Penny Jordan Uma noite de amor Sabrina 388 Um doce momento...

Jane e Scott estavam marcados por toda a vida! Um amor antigo, uma paixão adolescente. Seria possível reviver o passado? O coração de Jane, perdido de amor, clamava para que ela se atirasse nos braços de Scott. As carícias dele transformavam em cinzas o passado que ela lutava para esquecer. Aquele encontro teria que seria o recomeço de um amor corroído pela separação e pelo tempo. Mas será que Scott pensava assim? Ou aquela noite não passava de uma diversão?
Copyright: Penny Jordan Título original: "What you made me" Publicado originalmente em 1984 pela Mills & Boon Ltd., Londres, Inglaterra Tradução: Orivan Pavan Palumbo Copyright para a língua portuguesa: 1986 Nova Cultural — São Paulo — Caixa Postal 2372 Esta obra foi composta na Linoart Ltda. e impressa na Divisão Gráfica da Editora Abril S.A. Foto da capa: Keystone

Digitalização e revisão: Márcia Goto

CAPÍTULO I O olhar cansado de Jane percorreu as caixas empilhadas e os sacos de papel. Uma ponta de melancolia lhe apertou o coração. Então aquilo era tudo o que havia restado dos sessenta anos de vida de tia Mary? Pobre Mary Cromwell. . . Vivera tão sozinha que nem mesmo Jane sabia muita coisa a respeito dela, a não ser o que revelava um velho álbum de fotografias amarelecidas. Mas fora por causa de tia Mary que Jane voltara ao vilarejo de Garston. Afinal, era sua única parenta, e não hesitara em prestar-lhe ajuda nos últimos dias de vida. Uma Vida solitária, estranha, que Jane nunca entendera bem. Com um suspiro, ela se levantou e apanhou uma das revistas de motociclismo de Simon, seu filho. Com apenas dez anos de idade, o garoto era apaixonado por motocicletas e tinha um grande interesse por mecânica e computação. Mas parecia não dar muita importância a horários, pois já passava das cinco e ele ainda não havia chegado, embora tivesse ordem de retornar às quatro. Isso atrapalhava os planos de Jane, que havia planejado voltar para Londres logo após o chá. Onde estaria Simon? Que menino! Não passara mais do que uma semana em Garston e já fizera muitos amigos. Na certa devia ter saído com eles. Aliás, vários garotos tinham ido procurá-lo pela manhã. Jane sorriu, ao pensar que, nesse ponto, era muito diferente do filho. Tinha poucos amigos e, embora algumas pessoas na vila se lembrassem dela, o único que a visitou foi o velho padre! Seu temperamento era mais parecido com o de tia Mary, que, bastante reservada, passara a vida na casa que pertencia aos Garston. Como a propriedade ficasse longe da vila, ela nunca tivera muito contato com os moradores e permanecia sozinha a maior parte do tempo. Exatamente como havia acontecido com Jane, no tempo em que havia morado lá. Ela agora compreendia como devia ter sido difícil para tia Mary arcar com a responsabilidade de criar uma sobrinha rebelde de catorze anos, chocada com a morte súbita dos pais, assassinados num ataque terrorista. Acostumada às regalias que a vida de filha de diplomata lhe proporcionava, Jane demorou a aceitar as mudanças que o destino lhe reservara. Teve que abandonar a escola particular e se contentar com as

duas apólices de seguro que seu pai lhe deixara. Naquela época, tia Mary era professora e governanta de Edward Garston, e por isso tinha permissão para viver na propriedade da família, da qual cuidava como se fosse sua. E, como os Garston fossem muito ricos, não se opuseram a que Jane fosse morar lá depois da morte dos pais. Ela se lembrava bem do luxo em que vivia a família Garston, dona de muitas terras e de uma bela residência. Mas com o tempo, toda essa riqueza se perdeu e só restaram o chalé onde morava tia Mary e a antiga mansão da fazenda. Depois disso, mais uma tragédia abalou a vida dos Garston: Edward morreu num acidente de carro e sua herança passou para um primo, Scott. Jane nunca se esquecera do dia em que Scott e a mãe chegaram à propriedade. O pai do rapaz era considerado a ovelha negra da família e na vila corria um boato que dizia que o velho Garston, avô de Scott, havia jurado não lhe passar a herança. Naquela época, Scott tinha vinte anos e, embora Jane passasse a maior parte do tempo em Oxford, estudando, lembrava-se de o ter observado algumas vezes, durante as férias. Ele vivia em sua moto barulhenta, o que deixava o avô muito irritado. Jeffrey Garston não só havia permitido a vinda da nora e do neto como também depositara todas as suas esperanças nele. E era obrigado a engolir as excentricidades de Scott, que não se cansava de trabalhar para recuperar a fortuna perdida. Por onde ele andaria agora? Jane recebera uma carta de tia Mary, informando que o velho Garston havia morrido logo depois de sua partida e que o neto fechara a mansão e partira. Tal notícia a surpreendera, pois Scott sempre parecera obstinado em fazer da propriedade um império comercial. Comentou isso na resposta que enviou à tia, contando também sobre o nascimento de Simon. E a partir daí não houve mais correspondência. Uma sobrinha solteira, com um filho, era algo incompreensível para o rígido código moral da velha senhora puritana. Foi por isso que, durante onze anos, uma não soube da outra, até que a doença de tia Mary as uniu novamente. Jane sorriu, ao pensar que, quando Simon nascera, ser mãe solteira ainda era um escândalo. Porém, hoje em dia, era um fato tão normal e corriqueiro que ninguém mais se abalava com ele. Nem mesmo os filhos dessas mulheres tinham problemas com isso, já que com a maioria dos coleguinhas acontecia a mesma coisa. No caso de Simon, mais da metade

de seus amigos de escola moravam somente com a mãe. Pensando naquela época, Jane olhou-se no espelho e fez uma careta. Como havia sido infantil, inocente! Tinha dezessete anos quando concebera Simon e era muito imatura. Mas não fazia mal. Tinha aprendido a lição e agora, aos vinte e oito anos, se tornara uma mulher madura e esperta, que aprendera a viver pelo caminho mais difícil. O que ela não notou, ao observar a própria imagem, foram as linhas do rosto, bem mais acentuadas, e um ar de reserva que lhe tirava um pouco o brilho dos olhos e escondia seus sentimentos mais verdadeiros. Quando partira de Garston, Jane tinha cabelos curtos,pois a tia achava que era mais decente. Agora, no entanto, costumava prendê-los num coque, que combinava melhor com a figura de secretária eficiente do sr. Nigel Barnes, diretor da Merrit Plastics. Mas, quando ela soltava o coque, os cabelos loiros lhe caíam sobre os ombros, formando ondas macias e sedosas que chamavam a atenção de qualquer pessoa. Até nesse ponto ela e Simon eram diferentes. O menino tinha belos cabelos pretos e por isso dificilmente alguém os veria, num olhar menos observador, como mãe e filho. Simon havia herdado quase tudo do pai, temperamento, cabelos, altura, ombros largos. Aos dez anos, aparentava treze e estava amadurecendo rapidamente. Depressa demais, talvez. Exatamente o oposto do que acontecera com Jane. Ela suspirou e voltou a prestar atenção ao espelho. Vestida com um jeans desbotado e uma velha camiseta que lhe realçava o corpo esbelto, e com um simples rabo-de-cavalo, Jane parecia ser a irmã mais velha de Simon, não sua mãe. Principalmente porque ele era quatro centímetros mais alto. Pensando no filho, ela começou a ficar preocupada. Por onde andaria? Só Deus poderia saber. Simon era um sonhador. Uma vez envolvido com uma tarefa, esquecia-se do tempo. Que ele era extremamente inteligente, já havia sido afirmado com ênfase pelo diretor da escola, que o considerava um pequeno gênio. Para o velho professor, era uma pena o fato de Simon estudar num colégio que não lhe daria chances para explorar todos os seus dotes. No entanto, embora sendo muito bom com as mãos, em assuntos mecânicos ou matemáticos, Simon enfrentava dificuldades com o inglês e as matérias da área de ciências humanas. — Sem uma nota sete, no mínimo, ele nunca chegará a uma universidade — comentava o diretor. — Uma escola

desceu a escada rapidamente. pois. o menino havia ignorado todos os conselhos maternos. o conserto ser is terrivelmente caro. no sentido de evitar caronas de estranhos. a surpreendera muito. mas não o suficiente para pagar uma escola particular. Simon sair de dentro dele. porque a fazenda ficava muito distante dos centros mais desenvolvidos. O salário de Jane era bom. aliás. Nesse momento. aquela estrada não era usada desde que uma grande empresa de computação. Aquilo era estranho. fato era que o luxuoso veículo parava em frente à casa e Jane via. encarando-o como se estivesse observando as diferenças entre mãe e filho. Fosse como fosse. a julgar pelo estrago. imaginando o que o filho poderia estar fazendo num Rolls-Royce. Mas isso não devia ser problema para o dono de um carro como aquele. Havia marcas de uma batida recente no pára-lama e. numa cidade do interior. Scott devia tê-la vendido depois de se recusar a casar-se com Mary Tatlow. surpresa. Fazia o papel de mãe e pai ao mesmo tempo. seria possível pôr Simon num bom colégio. Essa notícia. Na certa. as duas sugestões estavam fora de cogitação. Tinha que trabalhar para sustentar a si mesma e a Simon. Pelo menos era esse o desejo do avô de Scott. Ao sair para o jardim. comprara a propriedade dos Garston. Infelizmente. Assustada. Jane debruçou-s na janela e viu. a Computex. O barulho de um carro que se aproximava afastou aqueles pensamentos. com espanto. Não havia como fugir disso. filha de um milionário que poderia salvar as finanças da família Garston. De qualquer maneira. Depois . outra porta do carro se abriu e um homem caminhou na direção dos dois. porém isso a faria ficar longe do filho por muito tempo. ela notou que Simon estava quieto e bastante pálido. mas elas cobram muito caro. Jane não tinha muitas alternativas. — Scott! — Jane! Que surpresa! Quer dizer então que esse mocinho aí é seu filho? Scott parou ao lado de Simon. Se ela arrumasse mais um emprego. Morar em Londres significava ter muitas despesas. onde o professor pode dedicar mais atenção ao aluno. Afastando as lembranças da mente. segundo o padre. Outra alternativa seria um colégio menor. O coração de Jane disparou. um enorme Rolls-Royce descendo a estrada.particular talvez resolvesse o problema.

As pupilas bem azuis. Olhou para Simon e viu em seus olhos verdes um ar de culpa. se eu quisesse. o que Scott devia ter lhe dito para que estivesse tão assustado? E a batida? Certamente.. . — Oh.. cabelos longos em desalinho e cuja expressão era sempre aberta e bemhumorada. .. A mãe sentiu pena. que combinava com o Rolls-Royce estacionado em frente à casa. É. por onde andou? Eu o avisei que queria partir cedo. O menino lançou um olhar a Scott. aquele Scott não tinha nada a ver com o que usava jeans desbotados. Foi o que bastou para que o remorso a dominasse imediatamente. — Simon... . não o modificara tanto. Jane sentiu uma tristeza infinita. — Eu avisei que não tinha carta de motociclista. Então Tommy Hargreaves disse que. Jane dirigiu-se ao filho controlando a raiva e esperando que Scott não percebesse como estava irritada. — Tommy disse que sempre usa aquela estrada. Ele devia estar com trinta e cinco anos. Mas os traços marcantes não haviam mudado muito. Trajava um terno elegante. que costumavam mostrar brilho e vida. então.. embora o tempo houvesse lhe dado feições mais austeras. Pobre Simon. Jane olhou pela janela para observar de novo o pára-lama totalmente amassado. — continuou o garoto. entrando no chalé. que acusava a descendência espanhola por parte da mãe. fazer uma coisa dessas? — Juro que foi sem querer. e o mais impressionante era a falta de prazer e de calor que os olhos transmitiam. Quanto tempo se passara depois do último encontro. Fitar aqueles olhos era como admirar uma paisagem de gelo. E teria sido mais doce para com o filho se Scott não interviesse: — Eu sei onde ele esteve: invadindo propriedade alheia. Entrou na Computex. E o que é pior: bateu no meu carro. agora tinha algumas rugas e estava mais arrogante. Atordoada com a notícia. mas ele respondeu que não havia problema. Simon! Como pôde. poderia dar uma voltinha. Ele sempre fora um homem atraente e.. ao observá-lo.olhou para Jane e se dirigiu para a porta. o dano não fora causado somente pela moto. A moto estava quebrada e ajudei a consertá-la. feito sob medida. O rosto. pilotou uma motocicleta sem ter idade nem autorização para isso. . Aí. Ela se surpreendeu com Scott.. Onze anos o haviam transformado bastante.. mãezinha. agora pareciam cheias de frieza e desprezo.

e quase foi atropelado por mim. As palavras de Scott foram reveladoras. mas duvido que a polícia o julgue inocente. querido. Dissera também que desviara o carro e.então você atravessou a passagem. e isso significava que voltara a viver em Garston. agora seria um menino morto. mas o senhor . — Scott Garston.. Por quê? Ela ignorou a pergunta. Ele parecia sentir a tensão que pairava no ar. ela percebeu que Scott se lembrava.. para ele um amor de verão.. Jane se aproximou dele e notou que nada que dissesse o faria esquecer o passado. — Suba.. Jane ferira o orgulho masculino. ambos haviam se apaixonado: um romance adolescente para ela. portanto. Scott parecia querer mantê-lo vivo. e ela apenas rira. não devia ter colidido com a moto. — Scott.Ele estava dirigindo sem licença e em propriedade particular. certo? — Certo. Se eu não tivesse desviado a tempo. há onze anos. saindo inesperadamente de trás das árvores. . Afinal. A voz preocupada de Simon interrompeu os pensamentos de Jane. — Mãe.— . Jane. — Você disse que desviou a tempo. Jane abraçou o filho. e que a faria pagar por aquilo. Jane não acreditou estar ouvindo aquilo tudo. senhor. há muito tempo. Ele havia dito que estava indo para casa. Milhares de libras! Como Scott poderia ser cruel a ponto de lhe arrancar até o último centavo? Ele havia jurado vingança. No entanto. Ele parecia um garotinho frágil e amedrontado. porém logo percebera que se enganara e dissera-lhe que amava outro homem. que estava indo para casa.. e as palavras de Scott mostravam que ele ainda não a perdoara. Ela havia jurado amor eterno. Isso vai lhe custar alguns milhares de libras. . Ele tinha o direito de estar ressentido. queria puni-la e talvez tivesse razão. Será que ele se lembrava da distante tarde de verão em que Jane comunicara que iria embora? Ao fitá-lo. . quando dissera adeus. .. o que significa que não foi Simon quem amassou o carro. Vejo que não contou muito a seu filho sobre sua vida. sim. — Foi um acidente. acariciando-o. Você ainda não fez as malas e quero . pois nunca poderia imaginar o que o futuro lhe reservava. Tentei explicar. mãe.

— Scott. Afinal. Sabe. Tenho certeza de que ele não sabia que estava invadindo uma propriedade particular. Jane encarou Scott e começou. fugiu com Geoff Rivers. claro. me senti vingado! . Então. — Você o quê? Errou? Quando descobriu isso? Quando Geoff recusou-se a casar por causa do filho que você carregava? Ora. principalmente em se tratando de danos à propriedade privada. Scott sabia perfeitamente a idade de Simon. irritada. No Natal ele já estava de volta a Woolverton e na primavera casou-se com Mary Tatlow. Sua tia Mary ficou muito desapontada. Além do carro. . haverá uma multa por invasão. Imaginei que seu amante a tivesse levado para algum lugar bonito. . certo? Depois. com voz firme e controlada: — Sinto muito pelo que aconteceu. O juizado de menores daqui é bastante conservador. não foi? Quando fiquei sabendo disso. foi até engraçado. Porém. se eram as palavras ou o modo como eram ditas. Disse que não poderia se casar comigo porque amava outro. sabe? Disse que nunca mais queria vê-la. você disse. que havia outro.. Estamos aqui há pouco tempo e Simon não conhece a região. Contou-lhe que havia feito amor comigo? Ou ele não se importava? Afinal. . — Invasão! Foi um acidente! — Você conseguirá provar o que está dizendo? Posso inclusive declarar que foi proposital. Sul da França. Quanto tempo ele levou para perceber que não a amava? Não muito. eu. sabe? Ainda posso ouvila falar.partir o mais breve possível. valia? Quando descobriu que meu avô me deserdaria. eu não valia nada. o garoto se retirou. se nos casássemos.. pensei que você nunca fosse voltar. Estava preparado para deixar Garston e desistir de tudo. ele a deixou. Jane não sabia o que doía mais. por que você voltou? — Porque não me achei no direito de abandoná-la quando soube que estava doente! — Não minta! Você nunca soube o que é lealdade! Por que agora vem posar de boazinha? O tom de Scott era gelado. Você faz idéia do que isso representou para mim? Desafiei meu avô por sua causa. — O que está tentando dizer? Que ele se enganou? Qual é a idade dele? Doze? Treze? — Dez — respondeu ela. para você. com uma voz toda melosa. . a julgar pela rapidez com que a abandonou. de ter dito que esperava um filho dele. — Ele parece bem mais velho. Então. Visivelmente contrariado.

Nada parecia racional e era impossível ignorar o ódio do antigo namorado. . até hoje não consigo entender por que você se entregou a mim. Se tivesse ficado comigo. Jane parecia calma. Você se divertiu muito às minhas custas. a qualquer custo. consegui algo. sim. Ela sentia-se muito mal.. sua leviana. — Quem disse que vou usar o garoto? É você quem vai pagar. Ao ouvir Scott pronunciar essas palavras. hoje seria uma mulher rica. reergui a fazenda. Agora chegou a minha vez e vou recuperar tudo. Digame. — Por favor o quê? Quer que eu perdoe seu filho? Muito bem. Estava perdendo o controle e não queria se lembrar de mais nada. — Você já me custou muito. afinal. Meu avô me ajudou um pouco e. Como me iludi! Você se divertiu. — Scott. Jane sentiu um torpor envolvê-la.. a senhora de tudo! De mim e de Garston. e. por favor. Jane. — Sabe. Como vê. . mas estava pálida como cera.— Posso imaginar. Jane. . ... desolada. — Não quero falar sobre isso. — Então quer falar de quê? De como vai pagar o conserto do meu carro? Meu carro. Apenas imagine como as coisas seriam se você não tivesse fugido: madame Jane. teria conseguido mais de Geoff. com alguma sorte. mas que azar o seu. é claro!.Eu estava me esquecendo de Geoff. . Então o que sugere que eu faça? Que simplesmente esqueça? Ela fez que não com a cabeça. . — Oh. se não puder ser em dinheiro. Não é justo. . Jane. . Sabia que ele possuía poder suficiente para prejudicar Simon. mas quero algo em troca. . . mas não tenho dinheiro para pagar o conserto. e desta vez eu vou rir por último! — Ouça. deixando-me pensar que me amava enquanto. — O quê? . sinto muito. com relação ao carro. Não é direito. Tinha que fazê-lo parar com aquilo. você não pode usar meu filho como instrumento da sua vingança. . despertando-lhe lembranças de fatos que ela preferia esquecer. será de alguma outra forma. não da Computex. Ah. Se fosse virgem. o que valia mais para você? Eu ou a propriedade? — Nenhum dos dois! — Ah. a Computex é minha. — Scott. A força daquele ódio a atingia como um punhal. .

aqui em Garston. . Como Scott podia saber tanto a seu respeito? — Peça demissão e venha trabalhar para mim. . Que fazer agora? Revoltar-se contra ele? De que adiantaria? Afinal. ele sentenciou: — Pense de novo. Não venha me dizer que Geoff foi o último homem de sua vida. devagar: — Muito bem. disse-lhe. fazendo-a gemer de dor. e. se é isso que você quer. — Nunca! Um silêncio terrível tomou conta dos dois. mas ajudá-lo. . Se o garoto não conhece a mãe que tem. Não foi assim com Geoff? Você trabalhava para ele. Quero humilhá-la da mesma maneira como fui humilhado e não deixarei escapar esta chance. ficaremos. — Decida-se. Ou vem para mim e faz tudo o que eu quiser. ou mando seu filho para a polícia. Jane notou o triunfo da vingança tão esperada. e Jane considerou que. ao fitar os olhos de Scott. Seu silêncio confirmou sua submissão e.— Você trabalha como secretária em Londres. Momentos depois. — Dormir comigo? Claro que pode. O sacrifício será seu. Esperei com ansiedade por uma oportunidade como esta. não é? Jane ficou perplexa. . Ela percebeu que não tinha escolha. Tendo essa esperança em mente. — Não faça isso comigo! Preciso conversar com Simon! Não posso decidir tudo assim. mas Scott o evitou a tempo. Uma mulher que tinha dois amantes ao mesmo tempo nunca. Segurou-a. que falava calmamente em vingança e parecia não conhecer o significado de palavras como "pena" e "compaixão". — Não posso trabalhar para você e. uma pessoa dura. está na hora de saber. e agora.. — Qual é o problema com a escola local? Não é boa o . Não me importa se envolverá seu filho também. quando começaram a dormir juntos. Jane levantou a mão para dar-lhe um tapa. conseguiria esclarecer o passado. E mais alguns serviços. Mas tudo tem seu lado positivo. fria. não a ouviria nunca.. não é? Quero sua resposta. . Ia fazer Scott entender que não fora sua intenção magoá-lo. se ficasse. Terei que encontrar um lugar para morar e uma escola para Simon. às pressas! — Pode e vai. . — Como sua secretária? — Exatamente. caso contrário levarei Simon à polícia e farei uma ocorrência.

