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Pesquisa Que propostas o PCB deve dePartido Comunista Brasileiro www.pcb.org.br fender na campanha eleitoral .

N° 248 – 23 .02.2012 para a Prefeitura de Cascavel? para. As sugestões serão anotadas e Rumo aos 90 anos do Partidão! debatidas para se somar às 21 Ações Revolucionárias, que em março terão uma revisão para incluir as novas propostas. Veja as 21 no blog:

PerCeBer

Especial

Hoje, uma edição especial: Imprensa Popular, jornal nacional do PCB. A edição http://pcbcascavel.wordpress.com local retorna dia 1º de março

Lembre-se: em Cascavel, nós somos a Revolução!

lar Imprensapu Po
Ano VI. Nº 37 Jornal do Partido Comunista Brasileiro . www.pcb.org.br. Fevereiro 2012

O quadro da Saúde

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O capital brasileiro pelo mundo
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Entrevista expõe interesses por detrás da Copa 2014
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Fevereiro 2012

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Editorial

PCB nos estados

BRASILIA – DF Telefax.: (61) 3323 – 2226 pcb@pcb.org.br RIO DE JANEIRO–RJ Telefax.: (21) 2262 – 0855 / 2509 – 3843 pcb@pcb.org.br CONTATOS ESTADUAIS PCB – ALAGOAS Tel.:(82) 3032 – 6125/9962 – 6323/8805 – 5636 pcbal@pcb.org.br PCB – AMAPÁ Tel.: (96) 8119 – 2268 PCB – AMAZONAS Tel.: (92) 3635 – 6999 PCB – BAHIA Contato (71) 9609-3219 (Sandro ) PCB – CEARÁ Tel.: (85) 3292 – 4103 / 8801 – 6492 – Carlinhos PCB – DISTRITO FEDERAL Telefax.: (61) 3323 – 2226 PCB – GOIÁS Tel.: (62) 3626 0893 PCB – MARANHÃO Tel.: (98) 3221 – 3635 PCB – MINAS GERAIS Telefax.: (31) 3201 – 6478 pcbminas@ig.com.br PCB – PARÁ Tel.: (91) 3081 – 5762 pcbpa@pcb.org.br PCB – PARANÁ Tel. : (41) 3322 – 8193 pcbpr@pcb.org.br PCB – PERNAMBUCO Telefax (81) 3423 – 1394 PCB – PIAUÍ Tel. : (86) 3213 – 1305 – Rogaciano Veloso pcbpi@yahoo.com.br PCB – RIO DE JANEIRO Telefax.: (21) 2509 – 2056 pcbrj@pcb.org.br PCB – RIO GRANDE DO NORTE Tel.: (84) 8845 – 4872 PCB – RIO GRANDE DO SUL Tel. : (51) 3062-4141 pcbrs@pcb.org.br PCB – RONDÔNIA Tel.: (69) 3215 – 5782 PCB – SANTA CATARINA Tel.: (48) 3433 – 0843 FAX (48) 3437 – 1338 pcbsc@pcb.org.br PCB – SÃO PAULO Tel.: (11) 3106 – 8461 pcb@pcb–sp.org.br PCB – SERGIPE Tel. : (79) 8802 – 1037

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A nova fase do Imprensa Popular

Uma derrota para a humanidade
Motivos justificaM Mais que desconfiança na coMissão nacional da verdade
Embora a criação da Comissão Nacional da Verdade tenha sido criticada por setores de extrema-direita, representados no Congresso Nacional pelo deputado federal e excapitão do Exército Jair Bolsonaro, o fato é que ela pouco significa no esclarecimento dos crimes cometidos pelo aparato repressivo contra a humanidade durante a ditadura imposta ao país a partir de 1964.
edidas anteriores poderiam ter sido tomadas nesse sentido, sem que a iniciativa partisse do Palácio do Planalto e de sua base de apoio no legislativo. Bastaria cumprir a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que julgou o Estado brasileiro responsável pelas mortes na Guerrilha do Araguaia. A Corte ordenou ao Brasil que investigue os fatos e que condene os culpados. Nem essa decisão, que poderia servir como argumento aos covardes palacianos frente àqueles que querem deixar os crimes impunes, e que poderia dar início ao processo de elucidação dos fatos, serviu para avançarmos. A escolha dos três poderes da República foi deixar o Brasil se tornar pária do Direito Internacional para manter as conveniências políticas que dão sustentação ao atual status quo. Portanto, e levando em consideração os moldes em que foi criada, a comissão criada pelo governo tende fortemente a resultar em mero embuste. Os crimes cometidos pelo aparato militarempresarial durante a ditadura permanecerão sem a devida condenação. A Comissão Nacional da Verdade aprovada contará com apenas sete membros, alguns dos quais poderão ser militares, não disporá de autonomia financeira; investigará quatro décadas em apenas dois anos; está sujeita ao sigilo das informações que obtiver e não poderá remeter suas conclusões ao Ministério Público e à Justiça. Aliás, para manter a impunidade, o Supremo Tribunal Federal declarou que o alcance da comissão não transgredirá os limites da absurda Lei de Anistia. Seu caráter está, desde a origem, comprometido. E não é por outro motivo que o líder do DEM, deputado ACM Neto, elogiou “a boa fé e o espí-

Política

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PCB completará, no próxiNesse sentido, e em consonânmo dia 25 de março, 90 anos cia com as Resoluções do XIV de luta. Entre as atividades Congresso Nacional do PCB, a e iniciativas que marcarão a data Comissão Política do Partido deestá o reforço do Imprensa Popular cidiu lançar uma campanha de como canal privilegiado de comu- assinaturas. Para que esta emnicação entre o Partido e a socie- preitada funcione a contento, é dade. Melhorias em sua periodi- dever de cada CR, base e milicidade, maior tiragem e melhor tante do PCB coletar, junto aos distribuição amigos e simsão mais que patizantes do Para sua consolidação, necessárias e Partido, assio IP necessita de um se materialinantes para a zarão através Imprensa Potrabalho profícuo entre os dos esforços pular. comunistas e o jornal. A coordenados Também está entre a equiem produção propaganda e a agitação pe de redação uma edição esem torno da publicação e a militância pecial em codo PCB. memoração ao são fundamentais Para sua aniversário do consolidação, Partido. Trabao IP necessita de um trabalho lhamos para que você a tenha em profícuo entre os comunistas e o mãos no dia 25 de março. Devido jornal. A propaganda e a agitação a tal esforço, prioritário, decidiem torno da publicação são fun- mos que esta edição do IP, que damentais, bem como a organiza- você lê, seja publicada apenas ção que nos permita elevar a ca- em versão online – nada impede, pilaridade do Imprensa Popular porém, que você a imprima caso entre os trabalhadores, estudan- prefira fazer sua leitura com o tes, militantes políticos e sociais. papel em mãos.
Os últimos soldados da Guerra Fria Memórias Reveladas

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“Para manter a impunidade, o Supremo Tribunal Federal declarou que o alcance da comissão não transgredirá os limites da absurda Lei de Anistia”.

dicas

No início dos anos 1990, Cuba criou a Rede Vespa, grupo de 12 homens e duas mulheres que se infiltrou nos EUA para espionar alguns dos 47 grupos anticastristas sediados na Flórida. O motivo era colher informações com o intuito de evitar ataques terroristas ao território cubano - em cinco anos, foram 127. O livro de Fernando Morais narra a fibra inquebrantável desses espiões cubanos em território americano e revela os tentáculos de uma rede terrorista com sede na Flórida e ramificações na América Central.

