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VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO), 03 a 06 de maio de 2001

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CONTROLE E RECUPERAÇÃO DE PROCESSOS EROSIVOS COM TÉCNICAS DE BIOENGENHARIA
PEREIRA, A.R., Engenheiro, Doutor em Solos – Diretor da DEFLOR Bioengenharia Ltda. Rua Major Lopes, 852 – São Pedro – 30330-050 – Belo Horizonte, MG, deflor@deflor.com.br RESUMO O trabalho relata técnicas avançadas de recuperação de área degradada, envolvendo produtos rígidos e biológicos (Telas e Mantas biodegradáveis fabricada com materiais fibrosos e fibras vegetais), com o objetivo de recuperar e controlar processos erosivos em área controlada situada em Betim, MG, que se encontrava em estágio avançado de degradação. O projeto constou da construção do sistema de drenagem, ancoragem dos sedimentos, preenchimento dos espaços vazios para estabilizar taludes, revestimento vegetal com a melhoria do aspecto visual e paisagístico. Toda a erosão foi recuperada em apenas 60 dias de forma eficiente, econômica e segura, utilizando-se as técnicas de bioengenharia . A primeira avaliação realizada 1ano após o período chuvoso, apresentou o local totalmente revegetado e sem nenhum foco erosivo. Comparativamente aos métodos tradicionais de engenharia houve uma redução de 113% no custo. Palavras Chave: Erosão; Meio ambiente; Bioengenharia.

ABSTRACT RECOVERING AND CONTROL OF EROSION USING BIOENGINEERING TECHNIQUES This technical paper refers to advanced bioengineering techniques involving rigid and biological products ( Biodegradable mats and blankets are produced from vegetal fibers) to recover and control erosion processes in a contolled site located in the county of Betim, MG which was in a very advanced stage of degradation. The project consisted of a drainage system, sediment retention, filling the empty spaces to stabilize and revegetation to efficiently control the erosion and improvement of the visual aspect of the landscape with na economic and safe solution. Using the bioengineering techniques the area was recovered in 60 days and the first inspection after the rainy season ( 12 months later) confirmed the efficiency of the process once the whole area was recovered and no erosion detected. Comparing to other engineering methods there was a reduction of 113% in cost. Key Words: Erosion; environment; bioengineering. 1 - INTRODUÇÃO A proteção ao meio ambiente tem sido decisiva na implantação e manutenção de empreendimentos urbanos, industriais, agrícolas, comerciais e viários, por força da legislação e também pela vigilância da sociedade evitando assim a degradação e destruição ambiental. O Brasil, um país tropical com condições intempéricas fortes, como insolação e chuvas intensas tem contribuído para acelerar os processos erosivos, que normalmente não existe um tratamento preventivo, e sim em alguns casos apenas o corretivo, elevando assim os custos da recuperação (PEREIRA, 1996). A erosão entre outros fatores é causada por um grupo de processos geodinâmicos, movidos pela energia gravitacional e energia potencial associadas aos desníveis do terreno (PEREIRA, 1997).

