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A ESCOLA DE CHICAGO

Trabalho por:

Lisboa, Maio de 2008

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...............22 Bibliografia... O Homem no seu Habitat Natural..20 Conclusão.................24 Resumo ..15 3.........................................................................................9 3.........................................................................................10 3.............................7 2...................................................................................................1 A Teoria dos Círculos Concêntricos...................................................16 4..................................4 A Geografia da Exclusão..................Índice Resumo...................................................................14 3..........................................4 Introdução..................................... Os Padrões da Interacção Social..........................................................12 3..............3 Os Enclaves Étnicos........................................................... A Interacção Social ...............19 4...........................................................................................5 1.......................................2 As Dinâmicas Sociais Diferenciadas.........................................1 A Noção de Mundos Sociais......................................... A Cidade como um Laboratório .......................................

de quotidianos diferenciados. Chicago’s Pragmatic Planners. de trajectórias e destinos individuais que interagem. Ecologia Humana. que se concebem como sistemas ecológicos de cooperação e competição pelo espaço físico. interacção. Introdução1 1 Venkatesh. que constitui um “laboratório natural” para o estudo do crescimento e dinâmicas das comunidades. diferenciação e socialização. 308. território impregnado de memórias. transgressão e controlo social. S. perspectivada como um palco de interacções. A cidade. cenário e palco de cruzamentos sociais. Espaço de integração de funções (residenciais. de lazer). polémicas e experiências sobre a prática científica social descritiva e prescritiva. Surge o conceito de “ambiente construído” como determinante na explicação dos comportamentos sociais. na perspectiva da Escola de Chicago. p. as formas de organização e estruturação das relações interpessoais. “(…) a cidade tornou-se a arena empírica na qual tinham lugar a maioria dos debates. difusão e inter-conhecimento.” 5 . Palavras-chave: Sociologia Urbana. lugar de sociabilidades que se desdobra em vários níveis e dimensões de acção. Mundos Sociais. Aqui são analisadas as migrações na cidade. Social Science History Association. laborais. Interacção Social. (2001).A cidade é entendida como espaço de vida urbana. encontro e confronto. em analogia aos organismos naturais.

o que contribui para instituir posições de desigualdade. Conforme refere Sudhir Venkatesh (2001. de uma sociedade complexa num espaço diferenciado. onde se concentra um grande número de pessoas e de actividades interdependentes. polemics. no uso que dele fazem. mas também novas formas de interacção que se configuram na relação com o espaço. para outros a cidade era vista como um inferno cheio de fumo e de multidões agressivas e desconfiadas. violência e corrupção. 308). O desenvolvimento das cidades modernas teve um impacto enorme não só nos hábitos e nas formas de comportamento dos indivíduos. dos equipamentos ou das instâncias de decisão 6 . and experiments concerning descriptive and prescriptive social scientific practice were set. habitado e percorrido traduz. espaço construído por excelência. palco de numerosos crimes. A localização dos grupos sociais. Cada sociedade pode ser caracterizada por um conjunto de relações sociais que associam os homens entre si e lhes permite transformar colectivamente o meio natural. “(…) the city became the empirical arena in which many of the debates. ou seja. Isto é sobretudo verídico no caso da cidade. Todo o espaço explorado. quadro físico e unidade de vida colectiva. O espaço permite a formação de relações específicas e exprimir de diferentes formas as relações sociais. É a configuração. de forma mais ou menos significativa. passou a registar-se uma grande polarização de perspectivas diversificadas acerca do conceito de cidade e dos seus efeitos na vida social. a marca das actividades humanas que nele se desenrolam. O espaço poderá ser encarado como o reflexo da estrutura social da qual é suporte.A partir do momento em que surgiram os grandes aglomerados urbanos. A cidade é simultaneamente território e população. em constante (re)definição. Enquanto que para alguns autores as cidades proporcionavam as melhores oportunidades de desenvolvimento cultural e económico e também uma existência agradável e confortável. p. aldeias e vilas. como também nos padrões de pensamento e nos sentimentos. também resultado da migração de pessoas das zonas rurais. A extensão da pobreza e as grandes diferenças entre os bairros da cidade foram os principais factores que estiveram na origem dos primeiros estudos sociológicos sobre a vida urbana. concedendo-lhe uma função e um sentido.” A expansão das cidades é uma consequência do aumento da população. e na forma como dele se apropriam. que nelas procuram melhores vantagens e oportunidades de vida. configuração de objectos físicos e nó de relações entre os seres sociais.

