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Avan

Coletivo Avante!

1ª ed ição/

te!
2012

avante_2012@hotmail.com

Entrevista: a polícia em Pinheirinho

Toninho Ferreira, advogado d@s morador@s, fala sobre os reais motivos da desocupação

(pág. 07)

Confira ainda nesta edição:
O Avante! também esteve em Pinheirinho e conta o que viu.
(pág. 06)

Matriz Curricular: quais os problemas?
(pág. 09)

O 8 de março e a luta das mulheres
(págs. 04 e 05)

Apresentação

por Tairo Esperança (181-23)
Para quem ainda não nos conhece, principalmente para os calour@s, vale a pena uma pequena apresentação. Somos o Coletivo Avante!, um grupo político que atua na faculdade de direito, e este aqui é o nosso jornal. Editamos esta publicação todos os meses com a ideia de colocar nossas opiniões sobre os principais fatos políticos que estão acontecendo, pautar criticamente o que fazem os governos e chamarmos tod@s nós, estudantes, para a ação! Em especial, aproveitamos esse espaço para fazer críticas a como anda educação no país e lutar por mais verbas para uma universidade verdadeiramente pública, gratuita e de qualidade. Para você que vai ler este jornal e quer conhecer mais do que pensa nosso grupo, convidamos a uma breve reflexão. O ano passado já começou agitado. Depois de décadas de poder, vários ditadores no mundo árabe caíram pelas revoluções na Tunísia, no Egito e na Líbia. A Europa, endividada, ainda paga pela crise de 2008, respondendo com duras medidas de austeridade. São cortes em tudo: salário mínimo, aposentadorias, empregos. E o Brasil não fica para trás nisso tudo. O governo Dilma foi um prato cheio em cortes, batendo recorde de restrições no orçamento ano após ano: anunciou 50 bilhões em cortes no ano passado e 55 bilhões para este ano. Só para a educação, que sempre sofre os baques, os números foram de 3,1 bilhões em 2011 e de 1,93 bilhões agora. Tudo isso enquanto o governo Serra deixa mais de 6 mil pessoas sem casa na desocupação do Pinheirinho, e o governo federal continua desalojando milhares de famílias por conta das obras da Copa. Todas essas políticas vêm cobrar sua conta aqui, na porta da nossa universidade. A começar pelo nosso reitor, escolhido pelo governador do estado (isso mesmo, escolhido!) e que tem um histórico de privatização e intolerância na universidade. Como no Pinheirinho, mobilização aqui na universidade tem se tornado caso de polícia, com a presença ostensiva da polícia no campus. Foram 73 estudantes pres@s, 6 expuls@s durante as férias e mais 12 pres@s agora, na desocupação da Moradia Retomada. Criou-se o primeiro curso pago da USP (na FEA) e já faz dois anos que a expansão de vagas em nossa universidade só se dá pela UNIVESP, com cursos de ensino à distância: os cursos presenciais, na verdade, estão sofrendo ataques (como aconteceu com o curso de obstetrícia, no ano passado, que quase foi fechado). Como vemos, são muitos problemas. E o Avante! é o grupo daquel@s que não estão contentes com esta situação. Queremos nos organizar para lutar por mais verbas para a educação e por uma universidade mais pública. Entendemos que a situação do ensino é só mais um reflexo de todo um sistema de problemas, e que nossas lutas vão para além, vão contra os governos que são responsáveis por tudo isso. Temos uma posição crítica, de esquerda, e acreditamos que a mudança só é possível com a exigência. E que precisamos estar em nossas lutas junto dos trabalhadores e trabalhadoras, que sustentam a USP com um imposto regressivo (ou seja, que é mais pesado para @s que menos podem pagar). Para os calour@s, vocês vão perceber que a faculdade não vai oferecer tudo para vocês. As aulas são importantes, mas não são tudo. Queremos que você venha para a ação! Se você quer lutar por uma educação de qualidade e pública, conheça o Avante!, participe de uma das nossas reuniões. Logo vamos divulgar na faculdade e no facebook uma reunião de apresentação para @s calour@s. Todos e todas estão convidad@s!

