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Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

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RELATÓRIO TÉCNICO FINAL
Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP
Processo CNPq número: 401176/2005-(3)

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

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Universidade Estadual de Campinas Faculdade de Ciências Médicas-Departamento de Medicina Preventiva e Social Faculdade de Educação Física Núcleo de Estudos de Populações

RELATÓRIO TÉCNICO FINAL
Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Processo CNPq número: 401176/2005-(3)
19 de outubro de 2009

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

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Pesquisadores
Prof. Livre Docente: Ana Maria Segall Corrêa
Coordenadora DMPS-FCM-UNICAMP

Bernadete Carvalho de Oliveira In Memorian
Mestranda

Prof. Livre Docente Maria Beatriz R.Ferreira
Faculdade de Educação Física – UNICAMP

Prof. Drª Marta Maria do Amaral Azevedo
NEPO/ UNICAMP

Dra. Letícia León-Marin
DMPS-FCM- UNICAMP

Pesquisadoras colaboradoras
Dra. Anne W. Kepple
DMPS-FCM- UNICAMP

Dra Giseli Panigassi
DMPS-FCM-UNICAMP

Alunos e Bolsistas
Daniele Flaviane M. Camargo - Nutricionista; Aux. de Pesquisa-Epidemiologia /DMPS/FCM Bruna F.do N.J. de Souza - Graduanda de Nutrição; Estágio em Epidemiologia /DMPS/FCM Claudeni Fabiana Pereira - PIBIC - IFCH/NEPO/ UNICAMP Cesar Miguel - Estagiário do Centro de Pesquisa do Laboratório de Aptidão Física de São
Caetano do Sul - CELAFISCS.

Diego Diego Funahashi (*) - Graduação em medicina/UNICAMP Letícia Marinho Del Corso (*) - Graduação em medicina/UNICAMP Sandra Amaya (*) - Graduação em Medicina - UNICAMP

Contato
E-mail: segall@fcm.UNICAMP.br - dcamargo@fcm.UNICAMP.br Telefones: (19) 3521 9569 / (19) 9605 2424

*Alunos de Graduação com projetos de Iniciação Científica em outros projetos. Participaram como colaboradores e observadores das atividades de grupo focal com os Indígenas.

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

conhecimentos e percepções sobre segurança.Relatório Técnico Final .Processo CNPq 401176/2005 4 A realização desta investigação foi possível pelo espírito solidário e agregador e. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . encaminhar pacientes. distribuir fios dentais. presença. distribuir cestas básicas. a comunidade carece de conversa. “Pareceu-me que mais do que dar vacinas. pelo profundo compromisso com a vida de Maria Bernadete Carvalho de Oliveira. também. motivação para plantar e salvaguardar sua cultura” Maria Bernadete de Oliveira (11/02/1960 – 19/01/2008) Estudo dos conceitos.

devemos pedir desculpas pelo pouco que podemos acrescentar à sua luta cotidiana. ainda à generosidade e aportes acadêmicos do grupo de especialistas em saúde indígenas. cujas contribuições estão descritas neste relatório" Estudo dos conceitos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . também.Relatório Técnico Final . que nos acolheram com respeito e boa vontade.Processo CNPq 401176/2005 5 Agradecimentos Os nossos mais sinceros e profundos agradecimentos são dirigidos às lideranças e comunidades de Rio Silveira. também. Piacagüera e Rio Branco. de dirigentes e técnicos da FUNASA de São Paulo e dos postos de saúde e. Rio Silveira e de Itanhaém. A eles. "Nossos agradecimentos são devidos. Aldeinha. ao apoio que a equipe recebeu dos funcionários e técnicos da FUNAI de Bauru. conhecimentos e percepções sobre segurança.

..................................................... 21 Pesquisa documental e contexto histórico .................................................................................................... Métodos .... Introdução ........................................... Outros produtos da investigação . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP ....................... 78 7............................................................................................................... Objetivos .................................... 13 4.... 25 História dos assentamentos indígenas de São Paulo ... conhecimentos e percepções sobre segurança................................................ 65 Reflexões finais ......................................... 59 Estudo Qualitativo sobre segurança alimentar ...................................................................... 76 6...................... 85 Estudo dos conceitos...... Apresentação ..................................Processo CNPq 401176/2005 6 SUMÁRIO 1...................... Conclusão ... 8 3......... 80 Anexos .... 14 5............................................................................................................................................................................. 7 2........................................................... Resultados.............................................Relatório Técnico Final .... 30 Condições de vida e saúde dos Guarani ..................................... 50 Reunião de especialistas em saúde indígena ......................... 21 Perfil demográfico e mobilidade espacial .................................. 79 8............................................................................................................................................ 37 Técnicas corporais ......................................... Bibliografia ................

Inicialmente esse projeto abrangia comunidades da etnia Kaingang no litoral sul do país.A desses povos. Parceria com o laboratório de jornalismo. costumes e cultura alimentares. Entretanto cortes orçamentários. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . além de apoiar a participação de alunos do curso médico na fase final da pesquisa. Aldeinha. Os trabalhos desenvolvidos nesta pesquisa seguiram todos os requisitos éticos colocados pela resolução CNS-196 e apoiou-se no respeito absoluto aos conhecimentos. conhecimentos e percepção da Insegurança Alimentar (I. o que aportou conhecimentos e experiências acadêmicas ao estudo. incluir atividades não previstas no projeto original. Estudo dos conceitos. Identificaram entre eles as percepções e conhecimentos próprios sobre segurança alimentar. Após a aprovação do projeto pelo CNPq e. como protagonistas de três oficinas de trabalho: alimentação Guarani. situação demográfica.A. Rio Branco e Piaçaguera. Suas atividades descreveram os processos de mobilidade espacial. práticas usuais de atividade física. e as condições e eventos a ela relacionados entre 4 grupos de etnia Guarani no estado de SP. Recursos oriundos da Comissão de Extensão da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP complementaram os recursos do CNPq e possibilitaram não apenas finalizar o estudo. apontaram os indicadores indiretos associados à insegurança alimentar e os conteúdos possíveis para a elaboração de um instrumento de medida direta de I. possibilitou a participação de um grupo de indígenas da terra Rio Silveira na SBPC-2009. quando da aprovação do projeto pelo CNPq. especialmente aquelas correspondentes às dimensões consideradas universais deste fenômeno. à liberdade de participação e expressão das comunidades Guarani das aldeias Rio Silveira.). condições de saúde. Labjor UNICAMP. hábitos de vida. arte e jogos tradicionais deste povo.Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança. mas também. inviabilizaram inclusão deste grupo étnico. novos pesquisadores foram convidados a participar da equipe. necessárias ao seu sucesso. ao longo de seu desenvolvimento.Processo CNPq 401176/2005 7 Apresentação O presente projeto teve como objetivo investigar conceitos.

PerezEscamilla et al.Processo CNPq 401176/2005 8 Introdução A apresentação da proposta de investigação dos conceitos. medidas antropométricas. Um instrumento de medição direta de SAN no domicílio possibilita. escalas psicométricas ganharam reconhecimento como ferramentas importantes para a medida direta de SAN em nível domiciliar (dimensão de acesso). Historicamente. nos últimos anos. Constitui um conceito que abrange. por permitirem a observação desse fenômeno baseada na experiência dos indivíduos e famílias (FAO. 2005). Webb et al. 1996).Relatório Técnico Final .A. e a sua utilização (FAO. definiu a segurança alimentar como: “o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade. Todos eles são indicadores indiretos que correspondem a diferentes dimensões da SAN. tais como: indicadores de pobreza.). que respeitem a diversidade cultural e que sejam social econômica e ambientalmente sustentáveis” (Consea. as três dimensões da SAN tradicionalmente citadas: a disponibilidade de alimentos. 2002. seus determinantes e suas conseqüências para a saúde e bem estar constituem desafios que precisam ser enfrentados. A Figura 1 apresenta um marco conceitual adaptado de Campbell. 2002). 2004. o acesso aos alimentos. 2004). a maioria aos seus determinantes ou às suas conseqüências. já expressa em documentos oficiais (CGPAN. entre os indígenas. (1991) que ilustra a relação entre a SAN. Isto traz junto o reconhecimento de que a medida direta da I. sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. do diagnóstico da situação de Insegurança Alimentar (I. a SAN tem sido avaliada por meio de medidas indiretas que buscam quantificar o número de indivíduos em situação de carência alimentar ou fome. de quatro grupos Guarani no estado de São Paulo. 2007) e na absoluta necessidade. Segall-Corrêa et al. 2010). disponibilidade calórica per capita. além da estimativa de prevalência de IA.A. são acrescentados outros indicadores.) e fome vivida pelos povos indígenas no Brasil. em quantidade suficiente. Entretanto. Estudo dos conceitos. e indicadores biológicas e/ou clínicas de desnutrição (FAO. levantamentos de consumo alimentar. 2004. entre outras. os fatores de risco a ela associados e as suas conseqüências nutricionais (Kepple & Segall-Corrêa. a análise da sua relação com seus determinantes e conseqüências quando. baseou-se em experiência anterior do grupo de pesquisadores deste projeto (Segall-Corrêa et al. tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . conhecimentos e percepções sobre segurança. em 2004. Marco conceitual de SAN A segunda Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional promovida pelo Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional. à medida direta. conhecimentos e percepção da Segurança Alimentar (S.A. 2006).

2005. informações sobre problemas nutricionais. 2005). 2003). tanto por razões ligadas à exclusão social. 1993. da IA. portanto. como quilombolas. catadores de lixo e moradores de rua. Esse marco conceitual. 2002. Leite. 2002. Fagundes et al. 2001. muito superiores às Estudo dos conceitos. social. biológicas e clínicas. perda de auto-estima. Malina e Rocha.Relatório Técnico Final . propriamente dito (Alaimo et al. assentados. FUNASA. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . 1998. mas não necessárias. contribui para uma compreensão ampliada da SAN. entre eles e outras populações específicas. Segurança Alimentar e Nutricional em populações indígenas A IV conferência Nacional de Saúde Indígena reforça as recomendações das conferências anteriores a respeito do modelo assistencial de saúde indígena e acrescenta temas específicos. Santos. Santos & Coimbra Jr. 2007). sob a perspectiva do Direito Humano à Alimentação Adequada (DHAA). aparecem como conseqüências potenciais. 2001. devendo ser destacados a demanda por garantia de Segurança Alimentar. Santos e Coimbra (2003) observaram freqüências de desnutrição crônica entre crianças indígenas Pakaanóva (Wari´). Muitos autores referem que os indígenas constituem as populações mais vitimadas pelas desigualdades sociais que são observadas no Brasil. Rocha Ferreira. Jyoti et al 2005). Coimbra Jr e Santos. as conseqüências avaliadas através de medidas antropométricas. o grande avanço desse marco conceitual é o reconhecimento de que a experiência da insegurança alimentar e nutricional pode afetar a saúde. Mais recentemente em 2005 a Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) foi incluída como uma das Metas do Milênio (MDM). Marco conceitual de Segurança Alimentar e Nutricional: fatores de risco e conseqüências 9 Fatores de risco para uma má alimentação Risco de sobrenutrição Conseqüências negativas para: Saúde Bem-estar físico. Outros estudos relativos a alguns grupos indígenas apontam uma população com altos níveis de desnutrição. 2001. na figura. Assim. estresse e sofrimento emocional quanto pelo comprometimento do estado nutricional. e mental Fatores de risco para desnutrição secundária INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DOMICILIAR Risco de subnutrição (desnutrição) Qualidade de vida É importante notar que. Escobar. são pontuais e descontínuas (Rocha Ferreira e Zucas 1981. Nutricional e o Desenvolvimento Sustentável (FUNASA. e declarada uma prioridade na 32ª sessão do Comitê Permanente de Nutrição da ONU de 2005. Apesar desse reconhecimento. 1991. 2004. Capelli e Koifman.Processo CNPq 401176/2005 Figura 1. 32ªSCN/. conhecimentos e percepções sobre segurança. que são um dos seus reflexos. acampados. realizada no Brasil (Valente. em Rondônia.

verificou prevalência de desnutrição infantil mais elevada ao comparar com outras crianças indígenas de aldeias urbanas e rurais do Centro-Oeste. 1994). como os Suruí em RO (Coimbra Jr e Santos. em 12. Por outro lado. segundo o Mapa da Fome.79% foram identificadas carências alimentares e em 9% dessas terras existia fome sazonal. Diferenças. 1991) e os Parakanã no Pará (Martins e Menezes. Ribas et al (2001) na pesquisa sobre nutrição e saúde entre crianças menores de cinco anos de idade. Analisando o “mapa da fome entre os Povos Indígenas no Brasil” de 1995. São muitas as razões objetivas que dificultam o diagnóstico das condições de vida e saúde da população indígena do Brasil. cada vez maior das sociedades indígenas no mercado de trabalho. sua extensão e recursos naturais existente e. 1995).Processo CNPq 401176/2005 prevalências da população brasileira. são observadas entre grupos e etnias indígenas diversas. Estudo dos conceitos. pertencentes ao povo terena da aldeia Córrego do Meio. condicionaram mudanças no modo de relacionamento de alguns grupos indígenas com a terra. é interessante observar a colocação de alguns autores que apontam diferenças socioeconômicas. que objetivam eliminar a fome endêmica no Brasil. em 44% havia evidencias de fome. não dispõem de dados adequados para propor ações específicas e apropriadas às características da população indígena. especialmente para aqueles povos localizados fora da Amazônia Legal. a particularidade linguística de cada grupo e as suas especificidades culturais. Estas informações não permitem estimativas seguras da magnitude destes problemas para toda a população 1 10 Em 1995 eram 577 terras indígenas. a dispersão geográfica. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . seus condicionantes sociais e políticos e as consequências para a sobrevivência saudável. outras sofriam com a ausência dessas condições e com o impacto da urbanização (Verdum. Ao longo do tempo. Terena e Kaingang. Gordon (2006) chama a atenção para a inserção. Essas condições estão muito presentes entre os povos Guarani. condições nutricionais e bem estar geral. 2001.Relatório Técnico Final . o que perfaz uma porcentagem 51% das TIs.INESCANAÍ/BA. São situações que impõem dificuldades metodológicas e logísticas. também. autônoma e digna desses povos brasileiros. observamos que das 297 terras indígenas para as quais foram obtidas informações1 66. Tagliari 2006). além de alto custo a qualquer iniciativa de abordagem universal para o conhecimento da experiência de vida. com reflexos no que poderia ser chamado de novo padrão de trabalho e sobrevivência. conhecimentos e percepções sobre segurança. o progressivo contato com a sociedade não indígena e o confinamento em territórios cada vez menores. Entre elas devem ser destacados o difícil acesso a muitas das localidades.67% apresentava algum grau de insegurança alimentar. 1995 . Ainda. Todas essas condições aqui relatadas têm profundo impacto na segurança alimentar dos povos indígenas e conseqüentemente na sua saúde. A sua situação de insegurança alimentar e a fome são compreendidas a partir de informações esparsas e disponíveis para a apenas algumas etnias. mas também internamente em alguns grupos indígenas (Ribas et al. não apenas entre diferentes etnias. O mesmo ocorre em relação à implementação de políticas públicas voltadas às soluções dos problemas que afetam esses povos As políticas do Fome Zero. algumas etnias tinham melhores condições do que as outras no que diz respeito à situação legal da posse da terra. obteve-se informações para o mapa da fome para 297 dessas TIs.

do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome . Uma primeira iniciativa de mensuração direta da segurança/insegurança alimentar foi o estudo realizado entre os Terena do Mato Grosso do Sul. uma escala de medida da percepção de Insegurança Alimentar no âmbito familiar (EBIA). apropriada para uso na população brasileira residente em área urbana e rural (Segall-Corrêa et al.7% a proporção de crianças que viveram essa terrível experiência (Fávaro.Relatório Técnico Final . tal como está. 2 11 O processo de validação deste indicador de S. de posse da terra. 2004)2. tanto de desenvolvimento de instrumentos de medida de SAN quanto de análise de situação. em graus diferentes.A. 2007. naquele ano.INESCANAÍ/BA. e a insegurança grave. ¼ das mulheres entrevistadas havia passado forme no mês anterior. de saúde. entre outros. teve suporte financeiro do Ministérios da Saúde. Em 2004. ainda é um diagnóstico indireto desta condição. Perez-Escamilla et al. conhecimentos e percepções sobre segurança. não é adequado para a investigação da situação de segurança e insegurança alimentar dos povos indígenas no Brasil. 1995) e já referido é seguramente o primeiro esforço para classificar. foi validada no Brasil. Estudo dos conceitos. elaborado a partir de indicadores ambientais.5% a proporção de famílias vivendo em situação de segurança alimentar. a partir de pesquisas qualitativas e quantitativas desenvolvidas em contextos sócio-culturais diversos do país. 2007).Processo CNPq 401176/2005 indígena brasileira. sendo de 14. de produção e soberania alimentar. o que obriga a proposição de políticas públicas muito semelhantes àquelas voltadas à população geral. Seus resultados têm ainda abrangência nacional limitada. suas estimativas apontam a necessidade de diagnostico da situação de acesso aos alimentos entre os povos indígenas e a pertinência de uma ferramenta adequada e de validade testada para esse fim. Este instrumento classifica a segurança/insegurança em quatro níveis: segurança alimentar quando o acesso ao alimento não sofre qualquer limitação. 1995 . Seus resultados mostraram ser de apenas 24. quando há relato de insuficiência de alimentos levando a fome entre adultos e crianças (Bickel. OPAS. insegurança leve. portanto. quando existe a preocupação com a falta futura do alimento e a qualidade da alimentação é percebida como inadequada e neste caso ainda não há privação alimentar. O Mapa da Fome dos povos indígenas elaborado em 1995 (Verdum. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . O aprimoramento desse diagnóstico requer novas e diretas abordagens do fenômeno da Segurança ou Insegurança Alimentar. utilizando uma adaptação local da escala brasileira de medida da insegurança alimentar (EBIA). Apesar do trabalho intenso de investigação para a validação da EBIA e de já haver experiências com êxito de sua aplicação em amostras representativas de populações urbanas e rurais do Brasil (PNAD2004 e PNDS2006) o uso dessa escala. 2000). a experiência dos povos indígenas do Brasil relativamente à sua segurança alimentar. sendo relativos à situação das diferentes etnias que residiam em 51% das terras indígenas. A investigação nas aldeias Guarani corresponde a uma parte relevante de busca deste aprimoramento e está alicerçada em vasta experiência de pesquisas nacionais. Ainda que este estudo não tenha usado um instrumento validado especificamente para população indígena. insegurança moderada caracteriza-se por algum nível de privação relativa à quantidade de alimentos. principalmente entre os adultos. PNUD e FAPESP. sem observar as necessidades e características peculiares desses povos. Entretanto.

2010). situação social. et al. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Seus resultados permitirão analisar a possibilidade de um instrumento de medida da I. comida suficiente e estratégia para evitar problemas com comida foram conceitos não compreendidos por eles. nos municípios de Envira e Eirunepé (Yuyama. Os conceitos como segurança alimentar. específico para os povos indígenas residentes no Brasil. Neste estudo os conceitos contidos na escala foram discutidos em grupos focais e apontou compreensão muito particular de seus conteúdos. 12 Estudo dos conceitos. Os resultados dos dois estudos mencionados apontaram para a necessidade de estudos qualitativos mais aprofundados para análise da Segurança Alimentar dos povos indígenas no Brasil.A. A investigação aqui relatada constitui a primeira experiência no Brasil de busca do entendimento dos conceitos sobre segurança alimentar dos povos indígenas a partir de sua experiência de vida. No entanto.Processo CNPq 401176/2005 Outra investigação que buscou analisar a pertinência de se usar uma versão adaptada da EBIA ocorreu entre os povos das terras indígenas de Cacau. Flecheira e Mamori. comida variada. fome e ‘comida boa’ foram bem compreendidos. situadas na bacia hidrográfica do médio Juruá.Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança. A fome foi relatada como uma situação vivenciada por muitos participantes desses grupos focais. demográfica e de saúde.

• Observar e descrever as práticas corporais como recurso para a análise de atividades físicas e sedentarismo. limitação de acesso aos alimentos e outros conteúdos relacionados à segurança alimentar. visando o desenvolvimento futuro de métodos e instrumentos de medida direta de acesso aos alimentos. • Entender a mobilidade espacial dos grupos familiares e sua relação com a alimentação e as estratégias de vida. insegurança alimentar e fome.Processo CNPq 401176/2005 13 Objetivos Objetivo geral A investigação teve como objetivo central compreender os conceitos. de população indígena. seus conceitos sobre qualidade da alimentação. conhecimentos e percepções sobre segurança/insegurança alimentar e fome entre quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP. • Explorar e analisar. de saúde. Estudo dos conceitos. • Identificar estratégias do grupo para enfrentar situações de carência alimentar. de alimentação e nutrição. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . • Refletir sobre método de abordagem e conteúdo para medir a S. a partir da experiência de vida dos grupos participantes do estudo. como também as suas condições sociais. conhecimentos e percepções sobre segurança. Objetivos específicos • Investigar o perfil demográfico dos Guarani em geral e das comunidades estudadas.A.Relatório Técnico Final . especificamente para populações Guarani. apropriados para abordagem de populações indígenas.

Estudo qualitativo sobre segurança alimentar. Estudo demográfico e de mobilidade espacial dos grupos familiares das quatro comunidades. Inquérito sobre condições sociais. Observação das práticas corporais. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . 5. que passam a ser descritos segundo a mesma lógica de procedimentos de preparação do estudo e de desenvolvimento no campo. no lazer e nos jogos tradicionais. mulheres e jovens. 6.Relatório Técnico Final . Pesquisa documental sobre a história e situação das quatro comunidades participantes do estudo. constituído por entrevistas com questionário estruturado incluindo avaliação antropométrica e. Observação de Campo Entrevistas individuais com pessoas chave Entrevistas Coletivas Reunião de Grupos Estudo dos conceitos. O trabalho de investigação teve seis componentes bem delimitados de métodos. no trabalho.Processo CNPq 401176/2005 14 Métodos e procedimentos de campo A investigação aqui relatada é um misto de estudo quantitativo. qualitativo. 4. reuniões em pequenos grupos. Reunião com especialistas em saúde indígena 7. 3. entrevistas com pessoas chave das comunidades e reunião com grupos de homens. adolescentes e mulheres. Essas reuniões de grupo foram previamente planejadas e estruturadas valendo-se das experiências de campo do grupo de pesquisadores e do suporte de conhecimentos de especialistas reunidos para esse fim. entrevistas informais. Planejamento da investigação • • • Obtenção dos consentimentos – lideranças indígenas e FUNAI Estruturação e preparação do trabalho de campo Estruturação e preparação do estudo qualitativo: 2. morbidade referida e o estado nutricional das crianças. conhecimentos e percepções sobre segurança. 1. com uso de observação participante.

Processo CNPq 401176/2005 15 Planejamento Esta fase do estudo foi iniciada pela busca dos consentimentos institucionais visando a entrada em terras indígenas. inicialmente fizemos contatos com FUNAI regional. para entrar em qualquer comunidade/aldeia indígena para apresentar e discutir o projeto era exigida a autorização da FUNAI3. E. porém. Rio Branco. órgão do Ministério da Saúde responsável pela gestão da saúde indígena. Inicialmente os consentimentos informados só seriam possíveis de serem negociados e obtidos diretamente pela nossa equipe. Durante esse período de espera das autorizações foram realizadas várias reuniões da equipe do projeto para elaboração dos instrumentos de coleta de informações. órgão do Ministério da Justiça responsável para as questões de demarcação e fiscalização das terras indígenas. sem nossa participação. no sentido de obter a colaboração da FUNASA para a cessão dos dados populacionais e epidemiológicos sobre as comunidades. via administração regional da FUNAI em Bauru. Enfrentamos neste período um processo circular que resultou em atraso importante no cronograma de atividades previstas. pela aprovação dos requisitos de ética em pesquisa com seres humanos pelo CEP/UNICAMP e CONEP/CNS. conhecimentos e percepções sobre segurança. e com as cartas de aprovação das lideranças indígenas pudemos encaminhar o projeto para apreciação do CEP da UNICAMP e. 4 Fundação Nacional da Saúde. ao CONEP. Ainda durante o processo inicial de negociação com as comunidades.Relatório Técnico Final . Foram 12 meses do ano de 2006 de árduo trabalho. Foi necessário. para obtermos a autorização da FUNAI. Rio Silveira e Piaçaguera. algumas comunidades se interessaram em participar do trabalho de pesquisa. responsável pela gestão dos serviços de atendimento à saúde das comunidades Guarani do estado. renovar os contatos 3 Fundação Nacional do Índio. Com essa incongruência do sistema de autorização para entrada em Terra Indígena fomos levados a solicitar à própria FUNAI que fizesse as negociações com as lideranças. em vantagem operacional pela maior facilidade de realizar o trabalho em comunidades pertencentes à mesma família lingüística. outras não. Essa decisão foi tomada basicamente devido à redução no orçamento original dos recursos aprovados pelo CNPq. além de oferecer colaboração às equipes locais naquilo que fosse de nosso alcance e do âmbito da temática do projeto. era necessário termos o consentimento informado das lideranças. Estudo dos conceitos. Ainda nesse período das negociações decidiu-se por realizar a pesquisa somente com as comunidades Guarani de São Paulo. posteriormente pela obtenção da concordância das lideranças indígenas e finalmente. Porém. controlam também o ingresso de pesquisadores nas TIs. resultando. Feito isto. se fôssemos pessoalmente até as comunidades conversar com as lideranças indígenas. fizemos algumas reuniões com a equipe da FUNASA4 em São Paulo. Devido a demora na obtenção dessa aprovação em alguns casos. o projeto foi apresentado às lideranças pelo chefe de posto da FUNAI. planejamento do transporte das pesquisadoras e de estadia em campo. aquelas passaram a participar da investigação foram: Aldeinha. Decorridos nove meses nesse trâmite. pois nos foi exigido aprovação prévia do órgão para que pudéssemos entrar em contato com as aldeias. Os objetivos foram os de informar as equipes locais sobre o trabalho e propor parcerias. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . posteriormente. ainda.

