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“Oficina de formação “A Biblioteca Escolar 2.

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Tarefa 1 - Fábia Raposo

Que passos poderiam dar as nossas bibliotecas para se aproximarem de um modelo de biblioteca 2.0? “O verdadeiro desafio que temos diante de nós não está na tecnologia, mas no uso que fizermos
dela”
Peter Drucker

O facto de vivermos na sociedade da informação e a “matéria-prima” ser o conhecimento, coloca desde logo as bibliotecas em evidência. Ora, o público-alvo das Bibliotecas Escolares é, essencialmente, constituído por alunos que pertencem à “Geração Net”, definida por Tapscot como a
geração que nasceu e vive num contato habitual e intenso com a tecnologia. Refere este autor:
[...] crianças têm mais saber e conhecimento, são mais letradas e sentem-se mais confortáveis do que os seus pais [e educadores] em relação a uma inovação central da nossa sociedade [...] Se há uma coisa que os miúdos percebem (e os adultos não entendem) é que a Net não é ‘tecnologia’, é um novo meio de interação entre pessoas. (TAPSCOTT, 1998).

Alunos utilizadores de recursos multimédia não compreendem como podem os professores ensinar sem estes. Temos um novo paradigma educativo. Ensinar não é transmitir conhecimentos, mas orientar, guiar, preparar os alunos para a aprendizagem ao longo da vida. Paradigma que a escola/instituição ainda não assimilou devidamente, pois a mudança está a ocorrer lentamente e por via dos alunos que trazem a Web 2.0 para os computadores da escola. Hoje em dia, os alunos não dispensam o telemóvel, a internet, os recursos multimédia. Aprendem partilhando, jogando, colaborando e construindo possibilidades que a Web 2.0 oferece. “Mais que uma nova tecnologia, a Web 2.0 pode ser definida como uma nova atitude e uma nova forma de as pessoas

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se relacionarem com a internet: a rede deixa de ligar apenas máquinas, passa a unir pessoas, um internet: processo com implicações sociais profundas.” O termo Web 2.0 surgiu em 2004, por Tim O’ Reilly, que o define como uma plataforma, um

serviço continuamente renovado e atualizado, que fica melhor quantas mais pessoas o utilizarem quantas e fizerem remix de dados de variadas fontes, que incluam, também, as suas informações a fim de que sejam compartilhadas com os outros utilizadores, indo para além do contexto da Web 1.0. Com as mudanças registadas na sociedade em consequência dos avanços tecnológicos que se sociedade, verificaram nos últimos anos, a escola e a biblioteca trabalham agora num novo cenário As bibliotecas biblioteca cenário. que ao longo da sua história pouco mudaram, estão atualmente, a viver a sua maior revolução, ganhando novos espaços e novos serviços. P Para tal devem: - ter uma comunicação mais dinâmica e participativa; o - divulgar melhor os seus serviços; ivulgar - ficar mais próxima do utilizador izador. A relação das bibliotecas com as tecnologias também é uma questão de atitude. As passivas usam as tecnologias apenas para uso interno, sem reverter em produtos e serviços para os
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utilizadores. As ativas, fazem um uso dinâmico da tecnologia como recurso e prestação de serviços, porém de uma forma unidirecional para o utilizador. Há ainda as interativas, que usam a tecnologia como meio para se relacionar com o utilizador numa atitude participativa. A BE precisa de encarar o desafio de abandonar o paradigma patrimonial, para se tornar uma rede multimédia de informação ou um centro de referência digital (Pretto – 2009). É importante que as equipas das bibliotecas vejam nesta mudança uma oportunidade de modernização da imagem e do desempenho, a fim de conquistarem crianças e jovens, ganharem visibilidade na escola e na sociedade da informação.

Web 2.0 +Biblioteca = Biblioteca 2.0

Paul Miller

A partir de 2005 surgiram os primeiros estudos internacionais sobre a Web 2.0 envolvendo bibliotecas, bibliotecários e ferramentas tecnológicas, aparecendo o conceito de biblioteca 2.0.

A Biblioteca 2.0 tal como a sistematiza a figura implica recursos humanos qualificados, pois os novos ambientes de disponibilização da informação e de contactos com os utilizadores exigem atitudes e competências sem as quais a mudança, já por si difícil, ficará comprometida.
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As características de uma biblioteca 2.0 passam por quatro elementos essenciais, que segundo Maness (2006), são: -centrada no utilizador; -proporciona uma experiência multimédia; -socialmente rica; -inovadora. O ponto central da biblioteca 2.0 é o utilizador, agora chamado a participar e não só a receber. Neste contexto, a biblioteca não só disponibiliza o seu acervo, como permite que os utilizadores participem na construção dos conteúdos que todos irão usar. Assim, o uso das ferramentas participativas da Web social maximiza a missão educativa da biblioteca e dos P. bibliotecários, no que se refere ao estímulo à leitura, à escrita e à investigação. O bibliotecário, David Lee King, servindo-se do texto “as ondas da biblioteca 2.0”, mostrou como se pode transformar uma Biblioteca tradicional numa Biblioteca 2.0 e oferecer aos utilizadores, além da informação, participação e envolvimento da comunidade, como o esquema sintetiza:
WEB 2.0 & Biblioteca 2.0

Web2. Blogues, Wikis, redes sociais, RSS, Streaming media, tagging, Mashup

Centrada no utilizador

Folksomanias, computação nas nuvens

Serviços multimédia + dinâmica social para uso das novas TIC

Interatividade

Participação social

Facilita o acesso amplia o uso da informação 4

Aproveita a inteligência coletiva

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Contudo, para que isto seja uma realidade, a equipa da Biblioteca Escolar terá, sobretudo, que apoiar, incentivar a mudança e contribuir para o desenvolvimento das literacias digital, informativa e de outra natureza. Deverá promover um trabalho colaborativo que leve à construção do conhecimento, apoie o desenvolvimento dos curricula e envolva a comunidade. O papel do Professor bibliotecário, neste contexto, deverá ser, sobretudo, informacional, transformativo, formativo e de promoção do sucesso escolar. Esta será apenas uma das mudanças futuras. Porém, este trabalho requer recursos humanos qualificados, pois os novos ambientes de disponibilização da informação e de contacto com os utilizadores exigem competências sem as quais a mudança, já por si difícil, ficará comprometida. Na atualidade, o grau de integração da Biblioteca na Escola, o seu contributo para o sucesso dos alunos e o uso que é feito das citadas tecnologias é ainda muito díspar. Enquanto umas já utilizam estas tecnologias e têm espaços e serviços online para oferecer aos seus utilizadores, outras há onde a existência de computadores com ligação à net deixa muito a desejar.

Referências Bibliográficas Textos: - A Web 2.0, Potencialidades para as Bibliotecas Escolares – Pinheiro, Carlos; Proença, João Paulo - Teoria da Biblioteca 2.0: Web 2.0 e suas implicações para as bibliotecas – Maness, Jack M. Bibliotecas Escolares e Web http://seer.ufrgs.br/EmQuestao/article/view/108882.0, Furtado, Cassia Cordeiro,

Fábia Raposo 2012
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