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Unidade: Crédito Público

Unidade I:

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permitiu que a lei orçamentária anual de cada entidade política previsse a contratação de operações de crédito por antecipação de receitas (§ 8º do art. a dívida era pessoal e intransferível. CRÉDITO PÚBLICO O termo crédito tem origem do latim creditum. E mais. Logo. o empréstimo público é de extrema importância para a vida financeira do Estado. 1. temos que crédito é confiança.Unidade: Crédito Público 1. Hoje. que por sua vez se origina da palavra credere. passou a ser controlado pelos representantes do povo. Só que o empréstimo em dinheiro.1. 167. era considerado negócios entre os príncipes. até os primeiros séculos da Idade Moderna. ao mesmo tempo. Na Idade Média era comum esse tipo de negociação. e principalmente. que tem como significado confiança. a prestação de garantia na contratação dessas operações de crédito (art. o empréstimo público passou a ser um processo financeiro do Estado. Não tinha cunho hereditário. IV da CF). fundos ou despesas permitindo. 1 . BREVE HISTÓRICO Encontramos relatos na história que desde a antiguidade já se falava em crédito público. Já na época moderna. 165). para assegurar o exercício dessa faculdade excepcionou da proibição de vincular as receitas de impostos a órgãos. expressamente. A Constituição Federal possibilitou ao Estado efetuar operações de crédito em geral. Harada narra que tem relatos históricos onde Cartago tomava dinheiro emprestado de romanos ricos para custear indenizações impostas após a guerra de Zama. pois constitui-se uma fonte de alcance das finalidades públicas. sob as mais diversas modalidades e. quando começou ocorrer a separação entre os Unidade: Crédito Público bens do Rei e os bens estatais.

não havendo nada que obrigue o Estado a cumprir com suas obrigações quanto ao pagamento. e assim.3. em geral. O crédito público teria duplo sentido. trabalharemos Crédito. Já a Dívida Pública abrange os empréstimos captados no mercado financeiros interno ou externo. 2 . Empréstimo e Dívida como sinônimos. acrescido de juros e dentro de um determinado prazo preestabelecido”. por considerarmos que no ato da operação de crédito público ou empréstimo público o Estado automaticamente cria uma obrigação denominada dívida pública. CONCEITO Na definição de Lafayete Josué Petter (Direito Financeiro. A doutrina em geral se utiliza indistintamente das expressões empréstimo público. NATUREZA JURÍDICA DO CRÉDITO PÚBLICO Na doutrina brasileira encontramos basicamente 3 correntes sobre a natureza jurídica do crédito público.2. O empréstimo público se configuraria apenas nos casos onde o Estado recebe pecúnia sob promessa de devolvê-lo no futuro. normalmente corrigido por juros. 1. tanto para as operações que o Estado recebe dinheiro como os casos em que fornece dinheiro para terceiros. que se configura apenas um ato unilateral do Estado resultado do poder de autodeterminação e auto-obrigação. ed. 1. crédito público e dívida pública. crédito público é “como um processo financeiro consistente em vários métodos de obtenção de dinheiro pelo Estado. Outra parte defende que a expressão crédito público é mais abrangente do que empréstimo público. 2009). Neste material. inclusive jurisdicional. Teoria Ato de Soberania: defende que o empréstimo público é um Unidade: Crédito Público simples ato de soberania. sob a condição de devolver.1. não estando sujeito a qualquer tipo de controle. A dívida pública nada mais é do que o resultado de um empréstimo público. 4. através de contratos assinados com bancos e instituições financeiras ou do oferecimento de títulos ao público em geral.

