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CARLA CRISTINA MATTE

ARTE, INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL: DOIS ESTUDOS DE CASO

FLORIANÓPOLIS – SANTA CATARINA 2008

UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA - UDESC CENTRO DE ARTES - CEART DEPARTAMENTO DE ARTES PLÁSTICAS

CARLA CRISTINA MATTE

ARTE, INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL: DOIS ESTUDOS DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à banca examinadora do Curso de Artes Plásticas - Licenciatura da Universidade do Estado de Santa Catarina como requisito à obtenção do título de Licenciada em Artes Plásticas. Orientadora: Prof.ª Drª. Neli Klix Freitas

FLORIANÓPOLIS – SANTA CATARINA 2008

CARLA CRISTINA MATTE

ARTE, INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL: DOIS ESTUDOS DE CASO

Trabalho de Conclusão de Curso aprovado como requisito para a obtenção do grau de Licenciada em Artes Plásticas no curso de Artes Plásticas da Universidade do Estado de Santa Catarina - UDESC.

Banca Examinadora:

Orientadora: _______________________________________________ Professora Doutora Neli Klix Freitas UDESC/CEART

Membro:

________________________________________________ Professora Doutora Sandra Regina Ramalho e Oliveira UDESC/CEART

Membro:

_________________________________________________ Professora Maria Betânia da Silveira UDESC/CEART

Florianópolis, 2008

Dedico este trabalho aos meus três amores: minha mãe, Marlene, minha irmã, Diane e meu namorado, Dimitri. Amo vocês.

A minha melhor amiga. Agradeço. que. me deixaram conhecer seus filhos e participar de alguma forma de suas vidas. por ter guiado meus passos durante esta caminhada. com todo o apoio e carinho. A meu amor. A meu pai. pelo apoio e compreensão nas horas boas e ruins. A minha orientadora. contribuindo ainda mais com minha formação. Às Professoras Sandra Ramalho e Maria Betânia. contribuíram para o sucesso desta pesquisa. deu suporte e participou ativamente no desenvolvimento deste trabalho. Às crianças que conheci por meio desta pesquisa. pelo carinho. pelo amor incondicional e pelo exemplo de batalha e superação que vou levar comigo para sempre. de uma forma ou de outra. que. A minha mãe Marlene. aceitaram fazer parte desta banca e se dispuseram a prestigiar a conclusão deste trabalho. por toda a colaboração e ajuda que me prestaram durante esta pesquisa. Às mães destas crianças que. por tantas rezas e pensamentos positivos que com certeza foram essenciais na minha trajetória.AGRADECIMENTOS A Deus. Dimitri. atenção e cuidado que me fazem crescer e melhorar a cada dia. apesar de todos os compromissos. enfim. Às educadoras das duas crianças estudadas neste trabalho. por todo o apoio. de maneira muito especial. A minha querida avó Melita (in memorian). a todas as pessoas que. Professora Neli Klix Freitas. que serão sempre muito especiais para mim. minha querida irmã Diane. companheirismo e paciência durante esta e todas as etapas da minha vida. .

Os resultados obtidos nesta pesquisa revelaram que a inclusão está sendo positiva e de grande valia para o desenvolvimento. Nesta pesquisa privilegiou-se a observação e abordagem do relacionamento das crianças com necessidades especiais com os colegas e educadores. teve como objetivo geral. já que estes estão aprendendo com as diferenças. Santa Catarina. Neste contexto. Educação especial. Arte-educação. tanto motor quanto psicológico destas crianças. . uma com Autismo e outra com Síndrome de Down. Caracterizada como estudo de caso com abordagem qualitativa. na escola regular de educação infantil. analisar o processo de inclusão de duas crianças com necessidades educativas especiais.RESUMO Este trabalho de conclusão de curso apresenta uma pesquisa desenvolvida em uma instituição de educação infantil do município de Florianópolis. assim como também à presença da educação especial na vida e desenvolvimento destes dois estudos de caso. Assim como também está sendo de grande importância para os colegas que convivem com elas. assim como a evolução das mesmas no ensino regular. refere-se a arte como colaboradora da inclusão. Palavras-chave: Educação Inclusiva.

...............2. Autismo: Uma síndrome sem resposta ...................... 31 2........1.............................SUMÁRIO INTRODUÇÃO .............................. 71 ANEXOS .....1.................2........ Trajetória escolar na Educação Infantil .........4....3........................1.................................................... 11 1... APRESENTAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASO ....1............................................... Quadro de identificação básica dos participantes .. 50 3............... 36 3................................................................................................ 52 3.......................................................... 24 2............................................ 57 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........3.......... 76 ........................................ Trajetória na escola especial..........................4...................... DIALOGANDO COM PEDRO E CATARINA: ANÁLISE DOS ESTUDOS DE CASO .........................................4.................... SÍNDROME DE DOWN E SUAS ESPECIFICIDADES...................................3.......... Aspectos relacionados à Síndrome de Down.......2......... 46 3................................... AUTISMO.................................. 42 3.......................................... 40 3.... Caso número 1: Autista ...................3............... 67 REFERÊNCIAS.............................. Trajetória escolar na Educação Infantil ...................................1................................................................ 53 4.............................. Trajetória de vida................... Trajetória de vida......................... Trajetória na escola especial................. Caso número 2: Síndrome de Down........... 44 3..... 40 3........................ 50 3..... Educação especial em tempos de educação inclusiva ... Arte-Educação: um breve histórico e conceitos aliados à inclusão ........................................................ 31 2.............................3.......... 08 1................ 42 3.......................................................................................................... 11 1.......................................................3........... ARTE.......2... Questões metodológicas ................................2.. 41 3..................................................................... INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL....................................4.................................

Para realizar este trabalho foi desenvolvida uma pesquisa baseada na metodologia do estudo de caso. descaso e preconceito. seja com ou sem necessidades educativas especiais e. de acordo com a política da inclusão que vigora na atualidade. mas que muitas vezes pode colaborar para a o processo de inclusão. O embasamento teórico exposto na primeira parte da pesquisa diz respeito aos acontecimentos que nortearam o que chamamos hoje de educação inclusiva. assim como suas demandas pedagógicas. hoje ganha novos olhares que. e por isso a importância do estudo e conhecimento sobre a temática. que foi marcado pelo abandono. foram abordados alguns autores que discorrem sobre o assunto e que embasaram a parte teórica deste trabalho. Com a pretensão de conhecer mais claramente as leis que norteiam o processo de inclusão das crianças com necessidades especiais. baseados na premissa de que todos os cidadãos tem direito a uma vida digna e uma educação de qualidade. defendem a escola inclusiva como fomentadora de uma sociedade mais justa e igualitária. regularmente matriculadas na educação infantil. coexiste a educação especial que. e que estão concomitantemente freqüentando a escola de educação especial. já que.8 INTRODUÇÃO O presente trabalho emergiu do interesse e da necessidade de um conhecimento mais aprofundado sobre a inclusão de crianças com necessidades educativas especiais na escola regular. possui propostas e objetivos diferenciados. Este processo. Os objetos de estudo escolhidos foram duas crianças com necessidades educativas especiais. Paralelo à inclusão. toda criança com algum tipo de deficiência tem o direito à vaga e ao conhecimento que é oferecido na escola regular. A escola inclusiva é aquela que insere todos os alunos. Considero que. sendo assim se propõe a educá-los de forma a suprir suas . apesar de fazer parte das origens da educação inclusiva. trabalhando com arte e educação. serão recorrentes os casos de alunos com necessidades educativas especiais.

efetuei as . Em muitos casos. Apesar de não considerar o mais relevante na busca da melhor forma de lidar com estas crianças. Buscando privilegiar o processo de inclusão destas crianças. assim como também com as professoras da escola especial e da educação infantil. será abordado neste primeiro capítulo. nele estão explicitas todas as informações sobre as crianças que foram estudadas para embasar esta pesquisa. desde o nascimento até o presente momento. Como a metodologia utilizada foi a do estudo de caso. traduz o objetivo deste trabalho. que necessitam de atenção particularizada. modalidades de educação estão em relação de complementaridade. já que as mesmas não devem ser julgadas apenas pelo biológico. assim como da convivência com os colegas neste período.9 necessidades pedagógicas. procurar supri-las da melhor maneira possível. neste capítulo serão descritas a vida de cada uma das duas crianças. ou seja. O terceiro capítulo. considero importante conhecer mais sobre as características gerais destas síndromes para poder compreender melhor suas necessidades e assim. Além dessas questões. de uma forma ou de outra participam deste processo de inclusão. serão abordadas questões históricas da arte e educação. talvez o mais importante. Com o objetivo de saber a opinião de cada uma destas pessoas que. as entrevistas foram semi-estruturadas e pensadas de forma que se tenha o assunto da inclusão como foco principal. Neste contexto. as duas. desde as primeiras manifestações até a implantação da aula de artes como disciplina obrigatória dos currículos escolares. Como os estudos de casos deste trabalho referem-se a duas crianças com necessidades especiais que estão regularmente matriculadas na educação infantil. ainda neste capítulo serão expostas questões sobre a importância da arte nesta fase da vida escolar. o que será apresentado neste trabalho. e mais especificamente a contribuição da aula de artes no processo de inclusão das crianças com necessidades educativas especiais na escola regular. e sim pelo conjunto que também inclui o meio social onde estão inseridas. No segundo capítulo serão abordadas de modo breve. Estas informações foram adquiridas através de entrevistas que foram feitas com as mães das crianças. questões relacionadas às síndromes que estão presentes nestes estudos de casos. o papel da arte nos processos de ensino e aprendizagem inclusivos. e que são: Autismo e Síndrome de Down. Já a escola especial possui uma clientela exclusivamente composta por alunos com algum tipo de deficiência.

. Esta entrevista auxilioume na construção deste último capítulo e foi muito válida para o estruturar o restante do trabalho. propõe um diálogo com as duas crianças e suas necessidades especiais. O último capítulo da pesquisa. principalmente. apesar de atuar no ensino fundamental. mas por possuírem trajetórias de vida e escolar diferentes.10 entrevistas e. Também esboço neste capítulo minhas impressões e olhares sobre a inclusão destas crianças. a importância fundamental do empenho dos pais na busca pelo melhor para seus filhos. desta forma obtive dados relevantes para a pesquisa que é apresentada neste capítulo e torna-se norteadora deste trabalho. tem uma experiência mais expressiva com a inclusão e a aula de artes neste contexto. julguei necessário efetuar uma entrevista com uma profissional que. Como a instituição de educação infantil referida nesta pesquisa não contrata professor de arte com formação. sobre a importância do auxilio da educação especial neste processo e. Nele são apresentadas simultaneamente às dificuldades e facilidades que estas crianças possuem. não somente por possuírem necessidades distintas.

A história da educação especial deu seus primeiros passos no século XVI. segundo Mendes (2006). ARTE. Também serão abordadas questões referentes à arte e educação.34) A existência das pessoas com necessidades especiais ao longo da história é marcada pelo abandono e exclusão. Conforme Cardoso (2003). Há estimativas de que naquele período. Neste processo serão apontadas as premissas da exclusão à qual foram submetidas às pessoas com necessidades especiais desde a Idade Média. e eram então perseguidos e mortos. Mas. No período da inquisição. as crianças que tinham algum tipo de deficiência e má-formação eram consideradas subumanas e excluídas do convívio social. até os dias atuais. estes trabalhos. neste período os ditos deficientes eram associados à imagem do demônio e aos atos de feitiçaria. Educação Especial em tempos de Educação Inclusiva Nem todas as diferenças necessariamente inferiorizam as pessoas. Dentro destas passagens serão citadas leis. educação infantil e à importância destes dois segmentos para as práticas inclusivas. a ascensão destas para processo de inclusão que está em voga na atualidade. durante a Idade Média. sendo abandonadas em montanhas. Já na Grécia antiga. apesar de inovadores. 2003. foram meramente . proclames e convenções que garantiram o direito das pessoas com necessidades educativas especiais. quando médicos e pedagogos. Em Roma. Então como conclui Santos (1995). Nele serão descritos alguns aspectos da história da educação especial e sua evolução para educação inclusiva. é preciso que tenhamos o direito de sermos diferentes quando à igualdade nos descaracteriza e o direito de sermos iguais quando a diferença nos inferioriza. INCLUSÃO E EDUCAÇÃO INFANTIL. as pessoas com deficiência passaram pelas práticas de segregação e exorcismo operadas pelos inquisitores.11 1. Há diferenças e há igualdades – nem tudo deve ser igual. acreditaram nas possibilidades de indivíduos. O presente capítulo tem o objetivo de situar o leitor nos aspectos relativos à inclusão. (MANTOAN. eram jogadas nos rios. assim como. que até então eram considerados “ineducáveis”.1. assim como nem tudo deve ser diferente. centenas deles tenham sido executados sob o pretexto de não se adaptarem às regras socialmente impostas. p. desafiando os conceitos da época. 1.

onde a política era separar. ou no comportamento. do contato com estas pessoas que eram consideradas anormais. inválidas e incapazes de exercer qualquer atividade. os médicos passaram a dedicar-se ao estudo dos deficientes.024/61. com o objetivo de educar os “diferentes”. 7 4. os primeiros resquícios de classes especiais1 foram surgindo nas escolas regulares. por dificuldades na aprendizagem. era para lá que eram encaminhados os alunos considerados “difíceis”. sob o argumento irrefutável de que todas as crianças com deficiência teriam o direito inalienável de participar de todos os programas e atividades cotidianas que eram acessíveis para as demais crianças.12 custodiais e marcados por uma fase de segregação. acabou por excluí-los do convívio social. p. Por volta da metade do século XX aparece uma resposta mais ampla por parte da sociedade aos anseios da educação de crianças com necessidades educacionais especiais. nomenclatura então adotada. também para proteger a sociedade dos “anormais”. Nesta época. Desta forma. e devido à incapacidade da escola de responder pela aprendizagem de todos. os movimentos sociais pelos direitos humanos conscientizaram e sensibilizaram a sociedade sobre os prejuízos da segregação e da marginalização de indivíduos de grupos com status minoritários. 388) tal contexto alicerçou uma espécie de base moral para a proposta de integração escolar. 1 No Brasil o atendimento educacional às pessoas com deficiência passa a ser fundamentado pelas disposições da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Esta medida acabou por contribuir de forma muito significativa para a segregação que. a educação especial foi se constituindo como sistema paralelo ao sistema educacional geral. de 1961. Com esta institucionalização especializada acaba-se dando início a um período de segregação. baseada na crença de que seriam melhor atendidos se ensinados em ambientes separados. até que na década de 1960. que aponta o direito dos “excepcionais” à educação. na época chamados excepcionais. preferencialmente dentro do sistema geral de ensino. isolar e proteger a sociedade do convívio social. Foram então criadas as classes especiais. De acordo com Mendes (2006. justificada pela crença de que a pessoa “diferente” seria melhor cuidada e protegida se confinada em ambiente separado. de acordo com Cardoso (2003). juntamente com a educação para a população em geral. o acesso às pessoas com deficiência. Lei nº. foi vagarosamente sendo ampliado. . Já no século XIX. Assim.

traduzido numa . (MENDES. eminentemente assistencial. viver em ambientes realistas para promover assim.(CARDOSO. p. tem inicio a integração educativa. com base no que era então considerado como sendo normal.como seres humanos plenos. que se tornaram presentes no mundo todo. A finalidade primordial é analisar o potencial de aprendizagem. a partir desta integração educativa as pessoas com necessidades educativas especiais passam a ser vistas como cidadãos.13 As filosofias das práticas integradoras eram baseadas nos benefícios tanto para as crianças com necessidades especiais. 19) Assim. Tais filosofias tinham por objetivo proporcionar a estes sujeitos uma participação em aprendizagens mais desafiadoras. Desde seu surgimento o princípio da normalização foi criticado. mas sim de um princípio filosófico de valor. Porém. quanto para os colegas que conviveriam com elas. com direitos e deveres de participação na sociedade. no século XX ocorreu uma grande desinstitucionalização. um apogeu de um modelo médico-pedagógico. e a defesa de um único sistema de ensino de qualidade e aberto para todos. p. 2006. e não de transformar a pessoa com deficiência em um individuo biologicamente normal. Tratava-se de tornar a vida de todos o mais comum possível. 390) A política de integração escolar acabou resultando numa estrutura fragmentada. Esta nova concepção não nega que os alunos tenham problemas em seu desenvolvimento. “Um caminho que trilhou uma fase inicial. isto é. Mais precisamente na década de 80. antes de tudo. que estabelecia que todas as pessoas. Este princípio tinha como pressuposto básico a idéia de que toda pessoa com deficiência teria o direito de experimentar um estilo ou padrão de vida que seria comum e normal em sua cultura. como sujeito integrado em um sistema de ensino regular. mais pela incompreensão de que não se tratava de uma teoria científica. a despeito de suas inabilidades. deveriam ser tratadas. Foi então que. um aprendizado mais significativo. No entanto. as pessoas com necessidades especiais foram retiradas das grandes instituições e inseridas na comunidade. 2003. avaliando ao mesmo tempo quais os recursos que necessita para que sua evolução seja satisfatória. a ênfase consiste em oferecer ao aluno uma mediação. A partir da década de 70 foram estabelecidas as bases para o surgimento da filosofia da normalização e integração. com função duplicada e nem sempre acessível a todos.