— Voltarei amanhã para levá-los para casa. Mas. — Ele se foi? — Sim. Scott já tinha ido embora. me conte tudo. ele pareceu estar vivendo cenas de onze anos atrás. Mas não será nada. quanto sofrera há onze anos! Mas quem sabe agora conseguiria fazê-lo esquecer a amargura e o ressentimento? Talvez Scott se apaixonasse novamente. — Sabe o quê? — Que é meu pai. quando se voltou e disse com ironia: — Isso vai causar um comentário dos diabos lá na vila. Oh. Era uma vez. Não se preocupe com a casa. Simon estivera muitas vezes na vila... . mamãe. — Me conte tudo. havia jurado que esqueceria Scott. principalmente agora que iriam viver ali. Você não lhe contou que é meu pai? Li no meu registro de nascimento. . Por que não? Uma esperança animou-lhe o coração. quando o ex-namorado aparecera? Será que ainda o amava? Oh. Nunca liguei os fatos até virmos para cá. por favor.. será que tinha conseguido? Por que não se relacionara mais com homem algum? Por que tremera tanto. Ela devia explicar ao filho.. Scott Garston aquilo. querido. — Já ia saindo. não me aborreça. . Jane sorriu para o filho e abraçou-o. Uma lágrima rolou pelo rosto cansado de Jane. em finais felizes para tristes histórias de amor. perdida em pensamentos. Jane empalideceu. há algum tempo. sem responder às indagações do menino. . por que concordara com tamanho absurdo? Talvez porque ainda fosse tola o suficiente para acreditar em contos de fadas... de maneira alguma. Quando Simon desceu. Não tente fugir. que insistia: — Vamos. — Está bem. Só se ouve Scott Garston isso. mas ela nunca poderia imaginar que fosse fazer uma descoberta dessas. — E ele não sabe? O tom de voz do menino era intrigante. Quero toda a história.. Seu rosto transmitia amargura e tristeza. Irei atrás e não serei generoso. Sentou-se.. Vocês vão morar comigo.suficiente para seu filho? Ora. comparado à confusão que você causou quando fugiu com Geoff. com o coração doendo. — Por um momento. e ela olhou para Simon. mãezinha. Quando deixara Garston. .

desde o princípio. enquanto observava o rostinho de Simon. através dos . sem a qual não teria sequer mandado o filho estudar na universidade. que ouvia. Jane tomara a iniciativa de tocá-lo e abraçá-lo. a história que a mãe lhe contava. Fora o suficiente para que Scott a convidasse para uma visita à biblioteca dos Garston. Eles eram dois jovens solitários que haviam se conhecido e se apaixonado sem reservas. tudo parece mesmo um conto de fadas". O primeiro beijo fora dado por ela e os fizera tremer de emoção. observando-a de quando em quando. Scott a pedira em casamento antes mesmo de terem feito amor pela primeira vez. Jane logo conheceu a mãe dele. "É. Ele parecia entender que Jane guardara com carinho. os músculos rígidos. Desde a morte do marido. E. contado desse jeito. até que resolveu ir ao seu encontro e se apresentar. Lá poderiam pesquisar a história do velho Abbey. — Eu te amo. Jane se lembrava muito bem de quando conhecera Scott. a boa senhora dependera da ajuda financeira do sogro. Afinal. No entanto. tudo parecera um conto de fadas. Dissera que tinha planos. mas sabia que haviam soado como uma linda canção. Era o que Jane queria. casar-se com ele e viver em Garston. vítima da reforma religiosa de Henrique VIII. partilhando pensamentos e confissões. embora parecesse sentir vontade de fazê-lo. queria sentir a pele queimada de sol. com quem simpatizou de imediato. esperanças e que contava com a ajuda da namorada para realizá-los. Sabia também que a solidão em que ambos viviam intensificara aquele amor. A conversa fluíra naturalmente e eles logo descobriram um interesse mútuo pela Renascença. fascinado. Scott deixara claro que gostava de Garston e que pretendia lutar pela recuperação da propriedade. aos poucos. Um relacionamento profundo se mostrara inevitável. Scott não ousara tocá-la. Ela não se lembrava quem dissera aquelas palavras primeiro. Ela estudava no jardim e ele passeava por ali. Eva Garston.CAPÍTULO II Há mais de onze anos. a amizade que se iniciara de forma tão romântica foi cedendo lugar à paixão e ao amor. pensou Jane. que herdara de forma tão trágica.

— Por que ele não se casou com você. Se tivesse ficado comigo. Jeffrey Garston era um homem antiquado e preconceituoso. — Mais do que a você. a falta de dinheiro. Decididamente. melhorando de posto e de salário. magro e . embora não soubesse do que se tratava. Teria que esperar muito tempo para ser operada num hospital público. mãe? — Não. Ela sofria de artrite e precisava submeterse a uma cirurgia delicada para voltar a andar.anos. mamãe? Por minha causa? Os olhos do menino transmitiam aflição.. Se soubesse que era seu pai. O fato de estar sozinha com o velho a incomodava. . as cenas começaram a vir à memória de Jane. Ele era baixo. E ele amava tanto Garston. ela tentou logo explicar: — Foi para o bem de Scott. O avô não gostava muito dele. Apenas de outra maneira. . . . encontrara um trabalho no qual subira rapidamente. Com a ajuda das voluntárias da Casa. aquelas lembranças bonitas. o nascimento de Simon na Casa da Mãe Solteira. — Não foi nada disso.. provavelmente teria perdido a herança.. Ao ver a dor que essa afirmação causou em Simon. nada o teria impedido de se casar comigo. A mensagem do velho chegara logo após o café da manhã. Ela não sabia do namoro de Jane e concluíra que o motivo do chamado seria alguma pequena transgressão da jovem. Jeffrey sempre a deixara nervosa. meu bem. E então o velho descobriu o nosso namoro e mandou me chamar. Naquela época era mais fácil conseguir um emprego. Jane se lembrou de que fora conduzida à biblioteca. mas o avô de Scott havia prometido pagar as despesas de uma clínica particular. Com um suspiro. Ao se lembrar daquele dia. Jane aprendera taquigrafia e datilografia. Scott queria se casar antes mesmo de você nascer. Aquilo serviria para colocá-las no devido lugar. Havia também um problema com Eva.. como andar de bicicleta perto da mansão ou da entrada principal. recusando-se a esquecê-las e encontrando nelas o conforto nos vários momentos difíceis que enfrentara: a chegada a Londres. mas eu lhe disse que você era filho de outra pessoa. Uma das condições impostas para que tia Mary ocupasse o chalé era a de que ela e a sobrinha se utilizassem do caminho secundário. Depois que Simon nascera. e tia Mary de imediato repreendera a sobrinha.

por favor. Ele não a convidara para sentar nem tivera qualquer outro gesto amistoso. Jane começou a pensar na primeira vez que fizera amor com Scott. filho. quando a voz de Simon a trouxe de volta à realidade: — Continue.. Jane. Ao ouvir isso. — Se você soubesse a meu respeito. Jane jamais se esqueceria delas. enlouquecidos de paixão. Desde o início do nosso namoro. Naqueles momentos. . para ele. Seu pai sempre quis ficar comigo. A mãe de Scott era doente. O que aconteceu na biblioteca. o beijo ao mesmo tempo selvagem e doce que trocaram. . eu não sabia que estava grávida e pensei que não valia a pena. nem medo. Naquela época. — Agora você terá que se casar comigo. ele dizia isso. teria mudado de idéia ? . ditas num instante doce. o abraço apertado. . Os olhos eram parecidos com os do neto. o mundo era deles. só deles. os corpos colados que procuraram a cama. mas o avô sabia quanto seu neto amava a fazenda e tinha certeza de que.. Naqueles momentos mágicos não existiam regras morais conservadoras. Palavras doces. o avô vivia fazendo ameaças. E sua tia não poderá dizer não. se eu não estivesse lá para atrapalhar. Para ganhar coragem e enfrentar Jeffrey. — Tente entender. Suados. . Lembrou com detalhes do quarto dele. caso as duas famílias se unissem. Simon perguntou. . jogar tudo fora por mim.tinha cabelos muito brancos.. . — Mas por que você concordou? Por que não contou tudo a meu pai? Seria difícil explicar a Simon como ela havia se sentido ao pensar que seria a causa da infelicidade de Scott. que se uniram em gritos roucos. quando o orgasmo os abençoou. os dois haviam se entregado sem reservas às belezas e aos prazeres do amor. mamãe. Scott não conhecia nada a respeito daqueles planos. e veio-lhe à mente o brilho apaixonado dos olhos de Scott. da linda paisagem que se descortinava da janela. . Estava enlevada com essas recordações. Era como se isso a fizesse mais forte perante o velho. embora fossem frios. tudo daria certo. . com o velho Garston? — Ele me disse que desejava um bom casamento para Scott. severos. nem repressão. de preferência com a filha de um amigo muito rico que havia prometido salvar as finanças da fazenda. Mas a situação era muito delicada. Então continuou a recordar. .

e. naquele momento. . bem pior.Foi quando descobri que estava grávida. um garotão metido a galã que desfilava pela cidade com seu carro de luxo e era filho de um poderoso homem de negócios. buscando forças para lançar o argumento final: — Você não tem sido meu único companheiro. Jane percebeu como o preço daquela decisão havia sido tremendamente alto. se eu simplesmente dissesse que não o amava mais . — Pare com isso. No entanto. Então . Mas veja bem: Scott havia acabado de se formar e ainda pretendia estudar computação. . Ele a encarara . — 0 quê? Por favor. Scott não acreditaria em mim. Ah. O rosto de Simon ficou branco. .Concluindo que o menino não havia se convencido. . sabe? Foi apenas o primeiro.. segurou-lhe as mãos e resolveu que seria melhor contar toda a verdade: — Não foi bem assim. pois sabia que. então eu lhe disse que a criança não era dele. — É mentira! — Não é não! — Então prove! A voz de Scott transmitia toda a dor e a agonia que a revelação lhe havia causado.. . como você pôde fazer isso? — Foi fácil. Jane? O primeiro nome que lhe viera à cabeça fora o de Geoff Rivers. tive um caso com outra pessoa e acabei engravidando. Ainda podia se lembrar de como fora dolorosa a conversa que tivera com Scott. se ele soubesse que era o pai. . Jane! Não venha dizer que já está cansada de mim. . . se ele soubesse que uma outra revelação. — Ouça. estava por vir. não havia sido assim. . Se naquela hora Scott tivesse percebido que ela estava mentindo e dissesse que tinha certeza de que era o único homem de sua vida. diga que é mentira! — Mas é verdade. Fiquei desesperada. — Geoff? Jane. — Quem é ele. . Sei que me ama e que quer ser minha mulher! — Pois você está enganado. apesar das explicações. Jane se aproximou dele. nunca me deixaria partir. . você não sabe o que está dizendo! — Claro que sei! — afirmara Jane. ultimamente. . Já estou farta de você e de sua querida Garston! — Deus.

É isso o que ele quer.friamente. dizendo: — Fico enojado só em pensar que quase abandonei tudo por você! — Bem. E ele sabia. Simon. não é? Afinal. mesmo assim. Porque o amava demais. Estava zangado porque pensava que eu o havia traído. Estávamos conversando a respeito dele quando Rob mencionou o nome de Scott. Jane sentiu-se angustiada. Está mudado e agora me odeia. dizendo que já fazia muito tempo que tudo acontecera e que as coisas haviam mudado. quando veio me procurar. — Mas quer que fiquemos aqui. Simon ficara sabendo por conta própria quem era seu pai e. Eu o magoei muito. e ele não se casou com a tal Mary. Foi o Rob Harrison quem me contou. parece que foi melhor para todos. — Demais. — Você realmente o amava. eu achava que você era uma pessoa divertida. mas na realidade é um chato. e eu o reconheci. deixando um bilhete para a tia. Não é casado. — Você ainda o ama.. Queria saber mais e. — Mas você não o traiu. nunca havia tocado no assunto. Você sabe que muitas pessoas. No mesmo dia. Em seguida. ao se sentirem magoadas. sem olhar para trás. arrumara as malas e partira. Jane recebera um envelope com quinhentas libras dentro. mãe? Simon continuava pálido e confuso.. se ele não podia conhecer o significado de uma família completa.. Scott saíra. — Foi por isso que o deixei. pelo menos teria o conforto de saber que fora concebido num momento de amor. Sentira náuseas. fazem de tudo para se vingar. mais tarde. — Divertido? Foi por isso que saiu com Rivers? Por diversão? Por que não lhe conta a respeito do bebê? Acho que ele não vai achar muita graça nisso! Sem dizer mais nada.. Jane o acariciou. O menino insistiu: — Talvez ele ainda ame você.. — Isso não significa que me ame. . E se você lhe contasse a meu respeito? — Não adianta. Eu ouvi quando ele disse. mãe? Ela sentiu uma ponta de esperança naquela pergunta e fez que não com a cabeça. Ele não acreditaria em mim. rasgara as notas e as enviara de volta ao remetente.. Percebia que. quando parti. Nunca mais encontrara ninguém de Garston.

. Resolveu escrever algumas cartas. Mas seria ainda pior ver Simon preso numa casa de recuperação de menores. Será que ele a amara tão intensamente quanto dizia? Ou simplesmente tinha confundido os próprios sentimentos Fosse como fosse. Estou vivo e tenho um pai.. — Oh. é porque nunca amou você. e Jane achou sensato aconselhar-lhe para que não se entusiasmasse muito e que não comentasse nada a respeito. querido. mas me chamaram de maricas. não teríamos que ficar aqui. Simon estava fascinado com os acontecimentos. Jane sorriu. Simon havia tocado na ferida mais profunda de Jane. Ela sabia que. Com ninguém. já estavam pequenas. . isso não importava agora. nos últimos meses. Seria impossível pagar os danos do carro. Seria para seu próprio bem. Tudo não passava de lembranças. Poderia alugar o . Tentei recusar. — Não sei. lágrimas rolaram pelas faces de Jane. você acha que ele não vai me querer? É. Vou dormir. Descobrir quem era seu pai o deixara emocionado demais. Ele crescera muito. Não direi mais nada. apesar de novas. — Não temos muitas opções. está bem. — Simon. Scott não teria escrúpulos em levar o caso adiante. Precisamos ficar. quando ela ouvira as insinuações e os ataques de Scott.— Se ele deseja machucá-la. mas preferiu não atormentar o filho com esse tipo de preocupação. Mas acho melhor esquecermos o passado. — Eu gostaria de ficar aqui. se tentasse partir. seria difícil fazer o garoto entender. aborrecido. Simon! Se você não tivesse pilotado aquela moto. como recompensa. o homem gentil e carinhoso que Jane conhecera não existia mais. — Oh. Dizendo isso. Pronto. mãe. — Eu não sou passado. pois não conseguira dormir. Enquanto ele subia para o quarto. Tommy disse que eu podia dar uma volta nela. — Mamãe.. e as roupas que usava. será que ficar em Garston seria bom para Simon? Mas não havia opções. Bom Deus. encolheu os ombros.. . Jane levantou-se cedo. meu bem. O que esteve fazendo? — Consegui consertá-la e. Afirmou que ninguém usava aquela estrada e que não havia problemas. — Por que será que ele nos quer aqui? Jane poderia ter respondido que era para humilhá-la e fazê-la sofrer. ferida que havia doído bastante.

como esperava. Jane disse adeus a sir Nigel e desligou o telefone.. . Perdida em pensamentos. Jane riu do comentário. ouviu-o dizer que não aceitava o pedido de demissão. — Com Scott Garston. . Quando Scott soubesse sobre o filho. ao afirmar que havia outras secretárias na firma com capacidade para ocupar a vaga.. No entanto. esperto como uma raposa.. No fundo. cansado. que já tinha trabalho demais com a Computex. Alto. agora que o primeiro choque havia passado. Ele é o presidente da empresa. Quem sabe a revelação fizesse de Scott um homem menos amargurado? Foi pensando nisso que Jane pegou o velho telefone do chalé e ligou para o patrão. . portanto é melhor deixar você livre. o fato de Simon ter descoberto tudo e haver deixado claro que gostaria de ter um relacionamento com o pai pesava em sua decisão. se está mesmo decidida a não voltar. por quanto tempo? Não fazia idéia das intenções de Scott. mas. — Na Computex. certa vez. Nesse instante.. quando Jane disse que decidira ficar em Yorkshire —. mas sabia que sir Nigel era um homem que não se convencia tão facilmente. Mas acabou convencendo-o. sir Nigel era um homem famoso pela perspicácia com que conduzia os negócios e ela duvidava de que alguém ousaria tentar passá-lo para trás. surgiu uma boa proposta de emprego.. ela se lembrava de mais detalhes a respeito da companhia. Eu não gostaria de ser inimigo dele. Muito menos Scott. Aliás. Não quero que Scott declare guerra à minha Merrit Plastics. mas. o cérebro que conduz a companhia. e evitou o olhar da mãe enquanto . mas um tanto triste. Tem se dado muito bem e recentemente conseguiu ganhar duas concorrências. — Sei. como já lhe disse. na certa iria rejeitá-lo. Com o coração apertado. viu Simon descer. Mas não era justo negar a Simon a chance de falar francamente com o pai. moreno.apartamento de Londres com certa facilidade. sei. embora não tivesse nenhuma referência a Scott. — Simon quer ficar aqui e. Lera uma longa reportagem num jornal especializado. — Você é a melhor secretária que já tive — murmurou ele.. não é? É uma excelente firma. Acho que o encontrei uma vez. Com quem você disse que vai trabalhar? Jane não havia dito com quem. . ela não alimentava ilusões de que a vida ali seria fácil. Ainda parecia pálido. explicou que não iria voltar e.

— Ao ver a expressão dela. não é? — disse. não tinha? Causava mais impressão do que a moto. — Vocês morarão comigo. Jane aproveitou a pausa para sugerir: — Estávamos pensando em ficar aqui no chalé. De qualquer maneira.. Ao ver Simon. — Bem. Você deveria ter ficado comigo. mas nunca a teria abandonado. Parti logo depois que você se foi e o velho me deserdou do mesmo jeito. — Geoff Rivers tinha um igual. não teria feito diferença alguma. meu único transporte. se você já se comprometeu com outros . aliás. não é? — ironizou Scott. com um certo ar de censura. Dessa vez não era um Rolls-Royce. — Ele era loiro como você. Já parou para pensar que poderíamos ter tido um bebê? Mas você não queria um filho meu. na sede da fazenda. além disso.. Seria capaz de convencer Scott a deixá-los ali? No mesmo instante. — Acha que eu estava preocupado com isso? Eu te amava demais. — Quer dizer então que vamos mesmo ficar. naquela época. Vou procurar o diretor do colégio daqui para saber se há uma vaga para você. se não me engano. Vou arrumar minhas coisas. — Não era isso que você queria? Terei que ligar para a sua escola. tudo bem. Ainda bem que estamos no meio do ano. Vim buscálos. Era Scott. para que o menino não ouvisse: — Por quê? Para receber seus amantes discretamente? Não. — Não está se lembrando desse carro? — perguntou ele friamente. demonstrando ter ouvido a conversa. — Seu avô o teria deserdado. — Seu filho não se parece muito com Geoff Rivers. — Tive que comprar Garston da National Trust. mas uma linda Ferrari. Já prometi este lugar para outra pessoa e.preparava um prato de flocos de milho. quando Jane lhe abriu a porta. . queria? Eu não podia oferecer as mesmas coisas que Geoff oferecia. quero você perto de minhas vistas. riu com ironia. querida. Ele deu um sorriso irônico e disse em voz baixa. terminei o café. Gostaríamos de saber se você nos autoriza a ocupá-lo. parou de falar e o encarou. ouviu um carro estacionando. — Mamãe. — Onde iremos morar? Aqui? Ela deu uma olhada no chalé e sentiu o coração bater mais forte.

pensou. Sente-se orgulhosa de sua obra? Dá para perceber que você. E se imaginara uma heroína sonhadora.Ficaram agradecidos por terem se livrado da fazenda. dizendo-lhe que não fosse assim tão amargo. quando. — Para os Estados Unidos. lembrando do rostinho infeliz de Simon. não. Já liguei para o meu patrão. se fosse mais madura na época. que iria morar com uma amiga. Eu a levarei até a escola hoje à tarde. vovô não me deixaria Garston. Porém. você é cruel! — Você me tornou assim. . . . eu não possuía nada. quando soube que Geoff tinha se casado com outra mulher. e somente você. Parecia masoquismo. antes de continuar: — Eu costumava pensar que não tinha nada de parecido com o velho. . . aos três. Sentia medo e queria protestar. — Você poderá tomar todas as providências lá de casa. .. corroendo-lhe as entranhas com a amargura. tudo o que fizera fora sacrificar a ambos. mas. Tinha um padrinho lá. Aliás. que sacrifica a própria felicidade pela do amante. . tinha tudo planejado. . aprendi como o veneno penetra na alma de um homem. quando você me enganou. tratou de me afastar dela. Eu sabia que. nós viveríamos nos Estados Unidos. Talvez. saiu daqui? Nem ela mesma entendeu por que fizera a pergunta. pois ainda não descobri do que você mais gosta. mocinha. é a responsável pelo que sou hoje? Quando a vi partir. Mas não passava de uma adolescente amedrontada. no final das contas. mas dá muita despesa. Ri muito. consigo. — Para onde você foi. O que havia saído errado? O velho Garston estava tão confiante em que o neto se casaria com Mary que Jane sofria só em pensar que havia desistido de tudo por nada. Não é velha o suficiente para ter valor histórico. que me emprestou dinheiro para iniciar um negócio. Você me puniu afastando-me daquilo que eu mais queria. Consegue imaginar? — Eu. mas. — Terei que entrar em contato com a escola de Simon e alugar meu apartamento. Tome cuidado. — Deus. — Respirou fundo.. Logo que percebeu o quanto eu queria a fazenda. Eu havia pensado em levá-la comigo. . . O empréstimo daria para a operação de minha mãe. Jane estava ao mesmo tempo assustada e revoltada com as mudanças que haviam se operado nele. tivesse percebido que Scott nunca se submeteria às vontades do avô. que ela havia feito aquilo única e exclusivamente por amor. Jane. O menino poderá ir .

Ele sabe de quem é filho? A pergunta a atordoou. Novamente sem saber por quê. a fachada. se estão prontos. permanecera destinado à acomodação do proprietário. As janelas abertas deixavam que uma leve brisa agitasse as cortinas. Jane pensou em fazer algum comentário a respeito de como estava emocionada. Aliviada. ele sabe. partimos. pois prendia a atenção de Scott. mais adiante. pensou Jane. Também construíra salas de recreação e descanso. Simon e eu temos algo em comum: você enganou a nós dois. ela percebeu que nenhum dos dois notou que sua tensão aumentava à medida que vislumbrava a entrada principal da casa. Fora ele quem mandara reabrir as alas que agora abrigavam o escritório central e os aposentos dos hóspedes. ela fez outra pergunta: — Você vive aí sozinho? — Não. as janelas com vista para as colinas ainda eram brancas e as duas alas laterais que saíam do bloco principal mantinham-se intactas. rodeada de árvores.conosco. Jane não soube explicar o motivo. com voz gelada: — Bem. Vários segundos se passaram até que recuperasse o fôlego. Em seguida afirmou: — Sim. "Você tem mais coisas em comum com ele do que imagina". enquanto Simon descia. 0 jeito era seguir em frente. — E a perdoou? Afinal. os olhos do garoto brilharam. — Posso dar uma olhada na máquina? Como é que Scott não notara a semelhança entre ele e o filho? Quanto tempo passaria até que aquele pesadelo acabasse? — Pode olhar. As paredes externas continuavam ornadas com pedras cinzentas. mas sentiu-se aliviada. mas Scott se antecipou. Quando saíram em direção ao carro. com tristeza. Com relação ao bloco central. Simon ficara simplesmente fascinado pela Ferrari e não se cansava de admirar as modernas linhas aerodinâmicas. minha mãe e uma governanta moram comigo. . mas não toque nele. Não quero que o destrua. Mandarei alguém vir buscar o resto das coisas depois. a tagarelice do filho agradava a Jane. De certa forma. enquanto bombardeava Scott com perguntas sobre cada detalhe do painel e do desempenho. A mansão não havia mudado. dizendo que lutara muito para reaver a mansão que nunca esquecera. e. — Depois encarou Jane e disse.