cada soma que entra nos cofres públicos. corresponde ao ingresso de recursos aos cofres públicos. assumindo a obrigação de devolver o capital nas condições por ele fixadas e por isso alguns doutrinadores caracterizam os empréstimos como receitas impróprias.4. sendo mútuo. A teoria aceita pela maior parte da doutrina é que a natureza jurídica do crédito público é contratual. com prazo certo a restituir os valores. CRÉDITO PÚBLICO X RECEITA PÚBLICA Para doutrina majoritária. a título de empréstimo público. como já foi dito em Unidade anterior. Teoria Ato Legislativo: defende que o empréstimo é um resultado de um ato do legislativo. defensor da tese contratualista conceitua Crédito Público como “contrato pelo qual alguém transfere a uma pessoa públicaseja ela política ou meramente administrativa. Ao contrário da teoria do ato de soberania. sem qualquer contrapartida. que proíbe que tenha na Lei Orçamentária dispositivo estranho a previsão de receita e autorização de despesa. que se incorporam de forma definitiva ao patrimônio estatal. Vale ressaltar que o empréstimo público perdeu o seu caráter de medida extraordinária para não contrariar o Princípio da Exclusividade. Já a receita pública. a insuficiência da arrecadação tributária. no prazo convencionado.” 1. pois as partes só poderiam aderir aquilo que está estabelecido na lei. crédito público não pode ser confundido com receita pública. pois ao entrar em caixa automaticamente terá sua correspondência no passivo estatal. Geraldo Ataliba. Isso por que o crédito público não aumenta o patrimônio público.certa quantia de dinheiro. Ou seja. Unidade: Crédito Público 3 . com ou sem vantagens pecuniárias. 3. Teoria Contratual: defende que se trata de um contrato. devido. o Estado estaria sujeito a lei que ele mesmo elaborou. Hoje se tornou uma operação pela qual o Estado recorre ao mercado interno ou externo em busca de recursos dos quais necessita. Esta teoria não deixa de considerar o crédito público como um contrato. corresponde a um dever de restituição do valor dentro de prazo determinado. em regra. com a obrigação desta de entregar igual quantia de dinheiro.2.

Necessária a finalidade pública. Pode haver rescisão unilateral em caso de resgate antecipado. que não se destinem a financiar.5. se assim estiver previsto na lei. direta ou indiretamente. Em regra. autarquia. fundação ou empresa estatal dependente. Por força do art. diretamente ou por intermédio de fundo. inclusive suas entidades da administração indireta. Lei Complementar n°101/2000. Unidade: Crédito Público Temos como exceção a essa vedação as operações entre instituição financeira estatal e outro ente da federação. É possível alteração unilateral de determinadas cláusulas. refinanciamento ou postergação de dívida contraída anteriormente. Exige disposição legal específica do órgão legislativo solicitante. ao contrário dos empréstimos públicos que o Estado sempre assume a obrigação restituir o capital acrescido das vantagens e nas condições determinadas. CONTRATAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO Na contratação do empréstimo público devem ser observadas algumas condições impostas. os tributos não possuem promessa de devolução. mesmo porque se trata de um contrato de direito público. despesas correntes e refinanciar dívidas não contraídas junto à própria instituição concedente. Há obrigatoriedade de autorização e controle do Senado. inclusive suas entidades da administração indireta. e outro. é vedada a realização de operação de crédito entre um ente da Federação. Observe que o empréstimo distingue-se dos tributos por não ter caráter compulsório. se não vejamos:        Deve haver previsão orçamentária.LRF.Essa classificação também se dá por encontrarmos a Contratação de Crédito se encontrar na classificação contida na Lei 4320/64 como Receitas de Capital. Há sujeição a prestação de contas. 4 . ainda que sob a forma de novação. 1. 32 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

2. 12 da LRF. regido pelo Direito Público 5 . diminuir o poder de compra.6. com uma pessoa não nacional. CLASSIFICAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO As classificações recorrentes na doutrina são: 1. A LRF. com reembolso previsto dentro do período financeiro em que são celebrados. encontramos dispositivo que veda a contratação de operação de crédito que exceda as despesas de capital. em moeda nacional e em conformidade com a legislação de regência pátria. Os irremíveis são aqueles onde não há previsão de reembolso (reembolso impossível). também chamados “operações de crédito por antecipação de receita”. São representados por títulos da dívida pública. Os empréstimos internos dão origem à dívida interna. visando atenuar o processo inflacionário. Quanto ao local de contratação: Empréstimos Internos e Unidade: Crédito Público Empréstimos Externos Empréstimos internos são aqueles obtidos pelo ente público dentro do território nacional. Prevê apenas o pagamento de juros ou rendas. Os remíveis são aqueles que o Estado reserva-se o direito ou faculdade de reembolsar quando quiser.1. determina que ao Ministério da Fazenda cabe o controle do cumprimento das condições e vedações das operações de crédito. salvo as autorizadas mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade precisa. onde visam. Tal vedação visa coibir o desequilíbrio orçamentário. indefinidamente. São divididos em remíveis e irremíveis. cobrir déficits transitórios decorrentes da falta de sincronia entre receitas e despesas. sobretudo. 1. aprovada por maioria absoluta. negociáveis em bolsa (cotação variável). Podem ser a curto prazo.6. Os empréstimos temporários são aqueles com prazo definido para resgate. Quanto ao Prazo: Empréstimo perpétuo e empréstimo temporário Os empréstimos perpétuos são aqueles sem previsão de restituição.6.Já no art. 1. por parte do Estado. em moeda estrangeira. do capital principal. Já os empréstimos externos são aqueles obtidos no exterior.

