Ano I, Nº 03, Juiz de Fora, dezembro/2010 - fevereiro/2011

A TEORIA DA JUSTIÇA EM JOHN RAWLS
Antonio Adelgir de Oliveira Almeida
Bacharel em Direito, Graduando em Filosofia/UFJF Membro do Centro de Pesquisas “Paulino Soares de Sousa” ant.almeida@terra.com.br

“A Justiça é a primeira virtude das instituições sociais, como a verdade o é dos sistemas de pensamento.” 1 (Jonh Rawls)

“Construir uma teoria da Justiça capaz de guiar as práticas e as escolhas. ” 2 (Catherine Audard e outros)

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JUNIOR, Amandino Teixeira Nunes. In Revista de Informação Legislativa (2002: 53). AUDARD, Catherine e outros .”Avant –propos de l ´editeur”. In MAIA, Antonio Cavalcanti. Jürgen Habermas: Filósofo do Direito (2008: 106).

cogitationes.org

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não só na esfera distributiva mas também na análise de uma justiça coercitiva. Nessa perspectiva. garantiriam o convívio social. isto é. num segundo momento.fevereiro/2011 O presente trabalho visa instigar o debate acerca do papel filosófico desenvolvido em escritos de John Rawls para a filosofia contemporânea. cogitationes. retomasse os argumentos de Aristóteles. A relevância e a atualidade desse entendimento aristotélico fizeram com que John Rawls. Rawls pontua no sentido de haver uma certa contraposição de dois planos: o primeiro pode ser caracterizado como o da interioridade moral. em sua “Teoria da Justiça”.org 23 . dezembro/2010 . notadamente na anglo-saxã. será condição necessária para haver justiça a prática de uma moral no seio de toda sociedade. Por outro lado. ou seja. Então para que haja uma verdadeira justiça. que afirmava serem as virtudes éticas inseridas no contexto de toda sociedade. Nessa perspectiva. vai aparecer o plano das convenções sociais. Nº 03. alhures desenvolvida por Aristóteles. será preciso que se cultive entre os cidadãos uma ética fundamental na busca da equidade. Tal posicionamento nos mostra que a ideia de justiça irá se estabelecer a partir dessa construção. vinculado ao direito da polis.Ano I. aquele cujo resultado serão as virtudes éticas e que. definido pelo mestre Aristóteles como o das virtudes dianorréticas. procurando mostrar que o Estado é que deve dar condições para que seus cidadãos procurem viver de uma maneira feliz para a realização do bem comum. é importante destacar o que nos apresenta em seus escritos acerca dos procedimentos que cada indivíduo deve ter para que a sociedade não perca seus objetivos. Juiz de Fora. Será a partir do pensamento aristotélico que emergirão seus apontamentos na busca de um ideal de justiça. o trabalho de Rawls contribui sobremaneira na construção de uma verdadeira Teoria. Partindo dessa premissa de ideia de justiça. a virtude ética de cada indivíduo pautada na convicção. Este papel foi inicialmente explicitado por Aristóteles.

(1997: 19). pode-se destacar a figura de HABERMAS (1997:19). face haver interesses escusos em jogo. se a pessoa for injustiçada. cogitationes. fazer um apanhado desse pensamento propugnado. com a participação de todos os cidadãos pertencentes a uma sociedade. Ressalte-se a importância desse mínimo ético a ser exigido de cada cidadão para que a sociedade não desabe. ou seja.] Por esta razão. lançando mão da teoria do agir comunicativo: substituo a razão prática pela comunicativa.fevereiro/2011 Procuraremos. Vol. eu resolvi encetar um caminho diferente.l . Nessa perspectiva.org 24 . assim. Rawls procura nos mostrar a importância do Estado na sociedade contemporânea. Juiz de Fora. procura pontuar na sua teoria do “agir comunicativo” uma mudança paradigmática da razão prática baseada no individuo. Nessa linha de raciocínio.. pois ambas se pressupõem mutuamente. E tal mudança vai muito além de uma simples troca de etiqueta. In Direito e Democracia – Entre Facticidade e Validade. pois é a emanação do Estado que vai garantir nossos direitos.Ano I. O Estado será o elemento central para o ressarcimento de qualquer dano. Entre os estudiosos que se dedicaram à reflexão e. vai afirmar que para chegarmos a uma correta distribuição de justiça na sociedade.3 Na esteira do pensamento habermasiano ao discutir a origem dos direitos humanos e da soberania popular. MAIA 3 HABERMAS. como expoentes do tema ora apresentado. devemos buscar no direito essas razões. ampliando-a para uma razão comunicativa. ela vai buscar o Estado para tentar obter a satisfação de suas agruras. Jürgen. buscando a inserção e a possibilidade de implementação dessas ideias desenvolvidas por Rawls na sociedade brasileira. para satisfação de seus direitos. dezembro/2010 . Com efeito o mestre da escola de Frankfurt nos transmite o seguinte posicionamento in verbis: [. ao discorrer em sua obra sobre a Consciência Moral. Nº 03. será mais importante que a própria convenção originária de um debate político muitas vezes carente de virtudes éticas. que..

