BOAS PRÁTICAS DE MANEJO E EXTRAÇÃO DE ÓLEO VEGETAL DE ANDIROBA

Elaboradores:

Marcelo S. Melo Everton C. Almeida Jurandy B. Dantas

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BOAS PRÁTICAS DE MANEJO E EXTRAÇÃO DE ÓLEO VEGETAL DE ANDIROBA .

16.58. ciências de florestas tropicais Jurandy B. e 25: © D’Arcy Albuquerque Fotografias: Acervo IBAMA | Projeto Floresta em Pé exceto pág.br Coordenador Nacional do Projeto Floresta em Pé Marcelo Santos Melo marcelo.smelo@gmail.59 e 64: © D’Arcy Albuquerque Local | ano: Santarém | 2011 Esta publicação é uma realização do IBAMA no âmbito do projeto Floresta em Pé com apoio finaceiro do Fundo Francês para o Meio Ambiente .gov.br . 35-37 e 39: © Marcelo S.Título: BOAS PRÁTICAS DE MANEJO E EXTRAÇÃO DE ÓLEO VEGETAL DE ANDIROBA Elaboradores: Marcelo S. 29. 32. Melo (IBAMA .com Coordenador local do projeto (Santarém) www. Almeida (UFOPA/IBEF) Profº. 31. projeto gráfico & revisão textual: D’Arcy Albuquerque | www. florestal/Laboratório de manejo Capa.50. 14.3.FEP/NES) Analista ambiental Everton C.florestaempe. Melo pág.FFEM | Agência Francesa para o Desenvolvimento . __________________________________________________________ Para adiquirir esta publicação ou para mais informações contate: Hildemberg Cruz hildemberg. Dantas (UFOPA/IBEF) Téc°.com.darcyalbuquerque. Msc.24.ADF.com Ilustrações: pág.cruz@ibama.

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56 Embalagem . 1. 43 1. 7 ANDIROBA. 2. 6. 4. 46 Cozimento. 34 Transporte . 48 Secagem. 3. 44 Lavagem. 28 Inventário das espécies. 12 Floração e frutificação. 7. 3. 54 Extração do óleo. 50 Preparação da massa. 52 Espera. Considerações Finais. 63 . 58 PLANO DE MANEJO . 16 Etapas do manejo de andiroba. 2. 8. Ocorrência e distribuição na floresta.Índice Apresentação. 61 Referências. 14 Formas de dispersão. 22 Onde e como realizar o manejo. 2. 3. 19 BENEFICIAMENTO. 11 1. 5.

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faltando. econômicos. para a integração destas dimensões num processo equilibrado. Santarém e municípios circunvizinhos foram o foco principal das ações do FEP para a implementação de experiências-piloto sobre manejo. . As comunidades tradicionais. para a manutenção dos valores culturais. e. CIRAD e GRET) cujo objetivo é promover e apoiar iniciativas de manejo florestal entre comunidades e empresas. fazendo com que estas parcerias possam ser qualificadas e consequentemente reconhecidas pelas políticas públicas. para a conservação das florestas. Já a exploração de produtos não madeireiros tem tido. aliar o saber tradicional ao saber científico no conhecimento dos produtos não madeireiros e repassar essa informação contribuirá para o desenvolvimento econômico. sociais e ambientais. em termos técnicos. finalmente. para a difusão das práticas de manejo e processamento dos produtos e subprodutos florestais. e. os povos indígenas e muitos colonos de assentamentos já conhecem o potencial (e fazem uso efetivo) dos recursos que a floresta dispõe. como processo de divulgação apenas o registro das técnicas tradicionais. muitas vezes. O Floresta em Pé (FEP) é um projeto de cooperação técnica internacional bilateral. IBAMA e IEB) e franceses (ONFI. A utilização destes implica em impacto mínimo ao meio ambiente quando manejados adequadamente. Há muita produção literária sobre o tema das técnicas de redução do impacto do manejo florestal madeireiro. para a sistematização do conhecimento gerado. com frequência. finalmente. composto por órgãos brasileiros (EMBRAPA. Portanto. uma abordagem que também considere aspectos técnico-científicos.ApresentAção A importância do fluxo de informações a respeito dos recursos florestais não madeireiros ainda não está suficientemente divulgada nem compreendida.

todos estes aspectos justificam a escolha do óleo de andiroba como objeto para o desenvolvimento de um manual. . no Projeto de Assentamento Moju (PA Moju). entre as espécies não madeireiras conhecidas. O óleo de andiroba se destaca como um dos mais usados pela população e pela indústria. Apresenta propriedades químicas que são benéficas ao homem. na produção de antiinflamatórios. além de contar com a contribuição de grupos produtores da Floresta Nacional do Tapajós (Flona Tapajós): São Domingos. ajudando a preservar e difundir esse saber-fazer amazônico.A andiroba (Carapa guianensis Aubl. validado cientificamente. Esta publicação pretende. Apesar destas propriedades necessitarem de mais estudos científicos para a sua comprovação. sobre a extração e produção de óleo de andiroba. ser uma fonte de referência e de registro do conhecimento tradicional. simultaneamente.). é a mais abundante nas florestas da área de atuação do FEP e tem reconhecido potencial de mercado. A experiência que serviu de base para a elaboração do manual foi desenvolvida na Comunidade de Santo Antônio. e de produtos para beleza em geral. Pedreira e Nazaré. ajudando no tratamento dermatológico.