Podem ser crédito estrangeiro. No nosso ordenamento existem as antecipações tributárias. retenção/manipulação dos depósitos em dinheiro que as pessoas fazem nas instituições financeiras e bancárias.Internacional.3. A “ARO’s” (antecipação de receitas orçamentárias) permite que o Estado realize empréstimo de curto prazo a ser devolvido no mesmo exercício financeiro para suprir o déficit de caixa. como. com juros e outros encargos incidentes. A ARO’s destina-se a atender insuficiência de caixa durante o exercício financeiro e cumprirá as exigências previstas no art. 6 . por exemplo. Há. também. até dia Unidade: Crédito Público 10/12 de cada ano. 1. emissão do papel moeda e de títulos e bônus do Tesouro. não necessita da anuência do prestamista. já que jungido a um regime jurídico de direito público (ato de império). 32 (já citadas no item 1.6. Em síntese. deverá ser liquidada. plurinacionais ou internacionais. que não são vinculadas a nenhum país determinado. o empréstimo compulsório – artigo 148 da CF. com pessoa não nacional definida ou crédito internacional que é aquele fornecido por instituições multinacionais. O Empréstimo Externo dá origem à dívida externa. que é aquele que o Estado celebra o contrato em moeda estrangeira. como forma de obtenção de crédito forçado. Quanto à Compulsoriedade: Empréstimo Compulsórios e Empréstimos Voluntários Empréstimo Compulsório ou Crédito Forçado é considerado uma forma imprópria de crédito público. Os outros meios (técnicas) para obtenção de créditos compulsórios se embasam na retenção/manipulação dos depósitos em dinheiro que as pessoas fazem nas instituições financeiras e bancárias. Deve ser classificada como receita Extra-Orçamentária. temos três meios de que se vale o Estado para obtenção de créditos compulsórios:    antecipação tributárias –ARO’s. IRPF.5) e mais as seguintes:   realizar-se-á somente a partir do 10° dia do início do exercício. impostos: IPI. bem como na emissão do papel moeda e de títulos e bônus do Tesouro.

obrigatoriamente prefixada ou indexada à taxa básica financeira ou a que vier a essa substituir. Trata-se de uma exceção ao princípio da vedação da vinculação do produto de arrecadação de impostos a órgãos. promovido pelo Banco Central. 167. são as que não se enquadram nas operações de crédito por antecipação de receitas.6. além da devolução do dinheiro no prazo estipulado. permitindo a utilização de receitas futuras como instrumento de garantia. Unidade: Crédito Público 1. Vale ressaltar que a escolha do agente financeiro que irá efetuar a operação se dará por meio de processo competitivo eletrônico. inversões financeiras e transferências de capital). 7 . e no caso de inobservância dos limites. O autor Régis Fernandes de Oliveira defende que a figura do Empréstimo Compulsório deve ser excluída do tema Empréstimo Público. IV da CF). O Banco Central acompanhará o saldo em aberto. o pagamento dos juros e a atualização monetária. Governadores e Prefeitos. aplicará as sanções cabíveis à instituição credora. leilão. o que descaracterizaria o mútuo. despesas de capital (investimentos.  será vedada a contratação no último ano de mandato de Presidente da República.    Federal: empréstimo público tomado pela União. correspondendo aos empréstimos de longo prazo que visam atender. não será autorizada se forem cobrados outros encargos que não taxa de juros da operação.4. se for o caso. O empréstimo voluntário (crédito público próprio) deriva da autonomia das vontades e reflete a convergência do Estado e do prestamista que objetiva. Estadual: empréstimo público realizado pelo Estado-membro. Estadual e Municipal. pois aquele não pode ser considerado empréstimo por ser compulsório. fundos ou despesas (art. vale mencionar. As operações de crédito em geral são definidas por exclusão. e enquanto existir operação pendente. via de regra. Quanto à Competência: Federal. e não pode ser compulsório se é empréstimo. Municipal: empréstimo público feito pelo Município.