PEREIRA. desassistidos do direito a qualquer tipo de educação e. p. n. estes seres humanos eram classificados e tratados como doentes e incapazes para aprender. Conferências e Decretos que asseguram estes direitos.. 2003. avaliação.(MITTLER. 23) 2 No Brasil.14 preocupação de diagnosticar e classificar. pela Portaria CENESP/MEC. dessa forma excluídos do processo social. principalmente no âmbito educacional. portanto. como foi utilizado por muitas décadas. um suporte facilitador que auxilie na inclusão dos alunos com necessidades educacionais especiais no ensino regular. A educação especial na atualidade é privilegiada por uma série de programas que buscam a independência e a inclusão de seus alunos na escola regular.. ainda que efetivamente não houvesse um avanço na inserção destes alunos no ensino regular. ao que hoje é chamado de educação inclusiva”. pedagogia e formas de agrupamento dos alunos nas atividades de sala de aula.69.[. adquiridos pelas pessoas com necessidades educacionais especiais2. 2007) De acordo com Mittler (2003). (CARDOSO. a partir deste período iniciou-se um processo de resgate dos direitos. 2003. Declarações. mudanças começaram a ocorrer já pela nomenclatura alunos excepcionais para alunos com necessidades educacionais especiais ocorrida em 1986. PEREIRA. O papel da Educação Especial assume. Porém. a mudança da integração para a inclusão é muito mais do que uma mudança de moda e uma semântica do politicamente correto. a cada ano. o que implica um conceito de “prontidão” para transferir o aluno da escola especial para a escola regular. eram. ao conhecimento e aos meios necessários para a formação da sua plena cidadania. 2007) . e não como substituto do mesmo. (FREITAS. (FREITAS. A integração envolve preparar os alunos para serem colocados nas escolas regulares. foram formuladas muitas leis. que só será alcançada quando todas as pessoas. p. Neste contexto. O atendimento educacional especializado precisa ser visto hoje. 34) Até o final do século passado. sem discriminação. muitas vezes usados como se fossem sinônimo. importância maior. há uma mudança real de valores e de prática entre eles. dentro da perspectiva de atender às crescentes exigências de uma sociedade em processo de renovação e de busca incessante da democracia. Embora os termos sejam. como um complemento à escolarização.] A inclusão implica uma reforma radical nas escolas em termos de currículo. tiverem acesso à informação.

quando elege como fundamentos da república a cidadania Documento elaborado pelo Grupo de Trabalho nomeado pela Portaria nº 555/2007. ao conteúdo e à educação que é oferecida na escola. Apesar dos obstáculos. e o Instituto dos Surdos Mudos. p. prorrogada pela Portaria nº 948/2007. garantindo assim o direito à convivência. a expansão do movimento da inclusão. em 1854. No Brasil. é criado o primeiro atendimento educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade Pestalozzi. entregue ao Ministro da Educação em 07 de janeiro de 2008. a educação especial tem cumprido. 1999. duplo papel: o de complementaridade da educação regular. No início do século XX é fundado o Instituto Pestalozzi . em 1945. O distanciamento da segregação facilita a unificação da educação regular e especial em um sistema único. 44) De acordo com Mantoan (2003. para Bueno apud Cardoso (2003. (STAINBACK & STAINBACK.15 Porém. o atendimento às pessoas com deficiência teve início já na época do Império com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto dos Meninos Cegos. 36). A escola especial. 3 . mas deixando-os à margem do convívio escolar e da aprendizagem que este pode oferecer-lhes. na medida que responde às necessidades de parcela da população que não consegue usufruir dos processos regulares de ensino. atual Instituto Nacional da Educação dos Surdos – INES. p. é um sinal visível de que as escolas e a sociedade vão continuar caminhando rumo a práticas cada vez mais inclusivas. O fim gradual das práticas educacionais excludentes do passado proporciona a todos os alunos uma oportunidade igual para terem suas necessidades educacionais satisfeitas dentro da educação regular.1926. 23). atual Instituto Benjamin Constant – IBC. legitimando a ação seletiva da escola regular. de outro. atendendo de um lado a democratização do ensino. responde ao processo de segregação. o que consta do documento ”Política Nacional de Educação Especial na perspectiva da educação inclusiva”3. desde seu princípio abrigou crianças com necessidades educacionais especiais. ambos no Rio de Janeiro. em 1954 é fundada a primeira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE e. em 1857. a Constituição Federal do Brasil de 1988 respalda os que propõem avanços significativos para a educação escolar de pessoas com deficiência. em direção a uma reforma educacional mais ampla. p. oferecendo uma educação voltada às suas necessidades. A educação inclusiva emanou da necessidade de inserção destas crianças no ensino regular. na sociedade moderna. instituição especializada no atendimento às pessoas com deficiência mental.

o custo da eficácia de todo o sistema educacional.. quando necessário. e que esta deveria dispor de uma pedagogia centrada na criança. a promoção do bem de todos. da educação. em seu processo de exclusão.. da cultura e do desporto. incisos II e III) e. 09) A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) n. idade e quaisquer outras formas de discriminação (art. sem preconceitos de origem. deficiente. tais escolas provêem uma educação efetiva à maioria das crianças e aprimoram a eficiência e. no artigo 205 e seguintes. capaz de satisfazer a tais necessidades. em última instância. 1994. sexo. que aqueles com necessidades educacionais especiais devem ter acesso à escola regular.] escolas regulares que possuam tal orientação inclusiva constituem os meios mais eficazes de combater atitudes discriminatórias criando-se comunidades acolhedoras. a constituição prescreve que “a educação é um direito de todos e dever do Estado e da Família”. (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA E LINHA DE AÇÃO SOBRE NECESSIDADES EDUCATIVAS ESPECIAIS. Nesta conferência. serviços de apoio . como um dos seus objetivos fundamentais. inciso IV). também nos traz alguns paradigmas a respeito da educação inclusiva. 1º. e outros. a declaração de Salamanca foi um marco na história da Educação Inclusiva. artigo 205. dos dias sete a dez de junho. Em meio à polêmica ocasionada por conta do tratamento dispensado às pessoas com necessidades educacionais especiais – nome que veio substituir os termos: excepcional. proclamando. principalmente no que se refere à oferta de educação especial. cor. construindo uma sociedade inclusiva e alcançando educação para todos. política e prática em Educação Especial. Com o objetivo de informar sobre políticas e guias de ações governamentais sobre princípios. foi reafirmado o papel de uma educação igualitária e para todos. 3º. 1988). entre outras coisas.. No capítulo III. Ela garante ainda o direito à igualdade (art. [. o governo da Espanha organizou uma conferencia mundial em Educação Especial. No artigo 208 deixa claro que o dever do estado com a educação será efetivado mediante a garantia de: “[. além disso. do direito universal à educação. p. no ano de 1994.16 e a dignidade da pessoa humana (art. 5º) e trata. 9394 de 1996. raça. preferencialmente na rede regular de ensino”(BRASIL.] atendimento educacional especializado às pessoas com deficiência. deixando claro no artigo 58 do capítulo V que: “Haverá..

demandam a utilização de linguagens e códigos aplicáveis. Câmara de Educação Básica. celebrada na Guatemala. compreendidas em dois grupos: aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específica e aquelas relacionadas a condições. para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”. Dificuldades de comunicação e sinalização diferenciadas dos demais alunos.17 especializado. as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica. surgiu uma nova legislação. disfunções. Os países que fizeram parte desta Convenção.] os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais: currículos.. no artigo 2º. cognitivas ou emocionais. (MEC/SEESP. assegurando as condições necessárias para uma educação de qualidade para todos. 14 de setembro de 2001. reafirmaram que as pessoas com necessidades especiais têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que estes direitos. recursos educativos e organização específicos. da Presidência da República. em 28 de maio de 1999. Após a LDB de 1996. 6 O Brasil é signatário deste documento. durante o processo educacional. cabendo às escolas organizar-se para o atendimento aos educandos com necessidades educacionais especiais. inclusive o Brasil6. de 13 de junho de 2001. procedimentos e atitudes. apresentarem: dificuldades acentuadas de aprendizagem ou limitações no processo de desenvolvimento que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares. 1996) De acordo com o art. inclusive o direito de não ser Conselho Nacional de Educação.(BRASIL. de 8 de outubro de 2001. limitações ou deficiências orgânicas. Completa no artigo 59 do mesmo capítulo que: “[. Brasília. determinam que: Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos. que foi aprovado pelo congresso nacional por meio do decreto legislativo nº 198. consideram-se educandos com necessidades educacionais especiais os que. Trata-se da Convenção Interamericana para a eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência. para atender às suas necessidades”. bem como as altas habilidades/superdotação. 2003) 5 .956. técnicas.. Resolução CNE/CEB 2/2001. Diário oficial da união. métodos. 2001). grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos. e promulgado pelo decreto nº 3. na escola regular. Acompanhando o processo de mudanças. Resolução CNE/CEB5 nº 2/2001.( Mantoan. 5º da RESOLUÇÃO CNE/CEB4 Nº 2.

ART. 32). eram chamados de “os incapacitados”. conclamaram o público a adotar este termo. no começo da história e durante séculos. foram chamados de “inválidos”. eram reconhecidos como “pessoas deficientes”. 1º..18 submetidas à discriminação com base na deficiência. A partir de 1960. p. e mais tarde evoluiu e passou a significar “indivíduos com capacidade residual”. De 1981 a aproximadamente 1987. principalmente no que se refere à existência de recursos didáticos e pedagógicos específicos. adequados às diferentes necessidades 7 Vigente a partir de 1990 até hoje. (SASSAKI. no campo educacional. 2 ”A”) Além de muitas leis que foram proclamadas para defender os direitos das pessoas com necessidades especiais. em Recife. que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento. 2003. 5) . mas acabam em uma eterna discussão a este respeito.(CONVENÇÃO INTERAMERICANA DA GUATEMALA. p. também foi fomentada uma grande discussão em torno da nomenclatura utilizada para se referir a estas pessoas. Segundo Sassaki (2003). para se referir às “pessoas com deficiência”7. emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano. boa parte dos quais é constituída por pessoas com deficiência que no maior evento (“Encontrão”) das organizações de pessoas com deficiência.. é o termo preferido por um número cada vez maior de adeptos. Ainda coexiste a discussão em torno da nomenclatura “pessoas com necessidades educativas especiais”. conseqüência de deficiência anterior ou percepção de deficiência presente ou passada. e mais tarde de “os deficientes”. Nº.] toda diferenciação. antecedente de deficiência. No século 20 até meados de 1960. gozo ou exercício por parte das pessoas portadoras de deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais. depois evoluiu para “pessoas portadoras de deficiência”. “estas crianças são consideradas especiais apenas porque o sistema educacional não tem sido capaz de responder às suas necessidades”. até que. que primeiramente significava “indivíduos sem capacidade”. A terminologia mais utilizada atualmente é “necessidades educacionais especiais”. eram chamados de “os defeituosos”. Muitos autores defendem diferentes pontos de vista com o objetivo de obter termos menos discriminatórios. a partir do ano de 1990 estes seres humanos passaram a ser reconhecidos como “pessoas com necessidades especiais” e “pessoas com deficiência”. exclusão ou restrição baseada em deficiência. E proclamaram que: [. Para Mittler (2003. e o termo significava “indivíduos sem valor”.

apesar 8 Dados disponíveis na Secretaria de Educação Especial. estabelecendo uma rede de serviços especializados e de apoio ao trabalho pedagógico. E. p.(PEREIRA. que caracteriza a inclusão. a nomenclatura “necessidades educativas especiais”. De acordo com Pereira (2007). dependendo da situação ou das circunstâncias das quais se originam. . segundo dados do Censo Escolar de 2006 (MEC/INEP) registram que a participação do atendimento inclusivo cresceu. podendo as mesmas ser temporárias ou permanentes. 18) O número de crianças com algum tipo de necessidade especial matriculadas na rede regular de ensino do País cresce a cada ano.br/seesp.(PROGRAMA ESCOLA ABERTA ÀS DIFERENÇAS. 2007. algumas iniciativas no sentido de proporcionar a inclusão de crianças com necessidades especiais no ensino regular. O desafio da inclusão é que ela objetiva a reestruturação do sistema para que ele possa responder a uma gama inteira de necessidades especiais. no Brasil.portal. É preciso haver uma mudança de pensamento. passando dos 24.mec. sensoriais. Portanto. bem como sistematizar novas maneiras de planejar. houve o crescimento de 640% de matriculas em escolas comuns. que supere os preconceitos em relação às pessoas com deficiência. motoras. Os impactos das políticas de inclusão podem ser medidos pelo crescimento das matriculas. como adaptações curriculares e didático pedagógicas para uma melhor performance educacional.19 especiais. O programa “Escola aberta às diferenças”. altas habilidades. cognitivas.gov. ou qualquer outro tipo de discriminação. lingüísticas ou ainda síndromes variadas. e teve o objetivo principal de discutir e propor alternativas para a consolidação de uma escola inclusiva. e 28% em escolas e classes especiais.4% em 2006. 07) Para se construir uma sociedade mais igualitária.7% em 2002 para 46. refere-se às necessidades especiais. é um grande exemplo deste incentivo à inclusão. condutas desviantes. com uma escola menos excludente e mais voltada para a educação de todos. comportamentos difíceis e outros. de modelos que estão enraizados há muitos séculos e que. p. Entre os anos de 1998 e 20068. Em Florianópolis. acompanhar e avaliar o processo ensino e aprendizagem. é necessário muito mais do que leis e convenções. 2004. Surgiu na intenção também de atenuar ou neutralizar a terminologia negativa adotada para distinguir os indivíduos em suas singularidades por apresentarem limitações físicas. uma quebra de paradigmas. em http://www. vem sendo desenvolvidas junto à Secretaria Municipal de Educação.

Na verdade. a escola não é proposta em um contexto isolado. 1999. comunitários de comprometimento social e familiar. O contato das crianças entre si reforça atitudes positivas. os esforços para alcançar resultados expressivos são inoperantes. a inclusão não se dá independentemente e sim com a união de muitos fatores socioeconômicos. independentemente do seu talento. estão sendo integrados no ensino regular. respeitar e a crescer. ajudandoas a aprender a ser sensíveis. p. a compreender. Portanto. na escola. p. da sua deficiência. 15) Muitos alunos com necessidades educativas especiais. para os professores e para a sociedade em geral. portanto. Com tal diversidade de alunos incluídos nas turmas regulares. implica mudança deste atual paradigma educacional. além de serem depositados nas escolas regulares. 9 Portadores de Necessidades Educativas Especiais. Sem esse sentido de comunidade. Para que isto aconteça é preciso haver um currículo maleável e que envolva todos em uma aprendizagem mais ativa e eficaz. 2003. mas sim para todos os que convivem com ele.” (Mantoan. 241) Além do envolvimento da escola. para que se encaixe no mapa da educação escolar que estamos retraçando. as escolas devem tornar-se comunidades conscientes. É importante partir do princípio de que a inclusão de TODOS. mas sim contextualizado com as políticas. os objetivos específicos da aprendizagem curricular podem precisar ser individualizados para serem adequados às necessidades. estes alunos precisam ser verdadeiramente incluídos como membros de igual valor na classe. “A inclusão. Entretanto. se faz necessária a participação da família e da sociedade perante o processo de inclusão dos PNEE9.20 de alguns avanços continuam escondidos sob a formalidade da estrutura escolar. . mas para ter sucesso. educadores. nós. precisamos ter uma visão crítica do que está sendo exigido de cada aluno.(STAINBACK & STAINBACK. Embora os objetivos educacionais básicos para todos os alunos possam continuar sendo os mesmos. às habilidades aos interesses e às competências singulares de cada aluno. A inclusão é uma força cultural para a renovação das escolas. reverta-se em benefícios para os alunos. com a cultura e principalmente com o papel da família como complemento para o seu sucesso. antes excluídos. Os benefícios de uma inclusão verdadeiramente eficaz não dizem respeito apenas ao aluno com necessidades educativas especiais.

16) O conceito de inclusão envolve repensar muitos aspectos..] a inclusão não diz respeito a colocar crianças nas escolas regulares. Todas as crianças. mas a mudar as escolas para torná-las mais responsivas às necessidades de todas as crianças. diz respeito a ajudar todos os professores a aceitarem as responsabilidades quanto à aprendizagem de todas as crianças nas suas escolas e prepara-los para ensinarem aquelas crianças que estão atual e correntemente excluídas por qualquer razão.se das experiências obtidas no âmbito educacional. A inclusão não pode ser considerada apenas uma utopia um modismo.. A construção de uma escola verdadeiramente inclusiva não depende somente da estrutura física.( MITTLER. principalmente no campo da educação e do ensino. na atualidade. (FERREIRA.21 convivendo com as diferenças e as semelhanças individuais entre seus pares. É preciso por fim às exclusões de qualquer ordem. neste caso nas diferentes áreas do conhecimento. tendo-se a clareza de que a valorização das diferenças é o reconhecimento da nossa própria condição humana. estamos falando de vidas. É preciso que haja uma verdadeira conscientização por parte dos profissionais sobre a importância que eles tem para o desenvolvimento destas crianças. Sobre isso Mittler (2003) afirma que. Isto requer um processo de reforma e reconstrução das escolas como um todo. O currículo de uma escola inclusiva deve ser flexível. de pessoas. [. sociedade e educação inclusiva. as crianças com necessidades educacionais especiais não podem ser simplesmente jogadas em uma escola regular. . Portanto. 2003. para não cair no pressuposto do modismo que o tema da inclusão tornou-se para a sociedade. sem distinção. por conta das leis que asseguram a elas o direito à educação.117) É preciso tomar cuidado. p. 2003. ou porque seria anti-ético não incluí-las. e em última instância de direitos que estas adquiriram ao longo de um grande processo de exclusão. para garantir o acesso a todas as gamas de uma sociedade que é pautada nas diferenças. Não basta receber o aluno com necessidades educativas especiais. assim como também uma estrutura disponível para que a inclusão aconteça em sua plenitude. torna-se necessário um trabalho pedagógico e social que realmente destrua as dicotomias existentes entre ensino e aprendizagem. p. porém. é preciso muito mais que isso. principalmente na área da educação. mas sim da flexibilidade curricular. e da adoção do conceito de inclusão pelos professores. GUIMARÃES. podem beneficiar.

p. então. p. é de extrema importância para que o processo de inclusão aconteça plenamente. estabelecer melhores relações interpessoais e intentar. os professores podem. já que a criança não estará somente dentro da sala de aula. com novas pessoas são significativos para as crianças com necessidades educativas especiais. como se fosse uma grande escola para todos. parcerias e vontade para fazer acontecer. O professor em especial. que se desenvolva uma sociedade com saúde. se confiarem em sua própria competência e se tiverem a consciência do seu papel na vida destes seres.22 coerente e comum a todos os alunos. é indispensável que o docente possua conhecimento que lhe permitam ensinar. vendo a evolução do aluno como um todo e não apenas no sentido de aprendizagem dos conteúdos escolares. direitos. sejam eles crianças com necessidades educativas especiais ou não. alunos com capacidades diferentes e com níveis diferenciados de conhecimentos prévios. 220) O processo de ensino aprendizagem em todas as áreas. Sabe-se que. O contato com novas vivências. MOSQUERA. orgânicas ou cognitivas.(STOBÄUS. com um bom planejamento proporcionar um ensino desafiador e inclusivo para a criança com necessidades educativas especiais. e também proporcionam a quem convive . 2003. precisa ser visto muito além das questões legislativas. e que lhes possibilite a oportunidade de se envolver de forma positiva nas atividades propostas para a turma. iguais em tudo: oportunidades. deveres. muitas vezes falta formação. Porém. com todos os profissionais serve para estabelecer o progresso no sentido do estabelecimento de escolas inclusivas. É preciso haver afeto. 70) Para abarcar o currículo nestes modelos é preciso que o professor tenha a oportunidade de qualificar-se. desenvolver uma personalidade mais sadia. que antes de serem especiais são alunos e sujeitos. bem como toda a equipe de funcionários desta escola. apoio e iniciativas para proporcionarem uma maior segurança para o professor lidar com estas crianças com necessidades especiais. (ALMEIDA. Desta forma. de forma a conseguir-se uma aprendizagem significativa para cada aluno. 2003. Um currículo inclusivo baseia-se no principio de que as boas práticas são apropriadas a todos os alunos. na mesma classe. Conforme Alves (2005) esta preparação. Um professor que busca uma Educação para a diversidade deve antes de mais nada.