Nessas primeiras visitas as comunidades foram esclarecidas. principalmente aquelas cujos temas são correlatos aos nossos. 1570/06. A pesquisa documental focou também a situação da saúde indígena no Brasil nos últimos 20 anos. Ficou combinado uma colaboração mútua entre nossa equipe e a equipe do pólo-base para trocar informações. novamente. parecer Nº. administrador local e outros técnicos. que atende as comunidades do litoral sul de SP. conhecimentos e percepções sobre segurança. Essas reuniões fortaleceram as relações de parceria com a FUNAI para o desenvolvimento desse trabalho. mais especificamente sobre uso do território.Processo CNPq 401176/2005 com as aldeias devido a mudanças de liderança. Estudo dos conceitos. Apesar de ter sido proposta como atividade de apoio ao desenvolvimento das atividades de campo. redes de parentesco e história das terras indígenas no estado de São Paulo. processo Nº. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . além de estabelecer novos contatos com os pólos base e chefes de postos.Relatório Técnico Final . esclarecimentos etc. agentes indígenas de saúde (AIS) e agentes indígenas de saneamento (AISAN). Foram feitas reuniões com os principais líderes. professores. agora pela equipe de investigadoras. Nessas reuniões foram planejadas e organizadas as etapas mais imediatas do trabalho. Em Janeiro de 2007 foram liberados os recursos pelo CNPq e iniciadas as atividades de campo. deslocamentos espaciais. especificamente com o chefe do posto. com suas diferentes fases. um dos resultados da investigação. essa pesquisa documental é. Pesquisa Documental A pesquisa documental teve início em 2007. sobre sua liberdade de participação ou não no estudo e ausência de qualquer prejuízo frente à recusa. Recebemos autorização da FUNAI para ingresso em terra indígena em 26 de outubro de 2006. bem como as monografias escritas e publicadas sobre os Guarani. 1102/2006. métodos e resultados esperados. O projeto foi aprovado pela Conep em 09 de novembro de 2006. com a leitura e sistematização da bibliografia sobre os povos Guarani. 2. Com a equipe local da FUNASA fizemos uma reunião no pólo-base de Mongaguá. para apresentação e discussão do projeto. por si só. Nesse mesmo período foram realizadas reuniões com o PIN (Posto Indígena da FUNAI) de Itanhaém. 16 Procedimentos de Campo Em janeiro e fevereiro de 2007 foram realizadas as primeiras viagens às quatro comunidades.

com uso de um questionário estruturado (anexo I). e elaboradas cartografias com as informações de local de nascimento e residência atual.Relatório Técnico Final . Inicialmente foi planejado incluir no questionário as informações sobre história reprodutiva destas mulheres. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 17 3. Foram feitas medidas antropométricas. o que se revelou inviável pela extensão da entrevista e tempo necessário para a sua conclusão. que eram sistematicamente anotados no verso desse instrumento de coleta de informações. ora com a equipe completa ora uma ou duas das pesquisadoras. além das medidas antropométricas foram realizadas por Maria Bernadete de Oliveira Carvalho. sobretudo das condições de moradia. Foram cinco as viagens a campo para realização do inquérito populacional. da morbidade referida e do estado nutricional de adultos e crianças. Os dados demográficos da população Guarani foram obtidos com a FUNASA e. no intuito de caracterizar os tipos de deslocamentos espaciais e as formas de operação das redes sociais de parentesco. a partir dessas informações elaboramos uma análise demográfica mais ampla para todos os grupos guarani residentes no Brasil e uma análise mais específica para as 4 comunidades estudadas. também coletadas informações sobre hábitos alimentares. 1995). como parte de sua dissertação de mestrado. Estudo demográfico e mobilidade espacial (migração) Foram coletadas informações por meio de entrevistas com os mais velhos de algumas famílias extensas. com esses informantes foram obtidos relatos de suas histórias de vida. com Estudo dos conceitos. 4. da alimentação e do ambiente peri-domiciliar. com entrevistas domiciliares para análise das condições sociais e de moradia. com Balanças digitais (precisão de 100g) e antropômetros verticais e horizontais com precisão de 1cm. A maior parte das entrevistas foi realizada. entre março e junho de 2007. foram obtidas nas quatro aldeias. nas casas. As entrevistas domiciliares foram feitas. Os dados de morbidade referem-se ao período recordatório de um mês anterior à entrevista. Inquérito Populacional Ao todo foram feitas 20 viagens a campo. além de terem sido exploradas as dificuldades com a alimentação e outras situações que pudessem ter influenciado esses deslocamentos. Foram feitas genealogias de duas grandes famílias extensas. Para localização e apresentação às entrevistas a pesquisadora teve apoio dos agentes indígenas de saúde. preferencialmente com as mulheres responsáveis pela casa. As entrevistas para coleta de dados quantitativos sobre condições de vida e saúde. Informações a respeito de crianças. dependendo dos objetivos das atividades de campo. As medidas antropométricas foram obtidas de acordo com as recomendações de técnicas e padronização internacionais (WHO. Essas entrevistas tinham um componente de observação importante. de consumo de bebida alcoólica e tabagismo. adolescentes e mulheres e homens adultos. sendo. conhecimentos e percepções sobre segurança. num total de 115 famílias e 527 pessoas. em geral em várias etapas. incluindo quatro gerações.

explorar possibilidades de conceitos entendidos como próprios desses grupos e. Reunião de Especialistas Essa etapa de abordagem qualitativa do projeto visou antecipar algum entendimento dos conceitos sobre segurança alimentar e temas correlatos. carpir. As informações do inquérito foram organizadas e digitadas no programa Epinfo. iii. INPA. sendo a fita transcrita posteriormente. entrevistas com pessoas mais velhas sobre as mudanças ocorridas nas aldeias e com os jovens e adultos acima de 20 anos. danças e esportes. FIOCRUZ. serras. UFMS. caçar. No primeiro período foi apresentado o projeto de pesquisa e a experiência de validação da Escala Brasileira de Medida de Insegurança Alimentar (EBIA). Características nas aldeias: acidentes geográficos – rios. Participaram desta reunião de especialistas (anexo II) pesquisadores da UNICAMP.0. e transferidas para análise descritiva para Excel. pescar. além de alunos de graduação e estagiários envolvidos com o projeto. quadras. que serviu de inspiração para a busca de um instrumento semelhante e possível de aplicação em população indígena. pedalar. matas etc. Atividades de jogos ‘tradicionais’. limpar a caça. limpar. valendo-se. com idade até 64 anos. ii. sendo colhidas informações relativas a todos os moradores. nadar. 6. analisar abordagens adequadas da questão da alimentação. conhecimentos e percepções sobre segurança. 2009) e SPSS versão 15. pátios e outras construções existentes na comunidade. instrumento que estima a intensidade da atividade física pela medida da quantidade de passos que as pessoas dão no tempo de duração de uma atividade física específica.Processo CNPq 401176/2005 mulheres adultas. Atividades diárias na aldeia como andar. Os indicadores da atividade física foram estudados utilizando-se as seguintes categorias: i. construções: campos de futebol. varrer. Em duas aldeias foi utilizado um Pedômetro. Buscou-se discutir a experiência de pesquisa do grupo com populações indígenas. UNIFESP.Relatório Técnico Final . etc. Os participantes apresentaram sua experiência com o tema e discutiram vantagens e limitações de uso de um instrumento para estimar a magnitude da segurança ou insegurança Estudo dos conceitos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . sobre a prática e intensidade das atividades físicas habitualmente realizadas. foi gravada em áudio. por fim identificar os indicadores que melhor explicam a insegurança alimentar entre eles. UFPB. Observação e estudo de técnicas corporais no trabalho no lazer e nos jogos As informações foram obtidas por observação do cotidiano. A reunião teve a duração de 8 horas (dois períodos). WHO Anthro (WHO. morros. esfregar. versão 6. e. lagos. da experiência prévia dos pesquisadores convidados. 18 5.

O projeto original previa grupos focais em cada uma das aldeias. durante esses períodos em campo e em visitas agendadas para este fim. partiu do costume tradicional guarani de se reunir para discutirem e resolverem assuntos os mais variados. condições de moradia. também. com participantes da Aldeia de Rio Silveira. Organizarmos. ou ainda anotações de informações obtidas com uso de roteiro previamente elaborado. e. Estudo Qualitativo sobre Segurança Alimentar Observação de Campo. Entrevistas informais em grupo. segundo o sexo e idade dos participantes. porém adaptados à realidade e Estudo dos conceitos. As aty podem ser atymirim. A idéia do grupo de discussão estruturado.Relatório Técnico Final . entrevistas informais e reuniões em pequenos grupos. pelo levantamento de possíveis indicadores para uso nos testes de validação externa de uma escala. ou pequenas reuniões familiares para discussão de assuntos domésticos. e. Estas entrevistas tiveram a finalidade de complementar as informações difíceis de serem abordadas em questionário estruturado para coleta de informações quantitativas. Estas observações tinham. Grupos de discussão com os indígenas Esse componente da investigação constou de três reuniões de grupo. as atividades de discussão. 19 7. também. então. Optou-se então por realizar grupos de discussão em uma pousada cujo ambiente guardava muita semelhança com o da aldeia. estava distante o suficiente para possibilitar a concentração de todos nos temas tratados. professores e agentes de saúde e saneamento. conhecimentos e percepções sobre segurança. além de conversas com mulheres. reuniões grandes em geral com mais de um tekoha (grupos locais) participando. Essa discussão foi seguida. que foram organizadas para discutir com os indígenas seus conhecimentos e conceitos sobre segurança e insegurança alimentar e cujos conteúdos fossem baseados nas experiências de vida de cada um dos participantes e do grupo. ao mesmo tempo. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . também. Durante as entrevistas e.Processo CNPq 401176/2005 alimentar entre indígenas. ou atyguaçu. ou individuais. à tarde. que pode ser traduzido genericamente como reunião. foi elaborado um roteiro de orientação para uso dos mediadores (anexo III). componentes relativos à complementação das questões sobre mobilidade espacial e de observação das práticas corporais. nas refer6encias de métodos e técnicas propostos para grupos focais. partindo dessa idéia de que os Guarani costumam se reunir para discutir temas relevantes para a comunidade . em geral no verso do questionário ou em cadernos de campo. Elaboramos notas de pesquisa temáticas para sistematizar essas observações de campo anotadas em diários individuais dos pesquisadores. Elas dizem respeito às condições ambientais e peri-domiciliares. Para garantir a inclusão dos temas e itens importantes para os objetivos do projeto. o que não se mostrou adequado nem eficiente após várias tentativas. em todos os grupos de discussão. eram feitas com pessoas chave: lideranças. hábitos alimentares e condições de saúde percebida pelas pesquisadoras. Essa instituição cultural chama-se “aty”. em outras ocasiões de visitas às comunidades eram anotadas observações de forma livre. no caso de ser proposta.

em parte pela insuficiência de recursos. Isto ocorreu. Esta atividade teve apoio financeiro complementar importante da Comissão de Extensão da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. sendo um grupo de mulheres e os outros dois de homens e jovens. com uma discussão de encerramento com todos os participantes. Gondin. As atividades foram gravadas em áudio. Os grupos de discussão ocorreram simultaneamente. Os trabalhos dos grupos foram orientados por um mediador de discussão. Ao chegar à pousada foram recebidos com um café da manhã e em seguida organizados em subgrupos e encaminhados para salas separadas.Relatório Técnico Final . As crianças que acompanhavam os pais ficaram sob cuidados dos alunos e estagiários que organizaram atividades lúdicas de desenhos e jogos. Toda a aldeia de Rio Silveira foi convidada e os grupos foram organizados. pelo menos um observador e dois relatores. o de homens por 6. Um ônibus buscou o grupo na aldeia. 2002). da aldeia de Rio Silveira. As atividades se desenvolveram em dois períodos. por separação dos homens e mulheres. após concordância dos participantes. porém com predomínio masculino. conhecimentos e percepções sobre segurança. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . o que impossibilitou a mesma atividade nas demais comunidades participantes do projeto de investigação. mas principalmente por negativa do CNPq de atender à solicitação de prorrogação de prazo do projeto. todos com papel de liderança e no de jovens havia 7 pessoas. 20 Estudo dos conceitos.Processo CNPq 401176/2005 costumes desse povo (Iervolino & Pelicioni. 2001. O grupo de mulheres era composto por 7 pessoas. que solicitou como contrapartida a participação de alunos de graduação interessados em temáticas indígenas. sendo o grupo de jovens misto.

e desde a região ao sul do rio Paranapanema e do Pantanal até o delta do rio da Prata. XVIII e XIX. s/d) Estudo dos conceitos. escrito por Maria Inês Ladeira. políticas e sobre a cultura material guarani. da Argentina e do Uruguai. Pesquisa documental do contexto histórico Nos séculos XVI e XVII. Ñandeva (Xiripa) e Kaiowa. tanto no Paraguai quanto no Brasil. A partir de meados do século XX. refugiaram-se nas matas das regiões da fronteira atual entre Brasil e Paraguai. religiosas. 1978. conhecimentos e percepções sobre segurança. Chiriguano também são encontrados no Paraguai e na Bolívia. onde muitos resistiram em áreas estratégicas de refúgio. 1991). Ñandeva (também chamados no Paraguai de Xiripá) e Mbyá (Clastres H. Os viajantes e cronistas do período colonial. a escravagistas portugueses. Esse grande território guarani dos dois primeiros séculos da colonização ia desde as margens do rio Paraguai. os Kaiowa e os Ñandéva/Xiripa são conhecidos respectivamente por Pai Tavyterã e Ava-Xiripa. 1999). onde começava o território dos Tupinambá e Tupiniquim. que. Ladeira M. Argentina e Brasil). Esse movimento 5 Informações extraídas do verbete Guarani. os portugueses muitas vezes denominavam os assentamentos já contatados de ‘carijós’. ou ‘habitantes do mato’. Paraná e Uruguai e o sopé da cordilheira andina6.I. Na região oriental do Paraguai. embora pertencendo ao mesmo grande grupo lingüístico. Cadógan e Schaden permitiram maior conhecimento sobre as especificidades lingüísticas. 6 “As datações dos sítios arqueológicos estão indicando que os Guarani estavam na região do Paraguai e Argentina há cerca de 3. eram tomados como grupos distintos. do Paraguai.. e. Esses Guarani aparecem na literatura como sendo os Ka’ayguá. os grupos Guarani que não se submeteram às missões jesuíticas ou aos regimes de trabalho escravo dos aldeamentos espanhóis ou aos bandeirantes portugueses.o Centro do Mundoterritório das bacias dos rios Paraná e Uruguai (domínios fronteiriços entre Paraguai. para a Enciclopédia Povos Indígenas on line. 1994). até o litoral do Rio de Janeiro. na região de Buenos Aires (Melià. missionários e encomenderos espanhóis. acessado em 25/01/2008.000 a 2. posteriormente. O território onde viviam os Guarani compreendia as bacias dos rios Paraguai.Relatório Técnico Final . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Os dados históricos indicam que parcela dos que não foram escravizados no litoral e nos sertões pelos bandeirantes e seus inimigos Tupi. Enquanto os espanhóis denominavam esses grupos de ‘guarani’. no site do Instituto Socioambiental.. na altura do Mato Grosso do Sul e Paraná5. na altura de Assunção. refluíram pelos caminhos conhecidos para “Yvy Mbyte” .” (BERTHO. Já nos séculos seguintes. eram chamados de “guaranis” todos os grupos falantes dessa língua que se encontravam desde a costa atlântica no Brasil. Em meados do século XIX. definindo as bases para a classificação ainda vigente dos subgrupos. grupos Guarani que se encontram hoje no Brasil. vão dar origem aos três grandes diferentes sub-grupos guarani atuais: Kaiowá. até o Paraguai. grandes grupos guarani teriam saído dessa região e chegado ao litoral sul e sudeste do Brasil.000 anos e que uma considerável parcela deles atingiu o litoral atlântico há cerca de 1. já haviam notado que a língua falada por uma série de grupos e aldeias diferentes era a mesma e inteligível para eles eles. Tapiete e os conhecidos por Guarayos. os estudos etnográficos de Nimuendaju.000 anos (NOELLI. Outros grupos Guarani – Guajaki.Processo CNPq 401176/2005 21 Resultados 1. compreende partes do Brasil. O território atualmente ocupado pelos Mbya.

um local sagrado e terreno. Clastres. 22 Vamos adotar o conceito de território indígena como espaço físico. propiciado basicamente pelas relações de parentesco existentes. 1978) Hoje observamos que os locais ocupados pelos grupos Guarani são pequenas ‘ilhas’ num imenso mar que é o território da sociedade envolvente. e está associado ao crescimento demográfico e à escassez de recursos naturais e/ou às pressões do processo de colonização. situado a leste. (Nimuendajú. políticas e econômicas segundo suas bases culturais (LADEIRA. No estado de São Paulo encontram-se os grupos Ñandeva e Mbya. Portanto. constituindo uma rede que supera a intermitência de seus territórios (Ladeira. e. que são também descendentes ou conectados por parentesco com os Ñandeva. 1987. conhecimentos e percepções sobre segurança. há um intenso fluxo de pessoas entre as aldeias/ilhas. 2005).Processo CNPq 401176/2005 representa a busca da “Terra sem Mal”. em estudo ou somente demandadas. literalmente andar ou viajar. Neste processo de sucessivos deslocamentos espaciais. Na região do litoral do estado encontram-se cerca de uma centena de Tekoha (literalmente: lugar onde se realiza nosso jeito de ser) entre áreas demarcadas. mais recentemente. os diferentes grupos guarani enfrentaram dificuldades provocadas pelo contato com outros povos indígenas e a sociedade não indígena. Apesar de não ter uma base territorial7 contínua. 1998). no qual há plenitude da execução do modo de viver Guarani. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . políticas e religiosas entre as aldeias. econômicas. São núcleos de habitação mais permanentes (em geral Ñandeva ou Tupi-Guarani). onde determinada sociedade desenvolve relações sociais. os auto-denominados Tupi ou Tupi-Guarani. os Guarani estabeleceram um sistema de relações sociais.Relatório Técnico Final . No caso dos Mbyá a dinâmica das relações sociais está estruturada na prática do Oguatá. e núcleos onde as famílias residem apenas por 1 ou 2 anos seguindo ‘viagem’. 7 Estudo dos conceitos.

Salesopolis e Bertioga. Há cincos grupos locais (tekoha) vivendo nessa área. Nessa mesma década houve uma dispersão em que um grupo migrou para as aldeias da Barragem e Krucutu. Rio Branco e teve sua origem no inicio do século XX com a chegada de famílias mbyá do sudeste Paraguaio e nordeste Argentino. Em 2008. 1998). Rio Pequeno. nesse tekoha vivem 16 famílias nucleares. Pedro Benito (Pedro Ribeiro da Silva) se fixa na aldeia onde já morava seu sogro Zé Grande (José Vitoriano).possui 2. está localizada nos municípios de Itanhaém. sua esposa Maria Carvalho com sua família migra para as aldeias do Rio de Estudo dos conceitos.Tekoha Yyti . litoral norte e da capital liderada pelo cacique José Fernandes. mostram que a população era de 376 pessoas.500 ha. chefiava a aldeia (Azanha e Ladeira. com a chegada de Miguel e sua família. Essa terra indígena coincide parcialmente com a área do Parque Estadual da Serra do Mar e é atravessada pelo rio Branco. núcleo Rio Silveira. conhecimentos e percepções sobre segurança. onde moram 13 famílias nucleares. Ribeirão Silveira (ou Rio Silveira) A terra indígena Rio Silveira (ou Ribeirão Silveira) também coincide parcialmente com a área do Parque Estadual da Serra do Mar. que são chamados de: Porteira. pertencente ao grupo majoritário e filho de Francisco de Oliveira originário do Paraguai. e uma outra parte foi para aldeia Boa Vista.Relatório Técnico Final . A origem dessa comunidade remonta aos anos 1940.500 ha. Uma nova onda migratória de famílias provenientes do Paraná chegou na década de 70. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . localizada próxima à cachoeira do Rio Vermelho. 2006). A população é composta por grupos Mbyá.856 hectares. Centro. José de Oliveira dos Santos (Capitão Zezinho). se estruturou uma rede de relações de parentesco e troca entre as aldeias de São Paulo com aldeia de Rio Branco (CTI. São Paulo e São Vicente. com cerca de 40 famílias nucleares. Assim. a área ocupada é de 8. em Ubatuba. um grupo local mbyá que se deslocou do Sul do país. o Sr. Registros da FUNASA. e Cachoeira. provenientes do sul e Ñandeva do litoral sul paulista. de 2008. Com o falecimento dele (cerca de seis anos depois). Essa Terra Indígena está homologada e registrada no CRI e SPU pelo decreto 94. uma associação das aldeias indígenas do litoral sul. foi publicada a ampliação dos limites para 8. próxima a entrada da Terra Indígena. onde vivem cerca de 10 famílias nucleares. Nos anos 60. que divide a área em dois núcleos. A terra indígena foi parcialmente regularizada e homologada em 8 de julho de 1987 a extensão territorial de 948ha. situadas no município de São Paulo. De acordo com a FUNASA a população de Rio Branco é de cerca de 40 famílias. pertencendo aos municípios de São Sebastião. com cerca de 8 famílias.Processo CNPq 401176/2005 23 As quatro comunidades estudadas Rio Branco A Terra Indígena Rio Branco . O processo de demarcação de Rio Branco foi impulsionado pela Aguaí – Ação Guarani Indígena. situado próximo ao rio que dá nome à TI.224 em 14/04/87.

Essa comunidade recebe o apoio de algumas organizações e das diversas aldeias do litoral e capital.5 km de praia e está dividida pela Rodovia Rio-Santos em 2 glebas. o relatório foi enviado ao MJ pelo despacho n° 118/PRES/03 (CPI-SP. Em conseqüência desse processo.Relatório Técnico Final . nos últimos anos esse grupo local junto com outros de Bananal e de outros assentamentos do litoral sul. um outro grupo mbyá da região Sul. Estudo dos conceitos. Em 1977 assume a liderança um ñandeva que gozava de grande prestígio político inclusive nas aldeias vizinhas. entre outras) e alguns trabalhos esporádicos fora da comunidade. próxima ao rio Bananal. milho.Processo CNPq 401176/2005 Janeiro e Espírito Santo assumindo a liderança de Rio Silveira outro Mbyá. 2008). Essa comunidade foi formada pelo grupo Ñandeva e alguns não índios casados com os mesmos. amendoim. Essas pessoas vivem atualmente da extração e venda de palmito. passaram a reivindicar a denominação de seu grupo como Tupi-Guarani. Em 2008. A Terra Indígena Piaçaguera ocupa uma área de 2. e. Desde então. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Atualmente a aldeia está sob ameaça da exploração de recursos minerais e por um projeto de construção de um porto na região. Nos anos 60. com cerca de 3. Posseiros e mineradores contestam a legitimidade da ocupação. do artesanato e plantações tradicionais (mandioca.795 ha. a população era de 218 pessoas (FUNASA. desde agosto de 2008 há na TI dois grupos locais. que se uniram para apoiar seu processo de demarcação. A terra indígena Piaçaguera está em processo de demarcação. 2007). logo após a morte do então cacique. os conflitos existentes entre mbyá e ñandeva intensificam-se e muitos mbyá saíram dessa comunidade para a terra indígena Boa Vista. conhecimentos e percepções sobre segurança. nos municípios de Peruíbe e Itanhaém. em Ubatuba. 24 Piaçagüera A formação desse tekoha ocorreu quando algumas famílias de Aldeinha e da aldeia Bananal (onde havia ocorrido um confronto entre caciques que dividiu a aldeia) ocuparam o local que sediava a antiga aldeia denominada São João da Boa Vista. essa TI passou a agregar outros grupos locais ñandeva provenientes do litoral sul paulista.

O aumento populacional. Sua área ainda não foi identificada pela FUNAI. mas é inegável que o crescimento vegetativo dessa 8 A situação de preconceito foi relatada por Dona Alice e seu filho Valter nas entrevistas Estudo dos conceitos. 2008). também. no Jardim Coronel. ainda que seja em níveis mais altos do os da população não indígena. Nesse período de cerca de 25 anos. conhecimentos e percepções sobre segurança. As crianças freqüentam escolas regulares. portanto. que seria. Os Guarani. No Brasil sabemos que as TMI – Taxas de Mortalidade Infantil – ou CMI Coeficientes de Mortalidade Infantil – dos povos indígenas têm declinado nos últimos anos.Processo CNPq 401176/2005 25 Aldeinha A aldeia está localizada na área urbana de Itanhaém. nos séculos passados. como no de outras populações indígenas. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . mas também pode ser devido à migração de pessoas dos outros países onde residem comunidades pertencentes a esse povo. o grupo reivindica uma escola na aldeia e alfabetização em guarani.8 2. Seu João. com altas taxas de natalidade.ainda estariam altas. pode ser decorrente do sub-registro de população no primeiro e segundo períodos. que no caso dos Guarani.Relatório Técnico Final . têm experimentado um alto crescimento populacional. Outra hipótese levantada pelos estudos demográficos de povos indígenas na América Latina aponta para a possibilidade desse crescimento ser indicativo de uma primeira fase de transição demográfica. a população mais do que dobrou de tamanho.. como vemos na tabela 1(Anexo IV) e gráfico 1. estima-se que nos próximos anos esse crescimento tenda a desacelerar e/ou estabilizar. assim como muitos outros povos indígenas. as taxas de mortalidade já estariam baixando. da produção reduzida de plantas tradicionais e eventuais trabalhos na construção civil e roças da região. Podemos observar aumento populacional dos povos Guarani nos três países onde são encontrados (Tabela 1). com taxas de cerca de 3% ao ano em média. muito embora ainda tenhamos casos de variações causadas por perfis epidemiológicos específicos ou por falta de atendimento em casos isolados. segundo alguns autores uma recuperação populacional provocada pela reação às grandes perdas que esses povos sofreram nas diferentes épocas de contato. Embora a maior parte dos povos indígenas no Brasil esteja experimentando um crescimento populacional acelerado. palmito. também. Esse aumento de população pode ter duas causas: o chamado crescimento vegetativo. e redução da mortalidade. Em 25 anos. Por isso. confirma-se a hipótese de crescimento vegetativo. A área é habitada por uma única família extensa (12 famílias nucleares) do grupo ñandeva (Tupi-Guarani) com 78 pessoas (FUNASA. é alto. Perfil demográfico e Mobilidade Espacial Os povos indígenas da América Latina tem sido apontados como populações em fase de crescimento demográfico. mas são vítimas de preconceitos. a população guarani mais do que dobrou de número. um dos habitantes. porém. chegou à aldeia há cerca de 30 anos. de 1981 a 2005. A renda da comunidade vem da comercialização de artesanato. onde as taxas de fecundidade – que descrevem o número médio de filhos por mulher .

que no Brasil são os únicos que não estão presentes no Mato Grosso do Sul. Os Kaiowá encontram-se somente nesse estado e no Paraguay.Universidad Nacional de Misiones.000 1996/2000 38.000 25. seguido pelos Ñandeva. mesmo que exista uma migração dos Guarani em direção ao Brasil.000 94.000 3. política e econômica) cujas complexas organizações sociais.Processo CNPq 401176/2005 população é o maior fator para o aumento da população no Brasil.870 6. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . políticas e econômicas já foram alvo de muitos estudos.000 38. 26 Tabela 1 País Brasil Paraguay Argentina total Estimativas de população Guarani nos três países 1981/1985 20.787 42. é importante registrar que.657 Fonte: Brasil . Argentina . essa migração não teve um volume expressivo nesses períodos. em uma circulação espacial. também chamados Ava Guarani.000 1.Instituto Socioambiental. conhecimentos e percepções sobre segurança. pelo menos a partir das estimativas que estão disponíveis. Os três grupos que são em geral nominados têm estimativas de população diferentes: o grupo que tem a maior população é o Kaiowá. Observamos inclusive que o aumento do numero da população nos outros dois países é de uma ordem maior do que aquela experimentada pelos Guarani no Brasil. também denominado Pai Tavyterã no Paraguay. e depois pelos Mbyá.000 66.000 2001/2005 45. Paraguay: Censos Indígenas Nacionales Os Guarani subdividem-se em muitos sub-grupos e em tekohas (unidade sociológica. ou é compensada por uma emigração.000 17. e os Ñandeva estão nos três países e no Estudo dos conceitos. Portanto.Relatório Técnico Final .

74 25. que mede a proporção entre homens e mulheres nas diferentes idades. porém ainda não completo.35 4. as pessoas já podem ser avós. no período recente. no caso das mulheres. depois dos rituais de iniciação masculina e feminina. ainda não casada.Relatório Técnico Final . Portanto. Esses grupos etários permitem ter uma idéia do perfil de idade de cada população. que possuem outras funções sociais e econômicas. possivelmente decorrente justamente da dificuldade de sabermos a auto-atribuição étnica de cada família e as sub-divisões que estão em constante mudança. % Fem.89 51. com mais da metade da população abaixo dos 15 anos. podendo revelar ou um sub-registro de rapazes dessa idade – é quando a maioria dos homens está trabalhando bastante tempo nas fazendas ou usinas – ou mesmo uma mortalidade maior masculina nessas idades. a criança quando passa pelos rituais de puberdade já é considerada um adulto apto a se casar e exercer de alguma maneira sua autonomia econômica. Estudo dos conceitos. também as mulheres estão em maior número.786 50.44 Total 25. essa informação tem alguns problemas nos arquivos recebidos.677 49. Nas idades mais velhas. os homens estão em número maior do que as mulheres. logo após a puberdade. são os mais velhos. A razão de sexo. as mulheres estão em maior número. característica tradicional desse grupo. Para pensarmos no perfil etário de uma população é importante também fazermos os cálculos dos grandes grupos de idade principalmente para populações de pequeno porte. uma parceria entre inúmeras instituições não governamentais e universidades nos três países.097 25. Total % Total 0 a 14 13.710 20.19 15 a 49 10. Os dados aqui utilizados foram produzidos pelo Projeto Mapa Guarani Ñande Retã. Paraguay. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . de 15 a 29 anos.730 24. é aquela representada pelos adultos jovens.Processo CNPq 401176/2005 Brasil estão em todos os estados. acima de 60 anos. significando que os homens têm tido uma mortalidade maior mais cedo. 10 As informações da Funasa sobre os Guarani se referem ao ano 2008.237 4. Acima dos 35 anos. nas comunidades guarani. O perfil etário dos Guarani no Brasil é extremamente jovem. porém.291 41.827 50. e. entre 2007 e 20089.56 10.463 100. a segunda faixa etária de 15 a 49 anos. 27 População total Guarani no Brasil por grandes grupos etários e sexo e proporção da população por esses grupos etários Grupos etários Masc.00 Tabela 2 Fonte: FUNASA/2008 9 Os dados da Funasa utilizados para esse trabalho trazem uma atribuição de sub-grupo guarani para cada pessoa.45 12. sem filhos. conhecimentos e percepções sobre segurança. na idade jovem.345 8. Argentina e Brasil. porém.10 2. Entre os não indígenas essa fase de idade é considerada como “adolescente”.11 25. como os grupos indígenas no Brasil. De uma maneira geral a idade ao ter os primeiros filhos entre os povos indígenas fica entre 14 e 18 anos mais ou menos. entre os povos indígenas no Brasil de 0 a 14 anos a população pode ser considerada jovem.108 4. entre os Guarani por exemplo não existe essa categoria. A tabela 3 (Anexo IV) diz respeito às estimativas populacionais de cada um desses grupos no Brasil.581 20.37 50 e + 2.81 21. fica maior do que 1 nas idades iniciais. aquelas em idade reprodutiva. a primeira faixa etária de 0 a 14 anos são as crianças e jovens solteiros. como podemos ver nas tabelas 4 e 510. % Masc Fem. Na tabela 2 abaixo podemos observar a população guarani por grandes grupos etários. ou seja.

vai aumentar muito nos próximos 20 ou 30 anos. o que implicará em abertura de muitas novas escolas. por exemplo. E no DSEI MS isso é diferente. Estudo dos conceitos. e de muitos novos postos de atendimento à saúde. a população infantil e jovem. diferentemente da população não indígena. tabelas 8 e 9. em números absolutos. essas populações apresentam mais ou menos a mesma proporção de jovens. adultos e pessoas mais velhas.Relatório Técnico Final . em 2008. no caso dos grandes grupos etários. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 28 O que podemos observar é a enorme proporção de crianças e jovens. O que nos chama a atenção no gráfico 2 é que para as políticas públicas seria muito importante pensar que. No DSEI Sul-Sudeste e Paraná as mulheres estão em menor número em todas as faixas etárias. O gráfico 3 e as tabelas 6 e 7 (anexo IV) nos mostram o perfil etário da população guarani no DSEI Sul-Sudeste e Paraná. Comparando com a população do DSEI Mato Grosso do Sul. conhecimentos e percepções sobre segurança. sendo que a diferença maior fica na proporção entre homens e mulheres. uma proporção menor de adultos e menor ainda de pessoas acima de 50 anos. ou seja. as mulheres estão em maior número na população de 15 a 49 anos e entre os mais velhos. a RS é maior do que 1.

na mesma terra indígena. memórias. Cada Tekoha costuma receber um grupo de parentes relacionado. os Guarani é a maior população indígena vivendo em Terra Indígena (TI). que são também descendentes ou conectados por parentesco com os Ñandeva. os autodenominados Tupi ou Tupi-Guarani (506 pessoas). in CICCARONE. “A forma de sua historicidade e a rede dos significados da vida coletiva. dos mundos e do desenvolvimento da existência humana.Processo CNPq 401176/2005 29 Mobilidade espacial e grupos locais No estado de São Paulo.Relatório Técnico Final . mas formam um outro núcleo nas proximidades. ou seja. O movimento e sua produção no tempo/espaço mítico podem ser considerados um princípio regulador e propriedade constitutiva da concepção do seu universo. (Ladeira. e. ao falar de si mesmo usam o termo ñandeva. quando a pessoa com quem se fala pertence ao mesmo grupo. que muitas vezes não se fixa na mesma aldeia. Tais relações conformam uma rede entre praticamente todas as comunidades Guarani Mbyá e Ñandeva do litoral. O processo de formação e fissão de aldeias A formação das aldeias no litoral paulista foi pautada por relatos míticos. Mesmo com a formação de novas aldeias.420 pessoas. em suas formas históricas de dinamismo. de maneira que os Mbyá mudam na persistência de seu estar em movimento. São núcleos de habitação mais permanente (em geral Ñandeva ou Tupi-Guarani) e núcleos onde moram algumas famílias e outras residem por 1 ou 2 anos e seguem ‘viagem’. segundo dados da FUNASA (2008) são 3. Dessa maneira. No caso dos Mbyá a dinâmica das relações sociais está estruturada na prática do Oguatá (literalmente: andar ou viajar). esses Tekoha são formados por um conjunto de parentes de uma família extensa (matrilocal e patrilinear) que têm como referência uma personalidade de prestígio – o chefe religioso e/ou político. Estudo dos conceitos. xamã mbyá. permeando a trama das narrativas inaugurais. as relações econômicas. Em geral. são construídas na mobilidade. Eles se concentram na região do litoral.04). 2004. onde há cerca de uma centena de Tekoha entre áreas demarcadas. e oreva quando pertence a outra tribo. em estudo e somente demandadas. mas para se movimentar’ (Mário Brissuela. sociais e culturais entre os indivíduos permanecem. relatos de antepassados e pelas relações de parentesco. a pesquisa bibliográfica e documental realizada sobre a história recente dos povos Guarani no estado de SP mostra que os processos de expansão/migração e ocupação de novos territórios (bem como a fissão de grupos locais antigos) pelos povos Guarani Mbyá e Ñandeva estão baseados em suas tradições míticas e de atribuir significação aos territórios. assim como é. que a sociedade Mbyá e seus indivíduos se reconhecem e constroem sua presença no mundo: ‘A gente está aqui na terra não para ficar quieto. Os grupos guarani que vivem nesse estado são os grupos Ñandeva11 (2209 pessoas) e Mbyá (705 pessoas). p. mais recentemente. conhecimentos e percepções sobre segurança. 1994). 11 Os povos guarani de acordo com a literatura antropológica. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .

