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Responsabilidade Civil

Responsabilidade civil (art.482CC), constitui uma figura jurídica que manifesta relevância pratica e teórica, ocorrendo quando uma pessoa deve reparar um dano sofrido por outra, logo a lei faz surgir uma obrigação em que o responsável é o devedor e o lesado o credor, tratando-se, de uma obrigação que nasce directamente da lei e não da vontade das partes, ainda que o responsável tenha querido causar o prejuízo, nascendo na obrigação uma indemnização ao lesado, por os danos patrimoniais ou não patrimoniais, contudo nem todos os danos são indemnizados, porque a responsabilidade assenta na culpa, logo so há indemnização se a pessoa agir com culpa. Contudo é relevante distinguir a responsabilidade civil contratual ou obrigacional, que resulta da violação de um direito de credito ou obrigação sem sentido técnico, que está definido nos art.s798º e ss, e tem a ver com o cumprimento ou incumprimento das obrigações, ou seja, há factos fundamentadores da obrigação de indemnizar que podem resultar do incumprimento de uma obrigação em sentido técnico, ie, a não realização da prestação a que o devedor estava adstrito, e quando não há cumprimento de uma obrigação, quando há violação do contrato, surge tal responsabilidade civil obrigacional/contratual, e tal responsabilidade recai sobre uma pessoa especificamente individualizada, no que toca à responsabilidade civil extracontratual ou extra-obrigacional, deriva da máxima violação de deveres ou vínculos jurídicos gerais, ie, de deveres de conduta impostos a todas as pessoas, ou seja, recai a qualquer pessoa, e que correspondem aos direitos absolutos, ou até da pratica de certos actos que, embora lícitos, produzem dano a outrem, que está definido nos art.s483º e ss, e tem haver com o facto humano gerador da obrigação de indemnizar que pode não resultar do incumprimento de uma obrigação, quando isso sucede e por contraposição à responsabilidade civil extracontratual. Diferenças entre Responsabilidade Civil Contratual ou Extra-contratual: 1- A culpa presume-se na responsabilidade contratual (art.799/1), já na responsabilidade extracontratual não (art.487/1), contudo há preceitos que consagram culpa (art.491º,492/1,493º, 503/3). 2- Em caso de pluralidade passiva, o regime é o da solidariedade, na responsabilidade extra-contratual (art.497 e 507º), ao invés do que sucede na responsabilidade contratual, excepto se a própria obrigação violada tinha natureza solidaria (art.513º). 3- A possibilidade de graduação equitativa da indemnização quando haja mera culpa do lesante, estando consagrado para responsabilidade extracontratual (art.499º), não sendo extensiva à responsabilidade contratual, considerando-se pouco, de acordo com as legitimas expectativas do contraente lesado. 4- Na prescrição vigora a responsabilidade extracontratual certas normas especial respeitante ao prazo, fixado em 3 anos (art.498º), enquanto a responsabilidade contratual se encontra submetida ao prazo ordinário de 20 anos (Art.309). 5- A responsabilidade contratual por facto de terceiro não depende do pressuposto da comissão, requisito estabelecido para a responsabilidade extracontratual (art.500), máximo dispensando-se naquela uma relação de subordinação ou dependência entre o devedor e o auxiliar (art.800). 6- As regras da capacidade de exercício de direitos, rectius de agir juridicamente por acto próprio ou de representante voluntario, relativas à responsabilidade contratual (art.123, 127, 139, 156). 7- Sobre o momento da constituição do devedor em mora, estabelece-se um regime exclusivo da responsabilidade extracontratual, que não impera, portante para a responsabilidade contratual (art.805º/3-2ªparte). 8- Obrigações pecuniárias, em caso de mora do devedor, permite-se que o credor obtenha uma indemnização suplementar alem dos juros dados no art.806/1 e 2, caso o fundamento da divida se reconduz à responsabilidade extracontratual, sendo tal preceito inaplicável a situações de responsabilidade contratual (art.806º/3).

9- Há discrepâncias em matéria de clausulas contratuais gerais (art.18-al.a) a d) DL 466/85).  Problema no concurso da responsabilidade contratual e extracontratual: Diante o dano que se mostre consequência de um facto que simultaneamente viole uma relação de crédito e um direito absoluto, como o direito à vida ou à integridade física, ou seja, quando há uma situação susceptível de preencher os requisitos de aplicação dos regimes de responsabilidade contratual e extracontratual, pode-se apurar os seguintes factos: - o transportador, que por culpa sua, ocasiona um acidente em que a pessoa transportada sofre ferimentos; - o medico radiologista que provoca lesões no paciente; - o farmacêutico que, em vez do remédio solicitado, entrega ao cliente um produto nocivo à saúde; - o depositário que danifica a coisa depositada. Há aqui a violação do contrato e de um dever geral de conduta, e mediante a exposição de ambas as espécies de ilícito civil, denominam a teoria do cumulo ou não cumulo, na qual, na teoria do cumulo, surge a de o lesado se socorrer, numa única acao, das normas da responsabilidade contratual e extracontratual, amparando-se nas que entenda mais favorável, a de conceder opção entre os procedimentos fundados apenas numa ou noutra dessas responsabilidades, e a de admitir, em acções autónomas, ao lado da responsabilidade contratual, a responsabilidade extracontratual, e pode-se dizer teoria do não cumulo, na qual consiste, na aplicação do regime da responsabilidade contratual, por força do principio de consunção, e contudo nas duas especias de ilícito civil, não surge a dupla indemnização, ou seja, havendo um so dano, resultante de um so facto, nada justifica a duplificação de acções ou concorrência de pretensões. Responsabilidade por factos ilícitos (subjectiva ou com culpa) 1 - Pressupostos: sua enumeração. “Aquele que, com dolo ou mera culpa, diz o artigo 483º, violar ilicitamente o direito de outrem ou qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios fica obrigado a indemnizar o lesado pelos danos resultantes da violação». A regra entre nós é a responsabilidade por culpa, é o que ressalta do artº 483º/2, afirma-se que só existe obrigação de indemnizar independentemente da culpa, nos casos previstos na lei. É necessário, desde logo, que haja um facto voluntário do agente (não um mero facto natural causador de danos), pois só o homem, como destinatário dos comandos emanados da lei, é capaz de violar direitos alheios ou de agir contra disposições (.... violar ilicitamente...), que infrinja objectivamente qualquer das regras disciplinadoras da vida social. Em 3º lugar, importa que haja um nexo de imputação do facto ao lesante «Aquele que, com dolo ou mera culpa, violar...». Em seguida, é indispensável que à violação do direito subjectivo ou da lei sobrevenha um dano, pois sem dano não chega a pôr-se qualquer problema de responsabilidade civil. Por último, exige a lei que haja um nexo de causalidade entre o facto praticado pelo agente e o dano sofrido pela vítima, de modo a poder afirmar-se, à luz do direito, que o dano é resultante da violação. Só quanto a esses danos manda a lei indemnizar o lesado. Requisitos para haver obrigação de indemnizar: a) O facto voluntário do lesante (facto humano, controlável pela vontade do homem); b) A ilicitude; (que esse facto seja qualificado como ilícito) c) A imputação do facto ao lesante; (que o facto seja praticado com culpa) d) O dano; (que haja dano) e) Um nexo de causalidade entre o facto e o dano. a) Facto voluntário do lesante. O elemento básico da responsabilidade é o facto do agente ou seja o facto praticado pela pessoa obrigada a indemnizar. Este facto para fundamentar a responsabilidade civil tem de ser um facto humano, ou seja, tem de ser um facto dominável ou controlável pela vontade, um comportamento ou uma forma de conduta humana - pois só quanto a factos dessa índole tem cabimento a ideia da ilicitude, o requisito da culpa e a obrigação de reparar o

dano(indemnizar). Por vezes afirma-se que o facto que está na origem da responsabilidade (facto humano), tem de ser um facto voluntário. Qual o sentido útil desta afirmação? – esta afirmação tem o sentido rigoroso e preciso e pretende significar que são de excluir da responsabilidade civil, os factos naturais produtores de danos, ou seja, jamais constitui base de responsabilidade civil um facto que não é objectivamente controlado pela vontade, isto é um facto natural. Por exemplo: Uma trovoada que provoca uma inundação. Estes factos nem que causem danos, não geram obrigação de indemnizar, pelo facto de serem factos naturais e não voluntários. Não pode ser entendido como facto intencional, porque os factos, sejam eles dolosos, negligentes ou culposos, desde que causem prejuízos geram responsabilidade civil-483º. A responsabilidade baseada em factos ilícitos, assenta sempre, no todo ou em parte, sobre um facto da pessoa obrigada a indemnizar. Este facto consiste, em regra, num acto, numa acção, ou seja, num facto positivo (a apropriação ou destruição de coisa alheia, a afirmação de um facto injurioso ou difamatório, a usurpação de um nome, a contrafacção de um artigo, a morte ou a ofensa corporal de alguém...), que importa a violação de um dever geral de abstenção, do dever de não ingerência na esfera de acção do titular do direito absoluto. Mas pode traduzir-se também num facto negativo, numa abstenção ou numa omissão (Artº 486º), e podem gerar obrigação de indemnizar. Em sede de responsabilidade civil contratual, via de regra é um facto negativo que gera a obrigação de indemnizar, que é a prestação do facto devido (798º e ss). A omissão, pode também ser fonte de obrigações nos termos do 486º, como pura atitude negativa, não pode gerar física ou materialmente o dano sofrido pelo lesado; mas entende-se que a omissão é causa do dano, sempre que haja o dever jurídico especial de praticar um acto que, seguramente ou muito provavelmente, teria impedido a consumação desse dano. Ou seja, só incorremos em responsabilidade quando temos o monopólio da acção (ex: ver uma pessoa a morrer num acidente e não a levar ao hospital, se só ela podia e devia fazê-lo). No entanto, além da situação do facto negativo descrito (omissão), é necessário que se acumulem os pressupostos da responsabilidade civil extracontratual por factos ilícitos indicados no 483º. A mãe ou a ama que não alimentam a criança, o professor de natação que não socorre o aluno aflito, o automobilista ou o ciclista que não acendem as luzes do veículo, apesar de a noite ter já caído, podem ter causado a morte da vítima pela omissão dos actos que tinham o dever de praticar e que teriam normalmente impedido esse evento. Os actos danosos praticados por distracção ou por falta do auto-domínio normal não deixam de constituir o agente em responsabilidade. Por outro lado, não está inteiramente excluída a responsabilidade das pessoas que, por carência de capacidade de exercício, não possuem uma vontade juridicamente relevante no domínio dos negócios jurídicos, contanto que tenham capacidade natural de entendimento e de acção (Artº 488º,1). E nem sequer a responsabilidade destes incapazes naturais está completamente precludida na lei (Artº 489º,1 e 2). O que está, aliás, geralmente em causa, no domínio da responsabilidade civil, são puras acções de facto, praticadas sem nenhum intuito declarativo (agressões físicas, apropriações ilícitas, intromissões em bens jurídicos alheios...). Por isso, facto voluntário significa apenas, no caso presente, facto objectivamente controlável ou dominável pela vontade (Artº 488º – imputabilidade). Para fundamentar a responsabilidade civil basta a possibilidade de controlar o acto ou omissão; não e necessária uma conduta predeterminada, uma acção ou omissão orientada para certo fim (uma conduta finalista). Fora do domínio da responsabilidade civil ficam apenas os danos provocados por causas de força maior ou pela actuação irresistível de circunstâncias fortuitas (pessoa que é irresistivelmente impelida por força do vento, por efeito da vaga do mar, por virtude de uma explosão, de uma descarga eléctrica, da deslocação de ar provocada pelo arranque de um avião, ou de outras forças naturais invencíveis). Pelo contrário, fala-se em inimputabilidade nos casos em que há a impossibilidade ou incapacidade de entender e querer (elemento intelectual e volitivo). É necessário que a pessoa tenha esta capacidade de entender e querer e tenha consciência das consequências dos seus actos.

b) Ilicitude Não basta, porém, que alguém pratique um facto prejudicial aos interesses de outrem, para que seja obrigado a compensar o lesado. EX: Belmiro de Azevedo faz publicidade a um edifício comercial «Continente», e causa prejuízos aos pequenos comerciantes. Aqui não há indemnização pelo prejuízo sofrido, porque a sua conduta é lícita. Só há responsabilidade civil se a conduta for ilícita. Mas em que consiste a ilicitude? O Código vigente procurou fixar em termos mais precisos o conceito da ilicitude: a) Factos ilícitos especialmente previstos na lei. Além das duas grandes directrizes de ordem geral fixadas no Artº 483º, sobre o conceito da ilicitude, como pressuposto da responsabilidade civil, o Código trata de modo especial alguns casos de factos antijurídicos, a que alguns juristas chamam mesmo de 3ª variante: Com efeito, as duas grandes directrizes de ordem geral são: A violação dos direitos de outrem; ou a violação de qualquer disposição legal destinada a proteger interesses alheios. Quanto á primeira directriz, o legislador ao aludir a direitos de outrem, quer significar direitos subjectivos absolutos (direitos reais, direitos de personalidade), uma vez que os direitos relativos incluem-se na responsabilidade contratual – Artº 798º. Quanto aos direitos familiares pessoais (deveres conjugais) estes não geram responsabilidade civil. Em relação à 2ª directriz, esta tem em vista a violação da lei, que embora protejam interesses particulares, não conferem aos respectivos titulares um direito subjectivo a essa tutela. Qual a finalidade da lei? Alargar o âmbito dos danos ressarcíveis na responsabilidade civil extracontratual É costume aludir-se a outras modalidades de ilicitude, para além destas duas: 1) Abuso de direito (334º)-Aqui, a ilicitude reside num núcleo, ou seja, quando o legislador consagra um direito numa norma, ele deve ser exercido como tal; se não é observado o princípio da boa fé, então, haverá ilicitude (a boa fé é aqui tida em conta quando há relações inter subjectivas – resp. civil contratual). Se há desconformidade entre o espírito do legislador ao consagrar um direito numa norma e a acção da pessoa violadora, estamos perante um abuso de direito e então perante um caso de ilicitude. 2) Factos ofensivos do crédito ou bom nome das pessoas (484º) O primeiro dos casos especialmente focados na lei, é o da afirmação ou divulgação de factos capazes de prejudicarem o crédito ou o bom nome de qualquer pessoa (484º). Ex. de ofensa ao crédito ou ao bom nome – publicação de uma fotografia de um governante com orelhas de burro (484º). Pode ser que, além desta ilicitude especial, haja cumulativamente a outra ilicitude (facto, dano, nexo de imputação ...). Assim, apesar de, em alguns casos, o que se diz ser verdade, há que ter o cuidado de não ofender ou exceder a esfera que diz respeito ao bom nome e crédito da pessoa (reputação), pois caso tal não seja observado, há ilicitude. 3) Conselhos, recomendações ou informações geradoras de danos (Artº 485º) O segundo caso é o dos simples conselhos, recomendações ou informações, que podem, excepcionalmente, envolver responsabilidade civil: a) Quando se tenha assumido a responsabilidade pelos danos; b) Quando haja o dever jurídico de os dar e se tenha agido com culpa; c) Quando o procedimento do agente seja criminalmente punível. Para que o comportamento do autor seja considerado antijurídico, é necessário que, além de ter dado um mau conselho ou feito má recomendação, ou prestado uma inexacta informação, ele tenha o dever legal ou negocial de os prestar ou que a sua conduta constitua uma forma de ilícito criminal. A regra de irresponsabilidade pela inexactidão das informações prestadas (por ex:, sobre o trajecto mais curto para atingir determinado local, a publicação periódica mais lida, o comportamento moral de certo indivíduo, a solvabilidade de determinada empresa,...) ou pelo desacerto do conselho dado (matricule-se nesta Universidade e não naquela; escolha este advogado e não o outro;...) ou da recomendação feita (contrate esta pessoa ou empregue este produto, de preferência a qualquer outro;...) corresponde à solução geralmente aceite nas legislações e preconizada na doutrina.

Ex: Se A pergunta onde é a rua x e eu lhe indico mal, só por ela gastar mais gasolina eu não a vou indemnizar. – Aqui, não há responsabilidade (cfr artigo 485º,1). O nº 2 deste artigo relaciona-se directamente com casos de ilicitude e aqui está integrado o dolo e a negligência, como geradores de responsabilidade civil extracontratual por factos ilícitos.A ideia subjacente ao princípio é a de que, em face da obsequiosidade própria da generalidade das informações que cada um de nós presta ao seu semelhante e da displicência com que geralmente se dão conselhos a alguém ou se fazem recomendações a outrem, é a quem recebe essas declarações de ciência que cabe, em princípio, controlar a sua veracidade ou acerto, sem contar com a forte dose de subjectivismo que perpassa em muitas delas. O nº 2 do artigo 485º abre, porém, como vimos, três ordens de excepções a este regime de irresponsabilidade. E para se ter uma noção exacta da dimensão ou extensão do segundo desvio (dever jurídico de dar o conselho, recomendação ou informação), importa prestar especial atenção a algumas disposições mais ou menos genéricas da lei, como o Artº 227º (dever de agir de boa-fé na preparação e conclusão do contrato), o Artº 762º, 2 (segundo o qual as pessoas devem proceder de boa-fé tanto no exercício do direito como no cumprimento da obrigação, não se esquecendo que nesta actuação de boa fé, exigível do credor e do devedor, cabem numerosos deveres de informação, o artigo 573º, (obrigação de informar, a requerimento justificado do titular do direito a que respeita a informação) ...  Os artigos 484º e 485º dois casos especiais e são autonomizados porque não cabem no artigo 483º. Estes artigos não consagram direitos de personalidade, mas situações diferentes. 4) Omissões – Artº 486º Refere-se a lei, por último, às omissões, que constituem formas de comportamento antijurídico apenas quando haja o dever (imposto por lei ou decorrente de negócio jurídico) de praticar o acto omitido e este pudesse normalmente ter evitado a verificação do dano. A questão de saber se procede ou não ilicitamente a pessoa que se recusa a colaborar no salvamento de quem está prestes a afogar-se ou no ataque ao incêndio que deflagrou em certo prédio depende, assim, da resposta que o direito penal der quanto à existência do dever dessa colaboração. Especial interesse reveste o dever jurídico de prevenção do perigo para quem, entenda que a pessoa que cria, por sua iniciativa, uma fonte especial de perigo para terceiros deve tomar todas as providências razoavelmente exigíveis dele, com vista à prevenção de consumação deste risco. Em todos estes casos, por haver ilicitude, há responsabilidade civil e direito a ser indemnizado. Porém, existem causas justificativas da ilicitude ou causas gerais de exclusão da ilicitude, que possibilitam a exclusão da responsabilidade e do dever de indemnizar e que precisam de ser tomadas em conta nestes casos. b) Causas justificativas do facto ou causas de exclusão da ilicitude. A violação do direito subjectivo de outrem ou da norma destinada a proteger interesses alheios constitui, em regra, um facto ilícito; mas pode suceder que a violação ou ofensa seja coberta por alguma causa justificativa do facto, capaz de afastar a sua aparente ilicitude. De modo geral, pode dizer-se que o facto, embora prejudicial aos interesses de outrem ou violando o direito alheio, se considera justificado, e por consequência licito, sempre que é praticado no exercício regular de um direito ou no cumprimento de um dever (causas gerais). Essencial é que o dever aparentemente infringido pelo agente seja afastado ou neutralizado, definitiva ou temporariamente, por um outro dever ou que a violação (real ou aparente) tenha sido cometida no exercício de um direito. No 1º caso, temos o acto dos funcionários de justiça que, em cumprimento de ordem legítima, sacrificam certos direitos do réu ou do presuntivo delinquente; no 2º, o do caçador que, munido da respectiva licença, entra a caçar em terreno alheio, ou o do dono da água que priva o proprietário do prédio inferior do aproveitamento que dela vinha fazendo. Ao lado das duas causas de ordem geral, há ainda algumas causas especiais justificativas do facto, que a lei trata no capítulo do exercício e tutela dos direitos. São elas: a acção directa, a legítima defesa, o estado de necessidade e o consentimento do lesado. Estas causas justificativas não são uma pura aplicação ou corolário do princípio de que o exercício do direito ou o cumprimento do dever legitimam a prática do dano. Elas constituem mais a expressão de uma faculdade de agir do que o exercício de um verdadeiro direito subjectivo. 1) Acção Directa (Artº 336º)-É o recurso à força (às vias de facto) com carácter de urgência, para realizar ou assegurar o próprio direito. A acção directa (a auto tutela) teve um largo campo de aplicação nos sistemas primitivos, mas perdeu gradualmente a sua importância, à medida que

um recurso válido à legítima defesa. salvo se tiver agido na persuasão errónea da sua verificação e o erro for desculpável. . seja do agente.se aperfeiçoou a garantia jurisdicional dos direitos. uma vez que a lei compreensivelmente a não impõe. o agente é obrigado a indemnizar os danos causados. 339º. da honra. Não existirá. para evitar a inutilização prática do direito do agente. c) Adequação: O agente não pode exceder o estritamente necessário para evitar o prejuízo. da integridade corporal.A legítima defesa consiste na reacção (pressupõe. não podendo o Estado. Para que haja legítima defesa. tem de haver uma acção no momento em que a reacção se está a praticar. Trata-se de uma forma primária e grosseira de realização da justiça. além de se tornar lícito o facto. [Neste aspecto se distingue a acção directa das duas figuras subsequentes (legítima defesa e estado de necessidade). b) Actualidade e ilicitude da agressão: que a agressão (contra a qual se reage) seja actual (e não apenas previsível ou provável) e contrária à lei. Apesar de ser uma atitude de reacção (e não de ataque ou iniciativa.. contra os mais fracos. seja de terceiro. O Código Civil admite explicitamente a acção directa em termos genéricos. Quando os requisitos discriminados se verifiquem. indispensável nos termos do art. mas em condições muito apertadas. torna-se necessária a verificação dos seguintes requisitos: a) Fundamento real: É necessário que o agente seja titular dum direito. Não é. apesar de todo o arsenal dos seus meios de prevenção. que podem visar a protecção. sendo perfeitamente cabida a legítima defesa contra a agressão do demente ou contra o condutor que. por desfalecimento repentino. por ex. porém. uma acção anterior) destinada a afastar a agressão actual e ilícita da pessoa (da vida. a legítima defesa pode causar danos na pessoa ou no património do autor da agressão. em certos termos. nem sequer há lugar a indemnização pelos danos causados. portanto. c) Necessidade da reacção: que não seja viável nem eficaz (neste sentido se deve interpretar a possibilidade a que alude a lei) o recurso aos meios normais. na destruição dela (quando a outra pessoa pretendesse utilizá-la para fins ilícitos). na eliminação de certas resistências ao exercício do direito (se o senhorio impede o inquilino de retirar da casa as coisas que pertencem a este. que procura realizar ou assegurar. na sua deterioração (quando. ou em eminência de se vir a praticar. porque. com grave dano da paz pública. quando a acção tenha sido passada ou futura. que são de verificação necessária: a) Agressão: que haja uma ofensa da pessoa ou dos bens de alguém (por consequência uma acção e não uma simples omissão). não pode o agente sacrificar interesses superiores aos que visa realizar ou assegurar. A defesa considera-se legítima. se o dono impede o acesso ao seu prédio. como a acção directa ou a acção em estado de necessidade). que falha contra os mais fortes e conduz a excessos. pudor ou liberdade) ou do património. necessário que haja culpa do agressor. Para que a ela haja lugar. sem aquele dispor de qualquer direito de retenção. como de terceiro]. b) Necessidade: O recurso à força terá de ser indispensável pela impossibilidade de recorrer em tempo útil aos meios coercivos normais. assim. E é necessário que se verifiquem ainda os seguintes requisitos. mas que pode tornar-se necessária. 2) Legítima defesa (Artº 337º) . para combater o incêndio no prédio vizinho) ou em outros actos de natureza análoga. se queira impedir a saída de um veículo com importantes artigos furtados).  Não se verificando algum ou nenhum dos requisitos exigidos. justo é que se reconheça aos particulares a faculdade de. d) Valor relativo dos interesses em jogo: Através da acção directa. A acção directa pode consistir na apropriação da coisa (que outrem se propunha ilegitimamente destruir ou ocultar). se defenderem de alguns deles pelos seus próprios meios. ameaça atropelar uma pessoa ou destruir uma coisa. sobretudo quando haja excesso na reacção. pela impossibilidade de os meios estaduais de tutela do Direito chegarem a tempo de evitar prejuízos irreparáveis. evitar a prática de factos ilícitos. é essencial que os bens lesados por quem se defende pertençam ao agressor. O fundamento real da acção directa é salvaguardar ou acautelar direitos. tanto de interesses próprios.

Se. o “juízo de equidade” do artigo 339º. do que atropelar o peão. destrói ou danifica coisa alheia. no estado de necessidade actua-se ou por ataque ou como meio de defesa contra um perigo não proveniente de agressão de outrem. sem permissão do dono. O acto considera-se ainda justificado (lícito). que lhe facultará a possibilidade legal de indemnização dos danos que sofrer. no entanto. Entre a legítima defesa e o estado de necessidade há traços comuns: a lesão de um interesse alheio e o fim de afastar um dano. o agente sacrifica um interesse próprio (A. de modo que o meio usado não provoque um dano manifestamente superior ao que se pretende afastar. ao contrário do que sucede na legítima defesa. Para transportar o ferido. sendo o acto praticado contra interesses de terceiro. e não apenas o montante dos danos totais sofridos. utiliza-se carro alheio. na sua contabilização. mas em proveito de outrem. se é futura. Também no caso da legítima defesa. a legitima defesa do agressor). uma vez que pode estar em causa a defesa de bens e direitos de terceiros. porque o dano está consumado. já se não justifica a reacção. desde que se não trate de um direito disponível ou desde que o titular haja excedido os limites da sua livre disponibilidade. aqui. . causando-lhe danos. em perigo de vida. atira com o veículo para cima de um outro. o autor é isento de responsabilidade pelos danos causados. O estado de necessidade consiste na situação de constrangimento em que age quem sacrifica coisa alheia. basta que a agressão o seja objectivamente pouco importando que o agressor seja ou não imputável e tenha ou não culpa. com o fim de afastar o perigo actual de um prejuízo manifestamente superior. não é o estado de necessidade. portanto. Como não há. e nada impede que se dirija contra o próprio titular do direito. para remover o perigo actual de um dano manifestamente superior. A reacção do agente pode visar a defesa de terceiro nos termos do Artº 337º. ao hospital. quer de terceiro. Nesta situação temos duas pessoas: a) a que age em estado de necessidade. Há obrigação de indemnizar. prefere chocar com um carro estacionado. nuns casos. O nº 2 do artigo 339º refere-se ao conceito de “justiça comutativa”. mesmo que haja excesso na defesa quando o excesso provenha da perturbação ou do medo não culposo com que o agente actuou. de modo a atenuar o montante. e porque os interesses do titular da coisa são legitimamente sacrificados. danificação ou uso da coisa alheia. 3) Estado de Necessidade (Artº 339) . A pessoa que é assaltada por um cão de respeito reage. que também lhe pertence). Ela tem. Aqui. Por igualdade ou por maioria de razão. para não atropelar B. no primeiro caso. Isto significa que. matando o animal. juízos de equidade. Apenas responderá se houver erro da sua parte acerca da verificação dos pressupostos que legitimam a defesa e o erro não for desculpável. Porém. deve considerar-se também lícito o acto daquele que. Para que seja contrária à lei. no acto praticado em estado de necessidade. Se houver oposição ou resistência à sua prática. porém. poderá mesmo recorrer-se à acção directa. o perigo resulta da agressão da pessoa contra quem se reage. e admite-se noutros a indemnização dos danos causados. se limita a usar (sem autorização) coisa alheia. b) a pessoa (terceiro) cujo bem vem a ser danificado (sacrificado)  Havendo obrigação de indemnizar. a possibilidade de indemnização tem em conta. tem em conta a situação económica do lesante que age em estado de necessidade. não tendo já possibilidade de parar. poderá recorrer-se normalmente aos meios coercivos próprios. quer do agente. uma agressão prévia do lesado. sempre que a situação de perigo foi provocada por culpa exclusiva do autor da destruição. enquanto no segundo o perigo é devido as mais das vezes a caso fortuito. para salvar um interesse alheio. de se dirigir sempre contra o autor da agressão. impõe-se aqui. não estão apenas em causa os direitos ou bens da pessoa que age. não há legítima defesa contra a prática deste. em lugar de destruir ou danificar. EX: O automobilista. Se a agressão é passada (não actual).É igualmente lícito (Artº 339º) o acto daquele que. além de ser lícito o acto de quem se defende (e de contra ele se não admitir. a quem surge inesperadamente pela frente um peão. mas a gestão de negócios ou a responsabilidade civil. Como o estado de necessidade exclui a ilicitude do acto. enquanto a legítima defesa exprime uma reacção ou repulsão contra a agressão de outrem.d) Adequação: que haja certa proporcionalidade entre o prejuízo que se causa e aquele que se pretende evitar.