A crise Europeia
por Thiago Nascimento (182-12)
Diminuição de 22% no salário mínimo; extinção do 13º Salário; aumento da idade para se aposentar; demissão de milhares de servidor@s públic@s; corte de gastos essenciais do governo; aumento de impostos; aumento de preços. Esse é o quadro assustador que assola a Europa a partir de suas beiradas – Grécia, Portugal, Espanha – e que infelizmente só tende a se aprofundar. Engraçado é que já deixamos a expressão “crise europeia” passar batida no jornal, já não a encaramos mais como “notícia fresca” e, por isso, a esquecemos. Esquecemos que toda semana uma nova medida de austeridade assola esses países. Toda semana, milhares têm seu salário cortado, e são repreendidos violentamente pela polícia em seus justos protestos. E, claro, esquecemos que amanhã tais situações muito provavelmente baterão à nossa porta. A crise que assola a Europa, seja através do endividamento de entes financeiros privados (bancos da Islândia), do governo (Grécia) ou da especulação imobiliária que impregnou a Espanha na última década, teve seu estopim em 2008, com a derrocada, a partir dos Estados Unidos, do grande castelo de cartas do Sistema Financeiro Internacional. Bancos jogavam cada vez mais com números hipotéticos, caracteres que nada representavam, e o estouro da bolha imobiliária fez o conhecido efeito dominó se iniciar, e terminar com a cobrança de dívidas sobre o cidadão e a cidadã comuns. Estes perderam as suas casas, o seus empregos, e assistem a instituições seculares, antigamente sólidas, se desmancharem no ar – suas aposentadorias, a saúde, a educação. Mas tudo isso a maioria de nós já está cansad@ de saber. Até dos protestos sabemos. E já a partir daí temos o dever de nos mobilizar contra a degradação que se força aos povos europeus. O que efetivamente nos negamos a ver, é que naquele continente estão se moldando, desde 2008, os cenários possíveis para o resto do mundo nos próximos anos. À Grécia, de governo praticamente fantoche aos desmandos do Banco Central Europeu e do FMI, reservam-se as piores medidas de austeridade possível, para que, à custa da população, os bancos tenham seus créditos satisfeitos. Já na Islândia, os pacotes aos bancos não foram tão generosos assim. O governo os estatizou, e mudou as leis para que a população fosse paga em primeiro lugar. Pode-se dizer que foi uma ótima medida para os islandeses – mas não para @s pobres correntistas desses bancos que moravam em outros países, que não receberam um tostão dessa estatização. Os demais governos europeus, infelizmente, se alinham pouco a pouco às medidas gregas. Existiram outros planos? Melhores, ou ainda mais perversos? A interpenetração do capital, suas múltiplas relações internacionais são incontroláveis. Basta qualquer um desses países ficar um pouco pior (algo inevitável, dada a lógica do castelo de cartas do mercado financeiro), para que nossa Bovespa seja arrastada, e com ela nossos empregos, nossos já parcos direitos. A crise chegará aqui. Quando isso acontecer, o que iremos fazer?

Espalhar dinheiro aos bancos, sugando os direitos da população? Bater de frente contra o sistema financeiro internacional? E quem irá decidir isso afinal? Por que ainda nos quedamos sentad@s, surfando em nossa marolinha, se esquecendo das notícias que chegam do além-mar? As reações da população, as medidas dos governos e as ações da União Europeia são mais que mensagens de um presente distante, são avisos de um futuro próximo. Avisos do que devemos cobrar desde já, e de quais propostas nós, estudantes, temos de sair às ruas para construir – em nossa defesa, em defesa d@s europeus, em defesa de todo o mundo.