1974. Esses saíram do seu território. Jaraguá. entre as tribos Guarani começou um movimento religioso em busca da Terra Sem Mal que ainda não teria se completado. conseguiram fugir e marchar pelo sul em direção ao mar. Azanha. 30 3. 12 13 Um dos povos Guarani que Nimuendajú estudou. Os registros mais antigos apontam que o território dos povos Guarani compreendia o Brasil. Dessa maneira. onde foram escravizados pelos colonos. como por exemplo. Mesmo com essa influência. Muitas comunidades atuais foram estabelecidas nesses locais de passagem ou paradas para descanso. isto é. principalmente para a TI de Arriba. Os primeiros a migrar para o leste teriam sido os vizinhos meridionais dos apapocúva. 1988). subiram pela margem esquerda do Paraná e rumando em direção leste. os Tañyguá13. o “jeito de ser e estar no mundo”. Essa característica está presente na TI da região Sudeste e Sul como percebemos na história das aldeias de Rio Silveira. chegaram à cidade de Itapetininga. além disto. fixaram-se na Serra do Itatins e preparavam-se para a viagem milagrosa pelo mar até a Terra sem Males. ou em sua própria língua o teko. segundo ele. História dos assentamentos indígenas de São Paulo O indigenista Kurt Nimuendajú (1987) conheceu os apapocúva12 no Estado de São Paulo no início do século XIX. e também no recente processo de constituição mais recente das aldeias de Piaçaguera e Aldeinha. mas recusaram.Processo CNPq 401176/2005 A configuração do espaço guarani atual está também relacionada com o contexto político e econômico da sociedade brasileira como um todo. os próprios indígenas exploram recursos naturais dos seus territórios para venda comercial nos centros urbanos próximos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . ou matérias primas para elaboração do artesanato. o palmito. Porém. a permanência nesse local e os deslocamentos estão intimamente relacionados ao locus geográfico preconizado pela cultura guarani. as aldeias no Estado de São Paulo mantêm sua tradição na formação e permanência de seus assentamentos: recursos humanos. Existem ações judiciais e litígios que contestam a legitimidade das Terras Indígenas. mas a principal motivação para formação de aldeias e mobilidade é o modo de vida dos Guarani. o processo de formação de uma aldeia/ tekoha. onde famílias passavam alguns dias ou meses entre o percurso de aldeias. conhecimentos e percepções sobre segurança. Krukutu e Barragem. Rio Branco. E. receberam proposta para mudar de local. Argentina e Paraguai e que houve intenso deslocamento para o Leste. Dessa maneira. aos significados culturais que os povos guarani atribuem a cada paisagem. No inicio do século XX. e os conseqüentes deslocamentos. Estes receberam terras no rio do Peixe e Rio Itariri (atual TI de Itariri) do governo brasileiro. são vigentes e praticadas até os dias de hoje. os grupos sociais do entorno das comunidades interferem nos processos de ocupação e deslocamento espacial dos Guarani. Nesse trajeto foram formados diver sos pontos Guarani de passagem e paradas para descanso. Essa interação entre as aldeias. Eram originários do baixo Iguatemi no sul do MS Um dos povos Guarani que Nimuendajú estudou Estudo dos conceitos. (Schaden. espaço ou meio ambiente da região onde tradicionalmente habitam. econômicos e sociais influenciam esse processo. em 1937.Relatório Técnico Final .

chegaram a retroceder e ficar na fazenda Pirituba do Barão de Antonina. Alguns voltaram para viver no território indígena do Rio Verde. alcançou o litoral próximo aos Tañyguá. A maioria dos índios dessa tribo habitava em São Paulo. depois algumas dessas famílias foram para Araribá. quando ele foi transferido de posto.. pelo Rio Tietê (Nimuendaju. mas sem associar com os indígenas Oguauíva que já viviam ali. uma parte ficou na região do Rio Batalha e depois fugiu para Bauru. O grupo que fugiu para Bauru. Oguauíva e Tañygua migram liderados pelo grande pajé. parte do grupo concordou em ir para Araribá. outros. Esse local indígena “foi convertido em asilo para remanescentes disperso das tribos Guarani. Os Apapocúva.Relatório Técnico Final . e no Itariri junto com os Tañyguá.Processo CNPq 401176/2005 No inicio da caminhada para leste. sua trajetória foi interrompida na região de Itapetininga. 31 14 15 Também um dos povos Guarani que Nimuendajú estudou Atualmente. aceitaram minhas propostas de mudança para esta reserva nos anos de 1912 e 1913”. conhecidos como Mbyá também iniciaram sua marcha para o leste. Oguauíva e Tañigua. alguns grupos seguiram pelas margens do Rio Paranapanema. com maior ou menor sucesso. um grupo vindo do Rio Verde.1987). os Oguauíva14 seguiram caminho para leste. uma parte vivia na região do Bananal (na nascente do Rio Preto) na cidade de Conceição do Itanhaém15. depois que numerosos outros bandos haviam imitado o exemplo dos Tanyguá e Oguauíva.. os Apapocúva tinha aldeias no Paraná. Lá uniram-se a outro grupo que retornava do litoral e receberam o convite do Frei Sabino para fundar uma colônia em Dourados no MS. Rio Cinzas. subiram o Rio Paraná e tomaram o rumo para leste. Todo o grupo abandonou o local. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . no Mato Grosso (Protero Guaçu). Também outro grupo tinha saído de MS resolveu se juntar ao grupo. logo depois fundou uma aldeia em Avari e mediante a pressão da construção da estrada de ferro tiveram que sair de lá. Segundo Nimuendajú (1987). já a outra retornou ao Rio Verde. devido à politicagem local. em Jacarezinho e em Itapeva. em 1912. Tempo depois da passagem do grupo Tañyguá. Semelhantemente aos seus antecessores na marcha rumo ao oriente. conhecimentos e percepções sobre segurança. esses Oguauíva tiveram que migrar para Bauru. outra parte continuou caminhando. o movimento migratório propagou-se também até os Apapocúva. Acusados de feitiçaria. este local pertence ao município de Peruíbe. Cerca de 1860. bem como um grande número deles no Mato Grosso e Paraná. Estudo dos conceitos. (Nimuendajù. A tentativa de Frei Sabino fracassou. os Tañyguá passaram pela região dos Oguauíva (margem direita do Paraná. 1987). Outros grupos que viviam a sul dos Apapocúva. depois de terem passado pelos Apapocúva. Todos tinham desistido de marchar para o leste. não viviam mais nessa região. Muitos foram mortos por epidemias e. 1988). no Mbaracaý). Por volta de 1870. na terra entre os rios Verde e Itararé. Nesse período. È importante salientar que os indígenas da etnia Karijó. no caminho e durante sua estádia sofreram com doenças infecciosas. habitantes do litoral paulista. outros na ferrovia de Mongaguá. no afluente do Rio Paranapanema. chegaram ao litoral Sul e migraram em direção norte (Azanha.

pois essas trajetórias sintetizam o teko (modo de vida guarani). na atualidade. Estudo dos conceitos. Anos depois. O indígena Odair Castro casou se novamente com Joana Alípio e teve dois filhos: Ilza e seu irmão Igino de Castro nasceram em Itariri. atual pajé da TI Rio Silveira. Ricardo. Seu Igino vivem na TI Rio Silveira. casou-se com o líder indígena Antonio Branco16 e tiveram mais 2 filhos: Fernando Branco. no tekoha Cachoeira.Relatório Técnico Final . formadores de tekoha e descendentes de grandes líderes guarani. fixaram-se nesse local em Aldeinha.Processo CNPq 401176/2005 Os descendentes desses diversos grupos vivem atualmente na região litorânea de São Paulo. apresentaremos a trajetória de vida de dois fundadores de tekoha. 32 Trajetórias de vida e genealogia Das pessoas entrevistadas até o presente momento da pesquisa. já os filhos mais novos Gilmar. onde nasceram todos seus filhos. Além do mais. casaram e foram morar com suas esposas e famílias em aldeias da região do litoral paulista. O casal vive em Rio Silveira junto com seus descendentes. Essas informações foram colhidas principalmente nas entrevistas realizadas com Dona Alice e também com seu filho Valter. Aldeinha ou Tekoha Ñandepowa A Aldeinha ou Tekoha Ñandepowa é composta pelos membros de uma família extensa. alguns deles (os mais velhos) cresceram nessa aldeia. Percebemos que. Dona Alice nasceu na Aldeia do Bananal. ambos são importantes lideranças. que nasceu em Bananal. Jorge. Também há uma profunda ligação da caminhada desses povos rumo ao leste com a formação das Terras Indígenas já existentes e com as que estão em formação. ela casou-se com Seu João Romualdo (filho de José Eugenio) e foi morar na aldeia de Itariri. posteriormente. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . formadora do Tekoha Ñandepowa. A Dona Alice é filha de Odair Castro (Xapé) e de Angelina da Silva. ao se separar do marido. nascido em Itariri e Balbina Rosa. visto que já havia existido uma aldeia. Analisaremos alguns aspectos como a mobilidade espacial (locais de residências anteriores e atuais). Márcio. D. Daniel e Elisa casaram-se e continuaram morando na aldeia. Alice procurou continuar vivendo próximo á seus filhos. Ela juntamente com os últimos filhos (eram ainda crianças) perambularam pela cidade e por algumas aldeias procurando abrigo e. após estas andanças. 16 Antonio Branco é irmão de Ana Júlia casada com Bento Samuel dos Santos. Atualmente. há casamentos e outros tipos de alianças entre esses povos Guarani. sua parentela foi analisada e será descrita no próximo item. A indígena Angelina é originária do Paraná. Selecionamos as histórias de vida de Dona Alice e Seu Igino. genealogia e história de vida com foco na trajetória de vida do ancestral dessa comunidade conhecida como Dona Alice. conhecimentos e percepções sobre segurança. seus filhos e filhas que estavam casados mudaram com a família para junto da mãe. Com o passar do tempo.

Assim. constituindo nesse local família e migrando para Aldeinha.Alice é tio de Catarina. Angélica já viveu em Itariri. A Rosa nasceu em Bananal e hoje vive em Piaçaguera.Alice têm uma história de deslocamentos semelhante à mãe: eles nasceram na aldeia de Itariri e migram pra outras aldeias por diversos motivos: alguns se casaram e passaram a morar com seus cônjuges. Fernando nasceu em Itariri. já morou em Rio Silveira. Vera. Os membros de ambas as TIs junto com Rio Branco vendem artesanatos e palmitos na mesma feira. nas trajetórias e etapas de vida dos membros dessa família extensa compreendemos algumas características do deslocamento espacial guarani. Assim. Também identificamos as relações entre essas 2 TIs por observarmos as visitas aos parentes às aldeias. Outro aspecto interessante da genealogia é que os irmãos do ego (Alice) estão vivendo em aldeias distintas e muitos deles vivem fora da comunidade onde nasceram. mora na Barragem. conhecimentos e percepções sobre segurança. atualmente vive em Paranapuã. em sua história de vida também há apresentou diversos deslocamentos: viveu em Itariri. Dessa maneira. outros acompanharam a mãe no itinerário de Itariri à Aldeinha. uma liderança da TI de Piaçaguera.Processo CNPq 401176/2005 Já Eduardo (primogênito e filho de um primeiro companheiro de Alice). Alice que não mora nas proximidades da mãe. também se mudou para Aldeinha. ficam evidentes os vínculos de parentesco entre os dois tekohas. Igino. os filhos de D. Valter e Regina moraram em Itariri e migraram para o Tekoha Ñandepowa logo após a saída da mãe de Itariri. atualmente mora na aldeia do Capoeirão. ex-marido de D. que também nasceu em Itariri vive em Rio Silveira (aldeia onde moram as netas de Alice.Relatório Técnico Final . MAPA COM A TRAJETÓRIA DE VIDA DE DONA ALICE 33 Estudo dos conceitos. È interessante também destacar que Seu João. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Ele é o único filho de D. morou em Bananal com seu esposo e com a fixação da mãe no território atual. onde vivem hoje sua ex-esposa Claudia e suas filhas e. filhas de Eduardo) e Ilza.

na TI do Bananal: Sandra e Alexandre. Já Alexandre. um dos primeiros moradores da aldeia e também o mais velho do núcleo. que já viveu em Bananal. Toda a parentela descendente de Ana Rosa vive no Tekoha Cachoeira. Ele nasceu em 1945 na cidade de Itariri. aonde chegou nos anos de 1965/66. Bananal e. Vanessa. Ariane e Rodrigo. Seu Igino casou-se com Ana Rosa. Maicon. Carina. que nasceu e ainda vive em Rio Silveira. conhecimentos e percepções sobre segurança. Em 1957. Seu Igino teve uma filha com a indígena Tereza. por ordem de nascimento: Regiane. Gilson. Vando e a esposa do cacique de Ubatuba. casou-se com Elisia e teve uma filha lá. Podemos notar nessa trajetória de vida que a parentela de Seu Igino tende a fixar no tekoha e expandi-lo. pro RS. o que nos parece indicar uma transformação na regra de sucessão e descendência entre os subgrupos Guarani. realizamos entrevista com esse líder a fim de compreender também sua história de vida.Relatório Técnico Final . focando na sua mobilidade espacial (locais de residências anteriores e atuais) e também de seus parentes consangüíneos e afins dos dois lados. O casal separou-se. Somente o primeiro filho nasceu em Bananal e os demais em Rio Silveira. mas vive no Rio de Janeiro com esposo e filha. Sandra teve cinco filhos com o primeiro marido: Camila. Santina nasceu também em Rio Silveira. por ultimo. é casada e tem um filho. Eliane. depois retornou para Rio Silveira com a mulher e a filha. juntou com a irmã. Viviane. Por volta dos 17 anos. do Paraná. Izilda. já falecido): por ordem de nascimento. Alessandra. ele mudou para a TI Barragem. Assim. Vando casou-se com Glorinha Samuel dos Santos (filha de Bento Samuel. esta filha viveria atualmente em SC. mas os seis filhos. Guilherme. cujo cunhado é Antonio Branco) e tiveram Janilson. na sua geração e nas seguintes. Célia também mora em Rio Silveira. Antes de casar com Seu Igino. foi para Barragem. Michel. Ângela e Naila. ele foi para o PR. Clarisse (mãe de Wellington). O Tekoha Cachoeira é formado pelos membros da família extensa do líder Seu Igino. Ubatuba. O casal teve dois filhos nascidos em Peruíbe. Ana Rosa teve três filhos com Zé dos Santos (tio de Igino. todos nasceram e ainda vivem junto com a parentela de Seu Igino. Danila e Donizeti. Estudo dos conceitos. estes 3 nasceram e também vivem no tekoha Cachoeira. Hoje Sandra vive na Barragem junto com marido e três filhos do casal (2 meninos e a mais nova. paternos e maternos. Angras dos Reis/ RJ. Rio Silveira. Seu Igino é irmão paterno de Dona Alice. Vinicius. O casal tem 6 filhos: Cláudio. Já Zilda casou-se com Hermenegildo Samuel dos Santos (filho de Bento Samuel).uma menina). nasceu e casou-se com Célia de Paula no Rio Silveira. onde hoje é a Terra Indígena de Itariri. Tanto filhos homens como mulheres têm permanecido e vivido junto a esse líder. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . depois. proveniente do PR. Alexandre. mas no tekoha Rio Pequeno.Processo CNPq 401176/2005 34 Tekoha Cachoeira na TI Rio Silveira A terra indígena de Rio Silveira é formada pelos cinco tekohas (núcleos) já mencionados.

Processo CNPq 401176/2005 35 MAPA COM TRAJETÓRIA DE VIDA DE IGINO A SEGUIR A GENEALOGIA SEU IGINO E DONA ALICE COM TODA A SUA PARENTELA. conhecimentos e percepções sobre segurança. Genealogia Estudo dos conceitos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Relatório Técnico Final .

dos locais de residências anteriores para os atuais. O georeferenciamento dessas trajetórias de vida e ligação entre as aldeias permitiu uma visualização da circulação dos povos Guarani no território tradicional. onde há recursos naturais ou serviços públicos que garantam saúde. educação. para casar ou. podemos concluir que a mobilidade espacial dos povos Guarani é contínua no que diz respeito ao fluxo de pessoas em seu território originário. Estudo dos conceitos. O conhecimento desse jeito de viver mostra que há uma diferença que marca a alteridade Guarani em relação à nossa sociedade. de uma maneira diferente. paternos e maternos. Notamos essas características nas entrevistas de alguns líderes dessas comunidades e focando nos seus relatos de mobilidade espacial. foi sendo atualizado e resignificado pelos diversos agentes Guarani. denominado por eles como Ñande Retã. da anterior e das seguintes. A mobilidade continua acontecendo e provavelmente continuará a acontecer. mobilidade. em pelo menos duas aldeias. para tratamento de saúde onde tem pajé.Relatório Técnico Final .Processo CNPq 401176/2005 36 Considerações Finais Através dessa pesquisa. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . A mobilidade espacial e o processo ocupação de território. conhecimentos e percepções sobre segurança. Esses indígenas têm uma maneira própria de viver. paz. se deslocar e dar sentido a saúde. Também foi identificada uma profunda ligação da caminhada desses povos rumo ao leste com a formação das Terras Indígenas existentes em SP e aquelas que estão em formação. educação e acesso aos recursos naturais (diretos ou comprados). A impossibilidade de realização desse modo de viver motivou e ainda motiva esses indígenas a buscarem um local com condições adequadas. bem como fissão de antigos grupos locais são investidos de significados pelos Guarani. Será para eles a busca e realização do modo de ser Guarani. considerando a pressão resultante de territorial exíguo e a desorganização social observada. Estas entrevistas nos fizeram compreender melhor a sua história de vida e as de seus parentes consangüíneos e afins. já que todos esses elementos são partes do seu modo de ser. educação e economia de outra forma. Os deslocamentos espaciais continuam acontecendo. pois revelaram que a busca de um local com condições adequadas para viver. sendo que destinos preferenciais são aldeias onde há algum parente ou onde já viveram algum tempo. economia e cultura. Essa busca pode se concretizar com um deslocamento para um tekoha onde vive um parente. O conhecimento da mobilidade espacial Guarani indica para o poder público e sociedade envolvente que esse povo concebe o espaço. Nesse sentido. a realização de genealogias ainda é fundamental para a compreensão da mobilidade Guarani. Em relação aos grupos estudados provavelmente essa mobilidade estará presente. O modo de ser. ao longo das histórias dos povos Guarani. agudamente. envolve de alguma maneira os parentes. seja na indicação ou para buscar recursos naturais para artesanatos. da sua geração. Piaçaguera e Aldeinha.

Entre os chefes de família cerca de 90% têm baixa escolaridade. exceto em Rio Branco. O celular está presente em 30. mais de 76% dos domicílios. Ao todo foram obtidos dados de 115 famílias totalizando 527 pessoas. Das 115 famílias 72% eram chefiadas por homens. Predomina a classe econômica E do Critério Brasil 2008 (80%). em Rio Branco esta inexiste (Tabela 4). Houve apenas uma aldeia onde o chefe de família era não indígena (Tabela 3). saúde e nutrição dos Guarani do litoral de São Paulo Os dados obtidos e tabulados encontram-se em anexo (Anexo V). o bolsa família e cestas básicas/doação de alimentos.5 a 45. Foram 42 pessoas da aldeia Rio Branco. O lixo em mais de 60% dos domicílios é jogado nas imediações ou enterrado (Tabela 4). sendo de palmeiras ou gramíneas em 53% das casas. A posse de bicicletas é frequente (48. mas em Rio Branco e Aldeinha é inferior a 24%.Relatório Técnico Final . Também em Rio Silveira 64% das casas têm caixa de água própria. em que é de fonte natural. casal com filhos representam mais de 50% dos arranjos familiares exceto em Rio Branco. A faixa etária de menores de 5 anos e de 5 a 14 anos é muito numerosa. exceto em Aldeinha (Tabela 4).9%) (Tabela 5). As famílias nucleares. Em mais de 88% a água é de rede geral exceto em Rio Branco.5%). nos outros o mais presente é a televisão (74. no máximo 4 anos. Suas casas são predominantemente de alvenaria (53%) exceto em Rio Branco onde mais de 90% é de taipa (Tabela 4). e por este motivo não será descrito. Em Rio Branco e Aldeinha é muito baixa a disponibilidade de água encanada (<20%). insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .4-75%). apenas será descrito Rio Silveira. O telhado é tradicional em Rio Branco e Rio Silveira. A tabela 6 apresenta as fontes de renda dos moradores. Quanto aos bens de consumo em Rio Branco são escassos. a venda de plantas. Em Rio Silveira e Piaçaguera destaca-se a disponibilidade de chuveiro (81% e 64%). o uso de fogão interno a gás.5% do total de fontes de rendimento. pudemos observar que diversos tem modelos que servem como câmara fotográfica. Predomina. Condições de vida. 304 da terra Rio Silveira e 33 de Aldeinha.2% dos domicílios. isto é supera a faixa adulta de 15 a 49 anos. 147 de Piaçaguera. exceto em Aldeinha. mas nem todas possuem tampa e quase não se procede à limpeza das caixas. com distribuição semelhante por sexo (Tabela 1). sendo que em Rio Silveira e Piaçaguera é de mais de 88%. Fogão a gás tem a segunda maior freqüência e geladeira a terceira (61. O conjunto dos empregos da Prefeitura e FUNASA representam 6. Enquanto em Rio Silveira 73% dos domicílios têm privada interna. o total está referido ao total de fontes mencionadas em cada aldeia. onde poderão ser encontradas as tabelas numeradas neste texto. a mesma proporção dos que são remunerados por Estudo dos conceitos. Contam com bica externa ou tanque para lavar as roupas. onde predomina o artesanato. como o destino para os dejetos.Processo CNPq 401176/2005 37 4. mas em Piaçaguera e Aldeinha mais de 80% são de Zinco/Amianto (Tabela 4).3 a 72.6-87. Nas aldeias predomina a fossa rudimentar. juntas somam mais de 51% da população. Pelo numero de entrevistado. Em Rio Silveira predominam as crianças de 5 a 9 anos (Tabela 2). onde é maior o escoamento livre para o peri-domicilio. com idade mediana de 35 anos. conhecimentos e percepções sobre segurança.

este foi referido em 32% dos domicílios de Rio Silveira. A internação hospitalar. Desnutrição e pneumonia são as doenças prevalentes referidas nessa faixa etária em Rio Silveira (Tabela 12) A proporção de fumantes nos domicílios varia entre 32. somente será descrita para a população de mulheres de 15 anos e mais de idade e residentes em Rio Branco. Destacamos a pequena proporção em trabalho agrícola (3. A tuberculose foi observada em 5. A proporção em Aleitamento Materno variou entre aldeias.9%) (Tabela 9). Utilizando como indicador o Índice de Massa Corpórea (IMC) e a classificação pelos pontos de corte de referência da OMS. E possível Estudo dos conceitos. caracteriza-se pela alta freqüência (84%) de consumo de hidratos de carbono industrialmente processados. Quanto ao consumo excessivo de álcool. a assistência do Pajé foi referida em 52% dos casos (Tabela 11).Relatório Técnico Final . 32% de sobrepeso e 8% obesidade. do total apenas 4 crianças estavam em aleitamento materno exclusivo (Tabela 10). nesta faixa etária.5 a 52.2 a 58.5% dos domicílios. Pneumonia/broncopneumonia é a doença predominante em todas as aldeias (5. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP 38 . 2009) para avaliação nutricional. das 4 aldeias.2% de obesas (Tabela 7). por razões amostrais. variou entre aldeias (0 a 42. no ultimo mês.5%) (Tabela 6). Em Rio Silveira quando uma criança adoece é levada ao AISA e ao Posto de Saúde (ambos 88%). como bolacha salgada. Em 23.7% referiram pelo menos um caso na família) (Tabela 12). foram distribuídos em curvas. em Rio Silveira. entre as mulheres há 3. entre os homens 60% de eutrofia. A proporção de parto cesárea variou de 0 a 20% entre as 43 com informação desta variável (Tabela 9).5 em ambos sexos e em todas as aldeias exceto Rio Branco (Tabela 8). Somente em Rio Branco persiste o costume de dar a luz na aldeia e na capoeira (Tabela 9). Em Rio Silveira a mediana da renda familiar na época da pesquisa era de R$470. Não há referência de tabagistas em Aldeinha.00. Piaçaguera e Rio Silveira. sendo que 72% das crianças tem feijão na sua alimentação diária e 64% consomem a comida disponível na casa para os outros moradores. no caso do indicador Peso/Altura a população que constitui o padrão da OMS (WHO.1% com sobrepeso e 22.9 a 40.Processo CNPq 401176/2005 atividades como guia turístico. 21. Os acidentes no ultimo mês tiveram freqüência variável segundo aldeia (1.8% (Tabela 13). Em Rio Silveira a diarréia foi referida em 30. Do total de111 crianças nesta faixa etária houve apenas 3 casos com sobrepeso Os dados antropométricos da população de crianças menores de 5 anos. foi referida em 10 a 25% dos domicílios. para homens adultos apenas dos moradores de Rio Silveira. que foi a aldeia que apresentou a menor freqüência (Tabela 13). a informação de tabagismo na gravidez. Entre as 39 mulheres com criança menor de dois anos.1% dos domicílios. pão e macarrão. Nas crianças de 5 a 14 anos predomina IMC abaixo de 18. A alimentação das crianças.6% dos domicílios apresentaram pelo menos um caso).3% eutróficas. 33% em Aldeinha e 88% em Rio Silveira. Houve informação sobre hábitos alimentares de 45 crianças menores de 2 anos. 53. A avaliação antropométrica de adultos. Com 80% de freqüência de consumo de alimentos de baixo valor nutritivo na forma de refrigerantes ou suco artificial (80%). observou-se. conhecimentos e percepções sobre segurança.3% de desnutridas. tendo como referência. As doenças crônicas apresentaram freqüência inferior a 10%.7 a 17.5% dos domicílios houve pelo menos algum membro da família que ficou doente no ultimo mês.

entre elas o sobrepeso é mais freqüente que a desnutrição. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . está a maior proporção de crianças abaixo de -2 escore Z para Peso/Altura. Ou seja. salientar. tanto dos valores de IMC quanto da distribuição dos escores z de peso para a altura medida. entretanto. também. É necessário observar que a avaliação nutricional de crianças menores de 5 anos. É importante. há distorções as curvas devido ao pequeno número de crianças em cada uma das aldeias.Processo CNPq 401176/2005 observar uma tendência de desvio para a direita das curvas de cada um dos indicadores. que quando são analisadas apenas as curvas das meninas. As distribuições dos indicadores relativos a cada aldeia seguem o padrão descrito anteriormente. entretanto. quando analisamos as distribuições segundo sexo é possível inferir que os meninos tem maior freqüência de sobrepeso e obesidade do que as meninas e.Relatório Técnico Final . Estes resultados ficam mais evidentes quando são agrupadas as medidas antropométricas de ambos os sexos em decorrência do número pequeno de moradores em algumas das aldeias. exceto para Rio Silveira. há predomínio na freqüência de sobrepeso e obesidade sobre a freqüência de desnutrição. usando como indicador o IMC não é o mais apropriado porque pode nesta faixa de idade superestimar a desnutrição. Entretanto. 39 Estudo dos conceitos. entre elas. conhecimentos e percepções sobre segurança.

