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Do mesmo modo. ou emocional-sexual. uma identificação que se expressa através de cada um dos possíveis vínculos com o mundo. a castração corporal.» (120) E tudo isto ocorre em conseq ência da identificação fantástica e exclusiva com o corpo. Assim. uma angústia de separação que perdurará até que não tenha lugar o processo de diferenciação ou desidentificação. renunciar à exclusividade do incesto emocional-sexual. o indivíduo se transformará uma vez mais. ou desidentificar-se.  ligada a cada um deles. dele equivale a «superar adequadamente o complexo de castração» e abrir-se a uma sublimação que termina conduzindo até os reinos mentais (através -como veremos mais adiante. enquanto que o eu não se diferencie do corpo genital experimentará a angústia da separação genital que se conhece tradicionalmente com o nome de ansiedade de castração genital. despreze sua identidade central ao novo e superior ego mental e ataca um . na medida em que Thânatos supere ao Eros e se abandone a tradução infraordenada. o anal e o genital. É assim como termina finalmente por diferenciar-se do corpo tifônico.da identificação mental com o complexo ego/superego). tanto no que diz respeito a modalide de sua sensação de identidade (o sujeito substitutivo) como no que tem a ver com a forma de sua busca (o objeto substitutivo). O incesto corporal suporta. Thânatos em sua forma mórbida e persistente centrada no corpo. dito em poucas palavras. Por outro lado. o oral. «A angústia de castração que experimenta o menino durante o período fálico pode comparar-se ao medo a ser devorado da etapa oral ou ao medo de ser despossuído do conteúdo 224 de seu corpo da etapa anal e representa a culminação do medo fantástico ao dano corporal. aceitar sua morte e diferenciar-se.

despreze sua identidade central ao novo e superior ego mental e ataca um novo projeto Atman. Já vimos. por exemplo. . um aspecto que tem que ver . apresenta-se a mesma «encruzilhada» e as conseq ências da «decisão» são extraordinariamente importantes. também o é agora que o façam o ego e o corpo. 225 Se tomarmos o estágio egóico como ponto de partida. Assim como.emocional-sexual. anal. era desejável que o corpo e o entorno se diferenciassem. Fusão diferenciação e dissociação   Parece-me agora oportuno interromper temporariamente nossa história sobre a evolução através dos reinos egóicos para falar brevemente de um aspecto muito importante do desenvolvimento geral. o eu deixa de estar atado à imediatez do corpo ligado ao presente e pode expandir-se pelo mundo da mente. diferenciação e dissociação. em seu momento. de um eu que seja incapaz de ir mais à frente do erotismo corporal. tratará de achar a unidade Atman através dos orifícios do corpo: comendo compulsivamente (fixação anal: o intento de fundir-se com o mundo comendo-lhe mediante a manipulação sádica (fixação anal: o intento de fundir-se com o mundo tratando de apropriar-se dele) ou por meio dos ataques de histeria (fixação fálica: o intento de fundir-se com o mundo tratando de «criá-lo sexualmente»).com as diferenças existentes entre fusão. Na medida em que a mente e o corpo se diferenciam. que permaneça preso nas categorias infantis da manipulação corporal. em suma. Só assim poderá o eu liberar-se de seu confinamento nas sensações. não cabe a menor dúvida de que é necessário e desejável que a mente e o corpo se diferenciem.como o indica o título desta seção. que. de um eu. em cada um dos distintos estágios do desenvolvimento. posto que. A psicanálise é muito clara com respeito às desastrosas conseq ências de um eu fixo nas modalidades corporais (oral. nas percepções e nos impulsos elementares (de seu confinamento no ego corporal). fálica). quando o eu não consegue diferenciar-se completa e definitivamente do corpo.