Portanto. O processo de trabalhar para a educação inclusiva ainda pode ser visto como uma expressão de luta para atingir os direitos humanos universais. Isto também é parte do desafio de reduzir a pobreza e atingir a justiça social. Ressignificar o papel da escola com professores. famílias e comunidades interessados em instalar formas mais acolhedoras e solidárias de receber as pessoas com necessidades especiais é o papel da inclusão escolar. que é muito valioso para sua formação.23 com elas um aprendizado sobre as diferenças. para Mitller (2003). precisamos ver as necessidades especiais nos contextos mais amplos de desigualdades sociais e da marginalização. .

portanto. pode-se fazer um pequeno retrocesso no tempo. enquanto linguagem.24 1. 20). Enquanto forma privilegiada dos processos de representação humana. como linguagem. a arte sempre foi vista como instrumento de comunicação. (BUORO. 20) Como estamos dialogando com a inclusão escolar. a efetivação do movimento da Arte-educação vinculou-se 10 John Dewey: Filosofo e pedagogo. de 1922 com a influência de Dewey10. 1996. Pensando nisso.2. Sob a influência da Escola Nova. afirma que “não existe o homem puro. Assim. o ser biológico separado de suas especificidades psicológicas. Tornou-se um dos maiores pedagogos americanos. que surgiu através das idéias de intelectuais brasileiros que sentiram a necessidade de preparar o país para acompanhar o desenvolvimento industrial e expansão urbana da época. Neste sentido Buoro (1996. a disciplina de artes precisa ser citada como elemento contribuidor na firmação deste processo. A arte. o movimento de Arte-educação surgiu na Semana de Arte Moderna. e falando mais especificamente da Arte e Educação. p. a arte se faz presente. Cada uma destas especificidades está e sempre esteve presente na vida humana. Arte e Educação: um breve histórico e conceitos aliados à inclusão. e é por meio delas que o homem vai se relacionando com o mundo ao seu redor. interpretação e representação do mundo. Por isso a Arte é uma forma de o homem entender o contexto a seu redor e relacionar-se com ele. para compreendermos em que momento a arte passou a ser realmente reconhecida como disciplina e a fazer parte dos currículos escolares. . pois propicia ao homem contato consigo mesmo e com o universo. é instrumento essencial para o desenvolvimento da consciência. é parte deste movimento. De acordo com Buoro (1996). contribuindo intensamente para a divulgação dos princípios do que se chamou de Escola Nova. produto da relação homem/mundo. Presente desde as épocas das cavernas. p. desde as primeiras manifestações de que se tem conhecimento. No Brasil. sociais e culturais”. como mensageira e porque não dizer como instrumento mediador entre o mundo externo e íntimo do ser humano.

ilustrador. e da pintura decorativa aos modelos de bordados. fotógrafo. voltada fundamentalmente para o público infantil. poesia etc. A arte é sempre meio-termo.147) As idéias de Dewey se propagaram no campo educacional brasileiro por intermédio de Anísio Teixeira11. unificar. (disponível em www.itaucultural. no contexto da Revolução de 1930. p.br) 13 12 . Foi educador.br) Em 1932 começa a se interessar pelas artes plásticas. Aos 19 anos passa a trabalhar no ateliê de Perry Lau. não foi o único nem o primeiro. a partir de premissas metodológicas fundamentais nas idéias da Escola Nova e da Educação através da arte. que coloca o foco nas distintas expressões artísticas (dança. (BARBOSA. poeta. mas a instrumentalidade como uma ferramenta a serviço do conteúdo da lição. o desdobramento da vida emocional interna e o desenvolvimento ordenado das condições externas materiais – isso é Arte. nele executando do quadro de formatura à publicidade.25 às novas exigências educacionais da industrialização.). que transformou o ambiente cultural e o grau de aspirações da “nova” população urbana/industrial. gravador. Muitas são as citações e influências da obra de Dewey em documentos e livros brasileiros e. (DEWEY apud BARBOSA.org. Localizada no Rio de Janeiro.org. A Escolinha. o Movimento da Escola Nova valorizou principalmente o aspecto instrumental da arte. no ano de 1984 pelo artista plástico Augusto Rodrigues13 em parceria com outros artistas.Ipase. De acordo com Barbosa (2002). do Instituto de Previdência e Assistência Social dos Servidores de Estado . desenho. p. como foi concebida por Dewey. a arte-educação iniciou sua caminhada com a criação das Escolinhas de Arte do Brasil (EAB)12. Contudo. pintura. por isso. Perceber o significado de que está se fazendo e se regozijar com ele. 11 Educador Brasileiro que estudou com Dewey na Universidade de Columbia em 1929. Então. Para validar a Arte na educação. foi se estruturando e difundindo o Movimento Escolinha de Arte (MEA). pintor.itaucultural. 2002. aos poucos. Teixeira foi o mais fiel representante das idéias de Dewey no Brasil. o vínculo entre diversão e trabalho. caricaturista. 31) No início o movimento de Arte e Educação organizou-se fora da educação escolar e. simultaneamente em um mesmo fato. entre lazer e indústria. não uma instrumentalidade fundada no estético. 2002.(disponível em www. funciona nas dependências da Biblioteca Castro Alves. teatro. a importância deste filósofo no contexto da educação e para a Arte e Educação. a principio constituiu-se em uma escola de arte para crianças e. Entretanto. desenhista.

Nesta escola as crianças eram valorizadas como seres pensantes e possuidoras de um contexto que precisa ser respeitado. de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (Art. que no artigo 26 explicita que: “O ensino da arte constituirá componente curricular obrigatório. mas participavam das atividades artísticas junto com as outras crianças. os arte-educadores. através de incansáveis lutas. 2º) . expressão que traduz a proposta educacional. conseguiram um resultado bastante significativo neste sentido. não apenas para o ensino de arte. 06). representou a fundamentação que permeou a Arte e Educação e. A Escolinha de Arte do Brasil inovou em muitos sentidos. Uma das inovações da EAB era receber como alunos e alunas crianças e jovens com necessidades educativas especiais. Neste sentido. p. para invenção e criação artística da criança. valorizando principalmente a brincadeira e a espontaneidade da criança. (AZEVEDO. nem sequer como atividade. p. mas também com repercussões em todo o sistema educacional brasileiro. Lei nº 9. com a denominação de educação artística.26 Este acontecimento tornou-se um marco. porque nos anos 40/50 a arte não fazia parte do currículo da escola. à medida que pretendia uma pedagogia da arte fundamentada na experimentação. defendendo a arte como disciplina. 2002. De acordo com Azevedo (2002.692/71. A partir da década de 90. a Escolinha de Arte do Brasil se opôs ao modelo conservador tanto do ponto de vista filosófico. de 20 de dezembro de 1996. quanto metodológico. por ser um espaço aberto para experimentos. 26. filosófica e metodológica da EAB e também do MEA. nos diversos níveis da educação básica. 06) A educação através da arte. 2002. (AZEVEDO. par. Porém. Essas crianças não eram segregadas em classes especiais. era considerada uma atividade de auxílio à educação e não como disciplina do currículo de fato. até hoje influencia os arte-educadores do Brasil. Lei nº 5. Não estimulava o preconceito e nem a diminuição de valor do processo criador da criança. 07) A arte foi integrada ao currículo escolar somente a partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. a proposta da EAB possuía um caráter inclusivo.394. a arte passou a ser disciplina obrigatória no currículo escolar a partir da Lei de Diretrizes e Bases. muitas vezes como um passatempo para as horas vagas que se tinha entre uma disciplina e outra que eram consideradas importantes para o currículo. como nos anos 70. e para a educação especial. Era pensada. p. No ano de 1996.

e apesar de ainda sofrer alguns preconceitos. expõe.(BUORO. 33) O professor de Artes tem importância fundamental no processo da Arte e Educação aliada e convergente à inclusão. Segundo Bueno (2002). p. comunga com a idéia de inseparabilidade trazendo a forma à sua concretude. tanto dentro. Conforme Bornelli (2007). carregando consigo a importância enquanto forma de construção de . principalmente entender que através das artes pode-se conhecer e interpretar o mundo de uma forma diferente. pois a atividade artística ordena o pensamento. crescer dentro de um contexto que o antecede e norteia sua conduta. De acordo com Martins (2002). A finalidade da Arte na educação é propiciar uma relação mais consciente do ser humano no mundo e para o mundo. Livre de julgamentos. Hoje a arte é muito mais valorizada nas escolas. fomentando o debate e organização entre os profissionais da Arte e Educação. p. a arte passou a ser reconhecida no circuito escolar e isto incentivou cursos de formação específica. além de outras habilidades específicas que a área artística oferece a ele. da emoção. 33) O ensino de Artes na escola é importante. quanto fora da escola. Buoro (1996). contribuindo na formação de indivíduos mais críticos e criativos que. ao mesmo tempo que seja assegurado o mesmo espaço de participação. é considerada parte integrante e importante do aprendizado escolar. enfim sua personalidade.27 A partir daí. atuarão na transformação da sociedade. o aluno ainda é capaz de expressar melhor as idéias e sentimentos. 1996. do sentimento. Sobre a arte na educação. e compreender as relações entre partes e todo. construiu uma base mais sólida de representação da mesma no pensamento da sociedade. no futuro. Ao expressar-se por meio da Arte. expressa seus sentimentos. é por meio da arte que se torna possível o desenvolvimento da auto-estima e autonomia do aluno. cabe ao professor observar e criar estratégias diferenciadas para que os alunos com necessidades educacionais especiais tenham respeitadas suas características individuais. 1996. relacionar. da racionalidade. na medida em que. o aluno manifesta seus desejos. (BUORO. afirma que. a arte desloca o olhar e rompe com o abismo do racional. seu subconsciente encontra espaço para se conhecer. Rompe com o vácuo existente entre o que é ter uma deficiência ou não. Esta conscientização por parte dos educadores a respeito da importância da arte.

No ensino de arte. [.. As artes visuais aplicadas à educação infantil. segundo o pensamento de Martins (2002). do símbolo. No entanto. devem ser concebidas como linguagem que tem estrutura e características próprias. Uma postura inclusiva conforme Martins (2002). a todos os alunos. nas aulas de artes visuais.28 linguagem. no sentido de almejarmos uma educação mais inclusiva. não como a única via de inserção social para as pessoas com deficiência. pois estabelece por si essa relação sociocultural. adquirindo forma. 2002. nossos alunos com necessidades educacionais especiais não devem ser acompanhados à parte do processo da turma. ao contrário. É neste contexto que se fazem necessários o reconhecimento e o conhecimento de que o ensino de arte e as artes visuais têm suas especificidades como outra área de conhecimento qualquer. a abertura às diferenças deve significar possibilidade de enriquecimento do processo. a autora discorre que.. É justamente a possibilidade de interação entre todos os colegas que amplia aprendizagens e o desenvolvimento global das crianças e jovens estudantes. no âmbito prático e reflexivo. cuja aprendizagem. e nesta perspectiva a arte exerce seu papel nessa constituição. apreciação e reflexão. o trabalho com as Artes Visuais na educação infantil requer . 38) Como os objetos de estudo deste trabalho estão incluídos na educação infantil faz-se necessário explicitar a importância da arte neste contexto.] A arte exerce fundamental importância.25) O ensino das diversas linguagens artísticas no contexto escolar. aquela que pressupõe que. Sobre isso. É na relação com o outro que se estabelece. de acordo com o referencial curricular nacional para a educação infantil. não é aquela que desconsidera as diferenças. mas como elemento mediador na construção e desenvolvimento da pessoa com deficiência. os professores devem conhecer as necessidades dos alunos para propor processos de aprendizagem nos quais eles possam se desenvolver plenamente. p. se dá por meio da articulação dos seguintes aspectos: fazer artístico. Sobretudo no ambiente das artes. Segundo consta do documento ”Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil”. em seu sentido mais amplo. mas. a partir das diferenças podemos construir um universo mais rico de aprendizagens e de produção da vida sociocultural. deve possibilitar o acesso ao conhecimento artístico. ou faz de conta que todos somos iguais.(BUENO. p. 2002. (MARTINS.

a socialização dos conhecimentos. sobre as relações interpessoais. ou deveria ter como pressuposto básico um aprendizado que leve em consideração o contexto social. evitáveis. as peculiaridades de cada criança devem ser respeitadas. participativa. mas ensino democratizado. 36). sem desencadear estados de alerta. p.116) . a intuição. como já foi mencionado anteriormente. Conforme Martins (2002. por diferenças: sociais. Neste aspecto. o exercício do pensamento desligado dos conteúdos. especifica que não se deseja o ensino dos conteúdos em si. plural e inclusiva.29 profunda atenção no que se refere ao respeito das peculiaridades e esquemas de conhecimento próprios à cada faixa etária e nível de desenvolvimento. Arte inclusiva é o espaço ou linguagem que proporciona a todos as mesmas condições de representação. visando a favorecer o desenvolvimento das capacidades criativas e emocionais das crianças. de ritmos de aprendizado de forma interativa e efetiva. Isso significa que o pensamento. Sendo assim. visando a valorização da auto estima dos mesmos. 2002. (1998. As aprendizagens propostas neste período são muito importantes para o desenvolvimento de todas as crianças. professores devem estar atentos e sensíveis para. Aguiar (2002). a sensibilidade. meios. que respeitando a diversidade possibilita a inserção e interação de alunos com necessidades especiais. p. sobre o mundo. a Arte pode trazer grandes contribuições na medida em que tem. de igualdade. e de suas possibilidades de representação e expressão”. valorizando estes aspectos sem fazer discriminações. deve estar orientada na direção de enriquecer o percurso individual da criança. quantas vezes. estratégias para que suas aprendizagens não sofram prejuízos desnecessários e. a percepção. (AGUIAR. lingüísticas. a cognição da criança devem ser trabalhados de forma integrada. o elitismo teórico ou a prática sem a fundamentação. a imaginação. inclusive daquelas que apresentam necessidades educacionais especiais. assim como suas necessidades particulares e seu nível de desenvolvimento.91) Na educação infantil. p. juntamente com cada criança. histórico e cultural do indivíduo. exercício da cidadania como forma crítica. Por esta razão. 2002. (MARTINS. culturais. descobrir caminhos. rótulos ou estigmas. A intervenção educacional. proporcionar às pessoas com necessidades especiais o acesso à convivência entre diferenças e ao conhecimento que pode ser construído em uma escola onde todos aprendem juntos. étnicas. Neste sentido. “é neste período que as crianças estarão dando os passos iniciais na direção de suas investigações sobre si mesmas. 36) A educação inclusiva tem por objetivo. p.