Rio Branco. Rio Branco. por sexo. ambos os sexos de todas as aldeias (Aldeinha. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Piaçaguera e Rio Silveira) São Paulo 2008/2009 40 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos.Relatório Técnico Final . Piaçaguera e Rio Silveira) São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. de todas as aldeias (Aldeinha. conhecimentos e percepções sobre segurança.Processo CNPq 401176/2005 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos.

Rio Branco. conhecimentos e percepções sobre segurança. de todas as aldeias (Aldeinha. de todas as aldeias (Aldeinha. Rio Branco.Processo CNPq 401176/2005 41 Peso para Altura de todas as crianças menores de 5 anos . Piaçaguera e Rio Silveira) São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. ambos os sexos. Piaçaguera e Rio Silveira) São Paulo 2008/2009 Peso para altura de todas as crianças menores de 5 anos.Relatório Técnico Final . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . por sexo.

conhecimentos e percepções sobre segurança. da aldeia Rio Branco São Paulo 2008/2009 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos.São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. por sexo.Processo CNPq 401176/2005 42 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos. da aldeia Rio Branco . ambos os sexos.Relatório Técnico Final . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .

da aldeia Rio Branco . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. por sexo. ambos os sexos. conhecimentos e percepções sobre segurança.Relatório Técnico Final .Processo CNPq 401176/2005 43 Peso para Altura de todas as crianças menores de 5 anos. da aldeia Rio Branco .São Paulo 2008/2009 Peso para altura de todas as crianças menores de 5 anos.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 44 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos.São Paulo 2008/2009 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos. da aldeia Piaçaguera . ambos os sexos.São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. da aldeia Piaçaguera . conhecimentos e percepções sobre segurança.Relatório Técnico Final . por sexo.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . da aldeia Piaçaguera . por sexo.São Paulo 2008/2009 Peso para altura de todas as crianças menores de 5 anos.Processo CNPq 401176/2005 45 Peso para Altura de todas as crianças menores de 5 anos . ambos os sexos.Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança. da aldeia Piaçaguera São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos.

por sexo. conhecimentos e percepções sobre segurança. da aldeia Rio Silveira São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Relatório Técnico Final .São Paulo 2008/2009 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos. ambos os sexos.Processo CNPq 401176/2005 46 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos. da aldeia Rio Silveira .

conhecimentos e percepções sobre segurança. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . por sexo.Processo CNPq 401176/2005 47 Peso para Altura de todas as crianças menores de 5 anos . ambos os sexos.Relatório Técnico Final .São Paulo 2008/2009 Peso para altura de todas as crianças menores de 5 anos. da aldeia Rio Silveira . da aldeia Rio Silveira .São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos.

ambos os sexos.Relatório Técnico Final . ambos os sexos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . da aldeia Aldeinha .São Paulo 2008/2009 Estudo dos conceitos. da aldeia Aldeinha. conhecimentos e percepções sobre segurança.Processo CNPq 401176/2005 48 Índice de Massa Corporal de todas as crianças menores de 5 anos.São Paulo 2008/2009 Peso para Altura de todas as crianças menores de 5 anos.

tanto nacionais como internacionais. Tagliari (2006) observou maior estatura e peso entre crianças de 8 e 9 anos. A diversidade alimentar ou maior consumos protéico e energético. Como no estudo aqui relatado. a situação de saneamento ambiental nas aldeias é inadequada. privilegiavam as crianças de áreas urbanas ou rurais não indígenas. Arruda et al. de áreas rurais e urbanas comparativamente àquelas de faixa etária semelhante. na adoção de hábitos alimentares prejudiciais à saúde. porém residindo em terra Indígena Kaingang. o que atesta o preocupante grau de exclusão social a que estes povos estão submetidos. especialmente pelas crianças. É preocupante a elevada prevalência de uso abusivo de álcool. Ribas et al (2001) estudando entre os Terena no MS verificou que crianças com maior retardo do crescimento situavam-se na faixa etária de 6 a 23 meses. todas. 2001. podendo favorecer especialmente as doenças infectoparasitárias do aparelho digestivo. também. com baixo valor nutritivo. 2003). eram do sexo masculino e pertenciam a famílias de menor renda per capita. situadas na mesma região geográfica do Paraná. como é o consumo elevado.Relatório Técnico Final .Processo CNPq 401176/2005 Os observados padrões de vida. em sociedades indígenas. 49 Considerações finais Observamos nas quatro aldeias participantes do estudo a adoção de hábitos de vida e de consumo alimentar próprios de comunidades não indígenas. Este fenômeno já havia sido relatado em pesquisas com populações não indígenas. conhecimentos e percepções sobre segurança. a coexistência de obesidade entre adultos com desnutrição infantil (Gugelmin e Santos. o que constitui dupla sobrecarga negativa para a saúde destes povos (Bracco et al. O sobrepeso e a obesidade estão presentes entre as mulheres adultas e crianças abaixo de 5 anos de idade. que podem representar maior conforto como o uso de fogão a gás e geladeira e. Estudo dos conceitos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . também. Isto está refletido na aquisição de bens de consumo permanentes. Por não possuir coleta de lixo e nem esgotamento sanitário. de alimentos industrialmente processados. outras investigações recentes tem observado. biscoitos e doces. como um reflexo possível da I. como refrigerantes.A. saúde e nutrição do povo Guarani das quatro aldeias estudadas é compatível com resultados de outros estudos com etnias diferentes. 2002).

de uma forma ‘tradicional’. entendidas como as maneiras pelas quais as pessoas. Os dados de pedômetros nas crianças do Rio Silveira foram obtidos pelo Cesar Miguel – CELAFISCS. danças e esportes foram observados mais especificamente na Aldeia Rio Silveira. Corrida. Variação das técnicas do corpo com as idades. 2003) foram utilizadas para subsidiar as observações realizadas. Descida. Estudo dos conceitos. Foram inseridas as técnicas do jogo. Esta decisão se deu por ser a maior aldeia e por restrição orçamentária do projeto (cortes do projeto inicial aprovado pelo CNPq. Técnicas da idade adulta a) Técnicas da atividade. do movimento – movimento do corpo inteiro – rastejar. Técnicas da adolescência 2. conhecimentos e percepções sobre segurança. Classificação das técnicas do corpo em relação ao rendimento B. 2. como a participação do Rio Silveira na SBPC Jovem também propiciou informações importantes sobre as técnicas corporais. Movimento de força (lançar. Dança. Nado. de sociedade a sociedade.Relatório Técnico Final . c) Técnicas do consumo – comer e beber. sabem servir-se de seu corpo (Mauss. As atividades complementares do Projeto. levantar). Técnicas Corporais – Guarani As técnicas corporais. pisar. esporte e rituais. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . As informações das características gerais e atividades diárias foram registradas nas três aldeias. arremessar. As atividades de jogos. Os itens utilizados na classificação de Mauss foram: A. Salto. andar. Ato de cuspir no uso do cachimbo. Escalar. Classificação das técnicas do corpo de acordo com Marcel Mauss 1. Enumeração biográfica das técnicas do corpo 1.).Processo CNPq 401176/2005 50 5. b) Técnicas dos cuidados do corpo das crianças e jovens. 3. Divisão das técnicas de corpo entre os sexos (diferenças dos corpos em movimento).

As atividades de pescas no rio. conforme tabela abaixo. Regina. facão e arma de fogo (espingarda. As qualidades físicas mais utilizadas são flexibilidade. Dionísio (líder esporte) . Walter. Etnias Mbyá Mbyá Aldeia Rio Branco Rio Silveira Local Itanhaém Bertioga e São Sebastião Contatos Daniel e Catarina (diretora) Professor e Pastoral da Criança Sergio (vice cacique no início) – núcleo Rio Pequeno. espingarda de chumbinho). A escola tem uma varanda coberta e campo de futebol (tamanho aproximado de futsal) ao lado. conhecimentos e percepções sobre segurança. agachar. A área fica entre grandes desenvolvimentos imobiliários e portanto cobiçada por diferentes setores da sociedade. Têm alguns projetos de plantios sazonais de mandioca e palmito. Kelly e 2 jovens Catarina e filha Fabiola Ñandeva Ñandeva Aldeinha Piaçagüera Itanhaém Peruíbe Aldeia Piaçagüera A aldeia está localizada. Técnicas corporais Nas refeições comem em grupo. Mas a entrada da aldeia fica mais ou menos uns 4 kilometros de estrada de terra e areia. machado. situado nessa terra.núcleo Porteira. pá. Nas atividades diárias utilizam movimentos de andar. Uma estrada asfaltada divide a terra indígena em duas regiões. queimam e aram a terra). sentar. coordenação óculo-manual. Qualidades físicas – flexibilidade ao sentar e coordenação manual. mas ainda caça e coleta palmito. O acesso que vai a aldeia é o mesmo que chega na praia. e força dinâmica localizada em regiões do corpo (especialmente quando destocam. entre Peruíbe e Itanhaém e próximo ao mar. plantas silvestres e matéria prima para o artesanato.Processo CNPq 401176/2005 51 Os contatos foram estabelecidos com os lideres dos Núcleos. As pessoas precisam passar pelo trecho de terra/areia para o ponto de ônibus. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . especialmente sob o sol quente. Estudo dos conceitos.Relatório Técnico Final . Os Guarani são essencialmente caçadores e coletores. A população pesca pouco. As ferramentas utilizadas são arado. são esporádicas. enxada. agilidade e habilidades manuais. o que exige um esforço físico razoável. As observações foram feitas na área próximo ao mar. levantar. resistência cardiovascular (aeróbica de baixa para média intensidade). uma delas fica próximo ao mar e a outra em direção ao interior. (baixa intensidade). Alexandre – Núcleo Cachoeira Marcos – Karaí – Núcleo Centro Mauro (vice cacique atual) Adolfo – Núcleo Rio Silveira Dona Alice. sentados no chão e geralmente usam colheres.

poder dançar. É uma área pequena localizada na região urbana em Itanhaém. como relatado anteriormente.Processo CNPq 401176/2005 No pátio da escola observei alguns adultos homens e mulheres sentados. etc. As disputas internas dos grupos no esporte e em relação ao gênero parecem repetir num jogo/brincadeira de futebol entre as crianças. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . mas não ficaram. E mesmo agora foi longe à pé fazer pajelança numa aldeia distante com a filha que estava doente (ficamos sabendo na FUNAI que tinha câncer). conhecimentos e percepções sobre segurança. Eles são ativos fisicamente. Alice com vista para a estrada e o postinho de saúde. do grupo ñandeva (Tupi-Guarani) com cerca de 78 pessoas (FUNASA. Na fala de D. Três meninas se sentiram excluídas no jogo. com sobrepeso. mas os pais Walter e Kelly as convenceram para não desistirem. Os homens vão ao mato buscar palmito. Todas as outras crianças não precisam atravessar a estrada. Falaram também da discriminação que as crianças sentem na ida à escola.Relatório Técnico Final . Os feirantes têm a barraca e têm licença da prefeitura. há um campo de futebol (tipo de várzea). com traves e certo espaço demarcado. mostra a importância da caminhada. Mencionaram o fato de não terem um local apropriado para vender o artesanato na feira. mas os índios não têm. plantas silvestres. construir a casa de reza e um centro comunitário. mais ou menos) jogavam futebol. a língua e servir de casa de reza. Alice) e sua esposa Kelly (não indígena) falaram da discriminação que sentem na cidade. As outras crianças tentaram convencer as meninas para ficar. As danças e rituais são praticados nas outras aldeias. Esporte – o futebol é o mais comum entre eles. Não observei obesidade. viraram as costas e foram embora. é habitada por uma única família extensa. As crianças precisam atravessar a estrada porque o motorista da perua não dá a volta para pegá-los. Walter (filho de D. também. Cristiano (chefe do Posto em Itanhaém) disse que algumas aldeias são mais organizadas do que outras. A disposição cardiorrespiratória da senhora é admirável. especialmente abdominal. 2008). plantas e palmitos no chão. Ao lado da escola. pois andam muito à pé. Eles vendem artesanato. Há somente uma área em frente à casa de D. foi para lá e para cá. Além do mais faz comentários que as crianças sentem-se discriminadas. ficam parados/sentados em casa. As crianças (9 – 12 anos. quando tem demonstração. jogar e realizar os rituais. Existe Estudo dos conceitos. Tem pouco espaço para brincar ou andar. mas. no Jardim Coronel (área ainda não identificada pela FUNAI). Esta situação é bem típica de brigas e desentendimentos no esporte. Fez o trajeto migratório à pé. As pessoas também sofrem pela falta de espaço para plantar. Há um pequeno espaço ao lado direito da casa. Observei que eles caminham para todos os lados. Os espaços físicos de Aldeinnha são abertos e pequenos. As crianças vão de perua para escola. Elas não queriam ir mais à escola. fugiu do marido. Alice. Não há local para se jogar ou fazer outro tipo de atividade física. Mas gostariam de ter espaço para praticar lá mesmo. 52 Aldeinha (Tekoha Ñandepowa) A Aldeinha. especialmente sem um árbitro. aonde está previsto um centro cultural para se ensinar artesanato. reclamando do comportamento dos outros companheiros.

As técnicas corporais orientadas para a caçada exigem atividades de andar. facão. flexibilidade. pa. pá. espingarda de chumbinho) Na colheita de frutas silvestres. deitar. levantar os braços. mas de longa duração. cavadeira. laranja e limão exigem atividades de andar. resistência aeróbica (média intensidade) e força localizada (especialmente quando destocam. andar. resistência cardiovascular (capacidade aeróbica de baixa para média intensidade). rolar.856 ha.Processo CNPq 401176/2005 necessidade premente de se ter espaço para se salvaguardar a cultura. flexibilidade. levantar. Esta situada nos municípios de Itanhaém. agachar. São Paulo e São Vicente. É uma terra indígena homologada. agilidade. cestas. força dinâmica localizada. abacate. As pessoas dependem da visita da FUNAI e FUNASA para se locomoverem. No plantio da banana. coordenação óculo-manual. com capacidade aeróbica de baixa para média intensidade. Eles abrem clareiras no meio da mata e plantam. banana. As técnicas corporais orientadas para a caçada de raposa. arma de fogo. resistência cardiovascular (capacidade aeróbica de baixa intensidade). Preparo do terreno. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . conhecimentos e percepções sobre segurança. agilidade. Como instrumento usam enxada. Nas refeições comem em grupo sentados em diferentes locais chão e ao redor da mesa. jaca. usam colher geralmente. Qualidades físicas – flexibilidade ao sentar e coordenação manual. arma de fogo (espingarda. abaixar. Os conflitos internos entre a diretora da escola e a liderança estavam ocorrendo. As qualidades físicas utilizadas são força dinâmica. coordenação óculo-manual. queimam As qualidades físicas mais utilizadas são flexibilidade. 2. força dinâmica. pois ficam muitas horas nesta atividade. carregar as frutas. Fica distante dos centros urbanos e o acesso é muito difícil. queimam. Aparentemente não existe nenhum programa relacionado aos jogos e esportes. comem o tempo todo. da para criança um pouco. rolar. Instrumentos usam o arado. Mbyá (FUNASA 2008). As qualidades físicas utilizadas são agilidade. enxadão. Os homens caçam e colhem plantas silvestres para vender. Usam facão. flexibilidade. 53 Aldeia Rio Branco (Tekoha Yyti) A aldeia Rio Branco – Tekoha YYTI tem cerca de 40 habitantes. sacos de recolha de frutas.destocam. As qualidades físicas utilizadas são flexibilidade. sentados no chão. (baixa intensidade). agilidade. Mas têm várias cadeiras para se sentar. num total de 10 famílias. deitar etc. a mulher serve o marido. coordenação óculomanual e resistência cardiovascular. Informaram que têm 30 crianças na escola. Nas refeições comem em grupo. mas são sazonais. machado. laranja e limão exigem atividades de arar a terra. trepar. Algumas vezes ficam sem comunicação e com problemas de assistência médica.Relatório Técnico Final . enxada. carregar a caça etc. inclusive fazia questão que ficássemos sentadas e bem acomodadas. enquanto tem fome e tem para comer. nhambu e outros animais caçados exigem atividades de andar. agachar. aram a terra) e Estudo dos conceitos. As mulheres apresentam baixa intensidade na realização das atividades físicas. entretanto não aparentam obesidade.

mas têm ‘campos’ de futebol com tamanhos variados para jogarem. Técnicas corporais Nas refeições comem em grupo e sentados no chão e geralmente usam colheres. com planos e montanhas. Os homens são mais ativos dos que as mulheres. As técnicas corporais orientadas para a caçada exigem atividades de andar. pá. mas em poucos homens (um ou outro). Este esporte é muito praticado. espingarda de chumbinho).Processo CNPq 401176/2005 habilidades manuais. A escola estende a merenda escolar para toda a comunidade. A população não freqüenta a praia por lazer e utilizam a estrada pra venda de artesanato. Inclusive eles saem mais da aldeia do que elas. flexibilidade. conhecimentos e percepções sobre segurança. cestas.500 ha. Algumas famílias criam galinha exigindo um baixo gasto energético. esta comunidade sobrevive em maior grau dos recursos naturais. Nas atividades utilizam a enxada. Estudo dos conceitos. No quadro apresentado podemos observar que se locomovem pouco. mas por outro contribui para o pouco desenvolvimento do cultivo e colheita do alimento ‘tradicional’. Qualidades físicas – flexibilidade ao sentar e coordenação manual. Foi observado situações deste tipo por diferentes jovens. As qualidades físicas utilizadas são força dinâmica. Como instrumentos de trabalho usam facão. resistência cardiovascular (capacidade aeróbica de baixa para média intensidade). enxada e arma de fogo (espingarda. deitar etc. facão. coordenação óculo-manual. É um trabalho árduo e cansativo. em pré-adolescentes plantando palmito. E formada por cinco núcleos. já descritos anteriormente neste relatório: Porteira. força (baixa para média intensidade). agachar. A atividade física na plantação do palmito Jussara nos viveiros foi medida através de pedômetro. Centro. espingarda de chumbinho). O mutirão para se fazer o roçado é comum entre eles. fazendo mais uma atividade que exige mais flexibilidade. No entanto são poucos que praticam as caçadas e esporadicamente. o que por um lado propicia o mínimo para todos. As instalações do posto de saúde e escola são adequadas para o numero de pessoas. 54 Aldeia Rio Silveira ou Ribeirão Silveira A aldeia Rio Silveira – Tekoha Moroti tem 376 habitantes.Relatório Técnico Final . São Sebastião na Saúde e Bertioga na Educação. cavadeira. Há iniciativas do plantio de mandioca e de palmito sazonais. habilidade motora manual. No pátio da escola. Alguns núcleos estão próximos à entrada da Terra. Das quatro aldeias estudadas. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . no posto de saúde e nos espaços abertos da aldeia observamos algumas mulheres com sobrepeso. Rio Pequeno e Rio Silveira. sacos de recolha de frutas. (Gasto energético de baixa intensidade). enxadão. e terra indígena homologada com 8. As pessoas são rápidas nas trilhas e andam descalços. rolar. A topografia da aldeia é muito interessante. As instalações esportivas são inexistentes. agilidade. A aldeia fica próxima ao mar e da estrada Rio-Santos. arma de fogo (espingarda. A situação da aldeia está privilegiada por congregar serviços das prefeituras de duas cidades. no plano e outros mais na encosta da montanha. Xiripá/Nandeva e Mbyá.

o professor de educação física jogou uma partida de futebol com eles. e aparentemente é realizado em intensidade alta. apenas joga futebol. o jogo tem duração de 20 x 20. relatou gostar mais de pesca. como a da escola. da lavoura (que é pouca). pesca e artesanato. casados e solteiros. Jovem do Núcleo . Lá eles jogam apostando R$ 5.Relatório Técnico Final .Gosta de música Hip-Hop. veja depoimentos abaixo (Vivência do Cesar) Estudo dos conceitos. quem perde paga. conhecimentos e percepções sobre segurança.Porteira de 16 anos disse que não realiza nenhuma atividade fora a escola. Conhece as danças/rituais mais não gosta de dançar. Para se medir a intensidade subjetiva. Elas dão maior vibração aos torcedores. As apostas são comuns na aldeia. O futebol é um momento que se insere na descontinuidade das atividades regulares. Tanto as mulheres como os homens praticam e têm times organizados.Processo CNPq 401176/2005 55 Pedômetro durante o Plantio do Palmito no Tekoha Serginho Plantação Nome Max Patricia Paulo Sérgio Sergio (vice-cacique) Rodrigo Edmilson Kelli Camila Fabiano Diego Anailson Célia Denilson Diana Diogo Iraci Suzani Sidnei Idade 10 11 9 48 9 13 5 11 9 11 6 7 10 11 9 8 7 8 Tempo (minutos) ---------22 ------22 22 22 ------22 22 22 ---22 22 ---Passos ---------279 ------243 125 359 ------147 150 173 ---265 177 ---- Jogo de futebol O futebol é o esporte praticado pelos adolescentes. Participou de um jogo de futebol durante 30 minutos (em frente o posto de saúde).00. E depois convidaram-no para jogar com eles no campinho na casa do cunhado do Dionísio. Classificou a atividade de alta intensidade. da colheita e caça (vide depoimentos abaixo). Só os escolares do ensino médio têm aula de Educação Física Dentre as atividades de caça. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .

agilidade.. sem avisá-la. casa de reza Mbyá-Guarani. Disse que o (s) ganhador (es) pegam o dinheiro e compram comida. Naquela época os indígenas apostavam no ganhador. Estudo dos conceitos. Esta é uma das atividades motoras mais completas observadas. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . é praticado na aldeia e apresentado em algumas ocasiões na cidade. Na aldeia. bem como a Jirojy. realizada fora da Opy. Ela foi embora e se separou dele. é denominado de Xondaro ou Tangará. Ela não dormia com o campeão e também podia recusar entrar na aposta. de" amolecimento do corpo" e de confirmação do rito coletivo. nas escolhas dos Xondaros. alimento feito de milho. flexibilidade. Mas fomos informadas no Grupo de Discussão que o cacique tinha proibido porque estavam bebendo muito.Guarani como sendo a mesma”. mas dão uma parte para a festa.. Esta Xicha era bebida durante a luta do Xondaro. resistência cardiovascular (média para alta intensidade. Eles gostam de dançar. Atualmente este ritual. mas freqüentemente são consideradas pelos Mbyá. é um exercício corporal de vitalidade. Outra informação é que organizam festas na aldeia. E quem perdia. Os Xondaros deveriam ter uma dieta especial. Esta dança foi apresentada na Casa de Reza no Rio Silveira e também na SBPC Jovem. bebida para comemorarem. Eles lutam ao som da música. de descontração. Na percepção dos pesquisadores – é uma forma de mobilizar o dinheiro e poder dar uma festa ou conseguir um dinheiro extra. Outros que precisam ficam com o dinheiro. Tomavam a Xicha. Na descrição de Ana Luisa Teixeira de Menezes (2004) a “ dança denominada de Tangará/Xondaro. A aposta estava presente também no passado. sem saber e depois ficavam bravas porque ele perdia. Enfim. A Xicha era feita por meninas de 10 a 12 anos. as meninas dançam o Tangará. Pelo que foi observado.] as pessoas apostam nos jogadores e times. não podiam comer carne. precisava dar a mulher para o vencedor para servi-lo durante 3 dias. ritual que atualiza o pertencimento emocional e cultural numa perspectiva pessoal e coletiva. na SBPC Jovem (2008) e em outros locais. atualmente o ritual não tem o significado de escolher o Xondaro.Processo CNPq 401176/2005 [. pois envolve coordenação. como na Festa do Índio. Dai as meninas/jovens escolhidas mastigavam a bolinha e jogavam na água quente outra vez. O ritual da dança realizado fora da Opy. ou parte dele. conhecimentos e percepções sobre segurança. Esta escolha era feito pelo pajé. a aposta já existia na cultura Guarani.. tipo forró. Depois mexiam e tampavam. As danças possuem variações entre si. pelo que nos foi dito esta receita era a mesma da Xicha da Bolívia e Peru. algumas pessoas apostavam nele. força dinâmica. ritmo. de se eleger o grande lutador – o grande guerreiro. Quando este líder jogava. UNICAMP (2008). Depois de cozida retirava da água e deixava esfriar um pouco. Para informações complementares veja texto em anexo (anexo VI). tipo de atividade que exige menos esforço físico e motor. Na festa dançavam/lutavam durante dia e noite. O milho era macetado no pilão e depois faziam uma bolinha no formato de coxinha e punham na água quente.Relatório Técnico Final . Foi contada a história de um antepassado que a mulher ficou muito brava quando o marido fez isto com ela. 56 Ritual do Xondaro dos meninos No passado eram escolhidos os “melhores” meninos para serem Xondaro. Dai perguntei o que fazem com o dinheiro..

57 Pedômetro durante o Xondaro – Tekoha Ribeirão Silveira não seria melhor??? Ritual Nome Max Patricia Paulo Sérgio Sérgio Rodrigo Edmilson Kelli Camila Fabiano Diego Anailson Célia Denilson Diana Diogo Iraci Suzani Sidnei Idade 10 11 9 48 9 13 5 11 9 11 6 7 10 11 9 8 7 8 Tempo (minutos) 36 36 36 36 36 36 36 ------36 21 36 36 36 36 36 36 36 Passos 1862 1155 1202 424 1256 975 1855 ------427 1136 1459 1608 1326 908 1405 1864 1213 Estudo dos conceitos. No passado os jovens ficavam dias lutando/dançando. mas exigindo muita habilidade motora. conhecimentos e percepções sobre segurança. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 A medida do pedômetro indica a quantidade de passos que as pessoas dão no tempo cronometrado Esta atividade representa um esforço de média intensidade.Relatório Técnico Final .