do pragmatismo e da sociologia de Tönnis. Neste artigo. a análise estatística. sob a orientação de Small.não se faz ao acaso. Houve um cruzamento entre as ideias e concepções do darwinismo social. do artigo de Robert Park: “A cidade: Proposições para o estudo do comportamento urbano no meio urbano”. em que aceita um dualismo entre o campo e a cidade e o rural e o urbano. violência. A mudança na sociedade foi. o autor propõe que o estudo das cidades se realize com recurso às novas técnicas da sociologia: a observação directa. Durkheim. danos ambientais. o estudo das instituições políticas e das subculturas marginais (desvios). Thomas e Park. deste modo. a descrição dos diferentes tipos de ofícios. com a publicação no American Journal of Sociology. A urbanização foi. sob esta orientação. iniciada pelas cidades através da difusão da cultura engendrada pela associação de indivíduos em determinadas condições de existência. o estudo dos casos. O Homem no seu Habitat Natural A Sociologia Urbana nasce em Chicago nos anos 20 com o desenvolvimento do surto urbano. A sociologia urbana teve as suas origens na translação da sociologia europeia para o contexto dos colégios e universidades americanas nos primórdios do século. e a configuração espacial de uma cidade fornece elementos extremamente úteis ao estudo da sua organização social. pobreza. no que concerne à habitação e a 7 . considerada como um processo autónomo e fonte de mudança social e o urbanismo como expressão da cultura moderna. numa conceptualização da cidade como “uma unidade em termos de espaço organizada externamente. 1. Esta nova corrente vai adoptar a cidade e o urbanismo como estrutura de referência. 1915). delinquência. Este modelo de análise serviu como base ao estudo de outras cidades no mundo. e assim nasceu a ecologia humana. o que acabou por dar origem a uma sociologia urbana muito distinta. em Chicago. assim. com origem em preceitos criados por ela própria” (Park. destruição dos recursos naturais. A sociologia da cidade começa assim em 1916. uma entidade orgânica de unidade suficiente para dirigir o seu próprio futuro. Este rápido desenvolvimento acarretou diversos problemas sociais como a mendicidade. A incapacidade de integrar uma população tão numerosa. como consequência da revolução industrial e comercial. Weber. Simmel. entre outros.

os quais assumiam que os mesmos processos de competição e acomodação estavam empregues também na comunidade humana.”2 A Escola de Chicago. a city in a garden. sociais. Park e Burgess. que abriu caminho à Sociologia Urbana. os atributos de cidade de colar azul. sobretudo a concepção de ecologia humana e os modos de vida urbanos. “Chicago é uma cidade mítica. na qual exercem um papel significativo. a distância social. culturais. a sociedade urbana é um espaço social de múltiplas dimensões (geográficas. Its representation in the popular imagination is varied and has included. Estes autores tiveram como antecedentes Simmel e Durkheim. numa vertente mais orgânica. S. dos quais adoptaram conceitos e teorias em comum. segundo Park. desta forma. psicológicas. A observação da mudança e o não funcionamento da organização social. uma cidade num jardim e um paraíso de marginais. normas e anomias. A forte influência de Darwin e das teorias organicistas conduzem Park e Burgess a considerar que a cidade constitui um organismo vivo. uma comunidade ecológica constituída por indivíduos separados no espaço. 275). assumem dimensões que impõem a necessidade de reconstruir a ordem social normal. and a gangster’s paradise. at various times. para tentar responder aos fenómenos considerados patológicos na altura. Sob as aparências de uma relativa unidade. A sua representação no imaginário popular é variada e tem incluído. que constituí o principal objecto de estudo da academia da Escola de Chicago nasce. estéticas e morais) cuja complexidade é crescente. Assim. territorialmente organizados como uma massa crescente de organismos 2 Venkatesh. adoptam a cidade como uma comunidade ecológica e Wirth. na sua evolução. ao longo das épocas. p. Social Science History Association. para o funcionamento do organismo como um todo. culturas e sub-culturas. desenvolveram ideias que durante um largo período de tempo constituíram a base de teoria e de pesquisa para a sociologia urbana. enraizados no solo. socialização. sob uma vertente cultural. Os estudos urbanos desta vertente dependiam de explanações provenientes da ecologia das plantas e dos animais. pôs em relevo e levantou uma série de problemáticas interdependentes sobre a estrutura social. a cidade assemelhava-se a um super organismo natural a funcionar. Os seus principais teóricos. em que os diferentes elementos exercem funções diferenciadas tendo contribuído.” 8 . Chicago’s Pragmatic Planners.grande vaga de (e)migrantes. Segundo Sudhir Venkatesh (2001. the attributes of a blue-collar town. que ocupavam e que viviam um relacionamento de mútua interdependência. “Chicago is a mythic city. 275. no seu conjunto. p. (2001). económicas.

e algumas diminuem ou até desaparecem. (p. W. crescem. a verdadeira “natureza do homem” era melhor observada contida neste complexo estratagema social.. luta entre os indivíduos que se organizavam tal como nas comunidades animais e que uniam todas as suas energias para resistir às forças externas. p. 2. 3). O processo de crescimento e expansão das cidades deve-se a factores como a melhoria do nível de vida dos habitantes. This notion of “man in his natural habitat” introduces the first theme. A Escola de Chicago deu especial relevância ao estudo destas relações sociais e à interacção entre os indivíduos.” 9 . 3 Lutters. que mantinham laços mais físicos e vitais do que habituais e morais. o aumento das actividades urbanas. Esta noção de “homem no seu habitat natural” introduz o primeiro tema.3 Estas estruturas sociais podem analisadas como uma rede complexa de processos dinâmicos como componentes de um ecossistema. (1996). Ackerman. As cidades têm uma marcha evolutiva muitas vezes semelhantes a seres vivos. 3. that biological metaphor and ecological models were apt framing devices for the discussion of urban social relations. como um produto da natureza humana. Este autor via a cidade não como uma construção artificial. um laboratório para exploração das interacções sociais. Para os investigadores da Escola de Chicago. mais ou menos significativas. entre outros factores. “Para a Escola de Chicago a cidade em si era. por excelência. An Introduction to the Chicago School of Sociology. mas sim. elas nascem. A Interacção Social As cidades constituem um vasto campo de relações sociais. To the Chicago School the city itself was of utmost value as a laboratory for exploring social interaction. o crescimento demográfico. essa metáfora biológica e os modelos ecológicos eram dispositivos de modelação aptos para as discussões de relações urbanas sociais. Interval Research Proprietary. podem estacionar. M. true “human nature” was best observed within this complex social artifice.em luta para satisfazer as necessidades elementares de sobrevivência. Assim. ao assumir a sua importância no contexto da sua diversidade. mais ou menos tempo. Conforme observaram Lutters e Ackerman (1996). For the Chicago School researchers. entre os diferentes habitantes que as compõem.

