra¸c˜ao do Teorema.
Observa¸c˜ao 2.5.1. O resultado acima garante a existˆencia e unicidade da solu¸c˜ao para
o problema de valor inicial da equa¸c˜ao 2.58. Al´em disso, afirma que a solu¸c˜ao existe
65
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
em qualquer intervalo I, contendo o ponto inicial t
0
, no qual os coeficientes p e g s˜ao
cont´ınuos, ou seja, a solu¸c˜ao pode ser descont´ınua ou deixar de existir, apenas nos pontos
onde, pelo menos, uma das fun¸c˜oes, p ou g, ´e descont´ınua.
A equa¸c˜ao 2.60 determina o fator integrante µ(t) a menos de um fator multiplicativo
que depende do limite inferior de integra¸c˜ao. Se escolhemos esse limite inferior como
sendo t
0
, ent˜ao
µ(t) = exp

t
t
0
p(s)ds, (2.62)
e segue que µ(t
0
) = 1. Usando o fator integrante dado pela equa¸c˜ao 2.59 e escolhendo
o limite inferior de integra¸c˜ao na equa¸c˜ao 2.59 tamb´em como t
0
, obtemos a solu¸c˜ao de
2.58 na forma
y =

t
t
0
u(s)g(s)ds +c
µ(t)
.
Para satisfazer a condi¸c˜ao inicial, precisa-se escolher c = y
0
. Assim, a solu¸c˜ao do
problema de valor inicial ´e
y =

t
t
0
u(s)g(s)ds +y
0
µ(t)
. (2.63)
Considerando equa¸c˜oes diferenciais n˜ao-lineares, precisaremos de um Teorema mais
geral que o Teorema 2.5.1
Teorema 2.5.2. Suponha que as fun¸c˜oes f e
∂f
∂y
s˜ao cont´ınuas no retˆangulo α < t <
β, γ < y < δ contendo o ponto (t
0
, y
0
). Ent˜ao em algum intervalo t
0
− h < t < t
0
+ h,
contido em α < t < β, existe uma ´ unica solu¸c˜ao y = ϕ(t) do problema da valor inicial
y

= f(t, y), y(t
0
) = y
0
. (2.64)
Observa¸c˜ao 2.5.2. (i) Observe que as hip´oteses no Teorema 2.5.2 se reduzem `as do
Teorema 2.5.1, se a equa¸c˜ao diferencial for linear. Nesse caso, basta considerarmos
66
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
f(t, y) = −p(t)y + g(t) e
∂f(t,y)
∂y
= −p(t), de modo que a continuidade de f e de
∂f
∂y
, ´e equivalente ´a continuidade de p e g.
(ii) A demonstra¸c˜ao do Teorema 2.5.1 foi relativamente simples, pois existe uma forma
expl´ıcita da solu¸c˜ao para uma equa¸c˜ao linear arbitr´aria. No entanto, n˜ao existe uma
formula correspondente para a solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao diferencial do tipo 2.64, de
modo que a demonstra¸c˜ao do Teorema 2.5.2 ´e muito mais dif´ıcil e pode ser vista em
livros avan¸cados.
(iii) As condi¸c˜oes dadas no Teorema 2.5.2 s˜ao suficientes, mas n˜ao necess´arias, para
garantir a existˆencia de uma ´ unica solu¸c˜ao do problema de valor inicial do tipo 2.64
em algum intervalo t
0
− h < t < t
0
+ h. Isto significa que a conclus˜ao permanece
v´alida sob hip´oteses ligeiramente mais fracas sobre f. De fato, a existˆencia de
uma solu¸c˜ao (mas n˜ao sua unicidade) pode ser estabelecida baseando-se apenas na
continuidade de f.
Exemplo 2.5.1. Encontrar um intervalo no qual a solu¸c˜ ao do problema de valor inicial
y

+
2
t
y = 4t, y(1) = 2, (∗)
tenha uma ´ unica solu¸c˜ao.
Temos que p(t) =
2
t
e g(t) = 4t. Assim, g ´e cont´ınua para todo t ∈ R, enquanto p(t)
´e cont´ınua em t < 0 ou t > 0.
O intervalo t > 0 cont´em a condi¸c˜ao inicial. Portanto, o Teorema 2.5.1 garante que o
problema (*) tem solu¸c˜ao ´ unica nesse intervalo.
A solu¸c˜ao do problema de valor inicial acima ´e
y = t
2
+
1
t
2
, t > 0.
Se modificamos a condi¸c˜ao inicial para y(−1) = 2, ent˜ao o Teorema 2.5.1 garante a
existˆencia de uma ´ unica solu¸c˜ao, para o problema de valor inicial, no intervalo t < 0, e a
solu¸c˜ao ´e dada, novamente, pela mesma express˜ao anterior.
67
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exemplo 2.5.2. Analisar o seguinte problema de valor inicial
dy
dx
=
3x
2
+ 4x + 2
2(y −1)
, y(0) = −1. (∗∗)
O Teorema 2.5.1 n˜ao ´e aplic´avel neste caso, pois a equa¸c˜ao diferencial n˜ao ´e linear.
Para aplicar o Teorema 2.5.2, observamos que
f(x, y) =
3x
2
+ 4x + 2
2(y −1)
,
∂f(x, y)
∂y
= −
3x
2
+ 4x + 2
2(y −1)
2
.
Temos que ambas fun¸c˜oes s˜ao cont´ınuas em todo ponto (x, y), exceto na reta y = 1
e, portanto, pode-se desenhar um retˆangulo contendo o ponto inicial (0, −1) no qual f e
∂f/∂y s˜ao cont´ınuas. Assim o Teorema 2.5.2 garante que o problema de valor inicial (**)
possui uma ´ unica solu¸c˜ao em algum intervalo en torno de x = 0. Apesar disso, mesmo
que o retˆangulo possa ser esticado nas dire¸c˜oes positiva e negativa do eixo x, isso n˜ao
significa, necessariamente, que a solu¸c˜ao existe para todo x. De fato, o problema de valor
inicial (**) j´a foi resolvido anteriormente e a solu¸c˜ao existe apenas para x > −2.
Agora, mudemos a condi¸c˜ao inicial para y(0) = 1. O ponto (0, 1) perten¸ce `a reta y = 1,
de modo que n˜ao ´e poss´ıvel desenhar nenhum retˆangulo contendo este ponto dentro do
qual f e ∂f/∂y sejam cont´ınuas. Portanto, o Teorema 2.5.2 n˜ao diz nada sobre poss´ıveis
solu¸c˜oes para este problema. Entre tanto, se separamos vari´aveis e integramos, obtemos
y
2
−2y = x
3
+ 2x
2
+ 2x +c.
A condi¸c˜ao inicial implica c = −1 e assim resulta
y = 1 ±

x
3
+ 2x
2
+ 2x.
Observe que esta express˜ao fornece duas fun¸c˜oes que satisfazem a equa¸c˜ao diferencial
dada para x > 0, e tamb´em, a condi¸c˜ao inicial y(0) = 1.
Exemplo 2.5.3. Considere o problema de valor inicial
68
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
y

= y
1/3
, y(0) = 0 (∗ ∗ ∗),
para t ≥ 0. Aplique o Teorema 2.5.2, em seguida resolva o problema.
Notemos que a fun¸c˜ao f(t, y) = y
1/3
´e cont´ınua para todo (t, y), mas ∂f/∂y = 3/y
2/3
n˜ao ´e cont´ınua em y = 0. Portanto, o Teorema 2.5.2 n˜ao ´e aplic´avel neste problema, e
assim nada podemos concluir. Mas, pela Observa¸c˜ao 2.5.2 a continuidade de f garante
apenas a existˆencia de solu¸c˜oes.
Separando as vari´aveis e resolvendo, temos
3
2
y
2/3
= t +c, ou y =
_
2
3
(t + c)
_
3/2
.
A condi¸c˜ao inicial implica c = 0, de modo que
y = ϕ
1
(t) =
_
2
3
t
_
3/2
, t ≥ 0
satisfaz o problema (***). Por outro lado, a fun¸c˜ao
y = ϕ
2
(t) = −
_
2
3
t
_
3/2
, t ≥ 0
´e tamb´em solu¸c˜ao do problema de valor inicial. Al´em disso, temos a solu¸c˜ao trivial
y = ψ(t) = 0, t ≥ 0.
Pode-se mostrar que, para qualquer t
0
> 0, as fun¸c˜oes
y = h(t) =
_
_
_
0, se 0 ≤ t ≤ t
0
,
±
_
2
3
(t −t
0
)
¸
3/2
, se t ≥ t
0
s˜ao cont´ınuas, diferenci´aveis (em particular em t = t
0
) e solu¸c˜oes do problema de valor
inicial (***). Portanto, este problema admite infinitas solu¸c˜oes.
A n˜ao unicidade das solu¸c˜oes do problema acima n˜ao contradiz o teorema, pois ´este
n˜ao ´e aplic´avel dado que o ponto inicial perten¸ce ao eixo t. Se (t
0
, y
0
) ´e qualquer ponto que
69
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
n˜ao perten¸ce ao eixo t, o teorema garante a existˆencia de uma ´ unica solu¸c˜ao ao problema
de valor inicial, cujo gr´afico cont´em o ponto (t
0
, y
0
).
2.5.2 Intervalo de defini¸c˜ao
Pelo Teorema 2.5.1, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial linear
y

+p(t)y = g(t), y(t
0
) = y
0
,
existe em qualquer intervalo em torno de t = t
0
, no qual as fun¸c˜oes p e g s˜ao cont´ınuas.
Assim, ass´ıntotas verticais ou outras descontinuidades na solu¸c˜ao s´o podem acontecer em
pontos de descontinuidade de p ou de g.
Por exemplo, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
y

+
2
t
y = 4t, y(1) = 2,
que ´e a fun¸c˜ao y = t
2
+
1
t
2
, t > 0, ´e assint´otica ao eixo y, correspondendo `a descon-
tinuidade em t = 0 do coeficiente p(t) =
2
t
, mas n˜ao deixa de existir ou ser diferenci´avel
em outro ponto.
Por outro lado, para um problema de valor inicial n˜ao-linear satisfazendo as hip´oteses
do Teorema 2.5.2, o intervalo no qual a solu¸c˜ao existe, em geral, ´e dif´ıcil de determinar.
A solu¸c˜ao y = ϕ(t) existe quanto o ponto (t, ϕ(t)) esteja numa regi˜ao na qual as hip´oteses
do Teorema 2.5.2 sejam satisfeitas.
´
E isto que determina o valor de h no Teorema. No
entanto, como ϕ(t) ´e desconhecida, em geral, pode ser imposs´ıvel determinar o ponto
(t, ϕ(t)) em rela¸c˜ao a essa regi˜ao. De qualquer forma, o intervalo no qual existe uma
solu¸c˜ao pode n˜ao ter uma rela¸c˜ao simples com a fun¸c˜ao f na equa¸c˜ao diferencial y

=
f(t, y), como ilustrado no exemplo a seguir.
Exemplo 2.5.4. Resolva o problema de valor inicial
y

= y
2
, y(0) = 1,
70
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
e determinar o intervalo no qual a solu¸c˜ao existe.
Temos que f(t, y) = y
2
e ∂f/∂y = 2y s˜ao cont´ınuas em todo ponto (t, y). Portanto, o
Teorema 2.5.2 garante a existˆencia de solu¸c˜ao ´ unica. Para encontrar a solu¸c˜ao, separamos
as vari´aveis e integramos, obtendo assim
y = −
1
t +c
.
A condi¸c˜ao y(0) = 1 implica c = −1. Logo,
y =
1
1 −t
,
´e a solu¸c˜ao do problema de valor inicial dado. Como esta solu¸c˜ao torna-se ilimitada
quando t −→1, a solu¸c˜ao existe apenas no intervalo t < 1. Mas, nada indica na equa¸c˜ao
diferencial do problema, que o ponto t = 1 seja, de algum modo, especial.
Se a condi¸c˜ao inicial for substitu´ıda por y(0) = y
0
, ent˜ao a constante c = −
1
y
0
e seque
que
y =
y
0
1 −y
0
t
´e a solu¸c˜ao do problema de valor inicial. Notar que esta solu¸c˜ao torna-se ilimitada
quando t −→ 1/y
0
, de modo que o intervalo de existˆencia dessa solu¸c˜ao ´e −∞ < t <
1/y
0
, se y
0
> 0 e ´e 1/y
0
< t < ∞, se y
0
< 0. Assim, este exemplo ilustra uma outra
caracter´ıstica das equa¸c˜oes n˜ao-lineares: as singularidades da solu¸c˜ao podem depender,
de modo especial, tanto das condi¸c˜oes iniciais quanto da pr´opria equa¸c˜ao diferencial.
2.5.3 Solu¸c˜ao geral
Para equa¸c˜aoes lineares de primeira ordem, pode-se obter uma solu¸c˜ao geral con-
tendo uma constante arbitr´aria, a partir da qual s˜ao obtidas todas as solu¸c˜oes poss´ıveis
atribuindo valores a essa constante.
71
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Para equa¸c˜oes n˜ao-lineares, isso pode n˜ao acontecer. Mesmo que seja encontrada uma
solu¸c˜ao contendo uma constante arbitr´aria, podem existir outras solu¸c˜oes que n˜ao podem
ser obtidas atribuindo valores a essa constante. Um exemplo disto ´e a equa¸c˜ao diferencial
y

= y
2
cuja solu¸c˜ao, y = −
1
t +c
, cont´em uma constante arbitr´aria c, mas n˜ao inclui
todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial. Para ver isto, observar que y = 0, para todo
t, ´e solu¸c˜ao, mas n˜ao pode ser obtida da solu¸c˜ao encontrada, atribuindo um valor para
c. Assim, a existˆencia de solu¸c˜oes ”adicionais” n˜ao ´e raro para equa¸c˜oes n˜ao-lineares.
Portanto, usaremos a express˜ao solu¸c˜ao geral apenas para equa¸c˜oes lineares.
2.5.4 Solu¸c˜oes impl´ıcitas
Sabemos que, para um problema de valor inicial linear de primeira ordem, a express˜ao
y =

t
t
0
u(s)g(s)ds +y
0
µ(t)
,
fornece uma f´ormula expl´ıcita para a solu¸c˜ao y = ϕ(t). Desde que as integrais
necess´arias sejam encontradas, o valor da solu¸c˜ao em qualquer ponto pode ser deter-
minado substituindo o valor apropriado de t na equa¸c˜ao.
Para equa¸c˜oes n˜ao-lineares, a situa¸c˜ao ´e mais complicada. Em geral, o melhor que
pode-se esperar ´e encontrar uma equa¸c˜ao F(t, y) = 0 que seja satisfeita pela solu¸c˜ao
y = ϕ(t). Isso pode ser feito s´o para equa¸c˜oes diferenciais de determinado tipo, das quais
as separ´aveis s˜ao as mais importantes. A equa¸c˜ao F(t, y) = 0 ´e dita uma integral, ou
a primeira integral, da equa¸c˜ao diferencial e, como j´a sabemos, seu gr´afico ´e uma curva
integral, ou tal vez, uma fam´ılia de curvas integrais. Supondo que a equa¸c˜ao F(t, y) = 0
posssa ser encontrada, ela define a solu¸c˜ao impl´ıcitamente. Se F(t, y) = 0 for simples,
´e poss´ıvel obter uma f´ormula expl´ıcita para a solu¸c˜ao. No entanto, a maioria das vezes
isto n˜ao ser´a poss´ıvel e teremos que usar m´etodos num´ericos para determinar o valor de y
para um valor dado de t. Achados diversos pares de valores (t, y), ser´a ´ util esbo¸c´a-los num
gr´afico e tra¸car a curva integral. Esta situa¸c˜ao ´e a mais t´ıpica. Na maioria dos casos, n˜ao
72
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
ser´a poss´ıvel encontrar uma f´ormula impl´ıcita para a solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao n˜ao-linear
de primeira ordem.
Concluindo, para as equa¸c˜oes lineares, podemos resumir suas boas propriedades nas
seguintes afirma¸c˜oes:
1) Se os coeficientes s˜ao cont´ınuos, existe uma solu¸c˜ao geral contendo uma constante
arbitr´aria que inclui todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial. Uma solu¸c˜ao particular,
satisfazendo uma condi¸c˜ao inicial dada, pode ser obtida escolhendo o valor apropriado da
constante.
2) Existe uma f´ormula para a solu¸c˜ao, a saber
y =

t
t
0
u(s)g(s)ds +y
0
µ(t)
ou y =

u(s)g(s)ds +y
0
µ(t)
.
Al´em disso, embora contenha duas integra¸c˜oes, a f´ormula fornece uma solu¸c˜ao expl´ıcita.
3) Os poss´ıveis pontos de descontinuidade ou singularidade da solu¸c˜ao podem ser
identificados (sem resolver o problema) encontrando os pontos de descontinuidade dos
coeficientes. Assim, se os coeficientes s˜ao cont´ınuos, para todo t, ent˜ao a solu¸c˜ao existe e
´e cont´ınua, para todo t.
Nenhuma das afirma¸c˜oes acima, em geral, ´e v´alida para equa¸c˜oes n˜ao-lineares. En-
quanto uma equa¸c˜ao n˜ao-linear pode ter uma solu¸c˜ao envolvendo uma constante ar-
bitr´aria, podem existir outros tipos de solu¸c˜ao. N˜ao existe uma f´ormula geral para solu¸c˜oes
de equa¸c˜oes n˜ao-lineares. Se for poss´ıvel integrar uma equa¸c˜ao n˜ao-linear, provavelmente
ser´a obtida uma solu¸c˜ao na forma impl´ıcita. As singularidades das solu¸c˜oes de equa¸c˜oes
n˜ao-lineares podem ser encontradas, em geral, s´o quando se resolve a equa¸c˜ao e ´e exam-
inada a mesma. Essas singularidades, em geral, dependeram tanto da condi¸c˜ao inicial
quanto da equa¸c˜ao diferencial.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 2.5.1. Nos problemas seguintes, determinar um intervalo no qual a solu¸c˜ao
do problema de valor inicial existe
73
2.5 Equa¸c˜oes Lineares e n˜ao-Lineares
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
(a) (t −3)y1 + (lnt)y = 2t, y(1) = 2; (b) (4 −t
2
)y

+ 2ty = 3t
2
, y(−3) = 1.
Exerc´ıcio 2.5.2. Nos problemas seguintes, determinar a regi˜ao do plano ty onde as
hip´oteses do Teorema 2.5.2 s˜ao satisfeitas
(a) y

=
t −y
2t + 5y
; (b) y

= (1 −t
2
−y
2
)
1/2
; (c) y

= (t
2
+y
2
)
3/2
;
(d)
dy
dt
=
1 + t
2
3y −y
2
.
Exerc´ıcio 2.5.3. Nos casos seguintes, resolva o problema de valor inicial e determine de
que modo o intervalo no qual a solu¸c˜ao existe depende do valor inicial y
0
(a) y

= −4t/y, y(0) = y
0
; (b) y

= 2ty
2
, y(0) = y
0
;
(c) y

+y
3
= 0, y(0) = y
0
; (d) y

= t
2
/y(1 + t
2
), y(0) = y
0
.
Exerc´ıcio 2.5.4. (a) Verificar que as fun¸c˜oes y
1
(t) = 1−t e y
2
(t) = −t
2
/4 s˜ao solu¸c˜oes
do problema de valor inicial
y

=
−t + (t
2
+ 4y)
1/2
2
, y(2) = −1.
(b) Explicar por que a existˆencia de duas solu¸c˜oes do problema dado n˜ao contradiz a
parte da unicidade do Teorema 2.5.2.
(c) Mostrar que y = ct + c
2
, onde c ´e uma constante arbitr´aria, satisfaz a equa¸c˜ao
diferencial do item (a), para t ≥ −2c. Se c = −1, a condi¸c˜ao inicial tamb´em ´e satisfeita
e obt´em-se a solu¸c˜ao y = y
1
(t). Mostrar que n˜ao existe escolha de c que forne¸ca a solu¸c˜ao
y = y
2
(t).
Exerc´ıcio 2.5.5. (a) Mostrar que φ(t) = e
2t
´e uma solu¸c˜ao de y

−2y = 0 e que y = cφ(t)
tamb´em ´e solu¸c˜ao dessa equa¸c˜ao, para qualquer valor da constante c.
(b) Mostrar que φ(t) = 1/t ´e uma solu¸c˜ao de y

+y
2
= 0, para t > 0, mas que y = cφ(t)
n˜ao ´e solu¸c˜ao dessa equa¸c˜ao, a menos que que c = 0 ou c = 1.
74
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
Exerc´ıcio 2.5.6. Seja y = y
1
(t) uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao y

+ p(t)y = 0 (∗), e seja
y = y
2
(t) uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao y

+ p(t)y = g(t) (∗∗). Mostrar que y = y
1
(t) + y
2
(t)
tamb´em ´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (**).
2.6 Aplica¸c˜oes
Vamos dedicar esta se¸c˜ao ao estudo de algumas aplica¸c˜oes das equa¸c˜oes diferenciais de
primeira ordem, formulando modelos matem´aticos simples que permitam ilustrar a teoria
vista nas se¸c˜oes anteriores.
2.6.1 Aplica¸c˜oes na Mecˆanica
O estudo do movimento dos objetos do nosso universo constitui um ramo da Mecˆanica.
As trˆes leis do movimento de Newton formam a base fundamental desse estudo. Como o
nosso objetivo ´e estudar o movimento dos objetos com os quais lidamos no cotidiano, as
leis de Newton s˜ao precisas e suficientes.
Leis do movimento de Newton
Primeira Lei de Newton: Um objeto em repouso tende a permanecer em repouso,
enquanto que um objeto em movimento tende a permanecer em movimento, em linha reta
e com velocidade constante, a menos que atuem sobre ele for¸cas externas.
Segunda Lei de Newton: A velocidade ou intensidade, em rela¸c˜ao ao tempo, da
varia¸c˜ao da quantidade de movimento de um objeto ´e proporcional `a for¸ca agindo sobre
ele, tendo a mesma dire¸c˜ao e sentido.
Terceira Lei de Newton: A toda a¸c˜ao corresponde uma rea¸c˜ao igual e contr´aria.
A Segunda Lei de Newton fornece uma importante rela¸c˜ao conhecida da F´ısica ele-
mentar. A quantidade de movimento de um objeto ´e definido como o produto da sua
massa m pela velocidade v. Portanto, a intensidade da varia¸c˜ao, a respeito do tempo, da
quantidade de movimento ´e
d
dt
(mv). Se F ´e a for¸ca total atuando sobre o objeto, temos
75
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
d
dt
(mv) = kF,
onde k ´e a constante de proporcionalidade.
Se m ´e constante, podemos escrever
m
dv
dt
= kF, ou ma = kF, onde a =
dv
dt
.
O valor de k depende das unidades de medida escolhidos.
Outra forma de expressar a Segunda Lei de Newton ´e usar o peso do objeto no lugar da
massa. Observamos que para um objeto sobre o qual age seu pr´oprio peso W, a acelera¸c˜ao
correspondente ´e devida `a gravidade g. Assim, a for¸ca ´e W e a Segunda Lei de Newton
toma a forma W = mg. Logo, teremos
F
W
=
a
g
, ou F =
Wa
g
.
Se em algum problema, n˜ao s˜ao especificadas as unidades, pode ser usado qualquer
sistema, desde que as unidades sejam compat´ıveis.
Usando a nota¸c˜ao do C´alculo, podemos escrever a Segunda Lei de Newton de diferentes
formas. Assim, se x = x(t) ´e a posi¸c˜ao do objeto em qualquer instante, temos
F = m
dv
dt
= m
d
2
x
dt
2
, ou
F =
W
g
dv
dt
=
W
g
d
2
x
dt
2
.
Exemplo 2.6.1. Um objeto de massa m est´a caindo verticalmente pela a¸c˜ao da gravidade,
saindo do repouso.
(a) Estabelecer o problema de valor inicial e resolvˆe-lo.
(b) Qual distˆancia percorrida pelo objeto ap´os 2 segundos.
76
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
(a) Seja x = x(t) a posi¸c˜ao da massa em qualquer instante t. A velocidade instantˆanea
ser´a v = ds/dt e a acelera¸c˜ao a = d
2
x/dt
2
. A for¸ca total ´e F = mg e atua verticalmente
para baixo. Pela Segunda Lei de Newton, temos
m
dv
dt
= mg ou
dv
dt
= g.
Como a massa m parte do repouso, temos v(0) = 0. Assim, o problema de valor inicial
correspondente ´e
dv
dt
= g, v(0) = 0.
Observamos que a equa¸c˜ao diferencial ´e separ´avel, integrando obtemos v = gt + c
1
.
Como v(0) = 0, ent˜ao c
1
= 0. Assim, v(t) = gt, ou seja, dx/dt = gt. Integrando
novamente, obtemos x(t) =
1
2
gt
2
+ c
2
. Agora, observar que x(0) = 0, pois podemos
supor o objeto saindo da origem das coordenadas. Assim, esta condi¸c˜ao implica c
2
= 0.
Portanto, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial ´e x(t) =
1
2
gt
2
.
(b) Neste caso temos a acelera¸c˜ao da gravidade g = 980cm/s
2
. Assim
x(2) =
1
2
· 980cm/s
2
· (2s)
2
= 1960cm.
Exemplo 2.6.2. Uma bola ´e lan¸cada verticalmente para cima com uma velocidade inicial
de 39, 2m/s.
(a) Qual ser´a a sua velocidade ap´os 2, 4 e 6s?.
(b) Qual ser´a o tempo de retorno a sua posi¸c˜ao inicial?.
(c) Qual ser´a a altura m´axima atingida antes de voltar?
Neste caso, x = x(t) representa a posi¸c˜ao da bola (no sentido vertical) em qualquer
instante t e temos que x(0) = 0. A bola est´a submetida a uma for¸ca, seu peso, igual a
−mg (para baixo). Como v = dx/dt, o problema de valor inicial ´e
m
dv
dt
= −mg, ou
dv
dt
= −g, v(0) = 39, 2.
77
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Integrando, obtemos v(t) = −gt + c
1
. A condi¸c˜ao v(0) = 39, 2 implica c
1
= 39, 2.
Assim v(t) = −gt + 39, 2 = −9, 8t + 39, 2.
Integrando novamente, obtemos x(t) = −
1
2
gt
2
+39, 2t +c
2
. Dado que x(0) = 0, ent˜ao
c
2
= 0 e assim x(t) = −
1
2
gt
2
+ 39, 2t = −4, 9t
2
+ 39, 2t.
(a) Velocidades ap´os de 2, 4, 6 segundos: Como v(t) = −9, 8t + 39, 2, ent˜ao
v(2) = 19, 9m/s, ´e velocidade com que a bola est´a subindo.
v(4) = 0, ou seja, a bola parou de subir.
v(6) = −19, 6m/s, ´e a velocidade com que a bola est´a descendo logo que parou de
subir.
(b) Tempo de retorno a sua posi¸c˜ao inicial: Isto se verifica quando −4, 9t
2
+ 39, 2t =
t(−4, 9t + 39, 2) = 0. Segue que t = 0 ou t = 8. O valor t = 0 ´e o trivial pois x(0) = 0.
Assim, a bola demora t = 8seg. para voltar a sua posi¸c˜ao inicial.
(c) Altura m´axima atingida: Ser´a atingida a altura m´axima quando v = dx/dt = 0.
Assim, −9, 8t +39, 2 = 0 implica t = 4. Assim, x(4) = 78, 4m ´e a altura m´axima atingida.
Exemplo 2.6.3. Um paraquedista est´a caindo, partindo do repouso. O peso (paraquedas
e paraquedista) ´e W quilogramas. Sobre o paraquedas age uma for¸ca (devida `a resistˆencia
do ar) proporcional a sua velocidade instantˆanea durante a queda. Supondo que a queda ´e
vertical e o paraquedas se abre no momento do salto, descrever o movimento resultante.
As for¸cas agindo sobre o paraquedista sa˜o: O peso combinado W, orientado para
baixo e, a for¸ca de resistˆencia do ar R, orientada para cima. Assim, a for¸ca resultante
ser´a W −R.
Temos que R = βv, onde β ´e a constante de proporcionalidade e v a velocidade, a
qual ser´a sempre positiva. Portanto, a for¸ca resultante ´e W −βv, e pela Segunda Lei de
Newton, temos
W
g
dv
dt
= W −βv, v(0) = 0.
Por separa¸c˜ao de vari´aveis e integrando, resulta
78
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes

Wdv
W −βv
=

gdt, ou −
W
g
ln(W −βv) = gt + c
1
.
A condi¸c˜ao v(0) = 0 implica c
1
= −
WlnW
β
e portanto

W
g
ln(W −βv) = gt −
W
g
lnW, ou ln
_
W
W −βv
_
=
βgt
W
.
Assim
v(t) =
W
β
(1 −e
−βgt/W
).
Observar que quando t −→ ∞, a velocidade v aproxima-se de W/g, uma velocidade
limite constante. Isto explica o porque os paraquedistas descem a velocidades quase
constantes, logo ap´os de um certo tempo.
Podemos determinar tamb´em a distˆancia x(t). percorrida pelo paraquedista.
De
dx
dt
=
W
β
(1 −e
−βgt/W
),
obtemos
x(t) =
W
β
_
t +
W
βg
e
−βgt/W
_
+c
2
.
Como x(0) = 0, ent˜ao c
2
= −W
2

2
g. Portanto
x(t) =
W
β
_
t +
W
βg
e
−βgt/W

W
βg
_
.
2.6.2 Aplica¸c˜oes em Circuitos El´etricos
Assim como a Mecˆanica Cl´assica baseia-se nas leis de Newton, a eletricidade possui leis
que descrevem o comportamento dos circuitos el´etricos. Essas leis s˜ao conhecidas como
as Leis de Kirchhoff descobertas pelo f´ısico russo Gustav Robert Kirchhoff (1824-1887).
Na verdade, a teoria el´etrica esta governada por um conjunto de equa¸c˜oes mais gerais,
79
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
conhecidas como Equa¸c˜ oes de Maxwell. Mas, para os nossos prop´ositos, bastam as leis de
Kirchhoff, das quais faremos uma breve apresenta¸c˜ao.
O circuito el´etrico mais simples ´e aquele em s´erie e cont´em uma for¸ca eletromotriz E,
que atua como fonte de energia (uma bateria ou um gerador) e um resistor R (resistˆencia),
que usa essa energia (uma lˆampada, por exemplo).
Da f´ısica elementar, sabe-se que E relaciona-se com a intensidade I da energia. A lei
estabelece que a intensidade I da corrente el´etrica (num circuito que cont´em s´o uma for¸ca
eletromotriz e uma resistor) ´e diretamente proporcional `a E. Expressamos isso na forma
E = RI,
onde R ´e a constante de proporcionalidade, ou simplesmente, resistˆencia. Na pr´atica,
as unidades usadas s˜ao volts, para E, amp´eres para I e ohms para R. A equa¸c˜ao acima
´e conhecida como a lei de Ohm.
Mais complicados, mas pr´aticos, s˜ao os circuitos formados por elementos distintos
dos resistores. Dois destes elementos s˜ao os indutores (ou bobinas de indu¸c˜ao) e os
condensadores (capacitores). Um indutor se op˜oe `a varia¸ c˜ao da intensidade da corrente
el´etrica; ele tem um efeito de inercia, similar ao que tem a massa na mecˆanica; um
condensador ´e um elemento que armazena energia.
Na f´ısica, diz-se em queda de voltagem (queda de potˆencial ou diferencial de potˆencial)
atrav´es de um elemento do circuito. Experimentalmente s˜ao verificadas as leis seguintes:
1. A queda de voltagem atrav´es de um resistor ´e proporcional `a intensidade da corrente
el´etrica passando por essa resistˆencia.
Se E
R
´e a queda de voltagem em R e I a intensidade da corrente el´etrica, ent˜ao
E
R
= RI.
2. A queda de voltagem atrav´es de um indutor ´e proporcional `a raz˜ao da varia¸ c˜ao
instantˆanea da corrente el´etrica.
Se E
L
´e a queda de voltagem no indutor, ent˜ao E
L
= L
dI
dt
, onde L ´e a constante de
proporcionalidade, chamada coeficiente de indu¸c˜ao ou simplesmente indutˆancia.
80
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
3. A queda de voltagem num condensador ´e proporcional `a carga el´etrica instantˆanea
do condensador.
Se E
C
´e a queda de voltagem no condensador e Q a carga instantˆanea, ent˜ao E
C
=
Q
C
,
onde toma-se 1/C como constante de proporcionalidade. C ´e conhecida como coeficiente
de capacidade el´etrica ou capacitˆancia. Usaremos henry para L, farady para C e coulomb
para Q, como unidades de medida.
Lei de Kirchhoff: A soma alg´ebrica das quedas de voltagem ao redor de um circuito
el´etrico ´e zero.
Se o circuito el´etrico ´e formado por uma for¸ca eletromotriz E, um resistor R e uma
indutˆancia L, segundo a lei de Kirchhoff, temos a equa¸c˜ao diferencial
L
dI
dt
+RI = E.
Agora, suponha um circuito el´etrico formado por uma for¸ca eletromotriz E, conectado
em s´erie com um resistor R e um condensador C. Neste caso, a queda de voltagem no
resistor ´e RI e no condensador ´e Q/C, de modo que, pela lei de Kirchhoff, temos
RI +
Q
C
= E.
Mas, esta express˜ao n˜ao ´e uma equa¸c˜ao diferencial. No entanto, como I = dQ/dt, ou
seja, a intensidade da corrente el´etrica ´e a varia¸ c˜ao da carga el´etrica, resulta a equa¸c˜ao
diferencial da carga instantˆanea
R
dQ
dt
+
Q
C
= E.
Exemplo 2.6.4. Um gerador, cuja for¸ca eletromotriz ´e 100 volts ´e conectado em s´erie
com um resistor de 10 ohms e uma indutˆancia de 2 henrys. Se o interruptor fecha-se
quando t = 0, estabelecer a equa¸c˜ao diferencial para I e determinar I(t).
Segundo a lei de Kirchhoff, temos
81
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
100 = 10I + 2
dI
dt
, ou
dI
dt
+ 5I = 50.
Como o interruptor encontra-se fechado quando t = 0, a condi¸c˜ao inicial ´e I(0) = 0.
A equa¸c˜ao diferencial acima ´e linear de primeira ordem, cujo fator integrante ´e µ(t) =
e
5t
. Multiplicando por esse fator integrante e resolvendo, temos
I(t) = 10 +ce
−5t
.
A condi¸c˜ao I(0) = 0, implica c = −10. Assim, I(t) = 10(1 −e
−5t
) ´e a intensidade da
corrente instantˆanea.
Observar que, de fato, I(0) = 0 e que aumenta at´e, no m´aximo 10 ampˆeres, quando
t −→∞.
Exemplo 2.6.5. Resolver o exemplo anterior, substituindo o gerador de 100 volts por um
outro de 20cos5t volts.
Neste caso, a equa¸c˜ao diferencial ´e da forma
dI
dt
+ 5I = 10cos5t.
Multiplicando pelo fator integrante µ(t) = e
5t
, resulta
d
dt
(e
5t
I) = 10e
5t
cos5t.
e
5t
I = 10

e
5t
dt = e
5t
(cos5t +sen5t) +c,
Segue que I(t) = cos5t+sen5t+ce
−5t
. A condi¸c˜ao I(0) = 0 implica c = −1 e portanto
temos a solu¸c˜ao
I(t) = cos5t +sen5t −e
−5t
.
82
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
Exemplo 2.6.6. Uma for¸ca eletromotriz decrescente E = 200e
−5t
, ´e conectada, em s´erie,
com um resistor de 20 ohms e um condensador de 0, 01 faradys. Supondo que a carga
el´etrica inicial ´e zero, determinar
(a) A carga e intensidade el´etrica instantˆaneas.
(b) Mostrar que a carga el´etrica atinge um m´aximo, determinar esse valor m´aximo e
calcular o tempo necess´ario para ating´ı-lo.
Temos E = 200e
−5t
, queda de voltagem no resistor, 20I, queda de voltagem no con-
densador, Q/0, 01 = 100Q. Portanto, segundo a lei de Kirchhoff, resulta 20I + 100Q =
200e
−5t
. Como I = dQ/dt, temos a equa¸c˜ao diferencial
dQ
dt
+ 5Q = 10e
−5t
.
Agora, sendo µ(t) = e
5t
um fator integrante, temos
d
dt
(Qe
5t
) = 10, ou Qe
5t
= 10t +c.
Como Q(0) = 0, ent˜ao c = 0. Assim, Q(t) = 10te
−5t
.
Intensidade da corrente el´etrica instant´anea: Como I = dQ/dt, ent˜ao
I =
d
dt
(10te
−5t
) = 10e
−5t
−50te
−5t
.
Carga m´axima: Para determinar quando Q ´e m´axima, fazemos dQ/dt = 0, ou seja,
I = 0. Temos que
10e
−5t
−50te
−5t
= 0, ou seja t = 1/5seg.
`
E f´acil verificar que este valor de t fornece, de fato, um m´aximo de Q. O valor da
carga m´axima ´e, portanto
Q(1/5) = 10 ·
1
5
· e
−1
≈ 0, 74 coulombs.
83
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
2.6.3 Aplica¸c˜oes na Geometria
1. Fam´ılias de curvas e trajetorias ortogonais. Suponha uma fam´ılia de cur-
vas. Podemos considerar uma outra fam´ılia de curvas onde cada membro desta corte
ortogonalmente a cada membro da primeira fam´ılia em cada ponto. Dizemos que estas
fam´ılias s˜ao mutuamente ortogonais ou que cada fam´ılia forma um conjunto de trajet´orias
ortogonais da outra fam´ılia.
As aplica¸c˜oes das trajetorias ortogonais s˜ao in´ umeras na f´ısica e na engenharia. Por
exemplo, considere um mapa metereol´ogico. As curvas, chamadas de isobaras, unem
cidades com a mesma press˜ao barom´etrica. As trajetorias ortogonais da fam´ılia de isobaras
indicam a dire¸c˜ao geral do vento, das ´areas de maior `a menor press˜ao.
No cap´ıtulo 1 vimos como obter a equa¸c˜ao diferencial de uma fam´ılia de curvas
f(x, y) = c, derivando-as at´e eliminar as constantes arbitr´arias. Agora, o problema ´e
obter a fam´ılia de trajetorias ortogonais.
A equa¸c˜ao diferencial da fam´ılia f(x, y) = c ´e dada por
df =
∂f
∂x
dx +
∂f
∂y
dy = 0, ou
dy
dx
= −
∂f/∂x
∂f/∂y
. (2.65)
Agora, a inclina¸c˜ao das trajetorias ortogonais deve ser a rec´ıproca negativa da in-
clina¸c˜ao 2.65. Assim, a equa¸c˜ao diferencial da fam´ılia de trajetorias ortogonais ´e
dy
dx
= −
∂f/∂x
∂f/∂y
. (2.66)
As trajetorias ortogonais s˜ao obtidas resolvendo esta equa¸c˜ao.
Exemplo 2.6.7. Determinar as trajetorias ortogonais da fam´ılia de curvas x
2
+y
2
= cx.
Derivando esta express˜ao em rela¸c˜ao a x, obtemos 2x +2yy

= c. Da equa¸c˜ao original
temos c = (x
2
+y
2
)/x. Resultando,
dy
dx
= y

=
y
2
−x
2
2xy
.
84
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
Portanto, a fam´ılia de trajetorias ortogonais tem por equa¸c˜ao
dy
dx
=
2xy
x
2
−y
2
.
Observamos que esta equa¸c˜ao ´e homogˆenea e pode ser escrita na forma
dy
dx
=
2y/x
1 −(y/x)
2
.
Fazendo y = vx, temos
1 −v
2
v(1 +v
2
)
dv =
dx
x
.
Integrando obtemos a solu¸c˜ao x
2
+y
2
= c
1
x. Esta ´e a fam´ılia de trajetorias ortogonais
procurada.
Exemplo 2.6.8. Encontrar as trajetorias ortogonais da fam´ılia de curvas y = x +ce
−x
e
determinar a curva passando pelo ponto (0, 3).
Derivando a curva dada temos y

= 1 − ce
−x
. Eliminado a constante c, resulta em
y

= 1 + x − y. Portanto, a equa¸c˜ao diferencial da fam´ılia de trajetorias ortogonais est´a
dada por
dy
dx
=
−1
1 + x −y
.
Escrevemos a equa¸c˜ao acima na forma dx+(1+x−y)dy = 0 e assim temos M(x, y) =
1, N(x, y) = 1 + x − y. Como M
y
= 0 ̸= N
x
= 1, a equa¸c˜ao n˜ao ´e exata. Calculando
as express˜oes (M
y
− N
x
)/N = −1/(1 + x − y) e (N
x
− M
y
)/M = 1, observamos que o
fator integrante ´e µ(y) = e
y
. Assim, multiplicando a equa¸c˜ao diferencial por esse fator
integrante, transfoma-se numa equa¸c˜ao exata. Resolvendo, obtemos a solu¸c˜ao
xe
y
−e
y
(y −2) = c
0
Finalmente, a curva passando por (0, 3) ´e x −y + 2 +e
3−y
= 0.
85
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exemplo 2.6.9. A inclina¸c˜ao de uma curva num ponto (x, y) ´e 2x + 3y. Se a curva
passa pela origem, determinar a sua equa¸c˜ao.
Temos, pela hip´otese, a equa¸c˜ao diferencial dy/dx = 2x + 3y, sujeita `a condi¸c˜ao
y(0) = 0. O fator integrante ´e µ(x) = e
−3x
. Multiplicando pela equa¸c˜ao, resulta em
d
dx
(ye
−3x
) = 2xe
−3x
, ou ye
−3x
=
−2xe
−3x
3

2e
−3x
9
+c. (2.67)
A condi¸c˜ao inicial implica c = 2/9 e portanto temos que
y =
2
9
e
3x

2x
3

2
9
,
´e a equa¸c˜ao da curva procurada.
Exemplo 2.6.10. A interse¸c˜ao com o eixo x, da tangente a uma curva num ponto (x, y)
dela, sempre est´a a
1
2
x. Se a curva passa pelo ponto (1, 2), determinar a sua equa¸c˜ao.
Seja y

a inclina¸c˜ao da reta tangente T `a curva. Vamos determinar a abscissa na
origem desta reta tangente. Seja (X, Y ) um ponto qualquer de T. A sua equa¸c˜ao ´e dada
por Y − y = y

(X − x). Quando Y = 0 resulta X = x −
y
y

. Logo, a equa¸c˜ao diferencial
procurada ´e
x −
y
y

=
1
2
x, ou
dy
dx
=
2y
x
, com y(1) = 2.
Resolvendo, temos que y = 2x
2
´e a equa¸c˜ao da curva procurada.
2.6.4 Aplica¸c˜oes na Qu´ımica
Existem v´arias aplica¸c˜oes das equa¸c˜aoes diferenciais `a processos qu´ımicos. Algumas
delas ilustramos nos exemplos a seguir.
Exemplo 2.6.11. Um tanque se enche com 40 litros de salmoura, que cont´em 2, 5 kg de
sal dissolvidos. Depois ´e colocado no tanque, a um gasto de 8 litros por minuto, salmoura
86
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
que cont´em 0, 4 kg de sal por litro e essa mistura, bem agitada, sai do tanque com o mesmo
gasto.
(a) Determinar a quantidade de sal instantˆanea contida no tanque.
(b) Quanto de sal cont´em o tanque depois de 10 minutos?
(c) Quanto de sal ter´a quando t −→∞?
Seja s o n´ umero de quilogramas de sal presentes no tanque no instante t. Ent˜ao ds/dt
representa a varia¸ c˜ao da quantidade de sal no tempo. Essa varia¸c˜ao ´e dada por
ds
dt
= quantidade ganha - quantidade perdida.
Como entram 8 litros por minuto, que cont´em 0, 4 kg de sal por litro, temos que a
quantidade de sal que entra por minuto ´e 8 l/m·0, 4 kg./l = 3, 2 kg/m. Esta ´e a propor¸c˜ao
em que aumenta a quantidade de sal.
Por outro lado, como o tanque cont´em sempre 40 litros de sal e h´a s kg de sal a
qualquer instante t, a concentra¸ c˜ao de sal no instante t ´e de s kg por 40 litros. Assim, a
quantidade sal que sai por minuto ´e s kg./40 l. · 8 l./m. = s kg./5 m.
Portanto, a equa¸c˜ao que descreve o processo acima ´e dada por
ds
dt
= 3, 2 −
s
5
.
A condi¸c˜ao inicial ´e s(0) = 2, 5, pois inicialmente o tanque tinha 2, 5 kg. de sal.
Usando separa¸c˜ao de vari´aveis temos a solu¸c˜ao −ln(16−s) =
t
5
+c. A condi¸c˜ao inicial
implica c = −ln13, 5. Portanto
s(t) = 16 −13, 5e
−t/5
´e a quantidade instant´anea de sal no tanque.
87
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Depois de 10 minutos, a quantidade de sal ser´a s(10) = 14, 2 kg. e quando t −→ ∞,
teremos que s −→ 16 kg. Isto pode-se obter tamb´em a partir da equa¸c˜ao diferencial,
fazendo ds/dt = 0, pois s ser´a constante ao atingir condi¸c˜oes de equilibrio.
Exemplo 2.6.12. Dois produtos qu´ımicos, A e B, reagem para formar um novo produto
C. Observa-se que a velocidade com que se forma C varia de acordo com `as quantidades
instantˆaneas presentes dos produtos A e B. A forma¸c˜ao de C requer de 2 kg de A por
cada quilograma de B. Se inicialmente h´a 10 kg de A e 20 kg. de B e se em 20 minutos
tem se formado 6 kg de C determinar a quantidade instantˆanea de C.
Se x(t) kg ´e a quantidade instantˆanea de C, ent˜ao dx/dt ´e a velocidade de forma¸c˜ao.
Assim, para formar x kg de C precisaremos de 2x/3 kg de A e x/3 kg de B, pois precisa-
se o dobro de A do que de B. Portanto, a quantidade de A presente no instante t, em
que tem se formado x kg de C, ser´a 10 − 2x/3 e a quantidade de B ser´a 20 − x/3. Em
consequˆencia temos
dx
dt
= λ(10 −
2x
3
)(20 −
x
3
), ou
dx
dt
= δ(15 −x)(60 −x),
onde λ, δ s˜ao constantes de proporcionalidade.
Existem duas condi¸c˜oes. Temos x(0) = 0, pois no in´ıcio n˜ao temos o produto C
e x(1/3) = 6, pois em 20 minutos se formaram 6 kg. de C. Precisaremos de ambas
condi¸c˜oes; uma para achar δ e outra para achar a constante da integra¸c˜ao.
Separando as vari´aveis e integrando, resulta

dx
(15 −x)(60 −x)
=
1
45
∫ _
1
15 −x

1
60 −x
_
dx =
1
45
ln
_
60 −x
15 −x
_
=

δdt,
ou seja,
60 −x
15 −x
= ce
45δt
.
Temos que x(0) = 0 implica c = 4. Assim
88
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
60 −x
15 −x
= 4e
45δt
.
De outro lado, como x(1/3) = 6, resulta que e
15δ
= 3/2. Portanto
60 −x
15 −x
= 4(e
15δ
)
3t
= 4
_
3
2
_
3t
,
de onde obtemos
x =
15[1 −(
2
3
)
3t
]
1 −
1
4
(
2
3
)
3t
.
Observar que x −→15, quando t −→∞.
Este problema ´e um caso particular da Lei da a¸c˜ao das massas, fundamental na teoria
das velocidades das rea¸c˜oes qu´ımicas.
2.6.5 Aplica¸c˜oes `a temperatura e desintegra¸c˜ao radiativa
Nesta se¸c˜ao apresentamos dois problemas. O primeiro relativo `a temperatura e o
segundo relativo ao fenˆomeno da desintegra¸c˜ao radiativa.
Exemplo 2.6.13. Ferve-se `agua at´e seu ponto de ebuli¸c˜ao, 100

C. Retira-se logo do fogo
e coloca-se num recipiente que se encontra a uma temperatura constante de 60

C. Ap´os
de 3 minutos, a temperatura da `agua ´e 90

C.
(a) Calcular a temperatura da `agua ap´os de 6 minutos.
(b) Em quanto tempo a temperatura da ´agua ser´a de 75

C.?
(c) Em quanto tempo a temperatura da ´agua ser´a de 61

C.?
Seja U(t) a temperatura da ´agua, t minutos ap´os de retirada do fogo. A diferen¸ca de
temperaturas entre o ´agua e o recipiente ´e U(t) −60. Denotamos por dU/dt a velocidade
da varia¸c˜ao de U(t). Baseados na experiˆencia, espera-se que a temperatura mude mais
rapidamente quando U(t)−60 seja maior e mais lentamente quando U(t)−60 seja menor.
Efetuemos um experimento no qual temos as temperaturas a diversos intervalos de tempo,
89
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
sendo △U e △t as mudan¸cas de temperatura e tempo, respectivamente, nos que tem
acontecido tais mudan¸cas. Tomando valores pequenos de △t, conseguimos que △U/△t
tenha um valor muito pr´oximo de dU/dt. Se tentamos representar -△U/△t em termos
de U(t) − 60, obteremos um conjunto de pontos muito pr´oximos em torno de uma reta.
Em vista disto, podemos supor que dU/dt ´e proporcional a U(t) −60, ou seja
dU
dt
= c(U(t) −60),
onde c ´e uma constante de proporcionalidade.
Agora, como dU/dt > 0, quando U(t) − 60 > 0, fazemos c = −k, com k > 0. Assim,
temos o problema de valor inicial
dU
dt
= −k(U(t) −60), com U(0) = 100 e U(3) = 90.
Na F´ısica, esta equa¸c˜ao ´e conhecida com a Lei de enfriamento de Newton e ´e muito
´ util em diversos problemas sobre temperaturas.
Separando vari´aveis e resolvendo, resulta ln(U(t) − 60) = −kt + c
1
, de onde temos
U(t) −60 = ce
−kt
.
A condi¸c˜ao U(0) = 100 implica c = 40. Assim, U(t) − 60 = 40e
−kt
. Al´em disso,
U(3) = 90 implica e
−3k
= 3/4, ou seja, e
−k
= (3/4)
1/3
. Portanto
U(t) −60 = 40(e
−k
)
t
= 40(3/4)
t/3
,
ou seja
U(t) = 60 + 40(3/4)
t/3
,
Agora, a temperatura logo ap´os de 6 minutos ´e U(6) = 82, 5

C.
De outro lado, se U(t) = 75

C., ent˜ao 75 = 60 + 40(3/4)
t/3
, de onde resulta t = 10, 2
minutos. Do mesmo modo, se U(t) = 61, ent˜ao 61 = 60 + 40(3/4)
t/3
, de onde resulta
90
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
t = 38, 5 minutos. Assim, ap´os de 10, 2 minutos, a temperatura da `agua cai de 100

C.
at´e 75

C. e devem transcurrir 38, 5 minutos para que des¸ca de 100

C. at´e 61

C.
Experimentalmente, ´e estabelecida o seguinte princ´ıpio
Lei da desintegra¸c˜ao radioativa: A velocidade de desintegra¸c˜ao de um elemento
radioativo ´e proporcional `a quantidade presente do elemento, em qualquer instante.
Exemplo 2.6.14. Observa-se que o 0, 5 % do r´adio desapare¸ ce em 12 anos.
(a) Que porcentagem desaparecer´a em 1000 anos?
(b) Qual ´e o per´ıodo de semi-desintegra¸c˜ao ou meia vida do r´adio?
Seja A a quantidade de r´adio presente no tempo t, expressa em gramas. Ent˜ao dA/dt
representa a velocidade de desintegra¸c˜ao do r´adio. Assim, de acordo com a lei de desin-
tegra¸c˜ao radioativa, temos dA/dt = αA, onde α ´e uma constante de proporcionalidade.
Como A > 0 e decrescente, ent˜ao dA/dt < 0 e, portanto, α deve ser negativa. Fazendo
α = −k, temos
dA
dt
= −kA.
Seja A
0
a quantidade de r´adio, em gramas, existente inicialmente. Ent˜ao, em 12
anos, desaparecem 0, 005A
0
gramas, sobrando 0, 995A
0
gramas. Em consequˆencia A(0) =
A
0
, e A(12) = 0, 995A
0
.
Agora, separando vari´aveis e integrando, resulta
lnA = −kt +c
1
, ou A = ce
−kt
.
Como A(0) = A
0
, temos que c = A
0
. Assim resulta A = A
0
e
−kt
.
De outro lado, a condi¸c˜ao A(12) = 0, 995A
0
implica
0, 995A
0
= A
0
e
−12k
, ou e
−12k
= 0, 995, ou e
−k
= (0, 995)
1/12
. (∗)
Em consequˆencia
91
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
A = A
0
e
−kt
= A
0
(e
−k
)
t
= A
0
(0, 995)
t/12
.
Tamb´em, de (*) podemos obter k = 0, 00418 e ent˜ao A = A
0
e
0,000418t
.
Assim, para t = 1000 anos obtemos que A = 0, 658A
0
, ou seja, em 1000 anos desa-
parecer´a 34, 2%.
O per´ıodo de semi-desintegra¸c˜ao ou meia vida de uma substˆancia radioativa defina-se
como o tempo necess´ario para que desapare¸ca o 50% da substˆancia. Assim, no nosso caso,
queremos determinar o tempo t em que A =
1
2
A
0
. Temos, portanto, que e
0,000418t
= 1/2,
de onde, t = 1660 anos, aproximadamente.
Exerc´ıcio 2.6.1. Uma massa de 25 gramas cai, partindo do repouso, sob a a¸c˜ao da
gravidade.
(a) Estabelecer a equa¸c˜ao diferencial que descreve o movimento e as condi¸c˜oes necess´arias.
(b) Determinar a distˆancia percorrida e a velocidade atingida 3 segundos ap´os de
iniciado o movimento.
(c) Qual ´e a distˆancia percorrida entre o terceiro e quarto segundos?
Exerc´ıcio 2.6.2. Desde uma altura de 400 metros se deixa cair uma massa de 3 kg.
Supondo que n˜ao h`a resistˆencia do ar, com que velocidade e em quanto tempo chega no
ch˜ao?
Exerc´ıcio 2.6.3. Mostrar que uma bola lan¸cada verticalmente demora em voltar a sua
posi¸c˜ao inicial, o dobro do tempo em que atinge sua altura m´axima. Determinar a veloci-
dade quanto volta a sua posi¸c˜ao inicial.
Exerc´ıcio 2.6.4. Um resistor de 4 ohms e uma indutˆancia de 1 henry est˜ao conectados
em s´erie a uma for¸ca eletromotriz de 100e
−4t
cos50t volts, com t ≥ 0. Determinar I(t),
sabendo que I(0) = 0.
Exerc´ıcio 2.6.5. Um resistor de 20 ohms est´a conectado, em s´erie, a um condensador
de 0, 01 farady e uma for¸ca eletromotriz de 40e
−3t
+ 20e
−6t
volts. Se Q(0) = 0, mostrar
que a carga el´etrica m´axima do condensador ´e de 0, 25 coulombs.
92
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem 2.6 Aplica¸c˜oes
Exerc´ıcio 2.6.6. Determine o valor da constante a para que a fam´ılia de curvas y
3
= c
1
x
seja ortogonal `a x
2
+ay
2
= c
2
.
Exerc´ıcio 2.6.7. Verificar que as trajetorias ortogonais da fam´ılia de curvas param´etricas
x = ae
t
cost, y = ae
t
sent s˜ao x = be
−t
cost, y = be
−t
sent.
Exerc´ıcio 2.6.8. O produto qu´ımico A transforma-se em outro B. A velocidade a que
se forma B varia diretamente proporcional `a quantidade de A em cada instante t. Se
inicialmente est˜ao presentes 10 kg. de A e em uma hora, 3 kg. se transformaram em B,
(a) Que quantidade de A haver´a se transformado ap´os de 2, 3, e 4 horas?
(b) Em quanto tempo se transformar´a o 75% do produto A?
(Este tipo de rea¸c˜ao chama-se rea¸c˜ao de primeira ordem).
Exerc´ıcio 2.6.9. Um produto qu´ımico C ´e produzido a partir de uma rea¸c˜ao dos produtos
A e B. A velocidade de forma¸c˜ao de C varia com o produto das quantidades instant´aneas
de A e B. A forma¸c˜ao requer 3 kg de A por cada 2 kg. de B. Se inicialmente se tem 60
kg. de A e B e em uma hora se formam 15 kg de C,
(a) Determinar a quantidade de C formada a qualquer instante.
(b) A quantidade de C formada ap´os de 2 horas.
(c) A quantidade m´axima de C que pode se formar.
Exerc´ıcio 2.6.10. 11) A temperatura da ´agua sobe, de 10

C. a 20

C. em 5 minutos,
quando ´e colocada num recinto cuja temperatura ´e de 40

C.
(a) Determinar a temperatura ap´os de 20 minutos.
(b) Quando a temperatura ser´a de 25

C?
Exerc´ıcio 2.6.11. Calcular o per´ıodo de semi-desintegra¸c˜ao de uma substˆancia radioativa
se em 10 anos desapare¸ce o 25% dela.
Exerc´ıcio 2.6.12. A popula¸c˜ao de bact´erias de uma certa cultura aumentam com uma
intensidade proporcional ao n´ umero presente a cada instante. Se em 1/2 hora o n´ umero
original aumenta em 50%, em quantas horas pode se esperar que se tenha o triplo do
n´ umero original?
93
2.6 Aplica¸c˜oes
Equa¸c˜oes Diferenciais Ordin´arias
de Primeira Ordem
Exerc´ıcio 2.6.13. A popula¸c˜ao de bact´erias de uma certa cultura cresce a uma taxa
proporcional ao n´ umero de bact´erias presentes a cada instante. Ap´os de 3 horas, observa-
se que h´a 400 bact´erias presentes e que ap´os 10 horas, existem 2000. Qual era o n´ umero
inicial de bact´erias?
Exerc´ıcio 2.6.14. Sabe-se que a popula¸c˜ao de uma certa comunidade cresce a uma taxa
proporcional ao n´ umero de pessoas presentes em qualquer instante. Se a popula¸c˜ao dupli-
cou em 5 anos, quando ela triplicar´a? Quando quadruplicar´a?
Exerc´ıcio 2.6.15. Determinar a equa¸c˜ao de uma fam´ılia de curvas tal que sua inclina¸c˜ao
em qualquer ponto seja a soma da metade da ordenada e o dobro da abscissa do ponto.
17) A equa¸c˜ao diferencial
dP
dt
= (kcost)P,
onde k > 0 ´e uma constante, ´e usada frequentemente como modelo de uma popula¸c˜ao
sujeita `a flutua¸c˜oes sazonais. Determinar P(t), supondo P(0) = P
0
.
Exerc´ıcio 2.6.16. Em um modelo de varia¸c˜ao populacional P(t) de uma comunidade,
temos
dP
dt
=
dB
dt

dD
dt
,
em que db/dt e dD/dt s˜ao taxas de nascimento e de ´obito, respectivamente.
(a) Resolver a equa¸c˜ ao para P(t), se
dB
dt
= αP, e
dD
dt
= βP.
(b) Analisar os casos α > β, α = β, α < β.
94
Cap´ıtulo 3
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda
Ordem
3.1 Introdu¸c˜ao
Neste Cap´ıtulo abordaremos as equa¸c˜oes lineares de segunda ordem de grande relˆancia
te´orica e pr´atica em matem´atica , essencialmente por dois motivos:
1) Possuem uma rica estrutura te´orica, subentendida a diversos m´etodos sistem´aticos
de resolu¸c˜ao, que ´e compreens´ıvel com n´ıvel matem´atico elementar.
2) S˜ao fundamentais para pesquisas em ´areas da f´ısica matem´atica (mecˆanica dos
flu´ıdos, condu¸c˜ao de calor, movimento ondulat´orio, fenˆomenos eletromagn´eticos, sistemas
mecˆanicos e el´etricos, etc.).
Inicialmente apresentaremos m´etodos de solu¸c˜ao para as Equa¸c˜oes Lineares de Se-
gunda Ordem Homogˆenias, da experiˆencia adquirida nestas equa¸c˜oes, entenderemos mel-
hor o m´etodo para encontrar as solu¸c˜oes das equa¸c˜oes lineares de segunda ordem n˜ao-
Homogˆenias
Apresentaremos um m´etodo para se determinar a solu¸c˜oes duas particulares classes
de Equa¸c˜oes n˜ao Lineares de Ordem 2, atrav´es de particulares mudan¸cas de vari´aveis,
tornando-se Equa¸c˜oes Lineares de Ordem 1, que j´a sabemos determinae suas solu¸c˜oes
95
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
como visto no Cap´ıtulo 2.
No final do Cap´ıtulo veremos as aplica¸c˜oes das Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem.
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes
Uma equa¸c˜ao diferencial de segunda ordem ´e da forma
d
2
y
dt
2
= f(t, y, y

), (3.1)
onde f ´e uma fun¸c˜ao dada.
Observa¸c˜ao 3.2.1. Faremos uso da var´ariavel independente t ao inv´ez de x, fundamen-
talmente em virtude das aplica¸c˜oes na f´ısica.
A equa¸c˜ao (3.1) ´e dita linear se f assume a forma
f(t, y, y

) = g(t) −p(t)y

−q(t)y, (3.2)
ou seja, f ´e linear como fun¸c˜ao de y e y

.
g(t), p(t), q(t) s˜ao fun¸c˜oes dadas e independendem de y. Assim, a equa¸c˜ao (3.1) pode
ser reescrita na forma
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = g(t). (3.3)
´
As vezes, encontramos uma equa¸c˜ao mais geral na forma
P(t)y
′′
+Q(t)y

+R(t)y = G(t). (3.4)
´
E claro que se P(t) ̸= 0, basta dividir a equa¸c˜ao (3.4) por P(t), resultando em uma
equa¸c˜ao da forma (3.3).
96
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes
O intervalo nos quais discutiremos as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.3), s˜ao aqueles dos quais
as fun¸c˜oes g, p, q s˜ao cont´ınuas.
Se a equa¸c˜ao (3.1) n˜ao ´e da forma (3.3) ou (3.4), ´e dita n˜ao-linear. O estudo anal´ıtico
destas equa¸c˜oes ´e, em geral, dif´ıcil. No entanto, existem dois tipos especiais de equa¸c˜oes
n˜ao-lineares de segunda ordem que podem ser resolvidas atrav´es de uma mudan¸ca de
vari´aveis que as reduz a equa¸c˜oes de primeira ordem.
O problema de valor inicial para equa¸c˜oes de segunda ordem ´e apresentado na forma
y
′′
= f(t, y, y

), ou y
′′
+p(t)y

+q(t)y = g(t), y(t
0
) = y
0
e y

(t
0
) = y

0
, (3.5)
onde y
0
, y

0
s˜ao n´ umeros dados.
Chamamos a aten¸c˜ao que as condi¸c˜oes iniciais indicam que o ponto (t
0
, y
0
) pertence
ao gr´afico da solu¸c˜ao e que y

0
´e o coeficiente ˆangular da reta tangente ao gr´afico naquele
ponto.
Defini¸c˜ao 3.2.1. Uma equa¸c˜ao linear de segunda ordem ´e dita homogˆenea se ´e escrita
na forma
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0,
ou seja, para g(t) = 0 se for uma equa¸c˜ao do tipo (3.3) ou G(t) = 0 se for do tipo
(3.4). Caso g(t) ̸= 0 ou G(t) ̸= 0, a equa¸c˜ao ´e dita n˜ao-homogˆenea.
Come¸camos nosso estudo com equa¸c˜oes homogˆeneas da forma
P(t)y
′′
+ Q(t)y

+R(t)y = 0. (3.6)
Veremos ainda neste cap´ıtulo que uma vez resolvida a equa¸c˜ao homogˆenea, sempre ser´a
poss´ıvel resolver a n˜ao-homogˆenea ou, pelo menos, expressar a sua solu¸c˜ao em termos de
uma integral.
Consideraremos inicialmente, equa¸c˜oes na forma
97
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
ay
′′
+by

+cy = 0, (3.7)
onde a, b, c s˜ao constantes.
Para uma equa¸c˜ao deste tipo, sempre ser´a poss´ıvel achar uma solu¸c˜ao em termos de
fun¸c˜oes elementares.
Suponha uma solu¸c˜ ao da forma y = e
rt
, onde r ´e um parˆametro a ser determinado.
Temos y

= re
rt
, y
′′
= r
2
e
rt
. Substituindo na equa¸c˜ao diferencial, teremos que
ar
2
+br +c = 0, (3.8)
pois e
rt
̸= 0, ∀t ∈ R
+
.
A equa¸c˜ao (3.8) ´e dita equa¸c˜ao caracter´ıstica da equa¸c˜ao diferencial (3.7). Como
vemos, temos um interessante m´etodo para encontrar solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao diferencial
de segunda ordem linear. Vimos que podemos associar a cada equa¸c˜ao diferencial linear
de segunda ordem uma equa¸c˜ao caracater´ıstica cujo polinˆomio ´e de grau 2. Desta forma,
o m´etodo se baseia no fato de que se r ´e uma ra´ız da equa¸c˜ao caracter´ıstica (3.8), ent˜ao
y = e
rt
´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.7).
Agora, faremos um estudo em separado quanto a natureza das ra´ızes da equa¸c˜ao
caracter´ıstica (3.8).
Caso 1: Ra´ızes reais e distintas. Sejam r
1
, r
2
duas ra´ızes reais distintas. Ent˜ao
y
1
(t) = e
r
1
t
e y
2
(t) = e
r
2
t
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.7).
Note que y(t) = c
1
y
1
(t) + c
2
y
2
(t) = c
1
e
r
1
t
+ c
2
e
r
2
t
tamb´em ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao
(3.7). Temos que// y

(t) = c
1
r
1
e
r
1
t
+c
2
r
2
e
r
2
t
, e y
′′
(t) = c
1
r
2
1
e
r
1
t
+c
2
r
2
2
e
r
2
t
.
Substituindo as express˜oes acima na equa¸c˜ao (3.7) e ordenando os termos, isto resulta
em
ay
′′
+by

+c = c
1
(ar
2
1
+br
1
+c)e
r
1
t
+ c
2
(ar
2
2
+br
2
+c)e
r
2
t
= 0.
Isto mostra que y(t) = c
1
e
r
1
t
+ c
2
e
r
2
t
´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.7), ou seja, uma com-
bina¸c˜ao linear de solu¸c˜ oes, tamb´em solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.7).
98
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes
Agora, da fam´ılia de solu¸c˜oes y(t) = c
1
e
r
1
t
+c
2
e
r
2
t
, encontramos uma curva que satisfaz
as condi¸c˜oes iniciais. Como y(t
0
) = y
0
, de y(t) = c
1
e
r
1
t
+c
2
e
r
2
t
resulta
c
1
e
r
1
t
0
+c
2
e
r
2
t
0
= y
0
. (3.9)
Do mesmo modo, como y

(t
0
) = y

0
, de y

(t) = c
1
r
1
e
r
1
t
+c
2
r
2
e
r
2
t
, resulta
c
1
r
1
e
r
1
t
0
+c
2
r
2
e
r
2
t
0
= y

0
. (3.10)
Resolvendo as equa¸c˜oes (3.9) e (3.10) para c
1
, c
2
, obtemos:
c
1
=
y

0
−y
0
r
2
r
1
−r
2
e
−r
1
t
0
, c
2
=
y
0
r
1
−y

0
r
1
−r
2
e
−r
2
t
0
.
Observamos que, independentemente das condi¸c˜oes iniciais, sempre ´e poss´ıvel deter-
minar os valores de c
1
e c
2
e, al´em disso, existe uma ´ unica escolha poss´ıvel de c
1
e c
2
,
para cada conjunto de condi¸c˜oes iniciais.
Conclus˜ao: A fun¸c˜ao y(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t) = c
1
e
r
1
t
+c
2
e
r
2
t
´e a solu¸c˜ao do problema
de valor inicial
ay
′′
+ by

+cy = 0, y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
,
e ´e a solu¸c˜ao geral, pois inclui todas as solu¸c˜oes poss´ıveis.
Exemplo 3.2.1. Encontrar a solu¸c˜ao geral de y
′′
−3y

+ 2y = 0.
Supondo a solu¸c˜ao da forma y = e
rt
, ent˜ao r deve ser ra´ız da equa¸c˜ao caracter´ıstica
r
2
−3r + 2 = 0, de onde obtemos as raizes r
1
= 1, e r
2
= 2. Assim, a solu¸c˜ao geral ´e
y(t) = c
1
e
t
+c
2
e
2t
.
Exemplo 3.2.2. Encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
y
′′
−3y

