Palestra Perícia Contábil Trabalhista Curso CCT_Dimas_2011 Texto para o Site

Perícia Contábil na Justiça do Trabalho

Palestra proferida na Unisa Santo Amaro, em 22/02/2011 e na OAB Regional de Santo Amaro, em 03/09/2011

Curso de Cálculos Trabalhistas
Prof. J. Dimas Lopes

São Paulo, Fevereiro de 2012

UNISA ± Universidade de Santo Amaro

ÍNDICE

1. Perícia Definição
1.1 Perícia como Prova

2. Perícia Contábil e Perícia Trabalhista - Definições
2.1 Perícia Contábil 2.2 Perícia Trabalhista

3. Perícia e Auditoria 4. Perícia e o Processo Trabalhista
4.1 Procedimentos da Fase de Execução

5. O Processo como um Banco de Dados

6. Justiça do Trabalho uma Justiça Especializada

7. Erros Comuns ocorrentes nos Processos 8. Sobre o Curso de Cálculos Trabalhistas CCT 2011

9. Alguns Assuntos Tratados no Curso

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1.

Perícia Definições
Considerando âmbito judicial que é o nosso foco neste encontro trazemos dos dicionários Houaiss e Caldas Aulete, as seguintes definições: Dicionário Houais incidente do processo, relativo à prova, que consiste em confiar a um ou mais especialistas o encargo de fornecer ao juiz os elementos que lhe permitam tomar decisões t Dicionário Caldas Aulete Parte de um processo judicial que consiste em confiar a especialistas a incumbência de fornecer ao juiz os elementos que lhe permitem tomar uma decisão.t

1.1. Perícia como Prova
O Prof. Martinho Maurício Gomes de Ornelas, na introdução de sua obra Perícia Contábil (Editora Atlas, 3ª edição) nos dá uma excelente explicação quanto à prova pericial : A aplicação da expressão prova pericial, de uso genérico no Judiciário, é adotada quando queremos referir-nos a prova técnica, ou seja, quando os fatos alegados pelas partes são de natureza científica ou artística, para os quais o magistrado vai precisar de opinião de um especialista, no caso, o perito. t

2.

Perícia Contábil e Perícia Trabalhista - Definições

2.1. Perícia Contábil
Perícia Contábil é a produção de prova com aplicação das técnicas e das tecnologias e procedimentos contábeis. t O prof. Antonio Lopes de Sá define em sua obra Perícia Contábil (Editora Atlas, SP, 4ª edição) que As aplicações dos conhecimentos científicos, para prestarem utilidade a ser humano, são suas tecnologias. E a seguir, postula que a diferença entre técnica e tecnologia : a primeira provém do empírico; a segunda do científico. Em seguida oferece uma definição de perícia contábil, bastante ampla:
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t Perícia contábil é a verificação de fatos ligados ao patrimônio individualizado visando oferecer opinião, mediante questão proposta. Para tal opinião realizam-se exames, vistorias, indagações, investigações, avaliações, arbitramentos, em suma todo e qualquer procedimento necessário à opinião.t Como podemos observar a Perícia Contábil contempla uma grande amplitude.

2.2. Perícia Trabalhista
A perícia trabalhista muito pouco se utiliza das técnicas contábeis, é muito mais a aplicação de técnicas de levantamentos, de análises e de cálculos, para adequação dos resultados ante a interpretação da legislação e dos comandos dos julgados (das decisões) nas ações, muito embora aplique métodos contábeis, de auditoria, de investigação, de estatística e aritmética e outros, em momentos específicos e de acordo com o objeto das ações trabalhistas. O conhecimento contábil tem aplicação prática e direta na perícia trabalhista quando há necessidade de compulsar livros contábeis e fiscais para verificações e levantamentos de registros e sistemas de informações das empresas. Um exemplo prático vivido em um processo foi a averiguação da capacidade financeira de uma empresa que, alegando motivo de força maior por redução vendas, de rentabilidade e de capacidade financeira, demitiu vários funcionários estáveis (cipa e outras garantias) sem pagar as indenizações do período estabilitário. Neste trabalho foram aplicadas puramente técnicas de verificação contábil (auditoria) e análise de balanços, e o resultado foi a comprovação de que a empresa, embora tenha tido uma queda vertiginosa de faturamento, manteve a rentabilidade e a margem de lucro uma vez que procedeu aos ajustes necessários em tempo hábil. Outro momento foi a verificação dos livros contábeis e fiscais de uma empresa de comércio de calçados para verificação dos registros das vendas para apuração de diferenças d e comissões. Um terceiro trabalho foi a avaliação e apuração de resultados da empresa visando demonstrar sua capacidade de arcar com os débitos trabalhistas pois o Sindicato denunciou na justiça a suspeita de que a empresa não teria condições de arcar com os compromissos. Enfim, em 20 anos de atuação a aplicação de técnica contábil pura ocorreu apenas três vezes. Não se está aqui dizendo que os conhecimentos contábeis sejam dispensáveis para o exercício da profissão de perito trabalhistas, muito pelo contrário, os conhecimentos de um contador facilitam, e muito, a análise dos sistemas de informações e documentos das empresas.

