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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR

APRESENTAÇÃO E PLANO DE AULAS

CAROS AMIGOS E ALUNOS: É um prazer poder usufruir dos atuais meios de comunicação e me dirigir a todos vocês. Nesta apresentação vou passar algumas informações sobre mim e do curso que pretendemos ministrar. Sou graduado e pós-graduado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP). Desde os tempos do 1o ano de Faculdade fui o que se pode chamar de “concurseiro”. Exerci cargos, por concurso público, no Tribunal de Justiça de São Paulo (escrevente) e no Tribunal Regional do Trabalho da 2a Região (Atendente Judiciário, Auxiliar Judiciário e Técnico). Depois de formado, prestei concurso para a Procuradoria Geral do Estado. E assim, fui Procurador do Estado de São Paulo de 1984 a 1992, tendo atuado neste período em diversas áreas do Direito (trabalhista, criminal e cível). Exerci minhas funções na Procuradoria de Assistência Judiciária (que atualmente é chamada de Defensoria Pública), ou seja, ingressava com ações e defendia pessoas carentes e humildes, que não tinham recursos para pagar um Advogado. A atuação neste cargo me deu uma grande lição de vida e larga experiência profissional. Em 1993 prestei concurso para a Magistratura, sendo que desde então sou Juiz de Direito. Ao lado de todas estas funções públicas, sempre fui ligado ao ensino. Para mim, uma atividade completa a outra e vou me mantendo sempre atualizado. Leciono desde 1983. Iniciei minha carreira docente na própria PUC/SP, onde dei aulas durante alguns anos. Mas meu foco são os cursos preparatórios para concursos públicos. Como disse, acabei me envolvendo com diversas disciplinas na área jurídica, mas me especializei no maravilhoso Direito Civil, matéria da qual possuo algumas obras e artigos publicados. Há mais de vinte anos acompanho os concursos públicos, nas mais diferentes áreas, seja no âmbito jurídico, fiscal e outros. O contato que mantenho com os alunos (seja real, ou, nos tempos atuais, também virtual) é muito enriquecedor. Gosto de transmitir toda aquela experiência que fui acumulando nos concursos que prestei e nos cargos que exerci e ainda exerço. Fico extremamente feliz quando recebo a notícia de que um aluno passou em um concurso. Cada vez que isso ocorre, parece que eu passei junto com ele. E isso renova minhas forças para continuar fazendo o que gosto. Devo acrescentar que venho tendo muitas dessas alegrias, tendo-se em vista o freqüente sucesso dos alunos, em especial, aqui no PONTO DOS CONCURSOS. Minha intenção com este curso é ministrar aulas direcionadas para o concurso do Tribunal de Contas da União (edital de abril de 2.008), de www.pontodosconcursos.com.br

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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR uma forma clara e objetiva, fornecendo o máximo de informações possível ao aluno, mas sem dispersar a matéria para temas que não caem na prova, evitando opiniões pessoais e doutrinárias que não são acolhidas nos concursos. Vamos agora explicar como será desenvolvido este curso. Cada aula contém a matéria referente a um capítulo do Direito Civil, sendo que a mesma será exposta de uma forma bem simples, direta e objetiva. Durante as aulas forneço o maior número de exemplos possível. Tenho certeza que mesmo uma pessoa que não seja formada em Direito terá plenas condições de acompanhar o curso e entender tudo o que será ministrado. No entanto não posso fugir de algumas „complexidades jurídicas‟, pois estas também costumam cair em alguns exames. Costumo dizer que os examinadores gostam de pedir “as exceções de uma regra...” e também “as exceções da exceção...”. Desta forma, darei um enfoque especial a estes aspectos, chamando a atenção do aluno quando um ponto é mais exigido em um concurso e onde podem ocorrer as famosas “pegadinhas”. Em todas as aulas, após apresentar a parte teórica, com muitos exemplos práticos, sempre faço um quadro sinótico, que na verdade é o resumo da aula. É o que eu chamo de “esqueleto da matéria”. Ele é bem simples... a essência do que foi dito. Mas a experiência demonstra que esse “quadrinho” é de suma importância, pois se o aluno conseguir memorizá-lo, saberá situar a matéria e completá-la de uma forma lógica e seqüencial. Portanto, após ler toda a aula, o aluno deve também ler e reler o resumo apresentado, mesmo que tenha entendido toda matéria fornecida. Sem dúvida alguma, esta é uma excelente maneira de fixação do conteúdo da aula. Além disso, ele é ótimo para rápidas revisões às vésperas de um exame. Ao final de cada aula também apresento alguns testes. Aliás, muitos testes. Todos eles já caíram em concursos públicos anteriores. Este ponto merece um destaque especial em nosso curso. Trata-se de um diferencial. Até por experiência própria, entendo que os testes são importantes para um curso direcionado para concursos. Uma aula, por melhor que seja, só é completa se tiver os testes, pois o aluno vai pegando a “malícia” de uma prova. Inicialmente os testes têm a finalidade de revisar o que foi ministrado na aula e fixar, ainda mais, a matéria dada. Observem como os concursos costumam repetir questões que já caíram em outros exames ou fazer “variações sobre um mesmo tema”. Os testes apresentados neste nosso curso têm um grau de dificuldade acima da média e não fujo de questões polêmicas, desde que haja interesse para um concurso. Por isso não fiquem preocupados se o seu índice de acerto ficou aquém do esperado... isso é muito natural... faz parte do aprendizado. Com o tempo, sem afobação, o aluno “vai pegando a malícia dos testes”. É importante que o aluno faça todos os exercícios, pois muitas vezes eles www.pontodosconcursos.com.br

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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR completam a aula. Por esse motivo o gabarito é totalmente comentado. Muitas dúvidas da aula podem ser sanadas somente por meio da leitura dos testes e de suas respectivas respostas, pois completam e aprofundam a matéria da aula. Passados alguns dias, refaçam os testes. Veja como seu índice melhorou... sem perceber você está “pegando o jeito da coisa”. Devo esclarecer que alguns testes foram adaptados, acompanhando as alterações legislativas que vem ocorrendo a todo o momento e também com inserção de mais alternativas em algumas questões. Por isso, nem sempre a fonte é citada, pois o exercício ficou “desnaturado”. Além dos testes, propriamente ditos, sempre que possível, adicionamos no final de toda aula, algumas propostas bem objetivas para questões dissertativas. Trata-se de um complemento para alunos que desejam testar seus conhecimentos, a sua redação e o seu poder de síntese sobre alguns temas da matéria exposta e também para preparação em concursos (em especial na área jurídica) que assim as exigem. Muito embora o concurso para o Tribunal de Contas da União não exija dissertações em Direito Civil, trata-se de um bom exercício prático, pois fornecemos as respostas para estas indagações dissertativas. Assim, mesmo que o aluno não queira resolver a questão, recomendamos no mínimo a leitura da indagação com a respectiva resposta. Isto, por si só, já constitui uma boa forma de estudo, reforçando e complementando o que foi fornecido em aula. Finalmente, qualquer dúvida que porventura o aluno ainda tenha referente à aula deve ser encaminhada ao forum deste site, para que eu possa respondêla da melhor forma possível. Assim, as perguntas dos alunos e as minhas respostas ficarão disponíveis para todos os matriculados no curso, enriquecendo ainda mais o nosso projeto. Por isso é importante que o aluno leia todas as perguntas e respostas que já foram elaboradas e encaminhadas, mesmo que por outros alunos, pois às vezes as suas dúvidas podem ser as mesmas de outro aluno. Gostaria, por derradeiro, de aproveitar este momento para fazer uma observação e alerta importante: NÃO SE ASSUSTEM COM O NÚMERO DE PÁGINAS DE CADA AULA!!! Realmente o conteúdo total da aula é bem grande. Mas isso ocorre porque a aula é completa, abordando todos os pontos que estão no edital. Durante a aula elaboro gráficos e dou muitos exemplos práticos de cada instituto, sendo que ao final da aula ainda forneço um resumo. Além disso, forneço uma grande quantidade de testes. E depois ainda faço muitos comentários sobre cada questão, esmiuçando bem a matéria. Tudo isso faz com que o material seja extenso. Assim, se por um lado o material é completo, por outro, realmente, é extenso. Mas é preferível ter um material rico e completo, do que uma aula mais enxuta, porém não abordando pontos importantes. Ademais o aluno pode selecionar aquilo que entenda mais conveniente para imprimir.

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Direitos da Personalidade. Domicílio Civil. Interpretação das Leis – Hermenêutica. Prescrição e Decadência. Antinomia. Abuso de Direito. com todas as suas datas: Aula 00 – Aula Demonstrativa – (fornecida hoje. Elementos Constitutivos.Noções Gerais de Direito. Responsabilidade Objetiva e Subjetiva. Aula 02 – Das Pessoas Jurídicas (06 de maio) – Início. Classificação: Direito Público e Privado. Invalidade: Nulidade Absoluta e Relativa. Aquisição. Conflito das normas no tempo e no espaço. Personalidade Jurídica. Fontes. individualização e término). Confirmação. Negócio Jurídico. Elementos Constitutivos (Essenciais e Acidentais).pontodosconcursos. Emancipação.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR O curso contém 09 (nove) aulas. Responsabilidade. Fato Natural.br 4 . Aula 06 – Atos Ilícitos – Responsabilidade Civil (27 de maio) – Responsabilidade Contratual e Extracontratual. Representação. Vejamos como o curso ficou esquematizado. Fontes de Direito Civil. Lacuna e Integração. logo após esta apresentação. Classificação www. Aula 07 – Direito das Obrigações – Parte Geral – (29 de maio) Teoria Geral das Obrigações. Término. Da Validade e dos Defeitos do Negócio Jurídico. Responsabilidade por ato de terceiros. logo a seguir esta apresentação) Noções Gerais de Direito e Lei de Introdução ao Código Civil .com. Extinção de Direitos. Classificação. Forma e Prova dos Negócios. Desconsideração da Personalidade Jurídica. Grupos Despersonalizados. Registro e Averbação. retroatividade) e Territorial. A primeira já começa agora. Indenização. Modificação. Conceito. Nascituro. Aula 03 – Bens (13 de maio) – Das Diferentes Classes de Bens. Conceito. Domicílio. Exclusão da Ilicitude. Aula 01 – Das Pessoas Naturais (29 de abril) – Personalidade (início. Aula 04 – Fatos e Atos Jurídicos (1a Parte) – (15 de maio) – Classificação. Espécies. Aspecto Temporal (início e fim da obrigatoriedade da lei. Interpretação. Capacidade. Resguardo. Classificação Geral. Aula 05 – Fatos e Atos Jurídicos (2a Parte) – (20 de maio) – Ato Jurídico. Classificação: Pessoa Jurídica de Direito Público e de Direito Privado. Vigência e Eficácia das Leis no Tempo e no Espaço. Conceito.

Princípios Fundamentais.Cessão. Espécies. Com a exposição da matéria teórica acompanhada de exemplos práticos. revisão. prova. Elementos. Extinção.pontodosconcursos. lugar e tempo): Direto e Indireto. possibilitando ainda ao aluno eliminar qualquer dúvida que reste através do nosso forum.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Completa. Formas Especiais de Pagamento. Formas de Extinção das Obrigações. Inexecução das Obrigações. Modalidades de Obrigações.com. evicção). Pagamento (objeto. Formação.br 5 . retenção. vício redibitório. Aula 08 – Contratos – Parte Geral (03 de junho) – Disposições Gerais. resumos e uma grande quantidade de testes com gabarito comentado. Cláusula Penal. Um forte abraço a todos. Lauro Ribeiro Escobar Jr. Transmissão . acreditamos ser este trabalho uma importante ferramenta para o conhecimento e aprimoramento nos estudos. Unilaterais. Efeitos. Mora. arras ou sinal.657/42) www. Finalizo. Teoria Geral dos Contratos. AULA DEMONSTRATIVA NOÇÕES GERAIS DE DIREITO LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL (Decreto-Lei 4. quadros sinóticos. Efeitos (exceção de contrato não cumprido. desejando a todos os votos de pleno êxito em seus objetivos.

Portanto. Não podemos subestimar as matérias! Tudo é importante! Por outro lado. independentemente de lei que afirme isso). caracterizando-se pela liberdade na escolha da conduta (ex: uma pessoa que comete um delito “deve ser” punida). mesmo para aqueles concursos que não exigem essa matéria. ela cairá. preferindo outros pontos do edital que consideram “mais importantes”. NO ENTANTO ESTA MATÉRIA ESTÁ PREVISTA EXPRESSAMENTE NO EDITAL PARA O CONCURSO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Costumo usar a seguinte frase: o que não está no edital não está no mundo (parafraseando uma parábola muito comum no meio jurídico: “o que não está no processo não está no mundo”). mesmo aqueles alunos que não sejam formados em Direito terão a oportunidade de “captar o espírito do Direito e das normas jurídicas”. E para aqueles que já têm uma formação jurídica é uma excelente oportunidade para relembrar importantes conceitos introdutórios e básicos. concluindo: o Direito pertence ao mundo do “dever ser”.pontodosconcursos.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Meus Amigos e Alunos. sujeito às leis físicas (ex: se eu largar uma caneta no ar. Se o ponto está no edital. DIREITO Pela Teoria Geral do Direito costumamos fazer a divisão do mundo do “ser” e o mundo do “dever ser”. Nem todo concurso público coloca no edital a matéria que veremos hoje sobre as “Noções de Direito e a Lei de Introdução ao Código Civil”. Bem.br 6 . como desenvolveremos a matéria.. A experiência nos ensina que estudar isso é pura perda de tempo. Assim. É interessante também que o aluno leia a nossa apresentação.. E mesmo que o aluno ache a matéria muito básica. Mas é bom que deixemos claro uma coisa: em um concurso não existe ponto mais ou menos importante. complementando a aula. pois nela explico como será o nosso plano de aula. os testes e seus respectivos gabaritos comentados. é preciso tomar cuidado. O mundo do “ser” abrange os fenômenos da natureza. Já o “dever ser” abrange o mundo jurídico. Lembrem-se que o Direito está presente em todos os atos de nossa vida. vamos agora deixar de prosa e já entrar no ponto que nos interessa.com. pois podem ocorrer muitas “pegadinhas”. não se percam em detalhes e em assuntos que não constam do edital. Alguns alunos não gostam de estudar este ponto por acharem “muito básico”. há a possibilidade de cair. aconselhamos a leitura atenta desta aula. etc. a importância do quadro sinótico fornecido ao final das aulas. www. até naqueles que consideramos insignificantes. Mas. Elas são imutáveis. mas que serão relevantes para o desenvolvimento normal deste nosso curso.... Nossa intenção com ela é fazer com que o aluno “conheça e entre no mundo do Direito”. não comportam exceção e não podem ser violadas..

os babilônios. de urbanidade. Atualmente podemos conceituar o Direito de forma mais ampla e completa: conjunto de normas da vida em sociedade que busca expressar e também alcançar um ideal de justiça. pois estas suas relações somente são passíveis com a existência de normas reguladoras. os assírios. estabelecendo restrições e limites. ibi jus)”. A palavra Direito deriva do latim. Por mais rudimentares que fossem. seria aquilo que está de acordo com a lei (directum – particípio passado do verbo dirigere = dirigir. directum. Assim. na sua origem. assegurando condições de equilíbrio para a coexistência entre os indivíduos. o homem foi formando aglomerados sociais como: família. podemos fornecer o seguinte conceito: Direito é o conjunto das normas gerais e positivas que regulam a as ações humanas e suas conseqüências. Podemos www. como viviam os primeiros grupos de seres humanos: a civilização egípcia. Como uma ciência social. E a partir daí foram sendo criadas normas jurídicas para melhor regular essas relações. todos os grupos possuíam um conjunto de regras para disciplinar suas relações. associação cultural. Estas normas geralmente são acompanhadas de uma sanção em caso de desrespeito. ou justum. ordenar. em sentido técnico. morais. princípios e instituições devem se inter-relacionar de forma harmônica.pontodosconcursos. e para fins didáticos podemos dividi-lo ou classificá-lo.br ) 7 . alinhar). como as religiosas. A doutrina costuma usar a seguinte frase para explicar este fenômeno: “onde existe Sociedade. traçando as divisas do ilegal e do obrigatório. os gregos. Mas. os sumérios. Todas as normas. o Direito não corresponde somente às necessidades individuais de cada pessoa. Podemos concluir então que o Direito surgiu da necessidade de equilíbrio e justiça nas relações humanas. de forma espontânea. Basta ler nos livros de história. Portanto. existe Direito (ubi societas. Os romanos usavam a palavra jus ou juris (verbo jubere = mandar. a sociedade exigiu também a observância de outras normas. Com isso. de ordem e de bem comum.com. religiosa. etc. Alguém agora pode me perguntar: O Direito pode ser dividido? E eu respondo: na realidade o Direito deve ser visto como um todo. os romanos e até mesmo as tribos indígenas que viviam no Brasil antes do descobrimento. trabalho. aquilo que é reto. mas às necessidades da coletividade de paz.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR O homem. sempre foi um ser social e isso para melhor atingir seus objetivos. escola. aquilo é justo). situado no conjunto dos conhecimentos humanos. além das normas jurídicas. MAS. O vocábulo pode ser empregado com significados diversos. o Direito deve ser concebido em função do homem vivendo em uma sociedade. num sentido figurado. formando um só sistema. desde os tempos mais antigos. A convivência em comum acabou impondo aos seres humanos uma certa ordem em suas relações. e designa. etc. esportiva. profissional.

dirigida a todos abstratamente. a primeira forma de divisão se refere ao Direito Objetivo e Direito Subjetivo. Quando se diz que uma pessoa tem direito a algo (ex: direito à saúde. de caráter geral.br 8 . na verdade trata-se da Lei propriamente dita. O preceito.. Assim. Vamos dar um exemplo deixando bem clara essa divisão do Direito em Objetivo e Subjetivo: O direito objetivo determina que o possuidor será garantido em sua posse. educação. Esta é a norma. O preceito estabelece obrigações ou proibições. www. Há uma outra classificação que é realizada pelos estudiosos da matéria: Direito Positivo e Direito Natural. Ele é imperativo. de acordo com ela devem agir os indivíduos. de um direito subjetivo. cada matéria do Direito mantém relações e conexões com as demais matérias do Direito. se um absolutamente incapaz vendeu seu imóvel a venda é considerada nula). Direito Positivo é o conjunto de normas jurídicas vigentes em determinado lugar. É evidente que isto pode levar a alguns abusos. A ação serve para proteger o direito material. que é a conseqüência negativa pela inobservância da norma. Não depende de qualquer entidade superior (Deus) e não se cogita de justiça: seu fundamento é a força. dirigido aos membros de uma sociedade. de uma prerrogativa individual. Geralmente há um preceito e uma sanção. a uma faculdade que esta pessoa possui. b) penalidade (prevê uma punição pessoal. Mas se a posse de uma pessoa for violada surge a faculdade desta pessoa em ser mantida (ou reintegrada) nela. Exemplo: se uma norma disser que o roubo ou o homicídio não são mais crimes. Da mesma forma o Direito: ele é uma coisa só. Costumamos dizer que a cada Direito (objetivo) corresponde uma ação que o assegura (seria o exercício do direito subjetivo). como regra. em determinada época. Trata-se. Podem ser catalogadas duas espécies de conseqüências (que podem em alguns casos ser acumulada): a) nulidade (ex: um bem imóvel somente pode ser vendido por pessoa capaz. está-se referindo a um direito subjetivo. ou seja..). no entanto elas não dividem as águas da piscina. ou o conjunto de prerrogativas que os membros da sociedade têm dentro do ordenamento. Até porque. como uma multa ao transgressor).CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR traçar uma analogia entre o Direito e seus ramos com as águas de uma piscina dividida em raias. a norma agendi (que é estática) se dinamiza na facultas agendi. ou patrimonial. Vejamos: • Direito Objetivo → é a norma (lei ou costumes) de agir (usamos a expressão norma agendi). • Direito Subjetivo → é a faculdade de agir (falamos em facultas agendi). A sua divisão em ramos apenas serve para orientar o estudioso e facilitar a sua compreensão. vem acompanhado de uma sanção. etc. estas condutas não serão mais crimes. Estas raias servem apenas para orientar o nadador. pouco importando se isso é justo ou injusto.com. como uma prisão. Portanto. portanto.pontodosconcursos.

buscando uma harmonia e perfeição. Assim. Ele é resultante de uma interação entre um fato social e o valor deste fato na busca de soluções concretas e racionais para a edição de uma norma.br 9 . o sentido de justiça de uma comunidade. descrita por Miguel Reale. que corresponde a uma justiça maior. E para que haja disciplina social. Embora este tema aborde aspectos filosóficos. A edificação do Direito está sujeita a esta dinâmica www. Até a divisa de nossa Bandeira “Ordem e Progresso” foi extraída da fórmula máxima do positivismo pregado por Auguste Comte: “O amor por princípio. Isto porque nosso atual Código Civil foi desenvolvido a partir das idéias de Miguel Reale. uma vez que o próprio Regime Republicano foi instalado sob sua égide teórica. surge o conceito de norma jurídica. na chamada Teoria Tridimensional do Direito. Ed. provém da experiência.com. Valor é o elemento moral do Direito. o Direito é uma realidade histórica. acho conveniente aprofundá-lo um pouco. anterior e superior ao Estado e que emana da própria ordem equilibrada da natureza (ou mesmo de Deus). Mais do que uma simples classificação. Atualmente chamamos de Jusnaturalismo a corrente de pensamento que tenta reunir todas as idéias que surgiram. mas entende que o mesmo deva ser objeto de uma valoração. Foi ele o coordenador dos trabalhos e seu mentor intelectual. a ordem por base e o progresso por fim”. no correr da história. para que as condutas não tornem a convivência inviável. Há então uma trilogia da qual não se afasta nenhuma expressão da vida jurídica: fato-valor-norma. Não é possível se conceber uma lei sem analisar os fatos ou acontecimentos e necessidades sociais e a sua valoração para a sociedade. O grande exemplo que pode ser dado sobre esta divisão é a dívida de jogo. inspirada num sistema superior de princípios ou preceitos imutáveis (que seria o Direito Natural). Simbolizam. assim. Fato é o acontecimento social referido pelo Direito Objetivo. Direito Positivo e Natural são duas correntes que sempre permearam toda a História do Direito.pontodosconcursos. pois o próprio Direito Positivo muitas vezes se inspirou no Direito Natural. em termos “não tão técnicos”. Só há uma história e só pode haver uma acumulação de experiência valorativa na sociedade. vol. Norma é o padrão de comportamento social que o Estado impõe aos indivíduos. um dado contínuo. O Direito não é um produto pronto e acabado. Segundo Sílvio Venosa (Direito Civil. correspondendo a uma justiça superior e suprema. o Direito Natural é o composto pelo conjunto de regras imutáveis e necessárias. em torno do Direito Natural. O jusnaturalismo seria como o fiel da balança. ☺ Vou tentar explicar esta Teoria de forma simples. capazes de conduzir o homem a sua perfeição. é o ponto de vista sobre a Justiça.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Por outro lado. Atlas. Para o nosso direito positivo a dívida de jogo não é exigível. estão acima da norma legislativa. mas para o direito natural o seu pagamento é obrigatório. pois prega a existência do Direito Positivo. existem normas que não são criadas por nós. O Brasil sofreu forte influência do positivismo. I). Mas não se pode dizer que há uma total contraposição de um com o outro.

por sua vez. que são cogentes. assim. o Administrativo.com. que pode variar em face do tempo e do espaço de uma sociedade. Administrativo). em suas relações para com os particulares (ex: Penal. As normas (sejam elas da natureza que forem) se intercomunicam a todo instante. o artigo 121 do Código Penal prevê o crime de homicídio. não se podendo dissociar o interesse público do privado como se fossem coisas antagônicas. com a finalidade de proteger a vida). convenhamos. de forma que a referência a um deles implica necessariamente na referência aos demais.br 10 .pontodosconcursos. fazendo nascer uma “norma” jurídica para proteger esse valor. para fins didáticos e de concursos. Reforçamos a idéia de que nem todos os autores admitem a possibilidade de divisão do Direito.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR cultural-valorativa. é plenamente aceita esta divisão. É composto predominantemente por normas de ordem pública. Quais as matérias que formam o Direito Público? Resposta – Podemos dizer que são suas principais matérias: o Direito Constitucional. A) Direito Público é o destinado a disciplinar os interesses gerais da coletividade. o Direito deve ser visto como um todo. também (entre outras matérias) o Direito Internacional e o Direito Eclesiástico (ou Canônico) e mais atualmente o Direito Ambiental. o Tributário. vou dar um exemplo bem simples: “A” matou “B” (trata-se de um fato). Direito é o que está na lei. E o que prega cada uma delas. que muitos autores (ex: Hans Kelsen) negam a existência de qualquer outro Direito que não seja a norma posta (ou imposta). E relembrando que o atual Código Civil possui a visão jusnaturalista de Miguel Reale (e não a visão positivista do Código anterior). Cada um desses itens (fato-valor-norma) é explicado pelos demais e pela totalidade do processo. o Processual (Processo Civil e Processo Penal) e o Direito Penal. impositivas. pode ser dividido em ramos. isto gerou um valor (no caso a vida – e a nossa sociedade preza a vida). ou seja. E pronto!! Mas o aluno de um curso preparatório para um concurso público não precisa se filiar a corrente “A” ou “B”. de aplicação e obediência obrigatória. tendo-se sempre o homem como o centro de convergência das atenções (e. Para que isso não fique apenas no plano teórico. A estes podemos adicionar. Como vimos. Tributário) e em suas relações para com outros Estados soberanos (ex: Direito Internacional). Vamos agora falar um pouquinho sobre cada um desses Ramos do Direito. regula a organização do Estado em si mesmo (ex: Constitucional. no entanto. o ser humano é de fato o destinatário final das normas). www. nasce então uma norma para proteger este valor (no exemplo dado. Deixo claro. Há uma interdependência entre os três elementos. O Direito Público. O “fato” irá gerar um “valor” na sociedade. Para esta forte corrente doutrinária. Basta saber que existem as duas escolas. No entanto costuma-se fazer a divisão do Direito Objetivo em matérias para melhor orientar o estudioso. Por isso dividimos o Direito Objetivo basicamente em dois ramos: o Direito Público e o Direito Privado. Mas. a norma ou a lei de uma forma geral). O seu vínculo é de subordinação. O Direito Objetivo ou Positivo (ou seja.

