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Capítulo 15
FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES:
M U I T O M A I S D I V E R S O S D O Q U E S E I M A G I N AVA

FRANCISCO ADRIANO DE SOUZA1, ISABEL CRISTINA LIMA DA SILVA1,3 E RICARDO LUÍS LOURO BERBARA2
1Laboratório de Micologia, Embrapa Agrobiologia, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Rodovia Br 465 km 7, Caixa Postal 74505, Seropédica, RJ, CEP 23890-000, Brasil. Email: fdesouza@cnpab.embrapa.br; 2Departamento de Ciência do Solo, Instituto de Agronomia, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Rodovia BR 465 km 7, Seropédica, RJ, CEP 23890-000, Brasil. Email: berbara@ufrrj.br; 3Bióloga, Bolsista CNPq, Embrapa Agrobiologia, Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Rodovia BR 465 km 7, Seropédica, RJ, CEP 23890-000, Brasil. Email: isabel@cnpab.embrapa.br

1 . I N T RO D U Ç Ã O
Fungos Micorrízicos Arbusculares (FMA) – Filo Glomeromycota, Classe Glomeromycetes (glomeromicetos) – são membros importantes do sistema solo-planta, uma vez que a própria diversidade desses fungos está intimamente ligada à diversidade e à produtividade de comunidades vegetais. Os FMA formam simbiose mutualística, denominada micorriza arbuscular (MA), com espécies da maioria das famílias de plantas. Nessa simbiose, a planta supre o fungo com energia para crescimento e reprodução via fotossintatos, e o fungo provê a planta e o solo com uma gama de serviços. O principal desses, ou pelo menos o mais evidente até o momento, é realizado pelo micélio extra-radicular do fungo e consiste na absorção de nutrientes obtidos de áreas localizadas além da zona de depleção da raiz, em especial fósforo, e translocação e disponibilização desses nutrientes para células do córtex de raízes de plantas micotróficas (Bolan, 1991; Smith & Read, 1997; Miyasaka & Habte, 2001). Outros efeitos relevantes dos FMA são aumento na resistência da planta ao ataque de patógenos do sistema radicular e na capacidade de absorção de água (Smith & Read, 1997; Jeffries et al., 2003; Berbara, de Souza, & Fonseca, 2006; Moreira & Siqueira, 2006). Os FMA contribuem também para a acumula-

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ção de estoques de carbono (Rillig et al., 2001) e biomassa microbiana em solos (Olsson & Wilhelmsson, 2000), favorecendo assim o seqüestro de carbono da atmosfera. No solo, favorecem a formação e estabilidade de agregados, não só pela ação física do micélio fúngico, mas também através da ação de uma glicoproteína denominada glomalina que é produzida por esses fungos (Wright & Upadhyaya, 1996, 1998; Rillig & Mummey, 2006). A importância econômica dos FMA para agricultura sustentável (Jeffries, 1987; Jeffries et al., 2003), recuperação de áreas degradadas (Jasper, 1994; de Souza & da Silva, 1996) e para uso eficiente de recursos não renováveis, como fósforo (Smith & Read 1997; Moreira & Siqueira 2006; Berbara et al. 2006) tem sido amplamente aceita pela comunidade científica. Além disso, várias espécies de plantas não conseguem sobreviver em solos de baixa fertilidade natural na ausência da simbiose micorrízica. Entre essas espécies, estão culturas de grande importância agronômica, como: café, citrus, mandioca, batata doce, soja, e várias espécies arbóreas nativas do Brasil. No entanto, para que se possa tirar melhor proveito dessa simbiose em sistemas agroflorestais, bem como explorar a significância dessa simbiose para a manutenção da diversidade nos ecossistemas naturais, é necessário acessar a diversidade e conhecer a ecologia dos FMA. Infelizmente, estudos sobre ecologia e diversidade de espécies nesse grupo de fungos ainda estão na sua infância (Hart & Klironomos, 2002; Fitter, 2005). A magnitude dos benefícios da simbiose micorrízica depende da interação entre macro e micro simbiontes (Bever, 2002, 2003) e das características ambientais, como disponibilidade de fósforo e oferta de carbono ao simbionte (Moreira & Siqueira 2006; Berbara et al., 2006). Essas características sugerem que os FMA são funcionalmente diversos. Diferenças funcionais entre espécies e, até mesmo, isolados de uma mesma espécie têm se tornado cada vez mais evidentes graças ao grande progresso obtido com os estudos de filogenia, genética e ecologia desses fungos. No entanto, várias questões e paradoxos ainda continuam sem resposta. Por exemplo: existe especificidade hospedeira em FMA? Se existe, qual a sua extensão e conseqüências para a ecologia desses fungos e para as plantas micotróficas? A riqueza de espécies de FMA é mesmo pobre ou sua determinação evidencia falhas no acesso e definição de espécies nesse grupo de fungos? São conhecidas pouco mais de 200 espécies de FMA; em contraste estima-se que a diversidade de plantas pode chegar a 400.000 espécies, dois terços das quais potencialmente formam simbiose MA.

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Na verdade, estudos recentes têm apontado que FMA formam um grupo diverso de fungos, questionando a contradição da baixa riqueza conhecida de FMA tanto em termos de número de espécies como em função. Estudos dessa natureza são importantes pois se vinculam tanto à evolução da simbiose como a aspectos tecnológicos, em especial os referentes ao desenvolvimento de biotecnologias ligadas ao emprego de micorrizas na produção agroflorestal, na recuperação de áreas degradadas e restauração ambiental, produção de inóculo, entre outras aplicações. Quando se busca associar diversidade de FMA em sua vertente aplicada, isto é, com possíveis tecnologias decorrentes de seu uso vinculado à produção agroflorestal, deve-se recordar que ótimo ecológico quase nunca se converte em ótimo tecnológico. Nas relações simbióticas que se estabelecem em ambientes naturais, entre FMA e raízes de plantas, as estratégias dos simbiontes podem ser distintas da dos fungos utilizados em inoculantes comerciais. Nesses, espera-se facilidade de manejo, elevadas taxas de multiplicação e sobrevivência e, principalmente, alta eficiência infectiva e simbiôntica. Similarmente a espécies vegetais, podem se encontrar espécies “r” e “K” em comunidades de FMA (de Souza et al., 2005a), e essas comunidades são naturalmente compostas por espécies dominantes, intermediárias e raras, uma vez que as próprias espécies vegetais se distribuem dessa maneira. Estudos consagrados confirmam que comunidades vegetais regulam e são reguladas por FMA (Grime et al., 1987; van der Heijden et al., 1998; van der Heijden et al., 2006). Essa íntima relação ecológica se justifica pela idade ancestral e longo período de co-evolução dessa simbiose. Durante a trajetória evolutiva, é provável que características que vinculam a performance de espécies e comunidades vegetais com a performance de espécies e comunidades de FMA tenham emergido e estejam contribuindo para conferir elevada diversidade, resiliência e estabilidade aos ecossistemas vegetais terrestres. Portanto, o mais provável é que a diversidade de FMA seja extremamente elevada e que determinações que apontam o contrário na verdade expressam muito mais as dificuldades em se determinar essa riqueza. Este capítulo traz uma abordagem crítica sobre a diversidade conhecida de FMA e são apresentadas evidências que dão suporte à hipótese de que os glomeromicetos formam um grupo diverso de fungos. São abordados também métodos e estratégias para acessar, isolar, caracterizar e preservar a diversidade de FMA, além de alguns fatores

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que favorecem o sucesso em projetos de caracterização, preservação e uso tecnológico da diversidade de FMA. A diversidade de FMA em ecossistemas brasileiros, sua relação com a diversidade de plantas e a produtividade de ecossistemas foi abordada no capítulo 16 deste volume (Stürmer & Siqueira), não sendo, portanto, tratados aqui.

ORIGEM

DOS FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES

E DA SIMBIOSE MICORRÍZICA

Registros fósseis indicam que os glomeromicetos e a simbiose que esses fungos formam com plantas já estavam presentes em espécies da flora terrestre primordial, indicando a origem ancestral tanto dos fungos quanto da simbiose. Porém, a origem evolutiva dos glomeromicetos e da simbiose micorrízica ainda não é conhecida com precisão. O registro fóssil mais antigo de esporos de fungos e hifas similares aos atuais glomeromicetos é do segundo período da Era Paleozóica, Ordoviciano, e data de 460 milhões de anos atrás (MAA), período no qual a flora possivelmente estava no nível evolutivo das briófitas (Redecker, Kodner, & Graham, 2000a). Estimativas feitas com o relógio molecular (18S rRNA), calibrado com esse dado fóssil e taxas de substituição de nucleotídeos dessa sub-unidade menor do gene ribossomal, apontam que a origem dos principais grupos de fungos terrestres (glomeromicetos, ascomicetos e basidiomicetos) ocorreu há mais de 600 milhões de anos (Redecker, Kodner, & Graham, 2000a), porém não foi encontrado sinal de simbiose. Além disso, os esporos encontrados tinham a forma glomóide que é comum a várias linhagens ancestrais (Archaeosporales e Paraglomerales) dos glomeromicetos, inclusive o Geosiphon pyriform. Esse glomeromiceto estabelece endocitosimbiose com cianobactérias e forma uma interface que se assemelha, em função, ao arbúsculo formado na simbiose micorrízica (Schüßler & Wolf, 2005), mas, pelo que se sabe, não forma simbiose com plantas. Assim, esse registro fóssil só indica que a forma glomóide possivelmente seja a mais ancestral, mas não pode ser ligada diretamente a nenhum grupo filogenético específico atualmente conhecido. Recentemente, foram encontrados esporos fossilizados, no Rhynie chert na Escócia, datando de 400 MAA, que apresentavam escudos de germinação similares aos de esporos do gênero Scutellospora (Dotzler et al., 2006). Essa descoberta é muito importante do ponto

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de vista filogenético por conectar o registro fóssil a um gênero conhecido, e, principalmente, por indicar que as famílias mais recentes dos glomeromicetos já haviam sofrido diversificação antes do primeiro período do Devoniano. Esse dado também é muito importante para se compreender a magnitude da diversidade desse grupo de fungos, e será abordado no item 4. Fósseis, mostrando evidências claras da presença da simbiose micorrízica arbuscular, foram obtidos de raízes primitivas (protostélicas) de Aglaophyton major, uma espécie fóssil encontrada na flora do Rhynie chert, Escócia, datando de 410-360 MAA. Nos tecidos colonizados dessa espécie foram encontrados arbúsculos e vesículas, semelhantes aos encontrados nas espécies de plantas atuais (Remy et al., 1994; Taylor et al., 1995). Essa planta é considerada uma das primeiras plantas vasculares terrestres, porém sua relação filogenética não é conhecida. Esses registros não deixam dúvidas sobre a presença da simbiose micorrízica na flora primordial e dão suporte à hipótese de que os glomeromicetos e a simbiose micorrízica foram fundamentais para a colonização do ambiente terrestre pelas plantas (Pyrozynski & Malloch, 1975; Simon et al., 1993). Além disso, a formação dos arbúsculos requer uma intrincada relação genética entre macro e micro simbiontes (Harrison, 1999, 2005; Lambais, 2006). Assim, a presença de arbúsculos nas primeiras plantas terrestres indica que a simbiose per si deve ter evoluído a partir de outros sistemas mais primitivos. Desse modo, especula-se que a simbiose micorrízica evoluiu em ambientes úmidos a partir da relação entre fungos e algas e/ou cianobactérias (Brundrett, 2002; Schüßler & Wolf, 2005) à semelhança do verificado em Geosyphon pyriforme. A partir dessas evidências, uma estimativa menos conservadora feita a partir de seqüências que codificam para proteínas, foi estimado que os glomeromicetos se separaram de outros grupos de fungos ao redor de 1200-1400 MAA (Heckman et al., 2001). Essa estimativa também é sustentada pelas evidências fósseis que indicam que os glomeromicetos já haviam diferenciado as suas principais famílias conhecidas atualmente no primeiro período do Devoniano. Embora não seja possível confirmar a significância funcional da associação glomeromicetos-plantas a partir dos registros fósseis, as características do ambiente no qual a flora terrestre primordial vivia e as características dos órgãos absorventes dessas plantas, muito limitados, sugerem que elas seriam grandemente beneficiadas pela associação micorrízica para absorção de nutrientes minerais.