O Arquivo Nacional é responsável pelo recebimento de documentos referentes a repressão no Brasil, e para isso crio u o hot site Memórias Reveladas, que pode ser acessado no link www.memoriasreveladas. arquivonacional.gov.br. Já foram inseridos mais de 400.000 registros no banco de dados. Apenas em 2010, o Arquivo Nacional recebeu cerca de 50.000 páginas de documentos do extinto Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa), até então dados como destruídos – numa demonstração de que é imperioso continuar lutando pela abertura de todos os arquivos.

O veneno está na mesa

O documentário de Silvio Tendler relata casos de morte e doenças de agricultores intoxicados e de leite materno de agricultoras contaminado por pesticidas, entre outros absurdos de um Brasil que é o país do mundo de maior consumo de agrotóxicos (5,2 litros/ano por habitante). Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

rito público” da presidente da República acerca do tema. Mais acintoso foi o líder do PT na Câmara dos Deputados, Paulo Teixeira, que chegou a agradecer expressamente aos comandantes militares pela “saída encontrada” para a questão. Sim. Tal comissão resultou do consentimento dos alto escalão das Forças Armadas, que neste sentido tiveram como prestativos aliados o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim e seu assessor – também petista – José Genoíno. A luta pelos esclarecimentos – e punição – dos crimes militares prossegue. Cabe lembrar o final do artigo assinado pelo secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro, no aparentemente longínquo 29 de janeiro de 2010:

“Exigimos a verdade sobre todos os desaparecidos, além dos camaradas que aqui homenageamos: Célio Guedes David Capistrano Elson Costa Hiram Pereira de Lima Itair José Veloso Jayme Miranda de Amorim João Massena de Melo José Montenegro de Lima Luiz Maranhão Filho Nestor Veras Orlando Bonfim Walter Ribeiro”

Nos estados
A culpa pelas tragédias não é da natureza

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imprensa.popular@pcb.org.br . Fundado por Pedro Motta Lima . Diretores Responsáveis Eduardo Serra, Edmilson Costa e Ivan Pinheiro Edição Paulo Schueler (MT 28.923/RJ). Diagramação Daniel de Azevedo Imprensa Popular é uma publicação da Fundação de Estudos Políticos Econômicos e Sociais Dinarco Reis. CNPJ: 04.345.176/0001-36 É permitida a reprodução, desde que citada a fonte

Durante o verão, em várias cidades do Brasil, as enchentes e os deslizamentos de terras provocam alagamentos e mortes, além de deixar milhares de pessoas desabrigadas. Nova Friburgo, no Estado do Rio de Janeiro, foi duramente castigada em janeiro de 2011 após o descaso governamental fazer com que chuvas destruíssem grande parte da cidade e ceifasse vidas. Cerca de um ano depois, o Fórum Sindical e Popular da cidade, formado por sindicatos, associações de moradores e partidos de esquerda, realizou ato público de protesto contra a falta de investimentos no período. O PCB e a UJC estiveram à frente da mobilização. “Somente através da luta organizada, trabalhadores e moradores das comunidades atingidas conquistarão o que lhe é de direito: construção de moradias em áreas seguras e com dignas condições de vida (infraestrutura, saúde, educação, transporte); plano permanente de preservação ambiental, na contramão da lógica capitalista destruidora; controle popular sobre as políticas públicas envolvendo o uso do solo urbano, a oferta de serviços públicos e infraestrutura urbana, a estruturação da Defesa Civil e outros órgãos relacionados para as ações de prevenção de inundações, desabamentos e desastres afins”, afirmou o partido, em nota distribuída à população.

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Fevereiro 2012

Entre 2000 e 2003, a média do Investimento Estrangeiro Direto (IED) do Brasil era de US$ 1 bilhão. Em 2010, somente as 20 maiores empresas brasileiras investiram US$ 56 bilhões no exterior. A América Latina é parte estratégica deste crescimento: 20% do IED na Bolívia são oriundos da Petrobras, 80% da soja do Paraguai pertencem a brasileiros e, na Argentina, 24% das aquisições empresariais no período 2003-2007 foram de capital brasileiro.

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Internacional

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“É NECESSáRIO DAR UM
tenas, na Grécia, foi palco do último Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários. Presente ao evento, o secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista Brasileiro (PCB), Edmilson costa, concedeu entrevista ao Imprensa Popular. Nela, entre outras coisa, defende que os PCs estabeleçam planos de trabalho em conjunto. IMPRENSA POPULAR– Desde 2008, a conjuntura impõe aos encontros de Partidos Comunistas uma articulação de trabalho e movimentações conjuntas. Como o PCB espera contribuir com essa necessidade? EDMILSON COSTA – O PCB valoriza muito os encontros, bem como os esforços dos camaradas organizadores, mas a fórmula em que estes eventos estão sendo realizados está se esgotando, pois é necessário dar um salto de qualidade na organização e objetivos. É necessário deixarmos de ser um encontro de amigos e camaradas, onde cada um faz um discurso protocolar de 10 minutos e depois as delegações vão embora, sair da retórica para o campo prático. Os partidos precisam coordenar melhor o trabalho, tirar calendários de lutas, realizar iniciativas conjuntas, tanto regionais quanto internacionais, coordenar as lutas nas diversas regiões. Enfim, trabalhar de forma coordenada para atuar de maneira mais efetiva na luta de classes. IP – O PCB critica eventos como o Fórum Social Mundial por seu clima de “festividade”. Como os encontros entre os PCs podem não cair no mesmo erro? EC – Nossa crítica a esses movimentos vem do fato de que todos eles tem influência do pós-modernismo. Negam a totalidade, a história, os partidos políticos, a luta de classes. Veem o mundo de maneira fragmentada, se aferram ao espontaneismo e ao movimentismo, cujo resultado é a própria derrota ou esvaziamento dos movimentos,

Entrevista com o secretário de Relações Internacionais do PCB, Edmilson Costa

SALTO DE qUALIDADE”
influir decisivamente na luta de massas em cada País. IP – De que forma eventos como o encontro dos PCs podem alavancar as ações efetivas de organizações com presença marcante dos comunistas, como FSM, FMJD, FDIM e CMP? EC – Nós entendemos que o processo de lutas de classe em curso, em função da crise sistêmica mundial e das lutas sociais que estão se iniciando em todo o mundo, demanda um trabalho dos comunistas de as instituições históricas dos trabalhadores, da juventude, das mulheres e da luta pela paz. Portanto, nós devemos fortalecer A Federação Sindical Mundial (FSM) como o polo classista dos trabalhadores, a Federação Mundial das Juventudes Democráticas (FMJD), a Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIM) e o Conselho Mundial da Paz (CMP). Essas entidades, por sua tradição de luta, na medida em que se tornarem mais fortes e enraizadas junto à sociedade, terão condições de influir de maneira mais efetiva na luta de classe em todo o mundo. IP – No caso do PCB, que colaboração podemos dar para que esses eventos tenham mais organicidade, sobretudo na América Latina? EC – Com relação à América Latina, temos procurado desenvolver um trabalho intenso no sentido de fortalecer o internacionalismo proletário, realizar a solidariedade com as lutas de todos os povos contra o capital e o imperialismo, independentemente das formas de luta e da realidade de cada país. Nossa solidariedade em relação aos trabalhadores e aos povos em luta contra o imperialismo é incondicional. Temos ainda procurado fortalecer os laços com os partidos comunistas e organizações revolucionárias da região, visando um trabalho mais coordenado para ações conjuntas.