Minas Gerais. Nos países tropicais a erosão superficial chega a retirar cerca de 30 T/há/ano de solo fértil. perigo e degradação ambiental. É uma área de aproximadamente 11. 1999). em Betim. e na maioria das vezes carreando sedimentos para os cursos d’água. 1986) quase toda erosão é possível de recuperação e controle. A bioengenharia é uma associação de alternativas. Diante da literatura pesquisada e a verificação visual do grande número de processos erosivos existentes. 2. o que normalmente de prática. As erosões que devem utilizar os processos tradicionais. principalmente em Belo Horizonte. A retirada poderá ser feita manualmente e/ou com uso de máquinas. levou o grupo a procurar um caso de erosão e estudá-lo profundamente. o tratamento da erosão deste porte e degradação com o uso das técnicas de bioengenharia. Trata-se de um trabalho inédito no Brasil.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). A tecnologia adotada é moderna . é o uso de técnicas tradicionais sem utilizar os conhecimentos biológicos necessários para se obter sucesso e garantia do trabalho ao longo do tempo (COELHO. e ainda minimizando o uso de equipamentos pesados . 2 . com as técnicas de bioengenharia associada a engenharia civil. com grande utilização de produtos de origem vegetal. situa-se adjacente a Avenida Marco Túlio Isaac. totalmente erodida em estágio avançado de degradação carreando sedimentos para a avenida.Retirada dos sedimentos soltos Esta operação consiste em retirar todo sedimento solto e também aqueles que porventura estejam em condições instáveis. De acordo com (GOLDMAN. Segundo GRAY E SOTIR(1995). dependentes do acesso ao local. é similar a milhares existentes em nosso país .1 . A seguir serão descritas técnicas e metodologias a serem empregadas na estabilização e controle de processos erosivos. drenagem deficiente. envolvendo estruturas biodegradáveis como: fibras vegetais. contribuindo para assoreá-los e lavando/retirando a camada fértil de solo. A metodologia obedece a seqüência de operação como. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 2 ================================================================ A erosão escolhida para o estudo. estacas vivas. são aquelas que todo local já foi degradado e a erosão não é mais recuperável. ou ausência total de intervenção. em estudos realizados na América Central.000 m² ( onze mil metros quadrados ). No Brasil poucos estudos existem com relação a tratamento de erosões que mostram eficiência e técnica adequada. A grande maioria das erosões são áreas degradadas que apresentam-se alguma estabilidade geotécnica. abundante nos países tropicais. madeira e estruturas rígidas como pedra. por isso as técnicas aqui adotadas serão de grande utilidade no controle dos processos erosivos existentes em nosso país. como retaludamento. e poder divulgar o trabalho. que teve seu início por falta de proteção vegetal. A metodologia utilizada é baseada nas técnicas de bioengenharia envolvendo materiais de estruturas rígidas e biodegradáveis. toda erosão apresenta um aspecto visual negativo mostrando sinais de abandono. por isso o tratamento com os técnicos indicados sempre apresentam sucesso.METODOLOGIA UTILIZADA A erosão a ser tratada. e surpreendentemente todo tipo de erosão pode ser facilmente controlado. concreto ferro e entre outros. mãode-obra e materiais de preço elevado. e consequentemente para cursos d’água a jusante. apresentando esta nova tecnologia a sociedade e aos engenheiros do país. .

barreiras protetoras.Tipos de canaletas Escadas dissipadoras: são utilizados em locais com taludes de maior inclinação por ter uma capacidade de suportar maior fluxo e velocidade de água.6. .3. Esta possui uma vantagem sobre a anterior. 2.Com isso evitase da água escorrer e causar problemas maiores tais como erosões. para a proteção dos taludes jusantes contra processos erosivos.4 . sendo que devem ser especificadas as espécies e quantidades. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 3 ================================================================ É interessante salientar que em erosões deve-se procurar utilizar o mínimo de máquinas. 2. devido ao índice pluviométrico. 2. leiras envolvidas por biotêxtil e utilização de bermalongas. O ciclo natural da água permanece intacto no local caso aja a utilização da água. A canaleta vegetal deve ser utilizada em taludes com inclinação inferior a 10%. Sendo assim ela suporta um volume de água superior a canaleta de concreto devido a sua seção ser maior e tem a finalidade principal de fazer com que a água percole pelo solo. pois é ecologicamente correta por ser revestida por uma manta de fibra de coco. Canaleta vegetal: tem o mesmo objetivo da canaleta citada anteriormente mas com maior capacidade de volume e menor velocidade de água. Ao longo da encosta foram construídas escadas dissipadoras com dimensões apropriadas ao local que coleta e transporta essas águas para fora do terreno. 7 em anexo. pois o interesse maior é que a água percole pelo solo ao invés de escorrer. Esta leira deverá ter dimensões proporcionais ao tamanho do foco erosivo.Drenagem A drenagem é o fator primordial para a captação de águas pluviais. podendo variar de 0. Antes de aplicar a manta o local deverá ser totalmente preparado e deverão ser aplicadas sementes e fertilizantes.2 . que podem ser feitas com a construção de canaletas de drenagem.3 .40m a 0.Leiras envolvidas por biotêxtil É construída uma leira com o próprio solo do local. para se evitar que locais estáveis tornem-se instáveis ou susceptíveis à erosão. Devido a inclinação do terreno da obra citada foram construídas canaletas e escadas dissipadoras com o objetivo de coletar e reduzir a velocidade das águas que poderiam ocasionar erosões fazendo com que todo o serviço executado fosse danificado. Estas canaletas e/ou escadas foram projetadas de maneira a atender as necessidades do local. Esta leira deverá ser compactada manualmente e posteriormente receber uma Manta Fibrax ( manta de fibra de côco de alta resistência ) que tem o objetivo de direcionar o fluxo da água reter sedimentos e permitir infiltração de água no solo. 2. conforme mostrado nas fotos nº 5.80m de altura.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO).Proteção das cabeceiras das erosões É necessário a proteção das cabeceiras das erosões e/ou voçorocas.1 .

