A TEOR I A

PULSIONAL
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) pensamento freudiano a pulsão não é só
. 4uestão teórica. É também uma questão clíni-
atetamente relacionada ao conflito psíquico e
psicanalítica.
)
I1tretanto, há surpreendentes diferenças entre
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')to alemão de Frel;1d e suas versões para o
)S, francês, espanhol e português. Por isto, ao
r da teoria e clínica das pulsões, o autor tam-
enfatiza a linguagem freudiana e a terminolo-
)sicanalítica alemã.
lt!ravés de A Teoria Pulsional na Clínica de Freud
1.) Hanns traz, num estilo claro e conciso, a
l
do texto de Freud, o qual, aponta para
, )c1ínica que está além, tanto da mera adaptação
jI1biente, quanto da busca pelo prazer idealiza-
lpontando para a centralidade da circulação
lonal para a vida psíquica.
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A TEORIA
PULSIONAL
na clínica de Freud
Luiz Hanns
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Luiz Alberto Hanns
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A Teoria Pulsional
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na Clínica de Freud
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Copyright © 1999 by Luiz Alberto Hanns
Capa:
José Cavalhero Simon Júnior
CIP-BRASIL. Catalogação-na-Fonte
Sindicato Nacional dos Editores de Livros, RJ
H219t Hanns, Luiz Alberto
99.0323.
A teoria pulsional na clínica de FreudjLuiz Alberto Hanns.
- Rio de Janeiro: Imago Ed., 1999.
232 p.
Inclui apêndice e bibliografia
ISBN 85-312-0666-9
L Teoria das pulsões. 2. Freud, Sigmund, 1856-1939.
3. Psicanálise. 1. Título. 11. Série.
1999
CDD 616.8917
CDU 159.964.2
Reservados todos os direitos.
Nenhuma parte destá obra poderá ser
reproduzida por fotocópia, microfilme,
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sem permissão ê:x:pressa da Editora.
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Rua Santos Rodrigues, 201-A Estácio
20250-430 - Rio de Janeiro - RJ
Tel.: (021) 502-9092 - Fax: (P21) 502-5435
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Impresso no Brasil
Printed in Brazil
Sumário
Agradecimentos
Apresentação
Considerações metodológicas
PARTE I
A Pulsão
lOque significa a palavra pulsão (Trieb) no alemão
II De que pulsão (Trieb) fala Freud
III As grandes pulsões: das espécies ao indivíduo
PARTE 11
O percurso da pulsão:
11
13
17
29
37
44
do somático ao psíquico, uma - continuidade conceitual
IV A circulação pulsional no indivíduo 49
V No nascedouro das pulsões .(0 brotar do Reiz) 53
VI A fisiologia pulsional do prazer (Lust)
e desprazer (Unlust) 58
VII No âmago das pulsões - sob o impacto do Drang
VIU Na fronteira. entre o somático e o psíquico
PARTEIlI
A pulsão na psique: das imagens ads pensamentos
IX A roupagem psíquica das pulsões como VOTstellung
os três tipos de representação
X Pulsões, Vorstellungen e afetos
(a circulação pulsional no processo primário)
XI Atando as pulsões às Vorstellungen e aos afetos
(a circulação pulsional no processo secundário)
XII No campo das Vorstellungen - a pulsão como desejo,
alçando-se das imagens aos pensamentos
XIII Sob a égide do medo (Ang.st)
PARTE IV
71
76
79
84
91
100
113
A intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais
XIV Conflitos pulsionais e os limites da defesa (Abwehr) 125
XV Regulando a pulsão pela Abfuhr (no escoadouro das
pulsões) 135
XVI Além do prazer e do desprazer (sob o estado de
Befriedigung) 142
XVII A escuta clínica dos conflitos pulsionais
XVIII A intervenção psicanalítica sobre os conflitos
pulsionais
À guisa de observação final
Apêndice I
Operadores de Leitura (Ilustração das Tramas
Semântico-Conceituais)
Apêndice li
Exercício de leitura aplicado às duas primeiras páginas
do texto "A Repressão"
153
175
188
191
205
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I' A meu pai, Günther
A Eva, minha mãe
e a Daniela, esposa e companheira
Agradecimentos
Originalmente este livro foi minha tese de doutorado.
Meus especiais agradecimentos ao Professor Dr. Renato
Mezan, orientador, que, além da leitura dedicada e comen-
tários sempre precisos, encorajou-me para a experimenta-
ção e a iniciativa próprias. Sua generosidade intelectual e
, pessoal, bem corno sua paciência para com minha ansiedade,
ficam para mim corno um modelo a admirar e seguir.
Gostaria ainda de expressar minha gratidão e dívida
para com Fernanda Silveira Correa, que leu os primeiros
manuscritos, <0udou-me a corrigir imprecisões, notadamen-
te nos conceitos de Lust (prazer) e Bindung (ligação), sugeriu
soluções e ensinou-me sobre o Freud do "Projeto para urna
Psicologia" .
Também devo muito ao Professor Dr. Luiz Claudio
Figueredo e ao Professor Dr. Stefan Wilhelm Bolle, mem-
bros da banca de qualificação. Seu rigor metodológico e
suas sugestões sensíveis serviram para aprimorar em muito
este livro. Ao recomendarem a promoção deste trabalho de
dissertação de mestrado para tese de doutorado levaram-me
a aprofundar o estudo em diversas direções. Ao Professor
Dr. Luiz Claudio Figueredo e ao Professor Dr. Nélson Coe-
lho agradeço ainda pelo importante incentivo e apoio num
momento que me era difícil.
Gostaria ainda de expressar meu grande reconhecimen-
to aos membros da banca examinadora, Professora Dra.
Purificacion Barda Gomes, Professor Dr. Daniel DeIoura,
Professor Dr. Luiz Meyer e novamente ao Professor Dr. Willi
BoIle. Com reflexões que só são possíveis a partir do traba-
lho pronto, contribuíram em muito para que esta tese
pudesse se transformar em livro:
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12 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Ao Dr. Jayme Salomão, da Imago Editora, sou imensa-
mente grato pelo entusiasmo com que acolheu este trabalho.
Não posso igualmente deixar de mencionar minha gra-
tidão ao Professor Dr. Miguel Bairrão que, na fase inicial,
leu c incentivou o projeto, bem como, em especial, à Profes-
sora Dra. Maria Lúcia Araújo Andrade, que me ajudou a
ultrapassar diversos obstáculos pessoais e a me manter no
caminho.
Apresentação
Este livro trata da teoria pulsional e da clínica freudiana
das pulsões.
Contudo, há, por vezes, surpreendentes diferenças entre
o texto alemão de Freud e suas versões para o inglês, francês,
espanhol e português. Portanto, também irá se enfatizar a
linguagem freudiana, a terminologia psicanalítica alemã e
determinadas interligações teórico-semânticas dentro dos
textos originais.
É claro que a maioria dos sentidos das idéias freudianas
sobre pulsões não se perdeu na passagem a outros idiomas,
pois há uma lógica interna da ohra que ultrapassa questões
tópicas de tradução. Entretanto, em muitos casos, conceitos
psicanalíticos são designados por palavras alemãs, que
abrangem um campo semântico diferente dos equivalentes
em outras línguas, o que causa não só distorções no sentido
dos termos, mas também enfraquece parte dos enlaçamen-
tos semânticos, das ênfases e dos jogos de palavras dos quais
Freud se serve. Isto ocorre porque nem sempre é possível
reproduzir tais sentidos e conexões em outros idiomas e o
tradutor tem que criar novas e diferentes malhas de signifi-
cações.
Algumas vezes, esta mudança de sentidos ocorre até
mesmo lá onde o texto em português oferece os mesmos
recursos semânticos do alemão e onde o contexto psicana-
lítico parece dar ao leitor plenas condições de perceber as
significações. Isto se deve ao fato de que, mesmo quando as
palavras nos dois idiomas têm significados semelhantes, o
entendimento dos termos em cada língua desliza em direção
a 'um núcleo de significação mais habitual e arraigado
naquele idioma. Por exemplo, apesar da palavra "descarga" .
traduzir bem o sentido de Abjuhr, em português, "descarga"
14 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
tende a ser entendida como descarga d.pida ou
disparo), enquanto Abfuhr, em alemão, tende a ser com-
preendido como descarga lenta e processual (levar embora,
esvaziamento, escoamento). As implicações teóricas e clíni-
cas diferenças não são poucas.
Não é por acaso que algumas das alternativas de tradu-
ção transformaram-se em bandeira de luta entre as escolas
freudianas, principalmente inglesas e francesas, pois afetam
a compreensão e a transmissão da psicanálise. Também na
psicanálise brasileira estes debates se repetem, em função
das filiações às escolas e pela proximidade dos termos em
português com os termos latinos empregados em francês e
inglês.
Estes aspectos da linguagem de Freud, que permanecem
retidos no original, e que em geral não têm como ser repro-
duzidos por adoção de uma única palavra equivalente em
outra língua, são problemáticos não só na transposição para
o português, como também para as outras línguas latinas,
inclusive o inglês, que é bastante latinizado. Portanto, os
esdarecimehtos semânticos que acompanham este livro não
são críticas a esta ou aquela edição de Freud em português
1
,
visam apenas aproximar o leitor da obra em alemão e reinse-
rir, na teoria pulsional e na clínica freudiana, uma dimensão
lingüística que se alterou na passagens a outros idiomas,
apagando diversos sentidos e conexões teórico-clínicas.
Num trabalho anterior, o Dicionário Comentado do Alemão
de Freud (Hanns, 1996), se examinaram os termos psicana-
líticos de tradução mais problemática, seus significados, as
conotações e, sua etimologia e o uso freudiano dos mesmos.
Portanto, aqui não nos interessarão os problemas de tradução específicos da
Edição Standaril Brasileira traduzida a partir do inglês. Ela agrega às conhecidas
dificuldades da tradução inglesa (j,í bastante debatidas nas décadas de 70 e 80)
alguns novos defeitos. Estes são derivados, em parte, d,lS diferenças entre inglês
e português e, em parte, de simples erros de transcrição e impressão. Também
cabe menciOll<lr que, apesar do fato de que nas traduções pode-se compensnr
cenas semi\nticas criando novas conexões em outros trechos, não se
trar.a aqui de Ulll livro sobre traduções e, portanto, não serão abordados os
acréscimos e ganhos da tradução
APRE..')ENTAÇÃO 15
N o presente livro, não se trata mais de focalizar cada um dos
. termos alemães em seu contexto, mas do fluxo do" texto
freudiano e das tramas teórico-temáticas que lá se formam.
Estas tramas perpassam a teoria pulsional e se organizam
em torno de grandes temas freudianos, tais como a ânsia, o
bloqueio, as imagens, etc., os quais serão apresentados ao
longo dos capítulos.
Na parte I, o primeiro capítulo enfoca a palavra Trieb
(pulsão, instinto) e visa desembaraçá-la de certas distorções
semânticas. Os capítulos seguintes procurarão situar o Trieb
no construto psicanalítico. Na parte II se discute como a
pulsão, fincada no corpo, se alça à esfera psíquica; a parte
III aborda como a pulsão, j<l na psique, se ata às imagens,
afetos e palavras e põe-se em movimento através destas; a
parte IV traz a concepção de Freud a respeito da intervenção
psicanalítica sobre os conflitos pulsionais. Nos apêndices
são apresentados operadores de leitura que facilitam o
acesso aos trechos onde Freud trata do concCÍto de pulsão.
Uma palavra quanto à escolha dos temas pulsões e a
intervenção psicanalítica.
é só uma ques-
tão teórica, mas também uma questão clínica diretamente

escritos, de-"Un;'-
__ .... - - 2 ,,_ .. _-_ ...
"tratamento psicanalítico <i.<?\Lç,onflitos
são
___ ... __ ___ --..... __ 4'''O< __ __ .. __ ,_ ••• __ ___ _
fundamentais que estão entrelaçados e a partir dos
.-
-_ .. --. ." ' . _.' . ' ',' , . '-'",--
Contudo, a escolha não ocorreu somente pela relevância
teórica e clínica, mas também por tratar-se de um sítio
privilegiado de disputas entre as escolas freudianas. Muitos
dos acréscimos e aperfeiçamentos introduzidos por psicana-
listas posteriores a Freud, tais como Klein, Winnicott, Bion,
2 Análise Terminável e interminável (1937) [ESB 23, 264J-
16
A TEORiA PULSiONAL NA CLÍNICA DE FREUO
Lacan, Laplanche, Fédida, etc., tratam de maneiras diversas
da questão pulsional.
Apesar de a existência destas disputas mostrar que não
existe um único e "verdadeiro" Freud encontrável nos textos
originais e que, tampouco, o entendimento da obra freudia-
na é uma mera questão de esclarecimento lingüístico e de
boa tradução, voltar a determinados aspectos do texto ale-
núo permite que o leitor se situe melhor nestes debates, bem
como contribui para acrescentar vivacidade e precisão à
leitura de certas passagens.
_E;§,pero evidencie a..-ª-1!l_ªli<:lª-de do texto de
Freud, o qual, aEQ!!!--ª"-p-ª!:ª--1,!gta_cltmcãgue-
quanto --
pelo
,nal-para,a s:ida...psíquica.
Considerações Metodológicas
Nesta sessão, são apresentadas algumas das premissas e
procedimentos que guiaram a feitura deste livro.
Há no texto freudiano uma unidade entre a linguagem e
os conceitos. Numa dimensão se interligam lingüisticamente
as palavras alemãs, e em outra, de interesse propriamente
psicanalítico, se estabelecem as conexões teóricas entre os
conceitos psicanalíticos designados por tais palavras.
Pela se dá ao leitor acesso a aspectos da lingua-
gem freudIana alemã essenciais para a segunda, onde se
aborda a teoria pulsional e seus desdobramentos na dínic;
de Freud.
Portanto, inicialmente, este tipo de uma
metodologia que discriminasse os casos em que os conteú-
dos das palavras alemãs são relevantes para a compreensão
dos conceitos psicanalíticos, dos casos em que o alemão
pouco acrescenta. Pata tal, o trabalho pautou-se por dois
focos simultâneos: pelas diferenças entre os significados da
terminologia psicanalítica do português e do alemão e pelos
encadeame'ntos e redes semântico-teóricas que percorrem o
texto original.
Quanto ao primeiro foco - as de significados
e conotações entre os do português e do alemão -,
privileghiram-se aqueles termos passam despercebidos
numa leitura alemã, mas que, ao serem traduzidos, causam
tal estranheza ou perda de sentido no português, que vale a
pena retomá-los, por exemplo neologismos como "escopo-
filia" (Schaulust). Também incluíram-se os verbetes de cujas
características lingüísticas Freud tirou partido para enfatizar
determinados aspectos, por exemplo uma palavra como
(Reiz), que em português tem conotações pouco
defmIdas, mas que em alemão remete a um leque conotativo
18 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
bastante expressivo. A metodologia empregada para a reali-
zação desta primeira etapa pode ser encontrada, em maiores
detalhes, num trabalho anterior, o Dicionário Comentado do
Alemão de Freud (Hanns, L. A., Imago Editora, 1996).
A esta primeira dimensão, mais centrada sobre os verbe-
tes individuais, acrescentou-se neste livro um segundo foco
- a investigação dos encadeamentos e redes semântico-teóri-
cas. Isto implicou estudar as relações! entre os verbetes e
conceitos, para poder identificar e contrastar, entre o ale-
mão e o português, as tramas teórico-temáticas que percor-
rem a teoria pulsional no original e se enfraquecem na
passagem ao português.
Este segundo foco exige a aplicação de três tipos de
leitura, paralelos aos empregados para o estudo dos verbetes:
I) O primeiro abarca os aspectos lingüísticos que inter-
ligam os conceitos enquanto palavras. Há vários modos de
relacionar as palavras entre si: podem ser relacionadas por
seus significados semelhantes, por terem significados opos-
tos, por possuírem radicais em comum, por conterem cono-
tações complementares, etc.
Por exemplo, as palavras Reiz (estímulo) e Trieb (pulsão)
possuem ambas um sentido de transitividade entre o prazer
e o desprazer, evocam a sensação de algo atraente que
desperta um apetite e também algo torturante que se impõe.
Estas características não estão presentes nas palavras "estí-
mulo" e "instinto" em português.
2) O segundo modo de leitura aborda recursos semânti-
cos e estilísticos que Freud coloca a serviço de ressaltar
determinados paralelismos ou articulações entre as palavras.
Procura-se por uma recorrência no uso de certas ima-
gens ou expressões. Portanto, não basta um uso ocasional,
é necessário que vários textos - ou repetidamente num
mesmo texto - se destaquem claramente, através de verbos,
advérbios e adjetivos, certas características que interligam
os termos. Por exemplo, Reiz e Trieb são, ao longo da obra,
ambos utilizados em conexão com adjetivos de dor, medo,
incômodo, fuga (na vertente do desprazer), ou em relação
CONSiDERAÇÓES METODOLÓGICAS
19
com adjetivos agradáveis e com o desejo \na vertente do
prazer).
3) Finalmente, a terceira grade de leitura se dirige. aos·
aspectos teórico-psicanalíticos que inter-relacionam não pa-
lavras, mas conceitoS. Por exemplo, Trieb e Reiz são, ao longo
da obra freudiana, tratados ora como equivalentes (sinôni-
mos aproximados), ora como elos diferentes de um mesmo
processo (o brotar e manifestar-se da pulsão).
Cada um dos três critérios de leitura é necessário, mas
não suficiente.
Se o primeiro critério (leitura dos aspectos lingüísticos
que interligam os conceitos enquanto palavras) fosse utiliza-
do isoladamente, apenas indicaria uma regularidade e coin-
cidências lingüísticas quaisquer.
Sempre se encontrarão coincidências entre determinados
aspectos de palavras (sonoridade, raiz, etimologia, conota-
ção). Por exemplo, Versagen (fracasso) e Versagung(interdição,
bloqueio, proibição) possuem o mesmo radical sagen (dizer,
falar) e o mesmo prefixo ver·· (ir adiante, continuar, processar,
fechar, extinguir). Contudo, sem um respaldo que indique
que h ~ a um uso freudiano dos termos apontando para
determinadas relações, não seria possível fazer inferências
sobre o texto alemão apenas a partir de meras regularidades
lingüísticas encontradas entre as palavras. Estaríamos no campo
da livre associação.
Portanto, quando se apresentam neste livro interligações
entre palavras, não se trata de abrir conexões e sentidos,
fornecendo aos leitores acesso às múltiplas redes associati-
vas possíveis entre as palavras. Este tipo de jogo remete a
um sistema onde qualquer relação que se estabelecesse
valeria. Tampouco se trata do fenômeno, tão bem descrito
na teoria lacaniana da linguagem, sobre' o interminável
deslizamento possível de significantes e significados. Quan-
do, neste livro, se inter-relacionam os termos, por exemplo,
os aspectos provocativos-impelentes comuns a Trieb e Reiz,
trata-se das relações mais freqüentes, en-contradas em dicio-
nários e no uso cotidiano.
(
<
(
20 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
o segundo critério (aspectos literários) revela uma tona-
lidade que o texto; contudo, empregado por si
(sem a simultânea validação dos primeiro e terceiro
rios), apenas apontando para cacoetes do estilo,
lapsos do autor, recorrências inconscientes, etc. Por exem-
plo, o mero fato de Freud utilizar uma terminologia mais
calcada em termos germânicos, em vez de greco-Iatínos, não
é suficiente para indicar uma linguagem psicanalítica mais
humanista e menos "técnico-médica". É necessário que se
faça, além de uma comparação com textos alemães psicoló-
gicos e médicos da época, uma busca de comentários de
Freud a este respeito, para não se tirar, a partir das primeiras
aparências, conclusões apressadas.
Finalmente, o terceiro crivo de leitura (as conexões psica-
nalíticas), alienado dos outros dois, revelaria tramas
mas não as tramas temáticas e semânticas do
Uma leitura que, por exemplo, articulasse, do ponto
teórico, a relação entre a "compulsão", a "repetição" e a
"transferência", apesar de teoricamente relevante e claramen-
te presente na teoria freudiana, não estaria abordando um
problema derivado da tradução. Não se trata de uma conexão
que apareça no texto alemão de forma diferente do português
e que tenha permanecido oculta ou enfraquecida neste idio-
ma. Seria tão-só. um trabalho teórico.
Portanto, somente onde foi possível fazer as três leitu-
ras convergirem simultânea e repetidamente ao longo da
obra, .foi considerado legítimo identificar um Leitmotiv
freudiano, uma trama teórico-temática. Assim, a regra
seguida aqui é de apoiar-se em ocorrências numerosas,
recorrentes e suportadas pelas três grades de leitura. Não
se lançou mão de usos isolados e de trechos ou notas
excepcionais para apresentá-los como evidência e argu-
mento. Tomar-se as exceções, ou a aparição isolada de um
único exemplo, para para o conjunto da
obra só é possível a partir de muitas ilações e inferências
que supram a falta de evidências explícitas fornecidas pelo
próprio Preud. Muitas vezes, tais inferências acabam for-
CONSIDERAÇÕES METODOLÕCICAS
21
çando coerentizações onde não as há, ou exigem que se
supostas mudanças no percurso teórico
para anular outros usos anteriores e posteriores dos con-
ceitos e inserir à força uma ocorrência excepcional como
se fosse parte fundamental da obra. Contudo, trabalhar a
partir de ocorrências isoladas e de exceções que figuram
como corpos estranhos no conjunto da obra e desafiam a
nossa compreensão não apenas pode revestir-se de interes-
se para uma leitura hermenêutica e de exegese, como
também tem sido fonte de inspiração para grandes avanços
na teoria psicanálitica. Muitas prováveis intuições e anteci-
pações de Freud, bem como impasses por ele deixados de
lado, foram retomados, desenvolvidos e integrados a
riências clínicas e a aportes de áreas afins, ou pelo menos
serviram de pretexto argumentativo para suportar inova-
tais como a elaboração do conceito kleiniano de
contratransferência, a concepção lacaniana de ideal e
ideal de de preclusão, etc. Entretanto, a leitura em-
preendida aqui não é desta natureza, pois visa aproximar
o leitor de importantes aspectos da teoria e clínica freudia-
na das pulsões que permaneceram retidos no texto alemão
daí a necessidade metodológica de operar com aquilo
recorrentemente explicitado no texto.
Apesar de cada uma destas três grades de leitura pau-
tar-se pela pesquisa direta sobre o texto de Freud e avançar
sempre aberta a incorporar observações inesperadas, não
seria possível conduzir tal investigação sem ter selecionado
previamente pontos específicos a focalizar.
Para tal, foram fundamentais as discussões sobre as
de entendimento entre leitores e brasi-
leiros. Estas permitem verificar até que ponto
conotações distintivas do termo são ou não evocadas
para o leitor alemão, bem como se há para o brasi-
leiro dificuldades de entendimento devido a diferenças de
polissemia e conotação. Por exemplo, há uma tendência a
se compreender, no texto freudiano em português, a pala-
vra "frustracão" con10 "rlp('pnd'ío" 011 "P<:t,:>r1 .... ...1", ..,rn'>r,'r
22 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
ra", enquanto Versagl.lng; no texto alemão, corresponde a
"frustração" na acepção de "impedir", "bloquear", "sola-
par", isto é "conseguir frustrar as intenções". Este tipo de
diferença tem implicações decisivas na compreensão do
processo de etiologia das neuroses e na prática clínica.
Este mapa de dificuldades de leitura foi obtido empiri-
camente pela convivência com grup?s de estudos e discus-
sões com alunos, sem preocupação' de representatividade
estatística, mas visando rastrear dificuldades e mal-entendi-
dos de leitura recorrentes e essenciais.
Além disso, também foi necessário guiar-se por uma
concepção teórica das questões de linguagem na obra de
Freud. Ocorre que muitas das idéias a respeito do tema, hoje
disseminadas, provêm de fontes tão diversas e de justaposi-
ções tão variadas, que se torna difícil discriminar sua auto-
ria, porém alguns teóricos que se ocuparam das questões da
linguagem freudiana e influenciaram este trabalho, em
especial, deveT;ll ser citados: Bettelheim, Etcheverry, Lacan,
Laplanche, Strachey, Orston e Mahony.
Entretanto, utilizaram-se as idéias destes pensadores
somente como guias temáticos, não como hipóteses a serem
testadas. Se nem todas as conexões apontadas por esses
comentadóres foram incluídas, isto se deve menos a uma
crítica às posições de cada um e mais aos critérios de
investigação aqui adotados: Assim, por exemplo, a diferença
entre Ding e Sache na teoria lacaniana, ou o sentido de Ang:st
como "angústia" na abordagem laplanchiana, ou a impor-
tância dos verbos compostos com brechen (quebrar, romper)
no texto freudiano, destacaçla por Mahony, apesar de sua
importância, não foram incluídos. Uma discussão crítica a
respeito destas e de outras interpretações vigentes nas várias
escolas não foi realizada neste livro. Preferiu-se utilizar as
contribuições teóricas, mesmo que em contradição entre si,
apenas como balizas de estudo. A pesquisa sobre o texto
freudiano foi realizada a partir de uma leitura pelas diferen-
ças entre os significados da terminologia psicanalítica do
. CONSrDERAÇÓES METODOLÓGICAS
23
português e alemão e pelos encadeamentos e redes semântico-
teóricas que percorrem o texto original
3
.
Contudo, numa eventual tentativa de comparação críti-
ca entre as divergências encontráveis nas interpretações dos
aulores supra-citados, bem como entre estas e as interpreta-
ções derivadas da presente pesquisa, talvez dois bons crité-
rios pudessem ser: o grau de coerentização da obra que uma
interpretação oferece ao lograr dissolver determinadas con-
tradições e a capacidade de articular e integrar, dentro do
texto freudiano, hipóteses antes desconectadas.
Estes dois critérios deveriam, porém, ser agregados aos
parâmetros lingüístico-psicanalíticos anteriormente descri-
tos (três grades de leitura). Isto porque, se for considerado
que no texto freudiano os conceitos psicanalíticos, mesmo
sendo mais complexos e abrangentes do que as meras
palavras alemãs que os designam, ainda estão conectados
aos sentidos destas palavras, uma boa interpretação deveria
manter-se em sintonia com o uso coloquial alemão, bem
como com o uso freudiano das palavras alemãs.
Para poder dispensar-se esta exigência de coerência
lingüística, seria necessário demonstrar que o manejo lin-
güístico freudiano não vincula os conceitos ao sentido das
palavras, isto é, que Freud não adere aos conceitos psicana-
líticos uma cota do sentido fenomenológico contido nas
3 Uma discussão crítica das diversas vertentes interpretativas implicaria
estabelecer um campo de comensurabilídade com os referenciais teóricos de
cada uma e, por fim, definir critérios de validação, empreitada que nos
d e s v i a ~ i a em demasia do foco de trabalho do presente livro. Vale lembrar que
um dos maiorcs dcs<lfios, tanto em epistemologia da ciência como em
semiótÍca, é justamente a comparação entre interpretações ou teorias
divergentes. Nas ciências empíricas, bem como na hermenêutica, desde a
década de 50 não se ultrapassou o impasse entre os que acreditam ser possível
comparar teorias e interpretações em bases racíon,lis e os que defendem a idéia
de que, frente 11 insuficiência dos instrumentos da lógica para analisar as
divergências teóricas e frente ao poder dos afetos e da retórica, toda bipótese
pode vir a se tornar, conforme as circunstâncias, hegemônica num determinado
grupo, Encontram-se boas sínteses a respeito do tema em Lakatus, r. e
Musgrave. A Criticism and lhe Growth of Kno1JJledge, Cambridge University Press,
1970; }'cyerabcnd, P.K Consolat'ion far lhe Specialíst; Oliva, A. A Cientificidade em
Q!,eslrlo, Papirus Editora, 1990; Eco, U. [nterjlrelaçrlo e Sllperinterpretaçrlo, Martins
Fontes, 1993.
\
I ~
I ~
i
24 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLíNICA DE
palavras alemãs coloquiais. Este não parece ser o caso da
maioria dos termos psicanalíticos, os quais estão vinculados
às palavras que as designam. Por exemplo, o conceito de
Befriedigung (satisfação/ apaziguamento), mesmo tendo par-
ticularidades na sua inserção nos mecanismos psíquicos,
descreve um fenômeno que corresponde à sensação que
coloquialmente é descrita por Befriedigung. Como se verá ao
longo deste livro, conhecer o sentido .tlemão de Befriedigung
e a diferença entre esta palavra e o termo português "satis-
fação" é útil para elucidar e dirimir certos mal-entendidos
freqüentes em português sobre o sentido psicanalítico do
conceito de "satisfação da pulsão".
Todavia, conforme mencionado, a opção foi de concen-
trar-se na busca das tramas semântico-psicanalíticas do texto
alemão que se perderam nas traduções e deixar por conta
do leitor eventuais comparações críticas, tanto entre as
interpretações vigentes como nos casos onde há discrepân-
cias entre estas e os resultados da pesquisa.
Duas características essenciais das conexões e tramas
semântico-psicanalíticas apresentadas neste trabalho é que
elas agrupam palavras que podem ser arranjadas conforme
conjuntos que expressam uma mesma idéia, portanto como um
bloco, ou podem ser dispostas como palavras que se articu.
iam a partir das diferenças entre os significados de cada uma,
portanto, como uma seqüência.
Muitas vezes, quando princípios gerais, Freud
trata de grandes tendências e contratendências que ora se
opõem, ora se complementam na vida psíquica. l)tiliza
então várias palavras que formam, em alemão, um bloco
semântico comum, para enfatizar uma mesma idéia-tema
que caracteriza certa vertente psíquica. Por exemplo, quando
contrapõe a tendência dos estímulos incômodos de se mani-
festarem à contratendência da psique de evitá-los, Freud
emprega, quase como equivalentes, as palavras Schmerz
(dor), Angst (medo), Unbehagen (mal-estar), Reiz (estímulo),
Drang (pressão), Zwang (compulsão), Trieb (pulsão). Todas
expressam intensidades e qualidades diversas de uma ores-
CONSIDERAÇÔES METODOLÓGICAS 25
são incômoda que se impõe nas várias dimensões da vida
psíquica e formam um bloco que se contrasta à contraten-
ciência de evitação, a qual Freud descreve utilizando, alter-
nadamente, palavras como Abwehr (defesa), Verdningung
(recalque), Unterdrückung (supressão), Entfernen (afastar),
Verwerfen (rejeitaljprecluir). Trata-se, neste caso, de contra-
por genericamente dois blocos, onde as palavras que com-
põem cada grupo possuem um sentido em comum.
Contudo, quando sistematiza os processos, Freud dife-
rencia e articula os termos entre si, usando cada palavra para
nomear uma função específica. Ao descrever os mecanismos
pelos quais a pulsão se manifesta na fisiologia, no processo
primário, secundário, etc., bem como para explicar os me-
canismos de evitação correspondentes, com freqüência
Freud chega até a comentar os significados coloquiais par-
ticulares das palavras alemãs que emprega, diferenciando
semântica e depois psicanaliticamente umas das outras.
Há, portanto, uma alternância entre os momentos em
que se referea tendências se
expressam poqramas"enfáticas,.onde predomina umãTcI:éla-
força; e momentos em que o (jutor detalha processos espe-
. que se por oride

Esta rede de semelhanças e diferenças entre as palavras
alemãs, que ajuda a conferir uma certa tonalidade ao texto,
bem como dar-lhe maior precisão, em muitos casos se
esgarça na tradução. Às vezes se logra encontrar para cada
palavra uma correspondente em outro idioma; perdem-se,
porém, algumas conexões que havia entre as palavras origi-
nais. Entretanto, mesmo quando potencialmente se pode iden·
tificar em português as mesmas relações e enlaçamentos que as
presentes no texto alemão (por exemplo, em português,
termos con10 "energia", "pressão", "obsessão", "estímulo" e
"instinto"/"pulsão", tal qual em alemão, também têm em
comum um dinamismo que ativa e movimenta o sujeito
animando suas ações), as diferentes tendências de com-
reensão arrai Fadas em cada idioma deslocam o entendi-
26 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
mento de cada termo, enfraquecendo as ligações que havia
no alemão, levando o leitor a um entendimento mais este-
reotipado que ignora a influência do contexto e a riqueza
polissêmica. Estes efeitos geralmente não chegam a pertur-
bar a compreensão da obra, esmaecem-Ihe apenas o colori-
do, alterando a tonalidade do texto freudiano (a qual tem
sido muito debatida na literatura especializada). Contudo,
em certos casos, tais perdas tornam alguns trechos difíceis
de compreender, ou até incoerentes ou incompatíveis.
Por exemplo, em certos textos freudianos é a pulsão que
é objeto de recalque, em outros é a representação, em outros
é o afeto ou o desejo. Também quando trata da defesa, ora
o mecanismo central parece ser o recalque, ora é a supressão
ou a recusa. Tais alternâncias causam freqüentemente difi-
culdades à compreensão. Uma leitura do texto psicanalítico
que leve em conta os diversos manejos das palavras alemãs
dá maior unidade e coerência a estas colocações. Também
permite deslocar a problemática a respeito da pulsão e da
defesa, de um aparente hermetismo conceitual (a ser
vendado por uma leitura exegética), para uma discussão do
esforço de Freud em inserir e desenvolver tais conceitos no
arcabouço psicanalítico (compreender seus mecanismos,
classificá-los, inter-relacioná-los, etc). Portanto, em alguns
casos a discriminação tais tramas que percorrem a obra
freudiana funciona, de certa forma, como chave geral de
leitura.
Entretanto, apesar de sua utilidade, nem todas as tramas
que resultaram da pesquisa foram incluídas com o mesmo
destaque, pois foi mantido o foco sobre o tema central, a
teoria pulsional freudiana. Embora o arcabouço psicanalíti-
co forme um sistema interligado de hipóteses, onde todos
os elementos se inter-relacionam, os encadeamentos não
diretamente envolvidos nos processos pulsionais mais ime-
diatos foram apenas citados marginalmente como contra-
ponto, ou até excluídos (por exemplo, os mecanismos de
defesa específicos, a questão da regressão, a teoria de angús-
tia/ ansiedade, etc.).
CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS 27
Quanto à seleção de textos, esta norteou-se pelo objetivo
de apresentar, através de numerosas evidências, algumas
preponderâncias na articulação dos conceitos da teoria
pulsional. Por isso, optou-se por utilizar, além dos textos
clássicos onde Freud trata mais diretamente do tema, exem-
plos que cubram um largo período (de 1895 a 1937), bem
como textos que abarquem diversificadas, tais como a
fisioiogia, a natureza, a biologia das espécies, a clínica, a
metapsicologia e a cultura. Textos mais periféricos, ou me-
nos emblemáticos, ou redundantes, foram deixados de lado.
Como pode-se constatar pela referência bibliográfica das
citações em cada capítulo, foram selecionados trechos de
textos variados e, em todos algum aspecto da teoria
pulsional aparece de maneira especialmente ilustrativa. Isto
não significa que se tenha evitado a contradição dos contra-
exemplos, os quais estão comentados em detalhes em diver-
sos capítulos.
Cabe ainda um comentário a respeito de como se lidou
com as constantes reformulações a que Freud submeteu a
teoria pulsional. Tais alterações, tão freqüentes, remetem à
exeqüibilidade de se falar numa tonalidade geral da obra,
bem como se pretender identificar tramas que percorram
um conjunto de escritos redigido em épocas tão diversas.
Em geral, tentativas de coerentizar uma obra assim vasta
acabam forçando uma harmonia interior que nenhum pen-
samento, enquanto esteve em evolução, poderia ter manti-
do. Isto significa que necessário verificar quais aspectos
permaneceram marcantes na tonalidade e uso lingüísticos,
apesar das alterações conceituais.
Assim, por exemplo, no conceito de Angst, mesmo Freud
tendo invertido a concepção da causalidade recalque-medo
para medo-recalque, e mesmo tendo sistematizado melhor
o conceito ao diferenciá-lo de Furcht (temor) e Schreck (sus-
to), manteve-se no texto alemão o sentido de prontidão
relativa e a respectiva neurose de Angst como uma disposição
crônica ao medo. O mesmo ocorreu com o termo Trieb,
-- ---,,--,
sua
I
28
A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FRELiD
ªspGctos.da
algo que espicaça, que prazer e desprazer, que
.. ()_ a psique e que nunca cessa de se"
ma..n!festar. Estas e outras diversasaiteraçO"es no
dos termos, às vezes reflexos de mudanças conceituais que
vão surgindo ao longo da obra de Freud, podem ser lidas
diterenciadamente como resultados de rupturas e superações
de etapas de teorização, ou como movimentos de um pen-
samento, que mesmo quando renega hipóteses anteriores,
acaba por rearranjar e reagregar elementos. Entretanto, em
um caso como em outro encontrar-se-ão determinadas tra-
mas temáticas e conotativas que permanecem constantes.
Portanto, como indica esta sucinta ilustração do método
de trabalho adotado, rastrear as tramas temático-teóricas
retidas no texto alemão e apresentar o pensamento de Freud
integrando a dimensão lingüística através da qual ele se
expressou é uma atividade de tentativa e erro, mas não é
urna livre associação ou um livre-pensar. Trata-se de um
modelo sustentado simultaneamente pela comparação con-
trastiva das línguas alemã e portuguesa, pela observação do
uso literário que Freud faz dos termos, pelo estudo, da
conexão lógica-teórica que articula os conceitos, pelas difi-
culdades de leitura efetivamente constatadas nos grupos de
estudos que utilizam textos em português, pela pesquisa da
bibliografia anterior e por uma verificação sobre as impli-
cações clínicas de determinados entendimentos de leitura.
Assim, se por este método não se tem a pretensão de ter
abarcado todas as questões teórico-clínicas do campo das
pulsões, certamente ele permite cobrir de maneira sistemá-
tica uma porção relevante e significativa das linhas de força
que perpassam a teoria pulsional freudiana.
PARTE I
A Pulsào
lOque significa a palavra pulsão (Trieb) no alemão
4
Em se tratando da palavra Trieb, atualmente
e analistas dividem-se em dois grupos. Há os que cerram
fileiras em torno da tradução por "instinto" (calcado na
tradução inglesa que emprega instinct) e os defensores da
alternativa "pulsão" (baseado nas traduções francesas que
utilizam pulsión). Como ficará claro ao longo deste capítulo,
nem "instinto" nem "pulsão" cobrem os significados do
termo alemã0
5
. Para estudar a teoria freudiana de Trieb,
mais que apoiar-se numa das duas opções de tradução é útil
conhecer o sentido alemão da palavra que Freud empregou.
Os de Trieb em dicionários
alemães estão todos muito"próxímos uns dos outro§--º .
a umnudco básico de algo
"rropulsioI;-a·';"cõrocaeiniii.oVÍriíCnto"',--"'agUílhoa-;-"tOêa
para "não
principais significadósatuãlriieOtêâiciónaTizados do termo:
1 qu,:_impele ininterruptamente_para a
Sentia
ímpeto de de viajar, de conhecer nov;'s--úrras e pessoas.
4 Este primeiro capítulo reapresenta as considerações lingüísticas que constam
sobre o verbete Trieb no Dicionário Comentado da Alemão de Freud (1996).
!'í Os debate.s sobre a melhor tradução de Trieb para o português não serão
mencionados neste primeiro capítulo de cunho apenas lingüístico, pois sem
maiores elaborações sobre o uso freudiano da palavra ficariam restritos ao uso
coloquial do termo. Uma nota mais detalhada sobre a tradução de Trieb aparece
no apêndice ll, pp. 206·209, n. 41.
30 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
2 - Ele segue cegamen'te suas incli·
nações, sem respeitar nada e ninguém.
3 Instinto, força inata de origem biQlógicª.dirigídaª
de mamar.
..
. 1-.
intensa (também utilizado COJIW ve_r:.1:>Ql: () assassino
... .. " .. ",.,.,.
sentiu um impulso (ânsia) de matar (Der Morder spürte einen
Trieb zu morden).
5 Broto, rebento (vegetais). Designa, na botânica, o
broto que nasce do caule (também utilizado como verbo).
Um novo broto apareceu esta semana.
A palavra alemã Trieb era empregada há séculos, na língua
corrente, bem corno na linguagem comercial, reÚgiosa, cien-
tífica, e filosófica. Estes usos variados se fertilizavam mutua-
mente, dotando o termo de urna ampla gama de sentidos, os
quais, contudo, não aparecem em atuais dicionários.
Para melhor cercar o termo em seu colorido e polissemia
(múltiplos significados), vale uma breve consulta ao monu-
mental dicionário Deutsches Worterbuch, um sucesso editorial
na época de FremI. Nele os autores, irmãos Grimm, apresen-
tam dezenas de exemplos para o uso de Trieb na linguagem
corrente, literária, comercial, técnica, na biologia, na mecâ·
nica, na filosofia e na psicologia, coligidos de várias épocas
e regiões de língua alemã. A maior parte destes usos conti-
nua atual.
. Os empregos do termo descritos a seguir são apenas um
resumo do extenso item em que os irmãos Grimm tratam
do verbete Trieb:
a) Designa a ação de treiben (tocar, tanger) o gado, bem
como a atividade de tocar animais que estão sendo caçados.
b) N a linguagem I iterária .!1O
, na acepção de
tímulo" no ___
como
nus em
dos. é empregado na de moüy(),_
APULSÃO 31
algo que
---,--------.. -,--'---
---C) TeTIl-'ü·-senÚdo de processo mecânico transitivo e
intransitivo, designando o empurrar, a propulsão (freqüen-
temente referindo-se à força propulsão da água); também
aparece na técnica de artilharia como sinônimo de tiro, ou
ainda como sinônimo de força que impele o tiro. Também
designa a força motriz em máquinas e do vento.
d) Na botânica, o termo se refere à força orgânica que
faz brotar, remete à imagem de força dos seres vivos em
geral, expressa o Drãngen (pressionar/ansiar) inerente aos
seres viventes, o qual promove a saída de dentro para fora.
e) Num uso bastante incomum, é encontrado também
no sentido de forte influência ou tortura (quãlen, plagen,
Peinigung) [DW, 438).
f) Na açs:pçª-º- de força motriz

vontade) e Energie (energia).
tem efeito em geral
Pode ter o sentido de um})mng
é
um temperarneI1to forte ou tenacidàde:
"-g) Na e psicologia do século XVIII, tem o
sentido I!ls.ti.r;çe. e ,designa as, moções. (Regungen) primiti-
e naturais .. Iambém é empregado emSQmposiçãocom
outros para (Ausserungs-_
trieb, instint().de expressar; Nachahm;,-;;-g.itrZeb: instinto de
-- ,- "--",.---
h) Na literatura e poesia, aparece em conexão com o
amor e a sensualidade.
Pode-se reconhecer, neste uso variado, diversos aspectos
também presentes no texto de Freud e que ainda serão
esclarecidos mais adiante. Apenas a título de menção,
adiantado uma
pressão (Dmng),
-( ZiiJang), idéia! representação (VorStêllflng')'TaITiliempode-se
de pulsão como
(
c I
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
algo poderoso e energético seu caráter indefinível e
absoluto e seu caráter oscilante entre o prazer e o desprazer.
tomarmos o conjunto dos empregos do termo encon-
trados em antigos e atuais dicionários, notaremos que, de
forma geral, trata-se de uma Força Impelente dos seres
viventes. Essa Força Impelente manifesta-se em todos os
níveis de existência dos seres vivos, isto é, abarca um "arco"
que parte do absoluto e grandioso, passa pela espécie e
chega ao indivíduo específico. Para facilitar a visualil.ação
desse "arco", podemos didaticamente classificar a manifes-
tação do Trieb em quatro níveis.
1 - Na língua alemã, bem como no texto de Freud,
._..... _ ....." .._-_._----
Trieb pode se manifestar como uma gran_c!.<:.
(em F reúcCi:lUlsão
vida, de morte, etc).
2 - Esta mesma grande Força que Impele pode manifes-
tar-se como Força Biológica específica de cada espécie (pul-
são de reproduzir-se, de mamar, de gregarismo).
pode aparecer como manifesta-
------....... .
dessa Bz!S!1:. !]ue do For:ç.ª

descrita 'por Fieud como:
a) .que .. :r!.eurônios, nervos, [on-
em. glândulas, etc. e b ) como processo
esÚ-'em jogo o acúmulu" de
..... .
4 -. aparecerá para o indivídt.t?,
isto é, será percepido como
tade"çlorJ.medo, sensações, impulso) e iráiíhpeli-Io para
A tabela a seguir ilustra o uso do termo conforme os
critérios descritos acima. O termo vai do sentido mais geral
ao mais específico, e isto ocorre tanto no arco completo
abarcado pelo conceito quanto dentro de cada uma das
colunas (por exemplo, na esfera da biologia há pulsões mais
genéricas (reproduzir-se) e outras mais específicas (reprodu-
zir-se assexuadamente):
APULSÃO
33
A Pulsão na Língua Alemã
DIMENS ÕES ONDE SE MANIFESTA
...
-------
Na Natureza Nas
em Geral Elo
Espécies
No individoo I
l/Para0
lógicas da Espécie :indivíduo da
Cultura
FORM AS DE MANIFESTAÇÃO
. -.
.
stintos Grande Força In Estímulos ..// Imagem
que Impele ou Di sposições
ou Impulsos í
Interna,
Nervosos Impulso, Idéia,
Representação,
Afeto,
Tendência,
Necessidade,
Vontade
CAM POS DE INVESTIGAÇÃO
./// .....
Sentido Fin
(metafísica e (pa
filosofia da bio
biologia) L-...
F",ologi,
(Mundo Psíquico
radigma (visão \ (psicolQgia)
neuroanatômica)
..
I
A seguir, mais algumas observações sobre Trieb, que
serão úteis para compreendê-lo no contexto freudiano.
a) Como ocorre com vários termos da língua alemã,
Trieb o
hlêIo e a
sensação queela
.. .... -" ... .. --... ",--,",
b) T rieb,
um .
mente. u
lll
.
34 A TEORIA PUISIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
tal qual O "impulso de respirar", .<:le
, ,a a partir dá qual se gera
<._._ ••.. __
a ânsia, a vontade, o querer e o desejo.
c) Quanto ao se1:!s:ill9rido afetivo, o Trieb, quando brota
no"sujelto,
não
é possível realizá-lo, ele se acumula e se transforma-ôê
:'incentivo" em "imperativo"
(fome, necessidade de comer). Ou seja, não é de
perct':bido como ou desagradável,
rante se não o realizarmos (ou não o satisfizermos); por
exemplo, não comer, etc. Assim,
em alemão há um continuum entre o prazer e
"entre um imperativo. E, tal como se observa
nas necessidades corporais (comer, respirar, etc.), o Trieb
manifesta-se de forma incessante, como se fosse um "gera-
dor" que reenvia estímulos ininterruptamente, os quais vão
se acumulando em ciclos curtos (por exemplo, respirar) ou
longos (por exemplo, reproduzir-se).
d).O termo Trieb eventualmente, ser empregado
em alemão na r \ 0-'"
estereotipadas, mas
a uma força biológica
leva os membros da esPécie a agir v.isarul.?..semp're. (,-o
a mesma Ocasionalmente, em alemão, se utiliza
como sinônimo de lnstinkt. Ambos podem ser empre-
gados para seres humanos ou animais, bem como ambos
podem à biologia ou à percepção psíquica dos
impulsos ou Se há alguma diferença entre os
dois tennos, é mais de natureza conotativa e de amplitude
de signifiçação, não se tratando de diferenças entre aquilo
que é biológico-animal e o que é humano.
.. o_.arçº-que se inicia na F()rça
Imps:Jente mo
so ou Tendência do Indivíduo,
pnmordialmente1. manÍfestação dessa Força na esPécie como
de oh:'-
.. . ... _,-_ ......... _--,----_ ..... ,-_ .... .........--------- -.-
APULSÃO
35
jetos Determinados. Apesar de Freud preferencialmente
empregar Trieb, utiliza, bem de acordo com
o emprego alemão do termo, também á palavra Instinkt
corno sinônimo de Trieb, e a aplica a seres humanos.
e) O quando __dcfQ!-º!..
naturãlOllprincípio é algo carregado
delí1CIet.erminaçao, que remete a uma origem intangível,
que evoca a idéia de força, de atemporalidade e de um
arcaísmo. to
isolado. --_.-
da inserção do termo na língua e cultura" alemãs,
é possível também encontrar referências a Trieb na cultura
e religião judaicas. Théo Pfrimmer, em seu livro Leitor
da Bíblia (1982), p. 344-5, aborda as leituras bíblicas de Freud
na infância. Quanto à pulsão, Pfrimmer comenta:
talvez' em sua teoria das pulsões que Freud mais se
aproxima da interpretação rabínica a qual fala com muita
freqüência das pulsõcs, distinguindo a boa e a má pulsão ( ... )
Portanto, Freud pode ter conhecido este conceito e sua
interpretação a propósito de textos bíblicos diferentes. ( ... )
Segundo a concepção rabínica, já que Deus, como Criador,
não pode estar na origem do mal, as pulsões naturais, a pulsão
de autoconservação (Selbsterhaltungstrieb) e a pulsão de pro-
criação (Fortpflanzungstrieb) são neutras do ponto de vista
ético. Foi somente o homem que, por um mau uso, transfor-
mou a pulsão natural em pulsão má. Segundo a literatura
rabínica, geralmente se admitia que a pulsão má era mais
antiga que a boa. Enquanto a primeira já exerce seu poder no
homem desde que ele é bem criança, a boa pulsão começa a
ser eficaz apenas quando o israelita, ao completar 13 anos, se
torna plenamente responsável pela observância da lei. As duas
pulsões têm seu lugar no coração humano. O dever do
israelita só pode ser o combate constante contra a pulsão má,
que se renova a cada dia. (Strack e Billerback IV, 19, excursus).
Para Frcud, de
ele traz, com seu conceito de de repetição, uma
a respeito do
--"------- - '.
(
í
\
36
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREl.JD
literatura rabínica chama de pulsão má. Em certa medida,
considerar parteâcsua teorIa das pulsões como
uma retomada hermenêutica daquilo que lhe foi dado na
infãncia!'
De tudo o que foi exposto neste capítulo, pode-se de-
preender que a palavra Trieb tem usos bastante variados e
ricos no alemão. Contudo, tais usos estão espalhados pela
língua e ocorrem freqüentemente de maneira estanque em
muitos diferentes contextos. Não se deve imaginar que a
palavra, no seu emprego cotidiano, enfeixe sempre simulta-
neamente todas as suas possibilidades de emprego, ou que
o termo se constitua como um conceito articulado. Seja qual
for a opção de tradução de Trieb, "pulsão" ou "instinto,,6,
para acompanhar o emprego psicanalítico da palavra em
Freud é útil ter-se em mente a polissemia do termo. Como
conceito, Trieb é empregado de forma variada no contexto
de sistemas teóricos específicos, na filosofia, na biologia, na
teologia, na psicologia, etc.
Freud, além de utilizar o termo a partir de seu uso
coloquial e popular, sofreu influência de diversos campos
do pensamento; entretanto, é difícil discriminar de onde
procedem tais influências. Mesmo que se encontrem para-
lelos do Trieb freudiano na literatura (por exemplo, em
Schnitzler e F óntane), em determinados filósofos (por exem-
plo, em Schopenhauer e Nietzsche), na psiquiatria romãnti-
ca, na biologia ou na relIgião judaica, as idéias já estavam,
há muito, demasiadamente disseminadas pela cultura para
que se possa determinar a quem se deve a originalidade de
alguma concepção de Trieb.
A e
__ teL
-., conceito num construJo_psicanalítico no
-- ---"---'---'--' .--'" -"-"- -' .' _ .. -'-' ._.-,.- -"'--._. ----- - .. ----"
sexuais e destrutivas be"m .... _ ...___.
dos conflitos pulsionais.
.. _-.. __ ... ---
fi Contorme já mencionado no apêndice 11, pp. 20(}.209, n. 41, se aborda alguns
prós e contras destas duas opções de tradução.
A PULSÃO 37
II De que pulsão (Trieb) fala Freud
Quando Freud emprega o termo Trieb, não está se
referindo a uma dimensão de manifestação da pulsão, mas
a várias. Freud, desde o início, procurou dar conta de três
tarefas:
'<'f-"
,rrJi
3 d/O'"
1 - formular um modelo de funcionamento psíquico, a '
\
2 -estabelecer as bases fisiológicas do psiquismo e \)!}A.Y
3 - situar os fatores biológicos de nosso comportamento.
Portanto, sua sistematização teórica abarcava todas as
dimensões habituais de significação da palavra Trieb na
língua e cultura alemãs.
Ao modelo do funcionamento psíquico cabe captaLa$
filigranas da arquitetura psíquica e descrever seus mecanis-
mos.
,. psíquiço

não teJja,formgl9:9-0 propriameI)te
B1iiiti[d;-s afet.<{s, imp1:!lsos,
__
Todavia, conforme mencionado, Freud procurava esta-
belecer uma correspondência entre o mundo psíquico (idéias,
afetos) e a fisiologia pulsional (os processos neuroanatômi-
cos e energético-econômicos).
"A intenção é prover uma psicologia que seja ciência
natural, isto é, representar os processos psíquicos como estados
quantitativamente determinados de partículas materiais espe-
cificáveis, tornando assim esses processos claros e livres de
contradição."
Projeto para uma Psicologia (1895) [ESB 1, 315J
Essa intenção esbarrou em dificuldades metodológicas
e limites científicos, e Freud teve que suspender sua preten-
sào de estabelecer naquele momento as bases de uma fisio-
38 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
logia pulsional
7
.
obra, ·energéticoceconômico
-m_<glece o P.Iess'!!posto. de que
no sistema a Freud
senlpre acreditou na existêncii de uniãbase química pulsio-
nal a ser desvendada por gerações do futuro (aliás, idéia
também partilhada por Jung).
" ... devemos recordar que todas nossas idéias provisórias em
psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa su-
bestrutura orgânica. Isso torna provável que as substâncias
especiais e os processos químicos st:jam os responsáveis pela
realização das operações da sexualidade, garantindo a exten-
são da vida individual na espécie. Estamos levando essa possi-
bilidade em conta ao substituirmos as substâncias químicas
especiais por forças psíquicas especiais [refere-se às pulsões do
ego e às
Sobre o Narcisismo: uma lnrroauClIO (1914) [ESB 14,95].
_Mas a fisiologia pulsional e a
fossem relacionáveis
ná véTs-à-dí?termrnanlessíiUãaü's
conta dessa em
princípios que hoje chamaríamos de paradigmas da biolo-
gia, fez diversas tentativas de formular uma teoria pulsional
.finalista espécies. Cada pulsão responderia a uma [jrIa-
lidade biológica da espéêleque es'fãrlasuojacente
. ----._-_.. ..---..--_._-
porlamentos individuais e cõTetIvos. UtJ:lizã, para tal,
co nc ei to,s deTü:topreservação
xual", "pulsão de gregarismo", -.. ,,---.. -.
Freud procura encontrar uma classificação e hierarquiza-
ção adequada das pulsões que se coadune tanto com a expe-
7 por exemplo. de forma explícita no Projeto para ullIa
o qual depois é abandonado por mosu-ar-se demasiado
e complexo (na época, a pulsão era às vezes designada por Freud
como estímulo endógeno).
APULSÃO 39
riência clínica, como com os princípios da biologia. F...ntretan-
to, encontrar uma conceituação de pulsão e uma organização
classificatória que satisfaçam às exigências da psicanálise, da
fisiologia, bem como da biologia, é um desafio que O leva a
reelaborar sua teoria pulsional várias vezes.
" A doutrina das pulsões é a parte mais importante, mas
também a mais incompleta, da teoria psicanalítica"
Três Ensaios sobre a. Teoria da Sexualidade (1905) [ESB, 7, p.
diversas tentativas de classificação foram sempre
finalistaS Tseguindo . o paradigma
e sempre articuladas de forma
dualista (geralmente contrapondo pulsões sexuais a outros
grupos de o modelo dualista, mes-
mo 'é-nlmornentos onde dificuldades em justificá-lo,
como por exemplo no seu debate com Jung, o qual defendia
uma teoria pulsional monista. Em Sobre o Narcissismo: Uma
Introdução (1914), Freud aborda esta dificuldade e justifica
sua insistência no dualismo a partir da experiência clínica.
_-ºg de vista move Freud é
explicar a raiz do conflito psíquicq, isto é, o conflito
,naCt este que . ele pretende encontrar na forma mais Írre-'
dutível, expresso como um combate de dois princípios ou
duas pulsões básicas. Portanto, sua busca vai além das
pulsões das espécies, é por uma teoria pulsional
que se aplique a todos os viventes, algo até certo ponto
paralelo com o que se poderia designar como uma teoria
biológica unificada. de forças pulsi<.?_nais, para
..
gem portanto, o dualismo conflituoso

que se cOI!,s-ºJidarl
coIll2.. sua hipótese
básicas e irredutíveis e subjacentes a todo
Pulsoes ou Princípios q!:a

(
l
)
)
}
)
J
1
\
J
J
')
40 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
modelo, parcialmente inspirado em fundamentos especula-
tivos
8
e em pflrte derivado da experiência clínica, mostra-se
para Freud como uma hipótese fundamental, capaz de dar
coerência ao seu construto teórico, de alto alcance explica-
tivo e de grande utilidade clínica. Freud acaba por
abarcar, com sua teoria pulsional, além
a
mais geral das leis da vidi (e morte), portan!Q,dos
irredutíveis e últil110S daspulsÇ><:s. __ o
Entretanto, apesar do apoio que busca na biologia, que
não fique a impressão de que o dualismo finalista da teoria
pulsional freudiana assenta-se sobre a biologia ou a fisiologia:
"Tento em geral manter a psicologia isenta de tudo que lhe
diferente em natureza, inclusive das linhas biológicas de
pensamento. Por essa mesma razão, gostaria, nessa altura, de
admitir expressamente que a hipótese de instintos (Triebe) do
ego e instintos sexuais separados (isto é, a teoria da libido) está
8 Fl'eud sempre admitiu metodologicamente enveredar por especulações (por
exemplo, em textos como "Além do Princípio do Prazer", ou ainda no "Esboço
das Neuroses de Transferência"), desde que tais especulações estivessem a favor
de hipóteses explicativas para observações clínicas, No texto "Introdução
ao , ele se posiciona:
(, .. ) mas sou da opinião de que é exatamente nisso que consiste a diferença
entre uma teoria especulativa e uma ciência a partir da interpretação
empírica. Esta última não invejará a especulação por seu privilégio de ter um
fundamento suave;logicamente inatacável, contentando-se, de bom grado, com
conceitos básicos nebulosos mal imagináveis, que espera apreender mais
claramente no decorrer de seu desenvolvimento, ou que está até mesmo
pl'epanlda para substituir por outros. Pois essas idéias não são o fundamento
da ciência, no qual tudo repousa: esse fundamento é tão somente a observação.
Não são a base mas o topo de toda estrutura, e podem ser substituídas e
eliminadas sem prejudicá-Ia. Em nossos dias a mesma coisa vem acontecendo
na ciência da física, cuja noções básicas no tocante a matéria, centros de força,
atração, etc., são quase tão discutíveis quanto as noções correspondentes em
psicanálise,( .. ,) Na ausência total de qualquer teoria dos instintos/pulsões que
nos ajude a encontrar nossa orientação, podemos permitir-nos, ou antes,
;. tabe-nos começar por elaborar alguma hipótese para a sua conclusão lógica,
até que ela ou se desintegre ou sc:;ja confirmada. Existem vários pontos a favor
da hipótese de ter havido desde o início uma separação entre os instintos sexuais
e os outros, instintos do ego, além da utilidade de tal hipótese na análise das
neuroses de transferência.
lntrodução ao Narcisismo (1914) [ESE, 14,93-94].
A !'lJLSÃO 41
longe de repousar inteiramente numa base psicológica, extrain-
do seu principal apoio da biologia. Mas serei suficientemente
coerente [com minha norma geral] para abandonar essa hipó-
tese, se o próprio trabalho psicanalítico vier a produzir alguma
outra hipótese mais útil sobre os instintos (Triebe). Até agora
isto não aconteceu. .. Visto não podermos esperar que outra
ciência nos apresente as conclusões finais sobre a teoria dos
instintos, é muito mais objetivo tentar ver que luz pode ser
lançada sobre esse problema básico da biologia por uma síntese
dos fenômenos psicológicos".
Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB, 14,95].
_ILda,.clín.ica parte. Assim,Lnão
de suas ambições iniciãE--de
detalhado
em
gerais. diversos
eIa'carreira fevaram-no
a "desintegrar", "co;fii-ffiãi-;;:--à-refórITi'lI'là[ e ampliar diver-
sas-vezessú;'teonãpufsronal:'--- ----.".,-.,,-. '-
"N a ausência total de qualquer teoria dos instintos (Triebe)
que nos ajude a encontrar nossa orientação, podemos permi-
tir-nos, ou antes, cabe-nos começar por elaborar alguma hipó-
tese para a sua conclusão lógica, até que ela ou se desintegre
ou seja confirmada. "
Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB, 14,93-94].
Todavia, além de fornecer um modelo de orientação
para o trabalho na clínica, utilizar um conceito abrangente
como Trieb era uma exigência de suas de criar
um construto de alto poder explicativo que desse
conta das três tarefas citadas no início do capítulo. Tal
pretensão, em parte do gosto científico da época, também
era necessária para dar força e relevância ao novo campo do
conhecimento ue Freud estava inau urando.
42 A TEORIA I'ULSIONAL NA CIlNICA DE FREUD
"Contudo, quem se dedica à construção de hipóteses cien-
tíficas só pode começar a levar suas teorias a sério se elas se
adaptam em mais de uma direção ao nosso conhecimento e se
a arbitrariedade de um constructio ad hoc pode ser mitigada em
relação a elas."
para urna Psicologia (1895) [ESB 1,322].
Apesar da amplitude conceitual, a pulsão da
é tUllêõriCeíto vag;'-TamPo_uco
observado -; partir
._-:,:::: __ como conceito biológico.
ditono que Freud usa enl.
toda a sua em alemãO:'
da
suas manifestações específicas, na clínica, na fisiologia, na

diversos
Como se mais adiante, uma das características do
uso freudiano do conceito de é o fato de partir da
mútua determiI1ação entre a finalidade natural da pulsão e
suas contingências de manifestações fisiológicas e psíquicas
repertório é extraído da história de nossa espécie e da
cultura). É da que se
.e.ãCuftüra que Freud irá sempre
. - aproxi;;;ção mais didática,
as pulsões como sendo orquestradas a partir de patamares
gerais, nyas leis regulam a natureza orgânica, e como forças
que vão i.nstanciando-se progressivamente em patamares
cada vez mas específicos. Entretanto, em cada um dos níveis
de instanciação, novas contingências de manifestação se
acrescentam e geram uma lógica e leis próprias que se
adicionam às anteriores e constituem uma nova matriz de
mais complexa e, até certo ponto, autônoma
das anteriores. É claro que esta descrição de movimento
progressivo deve ser entendida apenas como um recurso
didático, pois se trata de manifestações simultâneas.
APUL'>ÃO 43
Assim, por exemplo, ao nível da fisiologia, a pulsão
circula num ciclo que começa pelo brotar da produção
glandular de cargas de estímulos hormonais e nervosos,
culmina no acúmulo ou sobrecarga de estímulos e desembo-
ca na ação neuromotora descarga. Mesmo nos contextos
onde tal ciclo de funcionamento contraria os interesses
biológicos da espécie, ou até vai contra o bem-estar do
indivíduo, o sistema pulsional segue incólume, produzindo
cargas e descarregando.
Tomada isoladamente, a í
é e f, \ I
Contudo, compreendida em funcionameniô 7jÁ}J
às vêZeSCOmprern:entã;eàs vezes oY 'J.f.,
... _ .. _ ...
Carrlãs a ,/J'-v. {\
dãOiOIogia e a da ganha-
I \
grã-i-teoria e à prática clínicas. Por isso,

da
i:iITl" deles, a teoria _ Pll!si9nal . freudiana ficadescónIíiliTIi,
::>V,:tLlá-::>C: o próprio conceito
--,-----,---------'-
freugi.ana das
pulsões que se estY9é; só a dimensão do;
e afetos, mas também a fisÍürõgia
pur8íõnal, suas hipóteses energéticas, químÍc:as'e' rieÜróãríã-

Portanto, pode-se perceber o quanto a amplitude semân-
tico-conceitual do termo Trieb o interliga com outros ele-
mentos fundamentais, tais como o o a
pressão, a representação, etc. Todos esses termos, em ale-
mão, se relacionam semanticamente entre si. Tais relações
lingüísticas facilitam a leitura da teoria, pois interligam os
conceitos abstratos numa mesma malha, através de palavras
vivas e descritivas.
II
44 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
UI As grandes pulsões: das espécies ao indivíduo
Conforme
ser viv0-L'!-
.--qual niâiiifesI"<CáT6dêi"m2ill<;X!J9 .. No exemplo a seguir,
após empregar de pequenas pulsões do
cotidiano, Freud menciona que há algo de poderoso por
detrás delas. Esta energia de origerri indeterminada, que ao
se manifestar em cada indivíduo se ramifica em numerosas
pequenas pulsões, é como um grande rio cuja fonte se situa
para além (ou aquém) da existência dos individuas.
"A teoria dos instintos (Trieblehre) é, por assim dizer, nossa
mitologia. Os instintos (Triebe) são seres míticos, magníficos em
sua indefinição. Em nosso trabalho, não podemos desprezá-los,
nem por um só momento, de vez que nunca estamos seguros de
os estarmos vendo claramente. Os senhores sabem como o
pensamento popular lida com os instintos (Triebe). As pessoas
supõem existirem tantos e tão diversos instintos (Triebe) quantos
aqueles de que elas necessitam no momento um instinto
(Trieb) de auto-afirmação, um instinto (Trieb) de imitação, um
instinto (Trieb) lúdico, um instinto (Trieb) gregário e muitos
outros semelhantes. As pessoas os pegam, por assim dizer, fazem
cada um deles desempenhar sua função particular, e, depois, os
dispensam novamente. Sempre se nos impôs a suspeita de que,
por trás de todos essas numerosas pequenas pulsões (Trieben)
emprestadas, se esconda algo sério e grandioso, do qual gosta-
ríamos de nos aproximar com cautela."
Novas Conferências, 32. Conferência
(Ansiedade e Vida Instintual) (1933) [ESB 22, 119-20}.
N as várias formulações que Freud fez de
nal, há sémprê-atentãfiva-deentOIiItar{:>uls6es irredutíveis às
. qüais c0I!19
as gúiliClespulsõesbiúl6gTcas'espeéTficas,
zidas fat(;ral). e
fundamentais,-as"quaisFrêíiCi descreve como "algo sério e
A l'UL'iAO 45
grandioso". ConÍorme já mencionado, Freud quase sempre
Considerou que estas pulsões últimas se articulavam num
modelo dualista a partir do qual derivavam todas as outras
pulsões. Inicialmente, tomou como fundamentais as pulsões
de autopreservação e as pulsões sexuais, contrapondo umas
às outras' mais tarde, considerou alinhar as sexuais às , ___ .o-.-

morte.
O arco pulsional parte sempre do geral para o espeCífi-
co. No texto Além do Princípio do Prazer (1920) e no exemplo
abaixo, mais do que ao ser humano, Freud, quando trata do
Princípio de Nirvana, da Pulsão de Morte e do Princípio do
Prazer, refere-se aos viventes em geral:
"( ... ) o princípio de Nirvana (e o princípio do prazer, que
lhe é supostamente idêntico) estaria inteiramente a serviço dos
instintos (Triebe) de morte, cujo objetivo é conduzir a inquie-
tação da vida para a estabilidade do estado inorgânico ( ... r
o Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19,200].
Os grandes Triebe fundamentais que regem todos os
viventes assumem a forma de Triebe mais específicos da
espécie para, então, manifestarem-se de forma particular no
indivíduo humano. Essa maneira de conceber uma instan-
ciação das pulsões era uma tendência da época. Na esfera
da biologia das espécies, procurava-se agrupar os Triebe em
categorias progressivamente cada vez mais específicas, par-
tindo-se das pulsões gerais, comuns aos grandes grupos de
espécies, até aquelas do ser humano. Como se percebe na
citação crítica que Freud faz do trabalho de Trotter, essa não
era uma particular da psicanálise:
"Trolter deriva os fenômenos mentais, descritos como ocor-
rentes nos grupos, de um instinto gregário inato aos seres
humanos, tal como a outras espécies de animais. Biologicamen-
te, diz ele, esse gregarísmo constitui uma analogia à multice1ula-
ridade, sendo, por assim dizer, uma continuação dela. ( ... )
Trotter põe na relação de instintos (Triebe) ou instintos (Instinkte)
46 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLlNICA DF. FREUD
,
que considera primários os da autopreservação, nutrição, sexo
e gregário. (Selbstbehauptungs- Erniihmngs-, Geschlechts- und Her-
dentTÍeb). ( .. _) Mas Trotter não vê a necessidade de remontar à
origem do instinto gregário, por caracterizá·lo como primário e
não mais redutível"
Psicologia de Grupo e a Análise do (1921) [ESBIS, 150].
A principal discordância de Freud com relação a Trotter
é quanto à irredutibilidade do Trieb gregário, contudo amo
bos partilham da premissa de que, ao se manifestarem
biologicamente nas espécies, os Triebe básicos determinam
certos desígnios gerais que cada indivíduo daquela espécie
. será, então, induzido a perseguir.
Conforme a espécie e segundo o tipo de Trieb em
questão, o indivíduo poderá ser impulsionado por tais gran-
des Triebe da espécie segundo de determinação e
rigidez variados. Bem de acordo com o emprego lingüístico
e polissêmico do termo alemão Trieb, há vários graus de
determinação pulsional sobre o comportamento.
O indivíduo poderá agir conforme instintos estereotipados
mais ou menos rígidos, filogeneticamente herdados, ou
poderá, de maneira mais branda, ser apenas geneticamente
pré-moldado por eles. Neste último caso, irá apresentar
disposições que, dentro de um espectro limitado, poderão
variar conforme as experiências a que for submetido. Final-
mente, poderá ocorrer que os Triebe da espécie, em combi-
nações variadas com as circunstâncias de vida, se
manifestem apenas como tendências 1Je:,souz::;
Contudo, seja qual !.9LQgT.au-de-deter:minª.Ǫo com gue
o
para Ô jooiYídu.Q-e&tá--t0HlO-4Ue
pefOsTriebe (instintos, pulsões) da es:eécie_ - basicamente
... __ .. s:9mo se
fossem Triebe vontades):
.. ' .. - ..._-,,----,..---
" O indivíduo leva realmente uma existência dúplíce: uma
para servir às suas próprias finalidades e outra como o elo de
uma corrente, que ele serve contra sua vontade ou pelo menos
APULSÃO 47
involuntariamente.f... A separação dos instintos sexuais
xualtriebe) dos instintos do ego (Ichtrieben) simplesmente refle·
tiria essa função dúplice do indivíduo."
. Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14,94·5].
Conforme mencionado no capítulo anterior, esta força
ou lógica da oriunda da natureza, será incorporada
e vivida corporalmente (de forma fisiológica) e psiquica-
mente (de forma sensorial, afetiva e cognitiva). Entretanto,
também no campo da sexualidade a
diana
Freud vinha
desde obser:
(
-vaçoe; clínicas das pacientes histéricas e da. constàTâç'ãü'ôa
da sexualicfade
i \"çN (,
lU). J " .
- • • • I '\ , r()'\
aI l!}<::.<2!,-sclen - \ \
t;-"'Su;-te.ori<t "pulsional '. vei?, "a. a este mode I; !
,,' J
aparelho pSlqmco pensado denvado aaolologIa, mas.J
grandemente Assim:-â-êôraseaaua às
pülSoessexuãisprovéIn mais das observações clínicas e dos
conflitos psíquicos sexuais estudados do que da centralida·
de dos instintos de reprodução no pensamento biológico.
instintos reprodutivos estão sempre presentes no peno
sarnento freudiano, mas apenas posteriormente foram inte-
grados a um arcabouço teórico psicanalítico.
lado, Freud considerague. M...J1:pmdução_se

manteve a ,das Eulsões sexuais, não
...
igualando Mas, antes de ?
das pulsões e o jogo de forças pulslOnals
na psique, iremos tratar, na Parte lI, do brotar da pulsão,
sua circulação e da passagem do somático ao psíquico.
(
)
)
')
"
I
PARTE II
o percurso da pulsão
do somático ao psíquico
- uma continuidade conceitual
IV A circulação pulsional no indivíduo
Comecemos por descrever sucintamente o esquema bá-
sico de circulação pulsional a partir do qual, então, maiores
elaborações poderão ser feitas.
Num esquema simplificado, ilustraremos o percurso do
Trieb na esfera individual como um circuito de circulação
pulsional que brota no somático como "energia-estímulo
nervoso" e atinge o sistema nervoso central na forma de
sensações e imagens (idéias) para, então, ser descarregado
através de certas ações mentais ou motoras:
50 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO
(!) fonte pulsional
(Triebquelle)
1
estímulo (pulsional)
[(Trieb)reiz]
1
estase/ acúmulo
( Stauung)
1
pressão
(Dmng)
/""
[
idéia/ representàção
(Vorstellung)
[
arco _reflexo, ]
reaçoes
somáticas
/1
descarga
(AbJuhr)
1
satisfação
( Befriedigtlng)
+ afetos]
(Affekte)
Os pela desig-
naçaó provém de fonte orgân:Icalllter-
TIª, são uma- finalidade.
Brotam de uma fonte somâtica-(gerãliifente um órgãcíou
glândula) que emite estímulos. Estes chegam à psique e lá
são percebidos pelo sujeito sob forma de imagens (Vorstel-
lungen, representações) e afetos. Esta onda de estímulos
o PERCURSO DA I'ULSÃO
51
pulsionais gerados pela fonte pulsional pode, então, gerar
um acúmulo (Stauung, um represamento que pressiona) de
estímulos (de energia) e causa uma pressão (no sentido de
força aplicada sobre certa área física) que pode ser psiquica-
mente percebida como incômoda. Por exemplo, os estímu-
los gerados pela pulsão de alimentação inicialmente
percebidos como "apetite" transformam-se em "fome". O
acúmulo é percebido como um tipo de pressão Drang,
(pressão, ânsia), isto é, provoca uma necessidade/ urgência
do sujeito de livrar-se do excesso, procurando a descarga
(Abfuhr) dos estímulos e a conseqüente satisfação (Befriedi-
gung). descarga será guiada por imagens
,]iúe'--represeuCiTIi'e qlülliflêãni'O'

As vezes, Freud utiliza o termo Trieb para abranger-um
arco completo que inclui: a) os grandes princípios fundamen,
tais que regem as ações do vivente; b) as pulsões biológicas
gerais comuns a certas espécies; c) o pequeno circuito interno
de circulação pulsional no indivíduo. Quando isto ocorre, a
palavra Trieb designa todo o sistema pulsional.
Em outra ocasiões, seguindo as possibilidades da polis-
semia de Trieb em alemão, Freud designa por Trieb só a
finalidade da "fonte pulsional" (Triebquelle) por exemplo,
"pulsão de nutrição". Ou então emprega o termo para
referir-se somente à sensação psíquica do impulso - por
exemplo, "fome". Também com freqüência Freud utiliza
Trieb como sinônimo de alguns dos elos isolados do peque-
no circuito - por exemplo, Trieb no sentido de "estímulo"
(Reiz) ou "estímulo pulsional" (Triebreiz), ou ainda na acep-
ção de "pressão'.' (Drang), ou como "idéia/representação"
(Vorstellung), ou ainda como "vontade" ou "desejo".
é percej
bido cÇE10 um t;lomento
íntimo e ..
ou __
ou de (Vorstellung)], quanto
todo o c0I!iunto articulado dó-diêuito'püísionaLE'sses usos
.._---...-."--_ .....-_._-'"---._.--_._-----
(
{
52 A TEORIA PULsrONAL NA CLÍNICA DE FREUD
não são estranhos ao emprego de Trieb no alemão corrente
(ver capítulo I, pp. 32-33).
A partir desse pequeno esquema de circulação acima
descrito, será possível apreciar aoI-iginalidade frelli:flai1ade r
\,
ao corpo,I)l!!!l:_g-r.c.!liJQ 000.<;: as !=>lllsões irão r
__hmJªr ......g.l!!ª!gam_<!r:sc:;a e afetos e circular entre I
!
'-"-influenciadas pelo_psiquismo.naruinensão
Nos três próximos capítulos, será dado
especial destaque aos momentos em que a pulsão é caracte-
rizada por Freud como Reiz (estímulo) e Drang (pressão),
pois o primeiro é o elemento pelo qual a fisiologia pulsional
se manifesta, e o segundo é o fator essencial na passagem
do somático ao psíquico.
o PERCURSO DA PULSÃO 53
V No. nascedo.uro. das pulsões (O brotar do. Reiz)
Como se mencionou no capítulo II da Parte I deste livro,
ao nível da fisiologia, a pulsão segue um ciclo de produção
de carga, de acúmulo e de descarga, o qual, mesmo nos
contextos onde tal funcionamento contraria os interesses
biológicos da espécie ou até do indivíduo, segue incólume
produzindo carga e descarregando. A concepção pulsional / .J
freudiana implica compreender o funcionamento. deste pa- JYJiPA
tamar. Trata-se do cerne da condição existencial em torno. ?r-Il ç)J-",0
-----.. ___ -.--.. , .. --.-.-.. _ R"
da qual se 2.!:g!lnizaráa vida psíqUlca, as representações:'üs'"
É a este mecanismo que o indivíduo
está condenado e, para Freud, nosso aparelho psíquico e
todo o nosso esforço existencial é uma tentativa de ultrapas-
sá·lo. Funcionalmente, descrita
psíquica e seráJlma presença central em
toda_çlínica, como
do; mais importantes e últimos textos clínicos de Freud,
"A Análise Terminável e Interminável" (1937).
Voltemo-nos, portanto, sobre a fisiologia pulsional e seu
elemento central, o estímulo (Reiz). Na sua concepção fisio-
lógico-psíquica de pulsão, Freud parte do conceito de "estí-
mulo" (Reiz). Éo 9..ue nasce
a todo o construto Um breve
esclarecimento sobre-a:·paravrâ ãlemã (Reiz).
- A palavra "estímulo" (Reiz) com freqüência, em ale-
mão, se refere a algo instigante, quase irritativo, que de certa
forma agride o organismo. (em alemão se designa "tosse __
irritativa" por Reizhusten). A __ olO{v
"lacerar", "riscar", "fricci0Pili":j\Ji:;>aíiiig<Lalto:alemão,...sig- X
"impulsionar", "agui)hoar", "ati- V"- U
'lar", "excitar"
presentes nas palavras Trieb (pulsão), Drang (pressão), ZWf!:.1}g
(compulsao)-e -Lust(prazeir-jUéillerlsso,slgnificava "cha-
tear-irritar" e "atrali';.A forma atual Rei; tal qual" estímulo"
em português, tem uma dupla face: refere-se tanto ao estímu-
lo que chega quanto à percepção-sensação dos efeitos internos
54 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
produzidos pelo estímulo. Assim, o Reiz é o estímulo em
excitatório-irritativo e é
-ãConseqüente excitação-irritativa" (sensação d-e
Tríêômodo, et.c.Y:-Esta dupIlciCIãCIeSerá importante quàüdo
--se-futa-rãêpUf;ão.
- Reiz também pOSSUl uma vertente de sentidos não
irritativos. Significa "encanto", "charme", "comichão",
"atração" e "tentação". Diferentemente de seu sinôp.imo
Zauber ("encanto", "charme", algo ligado às fórmulas de
encantamento e magia), Reiz ____ c;r..;;t.ºª--por
excitar, "provocar", "atiçar", ''incitar'', tal qual
será seabõrdi'l:" a relação
entre a pulsão e o prazer. Tanto no sentido de "estímulo
incômodo" quanto no de "encanto", há em Reiz um "atiçar"
ou "espicaçar".
Havia uma concepção predominante na neurofisiologia
do século XIX de que o organismo teria uma tendência a
descartar, através da ação neuromotora, quantidades de
estímulos (Reize) que causassem uma excitação (Erregung)
que passasse acima de determinados níveis. Nesse âmbito
estritamente fisiológico a palavra "estímulo" (Reiz) é, e era,
empregada como termo técnico. Designa a intrusão externa
que age sobre a célula, não cabendo aí quaisquer considera-
sobre as conotações de irritabilidade do termo. A
conotação coloquial alemã de (Reiz) como um "elemento
irritativo" é um acréscimo que se agrega à leitura em Freud,
devido ao contexto psicanalítico e ao uso que faz do termo,
transitando entre o técnico, o literário e o coloquial.
É antiga a idéia, em Freud, de que o
vividopeio sujeito como alga
Lidar com estímulos,
tentando -cons'eguirSiIãCIescarga, impõe-se para evitar o
desamparo (Hilflosigkeit). O termo Hilflosigkeit é carregado
de intensidade, expressa um estado próximo do desespero
e do trauma, semelhante àquele vivido pelo bebê, o qual,
após o nascimento, seria incapaz pelas próprias forças de
remover o excesso de excitação pela via da satisfação, su-
o PERCURSO DA PULSÃO
55
cumbindo a Angst (medo, eventualmente ansiedade ou an-
gústia). 1926, reformulado sua teoria
.. de que Qjndi;íduo
de excitação

traduzi da .. .
deeStUllu-
los que
'"ã"RiF-iz7Jewiiltigung ("domínio das excitações/ estímulos) é
uma das principais tarefas impostas à psique e da qual o
sujeito terá de dar cabo ao longo de toda a vida:
"Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, acima
de tudo, um dispositivo destinado a dominar (bewãltigen) as
excitações (Erregungen) que, de outra fonna, seriam sentidas
como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Sua elaboração
na mente auxil}a de forma marcante um escoamento das exci-
(Erregungen) que são incapazes de descarga direta para
ou para as quais tal descarga é no momento indesejável."
Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14, 102].
A preocupação em teorizar a respeito dos mecanismos
que regulam a descarga de "estímulos" (Reize) e evitam o
aumento da excitação (Erregung) se mantém sempre presen-
te em Freud.
Entretanto, à medida que desenvolve a teoria pulsional
e introduz considerações de ordem dinâmica e tópicas mais
suas concepções sobre tais mecanismos assu-
mem feições diversas, referindo-se cada vez menos a estímu"
los externos e vez mais a estímulos gerados internamente
pelas pulsões (estímulos endógenos).
As formulações mais iniciais constantes no Projeto para
uma Psicologia (1895) e na Interpretação dos Sonhos (1900),
tais como o "Princípio da inércia neurônica", o "Princípio
de constância", o "Princípio do prazer-desprazer", e em
textos mais tardios o "Princípio de Nirvana" e o "Pulsão de
Morte", apesar de elaboradas em momentos diversos, todas
56 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
podem ser relacionadas com a mesma questão de como o
organismo lida com os estímulos endógenos (endogene Reize)
- também nomeados como estímulos pulsionais (Triebreize).
A relação "estímulo" e
Tanto Trieb quanto Reiz são term,os que têm a conotação
de provocar certa inquietação e, eve'ntualmente, incômodo.
Conforme já mencionado no .
"se se referem 22
estímulo-impulso que é percebido
Em Freud, quando do impulso gerado incessante-
mente no indivíduo, as palavras "pulsão" e "estímulo" pra-
ticamente se equivalem. Na medida em que a pulsão (Trieb)
se manifesta através da produção de estímulos endógenos
(endogene Reize), freqüentemente Freud utiliza ambos os
termos (Trieb e Reiz) quase como sinônimos, empregando
ora a palavra pulsão (Trieb), ora estímulo (Reiz), ou, ainda,
"estímulo pulsional" (Triebreiz).
A pulsão (Trieb), através de órgãos ou glândulas que
servem de
mulos pulsionais (Triebreize). Estes diferem de
Trieorezze sã() ger;lJ:bs por
somátiGa-tnternae-pfóduzidos incessantemente, enquanto
6sRêize"pocfcIDErovrrçle fonte externa (raiõ dê -h.íi,-:fri;,
hi."ternarrlente, mas de>t::Q"rma
sentido,
de estimulo
,
exemplo a seguir,
Freud aproxima Trieb de Reiz numa situação imaginária,
onde um Reiz externo é internalizado e se transforma em dor
incessante, passando então a se assemelhar à pulsão:
"Pode acontecer que um estímulo (Reiz) externo, por cor-
roer e destruir um órgão, acabe se internalizando, de modo
que surja uma nova fonte de excitação constante e de aumento
1
o PERCURSO DA PULSÃO 57
de tensão. Assim, o estímulo (Reiz) adquire uma gTande seme-
lhança com a pulsão (Trieb). Sabemos que um caso desse tipo
é experimentado por nós como dor. A finalidade deste pseu-
do-instinto (Pseudotriebs) consiste simplesmente na cessação
desta alteração ocorrida no órgão e do desprazer que lhe está
associado." [Trad. livre]
A RepTessão (1915) [ESB, 14, 169].
Esse exemplo ilustra como o texto original de Freud
enfatiza o caráter incômodo intrínseco do "estímulo", bem
como da pulsão. O objetivo primordial das ações empreen-
didas pelo sujeito é cessar o efeito dos estímulos. Esses
estímulos, emitidos pelas fontes somáticas, por somação vão
atingindo um volume relevante e se fazem notar pela psique
como sensações com determinado colorido afetivo e carac-
terística imagética, ou seja, como representações/idéias
(Vorstellungen) carregadas de afeto (por exemplo, dor de
dente, vontade de urinar, de beijar, etc.).
A origem e o destino dos Reize, principalmente dos
endógenos (pulsionais), é um dos grandes temas freudianos,
e o "estímulo" (Reiz) pode ser considerado um dos concei-
tos-base do arcabouço freudiano. É através dos
é provocado para a ação, para a
da pulsão. Isto, segundo Freud, ocorre no momento onde o
Reíz produz o Drang (pressão), cuja tendência
é causar incômodo e desprazer. Contudo, antes de abordar
o desprazer gerado quando a pulsão sob Drang, cabe
um esclarecimento sobre a relação e prazer-
desprazer (Lust-Unlust), a ser discutida no próximo capítulo.
58 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
VI A fisiologia pulsional
do prazer (Lust) e dcsprazer (Unlust)
Lust (prazer) é um termo presente em diversas das mais
fundamentais elaborações freudianas, tais como o princípio
prazer (Lustprinzip), a teoria das pulsões parciais, o
conceito de prazer de órgão (Organlust), o conceito de
eu-prazer (Lustich), de auto-erotismo, de Narcisismo.
Seus principais significados são: "disposição de fazer
algo" e "sensações corpóreas agradáveis".
Portanto, a palavra tem duas vertentes de significa-
do: "desejo" e "prazer". Entretanto, não se tiata exatamente
de "desejo" e "prazer" nos sentidos habituais destas pala-
vras em português. Pode-se descrever este "desejo" contido
em Lust como "vontade", "disposição", "apetite", "pique". O
conteúdo de "prazer" do termo Lust pode ser descrito como
"tensão prazerosa", "formigamento". Nesta
ção (tensão prazerosa, formigamento), a palavra Lust enfa-
tiza prazerosa extraída "da:-atiViâãde de-um
dQS..orR2.t visa a a"tivIdãaeefíãõOobíelo:
''''':te., c-'" ao processo no
prazerosa brota ao nível do corpo, antes ainda da fruição
plena do prazer e do gozo.
A Lust permanece ambígua na fronteira entre a disposi-
ção (vontade), o "prazer antecipatório" e as sensações que
,começam a brotar. Neste sentido, a palavra "tesão", cujo uso
na gíria em português também não é só sexual (por exem-
plo, o trabal,ho não me dá mais tesão), pode expressar algo
equivalente à Lust, na em E!:2.tar
de sensações de .
mesclando vontade, desejo e pr&prazer.
• -'"-"._" .. _,,_._ .. ____ .",_ ... __
"É sumamente instrutivo que a língua alemã, no mencio-
nado papel das excitações sexuais preparatórias, as quais ao
mesmo tempo proporcionam uma cota de satisfação e contri-
buem para a tensão reproduza adequadamente este
estado pelo uso da palavra Lust. Lust tem um duplo sentido: é
o PERCURSO DA PULSÀO 59
tanto a sensação de tensão sexual quanto o sentimento de
satisfação. "
Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7, 200].
O aspecto disposicional e impelente de Lust bem
próximo da noção de Trieb, e Freud aventa a possibilidade
de designar a manifestação da pulsão sexual de Lust. Entre-
tanto, devido à duplicidade de sentidos de Lust, apesar de
Freud em geral preferir empregar termos germânicos ao
invés dos greco-latinos, para evitar ambigüidades acaba
utilizando o termo latino "libido":
I -
IJ hr:..d.-u QJ D".o <.J-.U.
"Falta à linguagem popular uma designação equivalente à
fome para a pulsão a ciência vale-se, para isto,
de "libido" [nota do próprio Freud: Lamentavelmente, a única
palavra adequada na língua alemã, Lust é multifacetada e
tanto a sensação de necessidade (Bedürfnis) quanto a
de satisfação (Befriedigung).]"
, Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7, ]27J.
Como se nota, quando utilizado na acepção de "dispo-
sição", Lust é um quase-equivalente lingüístico da palavra
pulsão. Já foi mencionado, no capítulo I, que na linguagem
coloquial as palavras Drang, Trieb, Energie e Lust podem ser
equivalentes, significando: "tendência-impulso-disposição",
e Freud freqüentemente aproxima Trieb a Lust (prazer-
vontade).
No texto "O Instinto e suas Vicissitudes", de 1915 (pági-
nas 150 a 154 do voI. XIV, ESB), as palavras compostas com
Lust e com Trieb são usadas de forma tão próxima que
parecem se equivaler. Ao longo dessas páginas, a "pulsão de
olhar", Schautrieb (pulsão escopofílka ou pulsão escópica)
e a Schaulust (escopofilia ou desejo/prazer de olhar) são
emparelhadas. Lê-se na página 153:
C;;.t.'lJ.J.OJ\
{
60 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
" ... até agora consideramos dois pares de pulsões (Triebe)
opostas: o sadismo-masoquismo (Sadismus-Masochismus) e es-
copofilia-exibicionismo (Schaulust-Zeigelust)".
O Instinto e suas Vicissitudes (1915) [ESB 14, 1504].
Contudo, se Lust se aproxima d!?-IJieb, na acepção,
dis ..
abarca o significado de _
(Trieb-Lust) no que
tange a este significado adicional de "sensação prazerosa".
Freud aborda o tema Lust (na acepção de sensação de
prazer) através da noção de "estímulo" (Reiz). Lembremo-
nos que a pulsão brota como Reiz e que o Reiz possui a
qualidade de provocar desprazer (Unlust) e prazer (capítulo
V, p. 27).
A corporeidadede.Luste.seu.caráteLde _prazeLinicial
estão muitas vezes, na às sen- _
prQviI}das do
de llÓz,,I,J, Por exemplo, um odor agradável que .nos
e que vai se tornando mais nítido
pode trazer Lust devido à somação de
agradáveis. Este tipo de estímulo externo agradavel e desIg-
nado em alemão como Reiz (na acepção de "encanto",
"atrativo" ou ainda "charme"). Todavia, no contexto das
pulsões não são os estímulos externos o essencial, mas os
. internos.
Conforme visto no' capítulo anterior, a natureza destes
estímulos é irritativa e dolorosa. Assim, quando trata de
pulsão,a ênfase freudiana recai sobre os estímu!os
(endogene Reize), isto é,sobre os estímulos pulslOnaIs (Trze-
breize). EsteiiplLde __estímulos e
se ocupa,p<:)is só quali?_<lde de
impulsionar)esplcaçár:.D.s!,IjeHQ:
"As sensações de natureza prazerosa não têm nada de
inerentemente impelente (driingendes) nelas, enquanto as des-
razerosas o têm no mais alto O'rau. As últimas impelem no
1
I
o PERCURSO DA PULSÃO 61
sentido da mudança, da descarga, e é por isso que interpreta-
IDOSO despraiei
energética." .------
----------------··---·---------ÜEgo e o Id (1923) [ESB 19,35].
Poderíamos, então, nos perguntar qual é a relação que
se estabelece neste contexto entre Trieb e Lust, se o foco
freudiano é sobre a relação Trieb-Unlust?
Efetivamente, a relação de Lust (na acepção de prazer)
__ práiéí>
de qu-e trata Freud é o prazer que se segue ao desp'razer, pois
é dos estímulos desprazerosos e impelentes que ele parte.
Quando Freud aborda a Lust, em geral se trata do prazer de
descarga e alívio após um excesso desagradável de estimula-
ção anterior. Trata.:s.e .. _p_Q.[@nto,
gozode.a1íyi oJ _ 2. __ __ nomeado por
apaziguamento). Freud
como sendo
urna Befriedigungslust (sensação de
Contudo, isso não significa que todo acúmulo despraze-
roso de Reiz interno coloque a pulsão sob a égide do
desprazer:
"Lancemos primeiramente um olhar para o modo como as
zonas erógenas se encaixam na nova ordem. Sobre elas recai um
papel importante na introdução da excitação sexual. O olho,
talvez o ponto mais afastado do objeto sexual, é o que com mais
freqüência pode ser estimulado, na situação de cortejar um
objeto, pela qualidade peculiar cuja causa no objeto sexual
costuma ser chamada de 'beleza'. Daí se chamarem os méritos
do objeto sexual de 'atrativos' (Reize, 'charme: 'encantos')."
Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7, 197].
N O trecho acima, retirado dos Três Ensaios sobre a Teoria
da Sexualidade, bem como em outros artigos, quando Freud
menciona estímulos (Reize) externos sobre as zonas eróge-
nas que podem ser de natureza agradável, "atrativos do
objeto sexual", está se referindo a estímulos (Reize) externos
62 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
que só são agradáveis devido ao fato de propiciarem de
pronto uma descarga, eliminando os estímulos internos
desagradáveis. Assim, os estímulos externos (a beleza, o
odor, etc.) removem estímulos internos cuja manifestação
está sendo incômoda ou desprazerosa. Contudo, esta Unlust
ainda é incipiente, e Freud denomina-a como uma vontade
de olhar, de cheirar, ou ainda como uma sensação de coceira
da qual o sujeito quer se livrar, etc. I
Segundo Freud, há sempre um exige
O"éiclo püTsicmal
este clespra-
··:lei: ainda inicial um incômodo (comichão,
coceira) e é associado de imediato a uma experiência de
prazer, sempre que a pulsão se manifestar se evocará tam-
bém a experiência de
Neste sentido, a Lust permanece na forma de disposição
e não se transforma exatamente num prazer que flui e goza,
mas num prazer obtido pela remoção da comichão. Sensa-
ções iniciais de comichão são seguidas de descargas praze-
rosas e se mantêm num circuito prazeroso.
de Reize internos e ..
Cºm!!!!!i.<iaQ.ç-ºª .. a sair
desprazer.pam.oprazer;.disposição_esta..que
seqüencialmente por sensações agradáveis.
..pºrtant9, Q ..
são mal
.. ..
...auD)J;::ntº __ ente incô-
as
prazer,serão._estª",§,SlJJe_fic.aJ_ªQ_y.ilJClllªd;:g;L-ª§'§Q,ciadas a este
----tipodepulsãoy.dando:lhe ..aparênciade pulsãoprazeros?-.
Entretanto, Freud se dava conta de que este modelo
Unll.lst-Lust não explicava as situações onde há um grande
acúmulo de tensão que pode trazer prazer (Lust). A medida
que Freud se aprofunda na questão do prazer, o descompas-
so entre o sentido disposicional e de prazer crescente do
fenômeno descrito pela palavra Lust e o modelo de acúmu-
o PERCURSO DA PULSA0 63
lo-descarga-alívio foi ficando mais evidente. Nas reflexões
sobre a natureza do prazer sexual nos Três Ensaios, Freud
aborda a situação onde, durante a progressiva excitação
sexual, o vai sentindo cada vez mais prazer, até chegar I
ao orgasmo. Neste caso, há Reize que vão se acumulando e
que teriam, portanto, que provocar grande desprazer, mas
que, mesmo assim, paradoxalmente, se associam ao prazer.
A solução pensada por Freud é que, na excitação sexual e
no posterior orgasmo, há uma associação entre um prazer
preliminar (carícias, palavras eróticas, etc.) e o concomitan-
te aumento do desprazer propriamente sexual (crescimento
da tensão libidinal). As atividades sexuais preliminares,
cujas descargas são imediatas e não permitem grande acú-
mulo de Reiz, ocorrem em paralelo a um aumento de
desprazer e ansiedade provocado pelo acúmulo de secreções
sexuais (mais tarde concebidas como hormônios da libido).
Este aumento de tensão desagradável chega a um nível onde
não mais é encoberto pelo pré-prazer, mas se ocorrer enlão
uma descarga orgiástica, haverá um lal alívio e pós-prazer
que novamente o desprazer será anulado antes de se tornar
predominanle.
"A essa estimulação [refere-se à estimulação visual agradá-
vel]já se liga, por um lado, um prazer, e por outro ela tem corno
conseqüência um aumento da excitação sexual ou a produção
dela, caso ainda esteja faltando. Se a isso vem somar-se a excita-
ção de outra zona erógena, por exemplo, a da mão que apalpa,
o 'efeitó é o mesmo, uma sensação de prazer, de um lado, que
logo se intensifica pelo prazer proveniente das alterações prepa-
ratórias [da genitália], e, de outro, um aumento da tensão sexual,
que logo se converte no mais evidente desprazer quando não lhe
é permitido o acesso a um prazer adicional."
Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7,198].
Haveria, assim, um às zona.:s
erõgenas'evmcuÍadõ a:"·uln""p6s-prazer" o qual
provindo de uma

(
64
A TEORIA PULSIONAL NA CLINICA DE FREUD
remoção imediata de estímulos internos por estímulos ex-
ternos é o que, em português, seria designado por tesão e
liga-se aos preliminares. O prazer de alívio resultante da
remoção retardada de estímulos desagradáveis, em portu-
guês, seria designado geralmente como gozo e liga-se ao
orgasmo. Este último, Freud descreve como um prazer de
alívio (de satisfação, Bejriedigungslust). Portanto, Frcud con-
segue e)<.plicar o modelo Unlust-Lust,
..
pode ocorrerum pareamento de Reize agradáveis com Reize
Úlúmos;-" qúe-Iõgose
màis Sanlam ac)Qji-rrneir5S, e
conJltiit:omultará mrlpraiêrgerãl eIlêofr'e ()
desprãZer'cre'sce'nte-atl-õ"ponto em
__
"Não me parece injustificável fixar através de uma deno-
minação essa diferença de natureza o prazer advindo da
excitação das zonas erógenas e o que é produzido pela expulsão
das substâncias sexuais. O primeiro pode ser convenientemen-
te designado de pré-prazer, em oposição ao prazer final ou
prazer de satisfação da atividade sexual."
Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7, 198].
O pré-pràzer liga-se ao chamado "prazer de órgão" 7
(Organlust). É um prazer imediato, por exemplo oriundo de \
uma zona ou de um órgão onde há tensão e descarga, mas "
cqja satisfação, por ser auto-erótica, logo é satisfeita. Este
brotar pulsional a partir de órgãos ou zonas é o que Freud
designa como pulsão parcial, são pulsões cujo destino é mais
tarde enfeixarem-se sob o primado do genital e assumirem
a forma de pulsão sexual plena.
Conforme já visto, na imediaticidade do corpo o Trieb
se liga a Lust (prazer-vontade/disposição). O que visam as
pulsões em estado ainda parcial é o prazer no sentido mais
direto e restrito, o "prazer de órgão" (Organlust).
o PERCURSO DA PULSÃO
65
de prazer tão imediato

__ ae Além disso,
Orf!anlttst _é tão (ou por via de auto-
est:mulaçao no narclSlsmo, ou pela facilidade de servir-se de
obJetos/parciais), que por vezes mal é possível reconhecer
seu carater sexual na fase pré-genital.
, _"Podem os porém, dizer quando ,esse prazer do
orgao (Organlust), ongmalmente indiferente, adquire o caráter
sexual qtle indubitavelmente possui em fases posteriores do
desenvolvimento?"
Confe7'ências Introdutórias sobre Psicanálise/ Conferência 21
(O Desenvolvimento da Libido e as
Organizações Sexuais) (1917) [ESB16, 379].
"( ... ) Aqui não posso discutir se todo prazer do órgão
(Organlust) deva ser chamado de sexual, ou se, além do sexual
há um outro que não merece ser chamado assim. Ê
pouco meu conhecimento a respeito de prazer do órgão (Or-
e de suas causas; e, em vista do regressivo da
analise em geral, não ficarei surpreso se, bem no final eu
atingir aquilo que, por ora, são fatores indefii1íveis." '
Conferências Introdutórias sobre Psicanálise/ Conferência 21
(O Desenvolvimento da Libido e as
Organiz.cu,·ões Sexuais) (1917) [ESB16, 380].
A pulsão (no caso as pulsões parciais), sendo entendida
um estímulo que reinvidica à psique ser descarregado
e ao prazer do órgão, é quase que a própria Organlust,
e nao e por acaso que várias das pulsões parciais são desig-
nadas por Freud como Lust. '
, Assi,m, a (Trieb), aó se manifestar através de Reize
cUJo acumulo e desagradável, pode circular sob o signo do
prazer na forma de pré-prazer, de prazer de órgão, ou em
outra forma, desde que seja descarregada a tempo,
ou alnda na forma de um pós-prazer pareado com um
66 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
pré-prazer. Contudo, tanto no pré-prazer corrio no pós-pra-
zer, mantém-se a equação aumento de tensão/ desprazer e
diminuição da tensão/prazer.
Portanto, apesar de o desprazer ser o verdadeiro móvel
pulsional, o afeto preponcÍerante no ciclo pulsional pode ser
a Lust (prazer) de descarga, pois quando a pulsão se encon-
tra no estado de pequena somação de Reiz.e, estes podem ser
descarregados a tempo de não ultrapassar determinado
limiar e o sttieito nem se aperceberá do desprazer incipiente.
Contudo, conforme mencionado, a ênfase freudiana não
recai sobre este ciclo favorável onde o desprazer inicial é
logo seguido de prazer, mas sobre as circunstâncias onde a
pulsão está inibida, e há um grande acúmulo de Reiz.e e a
tendência a um desprazer de natureza torturante.
"Se as exicrências instintuais do id não encontrarem satis-
b
fação (Befriedigung) alguma, surgem condições intoleráveis.
( ... ) Os instintos no id pressionam por satisfação (Bl'friedigung)
imediata ( ... )"
A Qy,estão da Análise Leiga (1926) [ESB 20, 229].

mente entre o pequeno desprazer inicial, o prazer de des-

de_'.\!í:v.i2.J<:s.e.el}:!ªndo-a-dupla.cQIlotªçiig __
como estímulo Írritativo e estímulo atrativo-agradável).
1920,
para explicar esta oscilação, foi estabelecer uma mesma
relação econômica genérica entre o "estímulo" (Reiz.) e o
"prazer" (Lust), onde apenas varia o locus e a intensidade:
eLa. lC) 1'('.c0 ?-<.u' .. s,-(O ()OJ--
"Todo desprazer (Unlust) deve, assim, coincidir com uma
elevação, e todo prazer (Lust) com um rebaixamento qa tensão
mental devida ao estímulo (Reizspannung) ( ... )"
O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19, 200].
o PERCURSO DA PULSÃO
67
Entretanto, essa relação tão direta - elevação da quanti-
dade de Reiz/ aumento do desprazer (Unlust), e rebaixamen-
to do nível de Reiz/ aumento do prazer (Lust) -,
tempo considerada fundamental por Freud, não se coadu-
------
nava com a varleuaue e complexidade da experiência clíni-
ca-;c:cífí1ofeIi.õinerro-dtíIfiã'SuqutSmo, por exemplO:- e com
a noçãenlepuISao de mort'"e-ê compufsao à repetição
a serem abõidacJõs
reIaçãó passa a ser relativizadá,· no"t-adamente a partir dos
artigos Além do Princípio de Prazer e O Problema Econômico do
Masoquismo (1924):
"Prazer (Lust) e desprazer (Unlust), portanto, não podem
ser referidos a um aumento ou diminuição de uma quantidade
(que descrevemos como tensão devido a estímulo (Reizspan-
nung», embora obviamente muito tenham a ver com esse fator.
fator..9RqpJJtaJ.i.Y2.t. mas
de alguma característica dele gue só põdemos descrever
qmrttrãfiVã.Se pudéssemos dizer o que é
qmrtifatlva, estaríamos muito mais avançados em psicologia.
Talvez seja o ritmo, a seqüência temporal de mudanças, eleva-
ções e quedas na quantidade de estímulo (Reizquantitiit). Não
sabemos."
O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19,200].
De certa forma, já no texto O Problema Econômico do
Masoquismo Freud parece conseguir conciliar os sentidos
fenomênico-lingüísticos do termo Lust ("disposição" e "sen-
sações de prazer") com a descrição do mecanismo fisiológi-
co-psicanalítico (do acúmulo de incômodo e descarga)
correspondente. Neste texto, Freud não entende mais o
princípio do prazer como um que levãà

suspensão da pulsão passa a ser vinculado ao princípio de
NTrvana (cujãmeta e ã võllaaoeSfãaõl00rgánlêÕ1niCiaí:
----,--.•. _.-._--'_ .. '\--.'-- -_.-.... , .._.,... --._----.--" .. --
IstO e, a princípio do prazer caberá guiar a pulsão
a sair do eg.ado aeurtlusTpã:iã a Lu.4rõViaenciiDàõ-uma
....... .. ...
{
/,
68
A TEORIA PULSIONAL NA CLfNICA DE FREUD
a fonte
órgão de
de ritmo e ao
de

pois
-_ ... , b a nao VIsa
. _.em como
eliminar a fQ.nte..pulsionaL •
quando Freud aborda a Lust no con-
texto da pulsão, geralmente se trata de três acepçoes:
\ 1) Utiliza Lust no sentido de disposiçã,o, neste
00 caso Lust e Trieb são usados quase como smommos. o
o 2) O termo Lust em Freud também pode um
. estado semelhante ao "tesão", indicando sensaçoes prazero-
sas iniciais que brotam nas zonas erógenas de onde emanam
as pulsões parciais _
3) Finalmente, Lust (prazer) é utilizado na acepça?
sensação prazerosa que acompanha o prazer de alIvIO,
Befriedigung (apaziguamento, satisfação, aplacamento), de-
signado como Befriedigungslust. . ., .
Assim, o princípio que Freud ora denomma de pnncIpIO
de desprazer (Unlustprinzip), de princípio de prazer
tprinzip) ou princípio do desprazer-prazer
zip), o qual nél9_c._.yn..'!
. " '.- :---.. -- r er na acepção de um estado de
pnnClpIOqil
e
VIsa o p. az.. o '0 o_o .--; ... - . ___ ..
e ou bem-estare __ o
piãiÇi}e
a do r
Há momentos em que o Trieb é Lust, tal como em
o Trieb é Schmerz (dor) [ver capítulo anterior]. Ora o Trzeb
chega a se mesclar terminologicamente com a Lust, ora, ao
contrário, o Trieb é alinhado ao pólo oposto, quando, por
exemplo, a dor internalizada é designada por Freud como
"pseudopulsão" (capítulo V, p. 29). _
v É importante ressaltar
.4' -- ---- ___ - d emnre manteve
o o desvendar o mecanismo prazer- _____ ..,,--
,. __ " H ______ _____ • ____ ._ ...... ____ _
..
"01
o PERCURSO DA PULSÃO
69
o tema da transitividade Lust - Unlust em foco,