Através da educação pela arte o aluno se desenvolve e também torna-se capaz de expressar melhor suas idéias e sentimentos. o contato com a arte. De acordo com Pereira (2007). possibilita o desenvolvimento de uma consciência mais crítica. credos ou necessidades no bojo de sua obra. p. traduz um universo onde as práticas são eximidas de preconceito. Este hibridismo em que vivemos promove aos artistas inúmeras oportunidades para criar. os artistas na atualidade. tornando-se mais sensível e capaz de perceber as inúmeras diferenças e diversidades culturais que estão ao seu redor. cultural ou baseado nas dificuldades orgânicas da pessoa com algum tipo de deficiência. uma verdadeira diversidade de práticas artísticas contemporâneas. seja ele na escola ou no cotidiano. práticas. De acordo com (FREITAS. baseadas em opiniões também distintas sobre questões políticas. este caráter plural impediu que a arte se tornasse homogênea. 2007). caracterizadas pelo experimental. enfim. seja racial. sociais e culturais. formas.30 Sobre este aspecto também podemos citar a arte contemporânea. que com suas múltiplas leituras e diferentes significados. assim como em todas as épocas. Atualmente. contribuindo assim. quem observar a arte dos tempos atuais será confrontado com uma infinita profusão de estilos. . Exigindo do expectador uma postura muito mais participativa.36-37) Sendo assim. PEREIRA. Atualmente vários artistas utilizam a experiência artística incluindo o expectador. Na busca por uma interatividade maior por parte do espectador com a obra. problematizando o olhar do outro. linguagens. para uma sociedade mais justa e desprovida de preconceitos. inovar e principalmente incluir todas as classes. transformando-o em sujeito e não como mero observador passivo. econômicas. de uma auto-estima e autonomia que são essenciais para o crescimento do ser humano. A arte contemporânea é vista por muitos com reserva. (PEREIRA. estamos imersos em uma sociedade que é repleta de diferenças. 2007. procuram mostrar com sua Arte os pensamentos e preceitos da sociedade onde vivem. entre a curiosidade e a irritação causada pela dificuldade de compreendê-la. religiosas. materialidades. tecnologias. programas.

não há nenhuma ralação entre síndrome de Down e autismo. . das quais a mais notada era a incapacidade de se relacionar com pessoas. Por sua complexidade e variedade de modelos não há uma verdade absoluta a seu respeito. dentre outras. das se duas destina ao conhecimento assim como das os uma síndromes. O presente capítulo aborda questões referentes às necessidades especiais que as crianças participantes destes estudos de casos possuem: Autismo e síndrome de Down. Autismo e síndrome de Down são patologias muito distintas. Áustria e falecido em 4 de abril de 1981. Leo Kanner14 exibiu um artigo intitulado: “Distúrbios autísticos do contato afetivo”. Autismo: Uma síndrome sem resposta O autismo é um distúrbio de desenvolvimento ainda sem respostas definitivas. SÍNDROME DE DOWN E SUAS ESPECIFICIDADES. segundo Leboyer (1995). Já o autismo afeta a comunicação e a interação social. Os primeiros passos para a definição do autismo. De acordo com Pueschel apud Werneck (1993). comprometimentos que cada uma delas causa ao desenvolvimento do indivíduo. Vários indivíduos com síndrome de Down conseguem se comunicar relativamente bem e. em Klekotow. especificidades esta de parte cada do trabalho. o Dr. discutidas e aperfeiçoadas com o passar dos anos. Nascido em 13 de junho de 1894. muitas são as abordagens e questionamentos a respeito do tema. tais como “traços autísticos”. apesar de algumas limitações. autismo. 2. Sendo assim. quando no ano de 1943.1. autismo atípico. estudou um grupo de 11 crianças gravemente lesionadas que tinham certas características comuns. Há diferentes nomenclaturas. Esta patologia situa-se em um cruzamento de idéias e opiniões que estão sendo pesquisadas. Com embasamento teórico a partir de estudos feitos por especialistas.Psiquiatra austríaco. especializado em psiquiatria pediatrica.31 2. AUTISMO. foram dados aproximadamente há seis décadas. mantém um bom relacionamento com outras pessoas. Neste artigo o psiquiatra infantil. A primeira está relacionada ao comportamento social e a segunda está pautada na esfera da cognição e possíveis dificuldades de aprendizagem. 14 .

descreveu em seu trabalho “Die Autistichen Psychopathen im Kindersaltem”.. um incapacidade de lhe dar um valor de comunicação. feitos por um médico com experiência no diagnóstico desta síndrome que. este pode ser diagnosticado através de exames clínicos. nem de companhia. caracterizando-se por um retrocesso das relações interpessoais e diversas alterações de linguagem e dos movimentos. e a idade de início é parte integrante dos critérios diagnósticos do autismo. 09).” (BRITO. Os pais notam que a criança tem um “comportamento estranho”. . pacientes semelhantes ao de Kanner. Estes sintomas são reconhecidos principalmente entre os seis e os trinta e seis meses de idade. 1995. São chamadas autistas as crianças que tem inaptidão para estabelecer relações normais com o outro. 2006. que significa “de si mesmo”. 20) Apesar de não possuir um exame laboratorial que possa ser feito para indicar o autismo. por meio de entrevistas feitas com os pais. mas pode estar associado a fatores genéticos e problemas pré e pós-parto. p. um atraso na aquisição da linguagem e. pág. Essas crianças apresentam igualmente estereotipias gestuais. torna-se rígida ou mole quando é pega nos braços. descartadas outras doenças. O autismo é caracterizado por alterações no desenvolvimento infantil que manifesta-se nos primeiros meses de vida. ela raramente chora. As causas são desconhecidas. É difícil situar com precisão a idade exata do surgimento do autismo. “próprio” e é considerado um fenômeno patológico em que o “Eu” ocupa o primeiro plano. Hans Asperger.. uma necessidade imperiosa de manter imutável seu ambiente material. o histórico do paciente. a avaliação física e comportamental do sujeito. os pais geralmente são os primeiros a perceber os sintomas e tomam consciência dele quando seu filho não atingiu um determinado estágio de desenvolvimento (como a aquisição da linguagem ou da socialização).] Por outro lado. podem às vezes ser muito irritáveis e reagir exageradamente a todas as formas de estimulação. não tem necessidade de estimulação. quando ela se desenvolve. As primeiras características desta síndrome aparecem nos primeiros anos de vida da pessoa. ainda que dêem provas de uma memória freqüentemente notável. Segundo Leboyer (1995. p. 18) O termo autismo vem do grego autos. exceto por uma linguagem melhor e função cognitiva menos deficiente.32 “No ano seguinte.(LEBOYER. [. um pediatra austríaco. pode vir a confirmar o autismo.

Cerca da metade dos autistas não falam nunca: eles não emitem nenhum som ou resmungo. ou pela repetição de frases estereotipadas. ignorando. dando a impressão de estar vivendo em um mundo a parte. de móveis ou de detalhes. um comportamento atípico. p. e inicia um processo de individualização e isolamento. (LEBOYER . a criança autista pode iniciar o processo de fala mais tarde do que o habitual em outras crianças. sejam elas de ambiente. Alguns pais relatam que seus filhos apresentam. é o isolamento social que pode aparecer no inicio da vida do autista e. pareciam surdos já que não tinham reação quando chamados pelo nome. sendo na maioria dos casos. Leboyer (1995) argumenta que não somente a linguagem dos autistas é tardia. isto é. muitas vezes ser confundido com surdo-mudez. ou também pode adquirir a linguagem no tempo tolerável. e nem ser reconfortados pelos pais quando sentem dor. indiferente aos outros. pareciam calados e quietos a maior parte do tempo. quando se desenvolve. (BRITO. não olhavam o rosto. ficando sem fala. não gostando nem reagindo a demonstrações de carinho. no caso dos autistas. o portador desta síndrome tem verdadeiro horror a mudanças. como se os outros não existissem. mas que. os autistas se comportam como se estivessem sós. muitas vezes . dificultando assim. ao carregá-los não adaptavam seu corpo ao da mãe.1995 p. Quando a linguagem se desenvolve. ouvir a música de uma propaganda ou um programa de rádio ou TV.19) Desta maneira a criança autista cresce em um mundo a parte. tais como: não estendiam os braços para ir com eles.33 O diagnóstico do autismo é baseado em algumas características que estão presentes no comportamento do paciente a ser examinado. caracteriza-se por anomalias muito específicas. isto é. desde os primeiros meses de vida. Segundo Leboyer (1995). ou quando tem medo. eles não procuram ser acariciados. mas sim a sons especiais como o esfregar de um papel de bala. pode aparecer de forma tardia ou de forma interrupta.16) Outra característica do autista é a necessidade de imutabilidade que lhe é recorrente. Um destes sintomas. de pessoas. mas depois vir a perder todo o repertório apreendido. 2006. A aquisição da linguagem. a comunicação. pois a criança não atende aos apelos de quem a solicita. talvez o mais significativo. não tem nenhum valor de comunicação e se caracteriza por uma ecolalia imediata e tardia.

p. Quando isso acontec. pode provocar reações explosivas. (LEBOYER 1995. este objeto não é utilizado para cheirar. jogos. aquelas com capacidade intelectual intacta são incapazes de perceber o que uma pessoa pensa ou experimenta e como seu comportamento é percebido por outra pessoa [. Os mais típicos envolvem as mãos e os braços.. muitas vezes o autista reage com gritos. música. brinquedos especiais. ficando extremamente irritados se este for tirado de seu contato. Rocha (2002). . dar-lhe atividades. pois. a mudança de uma rotina regularmente repetida no dia da criança.. 22) Em termos de educação. Eles experimentam uma necessidade de imutabilidade que se manifesta por uma resistência marcada à mínima mudança no ambiente habitual do autista. As crianças autistas têm habilidades cognitivas que variam desde retardo mental profundo até capacidades superiores.] ansiedade. eles são fascinados por coisas em contínuo movimento. Ao contrário das crianças que não possuem esta síndrome. déficit de atenção com ou sem hiperatividade e comportamento agressivo. independente do ambiente. e deve ser complementada com uma série de recursos. como: [. atrofiando ainda mais o seu sistema cognitivo. tanto físicas quanto mentais. e não deixá-la se isolar e se afundar nas estereotipias. os indivíduos com este transtorno podem apresentar outras condições médicas. Mas é difícil prever quais alterações particulares do ambiente vão produzir tais reações (LEBOYER.34 imperceptíveis a nossos olhos. pág. depressão. pinturas. De qualquer forma. No que se refere à motricidade: A maioria dos autistas tem uma motricidade perturbada pela manifestação intermitente ou contínua de movimentos repetidos e complexos (estereotipias). criatividade. que guardam com muito zelo. para ser girado incessantemente. o deslocamento de um móvel. desenhos. caso não haja uma estimulação permanente. levar à boca ou para dormir. Rocha (2000) defende que a abordagem pedagógica depende muito do empenho. como imagens. afeto lábil.18) Em geral os autistas são exageradamente apegados a um único objeto. (BRITO. até trabalhos com o computador. A menor modificação.. p. mas sim.] Aproximadamente 75% dos pacientes com transtorno autista têm retardo mental. indivíduos e objetos. e até agressivamente.. atividades com massa e. As mãos são constantemente movimentadas frente aos olhos com uma freqüência idêntica. 1995. que acabarão por dominá-la. completa dizendo que o importante é estimular a criança. experiência e bom senso do educador. 2006. 22) Associadas ao autismo.

que auxiliam nas questões comportamentais ou psicomotoras. Mesmo no caso de crianças muito pequenas. Sendo assim. Este fato vem a confirmar que o diagnóstico precoce é de fundamental importância para o melhor desenvolvimento do autista. onde coloca a triste realidade em que vivem muitos autistas. mas segundo estudos americanos. que é trazida por esta reportagem. o Brasil teria mais de um milhão deles. suas seqüelas podem ser muito menos traumáticas se descoberto precocemente. por sua essência baseada em rotinas. no dia cinco de maio de 2008. Estes dados são alarmantes. os tratamentos com fonoaudiólogo. além de ter acesso à educação específica que o ajudará a levar uma vida quase normal.(ROCHA. 2000) A revista época. que apesar de algumas críticas. e não puderam ser tratados desde o início da infância. mas sim pela sua utilidade funcional para o futuro do indivíduo. nós tentamos lhes ensinar habilidades de base para obtenção do máximo de independência possível nas áreas de auto cuidado. diz respeito às estatísticas e nos coloca os seguintes dados: Não existem estatísticas oficiais. há um autista para cada 150 pessoas. após os quatro anos de idade. Outra prerrogativa importante. . oportunizando assim. sem que tenham uma finalidade. e que apesar de não ter cura. vem se expandindo com relativo sucesso. Habilidades e comportamentos não são definidos como objetivos por si mesmos. uma das principais práticas que estão sendo utilizadas para a educação das crianças autistas é método TEACCH (Treatment and Education of Autistic and Related Communicationhandicapped Children). A maioria destes casos teve um diagnóstico muito tardio. apenas cinqüenta mil teriam sido diagnosticados. Porém. nestas últimas décadas. Os objetivos educacionais do TEACCH são também planejados para desenvolver habilidades úteis e significativas para a vida adulta. que são aprisionados em pequenos quartos e precisam viver à base de calmantes para que não sejam agressivos com seus pais e familiares. lazer e interesses recreacionais e de vida comunitária. Por isso.35 Baseado em avaliações práticas evidenciou-se que as crianças autistas não conseguem estruturar o mundo de uma forma adequada. ou seja. e daí ser necessário transmitir-lhes essa estruturação em pequenas etapas. se considerarmos a importância do diagnóstico para o inicio do tratamento. terapeutas específicos. traz uma reportagem intitulada “Autistas em cativeiro”.

Alguns anos depois. mas somente no século XX. os inúmeros avanços no estudo dos cromossomos humanos possibilitaram ao cientista francês Jerome Lejeune descobrir. a verdadeira causa da Síndrome de Down.2. que em vez de dois passava a ter três cromossomos. como um “mongolóide” ou “idiota mongolóide”. ou seja um a mais.Dados obtidos na página virtual: www. Também é referenciado aos portadores desta síndrome. similares a dos asiáticos. mesmo sendo filhas de pais europeus eram tão parecidas entre si e tinham traços que lembravam a população da raça mongólica. entre crianças e adultos. nariz pequeno e cabelo ralo e liso. Lejeune identificou este cromossomo extra justamente no par 21. segundo Werneck (1993). Estudando os cromossomos destas pessoas percebeu que.2% da população tem a síndrome de Down. Atualmente estima-se15 que. Aspectos relacionados à Síndrome de Down A história oficial da Síndrome de Down. Todas essas características que lembravam o povo da Mongólia. agrupados em 23 pares. julgando que são pessoas tristes e inferiores. principalmente pela inclinação das pálpebras. ao invés de terem 46 cromossomos por célula. Outras características descritas por Langdon foram: a face achatada e larga. A síndrome de Down é a causa genética mais freqüente da deficiência mental e sua incidência é estimada em um entre seiscentos nascidos vivos. cerca de 0. 15 . em 1958. Por esta razão. inicia-se no século XIX. olhos oblíquos.36 2. Assim eram tratados e medicados sem se levar em consideração as causas da deficiência. no ano de 1866 o cientista inglês John Langdon Down fez uma observação interessante que contrariava as crenças da época. durante décadas cientistas de várias nacionalidades tentaram encontrar as causas da síndrome de Down. De acordo com Werneck (1993). tinham 47. o tom diminutivo advindo do termo Down que em inglês significa “para baixo”.sosdown. . Muitas foram as hipóteses. a síndrome de Down é também denominada trissomia do par 21. deram origem a um termo pejorativo que foi utilizado por muito tempo para se referir ao portador de síndrome de Down. Ele questionou porque algumas crianças. dando continuidade às suas pesquisas. Porém. Antes disso os deficientes mentais eram visto como um único grupo homogêneo.com.

37 Apesar de todas as pesquisas feitas a respeito do assunto ainda não se conhece a verdadeira causa da síndrome de Down. se a idade materna ultrapassa os 40 ou não alcançou os vinte anos de idade..1997. geralmente envolvendo redução da força muscular.(WERNECK. pouco tônus muscular e língua alargada perto da amídala). pontos brancos na íris. É preciso avaliar individualmente cada caso.]. Porém. 40 anos – 1 para cada 70. . Ao nascer: Costumam ser menores e mais leves do que os outros bebês. e muito menos como evita-la. pescoço curto. Algumas crianças com Síndrome de Down podem ter uma ampla gama de 16 . Segundo Stratford (1997. também do processo de estimulação que é oferecido a ela. 35 anos – 1 para cada 500. um excesso de pele no canto interno dos olhos [. 45 anos – 1 para cada 17. Os braços e as pernas são curtos. ou seja. hipotonia16 muscular. p. Alguns tem prega epicântica. língua protuberante (devido à pequena cavidade oral. espaço excessivo entre o dedão e o segundo dedo e defeitos congênitos no coração. assim com atrasos em outras áreas do desenvolvimento. p. incluindo atrasos no desenvolvimento da motricidade fina e global. 30 anos – 1 para cada 1000.Hipotonia é uma condição na qual o tônus muscular (a quantidade de tensão ou resistência ao movimento em um músculo) está anormalmente baixo.123) Em termos cognitivos o desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down sofre muitas variações. Possuem ponte nasal achatada. O dedo mínimo se mostra ligeiramente curvo. com palma atravessada por uma única prega transversa.. Indivíduos com Síndrome de Down podem ter algumas ou todas as seguintes características físicas: fissuras oblíquas dos olhos com pequena dobra cutânea no canto interno do olho. flexibilidade excessiva nas articulações. e o sucesso destas na vida escolar pode depender além do seu grau de comprometimento mental. As mãos são menores e gordas. prega única nas palmas (prega simiesca). 74). como a aquisição da fala e do desenvolvimento cognitivo. sabe-se que o risco de gerar uma criança com doenças genéticas ou cromossômicas são maiores nas relações de consangüinidade. que está altamente correlacionada com atrasos no desenvolvimento. a influência da idade materna relacionada ao nascimento de crianças com síndrome de Down se dá de acordo com a seguinte estatística: 20 anos – 1 para cada 2000. As orelhas – implantadas um pouco abaixo do normal – e o nariz são pequenos. Em geral são bochechudos (devido à flacidez muscular) e tem olhos amendoados relativamente distantes um do outro.

