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REVISTA EDUCAÇÃO & TECNOLOGIA

Edição especial em comemoração aos 100 anos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

SUSTENTABILIDADE NA ACADEMIA: CONTRIBUIÇÕES DO GRUPO DE PESQUISA “TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE – TEMA”, DA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ - UTFPR

Periódico Técnico-Científico do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do ParanáUTFPR

CURITIBA JUNHO / 2009 UTFPR

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Fonte Indexadora Nacional Sumários de Educação FEUSP – Faculdade de Educação de São Paulo-SP

Fonte Indexadora Estrangeira Índice Bibliográfico CLASSE – Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades. UNAM, México

REVISTA EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA. Periódico Técnico-Científico do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR – ano 01, Abril, 1997- Curitiba: Universidade Tecnológica Federal do Paraná (antigo CEFET-PR). Edição especial em comemoração aos 100 anos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Capa: Eloy Fassi Casagrande Jr. e Area41 Design Diagramação: Area41 Design ISSN 1516-280X 1. Educação – Periódicos 2. Tecnologia – Periódicos 1.Universidade Tecnológica Federal do Paraná

CDD 371.307805 CDU 37 + 6 (5)

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SUMÁRIO
PREFÁCIO ................................................................................................................. 5 APRESENTAÇÃO .................................................................................................... 7 SOBRE OS ARTIGOS .............................................................................................. 9 TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE NO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ - UTFPR - PEGADAS HISTÓRICAS Maclovia Corrêa da Silva (1); Eloy Fassi Casagrande Junior (2) ............................. 11 EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO MEDIADOR: AS DISSERTAÇÕES NA PÓS-GRADUAÇÃO DA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Alessandra Aparecida Pereira Chaves (1); Letícia Lopes Koehler (2); Samira Leme (3); Maclovia Corrêa da Silva (4); Eloy Fassi Casagrande Jr. (5) ................... 17 A DISCUSSÃO DA SUSTENTABILIDADE NAS PRODUÇÕES ACADÊMICAS DE NÍVEL STRICTO SENSU DA UTFPR: ÊNFASE NA CONSTRUÇÃO CIVIL Andressa Ferrari (1), Carina Zamberlan Flores (2), Eloy Fassi Casagrande Junior (3) Maclovia Corrêa da Silva (4) ................................................................... 26 A ACADEMIA VAI A COMUNIDADE: DISCUTINDO AS RELAÇÕES ENTRE DISSERTAÇÕES DE MESTRADO E PROJETOS COMUNITÁRIOS Henry Belchior da Cunha (1); Maclovia Correa da Silva (2); Eloy Fassi Casagrande Jr. (3) ..................................................................................................... 43 ENERGIA E O ENSINO DA ENGENHARIA NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ-UTFPR: DESAFIOS PARA SE ALCANÇAR A SUSTENTABILIDADE Antonio Carlos Cassilha (1); Eloy F. Casagrande Jr. (2); Maclovia Corrêa da Silva ...................................................................................................................... 50

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...... Elaine Garcia de Lima (5).... 58 GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA UTFPR-CAMPUS CURITIBA EM TRABALHOS ACADÊMICOS DO DAQBI Valma Martins Barbosa(1)........... 66 A ABORDAGEM AMBIENTAL EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM DESIGN: AS CONSIDERAÇÕES DO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA E OS MÉTODOS DE QUATRO ESCOLAS DO SUL DO BRASIL Celso Luiz Podlasek (1).................. Liliane Iten Chaves (6) .............. Eloy Fassi Casagrande Junior (4).............................................. Gabriele Lohmann (3) ........................................... 77 IMPLANTANDO PRÁTICAS SUSTENTÁVIES NOS CAMPI UNIVERSITÁRIOS: A PROPOSTA DO “ESCRITÓRIO VERDE” DA UTFPR Eloy Fassi Casagrande Junior (1)................................... Rodrigo Ribeiro da Silva (3)............ Vania Deeke (2) ............. Libia Patricia Peralta Agudelo (2)............A EXPERIÊNCIA DE UM PROCESSO DE INOVAÇÃO DE TECNOLOGIA PARA SANEAMENTO VOLTADO PARA O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Tamara Simone van Kaick (1)................................. 93 4 ..... Eloy Fassi Casagrande Junior (2) ............. Eloy Fassi Casagrande Júnior (2)...........

do respeito aos preceitos que norteiam a conquista da tão sonhada sustentabilidade. que poderão receber certificação da UNV ao desenvolverem trabalhos de conclusão de curso. Na esteira desta preocupação mundial. a primeira Universidade Tecnológica brasileira experimenta a intrigante dicotomia entre incentivar todas as formas de desenvolvimento tecnológico e. realizado em prol dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). no País e no Planeta como um todo. do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE. o Campus Curitiba sediou o primeiro encontro alusivo à quarta edição dos “Círculos de Diálogo dos Oito Jeitos de Mudar o Mundo”. Promovido em parceria com o Serviço Social da Indústria (SESI). as quais impliquem projetos. os impactos deste desenvolvimento sobre a qualidade de vida do homem no Município. envidar esforços no sentido de evitar. ancorada no inter-relacionamento sinérgico entre ensino. a Instituição. estágios supervisionados. por conseguinte.TEMA”. ou ao menos atenuar. o Grupo de Pesquisa “Tecnologia e Meio Ambiente . práticos ou teóricos. pesquisa e extensão. que envolvam os Objetivos do Milênio. a Instituição não deixou de acompanhar e participar. notadamente de forma mais intensa nos últimos anos. Prestes a vivenciar o seu marco centenário. o “Movimento Nós Podemos Paraná” e o Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP). no mês de setembro próximo. Ao longo de sua trajetória. além do United Nations Volunteers Programme (UNV). ao mesmo tempo. mesmo que de forma tênue. 5 . vem se destacando na liderança e na condução de discussões que visam à tomada de decisões e à busca incessante por soluções preditivas. no Estado. projetos de extensão e todas as formas de atividades complementares. sem se esquecer de concentrar suas forças no enfrentamento salutar dos inúmeros e mutantes desafios que assolam o mundo atual. a UTFPR vem planejando continuamente o seu futuro. do Campus Curitiba da UTFPR. dos movimentos e das ações globais destinados a alertar e a preparar a população sobre a necessidade da disseminação da educação ambiental e. por campo do saber. como Universidade desde 2005. reuniu trabalhos que envolveram duas centenas de estudantes. procura caminhar a passos largos na direção do cumprimento de sua função institucional maior.PREFÁCIO O ano de 2009 reveste-se de importância impar na história da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Concebida como uma Universidade especializada. Pautada nos bons legados de um passado vitorioso. Recentemente.

muito contribuirá para o fortalecimento de uma cultura interna cada vez mais voltada para as reais necessidades do cidadão moderno. neste número da Revista Educação & Tecnologia. Como resultado. seja no seu aspecto social. Marcos Flávio de Oliveira Schiefler Filho Diretor do Campus Curitiba da UTFPR 6 .preventivas e corretivas para o problema. no mês de setembro de 2008. Ao assumirmos a Diretoria do Campus. consta em nosso Plano de Gestão 2008-2012 apoio para o projeto e implantação de um Escritório Verde. Por fim. ambiental e/ou econômico. o qual ficará responsável pelo fomento. temos plena convicção de que o conjunto desses artigos. inseridas no contexto de uma sociedade mais verde e mais preocupada com o futuro de todos. com o objetivo de traçarmos uma política de trabalho a ser desenvolvida em nosso meio e pelos entes da comunidade acadêmica. fomos procurados por um grupo de colegas liderados pelos Professores Eloy Fassi Casagrande Junior e Maclovia Côrrea da Silva. coordenação e acompanhamento de todas as atividades concernentes à boa prática do desenvolvimento sustentável. coordenadores do TEMA e organizadores da coletânea de artigos em tela.

avaliações e análises criticam de como se discute. vimos a Organização das Nações Unidas – ONU. vemos a Agenda 21 representada através de seu fórum permanente organizado pela Secretaria do Estado do Meio Ambiente (SEMA). da Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR. se ensina e aprende sobre sustentabilidade na UTFPR. queremos afirmar o compromisso da UTFPR para com os objetivos da Agenda 21 e a DESD. Enquanto coordenador do PPGTE. instituições de ensino e organizações não-governamentais. que estabeleceu diretrizes para que governos. unindo a comunidade acadêmica nesta tarefa. incentivando ações para que se ampliem o escopo da sustentabilidade nos diversos níveis de ensino. do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE. Aqui se poderá apreciar levantamentos. em 1992. Neste cenário. ocorrida no Rio de Janeiro. A sua idéia central para o Programa era elaborar um projeto “guarda-chuva” que 7 . o papel da educação formal praticada nas Instituições de Ensino Superior (IES) deve ser avaliado. Também queremos prestar uma homenagem ao idealizador do PPGTE. pudessem cooperar no estudo de soluções globais e locais para os problemas sócio-ambientais. buscando estimular a implantação de instrumentos que apoiem o desenvolvimento sustentável. UNESCO e UNU. O Professor João Augusto nos fez conscientes da importância da interdisciplinaridade como ferramenta para compreender as relações humanas para produzir e se apropriar dos saberes e do conhecimento científico. através de suas representações voltadas para a educação. No Paraná. decretar de 2005 a 2014. Já no início deste século. a “Década da Educação para o Desenvolvimento Sustentável . Nesta coletânea de artigos que recuperam uma memória de discussões ambientais nascidas no grupo de pesquisa Tecnologia e Meio Ambiente-TEMA. ele sempre esteve pronto para nos atender. Esta reflexão é demandada pela Agenda 21 – o documento resultado da ECO-92.APRESENTAÇÃO A crise sócio-econômica e ambiental que o Planeta atravessa coloca em discussão o nosso atual modelo de desenvolvimento e exige uma reflexão de todos os setores da sociedade sobre a desejável sustentabilidade. professor João Augusto Souza de Almeida Bastos e sua preocupação com os rumos da educação e da inovação tecnológica no Brasil. se pesquisa.DESD”. e incansavelmente disposto a nos incentivar nas atividades de ensino e pesquisa. empresas. que também coordena o Pacto 21 das IES.

juntamente com os participantes. Na sua concepção de educação tecnológica. as instituições de ensino necessitam aprofundar reflexões sobre conceitos e metodologias que permitam acompanhar o progresso técnico. nas quais publicou diversos artigos que nos ajudam a enriquecer as discussões em sala de aula e nos grupos de pesquisa. um dos idealizadores da criação do grupo Tecnologia e Meio Ambiente – TEMA. juntamente com a Profa Dra Libia Patricia Peralta Agudelo. as produções da UTFPR que potencializaram discussões sobre a racionalização da natureza.abrangesse a apropriação do conhecimento em todas as “variedades” de interesses de pesquisa dada as diferentes formações do corpo docente. A construção do conhecimento. em 2001. A complexidade dele nos aponta para sua incompletude e seu constante avanço. nesse número da Revista Educação & Tecnologia. faz parte do processo ensino/aprendizagem. e também procuram fazer referências e sugestões de olhares sobre aspectos novos ou desconhecidos delas. O lado racional e o lado individual deste processo de apropriação tornaram-se também um controlador de ações sobre o meio ambiente. segundo o Prof. Com a intenção de se pensar nesse movimento de forma crítico-reflexiva. os líderes do grupo TEMA procuram. há vínculos muito próximos entre a aquisição do conhecimento e a forma como ele acontece. Outra ação louvável e complementar do seu trabalho foi a criação da Revista “Educação e Tecnologia” e de coletâneas. Os trabalhos dissertativos relatam como as ferramentas tecnológicas e humanas foram utilizadas para desvendar constatações reducionistas. e que eles possam ser introduzidos em conteúdos programáticos de modo a formar profissionais qualificados que nas suas ações sejam capazes de analisar suas práticas. Dr. transformada e em desordem. Ademar Heemann. 8 . Pare ele. reunir. manipulada.

A interdisciplinaridade foi sempre parte integrante das práticas de pesquisa. os quais passaram a fazer parte da complementação dos ganhos familiares de pessoas com baixa renda. O repasse de conhecimentos aliou-se ao saber fazer e transformou-se em habilidades e competências para produção de objetos. No artigo que trata da Educação Ambiental como instrumento mediador. A análise de quatro dissertações sobre projetos comunitários e o trabalho produtivo com o uso de recursos naturais de maneira branda é o assunto que lidera o artigo sobre as relações entre academia e comunidades. o qual é capaz de disse9 . Verificou-se que em num período de um pouco mais de dez anos. os autores de dois artigos levantaram as disciplinas dos cursos oferecidos como material de análise.Sobre os artigos O artigo de abertura apresenta uma retrospectiva dos fatos que antecederam a criação do grupo de estudos Tecnologia e Meio Ambiente e o apoio teórico que continua permeando os objetivos do TEMA. As inovações tecnológicas para a área de saneamento ambiental é o tema do artigo que gerou o projeto de uma estação de tratamento de esgoto por zona de raízes.000 teses e dissertações defendidas. os autores fizeram um levantamento das produções da Universidade Tecnológica Federal do Paraná que abordam o tema. Outro artigo que versa sobre a gestão ambiental é o que examina os conflitos provindos dos resíduos gerados pelo Campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A discussão da sustentabilidade nas produções acadêmicas da Universidade Tecnológica Federal do Paraná é um trabalho de compilação que mostra o quanto a instituição precisa de uma política pedagógica a qual venha a favorecer debates sobre o assunto nos seus diferentes cursos. somente 5% delas estão relacionadas à temática ambiental. mas as sementes foram lançadas no sentido da formação de valores socioambientais. e fundamenta o intercâmbio entre ciência. tecnologia e ambiente. Na perspectiva de avaliar as dificuldades que os cursos de graduação de engenharia e de design da Universidade Tecnológica Federal do Paraná e de outras instituições possuem para inserir nos seus currículos as questões de sustentabilidade e de Educação Ambiental. a produção é pequena. O processo foi aplicado e despertou interesse de uma comunidade do litoral paranaense. Eles concluíram que a interdisciplinaridade pode ser um dos caminhos para desenvolver um novo perfil de formação. Os autores ressaltam que uma compreensão mais aprofundada sobre a implantação de um Programa de Gerenciamento é necessária para seu sucesso. Os autores concluíram que dentre 1.

os princípios de sustentabilidade. Além disso. tecnológicos e ambientais. As formações que os cursos oferecem ainda não são relevantes no sentido de coerência de conteúdos.minar soluções e dar repostas para problemas sociais. portanto deve dar o bom exemplo para todos. é preciso pensar sobre como os novos profissionais vão ser recebidos pelas empresas e como eles podem usar. No último artigo desta coletânea se aborda o conceito de greencampi – campi sustentáveis. onde as universidades começam a refletir através de sua política interna administrativa e na sua infraestrutura a preocupação com o meio ambiente. um movimento que vem crescendo em todo o mundo. nas suas atividades. e Maclovia Côrrea da Silva Coordenadores do Grupo de Pesquisa TEMA e organizadores da coletânea 10 . O argumento é de que a universidade é vista como formadora de opinião na sociedade. reformulações de ementas e criação de oportunidades para novos tópicos e olhares. Se apresenta aqui a proposta de implantação de um Green Office – Escritório Verde para o campus Curitiba da UTFPR. Uma sustentável leitura a todos. onde são sugeridos programas que vão desde a gestão adequada dos resíduos gerados pela instituição até a intervenção nos projetos arquitetônicos dos novos edifícios a serem construídos. orientando-os para os princípios da construção sustentável. Eloy Fassi Casagrande Jr.

As propostas 11 . UTFPR. Com a organização do Grupo de Pesquisa Tecnologia e Meio Ambiente – TEMA no programa reforça-se práticas educativas interativas entre as realidades do mundo do trabalho e as conseqüências para o meio ambiente da produção dos bens biológicos e culturais. Eloy Fassi Casagrande Junior (2) (1) Professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. Ao desenvolver a capacidade de pensar. integrado com as realidades socioeconômica e ambiental. O ambiente acadêmico. dentre elas a da Educação Ambiental. possui três linhas de pesquisa – Tecnologia e Trabalho. INTRODUÇÃO A multiplicação de modelos de comportamentos crítico-reflexivos nasce de temas. 1. na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. é o sustentáculo de atividades com a efetiva integração de pesquisas e formação de competências. RESUMO Neste artigo apresenta-se e se discute a inserção de questões ambientais em um programa de mestrado em tecnologia. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. Docentes e discentes dispostos a superar limitações e prontos para abraçar o exercício e o aprendizado interdisciplinar resolveram desenvolver um espaço de pesquisa acadêmica em nível de pós-graduação. fundamentado na interdisciplinaridade. Tecnologia e Interação e Tecnologia e Desenvolvimento. de intenções de pesquisa. UTFPR. para preencher um vazio e construir coletivamente o conhecimento. doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAUUSP.TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE NO PROGRAMA DE PÓSGRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ – UTFPR – PEGADAS HISTÓRICAS Maclovia Corrêa da Silva (1). e do ambiente para o exercício do pensamento científico. O Programa de Pós Graduação em Tecnologia. construções sustentáveis. o homem e a natureza trouxe para o Programa a inserção de debates sobre a criação humana. A convergência de horizontes no sentido de ampliar as relações de intercâmbio entre a tecnologia. interdisciplinar. cujos eixos norteadores estão inseridos em dimensões teóricas. que permitiu a criação do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná pelo Professor João Augusto Bastos. e da Sustentabilidade. (2) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. os estudantes e professores passam a ter uma melhor compreensão da função ética e humana de seus atos enquanto cidadão do Planeta. de ler. de analisar temas que tratam da questão ambiental.

A cristalização do pensamento reflexivo sobre o grupo de pesquisa Tecnologia e Meio Ambiente – TEMA permitiu expandir as discussões sobre meio ambiente. A inserção da linha ambiental nos cursos de pós-graduação fez parte dos objetivos do TEMA – Tecnologia e Meio Ambiente desde 2001 . ensinam. ainda que em pequena escala. Ética. Outra questão fundamental das ações do Grupo e que seus pesquisadores se preocupam em situar a tecnologia no contexto histórico valorizando a reflexão educacional e procurando transpor a perspectiva linear das relações entre o mercado e o desenvolvimento econômico.TEEMA – Tecnologia. se comparado com as outras áreas de pesquisa. socioambientais e políticas. juntamente com a professora Libia Patricia Peralta Agudelo1 . 1. ciência e a tecnologia. Nos cursos de mestrado interdisciplinares strictu-sensu.quando a sigla incluía as questões éticas . e investe na ciência. Epistemologia e Meio Ambiente. e professora da Unibrasil. O Grupo TEMA continuou sua trajetória nesta linha e hoje funciona como um elo condutor no desenvolvimento de pesquisas sobre o meio-ambiente e tecnologia. em instituições. junto com os participantes. e aprendem saberes e conhecimentos. Os obstáculos do desenvolvimento tecnológico e sustentável no País são requisitos para se investir no pesquisador. ainda fica aquém do raciocínio da lucratividade das transações econômicas. e da criação de grupos de pesquisa. O professor Ademar Heemann. não obstante as limitações disciplinares. crescem os interesses pelos estudos ambientais. A tecnologia. Ambos ancoraram o grupo com suas posturas enquanto críticos e pensadores no sentido de desenvolver. Ambos foram professores visitantes do PPGTE/UTFPR entre os anos 2001e 2004. idealizador do TEEMA. programas institucionais e grupos de pesquisadores. PhD é em Ecologia da Paisagem e Geoprocessamento. o diálogo entre as áreas do saber e as diferentes interpretações da tecnologia enquanto elemento social das ações humanas sobre a natureza. O pesquisador Ademar Heemann acredita que trabalhar com a consciência da interdisciplinaridade.de trabalho para os estudos ambientais do Mestrado de Tecnologia. e do próprio conhecimento do educador. Trabalhar a inclusão social. que garantem a permanência da continuidade da pesquisa. humanismo e natureza. 16). o entendimento profundo dos atos humanos. a cidadania e a reflexão têm garantido a permanência e a continuidade da pesquisa interdisciplinar na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. na ordem hierárquica de prioridades. conseguiram aglutinar pesquisadores que atuavam na área sócio-ambiental para fazer o diálogo com a tecnologia. [possibilitando sua inserção] em um núcleo maior de compreensão da realidade” (1998. Elas circulam pelas relações de interlocutores que interpretam. 12 . pode “imprimir uma nova dimensão ao seu trabalho. na tecnologia e na visão estratégica de políticas públicas educacionais de modo a aprofundar as interações entre educação. p. Ele contempla problemas referentes às necessidades urbanas de Curitiba e da Região Metropolitana. se aliada à conservação e preservação do meio ambiente. A professora Libia Patricia Peralta Agudelo. e o professor Ademar Heemann é doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas e professor Sênior da Universidade Federal do Paraná. provoca mudanças econômicas. têm sido um desafio de ensino já que a questão ambiental. concentradas na linha de pesquisa Tecnologia e Desenvolvimento.

tecnologia. mas as redes de escolas técnicas. Naquele momento ele era funcionário do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ. estaduais e locais que estavam promovendo pesquisas sobre o tema. Quando ele se debruçou sobre a empreitada. e inovação tecnológica. e dar formas e contornos para os desenhos e projetos de um programa de mestrado capaz de espelhar as relações entre educação. Ele foi o fundador do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. era preciso situar no país um Centro Federal de Educação Tecnológica – CEFET . situado na cidade de Curitiba. O professor João Augusto Bastos. PEGADAS HISTÓRICAS Na década de 1990. A conclusão foi que muitos programas nacionais de pós-graduação em educação investiam em pesquisas nessa área do conhecimento sem estabelecer diálogos freqüentes com a tecnologia. apresentava em 1994 um corpo docente e um discente dispostos a superar limitações. e o seu texto versou sobre o conhecimento como categoria analítica. Educação e Tecnologia.2. na frente desse excepcional desafio. Era interesse do Professor João Augusto Bastos. e desenvolver um ambiente de pesquisa acadêmica em nível de pós-graduação. conseguiu reunir as forças externas e internas dos dirigentes da Instituição. projetou a viabilidade de um curso para estabelecer relações entre educação. no trabalho e na educação tecnológica. ciência. agrotécnicas. Parte da energia foi lançada para um campo pleno de fendas e segmentações. dos representantes de órgãos governamentais. O CEFET-PR. prontos para abraçar o exercício e o aprendizado interdisciplinar. o Professor Doutor João Augusto Bastos2 . e dos peritos de instituições de fomento. Era preciso reconhecer que havia uma luta que se anunciava. estimular a dinâmica da troca de conhecimentos na educação tecnológica. as primeiras iniciativas se voltaram para um levantamento das instituições federais. vinculadas à tecnologia.avançado. centros de educação tecnológica careciam de um espaço de discussão condutor de movimentos para desenvolver pesquisas que enfrentassem o desafio da interdisciplinaridade. preocupado e orientado para realizar ações dentro das políticas de educação científica. uma obra de arte. O pesquisador e professor concluiu seu doutorado na França. Primeiramente. os quais permitissem a pujança de novas experiências institucionais. o Centro de Política Científica e Tecnológica foi estruturado para impulsionar o fluxo das decisões de ordem estratégica e política. No CNPQ. mas os pesquisadores da Instituição portavam em suas mãos as ferramentas para construir coletivamente o conhecimento proposto e desejado. enquanto pesquisador. 13 . o qual pudesse implementar as políticas do CNPQ e os mecanismos de interrelação eficientes. Da manifestação do processo à realização houve a compreensão do que seria a trilogia Ciência. hoje a primeira Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 3. no Institut Catholique de Paris. ciência e tecnologia. Ele precisava escolher um espaço físico para colocar suas idéias em prática. porém a força e a dedicação de pesquisadores trouxeram a cristalização dos investimentos na educação técnica. TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE Ainda que as questões ambientais não apareçam explicitamente no corpo da orga2.

2006). Ao contrário daquelas. Sociedades que souberam cuidar dos seus recursos naturais foram mais bem sucedidas ao se anteciparem quanto às alterações climáticas e ambientais de modo a conseguiram superá-las. as que exploraram em excesso os recursos naturais. os processo produtivos industriais apresentam outro lado da moeda: poluição. A vertente educacional estaria incumbida de apoiar os estudos científicos sobre sustentabilidade. Havia uma comunicação pensada entre as áreas. caminharam para o fracasso e sua total extinção. Concretizava-se o início da construção de pontes para atravessar mares dantes nunca navegados. Então. sociais e políticas ocorrem para implantar-se condições para uma produção local. “O Programa nasceu sob a égide da inovação” (BASTOS. com recursos da mesma área. elas encontravam-se nas tramas da interdisciplinaridade. contaminações. movidos pela necessidade ou pela imprevidência. 2004). devastação. vender e com14 . isto é. esta apresenta uma mudança de enfoque do “serviço da ciência” para a sociedade. Foi a iniciativa de dinamizar as pesquisas no PPGTE que funcionou como uma alavanca para os desafios do intercâmbios entre as áreas de conhecimento. emissão de gases. e participação direta de uma comunidade. a gestão. que pudesse ser intermediária (intermediate technology). reproduzindo as palavras do poeta Camões quando abordou as navegações portuguesas para os continentes americanos no século XVI. e perdurou o espírito da integração de áreas para gerar novos conhecimentos. No livro “Colapso – como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso”. controlada por grandes organizações e de alto custo financeiro. (DIAMOND. a inovação tecnológica. o desenvolvimento. As questões ambientais passam a interferir nas formas de produzir. e nem às propostas de desenvolvimento do país que respeitam o meio ambiente. e suas pesquisas na área ambiental. resíduos e alterações climáticas. educação tecnológica e criatividade não se contrapuseram às novas formas de produzir. em 1997. contrária a uma tecnologia automatizada de larga escala. Assim pensou o professor João Augusto Bastos quando aceitou a participação do professor Eloy Fassi Casagrande Jr. sem a relação de hierarquia que caracteriza a chamada “tecnologia de ponta” (CASAGRANDE JR. e a construção de novos paradigmas alicerçaria as discussões entre professores e alunos. no PPGTE.nização do PPGTE na década de 90. defendia “uma tecnologia com face humana”. destacando a modalidade da formação educacional. que entenderam a tempo que a continuidade da vida estava intimamente associada às suas capacidades de se adaptarem às mudanças. Os esforços se reuniram na pesquisa e admitiu-se a livre circulação entre a educação e a natureza. em que transformações culturais. essas idéias aconteceram de uma forma diferenciada. autor de “Small is Beautifull”. Schumacher (1973). A educação. é preciso preparar especialistas para trabalhar dentro dos princípios da sustentabilidade ambiental e empresarial. Explicitamente. Também chamada de “Tecnologia Apropriada”. o geógrafo Jared Diamond nos relata com dados históricos e científicos como ocorreu o “eco-suicídio” de grandes civilizações. 2006). Antes mesmo do atual debate global sobre a possibilidade de um “desenvolvimento sustentável”. Uma composição hábil entre Inovação tecnológica.

prar. em participação em programas de responsabilidade social. a sociedade no sentido de mobilizar os princípios e as potencialidades construtoras do conhecimento considerando os antagonismos e os conflitos presentes nas práticas do pesquisador observador-conceptor. É impossível sonhar com um pensamento homogêneo que sustente as relações sociais. o sujeito individual.do PPGTE? O grande corpo desses tentáculos é a educação. de perceber as transformações operadas hoje nas diferentes ciências da natureza e do homem está na força da incerteza sobre a certeza. da inovação. 4. 5. vivemos a realidade de uma crise entre pensadores. “Não é produção para aumentar o capital. P. Por isso. a funcionalidade. Recuperar o tema da educação interativa. O problema de pensar.& HEEMANN. Ela se estende para os campos das pesquisas científicas e políticas que formam o cidadão pensante. responsável pela fragmentação das idéias do corpo docente na área do desenvolvimento do PPGTE. Sociedade e Meio Ambiente: instrumentos para uma abordagem ambiental conceitual e operacional integrada. de enfrentar a contradição. sociedade civil e iniciativa privada. a interação entre inovação e educação tecnológica ajustada a nossa realidade e associada aos princípios do desenvolvimento sustentável. 2006). Publica15 . é o que poderíamos chamar de inovação tecnológica sustentável. e em formas de alcançarmos a cidadania. Hoje. em selo verde. pela sua natureza de trabalhar com exclusividade os processos do segmento industrial privilegiando a instrumentalidade. para que as sirvam de agentes de transformação e implantação de processos sustentáveis. CONSIDERAÇÕES FINAIS O risco de segmentar está presente na biologia da vida. nem sentir dor pelo que ele mesmo fez ao Planeta. O processo precisa ser reinventado. Tecnologia. mas para promover a sociedade e a inclusão social” (BASTOS. REFERÊNCIAS AGUDELO. capaz de mudar sem se ofender. diz o professor João Augusto Bastos. através de esforços inter-institucionais para que haja uma ecologização de orgãos públicos de educação. significa abandonar as discussões ambivalentes de progresso e do domínio da natureza. em água limpa. formada nos anos 1999/2000. Então como resgatar a visão global das três linhas de pesquisa – trabalho. foram introduzidos mais especialistas para reforçar a área do meio ambiente na produção social e industrial. à verdade usufrui de uma liberdade capaz de incluir o ser humano. a cultura. O desenvolvimento pode acontecer sem agredir a natureza e os seres humanos. Precisamos acordar a “Bela Adormecida” para informá-la que já não podemos mais contemplar a natureza sem a tecnologia. isto é. fala-se em madeira certificada. A. Uma comunidade científica que aspira ao saber. a técnica. Assim como. Dentro do difícil diálogo com a linha de pesquisa “tecnologia e desenvolvimento”. interação e desenvolvimento . da tecnologia e do meio ambiente. e que nessa paisagem existem obras humanas que se interpõem na visão do horizonte. (2004). Esta pode acontecer através de estratégias de transição construídas sob uma plataforma de práticas interdisciplinares. Para Casagrande Jr.