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Em resumo temos que :

Perícia Contábil
y

Perícia Trabalhista

y

y

y

Atua nos Sistemas de Informações y Atua nos Sistemas de Informações Contábeis e Fiscais das entidades envolvidos com as Relações Trabalhistas (da Área de Recursos Muito raramente se aplica para deslindes Humanos principalmente) de conflitos trabalhistas y Embora possa atuar em outras O universo da perícia contábil é o áreas das entidades, patrimônio das empresas e o poder eminentemente, busca soluções para público questões oriundas das relações de trabalho Tem maior amplitude por atuar num universo maior y Está mais afeta aos patrimônios pessoas (trabalhadores)

3.

Perícia e Auditoria
Mais uma vez nos valemos da citada obra do Prof. Antonio Lopes de Sá (Perícia Contábil, 4ª Edição, Editora Atlas, SP) que estabelece algumas diferenças entre Perícia e Auditoria. t Perícia contábil não é o mesmo que auditoria contábil, pois variam em causa, efeito, espaço, tempo e metodologia de trabalho.t t A perícia serve a uma época, a um questionamento, a uma necessidade; a auditoria tende a ser a necessidade constante, atingindo um número muito maior de interessados, sem necessidade de rigores metodológicos tão severos; basta dizer que auditoria consagra a amostragem e a perícia a repele, como critério habitual.t t A Auditoria tem como objetivos normais a maior abrangência, a gestão como algo em continuidade, enquanto a perícia se prende à Especificidade, tem caráter de Eventualidade, só aceito o Universo Completo para produzir opinião como Prova e não como Conceito.t

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Sem entrarmos no mérito da dicotomia entre as duas tecnologias, podemos estabelecer alguns parâmetros entre ambas: PERÍCIA
y Perícia é específica, atende ao um fato em um

X
y É

AUDITORIA dinâmica, continuidade aplicada no contexto de

momento

y Não

aplica a amostragem como técnica principal

y Consagra amostragem como técnica essencial y Emite opinião como conceito y Âmbito geral da empresa. Opinião sobre a

y Emite opinião como prova concreta e conclusiva y Atua no universo completo do objeto da perícia y Atende aos quesitos das partes e do Juízo y Não se dirige a público externo, apenas aos

contabilidade, resultados e da gestão em geral sociedade poder público

y Opinião com objetivos específicos para a

interessados envolvidos na lide

y Tem como objetivo o público externo

4.

Perícia e o Processo Trabalhista
O processo como regra geral compreende três fases principais: Fase de Instrução, Julgamento e Execução. A Perícia Contábil no âmbito da Justiça do Trabalho, geralmente ocorre em dois momentos processuais: na fase de instrução e na fase de execução. A Fase de Instrução é quando o Juiz move o processo no sentido de acumular o maior número de informações para formação de suas convicções visando um julgamento justo da lide. Neste momento, pode ser necessário o concurso da perícia no sentido de fornecer subsídios quanto à existência ou não do direito alegado. Encerrada a instrução processual, segue-se a fase do Julgamento, quando o Juiz, tendo reunido todos os elementos, analisa todos os fatos e provas produzidas, forma a sua convicção, emite seu entendimento sobre a matéria e dá o seu veredicto, o decisum . Se nesta fase de Julgamento o Juízo entender que os elementos constantes dos autos ainda não são suficientes para formação de sua convicção, ou for alegado fato novo por qualquer das partes, pode converter o julgamento em diligência e completar a instrução incluindo eventual elaboração de perícia.

