Universidade Estadual de Londrina

Laboratório de Física Moderna
6FIS-027

Espectroscopia de Raio-X

Rafael Bratifich Turma 0001

Profº Dr Américo Tsuneo Fujii afujii@uel.br

Centro de Ciências Exatas Departamento de Física - UEL

Sumário
1.0 Objetivo.........................................................................................................................03 2.0 O que é Raios-X.............................................................................................................04 2.1 Uma Breve História....................................................................................04 2.2 Aplicações do Raios-X..................................................................................05 2.3 Detecção de Raios-X....................................................................................06 2.3-1 Tipos de detectores........................................................................07 2.3-1.1 Câmara de Ionização..................................................................07 2.3-1.2 Contador Proporcional...............................................................07 2.3-1.3 Detector Geiger-Müller..............................................................08 3.0 Fundamentação Teórica...............................................................................................09 3.1 Produção de Raios-X (Tubo de Raios-X).....................................................09 3.2 Espectroscopia com Raios-X.......................................................................10 3.2-1 Espectro Contínuo.........................................................................12 3.2-2 Espectro Discreto ou Picos de Raio-X...........................................14 3.3 Difração de Raios-X..........................................................................18 4.0 Metodologia...................................................................................................................21 5.0 Procedimento Experimental........................................................................................22 5.1 Equipamentos..............................................................................................22 5.2 Geometria Parafocal Bragg-Brentano(θ-2θ)..............................................22 5.3 Aquisição de dados......................................................................................23 6.0 Análises e Resultados...................................................................................................25 6.1 Espectro Energia.........................................................................................25 6.2 Lei de Duane e Hunt's – Determinação da constante de Planck.............28 6.3 Espectro de Raio-X do Cobre submetido a difração de ordem superior...30 7.0 Conclusão. .....................................................................................................................37 8.0 Bibliografia....................................................................................................................37

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1.0 Objetivo
O seguinte experimento realizado no Laboratório de Física Moderna da Universidade Estadual de Londrina tem como objetivos: - Obter os espectros de raios-x do ânodo de cobre para quatro diferentes potenciais aceleradores. - Calcular a constante de Planck h através do efeito Bremsstrahlung, com o uso da Lei de Duane e Hunt's. - Analisar o espectro de raios-x do cobre, submetido a difração de ordem superior e calcular a distância interplanar para o monocristal de KBr.

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2.0 O que é Raios-X
Emissões eletromagnéticas cujos comprimentos de onda são da ordem de grandeza do angstrom e cujas energias variam entre alguns keV e algumas centenas de keV são denominados de raios-X. Esses raios foram descobertos por Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) em 1895. A geração desta energia eletromagnética se deve à transição de elétrons nos átomos ou à desaceleração de partículas carregadas. Como toda energia eletromagnética, em vista de sua natureza ondulatória, os raios X sofrem processos similares àqueles sofridos pela luz, como interferência, polarização, refração, difração, reflexão, entre outros. E embora tenha comprimento de onda menor do que o da luz, a natureza eletromagnética dos raios X é idêntica à da luz, ou seja, feixes de raios X são também constituídos de fótons.

2.1 Uma Breve História
Foi o físico alemão Wilhelm Conrad Röntgen (1845-1923) quem detectou pela primeira vez os raios X, que foram assim chamados devido ao desconhecimento, por parte da comunidade científica da época, a respeito da natureza dessa radiação. A descoberta ocorreu quando Röentgen estudava o fenômeno da luminescência produzida por raios catódicos num tubo de Crookes. Todo o aparato foi envolvido por uma caixa com um filme negro em seu interior e guardado numa câmara escura. Próximo à caixa, havia um pedaço de papel recoberto de platinocianeto de bário. Röentgen percebeu que quando fornecia energia cinética aos elétrons do tubo, estes emitiam uma radiação que marcava a chapa fotográfica. Intrigado, resolveu colocar entre o tubo de raios catódicos e o papel fotográfico alguns corpos opacos à luz visível. Desta forma, observou que vários materiais opacos à luz diminuíam, mas não eliminavam a chegada desta estranha radiação até a placa de platinocianeto de bário. Isto indicava que a radiação possui alto poder de penetração. Após exaustivas experiências com objetos inanimados, Röntgen pediu à sua esposa que posicionasse sua mão entre o dispositivo e o papel fotográfico.

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Figura 1: Hand mit Ringen: a primeira de Wilhelm Röntgen referente a mão de sua esposa, tirada em 22 de dezembro de 1895 e apresentada ao Professor Ludwig Zehnder, do Instituto de Física da Universidade de Freiburg, em 1 de janeiro de 1896.

O resultado foi uma foto que revelou a estrutura óssea interna da mão humana. Essa foi a primeira radiografia, nome dado pelo cientista à sua descoberta em 8 de novembro de 1895. Com o conhecimento destas propriedades, Röntgen concluiu que estes raios não eram luz, não eram nenhuma radiação eletromagnética invisível conhecida, nem eram raios catódicos e denominou-os de raios-X. Posteriormente à descoberta do novo tipo de radiação, cientistas perceberam que esta causava vermelhidão da pele, ulcerações e empolamento para quem se expusesse sem nenhum tipo de proteção. Em casos mais graves, poderia causar sérias lesões cancerígenas, necrose e leucemia, e então à morte.