ao rugby. No caso de certas práticas desportivas mais violentas (desde o futebol. É um juízo que assenta no nexo existente entre o facto e a vontade do autor. a posse de certo discernimento. é necessário que o autor tenha agido com culpa. Por isso se diz (Artº 488º. Esta presunção tem um campo especial de aplicação no caso das intervenções cirúrgicas em que o doente não está em condições (de discernimento ou de livre determinação) de dar o seu consentimento ou de permitir o alargamento da intervenção a outros órgãos afectados. que requisitos são necessários para que a pessoa seja susceptível do juízo de censura ou reprovação traduzido na imputação do facto ilícito. É preciso. Quando a responsabilidade se funda na mera culpa. Exige-se. à custa da pessoa obrigada à vigilância do agente. consentida pelo enfermo. no momento em que o facto ocorreu. à esgrima. Não basta reconhecer que ele procedeu objectivamente mal. deitar abaixo as árvores que estorvem as obras do prédio contíguo. Tem-se por existente o consentimento do lesado nos casos em que a lesão se operou no seu interesse e de acordo com a sua vontade presumível (art. estava incapacitado de entender ou querer.Agir com culpa significa actuar em termos de a conduta do agente merecer a reprovação ou censura do direito. E a conduta do lesante é reprovável. 1. Nos casos em que não há imputabilidade do autor material do facto. a quem o facto é atribuído. pela sua capacidade e em face das circunstâncias concretas da situação.. desde que assim o . EX: Se A autoriza o vizinho a entrar em sua casa sempre que necessite. nem o autor do incêndio da habitação. Por presunção. ou se lhe permite colher a fruta do seu quintal. c) Nexo de imputação do facto ao lesante (culpa). E quando é que a conduta do lesante se pode considerar reprovável ou censurável – culposa? Em primeiro lugar. de responsabilidade o autor da eutanásia. isto é. nos termos do Artº 483º. que a violação ilícita tenha sido praticada com dolo ou mera culpa. importa saber se a pessoa imputável. se concluir que ele podia e devia ter agido de outro modo. b) Culpa. Sabido quem seja susceptível desse juízo genérico de censura. Diz-se imputável a pessoa com capacidade natural para prever os efeitos e medir o valor dos actos que pratica e para se determinar de harmonia com o juízo que faça acerca deles. em termos que justifiquem a censura. desde que sejam observadas as regras do jogo. Para que o facto ilícito gere responsabilidade. a abrir e ler a sua correspondência durante o período em que vai estar ausente de casa. 340º. o elemento psicológico que liga a pessoa ao facto danoso. Não fica isento. para que haja imputabilidade. a faculdade de dirigir o seu comportamento de um modo conforme à apreciação feita – capacidade de querer (capacidade volitiva). Noção. diz o Artº 494º que a indemnização pode ser equitativamente fixada em montante inferior ao valor dos danos causados. quando. Trata-se de saber se a pessoa podia e devia ter agido de modo diferente e em que grau o podia e devia ter feito. de que não há responsabilidade sem culpa. a) Imputabilidade. importa saber quem é imputável. é necessário que o agente tenha capacidade natural para compreender (entender) o carácter ilícito do seu acto (capacidade intelectual e emocional) e de certa liberdade de determinação. Há pessoas em quem a lei presume a falta de tal capacidade no momento do facto (os menores de sete anos e os interditos por anomalia psíquica). à luta. e pode revestir duas formas distintas: o dolo e a negligência ou mera culpa (culpa em sentido estrito).. consentido pelo dono do prédio. no caso concreto. por constituir um crime ou uma transgressão) ou infringir os bons costumes. A culpa é. para se utilizar do telefone.. não haverá ilicitude nos actos que o vizinho pratique no uso da autorização que lhe foi concedida. o lesado poderá ressarcir-se. no entanto.1) que não responde pelas consequências do facto danoso quem. para a gestão de negócios. ao box. portanto. assim. é muito mais amplo o conjunto das pessoas imputáveis do que o conjunto das pessoas incapazes por menoridade ou incapacidade mental. A responsabilidade pressupõe a culpa. salvo se se verificar alguma das circunstâncias previstas no Artº 491º. 3): requisito paralelo ao estabelecido nos artigos 465º e 468º. assim. agiu.).4) Consentimento do lesado (Artº 340º) Também o consentimento do lesado (anterior à lesão) constitui causa justificativa do facto. Ressalva-se o caso de o acto autorizado ser contrário a uma proibição legal (por ex:. isto é. tem-se entendido que há uma aceitação tácita e recíproca dos riscos de acidentes que esses jogos envolvem.

levianamente convencida de que ninguém por ali passará na ocasião. É o caso do fumador inveterado que. o modo de vida. A questão que se coloca é a de saber: 1) Se se compara a conduta com aquela que ele habitualmente adopta nos seus actos – apreciação da culpa em concreto – ou subjectiva.Para que haja dolo é essencial o conhecimento das circunstâncias de facto que integram a violação do direito ou da norma tuteladora de interesses alheios e a consciência da ilicitude do facto. portanto. há as numerosíssimas situações da vida corrente. imperícia ou inaptidão. Neste critério acentua-se a personalidade do indivíduo. e mais forte ou intenso o dever de o ter feito. insensatamente convencido de que nenhum outro veículo surgirá no momento em que ele passa. torna-se necessário. seja dolosa. se usasse da diligência devida. mas apresentando-se como meramente possível actuando o agente sem confiar que o mesmo se não produza.. a conduta do agente. EX: . 1 . 2) Ou será que se compara a conduta com um modelo em abstracto – um homem médio. não basta que ele saiba que a coisa lhe não pertence. Ao lado destes. A mera culpa (quer consciente. lança o cigarro fora. mas aceitou-o. porque o agente tinha a obrigação (podia e devia) de prever o resultado da sua conduta. inteligência. em que o agente não chega sequer. ou do condutor imprudente e distraído que. é o conceito de mera culpa ou negligência qual consiste na omissão da diligência exigível do agente. A pessoa joga à rua um objecto. os hábitos. conforme se trate de dolo ou mera culpa. Este critério não é de aceitar porque é essencialmente subjectivo. porque é perigoso e porque esquece um aspecto fundamental. aqui ainda há culpa. provocando incêndio em seara ou casa alheia.O automobilista não afrouxa de velocidade num cruzamento de intensa circulação. não podendo o juiz arbitrar indemnização inferior. al. Fundando-se a responsabilidade no dolo. Por vezes a lei para efeitos de responsabilidade exige uma culpa qualificada. O dolo pode ser: Directo – Quando o agente quis directamente o resultado que produziu. O grau de reprovação ou de censura será tanto maior quanto mais ampla for a possibilidade de a pessoa ter agido de outro modo. antes de mais. Se o agente for um exemplo de virtudes qualquer desvio faz com que lhe tenha actuado com culpa. E é necessário ainda que conheça a ilicitude do acto: para que seja doloso o uso da coisa feito pelo credor pignoratício (Artº 671º. Necessário – O agente não pretendia aquele resultado. mas. Qual o grau de diligencia exigível?-Será necessário comparar sempre a conduta do agente com uma conduta modelo. do carácter danoso do facto (o dolo genérico).Elemento intelectual do dolo . Criticas:-Se o agente tem por habito comportamentos de modo imprudente não seria imputada culpa se quando adoptou a conduta que habitualmente adopta. em qualquer das suas variantes. quando o agente não previu tal resultado.Diferente do dolo. haverá responsabilidade. Eventual – se o resultado não foi directamente querido. importa que saiba outrossim não lhe ser permitido usar dela. Para que a apropriação de coisa alheia. por imprevidência. há culpa se o comportamento do agente não é conforme àquele que o agente adopta habitualmente. 2 -Mera culpa ou negligência . mas ainda assim reprovável ou censurável. descuido. podendo e devendo prevê-lo e evitar a sua verificação. . por ex. como logo se infere do desenho psicológico das hipóteses integradoras ao dolo indirecto ou necessário. Contudo.justifiquem o grau de culpabilidade do agente. se não apercebe sequer da passagem no cruzamento perigoso onde devia afrouxar a velocidade. ou seja só há obrigação de indemnizar se houver dolo-957º. em animada discussão com os outros ocupantes do veículo. o valor da indemnização será maior ou menor. o montante da indemnização terá de corresponder sempre ao valor dos danos. b)). a situação económica deste e do lesado e as demais circunstâncias do caso. nem sequer previsto como consequência lateral necessária. Consequências:-No 1º caso. Desde que o sujeito tenha culpa. porque necessário tendo em conta o resultado pretendido. A negligência inconsciente acontece. a conceber a possibilidade de o facto se verificar. inadvertidamente. Este é o recorte psicológico dos casos que integram a culpa consciente. quer inconsciente) exprime assim uma ligação da pessoa com o facto menos incisiva do que o dolo. que a pessoa saiba que a coisa lhe não pertence. o agente ao agir não considerou a hipótese de tal efeito se vir a dar. Fala-se nestes casos em culpa inconsciente. Não é essencial ao dolo a intenção de causar um dano a outrem basta a consciência do prejuízo. qualidades e defeitos.

a pessoa não pode ser culpada. se esforce por cumprir. na grande generalidade dos casos. a inabilidade). a solução encontra-se no Artº 487º. chega. A regra da culpa. sem excluir de todo em todo a ideia da correcção das próprias inaptidões ou insuficiências naturais. na fixação do montante da indemnização. ou se nela cabe também a falta de senso. a orientação proposta sempre terá a vantagem de. a regra é a do Artº 342º. não seria justo que a inaptidão. 3 – Critério de apreciação da culpa A culpa como deficiência da vontade ou como conduta deficiente? O segundo problema que suscita a noção da mera culpa é o de saber se no âmbito da negligência entra apenas a falta de cuidado. do ponto de vista individual. pretende-se apenas que o homem. tal como é. miopia ou lentidão de movimentos. na 2ª. a incapacidade natural. aponta sobretudo para o zelo ou o empenho da vontade. corrigir as suas deficiências naturais ou a sua falta de competência. quanto às deficiências pessoais mais vincadas. prejudicassem antes a pessoa ou o património dos terceiros com quem ele contacta (vitimas dos danos). Escusado será. dando à diligência exigível do homem o conteúdo mais amplo. quando. sagaz. contudo. Ora. Não está aqui fundamentalmente em causa a ideia da sanção do agente. Ela constitui um incentivo para que as pessoas. nos termos do Artº 799º Cod. do tipo médio e normal. neste ponto. até se aproximarem do homem comum. Assim. o desleixo. isto é. levar o interessado muitas vezes a coibir-se dos actos que escapam de todo ao círculo das suas aptidões naturais. de perícia ou de aptidão (a incompetência. conduta. para cobrir as necessidades de segurança social. contra as deficiências que a sua conduta culposa tenha revelado. sem ferir a justiça nas relações entre lesado e lesante. a inaptidão. trata-se da solução mais educativa ou pedagógica. 2 – apreciação da culpa em abstracto – objectiva. avisado. tão categórica como em relação ao primeiro aspecto que foi examinado. sobretudo no exercício da actividade profissional. se a pessoa age e provoca danos. Pode. que se resume em saber quem é mais justo que suporte o dano: se o titular da coisa ou do direito lesado. Na conduta deficiente. tem o dever de os reparar. as taras.No 2º caso (objectivo) a conduta do agente deve ser comparada com o homem médio. O tal padrão que se toma para apreciar a conduta do agente é só o do homem diligente. Quanto ao ónus da prova. se o autor do facto ilícito. a culpa atender à culpa deficiente. se pelo contrário. o Artº 487º. define a mera culpa como uma conduta deficiente e a não restringe à condição de uma simples deficiência do factor vontade no acto. avisado. Civil. a incompetência. no entanto. c) Além disso. aí sim já há culpa. é a que. baseada no critério das possibilidades individuais. afirmar-se que a melhor orientação de iure constituendo e a que mais fielmente se coaduna com a opção da lei pelo critério da culpa em abstracto. a precipitação. 487º. O que está em causa. e da que mais favorece as exigências da segurança social. por um lado. no domínio da responsabilidade civil. é um dos factores que mais deve pesar no exame do julgador. aliás. enuncia as excepções. nos termos do artigo 494º. Ora. zeloso ou é também o do homem medianamente sensato. evite a prática dos actos para que carece de aptidão. ele possa e deva atender ao grau de culpabilidade do lesante. no entanto. Esta solução é igual para a responsabilidade civil contratual. pois ela tentou por todos os meios não produzir danos. age com culpa sempre que uma pessoa de média diligencia teria adoptado um outro comportamento. 2). o termo diligência (que é utilizado no art. é ao lesado que incumbe fazer a prova “salvo” a existência de situações que geram a inversão do ónus da prova – (presunções – Artº . razoável. bem como os interesses gerais da contratação e do comércio jurídico. a leviandade ou ligeireza). que a ordem jurídica toma como ponto de referência nas suas exigências. de zelo ou de aplicação (a incúria. acentuar que a maior ou menor facilidade de reacção do agente. as reacções anormais de temperamento ou de carácter. a imperícia.Na 1ª hipótese. há pessoas que falham e causam danos a terceiros. cuidadoso. a) Por um lado. capaz? . em último termo. em lugar de onerarem o próprio agente. aquelas que colocam o indivíduo (pela sua surdez. pois não tinham capacidade para agir de outra forma. Mas. Se. por exemplo) em plano acentuadamente inferior ao homem médio ou normal. b) Por outro lado. na medida do possível. procurem. que ele corrija as suas próprias deficiências naturais ou a sua impreparação técnica e que. A letra da lei não é. é uma questão elementar de justiça comutativa. o conceito do bom pai de família cobre perfeitamente os dois lados por que se revela o homem prudente. pois devia abster-se de agir. Se a culpa for apenas resultante da vontade deficiente.

mas oferecer-lhe uma compensação que contrabalance o mal sofrido (a dor. ao falar-se de dano. ou nos direitos já existentes na titularidade do lesado à data da lesão. como na perda de um ganho ou possibilidade de ganho futuro. No 1º caso o prejuízo sofrido pelo contraente decorre do incumprimento ou cumprimento defeituoso de um contrato validamente celebra. a) Dano patrimonial e dano não patrimonial Ora. o impedimento de um lucro. como o furto que os gatunos praticaram. insusceptível de avaliação pecuniária. Exemplo: Se A partir o vidro da montra do estabelecimento de B. nos termos do mesmo Artº. e só neste tipo de responsabilidade. se há-de atender ao valor objectivo do bem atingido pelo facto lesivo ou antes ao valor subjectivo que esse bem tinha para o lesado. na 2ª situação. em matéria de .). No segundo caso trata-se das consequências mediatas ou resultantes do dano directo. Por dano real ou concreto entende-se o prejuízo que o lesado efectivamente sofreu. desgosto. perna partida. 492º e 493º. isto é. por dano de cálculo ou dano abstracto. e em oposição ao dano real ou concreto. sendo o correspondente prejuízo avaliável em dinheiro. é no dano real que estamos a pensar. aproveitando-se do vidro partido (dano indirecto). fala-se de dano emergente. Com a avaliação anterior não se deve confundir uma outra. situações essas mencionadas nos Arts 491º. etc. ou seja. d) Dano . o dano patrimonial é aquele que tem por objecto um interesse privado patrimonial. Civil. Cod. e tem como finalidade a reparação. Em princípio. montra partida… Trata-se apenas de duas perspectivas diferentes de encarar o mesmo fenómeno. existe ainda o dano positivo ou cumprimento e o dano negativo ou de confiança. são possíveis de reparação tanto os danos emergentes como os cessantes. O dano não patrimonial ou dano moral tem por objecto um bem ou interesse sem contuso patrimonial. Nos casos de responsabilidade civil. colocar o lesado na situação que estaria se o contrato tivesse sido pontualmente cumprido. 1. pode ter-se em vista um certo resultado ou efeito concreto que o prejudicado efectivamente sofreu em termos naturalísticos. Não a lesão ou a ofensa em si.é o prejuízo num bem ou interesse juridicamente protegido. se considera a teoria da diferença. Por último. Estas situações não são casos de responsabilidade objectiva (independentemente de culpa). mas o prejuízo resultante desta. Aqui a indemnização não visa propriamente ressarcir o lesado. quando se trate de um dano patrimonial. cujas consequências vêm previstas no Artº 344º. no segundo caso (privação de um aumento). a morte. Por outro lado. a perda directa causada nos bens ou valores juridicamente tutelados. Na teoria da responsabilidade civil teremos que as utilizar a ambas. que se refere aos ganhos que o lesado deixou de obter. quer por aumento do passivo (despesas tornada necessária). pois há um prejuízo causado nos bens.350º). O princípio geral. expresso numa soma em dinheiro do prejuízo efectivamente sofrido pelo lesado. No primeiro caso (diminuição do património). Assim sendo. quer por diminuição do activo (objecto destruído). fala-se de lucro cessante. no dano por ele causado cabe não só a destruição do vidro (dano directo). são situações em que a culpa se presume. prevalecendo largamente a segunda orientação – por exemplo. a propósito da extensão do dano indemnizável. Todavia. mas já se tem em vista o dano de calculo quando. Assim. entende-se o valor. No primeiro caso trata-se dos efeitos imediatos do facto ilícito. ou seja. a perda de coisa. o prejuízo realmente sofrido pelo lesado pode exprimir-se numa soma pecuniária. a perda de um dedo não significa o mesmo para o pianista ou para um advogado. o lesado não tem de provar a culpa – Artº 350º. o sofrimento físico ou moral. nos termos do Artº 564º. quando se alude à necessidade de um determinado prejuízo ser causado pelo facto lesivo. salvo se a lei dispuser em contrário. trata-se de um prejuízo sofrido por um dos contraentes por ter celebrado um determinado contrato ou prejuízo sofrido pela celebração inválida de um contrato. entre a avaliação abstracta e a avaliação concreta do dano a qual diz respeito à questão de saber se na determinação da soma ou montante em que se exprime o dano de calculo. traduzindo-se numa abstracta diminuição. há ainda que distinguir entre dano directo e dano indirecto. O dano patrimonial tanto pode traduzir-se numa diminuição do património em relação ao seu estado no momento anterior ao evento danoso.

proporcionando-lhe satisfações que de outro modo não poderia obter. o tribunal julgará equitativamente dentro dos limites que tiver por provados”. como acontece no Artº 491º. à reconstituição ou restauração da situação hipotética que existiria se não se tivesse verificado a lesão (aqui é claramente o dano real ou concreto que se tem em vista – a entrega ou reparação da coisa. Quanto à legitimidade passiva. a partir da data em que ele. Se a reconstituição natural não for possível. a indemnização será fixada pelo equivalente em dinheiro – Artº 566º. Á diferença entre estas duas situações corresponderá o montante da indemnização. 1. conhecendo a verificação dos pressupostos que condicionam a responsabilidade. pode dizer-se que. Assim. mereçam a tutela do direito – Artº 496º. Aceitando-se que não se trata aqui de uma indemnização.indemnização. que. ao estabelecer no nº 3 do Artº 566º: “se não puder ser averiguado o valor exacto dos danos. é o de que o obrigado a reparar um dano “deve reconstituir a situação que existia. Para se determinar o montante da indemnização há pois que comparar a situação real actual do património do lesado com a situação hipotética que existiria sem o facto lesivo.Artº 496º. para além do lesado tem direito a ser indemnizados todas as pessoas mencionadas no Artº. e) Nexo de causalidade entre facto e dano Para que surja o dever de indemnizar é ainda necessário que os prejuízos se possam dizer causados pelo facto. na fixação da indemnização. A lei manda atender. aos danos não patrimoniais que. tem que haver um nexo de causalidade entre o facto e o dano. Quais os danos indemnizáveis? O agente só responde pelos prejuízos que possam dizer-se causados pelo facto ilícito – nexo de causalidade . 3 – 1ª parte. o que se pretende é atribuir ao lesado uma compensação. No essencial. ou em abstracto. Neste caso. nos termos do Artº 495º 2 e 3. contudo pode acontecer que a legitimidade passiva pode pertencer a terceiros. se não se tivesse verificado o evento que obriga à reparação” – Artº 562º. Contudo. Em relação aos danos não patrimoniais. Quem tem direito à indemnização? . Quanto à dificuldade de calcular a indemnização. em alguma medida. no Artº 496º. A própria lei o reconhece. culposo e voluntário – Artº 483º . no sentido clássico. para que surja a obrigação de indemnizar é necessário que se possa afirmar que os prejuízos causados o foram pelo facto ilícito. ver Arts 483º e 497º. o Código refere-se à hipótese de o facto ter provocado a morte da vítima para designar os titulares do direito à indemnização. o julgador terá ainda ao seu dispor alguns elementos de carácter objectivo. que de algum modo atenue aquele mal. pela sua gravidade. em qualquer caso.O lesado – titular do direito violado-legitimidade activa.“Danos resultantes da violação”. 2. têm direito a ser indemnizadas as pessoas mencionadas no Artº 496º. Além da própria gravidade do dano não patrimonial. a contar do momento em que o lesado teve conhecimento do seu direito. “sem prejuízo do preceituado noutras disposições. mandando atender à situação do lesado. não reparar integralmente os danos ou for demasiado oneroso. 2. isto é. No nº 2 do mesmo Artº e na 2ª parte do nº 3. isto é. A lei dá assim clara precedência ao princípio da reposição natural. Em relação aos danos patrimoniais. O montante deve ser fixado equitativamente pelo tribunal. a indemnização em dinheiro tem como medida a diferença entre a situação patrimonial do lesado. na data mais recente em que puder ser atendida pelo tribunal. tendo para tal e nesse caso que se distinguir entre danos patrimoniais e danos não patrimoniais. não é possível apagar o mal produzido (um sofrimento físico ou moral). ela existe de facto. já é possível conceder ao lesado uma vantagem material. excepcionalmente para além do lesado têm direito a ser indemnizadas outras pessoas. contrabalance o prejuízo causado em bens de natureza imaterial. Prescrição do direito á indemnização – Nos termos do Artº 498º o direito à indemnização fundada na responsabilidade civil está sujeito a um prazo de prescrição de três anos. 1 – agora está em causa o dano de cálculo. é uma avaliação concreta e não uma avaliação abstracta que a lei preceitua. soube ter direito à indemnização pelos danos que sofreu. e a que ele teria nessa data se não existissem danos” (teoria da diferença) – Artº 566º. às circunstâncias a que se refere o Artº 494º . b) Ressarcibilidade dos danos não patrimoniais Esta indemnização está admitida. atendendo. ou seja.

mas apenas aqueles que foram culposamente causados (não é de aceitar. Sobre A apenas impende a indemnização pelo prejuízo X. sempre que haja várias causas apenas releva a causa dominante. mas não se pode imputar a uma pessoa todas as consequências. “A obrigação de indemnizar só existe em relação aos danos que o lesado provavelmente não teria sofrido se não fosse a lesão” “Probabilidade” – Este Artº consagra uma cláusula geral e para a concretização da mesma a jurisprudência desempenha um papel fundamental. porque não é justo que a culpa se estenda a todas a consequências efectivamente verificadas do acto ilícito. se C agredir D com uma bofetada e esta provocar a morte do agredido. com efeito. Uma outra teoria apareceu – as Doutrinas mistas – onde pretenderam discernir uma distinção fundamental e objectiva entre a causa e a simples condição. segundo a teoria da equivalência das condições ou teoria da conditio sine qua non.não basta que. Juridicamente. embora de um estrito ponto de vista naturalístico ela seja a causa próxima ou imediata desse evento. Considera-se causa de um prejuízo (dano) a condição que. EX:-Se A. há um acidente e o cliente morre. independentemente da perspectiva em que se coloque o observador. também não seria justo considerar tal agressão como a causa jurídica da morte da vítima. Assim no caso da 1ª seria causa do dano a condição mais próxima do mesmo. que sofre de uma lesão cardíaca gravíssima ignorada pelo agressor. Esta teoria parte da ideia da equivalência das condições (idêntica à anterior. a mais relevante para a produção do dano). todas as condições que tivessem contribuído para aquele resultado (dano) e sem as quais o mesmo não se teria verificado”. Da mesma forma. mesmo que não o suficiente. em abstracto. o elemento distintivo entre a causa e a mera condição. quando é que um facto se diz que causou determinado dano?-Há duas teorias: Com efeito. para efeitos jurídicos. desde que este tenha sido elemento necessário. isto é. a teoria da causalidade adequada. Se. “seria causa de um dano. mas acrescenta-lhe uma limitação: . adoptada pelo nosso Código Civil – Artº 563º. de responsabilidade civil. Em relação à 2ª doutrina. A ocasionou a B o prejuízo X. então deve ser considerado como causa inadequada. para fugir à agressão de B. residiria na descoberta da condição mais próxima do dano (doutrina da causa mais próxima) ou na condição mais eficiente (doutrina da causa mais eficiente. pelo menos. Ora. nem sempre deverá considerar-se causada pela ameaça de agressão. razão pela qual se introduziu o seguinte: Nem todos os danos são susceptíveis de indemnização. pelo contrário. mas apenas os resultantes do facto (Artº 483º). atrasa-se a levar um cliente.Nem todos os danos sobrevindos ao facto ilícito são incluídos na responsabilidade do agente.  À luz desta teoria. aquela causa contribuiu para o resultado danoso. em abstracto (segundo o curso normal das coisas) tal facto se revele apropriado a produzir tal dano. que por sua vez ocasionou o prejuízo Z. com isso. causa seria o antecedente humano do dano. a exigência de culpa deve valer para o próprio facto. os causados por ele. se mostre adequada a produzir tal facto. fonte dos danos e não em relação a estes. sendo portanto equivalentes. Em virtude desse atraso. em concreto. Todas estas teorias falharam pela razão de que entre a causa e a condição não existe de facto uma diferença objectiva. é necessário. por mais longínquas e imprevisíveis que sejam do facto pela qual ela responde. Isto é. não basta que um facto tenha causado um prejuízo. a causa não é inapta. isto é. não é causa habitual de um dano (segundo um critério naturalístico). Ex: A. Surgindo. ou seja. Caso não o seja. Do que se trata é de saber em que termos. Ex. Critica: Tem que se exigir que o facto seja condição do dano. para que se possa considerar causa adequada é também necessário que. o atraso do motorista seria condição ou causa da morte do cliente. então. Esta teoria estende demasiado o conceito de causa e. para efeitos jurídicos. todas as condições que conduzem ao resultado pesam o mesmo. atravessa imprudentemente a rua e é mortalmente colhido por um veículo. a morte dele não deve ou. Assim. uma certa causa tenha sido condição de um determinado efeito. motorista. Responder à questão de saber até onde a mera causa de um dano deve implicar responsabilidade exige uma valoração estranha ao conceito de causa enquanto tal. Esta mesma teoria é susceptível de duas formulações: . um dano deve ser imputado a um facto.

o julgador tem que atender ao momento da prática do facto. no intuito de matar um animal. quer só devesse ocorrer posteriormente. Porquê? Desde que o agente pratique certo facto ilícito e este actuou como condição concreta do dano. ou com cuja existência ele tinha de contar de acordo com a experiência da vida (é a chamada prognose posterior objectiva). porque houve uma interrupção do nexo de causalidade. anormais. o facto que actuou como condição do dano só deixará de ser considerado como causa adequada se dada a sua natureza geral. se ele provar que não houve culpa da sua parte ou se. Em todos estes casos. enquanto o envenenamento é uma causa virtual ou hipotética do mesmo efeito. nem sempre deverá considerarse causada pela ameaça de agressão. mostrar que o dano se teria produzido. Exemplo: Se alguém. Para a formulação do juízo de probabilidade. tendo-o provocado só por virtude de circunstâncias excepcionais. A determinação dos critérios que hão-de servir para. atravessa imprudentemente a rua e é mortalmente colhido por um veículo. entre os danos ocorridos ao lesado. o facto será causa adequada do dano sempre que este constitua uma consequência normal daquele. mas um terceiro abater entretanto o animal a tiro. para fugir à agressão de B. ou seja. Contudo. for de todo em todo indiferente para a produção do dano verificado. para apurar quais os eventos danosos cujo acontecer não podia aparecer como de todo improvável e aqueles outros que só se produziram em consequência de um encadeamento de circunstancias extraordinárias. mas igualmente todas aquelas que. a morte dele não deve ou. sempre que verificado certo facto se possa prever o dano. e quer o dano provocado pela causa real seja posterior. ou seja.a) Formulação positiva – aqui. quer seja anterior ao momento em que a causa virtual tenderia a produzir o mesmo dano. é manifesto que o autor da causa virtual não tem que indemnizar o lesado.Arts 491 e segts cumpre examinar. Assim sendo. isto é. Qual a formulação preferível? Tem se entendido que a formulação positiva é de aplicar às situações em que a obrigação de indemnizar assenta sobre um factos lícito do agente. em abstracto. Ora. Uma outra questão que se coloca é a de saber se o autor da causa real ou operante (autor dos disparos) pode invocar a causalidade virtual para excluir a sua responsabilidade para efeitos de indemnização – relevância negativa da causa virtual. nos casos em que a obrigação de indemnizar assenta num facto ilícito culposo do agente (contratual ou extracontratual) a formulação negativa é a preferível. São dois os problemas fundamentais que suscitam a relevância jurídica da causa virtual. que pela sua conexão substancial com os casos de presunção de culpa . há um aspecto particular do problema. seleccionar aqueles que o direito considera causados pelo facto. Quando se fala em causalidade adequada referimo-nos à relação entre o facto e o dano (nexo de causalidade). b) Formulação negativa – Esta é mais ampla . e é a este problema que a lei parece responder em termos afirmativos quanto aos casos especialmente . que intercederam no caso concreto. mas apenas os resultantes do facto. considerando não apenas as circunstancias conhecidas pelo (eventual) obrigado à indemnização. se mostrar de todo em todo indiferente para a produção do dano. quer o respectivo processo factual tenha principiado a correr na direcção do dano antes da causa real. pelo menos. se isenta o agente de responsabilidade. pois também esse evento produziria o dano. ainda que o seu facto (culposo) se não tivesse verificado. lhe der alimentos envenenados a comer. com excepção do que se refere ao exercício das actividade perigosas. A primeira questão é a de saber se a causa virtual pode fundamentar uma obrigação de indemnizar. os causados por ele. suficientes para lhe provocar a morte. não obstante a culpa com que agiu. dir-se-á que o tiro foi a causa real da morte dele. eram cognoscíveis ou reconhecíveis a um observador experiente. como uma consequência normal ou como um efeito provável dessa verificação. se assim fosse estávamos perante uma relevância positiva da causa virtual. far-se-á conforme o disposto nos artigos consagrados para a obrigação de indemnizar – Arts 562º e segts. Exemplo:-Se A. nessa altura. contudo.Assim teremos a causa virtual ou hipotética do dano.aqui. nem todos os danos ocorridos ao facto ilícito são incluídos na responsabilidade do agente. só estaria excluída a obrigação de indemnizar se esse facto. se um outro facto não tivesse cortado o fio da causalidade que ele desprendera. Entende-se por causa virtual o facto (real ou hipotético) que tenderia a produzir certo dano se este não fosse causado por um outro facto (causa real) – relevância negativa da causa virtual do dano.