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Julgado o processo, prolatada e publicada a sentença, as partes têm prazos para dela recorrer, cabendo a oposição de Embargos Declaratórios, Recurso Ordinário e ainda Recurso de Revista. Os Embargos Declaratórios são questionamentos das partes rogando ao Juiz esclarecimentos sobre fatos obscuros ou incompletos ou erro material na sentença. Os Recursos são apelações à instância superior no sentido de requerer a revisão da aplicação do direito pelo inconformismo da parte vencida. O Recurso Ordinário é dirigido ao Tribunal Regional (TRT) e o Recurso de Revista é postulado no Tribunal Superior do Trabalho (TST). Das decisões dos Tribunais Regionais também cabem Embargos de Declaração e Recurso de Revista para o TST. No TST podem também ser opostos embargos de declaração dos Acórdãos prolatados. Enquanto não se exaure todas as possibilidades de recursos não dá início à fase de execução, salvo a execução provisória, que está sujeita às alterações que porventura ocorrerem por determinação das instâncias superiores, que podem até decretar a improcedência da ação. A terceira fase é a da Execução ou de Liquidação, que é o momento onde há a maior concentração de atuações da perícia uma vez que para liquidação da ação é necessária a apuração do quantum debeatur , ou seja do quanto é devido, é a transformação dos direitos deferidos em valores econômicos, expressos monetariamente em moeda corrente.

4.1. Procedimentos da Fase de Execução
A execução pode ser Definitiva ou Provisória . Enquanto o processo tramita em instâncias superiores pode haver a execução provisória por parte do autor, visando a celeridade processual, cujo preparo vai até a penhora o que é procedida através um processo auxiliar , denominado Carta de Sentença , que passa a fazer parte dos autos principais quando estes retornam à vara de origem. A execução definitiva da sentença, ocorre nos próprios autos e pode se dar de três formas (artigo 879, da CLT): a) b) c) por simples cálculos; por artigos e por arbitramento.

Por simples cálculos entende-se a situação em que todos os elementos estão nos autos, não necessitando de qualquer outra medida ou ato do juízo ou das partes, para promoverem a liquidação. Basta simplesmente que o calculista colete as informações, aplique-se-lhes a técnica e apure os valores.
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Na situação de liquidação por artigos, há a necessidade de busca de elementos fora dos autos para completarem as informações. Como por exemplo não foram juntados todos os cartões de ponto necessários para apuração das horas extras. Neste caso, a pedido da parte autora, o Juízo determina que a parte Ré apresente os documentos necessários. Quando não ha elementos suficientes nos autos e não sejam conseguidos fora deste, a liquidação se processa por arbitramento. Nestas circunstâncias, via de regra, o Juízo se auxilia da opinião de um profissional especializado. Com mais ênfase, aqui a atuação de um perito trabalhista.

5.

O Processo como um Banco de Dados

Ao iniciar os trabalhos de perícia o profissional deve estabelecer um roteiro para sua consecução, que podem ser os passos a seguir. a. b. c. d. e. f. Leitura e Análise das peças dos autos, documentos, atas, depoimentos, decisões interlocutórias, despachos, etc., ou seja, leitura acurada do Banco de Dados do processo; Interpretação e resumo das Decisões do Processo; Listagem e Determinação das verbas deferidas a serem apuradas; Análise da Documentação identificando as bases para apurações das verbas; Escolha de um modelo de cálculo existente ou a criação de um novo Cálculos Conceitos e Critérios de

Levantamento dos Dados, ordenação das informações, estruturação das fórmulas de cálculo, preparação de tabelas auxiliares (índices, taxas, alíquotas, valores e padrões legais) Tratamento dos Dados com auxílio de informações externas ao processo;

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oluclá C ed soi ré ti r C e so tiecno C

