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A Guerra Eletrônica no Espectro Óptico

1. Histórico

Embora o termo “Guerra Eletrônica” simbolize, de acordo com a doutrina aceita mundialmente, a exploração do espectro eletromagnético para fins militares, historicamente seu significado tem sido quase que completamente associado a recursos empregados na faixa de microondas. Tal fato é decorrência natural da absoluta preponderância do emprego do radar como sensor de alarme antecipado, direção de tiro e guiagem de armas desde a Segunda Guerra Mundial, que marcou o início de seu emprego. Somente a partir da década de 1950, com o desenvolvimento dos primeiros mísseis com guiagem a infravermelho, tais como o Sidewinder [1], e das primeiras aplicações militares do laser, é que as faixas espectrais de comprimentos de onda do ultravioleta, visível e infravermelho passaram a coabitar o universo da Guerra Eletrônica. O apêndice a este capítulo apresenta uma comparação entre a utilização de sensores radar e infravermelho na Guerra Moderna, onde se conclui que estes se complementam em vantagens e desvantagens táticas e tecnológicas, justificando o emprego de ambos em plataformas (navios, carros de combate e aeronaves) militares. Princípios físicos fundamentais 2.1 – Regiões do espectro óptico utilizadas pela Guerra Eletrônica A faixa do espectro eletromagnético que denominamos como “espectro óptico” neste capítulo abrange os comprimentos de onda de 10 nm (ultravioleta) até 1 mm (correspondente a uma freqüência de 300 GHz), onde se inicia a faixa das ondas milimétricas. Tal denominação baseia-se na necessidade da utilização de elementos ópticos (lentes, prismas e redes de difração, por exemplo) para a geração e captação destas ondas. A tabela I apresenta um detalhamento das regiões desta faixa. Tabela I - Regiões do espectro óptico Comprimentos de onda 10 a 380 nm 380 a 760 nm 0.76 a 1 µm 1 a 3 µm 3 a 5 µm 5 a 14 µm 14 a 1000 µm Nome da Região Ultravioleta Visível Aplicações de Guerra Eletrônica 2.

Sistemas de alarme de míssil Câmeras de CCTV e lasers com penetração na água do mar. Infravermelho próximo Intensificadores de imagem para visão noturna; Feixes para guiagem de mísseis tipo “beam raider”; designadores laser; bombas guiadas a laser. Infravermelho curto Telêmetros laser; armas de energia dirigida; câmeras infravermelho com “gate” de distância para baixa visibilidade. Infravermelho médio Câmeras de imagem térmica; sistemas de alarme de míssil; IRST; cabeças de guiagem de mísseis; bloqueadores infravermelho. Infravermelho longo Câmeras de imagem térmica; IRST; cabeças de guiagem de mísseis. Infravermelho muito Sem aplicações na G.E. atualmente. Utilizada em longo radioastronomia.

A aplicação das técnicas de Guerra Eletrônica nestas regiões do espectro óptico é limitada por efeitos causados pela atmosfera, em especial da sua transmitância. O gráfico da figura 1 [2] mostra a transmitância de um feixe óptico propagando-se horizontalmente na atmosfera, no nível do mar, em um trecho de 1 Km. Observa-se que nas regiões do ultravioleta e do visível, a transmitância é elevada. No infravermelho, no entanto, ocorrem diversas bandas de absorção, devidas à ressonâncias de vibração e rotação de moléculas presentes no ar atmosférico. Nestas bandas, o feixe óptico é absorvido ao incidir na molécula, causando movimentos vibratórios, os quais por sua vez ocasionam a re-emissão do feixe com intensidades menores,gerando a atenuação da sua intensidade.

