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Finalmente Porto Alegre teve a oportunidade de escrever sua página em mais um dos capítulos de uma das bandas mais

intensas e admiradas da atualidade, e digo finalmente por mérito de fatos, visto que muitas pessoas já estavam esperando com o ingresso nas mãos desde meados de fevereiro, até a triste notícia de que a banda não tocaria mais no clima de maio, dia 29 para ser mais preciso. A explicação foi simples, problemas pessoais do Zakk, mas este deixou a promessa de fazer uma turnê ainda melhor e pelo que pude presenciar, cumpriu sua palavra. Então, depois de mais de meio ano de espera, finalmente, em pleno domingo de dia dos pais, 14 de agosto, foi possível conferir o grande presente oferecido pelo BLACK LABEL SOCIETY a alguns pais e muitos filhos que lá se fizeram presentes. Provavelmente para honrar ainda mais sua palavra e agradar ainda mais aos fãs que tanto esperaram pela sua presença, o mestre carrancudo e ao mesmo tempo simpático, ofereceu uma sessão de autógrafos e fotos. Não posso deixar de lembrar que esta cerimônia foi realizada em um bar que já provou ser o mais Rock’n’Roll de Porto Alegre, Eclipse Studio Bar, com “saideiras” e “preparações para estrago” fenomenais, mais uma vez está presente oferecendo suas instalações para receber alguns fãs em um encontro histórico, muito fotografado e coordenado com muita seriedade e precisão pela equipe da Rock the Backstage. Certamente este momento renderá no mínimo muitas tatuagens com a assinatura ao estilo Wylde nos braços dos fãs mais eufóricos. Então, depois de pouco mais de uma hora de autógrafos e fotos, na tarde de clima estranho, logo veio à chuva, que parecia querer botar a prova o amor dos fãs pela banda, pois era impressionante ver a fila enorme que se formou com pessoas ainda eufóricas para ver o show mesmo embaixo de uma torrente de água que não dava trégua. Mas finalmente, com a casa bem lotada e todos já apostos em frente ao palco do grande espetáculo, e para abrir a cerimônia, entra em palco a DRACO, pontualmente as 21 horas, um grupo já muito conhecido e adorado pelos fãs do bom, velho e sujo rock’n’roll, levando sempre a frente a bandeira do Rock Pesado do Sul. Uma pena que já sabíamos que seriam poucos minutos de show e como de praxe, com o volume na metade, para deixar o brilho todo pros mestres da cerimônia, mas com isso todo mundo já está acostumado, então, iniciou um ótimo show, conduzido com maestria pelo front-man Leo James e sua trupe de amigos e excelentes músicos, Dani Wilk, Beto Pompeo e Vinícius Rymsza. Logo após a primeira música, “O Inferno é Aqui”, com muita energia e emoção de estar tocando para um público eufórico e sendo muito bem recebido, Leo apresenta a banda com sua frase já conhecida, que muitos ainda estranham, mas nada como ouvir “Nós somos a merda da DRACO, porra!!!”. Isso ai, que de merda não tem nada, só qualidade, amor e muita sonzeira. Então, nesta mesma animação, a banda ainda tocou outras ótimas obras de sua autoria, também cantadas por muitos presentes, visto que a sonoridade do rock em português permite ao público brasileiro se identificar rapidamente com as músicas, mesmo quando recém a conhece. Então, ainda entrou no set da DRACO: “Contramão”, “Vingança”, “Contrato com o Diabo”, “Nunca vou Desistir”, “Lugar Algum” e, por fim, aquela que tenho certeza ser a obra de arte de uma vida: “Louco da Estrada” que foi cantada junto com o público, uma música que já virou história no sul. Parabéns a DRACO, eles fizeram uma grande apresentação e ampliaram o espetáculo da noite. Então, logo após a apresentação de abertura, o palco já estava sendo desmontado e preparado para a grande apresentação da noite, era possível ver ao fundo uma coleção impressionante de guitarras que o mestre das harmônicas iria utilizar durante o show, só ao ver aquilo já se imaginava o que estava por vir, um palco cheio de decorações tipicamente “metaleiras”, coisa que não se vê muito nos dias de hoje, ou ao menos não se vê em um show lotado como aquele, pois ultimamente se prima mais a música do que o teatro, no entando Zakk e Cia. sabem muito bem como dosar cada elemento na medida certa. Era pontualmente 22 horas, conforme estava previsto e começou a introdução e os músicos foram entrando em palco Nick Catanese (guitarra), John DeServio (baixo) e Johnny Kelly (bateria), por fim a grande estrela da noite Zakk Wylde (vocal/guitarra/piano/harmônicas e muito feeling).