soda D sod o tne ma ta r T

lageL e aB s

oda tlu eR s

o seco rP s on seõ ice D s soda D ed e aB s

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Informações Externas como, Índices de Atualização Monetária, Tabela de Índices de Remuneração das Contas Vinculadas do FGTS, Tabelas de Valores de Seguro Desemprego, de Vale Transporte e Salário Família, Tabelas de Alíquotas e Faixas e Tetos de Contribuição de INSS, Tabelas de alíquotas e Faixas de Contribuição de IRRF, e outras informações requeridas para elaboração dos cálculos. Simultaneamente o profissional deve ter a certeza de que domina totalmente a legislação associada e observar os critérios técnicos previstos na lei e as tecnologias a serem aplicadas, que deverão nortear a perícia, para o adequado Tratamento dos Dados. Um dos grandes dilemas que surge na fase de liquidação é exatamente a falta de informações (Base de Dados) nos autos da ação, que permitam a liquidação por simples cálculos . Na maioria das vezes as partes municiam o processo de forma incompleta. O autor (ou Reclamante), porque geralmente não guarda os documentos da relação de emprego, que pode abranger décadas. De outro lado, sendo da parte contrária, o ônus da prova : quem alega tem que provar , as empresas só se apressam em apresentar a documentação necessária e suficiente para sua defesa, mesmo porque, ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo, mormente se não houver determinação judicial. Também, não é descartada a negativa das empresas de forma a dificultar ou até tumultuar o processo, evitando ao máximo a chegada na reta final, ou seja, ao momento da liquidação. Pois bem, o Processo, como um sistema de informações, como um banco de dados, se incompleto, torna a tarefa da perícia um tanto ou quanto dificultada. Junte-se a estes fatores a dificuldade dos advogados, incluindo-se os juízes, pois são antes advogados, quanto ao entendimento de cálculos e até de procedimentos das rotinas internas das empresas o que dificulta a orientação da execução. Analisando a figura retro apresentada podemos afirmar que as grandes dificuldades geralmente se localizam no bloco da Base de Dados, sem nenhum embargo de outras dificuldades que às vezes surgem. Só um exemplo. Quando da apresentação da defesa o advogado junta a documentação da empresa comprovando os pagamentos efetuados (holeriths de pagamento) e para evitar grande volume de papeis ordena vários recibos em uma única folha, o que resulta em sobreposição. Na hora de fazer as cópias para a Carta de Sentença não se toma o devido cuidado de desmontar a obra para fazer as cópias individuais e só apresenta os detalhes do último do conjunto. Obviamente que a perícia tem fazer diligência em próprios da empresa para obter as informações.

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6.

Justiça do Trabalho uma Justiça Especializada

A justiça do Trabalho é a única em nosso sistema jurídico que prescinde do advogado para postular em Juízo, ou seja, o Reclamante pode, pessoalmente, se apresentar ao serventuário da Justiça, que tomará a termo seu depoimento e estabelecer, assim, as condições de formação da lide. Também não há sucumbência na Justiça do Trabalho, exceto quando a ação é patrocinada pelo Sindicato da Categoria do postulante. Estas características fazem com que não haja, no processo trabalhista, os mesmos rigores processuais da justiça comum. (O termo justiça comum quer dizer da sua amplitude, em comparação com as justiças especializadas, como a trabalhista). Apesar da dispensa do advogado para postular na justiça do trabalho, pelas complexidades que envolvem o direito trabalhista, normalmente as pessoas buscam o auxilio de um advogado e mesmo com este patrocínio, os processos não são melhores formados e não há melhor funcionamento da Justiça do Trabalho. Talvez seja em razão de não haver sucumbência que existam tantos problemas na Justiça do Trabalho. Alega-se o que quer, prova-se o que puder, até mesmo pelas dificuldades antes citadas. E em nome da defesa do hipossuficiente, do princípio da celeridade processual ou da natureza alimentar da ação trabalhista, ocorrem situações inusitadas. Como exemplo, viu-se reconhecido em um processo o trabalho de 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano. Inimaginável, mas infelizmente, verdade. É muito comum nas ações trabalhistas alegar-se nas iniciais que a empresa não pagou corretamente as horas extras, mas sem a apresentação sequer de um demonstrativo comprovando a alegação.

7.

Erros Comuns ocorrentes nos Processos

O errar é humano, não se critica aqui o erro em si, a crítica fundamental é quanto à soberba daqueles que não aceitam corrigir seu erro, e insistem no mesmo. Na maioria das vezes esta situação se dá a partir de procedimento de cálculos das partes e, às vezes, até de perito judicial que não modificando sua posição e induz o Juízo a erro. Em resumo temos um elenco de problemas que dificultam o curso da ação trabalhista e conseqüentemente também afetam a perícia.
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1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8.