observa-se que quanto maior a temperatura absoluta do corpo negro. quanto na sua irradiação. representativa dos corpos à temperatura ambiente. é denominado corpo negro. que ocorrem juntas em 1. o corpo negro possui máxima eficiência tanto na absorção de energia. um corpo negro. 400o C (vermelho). sendo estes quanta denominados fótons. temperatura da superfície solar. A figura 2 mostra esta distribuição para as temperaturas de 25o C (preto). é necessária uma refletividade nula (ρ=0). segundo a qual todo corpo à uma temperatura acima do Zero Absoluto (0 Kelvin) emite radiação em forma quantizada. Assim. sem demonstração. Assim.3. ou seja que possua máxima eficiência de irradiação. ou seja. Planck introduziu a teoria da radiação térmica.7 µm. Um corpo que irradie a máxima quantidade de energia a uma dada temperatura. 1. tem-se α+ρ=1. representativa da descarga de gases de mísseis e aeronaves.s) e ν é a freqüência da onda eletromagnética correspondente. Por reciprocidade. como será visto adiante. ou seja. 2.7 e 2.38x10-23 J/K).6x10-34 J. A energia irradiada por um corpo negro distribui-se ao longo dos comprimentos de onda por ele irradiados de acordo com a Lei de Planck: L (λ . de forma a se encontrar o seu valor máximo. as descargas de gases de mísseis e aeronaves contém radiação . algumas equações da física quântica que são importantes para o entendimento dos princípios funcionais dos sistemas de Guerra Eletrônica no espectro óptico.Transmitância de um feixe óptico na atmosfera As principais bandas de absorção são as de vapor d´água e gás carbônico.2 – Algumas equações e conceitos importantes A seguir são apresentadas. Em 1900. a refletividade (ρ) e a transmissividade (τ) de um corpo: α + ρ +τ = 1 Para os corpos opacos. É nestas regiões que são empregados os sistemas de Guerra Eletrônica. na faixa do infravermelho tem-se algumas janelas de propagação nas regiões não afetadas por absorção severa. A energia de um fóton é dada por: E = h. e de 5900o C (azul). e 1 hc λkT λ é o comprimento de onda. Os objetos à temperatura ambiente irradiam com maior intensidade na região em torno de 10 µm. menor é o comprimento de onda onde a radiância espectral é máxima.ν Onde h é a constante de Planck (6. −1 λ pico ( µm) = 2898 T (K ) Esta relação é representada na figura 2 pela reta de cor preta que une os pontos de máximo das três curvas. obtém-se a relação conhecida com Lei de Deslocamento de Wien: W/cm2/sr/µm.5 a 2. que relaciona a absorbância (α).2 e 13 a 16 µm e a de vapor d´água de 5 a 8 µm. c é a velocidade da luz (3x108 m/s) e k é a constante de Boltzmann (1. T ) = 2hc 2 λ 5 . cuja transmissividade é nula. as de gás carbônico em 4. Derivando-se a equação de Planck em relação à temperatura e anulando-se o resultado. para máxima absorção (α=1).Figura 1 . Esta denominação advém da Lei de Kirchoff. T é a temperatura em graus Onde L é a radiância espectral em Kelvin.

Se empregarmos um dispositivo que converta a radiância em um sinal elétrico. Esta é uma propriedade dos materiais que mede o grau de eficiência de irradiação de um determinado corpo. já definida. poderemos.Radiância espectral de um corpo negro nas temperaturas de 25o C (preto).preponderante na região de 4 µm.55 µm ou 550 nm.T π a qual nos permite observar que a radiância L é proporcional à quarta potência da temperatura absoluta. emissividades pequenas correspondem a altas refletividades. em relação ao corpo negro. conforme a Lei de Kirchoff. O dispositivo em questão é denominado detector. o que consiste no princípio de funcionamento das câmeras infravermelho. como vimos. que é.3 0.5 1 3 5 10 30 Comprimento de onda (µm) Figura 2 . que também é o comprimento de onda de máxima resposta fotópica do olho humano. A combinação dos comprimentos de onda de máxima radiância mostrados na figura 2. L(T ) = σ 4 .9). que possui emissividade constante em todo o espectro. 10 4 Radiância espectral (W/cm2/m) 10 2 10 0 10 -2 0. e . efetuar o mapeamento térmico de uma cena na forma de sinais elétricos. mostradas na figura 1. então. • O corpo cinza (greybody). igual à absorbância α.75) e o grafite (ε= 0. a emissividade ε é um número entre 0 e 1. Integrando-se a equação de Planck ao longo de todo o espectro. 400o C (vermelho) e 5900o C (preto).027). são fatores determinantes das faixas espectrais onde são projetados e implementados os sensores e emissores empregados na Guerra Eletrônica no espectro óptico. Assim.028). obtemos a equação de StephanBoltzmann. o que possui máxima eficiência de irradiação. o ouro (ε= 0. a fibra de vidro (ε= 0. e a radiação solar possui máxima radiância em 0. que possui emissividade constante e unitária em todo o espectro. os quais são apresentados nos itens de 3 a 6 deste capítulo. cujos exemplos são [2] o alumínio polido e limpo (ε=0. Um outro conceito de importante aplicação na Guerra Eletrônica é o de emissividade. Pode-se observar que. A emissividade determina uma classificação dos corpos em três categorias: • O corpo negro. sendo σ denominada constante de Stepahn-Boltzmann. com as janelas espectrais de propagação atmosférica.