-----------------_.-.-.---
Mesmo onde a questão do prazer exige níveis mais
complexos de teorização, como o que ocorre na esfera
psíquica das representações do desejo (Wunsch), que será
abordada nos capítulos IX e X, a relação econômica Reiz-Lust
e a transitividade Lust-Unlust permanecem centrais.
Assim, como se verá mais adiante, Freud mantém inter-
ligadas a dimensão da Lust, que habita predominantemente
o mundo psíquico arcaico e carnal das sensações imediatas,
onde as representações têm presença quase fugidia, e a
qimensão do vVunsch (desejo ).Já no Projeto para uma Psicolo.
gia (1895), Freud faz a equivalência "estado de desejo"
(Wunschzustand) e "estado de necessidade/urgência"
(Notzustand), indicando que o nã..o __
Q@eTõ'--quetrag::tLust, mas é
__ ____ .• _________
de sair do estado de Unlust. Também, em textos mais madu-
tratando das esferas imagé-
ticas mais complexas, jamais deixa de remeter o leitor à
fórmula econômica Reiz-Lust-Unlust, a qual regula na base a
direção e o ritmo das ações do sujeito,
Portanto, o uso freudiano do termo Trieb no âmbito da
fisiologia e da psique enfatiza o fator do Reiz
(estímulo) e os afetos de Lust (prazer) e Unlust (desprazer).
Isto ocorre tanto nas circunstâncias que permitem um fluxo
disposicional agradável que evoca a atividade e o objeto de
prazer (pré-prazer, prazer de órgão, etc.), como nas situaçõ-
es em que predomina uma vertente que tende para a dor.
A desta
A * em
de Realidade, O
Princípio de Realidade realização
Assim, na cultura, o estado
é logo transformado em estado de indisposição
(ITiãI:esmr). Este
-acúmulodeRelz e como afeto de Unlust (desprazer) e
um Drang'-(pressão, afã).
70 A TEORIA PqU;IONAL NA CLÍNICA DE. FRE.lJD
próximo capítulo, onde será abordado momento em que
a pulsão se articula em Drang para realIzar a. passagem do
somático ao psíquico.
o PERCURSO DA PULSÃO
VII No âmago das pulsões
- sob o impacto do Drang
71
"Drang poderia ser descrito como a capacídade da
pulsão para iniciar o movimento."
Análise de uma fobia em um menino de cinco anos
(1909) [Freud, Sigmund, ESB vaI. X, 145-6].
c;J.JJ YTlcJ\,f i
Drang de uma pulsão compreendemos seu
-Y'fy,/,,'t't'O . fator motor, a quantidade de torça."
J ). çü Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [Freud,
Sigmund, ESB vaI. XIV, 142].
-+a.t"Y1 fÀ,I

"Drang é comum a todos as pulsões; é, de tato, sua
própria essência,"

Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [Freud,
Sigmund, ESB vaI. XIV,
Drang, palavra corriqueira em alemão, possui na teoria
freudiana um papel central, mas sua tradução por "pressão"
(e talvez não haja outra a}ternativa melhor) retirou-lhe muito
do sentido original e parece contribuir para dificultar a
compreensão teórica e clínica do conceito.
Pode-se encontrar no dicionário três principais signifi-
cados para o substantivo Drang e o verbo drãngen:
. --<., •
N-e.o.v".\clo:iQ I
1) obriga uma
ação--.Sie descargq.. Necessidade de urinãi,{leJecar, etc. (Harn-
drang, Stuhldrang, etc.). É percebida como uma necessidade
ou urgência.
2) Intenso desejo, .. ânsia, forte aspiração ou vontade
):TnípuÚo ou'
dade, jJOr vingança, etc. (Im Drang nach Freiheit. Im Drang nach
Rache).
3) acotovelar, apertar, Não me
deixo afJértar contra a parede. As pessoas se acotovelavam na sala.
(
72 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Em geral, há um incômodo associado à origem do
Drang. O Drang é resultado de um fluxo que pôde se
acumular. Este acúmulo ocorre nos diversos sentidos men-
cionados acima, sent,ido 1 (acúmulo que gera necessidade-
urgência, acúmulo de urina, fezes), sentido 2 (acúmulo de
um intenso anseio não satisfeito, no caso do exemplo acima,
anseio pela liberdade e pela vingança).

da incorpora-
da e sujeito, a qual entãõ aformade

. de agir

lente", "urgente" e o "afohando-o", "atrope-
lando-o". De modo geral, o termo refere-se, portanto, à
"ânsia", situa-se (algo
e o "ouerer" (algo de ordem da vontade e
__ ._-_ .. . __ _________
dest5õ). Refere-se também a algo"quê quer sair de dentro para
furãe--Ínanifestar-se. Situa-se semanticamente próximo tanto
da aflição (Bedriingnis; palavra derivada de Drang) quanto do
desejo almejado (acepção 2, mencionada mais acima).
Pode-se ilustrar esse momento de entremeio entre "aper-
to", "ânsia" e "vontade" pelo uso do termo Harndrang (neces-
sidade/vontade de urinar), aliás algumas vezes utilizado por
Freud na Interpretaçiio dos Sonhos (1900). Harndrang (necessi-
dade/vontade de urinar) pode constituir-se como uma fonte
somática que interfere no sonho. É simultaneamente a pres-
são da urina na bexiga e a necessidade de ,urinar. Este aperto
(Druck) ,da urina gera estímulos (Reize) que se fazem repre-
sentar na psique como imagens no sonho e são percebidos
como irritativos ou desagradáveis. Uma sensação de Drang
(ânsia, afã, pressão) leva o sujeito então a precisar/ querer agir,
sair para livrar-se da pressão e procurar alívio.
Drang e Trieh em Freud:
Retomemos o esquema simplificado do pequeno circuito
pul,ional já empregado no capítulo IV:
1
O PERCURSO DA PULSÃO
@ fonte pulsional
(Triebquelle)
1
estímulo (pulsional)
[(Trieb )reiz)
1
estase/acúmulo
(Stauung)
1
pressão
JDmng)
[
arco _reflexo, ]
rcaçoes
somáticas
[
idéial representação
(Vorstellung)
/1
descarga
(Abfuhr)
1
satisfação
( Befriedigung)
+ afetoS]
(AjJelae)
73
Conforme já mencionado, o esquema indica que o acú-
mulo de Reize (estímulos que tendem a ser desagradáveis)
Erovoca um tipo c!s:..pressão que é percebido psiguicamentc_
como Drang, isto é, provoca uma O
sUJelto,guiándo-se porfiTíãgens de alívio, bu-;;--
entãüencoiiEfa::tõsF.ra:rrcanâoasõesmoloraS ViSãfídcj"Jivrar-se
dã proplCíCm
74 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
a descarga (Abfuhr) dos estímulos e a conseqüente satisfação
(Befriedigung).
Neste circuito, a relação entre Drang(pressão, afã) e Trieb
(pulsão) pode ser descrita de vários modos, conforme o foco
momentâneo do texto freudiano. Drang é uma parte (um
fator, ou um momento) do Trieb, Vou
, .......... _- .... .... "'" ... ,.... '----"'-
Póde-'se considerar o Drang como ,a parte
pur8Torlanfe)aapulsão quando Freud utiliza a
..
abarca o processo desde a geração de estímulos pulsionais
até a descarga (ou seja, quando a palavra pulsão é utilizada
na acepção de disposição, tendência, impulso). Neste caso,
o Drang é o momento em que o somático é percebido
psiquicamente como desagradável e uma ação do
sujeito para conseguir uma descarga.
Pode-se, também, considerar o Drang uma espécie de elo
intermediário entre a pulsão e a ação, quando Freud empre-
a palavra pulsão no sentido mais restrito, designando por
pulsão a finalidade da fonte somática geradora de estímulos
pulsionais (por exemplo, a pulsão de alimentação). Neste
caso, o Drang é o elo, exemplo, entre a pulsão de
alimentação e a ação de providenciar comida, o Drang será
a passagem entre a produção somática de estímulos de fome
e a sensação desagradável de fome (imagens propriocepti-
vas) e desta ao desejo ou vontade de comer (associado a
imagens de alimentos).
De um modo ou de outro, o Drang (p,::essão, ân;ia) tg,
a ponte entre a do estímulo eo ímpeto para a 'ação
...__.---_ .. .... __ .... -..,-- .. , ......... '-.
dê descarga e a busca de alívio. 'E;-ma:is-quc'Íss-ô-;-Drang está
no enõ"psfquÍc'õ': OsuTeHosênre-somalié-ámenteO
. ... ---_ ... "'. . . -----------

ânsia, comoÍE:.'pe!<?''por agir em direção a um objeto que lhe
a
'.
e .. ..
psíquico. Como tudo o que ocorre no psíquico, também o
o PERCURSO DA PULSÃO 75
Drang se a imagens e afetos, é portador do afeto de
urgência, de ânsia [em alemão, algo até semanticamente
próximo da aflição], e também se liga a imagens (anseia por
imagens que representam situações de alívio), portanto, por
algo já imaginificado que as pulsões para "fora".
a forma de Drang,gue o Trieb adquire uma dimensão
pois

for"tõ,"trrgência .. Drf!:.1}g::r!.!:.?..T!..Í!b
impelido e guiado

Neste sentido, a palavra "afã" expressa bem este
. ----,-----------
Nota-se um paralelo entre o e o movimento
pulsional, discutido no capítulo anterior, que parte da Unlust
para a Lust. Estar sob Drang significa estar simultaneamente
ameaçado pela-ãIJiç!io Osujdio.entrará

não..pllder..achauuilijeto
à.ânsliL_Por outro lado, o sujeito persegue um deseJõqUe
reluz e o atrai como possibilidade almejada, ou como ima-
gem ansiada, através da qual o sujeito pode atingir o objeto
de descarga e obter Lust.
A entrada da pulsão no psíquico se dá, portanto, sob o
impacto dO"Drang,
motõ'fa'qüeconauz -ãpiils"aoT"s"ú"ãIiíetã-iãmbéfi'se-êffsoh
__ da pulsão
no psíquico, cabe tratar deste momento de passagem do
somático ao psíquico.
76 A TEORIA PULSIONAL NA CIlNICA DE FREUD .
VIII Na fronteira entre o somático e o psíquico
A conhecida fórmula freudiana sobre a passagem do
somático ao psíquico se refere à transição Reiz (estímulo)
Trieb (pulsão):
" Se agora nos dedicarmos a a vida mental de um
ponto de vista biológico, um "instinto" (Trieb) nos aparecerá
como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e
o somático, como o representante (Reprãsentant) psíquico dos
estímulos (Réze) que se originam dentro do organismo e alcan-
çam a mente, como uma quantidade de trahalho exigido, o qual
é imposto ao psíquico devido à sua conexão com o corpó:eo."
Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [ESB 14, 142].
Essa afirmação freudiana pode parecer paradoxal. Se os .
estímulos (Reize) produzidos pela pulsão se originam dentro
do organismo e alcançam a mente e se eles, ao atingirem a
mente, adquirem uma feição psíquica (sob a forma de ima-
gens carregadas de afeto), deveríamos dizer que o estímulo é
um conceito de fronteira entre o somático e o psíquico, e
mais: deveríamos considerar que é o estímulo o "repre-
sentante psíquico" das pulsões (Repriisentant, delegado, que
está no lugar de). Entretanto, diz que a nos
aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira
entre o mental e o somático, e que a pulsão é o representante
psíquico dos estímulos.
9
Afinal, as pulsões representam os
estímulos ou vice-versa? E qual é o conceito situado na
fronteira, a pulsão ou o estímulo?
Em diferentes trechos da obra freudiana ambas as con-
se alternam, e, em outros, nenhuma das duas é
9 Conforme mencionado no capítulo V, a Reiz tem dupla face, tanto
refere·se ao "estimulo" que chega (raio luz, pressão sobre a membrana
celular, etc.) quanto ao "estimulo" nerceb,ido (sensação de claridade, sensação
de aperto, etc.).
o PERCURSO DA PUL'5ÃO
77
válida. Na realidade, depende do foco que Freud está privi-
legiando a cada momento.
1) a pulsão. é o representante (delega-
do)
ou
Neste caso, a "representação" (Vertretung,
sentanz, delegação) dos estímulos somáticos que animam as
do sujeito ficará a da pulsão. Por exemplo, os
estímulos para a ação de nutrir-se, de fazer sexo, se
manifestarão psiquicamente na forma de fome ou desejo
sexual, e lembremo-nos que Freud, neste sentido, freqüen-
temente designa as sensações psíquicas da fome e do amor
como "pulsão".
2) Por outro lado, pode-se dizer que os estímulos são os
a
vra pulsão na acepção de finalidade biológica ôrganlzadóra,
e
pulsão em direção à psique. Neste caso, a "pulsão de nutrir"
uIlia fínaIíCfãêl.ebiológica representada
substituída, delegada) na psique pelos "estímulos de fome"
revestidos de imagens proprioceptivas (contrações de estô-
mago, vontade de mastigar), gustativas (fantasias de sabor)
e visuais (visualização de alimentos desejados).
Entretanto, apesar de a polissemia dos termos Reiz e
Trieb permitir que Freud alterne ambas as formulações
acima, no momento em que procura dar maior precisão
conceitual às suas definições, os termos são empregados de
maneira mais rigorosa. Nem Trieb nem Reiz serão
sentantes psíquicos:
. ____ ___
"Um instinto (Trieb) nunca pode tornar-se da COllS-
ciêriêíit-=;Ó--;idéia* o'
sentiertLRodc. Além disso, mesmo no inconsciente, um
... ---- -
instinto não pode ser representado** (reprlisentiert) de outra
forma a não ser por uma idéia (Vorstellung). ( ... ). Não obstante,
quando falamos de um impulso instintual *** (Triebregung)
inconsciente ou de um impulso instintual*** (Triebregung)
78 A TEORIA PUUilONAL NA CLíNICA DE FREUD
reprimido, a imprecisão da fraseologia é inofensiva. Pode-
mos apenas referir-nos a um impulso instintual *'k'k (Triebre-
gung) cuja representação ideacional (Vorstellungsreprasentanz)
é inconsciente, pois nada mais entra em consideração."
!"" aqui Vorstellung equivale a idéia, representação imagéti-
ca interna.]
"ser representado" não tem o sentido de ser configurado ou
ser imaginado, mas significa "ter um representante" (algo que está
em seu lugar).] !
['I"''''!' a palavra Regung significa movimento discreta
moçüo, esboço de gesto, Tricbregung significa algo como uma inicia-
tiva ou moção pulsional.]
o Inconsciente (l9f5) [ESB 14,203].
Assim, em certos momentos onde importa definir mais
precisamente as diversas formas de instanciação da pulsão,
Freud utiliza a palavra pulsão na acepção de uma espécie de
órganizado'r-bIoiÓglcõ-em'tõrnõ
genos-sc"ãIifêulame-él"rcuÍam.Êstes, ao chegarem à "
. imãgens-rcpréifenfâçõesTVõrsteUungen) -
::( - ';ãü';:;;'repi'eSefitantes dãpulsão

exÓgenos( origínárí os dà'liltêraçãoLbifilJlIfeío); formarão
os"é'õmpIexos
, ---__ w _ .. _ "... ".0 •• ___ ... •..-, .. ... __ , __ • _____ ..
ps.íqui<:Qe. .. qlJ.e serão o tema da parte III deste lIvro.
PARTE IH
A pulsão na psique:
das imagens aos pensamentos
-v JJ..t cÚ::>
IX A roupagem psíquica e GOyyi
das pulsões como Vorstellung
os três tipos de representação
3 H,..ra ç Gil.o
Quando se diz que a pulsão entra e circula na esfera
psíquica com a configuração de uma "representação"j"idéia" (
(Vorstellung), é necessário considerar que Freud se refere a
três tipos de "representação", expressos por diferentes pala-
vras alemãs, as quais cabe diferenciar.
O primeiro corresponde ao termo darstellen, o qual é
comumente traduzido por "representar", "figurar" ou "con-
figurar". O sentido alemão coloquial dessa palavra implica
um duplo movimento: "dar uma forma captável" e "mostrar".
remete à ação de colocar algo, que ainda
__
(linguagem sensorial, pictórica, auditiva, cinestésica,
e, em'
imagem áindâ--naoconstituída. É um termo freqüente no
contexto da teoria dos sonhos, onde Freud trata da questão
da Darstellbarkeit (figurabilidadej representabilidade) dos
pensamentos na linguagem onírica. Darstellen também é
coloquialmente usado na língua alemã com os significados
de ações que se dirigem a outrem: "explicar", "descrever",
"apresentar", "expor", "representar", "mostrar", "exibir",
"signifiçar" e "caracterizar". Assim, em certo sentido, toda
constituição inicial de uma imagem que será mostrada é
I
I
I
I
I
i
1I
I
I
r
80
A TEORIA l'UL.<;\ONAL NA CLÍNICA DE FREUD
uma Darsteltung, pois cria imagem onde não eXiste anterior-
mente. dargestellt
_
de imagens e idéias nos sonhos.
O refere-se ao verbo
vertreten e ao substantivo Vertretung. Significa "representar",
na acepção de "estar no lugar de outro". É utilizado para
designar representantes comerciais,jurídicos, políticos, etc.
Há sempre implícita a idéia de uma delegação ou procura-
ção para assumir o lugar de outro e representá-lo. Freud
também utiliza, nesta acepção, o termo de origem latina
reprasentieren e o substantivo Repriisentant o
qual, além dos sentidos acima, pode, num uso maIS erudito,
ter o sentido de "corresponder"/"estar correlacionado a"
(entsprechen). Também emprega Repriisentanz, o qual é me-
nos usual e é usado como "representação comercial", "jurí-
dica" ou "política". que a
pulsão é
P.9!:
." O-terceiro tipo de "representação"
substaritivoVorSIéllung(imagem,
__ O verbo
é sich vorstellen, que significa re-produzir/
repetir /reativar internamente uma imagem já dis?onível.
O verbo vorstellen significa literalmente "colocar diante de
si". uma cena ou imagem a "
partir de elementos já Algo diverso
de constltú!çào e mediação de darstellen. Os pnnClpals sig-
nificados coloquiais de Vorstellung, todos impregnados da "
noção de imagem, são "concepção", "conceito", "noção",
"idéia", "imagem" e "pensamento". Os exemplos abaixo,
traduzidos do alemão, permitem visualizar a coloquialidade
com que a palavra é empregada:
Ele não faz idéia (Vorstellung) de como minha tia é chata.
Qual sua concepção (Vorstellung) de Liberdade? Temos já uma
boa idéia (Vorstellung) de como é constituído o cérebro. Forma-
remos uma imagem (Vorstellung) de fu"turo que seja comum a
A PUI..sAo NA PSIQUE
81
todo. para, então, poder iniciar um verdadeiro trabalho de
equzpe .
. Neste sentido,


Freqüentemente, o termo Vorstellung (idéia/repre-
foi mencionado, possui forte carga
lmagetlca, e eqUlparado por Freud a uma imagem (Bíld) ou
colocado em conexão com imagem (Bild). Pode-se dizer que
é pelo Bild (imagem) que a pulsão se expressa, é esta a base
da ling.uagern pulsional mesmo quando se trata da linguagem
postenormente colocada em palavras:
"Distinguem-se, em geml, quatro componentes da apresenta-
ção * (Vorstellung) da palavra: a "imagem sonora" ("Klangbild"),
a "imagem visual da letra" (Uvisuelle Buchstabenbild "), a "imagem
motora da fala" ("Sprachbewegungsbild") e a "imagem motora
da escrita" ("Schreibbewegungsbild"). [ ... ] Quando justapomos
as palavras no discurso encadeado, retemos a inervação da
palavra seguinte até que a imagem sonora (Klangbild) ou a
apresentação** (Vorstellung) motora da fala (ou ambas) da
palavra precedente nos tenha alcançado.
P o sentido aqui é de apresentação ou representação men-
tal-imagética da palavra, isto é, a "idéia" como imagem ou como
concepção mental que se tem da palavra. N. aut.]
f** o sentido aqui é de apresentação ou representação men-
tal-imagética (imagens sensoriais) da fala motora, isto é, da
"idéia" como imagem ou como concepção mental que se tem do
ato motor do falar. N. aut.]
O Inconsciente (1915) (Apêndice C retirado
da monografia sobre afasias (1891) [ESB 14, 241].
lO Outros sentidos coloquiais de Vorstellung são mais afastados do significado de
reprodução interna de imagem, mas referem·se igualmente ao ato de mostrar
imagens já disponíveis" Por exemplo, apl'esemação de alguém a outrem
Apresent<lrei minha namomda aos meus pais; ou ainda o ato de mostl"ar, colocar"
diante de - Apresentarei hoje o projeto do novo carro; e também, no âmbito teatral,
aprcsentaçi\o de algo, encenação, por exemplo de peça teatral, ou de filme
A apresentação (da peça) ontem foi um snce.\:50.
82 A TEORIA PULS!OKAL KA CLÍNICA DE FREUD
É na forma de Bild que a pulsão emana 'da fisiologia
pulsional. A pulsão provoca uma excitação cortical que é
percebida como fenômeno psíquico de imagem e afeto.
Apesar de a psicanálise e a neurologia da época pressupo-
rem que sempre as excitações corticais estariam
à ativação das V01:stellungen, o termo Vorstellung não é subs-
tituído por Freud ou Breuer por "excitação cortical".
nece a palavra Vorstellung com sua forte carga
__Jla
como fenômeno familiar e
psiquicamente; abàh(õ,""nas'paIavràS-àeBreuer:
"Os seus processos psíquicos serão abordados na lingua-
gem da psicologia; c, a rigor, não poderia ser de outra forma.
Se em vez de "idéia" (Vorstellung) escolhêssemos falar em
"excitação do córtex", a segunda expressão só teria algum
sentido para nós na medida em que reconhecêssemos um
velho amigo sob esse disfarce e tacitamente restaurássemos a
palavra "idéia" (Vorstellung)*. Pois, enquanto as idéias (Vorstel-
lllngen) são objetos permanentes de nossa experiência e nos são
familiares em todas as gradações de significado, as "excitações
corticais", pelo contrário, têm mais a natureza de um postula-
do: são objetos que ternos a esperança de identificar no futuro.
A substituição de um termo pelo outro não pareceria ser mais
do que um disfarce desnecessário."
() sentido do trecho é: '" esta última expressão só teria
semi do se nela enxergássemos o nosso velho termo conheci-
do metido num novo disfarce e, mentalmente, reinstalássemos
novamente o termo "idéia". Pois, enquanto a palavra
"idéia" é de nossa experiência cotidiana e nos é familiar
em. ... N. aut.]
Estudos sobre a Histeria (lII Considel-ru;ões teóricas Breuer).
(1893-5) [ESB 2,195].
. Entretanto, apesar do uso coloquial da palavra Vorstel-
lung e mesmo considerando que, nos textos de divulgação,
Freuci parece empregar o termo Vontellung sem cerimônia,
A !'UL<;ÃO KA PSIQUE
83
pressupondo um entendimento comum e imediato (no sen-
tido de "idéia", "concepção", "imagem interna"), não se deve
esquecer que Vorstellung também tem uma inserção secular
na filosofia alemã, tendo influenciado as escolas de psico-
logia e psicofisiologia século XIX.
Contudo, tratar dos aspectos filosóficos do termo exigi-
ria um mapeamento das matrizes filosóficas do pensamento
freudiano, o que não está no âmbito deste livro. É um tema
específico da epistemologia da psicanálise e tal mapeamento
não é uma questão de leitura do texto, pois Freud,
quando parece estar referindo-se a um emprego filosófico
do termo, nem sempre deixa muito claro em que acepção
filosófica o utiliza. Parece ora empregá-lo num registro
kantiano, ora schopenhaueriano, ou, ainda, como no
para urna Psicologia e na Monografia sobre Afasia (citada
acima), Freud reporta-se explicitamente a Stuart MilI. Por-
tanto, não é possível falar de forma apenas genérica de um
uso filosófico de Vorstellung em Freud.
lingüísticos da palavra "repre-

diz
pode, a palavra
r:.eferir-se a um dos três sentidos:
(traduzível, vertretbaI
(substitulVef,-delegável, .
in- ..
teE1!as2..,. na
memória que reproduzem oQjetos ou ações aos quais a
.-_.
Em geral, trata-se em Freud destes dois últimos sentidos;
a pulsão é representada (vertreten, repriisentiert, Repriisentanz)
através de representações (Vorstellungen).
Podemos agora nos voltar novamente ao momento de
entrada da pulsão no psíquico e abordar a questão de como
determinadas pulsões se ligam a uma imagem-representação
(Vorstellung) (ou a grupos de imagens, complexos) que passa
a representá-la (a ser seu emblema).
(
\ '
!
84 A TEORIA puu;roNAL NA CLÍNICA DE FREUD
X Pulsões, Vorstellungen e afetos
circulação pulsional no processo primário)
As Vorstellungen (imagens, idéias, representações) estão
associadas (verknüpft, interligadas, relacionadas) entre si,
formando uma extensa malha (ou tela) de idéias e imagens
inter-relacionadas. Esta matriz é o psíquico pelo qual
as pulsões, ou melhor, as dos estímulos pul-
sionais se movimentarão. Trata-se de um estoque de
ou representações de vivências que fonmrifi.UrIIâílíCn:.ória.


gicas e sObreosaÍetospioouzh::los -púFcadã-estÍfiiwo
--- ou o .EJ!!!lQ..0
sio a matriz o.s
estíIl!!JIQ,'Ullter.Dj)s e É este sistema
dC;-Vorstellungen se encontrar em estado cons-
ciente ou inconsciente) que compõe o que Freud denomina
como aparelho psíquico.
Este ou matriz psíquica reg."ll-
ladora das difergttes A"O e. Z":'
tipos dc""func'lonamento, um . .:::-=::-::.--",c
primeiro, Freud de processo
primário, e o segundo, de processo secundário, o qual será
abordado no próximo capítulo.
Emanando do patamar somático, onde as quantidades
de carga-descarga estão sujeitas à lógica mais imediata dos
percursos neuroanatômicos a pulsão, penetra agora
esferas psíquicas do e secundário, onde
ase}lüiútidades<fwria terão lÓgica

,o palavras
) J""> refere-se a um estado (e, do ponto
'; de vista evolutivo, a uma etapa) onde o aparato psíquico se
)\ ,:;' restringe a imaginificar os processos (dotá-los de imagens)
"
' '\ ) e qualificá-los afetivamente (associá-los ao prazer e ao
) ,desprazer).
A PULSA0 NA PSIQUE
85
Inicialmente, Freud procurou descrever fisiologicamen-
te esse processo de moldagem ao nível do que hoje se chama
de neurônios e formações sinápticas (Projeto para uma Psico,
logia, 1895). Mais tarde, ante as dificuldades técnicas do
tema, conformou-se em descrevê-lo sob o ponto de vista do
funcionamento psíquico.
Estepro,cesso de forma esquemática lI:
envia a éi1ergiãpsíq-üI"ê-a de

,ti!:as s ãs's'o"Ciãill-â
de
duzldas naquela ocasião. Essàs-é61i1êidênciasdc-ocorrênCías
internase externas,aô· se repetirem muitas vezes, deixam
:'caminhos facilitados de interligação" (Bahnungen,
ViaS aplamadas) entre os neurônios que representam no
cére?ro a pulsão, as imagens, os órgãos, as glândulas, os
mOVimentos motores, as sensações e os objetos.
. Por exemplo, a manifestação da fome e a seqüência de
Imagens que se inicia por imagens proprioceptivas de fome
até as imagens de busca de alimento, deglutição e saciação
formarão uma seqüência de imagens e afetos. Esta seqüência
II No Projeto trata"s: de um aparel!lO mental, onde operam três tipos de neurônios
w', IV _uma sene de mecamsmos neuroanatômicos de condução, desvio e
(:Istnbluçao das correntes de impulsos nervosos que atingem o córtex. Porélll
!Teu? nunca conseguiu acomodar de maneira satisfatória a descrição d;
do aparelho psíquico com sua descrição neuroanatômica e
pouco tentativas, Todavia, é importante ressaltar que
l<lnto nas ':1 tlcul<lçoes do Projeto como nas modificações que se encontram na
carta 52 a I- hess, n.ão h,í uma localização estrita,de funções psíquicas no cérebro
nem uma reduçao à anatomia' o que se revela al'[ e' UITIa - I
" ' 'A ' " ' concepçao (e
n<.tll ologla d 111 :Illlca que procura uma mtegração não determ lnista entre a base
matenal do cel'ebro e a dinâmica psíquica, Em outros textos como na
Interf.rretação dos Sonhos (1900) e nos Dois Princípios do Psíquico
(1911 \, utili;-aI", o modelo neurodinâmico do Projeto, faz uma
pSlqUlco de mais funcional, mas nua concepção
b,ISIC.l e scmelh,mte a do Pro']eto TaIS concepções contl'nuarn
T • • • '. (; a reaparecer ao
longo d,! obra em textos mats .tardlos, como, por exemplo, em A lém do Princípio
rio Pmzer (1920) ou no FetichISmo (1927), A descrição do pt'oces' " ,
, ' 50 pnmarIo e
que se fará neste e no próximo capítulo abarca os aspectos destas
percorrem d: modo mais constante a obra, buscando reproduzir
o sent.tdo get ai da concepçao frcudlana, scm detalhar as modificações que
ocorreram ao longo do tempo.
86
TEORIA PlJLSIONAL NA CLÍ;,\ICA DE FREUD
de representações' (Vorstellungen) que ficou "impressa" pelo
percurso daquela pulsão se ativará sempre que o sujeito for
tomado pela sensação de fome. No caso de um bebê, esta
seqüência poderia ser algo como a sensação de desconforto,
choro, sons da mãe chegando, cores e odores, imagens de
ser amamentado, o alívio e a saciação.
A seqüência desencadeada pelo desconforto inicial diri-
ge-se para um objeto de alívio, neste sentido pode-se dizer
que neste estágio o processo psíquico se dirige ao prazer. O
desprazer (sensação de fome) é evitado, seja evocando a
seqüência dirigida ao prazer, selja descarregando por ações
motoras o excesso estimulação.
retençãQ
energética. Trata-se de um sistema sem uma memória volun-
ativável. Há uma espécie de memória arcaica que
consiste de uma seqüência de eventos que se inscrevem no
cérebro como uma memória de vias de comunicação esca-
vadas entre neurônios e que pode ser ativada sempre que
surge a necessidade. Assim, as Vorstellungen (idéias, repre-
sentações) vão sendo associadas (verknüpft, vinculadas) a
outras Vorstellungen e formam grupos de imagens vinculadas
entre si (complexos). Um conjunto de Vm:stellungen pode ser
ativado a partir de uma Vorstellung isolada, bem como os
afetos ligados'a uma representação podem "contaminar"
outras representações. v::5ue
- necessidade o sistema é inundado pela carga
da;;qüência de
imagéns
ga. aseFÍe--éfê neurônios-


branças que possam ser evocadas e manejadas como peças
de-urrn'ací óCíniõ-;Iilãslêiiiliianças quc'iffõrãill.-etõrm;;;-ü
sujeitQ.. ------.... --.... ..,,_ .. _ ..
Quando a pulsão se manifesta, evoca-se o complexo de
imagens e afetos a ela vinculado e desencadeiam-se certos
movimentos motores. Estes movimentos se norteiam e mo-
A PULsA0 NA PSIQUE 87
dulam em função das associações já vividas, mas o fazem de
forma pouco flexível, e as circunstâncias variadas em que os
objetos de prazer podem se encontrar (presença-ausência,
distância, etc.) não serão antecipadas pelas ações. Portanto,
ocorre freqüentemente um fracasso da ação e da alucinação
e se instala uma frustração-decepção (Enttauschung). Surge,
então, um estado de necessidade desejante em que o sujeito
almeja atingir o objeto não disponível. Este é um estado em
que o (Wunschzustand) equivale a um estado de
urgência/necessidade (Notzustand) não atendida. A alucina-
ção não pode satisfazer por muito tempo a necessidade
(Not), e o sujeito ainda não pode buscar no mundo o que lhe
falta; assim, instala-se o que Freud descreve como o estado
de desamparo (Hilflosigkeit) do bebê. Portanto, não há uma
proteção eficiente contra o excesso de Reize irntatlvóS(prin-

está fadado a as mais diversas quantída-
des-deêStíinulos, com
Os"(,:xcessos -deSagradáveis de estímulos que já atingiram o
se nte'fome , jáe iãidepara
evitar o desconforto e ele é tomado de incômodo difuso. às
mecanismos de defesa contra os estímulos endógenos (estí-
mulos pulsionais) são precários e não há como antecipar a
fome na forma da percepção de um apetite que simboliza
uma fome vindoura e permite uma ação ordenada de pro-
videnciar e escolher o alimento.
Qn1 .. pr.imári o (seqü
ao é
xo do que o sistema de arco-reflexo (em que predomina uma
"memória" anatomicamente fixada ou herdada filogenetica-
mente), TI?aULUIIJ-ªJorIl)._a re:g!::iJ?:2!-Q da
circulação pulsion.<l}' Diferencia-se do arco-reflexo, pois
n\ afe.!;os,
Banir vivªnçi
as
de certa
Ile.,.mLçJüçle
das agir.
(
(
(
>K
, )
88 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREVD
De forma geral, no processo primário reina um estado
que se caracteriza pela disposição irnediatista a sair da UnZust
para a Lust pela alucinação, onde se· vive num limiar difuso
entre a alucinação e' a realidade.
precariedade, o funcionamento do processo primária

organismo não sucumba à inundação de e a
as
e o pensamento primitivo (que Freud denomina como
"pensamento inconsciente" por imagens) servem aqui como
elementos condutores que guiam a pulsão da fonte à meta,
quando esta já está disponível.
NQ..-pn)Cesso __ as
fenômenos
corpo e
algo
A maioria dos termos enfocados na segunda parte deste
livro, tais corno, por exemplo, Lust, Drang, Reiz, UnZust,
Angst, a este patamar. Sua forma de expressão
psíquica é Bilder (imagens) proprioceptivas, cines-
etc. Tr,:t_a-se de
Coerentemente com o

termos pulsionais, em alemão, o
a intensas manifestações psíquicas, em
geral de excitação que tende ao desprazer, alinhan-
do-se conotativamente, a Drang, Reiz, UnZust e Angst
12
.
O sujeito, -ªlemãn.....:age no,
'afetcr--tím isto é, está tomado afetos e
Neste patamar de funcionamento psíquico mais arcaico
predominam imagens fugidias, sensações imediatas e um
tipo de pensamento organizado conforme associações per-
12 Quando se emprega neste livro a palavra portuguesa "afeto" sem referência
ao A[feht do alemão, está·se usando o termo apenas na acepção de qualidade
de estímulo, a qual aparece na sua forma basal como sendo prazerosa ou
dcsprazerosa. A carga de afeto.ou quantidade de afeto indica a intensidade.
1
A I'ULSÃO NA PSIQUE
89
ceptivas por identidade imagética (guiada pela semelhança
ou contigüidade entre sensações).
CQ1ltJldo, não se deve iI.l:@ginar esla
it- estáticas. Tal
/ está sujeita ª,-um constante

Essa malha (ou campo), apesar de parcialmente pré-mol-
dada filogeneticamente e complementada pelas experiên-
cias primordiais, sempre se rearranja. Ela esculpiu-se
predominantemente a partir da circulação pulsional. Pode-se
dizer que a própria formação e maturação do aparelho
psíquico se confunde com o processo de uma circulação
pulsional, mas não cessa de sofrer a influência de novas
experiências (mesmo que ela" tenham mais tarde na vida
menor força e influência do que as primeiras inscrições).
..§ ..J:i;:llÔlllellOS. .•_::':.;::.:
.

.. interl igações)J,
houver também modos de reter e a


a um, patamar
.-- -'
90 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
mais elaborado do que aquele do processo
VIa, trata-se aí do processo secundário, a ser abordado no
capItulo que segue. ---.-.. -----
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A PULsA0 NA PSIQUE
XI Atando as pulsões às Vorstellungen e aos afetos U
(a circulação pulsional no processo secundário)
91
Quando se descreveu, nos capítulos IV, V, VI e VII, a
esfera da fisiologia pulsional, focalizou-se, com freqüência,
uma dimensão onde os Reize se restringiam a efeitos no
somático (pressões físicas, reações reflexas, etc.). As pulsões
acometiam um corpo que conduzia diretamente a energia
por vias nervosas e inervações motoras a descarga.
No capítulo anterior, foi abordada a pulsões
num patamar psíquico. Neste campo, as que acome-
tem o aparelho psíquico
maS-São;uiadas or rotas de imagens esensações.-As -óndas
-( e estímulos por
percursos mais somáticos e predefinidos pela anatomia,
mas pelas marcas deixadas pela experiência. as associa-
de caminhos facilitados que vão do desprazer ao prazer
e que levam a pulsão em direção à descarga imediata.
Agora, será abordado um estado psíquico mais comple-
xo que Ercud nomeia como processo secl!!lçlário. Nele,
pulsões passaI
ll
a assumir âml?!to
---- Este aparelho não é mais um condutor que
funciona de associações de seqüências, mas que
acumula, distribui e encaminha as cargas pulsionais a partir
de um de associações disponíveis com as quais ele
opera segundo regras de raciocínio. Estas lhe permi-
tem simular e antecipar a cada momento o melhor percurso,
bem como tentar compatibilizar e ordenar percursos de
pulsões simultâneas. As leis que organizam o percurso pul-
sional não são mais nem as estritamente anatômicas, nem
as seqüências de imagens e sensações, agora serão as
relações de sentido entre imagens e afetos que direcionarão
o movimento. Em outras palavras, será o o
A[eto est,í sendo usado aqui na acepçáo de qualidade de estímulo, a qU<l1
na sua forma basal como sendo prazerosa ou desprazerosa; é, portanto,
do termo alemão AjJekt, o qual, cOllfórl1lc j,í mencion'ldo. refere-se a
UIll excesso de excitação.
(
(
92
A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE fREUD
simbólico, a linguagem, a vontade

Haverá uma atenção que recorre à memória
voliçãoque monit:õi'ãaSãÇOô,Os Rezze, ao erit['ã;:em na
eSfera pSfquica,passam
,
.lmagens e
de vontades, de
_ -
Além disso, esta mudança de lidar
com os estimulos Imp1ica de reçg-
nõcéeicontiãCiiçÕes lógiCas e
--'-Pãr:ã-expIícàr"ã-pãssagern-aó patamar do' processo pri-
mário para o secundário, fundamentalmente, a idéia de
Freud era de que o aparelho psíquico se torna mais comple-
xo e abrangente devido a uma entre a maturação
neuronal e o acúmulo de vivências que permite um funcio-
namento mais integrado.
. . .
de.r.t;tenção
(hgaçao, Bmdung ) aa energIa pulslonal. Assim, após a
"-" .'" ,-"'" '.
14 A palavra Bindung requer algulll esclarecimento. Bindung tem sido traduzido
por "ligação", ali;is a mesma tradução freqüentemente dada à VerkmijJfllng e
Vr,rIJúulllng, de forma que as t.rês palavras podem equivocadamente ser
compreendidas como "ligação" no sentido funcional de "conexão', "relação",
"vinculaçiio", P.ml evitar erros básicos de compreensão do texto freudiano, é
importante esclarecer que se Verkniipfllng e Verbindung têm o sentido funcional
de conexão, rehlção, vinculação, ínterligação, associação, a palavra Bíndung.
significa "ligação" na acepção lnalerial e concreta de "atal'nento'\ "fixação",
"aprisionamento", ou a ligação funcional na acepção de "enlaçamento', "cio".
Em geral, a pulsão está gebunden (atada, amarrada, fixada) às representações
e est.as estão VI!rlcnüjJfl ou verbundt'11 (interligadas, interconectadas) entre si.
Quando, 'no Projeto (1895), Freud diz que "o ego é uma massa de neurônios
em estado lig,ldo", refere-se a neurônios que estão atados (gehunden) à energia
pulsionaL Quando diz que "o ego é uma rede de neurônios bem facili!ados
(gebahnt) entre si", relere·se ao termo Bahnungen (facilitações), o qual em
,demiío quer dizer avenida ou caminho aplainado, portanto as Bahnungen são
as interligaçôes materiais ou cobcretas (algo semelhante a ligações sinápticas)
que perlllitem il energia pulsional (catexia ou investimento) circular de um
de neurônios a outro ou de uma representação a outra. As
estão funcionalmente interligadas (verkniífJfl, verlmnden) pelas
interligações concretas das Bahmmgen, Como se verá mais adiante no texto, a
energia pode circular livremente, ou circular atada (gebunden) a certas
representações, ou ainda pode estar atada (gebunden) a um complexo de
A PULSÃO NA PSIQUE 93
passagem das pulsões por neurônios ou sistemas psíquicos,
capacitados a reter energia, fica um determinado resíduo de
energia pulsional estocado (atado, fixado) nos neurônios
portadores das imagens, de modo a mantê-los pré-ativados.
Esta· carga estocada nos neurônios permite mantê-los de
prontidão para representar de maneira reevocável as expe-
riências do mundo interno e externo. Ou sçja, através dessas
imagens (Y'.@Sfucilitadas de cone;:
forma-se um mapa
das vivências) sempre
para a açãQ:
Entretanto, para que o sistema não sucumba às alucina-
ções é necessária a inibição dos excessos de catexia em certos
neurônios evitando que a ativação de uma lembrança adqui-
ra a intensidade de uma vivência real levando o a
alucinar. Para tal, a inibição funci()!1a.como uma espécie de
abertura de
tar
I1
a percepção da
representação do objeto (sua imagem na memória).
. além do atamento pul-
a Imagem (Vorstetlung, idéia), fixando a carga pul-
slOnal em certas representações, há uma concomitante
ampliação das Bahnungen e da Verbindung (interligação,
conexão, vinculação). Este conjunto permite estocar, redis-
os
e presença produzindo
...alucinaçÔJ:,S. --
O atamento (Bindung) da energia pulsional às idéias/ima-
gens (Vorstellungen) possibilita que o aparelho psíquico esteja
em prontidão rememorativa, bem como permite ao organis-
mo operar com um estoque de energia suficiente para
empreender no cotidiano as ações necessárias à suspensão
das necessidades (obter alimento, amor, fugir de perigos
externos, etc.).
;epresentaçõcs que a mantém tão ligada (gehunden) que ela permanece entalada,
IIlcapaz sequer de CIrcular.
94 A TEORIA I'ULSIONAL NA CUNICA DE FREUD
Também ocorre, através das Bahn1lngen, r\,'nnl1?1
bindung, a vinculação da fonte pulsional a certas
./
de imagens determinadas fimções,finalida- r
des e metas. esta vmculaçao da pulsão a certas {imfões glJi;.. "(cf
a pulsão possa adquirir sentido. Esta conexãQ... ,,':? l/i {Y'Ú-
1
patamar biológIcO, .e r(('L +G

às ações de realização da finalidade
biológica correspondente"Tror de fOl:;-;;-
da função de nutrição, ou excitação sexual-
coito-reprodução o processo refere-se
imediatas {não a
mecanismos de de descarga a mecanismos redu-
ção de tensão somática (por exemplo, maior
estômago-comer-diminuição da acidez, ou aumento
tação sexual-coito-relaxamento da musculatura sexual). Na
,esfera primário, a interligação se dará
entre sensacões de desprazer e
fome-comer-saciação, ou vontade e
bele'ce--;'pOTra:m:o;seqlIêí1CiãSque partem do desprazer e se
cÍiri"gein'é'ioprazer:-Quâiitõ-ao- trata-se
deredcs-dcSinmlâçOeSrIientais entre desejo e medo
intermedi*
-- -"-- -----.. ----
pela palavra permitem conectar o desejo e as vias de A
processo secui!-
____ (por exemplo,
apetite-opções gastronômicas-prazer de degustar uma igua-
ria, ou apetite-dieta-prazer de se imaginar esbelto, ou ainda
desejo sexualjogos eróticos-gozo, ou desejo sexual-sublima-
ção-prazer de realizar tarefas socialmente gratificantes).
Assim, r,ela e entrelaçamento dos
mares (5íológico, somático, psíquico), se consolidam cami-
que interfígãm (verbinden) a f;:;m-e .. /-\-
pulsional à função e às idéias7imagens li
dáCfàs-á- ao sui<.iLQ..
encefnTfar uillsemido ou significado na ação. Isto lhe
bilítãOidenar e orgamzar suas experiências e ações. Até
. ___ __ .. __ ___- ..-
A I'ULSÀO NA I'SIQUI-:
95
certo ponto, a finalidade biológica constitui o grande
que dará sentido às motivadas pela pulsão, mas como
a função da pulsão é diferente e autônoma em cada patamar,
nem sempre a função biológica coincide com as outras
funções vigentes em cada patamar. Por exemplo, a finalida-
de biológica de reprodução pode não coincidir com os
desejos sexuais ou a finalidade de nutrição pode não coin-
cidir com a gula. guando de_afetos
e na cultura na forma de as
• ---'::--::r -----
putslOnals uO SUjeIto podem se ressignificar e estar em
rranca contradição co.!IULfinaIldadêJ)iolÓi!.ÇE- da
dade" que lhes serviu de Também_pode ocorrer

no processo secl!ndário,-se--estabilize uma çonexão funGio-
- ." ..-....
nal que da dIreçao e sentIdo a mas que esteja em
o priffêIPIõâõ prã'zer-.iue ..

humana na cultura serão da parte IV deste livro, por
ora trata-se de abordar o acréscimo de sentido que se
configura no processo secundário.
Tanto a Bindung (ligação, atamento) como a Verbindung
(interligação, conexão) estão a serviço da constituição e
maturação de capacidades psíquicas fundamentais. Possibi-
litam o pensar,

....:tentes será no processo secundário que se
formará um ego ,). Conforme Freud, o ego se compõe de
complexos bem interligados através de vias facilitadas e em
estado ligado (atado, fixado à energia pulsional):
"Imaginemos o ego como uma rede de neurônios catexi-
zados e bem facilitados (gebahnter) entre si."
Projeto para urna Psicologia Científica (1895) [ESB 1,341].
15 As divers,lS teorizações freudianas sobre a formação do ego não serão
abordadas aqui para não nos desviar do foco, Apesar da idéia básica de que
uma função egóica plena implica inibíçr10 e ligaçr1o, o telHa da
formação do ego conhece várias formulações ao da obra que não chegam
a se integrar numa concepção única.
(
(
96 A TEORIA PUL'>IONAL NA CLíNICA OE FREUD
"Ora, o próprio ego é uma massa de neurônios dessa
espécie, que se agarram a suas catexÍas - isto é, que estão em
estado ligado (gebunden, atado, fixado). e isso, com toda certeza,
só pode suceder como resultado de seus efeitos mútuos."
Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESB 1,
(
A representabilidade pulsional potencializada pela
;; J Bindung e pela ampliação de assotiações (Verbindungen,
)i Verknüpfungen) e pelo manejo de representações permite
} I que os objetos visados para a descarga pulsional passem a
) li ser mentalmente imagináveis (representáveis p,ela memória)
,.0 d-l'l e ser mentalmente (Verschzebung) e rear-
ranFdos em equaçoes de eqmvalenna (por exemplo, quan-

Y do um objeto se torna inatingível pode ser trocado por outro
objeto). Posteriormente, esta plasticidade ainda aumentará
quando os Reize poderão também ser descarregados interna-
mente através de atividades elaborativas (Verarbeitung) [a
serem ainda abordadas no capítulo XVII].
A razão biológica para que um tal aparelho psíquico se
formasse residiria, conforme Freud, na necessidade de cons-
tituir uma memória que permitisse evitar situações de des-
prazer, bem como de constituir urn sistema que fosse capaz
de guiar o na busca dos objetos de satisfação.
Além disso, na medida em que nem sempre a descarKª

perigo;-é-neecssáriaLlma
que favoreça õei'é-rCídü·de com a

nhecer perigos, de adiar e de reter a descarga.
Cóinum-tãl aparelho; torna':se'posSÍvel"ãtivar as imagens
e as seqüências de imagens que conduzem a situações favorá-
veis, bem como re-conhecer imagens já vivenciadas que ante·
cipam a chegada de situações de desprazer e reagir
adequadamente. Além disso, este aparelho deve discriminar
a alucinação da realidade, pois a satisfação alucinatória não é
." acompanhada por uma satisfação real da pulsão, isto é, por
A PULsA0 NA PSIQUE
uma descarga. O SUjeIto que retido na ilusão da
alucinação sofreria uma frustração (Enttauschung).
Em geral, tais ligações (Bindungen, atamentos) e vincu-
lações (Verknüpfungen, conexões, associações) acontecem no
início da vida, quando o aparelho psíquico ainda está em
formação. Entretanto, novas ligações (Bindungen) e conexões
podem ocorrer ao longo da vida, bem como antigas podem
cair em desuso.
O mesmo vale para os afetos. Quando as pulsões mani-
festam-se psiquicamente e se acumulam e se descarregam,
produzem-se os afetos básicos de prazer e desprazer. Geral-
mente, o acúmulo associa-se ao afeto de desprazer e a
descarga ao afeto de prazer. Com o tempo, a repetição vai
associando os afetos a
ós objetos e está
ligada a um afeto. E como se as imagens mentais internas
(oimOOãs..oos.QI;[etos·aõ-munC1õ-extê'iTIõ rrosseni' os Ínvólu-

.
e
.
Deste modo, as imagens/representações (VorstellungflI!)
que ficam estocad<.:,s
tamo das
são
.QQjetos eXlernos._qll.e estã;;-ü in·undo. --

Por isso, o processo de "ativação" de Vorstellungen pré-
ativadas pode ocorrer tanto pelo envio espontâneo
mulos da fonte pulsional em direção à psique, onde então
se ativam as imagens e os afetos, como pelo caminho
Se a pulsão estiver ligada à representação, a mera visão de
urna imagem de origem externa que esteja relacionada a esta
representação interna pode fazer aflorar a energia pulsional
correspondente. Assim, por exemplo, tanto a fome pode
evocar a imagem na memória de um prato apreciado (que
funcionará como representante da pulsão de nutrição,
rando a vontade de comer o prato em questão), como a visão
98 A TEORIA PUL510N.J,L NA DE l'REU!)
de um prato saboroso (cuja imagem já é conhecida e está
estocada na memória) poderá evocar a fome que já se
acumulava (e guiar a pulsão até o prato que realmente estava
sobre a mesa). das
haverá um acúmulo pulsional e um<!.pxc;mtÜ::l.ão.pª-úJ...a.p1llsfi9 Jt-;;,
o:orrer
mterna ou externa:
"Um impulso instintual reprimido pode ser ativado (nova-
mente catexizado) a partir de duas direções: de dentro, através
de reforço de suas fontes internas de e de fora,
através da
--.------- "Jlnibições, Sintomas e Ansiedade (1926) [ESB 20, 1821.
Este trânsito de reforço bidirecional entre fonte pulsio-
nal interna e representação (Vorstellung) de objeto externo
significa que imagens de objetos externos podem repre- .
sentar (vertreten, reprãsentieren) pulsões e que pulsões podem
evocar imagens que representam objetos externos. As causas
que fazem com que a pulsão aflore à consciência .ll9Jicru
táilto-SeSltUar-õentro será relevante
os mecanismos de defesa diri-
gidos para ameaças pulsionais ativadas por imagens exter-
nas e os mecanismos voltados a impedir a ativação oriunda
,diretamente das fontes pulsionais, mas estes são temas do
capítulo XlV. Por ora, basta dizer que esta binariedade
permite à psique reconhecer e antecipar, por sinais ou
indícios, o aumento de estimulação pulsional interna, bem
como a chegada de estímulos externos.
Assim, o conjunto de afetos e imagens atadas a pulsões,
interligado em todas as direções através de um emaranhado
de vias, constituiria o arcabouço do aparelho mental. Trata-
se de um sistema onde, além do fornecimento de energia
oriunda de fontes pulsionais e de fontes externas situadas
no meio ambiente, há uma constante drenagem, transfusão
e preenchimento entre os reservatórios energia estocada.
A PULSA0 NA PSIQUE .
99
.. a
),

Como se pode notar, o modelo de circulação
pulsionaI e aparelho psíquico é extremamente plástico. Ape-
sar de FremI acreditar que em parte muitas das vias facili-
tadas já estão filogeneticamente pré-moldadas pelas
UrjJhantasien (fantasias originárias filogeneticamente herda-
das), \1(-
<::l<!s expenenclas v1Vldas por cadaindiYidllQ,Yá-bOnsUtuindg
dQ
primário como do secund;:Í.rio. {-:{ v'
!
são singulares e em parte casuais. Apesar 7
de, grosso modo, elas se imprimirem nos primeiros anos de (
,,,,,I-(Á 4\.-...-<'"
vida, novas vivências estarão sempre a interagir com as (
pulsões e a reconfigurar e remoI dar o aparelho psíquico. E
m ntos de recon' a ,ão,
_ tuosos e onde se embaralham dimensões e tema psíquicos,
que a intervenção psicanalítica encontra brechas
(
100 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
XII No campo das Vorstellungeri
- a pulsão como des<,;jo,
alçando-se das imagens aos pensamentos
A passagem
no
certos mecanismos se consolIdam,
patamar, a me
\.,ontuao, ,..<J
dizer que sempre se refere a um que (jJ
conduz de um estado onde predominam as sequenclas. de O ?ÜcjJJ
imagens arcaicas e complexos (grupos) f:ouxan:ente GY-
lados para esferas onde as imagens nao maIS
priroeiro plano e onde se estabelecem relações funCIOnaIS
mais estáveis. , . r .
l-Iá uma contigüidarle lingüística, e tambem Itl-
ca que acompanha todo esse movimento da pulsa0 que
c;nduz do somático ao processo secundário, passando pelo
são enlaçamentos ent:e os verbos re-
presentar, alucinar, imaginar, fantaSiar, e pensar
determinados contextos, estes termos alemaes podem ate se
equivaler)16. Esta trama que une e modula e.sses termos
imagéticos no texto alemão, além de reforçar Importantes
conexões conceituais, serve para desfazer algumas
I tes imprecisões do tratamento a. estas questoe,s.
De maneira geral,
f corpóreo (isto é, do somático
.[')rY \, -.:r primário e desemboca no do secunda-
'í f rio. No aparecem
epifenômenos gue se .'!flcora!Jl
''\ trata-se, na dimensão psíqUIca, de. _
(Bílder) e idéiaNepresentações
tOidifusos, ambos descritos por Freud atraves de um ..
corpóreo, espicaçante e sensorial. Conforme VISto
16 As rdações que serão. descrita.s a seguir entre
denhen (pensar raciocmar) reterem-se ao contexto a I g g . I'tO o
o , _ • d I vras e o uso pSlCana 1 IC
enfocam somente o emprego semantlco pa a, . . I" o
elos conceitos, não se referem a hipóteses eplstemologJcas ou neuro ogrcas.
....
A I'ULSÃO NA PSIQUE
lOl
no capítulo IX, o próprio termo "representação" (VoTSlellung,
idéia, imagem) se liga à noção sensorial de Bild (imagem). O
Bild é um substrato do qual se compõem as Vorstellung, sich
vorstellen é "colocar" (stellen) imagens (Bilder) "diante" (vor)
de "si" (sich). Portanto, lingüisticamenteo verbosich vorstellen,
empregado na forma reflexiva, significa "imaginar", ou um
"pensar" de cunho imagético, que concebe uma imagem
sensorial sem a presença concreta do objeto. E
arcaica, calcada em
gens), onde as são re-ativadas e re-produzidas inter-
namente (isto é, recolocadas diante de mim), é que se dará a
_._.....,---------. --
complexificação a:üj?ensamento.

dito
a entrada no secundário se caracte-
riza por as
............,,'- ---....---..
mas a um desejo composto por ima-
gens almejadas e referidas
tipo de pensa-
mento que ainda opera primordialmente por imagens que
começam a ter função de linguagem (uma linguagem de
imagens ou idéias ímagéticas). Uma idéia ou imagem deste
tipo é designada em alemão pela palayra VOTStellung. Com o
passar do tempo, muitas das imagens serão apenas suportes
(letras, sons) utilizados pelo para expressar
relações funcionais, bem como as palavras e as abstrações
terão papel de destaque.
Entretanto, conforme tem sido apontado desde os pri-
meiros capítulos, a é um erocesso
contínuo e simultâneo que brota dos órgãos e glândulas, s,e
faz peiêeber comosensações imagéticas diversas e se articu-
"-- -. . .,._0_ .. __ -. _ ....___ .......... , .. _
pensamento Sera'a memória voluntária,
as de relações entre Bilder, bem
como destes Com os afetos, que permitirão à pulsão se alçar
do processo primário a este tipo de pensar, que mais tarde
se torna plenamente lingüístico.
102 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
no
sarnentos e abstrações, totalmente
d;-'éorpo carnal, bem como êIa.s e afetos.
conceber .- o percurso uiíí.ã-seqüência<=!e_
justaposições: na progressão do patamar corpóreo-somático
eí:lldireção aos planos das abstrações se
mantêm acesos e interligados os três níveis (somático, pri:
mário e e organT':-
-em de que,
éstados ond<::...se secundário,
IQg;-ãflorãm os .2atamares mais
devaneios, ele),
não (aparecem s.QQ
forma de
e simultaneidade de ações indicada
pela psicanálise também está presente na polissemia da
palavra VorsteUung, que tanto se refere a imagens (Bilder),
como também significa "pensamento" ou "idéia". A Vorslel-
lung pode ter o significado de "idéia!', na acepção de um
"conceito" imageticamente concebido. Em alemão pode,
portanto, haver um raciocínio imaginificado que coloque os
pensamentos sensorialmente numa cena imaginária. Mesmo
num nível bastante sofisticado de pensamento pode-se ope-
rar por imagens, tal como na frase: "Qual a sua concepção
(Vorstellung) de uma vida feliz? [como imagina uma vida
feliz?]. Neste càso, se convoca o interlocutor para um pensar
calcado em cenári"O, s, e, image, ns. de um pensamento A
fi0
.. -( a
suais, etc.) são ainda herdeiras do papel / ''''.
processo Além disso, Vorstellung
também pode ser usado em alemão no sentido de desejo
(Wunsch), e psicanaliticamente Freud indica que aquilo que
é inicialmente imaginado-pensado é o que é desejado. Lem-
bremo-nos, também, que lingüisticamente há um enlaça-
mento conotativo entre Wunsch e Bild, pois o em geral
apela para as imagens, e é comum utilizar-se Wunsch no
contexto de sonhos, ideais almejados.
A PULsA0 NA PSIQUE
/03
indica há urIl_::)Utro tig..o
__ e preponderantemente colocável
em imagenJi,. Trata-se da atividade de
mais funcional e simbólico, por exemplo na atividade de
identificar erros de lógica na argumentação. Este gênero de
raciocínio é expresso por Outras palavras, por exemplo pelo
verbo denlwn (pensar) ou pelo substantívo Gedanhe (pensa-
mento). Neste tipo de raciocínio, a imagem entra apenas
como um suporte discreto.
Assim, se a Vorstellung expressa o ato de "conceber-cons-
truir visualmente" urna situação hipotética ou idéia, a partir
de imagens já constituídas, e aproxima-se da atividade da
"fantasia" ou "imaginação", o denken é expresso mais em
palavras ou símbolos (na acepção de signos, sinais ou códi-
gos), e se refere a uma atividade mais analítica.
Entre vorstellen e denhen há semanticamente uma diferen-
ça, pois, no primeiro, predomina a imagem, no segundo, a
relação funcional, mas também há uma contigüidade, pois
ambos são pensamentos (e ocasionalmente sinônimos), são
dizíveis em palavras e se expressam por formas sensorial-
mente apreensíveis (signíficantes). É claro que estas distin-
ções entre vorstellen e denhen não são sempre rigorosamente
seguidas na língua, nem por Freud, mas trata-se de tendên-
de que também Freud segue. Da
há uma contigQ!dade entre as
e a noção A passagem de uIlli!.
mas U'i:
dual, e o pesejo sempre .est'Lp'resente.
Para Freud, o bebê, após t-;;-tid; as primeiras experiên-
cias de satisfação (por exemplo, mamando), quando volta a
sentir necessidades pulsionais, recorre ao alucinar (halluzi-
tentando reevocar imagens (Bilder) ou idéias imagé-
tIcas (Vorstellungen) que o apaziguaram no passado. Esta
experiência de alucinar é um tipo de protopensamento
imagético (vorsteLlen) dirigido ao objeto que se desejaria
presentificar. Entretanto, a função apaziguadora que este
alucinar-pensar tem para o bebê acaba por fracassar, pois
(
(
(
104 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
não propicia a descarga efetiva e a satisfação pulsional (por
exemplo, a fome continua mesmo após o alucinar que
. mama). Este pensar alucinatório
imagens pOÊ':"'"
que o Trata-se,
de um yensar-imaginar (vorstelleit) qu-ese---:<;itila-entre o
-,
_---.-.-_ ......... .. .... " .. _, .. __
"O primeiro desejar parece ter consistido numa catexiza-
ção alucinatória da lembrança de satisfação."
A Interpretação dos Sonhos/ VIl-E (1900)[ESB 5, 542].
Este 'p'ensar desejante, no qual o s4jeito sustenta
gadamellt.c .. a.evücaçãa..dC-!!ma imagem almejada, desIDkâ"
-.deia-e_glJia a procura cQ!"responda
m
..à
illlag'em do de
Urna nova etapa então se instala, pois, ao engajar-se na
ação de re-encontrar o objeto de satisfação, o passa
a utilizar as relações de tempo, de espaço e de causalidade,
bem corno põe-se a verificar a identidade das representações
do mundo externo com as representações dos objetos de
satisfação procurados (mundo interno).
....!!!!!.. tipo de raciocínio e pensar (denken) a serviço do desejo
e.ligado às condições temporais, espaciais e de relação de
forças do
O sujeito, em vez de prosseguir nas alucinações, procura
viabilizar o desejo levando em conta o princípio de realidade.
Procura pensar/representar/reproduzir (vorstellen) não mais
aquilo que era agradável (o oqjeto e as vivências satisfação),
mas as condições do mundo extenlO.
"Retorno a linhas de pensamento já desenvolvidas em outra
parte quando sugiro que o estado de repouso psíquico foi
orit,rinalmente perturbado pelas exigências peremptórias das
necessidades internas. Quando isto aconteceu, tudo que havia
sido pensado (desejado) [( Gedachte) (gewünscht)] foi simplesmen-
te apresentado de maneira alucinatória, tal como ainda acontece
A PULSA0 NA PSIQUE 105
hoje com nossos pensamentos oníricos a cada noite. Foi apenas
a ausência da satisfação esperada, o desapontamento experimen-
tado que levou ao abandono desta tentativa de satisfação por
meio da alucinação. Em vez disso, o aparelho psíquico teve de
decidir formar urna concepção* (vorzustellen) das circunstâncias
reais no mundo externo e empenhar-se por efetuar nelas 'uma
alteração real. Um novo princípio foi assim introduzido; o que
se apresentava** (vorgestellt) na mente não era mais o agradável,
mas o real, mesmo que acontecesse ser desagradável."
[''' Retmduzindo o início da frase: ':Ao invés disso, o aparelho
jJsíquico teve que decidir imaginar (representar mentalmente) as
cirL1lnstâncias reais ... " N aut.]
Retradu:zíndo o início da frase: "Um novo princíPio foi assim
introduzido; o que era imaginado (no sentido de representado
mentalmente) não era mais o que fosse agradável, mas... aut,]
Formulações sobre 05 Dois Princípios do
Funcionamento Mental (1911) [ESB 12,278-9].
Freud afirma que o processo de pensar (denken) propria-
mente dito se derivou do imaginar-pensar (Vorstellen, repre-
sentar) e consiste numa ação experimental (uma de
simulação) com pequenas quantidades de investimento
energético. Entretanto, o pensar (denken) era inicialmente
inconsciente e diferenciava-se da mera representação/idéia
(Vor:steUung) na medida em que se dirigia às relações entre
as impressões dos oqjetos. Somente quando se conecla CQI!l
restos de palavras, o pensar (dexLken) adquire !4ualidades
para a consciência. importante sublinhar
relação da consciência com a linguagem e com as palavraj>
(nem que se trate de resíduos de palavras, grunhidos e sinais
u tilizados simbolicamente).
"A coibição da descarga motora (da ação), que então se
tornou necessária, foi proporcionada através do processo do
pensar (Denkprozess), que se desenvolveu a partir da apresenta-
ção de idéias * (Vor:stellen). (. .. ) Ele é essencialmente um tipo
experimental de atuação acompanhado por deslocamenlO de
106 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
quantidades relativamente pequenas de catexia, junto com
menor dispêndio (descarga) destas. ( ... ) É provável I
pensar (Denken) fosse originalmente inconsciente****, na me- - \j"'\)
dida em que ultrapassava simples apresentações** ideativas e
era dirigido para relações entre impressões*** de objetos, e
que não adquiriu outras qualidades perceptíveis à consciência
até haver-se ligado a resíduos verbais."
r
k
no original, se trata de imaginar (no sentido de pensar algo
que pode assumir formas imagéticás, o sentido do trecho é:
" ... processo de pensar que se desenvolveu a partir do ato de
imaginar (na acepção de "conceber mentalmente") ... " N. aut.]
trata-se de imaginar:" ... na medida em que ultrapassava o
simples imaginar. N. aut.]
" ... dirigido para relações entre as impressões causa-
das pelos objetos, e que ... "N. aut.]
Inconscente é utilizado aqui no sentido de algo anterior
à dicotomia consciência x inconsciência e ao recalque semndário, J...
um inconsdente no sentido daquilo que ainda não é ver'.!.!!:l]
Formulações sobre os dois Princípios do
Funcionamento'Mental (1911) [ESE 12,281-2].
Assim, pode-se perceber como o pensar (denken) evolui de
uma operação sobre imagens (Vorstellungen) que são reprodu-
ções de objetos desejados (gewünscht) a partir de um estado
de ânsia (Drang, pressão). Lembremo-nos que o Drang reflete
uma ânsia que visa escapar do aperto somático através de
caminhos apontados por imagens de alívio. Freud, às vezes,
equipara o estado de desejo ao estado de ânsia:
"Ora, com o reaparecimento do estado de urgência (Prang)
ou de desejo (Wunsch), a catexia também passa para as duas
lembranças, reativando-as."
Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESE, 1,337].
Quando o pensar (denken) ocorre ao abrigo do princípio
de realidade, é puro fantasiar (phantasieren) ou um brin-
car das crianças (em alemão imaginação, fantasia tam-
A PULSA0 NA PSIQUE 107
bém são designados de "força de repre-
sentação/reprodução"). Neste estado, a pulsão p;?de
livremente em pensamentos
ser evocado sem o rigor do prinCIpio de
,.,...---.... """
"Com a introdução do princípio de realidade, uma das
espécies de atividade de pensamento (Denktatigkeit) foi separa-
da; ela foi liberada do teste de realidade e permaneceu subor-
dinada somente ao princípio do prazer. Esta atividade é o
fantasiar, que começajá nas brincadeiras infantis, e posterior-
mente, conservada como devaneio, abandona a dependência
de oqjetos reais."
rI: no original, se trata de imaginar (no sentido de pensar
algo que pode assumir formas imagéticas, o sentido do t-recho é:
" ... processo de pensar que se desenvolveu a partir do ato de
imaginar (na acepção de "conceber mentalmente") ... "N. aut.]
rl:* trata-se de imaginar:"... na medida em que ultrapassava o
simples imaginar. N. aut.]
[*** " ... dirigido para relações entre as impressões causa-
das pelos objetos, e que ... " N. aut.]
Fo-rmulações sobre os Dois PrincíPios do
FuncionamentoMental (1911) [ESE 12,281-2].
Desta contigüidade entre imaginar, alucinar, fantasiar,
pensar e desejar compreende-se também por que Freud
emprega o termo "desejo" (Wunsch) como equivalente a
Vorstellung. É freqüente Freud utilizar, ao invés, de Triebre-
gung(moção pulsional), a palavra Wunschregung("moção de
desejo") no sentido de "representante" (Repriisentant ou
Vt:>rtreter) da pulsão. Wunschregungen da
pulsão na medida em apresentam n.9_
"Se, contudo, houvesse tais desejos (Wünsche) pré-conscien-
tes, o desejo onírico (Traumwunsch) se associaria a eles, como
um reforço muito eficaz dos mesmos. Temos agora de consi-
derar as outras vicissitudes sofridas por esse impulso (Wuns-
\
(
/
\
I
]()8 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
chugllng) carregado de desejo*, que em sua essência repre-
senta** (vertretenden) urna instintual inconsciente e
que se formou no Pcs. corno um onírico (Traumwunsch)
(urna fantasia que satisfaz o (wunscherfüllende Phanta·
sie))***. A reflexão nos diz que esse impulso carregado de
desejo pode três caminhos diferentes.
Pode seguir o caminho que seria normal na vida de
exercendo do Pcs. para a pode desviar-se
do es. e achar**** uma ou pode tornar
o caminho inesperado que a r.""pr,,':l
traçar. No primeiro caso, transformar-se-ia num delírio, tendo
como conteúdo a do (Wunscherfülhmg);
110 estado do sono, porém, isso jamais acontece."
r Wunschregung é um termo de difícil tradução, não se trata
de um "impulso carregado de desejo ", alguns tradutores têm optado
!Jor "moção de desejo", o termo Regung significa algo como
"movimento inicial interno ", tem a conotação de "iniciativa '; ':f{esto
inicial", "esboço': algo, portanto, incipiente. N. aut.]
["'* no original é utilizado o verbo vertreten, representar no
sentido de estar no lugar de, substituir. N. aut]
[*** Retomando afrase, ao invés de: "Temos agora de conside-
rar ... "; a frase toda no original é: "Trata-se dos destinos ulteriores
destas moções de desejo que em essência representam a reivindicação
plll'iional, a qual se formou no Pes. como desejo onírico (uma fantasia
que realiza o desejo)." N. aut.]
ao invés de "achar": "criar", ou "produzir". N. aut.]
normalmente, a palavra "satisfação" equivale ao termo
(apaziguamento), mais utilizado para a inten-
I'm-nn-rpn. das o termo ErfüUung é melhor
a desejos e ao campo do onírico
e imaginado).
Sn/llementoMe,ta/Jj,uoi:Ó.í;!'êOà Teoria dos Sonhos (1915-7) [ESB 14,258).
A !'ULSAO NA PSIQUE I09
as
_. os aos quais as pulsões se dirigem). Evocam um
" __
Vemos, portanto, que to a esta seqüênCIa escrita ao
longo do capítulo emana do corpóreo e para um
desejo que se situa ainda na ordem da necessidade urgente
(processo primário) e depois desemboca num mais
abstrato, fantasioso e retardável e operável pelo (pro-
cesso secundário). Note-se que, em diversos estados, estes
patamares se interpenetram (na nas regressões, nos
sonhos, etc.).
Essencialmente, os pensares (vorstellen e denken) sempre
estão a serviço do desejo e tornam a pulsão mais modulável
e lhe proporcionam recursos e realização,
tornando-a menos urgente. Entretanto, ao a par-
tir de uma base e onde predominam os
traços mnêmicos, ao patamar dos pensamentos complexos
e verbais, as pulsões passam a sofrer determinaçÕes de
sistemas mais impregnados de cognição. O desejo se pautará
então também pelo princípio de realidade (senão não seria
desejo, mas sim alucinação) e pelas memórias de conexões
de prazer e desprazer.
A partir da convergência das leituras psicanalíticas e
lingüísticas (abordadas nas considerações mefodológicas,
pp. 18-21 e 24-26), ..
JO, ambas interpenetran o-se em graus varIa os. Esta
vãriação aparece tanto na ch'mcarreudiana como no empre-
go lingüístico.
Em ambos os campos, há situações onde os termos se
equivalem. Wunsch (desejo), Vorstellung (representação), Ge-
danhe (pensamento), Lust (prazer-vontade) são todos repre-
sentações daquilo que se quer. Aquilo que se quer
er}Çuntrar-se em es.tado de urgência, tal como um guerer que
J10 .\ TEORIA I'UI.'>IONAL NA CLÍNICA DE FREUD
pouco se distingue da necessidade (Bedürfnü), ou'pode en-
contrar-se em um estado volitivo, como algo almeja-
do, um objetivo mais ideal e longínquo.
Neste segundo caso, o perde o contato imediato
com a urgência e fica como marca ou norte daquilo que.
o representa simbolicamente o estado de bem-
estar. Portanto, apesar de o percurso pulsional sempre apon-
tar, no processo secundário, para um desejo idealizado,
abordável em palavras, ele é impresso marcas de uma
urgência. Contudo, quando o desejo se acumula em excesso,
reaparece a necessidade de ser atendido de imediato, a
pulsão assume a forma de ânsia por um prazer corpóreo e
visceral pouco representável (lembremo-nos que a pura Lust
pouco convoca das imagens).
Todavia, é importante que não fique a impressão de que
a pulsão se alça das imagens às idéias e palavras atraída
somente pelo prazer. É regulada pelas percepções de pra-
zer-desprazer. O pensamento primário, que viceja sob a
camada do pensamento secundário, é diretamente marcado
pela urgência. O desejo nesta esfera é frágil, aponta para as
imagens de saída de um estado de pressão, que se não for
de imediato atendido, transforma o desejo em desespero.
Ao que já foi mencionado a respeito do desejo no estado
primário ser aparentado ao Drang, pode-se acrescentar, para
deixar explícito seu caráter espicaçante e pulsional, um
comentário no qual Freud compara o desejo inconsciente à
compulsão (Zwang, na acepção de ou imposição):
"Esses desejos inconscientes exercem uma compulsi-
va (Zwang) sobre todas as tendências anímicas posteriores, uma
fÍJrça com que essas tendências são obrigadas a aquiescer, ou
que talvez possam estÍJrçar-se por desviar e dirigir para objeti-
vos mais elevados."
Interpretação dos Sonhos (1900) [ESD, 5, 547).
Mesmo no processo secundário, onde a pulsão aponta
para um "de objetivos mais elevados", movendo-se no
A PUL'>ÃO NA PSIQUE 111
simbólico das esferas imagético-lingüísticas, é a urgência de
sair do estado de ânsia que movimenta o
"A este tipo de corrente no interior do aparelho, partindo
do (Unlust) e apontando para o prazer (Lust), demos
o nome de "desejo"; afirmamos que só o desejo é capaz de pôr
em movimento e que o curso da excitação dentro dele é auto-
maticamente regulado pelas sensações (Wahrnehmungen, percep-
de prazer (Lust) e desprazer (Unlust)."
A Interpretação dos Sonhos, VIl-E (1900) lESB 5, 5'12].
Conforme procurou-se indicar neste capílulo, bem
como no capítulo VI ("A pulsão entre o prazer e desprazer
Unlust"), a pulsão é aguilhoada pelo desprazer e por marcas
de prazer e desprazer inexprimíveis em palavras.
Isto significa que, fora dos momentos de fantasia e
brincar, o pensamento também terá que se haver com as
experiências de desprazer. Tanto do desprazer percebido
como mero acúmulo interno como também o desprazer
proveniente das circunstâncias externas. A pulsão e o pen-
samento não se movimentam livres, estarão inibi-
dos pelo princípio da realidade, pois nem tudo é mais
possível e o que traz prazer numa dimensão pode trazer
desprazer em outra (por exemplo, o prazer de agredir pode
trazer o de ser agredido).
"Um novo princípio foi assim introduzido; o que se apresen-
tava * * (vorgestellt) na mente não era mais o agradável, mas o real,
mesmo qu.e acontecesse ser desagradável."
Retraduzindo o início da frase: "Um novo principio foi assim
introduzido; o que era imaginado (no sentido de representado
mentalmente) não era mais o que mas ... "N. aut.]
Formulaçàes sobre os Dois PrincíPios do
Funcionamento Mental (1911) [ESB 12,278-9].
No processo secundário, as lembranças de Unlust-Lust
(traços de memória) expressas ora mais imageticamente, ora
I'
112 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE l'REUD
\ mais lingÜisticamente, são colocadas em ação num jogo
, Si111bólico de simulações e previsões de cenárÍos. O Wunsch
;ãpãrece no processo secundário mais acréscimo
) do bem-estar almejado do que como um estado de carência
e necessidade a ser atendido urgentemente. Entretanto, se
" não for atendido, este Wunsch se reinstalará no patamar do
'pr01:::essn primano e a urgencia se recolocará. Assim, a
" ."""::;, ---
! contrapartIda a multlphcaçãõCfõ:s caminhos pulsionais, ro-
,; porciona o Ee o acesso a re ações mais numerosas e com-
I plexas entre Vorstellllngen, bem como
pensamento (denken), é que a pulsão
/ e retlaa. Portanto, se num aspecto as
! perdem a urgênCia e
\ lJits leis dQ
o gue cor sua estado çle
, urgência. Este estado de da falta
) de caminhos de satisfação constituídos, tal como ocorre no
começo aãvIi1a:.
Ç'õnsÇSJ.uente falta de
_ ......
\
/(Schrnerz) e da Angst (medo, ansiedade), temas do próximo
Jcapflttle.
----................ _,,,.......
11
'l.
,\
\
J
I'
J
I
A PULsA0 NA PSIQUE 113
XIII Sob a égide do medo (Angst)17
Conforme dito ao final do capítulo V, para que a pulsão
se possa fazer representar na psique é necessário que tenha
havido um acúmulo de Reiz em massa crítica suficiente de
modo a causar uma pressão de entrada no psíquico. Daí
poder-se afirmar que as pulsões entram
sob sob com ânsia por
se realizar.
Quando são movidas por um Drang ainda inicial, as
pulsões se manifestam psiquicamente na forma de uma
moção (Regung, uma iniciativa ou esboço de movimento),
algo como uma "disposição", um estado onde o incômodo
é ainda quase uma comichão. Ç2.uando estão
'l.m Drang há. muito acumuladQ, as ss,
e a f.9rma de um "imperativo",
urgência em que se tornam incômodas
_.. --
. Em geral, as moções pulsionais do primeiro tipo estão
vinculadas a situações de vida favoráveis, onde fácil e rapi-
damente se obtém descarga. A VOTstellllng (representação-
idéia) vinculada àquelas pulsões poderá então aflorar à
consciência e circular livre e ser descarregada. da
da espécie aguelas cujas contingências de manifestação
o a
Nestes enJão a livre_descarga_e
produz-se um São
17 A palavra Angít às vezes é traduzida por "angústia" (escola francesa) ou
"ansiedade" (escola inglesa), Desde que se tenha em mente que não se trata de
Uill<t angústia no sentido existencial de tristeza e amargura e desde que não se
entenda a ansiedade como limitada à excitação devido à espera de algo, pode-se
u'aduzi,la tanto por "angústia" como por "ansiedade". Entretanto, o termo
alemão remete fortemente ao medo e eventualmente ao pavor. Portanto, à
prontidão reativa de ataque e fuga e às reações preparatórias de suclmese,
palpitações, atenção aumentada, etc., bem como aos estados agudos onde
irrompe na forma de um pânico paralisante. Para ressaltar enfática e
conotativamente o efeito desta palavra, adotou-se aqui o termo "medo", o qual
reflete de forma bastante precisa tudo aquilo que envolve a Ang:>'t. Ver mais
infonm.ções a respeito do verbete e seu uso em Freud no Dicionário Comentado
do Alemão de Fnmd, p. 53 (1996), onde também constam os comentários de
Strachey sobre o tema.
114 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
conflito psíquico e que ocupam Freud. Em geré\l...a
s

pulslOnais que se situam no segundo as de natureza
spual: cu@ livre satisfação é mais problemática.
O conflito psíquico, tema central da
na, sem re a arecerá ao sujeito como um im Jasse entre
prazer (Lust) e des razer (Un ust .
As primeiras experiências de prazer (Lust), ao longo do
desenvolvimento psíquico, se revestem,de imagens e apontam
para o desejo. As primeiras experiências de desprazer (Unlwt,
irritação, excitação, etc.) derivam, em última instância, da
experiência primordial de dor. Entretanto, como o aparelho
psíquico visa evitar a dor, bem como impedira aumento de
Reiz (lembremo-nos que Reiz em Freud se associa geralmente
à dor), o aparelho tende a se antecipar à experiência de
desprazer através do medo (Angst). Assim, a matriz do conf1i!g
psíquico entre desprazer e prazer já no processo /' J-JI
prImáno, o Impasse entre o medo e o desejo.
Tanto o desejo quanto o medo serão, nesta etapa, arcai- -e
coso Do desejo, já foi dito no capítulo anterior que no '-".o wn}\J:::4?
processo primário, este se manifesta como um desejo inten- c.p-u
so, algo como um estado de urgência e necessidade (Not e w:::> r:?CJ.4fD
Bedür!nis) . se imaginificaram em objetos almejados. 0i rrÓ.u.o
Tambem Ja fOI exposta sua relação com a Lust, com as
Vorstellungen, com a fantasia e com o pensamento. Quanto
ao medo primordial, pouco foi discutido até aqui e será
necessário abordar algumas de suas características antes que
se possa tratar do impasse pulsional fundamental entre
desejo-medo.
O medo, na obra freudiana, é algo ligado a uma intensa
reação de defesa contra o sufocamento e a dor. Biologica-
mente, tem a função preparatória de defesa (fuga ou ataque)
contra ameaças externas, mas, fisiologicamente, serve como
defesa contra o excesso de estímulo e energia represados
internamente, os quais são então descarregados através da
irrupção de reações de medo (por meió de reações fisioló-
gicas e musculares de sudorese, choro, palpitações, etc.):
A PULSA0 NA PSIQUE 115
"Acreditamos que, no caso do afeto da ansiedade (Angst),

ser 11Oãiõ---aenascimento que ocorre a combinação de sensa-
ções desprezíveis, impulsos de descarga e sensações corporais,
a qual 'Se tornou o protótipo dos efeitos de um perigo mortal,
e que desde.então tem sido repetida por nós como o estado de
ansiedade o enorme aumento de estimulação devido
à interrupção da renovação do sangue (respiração interna) foi,
na época, a causa da experiência da ansiedade (Angst); a pri-
meira ansiedade (Angst) foi, assim, uma ansiedade tóxica. O
recriada no afeto."
--
Conferências Introdutórias sobre Psicanálise - 25.
A Ansiedade (l916) [ESB 16,46].
O modelo geral de Angst parte da concepção de que todo
sujeito incorporou filogeneticamente (e, em geral, ontoge-
neticamente) a experiência originária do trauma de nasci-
mento, durante a qual um aumento avassalador de estímulos
internos precedeu a chegada de uma situação onde apare-
cem sensações de sufocamento e aniquilação, bem como de
desamparo (Hilflosigheit): Neste estado, o sujeito, além do
desconforto e dor, sofre da falta de meios para descarregar
a energia e estímulos de maneira ordenada, por isso o único
modo de descarga, nestas condições, se dá por espasmos,
reflexos e irrupções violentas. O excesso de Reiz se transfor-
ma em reação de Angst.
A partir desta vivência, qualquer aumento excessivo de
desprazer devido ao acúmulo de estímulos (Reize) evocará
no sujeito uma sensação semelhante àquela que acompa-
nhou o ato de nascer, gerando então a Angst antecipada.
Contudo, esta Angst não é um antecipação cognitiva um
estado de perigo externo percebido. Apesar de a Angst ser
derivada de uma vivência arcaica de perigo externo devido
à ameaça de destruição no ato de (por exemplo,
(
f
(
\
116 A TEORIA PUl510NAL NA CLíNICA DE FREUD
o contato com O estreito vaginal que sufoca,' os estímu-
los novos do mundo etc.), ela não se vinculará
diretamente a estes perigos externos. A diferença entre
interno e externo, bem como a capacidade de relacionar o
medo (Angst) com a ameaça de destruição, não está ainda
constituída, faltam a c9gnição ..e a consciência, o bebê é
ainda incapaz de reconhecer e avaliar situações externas de
perigo.
"Criancinhas estão constantemente fazendo coisas que
põem em perigo suas vidas, e eis precisamente por que não
podem passar sem um objeto protetor."
lnibições, Sintomas e Ansiedade (1925) [ESB, 20, 193).
Esta capacidade, segundo Freud, depende da constitui-
ção plena de um eu, portanto do processo secundário. A
Angst vivida no nascimento se vinculará diretamente ao
processo fisiológico interno que precedeu à situação trau-
mática, isto é, se vinculará ao aumento de Reiz. Este aumento
de Reiz é o único processo que o sujeito, neste estado tão
arcaico, pode perceber de forma mais consistente. Assim, a
AE,g'st cumprirá a dupla função de um
Reiz e de evitar que prossiga UIl}.
.. <k.B.é:
O sujeito terá medo princip<l;lmente devido ao
excítãÇão, e não tanto por perceber uma ameaça externa
(apesar de também nesti f'ãseexisilic";-objetos hostis que
causam medo, ainda não há diferenciação consolidada entre
o externo e interno). A gênese da Angst deriva das notícias
proprioceptivas internas de uma experiência externa traumá-
tica originária que ensinou o sujeito a vincular o aumento
crescente de desprazer, percebido internamente, a uma amea-
ça de sufocamento e dor. Neste sentido, a Angst pode ser
desencadeada tanto por fontes externas,
-pre.J.nterme.diadas PQr internas, quanto por um
diretamente interna§.
A PULSÃO NA PSIQUE
117
Esta descrição do funcionamento da Angst refere-se ao
processo primário. Neste estado, o
impacto dos afetos,
co-m eles, pois utiliza frouxamente imagens ciõ" myndo exter-
no para regular o contato com os afetos do
inundo mter!.!9-,. Diferentemente do processo secúndári(;,
o .... ..... atados a e"-à,.
linguagem, podendo influenciar o curso da energia pulsio-
circunstâncias reGlantes no processo
indivíduo sentirá Angst a partir da avaliação da correlação
de forças entre ele e aquilo que o ameaça, e não .flpenas
uma sensação difusa dspânico.
Contudo, até aproximadamente 1924, a ênfase da teoria
freudiana de Angst recai sobre o mundo interno, isto é, sobre
a matriz interna do medo atuante no processo primário, o
qual acomete o sujeito que aumenta a
pulsional. Os perigos externos são considerados por Freud,
neste contexto, não corno as causas principais do medo, mas
corno imagens convenientes das quais a psique se serve para
representar o estado de perigo pulsiona} interno. O medo
neurótico será então concebido como a aplicação que o
sujeito faz do modelo Reíz-Angst, vivido no trauma do nas-
cimento, ao aumento de excitação de origem sexuaL
A partir de 1924, o foco freudiano se inverte e se dirige
às ameaças do mundo externo. Freud enfatiza que as pulsões
serão perigosas devido ao conhecimento consciente e
nitivo qlJe o sujeito tem de que as conseqüências que a
realização desinibida da pulsão (desejos) no mundo externo
provoca poderão ser desagradáveis. Portanto, pelo processo
secundário, o eu cognitivamente reconhece e
perigo, refreando as e reQresando libido. o que Çl
leva, assim, ao impasse entre e o Neste caso,
o medo neurótico é a aplicação do modelo do trauma do
nascimento às conseqüências perigosas que a satisfação da
excitação de origem sexual traria.
-"f> No primeiro modelo, o medo resultava do acúmulo de
Reiz devido à repressão e ao represamento; no segundo, é o
118 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
medo que leva o sujeito a reprimir e a represar Reiz. No
A
',J
primeiro modelo, há uma repressão/recalque motivada no
próprio processo primário para inibir o aumento fisiológico
de Reiz. Neste repressões que ocorrem mais tarde
deyido ao horror
libidinais sociàhiiente-
cesso arcaICO novos sentidos. É ;Übiciü
somaticàinente se transforma em medq.
.../ ,\
, \'
No __ é '1 v
processo securidáriÓ .ao medoae <
caso, o medo que ressurge, qua7-;dose acuÍ11líIãTlbiCIo:' é uma
reáçao 'conséqüêifCiaS-âêsagFãâãvéis-
. acúrrlU!o_ de libid?!
Contudo, est<l.reyiray()!tci'deJO,ço obGl
freudiana, ambos osm?delos convivem em graus div.(;':TS9J;
desde o início. A mudança' um 'para outro em parte se
configurará como uma evolução para focos complementa-
res, em parte como uma ruptura de teorias incompatíves e
mutuamente contraditórias. De qualquer forma, ambas as
teorias não estanques. '
Ao mesmo tempo em que adotava a explicação toxÍco-
lógica-somática calcada nos mecanismos de funcionamen-
to autôúom0 do aparelho de carga-descarga, Freud
também considerava o papel do pensamento e da cogni-
ção, tanto na filogênese como na ontogênese do medo.
Co!,!tudo, o detalhamento desta convivência das duas teo·
rias dispersaria em demasia nosso foco sobre a teoria
pulsional e' exigiria um longo desvio. Apenas a título de
menção, poderíamos adiantar que já na primeira teoria: há
uma quádrupla inscrição da Angst. Em primeiro lugª,,:,-ª.
deriva de Uma foi
dos e medo, vivido no ato nascimento); em
seg
un
9,o, eJa ser-:ve ou sináL
aumento vindouro do desprazer e potencial dor. Comq
ela atua' como veículo de desca;ga para
e!Lrninar o exc;esso de excitação e, por fim, em quarto lugar,
se acrescenta como motivo desencadeador do recalque
o
A PULSÃO NA PSIQUE 119
(na realidade, Freud se refere ao recalque secundário). Esta
última, a função CIómedo como CIesencádeador
são e ligado ao processo secundário, já representa a con-
cepção será preponderante na segunda teoria..
Encontram-se numerosas referências já antes de 1924 a
esta concepção, por exemplo, na E da Interpretação dos
Sonhos (1900), bem como no texto A Repressão (1915). Nestes
textos, Freud descreve que o prazer num sistema causa
desprazer em outro. Não se trata de prazer e desprazer em
um mesmo sistema, como é o caso no modelo de acúmulo
de Unlust·Lust. Trata-se de uma situação em que as condições
para a realização da pulsão são desfavoráveis. Nestes casos,
a satisfação da pulsão sexual, que normalmente seguiria a
seqüência de partir de um acúmulo de Unlust para o alívio
da Lust (processo primário), fica bloqueada, pois é percebi-
do e antecipado pelo sistema consciente que tal satisfação
traria sofrimento.
Todavia, tanto na prímcira como na segunda teoria de
Angst, conforme as contingências de vida, pode se configu-
rar uma situação na qual um medo crônico se instale devido
à freqüente vinculação da pulsão a objetos/ situações hostis.
A pulsão, mesmo estando vinculada a imagens de ameaça e
perigos, não deixará de estar sendo sempre reativada no id
e, não podendo ser suspensa, poderá levar o slyeito a uma
prontidão neurótica para o medo.
Tanto o acúmulo de um excesso de excitação pode por
si só causar a irrupção de medo, quanto uma ameaça tam-
bém pode' causar medo. Entretanto, tenderá a haver uma
coincidência de ambos, a inibição/retenção da pulsão devi-
do ao medo por ameaça se superpõe a uma irrupção de
medo pelo acúmulo de Reize ..
"Aqui, mais uma vez, nós diferenciamos justificadamente
entre dois casos: o caso no qual ocorre algo no id que ativa uma
das situações de perigo para o ego e que induz a emitir o sinal
de ansiedade (Angstsignal) para que a inibição se processe, e o
caso no qual uma situação análoga ao trauma de nascimento
<
(
(
120 .\ TEORL\ PlJLSIONAL NA CLÍNICA DE FRETD
se estabelece no id, seguindo-se uma reação automática de
ansiedade (Ang5treaktion). Podem-se aproximar mais os dois
casos, ressaltando que o segundo corresponde à situação de
perigo primeira e original, ao passo que o primeiro correspon-
de a condições que geram medo, posteriormente deduzidas
(derivadas) da situação de perigo inicial e original. Ou, referin-
do-se às afecções que verdadeiramente ocorrem: que o segun-
do caso concretizou-se na etiologia das neuroses atuais, o
primeiro permanece característico para as psiconeuroses.
Inibições, Sintomas e Angústia (1926) [ESB 20,164-5].
Até 1920, estes conflitos psíquicos ligados ao medo são
predominantemente pensados por Freud como se desenro-
lando entre o imediatismo do prazer (pulsões sexuais) e o
princípio da realidade (pulsões do ego):
"Estes instintos nem sempre são compatíveis* entre si
(vertragcn sich nicht); seus interesses amiúde entram em confli-
to. ( ... ) Do ponto de vista de nossa tentativa de explicação, uma
parte extremamente é desempenhada pela inegável
oposição entre os instintos que favorecem a sexualidade, a
consecução da sexual, e os demais instintos que têm
por objetivo a autopreservação do indivíduo os instintos do
ego.
['I' nem semj;re "se dão bem", ou: nem sempre "se entendem".
N. aut.}
Perturbação j'Hên!lhnrn da Visão (1910) 11, 199-200].
apllJ§}ío
reformula a equação das forças em jogo no co
I1
.fl,!lQ..psi.quíco
como sendo . urna
entre as pulsões eróticas e integrativas e as destruti-
vas. e desintegrativas.
Em ambas as freudianas de medo, permanece a
idéia de uma sobreposição dos perigos internos e externos
e a confluência entre prazer e desprazer. Determinados
objetos externos terão na psique uma representação (Vor.stel-
A PULSA0 NA PSIQUE 121
lung) interna, como objetos de desejo, e representarão (ver-
treten, simbolizam) a pulsão que os almt:ja. Contudo, estes
mesmos objetos serão também representantes (Vertreter, de-
legadas) da pulsão perigosa (vontade proibida) e do objeto
atraente tornado ameaçador por se vincular a uma situação
hostil (na primeira a situação hostil é o aumento de
libido, na segunda, a punição ou a
Tanto em uma como em outra concepção freudiana, o
neurótico estará então cercado de Vorstellungen ameaçado-
ras, pois no cotidiano, pela solidariedade assoCiativa entre as
I representações (Vorstellungen), todo e qualquer objeto pode-
,'rá remeter ao objeto de desejo da pulsão perigosa e trazer
. para parte do consciente as tentações da pulsão perigosa.
Também pode ocorrer o movimento contrário, e a pulsão
proibida pode autonomamente aflorar ao consciente e
evocar na mente os objetos de desejo proibidos que passam
a assolar o indivíduo.
Este vai-c-vem de manifestação bidirecional a partir dos
objetos, ou a partir das pulsões, é o suporte dos mecanismos
de projeção, que atribui às representações (Vorstellungen) de
objetos externos intenções que, se realizadas, causariam
prazer imediato, mas colocariam o sujeito em sofrimento.
O conflito engendrado por determinadas pulsões, __
recebem significação, isto é, quaD9Q.são.J!gª-.d':l..s...(gwunder].,
fixadas, e associadas (verküPft)_ a
afetos, passa então a ocupar grande parte da vida psíquica:
Todo o complexo de imagens, conectado e ligado a esta
pülsão, representar'á aqu.c:.lc:
g{;ai nio há conw-fúgfr; vontade proibida
vel. Trata-se a levar a},lln
--'---'_. .. - ._-_.. - ..
medo crõnico e à neurose:
"O afeto [de Angst, medo] é um estado que passa rapida-
mente, enquanto a neurose é um estado crônico, porque,
enquanto a exógena age num único impacto, a
excitação atua como uma constante. Na neu-
rose, o sistema nervoso reage a uma fonte de excitação que é
122 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
interna, enquanto no afeto correspondente ele contra
uma fonte análoga de excitação que é externa.
r"'" Freud, que ao longo de todo artigo utiliza a designação
nosológica Angstneurose (neurose de angústia; ou neurose de ansie-
dade), cuja forma em alemão é compacta da numa só palavra, no
trecho acima, adota uma forma linear e explicativa, utilizando três
palavras Neurose der Angst (que em português equivaleria a dizer
"neurose do medo"), ressaltando assim de ,que afeto se trata na
Angstneurose. N. aut.] , .
Sobre os Fundamentos para Destacar da Neurastenia uma
Síndrome Especifica Denominada "Neurose de Angústia" (1894)
[ESB 3, 109].
_ tudo o que foi mencionado neste
qmmdo aspulsões vinculadas ao desprazer se manifes-
tam, surge o medo e a fuga é .... .._-
Um meio de defesa contra as irrupções localizadas de
medo será então "abafá-las", não pensar nelas. Mas, na esfera
do pensamento no processo primário, busca-se o desejo e
quer-se evitar aquilo que é incômodo, por isso procura-se
"esquecer" as representações do objeto hostil e das
perigosas. Por outro lado, esta defesa primitiva é precária,
pois, quando insatisfeitas, as pulsões se acumulam sob a
forma de grande quantidade de Reize e tendem a se reinsta-
lar no pensamento. Assim, novamente o sujeito é obrigado
a entrar em contato com o medo. Além desta insistência das
pulsoes de se recarregarem e voltarem a assolar o aparelho
psíquico, o sujeito que lidar com o medo em outra
dimensão. Ocorre que o pensamento do processo secundá-
rio exerce a função de aplicar os princípios de identidade e
causalidade ao objeto hostil
18
e às representações de pulsões .
sexuais ameaçadoras. Isto é, cabe a ele reconhecer os perigos
quando aparecem concretamente no meio externo, bem
como evitar sua reevocação interna. Por isso, mesmo que o
18 A existênci,l de uma teoria cio objeto hostil na obra de Freud me foi apontada
por Fernanda S. Correa, que desenvolveu o tema para sua dissertação de
lllestrado "A Teoria da Vivência de Dor e a Teoria do Objeto de Satisfação".
A PULSA0 NA PSIQUE 123
pensamento arcaico do primário se norteiepel<\
procura de Lust e do desejo (e pela evitação do
inevitável e também necessário que o pensamento do pro-
cesso secundário t::
I1
tre _ em. co.ntato comas representações
de desprazerpara poder reconhecê-las atempo.
Assim, o desejo, preponderantemente vivificado pelas
pulsões sexuais, e o medo, pelas pulsões de auto-conserva-
ção, logo se instalam no aparelho psíquico como impasse e
conflito.
Mais adiante, quando introduz a pulsão de morte e funde
as pulsões de autoconservação e sexuais, em Eros, este
conflito entre desejo e medo se complexifica e inclui o medo
das representações mobilizadas pela pulsão de morte.
Assim, seja na primeira ou na
__
de morte ).' o
q üe é S-
__

é,
no capítulo a seguir.
(
i,
(
(
<
PARTE IV
A intervenção psicanalítica
sobre os conflitos pulsionais
XIV Conflitos pulsionais
e os limites da defesa (Abwehr)

Conformç __ y!gQ no capítulo anterior, bem como no
capítulo sobre aLust-;Uaust,·
a -- do desejo e ;- medõeo
desprazer: o foi
desejo-do está· sempre cerceado pelo medo.
---Na reãliâacte,-aêfffaseilotextõfreudiano ora;;;i sobre
o pólo do desejo, ora sobre o medo, dependendo daquilo
que está sendo examinado: o pólo atrativo das pulsões (isto
é, os objetos de satisfação e ações de descarga), ou o pólo
impe1ente e desencadeador do movimento pulsional (isto é,
o acúmulo de Reiz), ou ainda o pólo inibidor das pulsões (os
objetos hostis). Entretanto, considerado como um todo, será
a constante polaridade entre ambos, o prazer e o desprazer,
que mobilizará o indivíduo, desde quando nasce, a dar
forma representável aos objetos e mais tarde ao pensar
(denken). r-'V r2 rrp-..::> cU. Z-'V i-\-eQ .,-
Também na esf<;ra do pensamentQ,_
a tendêllêTade evIJar __ cQIEY_
por outro, uma de se aI!tt;Ôp?r
ao desprazer. Esta dicotomia do pensamento exigirá então
dOaparêlho psíquico uma forma de lidar com as pulsões e
objetos perigosos que permita reconhecê-los, mas evite que
o sujeito, toda vez que lembre das experiências de desprazer,
126
A TEORIA PULSIO:-i.\L CLÍ:'\ICA DE FRELD
tenha de reviver intensamente o desprazer a eles' associados.
Portanto, caberá à psique às vezes suprimir certas idéias
ameaçadoras, ou drená-las de sua intensidade para poder
manejá-las.
Inicialmente, os perigos externos de superestimulação
(luz excessiva, ruídos, etc.) e o perigo interno advindo do
excesso de ativação pulsional (fome, sono, etc.) se confun-
dem. Ambos manifestam-se igualmente como uma superex-
citação percebida genericamente como desprazer, dor ou
medo (fome, frio, falta de sono, irritabilidade, etc.). Neste
estado, o indefeso sucumbe a intensos estados de
desprazer.
Mais adiante, o sujeito aprende a discriminar e lidar com
a maioria dos estímulos externos (fugindo, ou atacando, ou
pedindo Também logra manejar com uma parte dos
estímulos internos derivados das pulsões do pois des-
cobre que estes poderão ser cancelados satisfazendo as
necessidades pulsionais (comendo, urinando, etc.).
Assim, caberá a um sistema psíquico mais maduro, além
de evitar o desprazer oriundo da presença de objetos exter-
nos hostis, refrear o Dmng internamente acumulado e guiar
e dosar as ações segundo o pragmatismo do princípio de
realidade, evitando que a execução desastrada e afobada dos
desígnios coloque o slBeito em perigo, isto é, que
a descarga que trouxer algum prazer (Lust) provoque um
desprazer (Unlust) ainda maior.
. Entretanto, com aLPulsões sexuais. é mais
!tdar. Estas são mais difíceis de De início, tais
pulsoes nem mesmo têm vias anatômicas apropriadas de
expressão, em geral tendo de amalgamar-se e apoiar-se nas
pulsões do ego (as pulsões sexuais aparecem na infância de
forma difusa como pulsão parcial mescladas às outras pul-
sões): Além disso, a satisfação de tais pulsões, em geral,
levana a sanções sociais (reprimendas à masturbação, a
desejos de incesto, etc.). Portanto, desde o início da vida, o
perigo de acúmulo de excitação ronda tais pulsões, bem
como logo se acrescenta a este perigo a ameaça de punição
A SOBRE OS PULSION.\IS 127
(castração). Durante a fase edípica e, após um
latência, dena-
formarão em fonte
frestQ . .cla. viela.
psíquica para
Assim, caberá à psique também evitar que as Triebregun-
gen sexuais, ligadas ao incômodo e ao perigo, se manifestem
conscientemente e atormentem o sujeito na forma de "von-
lades proibidas", "pensamentos terríveis", "verdades cruas",
ou quaisquer outras "idéias incômodas" que provoquem um
acúmulo de desprazer.
mecanismos de
.reprei$l\.() ).
Frente às pulsões ameaçadoras, o aparelho psíquico terá
então que adaptar os mecanismos outrora utilizados para a
evitação dos perigos externos para, agora, enfrentar uma
situação interna de ameaça. Não poderá partir para a fuga
ou o ataque contra perigos externos internalizadqs e tam-
pouco contra as ameaças internas projetadas para fora, terá
que optar por outro tipo de ação, pois os meios antigos de
defesa não logram afastar as pulsões. 1ançará mão de um
rccursQJlllC oÇQ[re à m;:gg..crn do pensar conscients:. Ü5'eci
que
(VC}!stellungen) de externos que E-!2IT-::
sentem (vertreten)pulsões ameaçadoras antcs
á:presentações (Vorstellungen at1l1Jam a consciêlW!<l,;. Terá
que diferenciar as representações (Vorstellungen, imagens)
que se ligam a Lust (prazer) daquelas relacionadas a Unlust
(desprazer) e a Angst (medo). Um tal mecanismo serve como
defesa (Abwehr), pois reconhece sinais de perigo e evita que
as representações de Uniust e Angst penetrem nas esferas da
consciência, onde, pela ativação das imagens c das palavras,
a pulsão geraria desprazer.
Portanto, o destino das VOTstellungen
energiapulSfonarnaosera sempreo
vç_de $U
Esta retenção é sempre fruto de um
128 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREVO
conflito pulsional entre o desejo e o medo, um grupo
de pulsões se expressa e outro é submetido pelos mecanis-
mos de defesa (Abwehr).
O termo Abwehr, contraposto por Freud a Trieb, merece
um breve esclarecimento terminológico.
O prefixo ab- freqüentemente liga-se a verbos de movi-
mento demarcando que algo se "destaca", desprende", ou
"ricocheteia". O substantivo Wehr significa barragem, açu-
de, dique. O verbo wehren significa "impedir", "barrar",
"evitar", "bloquear".
Os significados de abwehren são: 1 - fazer
repelir; 2--rejeitàr;3 palavra indica
-umrnovrmento de "fazer recuar-", "repelir",
iniii1igõ-foi
Conotativamente, fica implícito que os inimigos apenas a· c> '- i D
foram afastados, não foram destruídos, poderão retornar, í
eventualmente ficam colocados em xeque e exigirão uma "
constante vigilância, daí o termo evocar um certo estado de
prontidão reativa. Nada é dito sobre o destino e a resolução
do conflito.
Freud utiliza a palavra Abwehr num contexto de equilí-
brio dinâmico entre forças psíquicas e ressalta a idéia de que
a função primordial da Abwehr é manter determinadas amea-
ças afastadas da consciência. Durante algum tempo, Abwehr
foi utilizado como equivalente a "recalque", mas, ao longo
da obra, o conceito de Abwehr sofreu muitas elaborações,
sendo utilizado mais tarde primordialmente como designa-
ção genérica para "mecanismos de defesa" (Abwehrmechanis-
men), englobando Uma arripla-gama de processos, tais como
recalque, projeção, etc.
Basicamente, Abwehré usado com referência às am<:aça;>
é interna, ou com referência às
percepções externas ligadas a tais Como tais pulsões
não podem ser satisfeitas, pois sua realização seria inconci-
liável (unvertriiglich, intolerável) com o princípio de realida-
de (ou com as exigências do superego), ou causariam dor e
desprazer, as reivindicações pulsionais são retidas. Entretan-
A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CO:'\FLlTOS PVLSIONAIS 129
to, estas se acumulam e geram um excesso de estímulos
(estímulos que espicaçam, Reize), que causa desprazer (Unlust).
Para evitar este desprazer causado pelo acúmulo de Reize,
os quais não podem ser descarregados exte{namente, só
resta afastar.; os representantes da pulsão do campo da cons-
ciência. No entanto, como a pulsão força que
e sempre se
a apenas precariamente. Man-
dé forçás, o qual tende
aç:>cigir esforço :""" .. -
No exemplo a seguir, é descrito o fato de que uma
representação intolerável é "tocada", "empurrada" (aqui o
verbo usado é driingen) do consciente para o Ínconscíemç: e,
no seu lugar, surge o sintoma.
"Propus então a idéia de que a eclosão da histeria pode ser
quase invariavelmente atribuída a um conflito psíquico que
emerge quando uma representação incompatível detona uma
defesa (Abwehr) por parte do ego e solicita um rccalcamento. Na
eu não soube dizer quais seriam as circunstâncias em que
um esforço defensivo (Abwehr) desse tipo teria o efeito patológico
de realmente jogar no inconsciente uma lembrança que fosse
aflitiva para o ego e de criar um sintoma histérico em seu lugar.
Hoje, porém, posso reparar essa omissão: a defesa (Abwehr)
cumpre seu propósito de arremessar* a representação incompa-
tível (unvertraglich) para fora da consciência quando há cenas
infantis no slueito (até então normal) sob a
forma de lembranças inconscientes, e quando a representação a
ser recalcada pode vincular-se em termos lógicos e associativos
com uma experiência infantil desse tipo."
[* o verbo utilizado é drangen, "empurrar", ,possui a
mesma ra/:z de verdrangen, "recalcar". N. auto}
A Etiologia da Histeria (189G) [ESB 3, 195].
J-lá,-a-ssim0lma...tendê!Jf.@ das pulsõesse reimporemilll
sujeito, conseguindo, através da formação de sintomas...atin:
130
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
gir alguma satisfação pulsional, apesar das defesas. A pulsão
retoma sob a forma de sintoma. .
- Uma das defes;(Abwehr) e de retenção é a
repressão/recalque (Verdrangung), cujo mecanismo básico é
o de mobilização de energia psíquica em direção a uma
Vorstellung próxima daquela desprazerosa, de certa forma
esvaziando a Vorstellung desagradável e ativando a vizinha
cujo conteúdo seja mais inofensivo. Assim, a }!orstellu!lg
desprazerosa, apesar de continuar ativada, é diminuídasJ...s;
intensidade e rl:1ãi1tIaa em sIlêncio C9uabafada \ através da
----..,.-. __ - __ ..___ ---:-------_____:J ___
atIvação de uma vizinha ruidosa.

