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A CAPELA DOS BIDÃOS (BIDÕES) no LUNHO - O Capelão

http://www.joraga.net/bart2838/pags/01ccs04jornal05osL08capela.htm ver também -Igrejas e Cristianismo em África - jornal nº 3 ver também - Recordações do LUNHO, do Fur. Mil. Oliveira, no Jornal nº 9

A Capela dos Bidões A Capela dos Bidões é a capela da CART.2325. Fica no Lunho o aquartelamento mais isolado do Batalhão… O seu ambiente é o mato e os Montes que vigiam de perto e de longe… montes mais pequenos como os Lijombos e grandes como o Chissindo. Para os que estão do lado de cá o Lunho fica lá no fim do Mundo… para os que estão lá, aqueles 17 km (que os separam da Companhia e da povoação mais próximas Nova Coimbra) são intermináveis… Aquela picada cheira a trotil e a destruição… De quando em quando há uma carcaça duma viatura minada que apodrece ou os restos que ficaram… Cada quilómetro tem uma história: foi uma emboscada, um rebentamento ou uma mina levantada; foi uma viatura que se atascou e obrigou a horas e horas de espera e trabalho angustiante… Tem sangue e suor e esforço dos que vão para operações, dos que vão fazer protecção a uma coluna, dos que vão compor o itinerário, dos que vão carregar às costas os reabastecimentos que não chegam lá de avião porque a pista durante as chuvas alaga-se e o nome do Lunho mete respeito… Impressiona os que não estão lá, porque os que estão, estão acostumados e jogam a apreensão de cada dia com a naturalidade dos que todos os dias saem de casa para o emprego… A primeira missa no Lunho foi em Maio de 68 e foi numa das casernas, que estava ainda meio desocupada… Seria preciso uma capela?.. Havia tantas obras a fazer! …e na guerra qualquer lugar serve… Mas não! Convinha haver um sítio para a oração, para, um encontro mais recolhido com Deus… Convinha haver um local para a Nª Sª de Miandica que o Pelotão de lá tinha trazido com amor e gratidão porque no dia do ataque aquele nicho apanhou muitos estilhaços que não foram levar a morte a ninguém enquanto ao lado um camarada caía morto… Milagre? Que importa se eles têm a certeza que foi a Mãe do céu que os protegeu?!... Era preciso um trono para Ela. Um sítio donde Ela dominasse para fazer descer bênçãos de Paz neste pedaço do seu Reino onde impera a guerra. Depois, eles não A quiseram tão alta no cimo da torre, assim distante e fizeram mais um nicho com dois bidões e colocaram-na mais acessível para Lhe poderem acender luzes e homenagear com flores e conversar mais de perto com Ela… O risco nasceu nas costas dum envelope velho. Material especial e dispendioso para uma capela, não havia… Havia bidões, havia pranchas que eram poucas para as obras que havia a fazer… Havia restos e destroços como em todo o lado e mais as sobras do que foi ficando por aqueles arredores conhecidos por "Estado de Minas Gerais"!... Então, nasceu uma torre de bidões e bidões a

CADA CAPELA NO SEU AMBIENTE Lunho - 5 de Junho de 1968 BIDON'S CHAPEL - Lunho - Maio - Junho de 1968 A comemorar a primeira MISSA e a primeira estadia de um Capelão no Lunho, a 5 de Maio de 1968. (Notas do diário do Capelão do Bart 2838) A 31 de Maio, arranco para a segunda visita ao Lunho. Era preciso ir a pé. A última camioneta rebentou numa, já duas semanas antes. Uma depois de eu ter saído do lá! Houve uns feridos, mas sem gravidade. São 17 kms. É necessário levar todo o carregamento de frescos que chegou no avião a vai dar para uma semana. São duas secções de soldados o um grupo de indígenas assalariados na companhia. Cerca de 200Kg. Carne, fruta e pouco mais. Há mais a minha mala com o necessário para celebrar Missa e... O graduado encarregado do cinema no nosso Batalhão propõe-lhes que, se querem cinema lá, têm de carregar mais uns 70 Kgs. …máquina, amplificador e transformadores. Claro que querem… Não há lá mais nada. Não há lá mais vivalma ali à volta! É o aquartelamento e todo o horizonte é vegetação rasteira e plana na maior parte da vista ao redor e para o outro lado umas grandes montanhas e a subida para Miandica, donde alguns tinham vindo há pouco, como últimos guardiães dum posto avançado… Nem flores à volta. É desolação. No dia seguinte queríamos acabar de gastar um rolo de fotografias coloridas e não encontrámos um fundo variado e vivo. As chuvas acabaram há pouco e o verde da vegetação é já baço e em breve será tudo amarelo e seco… A vida no aquartelamento é que surpreendeu! Para todos aqueles a provação tinha sido dura. Uns vieram de Miandica isolada para o isolamento ao Lunho. Já trabalharam, fizeram abrigos e mantiveram o moral. Os outros poderiam dizer que tinham vindo do paraíso. Do Cobué, à beira Lago com praias de sonho!... Mas tinham trabalhado e revolucionado as instalações e construíram… tudo… Eu pensara da primeira vez ao olhar o novo aquartelamento. Estes homens vão cruzar os braços. A parada parecia um campo lavrado de terra negra. As barreiras irregulares e mal distribuídas. As casernas de material pré-fabricado, disseminadas mais ou menos irregularmente, desordenadamente. Material rebentado… Eh!... Era aos montes. À entrada quatro camionetas Berliette e Mercedes. Depois, mais à frente, pequenas e grandes à mistura.