deverá se aplicar bermalongas para evitar que os sedimentos passem pelas interfaces. As características do Bermalonga e sua implantação serão descritos a seguir. sendo a terra aplicada sobre a Bermalonga e esta fixada com grampos de aço ou madeira de acordo com a necessidade. para se evitar o insucesso nos trabalhos e redução de custos.5 . O ancoramento de sedimentos poderá ser efetuado de várias maneiras com o uso de: Gabião. Cada método tem sua função e deverá ser adequadamente escolhido. A paliçada é constituída de madeira tratada ficando assim imunizada contra proliferação de fungos e impermeabilizada.6. para que se possa obter sucesso no controle da erosão e retenção de sedimentos. paliçadas de madeira. 2.2 .Especificação Gramatura: 200 Kg/m2.5. Na área em que os sedimentos serão alojados deverá receber geotêxtil e bermalonga.1 .1 . que deverá ser de acordo com o carregamento que deverá suportar futuramente.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). 03 a 06 de maio de 2001 Pag 4 ================================================================ 2.Instalação A aplicação da Bermalonga é feita juntamente com o acerto da erosão. para se determinar a posição e os locais corretos onde serão fixados as bermalongas. A fixação deve ser acompanhada por um técnico. Resistência: 700 KN/m2.00m. A dimensão da paliçada será em função da necessidade do local. arrimo. 2. Embalagem: Cilindros de 40 cm de diâmetro e 2 m de comprimento.6 . sendo todas as peças enterradas no solo lado a lado e deverão dar estabilidade ao solo em locais de risco.40m e comprimento de 2. podendo absorver até 5 vezes o seu peso em água. com a finalidade de reter os sedimentos. Estas paliçadas são aplicadas no solo lado a lado e deverão dar estabilidade ao solo em locais de risco. após ser feito um croqui da erosão.Bermalongas Esse produto apresenta diâmetro de 0. É totalmente drenante e resistente.5. Na interface das paliçadas com o solo. O número e dimensão das paliçadas dependerá do acompanhamento técnico e/ou determinada em projeto. 2. evitando assim a passagem de sedimentos. paliçadas de madeira/bermalonga e com bermalongas. podendo ser simples e dupla. Estes sedimentos serão retidos até que a vegetação se estabeleça. assim como de gabiões. Peso Cilindro: 50 Kg. .Ancoramento dos sedimentos As primeiras chuvas poderão comprometer os trabalhos caso os sedimentos não sejam ancorados.Paliçadas de madeira As paliçadas de madeira são anteparos que deverão ser aplicados nos locais onde houver maior necessidade. 2. paliçadas de bermalonga.