"O conteúdo ideacional (Vorstellungsinhalt) do repre-
sentante* instintual (Triebreprãsentanz) é totalmente retirado
da consciência; como um substituto - e ao mesmo tempo como
um sintoma - temos urna inerv'.lção superforte** (em casos
típicos, uma inervação somática), às vezes de natureza senso-
rial, às vezes motora, quer como uma excitação, quer como
uma inibição."
[* Repréisentanz tem o sentido de representação na acepção
de ato de ser representante. N. aut.J
[** inervação excessivamente forte. N. aut.)
A Repressão (I 915) [ESB 14,180J.
Os movimentos de defesa (Abwehr, rechaço), em geral,
implicam apenas o afastamento da representação e do afeto
-para longe da percepção consciente, isto é, colocam ambos
em um estado de inconsciência. Esta, aliás, é uma tarefa
comum à defesa em todas as neuroses:
"A tarefa de defesa (Abwehr, rechaço) contra uma percep-
ção perigosa é incidentalmente comum a todas as neuroses."
Inibições, Sintoma e Ansiedade (1926) [ESB 20, 183J.
Entretanto, a Abwehr, que mantém a Vorstellung e, por-
tanto, a pulsão retida no inconsciente, é precária, daí por
que o equilíbrio pode se alterar. Pode, por exemplo, ocorrer
A IXTERVENÇ,i,O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 131
que as Vorstellungen estejam tão carregadas de energia que
não como se contrapor a elas, e acabem por irromper
nà consciência, apesar das defesas (Abwehr). A defesa, mes-
ITl9_'LRor __
deXLnl!i va .
c_om É eraro que, num caso maIS favo-
rável, a defesa pode se tornar dispensável, é o que acontece
se as Vorstellungen inconscientes (que foram silenciadas),
através de novos rearranjos de significação, acabarem esva-
ziadas daqueles afetos incômodos e se tornarem inofensivas,
podendo aflorar então à consciência. Todavia, de forma
geral, a Abwehr, uma vez tendo-se tornada necessária, assim
o permanece, e seu destino é então manter-se ad infinitum,
mesmo que a um custo elevado, ou, eventualmente, sucum-
bir à pressão pulsional e colapsar.
Soma-se·a esta fragilidade da Abwehr o fala de
ativação inter-
ligãaas a Vo!!.tellungen desprazerosas. as coatlVadas
é muito difícil '!:<.l.!}teL
onde parte do psíqukoperigõso fica
mamidO-eIILes.taciQjnconsciente e a parte inofensiva em
estado consciente. Devid;às
gen, a inibição de uma pulsão afeta todo o sistema psíquico.
OutroJator que debilita a eficácia da Abwehr é o fato
tendea haver uma CIsão entre os compo-

repres@luaçã o prrmanece em estado
cargê afetiva
oUJras livres, . desequilibrando

Assim, conspiram contra as defesas tanto o fato de haver
solidariedade entre as diferentes representações, bem como
cisões intra-representação (entre o componente repre-
sentacional imagético e o afetivo). Ao ocorrerem
...--IT@ todo e cheio de
t!.mais se deixam por Além disso,
mecanismos energéticos estão sempre a inflar e desinflar
(
132 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO
representações já recalcadas ou outras a elas associadas,
provocando um constante movimento em direção à cons-
ciência.
Todavia, mesmo ante tal precariedade, o habitual é que o
conflito psíquico seja superado com o passar do tempo de
forma "natural", através de alguns mecanismos. Pode ocorrer,
por exemplo, um rearranjo de relações temáticas, afetivas e
energéticas que dissolva a tensão (por exemplo, quando o
sujeito desvaloriza os objetos hostis), ou, ainda, pode aconte-
cer que o sujeito logre abdicar de certas satisfações e transfe-
ri-las para outros campos (por exemplo, sublimando), ou,
finalmente, é possível que se formem soluções intermediárias
(formações de compromisso), onde as pulsões em contradi-
ção encontram uma possiblidade parcial de expressão.
No dia-a-dia, a maioria de nossos conflitos
chega à consciência, o siste-
ma pré-consciente e inconsciente. Os mecanismos acim(j.
compromisso, etc.) e a_ açã()
combinada de rechaço de algumas Vo_rstell'llJlgen edt:}nves-
catexia) em outras
---em-cena _. ----
Freud, a patologia psíquica surge quando a
intensidade do conflito pulsional, somado à predisposição
pessoal (fator constitucional), não favorecem que o sistema
se mantenha em equilíbrio precário, e tampouco permitem
dissolver o conflito através do tempo. Nestes casos, a defesa
aéabará malsucedida e haverá o retorno maciço do material
ameaçador outrora rejeitado.
Entretanto, quando a Abwehr fracassa apenas parcialmen- \
te, não necessariamente as conseqüências são patológicas. lYJ'
I d
·· . L.{', ffY
Produzem-se eventua mente Iscretos smtomas, os per- \0-i'í'"
mitem uma relativa satisfação pulsional e podem serVIr para .)
reeguilibrar o sistema psíquico, mesmo que este tenha que)
operar constantemente em patamares mais prejudicados.
Contudo, sintomas também são formações de compro-
misso (em alemão, Kompromiss, semelhantemente ao 'portu-
guês, é um acordo em que ambos os lados recuam e se
A I:'\TERVI':i\çAo PSICA:'oIALÍTICA SOBRE os CO:oiFLITOS PULSIONAIS 133
conformam com uma solução de meio-termo) e, com o
tempo, podem se intensificar:
"( ... ) à medida que a doença se prolonga, as satisfações,
que zonibam** de todas as medidas defensivas (Abwehr), levam
vantagem. A formação de sintomas assinala um triunfo se
consegue combinar a proibição com a satisfação, de modo que
o que era originalmente uma ordem defensiva (abwehrende) ou
proibição adquire também a significância de uma satisfação; e,
a fim de alcançar essa finalidade, muitas vezes faz uso das
trilhas associativas mais engenhosas'."
["'isto é, de natureza (no sentido de essência) negativa. N. aut.]
[""k as satisfações, zombando de todas as defesas, se tornam
jJrejJonderantes. N. aut.]
- Inibições, Sintoma e Ansiedade (1926) [ESB 20, 135-6].
Tais "compromissos", portanto, podem acabar ar nJi:?
satisfazera nennurrldüsla-dõSem con ItO, aumentando, por
a precari<:ddde forças.
poderá
por exemplo, uma psicótico ou uma nova
sintomatolõgíã ainda mais intensa.
Portant;;-:-;:s-·p·u!Sões, tánto às ameaçadoras como as
inofensivas a elas interligadas, geralmente funcionam sob a
égide do medo e da de(esa. Apenas ocasionalmente lhes é
permitido manifestar-se de forma desinibida. Como vimos,
apesar da inibição geral, há uma constante ênfase freudiana
na força das pulsões e na fragilidade da defesa. Apesar das
defesas, as pulsões prazerosas, porérrí ameaçadoras, tam-
bém acabam por conseguir fazer-se representar como sinto-
ma e obter alguma satisfação.
Descarregar ou inibir e reter é uma opção estreita, onde
a Abwehr é apenas um momento precário de impasse e sem
resolução; por isso, com freqüência, o sujeito entra em
sofrimento e retém a descarga pulsional, produzindo sinto-
mas como forma de "escape"
134 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
o centro da questão, para Freud, é
Evitar que"PClEl!W
lado, hala um
levaria e,
o princípio de-realidade, aja
conforme a
Entretanto, não se trãiiôeü"ma regulação no sentido de
o sujeito adotar atitudes "moderadas"lou "ponderadas", Esta
regulação refere-se à economia psíquica, Ações ou atitudes
"radicais" perfeitamente servir à economia psíquica,
Mesmo colocando o indivíduo em situações de confronto com
outros, ou até em perigos reais, as ações de ruptura radical
podem eventualmente ser reguladoras para a economia psí-
quica, por exemplo, tirando o sujeito de uma situação de
acom,odação que perigos psíquicos, Na

gIrar em Freud deno@ll<t
cõnceito central no cons-
truto frellaiãno e temado próximo capítulo,
A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 135
XV Regulando a pulsão pela Abfuhr
(no escoadouro das pulsões)

forma
um acúmulo conflituoso deJÚetos.-e...imag.ens.e_cQJocando o ___ ___ ---.--- ______ --"-__ ___
S1:lje.i!o<!!ante de A ultrapassagem deste estado
insustentável (unvertrãglich, intolerável) dependerá em última
instância um processo que Freud denomina como Alfuhr
(descarga), um dos termos-chave do construto freudiano,
Ao ser traduzido pela palavra "descarga", o termo Abfuhr
sofre um achatamento de significado, o que talvez tenha
contribuído para que, com freqüência, a importância desse
conceito freudiano passe desapercebida
19
,
Em português, a palavra "descarga" geralmente refere-se
- b 2o'd'd I' d
a uma vazao a rupta ,111 UZ111 o o eItor a compreen er
termos psicanalíticos tais como "descarga de energia", "des-
carga de libido" e "descarga de estímulos" no sentido de
"disparo" ou "rajada", A palavra alemã Abfuhr pode ser usada
nessa acepção, mas, em geral, remete a outros sentidos. Em
Freud, trata-se justamente do contrário de um "disparo",
Todavia, antes de abordar o uso freudiano do termo, faz-se
útil ilustrar sucintamente o emprego da palavra Alfuhr no.
alemão corrente:
Os principais significados de Abfuhr e do verbo abJühren
são: - Retirada de objetos com veículo (também utilizado
como verbo), A retirada (transporte) do lixo será realizada
19 Tomado em toda sua extensão, "descarga" articula-se com conceitos tais como:
ligação (BindulIg), elaboração interna (innere Verarabeitung), sublimação, deslo-
camento (Ver.schielnmg), satisfação (Befriedif:fung) e representação (Vorstellung).
Algumas destas relações serão abordadas ao longo deste e dos próximos
capítulos.
20 EllI português há ainda outros significados, tais como; Retirar de um
veículo (navio, caminhão, etc.) [também utilizado como subst<mtivoJ: A descarga
do navio no porlo foi lenta e custosa, Entretanto, no contexto psicanalítico
prepondera o entendimento no sentido de "disparo" ou "saída súbita" de algo
<.jue é expelido, ou que sai por sua conta (também utilizado como substantivo),
Descarga elétrica, descarga de tiros de metralhadora, elc.
(
136 A TEORIA l'ULSIO>:AL 1'A CLÍ:-:ICA DE FREUD
amanhã. Ou - (verbo) Levar embora, conduzir para além.
Levem o prisioneiro daqui!
O prefixo ab freqüentemente indica algo que se "despren-
de". Ab pode combinar-se com verbos, designando atividades
de "destacar" ou "extrair". A partícula ab·, ao compor-se com
outras palavras, gera expressões tais como: Abfahrt: partida,
saída; Abreaklion: descarregar através de reação afetos acumu-
lados. O verbolühren remete a "transPQrte", "condução". Os
termos com Fuhr referem-se freqüentemente a um "conduzir
com veículo": r'uhre:, carregamento, frete; Fuhrmann: carretei-
ro, cocheiro, motorista; Fuhrpark: conjunto de automóveis de
empresa de transporte. Fllhre é derivado da mesma raíz
indo-européia do verbo fahren (ir, dirigir veículo) e do subs-
tantivo Fahrt (viagem, percurso). O verbo führen (dirigir,
conduzir, liderar), no antigo e no médio alto-alemão, signifi-
cava "colocar enl movimento", "fazer ir", e depois "trazer" e
"dirigir", "conduzir". No novo alto-alemão, o substantivo Fuhr
passa a combinar-se com inúmeros prefixos, assumindo um
leque amplo de significados. Já cedo Fuhr tinha os sentidos
de "percurso-viagem durante a qual algo é transportado",
também tinha o sentido de "carga de veículo". Em alemão,
"laxante" é designado de Abfühnnittel (literalmente "meio-de-
conduzir-embora"). Neste caso, fica a imagem de que algo é
conduzido para fora como que "fluindo" ou "escoando"
numa "corrente ou fluxo" e levando as impurezas do corpo
embora. Co!nbinados,--ªh e .fiihren..ljl verboq]JjÜhren e o
substantivo Ab uhr evocam a demarcação de um
pa1;tida a partir do qu-ªl materiais são retirados ou conduzidos
J?ara mais além.
.-
A Abfuhr ocorre preponderantemente no patamar da
fisiologia pulsional, mas seus efeitos psíquicos são decisivos.
O termo Abfuhr, já utilizado com freqüência na psiquiatria
e neurologia do século XIX, referia-se à "descarga" de
estímulos nervosos no âmbito fisiológico.
Retomando a citação do capítulo V, pode-se dizer que
desde o nascimento a Reizbewiiltigung ("domínio das excita-
ções/ estímulos) é uma das principais tarefas impostas à
A INTERVEN(:t\O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFUTOS Pl:t-"IONAIS 137
psique e da qual o sujeito terá de dar conta ao longo de toda
a vida. Entretanto, o meio com
de Reiz ela
Impõe-se regular o ntmo da descarga (Abjuhr)

"Reconhecemos nOssO aparelho mental como sendo, aci-
ma de tudo, um dispositivo destinado a dominar (bewiiltigen)
as excitações (Erregungen) que, de outra forma, seriam sentidas
como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Sua elaboração
(Bearbeitung) na mente auxilia de forma marcante um escoar
interno (innere Ableitung) das excitações (Erregungen) que são
incapazes de descarga (Abfuhr) imediata para fora, ou para as
quais tal descarga é no momento indesejável.". Para uma tal
elaboração (Verarbeitung) interna, não fará diferença se ela
ocorre elll relação a objetos reais ou imaginários."
Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14, 102].
AssiI1}, a EIessão ill:,le a vida <:l
índi'y'íduo _sede) tende a assumir
a forma de "estímulos"-a serem descarregados imediatamen-
t:e c caberá ao O sujeito
evitarasucuml::iíi-ão'imediáti-smo da pressão dos estímulos
pulsionais através do controle e monitoramento de ações
motoras que permitam descarregá-los num ritmo regulado
c dosado. Eventualmente, também é possível, conforme será
esclarecido mais adiante, a descarga (AbJuhr) num nível mais
simbólico, por exemplo, pela elaboração interna (Verarbei-
tung)21, capaz de dissolvê-los mentalmente.
Qe uma forma ou de outra, deverá
sob de se
insuportáveis. Ta1}1escarganã1J"âêve for.ma de
'J:lisp.aro" (como freqüentemente a em
portuguj§), mas um
21 Este, aliás, um processo mental comum no dia-a·dia da vida psíquica (ver a
quinta citação ele Freuel no capítulo XVII).
138
A TEOIUA rULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
e regulado que se insere no ci:rc.uitQ.
de tarefa da intervenção_
psicanalítica deverá ser propiciar outros caminhos
7JJifiXlir p.ara ajuaar __ __ [[tIclust,Lust.: f-u.
Contudo, antes de abordar a inserção da AbJulir nas <:::1:D
dimensões preponderantemente psíquicas do construto
freudiano e as possibilidades de intervenção psicanalítica
pelas palavras, convém retomar brçvemente, a partir do
circuito de circulação os diversos elementos nervosos
e motores envolvidos no mecanismo de escoamento
tico pulsional, tal como Freud o concebia, a saber: as vias,
os veículos e as ações participantes do processo de Abfulir.
fonte pulsional
(Triebquelle)
J-
estímulo
(Reiz)
J-
estase/acúmulo
(Stauung)
J-
pressão
(Drang)
J-
descarga
(Abfuhr)
J-
satisfação
( BeJriedigung)
22 A conotação do termo, mesmo nos casos em que Freud trata de "saída-escoa-
mento" abrupto (coito, (mania, etc.), enfatiza uma seqüência de desdobramen-
tos envolvidos num mecanismo de retirada mais processual. Frelld, em alguns
textos, usa alternadamente o termo Abfluss (escoamento ele líquidos) e Abjithr.
Como se poderá notar na última citaçào deste capítulo, Freud chega a empregar
a imagem de uma representaçáo que é "drenada" através da descarga. Estas
imagens mais "líquidas" da Abfultr apontam para um mecanismo de "retira-
da" que se assemelha mais a um "escoar" através de vias interligadas. cOllotati-
vameme evocam mais a de um dissolver do que de um descarregar.
A Il'\TERVENÇÃO I'SICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 139
t da pulsão (Trieb), ou melhor, de sua fonte (Triebquel!&),
assim,
nais (Triebreize), brotamaaronte em

Esta cadeia em seu
produz um estado de inquietude e, no um de
sofrimento. Aliás, as três palavras alemãs, Trzeb, Rezz e Drang
são quase redundantes na sua conotação (algo que provoca
e espicaça). Forma-se, assim, um represamento (Stauung)
que pressiona o sujeito e produz Drang.
necessita, então, ser drenado para trazer alIvIO. Em geral,
tal Drang impele o sujeito a escoar o excesso de estímulos
através de ações motoras dirigidas a determinados objetos.
Tanto as ações motoras como os objetos estarão repre-
sentados na psique por imagens.
Como mencionado, as formulações mais fisiológicas
permanecem sempre subjacentes ao longo de toda a obra e
são recorrentemente retomadas por Freud.
Há, ligª-ção lógica da Afd.ilhr Ç:<i S
daqui com a (v!_a W v 10-.-:\ I
aplainada, I
dinâmicos do aparelho pSlqmco CIrculeIIl. _N o freudia-
no, o conceito de AbJuhr, tanto na acepção fisiológica quanto
nas envolve a presenç.a
dC1aís ViaS que pérmitamoeScoamento
de manifestaçãô
"Ansiedade* (Ang:st) é, portanto, um estado especial de
desprazer (Unlust) com atos de descarga (Abfuhraktionen) ao
longo de trilhas específicas."
'd d" d "J r'ansiedade no sentz o e me o .
Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926) [ESB 20,156].
23 a pulsãQ.se manifesta.pelas transfoonação.dos egtÍl:wllos p!.!lliionais
em
24 TClnbremo-nos de que a energia pusional pode encontrar-se em estado
indircrenciado, ou na forma de afetos, estímulos ou de pensamentos
acumulados.
(
140 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE fREUD
Freud, mesmo quando trata do psíquico
memórias de experiências), mantém a concepção de tais
trilhas como nervos, ligações neuronais e inervações. Essas
trilhas são percorridas não só pelos afetos de desprazer
(medo, dor, etc.), como também pelos de prazer:
"Nova função foi então atribuída à descarga (Abfuhr) mo-
tora, que, sob o predomínio do princípio do prazer, servira
como meio de aliviar o aparelho mental de adições de estímu-
los, e que realizara esta tarefa ao enviar inervações para o
interior do corpo (conduzindo a movimentos expressivos, mí-
mica facial e manifestações de afeto). A descarga (Abfuhr)
motora foi agora empregada na alteração apropriada da reali-
dade; foi transformada em ação. "
Formulações sobre os Dois Princípios do
Funcionamento Mental (1911) [ESn 12,280].
Lembremo-nos que tais vias também são as Bahnungen
que se estabelecem entre as fontes pulsionais, bem como
destas com as idéias (Vorstellungen), e que interligam as idéias
entre si. Entretanto, não basta a existência de vias de descarga,
também é fundamental a presença de um "veículo" ou "su-
porte" que carregue tais afetos para fora do sistema. A
plasticidade da puhão permite que o aparelho psíquico lance
mão das mais variadas possibilidades para veicular os afetos.
O da descarga pode ser, por exemplo, como
do no citação acima, a ação motora (movimentos eXI2[essivos,
mlnlICa faClal,mamfestações de afeto). Ou, como se ode ver
o papelcl:e'"vetculifl:te-rransporte a
.!lal por
de conversão (catexia/investimento da
--- --------
"Na histeria de conversão, a catexia instintual da idéia
reprimida converte-se na inervação do sintoma. Até que ponto
e em que circunstâncias a idéia inconsciente é esvaziada*
(drainiert) por essa descarga (Abfuhr) na inervação, de modo a
**suspender a pressão que exerce sobre o sistema es.? Essa e
A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 141
outras perguntas semelhantes devem ser reservadas para uma
investigação especial da histeria."
fi' o termo empregado no original é drainiert, drenada.]
[** de modo que ela (refere-se a idéia reprimida) possa
suspender a pressão.}
o Inconsciente (1915) [ESn 14,212].
Entretanto, se fisiologicamente Freud supõe um proces-
so energético-neuronal-nervoso ocorrendo através de car-
gas, vias e veículos, há sempre uma contrapartida psíquica
(mental, anímica) desses processos. São os correspondentes
movimentos e transformações que ocorrem na dimensão
das idéias/representações (Vorstellungen) e afetos.
quando a Abjuhr acontece de forma
a pulsâo-é-moâeI'ãdamente reudaecIescarregada a
nãe--€emo-um:rirrup-ç-ã-ó-uea:lgn-ltm-gaménte acumulado
vivida pelo sujeito-como
duZ;-emparaíefo, sensaçoes de Aos indivíduos,
a meta de

(osentimentC;-de";aüsfação"), o tema do próximo capítulo.
142 A n:ORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
XVI Além do prazer e do desprazer
(sob o estado de Befriedigung)
Freud designa o momento após a
gung[Sailsfaçao),trata-se de um mornçiit<.Leiil-que-apulsAo
entra, por assim
ContilaO, antei"de tratar do freudiano deste
conceito, cabe um comentário sobre a palavra alemã Befrie-
digung.
"Satisfação", em português, além de significar "sadeda-
de" (saturação), com freqüência evoca a idéia de "alegria" e
"contentamento,,25: estes sentidos muitas veies são transpor-
tados para o entendimento do termo Befriedigung no campo
psicanalítico, parecendo referir-se a um estado de contenta-
mento e prazer
26
. Apesar de a palavra alemã Bifriedigung
eventualmente também poder ter esses significados, em geral
remete a um sentimento desprovido desse colorido.
O verbo bifriedigen e o substantivo Bifriedigung significam:
1 - Ato ou efeito de corresponder/ satisfazer a expecta-
tivas; tranqüilizar: Sua resposta satisfez a todos.
2 - Ato ou efeito de saciar, mitigar uma necessidade ou
vontade, bastar, tranqüilizar. Satisfeito seu desejo de rever a mãe,
foi dormir. Não pôde satisfazer sua curiosidade.
Seu sinônimo mais imediato em é o verbostillen;
literalmente, stillen significa "silenciar", "aquietar" e "ama-
mentar". A composição de (radicalfried-) remete
à palavra Frieden (paz), a qual no antigo império
alemão a ordem jurídica intata onde todos estavam "livres"
(daí, no atual alemão, frei). Mais tarde, "estado de
armistício" e "paz-calma interna". A partir do século XV,
bejriedigen, além de significar "proteger" e "acalmar", passa
a significar "satisfazer".
25 Por exemplo: Trata·se de uma jJes.ma que está satisfeita com a vida. Sua satisfarão
com a agmdável su'rjJresa em evidente.
26 Por exemplo, em frases como "as jntlsões nunca deixam de procumr flor satisfaçãu
comjJlaa "; ou ainda "u desejo visa reviver uma experiência primária de satisfação"; é
COlllUlll entender-se satisl"ação na acepção de contentamento.
A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 143
Alguns termos compostos com o radicalfried-
visualizar o efeito que este radical produz ao L\1l1l1H 11
outras palavras. Os três exemplos indicam o uso
sentido de "paz" e "calma":
no
Friedhof cemitério (pátio da paz); friedlich: calmo, pací-
fico, sossegado; zufrieden: satisfeito, em paz com.
O radical fried- de (Friedhqf) não remete diretamente à
idéia de morte, mas, em alemão, tal qual no português, há
uma certa conexão entre "paz" e "morte": 'Jaz em paz",
"finalmente encontrou a paz", etc. Quanto à palavra zufrieden,
o que a diferencia de Befriedigung é o fato de que ela se
a um estado de tranqüilidade e satisfação, enquanto Bifriedi-
gung indica que através de certa atividade se atingiu esse
estado, pondo fim a um período de inquietação (o prefixo be-
implica atividade que visa provocar certo efeito).
Por outro lado, no alemão há também expressões com
befriedigen no sentido sexual: jemanden befriedigen: satisfazer,
ou levar o outro ao a orgasmo; sich selbst befriedigen: satisfa-
zer-se ou praticar onanismo, auto-satisfazer-se sexualmente.
Os dois exemplos referentes à satisfação sexual, apesar de
ligados ao prazer, enfatizam conotativamente a idéia de uma
necessidade de gozo de alívio procurado durante a CXLIl.:1L<llU
crescente.
A Bejriedigung,desde o início, ocupa um lugar central
no arcabouço- cujo

teb-rizarcomo o SUjeIto
todasoflê--ae-oosfáculüs constitucionais 7 e contingênc!3':s
cUTfufalsse-
Já no "Projeto para uma Psicologia" (1895), o termo
Befriedigung aparece como tendo importância fundamental:
27 Um exemplo de contradição estrutural entre certas pulsões são os freqüentes
casos de incompatibilidade expressiva das pulsôes (pulsôes opostas que utilizam
as mesmas vias eferentes, ou que visam os mesmos objetos); nestes casos, o
c.onflito psíquico já brota da raiz constitutiva do arCO pulsional; outro exemplo
é a relação "estímulo (Reiz)- prazer" (Lmt) e desprazcr (Unlust), caso no qual a
própria existência de um pólo implica o outro, bem como cada pólo contém o
gérmcn de sua própria mutação, mediada pela quantidade e ritmo de Reiz.e.
1'41 :\ TEORIA I'ULSrONAL NA CLíNICA DE FREUD
"Quando a pessoa que ajuda executa o trabalho da ação
específica no mundo externo para o desamparado, este último
fica em posição, por meio de dispositivos reflexos, de executar
imediatamente no interior de seu corpo a atividade necessária
para remover [ cancelar, suspender] o estímulo endógeno, A
totalidade do evento constitui então a experiência de satisfação
(Befriedigungserlebnis), que tem as conseqüências mais radicais
no desenvolvimento das funções do indivíduo."
para uma Psicologia (1895) [ESB 1,336].
E esta vivência de satisfação de "conseqüências as mais
'______ consiste na
de alívio ao fl: estímu-
lo endógeno (estímulo plllSioriãl). Tôdavla-;'a rigor, mais do'
que cancelarõ·s de
-tenilo conforme que indica
" ( ... ) efetua-se uma descarga (Abfuhr, escoamento, elimi-
nação) permanente e, assim, elimina-se a urgência (Drang,
ânsia, geralmente traduzida em português por "pressão") que
causou desprazer (Uniust) ( ... )."
Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESB 1,336].
Há, ao longo de toda a obra de Freud, a idéia de que o
sentido da ação psíquica e motora é o cancelamento dos
estímulos e do DranS!. No exemplo a seguir de 1926 Freud
LI t'"
já em outro momento de elaboração teórica, define em que
consiste a "satisfação":
"O que então dese:jam esses instintos (Trieb)? Satisfação
"tr,;prf:it1'1J1Ur - isto é, o estabelecimento de situações nas
as necessidades corporais possam ser extintas."
A Questão da Análise Leiga (1926) [ESB 20,
A INTERVENÇAO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PUI SION:\IS 145
que
é o }:esultado da descarga um acúmulo que -
intoleráveis": _._--
"Se as exigências instintuais do id não encontrarem satis,
(Befriedig1lng) alguma, surgem condições intoleráveis."
A Questão da Análise Leiga (1926) lESE 20,
Conforme já discutido no capítulo VI, quando trata da
Bifriedigung Freud não diferencia, em geral, entre as diversas
formas de prazer, por exemplo, entre o prazer de alívio
(cancelar o desprazer), o prazer que cresce, prazer. de degus-
tar e prazer de acumular sensações agradáveis:
"Todo desprazer (Unillst) deve assim coincidir com uma
elevação, e,todo prazer (Lust) com um rebaixamento da tensão
mental devida ao estímulo (Reiz.spannung); ( ... )"
O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESE 200].
Esta relação, como também já citado naquele capítulo,
passa somente mais tarde a ser relativizada:
" ( ... ) Se pudéssemos dizer o que é essa característica quali-
tativa, estaríamos muito mais avançados em psicologia. Talvez
se;ja o ritmo, a seqüência temporal de mudanças, e
quedas na quantidade de estímulo (Reizquantitat). Não sabemos."
O Problema Econômico do Masoquismo (1924) 200].
Contudo, apesar da indefinição de como a quantidade
e o ritmo de Reize definem o prazer e o desprazer, o papel
da Befriedigung não se altera essencialmente. Afinal, mesmo
nos casos em que Freud admite que o aumento de Reiz possa
às vezes levar a um aumento do prazer, haverá um limiar a
partir do qual o sujeito não tolerará um acréscimo e irá
procurar baixar o nível de acúmulo através da descarga
(Abfuhr). A sensação Befriedigung poderá, então, ao invés
de ser um alívio de um desconforto anterior (como ocorre
nas situações onde o aumento de Reiz é desprazeroso),
( ,
\ ..
146 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
assumir a forma de uma pausa repousante após um prazer
crescente (saciação ou até gozo).
Num caso ou em outro, haverá a necessidade de cancelar
o excesso de estímulos endógenos (endogene Reize). Como já
discutido no capítulo XV, a cadeia pulsão-estímulo-pressão
em seu conjunto produz um estado de inquietude e, no
limite, um estado de sofrimento que impele o para a
ação de descarga (Abfuhr). A Befriedigung é o desaguadouro
de toda somatória desses momentos impelentes deflagrados
pela pulsão (Trieb) e que espicaçam desagradavelmente o
sujeito para uma ação. Entretanto, especificamente é ao
Drang que responde a Befriedigung. Drang se refere ao mo-
mento em que um "aperto-pressão", gerado pelas necessida-
des somáticas, se, transforma em "ímpeto-ânsia" de agir.
Conforme já visto, é o Drang a mola da pulsão, o
transforma a pressão s0111ática
sejo, e o elementoainâmico da pulsa0. o Drang movimenta
a pulSãO, tanto quando esta se cõiIiOíriStinto,
ql!.ando a pulsão assume a forma de AssirD:
de modo geral, o termo Befriedigung responde ao Drang, o
qual visa ardentemente um alvo- externo (desejo, Wunsch)
eleito como objeto de descarga e alívio.
Esta ação de descarga pode ocorrer simultaneamente ao
nível fisiológico-energético e ao nível representacional. O
primeiro caso ocorre na forma de uma descarga motora de
estímulos (Reizabfuhr) e o segundo, geralmente, sob a forma
de "realização do desejo" (Wunscherfüllung).28
Entretanto, a concretização da realização do desejo
(Wunscherfüllung) não significa que o estado de inquietude
e sofriménto tenha sido totalmente aplacado (satisfeito). O
desejo (Wunsch) permanece inextingüível. Ao nível fisiológi-
co-econômico, cada fonte pulsional logo reinicia a emissão
de estímulos pulsionais (Reize), os quais inundam então todo
28 Pode-se dizer que a Erfüllu.ng (realização) dos desejos (Wünsche) é a contrapar-
tida represemacional do processo mais vísceral que lhe serve de base, a
T1'iebbefriedigung (satisfação da pulsão), esta última mais ligada à corporcidade
de Lust (prazer, disposição, vontade) do que à via imagética do desejo.
A 1l\"TERVENÇÂO PSICANALfTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 147
o sistema psíquico e geram uma nova "estas e" (acúmulo).
também há uma invasão dos ]?Jl1't.fi.,
os qu.9ls
idéias! e as. fazem aflorar na

reivindicações, pulsionais sob forma de idéias! represéltações

pelas vivências de satisfação. E assim Impõe-se novamente
um gúiando-se por representações, sinaliza os
caminhos para a procura de novas Befríedigungen.
Portanto, o ciclo provisó-
-0----- não
na

semQ!'e retoma, pois as "vivências de3t!§fil-
nrigir@[iasT' mnêmicos de
alimentam uma nostalgIa dIfusa por esta sensaçao. Contu-
--- ..:--
do, após esta etapa, em que não predommava o recalque e
onde os traços mnêmicos se inscreveram nas primeiras
memórias, se instalará o recalque primário e os subseqüen-
tes recalques secundários. fase,
viv.ê.uciaspoderão de forma desiniQigil,
JQrlJ}-ªndQ:s.e.ASsim-<t.-hase-pttf-a-a-ilusãO-de-teLv.i.YiºQ_um
estado outrora maravilhoso.
"O instinto reprimido nunca deixa de esforçar-se em busca
da satisfação (Befriedigttng) completa, que consistiria na repeti-
de uma experiência primária de satisfação (Befriedigungser-
lebnisses). Formações reativas e substitutivas, bem como
sublimações, não bastarão para remover a tensão persistente do
instinto reprimido, sendo que a diferença de quantidade entre
o prazer da satisfação (Befriedigungslust) que é exigida e a que
é realmente conseguida é que fornece o fator ímpulsionador
que não permite qualquer parada em nenhuma das posições.
alcançadas, mas, nas palavras do poeta, 'pressiona sempre para
a frente, indomado'."
Além do Princípio do Prazer (1920) [ESB 18,60].
(
(
--I
148 A TEORIA PULSIOl\:AL l"A CLÍNICA DE FREUD
Mas, mesmo não obtendo uma satisfação 'Elerm,..a-pulsào
alg!,!r!ilvau desausfação. Se não de forma livre e
desimpedida, a satisfação virá parcialmente pelos sintomas,
sonhos, sublimações, etc. Tais lampejos de Befriedigung que
se deixam apenas entrever, além de garantirem um certo
equilíbrio econômico, realimentam o desejo e reasseguram
o da possibilidade de chegar à Befriedigung. A_c::Ql1l"
carência insatisfeita_comjnstantesde- sacjação
manterão o sujeito em movimento,
de repouso pulsional. Assi:rrl, não há para a pulsão mais do
que-um instante de pequena morte (no sentido de um
desligamento, cancelamento das necessidades vitais), não
lhe é permitida, como diz Frcud, "qualquer parada em
nenhuma das posiçôes alcançadas", deve seguir "sempre
para a frente, indomada", à procura da Befriedigung,
mais além do prazer imediato - a Pulsào de Morte
Fora do alcance do princípio de realidade e da ação do
ego, o objetivo das ondas de estímulos pulsionais é a satisfa-
ção imediata:
"Os instintos no id pressionam por satisfação (Btifriedigung)
imediata a todo custo, e desta forma nada alcançam ou obtém
eles mesmos danos perceptíveis."
A Questão da Análise Leiga (1926) [ESB 20, 229].
o sentido desta satisfação é cancelar a necessidade
(Bediirfnis) momentânea:.
"O melhor termo para C<"l.racterizar [ designar] um estímulo
instintual seria 'necessidade' (Bedurfnis). O que elimina [cancela]
uma necessidade (BedurJnis) é a 'satisfação' (Bifriedigung)."
Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [ESB, 15, 139].
Todavia, no texto "Além do Princípio de Prazer" (1920),·
quando Freud introduz mais diretamente a noção de Pulsão
de Morte, a Triebbejriedigung é pensada de maneira amplia-
r;:,
\
A 10:TERVE:..;çAo I'SICAl"ALÍTICA SOBRE os CONFLITOS Pl,LSIO;\;AIS 149
da. A Befriedígung visada agora nã? se refere
imedíwsta Rene,
__ de.
__:nifiiea{gung pela Pulsa0 de Morte e o
total
---S;nâo se pode afirmar que a Pulsão de Morte foi uma
concepção sempre presente em Freud, a idéia que lhe e.stá
por trás sempre esteve colocada, ain?a que de forma restnta,
pela noção de Befriedigung (entendlda como um estado de
cancelamento das necessidades orgânicas). Entretanto, nas
formulações após 1920, a Befriedigung corresponderá ao
estado propiciado pelo PrinCípio de Nirvana de
quietude absoluta, extinção de todas as pulsõcs de _vlda).
Amalgamada a Eros, a de
Sentido -Oe ..... da vida 2ara a
:

r "Todo desprazer deve assim coincidir com uma elevação, e
i todo prazer com um rebaixamento da tensão na psique produ-
1\ zida devida ao estímulo (Reizspannung);. o princípio de Nirvana
I (e o princípio do prazer, que lhe é supostamente idêntico)
inteiramente a serviço dos instintos (Triebe) de morte, cUJo
! objetivo é conduzir a inquietação da vida para a estabilida,de
estado inorgânico, e teria a função de fornecer advertenClas
! contra as exigências dos instintos de vida a libido - que tentam
perturbar o curso pretendido da vida."
O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19,200].
150
A TEORIA I'UI.'iIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
A inserção da Pulsão de Morte no arco pulsional merece
alguns comentários. Sendo uma tendência geral da natureza
que atua sobre todos os viventes, a Pulsão de Morte é uma
força ou princípio (expressa-se também como princípio de
Nirvana). Contudo, nas outras dimensões do arco pulsional,
na biologia, na fisiologia e nos processos psíquicos e culturais,
a Pulsão de Morte é concebida por Freud como amalgamada
e regulada pelas Pulsões de Vida. Assim, a própria reprodução
das. espécies, a.
noerocesso primário),
bem como o princípio de realidade
êeSSosecundáno}ocõrrem·combinados pulsoes

--
"Ela só pode ser o instinto (Trieb) de vida, a libido, que
assim, lado a lado com o instinto (Trieb) de morte, apoderou-se
de uma cota da regulação dos processos de vida. ( ... ) O princí-
pio de Nirvana expressa a tendência do instinto (Trieb) de
morte; o princípio de Prazer, representa as exigências da libido,
e a modificação do último princípio, o princípio de Realidade,
representa a influência do mundo externo.
Nenhum desses três princípios é realmente colocado fora
de ação por outro. Via de regra, eles podem tolerar-se mutua-
mente, embora conflitos estejam fadados a surgir ocasional-
mente do fato dos objetivos diferentes que estão estabelecidos
para cada um - num dos casos, uma redução quantitativa da
carga do estímulo (Reiz); noutro, uma característica qualitativa
do estímulo (Reiz), e, por último [no terceiro caso], um adia-
\ mento' da descarga do estímulo (Reiz) e uma aquiescência
\ ' . d '
temporana ao esprazer devido à tensão."
O Problema Econômico do Masoquismo, (l924)[ESB 19,200-1].
São vagas e raras as referências de Freud aos momentos
de um eventual escape da Pulsão de Morte deste amalga-
mento:
A INTERVENÇÃO l'SICANALfnCA SOBRE os CONFLITOS PULSIONAIS 151
"Correspondendo a uma fusão de instintos deste tipo,
pode existir, por efeito de determinadas influências, uma
dejÍl.são deles.
Não podemos presentemente imaginar a extensão das
partes dos instintos (Triebe) de morte que se recusam a serem
amansados através de misturas com a libido."
O Problema Econômico do Masoquismo, (1924) [ESB 19,205].
Seguindo as possibilidades da polissemia de Trieb, Freud
tende a empregar Pulsão de Morte (Todestrieb) e Pulsão de
Vida (Lebenstrieb) na acepção de "princípio", "tendência" ou
"força". Devido a este uso <!2s termos, não se encontra E.ªLa
as duas püISOeso mesmo detalhamento na fisiologia, nas
LranSf6ffuações das imagens, afetos e
Freud Te
autopresef\íãÇão O
concepção pulsional é fundamentalmente
Assim, se Freud não se poupa de eSpeciflcar as incidências
clínicas e culturais de sua nova teoria pulsional, avançando
em temas como o masoquismo, a compulsão à repetição, a
psicologia de massas, a destrutividade, pouco detalha sobre
os mecanismos de transformações e passagens:
"Não dispomos de qualquer compreensão fisiológica das
maneiras e meios pelos quais esse amansamento (Bandingun)
do instinto (Trieb) de morte pela libido pode se efetuado. No
que concerne ao campo psicanalítico de idéias, só podemos
presumir que se realiza uma fusão e amalgamação muito
ampla, em proporções variáveis, das duas classes de instintos
(Triebe), de modo que jamais temos de lidar com instintos
(Triebe) de vida puros ou instintos (Triebe) de morte puros, mas
apenas com misturas deles em quantidades diferentes."
O Problema Econômico do Masoquismo, (1924) [ESB 19,205].
Portanto, após a introdução da Pulsãode Morte e
deVIda, os processos
nTemos pulSíonais _
_ w ____
(
(
152
A TEOR[A PULS[ONAL NA CLÍNICA DE FREVD
de Morte

slgmflca que os precipitados destas grandes pulsões, na
forma de pulsões mais específicas não continuem a ser
concebidos dos pontos de vista da fisiologia da atividade
muscular, das representações e dos afetos.
Também, quando trata do papel das pulsões na clínica,
mesmo depois de ter introduzido o conceito de pulsão de
não da dirigida à morte, mas da BeJrie-
pOSSIVel, obtIda p;la ação combinada pulsões em
fala. E da regulação partir
representações e das recombinações
que Freud trataqualldo aborda
cãpÍ-
tu o. . ---
Antes, porém, de tratar da concepção freudiana de inter-
psicanalítica sobre os conflitos pulsionais, faz-se ne-
cessano um breve comentário sobre como Freud procede na
escuta dos conflitos que são trazidos pelo paciente à sessão.
A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFUTOS POLSIONAIS 153
XVII A escuta clínica dos conflitos pulsionais
Uma das características essenciais do instrumental de
escuta freudiano é sua capacidade de operar simultanea-
mente em múltiplos planos. Para descrever este trânsito
entre os diversos patamares, Freud serve-se de diferentes
redes semânticas específicas da língua alemã, às vezes até
dentro de um mesmo parágrafo. Contudo, freqüentemente
estas redes se fragmentaram nas traduções, tornando difícil
não só o entendimento de certos trechos, como também a
apreensão da mobilidade dos mecanismos operatórios pro-
postos pelo modelo freudiano.
N este capítulo, se retomará e sistematizará algumas destas
redes de transformações, deslocamentos e inversões, tão co-
muns no texto freudiano, para ilustrar como Freud concebe
o conjunto da circulação pulsional nos vários patamares e,
mais do que isso, como apreende, na escuta clínica, o conflito
psíquico que vai aflorando ao longo da sessão de análise.
Será apresentada uma tabela onde se procurará indicar
como Freud articula o funcionamento conjunto de diversos
mecanismos e, para auxiliar na leitura do texto freudiano,
também será indicado como são empregadas determinadas
palavras alemãs para descrever tais momentos.
Os conflitos pulsionais se
psíquicos as catexi31sjinvestimentos (Besetzungen,
de energia, cargas) clãs pi1lsóes
viQ...Y.ÍyÍfK-ª!.l dOl1JeTeõen)
representações, imagens) que representam,
cada uma, as diversas
rência disto, os conflitos de interesse que existem entre as
.. - "
se a coni;:
ciência (e para a escuta
impasses e
"Nossa atenção foi atraída para a importância dos instintos
(Triebe) na vida ideacional (Vorstellungsleben). Descobrimos que
cada instinto (Trieb) procura tornar-se efetivo por meio de
154
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO
idéias ativantes que estejam em harmonia com objetivos*.
Estes. instintos (Triebe) nem sempre são compatíveis entre si;
seus Interesses amiúde entram em conflito"
'I: "tornar-se efetivo" aparece no original como: dttnh
seinen Zielen passenden Vorstellttngen, isto é:
vIvIfICar as ldelas/imagens vinculadas a determinadas metas.
A Concepçiio Psicanalítica da
Perturbação Psicogênica da Visiio (1910) [ESB 11, 199].
Apesar das aparências, os conflitos, não se entrinchei-
ram nem no consciente (onde a persuasão e o esclarecimen-
poderiam ajudar o paciente), nerrina esfera do
mconsciente (onde a hipnose e a catarse poderiam atuar),
mas zonas de entrechoque de patamares, na dinâmica <:?
no entre ego, id e superego, o
e portanto, la onde se complIca a coexistência pulsional, no
processos como o "recalque", a "rejei-
çao-repudIo e a recusa-desmentido,,29
. "(, .. ) a neurose é o 'resultado de um conflito entre o ego e
O.ld; a? passo que a psicose é o desfecho análogo de um
dIsturblO semelhante nas relações entre o ego e o mundo
externo." [grifo meu]
Neurose e Psicose (1924) [ESB 19, 189).
(A propósito do fetichismo, NA) "No conflito entre o peso I]
da percepção desagradável e a força de seu contradesejo, I
a um compromisso tal como só é possível sob o J} j\-
domínio das leis inconscientes do pensamento os processos
primários." [grifo meu]
Fetichismo (1927) [ESB, 21, 181].
29 O"tel:ll:o."recalquc" é denominado por Freud como Verdnzngung; para designar
a reJclçaodo exterior", Freud às vezes emprega verweigern (recusar),
:rCje.ttar-.;:ondenar, que na terminologia lacaniana é denominado
,01 dus,w ) lê p,u a a recusa de cenas representações da realidade" aparece °
tel mo Verleugn1lng (renegação, desmentido).
A lNTERVENÇ..\O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PUL')IONAIS 155
Assim, a escuta dos conflitos pulsionais não se restringe
-." ._-_ ... _-_ .. _ .. _---- ---- .. ----
ao mamfesto e tampouco se concentranaprogresslVa frag-
i?5_I"lt_ação psíqUIca nas regIões do
como seprõcurarãindicãr- neste capítulo, transita simulta-
formações entre várias diferen-
.,.-_____ . ______ .-.,... ... -w.
tes instâncias a partIr-dãS-quais
pulsíonalS procuram A contradição ou diver-
gênêIasemanifestàr{ psíquico quando a
ativação da pulsão, como idéia e afeto, for incompatível com
determinada instância. A coexistência de pulsões contradi-
tórias que estivessem ancoradas no mesmo patamar não
seria tão problemática, uma vez que no inconsciente não há
incompatibilidade entre os contrários e, na esfera conscien-
te, a razão poderia negociar e postergar satisfações em
conflito, tomando decisões racionais.
Assim, os conflitos que aparecem na esfera
refletem choques entre modos de

conscientt;. ...
Estes conflitos apenas se tornam visíveis na
esfera consciente devido ao fato de que é lá que se impõe
seu ordenamento sob o princípio de realidade para trans-
formarem-se em ação efetiva. Mesmo naqueles surtos psicó-
ticos onde aparecem conflitos, estes já contêm elementos
ordenadores, oriundos da lógica do processo secundário,
que, mesclados a elementos do processo primário, geram
impasses diversos (tais como vozes que dão ordens contra-
ditórias, alucinações visuais ameaçadoras, etc.).
Na escuta psicanalítica do
de operar com lima outra lógicã que a do consciente, a sabE
- a do inconsciente, mas com uma somatória de lQKicas, ou

bem como com d.etermilJa.çQÇi mútuas entre instâncias di-
-----,._"- --

É-,Jaro __Que o foco cClltr'aLd;;Lescuta .se--<1Ls9Àre._Q
inçonsciente gm,ttm
já __ __ orslenados
(
-r= sc\_tT/'I {
\
)
156 A TEORiA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
conforme as do pensamento consciente., Além disso, há
um mf1uxo de estímulos e influências oriundos de
OUtl as esferas. Portanto mesmo na esc' . - , lera mconSClente nao
trat,}. de um funcionamento puro que só siga as leis do
mas um movimento combinado onde oc
(mesmo no sonho ou na psicose
alternanCla entre a preponderância do p' ,- d
d . nnClplo o prazer e
e bem como há uma constante interferência de
ontes somatlcas). não é só dqconsciente e inconscien-
se. ele.

arcaicas de pontos de fixa ão ...
de-aeteirilÍnaçoes icas
e as grandeslers'da'naturez;:CTciâa:' t '-d-r-- .. '''';- -- J?
ciais ,. . --.-.. -' .-":-'. s es as lmensoes, essen-
_ . a l.nserçao do conceIto de pulsão no arcabouço freudiano
sao mSlstentemente abordadas ao longo da obra tamb' '
cont t r' . ' em no
ex o c mICO, mclusive nos seus últimos escritos
" , Em "A.?álist Terminável e Interminável" (1937) e em
Construçoes em Análise" (1937) 1 ..
ções filogenéticas: em os a respeito das fIxa-
uando falamos numa "herança arcal'ca" I
"Q . ' gera mente
apenas no id e parecemos presumir que no
111100 da Vida do indivíduo não existe ego algum. Mas não
desprezaremos o fato de que id e ego são originalmente um 50' .
t'unpa . r '
<. • uco lmp ICa qualquer supervalorização mística da here-
acharmos crível que, mesmo antes de o ego surgir,
as lmhas de desenvolvimento tendA " - . ' enClas e reaçoes que poste-
normente já estão estabelecidas para ele."
Analtse Terminável e Interminável (1937) [ESn 23, '273-4].
"Se, apesar disso, esses delírios são capazes de exercer· m
extcao,dinário ,ob'e '" homem, a inv<,tigação no, ,:n.
uz a mesma explicação que no caso do indivíduo isolado. Eles
seu pode: ao elemento de verdade histórica que trouxe-
ram a tona a partir da repressão do passado esquecido e primevo.
Construções em Análise (1937) [ESn 23,304].
A iNTERVENÇÃO PSiCA;-':ALlTiCA SOJ>RE OS CO;-':FLlTOS I'ULSiONAIS 157
Ainda em "Análise Terminável e Intenninável", após abor-
dar detidamente fatores fisiológicos e econômicos da vida
pulsional, Freud trata da raiz biológica e das leis da natureza
sobre as quais se calca a pulsão de morte e traça um paralelo
entre sua teoria pulsional e as idéias de Empédocles:
"A nós impõe-se estarmos restritos ao campo biopsíquico,
os nossos elementos básicos não são mais os quatro elementos
de Empédocles; e o vivente para nós foi nitidamente diferen-
ciado do que é inanimado, não pensamos mais em termos de
fusão e separação das partículas de substáncias, mas na fusãó
e defusão de componentes pulsionais. Ademais, o princípio de
"combate" foi por nós fundamentado do ponto de vista biológico,
remetemos nossa pulsão de destruição à pulsão de morte, à
tendência (Drang, afã, pressão) de conduzir o vivente ao estado
inanimado"
Análise Tenninável e Interminável (1937),
[Tradução Livre, corresponde na ESB ao voI. 23, p. 280].
Como se procurará indicar na tabela abaixo, a escuta
freudiana busca rastrear os movimentos de deslocamento e
condensação que aparecem na fala do paciente e que inter-
ligam as diferentes dimensões onde se situam as "heranças
arcaicas filogenéticas", o "campo biopsíquico", a fisiologia
pulsional, a economia psíquica, as experiências de prazer e
as exigências culturais-familiares. Tr:ata"se..-rorta!lLoi-de
acompanhar os de deslOj:amento e condensa-
pulsional. E'SCVf' ATEi' [) /
----EmreCaiítO,o longo do arcO pulsional!9
o
se rest:riilge ao conjunto

a pUISlOnál
com inação e separação das vertentes pulsionais em arran-
joSliel1üerentes proporções (fusões!
vimento psí UlCO desi. ual e combinado de uma mesma
vertente pulsional e liberações de parcéfãS plil-
sionais). Estes quatro conjuntos permitem que se ---'
---------
(
.i
.\)
j
158 A TEORIA PULS10NAL NA CLÍNICA DE FREUD
tem e mesclem na psique com grande flexibiÚdade materiais
que parecem incompatíveis, pois habitam cada um patama-
res próprios, onde vigem tempos, formas, movimentos e leis
particulares. Isto significa que a esfera do processo secun-
dário, J2rimáriD,-_do---S.omátlco,
natureza em __ n;-
2rocesso psíquico,. --
Assim, livres dos modos de temporalidade, de espaciali-
dade, de formas e de linguagem vigentes em cada esfera, os
materiais de cada instância passam a comunicar-se em asso-
ciações, deslocamentos e condensações, realizando movimen-
tos de regressão/progressão, fixação/libéração e fusão/de-
de maneira que, apesar ancorados em patamares
diferentes, transitam entre consciente, inconsciente e somáti-
co, bem como reproduzem princípios e memórias incrustra-
dos na biologia da espécie e na própria história e estrutura
possível o tráfego
entre e slgmfIcados, entre estes e as 11lerva-
ç.ª-es e ações mol;.Q[as e entre
a .5:0?cretude e os ..
E neste entre dimensões que o tempo simultaneamente \
retroage e pro age ou se suspende, o dentro e o fora se
entrelaçam e se dobram ao avesso, as aparências ora são
ilusões, ora são tomadas como realidade; o "eu" pode ser o
. "outro",. o "sim" pode se transformar em "não", a lingua-
gem, as Imagens e os afetos se amalgamam, bem como cada
elemento pode se dividir, reagrupar, se transformar em seu
contrário ou se dissolver. É lá que torna-se possível a história
pessoal do indivíduo repetir as vivências da espécie e da
cultura sem que isto seja determinado pelo passado. Tam-
bém será por estas passagens inter e intra-instâncias que
ocorrerão fenômenos entre o somático e o psíquico, onde
o corpo pode se manifestar para a psique e ser também
afe.tado por esta num jogo de mútuas catexias, onde "cargas"
e e relações de "quantidades" se manifestarão para a
pSIque como "qualidades", 'tl
I
t
I
A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUU;IONAlS 159
Entretanto, se estes movimentos de transplante entre
patamares e de circulação intrapatamares resultam em uma
representação psíquica frágil, onde uma voragem de preci-
pitações, inversões, fragmentações e transformações sempre
está a esgarçar as relações, não se trata de um desordenamento
de regulações. Não são entrecruzamentos onde tempos,
espaços, formas' e a esmo no

vias facilitadas de passagem S!J..e.J.or:am-cllLpar.t.e herd-ªQas,
em parte finalidades e funcionalidades·
biológicas e
Estes entrecruzamentos e as possibilidades de movimenta-
- .. .. _".-_.. , .....
São psíquico e em sua:.-
relações com o somático
;;arração. Em termos psíquicos, pólos pulsionais
assUií1ê"inõü papéis inversos (gerando fenômenos de ambi-
valência), ou complementares (gerando fenômenos de acú-
mulo e descarga). Assim, no primeiro caso temos situações
de alternância onde a energia pulsional circula entre contrá-
rios, às vezes situados em patamares diversos, tais como o
ódio e o amor, a dúvida, a dor e o prazer, etc. No segundo,
ocorrem configurações onde o pólo que tem força de
expulsar ou empurrar não logra sucesso se não houver a
colaboração de uma força atratora situada no pólo oposto.
Neste caso, somam-se as forças que vão no sentido do
acúmulo (atração) e da descarga (repulsão). Um pólo repele
em direção ao seu oposto, que simultaneamente atrai. Este
segundo mecanismo encontra-se em fenômenos diversos,
tais como o recalque (o recalcar se soma à atração exercida
pelo elemento do recalque originário), o masoquismo (o
prazer sádico de se machucar soma-se ao prazer masoquista
de ser machucado), ou ainda no repúdio, na recusa, na
projeção e na introjeção (onde o interno expulsa o mau e o
externo atrai o mau).
'li< Portanto, além dos movimentos de.sl.eslocamentol. ... çol!-
dens':ião,
ê1efiI..,ao, a Clrculaça0.J!ulslOnal entre as
I.
j(;() A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
cias, Freud também examina os pontos de ancoragem pulsio-
nal situados em pólos opostos, os quais podem estar traba-
lhando em direções contrárias ou atuando na mesma direção.
Apesar dos impasses da clínica irem, pouco a pouco,
exigindo de Freud que desenvolvesse sua teoria no sentido de
dotá-la de um instrumental capaz de captar o máximo possível
da complexidade e variedade que se apresentava nos diversos
casos e o levarem a introduzir inovações fundamentais, tais
como as noções de narcisismo, de' pulsão morte, de
compulsão repetição, a segunda tópica, a teoria do maso-
quismo e a segunda teoria da angústia, o arco pulsiQn& não_
.pelo éjnsericio!l_t?.
novo arsenal de recursos combinatóIjQLq.ue diferen-
tes e dão u!:na grande plasticidade e amelitude
os as filigranas da_
arquitetura e dinâmica de cada caso clínico Estas
inovaç:õessao como que novos palcos de cIrculação e fixação
pulsional que passam a dar maior potência ao amplo emprego
dos movimentos energéticos ao longo do arco pulsional.
A tabela que será apresentada a seguir procura aproxi-
mar-se desta circulação pulsional-psíquica inter e intrapata-
mares. Apesar das limitações inerentes ao uso de tabelas
para tratar de temas psicanalíticos, sua utilização é uma
tentativa de sistematizar para os leitores estes movimentos
que se apresentam não só no texto freudiano em geral, como
também na escuta clínica.
Mantendo a mesma sistémática dos capítulos anteriores,
outros temas fundamentais interligados às pulsões, tais
como os mecanismos de defesa, a segunda tópica e a teoria
da angústia serão apenas marginalmente tratados, para que
não se desvie o foco do tema central que é a teoria pulsíonal.
A tabela
30
divide-se em quatro patamares de conjunção.
A divisão segmentada em patamares deve ser considerada
:10 Cabo;: lima advertência quanto a esta tabela. Não se lr,lta de um resumo, a tabela
est<Í calcada sohre discussões detalhadas contidas nos capítulos anteriores,
ponant.o o material que aqui aparece mio inclui muitas das e
I\uances já comentadas.
A lNTERVE;-,:çAo I'SlCANALÍTICA SOnRE OS CONFLITOS PULSIONArs 161
um recurso de apresentação., pois as leis de funcionamento.
e formas de manifestação das pulsões se interpenetram em
graus variados._l:'-través desta configuração.
separadas, proÇJlrQ!:l-se indicar leito!,
que se trata em..todas as manifestações de vida, seja
nas suas formás espeéíficãs de
nifestação: como força dã-u1ãenatureza, -éamo --lnstIÍ1ta
j:>iol§gkQLçQI"Ila estíq1Ulo nervosõria fisiologia, como ima=
gem de desejo nas alucinações do-bebê,?u coma pensamen-
Partanto, figuram, numa mesma tabela, as dimensões
psíquicas lado. a lado com as não-psíquicas, indicando. que é
o de significados da palavra alemã' Trieb tomaaos
simultaneamente que.. caracteriza o termo e a uso freudiano
de "pulsãa". Canforme já mencionada, a consideração isa-
lada de qualquer um dos patamares transforma a teoria
pulsional em -alga de outra ardem, por exemplo, numa
teoria dos impulsas, dos afetos e das imagens, ou em uma
teoria da linguagem, au em uma tearia organicista, ou em
uma tearia bialógica ou ainda em uma teoria metafísica.
Na tabela há uma especificidade crescente da direita
para a esquerda, que conduz das dimensões mais gerais para
as dimensões mais singulares. Nas dimensões mais siE,gula-
res, a dinâmica pulsional irá êxpressar-se na uma
(;indlviefu-al, fato
rou-se destacarãose cõloCar naiãOeJa asaois patamares

e é lá que o canflito pulsianal se faz
acessível à
A primeira coluna (processo secundário) refere-se ao 'li
material com a qual a paciente se apresenta (ou é apresen- r
tado) inicialmente ao analista. Aparecem nesta esfera relatos
e explicações razoavelmente articulados e que são escutados
tanto como roupagens de conflitas pulsionais, quanto como
causa e fôrma que organizam a circulação das pulsões e
também co-determinam a configuração destes conflitos.
São. as tentativas da paciente de se historiar, bem como de
utilizar o controle racional propiciado pelo processo secun-
c
162 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
dário. ta!!lj:>ém aparecem, em maior ou menor
fraças.íirtdeste os laRsos, as cons-
--"
truções"_p..t..Çl!liares, aspectos sonhos,
aparen-:.
. __ tt:s __ Portanto, apesar de, na tabela, estar
apresentado como coluna separada, . imaginar o
patamar do processo secundário como entrelaçado ao pata-
mar do processo primário. É O· processo primário que
sempre se faz entrever como matriz subterrânea geradora
de sentidos arcaicos e imagens de desejo primário, que tanto
estão na base, como também se re-intrometem nos pensa-
mentos e desejos mais elaborados. Estes conteúdos latentes
da matriz arcaica geradora de desejos, apesar de sofrerem a
reelaboração secundária que os traduz para a linguagem do
processo secundário e os prepara para a ação no mundo e
na cultura, insistem em irromper para a consciência em
forma bruta e tosca e, às vezes, irracional.
Entretanto, ambos os psíquicos não subsistem
sem um suporte material-corpóreo, o qual aparece, em
Freud, como anatomia e fisiologia. É o que indica a terceira
coluna. Aqui a pulsão brota e se manifesta como energia,

musculare8,"IiiiiliCõrí1TríUilrn-de e
'---
As regraSde [unclonãllento corpo, seja no
corpo da ameba, nos seres unicelulares, nos animais gregá-
rios ou nos seres humanQs, são leis que regem uma máquina
corpórea de carga-descarga pulsional. Desprovido das iI)1a-
gens e afetos fornecidos pelo processo primário, bem como
dos significados atribuídos pensamento do processo
secundário, o patamar somático não passaria de um conjun- .
to de mecanismos reativos e reflexos ocorrendo na anato-
mia de um corpo ..
Os três patamares acima mencionados funcionam em

.
!l!le se
alternam e --
A l:-.lTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUl.''ilONAIS 163
Contudo, como já mencionado, Freud não se restringe
a estas esferas, pois, além de estar em busca daquilo que se
situa para aquém das aparências do processo secundário (os
subterrâneos do inconsciente e os processos somáticos), seu
esforço dirige-se também às raízes destes processos,
isto é: tenta encontrar as leis genéricas que estão Dl /.
indiv Jjíl)-'
biologia Clas'espécies __ .. .
anaturezàérrí'gerã:Clndependente da espé9»'
patamares,oda biol;;gia das
cies e o da 'natureza em geral, foram fundidos numa só
coluna para facilitar a visualização. Nesta coluna trata-se,
portanto, elas leis gerais de funcionamento pulsional inde-
pendentemente da especificidade do corpo singular' e da
história individual.
Quando pensa no aspecto biológico, Freud trata da
história pulsional da espécie, a qual se fixará sob forma de
leis da espécie e de matrizes de vivências. As leis da espécie
determinarão as possibilidades constitutivas do indivíduo,
especificando ao as conexões entre a carne e a
psique. A história das fixações pulsionais filogenéticas ser-
virá de matriz para os fenômenos da psicopatologia e da
cultura
31
. Contudo, as leis e a história biológica da espécie
nada revelam sobre a significação que cada indivíduo, en-
quanto membro de. uma cultura e fruto de experiências
pessoais, dará às suas vivências. A biologia nos impõe balizas
e fornece disposições de comportamento, mas as suas leis
só se expressam quando as pulsões se materializam num
corpo específico e se significam numa cultura e numa
história de vivências e escolhas pessoais.
Apesar da grande importância atribuída na teoria freu-
diana à dimensão biológica da espécie e à história filogené-
tica, optou-se por tratá-los, na tabela, em conjunto com o
patamar da natureza em geral, pois a biologia e a filogênese
31 Ver, por exemplo, o texto "Neuroses de Transferência: urna Síntese" (1915),
Imago, Rio de Janeiro, 1987.
164
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
estão mais diretamente ligadas ao tópico dos mecanismos
de defesa, os quais, como já mencionado neste contexto,
apenas serão tocados marginalmente para não desviar o
foco do tema das pulsões.
Finalmente, quanto à dimensão da natureza em geral,
esta serve para Freud explicitar aquilo que das pulsões vale
para todas as espécies, portanto, aquilo que equivale a
grandes princípios ou leis das pulsões em geral. Conforme
já abordado em outros capítulos: esta dimensão geral da
natureza, que às vezes Freud ensaia estender até para além
dos seres viventes, fazendo digressões sobre a matéria orgâ-
nica, insere-se na teoria psicanalítica, não só para colocá-la
em sintonia com as diversas dimensões pulsionais, como
também pelo valor clínico que possuem, pois dão inteligibi-
lidade àquilo que, considerado apenas do ponto de vista
individual ou biológico, parece não fazer sentido algum (por
exemplo, a compulsão à repetição, a pulsão de morte, o
princípio de inércia, etc.).
A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PULSIONAIS 165
TA BELAS DE CARACTERÍSTICAS SEMÂNTICO-PSICANALÍTICAS
I',\TA
NJUN· I li': CO
ÇÃo ....
cros [,
IAS
IANI·
I

DE I-
FEST AçAO
psíQUICO

SECUNDARIO)
Não existe em
estado puro,
trata-se de uma
conjunção de
tod os os outros
pataJllares,
I acrescidos
aqui de signífi-
icação.
I ,,"v
---
PSíQUICO I)NATUR12A
(PROCESSO EM GERAL
2) I\IOLOGIA
\NãO existe em
IN" em
!lAS ESPÉCI.:S
s- .Ã_
ao
lestado puro,
estado puro, referem-se a
trata-se de uma i trata-se de uma princípios e
conjunção dos [conjunção dos leis gerais dos
,outros patama- i patamares, viventes e leis
res, acrescidos acrescidos de específicas de
aqui de ima- materialidade ,cada espécie
gens e afetos. e corporei- !biológíca.
dade.
I

---- I
(Wttnsch), 'Alucinação Estímulos, 11) Na nos
lfles (alen
(mai s
erÍsti·
de ca-
l
ract
cos
'dap ata-
;con-
0, ncm
pre
_Imar
I
'tucl
sem
lusa dos cm
sópa-
ar, à"
SSdll-
mn.
'
--um
tam
Iveze
tern
lcntári- Con
os I ingüisti-
cos e cono-
tativos ge-
rais
vontade (Wille), (Halluzination) (Rezze), estllnu-Inatureza:
representação estado de desejo los pulsionais 'pulsão (Trieb),
,( Vorstellung), ), priebreize), compulsão
pensamento
(Gedanl,e), mo-
ção (Regl.lng),
moção pulsional
(Triebregung),
moção des<:jo
( Wllruchregung).
Wunsch e Wille
enfatizam aqui
volição e csco-
lha. VOTStellung
le Gedanhe, os
pensamentos e
idéias. As mo-
indicam
que são pequc-
jmlS quantida:
'Ides de energIa
pulsional
(apetites,
iiniciativas)
I
necessidade (Not)'lexcitação (Zwang),
pulsão (Trieb), ,(Erregung), pressão (Drang),
prazer, tesão (LU-St)!pressão princípio
carência (Bedürfrlis), (Druck), fonte (PrinzipJ
imagem (Bild), re- pulsional 2) Na biologia
presentação(Vorstel(Triebuelle), es- das :spécies:
lung), fissura tase (Stauung). pulsa0 (Tneb),
(Begierde), pressão instinto
(Drang), coerção (lnstinkt).
(Z,rong).
Halluzination,
Wunsch, Rild e
Vorstellung re-
metem a ima-
gens primi tivas.
Bedürjnis,
Wunschzustand,
Nol e Begierde à
maciça urgên-
cia. Zwang, Trieb e
1)rang ao agui-
lhoar incômodo.
IReiz, Triebreíz
!c Triebquelle
11) Na função
de princípio,
i
T
· b . d'
para ' ne mica
la dlmensao dolaqUllo que lm- [
!brotar no cor- [pele, Zwang, o
po, para o as- Ique obriga e
pecto fisiológi-iDrang o que
• 1 •
co e esplCaçan- [quer se mam-
te da pulsão. [festar.
Stauung,2) Trieb e
Erregung,Druck IInstinkt são
para o acúmu-Iaqui equiva-
lo que aperta jlentes para
Ino,somático. lanimais e
, humanos.
166

DE CON.lUN.
çAo ....
A TI;:ORIA pmSIÓNAL NA CLÍNICA DE FREUD
(PRqCESSO I (PROCESSO CERAL
I PSÍQUICO !., SOM.hICO l) NATUREZA EM'.I!
SECUNDARIO) jl ",".'"0) I I I
I I I
r-R-e-.g-u-Ia-ç-ã·o--i-n-j-rige ações a ISensações de . I Carga e descar-!l) Na naturf1-
Idos fluxos partir da arrio Iprazer e qes- de estímu- Iza: princípio
'pulsíonaís. buiçào de senti- II prazer {o pra- pulsionais .de inércia, de
manifesta-
ção das
pulsões.
I
dos às imagens, zer promove (energia, hor· constãnCia, de I
.às palavras e Ipassagem do mõnios, etc.). Nirvana e de I"
laos afetos. Faz i fluxo, o 'despra- .Mecanismo prazer. 2) Na
Uulgamento Izer desvia ou lautomático biologia: a filo- I
Ide realidade, de bloqueia a pas- Ide estase- gênese regula
Iqualidade c de ,sagem). . desc,lrga, a incorpora-
[causalidade. I .semelhante ao ção à espécie
If ,
.1
I
jarco.-reflexo. de determina- '
i I das pulsões.
l
i Princípio de IrPrincípio de IPrincípios de
realidade. a d .. ,. d
pr zer e es- Imercm e e
IVontade e dese-

expressos
por palavras
articuladas.
prazer. . [constância.
Irrupções vio-1:" IMecanismos e 1) Na
lentas de desejo lautomatismos natureza:
acumulado e reflexos em forças
lampejos bre- jreação flu- [universais a
ves de desejos. xos de estllTlU- ,todos os
Expresso por 1105 pul-
inlagens (inclu- Isao de Vida,
i '
sive imagens jExpressos por Ide morte de
sonoras). ,.estímuloS_ l,a:ltopreserva-
, çao e repro-
Bl!dürfnis, Not e iRei;:, Erregung. dução.
LllSt, Begierde I ,2) Na
/
dispoSições
I Wille e
I
[ . comporta
t::::-:::::-:-.....-i;;-;--::----:---t------- Imstlllt.os.
I 1 e
lntensida- pode ser Estado urgente- Estado de'ten-II) Na .
de de ma- posterg'ada, d . 1- I -
e ao (e ,sa.o.cresc.-ente· natureza:
nifestação pois o desejo d ( d I(f l'
P
ulsional I 1 zona on e l:lO.oglca, ,tendência
PO( e escolher deseJO. e Iperene.
lentre objetos e Inecessldade se-f":jenergctica, 12) Na biologia '1'
circunstâncias ImeSdam). etc.) das espécies: '
o percurso Ul'gênda de Necessidade disposições e I
lhe é mais d p , . .
escarga. razer organIca. I'imperativos da
vorável. I
7' j: (espl azer lesPécie.·
'---___ Imediatos_ .
A INTERVENÇAo PSICANAÜnCA SOBRE OS CONFl.lTOS PULSIONAIS 167

I !li: CONIUN· (PROCESSO
i SECUNIÜRIO)
ASf'EGTOS E I
FORM,ISllE
M,\ NIn:STAÇ.\Oi
.Estado das
imagens,
afetos e pa-
e re-
com
corpo
Im<1gens e afe-
tos bem delí-
Ineados, artícu-
'lados e nomea-
dos por pala-
as. Fonnam
-untos está·
'Iveis que podem
'Iser combina-
dos. Imagem de
unidade de
'corpo.
pslQUICO
(PROCESSO
I'RIMÂRIO)
Imagens, afetos
difusos, sons de
palavras difu-
sos. Imagem de
corpo também
,difusa.
SOMATICO I)
Ausência ele
2)lHOLOCIA
l).\S ESI:ÉCIES
1) Na
imagens e afe- Ireza:-
tos. Há somen-12) Na biologia
te estímulos das espécies:
aos quais o imagens, afe-
corpo na tos e
dimensão do .estímulos
somático \somáticos
reage. filogenetica-
I
mente selecio
.nados têm
a função de
sinais que
desencadeiam
cOl1!P0namen-
tos e formam
I padrões es-
potencial
L
. truturais de
. _____ --fPatológico.
1Uma espécie 1) Na natureza:
, Ivel por reserva pressa ou esca- de memória não há memó-
I
de energia pul- vada devido à 'impressa na ria, as relações
,ional fixada às repetida passa- anatomia que \SãO dadas pela
,idéias. Prontí- gem de fluxos se ativa em estrutura da
[d<lo rememora- pulsionais em seqüência de matéria e
I
'tiva, bastam direção à des- reações fisio- Ipelas leis da
Isinais chegados carga. Chegada lógicas, auto- energia. .
'Ide fora ou mo- de estÍ- matismos 2) Na biologia I
ções internas lUulos internos somáticos e das espécies: I
'L' · .... I\para reativá·la. I
I
' catexia. dentro e "
de fora.
(
I'
168
A TEORIA I'lJLSIONAL NA CLÍ:>;JCA DE FREVJ)
fi:AiO\'lAR,:, PSÍQUICO
CONJUr.;, (PROCESSO
I
ÇA0
.., I SECUNDARIO)
IASl'EC1DS E I I
I FORMAS De I I
(PROCESSO
PRIMÁRIO)
G!::RAL
2) !\lOl.OGI.-\
DAS ':5PÉ(;I ES
, 1I
f -----j,_
dil IEncnyia l)Ode IEnergiil está em I'E ' 'I' 1) N'
" , nerglil esta I- 'a natu-
I
'energla em parte 'sua maior parte !vre. Após ileu- re7,.a:
pulslOnal [fixada-atada a livre e percorre ImUlar-se ,e,m 2) Na bi.ologia
,COI1)lIntOS de rotas de massa CfIlIca Idas especles: _
I Irepresentações das de repre- suficiente, se '
I e circular atada 'Isentações que ilibera e I
I a des, ou se com- conduzem à Ipercor-re de I'
I Ibinar e se atar Idescarga. Rotas !imediato as I
I
1 la novos comple IPoUCO flexíveis. !rotas que ,
I
xos, Rotas bas- >t: ' Iconduzem à
1_ tame flexíveis. '---\.'c descarga.
IMundo é oricn- Pulsão é orien- P I - b 1)
I
I
I
li sao rota natu
externo e tacla cliferen- 'Itada indiferen- Ino corpo 50- reza: _
I interno lcialmente para leialmeme para !mático e se 12) Na biologia
i (eu e inter· objetos internos I descarrega ,Idas espécies:
'Ilobjetos) Inos e externos, le não indiferencia-
I
lhá percepçãoha dIferença es- clamente no I
! d<ls diferenças tável entre eu e próprio corpo i
I
entre eu c outro outro, l'de'l'a e - I
, e como açao I'
l
e entre idéia e obieto. t
I
J mo ora para i
-- IOl.d)j_Ct_o_,----1- ___ ___ jfora, I
I
l'ens,\- Pensa relações I' . I
I
I
' ensa Imagens. Sem pensa- 1) natu-
'I
mento
ientre imagens E\'I'ta pensar no
mento, segue I reza:-
eXl)!'e"as por 'desprazer, pOl'S - d 2) N b
I
as reaçoes o, I 1 a íologia
I
palavras, Pensa não discrimina somático, das espéCies:
por simulação, alucinaçãodo
Pode lembrar ,pensamento e I
I da, cl>OlI,e tenta Ida lembrança. li
! lieVlta-1a no mun- I'Só pensa no
I ,do externo'prazer,
'1 IProcura evitar e I Não' conhece
L
' j're._sOIV?r:üntradi-lcontradição
çoes lOgIcas, "K Ilógica,
A INTERVE:'\çAo PSICAl'lALfTICA SOBRE OS CONFLITOS PüLSIO:'\AlS, 169
(I'ROCl-:'iSO
SfiCU:'o:lJ,\IUO)
--r
l
(PROCESSO
I'RIMÁRIO) I
"'quO",,, d; Jv,,, "e' "',"
imagens e afetos le ações
I) i'>ATURl-IZcI
DICERAL
2) IIIO(.OCI.-\
IHS ESI'ÉCU:.s
equivalência de
e afe-
tos guiam pul-
sôes para
tos de satisfação
Descarga como
eSCO(lnlento
regulado que
corre ao longo
de inúmeras
rotas
lixadas pelas motoras
vivências de lfixadas pe- la
satisfação, guiam filogênese
a pulsão automa- guiamas pul-
ticamente à des- sões automa-
Pode ser
interno,
carga. Descarga
por escoamento
(ou irmpção, se
houve acúmulo),
Ii'\este patamar As vivências de
Iprepondera a satisfação pri-
[líbenç;'io, as mária tendem a
lidéias e afetos ancorar as pul-
I
'tendem a fluir e sões em deter-
,se recombinar, ,minados sítios
há flexibilidade de maior pra-
nas rotas de zer. Tais sítios
investimento. de fixação são
em parte her-
dildos (consti-
l
'tuCionais) e
em parte
, adquiridos.
'reação aos
estímulos,
Segundo a
lidade e con-
i forme cada
Isexo, a anato- gia das
I
mia e a fisio- de,: Vivências
logia predis- ancestrais
põem certas !(privação,
zonas e Icena pIimáIia,
órgãos a !patIicídio,
funcionarem lfix,un as pul-
com maior Isões em sítios
lintensidade e ie modos de
'se serve de
I
cenas vias que serao
priv ilegíadas reativados nas
!para a decar- formações
'l'ga. São quase cultllmis e
. _______ ,'-lpL-'-atol()ge>.i_:l_s,_-----'
170 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
pSíQUICO
(PROCESSO
SECUNllARIO)
psíQUICO
(PROCESSO
PRIMÁRIO) I
IlECON,IUN.
<.:AO->
I
1 ..\SPEGJ'(lS I':
FOR\IASDE


l_-:----+:-:--____ .. ___ +__
I Regressflo Retomo a for· Retorno a f{)f·
lpara cada 111as arcaicas na n1as, conteúdós
patamar. fromeira entre e sexualidade!
No cotidia- processo secun- arcaicas, movi-
no, are- ,dário e primá- mentação por
gressão i' 'rio (sonhos, lap- deslocamento e
1Il1\ proccs- 50S, patologias - condensação.
50 contí- em geral, rcbai- Esgarçamento
nllo e ahar- xamento da das formas defi·
ica todo o atenção), mes- !lidas. Reativa-
arco pul- ela de regras de ção da intensi-
sional. funcionamento dade pulsional
Impasse e
conflito
dos patamares. do material
recalcado.
-------------------
Prazer
mo- x
rais, llIedo <.Ia Desprazer
castração, Simultaneidade
procura reter de pulsões opos·
(postergar) ou tas, excesso de
anular desejos. excitação, fal-
tam caminhos
,y- de escoamento
e regulação.

SOMÁTICO I) NATUREZA EM
GERAL
2)lllOLOGIA
DAS ESPÉCIES
Reinvestimcn- 1) Na natu-
to no somático reza: -
(por exemplo, Reativação
na histeria, na dos
hipocondria, de reneti<,ão.
etc.). de destruição
Carga
x
Descarga
Há neces-
sidade de
acúmulo de
carga para
ativação do
órgão, mas o
excesso po-
de destruí·lo.
e de síntese.
2) Na biologia
das espécies:
Reativação das
fases
históricas
fílogeneticame I
te incor-
poradas
(medos
ancestrais e
padrões de
adaptação à
1) Na natu
reza:-
vida x morte
e
produçíio.
2) Na biologia
das espécíes:
autopreserva-
ção x repro-
dução. Inte-
resses do in-
divíduox
-------------- -'-----___ ...... _J
A INTERVENÇÃO PSICANAI.Íl1CA SOBRE OS CONFLITOS PUT.SIONAIS 171
sempre "gomos" ou "planos" do
interlfi;dos por lingua-
gens ie-presentações arcaicas lado a lado
com idéias refinadas, influxos somáticos, componentes filo-
genéticos (fôrmas arcaicas, disposições),
. dos inúmeros processos subjacentes.
momento.
No texto "Tipos de Desencadeamento da Neurose"
(1911) encontra-se uma das várias tentativas de Freud de
apresentar um esquema de discriminação destes diversos
processos. Lá Freud divide as neuroses em quatro tipos,
segundo a forma corno se entrecruzam os elementos em
ação nestes múltiplos patamares:
No primeiro tipo: "A Versagunl
2
(impedimento) tem
deito patogênico por represar a libido 33 e submeter, assim, o
indivíduo a um teste de quanto tempo ele pode tolerar este
d
- ,.34 'd d'
aumento e tensa o pSlqUlca e que meto os a otara para
lidar com ." As opções são, segundo Freud: ( ... ) "trans-
formar a energia psíquica em energia ativa", isto é, em ação
capaz de interferir no mundo sob o princípio da realidade;
ou "renunciar à satisfação libidinal, sublimar a libido represa-
da e voltá-la à consecução de objetivos que não são mais
eróticos ( ... )"; ou, ainda, realizar uma repressão, caso em que
"a libido pode, daí por diante, mover-se num curso retroativo;
32 é traduzido como "frustração", mas que nada a tem a ver com o
sentimento de decepção e amargura, significa ao acesso",
, literalmente significa "inter-dição", ver mais a
no próximo capítulo.
33 Freud trata, neste trecho, da esfera econômica das intensidades relativas na
34 Aqui Freudjá passa para a esfera do processo nT'lm>lrlode intensidade de carga
35 Agora abordam-se as alternativas de circulação, incluindo·se o processo
secundário, como se verá na frase seguinte.
(
)
)
)
, )
: )
172
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
pode seguir o caminho da regressão (grifo em itálico de Freud)
ao longo de linhas infantis e lutar por objetivos que se
coadunem com elas."
No segundo tipo, trata-se de um desenvolvimento desi-
gual e combinado, em que parte da libido encontra-se fixada
em sítios infantis e parte avança para novos objetos. É o que
ocorre, por exemplo, no caso de: "Um jovem que até então
tenha satisfeito sua libido por meio de fantasias que findem
pela e que agora busca substituir o regime que
se aproxIma do auto-erotismo pela escolha de um objeto real
( ... ). E Freud explica que "no primeiro tipo o indivíduo cai
doente a partir de uma experiência; no segundo, a partir de
um processo de desenvolvimento."
O terceiro tipo: "( ... ) cai doente por uma inibição do
desenvolvimento (grifo em itálico de Freud), parece uma
exageração do segundo. A libido nunca abandonou as fixa-
ções infantis". Neste caso, a intensificação da atividade
libidinal e as novas exigências "originadas do próprio fato
de amadurecer" levam a um impasse onde "o conflito cai
para o segundo plano, em comparação com a insuficiência
(Freud refere-se, aqui, à insuficiência de maturação do de-
senvolvimento libidinal)".
O quarto tipo são pessoas que até então viveram sadias e
nas quais, às vezes já na idade madura, ocorre que: "em
com processos biológicos normais, a quantida-
:le de hbldo em sua economia mental experimentou um
aumento que em si é suficiente para perturbar o equilíbrio
( ... )." .
: caso, a
de funcionamento e
slOnal sao especlflcos.""Se, por u.m Iãao, Freuil chama atenção
todos os .}:
âa Versagung ( ao
e ....gue a ocorre-enrr.í:lti:fi1ãTí1stln-

PQt:.Q1,llf-ºJad.o,F.reudressalta que impõrta tamb"-éíh sanefas
no
I
A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOl\RE os CONFLITOS PULSIONAIS 173
e como Contudo, a singularida-
de .de cada paciente não se configurará apenas segundo o
modo como em cada tipo se apresentam os arranjos libidi-
nais. Na prática clínica, os arranjos são ainda mais variados
do que aqueles apresentados em cada tipo, há que se pensar
em tipos mesclados:
"Se passar em revista o conjunto de pacientes em cuja
análise acho-me presentemente empenhado, tenho de registrar
que nem um só deles constitui um exemplo puro de qualquer
destes quatro tipos de desencadeamento. Em cada um, antes,
encontro uma parte de Versagung (impedimento, bloqueio)
operando lado a lado com uma incapacidade de adaptar-se às
exigências da realidade; a inibição no desenvolvimento, que
tem de ser levada em conta em todos eles, e que coincide,
naturalmente, com a inflexibilidade das fixações e, como já
disse, a importância da quantidade de libido, a qual nunca deve
ser desprezada."
TíjJOS de Desencadeamento da Neurose (1911) [ESE 12,298].
modo de escuta é modelos
estereotipados de diagnóstico e levar em conta a plasticida-
\ ... .... - -
.f: de da
_do::J)=que--de--síiigular se formou em cada caso clínico
.. _. .._....... ......---
específico: .
"A psicanálise alertou-nos de que devemos abandonar o
contraste infrutífero entre os fatores externos e internos, entre
a experiência e constituição, e ensinou-nos que invariavelmente
encontraremos a causa do desencadeamento da doença neuró-
tica numa situação psíquica específica que pode ser ocasionada
de diversas maneiras."
TiPos de Desencadeamento da Neurose (1911) [ESE 12,299].
Como..se.J1Qta, O . .s:tKJJJªJreudiano, para
------- - -
.' daI: contª9a busca operar com mül-
tip}a.s variáveis em constante mutação, seguindo ao longo
_.-----
li4 A TEORIA PUl})IONAL NA CLÍNICA DE FREUD
elo OS as
as fIxações, as
e CÍefusões lhe -lidar
elementos êomoasquantidades, as
o r:.epresamento, as as relaçõesaúto-ei-Óticas-ejiliíi-

fixaçã(),_a_ ÍI1i2kã91 a do meio externo, do meio
interno,_etc. __Será o pano __es_ç!1lª_çJ.l,le se
dªr{"'-.c:)}tão, __s()!)re os
pulsionais, tema do próximo c último capítlàõ.-------- -
A INTF.RVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUL<;IONAIS 175
XVIII A intervenção psicanalítica
sobre os conflitos pulsionais
Do que foi colocado nos primeiros capítulos, de certa
forma apontou-se para uma concepção freudiana de homem
visto como um ser inundado por estímulos, assujeitado a
princípios que transcendem sua individualidade e irrefrea-
velmente aguilhoado para diante.
Atormentado por pulsões contraditórias, o sujeito per-
manece preso entre a superexcitação e a inibição, condições
que levam facilmente a Angst (medo, pânico, pavor), presen-
ça constante na teoria freudiana.
este
manifestar como um conflito interno de
"A oposição entre as idéias' (Vorstellungen) é apenas uma
expressão das lutas entre os vários instintos (Triebe)".
Perturbação Psicogêníca da Visão (1910) [ESB 11, 199-200].
E esta luta tende a levar a um medo crônico e à neurose.
Entretanto, que não se pense que em qualquer das duas

FrcuãComo ummeroespelhamentoão Impasse
uma
da-descarga (A.bfuhr) devido ao princípi()
sobreposto-ao-nrindpíoãO prazer.Nú;; esquema assim, s_ó r ____ \
restam
satisfazer aspulsõesãi:'cveiia ci.? (em
geralrepre.sentããOpêlaspuiS6es do ego). Tudo se resurrlfria
a urita quésLãoae economia psíquica ede quanfiuades_ de
3fhfJ.-:------·-------·-----.-- ..-----------....... -----.-.--
Apesar a plataforma ideacional (ou representacional)
estar fincada no somático e, em última instância, espelhar
os processos fisiológicos, a vida anímica (psíquica) segue leis
próprias.
(
(
(
(
(
(
(
176 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO
As pulsões, quando entram na malha de sensações,
afetos, rep(esentações, sonhos, pensamentos, fantasias, me-
dos e-dest;jos, __ se a uma lógica que dota as -repre;
e- os afetos de Esta
_ .• - ___ .,d ___ ,.....
pode ordenar a energia pulsional em múltiplas c0rnõ1nãçoe;;
qüetavoreçam e descarga de sentidos
hierarquizados'--- --- --------.----..

Apesar de o uso do termo Trieb sempre se manter QI.óxi-
mo aü·s aspectos ligados à visceralidade e ao corpo, o foc.2- X
__ __
representaclOi1aI, OaI a possibIlIdade de lIdar com os confg!:Q§ --
. as idéias/ repre-
sentações imagens.
lá onde a palavra pode
) lt-efeitos.libertadores. Será na dimensão __
V. sentaçoes que, para rreuô;Se-an-corara um tratamento
. --eanal ítico-possÍv<rctüSc6fifli
- ..-.--.-.. --. -- - - _. ------..
A clínica freudiana dos conflitos pulsionais parte da 1
premissa de que, apesar de as pulsões não poderem ser ('
suspensas, desde que h<ya uma livre circulação das repre-I
sentações e afetos (os portadores das pulsões), estes podem I
ser rearranjados e ressigníficados, abrindo novos percursos)
de expressão e descarga pulsional.
Mesmo em situações onde uma determinada descarga
(Abfuhr, escoamento) não. seja viável, as representações
(Vorstellungen), através da livre circulação interna, podem
se rearranjar de maneira a formar outras êquações de
equivalência, redundando então em novas alternativas
aceitáveis de descarga: por exemplo, articulando outros
percursos (escolhendo atividades e objetos diferentes).,
Portanto, a livre circulação é a condição básica do funcio·
psíquico, e é um da
psicanálise. É dela que depende a ressignificação das
entreas Vorstellungen e destascom os afetos.
--
Entretanto, a livre circulação pode estar facilitada ou
inibida. Isto acontece através da alternância entre "desliga-
A PSlCANALÍTICA SOBRE os CO:\FLITOS I'UI.SIONAIS 177
mento" (Entbinclung, liberação) e "ligação" (Bindung, ata-
mento, enlaçamento, aprisionamento, fixação )%, já discuti-
do no capítulo X.
Na neurose, estes processos se complicam. Numa acep-
ção positiva, a Bíndung é um mecanismo constitutivo (ver
capitulo X) pelo qual se formam a consciência, o Eu, bem
corno é o mecanismo primordial do trabalho de Eros; por
outro lado, a Bindung pode se contrapor de forma proble-
mática à Abfuhr.
a descarga direta pode cols:tcar...em
perigo a sujeito, a Bindung será umjnibi4o!
da é, as conservadoras agirão a favor
do..:re-g-rq-l'ie, atandõ-aenergh i&ias e
-----------
Por exemplo, fixando o afeto de medo a
determinada imagem que representa perigo e que, por sua
vez, está vinculada a uma outra imagem representante de
prazer. Desta forma, o medo contamina o prazer pela soli-
dariedade associativa entre os significantes. Conforme as
repetidas experiências ele medo e conforme a constituição
inata do irá se constituir uma inibição cronificada.
agora prisioneiro de certos acaba
vene
I1
tes
Estas idéias/representações
das vertentes püISiOi1als inibidas), 2.2E __
mente ligadas a ameaças internas e externas, serão insupor-
táVêiSei1ãopocrerãõaftorar maIS à
Na medida em ue as isoladas,
em conjunto to OSlstema
a serviço da realização do acabará
forma inibida. Na vida neurótica, a constante percep..ç.ãD..de
coloca a Bind1!:!!:1:- a serviço.da
inibição.

!l(, Ver nota 10 sobre o termo "ligação" (Bimll.lug) e Ve-rknüpfung ou Verbindung.
,\7 A questão da constituição ou predisposição inata a determinadas formas de
neurose re[el-e-se à propensão do indivíduo para regredir, ligar e fixar a libido
em certos momentos, objetos e formas de fases arcaicas, principa!meme as orais
c anais*
178 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
Freud contrapõe freqüentemente
sempre como

Como indica o exemplo abaixo, onde a palavra "descar;
------_.- ----
ga" é contraposta a "estar entalada" e
cassupnnlidas" , a eficácia da psicanalítica reside na
uTtrapasSãgem
_ -------------------------"7 '
"A eficácia terapêutica de seu procedimento foi explicada
em função da descarga (Abfuhr) do afeto, até ali como que
"entalado", preso às ações anímicas suprimidas (unterdri1ckten)
("ab-reação ")."
O Método Psicanalítico de Freud (1904) lESB 7, 233].
Freud sempre destaca que, de forma geral, estar associa-
tivamente "conexão" com outras representações impede
a descarga:
"O que quer que coloque um processo psíquico em conexão
com outros opera contra a descarga (Abfuhr, escoamento) da
catexia (Besetzung, carregamento, preenchimento, ocupação) ex-
cessiva e a põe a serviço de outro uso; o que quer que isole um
ato psíquico encorZ!ja a descarga (Abfuhr, escoamento)."
Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente (1905) lESB 8,
Ressaltando este mesmo ponto em outros momentos,
Freud menciona que as "Vorstellungen foram 'retidas' e aspi-
ram por uma descarga", ou então refere-se a "uma excitação
que fica 'ligada-presa' pelo pré-consciente, em vez de ser
descarregada" .
os
tamento (Entbmilung), VIStoS no capitulo Xj, nem sempre
operam contra Erõs, mas, ao contrário, podem favorecer.ª,
a Bindunge aF,ntbin-
dungagern a Bindung também
.. me<Iidaem-
A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOnRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 179
permite "atar" um afeto a um veículo ideacional (VorstellungL
.. ' .
onaeoc'orre o
dos afetos ele e o -ligar (atar,
binden) desses a outrasrepresentaçêíes que sejatn mais
palatáveis à consciência. '.-
.---Esta é uma dimensão fundamental do trabalho analítico,
que, através do conjunto de articulações descritas semântica
e teoricamente ao longo do livro, procurou-se sempre enfa-
tizar.
No OcQrr:ç qlle
os afet6ss-rõ'relig;dos a uma grande parcela das mesmas
representações qúe eram 'ameaçadoras e que, agora,
, .. .aparecem expurg-ãcias para circülaf:
e afetos em livre
entãQ, fQ[.mar novas cômOinaçôes de percursos menos
gosos de dasul;stltluÇãO de ativida-
alternativas de
--
denomina de "processamSDto interno" (innere Verabeit'l':..ng_ '
traduzido por "elaboração interna" ou "superelaboração").
-Reto mandõ;agora 500 outro-ângulo ;aaCaÇãõ}à'''ÜTiliZadâ
nos capítulos V e XV:
"Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo, aci,
r:ila de tudo, um dispositivo destinado a dominar (bewaltígen,
38 Nüo cabe aqui entrar em maiores detalhes; contudo, a título de breve
(Verabeitung), palavra geralmente traduzida por "elaboração",
"transformação-processamento' e se refere ao trabalho de transfor-
mar e eventualmente dissolver () ,lleto-idéia; deve ser diferenciada de
Durcharbeitung, infelizmente também traduzida como "elaboração" ou
"perlaboração", mas que significa "embrenhar-se matéria adentro através do
trabalhar" e denota () trabalho de vencer a resistência, e Bearbeitung. que
igualmente tem sido traduzida por "elaboração", cujo significado porém é
"aplicar uma quantidade de trabalho sobre o material" e se refere ao trabalho
de rcarranjar o material psíquico geralmente na passagem do processo
prilllário ao secundário. Mais detalhes a respeito encontram-se no Dicionário
Comentado do Alemão de Freud (1996) ..
{
í
(
)
)
)
j
)
)
) I
180
A TEORIA PliU;IONAL NA CLÍNICA DE FREUD
lidar com) as excitações (Erregungen) que, de outra forma,
seriamsentídas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos.
Sua elaboração (Bearbeitung) na mente auxilia ele forma mar,
cante um escoar interno (innere Abteitung) das excitações (Erre,
gungen) que são incapazes de descarga (Abfuhr) imediata para
fora, ou para as quais tal descarga é no momento indesejável.".
Para uma tal elaboração (Verarbeitung) interna nào fará dife,
rença se ela ocorre em relação a objetos reais ou imaginários."
Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESE 14, 102].
o exemplo abaixo ilustra o que Freud, já em 1893,
entende por descarga interna através do mecanismo de
"processamento" (Verabeitung):
"A propósito, um mecanismo psíquico sadio tem outros
métodos de lidar* com o afeto de um trauma psíquico, mesmo
que lhe sejam negadas a reação motora e a reação por palavras
- a saber, elaborando,o (Verarbeitung) associativamente e pro-
duzindo idéias constrastantes**. que a
não o golpe nem retruque com uma grosseria, ela
pode ainda assim
ç
ão I I
seu va or pessoa,
d,ltndígnidadedese-u e
lide com o de um modo ou de outro elé
. ,

mente acabe.pe!:dendo a
C,_ tendo perdido seu afeto, a . '-----
do esquecimento e do processo de desgaste.
métodos de liqüidaljdar resolução.}
['k'f' ... associativamente peta liqUidação/resolução através de
idéias contrastante.}
Sobre o lVlecanismo Psíquico dos
Fenômenos Histéricos: Uma Conferência (1893) [ESB 3, 45].
Nesse caso, foi através cie
conexôes-eassoclaçÕes entre as
(Vorstetrungen) queosafeTóS-p'üaeramser dissolvidos ou
descarregados internamente. Mas
F-t t-'l'j B! R.A 6
r .
\ I;,\TERVFC:Ç.\O PSICA",ALÍTlCA SOBRE os CO:\'FLlTOS PULSIO:\'AIS J 81
reconfiguração imaginária também no caso da descarga
externa (por vias motoras). Também aí as idéias/repre-
sentações (Vorsteltungen) terão co-participação como "veícu-
los" de ativação das vias motoras.
\' Uma vez o
\ 11í v e I co ,is.t.o...é.-qLtam:!g _o esJ(j.!Q)jj,e
mobilização llº-campo militar)
i é finalmenje
; i ..r:ecoJJh .. e.cida como supérflua, a palavra, agora liberada, irá
, a9
.
; mecanismo do .riso: . .A_
-j-i--TA"--Go (A
"Esta disposiçào à inibição [retenção], que devo considerar
como um esforço verdadeiro, análogo à mobilização no campo
militar, será neste mesmo momento reconhecida como supér-
flua ou tardia, e portanto [a tensão] descarregada (abgeft2hrt)
em stat'lt nascendi pelo riso."
Os Cltistes e ma Relaçâo com o Inconsciente (1905) [ESE 8, 1751,
N O
recalcadas
rllanecerec-ã"fcado, mas os afetos desprendem-se parcIalmen-
recalcadas e a
Vor.ç·letlunCren derivadas da Vor;;u;;;;g originalmente reprimi-
b . ____ ._ .
da:-J.\Iraves:-destes disfarces ou distorçÕes-nãü'detectad0s
pela oSã1:etoS' logram então escapar à
setorna ta(iliã) Os assiII.I,
circülarSObnova
tos);-i5iCãttI'i.1Ildar tnsteza vira
,,{Iegria) e ser finalmente '-----___o
acima, isso sucede pelas
'novas combinações de representações inusitadas, as quais
resultam em um efeito cômico e desencadeiam, então, a
reação motora riso. Esse riso "drena" o excesso de tensão
acumulado que escapou do recalque e foi desviado para um
182 A TEORIA PUlSIONAL NA CLíNICA DE FREUI)
,
novo conjunto de representações livres e circulantes, ficando
disponível pira descarga.
Processos semelhantes também ocorrem em outras si-
tuações no dia-a-dia do funcionamento psíquico (na aprecia-
ção de de arte, ao assistir-se uma peça de teatro, no
sonho, ctc).
Entretanto, como na neurose a livre circulação estª
----_ .. _- ... .. _-- .
__ excessiva ou
irmpçõc.3..<lQ!'J:1Pl'!s, ..<ts os afetos acabam
intolerável acúmulo de
Rei!· e na esfera um exCessivo--ac6-
muI ô·(l ê Diii!!i: Enteriae-::s-e,-asslii1;a armilaçãõll-euaíili1ãJ1.Ç
análise é pela o recalque
(o qual é o mecanismo neurótico básico de retenção).
o poder da
falada atuará nas afecções
_ .. __ ._----
xões bastante inacessíveis. Nesses
éasos, o conflito pulsional sucumbiu a um
a di§sociªção palavIa-afeto imQedi..!:l
a circul::tç;iôe afetos e
corno fixou-os em sintomas.

