Encontro Público de uma sexta-feira matutina 04 de Novembro de 2011 Prof.

Luiz Orlandi

Orlandi. - Uma cadeira. Eu sou do tempo em que a gente lutava contra cátedras. E em cátedra o pessoal ficava sempre mais pro alto. E agora estou sentindo falta da cátedra: é a idade. Mas que beleza! Agora vocês vão agüentar aí. Então. Eu recebi esse convite, que muito me honra, mesmo porque, quando eu comecei a ser professor na Unicamp – a gente é mais ou menos co-fundador daquele IFCH. Tem algum aluno de Economia aqui? Tem algum aluno de Economia? Que ótimo! Eles sempre foram mais ou menos assim: eles se livravam das massas, dos estudantes. Os professores sempre dominaram a Unicamp, os professores de Economia da velha guarda, e um deles sempre chegava pra mim, na época, e dizia – mais ou menos em 72, 73, 71, até 74 isso foi durando por algum tempo -: ele chegava pra mim e dizia assim, “Ó, o reitor pediu pra você assinar um documento dizendo que você não esteve na reunião dos estudantes”. Ah!, os estudantes na época faziam uma espécie de luta por vários motivos, e eu era impedido de ir às reuniões dos estudantes. Então é por isso que eu quero salientar que muito me orgulha estar aqui a convite de estudantes. Se vocês observarem faz muito tempo que eu fui proibido de emitir palavras numa reunião como essa. Por quê? Havia a ditadura externa. E havia a ditadura interna. É por isso que eu perguntei: tem algum estudante de Economia? Não. É grave. Eles continuam mais ou menos subordinados a perspectivas de um isolacionismo organizatório do todo. E é isso que nós podiamos conversar um pouco. A respeito de, vamos dizer, da necessidade, de um tipo de necessidade do setor, de setores organizatórios de luta, e uma outra necessidade, de outra ordem – que precisa ser estabelecida: que tipo de ordem, que diferença é essa – do que a gente poderia chamar de uma anarco-disponibilidade pra luta que, a meu ver, parece existir aqui: um grupo, agrupamentos políticos interessantes, capazes de prestar serviços a uma luta necessária, capazes de negociar, e ao mesmo tempo um conjunto, essa multiplicidade de pessoas disponíveis, dispostas a encarar os problemas e encaminhar, entregar-se a um trabalho de luta, essas coisas. Eu acho que é preciso cruzar esses dois tipos de necessidade, sem os quais o vigor da luta fica ameaçado. Se não tiver gente, partido nenhuma faz coisas (a não ser ajudado por militar, por milico, que era a obsessão da antiga UDN, que hoje é de Folha de S. Paulo etc. etc. etc. Os vigilantes capazes de pedir o retorno até de milico pra mandar). E uma disposição de luta das pessoas, e ao mesmo tempo, digamos, a esperteza de pessoas também, capazes de se entregar à organização. Por exemplo, a montagem dessas coisas [indica a aparelhagem de som atrás de si], desses requisitos técnicos, a disposição de pichar, de fazer isso, fazer aquilo, o tarefismo que no meu tempo de militância sempre foi um

Como vocês encaram isso? No meu tempo haviam maneiras dramáticas de encaminhar isso. já esse filósofo não era marxista. essas coisas. publicado em 1958. do filósofo de quem estou falando? Jean-Paul Sartre. ele introduziu no marxismo.negócio horroroso – você perdia tempo. que propunha essas ideias.. fazia.. ela precisa de esqueletos. vocês já sabem de quem estou falando. bom. de corpos. E eu comprava o livro e distribuía. eu comprava livros dele. mas aí. ele queria introduzir no marxismo uma espécie de anarquia interna. Então como é que a gente resolvia isso? Têm várias maneiras. é necessário que o problema seja interessante. Foi morta pelos nazistas e tal. o chinês na minha vida é um cara que nunca participou da minha educação. aquela disposição de gastar que eu tinha. Pra descobrir se realmente aquele. que vocês estão manifestando em vários pontos. etc. Ora ora. serviu de prefácio. e uma organização que só subsiste com o espírito da luta de todos. para com os funcionários. fazia – e começava a dar um cansaço porque era um cotidiano exasperador. Eu não queria ser chefe de nada. fazia aquilo. ou efetiva distância. Como é que vocês estão resolvendo isso? Como é que vocês resolvem essa aparente distância. torturar argelinos? Então o livro [sobre a] tortura. Primeiro. que é o meu pai. Um filósofo que dizia que o marxismo era filosofia inultrapassável na sua época. mas que de repente achou que podia. do tarefismo. Fui acusado de estudante profissional financiado pela China. e a grande marxista que ele adotava como imagem revolucionária era Rosa Luxemburgo. Na terra em que fui fazer vários cursos. ele tem o olho bem puxadinho: uma pessoa fabulosa. Une victoire. numa França. É nisso que eu estava querendo conversar. mas de qualquer modo esse problema do entrosamento entre uma disposiçãode luta. se aquilo tinha algum 1 Referência ao livro La question. o da militância. Era uma forma de participar. Uma solidariedade como essa. . na época. que nunca participou do meu sustento. É