Má formulação das Iniciais com alegações sem provas; Falta de documentos e informações na instrução da ação; Falta de zelo na condução do processo e no municiamento de informações para liquidação de sentença; Interpretações incorretas das decisões e da legislação seja por falta de preparo, seja por não se preocupar em fazer o certo ; Nível de reconhecimento da atuação da perícia é muito baixo, quase geralmente considerada como um mal necessário e não como um mecanismo de auxílio da justiça; Dificuldade das pessoas em entender os cálculos, seja porque não são apresentados de forma inteligível, seja por dificuldade do próprio leitor; Não há um padrão de estrutura de laudos periciais contábeis definido; Embora o TST tenha desenvolvido um sistema, que talvez tenha tido o sentido de padronização, entretanto é muito ruim para alimentação, extremamente confuso na apresentação, enfim não atende à sua finalidade na totalidade; Erros e incompetências das pessoas envolvidas com a ação. (Erro é natural, incompetências diz respeito a não cumprir seu papel, por qualquer motivo); Mero apertar de botões um fato concreto. Toda esta gama de questões sugere a necessidade de um curso que prepare profissionais para atuação na perícia trabalhista, que seja um curso de formação e não de informação , buscando contribuir de forma efetiva para minimização dos conflitos e problemas na Justiça do Trabalho.

9. 10.

Ante esta realidade,surgiu a motivação para a elaboração de um Curso de Cálculos Trabalhistas que se propusesse a preencher estas lacunas.

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8. Sobre o Curso de Cálculos Trabalhistas CCT 2011
O curso é estruturado em títulos, tópicos e subtópicos, consubstanciado em 30 Títulos com 5 tópicos cada e mais de 100 subtópicos. : 1. Conceito É a definição do Objeto do estudo 2. A base Legal Tratando-se de Direito e relações contratuais está sempre relacionado a uma lei ou norma reguladora. 3. Critério de Cálculo Para a correta elaboração dos cálculos há a necessidade de definir quais são os critérios a serem adotados para obtenção dos resultados esperados. Os critérios podem, e geralmente assim é, serem oriundos da lei, mas também podem ter como base os usos e costumes (o chamado ´Direito Consuetudinárioµ) e são, também baseados nos critérios técnicos de contabilidade, estatística, matemática, auditoria e outras disciplinas de acordo com ao objeto do cálculo. 4. Exemplo do cálculo É desenvolvido um exemplo numérico, passo a passo, para que o estudante perceba a utilização prática e a utilidade do estudo. É uma orientação do método andragógico de ensino em oposição ao pedagógico. 5. Discussão do Tema Existem muitos assuntos que são polêmicos, outros que comportam interpretações diferentes, outros podem ter mais de um critério de cálculo, inclusive critérios de cálculos alternativos e práticos, que embora não obedeçam de forma rígida o critério legal, atende às necessidades da sociedade e são aceitos pela praticidade. É mais uma forma de aplicação do direito consuetudinário. 6. Exercícios Práticos Desenvolvimento de exercícios de fixação da base conceitual e dos critérios de cálculos, pesquisas, estudos e análise de material didático com apoio e uso da Internet, geralmente desenvolvidos pelos alunos fora do ambiente da sala de aula.

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9. Algumas Abordagens do Curso CCT 2011 Unisa.
1. Classificação das Verbas contratuais: y y y y 2. Salariais e não Salariais para efeito de INSS Tributáveis ou Isentas ou não Tributáveis para efeito de IRRF Indenizatória ou Regular ou Normal, quanto à sua origem e finalidade; Habitual ou Eventual quanto à sua ocorrência.

Limite de 44 horas semanais ou 8 horas diárias O Limite de 44 é excludente, não se aplica concomitantemente ao de 8 horas diárias Se foi estabelecido o limite de 8 horas diárias já se considera o limite hebdomadário As horas que faltarem para cumprimento da jornada não são consideradas Ao aplicar o limite semanal está implícita a aceitação

3.

Horas hexagesimal e centesimal y Hexagesimal y Centesimal = hora relógio de 60 minutos = 60 minutos corresponde ao uma hora inteira, ou seja 100%

y Os minutos correspondem a um percentual desta hora. y Exemplo de Cálculo 60 minutos = 1,00 hora 15 minutos = X hora Assim 60 15 = 100% de hora =X = = % de hora 100% ou 1 hora inteira X

Simplificando Resulta a Seguinte Fórmula: 60x = 15x1 x = 15 ÷ 60 = 25%.

No exemplo temos então: 8,15 (8h e 15 minutos, no sistema hexagesimal)
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e 8,25 (8h e 25 centésimos, no sistema centesimal) 4. Adicional noturno sem que haja pedido... Havendo horário noturno há a apuração, mesmo que não conste do pleito pois as normas são impositivas, são normas cogentes... Artigo 73, ´Caputµ e § 1°, da CLT Terá remuneração superior ao diruno a no mínimo 20%... A hora noturna será considerada como de 52,5 minutos....