Caçada Não foram observados Não há espaço para roçado. exceto a Aldeinha que tem um espaço muito pequeno e a comunidade não tem uma casa de reza. Elas ficavam ao redor da casa. mas magros Piaçaguera Campinho de futebol Foram observadas crianças meninos e meninas jogando futebol Maior espaço. Crianças brincando ao redor da casa. apesar das diferenças topográficas e de facilidades. Registrado informações Não foram observados Registrado pela fala dos homens Não foram observados Registrado pela fala dos homens Observado Xondaro Registrado pela fala dos homens e observação Registrado informações Registrado informações Registrado informações e observado Estudo dos conceitos. Mas muitos têm empregos. próximo à escola. Soubemos que bebiam também. Muito ativos nas atividades de sobrevivência Pouco ativas Não foram observados Pouco ativas Não foram observados Alguns são ativos nas atividades sobrevivência. Crianças (meninos e meninas jogando futebol Rio Branco Campinho de futebol Não foi observado. Embora haja o sistema de mutirão. Mas as meninas Tb jogam. Foram observados meninos. Rio Silveira Campinhos de futebol Praticantes de futebol. Crianças ativas Pouco espaço para brincar Homens Mulheres Programas de atividade física Rituais Roçado Precisam se deslocarem para realizar atividades de sobrevivência Pouco ativas Não foram observados Ativos nas atividades de sobrevivência Tivemos contato somente com crianças e não jovens. Resumo das atividades Aldeinha Facilidades Jovens ativos Espaço minimo Praticamente sedentários.Relatório Técnico Final . plantas.Processo CNPq 401176/2005 58 Resumo das atividades Fazendo um resumo das técnicas corporais podemos notar que existem semelhanças entre elas. conhecimentos e percepções sobre segurança. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Pouco ativas Não foram observados Coleta de palmito. de cultura ou área para uma atividade esportiva.

também. por não identificar os autores das observações registradas. ou tekoha. previamente ao envio ao CNPq e. neste relatório. conhecimentos e percepções sobre segurança. também. 2001. à seqüência de sua ocorrência na oficina. a cada um deles. com redução da desnutrição. uma síntese das colocações dos Estudo dos conceitos. observa-se clara transição nutricional resultando em aumento de prevalência de sobrepeso e obesidade. Pavan et al. juntamente com o objetivo a ser buscado de definição de métodos e instrumentos de medida da segurança e insegurança alimentar entre os povos indígenas do Brasil. O conteúdo aqui registrado é. que se mostra cada vez mais sedentário (Blair. A reunião teve duração de aproximadamente 8 horas e foi divida em dois períodos. Alguma delas são realizadas na Casa de Reza ou próximo a ela. portanto. 2002. este relatório. como o da aposta no jogo de futebol. Os jovens do sexo masculino apresentam uma vida mais ativa do que as meninas. necessariamente. 1999. Tavares et al. 2001. Optamos. pelos presentes. como um dos recursos para diagnóstico da situação de acesso das famílias aos alimentos. Em seguida foi discutido com o grupo o projeto pesquisa e feita uma apresentação a respeito dos conceitos de medida de percepção de segurança alimentar e fome. b) da cultura. o que não obedece. 2003. Foi apresentado o estudo multicêntrico para validação da Escala Brasileira de Medida da Insegurança Alimentar no Domicílio (EBIA). nomes e afiliação institucional dos participantes encontram-se em anexo deste relatório (ANEXO II ). 2003). segundo os nossos costumes e tradição”. Feio et al. do processo de re-significação do Xondaro. com outro de larga vivência com pesquisa e assistência aos povos indígenas no Brasil. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . contribuir para uma maior frequência de sobrepeso entre as mulheres. Reunião das pesquisadoras com especialistas em saúde indígena. ou teko. É importante reconhecermos nesta construção corporal o triologia da a) terra. 2005). Bracco et al. por não haver possibilidade de retornar. Podemos ver vestígios de valores e significados do passado em situações do presente. As atividades corporais na roça.Processo CNPq 401176/2005 59 As técnicas corporais representam transformações culturais pelas quais a sociedade Guarani passou. de suas histórias de investigação e de assistência à população indígena. As discussões foram intensas e optamos por sintetizá-las na forma de tópicos. A situação observada entre os Guarani não é muito diferente. Cardoso et al. FlemingMoran & Coimbra Jr. no estilo de vida. 6. Em algumas etnias indígenas (Capelli et al. 2001. entre outros. significando “nossa vida” ou “nosso jeito de ser e de viver. representado pelos valores e práticas permeados pela espiritualidade e c) pela língua Guarani ou ñe’ë. Havia duas pesquisadoras com experiências relevantes nestes dois aspectos. no jogo. Saad. especialmente entre adultos. Os trabalhos tiveram início com apresentação. 1999. também por ficar muito exaustiva uma descrição de cada uma das falas.Relatório Técnico Final . 1991. Essa trilogia articula-se em um modo de ser denominado ñande reko. Este fator pode. no Xondaro são ritualizadas e perpassam momentos de espiritualidade. Ela possibilitou a troca de experiência do grupo de pesquisadores familiarizados com os estudos de segurança alimentar e fome. 2003. A programação do encontro. Associadas a estes fenômenos de transição aparecem mudanças na qualidade da alimentação e.

Duas pesquisadoras presentes à oficina colocaram suas experiências de uso de uma versão adaptada da EBIA. O segundo limitante foi expresso como dificuldades relativas à forma de abordagem dos povos indígenas. de 3 meses para 1 mês. qualidade e situação legal de suas terras. proximidades a aglomerados humanos não indígenas e acesso a políticas públicas. 60 Uso de um instrumento para medida da segurança alimentar dos povos indígenas no Brasil Pelo menos dois aspectos centrais apareceram como possíveis limitantes para o uso de um único instrumento de medida da segurança alimentar dos povos indígenas no Brasil. em contextos diferentes e que consideraram positivas. “O que pode ser problema para um grupo pode não ser para outro”. no estado do Amazonas. diferentemente do ocorrido no Mato Grosso do Sul. de extenso período de tempo para a obtenção da confiança dos indígenas e sua cooperação para o fornecimento de informações. uma situação favorável à segurança alimentar como o confinamento da comunidade em espaços exíguos. resultado de seu envolvimento pelo entorno não indígena. relativas tanto às diversidades culturais e lingüísticas quanto aos hábitos alimentares. sem a aplicação com abordagem quantitativa da escala.Relatório Técnico Final . A pergunta que se colocava em relação ao primeiro item de limitantes era “como um instrumento de pesquisa poderia captar tamanha diversidade?“. utilizar de entrevistas individuais poderia não ser eficiente. o que levaria fatalmente à insegurança alimentar. apesar de reconheceram os limitantes que haviam sido colocados. conhecimentos e percepções sobre segurança. Por exemplo. tanto pode representar maior acesso às políticas públicas. degradados e sem recursos naturais. doenças e morte. nos domicílios do povo Terena das comunidades estudadas. Outro exemplo colocado foi o da doação de sextas básicas. tem aspectos interpretativos de responsabilidade das autoras deste relatório. A segunda experiência foi um trabalho de caráter apenas qualitativo para estudo da viabilidade de uma versão adaptada ao contexto indígena de três etnias localizadas no médio Rio Negro. O primeiro refere-se à reconhecida diversidade entre as diferentes etnias indígenas brasileiras. Estas. O primeiro resultou na aplicação da uma versão adaptada da EBIA em algumas aldeias Terena de Mato Grosso do Sul. fome. Esses três grupos do Amazonas tiveram Estudo dos conceitos. substituição da referência a limitações monetárias para acesso aos alimentos e modificação do tempo recordatório de ocorrência dos eventos.Processo CNPq 401176/2005 pesquisadores e. recursos naturais existentes. o que resultou em adaptações de linguagem. já observada em pesquisas com temáticas semelhantes. No entender de alguns dos participantes. por outro lado pode levar a situação de passividade e perpetuação da situação de carência. Essa aplicação foi precedida de entrevista e realização de grupos focais com adultos desta etnia. tamanho. que se de um lado é necessária para emergencialmente reduzir a fome e suas conseqüências em algumas comunidades. por esta razão. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . a proximidade com a população não indígena. tendo em vista a necessidade. existência ou diferenças em práticas agrícolas. portanto. nem os dados coletados confiáveis. Portanto. O trabalho permitiu a identificação de segurança alimentar e níveis diferentes de insegurança alimentar.

para o diagnóstico da situação de insegurança alimentar e fome entre os povos indígenas no Brasil. em grande parte. que na sua maioria. a maioria dos pesquisadores reconheceu ser pertinente e útil a busca de instrumentos. a da falta de apoio para manutenção de equipamentos e suporte para uso de tecnologia. entretanto. Essas diferenças foram. Em situações menos grave. refere-se à escolha da forma de abordagem dos povos indígenas.. à semelhança de como ocorreu na população não indígena. É necessário analisar a qualidade da terra. ou não. portanto. tem produção (roças) coletiva ou familiar de alimentos. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . de caça. além das possibilidades de manutenção das práticas de caça e coleta. as práticas tradicionais e modernas de agricultura. para entender como a sociedade está organizada. respostas diretas e conclusivas. “São necessários conhecimentos etnográficos. 61 Indicadores indiretos de medida de insegurança alimentar indígena Os pesquisadores consideraram que a insegurança alimentar e a fome são eventos do cotidiano de muitos dos povos indígenas no Brasil. existe e está atrelada à situação de posse da terra.” Todas essas questões colocadas e relativas às possibilidades. ainda. uma consequência de precárias condições organizacionais ou da falta de sustentabilidade ambiental. como circulam os alimentos. que praticam trocas como meio de subsistência. Seria melhor mudar a unidade de análise e agregar em aldeias? Ou seria melhor utilizar como unidade de análise cada família nuclear. associadas com o nível de proximidade das comunidades às sociedades envolventes. que apresentam práticas distintas de distribuição intra-familiar dos alimentos e que tem diferentes níveis de monetarização. as pesquisadoras afirmaram que suas experiências permitem julgar possível o uso de escala de medida de segurança alimentar. O segundo limitante. Apesar disso.Processo CNPq 401176/2005 níveis diferentes de compreensão dos temas sobre alimentação e dos conceitos envolvidos nas diversas dimensões da segurança alimentar. nesta ocasião. Apesar disso. seus recursos naturais. Nesses casos foi referida a situação de degradação ambiental. com reflexo nas práticas tradicionais de agricultura. Ambas as abordagens qualitativas partiram dos conceitos contidos na EBIA e não da experiência própria dos indígenas para aí formar os conteúdos sobre segurança alimentar. ou outra dificuldade. de uso de um instrumento de medida da insegurança alimentar indígena. métodos e indicadores diretos. apenas sua condição de legalidade e sua extensão não explicam esta relação. com a ressalva que seja precedido de trabalho de adaptação e validação para garantir sua validade e confiabilidade na avaliação dessa condição. A insegurança alimentar. tanto entre famílias de uma mesma comunidade quanto entre distintas terras e etnias. que pode ser em determinadas situações individuais e em outras coletivas. pesca e coleta e.Relatório Técnico Final . tomando como referência a família expandida ou mesmo toda a aldeia. alguns com sistemas de reciprocidade17 bem definidos. entre diferentes povos indígenas no Brasil. A pergunta era. deixando aos pesquisadores a tarefa de considerá-las no percurso de sua investigação. É preciso analisar a extensão da terra 17 Sistema de reciprocidade Estudo dos conceitos. não tiveram. como analisar. conhecimentos e percepções sobre segurança. a segurança alimentar domiciliar de povos. como as famílias se organizam. é uma ocorrência sazonal e na mais grave e permanente.

maior prestigio social. medidas pelos indicadores dos grupos anteriores.Processo CNPq 401176/2005 relativamente ao tamanho da população e observar a organização social dos grupos. Desta forma os especialistas apontaram os indicadores tanto condicionantes da segurança ou insegurança alimentar quanto os conseqüentes. não apenas as condições favoráveis ou adversas. que pode ser a condição que determina a forma como dividem a terra e a utilizam. INDIVIDUAL FAMILIARES PRIDUÇÃO PARA COMÉRCIO DOAÇÕES TROCAS AUTOSUSTENTAÇÃO RECIPROCIDADE TAMANHO DA TERRA POR HABITANTE PRODUÇÃO EXCEDENTE QUALIDADE PARA AGRICULTURA MEIO-AMBIENTE DEGRDADO Estudo dos conceitos. O terceiro grupo é aquele composto por indicadores de acesso familiar aos alimentos e que refletem. Esta estratificação. também. a desnutrição infantil e a obesidade entre mulheres adultas. que possibilita. tem relação estreita com estrutura da organização social dos grupos. conhecimentos e percepções sobre segurança. das carências nutricionais específicas. como anteriormente mencionado. além. Essa disponibilidade tem impacto na qualidade de vida e alimentação de todo o grupo e de cada família em particular. pode ser decorrente tanto do prestígio conferido pelas hierarquias tradicionais como pelas relações sociais resultantes das novas formas assalariadas de trabalho. como indicadores da insegurança alimentar. Os participantes apontaram ainda. mas também. como são as escalas de medida da segurança alimentar. sobretudo. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . São. que tem impacto no acesso aos alimentos.Relatório Técnico Final . Um segundo grupo de indicadores é aquele que pode dimensionar o acesso coletivo aos alimentos e. entretanto. O entendimento expresso no grupo de trabalho é o de que a segurança alimentar indígena é uma condição associada à disponibilidade coletiva de alimentos e que essa disponibilidade é dependente da forma como a comunidade se relaciona com a terra e dela tira seu sustento. e diretamente a estratificação social no interior do grupo. Poderíamos dizer que o acesso coletivo aos alimentos está fortemente associado à produção coletiva dos meios de subsistência. todos eles indicadores indiretos que podem ser utilizados para a validação externa de um instrumento de medida direta. Esta discussão permitiu elaborar o referencial teórico da figura abaixo e a identificação de alguns indicadores. 62 DISPONIBILIDADE SITUAÇÃO LEGAL DA TERRA ACESSO DO GRUPO ACESSO FAMILIAR RENDA (SALÁRIO) Produção FARINHA SEMENTES ROÇA COMUNITÁRIA TAMANHO DA TERRA PRODUÇÃO NÃO AGRÍCOLA ROÇA CARACTERISTICAS. as condições nutricionais desse povo. especialmente os efeitos nutricionais referidos.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Presença de escassez de alimentos por sazonalidade Situação nutricional de crianças Recursos existentes na comunidade (trator. os participantes propuseram uma série de indicadores dos quais deverão ser escolhidos.Relatório Técnico Final . para caça. sistema de comunicação. pesca e coleta 63 INDICADORES DE ACESSO COLETIVO AOS ALIMENTOS Tipo de alimentos produzidos (tipos de cultivos) na terra Proporção da alimentação obtida dos próprios cultivares (processamento tradicional de alimentosprodução de farinha. carros. por sexo e por habitação Número de pessoas assalariadas (ouproporção da renda oriunda de salário) Números de pessoas que trabalham fora da aldeia por habitação Existência de roça familiar Renda familiar por venda de produtos agrícolas ou de coleta Renda familiar proveniente de artesanato Estudo dos conceitos. INDICADORES DE DISPONIBILIDADE • • • • • • • • • • • • • • • • Disponibilidade Territorial Disponibilidade Territorial Per Capita Disponibilidade Territorial Per Capita de terra agriculturável Disponibilidade de Sementes de cultivos tradicionais Disponibilidade territorial per capita. segundo sexo. aqueles que explicariam a segurança alimentar de um maior número de povos indígenas. por exemplo ausência de pagé Mortalidade infantil INDICADORES DE ACESSO FAMILIAR AOS ALIMENTOS • • • • • • • • • Número de pessoas por habitação Número de crianças menores de 12 anos por habitação Número de crianças menores de 2 anos por habitação Número de pessoas com idade superior a 50 anos. ou seja. aqueles factíveis de serem obtidos e os representativos da maioria das terras indígenas. conhecimentos e percepções sobre segurança.Processo CNPq 401176/2005 Como ilustrado no quadro acima. Quebra dos padrões tradicionais de organização. Proporção de alimentos comercializados Razão entre o produzido e o consumido Proporção da alimentação baseada em itens não tradicionais Proporção da população que fala português. barcos.

uma vez que serão de muita utilidade na continuidade e em fases futuras dessa investigação. conhecimentos e percepções sobre segurança. independentemente de seu nível de determinação. Suas contribuições extrapolam as atividades relatadas neste trabalho. mais distal ou mais proximal. Foram elencados os seguintes indicadores: • • • • • • • Proporção de pessoas que falam português Porcentagem de pessoas com remuneração Tipos de plantio e práticas agrícolas Relação per capta de terra boa para a agricultura Produção de artesanato como meio de subsistência Manutenção de práticas de divisão de tarefas Situação do grupo em relação à manutenção das regras e tabus alimentares. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . por exemplo.Relatório Técnico Final . algumas condições culturais que favorecem o enfretamento dos problemas de acesso aos alimentos. entre eles: Os sistemas de reclusão que representam oportunidade de aprendizado. Estudo dos conceitos.Processo CNPq 401176/2005 • • • • Número de mulheres em idade fértil Proporção de filhos por mulher em idade fértil Presença de Alcoolismo Participação em programas sociais. o de como fazer uma roça e a manutenção do sistema de reciprocidade.Bolsa Família e cesta básica 64 Como os indicadores possíveis são muito numerosos foi necessário perguntar ao grupo quais seriam considerados os mais universais. O grupo discutiu também. As discussões no grupo de especialistas foram de substancial importância para a continuidade da investigação. de acesso aos alimentos.

observação de Campo e entrevistas informais Durante os dois anos de trabalho de campo foram necessárias várias visitas para a obtenção de informações a respeito de hábitos alimentares. Aos 6 meses já estão com alimentação muito próxima da alimentação da família. Nessas visitas as pesquisadoras puderam obter informações complementares. sobretudo. Poucos fazem roça. infecção respiratória aguda e diarréia. Os homens com os quais as conversas em pequenos grupos ou informais eram mais freqüentes falam português e Guarani. em relação aos lactentes. Muitas crianças começam a receber leite em pó. Em geral ovo é oferecido mais tardiamente. como em termos de qualidade. Em grupos há comprometimento da qualidade de vida e. A alimentação em geral esta baseada em alimentos de cesta básica. dermatites. Estudo Qualitativo sobre Segurança Alimentar Reuniões em pequenos grupos. leite de saquinho e mingau de maisena em torno dos 3 meses de idade. quando mulheres. de adolescentes e adultos compõem uma dieta pobre em proteínas (carne. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . conhecimentos e percepções sobre segurança. Em quase todos os grupos foi observado o hábito de comer agachados no chão. pescam ou caçam. Os itens alimentares de crianças maiores. mandioca e muitos alimentos industrializados. refrigerantes e biscoitos. especialmente carnes. tanto em relação à idade. como o almoço e o jantar. Poucos criam galinha para consumo. com colher. Há muita referência e mesmo observação durante as entrevistas de doenças infantis. houve referência ao fato de ser uma atividade fortemente influenciada pelas Estudo dos conceitos. sendo alguns outros. refrigerantes e biscoitos. sendo oferecido caldo de feijão. macarrão. tinham alguma dificuldade com o português. As pessoas entrevistadas. condições de vida e de sustentabilidade. sobre outras temáticas. doces. O artesanato ainda é fonte importante de rendimento. seguindo um roteiro etnográfico específico para esta tarefa (Anexo VII). a mãe servindo primeiro o marido e outros adultos homens. Comem quando e enquanto tem fome. múltiplos objetivos. As observações eram anotadas ao final do questionário ou em caderno de campo. seguidos das crianças e por último ela. infestação por piolho. objetos de análise neste estudo e com interface com a segurança alimentar. porém rica em carboidratos processados industrialmente. farinha de milho com açúcar. carne quando disponível. mas nem sempre estes alimentos estão disponíveis. Permanece a preferência por farinhas de milho e tubérculos. sobretudo.Relatório Técnico Final . principalmente em Rio Silveira. Entretanto. Cada visita às aldeias teve. esses grupos não obedecem a horário fixo ou determinado para comer. Q-suco. também. recursos alimentares existentes e conhecimento das práticas e demandas dos grupos indígenas para o enfrentamento das dificuldades relatadas. Com as observações anotadas foi possível identificar semelhanças importantes entre as quatro comunidades. Com quatro a cinco meses algumas já tem na sua dieta papa salgada. Em geral. da alimentação. verduras e legumes. adquiridos em mercados locais.Processo CNPq 401176/2005 65 7. a introdução de alimentos não adequados. portanto. leite e derivados). Chama a atenção.

considerando as quatro aldeias. subsidiaram a atividade final com realização de três grupos de discussão sobre alimentação e segurança alimentar. como viveiros de plantas e de recuperação das cantigas tradicionais com formação de coral para apresentação em eventos fora da aldeia. como geladeira. Foi possível observar algumas estratégias de sobrevivência que não aparecem referidas nas entrevistas formais. quando são analisados os recursos que podem ser mobilizados interna e externamente. ainda é um componente forte da sobrevivência dos moradores na terra indígena Rio Branco. operado por indígenas nas suas próprias aldeias. os mais próximos da entrada usam mais de recursos externos para a alimentação. Os moradores que estão em áreas mais distantes da entrada da aldeia mantém. 66 Estudo dos conceitos. sobretudo alimentar. como já foi referido. estes dois recursos são disponíveis. ou mesmo dentro de uma mesma aldeia. ainda que de forma muito limitada. na terra indígena Rio Silveira existem 4 grupos distintos. As observações e conversas mostraram grupos muito diversos. televisão e fogão. Por exemplo. Atividades tradicionais de subsistência. Essas observações anotadas.Processo CNPq 401176/2005 demandas sazonais. Nesta terra há esforços de desenvolvimento de atividades agrícolas possíveis. sobretudo. para a merenda escolar. apesar de que. experiências de grupo de pesquisa com outras populações e recomendações encontradas em publicações sobre o tema. além das outras anteriormente relatadas.Relatório Técnico Final . juntamente com as recomendações do grupo de especialistas. na qualidade da habitação e no acesso aos bens duráveis. tanto das doações de cestas básicas quanto de programas de transferência de renda. além de venda de CDs. desenvolvem atividades tradicionais de plantio e caça. como é o comércio de alimentos e outros produtos. O assalariamento de algumas pessoas dentro de cada terra leva a uma diferença social importante percebida. complementarmente. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . quase que universalmente em todas as aldeias. Nos demais grupos estudados há dependência externa grande. inclusive bebida alcoólica. com decréscimo importante de vendas devido ao baixo fluxo de turismo no litoral no período de inverno. como são as doações das prefeituras de Bertioga e São Sebastião. conhecimentos e percepções sobre segurança.

em situações de dúvida. pode ter aplicabilidade em países cultural e socialmente diversos. 2006. abordaram prioritariamente aspectos políticos e históricos relativos à sustentabilidade. Muitas questões foram levantadas pelos participantes e serviram de motivação para análise e reflexão do grupo. conhecimentos e percepções sobre segurança. estudos realizados em países pobres ou.Processo CNPq 401176/2005 67 Grupos de discussão As atividades transcorreram com tranqüilidade e boa participação dos presentes. 2004. Pérez-Escamilla. autonomia e relação com a comunidade e autoridades não indígenas. com populações com características étnicas muito específicas (Coates. também. às relações inter-familiares. 2006). Pesquisadores presentes em dois seminários organizados por Food and Nutrition Technical Assistance Project (FANTA) e ocorridos em 2004 e 2005. Os jovens falaram de maneira espontânea e trataram diferentes assuntos como preferências alimentares. São aceitáveis adequações às linguagens locais desde que não comprometam a comparabilidade entre as diferentes populações ou países (Swindale. que muitas vezes servia de intérprete para o grupo ou as consultava (em guarani). insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . optamos por tomar como referência para sua organização os conceitos e dimensões consideradas por especialistas como de caráter universal. Segundo esses autores isso é possível porque estas escalas são compostas com itens (sumarizados abaixo). as discussões não se limitaram aos temas propostos. concluíram que uma mesma escala para medida da insegurança alimentar em domicílios. O roteiro preparado foi útil e ajudou na condução das atividades. Estudo dos conceitos. Ainda que a mensuração da insegurança alimentar e da fome constitua tema a merecer mais investigação. O grupo de mulheres se ateve muito ao cotidiano da vida na aldeia. desde que nestes contextos as escalas incluam os itens que correspondem às dimensões referidas. Os resultados dessas escalas foram avaliados como válidos e comparáveis. antigas lideranças com papel de destaque na comunidade. Melgar-Quinonez. e. entretanto.Relatório Técnico Final . que abrangem as dimensões comuns e consideradas universais da segurança alimentar (Swindale. aos hábitos alimentares e às estratégias usadas em relação ao acesso aos alimentos. Nesse grupo teve papel importante a esposa do vicecacique. 2006). 2006) demonstraram ser possível a utilização de uma escala psicométrica baseada na HFSSM (Household Food Security Scale Module). nos Estados Unidos da América. O de homens caracterizado por ter como participantes atuais lideranças. Com o intuito de proceder a uma análise descritiva dos conteúdos expressos nessas discussões. As discussões tiveram conteúdos e reflexões diferentes considerando cada um dos grupos. hábitos de vida incluindo práticas de atividades físicas e lazer. caciques e pajés.

Ansiedade ou incerteza originada pelo fato de que os recursos para obtenção dos alimentos ou disponibilidade deles. Até setembro. por exemplo. O artesanato é relatado como uma atividade incerta e sazonal. não serão suficientes para o atendimento das necessidades básicas. da carne na alimentação. tem a finalidade de analisar a possibilidade. com mudanças na distribuição intrafamiliar. Estudo dos conceitos. mulheres (GM) e jovens (GJ). por outra fonte. “falta da caça. e consumo de alimentos fora da preferência. tanto pela diminuição da variedade dos alimentos. Percepção de que a quantidade dos alimentos é inadequada. sem de outras voltadas a aumentar a disponibilidade de alimentos no domicílio ou dos recursos para sua obtenção. “A partir de maio a gente sofre mais. que não os tradicionais.Processo CNPq 401176/2005 68 1. também aparece como situação para enfrentamento das dificuldades de acesso aos alimentos. em futuro próximo. e tem muito mais dificuldade de comprar alimentos. A seguir as falas serão identificadas pelo grupo: homens (GH). quanto por não atender às preferências ou por serem inaceitáveis socialmente. falta de dinheiro para compra da carne para substituir a “caça” (GJ). Experiência e percepção de que a qualidade da alimentação é inadequada.Relatório Técnico Final . 2. porque na época do frio a gente não vende artesanato. 3. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . “A fome pode vir se não tivermos um emprego ou se não conseguirmos vender o artesanato na pista” (GM). Nossa opção de agrupar os conteúdos das falas dos grupos de discussão. porém sem a garantia de ser condição permanente. conhecimentos e percepções sobre segurança. Comportamento que leva ao desenvolvimento de estratégias de manejo da alimentação. 1. segundo essas dimensões da insegurança alimentar. Ansiedade ou incerteza em relação ao acesso aos alimentos (ñande pyapy oparamo ñande tembiúrã) “Antes tinham a mata e entravam lá para caçar e pescar. redução da qualidade. o que implica em experiência de consumo insuficiente entre os moradores adultos e ou crianças. depois agora tem que vender artesanato” (GH). “Na época que não conseguimos vender artesanato não conseguimos comprar comida” (GM). de virmos a desenvolver uma escala para a mensuração desta condição entre os Guarani e também entre outros povos indígenas no Brasil. A dependência de outros recursos. 4. quando começam a aparecer os turistas de novo” (GH).

cotia. para comprar o alimento.Relatório Técnico Final . ou de mandioca (feito com farinha e ‘frito’ na chapa ou frigideira). hoje as doações constituem recursos alimentares significativos. “A comida de final de semana é a tipa e a polenta. O acesso à alimentação se dá pelas doações (cesta básica). Qualidade insuficiente (inclui a variedade. 69 2. “Eu acho que a preocupação hoje do povo indígena. Não comem arroz com feijão o tempo todo. que fazíamos rapadura. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . não temos falta de alimento muitas vezes. mas também. O acesso antes era só uma condição de disponibilidade. com recursos advindos da venda de artesanato. Tinha muito takuare˜e. é a preocupação com a alimentação conseqüente à mudança dos costumes imposta pela falta de autonomia e sustentabilidade. hoje em dia se faz com trigo” (GH). assalariamento. era terra para plantar e mata para pegar os remédios. um tipo pão de milho. o milho natural. quati. Ficou claro que são condições que entristecem e geram stress nesta comunidade. mas eu acho que hoje a gente fala que nós não podemos depender só da alimentação dos brancos. defumavam. e água com mel” (GH). faziam dois covos (aturá) para pegar peixe dentro do rio. “O milho branco falta. com frango enforcado. “Tem muitos alimentos que se plantava antigamente no quintal. não mais da agricultura. batismo (mitã mongaraí). Porque hoje se fala muito. as preferências e aspectos de aceitabilidade social) Nessa dimensão está a percepção a respeito dos alimentos que faltam (ndaipori ore tembiú porã) e são os preferidos ou aqueles que guardam relações simbólicas com todas as etapas do ciclo de vida de uma pessoa. O acesso antigamente era um acesso físico. Tinha muito peixe. cana de açúcar. ou tipá. esses a gente gosta e nos fazem bem” (GH). na parte que vem na nossa mente que hoje nós devemos mais nos preocupar na questão primeiramente da saúde e educação e alimentação. aposentadorias e do programa Bolsa Família. tem que dar mais importância com a alimentação natural (aqui significando tradicional desse povo-observação das autoras) ”(GH) Nos dias atuais estas comunidades estão submetidas a um alto grau de monetarização. nas nossas reuniões que alimento é importante na vida do ser humano. “Tinha muita caça. que colhíamos na hora e cozinhávamos na hora. tatu. Ou vende artesanato ou tem que ter emprego ou outra fonte de rendimento. especialmente no dos homens. Todas são condições incertas e geradoras de preocupação. para caçar e pescar. as crianças” (GH).Processo CNPq 401176/2005 O que foi percebido nos grupos. isto é. conhecimentos e percepções sobre segurança. caça e pesca. eles dependem de nós brancos e não mais da natureza. a gente sempre fala. pela compra dos alimentos. mas o que temos é que os alimentos que se distribui na escola e o que se distribui nas cestas básicas não são adequados para nossas crianças” (GH). Estudo dos conceitos. por caça ou coleta ou por agricultura tradicional. “A comida dos Guarani é chipá.