n. J. professor João Augusto S. A. BASTOS. J.A. 1973. In: Revista Educação & Tecnologia. Natureza e Ética. Curitiba.Como as Sociedades Escolhem o Fracasso ou o Sucesso. Inovação Tecnológica e Sustentabilidade: Possíveis Ferramentas para uma necessária interface. Colapso . Centro Federal de Educação tecnológica do Paraná. Energia e Sustentabilidade. HEEMANN. London: Blond & Bridges. 256p. 2006 ENTREVISTA com o Professor João Augusto Bastos cedida para Maclovia Corrêa da Silva no dia 17 de outubro de 2006 no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. DIAMOND. CASAGRANDE JR. 16 . Small is Beautifull. 2001. F. Curitiba. SCHUMACHER. A. REVISTA EDUCAÇÃO & TECNOLOGIA. Curitiba: Editora do CEFET-PR. E. Tecnologia. PALESTRA realizada em 2001 no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE-CEFET-PR pelo coordenador e idealizador do PPGTE. E. Centro Federal de Educação tecnológica do Paraná. 6.8. 1998. Revista Educação & Tecnologia. O Programa de Pós-Graduação em Tecnologia do Centro Federal de Educação Tecnológica CEFET-PR: história e perspectivas. Tecnologia.8. p. Curitiba: CEFET-PR.São Paulo: Record. da Universidade Federal do Paraná. n. F. Bastos. Energia e Sustentabilidade. n. 11-52.L. 2004. 2004. 2003. Ed.ção do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE-CEFET-PR (Coletânea “Educação e Tecnologia CEFET-PR).

consumo e práticas culturais de forma sistêmica. Essas transformações permeiam vários segmentos da sociedade. Letícia Lopes Koehler (2). INTRODUÇÃO As novas tecnologias. Através das pesquisas e debates busca-se fomentar estudos no âmbito da pós-graduação no sentido de abranger a educação ambiental. doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAUUSP. a partir da produção acadêmica de programas de Pós-Graduação da UTFPR. grade curricular e 17 . UTFPR. criando assim uma dependência de produtos e serviços ofertados. Maclovia Corrêa da Silva (4). pode-se observar a preocupação na formulação de procedimentos para o ser humano e o ambiente que o acolhe. participante do Grupo de Pesquisa Tecnologia e Meio AmbienteTEMA/PPGTE (3) Bióloga. (5) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. indústria.PPGTE/UTFPR 2) Jornalista. Essas correlações resultam em diversas formas de interação nos mais variados ambientes que compõe a comunidade acadêmica. como temas correlacionados à Educação Ambiental e ao meio ambiente assumem tendências de pensamento que circulam pela tecnologia.EDUCAÇÃO AMBIENTAL COMO INSTRUMENTO MEDIADOR: AS DISSERTAÇÕES NA PÓS-GRADUAÇÃO DA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Alessandra Aparecida Pereira Chaves (1). As instituições de ensino procuram fazer ajustes aos cristalizados conceitos de disciplinas. entre eles as instituições de ensino. disponíveis no cotidiano da humanidade exigem das pessoas uma reciclagem constante de conhecimentos voltados para a incorporação de técnicas. UTFPR RESUMO A Educação Ambiental (EA) é vista como instrumento mediador para unir os esforços necessários à mudança de comportamento para a melhoria das condições ambientais do planeta e a manutenção da vida. Nas produções dissertativas dos estudantes. 1. (5) (1) Pedagoga da Rede Municipal de Ensino de Curitiba. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE/ UTFPR (4) Professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. O presente artigo pretende apresentar. Eloy Fassi Casagrande Jr. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. Samira Leme (3). aluna especial do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia . dando à educação ambiental um papel relevante na resolução de conflitos. o meio urbano e a sustentabilidade. desde a Educação Infantil até aos cursos de Pós-Graduação.

ele é interdependente 18 . O Grupo TEMA participa de simpósios. É papel fundamental das instituições de ensino fazer com que o estudante perceba-se como parte integrante. seminários. reunir os conhecimentos de professores e estudantes sobre Meio Ambiente. PPGTE. O objetivo do TEMA é examinar as questões ambientais com mais profundidade. Para discutir temas que perpassam pelas aproximações entre as disciplinas e o meio ambiente. o diálogo. O homem não está sozinho. sintetizar idéias. na Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR foi criado em 2001 um espaço de discussão representado por um Grupo de Estudos e Pesquisa em Tecnologia & Meio Ambiente (TEMA). O CNPQ – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico incentiva os programas de pós-graduação a criar grupos de pesquisa no sentido de fomentar atividades de descoberta de novos conhecimentos e saberes. para que as mesmas não fiquem alienadas às mudanças dos diversos segmentos da sociedade. A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NA UTFPR Reigota (2006. Dessa forma pode ser necessário mudar paradigmas que estão enraizados nas ementas curriculares das instituições de ensino. Métodos de Avaliação de Impacto Ambiental. econômica e tecnológica. no sentido em que ela reivindica e prepara os cidadãos para exigir justiça social. o respeito à pluralidade cultural e ao meio ambiente. autogestão e ética nas relações sociais e com a natureza". procura-se levar para a pesquisa de campo muitos debates. Conflitos Sócio-Ambientais e Programas e Políticas Ambientais. Desenvolvimento Sustentável. A interação entre estudantes. facilita a compilação de informações e o surgimento de novos saberes. Educação Tecnológica e Ambiental. de forma a estabelecer o estreitamento entre a sociedade. Sistemas de Gestão Ambiental. além de outros membros convidados. a solidariedade. não vive sozinho. embora estas transformações sejam lentas. além de questionar enfoques de temáticas conflitantes como as relações entre Tecnologia e Meio Ambiente. Além disso. professores e demais pesquisadores de diversas áreas do conhecimento. cidadania nacional e planetária.conhecimentos registrados como basilares para a formação do ser social. a criticidade. a cooperação. As disciplinas ofertadas precisam voltar-se para a formação do ser integralmente. ainda correm o risco de perder o foco de seus objetivos. fazendo-o perceber-se como transformador da realidade social. como educar para a cidadania.10) defende que a Educação Ambiental "deve ser entendida como educação política. p. que poderá ou não seguir por toda sua vida e a instituição de ensino deve nortear sua prática pedagógica. o estudante opta por uma carreira profissional. congressos e debates sobre Educação Ambiental e Sustentabilidade e reestrutura idéias para produzir novos saberes e conhecimentos. ambiental. trabalhando com metodologias de levantamento de dados que permitem situar os problemas locais que atingem as populações e apresentar soluções sustentáveis. o qual é composto por docentes e discentes do Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 1. 2000). dependente e agente transformador do ambiente (BRASIL. Gestão Rural e Urbana. No ensino superior. carreiras profissionais e os princípios da instituição.

. exige a ajuda da ciência e da tecnologia. Segundo Floriani (2004. p.. 2007). encontradas exclusivamente num único programa. Quando adquirimos um produto ou usufruímos de um serviço. também acabam por trabalhar na sua linha sem ter uma interface com as outras linhas de pesquisa.das outras espécies animais. que é entendida como a articulação de diferentes disciplinas para melhor compreender e administrar situações de acomodação. Este entendimento de inter-relacionamento homem-natureza foi abortado pelo pensamento cartesiano. Pegada Ecológica e Preservação da Natureza. das “Ciências do Ambiente” ministrado nos cursos de engenharias. E muitos casos. basta verificar na tabela 1 o baixo número de dissertações defendidas que tem uma relação direta e indireta com a educação ambiental. não focando especificamente nos impactos sócio-ambientais relacionados as técnicas e tecnologias ensinadas na engenharia. Apesar da crise ambiental ser percebida por grande parte da pela sociedade. 36): [. No caso da pós-graduação. a discussão ambiental é colocada em disciplinas isoladas que não abordam o contexto daquele curso na qual está inserida. A Educação Ambiental deve contribuir para a mudança de olhares sobre a natureza. mas podem ser abordados de forma interdisciplinar. Os assuntos relacionados com Desenvolvimento Sustentável. base da ciência e do ensino até o momento atual. as práticas sociais e as dinâmicas naturais. Nesse processo sucedem-se (re)significações de práticas.] no campo socioambiental. tensão ou conflito explícito entre as necessidades humanas. Por isso a importância 19 2. sobretudo quando ela for uma ação educativa com enfoque sócio-ambiental. a exploração de recursos naturais e ainda qual será o destino dos lixos gerados pelas indústrias e pelos seres vivos. não precisam ser tratados numa disciplina específica. Para se entender este processo. não contabilizamos nos seus valores os efeitos da poluição. Geralmente. Este é o caso. se têm iniciativas de linhas de pesquisa que foram propostas por professores que atuam na área ambiental. observa-se que a Educação Ambiental ainda não acontece de forma transversal nos cursos de graduação e de pósgraduação da UTFPR. Nos últimos anos. CONTRIBUIÇÕES DOS PÓS-GRADUADOS DA UTFPR PARA AS DISCUSSÕES AMBIENTAIS Falar sobre questões ambientais no senso comum pode parecer ser simples mas analisar a complexidade das soluções.. nos cursos de graduação que têm grande ênfase na tecnologia. Meio Ambiente. como da interdisciplinaridade. as quais concorrem para serem bem sucedidas quando voltadas para a consecução de objetivos e resultados que reduzam as contradições entre o real e o ideal (FLORIANI. desenvolvimento sustentável. vegetais e dos minerais e por isso precisa preservá-las. por exemplo. pós-graduandos da UTFPR fizeram suas pesquisas aliando assuntos diversos ao meio ambiente. vêm motivar uma ampliação da discussão sobre essa temática. frente à realidade. entre outros temas da área ambiental e tais pesquisas. os fundamentos teóricos da produção do conhecimento estão associados com metodologias alternativas.

br/pergamum/biblioteca/index. das 21 dissertações. Na Tabela 1 estão sintetizados os tópicos tratados pelos autores e a incidência de registros encontrados para cada categoria idealizada. Para facilitar a análise dos conteúdos e a verificação dos enfoques escolhidos para exame.Biblioteca de Pós-Graduação . através do site3 (Busca: Livre . e c) resíduos sólidos urbanos. do Meio Ambiente e da Sustentabilidade. eles foram classificados em três categorias: a) educação formal e informal.edu.utfpr. Em pesquisa virtual realizada na Biblioteca de Pós-Graduação da UTFPR.Ordenação: por título . foram encontrados trabalhos que abordavam de forma ampla a questão ambiental.Resultados da pesquisa com três palavras-chave Gráfico 1: Áreas das produções acadêmicas do PPGTE entre 1997 e abril/2009. Site de busca da biblioteca consultado: http://biblioteca.de se pesquisar e compartilhar informações confiáveis sobre os impactos ambientais das ações humanas para produzir artefatos. conforme mostra o gráfico a seguir: Figura 1 . usadas juntas ou separadamente. porém verificou-se que nove autores voltaram suas pesquisas mais categoricamente para os temas da Educação Ambiental.php 20 . e os pós-graduandos da UTFPR que se dedicaram a desenvolver as idéias de Educação Ambiental como instrumento mediador de soluções.br/pergamum/biblioteca/index.Tipo de Obra: Dissertações).php Delimitado o tema de estudo à Educação Ambiental. foram escolhidos nove textos cujos títulos contêm as palavras-chave “educação” e “ambiental”.edu. b) energia e mudança de comportamento. focaram suas pesquisas em assuntos relacionados a esta problemática.utfpr. Essa preocupação é o núcleo das recentes discussões na sociedade. 3. Fonte: Elaborado pelos Autores Fonte: http://biblioteca.

php 21 .edu.utfpr.Tabela 1 – Relação das dissertações da pós-graduação da UTFPR que tratam de educação ambiental Fonte: http://biblioteca.br/pergamum/biblioteca/index.

Os resultados apontam caminhos para a inserção da abordagem ambiental no processo educativo. O autor usa o pensamento habermasiano para definir um ponto de convergência entre eles. abordando questões sobre a água potável e a falta de políticas públicas para o gerenciamento de recursos hídricos. A autora destaca que a caracterização do formalismo serve de alerta para que a inclusão do tema meio ambiente nos currículos seja vista com cautela. de uma forma geral. Erbe (2001) em sua dissertação “Resíduos dos serviços de saúde: riscos. nos sites e na legislação. Moraes (2000) em seu estudo “Um espaço comunicativo entre a tecnologia ambiental. A autora entrevistou professores e alunos do antigo CEFET-PR e alunos paranaenses participantes do Fórum Infanto-Juvenil do Meio Ambiente do Mercosul. 2000). relata que a elaboração e implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais . Mello (2001) em seu trabalho “A questão do formalismo no discurso oficial da educação ambiental”. (BRASIL. Por fim. o trabalho aponta para práticas determinantes na construção de disciplinas obrigatórias voltadas ao meio ambiente. fato este que pode melhorar as questões educacionais em relação ao meio ambiente. Na dissertação “Abordagem ambiental: perspectivas e possibilidades. elemento essencial na conservação de energia” fez uma pesquisa de campo que teve como objetivo verificar 22 . em sua dissertação “Análise da aplicação da educação ambiental formal e informal em áreas de mananciais: um estudo de caso em um município da região metropolitana de Curitiba” há necessidade de que as diretrizes de educação se estendam para os educadores da Escola. Shafa (2003) em seu trabalho “Mudança de comportamento. engenharia química e educação tecnológica ao apontar para um ponto de interseção entre estes campos de conhecimento. principalmente para se entender como valorizar os recursos hídricos. definições e teorias registrados nos livros. Segundo Souza (2002). Ela realizou parte de sua pesquisa na cidade de Freiburg e a pesquisa de campo foi realizada no Brasil. as percepções e interpretações das questões ambientais. não só pelo conteúdo contraditório que possa apresentar. Nesse artigo se faz um sobrevôo sobre os pontos principais dos trabalhos a fim de estimular a curiosidade dos leitores e apresentar. mas pela forma como a mesma é conduzida. a engenharia química e a educação tecnológica” fundamenta conceitos de tecnologia ambiental. passando também pelos alunos e as famílias envolvidas. Outra forma de ampliar o conhecimento sobre o tema é verificar como os autores das dissertações fizeram uso dos conceitos. Carletto (1999) remete à adoção de metodologias que podem propiciar a aprendizagem ambiental no contexto da educação profissional e tecnológica. gestão e soluções tecnológicas” relata que foi à Alemanha buscar soluções tecnológicas para a questão dos resíduos que pudessem ser aplicadas no Brasil.As dissertações mencionadas na Tabela 1 configuram-se numa importante fonte de pesquisa para as pessoas que pretendem aprofundar seus conhecimentos na área ambiental. a fim de proporcionar-lhes uma base ética comunicativa. uma prática pedagógica integradora”. sempre buscando o estado da arte no que lhes refere.PCNs apresenta indícios de formalismo no discurso oficial da educação ambiental.

que eram marcados pelas relações com a natureza. Também houve destaque para a Tecnologia. A pesquisadora Fischer (2004) em sua dissertação “Energia elétrica: um indutor de mudanças na comunidade da vila da barra do Superagui – entorno do Parque Nacional do Superagui – Paraná”. Essas pesquisas comentadas acima fundamentam discussões que estão sendo desenvolvidas no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. O importante é pesquisar e divulgar como a Universidade Tecnológica Federal do Paraná está atenta às mudanças necessárias para preservar e conservar o meio ambiente e fazer uso de seu potencial educativo para colaborar com a vida de todos os habitantes do Planeta. A autora da dissertação “Educação ambiental. propôs um modelo de gerenciamento dos resíduos que visa à inclusão social. Gonzalez (2006) em sua dissertação “Educação pela ação ambiental: a coleta seletiva de resíduos em um departamento de instituição superior de ensino” contribui com modelos de questionários e levantamentos para aqueles pesquisadores que queiram enfatizar a importância de discutir as inter-relações entre pressupostos da Educação Ambiental e a coleta seletiva de resíduos sólidos. cooperação e compromisso com o nosso futuro comum”. em sua dissertação denominada “Proposta de modelo de desenvolvimento socioambiental para municípios de pequeno porte a partir do gerenciamento integrado dos resíduos sólidos urbanos (GIRSUs)”. discorre sobre o desenvolvimento de práticas para ações de Educação Ambiental que podem ser idealizadas por meio de oficinas.como o uso final de energia é gerenciado nos edifícios comerciais de Curitiba. Ela afirma em seu trabalho que “a existência da eletricidade e de artefatos tecnológicos. impostos pela atividade turística. é fator determinante na complexidade dos sistemas de coleta seletiva. arte e tecnologia: ações educativas de aproveitamento de resíduos sólidos urbanos”. com base em interação. constatou que os novos modelos de exploração da área da Serra do Mar. o Parque Nacional do Superagüi. geração de emprego e renda e melhoria na qualidade de vida de pessoas que atuam na coleta de materiais recicláveis. e aplicadas para grupos de pessoas da educação formal e informal. 2. o importante é alimentá-la para que haja um crescimento de interesse sobre o tema. A pesquisadora Guelbert (2008). sob a orientação de professores interessados em articular a tecnologia com as questões ambientais. Oliveira (2007). unindo saberes e conhecimentos de arte e tecnologia. que segundo o autor. sobre uma melhor valorização da energia e dos recursos naturais. Mesmo que a semente ainda esteja germinando. bem como a presença do turista. CONSIDERAÇÕES É essencial o desenvolvimento de pesquisas que envolvam questões relacionadas 23 . são diferentes daqueles dos nativos daquela região. inspiradas nos estudos bibliográficos. estão provocando tensões múltiplas em aspectos do cotidiano dos moradores”. Sua preocupação está fundamentada no fato de a Vila da Barra do Superagüi ficar no entorno de uma unidade de conservação de proteção integral no bioma da Mata Atlântica. para posteriormente “apresentar recomendações.

2004. Educação ambiental. 1999. meio ambiente e desenvolvimento: desafios e avanços do ensino e da pesquisa. Rio de Janeiro. 1999. L. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. CARLETTO. 2000. F. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. atitudes e hábitos dos seres humanos os quais requerem mudanças e adaptações às necessidades das gerações presentes e futuras. as escolas. GONZALEZ. ERBE. As dissertações analisadas apontam para esforços. FISCHER.Paraná. O Grupo de Pesquisa TEMA ao apoiar o desenvolvimento de discussões na área ambiental colabora com os interesses de pesquisadores preocupados em contribuir para um mundo mais sustentável. epistemologia e metodologias. C. Abordagem ambiental: perspectivas e possibilidades de uma prática pedagógica integradora. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. FLORIANI. Unidade de Ensino Superior Expoente.entorno do parque nacional do Superagüi . D. Educação pela ação ambiental: a coleta seletiva de resíduos só24 . PCN’s. Através da Educação Ambiental.. têm tido papel fundamental na elaboração de projetos de pesquisa. Secretaria de Educação Fundamental. 2003. M. O estímulo dos alunos para a mudança de hábitos condizentes com os princípios de sustentabilidade pode nascer na mais tenra idade. sustentabilidade e educação ambiental a fim de atualizar e procurar refazer os conceitos pré-formulados pela humanidade ainda presa ao extrativismo e abrir caminhos para construir novos conceitos e reflexões sobre as ações humanas. no sentido de refletir sobre um espectro de temas que se voltam para o comportamento. 2001. sejam elas espaços de educação formal ou informal.. e seguir durante a construção e a formação de valores socioambientais. 3. 2004. nas mais distantes localizações. E. as quais podem se estender para resolução de conflitos e das contradições presentes na área ambiental. M. Interdisciplinaridade. Energia elétrica: um indutor de mudanças na comunidade da vila da barra do Superagüi . 2006. Curitiba: 2001. Curitiba. Dissertação.com meio ambiente. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. M. N. Curitiba: Vicentina. gestão e soluções tecnológicas. CADERNOS DE DESENVOLVIMENTO E MEIO AMBIENTE. práticas ou teóricas. REFERÊNCIAS ATHENA: Revista Científica de Educação. C. mesmo que espaçados no tempo. Em todo o mundo. Parâmetros curriculares nacionais: apresentação dos temas transversais: ética. 1. Curitiba: Editora e Gráfica Expoente. Curitiba: 2004. D & KNECHTEL. e busca transformar e inserir diferentes olhares às pesquisas na UTFPR. Resíduos dos serviços de saúde: riscos. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. R. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. BRASIL. Curitiba: Editora UFPR. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. no desenvolvimento das ações humanas. enquanto instrumento mediador torna-se possível disseminar ensinamentos que solidifiquem os saberes e conhecimentos das relações homem e natureza. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.

Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia.utfpr. Um espaço comunicativo entre a tecnologia ambiental. Programa de PósGraduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. M. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. Disponível em: <www. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. F. A. 2006. HAWKEN. Capitalismo Natural: criando a próxima revolução industrial. H. 2006. Curitiba. LOVINS.edu. MORAES. São Paulo: Cultrix. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. 2007. L. 2001. UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ. P. Curitiba: 2000 OLIVEIRA. L. (Mestrado em Tecnologia) –. Proposta de modelo de desenvolvimento socioambiental para municípios de pequeno porte a partir do gerenciamento integrado dos resíduos sólidos urbanos (GIRSU’s). Educação Ambiental. Curitiba: 2001. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. MELLO. A. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. 2007. 2008. M.ct. 2008. de: Análise da aplicação da educação ambiental formal e informal em áreas de mananciais: um estudo de caso em um município da região metropolitana de Curitiba. SHAFA. S. 2006. E. arte e tecnologia: ações educativas de aproveitamento de resíduos sólidos urbanos. REIGOTA. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. 2003. SOUZA. São Paulo: Brasiliense. a engenharia química e a educação tecnológica. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. T. V. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) –. Curitiba. LOVINS. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. 2007. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. Dissertação. P. 2000. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Biblioteca.lidos em um departamento de instituição superior de ensino. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de Pós-Graduação em Tecnologia. de. GUELBERT. 2003. O que é educação ambiental. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A questão do formalismo no discurso oficial da educação ambiental. M. M. de. 2002. 2002.br/biblioteca> Acesso em 28 abr 25 . Mudança de comportamento: elemento essencial na conservação de energia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba.

cada vez mais são necessárias ações individuais. somente cerca de 5% estão relacionadas a temática ambiental e a sustentabilidade. ainda se necessita de uma política pedagógica de ensino e pesquisa mais efetiva para que a sustentabilidade seja entendida como um tema transversal na pós-graduação da UTFPR. Prof. entre outros). do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. construção civil. (4) Professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. UTFPR. Este artigo trata do problema da inserção da discussão da sustentabilidade e de questões ambientais no que se refere à reflexão e aos problemas de pesquisa abordados por estudantes de pós-graduação (mestrado) na UTFPR. agronegócios. se faz uma avaliação do crescimento ou decréscimo de trabalhos relacionados ao tema “sustentabilidade” e as áreas aos que se relacionam (tecnologia. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia CivilPPGEC. se fazendo necessário um maior incentivo a temática dentro das instituições de ensino. construir cidades. UTFPR. Através de um levantamento de dados sobre dissertações e teses. públicas e privadas para um crescimento consciente. RESUMO A sustentabilidade é um conceito global que traz a necessidade de um melhor aproveitamento de todos os recursos sem esgotá-los. UTFPR. Dentro do contexto da problemática sócio-ambiental. Carina Zamberlan Flores (2).A DISCUSSÃO DA SUSTENTABILIDADE NAS PRODUÇÕES ACADÊMICAS DE NÍVEL STRICTO SENSU DA UTFPR: ÊNFASE NA CONSTRUÇÃO CIVIL Andressa Ferrari (1). Muitos problemas decorrentes de um modelo ultra26 . Eloy Fassi Casagrande Junior (3) Maclovia Corrêa da Silva (4) (1) Arquiteta. o advento da revolução industrial e também do capitalismo fez com que a preocupação com os recursos naturais e com a degradação ambiental não fosse um fator predominante a ser pensado até poucas décadas atrás. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE. INTRODUÇÃO A necessidade do homem de ocupar os espaços. UTFPR. (2) Arquiteta. Se por um lado têm-se um avanço da discussão ambiental na sociedade. 1. garantindo as necessidades das gerações futuras. A conclusão é que de mais de 1000 teses de dissertações defendidas em 08 programas analisados até 2009. produzidos dentro da instituição. doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAUUSP. coletivas. (3) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente.

o estudo analisou a emissão de CO2 associada a produção dos materiais convencionais utilizados em casa populares. da COHAPAR . impermeabilidade do solo. econômica. O setor hoje consome cerca de 40% de energia do mundo. colocando-o. 2005). calculou-se a emissão de dióxido de carbono (CO2) resultante da construção de uma casa de interesse social de 40 m2. uso de materiais tóxicos. 2. portanto como um significativo contribuinte para o problema do aquecimento global. ligado a um dos programas da pós-graduação da instituição. SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO CIVIL O entendimento da sustentabilidade ainda é bastante recente nas atividades relacionadas à construção civil. cal. Neste sentido. O presente trabalho trata do problema da inserção desta discussão e do conceito de sustentabilidade nos programas de pós-graduação da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) como forma de aumentar a conscientização da comunidade acadêmica sobre os efeitos de nossas ações e nosso modelo de consumo. ficando demonstrado que em média se tem cerca de nove toneladas de CO2 emitidos por casa construída. A produção de materiais da construção civil também está associada as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE). tem como objetivo estimular a reflexão sobre o modelo tecnológico adotado e seus impactos ambientais e sócio-econômicos. areia. sendo responsável por 7 a 10% do total de emissões deste gás (CONPET. com tendências a um crescimento ainda maior. pedra brita.Companhia de Habitação do Paraná. destino impróprio de efluentes e resíduos sólidos. esse desenvolvimento tecnológico requer recursos naturais. tais como: uso descontrolado e até mesmo desnecessário de recursos. financeiros. grupo de pesquisa da UTFPR em Tecnologia e Meio Ambiente (TEMA). (STACHERA e CASAGRANDE JR. e também precisa de limites incorporando valores ambientais de grande importância. Conforme dados apresentados pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas o setor é responsável por grande parte da emissão de gases do efeito estufa (CURCI e WEISS. 2008). Considerando algumas variáveis de processos e uso energia. entre outros. O setor é responsável por gerar grande quantidade de resíduos e ser grande consumidor de recursos naturais não renováveis. dentro da universidade e na sociedade como um todo. A observação de problemas de ordem social.. Em uma das pesquisas realizada realizadas no Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE da UTFPR. política e ambiental junto a uma nova conscientização da humanidade vem trazendo um aumento nas discussões daquilo que é ou não é sustentável para o crescimento dos países e suas economias. 27 . porém. mas já ocupa um espaço nas preocupações globais sobre o meio ambiente. Somente o cimento é a terceira maior fonte de emissão de dióxido de carbono do planeta. como o cimento. Hoje o homem se encontra num momento de alto nível tecnológico. gerando graves impactos ambientais. tijolo e telha cerâmica. 2007). humanos. atrás apenas da geração de energia elétrica e transporte.passado de desenvolvimento refletem hoje conseqüências de uma ocupação e crescimento acelerados impossíveis de serem escondidas ou deixadas de lado. metal. principalmente água e energia.

contemplando uma visão sistêmica da problemática envolvendo questões sociais. e o processo francês HQE (Haute Qualité Environnementale). o mercado internacional normalizou a temática da sustentabilidade nas construções. acadêmico e a sociedade. com o objetivo de proteção da saúde e bem estar do ocupante. Apesar da restrição destes exemplos. que começam a serem desenvolvidas com a exigência de um novo mercado. econômicas. entre outros. e ela se inicia com uma formação adequada dos profissionais que estão entrando no mercado de trabalho e atitudes práticas da construção civil. conforto ambiental. Isso só é possível através do uso de fontes de energia mais eficientes e que reduzam o impacto sobre o meio ambiente. qualidade do ambiente interno. ambientais e da cadeia produtiva da indústria do setor e sua inter-relação com os setores financeiro. Conforme Stang (2005) uma construção sustentável é aquela que é projetada. . O Brasil importou dois desses modelos. Dentro dos trabalhos levantados encontramos muitos estudos relacionados à questão da eficiência energética dos edifícios. Na maioria destes trabalhos está a preocupação com o meio ambiente. de origem norte-americana emitido pelo World Green Building Council (WGBC). 28 3. Como para os aparelhos eletrodomésticos onde o selo do PROCEL . além de políticas de regulamentação e fiscalização de obras. gerenciamento de água e resíduos. operada e até mesmo reusada de uma forma ecológica e eficiente. governamental. Esses selos voluntários. renovada. através de vários tipos de certificações. O CBCS (Conselho Brasileiro de Construção Sustentável). Todos estes temas se relacionam direta ou indiretamente à ocupação humana no que diz respeito ao setor de construção civil. técnicas construtivas e materiais. manutenção predial. energia e atmosfera. em todos os seus campus. por isso foi feita uma análise mais restrita enumerando os trabalhos com as duas temáticas. em geral trabalham dentro de critérios de avaliação de projetos e edificações contextualizados nas seguintes temáticas: Localização do empreendimento. que ainda estão em fase de adaptação. construída. também trabalha na conscientização a respeito da sustentabilidade dentro do setor da construção civil. e ciclo de vida de produtos. Existe a necessidade de mudança no quadro que se apresenta. está se apostando na certificação quanto à eficiência ecológica das construções. não necessariamente incluindo o conceito de sustentabilidade. resíduos. materiais. materiais e recursos. AQUA em português.Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica já estabelece parâmetros para a eficiência energética. a saber: o certificado LEED (Leadership in Energy and Environment Design). eles são os primeiros passos que o setor começa a dar rumo a uma consciência ambiental.A proposta da construção sustentável (greenbuilding) é vista como uma solução para minimizar ou mesmo eliminar estes problemas. constituído desde 2007. Dentro desse contexto. verificamos em que aspectos surgem as discussões ambientais e o desenvolvimento sustentável nos trabalhos da UTFPR. PRODUÇÕES ACADÊMICAS NÍVEL STRICTO SENSU DEFENDIDAS NA UTFPR Levando em conta todos os setores do aprendizado e não apenas o setor da construção civil.