claro que havia um filósofo favorável a isso. em geral. porque conseguia fazer isso. que viabilizem linhas de luta. Eu queria possibilitar uma anarquia interna em qualquer partido. sempre achei interessante. você ia isso. para o qual o texto de Sartre. colegas etc. um grande livro – eu comprava e distribuía entre os amigos. eu fazia o seguinte: eu participava de todos os partidos políticos. fundamental. veja bem. “A tortura”1. como é que fica? Essa anarco-disponibilidade. os de esquerda. Pra melhor. ele [Sartre] faz um livro sobre isso. porque vocês já participam de um nível que não o nível sócio-econômico dos funcionários. Ha! ha! Oportunismo. “Cadê o endereço. cadê o endereço?” Eu dava o endereço. e as pessoas que não queriam organizar coisa nenhuma mas estavam dispostas a lutar. Mas se ninguém fizer. se não tiver um problema interessante fica artificial demais. linda pessoa e tal. e o Sartre elabora um grande prefácio. Um livro sobre a tortura. principalmente livros políticos – A questão judaica etc. O diretor de um jornal na Argélia foi muito torturado. Esse filósofo. não. Como você pode. na época. e estar num movimento de solidariedade com eles é uma maneira de mostrar que vocês conseguem divergir de sua própria inserção social. um chinês. de Henri Alleg.. que não quer saber de organização. O sujeito dotado ao mesmo tempo de uma vontade organizatória. editor do periódico Alger Républicain de 1950 a 1955. atingir lá dentro nas pessoas.

Então eu entrava também no movimento das ligas camponesas. O partido: “Mas você vai fazer isso?”. que ele publicou com um pseudônimo: Ernesto Martins. Sabe o que é secretário? O secretário é capaz de manipular coisas. Eu falei: “E vocês vão fazer o quê? Vender jornal? Pichar rua? Fazer o quê? Propaganda da mesma coisa. Ao mesmo tempo o partido era contra a participação na criação de ligas camponesas. que hoje está circulando pelas alturas: foi o Emir Sader. Aí o que eu fazia? Eu criava um partido mais intelectualizado. ele é filho de um operário. Ah. Mas ao mesmo tempo eu dizia. Por exemplo: eu era secretário da base local do Partido Comunista. Mas isso é uma sensação individualista. mostrando que não dá prum estudante fazer a luta pra instalar o socialismo. aceitei. Então ficava assim: entre a minha sensibilidade de ter horror de pegar um negócio e dar um tiro numa pessoa. um texto belíssimo que ele publicava. ele era vivo. lá dentro agitando um sentido de atenção à luta. era preciso fazer ligas camponesas. na época. Eu falei “Espera! Com que classe social nós vamos contar?” Esse partido tinha um operário na época. Falei “Gosto dele”. e que teria cisão entre entrar pra luta armada ou continuar na lenga-lenga (na época falava lenga-lenga) da luta partidária. Pelo menos no ambiente que eu freqüentava. sabe? O sujeito que disputa a mais avançada palavra de ordem do momento. que era um político do nordeste. estudante não vai querer toda hora ir pro campo fazer liga camponesa. que virou POC. você tinha injustiças agrárias na região em que eu morava. ou seja. publicado na revista Zhèngzhì zhōubào [政治周报] (Política Semanal). “Então você não vai conseguir recuperar armas da ditadura. mais. era uma luta do tipo pró-socialista. Não vou fazer isso. É um texto maravilhoso. Do Prestes. Ha! ha! Mais chegado à hipercrítica. É uma delícia de texto.. Deu. Uma guarita? Eu não vou entrar nisso. Deu. e a idéia leninista de que você. que virou isso. Mas. Por dentro eu via que a coisa não estava muito legal. A POLOP. milhares de 2 Referência ao texto Análise das Classes na Sociedade Chinesa. com operários. eu dizia. Mas fui convidado.. Um texto lindo. digamos. um partido capaz de negociar com Ademar de Barros. Aí. e gosto de um texto do Mao Zedong: como você descobre seus amigos e não-amigos numa luta 2. capaz de negociar com corrupções. com camponeses. que vocês devem conhecer por aí. das mesmas idéias? Vocês precisam participar da luta.” Um fuzil? Que nem deve ter bala e que não deve nem funcionar. mas um texto absolutamente leninista. O que eu quero dizer pra vocês? Eu participava de todos os partidos. Bom. e maoísta. Paulo. Esse era um partido trotskysta. Tem nada a ver com dogmatismo. Dá pra você fazer uma luta em Cuba. subjetiva. que era um partido conservador na época. de Março de 1926. Mas tem estudante. Na luta armada eu não consegui entrar. guardando um quartel. pra fazer uma luta tal como a tematizada pelos grupos. Porque esse sujeito não é general. que virou aquilo. Que aquilo tinha muita psicologia envolvida. não é do meu feitio chegar e dar um tiro num sujeito que esteja com um fuzil.compromisso com Mao Zedong. Isso já em S. . ou então vocês vão ficar de fora”. minha. E virei secretário. pelo grupo que eu frequentava. isso por dentro. tinha um texto de um velho militante da POLOP. liderado por um grande amigo meu. estudante de classe média. que eram inspiradas em Julião. os meus modelos mentais – leninista.