ou seja. 2. Ora. 2 – in fine. Qual o fundamento da sua existência? Encontra fundamento na chamada Teoria do Risco segundo a qual se alguma pessoa exercer uma actividade criadora de perigos especiais deve responder pelos danos que essa actividade causar a 3 s. embora perigosas. mas o nascimento do dever de indemnizar pressupõe.daqueles outros em que a responsabilidade só é objectiva em relação a um determinado sujeito. vem regulada nos Arts 499º e seguintes e cuja nota diferenciadora em relação à responsabilidade por factos ilícitos reside essencialmente em que o nascimento de uma obrigação de indemnizar é independente da existência de culpa.Assim. uma breve reflexão sobre as diversas hipóteses previstas na lei permite discernir duas situações algo diferentes. 1. 493º. o autor da causa virtual nunca está obrigado a indemnizar o lesado por ter de se considerar que quem causou o dano foi o facto interruptivo do nexo causal. 492º. se considera justo sejam suportados por ela. finalmente. 1). quanto ao fundamento. No primeiro grupo. que o dano resulte do “perigo especial” que envolve a utilização de animais (Artº 502º) ou que seja “proveniente dos riscos próprios do veiculo” (Artº 503. pensamento que a lei traduz através da exigência de que o facto danoso do comissário seja praticado no exercício da função que lhe foi confiada (Artº 500º. As situações de responsabilidade objectiva constam do Código ivi e em legislação avulsa e analisando as várias hipóteses que a lei enumera podemos quanto ao fundamento distinguir dois grupos: 1. . Entre nós nega-se de modo absoluto a relevância positiva da causa virtual. e danos causados por instalações de energia eléctrica ou gás – Arts 509º e 510º. o carácter objectivo do dever de indemnizar representa o contrapólo da criação ou domínio de uma fonte específica de riscos propiciadora. acidentes causados por veículos de circulação terrestres – Arts 503º e segts. o limite imanente da aplicação destes preceitos é o de que o dano represente uma concretização do risco especifico em atenção ao qual a responsabilidade é imposta. visto ser o patrão quem tira o maior proveito da organização da empresa e da utilização dos instrumentos mecânicos de trabalho. mesmo não sendo imputáveis a culpa da entidade patronal. Responsabilidade pelo risco ou objectiva A responsabilidade pelo risco. que o prejuízo “derive da condução ou entrega da electricidade ou do gás ou da própria instalação” (Artº 509º.regulados nos Arts 491 – parte final. O Cod. Casos em que a responsabilidade só é objectiva em relação a determinados sujeitos mas o dever de indemnizar tem por base a responsabilidade subjectiva»» °500°e 501° A realização de certas tarefas em processos muito complexos de trabalho (onde a culpa facilmente se dilui na cooperação de múltiplas pessoas) e. independentemente de culpa é uma contrapartida da vantagem que aufere do exercício de uma actividade potenciadora de prejuízos. em princípio. Essa obrigação de indemnizar é como que uma contrapartida pelas vantagens que aufere dessa actividade com um perigo especial. Ao lado da doutrina clássica da culpa. então deve responder pelos danos que essa actividade causa a terceiros. podendo distinguir-se aqueles casos em que esta forma de imputação dos danos assenta na própria natureza da actividade em causa – então a responsabilidade é objectiva tout court. actividade ou instalação técnica que representam para terceiros perigos especiais deve suportar os correspondentes encargos. um outro princípio aflorou assim neste sector: o da teoria do risco. a utilização das máquinas e outros instrumentos mecânicos envolvem riscos inevitáveis de acidentes que. a prática de uma facto ilícito e culposo. danos causados por animais – Artº 502º. 2. Quem causou o dano foia causa real ou operante. 1. 616º. do estado e demais pessoas colectivas públicas – Artº 501º. que segundo ao qual quem tira proveito de um animal. Civil prevê os seguintes casos de responsabilidade pelo risco:  Responsabilidade do comitente – Artº 500º. 2 e 807º. cujo fundamento se traduz em quando alguém exercer uma actividade criadora de perigos especiais. 1) e. aplicável à hipótese de facto de que trata o Artº 501º). Estando em causa actividades licitas e até úteis à sociedade. E possível distinguir os casos em que a obrigação de indemnizar assenta na própria natureza da actividade em causa» responsabilidade objectiva. mesmo que o dano se . ou seja. a obrigação de indemnizar. porque não totalmente controlável à produção de danos. principalmente. aplica-se o princípio de justiça distributiva. entre a causa virtual e o dano.

poderá aplicar-se casuisticamente. condições patrimoniais para assegurarem a reparação dos prejuízos. quanto ao Artº 496º. A razão de ser radica na teoria da garantia. O comitente nos termos do art. (relação comitente/comissário). 496º e 497º à responsabilidade objectiva. que foi exercida uma vigilância adequada ou de que o comitente tudo fez para prevenir ou evitar o dano. existindo culpa exclusiva do comitente . e o Artº 497º poderá aplicar-se se houver pluralidade de responsáveis. nos termos gerais. Trata-se de um caso de responsabilidade do comitente que não se substitui à responsabilidade pessoal do comissário. Culpa nas instruções ou ordens dadas ao comissário. contra o comitente ou contra ambos simultaneamente. Esta autoridade (poder de controlo. Nos termos do Artº 507º na situação de responsabilidade pelo comitente. 2 – Pressupostos 1) É necessário a existência de uma relação de comissão Há comissão quando alguém encarrega outrem de uma determinada actividade. a responsabilidade é solidária. Comercial no serviço e/ou actividade realizada por conta e sob a direcção de outrem. Assim a responsabilidade objectiva será (também) um meio de tornar os comitentes mais atentos e vigilantes. que coloca a questão de saber se será possível ou não aplicar os Arts 494º. no plano das relações externas. muito frequentemente. vigilância e direcção) traduz-se no direito de dar ordens e instruções ao preposto sobre o modo de desempenhar as funções que lhe foram confiadas. A comissão consiste. Tanto a responsabilidade objectiva e a responsabilidade subjectiva têm como ponto comum a obrigação de indemnizar o lesado pelos prejuízos causados. .Carácter objectivo da responsabilidade O nº 1 do Artº 500º afirma que”aquele que encarrega outrem de qualquer comissão responde. Neste caso aplica-se o disposto no art. No segundo grupo estão em causa a responsabilidade do comitente e a responsabilidade do estado e demais pessoas colectivas públicas – Arts 500º e 501º. 487º/2 e 500° /3 o direito de regresso faz-se na proporção das respectivas culpas. Responsabilidade do comitente – Artº 500º Comitente . sendo antes. podendo o lesado agir contra este. A culpa do comitente pode existir e revestir 3 modalidades: 1. independentemente de culpa.produza sem culpa sua. (de um lado está o lesado e do outro o comissário e/ou o comitente) é inútil a prova de que a escolha do comissário foi bem feita. visto que têm um interesse patrimonial directo em evitar que as pessoas de que se servem causem danos a terceiros. nos termos do Artº 266º Cod. A questão do Artº 494. aplicando-se o nº 2 do Artº 497º se houver culpa de ambos – Artº 500º nº 3.” Isto significa que. Nas relações internas a existência ou não de culpa do comitente pode ter relevância. como finalmente que aprece mais justo que seja aquele sob cuja autoridade o comissário actuou a sofrer as consequências da insolvabilidade deste do que o terceiro lesado. o mesmo não alude à responsabilidade por culpa. em princípio.° 500° /3 tem o direito de exigir do comissário o reembolso de tudo quanto haja pago salvo se houver culpa da sua parte. è obvio que. A responsabilidade só é objectiva relativamente ao comitente. uma consequência da posição de onerado em relação àquele que pratica o facto danoso. onde a imputação do risco não implica aqui a criação de um especial perigo de causação de danos para terceiros.É a pessoa que a todo o tempo pode fazer agir um subordinado dando-lhe instruções e que ao longo da sua actividade tem o poder de controlar o modo directo como as funções são exercidas-500º 1 . Culpa na escolha do comissário-2. Com efeito o Artº 499º é uma norma remissiva. Nesta hipótese...3 Culpa do comitente na fiscalização da actividade do comissário. Adiciona-se-lhe ou acrescenta-se. houver dúvidas presume-se igual. Igualmente ser razoável que quem utiliza para os seus próprios fins a actividade de outros indivíduos assuma perante a sociedade as consequências de que se serve. é porque os comissários não têm. é ele o único responsável. A inexistência de culpa do comitente só tem. ele “tem o direito de exigir do comissário tudo quanto haja pago”. apenas determina os danos pela sua gravidade. relevo no plano das relações internas. nos termos dos Arts 562º e segts. O traço essencial para a caracterização de uma comissão é a existência de relações de autoridade e de subordinação correlativas. que os comitentes são garantes legais da sua solvabilidade.

então estamos fora do campo de aplicação do preceito. realizam fins específicos do Estado ou outro ente público e que muitas vezes assentam sobre poder autoridade da entidade que os pratica. embora praticados pelos órgãos. Se o agente. exigível que tenha sido praticado um facto ilícito. 2 in fine. por conta do seu dador de trabalho. quanto aos danos causados pelos seus órgãos. A especificação da lei de que o responsabilidade se mantém mesmo que o facto danoso tenha sido praticado “intencionalmente ou contra as instruções” pretende apenas. ajudar a esclarecer o critério do nexo que deve existir entre o ilícito e as funções. Responsabilidade do Estado e demais pessoas colectivas públicas – rtº 501º 1 . desde que os danos resultem do perigo especial que envolve a sua utilização” – Artº 502º. o regime fixado para o comitente – Artº 500º. confrontando esta disposição com o Artº 493º. 1. Por outro lado. aqueles que. cujos instintos e reacções não são totalmente controláveis pelo homem. estão sujeitos às mesmas regras que vigorariam para a hipótese de serem praticados por simples particulares. Muitas vezes não será de exigir que o acto seja rigorosamente praticado na execução do encargo. Mesmo contrariando uma ordem do comitente. a responsabilidade sempre teria de manter-se se estiver em causa a execução da função (o comissário cumpre mal. 2) É necessário que sobre o comissário recaia também a obrigação de indemnizar.Regime legal É aplicável ao Estado e às restantes pessoas colectivas públicas. Logo. Exemplo: Um vigilante de um parque de estacionamento que. bastando que o acto se integre no quadro geral da competência do comissário. por sua iniciativa. não em relação ao comissário. nos termos do Artº 501º. despido do seu poder de soberania ou do seu poder de autoridade. pode parecer à primeira vista que se o comissário desobedece a uma ordem formal do comitente (conduzir a cima de certo limite de velocidade) se coloca fora do quadro do exercício de funções. uma tarefa acessória que em rigor não lhe estava confiada. e não propriamente alargar ou abrir excepções a um princípio geral. mas cumpre). no exercício da função que lhe foi confiada – Artº 500º. Os actos de gestão privada são. assente no perigo especial que envolve a utilização de animais. São actos de gestão pública os que. e não é assim. A questão de fundo é a de saber quando deve jogar a ideia de garantia que está na base da regulamentação legal. a responsabilidade impende sobre quem utiliza o animal no seu próprio interesse. . pois a própria natureza do acto ilícito implica em regra alguma “evasão” das funções. 3) O facto danoso tenha sido praticado pelo comissário. Para que intervenha a responsabilidade objectiva é necessária a prova da existência de um nexo de causalidade entre o dano e aquele risco ou perigo especial (assim. agentes ou representantes no exercício de actividades de gestão privada. Danos causados por animais – Artº 502º “Quem no seu próprio interesse utilizar quaisquer animais responde pelos danos que eles causarem. em princípio. Trata-se agora de uma caso típico de responsabilidade pelo risco. Esta comissão não tem que ser permanente pode ser ocasional e provir de um negócio gratuito ou oneroso. agentes ou representantes do Estado ou de outras pessoas colectivas públicas. não haverá responsabilidade se alguém tropeça num cão que se encontra pacificamente deitado). visando a satisfação de interesses colectivos. poderá subsistir a razão de ser da responsabilidade. resolve mudar de local uma viatura para conseguir mais um lugar. de modo geral. Aqui o critério essencial será então indagar no interesse ou em beneficio de quem o comissário actuava aquando da prática do facto ilícito. Ora. Na verdade. ainda que intencionalmente ou contra as instruções daquele (comitente). e se o seu autor é apenas o comitente. provocando culposamente um acidente.Daqui resulta que a hipótese mais frequente de comissão seja o contrato de trabalho – Artº 1152º. para que um terceiro se possa arrogar um direito de indemnização será. por excesso de zelo. Este segundo requisito torna-se evidente desde que se tenha presente que a responsabilidade de que tratamos só é objectiva em relação ao comitente. São actos em que o Estado ou a pessoa colectiva pública intervém como um simples particular. verifica-se que elas divergem. executa.

respondendo objectivamente (e solidariamente) dentro dos limites para a indemnização fundada no risco. enquanto detentor. Tratando-se de um caso de responsabilidade pelo risco. Mas o locador e o comodante conservarão também esta posição. Já inversamente faltará este segundo requisito (em relação ao detentor habitual). referimo-nos apenas às pessoas que respondem objectivamente (quanto aos não imputáveis.quer tanto à estatuição. ter sido especialmente para excluir a responsabilidade objectiva do comissário que o nº 1 do Artº 503º refere a utilização no próprio interesse (para logo acrescentar “ ainda que por intermédio de comissário”. Quanto à estatuição: o Artº 502º estatui uma responsabilidade objectiva. circulem ou não sobre carris e seja qual for o fim a que se destinem. mesmo que este não se encontre em circulação”. como quando há furto ou utilização abusiva. 1. na medida em que a obrigação de prover à conservação do veiculo em boas condições de segurança se não transmitido. de facto detém a coisa. O comissário só responde objectivamente quando “conduzir fora do exercício das sua funções” – Artº 503º. ainda que por intermédio de comissário. A responsabilidade impende sobre quem normalmente usa (aproveita) e cuida da sua conservação. quer haja ou não culpa do condutor. enquanto o Artº 493º. No entanto. como parece dever entender-se. Não assim desde que se entenda. que basta um mero interesse altruísta: cedência do veículo por razões familiares. Quanto à hipótese: a responsabilidade de que trata o Artº 502º recai sobre quem utiliza os animais no seu próprio interesse. a detenção de um poder de facto sobre o veículo. o usufrutuário. qualidade que a lei define através de dois predicados: Direcção efectiva e utilização no próprio interesse. responde pelos danos provenientes dos riscos próprios do veículo. o poder de facto do locatário e do comodatário. havendo culpa (provada ou presumida) do comissário responderá porém ilimitadamente com base no Artº 500º. muitas vezes. Num caso como no outro. 1) Quais os veículos abrangidos. 3) O que se deve entender por riscos próprios do veiculo. Este. aliás. “aquele que tiver a direcção efectiva de qualquer veiculo de circulação terrestre e o utilizar no seu próprio interesse. porém. aliados ao seu interesse próprio. 1 estabelece uma simples presunção. no caso de uso não autorizado. 3. a responsabilidade objectiva recai unicamente sobre o comitente. ver o nº 2 do Artº 503º). o adquirente com reserva de propriedade ou o que detém o veículo mediante contrato de leasing. bem como a direcção efectiva. A responsabilidade de que trata este Artº incide sobre todos os veículos de circulação terrestre. Aqui sim. refere-se à pessoa que tiver assumido o encargo de vigilância de quaisquer animais Danos causados por veículos – Arts 503º a 508º Nos termos do nº 1 do Artº 503º. Até aqui. 2) Quem são as pessoas responsáveis. Também não detém a direcção efectiva o passageiro do táxi ou o aluno durante a instrução automóvel. a 1ª parte do nº 3 do mesmo Artº contém ainda uma outra disposição muito importante sobre a responsabilidade em matéria de acidente de trânsito ao determinar que “ aquele que conduzir o veículo por conta de outrem . 2ª parte. Parece. Essencial para a determinação do conceito de direcção efectiva é a situação de facto. para fazer perder ao detentor habitual a qualidade jurídica de detentor. Ainda aqui não se pode dizer que o detentor habitual se tenha desligado totalmente da fonte de risco. 2) Quem são as pessoas responsáveis. pode dizer-se que o detentor habitual perdeu o controlo sobre a fonte de riscos. Existem aqui 3 pontos de distinção: 1) Quais os veículos abrangidos. o Artº 493º. responde só dentro dos limites do risco. por hipotética falta do 2º requisito – interesse próprio. justificam que sejam havidos como tendo a direcção efectiva do veículo. quer quanto à hipótese. em regra será pois o proprietário. o responsável deverá ser quem cria ou controla a fonte dos especiais perigos (veiculo). Isto parece seguro no caso de locação e afigura-se igualmente a melhor solução nas hipóteses normais de empréstimo da viatura por curtos períodos. Dúvidas só poderiam suscitar-se no caso de comodato. O uso autorizado por outrem não bastará. cabendo então a direcção efectiva a quem. tirando esta hipótese anómala. de amizade ou de mera cortesia. independentemente do modo de tracção.

vale um regime de certo modo híbrido: elas próprias (e as coisas por si transportadas) gozam de protecção de responsabilidade pelo risco. esquematicamente. considere-se igual… a contribuição de culpa de cada um dos condutores” – Artº 506º. é normalmente dirigida por condutores por conta de outrem. No caso de transporte gratuito aplicam-se as regras gerais da responsabilidade por factos ilícitos – Artº 504º. 3. além da responsabilidade objectiva. Basta pensar que a esmagadora maioria dos veículos pesados. 1ª parte. aos perigos que representa a circulação rodoviária. 1 que “a responsabilidade pelos danos causados por veículos aproveita a terceiros. Nota importante: Sempre que um veículo seja conduzido pelo comissário havendo um acidente. em ligação com outras disposições. à estrada (a mancha de óleo. a qual nos termos gerais (Artº 500º). Por último.). O regime da responsabilidade na hipótese de colisão de veículos consta do Artº 506º e. ex vi. abrange só os danos que atinjam a própria pessoa e as coisas por ela transportadas”. 1ª parte. expostas. sendo que. são as pessoas que se encontram no exterior do veículo. etc. consagra as seguintes soluções: 1) Se houver culpa de apenas um dos condutores só este será responsável – impende sobre este a obrigação de reparar todos os danos nos termos do Artº 483º 2) Se houver culpa de ambos os condutores. a proporção em que cada um deve responder pelo dano que causou. pelo que o ónus da indemnização baseada em mera presunção incidirá em última analise sobre o comitente). 1.responde pelos danos que causar. Ora. mas já não as pessoas que. sem qualquer correspectivo directo. em caso de dúvida. salvo se provar que não houve culpa da sua parte”. a superfície de água. se o direito de regresso deste pressupõe culpa do comissário. e. mas neste caso. a pretensão indemnizatória. presume-se a culpa deste – Artº 503º. ou que no caso de morte da vitima. o tribunal decidirá. e os respeitantes ao factor pessoal da circulação (doença súbita do condutor).a este respeito. para efeitos desta disposição legal. ou seja. preceitua o Artº 504º. não parecendo que deva relevar a hipotética existência de um contrato (embora gratuito) de transporte. A importância desta norma resulta do seu larguíssimo campo de aplicação. bem como às pessoas transportadas em virtude de contrato. não pode deixar de gravar o comitente (de resto. 2. No caso de responsabilidade objectiva . Estando o veículo estacionado. mas se a responsabilidade do comissário for ilidida (contestada). com base na gravidade das culpas de ambas as partes e nas consequências que delas resultaram – Artº 570º. a culpa é do comitente – Artº 503º. ficariam legitimadas a. não deixam de se poder manifestar os riscos próprios do veículo (incêndio ou explosão). 3) O que se deve entender por riscos próprios do veiculo. pode também basear-se numa presunção de culpa. 2.). . por terceiro. 3) Não havendo culpa nenhuma dos condutores. pode-se dizer que ele. etc. “em caso de dúvida. Para as pessoas transportada mediante contrato. Artº 499º poderiam exigir uma indemnização pela dano de ricochete da perda de um direito de alimentos – Artº 495º. 3 e neste caso o comitente responde nos termos do Artº 500º. pois. considera-se igual a medida da contribuição de cada um dos veículos para os danos . para que haja obrigação de indemnizar é também necessário que o acidente seja provocado pelos riscos próprios do veículo. impende. os que se ligam ao meio de circulação. uma presunção de culpa. 2. Isto porque a lei é expressa em afirmar que só estão abrangidos os danos “que atinjam a própria pessoa”.Artº 506º. Beneficiários da indemnização: No caso de responsabilidade subjectiva – o lesado tem direito a ser indemnizado de todos os danos. Se o comissário conduzir fora do exercício das suas funções ele responde. 2ª parte. enquanto detentor da direcção efectiva e utiliza no seu interesse. pretender uma compensação pelo dano moral – Artº 496º. Sobre o condutor por conta de outrem. “a responsabilidade é repartida na proporção em que o risco de cada um dos veículos houver contribuído para os danos” – Artº 506º. Nestes casos. trata-se tout court de um comissário ou de uma das pessoas por quem o estado e demais pessoas colectivas públicas respondem nos termos do Artº 501º (responsabilidade por actos de gestão privada). Nesta noção devem englobar-se os perigos inerentes à falha da máquina (a falha repentina de travões. gelo. 1. parece razoável exigir culpa provada. 2 e 3. 1.

A primeira dúvida que esta disposição suscita é a de saber se os critérios de repartição da responsabilidade que prevê. pretenderem do detentor do outro veiculo uma indemnização pelo total do dano (dentro dos limites da responsabilidade)? Ou. Mas. pelo contrário. isto é. se a sua estatuição vale apenas para os danos sofridos pelos próprios veículos ou se será de aplicar igualmente a outros danos e em coisas. A segunda é porventura a mais próxima do texto da lei. afigura-se que a aplicação deste princípio a hipótese de colisão introduz um desnecessário factor de álea. na medida em que esta afirma que “a responsabilidade é repartida na proporção em que o risco de cada um dos veículos houver contribuído para os danos”. em relação aos restantes danos. um caso há que merecer particular atenção. a assentar em que: “a primeira parte do nº 3 do Artº 503º. vimos que a aplicação do Artº 506º a quaisquer outros danos diferentes dos sofridos pelos próprios veículos significa já uma interpretação extensiva. 1 – 1ª parte. Foi este problema que o Supremo Tribunal foi chamado a pronunciar-se. aplicável nas relações entre ele como lesante e o titular ou titulares do direito de indemnização”. com a particularidade de que. Parece na realidade de aplaudir esta orientação. Resta outro problema. do Cod. e a do detentor de um veiculo participante na colisão. sem culpa de nenhum dos condutores. por outro lado. o que não acontece na outra. dúvida que resulta de a hipótese de facto somente fazer alusão expressa aos danos em relação aos dois veículos ou em relação a um deles. em ligação com a discussão sobre a aplicação ou não no domínio dos acidentes de transito da presunção de culpa do Artº 493º. A resposta afirmativa quanto ao 1º ponto não implicava de forma alguma idêntica posição quanto ao segundo. salvo se provar que não houve culpa da sua parte” – Artº 503º. A jurisprudência tem entendido que. até porque seria extremamente difícil encontrar outros. Civil estabelece uma presunção de culpa do condutor do veículo por conta de outrem pelos danos que causar. mas antes de um caso de responsabilidade objectiva que seria afastada mediante prova de inexistência de culpa. que é a dos passageiros transportados a título gratuito. “aquele que conduzir o veículo por conta de outrem responde pelos danos que causar. no caso decidendo. serão de se contentar em pedir ao responsável pelo veículo não transportador uma indemnização correspondente à quota de risco com que ele contribuiu para o acidente? Ambas as orientações têm sido defendidas. O certo é que. na qualidade de terceiros. por meio de um assento. tendo-se algumas vezes entendido que ela consagra uma presunção de culpa que só seria contudo válida para as relações internas comitente-comissário e outras que não se trata disso. só a pessoa por eles responsável é obrigada a indemnizar – Artº 506º. aos riscos da circulação rodoviária. não pode duvidar-se de que aquela presunção de culpa vale também na hipótese de colisão. Não parece inteiramente feliz a decisão do Supremo. se esta presunção é de aplicar à hipótese de colisão de veículos sem culpa provada de nenhum condutor. O supremo limitouse. uma hipótese de presunção de culpa. Mas partindo desta solução de princípio. porém. são de aplicar os critérios de partilha do Artº 506º. Na hipótese de acidente sem culpa de nenhum dos condutores. e só deveremos levar até onde isso pareça razoável. exposto. sem que se tivesse provado a culpa de nenhum dos condutores. visto os passageiros a título gratuito não beneficiarem da protecção da responsabilidade objectiva face ao transportador – Artº 504º. válida nas relações entre lesante e lesado (relações externas). se levantaram insistentes dúvidas sobre o alcance a atribuir à citada passagem. desequilibrando a ponderação de interesses subjacente ao Artº 506º Exclusão de responsabilidade . não deverão ser admitidos a. Ora. sem correspectivo directo. 2. visto ser bastante diferente a situação dos interesses de um terceiro. em segundo lugar. por identidade de razão. Nesta segunda hipótese há um encontro de duas responsabilidades pelo risco (as partes estão em situação de paridade). 2ª parte. 1. Porque o que estava em causa era um caso de colisão sem culpa provada. Se parece razoável que se tenha entendido que a lei reforça efectivamente a protecção da responsabilidade pelo risco através de uma presunção de culpa no caso de condução por conta de outrem. em rigor. estava em causa um caso de colisão de veículos. 2. Técnico-juridicamente.4) Por último. saber se a 1ª parte do nº 3 do Artº 503º consagra ou não uma presunção de culpa. se os danos forem causados somente por um dos veículos. com transparente clareza. havia aqui duas questões a decidir: em primeiro lugar. parece estar aqui consagrada.