5.

Cálculo da Hora Noturna (Redução Ficta da Hora Noturna)

y

Fator de Redução Ficta 60,00 ÷ 52,30

y

Transforma 52,30 de horas relógio em centesimais 30· ÷60 = 50% (0,50)= 52,50

y

Apura Fator de Redução (60,00÷52,50)=1,14285714...

Que será multiplicado pelas Horas Noturnas Apuradas (em Centesimais)

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1.1 Exemplo de Cálculo para 7,0 até 8,0 horas noturnas

Horas Horas Converte Relógio Centesimais 7,00 7,15 7,20 7,25 7,30 7,45 8,00 => => => => => => => 7,00 7,25 7,33 7,42 7,50 7,75 8,00 x x x x x x x

Fator de Horas Acréscimo Convertidas 1,14285714 1,14285714 1,14285714 1,14285714 1,14285714 1,14285714 1,14285714 8,00 8,29 8,38 8,48 8,57 8,86 9,14

6.

Cálculos envolvendo horário noturno

complexidade:

6.1 horários noturnos variados para trabalhadores : urbano rurícola e pecuarista 6.2 22:00-5:00; (COM redução ficta); 21:00-5:00, (sem redução ficta); 20:00-4:00, (sem redução ficta).

percentuais de adicional noturno; urbano rurícola pecuarista => 20%; (COM redução ficta); => 25% (sem redução ficta); => 25% (sem redução ficta).
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6.3 apuração por hora corrida no trabalho noturno e abatimento de 1 (uma) hora de descanso 22:00-05:00 8,00 horas de trabalho 5:00-06:00 1,00 de trabalho, Totalizando menos 1 de descanso Total Apurado 6.4 Cálculo Correto das Horas Trabalhadas e de Descanso 22:00-02:00 4:00 x (52,5/60) = 4,00 x 1,14285714 = 4,57 02:00-03:00 Descanso 03:00-05:00 2:00 x (52,5/60) = 2,00 x 1,14285714 = 2,29 05:00-06:00 1,00 hora diurna trabalhada na extensão = 1,00 Total de horas trabalhadas diurnas e noturnas Erro: o descanso é hora relógio, não hora ficta 6.5 Extensão da Hora Noturna A extensão da hora noturna é prevista no §5°, do art. 73, da CLT. Mas, o que significam os termos: ´horários mistos e prorrogações do horário noturnoµ, citados no referido artigo Horário misto é aquele em que o trabalhador é contratado para se ativar parte no horário diurno e parte no horário noturno. Extensão da Hora noturna diz respeito à continuidade do trabalho após o cumprimento da jornada no horário noturno e que ultrapasse o final do horário noturno (5:00 horas para o trabalhador urbano e rurícola e 4:00 para o pecuarista). 6.6 Acumulação dos percentuais (He e Adicional Noturno) Havendo horas extras em horário noturno os percentuais devem ser aplicados acumuladamente pois são institutos distintos e havendo a ocorrência simultânea devem ser ambos aplicados. Ou seja, os percentuais de enriquecimento das horas extras e os acréscimos pelo adicional noturno são independentes e devem ser aplicados pela multiplicação (os dois percentuais são concorrentes e não excludentes).
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= 8,00 = 9,00 = (1,00) = 8,00

= 7,86

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7.

Horas de Intervalo Trabalhadas - HIT A remuneração é pela hora inteira ou o tempo faltante ? (... a CLT determina que o empregador pague, com acréscimo de 50%, a hora correspondente....) ² sentido teleológico da lei ... Intervalo de 15, 20 minutos não caracteriza descanso, no meu ponto de vista. O pagamento é de uma hora, ou seja, a hora corresponde ao intervalo legal e não o tempo faltante.

8.

Reflexos em DSR s e Feriados

critério prático x critério legal

O critério legal determina que a remuneração do DSR deva corresponder a 1/6 dos ganhos da semana anterior. Como este critério é por demais trabalhoso e oneroso, critérios alternativos foram adotados e hoje são amplamente aceitos no meio jurídico e empresarial; O critério prático corresponde à apuração da média da remuneração mensal mediante a divisão dos Valores Recebidos no mês pelo Número de dias Úteis e multiplicado pelo número de DSR·s e Feriados. A fórmula pode ser dada por : VR ÷ DU x DSR

9.