. nos seguintes termos. Ora. que vai ocorrer uma mudança substancial nas discussões filosóficas. dezembro/2010 . entre eles Jonh Rawls.. Antonio Cavalcanti. procuram explicitar em seus discursos a prevalência da autonomia privada em relação à autonomia coletiva. Maia. In Jürgen Habermas: Filósofo do Direito (2008:104-106). buscando o fim primordial de uma sociedade bem ordenada. Nº 03. Eles compartilham o mesmo cuidado em relação à liberdade de consciência. 2 3 Maia.) marcou uma cesura na história recente da filosofia política.. de Jonh Rawls.org 25 . Antonio Cavalcanti. Juiz de Fora. Graças a sua obra.] Os liberais se sentem herdeiros de Locke. tanto a discussão sobre direitos humanos.Ano I. o mesmo respeito pelos direitos do indivíduo.. de Kant e de Stuart Mill. explicitadas na sua Teoria da Justiça . com a obra crucial do pensamento filosófico-político do século XX: a Teoria da Justiça. tendo como epicentro a teoria das instituições justas desenvolvida pelo professor de Harvard. como as cogitações acerca dos modelos possíveis concernentes ao desenvolvimento da democracia no hemisfério norte desdobraram-se. Habermas reafirma essas proposições nos seguintes termos: (. In Jürgen Habermas: Filósofo do Direito (2008:40) cogitationes. [. MAIA (2008:40) salienta que é a partir das ponderações de Rawls. primando pelas questões de ordem moral. reen-contram seu estatuto de estudos científicos sérios.fevereiro/2011 (2008: 104-105) pontua no sentido de que os filósofos liberais. as questões morais. e uma desconfiança vis-a-vis à ameaça que pode constituir um estado paternalista. Toda essa discussão de Habermas acerca dos direitos humanos e das problemáticas a eles relativos só pode ser entendida tendo como pano de fundo – como já referido na introdução deste capítulo – a reabilitação da filosofia prática operada deste o início dos anos 70. por longo tempo deixadas de lado.2 Por outro lado. 3 (grifo nosso).

In Bioética e Direitos Fundamentais (2003:117-118). aquela que dá resposta ao problema central do liberalismo político: “como é que é possível a existência de uma sociedade justa e estável de cidadãos livres e iguais que se mantêm profundamente divididos por doutrinas 4 FABRIZ. encontrando-se esse acima dos interesses sociais. sobretudo. que. vivenciados pelo excesso de demandas constitucionais –.. cogitationes. As concepções abstratas utilizadas por este autor – “justiça com equidade” .[. “consenso de sobreposição”. dezembro/2010 . indica Rawls como sendo a conformação adequada da estrutura básica da sociedade. com um mínimo de componente ético..] Rawls sabe dos problemas que surgem em torno de um consenso sobre o que deve ser compreendido como mais ou menos justo.fevereiro/2011 Reforçando a tese de cunho individualista desenvolvida por Rawls em sua Teoria da Justiça. defende uma ideia de justiça baseada no indivíduo. no fundo. para mostrar as dificuldades que o direito constitucional enfrenta na pós-modernidade no que tange principalmente às diferenças – e não para os consensos no âmbito da justiça. “estrutura básica”. “sociedade bem ordenada” . Rawls coloca como papel preponderante da justiça a virtude das instituições sociais. que é uma ideia clássica de Aristóteles. Fabriz (2003:117-118) corrobora o seguinte: John Rawls apresenta uma teoria da Justiça. e aceita pelos indivíduos que compõem a esfera social.] No que se refere ao objeto da Justiça. Nº 03. 4 (grifo nosso).. “razão publica” – servem para aprofundar o ideal de democracia constitucional. A democracia constitucional será. in verbis: A teoria do liberalismo político de John Rawls procura recortar as instituições básicas de uma “democracia constitucional” ou de um “regime democrático’. em seus aspectos gerais.org 26 . onde vai mostrar uma certa preocupação com os reflexos que poderiam ocasionar a moderna Teoria da Justiça arquitetada por John Rawls.Ano I..[. é importante destacar o que nos diz CANOTILHO (2003:1358-1360) em sua obra fundamental. Juiz de Fora. Para enriquecimento do debate e. Daury Cesar.