Alguns autores ainda acrescentam o Direito do Trabalho. O seu vínculo é de coordenação. Os Juízes e Tribunais fundamentam suas decisões a partir das disposições da Constituição. descendo para a legislação infraconstitucional (Códigos e Leis especiais) e a partir daí se originam as soluções de cada caso. Austrália. – Meus Amigos. Já o civil law é baseado na lei. DIVISÃO DO ATUAL CÓDIGO CIVIL www. Já o commom law é o sistema adotado por países de origem anglo-saxônica (Estados Unidos. Nos últimos concursos em que este assunto caiu (embora tenham sido poucos) o gabarito oficial deu como correta a classificação do Direito do Trabalho como sendo também um ramo do Direito Privado.) onde os costumes prevalecem sobre o direito escrito. Costumo aprofundar mais sobre a origem de cada um destes sistemas jurídicos na nossa aula complementar sobre a História do Direito. etc. Irlanda. o Direito Brasileiro deriva da grande família jurídica romano-germânica. adotado por quase todos os países europeus e sul americanos. Por isso dizemos que de uma forma geral. o processo é apenas um acessório do direito. OBS. basicamente. Inglaterra. O Direito Privado tem como principais matérias o Direito Civil e o Direito Comercial. com ramificação pelo mundo inteiro (civil law). estes absorveram grande parte do Direito Romano. misturando a ele seus próprios costumes. O civil law (apesar do nome não significa Direito Civil) e o common law. Escócia. como nossa matéria é o Direito Civil. É composto por normas em que predominam os interesses de ordem particular.br 11 . Entre eles o Direito Português e seu filho: o Direito Brasileiro. Sistemas Jurídicos Existem. sendo que a jurisprudência tem um papel secundário. mas há controvérsias a este respeito. Nova Zelândia. Mas. adotamos o sistema do civil law. Dessa fusão se originaram “diversos direitos”. desde o seu descobrimento até o Código atual. Quando Roma caiu nas mãos dos bárbaros de origem germânica. O civil law é o baseado nas leis. As normas de ordem privada vigoram enquanto a vontade dos interessados não convencionar de forma diversa.pontodosconcursos. Também nela contamos a História do Direito Civil no Brasil. Principais Diferenças: O commom law é baseado nos costumes e na jurisprudência (judge-made-law). Estas normas dividem-se em dispositivas (quando permitem que os sujeitos disponham como lhes convier) ou supletivas (quando se aplicam na ausência de regulamentação das partes).CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR B) Direito Privado é o conjunto de preceitos reguladores das relações dos indivíduos entre si. vamos focar nele as nossas atenções. é um direito judiciário. Ou seja. não havendo uma unanimidade entre os autores sobre o tema.com. duas formas de sistematização do ordenamento jurídico de um País.

prescrição e decadência e prova. www. adotou como Princípios Fundamentais: a) Socialidade – representando a prevalência dos valores coletivos sobre os individuais. o equilíbrio econômico.046). E. ao direito de empresa (regendo o empresário. negócio jurídico.028 a 2.arts. Vamos ver com atenção o conteúdo de cada uma dessas partes.arts. relações entre cônjuges. de garantia e de aquisição .CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Como vimos o Direito Civil pertence ao Ramo do Direito Privado e possui. e ao direito das sucessões (normas sobre a transferência de bens por força de herança e sobre inventário e partilha . sem se esquecer do valor supremo da pessoa humana. como não poderia deixar de ser. baseado nas teorias humanistas do jurista e filósofo Miguel Reale. c) Operabilidade – que é a efetivação do direito. 70 a 78). fornecer um conceito de Direito Civil. 1. para encerrar essa parte introdutória. aos bens (arts. Baseado em tudo que foi dito.510). isto porque o direito é elaborado para ser realizado material e eficazmente. e aos fatos jurídicos (arts.783). 79 a 103). atos ilícitos.406. ao direito das coisas (posse. costumo conceituá-lo da seguinte forma: Direito Civil é o Ramo do Direito Privado destinado a reger as relações familiares. declaração unilateral de vontade e atos ilícitos .pontodosconcursos. pois será muito importante para as próximas aulas: A) PARTE GERAL ⎯ apresenta normas concernentes às pessoas físicas e jurídicas (arts.br 12 . 1. como lei básica o Código Civil (Lei nº 10. Precisamos agora. 1. 966 a 1. 104 a 232): disposições preliminares. B) PARTE ESPECIAL ⎯ apresenta normas atinentes ao direito das obrigações (poder de constituir relações obrigacionais para a consecução de fins econômicos ou civis ⎯ contratos. direitos reais sobre coisas alheias. 1o a 69). 2.027). a boa-fé. enquanto membros de uma sociedade. ou seja.arts. o estabelecimento . patrimoniais e obrigacionais que se formam entre indivíduos encarados como tais.196 a 1. ao domicílio (arts. a justa causa. ao direito de família (casamento. de 10 de janeiro de 2002 – que é a data da sua promulgação). propriedade. O atual Código Civil contém ainda um Livro Complementar (que são as suas disposições finais e transitórias – arts. 233 a 965). etc.784 a 2. priorizando a eqüidade.com.195).arts. a sociedade. atos jurídicos lícitos.511 a 1. É interessante deixar claro de todos os Códigos contém algumas regras básicas e peculiares. parentesco e proteção aos menores e incapazes . Ele contém duas partes.arts. O atual Código Civil absorveu boa parte do Direito Comercial (Direito de Empresa) e manteve a Lei de Introdução ao Código Civil. b) Eticidade – fundado no valor da pessoa humana como fonte dos valores. de gozo.

Contém. de 04 de setembro de 1942.657. o Decreto-lei nº 4. a territorialidade).657/42. Em síntese. A doutrina a considera como uma lei de introdução às leis por conter princípios gerais sobre as normas sem qualquer discriminação. porque esse fenômeno tem um nome = vacatio legis. Mas antes disso já vigorava também uma lei conhecida como Lei de Introdução ao Código Civil. É. Ela foi publicada no dia 10 de janeiro de 2002. Logo. A LICC não é parte integrante do Código Civil. A doutrina costuma usar a seguinte frase para conceituá-la: “é um repositório de normas. na verdade. As perguntas que poderiam ser feitas agora são: o novo Código Civil revogou a antiga LICC? Ou ele incorporou a LICC em seu texto? Foi publicada uma nova LICC após a edição do novo Código Civil? Ou a antiga LICC continua a vigorar normalmente? A resposta a estas indagações é que o Decreto-lei 4. normas de sobredireito (também chamadas de normas de apoio). Como já vimos. início e tempo de obrigatoriedade) e sob o aspecto espacial (ou seja. também chamado de Lei de Introdução ao Código Civil. a despeito do novo Código Civil. um código de normas. conforme também veremos adiante.657/42 continua a vigorar normalmente. Notem que durante as aulas costumo colocar algumas expressões em negrito. No entanto suas normas são aplicáveis não só ao Direito Civil. mas somente entrou em vigor no ano seguinte. Sempre que faço isso é porque há uma razão: para chamar atenção do aluno para um aspecto mais relevante da matéria. conforme veremos nos testes (que possuem gabarito comentado) que colocamos no final da aula. E ela continua em vigor. Trata-se da Lei 10. prescrevendo-lhes a maneira de aplicação e entendimento. indicando como aplicá-las. Na realidade a LICC não rege propriamente a vida das pessoas. Pois esses negritos não estão aí por acaso. predeterminando as fontes e indicando-lhes as dimensões espaço-temporais. que é o Decreto-lei 4.pontodosconcursos. porém autônoma. nem a incorporou em seu texto. www. ou. LICC. ela ultrapassa o âmbito do Direito Civil. portanto. Na realidade.406/02. preliminar à totalidade do ordenamento jurídico nacional”. No caso do parágrafo anterior as expressões estão em negrito. Conclusão: o novo Código Civil não revogou a LICC. atingindo tanto o direito privado quanto o público.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL Meus Amigos e Alunos. simplesmente. é um conjunto de normas sobre normas. Dizemos que ela é uma lei anexa ao Código Civil. pois todas elas já caíram em concursos. em sua plenitude e de forma autônoma.br 13 .com. Veremos isso melhor logo adiante. mas sim as próprias normas jurídicas. como a todo nosso ordenamento jurídico. isto porque disciplina as próprias normas jurídicas. a LICC trata dos seguintes assuntos: • Vigência das leis sob o aspecto temporal (ou seja. em 2003 entrou em vigor o novo Código Civil.

br 14 . pois esta matéria possui regras específicas sobre este tema. ao se permitir o benefício da retroatividade ao acusado de um crime. a vítima está sendo prejudicada. observar suas próprias regras. • Fontes e integração das normas (ou seja. Mas esta é a regra do Direito Penal. distinguindo-as. • Critérios de interpretação das normas (hermenêutica). No Direito Penal. respeitadas as suas peculiaridades. • Direito internacional (como a competência judiciária brasileira. Portanto. Aponto. prejudicando quem quer que seja. Até porque a Lei de Introdução ao Código Civil. uma lei somente poderá retroagir se não prejudicar o Direito Adquirido. www. a partir daqui. das outras matérias. a todos os ramos do Direito. O art. Pergunto agora: A LICC se aplica ao Direito Comercial? E ao Direito Administrativo? E ao Tributário? Resposta: Sim!! Como dissemos acima. Outro exemplo: A LICC manda aplicar os costumes em casos omissos (art. inclusive com previsão na Constituição. seja Público ou Privado. que certamente serão melhor explicadas pelos professores de cada matéria. portanto. 4o). etc. cada matéria do Direito possui algumas peculiaridades.). 1o e 2o regulam a vigência e a eficácia da norma jurídica. 3o dispõe acerca do erro de direito (onde ninguém pode se furtar de não conhecer o direito). Esta regra se aplica a todo o ordenamento jurídico.com. acima de tudo. Portanto. não permitindo o uso de costumes para criar uma nova figura penal (os costumes não podem criar um novo crime). a LICC é básica para todas as matérias. 7o ao 19 regulam o conflito de normas no espaço. embora genérica. prova de fatos ocorridos no estrangeiro. Veremos logo adiante que pela LICC. Já os arts.Os arts. Mas. deve. se refere mais ao Direito Civil. Porém. execução de sentença proferida no exterior. quando houver lacunas na lei). ela se aplica a todo o ordenamento jurídico. No entanto o que estou falando pode também se aplicar a outras matérias. 4o contém mecanismos para as leis lacunosas (Integração Normativa). também.pontodosconcursos. eficácia de tratados e convenções assinadas pelo Brasil. O art. Resumindo a LICC . não admite a ignorância de lei vigente). Nosso objetivo aqui é a análise do Direito Civil. Observem que a regra geral sobre o tema é de que a lei não pode retroagir. O art. • Direito intertemporal. tendo como objetivo a estabilidade do ordenamento. até pelo seu próprio nome. O art. Mas não no Direito Penal (como exemplo). Isto também se aplica ao Direito Penal. tudo que falarei se aplica integralmente ao Direito Civil. que devem ser respeitadas.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR • Garantia da eficácia da ordem jurídica (ou seja. 5o fornece critérios de hermenêutica. se cada matéria deve respeitar a LICC. o Direito Penal. como exemplo. o Ato Jurídico Perfeito e a Coisa Julgada. 6o regula o conflito de normas no tempo. Porém esta matéria tem mais um dispositivo que lhe é peculiar: a lei somente retroage no Direito Penal para favorecer o réu e nunca para prejudicá-lo. atos praticados pelas autoridades consulares brasileiras no exterior.

Em sentido técnico é o meio pelo qual se estabelecem as normas jurídicas. As demais são apenas formas acessórias. das opiniões e juízos críticos dos tratadistas e dos trabalhos forenses.br 15 . Mas nem por isso são menos importantes. mas contribuem para que a mesma seja elaborada (doutrina e jurisprudência). fonte é o ponto em que surge um veio d‟água. a classificação é um pouco diferente: • • Fontes diretas ou imediatas – são as que geram por si mesmas a regra jurídica (lei e costumes). Por isso é necessário que as decisões se repitam e sem variações de fundo. Forma-se doutrina por meio dos pareceres dos jurisconsultos. Lembrem-se de que no Brasil a lei é a principal fonte de Direito. A primeira é a seguinte: Fontes formais – formadas pela lei. • Fontes não-formais – formadas pela doutrina e pela jurisprudência. que seriam formas de integração (e não fontes) da norma jurídica (falaremos sobre este tema mais a frente). São necessários dois elementos para caracterizar uma fonte de direito: segurança e certeza. das pesquisas. Ciência do justo e injusto. www. Fontes indiretas ou mediatas – são as que não geram por si mesmas a regra jurídica.pontodosconcursos. Cada autor possui uma classificação própria. pois não menciona a analogia e os princípios gerais de direito. não deixa de ter um conteúdo doutrinário. constante e pacífico das decisões judiciais sobre determinada matéria em determinado sentido. o digesto de Justiniano a definia como ciência e arte. Exemplo: um Juiz precisa apontar um dispositivo (que é a fonte) para fundamentar sua sentença. Também é chamada de Direito Científico. muito parecidas entre si. 1) Doutrina é a interpretação da lei feita pelos estudiosos da matéria. Citamos duas formas. arte (administração) do bom e eqüitativo.com. uma decisão solitária não constitui jurisprudência. especialmente se há alguma controvérsia. especialmente para fins de concurso. Para uma outra corrente doutrinária. “Uma andorinha não faz verão” e. os costumes e os princípios gerais de direito. Como fonte de direito podemos dizer que a jurisprudência é o conjunto uniforme. a analogia. Observem que esta classificação possui um caráter mais restrito. da mesma maneira. idéias e ensinamentos dos professores. Em sentido comum. embora singela sob o ponto de vista jurídico.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR FONTES DO DIREITO CIVIL Quais são as Fontes de Direito para a nossa matéria? Na verdade “Fontes do Direito” é uma expressão figurada. • Vamos iniciar nosso estudo pelas Fontes Indiretas. por exemplo. Para os romanos é a “sabedoria da lei”. Esta nossa aula. 2) Jurisprudência é a interpretação da lei feita pelos juízes em suas decisões.

depois de reiteradas decisões sobre matéria constitucional. Explicando melhor o assunto: Súmulas são enunciados que.pontodosconcursos. dividindo os autores a respeito dos “prós e contras” do dispositivo. Mas não estamos aqui para defender uma ou outra posição. Já para o nosso sistema jurídico. No entanto. As de efeito vinculante estão fundamentadas no artigo 103-A da Constituição Federal. Para os anglo-saxões. os Juízes não são obrigados a segui-la. Existe também a chamada “Súmula Impeditiva de Recurso” (criada tanto pelo Supremo Tribunal Federal como pelo Superior Tribunal de Justiça). diversificam os sistemas jurídicos contemporâneos. servem de orientação para toda comunidade jurídica. Nosso objetivo é dizer que atualmente elas existem. a doutrina majoritária ainda as tem classificado como fonte www. ela não tem tanta relevância. A jurisprudência é fonte indireta de direito porque muitas vezes cria soluções não encontradas na lei ou em outras fontes. Apesar de tudo. Elas somente podem ser editadas pelo Supremo Tribunal Federal. estão previstas na Constituição e por isso devem ser cumpridas. na forma estabelecida em lei. pois por um lado ela “engessaria” a magistratura. Também poderá ser revisada ou cancelada pela nossa Suprema Corte. que torna estas Súmulas obrigatórias aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública direta e indireta. na prática. A partir de sua publicação na imprensa oficial ela terá um efeito chamado “vinculante”.br 16 . teoricamente. Quanto à importância dela. estadual e municipal. sintetizando as decisões assentadas pelo respectivo Tribunal em relação a determinados temas específicos de sua jurisprudência. limitando o excessivo número de recursos para matérias que já foram amplamente debatidas. a jurisprudência tem-se revelado como uma importante fonte criadora de Direito e uma ótima ferramenta para os juristas. de direito costumeiro (dizemos direito consuetudinário – direito dos costumes).com. a pessoa que tem a jurisprudência a seu favor certamente ganhará a causa (common law). Mas por outro lado dará uma melhor igualdade sistêmica. pois nosso sistema é baseado nas leis (civil law). dispositivo este regulamentado pela Lei n° 11. nas esferas federal.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Costuma-se usar o termo “jurisprudência mansa e pacífica” quando as decisões não sofrem alterações em julgados da mesma natureza. pois a chamada “Reforma do Poder Judiciário” (Emenda Constitucional n° 45/04) aprovou a “Súmula de Efeitos Vinculantes”. desafogando o Poder Judiciário. são extraídas de reiteradas decisões judiciais em um mesmo sentido. de ofício ou por provocação. Há uma grande discussão a respeito do tema. mediante decisão de dois terços de seus membros. As Súmulas podem ser vinculantes ou não vinculantes. tornando o direito estático. Mas.417/06. Por força dela não cabe recurso da decisão quando o Juiz segue o entendimento de qualquer dessas Súmulas. É possível que a partir de agora a jurisprudência tenha relevância ainda maior na aplicação do Direito. ela é de suma importância. Basta verificar a quantidade de Súmulas de Jurisprudência de nossos Tribunais Superiores. embora se constitua numa importante fonte de consulta. impossibilitando a interpretação do Juiz e afetando sua independência.

b) Costume na falta da Lei (praeter legem) ⎯ quando o costume se destina a suprir a omissão de uma lei. Na ausência de norma deve-se ao menos tentar aplicar o costume na falta da lei. o costume tem caído em concursos com freqüência. agora sobre as Fontes Diretas. Outro exemplo a conferir é o do §1o do art. constante. o costume foi perdendo paulatinamente sua importância. devido à escassa função legislativa e ao pequeno número de leis escritas. mas a sua reiterada prática em nosso dia-a-dia. Apresenta-se um caso ao Juiz! Não há lei regendo um determinado assunto! O que o Juiz deve fazer? Deixar de julgar por falta de previsão legal? Não! Deve aplicar o costume. inciso II.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR indireta de Direito. Observem que é a própria lei que determina a aplicação do costume. que irá ampliar o preceito da lei.com. 569. mas as pessoas agem como se ela fosse inexistente). como na Inglaterra. Costume é o uso reiterado. segundo o costume do lugar”. por isso mais complexas exigindo um estudo mais aprofundado: 1) COSTUMES No direito antigo. porém sem a crença de sua obrigatoriedade. notório e uniforme de uma conduta. em falta do ajuste. Para mim já se trata de uma fonte direta (um pouco de common law em nosso direito). ele exerce papel importante como fonte do direito. Um ótimo exemplo que podemos citar sobre os costumes são as filas. com convicção. Apesar de ter pouca aplicabilidade prática no Brasil. tendo caráter supletivo ou complementar. Em relação à lei. do CC: “O locatário é obrigado: a pagar pontualmente o aluguel nos prazos ajustados e. São seus elementos: o uso continuado de uma prática (elemento objetivo) e a convicção de sua obrigatoriedade (elemento subjetivo).br 17 . Exemplo: prevê o art. 1. Mas depois veremos que também há outras formas de se integrar a norma www. nos países de direito costumeiro (ou direito consuetudinário – common law). na convicção de ser a mesma (a conduta) obrigatória. o costume pode ser classificado em três espécies: a) Costume segundo a Lei (secundum legem) ⎯ quando a própria lei se reporta expressamente aos costumes e reconhece a sua obrigatoriedade.297 CC. Falemos. A lei deixa lacunas que podem ser preenchidas pelo costume. daí a sua importância para o nosso estudo. Um Juiz não pode deixar de decidir uma causa com o argumento de que não há previsão legal. o costume desfrutava de larga projeção. Ainda hoje. No direito moderno. em relação ao direito de tapagem. Em outras palavras: é uma prática que se estabelece por força do hábito. de um modo geral. cria a convicção de sua obrigatoriedade. que são as mais importantes para nosso sistema jurídico e. Chamamos de anomia quando há ausência de norma acerca de determinada conduta (embora este termo também possa ser usado para indicar a situação em que há norma.pontodosconcursos. Elas não estão previstas na lei. A diferença entre o costume e um simples hábito reside no fato de que neste último há a prática constante do ato.

pois a lei a respeito ainda não foi revogada. Por maior que seja a tolerância da sociedade em aceitar estas práticas. ou quando o costume cria nova regra contrária à lei.com. Exemplo: já faz parte dos costumes no Brasil. geralmente envolvem cifras grandiosas). em tese. Outro exemplo: a lei silencia quanto ao modo pelo qual o arrendatário deve tratar a propriedade arrendada: devemos então nos socorrer dos costumes locais. E eles foram considerados válidos. Alguns autores vêem no art. Ele até pode existir na prática. Já o costume contra a lei tem gerado inúmeras discussões. os contratos acima de um determinado valor só têm validade se forem elaborados por escrito. desnaturando esse título de crédito. 2) LEI www. vídeo-games. na confiança. Assim. é possível a prisão de uma pessoa que “jogou no bicho”. Notem que o cheque é uma ordem de pagamento à vista. Trata-se de uma contravenção penal. Não é crime (pois este é uma infração penal de maior gravidade). são celebrados verbalmente. segundo nossos Tribunais. sem que haja documento escrito. Os costumes segundo a lei e na falta da lei são aceitos pacificamente por todos. Pode ocorrer em dois casos: no desuso da lei (esta passa a ser letra morta). o uso do chamado “cheque pré-datado”.br 18 . segundo os usos e costumes de cidades como Barretos e Araçatuba (sem falar em outras localidades do Brasil) os negócios de gado. se alguém receber um cheque pré-datado e depositá-lo antes da data ajustada. elas são ilegais e expressamente proibidas. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”) uma válvula que permitiria ao Juiz aplicar o costume contra dispositivo legal. ainda que contra a lei.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR jurídica. Como se diz na gíria: “é tudo feito pelo fio do bigode”. 1) Pessoalmente eu conheço apenas um caso em que o costume contra a lei foi aceito: o art. sendo que a corrente majoritária não o aceita.pontodosconcursos. Mas é uma contravenção penal. 227 do Código Civil determina que só se admite prova testemunhal em contratos cujo valor não exceda dez vezes o maior salário mínimo vigente no país. Assim. E a prova testemunhal é insuficiente para provar a sua existência. Mas. O mesmo ocorre com a chamada pirataria de CDs. portanto cada região do Brasil pode ter suas próprias regras sobre o tema. por maiores que sejam (e. que é uma infração penal de menor potencial ofensivo. estamos transformando este título em uma promessa de pagamento. 5o da LICC (“Na aplicação da lei. c) Costume contra a Lei (contra legem) ⎯ quando ele contraria o que dispõe a lei. incide em um fato capaz de gerar prejuízos de ordem moral. sofware. Mas não é aceito juridicamente. em uma garantia de que o pagamento será efetivado posteriormente. Ou seja. mas quando se coloca a expressão “bom para o dia tal”. Pode-se dizer que este jogo de azar é um costume arraigado em nosso povo. Um exemplo disso é o famoso “jogo do bicho”. etc.

assumindo forma coativa. Para conceituá-la adotamos o ensinamento da Professora Maria Helena Diniz: Lei é a norma imposta pelo Estado e tornada obrigatória na sua observância. Características da Lei • Generalidade – não se dirige a um caso particular. prevê que “o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. recorrerá à analogia. a fonte mais importante na ordem jurídica brasileira (até porque. No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normais legais. violação exija o • Permanência – a lei não se exaure numa só aplicação. Também podemos conceituá-la como sendo um preceito escrito formulado com solenidade pela autoridade competente. como por exemplo. Trata-se. perdura até que seja revogada por outra. ☺ Observação ☺ Alguns autores ainda acrescentam como característica o registro escrito da lei. Atualmente há uma exigência de maior certeza e segurança para as relações jurídicas. etc. impondo-se coercitivamente a todos (somente o Estado detém o monopólio da força coercitiva). no seu artigo 126. Também o Código de Processo Civil. quando exige uma abstenção → proíbe. adotamos o sistema do civil law). A lei pode ser definida de vários modos. uma conduta aos indivíduos. inciso II). • Competência – deve emanar de autoridade competente (ou seja. Portanto a Lei é. não as havendo. há um entendimento de supremacia da Lei. pois garante maior estabilidade das relações jurídicas. algumas normas são temporárias.pontodosconcursos. • Imperatividade – impõe um dever.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Etimologicamente o vocábulo lei é originário do verbo latino legere = eleger. mas a um número indeterminado de indivíduos. protegendo interesses e normatizando as ações. Por isso. A lei é uma ordem: quando exige uma ação → impõe. elaborada pelo Poder Legislativo. E o artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil determina que somente quando a lei for omissa é que se aplicarão as demais formas de expressão de direito.com. como veremos adiante. aos costumes e aos princípios gerais de direito”. • Autorizamento – autoriza que o lesado pela cumprimento dela ou a reparação pelo mal causado. indiscutivelmente. escolher (em sentido figurado seria a escolha de uma determinada regra dentro de um conjunto). de uma norma jurídica escrita. sendo instituidora de uma ordem jurídica. de acordo com o previsto na Constituição). as leis orçamentárias. nas sociedades modernas. www. as disposições transitórias de uma lei.br 19 . portanto. No entanto. por meio de um processo adequado. da norma escrita sobre as demais fontes. Vejam o que diz nossa Constituição Federal: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (artigo 5º.

Classificação das Leis Existem várias formas de se classificar as leis. Adjetivas (também chamadas de formais.” O que é uma lei adjetiva? E uma lei substantiva? E cogente? E dispositiva? A resposta está logo adiante. elaborei uma classificação. As normas podem ser mandamentais (quando ordenam uma determinada ação) ou proibitivas (quando impõem uma abstenção. como no Direito Administrativo. processuais... possui normas de natureza substancial. na sua maior parte. estabelecem princípios de aplicação obrigatória. Mesmo que não haja um Código específico. secundárias ou de segundo grau) – Nosso ordenamento jurídico possui um grupo de normas www.. uma lei pode ser considerada material. um não-fazer).. B) Quanto à Natureza: Substantivas (também chamadas de materiais. Já vi cair em alguns testes. o seguinte: “Nossa lei adjetiva prescreve. A) Quanto à Obrigatoriedade (ou imperatividade): Cogentes (ou de imperatividade absoluta) – são as normas de ordem pública. sejam elas no plano Constitucional ou Infraconstitucional.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR com a sua conseqüente divulgação nos órgãos de publicação oficial (Diário Oficial). E assim por diante nas outras matérias: Comercial. Militar. Eleitoral e diversas outras que vêm surgindo na atualidade. Penal (Código Penal). Mas em uma locação. Elas podem ser permissivas (quando permitem que os interessados disponham como lhes convier) ou supletivas (quando se aplicam na falta de manifestação de vontade das partes). sob pena de nulidade em caso de desrespeito (ex: um viúvo é proibido de casar com a sua sogra). nada impede que o proprietário transfira tais encargos ao inquilino.br 20 . logo no enunciado da questão. Depois de ler muito sobre o assunto. Não proíbem nem determinam uma conduta de modo absoluto. impositivas. em suas especialidades como o Civil (Código Civil).. baseada na melhor e mais atualizada doutrina. disciplinando a conduta dos indivíduos no seu cotidiano. Trabalhista.com. Dispositivas (ou não-cogentes ou de imperatividade relativa) – são as normas de ordem particular. primárias ou de primeiro grau) – São leis que visam realizar uma ordem à sociedade. Exemplo: os requisitos e solenidades para se contrair um casamento são absolutos. Nosso ordenamento jurídico. Tributário (Código Tributário Nacional).pontodosconcursos. não podem ser ignoradas pela vontade dos interessados. A classificação que daremos a seguir ajuda o aluno a entender o sentido de diversas palavras que têm caído nos concursos. Busca-se impor ao cidadão a prática de uma determinada conduta ou a omissão de outra considerada danosa à sociedade. não interessa a vontade dos contraentes. Exemplo: A lei determina que é o proprietário quem deve pagar o condomínio e o IPTU de um imóvel.