. com aplicações militares e não-militares. A assinatura espectral mostrada na figura 3 é um dos vários tipos de assinatura que uma plataforma pode apresentar no espectro óptico. como no caso da descarga de gases de um míssil. [3]). obteremos a assinatura radiométrica. Esta característica determina a assinatura espectral destes radiadores. obteremos a assinatura temporal. Se fizermos um mapeamento da assinatura radiométrica. se analisarmos a variação da assinatura radiométrica com o tempo. Figura 4 – Termograma de um navio de guerra em aspecto de través (lateral) Finalmente. um número (normalmente uma radiância) que expressa a quantidade de energia irradiada pela plataforma.• O radiador seletivo. Conforme mostra a figura 4. cuja representação é denominada termograma. Se integrarmos a assinatura espectral por todo o espectro. Figura 3 – Assinatura espectral típica de um míssil (ref. que são muito usados na área científica. distribuindo-a por diversos elementos (pixels) de uma imagem. Os medidores desta grandeza são os radiômetros. o termograma permite avaliar os pontos quentes de emissão. para um despistador infravermelho (“flare”) é mostrado na figura 5. cuja assinatura típica é mostrada na figura 3. cuja emissividade varia com o comprimento de onda. obteremos a assinatura espacial da plataforma. Esta assinatura representa a distribuição da energia irradiada ou refletida pela plataforma ao longo das diversas faixas de comprimento de onda. Um exemplo deste tipo de assinatura.

A guiagem pode ser automática. [4]) Armamentos que empregam sensores eletro-ópticos 3. ou rastreadores de ponto. Estes mísseis procuram por pontos quentes no campo de visão da óptica. somente objetos a temperaturas extremamente elevadas irradiam nesta faixa.br) . tendo como marco inicial a série AIM-9 – “Sidewinder”. 3. no entanto. regiões de pequena extensão espacial que apresentem contraste térmico em relação ao fundo. onde as características distintas de refletividade do alvo em relação ao fundo (cenário) são exploradas. No espectro infravermelho. e a infravermelho. ou seja.mectron. Mísseis A guiagem de mísseis no espectro óptico é concentrada principalmente em duas faixas: a do visível. onde um “software” de reconhecimento de padrões ópticos busca a correlação de formas encontradas nas imagens com referências armazenadas em banco de dados.com. que realiza a guiagem por “joystick”. largamente empregado como míssil arar. No Brasil. Os rastreadores de ponto foram desenvolvidos a partir dos anos 50. mostrado na figura 6. a tecnologia das cabeças de busca evoluiu a partir dos “spot trackers”. Figura 6 – Desenho do MAA-1 “Piranha” (www. as principais armas utilizam matrizes (arrays) de imagem. míssil ar-superfície utilizado pela Força Aérea dos EUA. formar imagem do alvo. normalmente empregando tecnologia CCD (“charge coupled devices”) que constituem minúsculas câmeras de TV cuja imagem é processada pela cabeça de busca (“seeker head”).1. sendo as imagens transmitidas via link de RF ou fibra óptica ao operador. para os rastreadores de imagem. utiliza este tipo de guiagem [5]. A faixa do ultravioleta é pouco explorada nesta aplicação.Figura 5 – Assinatura temporal de um “flare” (ref. No espectro visível. é fabricado o míssil MAA-1 “Piranha”. conforme demonstra a Lei de Deslocamento de Wien. ou manual. O AGM-65 Maverick. sem. uma vez que. que utiliza o contraste térmico.

o feixe passa antes pelo retículo (detalhado a seguir) e por uma lente ou conjunto de lentes de colimação do feixe. Em seguida. permite o cálculo dos seus comandos de guiagem. e a análise da fase desta onda permitiria a obtenção de informação angular da posição do alvo. A A tempo Figura 8 – Identificação da posição angular do alvo pela modulação do sinal do detector Um retículo um pouco mais elaborado consistiria num conjunto de setores angulares de. O movimento relativo entre a óptica de entrada e o retículo. que dirige o feixe na direção do detector. que pode ser obtido tanto com a rotação do retículo (mais comum) como com a rotação da óptica. . Consiste num disco contendo um desenho que alterna regiões opacas e transparentes. por exemplo. Sua rotação gera a modulação de uma onda quadrada sobre o feixe óptico. por expansão na saída de gás de um capilar diretamente sobre a superfície do detector resfria-o a temperaturas criogênicas (cerca de –200o C). incidindo sobre os espelhos primários (montados sobre os ímãs do giroscópio de estabilização). O retículo mais simples consiste num disco com um setor de 180o transparente. o retículo é o componente mais importante dos rastreadores de ponto. com este retículo. gera uma modulação da luz cuja análise. pelo receptor do míssil. um sinal de onda quadrada cujo índice de modulação1 seria proporcional à distância do alvo ao centro do campo de visão 1 m= (V max − V min ) (V max + V min ) . ocorre a reflexão no espelho secundário. Neste caminho. e outro opaco. saída do detector . Um raio com trajetória típica é mostrado na figura. [6]) Do ponto de vista da guerra eletrônica. Figura 7 – Cabeça de busca do míssil superfície/ar “Redeye” (ref. 30o. Uma rede de gás abastece um mini-resfriador que. A radiação oriunda de um alvo geraria. permitindo ou não a passagem do feixe recebido dos espelhos ao detector. alternando opaco e transparente. conforme mostra a figura 8.A cabeça de busca de um míssil com rastreador de ponto (Redeye) é mostrada na figura 7.