A fabricação se dá em nossa indústria. estivera tão desconsolada. Durante a explicação. Scott os guiou através da área em frente ao hall e indicou a porta à direita.ouviu Scott explicar: — É aqui que o trabalho pesado é feito. com perguntas a que ele respondeu com entusiasmo. ele ficou tão fascinado que acabou chamando a atenção de dois jovens operadores. cheia de computadores. Pobre criança. Simon interrompeu Scott várias vezes. sorrindo: — Ele é extremamente esperto. O que esperava que acontecesse? Que o pai o reconhecesse como seu filho? Fora uma pena Simon ter encontrado sua certidão de nascimento. Para Simon. Enquanto isso. Os dois acabaram se envolvendo numa discussão técnica demais para o gosto de Jane. atento. não é produzido aqui. a atitude de Simon mudou. Uma vez dentro da mansão. tão solitária. sem pensar no que fazia. perto de York. Jane culpou-se por ter colocado no documento o nome de Scott. Simon ficara para trás e parecia um tanto decepcionado. No entanto. — Parece que seu filho se interessa por esse tipo de . Mais animada. Simon. Era uma sala muito grande. — É aqui que testamos o equipamento. que ocupava todo o segundo andar. depois do nascimento do bebê. que acabara dando o nome do verdadeiro pai automaticamente. fazia várias perguntas. que. Foi com uma sensação de irrealidade que viu uma recepcionista sorridente dar-lhes as boas-vindas e que seguiu Scott pelos outros escritórios. com Scott descrevendo o tipo de trabalho da companhia... aliás. Jane sentiu-se orgulhosa e começou a ter esperanças de que os dois podiam se dar muito bem. Embora os antigos e vazios aposentos tivessem sido transformados num escritório de luxo. aquilo tudo era uma verdadeira maravilha. Jane não conseguia afastar as imagens do passado. Scott chegou a observar. terminais e equipamentos modernos.Então não havia outra mulher na vida dele! CAPÍTULO III — Por aqui.

Pensou que ele a desejasse de uma forma estranha e selvagem. — Ele se interessa por qualquer coisa que se pode desmontar e montar novamente — comentou ela. não é? — comentou Scott. Não acho que ele a contrataria só para decorar o ambiente. fará tudo o que eu mandar. o escritório de Scott era quase monástico. Parecia que ele queria humilhá-la da mesma maneira que acreditava ter sido humilhado. enquanto Simon ia ver de perto os terminais. — Vou mostrar-lhe a outra sala. — Minha ex-secretária não agüentou o isolamento e preciso de alguém experiente. lembrandose da primeira vez que encontrara a televisão transformada em peças e parafusos. Na noite anterior. . um dos maiores empresários do país. que foi respondida de forma contundente: — Você deve ser muito eficiente. de confiança. Por aqui. O que ele teria em mente? Perguntava-se Jane. E lembre-se. Trabalhou para si Nigel. Ela esperava algo mais luxuoso do que vira até ali. quando recebera o ultimato. Havia uma sala contígua. mas agora já não estava tão certa. As portas que antes davam para o bloco principal agora estavam trancadas. Jane: enquanto estiver aqui. Scott comentou que aquela qualidade não devia ter sido herdada de Geoff Rivers. Viajo com freqüência para o exterior e você cuidará das coisas quando eu estiver fora. — Você vai ficar o tempo que eu quiser. notara que Scott a olhara como se pudesse enxergar-lhe a alma. Um longo corredor ligava as duas alas. — Por quanto tempo pretende me manter aqui? Até encontrar outra secretária? A observação tinha a intenção de deixar claro que ela estava ali contra a vontade.assunto. na aparência. Antes que Jane pudesse dizer algo. que dali em diante seria o local de trabalho de Jane. ele completou: — Vamos deixar Simon aqui enquanto lhe mostro meu escritório. enquanto examinava a sala de jantar da diretoria e a sala de conferências. para seu espanto. — Acha que serei capaz? Havia um tom de provocação na pergunta. porém. um playboy que só soubera gastar o que o pai ganhara. É parte do trato.

Ficou em silêncio enquanto observava a ala esquerda. O negócio de Scott eram os computadores. — Num lugar isolado como este não é fácil manter o ritmo de trabalho e. Claro que estas instalações vêm a calhar. não a sedução. Conhecera muitos homens sensuais e atraentes. quando partiu para os Estados Unidos? — Absolutamente. Haviam alcançado a porta no fim do corredor e ele a abriu. mas nenhum provocara-lhe tantas emoções como Scott. de imediato. ele não havia feito nada para deixá-la excitada. quando se trata de . por isso. algumas melhorias são necessárias. Mesmo há onze anos. Como seria fazer amor com o Scott de agora? Jane censurou-se. Devia parar com aquelas fantasias. e sim. fez Jane esbarrar no braço de Scott e aquele contato a deixou arrepiada.de modo a manter a privacidade dos aposentos pessoais de Scott. — Você já havia planejado isso tudo. Agora era uma mulher que conhecia o próprio corpo e sabia o que significavam aquelas sensações. mas somente há dois anos foi que consegui dinheiro para reaver a propriedade. naquele contato sutil. toda a masculinidade e a sensualidade de Scott. muito estreita. e Jane compreendeu que. O tempo provocara mudanças físicas nele. com grandes sofás confortáveis e uma televisão. Só sentia muita dor pelo que você tinha me feito. Afinal. No térreo. Eu não estava em condições de planejar coisa alguma. um homem. onde Scott mandara construir cinco suítes para hóspedes. e concluí que teria uma chance de comprar Garston. se não quisesse se magoar. uma sala de bilhar e uma piscina aquecida. Não era mais um rapaz. desde que deixara Garston. Os negócios iam muito bem. e essa descoberta a fez sentir medo. como seria um reencontro amoroso. 0 que haveria de errado com ela? Não tinha mais dezessete anos.quando o amara. Se ela se sentia daquele jeito. deveria manter distância. Imaginou. situavam-se os salões de prática esportiva. uma quadra de squash. O que estaria acontecendo? Teria ficado louca? Se ele soubesse o que pensava. que arcasse com a culpa. A passagem. havia sido diferente. A idéia só surgiu quando vovô faleceu. ficaria tremendamente satisfeito. No lado de fora havia quadras de tênis. Pudera captar. uma imensa sala de jantar e um grande aposento de estar. Foi então que ela se deu conta de quanto o desejava.

entreter compradores em potencial. Estamos trabalhando num novo tipo de computador que pretendemos lançar no mercado, e tudo é válido para provocar boa impressão. — Onde Simon e eu ficaremos? — perguntou Jane, ao entrar no complexo esportivo. A luz do sol, que banhava o local, cegou-a por um momento, e ela teria perdido o equilíbrio, se Scott não a segurasse. Ao tocá-la, os dedos dele aqueceram a pele fina e a fizeram estremecer. — Ficarão na casa, comigo. Por aqui. O hall de entrada se parecia com o que Jane conhecera, embora agora o assoalho estivesse muito bem encerado e o lugar se encontrasse todo decorado com flores. As portas à direita e à esquerda levavam respectivamente à sala de pinturas e à biblioteca. No fundo havia uma passagem que dava na sala de jantar, ao lado da cozinha. — Acabei com todas aquelas pequenas salas e modernizei a cozinha. Ficou bem melhor, distribuído assim. — Você disse que sua mãe mora aqui? — Sim. Eu precisava de alguém para organizar o lado doméstico da casa, embora mamãe sempre diga que devo me casar. Ela reclama do trabalho, mesmo tendo Claire para ajudá-la. — Ela foi operada? — Foi. Vejo que isso a preocupa. . . Foi por isso que você correu para Geoff Rivers? Será que a idéia de ter uma sogra inválida e um marido desempregado a assustou demais? — Está tudo acabado, Scott. Gostaria que aceitasse a realidade, para seu próprio bem. — Para o "seu" bem, você quer dizer. Como se sente, sabendo que está sob meu poder, depois de ter me destruído? Não está apavorada? Pense no que posso fazer . .. — Não sei e não me interessa. Não tenho culpa se você é vingativo. Ele a segurou pelos ombros e fez com que se virasse, encarando-o. Jane viu um par de olhos tristes, mas nem por isso menos rancorosos. Era o mesmo olhar que a perseguira aqueles anos todos, o olhar do dia do adeus. — Ora, não me venha com essa, sua mundana falsa! Por que acha que carrego este rancor?! Enquanto gritava, sacudiu-a com violência e a empurrou contra a parede, com tamanha força que lhe arrancou um gemido. — Machucou-se? Não sinta pena de si mesma. Não sou

mais o namoradinho tolo que você enganou com facilidade, usando sua fala macia. Sinto prazer em causar-lhe dor... Em seguida, subiram, e Scott mostrou qual seria o quarto de Jane, que não sentiu a mínima vontade de entrar. Nada havia mudado. O aposento permanecera exatamente igual ao que fora antes; era o quarto dele. O olhar de Jane logo se dirigiu para a cama. A cama de Scott. . . Estremeceu, relembrando o passado. Scott beijando-a. Tirando sua roupa. Fazendo amor com ela e acariciando seu corpinho com a boca e as mãos. . . — Mas este é o seu quarto! — Ah, então você se lembra, não é? Pensei que tivesse andado por tantos quartos que nem reconhecesse este aqui. . . Sim, era meu quarto. Depois que você se foi, nunca mais consegui dormir aqui. A simples lembrança de tê-la trazido a este lugar e sentido seu corpo junto ao meu me fazia mal. Tinha sido tudo apenas uma grande mentira, encenada por uma farsante que pensou estar trocando a virgindade por um futuro cheio de luxo e que fugiu quando descobriu que meu avô me deserdaria se ficasse comigo. O velho me contou a conversa que teve com você, como aceitou o dinheiro dele, dizendo que iria procurar outro amante. Alguém rico o bastante para sustentar suas ambições sujas e imorais. O velho riu de mim, quando respondi que era tudo mentira. Aqui, neste quarto, ele arrasou com meu orgulho. E você confirmou tudo. Dá para entender por que não consegui mais dormir aqui? — Scott, eu... Ele a ignorou. — Mas você vai dormir aqui, Jane, e, quando o fizer, estarei rezando para que os fantasmas do passado venham visitá-la. Eu não possuía nada além do amor que tinha por você. Agora quero que fique desesperada de desejo. Percebe como aprendi muitas coisas nos Estados Unidos? Ela não iria reagir como Scott esperava. Não choraria ou perderia a calma. Não participaria daquela cena absurda. Foi muito difícil atravessar a porta, rumo à janela, e dizer: — Se este é meu quarto, onde fica o de Simon? — No andar de cima. Nisso, ela notou uma porta na parede ao lado. — Oh, claro, ia me esquecendo — continuou Scott. — Aquela porta dá para o meu quarto. Está vendo como não estou tão longe? E não se preocupe, pois tenho a chave. É como eu disse: enquanto estiver aqui, fará tudo o que eu quiser. — Não vou dormir com você, Scott. Pode tirar isso da cabeça.

— Não quero discutir esse assunto. Bem, agora vou para o meu escritório. Pode usar o resto do dia para se instalar. O jantar é às oito. — Posso usar o telefone? — Para quê? — Scott se mostrou irritado. — A quem quer chamar? Um de seus amantes? — A escola de Simon. Jane sentia que as forças a abandonavam e se esforçou para não explodir de raiva e tensão. — Muito bem. Já falei com o Dr. Philipps e ele concordou em receber Simon como aluno. Não há dúvidas de que logo descobrirão a verdade sobre a paternidade dele. Não se pode esconder muita coisa, num lugar como este. Aquela foi a gota d'água; ela perdeu o controle. Com a raiva estampada no rosto, Jane se dirigiu a Scott e disse-lhe: — Se você fizer algo contra meu filho, esteja certo de que o matarei. Nem que seja com minhas próprias mãos! Pode tentar me punir quanto quiser, mas fique longe dele! — Qual é o problema? Ele não sabe quem é o pai? — Sim, sabe! — Então com o que se preocupa? Se ele sabe sobre Geoff Rivers, deve ter ouvido falar que é casado e que tem duas filhas. Não que passe muito tempo com elas, claro. . Jane ainda estava perto de Scott, quando ele agarrou seus pulsos e os apertou. — Se ousar me ameaçar novamente, as conseqüências vão ser duras. . . Ela ia perguntar quais seriam essas conseqüências quando entrou em pânico. Ele lhe prendera os braços com uma das mãos e com a outra puxara-lhe o cabelo para trás, de modo que o mínimo movimento com a cabeça lhe seria doloroso. Scott parecia um louco, ansiando por ver o medo que Jane se recusava a mostrar. — Bem, acho que a julguei mal. Talvez o que realmente lhe agrade seja isso. . . Sexo misturado com violência. É assim, não é? Então você gostará disso. Não houve como evitar que ele lhe cobrisse a boca com um beijo que mais parecia um castigo. Jane logo sentiu o gosto do sangue que lhe escorria dos lábios, devido a uma mordida de Scott. Aquele gesto ameaçou estragar para sempre toda a beleza do amor que ambos um dia sentiram e as esperanças de um reencontro feliz. No entanto, por mais contraditório que parecesse, aquele

beijo estava carregado de erotismo, de desejo. Jane, em vez de se sentir humilhada, percebeu que uma chama de sensualidade queimava seu corpo. Nunca experimentara uma sensação como aquela. Nem mesmo quando fizera amor com Scott, onze anos atrás. — Lembre-se do motivo pelo qual está aqui, Jane. Minha paciência tem limites e, a não ser que eu esteja errado, acho que você gosta de ser maltratada. Disse isso e saiu, batendo a porta. Jane se recusou a chorar ou a fazer qualquer coisa que desse vazão a seus sentimentos. Meia hora depois, mais calma, decidiu procurar Simon. Havia providenciado o envio dos pertences pessoais que estavam em Londres e o aluguel do apartamento. O diretor da escola de Simon aprovara os planos de transferência e agora tudo o que ela tinha a fazer era convencer-se de que jamais, nem por um segundo, havia sentido qualquer coisa que não fosse repulsa e horror por Scott. Mas tudo isso ficou relegado a um segundo plano, quando ela saiu em busca do filho e não o encontrou. Um dos homens da sala de computadores disse-lhe que Simon havia ido à procura de Scott. — Pergunte a Hank Brierly, o assistente pessoal de Scott. Talvez ele saiba. É ali, no fim do corredor. Hank era um americano quarentão, bastante amável. Ao ser apresentado à nova secretária de Scott, comentou: — Bem, bem, as coisas estão melhorando. Seu filho? Não, não o vi. Pode ser que esteja com Scott, embora ele não tenha muito tempo para crianças. Alguém ou alguma coisa causoulhe muitos tormentos em relação a famílias e crianças, há muito tempo. Acho que ele ainda não se recuperou do trauma. Quando Jane se aproximou do escritório de Scott, ouviu vozes lá dentro e, na pressa de encontrar Simon, não esperou autorização; simplesmente bateu à porta e entrou. Uma loira alta e esguia, com cabelos longos, encontrava-se ao lado da mesa dele. Embora não tivesse certeza, Jane poderia jurar que Scott estivera acariciando a mão da jovem, que não devia ter mais que dezoito ou dezenove anos. Uma estranha emoção apoderou-se de seu coração. Ciúme? Mas por que sentiria ciúme? Os dois a encararam, com cara de poucos amigos. Seria desnecessário descrever o olhar de Scott. Era uma mistura de observação e satisfação maléfica, devidamente escondidas pela fria máscara que as ocultava.

a menos que eu esteja enganado. da próxima vez que resolver invadir meu escritório. Essas coisas acontecem. . como aparenta ser. — Dez? Mas você é jovem demais para ter um filho com . — Qual a idade dele? — Dez anos. dona Eva estava pensando numa esposa que fosse capaz de quebrar a concha em que o filho se meteu e torná-lo humano novamente. muitos outros seguirão o exemplo. Parece que se perdeu e pensei em procurá-lo aqui. Em hipótese alguma nosso patrão ficaria contente. é? Deve ser Cora Laine. Ela quer casamento e Scott parece ser o escolhido. não? — Também é muito perigosa e nada inocente. . — Ela é jovem. Voltou para a sala de Hank Brierly. mas acho que ninguém ouviu. mas sem se encostar nela. . — Ele estava acompanhado. Bati à porta. O tom daquela conversa fora amistoso. É que havia alguém com ele. Mas. suspeito que Scott ande querendo namorar Cora. — Está certo. — Acha que ele seria capaz disso? — Do quê? De ir para a cama com ela apenas para conseguir um contrato? Não sei. Ela havia sido colocada no devido lugar e sentiu-se muito mal. filha de Buck Laine. — Ele me contou que a mãe acha que deve se casar . é claro. — Quase isso.— Não me recordo de ter dado permissão para alguém entrar. se nos visse conversando a respeito dele. . ele descobrirá que vender computadores para Buck Laine significa vender-se para a pequena Cora. uma vez fisgado. Foi a careta da jovem que feriu o orgulho de Jane. Mas preciso encontrar Simon. e bonita. será difícil se livrar do anzol. claro. De qualquer maneira. não foi? — perguntou ele. . Scott é inteligente o bastante para saber que. Scott quer que ele compre a nova linha na qual estamos trabalhando. espere por minha permissão. — Scott lhe fez um sermão. Que quer? — O tom da voz era insolente. como ele ainda não está totalmente convencido. O investimento do projeto foi alto e. — Duvido que Cora seja o tipo que a velha tem em mente. porém Jane ainda estava nervosa. Bem. — Procuro por Simon. Ela quer Scott e. Provavelmente. se Buck o aprovar. agora é melhor voltar ao trabalho. — Ele queria ver a Ferrari e eu lhe disse que poderia. .

Robinson. e não encontrou resposta. Imediatamente pensou ter ouvido um chamado de Simon. cobrindo-se com um lençol. Quando eslava quase pegando no sono. Lembrou-se da cena que interrompera no escritório. . que entrava pela janela aberta. Ora. pensativa. começou a caminhar na direção da cama. Jane se perguntou quando partiriam. Dirigiu-se à cozinha e convenceu a Sra.. Scott deveria estar em outro lugar. A luz do luar. Ela sorriu para o americano e. Algo fez com que seu coração disparasse e sua boca ficasse seca. quando acabaria aquele tormento. a deixá-la tomar um chá ali mesmo. — Scott? — Eu mesmo. como de costume. checou a tranca da porta ao lado. O quarto tinha um banheiro privativo. Logo após. o que está fazendo? — Pensei que estivesse claro que vou para a cama com . levou o filho para o quarto dele. onde ficaram assistindo televisão até que ela decidiu voltar ao seu quarto. . Jane não desceu para o jantar. Estava fechada. despertou. — Então está acordada. Depois de ter tomado banho. mas o que importava isso? Não era de sua conta. Por quê? Quem você esperava? Hank? Ele mora na vila. 0 que Scott sentiria por Cora Laine? Atração? Ou simplesmente a estaria usando? Hank dissera que ela queria casamento. foi procurar o filho. — O que está fazendo aqui? Ele não respondeu. fechou os olhos e começou a respirar profundamente. hein? A voz veio do canto e a fez levantar-se. Ao entrar. Disposta a não relembrar tudo o que no passado havia acontecido naquele lugar. — Scott. O dia havia sido quente. mas lembrou-se de que seria impossível ouvi-lo. sem ler.essa idade! — Pois é. revelava os contornos do corpo másculo e bem-feito. a cozinheira. tão quente que ela não chegou a vestir a camisola. Jane foi direto para a cama. deixando o lençol cair. Era irônico imaginar que os mesmos interesses que o menino herdara do pai acabaram por colocá-los naquela situação. pois ele estava em outro andar. assustada. tentando relaxar. . com Simon. cheirando a sabonete. deitou-se apenas com as roupas de baixo.

— Por Deus. Não se preocupe. Jane. — Você está destruindo aquelas recordações! — Não se pode destruir o que foi apenas ilusão. — Eu não quero me lembrar de nada! — Jane controlava as lágrimas. assim como a governanta e Simon. se eu estivesse disposto a aceitar o preço. — É desse jeito que você quer se vingar? Usando meu corpo? ' — Isso é apenas o começo. — Mas eu não quero! — Nem eu. Mas. não vou lhe fazer mal. quando aceitou agir a meu modo. e quero que não se esqueça disso. . — Eu grito! Ele tirou o roupão e mostrou todo seu corpo a ela. . não está em posição de exigir nada. Scott. Cora deseja se casar. pronto a fazer amor. Só quero me divertir com seu corpo. Só quero satisfazer as minhas necessidades. Na verdade. acho que eu me divertiria mais se você gritasse. ele já estava na cama. . Mamãe dorme no andar de cima. você não pode fazer isso comigo! — Posso. o lado particular da vingança.. então! — retrucou ela. Hoje preciso de uma mulher.você. entre furiosa e horrorizada. . por que acha que não vai gostar? — Como posso. E acho que você estava esperando por mim. . E não havia nada que Jane pudesse fazer para evitá-lo. Vou tentar ser o melhor possível. por que estaria sem camisola? Você sabia o que estava fazendo. quando você faz isso só para me ferir? — Oh. é fácil. — Procure por Cora. O tipo de relacionamento que teremos exclui o prazer de dormirmos juntos. Quero que se derreta em meus braços e me implore que a possua. — Estou certa de que ela gostaria de fazer amor com você! — Sem dúvida. Fui humilhado demais. Scott afastou as cobertas e estudou o corpo feminino e sensual. Você vai gostar. O resto virá com o tempo. Quanto a você. — Vá em frente! Ninguém a ouvirá. Caso contrário. Não vou ficar satisfeito enquanto isso não acontecer. Não tente me enganar de novo. a ponta de iceberg. Esta cena a faz lembrar algo? Deitada na minha cama: oferecendose a mim? Antes que ela pudesse evitar.. Num segundo.

Nós já nos amamos antes. Noite após noite. . não poderia estar definitivamente enterrado. lembra-se? — Mas não somos mais os mesmos. não é. Scott! — O que está tentando me dizer? Que tem remorsos? Pois saiba que não vai escapar assim. Durante onze anos. Você é responsável por isso e agora vai me pagar! — Pare com isso! Jane tinha que fazê-lo cair na realidade e convencê-lo de que aquilo seria uma loucura. — Você não é mais o mesmo homem! — gritou. você.. . E Jane sentiu lágrimas rolando por seu rosto. Nunca consegui ter outro relacionamento. Agora não havia mais o que fazer. não faça isso! Por favor. pensava em mim? Pensou em mim. semana após semana. a realidade fora diferente. Scott nunca mais a procurara. lembra-se? . ele a viu chorando. mesmo assim. Era possível que seu comportamento tivesse provocado insegurança em Scott e destruído sua vida afetiva. mas. Virou a cabeça rapidamente. — Não. não! — Não foi o que você me disse há onze anos. . sonhei em tê-la em meus braços. Com mulher alguma. sua imagem me torturou. — Fique quieta. Porém. substituído por aquele monstro perigoso. bonequinha. de alguma maneira. O medo tomou conta de Jane. . — Lágrimas! Você também chorou quando fizemos amor pela primeira vez. que tentava escapar a todo custo. . que lhe pedisse para ficar. Ele a puxou para mais perto com a mesma fúria selvagem com que a havia abraçado e beijado à tarde. . E você me deve isto. Afinal.CAPÍTULO IV — Scott. ele a amara intensamente. . a não ser chorar. Tivera esperanças de que ele não acreditasse nas mentiras que fora forçada a dizer e que. descobrisse que ela nunca seria capaz de amar outro homem. — Isto é estupro! Os dentes de Scott pareciam os de um lobo prestes a atacar sua presa. Me diga uma coisa: enquanto fazia amor com Geoff. ofegante. E deu uma sonora gargalhada. . quando estava dando à luz? Simon poderia ter sido nosso filho! Como ele poderia ser tão cego? Jane esperara tanto que Scott voltasse a procurá-la. O Scott que ela amara nunca agiria daquela maneira. mês após mês.

