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decenal, que era aquela adquirida pelo empregado após mais de dez anos de serviço na mesma empresa. Em caso de estabilidade provisória do cipeiro, assegurada pelo art. 10, II, b, do ÁDCT da CF, o dispositivo constitucional é de meridiana clareza ao vedar a dispensa do empregado, nessas condições, se inexistente justa causa. Na mesma linha, o art. 165 da CLT assevera que, ocorrendo a despedida do titular da representação dos empregados na CIPA, caberá ao empregador, se acionado na Justiça do Trabalho, comprovar a existência da justa causa. Não preveem, como se infere, a necessidade de instauração de inquérito judicial para apuração da falta. Ademais, o Regional, que é soberano na apreciação do material fático-probatório dos autos, entendeu caracterizada a justa causa, por incontinência de conduta, mau procedimento e embriaguez em serviço do Reclamante. Nesse compasso, não tem aplicação ao caso o art. 494 da CLT, ante o que dispõem os arts. 165 da CLT e 10, II, b, do ADCT da Carta Magna" (TST — RR 556.215/1999.8 — 4 á T. — Rel. Min. Ives Gandra Martins Filho — DJU 12.5.2000). "REINTEGRAÇÃO. ART. 495, CLT. Na sentença que determina a reintegração do empregado, já está implícita a obrigação do empregador de pagar os salários decorrentes do período de suspensão, inteligência do art. 495 da CLT. DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. Da decisão sob a qual se operou o trânsito em julgado não comporta mais discussões, tendo em vista a necessidade de se manter a estabilidade nas relações jurídicas, inclusive, com observância obrigatória aos princípios da segurança e certeza jurídicas" (TRT 10 R. — AP 00074.1997.001.14.008 — Rel. Juiz Mário Sérgio Lapunka — DO 19.04.2006).

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As formas autocompositivas são, portanto, extrajudiciais e decorrem da negociação coletiva e do princípio da autonomia privada coletiva. Como bem observa Wagner D. Giglio,
o resultado da autocomposição dos conflitos coletivos depende da liberdade da negociação, e essa liberdade requer igualdade de situação, que já não existe mais. A pressão exercida pelas condições da economia atual, de desemprego generalizado, sem perspectiva de melhora, torna ineficazes as formas tradicionais de composição dos conflitos: a negociação direta, a mediação e a conciliação delas resultantes. Como consequência das condições atuais, os resultados dessas formas de autocomposição dos conflitos coletivos têm sido bastante desfavoráveis aos trabalhadores: na melhor das hipóteses, são mantidos os direitos anteriores e garantidos, temporariamente, os empregos; na pior, reduzem-se benefícios, negociam-se rescisões contratuais e generaliza-se a insatisfação, que vai eclodir nas etapas seguintes de negociação(5).

Já as formas heterocompositivas podem ser extrajudiciais, como a arbitragem, que é largamente utilizada nos Estados Unidos e em quase todos os países da Europa ocidental, ou judiciais, como é o caso do Brasil. A arbitragem consiste em atribuir a solução do conflito à decisão de um terceiro, pessoa ou grupo de pessoas físicas, entidade administrativa ou órgão judicial. Nos domínios do direito processual do trabalho brasileiro, a arbitragem é prevista expressamente como meio alternativo à solução dos conflitos coletivos de trabalho, como se infere do art. 114, §§ 1 2 e 2Q, da CF. Há, por outro lado, previsão no art. 83, XI, da Lei Complementar n. 75/93, segundo o qual o MPT pode "atuar como árbitro, se assim for solicitado pelas partes, nos dissídios de competência da Justiça do Trabalho". Pertinente a lição de Wagner D. Giglio, para quem
a submissão do conflito coletivo à solução arbitrai pode resultar de previsão em norma jurídica, caso em que se diz obrigatória. Se não houver previsão, a arbitragem será facultativa. Se decorrer de regra ajustada entre os contendores, a arbitragem será contratual; se resultar de norma prevista em lei, será legal. Se o árbitro ou árbitros forem escolhidos entre os opositores, teremos a arbitragem particular; se for fornecido pelo Estado, a arbitragem será oficiar).

3. DISSÍDIO COLETIVO 3.1. Formas de Solução dos Conflitos Coletivos As formas de solução dos conflitos coletivos podem ser:
autocompositivas, como os acordos coletivos, as convenções coletivas e a mediação; heterocompositivas, como a arbitragem e a jurisdição.

A greve, citada por alguns como forma de solução dos conflitos coletivos, constitui, para nós, um meio de autodefesa ou um instrumento de pressão econômica e política conferido aos trabalhadores socialmente organizados que possibilitará a solução do conflito. Vale dizer, não é a greve em si que soluciona o conflito, pois a greve possui natureza instrumental, mas sim as normas autocompositivas ou heterocompositivas que certamente dela — greve — surgirão. Nas formas autocompositivas, as normas coletivas que irão solucionar o conflito são criadas pelos próprios atores sociais interessados, como nos casos de convenção ou acordo coletivo, ou com o auxílio de um terceiro cuja tarefa é apenas aconselhar as partes para a solução do impasse.

No Brasil, a solução jurisdicional dos conflitos coletivos de trabalho entre categorias profissionais e econômicas é feita por meio do dissídio coletivo.
Solução dos conflitos coletivos: conciliação, mediação, arbitragem, resolução oficial e outros meios. Revista LTr, v. 64, n. 3, p. 307 et seq, mar. 2000, Ibidem, p. 308.

de instrumentos de negociação coletiva. 873 a 875). ao revés. par. como os denomina a CLT. p. sem distinção dos membros que a compõem. quando destinados a reavaliar normas e condições coletivas de trabalho preexistentes que se hajam tornado injustas ou ineficazes pela modificação das circunstâncias que as ditaram. para a instituição de normas e condições de trabalho. ou a própria empresa. 856.1. revisar-lhe as condições (dissídio coletivo de revisão) ou interpretar-lhe os dispositivos (dissídio coletivo jurídico). Não é cabível quando se pretende interpretar norma legal de caráter geral para toda a classe trabalhadora (TST/SDC. profissionais ou diferenciadas. Classificação Os dissídios coletivos podem ser classificados em: dissídio coletivo de natureza econômica. quando inexistentes ou em vigor normas e condições especiais de trabalho decretadas em sentença normativa. dissídios coletivos são relações jurídicas formais. OJ n. II — de natureza jurídica. 220 do RITST. pois visa à prolação de sentença normativa que criará novas normas ou condições de trabalho que irão vigorar no âmbito das relações empregatícias individuais (CF. . uma ação declaratória.3. revisional — objetiva à revisão de norma coletiva anterior (CLT. pois é esta que instaura o processo. contém as pretensões de um grupo. 7). em CD-ROM.2. §§ 1 9 . e V — de declaração sobre a paralisação do trabalho decorrente de greve. 3. de acordo com o art. visando à criação ou interpretação de normas que irão incidir no âmbito dessas mesmas categorias(9). 868 a 871). 1999.. 2 9 e 3 9 . por meio de pronunciamentos normativos constitutivos de novas condições de trabalho. para interpretação de cláusulas de sentenças normativas.3. único. 511. a função de criar direito novo. É preciso. pode dar lugar a três outros dissídios coletivos. por sua vez. verbete 1. ou seja. art. (grifo nosso) Para Valentin Carrion. 114. segundo a qual o dissídio coletivo pode ser primário (de interesse). Quando mencionamos determinados entes coletivos. 3. jurídica ou mista.2. o meio de exercer uma ação para compor a lide. equivalentes a uma regulamentação para os grupos conflitantes. acordos e convenções coletivas. arts. portanto. de disposições legais particulares de categoria profissional ou econômica e de atos normativos. 3. ed. art. Dissídio Coletivo de Natureza Jurídica O dissídio coletivo de natureza jurídica é. Dissídio Coletivo de Natureza Econômica Trata-se de ação constitutiva. na verdade. podem ser individuais ou coletivos. como também o Ministério Público do Trabalho. Há outra classificação. cujo objeto reside apenas na interpretação de normas coletivas preexistentes que vigoram no âmbito de uma dada categoria. O dissídio coletivo visa direitos coletivos. é um processo destinado à solução de conflitos coletivos de trabalho. 479. III — originários. da CLT. secundários ou derivados. para a defesa de interesses cujos titulares materiais não são pessoas individualmente consideradas. 1172 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1173 3. Confiase. mas. os dissídios coletivos podem ser: I — de natureza econômica. Curso de direito processual do trabalho. na hipótese de malogro de celebração de acordo coletivo ou de greve. na acepção de "processo". Os dissídios coletivos de natureza econômica podem ser subclassificados em: originário ou inaugural — quando não há norma coletiva anterior (CLT. Assim. Conceito Dissídio coletivo. ed. (9) A definição de categoria econômica. 377. geralmente da competência originária dos Tribunais. como ação. devemos lembrar que no ordenamento jurídico brasileiro não apenas os sindicatos são legitimados para o dissídio coletivo. IV — de revisão. coletividade ou categoria profissional de trabalhadores. de um empregado (dissídio individual singular) ou vários (dissídio individual plúrimo). nos casos de greve que atinjam interesse público. p. § 22). como meio para resolver as controvérsias dos gruposm. que gera a sentença normativa. 867. os dissídios. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho. no entanto. Esse dissídio coletivo de interesse. comentário ao art.3. É importante assinalar que. que é proposta por José Augusto Rodrigues Pinto1101 . mas sim grupos ou categorias econômicas. Aqueles têm por objeto direitos individuais subjetivos. (10) Processo trabalhista de conhecimento. assim. Além disso. destinadas à elaboração de normas gerais. visando a estender-lhe os efeitos (dissídio coletivo de extensão). segundo Amauri Mascaro Nascimento. analisar o dissídio coletivo não como processo em si. geralmente os sindicatos. à jurisdição. a). de extensão — visa a estender a toda categoria as normas ou condições que tiveram como destinatários apenas parte dela (CLT. arts. Para nós. o dissídio coletivo é uma espécie de ação coletiva conferida a determinados entes coletivos. de forma genérica(8). profissional ou diferenciada está prevista no art. 5. urge conceituar o dissídio coletivo sob a perspectiva da nova ordem constitucional brasileira. ou seja. inaugurada a partir da Constituição Federal de 1988.