E agora? Como fazemos? Esta pessoa será processada! Mas como se desenvolverá o processo? É o Direito Processual Penal (Direito Formal ou Adjetivo) que determinará qual o rito que o processo seguirá. O direito material irá descrever o crime e as penas. Para o Direito Civil este segundo casamento é considerado nulo. O mesmo ocorre com as dívidas prescritas. que irão realizar a eficácia contida na norma material. A conseqüência é que o regime de bens do casamento será obrigatoriamente o de separação de bens. a lei prevê que ninguém é obrigado a pagar dívidas de jogo. Exemplo: o divorciado. etc. É ele quem vai apontar todas as formalidades para o casamento. as proibições para o casamento. Outro Exemplo: Duas pessoas desejam pactuar uma locação: aplicam-se então as disposições do Direito Material. etc. Mas se ele se casou sem ter feito a partilha? –Neste caso o seu casamento não será anulado. O divórcio está previsto no Código Civil. Ou seja. C) Quanto ao Autorizamento: Mais que perfeitas – sua violação autoriza a nulidade do ato ou o restabelecimento à situação anterior e ainda uma aplicação de pena ao violador. Exemplo: Menor de 16 anos que vendeu sua casa – negócio nulo.com. essas pessoas necessitarão ingressar com uma ação no Poder Judiciário e o processo irá tramitar de acordo com as normas processuais. Código de Processo Penal. mas o ato não é considerado nulo ou anulável. 121). para um casamento aplica-se o Código Civil. não havendo penalidade alguma. Uma das partes não paga o aluguel. elas traçam os meios para a realização do direito material. Mais um Exemplo: “A” matou “B”. enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha dos bens do casal não deve se casar.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR também denominadas de instrumentais. Pródigo que vendeu seu automóvel – negócio anulável. Exemplos: Código de Processo Civil. as nulidades. Perfeitas – sua violação autoriza apenas nulidade ou anulabilidade do ato. Exemplificando – Duas pessoas querem se casar! Quais as normas aplicáveis? Normas de Direito Material (ou Substantivas). Imperfeitas – a violação não acarreta qualquer conseqüência jurídica. que é Direito Processual (ou Adjetiva). Pelo Código Penal (Direito Material ou Substantivo) cometeu o crime de homicídio (art. Ou seja. Exemplo: Uma pessoa casada contraiu novas núpcias. irá prever os regimes de bens que podem ser adotados. Além disso. E direito processual irá estabelecer o rito que o processo seguirá. esta pessoa também irá responder pelo crime de bigamia (Direito Penal). Exemplo: perdi dinheiro no jogo.br 21 . como falaremos em aula mais adiante. Passados alguns anos estas pessoas desejam se separar! E agora? Quais as normas aplicáveis? Normas de Direito Processual (ou Adjetivas). A outra deve ingressar com uma ação de despejo.pontodosconcursos. www. Menos que perfeitas – há uma aplicação de sanção ao violador da norma. mas os meios para se divorciar estão disciplinados no Código de Processo Civil.

pontodosconcursos. A aprovação se dá por maioria simples ou relativa. D) Leis Ordinárias – leis comuns. Portanto o quorum da maioria simples é um número variável. Assembléia Legislativa = Estadual. até que se ultime a sua votação. nossa Constituição é do tipo rígida. Devem ser submetidas de imediato ao Congresso Nacional. Trata-se do princípio da supremacia da Constituição. E) Leis Delegadas – elaboradas pelo Presidente da República em função de autorização expressa do Poder Legislativo e nos limites impostos por este. F) Medidas Provisórias – são normas com força de lei. em caso de relevância e urgência. abrangendo apenas os presentes à votação (desde que presentes à sessão a sua maioria absoluta). que é a lei máxima de nosso País e fundamento de todo o nosso sistema jurídico positivo. estipuladas na própria Constituição. entrará em regime de urgência.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR D) Quanto às Espécies Normativas Quanto a esse ponto. B) Emendas à Constituição – nossa Constituição permite sua reforma por meio de emendas. um processo muito mais solene do que o exigido para a elaboração das demais espécies normativas. ficando sobrestadas todas as demais deliberações legislativas da Casa em que estiver tramitando. Por isso nosso objetivo aqui é apenas relembrar as diversas espécies de lei. ou Reformador. aconselhamos o aluno a ler a Constituição Federal no tópico “espécies normativas” (arts.br 22 . A) Constitucionais – são as que constam na Constituição. elaboradas pelo Poder Legislativo (Congresso Nacional = Federal.com. Esta não é matéria específica de Direito Civil. Devemos lembrar que o Código Civil é uma Lei Ordinária. Considera-se aprovada se obtiver em todas as votações três quintos dos votos dos respectivos membros. ou de Segundo Grau ou Limitado). independentemente do número de congressistas presentes à sessão). Se ela não for apreciada em 45 dias. Podem ser internas (o encargo é atribuído a uma comissão do próprio Poder Legislativo) ou externas (atribui-se ao chefe do Executivo a elaboração da lei). que são leis que modificam parcialmente a Constituição (trata-se do Poder Constituinte Derivado. pois exige. consideradas em seu sentido amplo e tecer alguns breves comentários sobre elas. Câmara dos Vereadores = Municipal). C) Lei Complementares – tratam de matérias especiais. A proposta de emenda deve ser discutida e votada em cada Casa do Congresso. para melhor regulamentar determinado assunto. Possuem quorum especial para aprovação (maioria absoluta – metade mais um dos votos dos integrantes das duas Casas do Congresso. em dois turnos cada. Além disso. editadas pelo Presidente da República. que está em um patamar superior a qualquer outra lei. Três situações podem ocorrer: a) aprovação (com ou sem www. 59 a 69 CF/88) e o processo legislativo. Este tem 60 dias (prorrogáveis por igual período) para analisar o seu texto. para sua alteração.

simbolizando a estrutura hierárquica das normas: Constituição Federal Constitucionais. H) Resoluções – são normas expedidas pelo Poder Legislativo. ☺ Observações ☺ 1) O art. sendo promulgada pelo presidente do Senado Federal que a remeterá ao Presidente da República para publicação. regimentos internos de Tribunais. G) Decretos Legislativos – são normas promulgadas pelo Poder Legislativo sobre assuntos de sua competência (ex: ratificação de tratados internacionais.pontodosconcursos.br 23 . b) rejeição expressa – neste caso ela será arquivada e caberá ao Presidente do Congresso Nacional baixar ato declarando-a ineficaz. e Emendas Leis complementares. de caráter administrativo ou político. 59 da Constituição Federal não estabeleceu uma relação hierárquica entre as espécies normativas.com. c) rejeição tácita – se a análise da lei não findar em 120 dias. Observem. que são normas gerais estabelecidas pelo Poder Executivo para facilitar a execução de uma lei. Ordinárias. www. Eles não retiram seu fundamento de validade diretamente da Constituição. destinadas a regular matéria de sua competência. etc. etc. Delegadas. etc.). de seu peculiar interesse (ex: fixação de subsídios.). todas as demais estão no mesmo plano hierárquico (são chamadas de normas primárias). com exceção das Emendas à Constituição. normas individuais (contratos – que fazem “lei” entre as partes. etc. de forma ilustrativa.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR alteração do texto) – neste caso ela se converterá em lei ordinária. É proibida a reedição da medida provisória na mesma sessão legislativa.). sentenças judiciais. o sistema piramidal adotado por Hans Kelsen. que tenha sido rejeitada ou tenha perdido sua eficácia por decurso de prazo. Segundo a melhor doutrina. mas sim da lei que ele está regulamentando. O que as distingue é o processo de elaboração mais ou menos solene e o campo de atuação entre elas (que não pode ser “invadido” por outra). perda de cargo. Medidas Provisórias. autorização de referendo ou convocação de plebiscito). também acarreta a perda de sua eficácia. Acrescente-se também a este rol: normas internas (estatutos. licença dos parlamentares. 2) Em grau inferior (normas secundárias) ainda são classificados os decretos regulamentares. testamentos.

não autoriza que se estabeleça esta relação de subordinação. se a matéria é de competência do Estado-membro e a União legislou. Assim. Isto somente ocorre quando uma espécie normativa encontra sua força imperativa em uma norma imediatamente superior.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Decretos. mas de conflito de competências. vamos analisar as leis sob dois prismas: Temporal e Territorial. Daqui para diante é conveniente que o aluno tenha em mãos a LICC (Decreto-lei 4. apesar do nome. tendo em vista que o seu processo de elaboração é mais rígido. posto que seu conteúdo permanecerá de cunho mais simples. portanto. com um quorum especial para aprovação (maioria absoluta). a lei estadual é que deve prevalecer (a federal neste caso seria inconstitucional). É o que chamamos de “limites ao campo de aplicação das normas jurídicas”. Prevalece a norma editada pelo ente competente constitucionalmente para o trato da matéria. Parte da doutrina entende que a Lei Complementar estaria em uma posição superior em relação à lei ordinária. E as simples peculiaridades formais de cada espécie (lei complementar = quorum de maioria absoluta e campo de atuação expressamente delineado. distritais e municipais). Vamos fazer referência a alguns dispositivos importantíssimos dessa lei e é aconselhável que www. Ambas retiram sua eficácia diretamente do Texto Constitucional. será considerada materialmente ordinária. mas neste caso a lei complementar. material e pessoal. Na verdade não se trata de um conflito de hierarquia. a posição majoritária é a de que não há hierarquia. quanto à Vigência. 2) A lei federal é hierarquicamente superior à lei estadual ou municipal? Resposta – A princípio não se pode falar em hierarquia entre normas oriundas de entes estatais distintos (leis federais.com. sob pena de inconstitucionalidade formal. não há uma superioridade hierárquica da lei federal sobre a estadual ou municipal. Portarias e demais atos administrativos. No entanto. lei ordinária = maioria simples. Sobre o assunto ainda devemos acrescentar as seguintes orientações do Supremo Tribunal Federal: a lei ordinária não pode regular matéria reservada pela Constituição para a lei complementar. espacial. INDAGAÇÕES 1) Há hierarquia entre Lei Complementar e Lei Ordinária? Resposta: Há uma certa divergência na doutrina. podendo. Toda norma jurídica tem um âmbito de aplicação temporal. O que ocorre é que cada norma deve respeitar seu âmbito de atuação previsto na Constituição Federal. sem delimitação de campo de atuação). Regulamentos. estaduais. Portanto. Vamos começar falando sob o aspecto temporal. mas sim a aplicação do princípio da especialidade. como acentuamos acima. Continuando.657/42).br 24 . Em caso de eventual conflito entre tais normas analisa-se na Constituição a competência por ela outorgada a cada um de seus entes. Assim. já a lei complementar pode tratar de matéria relativa à lei ordinária sem haver vício formal.pontodosconcursos. dentro dos quais ela tem vigência e validade. para poder acompanhar melhor a aula. ser revogada por outra lei ordinária.

De uma forma geral. sempre que houver necessidade. podem ser modificadas e “morrem”. Na área federal. citamos. Supremo Tribunal Federal. até que outra a revogue (embora possam existir “leis temporárias. Publicada a lei. com muita prudência analisando um caso concreto. 2o da LICC.br 25 . sem qualquer distinção e. por isso. E mesmo assim. quando falaremos sobre os Negócios Jurídicos e os seus defeitos. Tal dispositivo visa garantir a estabilidade e a eficácia do sistema jurídico que ficaria comprometido se fosse admitida a alegação de ignorância de lei em vigor (alegando o desconhecimento da lei a pessoa estaria isenta de seu cumprimento). Reforçando: para a LICC o desconhecimento da lei não pode ser alegado. O desuso ou o decurso de tempo. inicialmente. ninguém se escusa de cumpri-la alegando que não a conhece. a lei tem eficácia contínua. Uma lei é levada ao conhecimento de todos por meio de sua publicação no Diário Oficial. Trata-se da faculdade conferida a alguém ou a algum órgão para apresentar um projeto de lei. os dispositivos mais importantes. definido nas normas constitucionais. já para o Código Civil pode haver tal alegação em situações especialíssimas. demais www. conforme veremos adiante). VIGÊNCIA DAS LEIS NO TEMPO As leis também possuem um ciclo vital: nascem. não fazem com que a lei perca sua eficácia. INÍCIO DA OBRIGATORIEDADE DAS LEIS A criação de uma lei obedece a um procedimento próprio. 3o da Lei de Introdução do Código Civil. Uma lei não entra em vigor de imediato. É o que diz o art. Somente o Juiz pode aplicar esse dispositivo.pontodosconcursos. cabe: 1) Iniciativa Parlamentar – a qualquer dos membros ou comissões do Poder Legislativo. Esta exceção será analisada em aula mais à frente. a lei torna-se automaticamente obrigatória para todos os seus destinatários. Embora este também não seja um tema específico do Direito Civil. Orientando a aplicação das leis. apta a produzir seus efeitos.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR o aluno leia os artigos citados. é conveniente fazer um breve resumo sobre o assunto: a) Iniciativa – é o ato que inicia todo o processo legislativo. dois princípios fundamentais e informadores de sua eficácia: A) Princípio da Obrigatoriedade das Leis – uma vez em vigor. No entanto vou transcrever. dependendo da matéria.com. há um processo de criação da lei (processo legislativo) que passa por cinco etapas. B) Princípio da Continuidade das Leis – a partir de sua vigência. 2) Iniciativa Extraparlamentar – Presidente da República. O erro de direito (que seria a alegação de desconhecimento da lei) só pode ser invocado em raríssimas ocasiões e quando não houver o objetivo de furtar-se o agente ao cumprimento da lei. aplicam-se a determinadas situações. conforme o art.

Já o projeto apresentado por um Deputado Federal. pelo veto. 66. Se o veto for aceito. que é a sanção ou veto). Lembrando que o projeto pode ser sancionado de forma expressa (quando o Executivo se manifesta por despacho. o projeto volta ao Chefe do Executivo apenas para a promulgação. www. Procurador Geral da República e também aos cidadãos em geral (iniciativa popular). sendo proibida nesta fase a apresentação de subemendas. c) Sanção ou Veto – nesta fase o chefe do Poder Executivo participa do processo (deliberação executiva). Costuma-se dizer que o veto é jurídico quando o projeto é considerado inconstitucional e político quando ele é contrário ao interesse público. Na Sanção ele manifesta a sua concordância com o projeto aprovado pelo Poder Legislativo. a aprovação se dá por maioria simples de cada Casa Legislativa. Já uma Lei Complementar possui um quorum qualificado (maioria a absoluta). debates. em escrutínio secreto. que trata em tese de matérias mais simples. Ele pode ser total. Não pode haver veto de palavras. O veto é irretratável e deve ser sempre expresso e motivado. Aprovado na Casa Iniciadora o projeto segue para a Casa Revisora. Isto ocorrendo. b) emendar o projeto (neste caso as emendas retornam para a Casa Iniciadora. conforme o art. A sanção transforma o projeto de lei em lei. §3o CF/88. após o veto. Por outro lado. emendas e votação do projeto. No caso de uma Lei Ordinária. correções. aprovando o projeto) ou tácita (quando o Executivo simplesmente se omite. O veto só pode ser supressivo. em sessão conjunta. que perdeu uma filha assassinada e liderou uma campanha vitoriosa por todo Brasil para incluir o homicídio qualificado como crime hediondo. Mas o veto pode ser derrubado pelo voto da maioria absoluta do Congresso. como previsto no artigo 61 da Constituição Federal. Esta poderá: a) aprovar o projeto (seguindo para a próxima etapa.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Tribunais Superiores. Por outro lado o veto pode ser superado. o projeto é encaminhado novamente ao Congresso que irá reapreciar a matéria. deixando de apreciar o projeto no prazo de 15 dias). Este trabalho é chamado de deliberação parlamentar. redações. o Chefe do Executivo nada pode acrescentar ao projeto. o chefe do Executivo manifesta sua recusa ou não-concordância com o projeto. quando atinge um ou alguns dos dispositivos do projeto. encerra-se o processo legislativo. pelo Presidente da República. b) Discussão e Aprovação – apresentado o projeto são realizados estudos.pontodosconcursos. No âmbito federal o projeto deve ser aprovado pelas duas Casas Legislativas (Iniciadora e Revisora). tem início na Câmara dos Deputados. havendo divergências prevalece a vontade de quem fez a deliberação principal).br 26 . somente pode retirar. ou seja. pelo Supremo Tribunal Federal. Isto é. quando atinge todos os dispositivos do projeto ou parcial. Nesta última hipótese o caso mais famoso foi o da autora de novelas Glória Peres. isto para que se tenha certeza de que aquele assunto tratado realmente reflete o interesse da sociedade.com. etc. Lembrando: O projeto de lei apresentado por um Senador tem início no Senado. ou c) rejeitar o projeto (neste caso ele será arquivado). no prazo de 30 dias.

A publicação é uma condição de vigência e eficácia da lei. Enquanto não transcorrido esse período. vigorar).br 27 . o tempo durante o qual uma coisa vige ou vigora. 1o. mas promulgação pelas mesas da Câmara e do Senado. com a assinatura do Presidente da República. ou seja. em todo o país. b) que os órgãos da administração se aparelhem melhor ao novo texto legal. www. uma lei começa a vigorar. É a fase que encerra o processo legislativo. Porém esse princípio não é absoluto porque quase todas as leis contêm em seu texto disposição prescrevendo sua entrada em vigor na data da respectiva publicação. que significa a qualidade de vigente. tornando-se. ordenando-lhe o respectivo cumprimento. e d) para que a norma ganhe efetividade. Costuma-se dizer que “a lei nasce com a promulgação”. e) Publicação – é o ato por meio do qual se dá a divulgação da existência da nova lei em órgão oficial. caput da LICC). Vamos a elas: 1) Salvo disposição em contrário. Mas a força obrigatória da lei está condicionada a sua vigência. mesmo que já publicada. A rigor as leis nascem pela promulgação. REGRAS DA LICC No Brasil a matéria sobre vigência é disciplinada pela Lei de Introdução ao Código Civil. inovando-se a ordem jurídica. por isso o que se promulga é a lei (e não o projeto). ainda não tem força obrigatória ou vinculante. portanto. Dá-se conjuntamente com a sanção. Vigência deriva da expressão latina vigentia (do verbo vigere. Geralmente este prazo é estabelecido para: a) melhor divulgação dos textos legais antes que eles entrem em vigor.com. Este dispositivo prevê um intervalo de tempo entre a publicação da lei e a data de início de sua vigência. Como veremos logo a seguir. Lei em vigor é a que se mantém em voga. Quando está escrito no texto da lei eu sanciono. uma lei pode ter sido publicada e ainda não estar vigorando. que estabelece algumas regras gerais sobre o tema. Lembrando que em uma Emenda Constitucional não há sanção ou veto.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR d) Promulgação – decorre da sanção e tem o significado de proclamação. o tempo em que a norma está produzindo efeitos. O Chefe do Executivo atesta perante a sociedade a existência válida de uma lei. a lei nova. quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada (art. Promulgar é declarar a existência de uma lei. para ser efetivamente aplicada aos casos sob o seu regime.pontodosconcursos. Ou seja. conhecida de todos (trata-se de uma presunção). e a seguir devem ser publicadas em órgão oficial (Diário Oficial). O espaço compreendido entre a publicação da lei e sua entrada em vigor denomina-se vacatio legis. A sanção transforma o projeto de lei em lei. implicitamente quer dizer que ela está sendo também promulgada. ainda não estar produzindo efeitos. vigens – estar em voga. ao dia em que realmente ela começa a vigorar. c) melhor conhecimento e adaptação da sociedade às novas regras.

cônsules. adotou o sistema simultâneo. 2) Nos Estados estrangeiros. que prevê em seu art. a obrigatoriedade da lei brasileira.com. no silêncio da lei a mesma entra em vigor em 45 dias após oficialmente publicada.) e esta lei for omissa quanto à data que entrará em vigor (a data de sua vigência efetiva). desde que haja previsão expressa em seu próprio texto. a regra geral teórica no Brasil é a de que uma lei entra em vigor em todo o território nacional 45 dias após a publicação. Somente quando não houver expressa disposição na própria lei acerca da data em que ela entrará em vigor (omissão proposital da lei). uma lei pode entrar em vigor na data de sua publicação ou em outra data mais à frente. A LICC anterior adotou o sistema progressivo. Portanto. 90 dias é um prazo diferente de 03 meses! . nos testes que fornecemos ao final da aula.pontodosconcursos. Já a atual (Decreto-Lei 4. esta situação é muito exigida nos concursos. 1o . O melhor exemplo disso é o do atual Código Civil. ela entrará em vigor em quarenta e cinco dias após a publicação. mesmo não havendo grande aplicação prática. convenções de direito internacional. Parece ser óbvio.044: “Este Código entrará em vigor um ano após a sua publicação”. Isto é assim devido a importância ou urgência de determinada lei e a maior ou menor dificuldade de adaptação da sociedade à esta nova lei.br 28 . portanto. Isto é..657/42). c) Lei sem prazo de vacatio legis – é aquela em que entra em vigor na data de sua publicação. as leis podem ser classificadas em: a) Lei com vacatio legis expressa – é aquela em que a própria lei faz referência ao seu período de vacatio. mas para o Direito. embaixadores. mas para surtir efeitos no estrangeiro (em geral quando cuida de atribuição de ministros. No entanto. c) omisso – não existe vacatio e todas as leis entram em vigor na data de sua publicação. conforme veremos mais adiante. b) progressivo – a vigência é distinta para os diferentes locais do território nacional. quando admitida.: a regra geral quanto ao prazo para uma lei para ter vigência no território brasileiro é de 45 dias após a sua publicação.. são leis de grande repercussão. §1o da LICC). Trata-se.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Existem três sistemas distintos de vacatio legis: a) simultâneo ou sincrônico – a lei entra em vigor na mesma data em todo o território. devendo esta frase constar no final do texto legal. www. sendo simultânea a sua obrigatoriedade.. se inicia três meses depois de oficialmente publicada (art. é raro encontrar uma lei que seja omissa a este respeito. se uma lei for editada no Brasil. aí sim.. esta lei somente entrará em vigor 03 (três) meses após a sua publicação. Mas. já o prazo para uma lei ter vigência no exterior são 03 meses (e não 90 dias como às vezes eu vejo cair em concursos. Quanto ao prazo de vacatio legis. mas na prática a situação é diferente. 2. etc. como uma forma de “pegadinha”). Portanto. b) Lei com vacatio legis tácita – é aquela em que o texto da lei é omisso em relação ao momento em que ela entrará em vigor. Como costumo dizer: teoria é uma coisa. de um prazo único para todo País. Atenção .

Mas se a parte corrigida não afetar o espírito da lei. Notem que continua sendo a mesma Lei. Saraiva – 13a Edição . destinada à correção de seu texto. mas para tanto é necessária uma nova norma. 0 Questão Polêmica 0 Digamos que uma lei esteja no período de vacatio legis e quase no final do prazo ela foi republicada com algumas modificações. as correções de texto de lei que já está em vigor consideram-se lei nova (art. pois seria inadmissível. Sujeita-se. naturalmente. §4o LICC). Assim. c) já houve a publicação e a lei já entrou em vigor – a norma pode ser corrigida. Neste caso. estando dentro do período de vacatio legis – tratase da mesma norma que foi corrigida. Desta forma ela deve ser republicada. devemos analisar cada caso em concreto. E aquele prazo de 45 dias recomeça a contar. em sua obra. Se a parte corrigida afetar a norma de uma forma geral. 1o. a lei inteira deve esperar o novo prazo de "vacatio".pontodosconcursos. Alguns dias depois se notou o erro. sendo que o prazo de vacatio é reiniciado. salvo se a retificação afetar integralmente o espírito da norma" (grifos meus). Pergunta-se: a lei inteira deve cumprir novo prazo de vacatio? Ou este aplica-se apenas ao que foi modificado pela nova publicação? A professora Maria Helena Diniz. Exemplo: Uma lei foi publicada em determinado dia e é omissa em relação ao dia que entrará em vigor. resumindo: se uma lei contiver um erro substancial a correção pode ocorrer em três fases distintas do processo legislativo: a) antes da publicação – a norma é corrigida sem problema algum. quando houver a “republicação”. passando-se por todo o processo legislativo e devendo-se verificar se a nova norma contém ou não um prazo de vacatio. §3o da LICC determina que “se antes de entrar em vigor ocorrer nova publicação desta lei. diante dessa situação. somente entrará em vigor 45 dias após a publicação. cumpriu o prazo de vacatio legis e entrou em vigor. esta será considerada como lei nova. inicia-se novamente a contagem do prazo de vacatio a partir do dia da republicação da Lei. nada impede que a lei entre em vigor. alguém notou que houve um erro no texto da Lei. pondera que: "Se apenas uma parte da lei for corrigida o prazo recomeçará a fluir somente para a parte retificada. Vinte dias depois de publicada. no que atina à parte certa.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 3) Uma lei pode ter sido publicada com algum erro substancial (implicando em uma divergência de aplicabilidade). aos prazos normais das demais leis. ou for independente em relação a ela.com.007). Assim. "Lei de Introdução ao Código Civil Interpretada" (Ed. 1o.br 29 . um prazo de espera excedente ao limite imposto para o início dos efeitos legais. o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação”. Exemplo: Uma Lei foi publicada. Portanto. www. 4) Por outro lado. O art.2. b) já houve a publicação.