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AndiroBA .

tal como os seringais naturais. ocorrênciA e distriBuição nA florestA A árvore de andiroba possui médio a grande porte. tais como a várzea. isto é.12 ANDIROBA 1. com tronco reto que atinge cerca de 30 metros de altura e geralmente apresenta raízes em forma de tábuas (sapopemas) em áreas onde o solo é mais arenoso ou muito úmido (várzeas e igapós) e sem sapopemas quando o solo é mais argiloso. o igapó e a terra-firme. . Na várzea. o número de árvores é maior que na terra-firme. Ocorre em parte da América Central e em toda a bacia amazônica nos seus diferentes ecossistemas. Essa densidade varia de acordo com o ecossistema a que ela pertence. Sua densidade populacional ocorre de forma agrupada. em média existem 5 árvores por hectare. em reboleiras na floresta.

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como a Carapa guianensis Aubl. mas acredita-se que seja dependente de características como: o tamanho da copa.14 ANDIROBA 2. a principal época de floração está entre os meses de agosto e dezembro. proporcionando uma baixa produção de frutos. Porém. et al. Sua época de floração é diferenciada em quase toda a Amazônia. 2007). e a Carapa procera D. os anos de alta ou baixa produção. florAção e frutificAção A andiroba apresenta 28 espécies espalhadas nos continentes americano e africano. a idade da árvore. assim como a frutificação. C. Calendário da andiroba janeiro agosto março julho maio abril . porém somente 2 espécies predominam na Amazônia. entre outros. Flor da andiroba A produção de cada árvore de andiroba apresenta algumas condicionantes que ainda não são completamente conhecidas.. Já o principal período de queda dos frutos está entre os meses de dezembro a maio (Figura 2).  Figura 1. 30 a 150 kg (Lima et al. 23 a 128 kg (Ferraz. Na região oeste do Pará. a época do ano. 1998). Os trabalhos de acompanhamento já realizados mostraram que sua produção individual anual varia entre 50 a 200 kg (Shanley. 2003) e 180 a 200 kg (SEBRAE/ AC. as observações em campo e os relatos de comunitários mostram que algumas andirobeiras florescem em outros meses do ano. novembro dezembro dezembro setembro fevereiro outubro janeiro floração frutificação  Figura 2. a exposição total ou parcial da copa ao sol. a presença ou a ausência de galhos quebrados. 2005).

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 Figura 5. perneiras. formAs de dispersão  Figura 4. por isso. NOTA: A coleta dos frutos ocorre na mesma época da queda/ dispersão. representando um risco ao coletor. Podem ser levados por animais como primatas (macacos) e roedores (cutias. que ela também é dispersa pelos igarapés que deságuam nos grandes rios. Na região das ilhas.  Figura 6. de andirobeiras com alturas aproximadas de 30 metros. Fruto danificado . Fruto com casca Os frutos da Andiroba são grandes e pesados. Fruto sem casca  Figura 3. no arquipélago do Marajó. uma vez que eles caem. torna-se indispensável o uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPI) como capacetes e. Isto indica. as comunidades coletam a andiroba na margem do rio. neste caso.16 ANDIROBA 3. no período chuvoso. assim como em outras regiões de várzea. Animais dispersores da semente de andiroba. botas e luvas. que consomem parte das sementes e outras acabam germinando (Figura 3). geralmente caem embaixo da copa ou em suas proximidades e apresentam em média 12 sementes. pacas etc.). para a proteção contra animais peçonhentos (cobras).

ANDIROBA 17 .

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plAno de mAneJo .

institutos de pesquisa e organizações comunitárias de produtores. organizações não governamentais. que é a área do imóvel rural (ou da Unidade de Conservação) a ser utilizada no manejo florestal. com finalidade comercial. serão permitidas mediante autorização do ICMBio. que é a subdivisão da Área de Manejo Florestal. e ƒ áreas inacessíveis à colheita. „ o estabelecimento de uma Unidade de Produção Anual (UPA). Portanto. a concessionária será responsável pelo requerimento de autorização ao ICMBio. é definida como Unidade de Trabalho (UT). . No PMFS é necessário realizar: „ a divisão (ou zoneamento) da Unidade de Manejo Florestal (UMF) em: ƒ área de extração (colheita). As normas e regras sugeridas para os Planos de Manejo foram construídas a partir das experiências acompanhadas por empresas. especialmente dos técnicos responsáveis. O PMFS é realizado na Unidade de Manejo Florestal. As normas devem ser de conhecimento de todos os envolvidos no manejo comunitário. nesse caso. destinada a ser explorada em um ano. nas áreas onde não há o Plano de Manejo Florestal de Uso Múltiplo. conforme as normas de uso previstas no Plano de Manejo da Unidade de Conservação. Essas definições são estabelecidas para o Manejo Florestal que tem como principal produto a madeira. as atividades de extrativismo de produtos florestais não madeireiros. ƒ áreas de preservação permanente. A legislação que regulamenta a exploração ou extração de produtos florestais não madeireiros ainda não foi definida pelos órgãos responsáveis. Na FLONATapajós. sociais e ambientais. „ o planejamento das vias de acesso/estradas por onde os produtos são escoados. mas que também pode prever a extração e a utilização de produtos florestais não madeireiros. „ a divisão da área a ser manejada (UPA) em parcelas ou talhões de colheita. as propostas de Planos de Manejo podem ser apresentadas aos órgãos ambientais competentes seguindo o que pressupõe o conjunto do conhecimento já documentado. Deve incluir medidas que visam reduzir os impactos da extração dos produtos florestais sobre a fauna e aumentar a proteção da floresta. visando à obtenção de benefícios econômicos. Nas áreas onde houver Contrato de Concessão de Direito Real de Uso. que.20 PLANO DE MANEJO Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) é o documento técnico básico que contém as diretrizes e os procedimentos para a administração da floresta.