Trajando um cocar de chefe indígena americano, traje explicado pela letra, com um ar carrancudo e provando ser um exemplo vivo do estilo “old school” de ícone do metal, talvez superado apenas por Lemmy, o que nem penso em discutir, iniciou com muita garra e voracidade os riffs de “Crazy Horse” com sua primeira guitarra do show, uma bela flying V. Então finalmente estávamos diante da massa sonora que tanto se esperava, mas infelizmente a voz iniciou muito baixa, alguma coisa errada no equipamento, mas logo após o refrão já foi corrigido. Ouvi alguns comentários de que o som não estava legal em alguns pontos dentro da casa, mas acho isso muito normal, pois mesmo com boa passagem de som, a hora que a coisa pega fogo é sempre difícil controlar, principalmente por que na passagem a casa está vazia, na hora do show, a massa berrando, e impedindo a propagação do som, certamente muda tudo e o pessoal da mesa deve suar muito a camiseta, mas eu estava muito próximo do palco e lá o som estava tranqüilo para um show com tanta garra. Já era sabido que o repertório não traria nada de novo, pois a banda vem fazendo o mesmo set list em toda turnê, muitas músicas do novo álbum de 2011 “Order of the Black”, por sinal uma das grandes obras do Black Label Society, mas sou suspeito, não tenho para mim nenhum exemplo de álbum ruim. Além disso, o set em geral é curto, no máximo uma hora e meia, então o público precisava aproveitar e isso foi feito. Não há o que se falar de todo o resto da banda, pois a energia e o prazer de estar ali era visível no rosto de cada um, com muito carisma para contrabalancear o ar ogro passado pelo líder da banda. Essa vontade, aliada a muito feeling foi contagiando a planeia já na primeira música, Zakk subia nos retornos e virava um gigante emocionado com sua guitarra, apresentando ao púbico o que tem de melhor, seu feeling e técnica, mas ainda sem interação direta com o público o BLACK LABEL tocou uma seqüência perfeita de três clássicos da banda que fizeram o público interagir independentemente de qualquer coisa, pois cantavam talvez mais alto que o próprio criador delas, “Funeral Bell”, “Bleed for Me”, e “Demise of Sanity”, esta última ainda teve um trecho rápido de “Superterrorizer” ao final deixando o público com a esperança de ouvi-la por inteiro. O set não dava descanso à platéia, sem paradas nem pra respirar, que são uma característica do senhor carranca, apenas rápidas saboreadas nos copos de cerveja postados a frente da bateria, junto a caveiras e uma cruz, detalhes que deixavam o palco imponente, junto ao microfone também característico. Após os clássicos, empunha sua guitarra em formato de caixão e toca “Overlord”, já muito conhecida pelo seu clipe engraçado, fez o púbico cantar em bom tom, mas ainda mais em “Parade of the Dead” que é uma música rápida e muito direta, fez o público enlouquecer ainda mais, a prova que este último trabalho é uma obra prima. “Born to Lose” foi o próximo clássico da banda apresentado, depois de tanta maestria, peso e velocidade, começou o momento mais cadenciado e inspirado da banda, daí então foram poucos minutos para que se visse um piano em palco e logo o início de “Daskest Days”, também do “Order of the Black”, mas desta vez uma música escolhida para deixar o público em clímax total e provar que Zakk não é só velocidade, também sabe fazer baladas de peso e técnica, a música deixou todos os presentes boquiabertos com a perfeição da execução e o contraste com o que vinha sendo apresentado até então. Logos após esse momento diferenciado que Zakk fez sua primeira, e única, interação direta com o público, onde falou um pouco, de forma quase incompreensível, com muitos “motherfucker”, mas o público entendia que era algo inspirador, pois respondiam com muita vibração para o mestre da cerimônia. Assim que o momento de discurso terminou, foram necessários segundos dos acordes inicias da “Fire It Up” para que o público entrasse em êxtase novamente. Logo após Zakk ficou sozinho em palco e começou o momento do show onde ele exibe sua marca registrada, longos e emocionados solos de guitarra, porém, na minha percepção, que posso estar errado, inicialmente ele foi muito ovacionando, mas devido a seu foco na velocidade do solo e não nas melodias o público começou a ficar mais em silêncio, ouvindo e admirando, mas não tão emocionado como em alguns vídeos de solos com mais emoção e menos técnica ou velocidade. Assim que a banda voltou ao palco, o BLACK LABEL SOCIETY reunido novamente iniciou uma pedrada música: “Godspeed Hellbound”, o público novamente ensandecido cantava o refrão em máxima animação.

