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Universidade Portucalense Mestrado em Psicologia Clínica e da Saúde Comportamentos Desviantes

Programa de Prevenção Primária da Toxicodependência

Hugo Rebelo, nº19998 Porto 2010

. onde são confrontadas com diversas situações e desafios. A escola é o local onde as crianças passam a maior parte do seu tempo. a longo prazo. o número de pessoas que iniciam o consumo de substâncias.Resumo: Este trabalho pretende ilustrar aquilo que melhor pode funcionar quando falamos de prevenção primária da toxicodependência. prevenindo a adopção de comportamentos de risco e encorajando a participação activa dos jovens na educação dos seus pares Introdução Através duma revisão bibliográfica chegou-se à conclusão que um programa de prevenção primária da toxicodependência teria a sua maior eficácia se fosse executado nos primeiros anos de escolaridade básica. Seguindo esta ideia achamos pertinente sensibilizar toda a comunidade educativa para a prevenção da toxicodependência tentando assim diminuir. Tendo como base uma revisão bibliográfica pretende facilitar a tomada de decisões livres e responsáveis. As intervenções preventivas são uma das maiores armas da estratégia de controlo da toxicodependência. O impacto destas acções de prevenção na redução dos problemas relacionados com o abuso de substâncias dependerá sempre do grau em que essas acções sejam capazes de integrar métodos e características que a investigação tem identificado como estando associadas aos programas mais eficazes nesta área. Pertinência Há diversos factores que nos levaram a achar pertinente fazer um programa de prevenção da toxicodependência a nível escolar. Este programa irá tentar promover a transposição desses conhecimentos científicos para a prevenção propriamente dita. em relação aos quais deverão ser/estar preparados para tomar as melhores opções.

A avaliação do programa será feito tendo como base os conhecimentos empíricos tidos pelas crianças na primeira sessão em contraste com a última. Serão usados dois testes para essa avaliação. o aumento do abuso de tabaco. Este aumento de conhecimentos irá funcionar como um obstáculo ao uso de drogas tentando originar uma resposta racional e emocional face à problemática. Para isso. O aumento de conhecimentos fornecido neste programa deverá funcionar como um obstáculo ao uso de drogas no futuro. já que a formação de pares e grupos sociais é também algo . tentaremos aumentar o nível de conhecimentos na educação dos jovens. um modelo informativo-comunicacional que promova novos conhecimentos e atitudes face às drogas. Metodologia Este programa de prevenção terá assim. “É a relação entre conhecimentos. em contexto escolar. como base. o “Children’s Assertive Behavior Scale (CABS)” e o “Life Skills Training Questionnaire” Além dessas sessões haverá também a distribuição de folhetos a pais e professores. e de acordo com a bibliografia. atitudes e comportamentos que permite uma postura positiva face ao abuso de substâncias. 1957). álcool e drogas na população juvenil verificado nos últimos quinze anos aponta para a necessidade de programas de promoção de comportamentos de saúde e estilos de vida de natureza preventiva nas camadas mais jovens. comunitário ou local).De acordo com Negreiros. todas elas com objectivos específicos a serem cumpridos. Seguirá uma estratégia de intervenção universal. Serão realizadas multi-sessões. proporcionando informação sobre os conceitos relacionados com a toxicodependência. Este programa tentará combater satisfazer um pouco dessa necessidade. originando uma resposta racional e emocional de afastamento face a estas. dirigindo-se assim à população em geral (a nível nacional.” (Festinger.