PLANO DE MANEJO 21 .

e.22 PLANO DE MANEJO 1. etApAs do mAneJo de AndiroBA O manejo de Andiroba para a extração de óleo consiste no uso de técnicas e métodos adequados para pré-coleta. „ inventário das espécies. faz um inventário minucioso das espécies. A pré-coleta compreende: „ onde e como realizar o manejo. com base nisso. pré-coletA Esta etapa comporta tudo aquilo que é anterior à coleta propriamente dita. a seguir. Neste momento. faz uma previsão da produção e organiza a futura coleta. o proprietário seleciona a área com potencial para a realização do manejo identificando a presença das espécies e dos produtos de seu interesse. por fim. coleta e pós-coleta das sementes das andirobeiras. „ estimativa e organização da futura coleta. planeja e implementa a UMF. 1 pré-coleta 2 coleta 3 pós-coleta .

em primeiro lugar. além de uma estimativa da produção total (saca. medir e avaliar as árvores da unidade de acordo com as necessidades e objetivos do PMFS. pode-se indicar a estimativa da produção esperada por área ou por árvore (kg/ ha. identificar onde será realizado o manejo verificando o potencial das espécies de interesse e. a fim de determinar o seu ciclo e periodicidade.PLANO DE MANEJO onde e como reAlizAr o mAneJo Trata-se de. com a indicação do período no qual a coleta será realizada. A época da coleta deve ser descrita.).). localização da(s) área(s) de coleta e definição/ limpeza dos caminhos ou trilhas. Se houver um histórico de produção na região. fazer o zoneamento da área escolhida para que a futura coleta possa ser realizada com eficácia. NOTA: Este conteúdo será desenvolvido em detalhe a partir da página 28. . Após o término do inventário podemos confeccionar um mapa que irá orientar o planejamento da extração das sementes das andirobeiras ou outras espécies de interesse. estimAtivA e orgAnizAção dA coletA A estimativa da produção de sementes permite que os manejadores/coletores possam planejar a produção de óleo garantindo o fornecimento do produto de forma equilibrada. identificar. aproximadamente 4 a 5 meses antes da safra. É importante que se elabore um levantamento na época de floração. kg/árvore etc. Para a organização da coleta é preciso estabelecer um Planejamento de Coleta Anual com as seguintes descrições: número de árvores que serão coletadas. para estimar as árvores produtivas. hectolitro. 23 inventário dAs espécies Consiste em localizar. litro. NOTA: Este conteúdo será desenvolvido em detalhe a partir da página 34. etc. em segundo lugar. É através do inventário que teremos uma noção exata da quantidade e qualidade dos indivíduos na UMF.

Sementes novas de boa qualidade adequadas à coleta  Figura 8. As sementes que serão coletadas devem apresentar coloração marrom clara.24 PLANO DE MANEJO coletA A coleta comercial se dá no período de maior dispersão das sementes (pico de produção). Deve-se excluir as sementes furadas. muito leves e germinadas. pretas. quebradas. Sementes danificadas inadequadas para coleta 1 pré-coleta 2 coleta 3 pós-coleta . mofadas. Estas deverão permanecer na floresta para alimentação da fauna e perpetuação da espécie (regeneração natural).  Figura 7. roídas.

ƒ Utilizar sempre a bainha do facão para guardá-lo.PLANO DE MANEJO mAteriAl necessário 25 Para a coleta. camisa de mangas compridas. para evitar acidentes. garfo de madeira (opcional).  Figura 9. capacete. calça comprida. recomendAções ƒ Para facilitar a coleta dos frutos é aconselhavél o uso do garfo de madeira (assim evita-se pegá-los com a mão. há necessidade de se utilizar os Equipamentos de Segurança Individual (EPI). Equipamentos de Segurança Individual (EPI) . paneiro ou similar. ƒ Realizar a coleta com no mínimo duas pessoas. botas de cano longo ou perneiras. ƒ Ter disponíveis itens de primeiros socorros. prevenindo os ferimentos com espinhos e o ataque de cobras). Os EPI são: ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ ƒ luvas. ƒ Utilizar como material para coleta: sacos de ráfia.

26 PLANO DE MANEJO pós-coletA Quando acaba a coleta não acaba o trabalho do plano de manejo. e „ da floresta. Há ainda que tomar alguns cuidados importantes para garantir a continuidade da produção nos próximos anos. „ da produção. 1 pré-coleta 2 coleta 3 pós-coleta . monitorAmento e mAnutenção dA umf São as atividades que ocorrem durante o restante do ano após a coleta das sementes e consistem no monitoramento da floração e produção de frutos da espécie e na manutenção dos ramais/trilhas de acesso. Estas atividades são essencialmente o monitoramento e a manutenção: „ da Unidade de Manejo Florestal.