conforme determina o parágrafo único do art. modificada pela LC 107/01 tem-se que o dia subseqüente. 11 de janeiro de 2003.br 30 . e não “no mesmo dia e mês correspondente do ano seguinte”. é o dia da entrada em vigor do novo Código Civil. que seria 01/01/2003. mas que somente teriam vigor se houvesse aprovação do Governo Federal. Assim. 8o. Vamos analisar o lado prático da questão: o ano que começa no dia 01/01/2002. ocasião em que vigorava a Constituição de 1. com texto modificado pela L. ou seja. o ano que começa no dia 11/01/2002. o prazo de um ano se completou no dia 10 de janeiro de 2003 (sendo que esse dia também é contado). Contagem O prazo de vacatio legis conta-se: incluindo-se o dia do começo (ou seja. a alteração e a consolidação das leis. como começa a vigorar no dia subseqüente a sua consumação integral. o ☺ É interessante acrescentar mais uma coisa: A doutrina entende que o 0 Polêmica . por expressa disposição Constitucional (art. Assim entende-se que o NCC desconsiderou matéria sujeita à cláusula de reserva de Lei Complementar. Desta forma. Pelas Leis Complementares citadas acima. muito centralizadora. Mas não foi isso o que ocorreu. mais um dia”.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR excetuada a parte que foi modificada. Ele se referia a normas estaduais. a lei entrará em vigor no dia subseqüente a sua consumação integral (ainda que se trate de domingo ou feriado).pontodosconcursos.Quando o Código Civil entrou em vigor? Por incrível que pareça. termina no dia 10/01/2002. especiais e que se sobrepõem ao Código Civil) determinam que as Leis devem estabelecer prazo de vacância em dias (e não anos e meses). da LC 95/98. a redação. E é fácil de se entender o porquê!! O início do prazo de vacância se deu no próprio dia da publicação (ou seja. 8o. Para alguns autores a contagem foi a seguinte: ele foi promulgado no dia 10 de janeiro. Além do mais as Leis Complementares citadas (normas cogentes. sendo publicado no Diário Oficial da União no dia 11 de janeiro de 2002. porque na época da edição da LICC vivíamos no chamado "Estado Novo" de Getúlio Vargas. §1o da Lei Complementar no 95/98.176/02. ele entraria em vigor no dia 12 de janeiro de 2003. o dia da publicação da Lei) e também do último dia do prazo (que é o dia do seu vencimento). até nisso não houve unanimidade entre os juristas. isto é um fato! Guardadas as devidas proporções. www.com. um ano depois seria igual a 11 de janeiro 2003. Tal regra está prevista no art. 59 da Constituição Federal. termina no dia 31/12/2002 e não “no dia e mês correspondente do ano seguinte”. no 107/01 e regulamentada pelo Decreto no 4.C. que dispõe sobre a elaboração. E isso desde a Constituição de 1.937.946. no dia 11 de janeiro de 2002). pois este prazo se daria “no dia e mês correspondente do ano seguinte. Aplicando-se conjuntamente os parágrafos 1o e 2o do art. recomeçando-se o prazo de "vacatio" apenas naquilo que foi modificado. §2 do art. 1o da LICC não mais se aplica em nosso Direito.

sendo que o mesmo foi aprovado pela III Jornada de Direito Civil. pois elas trazem regras gerais. pessoas desabrigadas por causa de uma inundação). algumas leis são expedidas com prazo de duração. etc. Devemos acrescentar que também não há vacatio legis em caso de decretos e regulamentos. Assim. Este entendimento doutrinário é que tem prevalecido. Tais normas desaparecem do ordenamento jurídico com o decurso do prazo estabelecido ou quando ela já cumpriu os objetivos a que se propôs (ex: lei que se destina alojar. Imposto/Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (IPMF. em escolas públicas. a redação. Assim. A regra geral é de que uma lei não tem um prazo certo para vigorar. caput da LICC. FIM DA OBRIGATORIEDADE DAS LEIS Não se destinando à vigência temporária.br 31 . sua vigência se dará em 45 dias após a publicação. parágrafo único) e por tal motivo o seu prazo de vacatio deveria ser de 365 dias (e não de 01 (um) ano como constou no art. Mas mesmo nesta hipótese o dia que teria entrado em vigor também seria o 11 de janeiro de 2003. cuja obrigatoriedade é determinada pela sua publicação (salvo se eles dispuserem de forma diversa). ☺ Observação ☺ – Como vimos. No entanto. 2. a alteração e a consolidação da legislação federal. estabelecendo padrões para a elaboração. Leis Orçamentárias. É o que dispõe o art. isto ocorrerá na data da sua publicação. durante nosso curso irei citar alguns enunciados das “Jornadas de Direito Civil”. lei temporária é a que nasce com termo prefixado de duração ou com um objetivo a ser cumprido. racionamento de combustível durante a guerra. 2o. Podemos concluir assim que nem toda a lei passa pelo período de vacância. aconselho o aluno a “dar uma lida” nelas. ela permanece em vigor enquanto não for modificada ou revogada por outra (eficácia contínua). No entanto. na omissão de quando essas espécies normativas entrarão em vigor.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 59. Neste caso não há “vacatio”. pois a aplicação da lei é imediata. Resumindo. que teve a chancela do Conselho da Justiça Federal e do Superior Tribunal de Justiça. Nestes casos a lei possui vigência temporária. a maioria das leis que são publicadas no Brasil possui um artigo (geralmente no final da lei) afirmando que “esta lei entrará em vigor na data de sua publicação”. CPMF).044 do CC). de forma temporária. Aliás. Exemplos: lei que concede favores fiscais durante 10 anos às indústrias que se instalarem em determinada região.com.pontodosconcursos. uma lei terá vigor até que outra a modifique ou a revogue. uma lei temporária pode ser subdividida em: www. A Lei já nasce com um prazo para perder sua vigência. Meus amigos: Embora as Leis Complementares mencionadas acima não façam parte da LICC e não estejam previstas nos editais de concursos. somente se uma lei nada dispuser em seu texto de quando ela entrará em vigor.

mas deve vigorar durante uma situação especial (ex: secas. Portanto houve derrogação. Podem ser revogadas as leis. retirando-lhe a eficácia. as portarias. Os examinadores de concursos públicos gostam muito de pedir sinônimos nas provas.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR a) Expressa ⎯ quando os prazos de vigência estão expressamente disciplinados na própria norma. o atual Código Civil é expresso ao afirmar que está revogando apenas a parte primeira do Código Comercial. A norma anterior perde sua eficácia na totalidade. a lei tem conteúdo auto-revogatório. ou quando existe incompatibilidade (explícita ou implícita) entre as leis. Portanto.br 32 . etc. ☺ Observação ☺ É evidente que o aluno sabe o que é uma revogação total ou parcial. etc. Isto porque o artigo 2. revocare = anular. 3) quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. Mas é melhor ser repetitivo e fazer com que o aluno grave a matéria e fornecer o máximo de conceitos possível. é a supressão da força obrigatória da lei. b) Parcial (ou derrogação) – consiste em tornar sem efeito apenas uma parte da lei ou norma. b) Tácita ⎯ quando a lei não traz o prazo de vigência. inundações. de forma resumida: o que o novo Código Civil fez em relação ao Código Comercial? Derrogou ou Ab-rogou? Resposta. A revogação ainda pode ser classificada quanto à forma de execução: a) Expressa (ou por via direta) – quando a lei nova taxativamente declara revogada a lei anterior ou aponta os dispositivos que pretende www. desfazer. 2) quando seja com ela incompatível. cessado o fato ou a situação que a gerou cessa a aplicação da norma. Mas o examinador prefere usar expressões como ab-rogação e derrogação. permanecendo em vigor todos os dispositivos que não foram modificados. guerra. pois estas não são do nosso dia-a-dia. do que omitir determinado ponto. 2o. Caiu recentemente em um concurso. as cláusulas contratuais. E quais as suas diferenças. §1o da LICC dispõe que a lei posterior revoga a anterior em três situações: 1) quando expressamente assim o declare. O atual Código Civil apenas derrogou o Código Comercial. A norma anterior continua a vigorar com alguns pontos revogados pela nova lei.045 CC diz que foi revogada a Parte Primeira do Código Comercial. não se fixando um prazo determinado.pontodosconcursos. Baseado neste dispositivo. sempre que possível irei mencionar sinônimos de uma palavra. desvigorar) é tornar sem efeito uma lei ou qualquer outra norma jurídica. prolonga-se a obrigatoriedade da norma (princípio da continuidade) até que ela seja modificada ou revogada por outra.com. os regulamentos. O art. epidemias. Em que pese este estatuto estar todo ultrapassado. Contudo. Revogar (do latim revocatio. Mesmo correndo o risco de ser repetitivo.). podemos classificar a revogação em: a) Total (ou ab-rogação) – ocorre quando a lei nova regula inteiramente a matéria da lei anterior.

que as espécies de revogação podem ser “combinadas”.pontodosconcursos. e isso pode provocar algumas divergências e dúvidas de interpretação pois deve-se analisar cada caso em particular. expressamente. a seguinte expressão genérica: “revogam-se as disposições em contrário”. não respeitam este dispositivo. expressamente.com. O art. b) Tácita (indireta ou via oblíqua) – quando a lei posterior é incompatível com a anterior e não há disposição expressa no texto novo indicando a lei que foi revogada.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR suprimir. que ocorre a revogação tácita quando “seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria que tratava a lei anterior”.. Cabe então aos juristas a missão de tentar dizer o que está em vigor.015/73). há revogação tácita. O próprio Código Civil contrariou este comando. as leis ou disposições revogadas”. as leis ou disposições legais revogadas”. Ou seja. No entanto nota-se que as leis. no final das leis. Lei do Divórcio (Lei no 6. 9o da LC 98/95 com a redação da LC 107/01 determina que “a cláusula de revogação deverá enumerar. 02) No mundo jurídico pode ocorrer a seguinte hipótese (aliás esta situação é muito comum): uma Lei X está vigorando normalmente. ela diz de forma expressa e inequívoca o que está revogando (art.br 33 . pois o jurista deve cotejar os dois textos (ou mais) de lei para saber o que exatamente a lei nova revogou na velha. Algum tempo depois é promulgada uma nova Constituição. Pergunto: E as inúmeras outras Leis?? Deveria o novo Código Civil indicar expressamente todas as leis que foram derrogadas ou ab-rogadas. Observem o que diz o seu art. segunda parte da LICC.. Geralmente o legislador utiliza. aquela Lei X se www. Seria interessante que todas as leis dissessem exatamente o que estão revogando. também.591/67) etc. Diz o art. de 1° de janeiro de 1916 – Código Civil e a Parte Primeira do Código Comercial. ☺ Observações ☺ 01) A revogação tácita deveria ser evitada. 2o. Notem. pois muitas delas foram incorporadas total ou parcialmente em seu texto. como a Lei de Registro Públicos (Lei no 6. Mas o Código assim não procedeu. Com isto. E agora? É evidente que mesmo a lei nova não mencione expressamente a lei revogada. Como vimos. Lei do Condomínio (Lei no 4.515/77). em geral. 2º. §1º. Mas isso não ocorre na prática.. o art. de 25 de junho de 1850”. com a redação da LC 107/01 dispõe que “a cláusula de revogação deverá enumerar.071.. primeira parte da LICC). 2. Lei n° 556. Ou é aprovada uma Emenda Constitucional (que ficará fazendo parte da própria Constituição – tratase do Poder Constituinte Derivado ou Reformador). Neste caso a percepção daquilo que foi revogado é mais difícil. E a revogação tácita também pode ser total ou parcial. E algumas leis sequer nele se situam. a revogação expressa pode ser total (a nova lei diz que está revogando toda a lei anterior) ou parcial (a nova lei aponta apenas um ou dois artigos que está revogando da lei velha).045: “Revogam-se a Lei n° 3. §1º. 9o da Lei Complementar 95/98.

previsto na própria Constituição. E agora? O que ocorre? Na verdade a Constituição revogou de forma tácita a Lei X. Há um processo jurídico para tanto.. Pode ocorrer que uma lei nova preveja. Segundo a doutrina isso também não seria exatamente uma hipótese de revogação tácita. 2. Repristinar significa restituir ao valor. também. cabendo ao Senado suspender-lhe a execução. Nada impede.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR tornou. digamos. ingresse no Poder Judiciário. Portanto os regimes estabelecidos pelo Código anterior continuam vigorando no atual sistema.com... Mas isso não ocorre de forma automática. caráter ou estado primitivo. 66 do Código Civil. têm caído com bastante freqüência. Portanto não pode uma lei ordinária revogar a Constituição. O Supremo declarou que neste caso o órgão fiscalizador é o próprio Ministério Público Distrital. não-recepcionadas pela nova ordem constitucional). uma nova Constituição revoga a Constituição anterior e todas as leis. regulamentos. Este dispositivo afirmava que se uma Fundação funciona no Distrito Federal. Exemplo: o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o §1o do art.br 34 .039 do atual Código Civil determina que “o regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do Código anterior é o por ele estabelecido”. Tanto no Direito Civil como no Direito Constitucional. quando uma lei se torna incompatível com a mudança havida na Constituição. 03) A perda de eficácia pode também decorrer da decretação de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. nem um regulamento revogar uma lei ordinária. que lhe sejam contrárias. REPRISTINAÇÃO Esta expressão é muito importante para os concursos públicos. argüindo a “inconstitucionalidade” desta lei. etc. ainda que ele entre em vigor após a lei. Assim. como os regulamentos. “inconstitucional”. Como se Revogam as Normas? O princípio geral é o de que as normas se revogam por outras da mesma hierarquia ou de hierarquia superior. Exemplo: o art. chamamos de “nãorecepção da lei pela nova ordem constitucional” ou que a lei perdeu o seu “fundamento de validade”. e assim por diante. Uma lei ordinária revoga as leis ordinárias anteriores e as normas de menor hierarquia. as portarias e outros preceitos inferiores contrários às suas disposições. Mas quando isso ocorre no plano constitucional. dizemos que houve uma não-recepção. Indagações Uma Lei revogada pode continuar regulando situações jurídicas? Resposta: Sim! Trata-se do fenômeno conhecido como ultratividade (ou pós-atividade) da Lei. Na ordem jurídica repristinação (ou efeito repristinatório) é o restabelecimento da eficácia www. quem a fiscaliza é o Ministério Público federal (enquanto nos Estados-membros a fiscalização é do Ministério Público estadual). e entendendo que ela esteja fora dos limites legais. Assim. e que passam a ser “inconstitucionais” (ou melhor. que uma pessoa se sentindo prejudicada por uma lei. portarias. que a lei anterior continue produzindo efeitos.pontodosconcursos. de forma expressa.

2o. Exemplo: O Código Civil trata no art.002!! Será que seria possível retornar à nossa ordem jurídica o Código de 1.pontodosconcursos. §2º da LICC: “a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. podem surgir conflitos.711 e seguintes. não faz com que a primeira lei seja revogada ou modificada. CONFLITO DAS NORMAS NO TEMPO Esse tema também é muito importante. revogando o de 2. para evitar eventuais e futuros conflitos. No Brasil não há repristinação ou restauração automática da lei velha. Explicando. As duas leis podem coexistir normalmente. 2º.916?? Lógico que não!! Mas é importante deixar bem claro que é possível que ocorra o fenômeno da repristinação. dispondo sobre o mesmo assunto. salvo disposição em contrário. A lei especial apenas introduziu uma exceção ao princípio geral. Somente se o texto de uma delas for totalmente incompatível com o da outra é que será hipótese de revogação. Outra situação citada pela doutrina situa-se na hipótese em que a lei “B” é considerada inconstitucional. Qual lei deve ser aplicada? Se cotejarmos os textos de ambas as leis. não revoga nem modifica a lei anterior”. Qual norma deve ser aplicada a um caso concreto? O chamado direito intertemporal visa solucionar estes conflitos entre as normas. não se restabelece a vigência da lei “A”.br 35 . 1. Portanto ambas coexistem e vigoram normalmente. sendo que não há uma incompatibilidade entre seus dispositivos. Caso fosse diferente iria causar uma dificuldade ainda maior para a aplicação do direito. Uma lei está vigorando normalmente.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR de uma lei anteriormente revogada. por si só. Este fato. veremos que eles não são antagônicos entre si. Um outro item que vem caindo muito em concursos é a regra disposta no art.009/90 também trata deste tema. Uma é especial em relação a outra. se uma lei mais nova for revogada. A) DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS (ou direito intertemporal) – A lei. Posteriormente outra lei é editada. Preceitua o art. Está em quase todos os editais que exigem a LICC. §3o da Lei de Introdução ao Código Civil que a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.com. Quando uma norma é modificada por outra e já se haviam formado relações jurídicas na vigência da lei anterior. disposições sobre o bem de família de uma forma geral. em seu próprio corpo. Para tanto são usados dois critérios: as disposições transitórias e o princípio da irretroatividade das leis. pondo em risco a segurança e estabilidade jurídica. No entanto a Lei nº 8. Mas isso somente será possível quando a nova lei (no exemplo acima a lei “C”) determinar expressamente que a lei velha (lei “A”) retome a sua eficácia. Imaginem se neste ano houvesse a aprovação de um novo Código Civil. pode estabelecer regras temporárias. destinadas a dirimir conflitos entre a www. Uma lei completa a outra. Exemplo: Se a lei “A” é revogada pela lei “B” e posteriormente a lei “B” é revogada pela lei “C”. geralmente ao final.

CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR nova lei e a antiga, conciliando a nova lei com as relações já definidas pela norma anterior. Observem que o próprio Código Civil em vigor contém um Livro Complementar, chamado “das disposições finais e transitórias” (arts. 2.028 até 2.043). Em seu corpo percebe-se que há uma série de regras, sendo que algumas delas autorizam a aplicação do Código anterior (mesmo já revogado, continua produzindo efeito - ultratividade). Observem o art. 2.038 do atual Código. Ele determina que um capítulo inteiro do Código anterior continue sendo aplicado em relação às enfiteuses (matéria que se analisa do Direito das Coisas). B) IRRETROATIVIDADE DAS LEIS – Etimologicamente retroatividade quer dizer atividade para trás, ou seja, produção de efeitos em situações passadas. Juridicamente, podemos dizer que uma norma retroage quando ela vigora, não somente a partir de sua publicação, mas, ainda, regula certas situações jurídicas que vêm do passado. Na realidade uma lei é expedida para disciplinar fatos futuros, a partir de sua vigência. O passado, em tese, escapa ao seu império. A vigência de uma lei se estende, como já dissemos, desde o início de sua obrigatoriedade até o início da obrigatoriedade de outra lei. A regra no Brasil é a irretroatividade das leis, ou seja, estas não se aplicam às situações constituídas anteriormente. Trata-se de um princípio que visa dar estabilidade e segurança ao ordenamento jurídico preservando situações já consolidadas sob a lei antiga, em que o interesse particular deve prevalecer. Aplica-se o princípio da irretroatividade indistintamente às leis infraconstitucionais, quer sejam de direito público e de direito privado; normas impositivas ou dispositivas. No entanto, há casos em que a lei nova pode retroagir ao passado, alcançando conseqüências jurídicas de fatos efetuados sob a égide de lei anterior. Em regra, deve prevalecer o princípio da irretroatividade; as leis não têm efeitos pretéritos; elas só valem para o futuro. O principal argumento favorável à irretroatividade da lei é a garantia dos direitos individuais e a segurança das relações jurídicas, diante da incerteza e dos riscos de alterações futuras. Há um duplo fundamento: constitucional e infraconstitucional. O art. 5o, inciso XXXVI da Constituição Federal determina que “A lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”. De uma forma análoga, o art. 6o da LICC prevê que: “A lei em vigor terá efeito imediato e geral, respeitados o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada”. Observem que a cláusula de irretroatividade da lei nova convive com outro preceito de direito intertemporal, que é o da eficácia imediata e geral da lei nova. Isto quer dizer que a lei nova atinge os fatos pendentes e os futuros que se realizarem já sob sua vigência, não abrangendo os fatos passados. Em latim dizemos: tempus regit actum (o tempo rege o ato). Ou seja, a lei que incide sobre um determinado ato é a do tempo em que este ato se realizou. Por via de conseqüência, repita-se, a retroatividade das leis é exceção. Vamos dar um exemplo desta exceção: a Constituição Federal, em seu artigo 5o, inciso XL, assim dispõe “A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu”. www.pontodosconcursos.com.br

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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Assim, uma lei que estabelece que determinada conduta não é mais crime, beneficiará todos os que por essa conduta estiverem sendo processados, retroagindo e alcançando situações passadas que se incluirão no benefício. Entrando uma norma em vigor, tem ela efeito imediato e geral, respeitando-se, então, as três situações jurídicas mencionadas, que veremos em seguida. Mas antes, vejamos dois casos muito polêmicos:
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A) Em face do que falamos sobre o princípio do tempus regit actum, como fica a cobrança da multa aplicada aos condôminos inadimplentes? A Lei 4.591/64 afirma em seu art. 12, §3º, que o condômino que não pagar a sua contribuição no prazo fixado na convenção fica sujeito ao juro moratório de um por cento ao mês, e multa de até 20% sobre o débito. Já o atual Código Civil estabeleceu em seu art. 1.336, §1º que: “O condômino que não pagar a sua contribuição ficará sujeito aos juros moratórios convencionados ou, não sendo previstos, os de 1% ao mês e multa de até 2% sobre o débito”. Formaram-se duas correntes: A primeira corrente entende que a regra do art. 1.336, §1º CC é norma de ordem pública e as convenções celebradas anteriormente têm de ser adaptadas ao mesmo, ficando sem efeito as regras que estabeleciam multas acima de 2% sobre as quantias em atraso. Portanto, mesmo os edifícios antigos (cujas convenções são anteriores à entrada em vigor do atual CCivil) não podem cobrar multa superior a 2% (trata-se de uma interpretação mais benéfica ao devedor). A segunda corrente defende que o teto de 2%, previsto no Código Civil, só se aplica para as convenções de condomínio que forem celebradas depois da entrada em vigor da nova legislação, respeitando-se o que prescreviam as convenções anteriores ao Código, isto porque a lei nova, embora tenha aplicação imediata, deverá respeitar, entre outras hipóteses, o ato jurídico perfeito. Neste caso, edifícios antigos ainda poderiam cobrar 20% de multa. As decisões judiciais (inclusive do Superior Tribunal de Justiça) têm sido no seguinte sentido: aplica-se a multa de 20% para as prestações vencidas antes da vigência do novo Código Civil e de 2% sobre as prestações vencidas a partir de 11 de janeiro de 2003, mesmo que a convenção do edifício tenha sido elaborada antes do CC entrar em vigor. B) Se uma pessoa se acidentou na vigência de uma lei e logo a seguir uma nova lei aumentou a indenização por acidente de trabalho. Qual lei se aplica. Também duas correntes se formaram. A primeira afirma que se trata de uma norma de direito público. Logo não se pode aplicar a teoria do tempus regit actum (haveria então uma atenuação a este princípio), principalmente levando-se em consideração a hipossuficiência (qualidade da pessoa economicamente fraca, humilde, sem auto-suficiência) do trabalhador acidentado. É a posição adotada pelo Superior Tribunal de Justiça. A segunda corrente entende que a lei aplicável para conceder o benefício é a do momento em que ocorreu o acidente. Portanto a nova lei não poderia retroagir. Esta é a posição adotada pelo Supremo Tribunal Federal. Vejamos agora ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada. www.pontodosconcursos.com.br

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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 1) Ato Jurídico Perfeito ⎯ é o que já se consumou, segundo a norma vigente no tempo em que se efetuou; na ocasião da prática do ato todas as formalidades exigidas pela lei foram rigorosamente obedecidas e em razão disso o ato não pode ser alterado pela existência de lei posterior. Exemplo: um contrato de locação que foi celebrado e vem sendo cumprido durante a vigência de uma lei não pode ser renovado sob o argumento que uma nova lei mudou, digamos, a forma de pagamento e dos reajustes das prestações. A lei nova, neste caso não retroage para atingir os fatos pretéritos, reajustando prestações vencidas. No entanto, esse contrato (embora celebrado sob a vigência de a lei anterior) não está imune aos efeitos da nova lei, ainda que estas sejam incompatíveis com o sistema anterior. Concluindo: para os contratos celebrados sob a égide de lei revogada e que ainda estão produzindo efeitos (fatos pendentes), não há uma imunidade absoluta. Outro exemplo. Anteriormente, na omissão do regime de casamento, presumia-se que o escolhido era o da Comunhão Universal. Atualmente é o da Comunhão Parcial. Ora, as pessoas que se casaram na vigência da lei anterior não alteraram o seu regime de bens somente porque a lei foi modificada. O regime de bens anterior está mantido. 2) Direito Adquirido ⎯ é o que já se integrou ao patrimônio e à personalidade de seu titular, podendo ser exercido a qualquer momento. Para ser considerado “direito adquirido” são necessários dois requisitos: a) existência de um fato; b) existência de uma norma que faça do fato originar-se direito. Enquanto não estiverem presentes estes elementos não há direito adquirido, mas “expectativa de direito”. Exemplo: a morte é o fato que faz com que um herdeiro adquira o direito à herança (arts. 1.784 e seguintes, que regulam a sucessão). Se não houvesse a lei não haveria a sucessão; enquanto não houver o fato morte não há direito à herança, mas simples expectativa. Uma nova lei não pode prejudicar o direito adquirido. Exemplo: pessoa que já se aposentou e a lei modifica posteriormente o prazo para a aposentadoria, ampliando-o; a pessoa não será obrigada a voltar a trabalhar para completar o novo prazo, pois quando se aposentou a regra era aquela. Outro exemplo: pessoa já completou os requisitos para se aposentar, mas ainda não quis fazê-lo; a lei foi alterada aumentando os requisitos para a aposentadoria. Esta alteração não será aplicada a esta pessoa, pois embora ainda não tenha exercido o direito, ela já o adquiriu. A lei posterior, portanto, não pode lhe causar prejuízo. Há direito adquirido contra normas constitucionais? Resposta: O Supremo Tribunal Federal, antes da Constituição de 1988, chegou a se manifestar no sentido de que “não há direito adquirido contra texto constitucional, resulte ele do Poder Constituinte originário ou do Poder Constituinte derivado”. Neste sentido, dizia Pontes de Miranda que “contra a Constituição nada prospera, tudo fenece”, de modo que qualquer ato infraconstitucional que contrarie a Carta Magna deve ser tido como inválido. No entanto atualmente se entende que se uma Emenda Constitucional atingiu as www.pontodosconcursos.com.br

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CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR chamadas cláusulas pétreas, há o entendimento de que o direito adquirido deve prevalecer. Desta forma, embora o poder constituinte derivado possa desconstituir direitos que tiverem sido adquiridos no passado, isto não significa que tais atos fiquem imunes ao controle, pois será sempre possível verificar se outros princípios constitucionais condicionantes do poder de reforma foram atingidos, dentre os quais os direitos fundamentais individuais, políticos, sociais e coletivos, no seu núcleo essencial. Portanto, a palavra final sobre o tema caberá ao próprio Supremo Tribunal Federal, que irá analisar cada caso em particular. É interessante distinguir direito adquirido da expectativa de direito. O direito adquirido já se integrou ao patrimônio do titular. A expectativa de direito é a mera possibilidade ou a esperança de se adquirir um direito, que ainda depende de um acontecimento futuro. Se eu digo: “eu lhe darei um carro se você passar no concurso”, ainda não há direito adquirido. Trata-se de uma expectativa de direito. 3) Coisa Julgada ⎯ é a decisão judicial da qual não cabe mais recurso (transitou em julgado). Para alguns autores coisa julgada é a qualidade dos efeitos da decisão, no sentido de lhes traduzir imutabilidade. A decisão que estabelece o direito de um dos litigantes pressupõe uma verdade, que se torna irrevogável e irretratável. Assim, uma lei nova não pode alterar aquilo que já foi apreciado em definitivo pelo Poder Judiciário. A propósito, observem, por curiosidade, o art. 467 do CPC: “Denomina-se coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário”. Há um dito forense, segundo o qual “uma sentença com trânsito em julgado faz do branco, preto e do quadrado, redondo”. É interessante acrescentar que mesmo após o trânsito em julgado de uma decisão, ela ainda pode ser modificada. Explico. Você entrou com uma ação e perdeu. Recorreu ao Tribunal e perdeu novamente. Ocorreu o trânsito em julgado. Porém esta decisão ainda pode ser modificada no âmbito cível (embora isto seja raro de ocorrer na prática), pois ainda há uma saída (remota): você pode ingressar com uma ação rescisória no prazo de dois anos (art. 485 e 495 do Código de Processo Civil). Superado este prazo a demanda ficará definitivamente inquestionável. É evidente que há exceções. Principalmente no Direito Penal. Exemplo: Se uma pessoa foi condenada e muitos anos depois do trânsito em julgado, descobre-se uma prova de sua inocência, ela poderá ingressar com uma revisão criminal, afetando, neste caso, a coisa julgada. Aliás, esta ação pode ser proposta mesmo depois da morte do condenado, pois o que está em jogo é o status dignitatis (e não o status libertatis). Outro exemplo: Uma pessoa foi submetida a um processo criminal, sendo condenada. Durante o cumprimento da pena entra em vigor uma lei mais benéfica ao réu. Esta lei irá retroagir sendo aplicada e beneficiando, de qualquer modo, o condenado.