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A

BNDES, o caixa-forte do imperialismo verde-amarelo
A expansão do empresariado brasileiro pelo globo terrestre ocorre, em grande parte, com apoio governamental. E o principal braço do Estado brasileiro nessas operações é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O braço de investimentos do banco, o BNDESPar, tem o maior portfólio de ações no Brasil depois da Previ, fundo de pensão dos empregados do Banco do Brasil. A partir de 2003, com uma nova linha de crédito especial, as empresas encontram financiamento governamental específico para a expansão. O BNDES chegou a alterar seu estatuto para apoiar empresas com capital brasileiro na implantação de investimentos e projetos no exterior. O primeiro grande beneficiário foi o frigorífico Friboi, que comprou 85% da principal empresa de carne bovina argentina, Swift Armour. A “aliança” persiste: recentemente, o BNDES participou da aquisição da norte-americana Pilgrim’s Pride e da associação com o Bertin pelo JBS, criando a maior empresa de carnes do mundo. Integração regional? Há ainda que se observar o modelo de “solidariedade” e “integração” propagandeados pelos setores governistas: no empréstimo feito ao governo do Equador para a construção da hidrelétrica de San Francisco, o BNDES obrigou a contratação de uma empresa brasileira para a obra, a Odebrecht, além da aquisição de insumos e equipamentos do Brasil. Desde 2005, quando este “apoio” foi incrementado pelo banco, já foram investidos R$ 9 bilhões em empréstimos e compra de participação acionária de empresas com ambições de se tornarem multinacionais. 70% desta quantia financiou a aquisição de empresas estrangeiras, 20% foram colocados em novos projetos, principalmente fábricas e centros de distribuição, e outros 10% na expansão de atividades já existentes. Não há critérios para essa derrama de dinheiro: o BNDES financiou, por exemplo, a compra de carvão vegetal na Bolívia para servir de insumo às obsoletas e poluidoras centrais termoelétricas do conglomerado empresarial de Eike Batista.

capitalismo brasileiro se expande pelo mundo. O setor de aço talvez seja o que mais claramente exemplifica esta realidade: empresas como Gerdau, CSN e Vale estão presentes em diversos países. Outros dois ramos de produção também merecem destaque: o automotivo (Sabó, Marcopolo e Randon) e o da construção civil (Odebrecht, Camargo Correa e Andrade Gutierrez). Isso sem contar a grande “campeã nacional”, a Petrobras. Governo e mídia, quando tocam no assunto, não escondem o orgulho que tal realidade desperta nas elites. Ocorre que estas empresas atuam como qualquer outra transnacional, o que corretamente gera resistência por parte dos povos. Organizações ambientalistas do Equador denunciam sistematicamente os problemas causados pela Petrobras no Parque Nacional Yasuní. Na Bolívia, a Petrobras também é acusada de imperialismo. As empreiteiras são apontadas por violações, irresponsabilidade com obras e corrupção: a Odebrecht chegou a ser expulsa do Equador por falhas graves na obra da hidrelétrica San Franscico; a Queiroz Galvão teve que sair da Bolívia acusada de graves fissuras na construção de uma estrada, deixando a obra para outra brasileira, OAS, que foi acusada de corrupção e fraude no processo de licenciamento. Os impactos ambientais, sociais e trabalhistas das atividades da Vale são sofridos por trabalhadores no Peru, Indonésia, Canadá e outros países. E isso deve piorar. Estudo da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização (Sobeet) aponta que as companhias brasileiras desembolsaram US$ 32,6 bilhões de 2008 a novembro de 2011 com sua internacionalização.

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Entre as maiores ações realizadas apenas no ano de 2011, estão:
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como já ocorreu em diversas ocasiões na América Latina e com o próprio Fórum Social Mundial. Os movimentos sociais são importantes, mas cada um tem sua bandeira específica. Um sindicato luta por melhores condições de salário e trabalho para sua categoria. Uma entidade dos moradores luta por melhores condições de vida nos bairros. Portanto, tem horizontes estratégicos limitados. Somente o partido político tem condições de formular uma linha política geral para a realização das transformações sociais. IP – E como fazer isso em nível internacional, em meio a tantas diferenças de avaliação sobre estratégia e tática no seio do MCI? EC – Realmente, há uma grande diversidade de posicionamentos e de entendimento da realidade mundial entre os partidos comunistas e operários. Muitos partidos estão no campo do reformismo, outros participam de governos tradicionais, a serviço do capital. No entanto, entendemos que é imprescindível fortalecermos o polo comunista no interior do movimento, com troca de experiências, iniciativas conjuntas, aportes teóricos, tendo sempre como norte o marxismo-leninismo, o internacionalismo proletário e o combate ao reformismo, de forma a resgatar as tradições revolucionárias do movimento comunista internacional e

Compra de 32% da cimenteira portuguesa Cimpor, com presença em 13 países, pela Camargo Corrêa, por 1,5 bilhão de euros. Outra fatia, por 1 bilhão de euros, foi adquirida pela Votorantim; Compra da participação na Bolsa de Chicago pela BM&FBovespa, por US$ 620 milhões; Aquisição do controle acionário do Banco da Patagônia pelo Banco do Brasil, por US$ 479,6 milhões; As compras da austríaca Watt Drive, da norte-americana Electric Machinery e da argentina Pulverlux pela WEG; A Iochpe-Maxion adquiriu a norte-americana Hayes Lemmerz International; e Aquisição de participação acionária do banco suíço Sarasin pelo banco Safra. E quanto dinheiro as empresas brasileiras já possuem fora do país? A pergunta pode ser respondida pelo relatório Capitais Brasileiros no Exterior (CBE), do Banco Central. Segundo o levantamento, os estoques de ativos no exterior pertencentes a pessoas jurídicas do Brasil somavam US$ 274,6 bilhões no ano-base 2010 – o último a ter seus dados consolidados.