O tom de voz era sarcástico. teria percebido que você estava apenas curiosa. Eu devia ter adivinhado. a prática se mostrou mais difícil do que a teoria. humilhada. — Abra os olhos. Ela já se acostumara à escuridão do quarto e podia enxergar as linhas do corpo e a pele macia de Scott. como aquele corpo estremecera de prazer. nada mais. mas era impossível não corresponder ao beijo suave . Agora. Queria que ela lutasse. Simplesmente agarrou meu pescoço e sussurrou que só haveria dor na primeira vez. Mas não. . . Enxugou as lágri1 mas com a boca quente.Uma tremedeira incontrolável se apossou dela e Scott riu novamente. Quero vê-los enquanto a beijo. — Adivinhado o quê? — Que eu não participaria dessas outras vezes. com timidez. Eu poderia ter parado. observadores. mas você não me deixaria. Mesmo uma mulher da sua laia. e me senti culpado. — Concordo. . Era inevitável recordar como o havia tocado. que haveria outras vezes. . — Você disse que era por amor. Teria sido fácil não reagir à violência. No entanto. — Você se deu com tanta inocência. Jane tentou escapar. os olhos. Jane se surpreendeu. Quando chorou. Pelo menos foi o que pensei. mudou de tática. Eu apenas estava na hora e no lugar certos. Jane. . . Quando Scott percebeu que o beijo selvagem não provocou nenhuma reação. Iria simplesmente ficar quieta e esperar que ele tivesse um pouco de bom senso antes que fosse tarde demais. preocupação e adoração. Duvido que se lembre do que fiz! — Curvou a cabeça numa encenação mesquinha e fingiu tentar confortá-la. A idéia de tê-la machucado me arrasou. ao contrário. Uma das mãos segurava o rosto de Jane e a outra a mantinha deitada. não é? Se na época eu fosse um pouco mais maduro. — Claro que uma mulher nunca esquece o primeiro amante. Beijou-a sem encontrar resistência. poderíamos discutir este assunto por mil anos e nada se alteraria. ele tinha pleno controle da situação e um estúpido desejo de vingança. enquanto fora acariciado por ela. também senti vontade de chorar. mas Jane resolveu não fazer isso. fui tolo o suficiente para pensar que poderíamos ser eternos namorados! — Scott. mas ele foi mais rápido e segurou-a pelos pulsos.

. Jane. — Fique quieta. Farei o que qualquer homem razoável faria em minha posição. se torna muito estranho. — Quer dizer. . Scott. senão vou machucá-la! Ela sentiu o hálito quente no rosto e virou a cabeça depressa. e saiba que vou reagir. — Rindo. e tenha certeza de que a culpa é sua. Não havia respeito algum no olhar que devorava os seios rijos. mas logo subjugou-a novamente e a manteve presa à cama. . para não sentir aquele calor. querendo que ele se zangasse. . Jane sentiu-se arrastar por uma onda de desejo. No mesmo instante. era diferente. — Lembra-se de como você costumava gostar. fazer amor contra minha vontade? Por Deus. Dizendo isso. no entanto. e desferiu-lhe alguns socos. Desde que Scott a acariciara daquela maneira. completamente descoberto. há onze anos. Quando um homem é traído pela mulher que ama. que agora aparecia por inteiro. só assim conseguiria dizer não. Não . pego de surpresa. algo incontrolável. Você tem que enxergar que não ganhará nada. poderoso. Empurrou-o. Hoje sou um homem destruído. Vá em frente. reencontrara. Ela sempre fora uma mulher um tanto tímida e outrora Scott respeitara essa timidez. vendo-a sofrer. . admirou o corpo de Jane. A luz prateada da lua a iluminava. Scott. que a machucasse.que lhe provocava sensações maravilhosas. — Não conseguirá lutar comigo e vencer. ela tentou fugir uma última vez. — Eu serei.se quiser. Depositou naqueles gestos toda a mágoa que acumulara desde que o. ela nunca mais recebera carinhos tão íntimos. Desesperada. ressaltando as curvas bemfeitas. quando eu fazia isso? Curvou-se sobre ela e começou a beijar-lhe os seios. Eu sentiria intensa satisfação. tentando se livrar do peso dele. Por favor. Por muito pouco eu poderia sentir grande prazer em machucá-la. Agora. vacilou por alguns segundos. Sabe muito bem o mal que me causou. seja razoável. arqueou o corpo. física e emocionalmente. Mesmo assim.. agindo assim. completou:— Você não é mais criança. como haviam chegado àquele ponto? 0 que acontecera ao homem gentil e à garota inocente que correspondera tão docemente aos clamores do amor? Como podiam ter se transformado em seres capazes de se agredir fisicamente? — O passado acabou. .

Scott acariciava-lhe os cabelos. O que estava acontecendo era algo muito simples: apesar de todas as mudanças. toda a dor. Jane se sentia traída pelo próprio corpo. agora doces. Mas isso era quase impossível. Ela agarrou os ombros largos e puxou-o para mais perto. O que odeia mais. . — Pode odiar. Por isso. Ela lutava desesperadamente para não reagir. Ela percebeu que de nada adiantaria qualquer esforço para desencorajá-lo. e contra as carícias que já não eram violentas. — Scott! O nome soou como um grito desesperado. no pescoço. Os onze anos em que ficara só explodiam de uma vez. — Se não parar com isso agora mesmo. dando-lhe beijos alucinantes no canto da boca. seu corpo estremeceu de prazer. Estava excitadíssima. Nada. hein? — murmurou Scott. passando a língua quente nos mamilos. E a reação veio. Então Jane desistiu de lutar. Num impulso louco. e nada modificaria aquilo. O ódio é um afrodisíaco poderoso. ela ainda bradou: — Não toque em mim! — Antes que a noite termine. — Você me deseja.conhecera outros homens. que ardia de paixão. . — Algumas coisas não mudaram. eu o odiarei para sempre! Palavras desesperadas só serviram para excitá-lo ainda mais. os olhos estavam gélidos. A despeito da suavidade da voz. Ele acariciava com o polegar o bico de um dos seios e esperava a reação de Jane. As mãos que a acariciavam minavam suas últimas resistências. Scott estava certo: ela ainda o queria intensamente. e não uma pergunta. você estará implorando para que eu faça muito mais do que apenas tocar. Scott ainda a excitava. esperando pacientemente o momento em que ela não agüentasse mais e cedesse à força do desejo. Seria inútil lutar contra os beijos. Era uma afirmação. nunca experimentada. Nem mesmo quando amara Scott sentira febre tão ardente. Tentando manter o corpo rígido. tomando conta do corpo dela de uma forma louca. Jane. Jane? Isto? Soltou-lhe o pulso e correu-lhe a mão pelo corpo até chegar aos quadris. . baixinho. Ela fechou os lábios com força. para não excitá-lo ainda mais.

e ficou tremendo de emoção. Era impossível resistir. percebendo isso. Ela respirou profundamente e deu um pequeno gemido. O quarto pareceu escurecer e girar à sua volta. no dia seguinte. Por um momento. Quando foi possuída. Não teve que abrir os olhos para saber que havia outra pessoa na cama.. Scott fez menção de sair. mas foi retido por um abraço. Ela se esqueceu de todas as ameaças de Scott. mas que logo foi substituída por prazer. mas havia acontecido: eles tinham feito amor de novo. por favor!. Gritou. ao sentir os seios apalpados novamente. . Queria senti-lo com toda intensidade. — Ah. Logo adormeceram. ela tocou e acariciou o ventre de Scott. Desejava que ele preenchesse o vazio que a atormentava. — Se você me quer. E ela se lembrava de cada detalhe da noite anterior. Ela não tinha consciência do que acabara de dizer nem do brilho triunfante que surgiu nos olhos de Scott. Quase sem notar. — Por favor o quê? — Faça amor comigo. descendo para as coxas. o corpo molhado de suor. Scott parou de acariciá-la. finalmente você acordou! Jane olhou para Scott com olhos sonolentos.. seu primeiro e único amor. onze anos depois da primeira vez. conta de seu corpo. saboreando a pele quente e macia.passou a língua pelo peito musculoso. a fria realidade se abateu sobre Jane. Tinha em mente apenas que se entregava a ele. Chegou mais perto dele e esfregou-se em seu corpo com movimentos sinuosos e sensuais. mas carregada de paixão. Ao acordar. cada gesto. Jane voltou a si e. Suas bocas se uniram num beijo selvagem. os dois corpos assumiram o ritmo alucinante do amor. Jane nunca experimentara prazer igual. Nesse momento. ao atingir o êxtase. por que não vai adiante? Não é mais uma criança tímida. Aos poucos. Ninguém precisa lhe ensinar como se excita um homem. sentiu uma dor que a deixou tensa. — Jane! Aquele foi o estopim de uma história triste. um calor que ardia como febre tomara. . Scott reiniciou o ataque de carícias. O prazer era tão intenso que Jane gritou. cada palavra. Ao . Parecia inacreditável. cravando as unhas nas costas largas de Scott: — Oh.

aí está sua vingança. — Tarde demais para ter vergonha. Bem. Era Simon que entrava. Ela ficou confusa. se surpreendeu. fechando a porta. sabe? Certamente. 0 que aconteceu na noite passada foi apenas o começo. não. . . revelando o corpo musculoso. Scott resolveu contornar a situação: — Ouça. Fora humilhante e doloroso demais. Queria encontrar um jeito de acabar com a arrogância dele e resolveu feri-lo: __ Sabe. — Simon! Jane queria abraçá-lo. . ela lhe preparará um bom café da manhã. — O que você está fazendo aqui? Pensei tê-lo ouvido dizer que não dormiria comigo. Fingi que você era Geoff. . — Acabou? Oh. Scott simplesmente ficou assistindo à cena. à procura de uma saída. — Acabei achando que seria melhor ficar. minha cara. E espreguiçou-se como um gato. Aquele tratamento era intolerável. — Sua. . Que horas seriam? Há tempo que Jane não dormia tão profundamente. Ao ver a expressão desolada do menino. . . não acha? — zombou Scott. — Simon. percebeu que estava nua e cobriu-se depressa. me diverti muito. Acabou. como da outra vez. Simon e eu partimos hoje.. não é a primeira vez que a encontra na cama com um homem. — O quê? Ele ficou tão furioso que apertou os ombros de Jane até que ela gritasse. meu querido. A sugestão fez com que Simon saísse.. Embora morrendo de sono. Não permitiria que Scott mandasse em sua vida e usasse seu corpo como bem entendesse. ontem à noite. pois estava despida. — Então você resolveu ficar. — Como você pôde ser tão cruel? Não viu que ele estava chocado? — Tenho pena dele. — Mamãe.sentar. ao ver que Scott estava ao lado de sua mãe. se você descer e falar com a sra. . mas não podia. Ele já está com . e não adianta dizer que não gostou. . sua. A porta se abriu e chamou a atenção do casal. . Robinson.

que lanchava na sala de refeições. mas não podia deixar de se sentir magoada. — Pois é. na noite passada? Mas quem a possuiu fui eu. agora muito mais sensual do que há onze anos. Se pretende estar no escritório às nove. Uma estranha sensação atravessou-lhe o corpo. ele já não estava mais no quarto e a porta de comunicação fora trancada.. Preocupada. Scott a admirava. Quisera fazer amor com ele e. agindo assim. Jane sentiu um gosto amargo na garganta. é melhor se levantar. Jane encarou-o com rancor e levantou-se. ela já se trancara no banheiro. . Scott observava-lhe o corpo bem-feito. e você não ficou sozinha durante todo esse tempo. — O que quer dizer cora isso? Jane viu que a porta do banheiro estava aberta. Este problema é seu. é melhor que ele se acostume. — Então saia! — Não esqueça que sou o patrão e não tenho horário. mas havia sido fraca e sucumbira. ela se vestiu rapidamente. Quando saiu. até que ela ficasse boa novamente. Um incomodo silêncio pairava entre eles. Sabia das intenções de Scott na noite anterior. . Aquilo parecia um pesadelo horrível. Deveria guardá-lo para os que a conhecem menos do que eu. Essas observações. Ele a queria! Conhecendo a própria vulnerabilidade. para Jane. Ela entendia o ressentimento daquele homem obcecado pela vingança. . apesar de tudo. são oito horas.dez anos. sem desviar os olhos. caminhando até o armário. — Em todo caso — estava dizendo Scott —. embora o "show" de ontem tenha sido convincente. se Simon não tivesse entrado naquele momento. — Quer dizer que esteve pensando em Geoff Rivers. Talvez Scott se sentisse bem. teria repetido a dose. Antes que Scott respondesse. Então aproximou-se dela e disse: — Quero dizer que fiquei imaginando o tempo todo que era Geoff quem me tocava. Ainda o amaria? — Bem.. mas saiba que as fantasias são um poderoso estimulante. eram como chicotadas. ela desceu. pois vai me ver aqui muitas vezes. Estou bem aqui. Tomou um banho e concluiu que ainda amava aquele homem. pensando em Simon. Meses se passaram. O nascimento de Simon fora algo delicado e causara muitas complicações.

. . . O que responderia a ele? Sempre tentara ser franca com o filho. . sim. mesmo que ele não goste de você. . a escola não está fechada. eu gosto dele. . __ Sim. Mas não pense mais nisso. mantinha a atenção concentrada no chão. — Porque você o deixou? — Sim. . e Jane suspirou. Oh. Ouça. — Sim. Scott deixou. . Simon. mas agora descobria que vivera num mundo de fantasias. — Ele é meu pai! Jane estava perdendo o controle da situação. meu bem? __ Por que temos que morar aqui? Poderíamos ter ficado no chalé. — Simon. . .. E por isso estava em meu quarto. querido. O que vai fazer? — Vou ficar na sala de computadores. . não estamos aqui por escolha própria. Garston seria mais educado. Mordeu os lábios e calou-se. tentando parecer natural. Simon. — Por que ele estava na sua cama. Mas não vamos falar nisso agora. certo? — Ué. Sabe. certo? — Ele ainda está zangado? — Sim. Dê-me um beijo e um abraço bem forte. Conversaremos mais tarde. Mas ficou sem graça ao notar que o filho não acreditara.— Mamãe. . nesta manhã? Você contou a meu respeito? — Não. Não seria bom culpá-lo pelo que acontecera. eu o amo. — Porque o sr. . mamãe.. Garston quis assim — retrucou ela. Você sabe como é. Simon. Tenho que trabalhar. logo iremos à escola para conhecer o diretor. — Tenho que trabalhar. Quer me punir porque. — Você ainda o ama. CAPÍTULO V Jane mergulhou de corpo e alma no trabalho para ver se . . — Scott? Sr. nas férias? Foi Scott quem me disse. mamãe? Simon não conseguia olhá-la nos olhos. Vejo você na hora do almoço. está. Se o acidente não tivesse acontecido.

impossível. quando Scott entrou na sala. por mais que se censurasse. Arrancou o papel da máquina de escrever. Amargurada. Ao meio-dia. havia muita coisa a fazer. Hank fora ao seu encontro e ensinara-lhe como manejar os novos instrumentos com os quais teria que trabalhar. Ou todas essas coisas juntas. que tal almoçar comigo? O restaurante da vila tem uma comida muito boa! — Sinto. . a porta do corredor abriu-se e Cora Laine entrou. Vim buscá-lo para o almoço. — Bom garoto. sóbria demais para sua idade. repreendeu-se. Tem uma cabeça muito boa. em contraste com a maquilagem carregada. Assim como era sóbrio o penteado que usava. meia hora mais tarde ainda não conseguira se concentrar no que estava fazendo. Tentou ser útil. Não devia sentir ciúme daquele homem. praguejando. tarefas que ocupariam seu tempo e sua mente. muitos arquivos para colocar em ordem. O ciúme a corroía. Segurou a muito custo as lágrimas e deu-se conta de que seu amor por ele era maior do que imaginava. mas não posso. enfim. querido. Será que o pai de Cora estaria tão entusiasmado por um casamento com a filha? Jane duvidava e. quase impossível. se isso acontecesse. algo estranho. talvez raiva.conseguia esquecer os problemas que a atormentavam. Talvez desconfiança. Por sorte. o nosso . Não vale a pena. trabalhar para ele. que se obrigasse a pôr os pés no chão. Em seguida. O que seria? Ciúme? Não. Não suportaria. Hank entrou exatamente quando ela jogava a folha amassada na lixeira e comentou: — Não fique nervosa. não podia estar apaixonada de novo! Isso seria sua ruína! Mas. Ele estava elogiando a facilidade com que Jane aprendia. Ouça. pois estava sendo esperada por Scott. Prometi a Simon que almoçaria com ele. o seu. . Ela percebeu no olhar triste um certo brilho. Fosse como fosse. trajando uma sofisticada roupa de linho. Ela se dirigiu a Jane dizendo que não havia necessidade de ser anunciada. abriu a porta e falou: — Sou eu. Conversei com papai hoje pela manhã e ele está ansioso para vê-lo. talvez ressentimento. Jane compreendeu que seria difícil.mas pôde adivinhar que Scott estava abraçando Cora. sentiu náuseas. correspondência para ser posta em dia. Dave. ao pensar nisso. lá na sala de computadores. Não levantou o olhar quando ouviu a porta se abrir. pedindo-lhe que fosse fazer algumas anotações.

onde está? — Foi almoçar com Cora. Agora. É o dia de folga da governanta e parece que seu filho e a sra. os problemas voltaram a preocupá-la. Foi recebida com um sorriso pela sra. . — Você não parece gostar muito dela. por pensar assim. Qual seria a opinião da cozinheira a respeito de sua presença na casa? Nenhum dos outros empregados morava lá. mas é um homem como outro qualquer e conhece o raciocínio de Cora. gostaria que os chamasse para o almoço. . Provavelmente. Trabalhara bastante durante a manhã e. acha que a distância entre o quarto e o altar é muito curta. O pai é viúvo e a adora. sempre teve o que quis e acha que o dinheiro compra tudo. — Bem. sabia? Por falar nele . por exemplo. Jane saiu do escritório com a cabeça doendo. . . assim que parara. — De certa forma. — É verdade. é quente e aconchegante. mas acho que ela quer Scott e não vai sossegar enquanto não o tiver. Garston. É sempre assim. Se não for incomodo. Não esqueça que ele precisa do contrato com o velho e a menina poderá usar isso como argumento. . Ela gosta muito daquele lugar. o jovem e o velho se entendem. Talvez eu seja um tolo. sim. Foi muito mimada. — Isso o preocupa? A pergunta fez Hank corar. Acho que é a primeira vez que essa menina encontra alguém que resiste aos dólares do papai todo-poderoso. Hoje temos salmão. ela deve ter ouvido dizer que o melhor caminho para o coração de um homem é o estômago. Será que correra algum boato na vila? — O jovem Simon está lá fora com a sra.técnico. o prato favorito do pessoal da casa. teria que enfrentar Simon e responder a um verdadeiro interrogatório. ficou impressionado. mas você mesmo disse que ele não pensa em casamento. . — Não. Computadores e motocicletas são as paixões dele. Acho que se encontram no jardim. — Os mesmos gostos de Scott. — É. Robinson. Pensara nas respostas que lhe daria ao entrar na cozinha. vai acabar se machucando. ela só tem dezoito anos e age como se tivesse trinta! Se ela não parar de brincar com certas coisas. . e a todos. não é? — Por Deus. . . Garston se deram muito.

Quando os dois a viram. . toda animada. com Simon. A bagunça e a sujeira de outrora haviam cedido lugar à ordem e à limpeza. No mesmo instante. onde encontrou Eva Garston sentada num velho tronco de árvore. Sentindo-se mais reconfortada com aquela demonstração de afeto e simpatia. . Voltar ao passado. sra. embora aquele doce ar de serenidade nunca tivesse abandonado seu rosto. . Robinson funcionou como um consolo para o coração magoado de Jane. não é tão impressionante assim. Não havia outro jeito senão encará-la.emoção. — Sorriu com bondade e comentou. Era fácil imaginar a vida difícil que Eva havia levado. a sra. Sempre gostara da mãe de Scott e sempre fora solidária com seu sofrimento por viver sob o jugo do velho Jeffrey. até chegar ao jardim. ao notar a maneira pensativa como Eva a observava. à sua frente. as dores se foram. acenaram-lhe e sorriram. Jane continuou caminhando com passos firmes. . A sra. . — Jane. Ao atravessar o pátio dos fundos. e conversando. se ela pudesse fazer o tempo parar. Jane. — Você tem um filho muito bom e muito charmoso.— Salmão? Simon adora! — Bem. Um caminho bem cuidado levava ao bosque. Por isso. Garston. . — Salmão? Oba. — Onze anos para ser mais exata. ele não aprovara o casamento do segundo filho nem a carreira que seguira. Ah. mas. . mamãe. que no passado abrigara os estábulos e agora servia de garagem. Afinal. há exatamente onze anos. graças a Deus. encantou-se com as reformas. que fazia as vezes de banco. ela tratou de ir ao jardim. o velho bosque que Jane percorrera diversas vezes ao lado de Scott. como tudo seria diferente! Como tudo podia ter sido diferente! Mas a dura realidade era outra e estava ali. Robinson está nos esperando com uma travessa cheia de salmão. em dias mais felizes. que bom revê-la! Sente-se ao meu lado e diga-me como tem passado. Faz tanto tempo que você nos deixou. Ela pensava nisso quando viu Simon ajudando a avó a se levantar. Meus parabéns. seu peito se encheu de . Deus. Garston estava me falando a respeito da operação que fez e das articulações de plástico que foram colocadas no corpo dela! — Ora. Mas vamos deixar essa conversa para depois. que bom! Jane sorriu do entusiasmo do filho. — Mãe. mas logo depois sentiu-se envergonhada. então o que está esperando? Vá chamá-lo! — O sorriso animado e bondoso da sra.

. embora tudo parecesse calmo. Simon. — Se quiser. — É bom ter um rosto jovem por aqui — comentou Eva gentilmente. E. Simon passava a maior parte do tempo com Eva. pensativa. Com certeza. não apenas rico. ficou contente por se manter bastante ocupada. Ele se deu muito bem no que se propôs fazer. durante o almoço. — Gostei da nossa conversa de hoje. — Sim. No jantar conheceu a governanta. depois de ajeitá-lo na cama. Scott lhe contara sobre Geoff. Posso lhe ensinar um jogo que conheço. Talvez pudéssemos conversar novamente amanhã. não reclamou.fitando Jane: — Scott me disse que você será a nova secretária. tudo bem. Como mãe. Jane notou que ela olhava com insistência para Simon. Andava distante. que impregnara a jaqueta dele. A tarde transcorreu sem maiores problemas. — É aquela Cora Laine. — É verdade. . Jane sentia tensão no ar. As aulas haviam começado e ele parecia estar se adaptando bem à nova escola. como se suspeitasse de algo. mas eu gostaria de vê-lo feliz. — O que há. A única coisa que a atormentou foi o cheiro do perfume de Cora. — disse Jane. Perguntou como havia sido a vida em Londres e educadamente evitou fazer alusões ao pai de Simon. de vez em quando. No entanto. no entanto. Scott apareceu no escritório às três horas e logo encheu Jane de trabalho. e quando Scott me ofereceu o emprego. Embora Eva tivesse aceitado a explicação com facilidade. Que tal hoje à noite? — Gostaria muito. você deve entender. O diretor da escola de Simon acha que o ambiente de um colégio pequeno lhe fará bem. que pareceu ser uma pessoa simpática. entendo. Estão dizendo lá na escola que ela vai se casar com papai. uma noite. olhando para os cabelos de Simon. Ela. Iguais aos do pai. — Simon e Jane ficarão na mansão enquanto ela estiver trabalhando aqui. — A senhora deve se orgulhar de Scott. embora saísse com freqüência com Cora Laine. Isso simplifica as coisas — explicou Scott. — Por algum tempo. . querido? — Jane perguntou-lhe. se mostrava aborrecido. . Quando começamos? Os dias que se seguiram não foram diferentes desse. . mamãe. Scott não fizera novas tentativas de entrar em seu quarto ou de tocá-la. Às vezes jantava com todos.