A Cidade como um Laboratório O empirismo que marca a abordagem da Escola e que transforma a cidade de Chicago num “laboratório social” resulta. No rápido crescimento das cidades e na formação dos “pequenos mundos” que dai resultam. no fundo. Se numa primeira fase do processo migratório se regista uma solidificação dos laços de parentesco e amizade e se gera um maior clima de entreajuda. jackrollers. do interesse em encontrar soluções concretas para uma cidade caótica. como já foi possível verificar. sistemas vivos. 3. Surge aqui um individualismo crescente que se sobrepõe ao colectivismo inicial. 10 . um lugar de lutas em torno de interesses e valores sociais heterogéneos. um espaço de conflito. and its streets were home to a hodgepodge of speculators. numa segunda fase. no entanto. “Chicago was in a boom period of staggering economic growth. verifica-se já um certo desfasamento e debilidade nas relações e laços iniciais.As cidades são. sendo um produto social. É um lugar onde se manifestam contradições sociais. As cidades americanas atravessavam um crescimento explosivo e Chicago foi uma que se notabilizou ao emergir como uma metrópole “imediata”. Os vínculos de parentesco e amizade cumpriram então a sua missão de intermediários entre o indivíduo recém-(i)migrado e a sociedade que o acolhe. caracterizada por diversos problemas sociais. oscilam ao longo do tempo. Esses vínculos. transformados e “experimentados” pelos seres humanos. nunca desaparecem por completo e passam a funcionar como elementos de identificação com laços sociais e culturais da cidade natal dos indivíduos. A cidade é um lugar de desigualdades. marcada pelo intenso processo de industrialização e urbanização que ocorre na viragem do século XIX para o século XX. em que as condições de vida se estabilizam e maior é a integração nas cidades de acolhimento. nela se reflecte a estrutura da sociedade. pois. Nesta época. hobos. feitos. em que as formas e funções urbanas são produzidas e dirigidas pela interacção de espaço e sociedade. é possível verificar que as relações sociais entre os indivíduos que a compõem não têm sempre a mesma intensidade.

M. Interval Research Proprietary. tal como segurança ou valores de bens imobiliários.” 6 Venkatesh. Chicago’s Pragmatic Planners. (1996).gangs. Ernest Burgess e os seus colegas das diferentes áreas interdisciplinares trabalharam em conjunto com o objectivo de dividir a cidade em comunidades e redes de vizinhança. S. and who acted collectively only to safeguard these interests. e que agem colectivamente apenas para salvaguardar estes interesses. 301). were best suited for the study of urban. immigrants and migrants. estes autores desenvolveram o célebre conceito de “área de comunidades”. vagabundos. political bosses. composta por 75 áreas geográficas mutuamente exclusivas. A community could not be characterized solely as a collection of family members or ethnics who shared a strong social or religious bond.” (Venkatesh. p. and so on. O modo de pensar as relações sociais pelos seus principais investigadores foi um processo marcadamente qualitativo e rigoroso na análise de dados. and it was no longer based primarily in the neighborhood saloon.” 11 . Social Science History Association. Esta proximidade etnográfica aos dados trouxe grande riqueza e profundidade ao trabalho de Chicago. 278). (2001). The primary assumption for the Chicago School was that qualitative methodologies.5 (p. Em vez disso. Ackerman. p. the church. p. An Introduction to the Chicago School of Sociology. cada uma delas socialmente e culturalmente distintas.. 2001. Social Science History Association. eram melhor adaptadas para o estudo do fenómeno urbano. p. 4 Venkatesh. especialmente as utilizadas em observação naturalista.” 5 Lutters. “Chicago estava num período de crescimento económico desconcertante e as suas ruas eram o lar de uma miscelânea de especuladores. 301. especially those used in naturalistic observation. a concentração populacional excessiva e a segregação urbana que deram origem à formação de guetos de diferentes nacionalidades. 4 O crescimento demográfico e o grande contingente imigratório. Instead. “a suposição preliminar para a Escola de Chicago foi a de que as metodologias qualitativas. chefes políticos. grupos de marginais. social. 3) Em 1920. 2001). such as safety or property values.6 Como membros da LCRC (Local Community Research Committee). W. (2001). 278. social phenomena. Chicago’s Pragmatic Planners. S. Como referem Lutters e Ackerman (1996). (p. or the ward hut. imigrantes e migrantes. Para os autores de Chicago (Venkatesh. 3. e deixou de ser baseado primeiramente no centro comunitário. “Uma comunidade não pode ser caracterizada unicamente como uma colecção de membros de família ou étnicos que partilham um forte vínculo social e religioso. This ethnographic closeness to the data brought great richness and depth to the Chicago work. e por aí fora. “community” could refer to a gathering of people who share an interest or a function. “comunidade” pode referir-se um conjunto de pessoas que partilham um interesse ou função. na igreja ou na autarquia. slum dwellers. as condições de vida e de infra-estruturas precárias favorecem a formulação pela Escola da ideia da cidade como problema. moradores de bairros degradados.