Curso de Economia do Avante!
É claro que todos esses problemas econômicos, todas essas consequências das relações de mercado, são difíceis – não por acaso – de serem entendidas à primeira vista. Por isso convidamos todos e todas para o nosso CURSO DE ECONOMIA, para entendermos o que realmente importa – como chegamos até o panorama econômico atual, e como dele sairemos. As engrenagens do capitalismo, sua capacidade de reforma ou a necessidade de se abandoná-lo. Compareça! O primeiro encontro será na próxima reunião do Avante!, que será divulagada por toda a faculdade!

8 de março e a luta das mulheres
por Ticiane Natale (181-24)
A data 8 de março é vista como dia de comemoração nos shoppings, propagandas de TV, no trabalho... Enfim, é um dia de forte exaltação da “feminilidade”, do poder das mulheres no mundo atual e toda a liberdade que elas tem para serem o que quiserem ser. Desde as décadas de 60/70, depois da “revolução sexual” como o surgimento da pílula anticoncepcional e da disseminação do divórcio, são raras as opiniões dissonantes de que a mulher atingiu sua emancipação. Mas o que as feministas ainda nos tem a dizer? É inegável que a sociedade tenha desigualdade social, mas essa desigualdade possui gênero: 70% dos 1,3 mil milhões de pobres no mundo são mulheres (dados de 2007). Isso mostra mais alguma forte contradição nessa sociedade. Falta tanta coisa às mulheres que é impossível dizer que há igualdade com os homens: falta a possibilidade de conciliar o trabalho fora e a vida doméstica (como creches gratuitas para todas), falta a liberdade para sair na rua sem medo de estupro, falta a autonomia sobre o próprio corpo, falta espaço para ela na política, falta a valorização da mulher na mídia para além de seu peito e sua bunda, falta saúde pública de qualidade (ou quem cuidará das crianças e idosos doentes?)... E a lista segue, não parece ter fim. De fato, a nossa sociedade é ainda muito machista. Mesmo porquê a tradição secular de ver e de tratar as mulheres como ser inferior está na base da nossa cultura, dos nossos valores e nas condições objetivas de vida, que justificam e “amenizam” inclusive o fato da mulher receber em média 30% menos de salário do que um homem para trabalhos iguais! A Bíblia, o livro mais vendido do mundo e uma das bases da cultura ocidental, possui passagens como esta: À mulher ele (Deus) disse: “Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás

*Mamãe, o que você gostaria de ser se vivesse?

à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará”. (Gênesis 3,16). Façamos justiça, o Alcorão e outros livros sagrados não ficam muito atrás...

8 de Março: Dia Internacional de Luta das Mulheres
Existem várias histórias que supostamente remontam ao surgimento do 8 de março como um dia especial para as mulheres. À parte disso, fato é que todas as histórias remetem a mobilizações importantes, com mulheres saindo às ruas pelo direito ao voto e por melhores condições de trabalho e igualdade nos EUA. Atualmente, v e m o s mulheres saindo às ruas nos países árabes, por melhores condições de vida e Estado Laico, e na Europa, contra os planos de austeridade para salvar os bancos em detrimento da população. Em 2012, a ida das brasileiras às ruas por melhores condições é especialmente importante, posto que, no segundo ano de governo de Dilma, vemos que a vida das das trabalhadoras não se alterou. Em muitos casos, vemos significativos retrocessos, como a Medida Provisória 557, impulsionada pela base governista evangélica do governo, que cria um cadastro nacional para grávidas. Nela, será incluída qualquer grávida que procure o SUS, facilitando a identificação e criminalização das mulheres que não quiserem/ puderem aceitar essa situação e abortarem. Para “compensar”,o programa prevê o pagamento do táxi para as mães no dia do parto, uma concessão do governo às trabalhadoras, mas que por outro lado demonstra o desinteresse de criar hospitais nos bairros periféricos e de comprar mais ambulâncias. E o que dizer dos cortes de mais de R$ 55 bilhões afetando tod@s @s brasileir@s? Apesar de ser mulher, a presidente perpetua a política machista e elitista tão conhecida no Brasil.