. foi publicado um artigo sobre a origem dos fungos baseado em análise filogenética conjunta de regiões/genes diferentes: 18S.. D E S O U Z A et al. em que o microsimbionte se torna totalmente dependente do macrosimbionte. Este trabalho faz parte do projeto “AFTOL – assembling the fungal tree of life”. | O grupo de fungos que deu origem aos glomeromicetos ainda não é conhecido. esses fungos precisam esta- . A . Análises filogenéticas baseadas nos genes ribossomais (18S rRNA) sugerem que os glomeromicetos divergiram do mesmo ancestral comum dos ascomicetos e basidiomicetos (Schüßler. 1998). EF1a. & Walker. o qual indicou que.php). CARACTERÍSTICAS BIOLÓGICAS E GENÉTICAS D O S G LO M E RO M I C E TO S Os glomeromicetos são biotróficos obrigatórios. É importante ressaltar que as plantas vasculares terrestres formam aparentemente um grupo monofilético (Bateman et al.org/about. Recentemente. Moreira & Siqueira 2006). 2001). 2006). respectivamente 80% e 92% das plantas e famílias avaliadas formam micorrizas e que a simbiose micorrízica arbuscular é a predominante e também a ancestral. James et al.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 506 [ 506 | F. Como conseqüência. que veio a confirmar o caráter monofilético do filo Glomeromycota e a relação desse filo com o dicária (Ascomycota e Basidiomycota. subunidade maior da RNA polimerase II e segunda maior subunidade do RNA polimerase II. Schwarzott. ITS. que tem por objetivo esclarecer a evolução dos fungos (http://aftol. Esse caráter possivelmente deve ter facilitado a ocorrência generalizada da simbiose entre as famílias de plantas atuais. 28S. Wang & Qiu (2006) publicaram um levantamento da ocorrência da simbiose micorrízica em plantas terrestres. uma vez que a ausência da simbiose só é verificada em algumas famílias mais recentes (Smith & Read 1997. Essa característica é esperada em simbioses altamente evoluídas. divisão Briofita) também dá suporte à hipótese de que os glomeromicetos foram fundamentais para a colonização inicial do ambiente terrestre por plantas. A ocorrência da simbiose micorrízica arbuscular na grande maioria das famílias de plantas terrestres e nas linhagens primordiais das hepáticas (classe Hepaticae. As evidências aqui apresentadas não deixam dúvidas sobre a diversificação e a origem ancestral dos glomeromicetos e da associação desses fungos com a flora terrestre inicial.

os esporos formados pelos glomeromicetos são os maiores. pois contradizem a teoria da evolução que prediz a extinção acelerada de organismos que se reproduzem exclusivamente através de clonagem por longos períodos de tempo (Judson & Normark. são considerados escândalos evolutivos. Judson. Hijri & Sanders (2004) caracterizaram o tamanho. 2003). 1996.. Normark. facilitando o transporte de nutrientes obtidos de regiões localizadas além da zona de depleção criada pelo sistema radicular. tipicamente contêm. Hosny. intraradices. centenas a milhares de núcleos (Cooke. por exemplo.05% de “foldback” (Seções de DNA de fita simples que tem seqüências que são palindrômicas) DNA. por sua vez. dependendo da espécie. Becard & Pfeffer. 1994).59% de seqüências repetitivas e 10. Gemma. variando de 22 a 1050 µm em diâmetro (Schenck & Perez. Comparados aos outros grupos de fungos conhecidos. no limite inferior dos eucariotos. Bianciotto & Bonfante (1992) verificaram que o conteúdo nuclear em Gigaspora margarita é três vezes maior do que em Glomus versiforme. irá ajudar a esclarecer vários aspectos da genética e evolução desse grupo de fungos. intraradices é haplóide e possui um genoma pequeno (~16. denominação para esporos dos glomeromicetos proposta por Goto & Maia (2006). 1990. É importante ressaltar que outros glomeromicetos apresentam genomas com tamanho muito maior do que o reportado para o G. 1987. a complexidade e a ploidia do genoma de uma estirpe de Glomus intraradices. Judson.54Mb). A publicação deste trabalho. .4 Mb em Scutellospora gregaria. & Moran. & Koske. 1996. Normark. Esses. verificaram que o tamanho do genoma de 11 espécies de glomeromicetos variou de ~127. 2004). Atualmente. Essas diferenças contrastantes no tamanho do genoma desses fungos. Os resultados obtidos indicam que o G. possivelmente refletem diferenças na ploidia e na quantidade de seqüências repetitivas no genoma dessas espécies. Os glomerosporos. & Moran. O genoma contém 88. 1. Schüßler et al. Pawlowska & Taylor.36% de DNA de cópia única. sem dúvida alguma. o genoma completo de uma estirpe de Glomus intraradices está sendo seqüenciado. Os glomeromicetos se reproduzem assexuadamente (reprodução clonal) e são considerados organismos assexuais ancestrais (Judson & Normark. Eles possuem micélio asseptado (cenocítico) que permite rápida movimentação citoplasmática. Gianinazzi-Pearson & Dulieu (1998).05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 507 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 507 ] belecer simbiose com raízes de plantas compatíveis para que possam completar seu ciclo de vida.4 Mb em Scutellospora pellucida a 1058. 1993.

É importante mencionar que uma grande variabilidade intra-específica nos genes ribossomais tem sido . Hijri & Sanders. podem se recombinar através do ciclo parassexual. instável. Pawlowska & Taylor. uma população de núcleos heterocarióticos permaneceria no citoplasma do fungo. essas evidências foram obtidas utilizando espécies de fungos. Kuhn. porém esse resultado nunca foi confirmado.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 508 [ 508 | F. Porém esse estado é.ou heterocarióticos. 2003) e a homocariose. | 2003). dando origem a fungos homo.. após recombinação parassexual ocorre fusão de núcleos geneticamente distintos dando origem a diplóides (2n). Na reprodução assexual o organismo tende a acumular mutações deletérias devido a falhas durante o crescimento somático. que podem sofrer perdas cromossomais para retornar ao estado haplóide (Schardl & Craven. Entretanto. mas não sua atividade (Gollotte et al.. Hijri. ao invés de ocorrer fusão entre núcleos heterocarióticos em um mesmo citoplasma. estirpes e técnicas diferentes e nenhuma delas é conclusiva. 2005). 2005).núcleos. normalmente. de Souza. têm sido relatadas em espécies de glomeromicetos. 2006). Assim. 2003.. Fungos filamentosos. D E S O U Z A et al. Em Glomeromycota. A . como também o ganho rápido de variabilidade genética. 1990). 2004. evidências de recombinação (Gandolfi et al. o estado homo ou heterocariótico da população de núcleos nos glomeromicetos está sob intenso debate. 2001. existe apenas um relato de formação de estruturas sexuais em Gigaspora decipiens (Tommerup & Sivasithamparam. 2002) estiver correto. 1999. Pawlowska (2005) argumenta que se o sistema não Mendeliano. Por outro lado. Stukenbrock & Rosendahl. O ciclo parassexual se caracteriza pela fusão de hifas (anastomose) entre espécies ou indivíduos geneticamente distintos. seguido de troca de material genético . esses devem ter desenvolvido um processo de recombinação de núcleos que se assemelha às primeiras etapas do ciclo parassexual (ver abaixo). Infelizmente. Inicialmente o ciclo parassexual dá origem a heterocariotos. em geral. enquanto que outras apontam para o estado homocariótico (Pawlowska & Taylor. 2004. chamado de multigenômico. A incapacidade de trocar material genético com outros indivíduos da população impossibilita tanto a “limpeza” das mutações deletérias do genoma. Algumas evidências apontam para o estado heterocariótico (Trouvelot et al. de uma forma geral. Atualmente. que são fundamentais para que o organismo tenha maior capacidade de adaptação a mudanças no meio. & Sanders. proposto com base no estado heterocariótico dos glomeromicetos (Sanders. 2005) e da presença de elementos móveis.

observou-se incompatibilidade vegetativa. (2004) e de Souza (2005) caracterizaram o polimorfismo inter e intra-específico em genes nucleares ribossomais em diversas espécies de Gigaspora. No entanto. herdadas de apenas um dos progenitores. Esses autores avaliaram a formação de anastomose entre isolados geográficos de Glomus mosseae e constataram que todas as estirpes testadas apresentaram autocompatibilidade. Segundo esses autores. Convém salientar que esse trabalho foi conduzido com estirpes de Glomus mosseae que já apresentavam diferenças tanto no perfil de DNA como no de proteínas. não dão suporte à ocorrência do ciclo parassexual em glomeromicetos.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 509 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 509 ] encontrada em esporos de todas as espécies de glomeromicetos avaliadas. com desenvolvimento de septos e morte no micélio ao invés de formação de anastomose. proliferum e dois de G. 2005) dão suporte para a ocorrência do ciclo parassexual nos glomeromicetos. quando estirpes diferentes foram combinadas. para esclarecer essas discrepâncias faz-se necessário estudar a compatibilidade vegetativa entre indivíduos genética e ecologicamente relacionados. Esses autores propuseram que o mecanismo responsável pela geração do polimorfismo intra-específico dos glomeromicetos é o ciclo parassexual. & Redecker. as evidências sobre a troca de material genético entre isolados geográficos de Glomus mosseae. de Souza et al. e isso se deve ao fato das mitocôndrias serem. Brennwald. . obtidas por Giovannetti et al. e até agora nenhum mecanismo foi proposto para explicar essa variabilidade. como será discutido na seção 6. Esses resultados aliados às evidências publicadas por (Raab. Em contrapartida. pois esse permite tanto a condição heterocariótica como a homocariótica reportadas para esses fungos. Assim.. intraradices) não apresentavam variabilidade genética intraespecífica. os genes ribossomais mitocondriais de três isolados de Glomus (G. Nesse sentido. normalmente. (2003). Os resultados obtidos indicaram a presença de mais de uma linhagem de genes ribossomais na maioria das espécies estudadas e que algumas das linhagens eram comuns a mais de uma espécie. sugerindo que algumas espécies foram formadas a partir do cruzamento de duas espécies distintas.

e mais recentemente na sistemática molecular. Para que isso seja atingido. Os primeiros trabalhos de sistemática molecular em Glomeromycota foram realizados por Simon e colaboradores.nlm.nih. proteômica. A tabela 15. microscopia e informática. No caso dos glomeromicetos.ebi. a classificação tem sido baseada principalmente em características morfológicas e ontogenéticas.genetics.html).05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 510 [ 510 | F. A . Esses pesquisadores analisaram seqüências do 18S rDNA de doze espécies de FMA pertencentes às famílias Acaulosporaceae.gov/) e EMBL (http://www.ncbi. 1993). A sistemática baseada em caracteres morfológicos foi abordada no capítulo 16 deste volume. 1993. tais como NCBI (http://www.edu/phylip/software. . Aqui será dada maior ênfase à classificação molecular dos glomeromicetos e serão discutidos alguns dos problemas e as perspectivas da sistemática molecular para esse grupo de fungos. um conjunto de técnicas deve ser aplicado. mas também predizer através da classificação características morfológicas. A sistemática molecular é baseada em um conjunto de métodos objetivos (classificação fenética) que podem ser facilmente reproduzidos por outros cientistas. Essa objetividade advém da organização e disponibilização da informação em bancos de dados de livre acesso. fisiológicas e comportamentais (ecológicas).1 traz a classificação filogenética atual do filo Glomeromycota e a distribuição das espécies segundo ordem.ac. A sistemática dos glomeromicetos vem seguindo essa tendência e vários avanços têm sido obtidos nos últimos anos. | C L A S S I F I C A Ç Ã O AT U A L D O F I L O G L O M E R O M Y C OTA . biologia molecular. C L A S S E G LO M E RO M YC E T E S A sistemática microbiana tem evoluído de forma espantosa nos últimos anos. D E S O U Z A et al. família e gênero. Apresenta-se a seguir um breve histórico da evolução da sistemática molecular dos FMA. genômica. A classificação de um grupo de organismos deve expressar a evolução das espécies de forma não só a revelar suas relações filogenéticas. na década de 90 (Simon et al. Gigasporaceae e Glomeraceae (Simon et al. bem como pela implementação e/ou melhoria de bancos de germoplasma.washington. Essa evolução vem sendo impulsionada pelos avanços no desenvolvimento de novas técnicas nos campos da química.uk/embl/). e da utilização de métodos estatísticos e computacionais estabelecidos (http://evolution.

05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 511 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 511 ] .

Essa evidenciou que Acaulosporaceae e Gigasporaceae derivaram do mesmo ancestral comum. Walker. que contém o maior número de espécies conhecidas. denominados como Glomus grupo A. a relação filogenética estabelecida por cladística proposta por Morton & Benny (1990). Em seguida. Nesse trabalho.1). não obteve suporte na análise molecular. tais como intensidade fraca da coloração do micélio intra-radicular. Com base nesse dado. Morton. por meio da análise de seqüências do 18S rDNA de mais de 200 espécies de fungos. o Filo Glomeromycota (Schüßler et al. Os resultados obtidos nesses trabalhos confirmaram o caráter monofilético das três famílias avaliadas. 2001).05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 512 [ 512 | F. gerdemannii) das três espécies reclassificadas para a família Archaeosporaceae. . e no caso de duas (Archaeospora leptoticha e Ar. Em seguida. ambas constituindo linhagens basais dos FMA. Schwarzott e colaboradores analisaram seqüências do 18S rDNA de um grande número de espécies pertencentes ao gênero Glomus e demonstraram que esse gênero. Morton. & Bruns. sendo ascendidos a uma nova categoria taxonômica. passando a representar não mais uma ordem (Glomerales) inserida no filo polifilético. | Simon 1996). foi proposta a exclusão do gênero Sclerocystis (Redecker. foram obtidas também evidências morfológicas. coremioides em um gênero separado. Esses autores demonstraram. que relacionava Acaulosporaceae com Glomeraceae. Baseada nessas evidências. foi publicada a nova classificação dos FMA com a proposição do Filo Glomeromycota (Schüßler. & Bruns. No mesmo ano. os FMA foram reclassificados. A . Posteriormente. Zigomycota. B e C (Schwarzott. duas novas famílias (Paraglomeraceae e Archaeosporaceae) foram propostas com base na análise de seqüências do 18S rDNA de cinco espécies inseridas inicialmente nos gêneros Glomus e Acaulospora. Além da análise molecular. esses autores analisaram seqüências de 18S rDNA de Glomus sinuosum (incluída inicialmente no gênero Sclerocystis) e Sclerocystis coremioides e constataram que esses fungos formam um grupo monofilético com espécies do gênero Glomus. Diversisporales. Por outro lado. foram propostas também as ordens Archaeosporales. foi demonstrada a formação de esporos dimórficos (Redecker.. que os FMA constituem um grupo monofilético claramente distinto de outros grupos de fungos conhecidos. Schwarzott. é polifilético e apresenta três grupamentos monofiléticos distintos. e que a formação de esporos em grupos não possuía relevância taxonômica suficiente para manter S. & Walker. 2001). 2001). 2000b). Glomerales e Paraglomerales (ver tabela 15. & Schüßler. D E S O U Z A et al. 2000c).

