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UFPE – Universidade Federal de Pernambuco CCSA – Centro de Ciências Sociais e Aplicadas Departamento de Serviço Social Serviço Social 2011

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4º COMENTÁRIO: Ciência, Civilização e República nos Trópicos
Formação Social do Brasil: Vias Interpretativas

Maria Tamires Sabino

Recife, 27 de outubro de 2011

recém aberto para expedições de cunho científico. achei importante destacar a descoberta dos nativos pelas elites e como se deu a interação entre esses dois povos que até então eram quase desconhecidos entre si. A meu ver essa descoberta. O radical distanciamento das elites e dos segmentos populares é o tema central de Os Sertões. o instituto abrigou então coleções diversas que expunham a anatomia dos insetos vetores. mas com o avanço da medicina tropical. que dava mais atenção a aspectos naturais e próprios do Brasil. estudava a anatomia dos povos nativos colecionando ossos e órgãos (a maioria cérebros). a descoberta de outros parasitas e doenças transmissíveis por insetos. O tema das raças é predominante no diário de Euclides da Cunha. contribuiu muito para a quebra de preconceitos referentes à nossa região. Da segunda parte. estudar a fauna. A primeira parte do texto focaliza na consolidação da medicina tropical no país e na descoberta dos agentes transmissores de doenças. Foi a partir dela que a relação dos insetos com a transmissão foi evidenciada formando um objeto de estudo científico da medicina tropical: estudos dos seres que hospedavam vermes e micróbios e que serviam de vetores à propagação das doenças causadas por esses organismos. que até então eram tratadas de maneira preconceituosa por alguns especialistas. A descoberta dos nativos e sua interação com eles não foi pacífica. sempre com imensa curiosidade procurava registrar todos os aspectos que via pela frente. O colecionamento de artefatos naquela época era mais comum entre viajantes. tinha como objetivo inicial a criação do soro e vacina contra a peste bubônica. Achei importante também ressaltar o surgimento da Antropologia no Brasil como uma Antropologia do Brasil. além também de pedir políticas inclusivas e sociais para aquele povo o Arraial de Canudos. maneiras de prevenção. nada lhe passava despercebido. Havia no instituto coleções de diversos pesquisadores.Nessa época. a flora e os nativos. locais de alta contaminação. o Brasil. na maioria das vezes com interesses em comércio com museus estrangeiros. A malária foi considerada como doença símbolo na formação e consolidação da medicina tropical. os mecanismos de transmissão e o ciclo evolutivo das doenças. mapear o território. das doenças serem transmitidas por mosquitos e bactérias. a melhor representação disso foi o massacre de Canudos. O primeiro curso de Antropologia oferecido no Brasil era de Antropologia Física. mas Oswaldo Cruz foi o mais empenhado na organização para a exposição dessas coleções e sustentação das despesas do instituto. etc. Algumas elites e intelectuais compartilhavam inclusive do desejo da ignorância das camadas populares para manter assim o controle sobre as mesmas. estava recebendo expedições de todas as partes do planeta com a finalidade de descobrir riquezas. O Instituto Oswaldo Cruz. . inicialmente conhecido como Instituto de Manguinhos. Tamanho era o interesse que os próprios museus estrangeiros começaram a organizar suas próprias expedições com o objetivo de criar suas coleções etnográficas e “resgatar” o que seria fadado ao desaparecimento. A partir desses estudos ficará claro a real relação das doenças com seus transmissores e não apenas com o ambiente. etc. com a terra em si.

2005). que além de ser atual é uma das discussões que devo levar para minha vida profissional. os reais aspectos negativos do Brasil. Quanto à raça. “Boas não propõe a superação de explicações biológicas. são de natureza removível. Ciência. inclusive de natureza social (LIMA. e pode ser vista como uma chave para a compreensão de idéias e de projetos institucionais que marcam a formação científica e intelectual do país (LIMA. VIDEIRA. vem se somar assim a um empreendimento mais amplo. Referências bibliográficas: HEIZER. destaquei como mais importantes e de maior interesse para mim a polêmica da existência ou não de raças. A presença da diversidade como característica do povo brasileiro soou muitas vezes como o real motivo para o atraso do país. O primeiro. O segundo era adepto da teoria evolucionista e trabalhou com muito empenho no Museu Nacional no ramo da antropologia física. e sim explicar as diferenças de comportamento que eram passadas hereditariamente pela genética. Alda. Por fim. Apesar da simpatia entre si. . citei dois antropólogos que estiveram presentes nessas discussões e foram de suma importância para a construção da Antropologia. Destaquei também alguns pontos referentes ao Congresso Brasileiro de Eugenia onde mostrou-se um fundamento genético para os comportamentos sociais. Ficaram evidentes todos os problemas relativos à saúde e alguns intelectuais passaram a considerar esse o real motivo do atraso do país em relação às nações européias. Posteriormente. sobretudo na prática da solidariedade e do altruísmo. tanto por motivos biológicos. “A análise da contribuição de Roquette-Pinto. e ressaltou-se também que os reais aspectos negativos não é essa diversidade de comportamento e sim as doenças que predominavam naquela época. e última parte do livro. Santos e Coimbra. em sua conferência. Nísia Trindade)”. Nísia Trindade)”. Antônio Augusto Passos. a despeito de não possuírem vocábulos específicos para os sentimentos e práticas a eles relacionados (Lima. como por questões de descriminação. Civilização e República nos Trópicos. A existência da diferenciação racial é uma polêmica sempre em discussão. Rio de Janeiro: Mauad Editora Ltda. mas sugere a necessidade de serem consideradas variáveis ambientais. Froes da Fonseca afirma que as doenças. além de ser um pioneiro na antropologia cultural.Da terceira. Esse ramo da eugenia não propunha expor a superioridade de alguns povos sobre outros. chamou-me atenção a visão de Roquette-Pinto quanto aos indígenas que em muitos aspectos eram superiores aos brancos civilizados. não via o evolucionismo na aplicação do desenvolvimento das sociedades humanas. O Congresso Brasileiro de Eugenia despertou o olhar dos estudiosos para uma explicação genética do modo de comportamento que os povos apresentavam. 2010. Franz Boas e Roquette-Pinto consideravam de modos diferentes o conceber da antropologia e do antropólogo. Junto com as expedições ao interior foram sendo extintas as concepções de que o sertão era um lugar saudável e agradável.