mas amar é muito bom. aliança é outra. a cada instante.duma região..” E um coitado participante do grupo foi prum lugar desses. a gente vai pro mato e. tem um cara meio assim meio assado falando de luta armada e tal. em Paris. “Ah! ó. olha a dosagem! Vamos falar um pouco lá do organizador. Ah. inclusive o Estado era meio anarquizado na época: até com bolsa da Fapesp consegui fugir. um privilégio. doses de afeto. é! Fantástico! Aí. e não a filiação. em Paris. ou seja. eu estou contando tudo em função de você ter que anarquizar. Em Paris uma reunião. Lênin e Trotsky ordenam um ataque total a operários . “O quê”. Era esse meu atrito. pro antigo proprietário.. Você pode ser filiado a um partido e lutar honestamente lá dentro...” Não é assim! Foi preso. São doses de adesão. Bom. era pra decidir o seguinte: vamos comunicar os nossos companheiros lá do Brasil.“Não. vocês sabem disso. Mao Zedong também. então não pode ser mera psicologia.. Veja bem. Paulo por vários aparelhos. Não há como aceitar o comando. Partido não pode comandar quem está lutando.. Há uma conviviabilidade. Mas sempre pensar que a aliança é fundamental. Então é burrice. Prestador de serviço da luta. Tem momentos em que ele e Trotsky ordenam. Então as alianças tem os vários níveis de não ser burra. Atráves de um ímpeto eu posso fazer besteira. Anarquizar no sentido: “Você vai fazer a luta socialista? Com quantos operários?” . Eu consegui escapar de várias caçadas. vocês vão ver o sentido que eu quero dar pro que estou dizendo. É aí que ele encontra dignidade. Então você tem que fazer o que o Spinoza aconselhava: vai dosando. E com os quais pode haver uma mera besteira. felizmente deu tempo de vários dos meus amigos fugirem pra França. Uma reunião. Que que é isso?!” É comando. uma fábrica de transformação de peixes.. um mês depois já estava preso. sem o que não há nem luta nem organização competente. E todavia teve giros problemáticos.“Ah. filiação é uma coisa.. Eu posso entregar prematuramente uma vida que pode ser útil numa luta radical.. E lá. O organizador começa a criar dentro dele. só recordando uma coisa. Não há livro pra isso.camponeses –.. uma vez uma reunião. antes: Lênin não foi sempre o perigoso Lênin. por quê? Os próprios camponeses acharam estranho a figura. A aliança é feita de afetos muito fortes sem os quais não há luta. Não tem nenhuma cartilha de partido algum que possa ensinar isso. a arte de dosar encontros. Felizmente. Todo jovem tem a experiência de encontros desastrosos com a mulher amada ou com o homem amado.um ataque: “Mate!” . Mas atrito verbal. ou seja: uma delícia. “o quê? A gente. O afeto pode ser burro.. É verdade. Não há universidade pra isso. vai sugerir se eles continuam ou não em luta armada? Vocês estão com. E mesmo quando perigoso ele tinha momentos de recaída no senso de proporções. “Com quantos camponeses?” . tem um lá!” Ha! ha! Tem um. onde é que você vai com estudante? Nós vamos ser caçados aqui mesmo em S. esses operários queriam entregar uma fábrica de peixes. é isso que eu quero dizer. se continuam ou não na luta armada. perguntei. o agrupamento em que você se encontra.. nesta cidade. aparecer como ajudante da luta. e não no comando. Eles falavam “Eu não quero mais isso! Não queremos mais isso! Não queremos . então lá em Paris. Partido tem que absorver o ímpeto da luta. já tinha gente fazendo a revolução.