8. e somente deverá ser executada esta atividade após terem sido executadas todas as correções das erosões. canais e áreas degradadas. matéria orgânica. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 5 ================================================================ 2. Esta é a etapa final dos trabalhos de recuperação de áreas degradadas. normalmente a grandes inclinações e instabilidade. Sua utilização é para proteger imediatamente o solo em taludes de corte e aterros.Preenchimento de espaços vazios Após a regularização e ancoramento dos sedimentos poderão ainda permanecer locais que deverão ser preenchidos.Revestimento vegetal O revestimento vegetal é necessário nestes locais devido. A bermalonga é fixada no solo com o uso de grampos de aço. conforme a fig. madeira ou estacas vivas que são estacas colhidas verdes que apresentam grande capacidade de enraizamento. fertilizantes.6. Essas bermalongas são de menores dimensões e são aplicadas da melhor maneira que convier e fixadas com estacas de madeira para preencher os espaços vazios.4.  proteção imediata da superfície do terreno. controle de processos erosivos e estabilização de encostas e taludes. As . É interessante salientar que em qualquer dos métodos de revestimento vegetal a eficiência depende exclusivamente da quantidade de insumos aplicada (sementes.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO).8 . Após a aplicação da Bermalonga deverá ser aplicado solo vegetal por cima juntamente com sementes e fertilizantes.1 . corretivos. adesivos e fixação no solo). aplicando-se a bermalonga. e caso não ocorra a proteção haverá erosão superficial e lavagem das sementes e fertilizantes. são utilizadas espécies como ficus e gliricídios. para provocar a revegetação da área com maior rapidez.2 . o taludamento estar tecnicamente adequado. onde serão utilizados bermalongas conforme pode ser verificado.Paliçadas de bermalongas As paliçadas de bermalongas são barreiras para reter sedimentos para utilização em locais de menor declividade e que tenham menor fluxo de sedimentos.  rapidez na instalação. Telas são produtos que são entrelaçados por fibras têxteis e apresentam maior translucidez e grande permeabilidade. 2. Muitas vezes o revestimento vegetal é executado sem que as etapas anteriores descritas sejam perfeitamente executadas.3. 2. neste caso o insucesso é quase certo.1.  segurança e eficiência desejada.  estética e melhoria imediata do visual. A instalação é feita com a abertura de uma valeta no sentido transversal ao fluxo de sedimentos. 2.Telas e mantas biodegradáveis Existem diversos geotêxteis compostos de produtos totalmente biodegradáveis com as mais variadas aplicações em trabalhos de recuperação e proteção ambiental.7 . conforme as figuras 2. e os dispositivos de drenagem perfeitos. Os revestimentos vegetais variam em função de :  custo de implantação e manutenção.

2. 04-14-08.Transporte do produto e insumos até o local da obra. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 6 ================================================================ mantas são os produtos entrelaçados por adesivos biológicos.Insumos Sementes: Deve-se utilizar preferencialmente as espécies existentes no local do serviço. esterco.8. ambientais e para estabilização de solos. O fornecimento da tela vegetal e sua respectiva instalação inclui as seguintes atividades: . taludes de corte e aterro. marretas para afixar grampos. 2. já que esses destinam-se a diferentes necessidades e situações. ou seja. fertilizantes: NPK. pás. gramatura.Utilização dos equipamentos necessários: pulverizador costal. dunas não estabilizadas. caminhão tanque pulverizador/hidrossemeador.Aplicação Proteção imediata contra o efeito dos agentes erosivos. sulfato de amônia. .2 . 2. madeira. superfosfato simples e esterco orgânico.1. bambu de tamanho variável. picaretas.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). sendo a maioria do serviço manual por se tratar quase sempre de locais de grande inclinação e de difícil acesso. sementes de gramíneas e leguminosas. cintos/cordas para pessoal. caminhão para distribuição de fertilizantes.3 . processos de mobilização e carreamento de particulados como: áreas recém-terraplanadas.8. margens de rios e canais. resistência e instalação das Telas e Mantas biodegradáveis adequam-se às necessidades dos projetos de recuperação e proteção ambiental específicos.Instalação Após o acerto do terreno. estende-se a tela ou manta ao longo do talude ou área. grampo em forma de “U” invertido com comprimento de 12 cm. de 10 cm.4 . A composição. degradabilidade. As quantidades do material deverão ser especificadas por especialista de acordo com o local a ser aplicado o produto.8.8. fazendo um transpasse. dependendo do local onde será executado o serviço e os tamanhos variáveis. ferramentas diversas.5 . No preço total do serviço já inclui 2 grampos/m2 do tamanho normal. conforme mostrado na figura 5. grampos de aço.1. efetua-se a fixação através de grampos de aço. As Telas e Mantas biodegradáveis podem ser aplicadas diretamente sobre a superfície que se deseja proteger ou após o semeio/plantio de vegetação com finalidades estéticas. enxadas enxadões. entre uma tela e outra. dependendo do tipo de solo em que será fixado o produto. sendo no mínimo 3 espécies de cada e específicas dos locais onde será executado o serviço. para garantia de sucesso na revegetação. .1.Grampos Os grampos a serem utilizados podem ser de ferro. aterros sanitários e quaisquer superfícies de solo desprotegidas contra a ação dos processos erosivos. áreas de disposição de resíduos industriais. proteção de dispositivos de drenagem. bambu ou madeira. sendo menos translúcidas e menos permeáveis. . corretivos e sementes. madeira ou bambu. preparo do solo e aplicação de fertilizantes. Após a aplicação da tela. 2.1.Fornecimento de todo material: tela vegetal. áreas com recobrimento da vegetação deficiente.