que também é utilizada no infravermelho. com bom balanço custo-desempenho. O míssil anti-navio norueguês Pingüim é o principal exemplo. o que gerava uma freqüência de modulação de 1200 Hz [1]. a de pseudo-imagem. ajustar o seu trecho final de forma a obter maior precisão. após processamento. que apresentariam maior modulação. Finalmente. com rotação de 70 ciclos por segundo. O míssil possui um receptor no nariz. encontrado na linha d’ água de navios. de forma a gerar um nível DC no sinal modulado. onde um detector executa uma varredura em formato rosácea (“rosette scan”). Bombas guiadas O alto custo por tiro dos mísseis e a relativamente baixa precisão das bombas convencionais fez surgir uma classe de armas que apresenta um perfil intermediário. é utilizada como sinal de guiagem. outras técnicas que são empregadas no rastreador são as de modulação por pulso. uma vez refletida no alvo. Para tal. como a rejeição de objetos extensos (“clutter”). O setor angular de 180o possui uma transmitância de 50%. Por receber os sinais de guiagem na cauda. e outro receptor na cauda. utilizam-se de energia emitida por designadores laser que. Figura 9 – Retículo “sol nascente” Além do retículo. Os cenários de aplicação mais comuns são mostrados na tabela II: Tipo de artilharia Posição do designador Posição do armamento Exemplos Anti-carro A partir de terra (portátil) Carro de combate ou Paveway e Hellfire ou de aeronave aeronave de ataque (EUA). para receber os sinais de guiagem.da óptica. O “sol nascente” foi utilizado nas primeiras gerações do míssil Sidewinder.2. mostrado na figura 9. 3. que não causariam uma modulação muito baixa. que lhes permite. que deve iluminar o míssil e o alvo durante todo o tempo de vôo. realçando os alvos pontuais. tais como nuvens. e a de rastreamento por imagem. O retículo mais utilizado nas primeiras gerações de mísseis guiados a infravermelho é o tipo “sol nascente”. utilizada no míssil Stinger [6]. no qual um feixe laser na faixa do infravermelho próximo é emitido pelo lançador. Sidewinder AIM-9X e o FOG-M. Sua utilização permite tanto a localização do alvo em relação ao eixo óptico (ângulo e distância). onde quatro detectores em formato de cruz giram para gerar a modulação. Um outro tipo de míssil com rastreador na faixa óptica é o guiado a feixe laser (“laser beam rider”). para detectar o alvo através da reflexão da energia irradiada pelo lançador. Esta é a técnica utilizada pela maioria dos mísseis modernos. é muito imune a contramedidas de bloqueio (“jamming”). como será visto adiante.54 Tabela II – Cenários de aplicação das bombas guiadas . empregando técnicas de processamento de imagem. Estes dispositivos possuem uma limitada capacidade de alterar a sua trajetória. Este retículo também é útil para a rejeição de objetos de longa extensão espacial. após um relativamente longo tempo de vôo em regime balístico. Esta técnica de guiagem ainda é a mais empregada em mísseis ar-ar. onde o “clutter” é menos severo. há uma categoria de mísseis que procura um contraste térmico na vertical. como por exemplo o ASRAAM. devido à sua maior imunidade à contramedidas. Krasnapol (Rússia) Antiaérea Terra Bateria antiaérea Pave Storm (EUA) Anti-navio Navio Navio Projétil guiado Copperhead calibre 5”/.