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“As crianças gostam de batata doce, milho, mandioca e carne; peixinhos também, e pastel, macarronada” (GH). “Os alimentos que gostamos e que falta porque é muito caro para comprar são as frutas. Só conseguimos comprar de vez em quando aqui na aldeia, frutas de fora, que não conhecíamos. Mas são muito caras” (GM). “O feijão das cestas básicas é velho, difícil cozinhar” (GM). Os relatos de ter que comer o que não gostam de comer aparecem de forma repetitiva nas falas, especialmente dos homens, como se fosse um recado ou um pedido de ajuda. Tem relação clara com o que na percepção deles seria uma dieta de baixa qualidade. “A alimentação da Escola tem muito tempero, tem muito sal, que as crianças e nós muitas vezes não queremos comer. Faz mal esses temperos para crianças pequenas e elas não gostam” (GH). “As crianças reclamam e não comem muito a comida da escola pois vem temperada muito e com muito sal. As crianças preferem a comida feita em casa, tradicional - juky, não é sal, é uma planta” (GH). “Não tem diferença entre o jeito de comer do grupo do Serginho e do meu grupo, o jeito é o mesmo, é o jeito guarani de comer. O que tem diferente é uma ou outra preferência, como beiju de fubá ou de trigo” (GH). “O espírito nosso também, ao mesmo tempo que depende da energia do alimento, mas 50%, 60%, 70% vem do espiritual que você tem. E hoje, já pensando na questão dos nossos filhos, a questão do alimentação, porque a gente sempre vem falando a parte do alimento com eles, que não seria muito usar o alimento do branco pro nossos filhos, porque não é natural, o arroz, feijão, são mais, são plantados por pessoas assim que usam agrotóxico, vários tipos de mistura”(GH) “A merenda escolar não está dando certo, a gente tá vendo que está estragando a comida, estamos desperdiçando comida e estamos sabendo que lá, aqui no mundo está faltando então não é legal, temos que rediscutir. A nutricionista e o prefeito têm que entender qual é nosso objetivo com a merenda escolar. Nosso objetivo não é deixar a criança gorda e sim a criança forte, as crianças não gostam de comer a comida da escola, estão acostumadas com o milho cozido, milho assado” ... (GH). Apesar de todas estas colocações dos homens, o grupo de jovens tem uma avaliação diferente da alimentação na escola, disseram gostar muito da comida oferecida e relataram que todos os índios almoçam na escola e levam comida para comer em casa. Entretanto, eles gostariam que fosse oferecido no lanche da escola o “Tipá”, uma das preparações preferidas entre os jovens e falavam o tempo todo nessa preparação. Reclamaram da falta de frutas, gostam muito de frutas, ficaram encantados com a salada de frutas oferecida no lanche de recepção do grupo pela manhã. A merenda da escola “é bom, pra mim bom, porque todo mundo come”.... gosto de tudo, de alface, tomate, menos cenoura”(GJ).
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As meninas gostam “de bolinho que elas fazem de trigo: trigo, água na panela, sal e óleo (pouco). Tipa... Que não tem na comida da escola” (GJ). Na comida da escola “Podia ter peixe”... “Todo mundo gosta da comida da escola”... “de sopa com carne. As crianças não gostam de ovo”. “Dia de semana todos comem na escola,... o café da manhã em casa. A tarde só jantam” (em casa) (GJ). O que é alimentação boa “Banana, Frutas... Barriga cheia pra mim ta bom, a fruta pra dar energia, vitamina (maçã, manga, banana)” (GJ). O que deveria mudar na alimentação “Todo dia comer pão, mortadela, queijo...Se o café fosse igual ao de hoje todo dia era o meu sonho, precisava trabalhar pra comprar todo dia”(GJ) O que não é bom pra saúde “Açúcar, doces, salgadinhos” (GJ). Comida boa para as mulheres “Feijão, e arroz tb, salada tomate, repolho, frango. Esse é meu almoço”(GM).

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3. Consumo insuficiente
Os relatos de dificuldades de acesso, que implicam em insuficiência na quantidade de alimentos foram menos freqüentes que aqueles relativos à qualidade. Entretanto as mudanças no padrão alimentar do tradicional para o atual e que significam incorporação de alimentos que demandam recursos monetários para sua obtenção, significam restrição quantitativa de acesso aos alimentos. Ou seja, refeições menores, menos comida (mixi ore tembiú, ndaretáieté). “Já ficamos sem comida em algumas épocas, quando não dá para vender artesanato” (GH). “quando o marido fica sem trabalho, quando não tem marido. Aí comemos somente banana verde, banana assada. E fica sem carne, tira palmito e vende, e se der faz artesanato”(GM). Valorizam muito a carne, seja frango, carne de gado e peixe. “Mudamos para Rio Silveira porque em Ubatuba tinha poucos alimentos, e não tinha peixe”. Ele fala que “em Peruíbe (Bananal) tinha muito peixe” (GH). “A gente cria a galinha, mas é difícil, porque tem que fazer galinheiro e tem que cuidar porque senão o gato do mato come. Tem que fazer cercado” (GM). “Alguns alimentos vêm da roça “ tem na aldeia longinho, mas a gente pega jaca, banana, laranja, goiaba . . . [conversam em guarani] Tentamos plantar mandioca e batata doce mais não vai – fica amarelada [a terra é muito arenosa e lama]. A plantação é meio zero” (GM). “As vezes alguém, não vende artesanato, então não da para comprar comida” (GM). ...”Esse mês mesmo que é difícil . . . não vende artesanato . . pode cortar palmito mais não sai, não vende” (GM). “Ai a gente temos também, que receber Bolsa Família – todos recebe por mês. “todas as mulheres estão recebendo”.
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Quem tem família grande “Aí a Bolsa Família não chega” Aí só compra um kilinho de arroz, um kilo de [farinha de] trigo – em 5 dias já passa dificuldade”(GM) Notamos que as mulheres falam mais sobre as dificuldades do cotidiano, como nessas e em outras reflexões. Perguntamos se em alguma ocasião ficou sem nada para comer em casa ou comeu menos vezes por dia (jacaru peteinte) “difícil isso, sempre tem um ou mais dias que não tem nada para comer”, (ndaiporieté ore tembiú, ore vareá coanga)(GM). “também sempre tem alguma vez que vai dormir com forme, talvez, vários dias em seguida”orerokese varea avei- (GM). A fome, apesar de não aparecer como fato abertamente explicitado está presente nas falas. Elas referem às épocas ruins de vender o artesanato, entre maio e setembro, que seria a ocasião em que muitas famílias passam um dia inteiro sem comer. Se isso ocorre insistem na venda de seus produtos, ou tiram palmito para vender, ou pedem ajuda para as suas famílias, não parece que assumem atitude passiva.

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4. Desenvolvimento de estratégias para aumentar a disponibilidade de alimentos
São várias as maneiras que encontram os Guarani para enfrentar as dificuldades com a alimentação. Elas podem ser, por exemplo, o comportamento Guarani de mudança para outros lugares ou tekoha. “A sogra fala que Rio Silveira tem mais comida, peixe, palmito etc. Então eles se mudaram para lá” (GH). Outra estratégia é usar o apoio social disponível dentro de uma família expandida, ou de um tekoha. .... às vezes eles vão pedindo e a gente ajuda” (GM). “em geral, quem é da família ajuda, é assim, né? ”(GM). “Se a pessoa chega a ficar sem comida vai pedir na casa ao lado que em geral é um parente. Se não tiver mais parente para pedir então pode pedir para o cacique. Quem tem marido não fala com o cacique porque fica com muita vergonha, o marido fica mal”(GM). “Quando algumas famílias ficaram sem comer então comem banana verde assada. Se acabar a banana vai para casa da mãe, ou da tia, ou então de outro parente”(GM). Foram também referidos mecanismos para ganho de eficiência dos recursos monetários disponíveis, eles estão muito associados ao preço praticado nos supermercados e vendas e às distancias que tem que ser percorridas para fazer compras.
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“A escola é boa porque dá comida para as crianças. Os homens guarani falaram mais disso do que as mulheres. mas como um território com significados culturais e simbólicos importantes. e vem com certa substância espiritual que alimenta (Nimuendaju. Outro mecanismo é o da aceitação das doações como algo natural e bem vindo. suas características e organização espacial como a distribuição das casas. Portanto situações que são associadas à segurança alimentar. ou seja. E o feijão chega velho”(GM). água boa para pescar. o seu Lima”(GM). 73 Condicionantes ou determinantes de segurança ou insegurança alimentar São condições relatadas que permitirão construir indicadores muito próximos de alguns mencionados pelo grupo de especialistas. mas é mais longe. 1991) como foi referido no grupo de discussão dos homens. na aldeia”(GM). A terra ou esse território culturalizado também é considerado “alimento” para os povos Guarani. do caminhão. E termos condições de comprar frutas. do universo para os Guarani. quando estão com fome ou cansados se cantarem/rezarem vão se sentir melhor. A terra tem que ter um bom espaço para fazer as opy ou casas de reza. água boa. o tekoha. porém foi muito enfatizado entre as mulheres. tem que ter um campo para as mulheres andarem quando estão grávidas e assim por diante. 1987 e Melià. que pode ser traduzido como resãi. Isto apareceu em todos os grupos. Durante as discussões dos grupos apareceram vários conteúdos relacionados a condições percebidas como causas para deficiências na alimentação ou como sua conseqüência. E tem uma venda perto que facilita. saudável. “Para melhorar é ter um super mercado perto.Processo CNPq 401176/2005 “A compra no super mercado perto é mais cara. este é um assunto masculino. através da FUNASA. terra boa para caçar. aquilo que nos pareceu mais significativo para os desdobramentos futuros desta investigação. O café da manhã é para as crianças e jovens e o almoço é para todo mundo da aldeia”(GM) “A prefeitura também dá cesta básica. mas que não se constituem em componentes de suas dimensões. Nesse caso aparece de forma reiterada a questão da terra: terra boa para plantar. A terra neste caso não é considerada somente como espaço físico. ficará “alimentado”. mas é distribuída somente para quem tem problemas. no [supermercado grande] é melhor e mais barato. e elas podem também levar para casa. Ou seja. ou a coluna vertebral. Vamos aborda neste relatório apenas parte deste conteúdo. o alimento tem relações com esse território.Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança. tem que ter pequenos rios com corredeiras para terem piky que são os peixinhos das crianças. e barato. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . e o pajé e qualquer outra pessoa pode obter melhor tekoporã se canta/reza. como a serra do mar que significa a espinha dorsal. Estudo dos conceitos.

a gente tenta plantar. O Vice. Então você não pode cortar a árvore.. No caso de Rio Silveira a terra não é boa para plantar. hoje dependem. batata. “que como liderança ele se preocupa com as mudanças que estão ocorrendo nos costumes. que é a Serra do Mar. Então onde. lá em cima onde morava dava abóbora. aqui tem área de preservação ambiental que não podemos plantar. milho. na nossa aldeia. . .. 74 Estudo dos conceitos. . . como os pajés o os nossos mais velhos sempre falam que um dia o ser humano acaba e que Deus um dia ele vai querer renovar a terra. como liderança ele tem que segurar um pouco as mudanças e tentar influenciar e controlar as mudanças. a terra não é mais. mandioca. Perderam autonomia no sentido de que antes dependiam somente da natureza. . no caso nosso. eu acho que futuramente.. Outro que. também. nós temo uma área que se plantar não dá. essa parte. para terem projetos e receberem doações. a gente dependemos de fora. Porque? porque? Porque envolve vários questões. conhecimentos e percepções sobre segurança. abacaxí. A saúde depende do pajé”(GH). A alimentação também faz parte disso”(GH). porque você tendo fé em “Yamderu” que é Deus. . por exemplo. Ele também pode servir de alimento pra você. . a semente. era ele que cuidava da alimentação nas diferentes fases da vida.. do meio ambiente para sobreviver. das boas relações com os brancos e com as instituições brancas. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . ele não tá 100% dependendo de alimentação. A plantação é meio zero. Então às vezes tem várias conversas. A gente vive mais de artesanato e de palmito”(GM). tekomarangatu). a gente tenta plantar alguma coisa – milho. goiaba .. essas coisas que o guarani é um costume dele. mas a gente pega jaca. porque a nossa reserva ta numa área protegida pelo meio ambiente. laranja. Hoje. “Algumas aldeias. [conversam em guarani] Tentamos plantar mandioca e batata doce mais não vai – fica amarelada [a terra é muito arenosa e lama].“É como eu falei. na casa grande que é feita para rezar. . tanto por causa da parte da mata protegida por legislação ambiental quanto pela baixa qualidade para a agricultura do restante (charcos). banana. porque hoje o guarani. você não pode roçar um localzinho pra você plantar mandioca. deixa a gente muito afastado disso. o pajé cuidava da sua comunidade. e temos que fazer o trabalho espiritual junto para plantar”(GH). mais não dá em nada. a terra era fertilizado. melancia – formiga corta tudo . “temos que ter terra para plantar.Processo CNPq 401176/2005 “. Nestas condições é muito importante a organização social e política das comunidades e uma boa liderança e equilíbrio (tekoporã. . ele depende de mais ou menos de 30% a 40% de alimento.Relatório Técnico Final . plantar”(GH) Tem na aldeia longinho. né.cacique atual fala. o resto é espiritual”(GH). por meio da compra de comida no supermercado ou outras vendas. Com a proximidade da cidade o acesso à alimentação ficou facilitado. porque a parte de alimentação não vem só por você se alimentar efetivamente do alimento. “Antigamente tinha pajé e ele era o que cuidava da saúde das famílias.

Estas questões relacionadas à sazonalidade do turismo no litoral são condições que impactam o acesso aos alimentos. que são o cerne da cultura guarani. muitas famílias se mudam para outra aldeia. . adequação dos produtos da cesta básica. pode cortar palmito mais não sai. Conseqüências sociais da indisponibilidade de alimentos. conhecimentos e percepções sobre segurança. tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo e que foram relatadas enfaticamente pelas mulheres. aos hábitos alimentares da comunidade. Os Guarani relatam que as ‘crianças estão gordinhas’ por causa da comida diferente. tanto em termos qualitativos quanto quantitativos. “Esse mês mesmo que é difícil . não pertencem às dimensões da insegurança alimentar. assim como muito óleo”(GH). Dizem que as crianças não tem muita vontade e gosto para comer a comida da merenda escolar. O grande número de filhos parece ser outro condicionante da segurança alimentar. ou disponibilidade As conseqüências associadas ao baixo acesso aos alimentos. no caso das aldeias do litoral de São Paulo parecem estar associadas. onde tem mais disponibilidade de comida. restrições com impacto na saúde e no bem estar desses grupos.Processo CNPq 401176/2005 “O que poderia melhorar seria termos mais facilidade para vendermos o artesanato. por falta de acesso. Ou seja. porque “essa tem muito tempero e muito sal. Reclamam de apoio para discutir na prefeitura. As conseqüências físicas são relativas às mudanças no padrão alimentar ocorrido ao longo do tempo e que tem como reflexo a perda de qualidade da alimentação. com a nutricionista.Relatório Técnico Final . . industrializada. entre outros. . como que já foi referido. 75 Conseqüências da insuficiência de alimentos. “quem tem muitos filhos o bolsa família já não ajuda. bom). E com a mudança das famílias a aldeia antiga passa a ficar mais desorganizada e com menos possibilidade de recompor um tekoha. não vende”(GM). não chega nem para 5 dias e depois passa dificuldade”(GM). Muitas vezes o pajé sai com a família em busca de outra aldeia e então termina a possibilidade de fazer as festas e rezas. Apesar do deslocamento observado nas histórias de vida de algumas famílias significar uma estratégia de sobrevivência ele impõe. ter um ponto de venda onde cada família pudesse se instalar e vender com mais segurança do que na beira da pista”(GH). ao processo de deslocamento espacial e à fissão de um tekoha. não vende artesanato . também. se numa determinada aldeia começa a aparecer situações de fome. mas apontam para a definição de alguns tipos de indicadores que poderão ser úteis na análise dessa condição. assim como a falta de marido ou de mulher. do tekoporã (jeito de ser bonito. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . que enfatizam ser fundamental. Estudo dos conceitos.

com investigações complemetares. portanto.. você tem que pensar os dois lados. porém inadequada aos costumes Guarani. 76 Reflexões sobre conteúdos para medir a S. Esta confiança está baseada na identificação. para a população indígena brasileira.. que é uma condição evidente. ela não come a comida da escola . perspectivas diferentes que podem levar a abordagens também diferentes de um mesmo tema. tanto é que hoje a maioria das crianças. serem interpretadas a partir de duas referências. conhecimentos e percepções sobre segurança. a inadequação qualitativa da alimentação. mas.. Porque é a nutricionista da prefeitura. De uns tempos pra cá . A segunda refere-se ao fato de serem pessoas com maior intercâmbio fora da aldeia. então houve uma mudança num cardápio das crianças. Estudo dos conceitos. Reclamam por mudanças. o que resulta em capacidade crítica e melhor articulação desses conteúdos. a primeira tem a ver com seu papel de autoridades responsáveis pelo o que ocorre na aldeia e.. você tem que ver outro caminho.crescer saudável.. ao mesmo tempo que a aldeia não consegue dá o alimento que a criança precisa. além de frutas e peixes..Relatório Técnico Final . além de terem referido os comportamentos individuais ou coletivos que servem para minimizar as carências e buscar meios ou estratégias. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Então hoje a comunidade fala assim pra nós. inicialmente para a população Guarani e futuramente.. Nesses grupos apareceu com freqüência a necessidade de incorporar à alimentação disponibilizada. era tudo magrinho. nos dão confiança de que será possível elaborar um instrumento (escala) de medida direta de insegurança alimentar e fome. ela acaba colocando um monte de vitaminas pra criança ficar forte. Por isso sempre chamam a atenção para o fato de que a cesta básica é necessária. A alimentação na escola é a garantia de que seus filhos não passarão fome. não sei. portanto com participação em fóruns onde estas questões de sustentabilidade e autonomia são discutidas. São. tanto nas observações ao longo da investigação. .. com a secretaria. daquelas dimensões da segurança/insegurança alimentar. pode ser forte. nós guarani ali... ou o gosto pode ser diferente. no nosso entender. sobretudo.Então isso que é a nossa visão hoje na parte de alimento”(GH). Já as mulheres na sua visão evidentemente baseada no cotidiano assumem uma atitude pragmática sobre o mesmo problema. a prefeitura começou a nos ajudar nessa parte da alimentação.... porque você mudar um costume pra outro é difícil.A. pra criança ganhar peso.. a falta de sustentabilidade alimentar. a partir do momento que se implantou a escola. de população indígena. Também os jovens referem à alimentação na escola da mesma maneira.porque. nas falas dos grupos de discussão. a insuficiência quantitativa de alimentos para os adultos e crianças da família. Nós marcar uma reunião com a nutricionista da prefeitura. Os Guarani expressaram as suas experiências sobre: a preocupação com a falta do alimento no futuro. “nós vamos lá pra escola comer comida com remédio”..Processo CNPq 401176/2005 “Antigamente. não tinha uma coisa assim . consideradas como universais. sabe? . . pra criança crescer. os preocupa muito. alguns alimentos tradicionais como o Tipa. até discutir um cardápio melhor pras nossas crianças ..... especificamente para populações Guarani e possíveis métodos de abordagem A análise cuidadosa e a reflexão sobre nossa experiência de dois anos e meio de intercâmbio com as comunidades Guarani do estado de São Paulo.... para garantir o acesso à alimentação. As falas das lideranças devem.....

A. a gente sempre fala. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . conhecidos. assim como muitos outros. famílias nucleares ou famílias expandidas. O espírito nosso também. Isto nos estimula a buscar. Como referido pelo vice-cacique de Rio Silveira: 77 “Porque hoje se fala muito. ele não tá 100% dependendo de alimentação. nas nossas reuniões que alimento é importante na vida do ser humano . Essas limitações. A elaboração de uma escala de medida da segurança alimentar e insegurança alimentar dos povos indígenas pressupõe um processo. porque hoje o guarani. os meios efetivos. indigenistas. Ele também pode servir de alimento pra você.Relatório Técnico Final . ganha. lideranças indígenas. 70% vem do espiritual que você tem” (GH). aspecto não mensurável. Nas comunidades Guarani encontramos... de pesquisadores nacionais para a sua validação preditiva. a situação de insegurança alimentar dos povos indígenas no Brasil. situações objetivas de restrição de acesso aos alimentos e ansiedade pela perda de autonomia e sustentabilidade alimentar.Processo CNPq 401176/2005 Reconhecemos que a mensuração direta. Estudo dos conceitos. com urgência. ao mesmo tempo que depende da energia do alimento. os seus condicionantes. Então as vezes tem várias conversas. se indivíduos. Temos convicção. fere o espírito e acaba com a dignidade de qualquer ser humano. inicialmente envolvendo. Neste processo serão também discutidos os métodos de abordagem desta população e a definição das unidades de referência para a classificação da segurança ou insegurança alimentar. Entre os Guarani... as suas conseqüências que tem comprometido o bem estar e a sobrevivência digna desse povo brasileiro. .. A segurança alimentar é sabidamente uma condição multidimensional e complexa. Entretanto. ele depende de mais ou menos de 30% a 40% de alimento . como os pajés o os nossos mais velhos sempre falam que um dia o ser humano acaba e que Deus um dia ele vai querer renovar a terra. mas 50%. posteriormente. ligado ao seu entendimento. de que o alimento e a alimentação tem valor ou carrega em si uma “dimensão” espiritual. a partir da referência de um indivíduo da família tem limitações teóricas e dificuldades práticas em qualquer contexto social ou cultural. conhecimentos e percepções sobre segurança.. portanto a quantificação da segurança alimentar no domicilio. convivendo com problemas de diversas naturezas. porque a parte de alimentação não vem só por você se alimentar efetivamente do alimento. acadêmicos e gestores de políticas públicas para a construção e validação de seu conteúdo e. porque você tendo fé em “Nhanderu” que é Deus. obviamente não seriam diferentes em comunidades indígenas. Então. antropólogos. além de processos amostrais e referências lingüísticas. nosso entendimento é o de que essa dimensão espiritual da alimentação não constitui uma limitante na busca de instrumentos e meios de mensurar a insegurança alimentar e a fome que ameaça os povos indígenas no Brasil.. também.. válidos e socialmente aceitos para expor para a sociedade brasileira e suas autoridades. que a fome machuca o corpo.. bem como. 60%. do mesmo modo que ocorre com o uso de qualquer dos indicadores de medida de S.

mesmo aquelas com mais recursos naturais. como são Rio Branco e Rio Silveira não garantem sua sustentabilidade econômica. que em geral. Como outras etnias indígenas de nosso país. pelas precárias condições de alimentação. que poderão subsidiar os gestores públicos em seu esforço de formular políticas e ações voltadas para a melhoria das condições de vida desse povo. o que provavelmente determinará a formação de outros aldeamentos. Convivendo com essas circunstâncias encontramos um povo consciente de sua integridade étnica e cultural com lideranças legítimas e que ativamente buscam soluções para percorrer o caminho de suas escolhas. Este fato nos estimula a prosseguir nessa investigação para que em futuro próximo possamos propor ao país uma escala de Medida Direta da Segurança Alimentar dos Povos Indígenas Brasileiros. condições que favorecem o seu crescimento populacional. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança. nutrição e saúde que observamos. necessárias. com condições extremamente negativas para o seu bem estar físico. eles tem perfil demográfico com predomínio de população jovem. mas também. A análise global dos diversos componentes desta investigação e nossa convivência com o povo Guarani das terras Rio Silveira. Rio Branco e Piaçaguera mostram ser possível o uso de um instrumento para analisar os diferentes graus de acesso aos alimentos. psicológico e espiritual. As condições das terras indígenas. Essas características favoráveis à sobrevivência Guarani convivem. porém distantes das particularidades e especificidades do seu modo de vida. não apenas pelos problemas ambientais. ocorre por meio de políticas públicas. apresentando nas últimas décadas declínio significativo da mortalidade infantil. com alta taxa de fecundidade. A qualidade de vida dessas populações está comprometida. social ou mesmo cultural. seguindo a historia de mobilidade que reflete o modo de viver dos Guarani. por outro lado. Estudo dos conceitos. pela percepção de riscos que ameaçam sua cultura. Isto impede sua autonomia e os tornam dependentes de apoio externo.Processo CNPq 401176/2005 78 Conclusão Essa investigação mostrou resultados relevantes sobre os índios Guarani que habitam reservas no litoral do Estado de São Paulo. Aldeinha.

Dança e Jogos e Artesanato Guarani. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . que deverá ser em breve. Setembro de 2008. O desenvolvimento desta investigação consolidou na UNICAMP um grupo de pesquisa multi e interdisciplinar em temática indígena. após todo o esforço pessoal para a viabilização do projeto. Capacitação em pesquisa quantitativa e qualitativa de duas estagiárias em pesquisa epidemiológica e uma aluna de iniciação científica em demografia. na 60ª Reunião da SBPC. 4. sobre Alimentação Tradicional. conhecimentos e percepções sobre segurança. uma pesquisadora do Núcleo de Estudos de Populações (NEPO/UNICAMP) e da Faculdade de Educação Física. 3. estimulou sua orientadora a continuar os estudos sobre escalas de medida de segurança alimentar. Apresentação em formato de Pôster “Comunidades Guarani do litoral de São Paulo: condições de vida e saúde” Congresso Brasileiro de Epidemiologia. constituindo assim.Tekoha Guarani no estado de SP: história e dinâmica populacional. Estudo dos conceitos. É uma perda muito grande para o grupo de pesquisa. além de digitação e análise parcial dos dados.Processo CNPq 401176/2005 79 Produtos complementares originados da Investigação ao longo de seu desenvolvimento 1. aluna de mestrado em Saúde Coletiva do Departamento de Medicina Preventiva e Social que. Para isso freqüentou cursos em temáticas indígenas na UNICAMP e reuniu. Claudeni Fabiana Alves Pereira . “Saúde Indígena: um olhar no percurso histórico” – No prelo. Produção de um artigo por Maria Bernadete Carvalho de Oliveira. o grupo de pesquisa. em parceria com o laboratório de Jornalismo (LabjorUNICAMP) e comissão de extensão da Faculdade de Ciências Médicas da UNICAMP. A grande motivadora deste estudo foi Maria Bernadete de Carvalho. registrado na base de Grupos de Pesquisa do CNPq. É com muito pesar. Parte deste projeto constituía o conteúdo para obtenção de título de mestre no Departamento de Medicina Preventiva e Social. planejamento e execução das atividades de campo. de uma pessoa com grande valor humano. como resultado. do qual fazia parte e que apresentou o projeto ao CNPq. Realização. que a equipe de pesquisadores deste projeto comunica o falecimento de Bernadete Carvalho. ocorrido em Janeiro de 2008. • • Daniele Camargo e Bruna Nascimento Condições de Saúde e Nutrição Guarani.Relatório Técnico Final . desta vez aplicável à população indígena no Brasil. compromisso social e dedicação intensa a todos os projetos em que se envolvia. 2. de workshop conduzido por índios Guarani da terra indígena Rio Silveira. ao grupo da Faculdade de Ciências Médicas.

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insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 85 Anexos Estudo dos conceitos.Relatório Técnico Final . conhecimentos e percepções sobre segurança.

_____________ Entrevistador: Data da entrevista: Entrevistado: Aldeia:________________________________________________________ Município:_____________________________________________________ MÓDULO 1 – DEMOGRÁFICO 1.Estado (_____) 4 .1 Pessoa referência da casa Nome _____________________________________________________________ Local de nascimento (comunidade ou aldeia. município. Especificar: (_________) Ano de nascimento ( Sexo ( Idade ( Etnia ( Escolaridade [( ) ) ) ) série ( ) grau] (até que série estudou?) Que língua(s) fala: __________________ Que língua(s) entende: _____________________ Qual foi o ano de chegada nesta aldeia: ______________ Há quanto tempo o(a) senhor(a) está nesta aldeia ? ( ) anos Quando saiu da comunidade onde nasceu.Município (_________) ) 3 . conhecimentos e percepções sobre segurança.Não sabe 9999 . estado (UF) ou cidade e bairro e município e estado. morou em outros lugares antes daqui? 1 – sim 2 .Não respondeu Estudo dos conceitos. quando for de outro país que não o Brasil colocar) 1 .Processo CNPq 401176/2005 86 Anexo I – editoração modificada para o relatório ESTUDO DO CONCEITO E PERCEPÇÃO DE SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL EM COMUNIDADES GUARANI DO ESTADO DE SÃO PAULO Entrevista no. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .não 9998 .Aldeia (________) 2 .Outro.Relatório Técnico Final .

____________________________________________________________ 4.não 9 .Relatório Técnico Final .____________________________________________________________ 3. quais? 1.____________________________________________________________ Motivo(s) da mudança para esta aldeia (pode ter várias respostas) ( ( ( ( ( ( ) Falta de espaço para fazer roça na aldeia onde estava antes ) Melhor acesso a Educação escolar ) Melhor Acesso a alimentos ) Conflitos na aldeia onde estava antes ) Melhor Acesso a assistência à saúde ) Algum parente chamou Outros.Processo CNPq 401176/2005 87 Se sim. ___________________________________________________________ 2.Não respondeu Se Sim por quê? ______________________________________ Se Sim para onde? ____________________________________ Estudo dos conceitos. Especificar: _____________________________________________________ O senhor(a) ou alguém da sua família grande pensa em se mudar desta aldeia? 1 – sim 2 . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . conhecimentos e percepções sobre segurança.____________________________________________________________ 5.Não sabe 99 .