+ 2y = 0, y(0) = 0, y

(0) = −1.
99
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Pelo Exemplo (3.2.1), a solu¸c˜ao geral ´e y(t) = c
1
e
t
+c
2
e
2t
, de onde y

(t) = c
1
e
t
+2c
2
e
2t
.
Logo, pelas condi¸c˜oes iniciais, resulta c
1
+ c
2
= 0, e c
1
+ 2c
2
= −1. Resolvendo este
sistema, obtemos c
1
= 1, c
2
= −1. Assim, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial ´e
y(t) = e
t
−e
2t
.
Exemplo 3.2.3. Encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
4y
′′
−8y

+ 3y = 0, y(0) = 2, y

(0) = 1/2.
Seja y(t) = e
rt
a solu¸c˜ao. Ent˜ao a equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e 4r
2
− 8r + 3r = 0 e suas
raizes s˜ao r
1
= 3/2 e r
2
= 1/2. Portanto, a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial ´e
y(t) = c
1
e
3t/2
+c
2
e
t/2
.
Usando as condi¸c˜oes iniciais, obtemos o sistema
c
1
+c
2
= 2, 3c
1
+ c
2
= 1.
Resolvendo este sistema, temos c
1
= −1/2 e c
2
= 5/2. Assim, a solu¸c˜ao do problema
de valor inicial ´e
y(t) = −
1
2
e
3t/2
+
5
2
e
t/2
.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.2.1. Resolver os problemas de valor inicial dados
(a) 2y
′′
+y

−4y = 0, y(0) = 0, y

(0) = 1.
(b) 4y
′′
−y = 0, y(−2) = 1, y

(−2) = −1.
Exerc´ıcio 3.2.2. Encontrar uma equa¸c˜ao diferencial, de segunda ordem, cuja solu¸c˜ao
geral seja y(t) = c
1
e
2t
+c
2
e
−3t
.
100
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.2 Equa¸c˜oes Homogˆeneas com
Coeficientes Constantes
Exerc´ıcio 3.2.3. Resolver o problema de valor inicial
2y
′′
−3y

+y = 0, y(0) = 2, y

(0) = 1/2.
Logo, determinar o valor m´aximo da solu¸c˜ao e o ponto onde essa solu¸c˜ao se anula.
Exerc´ıcio 3.2.4. Resolver o problema de valor inicial
y
′′
−y

−2y = 0, y(0) = α, y

(0) = 2.
Logo, determinar o valor de α de modo que a solu¸c˜ao tenda a zero quando t −→∞.
Exerc´ıcio 3.2.5. Considere o problema de valor inicial
2y
′′
+ 3y

−2y = 0, y(0) = 1, y

(0) = −β, onde β > 0.
(a) Resolver o problema dado.
(b) Fazer o gr´afico da solu¸c˜ao quando β = 1 e encontrar as coordenadas (t
0
, y
0
) do
ponto de m´ınimo da solu¸c˜ao nesse caso.
(c) Encontrar o menor valor de β para o qual a solu¸c˜ao n˜ao tem ponto de m´ınimo.
Exerc´ıcio 3.2.6. Equa¸c˜oes sem a vari´avel dependente. Para uma equa¸c˜ao diferencial de
segunda ordem da forma y
′′
= f(t, y

), a mudan¸ca v = y

, v

= y
′′
conduz a uma equa¸c˜ao
de primeira ordem da forma v

= f(t, v). Se ´esta equa¸c˜ao ´e resolvida para v, ent˜ao
y ´e encontrada por integra¸c˜ao. Observar que o resultado final cont´em duas constantes
arbitr´arias. Usar este m´etodo para resolver as seguintes equa¸c˜oes
(a) t
2
y
′′
+ 2ty

−1 = 0, com t > 0.
(b) y
′′
+t(y

)
2
= 0, (c) 2t
2
y
′′
+ (y

)
3
= 2ty

, t > 0.
(d) y
′′
+y

= e
−t
, (e) t
2
y
′′
= (y

)
2
, t > 0.
Exerc´ıcio 3.2.7. Equa¸c˜oes sem a vari´avel independente. Se a equa¸c˜ao diferencial de
segunda ordem tem a forma y
′′
= f(y, y

), fazemos v = y

e obtemos v

= f(y, v). Obser-
vamos que f depende de y e v, em vez de t e v, e portanto a equa¸c˜ao n˜ao tem a forma
101
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
das equa¸c˜oes de primeira ordem j´a discutidas no Cap´ıtulo 2. Mas, se analisarmos y como
sendo a vari´avel independente, pela regra da cadeia teremos
dv
dt
=
dv
dy
dy
dt
= v
dv
dy
.
Logo, a equa¸c˜ao original pode ser escrita na forma
v
dv
dy
= f(y, v).
Se esta equa¸c˜ao de primeira ordem pode ser resolvida, obtemos v em fun¸c˜ao de y. Logo,
resolvendo dy/dt = v(y), obtemos uma rela¸c˜oo entre y e t. Notar que o resultado final
cont´em duas constantes arbitr´arias. Nos exercicios a seguir, aplicar o m´etodo descrito
acima
(a) yy
′′
+ (y

)
2
= 0, (b) y
′′
+y = 0, (c) y
′′
+y(y

)
3
= 0,
(d) 2y
2
y
′′
+ 2y(y

)
2
= 1, (e) yy
′′
−(y

)
3
= 0, (f ) y
′′
+ (y

)
2
= 2e
−y
.
Exerc´ıcio 3.2.8. Usando os m´etodos dos Exerc´ıcios (3.2.6) e (3.2.7), resolver os seguintes
problemas de valor inicial
(a) yy
′′
= 2, y(0) = 1, y

(0) = 2, (b) y
′′
−3y
2
= 0, y(0) = 2, y

(0) = 4,
(c) (1 + t
2
)y
′′
+ 2ty

+ 3t
−2
= 0, y(1) = 2, y

(1) = −1,
(d) y

y
′′
−t = 0, y(1) = 2, y

(1) = 1.
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
Na Se¸c˜ao 3.2 tivemos uma vis˜ao mais clara da estrutura das solu¸c˜oes das equa¸c˜oes
lineares homogˆeneas de segunda ordem.
Nesta Se¸c˜ao introduziremos a nota¸c˜ao de operador diferencial no estudo das equa¸c˜oes
diferenciais lineares.
102
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
Neste sentido, sejam p e q fun¸c˜oes cont´ınuas num intervalo aberto I. Para qualquer
fun¸c˜ao ϕ, duas vezes diferenci´avel em I, definimos o operador diferencial L por
L[ϕ] = ϕ
′′
+pϕ

+qϕ. (3.11)
Temos que:
(a) L[ϕ] ´e uma fun¸c˜ao definida em I,
(b) O valor de L[ϕ] em um ponto t ∈ I ´e
L[ϕ](t) = ϕ
′′
(t) +p(t)ϕ

(t) +q(t)ϕ(t).
Exemplo 3.3.1. Exemplo Se p(t) = t, q(t) = t
2
+ 1 e ϕ(t) = cos2t,
Temos que
L[ϕ](t) = −4cos2t −2tsen2t + (t
2
+ 1)cos2t.
Nota¸c˜ao: As vezes, o operador L ´e escrito na forma L = D
2
+ pD + q, onde D ´e o
operador derivada.
Nesta se¸c˜ao vamos estudar a equa¸c˜ao linear homogˆenea de segunda ordem L[ϕ](t) = 0.
Como ´e comum usar y para denotar ϕ(t), escrevemos a equa¸c˜ao diferencial na forma
L[y](t) = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0. (3.12)
Associada `a equa¸c˜ao (3.12) temos as condi¸c˜oes iniciais
y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
, (3.13)
onde t
0
∈ I e y
0
, y

0
s˜ao n´ umeros reais dados.
Estamos interessados em saber se o problema de valor inicial acima tem solu¸c˜ao ´ unica
e se ´e poss´ıvel dizer algo sobre a forma e estrutura das solu¸c˜oes que permitam ajudar a
resolver problemas espec´ıficos. Discutiremos essas quest˜oes em breve.
103
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
O resultado a seguir ´e o an´alogo ao do Teorema 2.5.1 correspondente para equa¸c˜oes
de primeira ordem. J´a que existe um resultado igual para equa¸c˜oes n˜ao-homogˆeneas,
enunciamos aqui a vers˜ao mais geral.
Teorema 3.3.1. Considere o problema de valor inicial
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = g(t), y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
(3.14)
onde p, q, g s˜ao cont´ınuas em um intervalo I. Ent˜ao existe uma ´ unica solu¸c˜ao y = ϕ(t)
em todo o intervalo I.
Notemos que o Teorema 3.3.1 garante a existˆencia e unicidade da solu¸c˜ao do problema
de valor inicial, e al´em disso, que essa solu¸c˜ao est´a definida em todo o intervalo I onde
p, q, g s˜ao cont´ınuas e onde, pelo menos, duas vezes diferenci´avel.
Exemplos
Exemplo 3.3.2. A solu¸c˜ao do problema de valor inicial
y
′′
−y = 0, y(0) = 2, y

(0) = −1 (3.15)
´e a fun¸c˜ao
y(t) =
1
2
e
t
+
3
2
e
−t
. (3.16)
Observamos, neste caso, que existe solu¸c˜ao e que tal solu¸c˜ao ´e diferenci´avel em um
n´ umero qualquer de vezes em todo o intervalo (−∞, +∞), onde os coeficientes da equa¸c˜ao
diferencial s˜ao cont´ınuos. Por outro lado, mesmo n˜ao sendo f´acil de provar, o problema
acima n˜ao tem outras solu¸c˜oes al´em da equa¸c˜ao (3.16). Mas, o Teorema 3.3.1 garante a
unicidade da solu¸c˜ao.
´
E bom notar que para a maioria dos problemas de valor inicial da forma (3.14), n˜ao
´e poss´ıvel escrever uma express˜ao ´ util para a solu¸c˜ao, a diferen¸ca das equa¸c˜oes lineares
104
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
de primeira ordem. Portanto, todas as partes do teorema acima tˆem que ser mostradas
por m´etodos gerais que n˜ao envolvem a obten¸c˜ao desse tipo de express˜ao. N˜ao ser´a
apresentada aqui a prova do Teorema 3.3.1, sugerimos ao leitor interessado a lˆer o livro
de Coddington, Cap. 6, se¸c˜ao 8. Entretanto, aceitaremos o Teorema como verdadeiro.
Exemplo 3.3.3. Encontrar o maior intervalo no qual a solu¸c˜ao do problema de valor
inicial
(t
2
−3t)y
′′
+ty

−(t + 3)y = 0, y(1) = 2, y

(1) = 1,
existe.
Colocando a equa¸c˜ao diferencial na forma (3.14), temos
p(t) =
1
t −3
, q(t) = −
t + 3
t(t −3)
e g(t) = 0
Os pontos de descontinuidade destes coeficientes s˜ao t = 0 e t = 3. Logo, o intervalo
onde os coeficientes s˜ao cont´ınuos e cont´em o ponto inicial t = 1 ´e 0 < t < 3. Assim, esse
´e o maior intervalo no qual o Teorema 3.3.1 garante a existˆencia da solu¸c˜ao.
Exemplo 3.3.4. Encontre o maior intervalo no qual a solu¸c˜ao do problema de valor
inicial
(t −1)y
′′
−3ty

+ 4y = sent, y(−2) = 2, y

(−2) = 1,
existe e ´e duas vezes diferenci´avel.
Colocando a equa¸c˜ao diferencial na forma (3.14), temos
p(t) = −
3t
t −1
, q(t) =
4
t −1
e g(t) =
sent
t −1
.
O ´ unico ponto de descontinuidade dos coeficientes ´e t = 1. Logo, o intervalo onde os
coeficientes s˜ao cont´ınuos e cont´em o ponto inicial t = −2 ´e −∞ < t < 1. Assim, esse ´e
o maior intervalo onde existe solu¸c˜ao duas vezes diferenci´avel.
105
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Agora, vamos supor que y
1
e y
2
s˜ao duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0,
ou seja L[y
1
] = y
′′
1
+p(t)y

1
+q(t)y
1
= 0 e L[y
2
] = y
′′
2
+ p(t)y

2
+q(t)y
2
= 0.
Podemos gerar mais solu¸c˜oes, basta tomarmos as combina¸c˜oes lineares de y
1
e y
2
.
Assim, temos o seguinte resultado:
Teorema 3.3.2. (Princ´ıpio de Superposi¸c˜ao)
Se y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0,
ent˜ao a combina¸c˜ao linear y = c
1
y
1
+c
2
y
2
, onde c
1
e c
2
s˜ao constantes, ´e tamb´em solu¸c˜ao.
Para provarmos o Teorema 3.3.2, basta substituirmos y = c
1
y
1
+ c
2
y
2
na equa¸c˜ao
L[y] = 0 e levarmos em conta que L[y
1
] = 0 e L[y
2
] = 0, para obtermos L[c
1
y
1
+c
2
y
2
] = 0.
Observarmos que, independentemente dos valores de c
1
e c
2
, a fun¸c˜ao y = c
1
y
1
+ c
2
y
2
satisfaz a equa¸c˜ao diferencial L[y] = 0.
Observarmos, em particular, que quando c
1
= 0 ou c
2
= 0 temos que qualquer m´ ultiplo
de uma solu¸c˜ao tamb´em ´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao L[y] = 0.
Pelo Teorema 3.3.2, a partir de y(t) = c
1
y
1
(t)+c
2
y
2
(t), podemos construir uma fam´ılia
duplamente infinita de solu¸c˜oes para L[y] = 0. Podemos nos perguntar agora se todas as
solu¸c˜oes de L[y] = 0 est˜ao inclu´ıdas em y(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t) ou ´e poss´ıvel que existam
outras solu¸c˜oes com formas diferentes.
Come¸camos a estudar esta quest˜ao investigando se as constantes c
1
e c
2
podem ser
escolhidas de modo que a solu¸c˜ao y(t) satisfa¸ca as condi¸c˜oes iniciais y(t
0
) = y
0
e y

(t
0
) =
y

0
. Essas condi¸c˜oes iniciais obrigam c
1
e c
2
a satisfazer as equa¸c˜oes
c
1
y
1
(t
0
) +c
2
y
2
(t
0
) = y
0
,
106
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
c
1
y

1
(t
0
) +c
2
y

2
(t
0
) = y

0
.
Resolvendo este sistema para c
1
e c
2
encontramos
c
1
=
y
0
y

2
(t
0
) −y

0
y
2
(t
0
)
y
1
(t
0
)y

2
(t
0
) −y

1
(t
0
)y
2
(t
0
)
,
−y
0
y

1
(t
0
) +y

0
y
1
(t
0
)
y
1
(t
0
)y

2
(t
0
) −y

1
(t
0
)y
2
(t
0
)
. (3.17)
ou escrito na forma de determinante,
c
1
=
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
0
y
2
(t
0
)
y

0
y

2
(t
0
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(t
0
) y
2
(t
0
)
y

1
(t
0
) y

2
(t
0
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
,
c
2
=
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(t
0
) y
0
y

1
(t
0
) y

0
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(t
0
) y
2
(t
0
)
y

1
(t
0
) y

2
(t
0
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
.
Com esses valores para c
1
e c
2
, a express˜ao y(t) = c
1
y
1
(t)+c
2
y
2
(t) satisfaz as condi¸c˜oes
iniciais, assim como a equa¸c˜ao diferencial.
Para que as express˜oes acima fa¸cam sentido ´e preciso que os denominadores sejam
diferentes de zero. Ambas tˆem o mesmo denominador, a saber, o determinante
W =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(t
0
) y
2
(t
0
)
y

1
(t
0
) y

2
(t
0
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= y
1
(t
0
)y

2
(t
0
) −y

1
(t
0
)y
2
(t
0
).
O determinante W ´e dito wronskiano das solu¸c˜oes y
1
e y
2
. Usa-se a nota¸c˜ao W(y
1
, y
2
)(t
0
)
para indicar que o wronskiano depende das fun¸c˜oes y
1
, e y
2
e que ´e calculado no ponto
t
0
. Assim, podemos estabelecer o seguinte resultado.
107
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Teorema 3.3.3. Sejam y
1
e y
2
duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = 0 e suponha que o
wronskiano W = y
1
y

2
− y

1
y
2
n˜ao se anula no ponto t
0
, onde s˜ao dadas as condi¸c˜oes
iniciais y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
. Ent˜ao existe uma escolha das constantes c
1
e c
2
para
as quais y(t) = c
1
y
1
(t) + c
2
y
2
(t) satisfaz a equa¸c˜ao diferencial L[y] = 0 e as condi¸c˜oes
iniciais.
Exemplo 3.3.5. As solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial y
′′
+ 5y

+ 6y = 0 s˜ao y
1
(t) =
e
−2t
e y
2
(t) = e
−3t
. Ent˜ao, o wronskiano de y
1
e y
2
´e
W =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
−2t
e
−3t
−2e
−2t
−3e
−3t
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= −e
−5t
.
Dado que W ̸= 0, para todo valor de t, ent˜ao as fun¸c˜oes y
1
e y
2
podem ser usadas
para construir solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial junto com quaisquer condi¸c˜oes iniciais.
O resultado a seguir justifica o porque a express˜ao c
1
y
1
+c
2
y
2
´e dita solu¸c˜ao geral da
equa¸c˜ao L[y] = 0.
Teorema 3.3.4. Sejam y
1
, e y
2
duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial
L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0,
e suponha que existe t
0
tal que W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0, ent˜ao a fam´ılia de solu¸c˜oes y(t) =
c
1
y
1
(t)+c
2
y
2
(t), onde c
1
e c
2
s˜ao arbitr´arios, inclui todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = 0.
Demonstra¸c˜ao:
Seja ϕ uma solu¸c˜ao qualquer da equa¸c˜ao L[y] = 0. Para mostrar o Teorema 3.3.4
precisamos provar que ϕ est´a inclu´ıda no conjunto de combina¸ c˜oes lineares c
1
y
1
+ c
2
y
2
,
ou seja, para alguma escolha das constantes c
1
e c
2
, a combina¸c˜ao linear ´e igual a ϕ. Seja
t
0
um ponto onde W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0. Suponha ϕ(t
0
) = y
0
e ϕ

(t
0
) = y

0
. Considere o
problema de valor inicial
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0, y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
. (3.18)
108
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
Certamente, a fun¸c˜ao ϕ ´e solu¸c˜ao do problema de valor inicial. Por outro lado,
como W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0, pelo Teorema 3.3.3, ´e poss´ıvel escolher c
1
e c
2
tais que y =
c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t) ´e tamb´em solu¸c˜ao do problema de valor inicial (3.18). De fato, os valores
apropriados de c
1
e c
2
est˜ao dados pelas igualdades (3.17). A condi¸c˜ao da unicidade no
Teorema 3.3.1 garante que essas duas solu¸c˜oes do mesmo problema de valor inicial s˜ao
iguais. Assim, para uma escolha apropriada de c
1
e c
2
, temos
ϕ(t) = c
1
y
1
(t) + c
2
y
2
(t),
e portanto, ϕ faz parte da fam´ılia de fun¸c˜oes c
1
y
1
+c
2
y
2
. Finalmente, como ϕ ´e uma solu¸c˜ao
arbitr´aria da equa¸c˜ao L[y] = 0, segue que toda solu¸c˜ao dessa equa¸c˜ao est´a inclu´ıda nessa
fam´ılia. Isto completa a prova do Teorema 3.3.4.
Observa¸c˜ao 3.3.1. De acordo com o Teorema 3.3.4, enquanto W(y
1
, y
2
) ̸= 0, a com-
bina¸c˜ao linear c
1
y
1
+ c
2
y
2
cont´em todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = 0. Portanto, ´e
natural chamar a express˜ao, com coeficientes c
1
e c
2
arbitr´arios,
y(t) = c
1
y
1
(t) + c
2
y
2
(t)
de solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao L[y] = 0.
As solu¸c˜oes y
1
e y
2
, com W(y
1
, y
2
) ̸= 0, formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes
da equa¸c˜ao L[y] = 0.
Assim, para achar a solu¸c˜ao geral e, portanto, todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = 0,
basta achar duas solu¸c˜oes com wronskiano diferente de zero.
109
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Exemplos
Exemplo 3.3.6. Considere a equa¸c˜ao L[y] = y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0 e suponha que
y
1
(t) = e
r
1
t
e y
2
(t) = e
r
2
t
s˜ao duas solu¸c˜oes dela. Mostrar que y
1
, y
2
formam um conjunto
fundamental de solu¸c˜oes, se r
1
̸= r
2
.
De fato, calculando o wronskiano de y
1
, y
2
, temos
W =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
r
1
t
e
r
2
t
r
1
e
r
1
t
r
2
e
r
2
t
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= (r
2
−r
1
)e
(r
1
+r
2
)t
.
Como a fun¸c˜ao exponencial nunca se anula e sendo r
1
̸= r
2
, segue que W(y
1
, y
2
) ̸= 0.
Logo, y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes.
Exemplo 3.3.7. Considere a equa¸c˜ao 2t
2
y
′′
+ 3ty

− y = 0, com t > 0. Mostrar que
y
1
(t) = t
1/2
e y
2
(t) = t
−1
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao dada.
Por substitui¸c˜ao direta, verifica-se que y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao dada. Agora,
calculando o wronskiano de y
1
e y
2
, resulta
W =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
t
1/2
t
−1
1
2
t
−1/2
−t
−2
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= −
3
2
t
−3/2
.
Como W ̸= 0, para t > 0, concluimos que y
1
, e y
2
formam um conjunto fundamental
de solu¸c˜oes.
Exemplo 3.3.8. Verificar se as solu¸c˜oes y
1
(t) = cos2t e y
2
(t) = sen2t formam um
conjunto fundamental de solu¸c˜oes para a equa¸c˜ao y
′′
+ 4y = 0.
´
E f´acil verificar que y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao dada. Calculando o wronskiano,
temos
W =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
cos2t sen2t
−2sen2t 2cos2t
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 2.
Como W ̸= 0, para todo t, concluimos que y
1
, e y
2
formam um conjunto fundamental
de solu¸c˜oes.
110
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
A tarefa de encontrar um conjunto fundamental de solu¸c˜oes, e portanto, uma solu¸c˜ao
geral para uma equa¸c˜ao do tipo L[y] = 0, em geral, ´e dif´ıcil. Surge ent˜ao a pergunta
natural se toda equa¸c˜ao desse tipo possui um conjunto fundamental de solu¸c˜oes. O
resultado a seguir fornece uma resposta afirmativa a essa quest˜ao.
Teorema 3.3.5. Considere a equa¸c˜ao diferencial L[y] = y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0, cujos
coeficientes p e q s˜ao cont´ınuos em algum intervalo aberto I e seja t
0
∈ I. Sejam y
1
e y
2
solu¸c˜oes satisfazendo as condi¸c˜oes iniciais
y
1
(t
0
) = 1, y

1
(t
0
) = 0
y
2
(t
0
) = 0, y

2
(t
0
) = 1.
Ent˜ao y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes.
Demonstra¸c˜ao:
A existˆencia das fun¸c˜oes y
1
e y
2
est´a garantida pelo Teorema 3.3.1 Falta apenas ver-
ificar que W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0, para mostrar que elas formam um conjunto fundamental de
solu¸c˜oes. De fato,
W(y
1
, y
2
)(t
0
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y
1
(t
0
) y
2
(t
0
)
y

1
(t
0
) y

2
(t
0
)
¸
¸
¸
¸
¸
¸
=
¸
¸
¸
¸
¸
¸
1 0
0 1
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= 1.
Assim, as fun¸c˜oes y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes e o teorema est´a
provado.
Conv´em observar que o Teorema 3.3.5, n˜ao mostra como resolver os problemas de
valor inicial, de modo a encontrar as solu¸c˜oes y
1
e y
2
. Mas ´e bom saber que sempre existe
um conjunto fundamental de solu¸c˜oes.
Exemplos
Exemplo 3.3.9. Encontrar um conjunto fundamental de solu¸c˜oes para a equa¸c˜ao difer-
encial y
′′
−y = 0, usando o ponto inicial t
0
= 0.
111
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Dado que a equa¸c˜ao caracter´ıstica desta equa¸c˜ao diferencial ´e r
2
− 1 = 0, temos que
duas solu¸c˜oes s˜ao y
1
(t) = e
t
e y
2
(t) = e
−t
. Ent˜ao que o wronskiano ´e W(y
1
, y
2
)(t) = −2 ̸=
0, para todo t e assim estas formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes. No entanto,
n˜ao ´e o conjunto fundamental de solu¸c˜oes indicado no Teorema 3.3.5, pois n˜ao satisfazem
as condi¸c˜oes iniciais no ponto t
0
= 0.
Para encontrar o conjunto fundamental de solu¸c˜oes indicado no Teorema 3.3.5, precisa-
se encontrar as solu¸c˜oes que satisfa¸cam as condi¸c˜oes iniciais apropriadas. Denotemos por
y
3
(t) a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao y
′′
−y = 0 que satisfaz as condi¸c˜oes iniciais
y
3
(0) = 1, y

3
(0) = 0.
A solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial ´e
y = c
1
e
t
+c
2
e
−t
,
e as condi¸c˜oes iniciais s˜ao satisfeitas se c
1
= c
2
= 1/2. Assim
y
3
(t) =
1
2
e
t
+
1
2
e
−t
= cosht.
An´alogamente, se y
4
(t) satisfaz as condi¸c˜oes iniciais
y
4
(0) = 0, y

4
(0) = 1,
ent˜ao
y
4
(t) =
1
2
e
t

1
2
e
−t
= senht.
Dado que o wronskiano de y
3
e y
4
´e W(y
3
, y
4
)(t) = cosh
2
t −senh
2
t = 1, para todo t, essas
fun¸c˜oes formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes, de acordo com o Teorema 3.3.5.
Assim, a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial y
′′
−y = 0 pode ser escrita na forma
y(t) = k
1
cosht +k
2
senht.
Exemplo 3.3.10. Encontrar o conjunto fundamental de solu¸c˜oes para y
′′
+ 4y

+ 3y = 0
no ponto t
0
= 1.
112
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e r
2
+ 4r + 3 = 0, de onde obtemos r
1
= −1 e r
2
= −3.
Assim, a solu¸c˜ao geral ´e y(t) = c
1
e
−t
+c
2
e
−3t
.
Seja y
1
a solu¸c˜ao que satisfaz as condi¸c˜oes iniciais
y
1
(1) = 1, y

1
(1) = 0.
Temos assim o sistema
c
1
e
−1
+c
2
e
−3
= 1, −c
1
e
−1
−3c
2
e
−3
= 0,
de onde c
1
=
3
2
e, e c
2
= −
1
2
e
3
. Portanto, y
1
(t) =
3
2
e
1−t

1
2
e
3−3t
.
An´alogamente, se y
2
satisfaz as condi¸c˜oes iniciais
y
2
(1) = 0, y

2
(1) = 1,
ent˜ao y
2
(t) =
1
2
e
1−t

1
2
e
3−3t
.
Como o wronskiano de y
1
e y
2
´e W(y
1
, y
2
)(1) = 4 ̸= 0, temos que y
1
, y
2
formam um
conjunto fundamental de solu¸c˜oes.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.3.1. Verificar que y
1
(t) = t
2
e y
2
(t) = t
−1
s˜ao duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
diferencial t
2
y
′′
− 2y = 0, para t > 0. Logo mostrar que c
1
t
2
+ c
2
t
−1
tamb´em ´e solu¸c˜ao,
quaisquer que sejam c
1
e c
2
.
Exerc´ıcio 3.3.2. Verificar que y
1
(t) = 1 e y
2
(t) = t
1/2
s˜ao duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
diferencial yy
′′
+ (y

)
2
= 0, para t > 0. Logo mostrar que c
1
+ c
2
t
1/2
n˜ao ´e, em geral,
solu¸c˜ao. Explicar por que esse resultado n˜ao contradiz o Teorema 3.3.2.
Exerc´ıcio 3.3.3. Mostrar que, se y = ϕ(t) ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial y
′′
+
p(t)y

+ q(t)y = g(t), onde g(t) n˜ao ´e identicamente nula, ent˜ao y = cϕ(t), onde c ̸= 1
constante, n˜ao ´e solu¸c˜ao. Justificar.
113
3.3 Solu¸c˜oes Fundamentais de Equa¸c˜oes
Lineares Homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Exerc´ıcio 3.3.4. A fun¸c˜ao y = sen(t
2
) pode ser solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao da forma
y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0, com coeficientes constantes, em um intervalo contendo t = 0?
Justificar sua resposta.
Exerc´ıcio 3.3.5. Se W(f, g)(t) = 3e
4t
e se f(t) = e
2t
, encontrar g(t).
Exerc´ıcio 3.3.6. Se W(f, g) ´e o wronskiano de f e g, e se u = 2f − g, v = f + 2g,
encontrar W(u, v) em fun¸c˜ao de W(f, g).
Exerc´ıcio 3.3.7. Nos problemas a seguir, verificar que as fun¸c˜oes y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes
da equa¸c˜ao diferencial dada. Elas formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes?
(a) y
′′
+ 4y = 0; y
1
(t) = cos2t, y
2
(t) = sen2t,
(b) y
′′
−2y +y = 0; y
1
(t) = e
t
, y
2
(t) = te
t
,
(c) t
2
y
′′
−t(t + 2)y

+ (t + 2)y = 0; y
1
(t) = t, y
2
(t) = te
t
, t > 0,
(d) (1 −tctgt)y
′′
−ty

+ y = 0; y
1
(t) = t, y
2
(t) = sent, 0 < t < π.
Exerc´ıcio 3.3.8. Equa¸c˜oes Exatas. A equa¸c˜ao P(x)y
′′
+ Q(x)y

+ R(x)y = 0 ´e dita
exata se poder ser escrita na forma [P(x)y

]

+ [f(x)y]

= 0, onde f(x) pode ser deter-
minada em fun¸c˜ao de P(x), Q(x) e R(x). Essa ´ ultima equa¸c˜ao poder ser integrada uma
vez imediatamente, resultando em uma equa¸c˜ao de primeira ordem para y que pode ser
resolvida como no cap´ıtulo 2. Igualando os coeficientes das equa¸c˜oes precedentes e elim-
inando f(x), mostrar que uma condi¸c˜ao necess´aria e suficiente para que a equa¸c˜ao seja
exata ´e que P
′′
(x) −Q

(x) +R(x) = 0.
Exerc´ıcio 3.3.9. Nos problemas a seguir, usar o resultado do Exerc´ıcio 3.3.8 para deter-
minar se a equa¸c˜ao dada ´e exata. Se assim for, resolvˆe-la.
(a) y
′′
+xy

+y = 0; (b) y
′′
+ 3x
2
y

+xy = 0;
(c) xy
′′
−(cosx)y

+ (senx)y = 0, x > 0, (d) x
2
y
′′
+xy

−y = 0, x > 0.
Exerc´ıcio 3.3.10. Equa¸c˜ao Adjunta. Se uma equa¸c˜ao linear homogˆenea de segunda
ordem n˜ao ´e exata, pode ser tornada exata multiplicando por um fator integrante apropri-
ado µ(x). Precisa-se ent˜ao que µ(x) seja tal que µ(x)P(x)y
′′
+µ(x)Q(x)y

+µ(x)R(x)y = 0
114
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano
possa ser escrita na forma [µ(x)P(x)y

]

+ [f(x)y]

= 0. Igualando os coeficientes nessas
duas equa¸c˜oes e eliminando f(x), mostrar que a fun¸c˜ao µ(x) precisa satisfazer a condi¸c˜ao

′′
+ (2P

−Q)µ

+ (P
′′
−Q+ R)µ = 0.
Esta equa¸c˜ao ´e dita adjunta da equa¸c˜ao original e ´e muito ´ util na teoria avan¸cada de
equa¸c˜oes diferenciais. Em geral, o problema de resolver a equa¸c˜ao diferencial adjunta ´e
t˜ao dif´ıcil quanto o de resolver a equa¸c˜ao original, de modo que s´o ´e poss´ıvel encontrar
um fator integrante para uma equa¸c˜ao de segunda ordem, em determinados casos.
Exerc´ıcio 3.3.11. Nos problemas a seguir, encontrar a equa¸c˜ao adjunta da equa¸c˜ao difer-
encial dada.
(a) x
2
y
′′
+ xy

+ (x
2
−ν
2
)y = 0, (Equa¸c˜ao de Bessel),
(b) (1 −x
2
)y
′′
−2xy

+ α(α + 1)y = 0, (Equa¸c˜ao de Legendre),
(c) y
′′
−xy = 0, (Equa¸c˜ao de Airy).
Exerc´ıcio 3.3.12. Seja a equa¸c˜ao diferencial de segunda ordem P(x)y
′′
+ Q(x)y

+
R(x)y = 0. Mostrar que a adjunta da equa¸c˜ao adjunta ´e a equa¸c˜ao original.
Exerc´ıcio 3.3.13. Uma equa¸c˜ao linear de segunda ordem P(x)y
′′
+ Q(x)y

+ R(x)y = 0
´e dita auto-adjunta se sua adjunta ´e igual `a equa¸c˜ao original. Mostrar que uma condi¸c˜ao
necess´aria para P(x)y
′′
+ Q(x)y

+ R(x)y = 0 ser auto-adjunta ´e que P

(x) = Q(x).
Determinar se as equa¸c˜aoes do Exerc´ıcio 3.3.11 s˜ao auto-adjuntas.
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano
A representa¸c˜ao da solu¸c˜ao geral de uma equa¸c˜ao diferencial linear homogˆenea de
segunda ordem como combina¸c˜ao linear de duas solu¸c˜oes, cujo wronskiano ´e diferente de
zero, est´a intimamente ligada ao conceito de independˆencia linear de duas fun¸c˜oes. Esse ´e
um conceito alg´ebrico muito importante e tem significado que vai al´em do contexto atual.
115
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Duas fun¸c˜oes f e g s˜ao ditas linearmente dependentes (LD) em um intervalo I se
existem constantes k
1
e k
2
, com uma delas diferente de zero, tais que
k
1
f(t) +k
2
g(t) = 0,
para todo t ∈ I.
As fun¸c˜oes f e g s˜ao ditas linearmente independentes (LI) em I se n˜ao s˜ao linearmente
dependentes em I, ou seja, a igualdade
k
1
f(t) +k
2
g(t) = 0,
s´o ´e v´alida para todo t ∈ I, se k
1
= k
2
= 0.
Essas defini¸c˜oes podem ser estendidas para um n´ umero arbitr´ario de fun¸c˜oes, embora
seja dif´ıcil determinar se o conjunto ´e LI ou LD. No caso de duas fun¸c˜oes, a dependˆencia
linear significa que as fun¸c˜oes s˜ao proporcionais e caso contr´ario, temos a independˆencia
linear.
Exemplos
Exemplo 3.4.1. As fun¸c˜oes sent e cos(t −π/2) s˜ao LD em qualquer intervalo.
De fato,
k
1
sent +k
2
cos(t −π/2) = 0,
´e v´alida para todo t , se escolhemos k
1
= 1 e k
2
= −1.
Exemplo 3.4.2. As fun¸c˜oes e
t
e e
2t
s˜ao LI em qualquer intervalo I.
De fato, vamos supor que
k
1
e
t
+k
2
e
2t
= 0,
para todo t ∈ I. Escolha-se t
0
, t
1
∈ I, com t
0
̸= t
1
. Assim temos
k
1
e
t
0
+k
2
e
2t
0
= 0,
116
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano
k
1
e
t
1
+k
2
e
2t
1
= 0.
O determinante da matriz dos coeficientes ´e
e
t
0
e
2t
1
−e
2t
0
e
t
1
= e
t
0
e
t
1
(e
t
1
−e
t
0
).
Como este determinante ´e diferente de zero, pois t
0
̸= t
1
, segue que a ´ unica solu¸c˜ao do
sistema acima ´e k
1
= k
2
= 0. Logo, e
t
e e
2t
s˜ao LI.
Exemplo 3.4.3. As fun¸c˜oes f(t) = t
3
e g(t) = |t|
3
s˜ao LD, para qualquer intervalo I.
Basta observar que g(t) = f(t), se t ≥ 0 e g(t) = −f(t), se t < 0, ou seja, elas s˜ao
proporcionais.
O resultado a seguir relaciona dependˆencia e independˆencia linear ao wronskiano.
Teorema 3.4.1. (a) Se f e g s˜ao fun¸c˜oes diferenci´aveis em um intervalo aberto I e se
W(f, g)(t
0
) ̸= 0, em algum ponto t
0
∈ I, ent˜ao f e g s˜ao LI em I.
(b) Se f e g s˜ao LD em I, ent˜ao W(f, g)(t) = 0, para todo t ∈ I.
Demonstra¸c˜ao:
(a) Considere v´alida a igualdade k
1
f(t) +k
2
g(t) = 0, para todo t ∈ I. Calculando essa
express˜ao e a sua derivada em t
0
∈ I, obtemos
k
1
f(t
0
) +k
2
g(t
0
) = 0,
k
1
f

(t
0
) +k
2
g

(t
0
) = 0.
O determinante da matriz de coeficientes deste sistema ´e justamente W(f, g)(t
0
), que ´e
diferente de zero por hip´otese. Logo, a ´ unica solu¸c˜ao do sistema acima ´e k
1
= k
2
= 0, ou
seja, f e g s˜ao LI.
(b) Sejam f e g s˜ao LD e suponha que a conclus˜ao ´e falsa, ou seja, W(f, g)(t) ̸= 0, em
I. Isto significa que existe algum t
0
∈ I tal que W(f, g)(t
0
) ̸= 0. Pela parte (a), temos
que f e g s˜ao LI, o que ´e uma contradi¸c˜ao. Portanto, W(f, g)(t) = 0, para todo t ∈ I.
117
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Observa¸c˜ao 3.4.1. (a) Aplicando o Teorema 3.4.1 nas fun¸c˜oes f(t) = e
t
e g(t) = e
2t
,
temos, para qualquer ponto t
0
W(f, g)(t
0
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
t
0
e
2t
0
e
t
0
2e
2t
0
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= e
3t
0
̸= 0.
Portanto, as fun¸c˜oes dadas s˜ao LI em qualquer intervalo I.
(b) Duas fun¸c˜oes f e g podem ser LI, mesmo quando W(f, g)(t) = 0, para todo
t ∈ I. Por exemplo, as fun¸c˜oes f(t) = t
2
|t| e g(t) = t
3
s˜ao LD em −1 < t < 0 e em
0 < t < 1, pois g(t) = −f(t) e g(t) = f(t) respectivamente. Mas, f(t) e g(t) s˜ao LI em
−1 < t < 1, pois neste caso n˜ao s˜ao proporcionais, apesar de ter W(f, g)(t) = 0. Logo,
f e g n˜ao podem ser solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao do tipo y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0, com p e q
cont´ınuas em −1 < t < 1.
O Teorema 3.4.2 fornecer´a uma f´ormula expl´ıcita simples para o wronskiano de duas
solu¸c˜oes quaisquer de uma equa¸c˜ao diferencial linear homogˆenea de segunda ordem, mesmo
que as solu¸c˜oes n˜ao sejam conhecidas.
Teorema 3.4.2. ( Teorema de Abel)
Se y
1
e y
2
s˜ao duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0, onde p e q s˜ao
cont´ınuas em um intervalo aberto I, ent˜ao o wronskiano W(y
1
, y
2
)(t) ´e dado por
W(y
1
, y
2
)(t) = c exp
_


p(t)dt
_
,
onde c ´e uma constante determinada que depende de y
1
e y
2
, mas n˜ao de t. Al´em disso,
ou W(y
1
, y
2
)(t) = 0, para todo t ∈ I (se c = 0), ou nunca se anula em I (se c ̸= 0).
Demonstra¸c˜ao:
Como y
1
, e y
2
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial L[y] = 0, temos
y
′′
1
+p(t)y

1
+ q(t)y
1
= 0,
y
′′
2
+p(t)y

2
+ q(t)y
2
= 0.
118
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano
Multiplicando a primeira equa¸c˜ao por −y
2
, a segunda por y
1
e somando as equa¸c˜oes
resultantes, obtemos
(y
1
y
′′
2
−y
′′
1
y
2
) +p(t)(y
1
y

2
−y

1
y
2
) = 0.
Agora, sendo W(t) = W(y
1
, y
2
(t), notar que W

= y
1
y
′′
2
−y
′′
1
y
2
. Ent˜ao podemos escrever
a equa¸c˜ao anterior na forma W

+p(t)W = 0. Esta equa¸c˜ao ´e linear de primeira ordem e
separ´avel, logo a sua solu¸c˜ao ´e
W(t) = c exp
_


p(t)dt
_
,
onde c ´e uma constante e seu valor depende das solu¸c˜oes y
1
e y
2
envolvidas. No entanto,
como a fun¸c˜ao exponencial nunca se anula, W(t) ̸= 0, a menos que c = 0 e, nesse caso,
W(t) = 0, para todo t, o que completa a demonstra¸c˜ao.
Observa¸c˜ao 3.4.2. (a) O wronskiano de dois conjuntos fundamentais de solu¸c˜oes da
mesma equa¸c˜ao diferencial podem diferir apenas por uma constante multiplicativa.
(b) O wronskiano de qualquer conjunto fundamental de solu¸c˜oes pode ser determinado,
a menos de uma constante multiplicativa, sem resolver a equa¸c˜ao diferencial.
Exemplo 3.4.4. Considere a equa¸c˜ao diferencial 2t
2
y
′′
+3ty

−y = 0, com t > 0. Vamos
verificar que o wronskiano est´a dado pela equa¸c˜ao
W(t) = c exp
_


p(t)dt
_
.
A equa¸c˜ao, escrita na forma padr˜ao, ´e
y
′′
+
3
2t
y


1
2t
2
y = 0.
No Exemplo 3.3.2 foi verificado que y
1
(t) = t
1/2
e y
2
(t) = t
−1
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
dada e W(y
1
, y
2
)(t) = −(
3
2
)t
−3/2
. Usando a f´ormula do wronskiano e tendo a equa¸c˜ao na
forma padr˜ao, temos
W(y
1
, y
2
)(t) = c exp
_


3
2t
dt
_
= c exp
_

3
2
lnt
_
= c t
−3/2
.
119
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Esta igualdade nos d´a o wronskiano de qualquer par de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial.
Para as solu¸c˜oes dadas neste caso, precisa-se escolher c = −3/2.
A seguir, estabelecemos uma vers˜ao mais forte do Teorema 3.4.1, se as duas fun¸c˜oes
envolvidas forem solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao diferencial linear homogˆenea de segunda ordem
Teorema 3.4.3. Sejam y
1
e y
2
solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0, onde
p e q s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I. Ent˜ao :
(a) y
1
e y
2
s˜ao LD em I se e somente se W(y
1
, y
2
)(t) = 0, para todo t ∈ I.
(b) y
1
e y
2
s˜ao LI em I se e somente se W(y
1
, y
2
)(t) nunca se anula em I.
Demonstra¸c˜ao:
Pelo Teorema 3.4.1 sabemos que W(y
1
, y
2
)(t) ou ´e zero ou nunca se anula em I.
(a) O mesmo Teorema 3.4.1, garante que se y
1
e y
2
s˜ao LD, ent˜ao W(y
1
, y
2
)(t) = 0,
para todo t ∈ I. Falta mostrar a rec´ıproca, ou seja, se W(y
1
, y
2
)(t) = 0, para todo t ∈ I,
ent˜ao y
1
e y
2
s˜ao LD. Seja t
0
∈ I arbitr´ario. Ent˜ao, pela hip´otese tem-se W(y
1
, y
2
)(t
0
) = 0.
Portanto, o sistema de equa¸c˜oes
c
1
y
1
(t
0
) +c
2
y
2
(t
0
) = 0,
c
1
y

1
(t
0
) +c
2
y

2
(t
0
) = 0,
para c
1
e c
2
, tem uma solu¸c˜ao n˜ao-trivial. Usando esses valores de c
1
e c
2
, consideremos
ϕ(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t). Ent˜ao ϕ ´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0
e, pelas igualdades acima, satisfaz as condi¸c˜oes iniciais
ϕ(t
0
) = 0, ϕ

(t
0
) = 0.
Assim, pelo Teorema 3.3.1, temos que ϕ(t) = 0, para todo t ∈ I. Como ϕ(t) = c
1
y
1
(t) +
c
2
y
2
(t), com uma das constantes c
1
ou c
2
n˜ao-nula, ent˜ao y
1
e y
2
s˜ao LD.
(b) Pela parte (a), W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0 em algum ponto arbitr´ario t
0
∈ I se e somente
se y
1
e y
2
sa˜o LI. em I. Assim, est´a provado o Teorema.
120
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano
Observa¸c˜ao 3.4.3. (a) Sejam y
1
e y
2
solu¸c˜oes da equa¸c˜ao L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0,
onde p e q s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I. Ent˜ao as afirma¸c˜oes seguintes s˜ao
equivalentes:
(1) As fun¸c˜oes y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes em I.
(2) As fun¸c˜oes y
1
e y
2
s˜ao LI.
(3) W(y
1
, y
2
)(t
0
) ̸= 0 para algum t
0
∈ I.
(4) W(y
1
, y
2
)(t) ̸= 0 para todo t ∈ I.
(b) Al´em dos espa¸cos R
n
, a no¸c˜ao de espa¸co vetorial ´e aplicado a diversas cole¸c˜oes
de objetos matem´aticos, satisfazendo `as mesmas leis de soma e multiplica¸c˜ao por escalar.
Mostra-se, por exemplo, que o conjunto das fun¸c˜oes duas vezes diferenci´aveis em um in-
tervalo I forma um espa¸co vetorial. Do mesmo modo, o conjunto de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0 forma um espa¸co vetorial. Veremos nos pr´oximos cap´ıtulos
que o conjunto de solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao diferencial linear homogˆenea de ordem n for-
mam um espa¸co vetorial de dimens˜ao n e que qualquer conjunto de n solu¸c˜oes linearmente
independentes da equa¸c˜ ao diferencial formam uma base para esse espa¸co. Essa conex˜ao
entre equa¸c˜oes diferenciais e vetores ´e uma boa raz˜ao para estudar algebra linear abstrata.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.4.1. Nos problemas a seguir, determinar se o par de fun¸c˜oes dadas s˜ao LI
ou LD:
(a) f(t) = t
2
+ 5t, g(t) = t
2
−5t, (b) f(t) = cos3t, g(t) = 4cos
3
t −3cost,
(c) f(t) = e
λt
cos(αt), g(t) = e
λt
sen(αt), α ̸= 0,
(d) f(t) = e
3t
, g(t) = e
3(t−1)
, (e) f(t) = t, g(t) = t
−t
.
Exerc´ıcio 3.4.2. Sabendo que o wronskiano de duas fun¸c˜oes ´e W(t) = tsen
2
t, determinar
se essas fun¸c˜oes s˜ao LI. ou LD. Justificar sua resposta.
121
3.4 Independˆencia Linear
e o Wronskiano Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Exerc´ıcio 3.4.3. O wronskiano de duas fun¸c˜oes ´e W(t) = t
2
−4. As fun¸c˜oes s˜ao LI ou
LD? Por que?
Exerc´ıcio 3.4.4. Sejam y
1
e y
2
solu¸c˜oes LI da equa¸c˜ao y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0. Mostrar
que c
1
y
1
e c
2
y
2
s˜ao tamb´em solu¸c˜oes LI, desde que nem c
1
nem c
2
sejam nulas.
Exerc´ıcio 3.4.5. Considere a equa¸c˜ao diferencial y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0. Mostrar que
y
1
, y
2
s˜ao solu¸c˜oes LI se e somente se y
1
+ y
2
e y
1
−y
2
s˜ao solu¸c˜oes LI.
Exerc´ıcio 3.4.6. Sejam y
1
e y
2
solu¸c˜oes LI da equa¸c˜ao y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0. Deter-
minar, sob que condi¸c˜oes as fun¸c˜oes a
1
y
1
+a
2
y
2
e e b
1
y
1
+b
2
y
2
s˜ao tamb´em solu¸c˜oes LI,
onde a
1
, a
2
, b
1
e b
2
s˜ao constantes arbitr´arias.
Exerc´ıcio 3.4.7. Nos problemas a seguir, encontrar o wronskiano de duas solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao diferencial dada, sem resolver a equa¸c˜ao.
(a) t
2
y
′′
−t(t + 2)y

+ (t + 2)y = 0, (b) (cost)y
′′
+ (sent)y

−ty = 0,
(c) x
2
y
′′
+xy

+ (x
2
−ν
2
)y = 0, (equa¸c˜ao de Bessel)
(d) (1 −x
2
)y
′′
−2xy

+α(α + 1)y = 0, (equa¸c˜ao de Legendre).
Exerc´ıcio 3.4.8. Mostrar que se p ´e diferenci´avel e p(t) > 0, ent˜ao o wronskiano W(t)
de duas solu¸c˜oes de [p(t)y

]

+ q(t)y = 0 ´e W(t) = c/p(t), onde c ´e uma constante.
Exerc´ıcio 3.4.9. Se y
1
e y
2
s˜ao duas solu¸c˜oes LI da equa¸c˜ao diferencial ty
′′
+2y

+te
t
y = 0
e se W(y
1
, y
2
)(1) = 2, encontrar o valor de W(y
1
, y
2
)(5).
Exerc´ıcio 3.4.10. Se o wronskiano de duas solu¸c˜oes quaisquer da equa¸c˜ao y
′′
+p(t)y

+
q(t)y = 0 ´e constante, o que isso implica sobre os coeficientes p e q?.
Exerc´ıcio 3.4.11. Sejam f, g e h fun¸c˜oes diferenci´aveis. Mostrar que W(fg, fh) =
f
2
W(g, h).
Exerc´ıcio 3.4.12. Nos problemas a seguir, p e q s˜ao cont´ınuas e as fun¸c˜oes y
1
e y
2
s˜ao
solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0 em um intervalo aberto I.
122
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
(a) Mostrar que se y
1
e y
2
se anulam no mesmo ponto em I, ent˜ao n˜ao podem formar
um conjunto fundamental de solu¸c˜oes nesse intervalo.
(b) Mostrar que se y
1
e y
2
atingem m´aximo ou m´ınimo em um mesmo ponto em I,
ent˜ao n˜ao podem formar um conjunto fundamental de solu¸c˜oes nesse intervalo.
(c) Mostrar que se y
1
e y
2
tˆem um ponto de inflex˜ao comum t
0
∈ I, ent˜ao n˜ao podem
formar um conjunto fundamental de solu¸c˜oes nesse intervalo.
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
Na Se¸c˜ao 3.2 discutimos equa¸c˜oes diferenciais dadas na forma
ay
′′
+by

+cy = 0,
onde a, b e c s˜ao n´ umeros reais dados. Vimos que procura das solu¸c˜oes da forma y = e
rt
equivalia encntrar as ra´ızes r da equa¸c˜ao caracter´ıstica
ar
2
+br +c = 0.
O caso em que o discriminante, △ = b
2
−4ac, da equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e positivo (ou
seja, as ra´ızes r
1
e r
2
s˜ao reais e distintas) j´a foi estudado. Neste caso, a solu¸c˜ao geral da
equa¸c˜ao diferencial ´e
y = c
1
e
r
1
t
+ c
2
e
r
2
t
.
Falta estudarmos o caso em que △ = b
2
−4ac < 0, ´e o que faremos nesta se¸c˜ao.. Neste
caso as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao n´ umeros complexos conjugados.
Caso 2: Ra´ızes Complexas e conjugadas. Sejam r
1
= a + ib e r
2
= a − ib as
ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica, onde a e b s˜ao n´ umeros reais. Desta forma as express˜oes
correspondentes para y
1
e y
2
s˜ao
y
1
(t) = exp[(a +ib)t], y
2
(t) = exp[(a −ib)t].
123
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Para podermos atribuirmos um significado mais preciso as express˜oes acima, necessitamos
definir a fun¸c˜ao exponencial complexa. Usaremos aqui um m´etodo baseado em s´eries
infinitas.
Do c´alculo, sabemos que a s´erie de Taylor para e
t
em torno de t = 0 ´e
e
t
=


n=0
t
n
n!
, −∞< t < ∞.
Supondo que podemos substituir t por it na equa¸c˜ao acima, teremos
e
it
=


n=0
(it)
n
n!
=


n=0
(−1)
n
t
2n
(2n)!
+ i


n=1
(−1)
n−1
t
2n−1
(2n −1)!
,
onde separamos a soma em suas partes, uma real e outra imagin´aria, usando o fato de
que i
2
= −1, i
3
= −i, i
4
= 1, i
5
= i e assim por diante.
Na soma acima, a primeira parcela ´e a s´erie de Taylor para cost em torno de t = 0 e
a segunda ´e a s´erie de Taylor para sent em torno de t = 0. Assim, obtemos:
Defini¸c˜ao 3.5.1. (F´ormula de Euler): e
it
= cost + i sent.
Embora a dedu¸c˜ao da f´ormula de Euler esteja baseada na hip´otese n˜ao verificada de
que a s´erie de Taylor pode ser usada para n´ umeros complexos da mesma forma que para
n´ umeros reais, nossa inten¸c˜ao ´e us´a-la apenas para tornar a equa¸c˜ao acima aceit´avel.
Fazendo uso da Defini¸c˜ao 3.5.1, temos:
e
−it
= cost −i sent.
e
ibt
= cosbt +i senbt.
Estendemos a exponencial complexa para expoentes da forma a + ib, de tal maneira
que sejam v´alidas as propriedades usuais da fun¸c˜ao exponencial, ou seja,
e
(a+ib)t
= e
at
e
ibt
.
Assim, obtemos:
124
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
Defini¸c˜ao 3.5.2. e
(a+ib)t
= e
at
(cosbt +isenbt) = e
at
cosbt +ie
at
senbt.
Observarmos que as partes reais e imagin´arias s˜ao dadas em termos de fun¸c˜oes ele-
mentares reais.
Atrav´es das Defini¸c˜oes 3.5.1 e 3.5.2 foram mostradas as regras usuais de exponencia¸c˜ao
para a exponencial complexa, assim como as regras de deriva¸c˜ao.
Voltemos as express˜oes
y
1
(t) = exp[(a +ib)t], y
2
(t) = exp[(a −ib)t].
Estas fun¸c˜oes s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao ay
′′
+ by

+ cy = 0 quando as ra´ızes da equa¸c˜ao
caracter´ıstica ar
2
+ br + c = 0 s˜ao n´ umeros complexos a ± ib. Infelizmente, as solu¸c˜oes
y
1
e y
2
s˜ao fun¸c˜oes que tˆem valores complexos e ser´a prefer´ıvel ter solu¸c˜oes reais, pois a
pr´opria equa¸c˜ao diferencial tem coeficientes reais. Tais solu¸c˜oes podem ser encontradas
usando combina¸ c˜oes lineares adequadas. Tomemos a soma e diferen¸ca de y
1
e y
2
.
y
1
(t) +y
2
(t) = e
at
(cosbt +isenbt) +e
at
(cosbt −isenbt) = 2e
at
cosbt,
y
1
(t) −y
2
(t) = e
at
(cosbt +isenbt) −e
at
(cosbt −isenbt) = 2ie
at
cosbt.
Logo, desprezando os fatores constantes 2 e 2i, obtemos um par de solu¸c˜oes reais
u(t) = e
at
cosbt, v(t) = e
at
senbt.
Observemos que u ´e a parte real, e v a parte imagin´aria, respectivamente, de y
1
e y
2
Um c´alculo simples mostra que W(u, v)(t) = be
2at
. Portanto, desde que b ̸= 0, o
wronskiano W ´e n˜ao-nulo, de modo que u e v formam um conjunto fundamental de
solu¸c˜oes. (Se b = 0, estariamos no caso 1, de ra´ızes reais e diferentes).
Como consequˆencia, se as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao n´ umeros complexos
a ±ib, com b ̸= 0, ent˜ao a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao ay
′′
+by

+cy = 0 ´e dada por
y(t) = c
1
e
at
cosbt +c
2
e
at
senbt,
onde c
1
e c
2
s˜ao constantes arbitr´arias.
125
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Exemplos
Exemplo 3.5.1. Encontrar a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao y
′′
+y

+y = 0.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e r
2
+r + 1 = 0, cujas ra´ızes s˜ao
r =
−1 ±(1 −4)
1/2
2
= −
1
2
±i

3
2
.
Assim temos a = −1/2 e b =

3/2, de modo que a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial ´e
y(t) = c
1
e
−t/2
cos(

3t/2) + c
2
e
−t/2
sen(

3t/2).
Exemplo 3.5.2. Encontrar a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao y
′′
+ 9y = 0.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e r
2
+ 9 = 0, cujas ra´ızes s˜ao r = ±3i. Assim, a = 0 e b = 3.
Portanto, a solu¸c˜ao geral ´e
y(t) = c
1
cos3t +c
2
sen3t.
Exemplo 3.5.3. Resolver a equa¸c˜ao diferencial y
′′
+ 2y

+ 5y = 0.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e r
2
+2r +5 = 0, cujas ra´ızes s˜ao r = −1 ±2i. Assim, temos
a = −1 e b = 2 e portanto, a solu¸c˜ao geral ´e
y(t) = c
1
sen2t + c
2
cos2t.
Exemplo 3.5.4. Resolver o seguinte problema de valor inicial
16y
′′
−8y

+ 145y = 0, y(0) = −2, y

(0) = 1.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e 16r
2
−8r +145 = 0, cujas ra´ızes s˜ao r = 1/4±3i. Portanto,
a solu¸c˜ao geral ´e
y(t) = c
1
e
t/4
cos3t +c
2
e
t/4
sen3t.
A condi¸c˜ao y(0) = −2 implica c
1
= −2. Para usar a outra condi¸c˜ao inicial, derivamos a
solu¸c˜ao geral e fazemos t = 0. Assim temos que y

(0) =
1
4
c
1
+ 3c
2
= 1, de onde c
2
= 1/2.
Portanto, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial ´e
y(t) = −2e
t/4
cos3t +
1
2
e
t/4
sen3t.
126
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.5.1. Nos problemas a seguir, encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
dado
(a) y
′′
+ 4y

+ 5y = 0, y(0) = 1, y

(0) = 0;
(b) y
′′
−2y

+ 5y = 0, y(π/2) = 0, y

(π/2) = 2;
(c) y
′′
+y

+ 1, 25y = 0, y(0) = 3, y

(0) = 1;
(d) y
′′
+ 2y

+ 2y = 0, y(π/4) = 2, y

(π/4) = −2.
Exerc´ıcio 3.5.2. Seja o problema de valor inicial
3y
′′
−y

+ 2y = 0, y(0) = 2, y

(0) = 0.
(a) Encontrar a solu¸c˜ao desse problema.
(b) Encontrar o primeiro instante no qual |y(t)| = 10.
Exerc´ıcio 3.5.3. Seja o problema de valor inicial
y
′′
+ 2y

+ 6y = 0, y(0) = 2, y

(0) = α ≥ 0.
(a) Encontrar a solu¸c˜ao desse problema.
(b) Encontrar α tal que y(1) = 0.
(c) Encontrar o menor valor positivo de t, em fun¸c˜ao de α, para o qual y = 0.
(d) Determinar o limite da express˜ao encontrada em (c) quando α −→∞.
Exerc´ıcio 3.5.4. Mostrar que W(e
at
cosbt, e
at
senbt) = be
2at
.
Exerc´ıcio 3.5.5. Sejam as fun¸c˜oes reais p e q cont´ınuas em um intervalo I e y = ϕ(t) =
u(t) + iv(t) uma solu¸c˜ao complexa da equa¸c˜ao y
′′
+ p(t)y

+ q(t)y = 0, onde u e v s˜ao
fun¸c˜oes reais. Mostrar que u e v s˜ao tamb´em solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencial dada.
127
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Exerc´ıcio 3.5.6. Equa¸c˜oes de Euler Uma equa¸c˜ao da forma
t
2
y
′′
+αty

+βy = 0, t > 0
onde α e β s˜ao constantes reais, ´e dita uma equa¸c˜ao de Euler. Mostrar que a substitui¸c˜ao
x = lnt transforma uma equa¸c˜ao de Euler em uma equa¸c˜ao com coeficientes constantes.
Exerc´ıcio 3.5.7. Usar o m´etodo do Exercicio 3.5.6 para resolver as equa¸c˜oes dadas:
(a) t
2
y
′′
+ty

+y = 0; (b) t
2
y
′′
+ 4ty

+ 2y = 0
(c) t
2
y
′′
+ 3ty

+ 1, 25y = 0; (d) t
2
y
′′
−4ty

−6y = 0.
Caso 3: Ra´ızes Repetidas. Tal situa¸c˜ao acontece quando o discriminante b
2
−4ac da
equa¸c˜ao caracter´ıstica ar
2
+br +c = 0 ´e igual a zero. Logo as ra´ızes s˜ao r
1
= r
2
= −b/2a.
A aparente dificuldade ´e que ambas ra´ızes geram a mesma solu¸c˜ao
y
1
(t) = e
−bt/2a
da equa¸c˜ao diferencial
ay
′′
+by

+cy = 0,
e n˜ao parece nada obvio o como determinar a segunda solu¸c˜ao.
O Exemplo ?? ilustra tal situa¸c˜ao.
Exemplo 3.5.5. Exemplo ilustrativo: Considere a equa¸c˜ao diferencial
y
′′
+ 4y

+ 4y = 0.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e
r
2
+ 4r + 4 = 0,
cujas ra´ızes s˜ao r
1
= r
2
= −2. Assim, uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao dada ´e y
1
(t) = e
−2t
.
Para encontrar a solu¸c˜ao geral, precisamos de uma segunda solu¸c˜ao que n˜ao seja um
m´ ultiplo de y
1
. Esta segunda solu¸c˜ao pode ser encontrada por v´arios m´etodos. Usaremos
aqui o m´etodo de D’Alembert. Se y
1
´e uma solu¸c˜ao, ent˜ao sabe-se que cy
1
(t) ´e tamb´em
128
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
solu¸c˜ao, para qualquer constante c. Agora, a id´eia ´e substituir c por uma fun¸c˜ao v(t) e
logo determinar v(t) de modo que o produto v(t)y
1
(t) seja solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial.
Seguindo este m´etodo, devemos substituir y = v(t)e
−2t
na equa¸c˜ao y
′′
+ 4y

+ 4y = 0
e usar a equa¸c˜ao resultante para achar v(t). Derivando a fun¸c˜ao y resulta
y

= v

(t)e
−2t
−2v(t)e
−2t
y
′′
= v
′′
(t)e
−2t
−4v

(t)e
−2t
+ 4v(t)e
−2t
.
Substituindo na equa¸c˜ao diferencial temos v
′′
(t)e
−2t
= 0, de onde v(t) = c
1
t + c
2
, sendo
c
1
e c
2
constantes arbitr´arias. Obtemos,
y(t) = (c
1
t + c
2
)e
−2t
= c
1
te
−2t
+c
2
e
−2t
.
Observar que a segunda parcela corresponde `a solu¸c˜ao y
1
(t), mas a primeira parcela
corresponde `a segunda solu¸c˜ao, ou seja, y
2
(t) = te
−2t
. Essas duas solu¸c˜oes n˜ao s˜ao
proporcionais, pois calculando seu wronskiano obtemos
W(y
1
, y
2
)(t) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
e
−2t
te
−2t
−2e
−2t
(1 −2t)e
−2t
¸
¸
¸
¸
¸
¸
= e
−4t
̸= 0.
Portanto, y
1
(t) = e
−2t
e y
2
(t
t
e
−2t
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao y
′′
+ 4y

+ 4y = 0 e
y(t) = c
1
te
−2t
+ c
2
e
−2t
,
´e a solu¸c˜ao geral.
Observamos neste exemplo que y
1
(t) e y
2
(t) tendem a zero quando t −→ ∞. Por
consequˆencia, todas as solu¸c˜oes desta equa¸c˜ao se comportam dessa forma.
Vamos estender o m´etodo usado no Exemplo ?? para um caso geral, onde a equa¸c˜ao
caracter´ıstica tenha ra´ızes repetidas. Isto ´e, se b
2
−4ac = 0, ent˜ao:
y
1
(t) = e
bt/2a
129
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
´e uma solu¸c˜ao. Suporemos
y = v(t)y
1
(t) = v(t)e
−bt/2a
,
e substituiremos na equa¸c˜ao ay
′′
+by

+cy = 0 para determinar v(t). Assim, temos que
y

= v

(t)e
−bt/2a

b
2a
v(t)e
−bt/2a
,
y
′′
= v
′′
(t)e
−bt/2a

b
a
v

(t)e
−bt/2a
+
b
2
4a
2
v(t)e
−bt/2a
.
Ent˜ao, substituindo na equa¸c˜ao diferencial, obtemos
_
a
_
v
′′
(t) −
b
a
v

(t) +
b
2
4a
2
v(t)
_
+b
_
v

(t) −
b
2a
v(t)
_
+cv(t)
_
e
−bt/2a
= 0.
Como e
−bt/2a
̸= 0, rearrumando os termos restantes, resulta
av
′′
(t) +
_
b
2
4a

b
2
2a
+c
_
v(t) = 0.
Como b
2
−4ac = 0, obtemos a equa¸c˜ao v
′′
(t) = 0, de onde v(t) = c
1
t +c
2
. Portanto ,
y = c
1
te
−bt/2a
+c
2
e
−bt/2a
,
que ´e uma combina¸c˜ao linear de duas solu¸c˜oes
y
1
(t) = e
−bt/2a
, y
2
(t) = te
−bt/2a
.
O wronskiano destas solu¸c˜oes ´e W(y
1
, y
2
)(t) = e
−bt/a
̸= 0 e portanto essas solu¸c˜oes formam
um conjunto fundamental de solu¸c˜oes.
Assim,
y = c
1
te
−bt/2a
+ c
2
e
−bt/2a
´e a solu¸c˜ao geral, quando as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao iguais.
Exemplos
130
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.5 Ra´ızes Complexas
da Equa¸c˜ao Caracter´ıstica
Exemplo 3.5.6. Encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
y
′′
−y

+
1
4
= 0, y(0) = 2, y

(0) =
1
3
.
A equa¸c˜ao caracter´ıstica ´e r
2
−r +
1
4
= 0, cujas ra´ızes sa˜o r
1
= r
2
=
1
2
. Logo, a solu¸c˜ao
geral ´e
y = c
1
e
t/2
+c
2
te
t/2
.
A primeira condi¸c˜ao inicial implica y(0) = c
1
= 2. Para a segunda condi¸c˜ao inicial,
primeiro derivamos y = c
1
e
t/2
+c
2
te
t/2
, e logo fazemos t = 0. Da´ı resulta
y

(0) =
1
2
c
1
+c
2
=
1
3
, de modo que c
2
= −2/3.
Portanto, a solu¸c˜ao do problema de valor inicial ´e
y = 2e
t/2

2
3
e
t/2
.
Se trocamos a segunda condi¸c˜ao inicial por y

(0) = 2 (troca de coeficiente angular
inicial), obtemos que a solu¸c˜ao desse problema modificado ´e
y = 2e
t/2
+te
t/2
.
Isto sugere a existˆencia de um coeficiente angular inicial cr´ıtico, com valor entre 1/3 e 2,
que separa as solu¸c˜oes que crescem positivamente das que crescem em m´odulo, mas se
tornam negativas.
Exemplo 3.5.7. Considere o problema de valor inicial
y
′′
−y

+
1
4
= 0, y(0) = 2, y

(0) = b.
Encontrar sua solu¸c˜ao em termos de b e logo determinar o valor cr´ıtico de b que separa
as solu¸c˜oes que crescem positivamente das que crescem em m´odulo, mas com valores
negativos.
Pelo Exemplo 3.5.6 a solu¸c˜ao geral ´e
y = 2e
t/2
+ (b −1)te
t/2
.
Logo, o valor cr´ıtico de b que separa as solu¸c˜oes ´e b = 1. Assim, o coeficiente angular
cr´ıtico ´e b = 1.
131
3.6 Redu¸c˜ao de Ordem Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.6 Redu¸c˜ao de Ordem
Nesta Se¸c˜ao usaremos, o mesmo m´etodo que aplicamos na Se¸c˜ao 3.5 para equa¸c˜oes
com coeficientes constantes. Agora, veremos para um caso mais geral.
Suponhamos que y
1
(t) ´e uma solu¸c˜ao, n˜ao-nula, da equa¸c˜ao diferencial
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0.
Para encontrarmos a segunda solu¸c˜ao, consideremos y = v(t)y
1
(t). Ent˜ao
y