anotando a cada safra a quantidade produzida. de acordo com a região). Essa atividade pode ser realizada durante o inventário florestal. quando previsto no Plano de Manejo. isso porque representará redução de custos. lata ou outras. entrelaçando a copa e/ou prejudicando a produção de frutos. quando previsto no Plano de Manejo. Além disso.PLANO DE MANEJO 27  Figura 10. na comunidade de Santo Antônio | 2009 monitorAmento dA produção É importante realizar o monitoramento da produção de sementes (saca. em clareiras. o monitoramento da produção de óleo por coleta e por lote também é imprescindível. bem como a valoração do produto. Estas informações são importantes para a estimativa do custo de produção e consequentemente a remuneração dos manejadores/extratores. O plantio. deve ser realizado quando estiver estrangulando as árvores. Deverá ser anotada a quantidade produzida no armazenamento do óleo (litro. poderá ser feito com mudas ou por meio do plantio direto de sementes provenientes de andirobeira de alta produtividade. mAnutenção e proteção dA florestA O corte de cipós. Deverá ser anotada a quantidade produzida na coleta e recepção no local de beneficiamento para que seja estimada a produção de óleo. carote/galão). . Monitoramento das árvores de andiroba em parcelas permanentes.

ou seja. tipo de ocupação e outras informações. pontos de referência como estradas. Copaíba. e um mapeamento das andirobeiras produtivas. caminho de coleta. com a finalidade de identificar o potencial das espécies de interesse e definir a área para a implantação da UMF (Figura 11). curso de água. onde e como reAlizAr o mAneJo Para a realização do manejo é preciso fazer: „ a identificação da área (potencial) e „ o zoneamento ou delimitação física da unidade. mapa ou desenho que permita a localização da área de manejo. trenas ou aparelhos GPS. Este mapeamento pode ser feito utilizando técnicas de passos calibrados. contendo: delimitação da área de manejo. identificAção Nesta atividade são realizadas visitas às áreas destinadas/pretendidas para a execução do manejo. ƒ Duas pessoas que conheçam bem a área e que possam realizar uma caminhada em toda a UMF. GPS ou bússola (se disponível). Esta descrição conterá informações sobre usos. igarapés. Equipamentos de Proteção Individual . Deve-se fazer uma caracterização geral da área. alguns medicamentos e materiais para primeiros socorros. .28 PLANO DE MANEJO 2. Se ocorrerem mudanças na área. Pequiá. cantil ou garrafa com água. Cumaru. entre outras).EPI. que saiba reconhecer as árvores das espécies de interesse (Andiroba. É importante também que seja feito um croqui. acessos. trenas. é preciso atualizar o mapeamento. mAteriAis necessários ƒ Facão. pessoAl envolvido ƒ Uma pessoa experiente que tenha habilidades e conhecimentos botânicos das espécies da região.

Exemplo de divisão da propriedade .PLANO DE MANEJO 29  Figura 11.

recomenda-se a abertura de um ramal a cada 200m para que os coletores percorram uma distância máxima de 100m.30 PLANO DE MANEJO zoneAmento Após a identificação do potencial da área são realizadas as atividades de zoneamento ou delimitação física da UMF. Nas áreas de manejo onde as árvores estão bem distribuídas. igarapés. considerando a distribuição das árvores produtoras. No caso de uma propriedade rural familiar.). grotas. pois diminui a distância entre os pontos de coleta e o local de armazenamento para o transporte final das sementes (Figura 13). quando possível. Essas trilhas possuem largura de aproximadamente 1. que consiste na abertura de trilhas/ramais em todas as bordas/extremidades da UMF. sendo que esta é a primeira trilha a ser aberta e servirá como ponto de partida para as trilhas de orientação das bordas e interior da Unidade. evitando abertura de novos caminhos. que são importantes para o auxílio do inventário das espécies. nas trilhas são distribuídos a cada 25m piquetes de madeira contendo a numeração da metragem. A forma ou o formato da área. se necessário. ABerturA dA linhA BAse Consiste em abrir uma trilha/ramal na parte frontal da UMF ou da UT. assim como o estabelecimento de UT. morros. otimiza-se a coleta e diminui os esforços do coletor (Figura 13). facilitando a coleta. os “picos” de divisa entre os lotes podem ser considerados como linha base (Figura 12). ramais para o transporte das sementes por carroças com tração animal. deve ser regular (quadrada ou retangular). que servirá para orientar a equipe do inventário. carros empurrados pelo próprio manejador/ coletor ou pequenos tratores/giricos.5m. as estradas e/ou caminhos anteriormente abertos devem ser mantidos. e são construídas de acordo com a distribuição/concentração das árvores de Andiroba. pois assim. No planejamento também é feito o mapeamento dos aspectos físicos da área (rios. pode ser também conforme a distribuição das espécies e aspectos físicos do terreno. obedecendo a um espaçamento entre elas de 50m e com largura em torno de 1m. . Recomenda-se que se faça na unidade. ABerturA de trilhAs e rAmAis no interior dA unidAde Nesta atividade são feitas as trilhas de orientações dentro da unidade. áreas de cipoal. bambu etc.

PLANO DE MANEJO 31  Figura 12. Delimitação da área de manejo .