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A Internacional

Comunistas húngaros avaliam situação “imprevisível”
A entrada em vigor de uma nova constituição na Hungria é vista pelo Partido Comunista dos Trabalhadores Húngaro (Munkáspárt) como uma clara tentativa de impedir convulsões sociais que podem ser geradas pela crise do capitalismo - que torna a situação húngara, nos termos da organização, “ainda mais grave e imprevisível”. Em nota, o Munkáspárt adverte que os capitalistas húngaros sabem que “se o sistema Euro ou a União Europeia entrarem em colapso, advirão convulsões sociais ainda mais dramáticas que as da Grécia. Eles entendem que o povo está insatisfeito e muitas pessoas consideram que o socialismo foi melhor do que o capitalismo”. Ao afirmar que “não há uma situação revolucionária na Hungria”, o partido diz que “as coisas podem se tornar mais graves... É por este motivo que preparamos o partido, nossos membros e unidades para uma luta de classes mais radical que pode se manifestar a qualquer momento”.

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Matéria de capa
Os fatos referentes à situação geral da saúde no Brasil são bastante conhecidos: hospitais e redes ambulatoriais públicos pouco aparelhadas ou mesmo inexistentes em muitos locais, falta de pessoal, medicamentos e mesmo material de atendimento de emergência, baixos salários para os profissionais do setor. Alguns programas do Ministério da Saúde e de governos estaduais e municipais – como a Farmácia Popular e o de Médicos de Família –, embora positivos, têm pouca abrangência. É inócua a presença do atendimento em domicílio, no caso do primeiro, e muito restrita a lista de medicamentos oferecidos, no segundo. Na maioria dos casos (com a exceção dos poucos medicamentos vendidos na categoria genéricos), os medicamentos são extremamente caros e apenas em casos muito especiais – como no Programa da AIDS, são oferecidos gratuitamente, pelo Estado, aos usuários. Não à toa, o Brasil está abaixo da maioria dos seus vizinhos no que diz respeito aos principais indicadores de saúde, como mortalidade infantil (28,5 até os cinco anos), desnutrição infantil (atinge 20% da população) e expectativa de vida (73 anos, abaixo de Chile e Cuba com 78, Argentina, Uruguai e Paraguai com 76).

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o Brasil, a presença de doenças endêmicas vem se tornado mais comum. É o caso da Dengue. Muito pouco se faz quanto a medidas preventivas – que requerem ações integradas simples de órgãos públicos diversos e participação direta da população para o controle do mosquito transmissor. Na outra ponta, os 45 milhões de brasileiros que usam os planos enfrentam unidades precárias e salas de espera lotadas, sendo atendidos por profissionais que trabalham muito e recebem baixos salários. Muitos planos oferecem poucos serviços e encaminham a maioria dos procedimentos necessários para a rede pública. Este não é o caso dos que utilizam as versões mais sofisticadas, cujos serviços incluem transporte por helicópteros para os melhores hospitais de referência de qualquer cidade do país. Eles, como a maior parte dos atendimentos diretos nos consultórios dos médicos mais conhecidos e na rede privada mais sofisticada, requerem o pagamento de mensalidades inacessíveis para a quase totalidade dos usuários. A privatização do que resta do sistema público e a “melhoria de sua gestão” estão entre as propostas de solução mais presentes na mídia e nas declarações dos governos. Outra proposta é a das Unidades de Pronto Atendimento – as UPAs –, lançadas no Rio de Janeiro, que funcionam 24 horas por dia e são destinadas ao atendimento de casos de urgência. Discute-se também a implantação do SUS, o Sistema único de Saúde, criado em 1988 e até hoje não efetivada a contento.

SOSSaúde
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Fróes

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Brasil está abaixo da maioria dos países vizinhos nos principais indicadores de saúde

Recursos são desviados para o pagamento da dívida

Como o quadro atual se formou
Por que não temos, no Brasil, um sistema de seguridade social – saúde, previdência e assistência – público, gratuito, de qualidade e de acesso universal, como é o caso de Cuba e mesmo de países capitalistas como França e Canadá? Em 1988, em meio aos debates no Congresso Constituinte, deu-se uma intensa disputa entre os empresários da Saúde, aliados aos representantes das empresas farmacêuticas, e as forças progressistas, então bastante organizadas e mobilizadas socialmente. A nova Constituição, trazendo importantes avanços nas áreas sociais, consagraria o conceito de seguridade social – Saúde, assistência e previdência como questão pública e de responsabilidade do Estado, eliminando as diferenças entre trabalhadores rurais e urbanos e entre segurados e não segurados. Criava-se o SUS, com uma rede hierarquizada, regionalizada e descentralizada de atendimento integral, estando prevista a participação direta da sociedade. O sistema privado era visto como de natureza complementar. No entanto, a operacionalização do SUS não ocorreu e as medidas adotadas tiveram pouco impacto. No novo governo as forças progressistas detinham menos espaço e houve claros retrocessos na condução da política. Prosseguiu, ao longo dos anos 90, já sob hegemonia neoliberal, a disputa entre os projetos da reforma sanitária e da saúde vinculada ao mercado. No período, por conta das políticas de cunho neoliberal adotadas, reduziu-se e redirecionou-se o papel do Estado, com privatizações de empresas públicas, demissões de servidores e apoio aos investimentos privados. Iniciou-se, a passagem das atividades da saúde para o setor privado – reservando-se ao Estado o papel de regular e gerenciar o sistema, e um processo de reforma da Previdência, com o claro intento de desmontar a Seguridade Social na forma contida na Constituição de 1988. O SUS, mesmo recebendo adesão oficial, descumpria a exigência de equidade na separação dos recursos, uma vez que os orçamentos federal, estadual e municipal não foram unificados, não havendo mais, praticamente, ações de prevenção a doenças.

“Serviços incluem transporte por helicópteros para os melhores hospitais de referência de qualquer cidade do país. Eles, assim como a maior parte dos atendimentos diretos nos consultórios dos médicos mais conhecidos e na rede privada mais sofisticada, requerem o pagamento de mensalidades inacessíveis para a quase totalidade dos usuários

Governos do PT mantêm exclusão
Esta situação pouco se alteraria na década seguinte, já sob o governo Lula, que manteria a política econômica de corte neoliberal e promoveria políticas sociais precarizadas, fragmentadas e restritas, do ponto-de-vista orçamentário. Ainda que algumas iniciativas positivas tenham sido tomadas, como a unificação das ações básicas e a ativação de programas como o da Saúde da Família, operou-se, no período, a consolidação do setor privado na saúde, mesmo com a volta do discurso da reforma sanitária. A ofensiva para a privatização prossegue, tendo agora, como alvos, os Hospitais Universitários (HUs) e outras instituições de renome que sofrem tentativas de transformação em Organizações Sociais – as OSs, as OSCIPs – Organizações da Sociedade Civil de Interesse Pùblico – ou em outras formas de privatização, como as “duplas portas”, as Fundações Estatais de Interesse Público e as Parcerias Público-Privadas. No caso dos HUs, o governo tenta implantar uma empresa para gerir os contratos com os trabalhadores – a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. No setor público, em geral continua o processo de precarização e terceirização do trabalho.