1.2.1. listar os mais velhos.8 1.2.9 1.1.12 1.1.2.2.2. filha 2.Relatório Técnico Final .6 1.1.2.4 1.7 1.2 1.1.2.2.5 1. genro 1.3 1. genro 3.2.1.1.18 Altura (m) IMC Estudo dos conceitos.1.1.1. conhecimentos e percepções sobre segurança.1.2.2.7 1.1.2.2.15 1.2.10 1.9 1.11 1.13 1.2 1.2.15 1.14 1. netos 1.1.1.1.11 1.2.1. netos 2.1. filha 3.1.2.1. não se esquecer de atribuir números para diferenciar): Essa lista com os nomes dos membros da casa deve ser preenchida por ordem de geração.Processo CNPq 401176/2005 Lista completa dos membros residentes da casa (em caso de pessoas com o mesmo nome.2.1 1. Nº Peso (KG) 1.1.2.1.1.2. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . neta 3 etc).1.13 1.1.8 1.1.6 1.1.2. genro 2.1.16 1.12 1.1.17 1. por ordem de nascimento (por exemplo: filhas 1.2.2.5 1.1.3 1..16 1.1. isto é.1.2.1 1.2. Nome 1.17 1.2.2.1. depois suas filhas e seus genros e filhos deles.2.2.18 Local Nasc Data/Nasc Sexo Idade Etnia Escolaridade 88 Grau de parentesco Continuação da tabela.1.2.2.2.1.10 1.2.4 1.1.2.2.2..14 1.

5 1.3.3.3.1 1.3.3.7 1.3.3.3 1.3.3.3. conhecimentos e percepções sobre segurança.3.12 1.17 1.Processo CNPq 401176/2005 Lista de pessoas da casa que saíram para residir em outros lugares: Nome Sexo idade etnia Para onde foi? Qdo saiu Motivo Grau de parentesco com a pessoa de referência 89 1.3.Relatório Técnico Final .15 1. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .8 1.10 1.13 1.3.11 1.3.14 1.6 1.18 Estudo dos conceitos.2 1.16 1.3.9 1.3.4 1.3.3.

4.3 1.6 De onde veio? Por onde passou? Estudo dos conceitos.6 Grau de Parentesco com a pessoa de referência Há quanto tempo Continuação da tabela: (o próximo item só deve ser preenchido se a pessoa de referência não nasceu na aldeia onde reside atualmente.Não sabe 99 .neto (a) 13.Outra alideia em outro estado 4 .1.fund.outro 5 – Sogros (a) Para onde foi 1 .primo (a) 4 .Outro (Especificar) Motivo da estadia Nome 1.1.avô (ó) 3 . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .fund.2 1. E deve ser preenchido somente pela pessoa de referência da casa.1.não 9 .4.4.Pai/Mãe 8 – Genro (a) 12 .enteado 11 .4.1.Processo CNPq 401176/2005 90 Grafar com X o parentesco com a pessoa de referência da casa Grau de parentesco 1 – Cônjuge 2 – Filhos (a) 3 .Pai/Mãe 4 .4.1.1.4 1.5 1.4.2 1.Outra Aldeia 3 .superior incompleto 7 .superior completo Há alguém residindo temporariamente na casa? 1 .4 1. tipo “chefe do domicílio”) Nº 1.1.Tios (a) 9 .Nenhum 1 .4.médio incompleto 5 .Relatório Técnico Final .3 1.Cônjuge 6 – Cunhado (a) 10. conhecimentos e percepções sobre segurança.Outra casa na alldeia 2 .1 1.primo (a) 13.4.outro 14 .4.Tios (a) 5 – Sogros (a) 6 – Cunhado (a) 7 – Sobrinhos (a) 8 – Genro (a) Escolaridade 9 .1.4. incompleto 3 .1.1.1 1.médio completo 6 .4.1. completo 4 .avô (ó) 12 .4.sim 2 .Não respondeu Grau de parentesco com a pessoa de referência 1 .analfabeto 2 .enteado 2 – Filhos (a) 7 – Sobrinhos (a) 11 .5 1.neto (a) 10.1.

2.5.5.2 1.5.5.5 1.1 1.2. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .5.5.7 etnia Idade sexo Grau de parentesco Parentes da pessoa de referência residindo em outras casas nesta aldeia Nome 1.2.2.2.4 1.5. 1. 1.5.5. 1.3 1.Processo CNPq 401176/2005 91 Parentes da família grande residindo em outras casas nesta aldeia: Nome 1.5 1.5.1 1.2.1.6 1.5.Relatório Técnico Final .5.2. conhecimentos e percepções sobre segurança.7 etnia Idade sexo Grau de parentesco Estudo dos conceitos.5.3 1. 1.5. 1.4 1.6 1.2 1. 1.

sim 2 .não 9 .não 9 .não 9 .não 9 . qual a freqüência? ___________________ Estudo dos conceitos.Não sabe 99 .Não sabe 99 .sim 2 .Relatório Técnico Final . rio. tem tampa? 1 .Não sabe 99 .Não respondeu Se sim.sim 2 . lago ou mar A casa recebe água encanada? 1 . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Não respondeu Tem caixa d’água? 1 .Não respondeu Qual o destino dado ao lixo do domicílio? (poderá ser assinalada mais de uma opção) 1 ( ) Coletado pela prefeitura 2 ( ) Queimado ou enterrado na propriedade 3 ( ) Jogado em terreno baldio ou outro local próximo à casa 4 ( ) Jogado no córrego.Não respondeu A caixa d’água é lavada? 1 .Não respondeu Se sim.Não sabe 99 .não 9 .sim 2 .Processo CNPq 401176/2005 MÓDULO – CONDIÇÕES SANITÁRIAS E DE CONSTRUÇÃO DA CASA (OBSERVAÇÃO) 92 Condições da construção da casa: 1 ( ) madeira 2 ( )alvenaria acabada 3 ( ) taipa 4 ( ) outros Telhado: 1 ( ) telha 2 ( ) zinco/amianto 3 ( ) palmáceas ou gramíneas 4 ( )outros A casa tem energia elétrica? 1 . conhecimentos e percepções sobre segurança.sim 2 .Não sabe 99 .

Relatório Técnico Final .Não respondeu Que tipo? 1 ( )PET 2 ( ) vidros 3 ( ) latas 4 ( ) Papel / papelão Existe banheiro/privada para uso da sua família ? 1 ( ) sim – fora da casa 2 ( ) sim – (dentro da casa) 3 não respondeu Qual o tipo de esgoto sanitário que há na casa? 1 ( ) Rede coletora de esgoto 2 ( ) Fossa séptica 3 ( ) Fossa rudimentar 4 ( ) Vala 5 ( ) Direto para o rio.não 9 . lago ou mar 6 ( ) Sem esgoto não 9.Não sabe 99 . conhecimentos e percepções sobre segurança. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .sim 2 .Processo CNPq 401176/2005 93 Onde pegam água para beber? 1 ( ) pia da cozinha 2 ( ) bica externa/tanque na casa 3 ( ) fonte natural 4 ( ) outros____________ Onde pegam água para cozinhar? 1 ( ) pia da cozinha 2 ( ) bica externa/tanque na casa 3 ( ) fonte natural 4 ( ) outros____________ Para onde escorre a água usada da cozinha? ___________________________ A casa tem fogão ? 1 ( ) sim ( dentro de casa) Que tipo de fogão 1 ( ) Lenha 2 ( ) gás Onde tomam banho? 1 ( ) chuveiro 2 ( ) água natural 2 ( ) sim ( fora da casa) 3 ( ) Não tem fogão 3 ( ) outro ___________ Para onde escorre a água usada do banho? _________________________ Onde lavam roupa? 1 ( ) bica externa/tanque na casa 2 ( ) rio/cachoreira 3 ( ) outro __________ Para onde escorre a água usada? ______________________________________________________ O senhor separa o lixo? 1 .Não sabe 99- Estudo dos conceitos.

Não sabe 99 .sim 2 – não 9 .Não respondeu Quem& (ref. moradores) Alguém na família tem algum problema de saúde? 1 ( ) Sim ( ) Infecto contagiosa ( ) Hipertensão ( ) Diabetes ( ) Lombalgia ( ) Cardiopatias ( ) Asma ( ) Artrite ( ) Reumatismo ( ) Cefaléia ( ) Outros 2 ( ) Não Alguém na família toma medicamentos todo dia.não 9 . alguém da família grande sofreu algum acidente ( picadas.Não sabe 99 .Não sabe 99 .Processo CNPq 401176/2005 MÓDULO – SAÚDE no último mês alguém da família grande ficou doente? 1 . Tab. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . intoxicação. moradores) ______________________ No último mês. alguém da família grande ficou internado no hospital? 1 . etc)? 1 .não 9 .sim 2 .Não respondeu Alguém da família grande tem problemas com bebidas alcoólicas? 1 .sim 2 .sim 2 .Não sabe 99 .Não respondeu Quem? (ref.Não respondeu Quais medicamentos? Alguém em sua casa. com 14 anos ou mais.não 9 .Não respondeu Estudo dos conceitos. quantas pessoas? __________ Quantos cigarros por dia em média? __________________ Alguém da casa fuma cachimbo? 1 .não 9 .sim 2 .Relatório Técnico Final . Tab.sim 2 .sim 2 – não 9 . conhecimentos e percepções sobre segurança.Não sabe 99 .Não sabe 99 .Não respondeu 94 No último mês. fornecido pelo Aisa? 1 .Não respondeu Se sim. fuma cigarro comum ou de palha? 1 .Não sabe 99 .não 9 .

Não respondeu Quanto em dinheiro é gasto com as despesas de alimentação durante o mês? R$__________ 9 ( ) Não sabe 99 ( ) Não respondeu Renda monetária Fontes de renda (dinheiro) permanentes de membros de sua família (pode marcar mais de uma alternativa). Incluir aqui todos os tipos de trabalhos remunerados. conhecimentos e percepções sobre segurança.Relatório Técnico Final . Instituição FUNASA FUNAI Prefeitura/educação Prefeitura/saúde Prefeitura/limpeza pública Prefeitura/repartições artesanato Benefícios/ aposentados Emprego doméstico Comércio local Casa do Índio outros Nome Cargo Salário Se sim.não 9 . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Não sabe 99 . inclusive aqueles temporários.sim 2 . 99 ( ) Não quis responder 2 ( ) Pagamento a prazo (prestações/ cheque pré datado) 4 ( ) Com o trabalho 9 ( ) Não sabe 95 Os moradores deste domicílio têm dívidas relativas à compra de alimentos? 1 . há quanto tempo? _________ (anos) Em qual ou quais comércios o senhor(a) costuma comprar? _____________________________________________________________________ _____________________________________________________________________ Estudo dos conceitos.Processo CNPq 401176/2005 MÓDULO – CARACTERIZAÇÃO DO TRABALHO E DA RENDA Ao adquirir os alimentos para o consumo da família. como são feitos os pagamentos desta compra? (pode haver mais de uma opção) 1 ( ) Pagamento à vista 3 ( ) Sistema de Cadernetas 5 ( ) Outros. Colocar sempre o trabalho que exerce atualmente e o salário recebido.

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005
Equipamentos da casa Item Fornos farinha Motosserra Espingarda Fogão a gás Gerador TV Aparelho de som Walkman Telefone Rádio Quant. Máq. Costura Geladeira Freezer Moenda carro moto celular bicicleta outros Quant.

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Em sua opinião, quais são os principais problemas enfrentados pelas famílias nesta aldeia? (listar em ordem de importância) 1) __________________________________________________________ 2) __________________________________________________________ 3) __________________________________________________________ 4) __________________________________________________________ 5) __________________________________________________________

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005
MÓDULO: ALEITAMENTO MATERNO
Fazer as perguntas do quadro abaixo para todas as mães ou pessoas de referência das crianças com menos de 2 anos. Nome do bebê ________________ (Anote apenas o 1º nome) Data de nascimento da criança _____/_____/_____ (Anote o disponível) Sexo: 1 ( ) Masculino 2( ) Feminino

97

A sra. é a mãe da criança? 1 - sim 2 - não Onde a criança nasceu? ( ) Na aldeia (em casa) Tipo de parto? 1 ( ) Normal A sra. fumou durante o gravidez ? 1 – sim 2 - não

99 - Não respondeu

2 ( ) No hospital

2 ( ) Cesárea

99- ( )- Não respondeu

9 - Não sabe

99 - Não respondeu

Peso ao nascer: __________ gramas (Anote do cartão do hospital ou referida) Quando o seu (s) filho(s) tem algum problema de saúde o que a sra. faz ? Trata em casa mesmo 1 – sim

2 - não

99 - Não respondeu

Se sim, com o quê? __________________ Leva para o Page 1 – sim Leva para o AISA 1 – sim

2 - não

99 - Não respondeu

2 - não

99 - Não respondeu

Outro ____________________ Já levou ou leva a criança no posto de saúde? 1 – sim 2 - não 9 - Não sabe Esta criança já foi internada alguma vez? 1 – sim 2 - não

99 - Não respondeu

9 - Não sabe

99 - Não respondeu

Se sim, quantas vezes? ____________________

Qual a razão da última internação? ____________________

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005
Discriminar todos os alimentos (ingeridos na ultima semana) - (individual)
sim Leite peito Leite pó Leite saquinho Outro leite chá Água Água com açúcar Suco de fruta Ki suco refrigerante Papa salgada Mingau maizena Outro mingau Comida caseira amassada Comida de casa normal Caldo de feijão Chupa chupeta Salgadinho tipo cheetos Doces (sorvete,gelatina,bal a, bombom,geléia) ovo bolacha carnes Verduras e legumes Mel,melado e açúcar não Quando introduziu Quantas vezes/dia Mamadeira ou chuca

98

copo

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

1 – 12 – Não 12 – Não Último Sim Sim nascido vivo 9– 99 – Não 9– 99 – Não Não respondeu Não respondeu sabe sabe 6.13.13.2 Penúltimo nascido vivo 6.Processo CNPq 401176/2005 Nas últimas duas semanas. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .13.Relatório Técnico Final .13.13.2 – 12 – Não 12 – Não Penúltimo Sim Sim nascido vivo 9– 99 – Não 9– 99 – Não Não respondeu Não respondeu sabe sabe 6.3 – 12 – Não 12 – Não Antepenúltimo Sim Sim nascido vivo 9– 99 – Não 9– 99 – Não Não respondeu Não respondeu sabe sabe Nariz entupido? Respiração rápida e difícil? Febre? 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 2 – Não 1Sim 99 – Não 9– respondeu Não sabe 2 – Não 1Sim 99 – Não 9– respondeu Não sabe 2 – Não 1Sim 99 – Não 9– respondeu Não sabe 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu Estudo dos conceitos. as crianças tiveram: 99 6.3 Antepenúltimo nascido vivo Diarréia (mais de 4 evacuações aquosas por dia?) 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe Se teve a diarréia.1 Último nascido vivo 6. conhecimentos e percepções sobre segurança. modificou a dieta? 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe 12 – Não Sim 9– 99 – Não Não respondeu sabe Tosse? Coriza? Dor de ouvido? 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 1Sim 9– Não sabe 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu 2 – Não 99 – Não respondeu Garganta vermelha / irritada / inflamada? 6.13.

trabalha com os Xavantes. Atualmente trabalha no Laboratório do Índio.UNIFESP.UNIFESP . Marta Maria de Azevedo – Nepo/ UNICAMP Antropóloga e Demógrafa. Heloísa Pagliaro – UNIFESP/ FIOCRUZ Demográfa e antropóloga trabalha com os indígenas do Xingu. Douglas Mendonça . mortalidade e fecundidade. Terena.Processo CNPq 401176/2005 100 Anexo II REUNIÃO DOS ESPECIALISTAS Local – Faculdade de Ciências Médicas – UNICAMP Participantes Ana Maria Segall – FCM/ UNICAMP Médica Sanitarista e epidemiologista. Saúde pública.Coordenadora do Projeto sobre Segurança alimentar Guarani. Suely Gimeno .UNIFESP Nutricionista. Trabalha com população indígenas e é pesquisadora do projeto. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Atualmente trabalha com análise de políticas públicas alimentar e seus INPActos. Kaingang. Silvia Gulgelmin – UERJ Nutricionista. com povo Kaiabi.Médico –Especialista em Saúde indígena. Maria Beatriz Rocha Ferreira – FEF/UNICAMP Profissional de educação física e antropóloga. doenças não transmitidas com os Potiguara.FCM/UNICAMP Nutricionista. Dulce Ribas – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul . desnutrição infantil.Relatório Técnico Final . Coordenador do Laboratório do Índio . Kadiweu e Guarani e populações ribeirinhas da Amazônia. Trabalhou com a validação da EBIA. conhecimentos e percepções sobre segurança.Campo Grande Desenvolve pesquisas com os Terena desde 1997/98 com enfoque na saúde. Professora do Departamento de Medicina Preventiva e Social – FCM – UNICAMP . obesidade e consumo alimentar e nutrição no Xingu Fabiana Pereira – Nepo/UNICAMP. Iniciação Científica com a Marta Azevedo Letícia Marin – UNICAMP Médica. Lucia Yuyama – Pesquisadora do INPA na Amazônia Já trabalhou com processo de validação da escala no Alto Juruá. morbidade.UNIFESP. No doutorado pesquisou obesidade e produção de alimentos. Pesquisadora do projeto. Trabalhou com a validação da escala com populações urbanas e rurais. Rodrigo Vianna – Professor da UFPB Engenheiro de Alimentos e Epidemologista. Desenvolve pesquisa saúde reprodutiva. Enfoque em doenças crônicas. Desenvolve projetos com população indígena desde 1994 com enfoque em atividades corporais. trabalha com segurança alimentar desde 2002. Tem um projeto ligado ao aleitamento materno. Gisele Panigassi . Vanessa – UNIFESP Nutricionista faz mestrado com orientação da Profª Suely e trabalhou no Projeto Xingu. Epidemiologista.Larga experiência com os índios do Xingu. epidemiologista. nutrição e família. mas não com população indígena Estudo dos conceitos. Essa é a primeira experiência com população Indígena. jogos. esporte e representações sociais em populações indígenas Kamayura. Graduanda em Ciências Sociais.

avaliação do estado nutricional e condições de vida e saúde têm função complementar na compreensão da situação alimentar dos grupos. tendo como objetivo estudar o conceito e a percepção da segurança alimentar. eles ainda apresentam lacunas importantes de conhecimento e. seus determinantes e suas conseqüências nutricionais entre os Guarani Mbyá e Tupi Guarani. O conhecimento de seus condicionantes e das estratégias de sobrevivência desses grupos poderá fornecer subsídios valiosos para a definição de instrumentos para medir Segurança Alimentar de forma abrangente e contribuirá para políticas públicas voltadas população indígena brasileira. A abordagem inicial desta pesquisa é preponderantemente qualitativa. Espera-se que ao seu final seja possível desenvolver métodos e instrumentos de medida direta da segurança/insegurança alimentar válidos para estudos com essas populações. O presente projeto visa contribuir com os esforços de investigação relevantes para a abordagem desses temas. conhecimentos e percepções sobre segurança.Processo CNPq 401176/2005 101 Resumo executivo apresentado no convite à participação A Despeito do reconhecimento da relevância dos temas sobre a situação de saúde. conseqüentemente. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . grande demanda aos pesquisadores nacionais. Os procedimentos quantitativos. já disponível para outras populações brasileiras. Ele é uma continuidade das atividades de validação de instrumento para medida de segurança e insegurança alimentar.Relatório Técnico Final . buscandose informações por meio de entrevistas informais e grupos focais. alimentação e nutrição das populações indígenas brasileiras. Estudo dos conceitos.

Processo CNPq 401176/2005 102 Anexo III Sugestão para Roteiro para os grupos de discussáo do dia 23 de maio de 2009: 1. qual é a sua comida preferida? Na opinião de vocês. De onde vêm os alimentos Vamos falar de onde vêm os alimentos que vocês comem. Com quem trocam? O que trocam? Quando trocam? Recebem doações de alimentos? De quem? Cesta básica de alguma instituição? quais alimentos vêm na cesta? O que fazem com esses alimentos? Gostaria de fazer algumas sugestões para mudar o conteúdo desta cesta básica? Vamos falar sobre a merenda escolar.Relatório Técnico Final . A maior parte dos alimentos vem de onde? Para ajudar se precisar: Por exemplo. quando comem. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . alguns alimentos são comprados em supermercados ou vendas? Quais? Quem vai fazer a compra? Com que freqüência? Quais alimentos compram? Alguns alimentos vêm da roça? A roça é de quem? Quem cultiva e colhe? Quais alimentos? A terra é boa? É suficiente? Alguns alimentos são de caça? De coleta? Quais? Falem um pouco sobre a troca de alimentos entre as famílias da aldeia. o que é servido) 2. quem come dessa comida (dessa panela) que vocês preparam? Os homens preparam a comida em alguma ocasião? 3. quem prepara a comida para a família? Depois de pronta. Podem explicar como é a merenda escolar na sua aldeia? (quem come. a alimentação de vocês é boa? O que é uma alimentação muito boa? Se puderem. gostariam de mudar alguma coisa na sua alimentação? O que? O que precisam para poder realizar essa mudança? O que teriam que fazer? Estudo dos conceitos. num dia normal. Preparo da comida Agora pensando na preparação desses alimentos. Alimentação boa O que vocês mais gostam de comer. conhecimentos e percepções sobre segurança.

Contem sobre algumas festas e rituais e os alimentos que são importantes nessas festas. conhecimentos e percepções sobre segurança. e relações com cacique) Vocês diriam que algumas pessoas chegam a passar fome às vezes? Por que (não) chegam a passar fome? (Xe vare’a) 6. Nessa época algumas pessoas tinham menos comida que outras? Por quê? A vida é diferente na sua casa quando tem pouca comida? Como é diferente? O que acontece? Há famílias que passam por essa situação com mais freqüência que outras? Por quê? (atenção para diferencias em recursos e/ou poder. Pouca comida Já passaram por épocas quando tinha pouca comida? O que estava acontecendo na época? O que fazem quando tem pouca comida? (atenção para mudanças na alimentação. e quem tem prioridade para comer dentro de casa) Como muda a sua alimentação? A vida é diferente na aldeia quando tem pouca comida? Como é diferente? As festas são diferentes? Isso já aconteceu na aldeia? O que estava acontecendo nesse tempo? Vocês podem lembrar de uma história.Relatório Técnico Final . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . por exemplo Bolsa Família e aposentadoria. na troca. Abundância de comida Quais são as épocas de mais abundância de alimentos? Por que há mais abundância? Muita comida. A vida é diferente quando há abundância de comida? Como é diferente? Quando tem bastante comida.Processo CNPq 401176/2005 O que é alimentação boa para ter saúde? 4. problemas com alcoolismo ou de relacionamento na família. Comidas especiais Sabemos que a comida é sempre importante nas festas e rituais. Quais alimentos não podem faltar nas rezas. Projetos ou ações desenvolvidas na aldeia Para o grupo de homens e mulheres: quais projetos já foram desenvolvidos na aldeia que tem alimentação envolvida? O que vcs acham desses projetos? Gostariam de outros projetos que tenham relação com alimentação? 103 Estudo dos conceitos. o que comem? 5. e outras estratégias para lidar com a situação. 7.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .000 3.000 38.1985 1996 .000 1.Instituto Socioambiental.787 42.Universidad Nacional de Misiones.Processo CNPq 401176/2005 104 Anexo IV Tabela 1 Período 1981 . que por sua vez usam fontes diversas para estruturar sua base de dados.000 94.000 25. Paraguay: Censos Indígenas Nacionales Estudo dos conceitos.000 17.2005 Aumento da população Guarani no Brasil.Relatório Técnico Final .657 Fonte: Brasil .000 2001/2005 45.2000 2001 .000 66.000 38. nos últimos 30 anos* População 20.787 Fonte: Instituto Socioambiental * As estimativas elaboradas nessa tabela foram feitas pelo Instituto Socioambiental para suas publicações "Povos Indígenas no Brasil".000 45. Tabela 2 País Brasil Paraguay Argentina total Estimativas de população Guarani nos três países 1981/1985 20. Argentina .000 1996/2000 38. conhecimentos e percepções sobre segurança. e não incluem os Guarani residentes em áreas urbanas.870 6.

12 1. 4.786 Fem.63 0.677 Total 9.252 1.638 2.865 2.16 1.02 1.621 2.03 1.Relatório Técnico Final .00 Fonte: FUNASA/2008 Estudo dos conceitos.095 764 572 419 286 225 1.Processo CNPq 401176/2005 105 Tabela 3 População total dos diferentes grupos Guarani no Brasil em 2007/2008** População 7.463 RS 1.674 4.989 1.05 1.08 1. em 2008 Tabela 4 Idade 0a4 5a9 10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 e + Total Total da população Guarani no Brasil.000 31.178 25.000 51.98 0. por sexo e idade e razão de sexo (proporção entre homens e mulheres).00 0. 4.825 2.082 781 569 583 2.097 9.12 1.234 25.01 0.448 1.666 4.678 3. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .492 1.412 51.431 4.965 1.868 2.95 1.058 684 510 362 283 358 1. conhecimentos e percepções sobre segurança.259 5.000 13.153 1.860 1.95 1.376 1.793 3.471 7.88 0.000 Mbyá Ava-Guarani Ñandeva Pãi Tavyterã Kaiowá Total Fonte: FUNASA e FUNAI ** As estimativas dessa tabela foram feitas com base em dados da FUNASA e FUNAI e com base nas informações da pesquisa Projeto Mapa Guarani Ñande Retã. 2008 Masc.241 3.809 1.

Total % Total 0 a 14 13.00 Tabela 5 Fonte: FUNASA/2008 Estudo dos conceitos.Processo CNPq 401176/2005 106 População total Guarani no Brasil por grandes grupos etários e sexo e proporção da população por esses grupos etários Grupos etários Masc.108 4.35 4.710 20.Relatório Técnico Final .827 50.463 100.291 41.581 20.10 2.786 50. conhecimentos e percepções sobre segurança.81 21.11 25.89 51.237 4.19 15 a 49 10.56 10.677 49.345 8. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . % Masc Fem. % Fem.37 50 e + 2.097 25.45 12.74 25.44 Total 25.730 24.

80 227 192 419 1.388 1.15 923 848 1.94 57 71 128 0.13 453 396 849 1.93 95 81 176 1. conhecimentos e percepções sobre segurança. Fem. ou a proporção entre homens e mulheres nas diferentes faixas etárias.99 263 227 490 1. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 107 Tabela 6 Idade 0a4 5a9 10 a 14 15 a 19 20 a 24 25 a 29 30 a 34 35 a 39 40 a 44 45 a 49 50 a 54 55 a 59 60 a 64 65 e + Total Fonte: FUNASA/2008 População Guarani residente no DSEI Sul .Relatório Técnico Final . em 2008 Masc.16 200 245 445 0.14 337 341 678 0.771 1.18 4.00 102 110 212 0.razão de sexo.17 62 66 128 0.603 9. Total RS* 779 676 1.07 *RS .098 1. Estudo dos conceitos. por sexo e idade e razão de sexo (proporção entre homens e mulheres).521 1.Sudeste e Paraná.09 695 693 1.455 1.00 583 515 1.918 4.82 142 142 284 1.

080 21.Processo CNPq 401176/2005 108 Tabela 7 Grupos etários 0 a 14 15 a 49 50 e + Total Fonte: FUNASA/2008 População Guarani residente no DSEI Sul . por grandes grupos etários e sexoe proporção da população por esses grupos etários.521 100. Total % Total 2. conhecimentos e percepções sobre segurança.Relatório Técnico Final . % Fem.29 4.056 42.976 20.75 4.Sudeste e Paraná.63 410 4.397 25.46 2.85 1.31 851 8.35 9.918 51.614 48.60 441 4.65 4. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .217 23.18 2. % Masc Fem. em 2008 Masc.94 4.603 48.00 Estudo dos conceitos.

3 5.5 42.5 100.9 42.7 43.3 41.5 100.0 17.0 Tabela 1 Estudo dos conceitos.8 33.6 100.9 30.5 9.0 100.0 12.9 100.4 5.3 6.0 18.1 33. conhecimentos e percepções sobre segurança.0 18.5 7. segundo Aldeia .7 100.0 19.5 100.0 100.8 5.7 31.8 9.8 5.9 6.8 22.0 19.5 31.0 19.0 100.8 26.6 0.7 4.3 45.8 33.5 3.Relatório Técnico Final .1 100. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .8 29.5 12.5 41.9 45.9 30.3 36.Processo CNPq 401176/2005 109 Anexo V CONDIÇÕES DE VIDA E SAÚDE DOS GUARANIS Características demográficas da população entrevistada.9 100.2 40.2 37.7 6.5 100.3 41.0 20.8 6.São Paulo 2007-2009 Masculino Número <5 5<15 Rio Branco 15<50 50 e+ Total <5 5<15 Piaçaguera 15<50 50 e+ Total <5 5<15 Rio Silveira 15<50 50 e+ Total <5 5<15 Aldeinha 15<50 50 e+ Total <5 5<15 Total 15<50 50 e+ Total 5 7 9 3 24 16 27 28 4 75 27 50 67 9 153 1 3 5 0 9 49 87 109 16 261 % 20.6 32.4 31.2 44.0 Total Número 10 11 17 4 42 25 50 61 11 147 60 96 130 18 304 6 11 15 1 33 102 168 223 34 527 % 23.0 21.6 42.0 34.0 21.2 33.0 41.2 100.0 17.8 100.0 Feminino Número 5 4 8 1 18 9 23 33 7 72 33 46 63 9 151 5 8 10 1 24 53 81 114 18 266 % 27.0 37.3 100.3 55.0 11.