De nossa parte. 45/2004 teria proscrito o Poder Normativo. 2 4. 45/2004 ao § 2 2 do art.4. GARANTIA DAS NECESSIDADES INADIÁVEIS DA POPULAÇÃO USUÁRIA. de comum acordo. OJ 11 — GREVE. e Lei n. podemos dizer que também o processo atinente ao dissídio coletivo deve satisfazer determinados pressupostos processuais. o tribunal julgar procedentes os pedidos versados nas cláusulas constantes da pauta de reivindicações. bem como as convencionadas anteriormente. FATOR DETERMINANTE DA QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO MOVIMENTO. sendo certo que a nova redação dada pela EC n. se seu objeto residir apenas na declaração de abusividade ou não do movimento paredista. A exigência do "comum acordo" para a instauração dos dissídios coletivos de natureza econômica restringe. arts. § 3 2 . I. poderão. 7.701/88. pois. que assumiram os riscos inerentes à utilização do instrumento de pressão máximo. extinguindo.5. se não é assegurado o atendimento básico das necessidades inadiáveis dos usuários do serviço. capacidade processual — no dissídio coletivo quem postula em juízo não é a categoria diretamente (o conjunto dos empregados). b.783/89. Por exemplo. podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito. portanto. CLT. 267. O Poder Normativo da Justiça do Trabalho encontra fundamento no § 29 do art. se o dissídio for circunscrito à base territorial de TRT (CLT. 3. tal competência será do TST (CLT. I. art. direta e pacificamente. com nova redação dada pela EC n.3.783/89. a via de acesso ao exercício do poder normativo. Lei n. todavia. inibe ou desencoraja a desejável solução democrática da autocomposição dos conflitos coletivos adotada em quase todas as democracias contemporâneas. art. a sentença normativa correspondente declarará a abusividade (ou não) do movimento de paralisação concertada do trabalho e constituirá novas relações coletivas de trabalho (CF. pensamos que a sentença normativa. ou seja. a). apresentando-se. É abusiva a greve que se realiza em setores que a lei define como sendo essenciais à comunidade. 7. 89. Os pressupostos processuais em sede de dissídio coletivo podem ser: • Subjetivos: Competência — a competência para apreciar dissídios coletivos é dos Tribunais do Trabalho. 857). OJ 38 — GREVE. de competência funcional originária dos tribunais trabalhistas. Poder Normativo No âmbito do direito laborai pátrio. mas o sindicato que a representa (CF.783/89. 114 da CF. ou seja. respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho. art. SERVIÇOS ESSENCIAIS. III. Nos domínios do direito processual do trabalho. de comum acordo. que é recorrível. art. podemos destacar a opinião corrente de que a função anômala do Poder Normativo da Justiça do Trabalho. 8®. art. 1174 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1175 3. a. é facultado às mesmas. § 29. segundo o qual: Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem. Pressupostos de Cabimento Já vimos em outra parte deste livro que a lei processual civil brasileira estabelece como uma das causas de extinção do processo sem resolução do mérito a ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo (CPC. É abusiva a greve levada a efeito sem que as partes hajam tentado. art. O dissídio coletivo é. 69. se ultrapassar tal base. sem dúvida. ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. 702. segundo o âmbito territorial do respectivo dissídio coletivo. como criador de normas heterônomas gerais e abstratas aplicáveis às categorias profissionais e econômicas e que produzirão efeitos nas relações individuais de trabalho. o Poder Normativo da Justiça do Trabalho. IV). Se. Trata-se. É incompatível com a declaração de abusividade de movimento grevista o estabelecimento de quaisquer vantagens ou garantias a seus partícipes. por isso mesmo. não se equipara à sentença arbitrai (irrecorrível). será este o competente funcional e territorialmente para apreciar e julgar a ação dissidial. ultrapassado e incapaz de solucionar satisfatoriamente os novos e cada vez mais complexos conflitos trabalhistas de massa. ajuizar o dissídio coletivo de natureza econômica. assim. 114 da CF estabelece que as partes. Há entendimentos de que o preceptivo constitucional em causa instituiu a arbitragem oficial no Brasil. ETAPA NEGOCIAL PRÉVIA. portanto. sabe-se que o tradicional sistema processual coletivo do trabalho recebeu forte influência da Carta del Lavoro. 7. solucionar o conflito que lhe constitui o objeto. art. 114. 7.3. Entre os inúmeros fundamentos que empolgam essa afirmação. as Varas do Trabalho são incompetentes para essa espécie de demanda coletiva. o dissídio coletivo de greve terá natureza mista. art. 45/2004. sindicatos ou empresas. 8 9 ) pode ter natureza meramente declaratória. e 114. 678. IMPRESCINDIBILIDADE DE TENTATIVA DIRETA E PACÍFICA DA SOLUÇÃO DO CONFLITO. I. 3. Dissídio Coletivo de Natureza Mista O dissídio coletivo de greve (Lei n. de cumulação de competência funcional e territorial. Sobre dissídio coletivo de greve. mas não foi intenção do constituinte derivado a extinção desse poder anômalo conferido à Justiça do Trabalho. embora omissa a CLT. a um só tempo. art.701/88. e Lei n. 7. na forma prevista na Lei n. colecionamos as principais OJs da SDC/ TST: OJ 10 — GREVE ABUSIVA NÃO GERA EFEITOS. . razão pela qual não nos parece que a EC n.

mediante autocomposição das partes. Todavia. se for o caso. São documentos essenciais à propositura da ação dissidial coletiva: edital — edital de convocação da assembleia geral da categoria. observância da época própria para ajuizamento — não há prazo prescricional para o ajuizamento do dissídio coletivo. MARTINS FILHO. previamente. 9. 45/2004 ao § 22 do art. introduzido pela EC n. cizânia doutrinária e jurisprudencial acerca da constitucionalidade do novel § 2 2 do art. Requisitos Objetivos Há determinados documentos que são imprescindíveis ao ajuizamento do DC. 114 da CF. 867. norma anterior — norma coletiva anterior (acordo coletivo. 45/2004. p.5.1 infra. 282). infra. 7. além de ser obrigatoriamente escrita. Com a palavra o Supremo Tribunal Federal. De toda sorte. 614. Voltaremos a examinar a questão na epígrafe 3. 114 da CF. a ausência de negociação coletiva prévia implica falta de interesse de agir do suscitante.1. A IN n. Porto Alegre. Dito de outro modo. §§. 856 da CLT. parágrafo único. abr. preservar a data-base da categoria. a CLT estabelece algumas regras para o ajuizamento do dissídio coletivo apenas no que concerne à eficácia no tempo da sentença normativa (art.6. b). na medida em que a sentença normativa prolatada não poderá retroagir à data-base da categoria (CLT. 116/2003 do TST. art.1. Ives Gandra da Silva. foi criado — para uns. pois por meio deles será possível verificar o preenchimento das condições da ação e dos pressupostos processuais. a não comprovação do exaurimento das tentativas de negociação coletiva desaguará na extinção do processo sem resolução do mérito. 867 e 873). ou seja. item 11) 112).1. 3. g) mútuo consentimento — comprovação da concordância entre as partes para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica. 4/93. 14. tal como previsto no art. e sim condição da ação. art. se o dissídio é revisional. impedindo o ajuizamento de novo dissídio coletivo durante esse período. porém. 1995. mas. bem como aos requisitos objetivos e subjetivos. 8-11. isso não é pressuposto processual.1 2 e 22 ) como pressuposto processual objetivo("). convenção coletiva ou sentença normativa). infra). letra g. deve conter os requisitos enumerados no item 3. e não lesão a direito subjetivo preexistente. listagem — lista de presença da assembleia geral. mas entrará em vigor apenas a partir de sua publicação (CLT. na medida em que o bem da vida reivindicado no dissídio coletivo poderia ser alcançado. se uma das partes não concordar com a propositura do DC de natureza econômica.1. 867 da CLT. Este novo requisito foi criado pela EC n. proposto pelo sindicato. e) "comum acordo" entre as partes — tendo em vista a nova redação dada pela EC n. isto é. registros e atas referentes à negociação coletiva tentada ou realizada diretamente ou mediante a intermediação do órgão competente do Ministério do Trabalho. de forma a postergar por mais de 30 dias o ajuizamento do dissídio. da Lei n. para outros. 114 da CF (vide item 3. tendo em vista que nele não se postulam créditos previstos em normas preexistentes. não se buscam na ação dissidial coletiva direitos subjetivos. pois há entendimento de que essa regra fere o princípio da inafastabilidade do acesso à justiça (CF. art. op. (13) MARTINS FILHO. n. a Justiça do Trabalho deverá extinguir o processo. 70. e sim de interesse da categoria na criação de direito novo.2. a criação de normas gerais e abstratas (direito objetivo) que irão reger as relações — individuais e coletivas — de trabalho das categorias representadas na ação. 3. ou seja. Ives Gandra da Silva. sem perda da data-base"'131. um novo pressuposto processual. instrumento de mandato — procuração passada pelo presidente do suscitante ao advogado subscritor da representação. parágrafo único. sem a necessidade de intervenção do Poder Judiciário. art. registros da frustração da negociação coletiva — correspondência. salvo na hipótese de greve. 1176 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1177 • Objetivos: Negociação coletiva prévia — alguns autores referem a frustração da negociação coletiva (CF. De nossa parte. que deu nova redação ao § 2 2 do art. ao mesmo tempo. . criou o TST a figura do protesto judicial (IN n.783/89.5. inexistência de norma coletiva em vigor — tanto as convenções coletivas e os acordos coletivos quanto a sentença normativa têm vigência temporária (CLT. ou seja. e deve satisfazer às exigências comuns a todas as petições iniciais (CPC. deve ser obrigatoriamente escrita. "a categoria ficará exposta ao vazio normativo temporário. o princípio constitucional não seria violado porque não se trata de hipótese de lesão ou ameaça a direito subjetivo. XXXV). a e b). 867. cit. segundo dispõe o art. caso seja finalmente frustrada a negociação. Há.1. arts. No tocante ao mútuo consentimento.1..5. 867. também chamada de "representação" ou "instauração da instância" na linguagem do texto consolidado. se ultrapassados os prazos previstos nas alíneas a e b do art. mas também há quem entenda que o dissídio coletivo de natureza econômica implica criação de direito novo (interesse para instituição de novas normas de trabalho). uma nova condição da ação — para o cabimento do dissídio coletivo de natureza econômica: as partes deverão estar "de comum acordo" para o ajuizamento da demanda. 4/93 foi revogada pela Resolução n. Para estimular a continuidade da negociação coletiva e. tão somente. isto é. 5 g . ata — ata da assembleia geral. § 32 . Pressupostos do cabimento do dissídio coletiva Revista Síntese Trabalhista. a). petição inicial (representação) apta — a petição inicial do dissídio coletivo. parágrafo único.5. sem resolução do mérito. p. 114. art. 45/2004. Requisitos da Petição Inicial A petição inicial do dissídio coletivo.