Até abril de 2009. O Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE) teve seu mestrado iniciado em 1995 e tem sua área de concentração em Tecnologia e Sociedade. Tecnologia e Interação e Tecnologia e Trabalho. foi iniciado em 2003 no campus de Ponta Grossa. O programa de Engenharia Civil (PPGEC) é o primeiro na UTFPR a ter uma linha de pesquisa diretamente relacionada ao tema. Em 1999. 2006 e 2008 respectivamente).O programa de pós-graduação nível stricto sensu possui hoje oito cursos em atividade. Sendo um crítico do modelo de educação tecnológica implantado no Brasil. Engenharia de Materiais. Telemática. Faz-se necessário ressaltar que o PPGTE tem um maior número de teses defendidas na área ambiental devido o objetivo de seu criador. que visava estabelecer as relações entre educação. Professor João Augusto Bastos. maio de 2009. O programa de mestrado do PPGTE possui dissertações defendidas a partir de 1997. O programa de Engenharia de Produção (PPGEP). Ao todo são 1. 2009. Engenharia Elétrica (Campus de Pato Branco). ciência e tecnologia numa perspectiva interdisciplinar. contando atualmente com 502 dissertações defendidas. teve 282 dissertações defendidas. oferecendo três áreas de pesquisa: Tecnologia e Desenvolvimento. Agronomia (Campus Campo Mourão) e em Ensino de Ciência e Tecnologia (Campus Ponta Grossa). comparado muitas vezes a um “adestramento tecnológico”. Até março de 2009. Em 1999 se iniciou o programa de Engenharia Mecânica e Materiais (PPGEM) oferece quatro áreas de conhecimento para o desenvolvimento de pesquisas: Engenharia de Manufatura. com 110 trabalhos defendidos até março de 2009. Entre 1997 e 2000 foram levantadas apenas quatro dissertações em que se começa a colocar determinadas preocupações. o Professor João Augusto viu no PPGTE a possibilidade de pesquisadores desenvolverem num ambiente interdisciplinar a reflexão crítica de como ocorre a interação do ensino e da pesquisa 29 . É o programa mais interdisciplinar da UTFPR. sendo que tema de meio ambiente é tratado mais diretamente por professores que compõem a linha de Tecnologia e Desenvolvimento. ainda não possuem trabalhos acadêmicos. teve 114 trabalhos concluídos. Após 2001 observa-se uma maior quantidade de trabalhos relacionados. pois iniciaram suas aulas recentemente (2009. Informática Industrial. duas relacionadas à construção civil e duas relacionadas à educação. criado em 1991 com três áreas de concentração: Engenharia Biomédica. São ao todo 47 trabalhos sob essa problemática. iniciou o doutorado e hoje tem 42 teses defendidas. (ver gráficos 1 e 2). Os programas de Pós-Graduação em Engenharia Civil (Campus de Curitiba). Engenharia Térmica e Mecânica de Fluídos. porém. recebendo o nome de Sustentabilidade e Recursos Hídricos. mas somente após o ano de 2001 surgem trabalhos que discutem a sustentabilidade e os problemas ambientais com maior ênfase. sendo 23 deles sobre sustentabilidade e 24 sobre questões ambientais em inúmeros aspectos.050 trabalhos defendidos na UTFPR até a presente data. O programa de pós-graduação em Engenharia Elétrica e Informática Industrial (CPGEI) foi o primeiro programa de mestrado da UTFPR. sendo que o doutorado iniciado em 2008 ainda não tem trabalhos defendidos. um número ainda pequeno comparando-se a produção anual de dissertações.

as dimensões histórico-cultural. econômico-social. até ruptura do simples saber-fazer. partindo da essência. foi proposta a inclusão da dimensão ambiental no programa pelo professor Eloy Fassi Casagrande Jr.. todos relacionados ao meio ambiente. O programa de Engenharia de Produção conta com apenas seis trabalhos na área 30 . Gráfico 2: Comparativo das pesquisas do PPGTE entre a área ambiental e sustentável e outros temas no período de 1998 à 2008. trazendo para área posteriormente outros professores.com a educação e a inovação tecnológica. e ambiental das concepções de tecnologia ajudam a entender os significados do processo deconstrução do ensino. Gráfico 1: Áreas das produções acadêmicas do PPGTE entre 1997 e abril/2009. Assim chega-se à reflexão crítica. precisam também atrelar suas atividades às práticas de sustentabilidade. impacto ambiental dos produtos e resíduos. Os segmentos produtivos da sociedade relacionam-se com a tecnologia e com o ensino. abrangendo temas como o ciclo de vida dos materiais. Fonte: Elaborado pelos Autores O programa em Engenharia Mecânica e de Materiais possui cinco trabalhos. Em 1997. e hoje. Fonte: Elaborado pelos Autores Para Silva e Bastos (2008).

reaproveitamento de resíduos. Em resumo. não havendo uma coesão de temas. tratando de problemas como eco-eficiência. Gráfico 4: Dissertações e Teses defendidas na UTFPR. ciclo de vida e outros. Gráfico 3: Abordagem da sustentabilidade e questões ambientais nas pesquisas de stricto sensu da UTFPR. Conforme o gráfico 3. destes 1. tendo em vista que tivemos uma Agenda 21 em 1992 que preconizava uma conscientização da população e somente nove anos mais tarde começamos a pensar na temática dentro da universidade. Fonte: Elaborado pelos Autoress O programa de Engenharia Elétrica e Informática Industrial. Isso representa somente 5% do total (ver gráfico 4). Fonte: Elaborado pelos Autores 31 . podemos observar qual a porcentagem da temática nos diferentes programas citados anteriormente. Esses dados são preocupantes.050 trabalhos acadêmicos defendidos até a presente data (maio de 2009). sendo dissertações e teses. somente 58 abrangem questões voltadas ao meio ambiente ou sustentabilidade. em funcionamento desde 2005. não apresenta até o momento trabalhos diretamente voltados à sustentabilidade. eficiência energética.da sustentabilidade e meio ambiente.

o consumo de água e seu aproveitamento. do fundamental ao superior e. agronegócios e produtos orgânicos. educação ambiental. Relacionados ao tema da informação estão discussões sobre o urbanismo e a lei de uso do solo. sendo que destas. a questão de resíduos é focada freqüentemente. outros com a poluição sonora e também com características do clima e do paisagismo sobre a temperatura. Vê-se claramente as dificuldades para que as diretrizes da lei sejam inseridas em todos os níveis de ensino. O gráfico 5 apresenta o levantamento das diferentes áreas que são abordadas nas pesquisas de todos os programas anteriormente enumerados. de 27 de abril de 1999.795. Professores associam este fracasso ao fato de que as ‘pessoas ainda não estão conscientizadas do problema ambiental’. PPGEP e PPGEM. os riscos dos resíduos dos serviços de saúde. o óleo de frituras como biodiesel para a produção de energia. havendo inúmeros trabalhos relacionados com a verificação da eficiência energética de edificações. que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental. o design de produtos sustentáveis. design de móveis e as ferramentas para potencializar práticas inovativas. Para Sato (2007) o problema está em compreender a Educação Ambiental como um instrumento metodológico da gestão ambiental ao invés de ter sua essência ontoepistemológica. ainda não alcança o sucesso que almeja. Dentro desta abordagem encontramos uma grande diversidade de sub-temas. como a reciclagem nas indústrias de plásticos de Curitiba e região. propriamente dita. a emissão de CO2 no setor de construção civil e o aproveitamento de resíduos sólidos urbanos. o esgoto sendo tratado por meio de zonas de raízes. A dimensão ambiental é percebida. Gráfico 5: áreas das pesquisas abordadas nos programas do PPGTE. entre outros.Também temos de considerar o não cumprimento da a Lei nº 9. mas não se inscreve em uma prática pedagógica transformadora. Os demais trabalhos trazem questões sobre o consumo energético. A maior parte das dissertações que discute o conceito de sustentabilidade está no PPGTE. quando inserida. Outro tema bastante abordado foi o conforto ambiental. Fonte: Elaborado pelos Autores 32 .

Uma das poucas iniciativas na área da graduação que procurou estimular a discussão da sustentabilidade no Departamento Acadêmico de Construção Civil (DACOC). constata-se que apesar da temática da sustentabilidade e dos problemas ambientais serem considerados importantes na atualidade. Poucos trabalhos falam de técnicas construtivas de menor impacto ambiental. Com verbas da CAPES e FIPSE. Nesta perspectiva. 4. Pode-se pressupor que um dos motivos pela falta de interesse por pesquisas deste gênero. visão para a qual este 33 . at Austin e Ball State University (BSU). projetos de extensão e pesquisas. porém mesmo em outros campos do conhecimento a preocupação ambiental e os fatores que daí decorrem não estão presentes na maioria das dissertações. Devemos lembrar que os programas stricto sensu são em geral interdisciplinares. entre outras proposições. dos Estados Unidos. observa-se nas dissertações que o tema foi abordado de modo generalista mesclando conceitos de tecnologia e natureza. Eloy Fassi Casagrande Jr. sem que haja uma transversalidade do tema. e um estudo exploratório sobre um conjunto habitacional popular em Curitiba (1998). estaria na falta de informação e questionamento provenientes das áreas de formação. o curso de arquitetura da PUCRS. deste faziam parte o curso de Engenharia de Produção Civil da UTFPR. A preocupação ambiental. que em média cursavam três a quatro disciplinas relacionadas a questões ambientais. formas inovadoras de gestão para a qualidade e a produtividade na construção civil (1998). Esta ação permitiu uma reflexão sobre o tema dentro do DACOC. a produção acadêmica na UTFPR sobre o tema é pequena. porém não deixou de ser o ponto de partida para o pensamento interdisciplinar na busca de soluções para os problemas propostos. assim como a participação em estágios. a linha de pesquisa Sustentabilidade e Recursos Hídricos. no estado de Indiana. Analisando mais especificamente o setor de construção civil. por exemplo. foi programa de intercâmbio de alunos do curso com universidades americanas. o programa possibilitou bolsa de estudos por um semestre para 23 estudantes brasileiros (14 da UTFPR e nove da PUCRS) e 11 americanos (mais o custo das passagens aéreas). como a madeira. faltando dissertações que explicitam tecnologias limpas. e cursos afins da University of Texas. se encontra apenas disciplinas isoladas tratando da questão ambiental e do desenvolvimento sustentável de forma pontual. materiais. construções sustentáveis. Denominado de “Consórcio Sustentabilidade Brasil – Estados Unidos CAPES FIPSE”. além disso. CONCLUSÃO A partir da análise dos dados levantados. a quantificação da emissão de CO2 associada a materiais convencionais utilizados na construção de casas de interesse social (2006). por exemplo. coordenado pelo Professor Dr. Somente 5% dos trabalhos em nível stricto sensu trama de discussões sobre o meio ambiente. surgindo no seu programa de mestrado (PPGEC).Quatro temas diretamente relacionados à construção civil foram as pesquisas em torno de construções em terra crua visando a eficiência energética da edificação (2002). Numa avaliação das grades curriculares dos cursos de engenharia.

As exigências quanto ao respeito de parâmetros de sustentabilidade na construção civil são maiores. 1998. 1998. 34 . Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Vanessa do Rocio Nahhas. juntamente com os fatores econômicos e humanos. 1998. Vale lembrar que a universidade. seja pela sua amplitude e desdobramento quanto ao consumo de materiais da natureza. seja moradia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. a importância da temática ambiental e sustentável é de suma relevância em toda e qualquer área da atividade humana. 5. para quantificar e qualificar as dissertações e teses que se relacionam ao assunto. uso sustentável dos recursos.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. ambiente de trabalho. lembrando que o setor é grande responsável pela geração de impactos. Enfim. em especial por ser uma atividade que faz parte das necessidades básicas dos indivíduos. O conceito de sustentabilidade necessariamente inclui a preocupação ambiental. constrangimentos das leis biofísicas fazem parte dos conhecimentos necessários para resolver situações de uso de tecnologias e de ações sobre o ambiente natural. ACHÁ. de lazer. direcionando suas pesquisas para esta área de conhecimento. Curitiba 1998. Estudo exploratório sobre um conjunto habitacional popular na cidade de Curitiba. constatou-se que apenas 7% das produções acadêmicas se referem mais diretamente ao tema. é o espaço onde existe um ambiente voltado para a educação em excelência e isto a caracteriza como uma instituição responsável pelas mudanças de pensamento e de ações por meio de uma reorientação das grades curriculares e das ementas de disciplinas. além de verificar se as pessoas com esta formação estão inseridas nos programas de pós-graduação. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Porém. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . sendo mais ampla e com uma visão mais aprofundada do meio ambiente. Compreendemos que há uma diferença fundamental entre o entendimento das definições de sustentabilidade e das questões ambientais. Edgar Fernando Adriazola. outros temas estão indiretamente relacionados. As nas cidades como um elemento macro das sociedades são construídas por profissionais que lidam no seu cotidiano com o conhecimento e os saberes. Formas inovadoras de gestão contribuindo para a qualidade e a produtividade na construção civil. Seria importante fazer uma análise quantitativa dos alunos provenientes do setor construtivo. A questão ambiental não necessariamente inclui conceitos de um desenvolvimento sustentável. engenheiros ou profissionais afins.trabalho está direcionado. sejam arquitetos. Questões como construção civil. REFERÊNCIAS Trabalhos acadêmicos nível stricto sensu defendidos na UTFPR quantificados no presente artigo Programa de pós-graduação em Tecnologia SCANDELARI. como água e energia por exemplo. recursos renováveis.

O projeto conceitual de produto e a dimensão ambiental. a engenharia química e a educação tecnológica. Curitiba. MELLO. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2001. 2001. Hans Jörg. 2001. 2001. Um espaço comunicativo entre a tecnologia ambiental. Adriano.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 1999. 2001. gestão e soluções tecnológicas.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Estudo de desempenho de combustíveis convencionais associados a biodiesel obtido pela transesterificação de óleo usado em fritura. Margarete Casagrande Lass. 2001. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Abordagem ambiental: perspectivas e possibilidades de uma prática pedagógica integradora. Paulo Eduardo Sobreira. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. RABELO. Percepção do conhecimento sobre sustentabilidade ambiental entre técnicos agrícolas e produtores rurais na região oeste do estado de Santa Catarina. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Curitiba. 2001. Modelo para aplicação da metodologia Zeri . Isabel Helena Heck.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. ERBE. BELLAVER. 2001. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. MORAES.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Marcia Regina. Curitiba. Ivan Darwiche. A questão do formalismo no discurso oficial da educação ambiental. Resíduos dos serviços de saúde: riscos. 2001. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Universidade Tecnológica Federal do Paraná.sistema de aproveitamento integral da biomassa de árvores de reflorestamento. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2001. 2001. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 35 . Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2000.CARLETTO. 1999. 2000. Lilian Medeiros de. Curitiba. HÜEBLIN. Curitiba. HEEMANN.

2002.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2002. Construção com terra crua: viabilidade tecnológica e energética nas habitações sociais. 2002. Avaliação do desempenho térmico em sistemas construtivos da Vila Tecnológica de Curitiba como subsídio para a escolha de tecnologias apropriadas em habitação de interesse social. Estação de tratamento de esgoto por meio de zona de raízes: uma proposta de tecnologia apropriada para saneamento básico no litoral do Paraná. 2002. Curitiba. 2002. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. O uso potencial do bambu para o desenvolvimento sustentável local: estudo de caso da colônia parque verde. Luiz Américo de. SANTOS. Curitiba. UMEZAWA. DUMKE. Curitiba. Tamara Simone Van. município de Fazenda Rio Grande-PR.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. BORTOLI. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Paulo Sérgio de. 2002. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2002. Helena Akemi. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. SOUZA.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Curitiba. Avaliação do desempenho térmico de salas de aula do CEFET-PR. Análise da poluição sonora em zoneamentos 36 . 2002. ADRIAZOLA. Paulo Rolando de. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2002. Uma análise dos parâmetros de uso e ocupação do solo na promoção da sustentabilidade urbana.KAIK. 2002. 2002. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Maurício Diogo dos.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2002. Curitiba. Curitiba. 2002. Unidade de Curitiba. Análise da aplicação da educação ambiental formal e informal em áreas de mananciais: um estudo de caso em um município da região metropolitana de Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . LIMA. Márcia Keiko Ono. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Eliane Müller Seraphim. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .

Universidade Tecnológica Federal do Paraná. PIPER. 2003. CHAVES. FELIZARDO. Curitiba.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2003. 2002. Arilson Pereira do.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Curitiba. Camila. Curitiba. Logística reversa: a reciclagem nas indústrias de plásticos da cidade de Curitiba e circunvizinhas. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Mudança de comportamento. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Curitiba. FUJITA. Associativismo e produção orgânica como uma alternativa para agricultura familiar: o caso Aruatã. MICHALOSKI. Marcela Teixeira. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. 2003.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. A técnica da mitilicultura na preservação de 37 . Jean Mari. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. SHAFA. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Dissertação (Mestrado em Tecnologia) Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2003. Ariel Orlei. Liliane Iten. 2003. 2002. 2002. Avaliação do desempenho térmico por meio de simulação computacional de habitações populares implantadas na Vila Tecnológica de Curitiba. 2003. Risco tecnológico e sócioambiental nas propostas de CDS (City Development Strategies) do Banco Mundial. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) Programa de Pós-graduação em Tecnologia. GODOY. Sieglinde. Parâmetros ambientais no planejamento de móveis seriados de madeira de acordo com relatos de designers. 2002. 2003. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2003. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2002. elemento essencial na conservação de energia. VALE. 2002. Comunidades de prática e sistemas de informação: um exemplo na área ambiental. Mohiman.distintos da cidade de Curitiba. 2003. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2003.

Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .SP: um estudo de caso. 2005. 2004. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2005. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2005.tartarugas marinhas na comunidade de pescadores da Praia da Almada Ubatuba . PODLASEK .Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2005. O uso da semiótica no processo do design para o desenvolvimento de produtos sustentáveis. Curitiba. CAMARGO. 2004. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Beatriz Accioly Alves. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Celso Luiz. APA 38 . 2004. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. PRESZNHUK. Análise da operação das usinas eólicas de Camelinho e Palmas e avaliação do potencial eólico de localidades no Paraná. MARANGON. Curitiba. Planejamento e gestão em áreas de manancial da Região Metropolitana de Curitiba: Instrumentos para a sustentabilidade. Silvestre Jr. Lucimeire Pessoa de. 2003.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Estudo da viabilidade do filtro de carvão de bambu como pós-tratamento em estação de tratamento de esgoto por zona de raízes: tecnologia ambiental e socialmente adequada. ROMAGNOLI. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2005. Curitiba. 2003. Curitiba. 2005. Maristela Aparecida.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. LABIAK. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Curitiba. Habitat´s para um empreendedorismo sustentável: estudo de ferramentas para potencializar práticas inovativas. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2004.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2004. Arilde Sutil Grabriel de.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2004. Clima e forma urbana: métodos de avaliação do efeito das condições climáticas locais nos graus de conforto térmico e no consumo de energia elétrica em edificações. Proposição de um sistema de indicadores para comunidades locais: estudo de caso da comunidade de Serra Negra. LIMA. Curitiba. Rosélis Augusta de Oliveira. Curitiba.

2006. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Arabella Natal Galvão da. TORRES. Carlos Eduardo Fortes.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2006. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2006. Antonio Villaca. Curitiba. 2006. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. COSTA. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.PR com a implantação do complexo Ayrton Senna. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2006. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. KIRCHNER.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. A constituição de grupos de trabalho alternativo e a intermediação da tecnologia no município de Fazenda Rio Grande . 2006. Andrea de Souza. Curitiba. Eficiência energética em iluminação de ambientes em uma instituição pública de ensino. STACHERA. Análise do Impacto Ambiental da Produção Artesanal de Móveis de Fibras Naturais com Base na Metodologia The Natural Step . Sustentabilidade urbano-ambiental no distrito industrial de São José dos Pinhais . 2007. 2007. Raquel Sordi. Paraná. Panorama da produção e do consumo de orgânicos: a “feira-verde” de Curitiba.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .TNS: Estudo de caso de Campo Magro. Curitiba.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2007. Theodozio Jr. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2007. 2006. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Janete Lúcia. Curitiba. 2006. Paraná. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. GONZALEZ. 39 .Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Educação pela ação ambiental: a coleta seletiva de resíduos sólidos em um departamento de Instituição Superior de Ensino. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Avaliação de Emissões de CO2 na Construção Civil: um estudo de caso da habitação de interesse social no Paraná.de Guaraqueçaba/PR. Curitiba. SILVA. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2007. 2005.Paraná. 2007. 2006.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. CONCI.

40 . Análise de Relatórios da Auditoria Ambiental Compulsória como Instrumento de Licenciamento e Gestão Ambiental no Estado do Paraná. arte e tecnologia: ações educativas de aproveitamento de resíduos sólidos urbanos. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Educação ambiental. Influência do paisagismo e tecnologia construtiva no clima e qualidade de espaços residenciais com exemplo na vila tecnológica de Curitiba/PR. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Universidade Tecnológica Federal do Paraná. OLIVEIRA. Ligia Rosalinski. Implantação de Parques Eco-Industriais (EIPs) como Indutor do Desenvolvimento. projetos e tecnologias sociais. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Dinâmicas de apropriação do conhecimento por famílias de catadores de material reciclável: políticas públicas.Programa de Pós-graduação em Tecnologia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2008. 2008. 2007. 2008.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Tanatiana Ferreira. 2007. Marilene Vilhena de. Regiane do Rocio de. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Universidade Tecnológica Federal do Paraná. GUELBERT. 2007. Gladimir. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Elisete. MORAES. BRITO. Curitiba. BARBOSA. 2007. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Milton de Almeida. Curitiba.NASCIMENTO. 2007.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. 2008. Curitiba. FERREIRA. Curitiba. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2007. 2008. Proposta de modelo de desenvolvimento socioambiental para municípios de pequeno porte a partir do gerenciamento integrado dos resíduos sólidos urbanos (GIRSUS): um estudo teórico-empírico. 2008. A lei de uso de água de chuva e reuso de águas servidas da cidade de Curitiba e sua contribuição para a sustentabilidade. Programa de pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. 2008.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . 2008.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) .

Incorporação da Avaliação do Ciclo de Vida ao Projeto do Produto. 2004. 2006. OKIDA. Utilização De Resíduos Refratário Da Industria Cimenteira Como Agregado Para Argamassa. Ana Cristina Campos. 2006. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. PAIS. José Roberto. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Dissertação (Mestrado em Engenharia) . 2004. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. 2006. 2007.POLEDNA. 2006.Thompson Copperfield Von. Ana Cristina.. MARQUES. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Curitiba.Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Desenvolvimento de um guia de referência para considerar aspectos ambientais durante a etapa do projeto conceitual. Eco-Eficiência Baseada Nos Princípios Da Produção Mais Limpa. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. Antonio Vanderley Herrero. SOLA. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2004. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Engenharia) . 41 . Eco-Ferramenta para Pequenas e Médias Empresas do Setor Moveleiro. Silvia R.Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Rafael J. AGNER . NOVAK. Curitiba. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Fatores Humanos Como Barreiras Para Eficiência Energética em Indústria. Avaliação de custos e impactos ambientais de produtos. Curitiba. Leandro Alberto. 2006.C. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Programa de pós-graduação em Engenharia de Produção. Curitiba. 2008. 2006. 2008. 2006. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. 2004. BARRETO. Reprojeto para o Meio-Ambiente. Estudo Para Minimização e Reaproveitamento de Resíduos Sólidos de Fundição. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção.

Universidade Tecnológica Federal do Paraná. ZOLDAN. 2007. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. Análise dos requisitos organizacionais para a avaliação do ciclo de vida (ACV) de produtos madeideiros. 2008. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. Sueli de Fátima de Oliveira Miranda. 2006. SANTOS. Curitiba. 2007. Luci Inês. Dissertação (Mestrado em Engenharia)-Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção. Curitiba. Curitiba. 2008. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. A sustentabilidade empresarial um estudo baseado no relatório de uma concessionária de energia. Curitiba2007. 2007. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Produção de Carvão vegetal em cilindros metálicos verticais: alguns aspectos referentes à sustentabilidade. 42 . Marcos Aurélio. BASSETO.

A ACADEMIA VAI A COMUNIDADE: DISCUTINDO AS RELAÇÕES ENTRE DISSERTAÇÕES DE MESTRADO E PROJETOS COMUNITÁRIOS Henry Belchior da Cunha (1). Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) que abordam as questões sócio-ambientais relacionadas à problemática de capacitação profissional e inclusão social de grupos de pessoas caracterizados como “interessados” em participar de comunidades enquanto agentes com afinidade profissional. Maclovia Correa da Silva (2). 1. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. UTFPR. Enquanto esta discute as questões teóricas pertinentes a fundamentos 43 . do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE). stricto sensu. Eloy Fassi Casagrande Jr. dentro de seu Programa de Pós-Graduação em Tecnologia (PPGTE). (3) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. as instituições universitárias vêm recebendo críticas pelo seu isolamento e pela falta de comprometimento com os resultados e resoluções para os conflitos e contradições que se apresentam na sociedade tecnológica. UTFPR RESUMO Com o agravamento dos problemas mundiais de ordem sócio-econômica e ambiental. RELAÇÕES ENTRE ACADEMIA E COMUNIDADES A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). (1) Arquiteto. doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAUUSP. O objetivo deste estudo é apresentar pesquisas realizadas por alunos orientados por professores da linha de pesquisa Tecnologia e Desenvolvimento. e estas estão sendo apontadas como colaboradoras da inclusão e da formação de profissionais alicerçados na mentalidade de cidadãos de cidades globais. o papel das instituições superiores de ensino passa por uma transformação. Na visão contemporânea. (3). Nestas pesquisas foram observados casos de ações que buscaram promover a utilização de recursos naturais de maneira branda. As quatro dissertações analisadas encontram-se alicerçadas na premissa de que a técnica e o saber-fazer. Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE/UTFPR. se aliados ao conhecimento da academia. (2) Professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. tornando-os condizentes com os objetivos de sustentabilidade e qualidade de vida. promove a produção de trabalhos acadêmicos em diversas áreas do conhecimento seja na ciência aplicada ou na ciência pura. com a finalidade de produção de objetos e de geração de renda. na perspectiva de preservação e conservação do meio ambiente. podem produzir o aperfeiçoamento de habilidades e competências e auxiliar na redução dos impactos decorrentes da fabricação de produtos.

da tecnologia e suas diversas perspectivas. aquela incentiva a relação de pesquisa de extensão da universidade com a sociedade. As diversas possibilidades do uso do bambu na região dentro de uma cadeia produtiva. Figura 1: Potencial econômico do uso do bambu na Fazenda Rio Grande Fonte: UMEZAWA (2002) 44 . da mestra em Tecnologia. envolvendo instituições acadêmicas. As propostas das dissertações que trabalham com a cultura material convergem para o estudo de técnicas do saber fazer aliadas aos conhecimentos da academia. que poderia. em tese. Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Helena Akemi Umezawa. O uso potencial do bambu para o desenvolvimento sustentável local: Estudo de caso da Colônia Parque Verde. materiais recicláveis e a organização do trabalho no Estado do Paraná. Fazenda Rio Grande – PR (2002) faz uma avaliação sócio-econômica do potencial de uso do bambu encontrado na Colônia Parque Verde. A perspectiva volta-se para a orientação de trabalhos. Os trabalhos discutem as questões de preservação do meio ambiente. Na produção de novos usos para os materiais são criados artefatos que coadunam com a preservação dos recursos naturais e a demanda de mercado local. governamentais e ONG’s na direção de encontrar soluções apoiadas pela tecnologia para problemas de conservação e preservação da natureza e da cultura local. podem ser observadas na Figura 1.26 ha. a exploração de temas como as fibras naturais. melhorar a renda de pessoas na Região. uma área de 416. dentro do município de Fazenda Rio Grande. o grupo de pesquisa Tecnologia e Meio Ambiente (TEMA) estuda as relações entre os conhecimentos sobre a problemática ambiental e suas implicações no campo dos saberes em comunidades locais. pesquisa ação. A primeira dissertação. No PPGTE.