Podem no entanto suscitar dúvidas na hipótese de colisão não culposa. isto porque em qualquer destas situações. o Artº 507º. 1 e. só estes respondem (regulando-se entre eles a responsabilidade de acordo com o disposto no nº2 do Artº 497º). No caso afirmativo. É um contrato . no caso de acidente sem culpa de nenhum deles. mas para que tenha contribuído o risco dos dois veículos. Seguro obrigatório O regime do seguro de responsabilidade civil é obrigatório – Dec . A concorrência entre a culpa e o risco. pelo menos com clareza. entre os vários responsáveis pelo risco. do princípio da solidariedade genericamente estabelecida para a responsabilidade por factos ilícitos. Estes limites constam do Artº 508º. O contrato de seguro.Lei 522/85 de 31/12 (com várias alterações). Tem-se entendido. mesmo que haja culpa de alguma ou algumas” – Artº 507º. idêntica solução parece ser implicada pela disciplina da partilha das responsabilidades do Artº 506º. 2. 2 – 2ª parte. O que fica dito vale para a hipótese de várias pessoas responderem simultaneamente pelo risco de um veículo. no seu Artº 505º prevê 3 causas de exclusão da responsabilidade: 1) Quando o acidente foi imputável (atribuível) ao próprio lesado. que a solidariedade se mantém nas relações externas. o locatário ou o comissário. Do ponto de vista prático. “a obrigação de indemnizar reparte-se de harmonia com o interesse de cada um na utilização do veículo” – Artº 507º. E em caso de colisão de veículos? . o detentor do veículo responderá perante terceiros solidariamente com o comodatário. 2 – 1ª parte. pelo qual uma das partes (seguradora) se obriga a cobrir o risco de um facto futuro e incerto (danos causados pelo veículo) constituindo para o segurado a obrigação de este realizar uma prestação certa e periódica (prémio). para os casos de dúvida. nas relações externas. “se os danos causados somente por um dos veículos”. a primeira dessas causas de exclusão é. 1. O disposto no Artº 506º. Deste modo se alcança um adequado equilíbrio entre os interesses dos lesados e dos lesantes. 2) Quando acidente seja imputável a terceiro. Por ultimo. 3) Quando o acidente foi devido a uma causa de força maior estranha ao funcionamento do veículo. Por isso mesmo. a fixação de limites máximos para a indemnização. o regime da solidariedade resulta da regra geral do Artº 497º. Quanto à hipótese de acidente imputável a terceiro. a lei distingue consoante há ou não culpa de algum ou alguns dos responsáveis. Nesta medida. Veículo arrastado pela inundação ou por um ciclone). No plano das relações internas. é vulgar. cfr. O termo imputável aqui significa “atribuível a” actuação da pessoa que sofre o dano. na medida em que esta solução não resultava. Assim. ou seja. Artº 507º. não há repartição das responsabilidades. parece dever essencialmente entender-se os casos em que uma força da natureza é como que o agente directo do dano (ex. provocado por este.Se o acidente se dá por culpa de ambos os condutores. nesta hipótese. mas também em relação aos responsáveis pelos riscos dos diversos veículos participantes no acidente. para que deste modo venha indemnizar os danos decorrentes desse facto futuro e incerto. no domínio da responsabilidade pelo risco. 1 terá uma função de regulação autónoma. Também aqui não será pois necessário estar-se em face de uma conduta culposa. Responsabilidade solidária “Se a responsabilidade pelo risco recair sobre várias pessoas todas elas respondem solidariamente pelos danos. O acidente diz-se imputável ao próprio lesado quando é causado. é aquele. mesmo que o acidente seja causado por culpa destes últimos. excluídos aqueles perigos que constituem “riscos próprios do veículo”. a mais importante. Limites da indemnização Embora não seja de forma alguma apropriado aos sistemas de responsabilidade pelo risco. 1 – 1ª parte. vale também aqui o que ficou exposto no caso anterior. de outras normas legais. por causa de força maior estranha ao funcionamento do veículo. bem como na de haver culpa de apenas um dos condutores. de longe. existirá não apenas em relação aos vários responsáveis pelo risco do veículo. sabendo estes últimos até onde pode ir a responsabilidade no caso de acidente sem culpa da sua parte. deste modo se protegendo mais eficazmente os lesados (terceiros ou pessoas transportadas). o facto de um inimputável não deixara de excluir a responsabilidade pelo risco.A lei.

nos termos do Artº 20. mas também contra o responsável civil (proprietário do veículo ou a pessoa que o conduz). Nos termos do Artº 30. se o valor da indemnização foi superior ao valor do seguro. Portanto. As empresas respondem. Se o acidente for doloso. A lei (Artº 509º. tanto pode ser o proprietário. A seguradora pagando a indemnização ao lesado. Os danos causados pela instalação (produção e armazenamento).) não estão já sujeitos ao regime de responsabilidade . o locatário. No 2º caso. é intentada também acção contra o antigo proprietário. não só pelos acidentes devidos a culpa dos seus órgãos.No 1º caso. concessionárias. como também pelos devidos ao mau funcionamento do sistema de condução ou entrega ou aos defeitos da própria instalação. o obrigado a fazer o seguro. Quanto à instalação. através da carta verde. a empresa pode desonerar-se se a instalação estiver em perfeito estado de conservação e de acordo com as regras técnicas. Os danos causados por utensílios de uso de energia (fogões. e em regra quem tem legitimidade passiva é a seguradora. Conforme refere o Artº 29º a acção só pode ser intentada contra a seguradora.. mas por ser em relação à força maior (nomeadamente quanto à queda dos fios de alta tensão.Regime da responsabilidade correspondente Como a energia eléctrica e o gás são coisas cuja utilização é bastante perigosa. No caso de o veículo ser vendido. os danos indemnizáveis são aqueles que decorrem da condução ou entrega..aleatório. além de futura. de acordo com as regras técnicas em vigor e em perfeito estado de conservação. sob pena de apreensão do veículo. nem por isso o lesado fica sem protecção. A legitimidade activa pertence ao lesado. o seguro não acompanha o mesmo. porém. que distribuem e conduzem a entrega. não porque se pretenda considerar irrelevantes os outros motivos. este último é absolvido da instância. A responsabilidade é ainda excluída nos casos de força maior (considerando-se como tal toda a «causa exterior independente do funcionamento e utilização da coisa»). por força do preceituado no artigo 509º.. a responsabilidade pode ser afastada mediante a prova de que ela. radiadores. 2) refere-se apenas aos primeiros. quer os danos não patrimoniais e patrimoniais causados pelo veículo 3) No caso de alienação do veículo. Se não houver seguro. é justo que elas suportem os riscos correspondentes. está em causa a responsabilidade do proprietário pelos danos resultantes do comportamento dos seus trabalhadores. a acção é intentada contra o gabinete português de carta verde. etc.. ao tempo do acidente. se encontrava. pelos riscos que envolve.. nenhum veículo automóvel pode circular na via pública sem seguro.. aos que regem a obrigação de indemnizar em matéria de acidentes de viação. Danos causados por instalações de energia eléctrica ou gás – Arts 509º e Dec – Lei 449/85 de 21/10 1 . não goza de direito de regresso. incerta.). agentes ou representantes ou dos seus comissários. A prova faz-se. Características: 1) É um contrato pessoal – Artº 1º 2) Abrange. Os termos de tal responsabilidade são paralelos. uma vez que a obrigação assumida pela seguradora é. apenas nas situações previstas no Artº 19º do dito Dec – Lei. o usufrutuário. Contudo. a acção tem de ser intentada contra os dois. frigoríficos. 4) Nos termos do Artº 2. arrendatárias. Assim como auferem o principal proveito da sua utilização. terá de ser intentada acção contra o fundo de garantia automóvel. ou mesmo da própria instalação. aparelhos de rádio. também a seguradora paga – Artº 19º. em regra. condução (transporte) ou entrega (distribuição) dessas fontes de energia correm por conta das empresas que as exploram (como proprietárias. Se houver um acidente e se este for provocado por um veículo estrangeiro. convectores. se se intentar acção contra a seguradora e contra o segurado. e de culpa da vítima ou de terceiro. provocada por temporal) que a doutrina tem levantado dúvidas e algumas legislações têm adoptado soluções diferentes. compreende-se que também relativamente a uma e outro vigore o princípio da responsabilidade objectiva. e se não for feito o registo do novo proprietário. televisão. mas goza neste caso de direito de regresso.. pois não é parte no processo.

trata-se de uma noção vaga e imprecisa. o Artº 4º vem dar a noção de defeito. responsabilidade por razões de justiça equitativa. Não se refere à responsabilidade da venda de coisa defeituosa.Dec . tal como o não está a instalação eléctrica que o consumidor de energia tenha feito. pode legitimar a destruição. Ora. nos termos dos Arts 913º e segts. aludimos à responsabilidade de ter fabricado e colocado no mercado certo produto defeituoso. Ora. de 09/12. um carro com os travões com defeito de série. Existe. o que significa que. Outras situações de responsabilidade objectiva  Responsabilidade do proprietário e do comandante de embarcacões de recreio. porque visa satisfazer um interesse colectivo ou o interesse qualificado de uma pessoa de direito privado. a danificação ou o uso não autorizado de coisa alheia. de acordo com as normas aplicáveis a cada caso. visa-se a tutela do consumidor final em geral. quer de terceiro. Mais do que a tutela dos interesses da contraparte. Em lugar de estabelecer um regime comum aplicável à generalidade das situações deste tipo. todavia. houve um erro – Ex. Tipos de defeitos: 1) Defeito de construção – O produto foi mal planeado. serve para designar aqueles defeitos do produto. pois. por conseguinte. o regime que mais lhes convém. independentemente de culpa. A responsabilidade civil do produtor é a responsabilidade do produtor enquanto tal. o agente a reparar o prejuízo que a sua prática porventura cause a terceiro. Regime O acto pode ser licito e obrigar. Lei 329/95.  Do proprietário ou explorador de aeronaves  Danos causados ao ambiente – Lei 11/87 de 17/04  Lei sobre a acção popular – Lei 83/95 de 31/08 Responsabilidade civil do produtor Dec – Lei 383/89 de 6/11 Qual a razão de ser desta responsabilidade? Hoje a produção e distribuição dos produtos faz-se em massa. A ponto de ao lesado não ser possível recorrer a legítima defesa contra a agressão dos seus bens. por sua conta e risco. Responsabilidade por factos lícitos 1 . consumidor. a lei preferiu deixar a disciplina de cada uma delas entregue ao seu condicionalismo específico. para não ser usado de forma perigosa a) Riscos de aplicação b) Riscos de efeitos secundários 4) Defeito de desenvolvimento – Tem a ver com a ciência técnica. O próprio estado de necessidade oferece um exemplo capaz de documentar a afirmação feita. Não há contradição lógica entre as duas ideias. trata-se de um produto defeituoso. é necessário garantir ao lesado o ressarcimento dos danos causados. . isto é. o Artº 1 do Dec – Lei 383/89. 2) Defeito de fabrico – São erros que atingem um ou outro produto. Não obstante não estarmos perante um caso de responsabilidade ilícita. tem a ver com evolução da ciência. que só vieram a ser conhecidos com o desenvolvimento da ciência e da técnica. Elas terão. susceptível de ter causado dano ao utente. vem dizer que o produtor é responsável. ou porque houve uma falha humana ou porque a máquina falhou.Justificação.objectiva. e há a probabilidade de esses produtos causarem danos ao consumidor final. A necessidade de remover o perigo actual de um dano manifestamente superior. Não são inteiramente coincidentes com os fixados para os acidentes de viação os limites máximos estabelecidos no artigo 510º para a responsabilidade objectiva. 3) Defeito de informação – É a informação que deve acompanhar o produto. no sector das instalações de energia eléctrica ou de gás. O acto (lesivo) pode ser lícito. logo. quer do agente. para utilização dela. portanto. pelos danos causados por defeitos dos produtos que põe em circulação.

E para a U. 2 Cod. Nos termos dos Arts 6º. para o prazo de prescrição. a responsabilidade do produtor não é reduzida. isto é. 2 e 3 e 7º este Dec – Lei foi inovador relativamente ao Artº 505º Cod. Em relação aos prazos. dispõe o Artº 8º. no produto. desde que os danos sejam superiores a 500€. em caso de dúvida a responsabilidade é feita em partes iguais. Civil). 1 – 2ª parte É aquele que se apresenta como produtor do produto pela aposição do seu nome. aqui o produtor participa na criação do produto. teve ou deveria ter conhecimento do dano. O Artº 10º dispõe que não pode ser excluída ou limitada a responsabilidade perante o lesado. 1 enuncia a responsabilidade solidário nas relações externas (= 507º Cod. pesca e pecuária. e no exercício da sua actividade comercial – Importador comunitário. isto é. 2 É aquele que importa de fora da U. Nos termos do Artº 9º. 1 – tem de ser um facto culposo. mas há um limite mínimo relativamente a coisas diversas do produto. até 10 anos sobre a data em que o produtor pôs em circulação o produto causador do dano. resultantes de morte ou lesão corporal. Circunstâncias em que se exclui a obrigação de indemnizar – Artº 5º O Artº 2º vem dar a noção de produtor. assim sendo. que são ressarcíveis os danos pessoais. 1. isto é.  da parte componente – destina-se à incorporação no produto final e não a ser utilizada directamente pelo consumidor. bem como os danos causados em coisa diversa do produto defeituoso. marco ou outro sinal distintivo. sob a sua responsabilidade. nos temos do Artº 3º. dispõe o Artº 11º. O Artº 12º dispõe o prazo de caducidade. contudo nas relações internas (nº2) (≠ do Artº 507º Cod.  do produto acabado – o resultado final ainda que incorporado em outra coisa. Qual é o tipo de responsabilidade? Artº 1º . não existe um limite máximo para o valor de indemnização. tem-se por não escrita. Civil. 1 – 1ª parte Trata-se do realizar do produto. logo o mesmo tem o dever de reparar o seu produto para evitar que esse mesmo produto venha a causar danos. Também pode ser alguém que vende um produto e que não está identificado o produtor nem o importador – fornecedor de produtos anónimos. desde logo do Artº 7º. Civil – onde quem tem que suportar todos os danos é quem teve culpa) este Artº consagra o concurso da responsabilidade objectiva e subjectiva – todos tem culpa. há obrigação de indemnizar independentemente de culpa. Civil. a sua noção vem descrita no Artº 3º. qualquer cláusula excluidora de responsabilidade do produtor perante a vítima. Resumo dos pressupostos da responsabilidade civil aplicáveis a todos os casos práticos  Dano – Artº 70º. e as várias categorias existentes: 1 – Produtor real – Artº 2. o Artº 6º. Regime jurídico – comparar com Artº 505 Cod. 3 – Produtor presumido – Artº 2º.  da Matéria prima – materiais ou substancias das quais se procede ao produto final. são válidas mas não eficazes. Quanto ao produto. Civil Se várias pessoas forem responsáveis.  Avaliação abstracto e concreta (teoria da diferença)  Danos futuros e indemnização sob a forma de renda – Artº 567º . Neste Artº também se incluem os produtos de caça. 2 – Produtor aparente – Artº 2.5) Defeitos de observação – O produtor mesmo sem culpa. a responsabilidade é solidária – Artº 6º. deve estar atento ao desenvolvimento do mercado. 1.responsabilidade objectiva. há 3 anos a contar da data em que o lesado.E. Civil (medidas cautelares) Tendência para autonomização do âmbito ou de protecção da norma – Artº 1276º  Dano patrimonial e não patrimonial  Dano emergente e lucro cessante  Dano real e dano de cálculo. Ora. E se a produção do dano concorrer com a intervenção de um terceiro. Quanto aos danos devidos a causa de força maior é igual ao Artº 505º Cod. Quanto aos danos ressarcíveis. ou seja.

 Facto – Acção ou omissão  Acto voluntário e humano. O abuso do direito é algo mais gravoso que o princípio da boa-fé e não pressupõe uma relação de bilateralidade entre as partes. Art 4030/1 Nota importante: A obrigação natural além de não poder ser repetida também não dá lugar á restituição com base no enriquecimento sem causa.  Nexo de imputação – Imputabilidade e culpa  Distinção entre dolo e negligência e suas modalidades  Critérios da apreciação da culpa (culpa em concreto e abstracto. O dever de cooperação é a vertente mais moderna do princípio da boa-fé: tratam-se de condutos necessárias para atingir o fim contratual que é avaliado segundo as condutas de razoabilidade que são as dos princípios de boa-fé nas suas diversas manifestações. A boa-fé é mais exigente que aquele conceito (bons costumes) exigindo uma relação de inter partes. Só a violação muito grosseira deste princípio pode ser equiparada aos bens costumes. Se o devedor não cumprir a obrigação a que está adstrito o credor tem a faculdade de exigir judicialmente o cumprimento através da competente acção de cumprimento. Mas nas obrigações naturais as coisas passam-se de modo diferente. quando de uma forma abusiva para os bons costumes se causam dolosamente danos a outrem. especialmente previstos na lei – Arts 484º. não lhe são aplicáveis as regras que regulamentam as doações não estão sujeitas á derrogação por indignidade. isto é.Singulares e Plurais Quanto ao Objecto Quanto ao Vínculo temos de distinguir entre as obrigações civis e naturais. Se alguém realizar uma prestação que não é devida goza da respectiva repetição do indevido. Não é tratada pela Ordem Jurídica como uma tributação oud doação. Não ser repetida.Civis e Naturais Quanto ao Sujeito: .° 402° e 403: 1. Falta-lhe um requisito para falarmos de obrigação e que é a juricidade.  Nexo de causalidade  Teoria da equivalência e sua apreciação critica  Teoria da causalidade adequada e sua formulação negativa e positiva. ser judicialmente exigível.  Ilicitude – Modalidades fundamentais:  Violação de direitos absolutos de outrem (direitos reais e personalidade «direito de propriedade e direito à vida»)  Violação de disposições legais da protecção  Abuso de direito – vertente delitual (afirmação de um princípio geral de responsabilidade. Não ser exigível judicia1mente 2. Árt.Este é o regime normal das obrigações. 485º e 486º. Modalidades das obrigações Há critérios varios para classificar as obrigações. Mas o art. Características que decorrem do art. Danos puramente patrimoniais. O seu conteúdo é o chamado mínimo ético.  Factos anti-juridicos. Os bens costumes não exigem uma relação especial entre os sujeitos da relação jurídica.(Acção declarativa e Acção Executiva) Art° 476 do CC. Há obrigações que têm un regime diferente. como deficiência da vontade e da conduta)  Ónus de prova e casos de culpa presumida. Nós vamos seguir um critério tripartido: Quanto ao vínculo: . O que confere juridicamente às obrigações é a possibilidade de exigir judicialmente o cumprimento.° 402°-As obrigações naturais são aquelas que se fundam num mero dever de ordem moral ou social e cujo cumprimento não é judicialmente exigível. será que tem aplicação o instituto da colação? . 403° diz que se o devedor cumprir livremente a obrigação ela não pode ser repetida»» Este é o fundamento de considerar as obrigações naturais como verdadeiras obrigações.

Nas obrigações plurais e de acordo com o art. A obrigação dizse solidária pelo seu lado passivo. B e C são devedores de 3. De acordo com o art.Nada disto se aplica obrigações naturais porque são tratadas pela nossa ordem Jurídica como o cumprimento de verdadeiras obrigações.credor. o beneficiário dos alimentos pode exigir uma indemnização »» art° 495 °/3.Dentro desta categoria de obrigações temos que distinguir duas modalidades: 1-Obrigações plurais conjuntas ou parciais.Princípio da equiparação-Valem as normas que regulam realização as obrigações civis mas não são aplicáveis as disposições que se relacionam com a realização coactiva da prestação. Os factos relativos a cada um dos vínculos não produz efeitos relativamente aos restantes. 511° Obrigações de sujeito activo indeterminado A admissibilidade das obrigações de sujeito ainda indeterminado apenas está prevista e é admitida relativamente ao sujeito activo. ( ele tinha consciência de que não era judicialmente exigível. Há tantos vínculos quantos forem os sujeitos da relação plural (Obrigação plural conjunta) 2. Este regime decorre da regra da integração dos contratos 2390 do CC. Funciona sempre que ela tenha sido realizada espontaneamente (livre de coacção e dolo) ou. visto que a solidariedade activa ou passiva só existe se for convencionado ou resultar da lei. 1. Por exemplo: A.° 511º reconhece-se a possibilidade de obrigação se constituir validamente ainda que não fique determinado desde logo. quando o credor pode exigir de qualquer dos devedores a prestação integral e uma vez realizada por qualquer deles a todos libera perante o credor comum art. Quanto ao sujeito. 403° a 404°. Via de regra as obrigações surgem entre pessoas devidamente determinadas ou directamente identificadas ou pode haver situações em que os sujeitos da relação obrigacional não estejam determinadas. Obrigações plurais . são conjuntas quando a prestação é fixada globalmente. Se a obrigação que é plural ( passiva) não for cumprida. Duas notas típicas da solidariedade passiva: . comercial. 3.513º a conjunção é o regime regra. em relação a D.) Obrigações plurais conjuntas ou parciais. Talvez na generalidade dos casos a relação obrigacional tem um sujeito do lado activo e um sujeito do lado passivo de ambos os lados mais que um sujeito de ambos os lado ou de um sóobrigações plurais. Há uma conversão ope legis de uma obrigação natural em civil apesar de não ser judicialmente exigível ao lesado é judicialmente exigível ao autor da lesão. Se o lesado prestava alimentos no âmbito de uma obrigação natural é manifesto que está sujeito ao regime fixado no art. Na hipótese da pessoa que prestava alimentos Ter sofrido a lesão que o impeça de realizar a prestação o credor. D para obter o cumprimento integral da prestação tem que demandá-los conjuntamente na medida em que são devedores de um crédito comum. o credor desde que seja determinável sob pena de ser nula a obrigação. mas em que a cada um dos sujeitos cabe apenas uma parte do débito ou no crédito comum. 512°/1. Cada um dos sujeitos pode dispor livremente do seu direito. falamos de obrigações de sujeito indeterminado. Quando isto acontece. 1. Imputabilidade da prestação. (conjunção originária) 2. Exemplos de obrigações naturais: Incumprimento de uma obrigação prescrita. Não se admitem obrigações de sujeito passivo indeterminado ainda que determinável. Obrigações solidárias (art° 100° do C.) Artº 404º. 4. Obrigações solidárias podem sê-lo tanto do lado activo como do lado passivo. 000cts. para que exista essa imputabilidade é necessário que a obrigação apesar de não ser judicialmente exigível o devedor quis cumprir. 2. Cada vínculo depois de constituição tem vida própria e autonomia dos demais. não lhe é aplicável regime das liberalidade. Cumprimento das obrigações resultantes de jogo e apostas que não sejam reguladas por lei 1245°.

Quaisquer expressões. dois ou mais os autores da agressão. No domínio das relações civis. qualquer forma de declaração (expressa ou tácita: art. se houver responsabilidade simultânea do comitente e do comissário. nos termos do Artº 519º. um vasto campo de aplicação da solidariedade passiva. Fora da vasta zona da responsabilidade civil. mas se exigir judicialmente a um deles a totalidade ou parte da prestação. este. agentes ou representantes. na falta de qualquer exigência especial da lei. ainda que chame os outros devedores à demanda. 1 e 507º. 1 – 2ª parte 2) Quais os meios de defesa dos vários devedores perante o credor Quanto aos direitos do credor. relativamente a D. dos condutores ou dos donos dos veículos que colidiram. do Estado ou outras pessoas colectivas públicas e dos seus órgãos. por outra causa. como a insolvência ou risco de insolvência do demandado. bastarão para este regime ser aplicável à obrigação. Se forem. 1 “tem o direito de exigir de qualquer devedor toda a prestação. quando sejam vários os devedores. onde a lei civil funciona apenas como direito subsidiário. é solidária a obrigação dos vários responsáveis. pode chamar os outros devedores. fica inibido de proceder judicialmente contra os outros pelo que ao primeiro tenha exigido.1. também não foi ao ponto de exigir. apesar de a regra ser o regime da conjunção. não havendo para o efeito fórmulas sacramentais. há ainda. temos ainda que distinguir: 1) Quais os direitos do credor – Artº 518º. Em matéria de responsabilidade civil. Nos termos do nº 2 do mesmo Artº “se um dos devedores tiver qualquer meio de defesa pessoal Artº 514º . nem no lado activo nem no lado passivo da relação. Porém. nomeadamente os Arts 497º. D tem a faculdade de exigir de qualquer deles o pagamento integral dos 3. e. ou parte dela. para a sua estipulação entre as partes. ou dificuldade. Fontes da solidariedade – Artº 513º  A lei  A vontade das partes Solidariedade passiva O novo Código manteve a regra da conjunção. não fica este inibido de reclamar dos outros a prestação integral. 217º) é bastante. Há pluralidade de sujeitos corresponde uma unidade na prestação. continua a vigorar a regra da solidariedade. efeitos extintivo recíproco da satisfação dada por qualquer dos devedores do direito do credor 2. Por exemplo: A B e C são devedores de 3. uma declaração expressa. como as vulgarmente usadas: todos por um. não o liberta de efectuar a prestação por inteiro. Nos termos do Artº 518º “ao devedor solidário não é licito opor o benefício da divisão. do condutor e do dono do veículo. salvo se houver razão atendível. esta regras comporta excepções. em obter dela a prestação”. se não arvorou a solidariedade em regra. 507º. ainda que esse meio já lhe tenha sido oposto”. Porém. Dever de prestação integral que recai sobre qualquer dos devedores» Efeito extintivo recíproco da satisfação dada por qualquer dos devedores. Para a estipulação dela. que quando demandado. um pelos outros ou outras semelhantes.. Civil. quer isto dizer que o devedor . 497º. 467º e 1695º Cod. No direito comercial. quer pelo risco (Arts. qualquer deles responde pelo cumprimento integral da indemnização atribuída ao terceiro lesado. Trata-se de um direito do devedor. desde que mostrem a intenção de as partes consagrarem a solidariedade. Por outras palavras. 519º e 517º.000 cts. por força da lei. um só por todos. o regime da solidariedade vigora por força da lei no caso de pluralidade de gestores – Artº 467º.contra o credor.000 e uma vez pagos por qualquer um deles a obrigação extingue-se para todos. nem por isso se liberta da obrigação de efectuar a prestação por inteiro”. E é ainda aplicável à responsabilidade dos cônjuges pelas dívidas comunicáveis contraídas por um deles ou por ambos – Artº 1695º Efeitos da solidariedade passiva Neste caso há que distinguir: a) No plano das relações externas – Relações entre o credor e a pluralidade de devedores b) No plano das relações internas – Relações entre os vários condevedores No plano das relações externas Nas relações externas. por força do disposto no artigo 101º deste diploma. quer por factos ilícitos.1 e 2). só admitindo a solidariedade quando ela resulte da lei ou da vontade das partes (Artº 513º). contudo. por conseguinte.

segundo o qual o devedor solidário demandado pode defender-se por todos os meios que pessoalmente lhe competem ou que são comuns a todos os condevedores. Desde que o direito do credor seja satisfeito (por cumprimento. Uma das questões mais importantes suscitadas pela solidariedade consiste em saber se. a excepção de não cumprimento. sendo pessoais. e só por ele pode ser invocado. Assim os meios de defesa podem ser: 1) Meios de defesa comuns 2) Meios de defesa pessoais Em relação aos meios de defesa comuns estes são os meios que podem ser utilizados por qualquer dos condevedores. Os meios de defesa pessoais são factos que se reportam apenas a cada um dos condevedores. Assim. pode invocar este meio pessoal. consoante a natureza do facto em que assentam. novação. além de serem invocáveis apenas pelo devedor a quem respeitam. Outros efeitos: . É o caso típico da compensação. Estes meios podem referir-se à fonte de obrigação. temporariamente ou definitivamente a pretensão do credor. a obrigação extingue-se em relação a todos os devedores (Artº 523º). Nos termos do Artº 517º. estes meios. consignação em depósito ou compensação). apenas podem ser invocados pelo devedor a que diz respeito. Trata-se de factos que. ilicitude ou imoralidade do objecto ou do fim negocial. b) Prejudicar os restantes condevedores Estes.demandado não pode dizer que a obrigação não lhe pertence por inteiro (exclusão do beneficio da divisão). no caso de vícios da vontade. embora também lhes não aproveitam. mas também não prejudicar os restantes condevedores. os factos relativos a um dos devedores se repercutem na posição jurídica dos outros. É o caso da incapacidade do devedor. não libertam os outros devedores do dever de efectuarem toda a prestação. Enquanto os meios comuns atingem a relação obrigacional complexa no seu todo. Os efeitos dos meios pessoais de defesa variam. segundo o qual a prestação integral a todos (os devedores) libera. nesses aspecto. só possa operar sobre a declaração do titular do crédito compensável – Artº 848º. que sendo apenas invocável pelo devedor prescribente. onde apenas este devedor. e em que medida. da anulabilidade proveniente de qualquer vício da vontade. pela sua natureza respeite a todos os devedores. porém. São factos que liberam o devedor perante o credor. mas dos efeitos podem: a) Aproveitar os demais condevedores São meios que só podem ser opostos pelo devedor a quem se referem. Contam-se entre eles a nulidade da obrigação proveniente da falta de forma. 1. mas não em face dos outros devedores que contra ele exerçam o direito de regresso. mas uma vez invocados. da impossibilidade. É o caso da prescrição. mas não prejudicam ou outros condevedores. afastando. aproveitam a todos em face do credor. e a relação extingue-se. interessam ao regime da solidariedade é dado pelo artigo 514º. onde refere que o credor pode demandar ou não todos os devedores. só ele aproveita também. etc. só podendo ser arguindo pelo devedor a quem se referem. da não verificação da condição ou do termo que apenas se refira a um dos devedores. se torna seguidamente oponível ao credor por parte de qualquer dos condevedores – Artº 523º. dação em cumprimento. prejudicando os outros condevedores. 1. ao mesmo tempo que os prejudicam (definitiva ou temporariamente) no seu direito de regresso. 1 Modos de satisfação do direito do credor. 1 – 2ª parte. O ponto de partida para a resolução dos vários problemas que. ao funcionamento da relação obrigacional no que toca ao credor. não libera este da obrigação de regresso perante os condevedores a quem a prescrição não possa aproveitar – Artº 521º. ou a outro que. que embora. Por exemplo. a anulabilidade resultante do carácter usurário do negócio. c) Não aproveitar. este Artº refere-se à situação de listisconsórcio. É a conclusão que resultaria já da própria noção de solidariedade dada no Artº 521º. na medida em que o libertam definitivamente da obrigação. Quanto aos meios de defesa dos vários devedores perante o credor – Artº 514º. Nestes casos também só podem ser invocados pelo devedor a quem respeita. os meios pessoais atingem apenas uma das várias relações obrigacionais através das quais o credor pode exigir de cada um dos devedores a prestação integral a que tem direito.

só responde por ela o devedor ou os devedores a quem o facto seja imputável – Artº 520º.Depois dos meios comuns e pessoais de defesa. no entanto. mas apenas entre as partes. Exemplo: se A. podendo inclusive suceder que quem cumprir tenha o direito de cobrar-se por inteiro junto de um ou de alguns dos condevedores (como sucede quando o comitente. não é oponível aos restantes devedores. houver pago toda a indemnização dos danos provenientes do acidente devido ao locatário ou condutor do veículo: Artº 507º. desde que a decisão se não baseie em fundamentos que respeitem pessoalmente ao devedor demandado (como a incapacidade. não em relação a terceiros. B. a soma de 200€. quanto à indemnização. em via de regresso. dá-se aos restantes devedores a faculdade de se aproveitarem da sentença favorável proferida na acção entre um devedor e o credor comum. A terceira será a de permitir que a sentença proferida em relação a um dos devedores aproveite aos restantes (salvo quando se basear em razões pessoais do demandado). quando demandados. Quando. mas não os prejudique. e um deles (A) realizar toda a prestação devida. interessa conhecer o regime de outros factos. uma vez transitada em julgado. a da eficácia estritamente relativa do caso julgado dada a pluralidade de vínculos em que a relação obrigacional solidária do lado passivo. entre a parte desta. etc. por só ele dever suportar a prestação (caso do comissário que age culposamente e paga toda a indemnização). mas os próprios meios comuns. 2). a tenta a unidade da relação obrigacional solidária em face do credor. que não foram ouvidos em juízo. no entanto. tenham sido já invocados e apreciados na acção anterior. A lei não distingue entre a sentença condenatória e a sentença absolutória. que o caso julgado entre credor e um dos devedores. Artº 801º. Tratando-se de obrigação proveniente de contrato bilateral. Em segundo lugar. Uma consiste em considerar o caso julgado. O devedor solidário que houver satisfeito o direito do credor. quanto á outra. goza do direito de regresso contra cada um dos condevedores pela quota respectiva. o credor pode exigir a resolução do contrato. algumas excepções e necessita de ser adaptada ao condicionalismo especial de certas relações. 2) A Impossibilidade da prestação Se a prestação debitória se tornar impossível por causa não imputável a nenhum dos devedores. 500º. Esta regra comporta. haja pago toda a indemnização: Artº 500º. Na falta de convenção ou de disposição em contrário. Isto quer significar que contra a decisão favorável obtida pelo credor contra um dos devedores podem os outros opor. que podem interferir na vida da relação obrigacional solidária. Se algum dos demandados em via de regresso . ou não tenha qualquer direito de regresso. e a parte excedente: quanto à primeira. Outra será a solução oposta. sem culpa. também sem culpa. Quanto a estas. Diz-se em primeiro lugar. há que distinguir. como eficaz em relação aos outros condevedores. No plano das relações internas Direito de regresso – Artº 524º. 1) O caso julgado – Artº 522º. correspondente ao valor da prestação devida. não só os meios pessoais de defesa. um vicio de vontade. ficar-lhe-á o direito de exigir de cada um dos restantes (suposto que seja iguais as suas quotas). a impossibilidade provier de facto imputável a um ou alguns dos devedores. porém. três orientações distintas são teoricamente possíveis acerca do problema. favorável ou desfavorável ao devedor. como as obrigações solidárias. a prescrição em termos em que não aproveitem aos demais. se desdobra em relação aos obrigados. mantém-se a responsabilidade solidária de todos os devedores. e C deverem 600€ a D. adquire força de caso julgado. que sejam desiguais as quotas dos condevedores. O direito de regresso procede mesmo contra os devedores cuja obrigação estivesse prescrita em face do credor. O novo código inclinou-se abertamente no Artº 522º para a última orientação. Arts 497º. além da parte que lhe competia no débito comum. não lhes seja oponível. sem excepção dos que. a qual procederá em relação a todos os contraentes – cfr. a obrigação solidária extinguir-se-á em relação a todos eles.). relativos a um ou alguns dos devedores. 3 – ou quando o detentor da veiculo automóvel. Nada impede. 2 e 516º). porventura. A decisão proferida em qualquer acção judicial. 3. as quotas de cada um dos condevedores solidários nas relações internas presumir-se-ão iguais (cfr. 2. 2. 507º.