É preciso lutar contra o machismo nas ruas e na São Francisco
As franciscanas, por estarem no espaço supostamente mais esclarecido, a universidade, não estão imunes ao machismo e todo tipo de agressão. Não são incomuns puxões de cabelo, empurrões e, além disso, abusos sexuais nas festas. Como incentivo a mais, os cartazes de festas objetificam as mulheres, como mais uma coisa a ser consumida na festa. O caso de homofobia– que é uma forma de machismo, já que é a aversão ao papel de “machão” socialmente imposto aos homens– divulgado pelo GEDS, ocorrido na Festa da Matrícula, é mais um triste exemplo dessa faculdade que precisa repensar suas “tradições”. Há a necessidade de desmentir o mito da emancipação feminina. Sair às ruas para ir à luta neste 8 de março é mostrar que as mulheres podem se envolver na luta política por melhores condições de vida, que não são passivas de achar que está tudo bem sofrer, ainda por cima de “salto alto”, com agressões, acúmulo de tarefas e cerceamento de sua liberdade. Neste 8 de março, nesta quinta-feira, tod@s aos ato na Praça da Sé, às 14h, no ato unitário dos movimentos feministas por igualdade e melhores condições de vida para homens e mulheres!

*Mamãe, que futuro você vê nesse movimento pela emancipação da mu... Nada, esquece.

Pinheirinho e violência policial
por Tairo Esperança (181-23)
No mês passado, o Pinheirinho tomou a mídia por conta da violenta desocupação policial de que foi vítima. Tod@s já devem ter tido algum contato com essa ocupação de São José dos Campos, que foi reconhecida como a maior da América Latina. @s militantes do Avante! estiveram lá uma semana antes da desocupação e no próprio dia da ação policial. Queremos passar um pouco da nossa experiência e contar um pouco do que vimos. A ocupação do Pinheirinho realmente fazia jus ao título de maior ocupação da América. Moravam lá mais de 6 mil pessoas (alguns falam em 9 mil, mais de 2 mil famílias). A ocupação já contava com mais de 8 anos, e a maior parte das casas era de alvenaria. Tudo impressionava pela organização: as ruas eram largas (passavam três carros com tranquilidade), os terrenos de cada casa eram grandes e bem divididos (cada lote com 250 m²), os serviços básicos, como água, luz, coleta de lixo e saneamento básico, que deveriam ser supridos pela Prefeitura, eram organizados pel@s própri@s morador@s. O que mais destacava, porém, era a organização política d@s morador@s. Com assembleias todos os sábados, que contavam várias vezes com mais de mil pessoas, @s morador@s deliberavam (e ainda deliberam) suas ações frente às recorrentes omissões da Prefeitura de São José. Quando estivemos lá, mesmo debaixo de uma chuva torrencial, algumas centenas de pessoas estavam no galpão das assembleias. Era uma ocupação, sem dúvida, de morador@s conscientes de seus direitos e muito politizad@s. Porém, como tod@s acompanharam, uma violenta desocupação tomou conta do Pinheirinho no mês passado. Mais de 2 mil policiais foram convocad@s para participar da operação, que começou às 6h da manhã de um domingo. Os relatos de violência são vários, inclusive o de um caso de estupro realizado por policiais em um dos bairros próximos ao Pinheirinho. Foi ostensivo o uso de balas de borracha, sprays de pimenta e gás lacrimogênio, até mesmo dentro do galpão que a própria Prefeitura montou para @s morador@s ficarem (e que tinha muitos idos@s e crianças, amontoad@s). Estivemos no alojamento, montado numa quadra poliesportiva, e podemos dizer que mais parecia um chiqueiro com toda a lama das chuvas. Um helicóptero, que permaneceu do início da operação até depois das 18h, bombardeou de gás lacrimogênio toda a ocupação logo pela manhã. Um gasto enorme e ilógico para uma violência absurda. @s morador@s foram abordad@s de forma violenta e nem sequer puderam retirar suas coisas: deixaram móveis, pertences pessoais, tudo. No mesmo dia, tudo foi derrubado, e muita gente perdeu televisão, geladeira, sofás etc. Pinheirinho foi uma experiência impressionante, e que continua. @s morador@s permanecem organizad@s, porque não vão se contentar com o que a Prefeitura vem dando. Nem querem esperar 72 anos na fila da Secretaria de Habitação, a média de quem consegue a casa própria pela Prefeitura. As assembleias continuam, e é a força política d@s morador@s que fez e vai fazer a diferença.