Ano I. o constitucionalista português introduz o pensamento de HABERMAS (1360-1361). tentando fugir quer ao autismo da validade normativa quer à pura facticidade típica da objectivação sociológica.6 5 CANOTILHO. sob vestes construtivistas. afirmando que a teoria do filósofo alemão – ao deparar com questões envolvendo direito. In Direito Constitucional e Teoria da Constituição (2003:13581360). ao ponderar que: Ele próprio confessa que pretende clarificar os paradigmas do direito e da constituição e reabilitar os pressupostos normativos inerentes às práticas jurídicas existentes. não tem nada de novo. elementos constitucionais essenciais – há muito que fazem parte do arsenal clássico da teoria da constituição. 6 CANOTILHO. Finalmente. direitos e liberdades básicos. filosóficas e morais razoáveis”. dezembro/2010 . retoma. In Direito Constitucional e Teoria da Constituição (2003:1360- cogitationes. democracia e estado de direito – terá como resultado uma teoria da constituição. a discussão teoréticoconstitucional do poder constituinte. Habermas reabilita o medium normativo do direito – sobretudo do direito constitucional – para percorrer os problemas clássicos (confessa também que os seus conceitos pressupõem as categorias tradicionais da constituição e do constitucionalismo) e fornecer uma compreensão do estado de direito democrático e da teoria da democracia. como corpo colectivo exercem um poder político e coercivo decisivo uns sobre os outros elaborando leis ou emendando a sua constituição”. De um modo ainda mais claro. Muitas das categorias a que Rawls faz apelo – legitimidade. a razão pública é a razão do seu Supremo Tribunal”.5 Prosseguindo em seu raciocínio. José Joaquim Gomes.fevereiro/2011 religiosas. A própria ideia de razão pública entendida como “razão dos cidadãos iguais que. Juiz de Fora. a análise da “estrutura básica” à qual pertence a “constituição política” bem como a discussão das “liberdades básicas” retomam em termos originais e inovadores a problemática clássica da ordenação constitucional e das garantias de direitos desde sempre associada à teoria da constituição. a ideia de que “num regime constitucional com fiscalização da constitucionalidade das leis (judicial review). José Joaquim Gomes. Nº 03. razão pública. Reagindo contra o próprio cepticismo dos juristas. consenso constitucional. Rawls retoma o problema central do constitucionalismo moderno – o direito de exame dos actos legislativos pelo poder judicial – e em termos que.org 27 . como o próprio reconhece.

discorre: [. Amandino Teixeira Nunes in Revista de Informação Legislativa (2002:59-60) . Nº 03.fevereiro/2011 Já o professor DALLARI (2003:277) vai na direção contrária daquela apontada recentemente por MAIA e CANOTILHO. Dalmo de Abreu. 8 Esses princípios apontados serão para o filósofo considerados como a “estrutura básica da sociedade”.. Ademais. Juiz de Fora. verbis: [. XIII – XIX) apresenta um conceito de “justiça como equidade” através do seguinte argumento: 1361). e não meramente formal. pois.org 28 . cujo objetivo central será uma distribuição mais ou menos equânime de direitos e deveres para os cidadãos envolvidos no contexto social. impedindo o Estado de proteger os menos afortunados. cogitationes. concedendo-se a todos o direito de ser livre. a concepção individualista da liberdade . que os princípios de justiça social têm um nítido caráter “substancial”. pois. assim como a existência real da igualdade de oportunidades econômicas e de condições sociais nos diversos segmentos da sociedade.] Vê-se. não se assegurava a ninguém o poder de ser livre. 7 DALLARI. Assim.Ano I. In Elementos da Teoria Geral do Estado (2003:277).7 Ampliando a temática acerca da justiça e tendo o direito como elemento propulsor nas sociedades modernas. ele é bem claro quando sustenta que o que o preocupa é a justiça verificada na atribuição de direitos e liberdades fundamentais às pessoas. foi a causa de uma crescente injustiça social. pontua no sentido de uma situação de privilégio para os economicamente mais fortes.. 8 JUNIOR. Assim. é prudente introduzir a ideia apresentada pelo professor JUNIOR (2002:56). ensejando que essa concepção do liberalismo faz com que o Estado deixe de proteger os menos favorecidos. Rawls (p. dezembro/2010 .. Logo no início de sua obra.. na teoria de RAWLS.] Ao lado disso.