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que é a teoria científica da arte de interpretar. b) a fundamentação. Nesta hipótese não seria necessário qualquer trabalho de interpretação. Agora frise-se: somente o dispositivo é que faz coisa julgada. Ou seja. Costumamos usar também o termo “exegese” para conceituar o esclarecimento. que é o resumo de tudo o que ocorreu no processo. conforme veremos adiante. para pesquisar o verdadeiro sentido que o legislador quis dar ou estatuir. ontológica (busca-se a essência da lei. exegese é a aplicação prática das regras de hermenêutica. E quando surge uma ambigüidade no seu texto. observem o art. deve o juiz buscar o real sentido da lei e não se ater ao texto frio e literal da lei. que é a justificação da sentença. a conclusão das operações lógicas desenvolvidas na fundamentação que deve com ela guardar relação. Exemplo: nas cláusulas duvidosas prevalece o entendimento de que se deve favorecer quem se obriga (o devedor).br 40 . lógica (ou racional – a lei é examinada no seu conjunto). a ratio legis ou razão da lei). INTERPRETAÇÃO DAS LEIS Na realidade as leis deveriam ser sempre claras e precisas.pontodosconcursos. que na mitologia grega. Mas é difícil encontrar uma “lei perfeita”. descobrir o sentido da norma jurídica e fixar o seu alcance (segundo os estudiosos. aplicando que for mais justo. b) Quantos aos Meios ⎯ a interpretação pode ser gramatical (observando as regras de lingüística). para a conseqüente aplicação do Direito.com. sistemática (compara a lei atual com os textos anteriores) ou sociológica ou teleológica (adapta o sentido ou a finalidade da norma às novas exigências sociais). Observem o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “A norma jurídica deve ser interpretada teleologicamente. 5o da LICC: “Na aplicação da lei. buscando www. A propósito. ou má redação. o que atende melhor ao bem comum. deve então haver a intervenção do intérprete. hermenêutica deriva de “Hermes”. Mas é importante deixar claro que todas essas espécies de interpretação não se operam de forma isolada.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR É interessante esclarecer que uma sentença é dividida em três partes: a) o relatório. Daí surge a hermenêutica. Portanto. que é a decisão propriamente dita. c) dispositivo. Existem vários métodos e critérios de interpretação das leis. onde se analisa a causa de pedir. São elas: a) Quanto às Fontes ⎯ a interpretação pode ser autêntica (feita pelo próprio legislador). elas devem se completar. Trata-se da mens legis (ou intenção da lei). histórica (pesquisam-se as circunstâncias que provocaram a expedição da lei). era o mensageiro da palavra dos deuses). doutrinária (feita pelos estudiosos da matéria) ou jurisprudencial (feita por nossos Tribunais). o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. entendimento ou interpretação minuciosa de um texto legal. pois todas trazem alguma contribuição para a descoberta do sentido e alcance da norma de Direito. evitando-se uma situação absurda. imperfeição ou falta de técnica. sua razão de ser.

mas ela é omissa. Desta forma. não as havendo. Mas. aos meios de integração da norma jurídica. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. o Juiz deve inicialmente aplicar a lei de forma objetiva e direta. sendo necessário restringir a sua aplicação). A analogia figura em primeiro lugar. dispositivo relativo a um caso distinto. Se assim não for. os costumes e os princípios gerais de direito”. O Juiz tem o dever de decidir todas as controvérsias que lhe forem apresentadas. Assim. uma hierarquia na utilização desses métodos de integração da norma jurídica. Vejamos: 1) ANALOGIA ⎯ consiste em aplicar. para que haja a aplicação da analogia são necessários três requisitos: • a hipótese não está prevista em lei. c) Quanto aos Resultados ⎯ a interpretação pode ser declarativa (a letra da lei corresponde precisamente ao pensamento do legislador. sendo necessário ampliar a aplicação da lei) ou restritiva (o legislador disse mais do que pretendia. Estes são os meios supletivos de preencher as lacunas da lei. chamamos isso de subsunção. obscuridade ou contradição da lei. ou seja: à analogia. E um Juiz não pode deixar de julgar um caso alegando lacuna. mas que é parecido: ⎯ Hipótese “A” → Aplica-se a Lei “X”.pontodosconcursos. Trata-se de um processo de raciocínio lógico pelo qual o Juiz estende uma norma (ou mesmo regras ou princípios) a outros casos não diretamente compreendidos na descrição legal. inútil. extensiva (o legislador disse menos do que pretendia dizer. recorrerá à analogia. 126 do CPC prevê que “o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. cumpre ao aplicador da lei suprir a lacuna encontrada. Observem que há uma ordem preferencial. porém semelhante.com. não sendo necessária a interpretação). ⎯ Hipótese “B” (parecida com a hipótese “A”) → Não há lei (anomia). aos costumes e aos princípios gerais do direito. usando os mecanismos mencionados mais acima! Esgotados os critérios interpretativos sem resultados.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR sempre realizar solução de interesse social. recorrendo. Quando um fato se enquadra no conceito abstrato da norma. No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normais legais. Não deu? Tenta-se interpretar a lei. Como vimos o art. muitas vezes. por analogia.br 41 . à hipótese não prevista de modo direto ou específico por uma norma. a atividade judiciária será ociosa. INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA De uma forma geral a lei procura prever e disciplinar todas as situações importantes às relações individuais e sociais. 4o da LICC prevê: “quando a lei for omissa. ou há lei. permite-se a aplicação da regra jurídica “X”. o legislador não consegue prever todas as situações que uma norma pode criar. mera homenagem à traição”. aos costumes e aos princípios gerais de direito”. o art. Completando. Neste caso. www. aí sim.

mas parecido com outro (trata-se de uma forma mais complexa). deve o direito ser o mesmo). entende-se que tal dispositivo pode ser aplicado. parecidos entre si e não há previsão expressa proibindo tal conduta. No entanto. São casos análogos. como no exemplo fornecido acima. Mas a analogia não pode ser aplicada de forma ilimitada. Também não é admitida no Direito Penal (salvo em hipóteses especialíssimas e mesmo assim somente para beneficiar o réu) e nem nas leis fiscais que impõem tributos. Lembrem-se que eles estão colocados em um plano secundário em relação à lei. Observem que os costumes são fontes de direito e. também no que se refere às doações). a regra referente ao testamento pode ser aplicada. Admite-se a analogia. por analogia. é na aplicação da analogia que se origina a missão conferida ao Juiz pelo artigo 4o da LICC. Vamos www. merecendo a aplicação em ambas situações. também. sem dissolver definitivamente a lacuna. pondo fim ao conflito. retirado do próprio Código Civil (a lei fala de uma regra aplicável ao testamento. que só vale para cada caso concreto. Tem o Juiz autorização legal para interpretar e integrar as normas. por analogia. ampliando a intenção do donatário. Desta forma. Já dizia o antigo Direito Romano: Ubi eadem est ratio. não será admitida a interpretação extensiva. ibi idem jus (onde for idêntica a razão. 2) COSTUMES ⎯ já vimos e analisamos este item mais acima. prevalecerá a que melhor assegure a observância da vontade do testador. como são casos parecidos. também às doações. mas é omissa em relação à doação. Lembrem-se que o Brasil adotou o sistema do civil law. manter-se dentro dos limites assinalados pelo direito.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR • a hipótese tem semelhança com outra hipótese. O Juiz somente poderá recorrer aos costumes depois de esgotadas as possibilidades de suprir a lacuna com a analogia. quanto a doação são formas de liberalidades de patrimônio. porém não a interpretação de forma extensiva. O art. quando falamos das “fontes de direito”. • o elemento de semelhança entre as hipóteses seja essencial.com. A analogia pode ser assim classificada: a) Analogia Legis – aplicação de uma outra norma já existente. O magistrado cria uma norma individual.pontodosconcursos. para tanto. Não há qualquer previsão em relação a isto quanto às doações. Observem que enquanto no primeiro caso trata-se de uma liberalidade para ter efeito depois da morte (testamento) a outra é uma liberalidade para ser aplicada enquanto as partes ainda estão vivas (doação). devendo. 114 CC determina que nos negócios jurídicos benéficos (ex: doação) e na renúncia. b) Analogia Juris – aplicação de um conjunto de normas para extrair elementos que possibilitem a sua aplicabilidade a um caso concreto não previsto. Isto porque tanto o testamento.br 42 . formas de integração da norma jurídica. impedindo-o de se eximir de uma decisão. Exemplo: o Código Civil determina que quando a cláusula testamentária for suscetível de interpretações diferentes.

b) art. No entanto. 421 CC). obrigado a observar critério de legalidade estrita. 127 do CPC: “O juiz só decidirá por eqüidade nos caso previstos em lei”. ela pode auxiliar o Juiz nesta missão. não é.com. redução da multa contratual) pelo Juiz.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR recordar os seus elementos essenciais: o uso (elemento externo) e a convicção jurídica de sua obrigatoriedade (elemento interno). que veremos em outra aula). Já o Direito Processual Civil prevê a aplicação da eqüidade para o Juiz decidir: a) dispõe o art. na prática. igualdade de direitos e deveres. como a arte do bom e do justo. Caesari).).109: “O juiz decidirá o pedido no prazo de 10 (dez) dias. a) . de venda. equilíbrio dos contratos. Nos meios judiciais usa-se a expressão “sindérese” (olha só que boa palavra para cair em uma prova de www. Atenção . 1. Interessante notar que quando determinado princípio geral de direito é incluído na norma. O Direito Romano definia o direito como ars boni et aequi. isto é. podendo adotar em cada caso a solução que reputar mais conveniente ou oportuna”. atualmente chamamos de Princípio da Função Social dos Contratos (art.: A eqüidade. pela LICC.br 43 . Estão implícitos em nosso sistema jurídico. não é um meio de suprir a lacuna da lei (notem que o art. etc. mesmo que não sejam escritas. aplicam-se então os princípios gerais de direito. Exemplo: Quanto ao equilíbrio dos contratos. 108 – dispensa da escritura pública para alienação de imóveis com valor igual ou inferior a 30 salários mínimos (alienar significa dispor da propriedade ou de direito que lhe é próprio – durante o curso usaremos muito este termo. De forma expressa. porém. 4o não menciona em seu texto a eqüidade). etc. Na verdade ela é entendida como um princípio de Direito Natural.pontodosconcursos. alegando que não a conhece. podemos citar em nosso Direito: ninguém pode se escusar de cumprir a lei. possuindo caráter genérico e orientando uma melhor compreensão desse sistema. e o art. etc. Exemplos (preceitos do direito romano): deve-se viver honestamente (honeste vivere). isto é. Trata-se do uso de “bom senso”. 157 – anulabilidade do contrato por submissão a situação desfavorável por necessidade ou inexperiência (trata-se da lesão. que pode ser notado a partir de diversos outros dispositivos também inseridos no próprio Código Civil: a) art. Portanto a eqüidade poderá ser Legal (quando contida no texto da norma) ou Judicial (a lei determina que o magistrado decida por eqüidade o caso concreto). muitas vezes como sinônimo de doação. dar a cada um o que é seu (suum cuique tribuere) ou à César o que é de César (quae sunt Caesaris. c) redução da cláusula penal (ou seja. proibição de enriquecimento ilícito. uma cláusula geral. não se deve lesar o próximo (alterum non leadere). ninguém pode se valer de sua própria torpeza. quando excessiva ou desproporcional. 3) PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO ⎯ Não sendo solucionada a lacuna com a analogia e os costumes. a adaptação razoável da lei a um caso concreto. Na verdade eles nada mais são do que regras que se encontram na consciência dos povos. deixa de ser uma forma de integração da norma e passa a ser a própria norma. etc. demonstrando o quanto é antigo o princípio da eqüidade.

com bom senso e ponderação. Esta é a situação! Ela foi presa em flagrante! Será que ela cometeu o crime de Contrabando (ingressar no território nacional com mercadoria proibida)? Ou ela cometeu o crime de Tráfico Internacional de Entorpecente? Ambas as leis são Ordinárias. Para não ficar apenas no plano teórico. que significa julgar com retidão. Observem que nesta hipótese o conflito é apenas aparente. se o legislador tratou um determinado assunto com mais cuidado e rigor. A antinomia pode ser: a) Real (ou lacuna de colisão) – quando não houver. repito: a LICC não prevê a eqüidade como forma de integração da norma jurídica. Aplicando-se uma norma. vamos dar um exemplo bem prático desta situação. dentro da esfera de sua competência. ANTINOMIA – CONFLITO ENTRE NORMAS PREENCHIMENTO DAS LACUNAS Antinomia é uma expressão muito comum em concursos. para solucioná-la. Obriga o Juiz.pontodosconcursos. ele deve prevalecer sobre o outro que foi tratado de forma geral. No entanto. Somente se elimina este tipo de antinomia com a edição de uma nova norma elucidando e solucionando a questão. viola-se outra. se sobrepõe a uma Lei Ordinária.com. Eis aí uma situação de conflito aparente de normas! Como resolver? Aplicando-se o princípio da especialidade! Qual das duas leis é especial em relação à outra? Observem que a expressão mercadoria proibida www. na ordem jurídica. sem que se possa afirmar qual delas deverá ser aplicada a um caso concreto. Também é usada a expressão “lacunas de conflito”. • Especialidade (lex specialis derogat legi generali) – o segundo critério leva em consideração a amplitude das normas. Antinomia é a presença de duas ou mais normas conflitantes. b) Aparente – quando os critérios para a solução forem as normas integrantes do próprio ordenamento jurídico. pois este termo não é muito usual em nosso dia-a-dia. Portanto existem alguns critérios para a solução e eliminação deste conflito. Exemplos: A Constituição Federal se sobrepõe a todas as demais espécies normativas. Digamos que uma pessoa ingressou no Brasil com certa porção de entorpecente. etc. a aplicar os critérios de preenchimento de lacunas. E vice-versa. esta se sobrepõe a decretos e regulamentos. qualquer critério normativo para solucioná-la. baseado na superioridade de uma fonte de produção jurídica sobre outra. Ou seja. uma Lei Complementar.br 44 . Vejamos: • Hierárquico (lex superior derogat legi inferiori) – é o primeiro critério a ser aplicado. Critérios para Solução de Antinomias Aparentes Nossa ordem jurídica prevê uma série de critérios para a solução de antinomias aparentes no direito interno.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR português!).

será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração. • Cronológico (lex posterior derogat legi priori) – é baseado no momento em que a norma jurídica entra em vigor. legal ou convencional.pontodosconcursos. já a Lei do Inquilinato. a capacidade e os direitos de família. respeitados os direitos de terceiros e dada esta adoção ao competente registro. §2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou consulares do país de ambos os nubentes. §3o Tendo os nubentes domicílio diverso. requerer ao juiz. no ato de entrega do decreto de naturalização.. §1o Realizando-se o casamento no Brasil. não há uma regra geral e única para a solução destes conflitos. restringindo-se somente ao conflito de normas pertencentes ao mesmo escalão. O Juiz deve aplicar uma das duas normas. No campo do Direito Civil podemos afirmar que o Código Civil é a norma geral. Já substância entorpecente é um termo mais específico. e. neste aspecto. Disposição Legal Art. do Condomínio ou a Lei do Bem de Família são consideradas especiais. regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do primeiro domicílio conjugal. 7o a 19). sendo o melhor caminho a adoção do “princípio máximo da justiça”. Tanto é assim que a LICC. também é conhecida como Estatuto do Direito Internacional. obedece à lei do país em que tiverem os nubentes domicílio. Segundo a melhor doutrina. tentando solucionar o conflito com os critérios acima e de acordo com a sua livre convicção. Exemplo: Leis Ordinárias mais recentes revogam as leis ordinárias mais antigas. a do primeiro domicílio conjugal. §4o O regime de bens. se apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de bens. se este for diverso. www.br 45 . Raríssimamente caem questões referentes a estes dispositivos dentro do Direito Civil. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. o nome. Meus Amigos e Alunos.. que se naturalizar brasileiro. quanto a este tópico. §5o O estrangeiro casado. que é especial em relação ao Contrabando. desde que devidamente motivada. No entanto elas são regras de Direito Internacional (Público e Privado).CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR é mais genérica. A Lei de Introdução ao Código Civil possui outros dispositivos (arts.com. pode abranger muitas coisas. Por isso. Portanto a pessoa será enquadrada no crime de Tráfico Internacional. pode. mediante expressa anuência de seu cônjuge. vamos apenas citar os dispositivos e fazer análise superficial de seu teor.

se um ou ambos os cônjuges forem brasileiros. aplicar-se-á a lei do país em que estiverem situados. será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros. O Supremo Tribunal Federal (leia-se Superior Tribunal de Justiça). quanto aos bens moveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares. 9o Para qualificar e reger as obrigações. a fim de que passem a produzir todos os efeitos legais. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. admitidas as peculiaridades da lei estrangeira quanto aos requisitos extrínsecos do ato. em cuja posse se encontre a coisa apenhada.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR §6o O divórcio realizado no estrangeiro. a requerimento do interessado. qualquer que seja a natureza e a situação dos bens. §2o O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa. www. poderá reexaminar. 11. Art. §1o Destinando-se a obrigação a ser executada no Brasil e dependendo de forma essencial. como as sociedades e as fundações. 10. §8o Quando a pessoa não tiver domicílio. situados no País. Art. §2o A lei do domicílio do herdeiro ou legatário regula a capacidade para suceder. considerar-se-á domiciliada no lugar de sua residência ou naquele em que se encontre. o domicílio do chefe da família estende-se ao outro cônjuge e aos filhos não emancipados. Art.pontodosconcursos. §1o Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário. será esta observada. §1o A sucessão de bens de estrangeiros. só será reconhecido no Brasil depois de três anos da data da sentença. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes. Art. caso em que a homologação produzirá efeito imediato. decisões já proferidas em pedidos de homologação de sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros.com. A sucessão por morte ou por ausência obedece à lei do país em que domiciliado o defunto ou o desaparecido. §7o Salvo o caso de abandono. As organizações destinadas a fins de interesse coletivo. e o do tutor ou curador aos incapazes sob sua guarda. ou de quem os represente. §2o A obrigação resultante do contrato reputa-se constituída no lugar em que residir o proponente. obedecidas as condições estabelecidas para a eficácia das sentenças estrangeiras no País. na forma de seu regimento interno. obedecem à lei do Estado em que se constituírem. salvo se houver sido antecedida de separarão judicial por igual prazo.br 46 . aplicar-se-á a lei do país em que se constituírem.

c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a execução no lugar em que foi proferida. as diligências deprecadas por autoridade estrangeira competente. §3o Os Governos estrangeiros podem adquirir a propriedade dos prédios necessários à sede dos representantes diplomáticos ou dos agentes consulares. Quando. Art.br 47 . §1o Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações. que reúna os seguintes requisitos: a) haver sido proferida por juiz competente. e) ter sido homologada pelo Supremo Tribunal Federal (leia-se Superior Tribunal de Justiça . ter-se-á em vista a disposição desta. Não conhecendo a lei estrangeira. 13. sem considerar-se qualquer remissão por ela feita a outra lei. 14. www. não admitindo os tribunais brasileiros provas que a lei brasileira desconheça. Não dependem de homologação meramente declaratórias do estado das pessoas. ter no Brasil filiais. 16. nos termos dos artigos precedentes. 12. Art. Art. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro. bem como as organizações de qualquer natureza. ficando sujeitas à lei brasileira. concedido o exequatur e segundo a forma estabelecida pele lei brasileira.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR §1o Não poderão. agências ou estabelecimentos antes de serem os atos constitutivos aprovados pelo Governo brasileiro. que eles tenham constituído. observando a lei desta. Parágrafo único. poderá o juiz exigir de quem a invoca prova do texto e da vigência. I. 105. quando for o réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação. dirijam ou hajam investido de funções públicas. d) estar traduzida por intérprete autorizado. “i”. CF/88).pontodosconcursos. se houver de aplicar a lei estrangeira. relativas a imóveis situados no Brasil. quanto ao ônus e aos meios de produzir-se.com. A prova dos fatos ocorridos em país estrangeiro rege-se pela lei que nele vigorar.art. §2o Os Governos estrangeiros. não poderão adquirir no Brasil bens imóveis ou suscetíveis de desapropriação. quanto ao objeto das diligências. Art. É competente a autoridade judiciária brasileira. 15. as sentenças Art. entretanto. §2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá. b) terem sido as partes citadas ou haver-se legalmente verificado à revelia.

Parágrafo único. com fundamento no art. desde que satisfaçam todos os requisitos legais. observadas as seguintes regras: • Não se aplicam leis. a ordem pública e os bons costumes. são competentes as autoridades consulares brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de tabelionato. mas de forma moderada. Esse espaço ou território. Esses problemas geralmente são tratados por outra matéria: o Direito Internacional. as águas e a atmosfera territoriais. Os Estados modernos. Chamamos isso de Territorialidade da Lei. letra “i” da CF) para que esta sentença produza seus efeitos. 17.942. inclui as terras (ou o território propriamente dito). que irá fornecer soluções para os conflitos da lei no espaço.com. não terão eficácia no Brasil. a ordem pública e os bons costumes. bem como quaisquer declarações de vontade. admitem a aplicação. II – VIGÊNCIA DAS LEIS NO ESPAÇO O Estado politicamente organizado tem soberania sobre o seu território e sobre seus habitantes. que é a permissão dada pelo Superior Tribunal de Justiça (artigo 105.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Art.br 48 .pontodosconcursos. inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou brasileira nascidos no país da sede do Consulado. contudo. 18. No caso em que a celebração desses atos tiver sido recusada pelas autoridades consulares. tem seu campo de aplicação limitado no espaço pelas fronteiras do Estado que a promulgou. quando ofenderem a soberania nacional. de 4 de setembro de 1. O território www. ao interessado é facultado renovar o pedido dentre em 90 (noventa) dias contados da data da publicação desta lei. Nem por isso se vulnera o princípio da soberania nacional. em determinadas circunstâncias. de leis estrangeiras. o subsolo. Decorre disso que toda lei. em sentido amplo. Fala-se em território real e ficto. • Não se cumprirá sentença estrangeira no Brasil sem o devido exequatur (ou seja. Art.657. Art. 19. Tratando-se de brasileiros. O Brasil adotou a Teoria da Territorialidade. É essa uma conseqüência do crescente relacionamento entre homens da comunidade internacional. sentenças ou atos estrangeiros no Brasil quando ofenderem a soberania nacional. também chamada de Territorialidade Temperada. em princípio. o “cumpra-se”). Reputam-se válidos todos os atos indicados no artigo anterior e celebrados pelos cônsules brasileiros na vigência do Decreto-lei 4. Leis e Sentenças estrangeiras podem ser aplicadas no Brasil. Território é a extensão geográfica ocupada por uma nação e sobre a qual o Estado exerce sua soberania. atos e sentenças de outro país. em seu território. inciso I. no intuito de facilitar as relações internacionais. 18 do mesmo Decreto-lei. As leis.

Da mesma forma.br 49 . inicia-se a “jogatina”. fora de nosso território real. os golfos. o espaço aéreo correspondente. as baías e os portos. Na realidade este última hipótese é o exemplo típico de território ficto. etc. a faixa de mar exterior que banha as suas costas. um navio estrangeiro (ex: grego) em suas águas territoriais ou em alto mar. Um navio estrangeiro (pertencente a um País onde o jogo é permitido) ingressa no Brasil. grego) será considerado território estrangeiro (no exemplo. assim que entrarem em território de outro País devem obedecer as leis deste País. são consideradas como território nacional. A) Navios e aeronaves de guerra brasileiros. O navio se desloca até o alto-mar. Da mesma forma. Mas. Em seu interior serão aplicadas as leis brasileiras. www. Exemplo: um navio mercante brasileiro em águas brasileiras é considerado território brasileiro. etc. C) Navios e aeronaves mercantes brasileiros. embora estando situadas em países estrangeiros. onde quer que se encontre. como exemplo de território ficto.com. onde quer que se encontrem são considerados como território brasileiro. da bandeira que ostenta. que. mesmo que o Brasil não esteja em guerra com este País. como a lei aplicável é a do País da origem do navio. mesmo que ele esteja no Brasil. Depois o navio “retorna ao Brasil”. são considerados como território brasileiro. os lagos e os mares interiores. deve respeitar a nossa legislação. no interior deste navio (ou avião) de guerra. Já como exemplo de território ficto (pois é uma ficção jurídica) citamos as embaixadas. navegando (ou sobrevoando) em alto-mar (isto é. pois ainda causa muita confusão. Observem. os navios e aeronaves. Entram neste navio centenas de pessoas. vamos abordar este assunto. aplicam-se as leis gregas. Da mesma forma. em alto-mar ou em águas estrangeiras. B) Navios e aeronaves mercantes brasileiros. Aqui o jogo é proibido (pelo menos na teoria). um navio de guerra estrangeiro (por exemplo. inclusive de ilhas que lhe pertencem.. deve obedecer toda a legislação da Grécia. Exemplo: um porta-aviões brasileiro (navio de guerra) é considerado território brasileiro onde quer que ele se encontre: em águas brasileiras. Ele zarpa de um porto brasileiro e se encontra em alto mar: ainda se aplicam as leis brasileiras. porém ainda não ingressando no território de outro país). um navio grego. Não tenho mais visto isto cair.pontodosconcursos. embora em alto mar. aplicam-se as suas próprias leis (no exemplo a grega). portanto. Houve uma época que era muito comum cair em concursos. Há uma aceitação recíproca entre os Países.. como “cautela e caldo de galinha não faz mal a ninguém”.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR real compreende: todo o solo ocupado pela nação. Lembrando que estas regras são aceitas por quase todos os Países. E lá. ☺ Observação ☺ É comum a seguinte situação. abrem-se as lojas do “free shopping”. Ingressando em território grego. É como se o navio (ou o avião). grego). as seguintes regras sobre o tema. em águas territoriais (ou espaço aéreo) brasileiras. ou seja. os rios. fosse o prolongamento do território brasileiro. cessando as atividades que aqui são consideradas ilegais. vigoram as leis de seu País de origem. ingressando em águas brasileiras.