Geralmente. a estado sólido e de elétrons livres.A tecnologia de bombas guiadas já atingiu um considerável grau de maturidade. que visam tão somente a proteção da plataforma contra degradação. Esses lasers são mostrados no item 5. A versão mais recente possui guiagem dual. o sinal emitido pelo designador recebe uma codificação pulsada que identifica unicamente o alvo. e deverá se espalhar pelos países não-desenvolvidos ou em desenvolvimento nos próximos anos [6]. e como desvantagens a degradação pelas condições meteorológicas e a necessidade de manter o feixe laser sobre o alvo durante todo o tempo de vôo. 11. O módulo laser é a fonte emissora de energia luminosa. Um exemplo de bomba guiada é a Paveway III (figura 10). precisão de apontamento. ocasionando uma maior dificuldade para a concentração de energia sobre o alvo.com) 3. normalizado por unidade de área do alvo é denominado fluência do laser e é a figura de mérito deste tipo de arma. As tecnologias escolhidas pelo Departamento de Defesa dos EUA para esta aplicação são os lasers químicos. de forma a assegurar a identificação positiva do alvo antes do engajamento. utilizando laser ou navegação por GPS/inercial. O uso bem sucedido de uma arma laser não está apenas relacionado à potência que este pode irradiar. que utiliza navegação proporcional e giroscópio de referência vertical. durante um determinado período. necessária para produzir uma alta relação sinal/ruído no rastreador da bomba.064 µm para combate ou 1. oscilação da linha de visada. O principal parâmetro de desempenho do laser é o fator de qualidade M2. gaussiano. representada pelos dois blocos centrais na fig.raytheon. A designação é feita com pulsos laser de alta potência. A mesma codificação é programada no rastreador da arma. O produto da potência pelo tempo. A arma (bomba) possui um rastreador com detector quadrantal (quatro detectores dispostos em um quadrado) cuja soma e diferença de sinais geram comandos de navegação esquerda/direita e acima/abaixo. a segunda utilizada em más condições meteorológicas. Possui como vantagens a precisão e a possibilidade de integração com outros sensores.3. Como exemplo de designador laser atualmente utilizado cita-se o LANTIRN. Figura 10 – Bomba guiada a laser GBU-24/B (Paveway III) (www. neutralizar ou destruir aqueles recursos. As armas de energia dirigida em desenvolvimento na atualidade utilizam três tecnologias [7]: feixes laser. um “pod” reunindo designador. Dados os requisitos legais de operação em forças de coalisão multinacionais. FLIR e rastreador de laser para instalação em diversos tipos de aeronaves.1 e 1. que determina por sua vez o seu grau de divergência espacial. sendo apenas a primeira objeto desta seção.54 µm com deslocador de efeito Raman para operação “eye safe” em treinamento). . A figura 11 mostra o diagrama em blocos típico de uma arma laser [8]. feixes de microondas e feixes de partículas. Neste ponto. para os HEL este valor pode chegar a 4 [9]. os HEL devem ser distinguidos dos lasers para contramedidas. neutralização ou destruição impostas pelo inimigo. condições atmosféricas e presença de contramedidas como fumaça e obscurantes. O desempenho das bombas guiadas é diretamente proporcional à quantidade de energia (potência x tempo de exposição) do iluminador que se consegue colocar sobre o alvo.3. Os lasers de alta energia (HEL – “High Energy Lasers”) são empregados para ataque a pessoal. que deve ser corrigida pela óptica da arma laser. uma medida de quanto o formato do feixe difere do ideal. tendo sido largamente empregada na Guerra do Golfo para ataque a alvos em terra. que depende da divergência do feixe (da ordem de microradianos). instalações ou equipamentos com o propósito de degradar. O feixe ideal possui M2=1. Armas de energia dirigida Os mesmos fatores de custo que motivaram o desenvolvimento das bombas guiadas também originaram os projetos de pesquisa de armas cujos vetores são ondas eletromagnéticas ou feixes de elétrons. O seu grau de letalidade é determinado pela capacidade de concentrar esta potência sobre o alvo. sujeitas a estritas regras de engajamento. são utilizados lasers de neodímio YAG (“Ytrium aluminum garnet”) operando no infravermelho próximo (1. Enquanto os lasers de baixa potência possuem M2 entre 1.