num composto de comunidades únicas que se identificam como “áreas naturais”. por todo o mundo. assim. The “natural areas” in a city made up a total urban ecology that had distinct but interrelated parts. o que favoreceu a criação da Sociologia Urbana como disciplina especializada. também Burgess adoptava a comunidade ecológica como teoria e foi no seu modelo circular que viu a importância dos processos ecológicos que levariam à diferenciação funcional do espaço e à segregação sócio-espacial: a cidade expandia-se sucessivamente em ondas de invasão. S. p. Social Science History Association. 283). not only in America but throughout the world”. nesta perspectiva. “[the LCRC] was a prototype for the organization of university-based social science research. movimentos naturais de crescimento e decadência e uma lógica funcional na qual as partes que a constituem trabalhavam juntas para reproduzir o organismo como um todo. (2001). Nas palavras de Venkatesh (2001. 3. (2001). citado por (Venkatesh. Chicago’s Pragmatic Planners. p. 2001. não apenas na América. “The “natural areas” in a city made up a total urban ecology that had distinct but interrelated parts. and a functional logic in that its constituent parts worked together to reproduce the organism as a whole. na qual as áreas naturais eram invadidas por outros grupos.” 8 Venkatesh. para melhor a poderem observar e administrar. teve consequências históricas muito verdadeiras e serviu como modelo ao estudo de várias cidades. each with its own characteristic milieu and each performing its specific function in the urban economy as a whole (…). mas em todo o mundo”. 282 “(o LCRC) foi um protótipo para a organização da pesquisa universitária das ciências sociais. Segundo Park.A cidade de Chicago consiste. natural movements of growth and decay. tratando-a como uma variável isolada. p. p. citado por Venkatesh (2001). 283. “As “áreas naturais” de uma cidade criaram uma ecologia urbana que tinha partes distintas. Chicago’s Pragmatic Planners. 282). Social Science History Association. Conforme referiu Bulmer. 8 A Escola de Chicago inaugura. a cidade (…) is a constellation of natural areas.1 A Teoria dos Círculos Concêntricos Tal como Park. natural movements of growth and 7 Venkatesh. 12 . mas interrelacionadas. S. levando à competição entre diferentes comunidades e à segregação dos mais fracos.” 7 A criação do mapa da “área de comunidades” resultou num artefacto que tinha como objectivo codificar a cidade. uma reflexão inédita ao tomar a cidade como objecto privilegiado de investigação.

chamada área de transição. nem todas as cidades “conseguissem” corresponder à tipologia deste modelo. lojas e escritórios. transformou-se no ponto de partida obrigatório de qualquer estudo sobre a estrutura urbana. p. (2001).were four others. and a functional logic in that its constituent parts worked together to reproduce the organism as a whole. Segundo este modelo concêntrico. Ainda que. cada com o seu ambiente característico e cada uma desempenha a sua função específica na economia urbana como um todo (…). Social Science History Association. the zone of workingmen’s homes. a zona residência dos trabalhadores. Social Science History Association. 283. os cidadãos distribuem-se em zonas relativamente características. 283.decay. mas cuja vida está centrada sobre a mesma e que se encontram já em processo de absorção. S. A quinta zona. 283). Burgess (1925) formalized this notion with his famous diagram that outlined the five concentric zones that comprised any urban ecology. na qual a mesma se “desenrolava” em várias fases que radiavam do seu centro. radiating outward from Zone I . em que cada uma delas cumpre funções particulares indispensáveis ao bom funcionamento do conjunto. “(…) é uma constelação de áreas naturais. (2001). and the commuter’s zone (p. Existem uma série de zonas diferenciadas. a mais interna dos círculos concêntricos. (p. quase sempre sobrepovoada. irradiando para fora da Zona I – o distrito de negócios central – onde quatro outros. é constituída pelo bairro comercial e de negócios (The Loop). “zona de alternantes”. os sectores de habitação edificados à margem do antigo quadro urbano pelos estratos sociais médio e superior. S. desde o centro administrativo até às longínquas coroas 9 Venkatesh.the central business district . esta teoria das zonas concêntricas com que Burgess tentou organizar a recolha de dados sobre a organização de Chicago. o modelo de zonas concêntricas era a base do desenvolvimento da cidade. compreende as unidades periféricas e as localidades satélites. a parte central da cidade. A segunda zona. Conforme observou Venkatesh (2001). “Burgess (1925) formalizou esta noção com o seu famoso diagrama onde esboçou as cinco zonas concêntricas que compreenderam toda a ecologia urbana.” 10 Venkatesh. 10 Assim. não incluídas totalmente na cidade. Chicago’s Pragmatic Planners. A quarta zona é a chamada “zona residencial”. com deficiências de equipamento e património imobiliário. 283)9 Para Burgess. é o antigo centro urbano histórico transformado em zona de actividade pela implantação de indústrias. incluindo a zona de transição.” 13 . p. círculos em que cada um deles representava a diversidade sociocultural das determinadas áreas. zona residencial e a zona dos que estavam de passagem. ou seja. A terceira zona caracteriza-se por ser a zona de residência dos trabalhadores industriais. the residential zone. including the zone of transition. Chicago’s Pragmatic Planners. após esta formalização.