1/ o que ocorre na histeria, onde a relação
entre afetos e idéia não permanece acessível. Na conversão
histérica, a palavra (idéia/representação) aparece somente
para intermediar a passagem do psíquico ao somático. Logo
em seguida, há o desligamento parcial do afeto de seu
veículo original (a idéia/representação, Vorstellung) e assim
a Vorstellung encerra sua presença ostensiva sendo reprimi-
da. Ocorre então que uma parte da energia psíquica fica
fixada na representação recalcada, outra parte é liberada das
representações e é conduzida ao somático através da catexia
de inervações (conversão somática). Surge então um quadro
de certa fixidez, pois uma vez a energia tendo sido submer·
gida no somático e lá a esta.1Jdo
os afetos não
um amplo leque de representações derivadas para se descar-
__ ___ u_________ _
e só poderãº-passar por caminhos mais limItados
---------- .-"
A INTERVENÇAo l'SlCANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 183
e impedimentosfísicos, sofrimentos e
cianais fortemente deslocados, etc).
de
trata
_ de . à satisfação pulSlonal
e encontrar outras saídas, mai.s...criatiyas_e:-"-asvezes menos
destxlitivãs.ctiliçrá.à
r!.conectar e, libefã!1doorecª,-Lçado,
colocá-lo em condições de circular e procurar novos cami-
nhos aceitáveis de desca!J5a(Abjuhr,escoaITIenIõl-/
que as Vorstellungen agui
__ mas o meio/veículo, ar:netasão os ajf!!:os,
(qualidades de Reize).
"Por meio das palavras uma pessoa pode tornar outra
,jubilosamente feliz ou levá-la ao desespero ( ... ). Palavras susci-
"I taII1....9-fetos_e o meio de mútua
entre os homens."
Conferências Introdutórias
Sobre Psicanálise - Parapraxias (1915) [ESE 15, 29].
É importante ciri=1Jlação.dns 'afetos e
si-tuada para além
de comgJiQ':l-LçQJTLasJínstI:4çõ.es da vi<!aLquanto da busca

Quando se trata da intervenção psicanalítica, o objetivo
enfatizado por Freud não é o de aumentar a capacidade de
lidar com a frustração (conformar-se com a não-descarga).
Aliás, a palavra "frustração" (Enttiiuschung) pouco aparece
no texto freudiano. A palavra alemã freqüentemente tradu-
zida por "frustração" é Versagung, a qual significa "blo-
queio", "interdição", "impedimento", "proibição". Como foi
visto, na medida em que o Trieb é irremovível e incessante-
mente se acumula, não há como conformar-se com a Versa-
gung (impedimento, bloqueio), e sim há que se lidar com a
Versagungpara não se sucumbir à frustração. A possibilidade
de reter permanentemente libido e lidar com a frustração
(
(
(
(
(
.>
184
A TEOR!.-\ i'liLSIO,'olAL !'.:A CLÍI\ICA DE FREUll
inexiste neste esquema. A frustração _pai'a
<:xcclência se reter
da. cascata termos de
gação e aguilhoamento que cü'rnpõema corrente pulsional.
--Yanlpoüco'Freúdélidge '0' [oco do' ó;aúunento"
..• '--- - .• , .. _._.'_.,
pr,uer e do desejo. Essa realização
rÍlente poss(Vc;i na além disso, como se viu,
há também limites inerentes à própria natureza do Reiz e da
fonte pulsional. As palavras freudianas empregadas para
tratar do "prazer" não são de gozo, prazer (no sentido de
sensações que se desdobram e acumulam até o ápice), e
tampouco de felicidade, lata·se sempre .de aplacamento

de estados de tensão libidinal
de alívio ao se drenar c c;scoar (dminieren e Abfluss)
pluSil5i1ã1s.uHa sempre o incômodo do Reiz e <:1.2 Dra'!Jg; E
-llleSl110 o (sensações de prazer
obt,ido pela
jnedlgung) nao e, a ngor, o obJetlvo da U1tervençao pSlca.
nalítica. Ao contrário, a BeJriedigung é para Freud uma
espécie de engodo schopenhaueriano, uma promessa inatin.
gível de alívio, pois o é incxtingüível. A BeJriedigung
é apenas algo que mantém o envolvido em repetidas
ações de descarga (Abfakr), as quais são elementos essenciais
ao funcionamento psíquico.
Também serve para advertir contra uma excessiva valo.
rização da questão do no texto freudiano o fato de
, que Freud sempre manteve, ao lado da teoria de objeto de
satisbção, uma do objelO hostil, como sendo outro podero-
so móvel do psiquismo. Conforme já discutido no capítulo
XIII, a descarga causada como reação de desprazer (e geral.
mente na forma de medo, Angçt) não só é essencial à
sobrevivência, avisando o sujeito em casos de perigo (exter-
no e interno), como constitui-se num importante e freqüente
percurso de escoamento da tensão acumulada.
:19 Conformejâ mencionado, a palavra Befriedigung, Ctn alemáo, est.,í mais ligada
idéia de "apa!camelllO" de um incômodo anterior do que à vivência de prazer,
A I:--iTERVE;\,{,: . .\O PSIC-\N.-\LÍTICA SOBRE os CO:--iFLlTOS 1'1ILSIO"AIS 785
"Ansiedade'" (Ang:5t) é, portanto, um estado especial ele
elesprazcr com atos de descarga (Abfuhraktionen) ao longo de
trilhas específicas."
l 'l d" lo" J ['kansiedaG e no sentl( o e nw( .
Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926) (ESB 20, 156J.
Entretanto, esta descarga não modulada, a descarga em
rajada, apesar de também reequilibrar o pulsional,
ao produzir a Ang.çl (medo, ansiedade, pâ:llco) coloca, o
sl:jeito em intenso sofrimento e é, soluça0 emergenCial
. natural, que não pode se repetIr sob o
risco de o slüeito sucumbir à neurose, deflmda por Freud
como um medo crônico c autonomizado.
Do ponlO de vista da biologia e da fisiolog.ia da
mais do que a satisfação (Befriedigung) , a C1rculaçao e
descarga do excesso de energia pulsional são uma ,necessI'
dade absoluta. O que é visado é a descarga (Abjuhr), de
preferência pelas vias de praz.er, ou, em
do desprazel'. Do ponto de VIsta da slueIto
(das sensações de prazer e desprazer assoCiadas a
e palavras), a equação é invertida, O sujeito quer c, precls,l
obter a Bejriedigurzg( satisfação), a Abfilhr (descarga) e apenas
um meio para obtê·la.
Contudo, a teoria freudiana não se limita à biologia ou
à fisiologia, e tampouco se pauta pelas metas imediatas da
consciência. Apesar de dirigir seu esforço a evitar o
zcr (principalmente a a de é
'(bewfiltigen) . Conforme cltaçao
aparelhoffientq) é
ª dominar (bewliltigcn.Jiºª-r cOl'!!1 as
gue. de outra forma,
teriam Nem
nem retê-las maCÍçan'ientê:'mas de c.er.ta forma
flexibilGar, propiC'iar'-e'-õI'deil'ai-O' fazendo·as
.
. , . r,- 137 lS() d Freud fala da principal
40 \'el' exemplos J'l clladm \las pp. ::J:J, '. e ,0,\1 e.
tarefa d" aparelho psíquico (omo dominar as eXCltaçoes.
, , 'l! 186 A TEORIA PUU;IONAL NA CLÍNICA DE FREUD
-"\(,,,-
p_crcC?!rer da pul-
V .--t-__ acumulando libIdo, ora
,I buindo-a e de.sç,<i1:gª,
--}'rel:íd, no' texto "O Ego e o Id" (1923) e na "31. Confe-
rência" serve-se da imagem do ego como um
"cavaleiro que cavalga o Es". O ego (Eu) procura regular a
relação entre o principio do prazer e o principio de realida-
de, colocando (bândigen) ao &. Bandigen,
se emprega em algo de selvagem ou incontido,
no caso o id (&), repositório das pulsões. Freud diz que se
trata de um cavaleiro que o faz com "forças emprestadas"
do id (&). Não podendo, ou não querendo desvencilhar-se
do cavalo, s6 lhe resta "conduzi-lo até onde 'o animal quer
ir", assim também o "ego costuma transformar em ação a
vontade do Es, como se fosse a sua própria".
Novamente aí se depara com o encadeamento da força
imperativa e selvagem das pulsões e a ação de inibir, refreá-
las e conduzi-las, já que a defesa (abwehren, manter afastado,
rechaçar) é por si só precária e não lograria dominá-las.
Portanto, a tarefa analítica também pode ser entendida
___ -- __ h _____
cormnornar o acessível (pelo desrecalcamento) à inOuên-

e obter a e J "'"I1J',I,nU'JI.IIU


, ress!gnjKicar torná-las íchgmxht (egossintôni-
\cas, de acordo com o ego, hã'r111orliéis"com'ü'egoj:-
"É possível, mediante a terapia analítica, livrar-se de um
entre um instinto e o ego, ou de uma exigência
, instintual patogênica ao ego, de modo permanenle e definiti-
L:'- C ) vo? Para a má compreensáo não é necessário,
, ] explicar mais exatamente o que se quer dizer por "livrar-se
_\"l.,-,C<".C':s"'\ll permanentemente de uma exigência instintual".
I nào é com que a exigência desapareça, de modo que
, nada lmus se ouça dela novamente". Isso em geral é lmpo:ssiv'e
\ tampouco, de modo algum, é de se desejar. Não, queremos
'dizer outra coisa, algo que pode ser descrito grosseiramente
A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULS!ONAIS 187
como um ("Bandigung") do instinto. Isto
equivale a dizer que o instinto é colocado completamente em
harmonia com o ego, torna-se acessível a todas as influências
das outras tendências neste último c não mais busca seguir seu
caminho independente para a satisfação,"
r,I: apesar de soar pouco usual, "amansamento" está conotati,
vmnente jJróximo de Biindigung, mas jJossivelmente neste caso "do-
mar" uma opção mais adequada. N. aut)
Análise Terminável e interminável 256-7].
Para Freud, não só o funcionamento psíquico individual
depende d<l capacidade de transitar de forma ordenada
entre as müItiplas possibilidades de Abfuhr' (ligando, desli-
gando e religando afetos a representações), como o próprio
futuro da civilização dependerá da capacidade humana -
apesar de seu ceticismo quanto às massas ordenar e
reter os fluxos pulsionais que jorram do imediatismo do
ou do acúmulo de sofrimento, e impulsionam o
comportamento coletivo para uma destrutiva e
desagregadora.
'o /

(
\
)
188
A TEOR!.'\' 1>:A CLÍXrCA DE FRELI)
À guisa de observação final
. Ao longo deste procurou-se mostrar as implicações
I elevantes na teona e clínica freudianas das várias das
pcquen<:s.e distorções semânticas e dos enlaçamen-
tos temaucos-teoncos alterados na tradução, bem como
pane da tonalidade geral da linguagem freudiana que se
esmaeceu. {
. AS,sim, ap?ntou-se para termos cuja importância na teo-
pSlcanalí:Ica vezes passa despercebida fora da
hngua alema, tais como "pressão" (Drano-) e" t' I"
(
R' , , , b es Imu o
1?1Z) • • 1 ambem foram indicadas palavras que, ao serem
t:aduz,das para o português, ficam com uma acepção dema-
sI,ado est,:eIta, com? por exemplo "descarga" (AbJuhr). Ou-
ti os taiS como "prazer" (Lust) e "satisfação"
têm, por vezes, em português, seu significado
alem do que abarcam em alemão, e acabam conta-
os conceitos freudianos com sentidos ausentes do
ongll1al. Fo:arr: também termos que possuem
ell1 portugucs slgmhcados bastante diversos do alemão tal
C?I:1O "frustração" (Ver:sagung). Também foram abord;dos
vanos _dOS enlaçamentos semânticos que se perderam na
tal como é o caso da trama dos termos ligados a
Imagem pensada" (Bilc4 Vorstellung, Wunsch, Phantasie) ou
qu: se :eferem ao "espicaçar" (Trieb, Drang, Reá, Zwang).
Alem dlsw, pretendeu-se mostrar que todas estas diversas
pala.vras possuem um colorido conotativo particular e polis-
semIaS diferentes das do português.
Entretantô, mais do que discutir termos isolados ou
cnlaçamentos, procurou-se colocar em relevo o efeito
termos alemães quando lidos no fluxo do
texto freudIano. que Freud semnre '
, • z;: _ < COIno f::..
precana a condição do sei' h I .
umano em cu tura, um ser Cl\10
destino "t" ;,/-
'. .. dé:, eSJímulos

Jm",ado a do processo Erimário
de descargar -. --
___ lDQ<&J..,L com
A I:\TER\'E:\çAo PSiCA:\ALÍTICA SOBRE OS CO:-:FUTOS PLL')!O:-:AiS 189
pelas circunstâncias de vida - de reter a libidS'
regitlasla.
Por outro lado, também se destacou a continuidade
conceitual e semântica que conduz o Trieb da esfera do
corpo e das vísceras ao mundo interno das imagens e elos
des<::jos, indicando que não se impõe um corte radical entre
o Freud fisiologista, biólogo e determinista e o Freud psica-
nalista, perisador da cultura e teorizador do inconsciente.
Eles se alternam não só ao longo da obra, como às \TZeS
dentro de um mesmo texto. Portanto, o percurso do Trieb
na teoria psicanalítica transita por diversas instâncias.
Abrange a totalidade dum corpo integrado, inclui a síntese
de pulsões parciais, bem como um amalgamento de pulsões
contraditórias entre si, e implica uma circulação simboliza-
da. Quando Freud considera aspectos econômicos, dinâmi-
cos e tópicos, ele o faz em conexão com especificidades da
história individual do paciente, bem como questões amplas
da cultura (valores morais, hábitos, etc.).
Finalmente, também se colocou em relevo que é desta
mobilidade da pulsão e de sua inerente capacidade de
amalgàmentos que surge a possibilidade de um tratamento
dos conflitos pulsionais. FJ.:eud destaca que o tratamento ,º-?S
conflitos pulsionais se dá pela ação das __
re.'isignificamm esfera representacional e permitem aos
afetos utilizarem
de descarga modulada.
Assim, apesar de o -da obra de Freud não
ser uma questão de esclarecimento lingüístico, é útil "oltar-
se a certos aspectos do original. Incluí-los na leitura permite
dissolver algumas aparentes incongruências conceituais da
teoria pulsional, bem como reconectar entre si muitas das
tramas teórico-semânticas que percorrem o texto alemão.
Neste livro, discutiu-se o conjunto da teoria pulsionaI.
Talvez uma próxima meta possa ser o vasto tema dos meca-
nismos de defesa na psicopatologia.
No seu conjunto, estas questões de linguagem nâo são
muito numerosas. Boa parte dos grandes problemas já
190
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA m: fREUI)
foram mapeados nas últimas décadas. É verdade que a cada
ano surgem novos aportes e que, no Dicionário Comentado
do Alemâo de Freud, bem como neste livro, foram apresen-
tados alguns inéditos, mas parece tratar-se de uma curva
assintótica.
Espero, assim, que o presente trabalho e o Dicionâr'io
Comentado, somados à literatura já disponível, contribuam
para que tais questões não mais permaneçam como assunto
de especialistas Ou tradutores, possam ser incorporadas
ao cotidiano de leitura de Freud.
Apêndice I
Operadores de Leitura
(Ilustração das Tramas Semântico-Conceituais)
Este apêndice apresenta, na forma de operadores de
leitura, uma sistematização geral das principais tramas dis-
cutidas ao longo do livro. Tais operadores são instrumentos
que permitem ordenar os conceitos psicanalíticos em arran-
jos diversos, de modo que o leitor possa transitar pela obra
de Freud levando em conta o eixo conceitual de cada trecho
lido. Trata-se, portanto, de indicar como na obra de Freud'
a dimensão lingüística se liga à conceitual, [onnan<lo trama"
ou eixos conceituais que percorrem o texto (e que nas
traduções tenderam a se esmaecer e a alterar algumas
articulações teórÍcas originais). '
Pode-se ordenar e recortar os modos de ligaç,1o entre
palavra, conceito e teoria de várias maneiras; contudo, (t(jlli.
optou-se por arranjar as redes semântico-conceituais em
dois modos que parecem especialmente práticos para uma
leitura psicanalítica que precisa necessariamente lidar com
certas especificidades do texto freudiano.
Pode se dizer que algumas destas redes scm.lntico·c:on·
ceituais são constituídas por linhas de (tramas en[;hi·
cas), outras por seqüências logicamente encadeadas (tramas
processuais). Assim, as palavras, quando se ligám aos con·
ceitos, formam conjuntos articulados, ora enfatizando idéias
(tramas enfáticas), ora descrevendo processos (tramas pro-
cessuais). As tramas enfáticas englobam termos alinhados
conforme certas conotações e sentidos comuns que se orga-
em torno de uma mesma idéia-força. As processuais
abarcam seqüências de termos encadeados como elos diver-
sos, mas articulados em função de suas diferenças.
\
\
/92
.\ TEORIA PUL<;IO;.lAL;.IA U-Í:\'ICA DE FREl![)
As tramas enfáticas formam blocos palavras tratadas
como equivalentes que, em corüunto, servem para Freud
contrapor tendências psíquicas umas às outras. As tramas
jJTocessuais se constituem pelas diferenças entre as palavras
e, e111 geral, são empregadas por Freud para sistematizar a
teoria e interligar e interpolar diferentes dimensões entre si.
Assim, algumas das tramas enfáticas e processuais mais
recorrentes na teoria pulsional podem ser empregadas
como operadores de leitura que, no texto, permi-
tem melhor acompanhar o trânsito freudiano pelos diversos
patamares de circulação pulsional, bem como seguir as, por
vezes, bruscas alterações de foco.
É necessário ter-se em conta que em um texto determina-
das tramas semântico-conceituais se formam naturalmente.
Em qualquer idioma e com qualquer autor, tais tramas, em
parte, estão pré-formadas pelo uso habitual no idioma, em
parte se constituem a partir de um contexto c de um estilo
singular; entretanto, não são sempre resultado de uma cons-
truçào intencional do autor e tampouco elas se apresentam
ao longo de uma extensa obra sempre da mesma maneira.
.Também em Freucl não se pode falar em tramas que se
repItam sempre elo mesmo modo em todos os textos. As
tramas enEhicas são quase variações melódicas que permi-
idéias e sensações, mas em seu mantjo
ha vanablhdade e espontaneidade. Entretanto, dentro
da diversidade hà modos articulação semelhantes, e é isto
que nos permite dizer que se formam determinadas tramas
enfáticas gerais que percorrem uma obra.
Como se verá em Freud, ora uma palavra é tomada, por
exemplo, naquilo que possui de intenso e alinhada com
outros termos que também podem expressar intensidade,
ora a mesma palavra é tomada naquilo que possui de visual
e agregada a um bloco de termos de cunho mais fortemente
visual. Também ocorre que um termo que nada tem em
comum com a série na qual foi inserido passa a ser alinha-
não pelo seu sentido dicionarizado, mas pelo novo
sentIdo que o uso no texto lhe atribui. Tais fenômenos que
193
cotidianamente nem notamos em nosso próprio idioma,
causam estranheza e às vezes confusão quando traduzidos.
Por exemplo, em português leríamos com naturalidade
um texto onde o autor empregasse numa trama enfática
alternadamente, como se fossem equivalentes; palavras tais
como "afeto", "sentimento", "emoção" contrapondo-as a um
bloco de termos composto por palavras como "razão:',
"pensamento", "raciocínio". Do mesmo modo, não teríamos
dificuldade em compreender que a palavra "carinho" pudes-
se se agregar ao primeiro bloco (trama enfática) e recarac-
terizar aquele bloco agora corno um conjunto de palavras
que estão equivalendo a "expressões de ternura".
Também as tramas processuais não são fixas. Em diver-
sos momentos, um autor diferencia termos c conceitos
segundo recortes diferentes. Isto ocorre ou porque evolui
em seu ponto d.e vista e ressistematiza suas idéias, ou porque
às vezes se trata de iluminar um mesmo processo de um
ângulo diverso. Por exemplo, em português não estranha-
ríamos que um autor, após, ao longo de muitas páginas,
tenha empregado os termos "emoção" e "sentimento" como
se tossem equivalentes, subitamente em um trecho de sua
obra passasse a diferenciar "emoção" de "sentimento", con-
siderando o primeiro corno explosivo, expressivo, passagei-
ro e o segundo como profundo, silencioso, perene. Também
aceitaríamos que mais adiante o mesmo autor, em outros
momentos de teorização, considerasse a "emoção" como
irracional e o "sentimento" como um quase-pensamento.
Não necessariamente consideraríamos que se tratasse de
contradições, rupturas ou evoluções, por vezes poder-se-ia
tratar somente de ângulos e recortes diferentes que o autor
julgava necessário destacar conforme o momento.
Entretanto, pode ocorrer que quando traduzidas do
português pára outro idioma se desfigurem ou fragmentem
as redes que interligavam' as palavras portuguesas "emo-
ção", "sentinlenlo" e "afeto", "carinho", benl conlO "razão",
"pensamento" e "raciocínio" e que, na língua original, per-
mitiam ao autor e seus leitores um manejo variado segundo
194
A TEORIAPULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
as regras da malha semântica do português. Uma vez tradu-
zidas para outro idioma, essas malhas podem se fragmentar
e formam-se novas. Por exemplo, em alemão elas resulta-
riam em Emotion, GeJühle, AJJehte e Liebesausserungen e Ver-
nunft/Verstand, Vorstellung e Gedanke, as quais têm bem
outras conexões e equivalências entre si do que os termos
correspondentes do português. Deste modo, podem se ins-
talar mal-entendidos ou dificuldades, principalmente quan-
do as novas redes que se formam no outro idioma criam um
novo sentido diferente do original, mas também plausível.
Tais redes são em geral tão numerosas nos idiomas que,
geralmente não há como um tradutor, mesmo que conse-
guisse prever as desfigurações resultantes, encontrar solu-
ções que restaurem todas as tramas novamente. Claro que,
apesar deste fenômeno, continua sendo possível realizar-se
traduções, pois freqüentemente o contexto geral de uma
obra consegue anular boa parte de tais alterações de rede
(que, aliás, ocorrem em pontos específicos e às vezes isola-
dos do texto). Outras vezes, formam-se mal-entendidos irre-
levantes e em casos favoráveis OCOrrem mal-entendidos
criativos que ampliam o texto original dando-lhe nova po-
tência. Neste apêndice, contudo, trata-se apenas de chamar
atenção para algumas destas tramas alteradas na tradução.
Na medida em que as tramas que serão apresentadas a
seguir são genéricas, o leitor poderá notar que não as
reencontrará da mesma maneira nos diversos textos freudia-
nos, nestes elas aparecem COm variações e às vezes até há
trechos da obra onde se encontrará exemplos de tramas em
franca contradição com o que estará sendo apresentado
aqui. Nestes casos, é necessário voltar-se ao texto em questão
e reconstituir um novo conjunto tramas específicas para
aquele texto. O importante é que o leitor tenha presente que
há certas tendências gerais de articulação entre termos e
conceitos que são muito freqüentes e úteis para a leitura,
mas que não se compreenda esta lista abaixo como uma
tentativa de colocar a obra freudiana numa camisa-de-força,
APÊNDICE I 195
cada texto, ou trecho, pode ter tramas específicas pertinen-
tes àquele contexto e enfoque.
Várias tramas, bem como termos e conceitos isolados,
que aparecem na lista abaixo, foram incluídos sem terem
sido devidamente introduzidos e esclarecidos em capítulos
anteriores, tais como, por exemplo, "medo-temor" (Furcht)
ou "intolerabílídade" (Unvertriiglíchheit), ou ainda aspectos
como a ênfase freudiana no "encadeamento e relações de
contigüidade" dos caminhos psíquicos expressos através de
termos como "corrente" (Kette), "série" (Reihenfolge), "asso-
ciação" (Assoziation), "derivados" (Abki5mmlinge), etc., contu-
do, sua inserção não deve trazer maiores dificuldades.
Além disso, também não deve causar espanto o fato de
um mesmo termo, cujo sentido seja genérico ou cuja cono-
tação afetivamente neutra, aparecer em listas diversas
cada vez com outras características, pois, conforme mencio-
nado, uma palavra pode alterar seu sentido e seu colorido
segundo a seqüência em que esteja inserida.
Finalmente, deve ser mencionado que as listas abaixo
poderiam ser entrecruzadas formando grupos maiores onde
apareceriam articulados entre si não mais termos de famílias
semelhantes, mas termos de .natureza dtversa, assim, por
exemplo, o bloco de termos ligados ao acúmulo de descon-
forto somático poderia ser articulado ao da formação de
necessidade e ao de formação de imagem de desejo, assim
como o bloco de termos ligados à formação de redes asso-
ciativas poderia ser ligado ao do cerceamento pelo medo,
etc. O resultado seria mais próximo daquilo que efetivamen-
te se encontra no texto freudiano e que se descreve no
capítulo a respeito da escuta clínica dos conflitos pulsionais;
contudo, para não sobrecarregar a visualização das tramas,
não se avançou na sua composição.
\
/96 A TEORIA PULS(O:"AL NA CLÍNIC.'. DE FREU!)
Operadores de Leitura
Tramas Enfáticas
(A 'coluna à esquerda indica que
Freud se serve de termos que po-
dem se equivaler para caracterizar
uma idéia cenlral)
Tramas Processuais
(A coluna à direita indica que
Freud Se serve das diferenças
de significado entre os termos
para descrever conceitos e
processos)
A ordem das palavras em cada um dos blocos enfáticos da coluna à
esquerda é aleatória, pois os lennos são empregados por Freud ele
maneira equivalenle. A seqüência vertical descendente segue uma or-
dem sempre que possível causal, iniciando-se no brotamento da pulsão.
1) Bloco de ênfase no espicaçar
(todos estão radicados no des-
conforto e aperto
somático)
estase (Stammg)
estímulo (Reiz)
pulsiio (Tríeb)
pressãoj ânsia (Drang)
compulsãojcoerção (Zwang)
estímulos pulsionais (Triebreiz.e)
tensão (Spannung)
aumentoj elevação (Steigenwg)
excitação (F;rregung)
Processo de
tensionamento
crescente
o acúmuloj estasc (Stawmg) de
estímulos pusionais (Triebreiz.e)
forma uma pressão sonráticaj
física (Druck) que leva a uma
elevação (Steigerung) da excita-
ção (Erregung) e cria uma tensão
(Spannung) que produz uma
ânsiajafã (Drang) por alívio e
por saída deste estado, o qual é
táo sufocante que a saída, mais
do que um desejo, é uma
imposiçãoj coerçáo (Zwang) ela
pulsão (Trieb).
APÊNDICE I 197
2) Bloco de ênfase no desconfor-
to e dor (apontam para a irrup-
ção e para a repercussão psíquica
do excesso de Rei;:)
desprazer (Ulllust)
dor
mcdo-pànico (Anglt)
mal·estar (Ullbehagen)
medo-temor (Fureht)
intolerabiliclade (Unvertriiglichkeit)
irrupção (Aus/Jruch)
fobia-pavor (Phobie)
3) Bloco de ênfase no desejo
intenso(apontam para uma
necessidade, quase um
imperativo)
necessidade (Not)
pulsáo (Trieb)
estado de desc:jo (Wunschzustand)
fissura (Begierde)
pn:ssào (iJrang)
obsessãoj compulsãoj coerção
(Zwang)
carência (Bedilrfnis)
2) Processo de
acúmulo psíquico e irrupção
de desconforto
o acúmulo somático de Reá
produz um desprazer (Unlust), o
qual, por somação, leva em
última instância à elor (Schmerz).
Os estados concomitantes ou
anteriores à dor são medo-
pânico (Angst) e, em fomla
atenuada, o medo-tell1or (Furcht).
O efeito do acúmulo de medo-
pânico (Ar<gõt) é a irrupção
(Ausbrw::h), outros efeitos são a
generalização ela Ang.st na forma
ele fobia (Phobie) e sua cronificaçáo
atenuada e inconsciente como
mal-estar (Unbehagen) e o es-
tado, geralmente histérico, ele in-
tolerabilidade (Unvertriíglichkeit).
Todas estas, formas de antecipar,
esvaziar e evitar a dor.
3) Processo de
formação impositiva
da necessidade
A ativação da pulsão (Trieb) gera
um acúmulo de Reiz e lima
tensão(Spannung) e carên-
cia (Bedürfnis) que lançam o
sujeito no estado de desejo
(Wunschzustand). Este estado
intensifica-se, se transf{)rma em
anseioj pressão (Drang) pela des-
carga e pelo objeto e leva à
fissura (Begierde). Portanto, na
base do movimento psíquico
aparentemente volitivo e moni-
torado pela consciência, está a
necessidade e mais: a ine-
xorabilidade pulsional imposta
pela coerção (Zwang).
198
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
4) Bloco de ênfase no anelar/de
sejar intenso através de formas
de imaginificação (apontam para
imagens almejad'as)
Alucinação (HallHzination)
idéia/representação n'ontelhmg)
imagens de desejo (Wllnschbilder)
ansiar por (1/([(11 etwas driingen)
imagem (Di/d)
saudade/ nostalgb de ver
(Sehnsllcht)
de desejo (Wunschphantasie)
representação de desejo'
(Wunschvorstellllng)
5) Bloco de ênfase na disposição,
ou iniciativa de desejo (iniciati-
vas ou ímpelos):
desejo (Wunsch)
vontade (Wille)
prazel'-pique (Lust)
. exciwçáo (Erregung)
pensall1ento (Gedanhe)
moção (Regung)
pensamento (Gedanhe)
moção (Wunsclm:gung)
4) Processo de
formação de
imagem de desejo
A ativação pulsion,ll produz
acúmulo ele desconforto e a
reação apaziguadora de aluci-
nação (Ha lluzínation), mas
eS,ia não evita a frustração
(Enttãmchung) , Stll'ge um afã
(Drang) que anseia por ima,
gens (Bildm') de alívio e lança o
Slúeito à pr'ocura das imagens
de desejo (H'unschbilder), isto é:
de idéias/representações
(Vorslelllmgen) do objeto de alí-
vio. Estas imagens, na forma de
fantasia de desejo (Wunsch,
phantasie) ou de representa-
ção de desejo (VFllnschvorstel,
11lng), são os traços na base da
nostalgia idealizada de ver (re,
ver) (Sehnsucht),
5) Processo de formação do
desejo em direção ao pensa-
mento
Inicialmente uma moção
(Regung), ou moção pulsional
(Triebregung) , ou excitação
(Erregllng) pmduz no sujeito a
disposição (prazer'pique (Lmt)
de ir à procura da l'epresent,lção
(V01'Stelllmg), do objeto de alívio,
este movimento de moção desejo
(Wllnschregung) se tornará em
parte consciente como expressão
moção puIsional (Triebregung)
manifesta de desejo (W!msch), na
forma de vontade (Wille) e guiad o
pelo pensamento '(Gedanke).
Al'f:NDlCE l 199
Bloco de ênfase no pensamen-
to consciente exprimível sob for-
ma de linguagem (apontam para
a regulação e controle)
pensamento (Gedanke)
juízo (Urtei/)
representação (Vor.çtellung)
desejo (Wunsch)
vontade (Wille)
percepção (Wahrnehmung)
cOllsciê ncia (Bewllsstseín)
atenção (Aulmerksamkeit)
memória (Gediichtnis)
7) Bloco de ênfase na descompres-
sâo (aponta para um apazigua-
men to e uma extinção da pressão):
escoamento-descarga lenta (Abfuhr)
escoamento (Abfluss)
drenar (driinie1'en)
apaziguamento
( Belriedigung)
relaxalnento-destensionar
( Entl/)(Inmmg)
6) Processo 'volitivo de moni-
toramento da ação da busca
de imagens e afetos deseja-
dos e verificação do grau de
realidade
A memória (Gedâchtnis) de
percepções (Wahrnehmllngen)
prazerosas, mas ausentes, gera
desejos (Wünsche). Estes, para
se reali7.arem, exigem a capa-
cidade de manter uma
atenção (AuJmerksamludt) sobre
as representações (VoTStellungen)
internas de desejo e sobre as
percepções externas. Emite-se
então constantes juízos (Urteíle)
sobre a qua:lidade afetiva e grau
de realidade dos objetos que a
percepção superpõe à imagem
memorizada e mantém-se a
intenção como vonlade (Wille)
presente ao nível da consciência
(Ber.tJUSsLsein)
7) Processo
de
descompressão
Uma ação motora ou reassocia-
ção de imagens e afetos leva ao
escoamento (AbJlllss),ou ao es-
coamento descarga (Abfuhr) ou à
drenagem da carga pulsional
trazendo um relaxamento-clesten,
sionar (Entspannung) e a satisfa·
ção (BeJriedígllng),
20()
A PULSIO:'\AL NA CLÍNICA DE FREUIl
8) Bloco de ênfase na defesa (apon-
ta para o e afastamento,
equilíbrio de forças antagônicas)
defesa (Abwehlj
rt;jeital'
resisti:ncia
proteção/barreira
8) Processo de defesa armado
em diversas direções
uma
barreira de (Schutz)
para evitar a sob recarga. Psi-
quicamente, trata-se de manter
as I idéias repl'esen-
tantes dos ameaçado-
res, afastadas (fernhalten) atra-
vés de meios como, num nível
primitivo, rejeitarj expulsar as
percepções
(verwerfen),nu!1l neveI onde não
é mais possível a simples
eliminação de material psíqui-
co; recalcar/abafar os dese-
jos proibidos oriundos do
mundo interno (venlriingen) ou
desmentir /negar) as evidên-
cias ameaçadoras do mundo
externo (verleugnen); e ass im
resistÍl- (wiedeIJlehen) e
(abwehren) as ameaças advindas
de diversas
externas) e dotadas de várias
formas (imagéticas,
verbais, etc.)
APÊNDICE I 201
9) moco de ênfase no encadea-
mento associativo (apontam pa-
ra relações de contigüidade)
corrente (Kelle)
(Verbindungen)
vias
concxôes (Verlmiilpmgen)
9) Processo de formação de
redes associativas, interliga-
e vias de escape do cerco
defensivo
Através de vias (Bahnen) entre
neurônios formam-se conexôes
ou (Verbindungen)
entre idéias e entre afetos e se
forma a base das associações
e se estabelecem
as vias de escape do material
recalcado disfarçado de idéias
derivadas (Abkornmlinge). Será
por este processo que se forma-
rão as séries (Reihenfolge) dc
idéias associativas (Einflille) e as
correntes (Kelten) de pcnsa-
mentos recalcados. 1'01' estas
vias de contaminação se cronifi-
ca a neurose no aparelho e
se fórmam simultaneamente
os caminhos de escape pulsio-
nal (por sintomas, lapsos, etc,)
do cerco das defesas,
202
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
10) Bloco de ênfase no
menta frente ao externo e interno
apontam para invasão do interno
e externo, do passado e futuro)
o Isso/fel (das E5)
ieléias súbitas (EínjiUle)
associaçôes (Assoziationen)
o (das Unheimliche)
rqeItar/ expulsar (verwerfen)
10) Processo de projeção e
exclusão de materiais internos
que passam a não mais ser
reconhecidos
Os dese:ios arcaicos gerados na
matriz do id (Es) são desconhe-
cidos pelo eu (Es em alemão
rcn:ete a algo da natureza, é
m,a!or que nós e nos toma e
direcíona), Contudo, o aparelho
sente a ameaça repn:sentada
pelos dese:ios e afasta-os ele
por meio da CXPUÍsào-
:eJelçao (Verwerjimg) do que é
II1terno, Todavia, este material
'-etorna C0ll10 se fosse de origem
(associa-se a imagens de
ongem externa) e assim retorna
pelas vias associativas sob
de idéias que parecem
e (Einfolle) e
facl!mcnte podem adquirir um
carater (unheímlich - aSSUsta-
dor e simultaneamente conhe-
cido-desconhccido) através de
mec<UlÍsmos como a repetição
(wiederholen- buscar de novo), a
tnmsferência (übertragen - trans-
por entre e espaços, pessoas e
tempos diferentes) e o "a poste-
riori" (nachtraglich - indica trán-
sito entl-e passado e presente),
Se o instrumental freudiano d .
d e escuta pode ser com
ra o a um arcabouço multifacetado d'" .
veis, simultaneamente _' on e Inumeras vana-
. em mutaçao são . t d
cor'!iunto, correspondent ' ,ras rea as em
equiparado a um texto d,e Freud pode ser
de linhas d. t- do de Inter e Intracruzamentos
e orça e processos '
em ação at _ d nos quaIs as palavras entram
, ravessan o patamare - d' C
exercício dI,' s Iversos, omo se verá no
e eItura que consta do a A d' ,
agilmente entr'" dl'm - d' pen Ice lI, Freud CIrcula
"ensoes Iversas o 'l' d
em uma linha d [, ( , ra utl Izan o a palavra
e orça quando geralmente não é recomen-
1 203
dável fazer a leitura ao pé da letra, pois se trata de blocos
psíquicos), ora emprega os termos de maneira precisa e
diferenciada (quando, em geral, naquele ponto Freud está
definindo e conceituando a palavra), A não consideração
destes diferentes momentos poderá deixar o leitor com a
impressão de encontrar-se diante de contradições, lá onde
por vezes se trata apenas de mudanças de foco ou de outras
estratégias de apresentação do autor. Assim, quando Freud
mesl!19.csclarece que o recalque não iriê.Iêfe
sobre a pulsào,r"l;as·sobreaweIa gCIeorellresenIa, não

de uma de sua posiçãü-ahEerior,
maior preclsaü:Já.5Lueêmalemão pulsãQ
(por exemplo,
fome, desejo libidinal). O m-esIDü-típo· dê-cuidado é neces-
sário quandose-tritã;' por exemplo, das diferenciações que
Freud faz entre Angst, Schreck e Furcht. (ver verbete Angst,
p. 62 do Dicionário Comentado do Alemão de P'reud, Imago,
1996), Igualmente, quando trata dos diferentes mecanismos
de defesa, de forma geral Freud refere-se aos diversos mo-
mentos de rechaço contra ameaças pulsionais que estão
ancoradas em patamares diferenciados, Em alemão, as pa-
lavras que designam tais mecanismos podem estar funcio·
nando como sinônimos de uma mesma trama enfática, mas
quando Freud está sistematizando conceitos psicanalíticos,
cada uma destas palavras serve para apontar para maneiras
específicas de lidar com as ameaças pulsionais, dependendo
da direção a partir da qual o conjunto afeto-representação
afeta o indivíduo, Este tema dos mecanismos de defesa não
foi e não será abordado em detalhes neste livro para não
desviar do tema das pulsões, apenas está sendo mencionado
como mais um caso onde a leitura deve considerar o movi·
mento do texto,
Inúmeros outros exemplos poderiam ser elencados, Por
exemplo, haveria uma suposta diferenciação freudiana entre
"repressão" (Verdrãngung) e "supressão" (Unterdrückung), en-
tretanto, se esta em certos momentos é feita por Freud em
outros trechos da obra é deixada de lado, Também podería-
204
A TEOR!." PULSIO;\;AL 1\'A CLÍ:'\IC.-\ DE FRE\)f)
mos lembrar a clássica questão da diferença entre "imagem"
(Rild) e "represemação" (Vorstellung), a qual se configura
como um caso onde na realidade uma alternância de
tratamentos ao longo da obra, dependendo do foco elo ma-
memo.
Portanto, afirmar que Freud, a partir de uma conceitua-
ção feita num determinado momento, passa a semjJre
renciar os termos que emprega é produzir uma leitura tão
insensata quanto imaginar que fosse 'possível a uma obra em
constante evolução e escrita em meio ao turbilhão da vida
e nas mais diversas circunstâncias nunca empregar sinôni-
mos e, mais que isto, que toda a obra esteja permeada só
tramas processuais. O que se procurou indicar é exatamente
o contrário, que freqüentemente uma trama processual se
clesülz novamente em trama enfática, e aquela palavra que
servia para representar precisamente um conceito passa a
ser sinônimo de outras palavras, fazendo então parte de um
bloco psíquico. Consideradas de forma sistemática estas
tramas listadas acima, bem como outras deriváveis do texto.
freudiano, funcionam como operadores de leitura. Mesmo
não sendo muitos os operadores de leitura desenvolvidos
ao longo deste livro, seu emprego é útil para a leitura da
obra de Freud e a restituir ao leitor algo da vivacidade
e da agiljdade do texto original. O exercício de leitura
aplicado à" duas primeiras páginas do texto "A Repressão"
(1915), no apêndice II a seguir, exemplifica o emprego
destes operadores.
Apêndice II
Exercício de leitura aplicado
às duas primeiras
páginas do texto "A Repressão"
O objetivo desta tradução comentada é fornecer um
exemplo prático de leitura apontando para as tramas lin-
güístico-teóricas já discutidas anteriormente.
O presente texto "A Repressão" (Die Verdrdngung), de
1915, foi escolhido como exemplo do uso freudiano dos
termos relacionados à teoria pulsional, pois embora de se
refiI-a primordialmente ao recalque, também aborda as-
pectos teóricos relevantes no contexto da pulsional
(pulsão, mecanismos de defesa, representaçao,
etc). Somente foram traduzidas as primeiras duas págmas
do referido texto, já que se trata apenas de um exemplo
destinado a mostrar os efeitos obtidos quando se considera
na leitura as redes semânticas das quais Freud se serviu no
alemão para destacar determinadas conexões teóricas.
Descrições mais detalhadas a respeito dos diversos ter-
mos psicanalíticos se encontram no DicionáTio Comentado
do Alemâo de Freud. Os comentários que aqui constam se
calcam nas conexões abordadas neste livro .e huscam reme-
ter o leitor à unidade que existe no original alemão entre
duas dimensões do texto, uma que interliga lingüisticamente
as palavras, e outra que estabelece as teóricas entre
os conceitos psicanalíticos designados por tais palavras.
Tomando-se o texto "A Repressão" por inteiro, pode·se
visualizar diversas famílias de palavras interligadas, por exem-
plo, os verbos para trabalho psíquico, os verbos de fechamen-
to, de afastamento, de transmissão e movimento, etc. Estas
palavras formam seqüências semânticas que podem ser su-
perpostas a seqüências conceituais descritas em paralelo na
206
A TEORIA PUL';IONAL NA CLÍNICA DE FREUD
teórica, tais como as atividades psíquicas de transfor-
os de defesa, os mecanismos de descarga,
etc. ,I f;ca claro ao longo do texto que o recalque visa
em ultIma mstancia o afeto mas tem de serVI'r se d . 'J
' - omvo ucro
(as palavras e imagens) para atingir o conteúdo incômodo (o
afeto). o trecho aqui traduzido abarca somente as
pnmeIras páginas do texto e a partir delas os comentá-
nos semântico-teóricos referir-se-ão aos seguintes aspectos:
I
o da pulsão como fenômeno inicialmente de
somaçao e portanto de limiar'
o e incômodo ao incipiente con-
flHO pulslOnal;
o recalque como mecanismo de limiar;
o. recalque como defesa entre o consciente e o incons-
Clente;
a similitude entre a intensidade crescente da pulsão acu-
:nulada,. a dor e a necessidade, formando-se uma cadeia
llnperatlVa e não-recalcável;
a entre prazer e desprazer;
a tendenCla da pulsão de buscar auto-extingüir-se para
aplacar a necessidade e o sofrimento'
. , ,
a ligação entre os aspectos quantitativos e os
quahtatlvos (significação).
_ Assim, de o texto remeter a muitas outras cone-
:coes, .restnngIr-nos-emos apenas a tais aspectos, pois reme-
tem dIretamente ao que foi discutido ao longo do livro, bem
como emanam logo nas primeiras páginas do texto freudiano
Quanto à terminologia usada nesta traduça-o - c:
'd d ' nao lOI
conSI era o relevante deter-se nas opções terminológicas
se seria melhor traduzir Verdriingung f o;
repressao , ou por "recalque", ou no caso de Trieb
4
se
4 I Quanto à tradução por "pulsão ff ou "instinto" b [ I
Contbrme n:ssaltado ao longo do r T . b' ca e. azer a guns comenl<\rios.
no ,1llJhito colo uia! como e fie pOSSUI de sentidos.
não há um conceito d T' dtversos ,campos (ftlosof1a, htcratura, etc.)
. e Tie, o termo e empregado em várias 'lCepções.
APÊNDICE 11 207
seria mais correto "pulsão" ou "instinto", país são termos
de difícil tradução e preferiu-se comentá-los em vez de
reduzi-los a uma disputa terminológica.
Na psicanálise o uso também é variado, mas não é tão fragmemado como,
em geral, no idiollm. À medida que desenvolve a aplicaçào da noç,io de Triel,
para os problemas da psicanálise, Freucl serve-se cio repertório de sentidos do
termo para insel'i-Io no arcabouço psicanalítico. No texto freudiano, cada sentido
de Trieb se apt·e.senta como um momento e uma forma de circulação em
determinado patamar (ver capítulos I e XVII). Sua inserçáo nos diversos processos
psíquicos ocorre na forma de precipitações (NiederschlJige) que partem de um arco
de significados e se instanciam em processos específicos. Às transformações da
pulsáo (por exemplo, de instinto em estímulo, de processo químico em afeto,
de afeto em palavra) são designadas por Freud como novas Umkleidungen
(trocas de roupagem, revestimentos). Estas transformações pulsionais seguem
as leis de funcionamento e expressáo de cada patamar. Portanto, nem "pulsáo"
nem "instinto" se recobrem com a gama de sentidos de Trieb e com as
importantes conexões da palavra com outros termos no texto original.
1) Prós e contras lingiiíSticos: Apesar cio argumento de que a etimologia de
"instinto" se aproxima do sentido de Trieb (in-stigare signicava "espicaçar", "põr
em movimento"), no emprego atual de "instinto" nào há mais esta conotação.
Um ponto a favor de "instinto" talvez seja sua polissemia: é usado nos sentidos
de "tirocínio", "tendência", "intuição" e "disposição", aproximando-se da
plasticidade de Trieb. Contudo, estes sentidos denotam o arco que brota e se
dirige aos objetos, o que não cor responde ao aspecto impelente de Trieb. Às
vezes, "instinto" também é lido como "biológico e determinado", o que o afasta
da plasticidade e amplitude de Trieb. Uma vantagem de "instinto" é manter a
"atmosfera" do texto freudiano, pois é um termo conhecido e coloquial, tal
COnto Triel) o é em alemão. Todavia, em alguns casos, seu emprego se torna
esu',mho em português, por exemplo, em composições como "estímulo
instintual", "vida instintual", etc. Freud traduzia Trieb para o inglês por instinct
e vertia o instinct do inglês para Trieb, ou Imtin/a em alemão. Entretanto, Fremi
mostrava saber que a traduçáo é problemática e menciona, em "A Questão da
Análise Leiga", que a palavra Trieb é "invejada por outros idiomas". Apesar de
procurar sempre seguir as traduções já estabelecidas antes da psicanálise, em
campos como a medicina e a biologia, nem sempre lhe era possível prever como
as dificuldades de compreensào dos conceitos afetariam mais tarde a recepçáo
cI<l pskamllise em outros idiomas. Quanto à "pulsão", do neologismo francês
!"dsión, pode-se dizer a seu favor que, em português, o termo evoca associações
com "pulsar" e com "impulso", o que náo está longe de algumas d<ls conotações
de Trieb. Apesar de ainda causar algum estranharnento, pois a palavra não
existia em português, ela tem se disseminado até fora do campo psicanalítico.
Também composições tais como "estímulo pulsional", "vida pulsional", etc.,
por serem logo reconhecidas pelos leitores como neologismos psicanalíticos,
talvez soem menos canhestras do que composições com "instintual". Todavia,
mais ainda elo que "instinto", "pulsão" se afasta da atmosfera e do estilo do
texto freudiano. Se "instinto", do ponto ele vista lingüístico, niío é ullla má
opção, também "pulsáo" niío deixa de ser uma solução criativa, lHas ambos
exigem notas de rodapé ou apêndices explicativos do tradutor.
2) Aspectos teórico·psícanalíticos: A opção por "instinto" provém da tradução
inglesa de Stracl1ey, opções terminológicas sào ele cunho médico e
(
)
208 A, TEORIA l'UlSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Cabe ainda mencionar que (oi realizada uma tradução
livre que serve só de suporte para os comentários, não se
visou apresentar uma t.radução destinada à publicação. A
(política do comitê de tradução da época). Isto pode ter causado
alg-ul11 esvaziamento do conceito de Tríeb. Contudo, seria superficial imputar
ir5 escolas que leram Freud através da tradução ele Strachey lIllla
biolog-izaçào conceito. Mais correto seria afirmar que ocolTeu no uso clínico
ullla segmentação do arco pulsional e concomitantemente, na traduçáo, um
certo desligamento do sigoificado original de Tr"lh, A clínica inglesa, em geral,
en(üca o trecho do areo pulsional onde ocorre a precipitação do Trieb como
fenômeno psíquico arcaico (na f<Jnn<l de "impulso", "afeto" e "imagem") e
cnhu.iza os problemas psíquicos da ultrapassagem deste estado arcaico para a
simbolização e as relações de objeto. Apesar de na escola kleiniana se destacar
a plllsão de morte e a agressividade, estas noções são estudadas cJinicamenrc
a partir de seu momento de hrotamento COlllO "impulso primitivo" e seus
desdobramentos na cultura, portanto, num liSO diverso e mais circunscrito do
que em Freud (Mclanie Klein, em alemão. com freqüência empregava Imfiul5
cm vez de Tril'il). Aliado a esta segmentação do arco pulsional, talvez as pc!"chls
scmánticas na tradução de Trieh tenham contribuído para que muitas vezes se
esquecesse que estes ICnômenos S;lO também momentos e formas de Trilib.
Possivelmente pOl' perderem, na língua a conexão com o arco pulsional,
estas importantes teorizações sobre o mundo psíquico arcaico podem parecer
ter deixado a questão pubional num segundo plano, mas efetivamente tratam
dos prohlenJas centrais que a teorização de Freud a respeito da
passagem entre os patamares circulação ]llllsional do somático para o
processo prirmírio c, deste, para o processo secundário (aderência Plllsional à
imagem de objeto, ligação pulsional com padrão de vínculo, simbolização e
representação da pulsão, etc.). Já os adeptos da opção por "pulsão", em geral,
estào próximos das escolas francesas. Foi Lacan, em seu retorno ao texto
freudiano, que promoveu e estimulou seus então seguidores a uma releítura
dos originais c à critica de certas opções de tradução. Assim, foram recuperadas
as conotaçiícs e a plasticidade de Trie/! e advertiu-se para o perigo de um
entendimento reconfortante e falso do termo como equivalente a "instinto"
Também se ressaltou a impowincia da pulsão sexual e do desejo em Freud,
reimroduzimlo lll<lÍS explicitamente à noção de pulsão na clínica. Por outro lado,
disseminou-se a idéia de que Frelld teria diferenciado lnsli:nkl de Tríeb. Ora, isto
!láo seria necessúrio para o leitor alemão, como ele fato não ocorre na obra' de
Freud. Este diversas vezes conceituou Trieb; contudo, não o a lnstinht
(esta confusâo só ocorre fora do campo da língua alemã). ranimente
empregou ln.llínhl (em alemâo um pobre sinônimo de Trie/!), geralmente Freucl
usa a palavra Trieh, seja referindo-se a animais ou a humanos. Apesar de acríLica
bcallian,l à tradução por "instinto" ter recuperado para a psicanálise aspectos
essencÍ,ús do Trieb freudiano, também no campo lacaniano, onde se opera com
os registros do real, imagim\rio e simbólico (que, em parte, se recobrem com
o <lrco pulsÍonal), não há um emprego pleno da palavra "pulsão" em tod"s as
acepçôes de Freud.
3) AS/leCIOJ da política entre esco/.a.f: Devido à luta teórica entre o lacanismo
e o klcinisl11o, fil7.er uma opção terminológica entre "instinto" e "pulsão"
equivalia" uma adesão a uma das escolas. Todavia, não obstante os aspectos
políticos, não se eleve superestimar a importância de tal opção, pois Trieb é mais
APÊNDICE II 209
tradução foi refeita a partir do alemão (5;tudienausgabe
FischeT VeTlag), apenas para eliminar algumas imprecisões da
Ediçâo Standard Bmsüeim. Quanto ao estilo, procurou-se em
alguns momentos privilegiar as conotações para melhor enfa-
tizar certo colorido (por exemplo, quando se optou pela
palavra "trombar", em vez de "chocar-se" para traduzir
stossen), uma liberdade que pode ser tomada aqui, mas
não caberia numa tradução com vistas a publicação. Além
disso, buscou-se um meio-termo entre reproduzir a prosa
literária (adotada na tradução espanhola de Lopez Balleste-
ros, bem como na versão inglesa, a qual, apesar da .termino-
logia médica, mantém a prosa freudiana) e a tendência de
largo que amhas as alternativas de tradução. Ar.ualmente, "pulsão" parece estar
ganhando terreno na psicanálise brasileira, mesmo entre os adeptos das escolas
ingles<ls (uma leitura elas principais revistas da área o confirma). Talvez estçja
ocorrendo uma desideologiz<lção do termo e esteía se deslocando o eixo da
discussão para a quest;lo de optar pela palavra que melhor sirva para o ensino
e transmissào da psicandlise,
4) Eltmtfgia di? e/l.,ino: Um argumento utiliz,1(lo a favor da opção por um
ncolog-isIllO como "pulsão" é que este serve para criar um cstranhamemo nos
leitores c levá-los a um estudo mais cuidadoso do conceito, sem ficar no falso
conforto da aparente compreensão de 'instinto". Claro que "instinto" também
pode ser acompanhado de explicações evitando que alunos o compreendam
de maneira restrita, entretamo "pulsão" talvez mantenha certo impacto ausente
Cll1 "instlnto",
5)Tendéncias de tradução: Entre os tradutores de Freud, nota-se duas
correntes principais: Privilegiar a atmosfera e fluência dos textos ou
buscar uma tradução mais ligada à estruturação geral da obra çm detrimento
do estilo c ela fluência. No primeiro grupo estão aqueles que traduzem cada
$egun(lo o contexto e o momento, assim Trieb pode ser "impulso",
, "força", etc. Isto torna a leitura fluida e dd a cada trecho vivacidade
e mas tende a esgarçar as tr <lm,lS que interligam no original as pala\Tas
e as conotações. No segundo estão os que mantêm uma única palaua par'a cada
termo alemão (a maioria destes opta por "pulsão", poucos por "instinto"). E.st'l
postura permite revehlr certas constâncias na obra, Illas pode tornar a leitura
difícil. Alguns estudiosos (Thoma e Chesire, 1991) têm proposto lima solução
intermediária: inserir o termo alemão emre parênteses jllmo à sua tradução,
indicando que pa!;lVras diversas referem-se ao mesmo termo original. Para o
Souza (1996) sugere o uso alternado de "instinto", "Ímpeto",
acompanhados por Tríeb entre colchetes. Mezan, em comunicação
explica que manter a terminologia já consagrada, mas no caso
Trieb, sugere a de "pulsão" devido à sua fácil compreensão c às
ressonâncias com "pu e "impulso". Aqui neste livro optou'se por "pulsão"
e, em geral, pela terminologia da escola frances,l, que. devidó ao trabalho
hermcnêutico e epistemológico, tem influenciado o psicanalítico;
todavia, isso não significa lima ades;lo militante e
210
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍ:--:ICA DE FREUD
se trabalhar rente ao texto, privilegiando a estrutura em vez
da presente de forma mais radical na atual tra-
duçao francesa Bourgignon, Cotet, Laplanche e Robert,
e em menor medida também adotada pela tradução espa-
nhola de Etcheverry.
. Os a seguir abordam os aspectos de teoria
sempre a partir das relações entre os termos
e sua articulação conceitual, por isso, não se tratou
de multas outras questões psicanaliticas que o texto suscita.
TEXTO DE
FREUD
o Rccalcamenlo
(I)
Verrlrãngung
o destino de uma
moção pubional
(2) (Tricbregung)
pode ser o de trom-
bar com resistên-
cias, as quais vi-
sam torná-Ia ino·
inoperante.
211
COMENTÁRIOS: OS TERMOS ALR\:1ÃES E OS
CONCEITOS CORRESPONDENTES
I- recalcarnenlo (Verdrãngung): Termo que serve
de título para o artigo, designa na linguagem
o "desalojar", "afastar algo
e ocupar o espaço", quase como "tirar algo de
cena". No uso coniqueiro, U·at ....·se de m,lnter
afastado algo incômodo que insiste em se manifestar
ou ocupar a cena. Também pode ser empregado
\ na acepção concreta e física para descrever .o
i deslocamento /afaslamento de massas ou corpos,
por exemplo, o deslocamento da água quando da
presença de um navio, Nesse caso, evoca-se uma
imagem como a de um navio que ocuparia o espaço
londe havia água e com seu casco afastaria a água,
I a qual manter-se·ia situada ao longo do casco
I
Pressionando pelo retorno. Se a resistência do
material do casco do navio fosse forte o suficiente,
,essa situação poder-se-ia prolongar, mas o
I
I material fosse frágil a água acabaria por vencer a
resistência e se infiltrar no navio e, novamente,
. ocuparia o espaço. Essas dimensões dinâmicas e
I concretas do uso corriqueiro reaparecerão no
II emprego psiú,nalítico de Verdriingung.
2-l110ção pulsíonal (Triebregllng) A palavra Hegung
!(moção) indica o início ou esboço de movimento
I que ainda está se articulando ao longo do corpo
I antes de transformar-se em gesto ou movimento
pleno. É o brotar psíquico da pulsão, a palavra
composta, "moção pulsional" (Triebreg'lLng), descre-
ve um esboço ou intenção inicial de manifestação da
pulsão. É um momento anterior à manifestação plena
. da pulsão C011l0 imperativo ou ato, refere-se à manifes-
ta(,:<1o antecipatória, a um quase indício ou símil, com
o qual a psique pode operar a panir do processo
secundário (consciente e pré-consciente). E é este
brotar que se choca com um obstáculo psíquico_
(
)
212 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Sob condições que
ainda
lllOS mais detida-
mente, tal moção
atinge então o esta
do de recalcamen-
to (3) (Zustand der
Verdrangung).
Se se tratasse do
efeito de um estí-
mulo (1) (Reiz) ex-
terno, então eviden-
temente a fuga seria
o meio adequado.
3- estado de recalcamento (Zustand der
Verdrangung): O que é recalcado (na de
«mantido afastado" e «abafado") é ainda este
esboço de movimento, a pulsional.
Coerentemente com a própria língua alemã não é
possível recalcar-se algo muito forte e imperativo,
tal como seria o caso da dor ou da
necessidade/carência (Bedürfnis). O que pode ser
recalcado é o sinal ou esboço do ato pulsionaJ, cuja
ainda está se articulando e que pode ser
contrabalançada. Freud aqui fala em "estado de
recalcamento" (Zustand der VeTdrangung), pois
trata-se de um processo dinâmico e de equilíblio de
forças (lembremo-nos da precarie'dade da
VeTdTangung) bem como das defesas em
serem comentadas adiante). Todavia, a
correto dizer que a moção da pulsão rrrie,bre,!!Ulrlf[)
é recalcável, se bem que às vezes Freud fale, de
modo mais coloquial e frouxo, em recalque da
ou da moção pulsional (nota 41) refedndo-
se àquilo que está na base das moções de desejo e,
portanto, na raiz das idéias ou representações ou
desejos que são recalcados. Contudo, Freud pennite-
se aqui falar de moção pulsional sofrendo recalque e
não da representação (Vorstellung) pois esüí.
enfatizando a relação de fQrças envolvida entre a
dinâmica pulsional e a dinâmica da defesa. Mais
adiante neste artigo Freud, num trecllo que aqui
não foi incluído, explica que o recalque recai sobre
a Reprasentanz (aquilo que representa a pulsão na
.. psique sob a forma de imagem e afeto) e discrimina
. as parcelas psíquicas da pulsão que sofrem recalque
como sendo a representacional (VoTStellungsanteil)
e, em menor escala, a afetiva (AjJektbetrag).
4- estímulo (Reiz): Aqui Freud fala em "fuga de
estímulo". Este termo, em alemão, tem·certa
i contigüidade com algo que produz sensações
desagradáveis ou irritantes. Pertence semantica-
mente ao campo do "arranhar", "friccionar",
"arder", etc. Uma pessoa irritada estágeTeizt, e tosse
irritativa é Reizhuslen. A idéia de que um estímulo
pode facilmente se tornar irritativo e levar à é
algo que, além de comum à fisiologia da época, é
próximo do próprio significado coloquial da
palavra Reiz.
No caso da
(5) (Tril'b) a
mio tem sen'cntia,
pois o Eu mio po-
de de si
I1lL'SITIO.
APÊNDICE II 213
5- pulsão (Trieb): Aqui Freud passa do termo Reiz
para Trieb. No artigo "Os Instintos e suas
, Freud retoma a explicação de que a
pulsão se manifesta como "estímulos" gerados
internamente e incessantemente enviados em
direção à consciência. Geralmente Freud emprega
Reiz na dimensão somática, ou quando está se
referindo ao estímulo recém-chegado à psique, mas
que se originou na dimensão somática. Na
dimensão somática o conceito de Reiz é mais
abrangente do que pulsão, a pulsão seria uma
subcategoria de estímulo, um tipo de estímulo
internamente e de forma incessante. Aqui
Freud está tratando, portanto, Trieb como um
tipo de Reiz de origem interna do qual não há fuga,
ou seja: a moção pulsional não é efeito de estímulos
externos, mas internos. Além disso, é importante
ter presente que o acúmulo de estímulos na dimen-
são somática tende a destruir os órgãos (por
exemplo, excesso de acidez no estômago, secura na
faringe, etc.) e o organismo, não podendo fugir de
sua própria carnal idade, reage procurando
descarregar os Reize. a repercussão.
deste processo somático de acúmulo excessivo
tende a se manifestar como dor, sofrimento e
para iniciar uma ação que traga alívio.
Neste sentido, é função do aparelho psíquico
buscar caminhos que conduzam aos objetos (os
objetos do desejo) que lhe permitam descarregar
os estímulos. Para tal, o Trieb é um Reiz que
chega à consciência assumindo as formas
psíquicas de percepção, de representação, de
impulso, de tendência ou ainda de vontade
irrefreável.
214
A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD
Mais tarde, então,
será encontrado
um bom meio de
atuar Contra a mo-
ção pulsional (6)
(Triebregung) alra-
vés da r<;jciç,io cal-
cada numjuízo(7)
(Urteilsverwcrfu ng)
(condenação) (8)
(VeTUrteibmg).
I
n- pulsional Note-se que
tdmbem a condenação ao nível da consciência é
I algo qu.e somente pode ser aplicado à moção (para
Iser maiS exato à representação, Vorstellunu) que
onSClenCla como portadora ou
/
chega à c '" b·
representante da moção pulsional) e b -
I
' . . , com alxa
I _
i 7- I<;Je;çao calcada num juízo (UrieiL'.;veT1uer!ung):
UJtezl.
e
juízo; diferentemente de Lima hipótese
ou opmmo, tem um caráter absoluto ou conclusivo.
A o sentido de descartar, rejeitar,
. con.slGerar Inutll ou imoral, compõe-se com o
I :;;:Ical wnjrn: 5al:remessar). A Urteilsvenverfong é
I a composlçao inComum e significa uma rejeição
num juízo. O terino Urteil é aqui
pois é algo que ocorre ao nível da
I consclenCla. Contudo, permanece ligado à
I Verweifung, reagio primitiva de rejeição que Freud
I em diversos textos como sendo um
I arcaico de expelir e eliminar conteúdos
I
· mdeseJ.'lVels. O que se destaca aqui é que o recalque
(Vmlrangung) .fIca entre a rejeição por um juízo de
I e a expulsão inconsciente.
iApalece aqlll, claramente, a relação dinâmica
I entre o patamar de significação e pensamento e o
I patamar onde se situa a matriz arcaica da dor e
J
' do medo, estes insuportáveis.
8- (condenaçao) (Verurteílung): Este termo, com-
. . pela palavra Urteil (juízo) e pelo prefIXO ver.
/
!Slgl1lfICa condenação. Está sendo aqui usado POi:
Frcud como sinônimo de Urteilsverwer'img ou seia
/
co d . J' , :1' ,
_ . n e. aqui equivalente ª.Iejeitar-expelir_
. caTcado em juízo.
Uma etapa prelimi-
nar da condçnação
(9) (Verurteilung),
algo intermediário
entre fuga e conde-
naç,io (10) (Vorur-
teilllng), é o recal-
quc (lI) (Verdran·
gung), conceito que
no período ante-
rior aos es tudos
psicanalíticos, não
podia ser formu-
lado.
Não é fácil de ser
deduzida teorica-
mcnte a possibili-
dade de algo como
um recalcameilto
(12) (Verdrangung).
Por que uma mo-
ção pulsional (13)
(Triebregung) deve-
ria sucumbir a um
tal destino? Eviden-
temente, neste caso
teni-que estar pre-
sellte a condição de
que o atingimento
do objetivo pubio-
nal (14) (Triebziel)
gere desprazer (15)
(Unlmt) ao invés de
prazer (16) (Lwt).
APÊNDICE n 215
9- condenação (Verurteilung): ver comentários
anteriores;
10- condenação (VeTUrteilung): ver comentários
anteriores;
11- recalque (Verdrangung): Aqui a Verdrangung
aparece como algo que nào pode eliminar os
estímulos pulsionais (por exemplo, fugindo), nem
pode enfrentá-los abertamente ao nível da
consciência que emite juízos. Trata-se de algo que
elimina precariamente de cena a moção pulsio-
nal, não conseguindo eliminá-Ia definitivamente
e tampouco enfrentando-a no campo da consciên-
cia, deixando a moção incômoda em estado
"abafado" .
12- recalque (Verdrangung): ver comentários
anteriores em geral sobre o termO. Aqui Freud
refere-se à necessidade de apoiar-se na clínica,
indicando não só coerência com sua postura geral
de derivar e retestar na clínica suas hipóteses, mas
também deixando claro que é na clínica que a
dinâmica pulsional entre consciente e inconsciente
pode ser observada, o que mostra como, para ele,
o Trieb era mais do que uma ficção teórica, uma
presença observável e operante na clínica.
13- moção pulsional (Triebregung): ver comentários
anteriores em geral.
14- objetivo pulsional (Triebziel): ver comentários
anteriores em geral.
15 - desprazer (Unlust) ver comentário a seguir.
16- prazer (Lust): Lust, no alemão coloquial, têm
um:-duplosent1do: córresponde a algo semelhante
à vontade-iniciativa (bons equivalentes seriam
"pique" ou "tesão de fazer algo", se não fossem
termos chulos), e também se refere a algo como
um prazer que retroalimenta e mantém uma
disposição para continuar a ação, portanto diverso
da fruição plena do prazer e do gozo (novamente
neste caso um bom equivalente, se não fosse um
termo chulo, seria "tesão" na acepção de "prazer",
de "sentir tesão"). Trata-se de algo que permanece
ao nivel do corpo, como uma disposição prazerosa
I e sensações agradáveis, que derivam da própria
/
atividade do órgão, algo que pouco convoca da
consciência ou das representações. Como se ver<l
("
I
(
(
(
(
(
216
A TEORIA NA CLíNICA DE FREUI)
Mas este caso
é bem Tal
tipo de (17)
(Triebe) n,io
a satisfaçáo pulsio-
nal (I R) (Triebbe-
é sem-
p re prazerosa (19)
(lustvoll).
mais adiante; é algo que se liga a uma vertente miüs
corpórea e imediata do Trieb_ Neste caso, Freucl não
est,í ainda se referindo à disposição, mas aos efeitos
prazerosos da descarga e do alívio qualldo
atinge seus objetos comentário 18). A Unlmt é
um desprazer, uma não-vontade, lima sensação de
indisposi.ção Oll inapetência. É importante ter
presente que o Trieb oscila entre a Lust e a Uulust.
17- pu.lsões comentários anteriores eal
geral.
IR- satisfaÇ<to pulsional (Triebbefriedigung): Bl'jriedi-
significa satisfação na acepção de
algo contíguo ao alívio. Na medida
em qUê: a pulsáo (Tri('b) espicaça e gera estímulos
os quais em acúmulo são
satisfazer, ou melhor, apaziguar a pulsão, Iivrar.se
dos eSlúllulos, portanto gerar um alívio, alívio este
que Freud freqüentemente associa ao prazer, é
quase como se o prazer fosse um efeito colateral
da satisfação após uma antel-ior de intens"
Contudo, também haver Lust não
associada ao alívio (\'er nota 16).
19- prazerosa (IUSlvoll): A s"tisfação da pulsão seria
prazerosa, pois apesar de a pulsão sempre ser
impulsionada pelo desprazer, ela se dirige ao
prazer. .-\ descarga é por natureza prazerosa,
principalmente se for satisfeita antes que o acúmulo
de seja percebido (inicialmente, o
desprazer é le\'emente percebido como apetite, é
pelo seu <tctllnulo que ele se torna então cada vez
mais desconfoná\'el e insuportável), A LUlt
da pela pulsão é primordialmente esta Lust obtida
de o acúmulo de ser percebido,
Ter-se-ia de supor
circun s tânc i as
algum
processo através
do qual o "pra-
zer-de-satisfação"
(20) (Befiiedígllngs-
lust) seja
mado
(21) Para
melhor delimitar o
recalc<Ullento (22)
po--
demos considerar
algumas outras si--
tuações

nen).
Por exemplo, po·
de ocorrer que um
estímulo (2/1) (Reiz)
externo, devido a
corroer QU des·
truir um órgão, se·
ja internalizado e
assim forme uma
nova fonte de cons-
tante excitaçào e de
de aumento de
tensão.
Assim, ele
uma grande seme-
lhança com uma
pulsão (1Tieb).
Nós sabemo;; que,
neste caso, o que
sentimos é da-r (26)
(Schmerz).
APÉ:--:DJCE 11
217
20-- prazer de satisfação (Befriedigllngslust): ver
comentários anteriores.
21- desprazer (Un.lust): Aqui Frelld à
transitividade entre LU.>t e Unlust; esta oscilação
pode estar calcada sobre uma base quantitativa
(aumento de Reize mais diminuição de
Reize mais prazer), mas nào é o que parece ocorrer
neste trecho, onde tudo indica que o tema é a
contaminação por associação (um prazer se
associa ao desprazer e se torna proibido e
. ameaçador.)
'22- recalcamento (Verdrãngllng): ver comentários
anteriores.
23- situações pulsionais (TriebsÍlllationen): ver
comentários anteriores sobre Trieb. Quanto às
situ'ações, Freud refere-se às diferentes configu-
rações pulsionais possíveis, tanto sob o ponto de
vista econômico quanto dillâmico (o qual neces·
sariamente remete à dimensão de significação).
24· estímulo (Reiz): Neste trecho Freud, num típico
recurso seu de retórica, volta à questão mais
quantitatÍ\'a para mais adiante descartá-Ia. Aqui se
nota o uso do termo Reiz na acepção de estímulo
"que facilmente se torna irritativo, corroendo ou
destruindo um ôrgão sobre o qual é aplicado. Para
poder assemelhar--se a uma pulsão, basta que este
estímulo seja internalizado constituindo uma fonte
de constante emissão de estímulos, os quais, se
acumulando, gel-am tensão (por exemplo, o
estímulo tóxico de envenenamento que se acumule
num órgão, ou ainda os efeitos da radiação nuclear.
ou infecções, etc.),
25· pulsão (Tríeb). O estímulo (Reiz) adquire
semelhança com uma pulsão (Trieb), pois foi
internalizado e passa a constituir uma fonte
pulsional que gera interna e ininterruptamente
estímulos.
26· dOI- (Schmerz): Esta palavra alemã nada tem de
diferente de seu correspondente em português;
contudo, é importante notar que há certa
contigüidade entre os incômodos causados pelo
Schmen, Rei;;., Unlllst, bem corno pelo acúmulo de
pulsão (Tril'bstawmg). Ver notas 27·8 a seguir.
218
A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Todavia, o
desta pseudo-pu 1-
s;io (27) (Pseudo-tneb)
é somente a ces-
sação da altel"aÇ<\o
do órg,\o, bem co-
mo do desprazel"
(28) (UnilLst) liga-
do a esta alteração.
27-. (Pseudotrieb). Tal qual a lógica da
satlsfaçao (Befriedigung) da pulsão, (Trieb) é a do
aplacamento ou' '-
'. ,seJa, a extmçao temporária da
mqllletude acumulada, também aqui o ob'etivo d
(Pseudotrieb) é anular ou
se. e acaso que Freud traça este paralelo
:ntl e a pulsa0 e a dor que é gerada internamente e
Impele uma ação que visa anular a fonte de
dor. Em o perigo pulsional é de
gerar a sequenCla (Uniust)- medo (An :st)-
dOI" (Schmerz). Esta sensação de Angst no t g .
do' , pa amaI
d pnmário, aponta para sinais de perigo
e amqllIlamento por excesso de estímulos (estes
quando de origem intel"na quanto externa'
a partir do mundo interno, isto
paI tu das repercussões psíquicas do que Ocorre no
somático). Somente no patamar do
pI pode-se diferenciadar se tais
perigo externo vinculado às
de realização da pulsão, ou se são de
ongem mterna.
28- desprazer (Uniust): Note-se que aqui Freud fala
de Uniust causado pela dor (Schmerz) a qual 1'/.
sempre é . d . , , ,a las
pIO uZIda quando há um excesso de R .
A transformação do excesso de R . d ezz.
S' ezz em or pode
h
e
; aliviada ou interrompida quando
a uma Irrupção de A (
" """ ngst Inedo, panlco
angustIa ansiedade") I '
bem '. ' a qua drena o excesso,
como aVIsa o aparelho psíquico do perigo
in)inellte.
Outro prazer (29)
(Lmt) direto não po-
de ser obtido pe-
la cessação desta
dor. Além disso, a
dor é imperativa;
ela só se submete à
ação de urna inter-
venção toxicológi-
ca ou à influência
de uma distração
psíquica. Contu-
do, o caso da dor é
por demais pouco
transparente para
servir ao nosso
propósito.
Tomemos o caso
em que um estímu-
lo pulsional (30)
(Triebreiz), como a
fome, permaneça
insatisfeito (31)
(l1nbe{riedigt).
Ele se torna assim
imperativo, só é
aplacável através
de uma ação de sa-
tisfação (32) (Be-
frierligu ngsaktion),
além disso man-
tém uma constante
tensão de necessi-
dade (33) (Bediirfnis·
sjJannung).
APÊNDICE 11 219
29- prazer (Lust). Aqui Freud fala em outro prazer
(Lust), deixando clara a idéia de que há um outro
prazer além do alívio ou cessação da dor. Este
prazer de alívio é o que Freud chama às vezes de
Befriedigungslust, algo equivalente aos efeitos
colaterais prazerosos obtidos quando há um
alívio, por exemplo no orgasmo, na saciação da
sede, da fome, etc. Obviamente, no caso da dor
sentida neste órgão imaginário e danificado há uma
sensação maior de alívio, algo diverso do sentido
de "prazer" na acepção coloquial do português
(por exemplo, o prazer de degustar um vinho, ou
o prazer de beijar a pessoa amada). Este último tipo
de prazer (Lust), não imediatamente igado ao
sofrimento, está mais próximo do que Freud
descreve nos Três Ensaios (1905) como pré-prazel"
(Vorlust), um prazer obtido quando há um pronto
atendimento da descarga antes que o desprazer
potencial do acúmulo de Reize seja percebido cons-
cientemente pelo sujeito. Aqui neste artigo, e no
texto freudiano em geral, a atmosfera conotativa do
termo é mais de alívio após carência do que de
grande prazer.
30- estímulo pulsional (Triebreiz): ver comentários
anteriores em geral.
31- insatisfeito (unbefriedigt): A fome não satisfeita é
a fome não aplacada, permanece a inquietude e o
aumento de tensão pelo acúmulo de estímulos.
Torna-se imperativa pela somação de estímulos
incessantemente enviados e não descarregados,
transformando-se facilmente em desconforto e dor.
32- ação de satisfação (Befriedigungsaktion) ver
comentários anteriores sobre satisfação.
33- tensão de necessidade (Bedürfnisspannung):
Bedürfnis significa necessidade ou carência, algo
fortemente ligado à sensação, ao desejo intenso e
sôfrego, portanto diverso da "necessidade lógica"
ou "necessidade" na acepção de "penúria". A
Bediírfnis é um fenômeno frouxamente ligado às
significações do processo secundário, é mais
pertinente ao processo primário e está ligado às
primeiras repercussões psíquicas do acúmulo
somático, neste sentido é equivalente a Drang,
ambosjá vislumbram um objeto de satisfação, com
,
,
i
\
(
(
<
\
(
l
(
220 A TEORIA PULSIONAL NA CLlNICA DE FREUD
Algo COIll0 um re-
calcamento (34)
(lhrMingllng) não
parece de forma
alguma estar em
cogitaç'\o.
o caso do recalca-
mento (Ver.
drüngung) certa-
mente não ocorre
quando a tensão
devida à não
,ali s fa çflo
(UnbejTiedigung)
. de uma pulgão
(37) (Trieb) se tor-
na insuportavel-
mente grande.
a diferença de que Bedürfnís (necessidade, carência)
centra na carência em receber o estímulo e Dmng
(afã, ânsia) na urgência em bu.scá-lo.
134- recalcamento (Vmlriingung): Aqui se nota que. a
Fenlrangl.lng não pode incidir sobre algo
avassalador e imperativo. Algo já presente na
consciência e intenso tal como a fome ou a dor não
recalcável, exige outros mecanismos de defesa. O
,recalcamento é um mecanismo de limiar e incide
I sobre uma moção pulsional representada por uma
1I idéia (ou representação) a qual, investida de relativa
baixa carga energética, ainda pode ser mantida em
I xeque, num estado de recalcamento. É, portanto, a
lincipiente manifestação da pulsão que sofre
I recalcamento, não a somação de estímulos
I pulsionais que avassaladoramente acumulados
I se tornariam imperativos. Aqui Freud acaba
1 descartando a questão do excesso de Reiz como
I útil para explicar a Verdrangung e volta-se à clínica
le às dimensões da significação. (A quantidade
I de Reiz é retomada no texto, num trecho que
I não será discutido aqui, para explicar a
I Urvenlriingungj"recalque originário").
I
' 35- recalcamemo (Verdriingung): Assim, aparece
mais uma vez a idéia de que, apesar de a não-
satisfação da pulsão tender a ser um processo
I fincado numa' base quantitativa cumulativa,
I adquirindo eventualmente em dado momento uma
I
dimensão irresistível, a questào do recalque exige
outras considerações. Mais adiante no texto Freud,
I
quando trata dos quadros clínicos, aborda aspectos
qualitativos, as repercussões propriamente
I psíquicas deste. bem con:o as
I das palavras e Idems, sobre as quais a anahse pode
I influir.
136- não satisfação (Unbefriedigung): ver comen-
I tários anteriorés.
137- pulsão (Trieb): ver comentários anteriores.
Quais os meios de
defes,l (3R) (Ab-
wehr) de que o or-
ganismo dispõe
colltr<l esta situa-
ção, lerá de ser
abordado noutro
contexto. Atenha-
mo-nos de prefe-
rência à experiên-
cia clínica, ú1.l qual
e\,! nos na
prática psicanalí-
tica.
APÊNDICE 11 221
1
38- defesa (Abwehr): Esta palavra, que significa
,defesa, refere-se a uma ação de bloqueio de um
11 ataque. indica algo como repelir, manter afastado.
,O termo sugere apenas que o inimigo foi repelido,
I
possivelmente o inimigo pode se reorganiz<lr e
voltar. A palavra tem uma conotação de
li' proteger-,,:, mas ma:ltém a idéia de
certa contll1L11dade potenCIal do pengo. Freud nenJ
Isempre diferenciou claramente Abwehr de
1
I Verdriingung (o faz f()rmahnente no texto Inibição,
Sintoma e Angústw, 1926), mas, apesar de diversos,
. ambos termos contém a noção de uma cena
I precariedade do status quo, bem como de um
1I movimento que consiste em afastar de si o perigo.
Quando trata de contrapor o movimento de
II rechaço em geral contra as pulsões, Freud utiliza
com certa liberdade os termos Verdriingung,
I Verwerfen, Verleugnen, Abwehr, todos na acepção de
'rernhC!lten (manter afastado); contudo, quando se
trata de especificar os modos de defesa, cada um
dos termos é especificado. Mais adiante neste
texto Freud, inclusive, subdivide o "ecalque em
. Urverdrãnb'rung (recalque originário) e eigentliche
I
Verdriingung (recalque propriamente dilO).
T,lInbém aparece aqui e na próxima frase como,
i para Freud, a prática clínica é algo diretamente
vinculado ao conflito pulsÍonal. A teoria
pulsional não é deixada como um pano de
fundo fundante e deslig,ldo da clíniG!.
222 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
Esta nos ensina ser
até possível ocor-
rer a satisfação (40)
(Befriedigung) de
uma pulsão ('ll)
(Trieb) que esteve
submetida ao I'CC,lt-
camento (42) (\cer-
drangung) e que tal
satisfação também
seria a c,lcla vez pra-
zerosa (43) (lustvoll),
entretanto seria
inconciliável (44)
(1tnvereinfmr) co m
outras reivindica-
ções e desígnios;
ela iria portanto,
produzir prazer
(45) (Luse) em um
lugar e desprazer
(46) (Unlust) em
oulro.
I :0- ,satisfação. (Befriedigung): Aqui utilizado no
f reahzação, de ato que permite a descarga
ie sa:lsfaz (aplaca) a inquietude causada pela
[pulsa0
I: 1- puisão (Trieb): Note-se que aqui Freud [ala de
1i ecalcamento de I ,- d' .
i" _»" " pu 5<10 sem IferenClar
i pu.lsao . de representação", isto se deve tanto à
I
' do termo quanto ao trecho do texto.
MaiS adiante Freud, ao sistematizar e detalhar o
I recalcame:lto, explicará que o recalque
I ecal soble ,1 representacional e eventual-
maneira mais frágil sobre a parccla afetiva
I
d,l pulsa0, '
42- r:calcamento (Verdriingung): ver comentários
I
antenores.
prazerosa (:mtvoll): a satisfaçao da pulsão seria
I rr pOIS apesar' de a pulsão sempre ser
I mpulslOnada pelo desprazel' ela ' d"
I . ' ," ,se mge ao
I
e a e por natureza prazerosa,
44- mconclhavel (unvereinbar)' O terl'no u ' b
, .. . . Tiverem ar
slgmflca literalmente in-unificávc\, não passível de
I ser colocado em Remete a algo que lógica
I
I e f?rmalmente nao tem como ser compatibilizado
pOIS trata-se de pulsões com desíglll-os a'nt ., '
C agomcos.
I
ontudo, estes desígnios só serão incompatíveis
, quando se manifestarem como representações e
I
desdobrarem em ato po" 'I - '_, ' , lS no mve 1I1consciente
\
nao ha O termo deve ser diferenciado
(lIILOlerável, geralmente traduzido
I: m.co:npatíve!"), o qual expressa aquilo que
I
e nao asslmllavel pelo ego.
45- prazel- (Lust): ver comentários anteriores sobre
lOS aspectos lingüísticos do termo. Note-se que aqui
i quando Freud [ala de «prazer em um lu ,r ;
I desprazer em outro", está indicando que o
I entre as cO:Iseqüências prazerosas e as
I ou sep, aqui o recalque é fruto em
,uluma .' d '
I _ l11sta.nCla, o conflito pulsional entre o pra-
I
tensao que resulta em ataque de medo
recalque - medo), vemos '
I
Slmultaneamente a idéia de que o m d I
.. eoevao
sUjeito a recalcar, isto ocorre tanto no caso do
I recalqu: original (Urverdriingung) , onde há o
I
medo vIsceral do aumento de tensão como no
recalque ' '
i. . . propnamente dito, onde o medo se refere
a uma ameaça externa (geralmente de
I castraçao).
Passa a ser então
condição para que
l'ecalcamento
(47) (Verdrang'ung)
que o motivo de
desprazer (48)
(Unlllst) adquira
maior força do que
o prazer de satisfa-
ção (49) (Befrierli-
gung,slust),
Ademais,
da experiência psi-
canalítica com as
neuroses de trans-
ferência (50) (Über-
trag1tngsneurosen ),
somos levados à
conclusào de que o
recalcamento (51)
(Venlranlo,<mg) não
é um mecanismo
de defesa original-
mente disponível,
APÊNDICE II
223
\46- desprazer (Unlust): ver comentários anteriores.
147- recalque (Verdrangung): ver comentários
I .
[ ,mtenores.
i 48- desprazer (U1/lust): Aqui se trata do fato de que
I
lo motivo adquira maior força, em alemão Freud
I fala literalmente em adquirir um poder mais forte,
I destaca-se o aspecto quantitativo que definirá qual
I tendência prevalecerá. Contudo, o motivo do
I desprazer aqui sào as consequencias externas,
I[sejam de fato, ou as conseqüências outrora
I externas, agora internalizadas. ,
1\ 49- de sa,tisfação (Befriedigll1lg,slll.st): ver
comentanos antenores.
I
I -
\ 50- neuroses de transferência
'IA palavra transferência (Übertragung) evoca em
I alemão a idéia de transposição ou transporte
I flexível e plástico. As neuroses de transferência
! terão a característica de transpor antigos cenários
para séries de pessoas atuais e, num vai-e-vem,
plasticamente recolher tais cenários de volta para
mais tarde novamente aplicá-os sobl-e outras
pessoas, um trânsito entre o passado e presente,.
como entre pessoas e contextos. Mais adiante
no texto, qmmdo trata de exemplos de recalcamento
na psicopatologia, Freud dá exemplos onde este tipo
de trânsito é bem descrito nas várias formas de
e que ele não pode
se constituir antes
que se h,lja produ-
zido uma rigorosa
diferenciação (52)
entre
atividade psíquica
(53) (Seélenlãtig-
keit) consciente e
retorno do recalcado,
51- recalcamento (Verdrangung): aqui Freud se
refere ao postulado de um recalque original
(Urverdrangung) do qual trata num trecho não in-
cluído nesta tradução, bem como da ligação das
11lIllm!ellS com a linguagem e resíduos de palavras.
(Sonderung): diferenciação no
sentido também de especificação-separação em
forma nova.
22; A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
inconsciente, e que
sua I'ssímcia sO'Inen·
te reside no rejeitar
e no manterá distân-
cia do consciente.
Esta concepção de
n:calcamento (5-1)
. (VerririillgulIg) po-
deria ser comple-
mentada pelo pres-
suposto de que an-
te\:ionnel1le a esta
etapa de OI-ganiza-
ção psíquica (55)
(seelischen Organi-
sation), os outros
destinos ela pulsão
(56) (Tr ieb), tais co-
atividade psíquica (5'eelentãtiglieit): A palavr,\
Seele (alma), em alemão, é u::;ada·na acepção literária
(alma, mente, sentimentos, psique) e religiosa
(alma, espírito), bem como na psiquiatria, ollde era.
e é, utilizada até hoje na acepção mais técnica de
"psique". Com freqüência, Freud fala em
Seelellapparat significando "aparelho psíquico" e
não "aparelho d'alma", nem "aparelho anímico" e
tampouco "aparelho da mente". A função do
.::,et?lelW!.)1)ClTal é lidar ao nível psíquico com excessos
de estímulos somáticos, e é disto que também se
trata aqui. Uma vez tendo se instalado UIII processo
secundário pleno e estando funcionalmel1le
diferenciado o consciente do inconscientc, entra
em jogo a possibilidade de proteger o consciente
do excesso. Portanto, só é afastado pelo mecanis-
mo do recalque aquilo que pode incomodar o
consciente. Porém, para tal é necessário que aiuda
no limiar de tornar-se claramente incômodo,
algo que se situa na entrada da idéia/ representa-
I
ção no consciente. Note-se que a perspectiva de
Freud nào é quantitativa apenas, há sempre a
i transformação qualitativa através da atribuição de
afetos e sentidos na linguagem, ou seja, os
mecanismos que instalam a dinâmica consciente-
inconsciente.
54- recalcamento (Verdrãngung): ver cOIllcnt.Írios
anteriores sobre Seele.
55- organização psíquica (seelischen Organisalion):
comcnt.írios anteriores.
56- pubão (Trieb): Evidentemente a pulsão no
sentido de fonte de emissão de estímulos, ou ainda
no sentido mais amplo de princípio organizador,
não é afetada pelos mecanismos de defesa. Na
realidade os dcstinos da pulsão aqui são destinos
dos estímulos pulsionais, ou da direção da ação que
é motivada pela pulsão.
57-dar conta (bewiUtigen): Este verbo, freqüente
mente utilizado por Freud em conexão com os es-
mo a transforma-
ção em se!-\ contrá-
rio e o voltar-se
contra a própria
pessoa dão conta
(57) (bewiiltigen) da
tarefa de rechaçar
(58) (Abwehr) as
moçõcs pulsionais
(59) (Triebregungen)
FINAL DAS DUAS
PRIMEIRAS
PÂGINASDO
TEXTO
DIE
VERDRANGUNG
APÊNDICE 11 225··
I
tímulos (Reize) e numa linguagem metafórica que
remete a movimentos dos hidrodinâmicos,
: referindo-se a tentativa de lidar ou dar conta de uma
inundação de correntes ou turbilhões de estímulos
que arrastam o sujeito (não esqueçamos que a fonte
pulsional incessantemente emite estímulos
pulsionais que se represam). O verbo designa um
controle precário que apenas consiste em "lidar
com", ou em "dar conta", não há uma conotação de
dominar de maneira definitiva .. o que afinal não é
possível em se tratando de pulsões.
58- rechaçar (Abwehr): Aqui o termo Abwehr é
utilizado na sua acepção corriqueira alemã de
afastar, rechaçar.
59- moções pulsionais (Triebregungen): ver
comentários anteriores.
Como se nota, dentro de uma mesma página .Freud
transita entre os patamares do somático, do processo primá-
rio e do secundário, o que ilustra a agilidade do texto
freudiano. Vê-se aqui como Freud opera com a noção de
Trieb (portanto, com o arco pulsional) e como as palavras e
noções ora se encadeiam em tramas processuais precisas
(como é o caso da descrição da seqüência de brotamento
incipiente da pulsão e do mecanismo de recalque como
sendo uma ação de limiar), e ora se arranjam como tramas
de ênfase (como é o caso da moção/iniciativa pulsional
- Triebregung), a qual é objeto do estado de recalcamento,
para, mais adiante, num trecho não reproduzido do texto,
ser substituída pela noção de representação e, ainda, em
226 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD
outro momento, pela de afeto. Nestes casos'não se trata de
incoerências nem imprecisões ou rupturas, mas de momen-
tos e focos. Para este tipo de leitura ser proveitosa, é neces-
sário localizar-se em que patàmar de circulação pulsional o
foco do texto se encont;.ra e que dimensões estão se entre-
cruzando, bem como se Freud enfatizando uma linha
de força ou descrevendo e sistematizando processos.
É claro que nem sempre estes operadores de leitura são
aplicáveis, bem como as tramas às vezes aparecem de tal
forma mescladas no texto que é difícil separá-las; contudo,
através deste exercício de leitura, procurou-se indicar que
em muitos casos é útil utilizá-los.
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FREUD, SIGMUND. Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas
Completas de Sigmund Freud, 23 vol. Rio de janeiro: Imago
Editora, 2. edição, 1987.
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_____ . Gesammelte Werke, 18 vol., S. Fischer Verlag, Frank-
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Dicionários:
GRIMM,jACOB UND WILHELM. Deutsches Wõrterbuch, 16 vol., Leip-
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A TEORIA PULSIONAL
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) pensamento freudiano a pulsão não é só . 4uestão teórica. É também uma questão clíniatetamente relacionada ao conflito psíquico e lt~rvenção psicanalítica. ) I1tretanto, há surpreendentes diferenças entre ) ')to alemão de Frel;1d e suas versões para o )S, francês, espanhol e português. Por isto, ao r da teoria e clínica das pulsões, o autor tamenfatiza a linguagem freudiana e a terminolo)sicanalítica alemã. lt!ravés de A Teoria Pulsional na Clínica de Freud 1.) Hanns traz, num estilo claro e conciso, a l \~idade do texto de Freud, o qual, aponta para , )c1ínica que está além, tanto da mera adaptação jI1biente, quanto da busca pelo prazer idealizalpontando para a centralidade da circulação lonal para a vida psíquica.

na clínica de Freud

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Luiz Hanns

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A Teoria Pulsional

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Rio de Janeiro: Imago Ed. 1999. RJ H219t Hanns.(0 brotar do Reiz) 49 53 Impresso no Brasil Printed in Brazil VI A fisiologia pulsional do prazer (Lust) e desprazer (Unlust) 58 . Título.964. 3.RJ Tel. 2.) ) Copyright © 1999 by Luiz Alberto Hanns Sumário ) Capa: José Cavalhero Simon Júnior ) CIP-BRASIL.0323. CDD 616.com. Nenhuma parte destá obra poderá ser reproduzida por fotocópia.Rio de Janeiro . 1. Luiz Alberto A teoria pulsional na clínica de FreudjLuiz Alberto Hanns. Freud. processo fotomecânico ou eletrônico sem permissão ê:x:pressa da Editora. PARTE 11 O percurso da pulsão: do somático ao psíquico. 1856-1939. 232 p. microfilme.: (021) 502-9092 .8917 CDU 159. Inclui apêndice e bibliografia ISBN 85-312-0666-9 L Teoria das pulsões. Catalogação-na-Fonte Sindicato Nacional dos Editores de Livros.. 201-A Estácio 20250-430 . Série. uma . Psicanálise. .2 Agradecimentos Apresentação Considerações metodológicas 11 13 17 ) ) ) PARTE I A Pulsão ) lOque significa a palavra pulsão (Trieb) no alemão 1999 29 ) ) II De que pulsão (Trieb) fala Freud III As grandes pulsões: das espécies ao indivíduo 37 44 ) ) ) Reservados todos os direitos.Fax: (P21) 502-5435 E·mai!: imago@ism. Sigmund.br IV A circulação pulsional no indivíduo V No nascedouro das pulsões .continuidade conceitual IMAGO EDITORA Rua Santos Rodrigues. 11. 99.

( ( VII No âmago das pulsões .st) 91 84 Apêndice I 79 Operadores de Leitura (Ilustração das Tramas Semântico-Conceituais) 191 Apêndice li Exercício de leitura aplicado às duas primeiras páginas do texto "A Repressão" ( 205 100 113 PARTE IV A intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais ( XIV Conflitos pulsionais e os limites da defesa (Abwehr) XV Regulando a pulsão pela Abfuhr (no escoadouro das pulsões) XVI Além do prazer e do desprazer (sob o estado de Befriedigung) 125 135 142 . entre o somático e o psíquico 71 XVII A escuta clínica dos conflitos pulsionais XVIII A intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais À guisa de observação final 153 ( 76 ( 175 188 ( PARTEIlI A pulsão na psique: das imagens ads pensamentos IX A roupagem psíquica das pulsões como VOTstellung os três tipos de representação X Pulsões. alçando-se das imagens aos pensamentos XIII Sob a égide do medo (Ang.sob o impacto do Drang VIU Na fronteira.a pulsão como desejo. Vorstellungen e afetos (a circulação pulsional no processo primário) XI Atando as pulsões às Vorstellungen e aos afetos (a circulação pulsional no processo secundário) XII No campo das Vorstellungen .

j ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) ) . Günther ) ) ) ) A Eva. esposa e companheira ) ) . minha mãe e a Daniela.i· ) ) ) ) ) ) I' A meu pai.

Nélson Coelho agradeço ainda pelo importante incentivo e apoio num momento que me era difícil. Gostaria ainda de expressar meu grande reconhecimento aos membros da banca examinadora. Luiz Claudio Figueredo e ao Professor Dr. <0udou-me a corrigir imprecisões. Ao Professor Dr. que leu os primeiros manuscritos. Ao recomendarem a promoção deste trabalho de dissertação de mestrado para tese de doutorado levaram-me a aprofundar o estudo em diversas direções. Renato Mezan. além da leitura dedicada e comentários sempre precisos. encorajou-me para a experimentação e a iniciativa próprias. Willi BoIle. ficam para mim corno um modelo a admirar e seguir. Purificacion Barda Gomes. Luiz Meyer e novamente ao Professor Dr. Meus especiais agradecimentos ao Professor Dr. Seu rigor metodológico e suas sugestões sensíveis serviram para aprimorar em muito este livro. Também devo muito ao Professor Dr. Stefan Wilhelm Bolle. sugeriu soluções e ensinou-me sobre o Freud do "Projeto para urna Psicologia" . Com reflexões que só são possíveis a partir do trabalho pronto. Gostaria ainda de expressar minha gratidão e dívida para com Fernanda Silveira Correa. Professora Dra. pessoal. Sua generosidade intelectual e . que. contribuíram em muito para que esta tese pudesse se transformar em livro: ( \ ( ( ( ( ( ( . bem corno sua paciência para com minha ansiedade. membros da banca de qualificação.Agradecimentos ( ( Originalmente este livro foi minha tese de doutorado. orientador. Professor Dr. Daniel DeIoura. notadamente nos conceitos de Lust (prazer) e Bindung (ligação). Professor Dr. Luiz Claudio Figueredo e ao Professor Dr.

Entretanto. pois há uma lógica interna da ohra que ultrapassa questões tópicas de tradução. o entendimento dos termos em cada língua desliza em direção a 'um núcleo de significação mais habitual e arraigado naquele idioma. surpreendentes diferenças entre o texto alemão de Freud e suas versões para o inglês. Portanto. É claro que a maioria dos sentidos das idéias freudianas sobre pulsões não se perdeu na passagem a outros idiomas. da Imago Editora. esta mudança de sentidos ocorre até mesmo lá onde o texto em português oferece os mesmos recursos semânticos do alemão e onde o contexto psicanalítico parece dar ao leitor plenas condições de perceber as significações. leu c incentivou o projeto. Maria Lúcia Araújo Andrade. francês. conceitos psicanalíticos são designados por palavras alemãs. à Professora Dra. traduzir bem o sentido de Abjuhr. Apresentação Este livro trata da teoria pulsional e da clínica freudiana das pulsões. que abrangem um campo semântico diferente dos equivalentes em outras línguas. na fase inicial. Isto se deve ao fato de que. sou imensamente grato pelo entusiasmo com que acolheu este trabalho. a terminologia psicanalítica alemã e determinadas interligações teórico-semânticas dentro dos textos originais. por vezes. espanhol e português. bem como. mesmo quando as palavras nos dois idiomas têm significados semelhantes. das ênfases e dos jogos de palavras dos quais Freud se serve. Por exemplo. em muitos casos.12 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD Ao Dr. mas também enfraquece parte dos enlaçamentos semânticos. Algumas vezes. que me ajudou a ultrapassar diversos obstáculos pessoais e a me manter no caminho. o que causa não só distorções no sentido dos termos. Não posso igualmente deixar de mencionar minha gratidão ao Professor Dr. Isto ocorre porque nem sempre é possível reproduzir tais sentidos e conexões em outros idiomas e o tradutor tem que criar novas e diferentes malhas de significações. Miguel Bairrão que. Contudo. apesar da palavra "descarga" . em especial. Jayme Salomão. há. em português. "descarga" . também irá se enfatizar a linguagem freudiana.

Estes são derivados. aqui não nos interessarão os problemas de tradução específicos da Edição Standaril Brasileira traduzida a partir do inglês.pJJlsãonão é só uma questão teórica..~ relaZionad~nf}1~Q::p$. __ .' . _ _ ~ _ _ _ .~~~~.-.~lldiano. instinto) e visa desembaraçá-la de certas distorções semânticas. _ ••• _ _ ~_. se examinaram os termos psicanalíticos de tradução mais problemática...~ _:. ~~fiit. enquanto Abfuhr. Ela agrega às conhecidas dificuldades da tradução inglesa (j.. não se trar. . como também para as outras línguas latinas. as conotações e. fincada no corpo.')ENTAÇÃO 15 tende a ser entendida como descarga d.. o primeiro capítulo enfoca a palavra Trieb (pulsão. em parte. não serão abordados os acréscimos e ganhos da tradução N o presente livro..~--. 2 Análise Terminável e interminável (1937) [ESB 23. de simples erros de transcrição e impressão. visam apenas aproximar o leitor da obra em alemão e reinserir.lS diferenças entre inglês e português e.. uma dimensão lingüística que se alterou na passagens a outros idiomas. não se trata mais de focalizar cada um dos . tende a ser compreendido como descarga lenta e processual (levar embora. escoamento). em parte.iiltimos escritos.. sua etimologia e o uso freudiano dos mesmos. ._--~~"~" '~--_"-"" . Nos apêndices são apresentados operadores de leitura que facilitam o acesso aos trechos onde Freud trata do concCÍto de pulsão.. seus significados... Na parte I.pida (~ajada ou disparo)... se alça à esfera psíquica. etc. Na parte II se discute como a pulsão.. as imagens. principalmente inglesas e francesas..2 .. o Dicionário Comentado do Alemão de Freud (Hanns. e que em geral não têm como ser reproduzidos por adoção de uma única palavra equivalente em outra língua.ferê~dà". . tais como a ânsia. apesar do fato de que nas traduções pode-se compensnr cenas semi\nticas criando novas conexões em outros trechos.'__ . "tratamento psicanalítico <i. termos alemães em seu contexto. em alemão. _. a escolha não ocorreu somente pela relevância teórica e clínica..j1.~e-içJrãQ . em função das filiações às escolas e pela proximidade dos termos em português com os termos latinos empregados em francês e inglês. os quais serão apresentados ao longo dos capítulos.. são problemáticos não só na transposição para o português. Também cabe menciOll<lr que.-.-ã: "tr~. apagando diversos sentidos e conexões teórico-clínicas. j<l na psique. '-'"..---~----. na teoria pulsional e na clínica freudiana.. a parte III aborda como a pulsão. Num trabalho anterior..i:ãiséC. Fr~ud f~la de-"Un. Bion. ~No ·pensamentoJ:!:.--. esvaziamento. mas do fluxo do" texto freudiano e das tramas teórico-temáticas que lá se formam. Muitos dos acréscimos e aperfeiçamentos introduzidos por psicanalistas posteriores a Freud." ' . os esdarecimehtos semânticos que acompanham este livro não são críticas a esta ou aquela edição de Freud em português 1. o bloqueio. Não é por acaso que algumas das alternativas de tradução transformaram-se em bandeira de luta entre as escolas freudianas. que é bastante latinizado.'''. pois afetam a compreensão e a transmissão da psicanálise.--. a parte IV traz a concepção de Freud a respeito da intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais..iq~LcQ~TiíU~~}1~ª~~psi~..' .-~~"-·" seu~. d.. _-_ .:~ITí~--­ __ <~ .-o o"dê~'~jo. portanto. 1996).í bastante debatidas nas décadas de 70 e 80) alguns novos defeitos.}... Portanto. . Também na psicanálise brasileira estes debates se repetem.a aqui de Ulll livro sobre traduções e. que permanecem retidos no original.:l~l~ve~~-psi~analítica são tema~'-fundamentais que estão entrelaçados e a partir dos quªi~..14 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APRE.onflitos pulsiO!1AÍ~~gJJJ~º~s. Portanto. ' '. mas também por tratar-se de um sítio privilegiado de disputas entre as escolas freudianas. inclusive pa~a o inglês. Estes aspectos da linguagem de Freud. Uma palavra quanto à escolha dos temas pulsões e a intervenção psicanalítica. Os capítulos seguintes procurarão situar o Trieb no construto psicanalítico..s>utras qu~tõ"ês. mas também uma questão clínica diretamente _ _ _ ~ . se ata às imagens.<?\Lç.~pcl~ion~-. Estas tramas perpassam a teoria pulsional e se organizam em torno de grandes temas freudianos...:a=-~}nd. 264J- . Winnicott.-a~'~~g~~tia. As implicações teóricas e clínicas diferenças não são poucas._ . ""~~· _ _ 4'''O< _ _ ~ '"~._____ ____ Contudo. afetos e palavras e põe-se em movimento através destas. tais como Klein.s~_d~~fi'yQJver:::' -_.

Quanto ao primeiro foco . que em português tem conotações pouco defmIdas. que vale a pena retomá-los. e em outra. privileghiram-se aqueles termos qu~ passam despercebidos numa leitura alemã. por exemplo uma palavra como "es~írr:ulo" (Reiz). Laplanche.as dif~renças de significados e conotações entre os ~ermos do português e do alemão -. Pata tal. Portanto. este tipo de leitu~aexigiu uma metodologia que discriminasse os casos em que os conteúdos das palavras alemãs são relevantes para a compreensão dos conceitos psicanalíticos. inicialmente.gIlação PJ!~ . mas que em alemão remete a um leque conotativo . Pela pr~meira se dá ao leitor acesso a aspectos da linguagem freudIana alemã essenciais para a segunda. de Freud.§.aJ:entralidad~_c!'!S_tr. Também incluíram-se os verbetes de cujas características lingüísticas Freud tirou partido para enfatizar determinados aspectos.. Considerações Metodológicas Nesta sessão. Fédida.. Apesar de a existência destas disputas mostrar que não existe um único e "verdadeiro" Freud encontrável nos textos originais e que.pero tambémqu~ evidencie a. bem como contribui para acrescentar vivacidade e precisão à leitura de certas passagens. etc.. mas que. se estabelecem as conexões teóricas entre os conceitos psicanalíticos designados por tais palavras. aEQ!!!--ª"-p-ª!:ª--1.!gta_cltmcãgueç~~ª. Há no texto freudiano uma unidade entre a linguagem e os conceitos. o entendimento da obra freudiana é uma mera questão de esclarecimento lingüístico e de boa tradução.'dosideais-de-adaptação" quanto da.16 A TEORiA PULSiONAL NA CLÍNICA DE FREUO Lacan.. o qual. tampouco.i.b~ pelo pr<~zer. ao serem traduzidos. são apresentadas algumas das premissas e procedimentos que guiaram a feitura deste livro. Numa dimensão se interligam lingüisticamente as palavras alemãs.nal-para.-ª-1!l_ªli<:lª-de do texto de Freud. enf. tratam de maneiras diversas da questão pulsional. _E.ltizando. de interesse propriamente psicanalítico.Rm.psíquica. onde se aborda a teoria pulsional e seus desdobramentos na dínic. o trabalho pautou-se por dois focos simultâneos: pelas diferenças entre os significados da terminologia psicanalítica do português e do alemão e pelos encadeame'ntos e redes semântico-teóricas que percorrem o texto original. por exemplo neologismos como "escopofilia" (Schaulust). con~?_~~_verá. causam tal estranheza ou perda de sentido no português.a s:ida. dos casos em que o alemão pouco acrescenta. voltar a determinados aspectos do texto alenúo permite que o leitor se situe melhor nestes debates. ~t~J1tõ.

o Dicionário Comentado do Alemão de Freud (Hanns. Versagen (fracasso) e Versagung(interdição. Por exemplo. ora como elos diferentes de um mesmo processo (o brotar e manifestar-se da pulsão). Estaríamos no campo da livre associação. Reiz e Trieb são. continuar. < ( . a terceira grade de leitura se dirige. Por exemplo. en-contradas em dicionários e no uso cotidiano. etimologia. as palavras Reiz (estímulo) e Trieb (pulsão) possuem ambas um sentido de transitividade entre o prazer e o desprazer. L. Quando. Tampouco se trata do fenômeno. mas não suficiente. 2) O segundo modo de leitura aborda recursos semânticos e estilísticos que Freud coloca a serviço de ressaltar determinados paralelismos ou articulações entre as palavras. falar) e o mesmo prefixo ver·· (ir adiante. por possuírem radicais em comum. extinguir). por conterem conotações complementares. 1996). Procura-se por uma recorrência no uso de certas imagens ou expressões. é necessário que vários textos . ambos utilizados em conexão com adjetivos de dor. em maiores detalhes. A. ou em relação com adjetivos agradáveis e com o desejo \na vertente do prazer). acrescentou-se neste livro um segundo foco . apenas indicaria uma regularidade e coincidências lingüísticas quaisquer. paralelos aos empregados para o estudo dos verbetes: I) O primeiro abarca os aspectos lingüísticos que interligam os conceitos enquanto palavras. Portanto. Há vários modos de relacionar as palavras entre si: podem ser relacionadas por seus significados semelhantes.a investigação dos encadeamentos e redes semântico-teóricas. Este segundo foco exige a aplicação de três tipos de leitura.se destaquem claramente. Trieb e Reiz são. conotação). ao longo da obra.. sem um respaldo que indique que h~a um uso freudiano dos termos apontando para determinadas relações. não basta um uso ocasional. se inter-relacionam os termos. ao longo da obra freudiana. aos· aspectos teórico-psicanalíticos que inter-relacionam não palavras. Portanto. Isto implicou estudar as relações! entre os verbetes e conceitos. num trabalho anterior. Cada um dos três critérios de leitura é necessário. proibição) possuem o mesmo radical sagen (dizer. não seria possível fazer inferências sobre o texto alemão apenas a partir de meras regularidades lingüísticas encontradas entre as palavras. fornecendo aos leitores acesso às múltiplas redes associativas possíveis entre as palavras. através de verbos. por terem significados opostos. A esta primeira dimensão. quando se apresentam neste livro interligações entre palavras. advérbios e adjetivos. sobre' o interminável deslizamento possível de significantes e significados. processar. neste livro. não se trata de abrir conexões e sentidos. Estas características não estão presentes nas palavras "estímulo" e "instinto" em português.( 18 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD CONSiDERAÇÓES METODOLÓGICAS 19 bastante expressivo. Se o primeiro critério (leitura dos aspectos lingüísticos que interligam os conceitos enquanto palavras) fosse utilizado isoladamente. incômodo. os aspectos provocativos-impelentes comuns a Trieb e Reiz. para poder identificar e contrastar. fuga (na vertente do desprazer). Este tipo de jogo remete a um sistema onde qualquer relação que se estabelecesse valeria. Por exemplo. raiz. fechar. A metodologia empregada para a realização desta primeira etapa pode ser encontrada. 3) Finalmente. etc. certas características que interligam os termos. mas conceitoS. evocam a sensação de algo atraente que desperta um apetite e também algo torturante que se impõe. bloqueio. Sempre se encontrarão coincidências entre determinados aspectos de palavras (sonoridade. trata-se das relações mais freqüentes. tão bem descrito na teoria lacaniana da linguagem. as tramas teórico-temáticas que percorrem a teoria pulsional no original e se enfraquecem na passagem ao português. entre o alemão e o português. medo. Imago Editora. Contudo. Por exemplo. por exemplo.ou repetidamente num mesmo texto . tratados ora como equivalentes (sinônimos aproximados). mais centrada sobre os verbetes individuais.

lapsos do autor. há uma tendência a se compreender. Entretanto. etc. ou exigem que se supostas mudanças no percurso teórico para anular outros usos anteriores e posteriores dos conceitos e inserir à força uma ocorrência excepcional como se fosse parte fundamental da obra. conclusões apressadas. revelaria tramas lU~'H_\J­ mas não as tramas temáticas e semânticas do Uma leitura que. para não se tirar. a "repetição" e a "transferência". bem como impasses por ele deixados de lado. tais inferências acabam for- CONSIDERAÇÕES METODOLÕCICAS 21 çando coerentizações onde não as há.. além de uma comparação com textos alemães psicológicos e médicos da época. a concepção lacaniana de ideal e ideal de de preclusão. empregado por si (sem a simultânea validação dos primeiro e terceiro apenas apontando para cacoetes do estilo.~_. ou a aparição isolada de um único exemplo. Assim.. . trabalhar a partir de ocorrências isoladas e de exceções que figuram como corpos estranhos no conjunto da obra e desafiam a nossa compreensão não apenas pode revestir-se de interesse para uma leitura hermenêutica e de exegese.. Tomar-se as exceções. alienado dos outros dois. Por exemplo. apesar de teoricamente relevante e claramente presente na teoria freudiana. no texto freudiano em português.. etc. ou pelo menos serviram de pretexto argumentativo para suportar inovatais como a elaboração do conceito kleiniano de contratransferência. rios). Contudo. Não se trata de uma conexão que apareça no texto alemão de forma diferente do português e que tenha permanecido oculta ou enfraquecida neste idioma. um trabalho teórico. Portanto. Apesar de cada uma destas três grades de leitura pautar-se pela pesquisa direta sobre o texto de Freud e avançar sempre aberta a incorporar observações inesperadas. . a relação entre a "compulsão". uma trama teórico-temática. recorrentemente explicitado no texto. articulasse. recorrências inconscientes. pois visa aproximar o leitor de importantes aspectos da teoria e clínica freudiana das pulsões que permaneceram retidos no texto alemão daí a necessidade metodológica de operar com aquilo qu~ est~í. bem como se há para o brasileiro dificuldades de entendimento devido a diferenças de polissemia e conotação.20 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o segundo critério (aspectos literários) revela uma tonalidade que o texto..'r . foram retomados. Não se lançou mão de usos isolados e de trechos ou notas excepcionais para apresentá-los como evidência e argumento.rn'>r. Muitas prováveis intuições e antecipações de Freud.foi considerado legítimo identificar um Leitmotiv freudiano.. o terceiro crivo de leitura (as conexões psicanalíticas). Estas permitem verificar até que ponto conotações distintivas do termo são ou não evocadas para o leitor alemão. a leitura empreendida aqui não é desta natureza. contudo. o mero fato de Freud utilizar uma terminologia mais calcada em termos germânicos. como também tem sido fonte de inspiração para grandes avanços na teoria psicanálitica. Seria tão-só.1". Para tal. a partir das primeiras aparências. não estaria abordando um problema derivado da tradução. uma busca de comentários de Freud a este respeito. recorrentes e suportadas pelas três grades de leitura. por exemplo.. a palavra "frustracão" con10 "rlp('pnd'ío" 011 "P<:t. foram fundamentais as discussões sobre as M". a regra seguida aqui é de apoiar-se em ocorrências numerosas. . não seria possível conduzir tal investigação sem ter selecionado previamente pontos específicos a focalizar. somente onde foi possível fazer as três leituras convergirem simultânea e repetidamente ao longo da obra. em vez de greco-Iatínos. Finalmente. desenvolvidos e integrados a riências clínicas e a aportes de áreas afins. não é suficiente para indicar uma linguagem psicanalítica mais humanista e menos "técnico-médica".__ de entendimento entre leitores e brasileiros. Por exemplo. Muitas vezes.:>r1 . do ponto teórico. É necessário que se faça. para gener~lizá-Ios para o conjunto da obra só é possível a partir de muitas ilações e inferências que supram a falta de evidências explícitas fornecidas pelo próprio Preud.

Nas ciências empíricas. toda bipótese pode vir a se tornar. numa eventual tentativa de comparação crítica entre as divergências encontráveis nas interpretações dos aulores supra-citados. isto se deve menos a uma crítica às posições de cada um e mais aos critérios de investigação aqui adotados: Assim. Encontram-se boas sínteses a respeito do tema em Lakatus. no texto alemão. Orston e Mahony. Etcheverry. que Freud não adere aos conceitos psicanalíticos uma cota do sentido fenomenológico contido nas 3 Uma discussão crítica das diversas vertentes interpretativas implicaria estabelecer um campo de comensurabilídade com os referenciais teóricos de cada uma e. porém alguns teóricos que se ocuparam das questões da linguagem freudiana e influenciaram este trabalho. Ocorre que muitas das idéias a respeito do tema. bem como com o uso freudiano das palavras alemãs. uma boa interpretação deveria manter-se em sintonia com o uso coloquial alemão. Este tipo de diferença tem implicações decisivas na compreensão do processo de etiologia das neuroses e na prática clínica. não foram incluídos. \ I~ I~ . Laplanche.lis e os que defendem a idéia de que. "solapar". destacaçla por Mahony. Uma discussão crítica a respeito destas e de outras interpretações vigentes nas várias escolas não foi realizada neste livro. hoje disseminadas. Além disso.lng. Isto porque. empreitada que nos desvia~ia em demasia do foco de trabalho do presente livro. seria necessário demonstrar que o manejo lingüístico freudiano não vincula os conceitos ao sentido das palavras. Contudo. P. "bloquear". ou o sentido de Ang:st como "angústia" na abordagem laplanchiana. Estes dois critérios deveriam. provêm de fontes tão diversas e de justaposições tão variadas. CONSrDERAÇÓES METODOLÓGICAS 23 ra".eslrlo. hipóteses antes desconectadas. Papirus Editora. em especial. bem como entre estas e as interpretações derivadas da presente pesquisa. sem preocupação' de representatividade estatística. porém. mesmo que em contradição entre si. hegemônica num determinado grupo. isto é. bem como na hermenêutica. apesar de sua importância. não como hipóteses a serem testadas. dentro do texto freudiano. mas visando rastrear dificuldades e mal-entendidos de leitura recorrentes e essenciais. Eco. é justamente a comparação entre interpretações ou teorias divergentes. frente 11 insuficiência dos instrumentos da lógica para analisar as divergências teóricas e frente ao poder dos afetos e da retórica. 1993. A pesquisa sobre o texto freudiano foi realizada a partir de uma leitura pelas diferenças entre os significados da terminologia psicanalítica do português e alemão e pelos encadeamentos e redes semânticoteóricas que percorrem o texto original3 . tanto em epistemologia da ciência como em semiótÍca. talvez dois bons critérios pudessem ser: o grau de coerentização da obra que uma interpretação oferece ao lograr dissolver determinadas contradições e a capacidade de articular e integrar. Este mapa de dificuldades de leitura foi obtido empiricamente pela convivência com grup?s de estudos e discussões com alunos. romper) no texto freudiano. por exemplo. se for considerado que no texto freudiano os conceitos psicanalíticos. A Cientificidade em Q!. utilizaram-se as idéias destes pensadores somente como guias temáticos. Cambridge University Press.ll ser citados: Bettelheim. definir critérios de validação.K Consolat'ion far lhe Specialíst. ou a importância dos verbos compostos com brechen (quebrar. deveT. ser agregados aos parâmetros lingüístico-psicanalíticos anteriormente descritos (três grades de leitura). [nterjlrelaçrlo e Sllperinterpretaçrlo. por fim. Se nem todas as conexões apontadas por esses comentadóres foram incluídas. isto é "conseguir frustrar as intenções". Oliva. conforme as circunstâncias. A. mesmo sendo mais complexos e abrangentes do que as meras palavras alemãs que os designam. corresponde a "frustração" na acepção de "impedir". Lacan. e Musgrave. também foi necessário guiar-se por uma concepção teórica das questões de linguagem na obra de Freud. }'cyerabcnd. desde a década de 50 não se ultrapassou o impasse entre os que acreditam ser possível comparar teorias e interpretações em bases racíon. Vale lembrar que um dos maiorcs dcs<lfios. que se torna difícil discriminar sua autoria. Para poder dispensar-se esta exigência de coerência lingüística. enquanto Versagl. A Criticism and lhe Growth ofKno1JJledge. Strachey. apenas como balizas de estudo. Preferiu-se utilizar as contribuições teóricas.22 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD . 1970. 1990. ainda estão conectados aos sentidos destas palavras. r. U. Entretanto. a diferença entre Ding e Sache na teoria lacaniana. Martins Fontes.

em muitos casos se esgarça na tradução. alternadamente. conforme mencionado..tlemão de Befriedigung e a diferença entre esta palavra e o termo português "satisfação" é útil para elucidar e dirimir certos mal-entendidos freqüentes em português sobre o sentido psicanalítico do conceito de "satisfação da pulsão". mesmo quando potencialmente se pode iden· tificar em português as mesmas relações e enlaçamentos que as presentes no texto alemão (por exemplo. a qual Freud descreve utilizando. para enfatizar uma mesma idéia-tema que caracteriza certa vertente psíquica. Verwerfen (rejeitaljprecluir).. que ajuda a conferir uma certa tonalidade ao texto. Por exemplo.24 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLíNICA DE FR~:UD CONSIDERAÇÔES METODOLÓGICAS 25 i palavras alemãs coloquiais. a opção foi de concentrar-se na busca das tramas semântico-psicanalíticas do texto alemão que se perderam nas traduções e deixar por conta do leitor eventuais comparações críticas. Freud trata de grandes tendências e contratendências que ora se opõem. mesmo tendo particularidades na sua inserção nos mecanismos psíquicos. diferenciando semântica e depois psicanaliticamente umas das outras. Duas características essenciais das conexões e tramas semântico-psicanalíticas apresentadas neste trabalho é que elas agrupam palavras que podem ser arranjadas conforme conjuntos que expressam uma mesma idéia.~que se expressam poqramas"enfáticas. e momentos em que o (jutor detalha processos espe. etc. Este não parece ser o caso da maioria dos termos psicanalíticos. Trata-se. também têm em comum um dinamismo que ativa e movimenta o sujeito animando suas ações). Angst (medo). Todas expressam intensidades e qualidades diversas de uma ores- são incômoda que se impõe nas várias dimensões da vida psíquica e formam um bloco que se contrasta à contratenciência de evitação. o conceito de Befriedigung (satisfação/ apaziguamento). Todavia. portanto. quando contrapõe a tendência dos estímulos incômodos de se manifestarem à contratendência da psique de evitá-los. onde as palavras que compõem cada grupo possuem um sentido em comum. tanto entre as interpretações vigentes como nos casos onde há discrepâncias entre estas e os resultados da pesquisa. oride pred~)I~_I1~~~~~~~~~dem~ç:ª-I1~s_rf1~~s:--~·_-Esta rede de semelhanças e diferenças entre as palavras alemãs. descreve um fenômeno que corresponde à sensação que coloquialmente é descrita por Befriedigung. em português. Freud diferencia e articula os termos entre si. Trieb (pulsão). as diferentes tendências de comreensão arrai Fadas em cada idioma deslocam o entendi- . l)tiliza então várias palavras que formam. um bloco semântico comum. Entretanto. Unbehagen (mal-estar). tal qual em alemão. usando cada palavra para nomear uma função específica. Freud emprega. com freqüência Freud chega até a comentar os significados coloquiais particulares das palavras alemãs que emprega. bem como dar-lhe maior precisão. Drang (pressão). "pressão". as palavras Schmerz (dor). que se articiíra~~ por traITias~processuais. iam a partir das diferenças entre os significados de cada uma. "estímulo" e "instinto"/"pulsão". palavras como Abwehr (defesa). Muitas vezes. Entfernen (afastar). portanto. quase como equivalentes. em alemão. Há. quando sistematiza os processos. Reiz (estímulo). no processo primário. os quais estão vinculados às palavras que as designam. Como se verá ao longo deste livro. Por exemplo. uma alternância entre os momentos em que o~text~-'f~ellciiano se referea tendências gerais. algumas conexões que havia entre as palavras originais. Zwang (compulsão). como uma seqüência. quando d~screve princípios gerais. ou podem ser dispostas como palavras que se articu. secundário. Ao descrever os mecanismos pelos quais a pulsão se manifesta na fisiologia. portanto como um bloco. Às vezes se logra encontrar para cada palavra uma correspondente em outro idioma. Unterdrückung (supressão). perdem-se. termos con10 "energia". de contrapor genericamente dois blocos. conhecer o sentido . "obsessão". Verdningung (recalque). Contudo.onde predomina umãTcI:élaforça. ora se complementam na vida psíquica. bem como para explicar os mecanismos de evitação correspondentes. porém. neste caso.