. Oehl & Sieverding.ver encarte colorino). utilizando a mesma espécie-tipo.1. P. Walker et al. coralloidea e P. que esse gênero pertenceria a essa família da Ordem Glomerales.1) (Walker et al. robigina.1). (2007) carac- . e prevalecendo o princípio da prioridade. que era uma característica até então encontrada apenas na família Gigasporaceae (Tabela 15. Convém ressaltar que Oehl & Sieverding (2004) inseriram o gênero Pacispora dentro da família Glomeraceae por terem inferido. 2004). 2004). a análise de seqüências de DNA do gene que codifica para o 18S rRNA indicou que esse gênero se agrupa dentro da ordem Diversisporales (Figura 15. 2004). em culturas puras de Pacispora scintillans.. Walker et al. 2004. É interessante mencionar que esse grupo de FMA também estava sendo individualizado em um novo gênero (Gerdemannia) e família (Gerdemanniaceae) por Walker et al. Porém. Figura 15. apesar de ter sido submetido para publicação após o outro artigo. quatro novos táxons (P..espécie tipo. a partir dos caracteres morfológicos. boliviana.agro.szczecin. 2004). Walker & Schüßler. E está posicionada na base evolutiva da ordem Diversisporales (Figura 15. o Dr. As espécies nesse gênero se caracterizam pela formação de esporos glomóides com paredes internas e formação de escudo de germinação similar ao do gênero Scutellospora (Gigasporaceae) (Oehl & Sieverding. Além disso. Essas evidências morfológicas e citológicas estão em concordância com a sistemática molecular baseada no gene do 18S rRNA. formação de vesículas intra-radiculares e esporos glomóides. Recentemente.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 513 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 513 ] Mais recentemente foi proposto o gênero Pacispora (Oehl & Sieverding. o gênero Pacispora tornou-se o táxon válido. Redecker et al.pl/~jblaszkowski/Pacispora%20scintillans. 2004) e na análise molecular da espécies tipo Glomus scintillans (Walker & Schüßler. (2004). Janusz Blaszkowski observou a formação de células auxiliares (ver http://www.html). 2004).ar. 2004. 2004) e a família Pacisporaceae (Walker & Schüßler. e. franciscana. tais como. Walker & Schüßler. 2004. nesse gênero o tubo de germinação emerge através da parede do esporo de forma similar às famílias Acaulosporaceae e Gigasporaceae. P. A família Diversisporaceae foi proposta para acomodar espécies inseridas anteriormente no grupo Glomus C – Diversispora spurca (Glomus spurcum. Glomus dominikii e Glomus chimonobambusae). com base na análise morfológica de três espécies classificadas no gênero Glomus (Glomus scintillans .2 . Como o artigo propondo o gênero Pacispora foi publicado algumas semanas antes.

claroideum BEG14 (AJ276075. margarita W2992 (AJ276090) Gi. Topologias que não receberam suporte de pelo menos 50% em algum dos métodos foram colapsadas para politomias. 2004. WV201 (Z14011) E. W3153 (AJ276086) G. versiforme BEG47 (AJ132666. laevis AU211-3 (AJ250847) A. Y17636) G. castanea BEG1 (AF038590.. undulata WUM18. ' etunicatum-like' W2423 (AJ276076. sp. | 96/34/90/72 72/39/76/76 100/88/92/93 63/58/75/63 97/91/96/95 77/61/--/66 52/45/61/59 79/76/83/72 Gi. scintillans W3793 ( AJ619940-43 ) Pa. P. W3093 (Y17639. aff. Scutellospora. laevis WUM46. W3121 (AJ276092-93) S. scintillans W3849 ( AJ619944-47 ) Pa. luteum SA101 (AJ276089. and S. gigantea WV932 (Z14010) S. mosseae BEG12 (U31995.02 99/59/66/99 Figura 15. respectivamente. U36591. AJ245637. G. sinuosum MD126 (AJ133706) G. proliferum DAOM226389 (AF213462) G. pellucida WV873 (Z14012) S. rosea DAOM194757 (X58726) Gi. cerradensis MAFF520056 (AB041344-45) S. . Pacispora. albida FL927 (Z14009) Gi. Gi. AJ301851-52. W3214 (AJ306434) S. foveata (?) BEG33.Neighbour Joining. longula W3302 (AJ306439) A. Y17644) 94/82/72/100 G. heterogama WV858B (Z14013) S. sp. colombiana FL356 (Z14006) A. spinosissima W3009 (AJ306436) S. scintillans W4545 ( AJ619952-55 ) 98/94/94/89 52/90/89/-68/75/78/89 A. W992 (AJ132664. U31997) S. X58725) G. AJ301860&63. gilmorei W3085 (AJ276094) S.1. Y17645) G. weresubiae W2988 (AJ306444) S.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 514 [ 514 | F. spinosa WV860 (Z14004) E.“Maximum Parsimonia”. geosporum BEG11. K. NJ . etunicatum UT316. Y17649-50) G.“Maximum Likelihood Quartet. heterogama BEG35. candida BEG17. Z14008) 0. Topologias sem valor indicam que a ramificação não obteve suporte com a respectiva análise. W3293 (AJ306442) A. Glomus. W2941 (AJ306441) A. Distâncias foram obtidas por “Maximum Likelihood – ML”. heterogama BR154-5 (U36593) S. U96139) G. intraradices DAOM197198 (AJ301859. MP. scintillans W3862 ( AJ619948-51 ) Pa. ML. W3424 (AJ306440) 99/--/50/95 68/54/47/100 D. X86687. Linhas grossas e médias indicam grupamentos com suporte de “bootstrap” igual ou superior a 95% e 85%. ML-QP. AJ276088. . nodosa W3485 (AJ306437) S. Acaulospora. W3107 (Y17633) A.árvore filogenética da Ordem Diversisporales com membros da ordem Glomerales (Glomus grupos Aa. fulgida W2993 (AJ306435) S. A. Gigaspora. MP . rugosa WV949 (Z14005) A. aurigloba WUM53. Ab e B) como grupo externo.. Y17651) G. ML-QP . W3292 (AJ276091) Gi. ML “Maximum Likelihood”. Y17643) G.Puzzling”. coronatum COG1. A ... projecturata W3254 (AJ242729) 92/63/65/81 87/78/82/68 80/69/62/63 85/90/86/85 98/91/87/96 Pa. spurca W3239 (AJ276077-78. calospora BEG32 W3213 (AJ306445-46) S. Valores de “bootstrap” acima das ramificações correspondem aos métodos NJ. D E S O U Z A et al. sp. Kuklospora (=Entrophospora).. Para maiores detalhes ver Walker et al.

com base na morfologia dos esporos e em evidências moleculares obtidas por outros autores (Rodriguez et al. em amostras de campo. Por meio de análise filogenética molecular esses autores concluíram que essas três espécies formam um grupo monofilético que é irmão do gênero Diversispora. adquire coloração fraca quando corado em azul de tripano. que como a outra espécie dessa família (Archaeospora trappei). da ontogenia dos esporos e da germinação da espécie Acaulospora appendicula e espécies relacionadas inseridas no gênero Archaeospora. sendo sua afiliação sustentada tanto por caracteres morfológicos quanto por informações contidas nos genes ribossomais. G. 2006). Esse gênero foi afiliado à família Archaeosporaceae com base na morfologia dos esporos e nas características do micélio. para acomodar as espécies K. baltica). 2006) e posteriormente reclassificado para a família Appendicisporaceae (Walker et al. A família Appendicisporaceae foi proposta com base na análise filogenética.1).fulvum. Segundo esses autores. que acomodou a espécie I. kentinesis respectivamente). O gênero Appendicispora foi proposto a partir da reavaliação de caracteres morfológicos dos esporos. schenckii (E. Entrophosporaceae (Tabela 15. Os resultados obtidos com a sistemática molecular despertaram o . da colonização radicular. infrequens e E. porém o mesmo foi transferido para uma nova família. Das cinco espécies descritas no gênero Entrophospora. pulvinatum e uma espécies descrita recentemente G. Sieverding & Oehl (2006) revisaram o gênero Entrophospora. Esse gênero foi incluído na família Acaulosporaceae. e possivelmente constituem um novo gênero. de seqüências de DNA do gene 18S rRNA de algumas espécies que se relacionavam com grupos basais dos glomeromicetos. duas permaneceram nesse gênero (E.. colombiana e E. e de informações de seqüências de DNA do gene 18S rRNA de algumas espécies que se relacionavam com grupos basais dos glomeromicetos (Spain et al. schenckii). kentinensis (E. essa descoberta terá conseqüências importantes para definição de táxons na Ordem Diversisporales e facilitarão a identificação desses fungos pelo emprego de seqüências do rDNA obtidas de raízes colonizadas. 2001) sobre a posição da espécie tipo Entrophospora infrequens. colombiana e K. Com base nessas evidências. o gênero Appendicispora foi relacionado à família Archaeosporaceae (Spain et al.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 515 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 515 ] terizaram genes ribosomais de três espécies inseridas no gênero Glomus (G. Foi criado também o gênero Intraspora. megalocarpum) que formam esporocarpos. 2007b). O gênero Kuklospora foi criado.

Joseph Morton. ou seja. principalmente. com uma espécie não descrita. Segundo esse pesquisador. Aliás. Devido a isso. 2004) e 25S rDNA (da Silva et al. gerdermannii (Ar. gerdermannii. O nome do gênero Ambispora não foi considerado como válido devido a precedência da publicação de Spain et al.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 516 [ 516 | F. Os resultados obtidos por meio dessas análises têm indicado consistentemente que os glomeromicetos formam um grupo monofilético e que as famílias Gigasporaceae e Acaulosporaceae têm um ancestral comum. A relação entre Acaulosporaceae e Gigasporaceae foi confirmada pela análise parcial de genes que codificam para a ?-tubulina (Corradi et al. 2006). que contém o maior número de espécies descritas. Além dessas evidências. D E S O U Z A et al. a sistemática molecular dos glomeromicetos tem sido baseada quase que exclusivamente na análise de seqüências que codificam para a sub-unidade menor (18S rDNA) do gene ribossomal.com). Até agora. esses são os principais conflitos entre a sistemática molecular e a cladística. Para resolver estas inconsistências. estão sendo reclassificadas para outras ordens. por evolução em paralelo. 2007b. as espécies descritas foram reclassificadas para o gênero Appendicispora (Walker et al. leptoticha) e Am. é compartilhada por famílias e gêneros que apresentam grande distância evolutiva (http://www. Essa família apresentava-se parafilética devido à relação com a família Geosiphonaceae. Am. 2000). gerdermannii) ambas dimórficas. callosa (Glomus callosum) que aparentemente forma somente esporos glomóides. proposta pelo Dr. nova) que é dimórfica.AMF-phylogeny. foi criado o gênero Ambispora tipificado pela espécie Ambispora fennica (sp. famílias ou gêneros. Glomeromycota seria polifilético (Morton. os autores verificaram que a espécie Glomus callosum agrupava-se junto com Archaeospora leptoticha e Ar. 2006. com base em análises mais detalhadas da morfologia dos esporos e. Devido a isso. Gigasporineae (Gigasporaceae) e Glomineae (Paraglomeraceae. tem ficado claro que a forma glomóide dos glomeroesporos que até então era uma característica típica de espécies do gênero Glomus. bem como. Archaeosporaceae e Glomeraceae) surgiram independentemente. ver Tabela 15. A .1). e não por compartilharem um ancestral comum. Atualmente. por evidências obtidas da filogenia molecular. leptoticha (Ar.. várias espécies pertencentes ao gênero Glomus. | interesse por uma análise mais detalhada na morfologia dos esporos das espécies classificadas na família Archaeosporaceae.. bem como Am. mas não pela análise conjunta de . Acaulosporaceae.

b.. na sistemática molecular. O modo de germinação parece ser o caráter primitivo que une todas as famílias da ordem Diversisporales (Tabela 15. Morton. Porém. 2004. 2004). Schüßler. A sistemática molecular como qualquer outra sistemática é passível de erros de interpretação. ou ainda pode ter surgido independentemente por convergência ou evolução em paralelo. genealogias feitas com genes nem sempre representam a genealogia de espécies. Da mesma forma. representado pela Diversispora spurca (Glomus spurcum). Recentemente. 2001. Walker et al. As células auxiliares parecem ter surgido posteriormente na evolução da ordem Diversisporales. que seriam utilizadas para o reparo do micélio e/ou formação de esporos (de Souza & Declerck. enquanto a formação de vesículas pode ser um caráter primitivo (presente no ancestral comum) ou derivado (modificação do caráter primitivo.1).. uma vez que elas são ausentes ou raras em algumas linhagens basais (ver Tabela 15. em um trabalho assinado por Dr. aparentemente.. No entanto. nem para as espécies da família Entrophosporaceae (Tabela 15. não está presente em todos os subgrupamentos). aliados ao teste e ao uso adequado de modelos de substituição do DNA ou proteínas. 2003). Watson.1). Schwarzott. Oehl & Sieverding. tem sido respaldada por características morfológicas (Redecker. Por exem- . e sua função está ligada ao acúmulo de reservas. Dentre as mudanças propostas o único gênero que não tem suporte morfológico é o Diversispora (Diversisporaceae). Arthur Schüßler (James et al. Sieverding & Oehl. todos esses trabalhos confirmam a monofilia dos glomeromicetos. A grande maioria das mudanças propostas pela sistemática molecular. & Bruns.. essa espécie é semelhante em morfologia às espécies do gênero Glomus. 2000 a. Joseph Morton e Dr. até o momento. Declerck et al. No entanto. & Walker. contudo não existe informação sobre o modo de germinação para essa espécie. 2006). esse problema pode ser contornado pela análise de um número grande de caracteres informativos provenientes de um ou mais genes. 2007a). 2004.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 517 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 517 ] fragmentos de genes que codificam para o Fator de Elongação 1 alfa e actin (Helgason. a monofilia e a relação do filo Glomeromycota com Ascomycota e Basidiomycota também foi confirmada através de análise conjunta de seis genes/regiões. Walker & Schüßler. 2003. Walker et al.1). 2006. 2004. Outro ponto a ser considerado na sistemática molecular é o nível de discriminação almejado pela análise. sendo comuns equívocos na identificação de caracteres homólogos e homoplásicos. & Young.