= v

(t)y
1
(t) +v(t)y

1
(t),
y
′′
= v
′′
(t)y
1
(t) + 2v

(t)y

1
(t) +v(t)y
′′
(t).
Substituindo na equa¸c˜ao y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0, e ordenando os termos, resulta em
y
1
v
′′
+ (2y

1
+ py
1
)v

+ (y
′′
1
+py

1
+qy
1
)v = 0.
Como y
1
´e solu¸c˜ao, o coeficiente de v ´e zero. Assim, a equa¸c˜ao assume a forma
y
1
v
′′
+ (2y

1
+py
1
)v

= 0.
Esta ´ ultima equa¸c˜ao ´e de primeira ordem para v

e pode ser resolvida como equa¸c˜ao de
primeira ordem ou como equa¸c˜ao separ´avel. Uma vez obtida v

, por integra¸c˜ao encon-
tramos v, desta forma teremos determinada a solu¸c˜ao y = v(t)y
1
(t).
Este procedimento ´e chamado m´etodo de redu¸c˜ao de ordem, pois o passo crucial ´e a
resolu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao diferencial de primeira ordem para v

, no lugar da equa¸c˜ao de
segunda ordem original para y.
Exemplo
Exemplo 3.6.1. Sabendo que y = t
−1
´e solu¸c˜ao da equa¸c˜ao 2t
2
y
′′
+ 3ty

− y = 0, com
t > 0, encontrar uma segunda solu¸c˜ao LI.
132
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.6 Redu¸c˜ao de Ordem
Fazendo y = v(t)t
−1
. Teremos que,
y

= v

t
−1
−vt
−2
, y
′′
= v
′′
t
−1
−2v

t
−2
+ 2vt
−3
.
Substituindo na equa¸c˜ao diferencial e ordenando os termos, resulta
2tv
′′
−v

= 0.
Resolvendo esta equa¸c˜ao para v

, encontramos v

(t) = c
1
t
1/2
e logo
v(t) =
2
3
c
1
t
3/2
+c
2
.
Segue-se a igualdade
y =
2
3
c
1
t
1/2
+c
2
t
−1
,
onde c
1
e c
2
s˜ao constantes arbitr´arias. Observamos que a segunda parcela desta solu¸c˜ao ´e
m´ ultipla de y
1
, logo podemos retir´a-la, mas a primeira parcela fornece a solu¸c˜ao procurada.
Desprezando a constante c
1
, temos y
2
(t) = t
1/2
.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.6.1. Resolva os problemas de valoroes iniciais
(a) 9y
′′
−12y

+ 4y = 0, y(0) = 2, y

(0) = −1;
(b) y
′′
−6y

+ 9y = 0, y(0) = 0, y

(0) = 2;
(c) 9y
′′
+ 6y

+ 82y = 0, y(0) = −1, y

(0) = 2;
(d) y
′′
+ 4y

+ 4y = 0, y(−1) = 2, y

(−1) = 1.
Exerc´ıcio 3.6.2. Considere o problema de valor inicial
4y
′′
+ 12y

+ 9y = 0, y(0) = 1, y

(0) = −4.
(a) Resolver o problema e fa¸ca o gr´afico de sua solu¸c˜ao para 0 ≤ t ≤ 5.
(b) Determinar onde a solu¸c˜ao tem o valor zero.
133
3.6 Redu¸c˜ao de Ordem Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
(c) Determinar as coordenadas (t
0
, y
0
) do ponto de m´ınimo.
(d) Mudar a segunda condi¸c˜ao inicial para y

(0) = b e encontrar a solu¸c˜ao em termos
de b. Logo, encontrar o valor cr´ıtico de b que separa as solu¸c˜oes que permanecem positivas
das que acabam se tornando negativas.
Exerc´ıcio 3.6.3. Se as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao reais, mostrar que uma
solu¸c˜ao de ay
′′
+by

+cy = 0 pode assumir o valor zero, no m´aximo, uma vez.
Exerc´ıcio 3.6.4. Usar o m´etodo de redu¸c˜ao de ordem para resolver:
(a) t
2
y
′′
−4ty

+ 6y = 0; t > 0, y
1
(t) = t
2
;
(b) t
2
y
′′
+ 2ty

−2y = 0; t > 0, y
1
(t) = t;
(c) t
2
y
′′
+ 3ty

+y = 0; t > 0, y
1
(t) = t
−1
;
(d) xy
′′
−y

+ 4x
3
y = 0; x > 0, y
1
(x) = senx
2
;
(e) x
2
y
′′
+xy

+ (x
2
−1/4)y = 0; x > 0, y
1
(x) = x
−1/2
senx.
Exerc´ıcio 3.6.5. Considere a equa¸c˜ao diferencial
xy
′′
−(x + n)y

+ ny = 0,
onde n ∈ N. O interessante desta equa¸c˜ao ´e que ela possui uma solu¸c˜ao exponencial e
uma solu¸c˜ao polinomial.
(a) Verificar que uma solu¸c˜ao ´e y
1
(x) = e
x
.
(b) Mostrar que uma segunda solu¸c˜ ao tem a forma y
2
(x) = ce
x

x
n
e
−x
dx. Calcular
y
2
(x) para n = 1 e n = 2. Verificar que, com c = −1/n!, temos
y
2
(x) = 1 +
x
1!
+
x
2
2!
+· · · +
x
n
n!
.
Observar que y
2
(x) ´e justamente a soma das n + 1 primeiras parcelas da s´erie de Taylor
para e
x
em torno de x = 0.
Exerc´ıcio 3.6.6. Considere a equa¸c˜ao diferencial
y
′′
+δ(xy

+y) = 0,
134
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
que aparece no estudo da turbulˆencia em um fluxo uniforme ao passar por um cilindro
circular. Verificar que y
1
(x) = e
−δx
2
/2
´e uma solu¸c˜ao e encontrar a solu¸c˜ao geral como
uma integral.
Exerc´ıcio 3.6.7. Se a, b e c s˜ao constantes positivas, mostrar que todas as solu¸c˜oes da
equa¸c˜ao ay
′′
+by

+cy = 0 tendem a zero quando t −→∞.
Exerc´ıcio 3.6.8. (a) Se a > 0 e c > 0, mas b = 0, mostrar que o resultado do Exerc´ıcio
3.6.7 n˜ao ´e mais v´alido, mas que todas as solu¸c˜oes permanecem limitadas quando t −→∞.
(b) Se a > 0 e b > 0, mas c = 0, mostrar que o resultado do Exercicio 3.6.7
n˜ao ´e mais v´alido, mas que todas as solu¸c˜oes tendem a uma constante, que depende da
condi¸c˜ao inicial , quando t −→ ∞. Determinar esta constante para a condi¸c˜ao inicial
y(0) = y
0
, y

(0) = y

0
.
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
3.7.1 M´etodo dos Coeficientes Indeterminados
Consideremos uma equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea
L[y] = y
′′
+ p(t)y

+q(t)y = g(t), (3.19)
onde p, q e g s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I.
A partir da equa¸c˜ao (3.19), podemos definir uma equa¸c˜ao homogˆena associada da
forma
L[y] = y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0. (3.20)
Os resultados a seguir descrevem a estrutura das solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.19) e fornecem
subs´ıdios para construirmos sua solu¸c˜ao geral.
135
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Teorema 3.7.1. Se Y
1
e Y
2
s˜ao duas solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.19), ent˜ao a diferen¸ca Y
1
−Y
2
´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.20). Al´em disso, se y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental
de solu¸c˜oes para a equa¸c˜ao (3.20), ent˜ao
Y
1
(t) −Y
2
(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t), (3.21)
onde c
1
e c
2
s˜ao constantes determinadas.
Demonstra¸c˜ao: Por hip´otese, temos que
L[Y
1
](t) = g(t), L[Y
2
](t) = g(t). (3.22)
Subtraindo a segunda da primeira dessas equa¸c˜oes, resulta em
L[Y
1
](t) −L[Y
2
](t) = 0. (3.23)
Como L[Y
1
] −L[Y
2
] = L[Y
1
−Y
2
], a equa¸c˜ao (3.23) pode ser reescrita por
L[Y
1
−Y
2
](t) = 0, (3.24)
que afirma que Y
1
− Y
2
´e uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.20). Por outro lado, sabemos que
toda solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (3.20) pode ser expressa como combina¸c˜ao linear das fun¸c˜oes de
um conjunto fundamental de solu¸c˜oes, segue-se ent˜ao que
Y
1
(t) −Y
2
(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t).
Teorema 3.7.2. A solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea (3.19) pode ser escrita na
forma
y = ϕ(t) = c
1
y
1
(t) + c
2
y
2
(t) + Y (t), (3.25)
onde y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao homogˆenea
associada (3.20), c
1
e c
2
s˜ao constantes arbitr´arias e Y alguma solu¸c˜ao espec´ıfica da
equa¸c˜ao na˜o-homog`enea (3.19).
136
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Demonstra¸c˜ao: Segue do Teorema 3.7.1. Observamos que a equa¸c˜ao (3.21)
Y
1
(t) −Y
2
(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t),
´e v´alida se identificarmos Y
1
com uma solu¸c˜ao arbitr´aria ϕ da equa¸c˜ao (3.19) e Y
2
com a
solu¸c˜ao espec´ıfica Y . Assim, da equa¸c˜ao (3.21), resulta
ϕ(t) −Y (t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t),
que ´e equivalente a equa¸c˜ao (3.25).
Observarmos que, como ϕ ´e uma solu¸c˜ao arbitr´aria da equa¸c˜ao (3.19), a express˜ao
(3.25) inclui todas as solu¸c˜oes da equa¸c˜ao (3.19). Portanto, ´e natural cham´a-la de solu¸c˜ao
geral.
Em linhas gerais o Teorema 3.7.2 nos fornece um procedimento para resolver uma
equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea, para tal seguiremos as seguintes etapas.
Etapa 1: Encontrar a solu¸c˜ao geral c
1
y
1
(t)+c
2
y
2
(t) da equa¸c˜ao homogˆenea associada.
´
E comum chamar esta solu¸c˜ao de solu¸c˜ao complementar e ´e denotada por y
c
(t).
Etapa 2: Encontrar uma ´ unica solu¸c˜ao Y (t) da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea. Esta solu¸c˜ao
´e conhecida como solu¸c˜ao particular.
Etapa 3:Somar as duas solu¸c˜oes das etapas acima.
Nas se¸c˜oes anteriores discutimos o como encontrar y
c
(t) no caso da equa¸c˜ao homogˆenea
ter coeficientes constantes. A seguir descreveremos dois m´etodos para encontrar uma
solu¸c˜ao particular Y (t) da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea (3.19). Esses dois m´etodos s˜ao con-
hecidos como coeficientes indeterminados e varia¸c˜ao dos parˆametros.
M´etodo dos Coeficientes Indeterminados Este m´etodo precisa de uma hip´otese
inicial sobre a forma da solu¸c˜ao particular Y (t), mas com os coeficientes n˜ao especificados.
Logo substituimos isto na equa¸c˜ao (3.19) e tentaremos determinar os coeficientes, de modo
que a equa¸c˜ao seja satisfeita. No caso em que for satisfeita a equa¸c˜ao, teremos achado a
137
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
solu¸c˜ao particular Y (t). Caso contr´ario, n˜ao existe solu¸c˜ao da forma suposta, e neste caso
deveremos modificar a hip´otese inicial, e tentar novamente.
Maior vantagem do m´etodo: F´acil de executar, uma vez feita a hip´otese inicial sobre
a forma de Y (t).
Maior limita¸c˜ao do m´etodo:
´
Util principalmente para equa¸c˜oes para as quais ´e f´acil
escrever a forma correta da solu¸c˜ao particular.
´
E por isso que este m´etodo ´e usado, em geral, para equa¸c˜oes com coeficientes constantes
e cujo termo n˜ao-homogˆeneo pertence a uma classe relativamente pequena de fun¸c˜oes. Em
particular, consideraremos termos n˜ao-homogˆeneos consistindo em polinˆomios, fun¸c˜oes
exponenciais, senos e cosenos. Apesar disso, o m´etodo ´e ´ util para resolver v´arios proble-
mas que tˆem aplica¸c˜oes importantes. De outro lado, conhecer algum m´etodo de ´algebra
computacional ser´a muito ´ util nas aplica¸c˜oes.
Exemplos
Exemplo 3.7.1. Encontrar a solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
−3y

−4y = 3e
2t
(3.26)
Buscaremos uma solu¸c˜ao Y , tal que Y
′′
−3Y

−4Y = 3e
2t
. Como a derivada de uma
fun¸c˜ao exponencial ´e um m´ ultiplo dela mesma, podemos supor Y (t) = ae
2t
, onde a ´e o
coeficiente que iremos determinar.
Temos Y

(t) = 2ae
2t
e Y
′′
(t) = 4ae
2t
. Substituindo na equa¸c˜ao (3.26), resulta em
−6ae
2t
= 3e
2t
,
assim teremos a = −1/2. Desta forma uma solu¸c˜ao particular ´e,
Y (t) = −
1
2
e
2t
. (3.27)
138
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Exemplo 3.7.2. Encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
−3y

−4y = 2sent (3.28)
Vamos supor Y (t) = asent, onde a ´e o coeficiente que vamos determinar.
Temos Y

(t) = acost e Y
′′
(t) = −asent. Substituindo na equa¸c˜ao (3.28), resulta
−5asent −3acost = 2sent, ou (2 + 5a)sent + 3acost = 0. (3.29)
As fun¸c˜oes sent e cost s˜ao LI, de modo que (3.29) ´e v´alida num intervalo onde 2+5a =
3a = 0. Estas condi¸c˜oes contradit´orias significam que n˜ao existe escolha da constante a
que torne (3.29) v´alida , para todo t. Ent˜ao, a hip´otese sobre Y (t) n˜ao foi adequada.
Modificamos a nossa h´ıp´otese sobre Y (t) e vamos supor agora Y (t) = asent +bcost, onde
a e b s˜ao os coeficientes que iremos determinar. Temos
Y

(t) = acost −bsent, Y
′′
(t) = −asent −bcost.
Substituindo na equa¸c˜ao (3.28) e arrumando os termos, teremos
(−a + 3b −4a)sent + (−b −3a −4b)cost = 2sent. (3.30)
Segue que −5a + 3b = 2 e − 3a − 5b = 0. Resultando em a = −5/17 e b = 3/17.
Portanto, a solu¸c˜ao particular ´e
Y (t) = −
5
17
sent +
3
17
cost.
Exemplo 3.7.3. Encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
−3y

−4y = 4t
2
−1.
Vamos supor Y (t) = at
2
+bt+c, onde a, b e c s˜ao os coeficientes que iremos determinar.
Derivando e substituindo na equa¸c˜ao, obtemos
−4at
2
+ (−6a −4b)t + 2a −3b −4c = 4t
2
−1.
139
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Igualando os coeficientes correspondentes, resulta a = −1, b = 3/2 e c = −11/8. Assim,
a solu¸c˜ao particular ´e
Y (t) = −t
2
+
3
2
t −
11
8
.
Exemplo 3.7.4. Encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
−3y

−4y = −8e
t
cos2t. (3.31)
Neste caso, vamos supor Y (t) = ae
t
cos2t +be
t
sen2t. Segue que
Y

(t) = (a + 2b)e
t
cos2t + (−2a +b)e
t
sen2t,
Y
′′
(t) = (−3a + 4b)e
t
cos2t + (−4a −3b)e
t
sen2t.
Substituindo estas igualdades na equa¸c˜ao (14) resulta que a e b devem satisfazer
10a + 2b = 8, 2a −10b = 0.
Resolvendo, obtemos a = 10/13 e b = 2/13. Logo, a solu¸c˜ao particular ´e
Y (t) =
10
13
e
t
cos2t +
2
13
e
t
sen2t.
Agora, suponha g(t) = g
1
(t)+g
2
(t) e que Y
1
e Y
2
s˜ao solu¸c˜oes particulares das equa¸c˜oes
ay
′′
+by

+cy = g
1
(t),
ay
′′
+by

+cy = g
2
(t),
respectivamente. Ent˜ao Y
1
+Y
2
´e uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
ay
′′
+by

+cy = g(t).
Exemplo 3.7.5. Encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
−3y

−4y = 3e
2t
+ 2sent −8e
t
cos2t.
140
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Separando os termos, obtemos trˆes equa¸c˜oes
y
′′
−3y

−4y = 3e
2t
,
y
′′
−3y

−4y = 2sent,
y
′′
−3y

−4y = −8e
t
cos2t.
Pelos Exemplos 3.7.1, 3.7.2 e 3.7.3, resulta que a solu¸c˜ao particular procurada ´e
Y (t) = −
1
2
e
2t

5
17
sent +
3
17
cost +
10
13
e
t
cos2t +
2
13
e
t
sen2t.
O Exemplo 3.7.6 mostra uma prov´avel dificuldade que pode se apresentar em alguns
casos.
Exemplo 3.7.6. Encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
+ 4y = 3cos2t. (3.32)
Supondo Y (t) = acos2t +bsen2t, derivando e substituindo na equa¸c˜ao (3.32), resulta
(4a −4a)cos2t + (4b −4b)sen2t = 0 = 3cos2t.
Observamos que n˜ao existe escolha de a e b que satisfa¸ca a equa¸c˜ao. Portanto, n˜ao
existe solu¸c˜ao particular que tenha essa forma. Isto deve-se ao fato de que, ao resolver
a equa¸c˜ao homogˆenea, y
′′
+ 4y = 0, associada ´a equa¸c˜ao (3.32) , sua solu¸c˜ao geral ´e da
forma c
1
cos2t +c
2
sen2t e portanto, n˜ao poderia ser solu¸c˜ao da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea.
Para encontrar uma solu¸c˜ao de (3.32), devemos considerar uma forma um pouco difer-
ente. Assim, supondo Y (t) = atcos2t + btsen2t, derivando e substituindo na equa¸c˜ao
(3.32) resulta
−4asen2t + 4bcos2t = 3cos2t.
Portanto obtemos a = 0 e b = 3/4. Logo, a solu¸c˜ao particular procurada ´e
Y (t) =
3
4
tsen2t.
141
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Vamos resumir as etapas envolvidas em encontrar a solu¸c˜ao de uma equa¸c˜ao diferencial
n˜ao-homogˆenea da forma
ay
′′
+by

+cy = g(t), (3.33)
onde a, b e c s˜ao constantes.
(I) Encontrar a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao homogˆenea associada.
(II) Verificar que a fun¸c˜ao g(t) ´e do tipo exponencial, senos e cosenos, polinomial
ou somas ou produtos de tais fun¸c˜oes. Caso contr´ario, usar o m´etodo de varia¸ c˜ao dos
parˆametros (que veremos na Se¸c˜ao 3.7.2).
(III) Se g(t) = g
1
(t) + g
2
(t) + · · · + g
n
(t), ent˜ao formar n subequa¸c˜oes, cada uma
contendo apenas uma das parcelas g
i
(t). Isto ´e
ay
′′
+by

+cy = g
i
(t),
onde i = 1, 2, · · · , n.
(IV) Achar uma solu¸c˜ao particular Y
i
(t), para a i-´esima equa¸c˜ao, consistindo da fun¸c˜ao
apropriada. Se existir qualquer duplica¸c˜ao na forma suposta para Y
i
(t) com as solu¸c˜oes
da equa¸c˜ao homogˆenea, ent˜ao multiplicar Y
i
(t) por t ou (se necess´ario) por t
2
, de modo a
remover a duplica¸c˜ao.
(V) Formar a soma Y
1
(t) + · · · + Y
n
(t), que ser´a a solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
homogˆenea completa.
(VI) Formar a soma da solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao homogˆenea etapa (I) com a solu¸c˜ao
particular da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea etapa (VI). Essa ser´a a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao
n˜ao-homogˆenea.
(VII) Usar, segundo o caso, as condi¸c˜oes iniciais para determinar os valores das con-
stantes arbitr´arias na solu¸c˜ao geral.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.7.1. Em cada caso, encontrar a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial dada
142
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
(a) y
′′
+ 2y

+ 5y = 3sen2t; (b) y
′′
−2y

−3y = −3te
−t
;
(c) y
′′
+ 2y

= 3 + 4sen2t; (d) y
′′
+ 9y = 6 +t
2
e
3t
;
(e) 2y
′′
+ 3y

+y = t
2
+ 3sent; (f ) y
′′
+y = 3sen2t +tcos2t;
(g) y
′′
+y

+ 4y = 2senht; (h) y
′′
−y

−2y = cosh2t.
Exerc´ıcio 3.7.2. Encontrar as solu¸c˜oes dos problemas de valores iniciais
(a) y
′′
+ 4y

= t
2
+ 3e
t
, y(0) = 0, y

(0) = 2;
(b) y
′′
−2y

+y = 4 +te
t
, y(0) = 1, y

(0) = 1;
(c) y
′′
+ 4y = 3sen2t, y(0) = 2, y

(0) = −1;
(d) y
′′
+ 2y

+ 5y = 4e
−t
cos2t, y(0) = 1, y

(0) = 0.
Exerc´ıcio 3.7.3. Nos problemas seguintes, determinar uma forma adequada para Y (t) e
usar o m´etodo dos coeficientes indeterminados para encontrar uma solu¸c˜ao particular da
equa¸c˜ao diferencial dada.
(a) y
′′
+ 3y

= 2t
4
+t
2
e
−3t
+sen3t;
(b) y
′′
+y = t(1 + sent);
(c) y
′′
−5y

+ 6y = e
t
cos2t + e
2t
(3t + 4)sent;
(d) y
′′
+ 3y

+ 2y = e
t
(t
2
+ 1)sen2t + 3e
−t
cost + 4e
t
.
Exerc´ıcio 3.7.4. Determinar a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao diferencial
y
′′

2
y =
N

m=1
a
m
senmπt,
onde α > 0 e α ̸= mπ, para m = 1, · · · , N.
Exerc´ıcio 3.7.5. Determinar a solu¸c˜ao y = ϕ(t) da equa¸c˜ao diferencial
y
′′
+y =
_
_
_
t, 0 ≤ t ≤ π
πe
π−t
, t > π,
satisfazendo as condi¸c˜oes iniciais y(0) = 0 e y

(0) = 1. Suponha que y e y

s˜ao cont´ınuas
em t = π.
143
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Sugest˜ao: Resolver, primeiro, o problema de valor inicial para t ≤ π e logo para t > π,
determinando as constantes nessa ´ ultima solu¸c˜ao a partir das condi¸c˜oes de continuidade
em t = π.
Exerc´ıcio 3.7.6. Um procedimento diferente para resolver a equa¸c˜ao diferencial
y

+by

+ cy = (D
2
+bD +c)y = g(t), (∗)
onde b e c s˜ao constantes e D denota o operador derivada em rela¸c˜ao a t. Sejam r
1
e r
2
as
ra´ızes do polinˆomio caracter´ıstico da equa¸c˜ao homogˆenea associada. Estas ra´ızes podem
ser reais e distintas, reais e iguais ou complexas conjugadas.
(a) Verificar que a equa¸c˜ao (*) pode ser escrita na forma fatorada
(D −r
1
)(D −r
2
)y = g(t),
onde r
1
+r
2
= −b e r
1
r
2
= c.
(b) Seja u = (D − r
2
)y. Mostrar que a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao (*) pode ser encontrada
resolvendo as duas equa¸c˜oes de primeira ordem seguintes:
(D −r
1
)u = g(t), (D −r
2
)y = u(t).
7) Nos exercicios seguintes, usar o m´etodo descrito no exercicio 6).
(a) y
′′
−3y

−4y = 3e
2t
; (b) 2y
′′
+ 3y

+ y = t
2
+ 3sent;
(c) y
′′
+ 2y

+ y = 2e
−t
; (d) y
′′
+ 2y

= 3 + 4sen2t.
3.7.2 M´etodo de Varia¸c˜ao dos Parˆametros
Este m´etodo ´e devido ao matem´atico Lagrange, italiano de nascimento e francˆes de na-
cionalidade, que forneceu uma outra maneira de encontrar uma solu¸c˜ao particular de uma
equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea e complementando o m´etodo dos coeficientes indeterminados.
Principal vantagem:
´
E um m´etodo geral, pode ser aplicado a qualquer equa¸c˜ao e n˜ao
precisa de hip´oteses sobre a forma da solu¸c˜ao.
144
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Figura 3.1: Joseph Louis Lagrange (1736-1813)
Uma dificuldade do m´etodo ´e ter que calcular determinadas integrais envolvendo o
termo n˜ao-homogˆeneo.
Exemplo 3.7.7. Encontre uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao
y
′′
+ 4y = 3csct. (3.34)
Notemos que no Exemplo 3.7.7 n˜ao podemos aplicar o m´etodo dos coeficientes inde-
terminados pois o termo cst envolve quocientes de fun¸c˜oes e n˜ao somas ou produtos de
fun¸c˜oes. Precisamos, portanto, de uma nova estrat´egica para encontrar a solu¸c˜ao.
A solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao homogˆenea associada y
′′
+ 4y = 0 ´e
y
c
(t) = c
1
cos2t + c
2
sen2t. (3.35)
Iremos substituir as constantes c
1
e c
2
da equa¸c˜ao 3.35 pelas fun¸c˜oes u
1
(t) e u
2
(t), em
seguida determinar estas fun¸c˜oes de tal maneira que
y = u
1
(t)cos2t +u
2
(t)sen2t. (3.36)
seja solu¸c˜ao da equa¸c˜ao n˜ao-homogˆenea 3.34.
145
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Para determinar u
1
e u
2
´e preciso substituir (3.36) na equa¸c˜ao (3.34). No entanto,
mesmo sem fazer essa substitui¸c˜ao, podemos antecipar que o resultado ser´a uma ´ unica
equa¸c˜ao envolvendo alguma combina¸c˜ao de u
1
e u
2
e suas derivadas primeiras e segundas.
J´a que temos apenas uma equa¸c˜ao e duas fun¸c˜oes a determinar, espera-se que existam
muitas escolhas poss´ıveis. De outra forma, podemos ser capazes de impor uma segunda
condi¸c˜ao a nossa escolha, obtendo assim duas equa¸c˜oes para as duas fun¸c˜oes u
1
e u
2
.
Mostraremos depois que ´e poss´ıvel escolher essa segunda condi¸c˜ao de modo a tornar os
c´alculos mais eficientes.
Voltando ´a equa¸c˜ao (3.36), derivando e ordenando os termos, teremos
y

= −2u
1
(t)sen2t + 2u
2
(t)cos2t + u

1
(t)cos2t +u

2
(t)sen2t. (3.37)
Iremos impor uma segunda condi¸c˜ao sobre u
1
e u
2
, ou seja , que ser´a dada pela equa¸c˜ao
(3.38)
u

1
(t)cos2t +u

2
(t)sen2t = 0. (3.38)
Segue ent˜ao, da equa¸c˜ao (3.37) que
y

= −2u
1
(t)sen2t + 2u
2
(t)cos2t. (3.39)
A pesar de n˜ao ficar claro ainda o efeito da condi¸c˜ao (3.38), conseguimos simplificar a
express˜ao para y

. A segunda derivada ´e
y
′′
= −4u
1
(t)cos2t −4u
2
(t)sen2t −2u

1
(t)sen2t + 2u

2
(t)cos2t. (3.40)
Agora, substituindo y e y
′′
na equa¸c˜ao (3.34), temos que u
1
e u
2
devem satisfazer
−2u

1
(t)sen2t + 2u

2
(t)cos2t = csct. (3.41)
Assim, queremos escolher u
1
e u
2
de modo a satisfazer as equa¸c˜oes (3.38) e (3.41), que
podem ser consideradas como um par de equa¸c˜oes lineares para u

1
e u

2
. Resolvendo este
146
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
sistema, obtemos
u

2
(t) = −u

1
(t)
cos2t
sen2t
. (3.42)
Substituindo este valor na equa¸c˜ao (3.41), resulta
u

1
(t) = −
3csctsen2t
2
= −3cost. (3.43)
Agora, substituindo esta express˜ao para u

1
(t) na equa¸c˜ao (3.42), temos que
u

2
(t) =
3costcos2t
sen2t
=
3(1 −2sen
2
t)
2sent
=
3
2
csct −3sent. (3.44)
Obtidas u

1
(t) e u

2
(t), integramos para obter u
1
(t) e u
2
(t).
Logo,
u
1
(t) = −3sent +c
1
, u
2
(t) =
3
2
ln|csct −ctgt| + 3cost +c
2
.
Finalmente, substituindo u
1
(t) e u
2
(t) na equa¸c˜ao (3.36), temos
y = 3sent +
3
2
ln|csct −ctgt|sen2t +c
1
cos2t +c
2
sen2t, (3.45)
que ´e a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao (3.34), onde c
1
e c
2
s˜ao constantes arbitr´arias.
A expressa˜o c
1
cos2t + c
2
sen2t corresponde ´a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao homogˆenea
associada e 3sent +
3
2
ln|csct − ctgt|sen2t ´e uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao n˜ao-
homogˆenea.
Agora, vamos discutir se o m´etodo de varia¸c˜ao dos parˆametros pode ser aplicado a
uma equa¸c˜ao arbitr´aria. Consideremos ent˜ao a equa¸c˜ao
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = g(t), (3.46)
onde p, q e g s˜ao fun¸c˜oes cont´ınuas. Vamos supor que
y
c
(t) = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t), (3.47)
147
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
´e a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao homogˆenea associada
y
′′
+p(t)y

+q(t)y = 0. (3.48)
Essa hip´otese ´e importante, pois at´e agora s´o foi mostrado como resolver a equa¸c˜ao
(3.48) quando tiver coeficientes constantes.
Seguindo o exemplo acima, substituimos c
1
e c
2
por fun¸c˜oes u
1
(t) e u
2
(t). Assim,
y(t) = u
1
(t)y
1
(t) +u
2
(t)y
2
(t). (3.49)
Vamos determinar u
1
(t) e u
2
(t) de modo que a igualdade (3.49) seja solu¸c˜ao da equa¸c˜ao
(3.46), em vez da equa¸c˜ao (3.48). Derivando (3.49), obtemos
y

(t) = u

1
(t)y
1
(t) +u
1
(t)y

1
(t) +u

2
(t)y
2
(t) + u
2
(t)y

2
(t). (3.50)
Analogamente, como fizemos no Exemplo 3.7.7, vamos supor
u

1
(t)y
1
(t) +u

2
(t)y
2
(t) = 0. (3.51)
Da equa¸c˜ao (3.50), temos
y

= u
1
(t)y

1
(t) +u
2
(t)y

2
(t). (3.52)
Derivando novamente, obteremos
y
′′
(t) = u

1
(t)y

1
(t) +u
1
(t)y
′′
1
(t) + u

2
(t)y

2
(t) +u
2
(t)y
′′
2
(t). (3.53)
Substituindo y, y

e y
′′
na equa¸c˜ao (3.46) e reeordenando os termos, resulta
u
1
(t)[y
′′
1
(t) +p(t)y

1
(t) +q(t)y
1
(t)]
+u
2
(t)[y
′′
2
(t) +p(t)y

2
(t) + q(t)y
2
(t)]
+u

1
(t)y

1
(t) +u

2
(t)y

2
(t) = g(t).
148
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Como y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes da equa¸c˜ao homogˆenea, a express˜ao acima, esta se reduz a
u

1
(t)y

1
(t) +u

2
(t)y

2
(t) = g(t). (3.54)
As equa¸c˜oes (3.51) e (3.54) formam um sistema de duas equ¸c˜aoes lineares alg´ebricas
para as derivadas das fun¸c˜oes u
1
e u
2
. Resolvendo esse sistema, obtemos
u

1
(t) = −
y
2
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)(t)
, u

2
(t) =
y
1
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)(t)
, (3.55)
onde W(y
1
, y
2
) ´e o wronskiano de y
1
e y
2
. Observar que a divis˜ao por W ´e v´alida pois
y
1
e y
2
formam um conjunto fundamental de solu¸c˜oes e portanto, W ̸= 0. Integrando as
equa¸c˜oes (3.55), encontramos as fun¸c˜oes procuradas
u
1
(t) = −

y
2
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt +c
1
,
u
1
(t) =

y
1
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt +c
2
.
Finalmente, substituindo estes valores na equa¸c˜ao (3.49), obtemos a solu¸c˜ao geral da
equa¸c˜ao (3.46). Tal resultado ´e descrito pelo Teorema 3.7.3.
Teorema 3.7.3. Se as fun¸c˜oes p, q e g s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I e se as
fun¸c˜oes y
1
e y
2
s˜ao solu¸c˜oes LI da equa¸c˜ao homogˆenea (3.48), associada ´a equa¸c˜ao (3.46),
ent˜ao uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao (3.46) ´e
Y (t) = −y
1
(t)

y
2
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt +y
2
(t)

y
1
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt (3.56)
e a solu¸c˜ao geral ´e dada por
y = c
1
y
1
(t) +c
2
y
2
(t) +Y (t).
Observando a express˜ao (3.56) e pelo processo desenvolvido na sua dedu¸c˜ao, observa-
mos duas dificuldades no uso do m´etodo de varia¸c˜ao dos parˆametros.
149
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
(I) A determina¸c˜ao de y
1
e y
2
(ou seja, o conjunto fundamental de solu¸c˜oes da equa¸c˜ao
(3.48) quando os coeficientes n˜ao s˜ao constantes).
(II) O c´alculo das integrais que aparecem em na equa¸c˜ao (3.56) dependem exclusiva-
mente de y
1
, y
2
e g. Ao usar (3.56) verificar que a equa¸c˜ao diferencial ´e da forma (3.46);
caso contr´ario, o termo n˜ao-homogˆeneo g(t) n˜ao ser´a identificado corretamente.
Uma vantagem do m´etodo ´e que a equa¸c˜ao (3.56) fornece uma express˜ao para a solu¸c˜ao
particular Y (t) em termos de uma fun¸c˜ao n˜ao-homogˆenea arbitr´aria g(t).
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.7.7. Usar o m´etodo de varia¸c˜ao dos parˆametros para encontrar uma solu¸c˜ao
particular das equa¸c˜oes dadas. Logo, verificar sua solu¸c˜ao usando o m´etodo dos coefi-
cientes indeterminados
(a) y
′′
−5y

+ 6y = 2e
t
; (b) y
′′
−y

−2y = 2e
−t
;
(c) y
′′
+ 2y

+ y = 3e
−t
; (d) 4y
′′
−4y

+y = 16e
t/2
.
Exerc´ıcio 3.7.8. Encontrar uma solu¸c˜ao geral em cada caso
(a) y
′′
+ 9y = 9sec
2
3t, 0 < t < π/6; (b) y
′′
+ 4y = 3csc2t, 0 < t < π/2;
(c) y
′′
+ 4y

+ 4y = t
−2
e
2t
, t > 0; (d) y
′′
−2y

+y = e
t
/(1 +t
2
).
Exerc´ıcio 3.7.9. Em cada caso, verificar que as fun¸c˜oes y
1
e y
2
dadas satisfazem a
equa¸c˜ao homogˆenea associada, logo encontrar uma solu¸c˜ao particular da equa¸c˜ao n˜ao-
homogˆenea dada.
(a) t
2
y
′′
−t(t + 2)y

+ (t + 2)y = 2t
3
, t > 0; y
1
(t) = t, y
2
(t) = te
t
;
(b) ty
′′
−(1 + t)y

+y = t
2
e
2t
, t > 0; y
1
(t) = 1 +t, y
2
(t) = e
t
;
(c) x
2
y
′′
−3xy

+ 4y = x
2
lnx, x > 0; y
1
(x) = x
2
, y
2
(x) = x
2
lnx;
(d) x
2
y
′′
+ xy

+ (x
2
− 0, 25)y = 3x
3/2
senx, x > 0; y
1
(x) = x
−1/2
senx, y
2
(x) =
x
−1/2
cosx.
150
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Exerc´ıcio 3.7.10. Considere o seguinte problema de valor inicial
L[y] = y
′′
+ p(t)y

+q(t)y = g(t), y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
.
Mostrar que a solu¸c˜ao pode ser escrita na forma y = u(t) +v(t), onde u e v s˜ao solu¸c˜oes
dos dois problemas de valor inicial
L[u] = 0, u(t
0
) = y
0
, u

(t
0
) = y

0
,
L[v] = g(t), v(t
0
) = 0, v

(t
0
) = 0,
respectivamente. (Isto significa que as partes n˜ao-homogˆeneas na equa¸c˜ao diferencial e
nas condi¸c˜oes iniciais podem ser tratadas separadamente). Observar que a fun¸c˜ao u ´e
f´acil de se encontrar, se for conhecido um conjunto fundamental de solu¸c˜oes para L[u].
Exerc´ıcio 3.7.11. Na express˜ao a seguir
Y (t) = −y
1
(t)

y
2
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt +y
2
(t)

y
1
(t)g(t)
W(y
1
, y
2
)
dt,
escolha-se o limite inferior de integra¸c˜ao como o ponto inicial t
0
e ent˜ao mostrar que Y (t)
torna-se
Y (t) =

t
t
0
y
1
(s)y
2
(t) −y
1
(t)y
2
(s)
y
1
(s)y

2
(s) −y

1
(s)y
2
(s)
g(s)ds.
Mostrar que Y (t) ´e uma solu¸c˜ao do problema de valor inicial
L[y] = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0.
Assim, pode-se identificar Y com v do exercicio 4).
Exerc´ıcio 3.7.12. (a) Usar o resultado do exercicio 5) para mostrar que a solu¸c˜ao do
problema de valor inicial
y
′′
+y = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0,
´e
y =

t
t
0
sen(t −s)g(s)ds.
151
3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
(b) Encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
y
′′
+y = g(t), y(0) = y
0
, y

(0) = y

0
.
7) Usar o resultado do exercicio 5) para encontrar a solu¸c˜ao do problema de valor
inicial
L[y] = (D −a)(D −b)y = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0,
onde a ̸= b s˜ao n´ umeros reais.
Exerc´ıcio 3.7.13. Usar o resultado do exercicio 5) para encontrar a solu¸c˜ao do problema
de valor inicial
L[y] = [D
2
−2λD + (λ
2

2
)]y = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0.
Notar que as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao λ ±iµ.
Exerc´ıcio 3.7.14. Usar o resultado do problema 5) para encontrar a solu¸c˜ao do problema
de valor inicial
L[y] = (D −a)
2
y = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0,
onde a ´e um n´ umero real arbitr´ario.
Exerc´ıcio 3.7.15. Combinar os resultados dos exercicios 7), 8) e 9) para mostrar que a
solu¸c˜ao do problema de valor inicial
L[y] = (aD
2
+bD + c)y = g(t), y(t
0
) = 0, y

(t
0
) = 0,
onde a, b e c s˜ao constantes, tem a forma
y = ϕ(t) =

t
t
0
K(t −s)g(s)ds.
A fun¸c˜ao K depende apenas das solu¸c˜oes y
1
e y
2
da equa¸c˜ ao homogˆenea associada e
independe do termo n˜ao-homogˆeneo. Uma vez determinado K, todos os problemas n˜ao-
homogˆeneos envolvendo o mesmo operador diferencial L ficam reduzidos ao c´alculo de
uma integral. Observar, tamb´em, que K depende de t − s. A integral acima ´e dita a
convolu¸c˜ao de K e g e K ´e o n´ ucleo dessa convolu¸c˜ao.
152
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.7 Equa¸c˜oes N˜ao-homogˆeneas
Exerc´ıcio 3.7.16. O m´etodo de redu¸c˜ao de ordem (se¸c˜ao 3.6) tamb´em pode ser usado
para resolver a equa¸c˜ao na˜o-homogˆenea
y
′′
+p(t)y

+ q(t)y = g(t), (∗)
desde que se conhe¸ca uma solu¸c˜ao y
1
da equa¸c˜ao homogˆenea associada. Seja y = v(t)y
1
(t).
Mostrar que y satisfaz a equa¸c˜ao (*) se v for solu¸c˜ao da equa¸c˜ao
y
1
(t)v
′′
+ [2y

1
(t) +p(t)y
1
(t)]v

= g(t). (∗∗)
A equa¸c˜ao (**) ´e uma equa¸c˜ao linear de primeira ordem em v. Resolvendo esta equa¸c˜ao,
integrando o resultado e multiplicando por y
1
(t), obtemos a solu¸c˜ao de (*).
Exerc´ıcio 3.7.17. Usando o m´etodo esquematizado no exercicio 11), resolver as equa¸c˜oes
dadas
(a) t
2
y
′′
−2ty

+ 2y = 4t
2
, t > 0, y
1
(t) = t;
(b) t
2
y
′′
+ 7ty

+ 5y = t, t > 0, y
1
(t) = t
−1
;
(c) t
2
y
′′
−(1 + t)y

+y = t
2
e
2t
, t > 0, y
1
(t) = 1 +t;
(d) (1 −t)y
′′
+ty

−y = 2(t −1)
2
e
−t
, 0 < t < 1, y
1
(t) = e
t
.
Exerc´ıcio 3.7.18. Mostrar que
y =
1
λ

t
0
F(s)senλ(t −s)ds,
´e a solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial y
′′

2
y = F(t), com λ constante, sujeita as condi¸c˜oes
iniciais y(0) = y

(0) = 0.
Exerc´ıcio 3.7.19. (a) Mostrar que y = at
2
+bt ´e a solu¸c˜ao geral da equa¸c˜ao t
2
y
′′
−2ty

+
2y = 0.
(b) A partir de (a), encontrar a solu¸c˜ao geral de t
2
y
′′
−2ty

+ 2y = te
−t
.
153
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.8 Aplica¸c˜oes
3.8.1 Vibra¸c˜oes Mecˆanicas
Vamos estudar o movimento de uma massa presa a uma mola. Este ´e o primeiro passo
na investiga¸c˜ao de sistemas vibrat´orios mais complexos.
Considere uma massa m pendurada em uma das extremidades de uma mola vertical
com um comprimento original l. A massa causa um alongamento L da mola para baixo
(no sentido positivo). Existem duas for¸cas agindo sobre o ponto onde a massa est´a presa
`a mola. A for¸ca gravitacional, ou peso da massa, puxa para baixo e tem m´odulo igual a
mg, onde g ´e a acelera¸c˜ao da gravidade. Tamb´em existe uma for¸ca F
s
, devido `a mola,
que puxa para cima. Supondo que o alongamento L da mola ´e pequeno, a for¸ca da mola
fica pr´oxima deve ser proporcional a L. Isto ´e conhecido como a Lei de Hooke. Idealizada
por Robert Hooke, um dos maiores cientistas experimentais ingleses do s´eculo XVII.
Figura 3.2: Robert Hooke(1635-1703)
154
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
Lei de Hooke: A for¸ca que exerce uma mola, e que tende a restituir a massa m a sua
posi¸c˜ao de equil´ıbrio ´e proporcional ´a distˆancia que separa m de sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio.
Assim, podemos escrever F
s
= −kL, onde k ´e a constante de proporcionalidade da
mola. Como a massa est´a em equil´ıbrio, as duas for¸cas est˜ao balanceadas, ou seja, mg −
kL = 0. Para w = mg, um peso dado, pode-se medir L e depois usar a igualdade acima
para determinar k, cujas unidades s˜ao for¸ca/comprimento.
Estamos interessados em estudar o movimento da massa, seja na presen¸ca de uma
for¸ca externa ou seja sob um deslocamento inicial. Denotemos por u(t) o deslocamento
da massa a partir de sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio no instante t. Ent˜ao, pela lei de Newton,
mu
′′
(t) = f(t), (3.57)
onde u
′′
´e a acelera¸c˜ao da massa e f a for¸ca total agindo sobre a massa. Para se
determinar f devemos considerar as quatro for¸cas separadas
1. O peso w = mg da massa, sempre agindo para baixo.
2. A for¸ca da mola F
s
, supostamente proporcional ao alongamento total L+u, sempre
age para restaurar a mola a sua posi¸c˜ao natural.
Se L + u > 0, ent˜ao a mola est´a distendida e a for¸ca da mola puxa para cima. Neste
caso
F
s
= −k(L +u). (3.58)
Se L + u < 0, ent˜ao a mola est´a comprimida de uma distˆancia |L + u| e a for¸ca da
mola, que agora puxa para baixo, ´e dada por F
s
= k|L + u|. Mas L + u < 0 implica
|L + u| = −(L + u), de modo que F
s
´e dada de novo pela equa¸c˜ao (3.58). Assim,
independentemente da posi¸c˜ao, a for¸ca da mola ´e dada pela equa¸c˜ao (3.58).
3. A for¸ca de resistˆencia ou amortecimento F
d
age sempre no sentido oposto ao movi-
mento da massa. Essa for¸ca pode aparecer de diversas fontes: resistˆencia do ar ou meio
onde a massa se movimenta, dissipa¸c˜ao de energia interna devida `a extens˜ao ou com-
155
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
press˜ao da mola, atrito entre a massa e qualquer guia que limita seu movimento, disposi-
tivo mecˆanico (amortecedor). Em qualquer caso, supomos que esta for¸ca de resistˆencia ´e
proporcional ao m´odulo da velocidade du/dt da massa (amortecimento viscoso).
Se du/dt > 0 ent˜ao u cresce de modo que a massa est´a se movendo para baixo. Neste
caso, F
d
aponta para cima e ´e dada por
F
d
(t) = −γu

(t), (3.59)
onde γ > 0 ´e a constante de amortecimento.
Se du/dt < 0, ent˜ao u est´a diminuindo, de modo que a massa est´a se movendo para
cima e F
d
aponta para baixo. Neste caso F
d
= γ|u

(t)|. Como |u

(t)| = −u

(t), segue
que F
d
est´a, de novo, pela equa¸c˜ao (3.59). Assim, independentemente do sentido do
movimento da massa, a for¸ca de amortecimento F
d
´e dada pela equa¸c˜ao (3.59).
A hip´otese (3.59) nos levar´a a uma equa¸c˜ao diferencial linear e pode ser feita uma
an´alise completa do sistema diretamente.
4. Pode ser aplicada uma for¸ca externa F(t), apontando para cima ou para baixo,
dependendo se F(t) ´e negativa ou positiva.
Levando em conta essas for¸cas, podemos reescrever a lei de Newton (3.57) na forma
mu
′′
(t) = mg −k[L +u(t)] −γu

(t) +F(t). (3.60)
Como mg −kL = 0, segue que
mu
′′
(t) +γu

(t) +ku(t) = F(t), (3.61)
onde m, γ e k s˜ao positivas.
Observemos que esta equa¸c˜ao tem a mesma forma que
ay
′′
+by

+cy = g(t).
´
E bom destacar que a equa¸c˜ao (3.61) ´e uma forma aproximada para o deslocamento u(t),
156
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
assim como as for¸cas da mola e de amortecimento. Tamb´em, n˜ao leva-se em conta a massa
da mola, supondo deprez´ıvel perto da massa do corpo.
Assim, o problema de valor inicial para o problema de vibra¸c˜ao ´e
mu
′′
(t) +γu

(t) +ku(t) = F(t), u(0) = u
0
, u

(0) = v
0
(3.62)
onde v
0
´e a velocidade inicial da massa e u
0
a posi¸c˜ao inicial.
Exemplos
Exemplo 3.8.1. Uma massa de 4 libras (quase 1, 8 kg.) estica uma mola de 2 polegadas
(quase 5 cm.) Suponha que a massa ´e deslocada 6 polegadas adicionais e depois ´e solta.
A massa est´a em um meio que exerce uma resistˆencia viscosa de 6 libras quando a massa
est´a a uma velocidade de 3 p´es/seg. (quase 91 cm.). Formular o problema de valor inicial
que governa o movimento da massa.
O problema tem o formato da equa¸c˜ao (3.62) e suas condi¸c˜oes iniciais, de modo que o
nosso problema ´e determinar as diversas constantes que aparecem. Usaremos as medidas
inglesas, por convˆenciencia dos dados. Nas unidades de comprimento, vamos medir o
deslocamento em p´es (1 p´e= 12 polegadas). Vamos supor F(t) = 0.
Determina¸c˜ao de m: Temos que
m =
w
g
=
4 lb
32p´es/seg
2
=
1
8
lb −seg
2
/p´es.
Determina¸c˜ao de γ: Temos que γu

´e igual a 6 lb., quando u

´e e p´es/seg. Logo
γ =
6 lb
3p´es/seg.
= 2lb −seg./p´es.
Determina¸c˜ao de k: A massa estica a mola 2 polegadas, ou 1/6 p´es. Logo
k =
4 lb
1/6 p´es
= 24 lb/p´es.
157
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Assim, a equa¸c˜ao fica da forma
1
8
u
′′
+ 2u

+ 24u = 0, ou u
′′
+ 16u

+ 192u = 0.
As condi¸c˜oes iniciais s˜ao
u(0) =
1
2
, u

(0) = 0.
Exemplo 3.8.2. Observa-se que uma massa de 3 kg estica 153 mm uma mola. Puxa-se
a massa at´e 10 cm. abaixo da sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio e logo ´e solta.
(a) Estabele¸ca o problema de valor inicial que descreve o movimento.
(b) Encontre a posi¸c˜ao da massa em termos do tempo.
(c) Encontre a posi¸c˜ao, velocidade e acelera¸c˜ao da massa 1/2 segundo ap´os de ser
solta.
Denotamos por u(t) a posi¸c˜ao da massa no tempo. Pela lei de Hooke temos 3 =
k(0, 153), de onde k = 19, 6. Portanto, a equa¸c˜ao diferencial ´e
3
9, 8
d
2
u
dt
2
= −19, 6u ou
d
2
u
dt
2
+ 64u = 0.
Como em t = 0 a massa encontra-se 10 cm abaixo da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, temos
u(0) = 10. Al´em disso, como a massa ´e solta, temos u

(0) = 0. Assim, o problema de
valor inicial ´e
d
2
u
dt
2
+ 64u = 0, u(0) = 10, u

(0) = 0.
Sendo a equa¸c˜ao caracter´ıstica r
2
+ 64 = 0, cujas ra´ızes s˜ao r = ±8i, temos que a
solu¸c˜ao geral ´e
u(t) = acos8t +bsen8t.
A condi¸c˜ao u(0) = 10 implica que a = 0, 10, de onde u(t) = 0, 10cos8t + bsen8t.
Derivando obtemos
u

(t) = −0, 8sen8t + 8bcos8t, e a condi¸c˜ao u

(0) = 0 implica b = 0.
158
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
Assim, a solu¸c˜ao procurada ´e
u(t) = 0, 10cos8t.
Observemos que u ´e expresso em metros. Se for em cent´ımetros, a solu¸c˜ao ser´a u(t) =
10cos8t. Notemos tamb´em que a amplitude ´e 0, 10 m, a frequˆencia f ´e dada por f =
8/2π = 4/π ciclos por segundo e o per´ıodo ´e T = 1/f =
π
4
seg (trata-se de um movimento
harmˆonico simples).
Derivando a solu¸c˜ao temos
v(t) = u

(t) = −0, 8sen8t, a(t) = u
′′
(t) = −6, 4cos8t.
Fazendo t = 1/2 e usando a f´ormula 4 rad. = 4(180/π)

≈ 229

, obtemos
u(1/2) = 0, 10(−0, 656) = −0, 0656 m,
v(1/2) = −0, 8(−0, 755) = 0, 604 m/seg.;
a(1/2) = −6, 4(−0, 656) = 4, 2 m/seg
2
.
Assim, observamos que 1/2 seg ap´os de ter solto a massa, esta encontra-se 0, 0656 m
acima da posi¸c˜ao de equil´ıbrio, descendo com uma velocidade de 0, 604 m/seg e com uma
acelera¸c˜ao de 4, 2 m/seg
2
dirigida para abaixo.
Exemplo 3.8.3. Suponha que no Exemplo 3.8.2 ao inv´es de soltarmos a massa quando
esta encontra-se 10 cm abaixo da sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio, imprimamos uma velocidade
de 0, 6 m/seg para baixo. Determine a equa¸c˜ao correspondente e seguida resolva a equa¸c˜ao
encontrada.
A equa¸c˜ao diferencial ´e (d
2
u/dt
2
) + 64u = 0, como no Exemplo 3.8.2, e as condi¸c˜oes
iniciais s˜ao u(0) = 0, 10 e u

(0) = 0, 6.
A solu¸c˜ao geral ´e u(t) = acos8t + bsen8t. Usando as condi¸c˜oes iniciais, obtemos
a = 0, 10 e b = 0, 075. Assim temos
u(t) = 0, 10cos8t + 0, 075sen8t (∗)
159
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
ou
u(t) = 10cos8t + 7, 5sen8t,
se u se expressa em cent´ımetros.
Usando a identidade
acoswt +bsenwt =

a
2
+ b
2
sen(wt +ϕ),
onde
senϕ =
a

a
2
+b
2
e cosϕ =
b

a
2
+b
2
,
( ϕ ´e dito ˆangulo de fase).
a solu¸c˜ao (*) pode ser escrita na forma
u(t) =

0, 10
2
+ 0, 075
2
sen(8t +ϕ) = 0, 125sen(8t +ϕ), (∗∗)
onde senϕ = 0, 8 e cosϕ = 0, 6. Usando tabelas trigonom´etricas ou calculadora, vemos
que ϕ = 53

, 8

= 0, 9274 rad. Portanto, (**) expressa-se na forma
u(t) = 0, 125sen(8t + 0, 9274),
se u se expressa em metros, ou
u(t) = 12, 5sen(8t + 0, 9274),
se u se expressa em cent´ımetros.
Aqui observamos que a amplitude ´e 12, 5 cm. ou 0, 125 m., o per´ıodo ´e 2π/8 = π/4
seg. e a frequˆencia 4/π ciclos por segundo.
Observa¸c˜ao 3.8.1. Os exemplos 3.8.2 e 3.8.3 pertencem `a classe de problemas chamados
Vibra¸c˜oes Livres n˜ao-Amortecidas, pois F(t) = 0 e γ = 0. De fato, ´e um caso ideal que
dificilmente acontece na pr´atica.
No caso de vibra¸c˜oes livres amortecidas, a equa¸c˜ao diferencial que governa o movi-
mento da massa ´e
160
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
mu
′′
+γu

+ku = 0.
O interesse maior ´e examinar o efeito da varia¸ c˜ao na constante de amortecimento γ
para valores dados de m e de k. Neste caso, as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica s˜ao
r
1
, r
2
=
−γ ±

γ
2
−4km
2m
=
γ
2m
_
−1 ±

1 −
4km
γ
2
_
.
A solu¸c˜ao ter´a uma das seguintes formas:
a) u(t) = Ae
r
1
t
+Be
r
2
t
, se γ
2
−4km > 0;
b) u(t) = (A +Bt)e
−γt/2m
, se γ
2
−4km = 0;
c) u(t) = e
−γt/2m
(Acosµt +Bsenµt), µ =
(4km−γ
2
)
1/2
2m
> 0, se γ
2
−4km < 0.
Como m, γ, k > 0, ent˜ao γ
2
−4km < γ
2
. Assim, se γ
2
−4km ≥ 0, temos r
1
< 0, r
2
< 0.
Se γ
2
−4km < 0, temos r
1
, r
2
∈ C, mas com parte real negativa. Assim, em todos os casos,
a solu¸c˜ao u tende a zero quando t −→ ∞. Isto ocorre independentemente dos valores
das constantes arbitr´arias A e B, ou seja, independe das condi¸c˜oes iniciais. Este fato
simplesmente confirma que o amortecimento dissipa gradualmente a energia do sistema
e, em consequˆencia, o movimento vai parando conforme o tempo passar.
O caso mais importante ´e o c), que ocorre quando o amortecimento ´e pequeno. Fazendo
A = Rcosδ e B = Rsenδ obtemos
u(t) = Re
−γt/2m
cos(µt −δ).
O deslocamento fica entre as curvas u = ±Re
−γt/2m
; logo ´e parecida com uma onda
co-senoidal cuja amplitude diminui quando t aumenta. Este movimento ´e chamado de os-
cila¸c˜ao amortecida ou vibra¸c˜ao amortecida. O fator R depende de m, γ, k e das condi¸c˜oes
iniciais.
Embora o movimento n˜ao seja per´ıodico, o par´ametro µ determina a frequˆencia se-
gunda qual a massa oscila para cima e para baixo. Por isso, u ´e dito quase frequˆencia.
161
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
Comparando µ com a frequˆencia w do movimento sem amortecimento, temos que
µ
w
=
(4km−γ
2
)
1/2
/2m

k/m
=
_
1 −
γ
2
4km
_
1/2

= 1 −
γ
2
8km
.
Esta ´ ultima aproxima¸c˜ao ´e v´alida quando γ
2
/4km ´e pequeno. Esta situa¸c˜ao ´e referida
como ”pouco amortecida”. Assim, o efeito de pouco amortecimento ´e reduzir, ligeira-
mente, a frequˆencia da oscila¸c˜ao. A quantidade T
d
= 2π/µ ´e dita quase per´ıodo.
´
E o
tempo entre dois m´aximos ou m´ınimos sucessivos da posi¸c˜ao da massa ou entre passagens
sucessivas da massa por sua posi¸c˜ao de equil´ıbrio indo no mesmo sentido. A rela¸c˜ao entre
T e T
d
´e dada por
T
d
T
=
w
µ
=
_
1 −
γ
2
4km
_
−1/2

=
_
1 +
γ
2
8km
_
,
onde a ´ ultima aproxima¸c˜ao ´e v´alida quando γ
2
/4km ´e pequeno. Assim, pouco amorteci-
mento aumenta o quase per´ıodo.
Exemplo 3.8.4. O movimento de determinado sistema mola-massa ´e governado pela
equa¸c˜ao diferencial
u
′′
+ 0, 125u

+ u = 0,
onde u ´e medido em p´es e t em segundos. Se u(0) = 2 e u

(0) = 0,
(a) Determinar a posi¸c˜ao da massa em qualquer instante.
(b) Encontrar a quase frequˆencia e o quase per´ıodo.
(c) Determinar o instante em que a massa passa pela primeira vez pela sua posi¸c˜ao
de equl´ıbrio.
A solu¸c˜ao da equa¸c˜ao diferencial dada ´e
u(t) = e
−t/16
_
Acos

255
16
t + Bsen

255
16
t
_
.
As condi¸c˜oes iniciais impicam A = 2 e B = 2/

255. Logo, a solu¸c˜ao do problema de
valor inicial ´e
u(t) = e
−t/16
_
2cos

255
16
t +
2

255
sen

255
16
t
_
=
32

255
e
−t/16
cos
_

255
16
t −δ
_
,
162
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
onde tag δ = 1/

255, de modo que δ ≈ 0, 06254.
A quase frequˆencia ´e µ =

255/16 ≈ 0, 998 e o quase per´ıodo ´e t
d
= 2π/µ ≈ 6, 295 seg.
Esses valores diferem ligeiramente dos valores correspondentes (1 e 2π, respectivamente)
para a oscila¸c˜ao sem amortecimento.
Para encontrar o instante no qual a massa passa, pela primeira vez, pela sua posi¸c˜ao
de equil´ıbrio, fazemos na solu¸c˜ao acima

255t/16 − δ = π/2, onde π/2 ´e o menor zero
positivo da fun¸c˜ao coseno. Ent˜ao, resolvendo para t, obtemos
t =
16

255
(
π
2
+δ)

= 1, 637 seg.
3.8.2 Circuitos El´etricos
Considere um circuito el´etrico simples, onde a corrente el´etrica I, medida em ampˆeres,
´e uma fun¸c˜ao do tempo t. A resistˆencia R (em ohms), a capacitˆancia C (em farads) e a
indutˆancia L (em henrys) s˜ao todas constantes positivas conhecidas. A tens˜ao aplicada
(ou for¸ca eletromotriz) E (em volts) ´e uma fun¸c˜ao de t. Uma outra componente f´ısica que
entra na discuss˜ao ´e a carga total Q (em coulombs) no capacitor no instante t. A rela¸c˜ao
entre a carga Q e a corrente I ´e I = dQ/dt.
O fluxo de corrente no circuito ´e regido pela lei de Kirchhoff. Pelas leis elementares
da f´ısica, sabemos:
A queda de tens˜ao (ou de voltagem) no resistor ´e IR.
A queda de tens˜ao (ou de voltagem) no capacitor ´e Q/C.
A queda de tens˜ao (ou de voltagem) no indutor ´e LdI/dt.
Portanto, pela lei de Kirchhoff, temos
L
dI
dt
+RI +
1
C
Q = E(t). (3.63)
Substituindo I, obtemos a equa¸c˜ao diferencial
LQ
′′
+RQ

+
1
C
Q = E(t), (3.64)
163
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
para a carga Q. As condi¸c˜oes iniciais s˜ao
Q(t
0
) = Q
0
, Q

(t
0
) = I(t
0
) = I
0
. (3.65)
Precisamos saber a carga no capacitor e a corrente no circuito, em algum instante
inicial t
0
.
Podemos obter uma equa¸c˜ao diferencial para a corrente I, basta derivar a equa¸c˜ao
(3.64 ), e seguida substituirmos I por dQ/dt. Resultando em
LI
′′
+RI

+
1
C
I = E

(t), (3.66)
com as condi¸c˜oes iniciais dadas por
I(t
0
) = I
0
, I

(t
0
) = I

0
. (3.67)
Da equa¸c˜ao (3.63) segue que
I

0
=
E(t
0
) −RI
0
−(I/C)Q
0
L
. (3.68)
Portanto, I

0
tamb´em ´e determinado pela carga e pela corrente iniciais, que s˜ao quan-
tidades f´ısicas mensur´aveis.
A conclus˜ao importante desta discuss˜ao ´e que o fluxo de corrente no circuito ´e descrito
por um problema de valor inicial que tem precisamente a mesma forma de que o que
descreve o movimento de um sistema mola-massa. Observe a analogia entre as quantidades
mecˆanicas e el´etricas:
A carga Q corresponde ao deslocamento u.
A indutˆancia L corresponde `a massa m.
A resistˆencia R corresponde `a constante de amortecimento γ.
1/C corresponde `a constante k da mola.
A tens˜ao ou for¸ca eletromotriz E(t) corresponde `a for¸ca externa F(t).
A corrente I = dQ/dt corresponde `a velocidade v = du/dt.
164
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
Exemplo 3.8.5. Conecta-se em s´erie um indutor de 0, 5 henrys, uma resistˆencia de
6 ohms, um capacitor de 0, 02 faradys, uma tens˜ao com voltagem altenada dada por
24sen10t, com t ≥ 0 e um interruptor.
(a) Estabelecer a equa¸c˜ao diferencial para a carga instantˆanea do capacitor.
(b) Encontrar a carga e a corrente no instante t, se a carga do capacitor ´e zero, quando
´e fechado o interruptor em t = 0.
A queda de tens˜ao na resistˆencia ´e 6I, no indutor ´e 0, 5I

e no capacitor ´e Q/0, 02 =
50Q. Portanto, segundo a lei de Kirchhoff, temos
6I = 0, 5I

+ 50Q = 24sen10t.
Como I = Q

, resulta em
Q
′′
+ 12Q

+ 100Q = 48sen10t. (∗)
As condi¸c˜oes iniciais s˜ao Q(0) = 0 e Q

(0) = 0.
A solu¸c˜ao complementar de (*) (solu¸c˜ao da equa¸c˜ao homogˆenea homogˆenea) ´e
Q
c
(t) = e
−6t
(Acos8t +Bsen8t).
Admitindo como solu¸c˜ao particular a express˜ao asen10t +bcos10t, resulta a = 0 e b =
−2/5. Portanto, a solu¸c˜ao geral de (*) ´e
Q(t) = e
−6t
(Acos8t +Bsen8t) −
2
5
cos10t.
As condi¸c˜oes iniciais implicam A = 2/5 e B = 3/10. Assim, a solu¸c˜ao procurada ´e
Q(t) =
1
10
e
−6t
(4cos8t + 3sen8t) −
2
5
cos10t.
Observar que o termo com o fator e
−6t
´e a solu¸c˜ao transit´oria, que tende a zero, quando
t −→∞. A solu¸c˜ao estacion´aria ´e formada pelo termo −
2
5
cos10t. Ele se conserva quando
o termo transit´orio desaparece.
165
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
3.8.3 Problemas Diversos
Nesta se¸c˜ao estudaremos v´arios problemas ilustrativos que conduzem a equa¸c˜oes difer-
enciais lineares com coeficientes constantes.
Exemplo 3.8.6. Uma caixa em forma de um cubo de 3 m de aresta, flutua em ´aguas
tranquilas (cuja massa espec´ıfica ´e 1000 kg/m
3
). Observa-se que a caixa oscila subindo e
descendo, com um per´ıodo de 1/2 seg. Determinar o peso da caixa.
O cubo colocado na ´agua, tem uma posi¸c˜ao de equil´ıbrio inicial e outra, quando ´e
sumergido na ´agua. Nesta posi¸c˜ao, existe uma for¸ca que tende a empurrar a caixa para
cima. Para determinar esta for¸ca, precisamos de uma lei f´ısica conhecida por:
Princ´ıpio de Arquimedes: Um objeto, parcial ou totalmente sumergido num fluido,
apresenta uma for¸ca de empuxo para cima cujo valor ´e igual ao peso do fluido desalojado.
Segundo este princ´ıpio, o peso do cubo ´e igual ao peso da ´agua que ocupava a parte do
cubo sumergida. Essa parte ´e necess´aria para equiparar o peso do cubo. Observar que,
estando o cubo em equil´ıbrio, existe uma parte dele dentro da ´agua, de altura x = x(t),
e quando ´e submergido, essa parte ´e igualmente submergida. Ent˜ao, resulta claro que
existe uma for¸ca adicional, n˜ao equilibrada, igual ao peso da ´agua que ocuparia essa
regi˜ao. Como as dimens˜oes dessa regi˜ao s˜ao x m por 3 m por 3 m e como a ´agua pesa 1000
kg/m
3
, o peso da ´agua que normalmente ocuparia essa regi˜ao ser´a 1000×x×3×3 = 9000x
kg. Este ´e o valor num´erico da for¸ca total que tende a movimentar o cubo (esta for¸ca ´e
an´aloga `a for¸ca de restitui¸c˜ao de uma mola vibrante). Se W kg ´e o peso da caixa, temos
pela Segunda Lei de Newton
w
g
x
′′
= −9000x, ou x
′′
+
88200
W
x = 0. (∗)
A solu¸c˜ao geral de (*) ´e
x(t) = Acos