9 10 JUNIOR. e portanto expresse uma parte essencial do núcleo comum da tradição democrática. ABREU. não dogmática. a ausência da justiça estatal. apesar da importância do tema. é importante salientar que esse debate propugnado por RAWLS não teve terreno fértil em nosso país. Nº 03. cogitationes. o autor procura mostrar que Rawls não se restringe a uma verdade científica. Essa justiça com as “próprias mãos” não teria lugar numa sociedade em que se respeitassem os direitos e deveres do cidadão como elementos da práxis de uma moral social. dezembro/2010 . quer mostrar os elementos normativos necessários para o bem justo de uma organização social. portanto. Amandino Teixeira Nunes. pois a ausência do Estado ocorre com uma certa frequência em diversas demandas do diaa-dia. Juiz de Fora. In Revista de Informação Legislativa (2002:60). nos seguintes termos: Ao contrário.Luiz Eduardo de Lacerda. In Revista de Informação Legislativa (2006:150). Nessa perspectiva. vai levar muitas vezes a uma ação direta do cidadão na busca da “justiça”. mesmo que não seja totalmente convincente. 10 A partir dessa inferência. Em decorrência dessa situação. vamos aqui explorar RAWLS a partir de uma dupla hipótese de pesquisa: (a) o objetivo de uma teoria é o de construir critérios a partir dos quais seja possível discutir o justo. e (b) a construção desses critérios pode ser percebida como o exercício de uma filosofia crítica e. Entretanto. uma nova visão vai ser inserida por ABREU (2006:150).fevereiro/2011 Minha esperança é a de que a justiça como equidade pareça razoável e útil. para uma grande gama de orientações políticas ponderadas.Ano I. Por outro lado. pois visa formular conceitos muito abrangentes acerca da justiça.9 Mesmo sendo sua teoria bastante conceitual.org 29 . será prudente expor formulações encetadas por outros estudiosos do tema. mas vai mostrar quais seriam os fundamentos para que se construa uma sociedade justa baseada em princípios morais.

faz-se necessário nos dias de hoje que se recoloque a questão em debate. tendo em vista que a função social do Estado é a de garantir a justiça para todos os cidadãos. pois ao gerir o público como se privado fosse. A participação do Estado na construção de uma teoria moral desembocará num sistema justo e eficaz de justiça.fevereiro/2011 O problema a ser enfrentado por toda a sociedade. Nº 03. Todavia. vozes se levantam no sentido de indicar uma certa dificuldade na implementação dessa teoria. será na busca de uma correta administração.org 30 . vai de encontro com a tese de “políticos” não comprometidos com a sociedade brasileira. no caso brasileiro. é urgente a reflexão sobre essa teoria . Vale dizer que os políticos não invertam o bem público com o privado.Ano I. No caso brasileiro. visando à justiça como principio ético. que atingiremos a verdadeira justiça. visando àquelas virtudes éticas emanadas de todas as comunidades sociais. a fazer com que os atores políticos não corrompam a função social do Estado. ou seja. acabam comprometendo a essência comunitária desenvolvida por Aristóteles. Na atualidade. dezembro/2010 . mas primeiro deveremos saber quais são esses direitos. o problema é que devemos garantir nossos direitos. por ser a sociedade brasileira muito diferente daquela onde o filósofo desenvolveu seus escritos. Por outro lado. O Estado como bem comum. pontuado alhures por Aristóteles – incorporado na contemporaneidade por Rawls – restringe-se. Nesse diapasão. O Estado deve ser administrado em benefício de toda a sociedade e. Então. tão explicitado por Aristóteles nas suas prelações. a sociedade cogitationes. não em benefício desse ou daquele grupo político. Juiz de Fora. pois será Rawls – a partir de Aristóteles – quem procurará mostrar o caminho a ser seguido nas sociedades modernas. visando o bem comum de toda a sociedade. o que Rawls procura fomentar é um olhar crítico do indivíduo sobre os procedimentos adotados por políticos no contexto da política.