as categorias profissionais e econômicas envolvidas no dissídio coletivo e. 12 da Lei n. adicional de horas extras (cláusulas econômicas). A fundamentação específica de cada cláusula passa a ser um requisito essencial à petição inicial do dissídio coletivo. 856. quando ocorrer suspensão do trabalho". Fundamentos da demanda Nos termos do art. a saber: Designação da autoridade competente A autoridade competente para o endereçamento da petição inicial no dissídio coletivo é sempre o Presidente do TRT ou do TST. declara que a "representação para instaurar a instância em dissídio coletivo constitui prerrogativa das associações sindicais. já estudados. que serão objeto de conciliação ou deliberação do Tribunal. No artigo seguinte. Condições da Ação Coletiva Stricto Sensu Por ser o dissídio coletivo uma ação. sob pena de nulidade.1. Segundo o Precedente Normativo n. aliás. A conjugação das normas acima transcritas permite-nos dizer que são partes legítimas ad causam nos dissídios coletivos. No mesmo sentido é a OJ n.2. o seu exercício encontra-se condicionado à satisfação de todos os requisitos exigidos para as demais ações civis.6. 267. adicional de produtividade. na sentença normativa. 37 do TST. pois. por exemplo. e. como. O art. da CF. bem como as convencionadas anteriormente". as cláusulas (pedidos) não fundamentadas devidamente são indeferidas de plano sem resolução do mérito. suscitante. Poderá ser também instaurada por iniciativa do presidente. a competência originária é do TST. 32 da SDC/TST. obrigatoriamente. IX. a legitimação ad causam e o interesse processual. enquanto aqueles dissídios instaurados em face do BANESTES-Banco do Estado do Espírito Santo são dirigidos ao Presidente do TRT da 17a Região/ES. § 22 . o sindicato da categoria profissional. por exemplo. arts. Vale dizer. sendo a petição inicial dirigida ao seu Ministro Presidente. a requerimento da Procuradoria da Justiça do Trabalho. ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. sempre que ocorrer suspensão do trabalho".1178 C ARLOS H ENRIQUE B EZERRA L EITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1179 3. do outro lado. com nova redação dada pela EC n. como. da pauta de reivindicação da categoria profissional representada pelo sindicato que deve ser reproduzida na petição inicial. da CF/88. o sindicato da categoria econômica ou empresa(s) isoladamente considerada(s). 45/2004. que geralmente atua no polo ativo da demanda. 857 e 858). fundamentadamente. as partes deverão apresentar. podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito.192/2001: No ajuizamento do dissídio coletivo. 114. 10. o quorum estatutário para deliberação da assembleia. 856 da CLT que a "instância será instaurada mediante representação escrita ao presidente do Tribunal. 3. Disso resulta que a sentença normativa também deverá ser fundamentada. no passivo. reajuste salarial. aplicável subsidiariamente ao processo do trabalho. dispõe o art. As partes no dissídio coletivo são: no polo ativo. VI. ainda. ainda. suscitado. ou. Qualificação dos suscitantes e suscitados Deve-se indicar a delimitação territorial de representação das entidades sindicais. a inicial deve indicar os motivos que justificam as cláusulas constantes da pauta de reivindicações da categoria profissional. dispõe que. concessão de licença para fins de aperfeiçoamento. se as partes do conflito coletivo se recusarem à negociação coletiva ou à arbitragem. como. respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho. Legitimação Ad Causam Vaticina o art. Bases da conciliação A petição inicial deverá conter a proposta das cláusulas que o sindicato deseja ver instituídas. de comum acordo. do CPC. ampliação da licença à gestante (cláusulas sociais). a petição inicial do dissídio coletivo deverá conter os motivos dó dissídio e as bases de conciliação. por força do art. 3. Assim. . excluídas as hipóteses aludidas no art. Trata-se. conforme a extensão da base territorial da categoria profissional representada pela entidade sindical correspondente. como a possibilidade jurídica do pedido. São as razões fáticas (econômicas e sociais) que empolgarão instituição ou alteração das condições legais e convencionais mínimas vigenteó no âmbito da categoria. 93.1. "é facultado às mesmas. Requisitos•Subjetivos Os requisitos subjetivos dizem respeito à forma pela qual deve ser articulada a pretensão do suscitante (CLT. a teor do art. os dissídios instaurados em face do Banco do Brasil ou da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.6. 769 da CLT. A ausência de quaisquer dessas condições implica extinção do processo sem resolução do mérito.5. de um lado. suas propostas finais.

desde que autorizado por Assembleia Geral. devidamente representada pelo sindicato da categoria profissional correspondente. Na substituição processual. ele atua em nome alheio (categoria) na defesa de interesse alheio (categoria). 8-9. 83. o competente acórdão. que lhe conferia poderes para defender a ordem jurídica e os interesses sociais e individuais indisponíveis. a legitimação do Parquet Laborai já encontrava fundamento no art. uma vez que o MPT. da LC n. à saúde. 114. o natural legitimado ativo da demanda é o sindicato representativo da categoria econômica ou a(s) empresa(s) isoladamente considerada(s) e atingida(s) pelo movimento paredista. não há mais o óbice da legitimação sindical obreira para ajuizar dissídio coletivo de greve. de outro modo. 7. É que. atingidas pelo movimento de paralisação.2010 e 03 e 04. 166/2010. in verbis: Essa norma. ainda. conferida aos sindicatos (ou sindicato da categoria profissional e empregador). da CF. Esse dissídio coletivo decorre de uma convenção coletiva frustrada. estamos diante de um conflito intercategorial. 114. não colidia com a redação original do art.05. da Constituição Federal. nos termos do art. o substituto atua em nome próprio defendendo interesse alheio. decidirá sobre a procedência. § 2 2 . da CF. pensávamos que o MPT estaria. quando os sujeitos da lide são o sindicato da categoria profissional e uma ou mais empresas isoladamente consideradas (não representadas pelo sindicato da categoria econômica).. O MPT também pode ajuizar dissídio coletivo de greve perante a Justiça do Trabalho. o Ministério Público do Trabalho estará sempre legitimado para ajuizar dissídio coletivo em defesa dos interesses sociais ou individuais indisponíveis. defender interesses individuais homogêneos Pu individuais da categoria. a SDC/ TST editou a OJ 19. o dissídio coletivo decorre de um acordo coletivo frustrado. Pensamos. A legitimação ativa para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica é. Embora alguns autores sustentem que quando o sindicato obreiro figura como demandante seria o caso de substituição processual. Com o advento da EC n. aos Presidentes dos Tribunais do Trabalho a iniciativa da "instauração da instância". 8 2 da Lei n. Vale dizer. na medida em que envolve duas categorias — econômica e profissional — distintas. jurídica ou o interesse público assim o exigir. Nos dissídios coletivos de greve. sindicatos. e o respectivo empregador. total ou parcial. pois nesta. que não apenas nas greves em atividades essenciais. Dito. autorizado a ajuizar dissídio coletivo em caso de greve que colocaria em ris00. independentemente de autorização dos substituídos. a legitimação para o ajuizamento do dissídio coletivo. 12 da SDC que. da CF. Ajuizado o dissídio de greve. associações etc. ou seja. já que ele ocorre diretamente entre um grupo de trabalhadores de determinada empresa. porém. cumprindo ao Tribunal publicar. De outro giro. a substituição processual concerne apenas à legitimação ad causam conferida a alguns entes coletivos (MPT. 114. como o direito à vida. da CF). que essa norma. como suscitante no dissídio coletivo. à segurança. individualmente considerados. o dissídio coletivo é de âmbito mais restrito. era a OJ n. quando ajuizava o dissídio coletivo de greve. Por essa razão. O sindicato. e sim interesses públicos. de imediato. aquele decorrente de malogro na celebração de acordo coletivo de trabalho. 856 da CLT faculta. Logo. Não é o caso de s ubstituição processual. pensamos que se trata efetivamente de representação legal. III. O art. § 22. com possibilidade de lesão do interesse público". portanto. 127. 1180 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1181 Quando os sujeitos da lide coletiva são os sindicatos. 45/2004.783/89 dispõe que a Justiça do Trabalho. isto é. Parece-nos. quando a defesa da ordem. que somente faculta às partes. o art. contudo. foi cancelada (Resolução TST n. que deu nova redação ao § 3 2 do art. por iniciativa de qualquer das partes ou do Ministério Público do Trabalho. a legitimação ad causam da ação coletiva em estudo. e na defesa de interesse da categoria que representa. iminente a vida. DEJT divulgado em 30. ou improcedência das reivindicações. Nesse sentido. consoante a regra estabelecida no art. Compete ao Ministério Público do Trabalho o exercício das seguintes atribuições junto aos órgãos da Justiça do Trabalho: (omissis) VIII — instaurar instância em caso de greve. mas também . como já ressaltado. No caso de dissídio coletivo em face de empresa. como já frisado no parágrafo anterior. segundo a dicção do art. atua em nome da categoria.2010). a nosso ver. de comum acordo. a saúde ou a segurança das pessoas direta ou indiretamente. não têm legitimação ad causam para ajuizarem a ação dissidial coletiva. os integrantes da categoria. caput.04. VIII. foi reconhecida expressamente a legitimação do Ministério Públicd do Trabalho para ajuizar dissídio coletivo "em caso de greve em atividade essencial. O TST não vinha admitindo o dissídio de greve ajuizado pelo próprio sindicato da categoria profissional que deflagrou o movimento paredista. em boa hora. 75/93: Art. no tocante à legitimação conferida ao Presidente do Tribunal do Trabalho. 83. não estava defendendo interesses categoriais. 114 da CF. nas demais greves. Nesse caso. § 29 . a nosso ver. não foi recepcionada pelo art. além de não ser exigida a autorização assemblear.) para.