eu dou risada porque: o que é que vocês podem fazer? Ao mesmo tempo podem tudo. Eu olhei pra ele e falei: “Ó. Vocês precisam se encontrar mais. digamos. era ameaça do retorno ao capitalismo em grande escala naquela União Soviética. Bom. Eu vejo uma juventude. A única. O reitor está demorando pra resolver o problema. Não é bem humanista o problema.. inteligente.. mas nesse ritmo guevarista você vai acabar sendo deputado dessas merdas de partidos que têm por aí. É isso! Ou seja. deixa ele organizar. Decide-se muita coisa a respeito de vocês. o retorno do capitalismo. a gente continua trabalhando aqui. bom.“Mate!” O Exército Vermelho entrou e matou. eu acho. Virou deputado! É como o filósofo. É um micro-fascista que cresce se você não dosar. a única posição que eu queria sustentar é essa: de um jogo.. Mas assim não precisa! Por que aí depõe contra o movimento. Como eu disse uma vez a um sujeito que botou a peruca do Guevara. vamos matar ele. Pra enxurrada de problemas é muito pouco. A melhor coisa pro adversário. Ter mais presença nos lugares em que se decide. Paulo... O peso das autoridades. Não precisa discutir. Como é que nós vamos vazar por aí? E outra: a coisa vem e de quatro em quatro anos a gente vota.mais organizar essa merda! O antigo proprietário era ótimo.. não é bem filósofo. Professor de filosofia que começa a fazer artigo pra Folha de S. Por quê? “Era o gérmen. mas virou deputado. é o oportunismo que não quer ascensão na linhagem dos partidos.” . Vamos lá. é pouco. é dar uma risadinha e virar as costas. Dose! Pára um pouco! Suspende o seu ímpeto: organizatório ou de luta mesmo. porque o futuro. Mas é pouco.. Discutir valoriza a besteira do outro. O nosso eram imbecis. hoje existe uma pretensão de sabedoria fantástica na mão de burocratas que perpetuam um estado de coisas. de um possível jogo. pô. bem dosado. entre filiados de partidos – veja bem que eu não estou falando de campanha contra partido. digamos.. Deixa ele. Ao mesmo tempo eu fico olhando: há um pesadume maior pra vocês do que o pesadume que havia na minha época de jovem.. voltando. ótima pessoa. Começa um micróbio de degringolagem do pensar: essa potência tão simples que você estraga com jornalecos. às vezes. que tem um capitalista. Não estou fazendo campanha contra liberdade de imprensa. pra isso. Hoje não. no meu tempo de jovem. Tá na cara que eles vão se estrepar. Por .” Ele quase me bateu. Eles estão abusando da liberdade de falatório imbecil. O peso das idéias conservadoras é muito grande. um possível entrosamento. pô! Uma fabriqueta que tem um operário: um dono. eu já falei muito.” Ora. E matou os comunistas locais que estavam de acordo com os operários que queriam devolver a fábrica. pô? Tem sentido isso? Então o que é esse troço que brota na cabeça do organizador? É um troço que pode brotar em cada um de nós. eu estou apostando no oportunismo de circulação pelos partidos. Isso é fundamental. na medida em que eles participarem efetivamente da luta. Imaginem vocês uma cambada de milicos mandando. deixa. um possível agenciamento competente. pra aquilo. o problema é de eficácia. O inimigo de vocês é muito maior do que o nosso. [?]. mas. deixa. Bom.. É preciso manter? Sim. pois daqui a pouco. pra Estadão. claro.

. Então isso vai atingir vocês. se vocês forem. vocês vão ser julgados do ponto de vista de uma produtividade avaliada quantitativamente.. da revisão de critérios quantitativos de avaliação..“Qual é o quê?” “Qual é a. Eu quero ouvir.. que antigamente era muito forte. Todo dia. Seja velocidade. Alguns alunos que frequentam o curso às vezes percebem que eu fico meio desbaratado. qualidade é uma coisa. é do juízo cotidiano que vocês precisam temer. Vocês me contem um pouco do movimento. por que eu estou contando isso? Porque esse grupo.. Isso vai crescendo. uma vez . virarem professores. e uma quase que opressão cotidiana em termos de controle e em termos de avaliação. por aí (vocês não tinham nascido). O Ivo já denunciou que eu sou ignorante do que vocês estão fazendo. etc. Mas é o império do controle do juízo. era um grupo muito engraçado. Se você for submetido ao Juízo Final. Alguém por acaso. e ao mesmo tempo muito engraçados. toda hora. Ha! ha! ha! Era a época que já estava quase . você chega lá e fala assim: “Olha. seja quantidade de álcool. laboratórios e tudo mais. não tem. uma espécie de hippies retardatários. tá cheio. Veja. Um pouquinho e aí desencadeia uma conversa.. nos lugares.. a filosofia contemporânea já elaborou a crítica do juízo de Deus. E puseram assim: “Orlandi pra presidente”... eu quero mais ouvir do que falar. e o que for. Claro! Mas deixa eu contar mais uma história.“Ah! é? Que bom. toda hora você está sendo julgado.... eu sou que nem o Chico Buarque. Ah. o Chico já garantiu. Eu duvido que alguém aqui tenha ainda medo do Juízo Final. Aí um aluno.na década de 60. Puts! Mas não é possível! “Como é? Ah! não tem. Então nós temos uma democracia eleitoral de quatro em quatro anos. As famílias foram até destituídas desse poder. São os burocratas do julgamento.” já com um olhar meio assim: “a droga!”