Outros aspectos médicos importantes na síndrome incluem problemas imunológicos como a leucemia. apresentam o vitiligo. seus pés e mãos têm aparência alargada e plana. Segundo Werneck (1993). Alguns indivíduos são mais vivos. e demoram mais a alcançar níveis de desenvolvimento diferenciados e de forma qualitativa. e 50 por cento estrabismo. enquanto outras não conseguem acompanhar o aprendizado. 1993. em alguns casos. Há crianças com síndrome de Down que apesar de terem um desenvolvimento lento. têm déficit intelectual.(PUESCHEL Apud WERNECK. além de presença convulsões e epilepsia. não têm retardo mental. como sinusites e doenças infecto-contagiosas. 95 por cento das pessoas com síndrome de Down. em geral. por terem suas extremidades encurtadas. e 48 por cento destes casos apresentam cardiopatias operáveis nos primeiros anos de vida. a deficiência mental. também é observada na síndrome de Down. além de serem propensos à obesidade e a apresentarem problemas na tireóide. nos joelhos. além de problemas no trato gastrintestinal como constipações e cálculo na vesícula.38 habilidades. notada na população. No entanto. No que concerne à visão. no quadril e podem possuir um comprometimento na articulação coxofemural. relacionados com a imunodeficiência. outros já não tem a mesma vivacidade. p. 63) As crianças com síndrome de Down estão muito mais susceptíveis a doenças características da infância. Os problemas cardiovasculares atingem cerca de 40 por cento dos bebês com síndrome de Down. e podem ter êxito nos estudos. No que se refere à dermatologia. e sua melhora é muito mais lenta do que a de crianças sem a síndrome. . a pele áspera e seca está sujeita a freqüentes dermatites e. entre outras: comprometimento do sistema nervoso central que pode desenvolver a patologia conhecida como doença de Alzheimer. Em geral. déficit de memória e a apnéia do sono também são recorrentes nas pessoas com síndrome de Down. A mesma variação na função cognitiva. hipotireoidismo. estima-se que 70 por cento tenham miopia. Há ainda uma grande incidência de doenças no aparelho respiratório. se desenvolvem mais lentamente do que crianças de sua faixa etária. Crianças com síndrome de Down têm desenvolvimento intelectual limitado. as principais doenças que podem acometer as crianças portadoras da Síndrome de Down são. sendo que a maioria apresenta retardo mental leve ou moderado. Possuem muitos problemas ortopédicos. apresentam frouxidão de ligamentos que também origina problemas nos pés.

com. pois. podem ter um futuro promissor e como de qualquer outra criança. tenha ela ou não síndrome de Down. E como já foi exposto neste texto. alterando a arcada dentária. Sobre isso Werneck (2003) alerta que: Ao contrario do que o leigo pensa notamos que a criança com síndrome de Down tem boa memória e dificilmente esquece o que aprende bem.p. que ela não possuía boa memória e não conseguiria aprender. de acordo com a fase de desenvolvimento em que ela se encontra. depende de uma longa e insistente luta contra as dificuldades que são impostas por esta síndrome. já que geralmente terá mais estímulos na primeira. A independência e o sucesso em todos os aspectos na vida de uma pessoa com síndrome de Down. especialistas apontam para o fato de que as crianças com síndrome de Down devem ser educadas e disciplinadas como qualquer outra criança. e sua educação deve abranger tanto o eixo familiar.sosdown. além de contribuir grandiosamente para a ampliação de seu potencial e de sua independência. provoca um desequilíbrio de forças entre os músculos orais e faciais. Em termos de educação.já que tem possibilidades de reconhecer e de evocar estímulos.(WERNECK. Desenvolve mais rapidamente a memória visual do que a auditiva. amadas e educadas. Ser estimulada precocemente é fundamental para o desempenho futuro da criança. devido à agitação e dificuldade de compreensão é preciso uma maior firmeza na educação. o diagnóstico e a estimulação precoce. A estimulação essencial17 destas crianças deve ser iniciada logo após o nascimento. Sendo assim. segundo Werneck (1993.146): O atraso na aquisição da fala é um dos maiores problemas destas crianças. A respiração incorreta altera seu palato e dificulta a articulação dos sons. 1993. quanto escolar e de sociedade. favorecem o desenvolvimento motor e intelectual da criança. . se forem desde cedo estimuladas. A hipotonia muscular. p. Os pais precisam impor limites e ter cuidado para não superprotegê-las.parecendo projetar o maxilar e contribuindo para que a língua assuma uma posição inadequada. Bem trabalhada poderá adquirir uma memória sensorial razoável. 17 . Dados obtidos em www. acreditava-se que a criança com síndrome de Down não pudesse ser alfabetizada. Há alguns anos atrás. as crianças com síndrome de Down são muito carinhosas e gostam do contato físico com outras pessoas.162) De modo geral.Estimulação essencial ou precoce: é uma série de exercícios para desenvolver as capacidades da criança.39 A fala da criança com síndrome de Down é geralmente prejudicada.

II. uma com Síndrome de Down e outra com Autismo.Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais . foram escolhidas duas crianças. possibilitando uma maior interação e fruição do assunto que está sendo tratado. podendo ser uma questão inicial. geradora de outras secundárias. As entrevistas aconteceram sob forma de conversa. ambas em Florianópolis. Os dados para este estudo foram obtidos através de entrevistas semiestruturadas. Questões metodológicas Como objeto de estudo e fonte de pesquisa. III. e concomitantemente freqüentando a escola de educação especial. a questão inicial foi: “Fale sobre seu(sua) filho(a). A entrevista em profundidade utiliza questões abertas.1. regularmente matriculadas em escola de educação infantil. Trata-se de entrevista aberta. professoras da APAE e educadoras da educação infantil das duas crianças. p. observações e conversas com os pais. começando pelo que considera mais importante”. De acordo com Yin (2001). Nesta pesquisa. 62). “Entrevista é uma das mais comuns e poderosas maneiras que utilizamos para tentar compreender nossa natureza humana” (Duarte. Como nesta instituição de educação infantil não há professora de artes contratada. o que facilita a proximidade entre entrevistador e entrevistado. que permite a exploração de assuntos ou temas de modo aprofundado. Todas foram gravadas com áudio e depois transcritas. os estudos de caso são de natureza qualitativa. Barros. para explorar um assunto a partir da busca de informações. professoras da escola de educação especial e educadoras da escola de educação infantil das duas crianças.40 3. percepções e experiências dos informantes para analisá-las e apresentá-las de forma estruturada. IV) Foram realizadas entrevistas com as mães. amplas. 18 . foi efetuada uma entrevista com a professora de outra escola que também possui alunos com necessidades educacionais especiais. APAE18. 2005. APRESENTAÇÃO DOS ESTUDOS DE CASO 3. Os dados obtidos nas entrevistas foram estruturados em forma de estudo de caso. Os itens das entrevistas que serviram como um guia norteador constam em anexo (Anexo I.

3.41 podendo oferecer uma riqueza de dados descritivos sobre eventos de vida de uma pessoa.. Zeladora de cond. conclusão da graduação em 2006. Pintor de prédio. “O estudo de caso é um método qualitativo. Operadora segundo grau completo marketing Pai Irmãos Professora Escola Regular Professora Escola Especial 41 anos. Possui uma irmã Possui um irmão Pedagoga. 2001. especial. 32) Constam do trabalho dois estudos de caso relacionados com educação inclusiva. e onde é possível utilizar múltiplas fontes de evidencia”(YIN. com Formação em educação especialização em educação especial. Chefe de equipe em Ensino fundamental supermercado.2. Pedagoga. quando as fronteiras entre o fenômeno e o contexto não são claramente evidentes. Feminino de tele 44 anos. que investiga um fenômeno contemporâneo. Quadro de identificação básica dos participantes Identificação Idade Nível escolar Tipo de deficiência Método de educação especial Sexo Mãe Pedro 4 anos e sete meses Educação Infantil Autista Método TEACCH Masculino Catarina 3 anos e onze meses Educação Infantil Síndrome de Down Não utiliza método. e que se referem a duas crianças com necessidades educativas especiais. . Ambos serão apresentados a partir das entrevistas e observações feitas no decorrer desta pesquisa. incompleto. com interfaces na educação especial. da Pedagoga. um caso de autismo e um caso de Síndrome de Down. no contexto da vida real. conclusão graduação em 2006. p.

Pedro. Rutter. possui uma categoria de Transtorno Invasivo de Desenvolvimento (TID)20. hoje é uma criança com quatro anos e sete meses de idade. quando Pedro estava caminhando ou correndo era inútil chamar por ele. já que segundo sua mãe.1. derivado especialmente dos trabalhos de M. com um ano e quatro meses. A criança foi planejada pelo casal que ainda não havia tido nenhum filho juntos. A partir deste momento.3. a gravidez foi tranqüila e não teve nada significativamente errado. O padrão de comportamento e os interesses são limitados. a síndrome de Riett. Passou a brincar isoladamente em um canto. com o olhar vazio.Surgiu no final dos anos 60. I. os pais de Pedro passaram a desconfiar de que o menino tivesse algo de diferente das crianças de sua idade e. iniciou-se uma busca para saber o que Pedro tinha exatamente. 19 20 . . o transtorno desintegrativo da infância e uma categoria residual denominada transtornos invasivos do desenvolvimento sem outra especificação. pois o mesmo não dava resposta e continuava o que estava fazendo. A categoria inclui o autismo. o que poderia representar um risco para a sua integridade física. Cohen. os médicos. pré-diagnosticaram o Autismo. Inclui manifestações em três domínios: social. de parto por cesariana. Pedro passou a demonstrar alguns comportamentos tidos como estranhos. mexendo e sacudindo incessantemente apenas um mesmo brinquedo. Apesar de não ter o diagnóstico completo. Nele a interação social está qualitativamente prejudicada. com base no depoimento da mãe e em exames clínicos.42 3. Pedro começou a caminhar. era uma criança aparentemente “normal” que gostava de brincar e fazer pose para tirar fotografias. 3. Segundo sua mãe. A primeira suspeita foi de que o menino tivesse algum grau de surdez.Pedro foi o nome fictício que se escolheu para um dos sujeitos desta pesquisa. a síndrome de Asperger. Pedro19 nasceu no dia dois de janeiro do ano de 2004. conhecido como Autismo. -TID. pois este só pode ser confirmado após os cinco anos de idade. tendendo a ser repetitivos e estereotipados. Trajetória de vida. Kolvin e D. Não atendia mais ao chamado de seu nome e aos estímulos para que ele olhasse para quem lhe falava. Caso número 1: Autista. Com um ano e três meses de idade.3. da comunicação e do comportamento. Porém alguns meses após este período. bem como as habilidades de comunicação.

Aos finais de semana. a rotina da família é: passear e aproveitar o tempo juntos. e com um ano e oito meses foi confirmado o Autismo. para que ele pudesse. um atendimento visando diminuir os limites que esta patologia impõe a ele. A mãe procurou uma segunda opinião. quartas e quintas pela manhã. com conhecimento específico da sua deficiência e. esta especialista concluiu que Pedro tinha características muito marcantes de uma criança autista. que é o programa preferido de Pedro. pois. por ele não ter noção do perigo. dispor do acesso ao conhecimento e à convivência. e a escola de educação infantil todas as tardes. Atualmente. a pedido da própria instituição de educação especial. Pedro freqüenta a escola especial nas terças. que o menino tivesse dois tipos de atendimento educacional: o especializado. A notícia foi recebida pela mãe com muito sofrimento. Foi recomendado pela médica. desde cedo. A mãe. Pedro passou a freqüentar a escola de educação especial e. que lhe foi recomendada. pode acabar se afogando no mar. que tanto tinha planejado e esperado ter este filho. . que é direito de toda e qualquer criança. e se questionava como seria ter um filho portador de necessidades especiais. Também foi recomendada a inserção do menino na escola regular. Assim. Depois de muitas buscas. Em fevereiro de 2007. principalmente indo à praia. ingressou na escola regular de educação infantil. também de uma médica neuropediatra. Em estado de choque ela chorava. neste o aluno com necessidades especiais tem acesso a um acompanhamento mais individualizado. que o acompanha até hoje. preparandoo assim para a inclusão na escola regular. a mãe procurou uma médica neuropediatra. pois. a mãe passou a procurar outras especialidades médicas. após um mês. para descobrir qual a real patologia de Pedro. segundo sua mãe é preciso ter atenção redobrada com o menino nesses passeios. e quando esta saía para trabalhar. e muitas respostas não dadas de modo claro. através de perguntas feitas à mãe e examinando a criança.43 Com todos os exames feitos e descartado o diagnóstico de surdez. portanto. Porém. iniciou uma busca pelos melhores tratamentos. e que é especialista em diagnósticos de Autismo. Pedro ficava em casa diariamente aos cuidados de sua mãe. e como seria dar a notícia a seu pai. mais precisamente até os dois anos e seis meses. Nos primeiros anos de vida. que já havia lido algo a respeito e sabia que não seria fácil lidar com esta patologia. o menino ficava acompanhado de sua irmã.

Hoje ele é muito menos desatento do que no início do 21 . O menino. Estas atividades são das mais variadas. conhecida como método TEACCH23. e sua classe é composta por quatro alunos. que necessitam de atenção especial para favorecer o desenvolvimento.44 3. Primeiramente é feito um trabalho em grupo com as quatro crianças e as duas professoras. enquanto a outra professora acompanha e faz atividades com o grupo restante. No dia-a-dia as professoras trabalham com uma metodologia específica para o Autismo. 22 .2. conhecer as letras do alfabeto.3. Através deste método os autistas contraem uma rotina que é seguida em cada momento do dia.O termo Estimulação essencial é adotado para designar o programa de atendimento destinado às crianças de zero a três anos de idade que apresentam alguma deficiência e/ou àquelas consideradas em situação de risco. a cada momento. texturas. em um segundo momento é feito o trabalho individual. Ainda dentro da escola especial. todos Autistas.TEACCH: Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children. exigindo para isso que a criança esteja matriculada também na escola regular. e é representado por cartões que possuem a imagem com a atividade que será desenvolvida. buscando a independência do aluno em todos os aspectos da vida e principalmente oferecendo subsídios para que este aluno possa avançar e evoluir no ensino regular. Trajetória na escola especial. que iniciou no ano de 2007 na escola especial. Este programa é estruturado de forma a privilegiar a implantação de rotinas.SAEDE . permaneceu todo este ano inserido no processo de estimulação essencial21. onde uma das professoras faz a atividade com apenas um aluno. ou que será relevante para a criança naquele momento. o progresso de Pedro é sentido a cada dia.Serviço de Atendimento Educacional Especializado. No ano de 2008 Pedro passou para a Educação Infantil da instituição. como colagens. e de acordo com as necessidades provenientes do Autismo. jogos pedagógicos e outras atividades que melhor trabalham e alcançam as dificuldades dos autistas. tornando o meio mais previsível e compreensível para os autistas. Segundo as educadoras da instituição. e hoje possui duas professoras. que é feito até os três anos e onze meses. 23 . Este é uma política do estado que trabalha com a teoria da elaboração conceitual. Pedro recebe tratamento especializado de forma mais individualizada. pinturas. Pedro está inserido no sistema SAEDE22. Na instituição de educação especial. com formação em pedagogia e especialização em educação especial. . a aprendizagem e a socialização. APAE.

visitando a escola em que a criança está matriculada uma vez a cada quinze dias ou a cada mês. Na visita que fiz à escola especial. ou de atividades que ela desempenhará no momento. para acompanhar o desenvolvimento cerebral. também prestam assessoria para as professoras do ensino regular. que é seguido pelas crianças com autismo. constatei que os alunos também têm aula de Artes uma vez por semana. Pedro também é acompanhado por outros profissionais como fonoaudióloga. dando um suporte mais especializado sobre o autismo e os modos como as educadoras podem lidar com ele. é baseada em cartões contendo fotos ou logotipos de coisas relevantes para a criança. Também está em processo de desfraldar.Esta rotina tem um apelo visual e faz parte do método TEACCH. e trazer adaptações para trabalhar com o aluno especial. pois.45 trabalho. pois assim como é característica do autismo. para auxiliar no desenvolvimento da fala. . um neurologista. Eu intrigada com esta reação questionei a professora. as professoras da escola especial. Além do trabalho que é feito diariamente. Quando Pedro foi levado pelas professoras para a aula de Artes. conseguindo ir ao banheiro e atender às suas necessidades fisiológicas sozinho. que fica em uma sala diferente da sua. Este acompanhamento é de extrema valia para o bom desenvolvimento do aluno na escola regular. e quando a aula era na sua própria sala isso não acontecia. logo começou a chorar. além de estar mais auto-suficiente nas atividades com jogos pedagógicos. Além do acompanhamento especializado da APAE. nestes encontros as professoras da APAE auxiliam no tratamento que deve ser dispensado ao aluno especial. O menino também já gravou toda a rotina dos cartões24 e sabe qual atividade desempenhará naquele momento. e ela esclareceu-me que ele chora. ele não gosta de trocar de ambientes. um pediatra para acompanhar as doenças da infância e. que fazem parte do sistema SAEDE. em breve iniciará tratamento com psiquiatra. 24 . dando sugestões de atividades e modos de trabalho que contribuam para a inclusão desta criança na escola regular.