Este é um “esqueleto da matéria”. E. a cuja criação tenha manifestado adesão. em dois turnos. trata-se de uma introdução ao estudo do Direito. Se os bens estiverem situados no Brasil. deve-se respeitar os requisitos exigidos por nossa lei. sob pena de anulação.br 50 . A sucessão por morte obedece à lei do país em que era domiciliado o de cujus (falecido). para aplicar a lei brasileira basta que a celebração do contrato tenha ocorrido em nosso território. a prova é regida pela lei estrangeira. A competência para apreciação de uma ação em que é parte um réu domiciliado no Brasil. Para que o contrato tenha eficácia é indispensável que o registro tenha sido feito aqui.com. é a brasileira. a LICC prevê que deve ser aplicada a norma do local em que estes se situam. E também somente compete à autoridade judiciária brasileira o conhecimento de ações relativas a imóveis situados no Brasil. as regras sucessórias são as brasileiras. fim. Se um estrangeiro casado se naturalizar brasileiro poderá adotar o regime da comunhão parcial de bens. capacidade. etc. 5o. sendo o vendedor casado pela comunhão de bens. deve ser aplicada a lei do local onde as obrigações foram constituídas. Finalmente devemos acrescentar que o art. Quando aqui tiver que ser apreciado um fato que ocorreu no exterior. mas a toda e qualquer matéria do Direito. exceto se a lei estrangeira for mais favorável ao cônjuge ou aos filhos brasileiros. Tem a www.). Quanto aos bens e as relações a eles concernentes.pontodosconcursos. em cada Casa do Congresso Nacional. complementando. é necessária a respectiva outorga conjugal. encerramos esta primeira parte do nosso curso. nome. o § 4º prevê que o Brasil se submete à jurisdição de Tribunal Penal Internacional. Da mesma forma.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Prevê a LICC que se uma pessoa está domiciliada no Brasil é a nossa lei que deve ser aplicada quanto às questões referentes à personalidade (início. Após apresentar a matéria teórica. É uma aula que pode ser útil não só ao Direito Civil. por três quintos dos votos dos respectivos membros. mas para produzir efeitos no Brasil. serão equivalentes às emendas constitucionais. inclusive no tocante aos impedimentos matrimoniais (mesmo que ambos os cônjuges sejam estrangeiros). sempre faço um quadro sinótico que é o resumo da matéria dada em aula. §3o da CF/88 dispõe que os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos aprovados. Meus Amigos e Alunos. mas eles pertencem a estrangeiros. Além disso. Ou seja. No entanto não são admitidas provas que a lei brasileira desconheça. Com isso. Se um contrato foi celebrado no estrangeiro. Como dissemos no início. Ex: foi celebrado no estrangeiro a venda de uma casa situada no Brasil. ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.

inspirada num sistema superior de princípios ou preceitos imutáveis (que seria o Direito Natural). saberá situar a matéria e completá-la de uma forma lógica e seqüencial. está-se referindo a um direito subjetivo.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR função de ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados em aula. Simbolizam. pois se o aluno conseguir memorizar este quadro. Deve ser visto como um todo. em determinada época. Vamos então apresentar o resumo do que foi falado na aula de hoje. anterior e superior ao Estado e que emana da própria ordem equilibrada da natureza. quando se diz que alguém tem direito a algo. www.pontodosconcursos. que regulam a vida social. Portanto após ler todo o ponto.com. mas entende que o mesmo deva ser objeto de uma valoração. o quadrinho de resumo deve ser também lido e relido. correspondendo a uma justiça superior e suprema. possui um caráter imperativo. B) Direito Subjetivo (facultas agendi) – é a faculdade ou conjunto de prerrogativas. de acordo com ela devem agir os indivíduos. Esta é mais uma forma de fixação do conteúdo da aula. Ele pertence ao mundo do “dever ser”. pois prega a existência do Direito Positivo.br 51 . Segundo os estudiosos ele ainda pode ser dividido em: A) Direito Positivo – é o conjunto de normas jurídicas vigentes em determinado lugar. cujo tema foi Noções de Direito e Lei de Introdução do Código Civil. B) Direito Natural é o composto pelo conjunto de regras imutáveis e necessárias. O jusnaturalismo atualmente seria como o fiel da balança. assim. capazes de conduzir o homem a sua perfeição. é excelente para uma rápida revisão às vésperas de uma prova. que corresponde a uma justiça maior. A experiência nos mostra que este quadro é de suma importância. na verdade trata-se da Lei propriamente dita. o sentido de justiça de uma comunidade. mesmo que o aluno tenha entendido a matéria dada. Além disso. Mas situado no conjunto dos conhecimentos humanos e para fins didáticos pode ser dividido: A) Direito Objetivo (norma agendi) – é a norma. QUADRO SINÓTICO NOÇÕES GERAIS DE DIREITO LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL DIREITO é o conjunto das normas gerais e positivas.

Direito das Sucessões e Disposições Finais e Transitórias. Contém também normas de Direito Internacional. Internacional. Quando houver lacunas. Penal.pontodosconcursos. considerado como um “Código de Normas”. Eclesiástico. Administrativo. Fornece critérios de interpretação (hermenêutica). inclusive o Brasil).com. ultrapassando o âmbito do Direito Civil. atingindo tanto matéria de ordem privada. Matérias → Direito Civil e Direito Comercial – há controvérsias a respeito do Direito do Trabalho (Teoria Majoritária: Direito Privado). Direito das Coisas. Tributário. Matérias → Direito Constitucional. EUA. B) Parte Especial → Direito das Obrigações.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Sistemas Jurídicos – Common Law (baseado nos costumes → Inglaterra. I – CLASSIFICAÇÃO DO DIREITO OBJETIVO A) Direito Público – Relação do Estado consigo mesmo. quanto pública. II – LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL Conjunto de normas sobre normas. Direito de Empresa. B) Direito Privado – Relação de Particulares entre si. Processual (Penal e Civil). etc.). Direito de Família. etc. Civil Law (baseado nas leis → países europeus e sul americanos. IV – FONTES DO DIREITO CIVIL A) INDIRETAS OU MEDIATAS 1) Doutrina – interpretação da lei feita pelos estudiosos da matéria (direito científico). www. III – DIVISÃO DO DIREITO CIVIL A) Parte Geral → Normas concernentes às Pessoas (Físicas e Jurídicas).br 52 . para com seus cidadãos e para com outros Estados. Apresenta soluções aos conflitos de normas no tempo e no espaço. estabelece mecanismos de integração das normas. • • • • • Regula a vigência e eficácia das normas jurídicas públicas e privadas. aos Bens e aos Fatos Jurídicos.

pontodosconcursos. Espécies: a) Segundo a lei → a própria lei determina a sua aplicação (admissível). e) Alteração da lei após o prazo de vacatio – Lei nova (art. www. 3o LICC) b) Continuidade das leis 2 – Início da Vigência a) Regra Geral ⎯ 45 dias após a publicação (art. II. §1o LICC). da Constituição Federal). Sanção ou Veto. 5o. V – VIGÊNCIA DAS LEIS A) Processo Legislativo: Iniciativa. b) Na falta da lei → quando a lei deixa omissões que podem ser preenchidas por ele (admissível).CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 2) Jurisprudência – conjunto uniforme e constante das decisões judiciais sobre casos semelhantes. c) Estados Estrangeiros – 03 (três) meses após a publicação (art. permanência e competência. imperatividade. 2) Costume – reiteração constante de uma conduta (elemento objetivo). caput da LICC) → vacatio legis.br 53 . 1o. Promulgação e Publicação. Discussão e Aprovação. segundo a teoria majoritária). 1o. Características: generalidade. Classificação Doutrinária. c) Contra a lei → quando ele contraria o que dispõe a lei (inadmissível. b) Prática ⎯ na data da publicação ou em outra data que a própria lei determinar. B) Vigência Temporal 1 – Princípios a) Obrigatoriedade (art. “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei” (art. §3o LICC). §4o LICC). 1o. B) DIRETAS OU IMEDITAS 1) Lei – norma imposta pelo Estado e tornada obrigatória na sua observância.com. na convicção de ser a mesma obrigatória (elemento subjetivo). d) Alteração da lei durante o prazo de vacatio legis – prazo recomeça a contar da republicação (art. autorizamento. 1o.

3 – Término da Vigência a) Lei Temporária (art. Ab-rogação → revogação total. quando a lei é expressa determinando a repristinação) – art. 4 – Repristinação – lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. b) Irretroatividade – as normas. espaço aéreo. não produzem efeitos em situações passadas. como regra. 6 – Conflito das Normas no Tempo – Direito Intertemporal – Para a sua solução são usados dois critérios: a) Disposições Transitórias – quando a própria lei prevê em seu corpo regras temporárias para dirimir eventuais conflitos. §1o LC 95/98 alterado pela LC 107/01). É a regra em nosso Direito. 2 – Território Nacional – Real (solo. entrando em vigor no dia subseqüente a sua consumação integral (art. caput LICC). 2o.com.Ato Jurídico Perfeito – é o que já se consumou. Derrogação → revogação parcial.Direito Adquirido – o que já se integrou ao patrimônio e à personalidade de seu titular. 5 – Lei Especial que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes.br 54 . Tácita → texto da lei posterior (mais nova) é incompatível com o da anterior. subsolo. Brasil admite a Extraterritorialidade. desde que se respeite (art. águas marítimas) e Ficto (embaixadas. salvo disposição em contrário (ou seja. §3o LICC.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR f) Contagem – inclui-se o dia do começo e o último dia do prazo.pontodosconcursos. 2o. segundo a norma vigente no tempo em que se praticou o ato. 8o. www. §2o LICC). Vigora a Teoria da Territorialidade Moderada ou Temperada. b) Revogação (art. 6o LICC): . 2o §1o LICC): Expressa → lei nova declara de forma taxativa a revogação da lei anterior. navios e aeronaves). . .Coisa Julgada – é a decisão da qual não cabe mais nenhum recurso. No entanto admite-se a retroatividade. C) Vigência Territorial 1 – Regra → Territorialidade. 2o. não revoga nem modifica lei anterior (art.

sendo suas normas aplicáveis apenas ao Direito Civil. um conjunto de normas sobre normas. ainda mais. www.pontodosconcursos.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR VI – INTERPRETAÇÃO – descobrir o sentido e o alcance da norma jurídica – trata-se da hermenêutica. Costumes e Princípios Gerais de Direito.br 55 . sendo que todos eles já caíram em concursos anteriores. 1) Analogia – aplica-se em hipótese não prevista. desde que interesse para um concurso. seguindo essa ordem preferencial (veja também o art. mas que estão implícitas em nosso ordenamento jurídico. muitos testes). Por esse motivo o gabarito é totalmente comentado. 4o da LICC → Analogia. a matéria. 126 do CPC). pois muitas vezes completam a aula. após o quadrinho sinótico. Meus Amigos e Alunos. 3) Princípios Gerais de Direito – regras que se encontram na consciência dos povos. Muitas dúvidas da aula são sanadas por meio da leitura dos testes e de suas respectivas respostas. porém semelhante. mesmo que não sejam escritas. 2) Costumes – já analisados acima. a) a Lei de Introdução ao Código Civil é parte componente do Código Civil. Os testes têm um grau de dificuldade acima da média e não fujo de questões polêmicas. dispositivo relativo a um outro caso distinto. ou seja. VIII – ANTINOMIA – CONFLITO DE NORMAS – PREENCHIMENTO DAS LACUNAS Antinomia → presença de duas normas conflitantes. forneço alguns testes (aliás. Eles têm a finalidade de revisar o que foi ministrado e fixar. VII – LACUNAS – INTEGRAÇÃO DA NORMA JURÍDICA Art. b) a Lei de Introdução ao Código Civil é uma lex legum.com. Ao final de cada aula. Isto é imprescindível. sem que se possa afirmar qual delas deverá ser aplicada a um caso concreto. Esses exercícios devem ser solucionados pelo aluno. b) especialidade (uma norma é especial em relação a outra) e c) cronológico (baseado no momento em que a norma jurídica entra em vigor – a mais nova revoga a mais velha). Critérios para solução do conflito aparente de normas: a) hierárquico (uma norma é hierarquicamente superiora à outra). Vamos a eles: TESTES 01 – Assinale a opção falsa. pois completam e aprofundam a matéria dada em aula.

evidenciando os respectivos elementos de conexão. b) a Lei de Introdução é uma lex legum. segurança e estabilidade do ordenamento jurídicopositivo. suas dimensões espaço-temporais.pontodosconcursos. a) a Lei de Introdução não é parte integrante do Código Civil. e) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina a garantia da eficácia global da ordem jurídica. que a comprometeria.com. revoga a lei anterior que disciplinar a mesma matéria. inadmitindo a ignorância da lei vigente. 04 – Assinale a alternativa correta: a) a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. uma vez que indica como interpretá-las. preservando as situações consolidadas em que o interesse individual prevalece. b) impor a eficácia geral e abstrata da obrigatoriedade da lei. determinar o efeito dos atos realizados no exterior. para assegurar a certeza.2004) As principais funções da Lei de Introdução ao Código Civil são: a) regular a existência e eficiência das normas jurídicas. por ser aplicável a qualquer norma e por conter princípios gerais sobre as leis em geral. d) a Lei de Introdução ao Código Civil disciplina o direito intertemporal. www.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR c) a Lei de Introdução ao Código Civil é também o Estatuto do Direito Internacional Privado. 02 – Assinale a opção falsa.br 56 . que poderá ser reconhecido e exercido em outro. c) a Lei de Introdução é um código de normas que não tem por conteúdo qualquer critério de hermenêutica jurídica. reger a condição jurídica do estrangeiro e tratar da eficácia internacional de um direito legitimamente adquirido em um país. ou seja. um conjunto de normas que não rege exatamente as relações de vida. e) a Lei de Introdução ao Código Civil contém critérios de hermenêutica jurídica. d) as normas de direito internacional privado contidas na Lei de Introdução ao Código Civil têm por objetivo solucionar o conflito de jurisdição. assinalando suas projeções nas situações conflitivas de ordenamentos jurídicos nacionais e alienígenas.Distrito Federal III . c) desregulamentar o direito internacional privado no Brasil. determinando-lhes a vigência e eficácia. 03 – (OAB . não admitindo a ignorância da lei vigente. b) desregulamentar o direito intertemporal. mas sim as normas. estabelecer princípios indicativos de critérios solucionadores do problema de qualificação.

salvo disposição em contrário. quando admitida. 05 – Assinale a alternativa correta: a) a obrigatoriedade da lei brasileira nos Estados estrangeiros. entra em vigor 45 dias após a sua publicação oficial.com. ou alguém por ele. antes de entrar em vigor. que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. c) a lei.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR b) lei com vigência temporária terá vigor até que outra a modifique ou revogue. c) a lei posterior revoga lei anterior somente quando expressamente o declare. c) entra em vigor sempre na data de sua publicação. não revoga nem modifica lei anterior.br 57 . quando admitida. salvo disposição em contrário. começará a correr da nova publicação prazo para entrar em vigor. destinada à correção. b) a lei sempre indicará a data do início de sua vigência. 06 – A vigência da lei ordinária que rege o direito privado: a) a lei brasileira nunca terá obrigatoriedade nos Estados estrangeiros. se inicia 120 dias depois de oficialmente publicada. b) a revogação de lei revogadora de lei anterior tem efeito repristinatório. e) a lei nova. salvo a ocorrência de vacatio legis expressamente determinado em seu texto. e) uma lei pode retroagir. c) as declarações de vontade devem ser interpretadas literalmente. possa exercer e aqueles cujo começo do exercício tenha termo pré-fixado. mesmo que afete o ato jurídico perfeito. tem inicio três meses depois de oficialmente publicada. d) não muda o prazo de vigência se no curso da vacatio legis for publicada correção de lei. d) consideram-se direitos adquiridos aqueles que o seu titular. b) nos Estados estrangeiros. a arbítrio de outrem. como regra. www. ou condição preestabelecida inalterável. a obrigatoriedade da lei brasileira.pontodosconcursos. 07 – Assinale a alternativa incorreta: Consoante a Lei de Introdução ao Código Civil: a) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a eficácia. os costumes e os princípios gerais de direito. ocorrer nova publicação de seu texto. d) a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. c) se. e) na interpretação das leis usa-se a analogia. d) o termo inicial da obrigação suspende aquisição do direito.

analogia e eqüidade. e) Nenhuma é correta. o Juiz decidirá o caso de acordo com os seguintes critérios. Assinale a alternativa correta: a) I.com.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 08 – Proposições: I – O costume é fonte de direito e também recurso suplementar que orienta a integração da norma jurídica. 10 – (Ordem dos Advogados do Brasil – Minas Gerais – 2007) De acordo com o disposto na Lei de Introdução ao Código Civil (LICC). b) eqüidade. 09 – Ocorrendo omissão na lei em face de determinado caso concreto o Juiz decidirá observando a seguinte ordem: a) costumes. EXCETO: a) analogia b) princípios gerais do direito. b) II e IV. c) costumes segundo a lei. III – O costume não é fonte de direito. d) V. www. costumes e princípios gerais de direito. de acordo com a LICC. analogia e princípios gerais de direito. c) III. d) analogia. e) costumes.br 58 . quando a lei for omissa. IV – Não se considera lei nova a correção de lei já em vigor. 11 – Dispõe o art. II – Se a lei for omissa o Juiz. Este preceito se refere aos critérios relativos à: a) eqüidade. o Juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. os costumes e os princípios gerais de direito”. c) princípios gerais de direito. 4o da LICC que “quando a lei for omissa. e) eqüidade. eqüidade e analogia.pontodosconcursos. d) costumes na falta de lei. V – Em nenhuma hipótese ocorre no nosso sistema positivo a repristinação. pode decidir de acordo com os costumes e com a eqüidade. princípios gerais de direito e costumes.

12 – É correto afirmar que: a) antinomia é um conflito de normas.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR b) integração da norma jurídica. apenas: a) I e II.pontodosconcursos. IV – Somente haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei nova for com aquela incompatível. III – Haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei nova regular inteiramente a matéria de que aquela tratava.br 59 . d) for declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal e) a lei posterior for incompatível com a anterior ou regular inteiramente a matéria de que tratava a anterior. e) repristinação. 13 – Leia as afirmações abaixo: I – Vacatio legis refere-se ao período de tempo que vai da publicação da lei a sua entrada em vigor efetivamente.com. c) I e III. d) ab-rogação é a revogação expressa. c) cair em desuso ou ficar comprovado costume em sentido contrário. Estão corretas. d) II e IV. e) derrogação é a revogação tácita. b) derrogação é uma revogação total. e) I e IV. II – A lei nova que estabelecer disposição geral a par das leis especiais. c) ab-rogação é uma revogação parcial. c) interpretação sistemática. d) antinomia. b) a lei posterior estabelecer disposição geral a par da lei especial anterior. b) II e III. 15 – No Direito brasileiro a repristinação da lei revogada: www. revoga estas últimas. 14 – (FCC – TRT/AM – 2005) Haverá revogação tácita da lei quando: a) a lei posterior estabelecer disposição especial a par da lei geral anterior.

c) pode violar direito adquirido sem que isso configure violação de texto constitucional. no tocante ao termo inicial de vigência de uma lei e de um regulamento: a) no País e no estrangeiro a lei e o regulamento entram em vigor na data de sua publicação. podemos dizer que: a) não se destinando à vigência temporária. c) no País a lei entra em vigor 45 dias depois de oficialmente publicada e o regulamento na data de sua publicação. ocorrer nova publicação de seu texto.pontodosconcursos. d) as correções de texto de lei em vigor passam a integrar a lei corrigida. o prazo para sua vigência se inicia depois da nova publicação.com.br 60 . b) A analogia juris consiste em um conjunto de normas para obter elementos que permitam a sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto. a lei terá vigor até que outra a revogue ou estabeleça disposições gerais a par das já existentes. d) As formas de integração na Lei de Introdução ao Código Civil são: analogia. b) é vedada expressamente pela Lei de Introdução ao Código Civil. b) na sede das embaixadas do Brasil no exterior. a lei brasileira entra em vigor 90 dias meses depois de oficialmente publicada e o regulamento na data de sua publicação. antes de entrar a lei em vigor. costumes e princípios gerais de direito. destinada a correção. mas similar. 16 – Assinale a alternativa incorreta: a) A Constituição Federal de 1988 e a Lei de Introdução ao Código Civil adotaram o princípio da irretroatividade das leis como regra geral. d) poderá ocorrer por disposição expressa de outra lei. c) Em tema de eficácia da lei no espaço o nosso país adota o princípio rígido da extraterritorialidade. e) não se sujeita às regras pertinentes à vacatio legis. b) a lei revogada se restaura no caso de a lei revogadora vier a perder a vigência. www. e) a regra geral para o começo de vigência da lei é que esta passa as vigorar trinta dias após a sua publicação oficial.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR a) ocorrerá automaticamente com a revogação da lei revogadora. 18 – Salvo disposição em contrário. 17 – Quanto à vigência das leis. c) se.

para corrigi-la. ocorrer nova publicação de seu texto. 03 meses depois. que possui normatização específica: www. e) ocorrendo nova publicação o prazo começara a contar desta nova publicação. c) durante o prazo de vacatio de ambas as leis. que somente entrará em vigor quando terminado o novo prazo de vacatio. e) no País a lei e o regulamento entram em vigor 90 dias depois da publicação oficial. exceto no tocante à correção realizada. 21 – (Magistratura – São Paulo – Concurso 171) Editada uma lei que não seja orçamentária ou tributária. esta entrará em vigor. A Lei. d) a revogação de uma lei pode ser expressa ou tácita. no estrangeiro. pois tratou-se apenas de uma simples correção do texto anterior. total (ab-rogação) ou parcial (derrogação). 20 – Assinale a alternativa INCORRETA. será a aplicada a mais benéfica. a) mesmo ocorrendo uma nova publicação. o prazo de vacatio legis não será alterado. e) ocorre a revogação tácita quando existe uma incompatibilidade entre os dispositivos da nova lei com os da lei anterior. b) quando vencer o prazo de vacatio da primeira lei.pontodosconcursos. Durante o prazo de vacatio legis houve uma alteração nesta lei. mas não continha a data de sua vigência. considerada sob o seu aspecto de vigência temporal: a) se antes de entrar a lei em vigor. b) as correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. o prazo de vacatio legis começará a correr a partir da nova publicação.com. mesmo tratando-se apenas de correção do texto anterior.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR d) no País a lei e o regulamento entram em vigor 45 dias depois de oficialmente e. d) durante o prazo de vacatio de ambas as leis será aplicada àquela que for escolhida pelo Juiz de acordo com seu livre convencimento e dependendo do concreto que lhe for apresentado.br 61 . Assinale a alternativa correta. destinada a correção. respeitando-se princípio constitucional da retroatividade da lei mais favorável. 19 – Uma lei foi aprovada pelo Congresso Nacional. c) é hipótese de revogação de uma lei a sua continuada inobservância ou o desuso da mesma. A mesma foi publicada.

três meses depois da publicação. d) no silêncio da lei editada. no estrangeiro. quando admitida. 23 – Do princípio da irretroatividade das leis decorre: a) que a lei nova não preservará aquelas situações já consolidadas em que o interesse individual prevalece. d) respeito ao direito adquirido. ocorrer uma nova publicação de seu texto. nem com vigor para os casos anteriores à sua revogação. e no país. entrando em vigor com a publicação oficial. 24 – (Analista do Ministério Público da União – 2004) Derrogação é: a) a aplicabilidade da norma no espaço delimitado pelas fronteiras do Estado. surge a questão de se saber se a norma que fora revogada fica restabelecida. ela entra em vigor sessenta dias da data de sua publicação oficial. por ter sido revogada. o prazo de vacância começará a correr a partir da nova publicação. destinada a correção. mas ainda não concluída. recuperando sua vigência.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR a) ela entra em vigor. independentemente de declaração expressa. www. 22 – (Magistratura – São Paulo – Concurso 173) Assinale a alternativa incorreta: a) é preciso não olvidar que uma norma não mais vigente. se não contiver disposição expressa referente ao início de sua vigência. desde que não ofendam a coisa julgada.com. já que as normas poderão retroagir. não poderá continuar vinculante. c) a vacatio legis é o intervalo entre a aprovação da lei e a sua entrada em vigor. Mas pela LICC a lei revogadora de outra lei revogadora não terá efeito repristinatório sobre a velha norma abolida. ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada. b) impossibilidade de aplicação imediata da lei nova. c) a lei velha continuará regrando os casos ainda não julgados. b) a irretroatividade da lei é um princípio constitucional apesar de não ser absoluto. o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. durante o seu prazo de vacância. b) ela começa a existir com a promulgação.br 62 . quarenta e cinco dias depois de publicada. d) se antes de uma lei entrar em vigor. b) a supressão total da norma anterior. c) quando o legislador derroga ou ab-roga uma lei que revogou a anterior. a não ser que haja pronunciamento expresse de lei a esse respeito. e) repristinação dos efeitos da lei velha para alcançar negócios de execução já iniciada. porque revogada. A norma não poderá ser eficaz.pontodosconcursos.