5 ha de bambu japonês tipo Mosso (Phyllostachys pubescens) plantados nos anos 60. A segunda dissertação que aborda a questão comunidade-universidade teve o Projeto Bambu da Fazenda Rio Grande como objeto de estudo e foi desenvolvida pela mestre em Tecnologia Janete Lúcia Conci.. tipo de solo e possibilidade de eventual expansão das plantações que poderiam ocupar uma média de 20% da área cultivável das propriedades (UMEZAWA. Uma equipe de acadêmicos da UTFPR recebeu treinamento sobre como produzir objetos de bambu. pois o ato produtivo não é um momento isolado da 45 . a pesquisadora analisa as questões do cotidiano de dois grupos de trabalho nos bairros “Parque Verde e Gralha Azul”. para propostas de Desenvolvimento Sustentável.UFPR. Também foram realizadas parcerias com professores e alunos do curso de Agronomia da Pontifica Universidade Católica . escolha do produto. situados no município de Fazenda Rio Grande (RMC). que se caracteriza pelo domínio da concepção vinculada à execução. As relações humanas e sócio-econômicas travadas por ocasião da participação da UTFPR neste processo sob a coordenação do Professor Eloy Fassi Casagrande Jr. Através de seu trabalho. Segundo Bastos: A organização artesanal está circunscrita ao entorno do trabalho. o propósito de formação de uma cooperativa. 2002). Esta iniciativa procurou trabalhar alternativas tecnológicas que viessem a contribuir com a superação da dependência econômica de pessoas com baixa renda. Desenho Industrial. no Parque Verde e no bairro Gralha Azul. embasaram o projeto aprovado no IX Prêmio Banco Real / UNISOL 2004. Intitulada A Constituição de Grupos de Trabalho Alternativo e a Intermediação da Tecnologia no Município de Fazenda Rio Grande (2007). a forma de organização dos saberes e a apropriação do conhecimento podem ser responsáveis pela melhoria do saber fazer. o artesão liga-se ao mundo e à sociedade. Dados da dissertação de mestrado de Umezawa que apontaram para a possibilidade de o bambu da região poder gerar produtos e renda as populações menos favorecidas economicamente e o resultado de quatro anos de pesquisa sobre o bambu na UTFPR. onde se constatou a existência de aproximadamente 1. Nas visitas ao local também foi possível verificar o relevo dos terrenos. com ênfase em Geração de Renda´. Química Ambiental da UTFPR. para que pudesse ensinar a comunidade a confeccionar produtos com esta matéria prima. A organização e apropriação do conhecimento provieram da equipe multidisciplinar composta por professores e alunos dos cursos de Engenharia e Tecnologia da Construção Civil. tendo o mesmo recebido R$20.000.PUC-PR e do curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Paraná . articulação do grupo. coordenado pelo Professor Eloy Fassi Casagrande Jr. Além disso. quando da instalação das famílias. As oficinas foram realizadas em dois bairros do município de Fazenda Rio Grande. Engenharia Mecânica. Com a verba foi possível viabilizar os insumos e mobilizar consultores para treinamento na área específica.Num trabalho de campo de amostragem e através de fotos aéreas foi levantada a quantidade de bambu de 10 propriedades. desde a capacitação..00 para sua implantação. resultaram na formação de dois grupos de trabalho.

expressa por um conjunto de atividades (BASTOS. As mudanças organizacionais que vêm ocorrendo no campo do trabalho. No Projeto. 1998. que busca estimular a execução de projetos de extensão. 75). Esse tema também foi desenvolvido em dissertação com outros enfoques. objetivando a minimização das carências apontadas” (PAMPOLINI JR. quanto as relações Universidade-Comunidade. segundo Castells (2003). as vantagens das inovações tecnológicas refletiram na beleza. são fontes inesgotáveis de conhecimentos (BASTOS. O acesso ao conhecimento e a participação da academia. O conceito de projeto social utilizado advém de Pampolini Jr. financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) através do edital do Edital CT-AGRO/CT-HIDRO/ MCT/CNPq. Os vínculos de comprometimento dos componentes do grupo são por vezes imprescindíveis para a sua continuidade. 1998. do mercado de produtos. É a sua vida por inteiro. na esté46 .. setores públicos e iniciativa privada é o palco do cenário da dissertação da pesquisadora Elisete Ferreira. As habilidades individuais são sinalizadoras da hierarquia e das diferentes funções no processo de produção.existência. de arte. p. O conhecimento tácito torna-se evidente na prática do fazer como cita Bastos: O saber “tácito” não está em contradição com o saber formal. voltadas para geração de emprego e renda. Ela observou o trabalho de um grupo de catadores de papel de Curitiba durante o ano de 2007.122). em função de definição de novos paradigmas. no entanto isto depende de ações conjuntas interinstitucionais. p. Nos grupos de trabalho analisados no texto de Conci (2007) os artesãos acompanharam o processo inteiro da confecção das peças. A exclusão social é processo e não uma condição. As desigualdades sociais oriundas das incertezas no mercado de trabalho e economia globalizada geram passivos sociais que à margem do sistema produtivo esperam sua re-inserção no mercado formal de trabalho. e estudou as Dinâmicas de Apropriação do Conhecimento por Famílias de Catadores de Material Reciclável: Políticas Públicas. Projetos e Tecnologias Sociais (2008). mas dele é distinto e demonstra certas peculiaridades. (2001) que visualiza as políticas de responsabilidades sociais com a finalidade de diminuir os déficits sociais por meio da “implementação de ações substanciadas e empreendimentos organizados e realizados a partir de um cronograma de ações. A produção de bens e serviços conforme Paul Singer (1999) abriu as portas do pequeno negócio e pode ser uma forma de equilibrar o mercado de trabalho. p. Libia Patricia Peralta Agudelo. 26). e as interferências na tentativa de formação de um grupo de trabalho na manufatura do bambu como matéria prima renovável e preservação de recursos ambientais. acrescentaram idéias para as pessoas enfrentarem os desafios de coesão dos artesãos. Tanto as relações cotidianas. da padronização de acabamentos para comercialização em grande escala. 2001. técnica e tecnologia. e a regularidade de encomendas. O estudo abrangeu ações com catadores no “Projeto Papel Social”. que recebeu uma capacitação profissional. que acredita que os excluídos podem romper esses limites e mudar sua posição. e coordenado pela Dra.

na mais pura expressão de uma arte advinda dos imigrantes italianos. Segundo GAMA (1986). formas. ou seja. compreende-se que a técnica é o conjunto de regras práticas para fazer coisas determinadas. mas manteve uma preocupação mais ampla com a sustentabilidade do planeta. no sentido. Vale destacar a colocação.” Há que se reconhecer nesta atividade. possibilitando a avaliação e criação de novas atuações das políticas públicas.133). da Mestra Marina Ribas Lupion. no tratamento. p. leis. barbantes e fios. arte ou ofício. Na quarta dissertação analisada. no aproveitamento de embalagens descartadas. e posteriormente ela foi substituída pela palavra técnica.30. No que se refere à dissertação é relevante lembrar que a compreensão de arte e de técnica representam conceitos que possuem uma tênue linha em sua separação A proximidade nos conduz. Esta formulação é sobremaneira central para que haja o entendimento de que o trançado do vime é a prática de um ofício. 1986). colas. a palavra técnica teve sua origem no grego “techné” e significava arte. no uso das mãos. nas formas e no segredo do saber fazer ressaltando-se ainda. por precaução. Os Projetos Sociais não conseguem alcançar seus objetivos se forem pensados isoladamente. Vê-se a busca por produtos duráveis e biodegradáveis para que não ocorra o impacto sobre o meio ambiente. no cultivo. na aplicação de moldes. Com estes artesãos do vime encontramos a reminiscência dos ofícios coloniais. seu domínio sobre os meios de produção. tintas. a fabricação de produtos com o vime considerou a possibilidade de crescimento do setor de fibras e suas potencialidades. “reitera-se assim. envolvendo a habilidade do executor e transmitidas. O uso dos materiais ecologicamente corretos seguiu não só uma tendência. Na pesquisa Arte e Técnica: na Fabricação de Móveis de Vime. 47 . Alarga-se freqüentemente o conceito para nele incluir o conjunto dos processos de uma ciência. saberes. dos instrumentos e ferramentas e das máquinas. Segundo o autor. A interação entre estruturas políticas e sociais permite que os projetos existam. no reuso de material catado. programas que caminhem em paralelo. conhecer o substrato da atividade humana por excelência. que a dimensão histórica da técnica torna-se imprescindível para alcançar a compreensão da essencialidade do trabalho humano. a mencionar um e naturalmente referenciar o outro. pelo exemplo. do domínio de uma técnica e de uma arte que estão contidas na habilidade das mãos dos artesãos e que resultam nas tramas. As práticas revelaram aspectos de apropriação do conhecimento em projetos sociais com a intermediação de organizações não governamentais.tica e no design presentes na modelagem da massa de papel maché. para obtenção de um resultado determinado com o melhor rendimento possível (GAMA. pois ela permite àqueles que buscam através do rigor científico. pois o ser humano na realização de sua arte precisa utilizar-se da técnica assim como em todas as suas atividades de trabalho que se expressam também como arte. práticas e ofício: um estudo de caso (2004). p. e no beneficiamento. Segundo LUPION (2005. pois necessitam de políticas. verbalmente. a ênfase foi dada ao estudo da técnica e o saberfazer aliados à produção industrial. portanto a técnica presente em todos os estágios de produção.

1998. 1998.Universidade Tecnológica Federal do Paraná. FERREIRA. LUPION. J. Ruy. O Ponto de Mutação. Tecnologia e o Trabalho na História. Curitiba: CEFET-PR. Curitiba: CEFET-PR. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . Arte e Técnica: na Fabricação de Móveis de Vime. A. Elisete. acrescentam aos seus saberes. Marina Ribas. J. Ruy. As relações Universidade-Comunidade precisam se intensificar no sentido de elaboração de projetos e pesquisas que visem à formação de grupos de trabalho e capacitação profissional e inclusão social. p. São Paulo: NOBEL/EDUSP. Os resíduos sólidos resultantes da produção de artefatos. o ar e todos os materiais podem ser trabalhados e processados repetidamente. o barro. CONCLUSÃO Ao analisar o contexto de dissertações que tratam das relações entre a comunidade e instituição de ensino superior. REFERÊNCIAS BASTOS. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . saberes. Tecnologia e interação. 1986. Curitiba. como o bambu. p. 1982. Dinâmicas de apropriação do conhecimento por famílias de catadores de material reciclável: políticas públicas.Universidade Tecnológica Federal do Paraná. São Paulo: Cultrix. reconhece-se que a técnica é uma ação que colabora para interar saberes e conhecimentos daqueles que estão voltados para o processo ensino-aprendizagem.11-30. São Paulo: NOBEL/EDUSP. 2008. 2008. A. As pessoas de baixa renda. Tecnologia e interação. verificou-se a potencialidade de recursos naturais. ou aqueles a serem descartados por serem considerados como rejeitos. conhecimentos que os permitem avançar na escala social. Lisboa: 2003. ao acatar projetos de uso dos materiais ecologicamente corretos. transformam-se em produtos e geram renda. In: BASTOS. projetos e tecnologias sociais. Edição da Fundação Calouste Gulbenkian. CAPRA. Também foi verificado que pessoas com pouca qualificação profissional podem aprender noções de arte e técnica necessárias para alcançar resultados surpreendentes na produção de artefatos. BASTOS. In: BASTOS. 2008. CONCI. técnica e tecnologia aproximam o saber da ciência e as práticas multidisciplinares. O fim do milênio. Manuel. as pedras. a água. A Universidade. se treinadas para mudar o olhar sobre materiais. Tecnologia e o Trabalho na História. J. A natureza e seus bens naturais. 1986. A. O diálogo da educação com a tecnologia.119-134. Curitiba.2. duráveis e biodegradáveis está colaborando com a diminuição do impacto sobre o meio ambiente e a sustentabilidade do planeta. as quais contribuem para a formação de cidadãos. J. Nos trabalhos analisados. 48 . quando entendidos como matéria prima. CASTELLS. A constituição de grupos de trabalho alternativo e a intermediação da tecnologia no município de Fazenda Rio Grande-PR. madeira. A. GAMA. Vale destacar que intervenções de profissionais na geração de arte. GAMA. Janete Lúcia. O papel dos centros tecnológicos. Fritjof. e os diferentes produtos que podem ser feitos a partir dele. 2007.

Florianópolis. Marina Ribas.Universidade Federal de Santa Catarina. Marina Ribas et all. J. Brasília: UNB. Florianópolis. Helena Akemi. Brasília: Cenário Rural II. 2004. Paul. Coronário. C. 1990. São Paulo: Contexto. práticas e ofício: um estudo de caso. 2002. 2004. Curitiba: PPGTE. LUPION. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 1999. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . UMEZAWA. Acumulação de trabalho e mobilidade do capital. Curitiba. 2001.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. Curitiba. saberes. Cultivo e trançado do vime: a visão da formação profissional. PAMPOLINI Jr. SINGER. Arte e Técnica: na Fabricação de Móveis de Vime.práticas e ofício: um estudo de caso. 49 . organizacional e comunitário. PELIANO. Homero. 2001. Uma abordagem qualitativa sobre o entendimento de empresários paranaenses acerca da responsabilidade social e as respectivas repercussões em âmbito pessoal. 2005. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Globalização e desemprego. LUPION. 2004. município de Fazenda Rio Grande-PR. Dissertação (Mestrado em Engenharia da Produção) . O uso potencial do bambu para o desenvolvimento sustentável local: estudo de caso da colônia parque verde.

UTFPR. Mas necessita de um amplo debate considerando as implicações ambientais na escolha das formas de geração de energia (Banco Mundial. A produção e o consumo de energia são ambientalmente impactantes. (2001) afirma que a questão ambiental exige uma 50 . Este artigo procura mostrar a dificuldade da abordagem deste tema em algumas universidades onde persiste a concentração do ensino focado nas tecnologias e energias convencionais. A formação de engenheiros do futuro. 1998). Conclui-se que é preciso iniciar um movimento em direção a mudanças pedagógicas e curriculares que possam modificar a forma de geração e distribuição da energia.ENERGIA E O ENSINO DA ENGENHARIA NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ-UTFPR: DESAFIOS PARA SE ALCANÇAR A SUSTENTABILIDADE Antonio Carlos Cassilha (1). doutora em Planejamento Urbano e Regional pela FAUUSP RESUMO Os impactos sócio-ambientais decorrentes da produção de energia elétrica concentrada nos combustíveis fósseis se agravaram nas últimas trinta décadas.UTFPR. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. UTFPR (3) Professora do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. 1. analisando o caso do Departamento Acadêmico de Eletrotécnica – DAELT. Professor do Departamento Acadêmico de Engenharia Eletrotécnica-DAELT/UTFPR. A humanidade enfrenta hoje sue maior desafio diante do aquecimento global e suas trágicas conseqüências. Maclovia Corrêa da Silva (1) Arquiteto. que possam ter um conhecimento profundo de tecnologias que reduzam estes impactos deve ser prioridade no sistema de ensino atual para que se possa alcançar a sustentabilidade. (2). com instituições de ensino ainda formando profissionais incapacitados para lidar com os problemas sócio-ambientais. Casagrande Jr. e a formação ambiental é um “saber emergente” (LEFF. (2) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. integrar as antigas energias com as novas formas de pensar a estrutura econômica existente. da Universidade Tecnológica Federal do Paraná . acelerar a implantação dos programas de eficiência energética e disseminar as energias renováveis e produção mais limpa. Eloy F. 2008). INTRODUÇÃO O Brasil possui forte base hidráulica na sua matriz energética e uma abundante matéria prima para a geração de energias alternativas de fontes renováveis com moderna legislação que incentiva a diversificação. Casagrande Jr.

enfatiza a necessidade do comprometimento das instituições no processo para a educação ambiental. em engenharia. implicam na necessidade de reavaliar. mudanças além da simples alteração de grades curriculares. passam pela educação e inovação tecnológica norteadas pela conservação ambiental (CASAGRANDE JR. diminuir poluição. precisam contribuir para a ampliação da consciência ambiental dos graduandos da instituição de ensino. como afirma Goldemberg (1998). A proposta central do presente artigo é caracterizar que os moldes tradicionais das especialidades na graduação de engenharia da UTFPR. É imperativo ir além dos aspectos legais e burocráticos. Permanecer apenas na integração de vários temas seria manter a realidade atual não transformando o conhecimento tecnológico em uma perspectiva de mudança social. aumentar produtividade com distribuição equitativa de renda e evitar desperdício de capital. O debate internacional de um estilo sustentável de desenvolvimento que teve início em Estocolmo e consolidou-se no Rio. nem está alheia. não deve ser vista 51 . teorias ou outros aspectos do conhecimento tecnológico. aquisição de equipamentos para laboratórios ou de bibliotecas atualizadas. Mas. no mundo acadêmico as estratégias educativas. mas com compreensão interdisciplinar dos problemas administrativos. A educação dos engenheiros do futuro tem sido objeto de estudos e preocupações internacionais (NAC. sociais e do meio ambiente. na perspectiva tecnocrática. 1998). Ela perpassa todas as disciplinas e todos os níveis do sistema educativo já que o cerne da questão é epistemológica (LEFF. desde 1992. revisão de grades curriculares e do conteúdo de ementas das disciplinas. para tratamento da crise ambiental.Associação Brasileira de Educação em Engenharia (1982). em uma perspectiva de sustentabilidade. O engenheiro a ser formado pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná deve estar preparado para discutir e propor soluções aos desafios contemporâneos na área de conversão. O engenheiro do futuro necessita de conhecimento profundo de uma tecnologia. bem como a organização espacial e urbana das nossas cidades contribui de forma decisiva para a ineficiência energética (COHEN. segundo Leff (1999). métodos. e atualizar. E. O contínuo desenvolvimento tecnológico e as mudanças da sociedade exigem do ensino. a interesses econômicos e sociais.abordagem metodológica focado na capacitação de professores.MEC. 2003). Os processos que podem economizar energia e recursos. principalmente na área de eletrotécnica. 2004) assim como da ABENGE . econômicos. os programas de educação que não tem encontrado soluções adequadas para a inserção de temas ambientais. 2001). 2. A prática educativa articulada com a problemática ambiental. particularmente. O Ministério de Educação e Cultura . de conhecer e relacionar conteúdos. Os padrões de consumo influenciam a sustentabilidade energética. também. supera a ingênua visão da suficiência do conhecimento científico. A TEMÁTICA AMBIENTAL A dimensão ambiental não é ideologicamente neutra. transporte e uso final das mais diversas formas de manifestação de energia. ao descrevê-lo como sólido em ciências básicas e na operação de sistemas complexos.. de um processo educativo orientado para a sustentabilidade.

Os Seminários Nacionais sobre Universidade e Meio Ambiente. dos equipamentos. Daqui a 25 anos. buscando soluções seguras e sustentáveis. 1972). solar. O desafio dos futuros egressos será o de pensar novos conceitos de metrópoles auto-suficientes. mas como filosofia pedagógica focada na conscientização. a revolução verde. Sem dúvida. Neste sentido a educação e a informação através das instituições locais são componentes vitais para o sucesso de qualquer programa de sustentabilidade energética (EEA. que estas ações não auxiliam no desenvolvimento sustentável. analisa e desenvolve sistemas de geração.seja ela renovável. transporte ou transmissão. desde 1986. 2001). O desafio é converter as novas tecnologias em meios pelos quais seja possível dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental. capacidade de avaliação e participação. Enfatiza-se a discussão de normas e legislação relativas à gestão ambiental. das infra-estruturas. a prática de ensino nos programas dos cursos superiores. além de abrigarem pessoas (RIFKTIN. gás natural ou material radioativo. que não agridam o meio ambiente. É importante ressaltar. eólica ou de biomassa. Também deve poder coordenar programas de uso racional de energia. e de um novo perfil energético dos produtos. O desafio da chamada terceira revolução industrial é o de superar o obstáculo de integrar as antigas energias com as novas formas de pensar a estrutura econômica existente. como hídrica. mudança de comportamento e atitudes. das edificações. Agora estamos próximos de dar inicio ao terceiro movimento. sociais e culturais diferentes. resumem-se a atividades típicas de controle de fim do processo. Imagina-se que o engenheiro na área eletrotécnica deve dominar todas as formas de energia que compõem a matriz energética brasileira . Um dos grandes desafios é fazer com que este suprimento seja feito de forma sustentável a 52 . A produção e distribuição de energia global irão duplicar a procura até 2050. carvão. distribuição e uso da energia. obtida de petróleo. como constata Barbieri (2004). as edificações terão que funcionar como fábricas de energia. econômicas. Entre suas atribuições está a avaliação de necessidades de uma região ou setor desenvolvendo projetos econômicos e socialmente viáveis. Nas recomendações sobre Educação Ambiental. a realização de atividades isoladas de coleta seletiva de lixo ou de comemorações do dia do meio ambiente. Deve ser um profissional voltado à pesquisa e estratégias para o setor energético visto que planeja.como um adjetivo. desenvolvimento de competências. foi reconhecido o ensino como instrumento estratégico necessária à geração de conhecimentos interdisciplinares e formação profissional. seja não renovável. Muitas vezes. 2009). é imperativo o incentivo à pesquisa e desenvolvimento para a disseminação de produção mais limpa e eficaz de energia. discutem métodos e mecanismos de ensino e pesquisa adequados à questão ambiental. Contudo. 3. a simples transferência mecânica de experiências que tiveram êxito em locais com condições ambientais. A CADEIA DE VALOR DOS CONHECIMENTOS A transição entre a primeira revolução industrial e a segunda pode ser emblematicamente representada pela passagem do uso do vapor para o mundo novo da eletricidade. da Conferência das Nações Unidas para o Ambiente Humano (Estocolmo-Suécia.

antes baseado no planejamento centralizado. iluminação pública. foi privatizado e dividido em quatro segmentos: geração. condicionamento de ar e isolamento térmico. humanista. Na promoção de aumento das fontes de energia renováveis. No Brasil ainda predomina a energia hidráulica na geração de energia elétrica em um cenário internacional em que a tendência mundial é de apoio às fontes de energias limpas. patrocinado pelo Ministério das Minas e Energia. O programa propõe-se a fornecer os meios e as possibilidades de análise e avaliação dos sistemas energéticos existentes. com visão ética e humanística. pelo lado da oferta. atua visando reduzir o consumo específico de energia em edificações novas e existentes. O setor elétrico brasileiro. seus usos e seus impactos sobre a sociedade e sobre o meio ambiente.Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica veio para promover ações de educação. O LabEEE encontra-se ligado aos Laboratórios de Conforto Ambiental (LABCON/Arquitetura). gestão energética municipal. O Laboratório de Eficiência Energética em Edificações. o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica . aumento da participação de fontes renováveis na matriz energética (MORAES. EP.PROINFA. crítica e reflexiva. biomassa e de pequenas centrais hidrelétricas . ambientais e culturais. voltado para mudanças e novas possibilidades de ação. que objetiva aumentar a participação da energia eólica. o Conselho Nacional de Educação (2002). distribuição e comercialização. vinculado ao Núcleo de Pesquisa em Construção (Departamento de Engenharia Civil) da Universidade Federal de Santa Catarina. A legislação brasileira passou a estimular iniciativas de absorção de fontes de energia renovável na matriz energética nacional. As propostas e práticas pedagógicas devem estar centradas na conscientização do educando. das possíveis alternativas e as conseqüências sócio-econômicas e ambientais de sua produção e utilização. a educação na área energética. Nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino de Graduação em Engenharia. Neste ambiente. capacitada a absorver e desenvolver novas tecnologias e seus aspectos políticos. O PROCEL . FEA e IF no sentido de formar profissionais voltados às questões vinculadas à disponibilidade de energia. descreve como deve ser o perfil do formando. A educação é componente vital para o sucesso de um programa energia renovável. econômicos. 2005).SIN.PCHS a serem incorporados ao Sistema Elétrico Integrado Nacional . gestão de eletricidade na indústria e em edificações e saneamento ambiental. No Paraná as próximas duas décadas sinalizam para uma demanda crescente de consumo de energia e a necessidade da melhoria na eficiência energética pelo lado da demanda ou. na capacidade de avaliação e participação. no desenvolvimento de competências. etiquetagem. sociais. para atender as demandas da sociedade. em um processo de novas leituras e interpretações. transmissão. Ele precisa ter formação generalista. na mudança de atitude e comportamento.MME. Neste sentido existem alguns exemplos de formação profissional que fortalecem a compreensão deste futuro profissional. O Programa Interunidades de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo que se caracteriza por um esforço interdisciplinar do IEE. através da implantação de novas tecnologias de iluminação. deve contribuir de forma decisiva para superar o dilema entre crescimento econômico e sustentabilidade ambiental.partir de fontes renováveis. Meios Porosos e Proprieda53 .

Ainda. O CASO DO DEPARTAMENTO ACADÊMICO DE ELETROTÉCNICA DA UTFPR Na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). que forma profissionais capazes de planejar. .ppgte. social e ambientalmente sustentável. à operação e à gestão de sistemas destinados ao suprimento energético e ao uso de energia em atividades sócio-econômicas. a preocupação maior nesta transição. visando a seu melhor aproveitamento em processos industriais. conforme relata Porto Alegre (1997) foi a de criar uma grade curricular que além de aproveitar os professores do agora extinto curso. implementar. da Universidade de Brasília. o bacharelado em Engenharia em Energia e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. formando engenheiros para atuar na geração de energia com a preocupação com o meio ambiente.pdf 54 4. Laize Marcia S. econômica. a primeira instituição de ensino superior do Brasil a adotar o bacharelado interdisciplinar no curso de engenharia de emergia. voltados para o suprimento e otimização energética.des Termofísicas dos Materiais (LMPT/Eng. à análise. e o curso de Engenharia de Energia da Universidade Federal Rural do Semi-Árido. e que fosse voltado para as necessidades das indústrias locais. 1997.cefetpr. em http://www. em funcionamento a partir de 2007. à manutenção. A segunda reformulação do currículo do curso aconteceu em 1987. Para detalhada descrição do curso ver PORTO ALEGRE. na busca por soluções que conciliem desenvolvimento econômico. à concepção. de forma técnica. otimizar e manter sistemas de geração de energia. cuidando dos respectivos impactos ambientais. ao projeto. Vamos analisar agora o caso da Universidade Tecnológica Federal do Paraná onde apesar dos esforços de mudanças curriculares. os cursos de graduação. não havendo espaço. proteção ambiental e redução das desigualdades globais. instituição de educação tecnológica existente desde 1909. O curso da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais-PUC-MG. encontramos os exemplos da Universidade Federal do ABC. Porto Alegre (1997) 4. O currículo do curso de engenharia industrial elétrica . e nasceu da instigação da coordenação e de um grupo de professores do curso. Nesta linha colaborativa entre disciplinas ou setores de uma ciência. Mecânica) e de Energia Solar (LABSOLAR) através de projetos conjuntos. proposto para formar profissionais aptos a exercer as atividades referentes ao planejamento. após a estruturação do currículo para as disciplinas chamadas de cunho humanistas. numa instituição de educação tecnológica. com ênfase na sustentabilidade econômica e ambiental. Implantado em 19794 a partir da transformação do curso de Engenharia de Operação em Engenharia Industrial Elétrica. à implantação. passa por um conhecimento profundo de tecnologias que reduzam os impactos ambientais para que se possa alcançar a sustentabilidade. o curso de engenharia Industrial Elétrica é um dos primeiros cursos de graduação de engenharia plena ofertados pela instituição. ainda persiste a concentração do ensino focado nas tecnologias e energias convencionais.habilitação eletrotécnica.br/dissertacoes/1997/laize. É possível verificar que a formação do engenheiro do futuro.

com preocupação de compor um conjunto de disciplinas interligadas em vez de formadas por disciplinas isoladas como no currículo anterior. documento que contém os 55 . O conteúdo era colocado como mais moderno. procurou-se enfocar uma nova revisão curricular em que fosse prioridade a preparação do aluno para o mundo futuro. Ao longo destes anos o curso de Engenharia Industrial Elétrica sofreu modificações curriculares. Analisando os trabalhos apresentados sob a forma de TCC. Desde a segunda reformulação em 1987 até 1993. vê-se a maneira como a educação ambiental está inserida nas preocupações dos egressos. sendo que somente um deles é orientador de metade destes trabalhos. Espera-se. publicados na página do Departamento. As diferenças em relação ao currículo anterior eram mais de ordem qualitativa do que quantitativa. na área de gestão. estão relacionados 37 trabalhos de conclusão de curso. geral e orientado para um tratamento sistêmico da engenharia. na automação e controle. Do ano de 2001 a 2004. Com o incentivo da direção geral e da direção de ensino. o quarto desde a criação do curso. economia e administração que será possível fortalecer um profissional com as competências. energia em edificações. entre as justificativas dos diferenciais do curso elencados nenhum deles colocava a visão ou o desenvolvimento de uma consciência a respeito da sustentabilidade. procurando sanar as deficiências na área gerencial e na área humanística. procura adequar e aperfeiçoar o ensino às necessidades regionais e à nova realidade tecnológica com conteúdos que atendem a formação humanística. habilidades e atitudes que o tornem apto a trabalhar em concessionárias de energia. após visitar algumas universidades na área de engenharia no país. sistemas de potência e produção industrial. O currículo atual. A ênfase deveria estar na formação técnica do aluno. sistemas elétricos. somente pequenas alterações foram feitas nos conteúdos das disciplinas. A filosofia generalista do currículo fortalece a formação básica e procura através de disciplinas optativas atender questões de novas tecnologias e necessidades locais traduzidas em cinco áreas concentradas em eletrônica industrial. Enfatiza-se que será através da aplicação dos conhecimentos na área de informática. A orientação é feita por cinco diferentes professores.observa a falta de uma estratégia definida para trabalhar a orientação curricular. O resultado pode ser medido no Catálogo Analítico de Teses e Dissertações sobre o Ensino de Ciências no Brasil. e em função de informações provenientes da indústria e da própria instituição. para atualização e adequação dos cursos as Diretrizes Curriculares Nacionais atendendo as Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Engenharia Mas. comerciais e prediais. Esta visão resumida não fica distante da realidade nacional.TCC. os quais foram estruturados para integrar as atividades da engenharia no contexto social e ambiental. mas diferentemente do primeiro. destes nove deles têm temas relacionados à eficiência energética ou manutenção. contudo. que uma visão multidisciplinar e interdisciplinar seja proporcionada pelos Trabalhos de Conclusão de Curso . Desta vez estas deficiências foram cobertas com a inclusão da disciplina de Filosofia da Ciência e da Tecnologia. manutenção e instalações industriais. De novo não havia espaço para as disciplinas humanísticas. de telefonia. em projetos.

como o acordo de cooperação existente com a Universidade de Oldenburg. BM-BANCO MUNDIAL. na área de energias renováveis para países em desenvolvimento. “Padrões de Consumo e Energia : Efeitos sobre o Meio Ambiente e 56 . Na base desta necessária mudança comportamental encontram-se os problemas de motivação política. somente dois deles. Volume II: Relatório Principal. é preciso que haja a adesão da idéia por docentes. Coletânea PPGTE. no sentido de que a soma delas venha a fortalecer um grupo interdisciplinar e interdepartamental. faz a relação com o ensino de graduação (MEGID-NETO. em 36 trabalhos sendo que. a não ser que haja uma inserção nas políticas didático-pedagógicas dos cursos e da Universidade. Fundamental é a temática ambiental inserida nos projetos pedagógicos. Formação do Engenheiro Industrial. Pois a decisão pelos temas ambientais precisa da colaboração da interdisciplinaridade e dos setores heterogêneos. originário de uma parceria com a COPEL – Companhia Paranaense de Energia que resultou na formação de duas turmas de especialização. defendidas entre 1972 e 1995. de capacitação tecnológica que possam desenvolver um novo perfil de formação necessário à disseminação de tecnologias mais limpas. O curso procura manter convênios de troca de informações com universidades tecnológicas européias. Claude. existe. REFERÊNCIAS ABENGE. Licenciamento Ambiental de Empreendimentos Hidrelétricos no Brasil: Uma Contribuição para o Debate. Alemanha. São Paulo: 1982. Declaração do Conselho Mundial de Energia 2008 COHEN. Curitiba: 2001. CME. CEFET-PR.resumos de 572 dissertações e teses. Inovação tecnológica e sustentabilidade: integrando as partes para proteger o todo. Eloy Fassi. um grupo de professores que mantém atividades na área de manutenção. CONCLUSÃO O objetivo deste artigo foi observar a inserções em trabalhos acadêmicos do pensamento ambiental em um curso de graduação na área de engenharia eletrotécnica na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 28 de março de 2008 Barbieri 2004 CASAGRANDE JR. 6. Constata-se que a Educação Ambiental foi estudada. Vale lembrar que o departamento de eletrotécnica possui ainda um grupo de pesquisa na área de eficiência energética. de cunho legal. CRIANDO UM NOVO IMPULSO. O desenvolvimento sustentável e os avanços que a moderna tecnologia possibilitam é um desafio para que se possa converter as novas tecnologias em meios que seja possível dissociar o crescimento econômico da degradação ambiental. O acesso a informação não implica em ações efetivas na temática ambiental. financeiro. e gestores da instituição. 5. firmado em 2007. que promovam a eficiência energética. Ainda. graduandos. da troca de experiências. 1998). Alguns alunos e professores já participaram deste convênio para trocar experiências. Contudo para se tornar efetiva a presença de questões ambientais nos currículos.

