1.1.

Introdução “O fogo foi inventado na era pré-histórica, e o homem aprendeu a se defender, ao longo dos anos novas tecnologias foram surgindo e novos processos de fabricação e novos tipos de materais causam o surgimento de novos riscos, e a proteção deve evoluir no mesmo ritmo.” Leandro A. Graton O plano de evacuação de uma forma geral tem por objetivo minimizar e prevenir, o máximo possível acidentes pessoais e danos na propriedade da empresa e áreas vizinha. É a eficiência de uma evacuação que delimitará as perdas humanas principalmente em edifícios em altura e hospitais. Deve-se levar em consideração que na hora de um sinistro o principal inimigo que se tem é o pânico. Quanto mais preparadas às pessoas estiverem para enfrentar uma situação de emergência, maiores as chances de se salvarem. Infelizmente só começamos a nos dar conta disso depois de termos vivenciando várias tragédias como a do Edifício Joelma no qual morreram mais de 180 pessoas e com mais de 300 feridos e a do Edifício Andrauss que morreram 16 pessoas e com 345 feridos. Ainda assim se faz muito tímida esta conscientização das pessoas e das organizações no sentido de que todos devemos estar preparados para eventualidades. Existe sempre aquela mentalidade de que comigo não acontece e no geral este tipo de preocupação vai ficando para 2°ou 3° plano. 1.2. Porque devemos ter um bom planejamento? Num desastre as comunicações podem ser interrompidas e as condições podem ser caóticas, por isso o objetivo de um plano de controle de desastre deve ser o de desenvolver o planejamento que permitirá aos responsáveis pela empresa, durante uma situação de emergência, se concentrarem mais na solução dos problemas prioritários do que na tentativa de por alguma ordem ao caos. 1.3. Objetivos do Trabalho: Este trabalho tem por objetivo demonstrar a importância de uma boa organização e um bom planejamento, sistematizando tecnicamente os planos de evacuação em especial as rotas de fuga, a fim de que nós

como profissionais saibamos organizar com certa destreza a evacuação de prédios em situações de emergência.

Definições 2.1. Situações de Emergência: Situações inusitadas que fogem as atividades normais da empresa e que podem trazer prejuízos de qualquer tipo e de diversas proporções. Estas situações podem ser inesperadas, mas nunca imprevistas. 2.2. Planos de Abandono: É o planejamento do que deve ser feito em situações de emergência, através de um projeto de rotas de fuga indicado com sinalizadores para que as pessoas possam fugir da situação da maneira mais segura possível. É este plano que estabelece a hierarquia de responsabilidades de tomada de decisão, o tipo de orientação e treinamento que deverá ser feito ao pessoal, bem como a freqüência com que devem ocorrer. Enfim toda a organização da estrutura que garantirá o bom resultado em casos de evacuação. 2.3. Rotas de Fuga: São caminhos previamente estabelecidos para onde as pessoas devem seguir em casos de emergência. Estas rotas serão projetadas de acordo com um estudo de número de pessoas em cada prédio, suas características físicas e uma análise do prédio em si. 2.4. Brigada de Abandono: São equipes de auxílio à evacuação formada por funcionários da própria empresa que serão selecionados de acordo com sua liderança em relação ao grupo e que possuam equilíbrio físico e emocional para orientar este grupo numa situação de emergência. Estes funcionários serão devidamente treinados pelo corpo de bombeiros para desenvolver esta atividade. 2.5. Sinalizadores: Podem ser sonoros (campainhas, alarmes, bips, etc.) e visuais (placas de orientação e informativas, sinais luminosos, etc.) 2.6. Treinamento de Pessoal:

É a orientação às pessoas de como agir em casos extremos. São feitas através de palestras, orientações, cursos e ainda simulações periódicas de casos reais.

Situações de emergência As situações de emergência podem, na maioria dos casos, serem prevenidas ou pelo menos controladas através de um bom planejamento, fazendo com que suas conseqüências possam ser praticamente insignificantes. Elas podem se dar de diversas maneiras: 3.1. Incêndios: Os incêndios geralmente ocorrem sem aviso prévio das formas mais inusitadas, e em apenas alguns segundos tomam proporções catastróficas. Normalmente este tipo de evento ocorre por erros humanos como: deixar de se fazer o que é necessário (omissão), fazer o que é necessário, mas de forma ineficaz, insuficiente ou incorreta (incompetência), não realizar esta ação em tempo hábil. Pode ocorrer também por ações criminosa ou mau intencionadas. 3.2. Ameaças de Bombas: Muitas vezes não passam de simples ameaças, sem risco real, mas se faz necessário discernimento para se identificar às verdadeiras situações de risco. É preciso que seja feita uma estimativa de danos conseqüentes, físicos e psicológicos, caso realmente ocorra o incidente; que sejam praticadas medidas preventivas efetivas para reduzir a possibilidade de um evento deste tipo e ainda desenvolver técnicas de controle e contenção para reduzir o dano conseqüente. 3.3. Ameaças de Sabotagem, Seqüestro ou Ataques Terroristas: Estes tipos de emergências envolvem fatores de interesses políticos, ideológicos, sociais ou psicológicos que são utilizados como instrumentos de indução e coação a determinadas situações. Também são necessárias medidas preventivas principalmente no que se diz respeito à segurança das pessoas e da integridade física da empresa.

