AULA Nº 4 - A transformação da austenite eutectóide em condições isotérmicas. O diagrama TTT.

É objectivo desta aula apresentar o diagrama TTT (transformação-temperatura-tempo) da austenite eutectóide das ligas Fe-C. Será explicada a génese do diagrama TTT e o procedimento experimental que o suporta. 1.3.3. A transformação da austenite em condições isotérmicas; o diagrama TTT O estudo dos tratamentos térmicos das ligas ferrosas coincide em parte com o estudo do controlo da transformação da austenite, como já foi referido. Em 1930, Davenport e Bain levaram a cabo um conjunto clássico de experiências cujo interesse e importância se mantém, por permitir a compreensão da transformação da austenite e o efeito nela exercido pela temperatura; analisemos essas experiências, esquematizadas nas figuras 1 / 4 e 2 / 4. Fig. 1 / 4 - Esquema experimental para estudo da transformação isotérmica de um aço eutectóide; a) as amostras são aquecidas a uma temperatura superior a 727°C; b) as amostras são transferidas para um banho de sais fundidos a uma temperatura inferior a 727°C; c) as amostras são arrefecidas em água à temperatura ambiente (cf. W. Smith, "Structure and properties of engineering alloys", 1993, Mc Graw Hill International Editions, fig. 1-11, pág. 14). Fig. 2 / 4 - Mudanças microestruturais na austenite de um aço eutectóide durante um estágio isotérmico a 705°C; após austenitisação, as amostras são mantidas a 705°C durante o estágio indicado e arrefecidas em água (cf. W. Smith, "Structure and properties of engineering alloys", 1993, Mc Graw Hill International Editions, fig. 1-12, pág. 15). Considere-se um aço com composição eutectóide (0,77%p C); colham-se várias amostras de pequena espessura desse aço e introduzam-se num forno a uma temperatura do domínio austenítico - seja uma temperatura de 800°C; permita-se uma homogeneização da microestrutura austenítica das amostras através de um estágio isotérmico de alguns minutos; arrefeçam-se rapidamente as amostras num banho de sais fundidos até uma temperatura um pouco inferior a A1 - seja 705°C; arrefeçam-se as amostras em água à temperatura ambiente ao fim de durações de estágio isotérmico a 705°C crescentes (vide figura 1 / 4); analisem-se as microestruturas (vide figura 2 / 4) e determinem-se as durezas finais das amostras.

Relação entre uma curva de transformação isotérmica da austenite e o diagrama TTT (cf. mudanças de volume. o diagrama obtido para a cinética da transformação isotérmica da austenite designa-se por diagrama TTT (iniciais de transformação. As técnicas experimentais utilizadas na determinação de diagramas TTT não se resumem à metalografia (estudo de microestruturas e avaliação de durezas). existirá uma duração de estágio isotérmico após a qual a austenite terá concluído a sua transformação. pelo que as amostras com duração de estágio superior a essa voltarão a apresentar microestruturas e durezas constantes embora diferentes das obtidas para estágios com duração inferior à do tempo de incubação. 28). pág. A dilatometria tem sido particularmente aplicada à determinação da cinética de reacções metalúrgicas no estado sólido. lançando mão nomeadamente de transferências de calor durante transformações. Fig. tendo mesmo estes estudos sido . ASM. apresentando as amostras uma microestrutura e dureza constantes .chamaremos tempo de incubação à duração do maior estágio anterior ao início da transformação austenítica.Heat treatment and processing principles". "Steels . a figura 3 / 4 ilustra o procedimento. G. mudanças de propriedades magnéticas e outras. a extensão da experiência a temperaturas progressivamente mais baixas permitirá a definição de duas curvas correspondentes aos tempos de início (start. aliás sendo o início e o fim da transformação difíceis de detectar com rigor superior a 1%.7. índice s) e de fim (finish. 3 / 4 .O estudo das amostras ensaiadas revelerá três etapas distintas durante o estágio isotérmico a uma temperatura inferior a A1: numa primeira etapa. Do ensaio efectuado tomem-se os tempos de início e de fim de transformação austenítica. Krauss. 2. tempo). Todas as técnicas referidas como permitindo a determinação de pontos críticos dos aços podem ser aplicadas à determinação de diagramas TTT. A figura 4 / 4 apresenta o diagrama TTT de um aço quase eutectóide. índice f) da transformação austenítica para o aço ensaiado. temperatura. substituam-se esses tempos de início e de fim de transformação pelos tempos necessários à ocorrência de 1% e 99% de transformação. passando as amostras a apresentar microestruturas mistas (parcialmente transformadas) e durezas decrescentes. após o tempo de incubação. fig. mudanças de resistividade. a austenite formada a 800°C manter-se-à por transformar. 1990. a austenite iniciará a sua transformação. lancem-se estes valores num gráfico de temperatura em função do tempo.

22). Vemos pois que o diagrama TTT contém três grandes domínios. Fig. austenitisado a 900°C. pág. associada à metalografia óptica e electrónica. verificamos que o tempo de incubação da perlite vai diminuindo (ver fig. para temperaturas inferiores a esta.3. Existem aparelhos de dilatometria de muito fraca inércia térmica.responsáveis por uma importante actualização da técnica dilatométrica. este é um constituinte formado por lamelas alternadas de ferrite e cementite. 4 / 4 .5°C) e a sua variação de comprimento (com uma precisão absoluta de 0.1 µm) em função do tempo. Para temperaturas de transformação austenítica vizinhas dos 200°C ou inferiores.79C-0.76Mn %p. o bainítico e o martensítico.Diagrama TTT para um aço com 0. Leituras complementares Texto sobre dilatometria de têmpera Auto-avaliação . Esta técnica. que se encontram disponíveis em atlas editados por laboratórios de investigação. capazes de imporem leis de aquecimento e de arrefecimento muito elevadas (até à ordem de grandeza de várias centenas de graus Celsius por segundo) e de registarem com elevado rigor a temperatura real da amostra em ensaio (com uma precisão de 0. "Steels . o perlítico. o produto da transformação austenítica adquire uma morfologia diferente da perlítica. esta é uma solução sólida sobressaturada de carbono no Fe α. que se costuma referir abreviadamente por α'. como já referimos quando do estudo da reacção eutectóide do diagrama de equilíbrio. com um tamanho de grão austenítico 6 ASTM (cf. passando a designar-se por bainite. conforme a temperatura da sua formação. O diagrama TTT de um aço eutectóide pode ser dividido em três grandes domínios. em função da morfologia ou natureza do produto da transformação austenítica. o que é um indício claro de que a formação da bainite foi prejudicada pela de um novo constituinte: a martensite. o produto da transformação é a perlite. 2.Heat treatment and processing principles". Krauss. Para temperaturas próximas de A1. ASM. À medida que a temperatura de transformação isotérmica diminui. permite uma determinação com elevada precisão de diagramas TTT e TAC. constata-se que os tempos de incubação se anulam. sendo este avaliado com uma precisão de 10 mili-segundos. que é um constituinte também formado por ferrite e carboneto de ferro (cementite ou outro) mas com morfologia granular ou acicular. 4 / 4) sendo mínimo a cerca de 550°C. fig. G. 1990.

2.1. Descreva o andamento da curva de transformação isotémica da austenite eutectóide em função deo tempo e interprete os respectivos ramos ou partes principais. . Refira sumariamente o que entende por diagrama TTT de um aço e identifique os grandes domínios destes diagramas. 3. Justifique a importância da dilatometria de têmpera (ou de fraca inércia térmica) na determinação experimental de diagramas de transformação da austenite.

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