tais como fluorescência térmica. causada pela propagação. o “Space Based Laser” (SBL). Em baixa potência. que são calculadas a partir das medições realizadas nos feixes recebidos. de forma a compensar. ocorrem também efeitos não lineares. Sensores eletro-ópticos 4. desfocalizar e até defletir o feixe.camuflagem (livro SPIE – Jacobs) 6.2. a óptica adaptativa é implementada por duas malhas de controle: a local e a do alvo. 5. que permitem que cada microespelho tenha movimento independente dos demais.3. no feixe irradiado. que determina o limite máximo de intensidade do feixe que pode ser propagada [10]. como no caso das armas laser. os projetos em andamento são o “Air Force Airborne Laser” (ABL).aps SIGE . A deformação do feixe do fundo é empregada como referência para a plataforma inercial que controla o feixe irradiado sobre o alvo. Conforme mostra a figura 11. da Força Aérea. para defesa contra mísseis balísticos táticos.Figura 11 – Diagrama em blocos de uma arma laser [8] O maior desafio tecnológico para a implementação de armas laser são os efeitos da propagação do feixe na atmosfera. Utiliza-se o conceito de óptica adaptativa. Os lasers químicos empregados possuem potências da ordem de mega-watts. sendo o custo de cada tiro da ordem de milhares de dólares. um sensor de frente de onda mede a deformação desta frente. do Exército. Os alcances envolvidos são da ordem de 5000 Km para o SBL e de 250 Km para o ABL. Contramedidas eletro-ópticas . LADAR (range-gated). ver outros nos anais SPIE/2004. Nos EUA. para defesa contra foguetes e outras armas táticas. explica os insucessos e a longa duração dos projetos de desenvolvimento de armas laser. mudando a sua direção. que utiliza espelhos deformáveis que se adaptam às variações atmosféricas para compensar as distorções por elas causadas no feixe. para defesa contra mísseis balísticos intercontinentais e táticos. A severidade desses efeitos no feixe justifica a complexidade da óptica das armas laser. os efeitos são lineares e resumem-se a absorção. da Força Aérea em conjunto com a Organização de Defesa contra Mísseis Balísticos. resfriamento cinético. Estes efeitos são bastante diferentes para os casos de feixes de baixa potência e de alta potência. O espelho deformável é implementado utilizando-se microespelhos montados sobre sistemas microeletromecânicos (“MEMS – micro-electro-mechanical systems”). espalhamento e turbulência atmosférica.4.1. Contra-contramedidas eletro-ópticas – aps SIGE. A complexidade da óptica. Um dos objetivos de projeto do ABL é produzir um feixe com diâmetro máximo de 50 cm. na direção do alvo e do fundo. Estes efeitos já são suficientes para espalhar. além da ruptura atmosférica. e o “Tactical High Energy Laser” (THEL). tese . FLIR 4. Em alta potência. IRST 4. Em cada uma destas malhas. por sua vez. MAW 4. as deformações previstas da frente de onda. aprisionamento e descoloração do feixe. 4. a 250 Km de distância.

1999. Electro-Optical and infrared Systems: Technology Review and Update. Westrum. [6] M.D. Monterey.mellesgriot. 2000. Richardson . Wiley-Interscience.7. Nova Iorque. TT 3.A.Optical and Infra-Red Counter Measures and Protective Measures – Royal Military College of Science – Universidade de Cranfield. Sidewinder: Creative missile development at China Lake. Tutorial Texts in Optical Engineering. Bellingham. [7] FAS [8] Laser review. Weichel. Hudson. vol.com/glossary/wordlist/glossarydetails. [2] R. 1990. [3] De onde saiu a figura 3. 1999. Annapolis. [4] De onde saiu a figura 5.asp?wID=180 [10] H. Infrared system engineering.pdf [9] http://www. Referências: [1]R. EUA. Naval Institute Press. [5] J. Reino Unido. Naval Postgraduate School. 1969. SPIE Press. . Laser Beam Propagation in the Atmosphere. Powers.