ENTREVISTA: Toninho Ferreira
Conseguimos também uma rápida entrevista com Antônio Ferreira, o Toninho, advogado d@s morador@s do Pinheirinho durante os oito anos de ocupação. Toninho militou desde o início da ocupação, garantindo o direito à moradia das mais de 2 mil famílias que lá viviam. É também militante do PSTU. Confira abaixo a entrevista: Avante!: Toninho, como foi advogar pel@s morador@s do Pinheirinho durante esses oito anos? Muitas pessoas acreditam que o direito é capaz de resolver se não todas, a maioria das situações. O que você acha disso? Toninho: Foi muito bom participar ativamente desta luta. A justiça existe para manter o status quo, para manter a sociedade como está. Em nome dos interesses da classe dominante eles passam por cima até das leis que eles mesmos criaram. Foi isto o que aconteceu no Pinheirinho. Descumpriram todas as regras, não respeitaram nada, fizeram tudo na ilegalidade. Avante!: Você esteve no dia da desocupação, que contou com um efetivo da polícia militar com mais de dois mil homens. São vários os relatos de violência, e a maioria d@s morador@s perdeu as casas de alvenaria com os móveis dentro. Você pode nos contar um pouco de sua experiência? Toninho: Chegaram com um aparato de guerra, de surpresa, não deu tempo das famílias pegarem nem documentos ou alguma coisa mais pessoal. Todas as casas foram derrubadas com tudo que tinha dentro, móveis, brinquedos, fotos, documentos, absolutamente tudo. Usaram de muitas bombas de gás lacrimogênio e muita bala de borracha, helicóptero, cavalaria, cachorro, uma operação de guerra contra a população pobre. Avante!: Havia uma decisão conflitante da justiça federal, ordenando a suspensão da desocupação. Como se explica isso? Qual a responsabilidade do governo federal nisso? Toninho: Existia um conflito de competência entre a justiça federal e a estadual. Nós tínhamos uma decisão da justiça federal que impedia a desocupação pela policia militar, mas não respeitaram nada disso. Esteve presente um assessor do presidente do tribunal estadual comandando a ação policial. Inclusive com determinação de enfrentar forças federais se aparecessem a bala. O governo federal deveria ter se colocado com firmeza, enfrentado concretamente a situação. Infelizmente não foi isso que ocorreu. Mas o governo federal ainda pode reparar isso, desapropriando o terreno e devolvendo às famílias pobres. Possui instrumentos políticos e jurídicos para isso, basta apenas ter vontade politica. Avante!: Quem é Naji Nahas? Como surgiu a propriedade daquele terreno e qual o interesse por trás da sua desocupação? Toninho: O interesse é obviamente imobiliário e também o de destruir a organização dos moradores para servir de exemplo às demais. Naji Nahas é um conhecido bandido do colarinho branco. Que especula na bolsa de valores. Trabalha no mercado financeiro com laranjas. É proibido de entrar em vários países do mundo. O terreno foi parar na mão do Naji Nahas através de uma negociata com o grileiro anterior. Este grilou a terra que pertencia a uma família alemã que foi assassinada na década de 60 e não tinham herdeiros. Avante!: Sabemos que @s morador@s do Pinheirinho têm força política muito grande. Mesmo hoje ainda fazem assembleias com mais de mil pessoas. Mas, o que fazer agora? Toninho: Continuamos a luta pela moradia, pois o aluguel social uma hora acaba. Fazemos assembleia todos os sábados e continuamos organizad@s, pois continuamos buscando a desapropriação da terra para que @s morador@s voltem para lá.