dependendo também da análise técnica. dependendo do material existente nos taludes onde será fixada a tela. bambu e madeira. sem acréscimo de custo dos serviços. procurando picotar toda área a ser aplicada a tela.Procedimento para instalação A instalação da tela vegetal inclui os seguintes passos e serviços: a) Preparo do terreno e coveamento: Inclui o acerto manual dos taludes recuperando os sulcos e preenchendo-os com terra e materiais fibrosos. A adubação orgânica será feita junto com o semeio e a adubação química à base de 1.500-2. procurando sempre utilizar pelo menos 3 espécies de gramíneas e 3 espécies de leguminosas. d) Aplicação da tela vegetal ARP-430: Após o preparo do solo. Antes da execução dos serviços deverá ser enviada uma proposta técnica. e os de madeira e bambu em formas de estacas pontiagudas. c) Fertilização: A fertilização é baseada em adubos químicos. com as sementes a serem utilizadas com as respectivas quantidades.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). procurando sempre deixar a tela rente ao solo.500-3. b) Semeio: O semeio é feito manualmente. até recobrir totalmente o solo. imediatamente após o preparo do terreno e coveamento. essa variação irá depender da análise do técnico. de espécies existentes no local dos serviços. nunca menores que os mínimos exigidos. As erosões grandes e ravinas deverão ser executadas à parte ou poderá ser incluída na proposta. e) Fixação da tela vegetal ARP-430: A fixação da tela pode ser efetuada com grampos de ferro.6 . As sementes são de gramíneas e leguminosas. Os grampos de ferro são em forma de “U” invertido.8. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 7 ================================================================ As sementes a serem utilizadas são basicamente de gramíneas e leguminosas. dependendo da análise técnica. coveamento. para impedir que ocorra escorrimento de água e sedimentos sob a tela vegetal. fazendo entre uma tela e outra um transpasse de 10 cm.1.000 Kg/ha. A fertilização é feita misturando os produtos e aplicando-os a lanço diretamente na área. na seguinte proporção: 250-300 Kg/ha de gramíneas e de 15-20 Kg/ha de leguminosas. A densidade de grampos é variável de 2-4/m2. Após o acerto do terreno são efetuadas covas de no mínimo 5 cm de profundidade e distâncias de 10 cm no máximo. 2. ou ainda aplicar outras espécies específicas do local. caso haja necessidade. Os tamanhos são variáveis de acordo com a dureza do terreno. . O calcário. semeio e fertilização a tela vegetal será estendida ao longo dos taludes ou áreas a serem cobertas pela tela vegetal. A adubação de cobertura é feita através da água de irrigação. Fertilizantes: Serão utilizados no ato do plantio adubo químico NPK (4-14-8) à base de 500-750 Kg/ha e por ocasião do repasse/adubação de cobertura 80-120 Kg/ha de sulfato de amônia e 80-120 Kg/ha de superfosfato simples. que deverá ser aplicado se necessário 60 dias após o semeio. adubação orgânica e corretivos e uma cobertura 60 dias após o semeio de adubação nitrogenada e fosfatada. será em torno de 1. Nos taludes a tela vegetal é desenrolada a partir da crista. sendo esta proposta específica de determinado serviço. isto para facilitar a fixação da semente no solo misturando-se com o mesmo e evitar que fique exposta e diretamente em contato com a tela vegetal.000 Kg/ha.

