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Integração Energética Sul-Americana: O Comércio de Gás entre Brasil e Bolívia.

São Paulo 2011

Keywords: energy integration. Nesta perspectiva. Palavras-chave: integração energética. Bolívia. as trocas de energia entre as sociedades sul-americanas poderiam ser a espinha dorsal para a consolidação de futuros projetos de integração que a região e o Brasil necessitam para dar continuidade à sua busca pelo desenvolvimento. apesar dos problemas decorrentes da nacionalização do gás boliviano. a busca pela autossuficiência do Brasil em gás natural não é a melhor solução para garantir a segurança energética do país e que as relações entre Brasil e Bolívia fazem parte de um projeto Geoestratégico nacional que vai além do abastecimento de gás. A integração física e econômica do continente seria um dos principais objetivos da política externa brasileira que busca um papel de liderança nesse processo.2 Resumo O trabalho proposto neste projeto tem por objetivo entender as relações entre Brasil e Bolívia no que tange o comércio de gás natural. Brazil. gás natural. Brasil. natural gas. . Bolivia. Leva-se em consideração que a construção do Gasoduto Brasil-Bolívia (GASBOL) é um grande projeto de integração física que liga os dois países e proporciona o comércio de um insumo energético que vem assumindo uma importância cada vez maior para o Brasil e para a região. Assume-se como hipótese que.

também. a perspectiva de aumento do consumo de energia na região para os próximos anos. surge à necessidade da segurança energética ser pensada de forma conjunta para dar continuidade ao desenvolvimento buscado na região. p. em segundo lugar. a questão energética assume um caráter fortemente Geopolítico e pode ser tanto um elemento gerador de conflitos como de cooperação. futuramente. Introdução Devido às constantes crises energéticas e apagões que vem ocorrendo na América do Sul e. os Estados assumem um papel de importância na promoção de projetos que viabilizem um maior aproveitamento dos recursos energéticos. o tema da segurança energética vem ganhando força e. 21). a necessidade de projetos de infraestrutura e de integração física na região. Brasil e Peru devem alcançar lugar de destaque na produção. (IEA International Energy Agency. O Brasil. A integração física do continente é uma das prioridades da Política Externa Brasileira que reconhece a importância da energia para a promoção do desenvolvimento econômico nacional e também da América do Sul. logo. Neste contexto. A Argentina vem perdendo espaço nos últimos anos e. Por conta da existência de grandes jazidas de gás e petróleo1. uma estratégia coordenada no plano energético é fundamental para os países da América do Sul. Bolívia. por sua vez. Para Paulo Roberto de Almeida: Os maiores produtores de Gás Natural são Venezuela e. Segundo Oliveira e Araujo (1995.) 1 .3 1. a cooperação energética pode ser um dos principais meios para impulsionar a integração em outros setores. concomitantemente. World Energy Outlook 2009. do potencial hidrelétrico do continente sul-americano e devido à posição de alguns Estados no papel de produtores e outros de importadores. Além disso. busca assumir função de liderança nos projetos de integração como forma de aumentar a sua inserção internacional. O desenvolvimento econômico depende de um sistema energético eficiente.

gasodutos entre os países foram construídos . 2009. notadamente a Ásia. com o comercio de gás entre Bolívia e Argentina. Barufi. quando o carburante era de baixo custo e existia em grande quantidade no mundo.4 “O grande desafio da região. (2006. políticos e sociais à plena inserção da região sul-americana na interdependência global. econômicos. Argentina e Chile assinaram o protocolo de Interconexão Galífera. mas foi apenas a partir da década de 1990 que as maiores ligações foram estabelecidas.(ALMEIDA. Em 1991. Buscaram-se soluções internas. como o Acordo Nuclear entre Brasil e Alemanha e a construção da usina binacional de Itaipu envolvendo Brasil e Paraguai. de maneira a colocá-la no mesmo compasso de outras regiões. As primeiras iniciativas de integração por meio do gás natural aconteceram no ConeSul em 1972. tecnológicos. em relação ao qual o Brasil possui uma responsabilidade especial.176) Até o início dos anos 1970. contribuindo para uma crise energética no país.187) sugerem que isso pode ter sido motivado por conta da Guerra do Golfo de 1990/1991. os preços do produto subiram drasticamente no mercado internacional. Com os choques do petróleo em 1973 e 1979. p. Moutinho dos Santos e Ide. O combustível passou a fazer parte da agenda política do país somente nos anos 1990. que têm desempenhado papel de destaque no novo ordenamento global pós-Guerra Fria”. que encontrou-se na necessidade de renovar a sua matriz energética. o gás natural não era considerado como uma das alternativas para vencer a crise energética do período. p. o consumo que havia desacelerado nos anos 1980 voltava a crescer no final da década. o Brasil apresentava grande dependência do petróleo proveniente do exterior. Além disso. quando o Brasil viu o seu suprimento de petróleo sob ameaça. e externas. é justamente a superação dos obstáculos físicos. como o Proálcool. Nos anos 1970 e 1980.