— Por quê? Você acha que ele não me aceitaria. pela tristeza do filho. É muito difícil criar um filho sozinha. mesmo que eu jurasse. afastou esses pensamentos e acariciou rostinho de Simon. Se não tivesse voltado. . Além disso.Jane suspirou. . Amanhã vai se sentir melhor. Nesses momentos. Deulhe um beijo na testa. tenho certeza que sim. não significa casar. não quero que ele se case com Cora. Amargurada. Respondia que Scott era mesmo seu pai e que não pretendia tratá-lo como um simples desconhecido. não se importe com o que dizem na escola. Mas o pior era aquela maldita sensação de rejeição que se apossara dela depois da primeira noite. e completou: — Ele é filho de Scott. nada daquilo teria acontecido. — Olhou para Jane. não é? . ele se parece muito com o pai. Sabe. — Entendo. meu amor. Não gosto dela e. Por isso. sair junto. Em segundo lugar. Simon resolvera se referir a Scott daquela maneira — papai —. No mais. se alguém ali não tinha culpa nenhuma do que andava ocorrendo. minha filha — disse a boa senhora. Foi até a sala de estar. . . mesmo contra a vontade dela. ao vê-la entrar. Ele amava Scott e não aceitava a idéia de vê-lo casado com outra mulher que não fosse a própria mãe. Scott é um homem livre e pode fazer o que bem entender. além disso. Ê que estou preocupada com Simon. — Mamãe. esse alguém era Simon. — Meu filho está sobrecarregando você de trabalho? — Não é bem isso. O ciúme a atormentava. Mas Scott não acreditaria em mim. Jane amaldiçoava o dia em que pusera os pés em Garston novamente. meu bem. Namorar. . Não adiantava repreendê-lo nem usar qualquer tipo de argumento. se soubesse? — Oh. tome cuidado para que ninguém o ouça chamá-lo de pai. — Além disso?. onde Eva assistia televisão. Scott não a procurara mais. O coração lhe doía. que sentia a pulsação acelerada. — Durma. apagou a luz e saiu. — Você parece cansada. em primeiro lugar. . Ele não se convencia. — Ele ainda dorme com você? — Não. Jane tinha as mesmas preocupações. Jane lhe sorriu e disse: — Querido. o que significava que não a queria.

romântica e cheia de ilusões. . Pensei ter tomado a melhor decisão. No meu caso. Minha pobre criança.. E. Conversar com alguém sobre aquele assunto era reconfortante. ele se acostumou a achar que eu devo me manter longe de qualquer problema. e sei que jamais a perdoou pelo que aconteceu no passado. abandonar Garston por achar que isso seria melhor para ele. por tê-lo abandonado. . a respeito de Simon. Admito que me surpreendi e fiquei preocupada. . .. Mas o sexto sentido materno me ajuda a descobrir tanta coisa. Começou a chorar. querida. achei que ele estava sendo tão cruel quanto o avô. por favor. Quando descobriu que o neto gostava de Garston.Se parece muito com ele. — Scott pensa que ele é filho de Geoff. e Eva Garston parecia disposta a ouvi-la com atenção. mas o que eu poderia fazer? Depois desse tempo todo. ele quase enlouqueceu de raiva. principalmente depois que descobri que Simon é meu neto. — Oh. Nunca me ocorreu que Jeffrey havia mentido e que Scott não ia se casar com Mary. decidiu usar a senhora contra ele. pobre menina! Eva a abraçou com ternura. Jeffrey jamais teve intenções de deixar herança alguma para o neto. Só pensava em magoá-lo. soube que era meu neto. — Sim. quando decidiu. . que. . Quando Scott lhe informou que não se casaria com Mary. . — Vocês dois caíram direitinho na armadilha. estou certa? — Sim. — Eu sei. Eu era jovem. quando tinha essa idade.. quando ele me disse que você viria para cá. Se . Scott se tornou tão amargo.. — A senhora sabe que o velho Jeffrey sempre detestou Scott. às vezes. Perdi o controle. Scott não sabe... sra. No fundo. Meu filho é demoníaco. Tenho me preocupado muito com isso. Garston. Detestava também o pai dele... — Exatamente. — E também o amava. Ele acha que. eu ainda o amo. .. .. Jane não agüentou. quando Scott me contou que você viria para cá. Os filhos sempre acham que as mães são cegas. — Assim como Scott quer me magoar. — Sinto muito. — Entendo. — É mesmo? E por quê? Conte-me. . confortando-lhe a dor e o desespero. Por exemplo: no instante em que vi Simon. Claro que não desconfia que sei de tudo.

— Scott está se apegando a seu filho. e isso a machucava muito . a cada dia o menino ficava mais li gado a Scott. Pelo menos era bom ver que ele não incluíra Simon na sua dolorosa vingança. — Scott ameaçou informar a polícia sobre o acidente com a moto. Não tinha dúvidas de que Cora Laine acabaria vitoriosa. concordará em partir? Jane não contou a Simon que Eva havia descoberto í< verdade. Bem. Sabe que está pensando em se casar com Cora Laine? — Sim. acabou descobrindo tudo. . um dia. Jane. Eu não queria lhe contar nada sobre o pai. — Alguma novidade a respeito do contrato com os americanos? — Não. — Percebi. — Possivelmente não. Parece que as negociações esbarram nos interesses pessoais de Cora. muito chocado com a verdade. por sua vez. Cheguei à conclusão de que a única atitude a tomar é deixá-lo levar a vingança adiante e esperar que isso limpe o coração de Scott. quando viemos para cá. . — Ele não acreditaria.. Contudo. ele ouviu falar de Scott e. — 0 que ele faria? Apenas me toleraria! Não. — É. Engraçado como os dois se parecem.. eles têm interesses parecidos — disse ela. respondia pacientemente a todas as suas perguntas. nenhuma. mas devo me preocupar com meu filho. com a intenção de ganhar tempo e fisgar Scott. — É. No entanto. bem. — Eu teria o maior prazer em lhe emprestar o dinheiro. se eu tentar partir. — Deus! Como você o ama! — Muito. Só notei isso quando o vi novamente. desanimada.Scott soubesse. Ele adora o pai. Jane suspirou. mas acho que não adiantaria. e Simon ficou muito infeliz com isso. não faria diferença alguma. não? — comentou Hank. . mas. . Simon ainda é uma criança e acho que está muito ressentido. Há ainda o conserto do carro. A senhora promete que não contará nada a Scott sobre Simon? — Acredito não ter esse direito. Tenho feito o possível para não magoá-lo. desconversando. para o qual não tenho dinheiro. que. ele é o pai e. Ela vem fazendo o possível para retardar as coisas. Na hora certa partiremos. se você lhe explicasse. — E Simon.

dissera que Jane devia arranjar-lhe um pai para que isso não acontecesse mais e divertia-se ao contar que na vila corriam boatos sobre um homem que abandonara Jane para se casar com outra. apenas deu de ombros. as mãos nos bolsos e o rosto fechado. Queixarase de que ele vivia pendurado em Scott. querido? Simon adorava ficar na piscina interna. depois do expediente. pelo amor de Deus. de vez em quando. Certa tarde. Jantou sozinha e se enfiou na cama. ao ver Scott e Simon de um lado da Ferrari e Cora do outro. ela se dirigiu ao pátio e teve uma desagradável surpresa. — Que tal nadar um pouco. No entanto. Jane resolveu nadar um pouco. A garota se mostrava furiosa. tente entender! Ela quer ficar junto de Scott assim como você quer. — Já divide a cama com minha mãe e vai se casar com ela. calmamente. — Scott. já havia feito reclamações sobre Simon. Simon ficou furioso e bradou: — É da minha conta sim! Ele é meu pai! Jane não estava disposta a levar a discussão adiante e por isso resolveu se afastar. vindo da garagem. tenha um filho! Estou certa de que é capaz e não precisaria procurar muito para encontrar uma mulher com quem dividir a cama! — Ele não precisa procurar ninguém — retrucou Simon. indo ao escritório várias vezes por dia. Jane encontrou Simon chutando pedras no pátio. pois fazia tudo para manter Scott afastado da sala de Jane. Simon. não é? Vão se casar? — Não sei. Certa tarde. Ia pegar os trajes de banho quando ouviu a voz de Simon. — Estão namorando. Então passou o resto da noite em claro. . chorando e se perguntando o que havia realmente entre ele e Cora.Cora. aliás. ele prometeu! Mas ela veio e o levou embora. Havia outras vozes no que parecia ser uma discussão. E suspeitava que Cora andava muito perto de descobrir a verdade. . livre-se dessa droga de menino! Se gosta tanto de crianças. exausta. Imediatamente. depois do expediente. Adultos gostam de ficar sós. Preocupada. Mas ouviu quando Scott voltou e percebeu que era madrugada. sem responder. ela se perguntava o que mais andariam dizendo. — Eu ia sair com Scott. mamãe. O mês passou voando e o clima ia ficando cada vez mais quente. Odeio essa Cora! — Oh. Isso não é da nossa conta. .

— Droga. E suponho que andou enganando seu filho a nosso respeito. Ficarei com ele — assegurou Eva. não o fez. Você podia ter negado tudo e. no entanto. pode ter certeza! — O que quer que eu faça? Que mande Simon pedir desculpas? Ele nos viu na cama. Bem. Jane não conseguiu fazer mais do que chamar o filho. você já acabou comigo uma vez! Pretende fazer isso de novo?! Pois saiba que eu não deixarei! — Não me culpe. Vamos. — Quem vai falar sou eu! Sua preciosa Cora quer se casar com você e se dispõe a usar o poder do pai para comprá-lo! Vá atrás dela e a convença de que foi tudo um terrível engano! Que foi uma explosão de um garoto ciumento que se apegou demais a um homem que não dá a mínima importância aos sentimentos dos outros! Vamos.— Simon! Chocada. — Meu filho ficou com ciúme de Cora. queridinho. Era Cora. Embora não quisesse admitir. mas pensei que Scott fosse um homem de bom senso! Bem. que correu para seus braços. Mas lembre-se de quanto lhe custou esta escolha. Scott comentou que Cora saiu daqui como louca e que poderíamos dar adeus ao contrato com os americanos. fique com ela. Na manhã seguinte. Era o que a moça queria. Jane. Jane esperava que Simon afirmasse ser filho de Scott. ainda há tempo. — Não se preocupe. que deixava a propriedade. — Mas eu nunca disse que me casaria com você. e ele . corra! 0 que está esperando? Nesse instante. corra até ela e negue! — Você pagará por isso. Disse também que Simon fez uma cena. Não era justo que a culpa da perda do contrato recaísse sobre eles. durante a discussão da tarde anterior. Jane? Percebe que posso perder tudo? Eu te odeio. vou lhe dizer uma coisa. — Ah. Ela sempre o tratou muito mal. sabe? Odeio! — E retirou-se. — Tem idéia do prejuízo que me deu. antes que Scott fizesse algo. Scott poderia ter ido atrás de Cora e ter-lhe contado uma história qualquer. Scott. Mas não se preocupe. ouviram o barulho de um carro se afastando. — Sabe o que aconteceu? — Mais ou menos. não se esqueça. . então é verdade! Ouvi comentários na vila. Acabou de perder um bom contrato. Ciúme e raiva. Simon estava tão desanimado que nem saiu da cama. Saiu apressada em direção à casa.

Cora voltará para casa em dois dias e me ofereci para acompanhá-la. Por que estaria telefonando? — Que prazer ouvi-lo! A que devo a honra? — Acho que tenho um pequeno negócio para o seu novo patrão. Seria o primeiro de uma série de pedidos. Ou muito me engano ou seu interesse por Cora não é apenas comercial. porque o serviço está adiantado. — Computex. se quiser partir depressa. Consegui convencê-la de que é frágil e precisa de alguém para ajudá-la.. — Você parece ter ficado contente com a briga. Ele me solicitou que indicasse um fornecedor e pensei imediatamente em Scott Garston. — Está insinuando que. como vai? Era a voz de sir Nigel. e ela ficou surpresa. Raschid só ficará uma semana em . descobriu a máquina de escrever e olhou atentamente para Hank. . mas é melhor eu ir esvaziar minha escrivaninha. minha cara. Estava furiosa. as coisas ficarão mais fáceis para mim? Pode ser. — Pois é. Por quê? Será que a vingança valia mais que um contrato milionário e uma bela mulher? CAPÍTULO VI — Que confusão a de ontem à noite. Jane sorriu para o animado Hank e voltou ao trabalho. . mas afetivo. O sheikh Raschid veio do Qatar e demonstrou interesse em equipar a polícia de seu país com computadores modernos. Bem. minha cara. Bem. bom dia. entrando na sala de Jane. Cora entrou no bar da cidade feito um furacão e contou tudo. tudo o que fizera fora ficar e acusar Jane. — Já ficou sabendo do que aconteceu? As notícias voam. — Sei. Até logo. No entanto. que tem boa reputação e possui um projeto revolucionário. hein? — brincou Hank.sabia disso. sei. com Scott fora do caminho.. — Jane. aqui. . Tenho férias vencidas e posso deixar o escritório por uns tempos. Jane suspirou. não é? Ele está? — No momento não. Mal tinha começado a datilografar alguns pedidos quando o telefone tocou. .

Aliás. ela caminhou até o jardim e ficou admirando as velhas árvores. ele mandou lembranças para você. na tentativa de fazê-la mudar de . no fim da tarde. a ponto de usar uma arma fatal contra a moça: confirmar suas suspeitas. e por isso Scott estava \ tão ansioso para vender o novo computador. O resto do dia transcorreu normalmente e. após a cena1 da noite anterior. Na sua cabecinha inocente e em seu coração puro. e ela achara interessante. pois. Até a vista. pelo bem do filho. O menino não queria ver o pai casado com outra. — Darei o recado assim que Scott chegar. Teria imaginado que Scott compraria Garston? Talvez. Teria que dizer isso a Scott e aquele talvez fosse o momento propício. De qualquer forma. não havia razão para que seus pais vivessem separados. sir. na última vez que se encontraram. Eva saíra para jantar as amigas. Perguntou-se se ele haveria encontrado Cora. a responsável pela perda do contrato. mesmo passando dos limites. — Então adeus. Ah. Cora na certa convenceria o pai a não fazer negócio com a Computex. que nunca fora muito popular na região. o que não nos dá muito tempo. devia partir o mais depressa possível. ao contrário do que acontecera com o velho Jeffrey. O charmoso árabe fora muito galante. . levando em consideração as circunstâncias. A atitude de Simon fora natural. Mas isso também era compreensível. . quando Jane parou de trabalhar. Pensei em marcar um encontro e levar Raschid até aí. ele haveria de compreender que mantê-los ali podia ser até arriscado. e Simon percebera isso. que não escondia o fato de não gostar nem dele nem de sua amizade com Scott. mesmo indiretamente. principalmente com Cora. Jane se culpava por haver sido. Jane pensava nisso quando viu o carro de Scott estacionado no lado de fora da mansão. Sentiase covarde por não ter procurado Simon e mais uma vez pensou que. ao afirmar que Scott e Jane iam se casar.a maneira como haviam flertado. ainda não havia sinal de Scott. Jane suspeitava de que devia haver alguma verdade nos rumores que diziam ter ele sofrido o ataque cardíaco fatal em conseqüência do sucesso do neto.Londres. Ela sentia-se ameaçada. manter a propriedade funcionando exigia j muito esforço e gastos imensos. Era uma pessoa muito benquista na vizinhança. quando voltar. Aliviada. se ele soubesse como os motivos dos adultos podiam ser diferentes. cujas folhas uma leve brisa agitava. Diga a Scott que me telefone.

e essa era uma delas. mas nesse caso sabia que ela recomendaria que a verdade fosse dita. — Simon. devia fazê-lo entender que agira de modo errado. Embora Jane compreendesse as razões de Simon. . . Contudo. . Jane continuou: — Mas não é verdade que vamos nos casar. Agora me prometa que não dirá nenhuma palavra sobre esse assunto para ninguém. a única coisa que a faria voltar atrás seria uma aliança de casamento.um dia partiremos. De qualquer forma. Não agora. Acho bom que sinta carinho pelo sr. acredite-me. Resolveu conversar com ele. Garston nos mandará embora? — Não sei. . mas isso só irá lhe fazer mal. Cora partirá amanhã. e eu vi! Segurando-lhe as mãos. escreverei uma carta explicando tudo. não posso dizer nada enquanto estivermos aqui.idéia. se ele resolvesse procurar Scott e contar-lhe tudo? Provavelmente seria rejeitado e ficaria arrasado. pois não seria justo para ninguém. — Simon. Tente entender. filho. Não havia jeito de contra-argumentar. quer dizer. filho? — Mas é verdade! Ele estava em sua cama. mamãe? — Primeiro você vai pedir desculpas a Sco. eu não quero que ele se case com Cora. — Concorda que foi muito rude. O que acontecerá agora. quando voltarmos para casa. . Em outras circunstâncias pediria conselhos a Eva. — Quero que lhe conte a meu respeito. e Jane não sabia o que fazer. Garston. ontem à noite. Vamos esperar. e Scott não estava preparado para oferecer-lhe isso. mas não posso fazer isso. — Por quê? Ele é meu pai e quero ficar. Faz pouco tempo que você descobriu a identidade de seu pai e ele não sabe sequer que tem um filho. Portanto. e errou ao dizer tudo aquilo. . portanto não haverá tempo para se desculpar com ela. Como explicar a complexidade do mundo dos adultos a uma criança? O que aconteceria. Você sabe. . Subiu a escada e encontrou Simon deitado. — Scott. Garston e queira ficar aqui. o sr. Havia situações nas quais a falta de um pai tornava tudo muito difícil. Esse era o ponto-chave da questão. — Bem. sei como se sente. Não tenho culpa se você mentiu para ele. ao sr.

Sorriu. Scott. Por isso. Ele não é interesseiro como você. Será que Scott não percebia o domínio que exercia sobre ela? Seu coração batia mais forte e o desejo. beijou-lhe a testa e observou-lhe o corpinho. acenou-lhe e ganhou o corredor.. — Prometo. Ele se parecia muito com o pai. Scott segurou-lhe o braço e ficou tão perto que ela pôde sentir o calor que emanava de sua pele. Ouviu Scott dizer que a porta estava aberta e entrou.Aquilo era chantagem emocional. Ele se dirigiu a Jane. Então escutou a voz dele. Jane compreendeu que Simon a estava punindo com aquela atitude.. Tentando se recompor. mas você tem de prometer que vai escrever. Robinson? — Não é a sra. acho que está onze anos atrasada. com um brilho estranho no olhar. surpreso: — Ora. que vinha do banheiro: — O que deseja. sra. mas não havia outra saída. Ouviu barulho nos aposentos de Scott e se lembrou do recado de sir Nigel. pouco a pouco. mas não ninguém no quarto. Deu um passo atrás. Jane tentou dar um passo atrás e manter-se a uma distância segura. ela comentou: — Sir Nigel tem um cliente interessado em seu novo computador e quer conversar a respeito. Sou eu. Jane assustou-se. disfarçar. mas que surpresa agradável! Que aconteceu? Cansou-se de sua cama solitária? Ou o jovem Simon conseguiu convencê-la de que deve se casar comigo? Se é isso. . começou a dominá-la. Que tal jantarmos agora? — Não estou com fome. mas foi impedida. Robinson. Sinto muito. Ele pediu que você lhe telefonasse. — É mesmo? E acaso você tem algo a ver com isso? Quer recompensar a perda do contrato americano? — Claro que não! Acha que tenho esse poder? Ora. antes de sair do quarto. ao vê-lo aproximar-se. francamente! A idéia é de sir Nigel. nervosa.. — E por quê? Não vá me dizer que a quer de volta. sentindo um agradável aroma de sabonete.. — Certo. mas era apenas uma criança inocente e assustada. Resolveu falar com ele e bateu à porta. mamãe. que apenas pensou em fazer uma gentileza para outro empresário. — Vim apenas dar um recado de sir Nigel.