3 .cuja a avaliação dos moradores locais parecia que jamais houve intervenção do homem neste local . será da contratante. de seis a doze meses incluindo o neste período uma temporada de chuvosa. replantio e fertilizações. a drenagem bem dimensionada. 2.A erosão portanto no momento exato do término do trabalho já fora constatado total recuperação do local seis meses depois como mostra foto 4 em anexo.000 g/m2 e resistência: 400 KN/m2 – Degradabilidade de 18 a 24 meses – Indicada para taludes de 50 a 60 graus com instabilidade e muito estéreis. Após a realização do trabalho conforme foto 3 em anexo foram feitos avaliações sobre a qualidade e segurança do serviço executado. e não constatou pontos de fragilidade que pudesse ocasionar novos focos erosivos. foi feito outra avaliação.500 g/m2 e resistência: 320 KN/m2 – Degradabilidade entre 12 a 18 meses – Indicada para taludes de 50 a 60 graus.Especificação O produto para revestimento final utilizado foi a Tela Vegetal® ARP-430 é constituída de materiais fibrosos inteiros entrelaçada com fios resistentes de fibra vegetal. se houver. para aumentar o reforçamento mecânico dos solos.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). entretanto pode haver ataque de pragas e seca prolongada antes da germinação ou no estágio inicial de desenvolvimento dos vegetais.8 . de acordo com o local em que será aplicada. d) Reforçada: É a tela de alta resistência conjugada com telas metálicas ou de material sintético. imediatamente após a execução dos serviços. b) Média resistência: Gramatura: 1. c) Alta resistência: Gramatura: 2. A precipitação ocorrida no período avaliado de agosto de 1999 a março de 2000 foi de 890mm com chuvas intensas em dezembro – janeiro. por exemplo. A Tela Vegetal® ARP-430 pode ter várias gramaturas e resistências.1.000 g/m2 e resistência: 240 KN/m2 – Degradabilidade entre 8 e 12 meses – Indicada para taludes de 45 a 50 graus de declividade. As telas utilizadas foram de 4 tipos a) Normal: Gramatura: 1. necessitando pois de irrigação e pulverização no local.8. escorrimento superficial.RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados foram avaliados.0 x 3.Manutenção Esse produto apresenta a vantagem de requerer baixa manutenção que seria. Essa variação levará em conta a textura e estrutura do terreno. os sedimentos totalmente ancorados. e de aspecto visual agradável .7 . dentre outras variáveis. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 8 ================================================================ 2. sendo 100% degradável e acondicionada em forma de bobinas de 15. juntamente com engenheiros da prefeitura Municipal de Betim que constatou o . após este período a responsabilidade pelas manutenções.8.1. pluviosidade local.0 m. A contratada neste caso será responsável até o período em que estiver na área e até o completo estabelecimento da vegetação. os bermalongas bem fixados. como pedras. no caso de utilização em superfícies superiores à 60 graus ou naqueles locais onde os processos erosivos mobilizam objetos de maiores dimensões.