Nas aulas de Artes.Trajetória escolar na Educação Infantil. de encaixar e fazer colagens. é muito difícil conseguir a atenção de Pedro. com idade de quatro anos. Pedro também é dependente de fraldas e necessita ter um cuidado individualizado na hora da troca. para que ele permaneça sentado e concentrado ao máximo no desempenho da atividade. É claro que o trabalho com menino é mais lento e precisa de um acompanhamento mais individualizado. com as professoras e com os colegas. Seus desenhos não possuem forma definida. Os colegas de Pedro não demonstram preconceito mediante suas necessidades especiais. fazem as mesmas formas indefinidas. A classe onde Pedro está inserido possui 20 crianças. e demonstra gostar muito de pintar com tinta e giz de cera. a contar com ele. como jogos com muitas figuras. Nos primeiros encontros sentia que ele estava muito mais resistente para fazer qualquer coisa que eu propusesse. isso foi mudando. e que iniciei um processo de observação do seu comportamento em sala de aula. e hoje Pedro. Pedro participa de todas as atividades que são propostas em sala.3. pedagoga. e por possuir um aluno especial na classe. Porém. apesar do pouco tempo de concentração que dispensa. tem também uma auxiliar de sala. que é feito pela auxiliar juntamente com a educadora. Esta escola de Educação Infantil possui uma educadora.3. pois eles sempre auxiliam a professora nas rotinas do dia a dia. são apenas garatujas. mas isso não é acarretado necessariamente por ele ser autista. Foi na escola de Educação Infantil. pois. na hora de sair do lanche e voltar para a sala. coisa que a professora não poderia fazer em virtude dos outros alunos. na hora da fila: cuidam para que o colega não fique sem par. onde sou estagiária de Artes. Segundo a Professora. ficava agitado e querendo sair da sala. ou na hora do parque alguém sempre . além das dificuldades de comunicação oriundas de sua patologia. a não ser que seja algo de que ele goste muito. também tem a ver com a idade de Pedro. conclui praticamente todas as atividades. que por sua vez já planeja estas atividades com o intuito de que possa contemplá-lo também. que colabora nos cuidados com o menino. já que seus colegas. como por exemplo.46 3. que também tem quatro anos. que tive o primeiro contato com Pedro. Pedro participa de todas as atividades propostas pela professora.

e na sua opinião. a APAE também. explorar e descobrir cada detalhe do espaço onde está inserido. as educadoras da escola especial possuem um preparo para lidar com esta deficiência. como por exemplo. seu preparo para lidar com ele é quase nulo. é neste momento que se iniciam as rotinas escolares e de vida. mais atento às coisas a seu redor e respondendo mais quando é solicitado. pois. porém. e podem auxiliá-lo para que a inclusão na escola regular ocorra da melhor forma possível. além da escola regular. a educadora também conclui que não há uma socialização completa. estão sempre atentos para que Pedro não saia da sala sem ser visto. o cuidado e carinho que as crianças têm para com ele. devido às características do autismo. Então acabam deixando que ele fique fazendo outras atividades que ele gosta. isso tudo demonstra de certa forma.47 pega em sua mão. A educadora acha importante o papel das professoras da APAE que fazem a visita mensal. pois. que tanto são importantes para o desenvolvimento de qualquer criança. especialmente às portadoras de necessidades especiais. Segundo ela. apesar das dificuldades. É mais carinhoso. A mãe de Pedro diz ter percebido grande melhora em seu desenvolvimento. Quando um aluno especial está inserido em sua classe. e gostaria de uma atenção maior e mais especializada neste sentido. . principalmente na hora de brincar e no parque. além de estar com a rotina escolar já incutida no seu dia-a-dia. apesar de todo este auxilio. A professora acha necessário Pedro freqüentar. pois nesses encontros há uma troca de informações sobre a vida escolar de Pedro. quanto em outra. principalmente se a inclusão acontecer já na Educação Infantil pois. as crianças acham que Pedro não entende as brincadeiras e que não quer participar. o menino está muito mais sociável. A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais na escola regular. a educadora sente uma grande dificuldade na hora de trabalhar com letras. depois de ter começado a freqüentar a escola regular. tanto em uma escola. segundo ela não há em sua formação de pedagoga uma cadeira que contemple a educação especial. é visto pela educadora como sendo muito importante para o desenvolvimento desta criança. Porém. de isolamento e por não ter a fala desenvolvida. está aceitando mais contato. A ação colabora para o planejamento das atividades que contemplem o autismo e também as necessidades das outras crianças.

a inclusão está acontecendo. Olhando no espelho. Sendo assim. As crianças já se habituaram ao jeito de ser de Pedro. oferecendo apoio para a realização das atividades cotidianas. está sendo muito importante o menino freqüentar a Escola regular. Todo o dia passo na sala de Pedro para ver como ele está. Eu imaginava que era porque ele precisaria se separar de sua mãe. ao me enxergar através do espelho esboça um sorriso. e apesar de não estarem socializando com ele a toda hora. no qual não nos dá o direito de entrar e participar. com o espaço da escola e com as professoras que lhe assistem. Na escola regular de educação infantil. sorri e até dá fortes gargalhadas para si mesmo. Observo que as crianças não demonstram preconceito perante o menino. com toda sua inocência e paciência tentam acalmá-lo. e as crianças. não aceitava muita aproximação e muito . pois ele está sendo inserido em meio a crianças que não são seus pares e que podem.48 Às vezes. de alguma maneira contribuir para seu melhor desenvolvimento. o menino ficava muito mais isolado. parece que Pedro está totalmente alheio ao que está se passando a seu redor. eu o chamava e ele não dava a mínima atenção. e não deixam de lado a concentração para fazer suas atividades. parece estar vivendo em um mundo que é só dele. Está viva. Completa ainda. Mas hoje vejo que Pedro. No começo ele nem ligava. Muitas vezes ele está agitado. que o menino vai ser motorista de ônibus. Segundo a mãe do menino e a professora da Educação Infantil. e estão sempre preocupados e dispostos para auxiliá-lo nas rotinas. Antes de entrar na escola. observei que Pedro. não quer sentar. procuram ajudá-lo. mas é sorriso. mesmo que em passos lentos. de fantasia. que o deixa lá diariamente. Muitas vezes. e sim por que o menino gosta tanto de andar de ônibus que. assim como ele também contribuirá com o crescimento das outras crianças. e sem responder ao chamado de seu nome. Pedro sempre demonstra insatisfação e começa a chorar. contido. Mas sua mãe diz que não é esse o motivo. dentro das suas possibilidades. Pedro chega chorando à escola. e em cada gesto de carinho dos colegas para com Pedro. com o olhar perdido. quando chega a hora de desembarcar. e reconhecem que ele é “especial”. está interagindo com o grupo de colegas. A meu ver a maior contribuição da escola regular para o desenvolvimento de Pedro está sendo a convivência e socialização com os colegas. Nunca esquecem de pegar a mão do menino na hora da fila.

esboçando mais as emoções e atendendo quando é solicitado. a mãe diz ter ficado desapontada e triste. quando foi dada a notícia do autismo.49 menos o toque de alguém que não fosse um de seus familiares. pois ele está dando uma abertura maior para as pessoas entrarem no mundo que ele construiu. passado o susto. . que é carinhoso. pois ela e o marido faziam muitos planos para a criança. esperto. e como mãe ela se sente muito “especial” por ter um filho também especial. a família consegue enxergar todas as qualidades de Pedro. e não apenas as dificuldades. Hoje ele está mais carinhoso. Porém. dá muitas alegrias para a família. hoje a mãe diz que seu filho é uma dádiva de Deus. No inicio. e sabiam que a jornada não seria fácil. Pode-se tocá-lo e até abraçá-lo.

e passaram a ter orgulho em acompanhar o desenvolvimento dela e serem pais de uma criança especial.4. 3. que já tinham um filho.50 3. Assim que saiu da maternidade. as características do corpo da menina levavam a 25 . a vida foi acontecendo. pois apesar de todos os exames pré-natais e ecografias quase que mensais que foram feitos. Porém. Todos os exames pré-natais foram feitos e não acusaram nenhuma anomalia. Com o passar do tempo todas as dúvidas que pairavam na mente dos pais de Catarina foram ficando menores. Catarina25 nasceu no dia cinco de agosto de 2004. e dar segurança ao diagnóstico. Eles começaram a ver que Catarina tem uma personalidade forte e determinada. depois vieram a constatar que Catarina tinha Síndrome de Down. . geneticista. as incertezas e os constantes questionamentos sobre como seria ter uma filha especial.1. sem fazer o diagnóstico preciso da síndrome de Down. na cidade de Curitiba. porém. Assim que Catarina completou um mês de vida os pais levaram a menina ao geneticista. A princípio. É fruto de uma gravidez planejada. o médico disse que havia algo de diferente com a menina e deixou a mãe a par da situação. nada havia acusado a anomalia. O médico pediatra aconselhou os pais então. Caso número 2: Síndrome de Down. quais seriam suas necessidades e como seria o futuro da criança. Catarina já foi encaminhada. os pais ficaram chocados com a notícia. em sua primeira visita ao leito onde a mãe de Catarina se recuperava da cesariana. a uma escola especial. apesar do diagnóstico ainda não confirmado. Então tomaram as providências para que isso acontecesse e iniciaram a espera e os planos para a criança. Logo após o parto. A gravidez da mãe de Catarina foi tranqüila. a procurar um especialista.4. o médico pediatra também não detectou nada de anormal. que acompanhou e fez os exames que. Foi neste momento que começaram a surgir as dúvidas. por uma psicóloga da clínica onde nasceu. Trajetória de vida. para fazer os exames necessários. refere não ter sentido “nada de diferente”. pretendiam dar uma irmã ao menino. onde mãe de Catarina e seu marido.Catarina foi o nome fictício escolhido para o segundo sujeito desta pesquisa. Paraná. pois.

Estimulação essencial ou precoce: é uma série de exercícios para desenvolver as capacidades da criança. Catarina ingressou na APAE de Florianópolis e deu continuidade ao trabalho de estimulação essencial que havia começado na instituição de educação especial. Nos primeiros anos de Catarina. que conheça suas necessidades e as trabalhe de forma a supri-las. Então. a conviver e lidar com as diferenças. assim que terminou o período de licença maternidade de sua mãe. freqüentava em meio período a creche. preparando-a assim. a uma cirurgia que a fez ficar um período hospitalizada e sem freqüentar nenhuma das escolas. tinha um “sopro no coração”. nesta ela pode interagir com crianças que não sejam iguais e tenham as mesmas dificuldades. e teve que ser submetida. como exigência da escola especial. Com dois anos e meio.sosdown. aos oito meses de vida. uma escola regular para matriculá-la em meio período. para ficar em meio período. tendo que se mudar às pressas para Florianópolis. em Curitiba. e em meio período a escola especial. e passado o processo de estimulação feito na APAE os pais de Catarina passaram a procurar. quanto antes iniciasse o processo de estimulação essencial26 melhor seria seu desenvolvimento. e duas vezes por semana. então. Os pais acham importante Catarina estar inserida na escola regular pois. Catarina já foi matriculada em uma escola regular (creche). Passada mais esta provação a vida de Catarina continuou acontecendo naturalmente. Foi quando descobriram que a menina. na parte da manhã freqüenta a escola especial. . Porém.com. a mãe de Catarina foi transferida em seu emprego. também acham importante Catarina ter acesso a uma educação especializada. Aos cinco meses de vida.51 crer que ela era portadora de Síndrome de Down. No ano de 2006. Com três anos começou a caminhar. freqüenta em período integral. a família teve um outro grande susto. Assim. de acordo com a fase de desenvolvimento em que ela se encontra. Hoje a menina está regularmente matriculada na escola regular. aprendendo assim. Dados obtidos em www. 26 . para a inclusão na escola regular e para a vida.

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3.4.2. Trajetória na escola especial. Catarina ingressou na escola especial, ainda em Curitiba, freqüentando primeiramente a estimulação essencial. Esta estimulação pode e deve ser feita a partir do nascimento da criança e constatação da Síndrome de Down. Nela há a presença dos pais juntamente com a criança, para que estes possam saber também como lidar no dia-a-dia e nas questões rotineiras com as necessidades desta criança. Hoje, Catarina com quatro anos de idade freqüenta a educação infantil na instituição. A turma de Catarina possui duas educadoras com formação em educação especial, e em sua classe também estão matriculados nove alunos com idade entre três e seis anos. A maioria possui Síndrome de Down e, assim como Catarina já passaram pela estimulação essencial. Na escola especial, o trabalho feito com Catarina é o mesmo trabalho desempenhado com outros alunos com diagnóstico que também contemplem algum tipo de deficiência mental. É um trabalho baseado em conceitos, que buscam a independência da criança em todos os sentidos. Porém, diferentemente do executado com os Autistas, não é baseado em métodos, é apenas um atendimento educacional especializado que visa abranger todas as dificuldades e especificidades do aluno com Síndrome de Down. Na instituição, Catarina recebe também tratamento de uma fonoaudióloga, que auxilia no desenvolvimento da fala da criança. E, segundo suas professoras, a menina vem demonstrando significativos avanços após ter começado a freqüentar a instituição. Essas melhoras são percebidas no campo da fala, da expressão e da independência em executar tarefas do dia-a-dia, como higiene, beber água e comer. Assim como no caso de Pedro, Catarina também está inserida no sistema SAEDE27, e suas educadoras da escola especial fazem um trabalho paralelo ao efetuado durante o dia-a-dia na instituição, que é composto de visitas mensais para dar suporte ao trabalho da educadora na escola regular onde Catarina está matriculada. Nestas visitas, que são muito válidas segundo as próprias educadoras, são levadas adaptações e atividades que poderiam ser feitas com os alunos de forma a facilitar a inclusão de Catarina, e ainda suprir as necessidades de seus colegas.

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- SAEDE - Serviço de Atendimento Educacional Especializado

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Porém, deve-se lembrar sempre, que o aluno com necessidades educacionais especiais tem direito a fazer todas as atividades desempenhadas pelos outros alunos, e que estas podem ser apenas adaptadas, para que supram também as dificuldades que o aluno especial possui. Para as professoras, é imprescindível que Catarina esteja freqüentando também a escola regular, tanto por direito, quanto por benefício ao seu desenvolvimento. E não é necessário somente estar inserida na escola. Também é preciso que ela tenha acesso a todas as atividades e a todo o conhecimento que as demais crianças têm. Segundo elas, a APAE precisa ser somente um complemento. O lugar dela deve ser no ensino regular, e é para isso que as educadoras trabalham. Catarina não demonstra resistência para freqüentar a escola especial. Segundo seus pais, foram poucas às vezes em que ela reclamou para ir para a instituição, até porque a menina já tem isso incutido em sua rotina escolar desde que saiu da maternidade. Os pais de Catarina têm um acompanhamento das atividades que a filha desempenha tanto na escola regular, quanto na especial. A conversa com os professores para saber como está seu desempenho, a visualização das anotações na agenda são rotinas que fazem parte da atenção que é dispensada à vida escolar da filha.

3.4.3. Trajetória escolar na Educação Infantil. A descoberta da escola de educação infantil que Catarina freqüenta foi dada por acaso, quando seus pais, ao efetuarem matrícula para seu irmão, foram informados que teria vaga na turma, para crianças com três anos. Imediatamente inscreveram-na para participar do sorteio, como é de praxe na escola, e foram sorteados para a vaga. Catarina ingressou na escola regular de educação infantil no início do ano de 2008; a menina está matriculada em uma classe composta por vinte alunos, com idade de três anos, assistidos por uma educadora, pedagoga, e por ter uma criança com necessidades especiais, possui também uma auxiliar de sala. Meu primeiro contato com Catarina foi nesta escola, como professora de Artes. Assim que entrei na classe pela primeira vez, logo me chamou a atenção os traços de Catarina, típicos de uma criança com Síndrome de Down. Então,

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questionei a professora e ela confirmou a suspeita, suscitando em mim, a partir deste momento, muitas dúvidas e curiosidades sobre a vida da menina. Como Catarina freqüenta a instituição de educação especial duas vezes por semana, ela não esteve presente em algumas das aulas de artes. Entretanto, sempre que esteve presente, a menina participou de todas as atividades normalmente, dispensando apenas um cuidado um pouco maior para que ela não engolisse os materiais utilizados, como: massinha de modelar, ou o giz de cera. Meu contato com Catarina não se deu exclusivamente na aula de artes. Após iniciar esta pesquisa, passei a observá-la em outros momentos de seu dia, como na hora do parque, do almoço, do lanche e da higiene. Também, passei a conversar com a educadora da classe para saber como Catarina está se adaptando à escola e aos colegas, e como a própria professora está lidando com a esta aluna com necessidades especiais. A educadora diz que, ao receber a notícia de que teria uma criança com necessidades educativas especiais em sua classe, não ficou muita surpresa, pois, além de já ter tido outros alunos com Síndrome de Down e com outras deficiências, também está consciente de que, com a política de inclusão vigente, apesar do pouco preparo que é oferecido aos professores, cada vez mais aparecerão alunos com necessidades especiais em sua classe. Porém, ao começar a trabalhar com Catarina, percebeu que teria outros desafios a serem impostos, além da Síndrome de Down, pois os alunos especiais que havia tido anteriormente tinham dez anos de idade, já haviam passado pelo processo de socialização e já estavam mais avançados na trajetória escolar. Já Catarina, apesar de ter freqüentado a creche em Curitiba, estava iniciando um processo de socialização muito mais concreto, em uma escola e cidade diferentes da qual estava habituada. Uma das dificuldades encontradas pela educadora para trabalhar com a faixa etária de três anos concomitantemente com uma menina com Síndrome de Down, é a dificuldade dos colegas entenderem o porquê de Catarina estar sendo tratada de forma especial, como por exemplo, sendo levada no colo na hora do lanche, pois não caminhava quase nada no início do ano letivo. Foram questões como estas que impuseram desafios à educadora no trato com estas crianças, que tinham apenas três anos de idade e que tanto necessitavam de seu carinho e afeto. Então, a professora encontrou uma alternativa

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que achou compatível com a faixa etária e que, de certo modo facilitaria a inclusão e aceitação de Catarina por estas crianças. Hoje, Catarina é conhecida como o “bombom” da turma e seus colegas querem ajudá-la no que podem, e colaboram com a educadora para o cuidado com a menina. Segundo a educadora, o comportamento dos colegas perante Catarina não é preconceituoso, mas sim de cuidado e carinho. Porém, na hora de brincar com a menina é que há uma pequena dificuldade. Por sua personalidade forte Catarina queria apenas brincar do que ela desejava e às vezes acabava reprimindo a vontade dos colegas, que criaram certa resistência para participar das brincadeiras com a menina. Em sala, Catarina participa de todas as atividades propostas pela professora que, por sua vez, esforça-se no sentido de trazer adaptações para que estas possam ser desempenhadas tanto por Catarina, quanto pelos colegas. Sua maior dificuldade é o pouco tempo de atenção que a menina dispensa para as atividades. Ela é muito agitada e acaba agitando os colegas também. No início do ano letivo, segundo a educadora, a dificuldade para lidar com a menina era maior, era preciso grudar a folha na mesa na hora da atividade, cuidar para ela não engolir a massinha de modelar, ou colocar algo que não possa ser posto na boca. Porém, isto está melhorando a cada dia, e hoje Catarina já tem uma noção muito maior do seu espaço, do que pode ou não fazer, e já não risca a mesa e nem rasga a folha da atividade, coisa que era corriqueira no início do ano. A Educadora considera muito importante o trabalho das professoras da APAE junto à escola regular, pois isso auxilia no trato com a criança portadora de Síndrome de Down, além de ser uma troca de experiências entre as docentes. Contribui para o crescimento de Catarina, preparando-a de forma mais segura para a inclusão na escola regular, e sem depender da educação especializada. A inclusão escolar, na opinião da pedagoga é muito importante para o desenvolvimento da criança com necessidades especiais, e também dos colegas que convivem com ela, principalmente se iniciada desde a educação infantil. Entretanto, assinala que precisa haver mais preparo oferecido para os professores em sua formação, pois a própria professora da classe não teve uma disciplina obrigatória em sua faculdade de Pedagogia que contemplasse a Educação Inclusiva. No caso de Catarina, esta inclusão está melhorando a cada dia, na visão da educadora que, por sua vez está fazendo o possível para que haja cada vez mais

pois. Catarina é uma menina extremamente carinhosa. e cada vez mais as pessoas estão percebendo o quanto é importante a inclusão das crianças com necessidades especiais na escola regular. como escovar os dentes. e na higiene em geral. ir ao banheiro. de alguma forma Catarina está sim sendo privilegiada pelo processo de inclusão. . e estão menos resistentes a participar das brincadeiras com ela. Segundo sua mãe é ela quem escolhe o calçado e a roupa que vai vestir. ela me abraçou fortemente. alegrando ainda mais meu dia. estamos num processo de mudança de consciência. Quanto aos professores. à convivência e ao acesso ao conhecimento. e proporcionando também a seus colegas. Apesar de jeitinho teimoso. Eu. Aos poucos. aprendendo a compartilhar e habituando-se a viver em sociedade. Estes muitas vezes ficam repletos de questionamentos e incertezas quando se deparam com uma criança com necessidades educacionais especiais em sua classe. as crianças estão se habituando ao jeito de ser de Catarina.56 interação entre os colegas e a menina. aprendendo assim. não somente para cumprir a lei. que nunca nega um abraço ou um beijo a quem lhe solicita. mas também respeitando os direitos das crianças à cidadania. Pautada em minhas observações e nas entrevistas com a mãe concluí que. que devem ser designados a todo e qualquer ser humano. a menina está convivendo com crianças que não tem as mesmas necessidades que ela. Porém. que às vezes acaba por ser confundida com agressividade. inúmeras vezes passei pelo corredor da escola e a encontrei. apesar de sua personalidade forte. realmente ainda não há um preparo adequado. e o faz sozinha. noções de cidadania e de respeito às diferenças. Catarina é muito independente nas atividades do diaa-dia.