. Não vou fazer.” . 70. antes. Eu acho que Deus é gozador: primeiro me fez brasileiro. Ha! ha! ha! Engraçado que eu estava dando aula sobre Hegel ein. bem. E é preciso investigar como se arma o mecanismo que coloca uma fatia da população nos lugares de emissão de juízos a respeito de nós todos. Aí um dia eles picharam o IFCH inteiro. Então eu acho que é preciso participar de uma luta. assim. . Eu dava aulas.. Chama idéia? Onde a gente compra?” Ha! ha! ha! Onde a gente compra isso! Bom. em termos de juízo. E esse império fica na mão de alguns. Tinha coisas. picharam. não. E aí um aluno chegou e falou: “Poxa. eu quero ouvir vocês. péssimo ou não. vou dar um exemplozinho irrisório: daqui a um tempinho vocês serão submetidos a escalas de apreciação dos trabalhos de vocês. que ainda é muito pequena. Bom. 80. toda hora. a cada instante. outro dia eu fiz esse teste e um coitadinho apareceu dizendo que. quase em 1980. cientistas.”. Eu digo. critérios que vão e que são já dominantes em vários setores. e às vezes eu fico inflamado na aula e tal. de entrada e saída de gente nas repartições. aí.. Não interessa discutir se isso é ótimo ou não. Eu devo a vocês uma coisa. chegaram bem depois. Vocês vão ser julgados cada vez com mais fervor da parte daqueles que controlam a pirâmide social. Isso daí é a emoção da idéia”. seja isso. Vocês não vão ser julgados. porque eles ficavam muito soltos. Porque está cheio de juízes por aí. etc. seja aquilo.exemplo. professor! Que inspiração ein! Qual é a. terríveis. Avaliação da qualidade por redução quantitativa é outra coisa. Então não tenham medo do Juízo Final.

e foi à Araraquara. sobre vários aspectos. e faz uma pergunta muito forte. Bom. e isso e isso.a partir de um grito vindo. um papa aconteceu. O socialismo conquistava muita gente. feita pelo Fausto Castilho – que é professor ainda. pertinente. Às vezes um acontecimento como esse. isso aí pode acordar a qualquer instante – se transformaram em lutadoras. O Fausto. que é a família.. uma vez. Ele fez uma pergunta. e estava circulando pelo Brasil aquele mesmo filósofo. na época. Não há. E ele. Então foi muito bom virar presidente . Não apenas no ideológico. tudo isso aparece graças a esse papa subversivo. Aí o Sartre falou: “Encontrei um cara que me lê”.. vocês já sabem ou nunca souberam. Bom! Esse fenômeno da mudança foi fantástico. derivada de PUCs. graças a uma pergunta. Mudou. graças a ele a cristandade foi virando pra esquerda. A Igreja mudou. A Teologia da Libertação. digamos. Primeiro: a primeira filiação já não suporta o ímpeto dos próprios filiados. uma vez. foi ali que a coisa teve início. eu era ateu. Tivemos que lutar na época contra igrejas. a respeito do modo como Sartre achava possível situar o existencialismo dele no interior do marxismo. tinha como inimigo principal. principalmente a de Campinas. foram até presas em guerrilhas. As Marchadeiras de 64. por isso: “Orlandi pra presidente”. Não”.chegando a democratização. pró golpe de Estado . do qual eu comprava livros e distribuía: Jean-Paul Sartre.que podem acordar. era Joãozinho Quase-Quase. a criação de alianças. já tinha lido. que tinha acabado de publicar Crítica da Razão Dialética. Um negócio fabuloso. E ele mandou uma pergunta. depois da virada que o papa propiciou.ha! ha! . digamos. Através de vários caminhos a pergunta chegou ao Sartre. Então é isso que a gente precisa salientar. só pra brincar. pois eles estavam perdendo muitos jovens. eu quero conversar. os estudantes católicos de Campinas! Em todo encontro de UEE tava lá a cambada reacionária.. porque ela estava perdendo a juventude. foi o criador do IFCH.. Não se esqueçam nunca. o panorama mudou. bom estudioso. Antigamente chamava de ovelha . É claro que há todo um jogo de alívio. Então era preciso um papa capaz de ver que a questão social era fundamental no campo da Igreja. uma encíclica. um calhamação. ela pode vir por vários caminhos. Eu quero ouvir. A gente vive a possibilidade de conexões as mais inesperadas. Ninguém conseguia enfiar uma idéia de esquerda num cristão. Isso eu acho que vocês precisam carregar pelo resto da vida. Uma pergunta muito bem elaborada e tal. Falei: “Pô. Há alianças que podem acontecer sobre vários ângulos. UFF. Conhece o João? Alguém conhece o João XXIII? Pra gente atéia. João XXII. sabe o quê?. a gente não vive em sistemas fechados de relações.. Bem. pra você ver que coisa interessante: as coisas boas podem surgir de brincadeiras. graças ao João. não simplesmente. Aí outro grupo falou: “Por que não?” Ha! ha! ha! Aí que começou uma brincadeira que me transformou em diretor daquela coisa. Então a mudança.. A gente em movimentos de UEE. social. é possível que tenham esquecido se sabiam: nós conseguimos levar lá para Araraquara. Quem é de Araraquara aí? [Uma garota levanta a mão] Ah! prazer! Foi ali. a virada mental que o papa propiciou. Aí foi uma delícia porque conseguimos criar coisas que gerações anteriores não queriam: a gradução em Filosofia. uma cidadezinha de. intempestivas. Mas ele era um grande papa.