Há diversos factores de risco associados à toxicodependência. Além destes factores que nos parecem determinantes temos ainda os factores familiares (que envolvem parâmetros como a precariedade económica. O públicoalvo será crianças do terceiro e quarto ano de escolaridade. níveis altos de ansiedade e a procura de novas sensações. um forte lócus de controlo externo. expectativas irrealistas face ao desempenho dos filhos e a presença de violência psicológica ou física) e também os factores escolares . O setting do programa de prevenção será a sala de aula. o insucesso escolar precoce.relevante neste tipo de programas. pois é importante torná-los parte do processo para que estes percebam quais os riscos e sinais associados a esta problemática. onde temos. Estes podem ser individuais e relativos ao grupo de pares. Objectivos Gerais da Intervenção Este programa de prevenção primário tem como objectivos gerais aumentar as competências dos agentes sociais no âmbito da prevenção das toxicodependências e também reduzir os factores de risco e aumentar os factores de protecção associados ao consumo de substâncias psicoactivas nos adolescentes. ausência de competências parentais. comportamentos violentos e anti-sociais no início da infância. pouca resistência à pressão do grupo de pares e a inclusão em grupos com atitudes favoráveis à droga ou à delinquência. Estrutura Este programa será composto por oito sessões. experimentação de drogas em idade precoce. Além destes tentaremos abranger também os pares e grupos sociais. baixa auto-estima. impulsividade. Cada uma delas terá um tempo estimado de aproximadamente trinta e cinco minutos. como factores de risco.

a responsabilidade.(pouca participação estudantil e escolas com ausência de regras e conflituosas). fornecendo a todos a formação e competências necessárias para prevenirem e lidarem com o problema. a resolução de problemas e a tomada de decisão. crenças. Esses objectivos seriam ensinar aos alunos as técnicas necessárias para resistirem às pressões para fumar. conhecimentos e competências adaptativas relativamente ao consumo de substâncias. beber e consumir drogas. Além disso serão também promovidos factores de protecção nos âmbitos acima referenciados. ajudá-los a desenvolverem uma melhor auto-estima e auto-confiança. de atitudes. comunicacionais e de assertividade. A adopção de estilos de vida saudáveis. . a auto-estima e o auto-conceito e o sentido de responsabilidade são também factores de protecção preponderantes para a prevenção da toxicodependência. o envolvimento comunitário. Todos estes objectivos têm a finalidade de prevenir o uso e abuso de todo o tipo de drogas. aumentar o conhecimento destes sobre as consequências imediatas do uso de substâncias e melhorar as competências cognitivas e comportamentais para reduzir e prevenir uma variedade de comportamentos de risco dando ênfase a conceitos como a assertividade. Para isso tentar-se-á promover competências sociais e pessoais. competências de tomada de decisão. Objectivos Específicos Após uma revisão dos factores de risco e dos factores de protecção associados à toxicodependência foram delineados os objectivos específicos a atingir com este programa. Os objectivos gerais da prevenção passam assim por reduzir estes factores de risco.

qualquer actividade realizada no sentido de reduzir as possibilidades de reduzir ou adiar o inicio do uso de uma substancia terá que envolver não só o público-alvo. por mais ínfima que seja. Quando um jovem sente dificuldades e não tem possibilidade de falar delas à família. A restante meia hora seria usada para o pré-teste onde os alunos preencheriam dois questionários – a preencher também na última sessão com o objectivo (informado) de fazer uma avaliação do programa comparando os conhecimentos iniciais com os finais. poderá ser fundamental para a prevenção do uso de substâncias. a primeira rede de ajuda são os amigos e companheiros. professores e pais. uma das áreas contempladas neste programa de prevenção seria formar grupos de jovens voluntários para que estes desenvolvessem acções preventivas juntas dos seus pares. como também os seus pares e grupos sociais. Mas para haver realmente uma ajuda por parte dos seus parceiros terá que se exigir uma formação por parte destes.Formação de Pares e Grupos Sociais na Prevenção da Toxicodependência A formação de pares e grupos sociais na prevenção da toxicodependência não é o principal objectivo deste programa. Os primeiros quinze minutos seriam para apresentar os elementos do programa e também para explicar ao público a envolvência do programa. Além disto seriam contemplados folhetos informativos para estes jovens distribuírem em casa e na sua rede social. a formação de alunos. a intenção e os seus objectivos. o procedimento. Contudo. Os questionários a . Sessão a Sessão A primeira sessão do programa de prevenção seria preenchida pela apresentação e o pré-teste. Assim. transmitindo-lhes algumas das competências aprendidas durante as sessões do programa.