88200
W
t +Bsen

88200
W
t,
166
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
de onde deduzimos que o per´ıodo ´e
T =


88200/W
, ou T =


W
297
.
Igualando esta express˜ao a 1/2 seg., obtemos W = 559 kg., aproximadamente.
Exemplo 3.8.7. Um pˆendulo simples, consistindo de uma massa m e um arame (ou
corda n˜ao-el´astica), tem comprimento l e massa deprez´ıvel. Supondo que o sistema pode
vibrar livremente num plano vertical, determinar o per´ıodo da vibra¸c˜ao.
Seja θ o ˆangulo formado pelo arame e a vertical num instante qualquer. Quando a
massa m encontra-se em movimento, atuam sobre ela duas for¸cas: a tens˜ao F da corda
e o peso mg da massa. Se decompomos o peso mg nas duas componentes, uma paralela
e a outra perpendicular `a trajetoria do movimento, ent˜ao ´e claro que a componente
perpendicular ´e equilibrada pela tens˜ao F. Portanto, a for¸ca total que age tangencialmente
`a trajetoria ´e mgsenθ. Escolhemos os sinais de modo que θ > 0 quando a massa esteja a
direita da vertical e θ < 0, quando esteja `a esquerda. Isto significa que temos escolhido
os sentidos ao longo do arco que descreve o pˆendulo, designando sinal positivo `a direita
e negativo `a esquerda. Quando θ > 0, a for¸ca resultante encontra-se dirigida `a esquerda
e quando θ < 0, est´a dirigida `a direita. Portanto, a for¸ca total ser´a dada, em magnitude
e sentido, por −mgsenθ. Como o comprimento do arco ´e s = lθ, aplicando a Lei de
Newton, obtemos
m
d
2
s
dt
2
= ml
d
2
θ
dt
2
= −mgsenθ, ou
d
2
θ
dt
2
= −
g
l
senθ. (∗)
A equa¸c˜ao (*) n˜ao pode-se resolver exatamente em termos de fun¸c˜oes elementares. Fare-
mos uma aproxima¸ c˜ao para ˆangulos pequenos, de modo que senθ = θ, expressando θ em
radianos. Assim, a equa¸c˜ao (*) fica na forma
d
2
θ
dt
2
+

l
= 0. (∗∗)
Sendo ±i

g/l as ra´ızes da equa¸c˜ao caracter´ıstica associada, temos a solu¸c˜ao geral
θ(t) = Asen

g/l t +Bcos

g/l t,
167
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
de onde deduzimos que o per´ıodo T est´a dado por
T =


g/l
, ou T = 2π

l/g,
que ´e uma f´ormula conhecida da f´ısica elementar.
Exerc´ıcios
Exerc´ıcio 3.8.1. Uma massa de 2 libras (quase 900 g) estica uma mola de 6 polegadas
(quase 15 cm) Se a massa ´e puxada para baixo 3 polegadas adicionais e depois ´e solta,
e se n˜ao h´a amortecimento, determinar a posi¸c˜ao u da massa em qualquer instante t.
Encontrar a frequˆencia, o per´ıodo e a amplitude do movimento.
Exerc´ıcio 3.8.2. Uma massa de 3 libras (quase 1, 36 kg) estica uma mola de 3 polegadas
(quase 7, 6 cm) Se a massa ´e empurrada para cima, contraindo a mola de 1 polegada e
depois colocada em movimento, com uma velocidade para baixo de 2 p´es/seg, e se n˜ao h´a
amortecimento, determinar a posi¸c˜ao u da massa em qualquer instante t. Encontrar a
frequˆencia, o per´ıodo, a amplitude e a fase do movimento.
Exerc´ıcio 3.8.3. Um circuito em s´erie tem um capacitor de 0, 25 × 10
−6
faradys e um
indutor de 1 henry. Se a carga inicial no capacitor ´e de 10
−6
coulomb e n˜ao h´a corrente
inicial, encontrar a carga Q no capacitor em qualquer instante t.
Exerc´ıcio 3.8.4. Um circuito em s´erie tem um capacitor de 10
−3
faradys, um resistor
de 3 × 10
2
ohms e um indutor de 0, 2 henrys. Se a carga inicial no capacitor ´e de 10
−6
coulomb e n˜ao h´a corrente inicial, encontrar a carga Q no capacitor em qualquer instante
t.
Exerc´ıcio 3.8.5. Mostrar que a solu¸c˜ao do problema de valor inicial
mu
′′
+γu

+ ku = 0, u(t
0
) = u
0
, u

(t
0
) = u

0
,
pode ser expressa como a soma u = v + w, onde v satisfaz as condi¸c˜oes iniciais v(t
0
) =
u
0
, v

(t
0
) = 0, w satisfaz as condi¸c˜oes iniciais w(t
0
) = 0, w

(t
0
) = u

0
e ambas satisfazem
168
Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem 3.8 Aplica¸c˜oes
a mesma equa¸c˜ao diferencial que u. (Este ´e um outro exemplo de superposi¸c˜ao de solu¸c˜oes
de problemas mais simples para se obter a solu¸c˜ao de um problema mais geral).
Exerc´ıcio 3.8.6. Mostrar que a express˜ao A cos w
0
t+B sen w
0
t pode ser escrita na forma
r sen(w
0
t−θ). Determinar r e θ em fun¸c˜ao de A e B. Se R cos(w
0
t−δ) = r sen(w
0
t−θ),
determinar a rela¸c˜ao entre R, r, δ e θ.
Exerc´ıcio 3.8.7. A posi¸c˜ao de um determinado sistema mola-massa satisfaz o problema
de valor inicial
3
2
u
′′
+ku = 0, u(0) = 2, u

(0) = v.
Observa-se que o per´ıodo e a amplitude do movimento resultante s˜ao π e 3 respectivamente.
Determinar os valores de k e v.
Exerc´ıcio 3.8.8. S˜ao conectados em s´erie uma for¸ca eletromotriz de 500 volts, uma
resisntˆencia de 20 ohms, um indutor de 4 henrys e um condensador de 0, 008 faradys. A
carga Q e a intensidade da corrente I s˜ao nulas quando t = 0. Determinar:
(a) Q e I em qualquer instante t ≥ 0.
(b) Q e I quando t seja muito grande.
Exerc´ıcio 3.8.9. Um cubo de aresta 1, 5 m. e cujo peso ´e 250 Kg. flutua em ´aguas
tranquilas.
`
E empurrado ligeiramente para baixo e logo ´e solto, de modo que oscila. De-
terminar a frequˆencia e o per´ıodo das vibra¸c˜oes.
169
3.8 Aplica¸c˜oes Equa¸c˜oes Lineares de Segunda Ordem
170
Cap´ıtulo 4
Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem
Superior
4.1 Introdu¸c˜ao
No Cap´ıtulo 2 fizemos um estudo geral de Equa¸c˜oes Diferenciais de Primeira Ordem,
vimos m´etodos de resolu¸c˜ao desde que soubessemos o tipo de Equa¸c˜ao diferencial que es-
tavamos trando em sendo equa¸c˜oes separ´aveis, lineares, exatas, homogˆeneas. Mostramos
que mesmo que essas solu¸c˜oes estivesse na forma de uma fam´ılia de solu¸c˜oes, somente no
caso das lineares de primeira ordem poder´ıamos obter solu¸c˜oes gerais. J´a no Cap´ıtulo 3,
vimos m´etodos de solu¸c˜ oes para equa¸c˜oes lineares de ordem 2 , para isto isto desenvolve-
mos uma teoria geral para equa¸c˜oes lineares de ordem 2, estudamos certas EDO sujeitas
ao PVI, vimos que sua solu¸c˜ao ´e ´ unica.
Classificamos as Equa¸c˜oes Lineares de Ordem 2 em Homogˆeneas e N˜ao Ho-
mogˆeneas. Para o caso das Equa¸c˜oes Lineares Homogˆeneas, estudamos dois tipos:
as que apresentam coeficientes constantes e as que os coeficientes dependem do parˆametro
t. Em seguida estudamos as Equa¸c˜oes Lineares N˜ao Homogˆeneas atrav´ez dos m´etodos
dos coeficientes a determinar e da varia¸c˜ao de parˆametros.
171
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem Superior
Neste Cap´ıtulo veremos que este estudo realizado para equa¸c˜oes de ordem 2 podem ser
generalizados para ordens superiores. Neste sentido, faremos um apanhado de resultados
de maneira mais r´apida, um vez que em muitos casos a prova de boa parte destes resultado
´e uma generaliza¸c˜ao dos resultados de ordem 2. Deixaremos boa parte das provas destes
resultados como exerc´ıcios ao longo deste Cap´ıtulo.
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n
Uma equa¸c˜ao diferencial linear de ordem n ´e uma equa¸c˜ao da forma
a
0
(t)
d
n
y
dt
n
+a
1
(t)
d
n−1
y
dt
n−1
+· · · +a
n−1
(t)
dy
dt
+a
n
(t)y = k(t). (4.1)
onde podemos supor que as fun¸c˜oes a
0
(t), a
1
(t), . . . , a
n
(t) e g s˜ao cont´ınuas em um
intervalo I ⊂ R, e com a condi¸c˜ao de que a
0
(t) nunca se anula neste intervalo.
A esta equa¸c˜ao (4.1) podemos associar o operador diferencial linear L de ordem n,
dado na forma:
L[y] =
d
n
y
dt
n
+ p
1
(t)
d
n−1
y
dt
n−1
+· · · + p
n−1
(t)
dy
dt
+p
n
(t)y = g(t). (4.2)
onde p
1
(t) =
a
1
(t)
a
0
(t)
, . . . , p
n
(t) =
a
n
(t)
a
0
(t)
e g(t) =
k(t)
a
0
(t)
Notemos que nesta situa¸c˜ao, um problema de valor inicial estar´a sujeita a n condi¸c˜oes
iniciais
y(t
0
) = y
0
, y

(t
0
) = y

0
, . . . , y
(n−1)
(t
0
) = y
(n−1)
0
,
onde t
0
pode ser qualquer ponto no intervalo I.
O Teorema (4.2.1) garante a existˆencia e unicidade de solu¸c˜oes de uma equa¸c˜ao difer-
encial linear (4.1) sujeita a um PVI.
172
Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem Superior
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n
Teorema 4.2.1. Sendo as fun¸c˜oes p
1
(t), . . . , p
n
(t) e g(t) cont´ınuas em um intervalo I,
ent˜ao existe uma ´ unica solu¸c˜ao y = φ(t) da equa¸c˜ao diferencial linear (4.2), sujeito a um
PVI como definido em um intervalo I.
173
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem Superior
Exemplo 4.2.1. Consideremos o seguinte PVI
3y
′′′
+ 5y
′′
−y

+ 7y = 0; y(1) = 0, y

(1) = 0, y
′′
(1) = 0
temos que esta equa¸c˜ao apresenta a solu¸c˜ao trivia y = 0, sendo esta equa¸c˜ao de terceira
ordem linear, segue-se pelo Teorema (4.2.1) que y = 0 ´e a ´ unica solu¸c˜ao em qualquer
intervalo contendo t = 1.
Exemplo 4.2.2. Consideremos o seguinte PVI
y
′′
−4y = 12t; y(0) = 4, y

(0) = 1.
Pode-se, verificar f´acilmente que y = 3e
2t
+ e
−2t
− 3t ´e a solu¸c˜ao do PVI. Segue-se,
pelo Teorema (4.2.1) que a solu¸c˜ao ´e ´ unica.
Exemplo 4.2.3. Consideremos o seguinte PVI
t
2
y
′′
−2ty

+ 2y = 6; y(0) = 3, y

(0) = 1,
de maneira r´apida ´e poss´ıvel verificar que a fam´ılia de fun¸c˜oes y = ct
2
+ t + 3 s˜ao
solu¸c˜oes PVI no intervalo R
+
. Notemos que neste caso, a EDO n˜ao ´e linear, e desta
forma o Teorema (4.2.1) que garante a unicidade n˜ao pode ser aplicado.
Como feito no Cap´ıtulo 3, come¸caremos nosso estudo das equa¸c˜oes diferenciais de or-
dem superior pelas Equa¸c˜oes Homogˆeneas, dadas na forma:
L[y] =
d
n
y
dt
n
+p
1
(t)
d
n−1
y
dt
n−1
+· · · +p
n−1
(t)
dy
dt
+p
n
(t)y = 0. (4.3)
Note que se tivermos n solu¸c˜oes y
1
, . . . , y
n
para a equa¸c˜ao(4.3), ent˜ao por c´alculo
direto, de maneira similar como fizemos no Cap´ıtulo 2, teremos que a combina¸c˜ao linear
desta solu¸c˜oes tamb´em ´e uma solu¸c˜ao para a equa¸c˜ao(4.3).
Neste momento, surge de maneira nutural os seguintes questionamentos:
174
Equa¸c˜oes Diferenciais de Ordem Superior
4.2 Equa¸c˜oes Lineares
de ordem n
Todas as solu¸c˜oes de L[y] = 0 est˜ao inclu´ıdas em y(t) = c
1
y
1
(t) +· · · +c
n
y
n
(t)?
´
E poss´ıvel que existam outras solu¸c˜oes com formas diferentes?
Come¸camos a estudar esta quest˜ao investigando se as constantes c
1
, . . . , c
n
podem
ser escolhidas de modo que a solu¸c˜ao y(t) satisfa¸ca a equa¸c˜ao (4.3), e se para qualquer
escollha t
0
∈ I, onde as fun¸c˜oes p
1
(t), . . . , p
n
(t) e escolhas y
0
, y

0
, . . . , y
(n−1)
0
. Teremos que
ser capazes de determinar c
1
, . . . , c
n
de modo que as equa¸c˜oes
c
1
y
1
(t
0
) +· · · +c
n
y
n
(t
0
) = y
0
,
c
1
y

1
(t
0
) +· · · +c
n
y

n
(t
0
) = y

0
.
. . .
c
1
y
(n−1)
1
(t
0
) +· · · +c
n
y
(n−1)
n
(t
0
) = y
(n−1)
0
,
sejam satifeitas.
Repare que este sistema pode ser representado matricialmente por
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
y
1
(t −0) . . . y
n
(t
0
)
y

1
(t
0
) . . . y

n
(t
0
)
. . . . . . . . .
y
(n−1)
1
(t
0
) . . . y
(n−1)
n
(t
0
)
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
.
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
c
1
c
2
.
.
.
c
n
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
=
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
y
0
y

1
.
.
.
y
(n−1)
0
_
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
_
O sistema pode ser resolvido de maneira ´ unica para as constantes c
1
. . . , c
n
, desde que
determinante da matriz dos coeficientes tenha determinante n˜ao nulo.
No entanto, caso o determinante da matriz dos coeficientes seja nulo, ent˜ao ´e poss´ıvel
encontrar valores y
0
, . . . , y
(n−1)
0
de modo que o sistena n˜ao tenha solu¸c˜ao.
Assim, podemos estabelecer as condi¸c˜oe necess´arias e suficientes para a existˆencia de
solu¸c˜oes da EDO, para valores arbrit´arias de y
0
, . . . , y
(n−1)
0
, ´e de que
175
Referˆencias Bibliogr´aficas
W(y
1
, . . . , y
n
) =
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
y

1
y

2
. . . y

n
. . . .
. . . .
y
(n−1)
1
y
(n−1)
2
. . . y
(n−1)
n
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
¸
n˜ao se anule em t = t
0
. Sendo t
0
um ponto qualquer de I, ´e necess´ario e suficiente que
o W(y
1
, . . . , y
n
) n˜ao se anule em nenhum ponto do intervalo.
Teorema 4.2.2. Se as fun¸c˜oes p
1
, . . . , p
n
s˜ao cont´ınuas em um intervalo aberto I, se todas
as fun¸c˜oes y
1
, . . . , y
n
s˜ao solu¸c˜oes da EDO, e se o W(y
1
, . . . , y
n
) ̸= 0 para, pelo menos,
um ponto t ∈ I, ent˜ao toda solu¸c˜ao da EDO pode ser expressa como uma combina¸c˜ao
linear das solu¸c˜oes y
1
, . . . , y
n
.
176

Sum´rio a

2

Sum´rio a
1 Introdu¸˜o ca 11

1.1 Introdu¸˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 ca 1.1.1 1.1.2 Um modelo matem´tico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14 a A constru¸˜o de modelos matem´ticos . . . . . . . . . . . . . . . . 18 ca a

1.2 Defini¸˜es B´sicas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18 co a 1.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22 co ca 1.3.1 Solu¸˜es Expl´ co ıcitas e Impl´ ıcitas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25

1.4 Alguns Coment´rios a Adicionais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 1.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28 co a 2 Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 37

2.1 Introdu¸˜o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 ca 2.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38 a 2.3 Equa¸˜es Separ´veis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47 co a 2.4 Equa¸˜es Exatas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 co 2.4.1 Fatores Integrantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 co a 3

. 71 ca Solu¸˜es impl´ co ıcitas . . . . . . . . . . . . . . . .3 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 4 . . . . . . . . . . . . . . 96 3. . . . . .8. . . . . . . . . 70 ca Solu¸˜o geral . . . . . . . . . .1 2. . . . . . . 135 e M´todo de Varia¸˜o dos Parˆmetros . . . . . . .´ SUMARIO 2.4 2. . . . . . . . . . . . . . . 123 3. . . . . . . . . . . . . . . .5 Aplica¸˜es na Mecˆnica . . . . . . 72 2. . . . . . 89 co a ca 95 3 Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. . . .7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas . . . . . . . 84 co Aplica¸˜es na Qu´ co ımica . . .6. 144 e ca a 3. . . . .6. . .3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas .1 2. .7. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .3 Vibra¸˜es Mecˆnicas . 75 co 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 3. . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . .3 2. . . .2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes . . . . . . . . . . . .1 3. . . . . . . . . . . . . 95 ca 3. . . . . .7. . . . . . . .5. . . . . . . . . . 75 co a Aplica¸˜es em Circuitos El´tricos . . . . . . 86 Aplica¸˜es ` temperatura e desintegra¸˜o radiativa . . . . . . . . . . . .8 Aplica¸˜es . . . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica . . .6. . . . .1 3. . . . . . . . . . . 154 co 3. . . . . . . .5. . . .2 M´todo dos Coeficientes Indeterminados . . . . . . . . . . 135 co a e 3. . . . . . . . . . . .8. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .5. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64 e co Intervalo de defini¸˜o .6 Redu¸˜o de Ordem . .2 2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .6 Aplica¸˜es . . . . . . . . . . . . . .4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano . 102 e 3. . . . . . . . . . . 154 co a Circuitos El´tricos . . .6. 132 ca 3. . . . . . . . .8. . .4 ´ SUMARIO Existˆncia e unicidade de solu¸˜es . . . . 79 co e Aplica¸˜es na Geometria . . . . . . . . . 115 3. . . . . . .1 Introdu¸˜o . . . . . . . . . . . . . . 163 e Problemas Diversos . . . . . . . . . . . . . .

. . . . . . 171 ca 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . .2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n . . . . . . . .´ SUMARIO 4 Equa¸˜es Diferenciais de Ordem Superior co ´ SUMARIO 171 4. . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Introdu¸˜o . . 172 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

´ SUMARIO ´ SUMARIO 6 .

. . . . . . . . . . . . . . . . 154 7 . . . . .Lista de Figuras 1. . . . . . 145 3. . . . . . . . . . . . 15 1. . . . . . . . . . . . .1 corpo em queda livre . . . .2 Pˆndulo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .1 Joseph Louis Lagrange (1736-1813) . . . . . . . . . . . . 21 e 3. . . . . . . . . . . . . . . .2 Robert Hooke(1635-1703) . .

LISTA DE FIGURAS LISTA DE FIGURAS 8 .

Lista de Tabelas 9 .

LISTA DE TABELAS LISTA DE TABELAS 10 .

a dissipa¸˜o de calor em objetos s´lidos. · · · . Biologia e Economia encontram sua express˜o natural a nessas equa¸˜es. y (n) ) = 0.1 Introdu¸˜o ca Uma equa¸˜o da forma F (x. Expressas na linguagem matem´tica. o interesse intr´ ınsico pelas equa¸˜es diferenciais ´ motivo suficiente para estud´co e a las. entre muitos outros. o fluxo de corrente el´trica em circuitos. as poss´ ıveis aplica¸˜es em outros ramos do conhecimento faz do tema co um assunto interessante. Portanto. a propaga¸˜o e e ca o ca detec¸˜o de ondas s´ ca ısmicas. V´rios princ´ co a ıpios ou leis que regem o comportamento do mundo f´ ısico s˜o a proposi¸˜es ou rela¸˜es envolvendo uma taxa de varia¸˜o segundo a qual certos fenˆmenos co co ca o acontecem. para a co a co compreender. Muitas leis gerais da F´ ısica. Equa¸˜es contendo derivadas s˜o equa¸˜es diferenciais. y ′ . o o a C´lculo de Varia¸˜es e outras) s˜o formuladas por equa¸˜es diferenciais ordin´rias ou se a co a co a 11 . resolver e investigar problemas envolvendo o movimento de fluidos. e co Por outro lado. onde x ´ a (´nica) vari´vel indepenca e u a dente e y = y(x) a vari´vel dependente. as rela¸˜es s˜o equa¸˜es e as taxas a co a co s˜o derivadas. quest˜es da pr´pria matem´tica (Topologia e Geometria Diferencial. y. ca co ´ preciso ter um bom conhecimento sobre equa¸˜es diferenciais.Cap´ ıtulo 1 Introdu¸˜o ca 1. o aumento ou diminui¸˜o de popula¸˜es. Para a ca a alguns. para a maioria. chama-se equa¸˜o diferencial ordin´ria.

ca co co ou seja. tradicionalmente estudados em muitos cursos introdut´rios de c´lculo. racionais. as vezes. Teoria das a co a Oscila¸˜es. as co a a lineares (y ′ = f (x)y + g(x)). num proca cesso que acompanhou e. tais como as de vari´veis separ´veis (y ′ = f (y)g(x)). o a A natureza daquilo que era considerado solu¸˜o foi mudando gradualmente. Nesta ´poca se iniciou tamb´m a e e descoberta das rela¸˜es das equa¸˜es diferenciais com as fun¸˜es de vari´vel complexa. co co co a 12 . polinomiais. as de Riccati (y ′ = f0 (x) + f1 (x)y + f2 (x)y 2 ). Elasticidade. Lagrange. As contribui¸˜es de Euler. Neste momento. e elaborados no final do s´culo XVII para resolver problemas moe tivados por considera¸˜es f´ co ısicas e geom´tricas. a busca e an´lise de solu¸˜es tornou-se uma finalidade pr´pria. ca a e No final do s´culo XVIII a Teoria das Equa¸˜es Diferenciais se transformou numa e co das disciplinas matem´ticas mais importantes e o m´todo mais efetivo para a pesquisa a e cient´ ıfica. Posteriormente passou-se e e a considerar satisfat´rio expressar a solu¸˜o na forma de uma integral (quadratura) cono ca tendo opera¸˜es elementares envolvendo estas fun¸˜es. trigonom´tricas e exponˆnciais. Dinˆmica dos Flu´ co a ıdos.1 Introdu¸˜o ca reduzem a elas. descobertos por Isaac Newton(1642-1727) e por Gottifried Wilhelm Leibnitz(1646-1716) . propiciou o desenvolvimento do pr´prio conceito de o fun¸˜o. ainda que a mesma n˜o admitisse co co a uma express˜o em termos destas. Introdu¸˜o ca O estudo da equa¸˜es diferenciais ordin´rias come¸ou com os m´todos do C´lculo co a c e a Diferencial e Integral. e em meados do s´culo XVIII co a e se transformou numa disciplina independente. Quando estes dois caminhos deixaram de resolver os a problemas focalizados. as de Bernoulli (y ′ = p(x)y + q(x)y n ). tornou as e ca e Equa¸˜es Diferenciais como um novo ramo da Matem´tica. Inicialmente buscavam-se solu¸˜es expressas em termos de fun¸˜es elementares. Mecˆnica Celeste. Laplace e outros expandiram notavelco mente o conhecimento dentro do C´lculo da Varia¸˜es.1. as de Clairaut (f (y ′ ) + xy ′ = y). A evolu¸˜o destes m´todos. etc. Tamb´m a co o e nesta ´poca ficaram conhecidos os m´todos elementares de resolu¸˜o (integra¸˜o) de v´rios e e ca ca a tipos de equa¸˜es diferencias. surgiram as solu¸˜es expressas por meio de s´ries infinitas (ainda co e sem a preocupa¸˜o com a an´lise da convergˆncia das mesmas).

Assim. o co ca m´todo de separa¸˜o de vari´veis aplicado a certas equa¸˜es diferenciais parciais conduziu e ca a co a equa¸˜es ordin´rias que n˜o admitem solu¸˜es em termos de fun¸˜es elementares conco a a co co hecidas. a Legendre e Gauss (ou hipergeom´trica). A integral. convergˆncia de s´ries num´ricas e s´ries de fun¸˜es e outros processos infinitos e e e e co foram definidos em termos aritm´ticos. os conceitos de limite. que no s´culo anterior era concebida e e como primitiva.Introdu¸˜o ca 1.1 Introdu¸˜o ca s´ries de potˆncias e trigonom´tricas e fun¸˜es especiais (conhecidas como de Bessel. em e J. Incluem equa¸˜es de relevˆncia da F´ co a ısica-Matem´tica. As primeiras fornecem um exemplo caracter´ ıstico de um problema linear de contorno. como as de Bessel. por exemplo. Li¸˜es de Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias). etc. Enquanto no s´culo ca a co e anterior procurava-se uma solu¸˜o geral para uma equa¸˜o diferencial dada. como as lineares. Este movimento e de fundamenta¸˜o n˜o deixou de atingir as equa¸˜es diferenciais. ca a derivada. e e e co O grau que o conhecimento matem´tico atingiu nesta primeira fase ficou registrado na a obra de Euler: Institutiones Calculi Integrais em 4 volumes. No s´culo XIX os fundamentos da An´lise Matem´tica experimentaram uma revis˜o e a a a e reformula¸˜o gerais visando maior rigor e exatid˜o.). foi definida como limite de uma sequˆncia de somas. Sotomayor. Tomava-se ent˜o uma ampla co co a a classe de equa¸˜es diferenciais. por exemplo. enquanto que as equa¸˜es Fuchsianas sistematizam v´rios tipos de equa¸˜es especiais surgidas originalco a co mente no s´culo XVIII em trabalhos de Euler e Bernoulli e estudadas tamb´m por Gauss e e e Riemann. como ´ o caso das equa¸˜es de Sturm-Liouville e das equa¸˜es de Fuchs (lineares e co co com coeficientes anal´ ıticos complexos com singularidades isoladas regulares). o ultimo deles publicado em ´ 1794. para as quais a existˆncia e co e unicidade das solu¸˜es estava aceita e procuravam-se propriedades gerais destas solu¸˜es a co co partir de caracter´ ısticas das fun¸˜es que definiam a equa¸˜o diferencial. e Um marco de referˆncia fundamental na evolu¸˜o das equa¸˜es diferencias ´ o trae ca co e balho de Poincar´: M´moire sur les curbes d´finies par une ´quation differentielle (1881) e e e e 13 . passou-se a ca ca considerar como quest˜o pr´via em cada problema a existˆncia e unicidade de solu¸˜es a e e co satisfazendo dados iniciais. Por outro lado. Este ´ o problema de Cauchy (estudado.

visa descrever e e o comportamento assint´tico das solu¸˜es e a estrutura de seus conjuntos limites. O conjunto limite pode ser um ponto de equilibrio. O o co comportamento assint´tico de uma solu¸˜o se obtem quando se faz a vari´vel independente o ca a (tempo) tender para infinito. teve sua origem em quest˜es de a o Mecˆnica Celeste estudadas inicialmente por Newton. Esta a c co teoria visa a descri¸˜o da configura¸˜o global das solu¸˜es e o efeito de pequenas perca ca co turba¸˜es das condi¸˜es iniciais (estabilidade). O estudo da estabilidade de um sistema. que juntamente com Poincar´ que e ´ considerado o fundador da Teoria Qualitativa das Equa¸˜es Diferenciais.1 Um modelo matem´tico a Suponha que um corpo. ca e a assim. Lagrange e Laplace. vamos medir o tempo t em segundos (s) e a velocidade v em metros por segundo (m/s). Vamos ilustrar isto com um exemplo na pr´xima Se¸˜o.1.1 Introdu¸˜o ca Introdu¸˜o ca no qual s˜o lan¸adas as bases da Teoria Qualitativa das Equa¸˜es Diferenciais. co co de enorme importˆncia na tecnologia contemporanea. de massa m est´ caindo alto de um edif´ como ilustra a a ıcio Figura 3. muitas vezes. ca Usaremos t para denotar o tempo e v = v(t) para representar a velocidade do objeto em queda. O problema geral da estao o bilidade foi simultaneamente estudado por Liapounov. 14 . A escolha das unidades de medida ´ um tanto arbitr´ria. tamb´m estudado por Poincar´. Vamos formular uma equa¸˜o diferencial que descreve seu movimento. Vale a pena ressaltar que mesmo as equa¸˜es difera co enciais mais simples fornecem modelos uteis de fenˆmeno f´ ´ o ısicos importantes. ca o Uma equa¸˜o diferencial que descreve algum fenˆmeno f´ ca o ısico ´ chamado.1.1. Al´m disso. A pergunta a ´ se uma pequena perturba¸˜o na posi¸˜o e velocidade de um corpo celeste o coloca em e ca ca uma ´rbita que se afasta ou converge para a ´rbita original. e co Outro aspecto da Teoria Qualitativa. e de modelo matem´tico do processo. como fun¸˜o de t. vamos supor que v ´ positiva quando o sentido do movimento ´ para e e e baixo. uma solu¸˜o peri´dica ou outro conjunto mais complicado. o ca 1.

ou seja mg. onde F ´ a for¸a total agindo sobre o objeto. ca Neste caso. A gravidade exerce uma for¸a igual ao c c peso do objeto. lembramos que a gravidade age a c 15 .1) Agora.Introdu¸˜o ca 1.1 Introdu¸˜o ca Figura 1. para manter as unidades de medida consistentes. e Para escrever uma express˜o para a for¸a total F . dt F =m (1. Como a = dv . dt a equa¸˜o anterior se reescreve como ca dv . teremos m em quilogramas (kg). proporcional ` velocidade. existem for¸as agindo sobre o objeto. Tamb´m existe uma e ca a e for¸a devido ` resistˆncia do ar. F em newtons (N) e a em metros por segundo ao quadrado (m/s2 ).1: corpo em queda livre A lei f´ ısica que rege o movimento de objetos ´ a segunda lei de Newton. onde g ´ a acelera¸˜o devida ` gravidade. onde λ ´ uma constante c a e a e chamada de coeficiente da resistˆncia do ar. m a massa e a sua ca acelera¸˜o. expressa e e c pela equa¸˜o F = ma. λv.

Entretanto. As constantes m e λ dependem do objeto e e em particular. Por outro lado. Para ilustrar co melhor tal fato vamos atribuir alguns valores num´ricos para as vari´veis m e λ.1. tra¸ando pequenos segmentos de reta com coeficiente angular 1.1 Introdu¸˜o ca Introdu¸˜o ca sempre para baixo.m/s2 ). enquanto a resistˆncia do ar age para cima. dt 5 (1. ent˜o os segmentos de reta tˆm coeficientes angulares negativos a e 16 . 8 em diversos c pontos ao longo da reta v = 40. mesmo n˜o tendo encontrado qualquer solu¸˜o. Por exemplo. g. Isso significa que a inclina¸˜o de uma solu¸˜o v = v(t) tem o valor 1. dt m (1. Isso n˜o ´ dif´ e ser´ mostrado mais pra frente. podemos fazer dedu¸˜es a ca co qualitativas sobre o comportamento das solu¸˜es. temos: ca dv = mg − λv. se v for maior do que o valor cr´ ıtico. Logo F = mg − λv e e assim substituindo na Equa¸˜o 1. torna-se ca v dv = 9. vamos ver o que ca a e ıcil a podemos descobrir sobre solu¸˜es sem. e Para resolver a equa¸˜o acima precisamos encontrar uma fun¸˜o v = v(t) que satisfa¸a ca ca c a equa¸˜o. Suponha v = 40. analizamos esta equa¸˜o do ponto de vista geom´trico. O fato importante deste co campo de dire¸˜es ´ que cada segmento de reta ´ tangente ao gr´fico de uma solu¸˜o da co e e a ca equa¸˜o 1. se v for menor do que co certo valor cr´ ıtico. 8 em ca ca qualquer ponto onde v = 40. 8.3) Agora. ca Deste modo. por outro lado. ent˜o todos os segmentos de reta tˆm coeficientes angulares positivos e a e a velocidade do objeto em queda aumenta enquanto ele cai.3. ent˜o ca e a dv/dt = 1. 8 − . a constante g ´ a mesma para todos os objetos.) e λ = 2 (kg. Observamos ca e a que o modelo cont´m trˆs constantes m. assim a equa¸˜o 1.1.1. de fato. achar qualquer uma delas. λ. Procedendo de igual forma com outros valores de v obtemos no plano o que chama-se de um campo de dire¸˜es. Isto pode ser representado graficamente num plano cartesiano tv. Supondo e a m = 10 (Kg.2) Esta equa¸˜o ´ um modelo matem´tico (simples) de um objeto em queda.

Introdu¸˜o ca 1. muitas vezes. alguma vezes chamada de fun¸˜o taxa e ca a ca de varia¸˜o. um campo de dire¸˜es pode ser constru´ calculando ca co ıdo f em cada ponto de uma malha retangular consistindo em.4) onde f ´ uma fun¸˜o dada de duas vari´veis. bastando calcular a fun¸˜o f (t. Mas. e Os campos de dire¸˜es s˜o ferramentas uteis no estudo de solu¸˜es de equa¸˜es diferco a ´ co co enciais da forma dy = f (t. Por outro lado. De fato. esta corresponde a um equil´ a ıbrio entre a gravidade e a resistˆncia do ar. dt (1. (mesmo a ca ca para equa¸˜es diferenciais muito dif´ co ıceis). desenhar um campo de dire¸˜es co ´ uma tarefa para um computador pois implica c´lculos repetidos de valores da fun¸˜o e a ca dada. Um campo de dire¸˜es e a ca co desenhado em uma malha razoavelmente fina fornece uma boa id´ia do comportamento e global das solu¸˜es de uma equa¸˜o diferencial. a fun¸˜o constante v = 49 ı e ca ´ a solu¸˜o de equil´ e ca ıbrio pois n˜o varia com o tempo. ca Para uma equa¸˜o do tipo acima. y). co co n˜o precisamos resolver a equa¸˜o diferencial. qual ´ esse a e valor cr´ ıtico de v que separa os objetos cuja velocidade est´ aumentando daqueles cuja a velocidade est´ diminuindo? No caso da equa¸˜o acima. algumas centenas de pontos.1 Introdu¸˜o ca e o objeto em queda vai diminuindo a velocidade ` medida que cai. e A abordagem feita no exemplo acima pode ser aplicada no caso geral e os resultados s˜o essencialmente os mesmos. pelo menos. Dessa forma. em cada ponto da malha desenha-se um pequeno segmento de reta cujo a coeficiente angular ´ o valor da fun¸˜o f naquele ponto. obtida de fazer dv/dt = 0. Neste caso. Para construir um campo de dire¸˜es. y). Ent˜o. a solu¸˜o de equ´ a ca ılibrio ´ v = mg/λ. ´ ca ca ´ E preciso fazer duas observa¸˜es. esse valor cr´ a ca ıtico (solu¸˜o de ca equil´brio) ´ v = 49 m/s. cada segmento de e ca reta ´ tangente ao gr´fico de uma solu¸˜o contendo aquele ponto. A constru¸˜o de um campo de dire¸˜es ´ co ca ca co e um primeiro passo util na investiga¸˜o sobre uma equa¸˜o diferencial. 17 .

Pode ser preciso usar ıpio ca a constantes f´ ısicas ou parˆmetros. formular a equa¸˜o diferencial apropriada a ca que descreve.2 Defini¸˜es B´sicas co a Introdu¸˜o ca 1. precisamos.1.2. a vari´vel indepena a dente ´ o tempo).1. Uma equa¸˜o que cont´m as derivadas de uma ou mais vari´veis depenca ca e a dentes em rela¸˜o a uma ou mais vari´veis independentes ´ dita Equa¸˜o Diferencial.2 A constru¸˜o de modelos matem´ticos ca a Para podermos fazer uso das equa¸˜es diferenciais em aplica¸˜es nas mais diversas co co ´reas do conhecimento. ca (4) Expressar a lei ou princ´ em fun¸˜o das vari´veis escolhidas. o modelo pode envolver um sistema com v´rias equa¸˜es a co diferenciais. Cada problema ´ diferente um do outro a e e a arte de modelar n˜o ´ uma habilidade que pode ser reduzida a uma lista de regras. Tamb´m pode a e ser util usar vari´veis auxiliares ou intermedi´rias. a e Apesar disso. o problema em quest˜o. 1. (6) Em casos mais complicados. Isto requer a a alguma familiaridade com o campo de aplica¸˜o do problema. ´ a a (5) Verificar se cada parcela da equa¸˜o est´ nas mesmas medidas f´ ca a ısicas para ser consistente do ponto de vista dimensional. mas algumas escolhas e a podem ser mais convenientes do que outras.1. pode ser util listar alguns passos do proceso a seguir: ´ (1) Identificar as vari´veis independente e dependente (muitas vezes. com valores apropriados para eles.2 Defini¸˜es B´sicas co a Defini¸˜o 1. ou modela. ca a e ca As equa¸˜es diferenciais s˜o classificadas quanto ao tipo em: co a 18 . e (2) Escolher as unidades de medida. Esta escolha ´ arbitr´ria. (3) Usar alguma lei ou princ´ ıpio b´sico que rege o problema em quest˜o. primeiro.

2. ca Exemplo 1. ∂x ∂y (ii) x (iii) (iv) ∂ 2u ∂ 2u ∂u = 2 −2 .1. a ca ´ a (2) Equa¸˜es Diferenciais Parciais: s˜o as que cont´m as derivadas parciais de uma ou co a e mais vari´veis dependentes em rela¸˜o a duas ou mais vari´veis independentes. (Equa¸˜es Diferenciais Parciais) co (i) ∂u ∂v =− .2.2.2. dx (ii) (y − x)dx + 4xdy = 0. 2 ∂x ∂t ∂t ∂ 2v ∂ 2v ∂ 2v + + = 0. ∂y ∂x ∂u ∂u +y = u. Definimos como co e a ordem de uma Equa¸˜o Diferencial como sendo ordem da derivada de maior ordem dada ca na equa¸˜o. Nestas notas de aulas estudaremos unicamente equa¸˜es diferenciais ca co ordin´rias.1. 2 dx dx Exemplo 1. (iii) (iv) du dv + = x.3.2 Defini¸˜es B´sicas co a (1) Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias: s˜o as que cont´m s´ derivadas ordin´rias de uma co a a e o a ou mais vari´veis dependentes com rela¸˜o a uma unica vari´vel independente. dx dx d2 y dy − 2 + 6y = 0.2.Introdu¸˜o ca 1. a ca a Exemplo 1. ∂x2 ∂y 2 ∂z 2 Observa¸˜o 1. (i) dy d2 y + 5( )3 − 4y = ex (EDO de segunda ordem). 2 dx dx 19 . a As equa¸˜es diferenciais tamb´m s˜o classificadas quanto a ordem. (Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias) co a (i) dy − y + 1 = 0.

.6 depende apenas de x.3.2.4.6) .2. n e g(x) s˜o fun¸˜es reais. . ca ca Defini¸˜o 1. e (ii) Cada coeficiente na Equa¸˜o 1. y (n) ) = 0. (1.1. y ′′ . ca Exemplo 1. Uma equa¸˜o diferencial que n˜o ´ linear ´ dita n˜o-linear.2. Uma equa¸˜o diferencial ordin´ria ´ dita linear se pode ser escrita na ca ca a e forma an (x)y (n) + an−1 (x)y (n−1) + · · · + a1 (x)y ′ + a0 (x)y = g(x). y. (ii) A equa¸˜o diferencial y ′′ + (y ′ )2 = lny ′′ ´ um exemplo de uma equa¸˜o cujo grau n˜o ca e ca a esta definido.2. Portanto esta equa¸˜o ca tem grau 2.3. a co As equa¸˜es diferenciais ordin´rias lineares s˜o caracterizadas por duas propriedades: co a a (i) y e todas suas derivadas s˜o de primeiro grau (a potˆncia de cada termo envolvendo a e y ´ 1). (i) A equa¸˜o diferencial (y ′′ )2/3 = 1 + y ′ pode-se racionalizar elevando ca ao cubo ambos os membros. uma equa¸˜o diferencial ordin´ria geral de n-´sima ordem ´ dada por ca a e e F (x. onde ai (x). Se uma equa¸˜o diferencial pode-se racionalizar a respeito das derivadas ca ca que cont´m e eliminar estas dos seus denominadores.2. ca Defini¸˜o 1.4. y ′ .5) Como caso especial da equa¸˜o 1. Em geral. obtendo assim (y ′′ )2 = (1 + y ′ )3 . o expoente da derivada de maior e ordem chama-se de grau da equa¸˜o diferencial. ∀i = 1. ca ca a e e a 20 (1. dx Introdu¸˜o ca Defini¸˜o 1. (EDO de primeira ordem). .2 Defini¸˜es B´sicas co a (ii) (y − x)dx + 4xdy = 0 ou 4x dy + y = x.6 temos a EDO a seguir dada pela Defini¸˜o 1.2. . · · · .

EDO n˜o-linear de segunda ordem ( um coeficiente depende de y). Para o caso do pˆndulo. por exemplo.7) A presen¸a da parcela envolvendo senθ faz com que a equa¸˜o acima seja n˜o-linear. a teoria para equa¸˜es n˜o-lineares ´ mais complicada e os co a e m´todos de resolu¸˜o s˜o menos satisfat´rios. ent˜o senθ ≈ θ e assim a equa¸˜o anterior pode ser aproximada pela equa¸˜o a ca ca 21 . Em contraste. c ca a A teoria matem´tica e os m´todos para resolver equa¸˜es lineares est˜o bastante dea e co a senvolvidos. O ˆngulo θ que um pˆndulo de comprimento L oscilando faz com a dire¸˜o e a vertical conforme a Figura 1. Em vista disso. ´ auspicioso que muitos e ca a o e problemas significativos levam a equa¸˜es diferenciais ordin´rias lineares ou podem ser co a aproximados por equa¸˜es lineares.5. dt2 L (1.2 Defini¸˜es B´sicas co a Exemplo 1.Introdu¸˜o ca 1.2. EDO linear de terceira ordem. (iv) yy ′′ − 2y ′ = x. se o ˆngulo θ co e a for pequeno. a (v) y ′′′ + y 2 = 0. EDO n˜o-linear de terceira ordem (y tem potˆncia 2).2: Pˆndulo e satisfaz a equa¸˜o ca d2 θ g + senθ = 0. (i) xdy + ydx = 0. EDO linear de segunda ordem. EDO linear de primeira ordem. (iii) x3 y ′′′ − x2 y ′′ + 3xy ′ + 5y = ex . a e Um problema f´ ısico simples que leva a uma equa¸˜o diferencial n˜o-linear ´ o problema ca a e e ca do pˆndulo. (ii) y ′′ − 2y ′ + y = 0.2 Figura 1.

+∞). y ′ . existem ca e ´ co a muitos fenˆmenos f´ o ısicos que n˜o podem ser representados adequadamente por equa¸˜es a co lineares.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca d2 θ g + θ = 0. O intervalo I pode ser do tipo I = (a. A n´ ıvel elementar ´ natural enfatizar as partes mas simples e diretas do assunto. no intervalo ca e c˜ ca I = (−∞. 22 .3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca Defini¸˜o 1.1.1. · · · . b). ∞). ´ denominada solu¸˜o para a equa¸˜o diferencial no intervalo e ca ca dado. no intervalo I = (−∞. Dizemos que uma fun¸˜o f definida em um intervalo I que tem n ca ca derivadas cont´ ınuas em I. co a Dado que o objetivo nestas notas ´ achar solu¸˜es para equa¸˜es diferenciais ordin´rias. (i) A fun¸˜o y = ca x4 dy ´ uma solu¸˜o para a equa¸˜o n˜o-linear e ca ca a = 16 dx xy 1/2 . !Verificar!. e portanto na maior parte destas notas estaremos abordando as equa¸˜es lineares.9 ca F (x.8) Este processo de aproximar uma equa¸˜o n˜o-linear por uma linear ´ chamado de linca a e eariza¸˜o e ´ extremamente util para tratar equa¸˜es n˜o-lineares. no pr´ximo cap´ o ıtulo lidaremos com algumas equa¸˜es n˜o-lineares. y. Apesar disto. y (n) ) = 0 (1. No co entanto. I = [a. e co co a vamos discutir acerca delas. (ii) A fun¸˜o y = xex ´ uma solu¸ao para a equa¸˜o linear y ′′ − 2y ′ + y = 0. 2 dt L Introdu¸˜o ca (1. as quais quando substitu´ ıdas na Equa¸˜o 1.9) reduz a uma identidade. b] ou I = (0.1. Exemplo 1.3.3. +∞). 1.

a fun¸˜o y = 0 tamb´m satisfaz a ca ca e equa¸˜o dada. ca e ca Das observa¸˜es acima. Nestes casos. como ocorre num problema f´ ısico ou material. Para que seja satisfeita a condi¸˜o dada.1. pode existir uma ca co outra solu¸˜o diferente que tamb´m as satisfa¸a? ca e c (3) Determina¸˜o: Se existem uma ou mais solu¸˜es satisfazendo as condi¸˜es dadas. ca ca a ca Considerando a solu¸˜o y = cx2 .3. ou n˜o. e se exa o ca a istem. (i) Nos Exemplos 1. devemos ter c = 1 e porca ca ca ca e ´ ca tanto y = x2 (solu¸˜o particular ) que satisfaz a condi¸˜o dada.Introdu¸˜o ca 1. ca ca e ca (ii) Nem toda equa¸˜o diferencial possui necess´riamente uma solu¸˜o. ser´ que existem outras. a co (iii) A equa¸˜o de segunda ordem (y ′′ )2 + 10y 4 = 0 possui unicamente a solu¸˜o trivial ca ca y = 0. ca e a a Para mostrar o importante papel das condi¸˜es na determina¸˜o da existˆncia de uma co ca e solu¸˜o. Temos que y = cx2 ´ ca ca e uma solu¸˜o geral. pelo menos trˆs quest˜es. as equa¸˜es ca a ca co (y ′ )2 + 1 = 0 e (y ′ )2 + y 2 + 4 = 0 n˜o possuem solu¸˜es reais. chamadas condi¸˜es iniciais ou condi¸˜es de contorno. ´ preciso achar solu¸˜es de equa¸˜es diferenciais satisfazendo certas e co co condi¸˜es. Em muitos casos. ca co co como fazer para determinar elas? 23 . deduzimos que existem.3. Por exemplo. consideremos o caso da mesma equa¸˜o anterior sujeita ` condi¸˜o y(0) = 1. Estas condi¸˜es poco co co co dem se manifestar de modo completamente natural. Assim. n˜o s´ devemos nos perguntar se existe solu¸˜o. existe uma solu¸˜o satisfazendo certas e ca ca condi¸˜es dadas? co (2) Unicidade: Se existe solu¸˜o satisfazendo as condi¸˜es dadas. ´ claro que nenhum valor de c satisfaz essa condi¸˜o. Se esta ´ a unica solu¸˜o satisfazendo essa condi¸˜o ´ uma quest˜o ainda n˜o respondida. Esta solu¸˜o ´ conhecida como solu¸˜o trivial. para todo x ∈ R.1 [i] e [ii]. suponha a equa¸˜o diferencial xy ′ − 2y = 0 a ca e deseja-se achar uma solu¸˜o satisfazendo a condi¸˜o y(1) = 1.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca Observa¸˜o 1. a respeito co e o das equa¸˜es diferenciais: co (1) Existˆncia: Dada uma equa¸˜o diferencial.

que foi poss´ garantir definitivamente que n˜o existe uma ıvel a solu¸˜o. para determinar a solu¸˜o. Naturalmente. neste caso. Agora. e Para perceber a sua importˆncia. evitando inclusive mena cionar as duas primeiras. mesmo sem ter atingido ainda os conhecimentos necess´rios e o a para compreendˆ-los. isto significaria (se a equa¸˜o surgiu co ca de um problema pr´tico) que o sistema f´ a ısico ou material comporta-se de formas distintas sob as mesmas condi¸˜es.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca Introdu¸˜o ca A n´ ıvel elementar. Portanto. E ime e o portante que os alunos que v˜o fazer uso de algumas equa¸˜es diferenciais saibam da a co existˆncia de tais quest˜es. O leitor deve saber que existem trˆs etapas na resolu¸˜o te´rica dos e ca o problemas cient´ ıficos: (1) Formula¸˜o matem´tica do problema cient´ ca a ıfico: As leis da ciˆncia. por outro lado. Ent˜o claramente n˜o teria sentido perder tempo tentando encontrar um m´todo ca a a e de achar a solu¸˜o. E claro que a quest˜o da existˆncia foi respondida afirmaco a e tivamente. suponha que foi poss´ a ıvel achar uma solu¸˜o satca ´ isfazendo certas condi¸˜es. o que de fato diria que a matem´tica n˜o concorda com a co a a ciˆncia. Se existissem. e co ´ (2) Resolu¸˜o das equa¸˜es: E preciso resolver essas equa¸˜es. ´ engenheiro ou outro cientista pode at´ desconhecer a existˆncia dessas quest˜es. baseadas e naturalmente em experimentos. sujeitas as condi¸˜es ca co co co estabelecidas pelo problema f´ ısico.1. tende-se a ressaltar a terceira quest˜o. Suponha. Os m´todos podem dar ca e 24 . O motivo para fazˆ-lo ´ simples: os conhecimentos matem´ticos e e a necess´rios para responder essas quest˜es de maneira completa est˜o al´m daquilo que a o a e geralmente ´ adquirido nos dois primeiros anos do ensino superior. haveria que pensar em revisar a equa¸˜o diferencial e ca at´ que os resultados concordem com os fatos f´ e ısicos. o f´ e ısico. ser´ conveniente pesquisar para saber se existem solu¸˜es diferentes a co satisfazendo as condi¸˜es estabelecidas. ca Um dos objetivos destas notas consiste em fornecer uma introdu¸˜o a alguns dos mais ca importantes problemas que surgem na ciˆncia e tecnologia e para ating´ ser´ preciso e ı-lo a mostrar como se resolvem equa¸˜es diferenciais que prov´m da formula¸˜o matem´tica co e ca a desses problemas. se expressam atrav´s de equa¸˜es diferenciais.

Al´m disso. (i) A fun¸˜o y = e2x ´ uma solu¸˜o expl´ ca e ca ıcita para a equa¸˜o diferencial ca dy = 2y. ca e ca ı ca Um rela¸˜o G(x.9 num intervalo I ca se define uma ou mais solu¸˜es expl´ co ıcitas em I. Observar que essa rela¸˜o define duas fun¸˜es ca co dx y √ √ diferenci´veis expl´citas: y = 4 − x2 e y = − 4 − x2 em (−2. a ı e notar que qualquer rela¸˜o da forma x2 + y 2 − c = 0 satisfaz formalmente a equa¸˜o ca ca dada. dx (ii) A fun¸˜o y = xex ´ uma solu¸˜o expl´cita para a equa¸˜o diferencial y ′′ − 2y ′ + y = 0. Exemplo 1. +1 y ′′ = − 2y . o e (3) Interpreta¸˜o cient´ ca ıfica das solu¸˜es: Interpretar o que aconte¸e fisicamente co c a partir da solu¸˜o encontrada.3. + 1)2 y2 (y 2 25 .1 Solu¸˜es Expl´ co ıcitas e Impl´ ıcitas Uma solu¸˜o para a equa¸˜o 1.2.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca uma solu¸˜o exata ou solu¸˜o aproximada.3.Introdu¸˜o ca 1. De ca e ca ca fato. y) = 0 ´ uma solu¸˜o impl´ ca e ca ıcita para a equa¸˜o 1. 2). 1. para qualquer constante c. ao derivar a rela¸˜o a respeito de x temos ca y′ = 1 . ´ claro que a rela¸˜o deve sempre fazer e e ca u ca sentido no conjunto R dos n´meros reais. No estudo das solu¸˜es devem ser levadas em ca ca co conta as quest˜es de existˆncia e unicidade.9 que pode ser escrita na forma y = f (x) ´ dita solu¸˜o ca ca e ca expl´ ıcita. a rela¸˜o x2 +y 2 +1 = 0 n˜o determina uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial dada. Exemplo 1. Por´m. Isto pode ser feito construindo tabelas ou gr´ficos para ca a comparar a teoria com a parte experimental. 2). por exemplo. (i) A rela¸˜o x2 + y 2 − 4 = 0 ´ uma solu¸˜o impl´ ca e ca ıcita para a equa¸˜o ca dy x = − no intervalo (−2. Logo.3. a ca ca (ii) A rela¸˜o y 3 − 3x + 3y − 5 = 0 ´ solu¸˜o da equa¸˜o diferencial y ′′ + 2y(y ′ )2 = 0.3.

y = e−x . a fun¸˜o y = + 1 ´ uma fam´ de solu¸˜es da ca x dy equa¸˜o diferencial de primeira ordem x ca + y = 1. dada uma equa¸˜o diferencial. Por outro lado. ca c +1 ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial dada em quale ca ca x c quer intervalo que n˜o contenha a origem. dx dy c dy −c c = − 2 . co (ii) A fam´lia de fun¸˜es (curvas) y = cxex . pode-se verificar que qualquer fun¸˜o (curva) ca ca da fam´lia de solu¸˜es a um parˆmetro y = cex . geralmente possui um n´mero infinito de solu¸˜es. A solu¸˜o trivial y = 0 ´ um membro desta fam´ de ca e ılia dx solu¸˜es correspondente a c = 0. co ca c e ılia co (iii) Para qualquer valor da constante c. variando o parˆmetro c obtemos uma infinidade de solu¸˜es.4. ´ uma fam´ de ı co e e ılia solu¸˜es da equa¸˜o y ′′ − 2y ′ + y = 0. a fun¸˜o ca ca 26 . a co fazendo c = 0 obtemos a solu¸˜o constante y = 1. ı co a e a dy satisfaz a equa¸˜o ca = 2y. y = c1 ex . (i) Por substitui¸˜o direta. dx x dx x x Assim.1. no intervalo (0. onde c ´ uma constante. logo x + y = x( 2 ) + + 1 = 1. co a a s˜o solu¸˜es para a equa¸˜o diferencial y ′′ + 16y = 0. y = c2 e−x e y = c1 ex + c2 e−x s˜o todas co a solu¸˜es da equa¸˜o diferencial linear de segunda ordem y ′′ − y = 0. ca u co Exemplo 1. ca Introdu¸˜o ca Agora. ca (vi) Qualquer fun¸˜o da fam´lia de solu¸˜es a um parˆmetro y = cx4 ´ uma solu¸˜o para ca ı co a e ca a equa¸˜o diferencial xy ′ − 4y = 0.3 Solu¸˜es de uma Equa¸˜o Diferencial co ca Logo.3. c2 s˜o constantes arbitr´rias. ∞). Em particular. c1 ̸= 0 n˜o satisfaz e ca a a equa¸˜o. mas y = ex + c1 . Tamb´m a fun¸˜o soma a co ca e ca y = c1 cos4x + c2 sen4x ´ solu¸˜o ! Verificar! e ca (v) As fun¸˜es y = ex . De fato. Observar tamb´m que y = e (iv) As fun¸˜es y = c1 cos4x e y = c2 sen4x. onde c ´ uma constante arbitr´ria. onde c1 . substituindo na equa¸˜o diferencial obtemos a identidade. A fun¸˜o y = + 1 n˜o ´ diferenciavel a ca a e x em x = 0. Observar que co ca y = c1 ex ´ solu¸˜o para qualquer escolha de c1 .

co As vezes. y. y. c = 5 obtemos as solu¸˜es particulares y = 0. Neste caso. uma fam´ de solu¸˜es a um ca ılia co )2 ( 2 4 x x + c . Na realia ılia e ca ca e dade. · · · . x ≤ 0 ´ tamb´m solu¸˜o. y = 5ex . y. para a equa¸˜o a ılia co ca e ılia co a diferencial y ′ − y = 0 temos que y = cex ´ uma fam´ de solu¸˜es a um parˆmetro. y ′ . y ′ ) = 0. y. cn ) = 0. Por exemplo. a solu¸˜o resultante ´ y = . c1 .1. Quando c = 0. co e a Se toda solu¸˜o para a equa¸˜o F (x. y ′ .4 Alguns Coment´rios a Adicionais Quando resolvemos uma equa¸˜o diferencial ordin´ria do tipo F (x. y = −2ex . i = ca a 27 .Introdu¸˜o ca 1. Para a equa¸˜o diferencial y ′ = xy 1/2 . · · · . Observar que esta fun¸˜o n˜o pode ser obtida a partir de y = cx4 e e ca ca a por intermedio de um unica escolha do par´metro c. quando resolvemos uma equa¸˜o diferencial de n-´sima ordem F (x. x < 0 y=  x4 . ılia co a Uma solu¸˜o para uma equa¸˜o diferencial que independe de parˆmetros arbitr´rios ca ca a a ´ dita solu¸˜o particular. c = −2. parˆmetro ´ y = a e ca e 4 16 a solu¸˜o trivial y = 0 ´ uma solu¸˜o singular pois n˜o pode ser obtida da fam´ de ca e ca a ılia solu¸˜es atrav´s de uma escolha do parˆmetro c. · · · . Para c = 0. y (n) ) = 0 no intervalo I pode ser obtida ca ca da rela¸˜o G(x. tal que cada membro da fam´ ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial.4 Alguns Coment´rios a Adicionais   −x4 . y. c) = 0 contendo um parˆmetro ılia co a arbitr´rio. uma equa¸˜o diferencial possui uma solu¸˜o que n˜o pode ser obtida especica ca a ficando os parˆmetros em uma fam´ de solu¸˜es. c1 . y. ´ a 1. cn ) = 0.4. Tal solu¸˜o ´ dita solu¸˜o singular. · · · . a ılia co ca e ca Exemplo 1. y (n) ) = ca 0 esperamos obter uma fam´ de solu¸˜es a n-parˆmetros G(x. Uma forma de obter uma solu¸˜o particular ´ escolher valores e ca ca e espec´ ıficos para os parˆmetros na fam´ de solu¸˜es. para uma escolha apropriada dos parˆmetros ci . normalca a mente obtemos uma fam´ de curvas ou fun¸˜es G(x.

10) (1. 2. dt2 Das igualdades 1. A representa¸˜o geom´trica da solu¸˜o geral ´ uma fam´ infinita ca e ca e ılia de curvas. Este nome ´ mais usado no caso de equa¸˜es ca e co diferenciais lineares.11) (1.12) (1. a a 28 . n˜o ´ poss´ substituir essas duas constantes por um n´mero menor delas.10 ´ uma solu¸˜o geral da Equa¸˜o 1. e a e ıvel u Ditas constantes s˜o chamadas de constantes arbitr´rias essenciais. Tamb´m ´ claro que a Equa¸˜o 1. Seja a fun¸˜o ca x = asen2t + bcos2t. · · · . As constantes a e b n˜o possuem valores espec´ ca ca a ıficos e a Equa¸˜o ca 1. dizemos que a fam´lia de solu¸˜es a n-parˆmetros ´ uma solu¸˜o geral (ou ı co a e ca completa) para a equa¸˜o diferencial. e a ca a 1. n.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Introdu¸˜o ca 1. dt2 (1. b s˜o constantes. e ca ca Al´m disso.11 e 1.13. E obvio que esta equa¸˜o foi obtida e ca ca da Equa¸˜o 1.10 eliminando as constantes a e b.13) ´ que ´ uma equa¸˜o diferencial de segunda ordem.1. chamadas de curvas integrais. consideraremos um exemplo simples. onde a.10 ´ ca e e ca e solu¸˜o da Equa¸˜o 1.5 Observa¸oes relativas ´s solu¸˜es c˜ a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Estudaremos algumas propriedades das solu¸˜es das equa¸˜es diferenciais ordin´rias.12 temos que d2 x = −4x. co co a A fim de facilitar o nosso estudo. dt d2 x = −4asen2t − 4bcos2t. Cada curva integral est´ associada a um valor a particular da constante e ´ o gr´fico da solu¸˜o correspondente ´quele valor.13 quaisquer que sejam os valores das constantes. Derivando obtemos a dx = 2acos2t − 2bsen2t.

16 temos ca (1. Encontrar a equa¸˜o diferencial da rela¸˜o ca ca y = ae3x + be−2x + ce2x . uma rela¸˜o contendo n constantes arbitr´rias conduzir´ a uma ca a a equa¸˜o diferencial ordin´ria de n-´sima ordem ao eliminar as constantes.15) Eliminamos a constante b se multiplicarmos por 2 a requa¸˜o 1. onde a.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Assim.Introdu¸˜o ca 1.5. que tem uma s´ constante arbitr´ria. ca a e Os matem´ticos conseguiram mostrar o seguinte resultado que apresentamos sem a demonstra¸˜o ca Teorema 1.14 e somarmos ´ ca a equa¸˜o 1. obtemos ca ca 6y + y ′ − y ′′ = 4ce2x . a a Exemplo 1.14 temos ca (1. em geral. Ao derivar a equa¸˜o 1. c s˜o constantes arbitr´rias.1. (1.17) Multiplicando a equa¸˜o 1.18 resulta em o a ca 29 (1.18) .5. a a Derivando a Rela¸˜o 1. b.15.16 por 3 e subtraindo a equa¸˜o 1. Uma rela¸˜o entre uma vari´vel dependente e outra independente que ca a contenha n constantes arbitr´rias poder´ ser derivada de modo a obter uma equa¸˜o difera a ca encial de ordem n na qual n˜o existam constantes arbitr´rias.1.17 do resultado.16) 2y ′ + y ′′ = 15ae3x + 8ce2x (1. Assim obtemos ca 2y + y ′ = 5ae3x + 4ce2x Derivando a equa¸˜o 1.14) y ′ = 3ae3x − 2be−2x + 2ce2x .

24) .1. Encontrar uma equa¸˜o diferencial para a fam´ de todas as circunca ılia ferˆncias de raio 1 e centro em qualquer ponto (a.14.21) (1. (1. b). para eliminar b.2.22) (1. e ca ca e ca Observar que poderia se obter uma equa¸˜o diferencial de ordem maior que tenha como ca solu¸˜o a rela¸˜o dada. elimica ca namos a constante c e teremos y ′′′ − 3y ′′ − 4y ′ + 12y = 0.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Introdu¸˜o ca 6y ′ + y ′′ − y ′′′ = 8ce2x . de modo que eliminamos a constante a.21 em rela¸˜o ´ x obtemos ca ca a 2(x − a) + 2(y − b)y ′ = 0 Colocando em evidˆncia (x − a) e substituindo na equa¸˜o 1. e A equa¸˜o dessa circunferˆncia ´ ca e e (x − a)2 + (y − b)2 = 1 Derivando a equa¸˜o 1. colocamos em evidˆncia (y − b).5. (1. Agora. obtendo e y − b = ±[1 + (y ′ )2 ]1/2 30 (1. Exemplo 1.23) (1.20) que ´ uma equa¸˜o diferencial de terceira ordem e cuja solu¸˜o ´ a equa¸˜o 1.18 por 2 e subtraindo a equa¸˜o 1.21 teremos e ca (y − b)2 (y ′ )2 + (y − b)2 = 1.20 do resultado.20. Mas lembrar ca ca ca que sempre devemos ter a ordem da equa¸˜o igual ao n´mero de constantes arbitr´rias ca u a (essenciais).19) Multiplicando a equa¸˜o 1. Isto pode ser verificado derivando a equa¸˜o 1.

No entanto.25) y = xy ′ + (y ′ )2 (1. esta solu¸˜o ´ a solu¸˜o geral.25 estabelece que a curvatura de certa curva plana. a e a Os matem´ticos tem mostrado o seguinte resultado a Teorema 1. a Considere a equa¸˜o ca (1.5. Sob certas condi¸˜es (de existˆncia e unicidade) uma equa¸˜o diferencial co e ca de n-´sima ordem possue uma unica solu¸˜o com n constantes arbitr´rias.Introdu¸˜o ca 1.25 ´ a curvatura de uma ca e curva plana. co a ´ Em geral. e ´ ca a Como j´ vimos. a ca e ca 31 .5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Derivando e simplificando esta ultima equa¸˜o resulta ´ ca y ′′ = ±1 [1 + (y ′ )2 ]3/2 que ´ a equa¸˜o de segunda ordem pedida.26) Verifica-se que y = cx + c2 ´ uma solu¸˜o. podem aparecer e ´ bom lev´-los em conta. em valor absoluto. pouco frequentes na pr´tica. ´ igual a 1.2.2 podemos indagar se as solu¸˜es encontradas s˜o as unicas. ser´ a unica solu¸˜o da sua ca a a ´ ca e equa¸˜o diferencial correspondente de n-´simo ordem? ca A resposta ´ que n˜o ´ necess´rio que isto ocorra. apesar de que n˜o ´ poss´ obter ela por medio de uma escolha da constante e ca a e ıvel c. num ca e ponto qualquer da curva.5.1 e 1. tamb´m se verifica que y = − ca ca e 4 ´ solu¸˜o. e ca O leitor deve lembrar que o primeiro membro da equa¸˜o 1. dada uma rela¸˜o com n constantes arbitr´rias. a equa¸˜o dada ´ a ca e x2 equa¸˜o diferencial da rela¸˜o y = cx + c2 . Rec´ e ca ıprocamente. a equa¸˜o 1.5. Podem existir solu¸˜es distintas e a e a co ` rela¸˜o dada (e casos particulares dela s˜o obtidos atribuindo valores as constantes a ca a arbitr´rias). Nos Exemplos 1. Estes casos. Assim. Somente as circunferˆncias de e raio 1 possuem esta propriedade.

x ≥ 0. e ∂y Ent˜o existe em R uma unica solu¸˜o y = f (x) que passa por um ponto dado de R.3. (i) ∂F (x. (1. y) satisfazendo as condi¸˜es (i) e (ii): co (i) F (x.28) (1. ´ uma solu¸˜o ”mais geral” que y = cx3 . a ´ ca 32 . (1. x ≤ 0.28) toma a forma ca ca   x3 . x ≥ 0. onde c ´ uma constante arbitr´ria. apresentamos o resultado a seguir ca ´ ca Teorema 1.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Introdu¸˜o ca A maioria das equa¸˜es diferenciais que trataremos possuem solu¸˜es unicas satisco co ´ fazendo certas condi¸˜es. finita. No entanto.5. ca ca e e a Impondo a condi¸˜o y(1) = 1 ´ obtida a solu¸˜o (particular) y = x3 . y) e suponha que ca F (x. univalente e continua em todos os pontos de uma certa regi˜o R e a do plano.1. e Considere a equa¸˜o diferencial ca xy ′ − 3y = 0 A solu¸˜o geral da equa¸˜o 1.27 ´ y = cx3 . ca e ca N˜o ´ dif´ mostrar que a e ıcil   ax3 . univalente e continua em R. a e ca de modo a satisfazer a condi¸˜o y(1) = 1 e b = 0. a importˆncia co e a dos aspectos relativos a existˆncia e unicidade. y) ´ real. b s˜o constantes. x ≤ 0. finita. Considere a equa¸˜o de primeira ordem y ′ = F (x.27) onde a. a solu¸˜o (1.29) Este exemplo mostra simplesmente a necessidade de se saber quando existe uma solu¸˜o unica. mostraremos atrav´s de um exemplo. y) ´ real. y=  bx3 . y=  0. Escolhendo a = 1. Mesmo sem demonstra¸˜o.

1.Introdu¸˜o ca 1. a e ca ´ o Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 1. as condi¸˜es n˜o s˜o necess´rias.3 estabelece condi¸˜es suficientes para a existˆncia e unicidade de uma co e solu¸˜o. Mas. 33 . finitas. Para equa¸˜es de ordem superior existem resultados an´logos.5. (iv) x2 dy + (y − xy − xex )dx = 0. fica garantida a existˆncia ca a co e e unicidade. y) = 3y x 3y ∂F . se s˜o verificadas as condi¸˜es (i) e (ii) a. Verifique se cada equa¸˜o diferencial a seguir ´ linear ou n˜o-linear. univalentes e a continuas em todos os pontos da regi˜o x > 0 e portanto ´ poss´ garantir a unicidade. A equa¸˜o equivca alente ´ e y′ = sempre que x ̸= 0. (vi) y ′′ + 9y = seny. (ii) xy ′′′ − 2(y ′ )4 + y = 0. Deve se observar que o teorema n˜o co ca ´ a diz como achar a solu¸˜o. Neste caso. No entanto. mesmo n˜o sendo co a a a a satisfeitas as condi¸˜es. x ∂y = 3 x s˜o reais. (iii) yy ′ + 2y = 1 + x2 .5. ou seja. ca co a Usando o Teorema. ´ garantida a unicidade de solu¸˜o na regi˜o x < 0. (vii) y ′ = (1 + (y ′′ )2 ) 1/2 . ca e a indicando sua ordem: (i) (1 − x)y ′′ − 4xy ′ + 5y = cosx. ou seja. (v) x3 y (4) − x2 y ′′ + 4xy ′ − 3y = 0. pode existir solu¸˜o unica.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a O Teorema 1. a e ıvel Do mesmo modo. F (x. n˜o existe e ca a a raz˜o para supor a existˆncia de solu¸˜o unica nas duas regi˜es. o ”dilema”do Exemplo anterior ficaria resolvido. (viii) (senx)y ′′′ − (cosx)y ′ = 2.