Divide-se em dívida pública fundada interna e externa.1.5. por mais de dois anos consecutivos. quer como administrador de terceiros. da dívida fundada. pois os recursos são utilizados para a satisfação de necessidades imediatas do erário. Normalmente atinge somente o âmbito interno. provenientes de despesas imprevistas. A interna é aquela que compreende os compromissos contraídos dentro do país. ambos da Carta Magna. a dívida flutuante compreende os restos a pagar. os serviços de dívida a pagar. nos termos dos artigos: 34. A LRF ampliou o conceito de Dívida Fundada ao determinar que também integram a dívida pública consolidada as operações de crédito de prazo inferior a doze meses cujas receitas tenham constado do orçamento e que os precatórios judiciais não pagos durante a execução do orçamento em que houverem sido incluídos integram a dívida consolidada. Leis. quer para atender às momentâneas necessidades de caixa. alínea “a” e 35. por um breve e determinado período de tempo. Unidade: Crédito Público 8 .6. que dependem de autorização legislativa para amortização ou resgate. Segundo a Lei nº 4. Dívida pública fundada ou consolidada é aquela que compreende compromisso de exigibilidade superior a 12 meses. convênios ou tratados e da realização de operações de crédito. pelos Estados e Municípios. enseja a intervenção da União e do Estado. V. sem motivo de força maior. pois considera-se como uma dívida administrativa.320/64. excluídos os serviços de dívida. I. os depósitos e os débitos de tesouraria”. O não pagamento. é “a contraída pelo Tesouro Nacional. Dívida Pública Flutuante e Dívida Pública Fundada Dívida pública flutuante. Normalmente visa atender a desequilíbrio orçamentário ou a financiamento de obras e serviços públicos. confiados à sua guarda. segundo glossário STN. contratos. A externa é aquela onde os empréstimos são contratados ou lançados no exterior. para fins de aplicação dos limites. Corresponde ao total das obrigações financeiras assumidas em virtude da Constituição.

1. 1. “a” e 35. V. V a XI da CF: é de competência exclusiva do Senado a fiscalização. memorandos e programação de metas macroeconômicas com as Instituições Financeiras Multilaterais (IFM’s). I. A dívida Mobiliária dos governos estaduais e municipais corresponde ao total de títulos emitidos pelos respectivos Tesouros Estadual e Municipal. A Dívida Mobiliária do governo central é aquela que corresponde ao total de títulos públicos federais emitidos pelo Banco Central e pelo Tesouro Nacional que estão em poder do setor privado. Já a dívida financeira é resultado de um empréstimo público devidamente autorizado em lei especial.7. Art. 184 da CF: títulos da dívida pública para Arts. estadual no caso da dívida fundada não ser paga em até dois anos.6. 34. Art.  Art. da CF/88: hipóteses de intervenção federal ou Unidade: Crédito Público fazer face à desapropriação para fins de reforma urbana ou de reforma agrária. Dívida Pública Contratual e Mobiliária Dívida Contratual é aquela que inclui cartas de intenções. VII. Dívida Administrativa e Dívida Financeira A dívida administrativa resulta do desempenho das finalidades próprias dos ramos da Administração Pública e não necessita de lei especial para ser contraída. §4º.   Art. 52. 22.6. 182.7. CRÉDITO PÚBLICO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL    Art. inc. CPI da dívida pública e autorização de expedição de títulos da dívida pública para pagar precatórios anteriores à CF/88. 26 e 33 do ADCT. III e art. 163 CF: é reservado à lei complementar dispor sobre crédito público. incluindo os títulos emitidos para pagamento de precatórios. 9 .6.1. da CF: é de competência da União a política de crédito do Estado.