controla e regula as relações entre os organismos e é desta competição que nasce a organização ecológica. determinando uma certa distribuição territorial dos indivíduos e a sua vocação profissional uma vez que. Com esta expansão da cidade os indivíduos encontravam-se classificados. acomodação e assimilação. Na perspectiva do autor. Esta luta pela sobrevivência não só determina o lugar onde os indivíduos vivem dentro da comunidade. na qual está implícita uma tomada de consciência. Assim. a base da interacção e do conflito situa-se no processo de competição e é do conflito social que nasce uma cidade politicamente organizada e dotada de normas. mas também o que fazem: a sua função. a competição assume a forma de conflito (que tem uma natureza social). a luta pela sobrevivência num espaço limitado origina uma divisão do trabalho de forma funcional. A competição identificava-se com a luta pela sobrevivência que actua a um nível biótico. A um nível social. originando uma diferenciação funcional do espaço e uma segregação sócio-espacial. a cidade torna-se um grande mecanismo de selecção que escolhe de forma infalível. de acordo com Park. desta forma. os indivíduos melhor preparados para viver numa determinada região ou meio. A luta pela vida e o conflito constituem duas condicionantes que presidem à relação entre os homens e o ambiente. para Park. era tanto um “retrato” do uso do território urbano como um modelo de expansão metropolitana e diferenciação interna. o resultado de uma série de processos de interacção do indivíduo com o meio: competição. ordenados de acordo com a residência e a ocupação. dado a competição não só estimular a divisão do trabalho como 14 . Desenvolvem-se assim bairros distintos uns dos outros a partir dos ajustamentos realizados pelos habitantes. este seu modelo de zonas concêntricas. 3. à medida que lutam pela vida. em função da sua antiguidade na cidade.2 As Dinâmicas Sociais Diferenciadas A ordem ecológica da cidade era.urbanas. da sua posição social e do seu modo de vida. Em suma. conflito. que representava as ideias tanto de Park como de Burgess. reflectir a divisão funcional e em simultâneo a localização das actividades humanas. entre toda a população. Esta diferenciação funcional para Park expressa-se espacialmente. O espaço vai.

na qual o êxito destas lutas poderiam originar o domínio de um grupo social sobre outro (o mais forte sobrepunha-se ao mais fraco).também distribuir as distintas funções económicas e grupos sociais em diferentes lugares no meio urbano. na qual a produção do espaço urbano é tido como um processo físico de segregação dos diferentes grupos e actividades. O estado final do processo de urbanização não consiste numa massa homogénea mas numa heterogeneidade de estilos de vida em que cada um assume o controlo sobre um território. “uma articulação de mosaicos de mundos sociais não planificados que se tocam.. "Assim que uma cidade se estabelece (. recomeçando o ciclo. comunidades de um grupo étnico no interior de uma área onde outro grupo étnico predomina. na cidade por uma competição pelo espaço. Citando Park. espaço este encarado como objecto de apropriação. no fundo. Isto significa que a estrutura social das cidades comporta diferentes comunidades (de grupos étnicos ou de classes sociais). p. Existe assim um processo articulado de competição. A diferenciação funcional do espaço e a segregação sócio-espacial são assim considerados fenómenos naturais. da região ou do país de origem. que tendem a concentrar-se em áreas diferenciadas. que se dá quando se expande para outra área. mas nunca se penetram” (Park). 669). quando um grupo étnico começa a “tomar conta do espaço” e o outro grupo é obrigado a sair. Estas 15 . de entre a população. 3. Os guetos são fortes exemplos disso. ou uma assimilação.. 1952 in Giddens. quando um novo grupo se estabelece como o único da área e finalmente um ciclo de invasão.3 Os Enclaves Étnicos O espaço da cidade. “enclaves” étnicos.) torna-se um grande mecanismo de selecção que escolhe infalivelmente. assim. fortemente característicos do ponto de vista da pertença social. entre grupos. constituído por núcleos de população mais ou menos específicos podem constituir. um ciclo de sucessão. A “luta pela vida” traduzia-se. Tal ocorre através de diversos processos (ecológicos) e diversos ciclos: um ciclo de competição. sucessão e invasão. as áreas naturais do autor. um de dominação. em casos extremos. Os enclaves étnicos são. os indivíduos melhor preparados para viver numa determinada região ou meio" (Park. 1997. dominação. sendo estes ditos “mosaicos”. pelas características da população e pelas actividades. que atribuem à cidade a sua diversidade.

as associações urbanas desempenham um papel importante. suavizando. O associativismo é característico das sociedades urbanas ou das sociedades rurais envolvidas no rápido processo de urbanização. política. caracterizada pela partilha de valores e sentimentos comuns. a sua integração na nova ordem social. deste modo. na perspectiva de Louis Wirth (1938). devido não só à existência de um leque mais variado de relações e interacções sociais de todo o tipo. Uma forma de integrar e proporcionar um melhor acolhimento a estes grupos minoritários. a ser um mediador entre o indivíduo e a sociedade. é objecto de apropriação pelos diferentes grupos sociais. que exprime a voz de uma comunidade minoritária sujeita a uma dominação simbólica. levando os indivíduos do meio urbano a organizarem-se pela partilha e defesa de interesses comuns. Existe uma tendência para indivíduos provenientes de um mesmo meio ou origem social se agruparem numa mesma zona. Uma associação tende. formadas para atingir e defender determinados interesses comuns. económica e social surge então como um instrumento aglutinador das expectativas e exigências dos (i)migrantes pertencentes a minorias étnicas numa sociedade de acolhimento. reorganizando os seus objectivos e fins para melhor adaptar os seus membros à nova situação. Elas são fundamentalmente reveladoras de valores culturais e preservadoras de identidades. graças à elevada densidade populacional.áreas podem ter um idioma. 16 . Em situações de súbita mudança social. pois o processo histórico de urbanização capitalista permitiu-lhes o domínio do solo urbano e o poder de decisão sobre o uso da cidade. devido ao enfraquecimento dos laços de vizinhança e parentesco. religião e sistema económico separados das restantes áreas da cidade predominantes. consiste na construção de associações de grupos voluntários e organizados de indivíduos. de acordo com os seus interesses e projectos. Os grupos dominantes aí exercem um controlo social. O associativismo étnico. resultado da acção de forças e agentes estruturantes. assim. 3. entre as necessidades dos indivíduos e as exigências dessa mesma sociedade. cultura. mas também devido ao estatuto sócio-económico e educacional mais elevado dos residentes nas cidades e ainda.4 A Geografia da Exclusão O espaço urbano.