Abertura de trilhas de coleta e ramais de transporte . animais. semelhante às trilhas de seringais nativos (Figura 13) para facilitar a coleta do produto. pois estes serão as vias de acesso e trânsito da equipe da coleta.32 PLANO DE MANEJO ABerturA de trilhAs de coletA Estas trilhas ligam uma árvore à outra. NOTA: As trilhas e ramais de transporte das sementes devem ser bem mais limpos e acabados que os usados como picada de orientação.  Figura 13. carroças ou ou pequenos tratores/giricos para transporte das sementes.

a coleta de sementes.PLANO DE MANEJO pessoAl envolvido 33 ƒ Um coordenador que tenha liderança e habilidade para trabalhar com bússola e. tinta à óleo. ƒ Permite ao produtor conhecer e acompanhar a produção na área selecionada. . visitas. levarão cerca de dois dias de trabalho para alcançarem uma boa produção. cantil. lápis estaca (azul). Equipamentos de Proteção Individual. material de primeiros socorros. entre outros. NOTA: Caso os ajudantes não tenham sido treinados anteriormente. trena (30/50m). ƒ Dois ajudantes para fazerem o corte e a medição das trilhas (picadas). orientar a abertura das picadas. desvAntAgem ƒ Exige que a mão de obra seja treinada e qualificada. ƒ Garante maior precisão do inventário florestal e facilidade para a localização e seleção das árvores dentro da área. bússola. assim. ƒ Permite medir a produtividade das atividades de coleta. mAteriAis necessários ƒ Facão. vAntAgens ƒ Facilita o planejamento das atividades posteriores como o inventário.

Para a andirobeira é indicado que se faça a mensuração a partir de 10 cm de DAP (Figura 14). As principais informações de um bom inventário são: „ „ „ „ Espécies. inventário dAs espécies Os objetivos de se fazer um inventário a 100% das espécies de interesse são: ƒ localizar. Com base no inventário confecciona-se um mapa que irá subsidiar/orientar o planejamento da extração das sementes das andirobeiras ou outras espécies de interesse.34 PLANO DE MANEJO 3. ƒ identificar. . resinas. Presença e efeito de cipós na árvore. espécies Definir as espécies que deverão ser inventariadas. Altura e forma da copa. É interessante inventariar outras espécies que produzem óleo. pois na entressafra da andiroba estas podem ser uma boa fonte de trabalho e renda. diâmetro A AlturA do peito Definir o diâmetro (DAP) ou circunferência (CAP) mínimos a partir do qual se realizará o inventário. O inventário permite ter uma noção exata da quantidade e qualidade dos indivíduos na UMF ou na UT. ƒ medir e ƒ avaliar as árvores da UMF ou da UT de acordo com o estabelecido no PMFS. Todas essas informações devem contemplar os objetivos do PMFS e dependem de tempo e recursos financeiros para a sua realização. Diâmetro à altura do peito. Antes de iniciar o inventário é importante definir o tipo de informações que serão investigadas. látex e frutas.

PLANO DE MANEJO 35 Ponto de medição situado acima da sapopema ou acima da normalidade Ponto de medição (DAP) a 1.3m do solo  Figura 14. Medição do diâmetro ou circunferência (DAP ou CAP) .

 Figura 15. Sem avaliação (árvore sem copa). 4. 3. Copa completamente coberta por copas de árvores vizinhas. Copa emergente ou completamente exposta à luz. ou seja. 2. pois as copas que recebem uma boa percentagem de luz (Figura 15) e que têm uma boa formação poderão apresentar uma melhor produção (Figura 16). Copa parcialmente iluminada. parcialmente coberta por copas de árvores vizinhas.36 PLANO DE MANEJO AlturA e formA dA copA A observação da altura total da árvore e a formação da copa é importante para estimar a produção de cada indivíduo. . Classes de iluminação da copa 1. recebendo apenas luz lateral ou difusa.

37  Figura 16. Copa completa normal: árvore que apresenta a copa completa bem distribuída. Sem copa: árvore que perdeu a copa por queda de outras árvores decorrentes da exploração ou de causas naturais. Rebrotação: copa em processo de regeneração. Copa incompleta: árvore que perdeu parte da copa decorrente de causas naturais ou exploração. 5. porém mal distribuída decorrente de fatores como o crescimento no sentido da maior incidência da luz.PLANO DE MANEJO 1. Copa completa irregular: árvore que apresenta a copa completa. 4. Avaliação da qualidade (forma) da copa . após dano severo como o descopamento. 2. 3.

ƒ torta. com estabelecimento de critérios como: ƒ ataques de cupins. conforme previsto no PMFS. A infestação de cipós pode ser resultante de grandes aberturas no dossel provocadas por vendavais. ƒ doenças. ƒ saída de resinas ou latex. ƒ ataques de insetos ƒ e outras observações. deve-se realizar o corte de cipós para liberar as árvores e induzir o crescimento. ƒ entre outras observações.38 PLANO DE MANEJO presençA e efeito de cipós nA árvore Esta observação é usada para estimar o grau de infestação dos cipós nas árvores monitoradas (Figura 17). . por desbastes com grande intensidade. recomendAções Em situações de possibilidade de acompanhamento técnico e de recurso financeiro é recomendável que durante a realização do inventário também sejam identificados e registrados: „ O estado físico da árvore com estabelecimento de critérios como: ƒ bom estado. pela exploração madeireira ou. ƒ oca. Nesse caso. ƒ morta. ainda. „ A sanidade da árvore.