Para a próxima música algo especial estava por acontecer, pois Zakk Wylde e Nick Catanese “vestiram” suas guitarras de doze cordas e como já era esperado iniciaram “The Blessed Hellride”, certamente outro clássico recente da banda que desta vez o público cantou praticamente inteira. Mas foi ao iniciar “Suicide Messiah” que o show teve seu ápice, onde o público fez a casa realmente vibrar cantando muito alto e com muita emoção, como se estivessem frente a frente com o próprio Messia, foi impressionante, a tempo não ouvia tanta euforia, acho que até mesmo quem não entende uma palavra em inglês gritou junto com a massa, tamanha a pressão exercida neste momento. Uma pena que de onde eu estava, quase na grade em frente ao palco, o megafone usado pelo roadie parecia não estar nem ligado, mas isso é só um detalhe, era muito peso nas minhas orelhas para me ater a detalhes. Também foi nesta música que ocorreu aqueles momentos onde um fã se sobre-sai na sorte e atirando uma bandeira do Brasil com o símbolo do Black Label Society no centro e esta caiu exatamente sobre a mão de Catanese, momentos mágicos, que também ocorreram no show do velho Ozzy, mas geraram muita polêmica, felizmente dessa vez ninguém levou bandeiras de times de futebol. Neste momento já era visível que o show se encaminhava para seu final, talvez o público estivesse esperando por uma breve pausa e um biss, mas sabe-se que o Zakk não é chegado a este tipo de ato, então para encerrar o show vem “Concrete Jungle”, única representante do álbum “Shot to Hell”, para mim o álbum menos popular, talvez esteja errado. Então, finalmente Zakk pergunta: “Are you ready, Porto Alegre?”, pois ele sabia que estava para iniciar o grande momento da noite, esperado por muitos que também são fãs de seu velho mentor, Ozzy, assim surge os primeiros acordes de “Stillborn” e o público vai ao delírio quase que absoluto, pois está música foi muito divulgada e certamente adicionou muitos fãs a banda que estavam ali neste dia esperando para ouvi-la, seu andamento estava mais pegado, para mim pareceu diferente, talvez a edição para o clip seja diferente do que Zakk pretendia passar com ela, mas soou perfeita e a massa sonora chegou ao fim. Em aproximadamente 1h30 de show, o BLACK LABEL SOCIETY provou a Porto Alegre que valeu a pena cada dia esperado pelo show, pois não havia como fazer melhor, talvez só incluindo mais clássicos e aumentando mais 1 hora de show, mas para mim, mesmo com tantas músicas do novo álbum, não há nada a reclamar, pois são ótimas composições no mesmo peso e emoção das antigas. A despedia de palco da banda foi longa e talvez seu momento mais emocional em relação ao público, agradecendo, reverenciando, fazendo gestos de agradecimento as “céus” (estranho para o metal, mas aceitável) e então para finalizar o gigante colecionador de riffs, harmônicas e guitarras fantásticas faz mais um seus atos tipicamente ogros, mas emocionalmente inspirador, socou o próprio peito como um homem pré-histórico. Reitero que podem ter faltado clássicos da banda, visto que nunca tocaram em Porto Alegre, mas em minha opinião seria quase impossível escolher alguma das músicas tocadas no set atual para remover e adicionar outras, seria necessário aumentar e muito o show, e muito mesmo. Então, acredito que a maioria absoluta do público presente nesta noite saiu satisfeita de fazer parte de um dos capítulos da história do BLACK LABEL SOCIETY, desta vez escrito no extremo sul do país, idealizado e maestrado por uma grande produtora local que tem feito Porto Alegre entrar na rota de grandes bandas e se destacado pela qualidade, pontualidade e visibilidade de seus eventos, parabéns a Abstratti Produtora e a grande mente por trás de tudo isso, Ricardo Finocchiaro, além de toda sua equipe competente e eficaz que não deixa nada a desejar para qualquer outra produtora maior. Set-list: 01. New Religion / 02. Crazy Horse / 03. Funeral Bell / 04. Bleed for Me / 05. Demise of Sanity / 06. Overlord / 07. Parade of the Dead / 08. Born to Lose / 09. Darkest Days / 10. Fire It Up / 11. Godspeed Hellbound / 12. The Blessed Hellride / 13. Suicide Messiah / 14. Concrete Jungle / 15. Stillborn