É frequente no Brasil, quando se debate a questão da saúde, afirmar que há recursos, mas que são mal gastos. Trata-se de uma mentira. Ainda que haja distorções, o Brasil investe muito pouco em saúde, apenas 3,4% de seu PIB. Observemos: o Uruguai investe 5,1%, o Panamá 4,8% e a Argentina 4,7% - só para ficar na base de comparação com países da América Latina. Países com padrão de desenvolvimento maior, como França e Alemanha, gastam respectivamente 7,2% e 8,0% de seus PIBs com Saúde. Mesmo a tentativa de criar-se uma fonte de receita exclusiva para a Saúde – com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) – não chegou a valer, de fato, para o setor: os cerca de R$ 5 bilhões arrecadados foram desviados para a formação do superávit primário. Até hoje, a vinculação de recursos dos estados (12%) e municípios (15%) não foi regulamentada. E os investimentos em Saúde e demais áreas sociais vêm sendo reduzidos por instrumentos do pacote neoliberal que desde o Governo FHC vem asfixiando as políticas sociais, como a Lei de Responsabilidade de Fiscal e a DRU. Está em tramitação, no Congresso, a regulamentação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 29, que determina os percentuais mínimos para o investimento em saúde da União, dos estados e municípios. Sua implementação está vinculada à criação da Contribuição Social para a Saúde (CSS), que enfrenta resistências dos segmentos conservadores, para os quais recursos adicionais devem vir de “melhorias na gestão do sistema”. Ocorre que, considerando o Orçamento da União, o argumento da falta de recursos é falso: do R$ 1,28 trilhão arrecadado em 2010, o governo gastou R$ 414 bilhões em todas as áreas sociais e absurdos R$ 635 bilhões com o pagamento dos juros da dívida. Este dinheiro deverria ser gasto com melhorias para a população. Fortalecer a Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde Com este quadro, muitos setores do movimento deixaram a luta pela saúde pública universal de lado e se “encastelaram” nos conselhos. Em contraposição, surgem iniciativas como os Fóruns de Saúde e a Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde, que promove discussões, mobilizações e lutas para a universalização da saúde pública. Esta luta enfrenta o poder das empresas que atuam no setor, seja em clínicas e hospitais privados seja na produção e comercialização de medicamentos e equipamentos médicos. Não é aceitável que a saúde seja comercializada como uma mercadoria. Na Saúde, a incoerência do capitalismo é mais evidente e a exclusão revela seu lado mais cruel: seja nas mortes de crianças por desnutrição e falta de cuidados mínimos, seja no sofrimento de trabalhadores que veem parentes à míngua em corredores superlotados ou têm sua vida esvaída enquanto esperam por medicamentos gratuitos.

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Teoria
Ricardo Costa da Gama eorg Lukács nasceu um Budapeste, oriundo de família burguesa. Recusouse a seguir a vida dos negócios para dedicar-se ao estudo das artes e da literatura, tendo grande talento para a crítica. Pela Universidade de Budapeste, torna-se doutor em Leis em 1906 e em Filosofia, em 1909. Desenvolve sólida formação humanista, ao conviver com intelectuais como Béla Bartók, Eugene Varga, Max Weber, Ernst Bloch, Mannheim e outros, sofrendo forte influência da sociologia e da filosofia neokantiana. Aprofundou suas leituras de Marx, Engels e Rosa Luxemburgo após a Revolução de 1917 e, no ano seguinte, entusiasmado com as possibilidades do processo revolucionário mundial, ingressou no Partido Comunista da Hungria. Em março de 1919, eclode a revolução húngara e é proclamada a República Proletária dos Conselhos, a Comuna Húngara, sob a liderança de Béla Kun. Lukács é designado vice-comissário do Povo para a Cultura e a Educação Pública, realizando profunda reforma educacional, socialização das editoras e abertura dos museus e teatros aos trabalhadores. Em agosto, porém, as tropas fascistas de Horthy massacram a experiência socialista na Hungria (5.000 pessoas executadas, 75.000 presas e 100.000 forçadas ao exílio) e obrigam o PC a atuar na clandestinidade. No exílio em Viena, após livrar-se da extradição e da condenação à morte graças à ampla mobilização de intelectuais alemães, prepara os originais de História e Consciência de Classe. Por sofrer forte influência do pensamento de Hegel, acabou se tornando um de seus livros mais polêmicos, renegado pelo próprio autor na sua maturidade intelectual e política, mas que serviu de referência e inspiração para teóricos da Escola de Frankfurt (como Adorno e Benjamin) e do existencialismo (Sartre). A obra ataca o marxismo vulgar da II Internacional, a vertente revisionista de Bernstein e o positivismo dominante nas ciências sociais, além de se alinhar com Rosa Luxemburgo na perspectiva da eclosão da revolução proletária mundial, que não veio. Neste livro, Lukács formula a teoria da reificação (no capitalismo, os fenômenos sociais e as relações entre os homens assumem sempre a aparência de coisas), assim como desenvolve a análise segundo a qual a realidade só pode ser estudada cientificamente a partir do ponto de vista da totalidade. O ponto polêmico é a ideia de que somente o proletariado pode conhecer a realidade em sua totalidade, pois ciência e consciência coincidiriam nele, por ele ser, ao mesmo tempo, sujeito e objeto do conhecimento, ou melhor, o conhecimento de si mesmo significaria o conhecimento de toda a sociedade. Mas esta consciência não é dada de forma imediata; seria, isto sim, produto da luta de classes: pela resistência à sua redução a mera condição de mercadoria, pela luta contra a coisificação da força de trabalho, o operariado tenderia a descobrir e questionar o processo de reificação, revelando o caráter fetichista de toda a mercadoria. Assim, a consciência de si do proletariado seria, simultaneamente, o conhecimento do conjunto das relações capitalistas. O livro foi objeto de vigorosa condenação por parte da Internacional Comunista em seu V

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G

“Mamãe, não quero Mamãe, não quero Mamãe, não quero mais mamar Eu já estou grande Quero saber em quem é que eu vou votar Vota meu filho Que és moço e és viril Vota pra grandeza e pro progresso do Brasil Vota com cuidado Com cuidado vota Dá o teu voto A um sincero patriota!

Foice e martelo, pandeiro e tamborim
Em novembro de 1946, no campo de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, o PCB organizou um desfile em homenagem a Luiz Carlos Prestes. Participaram 22 escolas, a maioria exaltando o “Cavaleiro da Esperança”. Era o ponto alto da relação entre os comunistas e o mundo do samba, o que levou a União Geral das Escolas de Samba (UGES) a ser chamada pela direita carioca como “União Geral das Escolas Soviéticas”.

