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Disciplina: Direito Administrativo Assunto: Órgãos Públicos - Teorias Coordenação do material: Filipe Picone.

TEORIAS SOBRE A NATUREZA JURÍDICA DA RELAÇÃO ENTRE O ESTADO E OS AGENTES POR MEIO DOS QUAIS ATUA

A doutrina aponta três teorias para determinar a natureza jurídica da relação entre o Estado e os agentes por meio dos quais atua, contudo as duas primeiras não prevaleceram e foram logo descartadas: 1ª) Teoria do Mandato: Nessa teoria tomava-se por base um instituto do direito privado, o mandato. Este instituto tipifica o contrato mediante o qual uma pessoa, o mandante, outorga poderes à outra, o mandatário, para que este execute certos atos em nome do mandante e sob responsabilidade deste. Via-se nesses centros de competência a figura do mandatário, os agentes públicos integrantes dos órgãos seriam mandatários do Estado. Com isso, essa teoria permitia presumir que o Estado sem os seus agentes, enquanto pessoa jurídica teria vontade própria e, em virtude desse entendimento, poderia celebrar contrato de mandato com os seus agentes. A principal crítica ou erro dessa teoria decorre era presumir que o Estado tem vontade própria. Se o estado não possui vontade própria: quem outorgou o mandato ao agente público? Esta pergunta ficaria sem resposta. Outro deslize dessa teoria diz respeito à responsabilidade do Estado se por ventura o agente exorbitasse os limites da procuração dada a ele. Se adotada essa teoria e por conseqüência o instituto do direito privado, o Estado não responderia perante terceiros quando o mandatário agisse com excesso de poderes. 2ª) Teoria da Representação: enxergava os órgãos públicos, centros de atribuições, como uma representação do Estado, como se os agentes públicos que integram esses centros de competência fossem representantes do Estado. Para esta teoria o agente público seria equiparado ao representante das pessoas incapazes, sendo assim uma espécie de tutor ou curador do Estado. A principal crítica era: ainda que o Estado seja uma ficção jurídica e não tenha vontade própria, não se pode equiparar o Estado a um incapaz, que necessita de representação. Para Hely Lopes Meirelles, entretanto era inconcebível que o incapaz outorgasse validamente a sua própria representação. Além disso, se um representante exorbita dos poderes de representação, praticando um ato ultra vires societatis, o representado não responde, sendo que na atual Teoria de Responsabilidade Civil do Estado, este deve responder. Para finalizarmos destacamos as principais críticas dessa teoria citada por Maria Sylvia Di Pietro: a) Equiparar o Estado a um incapaz; b) Implicar a idéia de que o Estado confere representantes a si mesmo; c) Quando o representante ultrapassasse os poderes da representação o estado não responderia por esses atos perante terceiros prejudicados.

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Disciplina: Direito Administrativo Assunto: Órgãos Públicos - Teorias Coordenação do material: Filipe Picone. 3ª) Teoria do Órgão: Por esta teoria, adotada amplamente por nossa doutrina e jurisprudência pátria, é possível presumir que a pessoa jurídica manifesta sua vontade por meio dos órgãos, que são partes integrantes da própria estrutura da pessoa jurídica, de tal modo, quando os agentes que atuam nestes órgãos manifestam sua vontade, considera-se que esta foi manifestada pelo próprio estado. Esta teoria foi cunhada na Alemanha pelo professor Oto Gierke, que fez uma equiparação entre a estrutura orgânica do Estado e a de um ser humano. Assim como esse, o Estado também manifesta sua vontade através de seus órgãos, de seus braços; ele seria um corpo dividido em órgãos com atribuições específicas. Assim, se um de seus órgãos causar dano a um particular, quem vai responder será o Estado, já que o órgão manifesta a sua vontade. Para Maria Sylvia Di Pietro essa teoria é utilizada para justificar a validade dos atos praticados por funcionários de fato, pois considera que o ato por ele praticado é ato do órgão, imputável, portanto, à administração. Só para esclarecer, funcionário de fato, para Celso Antônio Bandeira de Mello, “é uma expressão usualmente empregada para descrever o agente que foi investido de maneira irregular no cargo público, mas cuja situação tem aparência de legalidade”. Em nome dos princípios da aparência, da boa -fé dos atos administrativos, da segurança jurídica e do princípio da presunção de legalidade dos atos administrativos reputam-se válidos os atos por ele praticados, se por outra razão também não forem viciados. O Princípio da Imputação Volitiva vai ser trazido para a Teoria do Órgão para explicar essa situação: a atuação do órgão vai ser imputada ao Estado, já que ele não é uma pessoa. Deve-se, portanto, substituir a idéia de representação pela de presentação, de acordo com Pontes de Miranda, sendo o agente público um presentante do Estado, o próprio Estado atuando.

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