Estados. Esses princípios. os critérios objetivos previamente estabelecidos na norma legal – em função da obrigatoriedade na sua vinculação – afastando a discricionariedade do Administrador e a possibilidade de subjetivismos na condução dos atos públicos.7. ser regulada por leis federais específicas e que somente poderão ser tomados nos moldes legais fixados por tais leis. com base nos ensinamentos do Prof. no que cabe aos créditos públicos é o princípio que determina que a origem dos créditos públicos deverá. Princípios do Crédito Público Além dos princípios gerais da Administração que se encontram previstos no "caput" do art. nas suas decisões. de ver-se sujeitado à formalidade das prescrições legais. devendo agir sempre com impessoalidade. regulam o que podemos chamar de “sistema constitucional financeiro” e se apresentam voltados à disciplina da atividade financeira pública. VII da CF).Cabe à União determinar a política a respeito dos empréstimos públicos. 1. o que é fundamental. do DF e dos Municípios. então. quando se tem o poder de contratar empréstimos de assombrosos valores. há necessidade de que o Senado Federal fixe os limites globais e condições para as operações de crédito externo e interno da União. Passemos. de suas autarquias e demais entidades controladas pelo Poder Público (art. sobre esses princípios:  Legalidade: é o responsável por exprimir a obrigatoriedade que terá a Administração Pública. 37 da Constituição Federal – legalidade. a tecer breves comentários. não deve o gestor público agir em prol de interesses pessoais. O Congresso Nacional detém a competência legislativa genérica sobre o tema (art. Ricardo Lobo Torres. Unidade: Crédito Público 10 . na figura do gestor público.  Impessoalidade: é caracterizado por forçar a Administração para que esta observe. II da CF). ou seja. Além desta legislação. ou seja. necessariamente.1. publicidade e eficiência– devemos observar a relevância de serem aqui descritos os princípios da transparência e seriedade. junto com os que estudamos na Unidade III. impessoalidade. moralidade. 52. 48. bem como realizar a fiscalização das operações.

 Publicidade: consiste em fazer com que através da divulgação dos atos emanados da Administração Pública todos tenham conhecimento das ações do Estado. Unidade: Crédito Público 11 . ser confundido com o princípio da moralidade. honrando-se a seriedade do negócio jurídico pactuado. em verdade. a moralidade. Assim. todos os empréstimos assumidos pelo Estado. em uma primeira e rápida análise. fundado no princípio da moralidade pública. é o controle fiscal. deveria ser vista tão somente como um atributo necessário e até mesmo indissociável da tarefa de qualquer cidadão que venha a exercer quaisquer das funções públicas. em especial aquelas relacionadas com a responsabilidade pelo desembolso ou arrecadação das verbas públicas. apesar de elevada ao "status" de princípio. com maior eficiência. Moralidade: defende-se que a moralidade não necessitaria estar prevista em qualquer lei para ser passível de ser exigida do Administrador Público – pois. esse princípio faz com que no orçamento público constem. acrescido dos juros contratados.  Seriedade: que poderia. Pode ser traduzido pelo equacionamento das receitas e despesas públicas. vez que o mesmo é intrínseco ao caráter de cada ser humano. afinal nascemos já dotados ou não desse atributo. torna-se irretratável a promessa assumida pelo Estado com a contratação do empréstimo. expressa e claramente. na verdade vem querer significar a gravidade do comprometimento do Estado e que deve ser considerado para que se honre o compromisso assumido com o credor do crédito público – decerto que. para minimizar gastos e maximizar resultados. Assim.  Transparência: podendo ser confundido com o princípio da publicidade. não terá qualquer lei o condão de fazer nascer. de tal forma que sejam de conhecimento amplo. sendo ainda assegurada a restituição do crédito tomado. o que se adequa perfeitamente ao assunto em estudo: os créditos públicos. com o melhor aproveitamento do crédito público disponível. fazer surgir a moral em um indivíduo.  Eficiência: refere-se à possibilidade que o Estado tem de equacionar para obter maiores e melhores resultados. para tanto.