3.4. Acidentes Naturais: Estes tipos de acidentes podem ser esperados em determinadas regiões de acordo com suas características geográficas e ou climáticas. Podem ser terremotos, inundações...

Desenvolvimento do Plano 4.1. Análise do Entorno: Deve ser feita uma análise do entorno da organização verificando: ♦ A distância e a acessibilidade em casos de possíveis emergências em relação a hospitais (ou recursos médicos), bombeiros, brigada militar...; ♦ Analisar a vizinhança, verificando os tipos de construções ao redor do prédio em questão, e seu respectivo uso; ♦ Pesquisar o que existe em termos de prevenção ou combate a sinistros de empresas ou organizações independentes, que possam auxiliar no combate ao sinistro no local. 4.2. Levantamentos: Para que seja feito um bom plano de abandono se faz necessário um levantamento de informações bem completo e atualizado. Os principais pontos que devem ser analisados são: ♦ Tipo de atividades que são desenvolvidas na organização geral e em determinados setores de forma específica, verificando quais delas podem vir a causar algum risco a segurança; ♦ Possíveis alterações no projeto atual (AS BUILT) e a partir daí identificar os pontos críticos do(s) prédio(s) que deverão sofrer algum tipo de alteração para tornarem-se mais seguros; ♦ Identificar os pontos de maior perigo Ex: Geradores, Depósito de gás... ♦ Identificar as circulações principais e secundárias;

♦ Identificar o que já existe na estrutura em termos de prevenção; ♦ Levantar os horários de maior pico, o número de pessoas que circulam pela organização, e seu perfil (físico e psicológico); ♦ Fazer um levantamento do número de pessoas desabilitadas, que podem ser gestantes, idosos, crianças, portadores de algum tipo de deficiência, ou que se tornem desabilitadas temporariamente devido ao pânico. 4.3. Plano em si: O desenvolvimento do plano em si dará em cinco etapas: 4.3.1. Integrantes da brigada de abandono: A escolha dos integrantes deverá obedecer os seguintes critérios: ♦ Deveram ser voluntários; ♦ Deveram exercer sua atividade em tempo integral dentro da empresa; ♦ Passar por teste com psicólogo experiente neste tipo de caso demonstrando perfeito equilíbrio emocional em casos extremos; ♦ Deverá ter bom condicionamento físico; Um dos componentes será responsável pela contagem das pessoas, apesar de sabermos que só teremos a certeza de que o prédio foi totalmente evacuado após a primeira busca. Para as funções de maior importância deverá ser treinado um segundo componente para substituir as funções do componente designado como principal, caso esteja desabilitado (ferido, ausente) Depois de definidos os integrantes será determinada a hierarquia dos decisores bem como suas atribuições e responsabilidades. 4.3.2. Rotas de Fuga: Planejar o sentido que as pessoas devem seguir. São planejadas de acordo com as saídas de emergência existentes e com o número de pessoas bem como suas características. 4.3.3. Sinalizadores No momento da descoberta do problema, deverá ser acionado o alarme geral, é ele que desencadeará o início do movimento de abandono, para isto deve ser característico e conhecido de todos.

O sinal de alarme de incêndio deve ter uma tonalidade diferenciada da do sinal de abandono para que fique bem claro o a ordem para a evacuação. Os sinalizadores devem ser instalados em todos os pavimentos e nas áreas comuns como hall, comedores, elevadores, etc.). 4.3.4. Treinamento “Somente com treinamento sistemático é que conseguiremos obter condutas e procedimentos padrão, evitando o descontrole e o pânico.” O treinamento deverá ser distribuído em duas etapas: a) A primeira etapa será a de informação, orientando os usuários das instalações através de palestras e cursos a quem recorrer, por onde seguir e como. Algumas ações gerais que deverão ser observadas são: ♦ Conhecer as placas de orientação bem como todos os tipos de sinalizadores que serão utilizados pela empresa; ♦ Conhecer as saídas de emergência e as rotas de fuga; ♦ Se poderá ou não ser utilizado o elevador; ♦ Desligar equipamentos (máquinas) e removê-los dos locais que possam bloquear passagens; ♦ Desimpedir as portas e saídas; ♦ Entrar em fila e aguardar a ordem do deslocamento; ♦ Manter uma distância adequada da pessoa da frente, que deve ser de mais ou menos 60 cm, (uma dica para estes casos é que as pessoas fiquem de mãos dadas um pouco afastadas do corpo); As informações também podem ser distribuídas através de panfletos orientando para: ♦ Não tentar salvar objetos, salvo objetos que possam causar um risco maior; ♦ Procurar manter a calma e acalmar os outros também; ♦ Manter-se vestido e de preferência molhar-se; ♦ Se houver fumaça se manter abaixado; ♦ Se estiver preso, tentar arrombar as portas, mas antes teste a temperatura, e ao passar fechar os portas sem tranca-las, para evitar a propagação do fogo; ♦ Se não puder sair ficar próximo a uma janela aberta, A fumaça sairá por cima e o ar fresco entrará por baixo; ♦ Se não souber combater o fogo, não o faça;