Assim.AMF-phylogeny. e posteriormente atualizada com descrições publicadas recentemente. essas características impedem muitas vezes a discriminação de espécies próximas.10-11 por ano para FMA (Simon et al. conforme discutido no item 2. e ao longo período de co-evolução da simbiose micorrízica e a ocorrência quase que generalizada dos FMA nos ecossistemas terrestres. as regiões ITS que ocorrem entre as subunidades menor e maior dos genes ribossomais.. A pequena riqueza de espécies conhecidas dos glomeromicetos é paradoxal. FMA que apresentam diferenças ao nível dos genes ribossomais provavelmente já divergiram há pelo menos alguns milhões de anos. como é o caso da simbiose micorrízica arbuscular.com. esse gene permite a reconstrução da filogenia conjunta de procariotos e eucariotos. a taxa de substituição de nucleotídeos no 18S rDNA é extremamente baixa. os microsimbiontes tendem a desenvolver especificidade hospedeira em simbioses altamente desenvolvidas. A baixa riqueza de espécies e a ausência de especificidade hospedeira em FMA têm sido explicadas pelo modo de reprodução exclusivamente clonal dos glomeromicetos e pelo fato de se poder crescer diferentes espécies de . por exemplo. D E S O U Z A et al. os genes ribossomais são conservados entre todos os grupos de organismos conhecidos. Por outro lado.67. DIVERSIDADE DE ESPÉCIES NO F I L O G L O M E R O M Y C OTA Até o momento. são conhecidas cerca de 202 espécies de FMA (Tabela 15. Essas regiões são tão variáveis que o alinhamento de seqüências só é possível entre organismos próximos. a classificação atual dos glomeromicetos aponta para um grupo diverso com grande distância evolutiva entre as ordens e as famílias. genes ou regiões gênicas menos conservadas devem ser preferidas. principalmente quando comparada à origem ancestral (1200-1400 MAA) desse grupo de fungos. Como conclusão. Além disso. à grande diversidade de plantas que esses fungos se associam. A . | plo.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 518 [ 518 | F. Para discriminação de espécies próximas. Essa evidência parece estar de acordo com a longa trajetória evolutiva desse grupo de fungos e sua diversificação. 1993).10-11 – 6. Além disso. sendo estimada em 6.42.1) sendo esse número de espécies inicialmente contabilizado com base na lista de espécies apresentada no site http://www. Como conseqüência.

Por outro lado. com extensão de um hectare. da total dependência do fungo pela planta para crescer e completar seu ciclo reprodutivo e principalmente da falta de conhecimento da biologia e da ecologia desse grupo de fungos.. e então concluíram que uma das razões da suposta baixa riqueza de FMA é que enquanto as plantas se apresentam para serem contadas e identificadas os FMA são muito mais difíceis de serem acessados. A área experimental. a riqueza encontrada foi baseada somente em critérios morfológicos e em esporos obtidos por culturas-armadilha e extração direta do solo. 1997). Além do mais. sendo que 1/3 dessas eram de espécies não conhecidas (Bever et al. A comunidade de plantas nessa área é composta por aproximadamente 50 espécies. Esses pesquisadores consideraram notável a riqueza de FMA em um único hectare. esse dado pode indicar que os critérios utilizados para definir espécies em glomeromicetos podem ser insuficientes para diferenciar espécies e suas funções ecológicas. 2001). Além disso.. No entanto. reportam o resultado de cinco anos de inventário de uma comunidade de FMA proveniente de um campo agrícola abandonado na Carolina do Norte. Por exemplo. Estados Unidos da América. Em cinco anos de inventário. Bever & Morton (1999) estudaram a hereditariedade do tamanho e formas (redonda ou alongada) de esporos de cinco isolados de Scutellospora pellucida obtidos de uma área de 75 m2 localizada no mesmo campo experimental citado acima. por meio de amostragens em campo e cultivo-armadilha. em um trabalho intitulado “Fungos micorrízicos arbusculares: mais diversos do que os olhos podem alcançar e a história ecológica do porquê”. foi abandonada há mais de 60 anos e desde então foi mantida como pastagem. algumas espécies de FMA não são detectadas por esses métodos (Clapp et al. Todos os cinco isolados foram obtidos inicialmente a partir de culturas-armadilha mono-específicas de três espécies de plantas diferentes e multiplicados posteriormente a partir de um esporo em Sorghum. Bever e colaboradores.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 519 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 519 ] FMA utilizando uma única espécie de planta hospedeira (Smith & Read. se esse dado estiver correto. 2002). conforme discutido anteriormente. a baixa diversidade e especificidade hospedeira dos FMA indicam que esse grupo de organismos apresenta grande redundância funcional. existe uma clara necessidade de se conduzirem inventários de longa duração. para que se possa acessar com maior precisão a diversidade dos FMA. Qua- . Além disso. os autores reportaram uma riqueza de 37 espécies de FMA. Essa dificuldade advém do modo de crescimento subterrâneo. No entanto.

2003). indicou diferenças claras no padrão de bandas. e esse caráter apresentou alta hereditariedade. D E S O U Z A et al. 2004). Amostras de raízes foram coletadas de duas localidades na Etiópia. foram identificados vários FMA. gerado pela análise molecular de duas estirpes de Gigaspora gigantea (NC110A e NC150) isolados desse local. obtidas por análise do polimorfismo intraespecífico do 18S rDNA por meio da técnica do PCR-DGGE (Figura 15..(Denaturing Gradient Gel Electrophoresis) isolados do mesmo liaram a diversidade molecular de FMA colonizan. (de Souza et al.3. uma espécie arbórea Unidos da America. . Foram encontradas 109 seqüências relacionadas ao filo Glomeromycota. Além disso. (fonte de Souza et al.sítio na Carolina do Norte. A .Análise do polimorfismo intra-específico da de baseados em técnicas de biologia molecular têm região V9 da subunidade menor revelado grande riqueza de espécies baseadas em do gene ribosomal (18S rRNA) em dois isolados de Gigaspora seqüências de DNA (Unidades de Taxonomia Ope. Esse resultado não condiz com o modo de reprodução exclusivamente clonal se esses isolados realmente pertencessem à mesma espécie.gigante NC110A e NC150 por DGGE racional). sendo que 20 UTO identificadas não apresentaram homologia com seqüências de espécies conhecidas nos bancos de dados (Wubet et al. apresentaram diferenças estatisticamente significativas quanto à forma dos esporos.Figura 15. um número crescente de evidências aponta para a ocorrência de comunidades distintas de FMA em plantas que coabitam o mesmo local (ver revisões San- . Após análise filogenética conjunta do gene 5. Wubet e colaboradores ava. com propriedades medicinais que está em risco de extinção. estudos de diversida. Por exemplo. e a diversidade de FMA foi avaliada por meio da amplificação da região ITS com iniciadores específicos para FMA.8S rRNA e da região ITS2.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 520 [ 520 | F.3). Outro resultado. seguido de clonagem e seqüenciamento. A aparente ausência de especificidade hospedeira e o modo de reprodução clonal têm sido utilizados para explicar a baixa riqueza de espécies nesse grupo de fungos. Estados do raízes de Prunus africana. | tro dos cinco isolados avaliados. No entanto. 2004)..

000 a 400. 1996a). Na maioria dos inventários feitos no Brasil existem citações de espécies não conhecidas. A riqueza das plantas terrestres tem sido estimada entre 200. a saber: Gigaspora ramisporophora (Spain. O Brasil é um país megadiverso. 2003.. O trabalho de Vandenkoornhuyse e colaboradores é um ótimo exemplo disso. Sieverding. Spain & de Miranda. Fitter. Os resultados obtidos tanto por meio de inventários baseados na análise morfológica de esporos quanto via análise de diversidade molecular corroboram a hipótese de que os FMA formam um grupo diverso de organismos. Scutellospora cerradensis (Spain & de Miranda. Esses autores analisaram a diversidade de FMA via T-RFLP (Terminal restriction fragment length polymorphism) em 89 amostras de raízes de três espécies de plantas que coabitavam em parcelas de um experimento de campo. 1999b). 2005). 2005.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 521 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 521 ] ders. Conforme citado acima. As comunidades de FMA nas três espécies de plantas apresentaram-se estatisticamente diferentes (Figura 15. Nesse sentido é necessário apresentar evidências que comprovem que a espécie a ser proposta como nova para a ciência tem características únicas em relação às espécies conhecidas. & Schenck. Bever e colaboradores (2001) reportaram uma riqueza de 37 espécies de FMA sendo 1/3 de espécies não descritas em um hectare com uma riqueza de 50 espécies de plantas.000 espécies. No entanto.000 mil espécies. até o momento somente cinco espécies de FMA foram descritas com base em material coletado no Brasil. Infelizmente. con- . indicando a ocorrência de associação preferêncial entre os simbiontes. 1996b) e Scutellospora rubra (Stürmer & Morton. a riqueza de FMA que está à espera de ser descrita é imensa e deve estar na faixa de 37. Scutellospora scutata (Walker & Diederich 1989). 2003). o que representa aproximadamente 40% da diversidade total (202 espécies) conhecida de FMA. se a mesma relação entre riqueza de plantas e de FMA encontrada por Bever e colaboradores (2001) se mantiver em outros ecossistemas. Paraglomus brasilianum (Glomus brasilianum.4) (Vandenkoornhuyse et al. 1989).000 a 78.. Fitter et al. e estima-se que três quartos dessas espécies são potencialmente micotróficas. O ponto-chave para se descrever uma nova espécie está na comprovação de que o organismo encontrado não foi descrito anteriormente. no caso dos FMA o conceito de espécies ainda não esta estabelecido. Algumas razões para essa aparente discrepância serão discutidas adiante. e já foram reportadas mais de 82 espécies de FMA em seu território.

quanto maior a proximidade entre os términos maior a semelhança entre os perfis de T-RFLP obtidos. (2003). . Cada término corresponde a um perfil de T-RFLP da comunidade de FMA obtido de uma única raiz. Poa pratensis e Festuca rubra ?) coabitando as mesmas parcelas. Apresentada como uma árvore parsimoniosa curta sem enraizamento. | A B Figura 15. D E S O U Z A et al. A. A . Para cada espécie de planta elipses de confidência (P < 0.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 522 [ 522 | F. Apresentada como uma análise de PCA não-centrada. indicando diferenciação entre comunidades de FMA de acordo com a planta hospedeira.05) estão indicadas e os círculos mostram o centro gravitacional (valor médio). em raízes de três espécies de plantas (Agrostis capillaries ?. .4. Modificado de Vandenkoornhuyse et al. B.Similaridade entre comunidades de FMA.

mantida pelo Dr. Somado a isso. as estruturas intra-radiculares. etc. Com o intuito de facilitar a comparação entre espécies de glomeromicetos.caf. e traz a atual classificação filogenética dos glomeromicetos. 2000) e da Scutellospora projecturata (Kramadibrata et al. dificultando comparações futuras. O número de espécies descritas nessas duas páginas corresponde a aproximadamente 54% do número total de espécies conhecidas. alguns pesquisadores vêm construindo e mantendo ótimas páginas na web.ar. a inclusão de dados moleculares (seqüências de DNA) ainda não é obrigatória segundo o Código Internacional de Nomenclatura Botânica.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 523 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 523 ] forme será discutido mais adiante no texto. o que muitas vezes prejudica a qualidade da análise morfológica e conseqüentemente a descrição da espécie. 2000). disponibilizando também uma gama de informações úteis tais como: arqui- .com) enfatiza a sistemática molecular. mantida pelo Dr. Arthur Schüßler (http://www. com as descrições do Glomus proliferum (Declerck et al. Joseph Morton e a página do Departamento de Patologia de Plantas da Universidade de Agricultura Szczecin da Polônia.edu/). Appendicispora. foram feitas a partir de esporos coletados diretamente do campo. Aqui chama-se a atenção para três “websites” que trazem ótimas informações sobre taxonomia e filogenia dos glomeromicetos..2).AMF-phylogeny. Gigaspora.2). a germinação..agro. Descrições com dados morfológicos e moleculares só foram publicadas a partir do ano 2000. Janusz Blaszkowski (http://www. Para dificultar ainda mais.html) trazem várias descrições ilustradas com ótimas fotomicrografias de isolados mantidos nesses bancos.szczecin. não existe nenhuma publicação ou base de dados completa que apresente características morfológicas e moleculares de todas as espécies conhecidas. devido à falta de critérios para descrição. E várias descrições taxonômicas ainda estão sendo publicadas sem essa informação. Pacispora e Scutellospora. No entanto. Por outro lado. Já a página organizada e mantida pelo Dr. principalmente as mais antigas. sendo que seis dos treze gêneros reconhecidos atualmente no filo Glomeromycota têm 100% de representatividade em relação ao número total de espécies conhecidas (Tabela 15. A página da Coleção Internacional de Fungos Micorrízicos (Vesículo) Arbusculares (http://invam. algumas descrições. têm várias espécies descritas que não estão representadas nesses bancos (Tabela 15. Glomus. os gêneros Acaulospora. Além do que as descrições mais antigas não trazem uma riqueza de detalhes sobre a morfologia dos esporos.pl/~jblaszkowski/index.wvu.