1−y 2 ∫x 2 2 (viii) y ′ + 2xy = 1. x < 0 y=  x2 .   −x2 .2. y = e3x + 10e2x .4.5. Exerc´ ıcio 1. Em cada caso verificar se a fun¸˜o dada ´ uma solu¸˜o da corresponca e ca dente equa¸˜o diferencial: ca (i) y ′ − 2y = e3x . y = ) 6( 1 − e−20x . Exerc´ ıcio 1.5. Verificar que uma fam´lia de solu¸˜es a um parˆmetro para a equa¸˜o ı co a ca diferencial y = xy ′ + (y ′ )2 ´ y = cx + c2 . y 2 = c1 x + 1 c1 . 5 1 (iii) y ′ + y = senx. e Determinar um valor de k para que y = kx2 seja uma solu¸˜o singular para a equa¸˜o ca ca diferencial. x < 0 y=  x3 . (ii) y ′ + 20y = 24. 2 (iv) y ′ = √y √ 2 . (vii) y ′ = (2 − y)(1 − y).5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Introdu¸˜o ca Exerc´ ıcio 1.1. ln( (ix) xy ′ − 2y = 0. y = ( x + c) . y = e−x 0 et dt + c1 e−x . y = 2 senx − 1 cosx + 10e−x . 2−y ) = x. x ≤ 0 (x) (y ′ )2 = 9xy. e 34 . 4 √ (vi) y ′ = 2 |y|. y = x|x|. x ( ) (v) y = 2xy ′ + y(y ′ )2 . (i) Verificar que uma fam´lia de solu¸˜es a um parˆmetro para a equa¸˜o ı co a ca √ √ diferencial y = xy ′ + 1 + (y ′ )2 ´ y = cx + 1 + c2 . x ≤ 0   0.5.3.

(ii) y ′′ + 10y ′ + 25y = 0. Explicar por que a fun¸˜o ca − y  √  4 − x2 . (i) Mostrar que se y = y1 (x) e y = y2 (x) s˜o duas solu¸˜es diferentes a co da equa¸˜o y ′′ + 3y ′ − 4y = 0.8. (Esta equa¸˜o ca ca ca chama-se equa¸˜o de Clairaut.5. y = c1 e−4x + c2 ex ´ tamb´m solu¸˜o.5. Sabemos que y = 4 − x2 e y = − 4 − x2 s˜o solu¸˜es para a co = dx −x no intervalo (−2. Exerc´ ıcio 1. (iii) Como poderia se obter uma solu¸˜o para a equa¸˜o y = xy ′ + f (y ′ )?. e e ca 35 . ent˜o y = c1 y1 (x) + c2 y2 (x) tamb´m ´ solu¸˜o. 2). c2 constantes arbitr´rias.) ca ´ (iv) E poss´ aplicar o m´todo para a equa¸˜o y = 2xy ′ + (y ′ )3 ? ıvel e ca √ √ dy Exerc´ ıcio 1.5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a (ii) Mostrar que a rela¸˜o x2 + y 2 = 1 define uma solu¸˜o singular para a equa¸˜o dada ca ca ca no intervalo (−1. 1).Introdu¸˜o ca 1. Mostrar que as fun¸˜es y1 = 2x + 2 e y2 = co da equa¸˜o y = xy ′ + (y ′ )2 /2. 0 ≤ x < 2. onde c1 . −2 < x < 0 y=  −√4 − x2 . sendo ca a e e ca c1 . Encontrar os valores de m para que a fun¸˜o y = emx seja uma solu¸˜o ca ca para cada equa¸˜o diferencial dada: ca (i) y ′′ − 5y ′ + 6y = 0.7.6. n˜o ´ uma solu¸˜o para a equa¸˜o diferencial no intervalo dado. a (ii) Verificar que y = e−4x e y = ex s˜o solu¸˜es da equa¸˜o diferencial dada em a) e a co ca portanto.5.5. a e ca ca Exerc´ ıcio 1. c2 s˜o constantes a arbitr´rias. As fun¸˜es y = c1 y1 ca co −x2 s˜o ambas solu¸˜es a co 2 e y = c2 y2 . s˜o tamb´m solu¸˜es? E a soma delas ´ tamb´m solu¸˜o? a a e co e e ca Exerc´ ıcio 1.5.

dx dy ( )3 =0 dx dy )3 (ii) Usar o resultado de (i) para transformar a equa¸˜o diferencial ca d2 x + (senx) dy 2 dx dy cuja vari´vel independente ` y. ca (i) Usar as id´ias do exercicio 8.10. Mostrar que ∫ y=e x2 1 x e−x dx 2 ´ uma solu¸˜o de y ′ = 1 + 2xy satisfazendo a condi¸˜o y(1) = 0. a co ca tamb´m o ser´ a fun¸˜o y = y1 (x) + y2 (x)?. em outra cuja vari´vel independente seja x. y ′′ (0) = 1. (ii) Determinar uma solu¸˜o satisfazendo as condi¸˜es y(0) = 10. y = a(1 − cost). y ′ (0) = 0. onde a ´ uma constante e n˜o nula. para encontrar uma solu¸˜o que contenha trˆs cone ca e stantes c1 .5. (i) Mostrar que = − 2/ dx2 dy ( ´ uma identidade. a e ca ca 36 .12.5. Se y = y1 (x) e y = y2 (x) s˜o solu¸˜es da equa¸˜o y ′′ + y 2 = 0. ca co Exerc´ ıcio 1. e ca ca Exerc´ ıcio 1. c3 .5 Observa¸˜es relativas ´s solu¸˜es co a co das equa¸˜es diferenciais ordin´rias co a Introdu¸˜o ca (iii) Usando o resultado de (ii). Mostrar que x = a(t − sent). c2 . co Exerc´ ıcio 1.5.1.11.5. e a ca d2 y d2 x Exerc´ ıcio 1.13.9. a e a Exerc´ ıcio 1. Para que valores da constante m.5. determinar uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial satisca ca fazendo as condi¸˜es y(0) = 5. ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial 1 + (y ′ )2 + 2yy ′′ = 0. y ′ (0) = 9. e ( ) dy dx Sugest˜o: Derivar a respeito de x ambos membros de a = 1/ . a fun¸˜o y = emx ser´ solu¸˜o da ca a ca equa¸˜o diferencial 2y ′′′ + y ′′ − 5y ′ + 2y = 0.

1 para todo t em ca a c ca algum intervalo I.1) Qualquer fun¸˜o diferenci´vel y = ϕ(t) que satisfa¸a a equa¸˜o 2. caso existam. ´ dita solu¸˜o da EDO 2.Cap´ ıtulo 2 Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. ser˜o descritos v´rios m´todos. e no final do cap´ co a co ıtulo veremos algumas aplica¸˜es . desenvolver e co m´todos para encontr´-las. e ca Nosso objetivo ´ determinar se tais fun¸˜es existem e. Por isso. Para f arbitr´ria. estudaremos as equa¸˜es lina ca co eares. y). co 37 . e ca a (2. onde f ´ uma fun¸˜o de duas vari´veis. Assim. n˜o existe um m´todo geral para resolver e a a a e a EDO (1) em termos de fun¸˜es elementares.1 em I.1 Introdu¸˜o ca Neste cap´ ıtulo trataremos de equa¸˜es diferenciais ordin´rias do tipo co a y ′ = f (t. co a a e cada um aplic´vel a determinado tipo de equa¸˜o. as equa¸˜es separ´veis e as equa¸˜es exatas .

2) (2.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Se a fun¸˜o f que define a EDO 2. de modo e ca a e a ca que precisaremos de um novo m´todo.1 depende linearmente da vari´vel y. g s˜o fun¸˜es que depende da vari´vel t. se reescrevemos a ca ca e equa¸˜o na forma ca dy/dt = −a y − (b/a) integrando. na qual os coeficientes a. b sejam fun¸˜es de t. isto ´.4) (2. iremos obter ln|y − (b/a)| = −at + c.2 pode ser resolvida por integra¸˜o direta.1 ´ dita equa¸˜o linear de primeira ordem.5) (2.3) (2.3. e ca Na Introdu¸˜o desta apostila. ent˜o a Equa¸˜o ca a a ca 2. e a Infelizmente. este m´todo direto de solu¸˜o n˜o ´ aplic´vel na equa¸˜o 2. O que usaremos a seguir ´ devido a Leibniz e e e 38 (2. dt onde a. a Neste momento vamos considerar uma equa¸˜o linear de primeira ordem mais geral ca poss´ ıvel. de onde segue que a solu¸˜o geral de 2.6) .2.1 ´ ca e y = (b/a) + ce−at .2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. b s˜o constantes dadas. sendo c ´ uma constante arbitr´ria. ou seja. a co a A equa¸˜o 2. equa¸˜es da forma co co dy + p(t)y = g(t). dt onde p. j´ tivemos algum contato com equa¸˜es do tipo ca a co dy = −ay + b.

e e a Vamos ilustrar o m´todo com o seguinte Exemplo 2. observamos que (2. µ(t) que ´ equivalente a e d [ln|µ(t)| = 2.9) para podermos comparar com o primeiro membro da equa¸˜o 2.8) dy dµ(t) d [µ(t)y] = µ(t) + y. dt (2. temos que: 39 (2.1 e Exemplo 2. escolhida de tal ca ca modo que a equa¸˜o resultante seja facilmente integr´vel.7 por µ(t).2. dt dt dt (2.1.11) (2.7) µ(t) Por outro lado.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a consiste em multiplicar a equa¸˜o 2.10) Portanto.10. dt (2. Ent˜o multiplicamos a EDO 2. A fun¸˜o µ(t) ´ chamada fator ca a ca e integrante. Seja µ(t) o fator integrante. basta resolver a equa¸˜o 2. dt encontrando um fator integrante.3 por uma determinada fun¸˜o µ(t). imporemos que a ca fun¸˜o µ(t) satisfa¸a a equa¸˜o 2. e a maior dificuldade do m´todo ´ como encontr´-la. Resolver a equa¸˜o ca dy + 2y = 3.12) . para determinar o fator integrante µ(t). a ca qual pode ser escrita na forma dµ(t)/dt = 2.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2.2. dt Assim. teremos a dy + 2µ(t)y = 3µ(t).8.10 ca c ca dµ(t) = 2µ(t).

dt e2t que ´ equivalente a e (2. dt solu¸˜o ´ dada por y = (b/a) + ce−at .16) y= (2. (2. temos que µ(t) = eat ´ o fator integrante e a e . de modo que a ca equa¸˜o tem agora a forma ca 40 (2. temos: e a 3 + ke−2t . ou µ(t) = ce2t .7. escolhemos c = 1 e usaremos µ(t) = e2t .17 que as solu¸˜es convergem para a solu¸˜o de equil´ co ca ıbrio y = 3/2.14) d 2t (e y) = 3e2t .13) Portanto. vamos substituir a constante b por uma fun¸˜o dada g(t). Finalmente. ca e a ıcio ca A seguir. vamos estender o m´todo a outras classes de equa¸˜es. que corresponde a k = 0. considere a e co equa¸˜o 2.15) (2. 2 onde k ´ uma constante arbitr´ria.17) Observar em 2. dt Integrando a equa¸˜o 2.7. 2 (2. a fun¸˜o µ(t) encontrada ´ um fator integrante para a equa¸˜o 2. Primeiro.16 obtemos a express˜o ca a 3 e2t y = e2t + k.2. a Voltando a equa¸˜o 2.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem ln|µ(t)| = 2t + c0 . multiplicamos pelo fator integrante e2t e obtemos ca dy + 2e2t y = 3e2t .18) Seguindo o modelo do exemplo acima. J´ que ca e ca a n˜o precisamos de um fator integrante mais geral. j´ exibida no in´ desta se¸˜o.7 reescrita na forma ca dy + ay = b. Agora.

19 ´ de novo.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. dt Integrando a equa¸˜o 2. Resolver a equa¸˜o ca dy 10y + = 10. o fator integrante para a equa¸˜o 2.19) Dado que o fator integrante depende apenas do coeficiente de y.21.22) ∫ y=e eas g(s)ds + c0 e−at . multiplicando na equa¸˜o 2. ca e Multiplicando a equa¸˜o diferencial dada por µ(t).2.21) eas g(s)ds + c0 . resulta ca ] d [ (2t + 5)5 y = 10(2t + 5)5 . (2. a ca Exemplo 2. dt eat ou. em casos ca co complicados. No entanto. dt (2. sujeita ` condi¸˜o y(0) = 0.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a dy + ay = g(t). a integral na equa¸˜o 2. (2.2. dt Integrando temos 41 . Logo. e a Resolvendo a equa¸˜o 2.19.22 para y obtemos ca −at at (2.23. (2. µ(t) = eat .20) d ( at ) e y = eat g(t). resulta ca ∫ e y= onde c0 ´ uma constante arbitr´ria.23) Para muitas fun¸˜es simples g(s). pode ser necess´rio deixar a solu¸˜o na forma da integral 2. obtemos ca e ca dy + aeat y = eat g(t). a ca dt 2t + 5 ∫ 10dt Solu¸˜o: Temos que um fator integrante ´ µ(t) = e 2t + 5 = (2t + 5)5 .23 pode ser calculada e a co ca solu¸˜o y pode ser expressa em termos de fun¸˜es elementares.

multiplicando a equa¸˜o diferencial dada. Assim 6 5 56 y = (2t + 5) − . ca dI + 2I dt ) = 10 ou d ( 2t ) e I = 10 dt Segue que e2t I = 10t + c. a intensidade I da energia (medida em amperes) e dI ´ dada pela equa¸˜o diferencial e ca + 2I = 10e−2t . resulta em ca dy + (cosx)y = senxcosx ou dx d [(senx)y] = senxcosx dx senx Integrando nesta ultima express˜o obtemos ´ a ∫ (senx)y = ou seja y= senx c + .2. pelo fator integrante. Da condi¸˜o I(0) = 0 resulta c = 0 e assim ca I(t) = 10te−2t . Num circuito el´trico.2. 6 6(2t + 5)5 Exemplo 2. 2 Exemplo 2.2. encontrar I(t). Resolver a equa¸˜o ca dy + (ctgx)y = cosx. Agora.4. dx ∫ ctgxdx Solu¸˜o: Temos como fator integrante µ(x) = e ca = senx.3. dt Solu¸˜o: Um fator integrante ´ µ(t) = e ca e temos ( e 2t ∫ 2dt = e2t .5. 6 57 Para t = 0 temos y = 0. ao multiplicar pela equa¸˜o. Resolver a equa¸˜o x2 ca . Logo. dx 42 senxcosxdx = sen2 x + c. Logo resulta c = − .2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 5 y(2t + 5)5 = (2t + 5)6 + c. Exemplo 2. Sabendo que I(0) = 0.2. 2 senx dy + xy = 2x2 + 1.

3. e ca Exerc´ ıcio 2. Resolver as seguintes equa¸˜es diferenciais co (a) dy 1 + y = 2 + t.6. Assim. n ̸= 1. dt (c) dy 1 + y = 1. Resolver a equa¸˜o xy ′′ − 3y ′ = 4x2 . multiplicando x na equa¸˜o reescrita. ca a c Exerc´ ıcio 2.2. Resolver a equa¸˜o y 2 dx + (xy − x3 )dy = 0. dx x 1 Finalmente. a ca ıcio Exerc´ ıcio 2. integrando nesta ultima igualdade. ca a c 43 .2. dt Exerc´ ıcio 2. obtemos y = x + lnx. (f ) = (∗).4.2. Q = Q(x) s˜o fun¸˜es. dt t dt t − 3y dy a co + P y = Qy n . temos ca d 1 (xy) = 2x + . Mostrar como se resolver quando n = 0 ou n = 1. Resolver a equa¸˜o xy ′ = 2x2 y + ylny. a co c Exerc´ ıcio 2. Logo.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Solu¸˜o: Podemos reescrever a equa¸˜o na forma ca ca fator integrante ´ µ(x) = e e dx x dy 1 1 + y = 2 + 2 .2.3 ` equa¸˜o e ı a ca Exerc´ ıcio 2.1.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem ∫ 2.8.7.2. Sugest˜o: Fa¸a y ′ = v.5. Na equa¸˜o ca dy + P y = Qy n . onde P = dt P (x).2. ca Sugest˜o: Transfomar a equa¸˜o no formato Bernoulli e fazer uso do Exerc´ 2. Aplicar o m´todo do Exerc´cio 2.2.2. ´ x x ou Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 2. um dx x x = x. Q = Q(x) s˜o fun¸˜es e dt Exerc´ ıcio 2. ´ dita equa¸˜o de Bernoulli. Mostrar que a mudan¸a de vari´veis v = y 1−n resolve a equa¸˜o. A equa¸˜o ca n ∈ Z+ . dt (b) (e) dy − 2y = 4 − t. Sugest˜o: Fa¸a lny = v. pode ser resolvida fazendo a mudan¸a lny = v. o m´todo estudado nesta e dt se¸˜o n˜o ´ aplic´vel. se n ̸= 0. dt t dy 1 + y = 2x + dx x (d) t dy 2 dy 1 − y = t2 sen3t. ca a e a c a ca dy − y = xy 2 . dt 2 dy + 3y = t2 .3.2.2. onde P = P (x). Mostrar que a equa¸˜o diferencial ca dy + P y = Qy lny.2.

2. a co Multiplicando esta equa¸˜o por uma fun¸˜o µ(t).2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Agora. g s˜o fun¸˜es dadas. dt dt µ(t) impondo que dµ(t) = µ(t)p(t). ou seja. vamos estender o m´todo de fatores integrantes para a equa¸˜o e ca dy + p(t)y = g(t). obtemos ca ca a dy + µ(t)p(t)y = µ(t)g(t). temos que a ca ∫ µ(t)y = u(s)g(s)ds + c.8 ´ dada por ca ca e 44 . d [µ(t)y] = µ(t)g(t). lnµ(t) = µ(t) ∫ p(t)dt + k. e assim a solu¸˜o geral para a equa¸˜o 2. dt Supondo. dt onde p. que µ(t) seja positiva. para todo t.24) Seguindo o mesmo racioc´ ınio do caso anterior. de onde resulta que dt . teremos dµ(t)/dt = p(t). Escolhendo k = 0. por enquanto. dt µ(t) (2. ainda n˜o determinada. a saber ca ∫ p(t)dt µ(t) = e Observar que µ(t) ´ positiva. e Agora.24. voltando ` equa¸˜o 2. obtemos a fun¸˜o mais simples para µ. temos que dy d + µ(t)p(t)y = [µ(t)y].

t t2 > 0. se tem y −→ +∞.2. achar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca dado: (a) y ′ − y = 2te2t . (d) t3 y ′ + 4t2 y = e−t . t > 0 = 0. Solu¸˜o: ca Podemos escrever a equa¸˜o na forma y ′ + 2 y = 4t. y(0) = 1. (c) y ′ + 2 y = t cost . a ca 45 . Finalmente temos y = t2 + ca Observa¸˜o 2.2. A solu¸˜o ca e ´ ilimitada e.9. t2 ou A condi¸˜o y(1) = 2 implica c = 1. Considere o problema de valor inicial y ′ + 2 y = 2cost.10.1.2. t2 y = t4 + c ou y = t2 + c . Notar que p(t) = ca y = t2 + 1 t2 2 t 1 . a solu¸˜o y = t2 + ca parte da solu¸˜o do problema de valor inicial.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem ∫ 2. y(1) = 2. y(0) = 1.2. t > 0. ca t t O fator integrante ´ µ(t) = e e integrante. (2. Em cada caso a seguir. Resolver o problema de valor inicial ty ′ + 2y = 4t2 . dt ∫ 2dt t = t2 . n˜o ´ a e Exerc´ ıcio 2. Este ´ o efeito da e 1 . Multiplicando a equa¸˜o acima por este fator ca t2 y ′ + 2ty = 4t3 Assim. resulta d 2 (t y) = 4t3 . g(t) = 4t. ca Exerc´ ıcios: para t < 0. onde p(t) = 2 . t2 descontinuidade infinita na origem. y(−1) = 0. Portanto. para t > 0. y(π) t2 (b) ty ′ + 2y = t2 − t + 1. y(1) = 1/2. Encontrar as coordenadas do primeiro ponto de m´ximo local da solu¸˜o.6. tem uma descontinuidade em t = 0.25) Exemplo 2. 1 Exerc´ ıcio 2. quando t −→ 0+ .2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a u(s)g(s)ds + c y= u(t) .

2. (Varia¸˜o dos Parˆmetros) Considere o seguinte m´todo de resca a e olu¸˜o da equa¸˜o linear geral de primeira ordem ca ca y ′ + p(t)y = g(t). Mostrar que toda solu¸˜o y = y(t) da equa¸˜o diferencial dada tem a ca ca propriedade que y −→ 0 quando t −→ ∞. mas n˜o o ca a atravessa.11. e ca a Exerc´ ıcio 2. Encontrar o valor de y0 para o qual a solu¸˜o do problema de valor ca inicial y ′ − y = 1 + 3sent. Exerc´ ıcio 2. 3 Encontrar o valor de y0 para o qual a solu¸˜o y = y(t) encosta no eixo t. Seja a equa¸˜o diferencial y ′ + ay = be−λt . mostrar que A(t) deve satisfazer a ca . Usando o m´todo descrito em 2. Verificar que a solu¸˜o obtida desta forma ca coincide com a obtida no m´todo descrito anteriormente. onde A = A(t). t > 0.13. e ∫ p(t)dt (b) Se g(t) ̸≡ 0. Considere o problema de valor inicial y ′ + 2 y = 1 − 2 t.14. mostrar que a solu¸˜o ´ y = Ae− ca e ∫ p(t)dt . Exerc´ ıcio 2. Esta t´cnica ´ conhecida e e e como o m´todo de Varia¸˜o dos Parˆmetros. Logo substituir A(t) na equa¸˜o y = ca ca ca A(t)e− ∫ p(t)dt e determinar y = y(t). y(0) = y0 . Exerc´ ıcio 2. (c) Encontrar a fun¸˜o A(t) da equa¸˜o em (b). Substituindo y(t) na equa¸˜o diferencial dada.2. onde a.15. (b) y ′ + 1 y = 3cost. resolver e (a) y ′ − 2y = t2 e2t .14. (a) Se g(t) ≡ 0. onde A ´ constante. suponha que a solu¸˜o ´ da forma y(t) = A(t)e− ca e condi¸˜o A′ (t) = g(t)e ca ∫ p(t)dt . λ s˜o constantes ca a positivas e b ∈ R. y(0) = y0 .2.2. permanece finita quando t −→ ∞.2.2 Equa¸˜es Lineares com co Coeficientes Vari´veis a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 1 Exerc´ ıcio 2. t 46 .2.2.12.

3. n˜o existe um m´todo universalmente aplic´vel. a equa¸˜o 2.3 Equa¸˜es Separ´veis co a dy = ay + b. Vamos ca a a e a considerar aqui uma subclasse de equa¸˜es de primeira ordem para as quais possa ser co aplic´vel um processo de integra¸˜o direta. a Exemplo 2. y) e N (x. Resolver a equa¸˜o ca x2 dy = . y) = 1 (de fato.26 assume a forma ca dy = 0.3 Equa¸˜es Separ´veis co a 2. j´ vimos a dt um processo de integra¸˜o direta. Vamos mostrar nesta se¸˜o que este processo pode-se ca ca Para uma equa¸˜o diferenci´vel do tipo ca a aplicar a uma classe muito maior de equa¸˜es diferenciais. Se M = M (x) e N = N (y).7 for n˜o-linear. pois se for escrita na forma diferencial ca e a M (x)dx + N (y)dy = 0.29) (2. y) + N (x. com a.26) Se a equa¸˜o 2. co e x no lugar de t. b constantes. dx (2.1. dx M (x. dx 1 − y2 47 (2. dx M (x) + N (y) (2. y) = −f (x. A equa¸˜o geral de primeira ordem ´ da forma ca e dy = f (x.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. a ca Para identificar esta classe de equa¸˜es. por convˆniencia.27) Sempre ´ poss´ fazer isso.26 na forma co ca dy = 0. y).28) Esta equa¸˜o ´ dita separ´vel. e ıvel existem outras formas). ent˜o as parcelas podem ser separadas pelo sinal de igualdade. Usaremos.30) . y) (2. Basta definir M (x. escrevamos a equa¸˜o 2.

32 ´ uma solu¸˜o para a equa¸˜o 2. a equa¸˜o 2. (2.28.32) com c constante ´ uma equa¸˜o para as curvas integrais da equa¸˜o 2. H2 fun¸˜es.35) H1 (x) + H2 (y) = c. ( dy = 0. (2.28. qualquer fun¸˜o diferenci´vel y = ϕ(x) satisfazendo e ca a a rela¸˜o 2. dx ) Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem (2.29 tem a forma a ca dy = 0. ′ H2 (y) = N (y).36 ca e ca ca ca 48 . Em outras palavras. Assim.36) onde c ´ uma constante.2. −x3 + 3y − y 3 = c. ca a e ca ca Agora.3 Equa¸˜es Separ´veis co a Solu¸˜o: ca Esta equa¸˜o pode ser escrita na forma ca −x2 + (1 − y 2 ) Temos ent˜o a d dx Portanto. (2. (2.31) x3 y3 − +y− 3 3 = 0. tais que a ca co ′ H1 (x) = M (x).30. qualquer e ca ca fun¸˜o diferenci´vel y = ϕ(x). Sejam H1 .30. a equa¸˜o 2.36 ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o 2. dx Integrando obtemos (2. a equa¸˜o 2.34) dx dy d ′ Pela regra da cadeia.34 fica da ca dx dx forma ′ ′ H1 (x) + H2 (y) d [H1 (x) + H2 (y)] = 0. Logo.33) Ent˜o. satisfazendo 2. temos H2 (y) = (H2 (y)). voltamos ` equa¸˜o 2. Assim.

ca Exemplo 2.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. N co a a respectivamente. H2 s˜o primitivas arbitr´rias de M.2. y = y0 em 2.38) x0 A rela¸ao 2. satisfazendo essa condi¸˜o ´ obtida fazendo x = x0 .3 Equa¸˜es Separ´veis co a define a solu¸˜o impl´ ca ıcitamente.28 que satisfaz ca ca a condi¸˜o inicial y(x0 ) = y0 .28.36. y0 (2. ´ dada uma condi¸˜o inicial y(x0 ) = y0 . y(0) = −1. Resolver o problema de valor inicial 3x2 + 4x + 2 dy = .36 e tendo em conta que ∫ H1 (x) − H1 (x0 ) = x0 x (2. Se al´m da equa¸˜o diferencial.38 ´ uma representa¸˜o impl´ c˜ e ca ıcita da solu¸˜o da equa¸˜o 2.37) M (s)ds ∫ y H2 (y) − H2 (y0 ) = y0 N (s)ds obtemos H1 (x) − H1 (x0 ) + H2 (y) − H2 (y0 ) = 0 Logo ∫ x ∫ M (s)ds + y N (s)ds = 0. dx 2(y − 1) e determinar o intervalo no qual a solu¸˜o existe.3. Substituindo em 2. ca Solu¸˜o: ca Podemos escrever a equa¸˜o diferencial na forma ca 49 . Isto ca ca e implica H1 (x0 ) + H2 (y0 ) = c. ent˜o a solu¸˜o e ca e ca a ca da equa¸˜o 2. As fun¸˜es H1 .

Destas duas solu¸˜es. onde c ´ uma constante arbitr´ria. e a A condi¸˜o y(0) = −1. o o intervalo procurado ´ x > −2. obtemos y 2 = 2y = x3 + 2x2 + 2x + c. e Exemplo 2. A condi¸˜o y(0) = 1 implica c = 1. apenas uma delas satisfaz a condi¸˜o inicial e ´ co ca e y =1− √ x3 + 2x2 + 2x + 4. Logo. y(0) = 1. Temos que x3 + 2x2 + 2x + 4 = 0 s´ se x = −2.3. y Integrando temos ln|y| + y 2 = senx + c.2. a solu¸˜o ´ dada implicitamente por ca ca e 50 . Portanto. Portanto.3 Equa¸˜es Separ´veis co a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2(y − 1)dy = (3x2 + 4x + 2)dx.3. a solu¸˜o (na forma impl´ ca ca ıcita) ´ dada e por y 2 = 2y = x3 + 2x2 + 2x + 3. dx 1 + 2y 2 Soulu¸˜o: ca Temos que 1 + 2y 2 dy = cosxdx. podemos obter y =1± √ x3 + 2x2 + 2x + 4. Em forma expl´ ıcita. Integrando. implica c = 3. Resolver o problema de valor inicial dy ycosx = . Para determinar o intervalo em que a solu¸˜o acima ´ v´lida. precisamos saber onde ca e a que x3 + 2x2 + 2x + 4 > 0.

1. y(0) = 1.3. nenhum ponto do eixo x a satisfaz a igualdade ln|y| + y 2 = senx + 1.2. c.3. (c) y ′ = 2x/(1 + 2y).3. Portanto. y(0) = 1 (e) sen2xdx + cos3ydy = 0. Em cada caso a seguir. a solu¸˜o sempre satisfaz o fato de ca ser positiva. Resolver as equa¸˜es dadas co (a) dy x − e−x = .3 Equa¸˜es Separ´veis co a ln|y| + y 2 = senx + 1. y(0) = −2 (d) y ′ = (3x2 − ex )/(2y − 5). (f ) y 2 (1 − x2 )1/2 dy = arcsenxdx.3. y(0) = 0. b. Resolver o problema de valor inicial y ′ = 2(1 + x)(1 + y 2 ).Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. a 51 .4. y(2) = 0 (b) y ′ = xy 3 (1 + x2 )−1/2 . d s˜o constantes. Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 2. o intervalo no qual a solu¸˜o est´ definida ca a (a) xdx + ye−x dy = 0. Assim. ca ı Exerc´ ıcio 2. dx cy + d onde a. Quando y = 0. pelo menos aproximadamente. Exerc´ ıcio 2. encontrar a solu¸˜o do problema da valor inicial ca e determinar. mas a espress˜o senx + 1 nunca torna-se ilimitada. y(0) = 0 e determinar onde a solu¸˜o atinge seu valor m´nimo. a express˜o ln|y| + y 2 = ca a ∞.3. dx y + ey (b) dy x2 = . y(π/2) = π/3. dx 1 + y2 Exerc´ ıcio 2. Resolver a equa¸˜o ca ay + b dy = . Observar que nenhuma solu¸˜o cruza o eixo x.

y) co e ca pode ser escrita em fun¸˜o apenas da raz˜o y/x. Tais ca a a ca e e equa¸˜es sempre podem ser transformadas em equa¸˜es separ´veis por uma mudan¸a de co co a c vari´vel dependente.5. dx x−y (∗) (a) Mostrar que a equa¸˜o acima pode ser escrita na forma ca dy (y/x) − 4 = . Expressar dy/dx em fun¸˜o de x.3. ou y = xv(x).3. dx 1 − (y/x) Logo ´ homogˆnea. dx 2x + y x2 − 3y 2 dy = . c˜ ca (e) Encontrar a solu¸˜o para a equa¸˜o (*). dx 2xy dy x + 3y = .3 Equa¸˜es Separ´veis co a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Exerc´ ıcio 2. e e (b) Defina-se v = y/x.5: e e (a) (c) (e) dy x2 + xy + y 2 = . ca ca Exerc´ ıcio 2. Em cada caso seguinte. ent˜o a equa¸˜o ´ dita homogˆnea. y). dx x−y (b) (d) (f ) dy 4y − 3x = . dx x2 dy x2 + 3y 2 = . (Equa¸˜es Homogˆneas) Seja a equa¸˜o dy/dx = f (x. dx 1−v (∗∗) x (∗ ∗ ∗) Observar que esta equa¸˜o ´ separ´vel. dx 2x − y dy 4x + 3y =− .3. dx 2xy 52 . O exercicio a seguir ilustra como resolver equa¸˜es de primeira a co ordem homogˆneas. mostrar que a equa¸˜o diferencial ´ homogˆnea ca e e e resolvˆ-la pelo m´todo ilustrado em 2. ca e a (d) Resolver a equa¸ao (***) para v em fun¸˜o de x. ca (c) Substituir y e dy/dx na equa¸˜o (**) pelas express˜es encontradas no item (b) ca o que envolvem v e dv/dx. Se f (x. v e dv/dx. Mostrar que a equa¸˜o diferencial resultante ´ ca e dv v2 − 4 = .2. e Considere a equa¸˜o ca dy y − 4x = .6.

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2.41) Supondo que y = y(x) e usando a regra da cadeia. ∂x ∂φ . O passo chave na resolu¸˜o da equa¸˜o 2.40) Portanto. observemos que a fun¸˜o φ(x. dx 2x + y 2 + 2xy (2.40. onde c ´ uma constante arbitr´ria. dx M (x. os m´todos anteriormente estudaca a e a e dos n˜o s˜o aplic´veis. suponha que dada uma equa¸˜o diferencial ca dy = 0.39) Esta equa¸˜o n˜o ´ linear nem separ´vel. y) + N (x. co co para as quais tamb´m existe um m´todo de solu¸˜o. No entanto. a equa¸˜o 2. ´ a solu¸˜o geral de e a e ca 2.39. φ(x.43) Conseguimos identificar a existˆncia de uma fun¸˜o φ tal que e ca 53 . e e ca Para ilustrar a id´ia do m´todo. dx dx (2. y) = x2 + xy 2 = c.41 toma a forma ca dφ d 2 = (x + xy 2 ) = 0. ca ca Em geral.39 foi o fato de reconhecer de que existe uma ca ca fun¸˜o φ que satisfaz a equa¸˜o 2. a equa¸˜o diferencial pode ser escrita na forma ca ∂φ ∂φ dy + = 0. consideremos a equa¸˜o diferencial e e ca dy = 0. portanto.4 Equa¸˜es Exatas co Vamos considerar agora uma classe de equa¸˜es conhecidas como equa¸˜es exatas. ∂x ∂y dx (2.4 Equa¸˜es Exatas co 2. dada impl´ ıcitamente. y) (2. ∂y 2x + y 2 = 2xy = (2. y) = x2 + xy 2 satisfaz a a a ca a seguinte condi¸˜o ca ∂φ .42) Logo.

dx Neste caso. o sua equivalente 2.45. γ < y < δ. s˜o dadas em forma impl´ co a ıcita por (2. se existe uma fun¸˜o diferenci´vel φ : Ω −→ R tal que e ca a ▽(F ) = dφ = (φx . ∂x Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem ∂φ (x.1. y) + N (x. onde os ´ co ındices denotam derivadas parciais. ϕ(x)) = 0. e portanto. Dizemos que o campo vetorial F ´ conservativo em Ω. se uma equa¸˜o e ca diferencial ´ exata ou n˜o. a equa¸˜o 2. y).43 ´ um recurso muito recorrente em C´lculo Vetorial. e a (2. y) = N (x. N ) definido em um conjunto Ω ⊂ R2 .2. e a Observa¸˜o 2. pode n˜o ser t˜o f´cil ca ca a a a fazer isto. Ent˜o a dy ∂φ ∂φ dy d = + = φ(x.43 ´ chamada de equa¸˜o diferencial exata.43. ∂y (2.43.4 Equa¸˜es Exatas co ∂φ (x. reconhecendo a a ca e fun¸˜o φ. φy ). Em casos mais complicados. dx ∂x ∂y dx dx M (x.1. defina y = ϕ(x) implicitamente como uma fun¸˜o diferenci´vel ca a de x. s˜o cont´nuas na regi˜o retangular R : α < x < β.4. ϕ(x)). N. achar a solu¸˜o. y) = M (x. onde c ´ uma constante arbitr´ria.4. y) e a equa¸˜o diferencial 2. O resultado a seguir fornece um m´todo de como determinar.44) e tal que φ(x. a ı a Ent˜o a equa¸˜o a ca 54 .45) φ(x. ca e ca Teorema 2. y) = c. My e Nx . y) = c. A fun¸˜o φ ´ dita fun¸˜o potencial associada ao campo F . Suponha que as fun¸˜es M. torna-se ca d φ(x. y). ca e ca As solu¸˜es de 2. Ou seja dado ca e a um campo vetorial F = (M. Este m´todo de se encontrar uma fun¸˜o φ como solu¸˜o de uma ca e ca ca equa¸˜o na forma 2.46) No exemplo anterior foi f´cil ver que a equa¸˜o diferencial ´ exata.

Isto significa que existe uma fun¸˜o φ satisfazendo as equa¸˜es ca co ∂φ (x. y) = φyx (x. y) = Nx (x. y) = φxy (x. a ca 2) Agora mostraremos que se M e N satisfazem a equa¸˜o 2. y).4 Equa¸˜es Exatas co dy = 0. ent˜o a equa¸˜o 2. ∂y Integrando a primeira destas equa¸˜es em rela¸˜o a x.47) se. em cada ponto de R. M e N satisfazem a equa¸˜o 2. Assim ´ e v´lida a equa¸˜o 2. e somente se. y) = M (x. y) = M (x. (2. ∂x ∂φ (x.43 ca a ca ´ exata. y) + N (x.48) Como My e Nx s˜o cont´ a ınuas. y) ´ uma equa¸˜o diferencial exata em R se.47.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2.44 s˜o satisfeitas. e somente se. se existir uma fun¸˜o φ tal que as equa¸˜es 2. ca Demonstra¸˜o ca 1) Vamos mostrar que. ent˜o φxy e φyx s˜o cont´ a a ınuas e φxy = φyx . A demonstra¸˜o envolve a constru¸˜o de uma fun¸˜o φ satisfazendo as equa¸˜es e ca ca ca co 2. temos co ca que 55 . y) = N (x. ∂y (2. y). y). e ca My (x.47. dx M (x. mantendo y constante.47 ´ satisfeita. ∂x ∂φ (x. ca co a co ent˜o a equa¸˜o 2. y) = N (x. Calculando My e Nx das equa¸˜es 2. y). y).44: ∂φ (x. Nx (x. y). y).47.44. obtemos a ca e My (x.

y) − My (x. Observar que a demonstra¸˜o acima cont´m um m´todo para o c´lculo de φ(x. Como φy = N da igualdade acima. como solu¸˜o das ca ca equa¸˜es 2. (2. derivamos em rela¸˜o a x e obtemos Nx (x.50 ca a ca depende apenas de y. co ∫ φ(x. y) − My (x. fazendo o papel de uma constante.49) A fun¸˜o g ´ uma fun¸˜o arbitr´ria de y.2. y)dx + g(y). segue e ıvel ca que ∂ φy (x. y) − ′ ∫ My (x. y)dx + N (x. devemos verificar que o lado direito da express˜o 2. para a resolu¸˜o da equa¸˜o diferencial original 2. temos que g (y) = N (x. Precisaca e ca a se.50) Para determinar a fun¸˜o g. y) = Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem M (x. (2. Da equa¸˜o 2. ca e Exemplo 2.49. Para isto.4. Resolver a equa¸˜o diferencial ca (ycosx + 2xey ) + (senx + x2 ey − 1) 56 dy = 0. y) = 0.4 Equa¸˜es Exatas co ∫ φ(x. obtemos. y) = ∂y ∫ ′ ∫ M (x. mostrar que sempre ´ poss´ escolher g(y) tal que φy = N .43.50 independe de x e basta uma integra¸˜o e ca ca para obter g(y). y)dx + g ′ (y).43. substituindo esta fun¸˜o em 2.51) Isto finaliza a prova do Teorema. y)dx dy. Logo. y) = ] ∫ [ ∫ M (x. ca e e a portanto.46.1. que ´ justamente a equa¸˜o 2. y)dx + g (y) = My (x. Assim. Tamb´m notar que a ca ca e solu¸˜o ´ dada implicitamente. dx . y) e.49. 2. (2. y)dx.

Para ver que ela n˜o pode ser ca a e a resolvida pelo m´todo descrito acima. Assim obtemos φ(x.2. y) = 2x + y. φx (x. Fazendo φy = N .Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Temos que a equa¸˜o ´ exata pois ca e 2. a primeira destas equa¸˜es. g(y) = −y. Logo. a equa¸˜o dada n˜o ´ exata. y) = cosx + 2xey = Nx (x. y) tal que φy (x. y) = senx + x2 ey − 1. como My ̸= Nx . Logo existe φ(x. Assim. resulta φy (x. y) = senx + x2 ey + g ′ (y) = senx + x2 ey − 1. y) = 3x + 2y. Exemplo 2. vamos procurar a fun¸˜o φ tal que e ca 57 . Integrando. em rela¸˜o a x. dx (3xy + y 2 ) + (x2 + xy) Temos que: My (x. Portanto. as solu¸˜es da equa¸˜o original s˜o dadas implicitamente por co ca a ysenx + x2 ey − y = c. obtemos ca co φ(x.4. Nx (x. y) = ysenx + x2 ey − y. y) = ycosx + 2xey .4 Equa¸˜es Exatas co My (x. Resolver a equa¸˜o ca dy = 0. y). y) = ysenx + x2 ey + g(y).

em rela¸˜o a x. y)dx + N (x. φy (x.2. y)dy = 0 seja exata. Para investigarco mos a possibilidade de implementarmos essa fato de forma mais geral. calculamos φy e igualamos a N . ca e (2. y)N (x. 2 1 g ′ (y) = − x2 − xy. 58 (2.54) . ´ poss´ transformar uma equa¸˜o diferencial n˜o exata numa exata.1. Pelo Teorema 2.4. Agora. ´ imposs´ resolvˆ-la ´ a e ıvel e a ca e achar g(y). y) = x2 + xy. n˜o existe a fun¸˜o φ. Desta forma temos co 3 2 x + 2xy + g ′ (y) = x2 + xy. a equa¸˜o 2. 2 onde g ´ uma fun¸˜o arbitr´ria que depende apenas de y. y)dx + µ(x.4. y)dy = 0 por uma fun¸˜o µ de modo que a equa¸˜o resultante ca ca (2. y) = 3xy + y 2 . Portanto.53 ´ exata se. e somente se. para ver se satisfaz e ca a a segunda das equa¸˜es anteriores. 2 ou Como esta ultima express˜o depende tanto de x quanto de y.52) µ(x. obtemos co ca 3 φ(x.4 Equa¸˜es Exatas co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem φx (x. 2. vamos mutiplicar a equa¸˜o ca M (x. y)M (x. y) = x2 y + xy 2 + g(y).53) (µM )y = (µN )x . Integrando a primeira dessas equa¸˜es. mule ıvel ca a tiplicando por uma fator integrante adequado.1 Fatores Integrantes As vezes. Lembramos que esse procedimento j´ foi a usado anteriormente para resolver equa¸˜es lineares de primera ordem.

52. Embora. em geral. a solu¸˜o da equa¸˜o 2. (µN )x = µNx + N dµ My − Nx = µ. Infelizmente.55. Se este ca ca for o caso. t˜o dif´ ca e a ıcil de resolver quanto a equa¸˜o original 2. Portanto. ent˜o existe um fator integrante µ que depende a apenas de x.52 tenha co a ca um fator integrante. (2. se for poss´ encontrar uma fun¸˜o µ satisfazendo a equa¸˜o 2.56.53. temos que o fator integrante µ deve satisfazer a a co equa¸˜o diferencial de primeira ordem ca M µy − N µx + (My − Nx )µ = 0.4 Equa¸˜es Exatas co Como M e N s˜o fun¸˜es dadas. fatores integrantes sejam ferramentas ca poderosas para a resolu¸˜o de equa¸˜es diferencias.52. a equa¸˜o 2. dx Assim. que ´.52. a 59 . que determina o fator integrante µ. na ca co o pr´tica. Al´m disso. qualquer uma das solu¸˜es pode ser usada como fator integrante para a equa¸˜o co ca 2. pois o fator integrante pode ser cancelado da equa¸˜o 2.55 pode ter mais de uma solu¸˜o. o fator µ ´ encontrado resolvendo a equa¸˜o 2. ca ca Agora. (2. uma equa¸˜o diferencial da forma 2. ´ necess´rio que ca e a (µM )y = µMy .53 pode ser encontrada pelo ca a ca ca m´todo descrito na primeira parte desta se¸˜o.53 ser´ exata. para ser satisfeita a condi¸˜o (µM )y = (µN )x . em casos especiais. linear e separ´vel. ´. ao e e ca e mesmo tempo.55.56) dx N Se (My − Nx )/N depende apenas de x. A solu¸˜o encontrada dessa forma tamb´m e ca ca e satisfaz a equa¸˜o 2.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. Neste caso temos dµ .55) Assim. ent˜o a ıvel ca ca a equa¸˜o 2. a Casos mais importantes: Vamos determinar condi¸˜es necess´rias sobre M e N para que a equa¸˜o 2. (1) Se o fator integrante µ depende apenas de x. eles s´ podem ser encontrados.

ca obtemos dy = 0. Neste caso temos dµ .3. Vamos verificar. Encontrar um fator integrante para a equa¸˜o ca dy = 0. para ser satisfeita a condi¸˜o (µM )y = (µN )x . linear e separ´vel. Assim.4. a Exemplo 2. dy (µM )y = µMy + M (µN )x = µNx .57) Se (Nx −My )/M depende apenas de y. multiplicando a equa¸˜o original por este fator integrante. ent˜o se existe um fator a ca a e a integrante que depende apenas de x. resolvˆ-la. ent˜o existe um fator integrante µ que depende a s´ de y. que ´. e J´ vimos antes que esta equa¸˜o n˜o ´ exata. Calculando a express˜o (My − Nx )/N e temos a My (x. 2 + xy N (x. Al´m disso. ´ necess´rio que ca e a dµ Nx − My = µ. Logo. dy M (2. ao mesmo o e e ca e tempo. existe um fator integrante µ que depende s´ de x e que satisfaz a equa¸˜o o ca diferencial µ dµ = . y) x x Assim.57. o fator µ ´ encontrado resolvendo a equa¸˜o 2. dx x Portanto µ(x) = x. y) − Nx (x.2. dx (3x2 y + xy 2 ) + (x3 + x2 y) 60 . dx (3xy + y 2 ) + (x2 + xy) Em seguida. y) 3x + 2y − (2x + y) 1 = = .4 Equa¸˜es Exatas co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem (2) Se o fator integrante µ depende apenas de y.

com maior dificuldade.4. ´ claro. y) = e que a mesma solu¸˜o ´ obtida. existe um fator integrante µ que depende s´ depende s´ de y e que satisfaz a o o equa¸˜o diferencial ca 61 . dx 2xy + (y 2 − x2 ) e verifica-se que n˜o ´ exata.4. Para isso calculamos a express˜o (Nx − My )/M e temos a −2x − 2y 2 Nx (x. as solu¸˜es podem ser encontradas expl´ ca co ıcitamente pois a express˜o que determina a solu¸˜o ´ quadr´tica em y. xy(2x + y) µ(x. 1).3 ca acima ´ e 1 . M (x. ca e e 2) Uma curva. Determinar a equa¸˜o dessa curva. ca A equa¸˜o diferencial pode ser escrita na forma ca dy = 0. y) 2xy y Assim.4 Equa¸˜es Exatas co Esta ultima equa¸˜o ´ agora exata e pelo m´todo anterior.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. Vamos verificar que existe um fator integrante que a e depende apenas de y. cuja inclina¸˜o est´ dada por ca a dy 2xy = 2 dx x − y2 passa pelo ponto (2. y) − My (x. 2 Observa¸˜es: co (a) Para a equa¸˜o do Exemplo 2. a ca e a (b) Pode-se verificar que um outro fator integrante para a equa¸˜o do Exemplo 2.3. suas solu¸˜es est˜o dadas ´ ca e e co a implicitamente por 1 x3 y + x2 y 2 = c. y) = =− .

2. Exerc´ ıcio 2. e Exercicios Exerc´ ıcio 2. ca obtemos 2x y 2 − x2 dy + = 0. dx dx bx + cy dy dy (c) (ex seny − 2ysenx) + (ex cosy + 2cosx) = 0. encontrar sua solu¸˜o ca dy dy ax + by = 0. mostrar que as equa¸˜es dadas n˜o s˜o exatas. suas solu¸˜es est˜o dadas ´ ca e e co a implicitamente por x2 + y 2 = cy. Depois resolver tais equa¸˜es co 62 . Para a curva integral passando pelo ponto (2. multiplicando a equa¸˜o original por este fator integrante.4. Em cada caso a seguir. dx dx (a) (3x2 − 2xy + 2) + (6y 2 − x2 + 3) Exerc´ ıcio 2. determinar se as equa¸˜es dadas s˜o ou n˜o exatas. (b) (ye2xy + x)dx + bxe2xy dy = 0. (b) =− . (d) (y/x + 6x) + (lnx − 2) = 0. Em cada caso.4.3. dy y Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Portanto µ(y) = y −2 . mas co a a se tornam exatas ao serem multiplicadas pelo fator integrante dado.4. co a a Para as exatas. 1) resulta c = 5 e assim a solu¸˜o ca procurada ´ x2 + y 2 = 5y. Em cada caso.4.4.4 Equa¸˜es Exatas co dµ 2 = − µ. Logo.1. encontrar o valor de b para o qual a equa¸˜o ca dada ´ exata e logo resolv´-a usando esse valor e e (a) (xy 2 + bx2 y)dx + (x + y)x2 dy = 0. Exerc´ ıcio 2.2. Mostrar que qualquer equa¸˜o separ´vel M (x) + N (y)y ′ = 0 tamb´m ´ ca a e e exata. y y 2 dx Esta ultima equa¸˜o ´ agora exata e pelo m´todo anterior.

(y 2 + xy + 1)dx + (x2 + xy + 1)dy = 0. Exerc´ ıcio 2. Em cada caso. ca ılia 63 . µ(x. ent˜o a equa¸˜o diferencial M + N y ′ = 0 possui um fator integrante da a ca forma ∫ R(u)du µ(xy) = e onde u = xy. y) = 3 . A equa¸˜o diferencial de uma fam´ de curvas est´ dada por y ′ = ca ılia a (x + y)/x. Mostrar que se a express˜o (Nx − My )/M = Q depende apenas de y. a ent˜o a equa¸˜o diferencial M + N y ′ = 0 possui um fator integrante da forma a ca ∫ µ(y) = exp Q(y)dy. µ(x.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. Usar o exercicio anterior para resolver a equa¸˜o ca . Exerc´ ıcio 2. Exerc´ ıcio 2. (b) y y (c) ydx + (2x − yey )dy = 0. y) = [xy(2x + y)]−1 .4. 0).8. y) = xex .5.9. (c) [4(x3 /y 2 ) + (3/y)]dx + [3(x/y 2 ) + 4y]dy = 0.7. Exerc´ ıcio 2.4. (b) y ′ = e2x + y − 1.6.4. Mostrar que se a express˜o (Nx − My )/(xM − yN ) = R(xy) depende a apenas de xy. y) = yex . xy ( ) ( ) seny cosy + 2e−x cosx −x − 2e senx dx + dy = 0. Exerc´ ıcio 2. Encontrar a equa¸˜o de uma curva desta fam´ passando pelo ponto (3. µ(x. usando o ca fator integrante µ(x.4.10. encontrar um fator integrante e resolver a equa¸˜o dada ca (a) ydx + (2xy − e−2y )dy = 0.4. Exerc´ ıcio 2. µ)(x.4. y) = y. Resolver a equa¸˜o diferencial (3xy + y 2 ) + (x2 + xy)y ′ = 0. (d) (x + 2)senydx + xcosydy = 0.4 Equa¸˜es Exatas co 1 (a) x2 y 3 = x(1 + y 2 )y ′ = 0.

usando a ca substitui¸˜o v = 2x + 3y.11. a 2.13. o Teorema a co co 2. ´ se ca e todo problema de valor inicial tem uma solu¸˜o. 2. Primeiro. Resolver a equa¸˜o diferencial y ′ = 2/(x + 2y − 3). Para equa¸˜es lineares.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Exerc´ ıcio 2. Resolver a equa¸˜o diferencial y ′ = ca Sugest˜o: Fazer a √ y + senx = v. gostariamos de ter resposta. √ y + senx − cosx.12. sendo assim.1 responde a essas quest˜es. Resolver a equa¸˜o (2 + 3xy 2 )dx − 4x2 ydy = 0. o 64 . fazendo a substica tui¸˜o x + 2y − 3 = v. ca dy 2y x3 y Exerc´ ıcio 2. usando a substitui¸˜o ca ca y = vxn e escolhendo adequadamente a constante Exerc´ ıcio 2. fazendo a substitui¸˜o ca ca y 2 = u. usando a dx x y x substitui¸˜o y = vx2 . Resolver a equa¸˜o diferencial xyy ′ +y 2 = senx. ca Exerc´ ıcio 2.4.4.15. ca Exerc´ ıcio 2.4.16.5.4.2. Resolver a equa¸˜o (2x + 3y + 4)dx = (4x + 6y + 1)dy. Uma vez.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a Vamos discutir aqui algumas quest˜es gerais sobre equa¸˜es diferenciais em rela¸˜o ` o co ca a linearidade e n˜o-linearidade.4.1 Existˆncia e unicidade de solu¸˜es e co Um questionamento natural quando estamos procurando a solu¸˜o de uma EDO. Exerc´ ıcio 2. obtida uma solu¸˜o.4.14.5. ca e ca devemos investigar se existem ou n˜o outras solu¸˜es. Resolver a equa¸˜o diferencial ca = + + xtg 2 . como obtˆ-la. se ca o problema admite solu¸˜o e.

como ca ca p ´ cont´ e ınua para α < t < β.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a Teorema 2. a fun¸˜o µ est´ definida nesse intervalo e ´ uma fun¸˜o ca a e ca diferenci´vel n˜o-nula.61. de fato.58. ent˜o existe uma unica fun¸˜o y = ϕ(t) satisfazendo o problema de valor a ´ ca inicial y ′ + p(t)y = g(t). a integral de µg ´ diferenci´vel.1. ca ca Observa¸˜o 2.61. O resultado acima garante a existˆncia e unicidade da solu¸˜o para ca e ca o problema de valor inicial da equa¸˜o 2.58 tem solu¸˜o.59.61) Como ambas as fun¸˜es µ e g s˜o cont´ co a ınuas.60) u(t) . Al´m disso.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. Al´m disso. Finalmente. β) contendo o ponto t = t0 . y(t0 ) = y0 . a condi¸˜o inicial ca ca determina o valor da constante c de maneira unica. obtemos a a ca [µ(t)y]′ = µ(t)g(t). (2. solu¸˜o.58 ou na equa¸˜o 2. a fun¸˜o µg ´ integr´vel e assim a ca e a solu¸˜o 2. Isto completa a demostra¸˜o do Teorema.59 na equa¸˜o 2. (2. existe e ´ diferenci´vel no intervalo α < t < β. dada pela equa¸˜o 2.58) Podemos concluir que a equa¸˜o 2.5.58 tem que ter. ca ca e a Substituindo a solu¸˜o 2.59 segue da equa¸˜o 2. Demonstra¸˜o: ca J´ vimos que se a equa¸˜o 2.58 por µ(t).1. o que mostra que existe apenas uma ´ solu¸˜o do problema de valor inicial.59) (2. Se as fun¸˜es p e g s˜o cont´ co a ınuas no intervalo I = (α. Com efeito. e est´ ´ dada por a ca ca ae ∫ u(s)g(s)ds + c y= onde ∫ µ(t) = exp p(s)ds. (2. pode-se verificar que ca ca ca y satisfaz a equa¸˜o diferencial no intervalo α < t < β. afirma que a solu¸˜o existe ca e ca 65 . de modo ca ca e e a que a fun¸˜o y. Multiplicando a equa¸˜o 2.5.

1. Se escolhemos esse limite inferior como ca sendo t0 . ou seja. contendo o ponto inicial t0 .59 e escolhendo ca o limite inferior de integra¸˜o na equa¸˜o 2.62) e segue que µ(t0 ) = 1. basta considerarmos ca 66 . p ou g.5. a solu¸˜o do ca ca problema de valor inicial ´ e ∫t y= t0 u(s)g(s)ds + y0 µ(t) . Nesse caso. Para satisfazer a condi¸˜o inicial. a solu¸˜o pode ser descont´nua ou deixar de existir.64) Observa¸˜o 2. a contido em α < t < β. Usando o fator integrante dado pela equa¸˜o 2. existe uma unica solu¸˜o y = ϕ(t) do problema da valor inicial ´ ca y ′ = f (t. Suponha que as fun¸˜es f e co ∂f ∂y s˜o cont´ a ınuas no retˆngulo α < t < a β. A equa¸˜o 2. obtemos a solu¸˜o de ca ca e ca 2.63) Considerando equa¸˜es diferenciais n˜o-lineares.2. uma das fun¸˜es. (2.2 se reduzem `s do ca o a Teorema 2.59 tamb´m como t0 .2.5. precisaremos de um Teorema mais co a geral que o Teorema 2. Assim.5. ´ descont´ co e ınua. pelo menos. (2. precisa-se escolher c = y0 . γ < y < δ contendo o ponto (t0 .58 na forma ∫t y= t0 u(s)g(s)ds + c µ(t) . apenas nos pontos ca ı onde. y). se a equa¸˜o diferencial for linear.60 determina o fator integrante µ(t) a menos de um fator multiplicativo ca que depende do limite inferior de integra¸˜o. y0 ). Ent˜o em algum intervalo t0 − h < t < t0 + h. y(t0 ) = y0 . (2. (i) Observe que as hip´teses no Teorema 2.5.5. ent˜o a ∫ µ(t) = exp t0 t p(s)ds.2.1 Teorema 2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem em qualquer intervalo I. no qual os coeficientes p e g s˜o a cont´ ınuos.

e a e ´ ca solu¸˜o ´ dada.64 e ´ ca a em algum intervalo t0 − h < t < t0 + h.1 garante que o e ca problema (*) tem solu¸˜o unica nesse intervalo. enquanto p(t) ´ cont´ e ınua em t < 0 ou t > 0. de modo que a continuidade de f e de ´ equivalente ´ continuidade de p e g. t2 Se modificamos a condi¸˜o inicial para y(−1) = 2.5. e a (ii) A demonstra¸˜o do Teorema 2. de ca ca modo que a demonstra¸˜o do Teorema 2. no intervalo t < 0. t > 0.1 garante a ca a y = t2 + existˆncia de uma unica solu¸˜o. ca e a 67 . No entanto. y) = −p(t)y + g(t) e ∂f .5.2 s˜o suficientes. De fato.1.5. (∗) e g(t) = 4t.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a ∂f (t.5. t tenha uma unica solu¸˜o.5. c (iii) As condi¸˜es dadas no Teorema 2. o Teorema 2. novamente. Encontrar um intervalo no qual a solu¸ao do problema de valor inicial c˜ 2 y ′ + y = 4t. ent˜o o Teorema 2. Isto significa que a conclus˜o permanece v´lida sob hip´teses ligeiramente mais fracas sobre f . ∂y 2. pois existe uma forma ca expl´cita da solu¸˜o para uma equa¸˜o linear arbitr´ria. para o problema de valor inicial. mas n˜o necess´rias. Exemplo 2.64. ca ´ A solu¸˜o do problema de valor inicial acima ´ ca e 1 . Portanto.5. Assim.1 foi relativamente simples. ´ ca Temos que p(t) = 2 t y(1) = 2. O intervalo t > 0 cont´m a condi¸˜o inicial. n˜o existe uma ı ca ca a a formula correspondente para a solu¸˜o de uma equa¸˜o diferencial do tipo 2. g ´ cont´ e ınua para todo t ∈ R. a existˆncia de a o e uma solu¸˜o (mas n˜o sua unicidade) pode ser estabelecida baseando-se apenas na ca a continuidade de f .y) ∂y = −p(t).Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem f (t.2 ´ muito mais dif´ e pode ser vista em ca e ıcil livros avan¸ados. para co a a a garantir a existˆncia de uma unica solu¸˜o do problema de valor inicial do tipo 2. pela mesma express˜o anterior.

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

Exemplo 2.5.2. Analisar o seguinte problema de valor inicial dy 3x2 + 4x + 2 = , dx 2(y − 1)

y(0) = −1.

(∗∗)

O Teorema 2.5.1 n˜o ´ aplic´vel neste caso, pois a equa¸˜o diferencial n˜o ´ linear. a e a ca a e Para aplicar o Teorema 2.5.2, observamos que 3x2 + 4x + 2 , 2(y − 1) ∂f (x, y) 3x2 + 4x + 2 =− . ∂y 2(y − 1)2

f (x, y) =

Temos que ambas fun¸˜es s˜o cont´ co a ınuas em todo ponto (x, y), exceto na reta y = 1 e, portanto, pode-se desenhar um retˆngulo contendo o ponto inicial (0, −1) no qual f e a ∂f /∂y s˜o cont´ a ınuas. Assim o Teorema 2.5.2 garante que o problema de valor inicial (**) possui uma unica solu¸˜o em algum intervalo en torno de x = 0. Apesar disso, mesmo ´ ca a que o retˆngulo possa ser esticado nas dire¸˜es positiva e negativa do eixo x, isso n˜o a co significa, necessariamente, que a solu¸˜o existe para todo x. De fato, o problema de valor ca inicial (**) j´ foi resolvido anteriormente e a solu¸˜o existe apenas para x > −2. a ca Agora, mudemos a condi¸˜o inicial para y(0) = 1. O ponto (0, 1) perten¸e ` reta y = 1, ca c a de modo que n˜o ´ poss´ desenhar nenhum retˆngulo contendo este ponto dentro do a e ıvel a ınuas. Portanto, o Teorema 2.5.2 n˜o diz nada sobre poss´ a ıveis qual f e ∂f /∂y sejam cont´ solu¸˜es para este problema. Entre tanto, se separamos vari´veis e integramos, obtemos co a

y 2 − 2y = x3 + 2x2 + 2x + c. A condi¸˜o inicial implica c = −1 e assim resulta ca y =1± √

x3 + 2x2 + 2x.

Observe que esta express˜o fornece duas fun¸˜es que satisfazem a equa¸˜o diferencial a co ca dada para x > 0, e tamb´m, a condi¸˜o inicial y(0) = 1. e ca Exemplo 2.5.3. Considere o problema de valor inicial 68

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

y ′ = y 1/3 ,

y(0) = 0

(∗ ∗ ∗),

para t ≥ 0. Aplique o Teorema 2.5.2, em seguida resolva o problema. Notemos que a fun¸˜o f (t, y) = y 1/3 ´ cont´ ca e ınua para todo (t, y), mas ∂f /∂y = 3/y 2/3 n˜o ´ cont´ a e ınua em y = 0. Portanto, o Teorema 2.5.2 n˜o ´ aplic´vel neste problema, e a e a assim nada podemos concluir. Mas, pela Observa¸˜o 2.5.2 a continuidade de f garante ca apenas a existˆncia de solu¸˜es. e co Separando as vari´veis e resolvendo, temos a [ ]3/2 2 3 2/3 y = t + c, ou y = (t + c) . 2 3 A condi¸˜o inicial implica c = 0, de modo que ca ( y = ϕ1 (t) = )3/2 2 t , t≥0 3

satisfaz o problema (***). Por outro lado, a fun¸˜o ca ( y = ϕ2 (t) = − )3/2 2 t , t≥0 3

´ tamb´m solu¸˜o do problema de valor inicial. Al´m disso, temos a solu¸˜o trivial e e ca e ca t ≥ 0.

y = ψ(t) = 0,

Pode-se mostrar que, para qualquer t0 > 0, as fun¸˜es co   0, se 0 ≤ t ≤ t0 , y = h(t) = [2 ]3/2  ± (t − t ) , se t ≥ t0 0 3 s˜o cont´ a ınuas, diferenci´veis (em particular em t = t0 ) e solu¸˜es do problema de valor a co inicial (***). Portanto, este problema admite infinitas solu¸˜es. co A n˜o unicidade das solu¸˜es do problema acima n˜o contradiz o teorema, pois ´ste a co a e n˜o ´ aplic´vel dado que o ponto inicial perten¸e ao eixo t. Se (t0 , y0 ) ´ qualquer ponto que a e a c e 69

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

n˜o perten¸e ao eixo t, o teorema garante a existˆncia de uma unica solu¸˜o ao problema a c e ´ ca de valor inicial, cujo gr´fico cont´m o ponto (t0 , y0 ). a e

2.5.2

Intervalo de defini¸˜o ca

Pelo Teorema 2.5.1, a solu¸˜o do problema de valor inicial linear ca y ′ + p(t)y = g(t),

y(t0 ) = y0 ,

existe em qualquer intervalo em torno de t = t0 , no qual as fun¸˜es p e g s˜o cont´ co a ınuas. Assim, ass´ ıntotas verticais ou outras descontinuidades na solu¸˜o s´ podem acontecer em ca o pontos de descontinuidade de p ou de g. Por exemplo, a solu¸˜o do problema de valor inicial ca 2 y ′ + y = 4t, t que ´ a fun¸˜o y = t2 + e ca
1 , t2

y(1) = 2,

t > 0, ´ assint´tica ao eixo y, correspondendo ` descone o a

a a tinuidade em t = 0 do coeficiente p(t) = 2 , mas n˜o deixa de existir ou ser diferenci´vel t em outro ponto. Por outro lado, para um problema de valor inicial n˜o-linear satisfazendo as hip´teses a o do Teorema 2.5.2, o intervalo no qual a solu¸˜o existe, em geral, ´ dif´ de determinar. ca e ıcil A solu¸˜o y = ϕ(t) existe quanto o ponto (t, ϕ(t)) esteja numa regi˜o na qual as hip´teses ca a o ´ do Teorema 2.5.2 sejam satisfeitas. E isto que determina o valor de h no Teorema. No entanto, como ϕ(t) ´ desconhecida, em geral, pode ser imposs´ e ıvel determinar o ponto (t, ϕ(t)) em rela¸˜o a essa regi˜o. De qualquer forma, o intervalo no qual existe uma ca a solu¸˜o pode n˜o ter uma rela¸˜o simples com a fun¸˜o f na equa¸˜o diferencial y ′ = ca a ca ca ca f (t, y), como ilustrado no exemplo a seguir. Exemplo 2.5.4. Resolva o problema de valor inicial y′ = y2,

y(0) = 1, 70

Notar que esta solu¸˜o torna-se ilimitada e ca ca quando t −→ 1/y0 . se y0 < 0. t+c y=− A condi¸˜o y(0) = 1 implica c = −1. o Teorema 2. ent˜o a constante c = − y10 e seque ca ıda a que y0 1 − y0 t y= ´ a solu¸˜o do problema de valor inicial. Mas. a solu¸˜o existe apenas no intervalo t < 1. 1−t y= ´ a solu¸˜o do problema de valor inicial dado. ca Temos que f (t.2 garante a existˆncia de solu¸˜o unica.5.3 Solu¸˜o geral ca Para equa¸˜oes lineares de primeira ordem. Assim. obtendo assim a 1 . se y0 > 0 e ´ 1/y0 < t < ∞. y). tanto das condi¸˜es iniciais quanto da pr´pria equa¸˜o diferencial. de algum modo. ca 1 . co a ca de modo especial. de modo que o intervalo de existˆncia dessa solu¸˜o ´ −∞ < t < e ca e 1/y0 .5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a e determinar o intervalo no qual a solu¸˜o existe. nada indica na equa¸˜o ca ca diferencial do problema. Para encontrar a solu¸˜o.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. pode-se obter uma solu¸˜o geral conca ca tendo uma constante arbitr´ria. Como esta solu¸˜o torna-se ilimitada e ca ca quando t −→ 1. y) = y 2 e ∂f /∂y = 2y s˜o cont´ a ınuas em todo ponto (t. que o ponto t = 1 seja. este exemplo ilustra uma outra e caracter´ ıstica das equa¸˜es n˜o-lineares: as singularidades da solu¸˜o podem depender. Se a condi¸˜o inicial for substitu´ por y(0) = y0 . 71 . especial. Logo. separamos e ca ´ ca as vari´veis e integramos. a partir da qual s˜o obtidas todas as solu¸˜es poss´ a a co ıveis atribuindo valores a essa constante.5. co o ca 2. Portanto.