mesmo enquanto uma forma de liberdade coletiva constitucional.(14) da listagem do total de trabalhadores da empresa SABESP (motoristas. Barra do Ribeiro. Já em segunda convocação. 4 9 . pretendia representar os empregados lotados nas seis cidades gaúchas. sendo seguido pela maioria dos ministros. O Ministro João Oreste Dalazen considerou que houve desconformidade no procedimento adotado pelo sindicato com a regra de seu próprio estatuto. art.4. seja pelas exigências estabelecidas no art. Ronaldo José Lopes Leal — DJU 15.2010). AUSÊNCIA DO . Após a manifestação do suscitado. O estatuto do sindicato admitia a instalação de assembleia em segunda convocação com "o número que houvesse" de associados. parágrafo único). do CPC" (TST — RODC 789773 — SDC — Rel. operadores) que inviabiliza a comprovação do quorum estatuído pelo art. art. de algumas lideranças sindicais".1993). poderá o dissídio coletivo ser ajuizado pelas federações correspondentes e. AÇÃO COLETIVA DE NATUREZA ECONÔMICA. Nessa ação. art. o sindicato profissional. Conforme dados do processo. ou mediante intermediação administrativa do Órgão competente do Ministério do Trabalho. a autocomposição dos interesses coletivos em negociação promovida diretamente pelos interessados. 1 (DJU 27. ao final. devendo este obter uma ata do ocorrido. afirmou o ministro. se a prevalência fosse do quorum fixado no estatuto. O interessado que não conseguir efetivar a negociação coletiva direta com a parte contrária poderá solicitar a mediação do órgão local ou regional do Ministério do Trabalho. IV. 612 da CLT. Recentemente. 114. total ou parcialmente. efetivamente. Charqueadas. poderá ser ajuizada a ação de dissídio coletivo". segundo o qual somente quando "frustrada.2002). bem como a não comprovação de que tenham as partes. que declarou contar com 2. 612 da CLT. LEGITIMAÇÃO DA ENTIDADE SINDICAL AUTORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES DIRETAMENTE ENVOLVIDOS NO CONFLITO (DEJT divulgado em 16. o TST decidiu que o quorum mínimo de um terço dos presentes (CLT. EXTINÇÃO DO PROCESSO. O TST vem entendendo que a propositura de dissídio coletivo de natureza econômica durante a vigência de convenção ou acordo coletivo implica ausência de interesse processual. 219 do RITST. ILEGITIMIDADE ATIVA AD CAUSAM. sem julgamento do mérito. Quando não houver sindicato representativo da categoria econômica ou profissional. realizou uma assembleia em cada uma das localidades. da Constituição da República e 616.2. sob pena de indeferimento da representação inicial ou de extinção do processo. o sindicato entendeu que o número de presentes nas reuniões era suficiente para colher assinaturas e passar a representar a categoria. a própria Constituição condiciona o ajuizamento da ação de dissídio coletivo ao prévio exaurimento da negociação coletiva ou impossibilidade de recurso das partes à arbitragem (CF. Com base nesse entendimento. como se depreende do seguinte julgado: "RECURSO ORDINÁRIO. É o que se infere do seguinte julgado: "DISSÍDIO COLETIVO — AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS DE CONSTITUIÇÃO E DE DESENVOLVIMENTO VÁLIDO E REGULAR DO PROCESSO. pode sofrer regulação restritiva para que se configure seu legítimo exercício. 612) prevalece sobre as regras fixadas no estatuto da entidade sindical suscitante. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. acarretam a extinção do processo sem julgamento do mérito nos termos do art. Ficaram vencidos o Ministro Luciano de Castilho e o Relator do processo. A ausência.600 associados em sua base territorial.600 associados. AJUIZAMENTO NA VIGÊNCIA DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. § 29 . nos termos dos arts. da CLT. Min. 267.11. o TST havia editado a (já cancelada) Jurisprudência Normativa n. bastaria que apenas um associado estivesse presente em cada uma das assembleias para que se considerasse o sindicato autorizado a negociar por toda a categoria de comerciários. Juiz Luiz Philippe Vieira de Mello Filho (TST-RODC 731917/01). a SDC julgou extinto sem resolução do mérito um dissídio coletivo ajuizado pelo Sindicato dos Empregados no Comércio nas cidades de Guaíba. as assembleias em segunda convocação reuniram 241 comerciários da base de 2. nem sempre legítimos. da Constituição da República). 114. 3. 114. (14) Ver também OJ SDC/TST ns. É importante assinalar que a jurisprudência do TST tem sido rigorosa quanto ao exaurimento da negociação prévia como condição da ação coletiva stricto sensu. o que violava o art. na falta destas. mas nenhuma das reuniões ocorreu em primeira convocação por inexistência do quorum previsto no estatuto do sindicato — de metade mais um dos associados. Nenhuma ação de dissídio coletivo de natureza econômica será admitida sem antes se esgotarem as medidas relativas à formalização da convenção ou acordo coletivo. in verbis: AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO PRÉVIA. evitando que preponderem os interesses.6. que no caso seria de 867 sindicalizados. SINDICATO-SUSCITANTE. A legitimidade da entidade sindical p ara a instauração da instância contra determinada empresa está condicionada à prévia autorização dos trabalhadores da suscitada diretamente envolvidos no conflito. 2 9. 857. § 2 2). pressuposto indispensável ao ajuizamento da ação (inobservância do art. De outra parte. nos autos. Dalazen votou pela extinção do processo sem exame do mérito. 7 e 8. total que não atendia o mínimo previsto na CLT. Interesse Processual Quanto ao interesse processual. pelas confederações respectivas. Eldorado do Sul. seja pelo aspecto cultural do empresariado brasileiro e dos próprios sindicalistas. São Jerônimo e Arroio dos Ratos (RS). o que nem sempre é fácil implementar. no âmbito de sua representação (CLT. O Ministro João Oreste Dalazen afirmou que.3. tentado a prévia composição do conflito. "A liberdade sindical. 5. Para tanto. as partes esclarecerão os pontos em relação aos quais houve acordo e as matérias litigiosas. 17 e 18.1182 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1183 DISSÍDIO COLETIVO CONTRA EMPRESA.