complementarmente. como. a compreensão neocontratualista de base kantiana que nos oferece J. cogitationes. (grifo nosso). com paradigmas que seriam necessários à legitimidade da experiência jurídica.. importante prescrever o entendimento do professor ABREU (2006:149-150): [. mas que nos deixam no vestíbulo da ordem justa. Nº 03. dezembro/2010 . In Revista de Informação Legislativa (2006:149-150). Rawls. É a razão pela qual entendemos insuficiente. Juiz de Fora. valor-fonte de todos os valores através do tempo.Ano I. por exemplo. a imparcial. 11 No debate que ora apresentamos. pois a 11 ABREU.org 31 . Podemos concluir que o tema apresentado é de grande importância. coloca-se numa posição desfavorável ao tema nos seguintes termos: Eis. subjetiva e objetiva. é porque somos diferentes que temos tanto o que conversar. Em outras palavras. é salutar o entendimento do jusfilósofo REALE (2004:376). não obstante os seus méritos. porque esta ordem não é senão uma projeção constante da pessoa humana. envolvendo em sua dialeticidade o homem e a ordem justa que ele instaura. Nesta linha de raciocínio. potencial e proporcional correlação que deve haver entre os direitos de um e de outros.fevereiro/2011 norte-americana. por conseguinte. uma das razões pelas quais RAWLS parece ser interessante é justamente porque ele difere de maneira bastante acentuada de nossas concepções políticas em aspectos centrais. Aliás – e me adianto –. que embora considerando os méritos da teoria neokantiana desenvolvida por RAWLS. devendo ser estudado e debatido entre a opinião pública brasileira. como e porque a justiça deve ser. Luiz Eduardo de Lacerda..]qual o sentido que a justiça como equidade pode ter para nós? Minha hipótese inicial é que estamos diante de duas tradições de pensamento político distintas mesmo considerando que a tradição brasileira não formulou conscientemente os seus princípios e principais consequências num sistema do tipo que RAWLS propõe. São princípios referenciais úteis à focalização do tema.

2003. Direito e Democracia entre facticidade e validade. Jürgen. dezembro/2010 . Juiz de Fora. 172. a. Revista de Informação Legislativa. cogitationes. FABRIZ. Revista de Informação Legislativa. Nº 03. MAIA. Miguel. Rio de Janeiro :Tempo Brasileiro. no sentido de extirpar a triste figura do nepotismo enraizado. Estamos vendo que recentes decisões incorporadas no âmbito do judiciário brasileiro através do Supremo Tribunal Federal. 2008. Elementos de Teoria Geral do Estado . . Daury Cesar. DALLARI. Direito Constitucional e Teoria da Constituição.Ano I.43. Dalmo de Abreu. Bioética e Direitos Fundamentais. ed. Todavia. 7. out. Será a partir desse debate que garantiremos a pacificação social./dez.39.fevereiro/2011 verdadeira justiça deve ser construída no seio de toda a sociedade através de virtudes éticas. 2006. REALE. Brasília. Começa a florescer em nossas instituições algo eficaz no combate as discrepâncias políticas. n.org 32 . a. Rio de Janeiro: Renovar. a partir da extinção da discrepância que é a inversão do público como se privado fosse. há algumas décadas.São Paulo: Saraiva. n. BIBLIOGRAFIA: CANOTILHO. 24 ed. HABERMAS. 2003. 2004. 2002./dez. no sistema político e também no judiciário. Jürgen Habermas: Filósofo do Direito. 2003. somente se vai chegar a algum lugar. Antonio Cavalcanti. 1997.Portugal: Livraria Almedina. out. São Paulo: Saraiva. Coimbra . Belo Horizonte: Mandamentos. onde magistrados inescrupulosos gerenciavam seus gabinetes como se fossem uma extensão de sua família. Lições Prelimanares de Direito. José Joaquim Gomes. 27 ed. Brasília.156.