D E S O U Z A et al. Para ilustrar algumas dificuldades e avanços em técnicas de identificação e caracterização de espécies de FMA. entre outras informações. | vos com alinhamentos de seqüências do gene 18S rRNA.2). indicando a necessidade de um esforço por parte da comunidade de micorrizologistas para aumentar a representatividade de seqüências de DNA de espécies de FMA nos bancos de dados de seqüências de ácidos nucléicos de livre acesso. são apresentados a seguir exemplos de duas espécies não descritas de FMA . A . acesso ao “index fungorum – species fungorum”. acesso ao texto completo de publicações originais contendo descrições de espécies de glomeromicetos.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 524 [ 524 | F. O número de espécies descritas com seqüências depositadas no NCBI é menor do que o número de espécies presentes nas duas coleções citadas acima (Tabela 15. Esse pesquisador também mantém atualizadas as informações taxonômicas do filo Glomeromycota no site do NCBI. lista com o nome das espécies descritas.

a coloração não está somente na parede do esporo.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 525 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 525 ] ESTUDOS DE CASO N Ã O D E S C R I TA D O I. Com este método foi possível diferenciar e identificar todas as espécies testadas. mas de todas as estirpes testadas (de Souza et al. gigantea. Além de autofluorescência. Porém. 8 eram de G.O. obtido de ± 50 esporos macerados em 40 µL de solução tampão TRIS-EDTA (10:1 mM pH 7. Sugerindo que essa es- . IDENTIFICAÇÃO DE UMA ESPÉCIE G Ê N E RO G I G A S P O R A : C A R AC T E R I Z A Ç Ã O MORFOLÓGICA VERSUS MOLECULAR As espécies conhecidas de Gigaspora apresentam grande semelhança morfológica. (2004) desenvolveram um método para identificar espécies do gênero Gigaspora. Nessa espécie o citoplasma do esporo apresenta coloração. Essa espécie apresenta esporos com coloração amarelo-esverdeada. com coloração amarelo-esverdeada brilhante. MG. gigantea e G.. quando exposto à luz com comprimento de onda na faixa de 450490 nm (Sejalon-Delmas et al. 1995). Além disso. inclusive quanto à cor do citoplasma.. gigantea. como é comum para outras espécies. baseado na discriminação do polimorfismo inter e intra. Enquanto que para outras espécies desse gênero. a única espécie que apresenta um caráter que a diferencia claramente das outras é a Gigaspora gigantea. Lavras. De Souza et al. A coloração no citoplasma dessa espécie pode ser facilmente identificada no sobrenadante. albida. 2004). Nesse gênero.específico da região V9 do 18S rDNA técnica do PCR-DGGE (denaturing gradient gel electrophoresis). G. rosea. margarita.. Porém. não só das outras estirpes de G. Siqueira na UFLA. J. de Gigaspora margarita e Gigaspora rosea (Bentivenga & Morton.5) durante processo de extração de DNA. a estirpe G. o extrato obtido após centrifugação apresenta-se incolor. gigantea UFLA872 isolada e mantida pelo Dr. representando 7 das 8 espécies descritas inclusive estirpes de Gigaspora ramisporophora e Gigaspora candida. consideradas pela análise morfológica como sinônimas. Dentre as estirpes avaliadas. apresentou um padrão de bandas que permitiu a diferenciação dessa estirpe. A técnica foi testada em 48 estirpes de Gigaspora. mas não para G. e todas correspondiam às características morfológicas dessa espécie. os perfis de PCR-DGGE forneceram subsídio para identificação de possíveis erros de identificação feitos com base na morfologia dos esporos. E também para diferenciar alguns isolados geográficos das espécies G. 1998). respectivamente.

As espécies G. albida do que com a G.5. G. G. | tirpe constitui uma espécie não descrita. G. albida*BR607A. Figura 15. 11. indicando um erro de identificação. Essa informação é importante para determinar o centro de origem desse grupo de fungos. rosea (de Souza et al.6). G. 12. Por meio da análise filogenética do 18S rDNA. albida. A . gigantea MN414D. (*) Estirpes consideradas como tipo ou ex-tipo. 2004). A estirpe Gi.5. 19. 17. rosea. G. G. 3. G. 18. G. Essa análise coloca essa espécie como basal em relação às outras espécies de Gigaspora conhecidas. foi possível confirmar que essa espécie difere das outras espécies descritas (Figura 15. G. candida apresentam polimorfismo que as diferencia claramente daquelas com as quais foram sinonimizadas (Figura 15. gigantea VA105C. 10. G. espécie com a qual foi sinominizada. margarita. albida INVAM927 = G. 4. 2. ramisporophora* CNPAB22. ramisporophora CNPAB22. G. mas ambas são distintas das estirpes de G. G. albida UFLA24 (coluna 3). ramisporophora é uma espécie distinta das outras (Firura 5). ramisporophora e G. 15. gigantea NC150. G.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 526 [ 526 | F. G. rosea* FL105. albida INVAM 927 é 100% idêntica ao perfil de G. gigantea CUTBecard. G. G. rosea FL105. rosea FL105 (Figura 15. 14. gigantea CUT-Douds. 8. ?Diferenças entre perfis das estirpes G. . apesar da morfologia não indicar isso. A G. Essas duas estirpes diferem pela posição de uma única banda. . albida BR601. 13. G.gigantea UFLA872. 9. gigantea MA453A. G. 5. candida* BEG17. margarita CNPAB1. albida FL713. ramisporophora apresenta maior semelhança com G. Na figura 15. albida UFLA24. albida CL151. candida também apresentou um polimosfismo que a diferencia claramente da G.5). 6. gigantea MN922A. gigantea NC110A. A G. 7. ramisporophora (coluna 9) e G. confirmando que G. 16. Note similaridade entre perfil coluna 6 e 8 indicando que a estirpe G. G. 20. pode-se ter uma idéia do polimorfismo encontrado (a publicação completa desse trabalho esta disponível on line no sítio da revista). albida UFLA24 é similar à G. D E S O U Z A et al. gigantea* MN453A-7. G. albida INVAM927.5) e de outras estirpes de G.Perfil de DGGE (Denaturing Gradient Gel Electrophoresis) de estirpes de Gigaspora obtidos pela análise da região V9 do 18S rDNA. G. Colunas: 1..

utilizando seqüências de 2300 pb. Como grupo externo foram utilizados seqüenciais do gênero irmão Scutellospora.000 gerações e “burnin” 5001. 50. reticulata 10 A1UFLA872 B1UFLA872 G. um para os genes ribossomais e outro para a região intergênica. decipiens 2W3516 98 G. rosea R16BEG9 100 51 99 67 100 99 G.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 527 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 527 ] Figura 15. sendo utilizados dois modelos de substituição. reticulata 9 100 100 100 100 S. Note-se a posição basal da estirpe Gigaspora UFLA 872 em relação a outras espécies de Gigaspora e em relação à posição da Gigaspora girantea (linhas tracejadas ). . reticulata 8 G. Valores de suporte para bifurcações da árvore representam probabilidade posterior. decipiens 9W3516 100 73 100 100 68 99 99 G.6. decipiens 4 W3516 100 100 100 S.1 . S. com oito correntes.árvore filogenética do gênero Gigaspora mostrando posição da estirpe Gigaspora UFLA872 em relação a outras espécies de Gigaspora.8S e as regiões intergênicas ITS1 e ITS2. gigantea 3VA105C 99 0. gigantea 10VA105C 100 G. Análise filogenética foi inferida por análise Baysiana. cobrindo os genes ribossomais 18S e 5.

A . CNPAB12). Nomes seguidos do código “CNPAB” indicam que as espécies foram incorporadas no Banco de Germoplasma da Embrapa Agrobiologia.). Stürmer & Morton. 46 e Gigaspora ramisporophora (CNPAB22)..05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 528 [ 528 | F. Na ocasião da coleta. a vegetação acima do corte de estrada era de pastagem degradada. De Beauv. a área apresentava uma vegetação esparsa composta por sapê (Imperata brasiliensis Trin) e capim gordura (Melinis minutiflora Pal. 1999a). Franke & Morton. para definir famílias. pela amplificação do DNA com iniciadores específicos para a família Gigasporaceae (de Souza et al. IDENTIFICAÇÃO DE UMA ESPÉCIE D O G Ê N E RO G LO M U S : C O M B A S E N A O N TO G E N I A D O S E S P O RO S Estudos de ontogenia da formação de esporos têm sido utilizados. que é dimorfica. de Souza et al.. Porém. pela taxonomia clássica. um dos padrões ontogenéticos dessa espécie nunca foi reportado anteriormente. 1997. localizado no Município de Barra do Piraí. 2004. Nesse caso.. 1990. forma dois tipos de esporos. entre os quais predominava Acaulospora rugosa.kg-1 de . CNPAB12 foi isolada. 2000). RJ. e continha 466 esporos de FMA por 100 cm-3 de solo.. seguida de Kuklospora colombiana (CNPAB15). Esse sítio fazia parte do Bioma Mata Atlântica. 164. porém ocorrendo numa densidade baixa de 1 esporo. Aqui são apresentados dados sobre uma espécie de FMA (estirpe Glomus sp. foi encontrada a espécie Scutellopora reticulata (CNPAB11). ou seja. Porém. 18 (Santos et al. A estirpe Glomus sp. 1994. 2005b). Posteriormente. | Esse exemplo demonstra o potencial de técnicas moleculares para a discriminação de espécies nesse gênero e assinala que a análise morfológica pode ser insuficiente para discriminar espécies desse gênero. de amostras de solo coletadas de uma praça de sedimentos formada pela erosão intensa de um corte de estrada. 2000). D E S O U Z A et al. 238. gêneros e espécies em FMA (Morton & Benny. após cultivo-armadilha. Glomus macrocarpum. a análise molecular facilita a discriminação entre as espécies e pode ser utilizada para acessar a diversidade desse grupo de fungos em amostras obtidas diretamente de ambientes naturais. ESTUDO DE CASO N Ã O D E S C R I TA II. A descrição do local de coleta e das características físico-químicas do solo pode ser encontrada em (Santos et al.

nessa espécie. Apesar da formação da bolsa se assemelhar ao saco esporífero formado durante a gênese de esporos na família Acaulosporaceae. Appendicispora leptoticha e Scutellospora gilmorei-like (CNPAB13). Posteriormente. Após cultivo-armadilha.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 529 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 529 ] solo.7C e 7D. . O primeiro tipo se caracteriza por esporos glomóides que seguem o padrão de diferenciação descrito para o Glomus clarum CNPAB5 (de Souza & Berbara. e simultaneamente ocorre grande acumulação de citoplasma. A análise de seqüências do gene 18S rRNA indicou que essa espécie pertence à família Glomeraceae. Essa espécie forma vesículas e arbúsculos que adquirem coloração azul intensa quando corados com azul de metila (Figura 15. Após a gênese completa.7A e 7C . A hifa de sustentação permanece nos esporos e o tubo germinativo surge do interior da hifa de sustentação como no gênero Glomus. em cultivo monoxênico com raízes Ri T-DNA transformadas de trevo e/ou cenoura.7B e 7D).7E e 7F). Os esporos do tipo 1 são menores e podem ser vistos na Figura 15. Em todas as colônias estabelecidas. apresenta-se como uma parede evanescente.ver encarte colorido). A bolsa é formada pela hifa esporogênica e. CNPAB12. a gênese dos esporos inicia-se com a formação de uma bolsa que se desenvolve até atingir o tamanho final do esporo (Figura 15. não há vestígios na morfologia desses esporos que possam ser utilizados para diferenciá-los de outras espécies do gênero Glomus. No segundo tipo. ocorre a diferenciação das paredes e gradativamente o citoplasma vai clarificando exibindo o esporo maduro (Figura 15. sugerindo que o modo de germinação seja um caráter primitivo nesse gênero. CNPAB12 foi estabelecida in vitro. 1999). o fungo apresentou dimorfismo com formação de dois tipos diferentes de esporos. segundo metodologia descrita em (de Souza & Berbara. A ontogenia dos esporos nessa espécie indica a existência de variação no modo de formação de esporos dentro do gênero Glomus. mas não no modo de germinação dos esporos. os esporos são formados no interior da bolsa. 1999) em que o desenvolvimento do esporo em tamanho e a diferenciação das paredes do esporo ocorrem gradativamente. a estirpe Glomus sp. foram encontradas mais três espécies. A estirpe Glomus sp. fazendo com que a bolsa adquira coloração branca opaca. Não há formação de septo na base da hifa de sustentação como ocorre na família Acaulosporaceae. A dinâmica de desenvolvimento das colônias estabelecidas em cultivo monoxênico e da esporulação foram acompanhadas por quatro meses. após formação completa do esporo.