2.2 Aplicações do Raios-X
Todos conhecem as aplicações dos raios X na medicina, em radiografias e curas de certas moléstias. Mas eles têm muitas aplicações na técnica e na pesquisa em Física. Eles muito contribuíram para o conhecimento da estrutura da matéria. Em Mineralogia, a aplicação dos raios X é tão intensa que foi criada dentro dela, uma especialização chamada “Ótica Cristalográfica”, que trata das propriedades dos

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cristais reveladas por raios X. Na medicina os raios X são amplamente usados em radiografias dos ossos e órgãos internos. As radiografias auxiliam os médicos em diagnósticos de doenças, ossos quebrados, identificação de objetos estranhos no organismo, etc. Há também a utilização dos raios X com finalidade terapêutica, podendo-se citar o tratamento do câncer. São também empregados para esterilizar materiais utilizados para fins médicos, como luvas cirúrgicas, equipamentos para transfusão e seringas. Na industria uma das aplicações dos raios X é a radiolocalização - um método de detectar falhas em peças fundidas, fendas nos carris, verificação da qualidade das costuras de soldagem, etc. A radiolocalização com raios-X é baseada na variação da absorção dos raios X pelo artigo, se dentro dele existirem cavidades ou corpos estranhos. Na pesquisa cientifica, onde são empregados nas mais variadas linhas de pesquisa, sendo algumas delas a difratometria de raios X, responsável pela análise da estrutura e constituição de muitas substâncias químicas complexas, possibilitando a identificação da composição mineralógica da amostra, e a fluorescência de raios X, possibilitando a determinação da composição química de elementos presentes em amostras, permitindo uma análise qualitativa e principalmente quantitativa. Enfim, a descoberta dos raios-X provocaram um evolução dos processos de pequisa, industriais e no diagnósticos e tratamentos médicos.

2.3 Detecção de Raios-X
A percepção da radiação, seja qualitativa ou quantitativa, só pode ser realizada com a ajuda de materiais ou instrumentos capazes de captar e registrar sua presença. A detecção é realizada pelo resultado produzido da interação da radiação com um meio sensível (detector). Em um sistema detector os detectores de radiação são os elementos ou dispositivos sensíveis a radiação ionizante utilizados para determinar a quantidade de radiação presente em um determinado meio de interesse. A integração entre um detector e um sistema de leitura (medidor), como um eletrômetro ou a embalagem de um detector é chamado de monitor de radiação. Os sistemas detectores 6

que indicam a radiação total a que uma pessoa foi exposta são chamados de dosímetros. Tabela 1: Alguns tipos de detectores de radiação e suas características Dispositivo Emulsão fotográfica Uso e Características Faixa e sensibilidade à radiação limitada. Monitoração de pessoal e filme para imagem radiográfica. Portátil. Leitura imediata. Precisão baixa. Acumulo dose até 200mR. Faixa ampla e exatidão. Portátil. Medidas em campos com mais de 1 mR/h. Instrumento de laboratório, exato e sensível a radiação. Análise de radionuclídeos. Limitado a menos de 100 mR/h. Portátil. Monitoração de pessoal e de estácionária. Faixa ampla, exato e sensível. Monitoração de pessoal e de área (estacionário). Faixa limitada. Muito sensível. Instrumento portátil ou estacionário. Imagem e espectroscopia de fóton.

Caneta dosimétrica Câmara de ionização Contador proporcional Contador Geiger-Müller Dosimetria termo-luminescente Detector de cintilação

2.3-1 Tipos de detectores
Dentre os detectores, os de gás são os mais empregados também são conhecidos como detectores por ionização em gases. Isto porque a radiação incidente no volume sensível (o gás) cria pares de íons que podem ser contados em um dispositivo de medida elétrica (unidade de leitura).

2.3-1.1 Câmara de Ionização
A corrente gerada não é dependente da tensão aplicada, mas sim uma função do número de interações com os fótons incidentes.

2.3-1.2 Contador Proporcional
Os elétrons são acelerados em direção ao ânodo com energia suficiente para ionizar outros átomos. Este detector é conhecido como proporcional pois o pulso elétrico gerado é um múltiplo da interação ocorrida no gás. 7

2.3-1.3 Detector Geiger-Müller
Este aparelho foi inventado em 1908 pelo físico alemão Hans Geiger. Em 1928, este mesmo cientista juntamente com o físico americano Walter M. Müller aperfeiçoou o seu aparelho, de modo que, hoje, o contador de Geiger-Müller é um dos instrumentos mais usados na investigação e na técnica. Este aparelho é constituído por um cilindro metálico (tubo) de paredes delgadas, com um diâmetro de poucos centímetros contendo um gás a baixa pressão, geralmente uma mistura de metano com árgon ou néon. Dentro desse cilindro encontra-se um fio metálico ao longo do seu eixo principal. Entre este fio e a parede do cilindro aplica-se uma diferença de potencial de 1 a 3 kV e no interior do tubo instala-se um campo elétrico muito intenso. Quando uma partícula carregada penetra num tubo com estas características produzem-se ionizações e os elétrons libertados são acelerados, dirigindo-se para o fio ligado ao polo positivo de uma fonte de alimentação. Estes elétrons, no seu percurso, chocam com os átomos do gás, de que resultam outras ionizações e, finalmente chega ao fio uma avalanche de cerca de um milhão de elétrons. Este choque produz um aumento de corrente no fio, que se pode registar eletronicamente. Durante a formação da cascata de elétrons, o tubo fica insensível às partículas incidentes, pelo que se diz que o contador está em "tempo morto".

Figura 2: Diagrama do funcionamento do detector de Geiger-Müller.

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3.0 Fundamentação Teórica 3.1 Produção de Raios-X (Tubo de Raios-X)

Figura 3: Diagrama de um tubo de raios-X.