Dilma e os cortes no orçamento
por Alexandre De Chiara (181-24)
Na semana anterior ao carnaval, o governo federal anunciou um corte de R$ 55 bilhões no orçamento da união para o ano de 2012. Com este corte considerável, o governo Dilma bate seu próprio recorde, uma vez que no ano passado a tesoura orçamentária alcançou a nada modesta marca dos 50 bilhões de reais. No corte orçamentário deste ano, também se repetem pesadas perdas aos setores da Educação e da Saúde. O primeiro teve uma redução de 1,9 Bilhão enquanto o último perdeu nada mais, nada menos que R$ 5,5 Bilhões . É importante dizer que o motivo destes cortes não se deve a uma paranoia governamental em guardar dinheiro debaixo do colchão, e sim em atender às demandas de um mercado financeiro que, aí sim, está cada vez mais paranoico com a atual situação financeira mundial. A crise econômica mundial, iniciada nos idos de 2008, representou graves perdas para @s investidor@s internacionais nos mercados financeiros no mundo todo, em especial em países responsáveis por grande parte da movimentação financeira mundial, como os Estados Unidos e os membros mais poderosos da União Europeia. Assim sendo, o capital especulativo internacional migrou para países como o Brasil, em especial por conta dos altos juros aqui praticados. Essa migração tem sido um dos principais fatores que mantém o Brasil pouco afetado pela situação econômica mundial, mas também cobra um alto preço por isso. Para que o capital especulativo internacional continue fluindo no mercando financeiro nacional, é necessário que o Brasil comprove sua capacidade de pagar suas dívidas interna e externa, e de ter reservas monetárias para o caso de que a casa caia por aqui também. A forma mais simples e direta de conseguir tais reservas, segundo o bom e velho receituário neoliberal (ele ainda não morreu, crianças) é cortar gastos das áreas sociais. E é exatamente isso que o Governo Dilma tem feito. A moral da história é que para manter o capital volátil do mercado financeiro, os investimentos em áreas crucias para a população brasileira estão minguando continuamente. Esse tipo de política por parte do Governo Federal é um dos elementos responsáveis pelo crescimento econômico brasileiro no último período não ter se revertido em benefícios reais para a população brasileira, que até pode estar consumindo melhor, mas com grande endividamento (60% das famílias brasileiras estão endividadas, segundo o IBGE 2011) e com os direito à educação e saúde proporcionalmente reduzidos em relação ao que o país avançou.

*Dados de 2011.

É absurdo pensar que as prioridades de gastos de um Governo que tem como slogan “País rico é país sem pobreza” sejam outra coisa que não garantir a efetividade do direito à Educação e à Saúde. O governo Dilma dá guarida ao argumento falacioso de que “não existe alternativa” às vontades do capital financeiro. E esquece mais uma vez dos milhões que depositaram as esperanças em mais uma gestão do PT.

Venha lutar com a ANEL!
Apesar do descaso do Governo Federal, existem entidades que acreditam que investir na educação pública, gratuita e de qualidade é fundamental para uma sociedade brasileira mais justa. Foi com essa visão que a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!) encampou um plebiscito pelos 10% do PIB investidos para uma educação pública gratuita de qualidade. Mais de 400 mil pessoas se manifestaram favoravelmente aos 10% do PIB para educação. Se você tem interesse na ANEL ou em defender a educação pública, entre em contato com o Avante!.