como é o caso da Mata Atlântica que apresenta apenas 7% da sua cobertura original. D E S O U Z A et al. permanecem especulativas”. 2005). hipóteses sobre o significado de adaptações fenotípicas ou mecanismos básicos de evolução. Existem micróbios raros ou até em risco de extinção? C O N C E I TO D E E S P É C I E E E V I D Ê N C I A S D E A D A P TA Ç Ã O E E S PE C I A Ç Ã O E M G LO M E RO M I C E TO S Espécies são as unidades básicas em estudos de ecologia e evolução.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 530 [ 530 | F. Fitter da Universidade de York. As evidências apresentadas sugerem que os glomeromicetos. Pringle & Taylor (2002) destacam a importância da definição e diferenciação de espécies em fungos filamentosos para que se possa avaliar a performance desses organismos em condições naturais. conforme apontado pelo Dr. como os acima indicados. atualmente tem ficado evidente a importância de se refinar o conceito de espécie em fungos filamentosos. Micróbios têm biogeografia? 3. com o emprego de novas técnicas (Fitter. apresentam na verdade características bem distintas (Fitter. devido à falta de definição de espé- . atualmente. causado pela perda da vegetação sobre a diversidade de FMA. Eles argumentam que “na ausência de dados sobre performance. Nesse contexto. Quão biodiversos são os solos naturais? 2. Inglaterra. como a seleção natural. a falta de conhecimento sobre algumas questões fundamentais da ecologia desses fungos ainda não nos permite avaliar a extensão do dano. Por exemplo. 2005). A. porém de conclusões questionáveis. E. Infelizmente. Estas questões são: 1. serão discutidos abaixo resultados de pesquisa de dois projetos relevantes. Segundo esse cientista três questões fundamentais devem e podem ser respondidas. | A descoberta de uma espécie não conhecida em uma área intensamente erodida faz pensar na diversidade de FMA que possivelmente existia na Mata Atlântica que originalmente ocorria nessa área. sugerem a urgência em se desenvolverem pesquisas sobre ecologia e diversidade desses fungos em biomas ameaçados. ao contrário de serem um grupo de fungos com baixa riqueza de espécies e ausência de especificidade hospedeira. Estudos recentes. A .

Eles encontraram diferenças na performance (produção de esporos e comprimento de hifas) e na variabilidade genética medida por meio do polimorfismo obtido por AFLP??entre as estirpes avaliadas. Esses dois projetos demonstram que diferentes isolados de uma mesma “espécie” são funcionalmente distintos. em culturas-armadilha e posteriormente multiplicados a partir de um esporo. a di- . mesmo quando uma estirpe obtida do Canadá foi incluída na análise. por dois motivos: a metodologia empregada e a relevância ecológica das estirpes utilizadas. & Berthelin. Testes de germinação demonstraram que os isolados obtidos de áreas contaminadas apresentaram maior tolerância à presença de metais pesados do que os isolados obtidos de áreas contíguas não contaminadas. & Sanders. e também em relação a uma estirpe referência mantida no laboratório. indicando que estirpes classificadas dentro de mesma espécie são funcionalmente diversas. primeiro. a diversidade genética relativa total entre os isolados avaliados foi baixa. Posteriormente. antes de iniciar o experimento. 2006). Croll. Os fungos foram obtidos. Outro exemplo importante vem dos trabalhos de Weissenhorn. (1993) e Weissenhorn et al. ou seja. Essas culturas foram multiplicadas por três gerações sucessivas in vitro. um marco importante na pesquisa sobre ecologia e genética com FMA. Leyval. (2004) é.. (1994). sem dúvida alguma. Esse procedimento é necessário para permitir que as variações fenotípicas avaliadas possam ser relacionadas diretamente com a variação nas características genéticas quantitativas. Eles avaliaram a tolerância de isolados de Glomus mosseae obtidos de áreas adjacentes. Esses pesquisadores comparam a performance e a variabilidade genética entre estirpes de Glomus intraradices isolados de áreas agrícolas contíguas na Suíça.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 531 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 531 ] cie. O crescimento do fungo in vitro facilitou também o isolamento de DNA fúngico livre de contaminantes o que é essencial para a aplicação da técnica do AFLP? (Amplified Fragment Length Polymorfism). Além disso. Por outro lado.. esses autores verificaram que esses isolados contribuem de forma diferenciada para a performance de plantas (Koch. esse trabalho é pioneiro na avaliação de características genéticas quantitativas em estirpes de FMA. E sugerem que os glomeromicetos apresentam capacidade de adaptação a mudanças antrópicas. O trabalho de Koch et al. poluídas ou não com metais pesados (Cd e Zn). A partir das culturas monospóricas foram estabelecidas culturas in vitro em sistema monoxênico com raízes transformadas. Porém. eles não são conclusivos por falta de uma caracterização mais adequada das estirpes avaliadas.

D E S O U Z A et al. foi desenvolvido um método pela Dra. 2005 a). Espécies. Para espécies que não formam anastomose espontânea. Nesses experimentos. sugerindo a ocorrência de barreiras genéticas contra a troca de material genético. Esse método também permite avaliar a compatibilidade entre estirpes. as linhagens obtidas são testadas quanto à performance. No entanto. linhagens originárias de mesma cultura-mãe são multiplicadas por um número de gerações em cultivo com culturas de raízes in vitro. por meio de testes de compatibilidade vegetativa. A formação de anastomose ocorreu somente entre hifas originadas de esporos de mesma estirpe enquanto que hifas originárias de estirpes diferentes não formaram anastomose e apresentaram incompatibilidade vegetativa. em organismos superiores. Nesse sentido.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 532 [ 532 | F.. N. mudanças genéticas e compatibilidade vegetativa com a estirpe-mãe. como é o caso da família Gigasporaceae. têm sido definidas com base na capacidade de troca de material genético. Com esse tipo de experimento. Apesar da morfologia e da caracterização molecular baseada em genes ribossomais indicar que esses isolados pertencem ao grupo do Glomus mosseae. Esses pesquisadores avaliaram a capacidade de formação de anastomose e troca de material genético (núcleos) entre estirpes de Glomus mosseae de origens geográficas diferentes. | ferença em performance encontrada é meramente especulativa devido à falta de definição de espécie nesses trabalhos. presença de fungicida. uma maneira de avançar o conceito de espécie em FMA foi publicado por Giovannetti et al. Posteriormente. A metodologia empregada nesse trabalho permite avaliar a troca de material genético entre espécies/estirpes de FMA que formam anastomose espontânea. por exemplo. o perfil de proteínas solúveis totais e de restrição da região ITS dos isolados testados. Esses resultados fortalecem a idéia de que uma mesma espécie definida com base na morfologia dos esporos pode representar uma variedade de “unidades” ecológicas funcionalmente distintas. em meio com ou sem adição de um fator de seleção. com morte do micélio na região de encontro de hifas de origens diferentes. Sejalon-Delmas baseado no mecanismo de reparo de hifas (de Souza et al. (2003). Atualmente vários laboratórios dedicados ao estudo dos FMA estão desenvolvendo experimentos de evolução. A . o potencial dessas metodologias ainda não foi explorado o suficiente para avançar no conceito de espécie em FMA. espera-se elucidar mecanismos de adaptação e especiação nesse grupo importante de fungos. nesse trabalho já apresentava diferenças. ..

Pringle. ecologia. Utilizando esses métodos os pesquisadores identificaram espécies com 5 comportamentos distintos que demonstram que nenhum desses métodos é capaz de revelar toda a diversidade de FMA presente na área.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 533 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 533 ] Entre os passos envolvidos na especiação (formação de uma nova espécie) estão o isolamento de indivíduos da população original. Bever. 2005) e (3) métodos moleculares baseados na extração. seguido de mudanças genéticas e posteriormente a formação de barreiras genéticas que impedem a troca de material genético. por três métodos. (1) Espécies abundantes em raízes. (2) cultivo-armadilha. A diversidade de FMA foi avaliada por três métodos distintos: (a) caracterização do DNA em raízes de plantas. os dados apresentados evidenciam a necessidade de se aprimorar o conceito de espécie em FMA. (1) extração direta de esporos. 2002). basicamente. (3) Espécies abundantes em raízes e esporos encontrados no solo e em cultivo-armadilha. ambos seguidos de identificação morfológica de esporos (Douds & Millner. amplificação e caracterização de ácidos nucléicos (Clapp et al. mas não encontradas em raízes ou como esporos no solo.. 2002. com esporos raros ou ausentes. (b) extração direta de esporos. E S T R AT É G I A S PA R A A C E S S A R A D I V E R S I D A D E DE ESPÉCIES DE FMA Comunidades de FMA têm sido analisadas. estrutura de comunidades desses fungos e da inte- . Esse exemplo deixa claro que esses métodos devem ser utilizados em conjunto de forma a se obter uma visão mais completa da biologia. mas ausentes em raízes e em cultivo armadilha (Clapp et al. Oehl et al. diversidade. 2002). 1999. Além disso. mas não cultiváveis isoladamente. (5) Espécies encontradas como esporos no solo. Os trabalhos discutidos acima sugerem a ocorrência desses passos em FMA. Os dados foram obtidos após vários anos de análise de uma comunidade de FMA de um sítio denominado “Pretty Wood” na Inglaterra. mas facilmente obtidas em cultivo-armadilha. & Schultz. O grupo de pesquisa da Universidade de York na Inglaterra traz um ótimo exemplo da necessidade de integração dos métodos de avaliação da diversidade e dinâmica de comunidades de FMA. e (c) cultivo-armadilha.. (4) Espécies obtidas em cultivo-armadilha.. (2) Espécies raras em raízes e esporos ausentes.

a não ser que a comunidade de plantas seja monoespecífica. Para aqueles interessados em utilizar essa técnica recomenda-se a leitura de trabalhos já publicados (de Souza & Guerra. Por outro lado. a população selecionada pelo milho promovia o crescimento da soja e vice-versa (Johnson et al. 1989. Klauberg. 1999a. Outro trabalho excelente foi publicado pela Dra. ao conhecimento prévio da diversidade da área em estudo e do uso de culturas-armadilha.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 534 [ 534 | F. Johnson e colaboradores.. D E S O U Z A et al. Cuenca & Meneses. Esporos são o resultado de uma colonização bem sucedida. 2001. em rotação. No entanto.. 2000. Apesar da qualidade desses trabalhos. Alem disso. Carrenho et al. A . 2000. Vilela. 1992). 1999. Caproni et al. | ração deles com plantas. Culturas-armadilha podem ser utilizadas para superar alguns dos problemas da extração direta de esporos. a baixa qualidade dos esporos obtidos para fins taxonômicos.. para avaliar o efeito de culturas e práticas agrícolas sobre a estrutura de comunidades de FMA em áreas agrícolas (Siqueira et al. Purin. sendo assim bons indicadores de processos ecológicos e ações antrópicas que influenciam a comunidade de FMA. esse método tem sido utilizado. os esporos não podem ser diretamente ligados a uma espécie de planta em particular. esporos não estão presentes durante todo o ciclo de vida do fungo. o sucesso desse método está diretamente ligado ao nível de conhecimento taxonômico dos pesquisadores que conduzem a análise. Esse estudo sugere assim a existência de um efeito benéfico da rotação sobre a manutenção de populações efetivas de FMA. & Jasper.. da Silva et al. 1987. Edward Sieverding traz ótimos exemplos da aplicação dessa técnica na avaliação do efeito de práticas agrícolas sobre comunidades de FMA (Sieverding. 1998. Eles utilizaram a avaliação da diversidade de esporos presentes no solo para demonstrar que monoculturas de milho e soja selecionam populações diferentes de FMA e que essas populações contribuíam negativamente para o crescimento das plantas quando cultivadas em monocultura. com bastante sucesso. Siqueira.. 1996. Boddington & Dodd.. culturas-armadilha facilitam o isolamento de FMA.. Além disso. Aqui são apresentados pontos fortes e fracos de cada um desses métodos e formas de superar alguns deles. Franke-Snyder et al. 2003. 2006) e em processo de revegetação (Santos et al. Colozzifilho. Nancy C. & Stürmer. Apesar dessas limitações.. Brundrett. O livro publicado pelo Dr. 2001. Abbott. & de Miranda. de Miranda. & de oliveira. 2005). 2005. 1991). por exemplo. Brun- . de Souza et al.

etc) e hábitos de crescimento (anuais. uso de raízes como fonte de inóculo para identificar fungos associados a uma planta em particular. Em cultivos em vasos. No entanto. & Ashwath. Abbott. Jasper. de Souza et al. raízes colonizadas e solos (contendo esporos. Para minimizar esse problema. & Jasper. Os métodos de cultivo-armadilha partem do princípio que FMA não apresentam especificidade hospedeira ou preferência na multiplicação de uma determinada espécie de FMA. basicamente três tipos de amostras têm sido utilizadas como fonte de inóculo: esporos. fonte de propágulo. 1999 b). Como conseqüência. 2002. elas devem ser utilizadas em conjunto para obter a máxima diversidade de FMA possível. fornecendo assim informações valiosas sobre a biologia desses fungos” (Brundrett. Devido a isso. Guo. Porém raízes apresentam baixa eficiência na propagação de espécies da família Gigasporaceae (Brundrett.. Abbott. 2002. de Souza et al. 1999b). 1999 a. Segundo Brundrett e colaboradores “métodos de cultivo em potes fornecem informações adicionais sobre a diversidade de FMA e complementam os dados obtidos pela análise da ocorrência direta de esporos obtidos das mesmas amostras. os resultados obtidos por Brundrett e colaboradores mostram que o resultado do cultivo-armadilha é influenciado pela espécie de planta utilizada.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 535 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 535 ] drett. Klironomos & Hart. Eles desenvolveram . A eficiência dessas três fontes de propágulos varia grandemente entre as famílias de FMA (Brundrett. Assim. 1999 a.. & Hendrix (1993). Jasper. por exemplo. regime de fertilização e irrigação e duração do período de cultivo (Brundrett. Abbott. 2005 a). 1999a). & Ashwath. & Jasper. & Jasper. 2005 a). Esses trabalhos trazem diferentes técnicas de cultura-armadilha e parâmetros que influenciam o seu resultado. (1990) e An. hifas e raízes colonizadas). Sempre que possível é recomendado o uso de plantas nativas e substrato preparado com o solo da área em estudo. Abbott. & Jasper. o emprego de raízes como única fonte de inóculo para culturas-armadilha irá subestimar a diversidade de espécies da família Gigasporaceae.gramíneas. 1999 a. o melhor método de cultivo-armadilha foi implementado por An et al. Klironomos & Hart. e perenes) distintos. leguminosas. resultados obtidos pelo cultivo em vasos não refletem necessariamente a estrutura da comunidade de FMA presente em dado momento e devem ser interpretados com cautela. de preferência de grupos funcionais (exemplo . Segundo experiência pessoal. têm sido utilizados vasos-armadilha estabelecidos com mais de uma espécies de planta. Brundrett.