As máquinas de raios-X foram projetadas de modo que um grande número de elétrons são produzidos e acelerados para atingirem um anteparo sólido (alvo) com alta energia cinética. Este fenômeno ocorre em um tubo de raios X que é um conversor de energia. Recebe energia elétrica que converte em raios-X e calor. O calor é um subproduto indesejável no processo. O tubo de raios-X é projetado para maximizar a produção de raios-X e dissipar o calor tão rápido quanto possível. O tubo de raios-X possui dois elementos principais e que serão a partir de agora objeto de estudo: cátodo e ânodo. O cátodo é o eletrodo negativo do tubo. É constituído de duas partes principais: o filamento e o copo focalizador. A função básica do catodo é emitir elétrons e focalizá-los em forma de um feixe bem definido apontado para o ânodo. Em geral, o catodo consiste de um pequeno fio em espiral (ou filamento) dentro de uma cavidade (copo de focagem) como mostrado na Figura 3. O filamento é normalmente feito de Tungstênio (com pequeno acréscimo de Tório) Toriado, pois esta liga tem alto ponto de fusão e não vaporiza facilmente (a vaporização do filamento provoca o enegrecimento do interior do tubo e a consequente mudança nas características elétricas do mesmo). A queima do filamento é, talvez, a mais provável causa da falha de um tubo. O corpo de focagem serve para focalizar os elétrons que saem do catodo e fazer com que eles “batam” no ânodo e não em outras partes. A corrente do tubo é controlada pelo grau de aquecimento do filamento (cátodo). Quanto mais aquecido for o filamento,

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mais elétrons serão emitidos pelo mesmo, e maior será a corrente que fluirá entre ânodo e cátodo. Assim, a corrente de filamento controla a corrente entre ânodo e cátodo. O ânodo é o polo positivo do tubo, serve de suporte para o alvo e atua como elemento condutor de calor. O ânodo deve ser de um material de boa condutividade térmica, alto ponto de fusão e alto número atômico, de forma a otimizar a relação de perda de energia dos elétrons por radiação (raios-X) e a perda de energia por aquecimento. Existem dois tipos de anodo: ânodo fixo e ânodo giratório. Os tubos de ânodo fixo são usualmente utilizados em máquinas de baixa corrente, tais como: raios-X dentário, raios-X portátil, máquinas de radioterapia, raiosX industrial, etc. Os tubos de ânodo giratório são usados em máquinas de alta corrente, normalmente utilizadas em radiodiagnóstico. Ele permite altas correntes pois a área de impacto dos elétrons fica aumentada. Como exemplo, tomemos um alvo fixo, cuja área de impacto é de 1mm x 4 mm, isto é, 4 mm 2. Se este alvo girar com um raio de giro igual 30 mm, a área de impacto seria aproximadamente: 754 mm 2; nestas condições, o tubo giratório teria cerca de 200 vezes mais área do que o tubo fixo. O ânodo e o cátodo ficam acondicionados no interior de um invólucro fechado (tubo ou ampola), que está acondicionado no interior do cabeçote do RX. A ampola é geralmente constituída de vidro de alta resistência e mantida em vácuo, e tem função de promover isolamento térmico e elétrico entre anodo e catodo. O cabeçote contém a ampola e demais acessórios. É revestido de chumbo cuja função é de blindar a radiação de fuga e permitir a passagem do feixe de radiação apenas pela janela radiotransparente direcionando desta forma o feixe. O espaço é preenchido com óleo que atua como isolante elétrico e térmico.

3.2 Espectroscopia com Raios-X
Raios-X são produzidos no ponto de impacto - elétrons/alvo do tubo de raios-X - e irradiam em todas as direções. Se q é a carga de um elétron e V é a voltagem através dos eletrodos, então, a energia cinética (em Joules) dos elétrons no momento do impacto é dada pela equação (1):
1 2 K =q V = m v , (1) 2

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onde m é a massa do elétron e v sua velocidade em m/s exatamente antes do impacto. Para uma voltagem de 30.000 V esta velocidade é, aproximadamente, um terço da velocidade da luz. A maior parte da energia cinética dos elétrons que atingem o alvo é convertida em calor, menos de 1% é transformado em raios-X. Quando os raios-X que saem do alvo são analisados, encontra-se uma mistura de diferentes comprimentos de onda em sua composição e observa-se que a variação de intensidade com comprimento de onda depende da voltagem do tubo, então, o espectro emitido pelo ânodo pode ser dividido em uma superposição de - Um espectro contínuo, que compreende o limite de comprimento de onda curto (λSWL) e à radiação de freamento dos elétrons quando colidem com o alvo (Figura 4, curvas de até 20kV), denominada "Bremsstrahlung". - Um espectro discreto de linhas ou de raias, característico dos átomos que constituem o ânodo (Figura 4, curva de 25kV).

Figura 4: Espectro de raios-X de um alvo de Molibdênio, em função da voltagem aplicada. As larguras das linhas não estão em escala.