1999 (p. 2008. v. Educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Energia e sustentabilidade no paraná: cenários e perspectivas 2007 – 2023. Renewable energies: success stories. Environmental Issue Report. p.o Desenvolvimento” in Economia do Meio-Ambiente. 27. SILVA. In: I Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica . 2005 PORTO ALEGRE. As Universidades e a Formação Ambiental na América Latina. A. Gustavo Inácio de. In: ZANONI. UTFPR – Universidade Tecnológica Federal do Paraná.shl. 245-270. J. 1998. 2006 57 . MORAES.). José. Jeremy. A. M. PR: Cadernos de Desenvolvimento e Meio Ambiente LEFF. 2001. Belo Horizonte. Laize Marcia S. 1998. O currículo do curso de engenharia industrial elétrica .ppgte. Energia. p. Rio de Janeiro : Campus. 2009. Henrique. Edifícios do futuro vão gerar energia limpa. Verde cotidiano: o meio ambiente em discussão. Anais do I Seminário Nacional de Educação Profissional e Tecnológica .habilitação eletrotécnica. E. EEA-European Environment Agency. Acessado em 10 de fevereiro de 2009.SENEPT. LEFF.com. 1997.br/aberto/infonews/022009/10022009-40. J. Rio de Janeiro: DP&A. Curitiba.111-129). n. Meio Ambiente e Desenvolvimento: a Universidade e a Demanda Social. Meio Ambiente e tecnologia na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. 2003.abril. São Paulo: Edusp. Dissertação de mestrado. SP: UNICAMP/FE/CEDOC. In REIGOTA.cefetpr. disponível em http://www.SENEPT. Proposta de Revisão Curricular do curso de Engenharia Industrial Elétrica ênfase Eletrotécnica.br/dissertacoes/1997/laize. 2008.1-10. MEGID-NETO.1. May. Peter et alli (orgs). e FERREIRA. UFPR. Campinas. Meio Ambiente & Desenvolvimento. Disponível em http://info. numa instituição de educação tecnológica.pd RIFKTIN. GOLDEMBERG. Marcos (org. O Ensino de Ciências no Brasil: catálogo analítico de teses e dissertações: 1972-1995. e BASTOS. M.

observa-se uma mobilização da comunidade na busca de recursos e parcerias para a replicação e apropriação da tecnologia para toda a Vila. iniciado em 1999. tornando-os elementos chave na proposta de desenvolvimento (MACHADO e KLEIN. (2) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. a mobilização para a replicação da tecnologia para as comunidades não ocorreu. no desenvolvimento de pesquisa interdisciplinar voltada para a inovação de uma tecnologia para saneamento. 1. 2004). 2006. A qualidade da água consumida pela população e o tratamento adequado do esgoto são dois fatores que podem alterar significativamente o perfil de sustentabilidade de uma comunidade. O Brasil desenvolveu o Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento 58 . professora Adjunto 1 do Departamento Acadêmico de Química e Biologia da Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR. O projeto gerou diversas outras propostas de pesquisa. VAN KAICK. e no decorrer do ano de 2009. para atender às necessidades de comunidades da Ilha Rasa. Este processo indicou que a tecnologia desenvolvida mostrouse apropriada para a localidade. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE da UTFPR RESUMO O presente artigo aborda a experiência do PPGTE/UTFPR. A comunidade e instituições gestoras da região acompanharam os resultados até o ano de 2001. INTRODUÇÃO O saneamento é uma condição primordial para a promoção de dois aspectos: a saúde de uma população e a qualidade ambiental (WHO-UNEP.A EXPERIÊNCIA DE UM PROCESSO DE INOVAÇÃO DE TECNOLOGIA PARA SANEAMENTO VOLTADO PARA O CONCEITO DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Tamara Simone van Kaick (1). foi realizada dentro de um contexto específico. devido às potencialidades observadas. que foram realizadas por outras universidades. inserido em uma área de proteção ambiental. Drª em Meio Ambiente e Desenvolvimento. A proposta de inovação de uma estação de tratamento de esgoto por zona de raízes. município Guaraqueçaba/PR. 2007). no entanto. Eloy Fassi Casagrande Junior (2) (1) Bióloga. O desenvolvimento da pesquisa. quando foi finalizado o projeto. O mesmo processo foi aplicado pelo projeto de extensão da UFPR na Vila da Ilha das Peças à partir de 2005. com a construção de uma estação piloto utilizou metodologias sociais e técnico-científicas para analisar os resultados.

do ar. a prevenção de desastres naturais e acidentes com produtos perigosos e. municípios menores dos Estados mais pobres e a população rural em geral. ainda. por meio da análise histórica da implantação da política de saneamento no Brasil. 2007. Portanto.3% possuem o seu esgoto tratado por meio de fossa séptica. A articulação entre a vigilância epidemiológica. 2. CENÁRIO ATUAL DO SANEAMENTO BÁSICO NO BRASIL Os pesquisadores Rezende e Heller (2002). sendo que cerca de 22. a atuação sobre fatores de riscos biológicos. sanitária e da saúde ambiental deveria interagir com as políticas e ações dos órgãos ambientais. no contexto do desenvolvimento sustentável baseado nos princípios da universalidade.Sustentável em 1995. os indicadores de saneamento estão voltados para avaliar o aspecto quantitativo. precisam de indicadores adequados para identificar tendências. Os números já indicam a fragilidade na qual esta população vive em relação ao saneamento. onde as condições estruturais diferem da concepção de implantação de sistemas convencionais e coletivos de saneamento. 2007). juntamente com a vigilância epidemiológica. visando à proteção de mananciais de abastecimento e sua bacia contribuinte. para direcionar de forma adequada as políticas de desenvolvimento local. especialmente as variáveis que afetam a sustentabilidade de tais dinâmicas (MARTÍNEZ. Os responsáveis pelo monitoramento deste processo. concluíram que o governo consegue atender com condições básicas de saneamento uma parcela significativa da população urbana e mantêm o foco de suas ações neste setor.355. MACEDO e PRESZNHUK.7% destes habitantes recebem água tratada. eqüidade e integralidade (MS. 2005). 2006). assim como para aqueles que são os responsáveis pelo direcionamento das políticas públicas. os indicadores de saneamento deveriam permitir avaliar de forma quantitativa e qualitativa os resultados relacionados às ações implementadas. Conforme demonstram os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2006). obtidos por meio do censo de 2000. conforme indicado pelo Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável (VAN KAICK. mas não consegue indicar o efeito qualitativo desta mesma ação. Esta política deveria ter como prioridade o monitoramento da qualidade da água. Esta avaliação também se refere á escolha de estruturas adequadas de saneamento que devem ser implantadas para atender as especificidades de cada região com o objetivo de identificar os efeitos qualitativos da ação. de saneamento e gestores de recursos hídricos. 1995). a amplitude da ação. os aspectos fundamentais ou prioritários do processo de desenvolvimento. de forma a poder sinalizar para o público. 3.62% da população total brasileira). ou seja. Com isto se excluí a parcela da população que está inserida em favelas e periferias urbanas. além de estar articulado com as políticas dos órgãos de defesa do consumidor (MS.208 habitantes (representam 18. 59 . Atualmente. do solo. VAN KAICK. com o objetivo de garantir o direito de todos os cidadãos a saúde e ao ambiente equilibrado e saudável.7% são atendidos com rede coletora de esgoto e 12. a população rural é composta por 31.

2002. VAN KAICK. 2004). o Programa de Pós-graduação em Tecnologia – PPGTE da Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR difundem a abordagem multidisciplinar com a intenção de desenvolver uma comunidade científica e tecnológica atenta ao conceito de Sustentabilidade. Durante a Conferência Mundial de Água Doce. independente do tipo de tecnologia a ser apropriada para garantir o resultado eficiente em saneamento básico (IWSC. como a Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente de 1992. MACEDO e PRESZNHUK. Este princípio é considerado componente chave para a sustentabilidade destes sistemas na zona rural. na cidade de Dublin (Irlanda). A discussão sobre como prover com saneamento adequado à população rural dos países em desenvolvimento. . em 1999. Da mesma forma. a busca de determinadas pesquisas se deu no contexto das tecnologias apropriadas 60 3.Esta condição demonstrada pelo IBGE. mantendo-as assim na inércia do desenvolvimento. talvez. independente da categorização da tecnologia a ser pesquisada. A adoção deste tipo de procedimento implicaria na capacitação das comunidades para a administração e monitoramento. 2007). no nível comunitário ou de família. e requer uma re-estruturação na forma convencional de investimentos. foi reconhecido oficialmente o princípio do enfoque baseado na demanda como a forma mais viável de implantar processos de gestão para sistemas descentralizados de saneamento para a zona rural. tanto no que se refere á implantação. 2004). os atuais indicadores de saneamento podem conferir uma distorção do cenário de determinadas comunidades rurais. o que de certa forma influi nas estruturas de poder local pela descentralização dos serviços. já havia sido abordada em diversas conferências específicas sobre o tema. A PESQUISA PARA A INOVAÇÃO E A SUA INTERFACE COM A INTERDISCIPLINARIDADE Atentos ao objetivo das Instituições de Ensino Superior de desenvolver pesquisas conforme indicado na Agenda 21. Desta forma. que até então são direcionados para sistemas coletivos (WSP. especificamente no capítulo 31 intitulado “ A comunidade científica e tecnológica”. pelo fato de não demonstrarem a degradação da saúde e da qualidade ambiental que as estruturas inadequadas de saneamento podem causar (VAN KAICK. ao monitoramento e manutenção destes sistemas (REZENDE E HELLER. se deva ao fato de não estar bem claro como direcionar as políticas de saneamento para atender esta população ainda desassistida com soluções alternativas às convencionais. buscando responder sempre a pergunta: para quê e para quem. como. as pesquisas realizadas neste programa estão focadas na integração entre a ciência e a tecnologia. denominado então de princípio com enfoque na demanda. 2005). por exemplo. Nestes dois eventos foi dada ênfase na importância da gestão dos serviços de saneamento a ser realizada nos níveis mais baixos. realizada em Cuzco (Peru). que sejam tecnicamente e economicamente sustentáveis. Para a área de desenvolvimento de tecnologias ambientais e inovação tecnológica. realizada em 2001 em Bonn (Alemanha). e a Conferência Internacional sobre Melhoramento da Sustentabilidade dos Projetos de Água e Saneamento na Área Rural.

A pesquisa técnico-científica clássica utilizou a análise dos parâmetros convencionais necessários para comprovar a eficiência no tratamento de esgoto. ainda foi necessário criar uma rede de pesquisas interdisciplinares. entre os anos de 1984 a 2003.estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo (THIOLLEN. vinha sendo realizado um Projeto de Saúde Comunitária coordenado pela ONG SPVS. a tecnologia é considerada como uma linguagem que provoca ações sociais. durante o desenvolvimento da pesquisa. e parcerias externas com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) por meio dos Departamentos de Farmácia e Botânica. TECNOLOGIA PARA QUÊ E PARA QUEM? O direcionamento da pesquisa-ação se dá na área de saneamento na zona rural que está inserida uma área de proteção ambiental (APA) de Guaraqueçaba.ou do problema . Secretaria de Estado do Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e a organização não governamental (ONG) Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS). mais precisamente na Ilha Rasa. Quando o sistema de abastecimento de água foi inaugurado em 1997 (parceria com a Companhia de Saneamento do 61 . buscando recursos para implantação de um sistema de abastecimento de água potável. e a apresentação da mesma para os gestores públicos ligados aos órgãos ambientais. transformação. no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação . proporcionando benefícios para a população onde ela se desenvolve. Instituto Ambiental do Paraná (IAP). que desencadearam o processo de adaptação de uma tecnologia pré-existente em um processo de inovação da tecnologia de zona de raízes. justamente porque a mesma estabelece um compromisso com resultados sociais. com a Fundação Nacional de Saúde de Paranaguá (FUNASA). 1994). A pesquisa-ação é um tipo de pesquisa social que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo. Uma das experiências exitosas que foram realizadas com este enfoque e procurando atender a adequação de saneamento nas áreas rurais foi o caso da pesquisa com a estação de tratamento de esgoto por meio de zona de raízes. atendendo as exigências do mesmo. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e Universidade Positivo e seus respectivos cursos de Biologia. utilizando técnicas de coleta e métodos de análise aceitos pelo órgão ambiental do Estado. Na Ilha Rasa. Para tanto foram realizadas parcerias internas com os Departamentos Acadêmicos da Construção Civil (DACOC) e de Química e Biologia (DAQBI).e suas formas de repasse de informação do conhecimento e capacitação para o uso. Segundos os autores Darrow e Pam (1981) e Bastos (1998). Os objetivos deste projeto foram propiciar a melhoria da qualidade de vida da população de pescadores tradicionais que vivem em 4 comunidades. 4. capacitação de agentes de saúde e mães para tratos de higiene e atendimentos básicos de saúde. Além do enfoque social e tecnológico. Esta pesquisa integrou as metodologias da pesquisaação com a técnico-científica clássica voltada para a inovação de uma tecnologia já concebida em países europeus. monitoramento e replicação desta tecnologia.

para atender as condições climáticas. ocorreu nestes fóruns de discussão. cujas definições e resultados foram registrados em atas das Associações de Moradores da Ilha Rasa (VAN KAICK. pelos órgãos competentes pelo saneamento daquela região. foi realizada a parceria com a UTFPR/PPGTE com a FUNASA e SPVS para realizar a implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) piloto por zona de raízes na linha de maré. com os quais foi realizado um trabalho conjunto de educação ambiental voltado para o tema 62 . o comprometimento da comunidade e das instituições parceiras. SANEPAR. sendo este realizado principalmente nas assembléias das associações de moradores. FUNASA. geográficas e sociais daquela localidade. surgiu a oportunidade de pesquisa que resultou na inovação de uma tecnologia já conhecida na Alemanha (Pflanzenkläranlagen). o desenvolvimento da pesquisa se dá em acordo e abrangendo uma necessidade apresentada pela comunidade local. Desta necessidade real. assim como a identificação de uma planta nativa da ilha que pudesse atender as condições de tratamento que deveriam configurar a zona de raízes. Nos fóruns de discussão ficou estabelecida. Neste momento indicou-se a possibilidade de desenvolvimento de uma ETE por zona de raízes piloto na Ilha Rasa. a necessidade de buscar alternativas para o tratamento de esgoto (SPVS.Paraná . a busca de materiais para compor o filtro físico do filtro. 2002). IBAMA e SEMA. que ao final indicam a viabilidade da ETE para o tratamento de esgoto (VAN KAICK. com o objetivo de pesquisar e definir um protótipo capaz de suprir esta lacuna. que faz parte da composição do filtro biológico da mesma. O problema indicado pela comunidade e pela FUNASA estava voltado na falta de estruturas alternativas daquelas que estavam sendo implantadas para o tratamento de esgoto. A parceria realizada com os professores das escolas municipais da Ilha Rasa e a SPVS. todo o processo de pesquisa e seus resultados deveriam ser repassados para todos os componentes interessados. 2002). Portanto. A indicação da residência na qual seria realizada a pesquisa.SANEPAR e SPVS). surge à questão: como tratar o esgoto produzido pelos banheiros que a FUNASA instalaria para cada residência? Algumas das residências encontravam-se tão próximas da linha de maré. A pesquisa foi iniciada tendo como problema básico a definição da estrutura externa da ETE. e pela falta de opção de tecnologias apropriadas para aquela situação. monitoramento e manutenção do sistema de abastecimento de água potável. e envolvem diversas pesquisas na área biológica e de construção civil. havia sido iniciado o processo da pesquisa-ação. em que por meio da integração com a ONG SPVS. Anterior à fase técnico-científica. A adaptação da forma construtiva e dos filtros da ETE compõem a pesquisa técnico-científica. 1999). foram realizadas reuniões com a comunidade para discutir a forma de administração. que a influência das águas era uma constante e impedia a instalação de um sistema de tratamento de esgoto convencional que utiliza fossa séptica seguido de um sumidouro. entre as instituições e a comunidade. 1999). Como a tecnologia ainda não estava completamente definida e a ETE por zona de raízes teria a conotação de um sistema piloto. Conhecendo o problema da falta de tecnologia para atender 16% das residências que estavam localizadas em áreas que sofrem inundação diária pela maré (SPVS.

UFPR . o processo de pesquisa-ação se deu de forma conjunta e concomitante à pesquisa técnico-científica. A interface com os órgãos gestores responsáveis pelo saneamento e controle da qualidade ambiental da região. CONCLUSÃO Durante o período de três anos do desenvolvimento da pesquisa da ETE por zona de raízes na Ilha Rasa. Os órgãos ambientais como o IBAMA. e a apresentação de um dos resultados no V Congresso Ibero Americano de Educação Ambiental. possibilitou uma gama de diversas experiências que tornaram o processo interdisciplinar em suas diversas faces (VAN KAICK. 63 .uma dissertação de mestrado na Botânica. DACOC dois trabalhos de pesquisa apresentados durante a expotec (1999 e 2000 – premiados). Na comunidade beneficiada pela pesquisa foram geradas diversas atividades escolares com o tema. 5. Também foram construídas mais duas ETEs por zona de raízes na Ilha Rasa à partir de 2002.saneamento durante o período de 1999 até 2001. capaz de proporcionar um tal grau de intimidade com a tecnologia que a mesma pudesse resolver problemas básicos e reais. o que permitiu uma experiência da construção de uma tecnologia que integra o pensamento de Schumacher (1983). a possibilidade de discutir a problemática do saneamento do ponto de vista da comunidade e o desenvolvimento de pesquisa voltada à inovação tecnológica. não se obteve êxito no sentido de realizar uma replicação mais ampla da tecnologia para atender todas as residências da Ilha Rasa. 2002). e realizar transformações sociais. desenvolvida no curso de Biologia. porém não foram monitoradas. também se mostrou um excelente meio de comunicação entre os pesquisadores e comunidade. a FUNASA como instituição que na época era responsável pelo atendimento da estrutura de esgotamento sanitário. Apesar do esforço entre instituições e participação da comunidade. e duas pesquisas de iniciação científica uma pela UTFPR/DAQBI e outra pela Universidade Católica. realizado em 2005 na cidade de Joinville/SC. e principalmente aquelas (16%) que estavam situadas na área da linha de maré. A experiência da Ilha Rasa indicou resultados positivos no sentido de demonstrar os benefícios da interdisciplinaridade. Universidades Católica e Positivo – duas monografias de final de curso da Biologia. durante o período vigente entre 1999 a 2001 na seguinte proporção: UTFPR/PPGTE – duas dissertações de mestrado em inovação tecnológica.RPPNs como sistema de esgotamento sanitário. que foi o período compreendido pela pesquisa. A ONG SPVS assumiu a tecnologia como apropriada e utiliza a mesma em suas Reservas Particulares do Patrimônio Natural . parcerias inter-instituicionais e interface entre as metodologias da pesquisa social e técnico-científica no desenvolvimento e inovação de tecnologia. mas não se mostrou suficiente para propor uma mobilização de pudesse dar um alcance maior na aplicação da tecnologia. também reconheceu a tecnologia como viável para a aplicação em diferentes localidades. As universidades desenvolveram as suas pesquisas. SEMA e IAP estabeleceram contato com a tecnologia e podem avaliar a sua aplicabilidade. para o qual o potencial tecnológico e científico deveria estar inserido em uma estrutura organizacional e política.

1981. Plano Nacional de Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Sustentável – Diretrizes para Implementação. 6. L.ibge. Q. C. pelo projeto de extensão da UFPR. Fortalecimento Institucional da Capacidade de Gestão em Vigilância em Saúde nos Estados e Municípios. SCHUMACHER. no ano de 2009.saude. é que o fator ‘tempo’ é elemento fundamental para a formação do conhecimento. H. HELLER.br/portal/arquivos/pdf/vigisusII.pdf> Acesso em: 15 abril 2007. R.br/bvs/publicacoes/Planonac. de S. 4 ed. Campinas: Editora da UNICAMP. E. para que a mesma possa internalizar e se apropriar da tecnologia fim de utilizá-la para benefício local. MARTÍNEZ. 1983. In: ROMEIRO. de A.) Avaliação e Contabilização de Impactos Ambientais.Una Revisión de experiencias y desafíos. Banco Mundial. Coletânea “Educação & Tecnologia”..gov. CA. A. esta experiência está sendo replicada em outra ilha da APA de Guaraqueçaba. REZENDE. Disponível em:<http://bvsms. A política nacional de recursos hídricos e o sistema único de saúde: Articulando os instrumentos de gestão. Rio de Janeiro: ZAHAR. J.Belo Horizonte: UFMG. R. 64 . Disponível em:<http://portal. Curitiba: CEFET-PR. REFERÊNCIAS BASTOS. Monitoreo de los Objetivos de Desarrollo del Milenio en Agua y Saneamiento. J. S. por meio do Centro de Estudos do Mar com o Laboratório Sócio – Ambiental. Disponível em: <www. 1998. MACHADO. L. Brasília. adaptação e aceitação da tecnologia pela comunidade e instituições gestoras locais. Ministério da Saúde. 2006.saude. F. Brasília. a Ilha das Peças. A educação tecnológica na sociedade do conhecimento. 2006. IWSC-INTERNATIONAL WATER AND SANITATION CENTER. Ministério da Saúde. E. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. MS-Ministério da Saúde. Stanford. Indicadores de Sustentabilidade: Avanços e Desafios para a América Latina. 2007. O negócio é ser pequeno. DARROW. S. MS-Ministério da Saúde. Resultados dos Censos Demográficos 2000. 1995. KLEIN. Brasília. Conferência Pan-Americana sobre Saúde e Ambiente no Desenvolvimento Humano Sustentável. O que se observou por meio da comparação entre os projeto da Ilha Rasa com o projeto da Ilha das Peças.. Projeto VIGISUS II – Subcomponente IV.. IN: III Encontro da ANPPAS. (org. A. 82 p. 2002.Porém. 2004. Secretaria de Vigilância em Saúde. USA: Volunteers in Asia. C. O saneamento no Brasil: políticas e interfaces. K.br/censo2000/tabdata> Acesso em: 14 fev 2006. PAM. Appropriate Technology Sourcebook. Lima.pdf Acesso em: 11 abril 2007. R. Este projeto iniciou o processo em 2005 e atualmente. está observando uma mobilização da comunidade para a busca de recursos financeiros para a implantação de um projeto que possa atender toda a população da Vila da Ilha das Peças com o tratamento de esgoto por zona de raízes.gov.gov.

Projeto saúde comunitária. O. (Tesede Doutorado) .. Estação de tratamento de esgoto por meio de zona de raízes: uma proposta de tecnologia apropriada para saneamento básico no litoral do Paraná. COPEC. Santos. 2005. educação e conservação para a região de Guaraqueçaba – Paraná. Dissertação (Mestrado em Tecnologia) . World Bank. 2004. Health & Environment. tendo como estudo de caso quatro comunidades rurais do litoral norte do estado do Paraná – Brasil. Tools for Effective Decision – Making. Índia.Programa de Pós-graduação em Tecnologia. S. Brasil. Metodologia da pesquisa-ação. 2002. T.. WHO – UNEP.who. Curitiba. T.int Acessado em: 25 de fevereiro de 2005. 2002. M. Report 2002-2003. X. Relatório Anual – 1999. março de 2000.. Centro Federal de Educação Tecnológica do Paraná. Parasitoses intestinais como indicadores da inadequação da infra-estrutura de saneamento no litoral do Paraná.Doutorado em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Curitiba. Universidade Federal do Paraná. WSP-WATER AND SANITATION PROGRAM. Curitiba. Análise crítica dos indicadores ambientais oficiais relacionados ao saneamento básico. 1994. 2007. VAN KAICK. 65 . R. A. 55p. T. São Paulo: Cortez. VAN KAICK. C. S. S. Santos. MACEDO. In: Congresso Brasileiro de Pesquisas Ambientais e Saúde – 5 ° CBPAS. PRESZNHUK. Anais do V CBPAS. THIOLLENT. Disponível em : www.SOCIEDADE DE PESQUISA EM VIDA SELVAGEM E EDUCAÇÃO AMBIENTAL – SPVS. VAN KAICK.

Gabriele Lohmann (3) (1) Doutora em Química (Físico-Química). Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil. a coleta. RESUMO A gestão ambiental engloba diversos procedimentos obrigatórios. (2) PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. o tratamento e a disposição final de resíduos.Campus Curitiba e os trabalhos de professores a alunos associados ao tema. saúde. Prof. e os aspectos relacionados ao planejamento. Aliada a gestão ambiental surge o gerenciamento de resíduos que segundo Tenório e Espinosa (2004) engloba o manejo. INTRODUÇÃO A gestão ambiental vem se destacando em diversos setores da sociedade como o empresarial e. DAQBI. há de se resolver o problema dos resíduos gerados em qualquer ambiente que haja atividade humana vinculada a produção. à fiscalização e à regulamentação. Como conclusão se percebe que apesar do avanço na questão e do aumento da conscientização sobre o problema. 2006). do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia PPGTE. Para Monteiro et al (2001) significa o envolvimento de diferentes órgãos da administração pública e da sociedade civil no propósito de realizar a limpeza urbana. Também apresenta o caso dos resíduos gerados no Departamento Acadêmico de Química e Biologia da UTFPR. Dentre eles. significa também 66 . tratamento e disposição final dos resíduos. etc. acondicionamento. Gerir corretamente os resíduos além de facilitar a destinação final. UTFPR.O PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA UTFPR-CAMPUS CURITIBA E A CONTRIBUIÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS DO DAQBI Valma Martins Barbosa(1). coleta. serviços de atendimento ao público. PPGEC. Este artigo tem como objetivo principal apresentar o histórico. 1. transporte. UTFPR. há ainda um grande caminho a percorrer para se resolver de forma efetiva o problema da gestão de resíduos. comércio. Professora efetiva do Departamento Acadêmico de Química e Biologia. mais recentemente o da educação (TAUCHEN e BRANDLI. desde o atendimento da legislação ambiental até a fixação de políticas ambientais que visem a conscientização dos integrantes de uma organização. as ações e os desafios encontrados para a implantação do Programa de Gerenciamento de Resíduos do Campus Curitiba (PGRCC) da Universidade Tecnológica Federal do Paraná-UTFPR. Eloy Fassi Casagrande Júnior (2). educação. UTFPR (3) Graduada em Tecnologia em Química Ambiental.

a bioestablização da parte orgânica. Implantar um Plano de Gerenciamento de Resíduos (PGR) é um grande desafio para toda empresa. Estes fatos apontam para a necessidade do comprometimento das instituições de ensino com a gestão de seus resíduos. devem também estar conscientes e preocupadas com este problema”. que estimula a reflexão sobre as relações entre tecnologia e meio ambiente. Este artigo versa sobre a origem e execução do Programa de Gerenciamento de Resíduos do Campus Curitiba (PGRCC) da UTFPR a partir de trabalhos que já foram desenvolvidos até o presente momento os quais se referem à gestão e tratamento de resíduos gerados no próprio Campus. OLIVEIRA. estas devendo buscar medidas para gerenciar adequadamente seus resíduos tornando-se modelo para a sociedade. cuja disposição inadequada acarreta em diversos problemas como poluição do solo. considerando seu importante papel na sociedade. Sendo que se destacam o trabalho desenvolvido pelo Departamento Acadêmico de Química e Biologia (DAQBI) e o desenvolvimento de trabalhos e pesquisas nesta linha. Para o autor é o momento das instituições de ensino superior. 2007. tendo em vista a complexidade do tema que envolve o conhecimento sobre o impacto dos resíduos gerados e mudanças de atitudes e comportamentos. implementarem seus programas de gerenciamento de resíduos. pelo seu comportamento como cidadãos do mundo. por exemplo. shopping centers. consequentemente. LORA. entre outros. da água e do ar e problemas de saúde pública (FRÉSCA. órgãos públicos. alguns dos quais estiveram envolvidos como o PGRCC. 2002. como instituições responsáveis pela formação profissional de seus estudantes e. Por tratar-se de um grupo interdisciplinar. O PAPEL DAS UNIVERSIDADES NO GERENCIAMENTO DOS SEUS RESÍDUOS De acordo com Amaral et al (2001) “as Universidades. estimular a interdisciplinaridade partindo de interesses comuns e subsidiar os saberes e conhecimentos da academia e da comunidade externa. . o de reunir discentes e docentes das três linhas de pesquisa do PPGTE e convidados para conhecer os interesses individuais de cada participante. O ambiente para resgatar a história desta importante ação ocorre através do Grupo de Pesquisa em Tecnologia e Meio Ambiente (TEMA) vinculado ao Programa de PósGraduação em Tecnologia (PPGTE). instituições de ensino.trabalhar na não geração. minimização. Neste aspecto no 67 2. 2007. reuso. 2007). PICHTEL. dentre seus objetivos. O grupo TEMA apresenta. Jardim (1998) afirma que a universidade não pode ficar alheia a sua posição como geradora de resíduos visto que este fato pode afetar considerável sua imagem pois esta avalia (e geralmente acusa) os impactos causados por outros geradores externos a ela. estabelecer metodologias de trabalho focalizadas no intercruzamento de interesses. reciclagem e tratamentos que muitas vezes podem ser executados no próprio local de origem como. grandes departamentos comerciais. este também tem integrantes de pesquisadores e professores de diversos departamentos da UTFPR.