27 – (Tribunal Regional do Trabalho – 3a Região – Analista Judiciário – 2005) A lei geral posterior: a) sempre revoga lei especial.pontodosconcursos. com o escopo de atingir perfeita compatibilidade.006) Assinale a opção errônea. a) a função social da lei consoante a Lei de Introdução ao Código Civil não tem similar em qualquer diploma legal. c) para integrar a lacuna o juiz recorre. c) não se atende e nem se considera o fim social da lei. que consiste em aplicar a um caso não previsto de modo direto ou específico por uma norma jurídica uma norma que prevê hipótese distinta. e) tornar sem efeito uma parte da norma. analisando os períodos da lei e combinando-os entre si. escolhendo claramente uma posição sobre a finalidade social do direito. a) a hermenêutica é a teoria científica da arte de interpretar. à analogia. 25 – (Controladoria Geral da União – 2. mas semelhante ao caso não contemplado. mediante seu estudo. c) que estabelecer disposições a par das leis especiais já existentes a estas não revoga. por meio de raciocínios lógicos. www. b) a técnica interpretativa lógica pretende desvendar o sentido e o alcance da norma.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR c) o fato de a norma atingir os efeitos de atos jurídicos praticados sob o império da norma revogada. e) apenas revogará a lei especial anterior se regular inteiramente a matéria de que esta tratar.com. d) a derrogação é a supressão total da norma anterior e a ab-rogação torna sem efeito uma parte da norma. 26 – (OAB Distrito Federal 2004) “Na aplicação da lei. d) que estabelecer disposições conflitantes com as leis especiais anteriores é considerada inconstitucional. b) somente revoga lei especial quando expressamente o declare. preliminarmente. o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum”. d) a não-aplicabilidade da lei nova a qualquer situação jurídica constituída anteriormente. d) verifica-se no texto um puro planejamento social da norma jurídica.br 63 . b) o legislador considera primordiais valores sociais sobre os individuais. e) o juiz só decidirá por eqüidade nos casos previstos em lei.

continuando a ser aplicada às situações ocorridas ao tempo de sua vigência. d) o próprio Código Civil e) a lei mais benéfica. 31 – (AFR – ICMS/SP – 2006) A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a: a) inclusão da data da publicação e do último dia do prazo. segundo o seu livre arbítrio. c) a lei revogada se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. a repristinação da lei se regula pela seguinte regra: a) a lei nova que estabelecer disposição geral revoga a lei especial já existente. 29 – (Procurador do Banco Central – 2005) No Direito Brasileiro.com. durante o prazo de vacatio legis a lei nova aplica-se: a) a lei nova. d) a lei revogada só se restaura se o seu texto for nova e integralmente publicado. depende da aprovação deste e começará no prazo que a legislação federal fixar. c) a lei que o magistrado entender. d) a lei revogada sobrevive. b) a lei nova regula inteiramente a matéria regulada pela lei anterior. b) a vigência das leis que os governos estaduais elaboram por autorização do Governo Federal. 30 – (Ministério Público – Minas Gerais – 2006) Tem-se a “ultratividade da lei” quando: a) a lei nova passa a regular fatos ocorridos no passado. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral. e) a lei nova regula parcialmente a matéria regulada pela lei anterior. entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral. desde que devidamente motivado. b) exclusão da data da publicação e do último dia do prazo. c) a lei posterior só revoga a anterior se expressamente o declarar ou se com esta for incompatível.pontodosconcursos. e) salvo disposição em contrário.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 28 – (Advogado – Banco do Estado de Santa Catarina – 2005) Alterada uma lei. c) inclusão da data da publicação e a exclusão do último dia do prazo. www. entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral.br 64 . b) a lei antiga.

uma vez que a norma passa a ser letra morta. que produz a não aplicação da lei. e) não há possibilidade de existirem. expressamente pelo legislador. mas similar. 34 – (FCC – Analista Judiciário do Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco . 33 – (Advogado da IRB – Brasil Resseguros – 2006) Se uma lei for publicada no dia 02 (dois) de janeiro. IV – Na aplicação da lei o Juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.com. b) a analogia juris estriba-se num conjunto de normas para extrair elementos que possibilitem sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto. b) 15 de janeiro. estabelecendo para de 15 (quinze) dias de vacância. e) 17 de janeiro. c) 20 de janeiro. d) 18 de janeiro. implicitamente revogatória das disposições legais. 32 – (Auditor Fiscal do Trabalho – 2006) Aponte a opção correta: a) o costume contra legem é o que se forma em sentido contrário ao da lei. III – Só haverá revogação da lei anterior pela posterior quando esta expressamente o declare. quando admitida. entrando em vigor no mesmo dia de sua consumação integral. e) exclusão da data da publicação e a inclusão do último dia do prazo.pontodosconcursos. capazes de solucionar situações não previstas.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR d) inclusão da data da publicação e a exclusão do último dia do prazo. I – Nos Estados estrangeiros. no ordenamento jurídico. www. esta lei entrará em vigor no dia: a) 16 de janeiro. em sua aplicação e integração.br 65 . d) são condições para a vigência do costume a sua continuidade. nem orientam a compreensão do direito. a obrigatoriedade da lei brasileira. entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral.2007) Considere as assertivas abaixo sobre a vigência e aplicação das leis. nem da desuetudo. II – Salvo disposição em contrário. c) os princípios gerais de direito não são normas de valor genérico. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. princípios e normas latentes. diuturnidade e não obrigatoriedade. mas não seria o caso de consuetudo abrogatoria. se inicia três meses depois de oficialmente publicada.

pontodosconcursos. V – Quando a lei brasileira é admitida no exterior a sua obrigatoriedade inicia-se sessenta dias depois de oficialmente publicada. IV – O primeiro critério a ser aplicado pelo intérprete para solucionar uma antinomia é o da especialidade. ainda que atentem contra os bons costumes. como sistema. que estabeleça disposições gerais e especiais a par das já existentes. e) III e IV.br 66 . não admite lacunas insupríveis. www. costumes e princípios gerais de direito. II – A lei nova. 36 – Leia com ATENÇÃO as proposições abaixo. d) I. II e III. III – As regras de que o Juiz deve se valer para suprir as lacunas da lei são: analogia. Pode-se afirmar que são CORRETAS apenas a) I. b) II e III. d) I. não revoga nem modifica a lei anterior. Pode-se afirmar que são CORRETAS apenas a) somente I. II e IV. b) somente I e III. quando não ofenderem a soberania nacional e a ordem pública. IV – As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova. c) somente II e IV. II. 35 – (Magistratura afirmações: São Paulo – 2007) Considere as seguintes I – As leis.com. III e IV. II – Na aplicação do direito as lacunas encontradas na lei devem ser ignoradas. II e IV. c) II. b) II.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR É correto o que se afirma apenas em: a) I e II. I – O direito positivo. atos e sentenças de outro país terão eficácia no Brasil. III – A lei destinada à vigência temporária terá vigor até que outra a revogue. III e IV. c) II e IV.

quando admitida. a obrigatoriedade da lei brasileira. a força normativa cogente está na lei nova. o legislador pode elaborar. se inicia noventa dias depois de oficialmente publicada. então. b) na hipótese de uma lei nova de mesmo grau hierárquico tratar inteiramente a matéria da lei anterior. que se refere a outro instituto semelhante. c) o processo de interpretação sistemática da norma jurídica consiste no esclarecimento do sentido de uma lei por outra. d) a lei nova. consiste na aplicação de uma norma. que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. 38 – (Magistratura do Trabalho – TRT Mato Grosso – 2.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR d) somente I. a revogação integral de uma lei por uma posterior. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. para julgando os textos e colocando Certo ou Errado). isto é. Nesse caso. e) salvo disposição em contrário. d) com a finalidade de resolver e evitar os conflitos que surgem da nova lei em confronto com a lei antiga. Na falta de texto legal expresso para o caso específico. em seguida.br 67 . a) salvo disposição em contrário a lei começa a vigorar em todo o País quarenta e cinco dias depois de oficialmente publicada. as disposições que têm vigência temporária. e) analogia é a aplicação do mesmo princípio a institutos semelhantes. a lei revogadora perde a vigência.007) Sobre a aplicação da lei civil no tempo e no espaço assinale a alternativa INCORRETA. e IV. até que a lei nova seja com ela incompatível. www. assinale a opção INCORRETA. Quando a lei é revogada por outra lei. e) somente I e V. não revoga nem modifica a lei anterior. ou seja.2007) Com referência à eficácia e interpretação da lei.pontodosconcursos. os costumes e os princípios gerais de direito. 37 – (Magistratura do Trabalho – TRT 5a Região – Bahia . no próprio texto normativo.com. ocorre a derrogação da lei. a) a lei tem vigência até que outra lei a revogue. III. b) não se destinando à vigência temporária. ou. a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. o Juiz decidirá de acordo com a analogia. há repristinação da lei revogada. e. (Obs: as questões adiante seguem o padrão da UNB/CESPE. c) nos Estados estrangeiros.

tal prazo é de três meses depois de a norma ser oficialmente publicada. Disciplina a aplicação de regras das normas brasileiras. I. não revoga nem modifica a lei anterior. 5) não pode ter seu desconhecimento como alegação para escusa de seu descumprimento. 5) A analogia. Além disso. São Paulo: Saraiva. referindo-se a casos indefinidos. que é um dos instrumentos de integração da norma jurídica. interpretação e aplicação da lei no tempo e no espaço. julgue os itens que se seguem. 1) As leis. Trata-se de uma lei autônoma (Decreto-lei nº 4. suas normas se aplicam a todas a outras matérias do direito (observadas as peculiaridades de cada uma).657/42). vol. 3) revogada se restaura se a lei revogadora perder sua vigência. contendo www. pública e geral de determinado ato com a convicção de sua necessidade jurídica.br 68 . consiste na prática uniforme. que dizem respeito à determinação do início de sua vigência.com. 2) nova. 2) A obrigatoriedade imposta por uma norma jurídica sempre se inicia na data da sua publicação. faltando estipulação legal do prazo de entrada em vigor. 4) possui vigência temporária no curso da “vacatio legis”.INSS/2008 – Analista do Seguro Social com Formação em Direito) “Uma norma jurídica tem três momentos. relativos à analogia. nascem com a promulgação. à continuidade de sua vigência e à cessação de sua vigência.pontodosconcursos. Tendo as idéias do texto acima como referência inicial. a LICC não é parte componente ou integrante do Código Civil. 2006. Como vimos em aula. que continua em vigor. 40 – (UNB/CESPE . 24. a norma contém em si uma carga de generalidade. 58 (com adaptações). em sentido amplo. Curso de direito civil brasileiro. que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 39 – A lei: 1) começa a vigorar em todo o país trinta dias depois de oficialmente publicada. salvo se ela dispuser de outra forma. GABARITO COMENTADO 01 – Alternativa falsa – letra “a”. p. constante. fazendo surgir uma oposição entre normas jurídicas e fatos” (Maria Helena Diniz. 3) No que concerne à obrigatoriedade da norma brasileira no exterior. o que implica seu afastamento da realidade. Além disso.a ed. 4) Derrogação é a supressão total da norma jurídica anterior.

pois o que ocorre é exatamente o contrário: a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. Se a questão estiver ser referindo à LICC (hipótese que estamos analisando) não se admite a escusa pela ignorância. atenção. Eventual alegação de desconhecimento da lei (erro de direito) só pode ser invocada em raríssimas ocasiões. Compare este teste com o anterior.” e quase sempre exige a mesma coisa na prova.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR também regras de vigência (início e fim).. pois utiliza o termo eficiência (o correto é eficácia). como exemplo uma pessoa que morre no Brasil deixando bens no estrangeiro. ou seja.com. previstas no CC. Como vimos na questão acima a LICC possui sim. uma das funções da LICC é impor a vigência e eficácia geral das leis. Com eles o aluno vai “pegando a malícia” da questão. 3o da LICC)..pontodosconcursos. 04 – Alternativa correta – letra “d”. formas integração. 02 – Alternativa incorreta – letra “c”. reveja o tópico “vigência das leis no tempo”. regras de hermenêutica. As demais alternativas estão corretas: b) a LICC é tratada pela doutrina como sendo um conjunto de normas sobre normas. §3o da LICC).. Publicada uma lei. não revoga a lei anterior que disciplinar a mesma matéria. Como vimos. As demais alternativas são conceitos verdadeiros sobre o teor da LICC. salvo disposição em contrário (veja o artigo 2o. e) possui critérios de hermenêutica. As letras “c” e “d” estão erradas. indicação de métodos para a solução de conflitos de leis (temporais e territoriais). Esta alternativa trata da repristinação: a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. A letra “e” também está incorreta. Na realidade a LICC não trata expressamente desta matéria. pois há uma presunção de que todos tiveram conhecimento de seu teor. de critérios de interpretação das leis. técnicas de interpretação. contém até mesmo diversas regras de conteúdo de direito internacional. etc. de eficácia. embora em hipótese especialíssima que será analisada em aula vindoura. indicando as condições de validade para aplicação da lei brasileira no estrangeiro ou vice-versa. roda. duas leis que dispõem sobre um mesmo assunto podem coexistir. Como vimos. pois a LICC também regulamenta o direito intertemporal e direito internacional privado no Brasil.. A letra “c” está errada. porém instrui sobre critérios de sua aplicação. A alternativa “a” está errada.. possuindo regras de extraterritorialidade. c) a LICC possui normas de Direito Internacional Privado. que já caíram em concurso são parecidas. No entanto há casos www. A letra “a” está errada. d) como vimos a LICC disciplina o direito intertemporal. observe como estas questões. pois uma lei não pode retroagir.br 69 . §2o da LICC. é o que determina o artigo 2o. pois como vimos a revogação pode ser expressa ou tácita (neste caso quando o texto da lei posterior é incompatível com o da lei anterior). desde que não sejam incompatíveis entre si. Portanto. O examinador “roda. roda. Ou seja. Se a questão for referente ao CC pode haver a alegação. 03 – Alternativa correta – letra “b”. Daí a importância em se fazer os testes. ninguém pode alegar que não a conhece e deixar de cumpri-la (art..

quando ela não marcar prazo este é o de 45 dias. 2o. seis meses da data da publicação. Uma lei começa a vigorar no Brasil (salvo disposição em contrário) 45 dias depois de oficialmente publicada. O enunciado II está errado. Como exemplo citamos o próprio Código Civil que marcou prazo de um ano para entrar em vigor. Ela pode dizer que entrará em vigor “na data de sua publicação”. pois a LICC não prevê a eqüidade como forma de integração da norma jurídica. Já nos Estados estrangeiros este prazo sobe para três meses (veja o art. www. como já vimos. mais para frente.pontodosconcursos. Uma lei.com. As declarações de vontade podem ser interpretadas de forma que a intenção da pessoa seja respeitada e nem sempre literalmente. costumes e princípios gerais de direito. A título de exemplificação citamos o artigo 423 do CC: “quando houver. apesar de errada. a LICC marca prazo para uma lei brasileira entrar em vigor no estrangeiro – três meses. A obrigatoriedade é de três meses. Finalmente a letra “e” também está errada. 07 – Alternativa incorreta – letra “b”. entra em vigor 45 dias após sua publicação (vacatio legis). desde que respeite o Ato Jurídico Perfeito. Até porque. o Direito Adquirido e a Coisa Julgada. ocorrer nova publicação de seu texto destinada à correção. Letra “b” – errada – nem sempre a lei marca prazo para entrar em vigor. 08 – Alternativa correta – letra “a”. Veja como concursos diferentes também costumam repetir as questões. § 3º). os costumes e os princípios gerais de direito. dever-se-á adotar a interpretação mais favorável ao aderente”. 06 – Alternativa correta – letra “c”.art 1º. São formas de integração da norma jurídica. cláusulas ambíguas ou contraditórias. salvo quando a lei diz quando entrará em vigor. A letra “b” está errada. Se. mas não a aquisição do direito. pois é na integração das normas (e não na interpretação) que devem ser usadas a analogia. no capítulo referente a Atos e Fatos Jurídicos. fonte de Direito e forma de integração da norma jurídica. 05 – Alternativa correta – letra “a”. As demais alternativas estão corretas e já foram analisadas em questões anteriores.br 70 . Portanto o Costume é. A letra “d” também está errada. portanto a letra “c” está errada também. antes de entrar a lei em vigor. O item III está errado. 1o da LICC). A letra “e”. como regra. no contrato de adesão. Na letra “d” o examinador pediu um conceito fora da matéria LICC. §3o da LICC). etc. São fontes de Direito: 1) Imediatas (lei e costumes) e 2) Mediatas (jurisprudência e doutrina). o prazo começará a correr da nova publicação (LICC . Ou seja. Este tema será visto com calma. é a mais interessante. pois nem sempre a lei entra em vigor na data da publicação. que é o mais comum. pois como vimos não há o efeito repristinatório (art. ao mesmo tempo. seguindo a ordem preferencial e hierárquica fornecida pela LICC: analogia. A letra “a” está errada. Mas podemos adiantar agora que o termo inicial de uma obrigação suspende o exercício. salvo disposição expressa em contrário.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR em que a lei retroage.

A assertiva I realmente está correta. ela diz expressamente o que está revogando. Portanto a letra “e” está errada por inverter a ordem prevista no art. sem dizer o quê exatamente está em contrário. A questão é um pouco capciosa. antinomia é a presença de duas normas conflitantes. A revogação ainda pode ser: expressa – quando a lei nova taxativamente declara revogada a lei anterior. O enunciado IV também está errado. pois como vimos se uma lei entrar em vigor. pois o art.br 71 . as alternativas “a”. 10 – Alternativa correta – letra “e”. Tenho uma dica para se guardar bem esta ordem: basta seguir também uma ordem alfabética: analogia. Vacatio legis (ou vacância da lei) é o período compreendido entre a publicação de uma lei e o momento em que realmente entra em vigor.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR pois o Costume é fonte de Direito. 12 – Alternativa correta – letra “a”. salvo quando a lei expressamente assim dispuser. § 2o da LICC determina que “a lei nova que estabeleça www. Admite-se a aplicação dos costumes segundo a lei (secundum legem) quando a própria lei determina a aplicação dos costumes do lugar para suprir uma lacuna.pontodosconcursos. para solucioná-la. Na omissão da lei a vacatio será de 45 (quarenta e cinco) dias. a aplicar os critérios de preenchimento de lacunas. De fato. os costumes e os princípios gerais de direito são formas de integração da norma jurídica. um parágrafo ou até todo um capítulo da lei). Como já vimos em questões anteriores. Observem que há uma ordem preferencial quanto às formas de integração da norma jurídica. O item V também está errado: vimos que a repristinação não é acolhida em nosso Direito. revogação parcial (ou derrogação) – consiste em tornar sem efeito uma parte da lei ou da norma (pode ser um artigo. E o teste deseja saber exatamente qual é esta ordem. 09 – Alternativa correta – letra “d”. assim. A própria lei pode estabelecer um período (trinta dias. Eliminam-se. Portanto há uma hipótese em que a repristinação é aceita.com. geralmente utiliza-se a expressão genérica: “revogam-se as disposições em contrário”. Observem que o artigo 4o da LICC não menciona a eqüidade como forma de integração da norma jurídica. 2o. três meses ou um ano). “b” e “c”. sem que se possa afirmar qual delas deverá ser aplicada a um caso concreto. Quanto às demais alternativas: revogação total (ou ab-rogação) – consiste em tornar sem efeito toda a lei ou norma anterior. para se suprir eventuais lacunas. 13 – Alternativa correta – letra “c”. Ou nada falar. 4o da LICC. A assertiva II está errada. Estão corretas as assertivas I e III. 11 – Alternativa correta – letra “b”. qualquer alteração nesta lei depois disso é considerada como “lei nova”. Já a aplicação dos costumes na falta da lei (praeter legem) é supletiva. Obriga o Juiz. costumes e princípios gerais de direito. a analogia. A questão é específica sobre a LICC e esta não traz a eqüidade como forma de integração da norma jurídica. tácita – quando a lei posterior é incompatível com a anterior e não há disposição expressa no texto novo indicando a lei que foi revogada. pois ocorre quando a lei deixa lacunas e não prevê como estas serão sanadas.

como disposto na afirmação III. No Brasil não há repristinação ou restauração automática da lei velha. b) quando a lei posterior for incompatível com a anterior ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior (revogação tácita). 2o. pois o art. quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior” (revogação tácita). Temos então que cotejar as duas leis. não revoga nem modifica a lei anterior”. § 2o da LICC determina que “a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. 2o. §3º da LICC que a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Finalmente a letra “d” está errada. salvo disposição em contrário. Uma outra lei é editada. não revoga nem modifica a lei anterior”. 2o. No entanto vimos que é caso de revogação tácita quando a lei nova regular inteiramente a matéria de que a anterior tratava. §1o da LICC determina que “a lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare (revogação expressa). Ou seja. §1o da LICC prevê duas espécies de revogação: a) quando expressamente assim o declare (revogação expressa). pois a declaração de inconstitucionalidade da lei pelo STF não é causa de revogação tácita. O art. A letra “c” está errada. As letras “a” e “b” estão erradas. E percebemos que suas disposições são totalmente diferentes da lei anterior. Exemplo: Se a lei “A” é revogada pela lei “B” e posteriormente a lei “B” é revogada pela lei “C”. se uma lei mais nova for revogada. As duas leis podem coexistir. Esta disposição da LICC quer dizer que: Temos uma lei. O art. regula a mesma matéria inteiramente e de forma diferente: neste caso ocorreu a revogação tácita (por isso a afirmação III está correta). 15 – Alternativa correta – letra “d”. 14 – Alternativa correta – letra “e”. muito menos por meio de repristinação. sem que uma revogue a outra. Determina o artigo 2º. Percebemos então que a lei mais moderna dispõe exatamente sobre a mesma matéria que a lei mais antiga. pois o desuso de uma lei não faz com que a mesma seja revogada. Revogar uma lei é tornar sem efeito a disposição legal. mas sim de perda de eficácia da lei. Já a assertiva IV está errada. 6o LICC). A última nada fala sobre revogação.br 72 .CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR disposições gerais ou especiais a par das já existentes. temos duas leis. Esta segunda lei não revoga nem modifica a anterior.com. pois afirma que somente haverá revogação tácita da lei anterior quando a lei nova for com aquela incompatível. criando mais uma situação especial. A ressalva se faz quando se trata de texto constitucional. A assertiva III está correta. ou explicando melhor uma situação prevista ou criando uma regra geral. Da mesma forma todas as leis devem www. Pois bem. pois “não existe direito adquirido contra o texto constitucional”. complementando a primeira. não se restabelece a vigência da lei “A”.pontodosconcursos. Só haverá repristinação quando a nova lei ressalvar expressamente que a lei velha retomará eficácia. A revogação tácita é aquela em que a lei posterior é incompatível com a anterior e não há disposição expressa (caso contrário seria hipótese de revogação expressa) no texto novo indicando que a lei foi revogada. Por tais motivos as alternativas “a” e “b” estão erradas. Nenhuma lei pode violar o direito adquirido (art. E é aí que está a capciosidade.

§3º da LICC. No entanto. mas permitindo algumas exceções de extraterritorialidade (admitindo. assim. pois as correções de texto de lei em vigor consideram-se lei nova (art. 2º. A questão trata da aplicação do art. mas similar (letra “b” correta). A letra “d” também está exata conforme já vimos em questões anteriores. Sobre a eficácia da lei no espaço. as normas jurídicas somente perdem a obrigatoriedade quando elas mesmas contiverem alguma cláusula de vigência temporária ou quando ocorrer a revogação. No entanto o regulamento. caput da LICC determina que não se destinando à vigência temporária. destinada a correção. da LICC). 1o. à hipótese não prevista especialmente em lei. 1º. §2º LICC). portanto a alternativa “e”). §4º da LICC). da LICC). 7º. caput da LICC).br 73 . A letra “a” está errada por causa de seu final. a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. está errada). Já no estrangeiro esse prazo é de 03 meses. A regra geral é de irretroatividade das leis (letra “a” correta). b) analogia juris – aplicação de conjunto de normas para extrair elementos que possibilitem a sua aplicabilidade ao caso concreto não previsto. §3o da LICC: “se antes de entrar a lei em vigor. 19 – Alternativa correta – letra “e”. 10. Salvo disposição em contrário uma lei entra em vigor no País 45 dias depois de oficialmente publicada. É o que dispõe o art. que em algumas hipóteses a lei e a sentença estrangeira sejam aqui aplicadas e cumpridas – art. A letra “d” está errada. §3º da LICC). 17 – Alternativa correta – letra “c”. A analogia pode ser classificada em: a) analogia legis – aplicação de uma norma já existente. a lei nova que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes. Trata-se da aplicação do art. Como vimos não haverá vacatio se a própria lei determinar que entrará em vigor “na data de sua publicação” (errada. entra em vigor na data de sua publicação. ocorrer nova publicação de seu texto. salvo disposição em contrário. 2o da LICC. dispositivo relativo a caso semelhante.pontodosconcursos. dentro e fora do País. portanto. o Brasil adotou o princípio da territorialidade moderada (ou temperada). não havendo exceção quanto a lei repristinada (que voltou a vigorar). 1o. não revoga nem modifica a anterior (art. Ou seja. o prazo deste artigo e dos parágrafos anteriores começara a correr da nova publicação”.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR se sujeitar às regras da vacatio legis. depois de oficialmente publicada (letra “e”. 20 – Alternativa incorreta – letra “c”. Entende-se que também pode www. 2º. 1º. 12 e 17. 2o. Pelo nosso sistema legal. Trata-se de um processo de raciocínio lógico pelo qual o Juiz estende um preceito legal a casos não diretamente compreendidos na descrição legal. A regra geral para a vacatio legis é de 45 dias (art. 8º e 9º. 16 – Alternativa incorreta – letra “c”. A analogia consiste em aplicar. 18 – Alternativa correta – letra “c”. pois o art. vigora o princípio da territorialidade (no Brasil aplica-se a lei brasileira – arts.com. Não há repristinação expressa (alternativa “b” errada – art.

As demais alternativas estão corretas: letra “a” (art. desde que não prejudique a coisa julgada. letra “b” (art. A letra “b” trata da ab-rogação da norma. A letra “c” está correta (art. A letra “c” está errada. 21 – Alternativa correta – letra “a”. o direito adquirido e a coisa julgada. www. nem sempre ela entra em vigor na data de sua publicação. pois a regra no Brasil é da aplicação imediata da lei nova e isto não se trata de irretroatividade.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR perder a vigência em caso de decretação de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal. o direito adquirido e o ato jurídico perfeito. §4o LICC). precisamos saber o significado da palavra olvidar.pontodosconcursos. Trata-se do art. em que o interesse particular deve prevalecer. no Brasil admite-se a retroatividade. Há um entendimento doutrinário minoritário que entende que o desuso pode ser causa de revogação tácita de uma lei. Vacatio legis é o intervalo entre a sua publicação oficial e a entrada em vigor (letra “c” errada). 1o. A regra no Brasil é a irretroatividade das leis. ou seja. pois o conceito de repristinação (art. Esta alternativa está errada. estas não se aplicam às situações constituídas anteriormente. 5o XXXVI da CF e art. cabendo ao Senado Federal suspender-lhe a execução. §1o LICC). inicialmente. 2o. A letra “c” trata da possibilidade da retroatividade da lei e a letra “d” da irretroatividade da lei.com. Trata-se de um princípio que visa dar estabilidade e segurança ao ordenamento jurídico preservando situações já consolidadas sob a lei antiga. Uma dela consiste em: ab-rogação – que consiste em tornar sem efeito toda a lei ou norma anterior e derrogação – que consiste em tornar sem efeito uma parte da lei ou norma. pois embora comece a existência da lei com a promulgação. Mas esta teoria nunca prevaleceu em concursos.br 74 . 22 – Alternativa incorreta – letra “a”. 1o. 6o da LICC prevê que: “A lei em vigor terá efeito imediato e geral. 24 – Alternativa correta – letra “e”. A letra “e” também está errada. letras “d” e “e” (art. respeitados o ato jurídico perfeito. isso somente ocorrerá se houver previsão expressa. §3o LICC) é bem diferente de irretroatividade. A letra “a” está errada. pois o princípio da irretroatividade é exatamente o contrário: sua missão é preservar as situações já consolidadas. §3o da LICC). O desuso e a sua inobservância não são causas de perda de eficácia da lei. 23 – Alternativa correta – letra “d”. Nesta questão. A letra “d” também está correta (art. 6º da LICC). §3o LICC). §3º da LICC). 2o. 2o. A letra “b” está errada. pois se refere a ultratividade de uma lei (que embora revogada continua regulando e sendo aplicada em situações jurídicas atuais). sendo que a letra “d” está errada. A revogação pode ser classificada de diversas formas. O art. A letra “a” trata do princípio da territorialidade quanto à aplicabilidade da norma. Aliás. pois como vimos. 1o. pois prevê um prazo diferente. Há previsão constituição sobre o tema (art. Olvidar significa esquecer. 1º. a letra “b” está correta exatamente por ser o inverso da letra “a”. caput e seu parágrafo primeiro. A letra “b” está errada.

reunidos em Assembléia Nacional Constituinte para instituir um Estado Democrático. A letra “a” além de não tratar da repristinação. Como vimos. Trata-se de uma questão que exige do candidato mais uma técnica de interpretação de texto do que conhecimento de direito propriamente dito.br 75 . pois fala do planejamento social da norma. a liberdade. a fauna. 2º §2º). pois a lei nova que estabelecer disposição geral não revoga a lei especial já existente (art. na ordem interna e internacional. pois atualmente há uma tendência das normas em geral de preverem uma finalidade social a que elas se dirigem. Questão fácil para quem já resolveu tantas questões sobre este tema.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 25 – Alternativa correta – letra “d”. não pode ser considerada „inconstitucional‟. com a solução pacífica das controvérsias. §2° da LICC. pois se duas leis estiverem em conflito. 2°. 5 da LICC. Outros exemplos: art. art. A letra “c” é exatamente a antítese do que o dispositivo quer dizer. Observem o que diz o Preâmbulo de nossa Constituição Federal: “Nós. A letra “a” está errada. A alternativa correta é a única que trata da repristinação. de conformidade com o estabelecido em lei especial. A letra “b” está errada por causa da expressão „somente‟.com. a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL”. bem como evitada a poluição do ar e das águas”. o desenvolvimento. www. Desta forma esta lei nova ainda não está produzindo efeitos e a lei anterior. E a letra “d” está errada. 29 – Alternativa correta – letra “e”. A letra “a” está errada por causa da expressão „sempre‟.228. representantes do povo brasileiro. prevista no art. §1o CC: “O direito de propriedade deve ser exercido em consonância com as suas finalidades econômicas e sociais e de modo que sejam preservados. quando na verdade o dispositivo se refere aos efeitos da aplicabilidade de uma norma. No caso houve a vacatio. Notamos isso em diversos artigos na própria Constituição Federal e também no Código Civil. a flora. fundada na harmonia social e comprometida. devemos analisar se ela entra em vigor de imediato ou se tem vacatio legis. §3º da LICC. a segurança. contém uma afirmação errada. as belezas naturais. o 27 – Alternativa correta – letra “c”. promulgamos. derrogação é a supressão parcial da norma anterior e ab-rogação é a supressão total da norma anterior. Trata-se do texto do art. 26 – Alternativa correta – letra “b”. sob a proteção de Deus. 28 – Alternativa correta – letra “b”. 1. o bem-estar. pluralista e sem preconceitos. durante a vacatio da futura lei ainda continuará produzindo efeitos. a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. 2º. 421 do CC: “A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato”. A questão reproduz o texto do art. Se uma lei é aprovada. A letra “d” está errada. Finalmente a letra “e” está errada por causa da expressão „apenas‟. o equilíbrio ecológico e o patrimônio histórico e artístico. que é o período entre a sua publicação e sua entrada em vigor.pontodosconcursos. destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais.