Na Figura 4 a intensidade de zero até um certo comprimento de onda, chamado de limite de comprimento de onda curto (λ SWL), aumenta rapidamente até um máximo e, então, diminui, sem um limite definido no lado de comprimentos de onda longos. Quando a voltagem é aumentada, a intensidade de todos os comprimentos de onda 11

aumenta e tanto λSWL quanto a posição do máximo se deslocam para comprimentos de ondas menores. A radiação representada pelas curvas suaves mostradas na Figura 4 (correspondendo a voltagens de até 20 kV) é chamada de contínua, ou radiação branca, já que ela é constituída, como a luz branca, de raios de vários comprimentos de onda. Radiação branca é também chamada de bremsstrahlung, termo alemão para “radiação de frenagem”, porque ela é causada quando os elétrons são desacelerados ou "parados", ao colidirem com o alvo metálico. É caracterizada por uma distribuição contínua de radiação que se torna mais intensa e desloca-se para frequências mais altas quando a energia dos elétrons é maior. Os elétrons acelerados também podem causar a emissão de elétrons das camadas internadas dos átomos do alvo (material metálico), e o rápido preenchimento dos níveis remanescentes por elétrons de níveis mais elevados dá origem ao chamado espectro característico dos raios-X.

3.2-1 Espectro Contínuo
O espectro contínuo é devido à rápida desaceleração dos elétrons ao atingirem o alvo, já que qualquer carga desacelerada emite energia. Nem todos os elétrons são desacelerados da mesma maneira. Alguns são parados em um único impacto e liberam toda a sua energia de uma vez. Outros são desviados várias vezes pelos átomos do alvo, sucessivamente perdendo uma fração de sua energia cinética total até que ela seja totalmente gasta. Aqueles elétrons que são parados em um único impacto dão origem aos fótons de máxima energia, isto é, a raios-X com comprimento de onda mínimo. Tais elétrons transferem toda a sua energia qV em energia do fóton. Considerando um tubo de raios-X, os elétrons desprendidos do filamento de Tungstênio são acelerados por uma diferença de potencial de alguns milhares de Volts entre cátodo e ânodo. Ao se chocarem com o material alvo estes elétrons perdem energia cinética através das interações do tipo coulombianas com os núcleos atômicos do material alvo. Ao serem freados, os elétrons emitem radiação eletromagnética.

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Figura 5: Produção do fóton de Bremsstrahlung que contribui para o espectro contínuo de raios-x

Sendo Ekin1 a energia cinética do elétron incidente, este, ao interagir com um núcleo, emite um fóton com energia hv e tem sua energia cinética reduzida a Ekin2
h v=E kin1 −E kin2  hc =E kin1−E kin2 . (2) 

O elétron com energia cinética Ekin2 pode, eventualmente, interagir com outro núcleo e produzir outro fóton de raios-X, porém, com energia diferente. Assim, sucessivas interações podem ocorrer com diferentes variações da energia cinética do elétron freado, ou seja, gerando fótons de diferentes energias e gerando um espectro contínuo de radiação (Bremsstrahlung). No entanto, há um limite bem definido de comprimento de onda mínima. Este comprimento de onda mínima, depende do potencial aplicado e decresce com o aumento do potencial. Duane e Hunt's formularam uma relação empírica para este fenômeno como E cin=e V = hc  SWL , (3)

onde E cin é energia cinética adquirida pelo elétron e SWL é comprimento de onda mínimo do raio-x emitido. Portanto, SWL = A Lei de Duane e Hunt's é V SWL =1,25.10 V m .
-6

hc . (4) eV

(5)

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3.2-2 Espectro Discreto ou Picos de Raio-X

Figura 6: Espectro de Raios-X gerado por um alvo de Tungstênio para energias de 40 e 80 kV.

A Figura 6 mostra o espectro de raios-x gerado em um tubo com alvo de Tungstênio(W) para duas diferenças de potencial distintas. Apesar da diferença de potencial do tubo ter aumentado, deslocando o cume da curva de bremsstrahlung, os picos permanecem no mesmo valor de λ. Isso ocorre pois os valores de λ dos picos são característicos de cada material alvo, independendo da energia do elétron incidente. Para que um pico seja gerado, é necessário que elétrons orbitais, mais externos, do material alvo sejam arrancados de suas camadas e ejetados para fora do átomo. Isso pode acontecer pela ação de interação com um elétron incidente, como no caso do Tubo de Raios-X, ou pela energia cedida por um fóton do efeito fotoelétrico. Para que um elétron seja arrancado de sua camada e ejetado para fora do átomo, é necessário que seja cedida a ele uma quantidade de energia maior ou igual à sua energia de ligação. Aplicando a teoria de Böhr para o átomo de hidrogênio, com as observações experimentais de Moseley, obtêm-se para os níveis K e L: E≈ me 4  Z −b2 [J] 8  0 h2 n 2 (6)

onde E é a energia de ligação do elétron no nível em questão, m a massa de repouso do elétron (9,11.10-31kg), e a carga do elétron (1,602.10-19C), Z o número atômico do átomo emissor de raios-x, b a constante de Mosely (b=1 para o nível K e b=7 para o nível L), 0 a permissividade elétrica no vácuo ( 0 =8,853.10-12C/N.m), h a constante de Planck (h=6,626.10-34J.s) e n o número quântico principal, referente ao nível eletrônico 14

em questão. Portanto E≈13,65  Z −b2 [e V ] . (7) n2

Utilizando a equação 7, calculamos as energias de corte E K para o nível K e EL para o nível L para qualquer elemento. A Figura 7 mostra o crescimento da energia de corte para os níveis K e L em função do número atômico.

Figura 7: Energia de Corte para os níveis K e L.

Quando o elétron é ejetado, o átomo fica instável devido ao espaço deixado pelo elétron ejetado. Em busca do equilíbrio, um elétron mais externo preenche este espaço; porém, há uma diferença de energia entre as duas camadas eletrônicas. Esta diferença é liberada através de um fóton de raios-X (fóton de fluorescência).