Agora. não? Azar seu. os ombros. pois vai ter que ficar comigo. não era. já amou alguém? Já conseguiu dar algo mais do que o próprio corpo? Jane soltou-se. — Quietinha. — Você se esqueceu de que estava disposto a se vender para garantir o contrato com os americanos? Quanto a mim. então retiro o que disse.. apesar da dor e do ressentimento. A raiva de Scott provocara-lhe uma explosão que rompera as fronteiras da razão. ela tentou não corresponder e permaneceu com o corpo tenso.. indignada. Assustada com isso. não foi? Geoff não a amou o suficiente. Um calor que aquecia a pele e minava as resistências foi aos poucos substituindo a tensão de . imprimia àquele beijo uma suavidade inesperada. lembra-se? Diga-me francamente. num beijo selvagem mas que tinha um quê de ternura. provocando-lhe arrepios. num sussurro: — Scott. acho que sir Nigel não conhece a verdadeira Jane e não sabe que ela se vende pela proposta mais alta. talvez sem perceber. — Ama o pai dele. abraçando-a e acariciando-lhe os cabelos. ainda o amo! Parou de falar abruptamente. Ou seria impressão? Não. E se aproximou de novo. pois percebeu que as afirmações que fizera a levariam para um terreno perigoso. Já não agüentava mais o comportamento neurótico de Scott. Uma vez me falou que o amor é para os tolos e os fracos. foi abandonada com uma criança para criar. — Você ainda o quer. Você me obrigou a ficar.— Sabe. não tive escolha. . Jane podia sentir que. Mas era muito tarde para reparar o que dissera e mais ainda para continuar fingindo.. Ele notou que nada conseguiria e começou a massagear-lhe a nuca e as costas.. o pescoço. mocinha.. não é? No entanto. Scott. — Sim. se me disser que seu amor por Cora é verdadeiro. E colou os lábios nos dela.. Jane sentiu a excitação aumentar e pediu. — Amor? Esta é uma emoção que você não é capaz de entender. a não ser que queira me ver mais zangado. não faça isso.. se quer a verdade. moça. eu amei o pai de Simon e. por favor. . o que é bem diferente. rígido. Encarou-o com firmeza e respondeu: — Como ousa falar-me tal absurdo? Claro que amei! Amo Simon e..

rouca. até que um grito abafado lhe escapou dos lábios. E foi em nome dessas lembranças que ela fechou os olhos e se deixou envolver pela paixão.. contra a qual não podia lutar.. se Scott descobrisse que ainda era amado? . Preparava-se para satisfazê-lo quando alguém bateu à porta: — Trouxe seu chá. Era impossível resistir ao amor que sentia por Scott e que ficara sufocado em seu coração por longos. .. mesmo que finja que não. procuravam as coxas firmes. a carne quente. esfregando-se nele. Foi impossível evitar que doces recordações a envolvessem num manto de carinho. Apoiou o corpo contra a parede e. No fundo. Jane ficara com o corpo em chamas. intermináveis anos. Desejara-o e teria feito amor. de amor. E Jane percebeu que isso a tornava perigosamente vulnerável. compartilhado. Bastara estarem no mesmo quarto para que o desejo explodisse. o colo. quando ele a tocara. . experimentou as sensações mágicas que os dedos e a boca de Scott provocavam em seu corpo sedento. Quantas coisas bonitas os dois haviam vivido juntos. — Jane. não se esquece a felicidade. As palavras a atingiram no coração. o pescoço. o vale entre os seios. guardava a esperança de poder reviver todos aqueles momentos encantados. A voz era sensual. ao braço musculoso que a enlouquecia. querendo parar de tremer. Como as coisas haviam tomado aquele rumo? Scott era como uma droga pesada. Cobriu o rosto com as mãos. .. e.Jane. Jane gemeu e deixou-se acariciar com loucura. Não. Robinson não os tivesse interrompido. de olhos fechados. . de sonho e de magia. lembrando-a de coisas que ela queria a todo custo esquecer. O que aconteceria. os lábios quentes percorriam os ombros macios. Deitada. tentou controlar-se e esquecer o que acabava de acontecer. Jane se recompôs rapidamente e atravessou a porta que dava para o seu quarto. Abriu os olhos lentamente e viu que Scott estava mais excitado que nunca. Os dedos hábeis desciam aos quadris. sr. 0 clímax se aproximava e ela se colou mais às mãos fortes. Quantos momentos de loucura. trancando-a em seguida. de entrega total. . . Garston. se a sra. os melhores de sua vida solitária. — Eu te quero e você também me quer.

não pensara em outra coisa a não ser no trabalho. apenas lhe causara muita dor. Impossível tirar do corpo o calor de Scott. mas tudo o que conseguiu foi ficar ainda mais excitada. Scott era um homem amargurado. desanimada. muito ressentimento. pois Eva ainda estava . a porta se abriu e Simon entrou. segundo julgara. E Jane agora sabia que também era responsável por isso. Ela suspirou. perderemos o próximo. Tampouco conhecera a felicidade. No entanto. pior que isso. ele jamais poderia saber que Jane ainda o amava. não se apaixonara. fugiria dali para sempre. Tomaram o café da manhã a sós. inclusive roupas para enfrentar o forte calor daquela época do ano. um homem que nem sequer a queria? Tomou um banho bem demorado para acalmar o desejo que lhe ardia no corpo. Há onze anos tomara uma decisão que. a sim. os ônibus só saem de duas em duas horas. E ela já não agüentava mais tanta humilhação. afinal? Conquistar um homem que jamais a perdoaria? Ou. Tinha que ficar e se submeter aos caprichos do homem que ela mesma transformara num monstro.Por ela e por Simon? Resolveu tomar um banho frio para acalmar a paixão que ainda ardia dentro dela. não conhecera o ardor do desejo. só iria lhe fazer bem. Não se casara. Jane refletiu sobre o quanto Scott devia ter sofrido t como centralizara todas as suas energias nos 'negócios Não era para menos que se tornara um empresário bem sucedido. afobado. mas depois mudou de idéia. Sua pele ainda guardava c toque das mãos. Se não se apressar. Jane acordou cedo. Mas não podia. Naqueles anos todos. sua vingança seria bem mais cruel. Se pudesse. E o que era aquilo senão um louco. Só ele a satisfazia. porque. dos lábios de Scott. Prometera levar Simon até a cidade e aproveitaria o passeio para fazer algumas compras. no entanto. Tentou se lembrar das cores prediletas de Scott e pensou em comprar saias e blusas provo cantes nesses tons. Chegou mesmo a se censurar por isso. 0 que pretendia. insano amor? CAPÍTULO VII No sábado. ninguém mais. Nesse instante. — Mamãe. e.

saberia como lidar com o problema. filho. Esteve em três lojas. estou indo.deitada. quando Scott se aproximara. sensações indescritíveis a dominaram. Como Simon fosse bastante esperto para não se perder. quando fosse embora. até agora. Será que Simon sabia como a fizera sentir-se culpada? Jane tentou se concentrar na paisagem. Se ao menos pudessem fugir de Garston. Scott tinha que deixá-la partir. já teríamos chegado há horas! — Não deve chamá-lo assim. Uma vez. pois não vinha gostando daquele ar de família que se formava a cada refeição. de papai? — Não. Simon sentiria falta daquele ambiente que. . não passava de um joguinho de faz-de-conta. meu bem. Jane achou bom. — Se estivéssemos na Ferrari de Scott. — Estou indo. E a única mudança que Jane viu nela foram lojas e butiques novas. não tinham muito tempo. Garston. Perdida em pensamentos. de sr. — Temos mesmo que fazê-las? Posso ir até o mosteiro e esperá-la? Jane ficou com pena do filho. e de forma tão intensa que não a deixaram nem falar. . Na estrada para York passaram por muitos lugarejos interessantes. bemhumorada. Conversaria com ele. chegamos! Venha! A voz de Simon soou tão animada que ela sorriu. Sabia que. Afinal. Passaram a manhã visitando a cidade. O ônibus saiu com dez minutos de atraso. todas as tentativas de tocar no assunto haviam fracassado. ela resolveu deixá-lo fazer seu próprio programa enquanto se entregava às compras. . na esperança de ter uma conversa particular. No momento. ela o seguira até a piscina. — Compras! — reclamava Simon. pois voltariam no ônibus das três. — E por que essa formalidade toda? Ele é meu amigo e gosta de mim. no fundo. . mas Simon parecia cada vez mais aborrecido. Comprou uma blusa bordada para usar com a saia e . antes de encontrar o que procurava: uma saia branca que lhe ressaltasse a cintura e os quadris. Mas. — Como quer que eu o chame então. Aí sim. — Mãe. Jane nem notou que a velocidade do ônibus diminuía pouco a pouco e que o veículo parava junto a uma plataforma de estação rodoviária.

mas não ficarei com este vestido — disse Jane à vendedora. Emocionada. Jane a seguiu distraída. civilizado! Uma pantera tentando convencer a vítima de que não é mais perigosa do que um gato doméstico. acabou comprando o vestido. Jane se virou. Um estilo simples mas sedutor. Aliás. colocou as mãos nos ombros dela e os girou para o outro lado da rua. Deixa você tão linda. e Jane compreendeu que não podia desapontá-lo. . Scott contou que tinha negócios a resolver em York e que vira Simon sem querer. — Acho que você deve comprá-lo. — Oh. . surpresa. — Achei que a encontraríamos aqui. — Simon me disse que vocês ainda não almoçaram. — É muito decotado. — Ele me disse que você estava fazendo compras e imaginei encontrá-la numa dessas lojas. . Ela tentou ignorar Scott e dirigiu-se a Simon: — Suponha que eu tivesse ido à sua procura e não o encontrasse. mamãe. Já imaginou o que aconteceria? — Você deve culpar a mim — interveio Scott. Deus. — Sem esperar resposta. — Olhe-se no espelho e veja como caiu bem. Acho que não vou ter coragem de usar. Quando Scott olhara para o decote. ela sentira-se com dezessete anos novamente. Ele a analisou de forma tão maliciosa que ela não o encarou. . — Se eu soubesse que viriam a York. . Desde quando Scott dava opiniões sobre seu jeito de se vestir? — Gosto dele. Esta é a parte mais sofisticada da cidade e tem roupas muito bonitas. querido. . como ele soava educado. Ao saírem da loja. — Oh. A vozinha de Simon tinha um tom sincero. — Obrigada. — Por que não me acompanham? Poderíamos almoçar juntos.experimentou um vestido de algodão que á vendedora lhe mostrara. . também não queria desapontar o homem que amava. teria oferecido uma carona. louca para sair logo dali e saber o que Scott fazia junto com Simon. E levou um susto quando viu Scott entrar na butique. mas. — Obrigada. . mas não queremos. . acompanhado por Simon. Azul-pastel e lilás mesclados num moderno desenho. loucamente apaixonada por alguém que a amava e a queria. não é tanto assim — contestou a vendedora.

Simon parecia não perceber seu desespero e conversava alegremente com Scott. — Ah. — Algum problema? A voz de Scott soou tão gentil que Jane se surpreendeu. Tantas gentilezas faziam supor que Scott fosse freqüentador assíduo do lugar. — Ora. Seu coração chegava a doer. sr. lá vinha Simon com mais uma das suas. Já estou melhor. Jane acabou tendo que aceitar uma carona até Garston. disse o primeiro nome que leu no cardápio. Como se estivesse se preparando para agarrar a presa. atencioso demais. Jane ficou sem graça. E se forçou a comer apenas para afastar o mal-estar e a vertigem. E. — Acompanhe-me. — É apenas o calor. Estava ansioso pela atenção do pai e queria aproveitar a ocasião. Pior: foi . Ou louca. eu quero! Pronto. Mas também não seria justo privar Simon da companhia do pai. difícil. de tão sufocado. Não era justo que Scott usasse o garoto daquela maneira. um suor frio mostrou-lhe que não devia se deixar afetar tanto assim por aquela situação ou acabaria doente. Quer a mesa de sempre. Havia também algumas mesas reservadas. e a respiração saía ofegante. Simpático. Quem mais Scott teria levado ali? Cora? Ao lembrar-se da americana. devido à insistência de Simon. Jane sentiu uma angústia muito forte. bem no fundo. E flores. Jane nem sequer prestou atenção ao prato que pediu. sem saber bem por que. Simon disse que visitou o mosteiro de ponta a ponta. suponho. Como reagiria quando tudo estivesse terminado e voltassem para Londres? Contra a vontade. Assim. E plantas. Aliás.— Mas. nos últimos dias ele vinha agindo dessa maneira. Foi um sentimento tão profundo que ela empalideceu e suas pernas ficaram trêmulas. Não estava melhor coisa nenhuma. Garston. mãe. Foram levados para uma dessas mesas. . por favor. com paredes espelhadas e móveis em cana-da-índia. Jane também morria de vontade de estar com ele. Jane. que prazer revê-lo! — cumprimentou o maitre. pouco depois entravam num restaurante aconchegante e luxuoso. Mentira. muitas plantas. Deve estar faminto. E. por isso. . Nas mãos. Para disfarçar a timidez começou a olhar à sua volta e reparou no ambiente elegante. não seja uma estraga-prazeres.

— Mary. esta é Jane — continuou Geoff. — Desculpe-me. Assim que Jane olhou aquela cabeleira negra.. Nervosa. e Scott. Assim. Igualzinho ao pai. Scott. comentou: — Parece que temos visitas.obrigada a ocupar o banco da frente. praticamente em seu colo. Havia se encostado nele enquanto dormia. virou-se para ela e. que estava observando. — Por aqui. Sentiu vontade de tocá-lo. A porta da sala foi aberta e Jane viu três pessoas ali dentro: Eva e mais um casal. a chamou: — Ei. que a chamava daquele jeito. pelo calor e pelo relaxamento da tensão por que passara momentos atrás. Então se limitou a ouvir Simon. aliás. E bem diferente da mãe. minha querida! Geoff era a única pessoa. sarcástico. . curvou-se sobre ela e terminou de prendê-lo. ignorando suas palavras. . Geoff. assistia à cena. Só despertou quando Simon. sorrindo. Por quanto tempo dormira? Morreu de vergonha quando percebeu que apoiara a cabeça no ombro de Scott. que se interessa mais por artes em geral e literatura em particular. uma onda de desejo se apoderou dela. dirigindo-se à esposa. Simon. — Trabalhou para mim durante algumas semanas. Acredita em mim agora? — Jan. dizer-lhe o quanto o amava. Adotara o apelido durante as poucas semanas em que haviam trabalhado juntos. além de sir Nigel. Só que não podia fazer isso. percebeu o ar irônico de Scott. quando ela reconheceu Geoff Rivers. — Uma surpresa e tanto. embalada pela voz do filho. . não? — perguntou Scott. com grande familiaridade. não conseguiu ajustar o cinto de segurança. ao seu lado. Acho que foi há mais de dez anos. . que até então observava um luxuoso carro estava estacionado no pátio. perplexo. Um velho amigo seu. Jane acabou adormecendo. É melhor cumprimentá-lo. que falava sobre computadores. mamãe. Quando Jane ia responder que não tinha idéia de quem poderia ser. Eva tratou de quebrar o gelo: — Aqui está ela. Tomei vinho demais no almoço. O coração de Jane quase parou. acorde! Ela abriu os olhos e viu que haviam chegado a Garston. que já colocara o braço sobre seu ombro e apertava-o com certa força.

. uma mentirosa. apenas por fotografias. mas aquilo era demais! Queria subir e trancar-se no quarto. . não da realidade. reparando na cor dos cabelos do menino.. o tempo pareceu parar. Não se sente culpada por não ser casada? Certamente houve pretendentes. Mas amei alguém que não existia. dando um sorriso amarelo. As vozes dos outros soavam distantes. . diferente. uma vez pensei em tê-la como esposa. houve. Quanto a mim. deu-lhe as costas e deixou-a. me recordo de tudo. Duvido que conte algo a Mary sobre Simon. A moça sempre aparecia no jornal da cidade. Ela conhecera Mary Tatlow. mas Simon não é responsável pelos erros da mãe. e isso mostra como a amei. Amei uma farsante. Conhecia a dor e a humilhação. só ao pensar nisso. — Ciúme? Ora. — Sim. — Ah. Dizendo isso. este deve ser Simon. Jane. Além disso. esposa de Geoff. Agradeço a Deus por tê-la tirado do meu caminho a tempo. . Como seria. Foi a vez de Scott empalidecer. mas nenhum estava à altura do pai de Simon. Não. — Estou surpreso pelo fato de minha mãe convidar Geoff para vir aqui quando sabe que. como se tudo fizesse parte de um pesadelo. eu não gostaria que você fosse mãe do meu filho. — Que ele é o pai de meu filho? Mas qual é o problema? Está com ciúme porque a criança não é sua? Por um segundo. mas não conseguia se mover. se Mary estivesse sendo apresentada como esposa de Scott? A mãe dos filhos dele? Jane empalideceu. estou surpresa ao notar que perdoa meu filho. não é? — Eva nos contou a respeito dele — acrescentou Geoff. murmurando baixinho: — Veja como ele nem se lembra direito do que houve entre vocês! Não é capaz nem de dizer quando foi..Scott inclinara a cabeça para ela. — Não deixou transparecer nada quando foi apresentado ao filho.. — Devo dizer que ele é muito frio — Scott sussurrou junto ao ouvido de Jane. — Oh. Não tenciona assumi-lo. — Vendo que me desaprova tanto. — Prazer em vê-la — dizia Mary. não diga tolices! Sabe. gosto dele. Jane e Scott se olharam nos olhos de uma forma estranha. Por pouco não perdeu a compostura e armou uma feia discussão com Jane. Jane não sabia o que fazer.

— Estou bem. Simon.. — Desligou e olhou para Jane. — Pelo seu jeito. calandose quando Eva e o menino se aproximaram. sim. Jan. oferecendo uma xícara de chá. Até logo. você está bem? Ela esqueceu as preocupações por um segundo e encarou o filho. estou certo de que está ansiosa por vê-lo. Deve deixar-nos partir. — Tem certeza de que quer conversar? Ou Geoff a deixou com vontade de algo que só um homem pode dar?.. — Conversaremos depois. saiba que sempre encontrará um lugar na nossa família. Eva dirigira-lhe a palavra. Ela nunca contara nada a Geoff a respeito de Scott e de Simon. . querido. Ouvira-o ao telefone com sir Nigel. se algum dia se cansar daqui. Jane achou melhor não responder. palavra. — Era seu antigo patrão. já vi que não conseguiu dobrar Cora. Scott. que parecia desanimado. James está com nove. Jane. Pelo bem dele. — Bem. Ela ainda está zangada. ela retornou ao trabalho preocupada em convencer Scott a deixá-la partir. Simon.— Mamãe. — Oh.. O telefone tocou de novo e Jane se retirou sem um. Ele e o sheikh Raschid chegarão na quarta-feira. Na segunda-feira. tinha que se recompor.. O convite vale para você também. Teria que adiar de novo a conversa. Tudo o que dissesse só faria piorar as coisas.. foi muito bom vê-la de novo. contou-lhe sobre a visita do sheikh e ele . Logo James estará de volta e vocês dois vão se dar bem. — Bem. — Simon o quê? Tem medo de que ele descubra que tipo de pessoa é a mãe? — Ele está se apegando a você — respondeu ela. encontrou Hank. Scott apertou o pulso de Jane e sussurrou ao seu ouvido: — E nós sabemos qual será o preço.. — Bem. Faça-nos uma visita. fique sossegado. . É apenas um ano mais novo. Jane. Jane aceitou na hora. porém notou como o olhar dele ia de um a outro. Quantos anos tem? — Dez. Até a próxima. Estava tremendo muito e o líquido quente lhe faria bem. — Tem razão. mas acho que chego lá. quando entrara com a correspondência. não é? Ou você pensa que Geoff fez o convite a troco de nada? — Isso não pode continuar assim. Ao entrar em sua sala. então.

. o chefe está terrível! O que será que aconteceu? Nunca o vi assim! Jane balançou a cabeça. Era Scott. dando a entender que não sabia de nada. mas era tarde.assoviou. — Perdão se atrapalhei algo. Quer .. chore. hoje. — Deus do céu. hein? Traga-nos café. mas acontece que este é meu escritório e não quero este tipo de cena aqui. deu-lhe um abraço fraternal. saiu em direção ao jardim. Você não saberia dizer o que houve. — Oh. como precisasse de algumas coisas que estavam na sala de computadores. Acho que quer descarregar o mau humor. Hank. O mau humor de Scott era tão evidente que Hank se surpreendeu. — Dizendo isso... impressionado. Sempre matando o tempo com minha secretária. — Suponho que não seja nada relacionado com a semelhança entre Simon e uma certa pessoa. Hank aparentava cansaço e Scott estava carrancudo.. Teremos que fazer figa.. Jane os encontrou novamente. saberia? Seu olhar era amistoso. Eu não devia ter-me descontrolado. Jane. eu apreciaria se restringisse suas atividades pessoais ao seu tempo livre. — Bem. — Quer contar-me o que houve? — Não — respondeu ela. Jane. — Ótimo! Ele pode oferecer um contrato bem melhor do que o do pai de Cora. Depois do almoço. Hank. Ninguém respondeu à provocação. Mas o que há com você hoje? Parece cansada. — O que há de errado com ele hoje? — Quem é que pode saber? — respondeu Jane. Antes que ela pudesse responder. Vamos. sentindo-se tola. Robinson se os aposentos de sir Nigel e do sheikh estão preparados.. E. e Jane sentiu vontade de chorar. Jane ia responder quando ouviu a porta se abrir. E foi buscar o café. — Dizendo isso. Desabafe. — A culpa é minha. se essa foi uma amostra do que tem passado. — Voltei para pedir-lhe que verifique com a sra. Scott abriu a porta e chamou: — Hank. me admiro de que não tenha se descontrolado antes.. pediu a Hank que atendesse os telefonemas enquanto ia buscá-las. quero que venha até aqui. Tentou evitar. E. — Scott me disse que pretende nadar.

Jane. As palavras estavam carregadas com outro tipo de emoção. E isso ele não queria. em sua voz. porém com ressentimento. Scott nadava bem. só tinha uma coisa a oferecer: seu imenso. que sabia da importância daquela visita para futuro da companhia. tratou de acalmá-lo: — Quatro horas. Deus. consultando o relógio. — Scott! Conseguiu desvencilhar-se dele e correu em direção à porta da casa. Jane. Encontrou-o na piscina. por favor. mas. ao vê-lo totalmente nu. Tinha que convencer Scott de que seria melhor para todos se ela fosse embora. . ela o esperou na borda da piscina. muito generoso . que não faz nada para evitar isso. Mas poderia jurar que Scott não dissera aquilo com indiferença. poupe meu filho. Você gostará de sir Nigel. Estou certo? Jane não lhe deu atenção. CAPÍTULO VIII — A que horas sir Nigel disse que chegaria? — perguntou Scott. Falta mais de uma hora. como ele podia ser cruel e tratá-la daquela forma. mas não foi.. Jane quase perdeu a respiração. Sei que quer me magoar. O coração de Jane disparou. foi atrás dele. Estava em pânico. não acredito que sir Nigel venha me . — Sabe. ela respondeu que não. Ela. ao contrário. Tudo o que Scott desejava era saciar sua sede de vingança. O estilo borboleta lhe ressaltava os músculos firmes das costas. Por um instante. É um homem muito simpático. não era possível. Ele está se apegando muito a você. pensou que seria ignorada. Ciúme? Não. Aquilo não poderia continuar. mas não pôde deixar de notar um tom estranho. — Você fala como se sentisse algo especial por ele.desabafar? Agradecendo. Antes que mudasse de idéia. algo muito forte e sincero que ele não fora capaz de esconder. louco amor. quero conversar sobre Simon. Tentando manter o controle. — O que houve? Hank não a quer mais? — Scott. — Foi por isso que veio conversar comigo? Saiu da piscina e segurou-a. diferente.

que a mãe dele foi apenas um passatempo para seu pai? É isso que ele sabe e entende? Jane ficou furiosa. — Você sabe por que quero ir. ressentimento e desejo invadiram Jane. — Simon sabe que amei o pai dele! — Ah.. Simon sabe. entende. . se soubesse. mesmo ignorando que era o pai. Seria difícil convencer Scott de que sir Nigel era um cavalheiro e só queria ajudar outro empresário. se eu não conseguir esse contrato. — Scott. — .. Jane explicou: — Até pouco tempo. coloquei o nome na certidão de nascimento e ele a encontrou. pensativo. que está se apegando demais a você. E se interessou pelo assunto. gosto dele e pretendo ajudá-lo. deixará? — Por que está tão ansiosa? O que quer mais? Está até mesmo perto de Geoff.. Será que. "serviços prestados". — Isso acontece porque ele precisa de um pai. — Olhou-a..procurar assim. Não permitiria que meu filho acreditasse que tinha sido . medo. é? E o menino também o ama. Já lhe disse. Talvez queira recompensá-la por. ou melhor. continuaria nutrindo esse sentimento? E será que acreditaria nisso? Suspirando.. ele quis saber a verdade e respondi a todas as perguntas com honestidade.. Isso provava que ele o amava. — Ele leu a respeito de seu novo computador muito antes de eu vir para cá. — E por que ele faria isso? — Imagino que sinta alguma coisa por você. Simpático demais para ser presidente de um império multimilionário. Quanto a mim. Como secretária você me custa muito pouco e.. culpa.. — Mas se conseguir. sem mais nem menos. Não houve resposta. mesmo sabendo que foi abandonado? Lágrimas. quando vai me deixar partir? — Logo que puder. Seu antigo patrão era uma das pessoas mais simpáticas que conhecera. quando ela percebeu como Scott estava indignado por causa de Simon. Ainda acho que ele quer ajudar a consertar o que você estragou: o contrato com os americanos. digamos.. .. ao ouvir afirmações tão irônicas. Jane resolveu ignorar a provocação. e perguntou: — Quem lhe contou a verdade sobre o pai? — Bem. Naturalmente. Estou preocupada com Simon. eu não sabia que Simon havia descoberto a identidade do pai. ..