A . 1998). 2004). produzirão esporos. 2003. No entanto. O procedimento utilizado por An et al. para a avaliação da diversidade de FMA em raízes de plantas. & Atkinson. Ela fornece dados sobre riqueza e abundância permitindo assim estimar a diversidade de propágulos infectivos de uma comunidade de FMA. e demorada. Métodos moleculares baseados na extração. Até então não havia evidências de especificidade . indicando a ocorrência de preferência da comunidade de FMA por hospedeiros específicos (Vandenkoornhuyse et al. A técnica do NMP ou método da diluição permite estimar a densidade de um microrganismo. sendo que a identificação desses fornecerá uma estimativa da densidade de propágulos infectivos de cada espécie fúngica presente. 1998). No caso dos FMA. 2002. Nesse caso. ao colonizarem a raiz da planta hospedeira.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 536 [ 536 | F. e consiste das seguintes etapas: diluições sucessivas. 3 a 6 meses de cultivo-armadilha mais o tempo necessário para extrair e analisar os esporos de cada vaso (de Souza & Guerra. centenas de vasos por ensaio. Isso facilita o isolamento posterior dos fungos em cultura pura. Outra vantagem desse método advém da alta qualidade dos esporos obtidos para identificação taxonômica e da alteração da riqueza de espécies em função da diluição seriada.. Vandenkoornhuyse et al. Nesses inventários têm sido demonstrado que espécies de plantas distintas coabitando em um ecossistema podem apresentar comunidades de FMA claramente distintas em suas raízes. cada vaso contendo determinada diluição funciona como cultura-armadilha. sem necessidade de contagem direta. essa técnica é laboriosa. amostragens de cada diluição. quase que exclusivamente. a densidade da comunidade de FMA da amostra. A estimativa da densidade é baseada na aplicação da teoria da probabilidade com algumas premissas (para uma descrição detalhada do método ver de Souza & Guerra. | um bioensaio que combina o cultivo armadilha com a técnica tradicional de microbiologia denominada “Número Mais Provável” (NMP). Os propágulos infectivos presentes. D E S O U Z A et al. amplificação por PCR e análise de ácidos nucléicos possibilitam a análise da diversidade de microrganismos nos mais diversos ambientes e em todos os estádios de desenvolvimento.. (1990) permite estimar. van Tuinen. incubação em meios apropriados e avaliação quanto ao crescimento do organismo desejado. de forma individualizada. Essa técnica tem como premissa que todo propágulo infectivo de FMA da amostra tem capacidade para colonizar as raízes da planta hospedeira e produzir esporos típicos. inventários moleculares têm sido direcionados. Gollotte.

Daniell et al. Finlay. Através de inventários moleculares detectaram-se também mudanças na estrutura de comunidades de FMA em estandes de plantas sadias e degeneradas em dunas costeiras (Kowalchuk. No entanto. 2003).. VAMS1.. Por exemplo. Os principais problemas dos métodos moleculares são: (1) cobertura inadequada dos iniciadores (“primers”) utilizados no PCR. . Essa informação é fundamental para se desenvolverem tecnologias baseadas nesses fungos. & Van Veen. indicando que ausência de especificidade hospedeira também ocorre em ambientes naturais.. 1998. (2) amostragem não representativa e (3) métodos inadequados de extração de ácidos nucléicos. a partir de seqüências do gene 18S rRNA de três espécies de fungos. foi desenvolvido. No entanto. o que sugere que fungos que colonizam plantas nos estádios iniciais de crescimento podem não ser os mesmos que colonizam as mesmas espécies no estádio adulto (Husband. Tem sido demonstrado também o efeito de práticas agrícolas sobre a diversidade de FMA (Helgason et al. Técnicas moleculares permitem acessar a diversidade de FMA em plantas. 2002). pode-se citar a caracterização direta de FMA colonizando plantas arbóreas nativas em risco de extinção (Wubet et al. de Souza. Herre. NCBI) e da análise filogenética dos grupos-alvo e não-alvo.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 537 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 537 ] hospedeira em FMA. Iniciadores utilizados em trabalhos de ecologia molecular microbiana são desenvolvidos a partir das informações disponíveis nos bancos de dados sobre seqüências de nucleotídeos (ex. o primeiro iniciador específico para FMA. 2006). Hijri et al. Foi demonstrada também a ocorrência de mudanças temporais na comunidade de FMA colonizando raízes de duas espécies arbóreas tropicais no Panamá. auxiliar na seleção de fungos eficientes e competitivos e posteriormente estudar a persistência de estirpes introduzidas em inoculantes comerciais.. de uma forma direta. & Young. devido à facilidade de se obterem seqüências de DNA e ao grande número de laboratórios dedicados à pesquisa em ecologia e filogenia molecular. E estão sendo atualizadas em uma velocidade muito grande. Por exemplo. 2001. essas informações são incompletas. 2002 a). sugerindo que fatores que afetam a performance das plantas nesse ambiente podem estar ligados ou afetando a comunidade de FMA. por exemplo. 2006). basicamente. Outra grande vantagem advém do enorme potencial que essas técnicas têm para estudos da ecologia da simbiose micorrízica. comunidades similares de FMA coabitando espécies de plantas distintas também têm sido encontradas (Santos. & Tehler.

No entanto. Por exemplo. gêneros ou sub-gêneros (Redecker. 2002 b). esse ainda é um bom iniciador para avaliar a comunidade de FMA colonizando plantas. O sistema radicular de uma mesma planta pode conter dezenas de espécies de FMA. 1992). Devido ao custo mais elevado da análise molecular. comuns e raras. Gigaspora rosea e um fungo não micorrízico (Simon. No entanto.. Clapp et al.. 2002. o planejamento da amostragem deve ser muito bem feito. | Glomus intraradices. como para coleta de raízes para avaliação de taxas de colonização e diversidade de FMA.. 1998. (1998). Apesar dessas limitações esses iniciadores têm sido empregados com sucesso na avaliação da diversidade de FMA. pois uma de suas qualidades se mantém: esse iniciador não amplifica DNA de plantas. 2000 b) e não apresenta homologia completa com alguns outros FMA. 1998). & Bruns. como também para determinar o número de clones a serem analisados de uma biblioteca construída a partir da clonagem de produtos de PCR. (2006) citados acima. & Bruns. Essa pesquisa desenvolveu iniciadores para cobrir total ou parcialmente 5 famílias de FMA. A . . como nos trabalhos de Wubet et al. O mesmo ocorreu com o iniciador AM1 designado por Helgason et al. resultando em uma cobertura incompleta ou diferencial. tem sido proposto o uso de iniciadores específicos ao nível de família. (2003) e Hijri et al.. Devido à dificuldade de se obter um único conjunto de iniciadores que tenha especificidade e homologia a todos os FMA. destinada à avaliação de esporos. Essas medidas são importantes para que se possam avaliar espécies abundantes. das 7 espécies do gênero Pacispora existem seqüências disponíveis de somente uma espécie P. Morton. tanto para coleta de solo. amplificando também alguns fungos não micorrízicos (Basídio e Ascomicetos) (Helgason et al. 2000).. atualmente são conhecidas 10 famílias e para algumas delas ainda não existem seqüências de DNA disponíveis. ou existe pouca informação. Husband et al. Logo em seguida foi demonstrado que a região 3’ do iniciador não apresentava homologia com vários FMA. D E S O U Z A et al.. falhando assim na amplificação desses fungos (para um histórico completo ver Clapp et al.. Amostragem é um ponto crítico em inventários de diversidade.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 538 [ 538 | F. Esse iniciador não amplifica fungos pertencentes às linhagens basais dos FMA (Redecker. Lalonde. e já foram detectados até 4 espécies FMA de gêneros diferentes em um único centímetro de raiz (Van Tuinen et al. apesar das limitações. scintillans. 2002). A suficiência amostral deve ser determinada por meio de “curva do coletor”.

o emprego de raízes coradas para extração de DNA pode induzir à amostragem com tendência para seleção de fragmentos contendo vesículas e/ou fragmentos contendo coloração intensa. Já no procedimento 3 a detecção de FMA foi prejudicada e aumentou a detecção de organismos não-alvo. A formação de esporos grandes e a facilidade de extração desses esporos do solo e recuperação de DNA dessas estruturas são características que facilitam a integração e avaliação desses métodos e principalmente a complementação e aprimoramento dos mesmos. Já os métodos moleculares permitem acessar a diversidade em raízes de plantas. devendo assim ser utilizada com precaução. Métodos de extração de ácidos nucléicos devem ser testados quanto a sua eficiência em relação ao grupo de organismos-alvo. A última técnica está sendo utilizada em diversas publicações. (2) amplificaram separadamente o DNA de cada amostra e posteriormente combinaram 1µl do produto do PCR de cada amostra e dessa mistura foi feita a clonagem. e (1) amplificaram separadamente o DNA de cada amostra por PCR e clonaram separadamente cada reação. 1998. evitando assim a ocorrência de extração preferencial para um grupo em relação a outros. O principal objetivo deste capítulo foi chamar a atenção para a necessidade de se integrarem diferentes métodos e estratégias para que se possa obter melhor avaliação da diversidade dos glomeromicetos. Os resultados dos procedimentos 1 e 2 foram semelhantes. 2006).. . No entanto. 2000. Assim. (2006) avaliaram três procedimentos para se trabalhar com DNA extraído de raízes de plantas. A eficiência de alguns métodos tem sido testada para extração de DNA de esporos isolados (Schwarzott & Schüßler. para extração de DNA de fungos em geral (Karakousis et al.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 539 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 539 ] Renker et al. O método escolhido deve ser capaz de recuperar ácidos nucléicos com igual eficiência para todas as espécies e estruturas avaliadas. sendo o procedimento 2 mais barato e rápido de ser executado. Vasos de cultivo facilitam tanto o processo de identificação taxonômica como o isolamento per si. apesar das dificuldades em se trabalhar com esse grupo de fungos biotróficos obrigatórios. (3) combinaram alíquotas de DNA das 50 amostras e 1µl da mistura foi utilizado para PCR e posterior clonagem. Eles extraíram DNA de 50 amostras de raízes de Plantago lanceolata. a colonização radicular e a intensidade de coloração diferem entre linhagens de FMA. Ishii & Loynachan. 2001). e para extração de DNA fúngico em raízes de plantas coradas com azul de algodão (Van Tuinen et al.. Redecker.. 2004).