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Figura 8: Diagrama ilustrativo da produção de um fóton de raio-x característico.

Como a energia de cada camada é uma característica do elemento, a diferença entre os níveis de energia também será; esta diferença caracteriza a energia do fóton gerado, então, para o fótons de raio-x gerado teremos uma energia característica do elemento. O elétron orbital que preenche o espaço deixado, também deixa um espaço vago. Logo, o processo é sucessivo até que um elétron oriundo da camada de valência preencha o último espaço vago. Este espaço deixado na camada de valência será ocupada por um elétron livre, estabilizando assim o átomo. O espaço deixado por um elétron ejetado da camada K(n=1) pode ser preenchido por um elétron vindo, por exemplo, de L(n=2); este processo dará origem a um fóton da linha Kα. Já, se o elétron tiver origem da camada M(n=3), dará origem a um fóton da linha Kβ (Figura 8). Portanto, há uma relação das linhas do espectro com os níveis de energia em que se encontram os elétrons. Não só para o número quântico principal n mas, também, do número quântico orbital l, do spin s e j(soma vetorial entre l e s). Ou seja, há uma dependência também com o subnível ao qual se encontra o elétron. Na figura 9 podemos observar esses transições entre os níveis para um átomo de urânio ( 92U) e as dependências entre l, j. 16

Figura 9: Níveis de alta energia para um átomo de urânio, e as possíveis transições entre esses níveis.

Por exemplo, se um elétron do nível M2 preenche o espaço deixado em K, o fóton emitido decorrente dessa transição terá energia
EM
2

K

=E K − E M

2

.

(8)

Se a transição ocorrer de L2 para K E L  K =E K − E L .
2 2

(9)

Para ambos os exemplos acima, os fótons emitidos contribuem para a constituição dos picos da série K. Porém, nem todas as transições são possíveis. Só ocorrem as transições que satisfazem aos seguintes critérios

 l=±1 e  j=0,±1 .

(10)

Através dos critérios n e conferindo a Figura 9 vê-se que as transições do nível M para o nível K só são possíveis através dos subníveis M 2, M3, M4 e M5, pois M1→K resulta em  l=0 e  j=0 = 0, não obedecendo o primeiro critério da expressão n. Algumas das transições exibidas na Figura 9 têm energias muito próximas, de modo que, nem detectores com alta resolução conseguem distinguir. Essas energias são, normalmente, englobadas em um único valor igual à média das energias que constituem o pico. Como exemplo, podemos ver transições entre os subníveis de L para o nível K. EL2→K e EL3→K são englobadas em uma única energia que constituirá a 17

linha Kα. Da mesma forma, as transições dos subníveis de M para o nível K constituirão a linha Kβ.

3.3 Difração de Raios-X
No inicio do século XX era impossível construir mecanicamente uma rede de difração que separaria comprimentos de onda da ordem dos diâmetros atômicos como os dos raios-X. Por volta de 1912, Max von Laue concebeu a possibilidade de realizar difração de raios X, utilizando uma estrutura cristalina como rede de difração tridimensional. Essa ideia resultou do fato de que, em um cristal (tal como cloreto de sódio NaCl), há uma unidade básica de átomos (célula unitária) que se repete por todo o arranjo. No NaCl, a cada célula unitária estão associado quatro íons de sódio e quatro íons de cloro (Figura 10).

Figura 10: Estrutura cristalina do NaCl mostrando arranjo regular dos íons Na+1 e Cl-1 Quando um feixe de raios-x entra no cristal, como o de NaCl, os raios-x são espalhados, isto é, desviados em todas as direções pela estrutura cristalina. Em algumas direções as ondas espalhadas sofrem interferência destrutiva, resultando em mínimos de intensidade; em outras direções a interferência é construtiva, resultando em máximos de intensidade. A Figura 11 mostra um corte de um cristal, cujos átomos estão arranjados em um conjunto de planos paralelos A, B, C, ... , perpendiculares ao plano do desenho e espaçados de uma distância d’. Assumindo que um feixe paralelo e monocromático de raios-X de comprimento de onda λ incida neste cristal a um ângulo θ, medido entre o

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raio incidente e o plano cristalino. Queremos determinar em quais condições o feixe incidente será difratado pelo cristal. Podemos definir um feixe difratado como um feixe composto de um número grande de raios espalhados que se reforçam mutuamente. O processo de difração é complicado, mas as posições dos máximos podem ser determinadas considerando-se que os raios-X sejam refletidos pelos planos cristalinos do cristal.

Figura 11: Difração de raios-X por um cristal. A diferença de caminho entre os raios incidentes 1 e 1a e os raios espalhados 1’ e 1a’ é dada por:

Q K −P R=P K cos −P K cos =0 .

(11)

Isto significa que se os raios incidentes em um plano cristalino estão em fase, os raios espalhados também estão em fase. A diferença de caminho entre os raios incidentes 1 e 2 e os raios espalhados 1’ e 2’ é dada por

M L L N =d ' sin d ' sin =2 d ' sin  .

(12)

Para que a diferença de fase entre estes raios seja nula a diferença de caminho dada por (2) deve ser igual a um múltiplo inteiro de comprimentos de onda
n =2 d ' sin  .

(13)

A equação (13) é conhecida por lei de Bragg. A intensidade difratada, dentre outros fatores, é dependente do número de 19

elétrons no átomo; adicionalmente, os átomos são distribuídos no espaço, de tal forma que os vários planos de uma estrutura cristalina possuem diferentes densidades de átomos ou elétrons, fazendo com que as intensidades difratadas sejam, por consequência, distintas para os diversos planos cristalinos.