Após esta fase seriam lidas Banda Desenhadas.jellinek. “Agora é a tua vez” e “Tampómetro”. Tem como objectivos promover a aquisição de competências de assertividade. onde seriam escolhidos alunos para encarnar as diversas personagens. as crenças e a informação. capacitar os sujeitos de competências de tomada de decisão e dotá-los de capacidades para resistir à pressão dos pares. Os primeiros 20 minutos seriam passados a discutir “o que realmente fazem as drogas” usando uma apresentação em flash (http://www. nunca esquecendo de adaptar a linguagem ao público-alvo. Seria intitulada de “Aprender a ser Assertivo”. Assim os próximos 30 minutos seriam dedicados a ler textos deste programa que envolvem o conceito de assertividade tirados do “Olá. As variáveis a trabalhar seriam a motivação para o não consumo.html) com o objectivo de informar e reflectir sobre os efeitos das substâncias. A terceira sessão teria como objectivos explorar e clarificar o conceito de assertividade. A segunda sessão teria a temática “Drogas e o Cérebro” onde o principal objectivo seria informar e reflectir sobre os efeitos das substâncias. Obrigado!” e onde seria lidas as bandas desenhadas “O dentuças e a assertividade”. No final de cada banda . Essas bandas desenhadas fazem parte do programa “Crescer a Brincar” que é um programa que enfatiza o papel activo dos sujeitos na construção do conhecimento e privilegia o processo de tomada de decisão.nl/brain/index. “Jogo da Panela de Pressão”. Os primeiros 10 minutos seriam dedicados a um breve diálogo entre os instrutores e os alunos com o objectivo de perceber que ideia têm estes do que é ser assertivo. (exemplo de questionário). Os próximos 15 minutos seriam passados a abordar alguns dos mitos e crenças associados ao consumo de drogas e os últimos 10 a preencher um questionário sobre esses mitos e crenças tentando motivar os alunos a usar os seus novos conhecimentos.usar seriam o Children’s Assertive Behavior Scale (CABS) e o Life Skills Training Questionnaire.

Esta fase ocuparia cerca de 20 minutos. Após cada vídeo seria feita uma breve discussão dos prós e contras da temática. Esta discussão tem o tempo estimado de 25 .desenhada seria feita uma discussão com os alunos para tirar dúvidas existentes e confirmar as envolvências do novo conceito aprendido. A quarta sessão seria intitulada “E agora?” e teria como principais objectivos explorar o conceito de decisão e consequência. Os primeiros 10 minutos seriam a explicar esta teoria. trabalhar atitudes anti-droga e focar as questões sociais negativas associadas ao consumo de substâncias. Os textos a ler seriam: “Vermelho: Stop Parar!”. Os últimos 15 minutos seriam gastos a focar as questões sociais negativas ao consumo de substâncias e as suas consequências e para isso usaríamos o vídeo onde seriam ilustradas várias situações em que o consumo de substâncias seria prejudicial à pessoa (exemplo de vídeo). Aqui pretende começar-se a trabalhar a tomada de decisão. Sentir e pensar antes de avançar!” e Verde: Avançar!” Após a leitura destas tentaríamos generalizar estas aprendizagens para fora do âmbito escolar. identificar essas atitudes. com os alunos. discutindo. juntamente com os alunos. Os primeiros 15 minutos seriam ocupados com uma abordagem teórica ao assunto seguidos por uma leitura da banda desenhada do programa “Crescer a Brincar” onde usaríamos as bd’s intituladas “Stop! Disciplina e Autocontrolo” (exemplo: link1 / link2). promovendo o diálogo com os alunos. A quinta sessão teria o nome de “Eu e os Outros” e o seu principal objectivo seria trabalhar a questão da pressão dos pares e da influência social como influência determinante para o início do consumo de drogas. Estas bandas desenhadas têm o objectivo de promover um clima de disciplina e respeito pelas regras do grupo. Após isto seria distribuída uma banda desenhada sobre um rapaz que vivia num meio bastante pobre e que conseguia resistir à pressão dos pares e ter atitudes anti-droga. Amarelo: Devagar…. Após a leitura dessa bd iríamos então. para que as crianças se apercebam que todas as decisões que tomam têm uma consequência. que tipo de atitudes deveriam ter em determinadas situações.