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Cultura

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do samba junto à sociedade. Era quase uma regra que a organização do carnaval ficasse a cargo de um jornal. Em 1947, cujos festejos ficaram conhecidos como “Carnaval da Vitória” em alusão à vitória sobre o nazi-fascismo, a Tribuna Popular pleiteou este direito. E ele foi negado. Reação e divisão Na época com 200 mil filiados e tendo criado os Comitês Democráticos Populares, organizados em locais de trabalho ou residência para atividades como alfabetização e cursos profissionalizantes, o PCB já havia alcançado 10% da votação nas eleições presidências de 1945, tendo elegido 14 deputados congressistas e o senador mais votado do país, Prestes. Em janeiro de 1947, no pleito para a Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, o PCB conseguiu 18 das 50 cadeiras em disputa, tornando-se a maioria do Legislativo municipal. E tal desempenho foi obtido com o apoio da UGES, cujo presidente Servam Heitor de Carvalho, e o vicepresidente José Calazans, não escondiam suas preferências políticas e ideológicas. Para reduzir a influência do PCB, os setores reacionários criam nova entidade, a Federação Brasileira das Escolas de Samba (FBES). No início, ela recebeu pouca adesão: entre as grandes escolas, apenas a Azul e Branco do Salgueiro se retirou da UGES. Mas os “aderentes” receberam verbas oficiais para o desfile. Em 1948, já com o registro do PCB cassado, a Prefeitura do Rio de Janeiro, sob Mendes de Morais, só liberou verbas para as escolas filiadas a FBES. Muitas escolas de samba não se renderam, e passaram a ser investigadas pela polícia política, acusadas de “subversão”. Mais tarde, nos arquivos do DOPS, documentos revelariam investigações sobre a “infiltração de elementos comunistas” em escolas, e “recomenda” sua substituição, sob pena de cassação das licenças de funcionamento.

Lukács
Congresso (1924), atacado por Bukharin e Zinoviev pelas “recaídas no velho hegelianismo” e pelo “revisionismo teórico”. Lukács acabou por afastar-se da política partidária ao ser ameaçado de expulsão do PC húngaro após a divulgação de suas Teses de Blum (pseudônimo usado na clandestinidade), derrotadas no II Congresso do Partido (1929), por defender a “ditadura democrática do proletariado e do campesinato” e retratar a classe trabalhadora como herdeira da melhor tradição da humanidade – incluindo aí a tradição revolucionária burguesa – e não apenas a criadora da nova cultura operária. Lukács entendia que a alternativa ao fascismo de Horthy deveria ser um regime de liberdades políticas, construído a partir de uma ampla frente política. Na época, a Internacional Comunista passou a repudiar a aliança com a socialdemocracia, advogando a tática da “classe contra classe”. Em 1930, Lukács segue para Moscou, onde, trabalhando no Instituto Marx-Engels, aprofunda seus conhecimentos sobre o pensamento marxiano ao dedicar-se à leitura dos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844, o que o permite superar as concepções idealistas presentes em História e Consciência de Classe. No plano teórico cultural, busca construir uma estética marxista, aprofundando a concepção do realismo crítico, em contraposição ao naturalismo próprio da literatura burguesa e mesmo da arte proposta pelo “realismo socialista” (stalinista), método voltado à mera descrição dos fenômenos. Com o fim da guerra e a derrota do fascismo, Lukács retorna a Budapeste, é eleito membro do parlamento húngaro e volta a participar ativamente da vida cultural europeia, mas, entre 1949 e 1953, sofre perseguição dos seguidores de Stálin, através de campanha de “descrédito

Não vota, meu filho Não crê na marmelada Dos que prometem tudo E no fim não fazem nada Vota com cuidado Olhe bem a lista Escolha os candidatos do Partido Comunista.”
Marchinha feita por Jararaca (da dupla Jararaca e Ratinho) para as eleições de 1947

E A ATUALIDADE DO MARxISMO
ideológico” orquestrada por militantes e dirigentes do PC húngaro. Volta, então, suas energias a escrever A Destruição da Razão, importante obra na qual investiga as raízes históricas da tragédia alemã (do caminho prussiano ao nazismo), identificando a Alemanha como o “país clássico do irracionalismo” e criticando a postura da intelectualidade moderna (com destaque para Nietzsche), representante da decadência ideológica da burguesia na etapa imperialista, cujas características principais seriam o ataque ao materialismo dialético e a apologia ao capitalismo. Deflagrado o processo de “desestalinização” no XX Congresso do PCUS, Lukács defende a democratização da Hungria, participa do renovado Comitê Central do PC húngaro e assume o cargo de Ministro da Educação e Cultura do governo de Nagy (1956). Mas se demite ao discordar da aproximação às potências ocidentais. As tropas do Pacto de Varsóvia intervêm, Lukács é deportado para a Romênia e, quando retorna a seu país, é expulso do PC. Na década de 1960, após a publicação de sua Estética, ambiciosa tentativa de constituir uma teoria marxista das manifestações artísticas, dedica-se à elaboração de uma Ética marxista, resultando, após estudos iniciais sobre os fundamentos dos valores inscritos na práxis humana, na redação da Ontologia do Ser Social, obra somente publicada na íntegra postumamente. Por mais críticas que tivesse aos Estados socialistas de seu tempo, fortemente marcados por práticas antidemocráticas e burocratizantes, em entrevista do início de 1970, Lukács não deixava dúvidas a respeito de seu posicionamento político e ideológico, ao qual foi fiel em toda a vida: “O pior socialismo é preferível ao melhor capitalismo”.

esde 1928 com registro cassado, o PCB volta à legalidade em 1945 e assim permanece até 1947. Nesse curto espaço de tempo, os comunistas se aproximam das camadas populares e retomam seus contatos com os sambistas– estabelecidos em 1935, quando os jornalistas do partido Pedro Motta Lima e Carlos Lacerda haviam se aproximado das escolas de samba através de artigos publicados na imprensa ou levando personalidades a visitar as quadras das escolas, como o professor Henri Wallon. O diário comunista Tribuna Popular trazia notícias sobre futebol e anúncios publicitários como o do “Sabão Russo - contra erupções, espinhas e panos” ou dos perfumes “Cavaleiro da Esperança”, cuja compra por atacado premiava

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o consumidor com folhinhas com retrato de toda a bancada comunista na Constituinte de 1946. Foi o jornalista Vespasiano Lyrio da Luz, secretário político do Comitê do Centro (do Distrito Federal) do PCB, foi quem idealizou esta aproximação e convenceu alguns setores mais ortodoxos do partido, que inicialmente consideravam os sambistas “uma espécie de lumpemproletariado”, a fazêla. No jornal, as colunas “O Povo se

Diverte” e “O Samba na Cidade” traziam notas sobre a agenda de bailes carnavalescos e a divulgação dos assuntos de interesse da União Geral das Escolas de Samba (UGES). Com visitas às quadras das escolas, realização de festas nas quais os sambistas eram as principais atrações, promoção de torneios de futebol com exibição das escolas de samba e visitas de sambistas à redação da Tribuna Popular, o PCB contribuiu para aumentar a credibilidade do mundo

90 anos de criatividade

ComunistArte

A proximidade dos 90 anos de fundação do Partido Comunista Brasileiro tem gerado, na militância comunista, sentimentos de orgulho e o despertar da criatividade. É o que pode se observar nas redes sociais, nas quais os camaradas tem exposto sua veia artística para homenagear o PCB. Confira, por exemplo, essas quatro ilustrações.