2. Na ocasião foi feita a quantificação e classificação dos resíduos gerados nos departamentos e setores da instituição. suporte de canetas e a confecção de blocos de rascunho com restos de papel. formada pelos docentes Cássia Maria Lie Ugaya. para isto estes foram orientados quanto ao preenchimento uma ficha a qual possibilitou inventariar os resíduos gerados. dentre as quais o reaproveitamento de madeira para artesanatos como apagadores. 33 do Decreto Municipal 983/2004. pelos servidor técnico-administrativo Luiz Carlos Frangullys. Eloy Fassi Casagrande Junior . através da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. Tabela 1. No ano de 2004. iniciava-se um movimento para propor um gerenciamento melhor dos resíduos. Fátima de Jesus Bassetti. caixa de giz. quando o antigo CEFET – Unidade Curitiba foi convocado pela Prefeitura Municipal de Curitiba. Em 2000. presidida pela docente Maria Cristina da Silva. a elaborar de um Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos conforme previsto no Art. Estes pertencendo tanto a Classe I (perigosos) quanto Classe II A e Classe II B (não perigosos não inertes e inertes) podem ser observados na Tabela 1.Quantificação e classificação de resíduos gerados diariamente na UTFPR-Campus Curitiba em 2004 68 . Foi então criada uma comissão para a elaboração deste.Campus Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) vários trabalhos e ações já foram desenvolvidos no que refere ao gerenciamento de resíduos. sendo o Departamento de Química e Biologia (DAQBI) um destaque quanto ao desenvolvimento de projetos e pesquisas nesta linha. houve uma tentativa de implantação de um sistema de coleta seletiva e sensibilização quanto à utilização de boas práticas ambientais.1 O GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS NA UTFPR Desde 1988 diversas ações visando à minimização de resíduos foram adotadas. Valma Martins Barbosa.

Fonte: Programa de Gerenciamento de Resíduos do Campus Curitiba (2004)

A implantação do plano iniciou-se em maio de 2005 com a instauração de uma comissão, com duração de um ano, formada pelos docentes: Maria Cristina da Silva, Marcelo Real Prado, pelos servidores técnico-administrativos Luiz Carlos Frangullys, Rui Carlos Filho, Rozana de Holanda Pinto, a estagiária Karen Pedrosa do Curso Superior de Tecnologia em Química Ambiental, presidida pela docente Valma Martins Barbosa. A comissão teve como primeiro objetivo atender a legislação vigente, capacitando os funcionários da Instituição quanto aos procedimentos corretos de gerenciamento dos resíduos e as implicações legais. Nesta etapa foi feita a regularização da documentação necessária para o PGRCC, como a licença de transporte de resíduos perigosos pelo IAP (5), elaboração e apresentação por escrito do PGRCC à Prefeitura Municipal de Curitiba, e os demais documentos apresentados pelas empresas contratadas para tratamento e disposição final dos resíduos do Campus. Foi também orientado quanto
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às formas de coleta e armazenamento de vários resíduos perigosos. Foram diretrizes da comissão de gestão: • racionalizar o consumo de material; • evitar desperdícios; • minimizar a quantidade de resíduos perigosos gerados; • prevenir e reduzir os riscos à saúde e/ou ao meio ambiente; • implantar o programa de coleta seletiva conscientizando as pessoas a aderirem a este e aperfeiçoar a segregação dos resíduos). Foi estipulada a forma de coleta seletiva de acordo com as características e possibilidades do Campus no momento. Devido à diversidade dos resíduos e da grande quantidade de departamentos acadêmicos e administrativos, observou-se a inviabilidade de aplicar a coleta seletiva de resíduos segundo CONAMA 275 para a Instituição como um todo. Por isso, foi adotado o critério das centrais de coleta seletiva em pontos estratégicos e, nos demais ambientes, foi implantada a separação dos resíduos ditos orgânicos e recicláveis através de recipientes diferenciados em marrom e bege, respectivamente, devidamente rotulados. Dessa forma, foi realizada a identificação e a quantificação do número de lixeiras necessárias para implantação do plano de gerenciamento, num total de 662, sendo que 545 lixeiras de resíduos recicláveis, 117 de resíduos orgânicos e cinco conjuntos de cinco lixeiras coloridas para áreas de maior circulação de pessoas. Foram elaboradas campanhas educativas envolvendo funcionários, servidores e corpo docente. A campanha “Unidos Separemos” foi a primeira a ser implantada com a participação efetiva dos alunos do curso de Comunicação Empresarial e Institucional. A segunda campanha foi “Separe seu papel, ele não é lixo”. Os funcionários e os novos alunos participaram de treinamentos, com a orientação para o correto manejo dos resíduos na UTFPR. Buscou-se a interação de docentes e discentes de diferentes cursos para que houvesse um desenvolvimento maior da responsabilidade ambiental de cada gerador dentro da instituição. No trabalho de conclusão de curso de Emerson Shigueo Sugimoto e Marcella Bieites Marinho da Silva (2007), sob orientação das professoras Valma e Maria Cristina, foi feito um diagnóstico do andamento do gerenciamento de resíduos do Campus. Este trabalho possibilitou a atualização e um maior detalhamento do inventário dos resíduos gerados nos diversos departamentos de acordo com as atividades desenvolvidas. Com base nesta problemática, o trabalho visou estabelecer rotinas quanto ao gerenciamento dos resíduos. Para tanto, foi elaborado um manual para a aplicação do Programa de Gerenciamento de Resíduos de Campus Curitiba (PGRCC) com o objetivo de facilitar o desempenho das atividades relacionadas aos resíduos, tornando simples a adaptação de qualquer novo servidor ou colaborador. Cada instrução foi confeccionada de acordo com os requisitos exigidos por normas e legislação vigentes e segundo as necessidades de adaptação, as quais foram verificadas através de análise da situação atual do programa existente. No segundo semestre de 2007 nova comissão anual foi criada tendo como presidente a docente Valma Martins Barbosa e demais integrantes: docentes Maria Cristina
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da Silva e Fátima de Jesus Bassetti, os servidores técnico-administrativos, Luiz Carlos Metz, Leila Milani e Carlos Wellington Tenório de Araújo e as estagiárias Gabriela Kirsch e Bárbara Vieira de Souza. Um dos principais objetivos desta fase foi o aprimoramento e ampliação do manual do Programa de Gerenciamento de Resíduos de Campus Curitiba (PGRCC). Esta comissão elaborou nove documentos complementares e revisou os procedimentos específicos para cada tipo de resíduo e/ou ação, e criou mais seis procedimentos específicos para o estagiário do programa. Tais documentos/procedimentos têm como objetivo definir claramente as responsabilidades de cada área e também do pessoal administrativo, servindo de suporte para a correta aplicação e gerenciamento do programa, conforme Tabela 02. Tabela 02 – Listagem de Documentos e Procedimentos

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Foram afixados cartazes acima de cada cinzeiro. com a rotulagem de ao menos duas lixeiras para tal. com a criação de novos rótulos referentes aos resíduos recicláveis e orgânicos e. Alguns departamentos não mostraram interesse. Várias ações no sentido de divulgar o programa de modo mais satisfatório foram feitas: criou-se uma logomarca para o Programa de gerenciamento de resíduos e também um e-mail institucional: pgrcc-ct@ utfpr. o correto descarte de resíduos e principalmente a importância dos funcionários para a manutenção do programa. Com o intuito de evitar incêndios nos cinzeiros criou-se a campanha “Cinzeiro não é lixo”. um cartaz educativo/informativo acima de cada par de lixeiras. instaurou-se uma campanha em alguns departamentos da instituição. Ao final do mesmo ano. Os departamentos que já faziam a devida separação receberam os rótulos padrão do PGRCC utilizados no resto da instituição. incentivando o correto descarte de restos de cigarros. Durante as várias campanhas ambientais/educacionais promovidas. cujos resultados foram quantificados para a atualização do inventário de resíduos sólidos. Após o treinamento observou-se maior entrosamento destes com o programa. realizou-se uma pesagem dos resíduos recicláveis durante uma semana.edu. A comissão teve participação efetiva na EXPO UT 2007 de 3 a 5 de outubro de 2007. treinamento. dando explicações de caráter informativo sobre a coleta seletiva e correto descarte dos resíduos dentro e fora da instituição abrangendo toda comunidade visitante. paralelamente foi realizado com os funcionários responsáveis pela limpeza. porém a maioria foi favorável. Para estimular a conscientização de todos. reciclável/orgânico. foi renovada a campanha de educação ambiental para correto descarte do lixo. que foram distribuídos em locais estratégicos pelo campus.br.Para que o PGRCC tivesse êxito. onde abordou-se a coleta seletiva. 72 .

Diante da verificação da mistura de resíduos nos conjuntos da coleta seletiva (lixeiras amarela, verde, azul, vermelha e marrom), rótulos com desenhos foram afixados abaixo de cada denominação: metal, vidro, papel, plástico e orgânico, promovendo uma acentuada melhora no descarte correto de resíduos nestes recipientes. TRABALHOS DESENVOLVIDOS PELO DEPARTAMENTO DE QUIMICA E BIOLOGIA NA ÁREA DE GERENCIAMENTO Ao longo deste período alunos e professores do DAQBI têm realizado trabalhos envolvendo tanto resíduos gerados no Campus, assim como também os específicos de suas atividades, oriundos de aulas práticas e de pesquisas. No ano 2004, um grupo de professores (Sérgio Oldakoski e Valma Martins Barbosa) e os estagiários (Lucila Adriani Coral, Paula Broering Gomes e Christian deAssis Pereira) viram a necessidade de dar um destino correto aos resíduos químicos gerados nos laboratórios do DAQBI, que a muito vinham sendo coletados e simplesmente misturados e armazenados. Estes resíduos formam classificados na medida do possível de acordo com suas características físico-químicas e pesados totalizando aproximadamente uma tonelada que foi encaminhada para um aterro industrial licenciado. Posteriormente foi feito um levantamento dos resíduos rotineiramente gerados e verificou-se a possibilidade minimização. Tal atitude é uma realidade na disciplina de química analítica, antes maior geradora, em que se opera atualmente em micro-escala. Os estágiários Yara Jurema Barros e Juarez Falcato Vecina realizara levantamentos periódico dos resíduos, identificando-os e realizaram alguns testes de tratamentos e recuperação. A partir daí surgiu o Programa de Gerenciamento de Resíduos Laboratoriais proposto por Barbosa, Fortunato e Lubachewski (2006), o qual visou a minimização, tratamento dos resíduos, segregação, armazenamento e rotulagem adequados. Verificouse com isso que alguns resíduos depois de tratados poderiam ser reutilizados ao invés de simplesmente descartado. Aos resíduos de difícil tratamento foi recomendado o armazenamento a espera de envio para o aterro industrial. Caroline Zanello no trabalho de iniciação cientifica estudou outros processos de tratamento e recuperação de resíduos, propôs melhorias às práticas laboratoriais e analisou custos referentes a estes. No Laboratório de Microbiologia, do DAQBI, semestralmente são gerados volumes variáveis de resíduos de corantes (principalmente corantes de Gram) que são armazenados em frascos de plásticos de polietileno de alta densidade (PEAD) dentro do próprio laboratório e periodicamente são encaminhados à destinação final. Ciente da grande quantidade gerada, dos custos para destinação e da necessidade de um prétratamento antes do descarte, Saldanha e Nozu (2007) deram início a estudos de tratabilidade destes corantes por meio da biodegradação fúngica e processos oxidativos avançados (POAs). Os resultados obtidos demonstraram que o processo combinado de cultivo submerso seguido de peroxidação com irradiação ultra-violeta foram eficientes na remoção de cor e degradação de aromáticos dos resíduos da coloração de Gram analisado. Um estudo de tratamento para os resíduos líquidos da usinagem do DAMEC (Departamento de Mecânica) foi proposto por Estrugala e Conceição (2008). O filtro lento
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3.

de areia com carvão ativado mostrou-se o mais eficiente no tratamento do fluido de corte promovendo uma boa separação agua óleo num dispositivo simples de baixo custo. Lohmann (2008) através do acompanhamento da coleta dos resíduos sólidos verificou algumas não conformidades na coleta seletiva no Campus e percebeu a necessidade de um programa de Educação Ambiental continuada que envolva toda comunidade. Neste mesmo trabalhou apresentou uma proposta de tratamento para os resíduos sólidos orgânicos através da bioestabilização acelerada, a qual foi acompanhada e monitorada por parâmetros como pH, temperatura, aeração e umidade. Foram realizadas duas bateladas as quais utilizaram dois reatores, ambos com sistema e injeção de ar. Os ensaios permitiram a obtenção de um produto com as características de um composto obtido por um processo completo de compostagem, sem a formação de chorume, exalação de odores e proliferação de larvas. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Um programa de gerenciamento de resíduos deve ser constantemente revisado, aprimorado e estar sempre sintonizado com as normas e legislações vigentes. Mas para efetiva concretização deste, assim como evitar problemas com a fiscalização dos órgãos ambientais e pela prefeitura local, é necessário que os procedimentos feitos pelo PGRCC sejam aprovados pela direção, sendo incluídos no regulamento da instituição para sua adequada funcionalidade e execução. Um controle eficiente do fluxo de resíduos na UTFPR é essencial para uma gestão eficaz e para tal o envolvimento de toda comunidade da UTFPR é de estrema importância, pois só desta forma o Programa de Gerenciamento pode ser realmente efetivado, criando indiretamente responsabilidades ao gerador (comunidade). Fora destas condições, as ações do PGRCC correm o risco de ficarem isoladas e sem efeito. Os trabalhos desenvolvidos pelo DAQBI comprovam que o gerenciamento dentro da universidade é um trabalho viável apesar da demanda de tempo e a princípio envolver custos. Também demonstram a possibilidade de alguns tratamentos do que é gerado no Campus. Com o aprimoramento e desenvolvimento de mais pesquisas neste segmento a UTFPR estará cumprindo com o seu papel perante a sociedade servindo de exemplo e contribuindo com a busca de tecnologias não somente direcionadas a produção e serviços, mas que também proporcionem melhor qualidade ambiental. 5. REFERÊNCIAS AMARAL, S. T.; MACHADO, P. F. L.; PERALBA, M. do C. R.; CAMARA, M. R.; SANTOS, T. dos; BERLEZE, A. L.; FALCÃO, H. L.; MARTINELLI, M.; GONÇALVES, R. S.; OLIVEIRA, E. R. de; BRASIL, J. L.; ARAÚJO, M. A. de; BORGES, A. C. A. Relato de uma experiência: recuperação e cadastramento de resíduos dos laboratórios de graduação do instituto de química da universidade federal do Rio Grande do Sul. Revista Química Nova, Vol. 24, n. 3, p. 419-423, maio/ju74

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estas atribuições acabam ficando a cargo do corpo docente de cada instituição. PhD em Ecologia da Paisagem. UTFPR (5) Designer. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE. Eloy Fassi Casagrande Junior (4). Observa-se que. Profa do Curso de Design da UNIBRASIL (3) Designer. Este artigo irá abordar como o Ministério de Educação e Cultura . observa-se que algumas instituições têm revertido esta situação e que importantes avanços estão sendo conquistados no sentido de melhor introduzir as variáveis ambientais de forma sistematizada na prática projetual. Professor do Curso de Design da Universidade Tuiuti (4) Designer.MEC faz a menção sobre as questões ambientais para os cursos de graduação em design no Brasil. deixam pouco explícito como estas questões irão ser desenvolvidas ao longo de todo período de aprendizado. Professora do Curso de Desenho Industrial da UFPR RESUMO O ensino de design no Brasil. Mestre em Tecnologia. os projetos pedagógicos da maioria dos cursos superiores de design ofertados no país. 77 . nos cursos de graduação. Mestre em Tecnologia. quando fazem qualquer menção a respeito. Coordenador do Curso de Design de Produto da Universidade de Caxias do Sul (2) Designer. UTFPR. No entanto. Elaine Garcia de Lima (5). Em geral. Professora do Curso de Design da UTFPR (6) Designer. Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE. Mestrando Programa de Pós-Graduação em Tecnologia-PPGTE. ainda não está completamente adequado para a abordagem sistematizada dos diversos aspectos ambientais que permeiam a prática da profissão. Da mesma forma observa-se que. Libia Patricia Peralta Agudelo (2). em alguns casos as precárias condições técnicas dos próprios cursos. Rodrigo Ribeiro da Silva (3). UTFPR.A ABORDAGEM AMBIENTAL EM CURSOS DE GRADUAÇÃO EM DESIGN: AS CONSIDERAÇÕES DO MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO E CULTURA E OS MÉTODOS DE QUATRO ESCOLAS DO SUL DO BRASIL Celso Luiz Podlasek (1). Liliane Iten Chaves (6) (1) Designer. Dra em Desenho Industrial e Comunicação Multimedial. bem como os resultados que alguns cursos da Região Sul do Brasil estão alcançando e seus métodos quando trabalham com os problemas ambientais no ensino de design. os impedem de alcançar resultados ideais. que se bem intencionado muitas vezes possui falta de preparo específico para inserir a abordagem ambiental na prática projetual. PhD em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. Mestre pela UFPR.

Viktor Papanek foi um dos críticos que mais apontou para este problema. mas que começa a ganhar destaque e importância com resultados que podem tornar-se promissores de acordo com o entendimento e a preparação que as instituições de ensino e o corpo docente possuam para abordar o problema ambiental no design brasileiro. As discussões sobre o meio ambiente e design no Brasil possuem uma derivação da emergência que tornou-se evidente e publicada com mais ênfase nos últimos 20 anos. 6. ainda incipiente nos países em desenvolvimento. o design ganhou uma proporção maior de cursos e importância no cenário nacional. em áreas específicas como produto. orientando quanto a conteúdos e cargas horárias mínimas desejadas para este curso na graduação. INTRODUÇÃO A partir dos anos de 1960 o design começou a sofrer severas críticas em sua postura de trabalho. em projetos pedagógicos. Já a última resolução7 do bacharelado estabelece uma carga horária mínima de 2400 horas e a resolução do tecnólogo8 uma carga horária de 1600 horas. Fonte INEP: acesso em http://www. o design teve sua primeira escola a partir da fundação da ESDI (Escola Superior de Desenho Industrial).stm em 18/04/2009. e em dois momentos: 5.br/funcional/busca_curso. 7. A ESDI surgiu em meio a grandes ondas de entusiasmo político de progresso e rivalidades entre pensamentos de direita e esquerda da política nacional da época (DENIS.inep. Com uma evolução tímida nas décadas seguintes. 2004). entre outras. que possuem formação nas modalidades de bacharelado e tecnólogo.1. e articulou diversas ações para que o design. Especificamente sobre questões ambientais são encontradas menções somente nas diretrizes. após a queda de barreiras protecionistas dos anos de 1990. de 8 de Março de 2004. ou simplesmente em design. com o início de suas atividades no Rio de Janeiro em 1962. 8. Nº 2. quando ficou relacionado que os designers.gov. ENSINO DE DESIGN Atualmente existem cerca de mais de 4855 cursos superiores no País. Nº 5. não sofresse a mesma sorte de influências. de 18 de Junho de 2007. 2. As diretrizes6 servem como uma orientação geral mínima deixando a critério de cada projeto pedagógico e instituição de ensino superior a modelagem pedagógica destes conteúdos.educacaosuperior. CNE/CES 436/2001. trilha um caminho de evolução tardia. Já a presença de referenciais e orientações ambientais. interiores. as quais levaram diversos setores da economia brasileira à enxergar o design como um elemento capaz de promover inovação e competitividade. gráfico. 78 . especialmente nos países ricos. moda. especialmente pela linha alemã representada pelas escolas da Bauhaus e de Ulm. O Ministério da Educação e Cultura do Brasil dispõem de diretrizes e resoluções específicas para o ensino do design. Nos anos de 1970. eram responsáveis por desenvolver produtos que estimulavam o consumismo e o desperdício. Seu modelo de ensino teve como influência o design europeu. No Brasil.

exigindo alterações imediatas de postura. Porém. processos. um dos pontos mais observados na construção de um projeto pedagógico. Em qualquer situação. Existe a possibilidade de estarmos em uma situação mais grave. possui uma vocação mais explícita na ligação do design com questões de produção e mercado.conteúdos básicos: estudo da história e das teorias do Design em seus contextos sociológicos. revelando consciência das implicações econômicas. e Art. meios de representação. psicológicos e artísticos. um aluno iniciando seu curso em 2010 terá encerrado esta etapa de sua formação entre 2013 e 2015. comunicação e informação. A íntegra desta diretriz. apesar de ampla e aberta. De acordo com a carga horária estipulada pelas Diretrizes. 4º O curso de graduação em Design deve possibilitar a formação profissional que revele competências e habilidades para: […] VIII – visão histórica e prospectiva. é apenas a carga horária mínima. 5º O curso de graduação em design deverá contemplar. É possível arriscar que este profissional obtenha em 2020 uma capacidade completa de atuação. 3. antropológicos. pois basta tentarmos imaginar como estará o cenário nacional e mundial em relação aos problemas ambientais. especialmente em algumas instituições particulares. e necessitará de mais alguns anos para adquirir maturidade profissional. sociais. e a preocupação ambiental está imersa paralelamente a outros valores sem maiores destaques. Carga horária significa tempo de curso e investimento por parte do aluno. É sabido que diversas instituições oferecem cursos de graduação explicitando uma jornada de 2 79 . estéticas e éticas de sua atividade.Art. pois o resultado de sua eficiência será medida nas gerações futuras desses profissionais. abrangendo métodos e técnicas de projetos. estudo de relações usuário/objeto/meio ambiente. ambientais. Esta perspectiva merece uma atenção especial. a necessidade de um profissional adequado que saiba lidar com as questões ambientais é um elemento decisivo em qualquer projeto pedagógico atual de design. antropológicas. em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular conteúdos e atividades que atendam aos seguintes eixos interligados de formação: I. ou trabalhando para minimizar e recuperar danos passados e prevenindo os danos futuros. PROJETOS PEDAGÓGICOS Muitos profissionais de design estarão trabalhando no Brasil nos próximos anos a partir do que apreenderam em cursos superiores nacionais descritos através de projetos pedagógicos redigidos atualmente. centrada nos aspectos sócio-econômicos e culturais. gestão e outras relações com a produção e mercado. estudo de materiais.

4. b) diluir o problema ao longo de toda a matriz curricular. cuja carga horária mínima é de 1600 horas no design. em que assuntos demonstrem importâncias de correlações. além de escrever estes pressupostos. a inserção da variável ambiental nos cursos de design pode ocorrer através de dois modos básicos: a) criação de disciplinas que tratem especificamente destes conteúdos. ao menos tempo implica em conteúdos reduzidos. ter um corpo docente conhecedor do projeto e com a preparação adequada para a função. Certamente que notícias e informações acerca do problema ambiental também atuam como agentes sensibilizadores.5 anos9 . como a ergonomia. Com estas análises. Quando esta prática toca em cursos de design. Não que estes professores ignorarem o assunto por completo. 1980 e 1990. porém. e outros. pois atua através de uma ação sistêmica que estendese por toda formação acadêmica. a responsabilidade de tratar de assuntos ambientais em cursos de design cabe inteiramente às instituições de ensino. poderá fazer com que o aluno assuma que a variável ambiental não possui a mesma importância do que outros assuntos comuns em projetos de design. a opção de diluir o problema na matriz de ensino é a que está colhendo maiores resultados no momento. A ABORDAGEM EM ALGUMAS DAS ESCOLAS DE DESIGN DE CURITIBA 4. especialmente das disciplinas de projeto.ou 2. As disciplinas ambientais. a questão ambiental torna-se uma abordagem superficial. Especialmente em cursos de titulação de Tecnólogo. materiais. diluir as questões ambientais num projeto pedagógico requer. porém não possuem formação capaz de apresentar conceitos. quando são lecionadas separadamente. porém para poder atuar como profissional devidamente preparado para enfrentar este problema é necessário que exista um planejamento pedagógico anterior. visto que as diretrizes e resoluções do MEC não conseguem uma indução direta. podem trazer a ilusão de que o problema ambiental não é uma preposição obrigatória. Outro problema percorre a formação do corpo docente das instituições. Como o pressuposto das diretrizes é deixar os conteúdos abertos para as instituições elaborarem seus projetos de curso. metodologias e técnicas capazes de abordar o assunto plenamente em sala de aula. O ensino em condições isoladas. 80 . sem importância e descontextualizada no projeto pedagógico. e somado à pouca ênfase da diretriz. A maioria dos professores atuais formaram-se nas décadas de 1970. Todavia.1 A abordagem do Curso de Design da Universidade de Caxias do Sul 9. parece que as duas opções estão fadadas a poucos resultados concretos. especificações técnicas. A primeira opção pode sofrer dos mesmos efeitos que outros conteúdos específicos apresentam em projetos pedagógicos: a falta de correspondência com os demais conhecimentos e competências do design. Deste modo. Raros eram os cursos nestas épocas que faziam qualquer menção ao problema ambiental.

que iniciou sua primeira turma em 2007. no qual atualmente funcionam três cursos ligados a área. esta menção não se estende às nomenclaturas e ementas. distribuídas em seis semestres. a 629F e a 629G. No projeto pedagógico da matriz curricular 629G está explícito em seus “Referenciais Orientadores” o compromisso com o meio ambiente. contando com Estágio Obrigatório e Trabalho de Conclusão de Curso . apenas um dos 29 projetos fizeram menção direta ao meio ambiente e à sustentabilidade. com o desenvolvimento sustentável. Porém. além de citar as diretrizes do MEC. Os cursos de Tecnologia são cursos de 2400 horas. que no presente momento está em curso. Referenciais Técnico-Científicos e Perfil do Egresso. Da matriz 629F. Os cursos de Tecnologia são os de Tecnologia em Design Gráfico e o de Tecnologia em Design de Móveis. Já o curso de bacharelado é um curso de 3405 horas.UTFPR possui um Departamento de Desenho Industrial . possui as disciplinas de Ecodesign e Sistemas de Gestão Ambiental. mas não está sendo ofertado desde o segundo semestre de 2007.TCC. A matriz 629F faz menção direta ao meio ambiente em seus capítulos de Referenciais Epistemológicos. um tinha preocupação direta com o meio ambiente. surgindo nos conteúdos programáticos das disciplinas de Projeto. com entradas de 22 alunos pela manhã e 22 alunos a noite. por semestre. A melhor comparação entre os alcances ambientais conseguidos pelos dois cursos pode ser medida pelos temas e resultados demonstrados nos projetos finais de curso. e o curso de Bacharelado em Design – um curso que abrange tanto a área visual. 14 utilizam o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável como principal enfoque de trabalho. distribuídas em 8 semestres também incluindo 81 . Além disso. Os demais tinham enfoques predominantemente econômicos. sendo dois de Tecnologia e um de Bacharelado.2 A abordagem do Curso de Design da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) A Universidade Tecnológica Federal do Paraná . Dos três egressos da matriz 629F.DADIN. Estes dados demonstram um ganho quantitativo de projetos de design preocupados com o meio ambiente e com a adoção do modelo de diluição de conteúdo ao longo do projeto. A idéia é que a sustentabilidade ou questões ambientais posicionem-se em igualdade de importância com outros elementos analíticos do design. cujos conteúdos foram mencionados anteriormente. ou melhor. O 629G entrou em substituição e começou a formar profissionais em 2008. Apenas deve-se ressaltar que o tema e as abordagens são livres e o aluno é que monta o escopo teórico para seu projeto. 4. e dos demais 46 com projetos em andamento. que respectivamente fizeram a abordagem por disciplina e diluição ao longo do projeto. quanto a de produto.O curso de Design de Produto da Universidade de Caxias do Sul oferece uma condição de comparação interessante entre estes dois modos básicos de implantar a discussão ambiental em um projeto pedagógico. O curso 629F foi extinto em 2008 e formou 29 alunos. Esta Instituição possui dois projetos com duas matrizes curriculares distintas. com cerca de três formados e mais 46 no último ano de curso com seus projetos finais em andamento.

princípios norteadores de gestão de design estratégico. Contudo pode-se observar que estes temas são enfatizados de alguma forma. conhecimentos das conexões entre os fatores condicionantes do projeto: processos de fabricação. pelos próprios professores que tem algum envolvimento com o tema. O que ocorre na realidade são direcionamentos em algumas disciplinas. aspectos econômicos. Cultura e Sociedade: “Situar no contexto histórico-cultural as diversas formas de manifestação da profissão de design. No início eram ofertadas 25 vagas por semestre no período diurno. modelo para gestão de design. o desenvolvimento e a sustentabilidade de culturas materiais diversas. design estratégico: visão sistêmica do design na estratégica da empresa. Ementa Teoria do Design 4: teorias e conceitos de design e sustentabilidade. design e competitividade. que no total de 228 trabalhos defendidos. três focados no restauro de móveis. 26 relacionados ao tema. já que de 130 82 . formação focada na gestão de design. verificando o resultado dos TCC. Analisar de forma crítica as formas de desenvolvimento e sustentabilidade de culturas materiais diversas. Ementa Gestão do Design: design operacional: empreendedorismo. designer empresário. dois ligados diretamente ao tema de sustentabilidade. não existem disciplinas voltadas diretamente aos temas que tratam de desenvolvimento sustentável.ofertada no sexto período que tem como competências um direcionamento a sustentabilidade. cinco voltados para a utilização de resíduos. mas a partir do primeiro semestre de 2009. ferramentas de gestão de design.o estágio e o TCC. sem uma pesquisa mais aprofundada. E o curso de Bacharelado possui uma disciplina – gestão do design . 1 ao design ecológico e um direcionado a população de baixa renda. implicações de aspectos culturais e sociais no ciclo de vida dos produtos. Já o Curso de Tecnologia em Design Gráfico não parece ter um interesse maior na área. cultura e sociedade . sustentabilidade e afins. Conforme o ementário dos cursos pode-se identificar que os cursos de tecnologia possuem uma disciplina – design. tendo num total de 98 trabalhos defendidos. meio-ambiente. e principalmente nas disciplinas de Projeto. De acordo com a grade curricular dos cursos. 11 relativos ao incentivo e uso de materiais alternativos como fibras naturais. sendo dois relativos ao uso de madeira reflorestada e certificada. 28 foram focados para esta área de interesse. psicológicos e sociológicos do produto. devido às novas regras do Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais . ambientais.REUNI. Por este motivo não é viável identificar o foco trabalhado. um de análise de impactos ambientais. passaram a ser ofertadas 44 vagas por semestre. Competências Design. Sendo que o Curso de Tecnologia em design de Móveis possui uma vertente mais forte. organizações de sucesso em gestão de design.no quinto período que analisa os aspectos ambientais do produto e uma disciplina – teoria do design quatro – no oitavo período que enfoca a sustentabilidade e o ciclo de vida dos produtos.