Baleeiro diz que “Conversão é a alteração feita pelo Estado. em contrapartida à subscrição”. É forma de extinção parcial da Dívida Pública. O que foi negociado está extinto.1. de resgate do empréstimo público são:  todos os títulos são resgatados simultaneamente na data do vencimento.9. geralmente quando a cotação está abaixo do valor nominal). Ocorre com o pagamento sucessivo das parcelas do empréstimo até o resgate total e podese efetuar através da compra de papéis no mercado ou diretamente junto ao credor na forma de pagamento. Ainda classifica a Conversão em três tipos: Unidade: Crédito Público 12 . Promulgação da lei autorizadora: feita pelo Congresso Nacional autorizando o Poder Executivo a emitir os títulos ou fazer o contrato de mútuo. objetivando diminuir a carga anual do encargo que ele tem de suportar. III. depende da aquiescência do credor.    pagamento em série por meio de sorteios periódicos.9. Resolução do Senado: autorização financeira do Senado para a feitura do empréstimo.8.9. 1. por meio do pagamento de rendas vitalícias. FORMAS DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO 1.2. 1. As formas clássicas de pagamento. Amortização É a forma mais comum de extinção dos empréstimos. Conversão Quando o Estado modifica as condições anteriores do empréstimo público. de qualquer das condições fixadas para a obtenção do crédito público. através de saldos orçamentários (o Estado compra seus próprios títulos na Bolsa. ETAPAS DA FORMALIZAÇÃO DO CRÉDITO PÚBLICO I. Contrato de mútuo ou títulos da dívida pública: efetiva-se com a emissão dos títulos pelo Poder Executivo ou com a contratação do mútuo bancário.1. após a emissão. II.

por exemplo.4. quando. o Estado não obriga a referida substituição. Compensação Ocorre quando o Estado deve a uma pessoa e essa pessoa também deve ao Estado. não consolidados ou mediante atos de corrupção. ele concede ao mutuante. mas decreta a caducidade dos títulos que não forem substituídos. sem exercer qualquer forma de coação. que não lhe retira nenhuma vantagem e ainda lhe oferece um juro maior ou de permanecer com o título antigo. 1. porém o CTN exige para a compensação lei específica autorizando tal feito.9. podendo tal imposição ser feita indiretamente.  FACULTATIVA: o Estado não obriga à substituição do título. Unidade: Crédito Público 13 . 1. É uma peculiaridade que só existe na compensação.3. Ocorre quando o Estado não reconhece a dívida assumida pelos regimes não políticos.  OBRIGATÓRIA: o Estado oferece ao mutuante o direito de opção que consiste no reembolso do valor do título primitivo (descontados juros) ou na troca por outro título que oferece uma vantagem menor. Repúdio Pode ser chamado de calote. a possibilidade de escolher trocar seu título primitivo por um novo. que oferece menor vantagem que o anterior.9. tal modalidade de conversão atenta contra o direito adquirido do mutuante e é repelida nos países em que os tribunais controlam a constitucionalidade das leis”. FORÇADA: “em que o Estado impõe ao mutuante a substituição do título primitivo por um novo.

consignado em dotação específica no orçamento. Unidade: Crédito Público 14 .2. devem OBRIGATORIAMENTE ser depositadas em instituição financeira oficial.§5º). Noventa dias após o encerramento do semestre também apresentará perante as Comissões temáticas respectivas no Congresso. além dos balanços. da compra e venda de títulos do Tesouro Nacional e dos depósitos das disponibilidades de caixa da União. apurado após a constituição ou reversão das reservas como receita do Tesouro Nacional. É a autoridade monetária que controla os efeitos financeiros e executa a política monetária e cambial do país. Não se incluem no conceito de moeda os títulos de crédito ainda que emitidos pelo Governo. • Compra e venda de Títulos do Tesouro Nacional: O art. 164 §2º da Constituição Federal autoriza o BC a comprar e vender títulos do Tesouro nacional com o objetivo de regular a oferta de moeda ou a taxa de juros. Logo no Art.9. O impacto e o custo fiscal das suas operações deve ser demonstrado trimestralmente evidenciando o cumprimento da LDO. que não leis. O resultado negativo constituirá obrigação do Tesouro para com o Banco. Principal fonte das normas. • Depósito dos poderes públicos: As disponibilidades de caixa da União devem ser depositadas no BC. sobre o sistema financeiro público e privado e das operações de crédito dos entes da Federação. O Banco Central tem papel acentuado no contexto da Lei de Responsabilidade Fiscal. creditícia e cambial(Art. nem os depósitos e reservas bancárias. É instituição central de autoridade e controle monetário e creditício. enquanto as dos Estados. • Emissão de moeda: O BC tem o monopólio de emissão de moeda. BANCO CENTRAL O Banco Central tem papel fundamental nas finanças públicas. bem como de câmbio. em especial por conta do monopólio da emissão da moeda. a avaliação do cumprimento das metas das políticas monetária. Municípios e outros órgãos ou entidades do Poder Público. 7º é definida a integração do resultado do Banco Central.