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Movimentos
O Imprensa Popular entrevista, nesta edição, o coordenador do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas do Rio de Janeiro, Marcelo Braga Edmundo. cm histórico de luta em defesa dos Direitos Humanos e contra a violência das forças do Estado contra a população pobre, Marcelo critica de forma contundente as preparações para os megaeventos esportivos no Brasil.
IMPRENSA POPULAR– Qual o maior desafio com a realização desses eventos? MARCELO BRAGA EDMUNDO – A nossa capacidade de mobilização e organização para resistir a um processo que se mostra cada vez mais violento e sedutor. Não se trata apenas de contestar e denunciar o que vem acontecendo, mas de apresentar alternativas para a população, desconstruindo toda a propaganda que se faz em torno dos jogos. IP– Como assim? MBE – Os jogos, tanto a Copa quanto as Olimpíadas, são eventos comerciais privados, que visam o lucro, de todos os tipos e de todas as formas. Comercializa-se tudo, a disputa esportiva fica em segundo ou terceiro plano. IP – Mas não há apoio popular aos eventos? MBE – Acredito que mesmo quem é totalmente favorável à realização dos jogos no Brasil não concorda com a forma como as obras estão sendo tocadas, sem nenhuma transparência. Há superfaturamento, orçamentos estourados, falta de um projeto claro, sem falar na falta de participação da população, direta e indiretamente atingida. Os investimentos e as obras, são feitos não para atender a necessidade da cidade e de quem vive nela, mas para satisfazes os interesses de grandes grupos econômicos, em geral, ligados aos detentores dos jogos. IP – E como fica o diálogo com quem quer estar presente, assistir com os próprios olhos? MBE – A população com certeza passará longe de onde serão realizados os jogos. A maior parte dos ingressos será dividida entre os patrocinadores e em pacotes turísticos de empresas ligadas aos donos dos jogos, seja Fifa ou COI. Para piorar, há o controle do espaço urbano pelo Estado, para atender aos interesse privados e exercer o controle social. A situação é tão crítica que nem assistir aos jogos na rua, saboreando o tradicional churrasco de gato e bebendo a cerveja de preferência, será permitido. É muito revoltante.

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“Tanto a Copa quanto as Olimpíadas são eventos comerciais privados”

ABAIxO A TERCEIRIzAçãO

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Trabalho

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IP – E as remoções de moradores? MBE – É uma violência a remoção e o deslocamento forçado. Uma violência que começa muito antes da remoção em si, mas logo no anúncio das obras. A população das áreas nas quais ocorrem estas remoções sofre uma pressão psicológica absurda, para provocar a desmobilização e a falta de resistência em relação ao projeto. É para “facilitar o trabalho”. Essa pressão provoca rachas e desavenças nas comunidades atingidas, dificultando a atuação dos movimentos organizados. IP – E as relações entre os moradores, como fica? MBE – O deslocamento de onde construíram suas vidas e suas histórias é ruim. Para nós, moradia não é apenas quatro paredes, mais até que o saneamento e a infra-estrutura básica. Moradia é também a relação com o local onde se vive, onde um conhece o outro. E nos locais para onde esta população é reassentada, a 30, 40, 50 km de sua origem, a população também é atingida na sua rotina e reali-

dade. Uma sala de aula que tem 30 alunos passa a ter 50, o posto de saúde que já não consegue atender a demanda local fica inviável e por aí vai. Os mercados, as áreas de lazer e principalmente as relações entre os grupos sociais são totalmente afetados. IP – E o papel da especulação imobiliária? MBE – Muitas destas remoções não têm nenhuma relação direta com a preparação da cidade para receber os jogos, mas simplesmente para atender aos interesse da especulação imobiliária, oferecendo novas áreas para exploração e supervalorização. Aliás, esta especulação acaba por atingir não só as áreas onde ocorrem as remoções mas toda a cidade. Aquele de classe média que vive de aluguel ou está tentando comprar um apartamento já percebeu isso. Os preços estão cada vez mais fora da realidade. Por isso é importante entender que os mesmos interesses que estão por detrás das remoções, que muitos ignoram, são os mesmos da supervalorização do mercado imobiliário, que provoca um deslocamento forçado em toda a cidade.

Na luta

Em São José dos Campos (SP), o exemplo da Ocupação Pinheirinho

m setembro passado, Dieese e CUT divulgaram o estudo Terceirização e Desenvolvimento - Uma conta que não fecha. O material, que pode ser acessado no link www.cut.org.br/sistema/ck/files/terceirizacao.PDF, vale mais pelos dados que apresenta do que pelas propostas que faz: normatizar tal modelo de relação de trabalho, ao invés de lançar um amplo e decidido movimento para proibi-lo, obrigando o empresariado a efetivamente ter os trabalhadores em seu quadro de funcionários. A título de registro, o peleguismo da outrora combativa central, transformada em correia de transmissão do governo e instrumento da expansão capitalista - e consequentemente da exploração do trabalho - no Brasil. Em sua “Propostas de Diretrizes para a regulamentação da Terceirização”, a CUT defende a manutenção dessa relação de trabalho, e busca - em gabinetes palacianos, obviamente - conquistar migalhas, em termos de direitos, a um contingente de trabalhadores que, em alguns casos, corre risco de vida a cada vez que bate o cartão. Vamos a alguns itens divulgados no estudo: - Em dezembro de 2010, o salário dos terceirizados era 27,1% menor que os salários de contratados diretos que realizam a mesma função; - Os baixos salários dos terceirizados não ocorrem em função de eles estarem alocados em pequenas empresas, pois 53,4% deles traba-

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lham em empresas com mais de 100 empregados, frente aos 56,1% de trabalhadores diretos. Os percentuais são bastante próximos;

- 61% dos trabalhadores em setores tipicamente terceirizados têm ensino médio e superior. Entre os trabalhadores de setores tipicamente diretos, a percentagem é de 75%. A diferença desmascara o falso argumento das diferenças salariais decorrerem de uma escolaridade mais baixa;

“ Em cada 10 casos de acidente do trabalho, oito são registrados em empresas terceirizadas. O mesmo índice vale para as morte por acidente, quatro em cada cinco vitimam trabalhadores terceirizados”

- Em cada 10 casos de acidente do trabalho, oito são registrados em empresas terceirizadas. O mesmo índice vale para as morte por acidente, quatro em cada cinco vitimam trabalhadores terceirizados;

- De 1995 a 2010, ocorreram 283 mortes por acidentes de trabalho no sistema Petrobras, das quais 228 foram de terceirizados; e - Na empresa Klabin, de papel, ocorreram 127 acidentes com afastamento em 2008; destes 69% eram trabalhadores terceirizados. A frequência de acidentes entre os terceirizados (5,95%) é praticamente o dobro da dos empregados diretos (2,65%). Os dados falam por si: é mais que visível a situação de extrema desproteção desses trabalhadores. E eles nada podem esperar do sindicalismo oficial. Afinal de contas, é o mesmo setor político no comando da Petrobras, que em 2010 foi autuada em R$383,3 milhões por evasão fiscal à Previdência por parte das empresas terceiras. Organizemo-os na luta!