é incomum. O racionalista .histeria (fixação fálica: o intento de fundir-se com o mundo tratando de «criá-lo sexualmente»). no caso de encontrar-se anteriormente com dificuldades. (120) E isto é algo que acontece em todos os níveis do desenvolvimento. obviamente. Isto é o que a psicanálise se refere quando afirma que «a conseq ência de experimentar muitas satisfações [excessivo incesto erótico] em um determinado nível é que só se renuncia mesmo a contra gosto e que. continuará desejando a satisfação da qual anteriormente desfrutou». Essa é a terrível conseq ência de um projeto Atman que permaneça estagnado -fundido. Em tal caso. a fusão -ou o fracasso da diferenciaçãotem lugar quando não se renuncia.nos níveis corporais do eu. com um contínuo que vai: 1) da fusão a. 226 Encontramo-nos aqui. 3) na dissociação. poderíamos dizer que. o indivíduo aceita as gratificações substitutivas próprias do nível em questão e se nega a seguir adiante com o processo de diferenciação. Todos conhecemos casos de meninos de três anos cuja fusão pleromática prévia com o peito era extremamente prazenteira e seguem chupando o dedo cada vez que se encontram em uma situação que lhes desagrada. É necessário e desejável que o ego e o corpo se diferenciem mas resulta desastroso que terminem dissociando-se ou fragmentando-se (porque dissociar significa relegar uma estrutura ao inconsciente submergido e não transcendê-la. portanto. em qualquer dos níveis do desenvolvimento. Mas tiveram em conta que o mesmo pode ocorrer em qualquer das etapas do desenvolvimento. incluída a causal. que existe uma diferença abismal entre diferenciação e dissociação. e isto. E. de fato. qualquer diferenciação pode terminar em uma dissociação.   Mas terá que dizer também. por outra parte. desenvolvimento e transcendência. nem se transforma o incesto -Eros. O desenvolvimento adequado exige uma diferenciação clara em que não exista a menor dissociação. Falando em termos gerais. 2) a diferenciação e que pode terminar. a não ser reprimi-la).

mas não se trata. do mesmo modo que o excesso de incesto (Eros) leva à fusão. negando a deixar de chupar o dedo característica própria do nível sutil e adiando. desse modo. O ego transcende certamente ao corpo. Devo sublinhar também que. se nega a diferenciar-se ou desidentificar-se do nível mental e a dar o passo   que deveria terminar lhe conduzindo ao nível sutil.experimenta satisfação através da atividade conceitual. tende a sentir um autêntico medo de seu próprio corpo. por conseguinte. continua fundido no nível em questão e aceita como reais suas gratificações sustitutivas. em minha opinião. de uma transcendência absoluta porque mantem uma estreita relação com o corpo (com o que Aurobindo denomina «ego físico») e. deixam de participar do processo de maturação e enviam seus perturbadores derivados à consciência do inconsciente». simples símbolos e sintomas que se originam no inconsciente submerso reprimido (os aspectos dissociados do eu). teme renunciar à sua chupeta racional e. no estágio egóico. E o mesmo ocorre com certas formas superiores de meditação sutil que podem resultar tão gratas que o indivíduo fique atado (fundido) em tal reino durante um prolongado período de tempo. seu ingresso no domínio casual. deixa de diferenciar-se. Só nas proximidades do estágio do centauro . ninguém se salva. Em cada um destes casos. Como diz a psicanálise: «Se a frustração desembocou em repressão [por uma amplificação excessiva de Thânatos]. em conseq ência. (120) Já falamos amplamente da natureza destes «perturbadores derivados». em conseq ência. os impulsos em questão isolam-se [dissociados] do resto da personalidade. não obstante. 227 Agora bem. o excesso de castração (Thânatos) conduz à dissociação. Este excesso de castração (Thânatos) pode adotar a forma de uma frustração excessiva (que minimiza Eros) ou de um autêntico medo ou trauma (que amplifica exageradamente Thânatos). de algum tipo de dissociação entre o corpo e a mente. o sujeito não abandona a modalidade de incesto-Eros própria desse nível e.

