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PODER JUDICIÁRIO

TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Registro: 2011.0000077867

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Agravo de Instrumento nº

0053718-29.2011.8.26.0000, da Comarca de Serra Negra, em que é agravante

EMPRESA MINERADORA CAZOTTI E FILHOS LTDA sendo agravado

FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO.

ACORDAM, em 12ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça

de São Paulo, proferir a seguinte decisão: "Negaram provimento ao recurso. V.U.

", de conformidade com o voto do Relator, que integra este acórdão.

O

julgamento

teve

a

participação

dos

Exmos.

Desembargadores

WANDERLEY JOSÉ FEDERIGHI (Presidente) e BURZA NETO.

São Paulo, 8 de junho de 2011.

OSVALDO DE OLIVEIRA RELATOR Assinatura Eletrônica

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 2 VOTO Nº 8606 COMARCA:

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

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VOTO Nº 8606 COMARCA: SERRA NEGRA AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 0053718-29.2011.8.26.0000 AGRAVANTE: EMPRESA MINERADORA CAZOTTI E FILHOS LTDA AGRAVADA: FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO

AGRAVO DE INSTRUMENTO Cancelamento de Certidões de Dívida Ativa Extinção de feito executivo Sentença que
AGRAVO DE INSTRUMENTO Cancelamento de
Certidões de Dívida Ativa Extinção de feito
executivo Sentença que não contém qualquer carga
meritória, apenas reconhece o término da relação
jurídica processual Coisa julgada material
Inocorrência Débito fiscal que ostenta caráter
indisponível ICMS declarado e não pago que se
submete a lançamento por homologação Decadência
afastada Repropositura da ação de execução antes
do esgotamento do lapso extintivo Subsistência da
pretensão de satisfação do crédito tributário
Recurso desprovido.

Trata-se de agravo de instrumento interposto contra

decisão reproduzida às fls. 62/64 que, nos ação de execução fiscal,

julgou improcedente a exceção de pré-executividade.

Insurge-se a agravante (fls. 02/13), sustentando que o r.

“decisum” não respeitou a coisa julgada. A anterior ação executiva foi

extinta por renúncia do crédito, e, como em face dessa sentença não

houve recurso, a ação não poderia ser reproposta. De outro lado,

houve a decadência do crédito tributário, bem como a prescrição.

Requer a atribuição de efeito suspensivo ao presente recurso e, ao

final, a reforma da decisão atacada.

O recurso foi regularmente processado sem a concessão

Agravo de Instrumento n.º 0053718-29.2011.8.26.0000 - Serra Negra - Voto n.º 8.606

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO do efeito suspensivo pleiteado (fls.

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do efeito suspensivo pleiteado (fls. 66).

É o relatório.

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O presente agravo comporta imediato julgamento,

dispensadas as informações do juízo singular e a resposta da agravada.

Com efeito, a FESP veiculou pedido de extinção da execução nº 31/04 em virtude do cancelamento das Certidões de Dívida Ativa que consubstanciavam o crédito fiscal (fls. 38/39).

Entretanto, o processo executivo foi extinto com fundamento na renuncia do crédito (artigo 794, III, do Código de Processo Civil fls. 40).

E esse equívoco, a despeito de não questionado por intermédio do competente recurso, não pode representar óbice ao direito da FESP de exigir o montante que lhe é devido.

Como cediço, “O provimento executivo é ato de satisfação do credor. É ele, e não a sentença do art. 795, que exaure a prestação jurisdicional específica do processo de execução.” 1

Portanto, tal pronunciamento não contém qualquer carga meritória, apenas reconhece o término da relação jurídica processual. Consequência disso, é que não faz coisa julgada material.

Nesse sentido:

“A sentença que extingue a execução, a teor do art. 795,

1 THEODORO Junior, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. Vol. II. 41ª edição. São Paulo: Forense, p. 527

Agravo de Instrumento n.º 0053718-29.2011.8.26.0000 - Serra Negra - Voto n.º 8.606

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO 4 não assume a autoridade

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

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não assume a autoridade de coisa julgada material, a respeito do direito do credor, porque este em nenhum momento esteve em litígio dentro da execução forçada, mesmo porque esta não gera um processo de índole contraditória, nem se destina a julgamento ou acertamento de relações jurídicas controvertidas.

A indiscutibilidade e imutabilidade da sentença trânsita em julgado são fenômenos que dizem respeito ao elemento declaratório das sentenças de mérito, que só podem se localizar no processo de conhecimento.” 2

Não se pode olvidar, além do mais, que a pretensão de satisfação do débito fiscal ostenta caráter indisponível, de modo que é defeso qualquer ato de disposição por parte do administrador.

Logo, nem o cancelamento do título executivo, nem a extinção da execução, constitui obstáculo à repropositura da ação.

Dito isto, cumpre analisar a questão atinente à decadência e à prescrição, conforme aventado pela recorrente.

É sabido que a decadência está relacionada à ausência de constituição do crédito tributário em tempo oportuno, nos moldes do artigo 173 do Código Tributário Nacional.

Ora, tratando-se de débito de ICMS declarado e não pago

ou autolançamento

(artigo 150 do Código Tributário Nacional), não há que se cogitar em

que se submete a lançamento por homologação

2 “Idem”.

Agravo de Instrumento n.º 0053718-29.2011.8.26.0000 - Serra Negra - Voto n.º 8.606

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO qualquer (Súmula 436 STJ), o

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO

qualquer

(Súmula 436 STJ), o que definitivamente afasta a ocorrência de

constituí-lo

outra

providência

por

parte

do

Fisco

para

decadência.

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A partir daí, começa a fluir o prazo prescricional para o

exercício da pretensão de cobrança judicial, cujo “dies a quo” é a data

do vencimento da obrigação tributária expressamente reconhecida.

Na espécie, como o débito mais antigo data de julho de

2002 (fls. 47/49) e a primeira ação foi distribuída em maio de 2004

(fls. 36), a prescrição fora interrompida com a citação válida

(conforme artigo 174 do Código Tributário Nacional na redação

anterior à Lei Complementar nº 118/05) e depois da extinção do feito

verificada em dezembro de 2008, passou a fluir novamente em sua

integralidade (mais cinco anos).

Ora, tendo a segunda ação sido proposta e despachada em

junho de 2010 (fls. 16/18), não se entrevê o esgotamento do lapso

extintivo, vale dizer, subsistente a pretensão de satisfação do crédito

tributário.

Por tais razões, mantém-se, sem ressalvas, o “decisum”

de primeiro grau.

À vista do exposto, nega-se provimento ao recurso.

OSVALDO DE OLIVEIRA Relator

Agravo de Instrumento n.º 0053718-29.2011.8.26.0000 - Serra Negra - Voto n.º 8.606