O exemplo clássico é o do art. De fato. em seu artigo 8º. Trata-se da aplicação do texto literal do dispositivo jurídico: “A contagem do prazo para entrada em vigor das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data da publicação e do último dia do prazo. A ultratividade (ou pós-atividade) da lei. além disso. à hipótese não prevista especialmente em lei. 2. §2º . com texto modificado por outra Lei Complementar de nº 107/01.039 do atual Código Civil determina que “o regime de bens nos casamentos celebrados na vigência do Código anterior é o por ele estabelecido”. permitida em nosso Direito. 4º da LICC estabelece as regras capazes de www. Portanto os regimes matrimoniais estabelecidos pelo Código anterior continuam vigorando no atual sistema. mas parecido com outro. Portanto estas são modalidades do costume contra legem. pois pode ocorrer a revogação tácita (art.embora eu nunca tenha visto isto ocorrer na prática). pois não haverá a restauração da lei se houver a republicação integral da mesma. O uso da analogia consiste em aplicar. entrando em vigor no dia subseqüente à sua consumação integral”. A alternativa “c” também está errada. Finalmente a letra “e” trata da revogação parcial (ou derrogação). Muitas vezes a lei nova prevê. §1º. Da mesma forma a letra “c” está errada. consiste na situação em que uma Lei revogada continua regulando e sendo aplicada em situações jurídicas atuais. que a lei anterior continuará produzindo efeitos. Finalmente a letra “d” está errada. pois os princípios gerais de direito são normas (em sentido amplo) de caráter genérico e têm com função a orientação e a compreensão do sistema jurídico com um todo. b) juris – aplicação de um conjunto de normas para extrair elementos que possibilitem a sua aplicabilidade a um caso concreto não previsto. 32 – Alternativa correta – letra “b”.com.pontodosconcursos. o prazo é fixado pela própria legislação estadual (art. pois o art. pois um dos elementos essenciais dos costumes é a sua obrigatoriedade. A letra “b” trata da revogação total (ou ab-rogação). há duas espécies de analogia: a) legis – aplicação de uma outra norma já existente. Finalmente a letra “e” também está errada. 1º.br 76 . o costume contra legem é aquele que se forma em sentido contrário ao da lei. A letra “c” trata da respristinação. em especial. pois não trata da repristinação e.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR A letra “b” também está errada. 31 – Alternativa correta – letra “a”. 30 – Alternativa correta – letra “d”. dispositivo relativo a caso semelhante. A letra “a” trata da retroatividade da lei. Como vimos. de forma expressa. A letra “a” está errada. 2º. estejam ou não incluídas em nosso direito positivo. A letra “d” está errada. pois também não trata da repristinação e a afirmação é errada. Este assunto é tratado pela Lei Complementar nº 95/98. §1º). Nesta espécie de costume podem ocorrer a “consuetudo abrogatoria” (o costume cria nova regra que é contrária a lei) e a desuetudo (que é o desuso da lei). Notem que o examinador usou uma grande carga de doutrina e de expressões em latim nesta alternativa.

Para isso inclui-se o dia da publicação (dia 02 janeiro) e conta-se os 15 (quinze) dias. Pelo mesmo fundamento a afirmação III está correta e a II está errada (não se deve ignorar a lacuna de uma lei. 2º. Se houver uma lacuna. A afirmação I está errada. §1º. Finalmente a afirmação IV está correta. A afirmação I está correta. Cuidado para não confundir: a vacatio legis dentro do Brasil é de 45 dias (prazo de dia). §1º da LICC. Estão corretas as afirmações I. A afirmação I está expressamente prevista no art. Porém. §4o LICC).br 77 . pois nosso direito não admite lacunas insupríveis. costumes e princípios gerais de direito. O art. 1o. Estão corretas apenas as proposições I e III. quando ofenderem a soberania nacional. A assertiva IV está exata (art. A lei entra em vigor no dia subseqüente à consumação integral → 17 de janeiro. A afirmação III está errada. Trata-se da proibição da aplicação automática da repristinação. não se fixando este prazo. 36 – Alternativa correta – letra “b”. Simples coincidência. incluindo-se o último dia. Chamar uma pessoa de “17 de janeiro” (ou também 1-7-1).CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR solucionar situações não previstas expressamente pelo legislador. 35 – Alternativa correta – letra “c”. mediante artifício. o juiz decidirá (observem que se trata de um imperativo) de acordo com a analogia. os costumes e os princípios gerais de direito”. Isto porque o art. ou qualquer outro meio fraudulento”). em especial. II e IV. na gíria. aplicamos as Leis Complementares-se nº 95/98 e nº 107/01. vantagem ilícita. 17 da LICC prevê que as leis. em prejuízo alheio.com. Aproveito esta questão para contar um caso de “cultura inútil”. pois trata-se do texto expresso no art.pontodosconcursos. No entanto no estrangeiro é de 3 meses. Para resolver a questão. A afirmativa III está errada. Ela desaparece do ordenamento jurídico com o decurso deste prazo. prolonga-se a sua obrigatoriedade até que a lei seja modificada ou revogada por outra (art. A afirmação II está correta (art. §2º da LICC prevê também a revogação tácita. ela deverá ser preenchida pelo Juiz. 2º. induzindo ou mantendo alguém em erro. Observem que a expressão “ainda que atentem contra os bons costumes” é que está errada na afirmação da questão. §3º da LICC. como a analogia. Estão corretas apenas as assertivas II e IV. 1º. 2o. pois a lei temporária é a que nasce com um termo prefixado de duração. caput da LICC). 171 do Código Penal regula o crime de estelionato (“obter. §2o LICC). é o mesmo que chamála de estelionatário. pois ela está tratando apenas da revogação expressa. ardil. 2o. A afirmação II está correta. Para que ela ficasse correta deveria asseverar “desde que não atentem contra os bons costumes”. prevista no art. para si ou para outrem. atos e sentenças de outro país. 33 – Alternativa correta – letra “e”. 4o da LICC prevê que “quando a lei for omissa. não terão eficácia no Brasil. bem como quaisquer declarações de vontade. deve haver www. pois o art. 34 – Alternativa correta – letra “d”. Irá cair no dia 16. a ordem pública e os bons costumes. sem ironias. 5o da LICC. em seu artigo 8º. No entanto o art.

E os examinadores gostam desta sutileza. há uma presunção de que todos tiveram conhecimento de seu teor. Aí está o erro da questão. Questão 40 www. a não que expressamente prevista na lei. Finalmente a letra “e” está correta. A letra “d” está certe. 3) Errado. 1o. §1o da LICC fixa o prazo de 03 (três) meses (e não 90 dias). 2o. Publicada uma lei. pois quando há uma antinomia (conflito de normas). Vejamos: letra “a” (art. §2o da LICC) e letra “e” (art. em sua omissão – 45 dias) para começar a produzir efeitos. pois traz a definição de analogia e a previsão das formas de integração da norma jurídica. 38 – Alternativa incorreta – letra “c”. 2o. em Direito 90 dias é diferente de 03 meses. §1o LICC). o primeiro critério a ser aplicado para a sua solução é o da hierarquia (e não o da especialidade). 2) Certo. 4o da LICC. Durante a vacatio legis a lei nova ainda não tem vigência (portanto a lei anterior ainda continua vigorando – trata-se do princípio da continuidade). letra “d” (art. 2o. Na interpretação sistemática se compara uma lei atual com os textos anteriores. 1o. Segundo porque derrogação é revogação parcial (e não integral como mencionado na questão). Finalmente o item V está errado. salvo se a mesma for expressa. É isso que dispõe a LICC. caput da LICC). se foram da mesma hierarquia. §3o da LICC). No entanto há uma exceção que veremos em uma aula mais para frente sobre os defeitos do Negócio Jurídico (erro de direito). §3o da LICC – trata-se da repristinação. Esta é a regra. alegando que não a conhece. A letra “b” está correta. O art. E terceiro porque a LICC prevê que não há repristinação. A letra “c” está correta.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR uma integração da norma jurídica).br 78 . Apesar de usar termos mais técnicos a alternativa traz a aplicação do princípio cronológico. letra “b” (art. É o que dispõe expressamente o art. como regra não é admitida em nosso Direito. 37 – Alternativa incorreta – letra “a”. As demais alternativas estão corretas. em que as leis mais recentes revogam as mais antigas. caput da LICC). A afirmação contém três erros. uma vez que o prazo correto é de 03 (três) meses (art. A assertiva IV está errada. 3o da LICC – ninguém se escusa de cumprir a lei. Art. §2o da LICC.pontodosconcursos. Questão 39 1) Errado. não podendo alegar o seu desconhecimento para descumpri-la. depois de oficialmente publicada. Primeiro quando uma lei posterior é incompatível com a anterior é hipótese de revogação tácita. O prazo correto é de quarenta e cinco dias. 2o. Como vimos. que. 1o. de acordo com o art. pois trata das leis que possuem vigência temporária. Deve-se aguardar o prazo de vigência (estabelecido na própria lei ou. 2o. 5) Certo.com. 4) Errado. Art.

Promulgar é declarar a existência de uma lei.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 1) Certo.com. para que o mesmo aprimore seus conhecimentos. Art. Geralmente são questões que exigem respostas objetivas sobre um determinado tema ou com pequenos problemas que exigem que o candidato fundamente a resposta. já fornecemos a resposta. Vamos então a elas. já constitui uma boa forma de estudo. DISSERTAÇÕES 1) É correto dizer que o Direito Objetivo se identifica com a Lei? E o Direito Subjetivo? Com base nesta no que foi afirmado anteriormente. mesmo que o aluno não queira resolver a questão. de uma pequena dissertação sobre um determinado tema. Como regra ela se dá em conjunto com a sanção. Trata-se. selecionamos algumas questões que também já caíram em concursos ou exames. O preceito. Logo após a pergunta. §1o. 1o. geralmente vem acompanhado de uma sanção. 2) Errado. A questão fornece o conceito dos costumes. No entanto há alguns concursos (especialmente na área jurídica) que exigem do candidato uma resposta por escrito. recomendamos no mínimo a leitura da indagação com sua respectiva resposta. dirigido aos membros de uma sociedade. inovando-se a ordem jurídica. à hipótese não prevista especialmente em lei. com a assinatura do Chefe do Executivo. Como a nossa missão é fornecer um material completo ao aluno. 3) Certo. Promulgação tem o significado de proclamação. Analogia consiste em aplicar. Isto.pontodosconcursos. 4) Errado. pois a intenção é também avaliar a redação do mesmo. Meus Amigos e Alunos Sabemos que a intenção da maioria dos alunos é prestar concursos públicos os quais costumam ser elaborados sob a forma testes de múltipla escolha sobre os pontos do edital. 5) Errado. LICC. por si só. Derrogação é a supressão parcial da norma jurídica anterior. A regra teórica é de que a obrigatoriedade da lei se dá 45 dias depois de oficialmente publicada.br 79 . alguns inclusive na 2a fase da Ordem dos Advogados do Brasil e que fizemos uma adaptação para este curso. A obrigatoriedade se dá com a sua publicação apenas quando isso estiver expresso na lei. há algo que possa ser feito? Resposta – O Direito Objetivo é a norma (norma agendi). na verdade. sendo que os indivíduos devem agir segundo suas disposições. Além de ser um bom exercício prático. reforçando e complementando o que foi fornecido em aula. dispositivo relativo a caso semelhante. Ele é imperativo. que é a conseqüência negativa pela inobservância da norma. de caráter geral. responda: Caso o proprietário de uma chácara tenha suas terras invadidas. Já o Direito Subjetivo é a faculdade de agir (facultas www.

gozar. §1o CC permite que a pessoa seja restituída na posse até por sua própria força.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR agendi). podendo usufruir dos benefícios desta lei. Não há uma lei que obrigue alguém a respeitar fila. Completando. O Direito Objetivo assegura o direito de propriedade (art. Isto traz alguma afronta à característica da generalidade e abstração da Lei? Resposta – Não há afronta aos princípios da generalidade e abstração das leis. Um rapaz “furou a fila” e passou na sua frente.741/03) é uma norma que traz inúmeros benefícios à pessoa maior de 60 anos. terminado o empréstimo a coisa deve ser devolvida da forma como foi recebida. Embora a lei traga benefícios para um grupo de pessoas em específico. 1. responderá por perdas e danos (art. os costumes e os princípios gerais de direito”.com.228 CC). 579 CC). dispor da coisa. já o Direito Subjetivo dá ao proprietário o direto de usar. No entanto esta é uma regra baseada no convívio. Resposta – A letra “a” é hipótese de uma regra moral. 126 do CPC prevê que “o juiz não se exime de sentenciar ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. 04) O Juiz pode deixar de julgar uma ação proposta. b) Pedro está estudando Direito Civil e pede a você que lhe empreste o seu Código para melhor acompanhar a aula. 2) Classifique as regras (direito ou moral) nos exemplos abaixo. que atinge a todos indistintamente.pontodosconcursos. caso assim não proceda. sob a alegação de que a situação não está prevista na lei? Resposta – Não. Você chama o “segurança” e o mesmo determina que o rapaz “vá para o fim da fila”. www. ou seja. aos costumes e aos princípios gerais de direito”. O Juiz tem o dever de decidir todas as controvérsias que lhe forem apresentadas. bem como o direito de reavê-la do poder de quem quer que injustamente a possua ou detenha (confiram o art. Além do mais. de empréstimo de uma coisa que não pode ser substituída. o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia. de senso comum. de caráter interno. 03) A Estatuto do Idoso (Lei n° 10. 5o XXII da Constituição Federal). recorrerá à analogia. não sofrendo sanções legais pelo seu descumprimento. 582 CC).br 80 . O art.210. Explique: a) Você está em uma fila para comprar ingresso para assistir um show. a lei atinge um número indeterminado de indivíduos. 1. No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normais legais. ou o conjunto de prerrogativas que os membros da sociedade tem dentro do ordenamento. Na verdade tal legislação visa a um atendimento de um fenômeno social. Já o art. 4o da LICC prevê: “quando a lei for omissa. e não a apenas a um caso particular. Já a letra “b” é hipótese de uma regra de direito. porém todo estragado e não quer lhe indenizar. pressupõe-se que todos chegarão a uma idade avançada. Terminado o curso Pedro lhe devolve o Código. sendo que há uma sanção em caso de descumprimento. ela é comum a todos eles. não as havendo. o art. Trata-se no caso de um comodato (art.

Portanto entra na regra da vacatio legis de 45 dias (art. nada dispondo de quando entrará em vigor. que somente revogou a Lei n° 01 e determina que sua vigência se dará da data da publicação. A Lei n° 01 era omissa quanto ao dia que iria entrar em vigor. no dia 25 de outubro.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 05) O atual Código estabelece que a menoridade cessa aos 18 anos completos. nº 107/01 conta-se este prazo incluindo o dia do começo. 2o. pois somente alterou o prazo para a cessão da menoridade. Reinicia-se. 1o. neste período ainda vigorou o próprio Código Civil sem as alterações. antes da Lei n° 01 entrar em vigor. ou seja. No dia 23 de novembro é publicada a Lei n° 02. Já a Lei n° 02 em relação à Lei n° 01 foi uma ab-rogação. Termina o prazo no dia 24 de outubro (que também é incluído). costumes ou princípios gerais de direito (art.br 81 . b) A Lei n° 01 em relação ao Código Civil foi uma derrogação ou revogação parcial. Pergunta-se: a) A correção da Lei n° 01 trata-se de uma nova lei? Quando a Lei n° 01 entrou em vigor? b) Analisando todas as situações houve ab-rogação ou derrogação? c) Qual a lei aplicável à cessação da menoridade? Quando uma pessoa se torna maior após a edição de todas estas leis? d) Qual lei se aplicou no período de 03 de agosto (publicação da Lei n° 01) até 10 de setembro (publicação da correção)? Respostas: a) Não. pois o Código Civil não foi alterado: a menoridade cessa com 18 anos completos – art. a menoridade ainda era a de 18 anos. §3o LICC). Segundo a regra do art. nada se referindo qual é o momento da cessação da menoridade. (Apenas lembrando que isto é uma ficção. §1º da Lei Complementar nº 95/98. O prazo se iniciou quando de sua publicação (03 de agosto). A lei entra em vigor no dia subseqüente a sua consumação integral (ainda que se trate de domingo ou feriado). pois a revogou de forma integral. destinada a correção. Portanto não se configura como lei nova. c) Após toda essa confusão. a lei foi republicada no dia 10 de setembro. estabelecendo que a menoridade acaba aos 20 anos completos. d) Como a Lei e sua correção ainda estavam em “vacatio”.pontodosconcursos.C. Trata-se apenas de uma correção no texto da Lei n° 01 (art. Continua sendo a Lei n° 01.com. A alteração se deu dentro do prazo de vacatio legis. portanto a contagem do prazo de vacatio. 5o CC). www. Durante a vacatio. 4o LICC). com texto modificado pela L. Observem que a Lei n° 02 apenas revogou a disposição da republicação da Lei n° 01. E esta lei não tem caráter repristinatório (art. não há mais uma regra sobre a maioridade. ou seja. 1o caput LICC). 8o. não atingindo o restante do Código. dispondo que a menoridade termina aos 21 anos. §3o LICC). Suponha que no dia 03 de agosto (não importa o ano para este exemplo) foi publicada a Lei n° 01. Surge então uma lacuna na lei que deverá ser suprida pelo Juiz pela analogia. Ocorre que no dia 10 de setembro é realizada uma nova publicação da Lei.

Há quem diga que por este motivo elas já seriam fontes diretas de direito (embora a doutrina ainda as tem classificado como fonte indireta de Direito). netos. No entanto. sua grande amiga. A pessoa pode deixar um testamento. Se Pedro falecesse após a vigência efetiva da lei. Pergunta-se: Quanto Maria irá receber? Se Pedro houvesse falecido após a vigência da lei seria diferente? Resposta – Maria irá receber metade da herança. É perfeitamente possível o uso da analogia.). servem de orientação a toda a comunidade jurídica. vamos supor que Pedro. nos termos do art. que são os descendentes (filhos. Estando a lei em vacatio. que a pessoa pode dispor da maneira que quiser. Passado algum tempo uma lei modificou a distribuição do patrimônio (trata-se de uma ficção): agora a legítima é de 2/3 do patrimônio e a parte disponível é de 1/3. apesar de haver doutrina e jurisprudência em sentido contrário. etc. Faleceu nos Estados Unidos.417/06. que pertence aos herdeiros necessários (arts. Ele fez um testamento deixando 50 para seus filhos e os outros 50. 1. o testador faleceu. Elas também não são obrigatórias. se for uma Súmula de efeitos vinculantes. ela se torna obrigatória. Pergunta-se: Qual o critério usado pelo Magistrado? Ele pode ignorar a opinião doutrinária e jurisprudencial? Se houvesse uma Súmula a respeito o Juiz ficaria vinculado a ela? Resposta – O Juiz fez uso da analogia.pontodosconcursos. à hipótese não prevista especialmente em lei. Por isso resolve o litígio aplicando normas referentes ao transporte marítimo. 103-A da Constituição Federal e regulamentada pela Lei n° 11. 08) Uma pessoa domiciliada na Itália é casada com uma brasileira.com.845 e 1846 CC). dispositivo relativo a caso semelhante. mas a lei que rege a disposição do patrimônio do testador é a lei vigente na época de sua morte (art. ascendentes (pais. Como será a sua sucessão? www. As Súmulas são enunciados que.br 82 . a nova disposição já seria aplicável a sua disposição de última vontade e Maria somente teria direito a um terço do patrimônio.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR 06) O Brasil possui algumas regras especiais em relação ao Direito das Sucessões. avós. etc) e o cônjuge. a parte disponível. viúvo e pai de dois filhos tenha um patrimônio de 100. 1. são extraídas de reiteradas decisões judiciais em um mesmo sentido. O patrimônio completo de uma pessoa é constituído basicamente de duas partes: Metade é chamada de legítima. Baseado nisso. tendo dois filhos brasileiros. sintetizando as decisões assentadas pelo respectivo Tribunal em relação a determinados temas específicos de sua jurisprudência. O Juiz verifica que não há legislação em vigor regulando o assunto. Por isso a sua observância não é obrigatória pelo Juiz. 07) Há um litígio sobre uma relação de transporte aéreo. 4o da LICC. prevista no art. A doutrina e a jurisprudência não geram por si mesmas a regra jurídica. deixando alguns bens imóveis no Brasil. pois no momento em que Pedro faleceu a regra que se aplicava era esta (a lei nova ainda estava em vacatio).787 CC). mas contribuem para que a mesma seja elaborada. que consiste em aplicar. para Maria. Já a outra metade é chamada de parte disponível.

João entrou com a demanda em face de José. porém ainda não se aposentou.000. de uma forma geral a lei italiana. O que ocorrerá? Resposta – O art. José continuará obrigado a pagar a João a quantia de R$ 3. José já tinha direito adquirido quanto à aposentadoria (art. com a concordância dos demais filhos. se ele passar em um concurso público. O Juiz condenou José ao pagamento R$ 3. o direito adquirido e a coisa julgada. deve-se aplicar. em que pese a modificação da lei.00 a João. respeitados o ato jurídico perfeito. No caso concreto. 6o da LICC determina que a lei em vigor terá efeito imediato e geral. Assim. a Itália. em hipótese alguma. Portanto não poderá usufruir destes dias a mais. 10) Uma lei diz que depois de 35 anos de trabalho e contribuição previdenciária o trabalhador tem direito à aposentadoria. no caso concreto. Quinze dias depois entrou em vigor uma lei dizendo que o prazo foi aumentado para 150 dias. No entanto. 12) José fez um contrato com seu filho Manoel. embora ainda não tivesse exercido o direito. Maria gozou a licença e retornou ao trabalho. aplica-se esta legislação. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do falecido. 11) Uma lei diz que o prazo da licença maternidade é de 120 dias. 6o §2o da LICC). A seguir foi editada uma lei estabelecendo um “teto” de R$ 2. 6o. Portanto. Mas se a lei italiana for mais favorável à viúva ou aos filhos brasileiros. Quando a lei entrou em vigor Maria já havia exercido o seu direito. 10 da Lei de Introdução ao Código Civil determina que a sucessão deve obedecer à lei do país em que era domiciliado o “de cujus” (a pessoa falecida). José tem direito de se aposentar? Resposta – Sim. §3o). Em regra aplica-se a nossa.00. No entanto o §1° do mesmo artigo determina que em relação aos bens situados no Brasil será regulada pela Lei brasileira.00 para indenizações. É editada uma lei aumentando para 40 anos de serviço o tempo para a aposentadoria.br 83 . José possui 37 anos de serviço e contribuição. Na hipótese ocorreu a coisa julgada. 09) João teve seu carro abalroado por José.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR Resposta – O art. Como não chegaram a um acordo. Assim.com.pontodosconcursos. se a lei entrasse em vigor quando Maria estivesse gozando o benefício. em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros.000. pois da decisão do Juiz já não cabe qualquer recurso (art. Porém em relação aos bens deixados no Brasil deve-se cotejar a nossa lei e a lei italiana.000. Quando a lei foi editada José já preenchia os requisitos para sua aposentadoria. Sobrevém uma lei dispondo que o pai não pode vender um bem imóvel aos filhos. sendo que não houve recurso e a decisão “transitou em julgado”. mesmo com a concordância dos www. Maria terá direito de gozar os outros 30 dias para cuidar de seu filho? Resposta – Não. este poderia ser estendido a ela. no sentido de que lhe venderá uma chácara.

pois a venda ainda não havia sido concretizada.com.pontodosconcursos. Ele tinha apenas uma expectativa de direito (ou um direito eventual). §1o da LICC). ocorrendo o ato jurídico perfeito (art.CURSO ON-LINE – DIREITO CIVIL P/ TCU PROFESSOR LAURO ESCOBAR demais. Manoel ainda não tinha o “direito adquirido”. Além do mais. a nova lei não poderia atingir o negócio. E esta condição somente foi realizada após a edição da lei. No entanto. 6o. no caso concreto não houve o ato jurídico perfeito. Ele terá direito de comprar a chácara? Resposta – Não. pois este já estaria consumado. no caso concreto havia uma condição para a realização do negócio: passar em um concurso. Se José tivesse vendido a chácara de imediato. No ano seguinte à edição da lei Manoel passa no concurso. www.br 84 .