Não é uma ovelha. Ah! puf. que eu fiquei com medo. eu quero ouvir. o que de fato é. veja o que ele. Volta o mesmo tema: a dosagem entre micro-filiações e expansões da. É uma axiomática capitalista. Às vezes. esquece”.. aqui dentro do partido... Ele escreve e você fala assim: “Devo acreditar. ou ser um cara. Fala: “Pô! Olha que mundo eu consegui abrir com esse pessoalzinho que eu não conhecia. seja pras finanças. não é isso! É intra-partido. São! Então eles não podem ficar presos num teorema. fazendo em prol da luta efetiva? Em prol da luta efetiva.. mesmo que seja contrariando a si próprio. Eles não podem ficar presos numa axiomática. anota bem isso”. Eu quero que vocês percorram o IFCH e perguntem: como é que foi a gestão do Orlandi? Ah! eu obtive o choro apenas de uma funcionária uma vez. mas você fica com a sua nova idéia. Os matemáticos são os maiores criadores de inovações. eu digo: você pode comprar alguma coisa sem pagar? Não pode..” . extra-partido. Olha que interessante isso. por exemplo. E então o Sartre. A família se achando cada vez mais incompetente. continue na debandada. ou seja: “Lá vem esse anarquista enchendo o saco”. Você não pode chegar e tomar: “Olha. “Você precisa pagar. a pergunta anarquizante é a seguinte: o que estamos. que era do meu tempo. tá precisando todo mundo trabalhar.. É isso que eu queria aqui retomar. na possibilidade de arrumar.. Sou capaz de divergir de mim mesmo. volta a ler. Já chega da axiomática que nos toma por aí! A todo instante. Mas o Sartre. antigamente. do quê? Daquela coisa que o Bergson acentua bem: dessa potência que opera em nós de divergir constantemente de si mesmo. apoiar os funcionários? Que não é fácil ein! É uma atitude individualista de diretor. agora é todo um rebanho negro que sai de casa. seja pro ensino. Já estamos na debandada geral.. Não dá tempo dele mudar o que ele escreveu.. ser uma merda pra funcionário. A gente tá preso. Como é que vocês resolveram. Então. “Ah não.“Eu posso fazer um discurso?” Ah! mais um discurso! Um discurso? Como é que eu vou vender o discurso pra fazer a moeda universal? Esse troço que me permite viajar pelo mundo. Esse que é o grande achado. às vezes. Principalmente o pessoal. Por quê? Coitadinha. coexistências interessantes. eu devolvo em forma de trabalho”. É a axiomática capitalista. chorou. sempre no divergir de si. não sou sartriano. Não! Você continue. Achei que ela não servia pro setor. você pode discutir e não acreditar nisso que estou dizendo”. você argumentava contra uma tese dele.. aí você vai trocar de família? Ou seja. quero quero. Eu vou chegar numa feira e pego não sei o quê [traz a mão à boca e finge mordiscar algo]. digamos.negra. Como é que você pode entristecer uma pessoa a ponto de obter o choro? É . nos encontros pessoais dele. Essa potência de divergir de si. Axiomática. A maior cretinice é transformar sua própria vida num teorema coerente do começo ao fim. o pessoal de partido não entender o que estou dizendo num sentido positivo.. Bom. Você está lendo.“Ah. Voltando ao Sartre.. Se você é do partido. Não é. Sugeri a ela que se transferisse pra outro. vai fazer de um agrupamento de uma família. hunf. É como se eu fosse sartriano. que interessante aquilo”. fecha um pouco e vê o que ele faz. ele dizia: “Você sabe que você tem razão? Pô. A troca primitiva não é mais permitida. O choro é uma grande manifestação. Sartre?” .