2. Cipós presentes.PLANO DE MANEJO 39 1. Nenhum cipó na árvore. restringindo o crescimento: fortemente atracados no fuste ou cobrindo completamente a copa. 3.  Figura 17. Classificação da presença e efeito dos cipós . sem causar danos. Cipós presentes.

cursos d’água (igarapés e grotas). EPI. cantil. além disso. além de coordenar a equipe. ficha de campo. martelo. NOTA: As coordenadas X e Y são as distâncias que são estimadas a partir das trilhas (picadas) de orientação e da trilha de limite da área (Figura 18). prancheta. áreas de cipós. ƒ Um identificador botânico (mateiro). material de primeiros socorros. que deve ser experiente e conhecer as espécies florestais. mAteriAl necessário ƒ Facão. pregos. fará a medição do diâmetro e verificará a qualidade do tronco (fuste) e da copa da árvore. além de fornecerem informações sobre clareiras. que auxiliará na medição dos diâmetros das árvores e colocará a placa de identificação. entre outros. que localizarão as árvores a serem inventariadas através das coordenadas X e Y e indicarão para o restante da equipe cada árvore a ser inventariada. será o ƒ responsável pela anotação de todos os dados/informações coletados durante o inventário. tomar decisões em casos de dúvidas. declividades (morros e ladeiras). Ele identificará cada árvore das espécies de interesse.40 PLANO DE MANEJO pessoAl envolvido ƒ Um coordenador (pode ser um técnico ou uma pessoa treinada para o serviço). . plaqueta de alumínio com a numeração da árvore. ƒ Um plaqueador. fita diamétrica. que tem como função. lápis. ƒ Dois laterais.

entre outros). rios.  Figura 19.PLANO DE MANEJO 41 vAntAgens ƒ Permite o conhecimento prévio do potencial das espécies florestais de interesse. facilitando a coleta das sementes.  Figura 18. ƒ Permite o conhecimento da quantidade e a qualidade dos indivíduos (árvores/ espécies). Monitoramento das árvores de andiroba em parcelas permanentes. ƒ Aumento do custo inicial do manejo. ƒ Registra os aspectos físicos da área (morros. grotas. igarapés. Medição das coordenadas X e Y da árvore desvAntAgens ƒ Exige a utilização de uma equipe bem treinada e capacitada. na comunidade de Santo Antônio | 2009 . ƒ Identifica a localização das árvores dentro da UMF ou da UT. possibilitando ao proprietário/comunidade um planejamento mais seguro. tipos de vegetação.

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BeneficiAmento .

pode-se utilizar paneiros ou sacos de ráfia. Caso não seja possível fazer o transporte em tempo hábil. Qualquer que seja o transporte utilizado deve-se evitar o contato das sementes com materiais contaminantes como.. dois dias após a coleta. O transporte das sementes deve ser feito em recipientes limpos e de forma arejada. que seja eficiente e que não prejudique a qualidade das sementes. combustíveis. é necessário fazer o transporte logo após a coleta. Coleta das sementes Figura 21. por isso não é recomendável aproveitar recipientes de produtos químicos (combustível. Para o transporte primário. pois além de germinarem facilmente. produtos químicos e vasilhames ou sacos reutilizados. espalhadas em estrutura construída acima do solo (como jirais cobertos com palha. por exemplo) por.44 BENEFICIAMENTO 1. trAnsporte As sementes coletadas não podem ficar amontoadas na floresta. Para que isso seja evitado. seu amontoamento propicia o ataque de fungos (mofo) e brocas. no máximo. Deve-se escolher a melhor forma de transporte. agrotóxico e outros). 4 dias.  Figura 20. O ideal é que seja feito em. as sementes devem ser deixadas fora dos sacos. ou seja. no máximo. Transporte das sementes coletadas em sacos de ráfia  . a que apresente o menor custo.

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2.

lAvAgem

Na chegada da coleta é realizada a seleção e lavagem das sementes (Figura 23), que deve ser em água limpa e, de preferência, corrente. Na lavagem deve-se, além de retirar toda a sujeira, restos de talos e o “bucho” que envolve a semente, separar as que apresentam problemas como rachaduras, ataque de larvas, fungos e outros (Figura 22). Após a lavagem, devem-se colocar as sementes em local seco e arejado ou fazer logo o cozimento, sendo esta última opção a mais indicada. Na impossibilidade de cozinhar as sementes no mesmo dia, pode-se deixá-las imersas, por no máximo, 24 horas. É preciso retirar o excesso de água das sementes antes do cozimento.

 Figura 22. Sementes com fungos

Figura 23. Lavagem das sementes.

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3. são necessários: tachos. tacho ou panela de inox ou alumínio. ou panelas grandes.48 BENEFICIAMENTO 3. pois compromete a qualidade do óleo. Cozimento das sementes. mexendo de vez em quando (pode-se acelerar o cozimento tampando o recipiente até levantar fervura). 4. através da quebra de algumas sementes. Para a retirada das sementes podem ser utilizadas conchas grandes perfuradas para facilitar o escoamento da água (Figura 24). O ideal é que se utilize caldeirão. Retirada das sementes do tacho Figura 25. 2.  Figura 24. cozimento 1. Cozinhar as sementes boas em água limpa até amolecer a amêndoa. caldeirões. para saber se a semente já está cozida. NOTA: Para o cozimento não se pode aproveitar recipientes de produtos químicos. Verificar periodicamente. Retirar as sementes cozidas do tacho. mAteriAis usAdos Para o cozimento. Atentar para a semente não cozinhar demais (a ponto de rachar a casca).  .