“A brincar eu sou assim…” com o objectivo de desenvolver o auto-conceito. “O que é uma decisão”. Os primeiros 5 minutos da sessão seriam realizados com uma abordagem teórica ao tema e depois seriam usadas bandas desenhadas do programa “crescer a brincar” (exemplo1 / exemplo2) envolvendo os seguintes temas: “O mapa das decisões”. “Na escola eu sou assim…”. Todas estas temáticas seriam debatidas à volta da banda desenhada. Após isto far-se-ia a discussão relativa à auto-estima onde os temas seriam: “Eu sou especial”. “o que é uma opção?”. A sexta sessão chamar-se-ia “Eu!” e teria como objectivos promover o auto-conceito e a auto-estima nos alunos. O primeiro seria a formação de um ou mais grupos voluntário capaz de transmitir alguns dos ensinamentos dados nestas sessões. Após esta fase teórica teríamos a leitura de bandas desenhadas da colecção “Crescer a Brincar” onde seriam lidas as seguintes bd’s: “Os inimigos da estima”. A última sessão contempla dois grandes pontos. A minha família é assim…”. Outro dos objectivos seria que os alunos percebessem quais os passos existentes numa tomada de decisão e também treinar esses passos. onde abordaríamos o porquê de todos sermos únicos e especiais. “Passos para tomar uma decisão” e finalmente “Eu decido!”. “O que é uma consequência?”.minutos. “A minha turma é única e especial” e “O clube da estima”. aos seus pares e à sua rede social. Os primeiros 20 minutos seriam ocupados com a análise de conceitos onde seriam debatidos os seguintes temas “O meu corpo é assim”. resolução de problemas e conflitos e a resiliência. Após cada bd seria feita a normal discussão sobre a sua história e os seus acontecimentos. O tempo restante seria para integrar a sessão fazendo o resumo desta. “de que são feitas as decisões?” onde seriam abordados temas como as emoções e sentimentos e os valores. “Os aliados da estima”. comunicações. A sétima sessão teria o nome de “Eu decido!” e teria como principais objectivos implementar técnicas de drug-refusal contemplando o controlo de impulsos. No final de cada uma seria feita uma discussão sobre as aprendizagens e ilações tiradas. .

Estes grupos seriam escolhidos durante os primeiros vinte minutos. Todavia penso que um pouco de conhecimento não deverá ser prejudicial. Como tal todas as restantes sessões têm como objectivo dotar o público-alvo das capacidades necessárias para. saber dar uma resposta a esses “desafios”. O objectivo desta prevenção não é incidir sobre as drogas mas sim sobre os factores protectores. Após isto seria aplicada a fase do pós-teste onde os alunos preencheriam outra vez o Children’s Assertive Behavior Scale e o Life Skills Training Questionnaire com o objectivo de fazer uma avaliação do programa e do seu sucesso. que visam sobretudo a informação.” Face a isto foi com alguma dificuldade que inseri a segunda sessão onde há uma breve explicação sobre os efeitos nefastos que as drogas podem ter para a pessoa. quando o tempo chegar. Notas Finais De acordo com o paradigma sócio-psicológico “lições sobre drogas tornaram os sujeitos mais interessados pelas drogas e menos contrários à sua utilização. . onde também seria explicado quais as suas tarefas.

(1957). Toxicodependências. Volume 41 Number2 2008 PP. A Theory of cognitive dissonance. J. Evanston. L. (2008) School-Based Drug Prevention Programs: A Review of What Works.Prevenção primária das toxicodependências: Avaliação de uma intervenção de grupo em crianças com idades entre os 8 e 9 anos. (1999) O futuro da prevenção das toxicodependências. Australia. Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação. Queensland University of Technology.Bibliografia Pereira. M (2000) . Soole. 259–286 Negreiros. D. Row Peterson. Ill. 5. Análise Psicológica (XVIII): 455-463 Festinger. 35-39 (1999). Programa Crescer A Brincar – Porto Editora .