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

Para equa¸˜es n˜o-lineares, isso pode n˜o acontecer. Mesmo que seja encontrada uma co a a solu¸˜o contendo uma constante arbitr´ria, podem existir outras solu¸˜es que n˜o podem ca a co a ser obtidas atribuindo valores a essa constante. Um exemplo disto ´ a equa¸˜o diferencial e ca 1 y ′ = y 2 cuja solu¸˜o, y = − ca , cont´m uma constante arbitr´ria c, mas n˜o inclui e a a t+c todas as solu¸˜es da equa¸˜o diferencial. Para ver isto, observar que y = 0, para todo co ca t, ´ solu¸˜o, mas n˜o pode ser obtida da solu¸˜o encontrada, atribuindo um valor para e ca a ca c. Assim, a existˆncia de solu¸˜es ”adicionais” n˜o ´ raro para equa¸˜es n˜o-lineares. e co a e co a Portanto, usaremos a express˜o solu¸˜o geral apenas para equa¸˜es lineares. a ca co

2.5.4

Solu¸˜es impl´ co ıcitas

Sabemos que, para um problema de valor inicial linear de primeira ordem, a express˜o a ∫t y=
t0

u(s)g(s)ds + y0 µ(t)

, Desde que as integrais

fornece uma f´rmula expl´ o ıcita para a solu¸˜o y = ϕ(t). ca

necess´rias sejam encontradas, o valor da solu¸˜o em qualquer ponto pode ser detera ca minado substituindo o valor apropriado de t na equa¸˜o. ca Para equa¸˜es n˜o-lineares, a situa¸˜o ´ mais complicada. Em geral, o melhor que co a ca e pode-se esperar ´ encontrar uma equa¸˜o F (t, y) = 0 que seja satisfeita pela solu¸˜o e ca ca y = ϕ(t). Isso pode ser feito s´ para equa¸˜es diferenciais de determinado tipo, das quais o co as separ´veis s˜o as mais importantes. A equa¸˜o F (t, y) = 0 ´ dita uma integral, ou a a ca e a primeira integral, da equa¸˜o diferencial e, como j´ sabemos, seu gr´fico ´ uma curva ca a a e integral, ou tal vez, uma fam´ de curvas integrais. Supondo que a equa¸˜o F (t, y) = 0 ılia ca posssa ser encontrada, ela define a solu¸˜o impl´ ca ıcitamente. Se F (t, y) = 0 for simples, ´ poss´ obter uma f´rmula expl´ e ıvel o ıcita para a solu¸˜o. No entanto, a maioria das vezes ca isto n˜o ser´ poss´ e teremos que usar m´todos num´ricos para determinar o valor de y a a ıvel e e para um valor dado de t. Achados diversos pares de valores (t, y), ser´ util esbo¸´-los num a´ ca gr´fico e tra¸ar a curva integral. Esta situa¸˜o ´ a mais t´ a c ca e ıpica. Na maioria dos casos, n˜o a 72

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

ser´ poss´ encontrar uma f´rmula impl´ a ıvel o ıcita para a solu¸˜o de uma equa¸˜o n˜o-linear ca ca a de primeira ordem. Concluindo, para as equa¸˜es lineares, podemos resumir suas boas propriedades nas co seguintes afirma¸˜es: co 1) Se os coeficientes s˜o cont´ a ınuos, existe uma solu¸˜o geral contendo uma constante ca arbitr´ria que inclui todas as solu¸˜es da equa¸˜o diferencial. Uma solu¸˜o particular, a co ca ca satisfazendo uma condi¸˜o inicial dada, pode ser obtida escolhendo o valor apropriado da ca constante. 2) Existe uma f´rmula para a solu¸˜o, a saber o ca ∫t y=
t0

u(s)g(s)ds + y0 µ(t)

∫ ou y=

u(s)g(s)ds + y0 . µ(t)

Al´m disso, embora contenha duas integra¸˜es, a f´rmula fornece uma solu¸˜o expl´ e co o ca ıcita. 3) Os poss´ ıveis pontos de descontinuidade ou singularidade da solu¸˜o podem ser ca identificados (sem resolver o problema) encontrando os pontos de descontinuidade dos a ca coeficientes. Assim, se os coeficientes s˜o cont´ a ınuos, para todo t, ent˜o a solu¸˜o existe e ´ cont´ e ınua, para todo t. Nenhuma das afirma¸˜es acima, em geral, ´ v´lida para equa¸˜es n˜o-lineares. Enco e a co a quanto uma equa¸˜o n˜o-linear pode ter uma solu¸˜o envolvendo uma constante arca a ca bitr´ria, podem existir outros tipos de solu¸˜o. N˜o existe uma f´rmula geral para solu¸˜es a ca a o co de equa¸˜es n˜o-lineares. Se for poss´ integrar uma equa¸˜o n˜o-linear, provavelmente co a ıvel ca a ser´ obtida uma solu¸˜o na forma impl´ a ca ıcita. As singularidades das solu¸˜es de equa¸˜es co co n˜o-lineares podem ser encontradas, em geral, s´ quando se resolve a equa¸˜o e ´ exama o ca e inada a mesma. Essas singularidades, em geral, dependeram tanto da condi¸˜o inicial ca quanto da equa¸˜o diferencial. ca Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 2.5.1. Nos problemas seguintes, determinar um intervalo no qual a solu¸˜o ca do problema de valor inicial existe 73

2.5 Equa¸˜es Lineares e n˜o-Lineares co a

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem

(a) (t − 3)y1 + (lnt)y = 2t, y(1) = 2; (b) (4 − t2 )y ′ + 2ty = 3t2 , y(−3) = 1. Exerc´ ıcio 2.5.2. Nos problemas seguintes, determinar a regi˜o do plano ty onde as a hip´teses do Teorema 2.5.2 s˜o satisfeitas o a (a) y ′ = (d) t−y ; 2t + 5y (b) y ′ = (1 − t2 − y 2 )1/2 ; (c) y ′ = (t2 + y 2 )3/2 ;

dy 1 + t2 = . dt 3y − y 2

Exerc´ ıcio 2.5.3. Nos casos seguintes, resolva o problema de valor inicial e determine de que modo o intervalo no qual a solu¸˜o existe depende do valor inicial y0 ca (a) y ′ = −4t/y, y(0) = y0 ; (c) y ′ + y 3 = 0, y(0) = y0 ; (b) y ′ = 2ty 2 , y(0) = y0 ; (d) y ′ = t2 /y(1 + t2 ), y(0) = y0 .

Exerc´ ıcio 2.5.4. (a) Verificar que as fun¸˜es y1 (t) = 1 − t e y2 (t) = −t2 /4 s˜o solu¸˜es co a co do problema de valor inicial −t + (t2 + 4y)1/2 , 2

y′ =

y(2) = −1.

(b) Explicar por que a existˆncia de duas solu¸˜es do problema dado n˜o contradiz a e co a parte da unicidade do Teorema 2.5.2. (c) Mostrar que y = ct + c2 , onde c ´ uma constante arbitr´ria, satisfaz a equa¸˜o e a ca ca e e diferencial do item (a), para t ≥ −2c. Se c = −1, a condi¸˜o inicial tamb´m ´ satisfeita e obt´m-se a solu¸˜o y = y1 (t). Mostrar que n˜o existe escolha de c que forne¸a a solu¸˜o e ca a c ca y = y2 (t). Exerc´ ıcio 2.5.5. (a) Mostrar que φ(t) = e2t ´ uma solu¸˜o de y ′ −2y = 0 e que y = cφ(t) e ca tamb´m ´ solu¸˜o dessa equa¸˜o, para qualquer valor da constante c. e e ca ca (b) Mostrar que φ(t) = 1/t ´ uma solu¸˜o de y ′ +y 2 = 0, para t > 0, mas que y = cφ(t) e ca n˜o ´ solu¸˜o dessa equa¸˜o, a menos que que c = 0 ou c = 1. a e ca ca 74

Mostrar que y = y1 (t) + y2 (t) ca ca tamb´m ´ solu¸˜o da equa¸˜o (**). ca Terceira Lei de Newton: A toda a¸˜o corresponde uma rea¸˜o igual e contr´ria.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. em linha reta e com velocidade constante. temos e dt 75 .6. tendo a mesma dire¸˜o e sentido. Se F ´ a for¸a total atuando sobre o objeto. e e ca ca 2. Seja y = y1 (t) uma solu¸˜o da equa¸˜o y ′ + p(t)y = 0 (∗). da ca d e c quantidade de movimento ´ (mv). em rela¸˜o ao tempo. a intensidade da varia¸˜o.6 Aplica¸˜es co Vamos dedicar esta se¸˜o ao estudo de algumas aplica¸˜es das equa¸˜es diferenciais de ca co co primeira ordem.6 Aplica¸˜es co Exerc´ ıcio 2. Portanto. a respeito do tempo. c Segunda Lei de Newton: A velocidade ou intensidade. a Leis do movimento de Newton Primeira Lei de Newton: Um objeto em repouso tende a permanecer em repouso.1 Aplica¸˜es na Mecˆnica co a O estudo do movimento dos objetos do nosso universo constitui um ramo da Mecˆnica. enquanto que um objeto em movimento tende a permanecer em movimento. Como o e nosso objetivo ´ estudar o movimento dos objetos com os quais lidamos no cotidiano.6.5. a As trˆs leis do movimento de Newton formam a base fundamental desse estudo. a menos que atuem sobre ele for¸as externas. da ca varia¸˜o da quantidade de movimento de um objeto ´ proporcional ` for¸a agindo sobre ca e a c ele. e seja ca ca y = y2 (t) uma solu¸˜o da equa¸˜o y ′ + p(t)y = g(t) (∗∗). co 2. formulando modelos matem´ticos simples que permitam ilustrar a teoria a vista nas se¸˜es anteriores. A quantidade de movimento de um objeto ´ definido como o produto da sua e massa m pela velocidade v. ca ca a A Segunda Lei de Newton fornece uma importante rela¸˜o conhecida da F´ ca ısica elementar. as e leis de Newton s˜o precisas e suficientes.

ou dt dt F =m F = W dv W d2 x = . Outra forma de expressar a Segunda Lei de Newton ´ usar o peso do objeto no lugar da e massa. Um objeto de massa m est´ caindo verticalmente pela a¸˜o da gravidade. Assim. Usando a nota¸˜o do C´lculo. e Se m ´ constante. a for¸a ´ W e a Segunda Lei de Newton e a toma a forma W = mg. podemos escrever a Segunda Lei de Newton de diferentes ca a formas.6 Aplica¸˜es co d (mv) = kF.1. (a) Estabelecer o problema de valor inicial e resolvˆ-lo. Assim. e (b) Qual distˆncia percorrida pelo objeto ap´s 2 segundos. se x = x(t) ´ a posi¸˜o do objeto em qualquer instante. W g Wa . teremos F a = . temos e ca dv d2 x = m 2 . a ca saindo do repouso.2. pode ser usado qualquer a a sistema. a acelera¸˜o o ca c e correspondente ´ devida ` gravidade g. g dt g dt2 Exemplo 2. n˜o s˜o especificadas as unidades. dt onde k ´ a constante de proporcionalidade. ou ma = kF. Logo. a o 76 . onde a = . Observamos que para um objeto sobre o qual age seu pr´prio peso W . podemos escrever e Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem m dv dv = kF.6. g ou F = Se em algum problema. desde que as unidades sejam compat´ ıveis. dt dt O valor de k depende das unidades de medida escolhidos.

Assim ca x(2) = 1 · 980cm/s2 · (2s)2 = 1960cm. dt dv = −g. dt m ou Como a massa m parte do repouso. ca e 2 (b) Neste caso temos a acelera¸˜o da gravidade g = 980cm/s2 . v(0) = 39.2. esta condi¸˜o implica c2 = 0. dt m ou 77 . Assim. a ca (c) Qual ser´ a altura m´xima atingida antes de voltar? a a Neste caso. Uma bola ´ lan¸ada verticalmente para cima com uma velocidade inicial e c de 39. ca e a Como v(0) = 0. ou seja. 4 e 6s?. dt v(0) = 0. Como v = dx/dt. A velocidade instantˆnea ca a ser´ v = ds/dt e a acelera¸˜o a = d2 x/dt2 . integrando obtemos v = gt + c1 . 2. a o (b) Qual ser´ o tempo de retorno a sua posi¸˜o inicial?. temos dv = mg dt dv = g. Pela Segunda Lei de Newton. pois podemos supor o objeto saindo da origem das coordenadas. ent˜o c1 = 0. 2 Exemplo 2. seu peso. Integrando a novamente. A bola est´ submetida a uma for¸a. o problema de valor inicial correspondente ´ e dv = g. x = x(t) representa a posi¸˜o da bola (no sentido vertical) em qualquer ca instante t e temos que x(0) = 0. temos v(0) = 0.6 Aplica¸˜es co (a) Seja x = x(t) a posi¸˜o da massa em qualquer instante t. Observamos que a equa¸˜o diferencial ´ separ´vel. Assim.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. (a) Qual ser´ a sua velocidade ap´s 2. Agora. a solu¸˜o do problema de valor inicial ´ x(t) = 1 gt2 . o problema de valor inicial ´ e dv = −mg. obtemos x(t) = 1 2 gt 2 + c2 . dx/dt = gt. v(t) = gt. 2m/s. igual a a c −mg (para baixo). A for¸a total ´ F = mg e atua verticalmente a ca c e para baixo.6. observar que x(0) = 0. Assim. ca Portanto.

onde β ´ a constante de proporcionalidade e v a velocidade. Segue que t = 0 ou t = 8.2. e a v(4) = 0. e Assim. ent˜o o a v(2) = 19. a e qual ser´ sempre positiva. 2. orientada para cima. obtemos x(t) = − 1 gt2 + 39. obtemos v(t) = −gt + c1 . 4. a for¸a resultante c e c ser´ W − R. descrever o movimento resultante. Assim. ou seja. para voltar a sua posi¸˜o inicial. orientado para c o baixo e. 2) = 0. e a Exemplo 2. 2 = −9. 9t2 + 39. ca (c) Altura m´xima atingida: Ser´ atingida a altura m´xima quando v = dx/dt = 0. partindo do repouso. Portanto. 2t + c2 . temos W dv = W − βv. a for¸a resultante ´ W − βv. Assim. 2t = −4. A condi¸˜o v(0) = 39. 2.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Integrando. As for¸as agindo sobre o paraquedista sa˜: O peso combinado W . e pela Segunda Lei de a c e Newton. O valor t = 0 ´ o trivial pois x(0) = 0. ca Assim v(t) = −gt + 39. 6m/s. a for¸a de resistˆncia do ar R. 8t + 39. a a a Assim. 4m ´ a altura m´xima atingida. Integrando novamente.6. 2t. (a) Velocidades ap´s de 2. 8t + 39. a bola parou de subir. 9m/s. v(6) = −19. Dado que x(0) = 0. 9t2 + 39. 9t + 39. 2 = 0 implica t = 4. ´ velocidade com que a bola est´ subindo. Um paraquedista est´ caindo. Sobre o paraquedas age uma for¸a (devida ` resistˆncia e do ar) proporcional a sua velocidade instantˆnea durante a queda. (b) Tempo de retorno a sua posi¸˜o inicial: Isto se verifica quando −4. 2. O peso (paraquedas a c a e e paraquedista) ´ W quilogramas. 8t + 39. 2 implica c1 = 39. a bola demora t = 8seg. x(4) = 78. ´ a velocidade com que a bola est´ descendo logo que parou de e a subir. −9. Supondo que a queda ´ a e vertical e o paraquedas se abre no momento do salto. ent˜o a 2 1 c2 = 0 e assim x(t) = − 2 gt2 + 39. 2t = ca t(−4. a Temos que R = βv. 6 segundos: Como v(t) = −9. Por separa¸˜o de vari´veis e integrando. g dt v(0) = 0.3. resulta ca a 78 .

e co 79 . Essas leis s˜o conhecidas como e a as Leis de Kirchhoff descobertas pelo f´ ısico russo Gustav Robert Kirchhoff (1824-1887). e a De dx W = (1 − e−βgt/W ). dt β obtemos W x(t) = β ( W −βgt/W t+ e βg ) + c2 . Como x(0) = 0. β Observar que quando t −→ ∞. W W W − ln(W − βv) = gt − lnW. uma velocidade limite constante.6 Aplica¸˜es co W ln(W − βv) = gt + c1 . Portanto a W x(t) = β ( W −βgt/W W t+ e − βg βg ) . 2.6. a velocidade v aproxima-se de W/g. logo ap´s de um certo tempo. Isto explica o porque os paraquedistas descem a velocidades quase constantes. g A condi¸˜o v(0) = 0 implica c1 = − ca W lnW e portanto β ( W W − βv ) = βgt .Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem ∫ W dv = W − βv ∫ gdt. ou ln g g Assim v(t) = W (1 − e−βgt/W ). ent˜o c2 = −W 2 /β 2 g. a eletricidade possui leis a a que descrevem o comportamento dos circuitos el´tricos. a teoria el´trica esta governada por um conjunto de equa¸˜es mais gerais. ou − 2. Na verdade.2 Aplica¸˜es em Circuitos El´tricos co e Assim como a Mecˆnica Cl´ssica baseia-se nas leis de Newton. o Podemos determinar tamb´m a distˆncia x(t). percorrida pelo paraquedista.

das quais faremos uma breve apresenta¸˜o. s˜o os circuitos formados por elementos distintos a a dos resistores. ca a 80 . mas pr´ticos. Um indutor se op˜e ` varia¸˜o da intensidade da corrente o a ca el´trica. 2. Expressamos isso na forma e a E = RI. ent˜o e e a ER = RI. Dois destes elementos s˜o os indutores (ou bobinas de indu¸˜o) e os a ca condensadores (capacitores). chamada coeficiente de indu¸˜o ou simplesmente indutˆncia. ele tem um efeito de inercia. onde L ´ a constante de e a e dt proporcionalidade. e Mais complicados. A equa¸˜o acima a ´ conhecida como a lei de Ohm. bastam as leis de co o Kirchhoff. resistˆncia. amp´res para I e ohms para R. Mas. para os nossos prop´sitos. a Da f´ ısica elementar. similar ao que tem a massa na mecˆnica. A queda de voltagem atrav´s de um indutor ´ proporcional ` raz˜o da varia¸˜o e e a a ca instantˆnea da corrente el´trica. e Na f´ ısica. ent˜o EL = L dI . e e e e c que atua como fonte de energia (uma bateria ou um gerador) e um resistor R (resistˆncia). onde R ´ a constante de proporcionalidade. A queda de voltagem atrav´s de um resistor ´ proporcional ` intensidade da corrente e e a el´trica passando por essa resistˆncia. e e a e ca as unidades usadas s˜o volts. diz-se em queda de voltagem (queda de potˆncial ou diferencial de potˆncial) e e atrav´s de um elemento do circuito. ca O circuito el´trico mais simples ´ aquele em s´rie e cont´m uma for¸a eletromotriz E. e que usa essa energia (uma lˆmpada. um e a condensador ´ um elemento que armazena energia. sabe-se que E relaciona-se com a intensidade I da energia. Na pr´tica. A lei estabelece que a intensidade I da corrente el´trica (num circuito que cont´m s´ uma for¸a e e o c eletromotriz e uma resistor) ´ diretamente proporcional ` E. Experimentalmente s˜o verificadas as leis seguintes: e a 1. para E. a e Se EL ´ a queda de voltagem no indutor.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem conhecidas como Equa¸˜es de Maxwell.2. ou simplesmente. e e Se ER ´ a queda de voltagem em R e I a intensidade da corrente el´trica. por exemplo).

a intensidade da corrente el´trica ´ a varia¸˜o da carga el´trica. No entanto. temos e e Q = E. C onde toma-se 1/C como constante de proporcionalidade. como I = dQ/dt. Se o interruptor fecha-se a quando t = 0. Se EC ´ a queda de voltagem no condensador e Q a carga instantˆnea. um resistor R e uma e e c indutˆncia L. conectado e c em s´rie com um resistor R e um condensador C. esta express˜o n˜o ´ uma equa¸˜o diferencial. A queda de voltagem num condensador ´ proporcional ` carga el´trica instantˆnea e a e a do condensador. temos 81 . cuja for¸a eletromotriz ´ 100 volts ´ conectado em s´rie c e e e com um resistor de 10 ohms e uma indutˆncia de 2 henrys. C RI + Mas.6 Aplica¸˜es co 3. pela lei de Kirchhoff. temos a equa¸˜o diferencial a ca dI + RI = E. Lei de Kirchhoff: A soma alg´brica das quedas de voltagem ao redor de um circuito e el´trico ´ zero. de modo que. dt L Agora. farady para C e coulomb e a para Q. ent˜o EC = e a a Q . suponha um circuito el´trico formado por uma for¸a eletromotriz E. C ´ conhecida como coeficiente e de capacidade el´trica ou capacitˆncia. a queda de voltagem no e resistor ´ RI e no condensador ´ Q/C. como unidades de medida.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. resulta a equa¸˜o e e ca e ca diferencial da carga instantˆnea a dQ Q + = E. Neste caso. Usaremos henry para L. dt C R Exemplo 2. ca Segundo a lei de Kirchhoff. Um gerador. e e Se o circuito el´trico ´ formado por uma for¸a eletromotriz E.6. estabelecer a equa¸˜o diferencial para I e determinar I(t). ou a a e ca seja. segundo a lei de Kirchhoff.4.

Neste caso. resulta d 5t (e I) = 10e5t cos5t. dt 100 = 10I + 2 ou Como o interruptor encontra-se fechado quando t = 0. Resolver o exemplo anterior. Exemplo 2. a condi¸˜o inicial ´ I(0) = 0. implica c = −10. Multiplicando por esse fator integrante e resolvendo. de fato. a Observar que. quando e a e t −→ ∞. Segue que I(t) = cos5t+sen5t+ce−5t . Assim. no m´ximo 10 ampˆres.5. dt Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem dI + 5I = 50. I(t) = 10(1 − e−5t ) ´ a intensidade da ca e corrente instantˆnea. I(0) = 0 e que aumenta at´. 82 . ca e A equa¸˜o diferencial acima ´ linear de primeira ordem.6. temos I(t) = 10 + ce−5t .2. A condi¸˜o I(0) = 0 implica c = −1 e portanto ca temos a solu¸˜o ca I(t) = cos5t + sen5t − e−5t .6 Aplica¸˜es co dI . a equa¸˜o diferencial ´ da forma ca e dI + 5I = 10cos5t. A condi¸˜o I(0) = 0. substituindo o gerador de 100 volts por um outro de 20cos5t volts. dt ∫ e I = 10 5t e5t dt = e5t (cos5t + sen5t) + c. cujo fator integrante ´ µ(t) = ca e e e5t . dt Multiplicando pelo fator integrante µ(t) = e5t .

temos a equa¸˜o diferencial ca dQ + 5Q = 10e−5t .6. em s´rie. dt Agora.6 Aplica¸˜es co Exemplo 2. 01 = 100Q. a ı Temos E = 200e−5t . Uma for¸a eletromotriz decrescente E = 200e−5t . 74 coulombs. Q(t) = 10te−5t . 5 Q(1/5) = 10 · 83 . a Intensidade da corrente el´trica instant´nea: Como I = dQ/dt. e a (b) Mostrar que a carga el´trica atinge um m´ximo. temos d (Qe5t ) = 10. queda de voltagem no resistor. determinar e e (a) A carga e intensidade el´trica instantˆneas. portanto a e 1 −1 · e ≈ 0. segundo a lei de Kirchhoff. ent˜o c = 0. ent˜o e a a d (10te−5t ) = 10e−5t − 50te−5t . c e e com um resistor de 20 ohms e um condensador de 0.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. Como I = dQ/dt. queda de voltagem no condensador. determinar esse valor m´ximo e e a a calcular o tempo necess´rio para ating´-lo. ´ conectada. dt I= Carga m´xima: Para determinar quando Q ´ m´xima. Assim. Q/0. Temos que 10e−5t − 50te−5t = 0. ` a E f´cil verificar que este valor de t fornece.6. Como Q(0) = 0. ou seja t = 1/5seg. 01 faradys. resulta 20I + 100Q = 200e−5t . Supondo que a carga el´trica inicial ´ zero. a e a I = 0. fazemos dQ/dt = 0. ou seja. 20I. O valor da a carga m´xima ´. sendo µ(t) = e5t um fator integrante. Portanto. dt ou Qe5t = 10t + c. de fato. um m´ximo de Q.

As trajetorias ortogonais da fam´ de isobaras a e ılia indicam a dire¸˜o geral do vento.65. y 2 − x2 dy ′ =y = .65) Agora.7. As curvas. dx ∂f /∂y As trajetorias ortogonais s˜o obtidas resolvendo esta equa¸˜o. Suponha uma fam´ de curılia vas.3 Aplica¸˜es na Geometria co 1. a equa¸˜o diferencial da fam´ de trajetorias ortogonais ´ ca ca ılia e dy ∂f /∂x =− . a inclina¸˜o das trajetorias ortogonais deve ser a rec´ ca ıproca negativa da inclina¸˜o 2. Fam´ ılias de curvas e trajetorias ortogonais.6. das ´reas de maior ` menor press˜o. Podemos considerar uma outra fam´ de curvas onde cada membro desta corte ılia ortogonalmente a cada membro da primeira fam´ em cada ponto. y) = c. Resultando. Determinar as trajetorias ortogonais da fam´ de curvas x2 + y 2 = cx. dx 2xy 84 (2.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. a ca Exemplo 2. considere um mapa metereol´gico. dx ∂f /∂y df = (2. y) = c ´ dada por ca ılia e ∂f ∂f dx + dy = 0. o problema ´ e a e obter a fam´ de trajetorias ortogonais. Da equa¸˜o original a ca ca temos c = (x2 + y 2 )/x. ılia A equa¸˜o diferencial da fam´ f (x.66) . Dizemos que estas ılia fam´ ılias s˜o mutuamente ortogonais ou que cada fam´ forma um conjunto de trajet´rias a ılia o ortogonais da outra fam´ ılia. Assim.2. ou ∂x ∂y dy ∂f /∂x =− . obtemos 2x + 2yy ′ = c.6. unem o cidades com a mesma press˜o barom´trica. derivando-as at´ eliminar as constantes arbitr´rias. As aplica¸˜es das trajetorias ortogonais s˜o in´meras na f´ co a u ısica e na engenharia. ca a a a No cap´ ıtulo 1 vimos como obter a equa¸˜o diferencial de uma fam´ de curvas ca ılia f (x. Por exemplo. ılia Derivando esta express˜o em rela¸˜o a x. chamadas de isobaras. Agora.

Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. 3). Calculando ca a e as express˜es (My − Nx )/N = −1/(1 + x − y) e (Nx − My )/M = 1. dx 1 − (y/x)2 Fazendo y = vx. transfoma-se numa equa¸˜o exata. a equa¸˜o diferencial da fam´ de trajetorias ortogonais est´ ca ılia a dada por dy −1 = . Encontrar as trajetorias ortogonais da fam´ de curvas y = x + ce−x e ılia determinar a curva passando pelo ponto (0. multiplicando a equa¸˜o diferencial por esse fator e ca integrante. y) = ca 1. resulta em y ′ = 1 + x − y. Como My = 0 ̸= Nx = 1. a equa¸˜o n˜o ´ exata.8. Exemplo 2. Eliminado a constante c.6. 2) v(1 + v x Integrando obtemos a solu¸˜o x2 + y 2 = c1 x. observamos que o o fator integrante ´ µ(y) = ey . Esta ´ a fam´ de trajetorias ortogonais ca e ılia procurada. Assim. dx x − y2 Observamos que esta equa¸˜o ´ homogˆnea e pode ser escrita na forma ca e e 2y/x dy = . N (x. Resolvendo. a fam´ de trajetorias ortogonais tem por equa¸˜o ılia ca 2xy dy = 2 . y) = 1 + x − y. obtemos a solu¸˜o ca ca xey − ey (y − 2) = c0 Finalmente.6 Aplica¸˜es co Portanto. a curva passando por (0. Portanto. Derivando a curva dada temos y ′ = 1 − ce−x . dx 1+x−y Escrevemos a equa¸˜o acima na forma dx + (1 + x − y)dy = 0 e assim temos M (x. temos 1 − v2 dx dv = . e 85 . 3) ´ x − y + 2 + e3−y = 0.

4 Aplica¸˜es na Qu´ co ımica Existem v´rias aplica¸˜es das equa¸˜oes diferenciais ` processos qu´ a co ca a ımicos.67) A condi¸˜o inicial implica c = 2/9 e portanto temos que ca 2 2x 2 y = e3x − − . y) ca ca dela. resulta em e ca d (ye−3x ) = 2xe−3x . 5 kg de e sal dissolvidos. Multiplicando pela equa¸˜o.2. a um gasto de 8 litros por minuto. Quando Y = 0 resulta X = x − procurada ´ e y 1 = x. Um tanque se enche com 40 litros de salmoura. ′ y 2 dy 2y = .6. ca Temos. a 2 Seja y ′ a inclina¸˜o da reta tangente T ` curva. 9 3 9 ´ a equa¸˜o da curva procurada. determinar a sua equa¸˜o. a equa¸˜o diferencial ca x− ou com y(1) = 2. 3 9 ou (2.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Exemplo 2. e ca Exemplo 2.11. Exemplo 2. A inclina¸˜o de uma curva num ponto (x. Resolvendo. pela hip´tese. y) ´ 2x + 3y. Vamos determinar a abscissa na ca a ca e origem desta reta tangente. e ca 2. A interse¸˜o com o eixo x.6. a equa¸˜o diferencial dy/dx = 2x + 3y. 2). temos que y = 2x2 ´ a equa¸˜o da curva procurada. O fator integrante ´ µ(x) = e−3x . determinar a sua equa¸˜o.9. da tangente a uma curva num ponto (x.10. dx ye−3x = −2xe−3x 2e−3x − + c. sujeita ` condi¸˜o o ca a ca y(0) = 0. A sua equa¸˜o ´ dada por Y − y = y ′ (X − x). y′ Logo.6. Algumas delas ilustramos nos exemplos a seguir. sempre est´ a 1 x. salmoura e 86 . Se a curva passa pelo ponto (1. Y ) um ponto qualquer de T . Se a curva ca e passa pela origem.6. Seja (X. que cont´m 2. Depois ´ colocado no tanque. dx x y .

4 kg de sal por litro. (a) Determinar a quantidade de sal instantˆnea contida no tanque. a equa¸˜o que descreve o processo acima ´ dada por ca e ds s = 3. Ent˜o ds/dt u a representa a varia¸˜o da quantidade de sal no tempo. 4 kg de sal por litro e essa mistura. e a 87 ./m. como o tanque cont´m sempre 40 litros de sal e h´ s kg de sal a e a e qualquer instante t.quantidade perdida./40 l. 5 kg. 5. a concentra¸˜o de sal no instante t ´ de s kg por 40 litros. Assim.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2./l = 3.6 Aplica¸˜es co que cont´m 0. Por outro lado. 5e−t/5 ´ a quantidade instant´nea de sal no tanque. dt Como entram 8 litros por minuto. a (b) Quanto de sal cont´m o tanque depois de 10 minutos? e (c) Quanto de sal ter´ quando t −→ ∞? a Seja s o n´mero de quilogramas de sal presentes no tanque no instante t. que cont´m 0./5 m. · 8 l. a ca quantidade sal que sai por minuto ´ s kg. de sal. 5. ca e t Usando separa¸˜o de vari´veis temos a solu¸˜o −ln(16 − s) = 5 + c. e Portanto. Esta ´ a propor¸˜o e e ca em que aumenta a quantidade de sal. bem agitada. Portanto s(t) = 16 − 13. temos que a e quantidade de sal que entra por minuto ´ 8 l/m·0. 4 kg. sai do tanque com o mesmo e gasto. A condi¸˜o inicial ca a ca ca implica c = −ln13. dt 5 A condi¸˜o inicial ´ s(0) = 2. 2 − . 2 kg/m. Essa varia¸˜o ´ dada por ca ca e ds = quantidade ganha . pois inicialmente o tanque tinha 2. = s kg.

6. uma para achar δ e outra para achar a constante da integra¸˜o. Assim 88 . e a a e ca Assim. a teremos que s −→ 16 kg. pois precisase o dobro de A do que de B.2. Observa-se que a velocidade com que se forma C varia de acordo com `s quantidades a instantˆneas presentes dos produtos A e B. Se inicialmente h´ 10 kg de A e 20 kg. A forma¸˜o de C requer de 2 kg de A por a ca cada quilograma de B. de C. e ca fazendo ds/dt = 0. ent˜o dx/dt ´ a velocidade de forma¸˜o. pois em 20 minutos se formaram 6 kg. Em consequˆncia temos e dx 2x x = λ(10 − )(20 − ). resulta a ∫ ∫ ( ) ( ) = ∫ δdt. a Se x(t) kg ´ a quantidade instantˆnea de C. a Existem duas condi¸˜es. Precisaremos de ambas condi¸˜es. co ca Separando as vari´veis e integrando. pois s ser´ constante ao atingir condi¸˜es de equilibrio.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Depois de 10 minutos. Dois produtos qu´micos.12. δ s˜o constantes de proporcionalidade. 1 dx = (15 − x)(60 − x) 45 1 1 − 15 − x 60 − x 1 dx = ln 45 60 − x 15 − x ou seja. Temos x(0) = 0. Portanto. dt 3 3 dx = δ(15 − x)(60 − x). ser´ 10 − 2x/3 e a quantidade de B ser´ 20 − x/3. a co Exemplo 2. dt ou onde λ. A e B. Isto pode-se obter tamb´m a partir da equa¸˜o diferencial. a quantidade de A presente no instante t. 2 kg. 60 − x = ce45δt . pois no in´ co ıcio n˜o temos o produto C a e x(1/3) = 6. 15 − x Temos que x(0) = 0 implica c = 4. de B e se em 20 minutos a tem se formado 6 kg de C determinar a quantidade instantˆnea de C. em a a que tem se formado x kg de C. e quando t −→ ∞. para formar x kg de C precisaremos de 2x/3 kg de A e x/3 kg de B. reagem para formar um novo produto ı C. a quantidade de sal ser´ s(10) = 14.

como x(1/3) = 6. quando t −→ ∞. a temperatura da `gua ´ 90◦ C. 1 − 1 ( 2 )3t 4 3 Observar que x −→ 15.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 60 − x = 4e45δt . resulta que e15δ = 3/2.6. a o (b) Em quanto tempo a temperatura da ´gua ser´ de 75◦ C. Ferve-se `gua at´ seu ponto de ebuli¸˜o. Baseados na experiˆncia. t minutos ap´s de retirada do fogo. Este problema ´ um caso particular da Lei da a¸˜o das massas.6. fundamental na teoria e ca das velocidades das rea¸˜es qu´ co ımicas.? a a Seja U (t) a temperatura da ´gua. Portanto 60 − x = 4(e15δ )3t = 4 15 − x de onde obtemos 15[1 − ( 2 )3t ] 3 x= .13. espera-se que a temperatura mude mais ca e rapidamente quando U (t) − 60 seja maior e mais lentamente quando U (t) − 60 seja menor.? a a (c) Em quanto tempo a temperatura da ´gua ser´ de 61◦ C. O primeiro relativo ` temperatura e o ca a segundo relativo ao fenˆmeno da desintegra¸˜o radiativa. 15 − x 2.5 Aplica¸˜es ` temperatura e desintegra¸˜o radiativa co a ca Nesta se¸˜o apresentamos dois problemas. A diferen¸a de a o c temperaturas entre o ´gua e o recipiente ´ U (t) − 60.6 Aplica¸˜es co De outro lado. Denotamos por dU/dt a velocidade a e da varia¸˜o de U (t). a e (a) Calcular a temperatura da `gua ap´s de 6 minutos. 89 . o ca Exemplo 2. 100◦ C. Efetuemos um experimento no qual temos as temperaturas a diversos intervalos de tempo. Retira-se logo do fogo a e ca o e coloca-se num recipiente que se encontra a uma temperatura constante de 60◦ C. Ap´s de 3 minutos. 2 2. ( )3t 3 .

6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem sendo △U e △t as mudan¸as de temperatura e tempo. Assim. se U (t) = 75◦ C. ou seja. de onde resulta a 90 . ou seja U (t) = 60 + 40(3/4)t/3 . esta equa¸˜o ´ conhecida com a Lei de enfriamento de Newton e ´ muito ca e e util em diversos problemas sobre temperaturas. com U (0) = 100 e U (3) = 90. Se tentamos representar -△U/△t em termos o de U (t) − 60. quando U (t) − 60 > 0. com k > 0. Tomando valores pequenos de △t. U (t) − 60 = 40e−kt . nos que tem c acontecido tais mudan¸as. ent˜o 75 = 60 + 40(3/4)t/3 . dt onde c ´ uma constante de proporcionalidade. e Agora. Al´m disso. dt Na F´ ısica. resulta ln(U (t) − 60) = −kt + c1 . 5◦ C. podemos supor que dU/dt ´ proporcional a U (t) − 60. 2 a minutos. ca e U (3) = 90 implica e−3k = 3/4. conseguimos que △U/△t c tenha um valor muito pr´ximo de dU/dt. respectivamente. o e De outro lado. Portanto U (t) − 60 = 40(e−k )t = 40(3/4)t/3 . o Em vista disto. e−k = (3/4)1/3 . a temperatura logo ap´s de 6 minutos ´ U (6) = 82.2. de onde resulta t = 10. Do mesmo modo. Assim. se U (t) = 61. ´ Separando vari´veis e resolvendo. temos o problema de valor inicial dU = −k(U (t) − 60). Agora. como dU/dt > 0. fazemos c = −k. A condi¸˜o U (0) = 100 implica c = 40. de onde temos a U (t) − 60 = ce−kt .. ou seja e dU = c(U (t) − 60). obteremos um conjunto de pontos muito pr´ximos em torno de uma reta. ent˜o 61 = 60 + 40(3/4)t/3 .

Observa-se que o 0. α deve ser negativa. Em consequˆncia A(0) = e A0 . Ent˜o dA/dt a a representa a velocidade de desintegra¸˜o do r´dio.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. 995A0 = A0 e−12k . a c (a) Que porcentagem desaparecer´ em 1000 anos? a (b) Qual ´ o per´ e ıodo de semi-desintegra¸˜o ou meia vida do r´dio? ca a Seja A a quantidade de r´dio presente no tempo t. 995A0 . e A(12) = 0. em qualquer instante. a temperatura da `gua cai de 100◦ C. 995. Ent˜o. de acordo com a lei de desinca a tegra¸˜o radioativa. ou e−k = (0. a condi¸˜o A(12) = 0. e a Exemplo 2. separando vari´veis e integrando. em gramas. (∗) Em consequˆncia e 91 . 005A0 gramas. sobrando 0. 995)1/12 . desaparecem 0. Assim. lnA = −kt + c1 . ´ estabelecida o seguinte princ´ e ıpio Lei da desintegra¸˜o radioativa: A velocidade de desintegra¸˜o de um elemento ca ca radioativo ´ proporcional ` quantidade presente do elemento. portanto. e devem transcurrir 38. existente inicialmente. ou e−12k = 0. 5 minutos para que des¸a de 100◦ C. Assim. ca e a Como A > 0 e decrescente. temos dA/dt = αA.6. em 12 a a anos. at´ 61◦ C. e c e Experimentalmente. resulta a A = ce−kt . Agora. o a at´ 75◦ C. ent˜o dA/dt < 0 e. onde α ´ uma constante de proporcionalidade. ou Como A(0) = A0 .6 Aplica¸˜es co t = 38. De outro lado. 995A0 gramas. dt Seja A0 a quantidade de r´dio. 5 minutos.14. Assim resulta A = A0 e−kt . expressa em gramas. 995A0 implica ca 0. ap´s de 10. temos dA = −kA. temos que c = A0 . 5 % do r´dio desapare¸e em 12 anos. 2 minutos. Fazendo α = −k.

Uma massa de 25 gramas cai. a c a queremos determinar o tempo t em que A = 1 A0 . Supondo que n˜o h` resistˆncia do ar. Exerc´ ıcio 2. Determinar a velocica a dade quanto volta a sua posi¸˜o inicial. 00418 e ent˜o A = A0 e0. sob a a¸˜o da ca gravidade. ca co a (b) Determinar a distˆncia percorrida e a velocidade atingida 3 segundos ap´s de a o iniciado o movimento. t = 1660 anos. 995)t/12 . em 1000 anos desaparecer´ 34. aproximadamente. Um resistor de 20 ohms est´ conectado.6. o dobro do tempo em que atinge sua altura m´xima.6. e a Assim. a um condensador a e de 0. Temos. 2 de onde.3.1.6. com t ≥ 0. ou seja. Mostrar que uma bola lan¸ada verticalmente demora em voltar a sua c posi¸˜o inicial.6.000418t = 1/2. 658A0 . mostrar c que a carga el´trica m´xima do condensador ´ de 0. Determinar I(t).6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem A = A0 e−kt = A0 (e−k )t = A0 (0. 25 coulombs. Desde uma altura de 400 metros se deixa cair uma massa de 3 kg. Tamb´m. (c) Qual ´ a distˆncia percorrida entre o terceiro e quarto segundos? e a Exerc´ ıcio 2.2. de (*) podemos obter k = 0. Um resistor de 4 ohms e uma indutˆncia de 1 henry est˜o conectados a a em s´rie a uma for¸a eletromotriz de 100e−4t cos50t volts. para t = 1000 anos obtemos que A = 0. com que velocidade e em quanto tempo chega no a a e ch˜o? a Exerc´ ıcio 2. 01 farady e uma for¸a eletromotriz de 40e−3t + 20e−6t volts.2. no nosso caso.5. Exerc´ ıcio 2. que e0. Se Q(0) = 0. Assim. partindo do repouso. (a) Estabelecer a equa¸˜o diferencial que descreve o movimento e as condi¸˜es necess´rias. e c sabendo que I(0) = 0. 2%.6. e a e 92 .000418t . em s´rie. ca Exerc´ ıcio 2. a O per´ ıodo de semi-desintegra¸˜o ou meia vida de uma substˆncia radioativa defina-se ca a como o tempo necess´rio para que desapare¸a o 50% da substˆncia.4. portanto.

a (a) Que quantidade de A haver´ se transformado ap´s de 2. 11) A temperatura da ´gua sobe. a quando ´ colocada num recinto cuja temperatura ´ de 40◦ C. A velocidade a que ı a se forma B varia diretamente proporcional ` quantidade de A em cada instante t.10. 3 kg. a 20◦ C. y = be−t sent.6. A velocidade de forma¸˜o de C varia com o produto das quantidades instant´neas ca a de A e B. e 4 horas? a o (b) Em quanto tempo se transformar´ o 75% do produto A? a (Este tipo de rea¸˜o chama-se rea¸˜o de primeira ordem). de 10◦ C. Se em 1/2 hora o n´mero u u original aumenta em 50%. o (b) Quando a temperatura ser´ de 25◦ C? a Exerc´ ıcio 2. (b) A quantidade de C formada ap´s de 2 horas.Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem 2. o (c) A quantidade m´xima de C que pode se formar. Se inicialmente est˜o presentes 10 kg. de A e em uma hora. O produto qu´mico A transforma-se em outro B. y = aet sent s˜o x = be−t cost. em quantas horas pode se esperar que se tenha o triplo do n´mero original? u 93 . Verificar que as trajetorias ortogonais da fam´ de curvas param´tricas ılia e x = aet cost. de B.12.8. a Exerc´ ıcio 2. em 5 minutos.6 Aplica¸˜es co Exerc´ ıcio 2. (a) Determinar a quantidade de C formada a qualquer instante.6. Se inicialmente se tem 60 ca kg. a Exerc´ ıcio 2. c Exerc´ ıcio 2.6. A forma¸˜o requer 3 kg de A por cada 2 kg. se transformaram em B. ca ca Exerc´ ıcio 2. 3.6.6. e e (a) Determinar a temperatura ap´s de 20 minutos. A popula¸˜o de bact´rias de uma certa cultura aumentam com uma ca e intensidade proporcional ao n´mero presente a cada instante. Um produto qu´mico C ´ produzido a partir de uma rea¸˜o dos produtos ı e ca A e B.7. a Exerc´ ıcio 2.6. de A e B e em uma hora se formam 15 kg de C.9. Calcular o per´odo de semi-desintegra¸˜o de uma substˆncia radioativa ı ca a se em 10 anos desapare¸e o 25% dela.6. Determine o valor da constante a para que a fam´ de curvas y 3 = c1 x ılia seja ortogonal ` x2 + ay 2 = c2 .11.6.

A popula¸˜o de bact´rias de uma certa cultura cresce a uma taxa ca e proporcional ao n´mero de bact´rias presentes a cada instante.2. observau e o se que h´ 400 bact´rias presentes e que ap´s 10 horas. α = β. se c˜ dB dD = αP.15. Se a popula¸˜o dupliu ca cou em 5 anos. dt onde k > 0 ´ uma constante. respectivamente.16. existem 2000. dt dt (b) Analisar os casos α > β. α < β. a o (a) Resolver a equa¸ao para P (t). Sabe-se que a popula¸˜o de uma certa comunidade cresce a uma taxa ca proporcional ao n´mero de pessoas presentes em qualquer instante.13. a co Exerc´ ıcio 2. Ap´s de 3 horas.6. 94 . dt dt dt em que db/dt e dD/dt s˜o taxas de nascimento e de ´bito. Determinar a equa¸˜o de uma fam´ de curvas tal que sua inclina¸˜o ca ılia ca em qualquer ponto seja a soma da metade da ordenada e o dobro da abscissa do ponto. Em um modelo de varia¸˜o populacional P (t) de uma comunidade.6.6 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Diferenciais Ordin´rias co a de Primeira Ordem Exerc´ ıcio 2. Determinar P (t).6. e = βP. ca temos dP dB dD = − . ´ usada frequentemente como modelo de uma popula¸˜o e e ca sujeita ` flutua¸˜es sazonais. 17) A equa¸˜o diferencial ca dP = (kcost)P.14. Qual era o n´mero a e o u inicial de bact´rias? e Exerc´ ıcio 2.6. supondo P (0) = P0 . quando ela triplicar´? Quando quadruplicar´? a a Exerc´ ıcio 2.

que ´ compreens´ com n´ matem´tico elementar. que j´ sabemos determinae suas solu¸˜es co a co 95 . etc. subentendida a diversos m´todos sistem´ticos o e a de resolu¸˜o. atrav´s de particulares mudan¸as de vari´veis. essencialmente por dois motivos: o a a 1) Possuem uma rica estrutura te´rica. entenderemos mele e co hor o m´todo para encontrar as solu¸˜es das equa¸˜es lineares de segunda ordem n˜oe co co a Homogˆnias e Apresentaremos um m´todo para se determinar a solu¸˜es duas particulares classes e co de Equa¸˜es n˜o Lineares de Ordem 2. condu¸˜o de calor. sistemas ca o o e mecˆnicos e el´tricos.1 Introdu¸˜o ca Neste Cap´ ıtulo abordaremos as equa¸˜es lineares de segunda ordem de grande relˆncia co a te´rica e pr´tica em matem´tica . co a e c a tornando-se Equa¸˜es Lineares de Ordem 1. fenˆmenos eletromagn´ticos. a e Inicialmente apresentaremos m´todos de solu¸˜o para as Equa¸˜es Lineares de See ca co gunda Ordem Homogˆnias. ca e ıvel ıvel a 2) S˜o fundamentais para pesquisas em ´reas da f´ a a ısica matem´tica (mecˆnica dos a a flu´ ıdos.).Cap´ ıtulo 3 Equa¸˜es Lineares de Segunda co Ordem 3. da experiˆncia adquirida nestas equa¸˜es. movimento ondulat´rio.

2. resultando em uma ca equa¸˜o da forma (3. f ´ linear como fun¸˜o de y e y ′ . Assim. ca 96 . y. (3. dt2 onde f ´ uma fun¸˜o dada. basta dividir a equa¸˜o (3. e ca (3. e ca Observa¸˜o 3. fundamenca a e talmente em virtude das aplica¸˜es na f´sica. co co 3. Faremos uso da var´riavel independente t ao inv´z de x.4) ´ E claro que se P (t) ̸= 0. p(t). y ′ ).1. ou seja.1) f (t.2) g(t). ´ As vezes.2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes como visto no Cap´ ıtulo 2. a equa¸˜o (3.4) por P (t). co ı A equa¸˜o (3.3).1) ´ dita linear se f assume a forma ca e (3.3. q(t) s˜o fun¸˜es dadas e independendem de y. y. y ′ ) = g(t) − p(t)y ′ − q(t)y. encontramos uma equa¸˜o mais geral na forma ca (3.1) pode a co ca ser reescrita na forma y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t). Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co No final do Cap´ ıtulo veremos as aplica¸˜es das Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem.2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes Uma equa¸˜o diferencial de segunda ordem ´ da forma ca e d2 y = f (t.3) P (t)y ′′ + Q(t)y ′ + R(t)y = G(t).

y0 ) pertence ca co ′ ao gr´fico da solu¸˜o e que y0 ´ o coeficiente ˆngular da reta tangente ao gr´fico naquele a ca e a a ponto. y.3) ou (3. O estudo anal´ ca a e e a ıtico destas equa¸˜es ´. Uma equa¸˜o linear de segunda ordem ´ dita homogˆnea se ´ escrita ca ca e e e na forma y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes O intervalo nos quais discutiremos as solu¸˜es da equa¸˜o (3. (3. em geral. ´ dita n˜o-linear. ca e a e Come¸amos nosso estudo com equa¸˜es homogˆneas da forma c co e P (t)y ′′ + Q(t)y ′ + R(t)y = 0.2. a u (3. Se a equa¸˜o (3. y ′ ).3) ou G(t) = 0 se for do tipo ca (3. para g(t) = 0 se for uma equa¸˜o do tipo (3. No entanto. ou y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t). a co O problema de valor inicial para equa¸˜es de segunda ordem ´ apresentado na forma co e ′ y ′′ = f (t. p. a equa¸˜o ´ dita n˜o-homogˆnea. y(t0 ) = y0 e y ′ (t0 ) = y0 .1. equa¸˜es na forma co 97 . ′ onde y0 . q s˜o cont´ co a ınuas.4). y0 s˜o n´meros dados.6) Veremos ainda neste cap´ ıtulo que uma vez resolvida a equa¸˜o homogˆnea.3).5) Chamamos a aten¸˜o que as condi¸˜es iniciais indicam que o ponto (t0 . Consideraremos inicialmente. expressar a sua solu¸˜o em termos de ıvel a e ca uma integral. Caso g(t) ̸= 0 ou G(t) ̸= 0. ou seja.4). existem dois tipos especiais de equa¸˜es co n˜o-lineares de segunda ordem que podem ser resolvidas atrav´s de uma mudan¸a de a e c vari´veis que as reduz a equa¸˜es de primeira ordem. dif´ co e ıcil. sempre ser´ ca e a poss´ resolver a n˜o-homogˆnea ou. pelo menos. s˜o aqueles dos quais co ca a as fun¸˜es g. Defini¸˜o 3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.1) n˜o ´ da forma (3.

7). teremos que ca ar2 + br + c = 0. pois ert ̸= 0. ou seja. c s˜o constantes.2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co ay ′′ + by ′ + cy = 0. sempre ser´ poss´ achar uma solu¸˜o em termos de ca a ıvel ca fun¸˜es elementares.7).3. ∀t ∈ R+ .7). Substituindo na equa¸˜o diferencial.7). o e e ız ca ıstica (3.8).7). (3. isto resulta o ca em 2 2 ay ′′ + by ′ + c = c1 (ar1 + br1 + c)er1 t + c2 (ar2 + br2 + c)er2 t = 0. Caso 1: Ra´ ızes reais e distintas. ent˜o a o m´todo se baseia no fato de que se r ´ uma ra´ da equa¸˜o caracter´ e y = ert ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o (3. e ca ca Agora. r2 duas ra´ ızes reais distintas. ca co e ca ca 98 . Sejam r1 . Desta forma. co Suponha uma solu¸ao da forma y = ert . e y ′′ (t) = c1 r1 er1 t + c2 r2 er2 t .8) A equa¸˜o (3.8).7) Para uma equa¸˜o deste tipo. a co ca Note que y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) = c1 er1 t + c2 er2 t tamb´m ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o e e ca ca 2 2 (3. uma come ca ca bina¸˜o linear de solu¸˜es. onde r ´ um parˆmetro a ser determinado. Ent˜o a y1 (t) = er1 t e y2 (t) = er2 t s˜o solu¸˜es da equa¸˜o (3. Temos que// y ′ (t) = c1 r1 er1 t + c2 r2 er2 t . Isto mostra que y(t) = c1 er1 t + c2 er2 t ´ solu¸˜o da equa¸˜o (3. c˜ e a Temos y ′ = rert . y ′′ = r2 ert . b. a (3. Como ca vemos. Substituindo as express˜es acima na equa¸˜o (3. temos um interessante m´todo para encontrar solu¸˜es de uma equa¸˜o diferencial e co ca de segunda ordem linear. faremos um estudo em separado quanto a natureza das ra´ ızes da equa¸˜o ca caracter´ ıstica (3. onde a. tamb´m solu¸˜o da equa¸˜o (3. Vimos que podemos associar a cada equa¸˜o diferencial linear ca de segunda ordem uma equa¸˜o caracater´ ca ıstica cujo polinˆmio ´ de grau 2.8) ´ dita equa¸˜o caracter´ ca e ca ıstica da equa¸˜o diferencial (3.7).7) e ordenando os termos.

y(0) = 0. r1 − r2 c1 = c2 = Observamos que.2.1.10) Resolvendo as equa¸˜es (3.2. obtemos: co ′ y0 − y0 r2 −r1 t0 e . Exemplo 3. (3. al´m disso. ent˜o r deve ser ra´ da equa¸˜o caracter´ ca a ız ca ıstica r2 − 3r + 2 = 0. encontramos uma curva que satisfaz ılia co as condi¸˜es iniciais. e r2 = 2. ′ Do mesmo modo. ′ y ′ (t0 ) = y0 . sempre ´ poss´ deterco e ıvel minar os valores de c1 e c2 e. a solu¸˜o geral ´ ca e y(t) = c1 et + c2 e2t . de onde obtemos as raizes r1 = 1.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. da fam´ de solu¸˜es y(t) = c1 er1 t +c2 er2 t .9) ′ c1 r1 er1 t0 + c2 r2 er2 t0 = y0 . ca Supondo a solu¸˜o da forma y = ert . Assim. pois inclui todas as solu¸˜es poss´ e ca co ıveis. de y(t) = c1 er1 t + c2 er2 t resulta co c1 er1 t0 + c2 er2 t0 = y0 .2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes Agora. e ´ a solu¸˜o geral. y(t0 ) = y0 . r1 − r2 ′ y0 r1 − y0 −r2 t0 e . y ′ (0) = −1. independentemente das condi¸˜es iniciais. co Conclus˜o: A fun¸˜o y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) = c1 er1 t + c2 er2 t ´ a solu¸˜o do problema a ca e ca de valor inicial ay ′′ + by ′ + cy = 0. Exemplo 3. Encontrar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca y ′′ − 3y ′ + 2y = 0. c2 . e ´ ıvel para cada conjunto de condi¸˜es iniciais. Como y(t0 ) = y0 .9) e (3. 99 . como y ′ (t0 ) = y0 .10) para c1 . resulta (3. de y ′ (t) = c1 r1 er1 t + c2 r2 er2 t . Encontrar a solu¸˜o geral de y ′′ − 3y ′ + 2y = 0.2. existe uma unica escolha poss´ de c1 e c2 .

Encontrar uma equa¸˜o diferencial. Seja y(t) = ert a solu¸˜o. Portanto. pelas condi¸˜es iniciais. Assim. cuja solu¸˜o ca ca geral seja y(t) = c1 e2t + c2 e−3t . obtemos o sistema co c1 + c2 = 2. ca e Logo. Exemplo 3. 2 2 Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. y(−2) = 1. a solu¸˜o geral ´ y(t) = c1 et + c2 e2t . y ′ (0) = 1. 3c1 + c2 = 1.3.2. y(0) = 0. e c1 + 2c2 = −1. Assim. Resolver os problemas de valor inicial dados (a) 2y ′′ + y ′ − 4y = 0. Usando as condi¸˜es iniciais. y ′ (0) = 1/2.2. a solu¸˜o do problema ca de valor inicial ´ e 1 5 y(t) = − e3t/2 + et/2 . (b) 4y ′′ − y = 0. temos c1 = −1/2 e c2 = 5/2. Ent˜o a equa¸˜o caracter´ ca a ca ıstica ´ 4r2 − 8r + 3r = 0 e suas e raizes s˜o r1 = 3/2 e r2 = 1/2. 100 . Exerc´ ıcio 3. de onde y ′ (t) = c1 et + 2c2 e2t .2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Pelo Exemplo (3. y ′ (−2) = −1.1.2. de segunda ordem.1). resulta c1 + c2 = 0. y(0) = 2.2. Resolvendo este co sistema. Encontrar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca 4y ′′ − 8y ′ + 3y = 0.3. a solu¸˜o do problema de valor inicial ´ ca e y(t) = et − e2t . Resolvendo este sistema.2. obtemos c1 = 1. a solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial ´ a ca ca e y(t) = c1 e3t/2 + c2 et/2 . c2 = −1.

2.2. Usar este m´todo para resolver as seguintes equa¸˜es a e co (a) t2 y ′′ + 2ty ′ − 1 = 0. ent˜o e ca e a y ´ encontrada por integra¸˜o. y(0) = α. v). ca Exerc´ ıcio 3. v). y ′ ). Resolver o problema de valor inicial y ′′ − y ′ − 2y = 0. Considere o problema de valor inicial 2y ′′ + 3y ′ − 2y = 0.2. t > 0. Equa¸˜es sem a vari´vel dependente. Se a equa¸˜o diferencial de co a ca segunda ordem tem a forma y ′′ = f (y.2. (e) t2 y ′′ = (y ′ )2 .4. y ′ (0) = −β. Logo.2.2 Equa¸˜es Homogˆneas com co e Coeficientes Constantes Exerc´ ıcio 3. y(0) = 2. Observar que o resultado final cont´m duas constantes e ca e arbitr´rias. Logo. (b) Fazer o gr´fico da solu¸˜o quando β = 1 e encontrar as coordenadas (t0 . Para uma equa¸˜o diferencial de co a ca segunda ordem da forma y ′′ = f (t. determinar o valor de α de modo que a solu¸˜o tenda a zero quando t −→ ∞. determinar o valor m´ximo da solu¸˜o e o ponto onde essa solu¸˜o se anula. v ′ = y ′′ conduz a uma equa¸˜o c ca de primeira ordem da forma v ′ = f (t. Equa¸˜es sem a vari´vel independente. y(0) = 1.6. onde β > 0. y ′ (0) = 1/2.7. (a) Resolver o problema dado. y0 ) do a ca ponto de m´ ınimo da solu¸˜o nesse caso. y ′ ). em vez de t e v. a ca ca Exerc´ ıcio 3. Se ´sta equa¸˜o ´ resolvida para v. Exerc´ ıcio 3. a mudan¸a v = y ′ . y ′ (0) = 2. Resolver o problema de valor inicial 2y ′′ − 3y ′ + y = 0. Exerc´ ıcio 3. (d) y ′′ + y ′ = e−t . ca (c) Encontrar o menor valor de β para o qual a solu¸˜o n˜o tem ponto de m´ ca a ınimo. fazemos v = y ′ e obtemos v ′ = f (y. t > 0. com t > 0. Observamos que f depende de y e v.3.5. (b) y ′′ + t(y ′ )2 = 0. (c) 2t2 y ′′ + (y ′ )3 = 2ty ′ . e portanto a equa¸˜o n˜o tem a forma ca a 101 .Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.

2. (b) y ′′ + y = 0. resolver os seguintes e ı problemas de valor inicial (a) yy ′′ = 2.2. (c) (1 + t2 )y ′′ + 2ty ′ + 3t−2 = 0. aplicar o m´todo descrito e a e acima (a) yy ′′ + (y ′ )2 = 0. (b) y ′′ − 3y 2 = 0. 3. dy v Se esta equa¸˜o de primeira ordem pode ser resolvida. dt dy dt dy Logo. ca ca resolvendo dy/dt = v(y).3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Na Se¸˜o 3. (f ) y ′′ + (y ′ )2 = 2e−y . Usando os m´todos dos Exerc´cios (3. obtemos v em fun¸˜o de y. y(1) = 2.8. 102 . Exerc´ ıcio 3.3. a equa¸˜o original pode ser escrita na forma ca dv = f (y. (d) y ′ y ′′ − t = 0.6) e (3. y(1) = 2. Mas.2. Logo. y(0) = 1. obtemos uma rela¸˜o entre y e t. pela regra da cadeia teremos a dv dv dy dv = =v . se analisarmos y como sendo a vari´vel independente. y ′ (1) = −1. Nos exercicios a seguir. y ′ (1) = 1. e Nesta Se¸˜o introduziremos a nota¸˜o de operador diferencial no estudo das equa¸˜es ca ca co diferenciais lineares.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co das equa¸˜es de primeira ordem j´ discutidas no Cap´ co a ıtulo 2. Notar que o resultado final co cont´m duas constantes arbitr´rias. (e) yy ′′ − (y ′ )3 = 0. y ′ (0) = 2. v).2 tivemos uma vis˜o mais clara da estrutura das solu¸˜es das equa¸˜es ca a co co lineares homogˆneas de segunda ordem. y ′ (0) = 4. (d) 2y 2 y ′′ + 2y(y ′ )2 = 1. y(0) = 2.7). (c) y ′′ + y(y ′ )3 = 0.

13) Estamos interessados em saber se o problema de valor inicial acima tem solu¸˜o unica ca ´ e se ´ poss´ dizer algo sobre a forma e estrutura das solu¸˜es que permitam ajudar a e ıvel co resolver problemas espec´ ıficos. ca ca e Como ´ comum usar y para denotar ϕ(t). onde D ´ o ca e e operador derivada. ′ a u onde t0 ∈ I e y0 . y ′ (t0 ) = y0 .11) (3. duas vezes diferenci´vel em I. Associada ` equa¸˜o (3.12) temos as condi¸˜es iniciais a ca co ′ y(t0 ) = y0 . Nesta se¸˜o vamos estudar a equa¸˜o linear homogˆnea de segunda ordem L[ϕ](t) = 0. escrevemos a equa¸˜o diferencial na forma e ca L[y](t) = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.3.3. Exemplo 3. (3. sejam p e q fun¸˜es cont´ co ınuas num intervalo aberto I. Para qualquer fun¸˜o ϕ.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e Neste sentido. q(t) = t2 + 1 e ϕ(t) = cos2t. Nota¸˜o: As vezes. o 103 . e ca (b) O valor de L[ϕ] em um ponto t ∈ I ´ e L[ϕ](t) = ϕ′′ (t) + p(t)ϕ′ (t) + q(t)ϕ(t). Exemplo Se p(t) = t. Temos que L[ϕ](t) = −4cos2t − 2tsen2t + (t2 + 1)cos2t. Discutiremos essas quest˜es em breve. y0 s˜o n´meros reais dados. definimos o operador diferencial L por ca a L[ϕ] = ϕ′′ + pϕ′ + qϕ.1. o operador L ´ escrito na forma L = D2 + pD + q. Temos que: (a) L[ϕ] ´ uma fun¸˜o definida em I.12) (3.

g s˜o cont´ a ınuas e onde.14) onde p.3. Ent˜o existe uma unica solu¸˜o y = ϕ(t) a ´ ca em todo o intervalo I. a Exemplos Exemplo 3. Notemos que o Teorema 3.2. A solu¸˜o do problema de valor inicial ca y ′′ − y = 0.3.3.1 garante a existˆncia e unicidade da solu¸˜o do problema e ca de valor inicial. ca ´ E bom notar que para a maioria dos problemas de valor inicial da forma (3. pelo menos. J´ que existe um resultado igual para equa¸˜es n˜o-homogˆneas.1. a diferen¸a das equa¸˜es lineares e ıvel a ´ ca c co 104 .3.5. q.1 correspondente para equa¸˜es e a co de primeira ordem.14). +∞).16). a co a e enunciamos aqui a vers˜o mais geral. mesmo n˜o sendo f´cil de provar. que essa solu¸˜o est´ definida em todo o intervalo I onde e ca a p. ´ a fun¸˜o e ca 1 3 y(t) = et + e−t . e al´m disso. Mas. o Teorema 3. Considere o problema de valor inicial ′ y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t).3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co O resultado a seguir ´ o an´logo ao do Teorema 2. duas vezes diferenci´vel. 2 2 y(0) = 2.16) Observamos. g s˜o cont´ a ınuas em um intervalo I.15) (3. n˜o a ´ poss´ escrever uma express˜o util para a solu¸˜o. y ′ (t0 ) = y0 (3. onde os coeficientes da equa¸˜o u ca diferencial s˜o cont´ a ınuos. Por outro lado. o problema a a acima n˜o tem outras solu¸˜es al´m da equa¸˜o (3. y ′ (0) = −1 (3. q. a Teorema 3. neste caso.3. que existe solu¸˜o e que tal solu¸˜o ´ diferenci´vel em um ca ca e a n´mero qualquer de vezes em todo o intervalo (−∞.1 garante a a co e ca unicidade da solu¸˜o. y(t0 ) = y0 .