os seus herdeiros. respondem colectivamente pela totalidade da prestação devida. Pode resultar de uma declaração tácita. o de indivisibilidade convencional. nem ofensivo dos bons costumes. A indivisibilidade não necessita de ser estipulada por meio de cláusula expressa. isto é. Ora. A prestação necessita de preencher certos requisitos para que possa constituir objecto de uma obrigação (válida). só tem interesse nas obrigações plurais e conjuntas. sem prejuízo da sua substância ou do seu valor. enquanto a partilha da herança não se faz. cada um deles passa a responder apenas por uma quota proporcional ao seu quinhão hereditário. em princípio. e indivisível aquela cuja prestação não comporta fraccionamento. Pois sendo a obrigação singular é. que tem por base a divisibilidade ou indivisibilidade da prestação reveste acentuado interesse quanto as obrigações com pluralidade de sujeitos. a menos que o credor consista no cumprimento parcial. A indivisibilidade nasce da estipulação das partes quando. A distinção. AULAS ATÉ AQUI 2008-06-06 Quanto ao objecto Obrigações divisíveis e indivisíveis – Arts 534º a 538 Obrigações específicas e genéricas – Arts 539º a 542º Obrigações cumulativas.estiver insolvente. é indivisível a obrigação contraída pelo empreiteiro de realizar certa obra no prédio pertencente a vários coproprietários. b) Não seja contrário à lei ou à ordem pública. à que é imposta pelas partes.Artº 515º. a prestação é indivisível. dá-se o nome de indivisibilidade legal. Obrigações divisíveis e indivisíveis – Arts 534º a 538º Diz-se divisível a obrigação cuja prestação é susceptível de fraccionamento sem prejuízo do seu valor proporcional. . os interessados convencionam que ela se não divida. o comportamento (positivo ou negativo) a que o devedor se encontra adstrito por força do vínculo obrigacional. será a sua quota repartida entre todos os outros. 1. No caso de falecimento de algum dos devedores solidários. c) Seja determinável Para além dos requisitos do Artº 280º. tem sempre de ser feita integralmente e não por partes – Artº 763º. 2) Que o valor de cada uma das prestações parciais seja proporcional ao valor do todo. B e C de entregarem 600€ a D. A própria lei pode também estabelecer a indivisibilidade da coisa (que se reflecte depois na indivisibilidade da prestação) por motivos de vária ordem. temos que atender também aos requisitos dos Arts 398º a 401º. indiferente que ela seja divisível ou indivisível. na medida em que a prestação. À indivisibilidade prescrita por lei. sendo a prestação perfeitamente fraccionavél. são necessários dois requisitos: 1) Que ela possa ser fraccionada ou repartida em prestações. se estiver implicitamente pressuposta nos fins que os interessados se propõem alcançar com o negócio. ou não puder por outro motivo cumprir. ainda que sejam vários os credores ou os devedores. qualitativamente homogéneas entre si e em relação ao todo. para que haja negócio jurídico válido. sem excluir o próprio titular do direito de regresso nem os devedores a quem o credor haja liberado da obrigação ou do vínculo da solidariedade – Artº 526. alternativas e com faculdade alternativa – Arts 543º a 549º  Obrigações pecuniárias – Arts 550º a 561º  Obrigação de indemnização – Arts 562º a 572º  Obrigação de informação e de apresentação de coisas ou documentos – Arts 573º a 576º O objecto da relação é a prestação debitória. Depois da partilha. exige o Artº 280º que o seu objecto: a) Seja física e legalmente possível. Para que a prestação debitória seja naturalmente divisível. como indivisível é a respectiva obrigação. Pode assim dizer-se que a obrigação é naturalmente indivisível. quando a sua prestação não pode ser fraccionada ou repartida sem prejuízo da sua substância ou do seu valor. se não for tomada qualquer das deliberações previstas no Artº 2098º . Faltando este duplo requisito. É divisível a obrigação assumida por A.

o credor poderá ainda exigir a prestação dos restantes obrigados. enquanto não for citado judicialmente. b) Não seria justo que eles. só pode exonerarse efectuando a prestação a todos os credores. No caso de a prestação se tornar impossível por facto imputável a um ou alguns dos devedores. sendo essa quota determinada em proporção do seu número. por inteiro de um só deles. vigora o princípio de que cada um dos obrigados responde apenas pela quota que lhe pertence no debito comum (conjunção). Pois não há entre os devedores nenhum vínculo de solidariedade. A solução justifica-se por uma dupla razão: a) Não é possível. confusão. Quando assim seja. Pode. o primeiro problema que se coloca é o de saber em que termos pode o credor reclamar a prestação. Relações internas Nas relações entre os vários devedores (indivisibilidade da prestação com pluralidade passiva). A lei optou por uma destas soluções híbridas. não se livra de ter de cumprir de novo perante qualquer dos outros – Artº 538º. em determinados aspectos. Deste modo. Dá-se a qualquer dos credores o direito de. sofressem indirectamente o prejuízo resultante da exoneração dos outros devedores. dada a indivisibilidade da prestação. Sendo uma obrigação indivisível e havendo vários devedores.Mas se a obrigação se extinguir apenas em relação a um ou alguns dos devedores (por remissão. duas soluções se concebem quanto à questão básica suscitada pelo seu regime: uma será a de reconhecer a cada credor o poder de. a obrigação extingue-se em relação a todos os outros devedores. Pluralidade de credores Sendo vários os credores da prestação. o problema circunscreve-se à seguinte alternativa: ter o credor de reclamar de todos os devedores a prestação devida ou poder exigi-la. o credor pode exigir o cumprimento da obrigação. a de estabelecer que só em conjunto os credores a possam exigir. dizer-se que o regime da indivisibilidade deve partir do regime geral da conjunção e aceitar as modificações impostas pelo carácter indivisível da prestação. 865º e 870º. outra. na . pois a tal se opõe o carácter indivisível da prestação debitória. exigir a prestação. e a injunção seria clamorosa nos caos em que a exoneração proviesse de qualquer forma de satisfação do crédito.Regime das obrigações indivisíveis no regime de obrigações plurais: Relações externas – Pluralidade de devedores O regime das obrigações indivisíveis é muito discutido entre autores e varia. antes de alguns deles exigir o cumprimento coercivo. só interpelando todos os devedores. por meio de cumprimento. o carácter independente das várias obrigações dá como resultado que todos os outros devedores ficam exonerados. prescrição. nos termos do Artº 535º. A lei. dação em cumprimento. O facto de cada um dos credores poder. não significa que a obrigação seja solidária. todavia. Diferente é o caso de um devedor satisfazer espontaneamente a obrigação. no Artº 538º. mesmo que a prestação tenha por objecto coisa que esteja em pode de um deles. exigir a prestação por inteiro. cumpram apenas em parte. só por si. no plano das relações externas. Mas o devedor. salvo se este resultar da lei ou da estipulação das partes: nesse caso já o credor pode exigir a prestação de qualquer dos devedores. por si só. exigir judicialmente o cumprimento. mas entregando-lhes o valor da parte que competiria aos devedores exonerados – Arts 536º. mas para que a prestação seja efectuada a todos. de legislação para legislação. ou que qualquer deles o possa fazer. realizando a prestação integral. nem muito menos que os factos relativos a um ou alguns deles se reflictam necessariamente sobre os outros. por si só. enquanto o culpado ou culpados respondem pelo valor integral da coisa e pelos danos restantes que haja de ser indemnizados – Artº 537º. 1 aceitou a primeira solução. compensação ou novação. Além do prescrito na lei. dação em cumprimento ou novação). Uma solução está afastada por natureza: a de o credor poder exigir de cada um dos obrigados uma quota da prestação total. se assim não o fizer. ou seja. e do que a seguir se dirá quanto à impossibilidade da prestação. resulta no nº 2 do mesmo Artº que o caso julgado desfavorável a um dos credores não é oponível aos restantes. quanto à necessidade de satisfação conjunta dos vários credores. que os devedores cuja obrigação se manteve.

Se algum dos devedores realizar a prestação (indivisível) devida. em prejuízo do credor. é ao devedor (e não ao tribunal) que a escolha passa a competir – Artº 542º. As obrigações genéricas suscitam algumas questões especiais. expedidor ou receptor da coisa – Artº 541. A determinação do objecto da obrigação genérica pressupõe uma operação de escolha. nos termos do Artº 790º. e ele a não fizer dentro do prazo convencionado ou dentro do prazo que para o efeito lhe for fixado. na falta de estipulação em contrário. sem o concurso dos outros terá o direito de exigir de cada um deles o que lhe compete na responsabilidade comum. e precisa de ser declarada a ambas as partes. porém. por virtude da indeterminação do seu objecto. Diz-se genérica a obrigação cujo objecto está apenas determinado pelo seu género (mediante a indicação das notas ou características que o distinguem) e pela sua quantidade: a compra de 50 litros de azeite. e já não qualquer outra do mesmo género. A primeira questão é a de saber como se faz a concentração da obrigação: a concretização. a extinção parcial do género. As relações entre os vários credores assentam sobre o princípio paralelo de que cada um dele tem apenas direito à sua quota-parte no crédito comum – parte determinada segundo os mesmos critérios que procedem quanto à pluralidade de devedores. individualização ou determinação do objecto da prestação debitória do género respectivo. 2. Regime das obrigações genéricas: A concentração da obrigação As obrigações específicas estão sujeitas ao regime geral das obrigações. a prestação devida. coisas da melhor qualidade. a realização da escolha. se outros critérios não tiverem sido estipulados. fica constituído na obrigação de entregar a cada um dos outros a sua parte. ficam todos exonerados. a escolha necessita de ser notificada ao devedor. O credor que tenha recebido por si só. Obrigações específicas e genéricas – Arts 539º a 542º Diz-se específica a obrigação cujo objecto mediato é individual ou concretamente fixado: a entrega do automóvel comprado.  Acordo das partes – O acordo ou convenção das partes sobre a concentração pressupõe normalmente a escolha ou a especificação da coisa. a mora do credor e a entrega ao transportador. o devedor não saberia que coisas lhe podiam ser exigidas. como a lei exige. a permitir que eles exerçam sobre a coisa o seu direito de contitulares. 1. nem o credor pode exigir. que passa de obrigação genérica a obrigação específica. nos termos do Artº 537º. A concentração do objecto da prestação representa um momento capital na vida da obrigação. O obrigado passa a dever doravante apenas a coisa determinada dentro do género. Se a prestação se tornar impossível. Cabendo a escolha ao credor. diz o Artº 541º “quando o género se extinguir a ponto de restar apenas uma das coisas nele compreendidas” . Civil. nos termos do Artº 400º. e revele a intenção séria de as partes se vincularem juridicamente. Obedecer à equidade significa. se este a não fizer dentro do prazo estipulado ou daquele que o devedor razoavelmente fixar para o efeito. A escolha. em detrimento da outra parte. coisas da pior qualidade. quando as coisas compreendidas no género fixado não têm todas a mesma qualidade ou se presume que a não tenham. praticamente. conter o mínimo de notas necessárias para que o seu objecto seja determinável. por facto imputável a algum ou alguns dos devedores. São quatro as causas da concentração previstas na lei: o acordo das partes.  Extinção parcial do género – A obrigação também se concentra. deve ser feita segundo juízos de equidade. que nem o devedor pode entregar. para que a prestação se concentre em determinado objecto. compete ao devedor – Artº 539º: mas as partes têm a faculdade de confia-la a qualquer delas ou a terceiro – Artº 400º. Nem sempre basta. nem o credor com que coisas poderia contar. Se a escolha pertencer ao devedor ou terceiro. quando realizada pelo credor. Em qualquer dos casos prescreve a lei. quando efectuada por terceiro.falta de disposição legal ou estipulação negocial em contrário. porém. A definição do género da prestação há-de. essa escolha passará a competir ao tribunal. Para ser eficaz. 2 Cod. Se for por facto imputável ao credor. ou não sendo isso possível. De contrário. ficam os outros exonerados. sendo demandado o devedor culpado nos termos dos Arts 798º e segts.

não é o simples facto de perecerem certas coisas dentro do género estipulado que permite ao devedor considerar-se exonerado. e de que o domínio nas obrigações genéricas só se transfere com a concentração da obrigação – Arts 1317º. O problema do risco consiste em saber por conta de quem corre o prejuízo resultante do perecimento da coisa. o prejuízo corre por conta do credor (adquirente). Para tal. se ligam imediatamente ao facto objectivo da extinção parcial do género. mesmo que se trate de prestação que deva ser levada ao credor. Enquanto houver coisas dentro do género fixado. perdendo o direito ao preço correspondente. Às obrigações que compreendem mais de uma prestação. quando pereça todo o género estipulado (toda a colheita em que as garrafas ou as pipas deveriam ser escolhidas. se por hipótese o tiver já recebido. al. se a coisa perece antes da concentração. a pintura de uma casa. visto já não ser possível escolher outra. apesar disso. ou seja.São as obrigações que compreendem também duas ou mais prestações. a obrigação têm-se por concentrada a partir do momento da oferta da prestação. ser ele quem haja de suportar o prejuízo. O problema do risco A referência à possibilidade de extinção do género traz desde logo à superfície o problema da exoneração do devedor neste tipo de obrigações. e não qualquer outra das primitivamente compreendidas no vínculo. A concentração da obrigação e consequente transmissão do domínio e a transferência do risco são efeitos ex lege que.  Mora do credor – O Artº 541º do Cod. quer exonerado por ter desaparecido todo o género em que a prestação deveria ser concretizada. ou terá de paga-lo se ainda o não tiver feito. há um incêndio ou uma inundação que destrói nove delas: a obrigação concentrou-se na restante. Mas muitas vezes sucede também. dentro do género estipulado. .Exemplo: O lavrador vendeu uma das dez pipas da sua adega. ele continua adstrito ao vínculo obrigacional – Artº 540º. ou restituindo. várias prestações. O lavrador passa a dever apenas aquela pipa que se salvou. Exoneração do devedor. dá-se o nome de obrigações alternativas ou disjuntivas – Artº 543º. e prejuízo corre por conta do devedor. os princípios fundamentais aplicáveis à matéria são os de que o risco corre por conta do proprietário – Artº 796º. uma só prestação: Ex. que não poderá exigir a restituição do preço. quer ele continue ainda vinculado. e com faculdade alternativa – Arts 543º a 549º Obrigações cumulativas – A obrigação tem por objecto. háde o devedor oferecer a prestação da coisa escolhida ao credor. se extinguir todo o género dentro do qual a prestação está compreendida. entanto a obrigação não se concentra. ao momento em que a obrigação genérica se converte em verdadeira obrigação específica. Civil não se satisfaz com a notificação da escolha. alternativas. Exemplo: A vende a B um dos dois automóveis que possui. Só poderá considerar-se exonerado quando. se as não fizer no tempo devido. em termos de o devedor só se liberar mediante a realização (conjunta) de uma e outra. segundo o texto e o espírito do Artº 541º. sem culpa sua. com efeito. mesmo que as coisas perecidas ou inutilizadas sejam aquelas com que o devedor pensava cumprir. Se a obrigação for cumulativa. o credor pode legitimamente recusar-se a receber uma só prestação. é a questão do risco. Distinta do problema da exoneração do devedor. em regra. recusando-se este a recebe-la ou a dar a respectiva quitação. Pode. daquela que vier a ser determinada por escolha. mas o cumprimento fixa-se apenas em uma delas. passando de genérica a específica. dá-se o nome de obrigações cumulativas ou conjuntivas. ter-se o devedor por desonerado. na falta de acordo. nos termos do Artº 540º. que a obrigação engloba mais de uma prestação: A obriga-se a pintar uma casa e a colocar nela algumas janelas. por exemplo) e. Se o perecimento da coisa é posterior à concentração. a) e 408º. mas em que o devedor se libera mediante a realização de uma só. Obrigações alternativas – Artº 543º . Às obrigações em que o devedor fica adstrito a uma de duas ou mais prestações. Ora. portas ou armários novos. O vínculo abrange. Com efeito. Por conseguinte. Obrigações cumulativas. assim. consoante a escolha que vier a ser efectuada. à escolha do credor. devido a causo fortuito ou de força maior. sendo o devedor que incorre em mora quanto a ambas. exigindo o acordo do credor ou que este seja colocado em mora.

terá que pedir a condenação daquele em alternativa. nas últimas têm apenas em vista o género mais ou menos amplo em que a prestação se integra. De um modo geral. que serve para distinguir das obrigações genéricas não só as obrigações alternativas como as obrigações cumulativas. a que serve igualmente qualquer das prestações. e por isso se reserva a faculdade de escolher qual delas haja de efectuar. Se o credor a não fizer dentro do prazo estabelecido. que são ainda de algum modo incertos no momento em que a obrigação se constitui. Se a escolha competir ao devedor. Civil Impossibilidade superveniente 1) Por causa não imputável às partes – Artº 545º Cod. à indeterminação inicial da prestação. como ser atribuída a terceiro. Civil. Uma vez efectuada. a disjunção reduz-se às prestações possíveis. A escolha tanto pode ser feita por declaração expressa. A solução é proclamada expressamente para o caso de a opção competir ao credor ou a terceiro. ou dentro do prazo que o devedor lhe fixar para o efeito (sem necessidade de recurso. Regime das obrigações alternativas: A escolha A escolha é o acto de opção ou selecção. será aplicável ao caso os regime fixado para a impossibilidade (total) superveniente da prestação nas obrigações simples – Arts 790 e segts e 801º e segts. por qualquer razão. as qualidades características e comuns das múltiplas prestações em que a obrigação se pode concentrar no momento do cumprimento. e o credor tiver que recorrer aos tribunais para obter o cumprimento judicial da obrigação. A escolha. 2 Cod. por meio do qual se opera. pode dizer-se que a obrigação alternativa procura compor interesses futuros. aos tribunais). Civil Se todas as prestações compreendidas no vínculo se tornarem impossíveis após a constituição da obrigação. A escolha converte o estado provisório de pluralidade disjuntiva dos objectos da obrigação na unicidade do objecto próprio das obrigações simples. destinada a fixar a prestação. outras vezes. é sempre o mesmo. que apenas atendem aos caracteres comuns do género (mais ou menos limitado) em que elas se integram. sem saber qual. a obrigação é genérica. O critério aplicável a esses casos. sempre que as partes tenham em vista as características individuais de cada uma das várias prestações compreendidas na obrigação. pondo assim termo. não são individualmente representadas pelas partes.Arts 400º. as partes têm em vista os diversos objectos da obrigação na sua individualidade própria. a concentração da obrigação numa das prestações em alternativa a que o devedor se encontra adstrito. consoante os casos. devolver-se-á ao tribunal – Artº 400º.Várias situações podem determinar a dilação da escolha ditada por lei ou estipulada pelas partes. que deseja precaver-se contra o risco de uma delas se tornar impossível. Civil. não tiver sido feita no tempo devido. Na falta de convenção ou disposição legal em contrário. como por declaração tácita. Se as várias prestações possíveis. e não as considerem como meros exemplares ou unidades indiferenciadas do género a que pertencem. 1 Cod. explicando a necessidade prática das obrigações alternativas. dentro do objecto da obrigação. Umas vezes é o credor. A atribuição do poder de escolha reflecte-se nos efeitos da impossibilidade superveniente de uma ou de algumas das prestações em alternativa. as obrigações alternativas distinguem-se facilmente das obrigações genéricas. 2. nos termos dos Arts 549º e 542º. Será alternativa ou cumulativa. Sendo feita por terceiro. é o devedor que prevê não lhe ser possível ou conveniente efectuar uma das prestações. se esta não puder ser feita ou. Cod. a escolha passa a pertencer ao devedor – Arts 549º e 542º. a escolha necessita. seja o credor). O poder de escolha tanto pode pertencer a uma das partes (seja o devedor. assegurando o cumprimento da outra. nos termos aplicáveis às declarações de vontade em geral – Artº 217º. é ao devedor que a escolha compete – Artº 543º. de ser declarada a ambas as partes. visto lhe não ser licito modificar os termos em que o réu se encontra obrigado – Artº 548º Cod. em regra. se a impossibilidade provier de causa não imputável ás partes e se der antes de a escolha estar feita. 1. Se a escolha for atribuída a terceiro. como ser atribuído a terceiro . e ao devedor no segundo. . para ser eficaz. tanto pode competir a uma das partes (seja ao credor seja ao devedor). Nas primeiras. a escolha torna-se irrevogável. 2. Medida paralela estabelece a lei ainda para a hipótese inversa (de a escolha competir ao credor). 543º e 549º. Civil. ou pelo credor. Em teoria. naquilo que as distingue umas das outras. Quando assim seja. no primeiro caso.

Exemplo: . visto serem as obrigações pecuniárias a modalidade mais frequente das obrigações quanto ao objecto.Noção. O dinheiro consiste nas coisas que são utilizadas como meio geral de pagamento das dívidas. concede ao credor a faculdade de optar entre qualquer das prestações possíveis e a indemnização pelos danos provenientes de não ser efectuada a prestação que se tornou impossível. para o cálculo das espécies que devem ser entregues. quando o devedor ou o credor para tal hajam contribuído. no fundo. mandando efectuar o pagamento em moeda corrente. visa proporcionar ao credor o valor que as respectivas espécies possuam como tais. como se o culpado tivesse escolhido a prestação cuja realização se tornou impossível. Obrigações pecuniárias – Arts 550º a 558º 1 . sem necessidade do consentimento do credor. se nada for estipulado. a) Obrigações de quantidade ou soma – Artº 550º Nas generalidades das obrigações pecuniárias. Por outro lado. em termos gerais. e atendendo. no Artº 550º. Exemplo: O bibliófilo coleccionador vende a um amigo um exemplar de certa obra de data muito antiga. a faculdade de escolherem o regime que melhor lhes aprouver na determinação do objecto da prestação (salvo disposição em contrário). Civil Neste caso. se o devedor optar por ela. o problema fundamental que suscita o cumprimento das obrigações de quantidade (obrigações pecuniárias) não é difícil de formular. Trata-se das chamadas obrigações de soma ou quantidade (obrigações de dinheiro). Isto equivale.2) Por causa imputável ao devedor – Artº 546º Cod. esta se tornasse em seguida impossível por culpa do obrigado. ao valor nominal da moeda na data do cumprimento. entregar um outro exemplar de edição mais recente. quando a obrigação tenha origem contratual. substituindo a sua realização pela indemnização pecuniária correspondente. em lugar desse. reconhece-se às partes. O credor não pode exigir a prestação alternativa. Obrigações com faculdade alternativa – A obrigação com faculdade alternativa é a que tem por objecto uma só prestação. (≠ do Artº 837º . a obrigação tem-se também por cumprida. mas reserva-se a faculdade de. Pertencendo a escolha ao devedor. consagra-se como regra o princípio nominalista. de harmonia com o princípio da autonomia privada. como o credor teria o direito de resolver o contrato. se. este Artº considera cumprida a obrigação. dolosa ou culposamente. salvo estipulação em contrário”. A resposta à questão básica das obrigações de quantidade vem dada. mas em que o devedor tem a faculdade de se desonerar mediante a realização de uma outra. que diz o seguinte “o cumprimento das obrigações pecuniárias faz-se em moeda que tenha curso legal no país à data em que for efectuado e pelo valor nominal que a moeda nesse momento tiver. Os efeitos da impossibilidade variam nesse caso. consoante a ocorrência seja imputável ao devedor ou ao credor. Civil A impossibilidade pode derivar de uma causa imputável ás partes. e ainda de acordo com a titularidade da escolha. a lei. Por um lado. ao lado daquela opção. O Artº 546º leva este pensamento até ao limite das suas lógicas consequências. não pode bens de consumo. Por um lado. sob pena de incorrer em mora. 3) Por causa imputável ao credor – Artº 547º Cod. Diz-se pecuniária a obrigação que. sem concretizarem o tipo das espécies monetárias em que o cumprimento haja de ser efectuado. concede-se-lhe ainda a faculdade de resolução do negócio. que revestem uma importância prática extraordinária. Sendo a prestação pecuniária constituída. e constituírem as obrigações de soma ou quantidade o tipo de longe mais corrente entre as obrigações pecuniárias. Por outro lado. na falta de estipulação das partes.dação em cumprimento – que necessita do consentimento do credor). mas por espécies simbólicas ou convencionais que são um simples instrumento geral de trocas. o tribunal ou as partes indicam apenas a soma ou quantidade que deve ser paga. mas terá de aceita-la. embora de melhor aspecto gráfico. a manter o seu pode de escolha quanto à prestação possível. tendo optado por uma das prestações. tendo por objecto uma prestação em dinheiro.

mediante a entrega da quantidade de espécies monetárias correntes (notas ou moedas de trocos. ou quando (tratando-se de sociedades) têm sede em diferentes Estados. d) Mandam também actualizar as doações em dinheiro sujeitas à colação. Excepções ao princípio nominalista: Há casos. para escolherem os meios de pagamento menos expostos à usura do tempo. mas a prestação correspondente ao valor de certa coisa ou ao custo real e mutável de determinado objectivo. Trata-se de dívidas que não têm directamente por objecto o dinheiro. o tribunal pode. quando os contraentes têm nacionalidades diferentes. a relação existente na data em que a obrigação se constituiu”. E são relativamente frequentes. em que a própria lei (independentemente de qualquer estipulação das partes) se afasta do princípio nominalista. nos casos em que seja excepcionalmente permitida ou ordenada. permitiram manter algum tempo a elevação das rendas dos prédios urbanos. correspondente à soma devida. por isso mesmo. e a que. conceder a indemnização sob a forma de uma renda vitalícia ou temporária – Artº 567º. b) Obrigações de moeda específica – Artº 552º e segts Nem sempre as partes se limitam. querem acautelar-se contra o risco de desvalorização (cambiária) de uma moeda instável. por exemplo. é o caso da indemnização. dentro dos limites para estas legalmente fixados). para ser apenas a medida do valor de outras cosas ou serviços. no momento em que a divida se constituiu. como se processa a actualização das prestações pecuniárias. 3. c) Obrigações valutárias ou em moeda estrangeira – Artº 558º Dizem-se valutárias as obrigações cujo cumprimento se estipula que seja feito em moeda estrangeira. Entre nós. O intuito de se precaverem contra a tendência natural de desvalorização da moeda. leva os interessados a convencionarem por vezes o género de moeda em que o cumprimento deve ser efectuado. Termos em que se processa a actualização: Resta saber. porém. O cumprimento da obrigação pecuniária deve fazer-se. o caso do direito à legítima. atender ao “índices dos preços. O Artº 551º manda nesses casos à falta de outro critério legal. sendo o dinheiro apenas um pornto de referencia ou um meio necessário de liquidação da prestação. quando integrada em dinheiro. podem citar-se. . Será. mandando actualizar a prestação ou permitindo que a actualização se faça em determinados termos. b) Os Arts 1104º e segts. se dá usualmente o nome de obrigações em moeda estrangeira. quanto ao montante da prestação fixado judicialmente o estipulado pelas partes. a requerimento do lesado. sem se fixar o seu coeficiente. mediante a revisão periódica do rendimento colectável obtida através da nova avaliação fiscal do prédio. na obrigação pecuniária. por conseguinte. além de outros. bem como os encargos em dinheiro que as oneram e forem cumpridos pelo donatário – Artº 2109º. seja qual for o coeficiente da valorização ou desvalorização que a moeda tenha sofrido no intervalo que medeia entre a constituição e o cumprimento da obrigação. no sentido oposto ao princípio nominalista. ou uma delas. a fixar a soma ou quantia devida. O dinheiro deixa de ser nelas um instrumento geral de trocas.Quem ficou a dever 10. entre a prestação e a quantidade de mercadorias a que ela equivale. recorrendo a uma moeda tida como mais forte ou segura nas relações monetárias. sobretudo quando as partes. às quais não seria aplicável o princípio nominalista. c) A obrigação de alimentar é daquelas cuja finalidade mais impõe o princípio da actualização. A cláusula tem interesse prático. os seguintes exemplos: a) Sempre que o dano ilicitamente causado a alguém revista carácter continuado. sobretudo nas prestações (periódicas ou não) a longo prazo. de modo a restabelecer. O problema está apenas em saber se o devedor pode ou não cumprir com moeda nacional. Nesse sentido providencia o Artº 2012º. quando a reconstituição natural (a reparação em espécie) não seja possível. Dívidas de valor – Há uma forte e compreensível tendência na doutrina para destacar ainda do comum das obrigações pecuniárias as chamadas dívidas de valor. desonera-se entregando outras 10 unidades.