1-10µm Baixa cenários marítimos.5µm Alta. Por outro lado. e o rápido aumento das velocidades de processamento de sinais radar favorece o desenvolvimento de tanto de contramedidas quanto das contracontramedidas. o uso do radar oferecerá ao oponente informação sobre a marcação e. O outro aspecto importante é que as técnicas de discrição (“stealth”) radar não podem ser aplicadas sem considerar os impactos na assinatura infravermelho. da distância da plataforma emissora. os sensores infravermelho são bem mais imunes a tais medidas. independente do comprimento de onda Neve 0. ou da reflexão da radiação de outras fontes naturais.5-7mm Alta. para se usar meios de radar.4-0. No caso dos sistemas eletro-ópticos. é a sua suscetibilidade às condições do tempo. o que pode ser de grande valia em situações do combate. A tabela 1 apresenta um sumário comparativo de efeitos da atenuação para vários sensores e características atmosféricas. Talvez a desvantagem mais significativa dos sensores eletro-ópticos. Em se fazendo a superfície de um alvo menos reflexiva às freqüências de microondas. poderia fazer a varredura de um determinado volume muito mais rapidamente. aumenta com o comprimento de onda. O fato de que o radar pode "ver através das nuvens" permite a operação em qualquer condição meteorológica. as técnicas de radar de abertura sintética (SAR) também estão alcançando resoluções da mesma ordem de grandeza do limite de difração óptica. fumaça Baixa para sem Nuvens 2-100µm Alta (opaca) Chuva 0. há que se emitir uma onda eletromagnética. o volume em torno da plataforma do sensor que pode acompanhado por unidade de tempo. Os dados foram retirados das referências 6 e 7. muito maior no infravermelho. A absorção molecular é considerada apenas superficialmente. o radar e os sensores eletro-ópticos são os mais importantes para aplicações da defesa. levando este alvo a emitir maiores níveis de radiação. sendo muito mais largo do que o campo de visão instantâneo (IFOV) do sensor eletro-óptico.5-7mm Média Infravermelho próximo (0. Evitando-se considerações detalhadas sobre o tempo de observação (“dwell time”) e da integração de vários pulsos (para radar) ou da radiância medida por pixel (para infravermelho). de acordo com a lei de Kirchoff. É também importante considerar. o que incentiva o seu uso em ambientes eletronicamente saturados. Exceção feita ao radar multiestático. possivelmente isto também ocorrerá na faixa do infravermelho. Partícula Diâmetro Visível (0. e se esta refletividade for baixa. que é limitado a circunstâncias operacionais específicas. O radar tende a ser mais sensível às contramedidas eletrônicas. Um outro fator ligado ao diagrama de irradiação daqueles sensores é a resolução. o feixe do radar. embora o emprego destes últimos seja mais recente.7µm) aerossóis 0. vista anteriormente. denominado “volume de vigilância”. para aplicações de vigilância. quando seus diâmetros são comparáveis ao comprimento de onda da radiação.Apêndice O EMPREGO DE SENSORES RADAR E INFRAVERMELHO NA GUERRA MODERNA Conforme mencionado na introdução.7-3µm) Infravermelho médio (3-8µm) Alta. em alguns casos. Entretanto. espalhamento tipo Mie Baixa /média Baixa fora da banda de absorção do CO2 em 4. função da temperatura e umidade . Os sensores eletro-ópticos têm a vantagem de explorar a energia que está já disponível da emissão do alvo. fazendo-o mais apropriado para a identificação e o imageamento de alvos. a propagação do feixe é perturbada pelo espalhamento causado por partículas e aerossóis em suspensão na atmosfera. O fato mais óbvio é o de que. principalmente para aplicações de sensoriamento remoto.

A detecção óptica é limitada por vários fatores. e o sinal é estocástico. e se uma filtragem óptica apropriada fosse empregada. Isto dependeria do projeto do sistema. ou a radiância de fundo (“clutter”). a potência equivalente do ruído (NEP – “noise equivalent power”). devemos olhar os fatores que limitam a sensibilidade em ambos os casos. sem nenhum outro ganho de processamento. executaremos um exercício de pensamento. não podemos computá-los apenas usando as equações radar. o nível mínimo discernível do fluxo radiante é. que é dependente da quantidade de ruído.35cm Média Tabela 1 – Efeitos de atenuação por partículas atmosféricas A fim comparar o radar e os sensores infravermelho em relação aos alcances máximos. que vem da taxa de chegada aleatória de fótons na óptica de entrada do sistema. em que um alvo pontual distante deve ser detectado utilizando um sistema hipotético que opera com uma eletrônica altamente ruidosa e de qualidade baixa. Média acima daquele valor ou com neve em fusão Média a 3 cm e em toda a faixa para taxas de precipitação mais altas Baixa Radar de microondas (1 a 100 cm) Baixa fora da banda de absorção de vapor d’água a 1. espalhamento do tipo Rayleigh fora da absorção por oxigênio a 0. a radiância de fundo é muito fraca e o sistema é dito ser limitado pelo ruído fotônico. Em vez disto. No caso do infravermelho. Como exemplos. e a fonte dominante seria ou o ruído fotônico. vindo do alvo ao detector. em radioastronomia. dependendo da concentração. enquanto no segundo o trajeto é único. o desempenho seria melhorado. de muito baixo ruído. Se nós removêssemos esta limitação. Este é o nível do sinal necessário para gerar uma relação sinalruído unitária na entrada do sistema eletro-óptico. O ruído do pré-amplificador será dominante. Agora se refrigerarmos criogenicamente o detector. e uma medida da quantidade de ruído inerente a este sistema. a cerca de –200o C. uma simples representação de um sistema eletro-óptico: Fluxo de fótons Óptica de entrada “Clutter” de fundo Ruído do detector Ruído do préamplificador Figura 1 – Fatores limitadores da sensibilidade de sistemas eletro-ópticos De maneira a analisar estes fatores. e o ruído do detector passaria então a ser significativo. Em um sistema de vigilância.5cm Baixa. e o desempenho do sistema seria bastante pobre. os ruídos do detector seriam insignificantes. já que o primeiro tem uma propagação em dois sentidos de um pulso ativo ou de uma onda contínua. e da sua aplicação. Para . descritos na figura 1.Apêndice Infravermelho térmico (8-14 µm) Radar de onda milimétricas (1mm a 1 cm) Baixa Baixa. usando pré-amplificadores integrados ao detector. o alcance máximo na ausência de “clutter” é determinado pela sensibilidade do receptor. caracterizada pela visibilidade óptica Baixa abaixo de 5 mm com neve seca.