~. inter-relacioná-los. onde todos os elementos se inter-relacionam. em alguns tais tramas que percorrem a obra casos a discriminação freudiana funciona. poderia ter mantido. bem como textos que abarquem diversificadas. Portanto. Cabe ainda um comentário a respeito de como se lidou com as constantes reformulações a que Freud submeteu a teoria pulsional. apesar das alterações conceituais. os encadeamentos não diretamente envolvidos nos processos pulsionais mais imediatos foram apenas citados marginalmente como contraponto. ----. O mesmo ocorreu com o termo Trieb. apesar de sua utilidade.I 26 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS 27 mento de cada termo. foram deixados de lado. foram selecionados trechos de textos variados e. mesmo Freud tendo invertido a concepção da causalidade recalque-medo para medo-recalque. pois foi mantido o foco sobre o tema central.). Embora o arcabouço psicanalítico forme um sistema interligado de hipóteses. a clínica. Também quando trata da defesa. nem todas as tramas que resultaram da pesquisa foram incluídas com o mesmo destaque. enquanto esteve em evolução.~---~----. ou redundantes. ora é a supressão ou a recusa. Quanto à seleção de textos. tais perdas tornam alguns trechos difíceis de compreender. etc. esta norteou-se pelo objetivo de apresentar. remetem à exeqüibilidade de se falar numa tonalidade geral da obra. em outros é o afeto ou o desejo. Em geral. alterando a tonalidade do texto freudiano (a qual tem sido muito debatida na literatura especializada). a biologia das espécies. a natureza. manteve-se no texto alemão o sentido de prontidão relativa e a respectiva neurose de Angst como uma disposição crônica ao medo.~-~~'"~. ou menos emblemáticos. a teoria pulsional freudiana. Como pode-se constatar pela referência bibliográfica das citações em cada capítulo.dQ_ reelaboradodiver~<lS_Ye. me~~~reud_t.--. os mecanismos de defesa específicos. além dos textos clássicos onde Freud trata mais diretamente do tema. os quais estão comentados em detalhes em diversos capítulos. levando o leitor a um entendimento mais estereotipado que ignora a influência do contexto e a riqueza polissêmica. Estes efeitos geralmente não chegam a perturbar a compreensão da obra. Também permite deslocar a problemática a respeito da pulsão e da defesa. exemplos que cubram um largo período (de 1895 a 1937). como chave geral de leitura. Por exemplo. a questão da regressão. em todos algum aspecto da teoria pulsional aparece de maneira especialmente ilustrativa. Isto não significa que se tenha evitado a contradição dos contraexemplos. etc). tão freqüentes. e mesmo tendo sistematizado melhor o conceito ao diferenciá-lo de Furcht (temor) e Schreck (susto). Contudo. optou-se por utilizar. a teoria de angústia/ ansiedade. algumas preponderâncias na articulação dos conceitos da teoria pulsional. de um aparente hermetismo conceitual (a ser vendado por uma leitura exegética). através de numerosas evidências. Tais alternâncias causam freqüentemente dificuldades à compreensão. de certa forma. Tais alterações. esmaecem-Ihe apenas o colorido.1:es sua -----_. bem como se pretender identificar tramas que percorram um conjunto de escritos redigido em épocas tão diversas. em outros é a representação. por exemplo. tentativas de coerentizar uma obra assim vasta acabam forçando uma harmonia interior que nenhum pensamento. Por isso. ou até incoerentes ou incompatíveis. ora o mecanismo central parece ser o recalque. para uma discussão do esforço de Freud em inserir e desenvolver tais conceitos no arcabouço psicanalítico (compreender seus mecanismos._n. ou até excluídos (por exemplo. tais como a fisioiogia. Isto significa que necessário verificar quais aspectos permaneceram marcantes na tonalidade e uso lingüísticos._-------~~- . a metapsicologia e a cultura. no conceito de Angst. Assim.. Uma leitura do texto psicanalítico que leve em conta os diversos manejos das palavras alemãs dá maior unidade e coerência a estas colocações. classificá-los.s. em certos textos freudianos é a pulsão que é objeto de recalque. em certos casos.. Textos mais periféricos. enfraquecendo as ligações que havia no alemão. Entretanto.

()_ ~()rp()e a psique e que nunca cessa de se" ma. certamente ele permite cobrir de maneira sistemática uma porção relevante e significativa das linhas de força que perpassam a teoria pulsional freudiana. ou como movimentos de um pensamento. pelas dificuldades de leitura efetivamente constatadas nos grupos de estudos que utilizam textos em português. podem ser lidas diterenciadamente como resultados de rupturas e superações de etapas de teorização.da pul~. que oscil. 206·209. pela pesquisa da bibliografia anterior e por uma verificação sobre as implicações clínicas de determinados entendimentos de leitura.n!festar. "não parar"-e"empurrâ'~ÃbãlxÕ:-OS principais significadósatuãlriieOtêâiciónaTizados do termo: 1 -~nterl!~ qu.s sobre a melhor tradução de Trieb para o português não serão mencionados neste primeiro capítulo de cunho apenas lingüístico. pois sem maiores elaborações sobre o uso freudiano da palavra ficariam restritos ao uso coloquial do termo. 41. pela observação do uso literário que Freud faz dos termos.a@Q1í~P!!:2 p<:~(':ne(t~r!1béf!1utlllzaªo comô~rbo).'s--úrras e pessoas. pp. acaba por rearranjar e reagregar elementos. pr~_~'-?!':Içl~cionados a umnudco básico de s~n-tido: algo q~ê "rropulsioI. Os debate.t. em um caso como em outro encontrar-se-ão determinadas tramas temáticas e conotativas que permanecem constantes. n..!!10s ªspGctos. Assim. Trata-se de um modelo sustentado simultaneamente pela comparação contrastiva das línguas alemã e portuguesa.28 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FRELiD t~iapu~~~()_~~1'J_)~rma.-"tOêa para fre~te". como indica esta sucinta ilustração do método de trabalho adotado. Há os que cerram fileiras em torno da tradução por "instinto" (calcado na tradução inglesa que emprega instinct) e os defensores da alternativa "pulsão" (baseado nas traduções francesas que utilizam pulsión). Uma nota mais detalhada sobre a tradução de Trieb aparece no apêndice ll.:_impele ininterruptamente_para a . mais que apoiar-se numa das duas opções de tradução é útil conhecer o sentido alemão da palavra que Freud empregou.oVÍriíCnto"'. Estas e outras diversasaiteraçO"es no dos termos. Entretanto.Q!·~~. mas não é urna livre associação ou um livre-pensar.. Os R~njficaps>"s !Il--ªi~~omuns de Trieb em dicionários alemães estão todos muito"próxímos uns dos outro§--º ~m.ão. da conexão lógica-teórica que articula os conceitos.-a·'."cõrocaeiniii. às vezes reflexos de mudanças conceituais que vão surgindo ao longo da obra de Freud.QIJ1~ algo que espicaça._~~t:~a. pelo estudo. se por este método não se tem a pretensão de ter abarcado todas as questões teórico-clínicas do campo das pulsões. de conhecer nov. Sentia u~ ímpeto de vive1~ de viajar. atualmente tradutor~s e analistas dividem-se em dois grupos. que mesmo quando renega hipóteses anteriores. que p-e[!. Portanto. PARTE I A Pulsào lOque significa a palavra pulsão (Trieb) no alemão 4 Em se tratando da palavra Trieb._c. nem "instinto" nem "pulsão" cobrem os significados do termo alemã05 . rastrear as tramas temático-teóricas retidas no texto alemão e apresentar o pensamento de Freud integrando a dimensão lingüística através da qual ele se expressou é uma atividade de tentativa e erro...--"'agUílhoa-. Para estudar a teoria freudiana de Trieb. . Como ficará claro ao longo deste capítulo. 4 !'í Este primeiro capítulo reapresenta as considerações lingüísticas que constam sobre o verbete Trieb no Dicionário Comentado da Alemão de Freud (1996).'l_~ntre prazer e desprazer.

.:o défiiiido..qUe. fi~a adiantado q~~..Iambém é empregado emSQmposiçãocom outros ter~~s para n9Il1eadmtiIltQs~~~pe~íficos (Ausserungs-_ trieb.fãnlbé~ é -. moções. Um novo broto apareceu esta semana.de expressar. idéia! representação (VorStêllflng')'TaITiliempode-se notai-:-noer~..--'--- ---C) TeTIl-'ü·-senÚdo de processo mecânico transitivo e intransitivo.jndit:@.. neste uso variado. na biologia.--------'---- algo que estirr!. instint(). pressão (Dmng).~~-?-inda...designa as.!!ma in~pontânea)._~ã2jl!!~rn. e filosófica. (Regungen) primitiv~s e naturais . na filosofia e na psicologia. aparece em conexão com o amor e a sensualidade. ---. técnica. rebento (vegetais). 3 Instinto. moüy().Tda"que tem efeito em geral esp~~t. científica. dotando o termo de urna ampla gama de sentidos.-. irmãos Grimm.il:eo.m:p~egad()cgmosignificando um temperarneI1to forte ou tenacidàde: "-g) Na fil()~of!<l e psicologia do século XVIII. contudo.1-. comercial. Nachahm._-~-_. e .-~.:s:ão~ (Zwang). a propulsão (freqüentemente referindo-se à força propulsão da água). Apenas a título de menção. reÚgiosa. na língua corrente..Ansi. na mecâ· nica.~..-..ti. Designa. 5 Broto.---------- .entidode. Para melhor cercar o termo em seu colorido e polissemia (múltiplos significados). coligidos de várias épocas e regiões de língua alemã...2~!~~~~ivi-_ nus . designando o empurrar. literária. bem corno na linguagem comercial.rçfç!:i. na acepção de propul~ºr..f!9-()=~e em _<L~L~)p~!!~<?_~g::<::..E<::!e:. plagen.prego-cor-i-enü. o qual promove a saída de dentro para fora. o broto que nasce do caule (também utilizado como verbo). Pode-se reconhecer.PI~~são) conl_l!.dirigídaª cert:-1st'in~lid~~ieS::-'A ~ri~~-... Pode ter o sentido de um})mng r~mia.r. remete à imagem de força dos seres vivos em geral.. . pl:azêt:vontaâe'(Lust)-e-CO'efção-comE~~ -( ZiiJang). bem como a atividade de tocar animais que estão sendo caçados. Tamb~m é empregado na de o~jetivo.Ij1~ o~jeti-.?-J.. f) Na açs:pçª-º. d) Na botânica. não aparecem em atuais dicionários. tanger) o gado.. tímulo" (Rei~).--------. Nele os autores.priI1çipj?.. vale uma breve consulta ao monumental dicionário Deutsches Worterbuch. b) N a linguagem Iiterária fil?sófi~a .._ ~ --.aüSLy~1O.!1O"y.c:l___QLǺgl:I~~lsã~7é~e. Os empregos do termo descritos a seguir são apenas um resumo do extenso item em que os irmãos Grimm tratam do verbete Trieb: a) Designa a ação de treiben (tocar..:~!~_r:.itrZeb: instinto de imitar.:.~~aooncepção de pulsão como ( .. Ele segue cegamen'te suas incli· nações. Também designa a força motriz em máquinas e do vento. A palavra alemã Trieb era empregada há séculos.de força motriz interna. e) Num uso bastante incomum. sem respeitar nada e ninguém. Dmngjânsia. .:I!~~ dos.. diversos aspectos também presentes no texto de Freud e que ainda serão esclarecidos mais adiante. é encontrado também no sentido de forte influência ou tortura (quãlen.. A maior parte destes usos continua atual. tem o sentido I!ls.~arece!:9_l)1~) vo~tade .vont*-_p~~ecessrdade-).etc~)'-----'--"--.J:endência... também aparece na técnica de artilharia como sinônimo de tiro..-g. um sucesso editorial na época de FremI.çe. na botânica.~.-eest~~I(iJR~i~). Estes usos variados se fertilizavam mutuamente. expressa o Drãngen (pressionar/ansiar) inerente aos seres viventes. . ~~ ~ -"'"-~ " ". r~t(prazer­ vontade) e Energie (energia)._~--"-~~~.--h) Na literatura e poesia."--".exi~~~º)_sig~ific~i:lo'-:'<:s._. sentiu um impulso (ânsia) de matar (Der Morder spürte einen Trieb zu morden).:xl~_~~.30 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD APULSÃO 31 2 . Peinigung) [DW. .10m. o termo se refere à força orgânica que faz brotar.T~to de mamar. força inata de origem biQlógicª. 2-1.Y} . intensa (também utilizado COJIW ve_r:. como 1!m.há uma relaçãoe116.1:>Ql: () assassino . -'''~----. ou ainda como sinônimo de força que impele o tiro. os quais.ou no _S~!!!is!.imI?Q!~ºJIQ~s.a1 go.t.:r. ..~ç-ºl()-1c. Pôde:::raerlr~se--:-aumâ-fõiç:a interriâ-fnd~fi-. apresentam dezenas de exemplos para o uso de Trieb na linguagem corrente...~ 438).

. (pa radigma (visão \ (psicolQgia) bio IÓgi~:) neuroanatômica) L-.Isi~!!aissit:uada~ em. glândulas. trata-se de uma Força Impelente dos seres viventes. Tendência.~tade-:-i~p'y..5[l1_~rt:r" . 'por Fieud Fin '\idad~ (Mundo Psíquico F". --.I. podemos didaticamente classificar a manifestação do Trieb em quatro níveis. [ontesp_y...~i~~i~~~~._2. ~. Essa Força Impelente manifesta-se em todos os níveis de existência dos seres vivos. isto é.ina1rn~rr. / / /..Jisiológico .I~窺. de forma geral. tomarmos o conjunto dos empregos do termo encontrados em antigos e atuais dicionários.G...É. etc.õindivíduo co~9_ fç. que serão úteis para compreendê-lo no contexto freudiano... Afeto..~ io~ç~~g.de'~-.i::r:Euls~. será percepido como ferlÔmenopsíquico'1iãeíã.::.Q~s.tES-~i (em FreúcCi:lUlsão vida.. ------...~.)..medo. " A Pulsão na Língua Alemã DIMENS ÕES ONDE SE MANIFESTA ------- Na Natureza em Geral Nas Espécies Elológicas No individoo da Espécie I .A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APULSÃO 33 algo poderoso e energético seu caráter indefinível e absoluto e seu caráter oscilante entre o prazer e o desprazer. a) Como ocorre com vários termos da língua alemã.b... bem como no texto de Freud."ªl~. isto é..somático:energético.'!rieb aparecerá para o indivídt.. c I b) T rieb. mais algumas observações sobre Trieb. ?e-s~'._f!.fC:E~ do mdiví::I!l2:-~_ For:ç. Idéia.<:~~9.-<!~~r..~-ª.e-i~PeI~' e a sensação queela provoêã(sÕb-áfo~-~. notaremos que._~~. o~ . descrita como: a) P!"9.(?.Jr..a.ação desse "arco".....5!~~ si~ .. Trieb pode se manifestar ge~glçalT!~J:.que . -.if..inéíi~.31_~~t.31 u lll . impulso) e iráiíhpeli-Io para A tabela a seguir ilustra o uso do termo conforme os critérios descritos acima.~~~-._---.-.. e~ç~f--~""-'- .~~~te~-portanto._--_..Pe. ~~_.)._PQde tªI!~<?2ssumira f<?r~ um "instiI~!:l~~~~.-ªnteri9. .. na esfera da biologia há pulsões mais genéricas (reproduzir-se) e outras mais específicas (reproduzir-se assexuadamente): A seguir. l/Para0 :indivíduo da Cultura FORM AS DE MANIFESTAÇÃO . abarca um "arco" que parte do absoluto e grandioso....~--.. Necessidade. Representação.n9l1!~no-.Esta mesma grande Força que Impele pode manifestar-se como Força Biológica específica de cada espécie (pulsão de reproduzir-se..P. . .... ---~---- -~ Grande Força que Impele Instintos ou Disposições Estímulos ou Impulsos Nervosos í .brQ!i!:E~.. nervos.i_gn.-" . 3=.L: mente. passa pela espécie e chega ao indivíduo específico.b. e isto ocorre tanto no arco completo abarcado pelo conceito quanto dentro de cada uma das colunas (por exemplo..--r___-"--'-. D~. // Imagem Interna.r:t.<:.O. I 4 -.". ".~o-. . Trieb d~~to o ~gênteCextérnõq~ãnto~-~ieit.Von~ tade"çlorJ. ~~r._.-dessa Bz!S!1:.ª I~pel~~_m~ora.E..":'º_Zri~~. sensações.~l!~!~?u pfiq~{P!()2.. de mamar.l!~ como uma gran_c!. 2 . . de gregarismo). de morte..._-_. :r!.dcsca~ga:' . !]ue Im. ª--ª-g!.Q:Frieb pode aparecer como manifesta~_._ 1 _ .e~mlly.eurônios.Na língua alemã. n~I!!!gml:.t circu... etc).ce­ hlêIo intún.t?.~- ..ea . Vontade CAM POS DE INVESTIGAÇÃO Sentido (metafísica e filosofia da biologia) . Para facilitar a visualil.--...ologi....f!!!:. Impulso. .SlllJrºJªgº. . O termo vai do sentido mais geral ao mais específico. ----. e b ) como processo energéticg~econômicoonde_ esÚ-'em jogo o acúmulu" de ~~nerg(~:-.

) Segundo a concepção rabínica.~r. se torna plenamente responsável pela observância da lei.. o querer e o desejo. quando usad0. . (. e a aplica a seres humanos. os quais vão se acumulando em ciclos curtos (por exemplo. em alemão..- - í \ '. (.~<:mte do gue~' --"------.. tÕ!tu~ rante se não o realizarmos (ou não o satisfizermos).érkº--<.-~ia de Comportalllento-I)irlgiâo~lAfivia&s.D.. p. Assim.arçº-que se inicia na orig~!=omo. é possível também encontrar referências a Trieb na cultura e religião judaicas.~ionalmente utiliza.. Apesar de Freud preferencialmente empregar Trieb. ._.:. Freud pode ter conhecido este conceito e sua interpretação a propósito de textos bíblicos diferentes. também á palavra Instinkt corno sinônimo de Trieb.raLdos_S_eres~YiY.~----~.~oh:'. Para Frcud. por exemplo. não é de if[l~~iato perct':bido como tOEtl~raJ:lt..semp're. . Enquanto a primeira já exerce seu poder no homem desde que ele é bem criança. O dever do israelita só pode ser o combate constante contra a pulsão má..:g~Tr~eb. não 'r~spirar. Ambos podem ser empregados para seres humanos ou animais.tiga. que evoca a idéia de força.a base~omum a partir dá qual se gera <.?. que remete a uma origem intangível.n. respirar.J!lgD--ge.t::..).maciça~t$ (fome. jetos Determinados.. é mais de natureza conotativa e de amplitude de signifiçação.: ele traz.. o Trieb.!:~E~~ie. não pode estar na origem do mal.._••.v~~~~ J~-':--:-. .§_~..-_.34 A TEORIA PUISIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APULSÃO 35 .-. por um mau uso.. de des. mas gerallllent~5iiiãí1_do ref~re-se a uma força biológica leva os membros da esPécie a agir v. éTiücialmenre~rrléstlmufõ(piemcenti.-_. as pulsões naturais.5> mo~EI~ so ou Tendência do Indivíduo.. eng1JantQJn~ki. transformou a pulsão natural em pulsão má. torna~_s~. --------- -. "entre u~'comichã'o'e um imperativo.__ a ânsia... nã~ comer...._--. ) Portanto.t. tal como se observa nas necessidades corporais (comer.. ser empregado em alemão na -"instinto'~-significaíiaõ-u:rrra. E. Foi somente o homem que.. já que Deus. não se tratando de diferenças entre aquilo que é biológico-animal e o que é humano.. ao completar 13 anos. respirar) ou longos (por exemplo. como se fosse um "gerador" que reenvia estímulos ininterruptamente. geralmente se admitia que a pulsão má era mais antiga que a boa. Er~Ji~eb abarc-ª~tQdQ. a pulsão de autoconservação (Selbsterhaltungstrieb) e a pulsão de procriação (Fortpflanzungstrieb) são neutras do ponto de vista ético. o_. j.~lljei to isolado. manÍfestação dessa Força na esPécie como Te~dê..... ou desagradável..<:le é_a~:bª~ .. (Strack e Billerback IV.1pais-a.da inserção do termo na língua e cultura" alemãs._----. naturãlOllprincípio biológic!>~~.E. d).5ie~. aborda as leituras bíblicas de Freud na infância. c) Quanto ao se1:!s:ill9rido afetivo. -~~~~reg~ em alemão há um continuum entre o prazer e odesp!~3.. etc.~iinp-ele-..... ( _. de atemporalidade e de um arcaísmo. quando brota no"sujelto.-o a mesma Ocasionalmente. a vontade. Ou seja.r \ 0-'" estereotipadas. --_. com seu conceito de com~sâ. ma~e_2. oc. ele se acumula e se transforma-ôê :'incentivo" em "imperativo" que. uma 1~-decfSlva a respeito cfeste~~~var-..-umapetite-de'cõmerr-Qu-ãndo não tal qual O "impulso de respirar". a boa pulsão começa a ser eficaz apenas quando o israelita... necessidade de comer).O termo Trieb eventualmente. o Trieb manifesta-se de forma incessante. Pfrimmer comenta: talvez' em sua teoria das pulsões que Freud mais se aproxima da interpretação rabínica a qual fala com muita freqüência das pulsõcs.. ~~-_. 344-5._!E~!p_~oal.2-~ntiQQ__dcfQ!-º!. e) O te~.Q. etc. As duas pulsões têm seu lugar no coração humano.isarul.. bem de acordo com o emprego alemão do termo. é algo carregado delí1CIet. . F()rça Imps:Jente G_~.. excursus). se utiliza como sinônimo de lnstinkt. Théo Pfrimmer.----_.. distinguindo a boa e a má pulsão (.ªiLa.--_. em seu livro ~Freud Leitor da Bíblia (1982).--~- é possível realizá-lo..erminaçao.o de repetição. reproduzir-se). Quanto à pulsão.~~ge pnmordialmente1... que se renova a cada dia. Segundo a literatura rabínica.~l}~ç~~~tl1Il1l?~~_~. como Criador. 19.dá~~nporexeínplõ.~b_?~~.. bem como ambos podem à biologia ou à percepção psíquica dos Se há alguma diferença entre os impulsos ou dois tennos.

pode-se depreender que a palavra Trieb tem usos bastante variados e ricos no alemão. .. Todavia.<{s. mas a várias.o -. Tr~ mun~intern~_~J?~!~_~~_~Af~rª. ou que o termo se constitua como um conceito articulado.---~ sexuais e destrutivas ocupa~_~l!l:}~g~~_<:::ntr~~ be"m_ ..formgl9:9-0 propriameI)te um~!~Qria. na biologia ou na relIgião judaica.-mE~cfo B1iiiti[d. Em certa medida.~?-.-' . -'-' conceito num construJo_psicanalítico no.' _. ~\ a ' \ !r~ 2 -estabelecer as bases fisiológicas do psiquismo e \)!}A. ~---_." Projeto para uma Psicologia (1895) [ESB 1..!l_~g~g~(lg~!!}. na psiquiatria romãntica. sua sistematização teórica abarcava todas as dimensões habituais de significação da palavra Trieb na língua e cultura alemãs. afetos) e a fisiologia pulsional (os processos neuroanatômicos e energético-econômicos). em Schnitzler e Fóntane). na biologia.. no seu emprego cotidiano.§t[i_~_<l!.._p:ul~ion-ª!" ma. Freud. pp.-s afet.~__ !:. sofreu influência de diversos campos do pensamento.. demasiadamente disseminadas pela cultura para que se possa determinar a quem se deve a originalidade de alguma concepção de Trieb. Contudo. Essa intenção esbarrou em dificuldades metodológicas e limites científicos. é difícil discriminar de onde procedem tais influências.---~. n.Y 3 . Ao modelo do funcionamento psíquico cabe captaLa$ filigranas da arquitetura psíquica e descrever seus mecanismos.rrJi'<'f-" 3 d/O'" 1 ." .. na filosofia. não está se referindo a uma dimensão de manifestação da pulsão. procurou dar conta de três tarefas: ._--. p<:Il~me_nto§_(IJ.<:l fica~~!Le. isto é.. 41. não teJja.?~~~_'.JçQJ:'.. _.~-~--~. as idéias já estavam.situar os fatores biológicos de nosso comportamento. se aborda alguns prós e contras destas duas opções de tradução.-.~S-ªM~~fr:ra. __p(ºPi!ªmelltç_ii~Q. teL in~~:r~(). 315J . . -. psíquiço (i~tQ é. p~~se considerar parteâcsua teorIa das pulsões como uma retomada hermenêutica daquilo que lhe foi dado na infãncia!' De tudo o que foi exposto neste capítulo.-~Il}a. enfeixe sempre simultaneamente todas as suas possibilidades de emprego. "pulsão" ou "instinto.----~ ---_. além de utilizar o termo a partir de seu uso coloquial e popular. Mesmo que se encontrem paralelos do Trieb freudiano na literatura (por exemplo._. Freud.---"---'---'--' . na psicologia.!9:..36 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREl._f!1as._~tªL_qual arar~~jJgra. na teologia.--" quaI_~PJJl.. __ . e Freud teve que suspender sua pretensào de estabelecer naquele momento as bases de uma fisio- .. Freud procurava estabelecer uma correspondência entre o mundo psíquico (idéias.___. 20(}. há muito. etc. _ . A Qr::igi!1~lidade e contri!:>_\lição-dcF[eud11ªgJºH~~ri_~çl9 º_çºgçdtQd~-I. tais usos estão espalhados pela língua e ocorrem freqüentemente de maneira estanque em muitos diferentes contextos.formular um modelo de funcionamento psíquico.--'" .l_P!:l:~ ~ç: maDifest<l~-f9!f1E-_ f~ºfti~l1o . "A intenção é prover uma psicologia que seja ciência natural. -prop.-"'--. representar os processos psíquicos como estados quantitativamente determinados de partículas materiais especificáveis. Trieb é empregado de forma variada no contexto de sistemas teóricos específicos. para acompanhar o emprego psicanalítico da palavra em Freud é útil ter-se em mente a polissemia do termo.i-~i-ntr~~!ii~EJÕR-ÕsS}yel dos conflitos pulsionais. tornando assim esses processos claros e livres de contradição. imp1:!lsos.JD A PULSÃO 37 literatura rabínica chama de pulsão má..." . .~iib.~I~ç:§es). --- fi Contorme já mencionado no apêndice 11.DSJljei~ Se:fI'~Q. entretanto. em Schopenhauer e Nietzsche).6. em determinados filósofos (por exemplo. ----. Seja qual for a opção de tradução de Trieb. .. conforme mencionado.. Portanto..209. desde o início. Não se deve imaginar que a palavra.sQ_es ._~_ II De que pulsão (Trieb) fala Freud Quando Freud emprega o termo Trieb. Como conceito.

eic~-. da fisiologia. para tal. F.isteI!!~ de forças pulsi<.c~.. algo até certo ponto paralelo com o que se poderia designar como uma teoria biológica unificada. .. . _p~mto de vista metodol~gico. "pulsão de gregarismo".s..<:s):i'~reuJl.J:)tQ.. mes'é-nlmornentos onde dificuldades em justificá-lo.ªªb-iologia) e sempre articuladas de forma dualista (geralmente contrapondo pulsões sexuais a outros grupos de p~!si:l.ao_lºngº_de_ tod-ªjLSU-<t~ obra..::t::Idª.s ·:.nito..~. de forma explícita no Projeto para ullIa o qual depois é abandonado por mosu-ar-se demasiado e complexo (na época. Teoria da Sexualidade (1905) [ESB. sua hipótese dcfinitT~~. idéia também partilhada por Jung).._ -m_<glece o P.i'~~d~:. co nc ei to. gL. Em Sobre o Narcissismo: Uma Introdução (1914).gic<. o paradigma tekcl9._~e o~e no sistema ~er~ a percepçã<... mo _Mas n-ª_o_bastav._<!~y'er!~~Lg<:::_::i9~~~Xe_~~f~0~. mas também a mais incompleta. .su~~ diversas tentativas de classificação foram sempre ~r:ganizàdase-m'Dases finalistaS Tseguindo . UtJ:lizã.-Puisão e_él~P.?~. de que hiJJmªjI).. q!:a ~~p. como por exemplo no seu debate com Jung.~e a fisiologia pulsional e a pS~'lll!:_ fossem relacionáveis entr~TIarrlaiilõãsse~acio­ ná véTs-à-dí?termrnanlessíiUãaü's 'lYãDiõrõgiàdãsesp~Cies~-" conta dessa corrclação._porlamentos individuais e cõTetIvos. bem como da biologia.l1 o~: "Pl!l~~()_~. como com os princípios da biologia.~!~ica~ Freud senlpre acreditou na existêncii de uniãbase química pulsional a ser desvendada por gerações do futuro (aliás. impº~~DJ~. da teoria psicanalítica" Três Ensaios sobre a. encontrar uma conceituação de pulsão e uma organização classificatória que satisfaçam às exigências da psicanálise.95].!:e~?....--- --~---- Freud procura encontrar uma classificação e hierarquização adequada das pulsões que se coadune tanto com a expe7 por exemplo._Ereud.iii4ue. isto é.. para ".ucrlt~_chega·~.?_nais.ii. " A doutrina das pulsões é a parte mais importante. básicas e irredutíveis e subjacentes a todo viventc:~_!lllª~ Pulsoes ou Princípios --~-.'--"'~p.s-ºJidarl coIll2.ntretanto.1J.--n:-i.e em princípios que hoje chamaríamos de paradigmas da biologia..lils~~ó~deMo):.ele pretende encontrar na forma mais Írre-' dutível.-.ç. a pulsão era às vezes designada por Freud como estímulo endógeno).:. Isso torna provável que as substâncias especiais e os processos químicos st:jam os responsáveis pela realização das operações da sexualidade. Freud aborda esta dificuldade e justifica sua insistência no dualismo a partir da experiência clínica. garantindo a extensão da vida individual na espécie.?J2. o modelo dualista.~ _-ºg ( ..-delo que se cOI!. o qual defendia uma teoria pulsional monista.2.~-.}iEg~~::_.. o conflito ..:. Estamos levando essa possibilidade em conta ao substituirmos as substâncias químicas especiais por forças psíquicas especiais [refere-se às pulsões do ego e às Sobre o Narcisismo: uma lnrroauClIO (1914) [ESB 14._ q~~ move Freud é explicar a raiz do conflito psíquicq.. deTü:topreservação ".tt'i.sf:LffiÇOntradõ·tãn]J..~iÇã. gem af~ti~<b_<!U.. mantev~JJDJ_mruielo ·energéticoceconômico onde_p~!. é um desafio que O leva a reelaborar sua teoria pulsional várias vezes.naCt este que .te:Esse . --'-. ~nt.:Q~ _g~~~~tú~_~~~~~_p~~~§. Portanto.I._~ã.---.finalista espécies.1º_em!:~::_Q.!. portanto. 7._-_. sua busca vai além das pulsões das espécies.Iess'!!posto. o dualismo conflituoso -llD. expresso como um combate de dois princípios ou duas pulsões básicas.38 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APULSÃO 39 logia pulsional . 7 riência clínica.-o. é por uma teoria pulsional que se aplique a todos os viventes. ----. p. .~' p'lji~ã~sexual". fez diversas tentativas de formular uma teoria pulsional .~-oi-aamãígamiªªs. Cada pulsão responderia a uma [jrIalidade biológica da espéêleque es'fãrlasuojacente aosc~~.--_. devemos recordar que todas nossas idéias provisórias em psicologia presumivelmente algum dia se basearão numa subestrutura orgânica.~m-íi~pX<IpI-iªbasç R1!l§lª~~:--' FiIlill.

14. centros de força.40 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A !'lJLSÃO 41 l ) ) } ) modelo. com conceitos básicos nebulosos mal imagináveis.!i~f!'S19i2gia Eulsi~sof~~~~~ r~. a ct.logicamente inatacável. de bom grado..dos 's~I1ti~os irredutíveis e últil110S daspulsÇ><:s. ou que está até mesmo pl'epanlda para substituir por outros. cabe-nos começar por elaborar alguma hipótese para a sua conclusão lógica.clín.sú_o_i~to de suas ambições iniciãE--de estabcl.. inclusive das linhas biológicas de pensamento.~Il!2S diversos imp~ss'esteÓncõS-êdriücos C:Q!1j~quais iriª. que espera apreender mais claramente no decorrer de seu desenvolvimento.J~spécies. etc. até que ela ou se desintegre ou seja confirmada.§. .~~r ~~ detalhado ~1o-<. Em nossos dias a mesma coisa vem acontecendo na ciência da física. Tal pretensão. Mas serei suficientemente coerente [com minha norma geral] para abandonar essa hipótese.Ç_~ep'arãraõTõngõ eIa'carreira fevaram-no a "desintegrar". ou ainda no "Esboço das Neuroses de Transferência").l'!'~1LçLp. contentando-se. ou antes. Não são a base mas o topo de toda estrutura.. em parte do gosto científico da época.§if{lnalista parte. 14. também era necessária para dar força e relevância ao novo campo do conhecimento ue Freud estava inau urando.. . em textos como "Além do Princípio do Prazer". de admitir expressamente que a hipótese de instintos (Triebe) do ego e instintos sexuais separados (isto é. ou antes. Existem vários pontos a favor da hipótese de ter havido desde o início uma separação entre os instintos sexuais e os outros.( .. a teoria da libido) está J 8 J ') Fl'eud sempre admitiu metodologicamente enveredar por especulações (por exemplo. . " Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB. __ Entretanto. capaz de dar coerência ao seu construto teórico. parcialmente inspirado em fundamentos especulativos 8 e em pflrte derivado da experiência clínica.Lnão foi. Assim.~~nsão mais geral das leis da vidi (e morte). e podem ser substituídas e eliminadas sem prejudicá-Ia. desde que tais especulações estivessem a favor de hipóteses explicativas para observações clínicas..t~içõe~ _qii~Qo~Jjgou~eeJ-ªº-QI<!Li~!fã~p~lsional em ba~~s !!!. com sua teoria pulsional. é muito mais objetivo tentar ver que luz pode ser lançada sobre esse problema básico da biologia por uma síntese dos fenômenos psicológicos". J 1 \ s~ja "Tento em geral manter a psicologia isenta de tudo que lhe diferente em natureza. Visto não podermos esperar que outra ciência nos apresente as conclusões finais sobre a teoria dos instintos. de alto alcance explicativo e de grande utilidade clínica. 14. utilizar um conceito abrangente como Trieb era uma exigência de suas de criar um construto de alto poder explicativo que desse conta das três tarefas citadas no início do capítulo.. d<lesfe[Adà-:p{lJarriã-f'biõlogIcõd(ls. podemos permitir-nos.fii-ffiãi-.93-94].93-94].----. nessa altura..i. no qual tudo repousa: esse fundamento é tão somente a observação. atração..95]. ) mas sou da opinião de que é exatamente nisso que consiste a diferença entre uma teoria especulativa e uma ciência a partir da interpretação empírica.. se o próprio trabalho psicanalítico vier a produzir alguma outra hipótese mais útil sobre os instintos (Triebe).. além da utilidade de tal hipótese na análise das neuroses de transferência.) Na ausência total de qualquer teoria dos instintos/pulsões que nos ajude a encontrar nossa orientação. Pois essas idéias não são o fundamento da ciência. cuja noções básicas no tocante a matéria. portan!Q. mostra-se para Freud como uma hipótese fundamental. ..-. Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB.. "co. podemos permitir-nos. extraindo seu principal apoio da biologia. apesar do apoio que busca na biologia..ica -qlle. até que ela ou se desintegre ou sc:.Q. que não fique a impressão de que o dualismo finalista da teoria pulsional freudiana assenta-se sobre a biologia ou a fisiologia: o longe de repousar inteiramente numa base psicológica. . Até agora isto não aconteceu. Freud acaba por abarcar. gostaria..ja confirmada.. Esta última não invejará a especulação por seu privilégio de ter um fundamento suave. tabe-nos começar por elaborar alguma hipótese para a sua conclusão lógica.. No texto "Introdução ao . '- "N a ausência total de qualquer teoria dos instintos (Triebe) que nos ajude a encontrar nossa orientação.:--à-refórITi'lI'là[ e ampliar diversas-vezessú. instintos do ego. lntrodução ao Narcisismo (1914) [ESE.~!S gerais. Todavia. Por essa mesma razão.'teonãpufsronal:'--. além '-~éo. além de fornecer um modelo de orientação para o trabalho na clínica. são quase tão discutíveis quanto as noções correspondentes em psicanálise. Tag~E.. _ILda.".-. ele se posiciona: (.

na fisiologia. etc.IPeno observado -. pode-se perceber o quanto a amplitude semântico-conceitual do termo Trieb o interliga com outros elementos fundamentais. Portanto. todo~_~_camp.~>\~ii< ."'. desejos. químÍc:as'e' rieÜróãríãtÔmlcãs.. a ..suao~~ étUllêõriCeíto vag.Qg~uls~) í é ufuãcspéci:.~bem_cornõ-suastesesfilogcnéIí:<:as-lãiilàrêklstas:-- i:iITl"deles. novas contingências de manifestação se acrescentam e geram uma lógica e leis próprias que se adicionam às anteriores e constituem uma nova matriz de funcion~mento mais complexa e." para urna Psicologia (1895) [ESB 1. partir daclínic~S-Q. se relacionam semanticamente entre si.Y_I!!_f~!l§.e_ê:. _ . o próprio conceito --..2'. apes~~-d~-Freu:d ~ttiCdâexpériênéiaCfíniCà. nyas leis regulam a natureza orgânica. a pulsão circula num ciclo que começa pelo brotar da produção glandular de cargas de estímulos hormonais e nervosos. É da po~ição_d<:. Por isso.:tLlá-::>C: II .ss. em alemão.~PFesentações e afetos.. um~ique que se ~nt:r.da pulsão". o sistema pulsional segue incólume. ..§~-~Tr. as pulsões como sendo orquestradas a partir de patamares gerais. autônoma das anteriores.. na clínica. ao nível da fisiologia.:. pois interligam os conceitos abstratos numa mesma malha.-~~-=!Oã~üIíiã-. ou até vai contra o bem-estar do indivíduo. e como forças que vão i.zir e f.Pode-sê-cõInpree.. .322].42 A TEORIA I'ULSIONAL NA CIlNICA DE FREUD APUL'>ÃO 43 "Contudo. I1~0 só a dimensão psíquiZ~ do.-~~. a pressão. . pois se trata de manifestações simultâneas. mas também a fisÍürõgia pur8íõnal. por exemplo.ana das pulsões que se estY9é.Jisiologiapulsional ganha.. compreendida em funcionameniô 7jÁ}J s-iftiÜlfâneô~ às vêZeSCOmprern:entã.u.:ãpítüIõ:-de-U-m ter~o que Freud usa enl.-de-qu. quem se dedica à construção de hipóteses científicas só pode começar a levar suas teorias a sério se elas se adaptam em mais de uma direção ao nosso conhecimento e se a arbitrariedade de um constructio ad hoc pode ser mitigada em relação a elas. Entretanto. \ ~O I -~regar. aproxi. em cada um dos níveis de instanciação. suas hipóteses energéticas.ª-DsfQj--iílª:it.Pr.freudiana ficadescónIíiliTIi.é important~.. Apesar da amplitude conceitual._-:.meconomi-ªp~~I<llilcã-e'!reintegrã-i-teoria e à prática clínicas.. a representação. Todos esses termos. na -psTqu~-=~íi~J~1?I?$I~:~~::~acüftura.e._<l. uma das características do uso freudiano do conceito de é o fato de partir da mútua determiI1ação entre a finalidade natural da pulsão e suas contingências de manifestações fisiológicas e psíquicas (c~jo repertório é extraído da história de nossa espécie e da cultura)..-----.-dê-. tais como o o des~jo./J'-v.~d. até certo ponto.~.'-TamPo_uco traJa-ss:. culmina no acúmulo ou sobrecarga de estímulos e desemboca na ação neuromotora descarga. Tomada isoladamente.. {\ dãOiOIogia e a da psiqué:~. a teoria _Pll!si9nal .Q.Q_s~de.'tensao'-déSigmIlcado.-~------~~ suas manifestações específicas.ção mais didática. Mesmo nos contextos onde tal ciclo de funcionamento contraria os interesses biológicos da espécie. através de palavras vivas e descritivas. Tra~omo ditono in~cio dest~--. .eàs vezes contraditório~ oY 'J.~_::te::::o:::l:_-~izado como conceito biológico.. ~<?_gi_(i ãCuftüra que Freud irá sempre !!:-ªtar~ . produzindo cargas e descarregando.---------'-~êste sé~tiao. É claro que esta descrição de movimento progressivo deve ser entendida apenas como um recurso didático.:_e. a pulsão da ~ Fr:~_ fala~ªI9iii~ai. a inst~~i~9-a!isiol.iinlo_llquedda:-~(j. toda a sua ~.~.nstanciando-se progressivamente em patamares cada vez mas específicos.F. Carrlãs ~~_ºtm~n~õ.!I1~nifestação da pulsã~~-ignàranaõ-Se ::>V. Tais relações lingüísticas facilitam a leitura da teoria.~udtrat~-n'õ-s momentos..dehrü\=-âr:se-sõDre I \ Como se mais adiante.(a_dasJ~i~~!ido~.:. Contudo.-----:----------~-------~ _---. _. eJ~~._º~.f..<?í:~aDJeparaaclínica freugi.:::: __.-"·-----~~~-----~----- sjgnif-ic~.~~s em alemãO:' Alé~de--seu-~rg~iTi~~d§j~~~_~~ic-Ü=~l!2bém diversos da pul~~2_~~ Assim.

se esconda algo sério e grandioso.!:!ma.E. r Os grandes Triebe fundamentais que regem todos os viventes assumem a forma de Triebe mais específicos da espécie para. considerou alinhar as ~sões sexuais às . Sempre se nos impôs a suspeita de que.. procurava-se agrupar os Triebe em categorias progressivamente cada vez mais específicas. Os senhores sabem como o pensamento popular lida com os instintos (Triebe)..!lJª~ªP m_~. mais do que ao ser humano._~ _ _ _ . que ao se manifestar em cada indivíduo se ramifica em numerosas pequenas pulsões. refere-se aos viventes em geral: .!i'!.:Ueoriapulsio­ nal.pJJl~_9_~§_g~yid.:t.. da Pulsão de Morte e do Princípio do Prazer.J:ll!!ffiITQrn. o . descritos como ocorrentes nos grupos.P_YJ~. p. um instinto (Trieb) de imitação. os dispensam novamente.Dé!-aulQPI~J.:­ . Conferência (Ansiedade e Vida Instintual) (1933) [ESB 22.ral). ) Trotter põe na relação de instintos (Triebe) ou instintos (Instinkte) N as várias formulações que Freud fez de ~.~ãtemporal.ªQ1. partindo-se das pulsões gerais.. cujo objetivo é conduzir a inquietação da vida para a estabilidade do estado inorgânico (. sendo. fazem cada um deles desempenhar sua função particular.44 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A l'UL'iAO 45 UI As grandes pulsões: das espécies ao indivíduo Conforme mencion~2. quando trata do Princípio de Nirvana.(. ConÍorme já mencionado. O arco pulsional parte sempre do geral para o espeCífico.~m PJl~º. magníficos em sua indefinição. não podemos desprezá-los.cotI(Ii.~~<i~ morte. depois.:mú. de vez que nunca estamos seguros de os estarmos vendo claramente. No texto Além do Princípio do Prazer (1920) e no exemplo abaixo. diz ele.ãÇão-fat(..for~<!.~~i~~~I!J-º-p. Biologicamente. ) o princípio de Nirvana (e o princípio do prazer. 32.d~ãl11~~du­ zidas (como~mai. Freud menciona que há algo de poderoso por detrás delas. Na esfera da biologia das espécies. No exemplo a seguir. comuns aos grandes grupos de espécies. tal como a outras espécies de animais. Como se percebe na citação crítica que Freud faz do trabalho de Trotter. Esta energia de origerri indeterminada... Inicialmente.X!J9.2slerosa" indetermina:da. As pessoas supõem existirem tantos e tão diversos instintos (Triebe) quantos aqueles de que elas necessitam no momento um instinto (Trieb) de auto-afirmação.ãº::e. nem por um só momento. nossa mitologia. As pessoas os pegam.--qual niâiiifesI"<CáT6dêi"m2ill<. o Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19. manifestarem-se de forma particular no indivíduo humano.. então. um instinto (Trieb) gregário e muitos outros semelhantes.-as"quaisFrêíiCi descreve como "algo sério e .200]. tomou como fundamentais as pulsões de autopreservação e as pulsões sexuais.-gFl:lpeu. grandioso". é como um grande rio cuja fonte se situa para além (ou aquém) da existência dos individuas.anas~bem c0I!19 as gúiliClespulsõesbiúl6gTcas'espeéTficas. contrapondo umas às outras' mais tarde. que lhe é supostamente idêntico) estaria inteiramente a serviço dos instintos (Triebe) de morte. e. esse gregarísmo constitui uma analogia à multice1ularidade.. Essa maneira de conceber uma instanciação das pulsões era uma tendência da época.E:. Em nosso trabalho. uma continuação dela.L~ad~~~.Éo ser viv0-L'!- . "A teoria dos instintos (Trieblehre) é." Novas Conferências. Freud.. por assim dizer.2l-'!... Os instintos (Triebe) são seres míticos.qüais -asdezerfâsõíió~~nie'i1ãs"éfe~lsõ. essa não era uma q~lestão particular da psicanálise: "Trolter deriva os fenômenos mentais. .-as-pulse@s-cm. por assim dizer. após empregar õ·te. (. por trás de todos essas numerosas pequenas pulsões (Trieben) emprestadas.. por assim dizer. até aquelas do ser humano. um instinto (Trieb) lúdico. 'S~fo-as p~lsÕe-sT~redutíVcis e fundamentais. há sémprê-atentãfiva-deentOIiItar{:>uls6es irredutíveis às . do qual gostaríamos de nos aproximar com cautela.--~entido de pequenas pulsões do cotidiano. de um instinto gregário inato aos seres humanos. Freud quase sempre Considerou que estas pulsões últimas se articulavam num modelo dualista a partir do qual derivavam todas as outras pulsões. 119-20}. <:t:!:. - "( .

. instintos reprodutivos estão sempre presentes no peno sarnento freudiano.~~!iLPo. Contudo. ao se manifestarem biologicamente nas espécies. mas.movim.Q-e&tá--t0HlO-4Ue sencLºJudibri'!~to pefOsTriebe (instintos.J grandemente autono..Zuaj~.pre ~- ~---_ ~'_----. r()'\. ' Conforme mencionado no capítulo anterior.~ • • • lU). (Selbstbehauptungs.. há vários graus de determinação pulsional sobre o comportamento.----. poderá ocorrer que os Triebe da espécie. nutrição..souz::. será incorporada e vivida corporalmente (de forma fisiológica) e psiquicamente (de forma sensorial.e_çºQ. i \"çN (....9~J?~~~j:>~!iiaiÚ~rii~~'·~~_~é.'~.3?~sie.J!l.Jl.-"'Su. clínicas das pacientes histéricas e da. (. Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14.e l!}<::. Geschlechts.(~ aI ternancLQ~!.s. Neste último caso..und HerdentTÍeb).l<411ica . então. pulsões) da es:eécie_ . _) Mas Trotter não vê a necessidade de remontar à origem do instinto gregário.. de maneira mais branda...\ \ t.s(quico. em combinações variadas com as circunstâncias de vida.s:9mo se fossem Triebe pessoa~§ . ..fl~19 f.ori<t "pulsional '.<2!.na_.. do brotar da pulsão.se. 150].9~ vontades): .9LQgT.p. constàTâç'ãü'ôa centralTdãd~ da sexualicfade nessâsãfé~õe.. esta força ou lógica da oriunda da natureza.9.--- .lt~. na Parte lI.D!.t~'?~_.Ǫo com gue o Trielres~nizªnd-º_çada_tip.~~ª?_~()b~e ~.. se manifestem apenas como tendências 1Je:. Bem de acordo com o emprego lingüístico e polissêmico do termo alemão Trieb.-te...c.<.c~!Qm:!. Finalmente. antes de abor~r ? ~psíquico das pulsões e o jogo de forças pulslOnals na psique. aS_.iõS-·seg~_~!lla~lógica próp!ia. "a.. co~~~:.das Eulsões sexuais. FREUD APULSÃO 47 . ( " O indivíduo leva realmente uma existência dúplíce: uma para servir às suas próprias finalidades e outra como o elo de uma corrente.iiiõaeío ( freudi~!!. sua circulação e da passagem do somático ao psíquico.lll}J2~~.cie. Conforme a espécie e segundo o tipo de Trieb em questão. afetiva e cognitiva). denvado aaolologIa. Assim:-â-êôraseaaua às pülSoessexuãisprovéIn mais das observações clínicas e dos conflitos psíquicos sexuais estudados do que da centralida· de dos instintos de reprodução no pensamento biológico.. ! J " . I '\ .!~__(.-sclen . ou poderá. O indivíduo poderá agir conforme instintos estereotipados mais ou menos rígidos. S~l lado.c:ações. po~~ari!entQj!l_çlividual. iremos tratar..basicamente pelos·se.E_or. Freud vinha ç:laboran?()}!.~.. o indivíduo poderá ser impulsionado por tais grandes Triebe da espécie segundo de determinação e rigidez variados.!!l~~nia-~ií(desíi~it!..r. filogeneticamente herdados. também no campo da sexualidade a t~oria puf~~arfr~diana n~<D?~~S[~jlm-d~te~minTsmõlllo1ógiC:ô sobreQ~-=.au-de-deter:minª. ser apenas geneticamente pré-moldado por eles.~as obser: -vaçoe..cspé.miza<:I9...nj~l!:xo desde 1893. por caracterizá·lo como primário e não mais redutível" Psicologia de Grupo e a Análise do (1921) [ESBIS. mas apenas posteriormente foram integrados a um arcabouço teórico psicanalítico." .derosamente.~bservaçõe~lí~ui:~::" . Entretanto....~. Mas.l.p~ll.f.._-.~ - manteve a autonomia..q~~n.2ne.ões M. que ele serve contra sua vontade ou pelo menos .--.. os Triebe básicos determinam certos desígnios gerais que cada indivíduo daquela espécie .94·5]. poderão variar conforme as experiências a que for submetido.46 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLlNICA DF. A separação dos instintos sexuais xualtriebe) dos instintos do ego (Ichtrieben) simplesmente refle· tiria essa função dúplice do indivíduo. induzido a perseguir. sexo e gregário. que considera primários os da autopreservação.Erniihmngs-.. irá apresentar disposições que.\. a este mode I.. não .' s~~~~~~~~~~l J aparelho pSlqmco pensado corr~o. involuntariamente. seja qual !. contudo amo bos partilham da premissa de que. igualando ?~~~~_~ªo..~" _..Q_sl. A principal discordância de Freud com relação a Trotter é quanto à irredutibilidade do Trieb gregário.. vei?.J1:pmdução_se ril'ãni§!..(le~ta..rLl~ldQ.=-lyºT~_ t~_<..~~mEo~ta~<:'~9: para Fr~ud ÔjooiYídu..ÇJ)uma dinªmü=<!~np.. Freud considerague.?_~as pri~:. será. dentro de um espectro limitado.

) PARTE II o percurso da pulsão do somático ao psíquico . ilustraremos o percurso do Trieb na esfera individual como um circuito de circulação pulsional que brota no somático como "energia-estímulo nervoso" e atinge o sistema nervoso central na forma de sensações e imagens (idéias) para. Num esquema simplificado. então.uma continuidade conceitual ) IV A circulação pulsional no indivíduo ') Comecemos por descrever sucintamente o esquema básico de circulação pulsional a partir do qual. maiores elaborações poderão ser feitas. então. ser descarregado através de certas ações mentais ou motoras: " I .

~. Por exemplo. então. O acúmulo é percebido como um tipo de pressão Drang.UiJ:~E.iados pela designaçaó gerãld~'7Z'~stímulos".Sgl:ng~!pônil!lQ st~ân~!:ang).. um represamento que pressiona) de estímulos (de energia) e causa uma pressão (no sentido de força aplicada sobre certa área física) que pode ser psiquicamente percebida como incômoda."·-· As vezes. Quando isto ocorre. Esta onda de estímulos ( !:ºxtantº. são . "fome".Plo-..~.~~':~. representações) e afetos.[ul~~~Ip_?E. ou ainda na acepção de "pressão'. provém de fonte orgân:IcalllterTIª. "pulsão de nutrição". pulsionais gerados pela fonte pulsional pode. tais que regem as ações do vivente.!:r todo o c0I!iunto articulado dó-diêuito'püísionaLE'sses usos '~~-.cul~:U:!Q. (pressão.ercúrsop~~~~~-g~gr-ro._-'"---. isto é. Brotam de uma fonte somâtica-(gerãliifente um órgãcíou glândula) que emite estímulos.' (Drang).por exemplo.----"'" ~""""---. c) o pequeno circuito interno de circulação pulsional no indivíduo._~m Q5':_'~de~jºJ ou de i<i.. Ou então emprega o termo para referir-se somente à sensação psíquica do impulso ..lomento p-arti. provoca uma necessidade/ urgência do sujeito de livrar-se do excesso.!:xe!!l.--_. ou~~~. ou ainda como "vontade" ou "desejo".. os estímulos gerados pela pulsão de alimentação inicialmente percebidos como "apetite" transformam-se em "fome"... uma. Trieb no sentido de "estímulo" (Reiz) ou "estímulo pulsional" (Triebreiz).~~~saniem·êi1Te'e-têm'.ti~~!~~:__(~~~z.. .Jlt.:. procurando a descarga (Abfuhr) dos estímulos e a conseqüente satisfação (Befriedigung).1~~_~~. Também com freqüência Freud utiliza Trieb como sinônimo de alguns dos elos isolados do pequeno circuito . Freud designa por Trieb só a finalidade da "fonte pulsional" (Triebquelle) por exemplo. ânsia)... Em outra ocasiões. ~_~çã~~~~~~~~ descarga será guiada por imagens (}::Qrsteflu~u_ª(~t()s . ] reaçoes [ somáticas /"" [ descarga (AbJuhr) idéia/ representàção (Vorstellung) + afetos] (Affekte) /1 1 satisfação ( Befriedigtlng) Os estímulosp'~ls!QJ. ou como "idéia/representação" (Vorstellung).g~f~âáS:Jií. quanto paraabar~. b) as pulsões biológicas gerais comuns a certas espécies."--_.su<::.)l._----- { _--- . gerar um acúmulo (Stauung.~~ze3.50 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO o PERCURSO DA I'ULSÃO 51 (!) fonte pulsional (Triebquelle) 1 estímulo (pulsional) [(Trieb)reiz] 1 estase/acúmulo (Stauung) 1 pressão (Dmng) . Estes chegam à psique e lá são percebidos pelo sujeito sob forma de imagens (Vorstellungen.ili~I1::ieb_tantQ_p-ªLªJLQ. seguindo as possibilidades da polissemia de Trieb em alemão.por exemplo. é percej bido cÇE10 um t.finalidade..-_._.ia repr~sent~9~" (Vorstellung)]. a palavra Trieb designa todo o sistema pulsional. Freud utiliza o termo Trieb para abranger-um arco completo que inclui: a) os grandes princípios fundamen.Jircui~I' íntimo e six:.]iúe'--represeuCiTIi'e qlülliflêãni'O' arco _reflexo.-..:!:~t<:5<?5!sgtisfação desejad~ eOI.

segue incólume produzindo carga e descarregando.>aíiiig<Lalto:alemão..--as. não são estranhos ao emprego de Trieb no alemão corrente (ver capítulo I. o qual. ..~). É a este mecanismo que o indivíduo está condenado e. Trata-se do cerne da condição existencial em torno. ao nível da fisiologia. ?r-Il ç)J-".. as representações:'üs'" ~tose-a-.. esclarecimento sobre.A palavra "estímulo" (Reiz) com freqüência. mesmo nos contextos onde tal funcionamento contraria os interesses biológicos da espécie ou até do indivíduo. "riscar".ue ~~~_onde nasce a {)l!lsã~s:ir~l!)~{)?r todo o construto psí~lc.c~~E~a~sJQ!le \.I)l!!!l:_g-r.0 .-esferasconscient_e. tal qual" estímulo" em português. "agui)hoar".--. g.a R~!l~?:!!l:. . sobre a fisiologia pulsional e seu elemento central. Como se mencionou no capítulo II da Parte I deste livro.uro.. nosso aparelho psíquico e todo o nosso esforço existencial é uma tentativa de ultrapassá·lo. das pulsões (O brotar do. de acúmulo e de descarga.sig. Reiz) r I r ao corpo.<. o estímulo (Reiz).. ZWf!:. será possível apreciar aoI-iginalidade frelli:flai1ade V No. Nos três próximos capítulos.9.ional§erá descrita . para Freud.:~'~ ~~" X "impulsionar"..fundãiIie-ritafn~ do. a pulsão segue um ciclo de produção de carga._g_-i!lçQD~cl~:nB:ITi~J. tem uma dupla face: refere-se tanto ao estímulo que chega quanto à percepção-sensação dos efeitos internos -------------_~_---_- a:·paravrâ ..l!!ª!gam_<!r:sc:.-. deste paJYJiPA tamar. nascedo. "ati.nr<tçÕ5. e o segundo é o fator essencial na passagem do somático ao psíquico. A partir desse pequeno esquema de circulação acima descrito. pois o primeiro é o elemento pelo qual a fisiologia pulsional se manifesta. será dado especial destaque aos momentos em que a pulsão é caracterizada por Freud como Reiz (estímulo) e Drang (pressão). Éo "estí~ulo~11leiz) 9.como_~mia psíquica e seráJlma presença central em toda_çlínica. que de certa forma agride o organismo.naruinensão ~orstellu:ngen (~~!=>res~.~~tos .. Drang (pressão). Voltemo-nos.: as !=>lllsões irão e afetos e circular entre .. ___ -. (em alemão se designa "tosse __ irritativa" por Reizhusten).1}g (compulsao)-e -Lust(prazeir-jUéillerlsso.i:Sitã~dà. portanto. quase irritativo.J freudiana implica compreender o funcionamento. _ R" da qual se 2.-r. --. aparece~do como q~stão.A forma atual Rei. Funcionalmente.slgnificava "chatear-irritar" e "atrali'. se refere a algo instigante.. pp. em alemão. "excitar" ·-conõtãtívãme~!e_tªIDJ?fm presentes nas palavras Trieb (pulsão). A etimologi~~e __~~jzJe~ olO{v "lacerar". ~ __hmJªr.~ignificaçõ~s_.. Freud parte do conceito de "estímulo" (Reiz). Um breve ãlemã (Reiz).-. mais importantes e últimos textos clínicos de Freud. 32-33).. "fricci0Pili":j\Ji:.. e~~Qgt:wm.<.!liJQ 000. "A Análise Terminável e Interminável" (1937).c. A concepção pulsional / .a~~er ! '-"-influenciadas pelo_psiquismo.-.!:g!lnizaráa vida psíqUlca.52 A TEORIA PULsrONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO 53 -'t~r criad~ ~~ ~odeloqu~JraI. Na sua concepção fisiológico-psíquica de pulsão.V"U 'lar".

Sua elaboração na mente auxil}a de forma marcante um escoamento das exci(Erregungen) que são incapazes de descarga direta para ou para as quais tal descarga é no momento indesejável.r.c.-:álgº~ÇJ!I!!º~çlir-~õn'tã'Tcom-õ-turbnhão deeStUllu- traduzi da .~'e'l}ue-'se'-raere"--ã-u~ .sdmento.Q.seabõrdi'l:" a relação entre a pulsão e o prazer.Y:-Esta dupIlciCIãCIeSerá importante quàüdo cumbindo a Angst (medo. o literário e o coloquial. "atiçar". "comichão".cõITe:Õt. apesar de elaboradas em momentos diversos.pãTãvrã-qUe-temsid~ como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. "provocar". à medida que desenvolve a teoria pulsional e introduz considerações de ordem dinâmica e tópicas mais elaborada~. MesJ:I!9. . Designa a intrusão externa que age sobre a célula.imo Zauber ("encanto". su- los que O_~?!!l~terIl. algo ligado às fórmulas de encantamento e magia). e era. A preocupação em teorizar a respeito dos mecanismos que regulam a descarga de "estímulos" (Reize) e evitam o aumento da excitação (Erregung) se mantém sempre presente em Freud. o Reiz é o estímulo em gera~ excitatório-irritativo (raiõCICruz. ~~~trõl~ par?'_!lece~. não cabendo aí quaisquer considerasobre as conotações de irritabilidade do termo.<.H. tal qual um_. Havia uma concepção predominante na neurofisiologia do século XIX de que o organismo teria uma tendência a descartar.. "charme".~~E9---= ES~nte será I:eíevi~qu~ndo.. suas concepções sobre tais mecanismos assumem feições diversas. semelhante àquele vivido pelo bebê. há em Reiz um "atiçar" ou "espicaçar". Entretanto. referindo-se cada vez menos a estímu" los externos e vez mais a estímulos gerados internamente pelas pulsões (estímulos endógenos). "atração" e "tentação". o qual..t.~}{.. Tanto no sentido de "estímulo incômodo" quanto no de "encanto". reformulado sua teoria sob::'~~_J'1_r:gSl. impõe-se para evitar o desamparo (Hilflosigkeit). todas . transitando entre o técnico.Õr'·q~~..ão. o "Princípio do prazer-desprazer". A conotação coloquial alemã de (Reiz) como um "elemento irritativo" é um acréscimo que se agrega à leitura em Freud.. expressa um estado próximo do desespero e do trauma.'. ''incitar''. F~e--'!~L_!!l.<:~~~? de excitação víve'~~i1ã'-~it~. o "Princípio de constância". "charme".~íêtrica.~S9_':!2. de outra fonna. tentando -cons'eguirSiIãCIescarga.çio d~ d~sãm­ --se-futa-rãêpUf.?J:~':3_'ED estáaOêre·âeSãriipàro(Hi~. '"ã"RiF-iz7Jewiiltigung ("domínio das excitações/ estímulos) é uma das principais tarefas impostas à psique e da qual o sujeito terá de dar cabo ao longo de toda a vida: "Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo.-9. empregada como termo técnico. Reiz r~:~:!!fg:j!Q!:di1Q_q':l.lJ:lt~~. Significa "encanto". e é -ãConseqüente excitação-irritativa" (sensação d-e ardênci. eventualmente ansiedade ou angústia). Nesse âmbito estritamente fisiológico a palavra "estímulo" (Reiz) é. tais como o "Princípio da inércia neurônica". de que o exce~sg vividopeio sujeito como alga avassalãô.}. O termo Hilflosigkeit é carregado de intensidade.:.íduo exp. um dispositivo destinado a dominar (bewãltigen) as excitações (Erregungen) que. devido ao contexto psicanalítico e ao uso que faz do termo.~. e em textos mais tardios o "Princípio de Nirvana" e o "Pulsão de Morte". É antiga a idéia. Diferentemente de seu sinôp.-ctc." Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14.<l c. após o nascimento. et. 102].Reiz também pOSSUl uma vertente de sentidos não irritativos. seriam sentidas P~fªa.~ Tríêômodo..m 1926. Assim. As formulações mais iniciais constantes no Projeto para uma Psicologia (1895) e na Interpretação dos Sonhos (1900). em Freud. através da ação neuromotora. acima de tudo.--t~dº-'-----.s_~tand~lidãr-(bêwaltigen. Lidar com estímulos.54 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO 55 produzidos pelo estímulo.Td~ia de que Qjndi. seria incapaz pelas próprias forças de remover o excesso de excitação pela via da satisfação.). EO~~~::Q9_g[~ar"'. quantidades de estímulos (Reize) que causassem uma excitação (Erregung) que passasse acima de determinados níveis.. Po~~"db:~~-q~esd:e-~'.ºª--por ____ excitar.

io de beijar. quando t~ata do impulso gerado incessantemente no indivíduo.íi. Esses estímulos.g'e~adõs hi.. através de órgãos ou glândulas que servem de f~§1àtlca El!l~iQ!!?~lTriebquell~r~geráeSt. para ~~3liza! a ~e da pulsão. por corroer e destruir um órgão. ora estímulo (Reiz).iitna finalidade. "été-. livre] A RepTessão (1915) [ESB. incômodo. mas de>t::Q"rma oc'ásiõ"n~I-(~for"CIe-denté:-ctc:):"Nêst~ sentido.iti"e-ã. Conforme já mencionado no .!:l. acabe se internalizando. dor de dente.º:_ Em Freud.os que têm a conotação de provocar certa inquietação e.í­ mulos pulsionais (Triebreize). principalmente dos endógenos (pulsionais). Assim. empregando ora a palavra pulsão (Trieb)." [Trad. ou..-:fri. cuja tendência é causar incômodo e desprazer. vontade de urinar. A finalidade deste pseudo-instinto (Pseudotriebs) consiste simplesmente na cessação desta alteração ocorrida no órgão e do desprazer que lhe está associado.também nomeados como estímulos pulsionais (Triebreize). Isto. freqüentemente Freud utiliza ambos os termos (Trieb e Reiz) quase como sinônimos. Freud aproxima Trieb de Reiz numa situação imaginária.56 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD 1 o PERCURSO DA PULSÃO 57 podem ser relacionadas com a mesma questão de como o organismo lida com os estímulos endógenos (endogene Reize) . antes de abordar o desprazer gerado quando a pulsão sob Drang. Na medida em que a pulsão (Trieb) se manifesta através da produção de estímulos endógenos (endogene Reize).Su~ s~eito é provocado para a ação. bem como da pulsão.).té . se referem 22 estímulo-impulso que é percebido p~f()JI. A pulsão (Trieb). emitidos pelas fontes somáticas. onde um Reiz externo é internalizado e se transforma em dor incessante. de modo que surja uma nova fonte de excitação constante e de aumento Esse exemplo ilustra como o texto original de Freud enfatiza o caráter incômodo intrínseco do "estímulo". como representações/idéias (Vorstellungen) carregadas de afeto (por exemplo. des~. Estes diferem de outros"Cstim~-1(Js-(ReizeJiiãõ:pl~fsTõnalS:-Os Trieorezze sã() ger. enquanto 6sRêize"pocfcIDErovrrçle fonte externa (raiõ dê -h. é um dos grandes temas freudianos. O objetivo primordial das ações empreendidas pelo sujeito é cessar o efeito dos estímulos. ou seja.9d~~~dize~ . capít~I~. o estímulo (Reiz) adquire uma gTande semelhança com a pulsão (Trieb). 169]. ocorre no momento onde o ~de Reíz produz o Drang (pressão).. 14.Y.lJ:bs por somátiGa-tnternae-pfóduzidos incessantemente. segundo Freud.QlQ.qJJial­ meiífe()~"~~0."ternarrlente.i<:>s_P?~~n::t "se equivale~qU:~nci".s. etc.. . eve'ntualmente. E. Contudo. cabe um esclarecimento sobre a relação pulsão~estímulo e prazerdesprazer (Lust-Unlust).!QíY{~. a ser discutida no próximo capítulo. A origem e o destino dos Reize.-Consti!:J!i-s~-Eo~nCla"oii"élisposíçãº" . Sabemos que um caso desse tipo é experimentado por nós como dor. passando então a se assemelhar à pulsão: "Pode acontecer que um estímulo (Reiz) externo. e o "estímulo" (Reiz) pode ser considerado um dos conceitos-base do arcabouço freudiano. É através dos Reizt'!. ainda..oupódé~. ~"_!1~~~mo ocor. por somação vão atingindo um volume relevante e se fazem notar pela psique como sensações com determinado colorido afetivo e característica imagética. Tanto Trieb quanto Reiz são term. as palavras "pulsão" e "estímulo" praticamente se equivalem..::p:~ísaõ"eum-tipoe~~i de estimulo gerad~~!!!. "estímulo pulsional" (Triebreiz). A relação "estímulo" e "pul~ão" de tensão.:ênci~_ oc~~~o exemplo a seguir.

No texto "O Instinto e suas Vicissitudes". _ .00 <. para evitar ambigüidades acaba utilizando o termo latino "libido": I ~J_ IJ hr:. Lust é multifacetada e tanto a sensação de necessidade (Bedürfnis) quanto a de satisfação (Befriedigung).OJ\ { de-um • -'"-". _.r mesclando vontade.39na dQS.tar de sensações de. O conteúdo de "prazer" do termo Lust pode ser descrito como "tensão prazerosa". tanto a sensação de tensão sexual quanto o sentimento de satisfação. na . "disposição". ~~ _ _ _ _~. _ _ ~-'-" "É sumamente instrutivo que a língua alemã. Nesta ção (tensão prazerosa.. Schautrieb (pulsão escopofílka ou pulsão escópica) e a Schaulust (escopofilia ou desejo/prazer de olhar) são emparelhadas. de Narcisismo. C.o ~1'0ç. no capítulo I. a palavra tem duas vertentes de significado: "desejo" e "prazer". tais como o princípio prazer (Lustprinzip). cujo uso na gíria em português também não é só sexual (por exemplo. Trieb. de "libido" [nota do próprio Freud: Lamentavelmente. a única palavra adequada na língua alemã. Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7... pode expressar algo equivalente à Lust. no mencio- nado papel das excitações sexuais preparatórias.. que na linguagem coloquial as palavras Drang. Já foi mencionado. Lust é um quase-equivalente lingüístico da palavra pulsão. Entretanto.". desejo e pr&prazer. qua':1d~~~s. "formigamento".~ .U. A Lust permanece ambígua na fronteira entre a disposição (vontade).::~!2. Entretanto.ção prazerosa brota ao nível do corpo. e Freud freqüentemente aproxima Trieb a Lust (prazervontade).. Ao longo dessas páginas. quando utilizado na acepção de "disposição". as palavras compostas com Lust e com Trieb são usadas de forma tão próxima que parecem se equivaler. Lust tem um duplo sentido: é Como se nota. Energie e Lust podem ser equivalentes. O aspecto disposicional e impelente de Lust bem próximo da noção de Trieb. a palavra Lust enfatiza "(l~JlÇruitção prazerosa extraída "da:-atiViâãde 9~g~~~~. Pode-se descrever este "desejo" contido em Lust como "vontade". e Freud aventa a possibilidade de designar a manifestação da pulsão sexual de Lust. "pique". "apetite".começam a brotar. não se tiata exatamente de "desejo" e "prazer" nos sentidos habituais destas palavras em português.ai~ç. o conceito de eu-prazer (Lustich)..58 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÀO 59 VI A fisiologia pulsional do prazer (Lust) e dcsprazer (Unlust) Lust (prazer) é um termo presente em diversas das mais fundamentais elaborações freudianas...]" .~L~~l~<:>_~ição p~a olJ~~~I!}. Seus principais significados são: "disposição de fazer algo" e "sensações corpóreas agradáveis".ida em qu~j::~!=E~~~s"te E!:2..pxa._. a "pulsão de olhar". as quais ao mesmo tempo proporcionam uma cota de satisfação e contribuem para a tensão reproduza adequadamente este estado pelo uso da palavra Lust. antes ainda da fruição plena do prazer e do gozo. " ._" ~'~'~n. . de 1915 (páginas 150 a 154 do voI.. o trabal. significando: "tendência-impulso-disposição".'lJ. "Falta à linguagem popular uma designação equivalente à fome para a pulsão a ciência vale-se._ .J. Portanto.J-. Lê-se na página 153: . devido à duplicidade de sentidos de Lust..ho não me dá mais tesão).d.':. a palavra "tesão". ESB). Neste sentido. o "prazer antecipatório" e as sensações que .t visa a a"tivIdãaeefíãõOobíelo: ''''':te. formigamento). de auto-erotismo.orR2. a teoria das pulsões parciais. XIV. ]27J. apesar de Freud em geral preferir empregar termos germânicos ao invés dos greco-latinos. " Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7. c-'" ao processo no se~nãsêedouro. o conceito de prazer de órgão (Organlust).t.-u QJ D". para isto.. 200].

'charme: 'encantos'). prQviI}das do ~~úmulo de llÓz. Sobre elas recai um papel importante na introdução da excitação sexual.. pois é dos estímulos desprazerosos e impelentes que ele parte. Daí se chamarem os méritos do objeto sexual de 'atrativos' (Reize. disposic-íõ~ar_~~]!!ipii~~=Ji~-º~m!-cli[~I~.nos ~i. está se referindo a estímulos (Reize) externos . em geral se trata do prazer de descarga e alívio após um excesso desagradável de estimulação anterior..._~jndireta-e{>assa_pelq. então. "atrativo" ou ainda "charme"). e ~. Quando Freud aborda a Lust.e!.. na linguag~I!l.qü.35]. Freud aborda o tema Lust (na acepção de sensação de prazer) através da noção de "estímulo" (Reiz).__qll. N O trecho acima.i.e. internos. se Lust se aproxima d!?-IJieb. no contexto das pulsões não são os estímulos externos o essencial.60 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD ". se o foco freudiano é sobre a relação Trieb-Unlust? Efetivamente. As últimas impelem no Poderíamos.~L~.caráteLde _prazeLinicial estão muitas vezes.~._:c!~ . nos perguntar qual é a relação que se estabelece neste contexto entre Trieb e Lust._ saçgesªi~ªcii~ei~. abarca o significado adic~~.Irie~. a relação de Lust (na acepção de prazer) __com~Q.p<:)is só este~_t~. Todavia.IjeHQ: "As sensações de natureza prazerosa não têm nada de inerentemente impelente (driingendes) nelas. p. bem como em outros artigos.---------------------··---·---------ÜEgo e o Id (1923) [ESB 19.Luste.a1íyi oJ _ 2.s!.D. O olho.J.~~_~r~ud se ocupa. Conforme visto no' capítulo anterior. _p_Q.:s. "atrativos do objeto sexual". Assim.p~_I~i9I1ª1 como sendo urna Befriedigungslust (sensação praze~9sa de aplacament6r_-'---~ Contudo.. de-ªlg. 1504].o. e é por isso que interpreta- IDOSO despraiei!:Qriiºj-mpllcarido-uma--aevaçªÓ-é~:º~prâZer ~m.açao _prªz. mas os ." Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7. 27)._çQl()qlܪ!'J!g?-dos às sen.~-ção-cta:-~atexia energética. um odor agradável que . quando trata de pulsão.s.QJIlaiU!Ra~_~!~~. A corporeidadede.[@nto. Trata. na situação de cortejar um objeto. pela qualidade peculiar cuja causa no objeto sexual costuma ser chamada de 'beleza'. Este tipo de estímulo externo agradavel e desIgnado em alemão como Reiz (na acepção de "encanto".-~~peradamente e que vai se tornando mais nítido pode trazer Lust devido à somação de estímulo~ od~rífic?s agradáveis.aplacaII1~ptÇ>-.ecificaJIe. enquanto as desrazerosas o têm no mais alto O'rau. O Instinto e suas Vicissitudes (1915) [ESB 14.I!l. apaziguamento).~~_ V~ji~~o~-q~~'-afé ·a--~elãçãõr)Ulsão-prazer (Trieb-Lust) no que tange a este significado adicional de "sensação prazerosa".a ênfase freudiana recai sobre os estímu!os i~tern~s (endogene Reize). Freud esp.nal de _. quando Freud menciona estímulos (Reize) externos sobre as zonas erógenas que podem ser de natureza agradável. retirado dos Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade.-d~-~·~ti~ui~ção-por:somaçã.seu.__ ~IC:_I11~Q~Ll!l~lh()r nomeado por Befriedigv-ngj~~t~~f~çã().sobre os estímulos pulslOnaIs (Trzebreize).jtQ gozode. EsteiiplLde__estímulos PE9~~c:~J!~~~L~_~w:a~é:!.. é o que com mais freqüência pode ser estimulado. Por exemplo.d<jes 9. Contudo. Lembremonos que a pulsão brota como Reiz e que o Reiz possui a qualidade de provocar desprazer (Unlust) e prazer (capítulo V. na acepção. talvez o ponto mais afastado do objeto sexual." .eDJ~m~D1e. da descarga.). ?_p_r<l~~E.I. 1 I o PERCURSO DA PULSÃO 61 sentido da mudança.iiQça:-º~ªe-~~jCO· práiéí> de qu-e trata Freud é o prazer que se segue ao desp'razer. isso não significa que todo acúmulo desprazeroso de Reiz interno coloque a pulsão sob a égide do desprazer: "Lancemos primeiramente um olhar para o modo como as zonas erógenas se encaixam na nova ordem. 197].':~-~I1. isto é. a natureza destes estímulos é irritativa e dolorosa. até agora consideramos dois pares de pulsões (Triebe) opostas: o sadismo-masoquismo (Sadismus-Masochismus) e escopofilia-exibicionismo (Schaulust-Zeigelust)".I11_<l quali?_<lde de impulsionar)esplcaçár:.

!!:~_E!0d~çã~c:t~p~~~r.ll!1@_~\l_ç. e.é-Iealim~[ltada seqüencialmente por sensações agradáveis..º_I~.9.<iaQ. Este aumento de tensão desagradável chega a um nível onde não mais é encoberto pelo pré-prazer.lst-Lust não explicava as situações onde há um grande acúmulo de tensão que pode trazer prazer (Lust). as prazer..62 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSA0 63 que só são agradáveis devido ao fato de propiciarem de pronto uma descarga. mas num prazer obtido pela remoção da comichão. I rop-Tnd!:!-.r.:g. mas que. há Reize que vão se acumulando e que teriam. que logo se intensifica pelo prazer proveniente das alterações preparatórias [da genitália]. Contudo.serão. etc. .eLQ~Q_1~_~<:n: são mal pº9.4i~P~if~ a sair ~ desprazer.11~_~~.. um aumento da tensão sexual. por exemplo.) e o concomitante aumento do desprazer propriamente sexual (crescimento da tensão libidinal).aJ_ªQ_y.J:1g~q~.~~!. um prazer.º~·~~~~~~~~.. po~~ d<:_in~~~a­ lo-descarga-alívio foi ficando mais evidente.:~!~r. ocorrem em paralelo a um aumento de desprazer e ansiedade provocado pelo acúmulo de secreções sexuais (mais tarde concebidas como hormônios da libido). haverá um lal alívio e pós-prazer que novamente o desprazer será anulado antes de se tornar predominanle.§. O"éiclo püTsicmal permanece~lui!!: dodoâesprazer·p·~~~'i. As atividades sexuais preliminares. o odor. de cheirar.º-_q1J.~ exige un~ ação~·p~.dando:lhe.~~r_p~n:. Neste caso.LeIILdestaql1. coceira) e é associado de imediato a uma experiência de prazer. o qual est~ria lig..aumel1tº_de~p. por um lado."~i . os estímulos externos (a beleza.que . há uma associação entre um prazer preliminar (carícias. Entretanto. uma sensação de prazer.J!1~!ftf:~1)liKado às zona. I Segundo Freud.te.:s erõgenas'evmcuÍadõ a:"·uln""p6s-prazer" (En~t).~.198].auD)J. que provocar grande desprazer.~nsão sex~~I~O pré-praz~r provindo de uma ..tama Cºm!!!!!i. Nas reflexões sobre a natureza do prazer sexual nos Três Ensaios. mas se ocorrer enlão uma descarga orgiástica.~~t':~~_~ ente incôm.ssão de Reize internos e t. na excitação sexual e no posterior orgasmo.aparênciade pulsãoprazeros?-. e por outro ela tem corno conseqüência um aumento da excitação sexual ou a produção dela.L-ª§'§Q. e_ª_çºLl§. Se a isso vem somar-se a excitação de outra zona erógena.mQ_dç~p'razer.n. pºrtant9..Jiç. de outro..~._q~~. palavras eróticas.. "A essa estimulação [refere-se à estimulação visual agradável]já se liga..º!]sl~m de_~:ned~_~to ~~_ c2i.rãz<iCõ·ntudõ: q~ando este clespra··:lei: ~. portanto. a da mão que apalpa. etc.ão." Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7.e-<. que logo se converte no mais evidente desprazer quando não lhe é permitido o acesso a um prazer adicional.ç-ºª..ilJClllªd.::ntº__de. ~t~!iJes_c.Q§ª. um "pré-praze!~.gS!g. Assim. sempre que a pulsão se manifestar se evocará também a experiência de Neste sentido.~fõrmâ-ainda inicial um incômodo (comichão. paradoxalmente. Sensações iniciais de comichão são seguidas de descargas prazerosas e se mantêm num circuito prazeroso.çºjdo-. cujas descargas são imediatas e não permitem grande acúmulo de Reiz...:çº. assim. se associam ao prazer.s:.~. Hª. durante a progressiva excitação sexual.ªrgª . e Freud denomina-a como uma vontade de olhar._estª". Freud se dava conta de que este modelo Unll. ou ainda como uma sensação de coceira da qual o sujeito quer se livrar. mesmo assim. etc.pam. o sl~jeito vai sentindo cada vez mais prazer.tá'.?5!is. A solução pensada por Freud é que. eliminando os estímulos internos desagradáveis.i?:§is. Q .SlJJe_fic.oprazer. esta Unlust ainda é incipiente. Freud aborda a situação onde. até chegar ao orgasmo.az.v1(fõ.) removem estímulos internos cuja manifestação está sendo incômoda ou desprazerosa. há sempre um des~~~~g::.<?. caso ainda esteja faltando.<.ciadas a este ----tipodepulsãoy. de um lado.~·~-.Ç. o 'efeitó é o mesmo.ª.!~p.disposição_esta. A medida que Freud se aprofunda na questão do prazer.ª_~º~) . o descompasso entre o sentido disposicional e de prazer crescente do fenômeno descrito pela palavra Lust e o modelo de acúmu- ( Haveria. i[ªti:~~_de_um . a Lust permanece na forma de disposição e não se transforma exatamente num prazer que flui e goza.

380]. porém. ' .' ~~ Sanlam ac)Qji-rrneir5S. que por vezes mal é possível reconhecer seu carater sexual na fase pré-genital. aó se manifestar através de Reize cUJo acumulo e desagradável. O que visam as pulsões em estado ainda parcial é o prazer no sentido mais direto e restrito. seria designado geralmente como gozo e liga-se ao orgasmo. ou alnda na forma de um pós-prazer pareado com um . em português. bem no final eu atingir aquilo que. seria designado por tesão e liga-se aos preliminares. 379]. ~ n~~~~:orpO_5.desprazer~aesemhocano pra~~~_~... mes~()jf~~aso exé:if~ção se".r.esse prazer do orgao (Organlust).~1?!ce d~ato sexu~ly.<:'5a. por exemplo oriundo de \ uma zona ou de um órgão onde há tensão e descarga. ou pela facilidade de servir-se de obJetos/parciais). pode ocorrerum pareamento de Reize agradáveis com Reize desail::adávei~~E~t~~'. na imediaticidade do corpo o Trieb se liga a Lust (prazer-vontade/disposição). O prazer de alívio resultante da remoção retardada de estímulos desagradáveis.Úlúmos. ou em qual~uer outra forma. de prazer de órgão. Portanto.·ões Sexuais) (1917) [ESB16. é quase que a própria Organlust. Conforme já visto.-" qúe-Iõgose . adquire o caráter sexual qtle indubitavelmente possui em fases posteriores do desenvolvimento?" Confe7'ências Introdutórias sobre Psicanálise/ Conferência 21 (O Desenvolvimento da Libido e as Organizações Sexuais) (1917) [ESB16. _"Podem os senh~r:s.m.. pode circular sob o signo do prazer na forma de pré-prazer.~~ tõçkCê~~~ige _. e nao e por acaso que várias das pulsões parciais são designadas por Freud como Lust. Além disso. 7 (O Desenvolvimento da Libido e as Organiz.cÍ.llalçlljo_prªI~L~çI." ' Conferências Introdutórias sobre Psicanálise/ Conferência 21 O pré-pràzer liga-se ao chamado "prazer de órgão" (Organlust). ou se.64 A TEORIA PULSIONAL NA CLINICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO 65 remoção imediata de estímulos internos por estímulos externos é o que.:t. . g~<lnd~__. além do sexual há um outro que não merece ser chamado assim. "Não me parece injustificável fixar através de uma denominação essa diferença de natureza entr~ o prazer advindo da excitação das zonas erógenas e o que é produzido pela expulsão das substâncias sexuais. ) Aqui não posso discutir se todo prazer do órgão (Organlust) deva ser chamado de sexual. sendo entendida com~ um estímulo que reinvidica à psique ser descarregado e se_hg~ ao prazer do órgão.?1~. em português. 198]. Freud descreve como um prazer de alívio (de satisfação. Assi. Frcud consegue e)<.~ de ~!9~ urg_~~eo d_~ prazer tão imediato ~ conJltiit:omultará mrlpraiêrgerãl ttesêenre:_9-~e eIlêofr'e () desprãZer'cre'sce'nte-atl-õ"ponto em qu~~-n~_..e des~~ Orf!anlttst _é tão dif~~-e-ãutõ-realizável (ou por via de autoest:mulaçao no narclSlsmo. são pulsões cujo destino é mais tarde enfeixarem-se sob o primado do genital e assumirem a forma de pulsão sexual plena. em oposição ao prazer final ou prazer de satisfação da atividade sexual. dizer quando .üt~ pouco meu conhecimento a respeito de prazer do órgão (Orga~l~st) e de suas causas.-ª~_im~in~~~.escen~.êonvert~no màis c-vidcilte'-des2r~-.. logo é satisfeita.cu. por ser auto-erótica. são fatores indefii1íveis.<:__ges~<!!:ga. desde que seja descarregada a tempo. Este brotar pulsional a partir de órgãos ou zonas é o que Freud designa como pulsão parcial.0 ae repr~~~m~s. "(. A pulsão (no caso as pulsões parciais).~. a pt~lsão (Trieb)." Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade (1905) [ESB 7. ongmalmente indiferente. mas " cqja satisfação. O primeiro pode ser convenientemente designado de pré-prazer. Bejriedigungslust). É um prazer imediato.-.~~?. Este último. não ficarei surpreso se. o "prazer de órgão" (Organlust). e.plicar o modelo Unlust-Lust. em vista do carát~r regressivo da analise em geral. por ora. Ê mi.

Neste texto." O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19.J<:s.-.V.Y2. elevações e quedas na quantidade de estímulo (Reizquantitiit)..ajmeé1íat-ã:-. não se coadu-~-------~~..el}:!ªndo-a-dupla..estão da Análise Leiga (1926) [ESB 20..-~~í.9RqpJJtaJ.. _~9.e e a tendência a um desprazer de natureza torturante. mente entre o pequeno desprazer inicial.E~az~r de_'. portanto..<J.õinerro-dtíIfiã'SuqutSmo. -~-------- ._.. mantém-se a equação aumento de tensão/ desprazer e diminuição da tensão/prazer.::..u'.'-. conforme mencionado..\!í:v.~--f.. 229]. -~t~~u~ zeroae.--d.ado aeurtlusTpã:iã a Lu..:~.c~)) lC) 1'('.:s' a serem abõidacJõs ~. Não sabemos.-. --e. )" O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19. o prazer de des- qlr. 200]. e todo prazer (Lust) com um rebaixamento qa tensão mental devida ao estímulo (Reizspannung) (. por exemplO:..~._ .•. mas sobre as circunstâncias onde a pulsão está inibida..~e elsLdependemni2..} reIaçãó passa a ser relativizadá.e. pois quando a pulsão se encontra no estado de pequena somação de Reiz.~ fator.. Contudo. essa relação tão direta . coincidir com uma elevação. não podem ser referidos a um aumento ou diminuição de uma quantidade (que descrevemos como tensão devido a estímulo (Reizspannung».-~o eLa.ASsf~t.-_.. Freud não entende mais o princípio do prazer como um que levãà d. Contudo. ~r~:~~§_~l.--~---. Entretanto..Ji-gr:ª~ª~_ª~~pi~i·~~~ãC~~~~~do e~._----.~..-.i.Se pudéssemos dizer o que é ..t...... estaríamos muito mais avançados em psicologia.cQIlotªçiig__ s!ª_@~y!"a_RIf~z como estímulo Írritativo e estímulo atrativo-agradável). ~m~ll!r~ue. tanto no pré-prazer corrio no pós-prazer. Portanto. já no texto O Problema Econômico do Masoquismo Freud parece conseguir conciliar os sentidos fenomênico-lingüísticos do termo Lust ("disposição" e "sensações de prazer") com a descrição do mecanismo fisiológico-psicanalítico (do acúmulo de incômodo e descarga) correspondente.200]. surgem condições intoleráveis.-~--. )" A Qy. Talvez seja o ritmo.. --~ -~_ . foi estabelecer uma mesma relação econômica genérica entre o "estímulo" (Reiz.g.i2.) e o "prazer" (Lust)... 1920.!~_pJJJ'§'ª.'\--.. mas de alguma característica dele gue só põdemos descrever co~o qmrttrãfiVã. e há um grande acúmulo de Reiz.e..i~~-._~~ ---------------~ -----nava com a varleuaue e complexidade da experiência clínica-.Q.e com a noçãenlepuISao de mort'"e-êcompufsao à repetição n. e rebaixamento do nível de Reiz/aumento do prazer (Lust) -.e:di-~~~-.66 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO 67 pré-prazer.--".:. apesar de o desprazer ser o verdadeiro móvel pulsional. embora obviamente muito tenham a ver com esse fator... .té'~~~~.._--'_. --~~ .lem. o afeto preponcÍerante no ciclo pulsional pode ser a Lust (prazer) de descarga.-.c:cífí1ofeIi.~~ 0. (. .elevação da quantidade de Reiz/ aumento do desprazer (Unlust).· no"t-adamente a partir dos artigos Além do Princípio de Prazer e O Problema Econômico do Masoquismo (1924): { "Se as exicrências instintuais do id não encontrarem satisb fação (Befriedigung) alguma.4rõViaenciiDàõ-uma . ) Os instintos no id pressionam por satisfação (Bl'friedigung) imediata (..tacÍ... -- -~-~... a ênfase freudiana não recai sobre este ciclo favorável onde o desprazer inicial é logo seguido de prazer..g~UlSioriàT~:§~~ suspensão da pulsão passa a ser vinculado ao princípio de NTrvana (cujãmeta eã võllaaoeSfãaõl00rgánlêÕ1niCiaí: ----._.:cÍ-. a seqüência temporal de mudanças.-(O ()OJ-- "Todo desprazer (Unlust) deve.tica qmrtifatlva. para explicar esta oscilação.~-êapituios InaiS-adíãliter.. s.--..~i~.c0 ?-<. a mo:te~o princípio do prazer caberá guiar a pulsão a sair do eg. IstO e. 'A~.. onde apenas varia o locus e a intensidade: De certa forma.. estes podem ser descarregados a tempo de não ultrapassar determinado limiar e o sttieito nem se aperceberá do desprazer incipiente. assim.--.osci@j<lSll: "Prazer (Lust) e desprazer (Unlust). p~-tnui19 tempo considerada fundamental por Freud.

. _____ Mesmo onde a questão do prazer exige níveis mais complexos de teorização. a dor internalizada é designada por Freud como "pseudopulsão" (capítulo V.em como eliminar a fQ.._.~!J'!':.. o Trieb é alinhado ao pólo oposto.~o emnre manteve oo desvendar -mecanismoo~ . um Drang'-(pressão._.-.d espra~~r. tf'.smo tratando das esferas imagéticas mais complexas.4' .yn... .é~kle. .iJrrQPX@~' Ao~licªLº-a~mer:t~ de ~ 69 ~._.. O Princípio de Realidade exígeqü~aª.~~a.29S1J:!_..... ao contrário...pulsionaL • --rorta~to.Unlust em foco.--.-~.w~delo certQ_sf~ll:§E::~~~?~ clín~r~':ltª.a t~nSa9} . afã).Já no Projeto para uma Psicolo.. tenêfeao~ritº--.~_~" _ _ _ _ _ _ _ _ _ .. prazer de órgão. a relação econômica Reiz-Lust e a transitividade Lust-Unlust permanecem centrais.!!1~~L9.9. tal como em outr~s o Trieb é Schmerz (dor) [ver capítulo anterior]. jamais deixa de remeter o leitor à fórmula econômica Reiz-Lust-Unlust. abor~..~us:przn­ zip).. Lust (prazer) é utilizado na acepça? ~e sensação prazerosa que acompanha o prazer de alIvIO. indicando que o d~~jo nã.:O '~._"!!.. etc.. neste 00 caso Lust e Trieb são usados quase como smommos...-. na cultura. aplacamento).o~gcl('...~_.... Assim.1}!!~ e::!~r:al. Isto ocorre tanto nas circunstâncias que permitem um fluxo disposicional agradável que evoca a atividade e o objeto de prazer (pré-prazer.:-r:~~ _~~~a o piãiÇi}e ªlíV!º. -----------------_. a qual regula na base a direção e o ritmo das ações do sujeito.Ni~~'~~..IT~SCeLçom. o uso freudiano do termo Trieb no âmbito da fisiologia e da psique enfatiza o fator e~picaçante do Reiz (estímulo) e os afetos de Lust (prazer) e Unlust (desprazer)._. quando..~ u~~~gr~nd_~<:ômOdo. o qual r~gula o.~~E~~e _ ~te uma. Portanto. _ v É importante ressaltar qu~~~~::=~~~.:?..J.. por exemplo.-..~~ ~barc~ '0 A * .~ -~r. az. satisfação. satis'f~ção e al<:g~i_él ou bem-estare fehCld~~:. _ .~t:_s!<:~trua a fonte pu~Lg_ órgão.-. ~'~~IltidÇLalSp~º-~icional:pra2:ç.. que habita predominantemente o mundo psíquico arcaico e carnal das sensações imediatas. Av~ntade. geralmente se trata de três acepçoes: \ 1) Utiliza Lust no sentido de disposiçã.__ .~()~ _ª.'! . Freud faz a equivalência "estado de desejo" (Wunschzustand) e "estado de necessidade/urgência" (Notzustand). . Assim._~.o. de princípio de prazer (L~s­ tprinzip) ou princípio do desprazer-prazer (Unlust. que será abordada nos capítulos IX e X.~_._____. Freud mantém interligadas a dimensão da Lust. _ _ " H ______ .!X~eud. .nte. 29).ieb.t:.• _.~ _ _ _ _ _ •_ _ _ _ ......~ de Realidade. ~ b a nao VIsa .--- . ____ . --~trav~~.::~~a~ de melhoi'cõÍn-~'é.~ ~ _~.. .daidéia de ritmo e ao dlfe:.. o o_o . onde as representações têm presença quase fugidia..).r er na acepção de um estado de pnnClpIOqile VIsa o p. nél9_c. em cultura. _ _ .._ .. . .. designado como Befriedigungslust. o princípio que Freud ora denomma de pnncIpIO de desprazer (Unlustprinzip).!.Q... Também.-'FfeUcf.: Há momentos em que o Trieb é Lust.q~cia desta inter~ Euls~~S9XPÇl ~~()~afeto~le ~ªgJ~1:~.. quando Freud aborda a Lust (praze~ no contexto da pulsão.ªP9~l!@~<:xcesso~~ es~imulaç::~3:. mas ~'!!I!!?ém é des~o de sair do estado de Unlust. Assim. _~_. pois ag~}:-f~~t -_ . ___ . como nas situações em que predomina uma vertente que tende para a dor. como se verá mais adiante._. indicando sensaçoes prazerosas iniciais que brotam nas zonas erógenas de onde emanam as pulsões parciais _ 3) Finalmente. " '. "01 68 A TEORIA PULSIONAL NA CLfNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO /. estado semelhante ao "tesão". Este mal-est~orpocoÍno -acúmulodeRelz e como afeto de Unlust (desprazer) e ge.-o . p..realização im~dol-.'l!a.ô~~nô~o~- o tema da transitividade Lust .~. e a qimensão do vVunsch (desejo )..~ _. ora. Ora o Trzeb chega a se mesclar terminologicamente com a Lust.-.do Pri~~~pi9S!~ Praz~r..r.. como o que ocorre na esfera psíquica das representações do desejo (Wunsch). em textos mais madur~-~ã6rã.o ~. o estado de~osiçãÇl (vont~e) é logo transformado em estado de indisposição (ITiãI:esmr)..Ünag~m Q@eTõ'--quetrag::tLust.!!p.___ prazer- descarg~~nã~~~_~ç~0..o~ust. gia (1895)...:.o. A cons<:...:---.u: b~~~<l a do r -QU---º-. o 2) O termo Lust em Freud também pode ~esignar um o .~. Befriedigung (apaziguamento.

Sigmund.QC- Drang.a uma N-e. ( . XIV. apertar.~~~:al i~~~~~. é. X. etc. jJOr vingança. onde será abordado ~ momento em que a pulsão se articula em Drang para realIzar a.sob o impacto do Drang "Drang poderia ser descrito como a capacídade da pulsão para iniciar o movimento. ESB vaI. mas sua tradução por "pressão" (e talvez não haja outra a}ternativa melhor) retirou-lhe muito do sentido original e parece contribuir para dificultar a compreensão teórica e clínica do conceito.JJ YTlcJ\. '~O ~"Por Drang de uma pulsão compreendemos seu fator motor. ). passagem do somático ao psíquico.Y)'u. Sigmund.. possui na teoria freudiana um papel central.._q~= obriga _~gÜ.. VII No âmago das pulsões .IONAL NA CLÍNICA DE."peto~ber­ dade. de tato. É percebida como uma necessidade ou urgência. 3) E~~· acotovelar.f i .I ~. "Drang é comum a todos as pulsões. a quantidade de torça. etc. ESB vaI. As pessoas se acotovelavam na sala.. Necessidade de urinãi./.:~~~to -+a. 2) Intenso desejo. FRE.o." Análise de uma fobia em um menino de cinco anos (1909) [Freud. forte aspiração ou vontade (tambêniutíIizãaocõm~~~~b~ ):TnípuÚo ou' i. 1) Pre.. Não me deixo afJértar contra a parede.!-ªI. . palavra corriqueira em alemão.Q.J. sua própria essência. Im Drang nach Rache).t"Y1 k~ ~. 142]..lJD o PERCURSO DA PULSÃO 71 próximo capítulo.cw- --<.v". pr~_~~iO!.).'t't'O ~ J çü Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [Freud. ESB vaI. (Im Drang nach Freiheit. Pode-se encontrar no dicionário três principais significados para o substantivo Drang e o verbo drãngen: . fÀ. ~ c.s_s. • ação--. ânsia. Sigmund.- ~F-. 145-6].Sie descargq. dJU-h. XIV. Stuhldrang. etc.70 A TEORIA PqU. (Harndrang.\clo:iQ I ~~." -Y'fy.{leJecar." Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [Freud.

~..'~u "ânsi~""iJ:.:.. -~------.s. Este acúmulo ocorre nos diversos sentidos mencionados acima.d~g .~fhe''à-trânst~i-~~ .c.~ão incorpora- 1 estase/acúmulo (Stauung) «'í~p~t. palavra derivada de Drang) quanto do desejo almejado (acepção 2. _~ 1 pressão JDmng) arco _reflexo.conseqüçn.urinar.ional já empregado no capítulo IV: dã pressão.la!.ra:rrcanâoasõesmoloraS ViSãfídcj"Jivrar-se . sent. "ptessãdz-~ln -"Ífli~fo. provoca ·neéeSSl(lade2~ência.~ '''...I.~gu_o_~g!:~q!:(~P~~t~E~ da e ~propri(lçtapelo sujeito.pressão que é percebido psiguicamentc_ como Drang. Este aperto (Druck) . sair para livrar-se da pressão e procurar alívio. à ~. pressão) leva o sujeito então a precisar/ querer agir. afã.à. (algo de ordem da _ _ _________ vontade e d~ __ ._-_ .. O Drang é resultado de um fluxo que pôde se acumular.I. o termo refere-se.ª:r:::~:ç~~aO:-'ªp{":rt~~·D~~ign~·~lgõ-·ilãrreEatàaor~"impe­ lente". "ânsia". mencionada mais acima). há um incômodo associado à origem do Drang.-Tst~'é. "urgente" e at~a'~obre o sl~eito "afohando-o".~'l~~e entãõ aformade ~E!!..ido 1 (acúmulo que gera necessidadeurgência. Situa-se semanticamente próximo tanto da aflição (Bedriingnis.da urina gera estímulos (Reize) que se fazem representar na psique como imagens no sonho e são percebidos como irritativos ou desagradáveis. Refere-se também a algo"quê quer sair de dentro para furãe--Ínanifestar-se.:Jefere7se. situa-se entr~jL:Qec~~ade" (algo de~E~ --~fisiológica) e o "ouerer".-ânsia'~=devTdo·~ànecessidade de agir P"<ir:~i]IY. acúmulo de urina. a qual a.1 72 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD O PERCURSO DA PULSÃO 73 Em geral. fezes).. sentido 2 (acúmulo de um intenso anseio não satisfeito. "atropelando-o". o esquema indica que o acúmulo de Reize (estímulos que tendem a ser desagradáveis) Erovoca um tipo c!s:.guiándo-se porfiTíãgens deo~~-to.-de alívio..ia da P!~.. É simultaneamente a pressão da urina na bexiga e a necessidade de . De modo geral. dest5õ). Uma sensação de Drang (ânsia. O sUJelto.. procura-âtivid~d~~~~~~tos'que proplCíCm entãüencoiiEfa::tõsF. Pode-se ilustrar esse momento de entremeio entre "aperto". @ fonte pulsional (Triebquelle) 1 estímulo (pulsional) [(Trieb )reiz) Drartfr~_UlTlt~rIE~. "ânsia" e "vontade" pelo uso do termo Harndrang (necessidade/vontade de urinar).-- uma Drang e Trieh em Freud: Retomemos o esquema simplificado do pequeno circuito pul. isto é. portanto. no caso do exemplo acima..~. ] rcaçoes [ somáticas [ idéial representação (Vorstellung) + afetoS] (AjJelae) descarga (Abfuhr) /1 1 satisfação ( Befriedigung) Conforme já mencionado. aliás algumas vezes utilizado por Freud na Interpretaçiio dos Sonhos (1900).<:~~.!!l~I!t<. anseio pela liberdade e pela vingança). Harndrang (necessidade/vontade de urinar) pode constituir-se como uma fonte somática que interfere no sonho. bu-.