Estes locais desaparecem visualmente após o desenvolvimento da vegetação. Então. o comprometeria os serviços com o passar do tempo. existe a possibilidade de ocorrência do fenômeno de (piping). construiu-se canaletas de crista contornando todo o perímetro a montante do talude. aumentar a área. recolhendo as contribuições provenientes de áreas próximas. Devido a alta declividade do local. Caso ocorra grandes pluviosidades concentradas o revestimento vegetal suporta o escorrimento superficial devido ao mix de sementes utilizado.se então nenhum foco erosivo e nem mesmo carreamento de sedimentos mostrando assim a eficiência das técnicas utilizadas. . pois estas raízes funcionam como tirantes naturais. e percorrendo toda a área não encontrou . isso ocorre devido a infiltração da água pelas bermalongas. envolvendo as técnicas aqui descritas. deve-se procurar usar um sistema misto. cuja a sua capacidade de absorção chega a ser até cinco vezes maior que seu peso natural seco. contribuindo assim de forma decisiva para evitar escorrimento superficial a iniciação e formação de sulcos erosivos e também retendo toda água conservando a umidade no local. e sim ocorre a infiltração. ou seja. Este processo de utilização de sementes variadas é devido a arquiteturas das raízes que variam de forma e tamanho . o sistema de drenagem a ser construído seria grande. obter área para bota fora. tendo em vista que a regularização do terreno é parcial preenchendo espaço vazios e os locais estáveis não são trabalhados.Nesta avaliação já havia ocorrido várias chuvas fortes.se que em vários lugares após o término dos serviços mantém algumas concavidades. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 9 ================================================================ completo estabelecimento da vegetação .VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). como pode ser verificado no quadro 1 em anexo. sendo que a segurança é a mesma e esteticamente a obra fica perfeita.(QUADRO 1). deverá se obter maior segurança no controle do processo erosivo causando menor dano ao meio ambiente.não observando mais sinais visuais da tela vegetal aplicada. deveria se fazer o retaludamento envolvendo grandes volumes de movimentação de terra. É oportuno discutir que em alguns casos ainda há necessidade de se utilizar o retaludamento. favorecendo então o desenvolvimento dos vegetais. pois além de proporcionar redução nos custos. Não se tomando estes cuidados. Uma erosão como esta. que foram muito inferiores quando comparou com os métodos tradicionais. Com o local já totalmente coberto pela vegetação não há escorrimento superficial da água pluvial que cai diretamente na superfície da antiga erosão. conforme foto 4 em anexo. as paliçadas tanto de madeira quanto de bermalonga não permitiram a fuga do solo e passagem de sedimentos. ou seja fora utilizado oito tipos de espécies diferentes de gramíneas e leguminosas. Portanto. penetrando nos espaços vazios e terreno sem compactação verificou . aumentar o risco de futuras erosões e além disso proceder o revestimento vegetal em toda área que seria maior que a área da erosão original. A drenagem tem por objetivo captar e conduzir as águas pluviais até as redes coletoras. viu-se a necessidade de construção de dissipadores de energia. mas mesmo em grandes erosões. as águas coletadas pelas canaletas foram conduzidas até as escadas em degrau e posteriormente até a caixa de dissipação. A ancoragem dos sedimentos foi perfeita. pelos métodos tradicionais. As contribuições de água externas ao talude não poderão ser conduzidas por ele sem que haja proteção.É por isso que não há necessidade de regularização do terreno pois se fosse feito contribuiria para a elevação dos custos. O custo pelo método original ficou 113% superior as técnicas de bioengenharia. Outro aspecto importante a ser discutido são os para execução desta obra. protegendo a área a jusante. pois a vegetação já havia coberto toda área .penetrando rapidamente no solo melhorando a estabilidade superficial.