♦ Mesmo se houver pânico não se deve saltar; ♦ Em caso de salvamento por helicóptero manter a calma e aguardar; ♦ Depois de escapar, não retornar de forma alguma. Deverão também serem feitas orientações específicas quanto a hierarquia de decisões, e principalmente deixar bem clara as funções de cada um dos componentes da brigada de abandono. b) A segunda etapa do treinamento serão as simulações, que devem ser praticadas em quatro passos: Passo 1: Simulação avisando os condôminos sobre o dia e a hora, e manter toda a infra-estrutura ligada. O objetivo deste treinamento é ambientar todos os usuários quanto aos procedimentos e itinerários; Passo 2: Simulação avisando os condôminos sobre o dia e a hora, porém a infra-estrutura da edificação é desligada. O objetivo desta é o de verificar se os dispositivos de emergência funcionam e ambientar os usuários sem a iluminação normal. Neste treinamento já pode ser anotado o tempo em que o prédio é abandonado. Passo 3: Simulação avisando somente o dia, sem comunicar a hora, imitando as condições em que irá se realizar o sinistro. O tempo deverá ser anotado e comparado a da Segunda simulação. Passo 4: Simulação sem avisar o dia nem a hora, deve ser bem realística. A realização das simulações permite a verificação da eficácia dos procedimentos adotados ou a necessidade de realizar correções e adequações de qualquer dos itens propostos. 4.3.5. Alterações Depois da simulação pode se ter a certeza de que o plano funciona, ou fazer alguns pequenos ajustes para que se tenha o melhor desempenho possível. As alterações poderão vir também ao longo do tempo com a viabilização de mais verbas para realizar adequações no prédio e investimentos em novas tecnologias.

Simulação feita pelo corpo de Bombeiros de São Paulo
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Legislação Municipal Lei n° 2884/84 – cria mecanismos de prevenção de incêndio e dá outras providências; Lei n° 2947/85 – Prorroga a vigência da Lei 2884/84; Lei n° 3700/93 – Adaptações para portadores de deficiência; Lei n° 3905/94 – Altera a redação do art.77 da lei que institui o código de prevenção contra incêndio. Legislação Estadual Despacho Normativo do corpo de Bombeiros / decreto estadual 3.8069/1993 e 37380/ 1997. Corpo de Bombeiros altera classificação de riscos e medidas de segurança Dia 02 de janeiro de 2.002, entrou em vigor o Decreto Estadual 46.076 de 31 de agosto de 2.001, que classifica as edificações e áreas de risco e indica as medidas de segurança contra incêndios. Tendo em vista o grande número de alterações, os processos atuais serão aceitos até 22 de abril de 2.002, podendo, também neste período, ser apresentados processos já com a nova sistemática. Todas edificações ou instalações temporárias, exceto residências unifamiliares, para efeito de construção, ampliação ou mudança de razão social, devem aprovar processos e solicitar vistoria para serem verificadas as condições de segurança contra incêndios. O Corpo de Bombeiros trabalha preventivamente aprovando e vistoriando edificações há mais de duas décadas; porém, a primeira legislação técnica importante foi o Decreto Estadual 20.811/83, que foi substituído pelo Decreto Estadual 38.069/93. As atualizações são importantes, pois surgem novos riscos, novos materiais, mudam as técnicas de construção, sendo até mesmo estudados os incêndios atendidos para a melhoria das normas. Legislação Federal Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) - circular 006/1993 Ministério do Trabalho - lei n° 6.514, portaria 3.214, NR 23 e NR 26. NORMAS TÉCNICAS NACIONAIS (ABNT) NBR 10898 - Sistema de Iluminação de Emergência. NBR 9441 - Sistema de Detecção e Alarme de Incêndio. NBR 13523 - Central Predial de Gás Liqüefeito de Petróleo. NBR 12962 - Inspeção, Manutenção e Recarga em Extintores de Incêndio. NBR 10897 - Chuveiros Automáticos - Sprinklers.

NBR 9077 - Saídas de Emergências em Edifícios. NBR 11742 – Saídas de Emergências em Edificações. NBR 11785 – as portas deverão ser dotadas de barra antipânico para saídas de emergências. NBR 5410 - Sistema Elétrico. NBR 5414 - Sistema de Pára-raios. NBR 12615 - Sistema de Combate a Incêndio por Espuma. NBR 13714 - Instalação Hidráulica Contra Incêndio, sob comando. NBR 13434 - Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico. NBR 13435 - Sinalização de Segurança Contra Incêndio e Pânico. NBR 13437 - Símbolos Gráficos para Sinalização Contra Incêndio e Pânicos. NBR 14276 – Programa da Brigada de Incêndio NORMAS TÉCNICAS INTERNACIONAIS NFPA - National Fire Protection Association – (NFPA) ISO - International Organization for Standardization DIN - Deutsche Industries Normem BSI - British Standards Institution

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