... considerar o Drang uma espécie de elo intermediário entre a pulsão e a ação... . .9~e~~·cul~ulsiona~<: abarca o processo desde a geração de estímulos pulsionais até a descarga (ou seja.dc..ãiiIesQe-aborâãrã-éircü1ãçao da pulsão no psíquico.a_Eor ~i~~~'Q!~~_<:!.t~J­ desconf~~]. ou como imagem ansiada. ---_ .----------- Nota-se um paralelo entre o e o movimento pulsional. o Drang é o elo...i~~_s'<:~E­ c~~_ pois oD~~ss... ou um momento) do Trieb.Í!b pódetefcõ~~!.?. Pode-se. ' .aliY_lQ--ªlm..entrará nUI:na-sit~~ecessidade/~QJ!'I(I~Be~~g_n.. '----"'~ Drang se a imagens e afetos.J2I~ssª-Q. Neste circuito...pllder.tig!do~.Lª~~ndo !?~::~E_-?_qlJ_eJl}iJ~lt~ .~01.-dê descarga e a busca de alívio. que parte da Unlust para a Lust. do estímulo ímpeto para a 'ação .:J~m2isso.ânsliL_Por outro lado.~_....s!gnai.. ----. a relação entre Drang(pressão.. É~ a forma de Drang.:_~~... entre a pulsão de alimentação e a ação de providenciar comida.:ap~!:Jº ..~~v.'pe!<?''por agir em direção a um objeto que lhe per~rta~ter a saíd~-õ~'(iescãrgã(em'aíi--eçã--o-a'õõ5fctoO:O e .. Estar sob Drang significa estar simultaneamente ameaçado pela-ãIJiç!ioe~i...rl}!... --~. Como tudo o que ocorre no psíquico.. afã) e Trieb (pulsão) pode ser descrita de vários modos. a palavra "afã" expressa bem este est~ck Ul. 'E. também o ~~?~i~)· N.::essão.. a ponte entre a recq. quando Freud emprea palavra pulsão no sentido mais restrito.achauuilijeto de.. conforme o foco momentâneo do texto freudiano. __ .mãlsquelSto~'a aç:~o motõ'fa'qüeconauz -ãpiils"aoT"s"ú"ãIiíetã-iãmbéfi'se-êffsoh __ 12~~&.~!l~?_. ----------- ânsia. algo até semanticamente próximo da aflição]...<:?~J1Or' psíquico.!:. é portador do afeto de urgência.:~~'t~ ~~~tido:o ~l~:_~_~_r:na ª~pla fu~o~ '.---_. .(..b... -~ no D!::~~9-f!!2.. .EntretaritÕ. .?r~. sob o impacto dO"Drang... eo não.. ~" . Drang é uma parte (um fator.. o Drang é o momento em que o somático é percebido uma ação do psiquicamente como desagradável e sujeito para conseguir uma descarga.. portanto..-g~I}~i~dêS~Hte'- pe~&-º. impulso). De um modo ou de outro.._~f<::t. . ...74 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD o PERCURSO DA PULSÃO 75 a descarga (Abfuhr) dos estímulos e a conseqüente satisfação (Befriedigung).l~. ~p. .ª-rgª~lívi~iEá s~l~umbir à..-Drang está sg}!l~tf~o enõ"psfquÍc'õ': OsuTeHosênre-somalié-ámenteO ... também.gue o Trieb adquire uma dimensão psí9. Neste caso.:ç~. pur8Torlanfe)aapulsão quando Freud utiliza a ~Imlsão .. S~Iaa-~_~~.g.9.. portanto. comoÍE:.Ltp~l<? Drf!:.ii~r:tçj_':1:~_no~~~is..~_ for"tõ. o Drang (p. Osujdio.. "'" .2Yi~ito _v_a.ia) tg.Piliill~. cabe tratar deste momento de passagem do somático ao psíquico.. designando por pulsão a finalidade da fonte somática geradora de estímulos pulsionais (por exemplo.1}g::r!.D. .. Vou e'-um-eI()(~iitreapuISao~'-..T!. discutido no capítulo anterior. isiõ'«(s~b pressão. tendência..c!~_.. o sujeito persegue um deseJõqUe reluz e o atrai como possibilidade almejada...~S)~_~<: . quando a palavra pulsão é utilizada na acepção de disposição.a parte impelen~Ji'!p::. ân.~_P~~!~ .-ma:is-quc'Íss-ô-. _. de ânsia [em alemão.. exemplo.~ãr:~~. através da qual o sujeito pode atingir o objeto de descarga e obter Lust.-.."trrgência e.e.~_ Póde-'se considerar o Drang como . "'...1l1c!IIl~0~0" . Neste caso..!!}ilgeus_de.::~~)-~.---.. A entrada da pulsão no psíquico se dá. impelido e guiado Neste sentido. por algo já imaginificado que as pulsões para "fora"..ÇJª<. e também se liga a imagens (anseia por imagens que representam situações de alívio). a pulsão de alimentação).2s. o Drang será a passagem entre a produção somática de estímulos de fome e a sensação desagradável de fome (imagens proprioceptivas) e desta ao desejo ou vontade de comer (associado a imagens de alimentos).__ . -"---'~-'" .]~s!9.

a pulsão ou o estímulo? Em diferentes trechos da obra freudiana ambas as conse alternam. e lembremo-nos que Freud. o PERCURSO DA PUL'5ÃO 77 VIII Na fronteira entre o somático e o psíquico A conhecida fórmula freudiana sobre a passagem do somático ao psíquico se refere à transição Reiz (estímulo) Trieb (pulsão): válida. Neste caso. pulsão em direção à psique. um "instinto" (Trieb) nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático.ebiológica representada substituída. estímulos (Reize) produzidos pela pulsão se originam dentro do organismo e alcançam a mente e se eles. mesmo no inconsciente.:ii~ sentanz._p~!g1}LgnnçX!.. ).Q. um . (. ao atingirem a mente.. 9 Afinal. quando falamos de um impulso instintual *** (Triebregung) inconsciente ou de um impulso instintual*** (Triebregung) . de fazer sexo. Por exemplo. pressão sobre a membrana celular. tanto refere·se ao "estimulo" que chega (raio luz.eL9. e mais: deveríamos considerar que é o estímulo o "representante psíquico" das pulsões (Repriisentant. freqüentemente designa as sensações psíquicas da fome e do amor como "pulsão". nenhuma das duas é 9 Conforme mencionado no capítulo V. os estímulos para a ação de nutrir-se. diz que a puL~ão nos aparecerá como sendo um conceito situado na fronteira entre o mental e o somático. delegado. é o representante (delega- do) dO~.). repI-eieJltª-l!!~}]~~!~-g:râ~~r-ª~j)E~~õ'.çles~ariiosco~-õ-~~~tí!ii. a "pulsão de nutrir" ~será. depende do foco que Freud está privilegiando a cada momento. 1) I~ode-se diz.____ ___ ~ M--~~ ~ "Um instinto (Trieb) nunca pode tornar-se da COllSciêriêíit-=. no momento em que procura dar maior precisão conceitual às suas definições. a "representação" (Vertretung. Nem Trieb nem Reiz serão sentantes psíquicos: . como o representante (Reprãsentant) psíquico dos estímulos (Réze) que se originam dentro do organismo e alcançam a mente. a Reiz tem dupla face.lJ:-_côm::Q:-'~:~~!!. os termos são empregados de maneira mais rigorosa.Ó--. gustativas (fantasias de sabor) e visuais (visualização de alimentos desejados).. Além disso. Entretanto. e. 2) Por outro lado.tª-ge" ou Neste caso. adquirem uma feição psíquica (sob a forma de imagens carregadas de afeto). Se os . em outros. apesar de a polissemia dos termos Reiz e Trieb permitir que Freud alterne ambas as formulações acima. que está no lugar de). Não obstante. as pulsões representam os estímulos ou vice-versa? E qual é o conceito situado na fronteira. 142]. se manifestarão psiquicamente na forma de fome ou desejo sexual. o qual é imposto ao psíquico devido à sua conexão com o corpó:eo. neste sentido. Rep. como uma quantidade de trahalho exigido. delegação) dos estímulos somáticos que animam as do sujeito ficará a da pulsão.~"p~!~§~"riaaccpS_ét~~ ··]Q_qll~ercebiQ.~~~_1}t}!}!~ªLri}~is. etc.Jeui:ilizãrnlõs a pala~ e.!:~ a pulsão. ---instinto não pode ser representado** (reprlisentiert) de outra forma a não ser por uma idéia (Vorstellung).idéia* (!:':~E~~?~~g)_9U~ o' ~Eicsenta_~* (r!f!~~: sentiertLRodc.. Entretanto. etc." Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [ESB 14. sensação de aperto.. deveríamos dizer que o estímulo é um conceito de fronteira entre o somático e o psíquico.Y!9s"~~ÇIiE!~ntos é-IiYl~~os~pªª Essa afirmação freudiana pode parecer paradoxal. vra pulsão na acepção de finalidade biológica ôrganlzadóra. Na realidade. pode-se dizer que os estímulos são os " Se agora nos dedicarmos a a vida mental de um ponto de vista biológico. e que a pulsão é o representante psíquico dos estímulos. vontade de mastigar). delegada) na psique pelos "estímulos de fome" revestidos de imagens proprioceptivas (contrações de estômago.uIlia fínaIíCfãêl.) quanto ao "estimulo" nerceb.76 A TEORIA PULSIONAL NA CIlNICA DE FREUD .ido (sensação de claridade.

m㺠__apr!_e.203].lcrs­ exÓgenos( origínárí os dà'liltêraçãoLbifilJlIfeío).. Assim. -vJJ. "expor".-_ _ w _ . Darstellen também é coloquialmente usado na língua alemã com os significados de ações que se dirigem a outrem: "explicar". . pictórica. O primeiro corresponde ao termo darstellen. O sentido alemão coloquial dessa palavra implica um duplo movimento: "dar uma forma captável" e "mostrar".~-qil'ãis '. pois nada mais entra em consideração.~erriÓdã--ê'.. mas significa "ter um representante" (algo que está ! em seu lugar). esboço de gesto.78 A TEORIA PUUilONAL NA CLíNICA DE FREUD reprimido... toda constituição inicial de uma imagem que será mostrada é .. " .não. . etc~). _~~. representação imagética interna. . .fi~'. ~".iI1le. "apresentar".. expressos por diferentes palavras alemãs.~ . É um termo freqüente no contexto da teoria dos sonhos. o qual é comumente traduzido por "representar".e. "signifiçar" e "caracterizar".] o Inconsciente (l9f5) [ESB 14. ~ _ _ . que ainda .] "ser representado" não tem o sentido de ser configurado ou ser imaginado. "exibir". em certos momentos onde importa definir mais precisamente as diversas formas de instanciação da pulsão. . onde Freud trata da questão da Darstellbarkeit (figurabilidadej representabilidade) dos pensamentos na linguagem onírica. formarão ~ os"é'õmpIexos (gr~pos) de-"idelã:~'que' hãbita~_~~'âo' ps. .:.!l.~~ • . e. a imprecisão da fraseologia é inofensiva.. Tricbregung significa algo como uma iniciativa ou moção pulsional..f-'l psíquica com a configuração de uma "representação"j"idéia" C~J ( (Vorstellung).' "...1:~~o _!:~."_..o Quando se diz que a pulsão entra e circula na esfera 31.se--tÍ:~nsformam'-eni imãgens-rcpréifenfâçõesTVõrsteUungen) -Zarr~-i~~~~~ª~'~t~t9~.x-r~W...ra ç Gil. 3 H. ".0 • • _"~. as quais cabe diferenciar.ãü'. . _ _ "_~.c GOyyi ~ ::( - Assim._ ~_""". .] PARTE IH A pulsão na psique: das imagens aos pensamentos ['I"''''!' a palavra Regung significa movimento inicia~ discreta moçüo... ...t cÚ::> IX A roupagem psíquica e das pulsões como Vorstellung os três tipos de representação ("JJlu~~-'C!. ao chegarem à psi91J~!.____ • _ _ _ _ _.""'_""~_" ___ . ._ . "descrever".Ji!!K~igem (linguagem sensorial." !"" aqui Vorstellung equivale a idéia. é necessário considerar que Freud se refere a três tipos de "representação".'repi'eSefitantes dãpulsão !:=qi:i_<:j~_. Podemos apenas referir-nos a um impulso instintual *'k'k (Triebregung) cuja representação ideacional (Vorstellungsreprasentanz) é inconsciente.. em certo sentido. em' scguidã~ h:iostrá:fo:-Srgiiifiéã:POrta~'t. Freud utiliza a palavra pulsão na acepção de uma espécie de órganizado'r-bIoiÓglcõ-em'tõrnõ ~~~es~s eIi?6:~'­ genos-sc"ãIifêulame-él"rcuÍam...~fy. "figurar" ou "configurar".:P~od~'iliuma imagem áindâ--naoconstituída... "representar".e serão o tema da parte III deste lIvro. .'1unfctcom~õs-'êsí:1mo..~~!áap!e~. qlJ. "mostrar".~jv(!_~_. auditiva.íqui<:Qe. cinestésica."~.. Conota~iy'~~~nte remete à ação de colocar algo.Tl<L9.1_~C:l.Êstes..

Formaremos uma imagem (Vorstellung) de fu"turo que seja comum a reprodução interna de imagem. colocar" diante de . traduzidos do alemão..\ONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PUI. pode. ~omo foi mencionado.. ou de filme A apresentação (da peça) ontem foi um snce.--ineõt~Yfs@1izaçªQ__0~~i::Qm~tQS).J fo~:ma de imagens e idéias nos sonhos. em geml. então. o termo de origem latina reprasentieren e o substantivo Repriisentant (repres~ntante?. O segund(.. Freqüentemente. a "idéia" como imagem ou como concepção mental que se tem da palavra.-::1. "jurídica" ou "política". ] Quando justapomos as palavras no discurso encadeado. .] f** o sentido aqui é de apresentação ou representação mental-imagética (imagens sensoriais) da fala motora. o qual. o qual é menos usual e é usado como "representação comercial".] O Inconsciente (1915) (Apêndice C retirado da monografia sobre afasias (1891) [ESB 14. poder iniciar um verdadeiro trabalho de equzpe . gi~po para. pod~~~_diz~~~"~. que significa re-produzir/ repetir /reativar internamente uma imagem já dis?onível. aut. É utilizado para designar representantes comerciais. todos impregnados da " noção de imagem.. [._<:pre. retemos a inervação da palavra seguinte até que a imagem sonora (Klangbild) ou a apresentação** (Vorstellung) motora da fala (ou ambas) da palavra precedente nos tenha alcançado. ter o sentido de "corresponder"/"estar correlacionado a" (entsprechen).:LlllQ!ltar uma cena ou imagem a " partir de elementos já ~~s. simbol~ todo. "conceito". da "idéia" como imagem ou como concepção mental que se tem do ato motor do falar. permitem visualizar a coloquialidade com que a palavra é empregada: Ele não faz idéia (Vorstellung) de como minha tia é chata. possui forte carga lmagetlca. mas referem·se igualmente ao ato de mostrar imagens já disponíveis" Por exemplo.--tip-. são "concepção".lS~_?~~?_rstellungJi<1~~.jurídicos.9!: in::"!:.-~~o dargestellt (~ sent<~~~~2. . Neste sentido.põn-cÍ~nte é sich vorstellen. e também. o termo Vorstellung (idéia/repre~enta?~o). num uso maIS erudito.. P o sentido aqui é de apresentação ou representação mental-imagética da palavra.~~!1_~'. p~rêxempl~ol. NJ:.~E<. Pode-se dizer que é pelo Bild (imagem) que a pulsão se expressa.I I r 80 A TEORIA l'UL. a "imagem motora da fala" ("Sprachbewegungsbild") e a "imagem motora da escrita" ("Schreibbewegungsbild"). N. O verbo cor~~. "imagem" e "pensamento"._~~ççb~m fQ!J.. Significa "representar". nesta acepção. e eqUlparado por Freud a uma imagem (Bíld) ou colocado em conexão com imagem (Bild)." O-terceiro tipo de "representação" é~K~~~o substaritivoVorSIéllung(imagem. Ne§1S:_~entidu..8"~_~~aç!?_~s.<.ç_~~ I~~~~dQb--a1"o~ª-<!e_!.\:50. a "imagem visual da letra" (Uvisuelle Buchstabenbild "). no âmbito teatral.."(re"repr~~o" refere-se ao verbo vertreten e ao substantivo Vertretung. por exemplo de peça teatral.~J _ <:~'pr~as)...nt~_ (s~tuída. ~u<. Freud também utiliza.sAo NA PSIQUE 81 I i 1I I I I I uma Darsteltung.?-E:1. pois cria imagem onde não eXiste anteriormente.c. quatro componentes da apresentação * (Vorstellung) da palavra: a "imagem sonora" ("Klangbild")..:. T~s~dcirL\éOcar.uagern pulsional mesmo quando se trata da linguagem postenormente colocada em palavras: "Distinguem-se. aprcsentaçi\o de algo.. aut. isto é. etc. Algo diverso ~o ~ra~al~o de constltú!çào e mediação de darstellen. Há sempre implícita a idéia de uma delegação ou procuração para assumir o lugar de outro e representá-lo.~s cQnt~r-~dizer que a pulsão é repr~~t<l:~~_p~qg!ç. N. Os pnnClpals significados coloquiais de Vorstellung. isto é.'-. é esta a base da ling.s)_ P. ou ainda o ato de mostl"ar. "noção".. encenação. í~êiã~~epresent~~~:>­ duçã. apl'esemação de alguém a outrem Apresent<lrei minha namomda aos meus pais. Qual sua concepção (Vorstellung) de Liberdade? Temos já uma boa idéia (Vorstellung) de como é constituído o cérebro.:~ . Também emprega Repriisentanz. na acepção de "estar no lugar de outro". além dos sentidos acima.:>~_p. Os exemplos abaixo.. O verbo vorstellen significa literalmente "colocar diante de si".g~~~.Apresentarei hoje o projeto do novo carro. políticos. "idéia".I:1_'. lO Outros sentidos coloquiais de Vorstellung são mais afastados do significado de iidã.-i~§'1êp~es~_nt~m(. 241].:}l_l!:l!_<l­ .

:~~~ti~á~~):-------~--·.. N. c.!L~~v~~~~_~~~~ui_~_(lg~~~e _~s n1-esn1ãsT~f{ens ~ª'o..rstellunge:l&(representações in.si~~"~.Ç)]taiL. Entretanto. ~~ coioqilÍãTídaa~. nem sempre deixa muito claro em que acepção filosófica o utiliza.J(. "concepção". a segunda expressão só teria algum sentido para nós na medida em que reconhecêssemos um velho amigo sob esse disfarce e tacitamente restaurássemos a palavra "idéia" (Vorstellung)*. (1893-5) [ESB 2.::Ile a palavra ale~~~~. abàh(õ. tratar dos aspectos filosóficos do termo exigiria um mapeamento das matrizes filosóficas do pensamento freudiano... reP. trata-se em Freud destes dois últimos sentidos. ou..ívdd:-J. Freuci parece empregar o termo Vontellung sem cerimônia... teE1!as2.. r:. ora schopenhaueriano. o termo Vorstellung não é substituído por Freud ou Breuer por "excitação cortical". aut. pelo contrário.ões teóricas Breuer).eferir-se a um dos três sentidos: a-puls. A substituição de um termo pelo outro não pareceria ser mais do que um disfarce desnecessário. repriisentiert. como no Projet~ para urna Psicologia e na Monografia sobre Afasia (citada acima). exe!2!P." () sentido do trecho é: '" esta última expressão só teria semi do se nela enxergássemos o nosso velho termo conhecido metido num novo disfarce e.'1I1do~ diz g~uls~Q.mjmagçDs.. Se em vez de "idéia" (Vorstellung) escolhêssemos falar em "excitação do córtex". Freud reporta-se explicitamente a Stuart MilI. complexos) que passa a representá-la (a ser seu emblema).. não se deve esquecer que Vorstellung também tem uma inserção secular na filosofia alemã. -------. Pe~ nece a palavra Vorstellung com sua forte carga imag~ã. V~ttª!}~LQ.""nas'paIavràS-àeBreuer: "Os seus processos psíquicos serão abordados na linguagem da psicologia. vertretbaI (substitulVef. "imagem interna").. Parece ora empregá-lo num registro kantiano.!!!STIt~ "representad~"._---"-----~-~ Em geral. pressupondo um entendimento comum e imediato (no sentido de "idéia".. quando parece estar referindo-se a um emprego filosófico do termo. enquanto as idéias (Vorstellllngen) são objetos permanentes de nossa experiência e nos são familiares em todas as gradações de significado. a rigor. ( .-_. A pulsão provoca uma excitação cortical que é percebida como fenômeno psíquico de imagem e afeto.ü. . as "excitações corticais". enquanto a palavra "idéia" é o~ieto de nossa experiência cotidiana e nos é familiar em. Repriisentanz) através de representações (Vorstellungen). o que não está no âmbito deste livro.. reinstalássemos novamente o termo "idéia". . Pois.)nfiguráys:.ª-Q_~-"d-ªt5tellb{l1: (traduzível.~. Contudo..da éR§~~~sobi~!udo como fenômeno familiar e co':~L psiquicamente. não é possível falar de forma apenas genérica de um uso filosófico de Vorstellung em Freud. Pois. Portanto. a pulsão é representada (vertreten.. Apesar de a psicanálise e a neurologia da época pressuporem que sempre as excitações corticais estariam su~jacentes à ativação das V01:stellungen.é--I1.lifJQ. pois Freud.195]. tendo influenciado as escolas de psicologia e psicofisiologia século XIX.ÃO KA PSIQUE 83 É na forma de Bild que a pulsão emana 'da fisiologia pulsional.i!lliH~mLguardadas na memória que reproduzem oQjetos ou ações aos quais a ----E!:l~ã~-~~JI~q~~.qll. .. É um tema específico da epistemologia da psicanálise e tal mapeamento não é uma mer~ questão de leitura do texto.. ainda. ~~.] Estudos sobre a Histeria (lII Considel-ru.~iq._-_~gi"J~<::S~o n~ fi~<?sofiª-ç__Jla m~dlº"Da..JQliignif~s lingüísticos da palavra "repre- S~!ltª_ÇiiQ".o.82 A TEORIA PULS!OKAL KA CLÍNICA DE FREUD A !'UL<. apesar do uso coloquial da palavra Vorstellung e mesmo considerando que.lkª. têm mais a natureza de um postulado: são objetos que ternos a esperança de identificar no futuro. não poderia ser de outra forma. Podemos agora nos voltar novamente ao momento de entrada da pulsão no psíquico e abordar a questão de como determinadas pulsões se ligam a uma imagem-representação (Vorstellung) (ou a grupos de imagens.~c!~li9~Lill.\:. pode. mentalmente.-delegável. nos textos de divulgação.

representações) estão associadas (verknüpft.. . Esta matriz é o c~mpo psíquico pelo qual as pulsões.0 i~terno'. idéias. A descrição do pt'oces' pnmarIo e " . Porélll !Teu? nunca conseguiu acomodar de maneira satisfatória a descrição d.:.L~ .Dj)s e exterriõ(gjiç:1D~ch~gª!!.-aI". Vorstellungen e afetos circulação pulsional no processo primário) As Vorstellungen (imagens. deglutição e saciação formarão uma seqüência de imagens e afetos."llladora das pulsõesestiorgãruzadac()nIorme"~Q~ difergttes A"O e. de vista evolutivo. as glândulas.Eroc~s0-Erimário e secundário. . os órgãos. Essàs-é61i1êidênciasdc-ocorrênCías internase externas.--".<:. e o segundo.roNAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULSA0 NA PSIQUE X Pulsões.TaIS concepções contl'nuarn a reaparecer ao T • • (.UrIIâílíCn:. mas nua concepção b. a uma etapa) onde o aparato psíquico se )\ .ória.p. relacionadas) entre si.s estíIl!!JIQ.difica o."c:::"o:::_-=e. por exemplo.~~tillO ou matriz psíquica decodificador~e reg. s~m utili. onde ase}lüiútidades<fwria terão d~~e-itãr-se-à lÓgica.'Ullter.. logia.rretação dos Sonhos (1900) e nos Dois Princípios do Funcioname"~to Psíquico (1911 !:~ reu~l. de processo secundário. Freud procurou descrever fisiologicamente esse processo de moldagem ao nível do que hoje se chama de neurônios e formações sinápticas (Projeto para uma Psico. ante as dificuldades técnicas do tema. ou melhor.ãs's'o"Ciãill-â 9.tdo get ai da concepçao frcudlana. ) J""> \-----oproéessop~imário refere-se a um estado (e. do ponto )~ ' .1~~j~.avésaãquãr(. n. Todavia. se encontrar em estado consciente ou inconsciente) que compõe o que Freud denomina como aparelho psíquico.:~~i:~_~ª~~R!~~i:L<lü~' ~.ISIC.. deixam t~açados :'caminhos facilitados de interligação" (Bahnungen. penetra agora_~ esferas psíquicas do-. Este il"P. interligadas. o modelo neurodinâmico do Projeto.E~~nal envia a éi1ergiãpsíq-üI"ê-aso5'ãTOr~~.í uma localização estrita.l.\I~dona esta~ tentativas. as imagens.o palavras (process(). em A lém do Princípio rio Pmzer ' (1920) ou no FetichISmo (1927).I11aioria de ~rig~~exiêrnã)pró­ duzldas naquela ocasião.cte. Esta seqüência Guaidã~i~f.tardlos. .EJ!!!lQ. Estepro.êr~Ç~ni~ehE!fétos.ão h.mte a do Pro']eto ' .<:[~. as manifest~ções dos estímulos pulsionais se movimentarão. 50 secunda~1O que se fará neste e no próximo capítulo abarca os aspectos destas con~e~çoes q~le percorrem d: modo mais constante a obra.9u~-~ a~~i.cesso po~e_~e!. primeiro.!!~prrem o.:::-=::-::. É este sistema dC.hess. onde operam três tipos de neurônios !p~ w'.' restringe a imaginificar os processos (dotá-los de imagens) ' '\ ) e qualificá-los afetivamente (associá-los ao prazer e ao " . Trata-se de um estoque de ima~ ou representações de vivências que fonmrifi.::~~r~J~~~<:~ ifi. buscando reproduzir o sent.84 A TEORIA puu. Mais tarde.s~iei_~d-W. denoiiiina:do"po~ Freud de processo primário.de funções psíquicas no cérebro nem uma reduçao à anatomia' o que se revela al'[ e' UITIa concepçao (e I n<. . formando uma extensa malha (ou tela) de idéias e imagens inter-relacionadas. 85 Inicialmente.açoessobre c~xõe~'~sãis~Ó~ s gicas e sObreosaÍetospioouzh::los -púFcadã-estÍfiiwo (P!~!" ou despr"a:zerrvlvenciaâ(cSâúc:lãs~qae~~~. as sensações e os objetos.aô· se repetirem muitas vezes..-Vorstellungen ~. a manifestação da fome e a seqüência de Imagens que se inicia por imagens proprioceptivas de fome até as imagens de busca de alimento.tll ologla d 111 :Illlca que procura uma mtegração não determ lnista entre a base matenal do cel'ebro e a dinâmica psíquica.de estímul~~_l)yl~~_§J. ViaS aplamadas) entre os neurônios que representam no cére?ro a pulsão. onde as quantidades \ ! de carga-descarga estão sujeitas à lógica mais imediata dos percursos neuroanatômicos a pulsão. os mOVimentos motores. conformou-se em descrevê-lo sob o ponto de vista do funcionamento psíquico.! obra em textos mats . fUllcIOnallle~1to do aparelho psíquico com sua descrição neuroanatômica e pouco dep(~I~ ab. é importante ressaltar que l<lnto nas tlcul<lçoes do Projeto como nas modificações que se encontram na carta 52 a I. faz uma d~SC~IÇ:I() ~o '\p~le1h? pSlqUlco de c~nho mais funcional. Em outros textos como na Interf.. ) ' --- ~~- Z":' II No Projeto trata"s: de um aparel!lO mental.c cOIIlpl~~(). um mais"ãrcá~T~. como.ti!:as -(~. desvio e (:Istnbluçao das correntes de impulsos nervosos que atingem o córtex.. tipos dc""func'lonamento.desprazer). Por exemplo. o qual será abordado no próximo capítulo. sio a matriz at._§~ç~!ldárill). Emanando do patamar somático.l e• scmelh. longo d. IV ~ _uma sene de mecamsmos neuroanatômicos de condução. 1895). scm detalhar as modificações que ocorreram ao longo do tempo.-p.Cmãi'fiJestaçã(n:õíTIddi"fãcõm-vI~ vê~~~"<l~.descrito de forma esquemática lI: a~:f9Ete..(prõcessõ"·primário. ':1 " ' 'A ' " ' \.

neste sentido pode-se dizer que neste estágio o processo psíquico se dirige ao prazer. A seqüência desencadeada pelo desconforto inicial dirige-se para um objeto de alívio. Quando a pulsão se manifesta. Portanto.~~~gÇnsJllJ. Este é um estado em que o des~jo (Wunschzustand) equivale a um estado de urgência/necessidade (Notzustand) não atendida.h~E<?':l~(l...--..geJ) . etc..imári o (seqü enci~~'2~()_..ob. imagens de ser amamentado. evoca-se o complexo de imagens e afetos a ela vinculado e desencadeiam-se certos movimentos motores. Estes movimentos se norteiam e mo- n\ .. seja evocando a seqüência dirigida ao prazer.iucinai~' corresFi_ó·nc!~~=Sá1lSªÇ·~~p~~quela?:-<:~§~E!~~ª.) não serão antecipadas pelas ações. Ne.._a bastag!:~ fr~!LQe re:g!::iJ?:2!-Q da circulação pulsion. assim.necessidade o sistema é inundado pela carga 12~~. ..c:. as Vorstellungen (idéias. bem como os afetos ligados'a uma representação podem "contaminar" outras representações.-etõrm. Assim. instala-se o que Freud descreve como o estado de desamparo (Hilflosigkeit) do bebê..orige.. as mais diversas quantídades-deêStíinulos.~2.nJ.qüência de imagéns qLÍciíopãsSáaO"-~'epetidan~ente 'cõnd~­ ga..!9!!ªLe atinge-tDd()1rÕ-S~~e~~6nios-qüc-partiúp-am da.\ICA DE FREUD A PULsA0 NA PSIQUE 87 de representações' (Vorstellungen) que ficou "impressa" pelo percurso daquela pulsão se ativará sempre que o sujeito for tomado pela sensação de fome.-o-'efCl(õe-(flú~-·se'gera úln. O desprazer (sensação de fome) é evitado. então.!. pois ope~ com~~e afe. Um conjunto de Vm:stellungen pode ser ativado a partir de uma Vorstellung isolada. cores e odores.-ê-c()lfi{}Se~se-'ãcêndessê aseFÍe--éfê neurônios- dulam em função das associações já vividas.<l}' Diferencia-se do arco-reflexo. Há uma espécie de memória arcaica que consiste de uma seqüência de eventos que se inscrevem no cérebro como uma memória de vias de comunicação escavadas entre neurônios e que pode ser ativada sempre que surge a necessidade..p~i~o-na!1j~g~~i::~~!g!:IDa está fadado a re. Trata-se de um sistema sem uma memória volun--lãríãment~ ativável.os.~. Qn1 eçaJJi~._.9· SªºJ~[l1- branças que possam ser evocadas e manejadas como peças de-urrn'ací óCíniõ-. seI'::E<?ª-<:~C:lntecfpar e. e as circunstâncias variadas em que os objetos de prazer podem se encontrar (presença-ausência.(racas:.mLçJüçle .-.~~!:"~~~ retençãQ energética. TI?aULUIIJ-ªJorIl). sons da mãe chegando..QJ. representações) vão sendo associadas (verknüpft. o alívio e a saciação.Q.Q5J. _ .~~~~stágio arca!.?_~:~~raI1smi~!::._ . s~~gani~2or'~ª~ções .~~!E_ ao PI~zer) é mais~omple­ xo do que o sistema de arco-reflexo (em que predomina uma "memória" anatomicamente fixada ou herdada filogeneticamente).ondu.2:~ag~I~~_<:>_q::e~.. Portanto. ------. distância. choro... às mecanismos de defesa contra os estímulos endógenos (estímulos pulsionais) são precários e não há como antecipar a fome na forma da percepção de um apetite que simboliza uma fome vindoura e permite uma ação ordenada de providenciar e escolher o alimento.~YT certa ~~laS t.tid~ Banir cl~ vivªnçias de 'p~~~~ra~.U-e_r~.:xcessos -deSagradáveis de estímulos que já atingiram o s~g~l]1~-cüçJ:y~uirido'o se nte'fome .p-r:. ocorre freqüentemente um fracasso da ação e da alucinação e se instala uma frustração-decepção (Enttauschung).~~"~ati~fasao das pulsõ~=~~or~'.1.mj~t~r:ri~..t. selja descarregando por ações motoras o excesso estimulação.~<.---. vinculadas) a outras Vorstellungen e formam grupos de imagens vinculadas entre si (complexos).9.r_~. jáe iãidepara evitar o desconforto e ele é tomado de incômodo difuso.~! Ile. e o sujeito ainda não pode buscar no mundo o que lhe falta..~? pr.~~ agir. esta seqüência poderia ser algo como a sensação de desconforto.~ de..e~de a. mas o fazem de forma pouco flexível..ç:2. um estado de necessidade desejante em que o sujeito almeja atingir o objeto não disponível.. A alucinação não pode satisfazer por muito tempo a necessidade (Not). não há uma proteção eficiente contra o excesso de Reize irntatlvóS(prin- ( ( cipàlnienteosde. Nestep~t~I~~~~ada v::5ue sur~ ..~~!tir~º~2~tato Os"(.( 86 TEORIA PlJLSIONAL NA CLÍ..Iilãslêiiiliianças quc'iffõrãill.. Assim. No caso de um bebê. com interligados..~-~---. Surge.-ü sujeitQ..~!.

..ionais.{.t9-sj!l1:~: _··~··~'·"'-·"..!!.~).!:l-. em alemão. não se deve iI.::~!::<:~ as ~!:~ fenômenos descritos.------~~ termos pulsionais.~J.J:i.!.~·ç.~::. a qual aparece na sua forma basal como sendo prazerosa ou dcsprazerosa. está·se usando o termo apenas na acepção de qualidade de estímulo.l9 ~Iifg a ~.'.r. O sujeito.9'::~ at:..'::. Lust.~:_E!!~2~~~. Tr. sensações imediatas e um tipo de pensamento organizado conforme associações per- / ceptivas por identidade imagética (guiada pela semelhança ou contigüidade entre sensações).ilili!s!asJJlllhn.: ~<l_. -ªlemãn.' a p.~:::~.:<'>·''''''"".!JgfL1b_.:t_a-se de Bilder~ Coerentemente com o . Tal ~ª está sujeita ª. patamar . UnZust e Angst .das <:~_eE._---....~_..'. o funcionamento do processo primária s~ organismo não sucumba à inundação de estí!..-um constante movim~_S:!!.n um. no processo primário reina um estado que se caracteriza pela disposição irnediatista a sair da UnZust para a Lust pela alucinação. A carga de afeto.-~~=-.E.r. está tomado afetos e Neste patamar de funcionamento psíquico mais arcaico predominam imagens fugidias..QlJ~Jllªlha.''"''--'''-.s~. algo A maioria dos termos enfocados na segunda parte deste livro..t~Jj.~.. o a intensas manifestações psíquicas."1 ""::'. Sua forma de expressão Bilder (imagens) proprioceptivas.:"'...Y. por exemplo.(.e. houver também modos de reter e distrit)l.:.de. a Drang.~~. W:!2~JY§L..:_p~!~vr~~_~em~.. onde se· vive num limiar difuso entre a alucinação e' a realidade.::::. Reiz.<:~. Angst.9.. Drang.Ç.~I?~~~~1}1 0J?.r..ung~tü.Í. apesar de parcialmente pré-moldada filogeneticamente e complementada pelas experiências primordiais. Contu. NQ.:llÔlllellOS.qiil!ndcLd~.e..l§.l:@ginar esla malh. corpo e ~YQǪ:f!LC0!...~.2"..!.iXtªr!ª. ) 12 Quando se emprega neste livro a palavra portuguesa "afeto" sem referência ao A[feht do alemão.•_::':.!'"''''. quando esta já está disponível.-. tais corno. Pode-se dizer que a própria formação e maturação do aparelho psíquico se confunde com o processo de uma circulação pulsional.1.'!Il!.ou quantidade de afeto indica a intensidade..a_p-riIT!~~@ it. _:O.~.~"..:'~:'."""'--'T""~"""~'''~i''''"''~''-~·'!II'"'·~..LClIllQ..~~~~ª~<i~lLçÊ. alinhan12 do-se conotativamente.!i!.9..'' .88 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREVD 1 A I'ULSÃO NA PSIQUE 89 De forma geral."º. UnZust..i~'~--~-. .:!J.rrU!~_J.9..!.s:@~yj.~~1ª~Ç2!!$.§. ~" interl igações)J. Ela esculpiu-se predominantemente a partir da circulação pulsional..~~!.~ões estáticas..du~ precariedade. -~-- -r~á5.Jjla~saç2~~.~i. >K .p~ a e o pensamento primitivo (que Freud denomina como "pensamento inconsciente" por imagens) servem aqui como elementos condutores que guiam a pulsão da fonte à meta..{dlJdungenr-Ver:knÜpf1!:.::.?-=s ~~êon~~=~~i~páiü~ê~s~-Xié~-di~so.1l~. Reiz.afetos.?-llsmissão-·ern·"vast·as-redes-.!§..Q~ç.~~~~~_~. 'afetcr--tím isto é.idéJ~§.-pn)Cesso__p~!~pn:~.. sempre se rearranja.''''''.ill?Jaç.::.Q. em geral de excitação que tende ao desprazer.únáis próxi~~~_c!9. as i~-. cinespsíquica é etc.- Essa malha (ou campo). mas não cessa de sofrer a influência de novas experiências (mesmo que ela" tenham mais tarde na vida menor força e influência do que as primeiras inscrições)..!J1Jl cOUÍ!JD1u. CQ1ltJldo.E?.t9.:age no.cnnstitu.'::"~"''"'''-~--''----~ par:j!lllig.' """"~''''''''''''.:..ç. a este patamar..'~d~. e cõ~ ú~é~ gyi~g~tiç2-~fe!iy<?....

nos capítulos IV.0 ~'âlk cLL r . mas pelas marcas deixadas pela experiência. .- ~~ ) ~ ~CJ.&Of'\Í € 0-0 )JUU~~.uiadas or rotas de imagens esensações. Nele..{~i-·o cpXc Gu~tOlAP r\:.es. uma dimensão onde os Reize se restringiam a efeitos no somático (pressões físicas. ~-kA.o.-u. maS-São. 'h. ~\ K. Estas lhe permitem simular e antecipar a cada momento o melhor percurso.. a esfera da fisiologia pulsional.~ A. gz . será o o l~\ -------~--~ -----_. Neste campo. ---. portanto. nem as seqüências de imagens e sensações.D ~r\"h~ ~~ cio---i~QQl üf'~ F~+-C' q. mais elaborado do que aquele do processo prir'nár~~d-ª: trata-se aí do processo secundário. W-t ~ O~.L!!'O âml?!to ---Este aparelho não é mais um condutor que funciona de associações de seqüências.o ~JJ-. .-- Á ~ '-~Q~JL ~~~c.. a qU<l1 na sua forma basal como sendo prazerosa ou desprazerosa... ~ } -e.-.í mencion'ldo.- CD-nt-Lcl..GO ~~m \.. Ld clcL O- \J"\. será abordado um estado psíquico mais complexo que Ercud nomeia como processo secl!!lçlário.. As leis que organizam o percurso pulsional não são mais nem as estritamente anatômicas.. -f-(.JtR.v-.nCA.-:G0tcL2~ t--L ~/)~. cOllfórl1lc j. as que acometem o aparelho psíquico ~rrnr parããêíeSc~ga. bem como tentar compatibilizar e ordenar percursos de pulsões simultâneas... o qual.. As pulsões acometiam um corpo que conduzia diretamente a energia por vias nervosas e inervações motoras a descarga. 9... ?:~ pulsões passaIll a assumir forma§J1lais.-'\~_ ! l U -(jP\_~_.I-.-n~ 1/0 . etc.. distribui e encaminha as cargas pulsionais a partir de um de associações disponíveis com as quais ele opera segundo regras de raciocínio.(o_o 0-.üyv'ccqU-A. *0 --'2.'Z.j o fLu. V.. mas que acumula.o rocé QYJ J nc\O v\.J-o cu:::::> ~~. é... reações reflexas. Em outras palavras.ArVJ A[eto est.~ f i-o} ) ~9V::L ) ~ QQ) r~A k c. focalizou-se..í sendo usado aqui na acepçáo de qualidade de estímulo. +.' C-o nl'IQ ~_u Q.{YCc ~~C -e ~ rr\bv!i~ ~~ ~k 11)P~ o. do termo alemão AjJekt..ç. agora serão as relações de sentido entre imagens e afetos que direcionarão o movimento.t k o" cU.X:L. VI e VII. No capítulo anterior.t~.0 lÁ. as associade caminhos facilitados que vão do desprazer ao prazer e que levam a pulsão em direção à descarga imediata.-As -óndas -( e estímulos puls~~ffíÕ apãfeíh~correm por percursos n~o mais somáticos e predefinidos pela anatomia._- XI Atando as pulsões às Vorstellungen e aos afetos U (a circulação pulsional no processo secundário) Quando se descreveu. Agora.~~ ( ( 1._~ C. a ser abordado no capItulo que segue.90 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULsA0 NA PSIQUE 91 VIa..-------~ .). f Cr. \ô0Lo J:~ll ~--\..rl - ~Á. refere-se a UIll excesso de excitação.~{~'-Q_ 'lc'LoJ íj~~ \. r'lCA.~~ <f-E'_~a-"::-:.. r'I'>'~J ~ -yY\. com freqüência..~CDrG­ ~~ I'ULJeJY1~ )J-uJ.-OÕ\ \---\.O-J. \..."-_O/I'\_.F ~CU-~ A ~. foi abordada a pulsões num patamar psíquico.... Co o.

IIlcapaz sequer de CIrcular. ou a ligação funcional na acepção de "enlaçamento'. vinculação)..ibilidade_ç. ._e. de forma que as t. Bmdung ) aa energIa pulslonal.-mais -t·arde. para que o sistema não sucumba às alucinações é necessária a inibição dos excessos de catexia em certos neurônios evitando que a ativação de uma lembrança adquira a intensidade de uma vivência real levando o sl~eito a alucinar.as estão VI!rlcnüjJfl ou verbundt'11 (interligadas.õçs ~.~!. a vontade co~~o~~ ll:lC1a~m<:. "cio".!. Bindung tem sido traduzido por "ligação". Esta· carga estocada nos neurônios permite mantê-los de prontidão para representar de maneira reevocável as experiências do mundo interno e externo. _ Além disso. Este conjunto permite estocar..:do~_..~ ~aç.i.<l~. de vontades.E~~s~~a) da representação do objeto (sua imagem na memória)..r. relere·se ao termo Bahnungen (facilitações).ml evitar erros básicos de compreensão do texto freudiano. ínterligação. . é importante esclarecer que se Verkniipfllng e Verbindung têm o sentido funcional de conexão. Para tal.ar ~~..~tray'~ji.:t. fica um determinado resíduo de energia pulsional estocado (atado.~· --'-Pãr:ã-expIícàr"ã-pãssagern-aó patamar do' processo primário para o secundário. capacitados a reter energia..is a mesma tradução freqüentemente dada à VerkmijJfllng e Vr.r.:~!~~.PSE~::!."'. portanto as Bahnungen são as interligaçôes materiais ou cobcretas (algo semelhante a ligações sinápticas) que perlllitem il energia pulsional (catexia ou investimento) circular de um COl~unto de neurônios a outro ou de uma representação a outra.. interconectadas) entre si.~_""~.demiío quer dizer avenida ou caminho aplainado...Qglli!iY.edoSr.~âc~p~<::i~!l5!~ de.~palavras. a linguagem... além do atamento (Bind. 'no Projeto (1895).et0.epresentaçõcs que a mantém tão ligada (gehunden) que ela permanece entalada.A PULSÃO NA PSIQUE 93 92 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE fREUD Haverá uma atenção que recorre à memória ~._<!~Y-~ 14 A palavra Bindung requer algulll esclarecimento. .O atamento (Bindung) da energia pulsional às idéias/imagens (Vorstellungen) possibilita que o aparelho psíquico esteja em prontidão rememorativa.~. P.---"""'. fixado) nos neurônios portadores das imagens. o qual em .""'. fixada) às representações e est. esta mudança qua~ma de lidar com os estimulos Imp1ica ~º)is. ou circular atada (gebunden) a certas representações. associação. etc. c()mple~_~c!. Ou sçja.. bem como permite ao organismo operar com um estoque de energia suficiente para empreender no cotidiano as ações necessárias à suspensão das necessidades (obter alimento. Como se verá mais adiante no texto. após a "-" _.-e. Quando.~~~.~~~~~~.'C". conexão.r:.-~n-ergia puls~onal a Imagem (Vorstetlung. a energia pode circular livremente. refere-se a neurônios que estão atados (gehunden) à energia pulsionaL Quando diz que "o ego é uma rede de neurônios bem facili!ados (gebahnt) entre si". vinculação..rIJúulllng. .a abertura de ~52nexões que..E. ali. .QE1.tenção (hgaçao. significa "ligação" na acepção lnalerial e concreta de "atal'nento'\ "fixação".Q.passam entã!?~-ª-::'§~reSsara-~ ---~-:-"-. a inibição funci()!1a. . "relação". ~~--- simbólico.t~nto.~re~~n~inâr:_<=:~~. Freud diz que "o ego é uma massa de neurônios em estado lig.alucinaçÔJ:.@Sfucilitadas de cone. :'-!1:.. amarrada. rehlção. Por.-"'" '.S.lmagens s~onaIUIlaILestaveÜu?_r~ÇV(Kávei~.).. idéia). ao erit['ã.: xã~-ativ~das. As n~presentaçües estão funcionalmente interligadas (verkniífJfl.--. de ~~1~.~ .::.Os Rezze..ldo". fixando a carga pulslOnal em certas representações. há uma concomitante ampliação das Bahnungen e da Verbindung (interligação. a idéia de Freud era de que o aparelho psíquico se torna mais complexo e abrangente devido a uma co~junção entre a maturação neuronal e o acúmulo de vivências que permite um funcionamento mais integrado.'" .<:~~at:f?:~~a.. ou ainda pode estar atada (gebunden) a um complexo de passagem das pulsões por neurônios ou sistemas psíquicos... e atra~s d~ afe_~~s. verlmnden) pelas interligações concretas das Bahmmgen.fl. amor. "vinculaçiio".J:)~~a.(). a pulsão está gebunden (atada. fugir de perigos externos..como uma espécie de drena~:~at~·avé~c!.a de reçgnõcéeicontiãCiiçÕes lógiCas e pr~.~hnungen (Y'.~ a percepção c!9-2~~!. "aprisionamento". a palavra Bíndung. Em geral.E~~i~ tarI1 .~!. redist~~lar os ~LP-ulsiona~rnpedind~e l~branças e presença re"~L~nfundam produzindo . de modo a mantê-los pré-ativados. forma-se um mapa cognItlVo~-aJet~ (ill~a2Eemória das vivências) sempre disponível_~!0r:!!ec.~ades.t.J!ma voliçãoque monit:õi'ãaSãÇOô. fundamentalmente.~~sárias para a açãQ: Entretanto.:em na eSfera pSfquica. Assim..ni)'d-.rês palavras podem equivocadamente ser compreendidas como "ligação" no sentido funcional de "conexão'. . através dessas imagens interli~.

a interligação se dará entre sensacões de desprazer e p@zer-a~ fome-comer-saciação. através das Bahn1lngen.. Esta conexãQ.ela ~matót2a e entrelaçamento dos ~ mares (5íológico.lS teorizações freudianas sobre a formação do ego não serão abordadas aqui para não nos desviar do foco. a finalidade biológica constitui o grande que dará sentido às motivadas pela pulsão.... ou aumento tação sexual-coito-relaxamento da musculatura sexual). Assim. --L~ _~.m-e ..e r(('L+G pul~io. pela palavra permitem conectar o desejo e as vias de ~ A fáç'ao'puTslOnaIcun:ur~mente p~§.iLQ. psíquico)." .processo primário.__ orgamzar suas experiências ..reãITZãÇã~!Jçlà-tundi. o telHa da formação do ego conhece várias formulações ao da obra que não chegam a se integrar numa concepção única..J)S~. ----~-.).l?~iCJJ.l1_(~L~_. Apesar da idéia básica de que uma função egóica plena implica inibíçr10 e ligaçr1o..... atamento) como a Verbindung (interligação.-.m ao sui<.'nnl1?1 bindung. ou apetite-dieta-prazer de se imaginar esbelto.E~-. encefnTfar uillsemido ou significado na ação..f D.~o~nêr~réalização da função de nutrição.. ()corr<::~i~nu!!:. guando ac~scentadas de_afetos e .!IULfinaIldadêJ)iolÓi!.~. trata-se deredcs-dcSinmlâçOeSrIientais entre desejo e medo do~ ob~0.ada às ações de realização da finalidade biológica correspondente"Tror éXe~ãção de fOl:.da "ile~ dade" que lhes serviu de ~. Por exemplo. ~ esta vmculaçao da pulsão a certas {imfões glJi. . be~~b~gra. fixado à energia pulsional): "Imaginemos o ego como uma rede de neurônios catexizados e bem facilitados (gebahnter) entre si.210 patamar biológIcO. o ego se compõe de complexos bem interligados através de vias facilitadas e em estado ligado (atado. nem sempre a função biológica coincide com as outras funções vigentes em cada patamar. a vinculação da fonte pulsional a certas de imagens ~ue rep~esenta~ determinadas fimções.irrtbitosomático.1 . conexão) estão a serviço da constituição e maturação de capacidades psíquicas fundamentais.94 A TEORIA I'ULSIONAL NA CUNICA DE FREUD A I'ULSÀO NA I'SIQUI-: 95 ( ( Também ocorre.üf2.YLI!S._--- ContudO~'estes descõrrlpàSsõ~·--i~-~~e~e~à-"~~~-dição ----- ~ ---- humana na cultura serão o~jeto da parte IV deste livro.Oe.':? l/i t'-~ ~ {Y'Ú. ou ainda desejo sexualjogos eróticos-gozo.~j~..::ptefCrei1cTãis que interfígãm (verbinden) a f..íJ©s. maior estômago-comer-diminuição da acidez./ "(cf . por ora trata-se de abordar o acréscimo de sentido que se configura no processo secundário. o processo refere-se _<:E1e~~ imediatas {não a fiDifidàdesY. ou excitação sexualcoito-reprodução ). se consolidam cami~.esfera IJs. apetite-opções gastronômicas-prazer de degustar uma iguaria. a finalidade biológica de reprodução pode não coincidir com os desejos sexuais ou a finalidade de nutrição pode não coincidir com a gula. nieS-seÍ:-v~~Ç[e ----~---_. ~. Tanto a Bindung (ligação.. Possibilitam o pensar.K~." Projeto para urna Psicologia Científica (1895) [ESB 1._ ~_.Até e e ações.i!l~e~idas na cultura na forma de "de§. N~~~~?~~a ativi~Qm~ r ~é"" . as açô~s • ---'::--::r --putslOnals uO SUjeIto "---~-podem se ressignificar e estar-em rranca contradição co. 15 As divers. %aralllS~que a pulsão possa adquirir sentido. ~ consid~r_a~~~~. certo ponto. r.--~ no processo secl!ndário../-\pulsional à função e às idéias7imagens (Vorstel~ li dáCfàs-á. ou vontade ~-coit2-goZO) e est~­ bele'ce--. mas como a função da pulsão é diferente e autônoma em cada patamar.341].h~ mecanismos de de descarga a mecanismos redução de tensão somática (por exemplo..:tentes p-uls~ssim.seqlIêí1CiãSquepartem do desprazer e se cÍiri"gein'é'ioprazer:-Quâiitõ-ao-procesSos~cundário. . será no processo secundário que se formará um ego .__ .ÇE. somático.eaes intermedi* -. P~tanto. r\.finalidades e metas.窺-das~ . ou desejo sexual-sublimação-prazer de realizar tarefas socialmente gratificantes). Também_pode ocorrer qu~.:.Tiãtã~e ~íde '.Q-._ _ _ __ ___.~ti!os ext:êI:nos-(-:Imeaçrs):--~SlaLr. Conforme Freud.::No processo secui!____?!!:~o. ~.l~cl1Çãocom o priffêIPIõâõ prã'zer-.. Isto lhe po~ bilítãOidenar .'pOTra:m:o.-.-se--estabilize uma çonexão funGio.._---'~-~~_.-"-.iue .aneamente. Na . nal que da dIreçao e sentIdo a mas que esteja em co.:-~t. f?r_l!l(lm~_çil~tjY~~tS simbó~ (por exemplo..

este aparelho deve discriminar a alucinação da realidade.~.. a mera visão de urna imagem de origem externa que esteja relacionada a esta representação interna pode fazer aflorar a energia pulsional correspondente.--épossível-: pàTs--ã-cfésc'ârga-afobada'p~er . na necessidade de constituir uma memória que permitisse evitar situações de desprazer. com toda certeza. Assi~~~~~=i~éÍil está ligada a um afeto. esta plasticidade ainda aumentará quando os Reize poderão também ser descarregados internamente através de atividades elaborativas (Verarbeitung) [a serem ainda abordadas no capítulo XVII].s (Verschzebung) e rear)X'~ ranFdos em equaçoes de eqmvalenna (por exemplo. como a visão _~LQ. novas ligações (Bindungen) e conexões podem ocorrer ao longo da vida.s. . Com o tempo. J )i Verknüpfungen) e pelo manejo de representações permite } I que os objetos visados para a descarga pulsional passem a ser mentalmente imagináveis (representáveis p.. ------~~..Qill9 fã~~~ns são representant~~~_Q2s .oos. quando o aparelho psíquico ainda está em formação. .-é-neecssáriaLlma 'mem6iIa"e'-ú~~~~-~~~E~ten~ que favoreça õei'é-rCídü·de tin:_:r~docÍrlÍ0son~5E4do com a . na medida em que nem sempre a descarKª uma descarga. associações) acontecem no início da vida. atado. nhecer perigos.ela memória) . tais ligações (Bindungen. de adiar e de reter a descarga.... A representabilidade pulsional potencializada pela ( Bindung e pela ampliação de assotiações (Verbindungen. bem como re-conhecer imagens já vivenciadas que ante· cipam a chegada de situações de desprazer e reagir adequadamente. fixado).!º.e estã.-F'orma-se~' ós objetos e :~::~<:xn9~:. rando a vontade de comer o prato em questão).." perigo. atamentos) e vinculações (Verknüpfungen. o processo de "ativação" de Vorstellungen préativadas pode ocorrer tanto pelo envio espontâneo mulos da fonte pulsional em direção à psique.[etos·aõ-munC1õ-extê'iTIõ rrosseni' os Ínvólu- .QI. Em geral. Além disso. conexões. só pode suceder como resultado de seus efeitos mútuos. onde então se ativam as imagens e os afetos. Entretanto. o próprio ego é uma massa de neurônios dessa espécie. por exemplo. tanto a fome pode evocar a imagem na memória de um prato apreciado (que funcionará como representante da pulsão de nutrição.QQjetos eXlernos.~fC~ç:rm!LS'~2ii~dése_diferenciaLdQJJlf. que estão em estado ligado (gebunden. como pelo caminho n""r~r.? ~og~i~~y() s~t~2E_ai~~~~~~etçJ..isto é.:.Ie:Üi9adeJ. isto é. imedi. ~_ntã_~:lm<. Por isso. pois a satisfação alucinatória não é acompanhada por uma satisfação real da pulsão. as imagens/representações (VorstellungflI!) que ficam estocad<. o acúmulo associa-se ao afeto de desprazer e a descarga ao afeto de prazer.. O mesmo vale para os afetos. A razão biológica para que um tal aparelho psíquico se formasse residiria. Deste modo. que se agarram a suas catexÍas . Quando as pulsões manifestam-se psiquicamente e se acumulam e se descarregam. E como se as imagens mentais internas (oimOOãs.r) e d~~nificad.Q~. Assim. por . O SUjeIto que retido na ilusão da alucinação sofreria uma frustração (Enttauschung).0 d-l'l e p~ssam ser mentalmente de~loc~do._qll. Cóinum-tãl aparelho. Posteriormente. Além disso. bem como antigas podem cair em desuso. a repetição vai associando os afetos a imagensêriTelepr~taITl~_e ) li ~.-ü in·undo. conforme Freud. e isso. bem como de constituir urn sistema que fosse capaz de guiar o st~eito na busca dos objetos de satisfação. quanY do um objeto se torna inatingível pode ser trocado por outro objeto).t_~~E:~~~~}~i~~~~ ~~~~~nificicfõ'afetiv6 (prazer/~espraz_t. torna':se'posSÍvel"ãtivar as imagens e as seqüências de imagens que conduzem a situações favoráveis.f:~Q~Utf~lQ§' ~ãryreencJiê'SSê.. produzem-se os afetos básicos de prazer e desprazer.::~enta~) tamo das Pt~~~ afeto~~~iaçl.96 A TEORIA PUL'>IONAL NA CLíNICA OE FREUD A PULsA0 NA PSIQUE "Ora.s n~p'~ue ~ãOrepE.. Se a pulsão estiver ligada à representação. Geralmente." Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESB 1.

RlI~~~?_~~t. interligado em todas as direções através de um emaranhado de vias.-~'~nsiderados os mecanismos de defesa dirigidos para ameaças pulsionais ativadas por imagens externas e os mecanismos voltados a impedir a ativação oriunda . ( .------.~ç~e. 1821.J. mas estes são temas do capítulo XlV. ~~[ç~osl-i!lLb. Por ora.-.I' 7 de. grosso modo.~lo~~~a<l:!!lE12f. que a intervenção psicanalítica encontra brechas r~.. 99 -~e'ma~ifS.ão. transfusão e preenchimento entre os reservatórios energia estocada. Sintomas e Ansiedade (1926) [ESB 20.diretamente das fontes pulsionais.. através de reforço de suas fontes internas de e de fora.:o( ~síquic~_tantQno âl1l~~c:esso dQ primário como do secund.j. E ~s m ntos de recon' a .ão.L NA CU~HCA DE l'REU!) A PULSA0 NA PSIQUE ."Jlnibições.I-(Á 4\. o modelo freudi. As causas que fazem com que a pulsão aflore à consciência . se~~<:!. basta dizer que esta binariedade permite à psique reconhecer e antecipar.. há uma constante drenagem.-<'" vida.. elas se imprimirem nos primeiros anos de ~..Jilll-DbjetQq~~.. Tratase de um sistema onde. o conjunto de afetos e imagens atadas a pulsões.. Assim..L~~da (u.'~..lrdb2m~!1tªI-afetivo. Apesar de FremI acreditar que em parte muitas das vias facilitadas já estão filogeneticamente pré-moldadas pelas UrjJhantasien (fantasias originárias filogeneticamente herdadas).. constituiria o arcabouço do aparelho mental.ebun~e:: ). através da jJ~rc.:J:egr~...içº-~::§.Yá-bOnsUtuindg ~tõ.98 A TEORIA PUL510N. ~o c~o das pulsõe~!. sentar (vertreten.ignlIÍf~_~e a Como se pode notar. por sinais ou indícios..mtÜ::l. {-:{ v' --------------~.s~~~yl~S_~_~ mterna ou externa: "Um impulso instintual reprimido pode ser ativado (novamente catexizado) a partir de duas direções: de dentro. o aumento de estimulação pulsional interna.:spaç~P~E~~_~ s!~[ularidade ~ \1(<::l<!s expenenclas v1Vldas por cadaindiYidllQ._~:::. além do fornecimento de energia oriunda de fontes pulsionais e de fontes externas situadas no meio ambiente. ! -'-~ivências são singulares e em parte casuais. ge@lmente_~ _tuosos e onde se embaralham dimensões e tema psíquicos. de um prato saboroso (cuja imagem já é conhecida e está estocada na memória) poderá evocar a fome que já se acumulava (e guiar a pulsão até o prato que realmente estava sobre a mesa).J. s.. bem como a chegada de estímulos externos.ll9Jicru táilto-SeSltUar-õentro com~Este te~ será relevante qi:lãridõ'fu. reprãsentieren) pulsões e que pulsões podem evocar imagens que representam objetos externos. ( . .L' --...rio.pxc.pª-úJ. Apesar ~V..~~S:?2~E!~!Í:!'i9.:Í.~~? o:orrer ~~_:. Este trânsito de reforço bidirecional entre fonte pulsional interna e representação (Vorstellung) de objeto externo significa que imagens de objetos externos podem repre.~_dlllidasr'-selllpre haverá um acúmulo pulsional e um<!.§.a. novas vivências estarão sempre a interagir com as ( pulsões e a reconfigurar e remoI dar o aparelho psíquico.p1llsfi9 Jt-.~ de circulação pulsionaI e aparelho psíquico é extremamente plástico.

a~lvenClas ~slqulcas 16 As rdações que serão.~sQJ?rimário..-' as alucinaÇ"õ. que concebe uma imagem sensorial sem a presença concreta do objeto. é que se dará -a _. trata-se. bem como as palavras e as abstrações terão papel de destaque.~~· \. s. . -. . complexificação a:üj?ensamento. o .---. de O ?ÜcjJJ imagens arcaicas e complexos (grupos) f:ouxan:ente ~rtICU. alucinar. . imaginar.<J p~d~-=. ."p!-o~~~u~rir~~9-2~!:C~~ mudãriçasqüãfítãtiva~g~~~rrem no mt~~~~da ~"o_o.. alçando-se das imagens aos pensamentos A passagem do. sich vorstellen é "colocar" (stellen) imagens (Bilder) "diante" (vor) de "si" (sich). Esta trama que une e modula e. patamar. onde as imagen~ são re-ativadas e re-produzidas internamente (isto é.~. as vivên~~Zõnsoiídação de relações entre Bilder. que mais tarde se torna plenamente lingüístico.?_~~l?_~~:...~omo pensamento comp}~~: Sera'a memória voluntária..ç. Conforme VISto A I'ULSÃO NA PSIQUE lOl no capítulo IX... a entrada no prºc~~i9 secundário se caracteriza por umeStãéi~tk'-~ão predo~. significa "imaginar".. estes termos alemaes podem ate se equivaler)16.._0_..jo.!Q. I'tO o enfocam somente o emprego semantlco d es~as pa Ia... Com o passar do tempo.:~ta_ç_~()~p-':llsão é um erocesso contínuo e simultâneo que brota dos órgãos e glândulas.---------.:-~a~ denhen (pensar raciocmar) reterem-se ao contexto a I g g ..::.O~ontudo. De maneira geral.!!~9-. ..!.passagç:1.. O Bild é um substrato do qual se compõem as Vorstellung. descrita. não se referem a hipóteses eplstemologJcas ou neuro ogrcas..._o_.se um desejo composto por imagens almejadas e referidas ~-. ..ãb~~r-ª­ ção. na dimensão psíqUIca. l-Iá uma contigüidarle lingüística.. empregado na forma reflexiva. r .. fantaSiar. I" elos conceitos. passando pelo ~rimário: são enlaçamentos semân~icos ent:e os verbos representar. _.o"-::-"-dida q~le certos mecanismos se consolIdam.. calcada em Bil~~rrl'!:.bjei:oSãi. espicaçante e sensorial.. ... muitas das imagens serão apenas suportes (letras.a pulsão como des<.~~_giyexsas-goradaÇõei(Ie.e faz "--peiêeber comosensações.s. Portanto.GYlados para esferas onde as imagens nao maIS est~o er~ priroeiro plano e onde se estabelecem relações funCIOnaIS mais estáveis. ~ .Ja_. _ • o .. serve para desfazer algumas ap~renI tes imprecisões do tratamento freu~iano a. lár~?_mais corpóreo. mas a imagp~ç.nduz do somático ao processo secundário.1Se'flU. do somático . e tambem pSlC~na Itlca que acompanha todo esse movimento da pulsa0 que c...[')rY \...~~_~~~do~~i~). __ -.. Entretanto.)1_ªº-_P!~_I. ou um "pensar" de cunho imagético. des~ar e pensar (~m determinados contextos.s a seguir entre vorste~[e~.sses termos imagéticos no texto alemão. l~ag~ns _ (Bílder) e idéiaNepresentações (Vorslellung~..e. ___ ..._~-------_..S"Um pri~eiro paSSlJdecõmplexTfIc:içãô-consÚt~1~se-(feum tipo de pensamento que ainda opera primordialmente por imagens que começam a ter função de linguagem (uma linguagem de imagens ou idéias ímagéticas).~to propriam~I]~~ f ~'emanado )~~-7 f R!:2. imagem) se liga à noção sensorial de Bild (imagem). ?er~1 que (jJ ~&S conduz de um estado onde predominam as sequenclas. . conforme tem sido apontado desde os primeiros capítulos...'!flcora!Jl ''\ 11õSõiíí1tk~. estas questoe.Ç­ tOidifusos. o próprio termo "representação" (VoTSlellung.rjêncl~ gue se . a ~ifr..cse~l arcaica. No aparecem ~~ qu~mo epifenômenos das.._. .. Uma idéia ou imagem deste tipo é designada em alemão pela palayra VOTStellung. 100 A TEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD XII No campo das Vorstellungeri ..._~~ -!!~.vras e o uso pSlCana 1 IC .­ gens). sons) utilizados pelo pensamel~to para expressar relações funcionais. E ç~ª pl~~'~Ko. a me ~ sõ·'sãOc!~. de.Ll!la. dito (eroce~~<?"...J:epr.aL corpóreo (isto é. idéia. esta_seqüê~~lsIOnal ~rm.~çrí~~~o~}:r... ambos descritos por Freud atraves de um voc~bu . lingüisticamenteo verbosich vorstellen. imagéticas diversas e se articu-..:l~g.exp._--~ .~ dizer que sempre se refere a um percurs~. que permitirão à pulsão se alçar do processo primário a este tipo de pensar.'---.:r primário e desemboca no pensa~n:nt? do ~ro~esso secunda'í rio.~ . bem como destes Com os afetos.. .. recolocadas diante de mim).~~m::i~I:' l:~~:. além de reforçar Importantes conexões conceituais.~~e:r det::~:'E::':. _ .ontuao...

pois. -( ~ a A fi0 Entre~a língu~ al~mã indica g~ há urIl_::)Utro tig. recorre ao alucinar (halluzi~ieren).l!ngl!':lgel1}.-o percurso pulsi. Esta experiência de alucinar é um tipo de protopensamento imagético (vorsteLlen) dirigido ao objeto que se desejaria presentificar.QQ forma de irr~PS. as primeiras experiências de satisfação (por exemplo...asjm~~i§_º-nor~ suais. o denken é expresso mais em palavras ou símbolos (na acepção de signos. mas U'i: dual. A passagem de uIlli!.-ãflorãm os .o ~__E..E~!. -'~~ãC-. Vorstellung ~~ também pode ser usado em alemão no sentido de desejo (Wunsch).tigüidade e simultaneidade de ações indicada pela psicanálise também está presente na polissemia da palavra VorsteUung.f!!~_­ t_~d~1?~~ af~~~ não ord~nados (aparecem s. e.. no segundo. portanto.fera de r~~ próQfi~aí que.s i~gens e afetos. processo prim~ Além disso. totalmente au~do~.Ê~.§1". sinais ou códigos).tta:. Este gênero de raciocínio é expresso por Outras palavras. Assim. Neste càso. e o pesejo sempre .a d. que tanto se refere a imagens (Bilder).. Trata-se da atividade de rãciocÍn. na acepção de um "conceito" imageticamente concebido.J!!5rúRto. Entre vorstellen e denhen há semanticamente uma diferença... bem como êIa. Em alemão pode.._ há uma contigQ!dade entre as atividad~s ~_v_~~~r.l. mas trata-se de tendênci~s de ~so que também Freud segue. e psicanaliticamente Freud indica que aquilo que é inicialmente imaginado-pensado é o que é desejado.. pri: mário e s~rrrentaft:d~emütl:lan:!eme e organT':Z~k -em cll~~. ele)... Tr....) são ainda herdeiras do papel ~l.giç. Da persEect~ _psl~~~áhse_. nem por Freud. ns. pois ( ( . Entretanto. devaneios.-tid. a relação funcional.§~_~9I1. a partir de imagens já constituídas. s. e se refere a uma atividade mais analítica. ideais almejados.. que lingüisticamente há um enlaçamento conotativo entre Wunsch e Bild. IQg.est'Lp'resente.!: den~: e a noção d~esejo._não ~2:~D!Ç. se convoca o interlocutor para um pensar calcado em cenári"O.~~_~!1J:9... A Vorslellung pode ter o significado de "idéia!'. tentando reevocar imagens (Bilder) ou idéias imagétIcas (Vorstellungen) que o apaziguaram no passado. se a Vorstellung expressa o ato de "conceber-construir visualmente" urna situação hipotética ou idéia. Mesmo num nível bastante sofisticado de pensamento pode-se operar por imagens.~ e preponderantemente colocável em imagenJi. a função apaziguadora que este alucinar-pensar tem para o bebê acaba por fracassar. etc...se esgarça~.-~.~12~.C4~ / ''''. também.~ uiíí.ÇimentQ..~lle"!:. image.~e de um pensamento ~?S12E~~~.hos.?cesso secundário. após t-.Ç)ntudo._?~~~. pois o des~jo em geral apela para as imagens. e aproxima-se da atividade da "fantasia" ou "imaginação". Po~~ conceber . como também significa "pensamento" ou "idéia". no E?~_~s~o s~cund~: sarnentos e abstrações.9J:.E:. mais funcional e simbólico. Neste tipo de raciocínio....l.<?:ma_~. l?~!ãfiln-O.acQ. predomina a imagem. mas também há uma contigüidade..2. a imagem entra apenas como um suporte discreto.102 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULsA0 NA PSIQUE /03 ( ~~~~ata.. .Qll.. são dizíveis em palavras e se expressam por formas sensorialmente apreensíveis (signíficantes).!. quando volta a sentir necessidades pulsionais. e~ éstados ond<::. no primeiro. por exemplo na atividade de identificar erros de lógica na argumentação.ã-seqüência<=!e_ justaposições: na progressão do patamar corpóreo-somático eí:lldireção aos planos das ma~exas abstrações se mantêm acesos e interligados os três níveis (somático. haver um raciocínio imaginificado que coloque os pensamentos sensorialmente numa cena imaginária. tal como na frase: "Qual a sua concepção (Vorstellung) de uma vida feliz? [como imagina uma vida feliz?]. e é comum utilizar-se Wunsch no contexto de sonhos.. ~iaçilmE~_o~ujçit9s. o bebê. Lembremo-nos.s. Para Freud.-'éorpo carnal.. É claro que estas distinções entre vorstellen e denhen não são sempre rigorosamente seguidas na língua... por exemplo pelo verbo denlwn (pensar) ou pelo substantívo Gedanhe (pensamento).2atamares mais arc~~s re~ q9.. mamando). pois ambos são pensamentos (e ocasionalmente sinônimos).

. o aparelho psíquico teve de decidir formar urna concepção* (vorzustellen) das circunstâncias reais no mundo externo e empenhar-se por efetuar nelas 'uma alteração real. Entretanto." [''' Retmduzindo o início da frase: ':Ao invés disso. Este pensar inicial~ente alucinatório ~~ imagens tr~ er~l.s.rinalmente perturbado pelas exigências peremptórias das necessidades internas. tipo de raciocínio e pensar (denken) a serviço do desejo e.à illlag'em do o~ieto de satisf~~l~.a.. grunhidos e sinais u tilizados simbolicamente).] Retradu:zíndo o início da frase: "Um novo princíPio foi assim introduzido.-. mas as condições do mundo extenlO. Em vez disso.qu. "Retorno a linhas de pensamento já desenvolvidas em outra parte quando sugiro que o estado de repouso psíquico foi orit. Foi apenas a ausência da satisfação esperada. o st~eito passa a utilizar as relações de tempo. o pensar (dexLken) adquire !4ualidades ~rcep_tíveis para a consciência. o que se apresentava** (vorgestellt) na mente não era mais o agradável. . de espaço e de causalidade. o aparelho jJsíquico teve que decidir imaginar (representar mentalmente) as cirL1lnstâncias reais. Urna nova etapa então se instala. Um novo princípio foi assim introduzido.. procura viabilizar o desejo levando em conta o princípio de realidade. mama). desIDkâ" -. __ w_~w ~. ) Ele é essencialmente um tipo experimental de atuação acompanhado por deslocamenlO de . foi proporcionada através do processo do pensar (Denkprozess). .278-9].ensar-. 542]. en~~ de umyensar-imaginar (vorstelleit) qu-ese---:<._~~~. que se desenvolveu a partir da apresentação de idéias * (Vor:stellen).ue-almçi::. pOÊ':"'" ~e que o obJ~.~~.. .. cQ!"responda m . mesmo que acontecesse ser desagradável. ~-~'desei..itila-entre o alucin~r _---.-_. que então se tornou necessária.s:. Quando isto aconteceu. o desapontamento experimentado que levou ao abandono desta tentativa de satisfação por meio da alucinação.deia-e_glJia a procura p~Ç1a. aut.ligado às condições temporais. bem corno põe-se a verificar a identidade das representações do mundo externo com as representações dos objetos de satisfação procurados (mundo interno). mas o real. a fome continua mesmo após o alucinar que . em vez de prosseguir nas alucinações.. o que era imaginado (no sentido de representado mentalmente) não era mais o que fosse agradável. pois. Trata-se... ". .. no qual o s4jeito sustenta ~­ gadamellt. .. ~ importante sublinhar e~t~ relação da consciência com a linguagem e com as palavraj> (nem que se trate de resíduos de palavras.~ . (. tudo que havia sido pensado (desejado) [( Gedachte) (gewünscht)] foi simplesmente apresentado de maneira alucinatória. tal como ainda acontece Dois Princípios do Funcionamento Mental (1911) [ESB 12. Freud afirma que o processo de pensar (denken) propriamente dito se derivou do imaginar-pensar (Vorstellen. .. mas." A Interpretação dos Sonhos/ VIl-E (1900)[ESB 5.104 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULSA0 NA PSIQUE 105 não propicia a descarga efetiva e a satisfação pulsional (por exemplo._:"~~~_presente.. . Engendra-se.evücaçãa. espaciais e de relação de forças do ~o ext~Q" O sujeito.9. ao engajar-se na ação de re-encontrar o objeto de satisfação.dC-!!ma imagem almejada. representar) e consiste numa ação experimental (uma de simulação) com pequenas quantidades de investimento energético.. Somente quando se conecla CQI!l restos de palavras. o pensar (denken) era inicialmente inconsciente e diferenciava-se da mera representação/idéia (Vor:steUung) na medida em que se dirigia às relações entre as impressões dos oqjetos.c. "A coibição da descarga motora (da ação). Este 'p'ensar desejante.-·-"' -"-~ ~~~ -.l!!!!l!. ..!!!!!.iTwíln~Jiénr-'--'-' . _..~nda. Procura pensar/representar/reproduzir (vorstellen) não mais aquilo que era agradável (o oqjeto e as vivências satisfação)....] Formulações sobre 05 ção alucinatória da lembrança de satisfação. "O primeiro desejar parece ter consistido numa catexiza- hoje com nossos pensamentos oníricos a cada noite. " N aut.

106 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD \ A PULSA0 NA PSIQUE 107 ( quantidades relativamente pequenas de catexia. contudo. fantasia tam- "Com a introdução do princípio de realidade. uma das espécies de atividade de pensamento (Denktatigkeit) foi separada. ela foi liberada do teste de realidade e permaneceu subordinada somente ao princípio do prazer. aut. a palavra Wunschregung("moção de desejo") no sentido de "representante" (Repriisentant ou Vt:>rtreter) da pulsão..\j"'\) dida em que ultrapassava simples apresentações** ideativas e era dirigido para relações entre impressões*** de objetos. é puro fantasiar (phantasieren) ou um brincar das crianças (em alemão imaginação. na me.. processo de pensar que se desenvolveu a partir do ato de imaginar (na acepção de "conceber mentalmente"). dirigido para relações entre as impressões causadas pelos objetos.] rl:* trata-se de imaginar:". equipara o estado de desejo ao estado de ânsia: "Ora. na medida em que ultrapassava o simples imaginar. a catexia também passa para as duas lembranças.. Lembremo-nos que o Drang reflete uma ânsia que visa escapar do aperto somático através de caminhos apontados por imagens de alívio. J. com o reaparecimento do estado de urgência (Prang) ou de desejo (Wunsch).. pensar e desejar compreende-se também por que Freud emprega o termo "desejo" (Wunsch) como equivalente a Vorstellung. um inconsdente no sentido daquilo que ainda não é ver'.~is livremente em pensamentos ond~ ser evocado sem o rigor do prinCIpio de r~idad~~ . se trata de imaginar (no sentido de pensar algo que pode assumir formas imagéticás.. ) É provável ~-~7 I pensar (Denken) fosse originalmente inconsciente****. Wunschregungen s~o_E:Pr~s<:n~Clntes da pulsão na medida em saod~: apresentam n... de Triebregung(moção pulsional).. Quando o pensar (denken) ocorre ao abrigo do princípio de realidade..281-2]. N.." k no original. Esta atividade é o fantasiar. ao invés... e que. dirigido para relações entre as impressões causadas pelos objetos.] [*** ".] ".. """ _~~. É freqüente Freud utilizar..~ frétldA. Temos agora de considerar as outras vicissitudes sofridas por esse impulso (Wuns- . reativando-as. Freud. aut.. "força de representação/reprodução"). fantasiar.. pressão).._·_'_~h..9_ / \ "Se. abandona a dependência de oqjetos reais." Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESE. alucinar.. 1._.. aut.. " N.281-2].. o desejo onírico (Traumwunsch) se associaria a eles. que começajá nas brincadeiras infantis. aut. às vezes. se trata de imaginar (no sentido de pensar algo que pode assumir formas imagéticas. "N. Neste estado..!!:l] Formulações sobre os dois Princípios do Funcionamento'Mental (1911) [ESE 12. N. "N. como um reforço muito eficaz dos mesmos. rI: Desta contigüidade entre imaginar. e que não adquiriu outras qualidades perceptíveis à consciência até haver-se ligado a resíduos verbais.---." no original. e que.. " N.] trata-se de imaginar:". aut....?de se.. o sentido do t-recho é: ". a pulsão p. na medida em que ultrapassava o simples imaginar... o sentido do trecho é: ". bém são designados de Vorstellungsl~raft. e posteriormente. r Assim.. aut.. processo de pensar que se desenvolveu a partir do ato de imaginar (na acepção de "conceber mentalmente").] Fo-rmulações sobre os Dois PrincíPios do FuncionamentoMental (1911) [ESE 12. junto com menor dispêndio (descarga) destas. houvesse tais desejos (Wünsche) pré-conscientes. conservada como devaneio.337].] [~'*** Inconscente é utilizado aqui no sentido de algo anterior à dicotomia consciência x inconsciência e ao recalque semndário.!.. pode-se perceber como o pensar (denken) evolui de uma operação sobre imagens (Vorstellungen) que são reproduções de objetos desejados (gewünscht) a partir de um estado de ânsia (Drang.. (.

I ]()8 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A !'ULSAO NA PSIQUE I09 chugllng) carregado de desejo*.] ["'* no original é utilizado o verbo vertreten. aut. 18-21 e 24-26).!&::i:!:~~~~ ." N. ambas interpenetran o-se em graus varIa os. "esboço': algo. tal como um guerer que . _(repr. nos sonhos. N. os o~jetos aos quais as pulsões se dirigem). não se trata de um "impulso carregado de desejo ".ull:~!YllJa~~~~ r JO.. Note-se que.\L\. Vorstellung (representação). 110 estado do sono.·--·-·-~ Vemos. ". o termo Regung significa algo como "movimento inicial interno ". a palavra "satisfação" equivale ao termo (apaziguamento). corno um onírico (Traumwunsch) (urna fantasia que satisfaz o (wunscherfüllende Phanta· sie))***.!'êOà Teoria dos Sonhos (1915-7) [ESB 14. N. Lust (prazer-vontade) são todos representações daquilo que se quer.-e~ellti:~~9_~~ageticamente as a~s~ _. A partir da convergência das leituras psicanalíticas e lingüísticas (abordadas nas considerações mefodológicas.':l traçar. O desejo se pautará então também pelo princípio de realidade (senão não seria desejo. isso jamais acontece.uoi:Ó. a qual se formou no Pes. Wunsch (desejo). A reflexão nos diz que esse impulso carregado de desejo pode três caminhos diferentes. incipiente. como desejo onírico (uma fantasia que realiza o desejo). representar no sentido de estar no lugar de. portanto. substituir. e achar**** uma ou pode tornar o caminho inesperado que a r. aut.""pr. N. etc.í. mas sim alucinação) e pelas memórias de conexões de prazer e desprazer. Evocam um "__~9Jç:!2~_q~~·~~~õrãr. mais utilizado para a intenI'm-nn-rpn. Sn/llementoMe. Gedanhe (pensamento). aut... ou "produzir".ta/Jj. ao patamar dos pensamentos complexos e verbais.] normalmente...258). Pode seguir o caminho que seria normal na vida de exercendo do Pcs. No primeiro caso. Aquilo que se quer pod~ er}Çuntrar-se em es. tem a conotação de "iniciativa '. ao invés de: "Temos agora de considerar. fantasioso e retardável e operável pelo cesso secundário). ~. estes patamares se interpenetram (na nas regressões. pp. V.. Esta vãriação aparece tanto na ch'mcarreudiana como no emprego lingüístico. em diversos estados. tendo como conteúdo a do (Wunscherfülhmg). aut] [*** Retomando afrase. os pensares (vorstellen e denken) sempre estão a serviço do desejo e tornam a pulsão mais modulável recursos e realização.tado de urgência. alguns tradutores têm optado !Jor "moção de desejo"." Wunschregung é um termo de difícil tradução. transformar-se-ia num delírio.). Em ambos os campos. Essencialmente. para a pode desviar-se do es. que em sua essência representa** (vertretenden) urna instintual inconsciente e que se formou no Pcs. a frase toda no original é: "Trata-se dos destinos ulteriores destas moções de desejo que em essência representam a reivindicação plll'iional. e lhe proporcionam tornando-a menos urgente. porém. portanto.. das o termo ErfüUung é melhor a desejos e ao campo do onírico e imaginado).] ao invés de "achar": "criar". ao a pare onde predominam os tir de uma base traços mnêmicos. as pulsões passam a sofrer determinaçÕes de sistemas mais impregnados de cognição. ':f{esto inicial". há situações onde os termos se equivalem. que to a esta seqüênCIa escrita ao para um longo do capítulo emana do corpóreo e desejo que se situa ainda na ordem da necessidade urgente (processo primário) e depois desemboca num mais (proabstrato. Entretanto.

abordável em palavras.. é diretamente marcado pela urgência. O desejo nesta esfera é frágil.'>IONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PUL'>ÃO NA PSIQUE 111 pouco se distingue da necessidade (Bedürfnü). movendo-se no No processo secundário. Todavia. onde a pulsão aponta para um des~jo "de objetivos mais elevados". a pulsão é aguilhoada pelo desprazer e por marcas de prazer e desprazer inexprimíveis em palavras.278-9].e acontecesse ser desagradável. simbólico das esferas imagético-lingüísticas. aponta para as imagens de saída de um estado de pressão. 547). no processo secundário." Retraduzindo o início da frase: "Um novo principio foi assim introduzido. partindo (Unlust) e apontando para o prazer (Lust). para um desejo idealizado. 5. I' Mesmo no processo secundário. quando o desejo se acumula em excesso. "Um novo princípio foi assim introduzido. para deixar explícito seu caráter espicaçante e pulsional. mesmo qu. o perde o contato imediato com a urgência e fica como marca ou norte daquilo que. demos do o nome de "desejo". O pensamento primário. fora dos momentos de fantasia e brincar. é a urgência de sair do estado de ânsia que movimenta o sl~eito: "A este tipo de corrente no interior do aparelho. transforma o desejo em desespero. mas o real. Contudo. as lembranças de Unlust-Lust (traços de memória) expressas ora mais imageticamente. É regulada pelas percepções de prazer-desprazer. 5'12]." A Interpretação dos Sonhos. apesar de o percurso pulsional sempre apontar. o prazer de agredir pode trazer o de ser agredido). como algo almejado. Ao que já foi mencionado a respeito do desejo no estado primário ser aparentado ao Drang.. Portanto. A pulsão e o pensamento não se movimentam livres. Tanto do desprazer percebido como mero acúmulo interno como também o desprazer proveniente das circunstâncias externas. VIl-E (1900) lESB 5. bem como no capítulo VI ("A pulsão entre o prazer e desprazer Unlust"). o que se apresentava ** (vorgestellt) na mente não era mais o agradável. Isto significa que. pois nem tudo é mais possível e o que traz prazer numa dimensão pode trazer desprazer em outra (por exemplo.J10 . a pulsão assume a forma de ânsia por um prazer corpóreo e visceral pouco representável (lembremo-nos que a pura Lust pouco convoca das imagens)." Interpretação dos Sonhos (1900) [ESD.] Formulaçàes sobre os Dois PrincíPios do Funcionamento Mental (1911) [ESB 12. ou que talvez possam estÍJrçar-se por desviar e dirigir para objetivos mais elevados. que viceja sob a camada do pensamento secundário. representa simbolicamente o estado de bemestar. ele é impresso p~las marcas de uma urgência. estarão inibidos pelo princípio da realidade. afirmamos que só o desejo é capaz de pôr em movimento e que o curso da excitação dentro dele é automaticamente regulado pelas sensações (Wahrnehmungen. é importante que não fique a impressão de que a pulsão se alça das imagens às idéias e palavras atraída somente pelo prazer. na acepção de ou imposição): "Esses desejos inconscientes exercem uma compulsiva (Zwang) sobre todas as tendências anímicas posteriores. uma fÍJrça com que essas tendências são obrigadas a aquiescer. pode-se acrescentar. o que era imaginado (no sentido de representado mentalmente) não era mais o que fosseagradáve~ mas. um comentário no qual Freud compara o desejo inconsciente à compulsão (Zwang. Neste segundo caso. percepde prazer (Lust) e desprazer (Unlust). o pensamento também terá que se haver com as experiências de desprazer. par~l o sl~eito. ora . aut. "N. ou'pode encontrar-se em um estado volitivo.\ TEORIA I'UI. um objetivo mais ideal e longínquo. reaparece a necessidade de ser atendido de imediato. Conforme procurou-se indicar neste capílulo. que se não for de imediato atendido.

. são colocadas em ação num jogo . Desde que se tenha em mente que não se trata de Uill<t angústia no sentido existencial de tristeza e amargura e desde que não se entenda a ansiedade como limitada à excitação devido à espera de algo. p.t_ª@. A VOTstellllng (representaçãoidéia) vinculada àquelas pulsões poderá então aflorar à consciência e circular livre e ser descarregada._cau:Ün~J2õ7'õüiroãSüa \ ir~i'ção lJits leis dQ p~lQ. ~s da se~n­ da espécie ~ão aguelas cujas contingências de manifestação ~coplam o ~!lcial.. o gue cor sua vez.. -- ---- \a~~~rt:s§ã.\ \ I' J J I 17 A palavra Angít às vezes é traduzida por "angústia" (escola francesa) ou "ansiedade" (escola inglesa).9rma de um "imperativo". Este ~o estado de ur~... bem como aos estados agudos onde irrompe na forma de um pânico paralisante.o.:~PÇãõ'crêanlé~tç.inihe:. pode-se u'aduzi. ro. à prontidão reativa de ataque e fuga e às reações preparatórias de suclmese... atenção aumentada.. Si111bólico de simulações e previsões de cenárÍos. O Wunsch ...~>'~'da Ç'õnsÇSJ. ~""". ansiedade).. Portanto. _... Ç2... .92 d~ urgência em que se tornam incômodas o~ortULantes. bem como pelas_oper~ç~de pensamento (denken).Jk.e.. muito acumuladQ..prazer a anti~ experiênc~ de~razer.:. e~... Entretanto.....t<. é que a pulsão tambéIJ}~r / r~aãa e retlaa..?-~~~Q.. --! contrapartIda a multlphcaçãõCfõ:s caminhos pulsionais.miii~~ r~Eressão. urgência.Lum estado çle . a " .-. este Wunsch se reinstalará no patamar do 'pr01:::essn primano e a urgencia se recolocará.. porciona o Ee o acesso a re ações mais numerosas e comI plexas entre Vorstellllngen. . as moçQ~nais ss..m Drang há... 53 (1996)... o termo alemão remete fortemente ao medo e eventualmente ao pavor.a..ç'"."""::...SUjcitan:Là..... . Entretanto.1-<:la.~..~ívê'is ~ _ _~. etc.'ir.ções a respeito do verbete e seu uso em Freud no Dicionário Comentado do Alemão de Fnmd.. temas do próximo Jcapflttle.tgU:l!2Y~ 11 'l... .. ~laJ!l e j:f~sumem a f... tal como ocorre no começo aãvIi1a:. onde também constam os comentários de Strachey sobre o tema. _... se num aspecto as pu~s ! perdem a urgênCia e estr$llliiãiIe..~m~Ilo. Nestes c<!..uente falta de camÍI~h~ d~ satisf.rlor /(Schrnerz) e da Angst (medo.uando estão carregad~ 'l. um estado onde o incômodo é ainda quase uma comichão.I~QI!1J.. Portanto..J~o(.~QS.à.112 A TEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE l'REUD A PULsA0 NA PSIQUE 113 \ mais lingÜisticamente. Ver mais infonm. as moções pulsionais do primeiro tipo estão vinculadas a situações de vida favoráveis. adotou-se aqui o termo "medo". se " não for atendido. uma iniciativa ou esboço de movimento)... São ~..se enJão a livre_descarga_e produz-se um ~<:...l:cins.. Daí poder-se afirmar que as pulsões entram n~ e~~ sob pressã~ sob Drang.. Quando são movidas por um Drang ainda inicial.!!ftLrt~~ da falta ) de caminhos de satisfação constituídos. UrigÍna:se-da'E~. para que a pulsão se possa fazer representar na psique é necessário que tenha havido um acúmulo de Reiz em massa crítica suficiente de modo a causar uma pressão de entrada no psíquico."'1' ~""'~~_"'~~' XIII Sob a égide do medo (Angst)17 Conforme dito ao final do capítulo V.. algo como uma "disposição"..... Em geral. Assim. palpitações... onde fácil e rapidamente se obtém descarga.sup[~~ªJl_U~Q....ãpãrece no processo secundário mais c~~ acréscimo ) do bem-estar almejado do que como um estado de carência e necessidade a ser atendido urgentemente.i~ com ânsia por expressar-s~ se realizar. as pulsões se manifestam psiquicamente na forma de uma moção (Regung.. Para ressaltar enfática e conotativamente o efeito desta palavra. o qual reflete de forma bastante precisa tudo aquilo que envolve a Ang:>'t..la tanto por "angústia" como por "ansiedade".::'~TI..

Biologicamente. em geral. etc. com a fantasia e com o pensamento. da experiência primordial de dor. se revestem. é algo ligado a uma intensa reação de defesa contra o sufocamento e a dor. f ( \ . o aparelho tende a se antecipar à experiência de desprazer através do medo (Angst). a qual 'Se tornou o protótipo dos efeitos de um perigo mortal. com as Vorstellungen. algo como um estado de urgência e necessidade (Not e w:::> Bedür!nis) . 0i rrÓ.114 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULSA0 NA PSIQUE 115 conflito psíquico e que ocupam Freud.a s mo~ pulslOnais que se situam no segundo cas~ as de natureza spual: cu@ livre satisfação é mais problemática. coso Do desejo. A partir desta vivência. assim. impulsos de descarga e sensações corporais.Acreditam. gerando então a Angst antecipada. a causa da experiência da ansiedade (Angst).4fD O modelo geral de Angst parte da concepção de que todo sujeito incorporou filogeneticamente (e. O "Acreditamos que. em última instância. reflexos e irrupções violentas. As primeiras experiências de prazer (Lust).. este se manifesta como um desejo inten.25. r:?CJ. já foi dito no capítulo anterior que no '-". palpitações. no caso do afeto da ansiedade (Angst).l­ so. mas. Quanto ao medo primordial. etc. bem como de desamparo (Hilflosigheit): Neste estado. nesta etapa. Em geré\l. excitação.): sabc. durante a qual um aumento avassalador de estímulos internos precedeu a chegada de uma situação onde aparecem sensações de sufocamento e aniquilação. qualquer aumento excessivo de desprazer devido ao acúmulo de estímulos (Reize) evocará no sujeito uma sensação semelhante àquela que acompanhou o ato de nascer. na época. pouco foi discutido até aqui e será necessário abordar algumas de suas características antes que se possa tratar do impasse pulsional fundamental entre desejo-medo.u. na obra freudiana.}(L~. irritação. As primeiras experiências de desprazer (Unlwt. sem re a arecerá ao sujeito como um im Jasse entre prazer (Lust) e des razer (Un ust . ao longo do desenvolvimento psíquico. Apesar de a Angst ser derivada de uma vivência arcaica de perigo externo devido à ameaça de destruição no ato de nascim~rtto (por exemplo. se dá por espasmos.p-u ~{... O medo.. Contudo. tem a função preparatória de defesa (fuga ou ataque) contra ameaças externas.. ~3o "J. choro. bem como impedira aumento de Reiz (lembremo-nos que Reiz em Freud se associa geralmente à dor). a matriz do conf1i!g psíquico entre desprazer e prazer ant~ipa. ~ue.~~~~p_~~.de imagens e apontam para o desejo. ~ente recriada no afeto. esta Angst não é um antecipação cognitiva um estado de perigo externo percebido. serve como defesa contra o excesso de estímulo e energia represados internamente.:. os quais são então descarregados através da irrupção de reações de medo (por meió de reações fisiológicas e musculares de sudorese.o wn}\J:::4? processo primário. tema central da psican~~eugia~ na. arcai. e que desde.iC fú~· Tanto o desejo quanto o medo serão. além do desconforto e dor.46].s ser 11Oãiõ---aenascimento que ocorre a combinação de sensações desprezíveis.) derivam. já no processo /' J-JI prImáno. Assim. como o aparelho psíquico visa evitar a dor. por isso o único modo de descarga. Entretanto. nestas condições.c." -- ( Conferências Introdutórias sobre Psicanálise . O conflito psíquico.o Tambem Ja fOI exposta sua relação com a Lust. a primeira ansiedade (Angst) foi. o Impasse entre o medo e o desejo.. A Ansiedade (l916) [ESB 16.então tem sido repetida por nós como o estado de o enorme aumento de estimulação devido ansiedade à interrupção da renovação do sangue (respiração interna) foi. sofre da falta de meios para descarregar a energia e estímulos de maneira ordenada.-e O-~o. fisiologicamente. uma ansiedade tóxica. ontogeneticamente) a experiência originária do trauma de nascimento. O excesso de Reiz se transforma em reação de Angst. se imaginificaram em objetos almejados. o sujeito.

-"f> No primeiro modelo.~nto diretamente derivad~j~ulsionais interna§.' os estímuetc...e a consciência.. é o .gesejo e o m~.e_it_ü-. a ênfase da teoria freudiana de Angst recai sobre o mundo interno. A Angst vivida no nascimento se vinculará diretamente ao processo fisiológico interno que precedeu à situação traumática.. faltam a c9gnição .. A diferença entre interno e externo. Esta descrição do funcionamento da Angst refere-se ao processo primário.flpenas co~o uma sensação difusa dspânico. o medo resultava do acúmulo de Reiz devido à repressão e ao represamento. 193).o~etos atados a ~gens e"-à. O medo neurótico será então concebido como a aplicação que o sujeito faz do modelo Reíz-Angst. e eis precisamente por que não podem passar sem um objeto protetor. o que aumenta a qual acomete o sujeito pulsional.!9-.:!~:.diada s PQr sens~ões internas.. A gênese da Angst deriva das notícias proprioceptivas internas de uma experiência externa traumática originária que ensinou o sujeito a vincular o aumento crescente de desprazer. 20. ~EE~Q. p_e:-r_a-:-c:::.p-ª. pelo processo secundário. ela não se vinculará los novos do mundo diretamente a estes perigos externos.<k. neste estado tão arcaico.. ~Contudo. ao impasse entre . o foco freudiano se inverte e se dirige às ameaças do mundo externo. disj?õí1ê!p~iWa. até aproximadamente 1924. isto é. o medo neurótico é a aplicação do modelo do trauma do nascimento às conseqüências perigosas que a satisfação da excitação de origem sexual traria. asq~ -pre. neste contexto. e não tanto por perceber uma ameaça externa (apesar de também nesti f'ãseexisilic". Assim.lmente devido ao au~ excítãÇão. segundo Freud. a AE. no segundo.J. sobre a matriz interna do medo atuante no processo primário. Os perigos externos são considerados por Freud. pois utiliza frouxamente imagens ciõ"myndo externo para regular o contato com os afetos proven~do inundo mter!.-o. linguagem. Diferentemente do processo secúndári(. refreando as pul~ e reQresando libido. percebido internamente.é: O sujeito terá medo princip<l. Esta capacidade.. quanto por um aUITl. Neste sentido. se vinculará ao aumento de Reiz.~. Neste caso. a Angst pode ser desencadeada tanto por fontes externas.nterme. . isto é. mas corno imagens convenientes das quais a psique se serve para representar o estado de perigo pulsiona} interno.~_.. Portanto. o que Çl leva. o bebê é ainda incapaz de reconhecer e avaliar situações externas de perigo.-objetos hostis que causam medo. o eu cognitivamente reconhece e antecip~ perigo. "Criancinhas estão constantemente fazendo coisas que põem em perigo suas vidas.. pode perceber de forma mais consistente.:ra evitar que prossiga UIl}.. podendo influenciar o curso da energia pulsio~Nas circunstâncias reGlantes no processo secundá~ indivíduo sentirá Angst a partir da avaliação da correlação de forças entre ele e aquilo que o ameaça. depende da constituição plena de um eu. Sintomas e Ansiedade (1925) [ESB. portanto do processo secundário. o n_d_e_o_s_l.. Este aumento de Reiz é o único processo que o sujeito. assim.).g'st cumprirá a dupla função de um escoadou~de ~ ~ Reiz e de sinal~latm. e não .. vivido no trauma do nascimento." lnibições.. a uma ameaça de sufocamento e dor. ainda não há diferenciação consolidada entre o externo e interno). co-m eles. ao aumento de excitação de origem sexuaL A partir de 1924. o SiUeít~' impacto dos afetos.116 A TEORIA PUl510NAL NA CLíNICA DE FREUD A PULSÃO NA PSIQUE 117 o contato com O estreito vaginal que sufoca. não corno as causas principais do medo.. Neste estado.B. não está ainda constituída.. Freud enfatiza que as pulsões serão perigosas devido ao conhecimento consciente e nitivo qlJe o sujeito tem de que as conseqüências que a realização desinibida da pulsão (desejos) no mundo externo provoca poderão ser desagradáveis. bem como a capacidade de relacionar o medo (Angst) com a ameaça de destruição.

. ambas as teorias não estanques.dose acuÍ11líIãTlbiCIo:' é uma \~)'. Freud se refere ao recalque secundário). a satisfação da pulsão sexual.acúrrlU!o_ de libid?! ~e descárí-egado~pode desencaci~ar. Apenas a título de menção. Nestes textos. já representa a concepção será preponderante na segunda teoria. em seg un 9.. De qualquer forma.(.ço J1. \' (na realidade. como é o caso no modelo de acúmulo de Unlust·Lust.ç~o-.~evi9:0 . fica bloqueada. ' Ao mesmo tempo em que adotava a explicação toxÍcológica-somática calcada nos mecanismos de funcionamento autôúom0 do aparelho de carga-descarga.ao medoae pumçaõ. tanto na filogênese como na ontogênese do medo. a inibição/retenção da pulsão devido ao medo por ameaça se superpõe a uma irrupção de medo pelo acúmulo de Reize. Entretanto. A mudança' um 'para outro em parte se configurará como uma evolução para focos complementares. há uma repressão/recalque motivada no A . Freud também considerava o papel do pensamento e da cognição. poderíamos adiantar que já na primeira teoria: há uma quádrupla inscrição da Angst. ambos osm?delos convivem em graus div. Trata-se de uma situação em que as condições para a realização da pulsão são desfavoráveis.:l qtie-o-p·~~i~~seiiteperãSP'~í.118 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULSÃO NA PSIQUE 119 medo que leva o sujeito a reprimir e a represar Reiz. É .. ela atua' como veículo de desca. em parte como uma ruptura de teorias incompatíves e mutuamente contraditórias. deriva de Uma foi ex~ern~Lf!1~dos ':r. pois é percebido e antecipado pelo sistema consciente que tal satisfação traria sofrimento. mais uma vez. tl~ aumento vindouro do desprazer e potencial dor. Freud descreve que o prazer num sistema causa desprazer em outro.s~gundo modelo~a.reyiray()!tci'deJO. conforme as contingências de vida.!tudo. não deixará de estar sendo sempre reativada no id e.o. tenderá a haver uma coincidência de ambos. Encontram-se numerosas referências já antes de 1924 a esta concepção.':TS9J. quanto uma ameaça também pode' causar medo. bem como no texto A Repressão (1915). reáçao antedp~lêlààs 'conséqüêifCiaS-âêsagFãâãvéis. eJa ser-:ve <:Ie~?vertênc~~ ou sináL il1~<::. est<l. não podendo ser suspensa.sreve~Lê]pes-te-p. e o caso no qual uma situação análoga ao trauma de nascimento . por fim..ª9~ªºruIll-ª"na obGl freudiana.. No . mesmo estando vinculada a imagens de ameaça e perigos. o medo que ressurge. Nestes casos. tanto na prímcira como na segunda teoria de Angst. a função CIómedo como CIesencádeador da'i~epres­ são e ligado ao processo secundário.esso de excitação e. qua7-.. Contudo.Übiciü acum~i~d~ (i~~ somaticàinente se transforma em medq._~. por exemplo. o detalhamento desta convivência das duas teo· rias dispersaria em demasia nosso foco sobre a teoria pulsional e' exigiria um longo desvio.qu~ .-ª. cesso arcaICO novos sentidos.ões libidinais sociàhiiente~ãp-:e~.~§te_ ~ < o caso. Esta última.\ próprio processo primário para inibir o aumento fisiológico de Reiz. vivido no ato nascimento).. Não se trata de prazer e desprazer em um mesmo sistema. desde o início. nós diferenciamos justificadamente entre dois casos: o caso no qual ocorre algo no id que ativa uma das situações de perigo para o ego e que induz a emitir o sinal de ansiedade (Angstsignal) para que a inibição se processe. No primeiro modelo. Tanto o acúmulo de um excesso de excitação pode por si só causar a irrupção de medo.r. A pulsão.J . Neste ca~~~as repressões que ocorrem mais tarde deyido ao horror m~'r. em quarto lugar. na E da Interpretação dos Sonhos (1900). Comq teréeir~J~E.:. Co!.__ ~<:P!~~~~ é desencadead~!9 '1 v processo securidáriÓ . Todavia. poderá levar o slyeito a uma prontidão neurótica para o medo. se acrescenta como motivo desencadeador do recalque '. < ( ( "Aqui.~oEar~./ . pode se configurar uma situação na qual um medo crônico se instale devido à freqüente vinculação da pulsão a objetos/ situações hostis. Em primeiro lugª.ga para e!Lrninar o exc. que normalmente seguiria a seqüência de partir de um acúmulo de Unlust para o alívio da Lust (processo primário).ts~~!:r:ais e medo.

fr:~ll_d.. Até 1920. na segunda. Podem-se aproximar mais os dois casos. isto é.!lQ. (.\ TEORL\ PlJLSIONAL NA CLÍNICA DE FRETD A PULSA0 NA PSIQUE 121 se estabelece no id.c:. Também pode ocorrer o movimento contrário. 1\~tª!s_J4rde~_quandojntroduz apllJ§}ío dt:_mon~. estes conflitos psíquicos ligados ao medo são predominantemente pensados por Freud como se desenrolando entre o imediatismo do prazer (pulsões sexuais) e o princípio da realidade (pulsões do ego): "Estes instintos nem sempre são compatíveis* entre si (vertragcn sich nicht).lln levar --'---'_.!S).l. Contudo. como objetos de desejo. pela solidariedade assoCiativa entre as I representações (Vorstellungen). a}. __q~~ndo recebem significação. . Em ambas as freudianas de medo.} Perturbação j'Hên!lhnrn da Visão (1910) 11.urna pulSii::inal?-. que atribui às representações (Vorstellungen) de objetos externos intenções que. ) Do ponto de vista de nossa tentativa de explicação.lc: E. mas colocariam o sujeito em sofrimento.fl. ao passo que o primeiro corresponde a condições que geram medo. ou: nem sempre "se entendem". posteriormente deduzidas (derivadas) da situação de perigo inicial e original. e os demais instintos que têm por objetivo a autopreservação do indivíduo os instintos do ego. Ou.J!gª-.1~~~~~Q-Ç. representar'á aqu. a punição ou a Tanto em uma como em outra concepção freudiana. a consecução da sexual. entre as pulsões eróticas e integrativas e as destrutivas.s..-. referindo-se às afecções que verdadeiramente ocorrem: que o segundo caso concretizou-se na etiologia das neuroses atuais. e a pulsão proibida pode autonomamente aflorar ao consciente e evocar na mente os objetos de desejo proibidos que passam a assolar o indivíduo. O conflito engendrado por determinadas pulsões. medo] é um estado que passa rapidamente.120 .(gwunder]..~rae-ritreF. para parte do consciente as tentações da pulsão perigosa. Inibições. permanece a idéia de uma sobreposição dos perigos internos e externos e a confluência entre prazer e desprazer. enquanto a exógena age num único impacto.~- "O afeto [de Angst. 199-200].. se realizadas. Determinados objetos externos terão na psique uma representação (Vor. enquanto a neurose é um estado crônico. reformula a equação das forças em jogo no co I1. o sistema nervoso reage a uma fonte de excitação que é ..são.Y.. quaD9Q.._-_. o primeiro permanece característico para as psiconeuroses.164-5]..ros eTa~<ltos... Sintomas e Angústia (1926) [ESB 20. porque.~g. fixadas. e desintegrativas. PO!s~ vontade proibida ~~r. ou a partir das pulsões.. Este vai-c-vem de manifestação bidirecional a partir dos objetos. pois no cotidiano."~Tguetênde a . todo e qualquer objeto pode.psi.3 afetos.eriKQ3g9~I.d':l.çlu g{. Trata-se umaluta_pl. o neurótico estará então cercado de Vorstellungen ameaçadoras.llsior. ... medo crõnico e à neurose: . e representarão (vertreten. passa então a ocupar grande parte da vida psíquica: Todo o complexo de imagens.!: vel.ç!. seus interesses amiúde entram em conflito.. delegadas) da pulsão perigosa (vontade proibida) e do objeto atraente tornado ameaçador por se vincular a uma situação hostil (na primeira a situação hostil é o aumento de libido. é o suporte dos mecanismos de projeção..stel- lung) interna. conectado e ligado a esta pülsão. a excitação atua como uma constante. seguindo-se uma reação automática de ansiedade (Ang5treaktion). Na neurose. ['I' nem semj. simbolizam) a pulsão que os almt:ja. ata~as) e associadas (verküPft)_ a c~~_t()~_glJjÇtQ~. estes mesmos objetos serão também representantes (Vertreter.quíco como sendo .re "se dão bem".'rá remeter ao objeto de desejo da pulsão perigosa e trazer . uma parte extremamente import~nte é desempenhada pela inegável oposição entre os instintos que favorecem a sexualidade.. N. ressaltando que o segundo corresponde à situação de perigo primeira e original. causariam prazer imediato. aut.ai nio há conw-fúgfr.

que afeto se trata na Angstneurose.r-ª_z. este conflito entre desejo e medo se complexifica e inclui o medo das representações mobilizadas pela pulsão de morte..~_cl~I}ºªL!lllrrÜillR<!5..ula.. Assim.L:ºs:mra: 'zer~po-êfê. surge o medo e a fuga é . não pensar nelas. enquanto no afeto correspondente ele re~ge contra uma fonte análoga de excitação que é externa.ntato comas representações de desprazerpara poder reconhecê-las atempo.seja nã~p~i~eii~?~·_~~~i. que desenvolveu o tema para sua dissertação de lllestrado "A Teoria da Vivência de Dor e a Teoria do Objeto de Satisfação". cuja forma em alemão é compacta da numa só palavra.~ÜQ!2. ou neurose de ansiedade). Ocorre que o pensamento do processo secundário exerce a função de aplicar os princípios de identidade e causalidade ao objeto hostil 18 e às representações de pulsões . Além desta insistência das pulsoes de se recarregarem e voltarem a assolar o aparelho psíquico. Mais adiante.il>ulsõesSq~~-~ ·~:~g~I~Ç~9__PyJ.mlicq~ !. Por isso. por isso procura-se "esquecer" as representações do objeto hostil e das pul~ões perigosas.~j. pensamento arcaico do . logo se instalam no aparelho psíquico como impasse e conflito. r"'" Sobre os Fundamentos para Destacar da Neurastenia uma Síndrome Especifica Denominada "Neurose de Angústia" (1894) [ESB 3. Assim.·:leaô~--l~to é. novamente o sujeito é obrigado a entrar em contato com o medo. Correa.g~p. no trecho acima. utilizando três palavras Neurose der Angst (que em português equivaleria a dizer "neurose do medo"). mesmo que o 18 A existênci.122 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A PULSA0 NA PSIQUE 123 ( interna.çã~__~ dualidad~~!l~LonaHg1l:an90 iI1tro~~~~J~ulsão.. inevitável e também necessário que o pensamento do processo secundário t:: I1 tre _em.. e o medo. o sujeito te~ que lidar com o medo em outra dimensão. Freud. quando introduz a pulsão de morte e funde as pulsões de autoconservação e sexuais. qu~. 109]. Isto é. ( ( < ._- Um meio de defesa contra as irrupções localizadas de medo será então "abafá-las".p~J. bem como evitar sua reevocação interna. co.2_~SerªbQ[9~90 no capítulo a seguir. pelas pulsões de auto-conservação.a~_()E~~_f!:~_udiana ~eAngst.§~-P. numconflitQ. as pulsões se acumulam sob a forma de grande quantidade de Reize e tendem a se reinstalar no pensamento.~ent!:~_~_~j~ o·ii._~_.. seja na primeira ou na segu~~. preponderantemente vivificado pelas pulsões sexuais. Por outro lado.. em Eros.e. que ao longo de todo artigo utiliza a designação nosológica Angstneurose (neurose de angústia. sexuais ameaçadoras. busca-se o desejo e quer-se evitar aquilo que é incômodo.rnaisessenciaLnº_h9. i.elo_princípio. qmmdo aspulsões vinculadas ao desprazer se manifes- _ º~ tudo o que foi mencionado neste capítulo)~ fic:~_daI:o impo~ssí~~(..' o q üe cfel~~cliªtº é .QRlf. quando insatisfeitas.. de morte ). esta defesa primitiva é precária. pois. ressaltando assim de .. tam.~ioIglp. adota uma forma linear e explicativa. N.] .p~ocesso primário se norteiepel<\ procura de Lust e do desejo (e pela evitação do m~gQ)l!. o desejo.!ltextº-. na esfera do pensamento no processo primário. aut. cabe a ele reconhecer os perigos quando aparecem concretamente no meio externo.IlJ.l de uma teoria cio objeto hostil na obra de Freud me foi apontada por Fernanda S.~~jI_12_c:!aJ()E!!!. Assim. Mas..

dependendo daquilo que está sendo examinado: o pólo atrativo das pulsões (isto é. que mobilizará o indivíduo. o acúmulo de Reiz).nto~~r a -. Entretanto.~f~~bém foi discutid~~ desejo-do neu~6Úco está· sempre cerceado pelo medo. rrp-.Uaust. será a constante polaridade entre ambos....Ôp?r .?isls a tendêllêTade evIJar ôrtraç~ c::ol1tªJº-iDJ~nsO__cQIEY_ ãesp~.· . os objetos de satisfação e ações de descarga). bem como no capítulo sobre opensán.<:-OtyvJ. Z-'V i-\-eQ . ou o pólo impe1ente e desencadeador do movimento pulsional (isto é. considerado como um todo.~ ao desprazer. Esta dicotomia do pensamento exigirá então dOaparêlho psíquico uma forma de lidar com as pulsões e objetos perigosos que permita reconhecê-los. o prazer e o desprazer.. toda vez que lembre das experiências de desprazer. mas evite que o sujeito.. ---Na reãliâacte.._ p9LumJa<!2. aLust-.::> cU.-aêfffaseilotextõfreudiano ora.medõeo desprazer: mov~m o siijertõ.ra do pensamentQ.Também na esf<.PARTE IV A intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais XIV Conflitos pulsionais e os limites da defesa (Abwehr) ~í-rui. a dar forma representável aos objetos e mais tarde ao pensar (denken). ou ainda o pólo inibidor das pulsões (os objetos hostis).. desde quando nasce.i sobre o pólo do desejo. r-'V r2 ~rí'f-.do desejo e praz~lj_i~_m!:L(m . exist~ uma néc~~sidade de se aI!tt.~. por outro.:.J Conformç__ y!gQ no capítulo anterior. ora sobre o medo..