Sir Nigel induzira Scott a uma conversa particular e ambos estavam de costas. — Ah. seu pai não o deixaria. se as circunstâncias tivessem sido diferentes. quando ele esteve aqui. .. Deus. venha cumprimentar o sheikh. muito perto de revelar a verdade. este. acho que ele o ama. Scott Garston. E ele poderia ter sido nosso filho. como a vida se tornara complicada! E como seria bom se a identidade do pai de Simon continuasse guardada a sete chaves em seu coração! Notara o modo como Eva olhava o menino. — É mesmo? Pois não me pareceu assim. além do charme. sem a sua agradável presença. Me faz pensar em sair de Londres e instalar a firma no campo. Além disso. os hóspedes foram conhecer seus aposentos e as demais instalações da propriedade. Eram pouco mais de quatro horas quando sir Nigel chegou em seu Rolls-Royce prateado. Ele entende que. lembra-se? Perdi meu pai aos quinze anos e foi terrível. ele não presenciou o contentamento de Raschid ao reconhecê-la. minha cara. Estivera perto. Na realidade. . Sheikh Raschid.concebido sem amor. é a linda e charmosa ex-secretária de sir Nigel. e deu um sorriso largo ao ver Jane. bem vestido como sempre. tentou concentrar-se de novo no trabalho. Você é feliz aqui? . Ignorando o olhar furioso de Scott. Dessa maneira. Jane. ele tinha um caráter nobre e bondoso. — E se fosse? — Se tivesse sido. Depois dos cumprimentos iniciais. Desceu. tenho acompanhado o progresso de sua companhia. quem o visse pensaria que o menino gosta mais de mim do que do pai. O som do telefone interrompeu a conversa. e deixe-me cumprimentar Scott Garston! Prazer em conhecê-lo. não é? Notei que o escritório dele estava bem menos bonito. — Lugar agradável. Já passei por isso. o que só fez aumentar a ansiedade de Jane. Ela gostava do sheikh e sabia que. Simon praticamente nem olhou para Geoff. Permita-me apresentar-lhe Raschid. Afinal. sim. você teria o conforto de saber que ele cresceria num ambiente familiar sadio. — Que bom vê-la de novo! Ah. ela atendeu ao convite.Quanto tempo levaria para Scott descobrir? Preocupada. Jane. Com amor e segurança.. É por isso que está tão ansiosa por tirálo daqui? Isso não lhe prova nada? Você o privou de amor.

Ele era astuto demais para não ter percebido que a antiga secretária perdera peso e que olheiras haviam surgido em seu rosto. mas acho que não vai conseguir manter esse segredo por muito tempo. sobre Simon. — Pode parecer estranho. — Bem. como secretária. minha cara. De qualquer forma. Scott não lhe dissera nada a respeito de sua participação no jantar e.. . Tais pensamentos foram reforçados quando sir Nigel comentou: — Entendo por que você não quer dizer nada. ela não poderia esperar que fosse incluída.. Se quiser voltar. que subia apressado a escada. . Vejo-a no jantar? — Não sei. mas tão logo coloquei os meus olhos sobre Scott. Se os fatos continuassem se desenrolando daquela maneira.Era sir Nigel quem perguntava. concluindo que tudo evoluía para uma verdadeira farsa. — Sei. como vai o jovem Simon? — Está na escola agora. Tarde demais para esconder o choque. — Scott não sabe. — Sir Nigel. — É que ele só enxerga o que quer. Saiu da cozinha e encontrou Simon. em breve Scott seria o único a não saber que era o pai de Simon. é só me dizer. — Não precisa dizer nada. se a verdade viesse à tona agora. Devo dizer que fiquei mais que surpreso. . quando você insistiu em ficar aqui. O cabelo curto e a pele bronzeada lhe davam uma aparência bem mais saudável do que quando chegara a Garston. Pensei que estivesse satisfeita conosco. Prometo. Seria muito embaraçoso. Robinson que lhe servisse o jantar no quarto. eu devia ter ficado calado. — Não direi uma palavra. Scott se sentiria moralmente responsável por Simon. Voltará em breve. Agora vou ver como Raschid está. — Simon está muito contente. notei que se parece muito com seu filho. Está na cara que o garoto é dele. Incomoda-se de conversar a esse respeito? Jane então resumiu a história.. admirando a fazenda da janela do quarto. Ela quase desmaiou. sempre haverá um lugar para você em minha empresa. eu. — Oi. Jane sabia que o antigo patrão não seria indiscreto. mãe! Viu Scott? . Em primeiro lugar. Scott deve ser cego. Jane. Então resolveu pedir à sra.

Mas estou certo de que. Ela fez que sim com um gesto de cabeça e subiu para se arrumar. Garston está recebendo convidados. porque. Por favor. — Aborrecida. como sempre.— O sr. Não tinha mangas e a barra ficava dois dedos acima do joelho. — Calma! Você chega lá. Robinson me contou seus planos. lhe dava um ar sensual. garotão. se você não jantar conosco. envolvida no suave odor de perfume. e ele sabia disso. Certo. mesmo não a querendo por lá? Será que não percebia que a cada confronto seu coração se magoava? Ou Scott fazia tudo de propósito? A suspeita a fez sentir-se mal. Depois colocou um discreto mas sensual perfume francês e foi se vestir. Será que Scott esperava que ela simplesmente obedecesse. parece que o sheikh ficará desapontado. Parou de falar ao ver a expressão de euforia no rosto de Simon. Acontece que o sheikh é nosso convidado e um cliente em potencial. Portanto. os seios redondos e firmes. dadas as circunstâncias. Simon não se importará de comer sozinho. . Jane. E Jane compreendeu que. . 0 estilo ousado dava a Jane uma aparência sofisticada. lembre-se de que estamos aqui porque trabalho na Computex. — Oi. Escolheu um vestido cujo decote acentuado reforçava as formas dos seios. Estava pronta. Jane. — A sra. . que vira Scott se aproximando. Agora me deixe falar com sua mãe. O menino aceitaria qualquer pedido de Scott. Ele nunca esqueceria aquele desejo de vingança? — Sinto muito. Depois calçou um par de sandálias de salto alto e. fria e serena. . . para completar. a cada demonstração de afeto. como foi a escola hoje? Ele acariciou os cabelos desalinhados do menino. Eu gosto é de mexer com computadores. Tomou um banho demorado e passou no corpo todo um creme que deixava sua pele macia como cetim. ficarei agradecido se você jantar conosco. ficava mais difícil partir. A pele sedosa. garotão? — Certo. Já tenho planos para esta noite — disse ela. jóias que pertenceram a sua mãe. — Quem lhe disse isso? — Não importa. —Ótimo. colocou um fino cordão de ouro trançado no pescoço e um par de brincos de diamantes.

Seria simples e delicada. Esfregou as mãos no vestido e experimentou um forte calor que vinha de dentro. — Pois comete uma injustiça. seria a única mulher da minha vida. conversando com sir Nigel. Escovou os cabelos finos e abundantes. Sou sensível demais para fazer parte de um harém. mais materiais. Sete e vinte cinco. Se fosse comigo para o Qatar. chérie? — perguntou Raschid. Prometendo e recusando. mesmo no meu país. digamos. Deu uma última olhada no espelho. A lycra acentuava suas formas de maneira contundente. Não foi a primeira a chegar. Sete horas! Tinha trinta minutos para fazer a maquilagem. Sabe. Scott veio direto na direção dela. . ao ver o espanto de Eva. . Contra a própria vontade. Ela riu. tocando no vestido — oculta e revela ao mesmo tempo. quem resistiria? Este tecido — disse Raschid. e sorriu ao vê-la entrar. . quando soube que você não trabalhava mais comigo.bem marcados pelo corte do vestido. hoje em dia. porém sensual. entrando na sala e juntando-se ao grupo. . ele não gostou. vejo que meu anfitrião não concorda em que eu monopolize sua secretária. você está linda! — Ambas estão encantadoras — elogiou o visitante. pequena Jane! Seus olhos são negros como as noites de veludo do deserto! Mas vejo seu patrão aproximar-se e sei que deseja conversar sobre coisas. Paciência. Scott chegara. Não imagino por quê. . Que Scott reprovasse. começou a imaginar a suave massagem que Scott lhe fizera no busto. Ah. rímel e batom vermelho. O que eu não daria para ver sua pele excitada pelos prazeres do amor. Riu quando ela corou. — Raschid ficará maravilhado. mil e uma noites de prazer não seriam suficientes para que eu lhe provasse o que sinto! Eu. — Vestida como está. Ela respondeu. — Ah. — Sossegue. — É mesmo. Raschid acertara. . . — A inocência é muito rara. bem-humorada: — Provavelmente porque desaprova os costumes dos sheiks árabes. Eva já estava lá. Jane. Jane ria das extravagâncias do sheikh quando sentiu um arrepio na espinha. se quisesse. a deixavam provocante. Uma sombra em tom pastel. Devia descer. — Jane querida.

É por isso que está ansiosa para partir? Ele lhe ofereceu emprego? — Você sabe por que quero partir. .. Deixou-os a sós. — Seus segredos estão seguros comigo. Quando o jantar acabou. sim. que ouvira parte da conversa. ao contrário do sheikh. Então percebeu que podia falar francamente com Scott. — Ah. E Raschid. — Você possui um modo de induzir o mais reservado coração a se abrir chérie — dissera. O que tem acontecido conosco prova que é melhor enterrar o passado. — Você sabe por que quero deixar Garston. Nada do que ela dissesse ou fizesse lhe agradaria. que estudava em Paris. não espera que eu acredite que se sente culpada pela perda do contrato. vasculhando seus segredos. devido aos constantes e provocadores olhares de Scott. Ele já fez um pedido. e. — E. que sentiu as pernas bambas. conforme dissera a Jane na última vez que haviam se encontrado.. ao mesmo tempo que aprovava tal determinação. mas não sem antes receber um olhar fulminante de Scott. Jane fora providenciar o café e já o estava apanhando. — Parece que sir Nigel gosta muito de você. ela o sabia apaixonado por uma mulher de sua terra natal. Contudo. o único coração que Jane desejava era feito de pedra. Jane deu uma breve olhada na sala e viu que os outros estavam conversando com entusiasmo. Uma pedra fria e dura. Chegará o dia no qual um homem não revelará somente seus segredos e sua dor. Ela queria diplomar-se antes de se casar. — Pois é. é tremendamente perigosa. também a desaprovava. Suspirando. Uma forte onda de calor se apoderou dela. Jane quase não comeu. Raschid sentou-se no sofá em frente à lareira. — Grande o suficiente para substituir o do pai de Cora? — Para que quer saber? Com certeza. não é? Tristeza novamente. Esteve desconcertada a maior parte do tempo. parecia considerar o vestido mais revelador do que outra coisa. Percebi como Raschid ficou impressionado com o computador. ao lado de Eva e sir Nigel. quando notou que Scott estava atrás dela. Mas não pretendo falar nisso agora. por causa disso. Com relação ao sheikh. mas também seu coração.Admirava-lhe o corpo. Por que ele sempre pensava o pior a seu respeito? Embora a comida estivesse ótima. E não se divertiu muito. eu sei.

— Tirar proveito da situação na qual me colocou? — Isso mesmo. Aquilo significava que o ódio estaria diminuindo ou que ele se cansara de atormentá-la? — Querida.. recém-barbeado. Mas Scott interveio: — Mamãe está certa. Percebera que Scott uma ou duas vezes olhara em sua direção. Jane encarou-o. . Assim que o contrato estiver assinado. Raschid já está preparando os documentos. Duvido que exista uma mulher capaz de permanecer indiferente aos galanteios do sheikh por muito tempo — disse Eva. haverá muito trabalho e eu não terei tempo para. Porém disfarçava quando ela o encarava. Scott. .. . quando for firmado. — Isso não foi importante. sentindo o coração tomado pelo desejo. você poderá partir. — Não entendo por que não está radiante. E nada poderia destruir aquele amor. — E Scott voltou para a sala. Para Jane. assim . se não fosse pelo contato com sir Nigel. ao vê-lo. Pobre senhora. Jane lhe confessara que ainda amava Scott. não sei o que há de errado com você. . É quase um hobby — disse Jane. sente-se bem? Era Eva.. Dessa feita. o resto da noite passou num segundo. provocava-lhe uma vontade imensa de tocá-lo. então. Deveria levar Jane para comemorar. Só que ele era impossível! CAPÍTULO IX — Honestamente. e se mostrava preocupada. Ele havia concordado com sua partida mais facilmente do que Jane esperara. a reação foi inesperada: — Muito bem. Queria tão desesperadamente um final feliz para aquela história. ele é um homem muito charmoso e meu coração até bateu mais depressa. Scott permanecia quieto. Há muito sir Nigel acompanha os progressos que estão surgindo. O rosto de Scott. Acabou de dizer que conseguiu o contrato. Aliás.Com este novo contrato. a Computex se estabilizará e não precisará de uma secretária que ganha pouco.. Para dizer a verdade. Seu amor aumentava a cada dia. Afinal.

Mesmo assim. ela sorriu forçadamente.Ouviu o que ele disse? Logo partirei. deixando-o sedutor. e por isso mesmo não posso ficar. Lembre-se de que Scott acha que tem motivos para odiá-la. Ouvira bem? Scott lhe fizera um elogio? — Oh. enquanto se preparava para o jantar. se não a quisesse. Ela vai nos deixar em breve. sentiu-se excitada. . E ele não estaria lá. . . Dê-lhe uma chance. mamãe. demonstrando os sentimentos. estou em débito por todo o trabalho que Jane tem realizado. Simon me contou a respeito de tê-lo visto em seu quarto. estaria procurando problemas. O vestido verde lhe delineava o corpo. . — É muita gentileza sua.. Lutando contra a forte vontade de negar o convite. por favor. .. mas. — Vamos sair e comemorar — disse Scott. Será que Eva via naquele jantar uma chance? Terminou de se aprontar e esperou no quarto até o relógio apontar sete e meia. prepararei tudo. Todavia. o coração batendo tão forte que podia ouvi-lo. — Mas você o ama! — Demais. Isso não adiantará nada. Não sou ingênua. Bom. Sairemos à noite. . — De qualquer maneira. — Ele encara o sexo como uma forma de me punir. Não se lembrava de ficar daquele jeito desde o verão em que se apaixonara por Scott: um tremor no estômago. É tudo o que peço. — É mesmo? Pois ele pode ter convencido a si mesmo e a você de que o motivo é esse. Assim que ele saiu. Uma voz ecoou dentro de Jane.. — Talvez o que eu vá dizer seja um pouco duro. — Pois não se alegre muito. Quebre as barreiras e dê-lhe uma oportunidade de fazer o mesmo. levá-la para jantar também terá um caráter de despedida. mas a mim não engana. Você | também sabe que ele me odeia. estou tão contente por você ter aceitado o convite dele! — disse Eva. . . embora se sinta muito atraído por você. . Se Jane fizesse isso. . ela não acreditava que uma reaproximação verdadeira fosse uma simples questão de oportunidade. — Muito bem. amor e ódio às vezes caminham tão juntos que não se podem distinguir. Jane. dizendo que não suportaria aquilo. portanto.como o medo de trair-se. Jane refletiu sobre as últimas palavras. Quebrar as barreiras. Por que não usa o vestido que colocou na outra noite? Ficou muito bem em você.

lembrava-se de como o conhecera e as recordações a levaram a concluir que a necessidade que tinha daquele homem não seria satisfeita apenas com um jantar e um bom papo.. quando deixar Garston? — Eu.. o que fará. a conversa. Enquanto isso. A decoração do lugar era elegante e Jane prendeu a respiração ao notar que as mesas tinham detalhes em verde e negro.. Não estava acostumada a beber tanto. Scott a levou a um restaurante em York. afinal? Que ele tivesse feito a sugestão por ter gostado do vestido? Uma vez acomodados. — Então.. Pelo menos. não sei.. adormeceu. Estacionou o carro e então lhe deu o braço para ajudá-la a descer. Então esqueceu o problema que enfrentava e sucumbiu ao imenso prazer de trocar impressões e idéias com ele. enquanto abria a porta. como seu vestido. depois de ter conversado por alguns minutos. Jane? — Não. Ele ligou o carro e logo deixavam a mansão.. — Chegamos. porém teve que admitir que o vinho lhe proporcionara um efeito fantástico.. percebeu que Scott a encorajava a falar. mas Jane tomara algumas taças e talvez essa fosse a razão do calor que sentira ao apertar o cinto de segurança.Scott estava esperando no andar térreo e mostrava um charme irresistível. Baixou o olhar para que ele não lhe notasse a tristeza 100 E depois disso não conseguiu mais conversar nem ficar à vontade. com uma sensação gostosa a lhe dominar os sentidos. envolvidos num silêncio incomodo. Scott quase não tocara no vinho. a compreensão e o desejo que existiram um dia. Queria o amor dele. o que esperara. só sentia um desejo imenso de chorar. Então. — Algo errado. fazendo um esforço sutil para não deixar o assunto morrer ou ficar monótono. enquanto a levou para o carro. Uma sombra de desapontamento a dominou ao pensar se aquilo seria proposital. Não disse nenhuma palavra.. Ela queria tudo: a companhia. Mas. Abriu-lhe a porta com cortesia e deixou escapar um comentário: — Vejo que colocou o vestido. Já era tarde quando saíram do restaurante. tudo bem. fizera-a esquecer a angústia que sentira durante a noite inteira. . ela relaxou um pouco e. — É o único adequado que tenho.

mas havia também um doce traço do amante de outrora. — Pois eu preferiria que não passasse. eu a acompanharei até o quarto para ter certeza de que não dormirá pelo caminho. Algo mais . Ela podia jurar que a voz de Scott estava carregada de emoção. Tantas vezes desejei que você estivesse aqui. e por isso não houve jeito de resistir à sedução. Nesse momento. que dizia ser melhor soltar-se. Então todas as promessas que fizera foram esquecidas num beijo ardente. As palavras soaram inesperadas e nenhum dos dois acreditou no que ouvira. Acendeu uma luz fraca e estudou-lhe o rosto. Scott. . quando Scott acendeu as luzes do hall. A mansão estava às escuras. mesmo sabendo que não era amor o que ele queria.. Scott permaneceu indiferente ao pedido de desculpas e deu a volta ao carro para abrir-lhe a porta. Contudo. . Ele apenas a encarou. .A voz de Scott a acordou e ela desencostou a cabeça do ombro largo.. — Oh. . — Jane! O nome parecia um brado de desespero.. . que a segurou nos braços e a carregou para dentro.. . pronta para ser amada. Quero você assim. completamente em silêncio. . e Jane até levou um susto. — Não é nada. Logo passa. como agora. bem relaxada.. Pararam em frente à porta do quarto e ele a abriu. Pegou-a pelo braço e a guiou até a escada. fechando a porta em seguida. e de repente tornou-se imperativo que ao menos uma vez se tentasse apagar o passado. ela sentiu a cabeça girar e se apoiou em Scott. murmurando: — Perdão por ter feito isso. Havia desejo e necessidade na forte pressão dos lábios de Scott contra os dela. — Jane. Apenas tomei muito vinho. e sussurrava palavras que se tornaram um murmúrio contra sua pele macia. não se preocupe.. Ela se moveu suavemente na direção do exnamorado. Scott a envolveu nos braços e ela pôde sentir ã força da paixão que os unia. bonita. — Vamos. sem se importar se o gesto era impessoal ou não. Ignorando o bom senso. eu te desejo tanto. era impossível rejeitá-lo. — Venha. Jane deixou-se acompanhar..

porém necessitava da segurança de sentir-se amada.. A textura da pele de Scott despertou um desejo tão grande que acabou com as últimas resistências dela. Agora quero que se dispa para mim. mas depois disse suavemente: — Então terei de fazê-lo. seu amante. . Jane? Eu tirei suas roupas . acariciando-lhe a nuca. — Se eu não a conhecesse bem. enquanto a outra encontrava as formas suaves dos seios. como se fosse um cego que tentasse adivinhar-lhe as formas pelo tato. diria que continua tão tímida como antes. enquanto as mãos experientes deslizavam por suas costas até alcançarem a calcinha. sob o tecido macio. Instintivamente.. tocando-os com ternura. . mais que a si mesma.. ele pareceu hesitar. remorso e compaixão pela agonia que ele cultivava durante aqueles anos todos. 0 polegar brincava com os bicos. segurou-lhe os pulsos. Scott a soltou e percorreu-lhe o corpo com as mãos. Ela lhe murmurou o nome. Ao ser tocada. Jane sentiu que jamais poderia negar algo àquele homem. eu te quero tanto!. o único que a satisfizera. puxando-os gentilmente. Como poderia me concentrar na comida. que lhe escorregou pelos ombros num movimento gracioso e a deixou nua e vulnerável. As mãos de Jane tocaram os cabelos dele. no mundo. Por um momento.poderoso do que bom senso e orgulho pulsava dentro dela. Dizendo isso. combinando amor. Olhou-a nos olhos sem imaginar o conflito que lhe torturava o coração. uma emoção incontida. não terei? O sussurro contra a curva do pescoço causou-lhe arrepios de prazer. — Seu cheiro e sua aparência me deixaram louco. As palavras saíram rasgadas da garganta. 0 corpo inteiro de Jane tremeu. Ali estava Scott. — Jane. a última barreira que o separava do corpo ardente. — Não posso. quando ele desatou o colchete que segurava o vestido. . ela cruzou os braços sobre os seios. quando tudo o que queria experimentar era você? Uma das mãos acariciava os cabelos dela. até que ela descruzasse os braços e mostrasse o busto. provocando um breve sorriso em Scott. — Lembra-se da primeira vez. lá no restaurante. o único a quem amara mais que a tudo.. Ela queria atender-lhe o pedido. mais do que qualquer outra coisa no mundo.

O contato da pele e dos pêlos negros estimulou o prazer que Jane sentia nos seios. Jane? Coloque seu corpo contra o meu. mordiscou-lhe os bicos dos seios. assim. fazendo-a esfregar-se nele de modo a prolongar e aumentar a pressão erótica.porque me dá vontade de. que tocasse de todas as maneiras o membro rijo de desejo. Ambos estavam cegos. sussurrando palavras de amor.. e gritou de prazer quando ela o fez. Quando finalmente se viu nu.Jane correspondia às carícias com loucura. ficavam secos de paixão. um desejo além das palavras.. passando a língua molhada e quente em volta até arrancar um gemido profundo da amante. As mãos não respeitavam as fronteiras do corpo e a deixavam perdida de desejo. . pediu a Jane que beijasse. fazendo-a ficar cada vez mais excitada. Não houve nenhum protesto por parte de Jane. como se tivesse lido seus pensamentos. as coxas. surdos e mudos para tudo o que não se relacionasse com o desejo que nutriam um pelo outro. Ambos estavam envolvidos num paixão impetuosa. Em seguida. uma necessidade febril que cada um alimentava no outro. Aquela atitude certamente demonstrava o amor que sentia por ele. — Meu Deus! Você tem idéia do que está me fazendo.. arrancando a camisa sem desabotoá-la.. — Não faça isso. Novamente. os quadris. fazendo-o parar de beijá-la no pescoço.. ele se ajoelhou a seu lado e lambeu-lhe o ventre. Ela passava as mãos pelas costas do . Scott gemeu. Talvez aquele fosse o caminho pelo qual a verdade surgiria.. . Scott a ajudou a tirá-las. enquanto o amor que tentara esconder por tanto tempo explodia com furor. Sem terminar de falar. Mexia os quadris. Os beijos dele queimavam a pele de Jane. Jane sentiu que entrava em terreno desconhecido.. A afirmação de Scott aumentou o delírio. quando ela se viu carregada para a cama. Admirou-lhe o corpo bem-feito e então continuou: — . que por sua vez se entregou completamente aos beijos e carícias que recebia. Ela sabia que fora o amor que a incitara e se recusava a questionar qual fora o motivo de Scott.. e abraçou Jane. quentes. A boca de Scott queimava-lhe a pele. O único obstáculo que retardava o gosto de senti-lo por inteiro eram as roupas. e seus próprios lábios. colocava as mãos por dentro da jaqueta de Scott para sentir-lhe o calor. ao tocar-lhe o corpo. apertando-se contra ela.