1. Logo. o intervalo a e onde os coeficientes s˜o cont´ a ınuos e cont´m o ponto inicial t = 1 ´ 0 < t < 3. ca Exemplo 3. aceitaremos o Teorema como verdadeiro. Assim.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e de primeira ordem. sugerimos ao leitor interessado a lˆr o livro e de Coddington. todas as partes do teorema acima tˆm que ser mostradas e por m´todos gerais que n˜o envolvem a obten¸˜o desse tipo de express˜o. y(1) = 2.3. y ′ (1) = 1. t−3 q(t) = − t+3 t(t − 3) p(t) = e g(t) = 0 Os pontos de descontinuidade destes coeficientes s˜o t = 0 e t = 3. N˜o ser´ e a ca a a a apresentada aqui a prova do Teorema 3.1 garante a existˆncia da solu¸˜o. esse ´ e e e o maior intervalo onde existe solu¸˜o duas vezes diferenci´vel. temos ca p(t) = − 4 sent 3t . y(−2) = 2. Logo. temos ca 1 . Cap.14). t−1 t−1 t−1 O unico ponto de descontinuidade dos coeficientes ´ t = 1. Encontre o maior intervalo no qual a solu¸˜o do problema de valor ca inicial (t − 1)y ′′ − 3ty ′ + 4y = sent. Encontrar o maior intervalo no qual a solu¸˜o do problema de valor ca inicial (t2 − 3t)y ′′ + ty ′ − (t + 3)y = 0.3. 6. Assim. q(t) = e g(t) = . existe e ´ duas vezes diferenci´vel.3. Entretanto. e a Colocando a equa¸˜o diferencial na forma (3.3. e e ca Exemplo 3. esse e ´ o maior intervalo no qual o Teorema 3. Portanto.3. y ′ (−2) = 1. o intervalo onde os ´ e coeficientes s˜o cont´ a ınuos e cont´m o ponto inicial t = −2 ´ −∞ < t < 1. Colocando a equa¸˜o diferencial na forma (3.14). se¸˜o 8. ca a 105 . existe.3.4.

ca Observarmos.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Agora. Podemos gerar mais solu¸˜es. vamos supor que y1 e y2 s˜o duas solu¸˜es da equa¸˜o a co ca L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. co Come¸amos a estudar esta quest˜o investigando se as constantes c1 e c2 podem ser c a escolhidas de modo que a solu¸˜o y(t) satisfa¸a as condi¸˜es iniciais y(t0 ) = y0 e y ′ (t0 ) = ca c co ′ co y0 . em particular. a ca a e e ca Para provarmos o Teorema 3.2. basta substituirmos y = c1 y1 + c2 y2 na equa¸˜o ca L[y] = 0 e levarmos em conta que L[y1 ] = 0 e L[y2 ] = 0.3. 106 .2. que quando c1 = 0 ou c2 = 0 temos que qualquer m´ltiplo u de uma solu¸˜o tamb´m ´ solu¸˜o da equa¸˜o L[y] = 0. basta tomarmos as combina¸˜es lineares de y1 e y2 . onde c1 e c2 s˜o constantes. Podemos nos perguntar agora se todas as co solu¸˜es de L[y] = 0 est˜o inclu´ co a ıdas em y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) ou ´ poss´ que existam e ıvel outras solu¸˜es com formas diferentes. ′′ ′ ′′ ′ ou seja L[y1 ] = y1 + p(t)y1 + q(t)y1 = 0 e L[y2 ] = y2 + p(t)y2 + q(t)y2 = 0.3. ca e e ca ca Pelo Teorema 3. temos o seguinte resultado: Teorema 3.2. podemos construir uma fam´ ılia duplamente infinita de solu¸˜es para L[y] = 0. ent˜o a combina¸˜o linear y = c1 y1 + c2 y2 . ca Observarmos que. Essas condi¸˜es iniciais obrigam c1 e c2 a satisfazer as equa¸˜es co c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = y0 . co co Assim. (Princ´ ıpio de Superposi¸˜o) ca Se y1 e y2 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o a co ca L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.3. a fun¸˜o y = c1 y1 + c2 y2 satisfaz a equa¸˜o diferencial L[y] = 0.3. ´ tamb´m solu¸˜o. a partir de y(t) = c1 y1 (t)+c2 y2 (t). independentemente dos valores de c1 e c2 . para obtermos L[c1 y1 + c2 y2 ] = 0.

y0 y2 (t0 ) c1 = ′ ′ y0 y2 (t0 ) . Usa-se a nota¸˜o W (y1 . ′ ′ y1 (t0 )y2 (t0 ) − y1 (t0 )y2 (t0 ) (3. o determinante e y1 (t0 ) y2 (t0 ) ′ y1 (t0 ) ′ y2 (t0 ) W = ′ ′ = y1 (t0 )y2 (t0 ) − y1 (t0 )y2 (t0 ). y1 (t0 ) y2 (t0 ) ′ ′ y1 (t0 ) y2 (t0 ) Com esses valores para c1 e c2 . ca Para que as express˜es acima fa¸am sentido ´ preciso que os denominadores sejam o c e diferentes de zero. y1 (t0 ) y2 (t0 ) ′ ′ y1 (t0 ) y2 (t0 ) y1 (t0 ) y0 c2 = ′ ′ y1 (t0 ) y0 . 107 . y2 )(t0 ) e co ca para indicar que o wronskiano depende das fun¸˜es y1 . Resolvendo este sistema para c1 e c2 encontramos ′ ′ y0 y2 (t0 ) − y0 y2 (t0 ) .17) ou escrito na forma de determinante. Assim. O determinante W ´ dito wronskiano das solu¸˜es y1 e y2 . e y2 e que ´ calculado no ponto co e t0 . Ambas tˆm o mesmo denominador.3. a saber. assim como a equa¸˜o diferencial. a express˜o y(t) = c1 y1 (t)+c2 y2 (t) satisfaz as condi¸˜es a co iniciais.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e ′ ′ ′ c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = y0 . ′ ′ y1 (t0 )y2 (t0 ) − y1 (t0 )y2 (t0 ) c1 = ′ ′ −y0 y1 (t0 ) + y0 y1 (t0 ) . podemos estabelecer o seguinte resultado.

y2 )(t0 ) ̸= 0. Ent˜o existe uma escolha das constantes c1 e c2 para a as quais y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) satisfaz a equa¸˜o diferencial L[y] = 0 e as condi¸˜es ca co iniciais. onde c1 e c2 s˜o arbitr´rios. co ca co O resultado a seguir justifica o porque a express˜o c1 y1 + c2 y2 ´ dita solu¸˜o geral da a e ca equa¸˜o L[y] = 0. ent˜o a fam´ de solu¸˜es y(t) = a ılia co c1 y1 (t)+c2 y2 (t). Suponha ϕ(t0 ) = y0 e ϕ′ (t0 ) = y0 .3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Teorema 3.18) 108 .3. Considere o problema de valor inicial ′ y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. a combina¸˜o linear ´ igual a ϕ. ca Teorema 3. e suponha que existe t0 tal que W (y1 .4 ca ca precisamos provar que ϕ est´ inclu´ no conjunto de combina¸˜es lineares c1 y1 + c2 y2 .4. Para mostrar o Teorema 3. As solu¸˜es da equa¸˜o diferencial y ′′ + 5y ′ + 6y = 0 s˜o y1 (t) = co ca a e−2t e y2 (t) = e−3t . Sejam y1 . y(t0 ) = y0 . para todo valor de t. y2 )(t0 ) ̸= 0. a a co ca Demonstra¸˜o: ca Seja ϕ uma solu¸˜o qualquer da equa¸˜o L[y] = 0.3.5. Exemplo 3.3. Dado que W ̸= 0. onde s˜o dadas as condi¸˜es a a co ′ iniciais y(t0 ) = y0 . Sejam y1 e y2 duas solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = 0 e suponha que o co ca ′ ′ wronskiano W = y1 y2 − y1 y2 n˜o se anula no ponto t0 . para alguma escolha das constantes c1 e c2 . e y2 duas solu¸˜es da equa¸˜o diferencial co ca L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. inclui todas as solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = 0. o wronskiano de y1 e y2 ´ a e e−2t −2e −2t W = e−3t −3e −3t = −e−5t . a ıda co ou seja. (3. ent˜o as fun¸˜es y1 e y2 podem ser usadas a co para construir solu¸˜es da equa¸˜o diferencial junto com quaisquer condi¸˜es iniciais. Ent˜o.3. Seja ca e ′ t0 um ponto onde W (y1 .3. y ′ (t0 ) = y0 . y ′ (t0 ) = y0 .3.

com W (y1 . a fun¸˜o ϕ ´ solu¸˜o do problema de valor inicial.1 garante que essas duas solu¸˜es do mesmo problema de valor inicial s˜o co a iguais. pelo Teorema 3. ca ca As solu¸˜es y1 e y2 . ´ poss´ e ıvel escolher c1 e c2 tais que y = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) ´ tamb´m solu¸˜o do problema de valor inicial (3. ca e ca como W (y1 . ca Assim. y2 ) ̸= 0.3. para uma escolha apropriada de c1 e c2 . Observa¸˜o 3. e portanto.3. ´ ca e co ca e a natural chamar a express˜o. a y(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) de solu¸˜o geral da equa¸˜o L[y] = 0. Assim. ca co ca basta achar duas solu¸˜es com wronskiano diferente de zero. portanto.18). temos ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). y2 )(t0 ) ̸= 0.3.3.1. Por outro lado.4. segue que toda solu¸˜o dessa equa¸˜o est´ inclu´ nessa a ca fam´ ılia. com coeficientes c1 e c2 arbitr´rios.3.17). y2 ) ̸= 0. a comca bina¸˜o linear c1 y1 + c2 y2 cont´m todas as solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = 0. os valores e e ca apropriados de c1 e c2 est˜o dados pelas igualdades (3. Portanto. De acordo com o Teorema 3. todas as solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = 0. como ϕ ´ uma solu¸˜o ılia co e ca ca ca a ıda arbitr´ria da equa¸˜o L[y] = 0. A condi¸˜o da unicidade no a ca Teorema 3.3. co 109 .3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e Certamente. Finalmente. Isto completa a prova do Teorema 3. De fato. para achar a solu¸˜o geral e. formam um conjunto fundamental de solu¸˜es co co da equa¸˜o L[y] = 0.3.4. ϕ faz parte da fam´ de fun¸˜es c1 y1 +c2 y2 . enquanto W (y1 .

y2 formam um conjunto a co fundamental de solu¸˜es. co ca ´ a E f´cil verificar que y1 e y2 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o dada.3. Mostrar que ca y1 (t) = t1/2 e y2 (t) = t−1 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es da equa¸˜o dada. Agora. y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. co ca Por substitui¸˜o direta. Verificar se as solu¸˜es y1 (t) = cos2t e y2 (t) = sen2t formam um co conjunto fundamental de solu¸˜es para a equa¸˜o y ′′ + 4y = 0. Considere a equa¸˜o 2t2 y ′′ + 3ty ′ − y = 0. y2 . se r1 ̸= r2 .3. co 110 .3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Exemplos Exemplo 3. resulta W = t1/2 1 −1/2 t 2 t−1 −t−2 3 = − t−3/2 . co Exemplo 3. concluimos que y1 . temos er1 t r1 e r1 t W = er2 t r2 e r2 t = (r2 − r1 )e(r1 +r2 )t . segue que W (y1 . e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. 2 Como W ̸= 0. Mostrar que y1 .6. para todo t. para t > 0. Considere a equa¸˜o L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0 e suponha que ca y1 (t) = er1 t e y2 (t) = er2 t s˜o duas solu¸˜es dela.8. verifica-se que y1 e y2 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o dada. y2 ) ̸= 0.7. ca Logo. calculando o wronskiano de y1 .3. a co ca temos W = cos2t sen2t −2sen2t 2cos2t = 2.3. concluimos que y1 . co De fato. co Exemplo 3. Calculando o wronskiano. ca a co ca calculando o wronskiano de y1 e y2 . Como W ̸= 0. Como a fun¸˜o exponencial nunca se anula e sendo r1 ̸= r2 . com t > 0.

5. a co Demonstra¸˜o: ca A existˆncia das fun¸˜es y1 e y2 est´ garantida pelo Teorema 3. co Exemplos Exemplo 3. Sejam y1 e y2 a ı solu¸˜es satisfazendo as condi¸˜es iniciais co co ′ y1 (t0 ) = 1. ´ dif´ ca e ıcil. O ca co resultado a seguir fornece uma resposta afirmativa a essa quest˜o. Considere a equa¸˜o diferencial L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.3. para mostrar que elas formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. em geral. y1 (t0 ) = 0 ′ y2 (t0 ) = 0.3. 111 . co y1 (t0 ) y2 (t0 ) ′ ′ y1 (t0 ) y2 (t0 ) W (y1 . De fato.3. Encontrar um conjunto fundamental de solu¸˜es para a equa¸˜o diferco ca encial y ′′ − y = 0. Surge ent˜o a pergunta a natural se toda equa¸˜o desse tipo possui um conjunto fundamental de solu¸˜es. as fun¸˜es y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es e o teorema est´ co co a provado. Mas ´ bom saber que sempre existe co e um conjunto fundamental de solu¸˜es. Conv´m observar que o Teorema 3. de modo a encontrar as solu¸˜es y1 e y2 . a Teorema 3. y2 )(t0 ) ̸= 0. usando o ponto inicial t0 = 0.9. e portanto.5.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e A tarefa de encontrar um conjunto fundamental de solu¸˜es. Assim.3.3. cujos ca coeficientes p e q s˜o cont´nuos em algum intervalo aberto I e seja t0 ∈ I. uma solu¸˜o co ca geral para uma equa¸˜o do tipo L[y] = 0. y2 (t0 ) = 1. Ent˜o y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es.1 Falta apenas vere co a ificar que W (y1 . n˜o mostra como resolver os problemas de e a valor inicial. y2 )(t0 ) = = 1 0 0 1 = 1.

3. e as condi¸˜es iniciais s˜o satisfeitas se c1 = c2 = 1/2. Ent˜o que o wronskiano ´ W (y1 . se y4 (t) satisfaz as condi¸˜es iniciais a co ′ y4 (0) = 0. de acordo com o Teorema 3. 2 2 An´logamente.5.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Dado que a equa¸˜o caracter´ ca ıstica desta equa¸˜o diferencial ´ r2 − 1 = 0.3.5. co n˜o ´ o conjunto fundamental de solu¸˜es indicado no Teorema 3.3. y2 )(t) = −2 ̸= co a a e 0. Assim co a 1 1 y3 (t) = et + e−t = cosht.10. y3 (0) = 0. A solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial ´ ca ca e y = c1 et + c2 e−t . pois n˜o satisfazem a e co a as condi¸˜es iniciais no ponto t0 = 0. y4 (0) = 1. co co Assim. para todo t. y4 )(t) = cosh2 t − senh2 t = 1.3. para todo t e assim estas formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. No entanto. 2 2 Dado que o wronskiano de y3 e y4 ´ W (y3 . temos que ca e duas solu¸˜es s˜o y1 (t) = et e y2 (t) = e−t . ent˜o a 1 1 y4 (t) = et − e−t = senht. Denotemos por co c co y3 (t) a solu¸˜o da equa¸˜o y ′′ − y = 0 que satisfaz as condi¸˜es iniciais ca ca co ′ y3 (0) = 1. 112 . co Para encontrar o conjunto fundamental de solu¸˜es indicado no Teorema 3. Exemplo 3.5. a solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial y ′′ − y = 0 pode ser escrita na forma ca ca y(t) = k1 cosht + k2 senht.3. precisaco se encontrar as solu¸˜es que satisfa¸am as condi¸˜es iniciais apropriadas. essas e fun¸˜es formam um conjunto fundamental de solu¸˜es. Encontrar o conjunto fundamental de solu¸˜es para y ′′ + 4y ′ + 3y = 0 co no ponto t0 = 1.

co Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. se y2 satisfaz as condi¸˜es iniciais a co ′ y2 (1) = 0. onde c ̸= 1 a e a constante. y2 )(1) = 4 ̸= 0. Exerc´ ıcio 3.3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Lineares Homogˆneas e A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ r2 + 4r + 3 = 0. Temos assim o sistema c1 e−1 + c2 e−3 = 1. Logo mostrar que c1 + c2 t1/2 n˜o ´. y1 (1) = 0. a e solu¸˜o. para t > 0. para t > 0.3. em geral. 2 2 2 An´logamente. y2 formam um e conjunto fundamental de solu¸˜es. e c2 = − 2 e3 . Logo mostrar que c1 t2 + c2 t−1 tamb´m ´ solu¸˜o. de onde obtemos r1 = −1 e r2 = −3. n˜o ´ solu¸˜o. e Assim.3. Verificar que y1 (t) = t2 e y2 (t) = t−1 s˜o duas solu¸˜es da equa¸˜o a co ca e e ca diferencial t2 y ′′ − 2y = 0.3. temos que y1 .2. Portanto. a e ca 113 . y2 (1) = 1.3. a 2 Como o wronskiano de y1 e y2 ´ W (y1 . y1 (t) = 3 e1−t − 1 e3−3t . 1 de onde c1 = 3 e. Mostrar que. quaisquer que sejam c1 e c2 . ent˜o y = cϕ(t).2. Explicar por que esse resultado n˜o contradiz o Teorema 3.3. 1 ent˜o y2 (t) = 1 e1−t − 2 e3−3t . ca a Exerc´ ıcio 3. se y = ϕ(t) ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o diferencial y ′′ + e ca ca p(t)y ′ + q(t)y = g(t). onde g(t) n˜o ´ identicamente nula. Verificar que y1 (t) = 1 e y2 (t) = t1/2 s˜o duas solu¸˜es da equa¸˜o a co ca diferencial yy ′′ + (y ′ )2 = 0. −c1 e−1 − 3c2 e−3 = 0.1.3. Justificar. ca e Seja y1 a solu¸˜o que satisfaz as condi¸˜es iniciais ca co ′ y1 (1) = 1. a solu¸˜o geral ´ y(t) = c1 e−t + c2 e−3t .

(d) (1 − tctgt)y ′′ − ty ′ + y = 0. y1 (t) = cos2t. e encontrar W (u. A equa¸˜o P (x)y ′′ + Q(x)y ′ + R(x)y = 0 ´ dita co ca e exata se poder ser escrita na forma [P (x)y ′ ]′ + [f (x)y]′ = 0.3. t > 0. em um intervalo contendo t = 0? Justificar sua resposta. v = f + 2g. g) ´ o wronskiano de f e g. resolvˆ-la. Equa¸˜o Adjunta. y1 (t) = et .9.3.10. encontrar g(t).5.3. Q(x) e R(x). Se W (f. ca e e (a) y ′′ + xy ′ + y = 0. onde f (x) pode ser determinada em fun¸˜o de P (x). e se u = 2f − g.7. com coeficientes constantes. mostrar que uma condi¸˜o necess´ria e suficiente para que a equa¸˜o seja ca a ca exata ´ que P ′′ (x) − Q′ (x) + R(x) = 0. (b) y ′′ + 3x2 y ′ + xy = 0. y2 (t) = sent. e Exerc´ ıcio 3. Se uma equa¸˜o linear homogˆnea de segunda ca ca e ordem n˜o ´ exata. v) em fun¸˜o de W (f.3.6.8. x > 0. Igualando os coeficientes das equa¸˜es precedentes e elimı co inando f (x). (b) y ′′ − 2y + y = 0.8 para deterıcio minar se a equa¸˜o dada ´ exata. g)(t) = 3e4t e se f (t) = e2t . Exerc´ ıcio 3. y1 (t) = t. Se assim for. resultando em uma equa¸˜o de primeira ordem para y que pode ser ca resolvida como no cap´tulo 2. Essa ultima equa¸˜o poder ser integrada uma ca ´ ca vez imediatamente.3.3.4. A fun¸˜o y = sen(t2 ) pode ser solu¸˜o de uma equa¸˜o da forma ca ca ca y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. Se W (f. g). usar o resultado do Exerc´ 3. y2 (t) = sen2t. y2 (t) = tet .3 Solu¸˜es Fundamentais de Equa¸˜es co co Lineares Homogˆneas e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Exerc´ ıcio 3. (c) xy ′′ − (cosx)y ′ + (senx)y = 0.3. (c) t2 y ′′ − t(t + 2)y ′ + (t + 2)y = 0. Precisa-se ent˜o que µ(x) seja tal que µ(x)P (x)y ′′ +µ(x)Q(x)y ′ +µ(x)R(x)y = 0 a 114 . Elas formam um conjunto fundamental de solu¸˜es? ca co (a) y ′′ + 4y = 0. Equa¸˜es Exatas. y2 (t) = tet .3. verificar que as fun¸˜es y1 e y2 s˜o solu¸˜es co a co da equa¸˜o diferencial dada. Exerc´ ıcio 3.3. Nos problemas a seguir. x > 0. ca Exerc´ ıcio 3. Nos problemas a seguir. (d) x2 y ′′ + xy ′ − y = 0. 0 < t < π. Exerc´ ıcio 3. Exerc´ ıcio 3. pode ser tornada exata multiplicando por um fator integrante apropria e ado µ(x). y1 (t) = t.

Esse ´ a e co e um conceito alg´brico muito importante e tem significado que vai al´m do contexto atual. ca Exerc´ ıcio 3.11. Esta equa¸˜o ´ dita adjunta da equa¸˜o original e ´ muito util na teoria avan¸ada de ca e ca e ´ c equa¸˜es diferenciais. a Determinar se as equa¸˜oes do Exerc´cio 3. de modo que s´ ´ poss´ encontrar a ı ca o e ıvel um fator integrante para uma equa¸˜o de segunda ordem.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. e e 115 . Igualando os coeficientes nessas duas equa¸˜es e eliminando f (x). (Equa¸˜o de Airy). ca ı a 3.3.3. encontrar a equa¸˜o adjunta da equa¸˜o diferca ca encial dada.13. ca (c) y ′′ − xy = 0.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano A representa¸˜o da solu¸˜o geral de uma equa¸˜o diferencial linear homogˆnea de ca ca ca e segunda ordem como combina¸˜o linear de duas solu¸˜es. Seja a equa¸˜o diferencial de segunda ordem P (x)y ′′ + Q(x)y ′ + ca R(x)y = 0. Mostrar que a adjunta da equa¸˜o adjunta ´ a equa¸˜o original. Uma equa¸˜o linear de segunda ordem P (x)y ′′ + Q(x)y ′ + R(x)y = 0 ca ´ dita auto-adjunta se sua adjunta ´ igual ` equa¸˜o original. Nos problemas a seguir. Em geral. ca (b) (1 − x2 )y ′′ − 2xy ′ + α(α + 1)y = 0. (a) x2 y ′′ + xy ′ + (x2 − ν 2 )y = 0. (Equa¸˜o de Bessel).4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano possa ser escrita na forma [µ(x)P (x)y ′ ]′ + [f (x)y]′ = 0. ca Exerc´ ıcio 3.12.11 s˜o auto-adjuntas. (Equa¸˜o de Legendre). ca e ca Exerc´ ıcio 3.3.3. cujo wronskiano ´ diferente de ca co e zero. Mostrar que uma condi¸˜o e e a ca ca e necess´ria para P (x)y ′′ + Q(x)y ′ + R(x)y = 0 ser auto-adjunta ´ que P ′ (x) = Q(x). o problema de resolver a equa¸˜o diferencial adjunta ´ co ca e t˜o dif´cil quanto o de resolver a equa¸˜o original. em determinados casos. est´ intimamente ligada ao conceito de independˆncia linear de duas fun¸˜es. mostrar que a fun¸˜o µ(x) precisa satisfazer a condi¸˜o co ca ca P µ′′ + (2P ′ − Q)µ′ + (P ′′ − Q + R)µ = 0.

co a De fato. e a Exemplo 3.3. As fun¸˜es et e e2t s˜o LI em qualquer intervalo I. Escolha-se t0 . Exemplos Exemplo 3.1.2. Assim temos k1 et0 + k2 e2t0 = 0. t1 ∈ I. para todo t ∈ I.4. tais que k1 f (t) + k2 g(t) = 0. ou seja. com uma delas diferente de zero. embora co u a co seja dif´ determinar se o conjunto ´ LI ou LD. se k1 = k2 = 0. ´ v´lida para todo t . 116 . temos a independˆncia co a a e linear.4. oe a Essas defini¸˜es podem ser estendidas para um n´mero arbitr´rio de fun¸˜es. As fun¸˜es sent e cos(t − π/2) s˜o LD em qualquer intervalo.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Duas fun¸˜es f e g s˜o ditas linearmente dependentes (LD) em um intervalo I se co a existem constantes k1 e k2 . para todo t ∈ I. a igualdade k1 f (t) + k2 g(t) = 0. k1 sent + k2 cos(t − π/2) = 0. a dependˆncia ıcil e co e linear significa que as fun¸˜es s˜o proporcionais e caso contr´rio. com t0 ̸= t1 . se escolhemos k1 = 1 e k2 = −1. vamos supor que k1 et + k2 e2t = 0. No caso de duas fun¸˜es. s´ ´ v´lida para todo t ∈ I. co a De fato. As fun¸˜es f e g s˜o ditas linearmente independentes (LI) em I se n˜o s˜o linearmente co a a a dependentes em I.

Calculando essa a express˜o e a sua derivada em t0 ∈ I.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.3. segue que a unica solu¸˜o do e ´ ca sistema acima ´ k1 = k2 = 0. Portanto. Logo. e a Exemplo 3. g)(t0 ) ̸= 0. O resultado a seguir relaciona dependˆncia e independˆncia linear ao wronskiano. g)(t) ̸= 0. elas s˜o a proporcionais. ou o ´ ca e seja. ou seja. ou seja. e e Teorema 3. W (f. a unica solu¸˜o do sistema acima ´ k1 = k2 = 0. a a (b) Se f e g s˜o LD em I. W (f. Isto significa que existe algum t0 ∈ I tal que W (f. em a a e I. para todo t ∈ I. que ´ e e diferente de zero por hip´tese. O determinante da matriz de coeficientes deste sistema ´ justamente W (f. g)(t) = 0. Logo. se t < 0. (a) Se f e g s˜o fun¸˜es diferenci´veis em um intervalo aberto I e se a co a W (f. obtemos a k1 f (t0 ) + k2 g(t0 ) = 0. Pela parte (a). k1 f ′ (t0 ) + k2 g ′ (t0 ) = 0. g)(t0 ) ̸= 0. ent˜o f e g s˜o LI em I. As fun¸˜es f (t) = t3 e g(t) = |t|3 s˜o LD. pois t0 ̸= t1 . a (b) Sejam f e g s˜o LD e suponha que a conclus˜o ´ falsa. a a Demonstra¸˜o: ca (a) Considere v´lida a igualdade k1 f (t) + k2 g(t) = 0. g)(t) = 0. co a Basta observar que g(t) = f (t).4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano k1 et1 + k2 e2t1 = 0. temos que f e g s˜o LI. se t ≥ 0 e g(t) = −f (t).4. O determinante da matriz dos coeficientes ´ e et0 e2t1 − e2t0 et1 = et0 et1 (et1 − et0 ).1. g)(t0 ). ent˜o W (f. a e ca 117 . Como este determinante ´ diferente de zero. para qualquer intervalo I. o que ´ uma contradi¸˜o. para todo t ∈ I. para todo t ∈ I.4. et e e2t s˜o LI. f e g s˜o LI. em algum ponto t0 ∈ I.

118 . para qualquer ponto t0 et0 e2t0 W (f. e a e ou W (y1 . g)(t) = 0.3. Portanto. com p e q a co ca cont´ ınuas em −1 < t < 1. mesmo co ca e que as solu¸˜es n˜o sejam conhecidas. ca co temos. pois neste caso n˜o s˜o proporcionais. apesar de ter W (f.1.4. co a (b) Duas fun¸˜es f e g podem ser LI. onde c ´ uma constante determinada que depende de y1 e y2 . a a f e g n˜o podem ser solu¸˜es de uma equa¸˜o do tipo y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. mas n˜o de t. Logo. g)(t0 ) = et0 2e2t0 = e3t0 ̸= 0. Mas. g)(t) = 0. co a Teorema 3. ent˜o o wronskiano W (y1 . Por exemplo.1 nas fun¸˜es f (t) = et e g(t) = e2t . Al´m disso. ′′ ′ y2 + p(t)y2 + q(t)y2 = 0. O Teorema 3. pois g(t) = −f (t) e g(t) = f (t) respectivamente. ou nunca se anula em I (se c ̸= 0).4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Observa¸˜o 3. y2 )(t) ´ dado por a e [ ∫ ] W (y1 . Demonstra¸˜o: ca Como y1 .2. y2 )(t) = 0. temos a co ca ′ ′′ y1 + p(t)y1 + q(t)y1 = 0. para todo co t ∈ I. mesmo quando W (f.2 fornecer´ uma f´rmula expl´ a o ıcita simples para o wronskiano de duas solu¸˜es quaisquer de uma equa¸˜o diferencial linear homogˆnea de segunda ordem. y2 )(t) = c exp − p(t)dt . para todo t ∈ I (se c = 0). as fun¸˜es f (t) = t2 |t| e g(t) = t3 s˜o LD em −1 < t < 0 e em co a 0 < t < 1. e y2 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o diferencial L[y] = 0.4. (a) Aplicando o Teorema 3. as fun¸˜es dadas s˜o LI em qualquer intervalo I. f (t) e g(t) s˜o LI em a −1 < t < 1.4. onde p e q s˜o a co ca a cont´ ınuas em um intervalo aberto I. ( Teorema de Abel) Se y1 e y2 s˜o duas solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.4.

co a menos de uma constante multiplicativa. ´ ca a e y ′′ + 1 3 ′ y − 2 y = 0.2. Esta equa¸˜o ´ linear de primeira ordem e ca separ´vel. a menos que c = 0 e. onde c ´ uma constante e seu valor depende das solu¸˜es y1 e y2 envolvidas. sem resolver a equa¸˜o diferencial. Usando a f´rmula do wronskiano e tendo a equa¸˜o na o ca forma padr˜o. e co como a fun¸˜o exponencial nunca se anula.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.4. Considere a equa¸˜o diferencial 2t2 y ′′ + 3ty ′ − y = 0. notar que W ′ = y1 y2 − y1 y2 . Ent˜o podemos escrever a ca e a equa¸˜o anterior na forma W ′ + p(t)W = 0. No entanto. ca (b) O wronskiano de qualquer conjunto fundamental de solu¸˜es pode ser determinado. com t > 0. 2t 2 119 . logo a sua solu¸˜o ´ a ca e [ ∫ ] W (t) = c exp − p(t)dt . A equa¸˜o. Vamos ca verificar que o wronskiano est´ dado pela equa¸˜o a ca [ ∫ ] W (t) = c exp − p(t)dt . nesse caso. temos a [ ∫ ] ( ) 3 3 W (y1 .4.3. y2 )(t) = c exp − dt = c exp − lnt = c t−3/2 . W (t) ̸= 0.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Multiplicando a primeira equa¸˜o por −y2 . ca W (t) = 0. ca Exemplo 3. o que completa a demonstra¸˜o. ′′ ′′ Agora. para todo t. a segunda por y1 e somando as equa¸˜es ca co resultantes. (a) O wronskiano de dois conjuntos fundamentais de solu¸˜es da ca co mesma equa¸˜o diferencial podem diferir apenas por uma constante multiplicativa. y2 )(t) = −( 2 )t−3/2 . escrita na forma padr˜o. sendo W (t) = W (y1 . y2 (t). ca Observa¸˜o 3.2 foi verificado que y1 (t) = t1/2 e y2 (t) = t−1 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o a co ca 3 dada e W (y1 . 2t 2t No Exemplo 3. obtemos ′′ ′′ ′ ′ (y1 y2 − y1 y2 ) + p(t)(y1 y2 − y1 y2 ) = 0.4.

a a a o ent˜o y1 e y2 s˜o LD. Assim.1.4. Seja t0 ∈ I arbitr´rio. Falta mostrar a rec´ ıproca. a Demonstra¸˜o: ca Pelo Teorema 3.1.1. o a 120 . para todo t ∈ I.3. onde co ca p e q s˜o cont´ a ınuas em um intervalo aberto I. tem uma solu¸˜o n˜o-trivial. Ent˜o : a (a) y1 e y2 s˜o LD em I se e somente se W (y1 .3. para c1 e c2 . Como ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). em I. satisfaz as condi¸˜es iniciais co ϕ(t0 ) = 0. para todo t ∈ I. y2 )(t) nunca se anula em I. Sejam y1 e y2 solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.3.4. Ent˜o ϕ ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0 a e ca ca e. a (b) y1 e y2 s˜o LI em I se e somente se W (y1 . ϕ′ (t0 ) = 0.4. y2 )(t0 ) ̸= 0 em algum ponto arbitr´rio t0 ∈ I se e somente a se y1 e y2 sa˜ LI. consideremos ca a ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). Ent˜o.4. se W (y1 . com uma das constantes c1 ou c2 n˜o-nula. temos que ϕ(t) = 0. pela hip´tese tem-se W (y1 . y2 )(t) ou ´ zero ou nunca se anula em I. a a para todo t ∈ I. e (a) O mesmo Teorema 3. pelas igualdades acima. est´ provado o Teorema. a Portanto.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Esta igualdade nos d´ o wronskiano de qualquer par de solu¸˜es da equa¸˜o diferencial. y2 )(t) = 0. se as duas fun¸˜es a co envolvidas forem solu¸˜es de uma equa¸˜o diferencial linear homogˆnea de segunda ordem co ca e Teorema 3. garante que se y1 e y2 s˜o LD. y2 )(t0 ) = 0. a a a (b) Pela parte (a). ′ ′ c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = 0. W (y1 . o sistema de equa¸˜es co c1 y1 (t0 ) + c2 y2 (t0 ) = 0. y2 )(t) = 0. co A seguir.1 sabemos que W (y1 . ent˜o W (y1 . pelo Teorema 3. ent˜o y1 e y2 s˜o LD. a co ca Para as solu¸˜es dadas neste caso. para todo t ∈ I. Assim. y2 )(t) = 0. ou seja. Usando esses valores de c1 e c2 . precisa-se escolher c = −3/2. estabelecemos uma vers˜o mais forte do Teorema 3.

satisfazendo `s mesmas leis de soma e multiplica¸˜o por escalar. Sabendo que o wronskiano de duas fun¸˜es ´ W (t) = tsen2 t. (c) f (t) = eλt cos(αt). (e) f (t) = t. (a) Sejam y1 e y2 solu¸˜es da equa¸˜o L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. (b) Al´m dos espa¸os Rn .3.4.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. co a (3) W (y1 . Veremos nos pr´ximos cap´ c o ıtulos que o conjunto de solu¸˜es de uma equa¸˜o diferencial linear homogˆnea de ordem n forco ca e mam um espa¸o vetorial de dimens˜o n e que qualquer conjunto de n solu¸˜es linearmente c a co independentes da equa¸ao diferencial formam uma base para esse espa¸o. (b) f (t) = cos3t. g(t) = eλt sen(αt). g(t) = t−t . (4) W (y1 . a a ca Mostra-se. determinar co e se essas fun¸˜es s˜o LI.4. Exerc´ ıcio 3. Nos problemas a seguir. ca co ca onde p e q s˜o cont´ a ınuas em um intervalo aberto I. que o conjunto das fun¸˜es duas vezes diferenci´veis em um inco a tervalo I forma um espa¸o vetorial. determinar se o par de fun¸˜es dadas s˜o LI co a ou LD: (a) f (t) = t2 + 5t. o conjunto de solu¸˜es da equa¸˜o c co ca L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0 forma um espa¸o vetorial. g(t) = e3(t−1) . α ̸= 0. (d) f (t) = e3t . Justificar sua resposta.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Observa¸˜o 3. por exemplo. co e a Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3.1. Do mesmo modo. g(t) = 4cos3 t − 3cost. Ent˜o as afirma¸˜es seguintes s˜o a co a equivalentes: (1) As fun¸˜es y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es em I. Essa conex˜o c˜ c a entre equa¸˜es diferenciais e vetores ´ uma boa raz˜o para estudar algebra linear abstrata. co co (2) As fun¸˜es y1 e y2 s˜o LI.4. a no¸˜o de espa¸o vetorial ´ aplicado a diversas cole¸˜es e c ca c e co de objetos matem´ticos. co a 121 . y2 )(t0 ) ̸= 0 para algum t0 ∈ I. g(t) = t2 − 5t. y2 )(t) ̸= 0 para todo t ∈ I. ou LD.2.

(c) x2 y ′′ + xy ′ + (x2 − ν 2 )y = 0.4. Mostrar que W (f g. encontrar o valor de W (y1 . Nos problemas a seguir. ent˜o o wronskiano W (t) e a a e de duas solu¸˜es de [p(t)y ′ ]′ + q(t)y = 0 ´ W (t) = c/p(t).3.9. f h) = co a f 2 W (g.3. O wronskiano de duas fun¸˜es ´ W (t) = t2 − 4. (equa¸˜o de Legendre).10.4.4.5.4. a a Exerc´ ıcio 3.4 Independˆncia Linear e e o Wronskiano Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Exerc´ ıcio 3.12.4. g e h fun¸˜es diferenci´veis. a2 .4. Exerc´ ıcio 3. Sejam y1 e y2 solu¸˜es LI da equa¸˜o y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. sem resolver a equa¸˜o. y2 )(5). Considere a equa¸˜o diferencial y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. Sejam f. Deterco ca minar. ca Exerc´ ıcio 3. Se y1 e y2 s˜o duas solu¸˜es LI da equa¸˜o diferencial ty ′′ +2y ′ +tet y = 0 a co ca e se W (y1 . desde que nem c1 nem c2 sejam nulas. Se o wronskiano de duas solu¸˜es quaisquer da equa¸˜o y ′′ + p(t)y ′ + co ca q(t)y = 0 ´ constante. encontrar o wronskiano de duas solu¸˜es da co equa¸˜o diferencial dada. ca ca (a) t2 y ′′ − t(t + 2)y ′ + (t + 2)y = 0. (b) (cost)y ′′ + (sent)y ′ − ty = 0. y2 s˜o solu¸˜es LI se e somente se y1 + y2 e y1 − y2 s˜o solu¸˜es LI. co ca 122 .6.4. Mostrar co ca que c1 y1 e c2 y2 s˜o tamb´m solu¸˜es LI. p e q s˜o cont´ a ınuas e as fun¸˜es y1 e y2 s˜o co a solu¸˜es da equa¸˜o diferencial y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0 em um intervalo aberto I. a e co Exerc´ ıcio 3. y2 )(1) = 2. Mostrar que ca y1 .11. o que isso implica sobre os coeficientes p e q?.4. Sejam y1 e y2 solu¸˜es LI da equa¸˜o y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. b1 e b2 s˜o constantes arbitr´rias. co e Exerc´ ıcio 3. co co a e co onde a1 . h).7. a co a co Exerc´ ıcio 3.4.4. Exerc´ ıcio 3.4. onde c ´ uma constante. e Exerc´ ıcio 3. (equa¸˜o de Bessel) ca (d) (1 − x2 )y ′′ − 2xy ′ + α(α + 1)y = 0. Nos problemas a seguir. sob que condi¸˜es as fun¸˜es a1 y1 + a2 y2 e e b1 y1 + b2 y2 s˜o tamb´m solu¸˜es LI. As fun¸˜es s˜o LI ou co e co a LD? Por que? Exerc´ ıcio 3. Mostrar que se p ´ diferenci´vel e p(t) > 0.8.

onde a. ent˜o n˜o podem formar um conjunto fundamental de solu¸˜es nesse intervalo. Neste e ca caso as ra´ da equa¸˜o caracter´ ızes ca ıstica s˜o n´meros complexos conjugados. a a co (c) Mostrar que se y1 e y2 tˆm um ponto de inflex˜o comum t0 ∈ I. Sejam r1 = a + ib e r2 = a − ib as ra´ da equa¸˜o caracter´ ızes ca ıstica.5 Ra´ ızes Complexas da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Na Se¸˜o 3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. co 3. da equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ positivo (ou e seja.. O caso em que o discriminante. ´ o que faremos nesta se¸˜o. as ra´ r1 e r2 s˜o reais e distintas) j´ foi estudado. ent˜o n˜o podem formar a a um conjunto fundamental de solu¸˜es nesse intervalo. Falta estudarmos o caso em que △ = b2 − 4ac < 0. onde a e b s˜o n´meros reais. co (b) Mostrar que se y1 e y2 atingem m´ximo ou m´ a ınimo em um mesmo ponto em I.2 discutimos equa¸˜es diferenciais dadas na forma ca co ay ′′ + by ′ + cy = 0. 123 y2 (t) = exp[(a − ib)t]. Vimos que procura das solu¸˜es da forma y = ert a u co equivalia encntrar as ra´ r da equa¸˜o caracter´ ızes ca ıstica ar2 + br + c = 0.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica (a) Mostrar que se y1 e y2 se anulam no mesmo ponto em I. Neste caso. b e c s˜o n´meros reais dados. . a solu¸˜o geral da ızes a a ca equa¸˜o diferencial ´ ca e y = c1 er1 t + c2 er2 t . Desta forma as express˜es a u o correspondentes para y1 e y2 s˜o a y1 (t) = exp[(a + ib)t]. ent˜o n˜o podem e a a a formar um conjunto fundamental de solu¸˜es nesse intervalo. a u Caso 2: Ra´ ızes Complexas e conjugadas. △ = b2 − 4ac.

usando o fato de a que i2 = −1. teremos ca e = it ∞ ∑ (it)n n=0 n! = ∞ ∑ (−1)n t2n n=0 (2n)! +i ∞ ∑ (−1)n−1 t2n−1 n=1 (2n − 1)! .3. Usaremos aqui um m´todo baseado em s´ries ca e e infinitas. (F´rmula de Euler): eit = cost + i sent. de tal maneira que sejam v´lidas as propriedades usuais da fun¸˜o exponencial. Do c´lculo. i4 = 1.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Para podermos atribuirmos um significado mais preciso as express˜es acima. ou seja.5. a ca e(a+ib)t = eat eibt . nossa inten¸˜o ´ us´-la apenas para tornar a equa¸˜o acima aceit´vel. Estendemos a exponencial complexa para expoentes da forma a + ib. onde separamos a soma em suas partes. sabemos que a s´rie de Taylor para et em torno de t = 0 ´ a e e e = t ∞ ∑ tn n=0 n! . Assim. a primeira parcela ´ a s´rie de Taylor para cost em torno de t = 0 e e e a segunda ´ a s´rie de Taylor para sent em torno de t = 0. uma real e outra imagin´ria. i3 = −i.1. temos: ca e−it = cost − i sent.5.1. Assim. u ca e a ca a Fazendo uso da Defini¸˜o 3. obtemos: 124 . i5 = i e assim por diante. eibt = cosbt + i senbt. Na soma acima. −∞ < t < ∞. ca o Embora a dedu¸˜o da f´rmula de Euler esteja baseada na hip´tese n˜o verificada de ca o o a que a s´rie de Taylor pode ser usada para n´meros complexos da mesma forma que para e u n´meros reais. necessitamos o definir a fun¸˜o exponencial complexa. Supondo que podemos substituir t por it na equa¸˜o acima. obtemos: e e Defini¸˜o 3.

ca Observarmos que as partes reais e imagin´rias s˜o dadas em termos de fun¸˜es elea a co mentares reais. ent˜o a solu¸˜o geral da equa¸˜o ay ′′ + by ′ + cy = 0 ´ dada por a ca ca e y(t) = c1 eat cosbt + c2 eat senbt.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Defini¸˜o 3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. estariamos no caso 1. desprezando os fatores constantes 2 e 2i. Tomemos a soma e diferen¸a de y1 e y2 . a a 125 . co ızes Como consequˆncia. se as ra´ e ızes da equa¸˜o caracter´ ca ıstica s˜o n´meros complexos a u a ± ib. e(a+ib)t = eat (cosbt + isenbt) = eat cosbt + ieat senbt. com b ̸= 0. as solu¸˜es a u co y1 e y2 s˜o fun¸˜es que tˆm valores complexos e ser´ prefer´ ter solu¸˜es reais. Estas fun¸˜es s˜o solu¸oes da equa¸˜o ay ′′ + by ′ + cy = 0 quando as ra´ co a c˜ ca ızes da equa¸˜o ca caracter´ ıstica ar2 + br + c = 0 s˜o n´meros complexos a ± ib. de ra´ reais e diferentes).5. Observemos que u ´ a parte real. de modo que u e v formam um conjunto fundamental de e a solu¸˜es. v)(t) = be2at . co c y1 (t) + y2 (t) = eat (cosbt + isenbt) + eat (cosbt − isenbt) = 2eat cosbt. e v a parte imagin´ria. Portanto. v(t) = eat senbt. ca Voltemos as express˜es o y1 (t) = exp[(a + ib)t]. y2 (t) = exp[(a − ib)t]. Atrav´s das Defini¸˜es 3. Logo. o a wronskiano W ´ n˜o-nulo. assim como as regras de deriva¸˜o. obtemos um par de solu¸˜es reais co u(t) = eat cosbt. pois a a co e a ıvel co pr´pria equa¸˜o diferencial tem coeficientes reais. Infelizmente. y1 (t) − y2 (t) = eat (cosbt + isenbt) − eat (cosbt − isenbt) = 2ieat cosbt.2 foram mostradas as regras usuais de exponencia¸˜o e co ca para a exponencial complexa.5. (Se b = 0. desde que b ̸= 0. onde c1 e c2 s˜o constantes arbitr´rias. de y1 e y2 e a Um c´lculo simples mostra que W (u. Tais solu¸˜es podem ser encontradas o ca co usando combina¸˜es lineares adequadas. respectivamente.2.5.1 e 3.

Assim. a = 0 e b = 3. a solu¸˜o do problema de valor inicial ´ ca e 1 y(t) = −2et/4 cos3t + et/4 sen3t.2.1. Exemplo 3. e ızes a a solu¸˜o geral ´ ca e y(t) = c1 et/4 cos3t + c2 et/4 sen3t. 2 2 2 √ Assim temos a = −1/2 e b = 3/2. A condi¸˜o y(0) = −2 implica c1 = −2. Resolver o seguinte problema de valor inicial 16y ′′ − 8y ′ + 145y = 0. Encontrar a solu¸˜o geral da equa¸˜o y ′′ + 9y = 0. ca Portanto. ca A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ r2 + 2r + 5 = 0. cujas ra´ s˜o r = ±3i.5. Portanto.3.5. 2 126 . de onde c2 = 1/2. cujas ra´ s˜o e ızes a √ −1 ± (1 − 4)1/2 1 3 r= =− ±i . a solu¸˜o geral ´ ca e y(t) = c1 cos3t + c2 sen3t. Encontrar a solu¸˜o geral da equa¸˜o y ′′ + y ′ + y = 0. temos e ızes a a = −1 e b = 2 e portanto. A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ 16r2 − 8r + 145 = 0. derivamos a ca ca 1 solu¸˜o geral e fazemos t = 0. cujas ra´ s˜o r = 1/4 ± 3i. Assim. Resolver a equa¸˜o diferencial y ′′ + 2y ′ + 5y = 0.5. de modo que a solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial ´ ca ca e √ √ y(t) = c1 e−t/2 cos( 3t/2) + c2 e−t/2 sen( 3t/2). a solu¸˜o geral ´ ca e y(t) = c1 sen2t + c2 cos2t. Para usar a outra condi¸˜o inicial. Exemplo 3. cujas ra´ s˜o r = −1 ± 2i. y ′ (0) = 1. Assim temos que y ′ (0) = 4 c1 + 3c2 = 1. ca ca A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ r2 + r + 1 = 0. ca ca A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ r2 + 9 = 0.5. Exemplo 3.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Exemplos Exemplo 3. y(0) = −2. e ızes a Portanto.4.3.

Exerc´ ıcio 3. a Exerc´ ıcio 3. Nos problemas a seguir. y ′ (0) = 0. (a) Encontrar a solu¸˜o desse problema. y ′ (0) = 0. Seja o problema de valor inicial y ′′ + 2y ′ + 6y = 0. em fun¸˜o de α. Seja o problema de valor inicial 3y ′′ − y ′ + 2y = 0. y(0) = 2. Mostrar que W (eat cosbt.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. (a) Encontrar a solu¸˜o desse problema. y ′ (π/2) = 2. y(π/4) = 2. y(π/2) = 0. y(0) = 2. y(0) = 3. (b) y ′′ − 2y ′ + 5y = 0.3. Exerc´ ıcio 3.4. co a e co ca 127 . onde u e v s˜o ca ca a fun¸˜es reais. ca (b) Encontrar o primeiro instante no qual |y(t)| = 10. para o qual y = 0.5. eat senbt) = be2at .5. encontrar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca dado (a) y ′′ + 4y ′ + 5y = 0. ca (d) Determinar o limite da express˜o encontrada em (c) quando α −→ ∞. 25y = 0. Mostrar que u e v s˜o tamb´m solu¸˜es da equa¸˜o diferencial dada. y ′ (0) = α ≥ 0. y ′ (π/4) = −2. (d) y ′′ + 2y ′ + 2y = 0.1.2. (c) y ′′ + y ′ + 1.5.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. (c) Encontrar o menor valor positivo de t. ca (b) Encontrar α tal que y(1) = 0. Sejam as fun¸˜es reais p e q cont´ co ınuas em um intervalo I e y = ϕ(t) = u(t) + iv(t) uma solu¸˜o complexa da equa¸˜o y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0.5.5. y ′ (0) = 1.5. Exerc´ ıcio 3. y(0) = 1.

3.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

Exerc´ ıcio 3.5.6. Equa¸˜es de Euler Uma equa¸˜o da forma co ca t2 y ′′ + αty ′ + βy = 0, t > 0 onde α e β s˜o constantes reais, ´ dita uma equa¸˜o de Euler. Mostrar que a substitui¸˜o a e ca ca x = lnt transforma uma equa¸˜o de Euler em uma equa¸˜o com coeficientes constantes. ca ca Exerc´ ıcio 3.5.7. Usar o m´todo do Exercicio 3.5.6 para resolver as equa¸˜es dadas: e co (a) t2 y ′′ + ty ′ + y = 0; (c) t2 y ′′ + 3ty ′ + 1, 25y = 0; (b) t2 y ′′ + 4ty ′ + 2y = 0 (d) t2 y ′′ − 4ty ′ − 6y = 0.

Caso 3: Ra´ ızes Repetidas. Tal situa¸˜o acontece quando o discriminante b2 −4ac da ca equa¸˜o caracter´ ca ıstica ar2 + br + c = 0 ´ igual a zero. Logo as ra´ s˜o r1 = r2 = −b/2a. e ızes a A aparente dificuldade ´ que ambas ra´ geram a mesma solu¸˜o e ızes ca y1 (t) = e−bt/2a da equa¸˜o diferencial ca ay ′′ + by ′ + cy = 0, e n˜o parece nada obvio o como determinar a segunda solu¸˜o. a ca O Exemplo ?? ilustra tal situa¸˜o. ca Exemplo 3.5.5. Exemplo ilustrativo: Considere a equa¸˜o diferencial ca y ′′ + 4y ′ + 4y = 0. A equa¸˜o caracter´stica ´ ca ı e r2 + 4r + 4 = 0, cujas ra´zes s˜o r1 = r2 = −2. Assim, uma solu¸˜o da equa¸˜o dada ´ y1 (t) = e−2t . ı a ca ca e Para encontrar a solu¸˜o geral, precisamos de uma segunda solu¸˜o que n˜o seja um ca ca a m´ltiplo de y1 . Esta segunda solu¸˜o pode ser encontrada por v´rios m´todos. Usaremos u ca a e aqui o m´todo de D’Alembert. Se y1 ´ uma solu¸˜o, ent˜o sabe-se que cy1 (t) ´ tamb´m e e ca a e e 128

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

3.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica

solu¸˜o, para qualquer constante c. Agora, a id´ia ´ substituir c por uma fun¸˜o v(t) e ca e e ca logo determinar v(t) de modo que o produto v(t)y1 (t) seja solu¸˜o da equa¸˜o diferencial. ca ca Seguindo este m´todo, devemos substituir y = v(t)e−2t na equa¸˜o y ′′ + 4y ′ + 4y = 0 e ca e usar a equa¸˜o resultante para achar v(t). Derivando a fun¸˜o y resulta ca ca y ′ = v ′ (t)e−2t − 2v(t)e−2t y ′′ = v ′′ (t)e−2t − 4v ′ (t)e−2t + 4v(t)e−2t . Substituindo na equa¸˜o diferencial temos v ′′ (t)e−2t = 0, de onde v(t) = c1 t + c2 , sendo ca c1 e c2 constantes arbitr´rias. Obtemos, a y(t) = (c1 t + c2 )e−2t = c1 te−2t + c2 e−2t . Observar que a segunda parcela corresponde ` solu¸˜o y1 (t), mas a primeira parcela a ca corresponde ` segunda solu¸˜o, ou seja, y2 (t) = te−2t . Essas duas solu¸˜es n˜o s˜o a ca co a a proporcionais, pois calculando seu wronskiano obtemos e−2t −2e
−2t

W (y1 , y2 )(t) =

te−2t (1 − 2t)e
−2t

= e−4t ̸= 0.

Portanto, y1 (t) = e−2t e y2 (tt e−2t formam um conjunto fundamental de solu¸˜es da co equa¸˜o y ′′ + 4y ′ + 4y = 0 e ca y(t) = c1 te−2t + c2 e−2t , ´ a solu¸˜o geral. e ca Observamos neste exemplo que y1 (t) e y2 (t) tendem a zero quando t −→ ∞. Por consequˆncia, todas as solu¸˜es desta equa¸˜o se comportam dessa forma. e co ca Vamos estender o m´todo usado no Exemplo ?? para um caso geral, onde a equa¸˜o e ca caracter´ ıstica tenha ra´ repetidas. Isto ´, se b2 − 4ac = 0, ent˜o: ızes e a y1 (t) = ebt/2a 129

3.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica ´ uma solu¸˜o. Suporemos e ca

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

y = v(t)y1 (t) = v(t)e−bt/2a , e substituiremos na equa¸˜o ay ′′ + by ′ + cy = 0 para determinar v(t). Assim, temos que ca y ′ = v ′ (t)e−bt/2a − b v(t)e−bt/2a , 2a

b b2 y ′′ = v ′′ (t)e−bt/2a − v ′ (t)e−bt/2a + 2 v(t)e−bt/2a . a 4a Ent˜o, substituindo na equa¸˜o diferencial, obtemos a ca { [ ] [ ] } b ′ b2 b ′′ ′ a v (t) − v (t) + 2 v(t) + b v (t) − v(t) + cv(t) e−bt/2a = 0. a 4a 2a Como e−bt/2a ̸= 0, rearrumando os termos restantes, resulta ( av (t) +
′′

) b2 b2 − + c v(t) = 0. 4a 2a

Como b2 − 4ac = 0, obtemos a equa¸˜o v ′′ (t) = 0, de onde v(t) = c1 t + c2 . Portanto , ca y = c1 te−bt/2a + c2 e−bt/2a , que ´ uma combina¸˜o linear de duas solu¸˜es e ca co y1 (t) = e−bt/2a , y2 (t) = te−bt/2a .

O wronskiano destas solu¸˜es ´ W (y1 , y2 )(t) = e−bt/a ̸= 0 e portanto essas solu¸˜es formam co e co um conjunto fundamental de solu¸˜es. co Assim, y = c1 te−bt/2a + c2 e−bt/2a ´ a solu¸˜o geral, quando as ra´ da equa¸˜o caracter´ e ca ızes ca ıstica s˜o iguais. a

Exemplos
130

Pelo Exemplo 3. Para a segunda condi¸˜o inicial. o valor cr´ ıtico de b que separa as solu¸˜es ´ b = 1.5 Ra´ Complexas ızes da Equa¸˜o Caracter´ ca ıstica Exemplo 3. obtemos que a solu¸˜o desse problema modificado ´ ca e y = 2et/2 + tet/2 .5. 4 3 A equa¸˜o caracter´ ca ıstica ´ r2 − r + 1 = 0. mas se co o tornam negativas. 4 Encontrar sua solu¸˜o em termos de b e logo determinar o valor cr´ ca ıtico de b que separa as solu¸˜es que crescem positivamente das que crescem em m´dulo. Exemplo 3. y ′ (0) = . e logo fazemos t = 0.5.5. A primeira condi¸˜o inicial implica y(0) = c1 = 2. y(0) = 2. mas com valores co o negativos. a solu¸˜o e ızes o ca 4 2 geral ´ e y = c1 et/2 + c2 tet/2 .Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. Logo. Encontrar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca y ′′ − y ′ + 1 1 = 0. y(0) = 2. y ′ (0) = b. Logo. Assim. com valor entre 1/3 e 2.6. ca ca primeiro derivamos y = c1 et/2 + c2 tet/2 . que separa as solu¸˜es que crescem positivamente das que crescem em m´dulo. o coeficiente angular co e cr´ ıtico ´ b = 1. Considere o problema de valor inicial y ′′ − y ′ + 1 = 0.7.6 a solu¸˜o geral ´ ca e y = 2et/2 + (b − 1)tet/2 . 3 Se trocamos a segunda condi¸˜o inicial por y ′ (0) = 2 (troca de coeficiente angular ca inicial). Isto sugere a existˆncia de um coeficiente angular inicial cr´ e ıtico. e 131 . cujas ra´ sa˜ r1 = r2 = 1 . Da´ resulta ı 1 1 y ′ (0) = c1 + c2 = . 2 3 Portanto. de modo que c2 = −2/3. a solu¸˜o do problema de valor inicial ´ ca e 2 y = 2et/2 − et/2 .

3. Ent˜o ca a ′ y ′ = v ′ (t)y1 (t) + v(t)y1 (t). consideremos y = v(t)y1 (t). e ordenando os termos. Assim.6 Redu¸˜o de Ordem ca Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.1. a equa¸˜o assume a forma e ca e ca ′ y1 v ′′ + (2y1 + py1 )v ′ = 0.6 Redu¸˜o de Ordem ca Nesta Se¸˜o usaremos. Agora.6. ca 132 . veremos para um caso mais geral. pois o passo crucial ´ a e e ca e ca resolu¸˜o de uma equa¸˜o diferencial de primeira ordem para v ′ . o coeficiente de v ´ zero. n˜o-nula.5 para equa¸˜es ca e ca co com coeficientes constantes. no lugar da equa¸˜o de ca ca segunda ordem original para y. resulta em ca ′ ′′ ′ y1 v ′′ + (2y1 + py1 )v ′ + (y1 + py1 + qy1 )v = 0. Para encontrarmos a segunda solu¸˜o. desta forma teremos determinada a solu¸˜o y = v(t)y1 (t). Uma vez obtida v ′ . encontrar uma segunda solu¸˜o LI. o mesmo m´todo que aplicamos na Se¸˜o 3. por integra¸˜o enconca a tramos v. com e ca ca t > 0. Como y1 ´ solu¸˜o. da equa¸˜o diferencial e ca a ca y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. Substituindo na equa¸˜o y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. Esta ultima equa¸˜o ´ de primeira ordem para v ′ e pode ser resolvida como equa¸˜o de ´ ca e ca ca primeira ordem ou como equa¸˜o separ´vel. Suponhamos que y1 (t) ´ uma solu¸˜o. ′ y ′′ = v ′′ (t)y1 (t) + 2v ′ (t)y1 (t) + v(t)y ′′ (t). ca Este procedimento ´ chamado m´todo de redu¸˜o de ordem. Exemplo Exemplo 3. Sabendo que y = t−1 ´ solu¸˜o da equa¸˜o 2t2 y ′′ + 3ty ′ − y = 0.

(a) Resolver o problema e fa¸a o gr´fico de sua solu¸˜o para 0 ≤ t ≤ 5.6. 3 onde c1 e c2 s˜o constantes arbitr´rias. Resolva os problemas de valoroes iniciais (a) 9y ′′ − 12y ′ + 4y = 0. (c) 9y ′′ + 6y ′ + 82y = 0. Substituindo na equa¸˜o diferencial e ordenando os termos. 3. y ′ (0) = 2. y(0) = 0.6 Redu¸˜o de Ordem ca y ′′ = v ′′ t−1 − 2v ′ t−2 + 2vt−3 . Exerc´ ıcio 3. resulta ca 2tv ′′ − v ′ = 0. y(−1) = 2. Teremos que. Resolvendo esta equa¸˜o para v ′ . Considere o problema de valor inicial 4y ′′ + 12y ′ + 9y = 0. y(0) = 2. encontramos v ′ (t) = c1 t1/2 e logo ca 2 v(t) = c1 t3/2 + c2 . ca 133 . y ′ (0) = −1. temos y2 (t) = t1/2 . (d) y ′′ + 4y ′ + 4y = 0. u a ca Desprezando a constante c1 .Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Fazendo y = v(t)t−1 . y ′ = v ′ t−1 − vt−2 . y ′ (0) = 2. y ′ (−1) = 1. Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. y(0) = −1. logo podemos retir´-la. (b) y ′′ − 6y ′ + 9y = 0. 3 Segue-se a igualdade 2 y = c1 t1/2 + c2 t−1 . mas a primeira parcela fornece a solu¸˜o procurada. c a ca (b) Determinar onde a solu¸˜o tem o valor zero. y(0) = 1. y ′ (0) = −4.1.2.6. Observamos que a segunda parcela desta solu¸˜o ´ a a ca e m´ltipla de y1 .

(e) x2 y ′′ + xy ′ + (x2 − 1/4)y = 0. temos y2 (x) = 1 + x2 xn x + + ··· + . Calcular Observar que y2 (x) ´ justamente a soma das n + 1 primeiras parcelas da s´rie de Taylor e e para ex em torno de x = 0. (d) xy ′′ − y ′ + 4x3 y = 0.6. y1 (x) = x−1/2 senx. t > 0. 1! 2! n! ∫ xn e−x dx. 134 . y1 (t) = t−1 .6. Logo. mostrar que uma a solu¸˜o de ay ′′ + by ′ + cy = 0 pode assumir o valor zero.3. com c = −1/n!. Usar o m´todo de redu¸˜o de ordem para resolver: e ca (a) t2 y ′′ − 4ty ′ + 6y = 0. x > 0. Verificar que. O interessante desta equa¸˜o ´ que ela possui uma solu¸˜o exponencial e ca e ca uma solu¸˜o polinomial. ca (a) Verificar que uma solu¸˜o ´ y1 (x) = ex . ca a Exerc´ ıcio 3. Exerc´ ıcio 3.6. uma vez. y0 ) do ponto de m´ ınimo. t > 0. Exerc´ ıcio 3.6. Considere a equa¸˜o diferencial ca y ′′ + δ(xy ′ + y) = 0. Considere a equa¸˜o diferencial ca xy ′′ − (x + n)y ′ + ny = 0.4. x > 0. Se as ra´zes da equa¸˜o caracter´ ı ca ıstica s˜o reais. no m´ximo.6.3. (d) Mudar a segunda condi¸˜o inicial para y ′ (0) = b e encontrar a solu¸˜o em termos ca ca de b.6 Redu¸˜o de Ordem ca Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co (c) Determinar as coordenadas (t0 . onde n ∈ N. Exerc´ ıcio 3. y1 (t) = t2 . encontrar o valor cr´tico de b que separa as solu¸˜es que permanecem positivas ı co das que acabam se tornando negativas. y1 (t) = t. ca e (b) Mostrar que uma segunda solu¸ao tem a forma y2 (x) = cex c˜ y2 (x) para n = 1 e n = 2. t > 0. (b) t2 y ′′ + 2ty ′ − 2y = 0. y1 (x) = senx2 . (c) t2 y ′′ + 3ty ′ + y = 0.5.

7 n˜o ´ mais v´lido. mostrar que o resultado do Exerc´ ıcio 3. 2 /2 ´ uma solu¸˜o e encontrar a solu¸˜o geral como e ca ca 3. mas que todas as solu¸˜es tendem a uma constante.19). Verificar que y1 (x) = e−δx uma integral.6. podemos definir uma equa¸˜o homogˆna associada da ca ca e forma L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. que depende da a e a co condi¸˜o inicial . Se a.1 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e M´todo dos Coeficientes Indeterminados e Consideremos uma equa¸˜o n˜o-homogˆnea ca a e L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t).6.7. ca 135 . ca Exerc´ ıcio 3.19) e fornecem co ca subs´ ıdios para construirmos sua solu¸˜o geral. mas b = 0. quando t −→ ∞. mas c = 0. onde p. a e a co (b) Se a > 0 e b > 0. (3. Exerc´ ıcio 3. y ′ (0) = y0 . q e g s˜o cont´ a ınuas em um intervalo aberto I.20) Os resultados a seguir descrevem a estrutura das solu¸˜es da equa¸˜o (3.7.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.6.19) A partir da equa¸˜o (3. (a) Se a > 0 e c > 0. mas que todas as solu¸˜es permanecem limitadas quando t −→ ∞. b e c s˜o constantes positivas.8.7 n˜o ´ mais v´lido. Determinar esta constante para a condi¸˜o inicial ca ca ′ y(0) = y0 .7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e que aparece no estudo da turbulˆncia em um fluxo uniforme ao passar por um cilindro e circular. (3. mostrar que o resultado do Exercicio 3.7 3.6. mostrar que todas as solu¸˜es da a co equa¸˜o ay ′′ + by ′ + cy = 0 tendem a zero quando t −→ ∞.

20). Por outro lado.25) onde y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es da equa¸˜o homogˆnea co ca e associada (3. (3. temos que ca o (3. ent˜o co ca a Y1 (t) − Y2 (t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).19). Al´m disso. A solu¸˜o geral da equa¸˜o n˜o-homogˆnea (3. se y1 e y2 formam um conjunto fundamental e ca ca e de solu¸˜es para a equa¸˜o (3.7.20). a Demonstra¸˜o: Por hip´tese.23) pode ser reescrita por ca L[Y1 − Y2 ](t) = 0. onde c1 e c2 s˜o constantes determinadas.19).20).3.24) que afirma que Y1 − Y2 ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o (3. Se Y1 e Y2 s˜o duas solu¸˜es da equa¸˜o (3.20) pode ser expressa como combina¸˜o linear das fun¸˜es de ca ca ca co um conjunto fundamental de solu¸˜es. ent˜o a diferen¸a Y1 −Y2 a co ca a c ´ uma solu¸˜o da equa¸˜o (3. a equa¸˜o (3. resulta em co L[Y1 ](t) − L[Y2 ](t) = 0. c1 e c2 s˜o constantes arbitr´rias e Y alguma solu¸˜o espec´ a a ca ıfica da equa¸˜o na˜-homog`nea (3.23) (3.2. L[Y2 ](t) = g(t). sabemos que e ca ca toda solu¸˜o da equa¸˜o (3. Como L[Y1 ] − L[Y2 ] = L[Y1 − Y2 ]. ca o e 136 . Teorema 3.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Teorema 3. (3.22) Subtraindo a segunda da primeira dessas equa¸˜es.1.21) L[Y1 ](t) = g(t). (3. segue-se ent˜o que co a Y1 (t) − Y2 (t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).19) pode ser escrita na ca ca a e forma y = ϕ(t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + Y (t).7.20).

No caso em que for satisfeita a equa¸˜o. teremos achado a ca ca 137 . de modo ca que a equa¸˜o seja satisfeita. da equa¸˜o (3. ´ natural cham´-la de solu¸˜o co ca e a ca geral.7. ca ca e Etapa 2: Encontrar uma unica solu¸˜o Y (t) da equa¸˜o n˜o-homogˆnea. a express˜o e ca a ca a (3. Em linhas gerais o Teorema 3. e c˜ Etapa 3:Somar as duas solu¸˜es das etapas acima. ca a Logo substituimos isto na equa¸˜o (3.19).7. Esta solu¸˜o ´ ca ca a e ca ´ conhecida como solu¸ao particular. ca a e Etapa 1: Encontrar a solu¸˜o geral c1 y1 (t)+c2 y2 (t) da equa¸˜o homogˆnea associada. Esses dois m´todos s˜o conca ca a e e a hecidos como coeficientes indeterminados e varia¸˜o dos parˆmetros.25).21) ca ca Y1 (t) − Y2 (t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Demonstra¸˜o: Segue do Teorema 3.2 nos fornece um procedimento para resolver uma equa¸˜o n˜o-homogˆnea. para tal seguiremos as seguintes etapas. Portanto. e ca Observarmos que.1. que ´ equivalente a equa¸˜o (3.19). ´ v´lida se identificarmos Y1 com uma solu¸˜o arbitr´ria ϕ da equa¸˜o (3.19) e tentaremos determinar os coeficientes. resulta ca ϕ(t) − Y (t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t). ca ca e ´ E comum chamar esta solu¸˜o de solu¸˜o complementar e ´ denotada por yc (t).19). como ϕ ´ uma solu¸˜o arbitr´ria da equa¸˜o (3.21). mas com os coeficientes n˜o especificados. A seguir descreveremos dois m´todos para encontrar uma e solu¸˜o particular Y (t) da equa¸˜o n˜o-homogˆnea (3.19) e Y2 com a e a ca a ca solu¸˜o espec´ ca ıfica Y . ca a M´todo dos Coeficientes Indeterminados Este m´todo precisa de uma hip´tese e e o inicial sobre a forma da solu¸˜o particular Y (t).25) inclui todas as solu¸˜es da equa¸˜o (3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. Assim. Observamos que a equa¸˜o (3. co Nas se¸˜es anteriores discutimos o como encontrar yc (t) no caso da equa¸˜o homogˆnea co ca e ter coeficientes constantes.

senos e cosenos. resulta em ca −6ae2t = 3e2t . Em a e co particular.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co solu¸˜o particular Y (t). Substituindo na equa¸˜o (3. uma vez feita a hip´tese inicial sobre e a o a forma de Y (t). consideraremos termos n˜o-homogˆneos consistindo em polinˆmios. ca ´ E por isso que este m´todo ´ usado.7. ´ Maior limita¸˜o do m´todo: Util principalmente para equa¸˜es para as quais ´ f´cil ca e co e a escrever a forma correta da solu¸˜o particular. para equa¸˜es com coeficientes constantes e e co e cujo termo n˜o-homogˆneo pertence a uma classe relativamente pequena de fun¸˜es. De outro lado. conhecer algum m´todo de ´lgebra e co e a computacional ser´ muito util nas aplica¸˜es.3.26) Buscaremos uma solu¸˜o Y . Como a derivada de uma ca fun¸˜o exponencial ´ um m´ltiplo dela mesma. e neste caso ca a a ca deveremos modificar a hip´tese inicial. podemos supor Y (t) = ae2t . Apesar disso. a ´ co Exemplos Exemplo 3. Temos Y ′ (t) = 2ae2t e Y ′′ (t) = 4ae2t . 2 138 (3. fun¸˜es a e o co exponenciais. e tentar novamente.27) .1. Desta forma uma solu¸˜o particular ´. o Maior vantagem do m´todo: F´cil de executar. n˜o existe solu¸˜o da forma suposta. ca e 1 Y (t) = − e2t . tal que Y ′′ − 3Y ′ − 4Y = 3e2t . onde a ´ o ca e u e coeficiente que iremos determinar. Encontrar a solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ − 3y ′ − 4y = 3e2t (3. Caso contr´rio. assim teremos a = −1/2. o m´todo ´ util para resolver v´rios problee e´ a mas que tˆm aplica¸˜es importantes. em geral.26).

Y ′′ (t) = −asent − bcost. Portanto. onde a ´ o coeficiente que vamos determinar.30) Segue que −5a + 3b = 2 e − 3a − 5b = 0. onde a.29) v´lida . obtemos ca −4at2 + (−6a − 4b)t + 2a − 3b − 4c = 4t2 − 1. ou (2 + 5a)sent + 3acost = 0. Resultando em a = −5/17 e b = 3/17. para todo t. Temos a Y ′ (t) = acost − bsent.29) ´ v´lida num intervalo onde 2+5a = co a e a 3a = 0. b e c s˜o os coeficientes que iremos determinar. 17 17 Exemplo 3.7.29) As fun¸˜es sent e cost s˜o LI. Vamos supor Y (t) = at2 +bt+c. Ent˜o. Substituindo na equa¸˜o (3. 139 . Estas condi¸˜es contradit´rias significam que n˜o existe escolha da constante a co o a que torne (3. (3. (3. e Temos Y ′ (t) = acost e Y ′′ (t) = −asent. a Derivando e substituindo na equa¸˜o.3. a solu¸˜o particular ´ ca e Y (t) = − 5 3 sent + cost.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Exemplo 3. a hip´tese sobre Y (t) n˜o foi adequada.7.28) e arrumando os termos. a a o a Modificamos a nossa h´ otese sobre Y (t) e vamos supor agora Y (t) = asent + bcost.2. Substituindo na equa¸˜o (3.28) (3. resulta ca −5asent − 3acost = 2sent.28).Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. de modo que (3. Encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ − 3y ′ − 4y = 4t2 − 1. teremos ca (−a + 3b − 4a)sent + (−b − 3a − 4b)cost = 2sent. Encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ − 3y ′ − 4y = 2sent Vamos supor Y (t) = asent. onde ıp´ a e b s˜o os coeficientes que iremos determinar.