114 da CF. Ora. Dissídio coletivo e Emenda Constitucional n. Porto Alegre: Síntese. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO. Min. 5 2 . 45. lesado ou ameaçado de lesão. O inciso XXXV do art. por parte do réu. DJU 10. . assegura o amplo acesso à prestação jurisdicional na hipótese de lesão a direitos fundamentais. XXXV. impugnando as cláusulas e condições postuladas pelo autor (suscitante). 267 do Código de Processo Civil" (TST-RODC-20. Orientação Jurisprudencial n. inciso XXXV. De nossa parte. Ao revés. pelo fato de que. cremos que o inciso XXXV do art. Q ajuizamento de ação coletiva de natureza econômica na vigência de convenção coletiva. Também pensamos que a concordância tácita pode ser extraída do comportamento do suscitado na audiência de conciliação ou ao contestar a ação de dissídio coletivo.1184 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1185 EDITAL DE CONVOCAÇÃO. A nosso ver. valendo o silêncio como concordância tácita.. n. reconhecidos pela Constituição ou pela lei. enquanto outros sustentam ser uma condição. 52. da CF/1988). Parã uns é pressuposto processual. nas quais sustentam. De outro giro. concordância tácita. Min. 3432-4/DF (rel. 114 da CF/1988. 199. 45/2004. A exigência do "Comum Acordo" No que tange à pleonástica expressão "comum acordo" contida no § 22 do art. SDC — Rel. No mesmo sentido. os que sustentam a inconstitucionalidade da nova exigência imposta pela EC n. da ação. manda com os seguintes argumentos: Ação direta de inconstitucionalidade em face do § 2 Q do art. VI do art. VI). quais sejam: as disposições legais mínimas e as convencionadas anteriores. Há. 16. ac. ainda. viola o inciso XXXV do art.6. na forma do inc. com a redação dada pelo art. regendo as relações de trabalho entre as categorias profissional e econômica envolvidas. em determinado prazo. 1 2 da Emenda Constitucional n.1.2. os tribunais do trabalho não aplicam o direito preexistente ao caso concreto. 45/2004. com redação dada pela EC n. mas silencia-se sobre a inexistência de comum acordo para a propositura do dissídio coletivo. destinado à categoria profissional representada pela entidade sindical suscitante. Enoque Ribeiro dos. arts. há divergência doutrinária sobre o seu enquadramento jurídico-processual. de natureza abstrata. se na audiência de conciliação o réu apresentar contraproposta ou na contestação o réu se manifesta sobre o mérito da pretensão. pelo contrário. há de se interpretar que houve. Sabe-se que tramitam no STF algumas Ações Diretas de Inconstitucionalidade ajuizadas por entidades sindicais de trabalhadores. p.148/2005-000-02-00. 5 9 da CF. Vale dizer. uma vez que a garantia do° acesso ao Judiciário ocorre nas hipóteses de lesão ou ameaça a direitos individuais. que sustenta o descabimento da tese da inconstitucionalidade do "comum acordo". 5 9 da CF não se mostra violado pelo novel § 2 9 do art. O poder normativo da Justiça do Trabalho. posiciona-se Enoque Ribeiro dos Santos. no exercício de função legislativa atípica051. Extinção do processo sem resolução de mérito que se decreta. parece-nos que a expressão "de comum acordo" não significa que as partes deverão obrigatoriamente subscrever em conjunto a petição inicial do dissídio coletivo. Cezar Peluso) Procurador-Geral da República emitiu parecer pela improcedência da de. sem o mútuo consentimento das partes no dissídio coletivo de natureza econômica não há necessidade de intervenção do Estado-Juiz para prestar o serviço jurisdicional. o dissídio coletivo de natureza econômica não tem por objeto proteger direito preexistente. sua restrição pode ser levada a efeito por meio de reforma constitucional. respeitando-se os novos limites impostos pelo § 2 2 do art. Em outros termos. manifestar sua concordância ou não com o ajuizamento da demanda coletiva. na linha do art. Daí a natureza constitutiva desse tipo especial de ação coletiva. por supostamente afrontar o princípio da Inafastabilidade do Judiciário (art. pois a sua ausência implica ausência de interesse processual. Será expressa quando houver um documento assinado por ambas as partes interessadas concordando com a propositura da ação coletiva. pois cria novos direitos entre os representantes das categorias econômica e profissional. 45/2004.2006). na modalidade necessidade (CPC. 5 9 da CF.11. Assim sendo. que o § 2 9 do art. de 8 de dezembro de 2004. agora "podem decidir o conflito" e estabelecer novas condições de trabalho e de remuneração para a categoria. Considerações sobre as teses jurídicas da exigência do "comum acordo". mas. no exercício do poder normativo. por meio dele o que se pretende é criar direito novo. 8'2 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. (15) SANTOS. em decorrência da ausência do edital de convocação da categoria para a assembleia geral dos trabalhadores em que se autorizaria o sindicato representante da categoria profissional a ajuizar a ação coletiva. 45/2004. sem que seja violada a cláusula' pétrea que estabelece o princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário. jan. Revista Síntese Trabalhista. Essa concordância poderá ser tácita ou expressa. configura a falta de interesse de agir do Sindicato-Suscitante. Gelson de Azevedo.2. 114 da CF. em linhas gerais. a exigência do mútuo consentimento para o ajuizamento do dissídio coletivo de natureza econômica é uma condição da ação. 39 e 267. 114 da Constituição. 114 da CF em função da nova redação dada pela EC n. em período muito anterior à data-base. coletivos ou difusos. Será tácita quando houver prova de que uma parte tenha convidado a outra para. Ilegitimidade ativa ad causam que também se verifica. por meio do poder normativo especialmente atribuído à Justiça do Trabalho. em típica atividade jurisdicional. 3. 29 da Seção Especializada em Dissídios Coletivos deste Tribunal. da Constituição da República. por não ser atividade substancialmente jurisdicional. não está abrangido pelo âmbito normativo do art. ANÁLISE DE OFÍCIO. Na ADI n. Basta que uma delas comprove que a outra concordou com a propositura da demanda coletiva. sem que se tenha ressalvado a possibilidade de continuação ou reabertura de negociaçãO durante a vigência do ajuste ou demonstrado a ocorrência de fato imprevisto e imprevisível posterior à celebração do instrumento coletivo que justificasse a alteração das condições pactuadas mediante a intervenção do Poder Judiciário. 2006. que consagra o princípio da inafastabilidade do acesso ao Poder Judiciário e assegura o direito de ação.

conforme já vimos em outra parte desta obra. Dissídio coletivo extinto. nos termos do inciso VI do art. trouxe mudanças significativas no âmbito dos dissídios coletivos. CONSEQUÊNCIA.06) ajuizamento. in fine). a. 114. 5 da SDC/TST. Min. sem se importar com a discordância dos suscitados. o pressuposto da concordância do demandado não existia e a parte suscitante tem direito adquirido ao processo de dissídio coletivo. 114 da Constituição da República. DISSÍDIO COLETIVO AJUIZADO ANTERIORMENTE À PROMULGAÇÃO DA EMENDA CONSTITUCIONAL 45. arts. Recurso Ordinário de que se conhece e a que se dá provimento" (TST-RODC 562/2004-000-06-00. Para finalizar este tópico. 267 do CPC. A jurisprudência desta Corte consagra o entendimento segundo o qual o comum acordo exigido para se ajuizar dissídio coletivo de natureza econômica. conforme previsto no § 2° do art. VI do art. DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. AUSÊNCIA. nos termos do inc. 72. DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Kátia Magalhães Arruda. A rigor.2007). 61. 3. 45/2004. realizada em Brasília-DP"). DISSÍDIO COLETIVO DE NATUREZA ECONÔMICA. à luz do art. não comporta execução. CONSTITUCIONALIDADE. que pode ser expresso ou tácito. João Batista Brito Pereira. somente o Poder Executivo tem competência para deflagrar o processo legislativo que permitirá o aumento da remuneração do servidor público ou concessão de qualquer outra vantagem (CF. 267 do CPC. por não ter carga condenatória.032009. da CRFB) previsto como necessário para a instauração da instância em dissídio coletivo. possibilitando que os entes sindicais ou a empresa decidam sobre a melhor forma de solução dos conflitos. que dispõe sobre condições da ação. é a jurisprudência da SDC/TST: "DISSÍDIO COLETIVO E AGRAVO REGIMENTAL EM DISSÍDIO COLETIVO. do art. A jurisprudência vem considerando juridicamente impossível o dissídio coletivo de natureza econômica ajuizado por sindicato dos servidores públicos em face de pessoa jurídica de direito público. Possibilidade Jurídica do Pedido Há alguns julgados do TST que apontam no sentido de que o "comum acordo" é pressuposto processual: "RECURSO ORDINÁRIO. impõe-se a extinção do processo sem resolução de mérito. DJU 27. Expressa e oportuna discordância do suscitado com a instauração do dissídio coletivo. ART. IV. 114. sem julgamento do mérito. não pode ser exigida em relação aos Dissídios Coletivos suscitados antes daquela data. Dadas as características das quais se reveste a negociação coletiva. Vale dizer.0. SDC — Rel. 1. AUSÊNCIA DE COMUM ACORDO.6.000.2007). DA CRFB. § 2 2. é importante trazer a lume o Enunciado n. II. 2 e 18 de agosto de 2004. § 2 2. SDC. Min. não fere o princípio do acesso à Justiça o pré-requisito do comum acordo (§ 2 2 . 8 de setembro de 2004) tendo sido infrutíferas as tentativas de acordo. 09. uma vez observados os seus pressupostos específicos.09. Preliminar que se acolhe para extinguir o processo sem resolução do mérito.10. 114. SDC. 114 da Constituição da República.br>. conforme a OJ n. 267. do CPC" (TST-AG-DC167901/ 2006-000-00-00-00. Segundo esse verbete. FALTA DE COMUM ACORDO. § 2 2 . pois.9. j. § 2 2 . Hipótese de impossibilidade jurídica do pedido em dissídio coletivo ocorre quando o sindicato postula o deferimento de cláusula que estabeleça vinculação da remuneração ao salário mínimo.7.anamatra. com a redação conferida pela Emenda Constitucional n. j. 114. 16. tal como inscrito no § 2 2 do art. Hipótese em que se configura a falta do comum acordo exigido no art. .08. in verbis: DISSÍDIO COLETIVO. de forma que restou demonstrado o atendimento do pressuposto essencial da negociação prévia da época do seu Entendemos por impossibilidade jurídica. DEJT 27. 35 aprovado na 1 9 Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho. AUSÊNCIA DE VULNERABILIDADE AO ART. EMENDA CONSTITUCIONAL N. quando foi ajuizado. A Emenda Constitucional 45 entrou em vigor no dia 31. e 169. INEXIGIBILIDADE ANTES DE SUA VIGÊNCIA. É o direito adquirido ao processo.2006). Rel. estar-se-á dando aplicação retroativa à norma constitucional que instituiu pressuposto processual. 2. Nesse sentido. condição da ação prevista no § 2 2 do art. da Constituição Federal. a existência de veto expresso no direito positivo que impeça o deferimento da pretensão deduzida em juízo. A Emenda Constitucional 45. § 1 9. ART. A manifestação expressa da empresa em contrário ao ajuizamento do Dissídio Coletivo torna inequívoca a ausência do comum acordo. o não cumprimento (17) Disponível em: <www. VI. Do contrário. 114.11.2007. nesse caso.12.2004. 3.12-00. constitui-se pressuposto processual cuja inobservância acarreta a extinção do processo sem resolução do mérito.03. A alteração que vem suscitando maiores discussões diz respeito ao acréscimo da expressão 'comum acordo' ao § 2 2 do art. 114 da Constituição da República. "COMUM ACORDO. Min. 114. sem o mútuo consentimento. COMUM ACORDO. ART. DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. tendo em vista que a exigência visa a fomentar o desenvolvimento da atividade sindical. para instaurar o dissídio coletivo de natureza. § 19). ac. do CPC" (TST-RODC 2520/2007-00004-00. Recurso Ordinário de que se conhece e se nega provimento" (TST-RODC 244/2006. Rel.2009). DJ 21. SDC. § 2 2 . 267.org. "RECURSO ORDINÁRIO. de 8 de dezembro de 2004. Os autos revelam que foram realizadas várias reuniões na fase de negociação (nos dias 12 e 21 de julho de 2004. 114 da Constituição da República. 45/2004. 1186 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1187 Assim. Carlos Alberto Reis Paula. IV. vigentes à época em que o suscitou. o caso seria de improcedência da pretensão deduzida no dissídio coletivo. visto que. (16) Interessante que o julgado fala em pressuposto processual e invoca o inciso VI do art.3. e não de extinção sem resolução de mérito. DJU 30. nos termos do art. O debate gira em torno do consenso entre suscitante e suscitado como pressuposto para o ajuizamento do dissídio coletivo. Sentença Normativa A decisão proferida em DC (sentença normativa). 267 do CPC. data de sua publicação. há vedação expressa na própria Constituição Federal (art. portanto a concordância do suscitado como pressuposto para o desenvolvimento válido do Dissídio Coletivo. Essa circunstância é o quanto basta para que se dê regular processamento ao feito.