a relação dos conteúdos por parte dos discentes com as outras disciplinas apresentadas. não permitindo. 10. meio-ambiente.. Design de Produto e Design de Moda. mas caso existissem disciplinas mais focadas no assunto os resultados poderiam será ainda melhores do que os encontrados no momento.) objetivo dos cursos de Design da Universidade Tuiuti do Paraná é formar profissionais com amplo conhecimento acerca dos meios. ciclo de vida de produtos. ainda não é possível fazer este tipo de verificação. também.10 Nas grades curriculares atuais os Cursos de bacharelado em Design constituem-se de seis semestres sendo ofertadas 50 vagas para cada uma das habilitações. Acesso em 19/04/2009 83 . somente dois possuem um direcionamento. os mesmos concentram-se quando ocorrem em temas de projetos na disciplina de Metodologia de Projeto. tampouco uma discussão sobre assuntos pertinentes a produtos sustentáveis. três cursos de Design nas habilitações de Design Gráfico.br/cursos/facet/DM/Estrut%20curric%20DM%202008. o enxugamento na quantidade de horas para as disciplinas de Metodologia Projetual de 72 horas semestrais para 54 horas semestrais.trabalhos defendidos. Com relação a disciplinas que tratem de temas como o desenvolvimento sustentável. foram reduzidas a um semestre ou a um número de horas insuficiente para que se tenha pleno domínio das técnicas de trabalho. Atualmente os cursos possuem um total de 2412 horas. Fonte:http://www. Observando os cursos de design da UTFPR.utp.... materiais e linguagem do design. algumas disciplinas que até então possuíam um número mínimo de horas de estudo como: Semiótica e Representações de Produtos. assim.). entre outras. Que estejam aptos a criar produtos que atendam às necessidades da sociedade. é possível observar que existe uma preocupação com a sustentabilidade e suas vertentes. porém uma proposta foi aprovada. Tendo em vista a diminuição no número de horas totais do curso. Segundo o seu projeto pedagógico a grade curricular tem como objetivo: (. Com relação ao curso de Bacharelado em Design. sendo aplicados de forma isolada e por iniciativa própria dos professores da disciplina. pois a primeira turma ainda está no quinto período e não houve defesa de TCC. 4. através do projeto gráfico de alguma atividade focada na conservação da natureza e na sustentabilidade.3 A abordagem do Curso de Design da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) A UTP possui no departamento de Ciências Exatas e Tecnologia. Até 2007 o currículo dos cursos de Design era de oito semestres.pdf. Houve. considerações sobre o descarte e as conseqüências em decorrência do não desenvolvimento de tais produtos. por seu colegiado para a redução de oito para seis semestres dos cursos com enxugamento nos conteúdos de disciplinas que apóiam a prática projetual. Não há um efetivo planejamento e/ou desenvolvimento de práticas de educação ambiental.(. possibilidades de produção e melhoria da qualidade de vida. sustentabilidade e agenda 21.

com materiais recicláveis. 4. a academia. a Universidade Tuiuti do Paraná (UTP) é signatária do Pacto 21 Universitário11. separam 11. Desde 2007. foi feita uma proposta à coordenação do Curso de design de Moda para a implementação de uma disciplina que possa discutir a questão de moda e sustentabilidade. Não existe uma disciplina de eco-design na grade curricular que permeia e discute assuntos referentes à educação ambiental. que é o principal meio de formação de profissionais para a sociedade. processos de produção e descarte destes produtos.O curso de Design Gráfico desenvolve aplicativos digitais e impressos tais como embalagens. além de acessórios. a falta de disciplinas que possam discutir e permear tais pontos faz com que os esforços e o comprometimento da Universidade com o Pacto 21 Universitário sejam minimizados dificultando sobremaneira a plena consolidação das atividades propostas. por si só. matérias-primas de baixo impacto ambiental quanto no seu uso e descarte. forma “analfabetos ecológicos”. dentre outros.Faculdades Integradas do Brasil iniciou o seu curso de Design com a proposta inovadora de habilitar de forma conjunta os alunos em Design de Produto e Design Gráfico. O curso de Design de Produto desenvolve produtos de produção em massa que possuem grande impacto ambiental quando descartados. onde este. revistas folhetos etc. é incompatível com a questão da sustentabilidade. ao uso de produtos orgânicos no desenvolvimento de seus materiais e principalmente na formação da mentalidade dos futuros profissionais do mercado de moda. Em decorrência desse vácuo de conhecimento existente. livros. sem que haja uma preocupação com as matérias-primas utilizadas. Recentemente em 2009. móveis e máquinas. 84 . assim como as conseqüências do desenvolvimento de tais produtos e a sua decomposição no meio-ambiente. onde a questão sócio-ambiental deve ser inserida..4 A abordagem do Curso de Design da UniBrasil (Faculdades Integradas do Brasil) A Unibrasil. catálogos. O Pacto 21 Universitário é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Paraná (SEMA) para unir as Instituições de Ensino Superior do estado em torno dos objetivos da Agenda 21. inovação no uso desses produtos e no desenvolvimento de coleções de trajes para fins diversos. por ter a obsolescência como ponto de partida para as coleções. colocando no mercado profissionais despreparados para atuar em projetos com a visão sistêmica. que através de seu conselho busca promover atividades que visam educar. assim como as questões referentes ao consumismo e suas aplicações nas práticas profissionais do curso. O curso de Design de Moda desenvolve produtos de moda que utilizam materiais diferenciados. A maior parte dos cursos de Design existentes na atualidade. Porém. com pouca ou nenhuma preocupação em relação aos tecidos. A grande maioria deles é desenvolvida sem que haja preocupação com relação à sustentabilidade tanto no seu processo de fabricação. Apesar da iniciativa louvável. São estes: eletrodomésticos. conscientizar e promover a construção de ações sócio-ambientais de acordo com os propósitos da Agenda 21. LCD (Life-Cycle Design) e processos sustentáveis.

Sieglinde Piper) e Tipografia (Professor MA. O Curso conta hoje com aproximadamente 300 alunos distribuídos da seguinte forma: 110 alunos (37%) no período da manhã e 190 (63%) no período noturno. acredita-se que esta formação integrada venha a fortalecer e abrir maiores perspectivas de trabalho aos jovens designers sem restringir desde o início da sua carreira a sua atuação profissional. O Curso foi fundado em 2003 e conta atualmente disciplinas distribuídos em oito períodos e durante dois turnos. portanto.estas duas habilitações por considerar o seu foco pouco interligado. o aluno venha a optar por um destes dois aspectos. Professor Marcio Brasil. o reflexo disto é maior do que esta percentagem. O Curso de Design da Unibrasil está. o idealizar do Curso da Unibrasil. 12 Noticia do site da Unibrasil obtida em http://www. Esta distribuição reflete de forma generalizada um perfil de aluno que já se encontra inserido no mercado de trabalho e/ ou alunos que realizam diversas atividades e estudam no contra-turno disponível.. Num primeiro levantamento foi verificado que conceitos de cunho ambiental como fractais. uso de materiais mais ecológicos. a atual demanda do mercado de design exige que o profissional integre de forma equilibrada as duas competências de design. sendo que apenas em setembro de 2008 o mesmo foi avaliado durante dois dias consecutivos por uma Comissão do MEC para efetivar o seu reconhecimento tendo obtido o Conceito quatro. já que durante o 5º período existe na grade obrigatória a disciplina de Meio Ambiente e Design. Modelaria (Professor Fabio Fontoura). Projeto Gráfico (Professora MA. “O Projeto Pedagógico do Curso (PPC) apresenta-se em acordo com a missão da Instituição e fundamenta-se em dois eixos destinados à capacitação intelectual e profissional do aluno”. são abordados em disciplinas que usualmente não tratariam estes aspectos tais como Percepção Visual (Professor MA.com. No entanto. reciclagem. Ergonomia (Professora MA.br/noticias/detalhes. depois. sustentabilidade. Esta disciplina é ofertada no momento em que os alunos já se encontram maduros no processo de aprendizado e depois de terem tido estímulos anteriores não específicos nas outras disciplinas como ilustrado a seguir. Adriana Laufer). 85 . 12 De forma similar ao observado em outras universidades. Acesso Maio de 2009. existe um diferencial fundamental. Considera-se que.asp?id_noticia=3703. Isto significa que quase 35% do corpo docente introduz a questão na sua prática de ensino. O corpo docente do Curso de Design da Unibrasil conta atualmente com 23 professores. 2008). Jorge Luiz Kimieck). o matutino e o vespertino.unibrasil. Esta mesma comissão avaliadora disse que o curso de Design da Unibrasil apresenta estrutura condizente com as diretrizes curriculares em Design e em consonância com as demandas do mercado local (Unibrasil. Mesmo que. sendo que pelo menos oito abordam de foram sistemática assuntos de cunho ambiental nos seus conteúdos e problemas propostos. Projeto I (Professor Ciro Andrade). etc. No entanto. já que um mesmo professor costuma lecionar de duas a quatro disciplinas aproximadamente distribuídas ao longo dos vários períodos do Curso. existe na Unibrasil a prática de inserir conceitos ambientais diluídos em outras disciplinas por iniciativa dos próprios docentes. ainda em formação. Manoel Schroeder). no decorrer da sua atuação profissional. acredita que na realidade.

86 . Líbia Patrícia Peralta Agudelo. 13 13. Buscou-se com isto inserir o aluno em uma problemática real. Designer e Ph. No caso. Figura 01. Esta sensibilização levou os alunos a efetuarem o redesign destas peças utilizando conceitos de ciclo de vida ou LCD (Life Cycle Design) escolhendo madeiras que não tivessem o seu corte legalmente restrito e que. Durante a pesquisa. na disciplina de Metodologia do Projeto III.Observa-se ainda. ministradas pela Profa. conduzida pela Profa. cor e textura às originais. Mesa em madeira certificada FSC lembrando os bordados da etnia ucraniana. Renata. Emanuella do 4º período de 2008. Debora Jordão e ainda mais especificamente. Um caso ilustrativo aconteceu com a Turma do quarto período do segundo semestre de 2008. entre várias outras. portanto experiente em design para a sustentabilidade. onde o tema base seria o redesign da cultura material dos imigrantes que compõem o Estado do Paraná. que muitos dos materiais utilizados pelos imigrantes de inicio de século para a fabricação de móveis e acessórios utilitários encontram-se hoje em extinção como são os casos da madeira do Pinheiro do Paraná (Araucária angustifólia) e da Imbuia (Ocotea porosa). Trabalho apresentado pelas alunas Pámela. tirando-o do contexto único de sala de aula teórica e confrontando-o com necessidades sociais básicas às quais freqüentemente se encontram associados aspectos ambientais. optou-se pelo uso de Pinus certificado FSC ou mesmo eucalipto com selo de certificação de Manejo fornecido pelo IBAMA com tingimento apropriado. ficou muito claro para o aluno. Dra. que a questão ambiental é sistematicamente introduzida nas matérias de Projeto de Produto tais como Metodologia do Projeto de Produto I e II . A professora tem abordado a questão de ecológica complementada-a com a inserção sistemática de preocupações sociais baseadas em problemas reais. ao mesmo tempo se assemelhassem em acabamento.D em Ecologia da Paisagem e Recursos Naturais.

4. 14 Já durante o 5º período. Neste caso se considera que é oferecida uma grande vantagem competitiva ao aluno. a professora Agudelo.Figura 02. 14. econômicos e sociais na sua prática projetual. fazendo uma retrospectiva histórica. Cadeira em madeira recuperada lembrando o tramado de enxamel da etnia alemã. isto é somente a partir da década de 1980. formalmente e de forma sistemática introduzidos no Curso através da Disciplina de Meio Ambiente & Design. plantas e insetos em sala de aula e a presença de um especialista em comportamento adaptativo animal. A disciplina avança introduzindo os conceitos de biônica ilustrando as suas aplicações desde a Escola Alemã de Ulm até as atuais possibilidades do uso de biônica no design de produtos e processos industriais. no sentido de possibilitar a introdução sistemática dos conceitos ambientais. Esta aula é reforçada com a presença viva de animais. alertando sobre o relativo curto espaço temporal em que as questões ambientais foram introduzidas formalmente na agenda global. Também a Professora. assume a disciplina obrigatória e específica relativa ao tema em questão. Agudelo assume durante o 6º período a disciplina de Projeto do Produto II o que possibilita a continuidade da inserção e fundamentação destes conceitos no processo de ensino e durante o preparo das propostas de TCC. Trabalho apresentado pelos alunos Anselmo. 87 . Esta disciplina aborda os aspectos gerais das principais questões ambientais. Guilherme e Jefferson do 4º período de 2008.1 Conteúdos abordados na Disciplina de Meio Ambiente & Design Os conceitos ambientais são. 4. portanto. intitulada Meio Ambiente & Design.

Jefferson e Everton Dias do 5º período orientados pela Profa. Estudo inicial de sistemas biônicos do escorpião (Tityus serralatus) e adaptação em produto de design15 Busca-se aqui estabelecer o vínculo claro entre a função e o mecanismo.Definição de Produto usando mecanismos biônicos observados no opilião 3. Leonardo Neto. levando o aluno a pensar de forma mais funcional os mecanismos naturais e não somente na mera transferência estético-formal de objetos da natureza em produtos de design biônico. 1.3 1 2 Figura 03.Observação mecanismos de equilíbrio do opilião 2. Líbia Patrícia Peralta Agudelo na disciplina específica Meio Ambiente & Design. 16. Trabalho dos alunos Diego Freitas. Dra. 88 .16 15.Produto Final renderizado para aplicação de Análise de Ciclo de Vida Figura 04. Guilherme Valadares Paixão. Thiago Kolodge e Ayres Landal do 5º período orientados pela Profa. Projeto finalizado de cadeira para auditórios e/ou salas de espera com mecanismos de equilíbrio e suspensão biônicos. Trabalho dos alunos Anselmo da Silva. Líbia Patrícia Peralta Agudelo na disciplina específica Meio Ambiente & Design. Dra.

Na grade horária atual do curso encontra-se a disciplina de Design Sustentável. não existia na grade curricular da área de produto uma disciplina diretamente relacionada ao tema. durante os quatro anos de curso. 4. eficiente e viável. isto é. da Universidade Federal do Paraná (UFPR). sendo ao mesmo tempo viáveis economicamente. A disciplina de Design Sustentável é optativa. 4. Para um resultado mais denso seria necessária uma pesquisa qualitativa de maior cunho. O professor responsável da cadeira é professor 17. das ementas de disciplinas e relação de títulos de Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC). inclui a consideração do seu Ciclo de Vida. quatro (20%) abordam integralmente um tema de conteúdo sobre design sustentável sendo que um (5%) aborda a questão ambiental parcialmente e cinco (25%) não abordam a questão especificamente mas têm orientações para a escolha de processos e matérias menos impactantes nos meios ambiental e social. Um indicador positivo a este respeito pode ser prematuramente comemorado ao se avaliar as propostas de TCCs desenvolvidas atualmente pela 1ª Turma de prospectos formados do Curso de design da Unibrasil. Isto é. abordam-se os princípios de Design e Ciclo de Vida. Isto no dá um panorama de 50% dos trabalhos de TCC da Unibrasil tratando ou abordando de forma correta as questões ambientais inerentes ao designer. 2009). Esta disciplina é ofertada desde 2006. 2002). área de produto.2 Resultados preliminares Estas práticas dentro do Curso de design da Unibrasil. Aqui o aluno deve conceber um produto sustentável no sentido de considerar a minimização dos seus potencias impactos negativos no meio ambiente e a sociedade. econômicos e ambientais ( MANZINI E VEZZOLI.5 A questão ambiental no curso de Design. na área de produto. deve cumprir 240 horas em disciplinas optativas. como propostos pelos designers Ezio Manzini e Carlo Vezzoli em seu livro” O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis”. Os dados levantados não refletem a profundidade com que o tema do design para a sustentabilidade é tratado no curso. área de produto da UFPR No caso do curso de design. por ser esta mais abrangente.É preciso esclarecer que o aluno do curso de design.4. o seu transporte e logística (Distribuição) e a sua vida útil (Uso) até a seu descarte (Disposição Final) procurando com que os componentes possam ser reciclados. optou-se em apresentar aqui dados sobre o tema do design para a sustentabilidade ao invés da questão ambiental. não obrigatória. 89 .A seguir. porém são os dados numéricos à disposição. A análise que segue foi construída através da observação das grades horárias. desde a extração (Pré-produção) e processamento das matérias primas escolhidas. reutilizados ou mesmo descartados mas minimizando os seus potenciais impactos sociais. área de produto. acredita-se tenham surtido os efeitos de educar novos designers sobre a importância e necessidade de se pensar a produção industrial de uma forma mais consciente. contemplando 60 horas17 aulas e representando três créditos (Departamento de Design da UFPR. quando ocorreu a implantação do novo currículo. Antes disto. o seu processamento industrial (Produção). De 20 propostas de TCC atualmente em desenvolvimento.

É preciso sublinhar que estes 24 (vinte e quatro) trabalhos foram selecionados a partir do título e que. 20 (vinte) TCCs apresentam no título algum argumento relacionado ao tema do design para a sustentabilidade: • um com título do produto com prefixo eco. tem desenvolvido inúmeros projetos relacionados ao tema do design para a sustentabilidade. outros TCCs tiveram alguma preocupação em relação ao design para a sustentabilidade. ampliando seu campo de ação para as dimensões sociais e econômicas da sustentabilidade.br/nucleo 90 . Observou-se um aumento dos títulos de TCCs que incorporam temas afins ao design para a sustentabilidade. Para compreender a motivação dos alunos quanto a este tema foram consultados os títulos de 629 Trabalhos de Conclusão do Curso (TCC). • nove tratam do uso de material de baixo impacto. item obrigatório a ser considerado nos TCCs. Um levantamento do quadro docente permite constatar que na graduação do curso 18. Este total representa a soma dos trabalhos das áreas de produto e gráfico. seja graduandos quanto pós-graduandos.Aguinaldo dos Santos. Ela é freqüentada por alunos cursando qualquer dos quatro anos. Um grande avanço em relação à importância do tema no curso aconteceu em 2003. com recursos do projeto aprovado no edital Verde-Amarelo/ TIB FINEP 01/2002.ufpr. possibilitando a prática real quanto a esta temática. quando foi fundado o Núcleo de Design e Sustentabilidade. coordenado pelo ProfessorAguinaldo dos Santos. quando abordado.design. • cinco tratam da reutilização de material. porém os títulos aqui selecionados são da área de produto. • um desenvolve uma bicicleta como alternativa para a mobilidade dos centros urbanos. na grade horária do quarto ano. PhD. • um desenvolve um Sistema Produto-Serviço. a partir do ano de 1999. é feito a partir de iniciativa própria do professores responsáveis. Apenas quatro (quatro) TCCs da área de produto apresentam no título as palavras design para a sustentabilidade ou sustentabilidade. Na ementa da disciplina fica claro que a abordagem dada é a de contemplação de todo o ciclo de vida do produto para a inserção de requisitos ambientais no desenvolvimento de um produto. além da dimensão ambiental. porém. não sendo. porém. Tal Núcleo. • dois tratam da coleta seletiva. alocado no mesmo departamento acima citado. porém esta não está explicitada no título. a partir do ano de 1978. O núcleo faz pesquisas aplicadas. Para maiores informações sobre parceiros e projetos do Núcleo de Design Sustentável favor consultor o site: http://www. Nas outras disciplinas o tema do design para a sustentabilidade. sendo de caráter semestral. Tal disciplina é oferecida uma vez por ano. O núcleo exerce uma forte influência nos alunos. constando. que focalizam declaradamente a preocupação no tema do trabalho. • um trata do da perspectiva social do desenho industrial. 2009). Esta temática tem sido motivo de reflexão em muitos dos projetos dos estudantes. certamente. Além destes. tendo como parceiros diversas empresas e instituições18 (Núcleo de Design e Sustentabilidade.

PhD. Além destes professores que exercem pesquisas com temas diretamente relacionados à questão da sustentabilidade nas suas diversas dimensões. aliado a um corpo docente que esteja habilitado para lidar com estes conteúdos.. Com certeza estas articulações só poderão prevalecer quando a própria instituição de ensino reconhecer a importância do tema em suas ações. O modelo atual de ensino de design assemelha-se ao encontrado em outras áreas da economia ou da sociedade. professor Naotake Fukushima (Especialista). Dra. transmitido por professores desconectados de uma visão sistêmica do curso. é uma das melhores construções de cenários promissores para o futuro. Dr. mostra muita semelhança com os diversos produtos e objetos prejudiciais à sociedade e ao meio ambiente.de Design da Universidade Federal do Paraná. Porém. Os resultados preliminares observados nos cursos de Design. Esta abordagem exige que o projeto pedagógico esteja preparado para discutir estas questões. 5. Os dados acima apresentados não representam a profundidade com que o tema é tratado no curso de Design – área produto – da UFPR. tendo como tema transversal as questões do design para a sustentabilidade. no entanto observam-se iniciativas concretas neste sentido em algumas poucas instituições. professora Dulce Albach. dos professores e da própria instituição. da faculdade de design do Politécnico di Milano. dentre estes os professora Dulce Fernandes. que parecem aguardar um acontecimento mais agudo para promover mudanças. mostram projetos robustos e mais conectados com 91 . O primeiro realizou sua pesquisa de pós-doutorado e a segunda sua pesquisa de doutorado junto à unidade de pesquisa DIS – Design e Inovação de Sistemas para a Sustentabilidade – com professor Carlo Vezzoli. professor Dalton Razera. que introduzem a questão ambiental de forma sistemática. PhD e professora Liliane Iten Chaves. A educação e o ensino.. O ensino. mesmo que pagos e sendo fonte de lucro para alguns setores. sem dúvida. Deixar de lado as discussões dos problemas ambientais em qualquer curso de design é uma possibilidade que não pode mais ser apreciada em nenhuma escola. Msc. urgente e relevante para o curso de design da UFPR. Itália. seja por parte dos alunos. Dr.. CONCLUSÃO A inserção do problema ambiental no ensino de design necessita de uma abordagem sistêmica ao longo dos cursos de graduação. outros professores desenvolvem pesquisas em suas áreas. dois são os professores que possuem suas pesquisas diretamente relacionadas com o tema do design para a sustentabilidade: professor Aguinaldo dos Santos. professor Antonio Fontoura. a vivência no ambiente permite constatar que existe uma grande sensibilidade ao tema. especialmente quando prevemos que este profissional estará atuando num cenário cujas exigências da emergência ambiental serão mais evidentes e contundentes que as atuais. como um elemento de mercado. O tema é. A importância do design para a sustentabilidade no curso pode ser evidenciada pela forte presença do núcleo de Design e Sustentabilidade em âmbito nacional. sendo este referência em todo Brasil e com visibilidade internacional.

br/cursos/facet/DM/Estrut%20curric%20DM%202008. Bento Gonçalves.http:// www. UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo. 2002. Bento Gonçalves.php?site=nucleo. Acesso 08/05/2009 PPGDesign UFPR .pdf. VEZZOLI. 6. Bento Gonçalves. Disponível em http://www.utp.br/nucleo/index. Curso de Design de moda. MANZINI. Projeto Pedagógico do Curso de Design de Produto: Grade 629G. Acesso em 19/04/2009 UTP . O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis. além de capacitar melhor os novos profissionais os torna mais aptos para fornecer uma melhor reposta para as atuais e futuras demandas do mercado. ambientais e de mercado. ampl. ___________. Disponível em http://www.utp. Projeto Pedagógico do Curso de Design de Produto: Grade 629F.ufpr.br/mestrado/ Acesso em 08/05/2009.design.htm .br/.design. 2. ___________. Acesso em 19/04/2009 92 . 2000. Isto.design. Uma introdução à história do design. Acesso em 08/05/2009 UNIBRASIL – Universidades Integradas do Brasil.Grade Curricular .Universidade Tuiuti do Paraná.com. UTP assina “Pacto 21 Universitário .br/noticias/detalhes. REFERÊNCIAS DENIS.asp?id_noticia=3703 Acesso em 19/05/2009 UTP . Web Sites consultados Núcleo de Design e Sustentabilidade. Projeto Pedagógico do Curso de Design Gráfico: Grade 662G.ufpr.ufpr. 2004. 2008. Rafael Cardoso. São Paulo: Edgard Blücher.unibrasil. Disponível em http://www. rev. Curso de Design da UniBrasil obtém bons resultados junto ao MEC.asp?codnoticia=5535. Ezio. 2007.ed.Universidade Tuiuti do Paraná.http://www.as realidades sociais.br/noticias. Disponível em http://www. Carlo. Departamento de Design da UFPR.

Além de seu currículo explícito. contra 80% do que experimentamos. A sustentabilidade pode ser ensinada pelo método tradicional de professor e sala de aula. (2) Arquiteta. A inserção de temas ambientais transversas nas disciplinas de graduação é uma das formas a se adotar. os impactos sócio-econômicos negativos vinculados à globalização. 1. Acredita-se que estas medidas. esta preocupação da IES deve refletir na sua infra-estrutura física. RESUMO Face ao aumento dos impactos sócio-ambientais derivados do aquecimento global e demais problemas causados pelo homem e o atual modelo de desenvolvimento. demandarão novos produtos. edifícios e operações que precisam se adequar a esta realidade. considerando o planejamento dos campi e de seus edifícios dentro do conceito de “greenbuilding”. mas também pode ser transmitida pelo conhecimento tácito. Para servi como exemplo a toda a sociedade. que consiste em seus terrenos. tem sido uma prática adotada por IES no exterior e algumas no Brasil. Mestranda do Programa de Pós-Graduação Em Tecnologia . levam os profissionais de diversos setores da sociedade a discutir a adoção de parâmetros sustentáveis globais e locais para gestão. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. comportamentos e processos. pela pesquisa e extensão. INTRODUÇÃO O alerta sobre o aquecimento global e as conseqüências das mudanças climáticas. Vania Deeke (2) (1) Phd Em Engenharia de Recursos Minerais e Meio Ambiente. pois estudos demonstram que retemos apenas de 10% a 20% do que ouvimos ou lemos. por sua vez. Professor do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE. toda IES possui outro. as Instituições de Ensino Superior (IES) tem um importante papel a cumprir para dar-se um rumo seguro ao desenvolvimento sustentável. 93 .IMPLANTANDO PRÁTICAS SUSTENTÁVIES NOS CAMPI UNIVERSITÁRIOS: A PROPOSTA DO “ESCRITÓRIO VERDE” DA UTFPR Eloy Fassi Casagrande Júnior (1). campus de Curitiba. Este artigo apresenta a proposta de implantação de um “Green Office” (Escritório Verde) na Universidade Tecnológica Federal do Paraná. para implantar uma política ambiental universitária que vão desde projetos pedagógicos e administrativos até diretrizes de arquitetura e construção sustentável para estruturas existentes e novas. a possibilidade de aumento de refugiados ambientais. A estrutura física e administrativa.PPGTE. administração e linha pedagógica. implícito. Universidade Tecnológica Federal do Paraná. exigirão novas pesquisas e contribuirão para formar uma “cultura sustentável”.