muito rico. esse diálogo constante... Ah! vem cá! Você sabe que nós somos. Bom. se choquem estratégias. muito menos com uma direção burocrática. Acho fundamental o que o senhor colocou.. Oi gente. de anarquização no interior das próprias organizações.. por exemplo – pegando mais esses exemplos – de que. Mas vem cá. assim. num ideário de partido. tipo. e. mas pra mim eu partilho bastante. até hoje. Mas então. e eu acho que se mantém ainda hoje. um operário muito pequeno. digo. sem uma sensibilidade em relação ao povo. se choquem práticas. meu nome é Tiago.. no seio da esquerda. sim.. se eu entendi bem na verdade. eu digo nós porque eu estive excessivamente participando de vários partidos. Então é uma condição histórica. tipo. vem cá. eu não encontro ninguém de partido. O que quero dizer com isso? Passa pelo princípio radical. muito pelo contrário assim. Então tem que ter acordo. partido é o PT. é o PMDB. de antiburocratização. tipo. e as lutas se dão de vários pontos. de [?]. E burocrático a gente vê o que virou depois. Muito pelo contrário. tipo. que se choquem idéias. tipo ao campesinato russo. abertamente em assembléias. tipo.. por que só a partir disso. Aí.. Bom. não sei se entendi exatamente o que o professor colocou. mesmo no partido que fez a Revolução de Outubro de 17. da LER-QI. Bom dia. pra mim é fazendo abertamente debate com todos sobre as posições de cada partido. eu falo pra ela: “Você ainda não foi pra biblioteca?” Ha! ha! Ela olha: “Você!” Que ótimo. reação stalinista na Internacional etc. isso não poderia ter sido feito sem essa sensibilidade. que só a partir disso é possível que se avance nessa luta. Acho que é muito rico. assim. porque só assim é possível. acompanhar a evolução do pensamento da posição desses dirigentes. infelizmente boa parte dessa miséria política que a gente vive hoje. Acho realmente fundamental.. com relação ao Lênin e ao Trotsky. de fato. não é possível! Eu fui. Você acha que tá muito errado? Na época era necessário porque um era contra o outro. na verdade.. em vez de. muito pelo contrário. Intervenção – Obrigado. tipo. de uma ampla liberdade interna de discussão.. dos partidos deva se mover por cima da luta e da movimentação. e isso não poderia ter sido feito. no interior de muitos partidos. estamos muito de acordo com esse princípio. tipo. com esse princípio de antiburocratização. É bastante importante.violento isso. acaba reproduzindo esses princípios burocráticos. que é bastante observado. É só dessa atividade [?]. Também não acho que a relação. assim. também. inclusive. tipo. na verdade. E evidentemente respeitando essas decisões soberanas. nesse sentido. estou bastante de acordo. Felizmente não virei nem vereador nem deputado. Sou militante de partido. de que é. . fundamental que se choquem idéias. que se choquem programas também. Então pra mim. primeiro. É uma coisa interessante.. acho que boa parte das atividades de sala de aula. inclusive. tipo. que pra mim tem um conteúdo muito. bastante acordo. só pôde ser formado a partir... tipo depois de Stalin. Queria colocar que. E abertamente. cerceamento [?] de burocracia interna. na verdade. tipo.

nas indústrias.. lá producões disso. não é? Poder. democrática possível. a palavra de ordem mais. não existe isso aqui? Nós criamos essa palavra lá na Grécia. . Aí vai. uma luta que implica um ir contra alguma coisa. Claro. na época. poder entendido como conjunto de relações de força. era: “Todo poder aos sovietes!” Sovietes operários.Orlandi. da listagem de quem vai falar em primeiro. e vai um tempinho bem curto: Lênin começa a notar um perigo de anarquia entre o quê? Entre: “Você está mandando no soviete x. Como é que vai ser isso? Mas ainda não tinha tempo de ficar essa indagação. Bom. também.. no meu mundinho lá em Atenas. unificadora do movimento. Só não tinha isonomia na força de pensar. produções daquilo. capaz de recuperar a humanidade inteira porque não tinha o ímpeto do mando nas pessoas. Eu vou só dar um exemplo da necessidade da atenção ao que o Tiago disse. Esse era o problema. Ê lá lá! Se cada um desses lugares começar a mandar livremente. no meu. Vista de cima. a linguagem tá cheia de palavras de ordem -. Ha! ha! Tô brincando. Seja contra. da época. O jogo das forças. digamos. Gostei. Será que você consegue? Você unifica um movimento através de uma palavra de ordem: “Todo poder aos sovietes”. A noção de poder em Foucault ajuda muito o estudo das organizações. quem vai falar em último. porque há uma hierarquia do cara que tem o maior contato possível com o motor imóvel. só que os sovietes estão separados uns dos outros.. tinha que continuar no movimento. mas e o plano geral. mais forte. Bom. Bom. também. Aí. bom. Olha o sonho fantástico. pô. lá no Liceu. . porque é todo um jogo de poder. porque naquele movimento. “Todo