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4.0 Metodologia
Os elétrons do filamento, aquecido por efeito termiônico, são acelerados por uma tensão aceleradora em direção a um alvo de cobre que, ao colidirem com os átomos deste alvo, emitem raios-X. O feixe de raios-X emitidos pelo alvo são colimados por um cristal com a finalidade de separar os diversos comprimentos de onda que compõem o espectro, desviando-os segundo a Lei de Bragg. O detector movimenta-se circularmente de forma que detecte o feixe de raios-X que passa pelo cristal, varrendo um arco de 90º de circunferência. Para que o detector receba a máxima intensidade de radiação, é utilizado um dispositivo que rotaciona o detector e o cristal simultaneamente, dobrando o ângulo que o detector varre o arco de circunferência em relação ao ângulo que o cristal gira.

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5.0 Procedimento Experimental 5.1 Equipamentos
Para o experimento foi utilizado os materiais abaixo listados. - PHYWE – Röntgengerät X-Ray Unit (alvo Cobre). - PHYWE – COBRA-Interface 2. - Cristal de LiF (Fluoreto de Lítio). - Cristal de KBr (Brometo de Potássio). - Computador com software COBRA. - Cabos de conexão.

5.2 Geometria Parafocal Bragg-Brentano(θ-2θ)
O difratômetro de raios-X utiliza-se da geometria parafocal Bragg-Brentano; seu arranjo geométrico básico pode constituir-se de um goniômetro horizontal (θ-2θ) ou vertical (θ-2θ ou θ-θ). Para a geometria θ-2θ (Figura 12), o goniômetro, acoplado aos acessórios de recepção do feixe difratado, move-se (H) com velocidade angular (2θ/passo) sobre o eixo P e rotaciona a amostra (P) com metade desta velocidade angular (θ/passo). O raio do círculo do goniômetro é fixo, apresentando iguais distâncias do tubo gerador de raios-X à amostra e da amostra à fenda de recepção “D” (LP = PD). O plano do círculo focal contém os raios incidente e difratado, isto é, a fonte, a amostra e a fenda de recepção.

Figura 12: Geometria Bragg-Brentano de um difratômetro de raios X, mostrando as diferentes fendas utilizadas.

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L – fonte de raios-X. G – fendas soller. B – fenda divergente. C – amostra. D – fenda receptora. E – fendas soller. F – fenda de espalhamento. T – detector de RX. A partir da fonte, os raios-X atravessam a fenda Soller ou colimadores paralelos (G), a fenda de divergência (B) e irradiam a superfície da amostra (C). Os raios difratados em determinado ângulo 2θ convergem para a fenda de recepção (D). Antes ou depois da fenda de recepção pode ser colocado um segundo conjunto de colimadores (E) e uma fenda de espalhamento (F). Um monocromador do feixe difratado pode ser colocado após a fenda de recepção, na posição da fenda de espalhamento.

5.3 Aquisição de dados
A radiação proveniente do tubo de raios-X (alvo de cobre) passa pelo colimador em direção ao cristal. Segundo a geometria parafocal Bragg-Brentano o cristal varia de 0° a 45°, enquanto o detector varia de 0° a 90°. O detector irá detectar um pico de sinal quando a condição de Bragg for satisfeita. Ligado a unidade de espectroscopia esta uma interface COBRA 2 e a interface esta conectada a um computador com um software para aquisição e analise dos dados. A leitura é feita medindo-se a intensidade dos picos de radiação e a energia aplicada. Inicialmente operou-se a calibração do aparelho, a fim de calibrar o ângulo 0°, e a partir desse ângulo o equipamento fará as medidas. Calibrado o equipamento o experimento iniciou-se. O experimento foi dividido em três partes, a primeira parte do experimento: Análise do espectro de raios-X com alvo de Cobre; variou-se a energia aplicada de 10kV, 15kV, 20kV e 25kV; o cristal utilizado foi o fluoreto de lítio (LiF). Os dados foram gerados em função da intensidade dos picos de radiação e da energia. A segunda parte do experimento: Determinação da constante de Planck h pela 23

lei de Duane e Hunt's. Variou-se também a energia de 10kV, 12kV, 14kV, 16kV, 18kV, 20kV, 22kV e 24kV o cristal utilizado foi o fluoreto de lítio (LiF). Nessa parte cada energia corresponde ao uma aquisição de dados, pois será analisado o Bremsstrahlung. A última parte: Espectroscopia de raios-X do cobre submetido a difração de ordem superior. O cristal utilizado foi o brometo de potássio (Kbr) que foi empregado como uma rede de difração. Os valores obtidos nessas etapas foram lidos na forma de gráfico pelo software COBRA, a analise desses dados será feita no software Origin.

24

6.0 Análises e Resultados
Os dados foram salvos em um formato de tabelas xls e estão disponíveis junto ao Prof. Dr. Américo Tsuneo Fujii.

6.1 Espectro Energia

Figura 13: Intensidade versus energia.