). EstaJ.. ~si vç_de $U aces~oTconSC1êr~cIa. nov~cc_iiCi~. enfrentar uma situação interna de ameaça. .ca~~. etc. ruídos. bem como logo se acrescenta a este perigo a ameaça de punição (castração). ou drená-las de sua intensidade para poder manejá-las. Assim. . com aLPulsões sexuais.:gg. ou quaisquer outras "idéias incômodas" que provoquem um acúmulo de desprazer. "verdades cruas". viela.126 A TEORIA PULSIO:-i._. o sujeito aprende a discriminar e lidar com a maioria dos estímulos externos (fugindo. além de evitar o desprazer oriundo da presença de objetos externos hostis. Ü5'eci uti1izarJll~_<:. se manifestem conscientemente e atormentem o sujeito na forma de "vonlades proibidas".cla. o aparelho psíquico terá então que adaptar os mecanismos outrora utilizados para a evitação dos perigos externos para. a satisfação de tais pulsões.a!l~os que p~rmitaI11_?1~':l_eélL. frio. De início.) se confundem.iI:~i~lferdIiinilmg. refrear o Dmng internamente acumulado e guiar e dosar as ações segundo o pragmatismo do princípio de realidade. 1ançará mão de um rccursQJlllC oÇQ[re à m.<. etc. Estas são mais difíceis de satisf~. desde o início da vida. terá que optar por outro tipo de ação. pela ativação das imagens c das palavras.ª~. caberá à psique às vezes suprimir certas idéias ameaçadoras. irritabilidade. etc.areJ~L~erá_s:xe<:. evitando que a execução desastrada e afobada dos desígnios pulsion~is coloque o slBeito em perigo. Inicialmente.xepre~ ~elllJlçªes (VC}!stellungen) de o~jetos externos que E-!2IT-:: sentem (vertreten)pulsões ameaçadoras antcs ue~. os perigos externos de superestimulação (luz excessiva. em geral. poª-crr~scr odesofreru:maretenÇã~. o destino das VOTstellungen carre~ energiapulSfonarnaosera sempreo ~ç. Também logra manejar com uma parte dos pois desestímulos internos derivados das pulsões do cobre que estes poderão ser cancelados satisfazendo as necessidades pulsionais (comendo. Entretanto. dor ou medo (fome. agora. tais pulsoes nem mesmo têm vias anatômicas apropriadas de expressão. a desejos de incesto. Um tal mecanismo serve como defesa (Abwehr).\IS 127 tenha de reviver intensamente o desprazer a eles' associados. urinando. Mais adiante. após um períod0<:l~_ latência.crn do pensar conscients:. pois reconhece sinais de perigo e evita que as representações de Uniust e Angst penetrem nas esferas da consciência. onde.).. Ambos manifestam-se igualmente como uma superexcitação percebida genericamente como desprazer. levana a sanções sociais (reprimendas à masturbação.) e o perigo interno advindo do excesso de ativação pulsional (fome.\L ~A CLÍ:'\ICA DE FRELD A I~TERVE)içAO PS[CA~ALíT[CA SOBRE OS CO~FLlTOS PULSION. princip~lTI~_n't~_~e~<:s ligados. á:presentações (Vorstellungen at1l1Jam a consciêlW!<l. Não poderá partir para a fuga ou o ataque contra perigos externos internalizadqs e tampouco contra as ameaças internas projetadas para fora. caberá a um sistema psíquico mais maduro.reprei$l\. etc..<. o perigo de acúmulo de excitação ronda tais pulsões. mecanismos de defesª~ehr). Assim. sono. em geral tendo de amalgamar-se e apoiar-se nas pulsões do ego (as pulsões sexuais aparecem na infância de forma difusa como pulsão parcial mescladas às outras pulsões): Além disso. "pensamentos terríveis".() ). Durante a fase edípica e. pois os meios antigos de defesa não logram afastar as pulsões. Neste estado. imagens) que se ligam a Lust (prazer) daquelas relacionadas a Unlust (desprazer) e a Angst (medo). ligadas ao incômodo e ao perigo. Portanto. ou atacando..). etc. Esta retenção é sempre fruto de um .'Ditos denaformarão em fonte psíquica para frestQ . que a descarga que trouxer algum prazer (Lust) provoque um desprazer (Unlust) ainda maior. Portanto. isto é. falta de sono.. o sl~eito indefeso sucumbe a intensos estados de desprazer. caberá à psique também evitar que as Triebregungen sexuais. ou pedindo (~uda).~~dap_~!9-. Terá que diferenciar as representações (Vorstellungen. a pulsão geraria desprazer.. Frente às pulsões ameaçadoras. é mais comp~ !tdar. Portanto.

as reivindicações pulsionais são retidas.@ das pulsõesse reimporemilll sujeito. No entanto. Hoje. Abwehr foi utilizado como equivalente a "recalque".. repelir.~4=irrlI:)earr. J-lá. no seu lugar.~_ Conotativamente.~ no slueito (até então normal) sob a forma de lembranças inconscientes.A palavra indica -umrnovrmento de "fazer recuar-"..:"'L~:I " constante vigilância. dique. daí o termo evocar um certo estado de prontidão reativa. não foram destruídos. através da formação de sintomas. Basicamente. merece um breve esclarecimento terminológico. ou causariam dor e desprazer. ou com referência às percepções externas ligadas a tais pulsõe~ Como tais pulsões não podem ser satisfeitas. "barrar". "recalcar".tendê!Jf. Nada é dito sobre o destino e a resolução do conflito.128 ATEORIA l'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREVO AINTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CO:'\FLlTOS PVLSIONAIS 129 to. mas.:-i.freqüentemente liga-se a verbos de movimento demarcando que algo se "destaca". auto} A Etiologia da Histeria (189G) [ESB 3. conseguindo. "empurrada" (aqui o verbo usado é driingen) do consciente para o Ínconscíemç: e.-a-ssim0lma. ou "ricocheteia".~temamente e sempre se ~ova. os quais não podem ser descarregados exte{namente. poderão retornar. Freud utiliza a palavra Abwehr num contexto de equilíbrio dinâmico entre forças psíquicas e ressalta a idéia de que a função primordial da Abwehr é manter determinadas ameaças afastadas da consciência. sendo utilizado mais tarde primordialmente como designação genérica para "mecanismos de defesa" (Abwehrmechanismen). O verbo wehren significa "impedir". "bloquear". tais como recalque.. desprende". ond~ um grupo de pulsões se expressa e outro é submetido pelos mecanismos de defesa (Abwehr). "evitar". é descrito o fato de que uma representação intolerável é "tocada". Reize). o conceito de Abwehr sofreu muitas elaborações. 2--rejeitàr. os representantes da pulsão do campo da consforça que ciência.atin: . 195]..fazer~edÇI. N. intolerável) com o princípio de realidade (ou com as exigências do superego).9'!~_~ iniii1igõ-foi afástãdõ~=~-irr. ao longo da obra. Durante algum tempo. a apenas precariamente. fica implícito que os inimigos apenas a· c> '. í eventualmente ficam colocados em xeque e exigirão uma . "r~~-haç~~-'. etc. conflito pulsional entre o desejo e o medo. Mantém~~ntualmenfêliiií-eqüníório dé forçás. projeção. O termo Abwehr.3 =afastar. que causa desprazer (Unlust). o qual tende aç:>cigir uíllCe~Í~Rç[laJode esforço :""" . pois sua realização seria inconciliável (unvertriiglich.possui a mesma ra/:z de verdrangen. "repelir".~evo~a. englobando Uma arripla-gama de processos..-:-I. .. e quando a representação a ser recalcada pode vincular-se em termos lógicos e associativos com uma experiência infantil desse tipo. Na eu não soube dizer quais seriam as circunstâncias em que um esforço defensivo (Abwehr) desse tipo teria o efeito patológico de realmente jogar no inconsciente uma lembrança que fosse aflitiva para o ego e de criar um sintoma histérico em seu lugar. açude. só resta afastar.~ij idé~a~~-. "empurrar". O substantivo Wehr significa barragem.1teReízê)é-g~~d. posso reparar essa omissão: a defesa (Abwehr) cumpre seu propósito de arremessar* a representação incompatível (unvertraglich) para fora da consciência quando há cenas infantis nr... como a pulsão incessanter~l(. estas se acumulam e geram um excesso de estímulos (estímulos que espicaçam. contraposto por Freud a Trieb. O prefixo ab.i D foram afastados. Para evitar este desprazer causado pelo acúmulo de Reize.'~pnt. Entretan- "Propus então a idéia de que a eclosão da histeria pode ser quase invariavelmente atribuída a um conflito psíquico que emerge quando uma representação incompatível detona uma defesa (Abwehr) por parte do ego e solicita um rccalcamento. porém. Abwehré usado com referência às am<:aça." [* o verbo utilizado é drangen. surge o sintoma. No exemplo a seguir.> p_~lsi<::i"nalsucurà-ori~em é interna. Os significados de abwehren são: 1 .

Soma-se·a esta fragilidade da Abwehr o fala de que.enquantQ.. bem como cisões intra-representação (entre o componente representacional imagético e o afetivo).t~~sa. de forma geral.às interligaç{. . .s. é uma tarefa comum à defesa em todas as neuroses: "A tarefa de defesa (Abwehr. ... uma vez tendo-se tornada necessária.Uma das form~~~le defes. que mantém a Vorstellung e.~f{en. quer como uma inibição. aut.-V~-:._. é diminuídasJ. ocorrer Assim. 183J.cuJa ativação é·~<:~os~. Esta. "O conteúdo ideacional (Vorstellungsinhalt) do representante* instintual (Triebreprãsentanz) é totalmente retirado da consciência. uma inervação somática).. ~~an':l_t~~ç~() ... como um substituto . Todavia. c_om fi-egüênci~:r. é precária.--IT@ todo interli~do e cheio dej>~_escªp~Q. Sintoma e Ansiedade (1926) [ESB 20. apesar das defesas.!}teL uma. . intensidade e _.._-..es-. rechaço) contra uma percepção perigosa é incidentalmente comum a todas as neuroses.~l.§. apesar de continuar ativada._rl:1ãi1tIaa _ .alcamento. a pulsão retida no inconsciente.'Ütua~ão onde parte do ma~ psíqukoperigõso fica mamidO-eIILes. eventualmente. a defesa pode se tornar dispensável. apesar das defesas (Abwehr). rechaço).. ~. e acabem por irromper nà consciência. de certa forma esvaziando a Vorstellung desagradável e ativando a vizinha cujo conteúdo seja mais inofensivo. Ao ocorrerem ~m ~i~._ em sIlêncio C9uabafada:J_ _ _ da . implicam apenas o afastamento da representação e do afeto -para longe da percepção consciente.mreVOrStell~ gen. A defesa. num caso maIS favorável.(Abwehr) e de retenção é a repressão/recalque (Verdrangung). assim o permanece. A pulsão retoma sob a forma de sintoma. . através de novos rearranjos de significação. cujo mecanismo básico é o de mobilização de energia psíquica em direção a uma Vorstellung próxima daquela desprazerosa." [* Repréisentanz tem o sentido de representação na acepção de ato de ser representante.g.130 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A IXTERVENÇ. Assim. aut. mesITl9_'LRor rgçal~L.taciQjnconsciente e a parte inofensiva em estado consciente. colocam ambos em um estado de inconsciência.e ao mesmo tempo como um sintoma . a inibição de uma pulsão afeta todo o sistema psíquico. podendo aflorar então à consciência.t._. N.~<. as quaI~sao coatlVadas -~imul. n~J.O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 131 ~---------"-- gir alguma satisfação pulsional.___ ---:-------_____ \ através atIvação de uma vizinha ruidosa... .o sig~~~le é muito difícil '!:<. às vezes motora. Além disso. sucumbir à pressão pulsional e colapsar. .Part~a cargê afetiva ten~curar. quer como uma excitação. Os movimentos de defesa (Abwehr.~ geraç':.J [** inervação excessivamente forte. que as Vorstellungen estejam tão carregadas de energia que não h~ja como se contrapor a elas.. em geral.. e seu destino é então manter-se ad infinitum.lção superforte** (em casos típicos. OutroJator que debilita a eficácia da Abwehr é o fato d~.mais se deixam i~rcear por compl~t.i. portanto. aliás.~~~ interligãaas a Vo!!.) A Repressão (I 915) [ESB 14.:s~-ªr oUJras re~sentas:.180J. isto é. tendea haver uma CIsão entre os compo- eraro n_~re-o'a1etim-~g:r~ repres@luaçã o prrmanece r~aa em estado IIlcons~te. Pode. mesmo que a um custo elevado. N. é o que acontece se as Vorstellungen inconscientes (que foram silenciadas).temos urna inerv'. .tellungen desprazerosas. por exemplo.l." Inibições. ou. É que. a Abwehr. mecanismos energéticos estão sempre a inflar e desinflar ( ..desequilibrando ~e -fu~ Entretanto.Elã~é~m me_c~~-º__dê~9!iKão deXLnl!i va ~os~o~:_p~~ eX~~~!l-t~. conspiram contra as defesas tanto o fato de haver solidariedade entre as diferentes representações.J-. daí por que o equilíbrio pode se alterar. às vezes de natureza sensorial. a }!orstellu!lg desprazerosa. Devid.s~E!!itos t!.ôes livres. acabarem esvaziadas daqueles afetos incômodos e se tornarem inofensivas.. a Abwehr.aneame~.

Todavia. 135-6].:s-·p·u!Sões. E~'lo. de modo que o que era originalmente uma ordem defensiva (abwehrende) ou proibição adquire também a significância de uma satisfação. uma neuro~. L. porérrí ameaçadoras. não favorecem que o sistema se mantenha em equilíbrio precário.~~~~o. com o tempo. Portant. apesar da inibição geral. zombando de todas as defesas. o sujeito entra em sofrimento e retém a descarga pulsional.] [""k as satisfações. Contudo. aut.surto psicótico ou uma nova sintomatolõgíã ainda mais intensa. lYJ' ~ .] . muitas vezes faz uso das trilhas associativas mais engenhosas'. Sintoma e Ansiedade (1926) [ESB 20. é um acordo em que ambos os lados recuam e se Tais "compromissos". afetivas e energéticas que dissolva a tensão (por exemplo. Os mecanismos acim(j. portanto. (dêsv_alonzação. etc. somado à predisposição pessoal (fator constitucional). e. produzindo sintomas como forma de "escape" . quando o sujeito desvaloriza os objetos hostis).~~aI11als a precari<:ddde â~i~: d~. a fim de alcançar essa finalidade. ainda. as satisfações. catexia) em outras Vorstellung:~l@!ii ---em-cena -sert1-quenosa{fer-a~Dafuos.\0-i'í'" ffY mitem uma relativa satisfação pulsional e podem serVIr para . podem se intensificar: representações já recalcadas ou outras a elas associadas. a maioria de nossos conflitos psíquioo~ ne~!I1esmo chega à consciência. as pulsões prazerosas. mesmo que este tenha que) operar constantemente em patamares mais prejudicados. levam vantagem. sublimando). N.. também acabam por conseguir fazer-se representar como sintoma e obter alguma satisfação. Apenas ocasionalmente lhes é permitido manifestar-se de forma desinibida.cmifOrmeaSõiCUnstãn~~_~~_J:ksenlace poderá se~. não necessariamente as conseqüências são patológicas. compromisso.. a patologia psíquica surge quando a intensidade do conflito pulsional.-~--Cbnforme "(.. com freqüência. Produzem-se eventuaImente d· · Iscretos smtomas. pode acontecer que o sujeito logre abdicar de certas satisfações e transferi-las para outros campos (por exemplo. através de alguns mecanismos. forças. Entretanto. Nestes casos. provocando um constante movimento em direção à consciência. por exemplo. quando a Abwehr fracassa apenas parcialmen.-:-. que zonibam** de todas as medidas defensivas (Abwehr)..) reeguilibrar o sistema psíquico. desenrola-s~ntre o sistema pré-consciente e inconsciente. onde as pulsões em contradição encontram uma possiblidade parcial de expressão.132 ATEORIA I'ULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO AI:'\TERVI':i\çAo PSICA:'oIALÍTICA SOBRE os CO:oiFLITOS PULSIONAIS 133 conformam com uma solução de meio-termo) e. ou. os qU~IS per. Apesar das defesas. um rearranjo de relações temáticas. tánto às ameaçadoras como as inofensivas a elas interligadas. por fi. aut. se tornam jJrejJonderantes. Pode ocorrer..) e a_ açã() combinada de rechaço de algumas Vo_rstell'llJlgen edt:}nvestiment~'(B~set~~ng. No dia-a-dia. sintomas também são formações de compromisso (em alemão... . o habitual é que o conflito psíquico seja superado com o passar do tempo de forma "natural".Inibições. a defesa aéabará malsucedida e haverá o retorno maciço do material ameaçador outrora rejeitado." ["'isto é. Kompromiss. geralmente funcionam sob a égide do medo e da de(esa. onde a Abwehr é apenas um momento precário de impasse e sem resolução.{'. Descarregar ou inibir e reter é uma opção estreita. é possível que se formem soluções intermediárias (formações de compromisso). podem acabar ar nJi:? satisfazera nennurrldüsla-dõSem con ItO. N. Como vimos. por isso. ou. ) à medida que a doença se prolonga. aumentando. mesmo ante tal precariedade. semelhantemente ao 'português.~rl \ ~)u-0~1iD te. há uma constante ênfase freudiana na força das pulsões e na fragilidade da defesa. _. finalmente. por exemplo. A formação de sintomas assinala um triunfo se consegue combinar a proibição com a satisfação. e tampouco permitem dissolver o conflito através do tempo. de natureza (no sentido de essência) negativa. Freud.

---______ o ___ acúmulo conflituoso deJÚetos. ou até em perigos reais. elc.e_cQJocando ___ --"-__ S1:lje.dQ si~ema psí~g~!~_de~~!ga: Evitar que"PClEl!W lado.odação que t.jue é expelido. caminhão.134 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 135 centro da questão.ens. o que talvez tenha contribuído para que. descarga de tiros de metralhadora. Retirar de um veículo (navio.g~.. "descarga" articula-se com conceitos tais como: ligação (BindulIg).) [também utilizado como subst<mtivoJ: A descarga do navio no porlo foi lenta e custosa. é a~acidade-. com freqüência..schielnmg).imag. elaboração interna (innere Verarabeitung). mas.5:?Jocando~se-e~p. para Freud. satisfação (Befriedif:fung) e representação (Vorstellung). 20 EllI português há ainda outros significados..i!o<!!ante de impasse~ A ultrapassagem deste estado insustentável (unvertrãglich. sublimação. - forma contraditória. A retirada (transporte) do lixo será realizada ~ _ _ _ _ w ~ w _ ~ ~ ( 19 Tomado em toda sua extensão. Na rea~pº e~~e~~~~o_. faz-se útil ilustrar sucintamente o emprego da palavra Alfuhr no. remete a outros sentidos. a importância desse conceito freudiano passe desapercebida 19 . Todavia. Em Freud. A palavra alemã Abfuhr pode ser usada nessa acepção.111 UZ111 eItor a compreen d er a uma vazao ab rupta2 o ' d ' do o I' termos psicanalíticos tais como "descarga de energia". tais como. trata-se justamente do contrário de um "disparo".<:dir -.1ento. deslocamento (Ver. Em português. antes de abordar o uso freudiano do termo.~:~=tlatono en~e realizaç~o ~ã~~ão pulslOnLL1~r_a gIrar em [ornoctaqlfe~gue Freud deno@ll<t ~~~sso'ôe-"desca:rga"-(7tlJJUhrl cõnceito central no construto frellaiãno e temado próximo capítulo. por exemplo. Esta regulação refere-se à economia psíquica.~t'fd()~0esampar~) e. "descarga de libido" e "descarga de estímulos" no sentido de "disparo" ou "rajada". hala um acúmu!9_~r:~~~_~~nt~v<:~C!9R~lZ .Retirada de objetos com veículo (também utilizado como verbo). a palavra "descarga" geralmente refere-se .p~~U()~~~ levaria ao_~. não se trãiiôeü"ma regulação no sentido de o sujeito adotar atitudes "moderadas"lou "ponderadas". .erig9~--'Entretanto.jgI1~~~Edo o princípio de-realidade.~ga perigos psíquicos. tirando o sujeito de uma situação de acom. po~_<:>~_~ro la~. as ações de ruptura radical podem eventualmente ser reguladoras para a economia psíquica.. intolerável) dependerá em última um processo que Freud denomina como Alfuhr instância (descarga). Mesmo colocando o indivíduo em situações de confronto com outros. em geral.QuGJLindh:íduQ. Algumas destas relações serão abordadas ao longo deste e dos próximos capítulos. Entretanto. etc.91_~p. alemão corrente: Os principais significados de Abfuhr e do verbo abJühren são: . o XV Regulando a pulsão pela Abfuhr (no escoadouro das pulsões) Até_(:l~~!!. o termo Abfuhr sofre um achatamento de significado. Descarga elétrica. no contexto psicanalítico prepondera o entendimento no sentido de "disparo" ou "saída súbita" de algo <. vimo~om~_-ªL12ulsiku~gªniz~ fisiológic~e ~ ~ . Ao ser traduzido pela palavra "descarga". ou que sai por sua conta (também utilizado como substantivo).-e. Ações ou atitudes "radicais" pod~m perfeitamente servir à economia psíquica. um dos termos-chave do construto freudiano. aja conforme a pulsão.E!I!dQ um ___ ---.

Fuhrpark: conjunto de automóveis de empresa de transporte. cocheiro. Impõe-se regular o ntmo da descarga (Abjuhr) e~~ventu~l~en­ tê. "conduzir". conduzir. Levem o prisioneiro daqui! O prefixo ab freqüentemente indica algo que se "desprende". um dispositivo destinado a dominar (bewiiltigen) as excitações (Erregungen) que.~~~~ 21 Este. "fazer ir". Retomando a citação do capítulo V. já utilizado com freqüência na psiquiatria e neurologia do século XIX. assumindo um leque amplo de significados.~gá~i~~nr. e depois "trazer" e "dirigir". referia-se à "descarga" de estímulos nervosos no âmbito fisiológico. Entretanto. .. motorista. "condução". a EIessão ill:. Ta1}1escarganã1J"âêve ass~~l_~~ for. de outra forma." Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESB 14.A Abfuhr ocorre preponderantemente no patamar da fisiologia pulsional. A partícula ab·. O termo Abfuhr.136 A TEORIA l'ULSIO>:AL 1'A CLÍ:-:ICA DE FREUD A INTERVEN(:t\O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFUTOS Pl:t-"IONAIS 137 amanhã. também é possível. a descarga (AbJuhr) num nível mais simbólico. significava "colocar enl movimento". conduzir para além. 102]. pode-se dizer que desde o nascimento a Reizbewiiltigung ("domínio das excitações/ estímulos) é uma das principais tarefas impostas à ~. Ou . pela elaboração interna (Verarbeitung)21. Os termos com Fuhr referem-se freqüentemente a um "conduzir com veículo": r'uhre:. psique e da qual o sujeito terá de dar conta ao longo de toda a vida. mas seus efeitos psíquicos são decisivos. Fllhre é derivado da mesma raíz indo-européia do verbo fahren (ir.J)leCanismo_proc~. Para uma tal elaboração (Verarbeitung) interna. gera expressões tais como: Abfahrt: partida. saída. O verbo führen (dirigir. ou para as quais tal descarga é no momento indesejável. Em alemão.". O sujeito evitarasucuml::iíi-ão'imediáti-smo da pressão dos estímulos pulsionais através do controle e monitoramento de ações motoras que permitam descarregá-los num ritmo regulado c dosado.tida a partir do qu-ªl materiais são retirados ou conduzidos J?ara mais além.aro" (como freqüentemente a pala~I'a ~'<:I1!~~dld~ em portuguj§). frete. também tinha o sentido de "carga de veículo". liderar). um processo mental comum no dia-a·dia da vida psíquica (ver a quinta citação ele Freuel no capítulo XVII). No novo alto-alemão. fica a imagem de que algo é conduzido para fora como que "fluindo" ou "escoando" numa "corrente ou fluxo" e levando as impurezas do corpo embora. .!~lhr). designando atividades de "destacar" ou "extrair". deverá ocon:~~f!!~~caE­ ga~ sob ren~ de se scibrecarrega~~~:~!:lO _~_rJÍv~i~ insuportáveis. no antigo e no médio alto-alemão. capaz de dissolvê-los mentalmente. O verbolühren remete a "transPQrte". carregamento. dirigir veículo) e do substantivo Fahrt (viagem. ao compor-se com outras palavras.. um es. fom~:dor. percurso).--ªh e . Co!nbinados. pa1.ljl verboq]JjÜhren e o substantivo Ab uhr evocam a demarcação de um pon~(. Eventualmente.(verbo) Levar embora.()~!!le aS~PQ~Ii15iliaacíesdo m~~~~~: "Reconhecemos nOssO aparelho mental como sendo. conforme será esclarecido mais adiante. seriam sentidas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos. Ab pode combinar-se com verbos.m. "laxante" é designado de Abfühnnittel (literalmente "meio-deconduzir-embora"). o substantivo Fuhr passa a combinar-se com inúmeros prefixos. mas de-1J.--- t:e AssiI1}. Sua elaboração (Bearbeitung) na mente auxilia de forma marcante um escoar interno (innere Ableitung) das excitações (Erregungen) que são incapazes de descarga (Abfuhr) imediata para fora. aliás. Fuhrmann: carreteiro.sexual. não fará diferença se ela ocorre elll relação a objetos reais ou imaginários. Abreaklion: descarregar através de reação afetos acumulados. o meio d~n~~Jiºar com ~ de Reiz ~gl~ão ela descarg~~~~s~ímul~s(~.fiihren. _sede) tende a assumir a forma de "estímulos"-a serem descarregados imediatamenc caberá ao áparelhõ-psí~Tuico~dõmYná-los. Qe uma forma ou de outra.ma de 'J:lisp. por exemplo.le a vida ~!!1itica impõe§~lJ~~ <:l índi'y'íduo (t~I1~~(). Já cedo Fuhr tinha os sentidos de "percurso-viagem durante a qual algo é transportado". Neste caso. acima de tudo.

um represamento (Stauung) que pressiona o sujeito e produz Drang. então.s ~ dinâmicos do aparelho pSlqmco CIrculeIIl.~1a ligª-ção lógica da Afd.se manifesta. etc.. a saber: as vias. e~ geral. brotamaaronte pUISl~~~~~?!~~~m em Esta cadeia pulsão-estíin~j.ara ajuaar o~uj~@~ __s_aiE~~~PE~~__[[tIclust. estímulos ou de pensamentos acumulados. pelas palavras. estrada.~pressão. ou melhor. ( . Trzeb. J~uicamentc. Estas imagens mais "líquidas" da Abfultr apontam para um mecanismo de "retirada" que se assemelha mais a um "escoar" através de vias interligadas. Inibições. um estado especial de desprazer (Unlust) com atos de descarga (Abfuhraktionen) ao longo de trilhas específicas. o conceito de AbJuhr. assim.pelas transfoonação. tal como Freud o concebia. antes de abordar a inserção da AbJulir nas <:::1:D dimensões preponderantemente psíquicas do construto V-lj'('f"~) freudiano e as possibilidades de intervenção psicanalítica O~h:::cL._Q. vameme evocam mais a "Ansiedade* (Ang:st) é. as formulações mais fisiológicas permanecem sempre subjacentes ao longo de toda a obra e são recorrentemente retomadas por Freud. ou na forma de afetos. cOllotatide um dissolver do que de um descarregar.a dC1aís ViaS que pérmitamoeScoamento d~r~::as de manifestaçãô d~~ergia pulsional2~ direêã~Befriedigung):--- t da pulsão (Trieb). Aliás.UJsionaL~incipal tarefa da intervenção_ psicanalítica deverá ser propiciar outros caminhos ~ 7JJifiXlir p. Jestímulo (Reiz) Jestase/acúmulo (Stauung) Jpressão (Drang) I Jdescarga (Abfuhr) Jsatisfação (BeJriedigung) 22 A conotação do termo.).~tc.dos egtÍl:wllos p!. Ess~ ~epr:samento necessita. em alguns textos.-:\ I aplainada." r'ansiedade no sentz'do d" me d o"J e . Frelld.156]. Sintomas e Ansiedade (1926) [ESB 20. usa alternadamente o termo Abfluss (escoamento ele líquidos) e Abjithr. ~1 q~p:-ermlte-que. as três palavras alemãs.uitQ. em seu co~unto. Forma-se. Ç:<i S ~uzir daqui E':~ém) com a pres~f!Ǫ d~Jd!!!. Rezz e Drang são quase redundantes na sua conotação (algo que provoca e espicaça). assim.J:te_~~imento. de sua fonte (Triebquel!&).ilhr (retirad~. ser drenado para trazer alIvIO. a partir do circuito de circulação pulsiona~ os diversos elementos nervosos e motores envolvidos no mecanismo de escoamento ene~gético pulsional.138 A TEOIUA rULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A Il'\TERVENÇÃO I'SICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS I!l~nt~2 multif~ado e regulado que se insere no ci:rc. Como mencionado. Tanto as ações motoras como os objetos estarão representados na psique por imagens. envolve a presenç. enfatiza uma seqüência de desdobramentos envolvidos num mecanismo de retirada mais processual. os veículos e as ações participantes do processo de Abfulir. portanto. fonte pulsional (Triebquelle) 139 qtte-pa.LeleIDem~. tanto na acepção fisiológica quanto nas âesITiçõeSfunclOnaisc~icas. Em geral. (mania.e§_a~1! (v!_a W v 10-. no limit~.!lliionais em idéhL~/represelll<lÇões ~ 24 TClnbremo-nos de que a energia pusional pode encontrar-se em estado indircrenciado. os23estímulo~p~~sio­ nais (Triebreize). mesmo nos casos em que Freud trata de "saída-escoamento" abrupto (coito.~ Contudo. tal Drang impele o sujeito a escoar o excesso de estímulos através de ações motoras dirigidas a determinados objetos.: f-u. produz um estado de inquietude e. Há. um ~stado de sofrimento.. Freud chega a empregar a imagem de uma representaçáo que é "drenada" através da descarga.).Lust. _N o te~!o freudiano. convém retomar brçvemente. Como se poderá notar na última citaçào deste capítulo. 23 a pulsãQ. de circulaçãoJ!.

9 ui~<l:. sensaçoes deprazer~~:~D: Aos indivíduos. vias e veículos.rga. O~'~lo" da descarga pode ser. como também pelos de prazer: "Nova função foi então atribuída à descarga (Abfuhr) motora. a ação motora (movimentos eXI2[essivos.] [** de modo que ela (refere-se a idéia reprimida) possa suspender a pressão.? Essa e .280]. não basta a existência de vias de descarga. Essas trilhas são percorridas não só pelos afetos de desprazer (medo. mlnlICa faClal.c!~_~ç~çª. o tema do próximo capítulo. e que interligam as idéias entre si. memórias de experiências). sob o predomínio do princípio do prazer.212].mamfestações de afeto). ligações neuronais e inervações. há sempre uma contrapartida psíquica (mental. dor.~L --- Entretanto. a catexia instintual da idéia reprimida converte-se na inervação do sintoma. Até que ponto e em que circunstâncias a idéia inconsciente é esvaziada* (drainiert) por essa descarga (Abfuhr) na inervação. drenada. também é fundamental a presença de um "veículo" ou "suporte" que carregue tais afetos para fora do sistema.. A plasticidade da puhão permite que o aparelho psíquico lance mão das mais variadas possibilidades para veicular os afetos." fi' o termo empregado no original é drainiert. por exem:e!. a meta de sua~~u1ao=pafecerá-Sê"r_obterã7tbfullr:_~mas simest~rapart~c!~p. como se ode ver a~s<:gUlr. mímica facial e manifestações de afeto). bem como destas com as idéias (Vorstellungen). se fisiologicamente Freud supõe um processo energético-neuronal-nervoso ocorrendo através de cargas.~J~~~º--~ç-ª!!~Õ de conversão (catexia/investimento da i~2~!~~ã. -------- "Na histeria de conversão. o papelcl:e'"vetculifl:te-rransporte a ener~~ibidi­ .-emparaíefo.A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 141 140 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE fREUD Freud.§f. A descarga (Abfuhr) motora foi agora empregada na alteração apropriada da realidade. que. Entretanto. São os correspondentes movimentos e transformações que ocorrem na dimensão das idéias/representações (Vorstellungen) e afetos. servira como meio de aliviar o aparelho mental de adições de estímulos.. anímica) desses processos. quando a Abjuhr acontece de forma re~~o a pulsâo-é-moâeI'ãdamente reudaecIescarregada a ~oe nãe--€emo-um:rirrup-ç-ã-ó-uea:lgn-ltm-gaménte acumulado k~ vivida pelo sujeito-como "satis[<:ts~o"-~~g~7!E)_~P. de modo a **suspender a pressão que exerce sobre o sistema es.!lal tam~~~Eodeserreafizado.-de". e que realizara esta tarefa ao enviar inervações para o interior do corpo (conduzindo a movimentos expressivos. outras perguntas semelhantes devem ser reservadas para uma investigação especial da histeria. ~al. Lembremo-nos que tais vias também são as Bahnungen que se estabelecem entre as fontes pulsionais. foi transformada em ação. mesmo quando trata do psíquico (~ssociações.} o Inconsciente (1915) [ESn 14. mantém a concepção de tais trilhas como nervos. por exemplo.ro­ duZ. Ou. etc.). como in~l<:~ do no citação acima.aüsfação"). ~ª)3efriedigung (osentimentC. " Formulações sobre os Dois Princípios do Funcionamento Mental (1911) [ESn 12.

há uma certa conexão entre "paz" e "morte": 'Jaz em paz".desde o início. caso no qual a própria existência de um pólo implica o outro. nestes casos.142 A n:ORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 143 XVI Além do prazer e do desprazer (sob o estado de Befriedigung) Freud designa o momento após a descarg~ril?di­ gung[Sailsfaçao).onflito psíquico já brota da raiz constitutiva do arCO pulsional. mediada pela quantidade e ritmo de Reiz. sich selbst befriedigen: satisfazer-se ou praticar onanismo. A composição de (radicalfried-) remete à palavra Frieden (paz). Por outro lado. "Satisfação". no alemão há também expressões com befriedigen no sentido sexual: jemanden befriedigen: satisfazer. Satisfeito seu desejo de rever a mãe. mitigar uma necessidade ou vontade. Por exemplo.fr~udiano. pacífico.ii1terFrê)efila~~mií'lIiO":Já no "Projeto para uma Psicologia" (1895). bejriedigen. . Quanto à palavra zufrieden. ContilaO. em geral remete a um sentimento desprovido desse colorido. Sua satisfarão com a agmdável su'rjJresa em evidente. Os três exemplos indicam o uso no sentido de "paz" e "calma": Friedhof cemitério (pátio da paz). Seu sinônimo mais imediato em é o verbostillen.trata-se de um mornçiit<. o que a diferencia de Befriedigung é o fato de que ela se a um estado de tranqüilidade e satisfação. por assim dizer. O verbo bifriedigen e o substantivo Bifriedigung significam: 1 .Leiil-que-apulsAo entra.ma que está satisfeita com a vida. apesar de ligados ao prazer. stillen significa "silenciar".:1L<llU crescente. cujo esfurçoeOâe-investiga~ teb-rizarcomo o SUjeIto ooter~q-{ie~igung q::~9 todasoflê--ae-oosfáculüsconstitucionais 7 e contingênc!3':s cUTfufalsse. foi dormir. Não pôde satisfazer sua curiosidade. cabe um comentário sobre a palavra alemã Befriedigung. ou levar o outro ao a orgasmo. 2 . passa a significar "satisfazer". enfatizam conotativamente a idéia de uma necessidade de gozo de alívio procurado durante a CXLIl. A Bejriedigung. Alguns termos compostos com o radicalfriedvisualizar o efeito que este radical produz ao outras palavras.Ato ou efeito de corresponder/ satisfazer a expectativas. zufrieden: satisfeito. ou ainda "u desejo visa reviver uma experiência primária de satisfação". tranqüilizar.25: estes sentidos muitas veies são transportados para o entendimento do termo Befriedigung no campo psicanalítico. o termo Befriedigung aparece como tendo importância fundamental: L\1l1l1H 11 --------~~~~~ 27 Um exemplo de contradição estrutural entre certas pulsões são os freqüentes casos de incompatibilidade expressiva das pulsôes (pulsôes opostas que utilizam as mesmas vias eferentes.. ocupa um lugar central no arcabouço. enquanto Bifriedigung indica que através de certa atividade se atingiu esse estado.de (Friedhqf) não remete diretamente à idéia de morte.Ato ou efeito de saciar. no atual alemão. em português. "finalmente encontrou a paz". parecendo referir-se a um estado de contenta26 mento e prazer . além de significar "sadedade" (saturação).e. pondo fim a um período de inquietação (o prefixo beimplica atividade que visa provocar certo efeito). Mais tarde. Apesar de a palavra alemã Bifriedigung eventualmente também poder ter esses significados. em frases como "as jntlsões nunca deixam de procumr flor satisfaçãu comjJlaa ". bem como cada pólo contém o gérmcn de sua própria mutação. ou que visam os mesmos objetos)."~Il!_estado"dere"pol:lso. além de significar "proteger" e "acalmar". é COlllUlll entender-se satisl"ação na acepção de contentamento. sossegado. auto-satisfazer-se sexualmente. em alemão. frei). bastar. mas. "aquietar" e "amamentar". o c. Os dois exemplos referentes à satisfação sexual. antei"de tratar do freudiano deste conceito. A partir do século XV. friedlich: calmo. outro exemplo é a relação "estímulo (Reiz). 25 26 Por exemplo: Trata·se de uma jJes. etc. literalmente. a qual no antigo império alemão a ordem jurídica intata onde todos estavam "livres" (daí.prazer" (Lmt) e desprazcr (Unlust). em paz com. com freqüência evoca a idéia de "alegria" e "contentamento. tal qual no português. tranqüilizar: Sua resposta satisfez a todos. "estado de armistício" e "paz-calma interna". O radical fried.

por exemplo." A Questão da Análise Leiga (1926) [ESB 20.z. entre o prazer de alívio (cancelar o desprazer). o ..336]._-------~- - \.. quando trata da Bifriedigung Freud não diferencia. apesar da indefinição de como a quantidade e o ritmo de Reize definem prazer e o desprazer. suspender] o estímulo endógeno. passa somente mais tarde a ser relativizada: " (. A sensação Befriedigung poderá. )" O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESE 200]. Afinal.. a idéia de que o sentido da ação psíquica e motora é o cancelamento dos estímulos e do DranS!.ir -que-~p~ssfv~í °IJ.~~~i estímulo endógeno (estímulo plllSioriãl).ja o ritmo. (Befriedig1lng) alguma. o prazer que cresce.isto é. prazer.prf:it1'1J1Ur . a seqüência temporal de mudanças.. elimina-se a urgência (Drang. surgem condições intoleráveis. A totalidade do evento constitui então a experiência de satisfação (Befriedigungserlebnis). " (.336]. ) efetua-se uma descarga (Abfuhr.todo prazer (Lust) com um rebaixamento da tensão mental devida ao estímulo (Reiz. No exemplo a seguir ' " Freud t de 1926 já em outro momento de elaboração teórica. então. é o }:esultado da descarga intoleráveis": um acúmulo que _.'a rigor.." A Questão da Análise Leiga (1926) lESE 20. entre as diversas E esta vivência de satisfação de "conseqüências as mais '______ consiste na e~~~!~~da d~-descob-. que tem as conseqüências mais radicais no desenvolvimento das funções do indivíduo. assim. ) Se pudéssemos dizer o que é essa característica qualitativa.Wefriedig!:ng) . em geral. o papel da Befriedigung não se altera essencialmente. de executar imediatamente no interior de seu corpo a atividade necessária para remover [cancelar. f~tção "Se as exigências instintuais do id não encontrarem satis. mesmo nos casos em que Freud admite que o aumento de Reiz possa às vezes levar a um aumento do prazer." O Problema Econômico do Masoquismo (1924) 200]. ao longo de toda a obra de Freud.-a~sa~~furão.. ). ao invés de ser um alívio de um desconforto anterior (como ocorre nas situações onde o aumento de Reiz é desprazeroso). eliminação) permanente e. e." Projeto para uma Psicologia Científica (1895) [ESB 1. e quedas na quantidade de estímulo (Reizquantitat). geralmente traduzida em português por "pressão") que causou desprazer (Uniust) (. ânsia. este último fica em posição.trã-tã~sc suspender'~nl ~st~do de -tenilo conforme járne~~i~~~d~. Mai~Ao que YIil~(_{b~-. por meio de dispositivos reflexos. Contudo.. mais do' que cancelarõ·s estímulos. Há. Tôdavla-. que indica fl: formas de prazer.. escoamento. (. Talvez se. Conforme já discutido no capítulo VI. de degustar e prazer de acumular sensações agradáveis: "Todo desprazer (Unillst) deve assim coincidir com uma elevação. Não sabemos.." para uma Psicologia (1895) [ESB 1. estaríamos muito mais avançados em psicologia. como também já citado naquele capítulo.. haverá um limiar a partir do qual o sujeito não tolerará um acréscimo e irá procurar baixar o nível de acúmulo através da descarga (Abfuhr). Esta relação. o estabelecimento de situações nas as necessidades corporais possam ser extintas.spannung). define em que consiste a "satisfação": LI "O que então dese:jam esses instintos (Trieb)? Satisfação "tr.1'41 :\ TEORIA I'ULSrONAL NA CLíNICA DE FREUD A INTERVENÇAO PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PUI SION:\IS 145 ( "Quando a pessoa que ajuda executa o trabalho da ação específica no mundo externo para o desamparado.te~prazer de alívio ao sccancefãr/susr.".

um estado de sofrimento que impele o sl~eito para a ação de descarga (Abfuhr).I:D9_t~m~ém na e.exigindQ4Ue_o. co~~ ql!. JQrlJ}-ªndQ:s. Conforme já visto. Entretanto. o qual visa ardentemente um alvo. o sistema psíquico e geram uma nova "estas e" (acúmulo).não c~ss':~-~ manife.~~ejº_sempl:~§.-~iclo semQ!'e retoma. geralmente.-hase-pttf-a-a-ilusãO-de-teLv. bem como sublimações. sob a forma de "realização do desejo" (Wunscherfüllung).fi._ngen) e as.146 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD A 1l\"TERVENÇÂO PSICANALfTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 147 assumir a forma de uma pausa repousante após um prazer crescente (saciação ou até gozo). haverá a necessidade de cancelar o excesso de estímulos endógenos (endogene Reize).. sinaliza os caminhos para a procura de novas Befríedigungen.:L~rQ. A Befriedigung é o desaguadouro de toda somatória desses momentos impelentes deflagrados pela pulsão (Trieb) e que espicaçam desagradavelmente o sujeito para uma ação. também há uma invasão dos ]?Jl1't.externo (desejo. alcançadas.duÚdas de forma desiniQigil.eX~I1st9-1a. Esta ação de descarga pode ocorrer simultaneamente ao nível fisiológico-energético e ao nível representacional. --=:Es..Ie~§~~~edmento él~s reivindicações. Wunsch) eleito como objeto de descarga e alívio. esta última mais ligada à corporcidade de Lust (prazer. "O instinto reprimido nunca deixa de esforçar-se em busca da satisfação (Befriedigttng) completa. especificamente é ao Drang que responde a Befriedigung. em que não predommava o recalque e onde os traços mnêmicos se inscreveram nas primeiras memórias. indomado'." Além do Princípio do Prazer (1920) [ESB 18.ando a pulsão assume a forma de de~jº-(WuEJçht AssirD: de modo geral. o Drang movimenta a pulSãO.ê.:-do. O primeiro caso ocorre na forma de uma descarga motora de estímulos (Reizabfuhr) e o segundo. vontade) do que à via imagética do desejo. nas palavras do poeta.ng (realização) dos desejos (Wünsche) é a contrapartida represemacional do processo mais vísceral que lhe serve de base.--cg. se. que consistiria na repetide uma experiência primária de satisfação (Befriedigungserlebnisses).reatlVaa:asapãrtir-c1o-s tiãço-s-i§ên11cos"dêix~s pelas vivências de satisfação. a cadeia pulsão-estímulo-pressão em seu conjunto produz um estado de inquietude e. jam~uelas viv. O desejo (Wunsch) permanece inextingüível.-~-da necessidad~ -0----. fase. tanto quando esta se exp~a cõiIiOíriStinto. se instalará o recalque primário e os subseqüentes recalques secundários.9ls inveslem~te~am <I~!!:~Diliêm::~~:ql~_a~ idéias! representaçõ~Vorstef0. mas.i.. gerado pelas necessidades somáticas.sujçilQ!~_r. Portanto.uiência-ân~qer-de­ sejo.:>_~a!.gúiando-se por representações.j~_s~~ções provisória~QQls:õão~Ó~a di~e~. os qu.~rá..60]. E assim Impõe-se novamente um Drang~qUc~. os quais inundam então todo 28 Pode-se dizer que a Erfüllu. Formações reativas e substitutivas. a T1'iebbefriedigung (satisfação da pulsão). Drang se refere ao momento em que um "aperto-pressão". o termo Befriedigung responde ao Drang. Como já discutido no capítulo XV. o ciclo Unlust-Lus~§. o e~u~ transforma a pressão s0111ática errl1. ~ níveLrepJese'p~cional. e o elementoainâmico da pulsa0. ( . pois as "vivências de3t!§fil- ( _~o nrigir@[iasT' dei~ara:n t~a~ mnêmicos de b~m-estar:e alimentam uma nostalgIa dIfusa por esta sensaçao.ASsim-<t. é o Drang a mola da pulsão.28 Entretanto. a concretização da realização do desejo (Wunscherfüllung) não significa que o estado de inquietude e sofriménto tenha sido totalmente aplacado (satisfeito).í. 'pressiona sempre para a frente. pulsionais sob forma de idéias! represéltações -=cle~õ.uciaspoderão J5J.. disposição.YiºQ_um estado outrora maravilhoso. \~. não bastarão para remover a tensão persistente do instinto reprimido.e. transforma em "ímpeto-ânsia" de agir.~eE_e:­ sentacionª"1~_Q. Num caso ou em outro. Ao nível fisiológico-econômico. fazem aflorar na _consciência. no limite.. Contu--.. cada fonte pulsional logo reinicia a emissão de estímulos pulsionais (Reize). após esta etapa. sendo que a diferença de quantidade entre o prazer da satisfação (Befriedigungslust) que é exigida e a que é realmente conseguida é que fornece o fator ímpulsionador que não permite qualquer parada em nenhuma das posições.ti.

. ain?a que de forma restnta._---~--------- mais além do prazer imediato . a satisfação virá parcialmente pelos sintomas.sacjação manterão o sujeito em movimento. não há para a pulsão mais do que-um instante de pequena morte (no sentido de um desligamento.a-pulsào ~~colltra alg!." O Problema Econômico do Masoquismo (1924) [ESB 19..torrdUzl~quietação da vida 2ara a establh~ --dadcaoeStãdô-i~orgânico" : .çAo I'SICAl"ALÍTICA SOBRE os CONFLITOS Pl. o objetivo das ondas de estímulos pulsionais é a satisfação imediata: r 1\ I "Todo desprazer deve assim coincidir com uma elevação.· quando Freud introduz mais diretamente a noção de Pulsão de Morte. extinção de todas as pulsõcs de _vlda).. e i todo prazer com um rebaixamento da tensão na psique produ- "Os instintos no id pressionam por satisfação (Btifriedigung) imediata a todo custo. sublimações.de ~o estado inorgânico.LSIO.ª pela Pulsa0 de Morte e o total c~pcelamentoaãtcn-são. zida devida ao estímulo (Reizspannung). cUJo ! objetivo é conduzir a inquietação da vida para a estabilida. etc. deve seguir "sempre para a frente.!r!ilvau desausfação. no texto "Além do Princípio de Prazer" (1920)." Os Instintos e suas Vicissitudes (1915) [ESB. Assi:rrl. 139]. em!>uscasla-PJ:~mes~ de repouso pulsional. \ A Questão da Análise Leiga (1926) [ESB 20.stá por trás sempre esteve colocada. sonhos. da.:. realimentam o desejo e reasseguram o st~jeito da possibilidade de chegar à Befriedigung.-do-Beaürj~~~. d~ --Drang. indomada". a idéia que lhe e.A 10:TERVE:.\. Amalgamada a Eros. a Triebbejriedigung é pensada de maneira amplia- . Entretanto. "qualquer parada em nenhuma das posiçôes alcançadas". A Befriedígung visada agora nã? se refere ma~-ª-p~clI. 15. a Befriedigung corresponderá ao estado propiciado pelo PrinCípio de Nirvana (estad~ de quietude absoluta. Todavia. nas formulações após 1920. além de garantirem um certo equilíbrio econômico.__f?}lsu_!~i:-ple~<l de.. como diz Frcud. à procura da Befriedigung.racterizar [designar] um estímulo instintual seria 'necessidade' (Bedurfnis). Tais lampejos de Befriedigung que se deixam apenas entrever. cancelamento das necessidades vitais). e desta forma nada alcançam ou obtém eles mesmos danos perceptíveis.200]. que lhe é supostamente idêntico) estar~a inteiramente a serviço dos instintos (Triebe) de morte.a Pulsào de Morte Fora do alcance do princípio de realidade e da ação do ego. 229].ra imedíwsta deum-moment~OS Rene.que tentam perturbar o curso pretendido da vida.nâo se pode afirmar que a Pulsão de Morte foi uma concepção sempre presente em Freud. "O melhor termo para C<"l.AIS 149 148 A TEORIA PULSIOl\:AL l"A CLÍNICA DE FREUD Mas. A_c::Ql1l" binaç~QAe carência insatisfeita_comjnstantesde.." --I r. mesmo não obtendo uma satisfação 'Elerm. pela noção de Befriedigung (entendlda como um estado de cancelamento das necessidades orgânicas).. a ~lsão de 3!-~tt1a_~ta~~ Sentido-Oe. e teria a função de fornecer advertenClas ! contra as exigências dos instintos de vida a libido . não lhe é permitida. Se não de forma livre e desimpedida. des~j~e rríõrie-:~A__:nifiiea{gung proc~!~d. ---S.. O que elimina [cancela] uma necessidade (BedurJnis) é a 'satisfação' (Bifriedigung).. o princípio de Nirvana (e o princípio do prazer. o sentido desta satisfação é cancelar a necessidade (Bediirfnis) momentânea:..

êeSSosecundáno}ocõrrem·combinados COin~~d"illls pulsoes "Correspondendo a uma fusão de instintos deste tipo. Devido a este uso <!2s termos. noutro.-tite·-. Sendo uma tendência geral da natureza que atua sobre todos os viventes. (1924) [ESB 19.205]. (1924) [ESB 19." O Problema Econômico do Masoquismo. Freud tende a empregar Pulsão de Morte (Todestrieb) e Pulsão de Vida (Lebenstrieb) na acepção de "princípio". ( ( São vagas e raras as referências de Freud aos momentos de um eventual escape da Pulsão de Morte deste amalgamento: Portanto. eles podem tolerar-se mutuamente. a compulsão à repetição. a psicologia de massas. embora conflitos estejam fadados a surgir ocasionalmente do fato dos objetivos diferentes que estão estabelecidos para cada um . na biologia. a Pulsão de Morte é concebida por Freud como amalgamada e regulada pelas Pulsões de Vida.150 A TEORIA I'UI. nas outras dimensões do arco pulsional. e. só podemos presumir que se realiza uma fusão e amalgamação muito ampla.~jp!!:p. representa a influência do mundo externo.de~pra!..:.200-1]. em proporções variáveis. Contudo. Assim.. (. (l924)[ESB 19.205]. Nenhum desses três princípios é realmente colocado fora de ação por outro. por último [no terceiro caso]. não se encontra E.~-de~. uma redução quantitativa da carga do estímulo (Reiz)..num dos casos. espécies.. na fisiologia e nos processos psíquicos e culturais. a libido.-prc.são deles. -- -~--~--~--'---'~~. pode existir. avançando em temas como o masoquismo. pouco detalha sobre os mecanismos de transformações e passagens: Te "Não dispomos de qualquer compreensão fisiológica das maneiras e meios pelos quais esse amansamento (Bandingun) do instinto (Trieb) de morte pela libido pode se efetuado. uma característica qualitativa do estímulo (Reiz).'iIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇÃO l'SICANALfnCA SOBRE os CONFLITOS PULSIONAIS 151 A inserção da Pulsão de Morte no arco pulsional merece alguns comentários. representa as exigências da libido. bem como o princípio de realidade ~p-. mas apenas com misturas deles em quantidades diferentes. carg~~esca:~~lSibnãr.ªLa as duas püISOeso mesmo detalhamento na fisiologia. ) O princípio de Nirvana expressa a tendência do instinto (Trieb) de morte. das duas classes de instintos (Triebe). de modo que jamais temos de lidar com instintos (Triebe) de vida puros ou instintos (Triebe) de morte puros. a própria reprodução das. "Ela só pode ser o instinto (Trieb) de vida. ' O Problema Econômico do Masoquismo.~SI~@Qtes noerocesso primário). por efeito de determinadas influências. a destrutividade.. lado a lado com o instinto (Trieb) de morte. Seguindo as possibilidades da polissemia de Trieb. nas LranSf6ffuações das imagens. afetos e re~~ Freud orereâantrnrodclu--p~ª-Ljioie[JDr-=\r5Jilsões autopresef\íãÇão ~_puls~exuais). Assim. a.ÕsEri!lCípiõSd~ Fíaze~~." ' ." O Problema Econômico do Masoquismo. que assim. "tendência" ou "força". se Freud não se poupa de eSpeciflcar as incidências clínicas e culturais de sua nova teoria pulsional. Não podemos presentemente imaginar a extensão das partes dos instintos (Triebe) de morte que se recusam a serem amansados através de misturas com a libido. os processos p~íquicos sã~sados como~oyi­ nTemos pulSíonais fus~rnodo _que_~e_ nã~~_ _ w ____ --~----~_·-~----~-- . após a introdução da Pulsãode Morte e P~ deVIda. O valo~ concepção pulsional é fundamentalmente clínic~t~. apoderou-se de uma cota da regulação dos processos de vida. Via de regra.. e a modificação do último princípio. um adia\ mento' da descarga do estímulo (Reiz) e uma aquiescência \ temporana ao d esprazer devido à tensão. a Pulsão de Morte é uma força ou princípio (expressa-se também como princípio de Nirvana). o princípio de Realidade. uma dejÍl. o princípio de Prazer. No que concerne ao campo psicanalítico de idéias.

tão comuns no texto freudiano. quando trata do papel das pulsões na clínica.Da m.la ação combinada pulsões em con~ht~. viQ. as diversas metaspulslOn~l~o~sfas-:--Ein~~ecor­ rência disto. Descobrimos que cada instinto (Trieb) procura tornar-se efetivo por meio de . -~ - -~ " --~~..da _~~~erv~nção psrca-illi1ítlC~:teÍmlUowtlmo cãpÍtu o. representações.Yão se ~resentando. Para descrever este trânsito entre os diversos patamares.152 A TEOR[A PULS[ONAL NA CLÍNICA DE FREVD A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFUTOS POLSIONAIS 153 _P. das representações e dos afetos..quefreud fala. mas da BeJriedlb'1L~.í:li~ãíites [Y. --Antes. para auxiliar na leitura do texto freudiano.P'§'s_~~~<:s ~.~~~~jo para_~_!. Também. para ilustrar como Freud concebe o conjunto da circulação pulsional nos vários patamares e.ÍyÍfK-ª!.. tornando difícil não só o entendimento de certos trechos.?.! pOSSIVel.-para a coni. mesmo depois de ter introduzido o conceito de pulsão de n~orte. cargas) clãs pi1lsóes enico~ slgmflca que os precipitados destas grandes pulsões. ~ão rep~~açã?_. o conflito psíquico que vai aflorando ao longo da sessão de análise. d~mes-puls. faz-se necessano um breve comentário sobre como Freud procede na escuta dos conflitos que são trazidos pelo paciente à sessão.Y'l:. na forma de pulsões mais específicas não continuem a ser concebidos dos pontos de vista da fisiologia da atividade muscular.~. Contudo. não ~ da BeJ~iedigllng dirigida à morte. de tratar da concepção freudiana de intervenç/ã~ psicanalítica sobre os conflitos pulsionais. Será apresentada uma tabela onde se procurará indicar como Freud articula o funcionamento conjunto de diversos mecanismos e.arúfu. pre~iichl~entos de energia. na escuta clínica. Os conflitos pulsionais se manifesta!l~con~l"!W-ª§~eJ) psíquicos ~ndo as catexi31sjinvestimentos (Besetzungen. N este capítulo.Qr:stElluR. como apreende. obtIda p. mais do que isso._~saI1~~l~mentos) que Freud trataqualldo aborda a_ql_~=stã~.~-" "Nossa atenção foi atraída para a importância dos instintos (Triebe) na vida ideacional (Vorstellungsleben).. ~!ltã?. imagens) que representam. E da regulação da~uhra partir ~ r~~Ss!.:.1!~ª~ de Morte ~0>_tam-_ XVII A escuta clínica dos conflitos pulsionais Uma das características essenciais do instrumental de escuta freudiano é sua capacidade de operar simultaneamente em múltiplos planos.ta~ impasses e antagonisnJ.~s representações e das recombinações pul~ s~~::~:sJ~?:. .Y.~_~~_l!~~~~~Eur~ISto~contudo. Freud serve-se de diferentes redes semânticas específicas da língua alemã.fIcaç<..õ_es. como também a apreensão da mobilidade dos mecanismos operatórios propostos pelo modelo freudiano. cada uma.. às vezes até dentro de um mesmo parágrafo..~!l!..: ciência (e para a escuta anilitTéãr~a~.fur!. também será indicado como são empregadas determinadas palavras alemãs para descrever tais momentos.l dOl1JeTeõen) d~eiilliÍ.. porém.. deslocamentos e inversões.1gE~s.iªªª-S=iâHasêón. se retomará e sistematizará algumas destas redes de transformações.. os conflitos de interesse que existem entre as .?_~~~_? h~:e::r. freqüentemente estas redes se fragmentaram nas traduções.

ou ~..~e).. 189). 181]._"- -- ° É-.-A contradição ou divergênêIasemanifestàr{ ~~~o c~-nflíto psíquico quando a ativação da pulsão.:~-- ---- ~ . .P-L~·CQns.egula~~!-Jlsi9i!iL bem como com d. Estes conflitos apenas se tornam visíveis na esfera consciente devido ao fato de que é lá que se impõe seu ordenamento sob o princípio de realidade para transformarem-se em ação efetiva.01 dus..I.ttng de~ ~:l seinen Zielen passenden Vorstellttngen.se--<1Ls9Àre. no ~mbate entre ego. tes instâncias a partIr-dãS-quais <:let(~I!Ilil}ªdas_yertentes pulsíonalS procuram prepo!!. P~T!~.d._-_ _-_ _ _---_~_ 155 .çQÇi mútuas entre instâncias di_.Jaro__Que o foco cClltr'aLd. alucinações visuais ameaçadoras. .Dte.. no c~mpo ~n~~.ld. Mesmo naqueles surtos psicóticos onde aparecem conflitos. . etc...w . nerrina esfera do mconsciente (onde a hipnose e a catarse poderiam atuar). A Concepçiio Psicanalítica da Perturbação Psicogênica da Visiio (1910) [ESB 11. os conflitos que aparecem na esfera conscien~ refletem choques entre modos de funcio.-.. na dinâmica consCIente-i~consciente....oco~. mas ~as zonas de entrechoque de patamares. seus Interesses amiúde entram em conflito" 'I: "tornar-se efetivo" aparece no original como: dttnh B..~fli!9_P.. 199]. oriundos da lógica do processo secundário.154 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO A lNTERVENÇ. e portanto. tomando decisões racionais. não se entrincheiram nem no consciente (onde a persuasão e o esclarecimen~o poderiam ajudar o paciente). Apesar das aparências.!i!"lgll~se~ ~ _~E~_. para designar a reJclçaodo ml~lldo exterior"..e.egQ.. Na escuta psicanalítica do c(~. na esfera consciente. mesclados a elementos do processo primário.IT~ -----.).. Freud às vezes emprega verweigern (recusar).Ltlsiol=laLnão_s~tr:alª­ de operar com lima outra lógicã que a do consciente. id e superego. estes já contêm elementos ordenadores. . es~também gm... os conflitos. s~dárlQJ.OCê~IiQ. Estes. mas com uma somatória de lQKicas. A coexistência de pulsões contraditórias que estivessem ancoradas no mesmo patamar não seria tão problemática.\O PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PUL')IONAIS idéias ativantes que estejam em harmonia com ~eus objetivos*. Assim._Q inçonsciente din~._ _ _ _ _ _ .el~b..w ) lê p. a razão poderia negociar e postergar satisfações em conflito. ) a neurose é o 'resultado de um conflito entre o ego e O. ---.etermilJa. chegou~se a um compromisso tal como só é possível sob o domínio das leis inconscientes do pensamento os processos primários.<:!~r~. 29 O"tel:ll:o.. NA) "No conflito entre o peso I] ( da percepção desagradável e a força de seu contradesejo. 21.em processos como o "recalque".. que. a escuta dos conflitos pulsionais não se restringe -. geram impasses diversos (tais como vozes que dão ordens contraditórias.pI:Qçes­ conscientt..:ondenar. transita simultan~ent~~sTnterfãces ." [grifo meu] Fetichismo (1927) [ESB. desmentido).. éI~as formações entre várias diferen. J} I j\- m~rria·:mnullãnefãaáedelelSéfe.29 <:? o Assim..~ ~s já e!aborad~~__C:I!l.u a a recusa de cenas representações da realidade" aparece tel mo Verleugn1lng (renegação."'C-ºDS~. "(.neste capítulo.Lescuta . (A propósito do fetichismo.-_____ .cj. for incompatível com determinada instância.. instintos (Triebe) nem sempre são compatíveis entre si. orslenados -r= sc\_tT/'I { __ \ . como idéia e afeto. que na terminologia lacaniana é denominado . uma vez que no inconsciente não há incompatibilidade entre os contrários e. a sabE ... ~lll ~en~~J~n :rCje."recalquc" é denominado por Freud como Verdnzngung.up_~o.ttar-. .am·eritõ-p~on~ .Y.ttm JIlate.. ao mamfesto e tampouco se concentranaprogresslVa fragi?5_I"lt_ação psíqUIca nas regIões do in~~s~e-m~ma_~ujl12' comoseprõcurarãindicãr. isto é: vIvIfICar as ldelas/imagens vinculadas a determinadas metas....~ ~~~lcias dive~as (P. la onde se complIca a coexistência pulsional." . a "rejeiçao-repudIo e a recusa-desmentido.a do inconsciente. a? passo que a psicose é o desfecho análogo de um dIsturblO semelhante nas relações entre o ego e o mundo externo.-s." [grifo meu] Neurose e Psicose (1924) [ESB 19.2.

-' . não é só dqconsciente e inconsciente~ue se. .-':ALlTiCA SOJ>RE OS CO.' ) "Se.o moviméi1to-~~ longo do arcO pulsional!9o se rest:riilge ao conjunto "deslocamento"~ãsi'..} ~nterp:ne. t'unpa uco lmpr ICa qualquer supervalorização mística da here. mas um movimento combinado onde oc (mesmo no sonho ou na psicose alternanCla entre a preponderância do p' .~rri c:o!!loi~sreteiminaçôes fl~l~ memonas!~ém l_o~e~:. pressão) de conduzir o vivente ao estado inanimado" Análise Tenninável e Interminável (1937). trat:2. Ademais. também-~~s~C.~a. e o vivente para nós foi nitidamente diferenciado do que é inanimado.. uz a mesma explicação que no caso do indivíduo isolado. • ~lt~ne~ade acharmos crível que.trações h~r~:~ Ainda em "Análise Terminável e Intenninável". não pensamos mais em termos de fusão e separação das partículas de substáncias. há um ~onstante mf1uxo de estímulos e influências oriundos de OUtl as esferas. corresponde na ESB ao voI. ' em no cont t r' ex o c mICO. bem como há uma constante interferência de ontes somatlcas). afã.}. . Portanto .dinário .-":-'.-.i com inação e separação das vertentes pulsionais em arranjoSliel1üerentes proporções (fusões! defusões~-e-oclésenvol­ vimento psí UlCO desi. nnClplo ~ e reahd~~e. as experiências de prazer e as exigências culturais-familiares.-rorta!lLoi-de acompanhar os movil~tos_ de deslOj:amento e condensaçãoãõl~. ~ --.r-. ------rut_mais-t~UtfõSCOrij~ãll~nte: a -au~reçao pUISlOnál (~egressão/progress~y. a inv<. Estes quatro conjuntos permitem que se transpl~. 23. "Quando falamos numa "herança arcal'ca" ' gera Imente ~S:d:nOS pe~sando apenas no id e parecemos presumir que no 111100 da Vida do indivíduo não existe ego algum. à tendência (Drang.:CTciâa:' t '-d.\) --------- . remetemos nossa pulsão de destruição à pulsão de morte. ual e combinado de uma mesma j vertente pulsional ~ações e liberações de parcéfãS plilsionais)." Analtse Terminável e Interminável (1937) [ESn 23. 280]. Além disso. s es as lmensoes.J. Mas não desprezaremos o fato de que id e ego são originalmente um 50' .304]. .. esses delírios são capazes de exercer· m extcao. a escuta freudiana busca rastrear os movimentos de deslocamento e condensação que aparecem na fala do paciente e que interligam as diferentes dimensões onde se situam as "heranças arcaicas filogenéticas". Freud trata da raiz biológica e das leis da natureza sobre as quais se calca a pulsão de morte e traça um paralelo entre sua teoria pulsional e as idéias de Empédocles: "A nós impõe-se estarmos restritos ao campo biopsíquico. Eles deve~ seu pode: ao elemento de verdade histórica que trouxeram a tona a partir da repressão do passado esquecido e primevo. ''''. apesar disso. a l. mclusive nos seus últimos escritos " . Fr~2_ ele. a fisiologia pulsional.. lera mconSClente nao ~e trat.tigação no.---' .~ono~:c~.nserçao do conceIto de pulsão no arcabouço freudiano ' sao mSlstentemente abordadas ao longo da obra tamb' .. ções filogenéticas: em os a respeito das fIxa- anatõm:bio~ [Tradução Livre. Construções em Análise (1937) [ESn 23. o "campo biopsíquico". Em "A. após abordar detidamente fatores fisiológicos e econômicos da vida pulsional.J? ciais .~I~~n~ranças arcaicas de pontos de fixa ão ..:n. ~0ru. o princípio de "combate" foi por nós fundamentado do ponto de vista biológico.-.co pulsional. E'SCVf'ATEi'[) / ----EmreCaiítO. ' <. ~ssim. os nossos elementos básicos não são mais os quatro elementos de Empédocles.-í. essen_ ..ob'e '" homem.. de um funcionamento puro que só siga as leis do ~nconSClentc. p.?álist Terminável e Interminável" (1937) e em Construçoes em Análise" (1937) 1 . enClas normente a~~esentará já estão estabelecidas para ele.-':FLlTOS I'ULSiONAIS 157 conforme as l~is_ do pensamento consciente. . mesmo antes de o ego surgir. mas na fusãó e defusão de componentes pulsionais. ulsio~ de-aeteirilÍnaçoes icas e as grandeslers'da'naturez. .d o prazer e d . Tr:ata"se.. mesmo na esc' . a economia psíquica.-.i~ Como se procurará indicar na tabela abaixo.ãfI~~~ogl~p~~~Oll. ( .156 A TEORiA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A iNTERVENÇÃO PSiCA. '273-4]. as lmhas de desenvolvimento ' tendA " e reaçoes que poste.

ª-es e ações mol. formas.or~â.repulsão .e herd-ªQas. Estes. em parte adqwn~gundo finalidades e funcionalidades· biológicas e conrõrn1eÕI)iinaRiõao-ãzi~esPr. ~gressão.or:am-cllLpar. _".!efle~~~~~. Isto significa que a esfera do processo secundário. etc.-_do---S.relações com o somático seg~QçHlQh_p.rrJ~..a~. É lá que torna-se possível a história pessoal do indivíduo repetir as vivências da espécie e da cultura sem que isto seja determinado pelo passado.tram__ e_emb~r:alham n.5:0?cretude e os priIg:ípiQs_g~-ª!s. formas' e conteúdo~arranjam a esmo no apare~~elõ contràrTõ.. se transformar em seu contrário ou se dissolver. reagrupar. I.. o "eu" pode ser o .. somam-se as forças que vão no sentido do acúmulo (atração) e da descarga (repulsão)._. se estes movimentos de transplante entre patamares e de circulação intrapatamares resultam em uma representação psíquica frágil.2rocesso psíquico. no primeiro caso temos situações de alternância onde a energia pulsional circula entre contrários. a dor e o prazer. onde uma voragem de precipitações. inconsciente e somático... as Imagens e os afetos se amalgamam.J. E neste entre dimensões que o tempo simultaneamente \ retroage e pro age ou se suspende. na recusa.. às vezes situados em patamares diversos. pro~~~. tais como o ódio e o amor._. inversões. os materiais de cada instância passam a comunicar-se em associações. deslocamentos e condensações.. apesar ancorados em patamares diferentes.. natureza em geralr--SUnt~(pcne. ou ainda no repúdio.J!ulslOnal entre as 1l1st~ . o masoquismo (o prazer sádico de se machucar soma-se ao prazer masoquista de ser machucado). ou complementares (gerando fenômenos de acúmulo e descarga)... Assim. transitam entre consciente. . Não são entrecruzamentos onde tempos. bem como cada elemento pode se dividir.arração.Q[as e efl1!:~apar~~emcomo entre a. onde o corpo pode se manifestar para a psique e ser também afe. No segundo. "outro".~~---possibilidades de movimentaentrecruzamentos e as ---------~-.ao. Este segundo mecanismo encontra-se em fenômenos diversos. o dentro e o fora se entrelaçam e se dobram ao avesso. não se trata de um desordenamento de regulações. pro~ a Clrculaça0.. livres dos modos de temporalidade. ocorrem configurações onde o pólo que tem força de expulsar ou empurrar não logra sucesso se não houver a colaboração de uma força atratora situada no pólo oposto. fragmentações e transformações sempre está a esgarçar as relações.-l Entretanto. de maneira que. movimentos e leis particulares. l-?~ rv:-~ ~I 'tl M. .nica. Também será por estas passagens inter e intra-instâncias que ocorrerão fenômenos entre o somático e o psíquico. de espacialidade. realizando movimentos de regressão/progressão.~---------~. _da:biQlogiª!i~~~~spécies-'e-d. as aparências ora são ilusões.-_.. ora são tomadas como realidade.sl.A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUU. na projeção e na introjeção (onde o interno expulsa o mau e o externo atrai o mau).çol!dens':ião. -Assim.t. Assi~:_~~~se possível o tráfego pu~~_ n~" entre s~g!I1~~<:antes e slgmfIcados. Um pólo repele em direção ao seu oposto. tais como o recalque (o recalcar se soma à atração exercida pelo elemento do recalque originário)... onde "cargas" e ~ItlnOS e relações de "quantidades" se manifestarão para a pSIque como "qualidades".~~o psíquico e em sua:. de formas e de linguagem vigentes em cada esfera.eslocamentol.-êstZs'~'õv-~gºelll I I t vias facilitadas de passagem S!J. o "sim" pode se transformar em "não". fixação/libéração e fusão/defl~são.. além dos movimentos de... Em termos psíquicos.~. pólos pulsionais op~ assUií1ê"inõü papéis inversos (gerando fenômenos de ambivalência).liber-aç-ão~~e ê1efiI. entre estes e as 11lervaç. a linguagem. a dúvida..IONAlS 159 158 A TEORIA PULS10NAL NA CLÍNICA DE FREUD tem e mesclem na psique com grande flexibiÚdade materiais que parecem incompatíveis. que simultaneamente atrai. bem como reproduzem princípios e memórias incrustrados na biologia da espécie e na própria história e estrutura d~ matéria. J2rimáriD. espaços. onde vigem tempos. Neste caso.e...omátlco. . 'li< Portanto. São p_ulsion~:.DJ. pois habitam cada um patamares próprios.tado por esta num jogo de mútuas catexias.I!!}SlpI~_~.

fato ~ rou-se destacarãose cõloCar naiãOeJa asaois patamares natur. a teoria do masoquismo e a segunda teoria da angústia. os quais podem estar trabalhando em direções contrárias ou atuando na mesma direção. que conduz das dimensões mais gerais para as dimensões mais singulares.?u coma pensamenPartanto. novo arsenal de recursos combinatóIjQLq. a consideração isalada de qualquer um dos patamares transforma a teoria pulsional em -alga de outra ardem. Não se lr. Canforme já mencionada.?.. ou em uma teoria da linguagem.:çAo I'SlCANALÍTICA SOnRE OS CONFLITOS PULSIONArs 161 cias. um recurso de apresentação.. A tabela que será apresentada a seguir procura aproximar-se desta circulação pulsional-psíquica inter e intrapatamares. Apesar das limitações inerentes ao uso de tabelas para tratar de temas psicanalíticos.e_s separadas.iri.todas as manifestações de vida.e~·~~edfico:s-dÓ-I~âo~-~~q~~~-~~=-~ e é lá que o canflito pulsianal se faz acessível à A primeira coluna (processo secundário) refere-se ao 'li material com a qual a paciente se apresenta (ou é apresen.: lima advertência quanto a esta tabela. A divisão segmentada em patamares deve ser considerada :10 Cabo. que se trata em. Freud também examina os pontos de ancoragem pulsional situados em pólos opostos. mals.aLd_~. por exemplo. a dinâmica pulsional irá êxpressar-se na i9~e uma ar9!!it~~~ripsíquíca. Estas inovaç:õessao como que novos palcos de cIrculação e fixação pulsional que passam a dar maior potência ao amplo emprego dos movimentos energéticos ao longo do arco pulsional.-. au em uma tearia organicista.L.lta de um resumo. como ima= gem de desejo nas alucinações do-bebê. Mantendo a mesma sistémática dos capítulos anteriores. Aparecem nesta esfera relatos e explicações razoavelmente articulados e que são escutados tanto como roupagens de conflitas pulsionais.-ºl}nªs. Na tabela há uma especificidade crescente da direita para a esquerda. indicando.r tado) inicialmente ao analista. tais como as noções de narcisismo. ponant. outros temas fundamentais interligados às pulsões. dos afetos e das imagens.t. pois as leis de funcionamento. eIJ:l_paE~. que é o car~junto de significados da palavra alemã' Trieb tomaaos simultaneamente que.() A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A lNTERVE. figuram. 9.o o material que aqui aparece mio inclui muitas das rclativi7~.pelo con~r. A tabela30 divide-se em quatro patamares de conjunção. a lado com as não-psíquicas. como também na escuta clínica.ap1:JJrar as filigranas da_ arquitetura e dinâmica de cada caso clínico sin~. quanto como causa e fôrma que organizam a circulação das pulsões e também co-determinam a configuração destes conflitos. a segunda tópica e a teoria da angústia serão apenas marginalmente tratados. a segunda tópica. .gulares. a tabela est<Í calcada sohre discussões detalhadas contidas nos capítulos anteriores.'h~m-~~~ (. de compulsão ~l repetição.9~S.ções e I\uances já comentadas. numa mesma tabela.-. proÇJlrQ!:l-se indicar leito!. de' pulsão morte.le. as tentativas da paciente de se historiar. numa teoria dos impulsas.j(. seja ~()~_~~us asp. ou em uma tearia bialógica ou ainda em uma teoria metafísica._l:'-través desta configuração.itJ-lra).!e_1~Sj?uls. sua utilização é uma tentativa de sistematizar para os leitores estes movimentos que se apresentam não só no texto freudiano em geral.~ç~ºJLgenérk.:::~~~~dt~?c)s~. -éamo--lnstIÍ1ta j:>iol§gkQLçQI"Ila estíq1Ulo nervosõria fisiologia. e formas de manifestação das pulsões se interpenetram em graus variados. éjnsericio!l_t?. Apesar dos impasses da clínica irem. para que não se desvie o foco do tema central que é a teoria pulsíonal.ue e~laçam diferentes~istros e dão u!:na grande plasticidade e amelitude pa~a opera~com os destin<:J~~~º--TLai~e. caracteriza o termo e a uso freudiano de "pulsãa".indlviefu-al. bem como de utilizar o controle racional propiciado pelo processo secun- c . o arco pulsiQn& não_ éj~!II!ais dei)[ªQ()~:leJª9..9~..§g~ nas suas formás espeéíficãs de ~a~ nifestação: como força dã-u1ãenatureza. Nas dimensões mais siE. São.. pouco a pouco. as dimensões psíquicas lado. tais como os mecanismos de defesa.!!~r. exigindo de Freud que desenvolvesse sua teoria no sentido de dotá-la de um instrumental capaz de captar o máximo possível da complexidade e variedade que se apresentava nos diversos casos e o levarem a introduzir inovações fundamentais.

--~-.oda biol. g~!:_.. apesar de. CO~~!l_c:!S>.. p~!?-s. em conjunto com o patamar da natureza em geral.''ilONAIS 163 dário.Qu . a qual se fixará sob forma de leis da espécie e de matrizes de vivências. estar apresentado como coluna separada. por exemplo. esforço dirige-se também às raízes /. pois a biologia e a filogênese 31 Ver. na tabela. insistem em irromper para a consciência em forma bruta e tosca e. Os três patamares acima mencionados funcionam em ----~---- '--- ~~~~d~~n. 1987... o qual aparece. A história das fixações pulsionais filogenéticas servirá de matriz para os fenômenos da psicopatologia e da cultura31 . Estes conteúdos latentes da matriz arcaica geradora de desejos.. . foram fundidos numa só coluna para facilitar a visualização. sonhos. seu destes processos.. em Freud.. se -- . aspectos bj_~'!E!.'-~-~..Es. que tanto estão na base. devam~iQ. enquanto membro de.'usas aparen-:.Çl!liares. Rio de Janeiro. portanto.--~ alternam e se. as cons--" truções"_p.-' h~nios~-estímclOS(p~ssíveis de-s~frere~ est<:~&-u?e~ Lm~ervosas. __tt:s __c1?_~~f~i~e!!!2_: Portanto. Aqui a pulsão brota e se manifesta como energia. o patamar somático não passaria de um conjun. como anatomia e fisiologia.t. As leis da espécie determinarão as possibilidades constitutivas do indivíduo. to de mecanismos reativos e reflexos ocorrendo na anatomia de um corpo . Desprovido das iI)1agens e afetos fornecidos pelo processo primário.Q.---~-----. Imago. !l!le Contudo. optou-se por tratá-los.9:~~çª-~g<l:.eI!~r<':!~~:!l1. Quando pensa no aspecto biológico. nos seres unicelulares.íirtdeste comrot~. imaginar o patamar do processo secundário como entrelaçado ao patamar do processo primário.lanfo:àSesÍéIª~-=d~:história_da Jjíl)-' biologia Clas'espécies quan~~_~__<lg~xiY-~I!tç. os laRsos.lTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUl. pois. musculare8. as leis e a história biológica da espécie nada revelam sobre a significação que cada indivíduo. bem como dos significados atribuídos p~lo pensamento do processo secundário. o texto "Neuroses de Transferência: urna Síntese" (1915)._~~n .:~:~~f~::~q~~~~~l~~~~: .162 ATEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A l:-. Freud trata da história pulsional da espécie.~ªP!iI~I_H~Il]ente desconectad~~-d. mas as suas leis só se expressam quando as pulsões se materializam num corpo específico e se significam numa cultura e numa história de vivências e escolhas pessoais.. Entretanto. elas leis gerais de funcionamento pulsional independentemente da especificidade do corpo singular' e da história individual.nsç. As regraSde [unclonãllento corpo. às vezes. especificando ao s~ieito as conexões entre a carne e a psique. irracional. . como já mencionado. É O· processo primário que sempre se faz entrever como matriz subterrânea geradora de sentidos arcaicos e imagens de desejo primário.e sin_t5)!"l1il:. ambos os p~tamares psíquicos não subsistem sem um suporte material-corpóreo.!. anaturezàérrí'gerã:Clndependente da espé9»' patamares. isto é: tenta encontrar as leis genéricas que estão _al~A. na tabela. Contudo. além de estar em busca daquilo que se situa para aquém das aparências do processo secundário (os subterrâneos do inconsciente e os processos somáticos). _.. dará às suas vivências."IiiiiliCõrí1TríUilrn-de e . Apesar da grande importância atribuída na teoria freudiana à dimensão biológica da espécie e à história filogenética. A biologia nos impõe balizas e fornece disposições de comportamento.:U. apesar de sofrerem a reelaboração secundária que os traduz para a linguagem do processo secundário e os prepara para a ação no mundo e na cultura. ta!!lj:>ém aparecem.. uma cultura e fruto de experiências pessoais. Freud não se restringe a estas esferas. Nesta coluna trata-se.§. seja no corpo da ameba. sinai~Q -_. são leis que regem uma máquina corpórea de carga-descarga pulsional.s_.lentç~_CQ!!~lente. É o que indica a terceira coluna.O-i/ Dl indiv íduocquerc~~L<'..gia das cies e o da 'natureza em geral. em maior ou menor fraças. ~cala. como também se re-intrometem nos pensamentos e desejos mais elaborados. nos animais gregários ou nos seres humanQs.'ftL.

164

A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PULSIONAIS

165

estão mais diretamente ligadas ao tópico dos mecanismos de defesa, os quais, como já mencionado neste contexto, apenas serão tocados marginalmente para não desviar o foco do tema das pulsões. Finalmente, quanto à dimensão da natureza em geral, esta serve para Freud explicitar aquilo que das pulsões vale para todas as espécies, portanto, aquilo que equivale a grandes princípios ou leis das pulsões em geral. Conforme já abordado em outros capítulos: esta dimensão geral da natureza, que às vezes Freud ensaia estender até para além dos seres viventes, fazendo digressões sobre a matéria orgânica, insere-se na teoria psicanalítica, não só para colocá-la em sintonia com as diversas dimensões pulsionais, como também pelo valor clínico que possuem, pois dão inteligibilidade àquilo que, considerado apenas do ponto de vista individual ou biológico, parece não fazer sentido algum (por exemplo, a compulsão à repetição, a pulsão de morte, o princípio de inércia, etc.).

TA BELAS DE CARACTERÍSTICAS SEMÂNTICO-PSICANALÍTICAS
I',\TA ~IARES I li': CO NJUN· ÇÃo ....

psíQUICO
(I'ROU~~SO

PSíQUICO (PROCESSO
PRI~I.~RIO)

I

i>O,,,,~. ,,"v

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SECUNDARIO)

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'FOR~IAS
DE I-IANI·

I

FESTAçAO

I

Estímulos, 11) Na (alenlfles vontade (Wille), (Halluzination) (Rezze), estllnu-Inatureza: (mai s ca~ representação estado de desejo los pulsionais 'pulsão (Trieb), racterÍsti· ,( Vorstellung), ), priebreize), compulsão cos de capensamento necessidade (Not)'lexcitação (Zwang), (Gedanl,e), mo- pulsão (Trieb), 'dapata,(Erregung), pressão (Drang), ção (Regl.lng), _Imar;conprazer, tesão (LU-St)!pressão princípio moção pulsional carência (Bedürfrlis), (Druck), fonte (PrinzipJ 'tucl 0, ncm (Triebregung), sem pre imagem (Bild), re- pulsional 2) Na biologia presentação(Vorstel(Triebuelle), es- das :spécies: lusados cm moção des<:jo --um sópa( Wllruchregung). lung), fissura tase (Stauung). pulsa0 (Tneb), tam ar, à" (Begierde), pressão instinto IvezeSSdll(Drang), coerção (lnstinkt). tern mn. (Z,rong). 'Conlcntári- Wunsch e Wille Halluzination, IReiz, Triebreíz 11) Na função os Iingüisti- enfatizam aqui Wunsch, Rild e !c Triebquelle de princípio, cos e cono- volição e cscoVorstellung reap~ntam para i Tne b mica ' · . d' lha. VOTStellung metem a imatativos gela dlmensao dolaqUllo que lm- [ rais le Gedanhe, os gens primi tivas. !brotar no cor- [pele, Zwang, o pensamentos e Bedürjnis, po, para o as- Ique obriga e idéias. As moWunschzustand, pecto fisiológi-iDrang o que • 1 • indicam Nol e Begierde à co e esplCaçan- [quer se mamque são pequc- maciça urgênte da pulsão. [festar. jmlS quantida: cia. Zwang, Trieb e Stauung,2) Trieb e Erregung,Druck IInstinkt são 'Ides de energIa 1)rang ao aguipulsional lhoar incômodo. para o acúmu-Iaqui equiva(apetites, lo que aperta jlentes para iiniciativas) Ino,somático. lanimais e I , humanos.

I~

Não existe em \NãO existe em estado puro, lestado puro, trata-se de uma trata-se de uma conjunção de conjunção dos tod os os outros ,outros patamapataJllares, res, acrescidos aqui de imaacrescidos aqui de signífi- gens e afetos. icação.

IN" puro, estado

referem-se a itrata-se de uma princípios e [conjunção dos leis gerais dos i patamares, viventes e leis acrescidos de específicas de materialidade ,cada espécie e corporei!biológíca. dade.

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I)NATUR12A EM GERAL 2) I\IOLOGIA !lAS ESPÉCI.:S

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i5~s~jo (Wttnsch), 'Alucinação

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166
I'ATA~I.-\RE5

A TI;:ORIA pmSIÓNAL NA CLÍNICA DE FREUD

A INTERVENÇAo PSICANAÜnCA SOBRE OS CONFl.lTOS PULSIONAIS

167

DE CON.lUN.

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(PRqCESSO SECUNDARIO)

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(PROCESSO ",".'"0)

PSÍQUICO

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SOM.hICO

l) NATUREZA

CERAL

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(PROCESSO I'RIMÂRIO)

SOMATICO

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l).\S ESI:ÉCIES

CONIUN·

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I

(PROCESSO
SECUNIÜRIO)

ASf'EGTOS E

FORM,ISllE
M,\ NIn:STAÇ.\Oi

r-R-e-.g-u-Ia-ç-ã·o--i-n-j-rige ações a Idos fluxos partir da arrio 'pulsíonaís. buiçào de sentidos às imagens, .às palavras e laos afetos. Faz Uulgamento Ide realidade, de Iqualidade c de [causalidade.
~

I I I ISensações de ~ . I Carga e descar-!l) Na naturf1Iprazer e qesI prazer {o prazer promove Ipassagem do fluxo, o 'despraIzer desvia ou bloqueia a pas,sagem). . I v~ If

i

i
.1

I
de

de estímupulsionais (energia, hor· mõnios, etc.). .Mecanismo lautomático Ide estasedesc,lrga, .semelhante ao jarco.-reflexo. , I

Iza: princípio .de inércia, de constãnCia, de Nirvana e de I" prazer. 2) Na biologia: a filo- I gênese regula a incorporação à espécie de determina- ' das pulsões.

I

.Estado das Im<1gens e afetos bem delíimagens, afetos e pa- Ineados, artícue re- 'lados e nomeados por palacom as. Fonnam corpo -untos está· 'Iveis que podem 'Iser combinados. Imagem de unidade de 'corpo.

Imagens, afetos difusos, sons de palavras difusos. Imagem de corpo também ,difusa.

manifestação das pulsões.

~
I
I

IrPrincípio de pr a zer e d esprazer. IVontade e dese- Irrupções vio-1:" ~'o, expressos lentas de desejo por palavras acumulado e articuladas. lampejos breves de desejos. Expresso por inlagens (inclusive imagens sonoras).

lrealidade.

i Princípio

I
lntensidade de manifestação ulsional P

Wille e

Wun~ft

Bl!dürfnis, Not e LllSt, Begierde

[

I~ner:tais e Imstlllt.os. Estado urgente- Estado de'ten-II) Na . d e p~ontl(1- (e ,sa.o.cresc.-ente· natureza: . ao I l' d ( d I(f 1 ese~o zona on e l:lO.oglca, ,tendência deseJO. e qUlllll~a, Iperene. Inecessldade se-f":jenergctica, 12) Na biologia ImeSdam). etc.) das espécies: ' Ul'gênda de Necessidade disposições e d escarga. p razer organIca. , . . I'imperativos da I 7' (espl azer lesPécie.· '---___-.L~_____ Imediatos_ .

t::::-:::::-:-.....-i;;-;--::----:---t------pode ser posterg'ada, pois o desejo I PO( e escolher lentre objetos e circunstâncias o percurso lhe é mais vorável.

I

1

IPrincípios de .. , . Imercm e d e . [constância. IMecanismos e 1) Na lautomatismos natureza: reflexos em forças jreação ao~ flu- [universais a xos de estllTlU- ,todos os 1105 pt:l~ionais Iv~ventes, pul,(~omatlCos). Isao de Vida, jExpressos por Ide morte de i ' ,.estímuloS_ l,a:ltopreservaçao e repro, iRei;:, Erregung. dução. ,2) Na dispoSições . /comporta

Mem-ó-r-ia-\-iMemóri~-e-vo-c-,-í.--+M··"e·-m-o--r-i-a-i-11-1--'"
, Ivel por reserva de energia pul,ional fixada às I ,idéias. Prontí[d<lo rememora'tiva, bastam I Isinais chegados 'Ide fora ou moções internas I\para reativá·la. pressa ou escavada devido à repetida passagem de fluxos pulsionais em direção à descarga. Chegada de estÍlUulos internos

. L
I

I

1) Na Ausência ele imagens e afe- Ireza:tos. Há somen-12) Na biologia te estímulos das espécies: aos quais o imagens, afecorpo na tos e dimensão do .estímulos somático \somáticos reage. filogeneticamente selecio I .nados têm a função de sinais que desencadeiam cOl1!P0namentos e formam padrões estruturais de potencial ._____--fPatológico. 1Uma espécie 1) Na natureza: de memória não há memó'impressa na ria, as relações anatomia que \SãO dadas pela se ativa em estrutura da seqüência de matéria e reações fisio- Ipelas leis da lógicas, auto- energia. . matismos 2) Na biologia I somáticos e das espécies: I

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catexia. dentro e de fora. "

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168

A TEORIA I'lJLSIONAL NA CLÍ:>;JCA DE FREVJ)
PSÍQUICO

A INTERVE:'\çAo PSICAl'lALfTICA SOBRE OS CONFLITOS PüLSIO:'\AlS,

169

IJ)~ CONJUr.;,
IÇA0 ..,
IASl'EC1DS E

fi:AiO\'lAR,:,

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(PROCESSO PRIMÁRIO) G!::RAL
2) !\lOl.OGI.-\

I) i'>ATURl-IZcI

I
I

(PROCESSO SECUNDARIO)

(I'ROCl-:'iSO SfiCU:'o:lJ,\IUO)

(PROCESSO

I'RIMÁRIO)

IFORMAS De I , i:IA:-'IHSI:.\<'~'i(l1

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2) IIIO(.OCI.-\ IHS ESI'ÉCU:.s

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'energla pulslOnal

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IMundo I externo e Iinterno i (eu e 'Ilobjetos)

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I I-Il'ens,\'I mento

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IEncnyia l)Ode IEnergiil está em , nerglil esta I- 1) N''a natuI'E ' 'I' " le~l;\I' em parte 'sua maior parte !vre. Após ileu- re7,.a: [fixada-atada a livre e percorre ImUlar-se ,e,m 2) Na bi.ologia ,COI1)lIntOS de rotas de seq~iên- massa CfIlIca Idas especles: _ Irepresentações das de represuficiente, se ' e circular atada 'Isentações que ilibera e I a des, ou se com- conduzem à Ipercor-re de I' Ibinar e se atar Idescarga. Rotas !imediato as I la novos comple IPoUCO flexíveis. !rotas que , Iconduzem à xos, Rotas bas- >t: ' Itame flexíveis. ' - - - \ . ' c descarga. IPul.~,iü é oricn- Pulsão é orienP I - b 1) I li sao rota reza: _ natu tacla cliferen'Itada indiferenIno corpo 50I lcialmente para leialmeme para !mático e se 12) Na biologia ül~jetos inter· objetos internos Idescarrega ,Idas espécies: Inos e externos, le ~xternos, não indiferencialhá percepçãoha dIferença esclamente no I d<ls diferenças tável entre eu e próprio corpo i ,entre eu c outro outro, l'de'l'a e e como açao I le entre idéia e obieto. J ~ mo tora para i IOl.d)j_Ct_o_,- - - - 1 - _ _ _~_ _ _ jfora, . I1) Pensa relações ' I'ensa Imagens. Sem pensanatuI ientre imagens IE\'I'ta pensar no mento, segue Ireza:eXl)!'e"as por 'desprazer, pOl'S as reaçoes do,I2) N a b íologia 1 palavras, Pensa não discrimina somático, das espéCies: por simulação, alucinaçãodo Pode lembrar ,pensamento e I da, cl>OlI,e tenta Ida lembrança. li lieVlta-1a no mun- I'Só pensa no ,do externo'prazer, IProcura evitar e INão' conhece j're._sOIV?r:üntradi-lcontradição çoes lOgIcas, "K Ilógica,

"'quO",,, d;
equivalência de il1la~ens e afetos guiam pulsôes para ol~je­ tos de satisfação Descarga como
eSCO(lnlento

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regulado que corre ao longo de inúmeras rotas Pode ser interno, Ii'\este patamar Iprepondera a [líbenç;'io, as lidéias e afetos 'tendem a fluir e I recombinar, ,se há flexibilidade nas rotas de investimento.

imagens e afetos le ações lixadas pelas motoras vivências de lfixadas pe- la satisfação, guiam filogênese a pulsão automa- guiamas pulsões automaticamente à descarga. Descarga por escoamento (ou irmpção, se houve acúmulo), 'reação aos estímulos,
As vivências de satisfação primária tendem a ancorar as pulsões em deter,minados sítios de maior prazer. Tais sítios de fixação são em parte herdildos (consti'tuCionais) e lem parte ,adquiridos.

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que serao reativados nas formações cultllmis e ._______.i.'.J'p::r~é:..:-I:..:'iX<:..:'::lçé:õ:..:e:::s_-,'-lpL-'-atol()ge>.i_:l_s,_-----'

Segundo a lidade e coniforme cada Isexo, a anatomia e a fisiologia predispõem certas zonas e órgãos a funcionarem com maior lintensidade e 'se serve de cenas vias priv ilegíadas !para a decar'l'ga. São quase

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gia das espe~ de,: Vivências ancestrais !(privação, Icena pIimáIia, !patIicídio, lfix,un as pulIsões em sítios ie modos de
Ifllnciol~amento

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170 rr.\O sempre d~j!lJJm~}:_()s "gomos" ou "planos" do ar<::º_pul~i-º!l. . mas o excesso pode destruí·lo. 33 Freud trata.!l. etc. Esgarçamento das formas defi· !lidas. )"..y- ~ Carga x Descarga Há necessidade de acúmulo de carga para ativação do órgão. mesela de regras de funcionamento dos patamares.~iõras. 2) Na biologia das espécies: Reativação das fases históricas fílogeneticame te incorporadas (medos ancestrais e padrões de adaptação à 1) Na natu reza:vida x morte e . A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD pSíQUICO (PROCESSO SECUNllARIO) A INTERVENÇÃO PSICANAI. llIedo <. faltam caminhos de escoamento e regulação. mover-se num curso retroativo.. ~ l_-:----+:-:--____. o indivíduo a um teste de quanto tempo ele pode tolerar este . segundo a forma corno se entrecruzam os elementos em ação nestes múltiplos patamares: 2 No primeiro tipo: "A Versagunl (impedimento) tem deito patogênico por represar a libido33 e submeter. influxos somáticos. Lá Freud divide as neuroses em quatro tipos. ie-presentações arcaicas lado a lado com idéias refinadas. Retomo a for· 111as arcaicas na fromeira entre processo secun. ainda. incluindo·se o processo secundário. sublimar a libido represada e voltá-la à consecução de objetivos que não são mais eróticos (.). produçíio. interlfi. I ------------------- Impasse e conflito Prazer morais. No texto "Tipos de Desencadeamento da Neurose" (1911) encontra-se uma das várias tentativas de Freud de apresentar um esquema de discriminação destes diversos processos. dos inúmeros processos subjacentes.. significa ao acesso". mas que nada a tem a ver com o sentimento de decepção e amargura.:-. ou. assim.Ia castração. conteúdós e sexualidade! arcaicas.. excesso de excitação.:AO-> I 1 \SPEGJ'(lS I': . 32 é traduzido como "frustração". segundo Freud: (. momento.:." As opções são. componentes filogenéticos (fôrmas arcaicas. disposições). Retorno a f{)f· n1as. ou "renunciar à satisfação libidinal.SIONAIS I) NATUREZA EM 171 psíQUICO (PROCESSO SOMÁTICO I<. na histeria.-'-----~_.Íl1CA SOBRE OS CONFLITOS PUT. No cotidiano. movimentação por deslocamento e condensação.. procura reter (postergar) ou anular desejos.dário e primá'rio (sonhos. Interesses do indivíduox -------------.34 'd aumento d e tensa o pSlqUlca e que meto os ad ' para otara lidar com . rcbaixamento da atenção)...IUN..... de destruição e de síntese. patologias em geral. Reinvestimcnto no somático (por exemplo.ão. caso em que "a libido pode. na hipocondria. 2) Na biologia das espécíes: autopreservação x reprodução.i~\~L\RI'~'i IlECON.. ver mais a . GERAL 2)lllOLOGIA DAS ESPÉCIES PRIMÁRIO) FOR\IASDE ~1:\N1FFSI~\ç. no próximo capítulo. neste trecho. lap50S. aregressão i' 1Il1\ proccs50 contínllo e aharica todo o arco pulsional. daí por diante.dos por di~ers'âsv'íãs:-Nelas--seen:ê~~trará linguagens pictÚiCa~'s'.-'-----_ _ _--Lc. _J ( . Reativação da intensidade pulsional do material recalcado. como se verá na frase seguinte.. em ação capaz de interferir no mundo sob o princípio da realidade. 1) Na natureza: Reativação dos de reneti<. realizar uma repressão.L:.. da esfera econômica das intensidades relativas na 34 Aqui Freudjá passa para a esfera do processo nT'lm>lrlode intensidade de carga 35 Agora abordam-se as alternativas de circulação. x Desprazer Simultaneidade de pulsões opos· tas. isto é. ) "transformar a energia psíquica em energia ativa". ___+__ IRegressflo lpara cada patamar. literalmente significa "inter-dição".

a partir de um processo de desenvolvimento. tenho de registrar que nem um só deles constitui um exemplo puro de qualquer destes quatro tipos de desencadeamento. para ------. a quantida:le de hbldo em sua economia mental experimentou um aumento que em si é suficiente para perturbar o equilíbrio (.. bloqueio) operando lado a lado com uma incapacidade de adaptar-se às exigências da realidade...de.-. _. E Freud explica que "no primeiro tipo o indivíduo cai doente a partir de uma experiência.""Se.s:tKJJJªJreudiano.298]...~(l_~._. no segundo.. com a inflexibilidade das fixações e. a prepondcrâuciaíl~o~. ) ~!<I:. aqui.. .rastre~!l_do::J)=que--de--síiigular se formou em cada caso clínico .gue a Versag~ ocorre-enrr. naturalmente.. às vezes já na idade madura.Q1. encontro uma parte de Versagung (impedimento. e ensinou-nos que invariavelmente encontraremos a causa do desencadeamento da doença neurótica numa situação psíquica específica que pode ser ocasionada de diversas maneiras..í:lti:fi1ãTí1stln- . seguindo ao longo _..}: e~enencla âa Versagung ( lmpedlmentci'~bloqueíOao a~:.' daI: contª9a comph:~:x:idacl.. a importância da quantidade de libido.. como já disse. ) cai doente por uma inibição do desenvolvimento (grifo em itálico de Freud)....299]. Neste caso.. à insuficiência de maturação do desenvolvimento libidinal)".o." . ).--específico: .ca~q~~estas exigência~ d~xam no iriêH~ I Como. antes._ O quarto tipo são pessoas que até então viveram sadias e nas quais. em comparação com a insuficiência (Freud refere-se." No segundo tipo. por exemplo.. É o que ocorre.----- . busca operar com mültip}a.. O instrl!I!!~maL. ~ri_~cip~is pata~~es de funcionamento e ancorage~s slOnal sao especlflcos... Q~(~i~Q_deste modo de escuta é ultraE~~s<!LOS modelos estereotipados de diagnóstico e levar em conta a plasticida\ ."hnpost(). Na prática clínica.. a singularidade .s variáveis em constante mutação.. há que se pensar em tipos mesclados: "Se passar em revista o conjunto de pacientes em cuja análise acho-me presentemente empenhado.F. trata-se de um desenvolvimento desigual e combinado. e como c~a pacien~e~~I~~ Contudo.. e que agora busca substituir o regime que se aproxIma do auto-erotismo pela escolha de um objeto real (.i.. ).. a intensificação da atividade libidinal e as novas exigências "originadas do próprio fato de amadurecer" levam a um impasse onde "o conflito cai para o segundo plano.J1Qta. no caso de: "Um jovem que até então tenha satisfeito sua libido por meio de fantasias que findem pela ma~turbação. em que parte da libido encontra-se fixada em sítios infantis e parte avança para novos objetos.":~Jlc~. parece uma exageração do segundo. a qual nunca deve ser desprezada... .~so") e (..-à-libido.J:>~l~~. .reudressalta que impõrta tamb"-éíh sanefas m. Em cada um. entre a experiência e constituição..de da preclpltaçã~!:~lsiot~al nas_~ár~~s_!~S~~I1C:...ç. e que coincide..se.f: ) ) "A psicanálise alertou-nos de que devemos abandonar o contraste infrutífero entre os fatores externos e internos." TiPos de Desencadeamento da Neurose (1911) [ESE 12. ..... A libido nunca abandonou as fixações infantis". --------.llf-ºJad..-~ . Freuil chama atenção para~~de todos os qu:~ro t2~ comum-~ . . a inibição no desenvolvimento.) 172 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOl\RE os CONFLITOS PULSIONAIS 173 pode seguir o caminho da regressão (grifo em itálico de Freud) ao longo de linhas infantis e lutar por objetivos que se coadunem com elas." TíjJOS de Desencadeamento da Neurose (1911) [ESE 12. por u.~~g~Es:i~.çljn!ca. que tem de ser levada em conta em todos eles. : ~~ caso..:-:::~~s e~~cífi. os arranjos são ainda mais variados do que aqueles apresentados em cada tipo." O terceiro tipo: "( . : ) PQt:.de cada paciente não se configurará apenas segundo o modo como em cada tipo se apresentam os arranjos libidinais..m Iãao.. ocorre que: "em confor~i~ade com processos biológicos normais.~ _-~.

199-200].( li4 A TEORIA PUl})IONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTF. condições que levam facilmente a Angst (medo. pânico. o sujeito permanece preso entre a superexcitação e a inibição. as as relaçõesaúto-ei-Óticas-ejiliíi- XVIII A intervenção psicanalítica sobre os conflitos pulsionais Do que foi colocado nos primeiros capítulos.~ FrcuãComo ummeroespelhamentoão Impasse queocorr~ »~õ\ na-dimensão-fi~i?~~g~~i~_~Q~!lá uma inlb!S=.. pavor)._a_ ÍI1i2kã91 a inf1!l_~... este estadº-de. que não se pense que em qualquer das duas concepções--de-conflitõ-psíqu~nte.~nd~-ª-~e manifestar como um conflito interno de ( ( ( interno.-..-!I fixaçã(). o r:.:2g!~~soes._ ~~~_~I~p_O~~g~..-------- tais~~esenvolv_!!-~I1_~~~~p2:~sã<?'.~ãô da-descarga (A.__Será ~ob o pano d~-fundo . esquema assim. presença constante na teoria freudiana.bfuhr) devido ao princípi() de.perigosamen~ satisfazer aspulsõesãi:'cveiia ci. Perturbação Psicogêníca da Visão (1910) [ESB 11.!eali~~c!~~t':!_se sobreposto-ao-nrindpíoãO prazer. a vida anímica (psíquica) segue leis próprias. assujeitado a princípios que transcendem sua individualidade e irrefreavelmente aguilhoado para diante.RVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE os CONFLITOS PUL<.~~ OS d~sl~_~a~~ensações..? pri-tte!pi~ãde (em geralrepre._etc. pulsionais..ncia do meio externo. -----------.dicl-.c:)}tão.dest~i__es_ç!1lª_çJ.~:o. as regI~soe~ª~_P!. as liberaçõe~_e_fusºe~t e CÍefusões lhe p~item -lidar siml!!úi9~ª-ms:me.. Psi~camente.Nú. '-lif!~~rvençã2-P_~i.c_<l1{aJJÜç:a__ s()!)re os confli. espelhar os processos fisiológicos.IONAIS 175 ( elo ~r~~ E~l_sia. s_ó r ____ \ restam aõs~jeito-stlcumbir-àl1~~ur(Js-e---ou. as fIxações. do meio ~ ( ( "A oposição entre as idéias' (Vorstellungen) é apenas uma expressão das lutas entre os vários instintos (Triebe)".epresamento. .sofri~nt<:l.le se dªr{"'-. tema do próximo c último capítlàõ.. em última instância.-- Apesar a plataforma ideacional (ou representacional) estar fincada no somático e.. Entretanto. de certa forma apontou-se para uma concepção freudiana de homem visto como um ser inundado por estímulos. E esta luta tende a levar a um medo crônico e à neurose. Atormentado por pulsões contraditórias.l. as qualidade~.-:------·-------·-----.sentããOpêlaspuiS6es do ego).~gll1 elementos êomoasquantidades..-. Tudo se resurrlfria a urita quésLãoae economia psíquica ede quanfiuades_ de 3fhfJ. -----.