Matriz Curricular: a eclosão de por um projeto André Mariana Teresa Galvão (183-23) e Jorgetto de Almeida (182-24)
No ano de 2012 haverá um debate sobre uma ampla reestruturação do currículo da São Francisco, vulgarmente tratado como a reforma da grade horária. Primeiramente, faz-se necessário pensar o próprio termo “grade”, que já traz problemáticas. Até o período de redemocratização, as disciplinas que as Faculdades deveriam oferecer a seus alunos eram ditadas pelo Governo, consolidando a grade, que não apresentava mobilidade. Nessa época, matérias como Filosofia do Direito foram excluídas do curso de Direito, mantendo-se apenas as matérias de cunho profissionalizante e também de teoria geral (Sociologia, Teoria Geral do Estado e História do Direito). Hoje, a grade deve ser tratada como matriz curricular, já que são dadas diretrizes gerais, as chamadas Diretrizes Curriculares Nacionais, e cada Faculdade pode montar seu curso, desde que respeitados tais pontos. Essa mudança terminológica está longe de ser um preciosismo e sugere uma mudança na concepção do ensino do direito. Vamos nos atentar ao que podemos chamar de “léxico escolar dominante”. Ele conta com palavras como série, disciplina, prova, sinal sonoro, grade horária, alun@ (literalmente “sem luz”), etc. Longe de ser uma escolha ingênua de palavras, ele denuncia a presença de uma ideologia no ensino, a qual projeta na aprendizagem uma concepção industrial. A aprendizagem na forma serial, dividida em disciplinas estanques, (ad)ministradas em aulas, que por sua vez têm uma duração (de)limitada por um sinal sonoro, acabam por gerar uma aprendizagem massificada, ou seja, indiferenciada e padronizada. Além das terminologias, o método de transmissão tradicional em nossas universidades repousa nas chamadas “aulas magnas” – conferências – com um auditório passivo que recebe o conhecimento instruído através de um juízo de valor já consumado. O ensino dividido e distribu

ído através dessas conferências aponta para uma fixação reiterada da informação. A maioria dessas aulas é preparadas pel@ docente, que procura atender mais os efeitos de oratória do que as reais necessidades de comunicação. (Luis Alberto Warat) A primazia d@ docente não é exclusividade da sala de aula. Na estrutura deliberativa da faculdade, há o predomínio d@s professor@s na decisão dos rumos da instituição. @s estudantes e @s demais funcionários são sub-representad@s. Por exemplo, nos órgãos deliberativos, como a Congregação – última instância de decisão dentro da Faculdade –, em que dentre seus membros contamos com apenas 10% da representação de estudantes e 5% da representação de funcionári@s, estes limitad@s ao número máximo de três representantes. Devemos submeter à crítica as estruturas tradicionais do ensino jurídico, voltadas, unicamente, à aquisição de conhecimentos teóricos, abstratos e técnicos em detrimento da formação de profissinais apt@s a atuar no meio social com pleno conhecimento dele. Tal ensino produz juristas imatur@s socialmente, capazes de atuar de forma técnica na sociedade, sem, no entanto, questionar suas estruturas centrais. Assim, resta-nos a dúvida do porquê da universidade, e quanto esta estrutura, nos seus moldes atuais, não passa de um formador de inertes sociais, se afastando cada vez mais da tão sonhada, e talvez impossível, autonomia do conhecimento.

A última invenção do Rodas:
um histórico do atual reitor.
por Pedro Pinto (184-14)
1. Entre 1995 e 2002 integrou a Comissão Especial de Mort@s e Desaparecid@s Polític@s, dos seus votos contrários ao reconhecimento formal das mortes pelo Estado e reparação indenizatória 11 acabaram sendo deferidos pela Comissão. 2. 22 de agosto de 2007 João Grandino Rodas, na época diretor da Faculdade de Direito da USP aciona a Polícia Militar para retirar manifestantes que ocupariam as Arcadas por 24 horas como parte das “jornadas em defesa da educação”, promovidas por entidades como UNE e MST. 3. Tentou sem sucesso a implementação de catracas para impedir o acesso de gente “estranha” ao prédio público da Faculdade de Direito. 4. Baixou portaria que nomeava duas salas da faculdade como Pinheiro Neto e Pedro Conde, como contrapartida a doações de R$ 1 milhão recebidas do escritório do primeiro e da família do segundo. Tais doações teriam sido feitas em desacordo com o regimento da Universidade e com parecer da Consultoria Jurídica USP