A Figura 13 a intensidade de radiação em função da energia, apresenta uma curva contínua e dois picos discretos, esse comportamento é observado para as várias energias analisadas. A componente contínua do espectro é o resultado da colisão de feixe de elétrons acelerados com os átomos do alvo do tubo que produz raios X - corresponde à chamada radiação de freamento (Bremsstrahlung). Os picos de intensidade (componentes discretas) é a radiação características do material empregado no ânodo - corresponde à chamada radiação Kα e Kβ. Observa-se, também, que com o aumento da energia aumenta-se o padrão do Bremsstrahlung e a radiação Kα e Kβ. Analisaremos agora a intensidade versus ângulo do cristal e do detector e comprimento de onda, entretanto, utilizaremos somente os dados referentes a energia de 25 KeV. Para a construção desses gráficos utilizaremos as relações

25

=

hc  n =2 d sin   =arcsin E  25 e 2d

 

,

(14)

sendo λ o comprimento da onda, h a constante de Planck (h=4,14.10-15eV.s), c a velocidade da luz (c=3.108m.s-1), E(25) energias obtidas para o potencial 25keV, n=1 pois não há difração de ordem superior, d a distância interplanar do fluoreto de lítio (d=201,4 pm), θ o ângulo do cristal e 2θ o ângulo do detector.

Figura 14: Intensidade versus ângulo do cristal para energia de 25 KeV.

Figura 15: Intensidade versus ângulo do detector para energia de 25 KeV.

26

Figura 16: Intensidade versus comprimento de onda para energia de 25 KeV.

Observa-se nas Figura 14, 15 e 16 que o padrão do espectro se mantem tanto o comportamento dos picos característicos e do Bremsstrahlung, entretanto quando comparamos as Figuras 13 e 16 verifica-se que o padrão dos picos e do Bremsstrahlung são inversos devido a energia e comprimento de onda serem grandezas inversamente proporcionais.

27

6.2 Lei de Duane e Hunt's – Determinação da constante de Planck

Figura 17: Espectros de raios-X com o alvo de cobre para 10, 12, 14, 16, 18, 20, 22 e 24 keV em função do comprimento de onda.

Verificou-se os valores de λmin na Figura 17 e construiu-se a Tabela 2 da energia em função do comprimento de onda minimo. Tabela 2: Energia em função de λmin
Energia (keV) λmin(pm)

(10)keV (12)keV (14)keV (16)keV (18)keV (20)keV (22)keV (24)keV

(111,0)pm (093,0)pm (084,0)pm (066,0)pm (058,0)pm (053,0)pm (047,0)pm (045,0)pm

Com os dados da Tabela 2 construiu-se o gráfico do comprimento de onda minimo (λmin) em função do reciproco da energia (1/V) e obtemos

28

Figura 18: Comprimento de onda minimo em função do reciproco da energia.

O ajuste obtido dos dados é
Tabela 3: Dados do ajuste linear da Figura 18. Equation Weight Adj. R-Square y = a + b*x No Weighting 0,9878 Value A Intercept -5,74E-012 Slope 1,18E-006 Standard Error 3,30E-012 4,97E-008

Residual Sum of Squares 4,20E-023

Pela lei de Duane Hunt's min = hc 1 e V  y  x=Bx , (15)

logo comparando a lei e a equação de ajuste obtemos h= Be c  h= 1,18.10 -6 x1 ,6.10-19 =6,293.10- 34 J.s , 8 3.10 (16)

onde e é a carga do elétron e vale 1,602.10 -19 C, c é a velocidade da luz no vácuo e vale 3.108 m/s e B é o coeficiente encontrado no ajuste da reta na Figura 18 e vale 1,18.10 -6. Substituindo esses valores na equação (16), determina-se experimentalmente o valor da constante de Planck. Nesse caso vale h = 6,293.10-34 J/s e pode ser considerado um resultado satisfatório.

29

6.3 Espectro de Raio-X do Cobre submetido a difração de ordem superior.
Para que o espectro tenha uma difração de ordem superior é necessário cristais com maior espaçamento interplanar d. Uma vez que a lei de Bragg deve ser obedecida

n =2 d sin  .

Figura 19: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal Kbr.

Na Figura 19, observa-se que os picos característicos e o Bremsstrahlung se repetem com o aumento do ângulo do cristal, entretanto, as intensidades desses picos diminuem com esse aumento. Isso ocorre devido à difração de ordem superior, ou seja, a medida que o ângulo do cristal aumento há também o aumento da difração. Para demonstrar que os picos são de ordens superiores, utilizamos a lei de Bragg: n =2 d sin   n= 2 d sin  .  (17)

Após encontrar o ângulo de cada pico, se os comprimentos da radiação é Kα=154,3 pm e Kβ=139,3 pm e a distância interplanar do KBr é d=329,5 pm, podemos verificar as ordem de difração pela equação (17).

30

Tabela 4: Calculo das ordens (n) em função do ângulo θ
λ(pm) Ângulo (º) Valor senθi Ordem (n)

(139,3)pm (154,3)pm (139,3)pm (154,3)pm (139,3)pm (154,3)pm

θ1 θ2 θ3 θ4 θ5 θ6

11,7 0,2028 0,9593 ≈ 1 13,3 0,2300 0,9844 ≈ 1 24,7 0,4178 1,9768 ≈ 2 27,6 0,4633 1,9825 ≈ 2 38,7 0,6852 2,9191 ≈ 3 44,1 0,6959 2,9780 ≈ 3

Verificamos então que os picos correspondem às 1ª, 2ª e 3ª ordens respectivamente. Observa-se também que a intensidade dos picos diminuem à medida que a ordem aumenta. Obtemos as ordens dos respectivos picos a partir dos K α e Kβ, então podemos verificar a distância interplanar do cristal (d) a partir dos ângulos dos picos. Utilizando a lei de Bragg temos n =2 d sin   d= n . 2 sin  (18)