2007. e exigiu um aumento de 50% sobre o preço das exportações. A nacionalização gerou incertezas com relação à continuidade do abastecimento do hidrocarboneto. e as compras de gás por parte da estatal brasileira representam 18% do PIB boliviano. A nacionalização teve como objetivo o aumento da arrecadação por parte do Estado e levou. de acordo com a proposta desse projeto de pesquisa. . 128. (MATHIAS.138. cogitou-se a possibilidade do Brasil buscar outros parceiros e também fazer investimentos para alcançar a autossuficiência com relação ao gás natural para deixar de depender do gás boliviano. Os investimentos da Petrobras na região foram de 1. p. com o apagão de 2001. inicia-se a construção do Gasoduto Brasil-Bolívia. No início do século XXI as questões energéticas voltaram a preocupar a sociedade brasileira: primeiro. e se inserem nos interesses geopolíticos brasileiros para a região.139) O Brasil enxerga a oportunidade de importar o gás da Bolívia quando. A Petrobrás decide investir na Bolívia devido à quantidade considerável do hidrocarboneto existente no país e. com a nacionalização das jazidas bolivianas em 1° de maio de 2006. 2008 p. em 1996. Porém. O presidente Evo Morales decretou a nacionalização do setor de petróleo e gás do país. No período. a partir de 1996. quando o gás já representava 9% da matriz energética brasileira.5 bilhões de 1997 a 2005. o país abre as suas jazidas para investimentos estrangeiros e.) As importações iniciaram-se em 1999.5 e. à menor dificuldade de implantação da infraestrutura. em 1997. colocando o exército boliviano nas refinarias da Petrobras. a relações comerciais entre Brasil e Bolívia podem estar além dos interesses puramente energéticos e de curto prazo. Em 1998. ao aumento de impostos sob a exportação do gás. (HAGE. iniciou-se a exportação de gás argentino para o Chile. a Argentina também passou a exportar gás para o Uruguai. também. também. e depois.

SILVA. em dez anos. Paraguai e Uruguai. na Bolívia.iirsa. Para garantir o abastecimento energético. Estado Da Arte 3.) 2 Atualmente. é crescente a discussão sobre a necessidade de projetos de infraestrutura para explorar de forma mais efetiva o seu potencial energético.shtml . Também existe a proposta do Gasoduto do Sul. Argentina. e de Tarija. p. os projetos para integração energética propostos pela IIRSA (Iniciativa de Integração de Infraestrura Regional Sul-Americana. energia e telecomunicações da América do Sul. ao Brasil e à Argentina. Justificativa: O tema da segurança energética vem ganhando destaque nas relações internacionais nos últimos anos. Brasil.55). no Peru. na Venezuela.1 A Importância do GASBOL para os Futuros Para da Integração Na América Do Sul. com os mercados do Chile. IIRSA (www2003a) – http://www. Na América Latina. Encontram-se. Analisar a parceria entre Brasil e Bolívia para a construção do GASBOL é relevante devido à sua importância histórica e a possibilidade desses acordos servirem como referência para acordos futuros na área de infraestrutura na América do Sul. (Couto. cogita-se sobre a criação de um anel gasífero que ligaria os gasodutos já existentes. os estados chegaram à conclusão que dependem de parcerias externas e projetos de integração conjunta.org/esp/main. como exemplo. que levaria o gás da bacia de Orinoco.6 2. 2 Esta iniciativa é um processo que pretende integrar as áreas de transporte. O projeto ligaria as reservas de Camisea. p.170) 3. (SALOMÃO. 2007.