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A secagem está concluída quando. Podem ser utilizados sacos abertos de fibra natural ou paneiros. Manuseio das sementes no secador solar fechado (modelo simplificado) construido na comunidade da Pedreira na Flona Tapajós | 2011 Figura 28. durante o qual as sementes devem ser revolvidas pelo menos uma vez ao dia. pois acelera a secagem e utiliza melhor o calor (Figuras 26 e 27). ao quebrar uma semente e apertar a massa. deve-se fazer a limpeza antes de cortá-las. Isso deve ocorrer em um período entre 15 a 25 dias. Outra opção para a secagem é a utilização de secadores: o mais indicado é o secador solar fechado. Disposição das sementes para secagem  . pois permitem maior arejamento das sementes. secAgem Após o cozimento. deixar esfriar as sementes e escorrer o excesso de água. diminuindo o tempo de secagem e evitando a contaminação por fungos. por um período de 24 horas.50 BENEFICIAMENTO 4. quando se tratar de pequena quantidade de sementes. perceber-se a presença do óleo. Estrados de telas de arame galvanizado são mais indicadas. ou estrados de madeira com uma camada de até três sementes sobrepostas (Figura 28). É importante proteger o nariz e a boca com máscara ou pano limpo.  Figura 26. Secador solar fechado desenvolvido pela EMBRAPA na comunidade de Santo Antônio | 2010  Figura 27. NOTA: No caso da infestação de fungos nas sementes. No caso da utilização do secador solar. o tempo de espera será menor de acordo com a eficiência do secador e condições climáticas.

BENEFICIAMENTO 51 .

usando touca e roupas limpas. A massa estará no ponto. quando perceberse um brilho na sua superfície. prepArAção dA mAssA As sementes devem ser cortadas. zinco ou ferro. Corte das sementes e retirada da polpa Figura 30. ƒ No preparo manual da massa. Preparação da massa  . pode-se utilizar bacias de material plástico de boa qualidade. Para o preparo da massa deve-se utilizar utensílios de inox ou material plástico de boa qualidade (Figura 30). ƒ No caso de uso de saco plástico resistente. recomendAções ƒ Para evitar acidentes. com auxílio de uma faca.52 BENEFICIAMENTO 5. A massa pode ser preparada com um pilão ou com as mãos ou dentro de um saco plástico transparente e resistente. NOTA: É importante higienizar o local do corte das sementes e restringir acesso de pessoas e de animais para evitar contaminação. não utilizar a ponta da faca para retirada da massa da amêndoa. A polpa da amêndoa pode ser retirada com auxílio de uma colher (Figura 29). pisoteando-o. ou quando ao esmagar-se a massa com os dedos apareça o óleo.  Figura 29. descartando as que apresentarem podridão. em cima de uma tábua limpa. não se pode utilizar utensílios de alumínio. As pessoas que irão manipular a sementes devem lavar as mãos e estar em condições higiênicas adequadas. A partir dessa fase. o local de pisoteamento deve ter superfície lisa e limpa.

BENEFICIAMENTO 53 .

A massa molda em forma de pão  . para que o óleo comece a sair (Figura 32).  Figura 31. e consequentemente do óleo. tem-se o ponto ideal para que a massa seja colocada para escorrer nas bicas. ela é moldada em forma de pão e colocada em um recipiente inerte (bacias de inox ou plástico de boa qualidade). pois o óleo escorre mais rapidamente. Nessa fase deve-se ter muito cuidado para que a manipulação da massa seja feita observando-se os critérios de higiene. NOTA: As bacias ou depósitos devem ser de material inerte para que não haja contaminação da massa. Quando isso ocorre (em uma ou duas semanas). É preferível moldar a massa em forma de “pão” de tamanho pequeno. devem-se cobrir os recipientes com tela para evitar a entrada de poeira e insetos. esperA Depois que a massa está pronta. Verificação do surgimento do óleo Figura 32. Além disso.54 BENEFICIAMENTO 6.

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etc. Também não se pode reutilizar garrafas plásticas ou garrafas “pet” para armazenar o óleo NOTA: Materiais metálicos (como alumínio e zinco) ou plásticos (como lona) podem diminuir a qualidade do óleo. É importante lavar sempre as mãos antes de manusear a massa. É preciso trabalhar (mexer. enquanto na extração à sombra o óleo escorre mais lentamente. Expostas ao sol. amassar) a massa pelo menos uma vez ao dia ou quando diminuir a saída do óleo. Caso se queira fabricar a superfície de madeira para a extração do óleo. As bicas devem ficar em local que garanta a higiene. Podem ser reutilizadas garrafas de vidro escuro (âmbar). Figura 33. Extração do óleo em bicas de inox. Devem ser cobertas com tela (filó. pois durante o longo tempo que a massa fica para escorrer não há liberação de substâncias contaminantes. mas não corre o risco de endurecer. lavadas e esterilizadas. extrAção do óleo A massa é colocada em bicas para que o óleo escorra facilmente.56 BENEFICIAMENTO 7. O óleo deve escorrer diretamente em vasilhame escuro. a legislação local deverá ser respeitada e é preferível que se use madeira proveniente de árvores mortas ou caídas. relatos indicam que há maior probabilidade da massa endurecer (criar sebo). exceto embalagens de agrotóxicos e outros produtos químicos. As bicas podem ser de madeira. desde que limpas. o óleo escorre com mais facilidade. que deve ser de uso específico para a guarda do óleo de andiroba. véu. esta deve ser de andiroba. Ambos os processos precisam de manejo periódico da massa.) para evitar a entrada de poeira e insetos e permitir a entrada de ar. porém. visando acelerar e potencializar a saída do óleo. as bicas podem ficar expostas ao sol ou na sombra. O material mais indicado para confecção das bicas é o inox. plástico PVC ou inox (Figura 33). As vasilhas que aparam o óleo devem ser de inox ou vidro. sovar. No caso de se utilizar madeira.  .

BENEFICIAMENTO 57 .