6 19.9 100.5 3.0 13.6 100.2 3.6 9.3 13.3 100.4 13.9 11.8 18.0 Total Número 12 12 36 56 40 45 58 35 10 304 % 3.6 11.8 19.9 19.0 9.0 <1 1<2 2<5 5<10 10<15 15<20 20<35 35<60 60 e+ Total 5 7 15 29 21 27 29 14 6 153 Estudo dos conceitos.6 3.0 Feminino Número 7 5 21 27 19 18 29 21 4 151 % 4.8 19.Relatório Técnico Final .2 14. conhecimentos e percepções sobre segurança.São Paulo 2007-2009 Masculino Número % 3.3 4.2 13.1 11. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .9 12.9 17.7 17.Processo CNPq 401176/2005 110 Tabela 2 Aldeia de Rio Silveira população entrevistada segundo faixas etárias mais detalhadas e sexo .9 3.9 2.

0 0.1 21.0 0.0 12.0 100.0 0 0.0 14 100.0 17 100.0 1 9.6 0. conhecimentos e percepções sobre segurança.9 44.0 7 100. classe econômica e característica do domicílio.0 0.1 5.0 0.2 36.3 29.3 2.0 8.0 3 9.0 12.2 59 100.1 28.5 0.0 12.7 1.5 3.0 10 0 0 0 90.7 7.0 7.1 0.5 0.7 63.0 25.1 5.0 8 41 49 13 111 7.3 0.0 0.0 14.0 0 0.5 3.0 CLASSES ECONÔMICAS (POSSE DE BENS DURÁVEIS) E D DC Total TIPO DE FAMÍLIA Casal+Filhos Casal Mãe+Filhos Pai+Filhos Mãe+Filhos+Netos Unipessoal Estendida Outros arranjos Total 3 1 4 0 0 5 1 0 21.0 58 100.0 31 100.6 0.0 0 8 19 0.8 59 100.7 0.1 11.2 6.0 92 15 8 115 80.1 5.6 100.0 59 100.0 0.1 5 2 1 8 62.6 0.7 15.8 3.0 60 3 6 4 1 74 81.0 Estudo dos conceitos.4 35.5 2.4 1.0 0.0 62.5 0.1 8.0 6 10.0 14 100.0 0 0.0 0 0.1 5.0 8. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .0 100.0 30 100.0 0.0 17 1 2 1 2 1 1 6 54.4 7.0 0.0 4 6.9 6.0 0.0 56 3 17 1 7 6 11 10 111 50.9 9.7 31 100.0 100.Relatório Técnico Final .0 0.0 0.0 0.2 % 1 3 7 7.1 11 100.9 42.0 41 0 5 4 82.São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 17 12 70.0 10.3 % Aldeinha Número 8 5 62.9 0.5 25.Processo CNPq 401176/2005 111 Tabela 3 Variáveis Nº de Famílias Sexo Masculino FAIXA ETÁRIA 15-19 20-34 35-59 60 e+ Total ETNIA Guarani Tupi Guarani Mbya Nhandeva Branco Total ESCOLARIDADE 0<4 4a7 8 9 a 11 12 e + Total Caracteristicas dos chefes de família.0 26.0 0.0 31 100. segundo Aldeia .6 0 5 2 1 8 0.7 % Rio Silveira Número 59 45 76.9 2.6 % Piaçaguera Número 31 21 67.4 1.0 0.0 50 100.0 16 1 94.5 % Total Número 115 83 72.0 16 1 0 0 0 94.0 0.3 0.0 28 0 1 0 2 90.0 13.5 100.7 8 0 0 0 0 8 100.3 7 25 21 11.5 25.8 3.0 3.6 4.9 5 0 2 0 0 0 1 0 8 62.4 1.8 6.1 4.0 100.5 51 4 2 1 1 86.7 15.4 9.0 6.2 6.0 13.0 6 0 1 0 85.0 3 3 0 0 0 6 50.2 0.0 100.3 5.0 35.4 50.0 50.2 19.4 100.0 3 10.0 17 100.5 100.2 3.0 103 5 3 1 3 115 89.0 52 3 88.4 6.9 0.3 0.7 100.9 19 9 61.4 31 1 9 0 5 0 8 4 53.

Relatório Técnico Final .8 0.0 13 76.5 30 0 1 0 31 20 96.0 0.1 4 12 0 0 16 4 25.6 4.5 62.5 94 81.0 0.0 63.9 0.0 17.7 3.5 0.0 3.0 100.0 1.0 0.0 46 2 7 0 55 83.6 12.0 100.3 0.9 77.7 11.6 3.0 37.5 60 36 5 4 2 107 85 56.9 3.0 0. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .0 93.0 100.7 1.8 19.0 88.0 0.9 0 15 1 0 16 0.0 12.0 100.3 52 88.5 36.1 33.8 6.9 100.0 73.0 4 1 0 3 8 50.9 59.0 100.5 27 4 31 87.6 12.0 6.0 16 1 8 6 31 51.0 7.0 0.1 54 1 55 98.8 0.5 8.9 51 86.7 3.0 42.1 1 12.4 100.5 88 13 4 4 109 73 80.3 0.4 1.9 82.5 0.8 100.1 7.0 5.6 43 35 19 72.0 56.0 0.3 0.0 17.2 2 4 6 33.8 0.0 23.6 3.5 93 80.0 64.8 100.4 1 0 3 3 7 1 14.2 100.7 26 83.0 12.7 100.2 25.5 100.6 2 25 4 0 0 31 29 6.5 3.5 11 64.2 5 5 2 62.0 66 19 16 9 110 60.5 53 1 0 1 55 48 96.5 80.9 100.1 0 7 0 0 0 7 1 0.5 28 90.0 75.0 12.3 93 15 108 86.3 32.5 25.7 0 1 14 0.5 43 4 0 4 2 53 52 81.0 100.0 61 65 42 53.0 93.4 13 24 7 41.3 14.4 5 62.0 100.Processo CNPq 401176/2005 112 Tabela 4 Variáveis Numero Famílias Características da moradia.9 42.4 22. segundo Aldeia – São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 17 % Piaçaguera Número 31 % Rio Silveira Número 59 % Aldeinha Número 8 % Total Número 115 % MATERIAL DA PAREDE Alvenaria Taipa Madeira Outros Total MATERIAL DO TETO Palmácea/gramínea Zinco/amianto Telha Plástico Outro Total Água Encanada ORIGEM DA ÁGUA Rede Geral Fonte Natural Poço Outro Total Chuveiro dentro de Casa Lava roupa Bica externa ou Tanque ESGOTO Fossa Rudimentar outros Total Privada dentro de Casa Fogão a Gas Fogão a Lenha Lixo depositado Terreno Baldio 10 6 16 62. conhecimentos e percepções sobre segurança.2 0.9 Estudo dos conceitos.5 15 0 1 0 0 16 3 93.0 100.0 81.7 0.

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

113

Tabela 5
Bens

Descrição dos Bens duráveis de consumo, segundo Aldeia - São Paulo 20072009
Rio Branco Número % Piaçaguera Número 31 17,6 5,9 11,8 5,9 5,9 0,0 17,6 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 11,8 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0 19 25 19 15 10 13 0 0 1 2 7 1 14 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0,0 61,3 80,6 61,3 48,4 32,3 41,9 0,0 0,0 3,2 6,5 22,6 3,2 45,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 3,2 0,0 0,0 0,0 0,0 % Rio Silveira Número 59 10 40 44 43 41 15 12 4 5 0 2 2 0 18 1 2 2 0 0 0 1 1 1 1 16,9 67,8 74,6 72,9 69,5 25,4 20,3 6,8 8,5 0,0 3,4 3,4 0,0 30,5 1,7 3,4 3,4 0,0 0,0 0,0 1,7 1,7 1,7 1,7 % Aldeinha Número 8 0 7 7 5 6 2 1 3 0 1 0 1 0 2 1 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0,0 87,5 87,5 62,5 75,0 25,0 12,5 37,5 0,0 12,5 0,0 12,5 0,0 25,0 12,5 0,0 0,0 12,5 12,5 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 % Total Número 115 13 67 78 68 63 27 29 7 5 2 4 10 1 36 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 11,3 58,3 67,8 59,1 54,8 23,5 25,2 6,1 4,3 1,7 3,5 8,7 0,9 31,3 1,7 1,7 1,7 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 0,9 %

Num Famílias Espingarda Fogão gás TV Geladeira Bicicleta Aparelho de som Rádio DVD Máquina de lavar Tanquinho Máquina de costura Carro Moto Celular Telefone fixo Antena Parabólica Carrimão Ventilador Liquidificador TV plana Placa Solar Vídeo game Barraca Walkman

17 3 1 2 1 1 0 3 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

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Tabela 6
Fonte de Renda

Fonte de renda das famílias, segundo Aldeia São Paulo 2007-2009
Rio Branco num % 0,0 4,2 50,0 4,2 0,0 8,3 0,0 4,2 0,0 0,0 16,7 0,0 8,3 0,0 4,2 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 100 Piaçaguera num 6 10 12 1 0 6 2 2 2 1 4 2 9 1 1 4 2 0 0 0 0 0 1 0 1 1 67 % 9,0 14,9 17,9 1,5 0,0 9,0 3,0 3,0 3,0 1,5 6,0 3,0 13,4 1,5 1,5 6,0 3,0 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 1,5 0,0 1,5 1,5 100 Rio Silveira num 4 50 29 6 11 3 0 3 1 0 12 8 28 0 18 0 1 2 1 1 0 1 0 3 0 0 170 % 2,4 29,4 17,1 3,5 6,5 1,8 0,0 1,8 0,6 0,0 7,1 4,7 16,5 0,0 9,9 0,0 0,6 1,2 0,6 0,6 0,0 0,6 0,0 1,8 0,0 0,0 100 Aldeinha num 0 3 4 0 0 3 0 1 0 0 1 0 4 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 18 % 0,0 16,7 22,2 0,0 0,0 16,7 0,0 5,6 0,0 0,0 5,6 0,0 22,2 0,0 0,0 0,0 5,6 0,0 0,0 0,0 5,6 0,0 0,0 0,0 0,0 0,0 100 Total num 10 64 57 8 11 14 2 7 3 1 21 10 43 1 7 4 4 2 1 1 1 1 1 3 1 1 279 % 3,6 22,9 20,4 2,9 3,9 5,0 0,7 2,5 1,1 0,4 7,5 3,6 15,4 0,4 2,5 1,4 1,4 0,7 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 1,1 0,4 0,4 100

Prefeitura Artesanato Venda de Plantas (flores, palmito) Roça Viveiro Guia de Turismo FUNASA FUNAI Prefeitura/ Educação Prefeitura/ Limpeza pública Prefeitura/ Reparações Aposentadoria Cesta básica Bolsa família Ação Jovem Comércio local Servente de Pedreiro Doações de alimentos Ajuda do pai Ajuda Prev Social - Pensão Bicicletaria Motorista Frente de trabalho Empregada domestica/faxina Bico Chapa Total

0 1 12 1 0 2 0 1 0 0 4 0 2 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 24

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

Relatório Técnico Final - Processo CNPq 401176/2005

115

Tabela 7

Estado nutricional medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC ) de pessoas de 15 anos e mais segundo Aldeia e sexo São Paulo 2007-2009 Sexo IMC Masculino n % Feminino n 4 2 6 16 7 5 28 0 14 8 2 24 0 1 0 1 0 15 8 2 25 0,0 58,3 33,3 8,3 100,0 0 100 0 100 0 60 32 8 100 2 23 9 15 49 1 5 1 7 3 48 19 20 90 % 66,7 33,3 100,0 57,1 25,0 17,9 100,0 4,1 46,9 18,4 30,6 100,0 14,3 71,4 14,3 100,0 3,3 53,3 21,1 22,2 100,0 n 4 2 6 16 7 5 28 2 37 17 17 73 1 6 1 8 3 63 27 22 115 Total % 66,7 33,3 100,0 57,1 25,0 17,9 100,0 2,7 50,7 23,3 23,3 100,0 12,5 75,0 12,5 100,0 2,6 54,8 23,5 19,1 100,0

Aldeia

Rio Branco

18.5<25 25<30 Total

Piacaguera

18.5<25 25<30 30e+ Total

Rio Silveira

<18.5 18.5<25 25<30 30e+ Total

Aldeinha

<18.5 18.5<25 25<30 Total

Total

<18.5 18.5<25 25<30 30e+ Total

Estudo dos conceitos, conhecimentos e percepções sobre segurança, insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP

1 100.São Paulo 2007-2009 Sexo IMC Masculino n % 6 0 6 100 0 100 n 1 3 4 Feminino % 25 75 100 n 7 3 10 Total % 70 30 100 Aldeia Rio Branco <18.1 2.9 16.0 Total <18.Processo CNPq 401176/2005 116 Tabela 8 Estado nutricional medido pelo Índice de Massa Corporal (IMC ) de 5 a 14 anos segundo sexo e Aldeia .0 10 10 92 18 1 111 100 100 82.5 0. conhecimentos e percepções sobre segurança.0 25 9 34 73.0 48 11 59 81.5 100.5<25 Total Piacaguera <18.2 25.5<25 25<30 Total Estudo dos conceitos.5 18.4 18.4 12.0 6.0 100.0 100.5<25 25<30 Total 14 0 1 15 93.6 100.5 26.2 0.Relatório Técnico Final .0 27 4 1 32 84.0 Aldeinha <18.5<25 Total 23 2 25 92.9 4.0 7 7 46 16 0 62 100 100 74.5 Total 3 3 46 2 1 49 100 100 93.9 100.5 3.0 100.0 13 4 0 17 76.5 23.0 100.0 Rio Silveira <18.3 0.5 18.7 100. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .8 0.5 18.0 8.5 18.

0 0.0 4.1 42.0 30.0 60.3 71.4 64.4 14.0 4.0 42.5 90.São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 1 3 0 3 7 % 14.9 0.0 20.7 4.3 66.3 0.6 7.3 0.0 50.0 84.6 40.1 0.0 30.0 LUGAR NASCIMENTO Hospital Na aldeia em casa Na aldeia Capoeira Total 1 5 1 7 14.0 100.0 30.0 100.7 33.8 76.0 8 2 10 80 20 100 23 0 23 100 0 100 3 0 3 100 0 100 40 3 43 93.7 64.0 7.0 8.7 33.7 100.9 14.0 Aldeinha Número 0 3 0 0 3 % 0 100 0 0 100 Total Número 5 30 1 3 39 % 12.Relatório Técnico Final .0 57.7 66. conhecimentos e percepções sobre segurança.3 0.4 16.5 0. Macarrão Carnes Qualquer comida casa Freqüência de consumo semanal de alimentos e grupo de alimentos.9 28.0 9 0 0 9 100 0 0 100 23 2 0 25 92 8 0 100 3 0 0 3 100 0 0 100 35 7 1 43 81.0 10.0 44.0 64.3 66.0 56.9 2.2 40.0 30.1 14.9 14.0 % Número 3 1 1 1 2 2 1 1 2 2 1 2 1 0 33.9 100.0 42. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .0 80.9 4.4 46.0 72.0 20.3 42.1 55.0 60.1 57.0 Tabela 10 Alimento Número de crianças Aleitamento Leite não materno Papa Água ou chá Refrigerante/ksuco Fruta ou suco natural Danone/danoninho Feijão Verdura/legumes Batata/mandioca Bolacha salgada Pão.0 Piaçaguera Número 3 4 0 0 7 % 42.0 0.3 66.3 33.0 60.7 66.0 10.4 15. segundo Aldeia São Paulo 2007-2009 Rio Branco Piaçaguera Rio Silveira Aldeinha Total Número 7 4 4 3 2 4 1 0 3 1 0 4 3 1 57.3 100.3 % Número 10 5 5 3 2 3 3 1 6 3 0 6 2 1 50.3 2.0 60.7 33.0 % Número 45 32 25 18 20 29 7 3 29 21 2 33 19 18 71.3 100.9 57.1 42.0 Rio Silveira Número 1 20 1 0 22 % 4.7 14.0 44.0 52.3 33.Processo CNPq 401176/2005 117 Tabela 9 Fumou na Gravidez Sim Não Cachimbo Petenguá Total TIPO PARTO Vaginal Cesárea Total Condições de gravidez e parto segundo Aldeia .6 57.3 42.0 % Número 25 22 15 11 14 20 2 1 18 15 1 21 13 16 88.0 6 1 7 85.0 % Estudo dos conceitos.6 6.4 73.3 100.3 33.0 100.

7 54.0 0.5 14 3 17 45.8 0.0 0. segundo Aldeia São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 7 3 0 0 0 0 1 0 0 42.0 0.0 % Aldeinha Número 8 0 0 0.1 14.0 0.0 0.0 % Total Número 115 47 1 40.5 19.0 60.3 75. conhecimentos e percepções sobre segurança.0 50.Processo CNPq 401176/2005 118 Tabela 11 Local Tratamento Número de crianças Casa Page Aisa Posto Saúde Hospital Distribuição do recurso de cuidado à saúde segundo Aldeia São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 7 2 1 2 4 4 28.0 10.0 Estudo dos conceitos.7 2.2 0 0 0 0.6 35.0 36.0 % Rio Silveira Número 25 2 0 0 3 1 0 1 0 8.1 57.0 0.2 6.0 88.3 % Total Número 45 6 14 33 34 16 13.0 % Aldeinha Número 3 0 0 3 2 1 0.0 0.0 100.5 25.3 28.5 2 6 15 6.2 0.4 1 6 31 1.2 9.9 0.0 % Aldeinha Número 3 0 1 0 0 0 0 0 0 0.5 1 2 4 12.2 2.6 57.7 10.6 23.2 2.6 % Tabela 12 Morbidade Número de crianças Pneumonia Infecção Urinária Anemia Desnutrição Diarréia Tosse Febre Escabiose Morbidade referida de crianças menores de 5 anos.3 0.0 39 10 49 33.3 31.7 33.0 0.0 33.Relatório Técnico Final .2 % Rio Silveira Número 59 19 0 32.9 % 11 2 13 64.0 0.0 66.6 14.0 % Piaçaguera Número 10 0 0 1 0 0 0 0 1 0.0 4.0 12. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .0 0.0 % Rio Silveira Número 25 2 13 22 22 9 8.0 0.0 0.0 0.8 76.9 8.0 0.2 2.0 % Total Número 45 5 1 1 3 1 1 1 1 11.0 % Piaçaguera Número 31 18 1 58.0 0.3 0.0 0.7 42.7 8.1 3.0 4.0 0.1 2.2 2.0 0.0 20.0 0.0 0.0 14.0 60.5 32.4 48.6 17.0 52.9 0.1 73.0 88.0 10.0 7 17 54 6.7 11.0 0. segundo Aldeia São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 17 10 0 58.0 0.6 Acidente no ultimo mês Internação hospitalar no ultimo mês Alguma doença ultimo mês 3 3 4 17.8 47.0 0.1 % Piaçaguera Número 10 2 0 6 6 2 20.2 % Tabela 13 Variáveis de Saúde Número de Famílias Fuma atualmente É ex-fumante No de alcoolistas no domicílio 1 2 Total Condições de saúde referida e hábitos pessoais de adultos.2 52.8 14 5 19 23.

2 % Aldeinha Número 8 0 0 1 0 0 0 2 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 13 0 0 0 25 0 0 0 13 13 0 0 0 0 0 0 % Total Número 115 12 5 3 4 1 2 33 4 21 6 3 1 1 1 1 1 1 6 10.2 3.São Paulo 2007-2009 Rio Branco Número 17 2 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 11.0 1.0 0.6 3.1 30.2 0.2 1.0 3.0 0.0 0.9 0.4 4.9 0.0 0.0 0.7 28.0 0.3 5.8 0.0 3.Processo CNPq 401176/2005 119 Tabela 14 doenças do Adulto Número de Famílias HAS DM Bronquite Lombalgia Cardiopatia Reumatismo Pneumonia/Bronconeumonia Tuberculose Diarréia Gripe Anemia Catarata Varizes Problema de Visão Surdez Rinite Alérgica Dor Estomago Tosse Tipos de morbidade referida no último mês.2 0.9 0.2 3.7 3.7 0.0 0.5 10.6 0.5 6.7 5.2 3.4 3.0 0.2 19.0 0.5 3.0 0.7 6.2 2.4 0.0 10.7 40.0 % Piaçaguera Número 31 5 3 2 2 1 1 6 1 3 0 1 0 1 1 1 1 1 0 16.2 3.0 0.Relatório Técnico Final .0 0.0 0.0 5.0 % Rio Silveira Número 59 5 2 0 2 0 1 24 3 18 6 1 0 0 0 0 0 0 6 8.5 3.7 0. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .9 0.0 0.9 1.0 0.1 9.9 0.0 3.9 5. segundo Aldeia .9 0.0 0. conhecimentos e percepções sobre segurança.0 0.0 0.2 3.5 18.2 9.5 0.2 % Estudo dos conceitos.3 2.4 0.0 0.

Célio. distrito de Viamão. o passo vai ficando mais largo e os dançarinos vão também dando giros sem sair da posição que delimita o círculo. Eram seis horas da tarde. Ele também colocava as varinhas a alguns centímetros do chão. ela segurava o cachimbo. só homens estavam presentes: três mais novos (adolescentes) e três mais jovens e adultos.Relatório Técnico Final . uma brincadeira. para a defesa e contra o ataque de animais como a cobra e outros.Extrato do texto das páginas 98 a 100 O termo Tangará foi o mais usado entre os entrevistados. o policial que cuida do tekoa. Atualmente. (Perguntei o porquê. Porém. Jataíty. insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . As diferenças das duas danças foram estabelecidas por Mbyá-Guarani mais velhos e por um casal de jovens que explicou mais detalhada mente a expressão Tangará. A dança ocorria em círculo. um pouco mais distante à direita. Os passos dos meninos consistem de duas batidas do pé direito e duas batidas do pé esquerdo. respeitosa. As meninas dão um só passo. bairro de Porto Alegre. Abaixo segue uma descrição feita a partir da primeira observaçãoda dança. ou ainda. o plantio.que eram batidas uma na outra.Processo CNPq 401176/2005 120 Anexo VI Luta/dança Xondaro Descrição do Xondaro in: Ana Luisa Teixeira de Menezes. localizada na Lomba do Pinheiro. e os homens me disseram que era por respeito). Havia um senhor em pé. com o passar do tempo. denominado de petggua. O Inácio segurava um par de varinhas de cedro . Out . Os passos das meninas são ininterruptos. caracterizada também como a dança de guerra. deslizando no chão. com o pé esquerdo e o pé direito. Finalizaram aquela dança e iniciaram outra. n. provocando um som considerado sagrado. Em seguida. Elas não fazem giros ou qualquer outro tipo de movimento. e mais curtos do que os dos homens. Ele também estava fumando cachimbo. Para alguns. como se estivessem se balançando.o popygua. Agora era o Félíx que segurava o popygua. conhecimentos e percepções sobre segurança. e Yguaporaí.2004. o Xondaro servia como um ensinamento para a pesca. para que os meninos mais novos pulassem sobre elas durante a dança. Eu sentei no meio deles. tocava rabeca. em Canta Galo. uma forma de suar e livrar-se das doenças. Houve oportunidade de observar a dança Tangará em quatro aldeias Mbyá-Guarani4. a Tangará é dançada ao lado da Opy como uma gi. Nhumporã" localizado entre os municípios de Riozinho e Maquiné. município de Camaquã.nástica. realizada na Lomba do Pinheiro. num passo contínuo. chegaram as meninas (três) e entraram na dança. sentada no meu colo. com uma criança pendurada em meu pescoço. a caça. Xondaro é o termo usado para designar aquele que dança a Tangará. Não sabia que estavam dançando.s: Anhentenguá. observando e olhando num gesto de confirmação. 7. A Kunã Karaí veio cumprimentar-me: " Aguyjevétef" uma saudação que se faz aos mais velhos. No início. no sentido anti-horário. ano 4. Em seguida. Fui até à casa de reza e fui surpreendida pela cena: estavam tocando. as crianças hegaram e a dança foi ganhando um sentido de celebração Estudo dos conceitos. o corpo "educado" na dança Mbyá-Guarani . pró. cantando e dançando em frente à Opy. Com a mão esquerda.Tellus.ximo da vila da Pacheca. Alberto estava em frente à porta da Opye tocava violão.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . Neste momento. O Maurício. o que deixou o Inácio ainda mais solto em seus movimentos. Quem segurava o popyguaera o Félix. corpos se jogando para trás. Em seguida. agachado como se estivesse preparado para pegar algum bicho. como se tudo estivesse em seu lugar. Ele era o que mais se movimentava e criava movimentos. as meninas ficaram todo o tempo no centro da roda e os meninos em urna roda externa. jogando seu corpo para trás para se proteger. senti um pequeno transe. Na primeira. fica pulando e assobiando. variando de um tekoapara outro e também de urna pessoa para outra. Inácio também avançava sobre outro homem como se fosse devorá-Io. Só de olhar. também foram chegando mais pessoas adultas e o círculo tornou-se mais caótico. os homens ficam em fila. dançando no mesmo lugar. Observa-se urna criação e recriação constante nos termos que designam as danças. tocando-o no corpo de outra criança e esta divertia-se também. esta dança é a imitação do pássaro Tangará. Nesta dança. como se ela fosse uma cobra da qual tivessem de fugir. Quando perguntei para a Ruth. companheira do Arlindo. pois. o movimento tinha uma ordem. da tradição dentro de um fluxo dinâmico de autonomia. só que com enorme leveza.Fui informada de que eu não poderia entrar e fui embora. fazendo piruetas. agachando-se e fazendo o outro agachar-se também.Processo CNPq 401176/2005 e êxtase. sensualidade e plasticidade.Relatório Técnico Final . que dança na primavera até o verão. semi-círculos. conhecimentos e percepções sobre segurança. a dança das mulheres. que vi na aldeia Canta Galo. mas depois foram entrando as meninas e as crianças. ela disse que gosta de dançar a Tangará. o que não acontece com os passos da dança e a seqüência nos rituais. Às vezes. Perguntei ao Félixsobre os movimentos. o início foi semelhante à primeira. ia para o meio. olhando as mulheres na outra fila dançarem um movimento que imita as asas do pássaro. revelando a permanência da educação. mesmo que houvesse locomoção. As meninas divertiam-se e as crianças também. ataques. Na dança Xondaro'i. Depois o Félíx movimentou a varinha. conforme descrição acima. O Inácio locomovia-se de um lado do círculo para o outro. foram entrando na casa de reza. deixava seu corpo cair para trás. dando pulos e ritos. Eles dançaram duas vezes. A expressão era de brincadeira e diversão. Segundo o Félíx. nem sequer chegava a tocar neste outro. muita beleza e descontração. estavam só os homens e quem segurava a varinha era o Inácio. e ele disse-meque eram como uma ginástica. atravessan do no meio da roda. uma criança de 6 anos. chamando alguém para se exercitar no meio da roda. foram duas variações da dança. sempre no mesmo lugar.mas ainda mantinham o movimento no sentido anti-horário. de autoria”. O Inácio também fazia esses movimentos. 121 Estudo dos conceitos. e na segunda. Segundo informação do casal. se não dançava.

relação com os mortos.Estações do ano Jejum Festas Tipos de bebidasBebidas fermentadas. com os vivos. colher. quem bebeAlimentos intoxicantes Colheita.Processo CNPq 401176/2005 122 Anexo VII Roteiro etnográfico de consumo alimentar – Método do inventário Observar quantidade e modo de preparação da comida Quem come o quê Relação entre ciclo de consumo e produção Inventário das refeições: Quem come Com quem? Onde se come Hora das refeições Natureza das iguarias Divisão do alimento. facão. prato. patologias. Comem sentados. Armadilhas para caça Pesca Como se come o peixe: Criação de porcos: Criação de galinhas : Tipos de plantas comestíveis Tipos de raízes comestíveis Chás Garrafadas Estudo dos conceitos. pa. sozinhos . arma de fogo. magia. faca. Cozinha: Alimentos que comem crus Alimentos que comem Cozidos Conservação de alimentos: Ideologia da alimentação: Relação de cada iguaria com religião. Frutos silvestres Uso de enxada.Relatório Técnico Final . Sazonalidade dos alimentos .pescaComo se planta Como se anda no mato Como escava terra para tirar tubérculos Observar como se coletam os frutos. Idade. em grupo. sexo. Para quem fica os pedaços Uso de garfo. sacos de recolha de frutas. cavadeira. ritos de passagem. agachados. Quanto se bebe . insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP . estado fisiológico. enxadão. cestas.caça. conhecimentos e percepções sobre segurança.

insegurança alimentar e fome em quatro grupos de etnia Guarani no estado de SP .Processo CNPq 401176/2005 Tipo de alimento que se dá aos animais Agricultura Ferramentas utilizadasAdubos Preparo do terrenoHorticulturaCompram que tipo de alimentos: Histórico de consumo.Relatório Técnico Final . mensal dos diversos tipos de alimentos 123 Estudo dos conceitos. conhecimentos e percepções sobre segurança. semanal. diário.