(2010.1-15) a integração energética é um elemento importante para a integração econômica e o desenvolvimento da região. a busca pela autossuficiência . antes baseadas na privatização das empresas do setor. a partir dos anos 1990. Para os autores. a falta de decisões políticas para o longo prazo. p. Bermman e Guerra. Os autores observam que os projetos de infraestrutura do gás concentram-se no Cone Sul. a integração tem apresentado maior sucesso no plano bilateral do que no plano multilateral. deixou-se de considerar a segurança energética um sinônimo de autossuficiência para considerar a integração energética um elemento importante para garantir o suprimento de energia do país sem deixar de incluir seus vizinhos. Moutinho dos Santos e Ide (2006. (2010. apesar da crise da nacionalização do gás em 2006 e do sentimento de insegurança gerado no período. Os principais fatores que inibem a integração e projetos de infraestrutura no âmbito multilateral seriam: a falta de regulamentação legal.186). a ausência de investimentos e problemas internos em alguns países que podem trazer instabilidade entre governos e investidores. o gás natural importado deve ser considerado um elemento de segurança energética para o longo prazo. Em 2006. o comercio de gás entre Brasil e Bolívia aparece como uma oportunidade de integração econômica entre os dois países. estão sendo repensadas. p. Os autores também percebem que as tendências que havia nos anos 90 estão sendo revisadas. Ademais. Segundo Barufi. Além disso.7 Segundo Suarez. o presidente Lula falou na possibilidade de maiores investimentos na produção de gás natural interna por parte da Petrobras com o objetivo de alcançar a autossuficiência. Além disso. p. é evidente a necessidade de infraestrutura. Moutinho dos Santos e Ide. As propostas de integração energética.12) Para Barufi. e percebe-se a tendência de retomada dos Estados no que tange ao planejamento da integração assumindo um papel mais ativo no processo.

p. economicamente. por exemplo. podem impulsionar outros projetos de integração. p. pois o sucesso da integração na região depende de energia barata e abundante. é a integração regional na América do Sul. quando esses projetos são bem sucedidos. p. desde 1985. por outro lado. muitas vezes. e considera a energia o coração do processo de integração. essencial para o desenvolvimento do Brasil e da América do Sul.14-16) enfatiza que um dos principais objetivos da política externa brasileira.8 entraria em contradição com os interesses geopolíticos do país.38-48) enxerga um momento de oportunidades para investir em obras de infraestrutura na América do Sul. o autor acredita que. Delgado (2008. O cientista político Alexandre Hage (2007. No que se refere à integração física na região. Além da questão geopolítica. trazendo insegurança para os países consumidores.188). são usados como arma política. O autor acredita que exista um consenso no sentido de avançar para um modelo de desenvolvimento que faz parte da visão estratégica regional que busca a complementaridade econômica e integração produtiva. . (2006. projetos de integração podem gerar problemas. a integração proporcionou um incremento nas relações comerciais entre Brasil e Bolívia que não pode ser negligenciado. como quando insumos como o gás natural.

como hipótese.Analisar o papel da Indústria do gás no processo de integração energética da América do Sul. Objetivos 4.1 Objetivo geral O trabalho proposto tem por objetivo analisar a importância do comércio de gás entre Brasil e Bolívia como parte do interesse brasileiro em promover a integração na região.2 Objetivos específicos . com o foco na importação brasileira do gás boliviano. 4.9 4. Levanta-se.Apresentar como se desenvolveu historicamente a cooperação entre Brasil e Bolívia na área da energia. III. I.Identificar o que levou o Brasil a importar gás da Bolívia. IV. II. que buscar a autossuficiência em gás vai contra a estratégia de integração brasileira.Tratar do interesse brasileiro à cerca da promoção da integração energética na América do Sul como forma de estimular o desenvolvimento da região. .