que deve entender-se por juros? Que são os juros? Os juros são os frutos civis. A lei (Artº 558º. sem deixar de considerar o interesse fundamental do credor. como efeito fundamental da operação (a transmissão da titularidade do crédito). ao adquirente do crédito. Nessa altura.O termo cessão tanto designa o acto (contrato) realizado entre cedente e cessionário. O fenómeno é sobretudo frequente no contrato de mútuo. como fixou a taxa dos juros legais. por outras palavras. no entanto. que é o de garantir a aquisição de certo valor e não. além da soma devida. Obrigações de juros – Arts 559º e segts. sendo o seu montante em regra previamente determinado como uma fracção do capital correspondente ao tempo da sua utilização. independentemente do consentimento do devedor. O Código vigente não só estabeleceu os limites máximos que separam o mútuo oneroso (lícito) dos negócios usurários. segundo o disposto no artigo 1145º. por imperativo legal inspirado em razões de moralidade pública. desde que ela não tinha sido excluída pelos próprios interessados. sucessor do credor na titularidade do direito. que são: a) o valor do capital devido. que é o coeficiente do rendimento ou da remuneração do capital. como o contrato pelo qual o credor transmite a terceiro. é o direito de exigir. b) o tempo durante o qual se mantém a privação deste por parte do credor. A nota mais destacada na noção legal da cessão de créditos – Artº 577º é a de a mudança de credor por ela operada prescindir do consentimento do devedor. Nota: Além das obrigações de juros há outra obrigação que é a obrigação de indemnizar – Arts 562º e segts Capítulo II – Transmissão das obrigações Transmissão de créditos 1 . O seu montante varia em função de três factores. nos termos do Artº 577º. a indemnização corresponde aos juros a contar do dia da constituição em mora». c) a taxa de remuneração fixada por lei ou estipulada pelas partes. 1) reconhece ao devedor essa faculdade (obrigação com faculdade alternativa). propriamente. o devedor terá mesmo que cumprir em moeda nacional. salva a possibilidade de alteração por acordo das partes. a totalidade ou uma parte do seu crédito. as partes fixam em regra a sua taxa. e ao devedor do crédito transmitido. na fixação dessa taxa. onde. de acordo com as regras gerais. Regime jurídico: a) Requisitos de validade atinentes à causa de cessão . Pode. A cada passo as partes incluem nas suas convenções negociais a cláusula de que certa soma vence juros. diz o nº 1 desse preceito. nada autoriza o credor a optar pelo câmbio no dia do vencimento: o que ele terá. A solução que aí aparece como uma faculdade ou alternativa concedida ao devedor valerá então como solução obrigatória. São.Cessão de créditos – Arts 577º a 588º Cod.pagando em euros. suceder que os contraentes tenham recorrido à moeda estrangeira apenas como moeda de cálculo (do montante da dívida) e não como moeda de pagamento. Taxa de juros: Quando estipulam o pagamento de juros. ao definir os efeitos da mora nas obrigações pecuniárias. Ao credor. por determinado período de tempo (usualmente um ano). os danos moratórios correspondentes. Civil A cessão de créditos pode ser definida. o de receber determinada moeda. Ora. a compensação que o obrigado deve pela utilização temporária de certo capital. A taxa exprime-se normalmente numa percentagem sobre o capital. Se o devedor incorrer em mora. que representam o rendimento de uma obrigação de capital. 1. O que as partes não podem. é exceder certos limites. chama-se devedor cedido. chama-se cedente. constituídos por coisas fungíveis. Atende-se deste modo à dificuldade que o devedor pode ter na obtenção da moeda estrangeira estipulada. «partes podem convencionar o pagamento de juros como retribuição do mútuo». como sucede com o artigo 806º. Outras vezes é a própria lei que impõe a obrigação de pagar juros. dá-se o nome de cessionário. calculando-se a moeda nacional devida segundo o câmbio do dia do cumprimento e do lugar para este estabelecido. que transmite o crédito a outrem. cujo montante se determinara nos termos do Artº 558º. «Na obrigação pecuniária. a qual vale supletivamente para os próprios juros voluntários (estipulados sem determinação de taxa ou quantitativo).

obstáculo à transmissão do crédito. chegando-se mesmo a ponto de prescindir da notificação se o devedor aceitar a cessão. de acordo com a prescrição do nº 1 do Artº 578. considera-se que o devedor cumpriu e está exonerado. consoante as circunstâncias de cada caso. não pode ser renunciado ou cedido. relativamente à capacidade. 1. Por um lado. . 2 estabelece que se porventura o devedor cumprir perante o antigo credor antes de ter sido notificado da cessão. o devedor teve conhecimento da cessão. Assim. outros são comuns a todos os contratos de cessão. em que a prestação debitória. visto o poder de disposição ser um atributo à generalidade dos direitos de carácter patrimonial. O Artº 583º. ambas elas inspiradas no mesmo pensamento básico. Civil e não sejam privativos dos negócios unilaterais). que segundo. de ter declarado que aceitava. o preceituado no Artº 2008º. Por outro lado. Essa notificação não está sujeita a nenhuma forma especial. nos termos admitidos pelo Artº 577º. por respeitarem à transmissão do direito de crédito. Também a lei proíbe a cessão daqueles direitos de crédito cuja constituição se encontra de tal modo ligada à ideia da satisfação directa das necessidades pessoais do credor. A sanção cominada na lei para a violação da proibição estabelecida continua a ser a nulidade da operação. variam consoante o tipo de negócio que lhe serve de base. ou conhecimento dela por parte do devedor cedido Por fim. porém. Há. b) Requisitos específicos da transmissão do crédito 1) Credibilidade do direito Em princípio todos os créditos são transmissíveis. portanto. É a esses casos que pretende referir-se a parte final do nº 1 do Artº 577º. Trata-se. no entanto. se a transmissão do crédito for uma compra e venda. esse cumprimento extingue a obrigação e. o que significa que se pode ceder um crédito sem a concordância do devedor. o Artº 577º. devem considerar-se aplicáveis à cessão de créditos. ao lado de outros especial ou restritamente aplicáveis a cada um dos contratos em particular regulados os Arts 874 e segts. Nem sequer a recusa do devedor constitui. 3) Notificação ou aceitação da cessão. às regras válidas para o comum dos negócios haverá então que aditar as regras especificas da compra e venda. nos termos do Artº 577º. que a cessão só é eficaz face ao devedor se lhe for feita a notificação correspondente – Artº 583º. como a própria negociabilidade da sua cedência. Assim sucede com o direito de alimentos. o Artº 581º comporta algumas excepções. que seria manifestamente desrazoável impor ao devedor. designadamente nos contratos de prestação de serviços e no contrato de trabalho. duas ordens de excepções à regra da livre cedibilidade. que se desvia do modelo clássico da nulidade nos dois pontos focados pelo Artº 580º: a nulidade não é invocável pelo cessionário e não dispensa este da obrigação de reparar os danos que tenha causado. Tanto uns como outros. Uns. por outra via qualquer. 2) Carácter não litigioso do direito. salvo se o novo credor conseguir provar que. no entanto de uma nulidade mista. que seria ilógica. Em relação ao primeiro núcleo. que é base constante de todos aqueles contratos. no que respeita aos direitos de crédito. não só a sua transmissão para terceiro. ou antes. nos termos do Artº 579º. Contudo. a sua vinculação perante uma outra pessoa. por sua natureza. poder de disposição.A validade da cessão depende da verificação de certos requisitos. Sucede. há bastantes casos. exceptua-se da faculdade conferida ao credor pelo Artº 577º os direitos cuja cessão seja interdita por lei ou por convenção das partes. sabe-se que há requisitos comuns aos vários contratos (os que são regulados na parte geral do Cod. permite a cessão do crédito independentemente do consentimento do devedor. se encontra de tal modo ligada à pessoa concreta do credor. quanto a determinadas pessoas A regra da livre cedibilidade dos créditos (não inseparáveis da pessoa do credor) sofre uma séria limitação no tocante aos direitos que tenham sido contestados em juízo contencioso (créditos litigiosos). seja qual for a sua causa. disponibilidade relativa dos contraentes ou forma do contrato.

É por mero efeito do contrato que o cessionário adquire o poder de exigir a prestação. o devedor. a duas ou mais pessoas. ou depois de ter tido conhecimento dela. um crédito de conteúdo igual ao anterior). A opinião mais comum é que o conhecimento em geral é sempre um requisito de eficácia e. Apenas sucede que o cedente será obrigado a restituir ao cessionário aquilo que indevidamente recebeu. c) Efeitos 1) Transmissão do direito à prestação. o Artº 584º concede prevalência sobre as demais à cessão que primeiro for notificada ao devedor ou que este primeiro tiver aceitado.Quando o devedor é exonerado por ter cumprido perante o antigo credor. ao mesmo tempo que o cedente o perde. é discutível se a notificação da cessão ao devedor é um requisito de existência da própria cessão ou se é apenas um requisito de eficácia dessa cessão perante o terceiro (devedor). Entre as garantias que acompanham o crédito destacam-se a hipoteca. entende-se que neste caso a notificação é também um requisito de eficácia. o penhor e a fiança. segundo a intenção das partes. nos termos e com as limitações próprias do enriquecimento sem causa – Arts 476º segts. Os acessórios seguem. o cessionário pode exigir do cedente aquilo com que ele se enriqueceu. salvo convenção em contrário. juntamente com o direito à prestação debitória. o pagamento não deixará de ser válido. Perante os outros cessionários. acessão que prevalece. em seu nome e no seu próprio interesse. 1 e 2. nos termos do Artº 584º. visto a lei não exigir – Artº 219º. o devedor pagar ao cedente. tem por efeito imediato a transmissão do crédito. transmitem-se para o adquirente. em princípio. em homenagem á boa-fé do devedor (Artº 583º. o pagamento já não extinguirá a obrigação – Artº 77º. Se o primitivo credor ceder sucessivamente o mesmo direito a duas ou mais pessoas. portanto. mas o cedente responderá pelos danos que tiver causado ao cessionário. o cessionário deve notificar. o cedente responderá ou por ter ilicitamente disposto do direito deles ou por ter cedido direito alheio. 1. Com efeito. Prevendo especialmente a hipótese de o credor transmitir o mesmo crédito. Para sua maior segurança. Se porém. sucessivamente. mesmo sem notificação. Se não havendo notificação nem aceitação. no entanto. Paralelamente se. Sendo este o regime. esse conhecimento tem efeitos muito próximos dos da notificação. Cessão total ou parcial. o destino da coisa principal. . a cessão implica que se verifique uma modificação subjectiva na relação jurídica de crédito. Como a cessão visa. mas a que primeiro tiver sido notificada e aceite. podendo a notificação (que é o acto de levar a cessão ao conhecimento do obrigado) ser efectuada também pelo cedente – em qualquer dos casos sem subordinação nenhuma. Equivalente à notificação é a aceitação – Artº 583º. nem a que primeiro tiver sido conhecida do devedor. 2). tendo este de efectuar novo pagamento ao verdadeiro credor – cessionário. já existe uma relação jurídica entre o cedente e o cessionário que produz os seus efeitos. ou seja. pagar ao cedente. depois d de a cessão ter sido notificada ou aceite. esse negócio será válido. Da regra que considera abrangidos pela cessão todos os acessórios do direito transmitido exceptua a parte final do nº 1 do Artº 582º aqueles que sejam inseparáveis da pessoa do cedente. 1 – da cessão pelo devedor (que dela tenha tido conhecimento por qualquer via) – podendo essa aceitação ser expressa ou tácita. Quanto aos efeitos. já que muda a pessoa do credor. dispondo ilicitamente do direito dele – Artº 483º. Significa que. transferir para o cessionário o (mesmo) direito de que era titular o cedente (e não constitui apenas. 2) Transmissão das garantidas e outros acessórios do crédito. apesar de ter sido efectuado a quem já não é credor. embora a transmissão do crédito se opere entre as partes (cedente cessionário) por mero efeito da cessão. apesar de realizado por quem já não é credor. as garantias e os outros acessórios do crédito – Artº 582º. O principal efeito do contrato é a transferência (do cedente para o cessionário) do direito à prestação debitória. o cedente efectuar qualquer negócio de disposição do crédito. o devedor tiver conhecimento da cessão por qualquer via idónea. A forma do contrato varia consoante o negócio que lhe serve de base – Artº 578º. em idênticas circunstâncias. se o devedor ignorando a cessão. não é a que primeiro tiver sido efectuada.

embora não prescinda de documento: Mas não se satisfaz. que assenta no negócio de disposição celebrado entre o credor (cedente) e o terceiro adquirente do crédito (cessionário). é necessário que o devedor declare expressamente que subroga o terceiro. ou seja. Porque nem sequer é requerido o seu consentimento para a operação. um terceiro que tanto pode ser terceiro no sentido puro do termo (um estranho) como pode ser terceiro que não é o devedor principal (ex: fiador). Não é necessário o cumprimento do devedor (porque este não é prejudicado). baseada no cumprimento da obrigação. Proveniente do devedor – Artº 590º Os requisitos são praticamente os mesmos. Assim. em contrapartida. com ressalva dos que provenham de factos posterior ao conhecimento da cessão”. Proveniente do credor – Artº 589º Esta pressupõe que o credor declare expressamente que subroga o terceiro que cumpriu. o cedente não responde depois pela realização efectiva da prestação. a que a lei dá o nome de sub-rogação A sub-rogação pode assim definir-se como a substituição do credor. mas também as vicissitudes da relação creditória. não exige documento autêntico para a prova do empréstimo da coisa. Quer isto dizer que a sub-rogação supõe que o credor obteve o cumprimento da obrigação. ao passo que a cessão de créditos verifica-se antes do cumprimento (pressupõe-se que a obrigação ainda não é exigível). há uma outra modalidade importante da transmissão do crédito. O devedor pode impugnar a existência do crédito ou invocar contra a pretensão do cessionário as mesmas excepções a que lhe era lícito recorrer contra o cedente. 3) Meios de defesa oponíveis pelo devedor O crédito em que o cessionário fica investido é o mesmo que pertencia ao cedente. na titularidade do direito a uma prestação fungível. no lugar do credor e essa sub-rogação tem de ser declarada até ao momento em que a obrigação se efectue. 1 – tiver garantido a solvência do devedor. pelo terceiro que cumpre em lugar do devedor ou que faculta a este os meios necessários ao cumprimento. pela sua natureza ou por convenção dos interessados. se o cedente tiver garantido a solvência do devedor ao cessionário e este tiver transmitido o crédito a um segundo cessionário. é a declaração de que os direitos do credor são transmitidos ao terceiro. Não garante o cumprimento da obrigação. d) Garantia da existência do crédito e da solvência do devedor Respondendo pela existência e exigibilidade do crédito. Exige-se que isso seja feito até ao momento em que se efectua o cumprimento. o devedor não pode. o Artº 591º.A inseparabilidade mede-se pelo fundamento ou razão de ser do acessório. com meios facultados por terceiro. com a declaração de que a coisa emprestada . Quanto ao caso especial de o cumprimento ser efectuado pelo devedor. ou seja. Civil Paredes meios com a cessão de créditos. não se transmitirá a este a garantia dada pelo primitivo credor. que podem enfraquecer os destruir o crédito. mas essa transmissão verifica-se por causa do cumprimento. 2 – Sub-rogação – Arts 589º a 594º Cod. Por isso se não transmitem para aquele apenas os acessórios e as garantias que robustecem a consistência prática do direito. como proveniente da vontade do devedor. implica uma transmissão de crédito. consoante a sua proveniência: 1) Sub-rogação voluntária ou convencional Esta sub-rogação tanto pode ser proveniente da vontade do credor. não podem transferir-se ou não devem considerar-se transferidos para o adquirente. A sub-rogação. em princípio ser colocado perante o cessionário numa situação inferior àquela em que se encontrava diante do cedente. só que quem cumpriu essa obrigação não foi o devedor. que cumpriu. Nessa ordem de ideias diz o Artº 585º que “o devedor pode opor ao cessionário. tal como a cessão de créditos. São inseparáveis do cedente os atributos do crédito que. ainda que este os ignorasse. mas sim. todos os meios de defesa que lhe seria lícito invocar contra o cedente. Salvo se por declaração expressa – Artº 217º. a) Variantes da sub-rogação.

nos termos do Artº 595º. sem consentimento do credor. operada a sub-rogação. 2) Assunção cumulativa – no caso de o terceiro fazer sua a obrigação do primitivo devedor. A assunção poera uma mudança na pessoa do devedor. a) O primeiro é que o obrigado não se pode desonerar. a declaração expressa “de que o mutuante fica subrogado nos direitos do credor”. com fundamento na precária situação económica em que o cumprimento o deixaria. privando-o dos meios necessários à sua subsistência ou ao sustento dos seus. diz os Artº 837º. no dizer do Artº 762º. se por acaso o terceiro tiver um interesse directo na satisfação do crédito.Quanto aos efeitos. 1. só exonera o devedor se o credor der o seu consentimento.Noção O cumprimento da obrigação é a realização voluntária da prestação debitória. Se nada tiver sido dito temos uma situação de responsabilidade solidária – nº 2 do Artº 595. o subrogado adquire os direitos que o credor tinha – Artº 593º. mediante prestação diversa da que é devida. Transmissão singular de dívidas 1 – Assunção de dívida – Arts 595º a 600º Cod. à responsabilidade do antigo devedor acresce a do assuntor. isto é. no que toca ao dever de prestar. quando realiza a prestação a que está vinculado». Civil A assunção de dívida é a operação pela qual um terceiro (assuntor) se obriga perante o credor a efectuar a prestação devida por outrem. nos termos do Artº 406º. O credor que tiver exonerado o antigo devedor fica impedido de exercer contra ele o seu direito de crédito se o novo devedor se mostrar insolvente – Artº 600º Extinção das obrigações e vicissitudes do cumprimento Capítulo I – Cumprimento 1 . é imprescindível o consentimento do credor b) A transmissão só exonera o antigo devedor se for expressamente convencionado. ainda que a realização da prestação o deixe na miséria. “A prestação de coisa diversa da que for devida. 2) Por contrato entre o novo devedor e o credor. nem da identidade da obrigação. Requisitos específicos da validade da assunção: a) Consentimento do credor – para que haja sucessão na dívida. «O devedor cumpre a obrigação. Do conceito amplo de pontualidade vários corolários se podem deduzir quanto aos termos do cumprimento. Este terá de cumprir. A substituição. 1. com ou sem consentimento do antigo devedor.ao devedor se destina ao cumprimento da obrigação. 2) Sub-rogação legal Verifica-se. exige. 2. mas sem que haja alteração do conteúdo. mudança de sujeito passivo da relação obrigacional. mas este continua vinculado ao lado dele. se a sub-rogação for parcial. a partir dessa altura passam a existir dois credores – o credor inicial e o terceiro que cumpriu parcialmente – Artº 593. embora de valor superior. Regra que a lei enuncia a propósito dos contratos. ainda que a prestação efectuada seja de valor equivalente ou até superior a esta. E a actuação da relação obrigacional. e. Modalidades da assunção: 1) Assunção liberatória – se o antigo devedor ficar exonerado pelo cumprimento assumido pelo novo devedor. 2 – Regra da pontualidade A regra mais importante a observar no cumprimento da obrigação é a da pontualidade. ratificado pelo credor. 1 pode alcançar-se por uma de duas vias: 1) Por contrato entre o antigo e o novo devedor. ou quando a lei expressamente o estabelece ou sucede com carácter geral quando o terceiro que cumpriu fosse aquele que anteriormente tinha prestado uma garantia real ou pessoal. Esse .” b) A segunda ilação é que o devedor não pode exigir a redução da prestação estipulada. para o efeito.

Por isso. admitindo em termos muito amplos a possibilidade de a prestação ser feita também por terceiro. 1. se destina a transmiti-lo. por atender às qualidades ou à situação especial deste. nos casos em que o cumprimento funcionar como um acto jurídico não negocial. O regime encontra-se directamente formulado no Artº 763º. a sua natureza jurídica. b) Capacidade do credor – Exige-se. quando assim seja. Ser-lhe-ão directamente aplicáveis. 3) de carecer apenas de legitimidade para o fazer (cumprimento por parte de um dos cônjuges com coisa que só poderia ser alienada por ambos eles). Sendo a prestação efectuada por incapaz. 3 – Requisitos do cumprimento a) Capacidade do devedor – Para que haja cumprimento válido. que se reputam. porém. ser efectuada por terceiro. às causas de nulidade e de anulabilidade próprias dos negócios jurídicos. o cumprimento está sujeito. Diz-se acto de disposição aquele que. Se a nulidade ou anulabilidade do cumprimento provier da invalidade do negócio causal em que a prestação se integra. isentos de penhora ( e consequentemente de execução) certos bens. revoga-lo ou alterar de qualquer modo o seu conteúdo. que seja capaz (para receber a prestação) o credor perante quem a obrigação tenha sido cumprida – Artº 764º. Em qualquer dos casos. a restituição ao solvens far-se-á nos termos dos artigos 289º e 290º. A falta do poder de disposição do devedor pode derivar de uma de três circunstâncias: 1) de ser alheia a coisa prestada. a hipótese de ser outro o regime convencionado ou imposto por lei ou pelos usos. incidindo directamente sobre um direito existente.Nulidade e anulação do cumprimento Seja qual for. c) Legitimidade do devedor para dispor do objecto da prestação – O cumprimento para ser plenamente válido. Estão. no entanto. a substituição do devedor por outrem prejudicaria o credor. o devedor. «A prestação. 2) de não ter o devedor capacidade para alienar a coisa. se consistir num acto de disposição. 5 . diz o artigo 767º/1. quanto antes. pode ser feita tanto pelo devedor como por terceiro. 2. por isso mesmo. É sobre o titular passivo da relação obrigatória que recai o dever de prestar. entretanto. não podendo o credor ser forçado a aceitar o cumprimento parcial. porém. nenhuma dúvida se levanta quanto à possibilidade de a prestação ser por ele efectuada. 2 4 . quer tenha agido de boa-fé. essenciais à satisfação de necessidades primárias do executado. a prestação continua a ser válida. c) A terceira conclusão é que a prestação debitória deve ser realizada integralmente e não por partes. interessado ou não no cumprimento da obrigação». por outro lado. A prestação é por natureza não fungível (não podendo. mais longe. ou pelo seu representante (legal ou voluntário). não basta a coincidência entre a prestação devida e a prestação efectuada pelo devedor ou por terceiro. se explica que a oposição do devedor à intervenção do . a não ser que constitua um acto de disposição. continuando todo o seu património a responder pelos danos que a mora ou a falta de cumprimento cause ao credor.facto não lhe servirá de fundamento para obter a redução da divida. quanto ao acto da prestação. quer de má-fé. quando a prestação não seja fungível. salvo se ao mesmo tempo oferecer nova prestação – Artº 765º. quer no interesse do credor. necessita ainda que o devedor possa dispor da coisa que prestou – Artº 765º. 2. sem o consentimento do credor). embora o credor se lhe possa opor. se estiver directamente relacionada com a pessoa do devedor. A intervenção consentida a terceiros na realização da prestação explica-se. nos casos excepcionais em que o cumprimento possa ser fundadamente considerado como um contrato ou um negócio jurídico unilateral. por força do disposto no artigo 295º.Quem pode cumprir . 1 Vejamos quem pode realizar a prestação debitória e a quem pode a prestação ser efectuada. em princípio. em tese geral. Capacidade (de exercício) do devedor – Artº 764º. O credor terá vantagem em ver satisfeita.Artº 767º. não pode impugnar o cumprimento. A lei vai. Nesse caso. quer em muitos casos no interesse do próprio terceiro. a necessidade a que o direito de crédito se encontra adstrito: e. que ressalva. ser-lhe-ão extensivas. É necessário que outros requisitos se verifiquem. quer no interesse do devedor.

quer porque tenha alguma vantagem directa na satisfação do crédito. ao credor actual. de acordo com o brocardo segundo o qual quem paga mal paga duas vezes. que manda cumprir as obrigações pecuniárias no lugar do domicílio do credor ao tempo do cumprimento. Mudança de domicílio do credor. isto é. a título universal ou a título particular. em princípio. Por seu turno. in fine).) do credor primitivo ou inicial (Artº 769º). ou é sub-rogado por lei. o devedor pode. quer porque tenha garantido o cumprimento. transmitindo-se antes a respectiva titularidade para o solvens. esta pode ser feita indiferentemente ao credor ou ao representante. forçado a aceitar a prestação de terceiro. Não havendo estipulações das partes nem disposição especial da lei. não pode o credor recusar a prestação de terceiro. que pode ser o herdeiro. O devedor pode lucrar com a intervenção do terceiro. liberando o devedor.Lugar da prestação Ainda em obediência ao princípio fundamental da pontualidade. nos termos do nº 1 do artigo 768º. o cessionário (. embora nesse caso ele possa recusar o cumprimento sem incorrer em mora. casos em que a prestação feita a terceiro extingue o vínculo. o legatário. a prestação deve ser efectuada ao representante legal ou estatutário do titular do crédito. por ter garantido o cumprimento. mas nem sempre essa perda equivale à extinção do direito. sendo ineficaz perante o credor. ou por estar. Quando assim seja. a prestação deve ser efectuada no lugar do domicílio que o devedor tiver à data do cumprimento (art. A prestação feita a terceiro não extingue.. o credor seja.º). o art. Se for feita ao credor incapaz. 8 . e. salvo convenção em contrário (nesse sentido. anulável e não isenta o devedor da obrigação de efectuar nova prestação. 7. deve ser feita no lugar onde a coisa se encontrava à data da conclusão do negócio) e o artigo 774º. em alguns casos. Regra supletiva. Se o credor capaz tiver representante (voluntário) para aceitar a prestação. Deve ser efectuada a quem seja credor no momento do cumprimento. fixado pela lei para o cumprimento. satisfazendo o interesse do credor. pois o pior que pode suceder-lhe é ficar vinculado. o terceiro pode ter interesse em cumprir. . portanto. embora subsequentemente possa. por se verificar algum dos casos previstos nos artigos 589º ou 590º. 592. 772º/1). a não ser que o terceiro tenha interesse no cumprimento. com ressalva do disposto no nº 2 do artigo 764º. ou por se dar alguma das excepções abrangidas pela parte final do nº 1 do artigo 477º. Se o terceiro que presta é convencionalmente sub-rogado nos direitos do credor. Há. recusar-se legitimamente a satisfazer a prestação ao representante voluntário do credor ou à pessoa por ele autorizada a recebê-la. todavia.terceiro não impeça o credor de aceitar validamente a prestação (Artº 768º.. Direitos do terceiro que efectua a prestação. em princípio. no entanto. de todo o modo. por isso. não verá a sua posição agravada com esse facto. Como disposições especiais devem ser considerados o artigo 773º (segundo o qual a prestação. sempre que o terceiro possa ficar sub-rogado nos direitos do credor. nos mesmos termos em que o estava em face do credor. o cumprimento é. determina a perda do direito de que este dispunha. 6. o devedor terá de efectuar nova prestação. 771º). a obrigação. 2. A quem pode ser feita a prestação. Sendo o credor incapaz. nascer para o accipiens a obrigação de transferir a prestação para o credor. mesmo que o devedor se oponha ao cumprimento (Artº 768º. que tenha por objecto coisa móvel determinada. Por isso se explica também que. São os casos a que o Artº 770º se refere. Esta é a regra supletiva aplicável ao lugar do cumprimento da obrigação. em princípio. nos termos do artigo 592º (por estar directamente interessado na satisfação do crédito). ser feita ao credor ou ao seu sucessor. A prestação pode e deve. ou tratando-se de uma pessoa colectiva ou de uma sociedade. a prestação deve ser efectuada no lugar estipulado pelas partes ou. o crédito não se extingue. A realização da prestação debitória por terceiro. que fixe o lugar do cumprimento. sob pena de incorrer em mora (credendi) perante o devedor. perante o solvens. mercê de outra causa. 2). directamente interessado na satisfação do crédito (art.

a todo o regime da relação obrigacional. Consagrou-se deste modo uma solução intermédia. seja pelas circunstâncias que a determinaram. 10 . de um lado. do outro. e 411º/1). concedese ao devedor a faculdade de cumprir no seu domicílio. sem margem para qualquer indemnização. nos casos em que a prestação. As obrigações puras (art. mais uma vez em obediência à certeza que se pretendeu imprimir na medida do possível. a lei previu também. quando a impossibilidade seja superveniente e não proceda de causa imputável ao devedor (art. seja pela sua natureza. A impossibilidade de cumprimento no lugar fixado (obrigação de o artista se exibir numa cidade onde as autoridades proibiram espectáculos dessa natureza.Tempo da prestação O momento em que a obrigação deve ser cumprida pode ser fixada por convenção das partes ou por disposição legal. quer por virtude das circunstâncias que a determinaram. No seguimento da orientação tradicional (favor debitoris). o artigo 779º diz que o prazo se tem por estabelecido a favor do devedor. quando se não mostre que o foi a favor do credor. comunicar ao devedor a mudança do seu domicílio. o momento a partir do qual a prestação pode ser exigida. O prazo marca a data antes da qual o credor não pode exigir a prestação. por falta de estipulação ou disposição em contrário. suceder que a prestação seja impossível no lugar fixado. logo que o credor.À semelhança do que fez relativamente ao devedor. ou de um e outro conjuntamente. no entanto. assim como o devedor a todo o tempo exonerar-se dela». torna-se necessário saber a favor de qual dos sujeitos da obrigação o prazo foi estabelecido. o da exigibilidade da obrigação . em dois grandes grupos: a) obrigações puras. O aspecto que maior interesse prático e teórico reveste na questão (do tempo da prestação) é. Para se determinar o sentido preciso da respectiva cláusula. deva ser efectuada no domicílio dele. e que a determinação deste não seja essencial à vontade dos sujeitos da relação. por exemplo) determina. se tornar indispensável o estabelecimento de um prazo.Impossibilidade da prestação no lugar fixado. no comércio jurídico. a nulidade da obrigação ou a extinção desta: nulidade da obrigação. cujo cumprimento não pode ser exigido ou imposto à outra parte antes de decorrido certo período ou chegada certa data. não obstante a falta de estipulação ou disposição legal. Sintetizando a doutrina dos dois números do artigo 777º. também o credor deve. a data em que a obrigação se vence – ou seja. duas soluções se apresentam como possíveis: ou procurar o lugar que. «Na falta de estipulação ou disposição especial da lei. ou não pode ser forçado a recebê-la. quer por força dos usos». a possibilidade de. Quando assim seja. em regra. Logo no nº 2 do mesmo artigo se prevê. mas que é lícito ao devedor. 772º a 774º). se vencem logo que constituídas. Outras vezes é a própria lei que fixa o prazo de determinadas obrigações. ou adoptar directamente as disposições supletivas que a lei consagra sobre o lugar da prestação (arts. se a mudança tornar mais oneroso o cumprimento. extinção do vínculo obrigacional. exija o seu cumprimento ou o devedor pretenda realizar a prestação devida. atentas as circunstâncias da convenção. terá a prestação de ser efectuada no lugar do novo domicílio do credor. melhor se ajuste à vontade presumível das partes. o credor tem o direito de exigir a o tempo o cumprimento da obrigação. Ter-se o prazo por estabelecido a favor do devedor significa que o credor não pode exigir o cumprimento antes de vencida a obrigação. renunciando o benefício. Foi esta última a orientação que o artigo 776º consagrou. por óbvias razões. b) obrigações a prazo ou a termo. De qualquer modo. as obrigações podem reunir-se. Frequentes vezes. se o devedor ainda a não tiver efectuado.Pode.a determinação do momento a partir do qual o credor pode exigir a realização da prestação devida. os interessados estipulam. mediante interpelação. no entanto. na altura própria. no artigo 775º. nenhuma razão havendo para não considerar válida a obrigação. Se a mudança não onerar mais o devedor. 790º). em cada caso concreto. a não ser que o indemnize do agravamento de encargos que acarreta o cumprimento no novo domicílio. Quando assim seja. a possibilidade de o credor mudar de domicílio após a constituição da obrigação. 777º/1) são aquelas que. prestações que. de facto. cumprir . no entanto. «quer pela própria natureza da prestação. ou seja. com efeito. mas possível fora desse lugar. por estipulação das partes ou por disposição da lei. As obrigações a prazo são aquelas. não podem ou não devem ser subordinadas ao princípio da imediata exigibilidade das obrigações sem prazo. 9 . no caso de impossibilidade originária (Arts 280º/1. diz a respeito o artigo 777º/1. segundo uma classificação tradicional relativa ao tempo do seu vencimento. seja pela força dos usos. Há.