Lambeu-lhe novamente os seios. provocando reações que até-então ela desconhecia. comparada com o que Jane sentiu quando a boca viril a tocou com muita intimidade. Aquela seria a última chance que teria de observá-lo daquela maneira. muito mais do que eu me lembrava. Aquela noite fora resultado de um estado anormal de ânimos do qual. até que ela arqueasse o corpo e lhe agarrasse os cabelos numa tentativa de prolongar ao máximo aquela sensação. esgotada. queria ser possuída...companheiro com muito carinho. sem sombra de dúvida. Ela quase enlouqueceu. Seria possível? 0 mundo explodiu em mil pedaços de prazer e os dois corpos ficaram repletos de langor. Rapidamente levantou-se da cama. — E mais isso. Sonhei tanto com isso. por favor. Mas tal sensação não foi nada. Jane sentiu-se agradavelmente sonolenta. Não era sangue o que corria pelas veias de Jane. passou delicadamente a língua pelo corpo todo.. Ao acordar. Jane concluiu que não suportaria ver nos olhos dele as sombras da raiva... quando Jane o sentiu dentro de si. percebeu que aquele ato estava carregado de afeto. e sim. Devia partir antes que Scott acordasse e a fria realidade estragasse a doce lembrança do amor. Os dedos de Scott brincaram gentilmente entre as coxas. Talvez estivesse errada em partir. ela se aninhou nos braços do amante e adormeceu.. Os olhos dele brilhavam. No entanto. ao perceber que ele não pretendia parar. Ele logo entendeu o significado daquele apelo. Sabia o quanto a companheira ardia de desejo. e mostravam uma emoção pura. .. A ternura que sentira não passava de fruto . assim. — Você é tão linda. Scott dormia a seu lado e aparentava tranqüilidade.. no dia seguinte. — Jane! Se não o conhecesse bem.. ela diria que aquela exclamação estava impregnada do mais profundo amor. Ele havia sido tão gentil. ela quase se convencera de que ele a amava. suplicantes. Depois. da rejeição. E então. não era nada daquilo! Não ouvira palavras de amor ou de conciliação. — Scott. Ora. fogo. ele se arrependeria assim que acordasse e a encontrasse a seu lado. cristalina. arrancando-lhe gemidos de prazer e palavras ininteligíveis que podiam significar muitas coisas. mas Scott tinha outras intenções e... Na noite anterior. a idéia agora lhe parecia louca.

No mesmo instante. afastou-se. que estava prestes a perder os sentidos. sem hesitar. — Solte minha mãe! Você a está machucando! Ela abriu a boca para explicar que era um engano. ouviram um grito. — Aonde vai? A expressão de Scott era de irritação. porém não teve tempo. Tinha que avisar Simon de que partiriam sem demora. — Vou procurar Scott. viu o sol forte e sentiu um arrepio na espinha. Este era o nosso trato. . a noite que passamos não significou nada? Ele se aproximara bastante e Jane compreendeu que. — Não foi um sonho. Como ele reagiria? Saiu do quarto e se dirigiu à escada. lembra-se? Você não concordou que partíssemos após a assinatura do contrato? Para dizer a verdade.. era Simon.. — Vou acordar Simon e avisá-lo de que partiremos. — Eu te odeio! — gritou o menino. completamente chocado. Ela estivera sonhando. Por isso. — Cuidado! O aviso foi dado tarde demais. Simon. — Você matou minha mãe! Jane abriu os olhos. Vestiu-se com cuidado para não acordar Scott. sem notar a escada atrás de si. Scott a soltara. não conseguiria mais ocultar seu amor. ontem celebramos a minha partida. Ele mandou que o chamasse assim que você recobrasse os sentidos. ao ouvir a voz masculina e sonolenta que a chamara.. só isso. cheio de raiva e de amargura. foi ? Eu realmente rolei pela escada e Simon. rolando pela escada. ela se voltou. Em seguida. Acabara de ter um sonho desagradável. — Antes eu nunca tivesse encontrado aquela certidão! Você é meu pai e... Eva fez um sinal para que ela não falasse e levantou-se da cadeira.da própria imaginação. minha querida. eu te odeio! Simon correu na direção da mãe. Ela já havia pisado em falso e teria rolado degraus abaixo se Scott não a agarrasse pelo braço. que presenciara a cena e estava furioso. mas o que estaria Eva fazendo em seu quarto? Olhou pela janela. — Jane? Embora não quisesse. se fosse tocada. Não há nada . tudo começou a girar e Jane desmaiou. — Acha mesmo? Para você.

Levantou-se e foi até a janela. eu me prontifiquei a me casar mesmo com você mesmo estando você grávida de outro. nunca. Não quebrou nenhum osso.. mas trazia na mente um propósito: não a deixaria partir em hipótese alguma.. Não entende que eu queria o melhor para você? Não poderia suportar a idéia de que um dia se arrependeria de ter se casado comigo e desistido de Garston. mas foi a única maneira que encontrei para convencer você de que tudo havia acabado entre nós.. — Simon está na cozinha. as mãos nos bolsos. Parecia cansado e cabisbaixo. Quando eu lhe disse que não poderia me casar. Em algum lugar do caminho. seu amante? Ela não queria recordar o passado e as pessoas que haviam feito parte desse passado. a respiração difícil. — Não. . você me disse que havia outro homem! — Mas não havia. a inocência. . — Ora. Por que não desce e almoça com ele? Aproximou-se da cama e sentou-se numa cadeira. mas o dr. o amor.errado. Usava jeans e uma camisa branca. Ele se levantou. junto com Scott. . mamãe. mas. — Ouça. Agora diga-me a verdade. mas não acho que seja verdade. Não quero vê-lo ainda. E. — Simon! — Ele está bem. por quê? Sabia que eu queria me casar. Sabia que a criança era minha e me enganou. Nunca tentou me fazer mudar de idéia. Eu tinha dezessete anos. Scott. acho que temos muito que conversar.. — Jane. tudo se perdera. antes que comece a mentir. você simplesmente aceitou sem discutir. Você sabia que eu te amava. e o pobre Simon estava praticamente histérico. Por quê? — Sua mãe não explicou? — Contou uma história maluca a respeito de meu avô lhe dizer que queria me ver casado com Mary Tatlow. — Sinto muito. Nesse instante.. Geoff foi. — E também amava Garston. Forbes achou melhor lhe dar um tranqüilizante. saiba que já me contaram quase tudo. E recebi um não como resposta. — Não. Estava apaixonada e era uma idealista inocente. por favor. o altruísmo. vermelho de emoção. Vou chamá-lo. Scott surgiu pela porta interna que levava a seu quarto. quanto mais cedo você resolver isso. Disse que foi um choque muito forte. — Meu filho! Você me privou de meu próprio filho! Por Deus. melhor. .

. — Se eu tivesse conhecido a verdade. Ele quer ficar comigo. Vamos nos casar e dar ao nosso filho uma família. — Já faz muito tempo. — Você não pode fazer isso. — Estou sugerindo que façamos o que devíamos ter feito há onze anos. você nem ligava para Simon. Você acreditou mesmo que meu avô poderia dirigir minha vida? Acreditou que eu me casaria com outra. Sabemos como é duro crescer sem pai nem mãe. mas saiba. Talvez agora você entenda por que eu estava tão ansiosa para levar Simon embora. não sabia que ele já descobrira a identidade do pai. — Mas.. Scott. — Partir? Oh. Nada restou do homem . vocês não partirão. Se soubesse que o filho era meu. esta manhã. que foi você quem decidiu nos afastar. que me matava aos poucos. minha cara.. — Entendo. Todos nós gostamos dele e queremos sua companhia.. Não acho que posso aceitálo agora. não estaríamos nesta situação. mesmo pelo bem de Simon.. Quando vim. — Ele me disse que eu não tenho culpa de nada. Nunca lhe ocorreu que haveria um caminho mais limpo? Foi como um veneno lento. — Eu não queria que nosso filho se sentisse rejeitado. Só não sucumbi por completo porque achei que tinha que lhe mostrar que você escolhera o homem errado. Este é um débito que devemos saldar. — Muito engraçado de sua parte! — Foi por isso que Simon sentiu tanto ciúme de Cora. Scott! O lugar dele é ao meu lado! — Ao nosso lado. — O que foi? Será boazinha de novo e irá deixá-lo passar as férias aqui? Era isso o que ia dizer? Não é o suficiente.... Tivemos uma longa conversa.. e agora. teríamos nos casado de qualquer maneira. — Até hoje....— E deu resultado. a não ser que queira ir sem Simon. portanto. se amava você? — Você mudou tanto. — Acho que devemos partir o mais depressa possível. — Quer dizer que esse será o motivo do nosso casamento? — Existe outro melhor? Não acha que é nosso dever? Não acha que ele tem direito a ser feliz? Poderíamos até brigar pela posse do menino. não me diga que ele é feliz. — Não sei o que está sugerindo. mas não quero submetê-lo a isso.

Eva. No dia | . minha querida. Jane não estava disposta a se casar com alguém que i não a amava. Jane não queria se casar com Scott. Debatendo-se naquele dilema de difícil solução. quando chegou aqui. A descoberta de que você lhe ocultou o próprio filho. depois que você o deixou e o avô o deserdou. quando a conheceu. Para dizer a verdade.. Poderá encontrá-lo mais tarde. além do mais. Se queria filhos. As necessidades do filho estavam acima de tudo. Scott mudou muito. — Não entendo por que ele quer ficar com Simon. Pense bem. — Ele está muito aborrecido. aquele na certa era o maior. prefiro conversar. após ter i conversado com Simon. que ainda o ama.. E. ela tomou um calmante e adormeceu. Ele me procurou pela manhã. quando foi abandonado. Ficou muito magoado. Tinha apenas vinte anos. pois. Simon é meu único neto. após ter recebido aquela notícia? De todos os absurdos que ouvira até então. — Quero vê-lo. mas ele sofreu muito. sentada a seu lado. O dr.que conheci. Ou você se casa comigo ou teremos que levar o problema ao tribunal. Tenho mais condições de ganhar a causa. mesmo sendo o pai de Simon. Sei que você agiu com a melhor das intenções. eu sei. quando soubesse a verdade? — Ao ponto de tirá-lo de mim através da Justiça? — Jane. — Sim. foi Simon quem decidiu por ela. Mas ! você nunca imaginou que ele quereria o filho. era-lhe um estranho. Forbes aconselhou que descansasse. Roubou meu coração e jogou-o fora. Scott quer se casar comigo.. . — Não. Não vou discutir mais. e era bastante imaturo. Acha que alguém sofre sem se transformar? — Não posso me casar com você! — Pode e vai. — Você deve estar com fome. sorriu com doçura. já falei com sir Nigel e ele aprova nossos planos. Já estava escuro quando acordou novamente. E lembre-se de que Simon quer ficar comigo. ao vê-la abrir os olhos. Pedirei à sra. Robinson para trazer sua refeição. — Nada restou porque você o destruiu. Você me disse. Foi um choque bastante forte. Descansar? Como poderia. por que não se casou? — Talvez nunca tenha encontrado a pessoa certa. Ele tem carregado um complexo de rejeição por muitos anos. Contudo.

mãe. no qual não havia espaço para ela. Podemos ficar aqui para sempre. que lhe caía muito bem. os quartos separados seriam mantidos e a relação seria estritamente platônica. juntamente . Naquela noite ela usava um vestido novo. no sentido contratual. Qual seria o temor dele? Expor-se demais? Simon estava vivendo num paraíso e não perdia uma oportunidade para ficar junto ao pai. As duras conseqüências das regras que a princípio ela pretendera assumir doíam muito. A princípio. A pedido de Jane. em' se tratando de Simon. Os dois haviam formado um círculo fechado. com papai. Olhar os dois.. mas logo percebeu que seus dias seriam facilmente preenchidos.. ainda de cama. e não hesitaria em usar essa arma. estava preparada para fazer todo o esforço possível a fim de tornar o casamento um sucesso. — Vai se casar. então? — É o que você deseja? — Sim. Simon ouvindo enquanto Scott falava. podemos? O que fazer? Scott sabia como ela era vulnerável. ela pensou que haveria muito tempo ocioso. havia o jardim para cuidar e uma série de almoços de negócios que precisavam de cuidados especiais. com Sc. Duas semanas após o casamento. Jane ouviu a porta do quarto de Scott se abrir. Embora relutante. conversando. Enquanto se preparava. Estavam casados e. foram convidados para um jantar por Geoff e Mary Rivers. Oh. e Scott não se opôs às mudanças que Jane quis fazer na ala residencial. deveriam ser vistos juntos em público. Mas nada mudaria entre os dois. Aplicou uma leve maquilagem para esconder as olheiras que surgiram depois do casamento. deixava Jane muito solitária e com uma ponta de ciúme. CAPÍTULO X Eles se casaram uma semana mais tarde. Nunca mais. verde. Não haveria mais noites de paixão. recebeu a visita dele. Eva também estava contente e se mostrava satisfeita em passar o comando da casa para a nora. Porém Jane teria que deixar claro que aquele casamento seria apenas um negócio e mais nada. pelo bem do filho.seguinte.

Não lhe saía da cabeça a idéia de que. com rugas de preocupação na testa. Quando Scott entrou. quando chegaram. tentou se concentrar na conversa da mesa de jantar e sentiu-se aliviada quando chegou a hora de ir embora.com uma queda do peso. no início. Receava ficar na intimidade da biblioteca. ela já estava pronta. Ele usava um smoking preto e uma camisa de seda branca. Gostaria de um drinque? — Não. Quantas vezes afirmara a si mesma que não haveria reconciliação? Afastando tais pensamentos. — Oh. — Teríamos nos casado há onze anos. durante o caminho de volta. — Parece que sugeriu a papai que nos casássemos. — Pronta? — Pareceu um pouco surpreso ao ouvir que sim. Scott. obrigada. entregou-lhe uma caixinha violeta que continha um par de brincos de brilhantes. Parecia cansado. se não fosse pela interferência de meu avô. Ficou um pouco preocupada com essa constatação. mas acho que o contrato do Qatar tirará a diferença. como esposa de Scott Garston. Em seguida. Os olhos de Jane lacrimejaram. deixando claro que Mary não sabia que aquele havia sido o motivo de todo o drama. Não lhe dei nenhum presente de casamento. — Ele era terrível. Foram muito bem recebidos e Geoff abriu um champanhe em homenagem aos convidados. deveria usar jóias que causassem boa impressão. Tenho estado muito preocupado com a falta de pedidos. reclamou de dores na nuca. Ele deixara bem claro. Dirigiram-se em silêncio à casa dos Rivers. pois a tendência de uma esposa feliz é engordar um pouquinho. — Notei que não possui nada parecido e pensei que gostaria da lembrança. são maravilhosos! Para os próprios ouvidos de Jane sua voz soou artificial. não era? — Mary interveio. pois era óbvio que Simon é filho de Scott. desde o casamento. não é Scott? A pergunta foi feita de modo natural. que o que acontecera até ali havia sido uma aberração. uma forma de abrandar a dor que sofrera. Jane corou e ficou satisfeita. e. Agora que sabia a verdade sobre Simon e sobre a . Talvez aquela fantasia de casamento estivesse lhe fazendo mal. — É claro que não ficamos totalmente surpresos. quando o marido lhe apertou a mão com ternura. — É tensão. Scott nada disse.

eu. — Scott? — Não se preocupe. . Os músculos estavam rijos. pois não resistiria ao apelo de seu corpo? — Apague a luz. portanto não me olhe desse jeito. Estava sem a casaca e parecia muito perigoso. Dirigindo-se para a cama. silenciando os primeiros protestos com um beijo longo e doce. continuou a acariciar aquela pele sedosa. Não consigo alcançá-la. continuou: — Não estou pedindo para fazer amor. quando a porta interna se abriu. Sua boca estava seca. provocando nela uma onda de prazer. acordarei com torcicolo. uma ponta de excitação foi tomando conta dela. se o tocasse. pois não vim reclamar meus direitos de marido. Como se ele tivesse lido os pensamentos dela. Seria uma perda de tempo conversar quando existem outros meios de comunicação.. — Melhorou? — Jane. Scott? . por favor. Se não me livrar dela. pasmando a língua no contorno dos lábios de Jane. não faça isso.. sob a pele seca. É esta maldita tensão. Jane queria recusar. Jane já havia se despido e escovava os cabelos. Me ofusca os olhos. Scott tirou a camisa. — Tem medo de que aconteça alguma coisa? — Não quero falar sobre isso. . Contudo. A penumbra que ficou deixava o ambiente romântico e com uma aura sensual.. — Scott. por que sente tanta aversão em me tocar? A pergunta pegou-a de surpresa e ela colocou a loção de volta no criado-mudo. — Por que está fazendo isso comigo. não nutria mais aquele desejo de vingança. Pegou uma loção e passou-a no corpo de Scott. Virou-se rapidamente e puxou-a para perto. . Ao ver o reflexo dele no espelho. Pensei que pudesse me fazer uma massagem na nuca. — Concordo. Vagarosamente. Jane tinha vontade de recusar. Atendeu ao pedido dele. Mas qual desculpa daria? Que estava com medo de tocá-lo porque o amava? Que. — Eu. jogou-a no chão e deitou-se de bruços. abriu bem os olhos. Sem dar-lhe ouvidos. Tinha certeza de que ela o massagearia. teria de entregar-se a ele. umedecendo-lhe as costas com movimentos firmes e agradáveis.separação. — Eu.

liberando uma torrente de paixão que fez seu corpo vibrar de tanta emoção. — Simon merece uma irmã. Jane. — disse.. Era a única maneira de . Diga. antes provocadora e doce. — Você ainda me quer. As roupas que ainda restavam foram sendo tiradas e jogadas ao chão. — Jane. agora ansiava por carinhos. descendo para os ombros. quando ela estava totalmente entregue. — Diga que me ama. enquanto a boca mordiscava o pescoço. confesse. O quarto estava escuro. não! — Sim! A boca de Scott. não concorda? — Scott. amo muito. tentando se afastar. afastou-a com um gesto firme. — A mão dele cobriu um dos seios. mas seu ódio pareceu tão grande que não adiantaria contar a verdade a você. — Acabou de fazê-lo. embora tivesse certeza de que ele sabia que estava acordada. — Me convenci de que te odiava... — Não! — mentiu.. Sinto que ainda me ama. O gozo que se seguiu deixou os dois relaxados. Jane. A explosão veio depois do ritmo alucinante dos corpos. as mãos buscando contatos mais íntimos. Você me ama. ou um irmão. . Ela não queria abrir os olhos. — Pensei que não me quisesse! — O que você quer de mim? Que me arraste a seus pés? Por favor.. porém. Um profundo tremor lhe percorreu o corpo.Tentou desvencilhar-se dele. não posso suportar isso! Fechou os olhos e sentiu as lágrimas que escorriam pelo rosto. Rolaram pela cama.. mas unidos. Seus corpos foram entrando num ritmo alucinante e faminto que prenunciava uma explosão de prazer. Ela queria negar. — Por que fingiu não me amar mais? — Não fingi.. fazendo Jane esquecer de que jurara nunca mais fazer amor. exigia mais. — Eu te amo Scott. Scott. mas não conseguiu... Diga. ao sentir o calor da pele dele. — Como poderia amar um homem que desejava me magoar? O Scott que nunca amei. porém com pouca convicção. Entendo a sua amargura por ter se sentido enganado. Um prazer louco fazia suas línguas procurarem aumentar a excitação. — Diga a verdade. Ele a acariciou com delicadeza.

Fiquei doente de ciúme. tendo-a em meus braços. ela pensou que o coração havia parado de bater e recomeçara desordenadamente.. Mas. Por que acha que inventei uma desculpa para obrigá-la a ficar aqui. naquela noite. Não podia mostrar que te amava. enquanto você correspondia aos meus apelos sem me amar? Pura tortura.. — Por que fez amor comigo naquela noite? Ela não encontrou uma explicação.. — Mas eu não sabia. Ninguém gosta de ser . depois de tudo o que fiz a você? Deveria me odiar. Quando outro homem se aproximava de você. O nosso acordo. Por um momento.. Corou um pouco. sem dizer nada. embora eu não acreditasse. Deu-me seu corpo.não enlouquecer. Não conseguia encarar Simon sem me recordar de nosso passado e de como você tinha dito que eu não significava nada. — Foi muito cruel de sua parte. ao lembrar de como estiveram querendo fugir de uma realidade que seus corpos insistiam em mostrar. depois de termos jantado. Eu te amo. porque amava Geoff.. Estaria imaginando coisas? — Sempre tive ciúme. Queria contar a Simon. — Que eu te amo? — Scott a interrompeu. — Ainda me ama. quando o racional seria deixar você partir? Parecia claro que não sentia nada por mim.. Meu Deus. — Você estava dormindo. você me fez perder a cabeça. A voz dele estava cheia de dor. Sua atitude arrasou com meu orgulho e me machucou demais. Minha mãe me contou. .. As lágrimas haviam cessado e ele lhe colocou os dedos na boca macia. — Atormentar? — Tem alguma idéia da agonia que passei. Não pude. eu. — Pensei que estivesse apenas querendo me atormentar e me seduzir. mas sempre manteve algo escondido.. mas já havia sido dita. Jane. Como me amaria. a ponto de perder a capacidade de raciocinar. — Eu tive que fazê-lo.. você queria partir na manhã seguinte. — Então me deixou acreditar que fazia amor comigo mas pensava em Geoff. — Desculpe-me. — Do mesmo modo que me odeia? A frase foi dura. — Do modo que tentei odiar.

Mais tarde teriam tempo suficiente para cicatrizar as feridas ainda profundas. eu a considerei uma mulher traidora e falsa. Isso gela qualquer um. Ame-me Scott. . que me amava! Somente a mim.usado como objeto. De todas as maneiras que eu jamais sonhei. — Ambos cometemos erros. Quando descobri a verdade. Não imagina quanto.. Jane. fazê-la admitir seus reais sentimentos e. Na noite do jantar pensei que estivesse maluco. — Não tinha notado. — Ela disse isto com sinceridade. . Durante onze anos. Hoje enterramos o passado. abrindo os braços num quente e longo abraço de perdão e reencontro. Imaginei que tivesse agido da melhor maneira.. pois sabia como amava este lugar. concorda? — Concordo. Todos esses anos desejando ter você em meus braços. seria mais fácil quebrar o gelo. abrir o caminho para que eu fizesse o mesmo. Estava determinado a fazer você admitir que me queria. — Te amarei sempre.. Deveria ter confiado mais em você e percebido a trapaça de meu avô.. — Só se você me perdoar também — respondeu ela. Não. — Seu? Pensei que seria nosso! ***Fim*** . não consegui entender qual havia sido a minha falha. Me perdoa? Essas palavras foram acompanhadas pelas batidas dos dois corações apaixonados. — Te amo tanto. E aí decidi forçá-la a se casar comigo. Scott abaixou a cabeça e deu-lhe um beijo cheio de ternura. — 0 prazer será todo meu. Scott. — Não mais do que você. num crescendo incrível. — Você estava me deixando louco. desse modo. — Um novo começo. — Isto soou como uma doce canção de primavera. Diga novamente que me ama. Uma vez casados.