da Lei n. logicamente. sob pena de nulidade (CF.: abono de faltas. Nesse sentido é a OJ n. é exigência constitucional explícita. sindicais — dizem respeito às relações entre os sindicatos ou entre estes e as empresas que figuram no dissídio coletivo.7. compondo conflito de interesses constantes de pauta reivindicatória que empolgou o dissídio coletivo. 856 a 875 da CLT. permitindo sua atuação nas empresas etc. art. alínea b. desde que omissa a legislação obreira e a migração normativa não seja incompatível com os princípios e com os procedimentos dessa espécie de demanda coletiva. As sentenças normativas. 769 da CLT. por ter vigência temporária. 277 do TST estabelece que "as condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa vigoram no prazo assinado. PRESCINDIBILIDADE (INSERIDA EM 07. 7. 2 2 . o entendimento consubstanciado na Súmula n. . HOMOLOGAÇÃO. A fundamentação de qualquer decisão judicial. 3. na medida em que permite o seu cumprimento definitivo antes mesmo do seu trânsito em julgado. deverá traduzir. julgar. a efetividade da decisão fica condicionada à propositura da ação de cumprimento. e guardar adequação com o interesse da coletividade". preservação do meio ambiente de trabalho etc. a aplicação subsidiária do direito processual comum. 873). podem criar as seguintes cláusulas ou condições: Outros sustentam que ela produz tanto a coisa julgada formal quanto a material. admitindo. uma vez que o parágrafo único. caput). a teor do art. Procedimento O dissídio coletivo tem seu procedimento especial regulado nos arts. possui natureza de acordo coletivo ou convenção coletiva. do referido artigo. por carência superveniente do interesse processual (necessidade/utilidade). formal). como não poderia deixar de ser. 10.. a "sentença normativa deverá ser publicada no prazo de quinze dias da decisão do Tribunal". 269 e 485. Nos termos do §1 2 do art. Nos termos do § 2'2 do art. 397 do TST.8. sob pena de nulidade. 872 da CLT proíbe que na ação de cumprimento possam ser rediscutidas as matérias de fato e de direito já decididas na sentença normativa. sociais — versam sobre garantia no emprego e outras vantagens sem conteúdo econômico. sendo suficiente. 3. então ela está apta a produzir a coisa julgada material (CPC. a sentença normativa produz coisa julgada meramente formal. segundo o qual a sentença normativa produz apenas a coisa julgada formal. a decisão que puser fim ao dissídio coletivo "será fundamentada. "os recursos ordinários interpostos contra as decisões proferidas pelos Tribunais Regionais do Trabalho em ações rescisórias e mandados de segurança pertinentes a dissídios coletivos". à sessão especializada em dissídios coletivos "julgar as ações rescisórias propostas contra suas próprias sentenças normativas". É desnecessária a homologação. 3. Outro argumento é o de que a sentença normativa não comporta execução. 34 da SDC/ TST: ACORDO EXTRAJUDICIAL. Para nós.1. inciso XXVI . para que surta efeitos. que é calcado na chamada cláusula rebus sic stantibus.1998). Ora. Logo. Ex. 10. 93. se cabe ação rescisória contra sentença normativa. reajustes. sua formalização perante o Ministério do Trabalho (art. JUSTIÇA DO TRABALHO. é preciso dizer que a Súmula n. que é também uma ação de cognição. 12 da Lei n. em seu conjunto.. os contratos". Finalmente. por Tribunal Trabalhista. 79. de forma definitiva. c. são cláusulas relativas a salários. da Constituição Federal). não integrando. Na verdade. a sentença normativa faz coisa julgada material (e.192/2001. econômicas — geralmente.701/88 dispõe expressamente que compete. versam contribuições assistenciais a serem descontadas em folha.. 614 da CLT e art. Sentença Normativa e Coisa Julgada Será que a sentença normativa produz coisa julgada? Para uns. há a possibilidade do dissídio coletivo de revisão (CLT. Além disso. a sentença normativa não teria a característica da imutabilidade da res judicata. arts.12.192/2001. porém. Homologação de Acordo Extrajudicial Se as partes firmam acordo extrajudicial não há necessidade de sua homologação pela Justiça do Trabalho. in fine. nos termos do inciso II. aliás. garantia dos dirigentes sindicais. abonos pecuniários etc. e sim à propositura da ação de cumprimento. pois o art.2. Não é este. originariamente. art. IX). em última instância. obrigacionais — estabelecem multas para a parte que descumprir as normas coletivas constantes da sentença normativa. cabendo-lhe. ou seja. como fixação de piso salarial. nos dissídios de natureza constitutiva (ou dissídios de interesses). a justa composição do conflito de interesse das partes. Geralmente. do acordo extrajudicialmente celebrado. o acordo extrajudicial firmado entre sindicato e empresa (ou entre sindicatos). o que implica a automática extinção do dissídio coletivo correspondente.1188 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1189 espontâneo da sentença normativa rende ensejo não à execução do julgado. 1. 12 da Lei n. do art.7.

da CLT. tanto nos dissídios individuais quanto nos dissídios coletivos. as custas. haverá concordância tácita. 789 da CLT. já que compete à União legislar sobre direito processual (CF. As sentenças normativas produzem coisa julgada com eficácia ultra partes. não integrando.709. b) os motivos do dissídio e as bases de conciliação (Lei n. art. a única delegação legalmente permitida para a prática do ato previsto no art. Na verdade. da CLT. distribuído a relator e revisor. caput. na sessão de julgamento (Lei n.8. 10.192/ 2001. a partir do dia imediato ao termo final de vigência do acordo. 616. pois os seus limites subjetivos estendem-se aos integrantes das categorias que figuraram como parte na demanda coletiva. OJ n. o que nos parece lógico e razoável. art. 858 da mesma consolidação dispõe que a representação será apresentada em tantas vias quantos forem os reclamados e deverá conter: a) designação e qualificação dos reclamantes e dos reclamados e a natureza do estabelecimento ou do serviço.701/88. mas proposta de criação de novas normas ou interpretação de normas antigas. O TST tem exigido que as cláusulas constantes da petição inicial devem estar devidamente fundamentadas. De acordo com o parágrafo único do art. estão disciplinadas no art. 866 da CLT. o art. 870.07. A conciliação nos autos do dissídio coletivo é tentada numa única audiência.1. Custas No processo do trabalho. § 32. manifestado pela criação de regras jurídicas. II — Ressalva-se da regra enunciada no item I o período compreendido entre 23. a competência para os dissídios coletivos é da SDC. REPERCUSSÃO NOS CONTRATOS DE TRABALHO. o processo será. No dissídio coletivo. 616. o TST editou a Súmula n. 860). 867 da CLT. Interpretando tal norma. 862). o processo deverá ser extinto sem resolução do mérito. 277. podendo apresentar a solução que entender pertinente para a solução do conflito (CLT. 8. convenção ou sentença normativa em vigor. quando ajuizado o dissídio no prazo do art. pois a petição inicial é sempre escrita. não há falar em julgamento extra ou ultra petita.1190 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1191 O ajuizamento do dissídio coletivo. com nova redação dada pela EC n. I — As condições de trabalho alcançadas por força de sentença normativa.02. uma vez que está em debate o interesse abstrato de toda uma categoria profissional ou econômica. Aliás. poderá o órgão judicial competente aplicar analogicamente o art. conforme a abrangência territorial do conflito ou a representação das entidades sindicais que figuram nos poios da relação processual. convenção ou acordo coletivos vigoram no prazo assinado. A decisão que homologa tal acordo é também uma sentença normativa.1995. de 14. Em seguida. in verbis: SENTENÇA NORMATIVA. a sentença normativa vigorará: a partir da data de sua publicação. 11). pois a sentença. I) e há norma legal expressa disciplinando a matéria. De modo que não há lugar para revelia ou confissão. 860 da CLT é a prevista no art.12. antes da distribuição do feito. como já destacado. 856 da CLT. Firmado o acordo ou frustrada a conciliação. deve ser fundamentada. 3. art. Havendo acordo. O Presidente do Tribunal não fica adstrito às propostas das partes. sob pena de nulidade (CF. parece-nos que se o autor do dissídio coletivo de natureza econômica não colacionar documento comprobatório da concordância do réu com o ajuizamento da demanda. manifeste sua concordância ou não com a "instauração" do dissídio. No TST. convenção ou sentença normativa. art. na fase de conhecimento.2001. convertida na Lei n. político. 7. no prazo assinalado. o feito é submetido a julgamento pelo Tribunal Pleno (ou outro órgão especial previsto no regimento interno). detém a competência funcional. CONVENÇÃO OU ACORDO COLETIVOS. que é o mais comum. art. razão pela qual a decisão a ser proferida transcende à iniciativa das partes.542. formulada por entidade sindical da categoria profissional. o que é de duvidosa constitucionalidade. ou da categoria econômica dirigida ao presidente do Tribunal Regional do Trabalho ou do Tribunal Superior do Trabalho. Decorrido o prazo sem manifestação do réu. inclusive a normativa.1992 e 28. 114 da CF. 32). Não se admite o dissídio coletivo verbal. que é designada exclusivamente para tal fim. 93. O procedimento do dissídio coletivo é de total flexibilidade. ou oral. para alguns. mediante sorteio. econômico e social. 22. TST/SDC. da CLT e determinar a intimação do réu para que. § 32. quando ajuizado o dissídio após o prazo do art. que. já que nela se busca o exercício do poder normativo. o Presidente submete o dissídio ao Tribunal para ser homologado. na data do ajuizamento. em virtude de ausência de normas formais. os contratos individuais de trabalho. pois nele não há pedido. ou. de forma definitiva. presidida pelo Presidente do Tribunal (CLT. Tendo em vista o disposto no § 2 2 do art. art. instituídas em dado contexto jurídico. O MPT poderá emitir parecer escrito. ou quando não existir acordo. 1. Alguns regimentos internos de tribunais atribuem tal competência ao Vice-Presidente. in verbis: . VIGÊNCIA. 10. IX). revogada pela Medida Provisória n. 45/2004. nos termos do art. 12. em que vigorou a Lei n. Se o réu não concordar expressamente no prazo assinalado.192. é feito por meio de petição inicial escrita. in casu. uma "decisão normativa". § 1 2 .