3. O tempo de armazenamento deve ser o menor possível. Armazenar o óleo em vasilhames em vidro escuro para pequenas quantidades. Nestas etiquetas devem constar informações como ƒ identificação do produto como óleo de andiroba. embalagens de agrotóxico e outros produtos químicos. Podem ser utilizadas garrafas de vidro desde que sejam de cor escura. de primeiro uso (novo) e não reciclado e. Embalar o óleo para a comercialização em recipientes de 60 ou30 ml. ƒ nome do produtor.58 BENEFICIAMENTO 8. ƒ origem (local de coleta e comunidade. emBAlAgem 1. exceto.  Figura 34. NOTA: Não misturar óleo de coletas/lotes diferentes. Para grandes volumes utilizar carote/galão escuro e opaco (preto ou azul). ƒ data de armazenamento e ƒ período de extração. Coar o óleo em filtro de papel (tipo filtro para coar café) e não reutilizar o filtro. estejam limpas e esterilizadas. arejado e protegido da luz. Estes recipientes devem ter etiquetas corretas para evitar confundir produtos de origens e épocas diferentes (Figura 35). que impeça a entrada da luz. Etiquetagem das embalagens  . de preferência. lote). ƒ data de extração. 2. O ideal é que o carote/galão seja armazenado em local seco. como já se disse. Recipiente de 30 ml para comercialização do óleo Figura 35. de material plástico de boa qualidade.

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foram capacitadas para a fabricação de derivados como sabonetes e velas. Esse processo envolveu a colaboração de comunitários tanto da Comunidade Santo Antônio. uso de equipamentos e materiais inadequados com certos tipos de metais e plásticos e embalagens. na maioria das vezes. uma vez que o custo do processo de descontaminação realizado pelas empresas diminui significativamente. suas relações com o mercado e o conhecimento técnico de profissionais das instituições parceiras no Projeto Floresta em Pé e colaboradores. As comunidades. Essa atividade é indicada para os períodos de entressafra nos anos em que. tempo entre o cozimento das sementes e a obtenção do óleo. desde as técnicas de manejo até a obtenção do óleo e sua embalagem. suas experiências (acertos e erros). visando a diversificação de produtos e acesso aos mercados locais para a complementação da renda. no PA Moju.implantou importantes alterações no processo que permitiram obter óleo com maior qualidade quando comparado ao óleo obtido anteriormente. naturalmente. . Esses avanços contemplam a expectativa do mercado de óleo para a utilização em derivados como medicamentos naturais e cosméticos. Portanto. alguns critérios essenciais de garantia da boa qualidade do óleo como: a coleta de sementes e seu manuseio.considerAções finAis Ao longo desta publicação procurou-se demonstrar todo o processo necessário para a produção de óleo de andiroba. quanto da Floresta Nacional do Tapajós. fungos. ao longo do Projeto a equipe técnica. O processo tradicional de produção de óleo não observa. a presença de contaminantes como insetos. mediante capacitações junto aos comunitários e aquisição de materiais adequados.

pois alguns desses usos ainda não estão normatizados pelas agências reguladoras. pois valoriza os produtos através da qualidade e identidade. apesar de fazerem parte de costumes (tradições) populares. comprovadamente. valoriza o conhecimento tradicional. comunicação e relações para acesso aos mercados e divulgação.as andirobeiras produzem poucos frutos. capacitações. As recomendações constantes nessa cartilha. deixa o desafio da continuidade uma vez que esse processo requer investimentos de valor importante em assistência técnica. . contribuem para uma atividade florestal não madeireira que respeita os princípios da sustentabilidade. Porém. No entanto. integra efetivamente as comunidades em melhores mercados. testes de qualidade em laboratórios. aquisição de equipamentos. persistem entraves legais à comercialização dos derivados. e não possuem estudos específicos para comprovar suas propriedades medicinais.

O. & Carapa procera D.) no Estado do Acre. il.Anais do VIII Congresso de Ecologia do Brasil. 8 p.) no Estado do Acre. B. N. G. Boas Práticas de Manejo e Boas Práticas de Fabricação na Cadeia Produtiva de Óleo de Andiroba e Manteiga de Muru-Muru: 11p. J. A..referênciAs BOUFREUER. [Disponível em: http://www. – Meliaceae. 1998. K. I. L.. 36p. 2001. H. T. Brasília MMA/SUFRAMA/ SEBRAE/GTA. L. Produtos Potenciais da Amazônia. D. WADT. C. H. CIFOR. 23 a 28 de Setembro de 2007. S. INPA – Manaus/AM. 1998. SALES. Belém. & SAMPAIO.. P. 2008. M. P. SHANLEY. 2003. FERRAZ. Distribuição Fitogeográfica da espécie Carapa guianensis Aublet. Acesso em 10/09/2009] . Rio Branco . L. Subsídios Técnicos para Elaboração do Plano de Manejo da Andiroba (Carapa guianensis Aublet. MISSOURE BOTANICAL GARDEN. Manual de Sementes da Amazônia – Carapa guianensis Aublet. CAMARGO.org/name/20400362.Acre. il. 2 pp. SEBRAE-AC. 200 p.. LIMA. C. KLIMAS. FERREIRA..tropicos. Estudo Fenológico e Produção de Frutos de Andiroba (CarapaGuianensisAubl. COGNIS.. C. Caxambu – MG. Frutíferas e Plantas Úteis na Vida Amazônica. Rio Branco: SECRETARIA EXECUTIVA DE FLORESTAS E EXTRATIVISMO. MEDINA.

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