~~p-r. qüetavoreçam um~sirculação e descarga d<?~ada de sentidos hierarquizados'----.::~~r__~~_~~~~~ ~ X - . rep(esentações.. A clínica freudiana dos conflitos pulsionais parte da premissa de que. a constante percep..arll.:re-g-rq-l'ie. ~ _. a Bíndung é um mecanismo constitutivo (ver capitulo X) pelo qual se formam a consciência. pensamentos. através da livre circulação interna.. estes podem I ser rearranjados e ressigníficados. seja viável. a Bindung pode se contrapor de forma problemática à Abfuhr. o foc. to OSlstema pulsio~l a serviço da realização do des~jo acabará fl~Q..libertadores. principa!meme as orais c anais* .SIONAIS 177 As pulsões. podem se rearranjar de maneira a formar outras êquações de equivalência. fr~~~:_ dir~~e _. ~ --.em perigo a integri~ sujeito. ------. abrindo novos percursos) de expressão e descarga pulsional. redundando então em novas alternativas aceitáveis de descarga: por exemplo. 2.. afetos..__ se s11j~_~~m a uma lógica que dota as -repre. articulando outros percursos (escolhendo atividades e objetos diferentes).2- ) lt- representaclOi1aI. as p~ conservadoras agirão a favor do.da inibição. irá se constituir uma inibição cronificada.. serão insuportáVêiSei1ãopocrerãõaftorar maIS à consClenc:~~---Na medida em ue as p1l1Wes. e é um obie~e. Conforme as repetidas experiências ele medo e conforme a constituição inata do s~jeit037. objetos e formas de fases arcaicas.doum ----------c~l!!i!?L~o..L~e .anismo coloca a Bind1!:!!:1:.' ~- !l(. Mesmo em situações onde uma determinada descarga (Abfuhr.os afetos de ~g~l[caçaolSenticíOf Esta lógf~a pode ordenar a energia pulsional em múltiplas c0rnõ1nãçoe. rn~ ~am em conjunto e--ªE]~allladas. a livre circulação é a condição básica do funcio· namen~mente psíquico.~0 isoladas. Desta forma. fantasias. fixando o afeto de medo a determinada imagem que representa perigo e que. ligar e fixar a libido em certos momentos. agora prisioneiro de certos autoll1atism~ acaba P~T mante!:_s!~y:~rmií1adas veneI1 tes pufslon~ incessill]te~ ment~J~bida~ Estas idéias/representações (repre~ das vertentes püISiOi1als inibidas). atandõ-aenergh ~c~Et.\7 A questão da constituição ou predisposição inata a determinadas formas de neurose re[el-e-se à propensão do indivíduo para regredir... desde que h<ya uma livre circulação das repre-I sentações e afetos (os portadores das pulsões). OaI a possibIlIdade de lIdar com os confg!:Q§ -at[~u::l_UntervençãQ_psicanalíUc.d -----~ _ _ _ .. Portanto.a serviço.:<:p~~­ V.(~_ forma inibida.. o medo contamina o prazer pela solidariedade associativa entre os significantes. para rreuô.essaspoLpalâyLª-~~ imagens... quando entram na malha de sensações. a livre circulação pode estar facilitada ou inibida. Será na dimensão ~ólic~__?as_. --. as representações (Vorstellungen). apesar de as pulsões não poderem ser (' suspensas.Se-an-corara um tratamento ps~. por sua vez. enlaçamento.. o Eu._.. --~ ~ ~ -Entretanto.?-s i&ias eto:r:mâ~l._~~~ci~t~~~.~!.2E__~n21lirrlagiIla~ mente ligadas a ameaças internas e externas.--------. Isto acontece através da alternância entre "desliga- 1 mento" (Entbinclung.jos.. ~~"---~----~-------~.~-"--~ Apesar de o uso do termo Trieb sempre se manter QI..176 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUO A I:-\TERVE~çAO PSlCANALÍTICA SOBRE os CO:\FLITOS I'UI.de quç. por outro lado. Na~ções ~~e a descarga direta pode cols:tcar. está vinculada a uma outra imagem representante de prazer. medos e-dest. as idéias/ representações (Vorstellu1'Zm:.eaça~g.--.lug) e Ve-rknüpfung ou Verbindung.. -.óximo aü·s aspectos ligados à visceralidade e ao corpo. ..- .-.. É dela que depende a ressignificação das rdaçõ~ entreas Vorstellungen e destascom os afetos. O~~eito.:'_~~~~~s__~p'. atamento. s-eí:itaçÕ~~' e. Na neurose. a Bindung será umjnibi4o! da crescarga~ístO é. sonhos.-.. Numa acepção positiva.dhá.ãD. já discutido no capítulo X. Na vida neurótica. Ver nota 10 sobre o termo "ligação" (Bimll. Por exemplo. -T~~ar lá onde a palavra pode prod~ilrs~us efeitos. sentaçoes que. escoamento) não. estes processos se complicam.----. bem corno é o mecanismo primordial do trabalho de Eros.• - ___ .tral da psicanálise. aprisionamento.ç. --eanal ítico-possÍv<rctüSc6fifli tos-pulsiona:in~-deregulaçào ~á jlbf!!:. fixação )%. liberação) e "ligação" (Bindung.

aaCaÇãõ}à'''ÜTiliZadâ nos capítulos V e XV: "Reconhecemos nosso aparelho mental como sendo. Mais detalhes a respeito encontram-se no Dicionário Comentado do Alemão de Freud (1996) .ng_ ' traduzido por "elaboração interna" ou "superelaboração"). em vez de ser descarregada" . ' . OcQrr:ç qlle os afet6ss-rõ'relig. e Bearbeitung.r. permite "atar" um afeto a um veículo ideacional (VorstellungL adequado-:~CCirciilaçao-. mas.p(Qp~Ciªºº p-<iª-ª!1ª1!.dos a uma grande parcela das mesmas representações qúe eram 'ameaçadoras e que.palatáveis à consciência.' @-. preso às ações anímicas suprimidas (unterdri1ckten) ("ab-reação "). mas que significa "embrenhar-se matéria adentro através do trabalhar" e denota () trabalho de vencer a resistência. o que quer que isole um ato psíquico encorZ!ja a descarga (Abfuhr.agora 500 outro-ângulo .COm~~seviu.lleto-idéia. que. a Bindunge aF. a Bindung também .~se. ao contrário.~é:. estar associativamente ~m "conexão" com outras representações impede a descarga: "O que quer que coloque um processo psíquico em conexão com outros opera contra a descarga (Abfuhr. "transformação-processamento' e se refere ao trabalho de transformar e eventualmente dissolver () COI~unto .aparecem expurg-ãcias para circülaf: _~r~Q. po<J~-ser." Os Chistes e sua Relação com o Inconsciente (1905) lESB 8. escoamento) da catexia (Besetzung. VIStoS no capitulo Xj.ª!~'(~ntbinden) dos afetos ele dêtermirrâdãs"r'ep~~sentações e o -ligar (atar.178 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD A INTERVENÇÃO PSICANALÍTICA SOnRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 179 { Freud contrapõe freqüentemente "des'c~!gL(Abjit1nlrla pulsi~::-jC:1I[ãÇao. Port~flt~.~ndiçã~ P<lE<t.---Esta é uma dimensão fundamental do trabalho analítico.~.. a título de breve esclarecíme~to: (Verabeitung). um dispositivo destinado a dominar (bewaltígen. ~. aci. entãQ. que igualmente tem sido traduzida por "elaboração". ~------~-----~ _ -------------------------"7 ' ---- "A eficácia terapêutica de seu procedimento foi explicada em função da descarga (Abfuhr) do afeto. podem favorecer. ou então refere-se a "uma excitação que fica 'ligada-presa' pelo pré-consciente. r:ila de tudo. até ali como que "entalado"." O Método Psicanalítico de Freud (1904) lESB 7. a eficácia da ter~ia psicanalítica reside na uTtrapasSãgem desta~.md~g)Lenl'ªtiza~do sempre como pértenciallT!~~~RªtoLélgkQJ.ntbindungagern com15ihãâas. contudo. 233]. binden) desses a outrasrepresentaçêíes que sejatn mais '.~'_. infelizmente também traduzida como "elaboração" ou "perlaboração".ª.~s:iE~~I~_~~. onaeoc'orre o desligarjJi1:ÍeJ:.tlsJº--ªqllilQ qu~}~p_~~ ta\~~re Como indica o exemplo abaixo.nta~ e afetos em livre circulaçã~~.mar novas cômOinaçôes de percursos menos p~ri­ gosos de des~gãex[eina(através dasul.stltluÇãO de atividaalternativas de internas. cujo significado porém é "aplicar uma quantidade de trabalho sobre o material" e se refere ao trabalho de rcarranjar o material psíquico geralmente na passagem do processo prilllário ao secundário. agora. palavra geralmente traduzida por "elaboração". através do conjunto de articulações descritas semântica e teoricamente ao longo do livro. 38 Nüo cabe aqui entrar em maiores detalhes.: os m~~i~ic~~~~li1Je~@~_d~ tamento (Entbmilung). . procurou-se sempre enfatizar.­ denomina de "processamSDto interno" (innere Verabeit'l':.Trata-se) . .. ocupação) excessiva e a põe a serviço de outro uso. carregamento. fQ[.ga" é contraposta a "estar entalada" e "presa-aações·~cassupnnlidas" . ------_.._. preenchimento. No desrecalcamegt9.-ac()~~ . nem sempre operam contra Erõs.. deve ser diferenciada de Durcharbeitung. circulaçãoeintegrá-çao--. -Reto mandõ. Freud sempre destaca que..---~~-~38. . escoamento). í ( Ressaltando este mesmo ponto em outros momentos. onde a palavra "descar.. Freud menciona que as "Vorstellungen foram 'retidas' e aspiram por uma descarga"..Eame<Iidaem- . de forma geral.-Naréalid~.

.guraçõe.1Ildar c!~_ s.\O PSICA".~~. que devo considerar como um esforço verdadeiro.. gungen) que são incapazes de descarga (Abfuhr) imediata para fora." Sobre o Narcisismo: uma Introdução (1914) [ESE 14._ _ _ _ ... foi através cie nova~~~!:ill..des.s:9~s (Vorstetrungen) queosafeTóS-p'üaeramser dissolvidos ou descarregados internamente.A 6 r .utros métodos de liqüidaljdar resolução. nem~e O conjun!:9~e. Para uma tal elaboração (Verarbeitung) interna nào fará dife.a saber.pe!:dendo a i~te-. cante um escoar interno (innere Abteitung) das excitações (Erre... desenca~maaç~~tora._ fínah.___ o ) ) ) I Nesse caso. 1751.-qLtam:!g_o esJ(j. de outra forma. e.e -Lde:t~§:~J<Ü:iªIºg:~à mobilização llº. idéias contrastante. entende por descarga interna através do mecanismo de "processamento" (Verabeitung): "A propósito.I. mesmo que lhe sejam negadas a reação motora e a reação por palavras .citado acima. será neste mesmo momento reconhecida como supérflua ou tardia.ne... mecanismo do . 11orn~ lide com o de um modo ou de outro...é.<:~El()_~_ resp~to ~? ..180 A TEORIA PliU. semp~ _c()rl5egll~ s:b~get.. a .ltndígnidadedese-u e~lss§~por-di~t~ Qlier-~n. 45].. '-Noe-xêmprodo-~hiSte....ã. a palavra. Também aí as idéias/representações (Vorsteltungen) terão co-participação como "veículos" de ativação das vias motoras. i ..9J.:~~~~.-es.!. as quais resultam em um efeito cômico e desencadeiam.:.. M<:~mo que a pessoª~~ não Tell~ o golpe nem retruque com uma grosseria.!Q)jj.~çmpto.ALÍTlCA SOBRE os CO:\'FLlTOS PULSIO:\'AIS J 81 lidar com) as excitações (Erregungen) que.. mas os afetos desprendem-se parcIalmente-da~rTepreseTIfãÇóes recalcadas e 2oª~~.". d.~fet~. elé .?~ liberad~Geralme~tc:~~r­ rllanecerec-ã"fcado.o (Verarbeitung) associativamente e produzindo idéias constrastantes**.. '----do esquecimento e do processo de desgaste. ou para as quais tal descarga é no momento indesejável.-e~~~i>~~ recalcadas po. irá . tendo perdido seu afeto. rença se ela ocorre em relação a objetos reais ou imaginários.r[1ernória acabe.de.ç·letlunCren derivadas da Vor.g originalmente reprimib .()=ql!~l:~ud iluslr-ª-'!!Q. ção I seu va Ior pessoa. circülarSObnova ~r~p~~_p'0r o:l~e­ tos). associativamente peta liqUidação/resolução através de reconfiguração imaginária também no caso da descarga externa (por vias motoras).':la setorna superfl~-ºu ta(iliã) Os afet~l. mente inte~?~~_su<l_.o. N o_cotic1.\Iraves:-destes disfarces ou distorçÕes-nãü'detectad0s pela oSã1:etoS' logram então escapar à rer:~re~ãot.rl~~.!i~.r:ecoJJh.id~de C.:g!o~ld9_ (p.A_ ) ) ) "Esta disposiçào à inibição [retenção].. a reação motora riso.E!~. agora liberada.Ig<t~ãi§~2 a9 .riso: .t~o­ \ 11 íve I co niopáEvr~J.s.l::af~'cular.." Os Cltistes e ma Relaçâo com o Inconsciente (1905) [ESE 8.2!~sentação-afe~etido é finalmenje . e portanto [a tensão] descarregada (abgeft2hrt) em stat'lt nascendi pelo riso. ' .. seriamsentídas como aflitivas ou teriam efeitos patogênicos._!:?<..gados.ca.. análogo à mobilização no campo militar.campo militar) q~Illa~~­ th~ha_. ela pode ainda assim reduziroa1eto-íi~~~elaevo~a.Ita9gii~ql..:.sn<trn~ha conexôes-eassoclaçÕes entre as idéias/re2resenta. então. Sua elaboração (Bearbeitung) na mente auxilia ele forma mar.é:. tnsteza vira . já em 1893. elaborando.{Iegria) e ser finalmente descar~c:. . isso sucede pelas 'novas combinações de representações inusitadas. assiII..} j Sobre o lVlecanismo Psíquico dos Fenômenos Histéricos: Uma Conferência (1893) [ESB 3.. _ .~a<2!c:~!:!.. ~:rf (A i -j-i--TA"--Go . Mas ocorre~~~~ F-t t-'l'j B! R.. da:-J.u.t~nQ.} ['k'f' .is. um mecanismo psíquico sadio tem outros métodos de lidar* com o afeto de um trauma psíquico.cida como supérflua.!.-i5iCãttI'i. o exemplo abaixo ilustra o que Freud. \' Uma vez o cor~unto re~to. a r:ovâ~ Vor.Cl_col}junto r<:. Esse riso "drena" o excesso de tensão acumulado que escapou do recalque e foi desviado para um . 102]..IONAL NA CLÍNICA DE FREUD \ I.e_~ af~t~~iginal. p~o.\TERVFC:Ç.t.

etc). o objetivo enfatizado por Freud não é o de aumentar a capacidade de lidar com a frustração (conformar-se com a não-descarga). Vorstellung) e assim a Vorstellung encerra sua presença ostensiva sendo reprimida. o que ocorre na histeria. e sim há que se lidar com a Versagungpara não se sucumbir à frustração._~ a rep.?co~idiiln~impõe à satisfação pulSlonal e encontrar outras saídas. há o desligamento parcial do afeto de seu veículo original (a idéia/representação.. mai.e trata _ de frustl~e~L..criatiyas_e:-"-asvezes menos Jiolomsas~_ destxlitivãs. Processos semelhantes também ocorrem em outras situações no dia-a-dia do funcionamento psíquico (na apreciação de o~ras de arte..Parapraxias (1915) [ESE 15.. Surge então um quadro de certa fixidez.<::~1!!? intolerável acúmulo de Rei!· e na esfera representacional-af~·tiva um exCessivo--ac6muI ô·(l ê Diii!!i: Enteriae-::s-e. "interdição". ~l1ál~~ r!.aLp~r:­ ---IDiteJid. colocá-lo em condições de circular e procurar novos caminhos aceitáveis de desca!J5a(Abjuhr.Ç que-~~~I~-ti~º--(!~ análise é pela p~pender o recalque (o qual é o mecanismo neurótico básico de retenção).conectar afeto~representações e.. ao assistir-se uma peça de teatro.._---atuará nas afecções neuróticas. 29].~~ . . a palavra (idéia/representação) aparece somente para intermediar a passagem do psíquico ao somático. entre os homens. "proibição".~and?_~~~...' os afetos acabam ge. 1/ ~'É.3. )." Conferências Introdutórias Sobre Psicanálise .-asslii1. A possibilidade de reter permanentemente libido e lidar com a frustração ( ( .!. Entretanto. Na conversão histérica. A TEORIA PUlSIONAL NA CLíNICA DE AINTERVENÇAo l'SlCANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULSIONAIS 183 (d_~es e impedimentosfísicos.à pal~a falad~-~'. ctc).__ xões entre_ªf~tº_e.iôe afetos e corno fixou-os em sintomas.FREUI) .<lQ!'J:1Pl'!s. a palavra "frustração" (Enttiiuschung) pouco aparece no texto freudiano..ç~e.-Lçado.al::::CQ(l1~Q~imJle~i_rn~ntos (Versagu~g~2não_~. Logo em seguida.<ts rePI~sentaçõe.@tençãõ excessiva ou irmpçõc. Aliás. Ocorre então que uma parte da energia psíquica fica fixada na representação recalcada. "impedimento"..Qº.dns 'afetos e ~~~~~ ~ ---------- Quando se trata da intervenção psicanalítica. pois uma vez a energia tendo sido submer· gida no somático e lá fixada.poiexen:lprà.r:!~ta.. o poder da p~lavra falada .I1.di!!1eq~ª~Lfis_iºJQgi..mo­ cianais fortemente deslocados. . novo conjunto de representações livres e circulantes. bloqueio).-" ~----- .está si-tuada para além tantouda~estã9 de comgJiQ':l-LçQJTLasJínstI:4çõ.!1taç~q esta. Nesses éasos. os afetos não P®erão_~~rvi!_c!e um amplo leque de representações derivadas para se descar__ ___ u_________ _ _~arem e só poderãº-passar por caminhos mais limItados 182 .ª..1Jdo repri~Üd~~ ín~cessível. Palavras susci"I taII1.__-sCIllPr~__ p[~í\lrlic<tdLe_ºçºrIçj:lt. como na neurose a livre circulação estª ----_ .es da vi<!aLquanto da busca ----~---~- É importante ressaltar~l. ( ~.. onde a relação entre afetos e idéia não permanece acessível. a qual significa "bloqueio". não há como conformar-se com a Versagung (impedimento.~de a di§sociªção palavIa-afeto imQedi.a armilaçãõll-euaíili1ãJ1.ctiliçrá...jubilosamente feliz ou levá-la ao desespero (. o conflito pulsional ~~ente sucumbiu a um me~ éaíiisiilo-ae-éfaesà·.:=.. mas o meio/veículo.9-fetos_e ~~?d~_mo. ar:netasão os ajf!!:os.PJllii~stão bastante inacessíveis. na medida em que o Trieb é irremovível e incessantemente se acumula. ~ ~ ( ( _ . que ~xpres~ as Vorstellungen agui !!fu~~__a. ficando disponível pira descarga.~sta ciri=1Jlação. ~ . --~o-·ãml1ít()(El interve!!Çã~icanalítica. Como foi visto. Q-ªs~i~.~~Ç. A palavra alemã freqüentemente traduzida por "frustração" é Versagung.§_~~taç2.s. (qualidades de Reize).!:l a circul::tç.a_qll. no sonho..9u:..~s~.g~@1 o meio de mútua i~ci. sofrimentos e pra?._-~" "Por meio das palavras uma pessoa pode tornar outra . outra parte é liberada das representações e é conduzida ao somático através da catexia de inervações (conversão somática). libefã!1doorecª.. ~assrrTni·mal~ãbÜidade de desca(ga".escoaITIenIõl-/ -~ãV~.

a BeJriedigung é para Freud uma espécie de engodo schopenhaueriano. Ao contrário. de outra forma." 'l e ['kansiedaGl e no sentl( o d" nw(lo" ._.s.: . As palavras freudianas empregadas para tratar do "prazer" não são de gozo. ~~~as do desprazel'.rz. natural.p"uls~(). Ctn alemáo. seria~. o obJetlvo da U1tervençao pSlca.'olAL !'.ulsionaI5Trie~be. Entretanto.er. nalítica. cascata termos de j~lsti· gação e aguilhoamento que cü'rnpõema corrente pulsional. avisando o sujeito em casos de perigo (externo e interno).40 \'el' exemplos J'l clladm \las pp. Contudo. Freud fala da principal '.gen) gue.. ao lado da teoria de objeto de satisbção.!. Conforme já discutido no capítulo XIII. em en::rg~ncias. gível de alívio.aúunento" '0' . sob o risco de o slüeito sucumbir à neurose. o sl:jeito em intenso sofrimento e é. disR(7si~àO! obt. portanto. . 137 e lS() . h~lediato. Do ponlO de vista da biologia e da fisiolog. rização da questão do pr~lzer no texto freudiano o fato de .• .1!:.\O PSIC-\N. como sendo outro poderoso móvel do psiquismo.~~It:ura. est. mente na forma de medo.l obter a Bejriedigurzg( satisfação).reu~ é n?. .{.~~. --Yanlpoüco'Freúdélidge . esta descarga não modulada. um estado especial ele elesprazcr com atos de descarga (Abfuhraktionen) ao longo de trilhas específicas.çl (medo..~ de alívio ao se drenar c c. prazer (no sentido de sensações que se desdobram e acumulam até o ápice).l~!. A BeJriedigung é apenas algo que mantém o sl~jeito envolvido em repetidas ações de descarga (Abfakr). .184 A TEOR!.T@º~JJJd(). Essa realização rÍlente poss(Vc. r.lJ. mais do que a satisfação (Befriedigung) .ia da e~pécie. Apesar de dirigir seu esforço a evitar o des~ra. a Abfilhr (descarga) e apenas um meio para obtê·la.de aplacamento (1~efríedígung) de estados de tensão libidinal (&!am1Ji. Nem descar~eg~~~eli.Q<:. a equação é invertida.:A CLÍI\ICA DE FREUll A I:--iTERVE. zcr (principalmente a Angst~h a ~nfa:se de F. uma promessa inatin. A frustração _pai'a Freu~é ~ <:xcclência in"m12ortáv~e nã~ se reter a.KIo-p~~z~'. ao produzir a Ang. as quais são elementos essenciais ao funcionamento psíquico._. "Ansiedade'" (Ang:5t) é.uHa sempre o incômodo do Reiz e <:1. Do ponto de VIsta da consCl~nCla d~ slueIto (das sensações de prazer e desprazer assoCiadas a Ilnag~ns e palavras). nem retê-las maCÍçan'ientê:'mas de c. Conforme cltaçao aCJ~a.scoar (dminieren e Abfluss) e~()s pluSil5i1ã1s. como se viu.. lata·se sempre . O que é visado é a descarga (Abjuhr).. ou. ansiedade.\1 d e.ry.J~~~"..0. que não pode se repetIr lI1cessa~t~mente. ::J:J.. propiC'iar'-e'-õI'deil'ai-O' s'cu"l'll~~<?~ fazendo·as ª --------~------~ . uma do objelO hostil. a palavra Befriedigung.e. como constitui-se num importante e freqüente percurso de escoamento da tensão acumulada. pois o des~jo é incxtingüível.J Inibições.pr. .r 11~lÍto !~~. e tampouco de felicidade.uer e ~treal1zãçao do desejo. O sujeito quer c. .ici~lI.~cltaçQ!:§JE~~%.> in. a ngor. a teoria freudiana não se limita à biologia ou à fisiologia. ~.-\ i'liLSIO.:--d'~-LU5t (sensações de prazer . tarefa d" aparelho psíquico (omo dominar as eXCltaçoes.[oco do' ó.ta forma flexibilGar.i na 'vid-..necessI' dade absoluta.\. de preferência pelas vias de praz. jnedlgung) nao e. Angçt) não só é essencial à sobrevivência. a C1rculaçao e ~l descarga do excesso de energia pulsional são uma . deflmda por Freud como um medo crônico c autonomizado. e tampouco se pauta pelas metas imediatas da consciência.er.. :19 Conformejâ mencionado.t~~-:ou teriam efei~os patog~I1~.!~q2' '(bewfiltigen) com~!.!!l~~~~· da.J Ul:!!-a~SE·o~ti:§âêStlt1ado dominar (bewliltigcn..í mais ligada ~ idéia de "apa!camelllO" de um incômodo anterior do que à vivência de prazer.ido pela s~ti~fação !. precls.~n~~~~l~~~_m~_.. pâ:llco) coloca.-\LÍTICA SOBRE os CO:--iFLlTOS 1'1ILSIO"AIS 785 inexiste neste esquema.tlsões. ~? aparelhoffientq) é "aci. 156J. . Também serve para advertir contra uma excessiva valo. apesar de também reequilibrar o siste~1a pulsional.•'--. a descarga em rajada.2 Dra'!Jg. Sintomas e Ansiedade (1926) (ESB 20._. há também limites inerentes à própria natureza do Reiz e da fonte pulsional. U~1a soluça0 emergenCial .<=gs". que Freud sempre manteve._-~-- .Jiºª-r cOl'!!1 as <.'_. a descarga causada como reação de desprazer (e geral. além disso. E -llleSl110 o IÚllit:.

. "amansamento" está conotati. assim também o "ego costuma transformar em ação a vontade do Es. Novamente aí se depara com o encadeamento da força imperativa e selvagem das pulsões e a ação de inibir..~~.( -"\(." r. é de se desejar.. aut) mar" Análise Terminável e interminável 256-7]. serve-se da imagem do ego como um "cavaleiro que cavalga o Es". não só o funcionamento psíquico individual depende d<l capacidade de transitar de forma ordenada entre as müItiplas possibilidades de Abfuhr' (ligando. desligando e religando afetos a representações). ~~'-~~cc=~:~:=~~~~::~. --}'rel:íd. Não. como se fosse a sua própria".acQrdocomos-princípios_do . ou de uma exigência \ .I . como o próprio futuro da civilização dependerá da capacidade humana apesar de seu ceticismo quanto às massas ordenar e reter os fluxos pulsionais que jorram do imediatismo do ou do acúmulo de sofrimento.- . J "'"I1J'.!_or..~. Isto equivale a dizer que o instinto é colocado completamente em harmonia com o ego. 'l! 186 A TEORIA PUU. vmnente jJróximo de Biindigung.. se emprega em algo de selvagem ou incontido.1~j_~ cl~.<i1:gª. s6 lhe resta "conduzi-lo até onde 'o animal quer ir".--t-__~~~~~.e:go e obter a e flux~s~lllsi0I. Freud diz que se trata de um cavaleiro que o faz com "forças emprestadas" do id (&). repositório das pulsões. ora p_crcC?!rer 2~~~~~:9~ca~~~1~os ql!_e_<l. hã'r111orliéis"com'ü'egoj:- 'o / "~V "É possível.C':s"'\ll permanentemente de uma exigência instintual". e impulsionam o comportamento coletivo para uma destrutiva e desagregadora. de modo que . já que a defesa (abwehren. instintual patogênica ao ego. Bandigen. de modo permanenle e definitiL:'. __ h _____ ~. colocando (bândigen) ao &.sç. livrar-se de um con~lito entre um instinto e o ego. torna-se acessível a todas as influências das outras tendências neste último c não mais busca seguir seu caminho independente para a satisfação.~~te~~_oe acumulando libIdo.~ nào é fa~er-se com que a exigência desapareça. algo que pode ser descrito grosseiramente I ~ . mediante a terapia analítica.IONAL NA CLÍNICA DE FREUD A INTERVENÇAo PSICANALÍTICA SOBRE OS CONFLITOS PULS!ONAIS 187 .t:. ress!gnjKicar Plllsõs:~para torná-las íchgmxht (egossintôni\cas.IIU ~-~--~ Para Freud. a tarefa analítica também pode ser entendida cormnornar o acessível (pelo desrecalcamento) à inOuên___ . de acordo com o ego.ando~ua de. no' texto "O Ego e o Id" (1923) e na "31.-. . no caso o id (&).~ como um "amansamento"~' ("Bandigung") do instinto. ] explicar mais exatamente o que se quer dizer por "livrar-se _\"l. de modo algum. .J'0~\>O/ ~V . rechaçar) é por si só precária e não lograria dominá-las. ou não querendo desvencilhar-se do cavalo. Não podendo.I: apesar de soar pouco usual. CertameI~te ::. nada lmus se ouça dela novamente". Portanto. Conferência" (1932-~~). mas jJossivelmente neste caso "douma opção mais adequada. manter afastado. refreálas e conduzi-las.I. N.C ) vo? Para a má compreensáo não é necessário. O ego (Eu) procura regular a relação entre o principio do prazer e o principio de realidade. Isso em geral é lmpo:ssiv'e \ tampouco.nU'JI.p~a~ti~~~~e da pul- buindo-a e ora~~lll.C<". queremos 'dizer outra coisa.

) ___ _~ Jm". biólogo e determinista e o Freud psicanalista. estas questões de linguagem nâo são muito numerosas. procurou-se mostrar as implicações I elevantes na teona e clínica freudianas das várias das pcquen<:s. etc. perisador da cultura e teorizador do inconsciente. Portanto. o percurso do Trieb na teoria psicanalítica transita por diversas instâncias. apesar de o ent~lmento -da obra de Freud não ser uma questão de esclarecimento lingüístico. discutiu-se o conjunto da teoria pulsionaI.L com _~_!!. bem como reconectar entre si muitas das tramas teórico-semânticas que percorrem o texto alemão. Ao longo deste ~ivro.:eIta.de reter a libidS' d~=eiá-ra-(fe~ãíIiãis regitlasla.188 A TEOR!. Zwang). es Imu o 1?1Z) ao serem t:aduz.: _ ~ < precana a condição do sei' h umano em cu Itura. Outi os . indicando que não se impõe um corte radical entre o Freud fisiologista.'\' I'LL~iO~AL 1>:A CLÍXrCA DE FRELI) A I:\TER\'E:\çAo PSiCA:\ALÍTICA SOBRE OS CO:-:FUTOS PLL')!O:-:AiS 189 À guisa de observação final . dinâmicos e tópicos. destino " t " ~.C-ºm:l?n.. bem como pane da tonalidade geral da linguagem freudiana que se { esmaeceu. um ser Cl\10 ~~ . Talvez uma próxima meta possa ser o vasto tema dos mecanismos de defesa na psicopatologia. Wunsch.npo con}un~o de~tcs termos alemães quando lidos no fluxo ~ do texto. Abrange a totalidade dum corpo integrado.:~-.a~_~_c!esca:::ga.. em português.das para o português. -~ . . Fo:arr: re:~altados também termos que possuem ell1 portugucs slgmhcados bastante diversos do alemão tal C?I:1O "frustração" (Ver:sagung).!r~a s_-. e acabam contaI11I. têm. ficam com uma acepção demasI. No seu conjunto.--.vo~abulos./' . Incluí-los na leitura permite dissolver algumas aparentes incongruências conceituais da teoria pulsional.. ~ (R' • • 1..ado est. Eles se alternam não só ao longo da obra. Drang.ado acO!~r~aD.cS~". taiS como "prazer" (Lust) e "satisfação" (BejTze~llglln~).e gran:l~s distorções semânticas e dos enlaçamentos temaucos-teoncos alterados na tradução. Neste livro.).. também se colocou em relevo que é desta mobilidade da pulsão e de sua inerente capacidade de amalgàmentos que surge a possibilidade de um tratamento dos conflitos pulsionais.ecessld~de_--:. com? por exemplo "descarga" (AbJuhr). --.1~::~~m~~te_~obrecarreg~çl(?_ dé:. Assim.=~_~?~mesn~()~ ~t~. freudIano.ÇiniagcfiCo-lingüíSUcõSpa~l desencade~ de descarga modulada.~ -. Quando Freud considera aspectos econômicos. ap?ntou-se para termos cuja importância na teoI~la pSlcanalí:Ica ~1Uitas vezes passa despercebida fora da hngua alema.-_~_ __ re. seu significado es~endld() alem do que abarcam em alemão. pretendeu-se mostrar que todas estas diversas pala. Finalmente...º-?S conflitos pulsionais se dá pela ação das tala. ' ~ • z.sim. Alem dlsw.bIhzar a te~clência do processo Erimário de descargar iJbld~ ~~~~--. bem como um amalgamento de pulsões contraditórias entre si. tal como é o caso da trama dos termos ligados a Imagem pensada" (Bilc4 Vorstellung.n~U1do os conceitos freudianos com sentidos ausentes do ongll1al. ~l.ambem foram indicadas palavrasb que. M~rar que Freud semnre re~~alta COIno f::. é útil "oltarse a certos aspectos do original. por vezes. Reá. também se destacou a continuidade conceitual e semântica que conduz o Trieb da esfera do corpo e das vísceras ao mundo interno das imagens e elos des<::jos. mais do que discutir termos isolados ou pelas circunstâncias de vida . AS. FJ.dos vanos _dOS enlaçamentos semânticos que se perderam na ~~'aduçao. Também foram abord.:eud destaca que o tratamento . bem como questões amplas da cultura (valores morais. ele o faz em conexão com especificidades da história individual do paciente.lDQ<&J. procurou-se colocar em relevo o efeito Entretantô. Boa parte dos grandes problemas já iI~1posta .-~~---~-_.'isignificamm esfera representacional e permitem aos afetos utilizarem nOV6ssu)Jort:e..ªU:. tais como "pressão" (Drano-) e" t' I " ..!92. e implica uma circulação simbolizada. como às \TZeS dentro de um mesmo texto. hábitos. Por outro lado.. inclui a síntese de pulsões parciais. . eSJímulos alg~ll1S cnlaçamentos.vras possuem um colorido conotativo particular e polissemIaS diferentes das do português..lI~~n<!!S:_e-. Phantasie) ou qu: se :eferem ao "espicaçar" (Trieb..

\ . formam conjuntos articulados. É verdade que a cada ano surgem novos aportes e que. ma~ possam ser incorporadas ao cotidiano de leitura de Freud. assim. que o presente trabalho e o Dicionâr'io Comentado. Apêndice I Operadores de Leitura (Ilustração das Tramas Semântico-Conceituais) Este apêndice apresenta. contudo. bem como neste livro.1o entre palavra. Tais operadores são instrumentos que permitem ordenar os conceitos psicanalíticos em arranjos diversos. conceito e teoria de várias maneiras.lntico·c:on· ceituais são constituídas por linhas de forç~ (tramas en[. de modo que o leitor possa transitar pela obra de Freud levando em conta o eixo conceitual de cada trecho lido. ora descrevendo processos (tramas processuais). mas articulados em função de suas diferenças. somados à literatura já disponível. Espero. no Dicionário Comentado do Alemâo de Freud. ora enfatizando idéias (tramas enfáticas). contribuam para que tais questões não mais permaneçam como assunto de especialistas Ou tradutores. outras por seqüências logicamente encadeadas (tramas processuais). (t(jlli. Pode se dizer que algumas destas redes scm. as palavras.hi· cas). As tramas enfáticas englobam termos alinhados conforme certas conotações e sentidos comuns que se orga~izam em torno de uma mesma idéia-força.190 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA m: fREUI) \ foram mapeados nas últimas décadas. [onnan<lo trama" ou eixos conceituais que percorrem o texto (e que nas traduções tenderam a se esmaecer e a alterar algumas articulações teórÍcas originais). optou-se por arranjar as redes semântico-conceituais em dois modos que parecem especialmente práticos para uma leitura psicanalítica que precisa necessariamente lidar com certas especificidades do texto freudiano. Trata-se. As processuais abarcam seqüências de termos encadeados como elos diversos. portanto. Assim. na forma de operadores de leitura. de indicar como na obra de Freud' a dimensão lingüística se liga à conceitual. ' Pode-se ordenar e recortar os modos de ligaç. uma sistematização geral das principais tramas discutidas ao longo do livro. quando se ligám aos con· ceitos. mas parece tratar-se de uma curva assintótica. foram apresentados alguns inéditos.

Em diversos momentos.. e é isto que nos permite dizer que se formam determinadas tramas enfáticas gerais que percorrem uma obra. por vezes. não são sempre resultado de uma construçào intencional do autor e tampouco elas se apresentam ao longo de uma extensa obra sempre da mesma maneira.lAL. perene. servem para Freud contrapor tendências psíquicas umas às outras. Também as tramas processuais não são fixas. As tramas jJTocessuais se constituem pelas diferenças entre as palavras e. em português não estranharíamos que um autor. As tramas enEhicas são quase variações melódicas que permite~m martcl~r ~e:tas idéias e sensações. dentro da diversidade hà modos articulação semelhantes. expressivo. "raciocínio". após. em outros momentos de teorização. ora a mesma palavra é tomada naquilo que possui de visual e agregada a um bloco de termos de cunho mais fortemente visual. mas pelo novo sentIdo que o uso no texto lhe atribui. Entretanto. um autor diferencia termos c conceitos segundo recortes diferentes. e111 geral. "sentimento". benl conlO "razão".\ TEORIA PUL<. em parte se constituem a partir de um contexto c de um estilo singular. permitiam ao autor e seus leitores um manejo variado segundo . Assim. por exemplo. "pensamento". Também aceitaríamos que mais adiante o mesmo autor. "pensamento" e "raciocínio" e que. considerando o primeiro corno explosivo. mas em seu mantjo ha um(~ vanablhdade e espontaneidade. Também ocorre que um termo que nada tem em comum com a série na qual foi inserido passa a ser alinhavad~ não pelo seu sentido dicionarizado. Por exemplo. pode ocorrer que quando traduzidas do português pára outro idioma se desfigurem ou fragmentem as redes que interligavam' as palavras portuguesas "emoção". passageiro e o segundo como profundo. permitem melhor acompanhar o trânsito freudiano pelos diversos patamares de circulação pulsional. silencioso..Também em Freucl não se pode falar em tramas que se repItam sempre elo mesmo modo em todos os textos. "sentinlenlo" e "afeto". subitamente em um trecho de sua obra passasse a diferenciar "emoção" de "sentimento". "emoção" contrapondo-as a um bloco de termos composto por palavras como "razão:'. Não necessariamente consideraríamos que se tratasse de contradições.IO. não teríamos dificuldade em compreender que a palavra "carinho" pudesse se agregar ao primeiro bloco (trama enfática) e recaracterizar aquele bloco agora corno um conjunto de palavras que estão equivalendo a "expressões de ternura". ou porque às vezes se trata de iluminar um mesmo processo de um ângulo diverso. bem como seguir as. na língua original. entretanto. em corüunto. Como se verá em Freud. causam estranheza e às vezes confusão quando traduzidos. bruscas alterações de foco. são empregadas por Freud para sistematizar a teoria e interligar e interpolar diferentes dimensões entre si. Em qualquer idioma e com qualquer autor./92 . É necessário ter-se em conta que em um texto determinadas tramas semântico-conceituais se formam naturalmente. ins~ridos no texto. tenha empregado os termos "emoção" e "sentimento" como se tossem equivalentes. ao longo de muitas páginas. Do mesmo modo. por vezes poder-se-ia tratar somente de ângulos e recortes diferentes que o autor julgava necessário destacar conforme o momento. em português leríamos com naturalidade um texto onde o autor empregasse numa trama enfática alternadamente. considerasse a "emoção" como irracional e o "sentimento" como um quase-pensamento. ora uma palavra é tomada. rupturas ou evoluções. Por exemplo. estão pré-formadas pelo uso habitual no idioma.IA U-Í:\'ICA DE FREl![) 193 As tramas enfáticas formam blocos palavras tratadas como equivalentes que. Entretanto. Tais fenômenos que cotidianamente nem notamos em nosso próprio idioma. tais tramas. como se fossem equivalentes.e vista e ressistematiza suas idéias. Isto ocorre ou porque evolui em seu ponto d. naquilo que possui de intenso e alinhada com outros termos que também podem expressar intensidade. . algumas das tramas enfáticas e processuais mais recorrentes na teoria pulsional podem ser empregadas como operadores de leitura que. em parte. "carinho". palavras tais como "afeto".

cada texto. Por exemplo. O importante é que o leitor tenha presente que há certas tendências gerais de articulação entre termos e conceitos que são muito freqüentes e úteis para a leitura. bem como termos e conceitos isolados. nestes elas aparecem COm variações e às vezes até há trechos da obra onde se encontrará exemplos de tramas em franca contradição com o que estará sendo apresentado aqui. em alemão elas resultariam em Emotion. encontrar soluções que restaurem todas as tramas novamente. cujo sentido seja genérico ou cuja conotação afetivamente neutra. O resultado seria mais próximo daquilo que efetivamente se encontra no texto freudiano e que se descreve no capítulo a respeito da escuta clínica dos conflitos pulsionais. que aparecem na lista abaixo. ou trecho. deve ser mencionado que as listas abaixo poderiam ser entrecruzadas formando grupos maiores onde apareceriam articulados entre si não mais termos de famílias semelhantes. aliás. principalmente quando as novas redes que se formam no outro idioma criam um novo sentido diferente do original. Várias tramas. essas malhas podem se fragmentar e formam-se novas. ocorrem em pontos específicos e às vezes isolados do texto).natureza dtversa. geralmente não há como um tradutor. também não deve causar espanto o fato de um mesmo termo. contudo. \ . Deste modo. apesar deste fenômeno. uma palavra pode alterar seu sentido e seu colorido segundo a seqüência em que esteja inserida. o bloco de termos ligados ao acúmulo de desconforto somático poderia ser articulado ao da formação de necessidade e ao de formação de imagem de desejo. GeJühle. AJJehte e Liebesausserungen e Vernunft/Verstand. formam-se mal-entendidos irrelevantes e em casos favoráveis OCOrrem mal-entendidos criativos que ampliam o texto original dando-lhe nova potência. para não sobrecarregar a visualização das tramas. sua inserção não deve trazer maiores dificuldades. "derivados" (Abki5mmlinge). "série" (Reihenfolge). mas que não se compreenda esta lista abaixo como uma tentativa de colocar a obra freudiana numa camisa-de-força. contudo. Finalmente. mas também plausível. assim como o bloco de termos ligados à formação de redes associativas poderia ser ligado ao do cerceamento pelo medo. contudo. Além disso. por exemplo. o leitor poderá notar que não as reencontrará da mesma maneira nos diversos textos freudianos. Na medida em que as tramas que serão apresentadas a seguir são genéricas. trata-se apenas de chamar atenção para algumas destas tramas alteradas na tradução. foram incluídos sem terem sido devidamente introduzidos e esclarecidos em capítulos anteriores. Vorstellung e Gedanke. mas termos de . Tais redes são em geral tão numerosas nos idiomas que. "medo-temor" (Furcht) ou "intolerabílídade" (Unvertriiglíchheit).194 A TEORIAPULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD APÊNDICE I 195 as regras da malha semântica do português. Nestes casos. assim. pois. aparecer em listas diversas cada vez com outras características. ou ainda aspectos como a ênfase freudiana no "encadeamento e relações de contigüidade" dos caminhos psíquicos expressos através de termos como "corrente" (Kette). etc. Outras vezes. podem se instalar mal-entendidos ou dificuldades. etc. é necessário voltar-se ao texto em questão e reconstituir um novo conjunto tramas específicas para aquele texto. pode ter tramas específicas pertinentes àquele contexto e enfoque. por exemplo.. não se avançou na sua composição. "associação" (Assoziation). Claro que. continua sendo possível realizar-se traduções. as quais têm bem outras conexões e equivalências entre si do que os termos correspondentes do português. pois freqüentemente o contexto geral de uma obra consegue anular boa parte de tais alterações de rede (que. mesmo que conseguisse prever as desfigurações resultantes. tais como. conforme mencionado. Neste apêndice. Uma vez traduzidas para outro idioma.

rregung) o acúmuloj estasc (Stawmg) de estímulos pusionais (Triebreiz. na base do movimento psíquico aparentemente volitivo e monitorado pela consciência./96 A TEORIA PULS(O:"AL NA CLÍNIC.:) 2) Processo de acúmulo psíquico e irrupção de desconforto Tramas Enfáticas (A 'coluna à esquerda indica que Freud se serve de termos que podem se equivaler para caracterizar uma idéia cenlral) Tramas Processuais (A coluna à direita indica que Freud Se serve das diferenças de significado entre os termos para descrever conceitos e processos) desprazer (Ulllust) dor (S(:hm~rz) mcdo-pànico (Anglt) mal·estar (Ullbehagen) medo-temor (Fureht) intolerabiliclade (Unvertriiglichkeit) irrupção (Aus/Jruch) fobia-pavor (Phobie) o A ordem das palavras em cada um dos blocos enfáticos da coluna à esquerda é aleatória. pois os lennos são empregados por Freud ele maneira equivalenle. quase um imperativo) 3) Processo de formação impositiva da necessidade A ativação da pulsão (Trieb) gera um acúmulo de Reiz e lima tensão(Spannung) e carência (Bedürfnis) que lançam o sujeito no estado de desejo (Wunschzustand). outros efeitos são a generalização ela Ang. acúmulo somático de Reá produz um desprazer (Unlust). 3) Bloco de ênfase no desejo intenso(apontam para uma necessidade. geralmente histérico. está a necessidade e mais: a inexorabilidade pulsional imposta pela coerção (Zwang). o qual é táo sufocante que a saída. mais do que um desejo. o qual. O efeito do acúmulo de medopânico (Ar<gõt) é a irrupção (Ausbrw::h). A seqüência vertical descendente segue uma ordem sempre que possível causal. necessidade (Not) pulsáo (Trieb) estado de desc:jo (Wunschzustand) fissura (Begierde) pn:ssào (iJrang) obsessãoj compulsãoj coerção (Zwang) carência (Bedilrfnis) . formas de antecipar. Este estado intensifica-se. 1) Bloco de ênfase no espicaçar (todos estão radicados no desconforto e aperto somático) Processo de tensionamento crescente estase (Stammg) estímulo (Reiz) pulsiio (Tríeb) pressãoj ânsia (Drang) compulsãojcoerção (Zwang) estímulos pulsionais (Triebreiz. leva em última instância à elor (Schmerz). Portanto. em fomla atenuada.e) tensão (Spannung) aumentoj elevação (Steigenwg) excitação (F. ele intolerabilidade (Unvertriíglichkeit). se transf{)rma em anseioj pressão (Drang) pela descarga e pelo objeto e leva à fissura (Begierde). esvaziar e evitar a dor.e) forma uma pressão sonráticaj física (Druck) que leva a uma elevação (Steigerung) da excitação (Erregung) e cria uma tensão (Spannung) que produz uma ânsiajafã (Drang) por alívio e por saída deste estado. o medo-tell1or (Furcht). Os estados concomitantes ou anteriores à dor são medopânico (Angst) e. Todas estas.'. é uma imposiçãoj coerçáo (Zwang) ela pulsão (Trieb). por somação. DE FREU!) APÊNDICE I 197 Operadores de Leitura 2) Bloco de ênfase no desconforto e dor (apontam para a irrupção e para a repercussão psíquica do excesso de Rei. iniciando-se no brotamento da pulsão.st na forma ele fobia (Phobie) e sua cronificaçáo atenuada e inconsciente como mal-estar (Unbehagen) e o estado.

para se reali7. ou iniciativa de desejo (iniciativas ou ímpelos): 5) Processo de formação do desejo em direção ao pensamento 7) Bloco de ênfase na descompressâo (aponta para um apaziguamen to e uma extinção da pressão): 7) Processo de descompressão desejo (Wunsch) vontade (Wille) prazel'-pique (Lust) . ver) (Sehnsucht). exciwçáo (Erregung) pensall1ento (Gedanhe) moção (Regung) pensamento (Gedanhe) moção des~jo (Wunsclm:gung) Inicialmente uma moção (Regung). gens (Bildm') de alívio e lança o Slú eito à pr'ocura das imagens de desejo (H'unschbilder). escoamento-descarga lenta (Abfuhr) escoamento (Abfluss) drenar (driinie1'en) satis[~lção/ apaziguamento ( Belriedigung) relaxalnento-destensionar (Entl/)(Inmmg) este movimento de moção desejo (Wllnschregung) se tornará em parte consciente como expressão moção puIsional (Triebregung) manifesta de desejo (W!msch). sionar (Entspannung) e a satisfa· ção (BeJriedígllng).arem. Emite-se então constantes juízos (Urteíle) sobre a qua:lidade afetiva e grau de realidade dos objetos que a percepção superpõe à imagem memorizada e mantém-se a intenção como vonlade (Wille) presente ao nível da consciência (Ber. gera desejos (Wünsche). na forma de fantasia de desejo (Wunsch. Estes. .tJUSsLsein) 5) Bloco de ênfase na disposição. phantasie) ou de representação de desejo (VFllnschvorstel. ou excitação (Erregllng) pmduz no sujeito a disposição (prazer'pique (Lmt) de ir à procura da l'epresent. exigem a capacidade de manter uma atenção (AuJmerksamludt) sobre as representações (VoTStellungen) internas de desejo e sobre as percepções externas. 11lng).ia não evita a frustração (Enttãmchung) . Uma ação motora ou reassociação de imagens e afetos leva ao escoamento (AbJlllss).ll produz acúmulo ele desconforto e a reação apaziguadora de alucinação (Ha lluzínation). 6) Processo 'volitivo de monitoramento da ação da busca de imagens e afetos desejados e verificação do grau de realidade pensamento (Gedanke) juízo (Urtei/) representação (Vor.198 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD Al'f:NDlCE l 199 4) Bloco de ênfase no anelar/de sejar intenso através de formas de imaginificação (apontam para imagens almejad'as) 4) Processo de formação de imagem de desejo ~) Bloco de ênfase no pensamento consciente exprimível sob forma de linguagem (apontam para a regulação e controle) Alucinação (HallHzination) idéia/representação n'ontelhmg) imagens de desejo (Wllnschbilder) ansiar por (1/([(11 etwas driingen) imagem (Di/d) saudade/ nostalgb de ver (Sehnsllcht) f~1ntasia de desejo (Wunschphantasie) representação de desejo' (Wunschvorstellllng) A ativação pulsion. ou moção pulsional (Triebregung) . Estas imagens.ou ao escoamento descarga (Abfuhr) ou à drenagem da carga pulsional trazendo um relaxamento-clesten. na forma de vontade (Wille) e guiad o pelo pensamento '(Gedanke). Stll'ge um afã (Drang) que anseia por ima. do objeto de alívio.lção (V01'Stelllmg). são os traços na base da nostalgia idealizada de ver (re.çtellung) desejo (Wunsch) vontade (Wille) percepção (Wahrnehmung) cOllsciê ncia (Bewllsstseín) atenção (Aulmerksamkeit) memória (Gediichtnis) A memória (Gedâchtnis) de percepções (Wahrnehmllngen) prazerosas. mas eS. isto é: de idéias/representações (Vorslelllmgen) do objeto de alívio. mas ausentes.

rejeitarj expulsar as percepções (verwerfen). lapsos. etc. Será por este processo que se formarão as séries (Reihenfolge) dc idéias associativas (Einflille) e as correntes (Kelten) de pcnsamentos recalcados. trata-se de manter as I idéias repl'esentantes dos ameaçadores. num nível primitivo.~ PULSIO:'\AL NA CLÍNICA DE FREUIl APÊNDICE I 201 8) Bloco de ênfase na defesa (aponta para o recha~o e afastamento. afastadas (fernhalten) através de meios como. Psiquicamente.20() A TEORI. verbais.jeital' resisti:ncia proteção/barreira uma barreira de (Schutz) para evitar a sob recarga.(wiedeIJlehen) e (abwehren) as ameaças advindas de diversas fo~tes externas) e dotadas de várias formas (imagéticas. recalcar/abafar os desejos proibidos oriundos do mundo interno (venlriingen) ou desmentir /negar) as evidências ameaçadoras do mundo externo (verleugnen). interligae vias de escape do cerco defensivo defesa (Abwehlj rt. 1'01' estas vias de contaminação se cronifica a neurose no aparelho e se fórmam simultaneamente os caminhos de escape pulsional (por sintomas. . equilíbrio de forças antagônicas) 8) Processo de defesa armado 9) moco de ênfase no encadea- em diversas direções mento associativo (apontam para relações de contigüidade) 9) Processo de formação de redes associativas. etc.nu!1l neveI onde não é mais possível a simples eliminação de material psíquico.) corrente (Kelle) (Verbindungen) vias concxôes (Verlmiilpmgen) Através de vias (Bahnen) entre neurônios formam-se conexôes ou (Verbindungen) entre idéias e entre afetos e se forma a base das associações e se estabelecem as vias de escape do material recalcado disfarçado de idéias derivadas (Abkornmlinge).) do cerco das defesas. e ass im resistÍl.

o aparelho sente a ameaça repn:sentada pelos dese:ios e afasta-os ele in~c~o_ por meio da CXPUÍsào:eJelçao (Verwerjimg) do que é II1terno. Schreck e Furcht. p. ravessan o patamare . pessoas e tempos diferentes) e o "a posteriori" (nachtraglich . a tnmsferência (übertragen . Todavia. . quando Freud mesl!19. quando trata dos diferentes mecanismos de defesa. este material '-etorna C0ll10 se fosse de origem ex~erna (associa-se a imagens de ongem externa) e assim retorna pelas vias associativas sob f~r~1aS de idéias que parecem su~Jtas e es~ranhas (Einfolle) e facl!mcnte podem adquirir um carater (unheímlich .r"l.as·sobreaweIa gCIeorellresenIa. d Se o instrumental freudiano d e escuta pode ser com ra o a um arcabouço multifacetado d'" .transpor entre e espaços. 62 do Dicionário Comentado do Alemão de P'reud. 1996). naquele ponto Freud está definindo e conceituando a palavra). as palavras que designam tais mecanismos podem estar funcio· nando como sinônimos de uma mesma trama enfática. desejo libidinal). agilmente entr'" dl'm . Também podería- .csclarece que o recalque não iriê.5Lueêmalemão pulsãQ também-pod~_~lfepresentação (por exemplo. é m. Em alemão. t d cor'!iunto. Contudo. omo se verá no e eItura que consta do a d' . em geral.'por exemplo. em mutaçao são . ra utl Izan o a palavra e orça quando geralmente não é recomenA dável fazer a leitura ao pé da letra. entretanto. se esta em certos momentos é feita por Freud em outros trechos da obra é deixada de lado. de forma geral Freud refere-se aos diversos momentos de rechaço contra ameaças pulsionais que estão ancoradas em patamares diferenciados. Este tema dos mecanismos de defesa não foi e não será abordado em detalhes neste livro para não desviar do tema das pulsões. ~rata de uma rup-tura~~lteração de sua posiçãü-ahEerior. dependendo da direção a partir da qual o conjunto afeto-representação afeta o indivíduo. n}~lS ap~nas ~lma maior preclsaü:Já. ( . r a s rea as em equiparado a um emaran~~ente.e Freud pode ser de linhas d. ora emprega os termos de maneira precisa e diferenciada (quando.indica tránsito entl-e passado e presente). correspondent ' .buscar de novo). do passado e futuro) 10) Processo de projeção e exclusão de materiais internos que passam a não mais ser reconhecidos o Isso/fel (das E5) ieléias súbitas (EínjiUle) associaçôes (Assoziationen) o ~s_tranho (das Unheimliche) rqeItar/ expulsar (verwerfen) Os dese:ios arcaicos gerados na matriz do id (Es) são desconhecidos pelo eu (Es em alemão rcn:ete a algo da natureza.202 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APÊ~DICE 1 203 10) Bloco de ênfase no estranha~ menta frente ao externo e interno apontam para invasão do interno e externo. Assim. cada uma destas palavras serve para apontar para maneiras específicas de lidar com as ameaças pulsionais. simultaneamente _' on e Inumeras vana. ~ texto d. Imago. haveria uma suposta diferenciação freudiana entre "repressão" (Verdrãngung) e "supressão" (Unterdrückung).d' C exercício dI. não s~ --------=----~-~ ---------~----_.p~ia~ente sobre a pulsào. mas quando Freud está sistematizando conceitos psicanalíticos. (ver verbete Angst. Por exemplo. fome. Freud CIrcula ~ "ensoes Iversas o 'l' d em uma linha d [. das diferenciações que Freud faz entre Angst. pois se trata de blocos psíquicos). O m-esIDü-típo· dê-cuidado é necessário quandose-tritã.' s Iversos.aSSUstador e simultaneamente conhecido-desconhccido) através de mec<UlÍsmos tai~ como a repetição (wiederholen.Iêfe I)f(. apenas está sendo mencionado como mais um caso onde a leitura deve considerar o movi· mento do texto. Inúmeros outros exemplos poderiam ser elencados. Igualmente.d' pen Ice lI.a!or que nós e nos toma e direcíona). lá onde por vezes se trata apenas de mudanças de foco ou de outras estratégias de apresentação do autor. A não consideração destes diferentes momentos poderá deixar o leitor com a impressão de encontrar-se diante de contradições. tdo de Inter e Intracruzamentos ' e orça e processos em ação at _ d nos quaIs as palavras entram . ~~veis.

os verbos de fechamento. mecanismos de defesa. Mesmo não sendo muitos os operadores de leitura desenvolvidos ao longo deste livro. de afastamento. Os comentários que aqui constam se calcam nas conexões abordadas neste livro . dependendo do foco elo mamemo. uma que interliga lingüisticamente as palavras. Tomando-se o texto "A Repressão" por inteiro. etc. mais que isto. e outra que estabelece as conex~es teóricas entre os conceitos psicanalíticos designados por tais palavras. etc).-\ DE FRE\)f) mos lembrar a clássica questão da diferença entre "imagem" (Rild) e "represemação" (Vorstellung). de transmissão e movimento. Estas palavras formam seqüências semânticas que podem ser superpostas a seqüências conceituais descritas em paralelo na . os verbos para trabalho psíquico. funcionam como operadores de leitura. no apêndice II a seguir.e huscam remeter o leitor à unidade que existe no original alemão entre duas dimensões do texto. O exercício de leitura aplicado à" duas primeiras páginas do texto "A Repressão" (1915). Somente foram traduzidas as primeiras duas págmas do referido texto. Portanto. pois embora de se refiI-a primordialmente ao recalque. passa a semjJre renciar os termos que emprega é produzir uma leitura tão insensata quanto imaginar que fosse 'possível a uma obra em constante evolução e escrita em meio ao turbilhão da vida e nas mais diversas circunstâncias nunca empregar sinônimos e.\. O que se procurou indicar é exatamente o contrário. já que se trata apenas de um exemplo destinado a mostrar os efeitos obtidos quando se considera na leitura as redes semânticas das quais Freud se serviu no alemão para destacar determinadas conexões teóricas. a qual se configura como um caso onde na realidade uma alternância de tratamentos ao longo da obra. Consideradas de forma sistemática estas tramas listadas acima. fazendo então parte de um bloco psíquico.204 A TEOR!. O presente texto "A Repressão" (Die Verdrdngung)." PULSIO. af~tos. pode·se visualizar diversas famílias de palavras interligadas. que freqüentemente uma trama processual se clesülz novamente em trama enfática. Descrições mais detalhadas a respeito dos diversos termos psicanalíticos se encontram no DicionáTio Comentado do Alemâo de Freud. de 1915. foi escolhido como exemplo do uso freudiano dos termos relacionados à teoria pulsional. exemplifica o emprego destes operadores. seu emprego é útil para a leitura da obra de Freud e <~juda a restituir ao leitor algo da vivacidade e da agiljdade do texto original. bem como outras deriváveis do texto.AL 1\'A CLÍ:'\IC. por exemplo. também aborda aspectos teóricos relevantes no contexto da teori~ pulsional (pulsão. que toda a obra esteja permeada só tramas processuais. a partir de uma conceituação feita num determinado momento. freudiano. representaçao. e aquela palavra que servia para representar precisamente um conceito passa a ser sinônimo de outras palavras. Apêndice II Exercício de leitura aplicado às duas primeiras páginas do texto "A Repressão" O objetivo desta tradução comentada é fornecer um exemplo prático de leitura apontando para as tramas lingüístico-teóricas já discutidas anteriormente. afirmar que Freud.

Estas transformações pulsionais seguem as leis de funcionamento e expressáo de cada patamar. revestimentos). etc. etc. bem como emanam logo nas primeiras páginas do texto freudiano Quanto à terminologia usada nesta traduça-o 'd d ' nao lOI conSI era o relevante deter-se nas opções terminológicas ~or exe~1p.ap~sar de o texto remeter a muitas outras cone:coes. Entretanto. . lHas ambos exigem notas de rodapé ou apêndices explicativos do tradutor. "põr em movimento"). a ml. tal COnto Triel) o é em alemão.eq~e de sentidos. em alguns casos. nem "pulsáo" nem "instinto" se recobrem com a gama de sentidos de Trieb e com as importantes conexões da palavra com outros termos no texto original. o termo evoca associações com "pulsar" e com "impulso". em geral. de instinto em estímulo.descon~orto e incômodo as~ociados ao incipiente conflHO pulslOnal.~0. 'J (as palavras e imagens) para atingir o conteúdo incômodo (o afeto). o trecho aqui traduzido abarca somente as ~l\as pnmeIras páginas do texto e a partir delas os comentános semântico-teóricos referir-se-ão aos seguintes aspectos: I o brol. formando-se uma cadeia llnperatlVa e não-recalcável.ca claro ao longo do texto que o recalque visa seria mais correto "pulsão" ou "instinto".io de Triel. estes sentidos denotam o arco que brota e se dirige aos objetos. pois remetem dIretamente ao que foi discutido ao longo do livro. Às transformações da pulsáo (por exemplo. Um ponto a favor de "instinto" talvez seja sua polissemia: é usado nos sentidos de "tirocínio".~mento da pulsão como fenômeno inicialmente de somaçao e portanto de limiar' o . Todavia.senta como um momento e uma forma de circulação em determinado patamar (ver capítulos I e XVII). o que o afasta da plasticidade e amplitude de Trieb. Freucl serve-se cio repertório de sentidos do termo para insel'i-Io no arcabouço psicanalítico. a trans~tiv~dade entre prazer e desprazer. cada sentido de Trieb se apt·e. não há um conceito ú~ico d T' ~n dtversos . em ultIma mstancia o afeto ' mas tem de serVI'r-se d omvo ucro . Uma vantagem de "instinto" é manter a "atmosfera" do texto freudiano. Também composições tais como "estímulo pulsional". o que náo está longe de algumas d<ls conotações de Trieb. . niío é ullla má opção. Quanto à "pulsão". etc. Se "instinto". também "pulsáo" niío deixa de ser uma solução criativa. b' ca e. ou por "recalque". tais como as atividades psíquicas de transformaç"a~. por exemplo. ~ntr~tanto. seu emprego se torna esu'. de processo químico em afeto. ela tem se disseminado até fora do campo psicanalítico. por serem logo reconhecidas pelos leitores como neologismos psicanalíticos. de afeto em palavra) são designadas por Freud como novas Umkleidungen (trocas de roupagem.206 A TEORIA PUL'. "tendência". do ponto ele vista lingüístico. ou Imtin/a em alemão. no emprego atual de "instinto" nào há mais esta conotação. talvez soem menos canhestras do que composições com "instintual". nem sempre lhe era possível prever como as dificuldades de compreensào dos conceitos afetariam mais tarde a recepçáo cI<l pskamllise em outros idiomas... 2) Aspectos teórico·psícanalíticos: A opção por "instinto" provém da tradução inglesa de Stracl1ey. e Tie. a tendenCla da pulsão de buscar auto-extingüir-se para aplacar a necessidade e o sofrimento'.nn~eca ligação entre os aspectos quantitativos e os quahtatlvos (significação). _ Assim.mho em português. . para os problemas da psicanálise. pois a palavra não existia em português. azer a guns comenl<\rios. No texto freudiano. pode-se dizer a seu favor que. em composições como "estímulo instintual". o termo e empregado em várias 'lCepções. país são termos de difícil tradução e preferiu-se comentá-los em vez de reduzi-los a uma disputa terminológica. que a palavra Trieb é "invejada por outros idiomas". o. aproximando-se da plasticidade de Trieb. se seria melhor traduzir Verdriingung o. ou no caso de Trieb 4 se c: f 4 I Quanto à tradução por "pulsão ou "instinto" b [ I Contbrme n:ssaltado ao longo do r T . a similitude entre a intensidade crescente da pulsão acu:nulada. À medida que desenvolve a aplicaçào da noç. . fie pOSSUI a~plo I. Às vezes. Apesar de ainda causar algum estranharnento. etc. Portanto. recalque como defesa entre o consciente e o inconsClente. em "A Questão da Análise Leiga". Freud traduzia Trieb para o inglês por instinct e vertia o instinct do inglês para Trieb. Fremi mostrava saber que a traduçáo é problemática e menciona.restnngIr-nos-emos apenas a tais aspectos. "vida pulsional". "instinto" também é lido como "biológico e determinado". a dor e a necessidade. 1) Prós e contras lingiiíSticos: Apesar cio argumento de que a etimologia de "instinto" se aproxima do sentido de Trieb (in-stigare signicava "espicaçar".IONAL NA CLÍNICA DE FREUD APÊNDICE 11 207 esfe~a teórica. Contudo. mais ainda elo que "instinto". em campos como a medicina e a biologia. "vida instintual".) . htcratura.campos (ftlosof1a. o recalque como mecanismo de limiar. Cl~as opções terminológicas sào ele cunho médico e ( . os ~ec~mismos de defesa. ff Na psicanálise o uso também é variado. 1~1l1to no . repressao . do neologismo francês !"dsión. . "intuição" e "disposição". "pulsão" se afasta da atmosfera e do estilo do texto freudiano. no idiollm. o que não cor responde ao aspecto impelente de Trieb.. Todavia.I ~mb~m f. mas não é tão fragmemado como. pois é um termo conhecido e coloquial. Apesar de procurar sempre seguir as traduções já estabelecidas antes da psicanálise. em português. Sua inserçáo nos diversos processos psíquicos ocorre na forma de precipitações (NiederschlJige) que partem de um arco de significados e se instanciam em processos específicos. os mecanismos de descarga.1llJhito colo uia! como e lvr~.

que.208 ) A. Para o Souza (1996) sugere o uso alternado de "instinto". Illas pode tornar a leitura difícil. mantém a prosa freudiana) e a tendência de largo que amhas as alternativas de tradução. Aqui neste livro optou'se por "pulsão" e. não há um emprego pleno da palavra "pulsão" em tod"s as de Freud. em geral. . Aliado a esta segmentação do arco pulsional. tem influenciado o psicanalítico.1(lo a favor da opção por um ncolog-isIllO como "pulsão" é que este serve para criar um cstranhamemo nos leitores c levá-los a um estudo mais cuidadoso do conceito. Assim. estas importantes teorizações sobre o mundo psíquico arcaico podem parecer ter deixado a questão pubional num segundo plano. "afeto" e "imagem") e cnhu. se recobrem com o <lrco pulsÍonal). Talvez estçja ocorrendo uma desideologiz<lção do termo e esteía se deslocando o eixo da discussão para a quest. na traduçáo. todavia. apesar da . E. "Ímpeto". Mais correto seria afirmar que ocolTeu no uso clínico ullla segmentação do arco pulsional e concomitantemente. que promoveu e estimulou seus então seguidores a uma releítura dos originais c à critica de certas opções de tradução. em alemão.f: Devido à luta teórica entre o lacanismo e o klcinisl11o. na língua a conexão com o arco pulsional. TEORIA l'UlSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APÊNDICE II 209 Cabe ainda mencionar que (oi realizada uma tradução livre que serve só de suporte para os comentários. como ele fato não ocorre na obra' de Freud. Todavia. portanto. mas não caberia numa tradução com vistas a publicação. contudo. num liSO diverso e mais circunscrito do que em Freud (Mclanie Klein. indicando que pa!. Claro que "instinto" também pode ser acompanhado de explicações evitando que alunos o compreendam de maneira restrita.ualmente. 1991) têm proposto lima solução intermediária: inserir o termo alemão emre parênteses jllmo à sua tradução. Este diversas vezes conceituou Trieb.a. não se eleve superestimar a importância de tal opção.lo militante e . sugere a de "pulsão" devido à sua fácil compreensão c às ressonâncias com "pu ~sar" e "impulso". uma liberdade que pode ser tomada aqui. seria superficial imputar ir5 escolas que leram Freud através da tradução ele Strachey lIllla biolog-izaçào conceito. A bi(}ló~ico (política do comitê de tradução da época). nota-se duas correntes principais: Privilegiar a atmosfera e fluência dos textos ou buscar uma tradução mais ligada à estruturação geral da obra çm detrimento do estilo c ela fluência. em geral.. pois Trieb é mais tradução foi refeita a partir do alemão (5. disseminou-se a idéia de que Frelld teria diferenciado lnsli:nkl de Tríeb. não se visou apresentar uma t. geralmente Freucl usa a palavra Trieh. Quanto ao estilo. com freqüência empregava Imfiul5 cm vez de Tril'il). Foi Lacan.tudienausgabe FischeT VeTlag). Contudo. Possivelmente pOl' perderem.radução destinada à publicação. devidó ao trabalho hermcnêutico e epistemológico. em comunicação explica que manter a terminologia já consagrada. a qual. Apesar de na escola kleiniana se destacar a plllsão de morte e a agressividade.lO também momentos e formas de Trilib. estào próximos das escolas francesas. apenas para eliminar algumas imprecisões da Ediçâo Standard Bmsüeim. para o processo secundário (aderência Plllsional à imagem de objeto. talvez as pc!"chls scmánticas na tradução de Trieh tenham contribuído para que muitas vezes se esquecesse que estes ICnômenos S. assim Trieb pode ser "impulso". reimroduzimlo lll<lÍS explicitamente à noção de pulsão na clínica. Ar. em parte. imagim\rio e simbólico (que.ús do Trieb freudiano.terminologia médica. Alguns estudiosos (Thoma e Chesire. estas noções são estudadas cJinicamenrc a partir de seu momento de hrotamento COlllO "impulso primitivo" e seus desdobramentos na cultura. mas no caso Trieb. não obstante os aspectos políticos.st'l postura permite revehlr certas constâncias na obra. sem ficar no falso conforto da aparente compreensão de 'instinto". fil7. etc. acompanhados por Tríeb entre colchetes. Por outro lado. Ora. seja referindo-se a animais ou a humanos. procurou-se em alguns momentos privilegiar as conotações para melhor enfatizar certo colorido (por exemplo. Já os adeptos da opção por "pulsão".lo de optar pela palavra que melhor sirva para o ensino e transmissào da psicandlise. Além disso. mesmo entre os adeptos das escolas ingles<ls (uma leitura elas principais revistas da área o confirma). ligação pulsional com padrão de vínculo. isso não significa lima ades. Apesar de acríLica bcallian. mas efetivamente tratam dos prohlenJas centrais que a teorização de Freud a respeito da passagem entre os patamares circulação ]llllsional do somático para o processo prirmírio c.lVras diversas referem-se ao mesmo termo original. Mezan. poucos por "instinto"). buscou-se um meio-termo entre reproduzir a prosa literária (adotada na tradução espanhola de Lopez Ballesteros. em seu retorno ao texto freudiano. acepçôes 3) AS/leCIOJ da política entre esco/. deste. não o a lnstinht (esta confusâo só ocorre fora do campo da língua alemã).er uma opção terminológica entre "instinto" e "pulsão" equivalia" uma adesão a uma das escolas. 5)Tendéncias de tradução: Entre os tradutores de Freud. 4) Eltmtfgia di? e/l.l à tradução por "instinto" ter recuperado para a psicanálise aspectos essencÍ. pela terminologia da escola frances. "força".ino: Um argumento utiliz. Isto torna a leitura fluida e dd a cada trecho vivacidade e mas tende a esgarçar as tr <lm. en(üca o trecho do areo pulsional onde ocorre a precipitação do Trieb como fenômeno psíquico arcaico (na f<Jnn<l de "impulso". simbolização e representação da pulsão. A clínica inglesa. bem como na versão inglesa. ranimente empregou ln. quando se optou pela palavra "trombar". No segundo estão os que mantêm uma única palaua par'a cada termo alemão (a maioria destes opta por "pulsão". entretamo "pulsão" talvez mantenha certo impacto ausente Cll1 "instlnto".). um certo desligamento do sigoificado original de Tr"lh. em vez de "chocar-se" para traduzir stossen). etc. onde se opera com os registros do real. Isto pode ter causado alg-ul11 esvaziamento do conceito de Tríeb.lS que interligam no original as pala\Tas e as conotações.l. foram recuperadas as conotaçiícs e a plasticidade de Trie/! e advertiu-se para o perigo de um entendimento reconfortante e falso do termo como equivalente a "instinto" Também se ressaltou a impowincia da pulsão sexual e do desejo em Freud. "pulsão" parece estar ganhando terreno na psicanálise brasileira. No primeiro grupo estão aqueles que traduzem cada $egun(lo o contexto e o momento. isto !láo seria necessúrio para o leitor alemão.llínhl (em alemâo um pobre sinônimo de Trie/!).iza os problemas psíquicos da ultrapassagem deste estado arcaico para a simbolização e as relações de objeto. também no campo lacaniano. em geral.

novamente. . presente de forma mais radical na atual traduçao francesa d~ Bourgignon. Cotet.210 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍ:--:ICA DE FREUD 211 se trabalhar rente ao texto.lnter afastado algo incômodo que insiste em se manifestar ou ocupar a cena.nalítico de Verdriingung. . E é este brotar que se choca com um obstáculo psíquico_ I . a palavra composta. e em menor medida também adotada pela tradução espanhola de Etcheverry. não se tratou de multas outras questões psicanaliticas que o texto suscita.recalcarnenlo (Verdrãngung): Termo que serve de título para o artigo. refere-se à manifesta(. designa na linguagem C. a um quase indício ou símil. U·at . É o brotar psíquico da pulsão. "afastar algo e ocupar o espaço". "desalojar". TEXTO DE FREUD COMENTÁRIOS: OS TERMOS ALR\:1ÃES E OS CONCEITOS CORRESPONDENTES o Rccalcamenlo (I) Verrlrãngung I..V1VC~Ul. com o qual a psique pode operar a panir do processo secundário (consciente e pré-consciente). por isso. No uso coniqueiro. Nesse caso. Essas dimensões dinâmicas e Iconcretas do uso corriqueiro reaparecerão no II emprego psiú. Se a resistência do material do casco do navio fosse forte o suficiente. por exemplo. da pulsão C011l0 imperativo ou ato. a qual manter-se·ia situada ao longo do casco Pressionando pelo retorno. "moção pulsional" (Triebreg'lLng). 2-l110ção pulsíonal (Triebregllng) A palavra Hegung !(moção) indica o início ou esboço de movimento Ique ainda está se articulando ao longo do corpo antes de transformar-se em gesto ou movimento pleno.·se de m. as quais visam torná-Ia ino· inoperante. É um momento anterior à manifestação plena .:<1o antecipatória. evoca-se uma imagem como a de um navio que ocuparia o espaço londe havia água e com seu casco afastaria a água. ocuparia o espaço.o i deslocamento /afaslamento de massas ou corpos.essa situação poder-se-ia prolongar.. o deslocamento da água quando da presença de um navio. mas ~e o Imaterial fosse frágil a água acabaria por vencer a resistência e se infiltrar no navio e. quase como "tirar algo de cena". Também pode ser empregado \ na acepção concreta e física para descrever . descreve um esboço ou intenção inicial de manifestação da pulsão.U o "empurrar~. ( I I I o destino de uma moção pubional (2) (Tricbregung) pode ser o de trombar com resistências. . Os c?~entários a seguir abordam os aspectos de teoria pSICa~ahtlca sempre a partir das relações entre os termos alema~s e sua articulação conceitual. Laplanche e Robert. privilegiando a estrutura em vez da ~tmosfera...

mas internos. Trieb como um tipo de Reiz de origem interna do qual não há fuga. em recalque da ou da moção pulsional (nota 41) refedndose àquilo que está na base das moções de desejo e. Uma pessoa irritada estágeTeizt. No caso da (5) (Tril'b) a mio tem sen'cntia. é função do aparelho psíquico buscar caminhos que conduzam aos objetos (os objetos do desejo) que lhe permitam descarregar os estímulos. mas que se originou na dimensão somática. não podendo fugir de sua própria carnal idade. é importante ter presente que o acúmulo de estímulos na dimensão somática tende a destruir os órgãos (por exemplo. ou quando está se referindo ao estímulo recém-chegado à psique.estímulo (Reiz): Aqui Freud fala em "fuga de estímulo".pulsão (Trieb): Aqui Freud passa do termo Reiz para Trieb. de modo mais coloquial e frouxo. "friccionar". Pertence semanticamente ao campo do "arranhar". No artigo "Os Instintos e suas lL1:'~U. a pulsão seria uma subcategoria de estímulo. o Trieb é um Reiz que chega à consciência assumindo as formas psíquicas de percepção. então evidentemente a fuga seria o meio adequado. de tendência ou ainda de vontade irrefreável. Este termo.bre. Contudo. Neste sentido. pois trata-se de um processo dinâmico e de equilíblio de forças (lembremo-nos da precarie'dade da VeTdTangung) bem como das defesas em serem comentadas adiante). excesso de acidez no estômago. Freud aqui fala em "estado de recalcamento" (Zustand der VeTdrangung). reage procurando descarregar os Reize. portanto.) e o organismo. Todavia. num trecllo que aqui não foi incluído.estado de recalcamento (Zustand der Verdrangung): O que é recalcado (na de «mantido afastado" e «abafado") é ainda este esboço de movimento. 5. pois o Eu mio pode c~cap. portanto. Aqui Freud está tratando. 4. cuja ainda está se articulando e que pode ser contrabalançada. em menor escala. de representação. tem·certa i contigüidade com algo que produz sensações desagradáveis ou irritantes. a repercussão. de impulso. etc. A idéia de que um estímulo pode facilmente se tornar irritativo e levar à é algo que.\r de si I1lL'SITIO. "arder". enfatizando a relação de fQrças envolvida entre a dinâmica pulsional e a dinâmica da defesa. é próximo do próprio significado coloquial da palavra Reiz. Para tal. etc.212 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APÊNDICE II 213 Sob condições que ainda examinar~­ lllOS mais detidamente. Se se tratasse do efeito de um estímulo (1) (Reiz) externo. a afetiva (AjJektbetrag).!!Ulrlf[) é recalcável. as parcelas psíquicas da pulsão que sofrem recalque como sendo a representacional (VoTStellungsanteil) e. secura na faringe. em alemão. Freud retoma a explicação de que a pulsão se manifesta como "estímulos" gerados internamente e incessantemente enviados em direção à consciência. Freud pennitese aqui falar de moção pulsional sofrendo recalque e não da representação (Vorstellung) pois esüí. a pulsional. além de comum à fisiologia da época. se bem que às vezes Freud fale. um tipo de estímulo internamente e de forma incessante. ou seja: a moção pulsional não é efeito de estímulos externos. ) 3.ll""C~ . psique sob a forma de imagem e afeto) e discrimina . Geralmente Freud emprega Reiz na dimensão somática. na raiz das idéias ou representações ou desejos que são recalcados. Mais adiante neste artigo Freud. Além disso. tal como seria o caso da dor ou da necessidade/carência (Bedürfnis). a correto dizer que a moção da pulsão rrrie. . tal moção atinge então o esta do de recalcamento (3) (Zustand der Verdrangung). sofrimento e para iniciar uma ação que traga alívio. O que pode ser recalcado é o sinal ou esboço do ato pulsionaJ. Coerentemente com a própria língua alemã não é possível recalcar-se algo muito forte e imperativo. e tosse irritativa é Reizhuslen. Na dimensão somática o conceito de Reiz é mais abrangente do que pulsão. explica que o recalque recai sobre a Reprasentanz (aquilo que representa a pulsão na . deste processo somático de acúmulo excessivo tende a se manifestar como dor.

fugindo).Je. I I I Uma etapa preliminar da condçnação (9) (Verurteilung).:Ical wnjrn: 5al:remessar).I~. Como se ver<l ( ( ( . (" I ( ( I · I I I I I I e. permanece ligado à Verweifung. de "sentir tesão"). portanto diverso da fruição plena do prazer e do gozo (novamente neste caso um bom equivalente. que derivam da própria atividade do órgão.jciç. :1' . .condenação (VeTUrteilung): ver comentários anteriores. o que mostra como. Trata-se de algo que permanece ao nivel do corpo. Não é fácil de ser deduzida teoricamcnte a possibilidade de algo como um recalcameilto (12) (Verdrangung).çao calcada num juízo (UrieiL'. 9. 14. então. Por que uma moção pulsional (13) (Triebregung) deveria sucumbir a um tal destino? Evidentemente. n e~ar. 8.I ' IC"t~X. para ele. n. (VeTUrteibmg). conceito que no período anterior aos es tudos psicanalíticos.m~ção pulsional (Triebregu~g): Note-se que será encontrado tdmbem a condenação ao nível da consciência é um bom meio de algo qu. seria "tesão" na acepção de "prazer". e também se refere a algo como um prazer que retroalimenta e mantém uma disposição para continuar a ação.condenação (Verurteilung): ver comentários anteriores. rejeitar. nem pode enfrentá-los abertamente ao nível da consciência que emite juízos. 16. reagio primitiva de rejeição que Freud mencl~na em diversos textos como sendo um I~ecan. tem um caráter absoluto ou conclusivo. o Trieb era mais do que uma ficção teórica. _ cada numjuízo(7) i 7. Contudo. A Urteilsvenverfong é I a composlçao inComum e significa uma rejeição I~alcada num juízo. compõe-se com o :. indicando não só coerência com sua postura geral de derivar e retestar na clínica suas hipóteses. con. afe~os estes insuportáveis. . _ . a relação dinâmica entre o patamar de significação e pensamento e o patamar onde se situa a matriz arcaica da dor e ' do medo. 10. Está sendo aqui usado POi: / Frcud como sinônimo de Urteilsverwer'img ou seia co d . uma presença observável e operante na clínica. algo que pouco convoca da /consciência ou das representações. diferentemente de Lima hipótese (condenação) (8) ou opmmo.moção pulsional (Triebregung): ver comentários anteriores em geral.e somente pode ser aplicado à moção (para atuar Contra a moIser maiS exato à representação. Trata-se de algo que elimina precariamente de cena a moção pulsional.objetivo pulsional (Triebziel): ver comentários anteriores em geral.desprazer (Unlust) ver comentário a seguir. mas também deixando claro que é na clínica que a dinâmica pulsional entre consciente e inconsciente pode ser observada. e . deixando a moção incômoda em estado "abafado" .slGerar Inutll ou imoral. no alemão coloquial.214 A TEORIA PULSIONAL NA CLíNICA DE FREUD APÊNDICE n 215 Mais tarde. 15 . O que se destaca aqui é que o recalque (Vmlrangung) .'lVels.(condenaçao) (Verurteílung): Este termo.~rn juízo. !Slgl1lfICa condenação. é o recalquc (lI) (Verdran· gung).recalque (Verdrangung): ver comentários anteriores em geral sobre o termO. J' .I<. têm um:-duplosent1do: córresponde a algo semelhante à vontade-iniciativa (bons equivalentes seriam "pique" ou "tesão de fazer algo". O terino Urteil é aqui [lmpOr~~l1te~ pois é algo que ocorre ao nível da consclenCla.fIca entre a rejeição por um juízo de valo~ consc~ente e a expulsão inconsciente.io cal. . claramente. neste caso teni-que estar presellte a condição de que o atingimento do objetivo pubional (14) (Triebziel) gere desprazer (15) (Unlmt) ao invés de prazer (16) (Lwt). se não fossem termos chulos). se não fosse um termo chulo. A Ve:~erJun~ ~~I~ o sentido de descartar.recalque (Verdrangung): Aqui a Verdrangung aparece como algo que nào pode eliminar os estímulos pulsionais (por exemplo. ~ost? .. não conseguindo eliminá-Ia definitivamente e tampouco enfrentando-a no campo da consciência. 12.pela palavra Urteil (juízo) e pelo prefIXO ver. comJ . Vorstellunu) que ção pulsional (6) chega à c '" b· onSClenCla como portadora ou (Triebregung) alra/ representante da moção pulsional) e com b alxa . algo intermediário entre fuga e condenaç. 13. iApalece aqlll.veT1uer!ung): (Urteilsverwcrfu ng) UJtezl. não podia ser formulado.prazer (Lust): Lust. Aqui Freud refere-se à necessidade de apoiar-se na clínica. . aqui equivalente ª.. 11.io (10) (Vorurteilllng).Iejeitar-expelir_ /caTcado em juízo. vés da r<. como uma disposição prazerosa I e sensações agradáveis.l:m~) arcaico de expelir e eliminar conteúdos mdeseJ.

portanto gerar um alívio. onde tudo indica que o tema é a contaminação por associação (um prazer se associa ao desprazer e se torna proibido e . Para poder assemelhar--se a uma pulsão.lsões ~er comentários anteriores eal geral.í ainda se referindo à disposição.. corroendo ou destruindo um ôrgão sobre o qual é aplicado. tanto sob o ponto de vista econômico quanto dillâmico (o qual neces· sariamente remete à dimensão de significação). se· ja internalizado e assim forme uma nova fonte de constante excitaçào e de de aumento de tensão. se acumulando.. num típico recurso seu de retórica. volta à questão mais quantitatÍ\'a para mais adiante descartá-Ia. Rei. contudo.). Quanto às situ'ações. também haver Lust não associada ao alívio (\'er nota 16). lima sensação de indisposi. ou melhor. é algo que se liga a uma vertente miüs corpórea e imediata do Trieb_ Neste caso. ameaçador. 21. . Ver notas 27·8 a seguir.(Schmerz): Esta palavra alemã nada tem de diferente de seu correspondente em português. 25· pulsão (Tríeb). os quais. . Iivrar. alívio este que Freud freqüentemente associa ao prazer.prazer de satisfação (Befriedigllngslust): ver comentários anteriores. Por exemplo. IR. 20-.lust): Aqui Frelld alll~e à transitividade entre LU. pois apesar de a pulsão sempre ser impulsionada pelo desprazer. que. ou infecções. Aqui se nota o uso do termo Reiz na acepção de estímulo "que facilmente se torna irritativo. neste caso. é quase como se o prazer fosse um efeito colateral da satisfação após uma antel-ior de intens" Contudo. é importante notar que há certa contigüidade entre os incômodos causados pelo Schmen. Freucl não est.situações pulsionais (TriebsÍlllationen): ver comentários anteriores sobre Trieb. A Unlmt é um desprazer.. mas nào é o que parece ocorrer neste trecho. devido a corroer QU des· truir um órgão. satisfazer.prazerosa (IUSlvoll): A s"tisfação da pulsão seria prazerosa.ção Oll inapetência.216 A TEORIA PU~IONAL NA CLíNICA DE FREUI) APÉ:--:DJCE 11 217 mais adiante.satisfaÇ<to pulsional (Triebbefriedigung): Bl'jriedisignifica satisfação na acepção de algo contíguo ao alívio.recalcamento (Verdrãngllng): ver comentários anteriores.) '22. o estímulo tóxico de envenenamento que se acumule num órgão. principalmente se for satisfeita antes que o acúmulo de seja percebido (inicialmente. gel-am tensão (por exemplo. uma não-vontade.-\ descarga é por natureza prazerosa.io a satisfaçáo pulsional (I R) (Triebbeé semp re prazerosa (19) (lustvoll). Na medida em qUê: a pulsáo (Tri('b) espicaça e gera estímulos os quais em acúmulo são u<:sagr-du:aV(~IS. basta que este estímulo seja internalizado constituindo uma fonte de constante emissão de estímulos. 23.se dos eSlúllulos. bem corno pelo acúmulo de pulsão (Tril'bstawmg). po-demos considerar algumas outras si-tuações puL~i()nais (2~~) nen). é pelo seu <tctllnulo que ele se torna então cada vez mais desconfoná\'el e insuportável). 24· estímulo (Reiz): Neste trecho Freud. Ter-se-ia de supor circun s tânc i as algum processo através do qual o "prazer-de-satisfação" (20) (Befiiedígllngs- lust) seja transfOI~ mado (21) Para melhor delimitar o recalc<Ullento (22) (~rerdriingllng). 19. apaziguar a pulsão. pois foi internalizado e passa a constituir uma fonte pulsional que gera interna e ininterruptamente estímulos. esta oscilação pode estar calcada sobre uma base quantitativa (aumento de Reize mais diminuição de Reize mais prazer). 26· dOI. ela se dirige ao prazer. po· de ocorrer que um estímulo (2/1) (Reiz) externo. ele ~ldquire uma grande semelhança com uma pulsão (1Tieb). Freud refere-se às diferentes configurações pulsionais possíveis. Assim. etc.desprazer (Un.pu. A LUlt da pela pulsão é primordialmente esta Lust obtida de o acúmulo de ser percebido. É importante ter presente que o Trieb oscila entre a Lust e a Uulust.>t e Unlust. mas aos efeitos prazerosos da descarga e do alívio qualldo atinge seus objetos comentário 18). Nós sabemo. o desprazer é le\'emente percebido como apetite. ou ainda os efeitos da radiação nuclear. o que sentimos é da-r (26) (Schmerz). O estímulo (Reiz) adquire semelhança com uma pulsão (Trieb). Mas este caso II~\O é bem Tal (17) tipo de (Triebe) n.. 17. Unlllst.

Ele se torna assim imperativo. deixando clara a idéia de que há um outro prazer além do alívio ou cessação da dor. um prazer obtido quando há um pronto atendimento da descarga antes que o desprazer potencial do acúmulo de Reize seja percebido conscientemente pelo sujeito. 31. permaneça insatisfeito (31) (l1nbe{riedigt). 29. algo diverso do sentido de "prazer" na acepção coloquial do português (por exemplo. panlco angustIa ansiedade") I ' bem '.~ se. ~ao e p~r acaso que Freud traça este paralelo :ntl e a pulsa0 e a dor que é gerada internamente e Impele p~r~ uma ação que visa anular a fonte de dor. neste sentido é equivalente a Drang.\o. a dor é imperativa. é mais pertinente ao processo primário e está ligado às primeiras repercussões psíquicas do acúmulo somático.desprazer (Uniust): Note-se que aqui Freud fala de Uniust causado pela dor (Schmerz) a qual 1'/. A Bediírfnis é um fenômeno frouxamente ligado às significações do processo secundário. 219 27-. por exemplo no orgasmo. o caso da dor é por demais pouco transparente para servir ao nosso propósito.218 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD APÊNDICE 11 Todavia. está mais próximo do que Freud descreve nos Três Ensaios (1905) como pré-prazel" (Vorlust). d ezz. ou se são de ongem mterna.ação de satisfação (Befriedigungsaktion) ver comentários anteriores sobre satisfação.estímulo pulsional (Triebreiz): ver comentários . o prazer de degustar um vinho. Torna-se imperativa pela somação de estímulos incessantemente enviados e não descarregados.. Obviamente. bem como do desprazel" (28) (UnilLst) ligado a esta alteração. no caso da dor sentida neste órgão imaginário e danificado há uma sensação maior de alívio. ao desejo intenso e sôfrego. parClal~ente aliviada ou interrompida quando a uma Irrupção de A ( " """ ngst Inedo. como a fome. Em ul~~ma. instância~ o perigo pulsional é de gerar a sequenCla despl"a~er (Uniust). do' . . a extmçao temporária da mqllletude acumulada. na saciação da sede. . Aqui Freud fala em outro prazer (Lust). Esta sensação de Angst no t g . pse~do-pulsão (Pseudotrieb). a atmosfera conotativa do termo é mais de alívio após carência do que de grande prazer. portanto diverso da "necessidade lógica" ou "necessidade" na acepção de "penúria". Tomemos o caso em que um estímulo pulsional (30) (Triebreiz). ambosjá vislumbram um objeto de satisfação. . (Trieb) é a do aplacamento o u ' ''. ou o prazer de beijar a pessoa amada).prazer (Lust). 33. 32. como aVIsa o aparelho psíquico do perigo in)inellte. isto é:'~ paI tu das repercussões psíquicas do que Ocorre no p~[amar somático). transformando-se facilmente em desconforto e dor. pa amaI d pr~ce~so pnmário. 28. A transformação do excesso de R . anteriores em geral. Além disso. Contudo.io (27) (Pseudo-tneb) é somente a cessação da altel"aÇ<\o do órg. com \ i ( ( < \ ( l ( . . Aqui neste artigo. algo fortemente ligado à sensação. da fome. etc.insatisfeito (unbefriedigt): A fome não satisfeita é a fome não aplacada. d . não imediatamente igado ao sofrimento. 30. S' ezz em or pode e h .tensão de necessidade (Bedürfnisspannung): Bedürfnis significa necessidade ou carência.medo (An :st)dOI" (Schmerz). Somente no patamar do pI oces~o s~cu~dário pode-se diferenciadar se tais sens~ço~s ~ndlcam perigo externo vinculado às Co~tlllg~ncIas de realização da pulsão. o o~je[ivo desta pseudo-pu 1s. Tal qual a lógica da satlsfaçao (Befriedigung) da pulsão. além disso mantém uma constante tensão de necessidade (33) (Bediirfnis· sjJannung). e no texto freudiano em geral. permanece a inquietude e o aumento de tensão pelo acúmulo de estímulos. só é aplacável através de uma ação de satisfação (32) (Befrierligu ngsaktion). Este prazer de alívio é o que Freud chama às vezes de Befriedigungslust.seJa. sempre é . algo equivalente aos efeitos colaterais prazerosos obtidos quando há um alívio. também aqui o ob'etivo d pseu~o-~uISão (Pseudotrieb) é anular ou e~tingui. aponta para sinais de perigo e amqllIlamento por excesso de estímulos (estes t~nto quando de origem intel"na quanto externa' sa~ ~~rcebidos a partir do mundo interno. a las pIO uZIda quando há um excesso de R . Este último tipo de prazer (Lust). ela só se submete à ação de urna intervenção toxicológica ou à influência de uma distração psíquica. Outro prazer (29) (Lmt) direto não po- de ser obtido pela cessação desta dor. ' a qua drena o excesso.

adquirindo eventualmente em dado momento uma dimensão irresistível. A palavra tem uma conotação de techamen~o.l (3R) (Abwehr) de que o organismo dispõe colltr<l esta situação.recalcamento é um mecanismo de limiar e incide Isobre uma moção pulsional representada por uma idéia (ou representação) a qual. inclusive. apesar de a nãosatisfação da pulsão tender a ser um processo fincado numa' base quantitativa cumulativa. de uma pulgão (37) (Trieb) se torna insuportavelmente grande. p~'ocesso. .APÊNDICE 11 220 221 A TEORIA PULSIONAL NA CLlNICA DE FREUD a diferença de que Bedürfnís (necessidade. Algo já presente na consciência e intenso tal como a fome ou a dor não recalcável. Verwerfen.! nos apan~ce na prática psicanalítica. num estado de recalcamento. 1 11 I li' I 1 o caso do recalcamento C~5) (Ver. Atenhamo-nos de preferência à experiência clínica. Quando trata de contrapor o movimento de rechaço em geral contra as pulsões. aborda aspectos qualitativos. Sintoma e Angústw. não a somação de estímulos pulsionais que avassaladoramente acumulados Ise tornariam imperativos. as repercussões propriamente psíquicas deste. 38. aparece mais uma vez a idéia de que. 1I Quais os meios de defes.O termo sugere apenas que o inimigo foi repelido. todos na acepção de 'rernhC!lten (manter afastado).recalcamento (Vmlriingung): Aqui se nota que. Abwehr. subdivide o "ecalque em . sobre as quais a anahse pode I influir. 137. Freud nenJ Isempre diferenciou claramente Abwehr de I Verdriingung (o faz f()rmahnente no texto Inibição. quando se trata de especificar os modos de defesa. mas ma:ltém a idéia de certa contll1L11dade potenCIal do pengo. indica algo como repelir. É. bem como de um movimento que consiste em afastar de si o perigo. ú1. possivelmente o inimigo pode se reorganiz<lr e voltar. Verleugnen. 1 ambos termos contém a noção de uma cena .nensões das palavras e Idems. ainda pode ser mantida em Ixeque. num trecho que não será discutido aqui. 136.não satisfação (Unbefriedigung): ver comenI tários anteriorés. carência) centra na carência em receber o estímulo e Dmng (afã. que significa . para explicar a Urvenlriingungj"recalque originário"). (A quantidade Ide Reiz é retomada no texto. T. refere-se a uma ação de bloqueio de um ataque. apesar de diversos.. manter afastado.lng não pode incidir sobre algo avassalador e imperativo. exige outros mecanismos de defesa.:.defesa (Abwehr): Esta palavra. mas. investida de relativa baixa carga energética. ânsia) na urgência em bu. a lincipiente manifestação da pulsão que sofre I recalcamento.scá-lo. Urverdrãnb'rung (recalque originário) e eigentliche Verdriingung (recalque propriamente dilO). Mais adiante no texto Freud. portanto. cada um dos termos é especificado. lerá de ser abordado noutro contexto.lInbém aparece aqui e na próxima frase como. 134. a Fenlrangl. ~e proteger-. bem con:o as t~ü. 1926).ali s fa çflo U~6) (UnbejTiedigung) . quando trata dos quadros clínicos. contudo. Aqui Freud acaba descartando a questão do excesso de Reiz como Iútil para explicar a Verdrangung e volta-se à clínica le às dimensões da significação. a questào do recalque exige outras considerações. drüngung) certamente não ocorre quando a tensão devida à não . A teoria pulsional não é deixada como um pano de fundo fundante e deslig. Mais adiante neste texto Freud.defesa. a prática clínica é algo diretamente vinculado ao conflito pulsÍonal.ldo da clíniG!. I I '35I I I I I I I recalcamemo (Verdriingung): Assim. Algo COIll0 um recalcamento (34) (lhrMingllng) não parece de forma alguma estar em cogitaç'\o.pulsão (Trieb): ver comentários anteriores. 1I II I I . O . i para Freud. Iprecariedade do status quo.l qual e\. Freud utiliza com certa liberdade os termos Verdriingung.

slll. drangung) e que tal MaiS adiante Freud.medo). ' Idesdobrarem em ato . recalcamento (51) como entre pessoas e contextos. pOIS apesar' de a pulsão sempre ser ela iria portanto. ' entretanto seria inconciliável (44) 42. Passa a ser então 147. o qual expressa aquilo que e nao asslmllavel pelo ego. 11Illclal~ente a uma ameaça externa (geralmente de Icastraçao).l pulsa0. lugar e desprazer slgmflca literalmente in-unificávc\.. I:0I: ' I \46. desprazer (48) Idestaca-se o aspecto quantitativo que definirá qual (Unlllst) adquira Itendência prevalecerá.i pu. outras reivindica.<mg) não no texto. d o conflito pulsional entre o 'pra.lsao .uluma l11sta. trag1tngsneurosen ). .:tmgbch (lIILOlerável. Irr . onde o medo se refere ' ' i. O termo deve ser diferenciado ~~ 1l1/~. geralmente traduzido \ I: ~o m.st): ver comentanos antenores. Freud dá exemplos onde este tipo de defesa originalde trânsito é bem descrito nas várias formas de mente disponível. Ie f?rmalmente nao tem como ser compatibilizado pOIS trata-se de pulsões com desíglll-os a'ntagomcos.~()ndenmg) entre diferenciaç~o (Sonderung): diferenciação no atividade psíquica sentido também de especificação-separação em (53) (Seélenlãtigforma nova. aqui o recalque é fruto em .neuroses de transferência (UlJertro~11!gsneur()Sen): Ademais. e que ele não pode retorno do recalcado..1 p~rccla representacional e eventualzerosa (43) (lustvoll). recalcame:lto. de ato que permite a descarga rer a satisfação (40) ie sa:lsfaz (aplaca) a inquietude causada pela (Befriedigung) de [pulsa0 uma pulsão ('ll) 1.tisfação (Befriedigll1lg.co:npatíve!"). I mpulslOnada pelo .(Lust): ver comentários anteriores sobre lOS aspectos lingüísticos do termo. . [.' . Idesprazer em outro".. [~ente ~e maneira mais frágil sobre a parccla afetiva d. em alemão Freud que o motivo de fala literalmente em adquirir um poder mais forte.nCla. onde há o medo vIsceral do aumento de tensão como no Irecalque propnamente dito. 51.recalcamento (Verdrangung): aqui Freud se se constituir antes refere ao postulado de um recalque original que se h. o motivo do maior força do que desprazer aqui sào as consequencias externas.desprazer (U1/lust): Aqui se trata do fato de que (47) (Verdrang'ung) I lo motivo adquira maior força. gung. Mais adiante (Venlranlo. C ontudo. ou as conseqüências outrora ção (49) (BefrierliIexternas.lja produ(Urverdrangung) do qual trata num trecho não inzido uma rigorosa cluído nesta tradução. 49.desprazer (Unlust): ver comentários anteriores. vemos ' Slmultaneamente a idéia de que o m eoevao d I . po"lS no mve 1I1consciente nao ha con~radiç~es. estes desígnios só serão incompatíveis . O terl'no u Tiverem bar .r . está indicando que o oc~rre entre as cO:Iseqüências prazerosas e as I~espra:erosas. quando se manifestarem como representações e ~~ 'I '_. qmmdo trata de exemplos de recalcamento é um mecanismo na psicopatologia.I ecal soble . .4~ prazerosa (:mtvoll): a satisfaçao da pulsão seria ções e desígnios. h~ja l'ecalcamento i48.satisfação. plasticamente recolher tais cenários de volta para somos levados à mais tarde novamente aplicá-os sobl-e outras conclusào de que o pessoas. agora internalizadas. 45. (Trieb) que esteve i" ecalcamento de um~ puI 5<10 sem d' _»" " IferenClar submetida ao I'CC.. Note-se que aqui iquando Freud [ala de «prazer em um lu .prazel. um trânsito entre o passado e presente. não passível de (46) (Unlust) em Iser colocado em l~níssono. ou sep. I I 1\ I I I I I I im~dSse \ 50. explicará que o recalque seria a c.lcla vez pra. (Befriedigung): Aqui utilizado no até possível ocor. .se produzir prazer pra~el e a .~~scarga e por natureza prazerosa.recalque (Verdrangung): ver comentários condição para que I . keit) consciente e I - I I I I . o prazer de satisfaI[sejam de fato. Remete a algo que lógica oulro.pra::~r de sa.' I _ tensao ~ulslOnal que resulta em ataque de medo (~quaçao recalque .f senll~o ~e reahzação.mtenores. Contudo. alraV(~S 'IA palavra transferência (Übertragung) evoca em da experiência psialemão a idéia de transposição ou transporte canalítica com as Iflexível e plástico.lt. " desprazel' ela ' d"mge ao I . num vai-e-vem. bem como da ligação das diferenciação (52) 11lIllm!ellS com a linguagem e resíduos de palavras. ao sistematizar e detalhar o satisfação também I~r~~e~so ~e.r:calcamento (Verdriingung): ver comentários (1tnvereinfmr) co m Iantenores.mconclhavel (unvereinbar)'.slust).lZer~sa.APÊNDICE II 223 222 A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD Esta nos ensina ser . .puisão (Trieb): Note-se que aqui Freud [ala de 1i . de representação". As neuroses de transferência neuroses de trans! terão a característica de transpor antigos cenários ferência (50) (Überpara séries de pessoas atuais e. sUjeito a recalcar. isto ocorre tanto no caso do Irecalqu: original (Urverdriingung) . ' . (45) (Luse) em um ' 44. (.. isto se deve tanto à camento (42) (\cerpol~sse~Ja do termo quanto ao trecho do texto.

22;

A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD

APÊNDICE 11

225··

inconsciente, e que sua I'ssímcia sO'Inen·
te reside no rejeitar

e no manterá distância do consciente.

atividade psíquica (5'eelentãtiglieit): A palavr,\ Seele (alma), em alemão, é u::;ada·na acepção literária (alma, mente, sentimentos, psique) e religiosa (alma, espírito), bem como na psiquiatria, ollde era. e é, utilizada até hoje na acepção mais técnica de "psique". Com freqüência, Freud fala em Seelellapparat significando "aparelho psíquico" e não "aparelho d'alma", nem "aparelho anímico" e tampouco "aparelho da mente". A função do .::,et?lelW!.)1)ClTal é lidar ao nível psíquico com excessos de estímulos somáticos, é disto que também se trata aqui. Uma vez tendo se instalado UIII processo secundário pleno e estando funcionalmel1le diferenciado o consciente do inconscientc, entra em jogo a possibilidade de proteger o consciente do excesso. Portanto, só é afastado pelo mecanismo do recalque aquilo que pode incomodar o consciente. Porém, para tal é necessário que aiuda no limiar de tornar-se claramente incômodo, algo que se situa na entrada da idéia/ representação no consciente. Note-se que a perspectiva de Freud nào é quantitativa apenas, há sempre a I transformação qualitativa através da atribuição de i afetos e sentidos na linguagem, ou seja, os mecanismos que instalam a dinâmica conscienteinconsciente.

mo a transformação em se!-\ contrário e o voltar-se contra a própria pessoa dão conta (57) (bewiiltigen) da tarefa de rechaçar (58) (Abwehr) as moçõcs pulsionais
(59) (Triebregungen)

Iremete

e

tímulos (Reize) e numa linguagem metafórica que a movimentos dos hidrodinâmicos, : referindo-se a tentativa de lidar ou dar conta de uma inundação de correntes ou turbilhões de estímulos que arrastam o sujeito (não esqueçamos que a fonte pulsional incessantemente emite estímulos pulsionais que se represam). O verbo designa um controle precário que apenas consiste em "lidar com", ou em "dar conta", não há uma conotação de dominar de maneira definitiva.. o que afinal não é possível em se tratando de pulsões. 58- rechaçar (Abwehr): Aqui o termo Abwehr é utilizado na sua acepção corriqueira alemã de afastar, rechaçar. 59- moções pulsionais (Triebregungen): ver comentários anteriores.

FINAL DAS DUAS PRIMEIRAS PÂGINASDO TEXTO

DIE VERDRANGUNG

Esta concepção de n:calcamento (5-1) . (VerririillgulIg) poderia ser complementada pelo pressuposto de que ante\:ionnel1le a esta etapa de OI-ganização psíquica (55)
(seelischen Organisation), os outros destinos ela pulsão (56) (Tr ieb), tais co-

54- recalcamento (Verdrãngung): ver cOIllcnt.Írios

anteriores sobre Seele. 55- organização psíquica (seelischen Organisalion): comcnt.írios anteriores. 56- pubão (Trieb): Evidentemente a pulsão no sentido de fonte de emissão de estímulos, ou ainda no sentido mais amplo de princípio organizador, não é afetada pelos mecanismos de defesa. Na realidade os dcstinos da pulsão aqui são destinos dos estímulos pulsionais, ou da direção da ação que é motivada pela pulsão. 57-dar conta (bewiUtigen): Este verbo, freqüente mente utilizado por Freud em conexão com os es-

Como se nota, dentro de uma mesma página .Freud transita entre os patamares do somático, do processo primário e do secundário, o que ilustra a agilidade do texto freudiano. Vê-se aqui como Freud opera com a noção de Trieb (portanto, com o arco pulsional) e como as palavras e noções ora se encadeiam em tramas processuais precisas (como é o caso da descrição da seqüência de brotamento incipiente da pulsão e do mecanismo de recalque como sendo uma ação de limiar), e ora se arranjam como tramas de ênfase (como é o caso da moção/iniciativa pulsional - Triebregung), a qual é objeto do estado de recalcamento, para, mais adiante, num trecho não reproduzido do texto, ser substituída pela noção de representação e, ainda, em

226

A TEORIA PULSIONAL NA CLÍNICA DE FREUD

outro momento, pela de afeto. Nestes casos'não se trata de incoerências nem imprecisões ou rupturas, mas de momentos e focos. Para este tipo de leitura ser proveitosa, é necessário localizar-se em que patàmar de circulação pulsional o foco do texto se encont;.ra e que dimensões estão se entrecruzando, bem como se Freud enfatizando uma linha de força ou descrevendo e sistematizando processos. É claro que nem sempre estes operadores de leitura são aplicáveis, bem como as tramas às vezes aparecem de tal forma mescladas no texto que é difícil separá-las; contudo, através deste exercício de leitura, procurou-se indicar que em muitos casos é útil utilizá-los.

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