Pedro e Catarina estão freqüentando a instituição de educação especial também.mec. os dois casos apresentados neste trabalho.Disponível em: http//www. vejo que Pedro e Catarina estão sendo bem atendidos em suas necessidades mais elementares. com Pedro e Catarina não é diferente: cada um participa do processo de ensino e aprendizagem de forma singular. ou porque ela é autista. juntamente com a instituição de educação especial. como falar. As dificuldades de qualquer criança. Hoje. definindo o papel de cada modalidade educativa. mas de acordo com o depoimento tanto das professoras da APAE quanto da educação infantil. Cada criança é uma criança e não devemos estigmatizá-las por suas limitações na aprendizagem e na socialização.57 4. pois além de serem crianças com necessidades especiais. buscando suprir estas necessidades.br . altera-se muito durante a trajetória escolar. no que se refere ao ensino e 28 . por terem necessidades diferenciadas. Não é porque a criança possui síndrome de Down. comer e principalmente a serem independentes. Apesar disso. Muitos estudiosos e pesquisadores do ensino inclusivo criticam a atuação da escola de educação especial juntamente com o processo de inclusão. apesar de conviverem em grupos mais homogêneos. Sobre a escola de educação especial. o MEC28 mantém as duas modalidades: a educação especial e a educação inclusiva. demonstrando dificuldades em alguns aspectos e facilidades em outros. foram os participantes escolhidos. o objetivo maior do trabalho com estas crianças na escola especial é justamente a facilitação da inclusão das mesmas na escola regular e o posterior desligamento das mesmas da instituição de educação especial. necessitam também de um trabalho pedagógico distinto. Sendo assim.gov. DIALOGANDO COM PEDRO E CATARINA: ANÁLISE DOS ESTUDOS DE CASO Pedro e Catarina. É claro que isto é um trabalho longo. com ou sem deficiência. que ela não terá sucesso na vida escolar. que não vai interagir com ninguém. andar. da escola e da sociedade. freqüentam a mesma instituição de educação especial e a mesma instituição de educação infantil. isto é. também estão inseridas em processos de ensino e aprendizagem semelhantes. cada um deles. Entretanto. e requer muita cooperação da família.

como sendo um depósito de alunos considerados “anormais”. e também na convivência em sociedade. percebe-se claramente. O que eu encontrei lá foram pessoas interessadas no bem estar e na evolução das crianças com necessidades especiais. Eu mesma desmistifiquei este pensamento quando fiz a visita à APAE. deixando-os assim à margem da sociedade considerada “normal”. Prova disso é a evolução que estas duas crianças com necessidades especiais tiveram na escola regular. daqui a alguns anos. Por isso. que são a clientela desta instituição. dar suporte à inclusão. como já foi dito. talvez passe a não funcionar mais nestes dois casos também. nestes dois casos está ocorrendo uma troca que produz bons frutos. As professoras trabalham com exercícios que buscam autonomia. uma ajuda mútua. Percebo que realmente há esta interação. Vejo que é preciso desmitificar um pouco o papel da escola especial. não é baseado em métodos que visam o ensino. um aprendizado recíproco e uma colaboração muito grande entre as partes. cada caso deve ser analisado com muita parcimônia e cuidado para que não se faça deste assunto um radicalismo absoluto. Não é este o objetivo a que este trabalho se propõe.58 aprendizagem. Nos encontros mensais. No trabalho feito pelas professoras da APAE29 juntamente com as educadoras da escola regular. Não é nossa intenção nem a defesa. Estou apenas fazendo o relato do que observei e do que ouvi no depoimento de todas as pessoas que entrevistei. independência. Hoje a APAE possui programas como o SAEDE30 que tem por objetivo auxiliar. experiências e repassam entre si o conhecimento que cada área possui. e que muitas vezes pode prejudicar o processo de inclusão do aluno. em outros casos não funcione esta articulação entre escola especial e regular. O trabalho com Catarina na educação especial. onde são elaborados conceitos que possam 29 30 Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais Serviço de Atendimento Educacional Especializado . E. e que as professoras da educação infantil consideram estas visitas muito importantes para seu crescimento profissional. Talvez. Reconheço também que. nem a critica ao trabalho feito pelas educadoras ou pela instituição de educação especial. já que neste momento estas crianças estão freqüentando a educação infantil e ainda não tem o comprometimento com a alfabetização. apesar de muitas vezes ser criticada vejo que. nestes dois casos – Pedro e Catarina. as professoras trocam dicas de atividades.

do seu jeito ele não manifeste comportamentos de integração com as outras crianças. como já foi exposto anteriormente. com certeza é imprescindível. e que as crianças possam fazer uso disso na vida prática. somos apenas o suporte. Não sei até que ponto este método torna a criança independente. com algo que realmente pode e. é baseado em rotinas a serem seguidas diariamente. Apesar de todo o auxilio que a escola especial dá para a criança. vejo que a grande diferença está sendo feita na escola regular. está contribuindo para desenvolvimento e crescimento delas como seres humanos capazes de participar de uma sociedade que é pautada nas diferenças. mas isso não quer dizer que. nas palavras a seguir: “A inclusão. como já foi referido no capítulo anterior. e depois tem este ensino especializado para complementar e ajudar alguma dificuldade que ela esteja encontrando dentro do ensino regular. Pedro é autista e. Por este motivo. mas ter acesso a este conhecimento que é oferecido lá”. As professoras da educação especial reconhecem a importância da inclusão destas crianças na educação regular. é feito a partir do método TEACCH31 que. suas maiores dificuldades estão realmente pautadas na esfera do relacionamento social. Observo que cada vez mais Pedro está se abrindo para o 31 Treatment and Education of Autistic and related Communication-handicapped Children. e não só direito à vaga. A professora tem a oportunidade de aprender a mudar seus conceitos. Na verdade nós. a escola também aprende a rever seus métodos e este processo se transforma em uma troca muito rica. É um direito dela. em muitos casos não tem continuidade em casa. É lá que as crianças estão tendo acesso. (Trecho da entrevista realizada com a Professora da APAE) A professora ainda acrescenta que estes alunos devem estar lá na escola.59 ser úteis. Assim todos ganham. a partir dos casos estudados. já que ela fica presa a uma rotina que.. Ela tem que tá lá tanto por direito quanto por beneficio para ela. a escola regular e o acesso em primeiro lugar. como deixa claro a educadora de Catarina. e é lá que ela tem que permanecer. . o complemento daquilo que tá acontecendo lá. que devem socializar-se. as crianças que aprendem sem dificuldades com as crianças que têm necessidades especiais. Já o trabalho com Pedro. mas principalmente à interação e à convivência com o novo. sua interação com os colegas é menor em relação à de Catarina. não somente ao conhecimento.

geralmente brinca sozinho. Ele não aceitava de maneira alguma. também procuram fazer brincadeiras que chamem a atenção de Pedro. Já hoje. brincando mais próximo a eles. mas até mesmo sob este aspecto já percebo melhora no seu comportamento. ou brinca na caixa de areia. apesar das dificuldades para compreender o que precisa fazer. ela tem uma interação como a de qualquer outra criança. Não sei o que ele pensa nesta hora. colocar a massinha de modelar na boca. chamo seu nome. os colegas pegam fantoches para chamar sua atenção. como: pintar seu rosto ao invés da folha. Ela. Raramente se mistura aos colegas no parque. sinto-me muito feliz quando entro na sala.60 contato com os colegas. especificamente no parque. Catarina faz travessuras. Já Pedro. No início do ano letivo. beija seus colegas. morde. ou tentar um contato visual. oferece respostas mais claras do que ele. entre outras coisas. Vejo que os colegas estão colaborando muito para que haja esta interação. apesar de não interagir de forma completa. isto é. para que isso aconteça. As maiores dificuldades de Catarina estão em compreender o que está sendo solicitado. De um modo ou de outro ela tem um contato afetivo com os colegas. Catarina brinca. e construindo uma relação muito mais afetiva com as outras crianças da sua classe. do seu jeito retribui. No início do ano. Pedro ficava gesticulando e fazendo movimentos repetitivos. No parque da escola. de alguma forma aos pedidos. Muitas vezes é preciso ser repetitiva e bastante enfática. Apesar da sua . percebe-se que o menino tem um contato muito maior com os colegas. e ele retribui com um olhar e um pequeno sorriso. muitas vezes corre de um lado para outro. briga. enquanto ele corre incessantemente pela sala. e muitas vezes nos mesmos brinquedos. Muitas vezes. dando a impressão de que não tinha ninguém a seu redor. que diverte e ao mesmo tempo inclui Pedro nas brincadeiras das crianças. Além de ajudarem a cuidar dele. Outra mudança muito significativa que percebi no comportamento de Pedro é o contato com o olhar. ou até mesmo com a professora de sala. consigo fazer um carinho. tudo isso faz parte de uma inocente estratégia. Há interação e integração. ou simplesmente fazem ponte com os braços para ele passar embaixo. Muitas vezes durante as aulas de Arte. mas sei que ele percebe o carinho e que. Percebo que o trabalho que é feito com Catarina é menos complicado do que o trabalho que é feito com Pedro. Já hoje. Em nossa análise. mas ela entende e responde. não adiantava de nada chamar por ele.

quando algo lhe chame realmente a atenção. Mas. por parte de Catarina. estagiárias e de seus colegas de modo muito especial. tem uma noção de espaço da folha. das auxiliares e dos colegas. o ambiente onde Pedro está inserido. o menino interage apenas quando quer. Hoje.61 evolução. Na instituição de educação infantil. ela não risca mais as mesas. e sinto que ele já tem uma confiança maior. como freqüenta a instituição de educação infantil em período integral. e principalmente no início do ano Pedro. assim que entrava na sala começava a chorar pois não gostava de mudar de ambiente. No discurso das educadoras percebi uma grande preocupação com a questão da inclusão. isso já se modificou. não participa do mesmo sistema de rodízio de Pedro. Apesar de todo o esforço dos profissionais envolvidos na inclusão destas crianças. Uma destas salas com mesa é a sala de Artes. Pedro dificilmente chora. consegue utilizar um pincel. da comunicação. e quando me vê na sala já fica mais tranqüilo. não se pode dizer que está tudo perfeito. que está na instituição em período parcial. e outras duas com quadro negro e mesas para fazer atividades. muitas vezes não tem uma estrutura . enfim. Foi preciso muito esforço por parte das professoras. também contam com o carinho das professoras. sendo organizada em quatro salas. é diferente do de Catarina. cada uma com temática diferente. não podemos negar que é muito mais difícil qualquer resposta por parte de uma criança com autismo. Pedro e Catarina realmente são crianças muito privilegiadas. da expressão e da convivência com os colegas. A política da inclusão deixou algumas lacunas. que no dia-a-dia tem que ser contornadas pelos profissionais que recebem estas crianças. pois além de terem uma família extremamente amorosa e dedicada ao sucesso de seus filhos. pois a realidade não é esta. Trata-se de uma rede de apoio. pois além de não falar. nem na escola onde estão inseridas estas crianças. nem pedagogicamente para lidar com as crianças. profissionais estes que muitas vezes não se sentem preparados para lidar com aquele indivíduo. outra com brinquedos. Além de não se sentirem preparadas nem psicologicamente. todas estas mudanças não aconteceram de uma hora para a outra. Uma com teatro. Hoje. o que vi de evolução foi mais na parte da fala. Então. e nem em outras escolas que tem alunos com necessidades educativas especiais em suas classes. está com uma coordenação motora muito superior a do início do ano. Catarina.

apesar da resposta ser um pouco . Como qualquer aluno ele também é fruto de uma construção social. Por este motivo. e o sucesso das mesmas na trajetória escolar. acho que a experiência se dá no dia-a-dia. A falta de apoio e de estrutura é uma questão latente da maioria das escolas regulares. presencio a cada dia a importância deste encontro semanal na vida das crianças. percebi que as educadoras têm uma afeição muito grande pelas crianças. Entretanto. onde cada um tem um contato social diferente. É neste momento da vida que as crianças começam sua caminhada e já vão adquirindo conhecimentos de vida prática e escolar. Não podemos pensar que cada aluno é formado apenas biologicamente. Porém. de buscar conhecer mais. pois é difícil sentirse preparado perante uma criança com necessidades especiais. apesar de não ser disciplina obrigatória na educação infantil. A alegria de chegar na sala e sentir a empolgação dos alunos e a vontade de participar daquele momento.62 adequada para trabalhar. pelas limitações que apresenta. no contato. Quanto à aula de Artes. na leitura e na busca por um conhecimento maior sobre as necessidades de cada aluno. nesta busca não podemos esquecer que nenhum aluno deve ser pré-julgado pela sua deficiência. na comemoração de cada resposta nova que este aluno dá e fazendo o possível para que a inclusão ocorra da melhor forma possível. apesar de todos estes empecilhos. Então. Ele também faz parte de uma sociedade. Com esta realidade acaba recaindo sobre o professor uma responsabilidade muito grande perante as crianças com necessidades especiais. Porém. que podem colaborar muito para o seu desenvolvimento e para o desenvolvimento das outras crianças que convivem com elas. pois cada um deles tem suas peculiaridades e assim como todo o ser humano. vejo que a falta de preparo dos educadores pode não ser o ponto mais relevante nesta situação. também considero importante que as crianças com necessidades educativas especiais estejam inseridas no circuito escolar. que vão sendo armazenados em sua bagagem de conhecimento. já na educação infantil. Com as duas crianças com necessidades especiais. e traz em sua bagagem as experiências e ensinamentos com os quais teve contato ao longo da sua existência. é algo que me encanta na educação infantil. suas dificuldades e facilidades. e demonstram isso no carinho que dão a elas no dia-a-dia. de se sentir parte do todo e autor de suas próprias criações.

Segundo as próprias palavras da professora. bem como os autores que se dedicaram a este assunto especificamente. Como pretendo ser professora de artes. entrevistei uma profissional que apesar de ser professora de artes no ensino fundamental.63 mais lenta. aliado à aula de artes. “Acho que a gente tá iniciando. pelo contrário é demorado e com respostas a longo prazo. e isso já é um começo. por sua vez não é fácil. é um processo mesmo e eu acho que se a gente for esperar estar preparado. “O ideal é nós nos sentirmos menos frustradas enquanto professora de Artes. são poucas as publicações. Fica muito mais difícil criar um vínculo afetivo. mas as dificuldades vão surgir. no Brasil nós ainda estamos engatinhando em relação ao atendimento educacional para crianças com necessidades especiais. tanto educativos quanto artísticos. por termos um encontro semanal com as crianças com necessidades especiais. mas ao mesmo tempo uma visão realista deste processo. Por isso. conhecer cada criança e a melhor forma de trabalhar com ela. e principalmente quando nos deparamos com alunos com necessidades educacionais especiais. para colaborar com este trabalho e com a busca por um maior conhecimento na área da inclusão. o que é frustrante. a gente nunca vai tá”. baixando um pouco as frustrações e vendo as possibilidades de projetos melhores.(Trecho da conversa com a professora de Artes) Como professora de Artes. muitas vezes nos sentimos ainda mais frustradas pois. tem alguns paises que estão mais avançados. muitas vezes não atingimos nossos objetivos. então. Um processo que. mas a sociedade já está se abrindo mais para a inclusão. As palavras da professora eu percebi uma aceitação muito grande da inclusão. vejo uma grande diferença comportamental em relação ao começo do ano. já tem alguma experiência e vivência pessoal nas questões da inclusão. Como a instituição de educação infantil onde estas crianças estão inseridas não contrata professor de artes. a conversa com esta profissional foi muito proveitosa e contribuiu para diminuir algumas ansiedades e frustrações que fazem parte do cotidiano da profissão. O material para pesquisa em arte aliado à inclusão é muito escasso. acho que a gente deve acompanhar o processo e ver o que . e de que forma a gente pode ir diminuindo a ansiedade.