Tabela 5: Calculo da distância interplanar em função do ângulo θ e da ordem
λ(pm) Ângulo (º) Valor senθi Ordem (n) d (pm)

(139,3)pm (154,3)pm (139,3)pm (154,3)pm (139,3)pm (154,3)pm

θ1 θ2 θ3 θ4 θ5 θ6

11,7 0,2028 13,3 0,2300 24,7 0,4178 27,6 0,4633 38,7 0,6852 44,1 0,6959

1 1 2 2 3 3

(343,46)pm (335,36)pm (333,36)pm (333,04)pm (334,19)pm (332,58)pm

A distância interplanar do KBr dada pela literatura é d=329,5 pm, calculando a média das distâncias na Tabela 5 e obtemos d=335,33 pm. O valor encontrado na literatura e o calculado são coerentes. A medida que o número de ordem de difração aumenta, o erro experimental se torna maior, então, os resultados encontrados foram satisfatório.

31

Para transformar o espectro de KBr em função da energia ou comprimento e onda, primeiro dividiu-se o gráfico em três partes, ou seja, separou-se os ângulo em três intervalos: primeiro de 5º à 20º, segundo de 20º à 30º e terceiro de 30º à 45º.

Figura 20: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal KBr para difração de ordem 1.

Figura 21: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal KBr para difração de ordem 2.

Figura 22: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal KBr para difração de ordem 3.

32

Temos que o angulo do cristal pode ser calculado por =arcsin

 
 2d E=

 =

2 d sin , n

(19)

então a energia poderá ser obtida por hc ,  (20)

sendo λ o comprimento da onda, h a constante de Planck (h=4,14.10-15eV.s), c a velocidade da luz (c=3.108m.s-1), E as energias, n a ordem superior, d a distância interplanar do brometo de potássio (d=329,5 pm), θ o ângulo do cristal. Com essas relaçãos podemos então mudar a base do angulo do cristal para energia ou comprimento de onda em função da ordem de difração.

Figura 23: Intensidade versus Energia para difração de ordem 1.

Figura 24: Intensidade versus Comprimento de onda para difração de ordem 1.

33

Figura 25: Intensidade versus Energia para difração de ordem 2.

Figura 26: Intensidade versus Comprimento de onda para difração de ordem 2.

Figura 27: Intensidade versus Energia para difração de ordem 3.

34

Figura 28: Intensidade versus Comprimento de onda para difração de ordem 3.

Vamos verificar se o espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal LiF produziu difração de ordem superior.

Figura 29: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal LiF, Intensidade em função do ângulo do cristal.

Ampliando a região que varia de 40º à 45º do ângulo do cristal, temos o gráfico abaixo.

35

Figura 30: Espectro de raios-X do cobre obtido com o monocristal LiF, Intensidade em função do ângulo do cristal.

Encontramos os seguintes valores para os ângulos dos picos nas Figura 29 e 30:

θ1=20º, θ2=22,1º, θ3=40,4º e θ4=43,3º.
Para o cristal de LiF, d=201,4 pm. Utilizando a lei de Bragg: 2=2 x 201,4.10-12 x sin 22,1º =1,5154.10- 10≈151,54 pm , então, 2 d sin  4 2 x 201,4.10- 12 x sin 43,3º  n 4= = =1,8229≈2 . 2 1,5154.10- 10 (22) (21)

Verificamos que o espectro de raios-X com monocristal LiF possui difração de ordem 1 e 2.

36

7.0 Conclusão
Os objetivos de obter os espectros de raios-x do ânodo de cobre para quatro diferentes potenciais aceleradores, calcular a constante de Planck h através do efeito Bremsstrahlung, com o uso da Lei de Duane e Hunt's e analisar o espectro de raios-X do cobre, submetido a difração de ordem superior foram alcançados com sucesso. Inicialmente observamos que o padrão da intensidade de radiação é proporcional à energia incidente, ou seja, quanto maior a energia aplicada, maior será a diferença entre o Bremsstrahlung e a radiação Ka e Kb do espectro, que é característica do material empregado como anodo. A partir do comprimento de onda mínimo, foi possível obter a constante de Planck, nesse caso h = 6,293.10-34 J/s podendo ser considerado um resultado satisfatório. Verificamos, também, se a difração de ordens superiores estava presente na espectroscopia com o monocristal de KBr e com o monocristal LiF, sendo que o primeiro apresentou até a 3ª ordem e o segundo a 2ª ordem, contudo, no cristal de KBr somente a 1ª e 2ª ordens ficavam evidentes no gráfico do espectro enquanto no cristal LiF somente a 1ª ordem era evidente. Confirmou-se a distância interplanar do KBr em função das difrações, a média da distância obtida foi d=335,33 pm. O valor encontrado na literatura d=329,5 pm e o calculado são coerentes pois a medida que o número de ordem de difração aumenta, o erro experimental se torna maior, então, os resultados encontrados foram satisfatório.

8.0 Bibliografia
[1] USP-IFSC, Espectro de raios-x. difração de bragg. constante de planck. absorção. x.pdf. [2] Produção e equipamentos de raios x. http://www.biossegurancahospitalar.com.br/rx/Curso_de_Biosseguranca_cap_6_Equipa mentos_de_raios_X.pdf. [3] E. dos Passos Belmonte, Espectometria por fluorescência de raios-x por [4] Pimenta, J. J. M., Espectroscopia de raios-x. Relatório de Laboratório de Moderna, UEL. 37 http://www.ifsc.usp.br/~lavfis/BancoApostilasImagens/ApRaios-X/apraios-

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