2000). prejudicando a qualidade científica dessas publicações. No entanto. filogenia. E pode auxiliar no isolamento de espécies que não crescem facilmente em vasos de cultivo ou que crescem mas não se consegue isolá-las em cultura pura. e propagar e distribuir germoplasma. métodos moleculares podem ser utilizados para identificar qual espécie de planta forma associação com esse fungo e em qual época. | A integração desses métodos. a espécie Scutellospora crenulata (Herrera-Peraza. o código é uma identificação permanente. A questão do código é tão importante que o BEG – “The International Bank for the Glomeromycota” (http://www. sinonímias e reclassificações. tais como técnicas de manutenção de germoplasma. D E S O U Z A et al. mas não se conseguiu até o momento obter esporos em vasos de cultivo. feitas muitas vezes com a mesma estirpe.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 540 [ 540 | F. existe grande variabilidade genética e funcional entre estirpes de uma mesma espécie de FMA. sem dúvida alguma. 2001) tem esporos abundantes no solo. Cuenca. Além dessas funções.kent. permite obter melhor visão da ecologia e dinâmica de comunidades de FMA. BANCOS DE GERMOPLASMA DE FMA As funções básicas de um banco de germoplasma são: manter a viabilidade e as características genéticas dos acessos depositados. enquanto que a identificação taxonômica de uma estirpe pode mudar. Na falta dessa informação é muito difícil relacionar dados de publicações diferentes. & Walker. Problemas dessa natureza são comuns em estudos com FMA. a grande maioria dos trabalhos publicados no Brasil não traz indicação do código da estirpe utilizada na pesquisa. A .uk/bio/beg) provê registro para . A catalogação e registro de informações constituem uma das principais funções dos bancos de germoplasma. Conforme apresentado. Por exemplo. Essa informação pode ser então utilizada para desenvolver estratégias de isolamento e cultivo para espécies com essas características. mesmo que não completamente caracterizadas taxonomicamente (de Souza. devido a erros de identificação. Em casos como esse. bancos de germoplasma precisam gerar conhecimento em áreas afins. Além disso. e propiciar treinamentos nessas áreas. pois facilitam o acúmulo de conhecimento sobre as estirpes. catalogar e registrar informações sobre os acessos. sistemática.ac.

no Brasil.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 541 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 541 ] estirpes de FMA mantidas em diversos laboratórios. 2002. estruturação e manutenção de bancos de germoplasma.. Bancos de germoplasma reconhecidos pela comunidade científica devem contar com segurança financeira para manter. de Souza & Declerck. Entretanto. O fortalecimento de bancos de germoplasma é fundamental e estratégico para o avanço de pesquisas em microbiologia no Brasil. não existe nenhuma linha de fomento permanente direcionada ao estabelecimento. Infelizmente. Os demais são mantidos pelo pesquisador depositante da estirpe e devem ser solicitados diretamente ao mesmo. Esse banco possui atualmente pouco mais de 220 registros. com qualidade e ao longo do tempo. podem ser perdidas rapidamente pela falta de recursos. caracterização e manutenção. o fomento deve ser direcionado não só para grandes bancos de germoplasma. na necessidade de casas-de-vegetação. principalmente em termos de infraestrutura. 2003) e mais recente- . que são fungos relacionados à produção agrícola e que podem ser utilizados para otimizar o uso de recursos não renováveis (fontes de fósforo) essenciais ao agronegócio brasileiro. Desses. O caráter permanente é fundamental para garantir a manutenção dos acessos depositados e da qualidade dos serviços prestados pelo banco. porque alguns fungos só podem ser multiplicados em solo similar ao do local de coleta. principalmente. suas coleções. O fortalecimento de coleções locais é de particular importância em se tratando de FMA. bem como a capacidade de se desenvolver pesquisa no Brasil que dependa de material genético. somente cerca de 21 são mantidos ativamente no banco e podem ser requisitados para a pesquisa diretamente. Atualmente alguns FMA têm sido mantidos em sistema asséptico in vitro com cultura de raízes (Fortin et al. bancos de germoplasma são um importante centro aglutinador e geram grande impacto na formação de pesquisadores. devido à necessidade de se manterem os fungos em planta hospedeira e. via “internet”. mas também para o fortalecimento de coleções locais. por exemplo. identificação. Esse banco visa também manter registro de seqüências de ácidos nucléicos obtidas com as estirpes depositadas além de dados sobre a biogeografia das estirpes. Finalmente. em particular para o estudo dos glomeromicetos. cuja constituição é árdua. e décadas de esforços de coleta. A conservação do patrimônio genético brasileiro deve ser garantida. Essas características fazem com que bancos de germoplasma de FMA sejam totalmente distintos de outros tipos de bancos de germoplasma de microrganismos.

a custos reduzidos e com absoluto controle de qualidade. A Embrapa Agrobiologia é a unidade. Driver. 2006). D E S O U Z A et al. Essa função foi delegada pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (CENARGEN) à Embrapa Agrobiologia em 1998. & Van Veen. Com isso. facilitando assim o acúmulo e o resgate de informações sobre esses isolados. de Souza et al. A estrutura do Banco de Germoplasma de Glomeromicota da Embrapa Agrobiologia. . 2003. e desde então o banco vem se fortalecendo. Inoculantes micorrízicos produzidos em vasos de cultivo. 2001.. dentro do sistema Embrapa de pesquisa. bem como estabelecidos in vitro (de Souza & Berbara. de Souza et al. Berbara. Esses sistemas são ferramentas valiosas para avançar conhecimento em diversas áreas como ecologia. métodos de manutenção dos isolados estão descritos em (de Souza. de Souza et al. espera-se facilitar pesquisas futuras e economizar recursos e esforços. bem como. 2005.. 2005). 2004. seja com raízes transformadas (RTs) ou com briófitas. 2005 b). Métodos que tratam da produção de RTs em cultivos com FMAs estão descritos em (Berbara et al.. Fortin et al.. 1999. Vários isolados desse banco já foram parcialmente caracterizados por métodos moleculares (Kowalchuk. responsável pela manutenção do Banco de Germoplasma de Glomeromicota. Tiwari. 2002.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 542 [ 542 | F. 2000). Ambas atendem ao objetivo de produção de largas quantidades de inóculo. ou ainda produção em larga escala de inoculante in vitro (Adholeya. b). Berbara et al. geralmente. biologia celular.. de Souza et al. Como exemplo podemos citar o projeto de seqüenciamento do genoma do fungo Glomus intraradices. o qual utiliza essa tecnologia para obter DNA fúngico livre de contaminantes.. 2005 a. 2001. Nesse caso deve-se buscar a multiplicaço in vitro. diversas publicações já trazem o código dos isolados. & Rillig. 2006). fisiologia e biologia molecular dos FMA. Desde a organização e catalogação inicial das estirpes depositadas no Banco de Germoplasma da Embrapa Agrobiologia (de Souza. de Souza.. de Souza. Uma vantagem adicional desse sistema é que ele requer uma infraestrutura laboratorial similar à dos bancos de germoplasma dedicados à preservação de outros tipos de fungos. não apresentam a pureza necessária para serem comercializados. | mente com briófitas (Fonseca. Como também o desenvolvimento de técnicas para produção e extração de metabólitos em sistemas radiculares micorrízicos (Gadkar. & Singh. & Pereira. 2002. de Souza & Declerck. 2000). A . 2005 b).

Evidências apresentadas neste capítulo dão suporte à hipótese de que os Glomeromicetos formam um grupo extremamente diverso de fungos. 5. Bever e colaboradores (2001) exemplifica bem esse ponto. preparo de substrato e manutenção de culturas puras. Infraestrutura de casa de vegetação é fundamental. 2. 4. Coleta. além do tempo necessário para identificação morfológica e/ou molecular das espécies. Apoio técnico para execução de trabalhos de rotina. E a partir dos vasos de cultivo. Como no caso de bactérias em solos. principalmente porque o isolamento de FMA em cultura pura é um processo demorado e persistência é um fator decisivo para se obter sucesso. O conceito paradoxal de que os Glomeromicetos constituem um grupo com baixa riqueza de espécies está sendo confrontado por resultados de pesquisa que apontam para um grupo de fungos extremamente diverso. são necessários pelo menos 12 meses de trabalho. P R E S E RVA Ç Ã O E U S O D A DIVERSIDADE DE FMA 1. De preferência essa deve ter múltiplas salas. inicia-se a etapa de obtenção de culturas puras. Construção e manutenção de banco de dados. 3. como rega. Inventários sazonais com duração mínima de dois anos são em geral recomendados. Projetos de longa duração. O exemplo citado do Dr. cultivo-armadilha e isolamento em cultura pura. Qualidade e experiência do corpo técnico do projeto é determinante. para evitar contaminação cruzada e permitir a multiplicação de um número maior de fungos simultaneamente. CONSIDERAÇÕES FINAIS E CONCLUSÕES.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 543 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 543 ] F ATO R E S QU E FAV O R E C E M O S U C E S S O E M P R O J E T O S D E C A R A C T E R I Z A Ç Ã O . para revelar fungos com estratégia de vida “K”. não só pela riqueza de espécie mas. J. para serem bem executados. principalmente. exis- . pelo fator genético-funcional. Vasos de cultivo devem ser mantidos por períodos de 6 a 8 meses. Tanto para a administração da coleção como para registro de dados biogeográficos e de repicagem das culturas.

e na elucidação dos mecanismos responsáveis pela geração de variabilidade genética nesse grupo de fungos. caracterização. no gene que codifica para a subunidade menor do rRNA (18S rRNA). sugerem-se inventários em biomas e plantas ameaçados de extinção. Linhas de fomento direcionadas à pesquisa em microbiologia do solo devem ter caráter permanente e financiar pesquisa de longa duração. Schüßler do Instituto de Genética. Agradecimentos Ao Dr. ecologia e diversificação desse grupo de fungos está no aprimoramento do conceito de espécies. Ao CNPq pelo suporte financeiro via Fomento Tecnoló- . Munique. baseada. principalmente. Alemanha e ao Dr. A . a árvore filogenética utilizada na Figura 15. de preservação de germoplasma de FMA. J. Blaszkowski do Departamento de Patologia de Plantas da Universidade de Agricultura Szczecin da Polônia por terem cedido gentilmente. A. e aprimoramento de técnicas para isolamento.2. Da mesma forma. (3) evidências de preferência hospedeira e (4) por meio de levantamentos de campo baseados na identificação morfológica de esporos e em inventários moleculares que vêm revelando grande número de espécies não conhecidas. respectivamente. D E S O U Z A et al.1 e as fotografias da espécies Pacispora scintillans utilizadas na Figura 15. (2) a atual classificação filogenética dos Glomeromicetos. Essa hipótese está de acordo com (1) a longa trajetória evolutiva desses organismos. manutenção e implementação de bancos de germoplasma. Avanços nessas linhas de pesquisa dependerão da execução de experimentos de evolução em condições controladas. que revelou grande distância evolutiva entre as diversas famílias e ordens de FMA reconhecidas atualmente. | te uma megadiversidade de FMA a ser explorada. Finalmente um dos pontos-chave para o avanço do conhecimento sobre a evolução. estudo de populações autóctones a campo e/ou desenvolvimento de protocolos de transformação desses fungos. urge a necessidade de incentivos para estruturação. Como também o fomento para estruturação e manutenção de bancos de germoplasma de microrganismos Como áreas para investigação.05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 544 [ 544 | F. a caracterização e a preservação dessa diversidade dependerá da organização e soma de esforços da comunidade científica nacional e da criação de linhas de fomento permanentes para a execução de pesquisas nessa área. O acesso.

05-BiodiversidadeA(17-10-07) 10/23/07 8:51 AM Page 545 | FUNGOS MICORRÍZICOS ARBUSCULARES | 545 ] gico e Projeto Universal (processo 477094/2004-0). (1990). W. MG. Early evolution of land plants: Phylogeny. T. & Morton. Mycologia 87. Fortin. & Fonseca. R.. pp. Z. In “In Vitro Culture of Mycorrhizas” (S. D. F. An. 813-817.. R. Fernandes. 2595-2601.arbuscular mycorrhizal fungal mutualism: testing the nature of community feedback. Q. & Schultz. Viçosa. R.. G. J..). P. 1209-1216. Guo.. (2001). & Souza. (1999).. Z. (2006). E. Bateman. Berbara. P. A. A. S. Strullu & J. L. P. Bever. & Hendrix. 576-581. Soil Biology & Biochemistry 25. (1993). 465-473. J... A.. N. 58-65. Status of Nuclear Division in Arbuscular Mycorrhizal Fungi During in-vitro Development. J. physiology. 315-338. Crane. 263-292. Populations of Spores and Propagules of Mycorrhizal Fungi in Relation to the Life-Cycles of Tall Fescue and Tobacco. Bentivenga. M. Bécard.. S. pp. Protoplasma 174. 719-731. (2003). Bever. P. C. 53-88. L. T. American Journal of Botany 86. Evaluation of the Most Probable Number (MPN) and Wet-Sieving Methods for Determining Soil-Borne Populations of Endogonaceous Mycorrhizal Fungi. G. S. J. (2005). Negative feedback within a mutualism: host-specific growth of mycorrhizal fungi reduces plant benefit. M. B. J. New Phytologist 157. P. R. Speck. A. (1993). F. W. M. R. & Singh. Large-Scale inoculum production of arbuscular mycorrhizal fungi on root organs and inoculation strategies.). E. de Souza. Hendrix. D.CRN II).. Soil community feedback and the coexistence of competitors: conceptual frameworks and empirical tests. In “Nutrição Mineral de Plantas” (M. Q. D. P. DiMichele. D. Kenrick. 62-68. H. Transgenic root systems in Arbuscular Mycorrhizal Fungi studies. J. Springer-Verlag. W. Dynamics within the plant . E. & Pfeffer. J. P. A. Hershman. Rowe. (1995). A. & Henson. (2002). D. L. A Monograph of the Genus Gigaspora. Berbara. A. A. D.. & Morton. L. Fungos Micorrízicos arbusculares: Muito além da nutrição. An. B. Z. Agronomia 35. In . Heritable variation and mechanisms of inheritance of spore shape within a population of Scutellospora pellucida. Declerck. G. Ao Inter American Institute for Global Change Research pelo apoio financeiro (programa IAI . Tiwari. J. & Stein. Annual Review of Ecology & Systematics 29. an arbuscular mycorrhizal fungus. R. Bever. de Souza. (2002). ed. Pringle. W. R. Sociedade Brasileira de Ciência do Solo. REFERÊNCIAS Adholeya. and ecology of the primary terrestrial radiation. H. Brasil. Bever. Incorporating Developmental Patterns of Morphological Characters. Mycologia 82. Berlin Heidelberg. Proceedings of the Royal Society of London Series B-Biological Sciences 269. A. (1998). C. eds.. Fonseca.

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