O conceito cradle-to-cradle (múltiplos ciclos de vida) diferente do cradle-to-grave (ciclo de vida único) e a responsabilidade social corporativa são relevantes para a empreitada. o setor consome de 12 a 16% da água. o parâmetro “sustentabilidade” vem crescendo em relevância na avaliação de processos econômicos. e isso representa mercados novos para novos serviços. Metodologia ZERI – Zero Emission Research Initiatives (PAULI. em 1987. que já se constituem uma realidade nos Estados Unidos. Termos como Biocidades. adotar medidas para evitar que o crescimento econômico e o desenvolvimento industrial tenham repercussões desfavoráveis na sociedade e no ambiente. uma vez que 94 . Arquitetura Bioclimática. em 1992. para um desenvolvimento com qualidade de vida e gestão racional do ambiente seria necessário eliminar a poluição resultante da pobreza. consumo. principalmente ao longo do Século XX. replanejado. e principalmente após a Agenda 21 lançada na Eco 92. quer por qualidade.produção. e. Principalmente nos Estados Unidos. podemos citar a indústria de construção civil que está entre os modelos de produção e consumo mais ineficientes. de tecnologias e de assentamentos humanos. 1999). Os princípios da sustentabilidade aplicados pela arquitetura à construção civil estão sustentados em teorias como a do Capitalismo Natural (HAWKEN. e sua apropriação pelo capitalismo globalizado faz com que a criação de “negócios verdes” seja uma manifestação que busca se adaptar aos novos tempos. redimensionado. (CIB/CSIR. Como exemplo. 1998). o Relatório da Comissão Brundtland. Nos Centros Universitários Sustentáveis. se vê os chamados greencampi (campi sustentáveis). dos quais de 15% a 30% são depositados em aterros sanitários.The Natural Step (ROBERT.1993). produtos e métodos. racionalizado. apontadas por Casagrande Jr (2004) como orientação ao desenvolvimento da arquitetura e da construção sustentável. Austrália e Nova Zelândia. A partir da década de 80. com usuário. 40% do total dos resíduos. TNS . de 30% a 40% da energia e 40% da produção de matéria-prima extrativa. os campi universitários assumem função ainda mais relevante. por se tratarem de verdadeiras vilas. em que a sustentabilidade deixe de ser vista como aspecto negativo: quer por questão de custo. Além de que 15% dos materiais são transformados em resíduos durante a execução da obra. com a cidade e a cultura local. Globalmente. realizada no Rio de Janeiro. assim como nas leis que protegem o meio ambiente. e propõem visões sistêmicas da edificação. 2002). redefinido. ecodesign e outras tendências da procuram rever conceitos que se consolidaram. Tal fundamento objetiva formar uma nova mentalidade. Também é responsável por 20% a 30% da produção de gases do efeito estufa. focadas na interação desta com o ambiente. se viu um aumento de metodologias no campo da gestão ambiental. Desde a Conferência das Nações Unidas em Estocolmo (1972). ao mesmo tempo. e passe a constituir valor agregado. Biomimetismo. 2000). Segundo Sachs (1986). Tudo pode ser reconstruído. 25% da madeira florestal. Gerenciamento Ecológico (CAPRA e al. Europa. Construções Sustentáveis. O movimento pela sustentabilidade contém um apelo intrínseco pela racionalização.

que através do Green Building Council Brasil (GBCB). onde manutenção.Carta Patente da Universidade para o Desenvolvimento Sustentável – está ancorada nas Estratégias do Programa Copernicus (Cooperation Programm for Environmental Resaerch in Nature and Industry trought Cooerdinated University Studies ) e no documento Campus Blueprint for a Sustainable Future (1994). escritório voltado à administração de práticas sustentáveis nos campus. A grande maioria dessas universidades possui um Green Oficce. a Higher Education Associations Sustainability Consortium (HEASC). EUA. busca parâmetros para um selo que respeite as características do setor da construção civil no país.englobam também as moradias dos estudantes. mais de 500 estudantes. realizado na Universidade de Yale. sendo a cadeia produtiva do setor a maior consumidora desses recursos. econômico e ambiental da cadeia produtiva da indústria da construção civil”. O EDIFÍCIO COMO PEDAGOGIA E ÍCONE DA SUSTENTABILIDADE A Carta Copernicus -. são temas enfocados. A construção e a manutenção da infra-estrutura do país consomem até 75% dos recursos naturais extraídos. tivemos a criação do CBCS – Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. o setor da construção civil. Atualmente. (HEASC. docentes e administradores de faculdades de 120 universidades americanas e de 29 internacionais discutiram e partilharam informações sobre a forma de redesenhar a educação e as práticas ambientais dos Campi. Canadá. A operação dos edifícios no Brasil é responsável por aproximadamente 18% do consumo total de energia do país e 50% do consumo de energia elétrica. entre outros. há várias recomendações. no Brasil. Em 2007. Austrália. reciclagem. economia de energia. em abril de 1994. Na Carta Copernicus. Pode-se observar a existência de ações que vão da separação e reciclagem de resíduos até a construção de novos prédios ou retrofits (reformas) que contemplem as recomendações do LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). . A quantidade de resíduos da construção e demolição é estimada em torno de 450 kg/hab/ ano ou cerca de 80 milhões de toneladas por ano. de caráter mais institucional e que tem como missão “disseminar o desenvolvimento e a implementação de conceitos e práticas mais sustentáveis e que contemplem as dimensões social. e 21% do consumo da água. (KRAEMER. com a participação de 15% do PIB. o que impacta o ambiente urbano e as finanças municipais. certificação voluntária coordenada pelo WGBC (World Green Building Council) para construções sustentáveis presentes em países como Estados Unidos. apresenta os maiores e mais diversos impactos ambientais. e a University Leaders for a Sustainable Future (ULSF). redução de consumo de água. Durante o evento. De acordo com CBCS (2007). México e Índia. Na mesma linha há orientações para greencampi da Association for the Advancement of Sustainability in Higher Education (AASHE). Japão. um comitê de especialistas discute a adaptação do sistema de certificação LEED. reforçando a idéia de promover o 95 2. e foi redigida no primeiro encontro Campus Earth Summit. 2007). 2005).

The making of a High-Performance Building. descrevendo como a idéia do Adam Lewis Center se originou e como se tornou realidade.é descrito por Orr (2006) em seu livro Design on the Edge . O processo de construção do Adam Lewis Center no Oberlin College. nos Estados Unidos. acrescida de novos produtos e conhecimentos tecnológicos e científicos. Assim. toda escola. a noção de tempo e espaço que constroem são aspectos que influenciam sua capacidade de imaginar melhores alternativas. é destacado a perseverança do grupo idealizador do projeto e a conquista do envolvimento de toda a instituição.uso do campus como laboratório experimental e modelo de desenvolvimento sustentável. ao final de um projeto específico. tornando-se referência. e aproximadamente 80% do que experimentamos (CORTESE. o que eles comem. como eles se relacionam uns com os outros. indivíduos e organizações que solucionam conjuntamente problemas. Ilustra a quebra de paradigmas – o processo de uma mudança institucional – por meio de um aprendizado coletivo e uma política econômica do design. Para David Orr (2004).o primeiro “green building” a ser construído em um campus e que recebeu a certificação Gold do LEED --. Para Lundvall (2001). além de seu currículo explícito descrito em seu catálogo. colégio ou universidade. terão partilhado o conhecimento original do parceiro. dos arquitetos William McDonough e John Todd --. terrenos e operações. Esse ato coletivo leva a concluir que em um país em desenvolvimento. do mesmo modo que terão partilhado o novo conhecimento tácito gerado pelo trabalho conjunto. desenvolve pesquisas científicas baseadas em novas tecnologias num contexto sistêmico e passa a exercer efeitos de polarização regional e nacional. uma vez que suas próprias edificações podem propiciar projetos de pesquisa que contribuam para gerar novas tecnologias e para criar um novo modelo de desenvolvimento socioeconômico. relatando sucessos e obstáculos. que defendia uma arquitetura utilizando baixa tecnologia (lowtech sustainable architecture). que poderíamos chamar de currículo implícito e que consiste em seus edifícios. o engajamento de universidades tecnológicas é ainda mais significativo. possui outro. retemos de 10 a 20 % do que ouvimos ou lemos. como eles “vivenciam” determinados espaços. desde a aprovação da instituição até a obtenção de recursos. humanos. 2000). como a infra-estrutura urbana repercute na sociedade em seu conjunto. utilizando seu design e sua rotina de operação como ferramenta educacional. . como eles se movem (transporte). 96 3. Portanto. como se observa na obra do arquiteto Severiano Porto. a infra-estrutura que os estudantes observam nos campi. ao articular políticas de inovação na área socioambiental. Uma universidade comprometida com desenvolvimento sustentável. De acordo com educadores e psicólogos. é imperativa a assimilação de práticas sustentáveis por meio dos edifícios e operações dos campi universitários. O DESAFIO DE SE IMPLANTAR CAMPI SUSTENTÁVEIS NO BRASIL A sociedade e o mercado demandam profissionais capazes de superar os atuais desafios. nós. Além dos aspectos técnicos do projeto. Pode-se afirmar que esta preocupação é refletida por alguns arquitetos pioneiros.

Profissional à frente do seu tempo. Porto idealizou projetos com conceitos e estratégias bioclimáticas. construída no começo dos anos 70. é responsável pela construção da “Casa Eficiente” -. encontrados no Brasil e no mundo.um centro de demonstração de estratégias construtivas utilizadas de acordo com o padrão de uso da edificação. na maioria das vezes constituem práticas isoladas em situações que a instituição já está implementada e funcionando. (FINESTRA. b) Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) criou uma coordenadoria de Gestão Ambiental para promover uma política de gestão ambiental responsável e privilegiou o ensino como busca contínua para melhorar a relação entre o homem e o ambiente. Infelizmente. através da implantação de novas tecnologias de iluminação. que se empenha para implementar um SGA. Um dos maiores exemplos. dentre outras idéias. funcionando como uma vitrine de tecnologias de ponta em eficiência energética e conforto ambiental para residências. cujo Sistema de Gestão Ambiental implica uma estrutura organizacional com a responsabilidade de implementar seus objetivos. contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência ambiental e abrindo portas para construções sustentáveis. os casos de gestão ambiental em âmbito universitário. trazendo a comunidade como parceira desta proposta (Projeto Sala Verde). Esses autores identificaram a iniciativa de quatro universidades brasileiras voltadas à gestão ambiental: a) Universidade Vale do Rio dos Sinos (Unisinos). há trinta anos. por meio do Projeto Verde Campus. é seu projeto para o Campus da Universidade Federal de Manaus (UFAM). quando ainda não se falava em sustentabilidade na arquitetura. Também se destaca o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE). c) Fundação Universitária Regional de Blumenau (FURB). não apenas no ensino como também em práticas corretas. coberturas duplas e independentes (colchão de ar). condicionamento de ar e isolamento térmico. d) Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). sem descartar o concreto. onde utilizou como estratégias de projeto soluções passivas de conforto térmico como o efeito chaminé. ventilação cruzada. 97 . destacando o uso da madeira em sua permanente busca da relação construção e natureza. que atua visando reduzir o consumo específico de energia em edificações novas e existentes. Tais iniciativas fazem constatar a busca de intervenções para fazer frente à preocupação crescente das universidades em busca de um desenvolvimento sustentável. temos poucos exemplos como estes no Brasil. Como ainda estamos num processo de convencimento da importância destas práticas para aqueles que dirigem IES públicas e privadas. se têm apenas algumas IES que começam a pensar nesta direção. O LabEEE em parceria com a Eletrosul. é a primeira universidade da América Latina a ser certificada segundo a ISO 14001. o aço e a alvenaria. com uma arquitetura de forte feição regionalizada. onde a grande maioria dos campi projetados não adota a arquitetura e construções sustentáveis. Segundo Tauchen e Brandli (2006). 2008).

Por sua vez.Tauchen e Brandli (2006) também apontam ações a serem incorporadas a um SGA. qualidade e conforto térmico. g) declarações e relatórios ambientais para uma fase posterior ao SGA. controles de efluentes em sua estação de resíduos líquidos ETE anaeróbico. com mais de 700 vagas. por meio da sensibilização ambiental. pela geração própria de energia nos horários de pico e interrupção de fornecimento. que está pautado pelo desenvolvimento sustentável desde o planejamento da ocupação do terreno. chegando até aos projetos pedagógicos dos cursos e aos temas de pesquisa. formação. dentre as quais se destacam: eficiência energética. o que implica redução de riscos de incorrer em penalidades ou gerar passivos ambientais. Além dessas. f) educação integrada a aspectos ambientais. abrangerá sete cursos. Nos últimos dois anos. foram concluídos quatro edifícios de salas de aula que abrigam os cursos de Ciência da Computação e Ciências Econômicas. também houve iniciativas em outras universidades brasileiras: a Universidade Federal de São Carlos (UFScar) tem o seu novo campus Sorocaba. a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) promoveu em 2005 o concurso para o projeto arquitetônico de seu campus a ser instalado na APA da Represa Billings . provavelmente tornar-se-á o primeiro Greencampus brasileiro. com levantamento de aspectos e impactos ambientais. Uma equipe formada por jovens arquitetos paranaenses venceu o concurso. água e materiais de expediente. passando pelos métodos construtivos empregados. Nessa primeira fase. a Universidade de Passo Fundo (UPF) está implantando o SGA. Concluída sua primeira fase de implantação em março de 2008. com o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Entre os muitos benefícios de um SGA. pela evidência de práticas sustentáveis e geração de oportunidades de pesquisa. b) gestão de recursos: ambientais. dentre as quais se destacam: a) assessoria ambiental. água. 2007). A Universidade de Campinas (UNICAMP) também está ocupada com questões de sustentabilidade. c) gestão de resíduos e prevenção da poluição. Ainda. d) construção sustentável e plano diretor definindo todos os prédios a serem implantados. (FRANDOLOSO. além da melhora da imagem externa da instituição. e) compras de materiais e equipamentos considerando critérios ambientais. cujo edital exigia que o projeto contemplasse sustentabilidade. programa de reciclagem de resíduos. de maneira que institui seu Plano Diretor que visa à ordenação e ocupação do uso do solo para integrar ações que proporcionem qualidade de vida no campus. substituição de equipamentos de iluminação por modelos mais eficientes. envolvendo energia. informação de currículo e projetos de investigação sobre temas SGA. mitigando problemas derivados de uma ocupação desordenada ao longo de 98 . controle de consumo e reuso da água. é fator de economia o cumprimento às exigências estabelecidas pela legislação ambiental. uso de papel reciclado entre outros.São Paulo. tais autores salientam a verificação de uma economia real pelo melhoramento da produtividade e da redução do consumo de energia. Em uma área de 700 mil metros.

no Rio de Janeiro. tendo como referência de construção verde (origem do material. criado em 2002. materiais e práticas. ética. em Indiana) permitindo que 19 Em 2009. . que talvez ainda não tenham despertado para essas prementes questões. Um programa de intercâmbio que envolveu alunos do curso de Engenharia de Construção Civil com duas universidades americanas. tornando-se replicadores da sustentabilidade. designers e engenheiros são agentes transformadores da sociedade em que vivem. (University of Texas. entre outros) o padrão americano e europeu”. poderão transmitir esses conceitos tanto a empreendedores da construção civil quanto a gestores de instituições de ensino ou cidadãos comuns. A PROPOSTA DO “ESCRITÓRIO VERDE” DO CAMPUS CURITIBA DA UTFPR No Campus Curitiba da UTFPR tem-se um histórico de iniciativas de programas que lidam com questão ambiental. Assim como o “Consórcio Sustentabilidade Brasil-Estados Unidos CAPES/FIPSE”. muito podem contribuir para minimizar o impacto socioambiental. distância de transporte. coordenado pelo professor Dr. Desse modo. Tecnicamente capacitados para desenvolver projetos sustentáveis e conscientes de sua importância. se realizará o III TECSUS em parceria com a Embrapa Florestas 99 4.. do DACOC. como mais de 250 participantes em cada um19. os estudantes passarão a conhecer novas tecnologias. Também se pode destacar o sucesso dos eventos TECSUS – Ciclo de Palestras e Oficinas em Tecnologias Sustentáveis. além de programas em andamento como o PGRCC – Programa de Gerenciamento de Resíduos do Campus Curitiba. como agente catalisador no processo de educação para um modo de vida mais sustentável. em Austin e Ball State University. o Programa de Pesquisa em Tecnologias Sustentáveis (TecSus). Casagrande Jr. modo de aplicação.quarenta anos. numa iniciativa do Grupo de Pesquisa TEMA – Tecnologia e Meio Ambiente (PPGTE). de Economia e Gestão (DAEGE). A criação dos centros universitários sustentáveis se justifica por dois motivos principais: a real redução dos impactos ambientais causados por sua construção e uso (diminuição da pegada ecológica) e pela importância do edifício sustentável em si. gerente de Projetos e Suprimentos da Engenharia da Petrobrás. Eloy F. De acordo com Abreu (2008). realizados em 2002 e 2008. a saber. social e ambientalmente mais responsável. o núcleo de meio ambiente que agrega professores do Departamento Acadêmico de Construção Civil (DACOC). Também há iniciativas como o projeto de ampliação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (CENPES). de Mecânica (DAMEC). esses novos edifícios do Centro “incorporam conceitos de ecoeficiência e utilização de materiais de menor impacto no meio ambiente. que terá 23 novos laboratórios totalizando cerca de 150 mil metros quadrados de construção a serem concluídos em 2009. ocorrido de 2004 a 2007. Como organizadores do espaço construído ao homem. arquitetos. assim como grupos semelhantes que podem ser encontrados nos Departamento Acadêmico de Química e Biologia (DAQBI). Pelo modo como usam o espaço.

no campus Curitiba. armazenamento. como a implantação de programas internos.14 estudantes tivessem bolsa de estudos para durante seis meses cursarem disciplinas e projetos extra-classes que envolviam a construção sustentável nos Estados Unidos. Hoje.Estudar soluções para reaproveitamento e tratamento apropriado de computadores e equipamentos periféricos defasados e sem uso que ocupam espaço na instituição (diretrizes do 100 . a médio e longo prazo: • CAZA . implantando uma política de gestão coerente com os princípios da sustentabilidade (eco-eficiência). Um dos desafios da instituição será o compromisso que assumirá a partir de 2009. para que se implantem ações contempladas na Agenda 21. 2008). alguns destes estudantes se tornaram professores na UTFPR e outro desenvolvem mestrados no tema (CASAGRANDE et al. O Campus Curitiba da UTFPR. estabelece uma parceria com a Secretaria do Estado do Meio Ambiente do Paraná (SEMA). re-uso. Um dos problemas detectados para a continuidade dos programas está na forma como são implantados os programas através de comissões temporárias de professores e técnicos administrativos. a implantação do “Escritório Verde”. Este integraria todas as ações acima descritas sob um programa permanente – Tecnologia com Sustentabilidade . que apenas ficam em forma de diagnóstico sem aplicação direta na instituição. Todos estes apresentam resultados positivos. Diante deste quadro. porém vem acontecendo de forma isolada. hoje em expansão da sua infra-estrutura para o Bairro de Campo Cumprido – Campus Ecoville. que contribuem para diretrizes de eficiência energética. que responderia diretamente a diretoria do Campus Curitiba. como externo. De imediato o “Escritório Verde” tem como proposta desenvolver os seguintes programas. • TRECO – Tratando Resíduos Eletrônicos e da Computação . passando pela eficiência energética. etc. tendo poderes institucionais para o desenvolvimento e a implantação da política ambiental da instituição. • REZTO – Resíduo Zero: Tecnológico e Orgânico .Visa estabelecer diretrizes para sustentabilidade nas edificações já existentes e novas construções que vão deste a substituição de materiais para redução do impacto ambiental. economia de água. que juntamente com várias universidades paranaenses. reciclagem e tratamento adequado.Carbono Zero na Academia . o uso racional da água e gestão de resíduos em reformas e obras internas.Uma continuidade do PGRCC que avaliou os resíduos gerados pelos departamentos da UTFPR e agora deve implantar os procedimentos para sua coleta. tratamento adequado de resíduos. inclusive nas suas novas edificações (construções sustentáveis). com a assinatura do Pacto 21 Universitário.TECSUS. Isto dificulta tanto a pesquisa interdisciplinar. O mesmo se pode dizer dos resultados de pesquisas desenvolvidas na graduação (Trabalhos de Conclusão de Curso-TCCs e bolsas de Iniciação Científica) e na pósgraduação (especialização e mestrado). que após atingir seus objetivos voltam as suas atividades profissionais. é proposto por professores que atuam na área ambiental do campus de Curitiba da UTFPR. poderia inovar o modelo de campus universitário no Paraná. sem que haja uma integração de ações e de departamentos. tanto a nível interno.

Quanto maior a interação dos especialistas. • COMPRA VERDE – Implantar políticas de compras sustentáveis para a instituição. Figura 1 . O “ESCRITÓRIO VERDE” COMO UM ESTIMULADOR DE CAMPI SUSTENTÁVEIS A principal diferença entre um edifício sustentável e um edifício convencional está na visão sistêmica inerente à própria sustentabilidade. e não somente após a conclusão do projeto executivo. • SELO VERDE UTFPR – Desenvolver projeto que estabeleça diretrizes para “emissão de certidões de procedimentos ecologicamente corretos” para produtos.Lei Estadual 15. etc. melhor será o produto final. coletivo e interdisciplinar – o projeto sustentável. testados e aprovados por profissionais da UTFPR. há o modelo de projeto linear. pois as definições dessa primeira fase implicarão nas conseqüências das fases seguintes. Convencionalmente. Possibilidade de trabalho com a comunidade/cooperativas em projeto de extensão universitária. como habitualmente ocorre. Seria proposta do “Escritório Verde” trabalhar junto ao Departamento de Projetos (DEPRO). dentro do modelo linear.Modelo de projeto linear Como o projeto é o ponto de partida do ciclo de vida do edifício. incluindo nos editais requisitos ambientais específicos dependendo de cada material e equipamento.governo federal e leis estaduais já abordam a questão . Neste caso. O “Escritório Verde” seria o regente de um conjunto de ações. em que as etapas deixam de ser lineares (Figura 01) e os diversos profissionais interagem em todo o processo. envolvendo o conhecimento de cada especialista para criar um novo saber.851/2008). presume-se que surjam dos arquitetos soluções mitigadoras de seus impactos. a UTFPR tem desenvolvido projetos convencionais para seus campi. Até este momento. 101 . equipamentos. 5. é preciso que os todos os profissionais envolvidos compreendam a edificação com um pensamento sistêmico. como projeto integrado. No projeto integrado(Figura 02). os responsáveis pelos projetos complementares devem ser consultados durante a criação. dentro do Programa CAZA. da instituição para o desenvolvimento de edificações sustentáveis.

029.Figura 2 . o reuso e o aproveitamento da água da chuva na irrigação do próprio campus.00 m²) está destinado à futura Reitoria e a área de pesquisa. incluindo o consumo energético e as emissões de CO2 gerada pelo seu transporte. a instituição poderá ter alguns de seus departamentos e a própria reitoria transferida para o Campus Ecoville. a área é dividida pela via expressa. cujas instalações ocupam toda a área física do terreno.360. já não consegue atender às necessidades de seus departamentos. A instituição chegou ao consenso de que serão transferidos para o novo Campus os Departamentos Acadêmicos da Construção Civil e de Química e Biologia. As tubulações seriam de polipropileno (sistema de termo-fusão). como também serão recursos didáticos “vivos”. em um novo terreno na região Oeste da cidade. Outro aspecto relevante é a redução do consumo de água. a cinco quilômetros do centro histórico. A tipologia arquitetônica e os materiais utilizados seriam especificadas conforme os critérios de gestão de ciclo de vida. no lote 01. Para este propósito. Um dos desafios encontrados na implantação de um campus universitário sustentá102 . Foram previstos locais adequados para o lixo orgânico e reciclável. do processo de fabricação aos impactos ambientais por eles gerados. óleo de cozinha e resíduos da construção civil (laboratórios e canteiro de obras).00 m²). espaço principal da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). já existe um bloco de salas e laboratórios. in-locco. Essas estações de tratamento dos resíduos no próprio local contribuirão de maneira efetiva para tratar efluentes. promovendo a qualidade ambiental. sendo a arquitetura sustentável. um dos critérios a serem adotados. Localizada num setor estrutural da cidade. pois o lote 02. (27. foi formada uma comissão de professores dos dois departamentos que elaboraram o modelo de infraestrutura que gostariam que os abrigasse no futuro. A topografia do local permite que seja criada facilmente uma estação de tratamento de resíduos químicos oriundos dos laboratórios e também tratamento dos efluentes sanitários.Visão Sistêmica: Projeto Integrado O Campus Curitiba. Também está considerada a coleta seletiva e uma unidade de compostagem para os resíduos orgânicos. Concentramo-nos no lote 01(31. cujas atividades geram grandes quantidades de resíduos. Em um dos terrenos. Assim. com salas de aula e laboratórios específicos. e outro está em fase de implantação. desenvolvido ainda com métodos convencionais. que contém uma canaleta exclusiva para os ônibus do transporte público e duas vias laterais ao transporte privado. resíduos tóxicos. para as atividades acadêmicas pertinentes aos cursos que ali serão ministrados. localizado no centro de Curitiba. procedimentos fundamentais para aumentar a vida útil do aterro sanitário da cidade e manter a higiene e saúde do local e do meio ambiente.

é o fato de que a edificação deverá propiciar conforto térmico tanto para baixas quanto para altas temperaturas. assim como as diretrizes sustentáveis de projeto apresentadas para o Campus Ecoville de Curitiba. BONDA. Disponível em: http://visaoglobal.org /2007/11/15/centro-de-pesquisas-da-petrobrasexemplo de sustentabilidade/ Acesso em: 29/05/2008. 2004. pois pode evidenciar as bases da valorização da vida para as atuais e futuras gerações. E. do campus de Curitiba da UTFPR está na necessidade da universidade se renovar e atender a novas demandas da sociedade. relativo à arquitetura.vel no sul do Brasil. a vegetação e paisagismo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABREU.. 7. 6. Estes fatos são comprovados por estudos e pesquisas desenvolvidas dentro da própria instituição. F. Consideramos que os benefícios ao ambiente decorrentes de uma proposta sustentável e a melhora da qualidade de vida dos usuários não devem ser precificados. promovendo a disseminação da gestão ambiental universitária e da construção sustentável no Brasil. seriam considerados: o aquecimento solar passivo. CEFET-PR.Sustainable Commercial Interiors. com técnicas passivas de conforto térmico e valorização da iluminação natural. P. que possibilitam a melhora da qualidade do ar interno e externo. pois seu valor ultrapassa o aspecto monetário. como o uso de placas solares para aquecer a água. SOSNOWCHIK.. Os programa propostos pelo “Escritório Verde”. poderão servir de modelo para o desenvolvimento dos projetos dos outros 10 campi da UTFPR no interior do Paraná. na economia de recursos garantidos por este processo. Coletânea “Educação & Tecnologia”. estimamos que esse investimento “extra” pagar-se-á. Não se trata somente de uma “moda ecológica”. para a formação de uma consciência mais elevada. ainda. onde o dinheiro dos contribuintes são gastos com inteligência. o que levou ao desenvolvimento de estratégias projetuais sustentáveis. uma vez que estratégias adotadas para reduzir o consumo de água. Inovação Tecnológica e Sustentabilidade: Possíveis ferramentas para uma necessária interface.K. a variação térmica diária atinge grandes amplitudes. R. Centro de Pesquisas da Petrobrás é exemplo de sustentabilidade. demonstrando que uma gestão ambiental coerente dentro de instituições públicas pode ser economicamente viável. R. Assim. através de uma postura de como estar no mundo. mas sim do exemplo que as instituições de ensino devem dar como formadores de opinião que são. Devemos saber defender melhor estas idéias diante daqueles que ditam regras administrativas já ultrapassadas para o Século 21. CONSIDERAÇÕES FINAIS As justificativas para se implantar o “Escritório Verde”. Entendemos que devemos romper paradigmas e também ultrapassar barreiras impostas pelos sistemas de licitações e pregões impostos para a administração pública. energia e outras práticas darão retorno do investimento em pouco tempo. Curitiba: Indicadores para Sustentabilidade. CASAGRANDE JR. É preciso ressaltar os benefícios econômicos que a administração sustentável traz com o tempo. De fato. 2007. A disseminação do conceito de sustentabilidade aplicado na instituição poderá contribuir. 103 . Ainda assim. sempre com o objetivo da eficiência energética. New Jersey: John Willey & Sons.

Primeiro semestre de 2008. Washington D..html. 10.The making of a high-performance building. Conceitos a prova do tempo. Gerenciamento ecológico (EcoManagement).3. p. AGUDELO. International Council for Research and Innovation in Building and Construction.br/vidacademica /campus_sorocaba.. Ecodesenvolvimento: Crescer sem Destruir.. Capitalismo natural: criando a próxima revolução industrial.A. projeta o futuro e detecta gargalos.br> . S. Ano 22./ educacao/index. Earth in Mind.13.E... 1999. Disponível em: <http://www 2ufscar. v. TAUCHEN...(2006). São Paulo: Vértice.br/composer.com.php3?base=. São Paulo: Cultrix / Amana Key. São Paulo: Cultrix.php>. H. 2002. M. CALLENBACH. L.heasc. São Paulo: Arco.H.php?acao3_co d0=132b0b6b89d05ad72c19170a41d84ec7. E. p. 203 p.-dez.edu.F.CASAGRANDE JR. CBCS . L. F. A gestão ambiental em instituições de ensino superior: modelo para implantação em campus universitário. Acesso em: 25/02/2008.unicamp. Disponível em: www.cbcs. São Paulo: Cultrix / Amana. et al.upf. KRAEMER. J. L. Cambridge: The MIT Press. Jan / Fev / Mar. Revista da UTFPR. CAPRA. n.ambientebrasil. In: Gestão & Produção. FINESTRA.br/eventos/elausbr Acesso em: 25 /02/ 2008. n. Macozoma. Acesso em 12/09/2007. UFSCAR. R. BAUER.secondnature. 1986. BRANDLI.K. A universidade do século XXI rumo ao desenvolvimento sustentável.. MARBURG. ROBERT. February. Disponível em http://www. Políticas de inovação na economia do aprendizado. p 96-106. 48.L. Campus Sorocaba. Rotterdam: CIB/ CSIR.org /vision/vision> Acesso em: 12/10/2007. O planejamento das instituições de ensino superior visando à ambientalização.International Report. The Natural Step – A história de uma revolução silenciosa. HEASC . CIB/CSIR . 2004 _________ Design on the edge .L.br > Acesso em: 01/11/2006 ORR. I. Disponível em: <http://www. LOVINS. GOLDMAN.. Parcerias Estratégicas n. LUTZ. UNICAMP.Key.C: Island Press. 2002 CORTESE.org> Acesso em: 12/10/2007.P.D.Conselho Brasileiro de Construção Sustentável. no 34. Impactos da construção.503-515. 1993. A. Curitiba: Tecnologia & Humanismo. E. P. 2006. Education for Sustainability. Educando para o Desenvolvimento Sustentável na UTFPR e PUCRS: Consórcio Sustentabilidade Brasil – Estados Unidos Capes/FIPSE. HALKEN.Acesso em: 08/ mar/2008. 2007. CIB and Dennis S. Disponível em: <http:// www.Higher Education Associations Sustainability Consortium. A.php3&conteudo=. Report Number BOU/C361. 2006. à eficiência energética e à minimização dos impactos ambientais. M. FRANDOLOSO. LOVINS. Disponível em: <http://utfpr. 76-79. L.P..org./educacao/artigos/universidade. Project Number BP485. 299p. D. Março 2001. A. Plano diretor disciplina expansão. set. R.LUNDVALL. B. (2000).br/construcaosutentavel/introducao. SACHS. Disponível em: <www. Acessos em 18/03/2008. 104 . Disponível em: http://www.P.