Assim. Substituindo estas igualdades na equa¸˜o (14) resulta que a e b devem satisfazer ca 10a + 2b = 8. respectivamente. vamos supor Y (t) = aet cos2t + bet sen2t. suponha g(t) = g1 (t)+g2 (t) e que Y1 e Y2 s˜o solu¸˜es particulares das equa¸˜es a co co ay ′′ + by ′ + cy = g1 (t). (3.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Igualando os coeficientes correspondentes. 140 .31) Resolvendo. Exemplo 3. a solu¸˜o particular ´ ca e Y (t) = 10 t 2 e cos2t + et sen2t. Logo. 2a − 10b = 0. 2 8 Exemplo 3.5.3. b = 3/2 e c = −11/8. a solu¸˜o particular ´ ca e 3 11 Y (t) = −t2 + t − .4. Encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ − 3y ′ − 4y = 3e2t + 2sent − 8et cos2t.7. Neste caso. 13 13 Agora. Segue que Y ′ (t) = (a + 2b)et cos2t + (−2a + b)et sen2t. Encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ − 3y ′ − 4y = −8et cos2t. Y ′′ (t) = (−3a + 4b)et cos2t + (−4a − 3b)et sen2t. ay ′′ + by ′ + cy = g2 (t). obtemos a = 10/13 e b = 2/13. Ent˜o Y1 + Y2 ´ uma solu¸˜o particular da equa¸˜o a e ca ca ay ′′ + by ′ + cy = g(t). resulta a = −1.7.

derivando e substituindo na equa¸˜o (3. Isto deve-se ao fato de que.7. y ′′ − 3y ′ − 4y = 2sent. resulta ca (4a − 4a)cos2t + (4b − 4b)sen2t = 0 = 3cos2t. 4 141 .7. devemos considerar uma forma um pouco diferca ente.6. n˜o a c ca a existe solu¸˜o particular que tenha essa forma. obtemos trˆs equa¸˜es e co y ′′ − 3y ′ − 4y = 3e2t .32).1. associada ´ equa¸˜o (3.7. resulta que a solu¸˜o particular procurada ´ ca e 1 5 3 10 2 Y (t) = − e2t − sent + cost + et cos2t + et sen2t.32) resulta −4asen2t + 4bcos2t = 3cos2t.32) Supondo Y (t) = acos2t + bsen2t.7. supondo Y (t) = atcos2t + btsen2t.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. a ca ca a e Para encontrar uma solu¸˜o de (3. 3.2 e 3. derivando e substituindo na equa¸˜o ca (3. Portanto obtemos a = 0 e b = 3/4. Observamos que n˜o existe escolha de a e b que satisfa¸a a equa¸˜o. ao resolver ca a ca ca e a equa¸˜o homogˆnea. Assim. n˜o poderia ser solu¸˜o da equa¸˜o n˜o-homogˆnea.7. Exemplo 3. y ′′ − 3y ′ − 4y = −8et cos2t.6 mostra uma prov´vel dificuldade que pode se apresentar em alguns a casos. y ′′ + 4y = 0. 2 17 17 13 13 O Exemplo 3. Pelos Exemplos 3.32) . Logo. Encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ + 4y = 3cos2t. Portanto.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Separando os termos. sua solu¸˜o geral ´ da ca e forma c1 cos2t + c2 sen2t e portanto. a solu¸˜o particular procurada ´ ca e 3 Y (t) = tsen2t.3. (3.32).

· · · . polinomial ca e ou somas ou produtos de tais fun¸˜es.7. n. que ser´ a solu¸˜o particular da equa¸˜o a ca ca homogˆnea completa. Isto ´ e ay ′′ + by ′ + cy = gi (t). onde a. a ca (III) Se g(t) = g1 (t) + g2 (t) + · · · + gn (t). b e c s˜o constantes. ca (V) Formar a soma Y1 (t) + · · · + Yn (t). ent˜o formar n subequa¸˜es. para a i-´sima equa¸˜o.33) Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. consistindo da fun¸˜o ca e ca ca apropriada. as condi¸˜es iniciais para determinar os valores das conco stantes arbitr´rias na solu¸˜o geral. ent˜o multiplicar Yi (t) por t ou (se necess´rio) por t2 . senos e cosenos.2). a ca (3.3.7. e (VI) Formar a soma da solu¸˜o geral da equa¸˜o homogˆnea etapa (I) com a solu¸˜o ca ca e ca particular da equa¸˜o n˜o-homogˆnea etapa (VI). usar o m´todo de varia¸˜o dos co a e ca parˆmetros (que veremos na Se¸˜o 3. encontrar a solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial dada ca ca 142 . a (I) Encontrar a solu¸˜o geral da equa¸˜o homogˆnea associada. Se existir qualquer duplica¸˜o na forma suposta para Yi (t) com as solu¸˜es ca co a da equa¸˜o homogˆnea. onde i = 1. 2. a e (VII) Usar. cada uma a co contendo apenas uma das parcelas gi (t). de modo a ca e a remover a duplica¸˜o. segundo o caso. Essa ser´ a solu¸˜o geral da equa¸˜o ca a e a ca ca n˜o-homogˆnea. Em cada caso. ca ca e (II) Verificar que a fun¸˜o g(t) ´ do tipo exponencial. (IV) Achar uma solu¸˜o particular Yi (t).1.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Vamos resumir as etapas envolvidas em encontrar a solu¸˜o de uma equa¸˜o diferencial ca ca n˜o-homogˆnea da forma a e ay ′′ + by ′ + cy = g(t). Caso contr´rio.

4. (d) y ′′ + 9y = 6 + t2 e3t . Determinar a solu¸˜o y = ϕ(t) da equa¸˜o diferencial ca ca   t. (e) 2y ′′ + 3y ′ + y = t2 + 3sent.7. (c) y ′′ + 2y ′ = 3 + 4sen2t. Exerc´ ıcio 3. y ′ (0) = −1.3. y(0) = 1. y ′ (0) = 0. 0≤t≤π y ′′ + y =  πeπ−t . (c) y ′′ + 4y = 3sen2t. Encontrar as solu¸˜es dos problemas de valores iniciais co (a) y ′′ + 4y ′ = t2 + 3et . para m = 1. y ′ (0) = 1. (g) y ′′ + y ′ + 4y = 2senht. (f ) y ′′ + y = 3sen2t + tcos2t. determinar uma forma adequada para Y (t) e usar o m´todo dos coeficientes indeterminados para encontrar uma solu¸˜o particular da e ca equa¸˜o diferencial dada. 143 . y(0) = 0. onde α > 0 e α ̸= mπ. ca (a) y ′′ + 3y ′ = 2t4 + t2 e−3t + sen3t. t > π. (d) y ′′ + 3y ′ + 2y = et (t2 + 1)sen2t + 3e−t cost + 4et . (b) y ′′ + y = t(1 + sent). · · · . Nos problemas seguintes. y(0) = 2. (d) y ′′ + 2y ′ + 5y = 4e−t cos2t. satisfazendo as condi¸˜es iniciais y(0) = 0 e y ′ (0) = 1. Exerc´ ıcio 3. Suponha que y e y ′ s˜o cont´ co a ınuas em t = π. Exerc´ ıcio 3.7.2.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e (b) y ′′ − 2y ′ − 3y = −3te−t . Determinar a solu¸˜o geral da equa¸˜o diferencial ca ca y +α y = ′′ 2 N ∑ m=1 am senmπt. y ′ (0) = 2. (c) y ′′ − 5y ′ + 6y = et cos2t + e2t (3t + 4)sent. (b) y ′′ − 2y ′ + y = 4 + tet .7. y(0) = 1.5.7. 3. N .Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co (a) y ′′ + 2y ′ + 5y = 3sen2t. Exerc´ ıcio 3. (h) y ′′ − y ′ − 2y = cosh2t.

Estas ra´ ı o ı ca e ızes podem ser reais e distintas. (b) 2y ′′ + 3y ′ + y = t2 + 3sent. a determinando as constantes nessa ultima solu¸˜o a partir das condi¸˜es de continuidade ´ ca co em t = π. reais e iguais ou complexas conjugadas.7. e (a) y ′′ − 3y ′ − 4y = 3e2t . ca a e e ´ Principal vantagem: E um m´todo geral. (a) Verificar que a equa¸˜o (*) pode ser escrita na forma fatorada ca (D − r1 )(D − r2 )y = g(t).3. Exerc´ ıcio 3. pode ser aplicado a qualquer equa¸˜o e n˜o e ca a precisa de hip´teses sobre a forma da solu¸˜o. primeiro. (b) Seja u = (D − r2 )y. que forneceu uma outra maneira de encontrar uma solu¸˜o particular de uma ca equa¸˜o n˜o-homogˆnea e complementando o m´todo dos coeficientes indeterminados. 7) Nos exercicios seguintes. o ca 144 .7. italiano de nascimento e francˆs de nae e a e cionalidade. onde r1 + r2 = −b e r1 r2 = c. (d) y ′′ + 2y ′ = 3 + 4sen2t.2 M´todo de Varia¸˜o dos Parˆmetros e ca a Este m´todo ´ devido ao matem´tico Lagrange. (D − r2 )y = u(t). o problema de valor inicial para t ≤ π e logo para t > π. 3. usar o m´todo descrito no exercicio 6). Um procedimento diferente para resolver a equa¸˜o diferencial ca y ′ + by ′ + cy = (D2 + bD + c)y = g(t). Sejam r1 e r2 as a ca ra´zes do polinˆmio caracter´stico da equa¸˜o homogˆnea associada. (∗) onde b e c s˜o constantes e D denota o operador derivada em rela¸˜o a t.6.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Sugest˜o: Resolver. Mostrar que a solu¸˜o da equa¸˜o (*) pode ser encontrada ca ca resolvendo as duas equa¸˜es de primeira ordem seguintes: co (D − r1 )u = g(t). (c) y ′′ + 2y ′ + y = 2e−t .

35 pelas fun¸˜es u1 (t) e u2 (t).7.7 n˜o podemos aplicar o m´todo dos coeficientes indea e terminados pois o termo cst envolve quocientes de fun¸˜es e n˜o somas ou produtos de co a fun¸˜es.7. de uma nova estrat´gica para encontrar a solu¸˜o.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Figura 3. em ca co seguida determinar estas fun¸˜es de tal maneira que co y = u1 (t)cos2t + u2 (t)sen2t. Encontre uma solu¸˜o particular da equa¸˜o ca ca y ′′ + 4y = 3csct.34. co e ca A solu¸˜o geral da equa¸˜o homogˆnea associada y ′′ + 4y = 0 ´ ca ca e e yc (t) = c1 cos2t + c2 sen2t. Precisamos. ca ca a e 145 (3.34) Notemos que no Exemplo 3. portanto. (3.35) Iremos substituir as constantes c1 e c2 da equa¸˜o 3.1: Joseph Louis Lagrange (1736-1813) Uma dificuldade do m´todo ´ ter que calcular determinadas integrais envolvendo o e e termo n˜o-homogˆneo. a e Exemplo 3. seja solu¸˜o da equa¸˜o n˜o-homogˆnea 3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3.36) . (3.7.

34). derivando e ordenando os termos.41) Assim.41). queremos escolher u1 e u2 de modo a satisfazer as equa¸˜es (3. que co podem ser consideradas como um par de equa¸˜es lineares para u′1 e u′2 . (3.37) que a ca y ′ = −2u1 (t)sen2t + 2u2 (t)cos2t. Segue ent˜o. obtendo assim duas equa¸˜es para as duas fun¸˜es u1 e u2 .38) e (3. que ser´ dada pela equa¸˜o ca a ca (3. teremos a ca y ′ = −2u1 (t)sen2t + 2u2 (t)cos2t + u′1 (t)cos2t + u′2 (t)sen2t.38) u′1 (t)cos2t + u′2 (t)sen2t = 0.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Para determinar u1 e u2 ´ preciso substituir (3. e ca mesmo sem fazer essa substitui¸˜o. ca ca J´ que temos apenas uma equa¸˜o e duas fun¸˜es a determinar. Resolvendo este co 146 .36). A segunda derivada ´ a e y ′′ = −4u1 (t)cos2t − 4u2 (t)sen2t − 2u′1 (t)sen2t + 2u′2 (t)cos2t. ca co co Mostraremos depois que ´ poss´ escolher essa segunda condi¸˜o de modo a tornar os e ıvel ca c´lculos mais eficientes.38) (3. podemos ser capazes de impor uma segunda condi¸˜o a nossa escolha. No entanto.3.37) Iremos impor uma segunda condi¸˜o sobre u1 e u2 .39) A pesar de n˜o ficar claro ainda o efeito da condi¸˜o (3.36) na equa¸˜o (3. podemos antecipar que o resultado ser´ uma unica ca a ´ equa¸˜o envolvendo alguma combina¸˜o de u1 e u2 e suas derivadas primeiras e segundas. (3.38). a Voltando ´ equa¸˜o (3.40) Agora. (3. conseguimos simplificar a a ca express˜o para y ′ . espera-se que existam a ca co muitas escolhas poss´ ıveis. ou seja . (3. De outra forma. substituindo y e y ′′ na equa¸˜o (3. temos que u1 e u2 devem satisfazer ca −2u′1 (t)sen2t + 2u′2 (t)cos2t = csct. da equa¸˜o (3.34).

e ca ca a a A expressa˜ c1 cos2t + c2 sen2t corresponde ´ solu¸˜o geral da equa¸˜o homogˆnea o a ca ca e associada e 3sent + 3 ln|csct − ctgt|sen2t ´ uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜oe ca ca a 2 homogˆnea.46) yc (t) = c1 y1 (t) + c2 y2 (t).42). vamos discutir se o m´todo de varia¸˜o dos parˆmetros pode ser aplicado a e ca a uma equa¸˜o arbitr´ria. integramos para obter u1 (t) e u2 (t). obtemos 3. sen2t 2sent 2 (3.44) Obtidas u′1 (t) e u′2 (t).7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e u′2 (t) = −u′1 (t) cos2t . temos que a ca u′2 (t) = 3costcos2t 3(1 − 2sen2 t) 3 = = csct − 3sent. substituindo esta express˜o para u′1 (t) na equa¸˜o (3.47) .41). u1 (t) = −3sent + c1 .43) Agora. Consideremos ent˜o a equa¸˜o ca a a ca y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t). 2 (3.45) que ´ a solu¸˜o geral da equa¸˜o (3. onde c1 e c2 s˜o constantes arbitr´rias. 2 (3. Logo.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co sistema.42) Substituindo este valor na equa¸˜o (3. 2 Finalmente. temos ca 3 y = 3sent + ln|csct − ctgt|sen2t + c1 cos2t + c2 sen2t. sen2t (3.34). e Agora. substituindo u1 (t) e u2 (t) na equa¸˜o (3.36). Vamos supor que (3. onde p. 147 (3. resulta ca u′1 (t) = − 3csctsen2t = −3cost. q e g s˜o fun¸˜es cont´ a co ınuas. 3 u2 (t) = ln|csct − ctgt| + 3cost + c2 .

50). vamos supor u′1 (t)y1 (t) + u′2 (t)y2 (t) = 0. (3. (3.53) Substituindo y. Assim. 148 . Derivando (3.49) seja solu¸˜o da equa¸˜o ca ca (3.49) Vamos determinar u1 (t) e u2 (t) de modo que a igualdade (3.52) Derivando novamente. co y(t) = u1 (t)y1 (t) + u2 (t)y2 (t).46) e reeordenando os termos.48) Essa hip´tese ´ importante. obtemos ca ′ ′ y ′ (t) = u′1 (t)y1 (t) + u1 (t)y1 (t) + u′2 (t)y2 (t) + u2 (t)y2 (t).48) quando tiver coeficientes constantes.7. pois at´ agora s´ foi mostrado como resolver a equa¸˜o o e e o ca (3. como fizemos no Exemplo 3.51) (3. substituimos c1 e c2 por fun¸˜es u1 (t) e u2 (t). (3. temos ca ′ ′ y ′ = u1 (t)y1 (t) + u2 (t)y2 (t). y ′ e y ′′ na equa¸˜o (3.48). obteremos ′ ′′ ′ ′′ y ′′ (t) = u′1 (t)y1 (t) + u1 (t)y1 (t) + u′2 (t)y2 (t) + u2 (t)y2 (t). Seguindo o exemplo acima. em vez da equa¸˜o (3.7. resulta ca ′ ′′ u1 (t)[y1 (t) + p(t)y1 (t) + q(t)y1 (t)] ′′ ′ +u2 (t)[y2 (t) + p(t)y2 (t) + q(t)y2 (t)] ′ ′ +u′1 (t)y1 (t) + u′2 (t)y2 (t) = g(t).49). (3.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co ´ a solu¸˜o geral da equa¸˜o homogˆnea associada e ca ca e y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = 0. (3.46).50) Analogamente. Da equa¸˜o (3.3.

encontramos as fun¸˜es procuradas co co ∫ u1 (t) = − ∫ u1 (t) = y2 (t)g(t) dt + c1 .7.55). W (y1 . W ̸= 0.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Como y1 e y2 s˜o solu¸˜es da equa¸˜o homogˆnea. W (y1 . y2 )(t) (3. W (y1 .56) e pelo processo desenvolvido na sua dedu¸˜o.54) formam um sistema de duas equ¸˜oes lineares alg´bricas co ca e para as derivadas das fun¸˜es u1 e u2 . (3. y2 )(t) u′2 (t) = y1 (t)g(t) . a express˜o acima. Se as fun¸˜es p. obtemos co u′1 (t) = − y2 (t)g(t) . e ca a 149 y2 (t)g(t) dt + y2 (t) W (y1 . y2 ) (3. Integrando as co equa¸˜es (3. esta se reduz a a co ca e a ′ ′ u′1 (t)y1 (t) + u′2 (t)y2 (t) = g(t).51) e (3.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. y2 ) ´ o wronskiano de y1 e y2 . q e g s˜o cont´ co a ınuas em um intervalo aberto I e se as fun¸˜es y1 e y2 s˜o solu¸˜es LI da equa¸˜o homogˆnea (3.46). Tal resultado ´ descrito pelo Teorema 3.3. substituindo estes valores na equa¸˜o (3. associada ´ equa¸˜o (3. obtemos a solu¸˜o geral da ca ca equa¸˜o (3. ca e Teorema 3.3.54) As equa¸˜es (3. y2 ) y1 (t)g(t) dt + c2 . Observando a express˜o (3.55) onde W (y1 .46) ´ a ca ca e ∫ Y (t) = −y1 (t) e a solu¸˜o geral ´ dada por ca e y = c1 y1 (t) + c2 y2 (t) + Y (t). y2 ) ∫ y1 (t)g(t) dt W (y1 . Resolvendo esse sistema. Observar que a divis˜o por W ´ v´lida pois e a e a y1 e y2 formam um conjunto fundamental de solu¸˜es e portanto.48).49).46). observaa ca mos duas dificuldades no uso do m´todo de varia¸˜o dos parˆmetros. W (y1 .7.56) . y2 ) Finalmente. co a co ca e a ca ent˜o uma solu¸˜o particular da equa¸˜o (3.

(d) y ′′ − 2y ′ + y = et /(1 + t2 ). ca e caso contr´rio. y2 (x) = x−1/2 cosx. Encontrar uma solu¸˜o geral em cada caso ca (a) y ′′ + 9y = 9sec2 3t.8. verificar que as fun¸˜es y1 e y2 dadas satisfazem a co equa¸˜o homogˆnea associada. Em cada caso.48) quando os coeficientes n˜o s˜o constantes). y1 (x) = x2 . logo encontrar uma solu¸˜o particular da equa¸˜o n˜oca e ca ca a homogˆnea dada. Exerc´ ıcio 3.7. 150 . Logo. Ao usar (3. o termo n˜o-homogˆneo g(t) n˜o ser´ identificado corretamente.3. Usar o m´todo de varia¸˜o dos parˆmetros para encontrar uma solu¸˜o e ca a ca particular das equa¸˜es dadas. (b) ty ′′ − (1 + t)y ′ + y = t2 e2t . (b) y ′′ − y ′ − 2y = 2e−t .9. (d) 4y ′′ − 4y ′ + y = 16et/2 . y2 e g. y1 (x) = x−1/2 senx. a a (II) O c´lculo das integrais que aparecem em na equa¸˜o (3. 25)y = 3x3/2 senx.46). t > 0. y1 (t) = 1 + t. (b) y ′′ + 4y = 3csc2t. a a e a a Uma vantagem do m´todo ´ que a equa¸˜o (3. t > 0. y2 (t) = tet .7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co (I) A determina¸˜o de y1 e y2 (ou seja.56) verificar que a equa¸˜o diferencial ´ da forma (3. y2 (x) = x2 lnx.56) fornece uma express˜o para a solu¸˜o e e ca a ca particular Y (t) em termos de uma fun¸˜o n˜o-homogˆnea arbitr´ria g(t).7. verificar sua solu¸˜o usando o m´todo dos coefico ca e cientes indeterminados (a) y ′′ − 5y ′ + 6y = 2et . x > 0. y2 (t) = et .7. t > 0. (c) x2 y ′′ − 3xy ′ + 4y = x2 lnx. ca a e a Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3. o conjunto fundamental de solu¸˜es da equa¸˜o ca co ca (3.7. Exerc´ ıcio 3.56) dependem exclusivaa ca mente de y1 . (c) y ′′ + 2y ′ + y = 3e−t . 0 < t < π/6. e (a) t2 y ′′ − t(t + 2)y ′ + (t + 2)y = 2t3 . y1 (t) = t. x > 0. (c) y ′′ + 4y ′ + 4y = t−2 e2t . 0 < t < π/2. (d) x2 y ′′ + xy ′ + (x2 − 0.

y ′ (t0 ) = 0. u′ (t0 ) = y0 . se for conhecido um conjunto fundamental de solu¸˜es para L[u]. ′ u(t0 ) = y0 . Exerc´ ıcio 3. y ′ (t0 ) = y0 . Mostrar que a solu¸˜o pode ser escrita na forma y = u(t) + v(t). ´ e y= t0 y(t0 ) = 0. v ′ (t0 ) = 0. L[v] = g(t). a co Exerc´ ıcio 3.12. 151 . ′ ′ y1 (s)y2 (s) − y1 (s)y2 (s) Mostrar que Y (t) ´ uma solu¸˜o do problema de valor inicial e ca L[y] = g(t). Observar que a fun¸˜o u ´ co ca e f´cil de se encontrar.7. y ′ (t0 ) = 0. (Isto significa que as partes n˜o-homogˆneas na equa¸˜o diferencial e a e ca nas condi¸˜es iniciais podem ser tratadas separadamente).10. ∫ t sen(t − s)g(s)ds.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. respectivamente. pode-se identificar Y com v do exercicio 4). Assim. y2 ) escolha-se o limite inferior de integra¸˜o como o ponto inicial t0 e ent˜o mostrar que Y (t) ca a torna-se Y (t) = t0 ∫ t y1 (s)y2 (t) − y1 (t)y2 (s) g(s)ds.11. onde u e v s˜o solu¸˜es ca a co dos dois problemas de valor inicial L[u] = 0.7. v(t0 ) = 0. ′ y(t0 ) = y0 . Na express˜o a seguir a ∫ ∫ y2 (t)g(t) y1 (t)g(t) Y (t) = −y1 (t) dt + y2 (t) dt. (a) Usar o resultado do exercicio 5) para mostrar que a solu¸˜o do ca problema de valor inicial y ′′ + y = g(t). y(t0 ) = 0.7.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Exerc´ ıcio 3. Considere o seguinte problema de valor inicial L[y] = y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t). y2 ) W (y1 . W (y1 .

y(t0 ) = 0.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co (b) Encontrar a solu¸˜o do problema de valor inicial ca y ′′ + y = g(t). 8) e 9) para mostrar que a solu¸˜o do problema de valor inicial ca L[y] = (aD2 + bD + c)y = g(t). t0 y(t0 ) = 0. a u Exerc´ ıcio 3. y(t0 ) = 0. ca e u ca 152 . e u a Exerc´ ıcio 3. a Exerc´ ıcio 3. y ′ (t0 ) = 0. y ′ (t0 ) = 0. Notar que as ra´zes da equa¸˜o caracter´ ı ca ıstica s˜o λ ± iµ. Usar o resultado do exercicio 5) para encontrar a solu¸˜o do problema ca de valor inicial L[y] = [D2 − 2λD + (λ2 + µ2 )]y = g(t).15. y ′ (t0 ) = 0. A fun¸˜o K depende apenas das solu¸˜es y1 e y2 da equa¸ao homogˆnea associada e ca co c˜ e independe do termo n˜o-homogˆneo. ′ y(0) = y0 .7. A integral acima ´ dita a e e convolu¸˜o de K e g e K ´ o n´cleo dessa convolu¸˜o. Combinar os resultados dos exercicios 7).7. 7) Usar o resultado do exercicio 5) para encontrar a solu¸˜o do problema de valor ca inicial L[y] = (D − a)(D − b)y = g(t). y ′ (0) = y0 . tem a forma a ∫ t y = ϕ(t) = K(t − s)g(s)ds. onde a ´ um n´mero real arbitr´rio. Observar. todos os problemas n˜oa e a homogˆneos envolvendo o mesmo operador diferencial L ficam reduzidos ao c´lculo de e a uma integral. onde a ̸= b s˜o n´meros reais.3. y(t0 ) = 0. tamb´m.14.13. Uma vez determinado K. que K depende de t − s. b e c s˜o constantes. onde a.7. y ′ (t0 ) = 0. Usar o resultado do problema 5) para encontrar a solu¸˜o do problema ca de valor inicial L[y] = (D − a)2 y = g(t).

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. (a) Mostrar que y = at2 + bt ´ a solu¸˜o geral da equa¸˜o t2 y ′′ − 2ty ′ + e ca ca 2y = 0. obtemos a solu¸˜o de (*). (c) t2 y ′′ − (1 + t)y ′ + y = t2 e2t .6) tamb´m pode ser usado e ca ca e para resolver a equa¸˜o na˜-homogˆnea ca o e y ′′ + p(t)y ′ + q(t)y = g(t). 0 < t < 1. O m´todo de redu¸˜o de ordem (se¸˜o 3. y1 (t) = t−1 . (b) A partir de (a). t > 0. Usando o m´todo esquematizado no exercicio 11). y1 (t) = 1 + t. Mostrar que 1 y= λ ∫ 0 t F (s)senλ(t − s)ds. ca Exerc´ ıcio 3. t > 0.7. (∗) desde que se conhe¸a uma solu¸˜o y1 da equa¸˜o homogˆnea associada.16. y1 (t) = t. c ca ca e ca ca Mostrar que y satisfaz a equa¸˜o (*) se v for solu¸˜o da equa¸˜o ca ′ y1 (t)v ′′ + [2y1 (t) + p(t)y1 (t)]v ′ = g(t). sujeita as condi¸˜es e ca ca co iniciais y(0) = y ′ (0) = 0. ca 153 . Exerc´ ıcio 3. t > 0. Exerc´ ıcio 3. resolver as equa¸˜es e co dadas (a) t2 y ′′ − 2ty ′ + 2y = 4t2 . ´ a solu¸˜o da equa¸˜o diferencial y ′′ + λ2 y = F (t). (d) (1 − t)y ′′ + ty ′ − y = 2(t − 1)2 e−t . y1 (t) = et . com λ constante. ca e ca ca integrando o resultado e multiplicando por y1 (t). Seja y = v(t)y1 (t). Resolvendo esta equa¸˜o. (b) t2 y ′′ + 7ty ′ + 5y = t.17.7 Equa¸˜es N˜o-homogˆneas co a e Exerc´ ıcio 3.7. encontrar a solu¸˜o geral de t2 y ′′ − 2ty ′ + 2y = te−t .7.18.7. (∗∗) A equa¸˜o (**) ´ uma equa¸˜o linear de primeira ordem em v.19.

um dos maiores cientistas experimentais ingleses do s´culo XVII. Supondo que o alongamento L da mola ´ pequeno. onde g ´ a acelera¸˜o da gravidade. e ca e c a que puxa para cima. Este ´ o primeiro passo e na investiga¸˜o de sistemas vibrat´rios mais complexos. Existem duas for¸as agindo sobre o ponto onde a massa est´ presa c a ` mola.8 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. Isto ´ conhecido como a Lei de Hooke. a for¸a da mola e c fica pr´xima deve ser proporcional a L. A for¸a gravitacional. puxa para baixo e tem m´dulo igual a a c o mg.8.3. Idealizada o e por Robert Hooke. Tamb´m existe uma for¸a Fs . A massa causa um alongamento L da mola para baixo (no sentido positivo).2: Robert Hooke(1635-1703) 154 . ou peso da massa. ca o Considere uma massa m pendurada em uma das extremidades de uma mola vertical com um comprimento original l.8 3.1 Aplica¸˜es co Vibra¸˜es Mecˆnicas co a Vamos estudar o movimento de uma massa presa a uma mola. e Figura 3. devido ` mola.

a mu′′ (t) = f (t). ´ dada por Fs = k|L + u|. as duas for¸as est˜o balanceadas. Assim. 2. Como a massa est´ em equil´ a ıbrio.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. supostamente proporcional ao alongamento total L+u. Denotemos por u(t) o deslocamento c da massa a partir de sua posi¸˜o de equil´ ca ıbrio no instante t.58). de modo que Fs ´ dada de novo pela equa¸˜o (3. A for¸a de resistˆncia ou amortecimento Fd age sempre no sentido oposto ao movic e mento da massa. podemos escrever Fs = −kL. ca c e ca 3. pela lei de Newton. Ent˜o. O peso w = mg da massa. onde k ´ a constante de proporcionalidade da e mola.58). ca Se L + u > 0. (3. seja na presen¸a de uma c for¸a externa ou seja sob um deslocamento inicial. Essa for¸a pode aparecer de diversas fontes: resistˆncia do ar ou meio c e onde a massa se movimenta.58) Se L + u < 0. pode-se medir L e depois usar a igualdade acima para determinar k. a c Estamos interessados em estudar o movimento da massa. Para se e ca c determinar f devemos considerar as quatro for¸as separadas c 1. ent˜o a mola est´ comprimida de uma distˆncia |L + u| e a for¸a da a a a c mola. sempre c age para restaurar a mola a sua posi¸˜o natural. Neste a a c caso Fs = −k(L + u). e que tende a restituir a massa m a sua c posi¸˜o de equil´ ca ıbrio ´ proporcional ´ distˆncia que separa m de sua posi¸˜o de equil´ e a a ca ıbrio. sempre agindo para baixo. e ca independentemente da posi¸˜o. A for¸a da mola Fs . (3.57) onde u′′ ´ a acelera¸˜o da massa e f a for¸a total agindo sobre a massa. ent˜o a mola est´ distendida e a for¸a da mola puxa para cima. dissipa¸˜o de energia interna devida ` extens˜o ou comca a a 155 . um peso dado. mg − c a kL = 0. a for¸a da mola ´ dada pela equa¸˜o (3. Assim. cujas unidades s˜o for¸a/comprimento.8 Aplica¸˜es co Lei de Hooke: A for¸a que exerce uma mola. ou seja. Para w = mg. Mas L + u < 0 implica e |L + u| = −(L + u). que agora puxa para baixo.

3.8 Aplica¸˜es co

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

press˜o da mola, atrito entre a massa e qualquer guia que limita seu movimento, disposia tivo mecˆnico (amortecedor). Em qualquer caso, supomos que esta for¸a de resistˆncia ´ a c e e proporcional ao m´dulo da velocidade du/dt da massa (amortecimento viscoso). o Se du/dt > 0 ent˜o u cresce de modo que a massa est´ se movendo para baixo. Neste a a caso, Fd aponta para cima e ´ dada por e Fd (t) = −γu′ (t), onde γ > 0 ´ a constante de amortecimento. e Se du/dt < 0, ent˜o u est´ diminuindo, de modo que a massa est´ se movendo para a a a cima e Fd aponta para baixo. Neste caso Fd = γ|u′ (t)|. Como |u′ (t)| = −u′ (t), segue que Fd est´, de novo, pela equa¸˜o (3.59). Assim, independentemente do sentido do a ca movimento da massa, a for¸a de amortecimento Fd ´ dada pela equa¸˜o (3.59). c e ca A hip´tese (3.59) nos levar´ a uma equa¸˜o diferencial linear e pode ser feita uma o a ca an´lise completa do sistema diretamente. a 4. Pode ser aplicada uma for¸a externa F (t), apontando para cima ou para baixo, c e dependendo se F (t) ´ negativa ou positiva. Levando em conta essas for¸as, podemos reescrever a lei de Newton (3.57) na forma c mu′′ (t) = mg − k[L + u(t)] − γu′ (t) + F (t). Como mg − kL = 0, segue que mu′′ (t) + γu′ (t) + ku(t) = F (t), onde m, γ e k s˜o positivas. a Observemos que esta equa¸˜o tem a mesma forma que ca ay ′′ + by ′ + cy = g(t). ´ E bom destacar que a equa¸˜o (3.61) ´ uma forma aproximada para o deslocamento u(t), ca e 156

(3.59)

(3.60)

(3.61)

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

3.8 Aplica¸˜es co

assim como as for¸as da mola e de amortecimento. Tamb´m, n˜o leva-se em conta a massa c e a da mola, supondo deprez´ perto da massa do corpo. ıvel Assim, o problema de valor inicial para o problema de vibra¸˜o ´ ca e

mu′′ (t) + γu′ (t) + ku(t) = F (t), u(0) = u0 , u′ (0) = v0 onde v0 ´ a velocidade inicial da massa e u0 a posi¸˜o inicial. e ca

(3.62)

Exemplos
Exemplo 3.8.1. Uma massa de 4 libras (quase 1, 8 kg.) estica uma mola de 2 polegadas (quase 5 cm.) Suponha que a massa ´ deslocada 6 polegadas adicionais e depois ´ solta. e e A massa est´ em um meio que exerce uma resistˆncia viscosa de 6 libras quando a massa a e e est´ a uma velocidade de 3 p´s/seg. (quase 91 cm.). Formular o problema de valor inicial a que governa o movimento da massa. O problema tem o formato da equa¸˜o (3.62) e suas condi¸˜es iniciais, de modo que o ca co nosso problema ´ determinar as diversas constantes que aparecem. Usaremos as medidas e inglesas, por convˆnciencia dos dados. Nas unidades de comprimento, vamos medir o e deslocamento em p´s (1 p´= 12 polegadas). Vamos supor F (t) = 0. e e Determina¸˜o de m: Temos que ca m= w 4 lb 1 = = lb − seg 2 /p´s. e 2 g 32p´s/seg e 8

Determina¸˜o de γ: Temos que γu′ ´ igual a 6 lb., quando u′ ´ e p´s/seg. Logo ca e e e γ= 6 lb = 2lb − seg./p´s. e 3p´s/seg. e

Determina¸˜o de k: A massa estica a mola 2 polegadas, ou 1/6 p´s. Logo ca e k= 4 lb = 24 lb/p´s. e 1/6 p´s e 157

3.8 Aplica¸˜es co Assim, a equa¸˜o fica da forma ca

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co

1 ′′ u + 2u′ + 24u = 0, ou u′′ + 16u′ + 192u = 0. 8 As condi¸˜es iniciais s˜o co a 1 u(0) = , u′ (0) = 0. 2 Exemplo 3.8.2. Observa-se que uma massa de 3 kg estica 153 mm uma mola. Puxa-se a massa at´ 10 cm. abaixo da sua posi¸˜o de equil´ e ca ıbrio e logo ´ solta. e (a) Estabele¸a o problema de valor inicial que descreve o movimento. c (b) Encontre a posi¸˜o da massa em termos do tempo. ca (c) Encontre a posi¸˜o, velocidade e acelera¸˜o da massa 1/2 segundo ap´s de ser ca ca o solta. Denotamos por u(t) a posi¸˜o da massa no tempo. Pela lei de Hooke temos 3 = ca k(0, 153), de onde k = 19, 6. Portanto, a equa¸˜o diferencial ´ ca e 3 d2 u = −19, 6u ou 9, 8 dt2 d2 u + 64u = 0. dt2

Como em t = 0 a massa encontra-se 10 cm abaixo da posi¸˜o de equil´ ca ıbrio, temos u(0) = 10. Al´m disso, como a massa ´ solta, temos u′ (0) = 0. Assim, o problema de e e valor inicial ´ e d2 u + 64u = 0, u(0) = 10, u′ (0) = 0. dt2 Sendo a equa¸˜o caracter´ ca ıstica r2 + 64 = 0, cujas ra´ ızes s˜o r = ±8i, temos que a a solu¸˜o geral ´ ca e

u(t) = acos8t + bsen8t. A condi¸˜o u(0) = 10 implica que a = 0, 10, de onde u(t) = 0, 10cos8t + bsen8t. ca Derivando obtemos u′ (t) = −0, 8sen8t + 8bcos8t, e a condi¸˜o u′ (0) = 0 implica b = 0. ca 158

Se for em cent´ e ımetros. 10cos8t. a solu¸˜o procurada ´ ca e 3. obtemos ca e co a = 0..3. 656) = −0. descendo com uma velocidade de 0. 10 e b = 0. e as condi¸˜es ca e co iniciais s˜o u(0) = 0.8. 2 m/seg2 dirigida para abaixo. 4cos8t. 656) = 4. 604 m/seg.2. obtemos o u(1/2) = 0. esta encontra-se 0. 10 m.2 ao inv´s de soltarmos a massa quando e esta encontra-se 10 cm abaixo da sua posi¸˜o de equil´ ca ıbrio. Suponha que no Exemplo 3. 10cos8t + 0. Notemos tamb´m que a amplitude ´ 0.8. v(1/2) = −0. Assim temos u(t) = 0. a A solu¸˜o geral ´ u(t) = acos8t + bsen8t. Usando as condi¸˜es iniciais. como no Exemplo 3.8 Aplica¸˜es co u(t) = 0. Assim. a(1/2) = −6. 6 m/seg para baixo. o Derivando a solu¸˜o temos ca v(t) = u′ (t) = −0. imprimamos uma velocidade ca ca de 0. 10 e u′ (0) = 0. Fazendo t = 1/2 e usando a f´rmula 4 rad. Determine a equa¸˜o correspondente e seguida resolva a equa¸˜o encontrada. 10(−0. 4(−0. a frequˆncia f ´ dada por f = e e e e 8/2π = 4/π ciclos por segundo e o per´ ıodo ´ T = 1/f = e harmˆnico simples). A equa¸˜o diferencial ´ (d2 u/dt2 ) + 64u = 0. observamos que 1/2 seg ap´s de ter solto a massa. = 4(180/π)◦ ≈ 229◦ . a solu¸˜o ser´ u(t) = ca a 10cos8t. 8(−0. 0656 m. 755) = 0. 075sen8t (∗) 159 π 4 seg (trata-se de um movimento . 2 m/seg 2 . 8sen8t. ca Exemplo 3. a(t) = u′′ (t) = −6. 604 m/seg e com uma acelera¸˜o de 4.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Assim. Observemos que u ´ expresso em metros. 6. 075. 0656 m o acima da posi¸˜o de equil´ ca ıbrio.8.

Portanto. 8′ = 0. e a frequˆncia 4/π ciclos por segundo.3. 5sen(8t + 0. 6.8. a2 + b 2 a2 + b2 √ a2 + b2 sen(wt + ϕ). Aqui observamos que a amplitude ´ 12. 5 cm. De fato.8 Aplica¸˜es co ou Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co u(t) = 10cos8t + 7.2 e 3. vemos e que ϕ = 53◦ . 125sen(8t + 0. ou u(t) = 12.1.8.. 9274 rad. 9274). 0752 sen(8t + ϕ) = 0. 125sen(8t + ϕ). Os exemplos 3. a No caso de vibra¸˜es livres amortecidas.3 pertencem ` classe de problemas chamados ca a Vibra¸˜es Livres n˜o-Amortecidas. 9274). 5sen8t. ´ um caso ideal que co a e dificilmente acontece na pr´tica. se u se expressa em metros. a equa¸˜o diferencial que governa o movico ca mento da massa ´ e 160 . (**) expressa-se na forma u(t) = 0. se u se expressa em cent´ ımetros. Usando tabelas trigonom´tricas ou calculadora. (∗∗) b a e cosϕ = √ . 102 + 0. onde senϕ = 0. e Observa¸˜o 3. pois F (t) = 0 e γ = 0. Usando a identidade acoswt + bsenwt = onde senϕ = √ ( ϕ ´ dito ˆngulo de fase). o per´ e ıodo ´ 2π/8 = π/4 e seg.8. se u se expressa em cent´ ımetros. 8 e cosϕ = 0. e a a solu¸˜o (*) pode ser escrita na forma ca u(t) = √ 0. 125 m. ou 0.

µ = > 0. k > 0. O deslocamento fica entre as curvas u = ±Re−γt/2m . se γ 2 −4km ≥ 0. e O caso mais importante ´ o c).8 Aplica¸˜es co mu′′ + γu′ + ku = 0. r2 ∈ C. r2 = = 2m 2m γ A solu¸˜o ter´ uma das seguintes formas: ca a a) u(t) = Aer1 t + Ber2 t . u ´ dito quase frequˆncia. se γ 2 − 4km > 0.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. Como m. temos r1 . Este movimento ´ chamado de oscila¸˜o amortecida ou vibra¸˜o amortecida. as ra´ da equa¸˜o caracter´ ızes ca ıstica s˜o a √ ( ) √ 2 − 4km −γ ± γ γ 4km −1 ± 1 − 2 . γ. logo ´ parecida com uma onda e e co-senoidal cuja amplitude diminui quando t aumenta. Fazendo e e A = Rcosδ e B = Rsenδ obtemos u(t) = Re−γt/2m cos(µt − δ). k e das condi¸˜es ca ca co iniciais. γ. o movimento vai parando conforme o tempo passar. O interesse maior ´ examinar o efeito da varia¸˜o na constante de amortecimento γ e ca para valores dados de m e de k. r1 . e e 161 . se γ 2 − 4km = 0. Por isso. em todos os casos. o par´metro µ determina a frequˆncia sea e gunda qual a massa oscila para cima e para baixo. temos r1 < 0. Este fato a simplesmente confirma que o amortecimento dissipa gradualmente a energia do sistema e. que ocorre quando o amortecimento ´ pequeno. Assim. a Se γ 2 −4km < 0. Neste caso. se γ 2 − 4km < 0. O fator R depende de m. Isto ocorre independentemente dos valores ca co das constantes arbitr´rias A e B. Assim. ou seja. a solu¸˜o u tende a zero quando t −→ ∞. mas com parte real negativa. r2 < 0. em consequˆncia. Embora o movimento n˜o seja per´ a ıodico. ent˜o γ 2 −4km < γ 2 . b) u(t) = (A + Bt)e−γt/2m . independe das condi¸˜es iniciais. (4km−γ 2 )1/2 2m c) u(t) = e−γt/2m (Acosµt + Bsenµt).

8. Assim. (c) Determinar o instante em que a massa passa pela primeira vez pela sua posi¸˜o ca de equl´brio. ı ] √ 255 255 u(t) = e−t/16 Acos t + Bsen t . Esta situa¸˜o ´ referida ´ ca e a e ca e como ”pouco amortecida”. 125u′ + u = 0. onde a ultima aproxima¸˜o ´ v´lida quando γ 2 /4km ´ pequeno. E o tempo entre dois m´ximos ou m´ a ınimos sucessivos da posi¸˜o da massa ou entre passagens ca sucessivas da massa por sua posi¸˜o de equil´ ca ıbrio indo no mesmo sentido. ligeirae ´ mente. A quantidade Td = 2π/µ ´ dita quase per´ e ca e ıodo. onde u ´ medido em p´s e t em segundos.8 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Comparando µ com a frequˆncia w do movimento sem amortecimento. Exemplo 3. e e (a) Determinar a posi¸˜o da massa em qualquer instante. Logo. a frequˆncia da oscila¸˜o. A rela¸˜o entre ca T e Td ´ dada por e Td w = = T µ ( γ2 1− 4km )−1/2 ∼ = ( γ2 1+ 8km ) . Se u(0) = 2 e u′ (0) = 0. O movimento de determinado sistema mola-massa ´ governado pela e equa¸˜o diferencial ca u′′ + 0. √ = = 1− = w 4km 8km k/m Esta ultima aproxima¸˜o ´ v´lida quando γ 2 /4km ´ pequeno. 16 16 16 255 255 √ 162 A solu¸˜o da equa¸˜o diferencial dada ´ ca ca e [ √ . Assim. ca (b) Encontrar a quase frequˆncia e o quase per´ e ıodo. 16 16 √ As condi¸˜es iniciais impicam A = 2 e B = 2/ 255. a solu¸˜o do problema de co ca valor inicial ´ e u(t) = e−t/16 ( ) (√ ) √ 255 2 255 32 255 2cos t+ √ sen t =√ e−t/16 cos t−δ .3. temos que e ( )1/2 2 µ (4km − γ 2 )1/2 /2m γ2 ∼1− γ . o efeito de pouco amortecimento ´ reduzir. pouco amorteci´ ca e a e mento aumenta o quase per´ ıodo.4.

Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. temos 1 dI + RI + Q = E(t). 06254. onde a corrente el´trica I. pela sua posi¸˜o ca √ e de equil´ ıbrio. Pelas leis elementares e da f´ ısica. O fluxo de corrente no circuito ´ regido pela lei de Kirchhoff. onde π/2 ´ o menor zero ca positivo da fun¸˜o coseno. medida em ampˆres. C (3. sabemos: A queda de tens˜o (ou de voltagem) no resistor ´ IR. 295 seg. resolvendo para t. √ A quase frequˆncia ´ µ = 255/16 ≈ 0. e e e ´ uma fun¸˜o do tempo t. a capacitˆncia C (em farads) e a e ca e a indutˆncia L (em henrys) s˜o todas constantes positivas conhecidas. de modo que δ ≈ 0.2 Circuitos El´tricos e Considere um circuito el´trico simples. = 255 2 3. 998 e o quase per´ e e ıodo ´ td = 2π/µ ≈ 6. a e Portanto. obtemos ca a 16 π t= √ ( + δ) ∼ 1. dt C L (3. A resistˆncia R (em ohms). 637 seg. ca Para encontrar o instante no qual a massa passa. e Esses valores diferem ligeiramente dos valores correspondentes (1 e 2π. a e A queda de tens˜o (ou de voltagem) no capacitor ´ Q/C. A tens˜o aplicada a a a e ca ısica que (ou for¸a eletromotriz) E (em volts) ´ uma fun¸˜o de t.8.8 Aplica¸˜es co √ onde tag δ = 1/ 255. A rela¸˜o a e ca e entre a carga Q e a corrente I ´ I = dQ/dt. pela primeira vez. Uma outra componente f´ c entra na discuss˜o ´ a carga total Q (em coulombs) no capacitor no instante t. fazemos na solu¸˜o acima 255t/16 − δ = π/2. Ent˜o. a e A queda de tens˜o (ou de voltagem) no indutor ´ LdI/dt. pela lei de Kirchhoff. obtemos a equa¸˜o diferencial ca LQ′′ + RQ′ + 163 1 Q = E(t).63) Substituindo I.64) . respectivamente) para a oscila¸˜o sem amortecimento.

66) I(t0 ) = I0 .3. a A conclus˜o importante desta discuss˜o ´ que o fluxo de corrente no circuito ´ descrito a a e e por um problema de valor inicial que tem precisamente a mesma forma de que o que descreve o movimento de um sistema mola-massa.63) segue que ca ′ I0 = (3. I0 tamb´m ´ determinado pela carga e pela corrente iniciais. Da equa¸˜o (3. e seguida substituirmos I por dQ/dt.68) ′ Portanto. A indutˆncia L corresponde ` massa m. Observe a analogia entre as quantidades mecˆnicas e el´tricas: a e A carga Q corresponde ao deslocamento u. C (3.8 Aplica¸˜es co para a carga Q.65) Precisamos saber a carga no capacitor e a corrente no circuito. a 164 . a a A resistˆncia R corresponde ` constante de amortecimento γ. 1 I = E ′ (t). L (3. em algum instante inicial t0 . (3. Resultando em LI ′′ + RI ′ + com as condi¸˜es iniciais dadas por co ′ I ′ (t0 ) = I0 . a A tens˜o ou for¸a eletromotriz E(t) corresponde ` for¸a externa F (t). basta derivar a equa¸˜o ca ca (3. Q′ (t0 ) = I(t0 ) = I0 . Podemos obter uma equa¸˜o diferencial para a corrente I. que s˜o quane e a tidades f´ ısicas mensur´veis.64 ).67) E(t0 ) − RI0 − (I/C)Q0 . e a 1/C corresponde ` constante k da mola. As condi¸˜es iniciais s˜o co a Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co Q(t0 ) = Q0 . a c a c A corrente I = dQ/dt corresponde ` velocidade v = du/dt.

02 = a e e e e 50Q. co a A solu¸˜o complementar de (*) (solu¸˜o da equa¸˜o homogˆnea homogˆnea) ´ ca ca ca e e e Qc (t) = e−6t (Acos8t + Bsen8t). segundo a lei de Kirchhoff. (a) Estabelecer a equa¸˜o diferencial para a carga instantˆnea do capacitor.8 Aplica¸˜es co Exemplo 3. Como I = Q′ . um capacitor de 0. uma resistˆncia de e e 6 ohms. temos 6I = 0. Admitindo como solu¸˜o particular a express˜o asen10t + bcos10t. Conecta-se em s´rie um indutor de 0. resulta em Q′′ + 12Q′ + 100Q = 48sen10t. a solu¸˜o geral de (*) ´ ca e 2 Q(t) = e−6t (Acos8t + Bsen8t) − cos10t. ca a (b) Encontrar a carga e a corrente no instante t.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. 5 henrys. se a carga do capacitor ´ zero. Portanto. que tende a zero. 10 5 Q(t) = Observar que o termo com o fator e−6t ´ a solu¸˜o transit´ria. quando e ca o t −→ ∞. a solu¸˜o procurada ´ co ca e 1 −6t 2 e (4cos8t + 3sen8t) − cos10t. e A queda de tens˜o na resistˆncia ´ 6I. 5 As condi¸˜es iniciais implicam A = 2/5 e B = 3/10. o 165 . (∗) As condi¸˜es iniciais s˜o Q(0) = 0 e Q′ (0) = 0.5. no indutor ´ 0. quando e ´ fechado o interruptor em t = 0. Assim. A solu¸˜o estacion´ria ´ formada pelo termo − 2 cos10t. uma tens˜o com voltagem altenada dada por a 24sen10t. 02 faradys. Ele se conserva quando ca a e 5 o termo transit´rio desaparece.8. resulta a = 0 e b = ca a −2/5. 5I ′ e no capacitor ´ Q/0. com t ≥ 0 e um interruptor. Portanto. 5I ′ + 50Q = 24sen10t.

apresenta uma for¸a de empuxo para cima cujo valor ´ igual ao peso do fluido desalojado. precisamos de uma lei f´ c ısica conhecida por: Princ´ ıpio de Arquimedes: Um objeto. Ent˜o. Nesta posi¸˜o. essa parte ´ igualmente submergida. Essa parte ´ necess´ria para equiparar o peso do cubo.8. flutua em ´guas a tranquilas (cuja massa espec´fica ´ 1000 kg/m3 ).3 Problemas Diversos Nesta se¸˜o estudaremos v´rios problemas ilustrativos que conduzem a equa¸˜es diferca a co enciais lineares com coeficientes constantes. Observar que. Para determinar esta for¸a. W . Este ´ o valor num´rico da for¸a total que tende a movimentar o cubo (esta for¸a ´ e e c c e an´loga ` for¸a de restitui¸˜o de uma mola vibrante). resulta claro que e e a existe uma for¸a adicional. O cubo colocado na ´gua. Observa-se que a caixa oscila subindo e ı e descendo. quando ´ e sumergido na ´gua. e a estando o cubo em equil´ ıbrio. o peso do cubo ´ igual ao peso da ´gua que ocupava a parte do e a cubo sumergida. Exemplo 3.8. Determinar o peso da caixa. parcial ou totalmente sumergido num fluido. Uma caixa em forma de um cubo de 3 m de aresta. n˜o equilibrada. igual ao peso da ´gua que ocuparia essa c a a regi˜o. existe uma for¸a que tende a empurrar a caixa para a ca c cima. c e Segundo este princ´ ıpio. a e quando ´ submergido. com um per´ ıodo de 1/2 seg. o peso da ´gua que normalmente ocuparia essa regi˜o ser´ 1000×x×3×3 = 9000x a a a kg. Como as dimens˜es dessa regi˜o s˜o x m por 3 m por 3 m e como a ´gua pesa 1000 a o a a a kg/m3 . Se W kg ´ o peso da caixa.3. ou x′′ + x = 0. (∗) g W A solu¸˜o geral de (*) ´ ca e √ x(t) = Acos 88200 t + Bsen W 166 √ 88200 t. temos a a c ca e pela Segunda Lei de Newton 88200 w ′′ x = −9000x.6.8 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. tem uma posi¸˜o de equil´ a ca ıbrio inicial e outra. existe uma parte dele dentro da ´gua. de altura x = x(t).

Assim. consistindo de uma massa m e um arame (ou e corda n˜o-el´stica). Fareca a co mos uma aproxima¸˜o para ˆngulos pequenos.8. ou T = T =√ . de modo que senθ = θ. Portanto. Portanto. designando sinal positivo ` direita e a c a e negativo ` esquerda. Se decompomos o peso mg nas duas componentes. obtemos W = 559 kg. Um pˆndulo simples. quando esteja ` esquerda. Escolhemos os sinais de modo que θ > 0 quando a massa esteja a a e direita da vertical e θ < 0. aproximadamente. 167 . 297 88200/W 2π Igualando esta express˜o a 1/2 seg. em magnitude a a c a e e sentido. ou = − senθ. a Exemplo 3.. determinar o per´ ıodo da vibra¸˜o.7. Supondo que o sistema pode vibrar livremente num plano vertical. Quando θ > 0. Quando a a c a massa m encontra-se em movimento. por −mgsenθ. dt2 l (∗∗) √ Sendo ±i g/l as ra´ da equa¸˜o caracter´ ızes ca ıstica associada. est´ dirigida ` direita. a equa¸˜o (*) fica na forma ca d2 θ gθ + = 0. expressando θ em ca a radianos. temos a solu¸˜o geral ca θ(t) = Asen √ √ g/l t + Bcos g/l t. uma paralela e a outra perpendicular ` trajetoria do movimento. aplicando a Lei de Newton. a for¸a resultante encontra-se dirigida ` esquerda a e quando θ < 0. atuam sobre ela duas for¸as: a tens˜o F da corda e o peso mg da massa. ca Seja θ o ˆngulo formado pelo arame e a vertical num instante qualquer.. dt2 dt dt2 l (∗) A equa¸˜o (*) n˜o pode-se resolver exatamente em termos de fun¸˜es elementares. ent˜o ´ claro que a componente a a e c perpendicular ´ equilibrada pela tens˜o F . Como o comprimento do arco ´ s = lθ. obtemos m d2 θ d2 θ g d2 s = ml 2 = −mgsenθ. Isto significa que temos escolhido a os sentidos ao longo do arco que descreve o pˆndulo.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co de onde deduzimos que o per´ ıodo ´ e 3.8 Aplica¸˜es co √ 2π W . tem comprimento l e massa deprez´ a a ıvel. a for¸a total que age tangencialmente e a ` trajetoria ´ mgsenθ. a for¸a total ser´ dada.

onde v satisfaz as condi¸˜es iniciais v(t0 ) = co u0 . Exerc´ ıcio 3.1. a a ca Encontrar a frequˆncia. u′ (t0 ) = u′0 . 6 cm) Se a massa ´ empurrada para cima. w satisfaz as condi¸˜es iniciais w(t0 ) = 0. o per´odo e a amplitude do movimento.8. com uma velocidade para baixo de 2 p´s/seg.8. Um circuito em s´rie tem um capacitor de 10−3 faradys. o per´odo. encontrar a carga Q no capacitor em qualquer instante t. e ı Exerc´ ıcio 3. 2 henrys.8. encontrar a carga Q no capacitor em qualquer instante a a t. 25 × 10−6 faradys e um e e a a indutor de 1 henry. u(t0 ) = u0 . determinar a posi¸˜o u da massa em qualquer instante t. 36 kg) estica uma mola de 3 polegadas (quase 7. pode ser expressa como a soma u = v + w.4.8.5.8 Aplica¸˜es co de onde deduzimos que o per´ ıodo T est´ dado por a Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co √ 2π T = √ . a amplitude e a fase do movimento. Um circuito em s´rie tem um capacitor de 0.8. Encontrar a ca frequˆncia. Se a carga inicial no capacitor ´ de 10−6 coulomb e n˜o h´ corrente inicial. Mostrar que a solu¸˜o do problema de valor inicial ca mu′′ + γu′ + ku = 0. um resistor e de 3 × 102 ohms e um indutor de 0. Uma massa de 3 libras (quase 1.2. contraindo a mola de 1 polegada e e depois colocada em movimento. e se n˜o h´ e a a amortecimento. determinar a posi¸˜o u da massa em qualquer instante t.3. Se a carga inicial no capacitor ´ de 10−6 e coulomb e n˜o h´ corrente inicial. w′ (t0 ) = u′0 e ambas satisfazem co 168 . e e e se n˜o h´ amortecimento. ou T = 2π l/g. Exerc´ ıcio 3. e ı Exerc´ ıcio 3. v ′ (t0 ) = 0. g/l que ´ uma f´rmula conhecida da f´ e o ısica elementar. Uma massa de 2 libras (quase 900 g) estica uma mola de 6 polegadas (quase 15 cm) Se a massa ´ puxada para baixo 3 polegadas adicionais e depois ´ solta. Exerc´ ıcios Exerc´ ıcio 3.3.

S˜o conectados em s´rie uma for¸a eletromotriz de 500 volts.8.7. (Este ´ um outro exemplo de superposi¸˜o de solu¸˜es ca e ca co de problemas mais simples para se obter a solu¸˜o de um problema mais geral). ca Exerc´ ıcio 3.8. r.8. Observa-se que o per´ ıodo e a amplitude do movimento resultante s˜o π e 3 respectivamente.6. Dee terminar a frequˆncia e o per´odo das vibra¸˜es. ca Exerc´ ıcio 3. Exerc´ ıcio 3. A e a carga Q e a intensidade da corrente I s˜o nulas quando t = 0. 2 u(0) = 2. Determinar: (a) Q e I em qualquer instante t ≥ 0. de modo que oscila. Se R cos(w0 t−δ) = r sen(w0 t−θ). ca determinar a rela¸˜o entre R. um indutor de 4 henrys e um condensador de 0. A posi¸˜o de um determinado sistema mola-massa satisfaz o problema ca de valor inicial 3 ′′ u + ku = 0.9.8.8. u′ (0) = v. 5 m. Determinar r e θ em fun¸˜o de A e B. Mostrar que a express˜o A cos w0 t+B sen w0 t pode ser escrita na forma a r sen(w0 t−θ). e ı co 169 . e cujo peso ´ 250 Kg. δ e θ. Exerc´ ıcio 3. E empurrado ligeiramente para baixo e logo ´ solto. uma a e c resisntˆncia de 20 ohms. (b) Q e I quando t seja muito grande. Um cubo de aresta 1. flutua em ´guas e a ` tranquilas.8 Aplica¸˜es co a mesma equa¸˜o diferencial que u.Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 3. a Determinar os valores de k e v. 008 faradys.

8 Aplica¸˜es co Equa¸˜es Lineares de Segunda Ordem co 170 .3.

Em seguida estudamos as Equa¸˜es Lineares N˜o Homogˆneas atrav´z dos m´todos co a e e e dos coeficientes a determinar e da varia¸˜o de parˆmetros.1 Introdu¸˜o ca No Cap´ ıtulo 2 fizemos um estudo geral de Equa¸˜es Diferenciais de Primeira Ordem. vimos que sua solu¸˜o ´ unica. co vimos m´todos de resolu¸˜o desde que soubessemos o tipo de Equa¸˜o diferencial que ese ca ca tavamos trando em sendo equa¸˜es separ´veis. Para o caso das Equa¸˜es Lineares Homogˆneas.Cap´ ıtulo 4 Equa¸˜es Diferenciais de Ordem co Superior 4. somente no co ılia co caso das lineares de primeira ordem poder´ ıamos obter solu¸˜es gerais. homogˆneas. exatas. J´ no Cap´ co a ıtulo 3. lineares. estudamos certas EDO sujeitas co ao PVI. estudamos dois tipos: e co e as que apresentam coeficientes constantes e as que os coeficientes dependem do parˆmetro a t. para isto isto desenvolvee c˜ co mos uma teoria geral para equa¸˜es lineares de ordem 2. ca e ´ Classificamos as Equa¸˜es Lineares de Ordem 2 em Homogˆneas e N˜o Hoco e a mogˆneas. ca a 171 . vimos m´todos de solu¸oes para equa¸˜es lineares de ordem 2 . Mostramos co a e que mesmo que essas solu¸˜es estivesse na forma de uma fam´ de solu¸˜es.

an (t) e g s˜o cont´ co a ınuas em um ca intervalo I ⊂ R.1) garante a existˆncia e unicidade de solu¸˜es de uma equa¸˜o difere co ca encial linear (4. y ′ (t0 ) = y0 . . . 4.2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n Uma equa¸˜o diferencial linear de ordem n ´ uma equa¸˜o da forma ca e ca dn y dn−1 y dy a0 (t) n + a1 (t) n−1 + · · · + an−1 (t) + an (t)y = k(t). . 172 . um problema de valor inicial estar´ sujeita a n condi¸˜es ca a co iniciais ′ y(t0 ) = y0 .2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n Equa¸˜es Diferenciais de Ordem Superior co Neste Cap´ ıtulo veremos que este estudo realizado para equa¸˜es de ordem 2 podem ser co generalizados para ordens superiores.2) a1 (t) .1) onde podemos supor que as fun¸˜es a0 (t). . . . . um vez que em muitos casos a prova de boa parte destes resultado a ´ uma generaliza¸˜o dos resultados de ordem 2. . . Deixaremos boa parte das provas destes e ca resultados como exerc´ ıcios ao longo deste Cap´ ıtulo. faremos um apanhado de resultados de maneira mais r´pida.1) podemos associar o operador diferencial linear L de ordem n. .1) sujeita a um PVI.2. e com a condi¸˜o de que a0 (t) nunca se anula neste intervalo. a1 (t). O Teorema (4. . pn (t) a0 (t) e g(t) = k(t) a0 (t) Notemos que nesta situa¸˜o. onde t0 pode ser qualquer ponto no intervalo I. y (n−1) (t0 ) = y0 (n−1) . dtn dt dt = an (t) a0 (t) L[y] = onde p1 (t) = (4.4. dt dt dt (4. . ca dado na forma: dn y dn−1 y dy + p1 (t) n−1 + · · · + pn−1 (t) + pn (t)y = g(t). Neste sentido. A esta equa¸˜o (4.

2. sujeito a um a ´ ca ca PVI como definido em um intervalo I.2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n Teorema 4. 173 . Sendo as fun¸˜es p1 (t). ent˜o existe uma unica solu¸˜o y = φ(t) da equa¸˜o diferencial linear (4. . . .2).1. pn (t) e g(t) cont´ co ınuas em um intervalo I.Equa¸˜es Diferenciais de Ordem Superior co 4. .

ent˜o por c´lculo co ca a a direto.2. de maneira r´pida ´ poss´vel verificar que a fam´ de fun¸˜es y = ct2 + t + 3 s˜o a e ı ılia co a solu¸˜es PVI no intervalo R+ .1) que y = 0 ´ a unica solu¸˜o em qualquer e ´ ca intervalo contendo t = 1. Exemplo 4. . Notemos que neste caso. y(0) = 4. a EDO n˜o ´ linear.2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n Equa¸˜es Diferenciais de Ordem Superior co Exemplo 4. de maneira similar como fizemos no Cap´ ıtulo 2. a e ca pelo Teorema (4.3. y(1) = 0. teremos que a combina¸˜o linear ca desta solu¸˜es tamb´m ´ uma solu¸˜o para a equa¸˜o(4. Consideremos o seguinte PVI y ′′ − 4y = 12t.3) Note que se tivermos n solu¸˜es y1 . verificar f´cilmente que y = 3e2t + e−2t − 3t ´ a solu¸˜o do PVI. a Como feito no Cap´ ıtulo 3.4.2. Segue-se.1. segue-se pelo Teorema (4.1) que a solu¸˜o ´ unica. e desta co a e forma o Teorema (4.2. y ′ (0) = 1.2. y ′ (0) = 1.3).1) que garante a unicidade n˜o pode ser aplicado. dtn dt dt (4. dadas na forma: co e L[y] = dn−1 y dy dn y + p1 (t) n−1 + · · · + pn−1 (t) + pn (t)y = 0.2. surge de maneira nutural os seguintes questionamentos: 174 . . y ′ (1) = 0. Pode-se.2. co e e ca ca Neste momento. y(0) = 3. . ca e ´ Exemplo 4. come¸aremos nosso estudo das equa¸˜es diferenciais de orc co dem superior pelas Equa¸˜es Homogˆneas. Consideremos o seguinte PVI t2 y ′′ − 2ty ′ + 2y = 6. sendo esta equa¸˜o de terceira ca ca ca ordem linear. . y ′′ (1) = 0 temos que esta equa¸˜o apresenta a solu¸˜o trivia y = 0. yn para a equa¸˜o(4. Consideremos o seguinte PVI 3y ′′′ + 5y ′′ − y ′ + 7y = 0.3).2.

    yn (t0 )     ′ yn (t0 )   .3). caso o determinante da matriz dos coeficientes seja nulo.. . ent˜o ´ poss´ a e ıvel encontrar valores y0 . y0 (n−1) de modo que o sistena n˜o tenha solu¸˜o.. . cn podem c a ser escolhidas de modo que a solu¸˜o y(t) satisfa¸a a equa¸˜o (4. . e se para qualquer ca c ca ′ co escollha t0 ∈ I. y0 (n−1) . . y0 . y0 co a 175 (n−1) . . . cn . . ′ ′ ′ c1 y1 (t0 ) + · · · + cn yn (t0 ) = y0 . ´ de que e . . . cn  y0 ′ y1               . Repare que este sistema pode ser representado matricialmente por          y1 (t − 0) ... . . . cn de modo que as equa¸˜es co c1 y1 (t0 ) + · · · + cn yn (t0 ) = y0 .. . . a ca Assim. desde que ´ determinante da matriz dos coeficientes tenha determinante n˜o nulo. Teremos que ser capazes de determinar c1 . . . .    (n−1)  (t0 ) yn              =             . ′ y1 (t0 ) (n−1) (n−1) (t0 ) + · · · + cn yn (t0 ) = y0 (n−1) . . .. onde as fun¸˜es p1 (t).     . . y1 (n−1) (t0 ) .2 Equa¸˜es Lineares co de ordem n Todas as solu¸˜es de L[y] = 0 est˜o inclu´ co a ıdas em y(t) = c1 y1 (t) + · · · + cn yn (t)? ´ E poss´ que existam outras solu¸˜es com formas diferentes? ıvel co Come¸amos a estudar esta quest˜o investigando se as constantes c1 .. . . . . . .. . . a No entanto. . y0 (n−1) O sistema pode ser resolvido de maneira unica para as constantes c1 . . . . .. ..  c1 c2 . . . .Equa¸˜es Diferenciais de Ordem Superior co 4. c1 y1 sejam satifeitas. podemos estabelecer as condi¸˜e necess´rias e suficientes para a existˆncia de co a e solu¸˜es da EDO. pn (t) e escolhas y0 . . para valores arbrit´rias de y0 .

co 176 . pn s˜o cont´ co a ınuas em um intervalo aberto I. . (n−1) . yn . e se o W (y1 . yn s˜o solu¸˜es da EDO.2. ´ necess´rio e suficiente que a e a o W (y1 . . . . . Se as fun¸˜es p1 . yn ) n˜o se anule em nenhum ponto do intervalo. yn ) ̸= 0 para. . ent˜o toda solu¸˜o da EDO pode ser expressa como uma combina¸˜o a ca ca linear das solu¸˜es y1 . . . . . . co a co um ponto t ∈ I.. . . .2. . . . . . pelo menos. se todas as fun¸˜es y1 . . . yn n˜o se anule em t = t0 .. Sendo t0 um ponto qualquer de I. .Referˆncias Bibliogr´ficas e a ′ y1 ′ y2 . y2 (n−1) . . . . (n−1) . . . . yn ) = y1 . . . ′ yn W (y1 . . a Teorema 4.