se este for indeterminado. 3. na hipótese de litisconsórcio em que os litisconsortes sejam total ou parcialmente sucumbentes (CLT. Não demonstrada. nos autos do dissídio coletivo (decisão normativa). sobre o valor da causa. que não faz alusão à necessidade de vista ao requerido para se manifestar acerca do pedido. Recurso Ordinário Da sentença normativa cabe recurso ordinário ao TST. §§ 3 2 e 42). No caso de recurso. 789. Sobre essa medida provisória. naqueles em que apenas emitiu parecer oral ou escrito (LC n. § 1 2 As custas serão pagas pelo vencido. parágrafo segundo. as partes vencidas responderão solidariamente pelo pagamento das custas. as custas serão pagas pelo vencido. 789. pois incumbe à parte. total ou parcialmente. art. art. sobre o valor que a decisão ou Presidente do Tribunal fixar (CLT. tanto nos dissídios coletivos em que for parte (DC de greve) como naqueles em que atuou como custos legis. as custas relativas ao processo de conhecimento incidirão à base de 2% (dois por cento). calculada sobre o valor arbitrado na decisão (CLT. 75/93. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. IV.1 supra. a parte interessada poderá interpor embargos de declaração (CLT. sobre o valor da causa. IV. dispõe a OJ n. 897-A. art. III. Desnecessária a remessa do processo ao órgão especial.701/88. constitutiva ou mista. o TST firmou o seguinte entendimento: "AGRAVO REGIMENTAL— DESPACHO QUE DEFERE PEDIDO DE CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO A RECURSO ORDINÁRIO INTERPOSTO CONTRA DECISÃO PROFERIDA POR TRT EM DISSÍDIO COLETIVO — Inexistência de cerceamento de defesa. O artigo quatorze da medida provisória mil trezentos e noventa e oito de noventa e seis compatibiliza-se com o contido no artigo cento e quatorze. na defesa do próprio interesse. e Lei n. art. Se não houver recurso. art. Em caso de acordo. calculadas sobre o valor arbitrado na decisão. 895. na hipótese de acordo firmado nos autos do dissídio coletivo e homologado pelo Tribunal.64 (dez reais e sessenta e quatro centavos) e serão calculadas: I — quando houver acordo ou condenação. do texto constitucional. CARACTERIZAÇÃO. pois. No caso de recurso ordinário. II — quando houver extinção do processo. o recolhimento das custas e a juntada do respectivo comprovante de pagamento no prazo alusivo ao recurso. III — no caso de procedência do pedido formulado em ação declaratória e em ação constitutiva. O prazo para o recurso ordinário é de oito dias. obter os cálculos necessários para efetivar o preparo. § 32 Sempre que houver acordo. as custas serão pagas e comprovado o respectivo recolhimento pelo vencido (total ou parcialmente) dentro do prazo recursal (oito dias).701/88). II. 789. art. se este for indeterminado.9. Nos dissídios individuais e nos dissídios coletivos do trabalho. DESERÇÃO. o pagamento das custas caberá em partes iguais aos litigantes. art. sobre o respectivo valor. incisos cinquenta e quatro e cinquenta e cinco. 75/93. 27 da SDC/TST: . pois cabe ao interessado obter os cálculos para o respectivo preparo. A deserção se impõe mesmo não tendo havido intimação. Incumbe ao recorrente. VI). rateada entre suscitante e suscitado. sem julgamento do mérito. segundo dispõe o art. nas ações e procedimentos de competência da Justiça do Trabalho. art. bem como nas demandas propostas perante a Justiça Estadual. VI. §§ 1 2 e 2v). 83. na hipótese de sentença terminativa (CPC. que é uma ação de natureza preponderantemente declaratória. e calculadas valor da causa ou. só caberá recurso ordinário por parte do Ministério Público do Trabalho (LC n. 83. (grifos nossos) CUSTAS. depois de transitada em julgado a sentença normativa.398/96 facultava ao Presidente do TST conceder efeito suspensivo ao recurso ordinário da sentença normativa. cuja competência para conhecê-lo e julgá-lo é da SDC (Lei n. 789. como já ressaltamos no item 3. O MPT está legitimado para interpor recurso ordinário. pois permite que o presidente do TST restrinja. 7. CPC. após o trânsito em julgado da decisão. O deferimento do efeito suspensivo requerido tem assento em regulação legal. sobre o valor que a decisão ou Presidente do Tribunal fixar (CLT. da Constituição Federal. b. solidária das partes vencidas. se de outra forma não for convencionado. a ofensa ao artigo quinto. ou seja. § 5g). sobre o que o juiz fixar. Alegação de inconstitucionalidade da medida provisória que autoriza a concessão de efeito suspensivo ao recurso manifestado contra sentença normativa. § 42). por não se configurar imprescindível a manisfestação daquele colegiado no caso concreto. art. dada a ausência dos elementos que justifiquem o encaminhamento. ou pelo Presidente do Tribunal. 535). e calculadas sobre o valor da causa ou. IV — quando o valor for indeterminado. as custas serão de responsabilidade: do suscitado. do suscitante. ou seja. art. o juízo arbitrar-lhe-á o valor e fixará o montante das custas processuais. as custas serão pagas e comprovado o recolhimento dentro do prazo recursal. 7.8. observado o mínimo de R$ 10. consubstanciada na medida provisória mil trezentos e noventa e oito de noventa e seis. sob pena de deserção. da CLT.1192 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1193 Art. §§ 1 2 e 22). 1. Nesse sentido. se for o caso. Não há obrigatoriedade de intimação da parte para o recolhimento das custas. 1% (um por cento) para cada parte. A interpretação sistemática das regras constantes do preceptivo em causa autoriza-nos dizer que no dissídio coletivo. § 22 Não sendo líquida a condenação. 789. § 42 Nos dissídios coletivos. no exercício da jurisdição trabalhista. Na hipótese de omissão da sentença normativa a respeito das custas. A Medida Provisória n. 267) ou se o dissídio coletivo for julgado totalmente improcedente. na hipótese de sentença normativa total ou parcialmente procedente. 72. ou julgado totalmente improcedente o pedido.