International Energy Agency. Além disso. Métodos de Pesquisa A realização desse trabalho terá como base literatura a ser levantada em Bibliotecas de centros de pesquisa da USP. artigos e livros publicados por especialistas na área de energia e projetos de infraestrutura. serão utilizados dados publicados em instituições como: Ministério de Minas e Energia. UNESP. Agência Nacional do Petróleo. UNICAMP. . etc. Para a fundamentação teórica do trabalho. Além de fontes primarias. PUC.10 5. como: documentos e relatórios emitidos por governos e instituições. etc. como os citados nas referências deste projeto. serão utilizadas teorias das Relações Internacionais que tratem de integração regional e teorias geopolíticas.

Integração Regional na América do Sul e áreas afins que proporcionem conhecimento para aprimorar o resultado final da dissertação proposta. Cronograma de Execução Durante o período do Mestrado. pretende-se participar de disciplinas na área de Relações Internacionais que tratem de Política Externa Brasileira. segue a tabela que apresenta o cronograma para a execução do trabalho.11 6. o aluno deve participar de seminários e conferências relacionados ao tema. ATIVIDADES Revisão Bibliográfica Disciplinas do mestrado Análise de Dados Obtidos Redação ATIVIDADES Revisão Bibliográfica Disciplinas do mestrado Análise de Dados Obtidos Redação Preparação para defesa Revisão ATIVIDADES Defesa JAN X FEV X X MAR X X 2012 ABR MAI X X X X JUN X X JUL X X AGO X X X SET X X X OUT X X X NOV X X X DEZ X X x DEZ JAN X X X FEV X X X MAR X X X 2013 ABR MAI X X X X X X JUN X X X JUL AGO SET OUT NOV X X X X X X X X X X X NOV X X X DEZ JAN X FEV MAR 2014 ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT . Abaixo. Além disso.

Mercosul E América Do Sul Na Visão Estratégica Brasileira: Revisão Histórica E Perspectivas Para O Futuro revista Asteriskos (Corunha. Potência Brasil: Gás Natural. 21-37. Cadernos PROLAM/USP.25-49. ns. F.18. p.(Org. 4. dos. p. P. Bolívia. L. Energia Limpa Para Um Futuro Sustentável. COPPE. Porto Alegre: Laser Press Comunicação. de. M.org/2006. de B. SILVA. L. vol. 2008. Acessado em: Setembro de 2011.). A Indústria De Gás Natural e a Integração Energética Da América Do Sul. Curitiba: Editora Juruá. L. 2008. World Energy Outlook 2009. 159-176.worldenergyoutlook. M. A Formação da Indústria Global de Gás Natural: Definição. Brasil e a Guerra do Gás. p. Auto-Suficiência Energética e Desenvolvimento: O Comércio de Gás Natural entre Brasil e Bolívia. Porto Alegre: Laser Press Comunicação.7-8. A Importação Brasileira De Gás Natural No Contexto Do MERCOSUL.iirsa.pdf). bras.). Condicionantes e Desafios.(Org. vol. DELGADO. 2008. M. [online].shtml LÓPEZ-SUÁREZ. nº 4 (60). J. de B. IIRSA (www2003a) – http://www. IDE. L. SANTOS. 2.. In: FILHO O. 1995. p. 2010. BOJUNGA S.G. SALOMÃO L. P. 34-47 HAGE. R. ano 5 . Revista de Economia Política.155-185. n.. de. C. IGESIP. polít. Integração Energética Do Subcontinente: Novas Oportunidades E Desafios. C. OLIVEIRA. 183 – 208. IEA – International Energy Agency. 2007. E. J. C. ET AL. ARAUJO. P. B. Rio de Janeiro. p. 15. de.12 7. Potência Brasil: Gás Natural. A. A Energia como Chave do Processo De Integração Regional.org/05DocsPRA/1820AsteriskosMercosul. 48-67 . P.asp. Rev. pp.. D. 2006. ISSN: 1886-5860. nº 3. disponível no site: http://www. Referências bibliográficas ALMEIDA.1.. A. vol. Política Externa. Energia Limpa Para Um Futuro Sustentável. 2009. 2007. int.org/esp/main. BOJUNGA S. ISSN 0034-7329. M. A.vol. BARUFI. p. O Horizonte Regional Do Brasil E A Construção Da América Do Sul. A. 2008. R. vol. MATHIAS. 253. Tese (Doutorado em Planejamento Energético)Universidade Federal do Rio de Janeiro. In: FILHO O. S.pralmeida. Disponível em: http://www. COUTO.50. S.

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