embora o «incesto maternal» possa ter lugar em qualquer destas zonas. Mas não se trata. seu ponto culminante na etapa genital.dado que. os lutadores. Antes desse momento não é possível eliminar por   completo as dissociações existentes entre o corpo e a mente. representado por Erich Neumann. que vai dos desejos ligados ao corpo até as modalidades e os conceitos mentais. E. na maior parte dos casos normais. globalmente. é que a fusão entre a mente e o corpo não seja desmesurada. os assassinos. porque as idéias de Neumann encaixam perfeitamente com nossa colocação. Este é um processo que podemos observar em cada um dos diferentes níveis fundamentais do desenvolvimento porque. de uma questão meramente tangencial. que se centra nas zonas corporais oral. nesta obra. Neumann utiliza o termo «reino maternal» para referir-se aos domínios instintivos. a luta com o dragão) mas se trata.dedicar esta seção a. emocionais e biológicos. que a dissociação da mente e o corpo tampouco seja excessiva e que a diferenciação discorra. tão somente. de um movimento. o passo que conduz do corpo tifônico até o ego mental é o movimento do «incesto materno» ao «incesto paterno» (um termo que esclareceremos na próxima seção). atravessa várias subetapas (a renúncia. revisar o ponto de vista junguiano sobre o tema. pelos leitos apropriados. Quão único podemos desejar (e esperar).. Este passo. mas tão somente tratar de reduzir sua magnitude. ou de uma transformação. procuro me apoiar nas principais escolas psicológicas . portanto.-quando a consciência começa a diferenciar do ego-. segundo Neumann. 228 O incesto e a castração maternos Queria agora . Observe-se que utilizamos vários termos -por . mais ou menos.onde existe diferenciação pode haver dissociação. alcança. este e o corpo podem alcançar uma integração verdadeiramente superior. Vejamos: Na opinião de Neumann. não obstante.. da «Mãe Natureza». anal e genital.

apesar de que simultaneamente também tenham lugar muitos outros processos (o desenvolvimento cognitivo. perdura ao longo de todo o estágio anal-domínio e conclui nos inícios do estágio egóico. compreenderemos facilmente a exposição de Neumann. seu ponto culminante na etapa genital. quer dizer. o desenvolvimento verbal. «eu corporal».os «reinos corporais». Ao longo desta seção utilizarei todos estes termos de um modo um tanto vago e impreciso com o simples objetivo de sublinhar a extraordinária conclusão de Neumann sobre a transformação que conduz dos reinos materno/corporais até os reinos paterno/egóicos. nos referir a todos esses níveis como «reinos corporais».para usar minha própria terminologia . ou os «domínios da Grande Mãe». Observe-se que utilizamos vários termos -por exemplo. É por isso que. que o menino aspira à unidade através da união com a mãe). podemos.em um sentido muito amplo. Se pensarmos simplesmente que os primeiros estágios do desenvolvimento estão dominados pelo corpo («reinos tifônicos») e pela mãe («incesto Maternal». é absolutamente fundamental no estágio axial.obstante. na medida em que tenha lugar o incesto . em sentido amplo. estende-se com o passar do estágio 229 anal-poder e desaparece no começo do estágio egóico-fálico. etcétera). converte-se na modalidade predominante do eu nos níveis corporais axial e de imagem. Outro tanto ocorre com os «reinos maternais» já que a Grande Mãe começa a exercer sua influência no estágio urobórico. A influência do corpo tifônico aparece já de   maneira rudimentar no estágio do uroboros. a tese de Neumann é que. querendo significar com isso simplesmente que . É por esse motivo que Neumann utiliza de maneira intercambiável os termos «incesto maternal» e «incesto corporal». são equiparáveis e que ambos se estendem desde seus inícios urobóricos e através de sua preponderância nos estágios corporal axial e da imagem corporal até o estágio anal-domínio e sua conclusão final no início da etapa fálicoegóica. Em essência.

a tese de Neumann é que. o eu . na medida em que tenha lugar o incesto corporal-sexual . anal ou fálico (todos os «reinos corporais». em geral) -.Em essência.seja oral.

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