r Vale dizer. ainda. por exemplo. da Lei n. 3. que prescreve: — Ao Presidente do Tribunal Superior do Trabalho é facultada a designação de audiência de conciliação relativamente a pedido de concessão de efeito suspensivo a recurso ordinário interposto à decisão normativa da Justiça do Trabalho. A ausência de prova nesse sentido impede o sobrestamento da demanda que visa alcançar o comando jurisdicional contra o descumprimento das cláusulas inseridas no instrumento normativo" (TRT 2 2 R. nega-se provimento ao agravo regimental cujas razões respeitam meramente ao conteúdo das cláusulas estabelecidas na sentença normativa já impugnada mediante recurso ordinário" (TST-Agravo Regimental em Efeito Suspensivo n. j.2. Nesse sentido: "AGRAVO REGIMENTAL. Paulo Augusto Câmara. Rel. antes de designar audiência prévia de conciliação. Tendo o colendo TST deferido o pedido de efeito suspensivo a recurso ordinário em DC. 26.2004. Rel. salvo se concedido efeito suspensivo pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho". as consequências concretas do efeito suspensivo. querendo. o recurso ordinário interposto da sentença normativa terá sempre efeito suspensivo. na restituição dos salários e vantagens pagos. Tem sido admitida. para. o qual. aprovando a Instrução Normativa n. pratica ato meramente discricionário. 246 do TST reforça a tese da relativização do efeito suspensivo do Recurso Ordinário interposto de sentença normativa ao permitir a ação de cumprimento. Rel. O exercício da prerrogativa de que tratam os arts.5. salvo se o recurso ordinário for julgado antes do término do prazo". § 62. 44 T.. dispondo que "a sentença normativa poderá ser objeto de ação de cumprimento a partir do 20 2 (vigésimo) dia subsequente ao do julgamento. III — O Ministério Público do Trabalho. o requerente/recorrente deverá demonstrar a existência do fumus boni iuris e do periculum in mora.10. Imprópria a invocação de ofensa ao artigo noventa e três. insere-se no âmbito do arbítrio do Ministro Presidente do Tribunal Superior do Trabalho. inciso nove. conceder ao requerido o prazo de 5 (cinco) dias. RO em Rito Sumaríssimo 00964. 32 T. a decisão deve ser adequada aos respectivos limites. in verbis: O recurso interposto de decisão normativa da Justiça do Trabalho terá efeito suspensivo. Rel. 00032). 7 2.2003). ainda que provido.5.2003 (DJU 9. Luis Felipe Lopes Bóson. Belo Horizonte.5. 7. as condições respectivas constarão de ata. DJMG 5. plenamente cabível o ajuizamento de ação de cumprimento objetivando o cumprimento de decisão normativa" (TRT da 3 2 Região. sem necessidade da extinção do processo sem julgamento do mérito" (TRT 34 R. de 14 de fevereiro de 2001. 10. a ação cautelar incidental ao recurso ordinário.10. Francisco Fausto. unânime. RO 15907/02. estabelecer. discricionariamente.1. A atual jurisprudência desta corte. de 21 de dezembro de 1988.2001. 10.2004. Nos termos da iterativa jurisprudência do colendo TST. fundada no acórdão ou na certidão de julgamento. e 14 da Lei n... Agravo regimental a que se nega provimento" (TST — AGES 455174/ 1998 — SDC — Rel. EXECUÇÃO IMEDIATA. TST deverá ser objeto de inequívoca prova pela parte interessada.5. 8. visto que devidamente motivada a decisão.1194 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE C URSO DE D IREITO P ROCESSUAL DO T RABALHO 1195 provisoriamente. como.000. a sentença normativa é exequível a partir do 204 (vigésimo) dia subsequente ao do julgamento. "AÇÃO DE CUMPRIMENTO — CUMPRIMENTO IMEDIATO.2. DJMG 12. Visando à operacionalização do art.008. dispõe. Aviso prévio proporcional. na medida e extensão conferidas em despacho do Presidente do Tribunal Superior do Trabalho.192. Em não havendo margem para que se cogite de equívoco ou extravasamento de limites legais pelo juízo monocrático.2003). p. Atualmente.2004). independendo do trânsito em julgado.. Não tendo sido conferido efeito suspensivo pelo Presidente do TST à cláusula concernente ao reajuste salarial. SDC do TST. Conforme entendimento majoritário perfilhado na Súmula 246 do c. dispensável o trânsito em julgado da sentença normativa para a propositura da ação de cumprimento. "SENTENÇA NORMATIVA. por intermédio da Procuradoria-Geral do Trabalho.192. de 2. 9 2 do mesmo diploma legal previa que o "efeito suspensivo deferido pelo Presidente do Tribunal Superior do Trabalho terá eficácia pelo prazo improrrogável de 120 (cento e vinte) dias contados da publicação.2005. da Constituição Federal. Ermes Pedro Pedrassani. "AÇÃO DE CUMPRIMENTO — SUSPENSÃO PARCIAL DO RECURSO ORDINÁRIO CONTRA A SENTENÇA NORMATIVA. 24.2003.02.2003. Sete Lagoas. o art.701/98. de forma que não há qualquer impedimento à execução imediata. facultando-se ao Ministério Público do Trabalho emitir parecer oral. apenas para limitar o reajuste dos salários da categoria a 16%. Reajuste salarial.701.192/2001. Sobreveio o § 62 do art. DJU 23. DJU 12. em despacho (rectius. 22. sendo. Para tanto. independentemente do seu trânsito em julgado. j. não importa A Súmula n. Min. RO 00065-2004-039-03-00-0. enquanto as partes serão notificadas. em decisão fundamentada). 120. j.5. o TST editou a Resolução n. em .2005). unânime. Deferimento parcial de concessão de efeito suspensivo a fim de limitar a eficácia de cláusula ao índice de reajustamento expressamente autorizado pela legislação salarial vigente à época da data-base da categoria.1999. consubstanciada na Súmula 246 do TST. 14 da Lei n. de 14. 10. 13. Eventual recebimento do apelo com efeito suspensivo pelo c. na hipótese. manifestar-se sobre o pedido de efeito suspensivo. O recurso ordinário interposto contra a decisão proferida pelo Regional no julgamento do dissídio coletivo tem efeito meramente devolutivo e. objetivando que o Ministro Relator defira liminar para emprestar efeito suspensivo ao recurso ordinário da sentença normativa. DESPACHO PROFERIDO EM EFEITO SUSPENSIVO.6. 72696. hora e local da realização da audiência. mas de mera faculdade conferida à Instância Superior de fazê-lo sempre que julgar adequado. IV — Havendo transação nessa audiência. Min. 4 4 T. é no sentido de que não pode o prazo do aviso prévio ser ampliado para além de trinta dias por decisão judicial.. da Lei n. será comunicado do dia. unânime. 14 da Lei n. TST.2003). indicar as cláusulas que podem produzir efeito imediato e as que deverão aguardar o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pela SDC. ATO DISCRICIONÁRIO. seguindo a orientação do excelso STF. sendo que o art. a abrangência da decisão proferida em sentença normativa regional aos limites da jurisprudência desta corte e às regulações legais mínimas de proteção ao trabalho. DOE. cabendo ao Presidente do Tribunal ad quem (TST).2. Juiz Lucas Vanucci Lins. j. II — Poderá o Presidente do Tribunal Superior do Trabalho. 7. tendo em vista não se tratar da pura aplicação da regra processual.

2 da SDC/TST: É inviável aplicar condições constantes de acordo homologado nos autos de dissídio coletivo. que está disciplinado nos arts. que nem o Presidente do Tribunal nem o Ministério Público do Trabalho têm legitimação para a propositura do dissídio coletivo revisional. Essa norma. de pelo menos três quartos dos empregadores e três quartos dos empregados. Segundo o art. nos termos do art. de comum acordo. ou da decisão normativa. 869 da CLT. Parece-nos. pelo Tribunal que houver proferido a decisão. na própria decisão.1196 CARLOS HENRIQUE BEZERRA LEITE CURSO DE DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO 1197 seguida.10. será o processo submetido ao julgamento do Tribunal. extensivamente. Parece-nos que o DC de extensão. aos demais empregados da empresa que forem da mesma profissão dos destinatários originais do DC. § 2 2. a nosso ver. sorteado Relator. § 2 2. 114 da CF. o Tribunal fixará a data em que a decisão deve ser cumprida. às partes que não o subscreveram. Decorrido o prazo para a manifestação dos interessados. se o dissídio coletivo decorrer de acordo coletivo frustrado. depende de concordância dos sindicatos que figurarem nos poios ativo e passivo da lide coletiva ou. A validade da extensão dos efeitos da sentença normativa a todos os empregados da mesma categoria profissional. que submeterá o acordo à apreciação da Seção Especializada em Dissídios Coletivos. e sim cumprido. bem como o prazo de sua vigência. desde que repute a matéria de alta relevância. a decisão sobre novas condições de trabalho poderá também ser estendida a todos os empregados da mesma categoria profissional compreendida na jurisdição do Tribunal: por solicitação de 1 (um) ou mais empregadores. 868 e seguintes. ex officio. pois sendo este uma espécie de dissídio de natureza econômica. 3. ou de qualquer sindicato destes. poderão fazê-lo. De acordo com a OJ n. 871 da CLT. não é executado. 868 da CLT. Havendo extensão dos efeitos da sentença normativa. sendo certo que não se trata de DC de Greve. por solicitação de 1 (um) ou mais sindicatos de empregados. 114. Trata-se de um dissídio derivado do dissídio coletivo de natureza constitutiva (de interesse). segundo o art. das associações sindicais ou de empregador ou empregadores no cumprimento da decisão. por solicitação da Procuradoria da Justiça do Trabalho. por provocação do MPT ou de uma das entidades sindicais. seja em parecer escrito. 874 da CLT. nos termos do art. por força do art. como nova redação dada pela EC n. por força do § 22 do art. 45/2004. 3. da CF. tem lugar quando decorrido mais de um ano da vigência da sentença normativa. V — O Presidente do Tribunal Superior do Trabalho poderá submeter o pedido de efeito suspensivo à apreciação da Seção Especializada em Dissídios Coletivos. 870 da CLT. na primeira sessão ordinária subsequente ou em sessão extraordinária designada para esse fim. 873 a 875 da CLT. porém. seja em parecer oral na sessão de julgamento. deverá marcar a data em que ela entrará em vigor. A competência para julgar o dissídio coletivo revisional é do mesmo tribunal prolator da decisão revisanda. 45/2004 ao art. Trata-se do juízo de equidade conferido ao Tribunal. da CF. poderá o tribunal competente. o qual não poderá ser superior a quatro anos. do MPT. Dissídio Coletivo de Extensão Em caso de dissídio coletivo que tenha por objeto estabelecer nóvas condições de trabalho. não poderá mais ser instaurado de ofício. E a razão é simples: há necessidade de mútuo consentimento. está em harmonia com a nova redação dada pela EC n. Os interessados terão prazo não inferior a trinta nem superior a sessenta dias. Dissídio Coletivo Revisional O dissídio coletivo revisional. da CLT. somente as partes interessadas. o dissídio coletivo revisional poderá ser promovido por iniciativa do Tribunal prolator. exceto se observado o procedimento previsto no art. . como as condições que se hajam tornado injustas ou inaplicáveis. e ouvido o MPT. sendo certo que a nova sentença normativa será proferida depois de ouvido o MPT. se julgar justo e conveniente. para que se manifestem sobre a extensão dos efeitos da sentença normativa.11. quando a sentença normativa respectiva tiver fixado condições de trabalho que se tenham modificado em função de circunstâncias alheias à vontade das partes. Importa assinalar que. estender tais condições de trabalho. por ter natureza econômica. o que obstaculiza a legitimação ministerial. 114. AÇÃO DE CUMPRIMENTO O conteúdo da sentença normativa. tal como acontece com a eficácia das normas jurídicas de caráter geral e abstrato. Se a decisão do 4. e no qual figure como parte apenas uma fração de empregados de uma empresa. Tribunal concluir pela extensão dos efeitos da sentença normativa. É o que dispõe o art.