criou condições para que as contradições de classe se tornassem um fenómeno cada vez mais urbano. que os obriga a ocupar os bairros mais degradados e mais económicos e transforma esses bairros em locais de segregação em que. Por vezes a cidade não só não satisfaz as necessidades dos grupos sociais mais desfavorecidos como também provoca severas situações de discriminação. que se fecha em si mesmo de forma a manter uma identidade própria. nas cidades modernas tal fenómeno torna-se algo 17 . estabelece em que lugar devem residir e em que lugar devem trabalhar. são formadas “naturalmente”. que ele denomina de “guetos”. Este tipo de gueto é então realizado pela própria população. tal como em Park. a distribuição dos habitantes e o seu comportamento quotidiano. um espaço de produção económica e de reprodução social. se nas cidades medievais a segregação era voluntária. O autor fala na questão da auto-segregação das cidades medievais. fundada nas tradições. Este autor considera que as vagas de migrações que ocorrem nas cidades dão origem a bairros característicos. costumes e estilos de vida. na qual a segregação começa quando um grupo de imigrantes chega e tende a situar-se nos degraus mais baixos da escala social. pelos elementos de ordem cultural. A cidade é. no fundo. onde se reproduz a força de trabalho. que situa as unidades de produção. no que ele designa de “gueto voluntário”. no sentido em que influencia. com o seu valor económico. na qual.O desenvolvimento do capitalismo. onde refere que as comunidades judaicas se autosegregavam devido essencialmente a que. ao acelerar os processos de concentração de pessoas e actividades e ao reforçar a centralização do poder. Estes são considerados como um “modo de vida” onde residem minorias que sofrem desta forma de marginalização. O espaço condiciona então a organização social da cidade. Assim. gerados pela degradação das condições materiais de existência da maioria da população urbana e pela sua marginalização nos processos de controlo dos diferentes espaços. Esta segregação voluntária dos judeus nos guetos tem numerosos pontos em comum com a segregação dos negros. Para Wirth a questão da segregação está intimamente ligada à questão da etnia. de consumo e de prestação de serviços. Sesta realidade resulta a ocorrência de conflitos sociais no interior da cidade. dos imigrantes nas cidades modernas. os judeus precisavam da sua própria organização comunitária. a presença de uma comunidade separada era funcional para o tipo de ordem social existente (cidade medieval). Esta espécie de “comunidade” começou por ser uma tentativa de regular o problema da presença da população estrangeira nas cidades medievais.

para Wirth. segundo as novas condições. constituídos por um tipo de população cujo nível económico e tradições culturais são as considerados como os melhores para se adaptarem às características físicas e sociais de cada uma destas áreas. uma especialização da economia urbana. Os guetos são. o gueto forçado ou involuntário. Este tipo de gueto pressupõe a existência de um ambiente degradante. característica da migração. e os seus habitantes são obrigados a lá permanecer. tal como ocorre em Park. assim. instituições. cada grupo tende a reproduzir fielmente tanto quanto possível. Os guetos são encarados como bairros que estão “reservados” para uma determinada função de acordo com a população que aí reside.“hostil”. Cada uma destas áreas caracteriza-se então não só por uma configuração externa específica que se manifesta nos edifícios. não é só com o povo judeu mas também com outras minorias étnicas que ocorre a segregação. opressão. são bairros miseráveis e isolados do resto do mundo. Wirth refere que tanto nas cidades medievais como nas cidades modernas. caracterizada por “fazer” aquilo que estava melhor adaptada. É esta tendência que explica as mudanças súbitas das atmosferas que se podem observar quando se passa de rua em rua no chamado mosaico de pequenos guetos que compõem os grandes bairros de imigrantes das grandes cidades. as acessibilidades. um aspecto do processo elementar da divisão do trabalho. Esta especialização de interesses e tipos culturais representa por sua vez. especializando-se numa função e não noutra. através dos processos ecológicos invasãosucessão. Desta forma. a vida é considerada insuportável. Desta forma. mas também por um código 18 . o sentimento de exclusão de que “sofrem” as minorias étnicas está bem presente nesta nova sociedade. originando processos de competição. Este é um ambiente que é hostil aos indivíduos. existe miséria. na aparência geral. Ao mesmo tempo que se instalam no bairro. as atitudes dos habitantes e dos proprietários e os valores económicos são os factores que determinam o tipo de área que se vai formar. existindo assim uma diferenciação funcional do espaço. a cultura a que estavam habituados no seu antigo habitat. existe uma segregação da população em categorias e em grupos profissionais distintos. diferentes áreas urbanas que compõem a comunidade urbana. Do gueto voluntário passa-se ao “gueto moderno”. é uma forma de segregação temporal. Cada área urbana era. apesar disto existe um elevado grau de integração e este ambiente oferece segurança e status aos seus membros. Os valores de raiz.