Salário Hora com Remuneração Variável Calcula-se o Salário Hora Fixo e Soma com o Salário hora Variável para apuração dos valores de unidades físicas y Divisor do Salário Fixo = 220 O salário hora é apurado mediante a simples divisão pela carga horária contratual ou legal. y Divisor do Salário Hora Variável ² inclui as horas extras O salário hora é apurado comparado com o tempo despendido na obtenção do ganho.

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10. Horas Extras y y

Serviços de mecanografia

módulo de 10 minutos

Nos trabalhos permanentes de mecanografia a cada 90 minutos de atividade o trabalhador descansa 10 minutos. Para calcular este intervalo como Horas Extras há que se estabelecer quantos intervalos ocorrem na jornada.

y

Forma prática de contagem dos intervalos

Apura o n° de Horas trabalhadas e divide por 1,666666 e despreza a fração do resultado pois a fração significa que o módulo subseqüente não se completou . (1,66666 corresponde ao módulo de 100 minutos (90 de trabalho e 10 de descanso) forma um módulo, e dividindo 100/60 = 1,6666). 11. Férias em Dobro Remuneração de Férias em dobro ² CLT não inclui o terço constitucional, o artigo 137, determina o ´pagamento em dobro da respectiva remuneraçãoµ. Teleologicamente o terço constitucional e ´plusµ para não desequilibrar o orçamento do trabalhador no período de gozo de férias, para aproveitamento do tempo de férias em lazer.

12. FGTS para Depósito

aplicação dos índices do FGTS x Trabalhistas

Aplicação dos índices do FGTS x Trabalhistas
O FGTS tem índices próprios previstos em lei para remuneração das contas vinculadas, assim, nos processos trabalhistas quando se tratar da própria verba e não de acessório o índice a ser aplicado é o da Lei 8.036/90 e não da Lei 8.177/91.

13. Atualização Monetária

Competência x Época Própria

TRD ² conceitos de aplicação e resgate ² índice pós-fixado e pré-fixado TRD (Taxa Referencial Diária) é um índice pré-fixado ante o conceito de aplicação e resgate com base na média das taxas praticadas nos empréstimos interbancários entre as 20 maiores instituições financeiras do país, excluindo-se a maior e a menor. Este mecanismo de remuneração significa que um valor aplicado na data inicial será remunerado no vencimento por uma taxa convencionada, ou seja, o aplicador já sabe, na data da aplicação quanto irá receber de rendimento no resgate.
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13.1 Exemplo de Correção Monetária Jul/94
2,196197

Ago/94
2,091137

Atualização em 01/12/2000 Set/94 Out/94 Nov/94 Dez/94
2,091137 1,998749 1,998749 1,948952

Valor Atualizado

10.000,00 10.000,00 10.000,00 10.000,00 10.000,00 10.000,00

21.961,98 20.911,38 20.911,38 19.987,50 19.987,50 19.489,52

13.2 Competência x Época Própria Sempre surgiram grandes discussões, até a edição da súmula 381, do C. TST, quanto à aplicação dos índices com base no mês da µCompetênciaµ ou da ´Época Própriaµ. A Competência se refere ao mês da prestação do serviço e a Época Própria ao mês do pagamento ( na atualidade, 5° dia útil). Com a edição da súmula 381, do C. TST (Tribunal Superior do Trabalho), o assunto foi pacificado, no entanto tenho entendimento divergente como veremos a seguir. No período de vigência da TRD (a partir de Fevereiro de 1991) não há dúvida de que é aplicável o índice da Época Própria, ou seja, do mês do pagamento ² (ocorrido no mês seguinte ao da prestação do serviço) ² em razão do conceito de aplicação e resgate, uma vez que o trabalhador não tinha disponibilidade para ´aplicaçãoµ porquanto não completara ainda o mês de trabalho e não tinha disponibilidade financeira na data da fixação do índice. Período anterior à TRD ² os índices eram apurados do dia 16 de um mês até o dia 15 do mês seguinte e aplicados a partir do dia 1° do mês subseqüente ao 2° período da apuração. Desta forma parece que, neste período, faz mais sentido a aplicação dos índices no mês da competência para que o trabalhador não sofra uma defasagem muito grande em razão do período de apuração do índice, do período de trabalho e do momento do pagamento. Em resumo, o índice de atualização monetária do mês era o próprio mês do trabalho, uma vez que não há, na apuração do índice, o conceito de aplicação e resgate e o valor do trabalho é no próprio mês e não no momento da disponibilidade.
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14. Juros de Mora ² cálculo dos juros com taxas diferentes em períodos diferentes As Taxas de Juros e os Sistemas de Capitalização, Composta ou Simples, variaram conforme abaixo indicado:

De Outubro de 1966 a 26 de Fevereiro de 1987 Artigo 883, da CLT e Decreto 75/66 (aplicação subsidiária do artigo 1.062, do antigo CC, juros de 6% ao ano) = 0,5 % a.m. (capitalização simples)

De 27 de Fevereiro de 1987 a 03 de Março de 1991 Dec. Lei 2.322/87, de 26/02/87, DOU de 27/02/87 = 1,0 % a.m. (capitalização composta)

De 04 de Março de 1991 até os dias atuais Lei 8.177/91 de 01/03/91 (DOU de 04/03/91) = 1,0 % a.m. (capitalização simples)

14.1 Acumulação de Taxas em Períodos Diferentes Para apurar os juros com taxas e períodos diferentes calcula-se o número de meses do período em questão, de acordo com a vigência das taxas e sistemas de capitalização. 10 meses a 0,5% Simples e 10 meses a 1,0% capitalizados 10 meses a 1,0% capitalizados e 10 meses a 1,0% simples

Out/66 a Fev/87 10 meses 0,5% S 5,00%

Fev/87 a Mar/91 10 meses 1,0% C 10,46%

Total = 15,46% Total = 20,46%

Fev/87 a Mar/91 Mar/91 aos dias atuais 10 meses 1,0% C 10,46% 10 meses 1,0% S 10,00%

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15. Atualização Monetária X Juros de Mora Atualização Monetária é aplicada a partir da data de ocorrência do evento (Competência ou Época Própria) O Cálculo é procedido mediante a aplicação dos índices sobre o valor nominal da época. Juros de Mora são contados a partir da Distribuição O Cálculo é procedido mediante a aplicação da taxa apurada (ou da soma das taxas) sobre o valor atualizado monetariamente.

16. Quando se caracteriza a habitualidade... Não há legislação definindo o que seja habitualidade, apenas jurisprudência que se refere a ´integrações e reflexos de verbasµ µhabitualmenteµ prestadas, mas também não define o que caracteriza a habitualidade. Uma característica que nos parece está assente na jurisprudência e na doutrina é que a ´habitualidadeµ se caracteriza por três aspectos: uniformidade, periodicidade e habitualidade (que a nosso ver seria melhor caracterizada como ´regularidadeµ), no sentido de ocorrer com assiduidade ao longo de certo tempo).

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ibliografia
Definição de Perícia y Dicionário Houaiss ² WWW.uol.com.br Etimologia lat. peritìa,ae 'conhecimento adquirido pelo uso, pela experiência', der. de perítus,a,um, 'que sabe por experiência'; ver perig´incidente do processo, relativo à prova, que consiste em confiar a um ou mais especialistas o encargo de fornecer ao juiz os elementos que lhe permitam tomar decisões ´ y Dicionário Caldas Aulete ² Lexikon Editora Digital in WWW.uol.com.br [F.: Do lat. peritia,ae. Ant. ger.: imperícia.] 1. Qualidade de quem é perito, de quem demonstra mestria: 2. Destreza, habilidade: O piloto demonstrou perícia na aterrissagem. 3. P.ext. Pessoa ou grupo de pessoas especializadas em fazer exame ou vistoria de caráter técnico: A perícia chegou depressa para estudar a cena do crime. 4. Jur. Parte de um processo judicial que consiste em confiar a especialistas a incumbência de fornecer ao juiz os elementos que lhe permitem tomar uma decisão.

Obras Publicadas, Monografias e Site UOL
y Perícia Contábil ² Martinho Maurício Gomes de Ornelas
Editora Atlas, SP, 3ª edição

y Perícia Contábil ² Antonio Lopes de Sá
Editora Atlas, SP, 4ª edição Editora LTR, SP, 3ª edição

y Departamento Pessoal Modelo ² Vera Helena Palma y Curso de Cálculos Trabalhistas ² J. Dimas Lopes (ISBN ± 978-85-909588-0) y Site do UOL
http://jus.uol.com.br/revista/texto/9663/a-execucao-provisoria-trabalhista-e-as-novasperspectivas-diante-da-lei-no-11-232-2005

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