toda a volta a servir de base. Depois, as pranchas moldaram a estrutura e deixaram na frontaria a forma duma cruz. Ao fundo, a servir de clarabóia e a manter o ambiente de religiosidade, um grande pneu rebentado ficou no centro com uma cruz regular. Duas grandes panelas de tubo de escape com duas jantes destroçadas fazem de castiçais, quase dignos de uma catedral. O altar é uma porta furada por tiros que assenta em mais uma panela de tubo de escape com uma jante em cima. Não queríamos uma capela que nos desenraizasse da vida, do ambiente. Queríamos levar a guerra" toda para a capela para a purificarmos para a restaurarmos… Queríamos que aqueles sinais de destruição e de morte, ali, sob a bênção e inspiração de Deus e do Evangelho se transformassem em sinais de vida e fossem para nós um estímulo para semear a Paz. A estante; que serve para as leituras que dão a beber a Palavra de Deus é feita duma grade velha e é sustentada por ferros iguais aos que eles usam para picar a estrada e detectar as minas, tornando-a segura. Será a Palavra de Deus a tornar seguros e certos os caminhos dos homens… destes homens que têm de lutar mas que não podem lutar com ódio a roer-lhes o coração, porque têm de lutar dolorosamente para assegurar a Paz destes povos e dos seus que lá longe anseiam por que voltem. Semana a semana, dia a dia ali sobem os seus cânticos e preces, o oferecimento das suas horas de marcha e de trabalho, os agradecimentos pelos perigos de que foram livres, as lágrimas de dor por terem de usar armas que semeiam a morte quando os seus braços e a força dos seus corpos estavam habituados e anseiam por semear pão e progresso que seriam a garantia para a Paz… Nos domingos em que não há Missa, eles juntam-se como todos os dias para o terço, durante o qual lembram os que saíram em operações, os doentes, os familiares, os chefes e camaradas todos e completam a mais simples e bela liturgia que Jamais vi: lêem a epístola e o Evangelho do Domingo e terminam coma oração do soldado. AQUELA CAPELA DOS BIDÕES É ASSIM, COM AQUELES MILITARES CRISTÃOS, A PRESENÇA DA IGREJA, SACRAMENTO DE ESPERANÇA E SALVAÇÃO EM PLENO CORAÇÃO DA GUERRA! O Capelão

Depois máquinas, cilindros… Que é isto?... Uma máquina de engenharia avariada! E isto?... Uma serra mecânica… Não funciona… E isto?... Outra avariada… O motor que tirava água, a camioneta autotanque que a distribuía, o motor da luz - é tudo da engenharia que tem cá só um guarda e vai levar isto tudo… Desanimados??? Nem nada. A parada estava direita cheia de saibro e areia. O cilindro estava a funcionar. Foi uma festa quando o pusemos a trabalhar. Estava para aqui abandonado há meses! Quando deu os primeiros arranques todos cantaram e dançaram… É formidável, como se sente necessidade de tudo e se aproveita tudo quando se está longe e há dificuldades no reabastecimento… Pelo meu lado, tinha deixado a ideia de construir uma capela. Eles disseram que sim. Até a queriam ter feito antes de eu ir para me fazerem a surpresa… Ainda bem que a não fizeram. Se havia dificuldades… se para tudo, para as coisas mais urgentes eles recorriam a tudo, restos e materiais que em circunstâncias normais são inúteis, claro que e capela não podia ser excepção. Fiz um risco… e… rasguei… Celebrei nesse domingo outra vez à sombra dum telheiro. Dei volta ao aquartelamento a observar melhor os restos que por lá havia… À noite, ao refazer-me dum jogo de futebol, rabisquei uns traços nas costas dum envelope velho. Mostrei ao Comandante militar. - lsso é melhor falar com o encarregado do material… Fomos ao encarregado. - Claro que é possível. Segunda-feira, mãos à obra. Quando saí, estava quase a meio. Um deles, que veio numa coluna disse-me que estava quase… que tinham feito uma modificação… Estragaram-na?!!! Não. É só isto... E, de facto não tinham estragado. Uma torre de bidões. No cimo, uma jante duma roda era o exterior do mais belo nicho que eu já vi. Dentro, ferros torcidos em forma de estrela abrigavam a imagem de Nossa Senhora que veio de Miandica. A CRUZ, são as traves que fazem a porta e suportam a frente. A estante, são os restos duma grade de suporte dos telhados… Falta o altar e a aplicação do resto do material com que eles lidam todos os dias e correm riscos… Será a capela mais bela do NIASSA! VAMOS VER.

Capela emManiamba

Capela emManiamba

Nova Coimbra

Bandece

No quarto e Metangula Nicho em Nova Coimbra

Aprendendo o Corão Praia das Chocas

Mecopo

Muhala - Bairro Negro em Nampula

Nampula - Catedral

Muhala - Bairro Negro em Nampula

Benguela - Capela de Nossa Senhora da Benguela - Capela de Nossa Senhora da Graça, dos Manteiguenses e o Senhor Graça, dos Manteiguenses do Calvário...

Missionários em Metangula com o Bispo de Vila Cabral

O Missionário de Nova Coimbra

Lourenço Marques - Santo António da Polana
(Ao lado o Médico, Dr. Rodrigues dos Santos, o Capelão J. Rabaça e o Engº Fernandes)

A CAPELA DOS BIDÃOS (BIDÕES) - no LUNHO

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