A logística é motor da indústria do petróleo

Karla Motta - Arquiteta e Urbanista O Seminário Motores do Desenvolvimento do RN abordou neste dia 04 de agosto de 2008 o tema ENERGIA. Com a presença de representantes dos governos federal, estadual e municipal, de gestores de organizações de classe, de veículos de comunicação e da sociedade em geral, o evento de alto nível foi um sucesso. Foram apresentados diversos aspectos da demanda e oferta atual e futura da energia no Brasil e, em particular, no RN. Os debatedores discutiram sobre fontes alternativas e a viabilidade da sua obtenção e do seu uso para diversos fins. Dentre as fontes energéticas disponíveis, o petróleo é um combustível de relevância inquestionável, cujas variações de oferta e de custo afetam direta ou indiretamente a vida de toda a população. A disponibilidade da gasolina e do diesel, assim como parte da formação dos seus preços, decorrem da logística. Mais especificamente da localização geográfica das refinarias e bases, da distribuição, transporte e também dos principais fluxos de transferência do petróleo e dos seus derivados da origem até os locais de consumo. A cadeia produtiva que alimenta o mercado de combustíveis derivados do petróleo, partindo do consumidor final, é formada por revendedores, distribuidores, bases secundárias, bases primárias e refinarias. Segundo a ANP - Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, o Brasil possui 322 bases, entre primárias e secundárias, das quais 131 (40,7%) situam-se na Região Sudeste, 56 (17,4%) na Região Sul, 47 (14,6%) na Região Nordeste, 46 (14,3%) na Região Norte e 42 (13,0%) na Região Centro-Oeste. Para que as atividades logísticas se realizem a contento é necessário prever a demanda pelos consumidores finais e, a partir desta previsão, desenvolver produtos, tecnologia produtiva, adquirir insumos, produzir, armazenar, controlar estoques, processar os pedidos recebidos e, só então, distribuir. É verdade que a logística do petróleo e dos seus derivados requer tratamento diferenciado no aspecto de segurança ambiental. No mais, trata da movimentação de uma carga que parte de um ponto de origem e necessita chegar ao destino no prazo estipulado, apresentando a melhor relação custo/benefício possível e satisfazendo tanto o consumidor final como os demais componentes da cadeia produtiva. Os estoques de combustíveis e lubrificantes provêm das refinarias, de onde são transportados para as bases primárias das diversas empresas distribuidoras atuantes no mercado nacional, que redistribuem para suas bases denominadas secundárias, tornando possível abastecer os pontos mais remotos dos Brasil. A movimentação entre as refinarias e as bases primárias é feito pelo modo dutoviário ou por meio da navegação de cabotagem, através da atracação de navios tanques nos portos situados na costa do país. O modo dutoviário possui as menores tarifas e é um dos mais seguros, mas seus aproximados 10.000 Km ainda são insuficientes para movimentar os combustíveis demandados no Brasil. As transferências das bases primárias para as secundárias são feitas por caminhões-tanque nas rodovias e por vagõestanque nas ferrovias. As distribuidoras ainda enfrentam o desafio logístico de disponibilizar seus produtos aos pequenos postos de combustível com qualidade e preços competitivos porque, além das limitações da infra-estrutura para movimentação das cargas, estes postos de pequeno porte compram volumes pequenos e necessitam receber diversas entregas em curtos intervalos de tempo, o que afeta negativamente a produtividade e as margens de lucro dos fornecedores. Mas são clientes estratégicos para os consumidores finais, chegando, em algumas situações, a serem o único ponto para acesso pela população dos vilarejos aos combustíveis derivados do petróleo. Um país com a dimensão continental que possui o Brasil necessita de uma infra-estrutura logística adequada para o transporte dos combustíveis que utiliza, para que, aliada à aplicação intensiva de tecnologias de informação e de ferramentas logísticas de ponta, possa integrar de forma competitiva a cadeia produtiva do petróleo. Daí a afirmação de que a logística é o motor da indústria do petróleo, a serviço da sociedade.

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