onde ambos realizam uma conversão de freqüência. chuva e neblina. Um sumário das comparações feitas nesta seção é apresentado na tabela 2. o detector seria o misturador de entrada. o primeiro de uma freqüência óptica para uma freqüência de banda base. o sistema será limitado pela radiância de fundo (BLIP. a óptica de entrada seria representada pela antena do sistema radar. Este limite é também aplicável à faixa do infravermelho. alcançando sensibilidades limitadas apenas por “clutter” em aplicações de vigilância de áreas de grande porte. Característica Radar Infravermelho Localização emissora Volume de vigilância na unidade de tempo Resolução Susceptibilidade a contramedidas Menor.Apêndice um cenário marítimo. porém o horizonte infravermelho é menor que o radar. dependendo do ambiente. Agora supondo-se que poderia ser possível eliminar ambas as fontes acima mencionadas. Alcance máximo Maior. e o pré-amplificador seria o amplificador de FI. Para se fazer uma analogia com o infravermelho. Uma limitação fundamental ao desempenho em alcance radar é também o ruído gerado no receptor. da plataforma Ativo. uma para cada sensor. também dependente das temperaturas das fontes radiantes presentes no cenário. Este decorre do tamanho finito da abertura da óptica de entrada. Tabela 2 – Sumário de características dos sensores radar e infravermelho Devido a essas possibilidades e limitações interligadas. misturando-o ao fundo. Aparentemente. Finalmente. um de cada vez sendo selecionado para gerar o sinal de “homing”. nós encontraríamos a limitação final para sistemas óticos de imagem. o segundo de um sinal de RF para um sinal de freqüência intermediária (FI). Passivo. causando um espalhamento da imagem da fonte pontual (alvo) a ser detectado. Menor.“Background Limited Infrared Photodetector”). Componentes de microondas de muito baixo ruído estão sendo projetados para sensoriamento remoto radar a partir de satélites. condições climáticas e contramedidas. Muito menos susceptível. Influência de mau tempo Menos influenciado. seja empregando técnicas de fusão dos dados e apresentando as informações somente em um “display”. caracterizado pela sua temperatura de ruído. o “clutter” de fundo corresponderia à temperatura de ruído da antena. porém pode ser limitado por razões táticas. nuvens. a restrição mais importante ao alcance do radar é imposta pela situação tática. Menor. mas o alcance máximo será também reduzido pelo efeito de embaçamento do alvo pontual. seja com duas apresentações distintas. para uma mesma altura do sensor. Desempenho degradado por de contraMaior. que podem carregar sensores infravermelho e de radar de ondas milimétricas. a PSF impactará somente a resolução. por fatores da propagação. estabelecida para negar o estabelecimento da posição da plataforma. com referência à figura 1. a saber o limite de difração. A localização é possível utilizando-se um receptor MAGE. Maior. que são determinadas por sua vez pela lei da radiação de Planck (vista no item 2). Pode ser susceptível sem o uso de recursos contramedidas. com observação quase horizontal. Já em relação ao radar. reconhece-se atualmente que o radar e os sensores infravermelho têm uma natureza complementar. que originou o desenvolvimento de sensores combinados. o aumento do alcance com o aumento da potência transmitida está limitado ao horizonte radar. A localização da fonte não é possível. A clara vantagem de alcance do radar sobre o infravermelho é freqüentemente anulada pela política de controle de emissão (condição de silêncio eletrônico). Um outro exemplo são as cabeças de busca de mísseis. . descrito normalmente pela função da espalhamento de ponto (“Point spread function” PSF) do sistema.