Omissa na legislação anterior era a hipótese de o prazo ser confiado ao arbítrio do devedor (de o devedor cumprir quando quiser – trata-se de uma cláusula cum voluerit. Na falta de acordo. apesar de globalmente fixado. estando os seus sucessores obrigados a cumprir. Logo. 13 – Imputação pelo devedor – Arts 783º e segts Se o devedor tiver diversas dívidas por saldar ao mesmo credor. perdendo o devedor o benefício do prazo. c) Falta de cumprimento da prestação. Ónus e meios de prova (maxime documento de quitação). se reparte em várias fracções. que se respeitou a plena liberdade concedida ao devedor. tendo o devedor a possibilidade de cumprir – Artº 778º . e de este ser estabelecido em benefício exclusivo ou conjunto do devedor. mas não pode ser forçado a receber antes a prestação. só pode ser feita com o acordo do credor. 1 e 2. que está na base da concessão do prazo. que se considerou também de carácter pessoal a faculdade que lhe é atribuída. ou o prédio rústico que servia de segurança ao crédito sofreu séria desvalorização. sendo as dívidas da mesma espécie. nas dívidas pagáveis em prestações Esta é a terceira causa de vencimento antecipado. que tal situação se verifique. a faculdade de designar as dívidas a que o cumprimento se refere. 14 – Prova do cumprimento 1. por carência de meios próprios e por falta de crédito se mostre impossibilitado de cumprir pontualmente as suas obrigações. nem o devedor coagido a efectuá-la. que o Artº 778º prevê e regula no nº 2. Nesse caso. por caducidade do prazo estabelecido – Artº 780º A primeira delas é a de “o devedor se tornar insolvente. nem o credor pode ser forçado a receber antes do tempo a prestação. Para exigir o cumprimento o devedor terá de alegar que provar que o devedor dispõe de meios económicos bastantes para efectuar a prestação. por caducidade do prazo.antes do vencimento do prazo. o prédio urbano hipotecado foi total ou parcialmente destruído pelo fogo. 12 – Perda do beneficio do prazo a) Insolvência do devedor Há circunstancias que. em regra para facilidade do devedor. limitada pelas forças da herança – Artº 2071º. diz o Artº 781 o seguinte: “ se a obrigação puder ser liquidada em duas ou mais prestações. Sendo o benefício do credor. mas. na hipótese de aquele o não declarar. a primeira indicação a considerar para o efeito será a do acordo (expresso ou tácito) das partes – Artº 783º. Falecido o devedor sem ter cumprido pode a prestação ser exigida aos seus herdeiros. determinam o vencimento imediato da obrigação. e só o seu pagamento. Ora. a prestação só será exigível. interessa saber a qual delas se refere o cumprimento. por um lado. Em qualquer dos casos. quando. é repartido por fracções. a divida a termo torna-se imediatamente exigível. já sem necessidade de prova da sua possibilidade económica de cumprimento. A divida estava garantida por hipoteca. De harmonia com o princípio da liberdade negocial. As dificuldades surgem. por causa imputável ao devedor. Trata-se de obrigações cujo objecto. b) Diminuição das garantias prestadas ou falta das garantias prometidas. como se tal cláusula não existisse. O regime estabelecido mostra. antes de pagas as outras verbas. e . a dívida a termo torna-se imediatamente exigível. . Esta é a segunda causa de vencimento antecipado. quanto a esse tipo de obrigações. Neste tipo de obrigações o objecto está fixado desde a constituição da divida. 11 – Critérios especiais de fixação do prazo O código vigente prevê a hipótese de se ter estipulado que o devedor cumprirá quando puder. por outro. 1 A insolvência consiste na situação em que se encontra o devedor que. quanto à escolha do momento do cumprimento. a lei confere ao devedor. em princípio. A imputação no capital. Quando o prazo beneficie a ambos. a falta de realização de um delas importa o vencimento de todas”. sem que esta o deixe em situação precária.trata-se de uma cláusula cum potuerit (cláusula de melhoria). é este quem pode exigir o cumprimento antes do tempo estipulado. escalonadas ao longo do tempo. na medida em que deixa de justificar-se a confiança do credor. o cumprimento não chega para as satisfazer a todas. ainda que a insolvência não tenha sido judicialmente declarada” – Artº 780º. por culpa do devedor. apesar da obrigação ser a prazo. embora se saiba que a responsabilidade deles está.

representando a quitação o melhor meio e o meio normal de prova do cumprimento das obrigações – cujo ónus incumbe em princípio ao devedor (artigo 342º/2) -. pode também ser feita por confissão do credor (artigo 352º). Na grande massa dos casos. tiver legítimo interesse na conservação dele. Presunções de cumprimento. nem por terceiro -. Realizada (voluntariamente) a prestação debitória. A esse escrito se chama recibo ou quitação. desde que o cumprimento seja parcial ou o título lhe confira outros direitos. além disso. Assim. Note-se que. As obrigações são. Nesse caso. Ora. O credor pode opor-se a essa pretensão. o autor do cumprimento poderá recusar a prestação enquanto não lhe seja dada quitação. por qualquer causa. por peritagem (artigo 388º). por ex. Assim: a quitação do capital constitui presunção do pagamento dos juros ou de outras prestações acessórias. a obrigação se não extinguiu por nenhuma das outras causas de satisfação além do cumprimento (arts. por motivo diverso. Civ. Proc. al.. independentemente da causa de onde a falta procede. que a obrigação não é cumprida. Pertencerá ao credor. por inspecção judicial (artigo 390º Cód. o devedor – ou o terceiro que se encontre nas condições apontadas – terá. neste sentido. Esta quitação constará de documento autêntico ou autenticado ou com reconhecimento notarial (artigo 789º). o CC fixa no artigo 786º certas presunções de cumprimento. se aquele que cumpriu tiver nisso interesse legítimo» (nº 1). o direito de exigir que lhe seja entregue o respectivo título. bem se justificam os termos mediante os quais se consagrou. 671º. portanto. o não cumprimento da obrigação assenta na falta da acção (prestação positiva) exigida do devedor. sejam solidários ou conjuntos. arts. As presunções determinam a inversão do ónus da prova (arts. o interesse do credor e liberando o devedor do vínculo a que se encontrava adstrito. além da quitação. em tais hipóteses. sendo devidos juros ou outras prestações periódicas. de uma dessas prestações envolve a presunção de cumprimento das prestações anteriores (nº 2). ou ainda se. assim como exigir essa restituíção ou menção depois do cumprimento (artigo 788º/3). faz presumir a liberação deste e dos seus condevedores. O não cumprimento é. . poderá ser-lhe exigida uma quitação. Alegando o credor. porém. Capítulo II – Não Cumprimento das obrigações 1 . Disciplina idêntica estabelece a lei quanto ao direito à restituíção do título da dívida ou à menção do cumprimento. há outros meios de prova do cumprimento.Direito à restituíção do título ou à menção do cumprimento. na grande massa dos casos. caberá ao vencido exigir que o credor mencione no título o cumprimento efectuado (artigo 788º/1). assim como pode exigi-la posteriormente (nº 2). Mas pode também consistir na prática do acto que o obrigado deveria não realizar. Fala-se (na terminologia técnica e na linguagem corrente) de não cumprimento da obrigação. demonstrar. para significar que a prestação debitória não foi realizada . Uma vez extinta a obrigação. a coisa dada em penhor: art. mas também ao terceiro que cumpra a obrigação e fique subrogado nos direitos do credor (artigo 788º/2). O cumprimento de uma obrigação pode provar-se através de um documento em que o credor declare ter recebido uma prestação como satisfação do seu crédito. a entrega do título original da dívida. a situação objectiva de não realização da prestação debitória e de insatisfação do interesse do credor.nem pelo devedor. em princípio. espontaneamente cumpridas. desde que não haja reserva em contrário (nº 1). bem como do fiador e do devedor principal. nos casos menos vulgares em que a obrigação tem por objecto uma prestação negativa (não usar. que o cumprimento não foi realizado. a lei confere a todo aquele que solve uma dívida a faculdade de exigir a respectiva quitação da pessoa que recebe o cumprimento «devendo a quitação constar de documento autêntico ou autenticado ou ser provida de reconhecimento notarial. sem reserva. A partir da quitação ou da entrega voluntária do título original do crédito. 612º a 615º) e por testemunhas (artigo 395º)]. satisfazendo. Por outro lado. Frequentes vezes sucede.[Utiliza-se comummente a designação de recibo quando a quitação consta de um documento avulso destinado a esse efeito.Noção. Trata-se de um direito conferido não só ao devedor. se o título é entregue a algum deles (nº 3). nos dois números do artigo 787º CC. O devedor pode também recusar a prestação enquanto não lhe for restituído o título da dívida ou nele mencionado o cumprimento. que o credor efectue voluntariamente ao devedor. o direito à quitação. 344º/1 e 350º).. 837º e segs. e que. a obrigação preenche em regra a sua função.Por um lado. a quitação.). a impossibilidade de restituir o título ou de nele mencionar o cumprimento. através do meio próprio (o cumprimento).

como possíveis vicissitudes da relação obrigacional. O não cumprimento definitivo da obrigação pode. Só nos casos de não cumprimento imputável ao obrigado se pode rigorosamente falar em falta de cumprimento. enquanto se agrupam na 1ª subsecção (do art. A própria sistematização do Código sobre a matéria reflecte o interesse primordial deste factor. mas a prestação ainda mantém. o não cumprimento procede de facto de terceiro (que destruiu a coisa devida). «O devedor considera-se . Ao lado destes casos. ou porque se cumpriu validamente o dever de prestar (consignação em depósito e. por continuar a corresponder ao interesse do credor. e entre o não cumprimento imputável ao devedor (a falta de cumprimento) e o que lhe não é imputável. se tornou praticamente inútil para ele. com maior propriedade. no essencial. a realização do negócio jurídico prometido) ou até do credor (que recusou a cooperação indispensável à realização da prestação). todas as situações que interessam ao momento culminante da extinção da obrigação. do não cumprimento definitivo. a utilidade que tinha para ele. confusão). em tempo oportuno. 808º/1). 812º) as hipóteses de falta de cumprimento e mora imputáveis ao devedor. 3 . e se reúnem na 2ª (do art. B) mora. A este tipo de situações dão a lei e os autores a designação técnica de mora. de circunstância fortuita ou de força maior. imputável ao devedor ou imputável ao credor) ou da falta irreversível de cumprimento. Há casos em que a prestação. da impossibilidade da prestação e outras vezes. em termos mais amplos. 790º ao art. dilação ou demora da prestação. se considerar o efeito do não cumprimento sobre a relação creditória. deixando de lado a causa. como a não realização da prestação debitória. figuram ainda (abstraindo da prescrição ou da caducidade do direito. mas ainda é possível. que o cumprimento e o não cumprimento não esgotam. Se. umas vezes. interessa destacar ainda. sendo ainda materialmente possível. consagrado nos artigos 813º e seguintes. 2 . aliás. sem que entretanto se tenha verificado qualquer das causas extintivas típicas da relação obrigacional. há situações de mero retardamento. Por um lado. A prestação não é executada no momento próprio. em certo sentido. pelo regime especial a que estão sujeitos. O primeiro elemento que interessa à fixação das consequências do não cumprimento da obrigação é a causa da falta de cumprimento. Pode assim definir-se a mora como o atraso ou retardamento no cumprimento da obrigação. Trata-se da distinção entre o não cumprimento definitivo e o simples retardamento (ou mora). na sistematização legal e científica da matéria. ou porque se satisfez indirectamente o direito do credor à prestação (dação em cumprimento.Modalidades do não cumprimento quanto ao efeito: A) Falta de cumprimento. da anulação.b)). É aos casos deste tipo que a lei e os autores se referem. remissão. os casos de mora do credor. quando falam. da nulidade. embora se não realize a prestação debitória mediante o funcionamento regular do vínculo obrigacional. com efeito. da própria lei (que proibiu.Modalidades do não cumprimento quanto à causa: A) Inimputável ao devedor.Entre as distinções teoricamente possíveis. a compensação) ou porque se perdeu o direito de crédito (prescrição. C) cumprimento defeituoso. Ao lado de um e outro. não tendo sido efectuada. ou porque. do outro. por hipótese. Note-se. A questão de saber se o não cumprimento é ou não imputável ao devedor reveste uma importância capital para a definição do seu regime. de um lado. perdeu o seu interesse para o credor. compensação. provir da impossibilidade da prestação (impossibilidade fortuita ou casual. também no artigo 795º/2. para o caso de a prestação se tornar impossível por causa imputável ao credor. a obrigação extingue-se. Nestes casos. 797º) os casos de impossibilidade do cumprimento e mora não imputáveis ao devedor. Por outro. já não é realizável no contexto da obrigação. novação). B) Imputável ao devedor. porque se tornou impossível ou o credor perdeu o direito à sua realização. se fixa um importante desvio ao princípio estabelecido no nº 1 desse preceito. Dentro do núcleo genérico de hipóteses de não-cumprimento não imputável ao devedor. Pode este ter sofrido prejuízo com o não cumprimento. estão sujeitos a um regime próprio. O não cumprimento pode assim definir-se. outra classificação interessa à definição do seu regime. em alguns casos equiparada por lei à impossibilidade (art. Outras vezes. os casos em que a falta de cumprimento procede de causa imputável ao credor. curar-se-á especialmente das duas mais importantes que transparecem. 798º ao art. Umas vezes o não cumprimento procede de facto imputável ao devedor. da denúncia ou da revogação da relação creditória) as (legalmente) chamadas causas de extinção das obrigações além do cumprimento.

de facto de terceiro. apesar de o credor não ter culpa na frustração do fim da prestação. dentro da rubrica geral do não cumprimento. o aluno. E pode resultar ainda de circunstâncias não imputáveis nem ao devedor. que o rebocador ia safar. mas também o próprio interesse (primário) do credor nesse comportamento. em muitos casos. mas entregando géneros avariados ou produtos deteriorados.. A lei prevê expressamente esta última hipótese. elementos estranhos. a quem o professor dava aulas de canto. como sucede em certos casos de impossibilidade transitória ou temporária (art. a prestação. Os autores têm dificuldade em catalogá-las como casos de impossibilidade da prestação. realizar o comportamento devido (o cirurgião. alienou a favor de terceiro o móvel que prometera vender ao credor). qualquer que seja a sua exacta qualificação. dos casos desse tipo. faltou ao cumprimento na data estabelecida. Ao lado das duas que acabam de ser caracterizadas. não aceita a prestação que lhe é oferecida nos termos legais ou não pratica os actos necessários ao cumprimento da obrigação». uma de carácter teórico.. A mora pode. porém. o interesse do credor (que é já um elemento estranho à prestação debitória). O risco da frustração do fim da prestação correria. mau cumprimento ou cumprimento imperfeito Por ex:. de safar o barco. por parte do devedor desonerado). A segunda dificuldade consiste na fixação do tratamento jurídico adequado a estas espécies. mas sem que a este possa ser assacada a menor culpa na sua verificação. ainda possível. Há. nem ao credor. uma terceira categoria de situações. diz por seu turno o artigo 813º. que culposamente reteve o devedor na altura em que ele devia realizar a prestação de serviço. quando. pelo contrário. não só o comportamento ou conduta a que o devedor se encontra adstrito. ensurdece por completo. 4 . a proibição do negócio prometido procede de uma lei posterior à celebração do contrato) ou. contraprestação. a quem o cirurgião deveria operar. 795º/2) à impossibilitação da prestação por causa imputável ao credor. no entanto. de dar as aulas de canto). alargam de caso pensado o conceito de prestação. vendedor que não avisa do perigo de utilização da coisa e com a omissão causa danos. que integram ou condicionam a actuação do obrigado. por si. a despeito de não receber a prestação. não só de circunstâncias fortuitas ou de força maior (a inutilização ou desaparecimento da coisa devida provém de um facto da natureza. para nele incluírem. Se não engloba. Obrigando o credor a responder pela contraprestação..A impossibilidade da prestação. circunstâncias exteriores. outra de natureza prática. há ainda que referir.). o comerciante que cumpre oportunamente a obrigação. incorre em mora. a tais situações o regime entre nós fixado no nº 1 do artigo 795º (perda do direito à. sustentam que. assim. de facto. afunda-se. o barco. de tal modo . E aqueles que deliberadamente as inserem na categoria da impossibilidade. quando. Mas pode resultar outrossim. quando. e não do devedor desonerado. a frustração do fim da prestação e a realização do fim da prestação por outra via. mal o contrato com a empresa proprietária do rebocador havia sido concluído. na definição textual do artigo 804º/2. por causa que lhe seja imputável. Outros. como também de um facto do credor. 795º) têm suscitado na doutrina estrangeira duas ordens de dificuldades.constituído em mora. 792º). sem motivo justificado. no negócio de prazo absolutamente fixo. consequentemente. Ao lado. a prestação nem sempre se limita ao círculo da realidade dominado pela vontade do devedor. de operar. A primeira refere-se ao enquadramento dogmático de semelhantes situações. por conta do credor. a lei quer manifestamente referir-se aos casos em que a impossibilidade da prestação debitória resulta de um acto censurável ou reprovável (culposo) do credor (que intencional ou culposamente contribuiu para a inutilização ou desaparecimento da coisa devida. morre entretanto. a propósito dos contratos bilaterais. alude (no art. O doente. provir de facto imputável ao credor. «O credor. a que se tem dado o nome de cumprimento defeituoso. não tendo o credor a menor culpa na verificação da causa perturbadora da relação obrigacional. nenhuma razão há para o considerar vinculado à sua contraprestação e para se não aplicar. visto o devedor continuar em condições de. outros há em que a impossibilidade provém ainda de um facto relativo ao credor. Há quem entenda que. o facto de a causa dessa frustração se referir mais a ele do que à contraparte torna justo que o devedor não perca o direito à contraprestação. o rebocador. As situações deste tipo (que escapam manifestamente à letra e ao espírito do nº 2 do art. não foi efectuada no tempo devido». A impossibilidade da prestação nasce frequentemente de um acto imputável ao devedor (que inutilizou ou fez desaparecer a coisa devida. o professor de música.

regulam o risco do perecimento ou deterioração da coisa. mas antes de a . a prestação prometida pelo dono do rebocador tornou-se impossível. Se as quantidades de feijão ou de milho. o risco passa naturalmente a correr por conta do credor (adquirente): artigo 796º/3. pelo contrário. o perecimento ou deterioração da coisa por causa não imputável ao alienante corre por conta do adquirente» (art. 796º). Embora por caminhos diferentes. A mandou vir um reboque. a coisa tiver continuado em poder do alienante. Entretanto. porém. é por conta de B (credor e adquirente da coisa) que corre o risco de tal evento. tornando por esse facto igualmente impossível a prestação a que o devedor se encontrava adstrito: não se pode retirar o veículo que já saíra do local pelos seus meios normais. sem prejuízo do disposto no artigo 8O7º». o risco do perecimento da coisa corre por conta do credor (adquirente): mas. Só que foi preenchido por uma outra via. o risco corre por conta do alienante e não do adquirente. não se desencalha um barco que já se conseguiu safar pelos seus próprios meios ou por acção dos elementos naturais. E a doutrina consagrada no nº 2 do artigo 796º: «Se. se inutilizaram sem culpa sua. Se este morre. Por isso. no fundo. Será obrigado a restituí-lo? A primeira regra que. o interesse do credor fica definitivamente por satisfazer. sujeito a alguns desvios ou adaptações. com o fim de retirar o veículo que obstruía a saída da sua garagem. uma vez verificada a condição. é necessário que a coisa lhe tenha sido entregue. A perturbação está. neste domínio. A operação. tendo. Se este se afundou entretanto. como o domínio ou o direito (real) sobre a coisa se não transfere ou se não constitui enquanto o evento se não verifica. o automóvel perecer por caso fortuito. não se operam órgãos sãos. se ele já tiver sido entregue.A questão do risco. Como o domínio sobre a coisa se transferiu para B no próprio momento do contrato. saber que o devedor fica desonerado. como a cláusula não impede o efeito translativo (imediato) do contrato. para tal. As regras examinadas nos números precedentes podem ser perturbadas pelos princípios que. nos casos normais de impossibilidade. visto o problema do risco ser. porém. entretanto. em consequência de termo constituído a seu favor. que o cirurgião se obrigou a realizar. no entanto. que o princípio comporta. todas as situações examinadas conduzem ao mesmo resultado prático: a impossibilidade da prestação. circunscrita aos contratos comutativos. A coisa pereceu. a vida do paciente. Este princípio está. mas obrigou-se a entregá-lo só passados quinze dias após a celebração do contrato. Enquanto. com efeito. O doente. Outra adaptação. pressupõe. A vende a B certa coisa móvel. dentro do sistema. O barco. A vendeu um automóvel a B. se ainda o não tiver pago. o problema do risco da contraprestação. que a retirou. Se a condição for suspensiva. No caso especial das obrigações alternativas e das obrigações genéricas. a operação torna-se impossível. antes de o rebocador iniciar a operação. ou já curados da deficiência de que padeciam. curou-se antes de a intervenção principiar. o risco durante a pendência da condição corre por conta do alienante. é a exigida pelos contratos feitos sob condição. Não basta. o credor não gozará nesse caso dos direitos conferidos no artigo 795º/1. nas hipóteses que acabam de ser descritas o interesse do credor fica plenamente satisfeito. Se. Da mesma forma. de entregar o preço devido. com que o devedor pensava cumprir a obrigação (genérica). o risco só se transfere com o vencimento do termo ou a entrega da coisa. Problema análogo ao dos casos de frustração do fim da prestação suscitam as hipóteses em que o fim da prestação é obtido por outra via. que encalhara e devia ser safado pelo rebocador que para o efeito se contratou. que devia ser operado. ou podendo o vendedor retê-lo. mas o devedor já recebera o preço dela. que é destruída por um incêndio não imputável a A. desencalhou inesperadamente por acção natural das águas. importa reter é a de que «nos contratos que importem a transferência do domínio sobre certa coisa ou que constituam ou transfiram um direito real sobre ela. que não o cumprimento da obrigação. 5 . apareceu o dono da viatura. para que o pudesse utilizar ainda numa viagem que projecta fazer. no âmbito desses contratos. porque não se opera um cadáver. que não o cumprimento da obrigação. Sendo a condição resolutiva. a empresa proprietária do rebocador não se comprometeu a realizar as operações abstractamente necessárias ao desencalhe dum barco: obrigou-se a desencalhar aquele barco. a questão do risco há-de solucionar-se de acordo com o momento da transferência do domínio sobre o objecto da prestação para o credor.que a sua falta gera uma verdadeira impossibilidade da prestação. além da actuação profissional do obrigado. antes do reboque chegar.

o devedor de responsabilidade. quando a impossibilidade provenha. tal como foi estipulada. em princípio. Quanto à parte restante. por força da convenção. A vende a B. E se a impossibilidade for apenas parcial? Se o incêndio ou o ciclone tiverem destruído parte apenas da coisa devida? Se a doença grave tiver impossibilitado só algumas das actuações a que o artista se obrigara? Se o abalo de terra tiver destruído só uma parte da casa arrendada?. é lícito ao credor. a transferência do risco opera-se com a entrega ao transportador ou expedidor da coisa ou à pessoa indicada para execução do envio. pelo valor correspondente. À fábrica que comprou certa quantidade de produtos. recusar o cumprimento parcial. a entrega de parte apenas da mercadoria.Responsabilidade do devedor pelos actos dos seus representantes legais ou auxiliares. Quando assim seja. 7 . no caso de ser cumprida parte apenas da prestação devida. «Se. que é o local da produção o lugar do cumprimento da obrigação. depois de dar apenas dois dos quatro recitais a que se obrigara. não exonerado do dever de prestar. Advirtase ainda que todas estas regras concernentes ao risco. Nenhumas razões de interesse ou ordem pública impedem que os contraentes fixem em termos diferentes o regime do risco do perecimento ou deterioração da coisa.obrigação se ter concentrado sobre as espécies para o efeito apartadas. Interessa fundamentalmente determinar. em que o cumprimento parcial da prestação não tem interesse para o credor. se o facto impeditivo de parte da prestação se não integrar na esfera ou zona dos riscos que correm por conta do credor. Como nada obsta. porque à finalidade do contrato só convém a prestação total. embora se justifique a exoneração do devedor. em Lisboa. dos géneros adquiridos ou do mármore encomendado. nos termos do nº 2 do artigo 793º. quando se realizaram somente dois. de facto. . A impossibilidade da prestação. por virtude da impossibilidade da. E o mesmo regime se aplica. à semelhança do regime prescrito para a nulidade ou anulabilidade parcial do negócio jurídico (art. pois só à última hipótese se refere o preceito legal. a determinação do lugar do cumprimento da obrigação constitui. 809º). em princípio. a fim de sabermos se o local para onde a coisa é enviada coincide com ele ou é diferente dele. em regra. desde que não seja imputável ao obrigado.. Se o artista se impossibilitou. continua a constituir causa extintiva da obrigação. sendo imputável a terceiro. como aliás as regras relativas aos efeitos da impossibilidade. exonera. dever ser enviada para local diferente do lugar do cumprimento. 6 . no entanto. Nesse sentido manda a parte final do nº 1 do artigo 793º que. isso significará. seria injusto que. restante. compreende-se que ele não responda pela parte da prestação que não pôde cumprir. se o preço de mercadoria é fixado à porta da fábrica. a que o devedor garanta o credor contra o risco da impossibilidade não imputável da prestação. ao caso das prestações em alternativa ou das obrigações pecuniárias (hipótese de desaparecimento das espécies pecuniárias com que o devedor pensava cumprir). Mas não se justificaria que o empresário houvesse de pagar a remuneração correspondente aos quatro recitais. não de estranhos ao processamento da relação obrigacional. Quando assim seja. resolvendo o negócio. suceder que a obrigação se insira num contrato a título oneroso. pode nada interessar. Sempre que se trate de contrato oneroso de alienação de bens ou de constituição de encargos sobre eles. nesse caso. art. Ora. a redução da contraprestação farse-á nos termos do artigo 884º/1 e 2 (cfr. o lugar do cumprimento da obrigação. todavia. Nesse caso. suporta o risco do facto. como seus auxiliares. A solução não seria no entanto justa.O artigo 797º refere-se ao caso especial de a coisa. Nesse caso.Regime da impossibilidade parcial. se reduza proporcionalmente a contraprestação a que a outra parte estiver vinculada. mas de pessoas que legalmente representam o devedor ou que o devedor utiliza no cumprimento. com as necessárias acomodações. Há casos. é ele quem. Resolução do contrato. se mantivesse a contraprestação. obrigando-se a indemnizá-lo. uma questão de interpretação da convenção. têm carácter supletivo (argumento a contrario do art. por forma que à prestação (tornada parcialmente impossível) corresponda uma contraprestação. por outro lado. 939º). ao restaurante que encomendou certa porção de géneros ou ao empreiteiro que encomendou certa quantidade de mármore com determinadas características. a impossibilidade. que se obrigou a enviar por caminho de ferro para Faro. certa quantidade de mercadorias. nestes casos. diminuindo a prestação. Esta e outras disposições paralelas revelam bem que a resolução do contrato bilateral não tem como pressuposto essencial a violação culposa da obrigação que recai sobre a outra parte. o devedor ficará exonerado mediante a prestação do que for possível. 292º). Pode. Assim.