O Art. Favorecer a expansão equilibrada do comércio.Bird. autarquia. refinanciamento o postergação (Art. Tem como principais objetivos:   Promover a cooperação monetária internacional.  Oferecer ajuda financeira aos países membros em dificuldades econômicas. e os da dívida dos Estados e Municípios (Art. 3.FMI e Banco Interamericano de Reconstrução e Desenvolvimento Econômico. exceto pelo refinanciamento do estoque de Letras. por via de fundo.Como já vimos. proporcionando níveis elevados de emprego e trazendo desenvolvimento dos recursos produtivos. 3. do próprio Banco Central. emprestando recursos com prazos limitados. Estão vedadas ainda as permutas. fornecendo um Unidade: Crédito Público mecanismo de consulta e colaboração na resolução dos problemas financeiros. Elas estão sujeitas às vedações de operações de crédito entre um ente da Federação e outro. exceto para redução da dívida mobiliária. ainda que com cláusula de reversão. 15 . 35). FMI O FMI tem como finalidade manter um bom funcionamento do sistema financeiro mundial. estimulando a cooperação monetária no âmbito internacional. mesmo que temporárias. Os títulos da Carteira do Banco Central não podem ser adquiridos pelo Tesouro Nacional. Acrescenta-se a estas as vedações à compra de títulos da dívida na data da colocação no mercado. mesmo sob a forma de renovação. FMI e Birde Com a criação do Fundo Monetário Internacional. na definição da dívida pública mobiliária inclui-se na representação dos títulos emitidos pela União. 29).1. de título da dívida de ente da Federação e a concessão de garantia (Art. Série Especial. 39). empresa estatal dependente e outras entidades da administração direta e indireta. 39 define as operações com o Banco Central. inaugurou-se uma nova fase nas operações de crédito externo. fundação. existente na carteira das instituições financeiras.

3. Inicialmente dedicava-se a financiar a reconstrução de países arrasados pela guerra. A AID proporciona empréstimos a países mais pobres sem a incidência de juros. Os recursos do Bird. teve seu campo transferido para o setor de desenvolvimento.Associação Internacional de Desenvolvimento. AID e mais IFCCorporação Financeira Internacional. o Bird destina-se a colaborar na tarefa de reconstrução e valorização do território dos países membros. concedendo empréstimos para os países que tenham rendas médias com bons antecedentes de crédito.Agência Multilateral de Garantia de Investimentos. Contribuir para a instituição de um sistema multilateral de pagamentos e promover a estabilidade dos câmbios. e com advento do plano Marshall. O primeiro é formado pelo Bird e pela AID.2. Bird Como o nome já indica. Importante destacar a diferença entre o Banco Mundial e o Grupo do Banco Mundial.Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimento e AMGI. Unidade: Crédito Público 16 . Já o Grupo do Banco Mundial é formado pelo Bird. são levantados pelas vendas de títulos nos mercados internacionais de capital. em sua grande parte. CIADI. dando ênfase para a luta contra a pobreza nos países membros em desenvolvimento.

2002. Lei complementar 101/2002 – entendendo a lei de responsabilidade fiscal.Referências HARADA. Direito financeiro e tributário. Edson Ronaldo. 2008. Unidade: Crédito Público 17 . São Paulo: Atlas. OLIVEIRA. Curso de direito financeiro. CREPALDI. Brasília: Ministério da Fazenda. CREPALDI. ed. 2009. 2. Guilherme Simões. DEBUS. NASCIMENTO. 2. São Paulo: Revista dos Tribunais. Régis Fernandes de. 18. Kiyoshi. Constituição Federal de 1988. ed. Rio de Janeiro: Forense. 2009. Silvio Aparecido. Direito Financeiro. Ivo. ed.

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