O seu autor toma a cidade como uma grande fixação densa e permanente de indivíduos socialmente heterogéneos. o carácter do ambiente urbano e a disciplina que impõe é determinada para os autores da Escola de Chicago pelo tamanho da população. A dimensão dos aglomerados urbanos tende a destruir os laços comunitários. muitas das vezes. relações de impessoalidade nas cidades e ausência de envolvimento entre os seus residentes. Numa outra vertente da Escola de Chicago. substituindo-os pela concorrência e a segregação das relações sociais tende a provocar o anonimato. A densidade reforça a segregação entre meios sociais diferentes que. justapostos. tendem a tornar-se anónimas. 19 . Wirth parte de uma definição de cidade considerada por muitos autores como redutora. características da personalidade urbana. para este autor o gueto não é só um espaço físico. a questão da dimensão dos aglomerados urbanos tendia a destruir os laços comunitários. a isolação dos imigrantes e das minorias nos chamados guetos e nas áreas de população segregadas tendem a preservar. substituindo-os pela concorrência e segregação das relações sociais. a densidade e a heterogeneidade. elabora um modelo de relações sociais e da personalidade urbana. não se integram. Verificam-se por isso. onde através de três simples critérios. a dimensão. é. superficiais e efémeras. Dada a grande mobilidade das populações nas áreas urbanas e a multiplicidade dos contactos ocasionados pela vida na cidade. que coexistem e interagem em simultâneo no interior desse espaço comum. as relações sociais entre os indivíduos são relativamente fracas.moral que lhe é próprio. um estilo de vida. A organização da cidade. pela sua concentração e distribuição dentro da área urbana. os indivíduos da mesma raça ou da mesma vocação vivem juntos em locais de segregação. no fundo. a intensificar as intimidades e a solidariedade do local e dos grupos vizinhos. 4. o que se traduz numa natureza distanciada da vida urbana. é tido em conta o urbanismo como um modo de vida. o culturalismo. Para este autor. a superficialidade e a ausência de participação. Os Padrões da Interacção Social A cidade reúne num mesmo lugar populações diferenciadas. Desta forma.

Nenhuma cidade é composta por uma massa indiferenciada.o que provoca o anonimato. da heterogeneidade nasce a segregação espacial na cidade e por isso a divisão do ambiente urbano em áreas naturais. por outro lado. O conceito de urbanismo como modo de vida desenvolvido por Louis Wirth defende. esta reforça a segregação entre meios sociais diferentes que não se integram e um aumento desta densidade corresponde a uma diferenciação e uma especialização. a superficialidade e a ausência de participação. em que. caracteriza-se pela substituição das relações primárias pelas relações secundárias. fontes de diversidade e. 4. A heterogeneidade do meio urbano tem como consequência o predomínio da associação (fundada em interesses comuns) sobre a comunidade. o desaparecimento das relações de vizinhança e a queda da base tradicional da solidariedade social. o enfraquecimento dos laços de parentesco. maior será a diferença de potencial entre os mesmos. a solidariedade típica da comunidade rural é substituída na cidade por mecanismos de competição e de controlo social formalizado. não só pela sua aparência física mas pela composição da sua população e pela sua reputação. Em relação à densidade. Por sua vez. o declínio da importância social da família. a rapidez das relações. mas por um grupo reconhecível de arredores que se destinguem. que a vida na cidades alimenta a impessoalidade e a distância social. na perspectiva de Wirth. quanto maior for o n. assim. 20 . A característica mais distinta de uma grande cidade é a sua divisão em quarteirões distintos. os investigadores da Escola de Chicago recorrem à noção de “Mundos Sociais”.º de indivíduos que participam no processo de interacção. As cidades modernas implicam frequentemente relações sociais impessoais e anónimas. por vezes de intimidade.1 A Noção de Mundos Sociais De forma a explicar a complexa rede de relações de interacção intergrupais nas diferentes regiões da cidade. mas são também. Um diferente ponto de vista permite constatar que os bairros que envolvem laços pessoais e de parentesco próximos parecem ser criados pela vida na cidade. O modo de vida urbano.

and its own conception of the city” (Venkatesh. citado por Mellor (1984). Este facto verificou-se na formação dos guetos. S. que é apreciavelmente diferente para cada comunidade local (p. mas tudo interlaçado com a metrópole”. pelo menos um discurso universal. 283. W.. em que as comunidades se concentram e se tornam protegidas das influências externas. em comunidades tão fechadas existe uma tensão entre o nível de isolamento percepcionado e a situação real”. 2001. (2001). interval research Proprietary. as áreas comunitárias apresentam de facto características únicas e. (…) the central business district never became entirely residential. Conforme assume Lutters e Ackerman (1996. (. p. Segundo Park. 1984. 21 . citado por Venkatesh (2001). “(…) often with such “closed” communities there exists a tension between the perceived degree of isolation and the actual material reality of the situation”.12 Os mundos sociais assumem muitas vezes um elevado grau de isolamento. 279). interiormente estimulado ou externamente forçado. modelos de propriedade e decência e. but all interwoven into the metropolis (p. 5. and the residences on the city’s edges never turned fully industrial. mas não se interpenetram” (Mellor. Ackerman.) todas as áreas naturais têm tendência para ter as suas próprias tradições peculiares. que se tocam. Na perspectiva de Park (1918). Social Science History Association. se não uma linguagem sua. a slum remained blighted. em que os arredores. p. Eles indentificavam estes espaços como “pequenos mundos”. They identified these spaces as “little worlds”. its individual problems. nas palavras de Bulmer (1984). as residências na periferia da cidade nunca se tornaram completamente industrial. 12 Lutters. 343). Chicago’s Pragmatic Planners.5). “muitas vezes. 342). M.289). as colónias e áreas segregadas da cidade eram vistas como “um mosaico de pequenos mundos. An introduction to the Chicago school of sociology.. industries and occupational niches. “(…) a zona central de negócios nunca se tornou numa zona residencial na sua totalidade. com nichos de indústrias.11 Para Burgess e para Palmer. em que as palavras e os actos têm um significado. p. p.A observação da separação espacial da população da cidade e a existência de mundos separados de experiência constituíam a base da visão de Park (1918) da vida urbana. each with unique languages. despite a continuously changing population. p. apesar da constante alternância de população. cada um com uma linguagem única. costumes e convenções. 11 Venkatesh.. (1996). “each community area was “a miniature society with its own history and traditions.