- A jornada de trabalho dos terceirizados é, em média, três horas superior a dos empregados diretos. Se a jornada deles fosse igual, seriam criados cerca de 800.000 empregos; - Apenas no setor bancário, a cada 100 trabalhadores terceirizados, com jornadas de 44 horas semanais, são cerca de 47 empregos a menos gerados; - Enquanto a permanência no trabalho é em média de 5,8 anos para os trabalhadores diretos, para os terceirizados é de 2,6 anos. Dai decorre a alta rotatividade dos terceirizados – 44,9% contra 22% dos diretamente contratados;

Não é só nas cidades envolvidas com a realização de megaeventos que a especulação imobiliária e o uso da força do Estado em prol do capital faz com que famílias sejam retiradas de seus locais de origem. Até o fechamento desta edição do Imprensa Popular , ocorria uma importante batalha na Ocupação Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), que serve como exemplo de solidariedade entre os moradores e da participação efetiva dos movimentos sociais na defesa do direito das populações. O local, pertencente à empresa Selecta do indefectível Naji Nahas, tem área de um milhão de metros quadrados e vem sendo ocupado por cerca de 1.700 famílias desde 2004. Na manhã de 18 de janeiro, a Polícia Militar de são Paulo havia enviado 5.000 agentes, incluindo homens da Cavalaria, para retirar as mais de 5.500 pessoas do local. Não conseguiram, por medida judicial. Parabéns aos moradores pelo exemplo de luta!

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“O primeiro passo é levantar bem alto a bandeira da luta anticapitalista”
Para Vito Giannotti, todas as ferramentas são válidas para quem disputa a hegemonia na sociedade
IMPRENSA POPUAo lado disso você Italiano da província LAR – Como estudioso tem jornais ou revistas de Lucca, na Toscana, e militante da comunique são feitos para inVito Giannotti foi cação, como você vê formar o mais fielmenmetalúrgico e no os grandes veículos de te possível os donos do início dos anos comunicação citarem mundo, os executivos, 1990 colaborou Marx para debater a os manda-chuvas. Os decisivamente na atual crise econômica? patrões e seu Estado criação do Núcleo VITO GIANNOTMaior precisam de inPiratininga de TI – É natural. No séformações fiéis e seculo XIX, Marx fez uma guras para saber onde Comunicação (NPC), análise do capital que investir seu dinheiro, entidade que realiza valeu para ontem, vale onde expandir seus necursos para lutadores hoje e continuará válida gócios. Para isso eles sociais e políticos amanhã. Sua descrição têm veículos mais sésobre comunicação da acumulação primitirios, cheios de dados e sindical e popular. va do capital, sobre os informações. É o caso Nesta entrevista ao preços, a mais valia, o do jornal Valor EcoIMPRENSA POPULAR, lucro e a globalização é nômico ou da grande Vito avalia como a completamente atual. revista do capital munimprensa utiliza Marx O que ele fala da aliedial, The Economist. na crise econômica e nação, da ideologia, das São instrumentos refidefende a utilização classes sociais interesnados da burguesia losa a qualquer leitor dos cal e mundial. de todos os canais e jornalões comerciais do Se você quiser saber veículos para informar sistema como a todo mipara onde vai a Grécia os trabalhadores. litante de esquerda. Por ou o Egito não adianta isso a imprensa burgueprocurar no O Globo sa, para analisar e explicar a atual crise, ou nos jornais-esgoto, como o Exprescita Marx. Não é por nenhuma paixão, so ou Meia Hora. obviamente. IP – Como as novas tecnologias IP – Realidades como a dos paí- podem ser utilizadas pelos grupos ses europeus e do Oriente Médio são revolucionários em sua luta contrafielmente retratadas na mídia? hegemônica? VG – Nem todo jornal da imprensa VG – A batalha da hegemonia não comercial e patronal é igual. Você tem começou hoje. Há dois séculos que jornais e revistas que são verdadeiros nossa classe produz seus jornais operápanfletos do conservadorismo. É o caso rios, sindicais e populares. O que prede O Globo ou do panfleto da extrema cisamos é continuar esta batalha. No direita que é a revista Veja. Estes são Brasil, os trabalhadores já tiveram dois ferramentas da burguesia para moldar jornais diários, A Plebe e A hora Social a cabeça do seu público. São pura pro- em 1919. paganda político-ideológica. Já em 1946, o PCB possuía oito jornais diários. Um em cada grande capital do país. No Rio de Janeiro tivemos a Tribuna Popular com uma tiragem diária igual a do Correio da Manhã, que na época era o maior jornal do país. E hoje? Estamos longe de fazer nosso dever de casa. As novas mídias são importantes, são algumas das várias ferramentas, ao lado do velho jornal, das revistas, dos livros, do rádio e da quase “todapoderosa” TV. Qual é o melhor instrumento? Para quem quer disputar a hegemonia na sociedade, são todos. Não se trata de ‘ou isso ou aquilo’. Trata-se de isso mais aquilo. Claro, vamos usar páginas na Internet, blogs, Twitter, Facebook, mas sem ilusões. Com as estatísticas do analfabetismo absoluto e funcional que persistem no nosso país, ainda estamos longe de dispensar livros e jornais. Estamos longe de pensar que grandes massas da população estarão familiarizadas com blogs, facebook e twitter e milagrosamente lendo seus e-books. Então, com quem usa a mídia eletrônica, blogs nele! Para os outros? Vamos continuar com rádio, jornal, revistas, livros e, sobretudo, lutar para ter redes de televisão democráticas e não capitanias hereditárias como são hoje. IP – Então os materiais impressos ainda são insubstituíveis numa porta de fábrica ou sala de aula? VG – São muito necessários. Não só nas portas de fábrica ou salas de aula, mas nas mãos e bolsos de cada cidadão, cada morador da cidade. É a batalha diária com a nossa mídia contra a mídia deles, dos patrões. IP – Que avaliação você faz da trajetória do Núcleo Piratininga de Comunicação? VG – Já são quase 20 anos durante os quais falamos e ensinamos as mesmas coisas: a necessidade de os trabalhadores construírem suas ferramentas de comunicação para fazerem a disputa de hegemonia na sociedade. Uma comunicação feita pelos trabalhadores, de acordo com seus interesses de classe. Que seja bem feita, bonita, atrativa, frequentíssima, isto é, diária. E que transmita toda nossa política de classe. Nosso projeto de uma nova sociedade, uma sociedade socialista. Nisso, como nos ensina Gramsci, um dos dois componentes da hegemonia é o convencimento. O outro é a força. Força da organização sindical, política, partidária e que acaba em leis, instituições, que irão do Exército ao Judiciário. Mas o primeiro passo, para o NPC, é o convencimento. Ou seja, a comunicação. IP – Por fim, em seu XIV Congresso, o PCB aprovou a proposta de criação de uma Frente Anticapitalista e Antiimperialista. Qual sua avaliação sobre a proposta? VG – Acho muito boa a formulação da luta anticapitalista e anti-imperialista. O problema é como convencer, dezenas, centenas, milhares e milhões disso. Esse é o papel da comunicação. Hoje o primeiro passo é levantar bem alto a bandeira da luta anticapitalista, isto é, do socialismo. O socialismo como proposta concreta de organização de outra sociedade completamente diferente da desgraceira que aí está. Pouco se fala disso. Mas sem isso, nossa comunicação acaba sendo o conto da carochinha.

Frente Anticapitalista

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