é preciso ser firme e não deixar que aquele jeitinho . quem tem esta síndrome não manifesta sentimentos de carinho e até que são desprovidos de sentimentos. como se deve proceder para alcançá-lo. Tendo estas palavras como norte. e assim construir uma relação mais intima e de confiança com ele. a sua maneira é muito carinhoso e demonstra isso fazendo um carinho no rosto. É claro que conhecer as especificidades das patologias que as crianças têm é importante. mexendo no cabelo dos colegas. ajudando a aumentar a auto estima e a melhor expressão e comunicação desta criança. tentar conversar com a família. porém sem esquecer que cada criança com necessidade especiais é uma criança singular. o que ele aceita ou rejeita. A gente precisa trabalhar com as frustrações e pensar: foi o que eu consegui até aqui. possui uma inocência que cativa e conquista quem está ao seu redor. um individuo ímpar. Catarina demonstra carinho ou rejeição muito mais claramente. e descobrindo que realmente não basta conhecer de modo aprofundado o diagnóstico de uma criança para. que precisamos sim ir em busca de um conhecimento maior sobre o aluno com necessidades educacionais especiais. não podemos negá-las. e muitos especialistas dizerem que. Não é o autista ou o síndrome de Down que está na sua frente. acho que o trabalho interessante é este trabalho de equipe. e isso é muito interessante porque a gente divide bastante estas angustias e acessa mais este processo”. Um exemplo claro de que nem sempre a necessidade especial que a criança tem fala sobre ela. mas isso não é tudo. São estas múltiplas linguagens que ela oferece. sobre suas limitações e problemas. a partir dele pressupor suas necessidades. tentar conversar com os pais. muitas vezes “serelepe”. é o caso apresentado neste trabalho. Apesar de ser autista. como ele se comunica. mas como toda criança. Porém. sobre o seu histórico. dando abraços. enfim. e não deixar de ir atrás de saber mais sobre as questões deste teu aluno especificamente. Muito mais importante é conhecer cada aluno individualmente. muitos olhares e linguagens que podem ser trabalhadas a partir de releituras das mais diferentes formas. que podem privilegiar de alguma maneira o aluno com necessidades educacionais especiais. Pedro. um pouco enrijecidos sim. que se comunica e tem necessidades comuns a todos os seres humanos. mas sim um ser. A arte pode contribuir para a inclusão na medida em que oferece muita abertura.(Trecho da conversa com a professora de Artes) Então fica claro nestas palavras.64 realmente ele conseguiu ta desenvolvendo neste período. cada vez mais estou vivenciando isso. mas abraços.

65 meigo derrube as regras de uma boa convivência com os colegas. Eu acredito que esta menina não vai ficar em casa. (Palavras da mãe de Pedro) . Vejo que a esperança e o amor que estes pais depositam em seus filhos. “Meu filho é uma benção de Deus para mim. e apesar deste problema que ele tem. e acredita que ele pode até chegar à universidade. mas a esperança não as deixa desistir do sonho de um dia vê-los formados na universidade. mas os pais das crianças não perdem a fé. ou simplesmente com uma profissão digna. A mãe de Pedro diz que o menino vai ser motorista de ônibus. e por isso. mais uma vez posso dizer com certeza que estas são crianças muito privilegiadas e tem um futuro de muitas conquistas pela frente. “Eu li uma revista que dizia que uma menina com síndrome de Down se formou em letras. As duas famílias acreditam na capacidade dos filhos. nunca vai me abandonar”. Catarina é tratada por sua educadora da educação infantil como qualquer uma das outras 19 crianças da classe. ela gosta muito de dançar. E a gente graças a deus conseguiu pintar colorido e ta levando da melhor forma possível”.(Trecho da entrevista com a mãe de Catarina) Percebe-se neste trecho a vontade e o investimento que é feito para que a criança tenha um futuro digno. e eu espero sim que minha filha se forme. e isso colabora também para seu crescimento e sua independência. mas se a gente pintar preto e branco vai ficar preto e branco. podem sim fazer a diferença para um futuro mais digno para eles. Muitas foram e são as dúvidas destas mães em relação a seus filhos. carinhoso. se a gente pintar colorido o mundo vai ficar colorido. pelo menos eu sei que ele vai ficar sempre do meu lado. não posso deixar de perceber e exaltar todo o esforço dos pais das crianças para dar um melhor futuro a seus filhos. mas tá sendo uma experiência muito valiosa. principalmente depois de estarem cientes de todas as dificuldades que enfrentariam. Além de todo o carinho que as educadoras dão aos alunos com necessidades educativas especiais no período em que elas estão na escola. Eu digo sempre pro meu filho. de se divertir. lutam pelos seus direitos. Presenciei um amor muito grande em suas falas e uma esperança acima de qualquer questão desestimulante que lhes tenham falado quando dado o diagnóstico do problema de seus filhos. A batalha é diária. ele é esperto. e acima de tudo acreditam no potencial de seus filhos.

Realmente estamos apenas iniciando o processo de inclusão. a meu ver está sendo muito positivo. ainda falta muito a ser modificado. muitas vezes não conseguem abarcar nem os alunos sem necessidades educativas especiais. Vejo que realmente há muitas atitudes a serem tomadas pela escola para auxiliar o trabalho das educadoras e o bem estar das crianças. pelos currículos. mas já existe um começo. a começar pelas estruturas das escolas.66 Portanto. Então. apesar de todas estas dificuldades. muito menos as crianças com necessidades especiais. é um processo longo. estamos no início de um processo que realmente exige uma mudança muito grande de paradigmas e pensamentos. mas está tudo se encaixando aos poucos. e que. está faltando complementação das políticas públicas em todos os sentidos. trata-se de uma questão que exige aceitação pessoal. das professoras. . por isso.pela formação dos professores. da escola e da sociedade podemos construir histórias um pouco menos difíceis e traumatizantes para as crianças com necessidades educativas especiais. investimento dos professores e do sistema educacional. pelas avaliações que foram pensadas a tanto tempo e que. integrando esforços e trabalhos que já foram bem sucedidos. É uma conquista que ocorre em cada dia e tudo isso está sendo um grande aprendizado para mim. pelos planejamentos. para os colegas e principalmente para Pedro e Catarina. Entretanto. que realmente foram vivenciadas e sentidas nas falas das educadoras das crianças.Vejo que. com a colaboração dos pais. para a professora. o processo de inclusão nos dois casos.

esquecendo-se assim. de que a criança com necessidades especiais é formada apenas pelo biológico. Com este trabalho também aprendi a olhar para as crianças com necessidades especiais com outros olhos.67 CONSIDERAÇÕES FINAIS Este é o momento de analisar tudo o que foi desenvolvido. colaborando assim para um futuro com maiores expectativas. que de uma forma ou de outra. se do contrario. . que apesar de ser amparada pela lei. Se este olhar for descrente. Olhos menos contaminados pelas idéias que muitas vezes são propagadas no espaço escolar. depositarmos confiança e fizermos um trabalho pedagógico condizente com a realidade da criança. que elas são seres humanos. que se sentem incapazes diante de uma criança com necessidades educativas especiais. os resultados podem ser muito mais significativos. singulares. que tem suas necessidades particulares e não podem ser estigmatizadas ou pré-julgadas pela necessidade especial que possui. A este respeito Mittler (2003). participaram deste processo. considero muito relevante para o sucesso ou fracasso do aluno com necessidades educativas especiais. Dentre estes assuntos também está inserida a educação inclusiva. sem perspectivas. mas. discorre que. No decorrer desta pesquisa fui levada a desmitificar muitos assuntos que estão presentes na carreira docente e que acabam se difundindo e formando um pensamento quase que unificado. o que foi aprendido e o que foi vivido durante esta pesquisa. Mas tenho a certeza de este trabalho expandiu meus horizontes. e sempre demonstraram um interesse muito grande pelo assunto da inclusão. modificou muitas das minhas convicções e tornou-me uma pessoa mais politizada no que se refere à educação inclusiva. tive o apoio de muitas pessoas. tanto conhecimento adquirido. O olhar do professor. Para que esta conquista fosse possível. ainda é muito mal interpretada pelos professores. Talvez faltem as palavras para descrever tanto aprendizado. com certeza as possibilidades de avançar no processo de ensino e aprendizagem serão mínimas.

. Isso acontece. mas. isto é. A inclusão dos alunos com necessidades especiais nas escolas regulares é um benefício muito grande. Segundo Morin (2003). 2003. e a confiar mais em si mesmas. A cultura acumula em si o que é conservado. “o homem é um ser plenamente biológico. é preciso quebrar uma série de paradigmas e crenças que foram fomentadas e difundidas durante décadas. sua auto-estima. p.. aprendido. Porém. Para que a inclusão aconteça realmente. e que com certeza ainda influenciam nosso meio. que eles não têm habilidades ou conhecimentos para educar com êxito alunos com necessidades educacionais especiais. para que isso aconteça é preciso expandir o olhar para fora dos muros da escola. Sendo assim.” No decorrer deste trabalho percebi que a escola ainda está muito aquém de oferecer processos de inclusão verdadeiramente significativos às crianças com necessidades educativas especiais. em parte.(MITTLER. mas sim o afeto. mas também para as crianças sem necessidades educativas especiais que convivem com eles. e para fora da questão orgânica.] a maioria dos professores já tem muito do conhecimento e das habilidades que eles precisam para ensinar de forma inclusiva. O que lhes falta é confiança em sua própria competência. A falta de estrutura. devido à falta de oportunidades de treinamento e. ao mito existente há muito tempo acerca da especialização das necessidades especiais que os fazem acreditar que a capacitação especializada é um requisito para a inclusão. aumentando assim.. o carinho e acima de tudo a vontade de fazer a diferença na vida destas crianças. Não é de uma hora para outra que vamos mudar o pensamento de toda uma sociedade. seria um primata do mais baixo nível. 184) Considero que o mais importante não seja o preparo especializado. mas o começo é necessário. a formação em educação especial. transmitido. as crianças aprendem a conviver com as diferenças e a respeitar suas próprias limitações. afinal somos todos seres formados de cultura e baseados na experiência. e comporta normas e princípios de aquisição. o pensamento retrógrado de algumas instituições não colaboram para a evolução de uma educação mais inclusiva e voltada para todos. Conhecer seu aluno e suas necessidades é muito importante para oferecer um trabalho pedagógico significativo. não só para eles. se não dispusesse plenamente da cultura.68 [. em parte. pois possibilita a participação dos mesmos em ambientes de aprendizagem mais desafiadores e menos excludentes.

a meu ver está sendo decisivo para o aprendizado destas crianças. Como todo o começo. dúvidas e angústias que só serviram para instigar. conheci um novo mundo. ainda mais. As crianças com necessidades especiais que fizeram parte deste trabalho. Através dela deparei-me com uma série de questionamentos. Nos estudos de caso apresentados às crianças contam com um apoio muito significativo de todos estes segmentos. resguardando assim. a inclusão não pode ser considerada uma utopia. que me proporcionaram muito conhecimento. . e são muito privilegiadas por terem a seu lado pessoas que trabalham e lutam pelo seu sucesso. de respeito ao próximo. e como sendo um marco na minha profissão. Por isso. A inclusão só acontece quando escola. estas crianças estão sendo incluídas. Todo ser humano tem direito à educação. seus direitos. Portanto. e se negarmos a inclusão estaremos negando também o direito a uma vida digna para todas as pessoas. Através dela adquirimos noções de cidadania. de ética. mas penso que se a vontade de enfrentá-las. além do carinho das educadoras e dos colegas. elas serão sempre lembradas com muito carinho. A escola é a mediadora entre as culturas. e de construir novos caminhos for maior. traz muitas dúvidas e incertezas sobre o seu sucesso.69 Esta pesquisa foi muito válida para mim. e mais do que isso. Através delas. foram às primeiras crianças com necessidades especiais com quem convivi na relação aluno/professor. família e sociedade convergem para este evento. a educação é o alicerce de uma sociedade. Tenho a consciência de que estamos apenas começando no processo de inclusão. o que. colaborando para uma sociedade menos excludente e mais acolhedora. com novos olhares e diferentes perspectivas. Afinal. foram muito importantes para o meu aprendizado e para o sucesso desta pesquisa. Com certeza. as ansiedades vão diminuindo e projetos pedagógicos mais condizentes com a realidade das crianças com necessidades educativas especiais surgirão. Existem países que estão muito mais desenvolvidos neste assunto. é difícil. e se esta pregar de alguma forma o preconceito. isso se perpetuará e refletirá em uma sociedade discriminatória onde os direitos humanos não são considerados. Como já foi dito em outros capítulos. minha vontade de buscar um conhecimento maior sobre as crianças com necessidades especiais e seu processo de inclusão na escola regular. seja ele portador de necessidades especiais ou não.

há uma gama diversificada de necessidades educativas especiais. estruturada com base em pesquisas. adequando práticas e novos modos de acolhimento a todos. a sociedade se configura e reconfigura continuamente. dúvidas quanto à capacidade de professores em todas as áreas do conhecimento. relevante na sociedade contemporânea. . Ainda há pouca literatura nas bibliotecas. coerentes com as demandas sociais. participação da família e da sociedade. capacitação e formação continuada de professores. Trata-se de um campo aberto a novos estudos e pesquisas. diante do confronto contínuo com a diversidade humana. Além disso. além do autismo e da síndrome de Down. Entretanto. estudos. Nesta dimensão.70 Ressalto a importância de novos estudos e pesquisas sobre o tema. menos excludentes. Há opiniões contraditórias. uma vez que o mesmo é abrangente e socialmente relevante. Tratase de um convite para lançar novos olhares. esse processo requer pesquisas.

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ANEXO IV: Roteiro da entrevista efetuada com a professora de artes. . ANEXO II: Roteiro das entrevistas efetuadas com as Professoras da APAE.76 ANEXOS ANEXO I: Roteiro das entrevistas efetuadas com as mães das crianças. ANEXO III: Roteiro das entrevistas efetuadas com as educadoras da Educação Infantil.

etc? 19. Ela tem acompanhamento de outros profissionais como fonoaudiólogo. Quando vocês ficaram sabendo que a Catarina tinha Síndrome de Down? Quem deu a notícia? 12. Quando vocês ficaram sabendo que Pedro era Autista? Quem deu a notícia? 2. Qual é a rotina da Catarina aos finais de semana? 18. fisioterapeuta. Ele tem acompanhamento de outros profissionais como fonoaudiólogo. Você sentiu melhora em algum aspecto do comportamento da Catarina depois que ela começou a freqüentar a escola regular? 21. fisioterapeuta. Qual foi a reação da família? 4. Ele demonstra gostar de freqüentar a APAE? E a escola regular? 6. Quantos dias por semana Pedro freqüenta a APAE? 5. Você percebe algum tipo de preconceito em relação à Catarina? . Como você vê a Inclusão escolar? 20. Como você vê a Inclusão escolar? 10. Qual foi a reação da família? 14.77 ANEXO I: Roteiro das entrevistas efetuadas com as mães das crianças. Como foi a gravidez? E o parto? 3. PEDRO 1. Você sentiu melhora em algum aspecto do comportamento de Pedro depois que ele começou a freqüentar a escola regular? 11. Porque foi tomada a decisão de matriculá-lo na escola especial e na regular? 7. Como foi a gravidez? E o parto? 13. Ela demonstra gostar de freqüentar a APAE? E a escola regular? 16. psicólogo. Você percebe algum tipo de preconceito em relação a ele? CATARINA 12. etc? 9. Quantos dias por semana Catarina freqüenta a APAE? 15. psicólogo. Qual é a rotina de Pedro aos finais de semana? 8. Porque foi tomada a decisão de matriculá-la na escola especial e na regular? 17.

Qual é o trabalho feito pela APAE junto aos professores da escola regular? 8. Qual a sua visão sobre a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais na escola regular? . Você acha importante este acompanhamento? 18. Qual é o trabalho feito pela APAE junto aos professores da escola regular? 17. Você sentiu melhora no seu desenvolvimento? 15. Com quantos anos Catarina começou a freqüentar a APAE? 5. Com quanto tempo de vida pode ser iniciado? 13. Qual a sua visão sobre a inclusão de crianças com necessidades educacionais especiais na escola regular? CATARINA 10. Você sentiu melhora no seu desenvolvimento? 6.78 ANEXO II: Roteiro das entrevistas efetuadas com as Professoras da APAE PEDRO 1. Você acha importante este acompanhamento? 9. Com quanto tempo de vida pode ser iniciado? 4. Você acha importante que Pedro esteja inserido na escola regular também? 16. Que trabalho é feito com portadores de Síndrome de Down? 2. Com quantos anos o Pedro começou a freqüentar a APAE? 14. Que trabalho é feito com as crianças que têm Autismo? 11. Quais são os métodos utilizados? 3. Quais são os métodos utilizados? 12. Você acha importante a Renata estar inserida na escola regular também? 7.

Qual foi sua reação quando soube que teria uma criança com Síndrome de Down em sua classe? 2. Como os colegas se comportam com ela? 4. Você percebe algum tipo de preconceito dos colegas para com ele? 5. Como Pedro se comporta em sala? Ela participa das atividades? 3. Você acha importante ele freqüentar a APAE? 8. Como você vê a questão da inclusão escolar? 9. A Catarina recebe tratamento diferenciado do resto da turma? 6.79 ANEXO III: Roteiro das entrevistas efetuadas com as educadoras da Educação Infantil. Como você vê a questão da inclusão escolar? 9. Como a Catarina se comporta em sala? Ela participa das atividades? 3. Você acha importante ela freqüentar a APAE? 8. Você considera importante a participação das Professoras da APAE no desenvolvimento escolar do Pedro? 7. O Pedro recebe tratamento diferenciado do resto da turma? 6. Você acha que é importante na Educação Infantil? 10. PEDRO 1. Você acha que é importante na Educação Infantil? 10. Qual foi sua reação quando soube que teria uma criança com Autismo em sua classe? 2. Você considera importante a participação das Professoras da APAE no desenvolvimento escolar da Catarina? 7. Na sua visão esta inclusão acontece com o Pedro? CATARINA 1. Na tua visão esta inclusão acontece com a Catarina? . Como os colegas se comportam com ele? 4. Você percebe algum tipo de preconceito dos colegas para com ela? 5.

Você acha que a Arte pode contribuir para a inclusão? 7. A aula de Artes mais especificamente. Você vê algum defeito nas políticas de inclusão? Quais são? 6.80 ANEXO IV: Roteiro da entrevista efetuada com a professora de artes. Você acha que ela está acontecendo de forma completa? 5. Você tem alunos com necessidades educativas especiais em sua aula? Quantos? 3. O que você pensa sobre a inclusão? 4. é significativa neste contexto? 8. Você é professora de Artes á quanto tempo? 2. Você pode relatar alguma experiência gratificante que teve na aula de artes com estas crianças? . 1.