poder aos sovietes” unificava o movimento? Sim. como é que vai ficar? Vai dar uma anarquia na produção”.Obrigado. Não sei se vocês se lembram disso: palavra de ordem – que é um tema importante pra vocês. ah lá! Ferrovias ta-ta-ta. portanto. então.. a gente tinha isonomia. que em geral é uma luta de resistência. e à esperança de que uma ditadura do proletariado seria emancipadora da humanidade. uma reitoria que demora muito pra chegar num entendimento da necessidade de uma justiça distributiva. aqui transportes y. durante o processo você tem os sete dias que abalaram o mundo e que iam dar a vitória ao Partido Comunista. aí essa palavra de ordem que correspondia ao conceito de ditadura do proletariado. tudo isso. A favor da isonomia salarial é contra. Mas você sabe que no campo de luta tem esse troço. aquele deus. né. o negócio de organizar quem vai ficar dominando o microfone. agrupamentos operários nas fábricas. e “Todo poder aos sovietes”: vocês lutem e vocês exercerão poder a partir dos seus sovietes. do ponto de vista da organização dos palanques. Outra coisa: é bom estudar partido. nos lugares de trabalho e tal. e ainda não fizeram isso aqui na universidade. estaria nas mãos de quem nunca foi proprietário e. a idéia de palavra de ordem. Então: “Todo poder aos sovietes”. enfim. Orra. Por quê? Porque o poder. o que vai ser da economia? Você vai fabricar locomotivas. também. Essa era a grande palavra de ordem. Aquele que. de certo modo. dizendo: “Pô. O seguinte: você viu que o perigo do homem de partido é pegar o microfone e depois não devolver. Coisa que Aristóteles estaria aqui dando aula com muito mais competência. de certo modo. por exemplo: numa luta. Então tem uma questãozinha.

“Ah! mas veja bem. é mais pertinente do que a visão parcial. mas depois a gente continua. é preciso manter isso como um grande e permanente problema. no fundo ainda verdadeira. E vai aquela angústia. resistir a algo por aí.. É a luta em mim! Como é que você luta contra você? Com quem eu preciso me aliar pra lutar contra o fascista que começa a nascer em mim. Você só pode ir contra você aliando-se com alguém que olhe você e fale assim: “Você está abusando do poder que eu lhe dei. quebrada. Por enquanto é isso. Não é bem “Todo poder aos sovietes”. Por enquanto tomaremos o poder em nome do povo”. um passo atrás pra estar sempre disposto à luta contra o que toma o poder em seu nome.você precisa lutar contra a emergência do fascista lá dentro de você. que representa o povo inteiro. É por isso que o próprio militante precisa não perder de vista o revolucionário que ele foi durante um período. Sempre assim. Foucault (Introdução à vida não-fascista) à edição americana d'O Anti-Édipo. Esse é o nosso drama. filho da puta”. Um representante com poder supremo. nazistas etc. ou seja. há uma distância. Fica de olho na cueca do cara. Ele não pode perder de vista! Então. sem desmerecer e sem diminuir a importância do ímpeto revolucionário. E tende a aplicar o taylorismo num país que tinha feito a revolução. 1) Como é que eu luto contra mim? Aliando-me com alguma força de fora. não”. que me ligue à manada em mim.. [Palmas fervorosas]. Essa do dedo. de cada pequeno setor. esta. é uma tragédia leninista. Aí. que haja uma mudança. agora não dá pra fazer ainda nem concessões de consulta. Por isso que não dá pra confrontar o plano organizatório de uma revolução vitoriosa com o ímpeto revolucionário das gentes. Você precisa se aliar com aquele com o qual você esteve. que eu fiz agora. Bom. Isso nós não podemos esquecer. Você está representando. em riste. Fique de olho! Fica de olho no representante! Atenção permamente a quem se diz estar dirigindo algo em seu nome. angústia em Lênin. 3 Referência ao prefácio de M. que você foi se esquecendo. quebradiça. Pro povo aprender alguma coisa”. Ah! Quando você toma o poder em nome dele. E! Não só contente com isso: “Nós precisamos do taylorismo. de cada soviete. Você entra não tendo certeza do que vai dar. Então. Um abraço. naquele momento. você está sendo mediador. além do lutar contra algo. Você está criando uma mediação. você precisa lutar – esse é um texto muito bonito de um outro filósofo 3 . é um drama. muito verdadeira. o modo de organização de uma empresa capitalista”. “Então. Ele fala: “Não tem jeito! Nós precisamos de uma escola de administração. ora! A gente toma o poder em nome do povo? Mas agora não dá. até mesmo na gesticulação? Ó! Lembram das gesticulações fascistas. de cada região. Um abraço. como é que ele vai consultar? Como é que ele vai consultar os sovietes? Ele tem que convencer os sovietes de que a visão abrangente dele. Por enquanto ainda não pode. É como uma perda de Estado. ele pode tá cagando na retranca. mas é preciso. . Não dá.

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