comissários. afasta-se da orientação válida em matéria de responsabilidade penal. como se os actos dos representantes legais ou dos auxiliares (quer eles sejam meramente culposos. contratualmente obrigada a fornecer assistência médica ao empregado.). ao contrário do que sucede com a responsabilidade extracontrual do comitente pelos actos do comissário. nas instruções para a sua. com as necessárias acomodações. não se justificaria que. E a doutrina aplicável aos representantes directamente designados pela lei vale ainda. Mas compreende-se que assim seja. a responsabilidade lançada sobre o devedor.sem culpa e diligentemente. Como nulo seria o acordo entre a administração dos caminhos de ferro e o empreiteiro de obras na via. A empresa. porém. se estes tiverem agido sem culpa.. neste domínio da responsabilidade civil.. responderá pelos danos que o médico culposamente causar a este. nomeadamente quando a intervenção dos auxiliares seja habitual ou seja condicionada (quanto à sua escolha) por certos requisitos de ordem legal (posse de certo título profissional. o artigo 809º. A menos que o próprio devedor tenha procedido culposamente na escolha do auxiliar. O devedor responde. E compreende-se mesmo que o devedor pretenda. procuradores.). Por isso se permite que a responsabilidade do devedor seja convencionalmente excluída ou limitada por acordo prévio dos interessados. para cumprir a sua obrigação de fornecer transporte a outrem.. contanto que o sejam no cumprimento da obrigação.Precisamente para acudir a essas hipóteses. no entanto.esta proíbe-a. que a exclusão ou limitação de responsabilidade (que pode abranger. testamenteiro. libertar-se dela. inscrição em determinados organismos. Esta fonte de responsabilidade objectiva do devedor não exprime. mesmo que entre a empresa e o médico não exista nenhuma relação de subordinação. 800º). não se exige nenhuma relação de dependência ou subordinação entre o devedor e o auxiliar.. como se tais actos fossem praticados pelo próprio devedor».. e o encarregado foge com o dinheiro ou negligentemente se esquece de cumprir. é liquido que a ressalva do nº 2 do artigo 800º visa fundamentalmente evitar que o acordo prévio dos interessados legitime a prática de actos. Os termos em que a responsabilidade é definida logo mostram. por parte dos representantes legais ou dos auxiliares. ou da agência de viagens que recorre a uma empresa armadora para realizar o cruzeiro marítimo prometido aos seus clientes].. Trata-se de uma verdadeira responsabilidade objectiva. E nesse sentido que deve ser interpretada e aplicada a exigência legal de que a exclusão ou limitação convencional de responsabilidade não compreenda actos daquela natureza. dos médicos ou enfermeiros que não observassem os deveres fundamentais da educação dos menores ou da guarda e vigilância requeridas pelos doentes do foro psiquiátrico. para os representantes escolhidos pelo tribunal ou pelo próprio devedor (administrador da massa falida ou insolvente. Seria assim nulo o acordo em que o director do colégio ou da casa de saúde para internamento de doentes mentais excluísse a sua responsabilidade pelos actos dos professores. interdito. administrador de bens). na medida em que para ela se não exige culpa do devedor (na escolha das pessoas.. e não à falta de cumprimento imputável ao devedor .. por não haver culpa do devedor. Por outro lado. A responsabilidade lançada sobre o devedor abrange ainda os actos dos seus auxiliares (mandatários. quer sejam mesmo dolosos) fossem praticados por ele próprio. como o próprio dolo) se refere aos actos de terceiro. colaboração ou na fiscalização da sua actividade). [Neste caso. Quanto aos representantes legais (pai. tutor. depositários...). Se a actividade do representante legal se exerce no interesse e em nome do representado (menor. que sejam contrários aos deveres impostos por normas de ordem pública (como aquelas que tutelam a integridade física ou moral do credor ou as suas relações familiares).. Advirta-se. pelo qual aquela se exonerasse da responsabilidade pelos actos dos . recorre a um táxi ou outra viatura de serviço público. porém.. o credor sofresse as consequências da culpa do auxiliar». Por consequência. em princípio. nenhum princípio de ordem pública. não só a negligência. nas instruções que lhe deu ou na forma como vigiou a sua actividade. nenhuma responsabilidade lhe poderá advir da sua actuação. O mesmo se diga daquele que. contanto que a exclusão ou limitação não compreenda actos que representem a violação de deveres impostos por normas de ordem pública (art.). quais são os seus limites. em alguns casos. que «o devedor é responsável perante o credor pelos actos dos seus representantes legais ou das pessoas que utilize para o cumprimento da obrigação. o devedor encarrega alguém de lhe ir pagar uma dívida. justo é que sobre o património deste (e não do representante) recaiam as consequências (boas ou más) do exercício daquela actividade. prescreve o artigo 800º/1.

não se admite que a indemnização fique aquém do montante do dano sofrido pelo credor. Se a prestação for negativa. A obrigação não foi cumprida no momento estipulado. porém. Tudo quanto se diz a propósito da classificação dos danos e da limitação dos danos sobrevindos ao lesado para o efeito da fixação e do cálculo da indemnização. eventualmente sujeito a apreciação jurisdicional no caso de desacordo entre as partes. mas é ainda possível o seu cumprimento. haverá falta de cumprimento. foi fixado um termo. Noção Requisitos. e não simples mora.patrimonial ou não patrimonial . Em contrapartida.. conquanto nada impeça que ele seja estipulado logo no momento constitutivo da obrigação (a casa editora declara-se desde logo desinteressada da edição da obra. 808º/2)]. Sem dano . Se. Essa a principal razão pela qual o artigo 808º/1. Por um lado. de algum modo se compreende também que ele não possa exigir indemnização pelos danos morais que haja suportado com a falta de cumprimento. sempre que a obrigação seja violada. Nexo de causalidade entre o facto e o dano. pela perda do seu interesse para o credor (art. Há mora. [A perda do interesse do credor na prestação é apreciada objectivamente (art. não existe responsabilidade civil. quando. não só o dano emergente (o prejuízo causado. O devedor comprometera-se a entregar 20000 contos ao credor em Maio. como para aquelas a que. Não cumpriu. A mora do devedor (mora solvendi) é o atraso (demora ou dilatação) culposo no cumprimento da obrigação. ao prejuízo que sofreu). Os dois termos desta ressalva como que se completam.Dano. A falta de cumprimento da obrigação só dá lugar à obrigação de indemnizar se o credor sofrer com ela um prejuízo.não há obrigação de indemnizar. o facto de ela não ser realizada no tempo previsto implica desde logo o não-cumprimento definitivo. terá que indemnizar a credora. que o credor terá de fixar sob a cominação de considerar a obrigação como não cumprida. de outro modo. como o lucro cessante. 808º/1) (artista contratado para participar em determinado espectáculo.. As únicas diferenças importantes a registar são as que resultam da inaplicabilidade do disposto no artigo 494º ao domínio da responsabilidade contratual e da não ressarcibilidade dos danos morais ou não patrimoniais sofridos pelo credor. 9 . se o original desta lhe não for entregue até certa data. 8 . O alienante do prédio que o não entregou à agência predial. não realiza a prestação no tempo devido. se inserir num contrato bilateral.Mora do devedor. Até porque. em princípio. tem plena aplicação à responsabilidade contratual e extracontratual. como sucede no comum das obrigações pecuniárias.seus maquinistas ou condutores que envolvessem violação das normas de segurança do tráfego ferroviário. tendo a prestação um prazo certo (obrigações de data fixa ou de prazo essencial). trabalhadores rurais assalariados para fazer uma ceifa ou para proceder à apanha de frutos prestes a cair da árvore.. continuando a prestação a ser ainda possível. O devedor incorre em mora. uma prestação. a que se refere o nº 1 do art. razoavelmente. mesmo no caso de mera culpa. uma indemnização de valor inferior ao montante do dano (o credor terá sempre direito a uma reparação de valor igual. é um prazo-limite. Há casos em que. por causa que lhe seja imputável. seja qual for a duração do seu interesse para o credor. como devia.No dano indemnizável cabe. para esta o revender a um terceiro. se não concebe. há casos em que. ab initio ou a posteriori. constituído pelos benefícios que o lesado deixou de obter em consequência da lesão. inclui ainda na rubrica do não-cumprimento (inadimplemento ou inadimplência) definitivo os casos em que a prestação. mesmo que não seja realizada na data estipulada. com a revenda já negociada. a prestação mantém sempre o seu interesse para o credor. não seja realizada dentro do prazo que. se introduziria no capítulo da responsabilidade contratual um factor de séria perturbação da certeza e segurança do comércio jurídico. por essa razão. mas também do lucro que ela teria obtido. Este prazo. E como. não só do valor do prédio. apesar de objectivamente continuar a ter interesse. não seria justo manter qualquer das partes indefinidamente vinculada à sua contrapestação. for fixado pelo credor.). o promitente comprador declara-se desvinculado do . atentas as expectativas criadas pela constituição do vínculo obrigacional. com o fundamento de que a prestação prometida pela outra continua a ter interesse para ela. que tanto vale para as obrigações puras. É um prazo especial. 564º).

Requisitos. A mora verifica-se. atingido o prazo certo. enquanto o credor não tiver efectuado a contraprestação ou oferecido o seu cumprimento simultâneo. De harmonia com o principio geral fixado no nº 1 do artigo 799º. Esta mora desencadeada pelo mero vencimento da obrigação. consideram os autores necessário que a prestação seja. por ex. nada obsta a que possa haver mora debitoris. por conseguinte. intencionalmente se furtou à notificação ou abandonou o domicílio para não receber a reclamação extrajudicial do credor). porém. A mora está nesse caso dependente da reclamação do cumprimento imediato feita pelo credor. E ponto cuja solução depende da natureza da obrigação. necessária (além da mera aceitação) para que o obrigado possa e deva efectuar a prestação. E assim sucede nas obrigações em que o devedor.contrato. porque. Mas já assim não sucede nas obrigações de tipo oposto. em que a prestação deve ser exigida pelo credor no domicílio do devedor: nesse caso.. uma vez verificados. A presunção pode ser afastada pelas mais variadas circunstâncias (doença ou outro motivo de força maior. vencida a obrigação. da ilicitude do retardamento da prestação). reclamação que tanto pode ser efectuada judicialmente. em princípio. que são a ilicitude e a culpa. nos termos do nº 2. no entanto. por não haver culpa do devedor no atraso do cumprimento. Haja em vista o caso do portador do bilhete para certo espectáculo (de teatro ou de cinema). para que haja mora. do artigo 805º. consequentemente. teria sido efectuada. interessa ainda precisar o momento em que esta se verifica. ou se tenha tornado. 805º). pela sua inclusão nos pressupostos essenciais da mora. 10 . Se a obrigação é ilíquida (por não estar ainda apurado o montante da prestação). Se a prestação não é certa. mas a falta tiver sido provocada por este. porque o retardamento no cumprimento procede de causa que lhe não é imputável. certa.. que tem naturalmente de deslocar-se à sala onde o espectáculo se realiza. não é necessária a interpelação para que haja mora. facto de terceiro. não haverá mora do devedor. por falta de ilicitude do nãocumprimento. nos termos que ficam expostos. haver mora. .Momento da constituição em mora. estes ainda não efectuaram a escolha. há ainda dois outros núcleos de situações em que a mora prescinde da interpelação. alínea c). Se a obrigação é pura.. é necessário que o credor procure a prestação (e o devedor a não realize). Ao lado das obrigações com prazo certo. Tendo a obrigação prazo certo. se o promitente vendedor não se aprontar a outorgar na escritura de venda até ao fim de certo mês). com efeito. o devedor não cumpre (artigo 805º/2 al. como extrajudicialmente. se a incerteza da prestação provém apenas de o devedor não ter efectuado ainda a escolha ou determinação que lhe incumbe fazer. é ao devedor que incumbe afastar a presunção de culpa que recai sobre ele. Antes de serem definidos os efeitos da mora. No caso de a prestação integrar um contrato bilateral. por não ter havido a necessária interpelação do obrigado. cabendo a sua determinação ao credor ou a terceiro. 805º/1). a)). só há mora depois de o devedor ser interpelado para cumprir (art. haverá mora. obrigado a realizar a prestação no domicílio do credor ou de terceiro. O primeiro é o de a interpelação ter sido impedida pelo próprio devedor (que. desde a data em que a interpelação. logo que. Se a dívida não for exigível. os pressupostos objectivos da mora. solvendi). quanto ao tempo do vencimento (art. Relativamente à exigibilidade. falta de necessária cooperação do credor.). a condição que ainda se não verificou). ligada à mesma ideia da culpa do devedor. Mas também nesse aspecto há que introduzir uma limitação. também a mora se não verifica. além da culpa do devedor (e. dá-se quando. Mas. mesmo depois de atingido o prazo certo que as partes estipularam. exigível e líquida. enquanto a prestação se não torna exigível (obrigação sujeita a prazo que ainda se não venceu ou.O devedor considera-se interpelado (e. omite o comportamento a que se encontra adstrito. por maioria de razão. normalmente. a excepção de não cumprimento do contrato (exceptio non adimpleti contractus) afastará a mora do devedor. embora a prestação seja exigível desde o momento da sua constituição. Para que haja mora (debitoris. ou o caso do excursionista que necessita de deslocar-se ao local de onde parte a excursão. O acerto destes requisitos mede-se. portanto. dá-se em princípio como assente que não pode. nenhuma actividade mais do credor ou de terceiro se torna.

não é um efeito da mora. O direito de resolução só nasce (para o credor). [A resolução do contrato. O segundo é o de a obrigação provir de facto ilícito extra-contratual (art. sem razão justificativa. aliás. em casos de negligência. que A provoca danos na viatura de B. nesse caso. lança sobre o devedor o risco da impossibilidade da prestação. b) Inversão do risco O risco passa a recair sobre o credor. ou pelo dos seus representantes e auxiliares. quando a mora se converta em não cumprimento definitivo da obrigação]. Porém. excepcionalmente. processando-se as coisas com regularidade. se E tiver destruído ou danificado coisa alheia. mesmo que a obrigação do devedor se extinga (artigo 815º/2). 805º/3). desde o dia em que ilicitamente se apropriou do dinheiro alheio ou desde a data em que devia efectuar a entrega das quantias em dívida (arts. não há responsabilidade civil do devedor perante o credor. Contudo. Admitamos. A partir da mora do credor. o credor em mora indemniza o devedor pelos custos que o devedor venha a ter com o cumprimento e conservação da coisa. o teria sido. c) Indemnização Nos termos do artigo 816º. que o artigo 566º/2. os juros da soma correspondente ao valor do dano serão apenas devidos desde a data da sua liquidação (art. 806º. o devedor só responde pelo objecto da prestação. artigo 800 CC). e desde que não resulte de dolo do devedor. 805º. que conjugar o princípio fixado na alínea b) do nº 2 do artigo 805º com a regra aplicável aos créditos ilíquidos (art. então. não se desvincula de efectuar a obrigação. por outro. Assim se explica. independentemente de qualquer interpelação do devedor e da data dela (arts. 465º. De contrário.Efeitos da mora: A) Reparação dos danos moratórios. 804º/1). O lesante terá. a partir da prática do facto ilícito. b)). sempre que existe impossibilidade superveniente. terá que indemnizar o respectivo dono do prejuízo que ele sofreu. A mora conta-se. se recusa a aceitar a prestação ou. quando a obrigação do faltoso se integre num contrato bilateral. alínea b). resultante após o estabelecimento do vínculo obrigacional. Isto significa que. sem razão legítima. como danos moratórios. terá de pagar. o dono deixou de obter) desde o dia do acidente. cuja reparação na oficina se prolonga por alguns dias. no cálculo da indemnização a pagar em dinheiro ao lesado. não só de custear as despesas de reparação do veículo. 566º e 805º/2. 12 . alínea b)). ou se recusar a prestar contas do seu cargo de mandatário ou das suas funções de gestor. 805º/3) e ainda com a solução especial que o artigo 806º fixa quanto aos danos moratórios das obrigações pecuniárias. al. ou seja. A mora tem dois efeitos fundamentais: por um lado. o credor em mora não é punido. Nos contratos bilaterais. a falta da liquidação de tais danos provenha de facto imputável ao lesante. Para a correcta interpretação e aplicação da lei. Mas não lhe deve juros da soma correspondente a esses danos. al.Mora do credor (artigo 813º) A mora do credor dá-se quando o credor. 11 .constituído em mora) desde a data em que. mande tomar em linha de conta todos os danos por ele sofridos desde a prática do facto ilícito até à data mais recente a que o tribunal puder atender. 805º/2. sem exclusão dos danos futuros. a não ser que. há. quando tem a obrigação de disponibilizar certas medidas para o cumprimento da prestação e não fez. A mora do credor não extingue o vínculo. porém. mas de indemnizar ainda o prejuízo resultante da privação dele (incluindo os lucros que. nos termos dos artigos 562º e seguintes. obriga o devedor a reparar os danos que causa ao credor o atraso culposo no cumprimento (art. para exemplificar. A mora do credor. Se C se tiver apoderado ilicitamente de certa soma pertencente a D. 563º. e) e 1164º). apenas determina a responsabilidade do devedor em casos de dolo próprio ou dos seus representantes na prática de actos. . pelo seu dolo. não exonera o devedor. tem os seus efeitos: a) Atenuação da responsabilidade do devedor Só haverá responsabilidade civil do devedor se tiver agido com dolo (artigo 814º . por via disso. os juros correspondentes às somas devidas.cfr. e como seria lógico.

Por outro lado. à hora fixada pela compradora. 806º/1). entretanto. diz o nº 2 do artigo 808º. O segundo efeito típico da mora solvendi vem retratado no artigo 807º. A vendeu certa coisa a B. embora proveniente de causa inimputável ao obrigado. neste sentido. determinados nos termos dos artigos 562º e seguintes. a mora equivale desde logo ao não cumprimento definitivo da obrigação. deveria arrastar normalmente consigo a extinção da obrigação. que essa perda de interesse transpareça numa apreciação objectiva da situação. e não apenas à parte que o devedor não ofereceu ao credor. em 10 de Março. manda reparar. tarde e a más horas. Se o credor se recusar. Esta responsabilidade especial do devedor excede os limites da causalidade adequada. garante-se uma indemnização efectiva ao credor a partir do dia da constituição em mora (art. e de o devedor se manter. para que o cliente pudesse apanhar o avião. E necessário. Notificação ou intimação admonitória. não impede que a mora possa causar a este prejuízos. . adstrito ao cumprimento da obrigação. B) Inversão do risco (perpetuatio obligationis). identifica-se a indemnização com os juros legais da soma devida. o devedor torna-se responsável pelo prejuízo que o credor tiver em consequência da perda ou deterioração daquilo que deveria entregar.O facto de a prestação ser ainda possível. se for notório que a fruta se destinava a um banquete efectuado muito antes do momento em que o vendedor se aprontava para cumprir. que o artigo 804º/1. comprometendo-se a entregá-la no dia 5 desse mês. mais ou menos extensos. no entanto. C) Conversão da mora em não cumprimento definitivo. perecimento da coisa não pode ser apontado como um efeito adequado da mora (hipótese de a mercadoria ser destruída num acidente ferroviário ocorrido com o comboio em que. em princípio. na hipótese de a obrigação ter sido oportunamente cumprida. E daí que a sanção apenas ceda quando se prove que a coisa teria sofrido o mesmo dano (pela mesma causa ou por outra de efeitos análogos). A perda da coisa. por conseguinte. por caso fortuito. A ratio do preceito está na presunção. Por um lado. ainda que a prestação tivesse sido entregue em tempo oportuno. o interesse a que se achava adstrita a prestação em falta e os benefícios ou lucros que ele deixou de obter em virtude da falta do devedor. por se não extinguir o interesse do credor. estipulado pelas partes. facilmente se conclui que a sanção se refere. qual. não a teria atingido. Entre os danos moratórios avultam as despesas que o credor seja forçado a realizar para satisfazer. ela foi remetida ao credor). quando a perda de interesse da credora (que pretendia provar a fruta ao almoço. O motorista não aparece à hora fixada. a lei presume que há sempre danos causados pela mora e fixa. às obrigações de prestação de coisa. Esta mantém-se. Pelos próprios termos usados na redacção da lei (perda ou deterioração daquilo que deveria entregar). em 1 de Março. porém. abrangendo os casos em que o. A mora do devedor pode eliminar todo o interesse do credor na prestação. a mora e os respectivos danos reportar-se-ão a toda a prestação. tendo havido transferência do domínio ou de outro direito sobre a coisa. A falta de entrega da fruta que a dona de casa encomendou. O artista não comparece à hora em que deveria participar no festival. se ela tivesse sido oportunamente entregue. O prazo que não foi observado era um prazo essencial. devido ao facto (ilícito) da mora. mesmo que estes factos lhe não sejam imputáveis. São todos esses prejuízos. e pode não justificar a recusa da prestação tardia. posta a correr contra o devedor faltoso. e a coisa veio a inutilizarse. salvo se o devedor em mora provar que o dano se teria igualmente verificado. ela se traduz numa inversão do risco. a receber a prestação parcial que o devedor pretendia efectuar. como que perpetua a obrigação. legitimamente. por causa não imputável ao obrigado. de que o acidente que provocou a perda ou a deterioração da coisa. A falta das matérias-primas na data em que o industrial contava com elas pode ter forçado a uma aquisição em condições muito mais onerosas e implicado a perda de algumas encomendas lucrativas. pode equivaler a um não cumprimento definitivo. Nas basta. salva a hipótese de um juro convencional mais alto ou de um juro moratório diferente. Tratando-se de obrigação pecuniária. de modo especial. Pelo facto de estar em mora. uma perda subjectiva de interesse na prestação. e que todo o seu interesse está nos casos em que. Não a entregou. o montante desses danos. Quando assim seja.

especialmente no domínio das obrigações nascidas de contrato ou de negócio jurídico unilateral. O que não pode é abdicar antecipadamente de qualquer deles. o direito à realização coactiva da prestação se ela for possível (ou à execução por equivalente). Neles reside a força intrínseca da juridicidade do vínculo obrigacional. Por uma questão de certeza do Direito e de segurança das relações jurídicas.e não ao jantar. a cláusula pela qual o credor renuncia antecipadamente a qualquer dos direitos que lhe são facultados nas divisões anteriores nos casos de não cumprimento ou mora do devedor. modificar ou extinguir de mútuo acordo. E terá ainda de ser fixado. que restituir a contraprestação que eventualmente tenha já recebido). enquanto outros falam em interpelação cominatória. embora a mora lhe confira o direito a ser indemnizado dos danos sofridos. um prazo para além do qual declara que considera a obrigação corno (definitivamente) não cumprida. para celebrarem os contratos que melhor sirvam os seus interesses e para darem às obrigações deles emergentes o conteúdo que melhor satisfaça as necessidades de cada uma delas. ou naquele dia e não no dia seguinte) for puramente subjectiva. depois que o não cumprimento se verificou. a lei não permite que o credor renuncie antecipadamente a qualquer dos direitos de que ele dispõe contra o devedor que não cumpre. em termos de claramente deixar transparecer a intenção do credor. quer o conteúdo das obrigações dele decorrentes. a despeito da força vinculativa da lex contractus. Nada impede. E pode ser especialmente tentado a não reagir. quer se trate da falta definitiva do cumprimento (incluindo a impossibilitação culposa da prestação). dentro dos limites ético-jurídicos estabelecidos na lei. o artigo 809º não abriu brecha. destinado a conceder ao devedor uma derradeira possibilidade de manter o contrato (e de não ter. tem de ser uma dilação razoável. em relação a nenhum dos direitos que integram a guarnição defensiva do interesse do credor. enquanto as obrigações se mantiverem. quer as cláusulas inscritas no contrato. porém. E a esta notificação feita ao devedor para que cumpra dentro de certo prazo. o artigo 808º/1. Para satisfazer este compreensível interesse do credor. ter legítimo interesse em libertarse do vínculo que recai sobre ele. sobretudo nos contratos bilaterais. Fixação contratual dos direitos do credor 1 . na hipótese de o devedor não cumprir em tempo oportuno. É que. que o prazo suplementar compulsório seja estipulado anteriormente. além do mais. pela mesma razão. depois que o não-cumprimento ocorreu. de um ónus imposto ao credor que pretenda converter a mora em não cumprimento definitivo. o direito de resolução do contrato (quando a obrigação não cumprida provenha dum contrato bilateral ou sinalagmático) e o direito ao «commodum» de representação.Nulidade das cláusulas de exclusão da responsabilidade civil. prescreve-se no artigo 809º. O credor pode não exercer qualquer das faculdades que a lei lhe confere. frouxa. discreta do devedor. que alguns autores chamam notificação admonitória. atribui-lhe o poder de fixar ao devedor. salvo o disposto no nº 2 do artigo 800º». esteja em causa a mora do devedor ou o cumprimento defeituoso da obrigação. Os direitos cuja renúncia antecipada a lei proscreve nesta disposição imperativa são o direito à indemnização dos danos sofridos (em qualquer das formas de não cumprimento culposo). até no próprio momento da constituição da obrigação. Nesse caso. na generalidade dos casos. O credor pode não exercer nenhum desses direitos e pode inclusivamente renunciar em definitivo ao exercício de qualquer deles. As partes gozam da mais ampla liberdade. como para as situações em que a falta de cumprimento assenta na mera negligência do obrigado. Mas de igual liberdade não gozam no capitulo nevrálgico do nãocumprimento das obrigações. está em princípio coberta pelo amplo princípio da liberdade contratual. Toda a área das obrigações. o credor pode ainda. Trata-se. só a falta (definitiva) de cumprimento legitima a resolução do contrato. . tal como o não cumprimento definitivo. Fora destes casos. depois de ter incorrido em mora. E podem de igual modo. quando as circunstâncias concretas em que o seu direito ficou por satisfazer revelam uma culpa leve. Este prazo. em vista dessa finalidade. com a força e amplitude que a lei lhe concede. quer. que haja incorrido em mora. A proibição da renúncia antecipada tanto vale assim para os casos em que a violação do direito do credor procede de dolo do devedor. «É nula.

Há neste caso uma espécie de responsabilidade objectiva para o devedor. O sinal consiste sempre na entrega de uma coisa por uma das partes à outra. mesmo que nenhuma culpa lhe possa ser imputada e ainda que nenhuma culpa possa ser assacada ao auxiliar ou representante. Como se sabe.O que não pode. A cláusula penal é normalmente chamada a exercer uma dupla função. concretizando inclusivamente os efeitos práticos da sua aplicação. Reforço ou predeterminação das sanções contra o não cumprimento. 2 . E por isso deve ser restituído ao autor. onde pontifica o direito criminal.a falta de cumprimento (não obstante a recepção dos meios necessários para o efeito) ou a mora na prestação . 3 . quando o contrato for cumprido e o sinal não possa ou não deva ser . Por outro lado. para que o devedor. porém prescreve-se nesse artigo . um mais em relação à indemnização normal.se reflecte. deliberadamente inseriu na sua redacção. quando os danos previsíveis a acautelar sejam muitos e de cálculo moroso.fixar por acordo o montante da indemnização exigível: é o que se chamada cláusula penal». Sendo o acto do cumprimento realizado ou determinado nesses casos em nome ou no interesse do devedor. aliás. o sinal tem uma função essencialmente distinta. embora com ele tenha algumas afinidades funcionais. bem marcado na adversativa (porém) que o legislador.Cláusula penal (ou pena convencional).Ressalva relativa aos actos dos representantes legais ou auxiliares. seja menos tentado a faltar ao cumprimento.ou pena . ao passo que a cláusula penal constitui uma simples convenção (estipulação) acessória da constituição da obrigação. é logo à par-tida esvaziar qualquer dos pneus com que circula a viatura coercitiva da obrigação. A cláusula penal é. repressiva ou punitiva. de difícil avaliação ou quando sejam mesmo de carácter não patrimonial. 800º/2) excepcionalmente permite a exclusão ou limitação da responsabilidade (obviamente. E só assim se explica. quando os prejuízos sejam. porque a lei lhe não permite. A cláusula penal extravasa. em quem o comportamento irregular do solvens (representante legal ou auxiliar) . da que toca à cláusula penal. o devedor responde pelos actos dos seus representantes legais ou dos seus auxiliares no cumprimento da obrigação. pelo grave risco de perder a sua efectiva direcção. bem como a outra designação sinonímica (pena convencional). E esse o sentido específico da disposição contida no artigo 810º. Assim sucede. o apelativo especial (penal) da cláusula. o sinal visa garantir apenas a conclusão e a firmeza do contrato. quando assim seja. contanto que a exclusão ou limitação não vá ao ponto de cobrir violações de deveres impostos por normas de interesse e ordem pública. com receio da sua aplicação.pena convencional. nesses casos. constituída pelo seu representante legal ou auxiliar. não seria efectivamente justo que a falta ou irregularidade da prestação prejudicasse o credor e não o obrigado. a cláusula penal visa constituir em regra um reforço (um agravamento) da indemnização devida pelo obrigado faltoso. quanto aos actos do representante ou auxiliar). para se aproximar da zona cominatória. A cláusula penal distingue-se do chamado sinal.cláusula penal . para estimular de modo especial o devedor ao cumprimento. uma sanção calculadamente superior à que resultaria da lei. É precisamente para estas situações de cumprimento do devedor. por natureza. Por isso mesmo se lhe chama penal . do prosaico pensamento da reparação ou retribuição que anima o instituto da responsabilidade civil. Por um lado. Se é confirmatório. Se não se permite que o credor elimine ou enfraqueça os meios de reacção predispostos na lei contra a mora e o inadimplemento. como sanção contra a falta de cumprimento. Conjugando a noção dada no preceito legal com a real dimensão da figura e com o sentido corrente da expressão. como se tais actos fossem praticados por ele próprio. apesar das aparências superficiais em contrário. que a lei (art. Por outro lado. já nada impede que as partes reforcem ou assegurem antecipadamente a reacção legal contra o não cumprimento. como instrumentos que assinalam a ilicitude da conduta do devedor. a cláusula penal visa amiudadas vezes facilitar ao mesmo tempo o cálculo da indemnização exigível. A única fresta que o artigo 809º rasga na proibição das cláusulas de exclusão da responsabilidade do devedor refere-se aos actos dos representantes legais ou auxiliares do devedor. «As partes podem. pode dizer-se que a cláusula penal é a estipulação pela qual as partes fixam o objecto da indemnização exigível do devedor que não cumpre. no sistema da relação obrigacional. com alguma frequência.

Além disso. quer na terminologia técnica da lei. ao objecto da prestação pecuniária . não porque haja um facto ilícito da sua parte (uma violação da relação contratual). A cláusula penal tem por via de regra como objecto uma quantia em dinheiro. Capítulo III – Causas de extinção das obrigações além do cumprimento 1 – Dação em cumprimento e dação em depósito – Arts 837º a 840º 2 – Consignação em depósito – Arts 841º a 846º 3 – Compensação – Arts 847º a 856º 4 – Novação – Arts 857º a 862º 5 – Remissão – Arts 863º a 867º 6 – Confusão – Arts 868º a 873º . 442º/1). o sinal deve considerar-se perdido pelo autor. pois é da fixação do montante da indemnização que a lei fala ao caracterizá-la e a expressão montante refere-se geralmente. sempre que ele deixe de cumprir.imputado na prestação devida (art. como na entrega de outra coisa fungível ou não fungível. o sinal tanto pode consistir numa entrega de dinheiro. Se é penitencial. mas como um custo convencional do direito que ele exerceu. quer na linguagem corrente.