5. Em 2009, ainda como diretor da Faculdade de Direito lavrou o documento que viabilizava a entrada da PM no campus da USP. 6. 1 de junho de 2009 - Polícia entra na Cidade Universitária para reprimir piquetes da greve d@s funcionári@s. A partir daí passa a fazer rondas constantes na universidade 7. Em seu último dia na direção da Faculdade, Rodas assinou a transferência do acervo das bibliotecas para um prédio que carecia de laudo pericial atestando a possibilidade de abrigar os livros e de condições mínimas de preservação do acervo, que foi exposto a vários riscos. Tudo isso feito sem consultar sequer o corpo burocrático da Faculdade. 8. José Serra escolhe João Grandino Rodas Reitor da USP através de um decreto do dia 13 de novembro de 2009. Seu nome era o segundo colocado numa lista de três indicações. Ou seja, Rodas não foi eleito pela comunidade acadêmica 9. Na gestão de Rodas, estudantes têm sido processados administrativamente pela Universidade com base em dispositivos instituídos no período militar. Num dos processos, consta que uma aluna agiu contra a moral e os bons costumes. Dispositivos como este foram resgatados pela USP. 10. 18 de março de 2010 - Morador@s do Conjunto Residencial da USP ocupam o Bloco G, parte da moradia que havia sido tomada pela administração da universidade. Descobrem aí documentos mostrando a vigilância e um elaborado sistema de controle da universidade sobre @s morador@s. 11. 18 de maio de 2011 - Morre assassinado o estudantes Felipe Ramos Paiva, no estacionamento da Faculdade de Economia e Administração. No exato momento em que o jovem foi assassinado, a polícia realizava uma blitz dentro do campus, há poucas centenas de

metros dali. Reitoria usa assassinato de estudante como pretexto

para aprovar convênio entre a USP e a Polícia Militar no Conselho Gestor do campus.

12. 9 de setembro de 2011 - Convênio entre USP e Polícia Militar é assinado. A partir daí várias arbitrariedades policiais são relatadas por estudantes, funcionári@s e inclusive professor@s. 13. Recebeu a medalha de Mérito Marechal Castello Branco, concedido pela Associação Campineira de Oficiais da Reserva do Exército (R/2) do NPOR do 28° BIB. 14. 27 de outubro de 2011 - Polícia aborda três estudantes que portavam maconha e decidem leva-los para a delegacia. O fato gera enorme revolta entre os estudantes e serve como estopim para a revolta contra a presença da polícia no campus. Há confronto entre polícia e estudantes. No mesmo dia é realizada uma assembleia e estudantes decidem ocupar o prédio da administração da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) 15. O reitor também recebeu o título de persona non grata por unanimidade na Faculdade de Direito. 16. Rodas também é atualmente investigado pelo Ministério Público de São Paulo por haver contratado sem concurso público dois funcionários ligados ao gabinete da Reitoria, sendo um deles filho da ex-reitora Suely Vilela. 17. 10 de novembro de 2011 - Ato no centro da cidade reúne mais de 5 mil estudantes contra a PM e o reitor-interventor, João Grandino Rodas. Assembleia geral determina continuidade da greve. 18. Início de 2012 - Implantação do novo Bilhete USP (BUSP), uma espécie de Bilhete Único exclusivo para a comunidade da Universidade de São Paulo.

Ache os motivos da mobilização d@s estudantes da USP, segundo o reitor:

Passatempo!

(DICA: não procure por palavras como moradia, repressão, demoracia etc)

ASSEMBLEIA GERAL D@S ESTUDANTES
Dia: 5ª feira, 08 de março Horário: às 18h00 Local: FAU (Cid. Universitária)

Respostas.: maconha, cannabis, banza, baseado, beck, drugs.