o “laboratório” que põe à disposição do sociólogo a mais completa e variada gama de fenómenos sociais e analisa. chega à conclusão que existe uma relação estreita entre desenvolvimento económico. como a abordagem ecológica e o urbanismo como modo de vida. Esta teoria é. a afirmação da dependência do espaço e. Procuram descrever a grande variedade de fenómenos sociais que ocorrem no espaço urbano. A perspectiva ecologista por eles utilizada “acredita” que as cidades se desenvolvem de acordo com as características do meio ambiente. ao elaborar a sua famosa teoria do crescimento urbano em sucessivas zonas concêntricas. no fundo. na sua relação intergrupal e diferentes formas de apropriação do espaço. Em suma. todos os que se relacionam com a integração e coesão de uma formação social sujeita a um ritmo de mudança fulminante e sem precedentes. estes autores procuram analisar todos os fenómenos sociais que ocorrem num dado espaço. 22  . com especial incidência nas relações de vizinhança e redes de poder local. em que cada uma tem a sua história. por consequência da cidade. No estudo das suas diversas problemáticas. esboça e anuncia o tema da cultura urbana. Por outro lado. a Escola de Chicago demonstrou que: A sociedade urbana é dominada.Conclusão A partir da observação de uma cidade marcada por um extraordinário grau de desenvolvimento e desigualdades bastante pronunciadas. dominação se a periferia for influenciada pelas condições de vida do centro da cidade. mas por diversas subculturas. sempre inerente em qualquer discurso sobre mudança social. Robert Park vê na cidade a imagem viva da nova sociedade. Ernest Burgess. relativamente a uma determinada estrutura social. Diversos conceitos da ecologia natural são retomados por esta ecologia social: ocorre um processo de sucessão quando uma população substitui outra num determinado bairro. com maior incidência. os fundadores da Escola de Chicago desenvolveram as principais bases teóricas e de pesquisa em sociologia urbana. simbiose se as populações sem parentesco se encontrarem numa mesma zona. não por uma cultura unificada. transformações sociais e organização do espaço. posteriormente desenvolvido por Wirth e que se torna um dos pilares básicos da sociologia urbana.

que vêm exigindo novos conceitos e novos processos de Estas mutações da cidade actual têm profundas consequências nas formas de espacialização e sucedem-se a um ritmo e lógica de transformação que torna difícil a sua percepção. a mobilidade é encorajada. As pessoas “dessocializadas”. Por estes e outros motivos as diversas perspectivas da Escola de Chicago foram amplamente contestadas pelos seus seguidores. A cidade tende a alargar-se e a aumentar progressivamente. do suicídio. Certas comunidades formam-se encorajando os comportamentos desviantes. em estreita relação com a pobreza e o desemprego. A estrutura ecológica é mutável. O meio urbano aumenta a distância social. anónimas. as formas urbanas afiguram uma mutação constante. A cidade “des-socializa”. apesar de serviram de base e serem uma referência eterna para o progresso e desenvolvimento subsequente das diferentes correntes da Sociologia Urbana. A distância social entre os grupos é mais importantes nas metrópoles do que nas cidades de menor dimensão. Na grande cidade. em que cada uma possui as suas oportunidades e os seus limites. É a descentralização centralizada. por vezes numa única área. dada a nova diferenciação e segregação das formas de ocupação do espaço. São os bairros “da doença. a taxa de criminalidade é elevada. Pelo contrário. A compartimentação entre os grupos e as subculturas não exclui a mobilidade individual. A diferenciação e a mobilidade fazem com que se aprenda a viver sem que ocorra interacção entre os indivíduos. reúne diversas colectividades. na medida em que os bairros sofrem constantes alterações. A sociedade urbana não é um sistema social unificado. As formas de comportamento desviante tendem a agrupar-se num número restrito de lugares. 23 . tendem a agrupar-se em bairros mas sem criarem laços sociais sólidos. No entanto. apresentando hoje        características próprias intervenção sobre a cidade. das perturbações mentais”. conquistando terreno à custa da formação de zonas periféricas.

Sociologia Urbana. Editorial Presença. Problemas de Investigação em Sociologia Urbana. A Escola de Chicago. Chicago’s Pragmatic Planners . 663-695. Lisboa. Yves (1994). Lutters. J. Sudhir (2001). An Introduction to the Chicago School of Sociology. Giddens. Lisboa. “O Urbanismo Moderno” in Sociologia. Lisboa. Wayne G. Mellor.. p. Anthony (1997). Ackerman. Publicações EuropaAmérica. Rés Editora. Venkatesh. Manuel (1984). Social Science History 25:2. Fundação Calouste Gulbenkian. (1996). Lisboa. (1984). Grafmeyer.Bibliografia Castells. Interval Research Proprietary. Sociologia Urbana.American Sociology and the Myth of Community. 24 . Mark S.