eficientes e econômica.( abril de 1998) Bioengenharia de Solos – Estabilização Biotécnica para proteção de taludes e controle de erosão. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 10 ================================================================ 4 .(1986) Erosion and Sediment Control Handbook.T. As técnicas de bioengenharia adotadas no tratamento da erosão foram rápidos extremamente eficientes e de custo reduzido quando comparado com os métodos tradicionais da construção civil. A tela vegetal utilizada após um certo período ela inicia o seu apodrecimento fornecendo nutrientes ao solo que é absorvido pelas raízes das plantas e mantendo assim o vigor dos vegetais.MG. Os custos de execução foram menores que as técnicas tradicionais. R. utiliza-se produtos biodegradáveis ocorrendo mais infiltração de água. . Os resultados agradaram o cliente e a população vizinha melhorando o visual não parecendo que houve interferência do homem naquele local. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS COELHO.CONCLUSÕES O tipo de erosão tratada é bastante comum em todo país e com o uso das técnicas de bioengenharia os resultados mostraram-se surpreendentes. A tela vegetal aplicada juntamente com os produtos biodegradáveis. O mix de sementes utilizado é muito importante por ter espécies de gramíneas e leguminosas com arquitetura de raízes e crescimento diferentes podendo manter o verde durante todo o ano.D.B.. GOLDMAN. 436 p. pois na execução não há movimentação de máquinas e caminhões no local da obra limitando-se apenas a movimentação de pessoal e materiais na área de erosão. baixo custo além de ser benéfica a todo meio ambiente.H E SOTIR. e além disso o impacto visual do local. Com o uso das técnicas de bioengenharia não há grandes movimentações de terra. concluiu-se que as técnicas utilizadas foram adequadas. McGraw-HillUSA. New York. 615-619 p. MG. não apresentando nenhum foco erosivo. Ouro Preto. Toda a área tratada é coberta posteriormente pela vegetação e facilita a infiltração da água pluvial.A. I SIMPÓSIO BRASILEIRO DE MINÉRIO DE FERRO. MG – Associação Brasileira de Metalurgia e Materiais.. Belo Horizonte. porque o trabalho realizado atingiu os anseios do cliente e do orgão ambiental.SJ. 378 p. (1996) Biothechnical and soil bioengineering slope stabilization: a pratical guide for erosion control .R. John Wiley & Sons. rápida. ficando retida no local e apenas uma pequena parte atingirá as partes baixas e córregos conservando assim a umidade do solo e melhorando as condições do mesmo e adjacentes. III Encontro Nacional de Congresso Rodoviária.14 p. foi sensivelmente melhorado. A.. o solo fica totalmente protegido e oferece condições a natureza de recomposição da vegetação original num período de tempo mais curto. Inc. protege imediatamente o solo conservando a umidade por um longo período de tempo. (1º a 4 de outubro de 1996) Nova Tecnologia no Controle de Erosões e Revegetação de Áreas Degradadas.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO). GRAU. DER.. As técnicas aqui utilizadas deverão difundir no rapidamente no brasil porque nos países mais desenvolvidos obtém obras similares que já foram executadas a muito tempo. PEREIRA. Essa técnica deverá ter crescimento nos próximos anos pois sua divulgação fará com que ampliem suas aplicações pelo fato de ser eficiente.

A. total 54.00 - - - m2 m2 - - - 11..720.VII Simpósio Nacional de Controle de Erosão Goiânia (GO).530. 1-8 p.00 Construção do sistema de drenagem (canaleta.. Qtd.00 H 18 45.00 11.00 810.00 37.80 30.00 9. retaludamento da área. caixa dissipadora) Terraplanagem. WORKSHOP SOBRE TÉCNICAS AVANÇADAS NO CONTROLE DE PROCESSOS EROSIVOS. transporte de material e bota fora Acerto parcial do talude e abertura para construção de drenagem Ancoramento de sedimentos com paliçadas de madeira e bermalonga Acerto manual do terreno e preenchimento de espaços vazios com bermalonga Revestimento vegetal com grama em placas Revestimento vegetal com telas e mantas biodegradáveis TOTAL m 180 m3 - - - 7.SME Sociedade Mineira de Engenheiros.300.00 - - - m3 15 60. ANAIS.00 900. total 450 54. Preço (R$) unit. 03 a 06 de maio de 2001 Pag 11 ================================================================ PEREIRA.R.. escada.000 2.700. ( setembro 1997) Técnicas de Bioengenharia usadas na Proteção e Recuperação do solo.70 18.400.500 5. Quadro 1 .600.00 24.00 - - - m 40 60.800.Comparativo de custos de execução da obra com uso de técnicas de Bioengenharia e métodos tradicionais Atividade / Serviço Unid.00 2.00 92.00 . Bioengenharia Preço (R$) unit.00 - - - 32.500.00 Engenharia Tradicional Qtd.000 1.